segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Lição 13- O Cativeiro de Judá

 


OBJETIVO GERAL

    Sinalizar o efeito dos pecados cometidos pelo povo de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

   Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apontar os motivos da decadência de Judá,

Revelar a teimosia do rei Zedequias;

Relatar a queda de Judá.


Texto Áureo

“Porém zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e escarneceram dos seus profetas, até que o furor do Senhor subiu tanto, contra o seu povo, que mais nenhum remédio houve.”

 (2 Cr 36.16)

 

Verdade Prática

   Todo o ser humano se torna cativo de suas escolhas e das consequências delas.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Reis 24.18-20; 25.1-10

2 Reis 24

18 – Tinha Zedequias vinte e um anos de idade quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.

19 – E fez o que era mal aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera Jeoaquim.

20 – Pois assim sucedeu por causa da ira do Senhor contra Jerusalém e contra Judá, até os rejeitar de diante da sua face; e Zedequias se revoltou contra o rei de Babilônia.

2 Reis 25

1- E sucedeu que, no nono ano do reinado de Zedequias, no mês décimo, aos dez do mês, Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acamparam contra ela, e levantaram contra ela tranqueiras em redor.

2- E a cidade foi sitiada até ao undécimo ano do rei Zedequias.

3 – Aos nove dias do quarto mês, quando a cidade se via apertada da fome, nem havia pão para o povo da terra,

4- Então, a cidade foi arrombada, e todos os homens de guerra fugiram de noite pelo caminho da porta que está entre os dois muros junto ao jardim do rei (porque os caldeus estavam contra a cidade em redor); e o rei se foi pelo caminho da campina.

5- Porém o exército dos caldeus perseguiu o rei e o alcançou nas campinas de Jericó; e todo o seu exército se dispersou.

6- E tomaram o rei e o fizeram subir ao rei de Babilônia, a Ribla; e procederam contra ele.

7- E os filhos de Zedequias degolaram diante dos seus olhos; e vazaram os olhos a Zedequias, e o ataram com duas cadeias de bronze, e o levaram a Babilônia.

8- E, no quinto mês, no sétimo dia do mês (este era o ano décimo nono de Nabucodonosor, rei de Babilônia), veio Nebuzaradã, capitão da guarda, servo do rei de Babilônia, a Jerusalém.

9- E queimou a Casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém; todas as casas dos grandes igualmente queimou.

10- E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda derribou os muros em redor de Jerusalém.

• INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Ao introduzir a lição, converse com seus alunos sobre a fidelidade de Deus diante de suas promessas. Deus demonstrou sua misericórdia por Judá dando ao povo, diante do juízo merecido, repetidas oportunidades para arrependimento. Mas, infelizmente, eles viraram as costas para o Eterno. Embora as promessas de juízo de Deus pelos pecados de Judá tenham se cumprido, o Senhor continuou a falar com seu povo por meio de seus profetas e em oração. Mesmo com seu juízo pelo pecado, Deus permanece fiel às suas promessas.

Ponto Central:

 A justiça de Deus é aplicada àqueles que insistem em permanecer e, seus erros. 

INTRODUÇÃO

   A fase final do reino de Judá foi protagonizada por quatro reis: Joacaz, filho do rei Josias (2 Cr 36.1); Jeoaquim, que reinou por ocasião do primeiro grupo de prisioneiros levados para Babilônia, em 605 a.C. (2 Cr 36.5,6); Joaquim, que reinado, vivenciou o cerco de Jerusalém por Nabucodonosor, que resultou em dez mil pessoas presas, em 597 a.C. (2 Cr 36.9,10); e Zedequias, o rei entronizado por Nabucodonosor no lugar de Joaquim (2 Cr 36.10,11). Nesta lição, veremos Zedequias rebelando-se contra o rei de Babilônia, causando um novo cerco que durou dezoito meses e, finalmente, resultou na queda definitiva de Jerusalém, em 586 a.C.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

   A fim de estimular o raciocínio e a participação em sua classe, leve seus alunos a discutir um ponto relacionado com a lição ou com um texto bíblico, usando o seguinte plano: De a cada membro da classe uma cópia do ponto a ser discutido ou texto a ser interpretado. De alguns minutos para que cada um possa escrever suas ideias Depois distribua a classe em grupos de três ou quatro, a fim de falarem do que escreveram. Cada grupo deverá escolher um membro para apresentar as opiniões do grupo, quando a classe se juntar novamente. Depois de quatro ou seis minutos, junte a classe e deixe que os grupos falem da conclusão a que chegaram. A medida que cada representante expuser suas ideias, anote-as no quadro de escrever. Conclua a discussão fazendo um resumo do trabalho apresentado pelos grupos. Esta dinâmica de grupo envolve toda a classe e promove valiosas ideias para o desenvolvimento da lição.

SUBSÍDIO HISTÓRICO

    “Zedequias, entretanto, era o rei de facto de todo o Judá deixado na terra em 597. Mau como foram seus irmãos, ele não atentou para as admoestações do profeta Jeremias, para aceitar a soberania dos babilônios como a vontade de Deus para a nação. Rebelou-se contra Nabucodonosor, ocasionando o desastre fatal para o reino. Não é possível precisar esta data (ver Ez 17.11-18), mas em 588, Nabucodonosor lançou um ataque contra Jerusalém, por meio de um cerco que culminou na queda da cidade e no fim da monarquia judaica, em julho de 586 (2 Rs 25.2-7).

   Zedequias conseguiu escapar por uma abertura na muralha da cidade e fugiu para os lados de Jericó, mas logo foi capturado e conduzido à presença de Nabucodonosor que, na ocasião, estava alojado na Síria, na cidade de Ribla. Nesta cidade, o rei de Jerusalém teve de presenciar a execução de seus filhos. Depois, vazaram-lhe os olhos e conduziram-no assim para Babilônia” (MERRILL, Eugene H. História O de Israel no Antigo Testamento: O reino • de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 6. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.480).

CONHEÇA MAIS

   “Não há acontecimento tão funéreo e triste para os judeus como a destruição de Jerusalém, Em 586 a. C., Nabucodonosor invade o Reino de Judá, destrói Jerusalém e deita por terra o Santo Templo. Termina, assim, a fase áurea da mais amada e cobiçada das cidades. Após setenta anos de exílio e de vergonha. Jerusalém é reconstruída por Esdras e Neemias ressurge no Santo Templo. No entanto, é apenas uma sombra do imponente santuário erguido por Salomão. Para saber mais leia: Geografia bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.215.

SUBSÍDIO DEVOCIONAL

   “Contrariamente à súplica de Jeremias e Ezequiel, que convocaram à submissão, os últimos reis de Judá se opuseram aos babilônios. Na terceira vez que as forças babilônicas apareceram diante de Jerusalém, Nabucodonosor ordenou que a cidade e o seu povo fossem destruídos, e que a maior parte do seu povo fosse levada para o cativeiro. Os poucos que restaram assassinaram o governador babilônio e sua guarnição, e fugiram para o Egito, deixando a terra vazia dos descendentes de Abraão. Superficialmente, o cativeiro babilônico parece uma grande tragédia. No entanto, ele provou ser uma bênção incomum. Na Babilônia os judeus se voltaram para as Escrituras a fim de entender o que lhes acontecera.

    De forma decisiva rejeitaram a idolatria; depois do cativeiro a nação nunca mais foi atraída para a adoração a falsos deuses. E enquanto estavam na Babilônia, o sistema de estudo e oração nas sinagogas foi instituído; um sistema que manteve o foco de Israel nas Escrituras até o dia de hoje. Mesmo no mais terrível dos juízos Deus permaneceu verdadeiro ao seu compromisso em fazer o bem ao seu povo. Não obstante o que acontecer a você e a mim, sabemos que Deus tem um compromisso conosco. Ele nos ama, e nos fará o bem” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.227).

CONCLUSÃO

  A experiência do reino de Judá no cativeiro é uma triste lição para todos os crentes. Quando os “falsos deuses” ocupam o coração de uma pessoa, ela se torna cativa de suas escolhas erradas. A boa notícia é que, pela misericórdia de Deus, Judá retornou à sua Terra Prometida. Deus ainda usa suas misericórdias para com seu povo. Elas não têm fim. “Novas são cada manhã” (Lm 3.23).

CPAD – Adultos – Tema Do Trimestre: O Plano Divino para Israel em meio à Infidelidade da Nação

 | Lição 13: O Cativeiro de Judá

 

 


13 O CATIVEIRO DE JUDÁ 

    O estágio final do Reino de Judá, também chamado de Reino do Sul, foi protagonizado por quatro reis vassalos, que agiram malignamente segundo a avaliação religiosa do autor dos Reis, e por um bom último governador. O primeiro rei foi Jeoacaz, filho do reformador Josias. Jeoacaz praticou muitas iniquidades, a despeito do zelo do seu pai. Como início do declínio do reino, foi feito vassalo do Faraó-Neco, que impôs pesados tributos sobre Judô, na quantia de três toneladas e meia de prata e 35 quilos de ouro. O Faraó ainda o tirou do trono, levou-o para o Egito e, no seu lugar, colocou Jeoaquim, que impôs unia carga de impostos sobre o povo para dar canta dos tributos do Faraó. Igualmente, Jeoaquim foi um mau rei no sentido de não servir ao Senhor.

    No reinado de Jeoaquim, aconteceu a primeira leva de prisioneiros para a Babilônia em 605 a.C. Nessa ocasião, dentre os cativos, levaram o profeta Daniel. Nessa data, começa a contagem de 70 anos de cativeiro da profecia de Jeremias, que terminaria em 586 a.C. sob o reinado de Cria Quando Jeoaquim rebelou-se contra Nabucodonosor, rei da Babilônia, achando que poderia livrar-se dele, a Bíblia informa que Deus enviou contra ele revolucionários caldeus, siros, moabitas e amonitas. Segundo a profecia de Jeremias, Jeoaquim seria arrastado e morto como um animal para fora da cidade, sem um sepultamento digno de um rei, o que aconteceu de fato.

   Com a morte de Jeoaquim, o seu filho Joaquim assumiu o trono. Com três meses de reinado, Nabucodonosor veio debelar a rebelião que o seu pai havia iniciado, fazendo o cerco a Jerusalém em 597 a.C., levando cativas dez mil pessoas entre nobres e artesãos, pessoas que tivessem alguma utilidade e das classes mais altas. Dentre eles, foi deportado o profeta Ezequiel, mas o seu ministério iniciaria somente na Babilônia Nabucodonosor levou todos os tesouros do Templo de Salomão e da casa do rei.

  No lugar de Joaquim, Nabucodonosor estabeleceu como rei vassalo a Zedequias, parente de Joaquim, cujo nome significa "Jeová é justo" ou "justiça de Jeová", numa alusão ao que Jeová estava fazendo com Judá de forma justa. Zedequias, porém, rebelou-se contra a Babilônia, o que acarretou num novo cerco babilônico, que durou 18 meses; e, finalmente, a terceira leva de cativos ocorreu em 586 a.C. com a queda final de Jerusalém A Babilônia também levou todo o restante das riquezas do Templo e de Jerusalém, bem como os ~aios do Templo.

   Para governar a cidade, Nabucodonosor deixou Ctedalias, um aliado de Jeremias e da politica pró-babilônica, motivo pelo qual foi indicado pelo Império Babilônico. Mas, como tinha um espírito pacífico e era um pouco ingênuo (Jr 13.16), uma conspiração tirou-lhe a vida, o que apavorou todo o povo de Judá, que teve de fugir para o Egito para evitar a fúria de Nabucodonosor. Nessa fuga, o profeta Jeremias foi levado forçadamente a contragosto para o Egito.

  I. 0 DECLÍNIO ESPIRITUAL DE JUDÁ

  1. Os Avisos dos Profetas

  Vários profetas haviam predito a ruína de Jerusalém, incitando o povo ao arrependimento para que a justiça divina não agisse contra o povo, a Cidade Santa e o Templo, mas todos os avisos foram em vão. Dentre os profetas pré-exilicos do Reino do Sul, podemos citar Miqueias, Sofonias, Naum e Habacuque. Joel e Obadias profetizaram bem antes do exílio. Isaías foi o maior profeta em período anterior ao exliico de Judá, e Jeremias anunciou, acompanhou e relatou todas as atrocidades dos cercos babilônicos e da sorte dos cativos. Ezequiel e Daniel atuaram no exalo.

   A definição de profeta no Antigo Testamento hebraico é rabi, que significa propriamente profeta, mas também visionário, vidente. A profecia servia para declarar os pensamentos e conselhos do Senhor com uma palavra divinamente ungida para uma situação específica A vocação profética no Antigo Testamento contava com três elementos em comum:

 a) Forte experiência de Deus, como Isaías, no Templo, e Jeremias, que se assustou diante da responsabilidade: "sou como unia criança";

  b) Estavam convictos de que Deus chamava-os a uma missão: Jeremias como fogo devorador nos seus ossos (Jr 20.9); Amós disse que Deus rugiu como um leão no seu interior (Ara 3.8);

  c) A experiência com Deus causou profunda mudança na vida dos profetas: Jeremias, de unia desencorajada criança, passa a denunciar o culto idólatra e o paganismo; para outros, a experiência foi tão forte que guardaram a data: Ezequiel, no 5° dia do 5° ano da deportação.

   Os profetas tinham um caráter de denúncia da injustiça, da opressão e do pecado e apelavam à consciência do povo, mas especialmente aos lideres, indicando que os fatos denunciados, bem como a idolatria, estavam chegando na medida de Deus enviar o seu juízo, o que, de fato, aconteceu com o cativeiro babilônico. A necessidade deles no Antigo Testamento é pela quase ausência da palavra escrita, necessitando-se de arautos orais dos oráculos divinos.

   O poder da verdadeira profecia, conforme o modelo bíblico do Antigo Testamento, está no fato de alertar para o futuro e denunciar o presente (como a maioria dos profetas do Antigo Testamento fizeram) com as suas mazelas sociais, corrupção, pobreza, manipulação da religião, falso moralismo, opressão dos pobres e minorias, injustiças e outras formas de opressão maligna na sociedade.

 2. Previsão dos Acontecimentos Exílicos

  O profeta Habacuque previu detalhes de como seria o exército babilônico e as suas estratégias de guerra:

   Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizo, em vossos dias, uma obra, que vós não crereis, quando vos for contada. Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas não suas. Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua grandeza. Os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos e mais perspicazes do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; sim, os seus cavaleiros virão de longe, voarão como águias que se apressam à comida. Eles todos virão com violência; o seu rosto buscará o oriente, e eles congregarão os cativos como areia. E escarnecerão dos reis e dos príncipes farão zombarias; eles se rirão de todas as fortalezas, porque, amontoando terra, as tomarão. Então, passarão como uns vento, e pisarão, e se farão culpados, atribuindo este poder ao seu deus. (Hc 1.5-11)

   O ministério de Jeremias foi o mais importante durante os episódios do cativeiro. Iniciou-se durante o reinado de Josias e esteve ativo durante os próximos quatro reis; portanto, acompanhou cinco reis. Ele profetizava na porta do Templo (cap. 7), tanto para o povo, quanto para a classe dominante. A sua formação para ser sacerdote permitiu-lhe ser sim homem culto; por isso, os seus escritos são de unia literatura rica e cheia de trocadilhos, como este: em 23.10, ele usa Imo trocadilho no hebraico para profetas = nebrim (sing. navi) e adúlteros = mena'pim, referindo-se aos muitos profetas falsos que antecederam a última leva de cativos em 586 a.C., que anunciavam que a Babilônia não voltaria mais, o que encorajou alguns reis a rebelarem-se contra o império. O falso só existe porque há o verdadeiro; o falso só se manifesta no meio do verdadeiro, tomando a forma deste. Nem sempre a maioria e a liderança estão certas nas suas opiniões — é o caso de Jeremias, pois ele era minoria O próprio Jesus cita as palavras de Jeremias, mostrando como ele pode ser contemporâneo até para nossos dias ainda: "É, pois, esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz o Senhor" Of 7.11; ver Mt 21.13; Mc 11.17; Lc 19.46).

   Havia muita confusão no tempo de Jeremias entre o que era, de fato, Palavra de Deus e o que era falso. Havia muitas vozes discordantes, exatamente como é hoje. Assim, precisamos prestar muita atenção para discernir a Palavra de Deus. Jeremias é atualissimo quando fala desses falsos profetas:

   Assim diz o Senhor dos exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam; ensinam-vos vaidades e falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor. Dizem continuamente aos que me desprezam: O Senhor disse Paz tereis; e a qualquer que anda segundo o propósito do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós. )Jr 23.16,17)

A proliferação de falsos profetas ocorre por causa de crentes e líderes que não conhecem verdadeiramente o Senhor em uma sociedade consumista e hedonista. Não foram libertos da ganância e, por isso, querem ouvir palavras de prosperidade da parte do Senhor. Jesus referiu-se a esses falsos profetas quando disse:

   Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demónios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Mt 7.20-23)

    Jeremias foi muito enfático e assertivo nas suas predições: "Porque o meu povo fez duas maldades a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas" (Jr 2.13). A profundidade das profecias chocaram as autoridades da época, que retaliaram várias vezes contra a vida do profeta.

   3. Motivos do Cativeiro

   O cativeiro aconteceu especialmente por cama da liderança Em todo o livro dos Reis, o autor sagrado deixa isso transparecer, culminando a ideia num momento de esperança frustrada com a reforma de Josias, que enfatizava que o problema da perdição não estava no povo, mas na liderança. Essa ideia é corroborada por vários profetas como visto neste capítulo; dentre eles, está Miguel.:

    Ouvi agora isto, vós, chefes da casa de Jacó, e vós, maiorais da casa de Israel, que abominais o juízo e perverteis tudo o que é direito, edificando a Sião com sangue e a Jerusalém com injustiça. Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá. Portanto, por causa de vós, Sião será lavrado como um campo, e Jerusalém se tomará em montões de pedras, e o monte desta casa, em lugares altos de um bosque. (Mq 3.9-12)

   Jeremias também evidencia a liderança como causadora do

cativeiro:

  "Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, e os pastores prevaricaram contra mim, e os profetas profetizaram por Baal e andaram após o que é de nenhum proveito" (Jr 2.8).

  Após vários avisos, a começar pelo do profeta Elias de forma oral até os profetas que escreveram os sem vaticínios, todos alertaram contra o terrível pecado da idolatria, que tira o Senhor do seu devido lugar e entroniza deuses criados pela imaginação humana. Além da idolatria, havia o derramamento de sangue inocente que vários reis praticaram, como o caso de Manasses; a questão da justiça social denunciada por vários profetas (Hc 1.2-4); a não observância do descanso sabático pelas pessoas e também da terra; além da morte de vários profetas, o que foi denunciado por Jesus: "para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar" (Mt 23.35).

   A situação de Judá foi uma triste realidade para uns povo que recebeu tantas profecias, avisos e oportunidades de arrependimento. A situação de rebeldia era tão periclitante que, quando Deus mandou o profeta Jeremias registrar pela primeira vez as suas profecias em um rolo de livro, e após Banque, o ajudante de Jeremias, ler o seu conteúdo na porta do Templo diante de todo o povo, embora tenha caído um grande temor sobre os príncipes, o mesmo não aconteceu com o rei, pois mandaram Jeremias e Banque esconderem-se com receio de serem mortos:

   E sucedeu que, tendo Jeudi lido três ou quatro folhas, cortou-o o rei com um canivete de escrivão e lançou-o ao fogo que havia no braseiro, até que todo o rolo se consumiu no fogo que estava sobre o braseiro. E não temeram, nem rasgaram as suas vestes o rei e todos os seus servos que ouviram todas aquelas palavras. (Jr 36.23,24) A razão para o desprezo [da mensagem] pode estar no fato de ele não haver sido propriamente infligido pelos babilônios, embora Nabucodonosor lhe tivesse exigido um pesado tributo e deportado um número de prisioneiros importantes. Certamente sentia que desfrutava de proteção em virtude de ser uns vassalo da Babilônia

   O autor de Reis afirma: "O Senhor não o quis perdoar" (2 Rs 24.4), porque já havia chegado a um tal nível de deterioração que seria impossível o povo voltar-se novamente para Deus, a não ser que fossem severamente castigados para refletirem sobre o mal cometido. Outra afirmação forte de Reis é que o Senhor rejeitou-os da sua presença (2 Rs 24.20), o que também é corroborado pelo profeta Jeremias (6.20). Deus chegou a chamar Jerusalém de Crimorra (Jr 23.14; Is 1.9,10)! Se Ele chamou assim a sua cidade escolhida, então vale a pena atentarmos para nossa situação de enxertados na oliveira e vivermos uma vida digna da glória de Deus (Rrn 11.17,18,21).

II. A OBSTINAÇÃO DE ZEDEQUIAS E A SUA QUEDA

   Zedequias, o último rei de Judô, não entendeu a situação em que estava Judá, não ouviu o profeta Jeremias (38.14-28), nem mesmo discerniu que o tempo do fim havia chegado, que Judá iria para o cativeiro, que a potência mundial da época, a Babilônia, não pouparia uma nação enfraquecida e teimosa, com rebeliões facilmente sufocadas. Vejamos quais os males de Zedequias:

   (i) Ele não estava disposto a ouvir a palavra de Deus através de Jeremias; (ii) ele quebrou um juramento feito em nome de Javé como vassalo da Babilônia; (iii) ele não estava arrependido e nem falou em impedir os líderes e sacerdotes de profanar o templo com a reintrodução de práticas de idolatria.

   Além disso, Zedequias fez constantes ameaças a Jeremias e tentou manter o profeta sob as suas ordens. Todavia, o homem de Deus não se deixa corromper. Jeremias não omitiu nenhuma palavra do Senhor para o rei. Ele pagou um alto preço, ficou por um tempo preso no pátio da guarda real e um tempo atolado na lama de uma cisterna recebendo apenas pão para comer.

1.     Ouvidos Moucos aos Avisos dos Profetas

   Tanto o rei Zedequias quanto o povo de Judá estavam tão confiantes na sua religiosidade e preferência divina em relação às demais nações, porque tinham instituições religiosas fortes e um templo magnífico, que achavam que nunca seriam destruídos, ao que o profeta vaticinou: "Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor" (Jr 7.4). Havia uma falsa segurança baseada no magnífico Templo de Salomão. Da mesma maneira, hoje em dia, não é a grandiosidade de uma religião, ou a solidez das suas instituições, ou mesmo a linhagem real dos sem lideres que poderão prevalecer, a não ser que a vontade de Deus seja feita era todas as coisas e Ele esteja entronizado em detrimento dos falsos deuses, que entrara sorrateiramente em qualquer estrutura religiosa, por mais pura e santa que ela seja. Não faltaram avisos do profeta Jeremias de que haveria uma chance se os seus ouvidos voltassem imediatamente para o que Deus estava dizendo:

   Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo entre um homem e entre o seu companheiro, se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal, eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, de século em século (Jr 7.5-7).

2.     A Rebelião contra a Babilônia

   O rei Zedequias, que havia sido imposto no trono pelo próprio Nabucodonosor, rebelou-se contra a Babilônia, embora Jeremias tenha-o advertido várias vezes que não fizesse isso, pois as consequências seriam graves. Esse ato violou o juramento de lealdade a Nabucodonosor que o rei fizera diante de Jeová (Ez 17). A rebelião foi apoiada por alguns influentes servidores da corte real, favoráveis à influência egípcia, cujo poder nessa época estava sendo desfeito pelo Império Babilônico. Zedequias achava que teria forças para lutar contra o império e queria mostrar coragem, mas isso somente aumentou a fúria do imperador, que sitiou Jerusalém por 18 meses até a sua queda final.

   Embora o rei tenha desobedecido à palavra de Jeremias, parece que lhe era favorável algumas vezes. Apesar de ter mantido o profeta preso, o rei chamou-o diversas vezes para tomar conselho com ele. Em todas as vezes, porém, Jeremias informava-o de que a sentença de Jeová estava posta e de que o melhor a fazer seria render-se à Babilônia. Isso demonstra que Zedequias tinha um caráter volúvel e fraco, estava cercado de conselheiros bajuladores e com interesse próprio. O profeta Ezequiel chama Zedequias de "profano e ímpio príncipe de Israel" (Ez 21.25).

   Jeremias advertiu o rei Zedequias que, caso se rendesse livremente aos babilônios, a sua integridade seria poupada; mas, como ele não quis ouvir o profeta, o exército babilônio invadiu Jerusalém. Zedequias fugiu, mas foi apanhado. Os babilônios mataram os filhos de Zedequias na sua frente, bem como todos os príncipes de Judá, e vazaram-lhe os olhos — Jeremias avisou que veria Nabucodonosor (Jr 32.4; 34.3), e Ezequiel predisse que ele não veria a Babilônia, embora estivesse lá (Ez 12.13) —, ataram-no com cadeias de bronze e levaram-no para a Babilônia.

III. JERUSALÉM É CERCADA E LEVADA CATIVA

1.     As Invasões e os Cercos

  Os babilônios conquistaram as nações de uma forma que nunca havia ainda sido vivenciado no mundo antigo. Nada os detinha. Eles estavam determinados a tomarem-se os senhores do mundo e podiam fazê-lo não somente pela grandeza do seu exército e instituições sólidas, mas também porque eram autossuficientes. Foi esse poderio babilônico que cercou, invadiu, destruiu e reduziu Jerusalém a cinzas e lembranças. Essa destruição foi profetizada e permitida pelo Senhor Deus: "E, na verdade, conforme o mandado do Senhor, assim sucedeu a Judá, que o tirou de diante da sua face 44" (2 Its 24.3).

2. A Destruição da Cidade e do Templo

  Depois de investidas assírias, egípcias e três investidas babilônicas, a grande e imponente cidade de Jerusalém estava completamente arrasada. Durante o cerco a Jerusalém, que durou 18 meses, ninguém podia entrar nem sair da cidade. Os alimentos que havia em estoque foram sendo consumidos, os animais foram sendo abatidos e comidos, até que não restou mais alimento. A cidade, então, estava numa situação de extrema pobreza e miséria Foi nesse momento que o exército da Babilônia rompeu uma brecha do muro e entrou na cidade.

   O Templo, que havia funcionado durante 380 anos, foi completamente saqueado, destruído e queimado com a invasão babilônica. A glória de Israel foi embora.

    Jerusalém caiu, apesar dos esforços de Yahweh por meio de seus profetas, de restaurar o seu povo. Mas eles escarneceram de suas palavras até que não mais houve remédio senão a destruição e deportação (2 Cr 36.15,16). Havendo rejeitado a postura de filhos da aliança servos de Yahweh, a comunidade judaica espalhada pelo cativeiro agora cumpriria o papel de escravos em terra estranha. Somente quando se cumprisse o tempo da disciplina, o povo poderia sonhar com o retorno à sua terra. Então reassumiria a responsabilidade de ser verdadeiramente a nação santa e o povo de Deus.

   A visão de Ezequiel dá conta de que a tragédia principal não foi apenas a deportação. Foi pior do que isso, pois a glória de Deus havia sido retirada do Templo e para lá nunca mais voltaria "E a glória do Senhor se alçou desde o meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade" (Ez 11.23). Somente na era escatológica é que a glória do Senhor voltará ao Templo, dessa vez na própria presença do Senhor Deus da glória por meio do Messias:

   [...] e virá o Desejado de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos. [...1 A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos (Ag 2.7,9).

   A destruição final de Jerusalém aconteceu após a terceira investida babilônica, com a queima do Templo, do palácio real e dos edifícios importantes, bem como a leva dos restantes, inclusive os sacerdotes.

2.     A Matança, o Cativeiro, a Peste e a Pobreza

   A situação de Jerusalém e dos habitantes de Judá ficou deplorável com a última invasão babilônica. Todos os nobres, príncipes e ricos foram deportados para a Babilônia, ficando somente os pobres na terra que não tivessem condições de incitar unia rebelião. O profeta Jeremias foi levado cativo até unia parte do caminho. Depois, por benevolência de Nabucodonosor, pôde escolher entre ser levado cativo ou voltar para Jerusalém. Como ele não tinha forças emocionais para decidir-se diante de tamanha desolação, o general babilônico ordenou-lhe que voltasse para Jerusalém Nessa caminhada de cativos, Jeremias contemplou com tristeza as correntes com que as pessoas nobres e mais influentes de Judá estavam sendo oprimidas e humilhadas. Estavam todos atados, de cabeça baixa, moribundos e sendo conduzidos como animais para longe de Jerusalém, a cidade amada.

   O livro das Lamentações de Jeremias descreve as cenas deploráveis vistas por Jeremias (Lm 2.20; 4.3-10). Ele sugere que a fome chegou a tal ponto que as mães poderiam comer os seus próprios filhos; que Jerusalém ficou solitária; que chorava inconsolável; os sacerdotes suspiravam de desespero; as virgens desesperançadas estavam sentadas sem forças pelos caminhos; a língua das crianças ficava colada no paladar por causa da sede; crianças pediam pão, e ninguém lhes dava; pessoas estavam desfalecendo nas mas; os nobres abraçavam-se com esterco; por causa da fome, a pele das pessoas estava enrugada, escura e colada nos ossos; os mortos eram louvados porque tiveram melhor sorte do que os que foram cativos mi ficaram em Jerusalém.

   Os pobres que sobraram na terra foram liderados, por ordem de Nabucodonosor, por Geconias, mas, após o assassinato deste, todo o restante do povo apavorado fugiu para o Egito. Nessa fuga, forçaram o profeta Jeremias a ir junto para que a sua vida fosse poupada, embora Jeremias fosse pró-babilônia e Nabucodonosor soubesse disso. Jeremias foi levado a contragosto e advertiu severamente os principais lideres que sobraram para que não fugissem para o Egito, pois lá sim seriam mortos; se ficassem em Jerusalém, seriam poupados da espada e da fome (Jr 42.7-43.13).

    Assim, quatro flagelos caíram sobre todo o povo, sem escapar ninguém: morte por cama da guerra, do cerco babilônico e da invasão de Jerusalém; os nobres e artesãos que sobraram foram levados cativos para a Babilônia; os que ficaram eram os mais pobres, que empobreceram mais ainda; e a peste vitimou muita gente por causa das péssimas condições de alimentação e abandono. Um dos livros bíblicos que retrata esse cenário com muita propriedade é Lamentações de Jeremias.

3.     A Esperança Profetizada

   O desespero retratado por Jeremias tomou conta de todos, que, no caso de Judá, foi o lamentável ocorrido da destruição da cidade e da ida para o emalo. Mas o desespero pode ser a simples e silenciosa ausência de sentido, de perspectiva, de futuro, de ideal ou de sonhos. Embora ele tenha lamentado profundamente a destruição da cultura, da religião, dos lugares sagrados e da habitação do povo de Judá, a princípio, num gesto de autocomiseração e autopiedade, ele depois se lembrou de algo bom que aconteceria adiante. Ele escreveu um dos livros mais tristes de toda a Bíblia, Lamentações, mas nas suas lamentações ele lembrou-se do Senhor, o que lhe permitiu praticar a resiliência presente na esperança;

   As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. [...I Bom é o Senhor para os que se atêm a Ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor. (Lm 3.22-23, 25-26)

   Ele disse ainda "Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fins que esperais" (Jr 29.11-14). A palavra esperança tem vários sentidos no hebraico. Pode ser tôhelek simplesmente esperança; kesel, confiança relacionada com a fé; mabbat, esperança ou expectativa para aqui, que se faz com os olhos, de voltar os olhos para algo; ra' â, ver, contemplar, designando tanto a ação em que o homem olha para Deus quanto de Deus olha para o homem, e saber, livramento que tem em si a capacidade de dar segurança a alguém (S1 119) e torná-lo feliz (S1 146). De maneira geral, esperança seria a disposição do espírito que nos induz a esperar uma coisa boa e agradável que se há de realizar ou suceder.

    O profeta Isaías, manto antes de Jeremias, já havia sido alertado por Deus da desolação que haveria de acontecer e no fato de que Judá não ouviria a voz de Deus. Mas ele também foi informado de que, dos troncos decepados e queimados, brotaria a esperança o tronco de Jessé (Is 6).

    Assim como Jeremias mudou a sua desolação para um estado de esperança, também o cristão, diante das suas dificuldades e enfrentamentos, desenvolve essa mesma atitude esperançosa, pois a falta de esperança produz a tristeza, que leva ao abatimento e à frustração, que leva a fraqueza, ao desânimo e ao cansaço de não querer ser o que Deus pema que podemos ser. Paulo sabia dos sofrimentos que todo o universo enfrenta por causa do pecado, mas também manifestou a esperança da redenção:

   Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo (Rra 8.22-25).

    A prova mais certa para termos motivos de esperança é a ressurreição de Cristo: "Cristo em vós, esperança da glória" (C11.27). Assim, nossa esperança está além-mundo: "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (1 Co 16.19). Essa esperança não é conformista do estado presente, mas antecipa o Reino de Deus do "ainda não" para o "já agora", trazendo uma atitude ativa de mudar as circunstâncias difíceis por meio de atitudes de esperança. Para a vida aqui, enquanto se espera o Reino de Cristo, as bem-aventuranças são a garantia da esperança.

    A anunciação do evangelho sempre deve envolver desespero diante do pecado humano e esperança diante de "tão grande salvação" preparada por ele — em contraste com a falsa esperança no "aqui e agora" anunciada por falsos profetas. Pois, sempre que a esperança é colocada em efemeridades, ela traz frustrações. "Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém võ, como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos" (Rm 8.24,25). Assim, nossa esperança é paradoxal:

    É-nos prometida a vida eterna — a nós, que estamos mortos; é-nos anunciada uma feliz ressurreição, mas, enquanto isso, estamos cercados de corrupção; somos chamados justos e, não obstante, reside em nós o pecado; ouvimos falar de uma felicidade indizível e, enquanto isso, somos aqui oprimidos por uma miséria sem fim; abundância de todos os bens nos é prometida, mas só somos ricos de fome e sede. O que seria de nós se não nos apoiássemos na esperança, e se nossos sentidos não se dirigissem para fora deste mundo, no caminho iluminado pela palavra e pelo Espírito de Deus em meio a essas trevas?

    Caminhamos entre realismo e esperança; porém, muitas vezes, o realismo nada mais é que pessimismo. Somente a esperança pode ser chamada de realista, porque, em Cristo, somente ela toma a sério as possibilidades que enchem tudo o que é real com a realidade do Reino de Deus que ainda virá, mas que já está. Por isso, a esperança é um fruto da fé.

    Quando estivermos desanimados, nossa esperança deve repousar em Deus "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face e o meu Deus" (S1 42.11). Na esperança, motivam-se outras boas virtudes: a fé e o amor, que vêm "por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já, antes, ouvistes pela palavra da verdade do evangelho" (G 15). A esperança cresce quando nos lembramos da promessa da ressurreição. "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança" (1 Ts 4.13).

    O PLANO DE DEUS PARA ISRAEL EM MEIO À INFIDELIDADE DA NAÇÃO: as correções e os ensinamentos divinos no período dos reis de Israel

CLAITON INVAN POMMERENING





Claiton Ivan Pommerening é pastor, comentarista da Revista Lições Bíblicas da CPAD.

              

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