segunda-feira, 26 de outubro de 2026

CPAD : O Deus da Aliança — Lição 5: O grande mandamento

 


Capítulo 5

O Grande Mandamento

A INTRODUÇÃO

 DENTRAREMOS AGORA O ÂMAGO, A ESSÊNCIA OU O ALICERCE DA FÉ JUDAICO-CRISTÃ, CONHECIDO COMO SHEMA. O CAPÍTULO 6 É TREMENDAMENTE IMPORTANTE PORQUE, NELE, O MEDIADOR MOISÉS PROCURARÁ NÃO APENAS TRAZER OU TRANSMITIR INFORMAÇÕES MORAIS, MAS, COMO PROFETA E CONSCIENTE DE QUE ESTAVA ENSINANDO AO POVO OS MANDAMENTOS DIVINOS, CONVOCA TODOS A QUE AMEM AO SENHOR COM TODO O SEU CORAÇÃO, ISTO É, COM TODO O SEU SER. O AMOR AQUI NÃO PODE SER DESCRITO COMO MERO SENTIMENTO, MAS COMO UM COMPROMISSO COM A ALIANÇA, QUE ENVOLVIA EXCLUSIVIDADE E OBEDIÊNCIA A DEUS, BEM COMO A TRANSMISSÃO DE FÉ PARA A PRÓXIMA GERAÇÃO.

  No sentido teologico, compreendemos que esse mandamento expressava o caráter da pessoa de Deus, bem como o aspecto relacional. O Senhor não queria um amor para com Ele de aparência, mas, sim, integral, que atingisse o ser humano como todo - mente, comportamento e afetos -, pois a adoração para com Deus jamais poderia ser parcial, condicional, e sim plena, exclusiva e cotidiana. É preciso entender que o Senhor deseja relacionar-se com cada ser humano. Ele não quer que apenas tenhamos conhecimento da verdade sobre Ele, mas também quer um relacionamento vivo, real e prático.

  A obediência de Israel para com a aliança estava firmada no amor, e esse amor seria manifesto em atos de fidelidade e rendição a tudo quanto o Senhor ordenava (Dt 6.6). No demais, isso seria tão salutar e edificante que os pais transmitiriam esses mandamentos aos filhos todos os dias. Isso envolveria o lar, o caminhar, o deitar e o levantar-se, tornando-os cientes de que o cumprimento desse mandamento envolve grandes promessas (Mt 22.37-38).

  I-O AMOR QUE SUSTENTA OS MANDAMENTOS 1.0

  PROPÓSITO DOS MANDAMENTOS

  Quando falamos sobre os alvos dos mandamentos, estamos salientando que o propósito deles era formar um povo que pudesse, de fato, viver e render-se ao senhorio do único e soberano Deus, atentando ao seu caráter, que é santo e justo. Logo nos três termos iniciais do versículo 1, nota-se a seriedade do assunto: mandamentos falam da ordem expressa de Deus. Estatutos são os decretos que expressam a vontade soberana do Senhor, às vezes não buscando explicação lógica. Juízos são as leis que regulam a justiça social e os relacionamentos. Esses três conceitos em conjunto abrangem a lei.

  Essa tríade, como acima exposta, é algo peculiar em Deuteronômio. Obviamente, há distinções singulares em cada um deles, só que a ênfase maior era a de demonstrar ao povo escolhido de Deus que a vida de cada um deveria ser conduzida debaixo da autoridade da Palavra; a vida cúltica, os estatutos; a vida moral, os mandamentos; a vida social e justa, os juízos Deus revelou-os ao seu povo para que respondesse com obediência e amor, num relacionamento sincero e verdadeiro para com Ele, pois todos estavam vivendo, até então, conforme as suas regras.

  A partir da citação de Deuteronômio 6.1, tem-se uma nova seção teológica e pedagógica, por meio da qual o grande legislador procura lembrar à nova geração que a Lei do Senhor atinge todo o modo de vida de Israel na área religiosa, moral e social. Esse ensino que emanava de Deus por meio de Moisés, quando aceito e praticado, evidenciava uma vida de obediência e fé. Hoje, cada cristão que vive a nova vida em Cristo é chamado a obedecer toda a Palavra de Deus revelada. Somente assim ele terá a verdadeira vida, e o cumprimento disso é uma prova real de que ele ama a Deus (Jo 14.15).

  2. O chamado ao amor exclusivo a Deus

  Logo que lemos Deuteronômio 6.2-3, compreendemos o propósito da Lei e o que ela exigia do povo. O destaque está no versículo 2, que diz que os israelitas precisavam, frente à revelação divina, temer e guardar para terem longos dias. O propósito é óbvio: a instrução foi dada para que produzisse neles temor reverente. Não seria um temor de medo, mas, sim, um ato de servir com reverência e obediência ao único e absoluto Deus. Somente por meio da obediência é que se tem temor reverente. Salomão disse que o temor a Deus e o princípio da sabedoria (Pv 1.7). Quem obedece ao Senhor terá resultados maravilhosos tanto em quantidade quanto em qualidade de vida.

   A ênfase no verbo guardar é vigiar, observar cuidadosamente, e requeria de cada um obediência aos mandamentos de modo diligente, constante e diário, sendo, portanto, uma responsabilidade vitalícia. Procedendo assim, eles receberiam a longevidade, que fala de bênção divina, atrelada aos termos da aliança (Dt 4.40; Ef 6.1-3). A outra resposta obediente de cada israelita para com a Lei é notada pela presença do verbo imperativo owvir com a intenção de obedecer. Essa escuta seria obediente por saber-se que Deus tinha falado pela sua Palavra (Dt 6.4). Essa obediência iria trazer crescimento, florescimento, prosperidade espiritual, bem-estar e sucesso (Dt 5.16; 6.3,18; 12.25,28).

  Acresce-se a isso mais bênçãos, a da multiplicação, que envolvia fertilidade e crescimento numérico, pois foi essa promessa que o Senhor fez ao patriarca Abraão (Gn 15.5; 22.17). Por fim, segue a promessa da abundância da Terra Prometida, caso Israel respondesse com obediência aos mandamentos divinos: "Terra que mana leite e mel". Essa expressão descreve de modo simbólico a fidelidade de Deus na sua provisão, bem como destaca a abundância da terra.

   Quando se ouve para obedecer, prosperidade e multiplicação não são apenas um fim em si mesmo, mas, sim, uma recompensa por causa da fidelidade. Respondendo dessa maneira, os israelitas iriam desfrutar da terra que manava leite e mel por conta da sua fidelidade à aliança (Êx 3.8). Prosperidade aqui não seria algo automático, mas condicionado à obediência (Dt 28.1-4).

  3. O significado de "Ouve, ó Israel"

 O versículo conhecido como Shemá e o credo fundamental da fé israelita. Shemá quer dizer ouve, como já dito, e trata-se do credo monoteísta judaico que afirma a unicidade e exclusividade de Deus. Os judeus diariamente o citam, tanto de manhã quanto de noite. O texto completo do Shemá tradicionalmente envolve três trechos da Torá: amar a Deus de todo o coração (Dt 6.4-9), a recompensa da obediência (Dt 11.13-31) e lembrar-se dos mandamentos (Nm 15.37-41). É, no entanto, a partir de Deuteronômio 6.4 que está a base, o núcleo, pois prontamente é declarado quem é o Senhor, de fato.

  Sob o enfoque teológico, o Shemá expressa verdades fundamentais sobre Deus. A primeira é que Ele é único - ênfase ao monoteísmo absoluto: só existe um Deus. Em segundo lugar, ênfase ao relacionamento exclusivo - Ele é nosso Deus, ou seja, o Deus da aliança. Em terceiro, faz-se alusão à lealdade integral, cujo propósito é chamar todo Israel para amar e obedecer ao Senhor de todo o coração (Dt 6.5).

  Assim, no termo ouve, o Senhor está chamando todos para uma obediência ativa, não meramente passiva. Esse ouvir teria que se responder com fé e fidelidade. Na frase "O SENHOR nosso Deus é o único SENHOR", encontra-se o nome pessoal de Deus YHWH, repetido por duas vezes, salientando a sua exclusividade, soberania e comunhão com Israel. Ele não é apenas Deus; é "o nosso Deus", o Deus da aliança.

  É importante dizer que o termo único não exclui a pluralidade dentro da unidade, o que é consistente com a revelação progressiva de Deus com a Trindade, que vai ser mais detalhadamente abordada no Novo Testamento. Aqui, porém, a ênfase maior é sobre a exclusividade de Deus como único, absoluto e digno de toda adoração, o que, por si só, faz cair por terra todos os deuses das nações pagãs.

  Nosso Senhor Jesus Cristo faz questão de confirmar o Shemá como o primeiro e maior de todos os mandamentos (Mc 12.29) e, logo em seguida, complementa com o segundo, o denominado amor absoluto (Mc 12.30). Esse Shemá tem valor grandioso para o cristão porque o convida constantemente a adorar e servir exclusivamente ao Deus único e verdadeiro, o qual, no tempo da graça, foi revelado de modo pleno por meio de Cristo Jesus e pode estar vivo no crente pela ação poderosa do Espírito Santo (Jo 14.6; 1 Co 8.6; Ef 4.6).

   II-O AMOR DESPERTADO PELA PALAVRA 1. AVIVADOS

   PELA PALAVRA NO CORAÇÃO

  Está claro em Deuteronômio 6.6 que o que haveria de levar cada israelita a estar sempre avivado era a Palavra continuamente no coração de cada um. A expressao "estarao" fala de presença continua e, para expressar um aspecto de profunda reflexão interior, é dito: "no teu coração" ou "sobre o teu coração". O que estaria no coração deles seriam as misericórdias divinas passadas, como faladas no prólogo histórico. Elas despertariam neles o amor, que se evidenciara obedientemente a todos os mandamentos do Senhor (Dt 11.1,22; 19.9; 30.16; Jo 14.15).

   Tudo isso quer dizer que a Palavra não pode apenas ser ouvida externamente, mas também penetrar na sede das emoções e da vontade. Para que isso aconteça, é preciso uma meditação meticulosa, constante e reflexiva, render-se por meio de um ato de obediência, deixar que ela transforme o interior e guardá-la no coração (SI 1.2; 119.11).

  O avivamento é definido pelo prisma cristão como um despertar espiritual, um período de renovação e fortalecimento da fé. Trata-se de um processo de transformação individual e coletiva em que as pessoas são tocadas pelo Espírito Santo e experienciam um novo despertar para a vida cristã. Assim, se o crente tiver constantemente a Palavra de Deus na sua vida, então estará avivado, pois esse movimento acontece quando as Escrituras ardem no seu coração. É preciso, entretanto, entender que não podemos ter a Bíblia apenas em caráter informativo, mas ela precisa ser formativa em nós, pois é viva e eficaz (Hb 4.12).

  2. Ensinando a Palavra aos filhos

  O que se tem no versículo 7 é um caráter familiar da administração convencional. A exigência é que os filhos sejam orientados e educados pelos mandamentos do Senhor (Dt 6.20). Essa meditação deveria ser algo constante (Dt 4.9; 11.19; SI 78.4). Tal ensino deveria ser algo diligente, contínuo e intencional. Os pais têm a responsabilidade pela educação ou discipulado espiritual dos filhos no contexto familiar - daí a expressão "teus filhos".

  Essa educação teria que ser desenvolvida durante o dia nas ações diárias: assentado em casa, andando pelo caminho, ao deitar-se, ao levantar-se. Não seria algo praticado vez por outra, nem isoladamente, mas, sim, um trabalho que permearia as atividades da vida no cotidiano. Os pais deveriam inculcar os ensinamentos de Deus nos filhos ativa e intencionalmente, e isso era necessário para que os princípios divinos figurassem como algo normal ou rotineiro da família.

   A fé será desenvolvida no contexto familiar judaico de modo forte, durável e cultural porque uma pedagogia divina consistente e prescrita será desenvolvida - trabalho que seria feito pelos pais na transmissão dos ensinos e valores espirituais. O propósito desse ensino no lar era para trabalhar a geração vindoura a viver na fé e na obediência à Palavra de Deus.

  Cada pai deve estar plenamente consciente de que a transmissão da fé não é reponsabilidade apenas da igreja, a ser desenvolvida no templo por meio da liderança cristã, mas deve começar no lar, sob a responsabilidade dos pais, com base numa prática pedagógica e metodológica constante, com repetições, para que se possa gerar convicções estáveis e profundas. No Novo Testamento, Paulo fala sobre a missão dos pais de criar os filhos na doutrina e admoestação do Senhor (Ef 6.4). O sucesso de Timóteo deveu-se à educação promovida pela sua avó e mãe desde a infância (2 Tm 1.5; 3.15).

  Queridos pais e pastores, hoje estamos vendo países em que as igrejas não possuem mais juventude. Não se tem mais uma nova geração para levar à frente o legado de fé. Isso nos toca profundamente, bem como nos desafia a manter em nosso lar os cultos domésticos e o ensino da Palavra para nossos filhos, pois é esse trabalho que preparará para outros os tempos que virão. Os pastores, mestres, pregadores e professores de hoje e do amanhã estão dentro de nosso lar. Comecemos esse discipulado em casa, como fez Josué

(s 24.15).

  Além dessa questão, não nos esqueçamos de que existe uma disputa por parte do poder estatal de querer doutrinar nossas crianças com as suas ideologias. Os pais jamais devem deixar isso acontecer, mas é preciso que cada um seja o professor e mestre dos seus filhos no lar e afiar a fé de cada um com exemplo, oração e constante repetição.

  3. A importância do ensino no lar

  Na parte b do versículo 7, tem-se a ênfase de que o ensino deve começar em casa: "e as intimarás a teus filhos e delas falarás [ ... ]" (Dt 6.7). O verbo falar indica diálogo constante, natural, cotidiano. É preciso falar diariamente a Palavra do Senhor para que a fé torne-se sustentável, estável. Por outro lado, é nesse ambiente familiar ou doméstico que a casa torna-se o centro, a faculdade, a escola da formação espiritual. Por isso, disse Moisés: "[ ... ] assentado em tua casa".

  Os pais não podem nem devem querer ensinar os filhos em um dia ou um momento solene. A sua missão deve ser constante, diária e envolver cada instante no sentar, andar, deitar, levantar; logo, seguindo essa quádrupla pedagógica, entende-se que a transmissão dos mandamentos divinos aos filhos acontece por meio do convívio, exemplo e instrução formal (Pv 22.6), e isso é reforçado em muitas outras passagens bíblicas (Dt 11.19; SI 78.5-7).

  III -COMO VIVER O AMOR DE DEUS NA PRÁTICA JÁ

FALAMOS QUE DEUTERONÔMIO É O LIVRO DA

RENOVAÇÃO DA ALIANÇA. NA SUA NATUREZA, EXIBE

COM MAESTRIA O CORAÇÃO DE DEUSPOR MEIO DE UMA

PALAVRA APENAS: AMOR. JOÃO AFIRMA QUE DEUSÉ

AMOR (1JO 4.8). AINDA QUE O CONTEÚDO DE

DEUTERONÔMIO ENVOLVA NO SEU TODO TEMAS

RELACIONADOSAOSMANDAMENTOS, ESTATUTOSE

JUÍZOS, A SUA OBJETIVIDADE NÃO É APENAS NO CAMPO JURÍDICO, MASRELACIONAL. ESTA CLARO QUE, NA ALIANÇA QUE O SENHOR FIRMOU COM ISRAEL, TUDO SE RELACIONA POR MEIO DO AMOR, QUE GERA OBEDIÊNCIA, TEMOR E REVERÊNCIA POR PARTE DE CADA UM DELES.

  1. A palavra "amor" em Deuteronômio

  O verbo amar está presente em Deuteronômio 6.5 e expressa um sentimento profundo e lealdade. O mesmo é ativo e denota um comprometimento com o Senhor, que se manifestou em ações, e nao somente em sentimentos. Esse versículo é o princípio fundamental da fé israelita e também o será do cristianismo. Por meio desse versículo, temos a base relacional para a ordem de amar a Deus ser cumprida. A expressão para amar a Deus de toda a alma e força expressa a totalidade do ser humano na devoção piedosa para com o Senhor.

   Moisés esclarece nesse versículo 5 que o amor a Deus permeia toda vida humana: Coração, alma e força indicam totalidade interior e exterior do ser humano - o coração: emoções; a essência vital: a alma; e o lado fisico e mental: a força. Os que amam a Deus verdadeiramente precisam evidenciar isso por meio de ações, não só sentimentos. Isso tudo mostra que nosso amor para com o Senhor precisa ser relacional, ativo, intencional e abarcar todas as áreas da vida.   

  Jamais se deve pensar no amor para com Deus apenas de forma emocional, mas, sim, em ações voluntárias e obedientes que se concretize em um devocional verdadeiro. Esse amor ao Senhor faz com que todas as ações direcionadas para com Ele no nível de relacionamento não seja jamais mecânico, mas que se mostre em respostas cheias de amor, fé e vida, por saber quem Ele e o que faz. Deus revelou-se a Israel tanto pelo que Ele é quanto pelo que faz. Assim, cada israelita iria amar a Deus por saber que Ele é o único e verdadeiro e que os amou primeiro (Dt 10.15).

   O salvo em Cristo também é chamado para amar a esse Deus único e verdadeiro revelado por meio de Jesus. Ele mesmo reafirmou esse mandamento de Deuteronômio como o maior de todos (Mc 12.29-30). Portanto, amados irmaos, nosso relacionamento com o Senhor Deus começa com amor, é desenvolvido no amor e, no futuro, continuará no amor (1 Co 13.13).

  2. A teologia do amor em Deuteronômio

  Bíblica e teologicamente, o coração é o lugar onde se tomam as decisões e são firmados os compromissos. Nele também se pode desenvolver uma vida de amor, temor e reverência para com Deus. Em Deuteronômio 6.6, o termo palavras fala das instruções divinas. É importante atentar para esses detalhes para que se entenda que elas não estão falando de meras sugestões, mas, sim, de prescrições vitais. A presença do advérbio hoje ressalta a importância que a prática desses mandamentos teria que ser algo contínuo e imediato. Isso mostra que cada israclita deveria ver essa prática não como algo qualquer, mas, sim, prioridade para a vida de cada um.

   Considera-se também que o verbo ordenar tratava-se da Palavra de Deus, e isso envolvia a sua autoridade. Tais instruções não seriam algo para alguém pensar se iria ou não obedecer. Não se tratava de algo facultativo, mas, sim, de mandamentos divinos, que teriam que ser postos em prática e obedecidos. Essas palavras deveriam estar no coração de cada um. Deus nao quer apenas formalidade e religiosidade de aparência, pois, estando a Palavra no coração, a transformação aconteceria, e o relacionamento para com Ele seria verdadeiro, vivo e fiel. Moisés estava ensinando a Isracl que os mandamentos de Deus devem estar enraizados no coração e na consciência de cada um, o que, por si só, transforma o caráter, a ação e a decisão de cada israelita no seu viver diário e expressa um viver que reflete a vontade do Senhor.

   A Palavra de Deus não é uma obra qualquer ou um código secreto, mas é a verdade que dá vida e, por isso, deve ser interiorizada no coração, visto que é o mapa que revela o caminho para realmente se chegar a Deus e viver em aliança com Ele. Logo que essa Palavra é plantada no coração, a transformação da vida é algo real, de modo que se pode viver com Cristo a nova vida. O que era uma promessa nas páginas do livro de Deuteronômio, no Antigo Testamento, agora se concretizou na pessoa de Cristo Jesus, no Novo Testamento (Ez 36.26-27; Hb 8.10). O cristão que deseja permanecer no amor de Deus precisa guardar os seus mandamentos (Jo 15.9-10). Todo verdadeiro crente que manifesta amor no seu viver diário, prático, há de exibir ações grandiosas pelo fato de o seu coração ter absorvido a

  Palavra, que o leva a conhecer a Deus de verdade, de maneira que o seu coração será um campo em que esse amor crescerá cada vez mais.

  3. Vivendo o amor na prática

  O versículo 7 de Deuteronômio 6, por meio da expressão "E as intimarás a teus filhos" (Dt 6.7), sugere instrucao e mostra que o amor para com a Palavra na prática seria visto e vivido no cotidiano por meio de uma ação contínua e penetrante: assentado, andando, deitando e levantando.

  Hermeneuticamente, esse versículo mostra que o amor a Deus não pode ser algo abstrato, mas tem que ser marcado por açoes, ensino e repetição constante, por testemunho de vida eficaz e amor a Deus que se visibilize em cada gesto da vida e em todos os momentos. Quem ama a Deus de verdade cumpre a sua Palavra (Jo 13.35; Tg 1.22).

  Amados, que expressemos em nosso viver diário ações praticas que evidenciem o amor que temos para com Deus e que, por meio da Palavra, eduquemos nossos filhos a viver obediente e fielmente ao Senhor.

  CONCLUSÃO

   HÁ PALAVRAS SINGULARES QUE DESCREVEM O AMOR A DEUS EM DEUTERONÔMIO: ALIANÇA, OBEDIÊNCIA E COMPAIXÃO. O SENHOR AMOU PRIMEIRAMENTE ISRAEL, E ISSO FAZ COM QUE  ENTENDAMOS QUE O AMOR A ELE NÃO É FIRMADO APENAS EM EXIGÊNCIAS E OPRESSÃO, MASQUE ESSA ALIANÇA DEU-SE POR CAUSA DE UMA AÇÃOLIBERTADORA. ADEMAIS, DEUS QUER O CORAÇÃO DO SEU POVO TRANSFORMADO PELA SUA PALAVRA E QUE ISSO RESULTE EM AÇÕES QUE ENVOLVAM ENSINO, EXEMPLO DE VIDA E PRÁTICA. TODO O CUMPRIMENTO DESSE AMOR ESTÁ EM JESUS CRISTO, QUE NOS REVELOU O PAI (JO 17.26), CONCEDEU-NOS O ESPÍRITO PARA ESCREVER A LEI EM NOSSO CORAÇÃO (RM 5.5) E QUE NOSDESAFIA A AMAR AO SENHOR COM TODO O NOSSO SER.   

    Livro de Apoio - O Deus da aliança 


Leitura diária devocional 

OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

PARA VIVER COM FÉ

  O apóstolo Paulo afirma que "a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus" (Rm 10.17). O seu argumento é que a fé não surge do nada ou de uma simples intuição interna. Ela precisa de um estimulo externo, uma voz que anuncia. "A fé vem pelo ouvir", ou seja, ela vem pelo ouvir alguma mensagem. Mas que mensagem é essa?

Ele responde na sequência: "[ ... ] e o ouvir pela Palavra de Deus". Nem todo ouvir produz fé salvadora. Você pode ouvir muitas coisas, mas a fé salvífica só é gerada quando o conteúdo desse ouvir é especificamente a Palavra de Deus. Pode ser uma pregação, um hino, uma conversa, uma leitura, uma visão ou sonho, mas o que importa é que o conteúdo seja a mensagem divina.

  Moisés sabia disso; por isso, ele conclama o povo de Israel a ouvir a Palavra de Deus (Dt 5.1) e começa relembrando os Dez Mandamentos (Dt 5.6-21). O termo hebraico usado para "ouve" nessa passagem é shemá, que vai além do som físico e implica uma disposição para obedecer e responder com fidelidade. Ouvir com fé significa estar atento para perceber a direção divina na mente e no coração.

  Esse texto ainda nos mostra que a fé não é apenas sentimento, mas também algo que requer instrução. Moisés convoca o povo a aprender os estatutos para que sejam completamente instruídos na vontade de Deus. Diz ele: "[ ... ] e aprendê-los-eis [ ... ]". Além disso, o objetivo de ouvir e aprender é apontado como sendo o cuidado em cumprir os mandamentos: "[ ... ]e guardá-los-eis para os cumprir". Isso nos fala que ouvir a Palavra de Deus com fé deve resultar em ação e que o propósito da vida humana é seguir ao Senhor, isto é, estabelecer um relacionamento com nosso Cria- dor e entrar em sintonia com a vida - a verdadeira vida - mediante a observância dos seus mandamentos, pois o Senhor conhece nossa estrutura e a estrutura do mundo que Ele criou e sabe o que é melhor para nós. Em suma, obedecer a Deus sempre é a melhor escolha.

 

   APRENDENDO PARA TRANSFORMAR

O CORAÇÃO E VIVER A FÉ

  A transformação do coração e a vivência da fé começam com o reconhecimento de Deus como nosso Criador e a aceitação de que apenas Ele pode dar ao seu servo

o entendimento necessário para viver. É o que nos ensina o salmista em Salmos 119.73. Ao declarar que foi feito pelas mãos de Deus, o salmista reconhece que não somos fruto do acaso, mas criaturas de Deus, e entender isso o impele a buscar o sentido real da vida nos mandamentos do seu Criador. Só quando entendemos que fomos criados por Deus é que encontramos a base, isto é, a justificativa existencial,

e o impulso para buscar a vontade divina para nossa vida.

  Outro detalhe é que o salmista está fazendo uma oração. Ele diz: "Dá-me inteligência para que aprenda os teus mandamentos". Aqui somos ensinados que o aprendizado espiritual não é apenas intelectual, mas também exige uma súplica por um entendimento que só o Criador pode conceder. Se queremos transformação do coração e aprender a viver a fé em Deus, precisamos de uma iluminação que só pode vir dEle, e não pelo esforço humano. Devemos estudar a Palavra de Deus em oração para que não apenas entendamos o texto intelectualmente, mas Deus também fale ao nosso coração por meio dele.

   O célebre pregador batista Charles Spurgeon (1834-1892) comentava que esse versículo é um pedido para que Deus, que fez nosso corpo, também "molde nosso

espirito" e forme nosso caráter. Lembrando que o aprendizado aqui visa à maturidade espiritual e à santidade. O objetivo do pedido por entendimento não é o acúmulo de informações, mas a capacidade de "entender os mandamentos" para praticá-los. A fé torna-se viva quando as leis divinas guiam nossas decisões e hábitos diários por meio de uma obediência que nada mais é do que uma resposta consciente de amor ao Deus que nos criou, salvou e tem um plano maravilhoso para nossa vida, o que transforma nossa existência em um ato de gratidão e confiança nEle.

27

   AMANDO A DEUS ACIMA DE TUDO

EM PLENA OBEDIÊNCIA

  O início do capítulo 5 de Deuteronômio apresenta novamente os Dez Mandamentos, que aparecem originalmente em Êxodo 20. Os versos 6 a 11 em especial apresentam a parte inicial do Decálogo, que estabelece a base do relacionamento entre Deus e o seu povo. Essa base ensina como amar ao Senhor acima de tudo em obediência, destacando três pilares.

  O primeiro pilar, que está no versiculo 6, é o reconhecimento da redenção. O referido texto começa com Deus lembrando que Ele libertou o povo hebreu da escravidão no Egito. Isso significava que a obediência a Deus não era um peso para ganhar o seu favor, mas uma resposta de gratidão por Ele já os ter libertado, e que amá-lo acima de tudo começa por reconhecer que pertencemos a Ele porque foi Ele quem nos resgatou.

   O segundo pilar, que está nos versiculos 7 a 10, é o entendimento da exclusividade e da prioridade. A ordem é clara: "Não terás outros deuses diante de mim". Isso nos ensina que amar a Deus acima de tudo significa que Ele não aceita o segundo lugar. Qualquer coisa que ocupe o centro de nosso coração - seja o dinheiro, nossa carreira, nossos relacionamentos ou nosso próprio eu - torna-se um ídolo e afasta-nos de Deus. A obediência plena exige que o Senhor seja nossa única autoridade e a fonte principal de nossa satisfação. Por fim, o terceiro pilar, que está no versiculo 11, é formado pela reverência e a integridade. O mandamento do verso 11 proibe tomar o nome de Deus em vão. Isso nos mostra que obedecer a Deus envolve respeitar a sua santidade. Isso vai além de não usar o nome dEle como "palavrão"; também significa não carregar o nome de "cristão" ou "povo de Deus" de forma vazia. Amar a Deus acima de tudo requer que nossas ações e palavras honrem a reputação dEle no mundo.

  Em suma, amar a Deus acima de tudo significa exclusividade, pois só Ele é Deus; gratidão, pois foi Ele quem nos libertou; e reverência, porque Ele é santo. E essa é

a plena obediência.

28

   AMANDO O PRÓXIMO COM VERDADE,

JUSTIÇA E ATITUDES

  Os Dez Mandamentos tratam não apenas de como deve ser nosso relacionamento com Deus, mas também de como deve ser nosso relacionamento com o próximo.

A base dessas ordenanças é o amor, como aponta o apóstolo Paulo: "Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.9-10).

  O apóstolo João tem como um dos principais temas da sua Primeira Epistola o amor, e uma das suas máximas sobre esse importante assunto é que o sentimento ou a mera palavra, sozinhos, não constituem o amor pleno. É preciso manifestar esse amor em atitudes, "por obra e em verdade" (1Jo 3.18). Amar com atitude significa que o afeto deve manifestar-se em comportamentos concretos e sacrificios pessoais. João exemplifica que, se alguém vê um irmão em necessidade e apenas diz "vá em paz" e não faz nada, esse amor é vazio (1Jo 3.17).

  João frisa que devemos amar "em verdade". Isso significa que o verdadeiro amor é sincero e coerente. O amor "em verdade" é aquele que não é fingido ou apenas protocolar. Ele nasce de uma disposição real do coração e está alinhado com a verdade de Deus, manifestada na sua Palavra. Amar com verdade significa ser integro nas intenções, sem segundas intenções ou hipocrisia. Quem vive esse amor não somente não comete os pecados contra o próximo listados nos Dez Mandamentos, como também vai além: ele preocupa-se em abençoar o seu próximo.

  Em suma, nessa passagem, João foca na justiça prática. Amar com justiça é reconhecer a necessidade do próximo e agir para supri-la, combatendo a indiferença.

Falar sobre amor é fácil, mas o amor que agrada a Deus é aquele que se envolve, que arregaça as mangas e coloca a mão na massa para ajudar a quem precisa, pois amar é um verbo de ação.

29

  DEUS REVELA-SE AO SEU POVO

E CHAMA-O À OBEDIÊNCIA

  No seu discurso relembrando os Dez Mandamentos, Moisés destacou que, por ocasião da entrega do Decálogo, houve a manifestação direta e poderosa de Deus

a todo o seu povo no monte Sinai e enfatizou ainda que as ordenanças divinas são completas e devem ser o fundamento da conduta do seu povo. Ele relembrou que

o Senhor falou a toda a assembleia de Israel reunida em Horebe de forma visível e audível, utilizando elementos que demonstravam a sua glória e santidade. Ele manifestou-se do meio do fogo, da nuvem e da escuridão e com uma "grande voz", uma voz poderosa, permitindo que todos ouvissem os seus mandamentos diretamente. Moisés ainda diz que Deus "nada acrescentou" ao que foi dito, indicando, com isso, que o Decálogo era uma base completa e suficiente da sua vontade moral. Ele também lembra que as palavras proferidas por Deus foram escritas por Ele emduas tábuas de pedra, simbolizando a natureza duradoura e imutável dessa aliança.

  Na sequência (Dt 5.23-33), Moisés faz um chamado à obediência. Ele explica que a manifestação divina estimula a obediência. Após falar que a intensidade da presença de Deus gerou um temor profundo no povo e ter reconhecido que ninguém poderia sobreviver à voz direta de Deus sem um mediador - que, naquele momento, era Moisés-, ele ressalta que o Senhor expressou o desejo de que o seu povo mantivesse sempre esse mesmo coração daquele dia - ou seja, um coração disposto a temê-lo e a guardar todos os seus mandamentos - e que a obediência solicitada não era só uma obrigação, mas um caminho para que tudo fosse bem com eles e os seus descendentes para sempre.

  Moisés, portanto, traz essa recordação da poderosa manifestação divina na entrega do Decálogo para que a nova geração sempre se lembrasse de que a aliança no Sinai exigia uma resposta ativa de fidelidade a esse Deus tremendo - o único e verdadeiro - que se revelou de forma tão grandiosa ao seu povo. O temor reverente ao Senhor é o principio da sabedoria.

30

   OBEDECER A DEUS É ANDAR

NO CAMINHO DA VIDA

  Deuteronômio 5.33 traz a conclusão prática da repetição dos Dez Mandamentos.

Ele apresenta a obediência não como um fardo jurídico, mas como um mapa para a sobrevivência e a prosperidade. A vida com Deus é comparada a uma jornada, e

a obediência é apresentada como direção, como "o caminho". Andar no "caminho que vos manda o SENHOR" significa que a vontade de Deus não é um ponto estático,

 uma conduta contínua. Obedecer é manter o passo na direção certa para não se perder em caminhos que levam à degeneração, à injustiça e à morte.

  Moisés frisa ainda que obedecer a Deus é ter qualidade da vida. Diz ele: "[ ... ] para que vivais, e bem vos suceda [ ... ]". Essas palavras ligam a obediência a dois niveis de vida: a preservação da existência, indicada na expressão "vivais"; e a qualidade da vida preservada, expressa nos dizeres "bem vos suceda". Obedecer a Deus resultaria, portanto, em preservação da vida e em qualidade dessa vida. Não se trata apenas de sobreviver, mas de desenvolver-se saudavelmente, florescer e frutificar. A obediência aos mandamentos cria uma sociedade saudável onde a vida pode ser desfrutada na sua plenitude.

  Além disso, Moisés aponta que, obedecendo às ordenanças divinas, o povo de Israel teria continuidade no Tempo: "[ ... ] prolongueis os dias na terra que haveis de possuir". Andar em obediência garante a permanência. Para Israel, isso signi- ficava manter a posse da Terra Prometida. Para nós, significa que as escolhas que fazemos em obediência a Deus geram frutos duradouros e sustentáveis, e evitam que sejamos expulsos daquela terra de paz, do estado de paz na alma, perdido como consequência de caminhos errados. Isso nos ensina que Deus não dá ordens para demonstrar poder, mas para nosso próprio bem, para preservação de nossa vida e para que vivamos uma vida plena. A obediência a Deus é o mecanismo de segurança que permite ao ser humano caminhar em um terreno seguro e fértil.

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  O CHAMADO À OBEDIÊNCIA

  Somos chamados à obediência, e esta requer orientação diária. Ao usar a metáfora da lâmpada para os pés para referir-se à orientação trazida pela Palavra de

Deus à nossa vida, o salmista está descrevendo o efeito da Palavra como uma luz de curto alcance, usada para iluminar o próximo passo no escuro. Isso nos ensina que a obediência não é um plano mestre revelado de uma só vez, mas uma decisão de seguir a vontade de Deus um passo de cada vez e depender dEle todos os dias para não tropeçarmos. Já a segunda metáfora, da Palavra como luz para o caminho, fala da Palavra como antidoto para a cegueira moral e espiritual que há no mundo.

  A Palavra não ilumina apenas nossa vida em particular, como tem um efeito mais amplo, sendo uma luz para guiar-nos em meio ao mundo ao redor. Ela ilumina nosso coração, que pode experimentar eventualmente trevas de confusão, mas também nos mostra como é este mundo, de fato, e como devemos conduzir nossa vida nele. Obedecer a Deus é, portanto, um ato de inteligência espiritual; é escolher enxergar a realidade por meio da verdade divina para evitar os perigos que a desobediência oculta.

   Um detalhe interessante é que, nessa metáfora em que o mundo é tomado pela escuridão e a Palavra é a lâmpada do viajante, o caminho só se revela ao caminhar. A luz só é útil para quem está em movimento. Se você está em casa parado, dormindo, não precisa de luz acesa. A vida é descrita pelo salmista não como letárgica, mas como um caminhar; ou seja, o chamado à obediência implica ação. Não basta admirar a luz ou estudar a lâmpada.

  A função da Palavra de Deus é cumprida quando o fiel decide efetivamente andar conforme a vontade do Senhor, e a clareza sobre o futuro muitas vezes só vem quando obedecemos ao que Ele já iluminou em nosso caminho presente.

  Obedecer a Deus é um estilo de vida de dependência constante, onde a Biblia serve como o guia prático que nos impede de sair da rota segura.

   32 O Deus da Alianca - Advertencias, Promessas e Bencaos no Livro de Deuteronomio

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

CPAD: O Deus da Aliança — Lição 4: O chamado à obediência

 


Capítulo 4

O CHAMADO A OBEDIÊNCIA

  INTRODUÇÃO O CAPÍTULO 5 MOISÉS ATUA COMO UM PASTOR QUE CUIDA DO REBANHO E DESEJA, AO MESMO TEMPO, CRESCIMENTO NA VIDA ÍNTIMA COM DEUS. ELE NÃO ESTÁ FAZENDO UM MERO DISCURSO FORMAL, UMA REPETIÇÃO FRIA E MECÂNICA DA LEI, TAMPOUCO AGINDO COMO UM LEGISLADOR QUE SOBRECARREGA O POVO COM NORMASLEGALISTAS. COMO JÁ DITO, ELE AGE COMO UM PASTOR E PROFETA, COM O CORAÇÃO CHEIO DE DEUS E DESEJOSO DE QUE CADA PESSOA TENHA NO CORAÇÃO OS MANDAMENTOSDO SENHOR PARA, ASSIM, PRESERVAR A SUA ALIANÇA E DESENVOLVER UMA COMUNHÃO VERDADEIRA COM ELE.

  Moisés esclarece à nova geração que o Senhor revelou-se do meio do fogo não para impressionar, causar impacto e criar grandes expectativas, mas para dizer a todos que Ele não é um Deus distante. No ato da sua revelação, o Senhor objetivava receber uma resposta do povo em fidelidade e obediência. É para isso que serve a manifestação divina. Cultos e movimentos em que as manifestações não tenham propósito de transformar, mudar vidas e edificar não têm qualquer utilidade para Deus (1 Co 14.26).

  A forma de Moises usar os seus discursos foi em tom de sermao pastoral. No livro de Deuteronômio, a teologia do pacto, como falada por ele, salienta exortações constantes para que cada israelita fosse obediente e fiel à aliança, tudo baseado na fidelidade de Deus. Como dito, a repetição dos mandamentos não foi algo apenas para repetir, mas, sim, reavivar a fé dos novos israelitas a fim de que tivessem o coração pronto para viver e obedecer a Lei de Deus.

  I-O CONCERTO REITERADO EM HOREBE 1. O CHAMADO PARA OUVIR E OBEDECER

  O grande líder começa o capítulo 5.1-5 de modo imperativo, dizendo àquela nova geração que era preciso ouvir, aprender e obedecer. Ouvir, aqui, vai além de escutar; trata-se de ouvir para responder de modo ativo. Moisés estava chamando todos para participarem da aliança divina, mas isso teria que ser de modo consciente.

  O chamado de Moisés envolvia teologicamente um ato de obediência por causa da revelaçao de Deus, e, assim, a Lei dada ao seu povo jamais poderia ser vista ou considerada como um fardo, pois ela expressava o caráter de Deus, bem como uma trilha para chegar-se à vida e comunhão que só é possível por meio dEle. Quando Israel evidenciasse na prática a sua obediência e fidelidade, isso iria caracterizá-lo como o verdadeiro povo de Deus.

  A Igreja de Cristo deve manter esse exemplo e padrao, ouvir a Palavra de Deus com total reverência e obedece-la (Jo 14.15), pois só assim terá a vida eterna. A prática dessa obediência aos mandamentos divinos não é algo legalista, mas expressão de amor e fidelidade para com Cristo, que provou o seu amor na cruz por nós (Rm 5.8).

2. A pessoalidade da Aliança

  Podemos ver a pessoalidade da aliança nos termos expressivos: "conosco [ ... ], todos os que hoje estamos vivos". Nao se pode jamais imaginar que se tenha aqui uma contrariedade do evento histórico que aconteceu no Sinai. A maneira como Moisés expressa-se denota claramente que ele tratava da renovação da aliança, que é tanto pessoal quanto presente. Esse sentido é maravilhoso para entender-se que ela não pode ser vista apenas como uma herança histórica, familiar, mas que envolve fé; logo, o termo conosco destaca uma inclusão relacional e direta.

  Nunca se deve pensar que a aliança que Deus fez com Israel fosse um tipo de contrato frio. A aliança envolvia fé e um ato vivo que deveria ser contínuo. Ela era pessoal porque o Senhor desejava desfrutar com Israel um relacionamento real, caminhar com o seu povo e que todos pudessem manifestar uma resposta para com Ele repleta de amor, obediência, fé e fidelidade. A aliança com Isracl era a mancira pela qual Deus aproximava- se de cada um deles, mantinha a sua soberana vontade e, ao mesmo tempo, criava comunhão. Para nós, cristãos, compreender essa verdade é algo singular no sentido de entendermos que a geração nova precisava ter fé. Ainda que os pais tenham tido fe, cada um é chamado a responder com amor, obediência e fidelidade ao chamado divino. Pedro fala que a promessa é para todos quantos o Senhor, nosso Deus, chamar (At 2.39). Dessarte, cada pessoa ainda é chamada hoje para viver a Nova Aliança feita pelo sangue de Cristo Jesus (Mt 26.26).

  3. Uma revelação direta de Deus

  Para que se entenda nitidamente que a aliança cra algo bem pessoal, o versículo 5 faz uso da antropopatia, que é uma forma de usar-se uma humana para falar de Deus. Assim, pela expressão "face a face", dois aspectos podem ser vistos nesse ato da revelação divina: intimidade e intensidade. O Deus eterno, santo, justo e poderoso não se ocultou do homem, mas revelou-se ao seu povo escolhido de modo pessoal, mesmo que fizesse uso de um intermediário, Moisés. Outro tipo de manifestação de Deus descrita no versículo é a do meio do fogo, que expressa a sua glória, temor e santidade.

  Destacamos já que a aliança não é um contrato, pois nela tem-se a central revelação de Deus, que jamais pode ser visto ou entendido como uma ideia, força invisível, mas um ser real, que fala, revela-se e manifesta-se. A revelação de Deus no Sinai posteriormente iria apontar para vinda de Cristo Jesus (Hb 1.1-2). O cristão vive constantemente desfrutando da revelação ou comunicação de Deus, mas isso não acontece mais hoje por meio do fogo, de anjos, mas diretamente pela Palavra e pelo Espírito Santo, que nos guia em toda a verdade (Jo 14.16,26; Hb 4.12). Todos viram o fogo no Sinai. No Pentecostes, o fogo e o Espírito Santo que atua em nosso coração (J1 2.28; At 2.16).

  II -AEXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS

MANDAMENTOS

  A partir de Deuteronômio 5.6-11, tem-se o bloco que faz a introdução inaugural do Decálogo, que não se resume a mandamentos, mas atém-se à construção da base que gera relacionamento de Deus com o homem, isto é, algo que vem de cima. Ademais, o Senhor e apresentado como o grande redentor, que deseja do homem uma resposta de obediência (Dt 5.6).

  Lendo-se os Dez Mandamentos, é possível entender que o Senhor não começa dando ordens ao homem, mas o seu relacionamento começa com a açao de libertar os israclitas. Isso e interessante, porque nenhum deles iria obedecer a Deus para ser salvo, mas a resposta de obediencia e santidade cra devido aos grandiosos favores e bençaos que Deus havia-lhes concedido, inclusive a libertação do Egito; logo, nesse sentido, compreende-se nessa ação divina a teologia da graça, que se faz presente nas Sagradas Escrituras de capa a capa.

  O que abordaremos nesses versículos, portanto, é que a centralidade para o relacionamento com Deus é exposta por Moisés de modo singular. Em primeiro lugar, exclusividade na adoração (v. 7), pureza no culto (vv. 8-9), zelo divino (v. 9), reverência para com Deus (v. 11). Todo israelita, pelo ensino, deveria estar consciente de que o Senhor era o único Deus e que qualquer tipo de idolatria teria que ser rejeitada. No demais, todos eram chamados para uma adoração verdadeira, que deveria ser marcada pela espiritualidade, verdade e reverência.

  O fundamento para esses mandamentos seria o amor a Deus com todo o coração (Dt 6.5). Quando algum israelita manifestasse obediência aos mandamentos divinos com zelo, santidade e adoração, estaria revelando um sincero, e nao apenas meras palavras ou sentimentos vazios. Nosso Senhor Jesus Cristo reforçou essa mesma estrutura de Deuteronômio quanto à essência dos mandamentos (Mt 22.37-38).

  A leitura dos Dez Mandamentos é feita à luz do contexto da aliança, isso porque os mandamentos não são leis universais, mas, sim, juramentos que o povo de Israel fazia para com o Senhor, que requer fidelidade de cada um do seu povo. Historicamente e voltando ao contexto dos tempos antigos, os clementos de um contrato no oriente englobam um tratado de soberania c nele o rei impunha a sua lei aos vassalos. Nos Dez Mandamentos, porém, tem-se a presença do Deus que os libertou e salvou e que se relaciona e deseja que cada um volte-se para Ele com amor verdadeiro.

1.  Os quatro primeiros mandamentos: amor a Deus

  Na estrutura dos quatro primeiros mandamentos, está claro que todo israelita deveria manter para com Deus exclusividade, reverência, temor e comunhão. No primeiro, o Senhor quer exclusividade, pois é único e soberano; no segundo, jamais se deve fazer qualquer tentativa de reduzi-lo a algo material para representá-lo; já o terceiro pede reverência para com o seu nome, Yahweh, que revela o seu caráter; e o quarto envolve a santificação do tempo e reconhece o mesmo como Deus criador e redentor (Ex 20.8; Dt 5.15).

  Pela instrumentalidade desses mandamentos, fica claro que o Senhor quer um relacionamento exclusivo com o seu povo, pois Ele não divide a sua glória com ninguém (Is 42.8), marcado pela santidade, adoração verdadeira, zelo e fidelidade, pois cada ponto desses mandamentos reflete a santidade de Deus. A Lei, nesse particular, não pode ser analisada tão somente como exigências morais, mas, sim, como santa, espiritual e relacional.

  Essas exigências divinas estão presentes em todo o Novo Testamento, de maneira que o cristao precisa entender que o Senhor continua exigindo adoração exclusiva para Ele (1 Co 8.6), rejeitando e condenando todo tipo de idolatria (1 Jo 5.21), requerendo de todos reverencia para com o seu nome (Mt 6.9) e convidando a todos para um tempo de descanso espiritual c adoração (Hb 4.9-10). Quem segue todos esses princípios bíblicos e coloca- os em prática realmente manifestará um amor sincero para com Deus que será acima de todas as coisas (Mt 22.37). Adorar ao Senhor Deus em obediência e fidelidade e com a vida totalmente consagrada a Ele está acima de qualquer tradição religiosa e liturgias frias.

 2. Os seis mandamentos: amor ao proximo

  Os seis últimos mandamentos estabelecem uma ordem ética que envolve a vida em comunidade e mostra que o Senhor deseja uma vida com respeito, verdade e integridade. Em destaque, nota-se que "honrar pai e mãe" é o único mandamento com promessa. "Não matar" mostra respeito pela vida, e "não adulterar", santidade no casamento. Os outros que se seguem envolvem o ato de preservar-se a propriedade, a verdade e a pureza do coração.

  É importante atentar para os mandamentos dessa ética relacional, pois cada um deles mostra que o Senhor leva em consideração a forma como tratamos nosso próximo, pois cada ser humano traz na sua existência a imagem de Deus (Gn 1.26-27; 9.6), de modo que não se pode ter qualquer tipo de preconceito, racismo e diferença para com as pessoas, pois todos foram criados por Deus, e Ele jamais faz acepção de pessoas (Dt 10.17; 16.19; 2 Cr 19.7; MI 2.9; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; Cl 3.25; Tg 2.1,9; 1 Pe 1.17).

  Ao estudarmos o Decálogo, não estamos, portanto, tratando simplesmente de uma lei fria ou apenas de exigências morais, mas nele estão expressos o caráter de Deus, a sua santidade e o que o Senhor quer do seu povo. Essa lei divina não é só um código, mas a sua vontade (Dt 4.13). Nela estão declarados os fundamentos para que uma sociedade seja justa, o que só é possível quando, em primeiro lugar, acontece a mudança no coração de cada indivíduo,

  Esses mandamentos, pela ótica de Paulo, são por demais pertinentes, e ele reafirma-os em Romanos 13.8-10 como uma expressão de amor. Compreendemos que a etica cristã é imprescindivel para que o amor seja desenvolvido na prática. Quando se obedece à lei moral, o Fruto do Espírito é manifesto (Gl 5.22-23) no contexto que envolve os relacionamentos. Essa ctica relacional e a moldura moral que visa proteger a vida em sociedade, a família, o casamento, a propriedade e a verdade. Trata-se de expressões práticas que envolvem o segundo e maior mandamento (Lv 19.18; Mt 22.39) e que são reflexo do caráter de Deus. Todo cristão, portanto, deve viver de modo justo, íntegro e amoroso na sua relação com o seu próximo. Paulo fala que toda a Lei é cumprida numa só palavra: amar o próximo (Gl 5.14).

  3. Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje?

  Esta tem sido a pergunta de muitos cristãos: "Qual a utilidade da Lei para os que vivem em Cristo?". As leis cerimonial e civil foram cumpridas em Cristo Jesus (Mt 5.17), mas a lei moral permanece viva e expressa o caráter de Deus. Pode-se dizer, assim, que a graça não anula a obediência, mas fundamenta-a. Paulo falou que a Lei serviu de aio para conduzir-nos a Cristo (Gl 3.24), mas Cristo Jesus devolve-nos a Lei como uma norma de gratidão e santidade.

  Em se tratando da utilidade da Lei para o cristão, é preciso analisar os seus três usos tradicionais: o primeiro pode ser visto na sua função moral. Nesse sentido, ela está sendo usada como um freio para o pecado, instruindo a consciência do homem (1 Tm 1.9,10). Segundo, ela tem o seu uso na função normativa para uma vida santa. No momento em que acontece o novo nascimento, a lei moral passa a ser um guia de vida que expressa a vontade de Deus (Sl 1.2; Rm 7.12). Terceiro, a Lei e usada na sua função pedagógica, pois revela o pecado e a incapacidade de o homem libertar-se dele pela sua vontade. Ela, porém, certamente o conduz a Cristo, que é a verdade que liberta (Jo 8.32; Gl 3.24).

  Tudo se volta para o Antigo Testamento quando falamos das leis civil, e cerimonial, e os eventos têm ligação direta com a obra que Cristo consumou. Essa divisão, que foi muito usada pelos reformadores, serviu para explicar como esses aspectos aplicam a Lei Mosaica aos cristãos. Os cultos, os sacrificios, as festas religiosas, a pureza ritual, o sacerdócio levítico e o Tabernaculo estavam presentes na lei cerimonial e apontavam para Cristo Jesus, sendo, portanto, sobras das coisas futuras (Cl 2.16-17; Hb 10.1). Jesus, como Cordeiro, Templo perfeito e Sumo Sacerdote, cumpriu essa lei totalmente Jo 1.29; 5.17; Hb 7-10). Essa lei não é mais exigida para o culto cristão de hoje.

  Temos na lei civil o conjunto de leis que regiam a nação de Israel, que era teocrática, e isso envolvia penalizações, restituições, administração da justiça, herança, propriedade e guerra (Ex 21-23; Lv 25; Dt 19.15-21).

  Nesse particular, Jesus cumpriu toda a justiça da Lei e ensinou a todos princípios que vão além do contexto vivido por Israel, os quais foram direcionados a todas as nações (Mt 22.21; Jo 18.36). Não há mais dessa lei civil para o cristão; o povo de Deus agora se espalha toda a terra (1 Pe 2.9). Mesmo não sendo mais uma teocracia, os de justiça, cquidade e dignidade humana sempre são válidos.

  Os mandamentos são universais e eternos na lei moral. Eles refletem o caráter santo e justo de Deus. Essa cláusula não foi abolida, mas, sim, cumprida em Cristo e reafirmada por Ele (Ex 20; Dt 5; Mt 22.37-40; Rm 13.8-10). Jesus cumpriu essa lei porque viveu neste mundo sem pecar (Hb 4.15) e ensinou os seus discipulos a obedecerem-na em espirito e verdade Mt 5.17-20; Rm 8.3-4). Essa lei permanece válida para os cristãos, porém jamais como meio de salvação, mas como norma para uma vida pura e

santa, dirigida e avivada pelo Espírito Santo de Deus (GI 5.16,22-23).

  O cristão, portanto, não vive debaixo da Lei como uma forma de receber a regeneração, a justificação (Gl 2.16), mas submete-se à sua autoridade moral, pois os mandamentos guiam e orientam para uma vida de santificação e obediência, bem como discernimento ético frente a um mundo com os seus postulados relativistas (Rm 3.21). Assim, a Lei para o cristão apresenta três aspectos: espelho, ao revelar a necessidade de Cristo; bússola, ao orientar a caminhada; e testemunho, ao apresentar exemplo vivo de uma vida transformada pela graça de Deus (1 Jo 5.3).

  III -OBEDECENDO À VOZ DE DEUS UMA TEMÁTICA QUE

FAZ PARTE DE TODA A ESCRITURA SAGRADA É A

OBEDIÊNCIA A DEUS. ESTAMOS, PORÉM, COM NOSSA

ATENÇÃO VOLTADA AO CAPÍTULO 5 DE DEUTERONÔMIO, CUJO CONTEÚDO ORBITA, NO SEU TODO, NA QUESTÃO DA OBEDIÊNCIA. O SENHOR NÃO SE REVELOU POR SIMPLESMENTE SE REVELAR, MUITO MENOS DEU MANDAMENTOSPOR ACASO. POR MEIO DA SUA REVELAÇÃO, ELE TENCIONAVA DESENVOLVER COM CADA ISRAELITA UM RELACIONAMENTO QUE FOSSE

RESPONDIDO COM TEMOR E OBEDIÊNCIA (DT5.4).

QUANDO UM ISRAELITA MANIFESTAVA OBEDIÊNCIA AO

SENHOR, ESTAVA RECONHECENDO A SUA VOZ E AUTORIDADE DIVINAS, A SUA SANTIDADE ABSOLUTA E O SEU AMOR REDENTOR (DT 28.1).

  A obediência do israelita era uma resposta fiel à revelação divina e à sua presença. Ele não estaria apenas seguindo leis sob algum tipo de medo ou punição, mas andaria com Deus e creria que a vontade dEle estava revelada scus mandamentos. De igual modo, o cristão, quando manifesta obediência para com Cristo, está demonstrando submissão ao seu senhorio Jo 10.27). Isso acontece porque, quando se escuta obedientemente a Deus, tem-se a real prova de uma crença verdadeira, cujo resultado será de bênçãos maravilhosas e duradouras que envolvem a preservação, a comunhão e a vida eterna (S1 119.105; Mt 7.24,27; Rm 10.17).

  1. A Palavra de Deus revelada à congregação

  Nos versículos de Deuteronômio 5.22-27, há pormenores que precisam ser analisados. Em primeiro lugar, vemos que o Senhor falou tanto com Moisés quanto com toda a congregação de Israel. Essa revelação de Deus no Horebe (Sinai) foi audível e seguida de fogo, escuridão e voz poderosa.     É por demais relevante esse aspecto da revelação divina acontecer de modo público, e não isoladamente, como se vê nos registros históricos de certas scitas, em que a revelação só é dada para uma pessoa. Aqui, o Senhor deu contas à congregação para que jamais houvesse qualquer tipo de invenção ou adulteração humana (Dt 5.22).

  Entendemos que o Senhor sempre quis comunicar-se com o homem, e a maneira como Ele procedeu na sua revelação, que foi direta, evidencia que Deus é comunicativo, santo e quer que o seu povo ouça a sua voz e viva em comunhão com Ele. Teologicamente, a relação geral de Deus torna-se especial quando fala de modo direto (Hb 1.1,2). Quando o Senhor fala, a sua voz mostra a sua glória e vontade (SI 29). Essa revelação começou no Antigo Testamento, mas teve o seu desfecho completo na pessoa de Cristo Jesus (Jo 1.14).

  A Igreja e consciente de que serve a um Deus vivo e poderoso e de que faz parte do seu pastoreio (SI 100.3). Assim, quando se reúne, é para ouvir a voz divina por meio da pregação e ensino das Sagradas Escrituras, pois hoje Ele fala por meio dela e espera uma resposta de fidelidade e obediência sem traço de incredulidade, mas, sim, de plena fé (Hb 3.7-8; Ap 2.7).

  O versículo 27 possui dois verbos que destacam a consideração do povo para com a palavra revelada: o primeiro é escutaremos ou ouviremos. Não se trata apenas de limitar-se ao ouvir fisico, mas, sim, uma atenção e uma compreensão que respondesse obedientemente. Quando o povo disse:

"ouviremos", todos estavam reconhecendo que a obediência começava pela escuta reverente (Rm 10.17).

  O segundo verbo e cumpriremos. Ao usarem esse termo, todos se comprometiam a praticar o que iriam ouvir e, dessa mancira, diziam que teriam submissão total à vontade de Deus (Tg 1.22).

  2. Bênção e preservação aos obedientes

  Nos versículos 29-33, Moisés mostra que a obediência aos mandamentos de Deus traria ao povo gloriosas bênçãos: vida, bem-estar, preservação c continuidade tanto espiritual como social (Dt 5.29). A dimensão da bênção aqui descrita não é apenas material, mas vai muito mais além, pois, quando obedece a Deus em resposta à sua Lei, o homem tem a sua alma preservada e recebe vida abundante, cujos frutos serão duradouros (Dt 5.33).

  Bíblica e teologicamente, sabemos que a obediência é fruto do temor a Deus (Pv 1.7). No demais, ao obedecer, cada israelita era consciente de que estava ouvindo a voz de Deus, por meio da qual receberia proteção, direção e herança espiritual (S1 91; Is 30.21). Semelhantemente, os cristãos que vivem a obediência por meio da Palavra de Deus são tanto aperfeiçoados quanto salvos (2 Tm 3.15; Hb 5.9). Além disso, mostra um amor grandioso para com a voz divina, guardando os mandamentos (Jo 14.15; Tg 1.22). Os que realmente desejam desfrutar das copiosas bênçaos do Senhor precisam ouvir e sujeitar-se à sua voz constantemente.

 3. Palavras exortativas de Moisés

  Os versículos 27-33 mostra que o povo temeu ouvir a voz de Deus, de modo que os israelitas solicitaram que Moisés figurasse como mediador entre eles c o Senhor. Nesse caso, o grande lider atuaria como um pastor que iria cxortar e relembrar a todos os mandamentos do Senhor, bem como convocar cada um a viver conforme os mandamentos divinos com fe, fidelidade e obediência (Dt 5.27). As exortações dadas por Moisés eram para que cada um pudesse ouvir, guardar e praticar o que o Senhor Deus estava determinando por meio dos seus mandamentos e que isso fosse feito com a atitude de um coração cheio de temor e santidade, pois, somente procedendo assim é que teriam vida e bênção (Dt 5.32-33).

  Já dissemos que Moisés iria atuar não como um orador ou um filósofo, que apenas mostram erudição acadêmica. Ele mesmo tinha consciência de que estaria dando ao povo os mandamentos do Senhor, de modo que a sua atuação seria profética e conclamaria a toda a congregação a uma vida de santidade e aliança com o Senhor. Nesse particular, o grande legislador do povo de Isracl vai figurar como a pessoa de Jesus Cristo, que scra o Mediador superior da Nova Aliança, firmada no seu próprio sangue (Hb 3.5-6; 8.6). Ao falarmos de Moisés como exortador, não queremos dizer que

ele seria um tipo de opressor, ou seja, alguém que iria impor a sua vontade e ideias. Ele, na verdade, entregaria a toda a congregação a Palavra de Deus, marcada pela graça divina que leva a vida.

  Os pastores de hoje, assim como Moisés, são profetas de Deus para esta geração e devem entregar na integra a mensagem divina, exortar todos a achegarem-se mais a Deus com temor e tremor santo, em rendiçao e submissão, e fazerem isso por meio do evangelho de Jesus Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de todos (Rm 1.16). Essa exortação objetiva levar cada um a viver de santidade e fé, lembrando que, como disse Paulo, as Escrituras Sagradas são úteis para tudo (2 Tm 3.16). Devemos, portanto, exortar uns aos outros por meio dela (Hb 3.13).

  CONCLUSÃO

  OS AMANTESDA PALAVRA DE DEUS SÃO

CIENTES DE QUE O TEMA OBEDECERÉ PRESENTE EM

TODAS AS SUASPÁGINAS, DE MODO QUE PODEMOSDIZER QUE, QUANDO OBEDECE À VOZ DE DEUS, O CRISTÃO ESTÁ VIVENDO A ESSÊNCIA DA FÉ CRISTÃ, CONFORME ESTUDAMOS EM DEUTERONÔMIO 5. POR MEIO DESSE CAPÍTULO, VEMOS QUE O FALAR DE DEUS É SIMPLESE QUE OS QUE OBEDECEM AO SEU FALAR RECEBEM BÊNÇÃOS MARAVILHOSAS: PRESERVAÇÃO E VIDA. NO DEMAIS, COMO O SENHOR USOU MOISÉS PARA EXORTAR O POVO, HOJE ELE CONTINUA USANDO HOMENS ESCOLHIDOS, OS LÍDERES, PARA EXORTAR E CONDUZIR O POVO NOS SEUS CAMINHOS. PODEMOS VIVER EM OBEDIÊNCIA SEGUINDO O MODELO DE CRISTO (FP 2.8),

QUE É SUPREMO, E O SEU SANTO ESPÍRITO É QUEM NOS CONDUZIRÁ A UM VIVER SANTO E A UMA OBEDIÊNCIA FIEL À VOZ DE DEUS (SL 95.7-8; RM 8.14).

   Livro de Apoio - O Deus da aliança Livro