TEXTO
ÁUREO
“E
disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à
minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.”
(Gn 16.2).
VERDADE
PRÁTICA
A
impaciência é antagônica a fé, por isso não devemos ser dominados por ela. Deus
é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 16.1-16.
1 — Ora,
Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia,
cujo nome era Agar.
2 — E
disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar; entra, pois, à
minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.
3 — Assim,
tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a
Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.
4 — E ele
entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora
desprezada aos seus olhos.
5 — Então,
disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu
regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O
SENHOR julgue entre mim e ti.
6 — E
disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é
aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face.
7 — E o
Anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no
caminho de Sur.
8 — E
disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho
fugida da face de Sarai, minha senhora.
9 — Então,
lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de
suas mãos.
10 — Disse-lhe
mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será
contada, por numerosa que será.
11 — Disse-lhe
também o Anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu
nome Ismael, porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.
12 — E ele
será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele;
e habitará diante da face de todos os seus irmãos.
13 — E ela
chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse:
Não olhei eu também para aquele que me vê?
14 — Por
isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede.
15 — E
Agar deu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar,
Ismael.
16 — E era
Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu Ismael a Abrão.
PLANO
DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Abrão é chamado de “pai da fé” e “amigo de Deus”
porque deixou sua terra rumo ao desconhecido, tornando-se figura central para
judeus e gentios. Contudo, o Senhor usou o tempo para moldar seu caráter. A
promessa divina parecia distante, as circunstâncias não se alinhavam e Sarai,
vencida pela impaciência, decidiu agir por conta própria ao entregar sua serva
a Abrão. Ele, por sua vez, não a lembrou das promessas recebidas. Ambos tinham
fé, mas precisavam guardar na memória o que Deus lhes dissera. Esse é o segredo
para não sucumbirmos na espera e não agirmos por impulso, como fizeram Abrão e
Sarai.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I)
Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a Deus; II) Explicar as consequências
de agir por conta própria; III) Encorajar os alunos a permanecerem firmes no
Deus que conduz a história.
B) Motivação: “Você
tem a virtude da paciência?” Em um mundo imediatista e ansioso, muitos agem
como Sarai, tentando resolver tudo sem Deus. Mas as consequências chegam. No
Reino de Deus, não há espaço para o imediatismo: o Senhor governa o tempo. Por
isso, devemos esperar nEle e rejeitar toda ansiedade, confiando que seus planos
são perfeitos e se cumprem no momento certo. A paciência preserva o coração e
fortalece a fé em meio às demoras da vida.
C) Sugestão de Método: Para
introduzir o tópico, escreva “ansiedade” no quadro e pergunte aos alunos o que
essa palavra desperta neles. Explique que ansiedade é uma preocupação excessiva
que afeta corpo, alma e espírito, trazendo irritação, aceleração do pensamento
e desejo de controlar tudo. Sarai, diante da longa espera, deixou-se dominar
pela ansiedade e elaborou seu próprio plano, gerando consequências para ela e
para Abrão. A Bíblia nos orienta a entregar nossas inquietações ao Senhor.
Conclua lendo Filipenses 4.6,7 e 1 Pedro 5.7.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: Depois
de expor todos os tópicos da lição, aplique as verdades estudadas mostrando que
não devemos andar ansiosos nem tentar “ajudar” a Deus criando atalhos, como fez
Sarai. É essencial aprender a esperar o tempo do Senhor, confiando que Ele
trabalha mesmo quando não vemos. Devemos manter viva a esperança, lembrando que
aquEle que prometeu é fiel e cumpre sua Palavra no momento certo,
conduzindo-nos com sabedoria e graça.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale
a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e
subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 105, p.37,
você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao
final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de
sua aula: 1) O texto “Reconhecendo as Promessas de Deus”, localizado depois do
primeiro tópico, vai nos mostrar o que é uma promessa divina para nós; 2) No
final do segundo tópico, o texto “Eis que o Senhor me tem impedido de gerar”
vai nos ajudar a compreender o que significava para a mulher ser estéril dentro
da cultura judaica do AT.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Deus fez uma promessa a Abrão, mas o tempo passou,
e parecia que ela jamais seria cumprida. Abrão já estava com 85 anos, e sua
esposa também já era bem idosa. Então, Sarai foi dominada pela impaciência e
desejou agir por conta própria. Ela decidiu entregar sua serva a Abrão para que
tivesse filhos com ela. Ao que tudo indica, o pai da fé e amigo de Deus não
consultou ao Senhor, mas deixou-se levar pela impaciência de sua esposa. Todos
que são dominados pela impaciência sofrem consequências ruins, e com Abrão e
Sarai não foi diferente. Nesta lição, meditaremos sobre a sabedoria divina de
aguardar com perseverança o cumprimento da promessa de Deus dirigida ao seu
povo.
Palavra-Chave:
IMPACIÊNCIA
AUXÍLIO
TEOLÓGICO
“RECONHECENDO AS PROMESSAS DE DEUS
Para podermos depositar nossa fé nas promessas de
Deus é necessário, primeiramente, sabermos o que é e o que não é uma promessa
de Deus na Bíblia. Obviamente, se aplicarmos como promessa um versículo que, de
fato, não é nenhuma promessa, então nossa fé estará deslocada e ficaremos
desiludidos quando não virmos os resultados que esperamos. Entretanto, não
ficaremos desapontados com a Palavra de Deus se a interpretarmos corretamente
(2Tm 2.15) e aplicarmos apenas os versículos que se constituem em promessa para
nós hoje.
Promessas
feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de ser
válidas para todos os crentes. Um exemplo disso é Gênesis 12.2. Essa promessa
foi feita apenas a Abraão, e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje
não devem considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles [...].”
(RHODES, R. Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2006,
pp.19,20).
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“EIS
QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR
Era costume entre os povos da Mesopotâmia que a
esposa incapaz de conceber filhos obrigasse sua serva a gerar filhos por ela.
Os filhos pertenceriam à esposa.
(1) Não
obstante ao costume, não era dessa maneira que Deus pretendia dar a Abrão e
Sarai uma família (cf. 2.24).
(2) O Novo
Testamento equipara o filho de Agar a fruto de esforço humano — “segundo a
carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Em outras palavras, somente
podemos cumprir os propósitos de Deus se fizermos as coisas à maneira dEle —
pelo poder do seu Espírito e pela oração.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para
Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.20).
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
A
IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA
Nesta oportunidade, estudaremos com mais detalhes
a respeito do tempo de espera que Abrão teve de suportar para ver cumprir-se a
promessa de que seria pai. Deus tem Seus próprios caminhos para fazer valer a
Sua palavra. Ele é Soberano e tem o controle de todas as coisas sob Suas mãos.
Abrão não precisava “ajudar” Deus a cumprir o que havia lhe prometido, ou mesmo
descobrir um atalho para antecipar o cumprimento dos desígnios divinos.
Infelizmente, o patriarca não soube esperar e decidiu agir mais uma vez
impelido pela emoção. Os muitos anos de espera para ver se cumprir a promessa
de que teria um herdeiro provocou no patriarca um cansaço espiritual. Abrão já
não via mais esperança de que Sarai lhe daria um filho. Por outro lado, Sarai
entendeu que, em razão da sua velhice, já havia cessado os dias da sua
capacidade de gerar filhos. E vendo o quanto era importante para seu marido ter
um herdeiro, permitiu que sua concubina Agar se deitasse com Abrão a fim de lhe
gerar um filho.
Conforme
discorre o Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD), “Sara desesperou-se para dar à
luz o herdeiro que Deus havia prometido a Abraão. Sara, então, incentivou seu
marido a gerar uma criança com Agar (Gn 16.1-3), utilizando um expediente legal
e normal, frequentemente atestado na Antiga Babilônia, e nos textos de Nuzu.
Pela lei, uma esposa sem filhos deveria prover a seu marido uma mulher, geralmente,
uma escrava, que lhe geraria filhos em nome da esposa. Sara também agiu dentro
de seus direitos de acordo com as leis comuns da Mesopotâmia ao tratar Agar
rispidamente por desprezar sua senhora estéril (Gn 16.4; código de Hamurabi,
#146). Quando Agar ficou grávida e fugiu, foi necessária uma intervenção divina
para trazê-la de volta à casa de Abraão, onde nasceu Ismael (Gn 16.5-15)”
(p.1765).
Nota-se
que, além da esterilidade do ventre de Sarai, o tempo de espera tornou-se um
desafio a mais para a fé de Abrão. Aprendemos a partir do seu exemplo que o
exercício da fé depara-se com circunstâncias que são imprevisíveis. Nesse
sentido, tanto a imprevisibilidade quanto o tempo são recursos que o próprio
Deus instrumentaliza para forjar a fé no coração do fiel e torná-lo mais
confiante no autor da promessa. Somente enfrentando esses desafios é que Abrão
experimentou o amadurecimento espiritual e, por fim, pôde ser intitulado de
“amigo de Deus”. Semelhantemente, Deus usa adversidades para nos fazer crescer na
fé e conhecê-Lo não apenas como Criador e Soberano, mas a desfrutar da sua
presença como o nosso Salvador e Senhor pessoal. Aquele com quem temos comunhão
e ansiamos conviver por toda a eternidade (Hb 4.14-16).
CONCLUSÃO
Os anos
passavam, e Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora no cumprimento
das promessas de Deus. Sarai, olhando para sua esterilidade, acreditou que
poderia “ajudar” a Deus e sugeriu que seu esposo tomasse sua serva, Agar, uma
egípcia, a fim de ter filho com ela. Mesmo sendo um homem de fé, Abrão aceitou
participar do plano de sua esposa. E o “plano” humano deu certo. Abrão uniu-se
a Agar e tiveram um filho, Ismael.
Vimos que
as consequências não tardaram e não foram boas. Essa parte da história de Abrão
é marcada por erros. O patriarca, sua esposa e sua serva erram, pois Deus não
precisa de atalho ou da ajuda humana para que seus planos se cumpram. Ele é o
Senhor que governa a história e como afirmou o profeta Isaías: “Ainda antes que
houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos;
operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13)
Homens dos quais o mundo não era digno — O legado
de Abraão, Isaque e Jacó
Comentarista:
Elinaldo Renovato
Lição
3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa
COMUNHÃO DEVOCIONAL DIARIO
E disse Sarai a Abrão:
Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar,
entra, pois, o minha serva porventura,
terei filhos dela.
E ouviu Abrão a voz de Sarai
Genesis 10.3
Lição 3
SARAI DÁ LUGAR À IMPACIÊNCIA
Sarai, assim como Abrão, estava aprendendo a caminhar com o Senhor Deus.
Ambos haviam recebido uma promessa grandiosa, mas ainda estavam sendo moldados na escola da fé. A impaciência de Sarai revela a luta interior entre a confiança na Palavra divina e o desejo de ver resultados imediatos, Quando o tempo de Deus parece demorado, o coração Humano inquieta-se. Assim como Israel na deserto murmurou diante da espera (Ex 31.1), Sarai tentou "ajudar a promessa a ser cumprida. A impaciência e, muitas vezes, o reflexo de uma fè ainda em amadurecimento .
A paciencia , porém, é uma virtude profundamente valorizada nas Escrituras, Ela e fruto do Espirito Santo (G15.22) e sinal de maturidade espiritual. Esperar no Senhor e reconhecer que os seus caminhos são mais altos do que os nossos (14 55.8.9) O apóstolo Tiago ensina que a paciência tem a sua obra perfeita (Tg 3-4), ou seja, ele produz aperfeiçoamento em nós enquanto aguardamos a plena manifestação da vontade divina. Na Biblia, a paciência não é passividade, mas perseverança confiante a disposição de permanecer firmes quando tudo parece silencioso
Na realidade vigente, a contraste entre paciência e impaciència manifesta-se nos relacionamentos, nas decisões e na vida espiritual. A impaciência gors precipitação, palavras impensadas e escolhas que trazem dor, como no caso de Sarai e Agar (Gn 16.4-6). A paciência, ao contrário, conduz à sabedoria, paz e confiança Quando esperamos em Deus, aprendemos que o tempo dele nunca falha (Ee 3.1). Elo cumpre as suas promessas no momento certo (Hb 10.36).
Por isso, todo seguidor de Jesus deve estar disposto a aprender a paciência come disciplina espiritual. Assim como o lavrador espera pacientemente o precioso fruto da terra (1 5.7), o cristão confia que Deus age no tempo certo. A paciência é a arte de desenusar na soberania divina. Quem aprende a esperar vë, no tempo determinado, a fidelidade de Deus ser cumprida, como Saral, pode testemunhar que nada é impossivel para o Senhor (Gn 18.14).
LANÇAR A ANSIEDADE SOBRE DEUS
A impaciência e a negação dos fatos geram ansiedade. Quando tentamos controlar o que só Deus pode conduzir, perdemos a serenidade do coração. A ansiedade nasce no terreno da incredulidade, quando o olhar volta-se mais para o problema do que para a promessa. Foi assim com Marta, aflita com muitas ocupações (Lc 10.41), e com Israel no deserto, impaciente diante da demora do cumprimento das promessas (Êx 32.1). A ansiedade é o fruto de uma alma que ainda não aprendeu a descansar completamente no cuidado divino (Sl 37.7).
A Bíblia mostra que a ansiedade manifesta-se quando a fé é substituída pela pressa. Sarai, ao ver os anos passarem sem o filho prometido, tentou resolver com as próprias mãos o que só o Senhor poderia realizar (Gn 16.2). A sua angústia foi a expressão humana da impaciência diante do silêncio de Deus. A ansiedade, portanto, não é apenas um sentimento moderno, mas também uma experiência antiga: o medo de perder o controle do futuro. Aquele, porém, que confia no Senhor descansa mesmo quando não compreende os caminhos de Deus (Is 26.3).
Vivemos um tempo em que a ansiedade tornou-se um dos males dos séculos. Muitos corações estão sobrecarregados com pressões, incertezas e cobranças. A virtude do contentamento é, contudo, o antídoto direto contra esse mal. Paulo escreveu: "[...] aprendi a contentar-me com o que tenho" (Fp 4.11). O contentamento é fruto de uma fé madura, que reconhece que Deus é suficiente em todas as coisas.
Cultivar o contentamento é um exercício diário de fé e entrega. Isso significa lançar sobre Deus o fardo da ansiedade e confiar no seu amor. O cristão aprende a repousar na fidelidade divina mediante oração e gratidão (Fp 4.6). A ansiedade paralisa, mas a fé liberta. Quando entregamos nossos temores ao Senhor, experimentamos a paz que excede todo entendimento. Lançar a ansiedade sobre Deus é um ato de confiança que abre espaço para o Espírito Santo operar em nós, bem como nos ensinar que, mesmo nas esperas, Deus continua cuidando.
ESPERAR COM PACIÊNCIA NO SENHOR
A paciência é a expressão de uma vida dirigida pela sabedoria divina. Davi aprendeu, em meio às suas lutas e perseguições, que o tempo de Deus é perfeito. Esperar no Senhor é mais do que suportar a demora; é descansar na certeza de que Deus governa todas as coisas (Sl 37.7). O coração paciente não vive segundo o impulso do momento, mas segundo o conselho do Altissimo (Pv 16.32). A sabedoria do Céu ensina que há um tempo determinado para cada propósito (Ec 3.1). Assim, quem confia em Deus aprende a ver a espera não como perda, mas como parte do agir gracioso do Senhor.
Por outro lado, viver impacientemente é o caminho da imprudência. O apressado age sem reflexão e frustra-se por colher frutos fora do tempo. Saul perdeu o favor divino porque não soube esperar Samuel (1 Sm 13.8-14). Assim, a impaciência é contraprodutiva porque rouba a serenidade, gera ansiedade e atrapalha o propósito de Deus em nós. Quem espera em Deus sabe que a promessa é cumprida na hora certa e que o Senhor jamais se atrasa (Hb 10.36).
Vemos nos Evangelhos que a paciência foi uma virtude cultivada por nosso Senhor Jesus. Ele cresceu "[...] em sabedoria, e em estatura, e em graça" (Lc 2.52), aguardando o tempo do Pai para iniciar o seu ministério; foi paciente com os discípulos, suportando as suas fraquezas e ensinando-os com amor (Mt 17.17); e revelou a mais alta forma de paciência na hora da cruz, pois suportou o sofrimento sem murmurar, confiando que o Pai faria nascer glória da dor (1 Pe 2.23). Cristo é o modelo supremo da paciência que vence o mal com o bem.
A paciência, portanto, é uma virtude que precisa ser cultivada como sinal de maturidade da fé. O Espírito Santo produz esse fruto em nós (Gl 5.22), ensinando-nos a esperar sem desistir e a confiar sem duvidar. Cada momento de espera é um convite à comunhão mais profunda com Deus. Quem aprende a esperar no Senhor descobre, assim como o salmista, que Deus sempre se inclina para aqueles que esperam com paciência.
21
PACIENTES NA TRIBULAÇÃO
A tribulação é um dos maiores desafios para viver a virtude da paciência. Quando tudo parece fugir ao controle, a alma é tentada ao desespero. O apóstolo Paulo, entretanto, lembra-nos de que a alegria, a paciência e a oração devem permanecer mesmo nas adversidades. As provações não são sinais da ausência de Deus, mas oportunidades para provar a sua fidelidade (Jo 16.33). Em meio à dor, a paciência é o firme descanso de quem confia que o Senhor está agindo mesmo quando o Céu parece silencioso. O crente paciente aprende que o tempo da provação também é o tempo da formação do caráter (Tg 1.2-4).
É justamente no centro da tribulação que a paciência e a esperança unem-se para gerar maturidade espiritual. Paulo afirma que "[...] a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança" (Rm 5.3.4). A maturidade cristã não nasce de dias fáceis, mas da perseverança nos dias difíceis. Quando a fé é provada, ela torna-se mais firme, como o ouro que passa pelo fogo (1 Pe 1.7). A paciência é o solo onde floresce a esperança; e a esperança é a certeza de que Deus nunca abandona os que esperam nEle (Lm 3.25,26).
Junto à paciência, vem a perseverança, que é a virtude da fortaleza que sustenta o crente nas lutas da vida. Josué aprendeu isso quando assumiu o lugar de Moisés. Diante de um povo cansado e de uma terra cheia de desafios, ouviu a voz do Senhor: "Esforça-te e tem bom ânimo" (Js 1.9). Perseverar é continuar marchando mesmo quando o caminho é árduo. A fortaleza espiritual não é ausência de medo, mas, sim, a coragem de seguir confiando em Deus.
Esperança, paciência e perseverança formam a triade perfeita da maturidade cristä. A esperança mantém o olhar voltado para as promessas; a paciência ensina a esperar o tempo de Deus; e a perseverança sustenta o coração até o cumprimento da promessa. Quando essas virtudes operam juntas, o Espírito Santo amadurece--nos e torna-nos mais parecidos com Cristo (Fp 1.6). Ser paciente na tribulação é reconhecer que estamos sendo moldados por Deus.
22
DEUS É LONGÂNIMO
A longanimidade é uma das mais belas expressões do caráter de Deus. Ser lon-gânimo é ser tardio em irar-se e abundante em amor (Sl 103.8). O apóstolo Pedro claramente nos lembra de que o tempo de Deus não é o mesmo do homem e que a aparente demora do cumprimento das promessas é, na verdade, a manifestação da sua paciência. O Senhor não age movido pela pressa humana, mas, sim, pelo propósito eterno. A sua longanimidade revela tanto a sua santidade quanto a sua graça: Ele é justo, porém cheio de misericórdia (Ex 34.6). É por causa dessa natureza que a humanidade ainda encontra tempo para o arrependimento.
Essa natureza longânima de Deus é o fundamento da virtude da paciência cristă. Esperamos em um Deus que é nosso alicerce seguro (Is 26.4). Ele simplesmente nos ensina a esperar porque Ele mesmo é paciente conosco. Assim como o oleiro trabalha o barro com calma (Jr 18.6), o Senhor forma em nós o caráter de Cristo por meio do tempo e da graça. A paciência, portanto, é mais do que uma dispo-sição humana; é uma participação na própria natureza divina (2 Pe 1.4). Quando aprendemos a esperar em Deus, estamos sendo moldados segundo o seu coração.
O Deus misericordioso sempre opera em favor dos que nEle esperam: "Bom é o Se-nhor para os que se atêm a ele, para a alma que o busca" (Lm 3.25). A sua longani-midade não é sinal de fraqueza, mas de poder. Ele sabe o momento certo de agir, de salvar e de restaurar. Enquanto muitos se impacientam, Deus trabalha em silêncio, preparando o melhor caminho. A sua misericórdia renova-se a cada manhã (Lm 3.22,23), e aqueles que nEle confiam jamais serão confundidos (Is 49.23).
Por isso, nosso relacionamento com Deus aprofunda-se à medida que experimenta-mos a sua longanimidade e misericórdia. Quando reconhecemos o quanto Ele tem sido paciente conosco, aprendemos a ser pacientes com os outros e conosco. A longanimidade divina claramente nos convida à gratidão, ao arrependimento e à santificação. Esperar em Deus é confiar no seu caráter. E, quando o crente apoia-se nesse amor perseverante, descobre que o tempo de Deus é sempre perfeito e que a sua promessa nunca falha.
23
DEVEMOS SER PACIENTES PARA COM TODOS
A paciência é uma virtude que deve ser vivida em relação ao outro. O apóstolo Paulo ensina-nos que a vida cristã é essencialmente comunitária. Não se trata apenas de suportar as circunstâncias, mas também de amar as pessoas com a mesma compaixão com que fomos amados por Cristo Jesus (Ef 4.2). A paciência não é indiferença, mas expressão de graça. Quando somos pacientes, revelamos o caráter de Deus, que é "tardio em irar-se e grande em benignidade" (Sl 145.8). Essa virtude certamente nos permite enxergar o outro não pelo que ele faz, mas pelo que Deus pode fazer nele.
Talvez ninguém tenha dúvida da necessidade de viver a paciência, mas são poucos os dispostos a praticá-la diante de quem parece querer tirá-la de nós. É fácil falar de paciência quando tudo está em ordem, mas é nos relacionamentos difíceis que ela é realmente provada. Paulo não escreveu para pessoas ideais, mas para uma igreja real, com desordeiros, fracos e desanimados. Ser paciente com todos é seguir o exemplo de Cristo, que suportou os discípulos vacilantes, perdoou os que o traíram e amou até mesmo os que o crucificaram (Lc 23.34).
Praticar a virtude cristã da paciência é uma experiência real e concreta que exige mais do que força humana; demanda a ação do Espírito Santo em nós. É Ele quem produz em nosso coração o fruto da longanimidade (Gl 5.22). Ser paciente é escolher não reagir segundo a carne, mas responder segundo o Espírito. Exige domínio próprio, humildade e empatia. A paciência torna-nos instrumentos de edificação, pois, quando suportamos uns aos outros em amor, revelamos a unidade do Corpo de Cristo (Cl 3.12,13).
Devemos, portanto, praticar a virtude da paciência com todos que convivem conosco. No lar, na igreja, no trabalho e em todos os relacionamentos, o chamado é o mesmo: ser pacientes como o Senhor é conosco (Rm 15.5). A paciência é o amor em estado de espera; o amor que não desiste, que não se apressa, que não se vinga. Quando vivemos assim, glorificamos a Deus e manifestamos ao mundo o poder do Evangelho de Cristo, que transforma o coração.
24
ABRÃO: ENTRE A VOZ DE DEUS E A VOZ DE SARAI
Gênesis 16.2 retrata o momento em que Sarai, tomada pela dor da esterilidade e pela impaciência diante da demora da promessa, apresenta a Abrão uma solução humana para um plano que era exclusivamente divino. A frase "o Senhor me tem impedido de gerar" revela a sua crise interna, enquanto Abrão vê-se entre a promessa recebida e a pressão familiar. A cena antecipa as consequências de agir sem esperar o agir de Deus (Gn 15.4), mostrando como a impaciência pode distorcer nossa percepção espiritual e conduzir-nos por caminhos que não refletem a vontade divina.
A declaração "E ouviu Abrão a voz de Sarai" revela o ponto decisivo da narrativa: Abrão deu ouvidos à voz que não ecoava o que o Senhor havia dito. Sarai falava a partir da dor, da lógica humana e da pressa, enquanto Deus falava a partir da promessa, da soberania e do tempo perfeito. O contraste entre ouvir a voz do Céu ou a voz da circunstância acompanha toda a jornada de fé bíblica (Dt 13.4).
Assim também acontece conosco: toda vez que recebemos uma palavra de Deus, outras vozes surgem tentando mover-nos por atalhos, dúvidas ou soluções imediatistas. A fé é provada justamente nesse confronto de vozes. O cristão aprende a discernir o que vem do Espírito e o que nasce da ansiedade humana, lembrando que a promessa divina exige confiança, paciência e firmeza no que Deus já falou (Is 30.21).
Num mundo de ruidos intensos, pressões emocionais e sugestões sedutoras, precisamos cultivar o ouvido espiritual para reconhecer a voz do Espírito Santo, que nos guia à verdade, fortalece nossa fé e impede que tomemos decisões apressadas que desviem nosso caminho (Jo 16.13). O discípulo maduro é aquele que, acima de todas as vozes, decide permanecer atento à voz que conduz à vida, à paz e ao cumprimento da promessa. Esse discípulo aprendeu a silenciar o coração diante do Senhor, a discernir entre o que é urgente e o que é eterno e a seguir com firmeza aquele que nunca falha, mesmo quando o mundo ao redor tenta desviá-lo do caminho da fé.
25
Capítulo 3
A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMΜΕΝΤΟ DA
PROMESSA
ORA,
SARAI, MULHER DE ABRÃO, NÃO LHE GERAVA FILHOS, E ELE TINHA UMA SERVA EGIPCIA,
CUJO NOME ERA AGAR. E DISSE SARAI A ABRÃO: EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE
GERAR; ENTRA, POIS, A MINHA SERVA; PORVENTURA, TEREI FILHOS DELA. E OUVIU ABRÃO
A VOZ DE SARAI. ASSIM, TO-MOU SARAI, MULHER DE ABRÃO, A AGAR, EGIPCIA, SUA
SERVA, E DEU-A POR MULHER A ABRÃO, SEU MARIDO, AO FIM DE DEZ ANOS QUE ABRÃO
HABITARA NA TERRA DE CANAA. (GN 16.1-3)
Sem
dúvida, Abrão procurou ter um relacionamento normal com Sarai, não obstante as
suas respectivas idades. Ela era muito formosa e motivo de atração sexual para
seu esposo. Após o casamento, dentro de pouco tempo, tiveram a constatação de
que ela era estéril. Diante de tal fato e das promessas de Deus, Abrão esperou
no seu cumprimento. Porém Sarai não teve a mesma paciência. E inquietou-se em
seu coração, vendo o tempo passar. Então falou para o seu esposo:
Eis que o Senhor me tem impedido de gerar,
entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz
de Sarai. Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e
deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra
de Canaa E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi
sua senhora desprezada aos seus olhos. Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo
seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que
concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O Senhor julgue entre mim e ti. E
disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é
aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face. E o Anjo do Senhor
a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.
E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse:
Venho fugida da face de Sarai, minha senhora. Então, tle disse o Anjo do
Senhor: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos, Disse-lhe
mais o Anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será
contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o Anjo do Senhor: Eis que
concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor
ouviu a tua aflição. E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a
mão de todos, contra ele, e habitară diante da face de todos os seus irmãos. E
ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque
dise: Não olhei eu também para aquele que me vë? Por iso, se chama aquele poço
de Laai-Roi eis que está entre Cades e Berede. E Agar deu um filho a Abrão e
Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael. E era Abrão da idade
de citenta e seis anos, quando Agar deu lunael a Abrão (Gn 16.2-16)
1-O PAI DA FÉ FRAQUEJA
Quando
Abrão questionou a Deus, dizendo que seu herdeiro provavelmente seria o
damasceno Eliezer, seu mordomo, o Senhor lhe assegurou que tal não aconteceria.
O seu herdeiro seria um filho seu, de suas "entranhas", ou seja, um
filho natural, nascido do ventre de Sarai. Mas o tempo passava, os anos se
seguiam, e a promessa não se cumpria. Então, sua esposa, sentindo o grande
problema, que envolvia a idade avarıçada do esposo e a sua própria
esterilidade, imaginou uma solução humana, na verdade, um atalho para ver o
impossivel acontecer, A impaciência na espera tomou o lugar da ſe nas promessas
Na opinião
de Sarai, a resposta era o costume da patria de onde vieram. Este costume dizia
que a expulsa sem filhos sem de oferecer ao marido uma criada para servir no
lugar dela. A descendència seria considerada sua. Sarai tinha uma serva egipcia
chamada Agar, que ela ofereceu a Abrão.
Com
interesse sincero no coração, Sarai fez o que nenhuma mulher gostaria. Chamou
Abrão, quando ele já tinha por volta de 85 anos, e lhe propos entregar sua
serva, Agar, bem mais nova que ela, para que pudesse ter um filho, que seria
contado como sendo seu (de Sarai), O Pai da Fe não orou a Deus, buscando sua
direção sobre o tal "arranjo". Parece-nos que aceitou a estranha
ideia de pronto. Foi um grande momento de fracasso em sua fe perante Deus!
Agar acatou a proposta de tornar-se mulher de seu
senhor Abrão a tomou e ela engravidou, mas não soube ser grata c honrar sua senhora,
porque passou a zombar de Sarai, me nosprezando-a (Gn 16.4), Por esse motivo,
Sarai chamou seu marido e lhe disse de sua decepção por ter-lhe dado sua serva,
egipcia (Gn 16.5)
II-AS CONSEQUÊNCIAS DO ARRANJO
Deus não
precisa de arranjo ou atalho para cumprir suas promessas. Ele disse a Jeremias:
"E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para
a cumprir" (Jr 1.12). Deus é fiel! Em sua onipotência, Ele faz tudo o que
quer. Em sua Palavra, Ele disse: "[...] operando eu, quem impedira?"
Is 43.13b). Quando alguém deixa de crer na Palavra de Deus, c busca outras
soluções, sempre resulta em problemas sérios.
Emoções profundas e intensas no coração de
cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma
promessa divina por meio de providencias legais. Agar ficou arrogante com sua
senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva. Indo ao marido, ela o acusou de
privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude. [...]
Era contrário ao costume da pátria de onde vieram as esposas servas mostrarem
desrespeito à esposa principal. Abrão recusou punir Agar, mas permitiu que
Sarai agisse como quisesse. O mesmo costume que permitia uma esposa substituta
não permitia a expulsão desta esposa depois que ela ficasse grávida, qualquer
que fosse sua atitude. Mas Sarai era diligente Ela afligiu-a, forçando a moça a
fugir
1. Conflito Familiar
Não tardou
e as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestaram. A primeira
delas foi a ingratidão de Agar para com sua senhora. Mesmo sendo honrada pelo
ato generoso, embora errado, de ter sido colocada nos braços de Abrão, para que
este pudesse ter um filho e a promessa de Deus se cumprisse, a serva egípcia se
comportou como uma competidora. Ela passou a desprezar sua senhora, certamente
lhe causou inveja e mal-estar. Talvez tenha dito a Sarai: "Está vendo? Ele
me ama mais do que a você!" ou "Eu sou mais abençoada por Deus que
você!", "Você é estéril, e eu estou grávida!". Palavras como
essas, se foram ditas, podem ter feito doer grandemente o coração de Sarai.
Provavelmente, ela se arrependeu de ter tido a ideia de entregar sua serva a
Abrão. Mas já era muito tarde. O estrago emocional já estava feito. Por isso,
devemos anotar que nossas decisões devem ser postas diante de Deus, em oração.
Como diz a oração do Pai Nosso, "Seja feita a tua vontade, tanto na terra
como no céu" (Mt 6.10.
2. A Fuga de Agar
Diante da
ingratidão de Agar, Sarai tornou-se sua adversária. Protestou junto a Abrão
pelo grande mal-estar. "E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na
tua mão, faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E affigiu-a Sarai, e ela fugiu de
sua face" (Gn 16.6). A decisão de Sarai, em acordo com Abrão, mas fora da vontade
de Deus, provocou grande constrangimento à familia e a todos os envolvidos,
Percebendo o desconforto da esposa, Abrão deixou a cargo dela a solução do
problema. Sarai, por sua vez, não perdeu tempo: passou a afligir Agar. Esta,
sentin-do-se grandemente constrangida e ameaçada, fugiu grávida e sem apoio
daqueles que poderiam ajudá-la, num momento tão crítico de sua vida. Podemos
imaginar a triste situação de Agar. Grávida pela primeira vez, sem experiência,
num tempo em que não havia qualquer assistência médica, saiu de casa errante,
sem destino certo. Sem comida, sem água, ela foi para o deserto.
3. Deus Entra em Ação
Deus é
maravilhoso! Ele não deixa nada por fazer. Depois de sua atitude impensada,
Sarai praticamente obrigou Agar a sair de sua casa. Não tendo mais ambiente,
Agar fugiu sem destino, mas Deus tudo vě. Mesmo sabedor dos fatos, o Anjo do
Senhor encontrou Agar, no deserto, junto a uma fonte. "E disse: Agar,
serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da
face de Sarai, minha senhora" (Gn 16.8). Ela pode ter pensado que estava
abandonada, que ninguém mais se importava com sua situação.
Porém,
Deus entrou em ação. O Anjo the falou: "Torna-te para tua senhora e
humilha-te debaixo de suas mãos" (v. 9). Não deve ter sido fácil para
Agar, Afinal, ela foi colocada numa situação que não procurou, fugiu e viu-se
obrigada a passar pela grande humilhação de retornar à sua senhora. Deus tem
seus planos, e seu Anjo lhe fez promessas tão grandes que ela jamais imaginara.
Após a ordem de voltar para a sua senhora, o Anjo do Senhor the disse:
Multiplicarei sobremaneira a toa semente,
que não será contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o Anjo do Senhor:
Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o
Senhor ouviu a tua affição. E ele será homem bravo; e a sua mão será contra
todos, e a mão de todos, contra ele; e habitarà diante da face de todos os sem
irmãos. (Gn 16.10-12)
Agar deve
ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras do Anjo. Refeita do
impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo, expressou sua alegria.
"E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista,
porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vë? Por isso, se chama
aquele poço de Laai-Roi, eis que está entre Cades e Berede" (vv. 13-14).
III-O PRIMOGÊNITO DE ABRÃO
Nos planos
de Deus, o primogenito de Abrão deveria ser Isaque, o "Filho da
Promessa". Porém, a impaciência de Abrão e de Sarai mudou a história
deles. O primogenito, em termos humanos, foi o filho que ele teve com Agar.
1.0 Deus que Ouve, o Deus que Vê
Na solene
promessa a Agar, o Anjo declarou que o menino deveria ter o nome de Ismael,
nome dado por Deus. Que privilégio! E o Anjo disse o significado do nome:
"[...] e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor
ouviu a tua aflição" (Ga 16.11). O significado do nome Ismael é "Deus
ou viu" ou "Deus ouviu-me". Ismael é, para os muçulmamos, um
profeta. De fato, os muçulmanos reivindicam a primogenitura a Ismael, "pai
dos árabes".
Há
momentos, na vida dos servos de Deus, em que parece não haver nenhuma saída ou
solução. Ele é Onisciente, sabe tudo a nosso respeito. Ele é Onipresente, está
em todo lugar ao mesmo tempo. Agar se sentia só, abandonada, perdida, mas Deus
se fez presente no deserto. O Anjo lhe confortou o coração com promessas
maravilhosas sobre o seu filho com Abrão, servo du Altíssimo. Isso prova que,
mesmo havendo falhas nas atitudes humanas, Deus, em seu grande amor e
misericórdia, ouve e vě a aflição dos seus servos. Não havia ninguém no
deserto. Deus agiu em favor não só de Agar, mas de Abrão, seu servo, E honrou
aquele filho que não era o "da promessa", mas era filho do Pai da Fé!
2. Um Filho na sua Velhice
Nos tempos
de Abrão, era comum o homem ter filhos em idade avançada. Ele teve o seu
primeiro filho, com Agar, quando ja tinha 86 anos de idade (Gn 16.16), Para ele
deve ter sido uma experiência muito impactante. E, em obediència ao que lhe
dissera o Anjo de Deus, deu-lhe o nome de Ismael, embora aquele não fosse o
filho que Deus lhe prometera.
CONCLUSÃO
Como
homem, Abrão teve falhas. Isso prova que ninguém é perfeito. Os anos passavam
velozmente. Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora do cumprimento
das promessas de Deus. Sarai, em sua esterilidade, imaginou que poderia fazer
um arranjo para "ajudar" Deus. E fez a proposta a seu esposo, que
mesmo sendo um homem bem idoso, mas ainda vigoroso, na época, aceitou de
pronto. E o "plano" humano foi posto em prática.
As
consequências não tardaram, e não foram boas. Como mulher, Agar não se
comportou do modo esperado. Tornando-se mãe, passou a desprezar sua senhora. E
foi praticamente expulsa de casa e, desorientada, grávida, fugiu para o
deserto. Deve ter ficado desesperada. Por amor a Abraão (Gn 17.5), novo nome
dado por Deus, o Anjo do Senhor a socorreu, e a amparou de forma especial,
ordenando-lhe que voltasse à casa de sua senhora, pois Deus vira a sua aflição
e ouvira o seu clamor.
Podemos
tirar uma grande conclusão desse fato: Deus não precisa de arranjo ou atalho.
Ele disse: "Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa
fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá? (Is 43.13).
39 A IMPACIENCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA
PROMESSA