segunda-feira, 20 de abril de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — O legado de Abraão, Isaque e Jacó Comentarista: Elinaldo Renovato



   Comentarista: Elinaldo Renovato


   Lição 4: A confirmação de uma promessa     

                       COMUNHÃO DEVOCIONAL DIARIO

Quanto a mim, eis o meu concerto contigo é, e

serás o pai de uma multidão de nações.

Gênesis 17.4

Lição 4

  O CONCERTO É RENOVADO

  A jornada de Abraão era uma jornada de aprendizado com Deus; logo, era pedagógica. O silêncio divino fazia parte desse processo de amadurecimento do patriarca diante do Criador. Quando Deus fala novamente, reafirmando o seu concerto, revela que o tempo de espera não foi perda, mas preparo. O Senhor educa a fé dos seus servos no intervalo entre a promessa e o cumprimento. Ele não esquece o que disse; apenas trabalha em nós para que estejamos prontos quando a bênção chegar (Nm 23.19; Hb 6.13-15).

  Quando Deus renova o concerto com Abraão, Ele não apenas reafirma uma promessa, como também reforça um propósito. O silêncio foi a sala de aula; a renovação, o novo capítulo da lição. A graça divina aparece como o método pedagógico de Deus:

   Ele ensina pela paciência, forma pela espera e confirma pela fidelidade. Abraão aprende que a aliança não depende da sua força, mas da misericórdia do Deus que o chamou. Assim é conosco: a cada nova experiência, o Senhor recorda-nos de que a sua graça é o fundamento da caminhada e que a sua voz, quando volta a soar, sempre traz restauração e direção (Gn 17.1,2; Rm 4.1-5; Fp 1.6).

   A renovação do concerto não apenas confirma a promessa, como também transforma o homem que a recebe. Deus muda o nome de Abrão para Abraão, sinalizando o amadurecimento da fé e o início de uma nova etapa com o Altíssimo (Gn 17.5). Ele torna-se pai de promessas. Em Cristo, esse principio continua: Ele amorosamente nos chama, transforma e envia para viver e testemunhar a sua fidelidade (2 Co 5.17; 1 Pe 2.9).

  O Deus que falou com Abraão continua falando hoje. Ele renova promessas com os que não abandonam a fé mesmo feridos pela espera. A aliança de ontem se torna a esperança de hoje: as suas promessas são fiéis, e as suas misericórdias renovam-se a cada manhã (Lm 3.22,23). Quando tudo parece cessar, a sua Palavra levanta-se e declara que todas as promessas de Deus são "sim" e "Amém" em Cristo (2 Co 1.20).

26

   E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu

velo sobre a minha palavra para a cumprir. 

Jeremias 1.12

DEUS VELA PELA SUA PALAVRA

PARA A CUMPRIR

  A visão concedida a Jeremias revela o mesmo Deus que se apresentou a Abraão em Gênesis 17. Ao renovar a sua aliança com o patriarca, o Senhor reafirmou que vela por aquilo que promete. O tempo pode passar, mas a Palavra permanece (Gn 17.4; Hb 6.13-15). Em ambas as revelações, Deus mostra que não há esquecimento no seu coração: Ele trabalha até que a sua vontade seja cumprida plenamente.

  Quando parece tardar, Ele apenas amadurece o tempo e prepara o coração do homem para receber o cumprimento da promessa.

  O atributo da fidelidade divina é a base de nossa confiança. O Deus que fala é o Deus que cumpre, pois Ele mesmo vela pela execução do que diz (Nm 23.19; SI 89.34). A sua Palavra não cai por terra. Mesmo quando não vemos sinais imediatos, Ele continua operando e alinhando o tempo e as circunstâncias ao seu propósito. O profeta aprendeu que a promessa divina não depende de forças humanas, mas, sim, do caráter imutável de quem a proferiu; por isso, podemos descansar na certeza de que o Senhor nunca falhará.

  Somos, portanto, desafiados a viver pela fé e sustentados pela certeza de que o Senhor é fiel para cumprir tudo o que prometeu (Rm 4.20,21; Hb 10.23). A fé não é um salto no escuro, mas uma resposta confiante à voz do Deus verdadeiro. Assim como Abraão creu contra a esperança, também somos chamados a perseverar, confiando que a Palavra do Senhor jamais voltará vazia (Is 55.11). Crer é caminhar mesmo sem ver, sabendo que Deus transforma promessas em realidades no tempo certo.

  Servir ao Deus zeloso pela sua Palavra é viver com o coração firmado na esperança e nas promessas eternas. Ele continua velando sobre cada detalhe da vida dos que nEle confiam. As suas promessas não são lembranças antigas, mas, sim, compromissos vivos do Deus que age. Quando Ele fala, cumpre; e quando cumpre, revela a sua glória. Que jamais duvidemos: o Senhor vela sobre a sua Palavra, e nada poderá frustrar o que Ele determinou (Fp 1.6; Ap 3.8).

27

E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas

Abraão será o teu nome; porque por pai da

multidão de nações te tenho posto.

Gênesis 17.5

   DEUS MUDA O NOME DE ABRÃO

  Na Bíblia, o nome está ligado à identidade e ao propósito de vida. O nome revela o caráter, a missão e a história de cada pessoa diante de Deus (Is 43.1). Quando o Senhor muda o nome de alguém, está declarando um novo tempo e um novo chamado. Não é apenas uma troca de palavras, mas também uma transformação espiritual profunda. Assim foi com Abrão, cuja vida seria marcada por uma aliança eterna com o Altíssimo, resultado de uma experiência pessoal e transformadora com o Deus vivo.

  O Senhor mudou o nome de Abrao para Abraão, pois este não seria mais apenas um homem de promessas, mas o pai da fé, que geraria uma multidão de nações (Gn 17.5; Rm 4.16-18). Essa mudança representava o amadurecimento espiritual do patriarca e o cumprimento progressivo do propósito divino. Deus conduziu-o da incerteza à confiança, da promessa à plenitude, transformando a sua identidade num testemunho vivo da fidelidade do Senhor e da eficácia da Palavra que jamais volta vazia (Is 55.11).

  Deus também deseja moldar nossa identidade conforme o propósito do seu Reino. Quando o Espirito Santo age em nós, Ele certamente nos faz novas criaturas (2 Co 5.17). Já não somos mais definidos pelo passado, e sim pelo que o Senhor declara a nosso respeito. Assim como Abraão foi forjado pela Palavra, o crente é chamado a deixar que a sua fé, caráter e missão reflitam o designio de Deus. Ele não apenas nos chama, como também nos transforma enquanto caminhamos com Ele, conduzindo-nos a viver como espelhos da sua glória (2 Co 3.18).

  Nossa identidade em Cristo revela quem realmente somos diante de Deus. Servimos ao Senhor que muda nomes, histórias e destinos. Em Cristo, recebemos um novo nome, uma nova esperança e uma nova natureza (Ap 2.17). Quando somos chamados de filhos por Deus, Ele não apenas nos nomeia, mas também nos forma. Que vivamos, pois, como aqueles que foram alcançados pela graça e marcados pelo nome que nos concedeu o Céu: o nome de Cristo, que está acima de todo nome (Fp 2.9-11).

28

  Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua mulher,

não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas

Sara será o seu nome.

Génesis 17.15

  DEUS MUDA O NOME DE SARAI

  A mudança de nome de Sarai para Sara revela a transformação de identidade operada por Deus. Ela era símbolo de esterilidade e limitação; agora, tornava-se mãe de multidões (Gn 17.16). Quando Deus transforma alguém, a sua ação vai além do indivíduo, alcançando o lar. A mudança de caráter e de propósito gera novos caminhos, pois o

Senhor integra toda a família aos seus cuidados e promessas (Js 24.15), fazendo de cada membro um participante ativo da aliança e do cumprimento do seu plano redentor.

  Quando Abraão teve o seu nome mudado, Deus também alcançou a sua esposa.

Isso mostra que a obra divina em um coração reflete-se no outro, especialmente no cônjuge (Ef 5.31). Nossa nova identidade atinge todos ao redor, porque o Espírito Santo faz de nos instrumentos de bênção no lar. Assim como Sara compartilhou da promessa de Abraão, o cônjuge também é convidado a participar da herança espiritual que o Senhor concede (1 Pe 3.7).

  Quando Cristo transforma alguém, este é inserido em um propósito coletivo. A nova vida em Deus jamais é isolada, mas relacional. O lar cristão torna-se espaço de comunhão, perdão e fé. Quando um é renovado, o outro é fortalecido (Cl 3.12-14). Foi assim com Sara, cuja fé amadureceu ao longo da jornada (Hb 11.11). A graça que renova um coração expande-se até alcançar o ambiente familiar, promovendo cura, harmonia e santificação (1 Co 7.14), tornando o lar um testemunho vivo do poder restaurador do Espirito Santo.

   Deus deseja forjar o casal, lado a lado, formando famílias que vivam sob a nova identidade em Cristo. Quando o Senhor muda a identidade, também muda o destino. Ele continua transformando pais, filhos e irmãos em instrumentos da sua vontade (2 Co 5.17). Que nossa casa seja um altar de comunhão, onde cada membro experimente o poder do Espírito Santo moldando caracteres, restaurando alianças, fazendo do lar um reflexo do Reino de Deus (Ef 2.19-22), irradiando luz, fé e esperança a todos que se aproximam, como um farol espiritual nesta geração.

29

    Assim que, se alguém está em Cristo, nova

criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que

tudo se fez novo.

2 Corintios 5.17

MUDANÇA TOTAL PARA

QUEM ESTÁ EM CRISTO

  A mudança de vida em Cristo é mais do que um ajuste de comportamento; é uma transformação profunda que começa no coração. Algo sobrenatural acontece quando o pecador encontra o Salvador: o velho homem morre, e um novo ser nasce (Rm 6.6). O Evangelho não apenas melhora a vida, como também recria o ser humano à imagem de Cristo. Essa transformação é fruto da regeneração operada pelo Espirito Santo. É Ele quem concede ao crente uma nova natureza, um novo modo de pensar, sentir e agir - a verdadeira metanoia (Jo 3.5; Tt 3.5). A mente é renovada pela Palavra (Rm 12.2), o coração é purificado pela fé (At 15.9), e o caráter começa a refletir o de Jesus. O Espírito não apenas habita no crente, como também o molda dia após dia, gerando frutos de justiça e santidade.

  Essa nova natureza manifesta-se em todas as áreas da vida. O cristão regenerado perdoa com sinceridade, fala com amor e vive com propósito (Ef 4.22-24). A fé verdadeira revela-se nas atitudes cotidianas, no lar, no trabalho e na comunhão com os irmãos. Quem foi alcançado por Cristo não pode mais viver como antes, porque o poder que o transformou também o conduz a uma vida de obediência e serviço (Gl 2.20). Assim como Deus mudou o nome de Abrão e Sarai, dando-lhes nova identidade e missão (Gn 17.5,15), Ele também redefine nosso ser e propósito em Cristo.

  Ter nova vida em Cristo é viver em comunhão com Ele e refletir a sua glória no mundo. A identidade do cristão é marcada por sinais concretos: amor, humildade, santidade e compaixão (Cl 3.10-12). O Espírito Santo continua operando em nós, fazendo-nos crescer na graça e no conhecimento de Jesus (2 Pe 3.18). Essa transformação certamente nos conduz a viver com propósito, testemunhando o  poder do Evangelho em palavras e atitudes, para que o mundo veja em nós a luz de Cristo (Mt 5.16). Que cada dia Deus revele mais dessa obra divina até que Cristo seja plenamente formado em nós (Gl 4.19).

30

E vos vestistes do novo, que se renova para o

conhecimento, segundo a imagem daquele

que o criou.

Colossenses 3.10

 

  VESTINDO-NOS COM O NOVO

  A nova identidade de Abraão e Sara é uma bela metáfora da novidade de vida em Cristo Jesus. Quando Deus mudou os seus nomes, concedeu-lhes não apenas uma promessa, mas também uma nova história (Gn 17.5.15). A transformação operada por Deus não foi superficial, mas profunda e espiritual. Assim também acontece conosco: em Cristo, deixamos as vestes do passado e revestimo-nos da graça que renova nosso ser (2 Co 5.17; Ef 4.24).

  A caminhada com Cristo concede-nos um novo olhar sobre todas as coisas. Somos chamados a enxergar o mundo, as pessoas e a nos mesmos segundo os valores do Reino (Rm 12.2). O conhecimento de Cristo ilumina nossa mente, purifica nossas intenções e orienta nossos passos (Ef 1.18). Esse "novo" não é apenas um estado espiritual, mas também uma contínua renovação pelo Espírito, que nos conforma à imagem daquEle que nos criou (Rm 8.29).

  Essa nova maneira de viver é uma verdadeira contracultura. Enquanto o mundo exalta o ego, o cristão aprende a servir; enquanto a sociedade valoriza o ter, o discipulo de Cristo valoriza o ser (Mt 5.3-9). O Espirito Santo ensina-nos a andar na contramão dos padrões terrenos, vivendo com simplicidade, pureza e amor.

  Revestidos do novo homem, somos chamados a ser sal e luz, mostrando que há outro modo de existir (Mt 5.13-16).

Não andamos mais pelo padrão do mundo, mas pelo padrão do Céu. O novo de Deus não é uma vestimenta passageira, mas uma vida moldada pela presença do Espirito Santo (GI 5.25). Temos uma identidade celestial e um propósito eterno em Cristo. Cada dia é uma oportunidade de reafirmarmos quem somos nEle, deixando que a sua luz brilhe em nós. Que o mundo veja em nossas atitudes a beleza da nova vida que nos concedeu o Senhor (Fp 2.15).

31

E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti

e a tua semente depois de ti em suas gerações,

por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus

e à tua semente depois de ti.

Genesis 17.7

 

  O CONCERTO PERPÉTUO DE DEUS

  O Senhor revelou a Abraão que a sua aliança não seria provisória, mas perpétua, estendendo-se ao patriarca e à sua descendência. A promessa incluía presença, direção e identidade espiritual: O Senhor seria o Deus de Abraão e dos seus filhos em todas as gerações. Tal pacto não repousava sobre méritos humanos, mas sobre a firmeza da Palavra divina, que permanece para sempre. Como declara o salmista:

"Porque a palavra do SENHOR é reta, e todas as suas obras são fiéis" (SI 33.4).

   A natureza desse concerto evidencia o caráter imutável de Deus. Ele não revoga o que prometeu, nem altera os seus propósitos eternos. Quando estabelece uma aliança, Ele certamente a sustenta com a sua própria fidelidade. Por isso, o apóstolo Paulo afirma que "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Rm 11.29, ARA). O Senhor que chama é o mesmo que preserva, conduz e confirma a sua promessa ao longo das eras.

  Para o crente, essa imutabilidade torna-se âncora segura em meio às instabilidades da vida. A caminhada é marcada por desafios, mudanças e incertezas; porém, a fidelidade de Deus permanece inabalável. Ele nao se esquece dos seus filhos, não abandona as suas palavras e não falha nos seus caminhos.

   Essa verdade impacta profundamente nossa vida devocional. Quando sabemos que Deus não muda, nossa oração torna-se mais confiante, nossa esperança mais firme, e nossa adoração, mais profunda. A fé amadurece ao perceber que cada súplica repousa sobre o Deus cuja "palavra é provada" (2 Sm 22.31, ARA). Mesmo nas noites mais escuras, Ele sustenta os seus filhos com graça constante e cuidado contínuo.

  Em um mundo marcado pela instabilidade, é o concerto perpétuo de Deus com Abraão que nos chama a viver com firmeza espiritual. Nossa vida não se apoia nas circunstâncias, mas, sim, no Deus eterno, cuja fidelidade jamais falha. Edificamos nossa jornada sobre aquEle que é "rocha eterna" (Is 26.4). Conhecer e confiar nesse Deus é o que nos conduz à verdadeira segurança: Ele é o mesmo que prometeu, o mesmo que cumpre e o mesmo que permanecera para sempre.

ADULTOS | 2° TRIMESTRE 2026 CPAD

Homens dos quais o

Mundo não Era Digno

O Legado de Abraão, Isaque e Jacó

    Marcelo Oliveira


A CONFIRMAÇÃO DE

UMA PROMESSA

DA PROMESSA

  ORA, SARAI, MULHER DE ABRÃO, NÃO LHE GERAVA FILHOS, E ELE TINHA UMA SERVA EGÍPCIA, CUJO NOME ERA AGAR. E DISSE SARAI A ABRÃO: EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR; ENTRA, POIS, À MINHA SERVA; PORVENTURA, TEREI FILHOS DELA. E OUVIU ABRÃO A VOZ DE SARAI. ASSIM, TOMOU SARAI, MULHER DE ABRÃO, A AGAR, EGÍPCIA, SUA SERVA, E DEU-A POR MULHER A ABRÃO, SEU MARIDO, AO FIM DE DEZ ANOS QUE ABRÃO HABITARA NA TERRA DE CANAĀ. (GN 16.1-3)

  POSSESSÃO, E SER-LHES-EI O SEU DEUS. DISSE MAIS DEUS A ABRAÃO: TU, PORÉM, GUARDARÁS O MEU CONCERTO, TU E A TUA SEMENTE DEPOIS DE TI, NAS SUAS GERAÇÕES. ESTE É O MEU CONCERTO, QUE GUARDAREIS ENTRE MIM E VÓS E A TUA SEMENTE DEPOIS DE TI: QUE TODO MACHO SERÁ CIRCUNCIDADO.

E CIRCUNCIDAREIS A CARNE DO VOSSO PREPÚCIO; E ISTO SERÁ POR SINAL DO CONCERTO ENTRE MIM E VÓS. (GN 17.1-11)

     Deus sempre deixa bem claro os seus propósitos para com a humanidade e, principalmente, para seus servos.

No capítulo 12 de Gênesis, Deus falou com Abrão, prometendo-lhe que ele seria feito "uma grande nação" (Gn 12.2); no capítulo 15, ante a dificuldade de entender a promessa, Abrão questiona Deus, e Ele lhe responde, prometendo que lhe daria a terra onde estava a sua semente (Gn 15.18). Mas, como vimos, a impaciência de Sarai o levou a aceitar a proposta dela para se unir a Agar e ter filho com sua serva.

   Com base em Gênesis 17, vemos que, quando Abrão já contava 99 anos, o Senhor lhe apareceu, e mudou o nome dele e o de sua esposa, para que suas identidades estivessem em harmonia com o plano de Deus em suas vidas. Neste capítulo, vemos que Deus renovou suas promessas ao patriarca, mas o fez com uma condição: "anda em minha presença e sê perfeito" (Gn 17.1).

   A princípio, essa condição parece impossível de ser atendida. Como alguém pode ser perfeito na presença de Deus? A Bíblia diz que, no mundo, "na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque" (Ec 7.20; 1 Rs 8.46).

   Conforme entendemos, a Bíblia não tem contradições. O homem jamais poderá ter a perfeição absoluta. Esta só Deus a tem. Porém a perfeição que Deus exigiu de Abrão referia-se à sua integridade espiritual e moral, sinônimo de santidade ou irrepreensibilidade (Cf. 1 Ts 5.23). Em seguida, Deus renovou o concerto já firmado anteriormente, estendendo-o à sua descendência (Gn 17.2-14).

  I - DEUS MUDOU O NOME DE ABRÃO E DE SARAI

  Nos tempos do Antigo Testamento, os nomes das pessoas, em grande parte, não eram escolhidos porque os pais os achavam bonitos ou sonoros. Havia uma conexão entre eles e a vontade de Deus. Era um ato de fé, vinculado muitas vezes aos acontecimentos vividos pelos genitores. Exemplos diversos são encontrados na Bíblia. Quando José teve seu primeiro filho, e lhe pôs o nome de Manassés, ele já era governador do Egito.

  Depois de ter sofrido tanto, ser desprezado pelos próprios irmãos, vendido como escravo para o Egito, ao interpretar o sonho de Faraó, pela sabedoria que Deus lhe dera, José pôs o nome no seu primogênito de Manassés, que significa "Deus me fez esquecer", ou "esquecimento", em alusão a tudo o que passara entre seus irmãos, na casa de seus pais. Ao segundo filho, deu o nome de Efraim, que significa "duplamente frutífero", ou "Deus me fez crescer" (Gn 41.51-52). Há casos em que a mudança de nome foi feita pelo próprio Deus, tendo em vista seu plano para algumas pessoas.

    1. O Novo Nome de Abrão

  No caso de Abrão, seu nome original significa "pai exaltado". Diante do plano de Deus em sua vida, esse nome não parecia adequado para a sua história. Deus lhe apareceu quando ele estava com 99 anos, renovou suas promessas para ele, e lhe mudou o nome, dizendo:

   Quanto a mim, eis o meu concerto contigo é, e serás o pai de uma multidão de nações. E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai da multidão de nações te tenho posto.

  E te farei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão de ti. E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti. E te darei a ti e à tua semente depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus. Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás o meu concerto, tu e a tua semente depois de ti, nas suas gerações. Gn 17.4-9

  2. O Novo Nome de Sarai

  O nome Sarai tem significado em hebraico e a sua tradução mais comum é "minha princesa" ou "minha senhora". Sarai é o nome original da matriarca Sara, esposa de Abraão. A mu- dança de nome ocorreu quando Deus anunciou que ela teria um filho. Face ao plano de Deus para Sarai, que era mulher estéril, esposa de Abraão, "pai da multidão de nações", Deus mudou seu nome para Sara, cujo significado é "mãe das nações". Diz a Bíblia:

  Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua mulher, não

chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será

o seu nome. Porque eu a hei de abençoar e te hei

de dar a ti dela um filho; e a abençoarei, e será mãe

das nações; reis de povos sairão dela. (Gn 17.15-16)

   Mais um exemplo de que, quando Deus age, todas as coisas, em seus mínimos detalhes, harmonizam-se de forma especial. Um "pai exaltado" e uma "princesa" não estariam de acordo com o desígnio de Deus. Porém um "pai da multidão de nações" (Abraão) e uma "mãe das nações" (Sara) estariam unidos para cumprir o plano do Senhor para suas vidas. E assim aconteceu, como nos mostram as Escrituras.

   3. O Pai da Fé Riu-se diante da Promessa de Deus

Para um homem do nível de Abraão, houve momentos difíceis de compreender. Depois que Deus mudou o seu nome e o de sua esposa, e disse-lhes que reis e povos haveriam de sair dela,

   Abraão não se conteve e não pôde esconder seus sentimentos que seriam chamados de incredulidade, ante a profundidade e a natureza da palavra que Deus lhe falara. Diz a Bíblia: "Então, caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos?" (Gn 17.17).

   Não podemos criticar Abraão por seu riso. Em sua velhice, casado com uma esposa estéril, podemos compreender sua estranheza. Ele não riu diante das pessoas. Ele "riu-se, e disse no seu coração", no seu interior somente. Em pensamento, ele disse que achava muito estranho que um homem de 100 anos e a esposa, com 99 anos, em extrema velhice, e, ainda mais, sendo ela estéril, tivessem um filho. Seria isso possível? Mas ele se esqueceu de que, quando Deus quer operar, nada e ninguém o pode impedir (cf. Is 43.13). "Porque para Deus nada é impossível" (Lc 1.37). Após o riso, Deus confirmou seu plano na vida de Abraão e lhe disse de forma muito clara: "Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele" (Gn 17.19).

    II - A CONFIRMAÇÃO DO CONCERTO

  DE DEUS COM ABRÃO

  O chamado de Deus a Abrão foi especial. O Senhor confirmou o concerto ou pacto abraâmico de modo muito solene, depois de fazer a mudança de seu nome para Abraão.

  E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas

Abraão será o teu nome; porque por pai da multidão de nações te tenho posto. E te farei frutificar

grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão

de ti. E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti

e a tua semente depois de ti em suas gerações, por

concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua

semente depois de ti. E te darei a ti e à tua semente

depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a

terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei

o seu Deus. Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém,

guardarás o meu concerto, tu e a tua semente depois

de ti, nas suas gerações. (Gn 17.5-9)

  1. O Concerto Estendido aos Descendentes

  Deus declarou que Abraão seria "pai da multidão de nações". Mas ele já estava com 99 anos de idade, e sua esposa, ainda estéril, com 89 anos. Mas Deus não quis deixar dúvidas ao seu servo.

  "E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti" (Gn 17.7). Como veremos, em capítulos posteriores, Deus cumpriu sua promessa na vida de Isaque e de Jacó, que também se tornaram patriarcas.

  É prometido a Abraão que ele será o pai de uma

multidão de nações. Isto é: 1. Que a sua semente,

segundo a carne, seria muito numerosa, tanto através

de Isaque quanto através de Ismael, assim como

através dos filhos de Quetura: alguma coisa extraor-

dinária, sem dúvida, está incluída nesta promessa, e

podemos supor que o evento correspondeu a ela e

que houve, e há, mais filhos dos homens descendentes

de Abraão do que de qualquer outro homem igual-

mente distante, como ele, de Noé, que foi a raiz de

todos. 2. Que todos os crentes, em todas as épocas,

seriam considerados como sua semente espiritual, e que ele seria chamado, não somente de amigo de

Deus, mas de pai dos crentes fiéis.1

  2. O Concerto com Abraão Envolve Ismael

  Ismael foi o primogênito de Abraão. Fruto da união dele, aos 86 anos, com Agar (Gn 16.15-16). Deus poderia ter abando- nado Ismael, por ser filho de uma união não aprovada, com uma estrangeira egípcia; mas Deus demonstrou seu amor por

Abraão, e sua misericórdia para com Agar, que era uma espécie de esposa secundária, ou uma concubina de Abraão, fato que era comum e permitido por Deus naquele tempo. Abrão orou por seu primogênito, mesmo consciente de que não seria "o filho da promessa". E Deus ouviu sua oração.

  E, quanto a Ismael, também te tenho ouvido: eis

aqui o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei

multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e

dele farei uma grande nação. O meu concerto, porém,

estabelecerei com Isaque, o qual Sara te dará neste

tempo determinado, no ano seguinte. E acabou de

falar com ele e subiu Deus de Abraão. (Gn 17.20-22)

   III - O PACTO PERPÉTUO DA CIRCUNCISÃO

   Na renovação do concerto de Deus com Abraão, Ele incluiu o pacto da circuncisão. Deus lhe disse:

  Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e

vós e a tua semente depois de ti: Que todo macho

será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso

prepúcio; e isto será por sinal do concerto entre mim

e vós. O filho de oito dias, pois, será circuncidado;

todo macho nas vossas geraçõcs, o nascido na casa

e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro,

que não for da tua semente. Com efeito, será circun-

cidado o nascido em tua casa e o comprado por teu

dinheiro; e estará o meu concerto na vossa carne por

concerto perpétuo. E o macho com prepúcio, cuja

carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela

alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o

meu concerto. (Gn 17.10-14)

  1. Todo Macho Seria Circuncidado

  A circuncisão consistia numa cirurgia, na qual a pele que cobre a glande do órgão genital masculino é removida. É feita há muitos anos. Originalmente, por motivos espirituais, como entre o povo de Israel, mas, atualmente, pode ser feita por motivos higiênicos, de saúde ou para evitar enfermidades, como para corrigir a fimose ou a parafimose. Mesmo sendo uma cirurgia de pequeno porte, certamente, no tempo de Abraão, e tempos depois, até no Novo Testamento, deve ter sido muito dolorosa, pois não havia qualquer tipo de anestesia.

  A Bíblia relata a história da vingança de Simeão e Levi contra os cananeus, quando Diná, sua irmã, se envolveu com Siquém, filho de Hamor. Eles tiveram relações e isso foi considerado uma grande afronta contra a sua família. Os dois filhos de Jacó enganaram os cananeus, dizendo que não haveria nenhuma ação contra eles se todos os machos se circuncidassem. Eles aceitaram a ideia e passaram pela circuncisão. O texto bíblico diz:

   E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam

com a mais violenta dor, dois filhos de Jacó, Simeão

e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua

espada, e entraram afoitamente na cidade, e mata-

ram todo macho. Mataram também a fio de espada

a Hamor, e a seu filho Siquém; e tomaram Diná da

casa de Siquém e saíram. (Gn 34.25-26)

   Nesse episódio, todos os circuncidados eram jovens ou adultos. Sofreram tão violenta dor que não puderam lutar contra os filhos de Jacó. Provavelmente, a dor dos que eram circuncidados como bebês, ao oitavo dia, não era menor que a dos adultos, mas, em sua inocência, não percebiam o grande trauma que lhes era imposto. Talvez por isso Deus estabeleceu a circuncisão ao oitavo dia depois do nascimento.

  2. Quem Deveria Ser Circuncidado

  A obrigação da circuncisão não era exigida apenas dos filhos dos israelitas, mas de todos os machos que estivessem em Israel.

   O filho de oito dias, pois, será circuncidado; todo

macho nas vossas gerações, o nascido na casa e o

comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que

não for da tua semente. Com efeito, será circunci-

dado o nascido em tua casa e o comprado por teu

dinheiro; e estará o meu concerto na vossa carne por

concerto perpétuo. E o macho com prepúcio, cuja

carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela

alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o

meu concerto. (Gn 17.12-14)

   O macho adulto que não fosse circuncidado era considerado por Deus como em grave pecado e deveria ser extirpado, ou removido do meio do povo de Israel. O pacto ou concerto de Deus com Abraão tinha a circuncisão como o sinal ou a marca física e visível de seu cumprimento.

  Na circuncisão, a pele do prepúcio era cortada com facas de pedra nos seus primórdios. Hoje, é feita entre os judeus, com bisturi cirúrgico e com anestesia, quando o processo doloroso

é aliviado.

   3. Abraão Cumpre o Pacto da Circuncisão

   Em obediência à determinação de Deus para a circuncisão, Abraão realizou essa operação em seu filho primogênito, Ismael, quando ele tinha 13 anos, no início da adolescência; e em todos os que estavam na sua casa. Ele próprio também foi circuncidado, quando já estava com 99 anos de idade (Gn 17.23-27).

Certamente, foi algo muito estranho para sua família e para todas as pessoas que estavam ao seu redor, pois jamais teriam visto tal procedimento.

    CONCLUSÃO

  Neste capítulo, que se refere ao concerto espiritual entre Deus e Abrão, cujo nome foi mudado para Abraão, "pai da multidão de nações", vemos que nada escapa ao controle de Deus quando Ele define seus planos e propósitos. Abraão não tinha ideia de como seria sua vida pessoal e familiar, depois das promessas de Deus, ao concordar com a impaciência de Sara, ao propor o "arranjo" humano e carnal para que seu esposo se unisse com sua serva egípcia, a fim de poder atender ao plano de Deus. Ela usou a lógica humana, racional. E Abraão aprovou tal sugestão, que não fazia parte dos propósitos de Deus. Mas, em seu amor e misericórdia, Deus abençoou Abraão, confirmou e renovou a promessa do seu pacto; ao mesmo tempo, também teve misericórdia de Agar, a serva que fugiu para o deserto. Ele lhe confortou o coração, mostrando que não a abandonara. Esse é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; o Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

    A CONFIRMAÇÃO DE UMA PROMESSA

















segunda-feira, 13 de abril de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa



 

TEXTO ÁUREO

E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

(Gn 16.2).

VERDADE PRÁTICA

A impaciência é antagônica a fé, por isso não devemos ser dominados por ela. Deus é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 16.1-16.

1 — Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

2 — E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 — Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.

4 — E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 — Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O SENHOR julgue entre mim e ti.

6 — E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face.

7 — E o Anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.

8 — E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora.

9 — Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos.

10 — Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será.

11 — Disse-lhe também o Anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.

12 — E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13 — E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?

14 — Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede.

15 — E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael.

16 — E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu Ismael a Abrão.

  PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Abrão é chamado de “pai da fé” e “amigo de Deus” porque deixou sua terra rumo ao desconhecido, tornando-se figura central para judeus e gentios. Contudo, o Senhor usou o tempo para moldar seu caráter. A promessa divina parecia distante, as circunstâncias não se alinhavam e Sarai, vencida pela impaciência, decidiu agir por conta própria ao entregar sua serva a Abrão. Ele, por sua vez, não a lembrou das promessas recebidas. Ambos tinham fé, mas precisavam guardar na memória o que Deus lhes dissera. Esse é o segredo para não sucumbirmos na espera e não agirmos por impulso, como fizeram Abrão e Sarai. 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a Deus; II) Explicar as consequências de agir por conta própria; III) Encorajar os alunos a permanecerem firmes no Deus que conduz a história.

B) Motivação: “Você tem a virtude da paciência?” Em um mundo imediatista e ansioso, muitos agem como Sarai, tentando resolver tudo sem Deus. Mas as consequências chegam. No Reino de Deus, não há espaço para o imediatismo: o Senhor governa o tempo. Por isso, devemos esperar nEle e rejeitar toda ansiedade, confiando que seus planos são perfeitos e se cumprem no momento certo. A paciência preserva o coração e fortalece a fé em meio às demoras da vida.

C) Sugestão de Método: Para introduzir o tópico, escreva “ansiedade” no quadro e pergunte aos alunos o que essa palavra desperta neles. Explique que ansiedade é uma preocupação excessiva que afeta corpo, alma e espírito, trazendo irritação, aceleração do pensamento e desejo de controlar tudo. Sarai, diante da longa espera, deixou-se dominar pela ansiedade e elaborou seu próprio plano, gerando consequências para ela e para Abrão. A Bíblia nos orienta a entregar nossas inquietações ao Senhor. Conclua lendo Filipenses 4.6,7 e 1 Pedro 5.7.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Depois de expor todos os tópicos da lição, aplique as verdades estudadas mostrando que não devemos andar ansiosos nem tentar “ajudar” a Deus criando atalhos, como fez Sarai. É essencial aprender a esperar o tempo do Senhor, confiando que Ele trabalha mesmo quando não vemos. Devemos manter viva a esperança, lembrando que aquEle que prometeu é fiel e cumpre sua Palavra no momento certo, conduzindo-nos com sabedoria e graça.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 105, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Reconhecendo as Promessas de Deus”, localizado depois do primeiro tópico, vai nos mostrar o que é uma promessa divina para nós; 2) No final do segundo tópico, o texto “Eis que o Senhor me tem impedido de gerar” vai nos ajudar a compreender o que significava para a mulher ser estéril dentro da cultura judaica do AT.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Deus fez uma promessa a Abrão, mas o tempo passou, e parecia que ela jamais seria cumprida. Abrão já estava com 85 anos, e sua esposa também já era bem idosa. Então, Sarai foi dominada pela impaciência e desejou agir por conta própria. Ela decidiu entregar sua serva a Abrão para que tivesse filhos com ela. Ao que tudo indica, o pai da fé e amigo de Deus não consultou ao Senhor, mas deixou-se levar pela impaciência de sua esposa. Todos que são dominados pela impaciência sofrem consequências ruins, e com Abrão e Sarai não foi diferente. Nesta lição, meditaremos sobre a sabedoria divina de aguardar com perseverança o cumprimento da promessa de Deus dirigida ao seu povo.

Palavra-Chave:

IMPACIÊNCIA

 AUXÍLIO TEOLÓGICO

 “RECONHECENDO AS PROMESSAS DE DEUS

Para podermos depositar nossa fé nas promessas de Deus é necessário, primeiramente, sabermos o que é e o que não é uma promessa de Deus na Bíblia. Obviamente, se aplicarmos como promessa um versículo que, de fato, não é nenhuma promessa, então nossa fé estará deslocada e ficaremos desiludidos quando não virmos os resultados que esperamos. Entretanto, não ficaremos desapontados com a Palavra de Deus se a interpretarmos corretamente (2Tm 2.15) e aplicarmos apenas os versículos que se constituem em promessa para nós hoje.

  Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de ser válidas para todos os crentes. Um exemplo disso é Gênesis 12.2. Essa promessa foi feita apenas a Abraão, e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje não devem considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles [...].” (RHODES, R. Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.19,20).

  AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR

Era costume entre os povos da Mesopotâmia que a esposa incapaz de conceber filhos obrigasse sua serva a gerar filhos por ela. Os filhos pertenceriam à esposa.

 (1) Não obstante ao costume, não era dessa maneira que Deus pretendia dar a Abrão e Sarai uma família (cf. 2.24).

 (2) O Novo Testamento equipara o filho de Agar a fruto de esforço humano — “segundo a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Em outras palavras, somente podemos cumprir os propósitos de Deus se fizermos as coisas à maneira dEle — pelo poder do seu Espírito e pela oração.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.20).

   SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Nesta oportunidade, estudaremos com mais detalhes a respeito do tempo de espera que Abrão teve de suportar para ver cumprir-se a promessa de que seria pai. Deus tem Seus próprios caminhos para fazer valer a Sua palavra. Ele é Soberano e tem o controle de todas as coisas sob Suas mãos. Abrão não precisava “ajudar” Deus a cumprir o que havia lhe prometido, ou mesmo descobrir um atalho para antecipar o cumprimento dos desígnios divinos. Infelizmente, o patriarca não soube esperar e decidiu agir mais uma vez impelido pela emoção. Os muitos anos de espera para ver se cumprir a promessa de que teria um herdeiro provocou no patriarca um cansaço espiritual. Abrão já não via mais esperança de que Sarai lhe daria um filho. Por outro lado, Sarai entendeu que, em razão da sua velhice, já havia cessado os dias da sua capacidade de gerar filhos. E vendo o quanto era importante para seu marido ter um herdeiro, permitiu que sua concubina Agar se deitasse com Abrão a fim de lhe gerar um filho.

  Conforme discorre o Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD), “Sara desesperou-se para dar à luz o herdeiro que Deus havia prometido a Abraão. Sara, então, incentivou seu marido a gerar uma criança com Agar (Gn 16.1-3), utilizando um expediente legal e normal, frequentemente atestado na Antiga Babilônia, e nos textos de Nuzu. Pela lei, uma esposa sem filhos deveria prover a seu marido uma mulher, geralmente, uma escrava, que lhe geraria filhos em nome da esposa. Sara também agiu dentro de seus direitos de acordo com as leis comuns da Mesopotâmia ao tratar Agar rispidamente por desprezar sua senhora estéril (Gn 16.4; código de Hamurabi, #146). Quando Agar ficou grávida e fugiu, foi necessária uma intervenção divina para trazê-la de volta à casa de Abraão, onde nasceu Ismael (Gn 16.5-15)” (p.1765).

  Nota-se que, além da esterilidade do ventre de Sarai, o tempo de espera tornou-se um desafio a mais para a fé de Abrão. Aprendemos a partir do seu exemplo que o exercício da fé depara-se com circunstâncias que são imprevisíveis. Nesse sentido, tanto a imprevisibilidade quanto o tempo são recursos que o próprio Deus instrumentaliza para forjar a fé no coração do fiel e torná-lo mais confiante no autor da promessa. Somente enfrentando esses desafios é que Abrão experimentou o amadurecimento espiritual e, por fim, pôde ser intitulado de “amigo de Deus”. Semelhantemente, Deus usa adversidades para nos fazer crescer na fé e conhecê-Lo não apenas como Criador e Soberano, mas a desfrutar da sua presença como o nosso Salvador e Senhor pessoal. Aquele com quem temos comunhão e ansiamos conviver por toda a eternidade (Hb 4.14-16).

   CONCLUSÃO

  Os anos passavam, e Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora no cumprimento das promessas de Deus. Sarai, olhando para sua esterilidade, acreditou que poderia “ajudar” a Deus e sugeriu que seu esposo tomasse sua serva, Agar, uma egípcia, a fim de ter filho com ela. Mesmo sendo um homem de fé, Abrão aceitou participar do plano de sua esposa. E o “plano” humano deu certo. Abrão uniu-se a Agar e tiveram um filho, Ismael.

  Vimos que as consequências não tardaram e não foram boas. Essa parte da história de Abrão é marcada por erros. O patriarca, sua esposa e sua serva erram, pois Deus não precisa de atalho ou da ajuda humana para que seus planos se cumpram. Ele é o Senhor que governa a história e como afirmou o profeta Isaías: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13)

    Homens dos quais o mundo não era digno — O legado de Abraão, Isaque e Jacó

Comentarista: Elinaldo Renovato

Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa

COMUNHÃO DEVOCIONAL DIARIO

 E disse Sarai a  Abrão: 

 Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar,

 entra, pois, o minha serva porventura,

 terei filhos dela. 

 E ouviu Abrão a voz de Sarai

Genesis 10.3

Lição 3

  SARAI DÁ LUGAR À IMPACIÊNCIA

  Sarai, assim como Abrão, estava aprendendo a caminhar com o Senhor Deus.

Ambos haviam recebido uma promessa grandiosa, mas ainda estavam sendo moldados na escola da fé. A impaciência de Sarai revela a luta interior entre a confiança na Palavra divina e o desejo de ver resultados imediatos, Quando o tempo de Deus parece demorado, o coração Humano inquieta-se. Assim como Israel na deserto murmurou diante da espera (Ex 31.1), Sarai tentou "ajudar a promessa a ser cumprida. A impaciência e, muitas vezes, o reflexo de uma fè ainda em amadurecimento .

  A paciencia , porém, é uma virtude profundamente valorizada nas Escrituras, Ela e fruto do Espirito Santo (G15.22) e sinal de maturidade espiritual. Esperar no Senhor e reconhecer que os seus caminhos são mais altos do que os nossos (14 55.8.9) O apóstolo Tiago ensina que a paciência tem a sua obra perfeita (Tg 3-4), ou seja, ele produz aperfeiçoamento em nós enquanto aguardamos a plena manifestação da vontade divina. Na Biblia, a paciência não é passividade, mas perseverança confiante a disposição de permanecer firmes quando tudo parece silencioso

  Na realidade vigente, a contraste entre paciência e impaciència manifesta-se nos relacionamentos, nas decisões e na vida espiritual. A impaciência gors precipitação, palavras impensadas e escolhas que trazem dor, como no caso de Sarai e Agar (Gn 16.4-6). A paciência, ao contrário, conduz à sabedoria, paz e confiança Quando esperamos em Deus, aprendemos que o tempo dele nunca falha (Ee 3.1). Elo cumpre as suas promessas no momento certo (Hb 10.36).

Por isso, todo seguidor de Jesus deve estar disposto a aprender a paciência come disciplina espiritual. Assim como o lavrador espera pacientemente o precioso fruto da terra (1 5.7), o cristão confia que Deus age no tempo certo. A paciência é a arte de desenusar na soberania divina. Quem aprende a esperar vë, no tempo determinado, a fidelidade de Deus ser cumprida, como Saral, pode testemunhar que nada é impossivel para o Senhor (Gn 18.14).

  LANÇAR A ANSIEDADE SOBRE DEUS

  A impaciência e a negação dos fatos geram ansiedade. Quando tentamos controlar o que só Deus pode conduzir, perdemos a serenidade do coração. A ansiedade nasce no terreno da incredulidade, quando o olhar volta-se mais para o problema do que para a promessa. Foi assim com Marta, aflita com muitas ocupações (Lc 10.41), e com Israel no deserto, impaciente diante da demora do cumprimento das promessas (Êx 32.1). A ansiedade é o fruto de uma alma que ainda não aprendeu a descansar completamente no cuidado divino (Sl 37.7).

  A Bíblia mostra que a ansiedade manifesta-se quando a fé é substituída pela pressa. Sarai, ao ver os anos passarem sem o filho prometido, tentou resolver com as próprias mãos o que só o Senhor poderia realizar (Gn 16.2). A sua angústia foi a expressão humana da impaciência diante do silêncio de Deus. A ansiedade, portanto, não é apenas um sentimento moderno, mas também uma experiência antiga: o medo de perder o controle do futuro. Aquele, porém, que confia no Senhor descansa mesmo quando não compreende os caminhos de Deus (Is 26.3).

  Vivemos um tempo em que a ansiedade tornou-se um dos males dos séculos. Muitos corações estão sobrecarregados com pressões, incertezas e cobranças. A virtude do contentamento é, contudo, o antídoto direto contra esse mal. Paulo escreveu: "[...] aprendi a contentar-me com o que tenho" (Fp 4.11). O contentamento é fruto de uma fé madura, que reconhece que Deus é suficiente em todas as coisas.

Cultivar o contentamento é um exercício diário de fé e entrega. Isso significa lançar sobre Deus o fardo da ansiedade e confiar no seu amor. O cristão aprende a repousar na fidelidade divina mediante oração e gratidão (Fp 4.6). A ansiedade paralisa, mas a fé liberta. Quando entregamos nossos temores ao Senhor, experimentamos a paz que excede todo entendimento. Lançar a ansiedade sobre Deus é um ato de confiança que abre espaço para o Espírito Santo operar em nós, bem como nos ensinar que, mesmo nas esperas, Deus continua cuidando.

  ESPERAR COM PACIÊNCIA NO SENHOR

  A paciência é a expressão de uma vida dirigida pela sabedoria divina. Davi aprendeu, em meio às suas lutas e perseguições, que o tempo de Deus é perfeito. Esperar no Senhor é mais do que suportar a demora; é descansar na certeza de que Deus governa todas as coisas (Sl 37.7). O coração paciente não vive segundo o impulso do momento, mas segundo o conselho do Altissimo (Pv 16.32). A sabedoria do Céu ensina que há um tempo determinado para cada propósito (Ec 3.1). Assim, quem confia em Deus aprende a ver a espera não como perda, mas como parte do agir gracioso do Senhor.

Por outro lado, viver impacientemente é o caminho da imprudência. O apressado age sem reflexão e frustra-se por colher frutos fora do tempo. Saul perdeu o favor divino porque não soube esperar Samuel (1 Sm 13.8-14). Assim, a impaciência é contraprodutiva porque rouba a serenidade, gera ansiedade e atrapalha o propósito de Deus em nós.   Quem espera em Deus sabe que a promessa é cumprida na hora certa e que o Senhor jamais se atrasa (Hb 10.36).

Vemos nos Evangelhos que a paciência foi uma virtude cultivada por nosso Senhor Jesus. Ele cresceu "[...] em sabedoria, e em estatura, e em graça" (Lc 2.52), aguardando o tempo do Pai para iniciar o seu ministério; foi paciente com os discípulos, suportando as suas fraquezas e ensinando-os com amor (Mt 17.17); e revelou a mais alta forma de paciência na hora da cruz, pois suportou o sofrimento sem murmurar, confiando que o Pai faria nascer glória da dor (1 Pe 2.23). Cristo é o modelo supremo da paciência que vence o mal com o bem.

  A paciência, portanto, é uma virtude que precisa ser cultivada como sinal de maturidade da fé. O Espírito Santo produz esse fruto em nós (Gl 5.22), ensinando-nos a esperar sem desistir e a confiar sem duvidar. Cada momento de espera é um convite à comunhão mais profunda com Deus. Quem aprende a esperar no Senhor descobre, assim como o salmista, que Deus sempre se inclina para aqueles que esperam com paciência.

21

  PACIENTES NA TRIBULAÇÃO

  A tribulação é um dos maiores desafios para viver a virtude da paciência. Quando tudo parece fugir ao controle, a alma é tentada ao desespero. O apóstolo Paulo, entretanto, lembra-nos de que a alegria, a paciência e a oração devem permanecer mesmo nas adversidades. As provações não são sinais da ausência de Deus, mas oportunidades para provar a sua fidelidade (Jo 16.33). Em meio à dor, a paciência é o firme descanso de quem confia que o Senhor está agindo mesmo quando o Céu parece silencioso. O crente paciente aprende que o tempo da provação também é o tempo da formação do caráter (Tg 1.2-4).

  É justamente no centro da tribulação que a paciência e a esperança unem-se para gerar maturidade espiritual. Paulo afirma que "[...] a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança" (Rm 5.3.4). A maturidade cristã não nasce de dias fáceis, mas da perseverança nos dias difíceis. Quando a fé é provada, ela torna-se mais firme, como o ouro que passa pelo fogo (1 Pe 1.7). A paciência é o solo onde floresce a esperança; e a esperança é a certeza de que Deus nunca abandona os que esperam nEle (Lm 3.25,26).

Junto à paciência, vem a perseverança, que é a virtude da fortaleza que sustenta o crente nas lutas da vida. Josué aprendeu isso quando assumiu o lugar de Moisés. Diante de um povo cansado e de uma terra cheia de desafios, ouviu a voz do Senhor: "Esforça-te e tem bom ânimo" (Js 1.9). Perseverar é continuar marchando mesmo quando o caminho é árduo. A fortaleza espiritual não é ausência de medo, mas, sim, a coragem de seguir confiando em Deus.

Esperança, paciência e perseverança formam a triade perfeita da maturidade cristä. A esperança mantém o olhar voltado para as promessas; a paciência ensina a esperar o tempo de Deus; e a perseverança sustenta o coração até o cumprimento da promessa. Quando essas virtudes operam juntas, o Espírito Santo amadurece--nos e torna-nos mais parecidos com Cristo (Fp 1.6). Ser paciente na tribulação é reconhecer que estamos sendo moldados por Deus.

22

  DEUS É LONGÂNIMO

  A longanimidade é uma das mais belas expressões do caráter de Deus. Ser lon-gânimo é ser tardio em irar-se e abundante em amor (Sl 103.8). O apóstolo Pedro claramente nos lembra de que o tempo de Deus não é o mesmo do homem e que a aparente demora do cumprimento das promessas é, na verdade, a manifestação da sua paciência. O Senhor não age movido pela pressa humana, mas, sim, pelo propósito eterno. A sua longanimidade revela tanto a sua santidade quanto a sua graça: Ele é justo, porém cheio de misericórdia (Ex 34.6). É por causa dessa natureza que a humanidade ainda encontra tempo para o arrependimento.

  Essa natureza longânima de Deus é o fundamento da virtude da paciência cristă. Esperamos em um Deus que é nosso alicerce seguro (Is 26.4). Ele simplesmente nos ensina a esperar porque Ele mesmo é paciente conosco. Assim como o oleiro trabalha o barro com calma (Jr 18.6), o Senhor forma em nós o caráter de Cristo por meio do tempo e da graça. A paciência, portanto, é mais do que uma dispo-sição humana; é uma participação na própria natureza divina (2 Pe 1.4). Quando aprendemos a esperar em Deus, estamos sendo moldados segundo o seu coração.

  O Deus misericordioso sempre opera em favor dos que nEle esperam: "Bom é o Se-nhor para os que se atêm a ele, para a alma que o busca" (Lm 3.25). A sua longani-midade não é sinal de fraqueza, mas de poder. Ele sabe o momento certo de agir, de salvar e de restaurar. Enquanto muitos se impacientam, Deus trabalha em silêncio, preparando o melhor caminho. A sua misericórdia renova-se a cada manhã (Lm 3.22,23), e aqueles que nEle confiam jamais serão confundidos (Is 49.23).

  Por isso, nosso relacionamento com Deus aprofunda-se à medida que experimenta-mos a sua longanimidade e misericórdia. Quando reconhecemos o quanto Ele tem sido paciente conosco, aprendemos a ser pacientes com os outros e conosco. A longanimidade divina claramente nos convida à gratidão, ao arrependimento e à santificação. Esperar em Deus é confiar no seu caráter. E, quando o crente apoia-se nesse amor perseverante, descobre que o tempo de Deus é sempre perfeito e que a sua promessa nunca falha.

23

  DEVEMOS SER PACIENTES PARA COM TODOS

  A paciência é uma virtude que deve ser vivida em relação ao outro. O apóstolo Paulo ensina-nos que a vida cristã é essencialmente comunitária. Não se trata apenas de suportar as circunstâncias, mas também de amar as pessoas com a mesma compaixão com que fomos amados por Cristo Jesus (Ef 4.2). A paciência não é indiferença, mas expressão de graça. Quando somos pacientes, revelamos o caráter de Deus, que é "tardio em irar-se e grande em benignidade" (Sl 145.8). Essa virtude certamente nos permite enxergar o outro não pelo que ele faz, mas pelo que Deus pode fazer nele.

Talvez ninguém tenha dúvida da necessidade de viver a paciência, mas são poucos os dispostos a praticá-la diante de quem parece querer tirá-la de nós. É fácil falar de paciência quando tudo está em ordem, mas é nos relacionamentos difíceis que ela é realmente provada. Paulo não escreveu para pessoas ideais, mas para uma igreja real, com desordeiros, fracos e desanimados. Ser paciente com todos é seguir o exemplo de Cristo, que suportou os discípulos vacilantes, perdoou os que o traíram e amou até mesmo os que o crucificaram (Lc 23.34).

  Praticar a virtude cristã da paciência é uma experiência real e concreta que exige mais do que força humana; demanda a ação do Espírito Santo em nós. É Ele quem produz em nosso coração o fruto da longanimidade (Gl 5.22). Ser paciente é escolher não reagir segundo a carne, mas responder segundo o Espírito. Exige domínio próprio, humildade e empatia. A paciência torna-nos instrumentos de edificação, pois, quando suportamos uns aos outros em amor, revelamos a unidade do Corpo de Cristo (Cl 3.12,13).

  Devemos, portanto, praticar a virtude da paciência com todos que convivem conosco. No lar, na igreja, no trabalho e em todos os relacionamentos, o chamado é o mesmo: ser pacientes como o Senhor é conosco (Rm 15.5). A paciência é o amor em estado de espera; o amor que não desiste, que não se apressa, que não se vinga. Quando vivemos assim, glorificamos a Deus e manifestamos ao mundo o poder do Evangelho de Cristo, que transforma o coração.

24

  ABRÃO: ENTRE A VOZ DE DEUS E A VOZ DE SARAI

  Gênesis 16.2 retrata o momento em que Sarai, tomada pela dor da esterilidade e pela impaciência diante da demora da promessa, apresenta a Abrão uma solução humana para um plano que era exclusivamente divino. A frase "o Senhor me tem impedido de gerar" revela a sua crise interna, enquanto Abrão vê-se entre a promessa recebida e a pressão familiar. A cena antecipa as consequências de agir sem esperar o agir de Deus (Gn 15.4), mostrando como a impaciência pode distorcer nossa percepção espiritual e conduzir-nos por caminhos que não refletem a vontade divina.

A declaração "E ouviu Abrão a voz de Sarai" revela o ponto decisivo da narrativa: Abrão deu ouvidos à voz que não ecoava o que o Senhor havia dito. Sarai falava a partir da dor, da lógica humana e da pressa, enquanto Deus falava a partir da promessa, da soberania e do tempo perfeito. O contraste entre ouvir a voz do Céu ou a voz da circunstância acompanha toda a jornada de fé bíblica (Dt 13.4).

Assim também acontece conosco: toda vez que recebemos uma palavra de Deus, outras vozes surgem tentando mover-nos por atalhos, dúvidas ou soluções imediatistas. A fé é provada justamente nesse confronto de vozes. O cristão aprende a discernir o que vem do Espírito e o que nasce da ansiedade humana, lembrando que a promessa divina exige confiança, paciência e firmeza no que Deus já falou (Is 30.21).

Num mundo de ruidos intensos, pressões emocionais e sugestões sedutoras, precisamos cultivar o ouvido espiritual para reconhecer a voz do Espírito Santo, que nos guia à verdade, fortalece nossa fé e impede que tomemos decisões apressadas que desviem nosso caminho (Jo 16.13). O discípulo maduro é aquele que, acima de todas as vozes, decide permanecer atento à voz que conduz à vida, à paz e ao cumprimento da promessa. Esse discípulo aprendeu a silenciar o coração diante do Senhor, a discernir entre o que é urgente e o que é eterno e a seguir com firmeza aquele que nunca falha, mesmo quando o mundo ao redor tenta desviá-lo do caminho da fé.

25 Devocional Leitura Diária - Homens Dos Quais o Mundo Não Era Digno



Capítulo 3

  A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMΜΕΝΤΟ DA PROMESSA

  ORA, SARAI, MULHER DE ABRÃO, NÃO LHE GERAVA FILHOS, E ELE TINHA UMA SERVA EGIPCIA, CUJO NOME ERA AGAR. E DISSE SARAI A ABRÃO: EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR; ENTRA, POIS, A MINHA SERVA; PORVENTURA, TEREI FILHOS DELA. E OUVIU ABRÃO A VOZ DE SARAI. ASSIM, TO-MOU SARAI, MULHER DE ABRÃO, A AGAR, EGIPCIA, SUA SERVA, E DEU-A POR MULHER A ABRÃO, SEU MARIDO, AO FIM DE DEZ ANOS QUE ABRÃO HABITARA NA TERRA DE CANAA. (GN 16.1-3)

   Sem dúvida, Abrão procurou ter um relacionamento normal com Sarai, não obstante as suas respectivas idades. Ela era muito formosa e motivo de atração sexual para seu esposo. Após o casamento, dentro de pouco tempo, tiveram a constatação de que ela era estéril. Diante de tal fato e das promessas de Deus, Abrão esperou no seu cumprimento. Porém Sarai não teve a mesma paciência. E inquietou-se em seu coração, vendo o tempo passar. Então falou para o seu esposo:

  Eis que o Senhor me tem impedido de gerar, entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai. Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaa E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos. Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O Senhor julgue entre mim e ti. E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face. E o Anjo do Senhor a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur. E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora. Então, tle disse o Anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos, Disse-lhe mais o Anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o Anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor ouviu a tua aflição. E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele, e habitară diante da face de todos os seus irmãos. E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque dise: Não olhei eu também para aquele que me vë? Por iso, se chama aquele poço de Laai-Roi eis que está entre Cades e Berede. E Agar deu um filho a Abrão e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael. E era Abrão da idade de citenta e seis anos, quando Agar deu lunael a Abrão (Gn 16.2-16)

 1-O PAI DA FÉ FRAQUEJA

  Quando Abrão questionou a Deus, dizendo que seu herdeiro provavelmente seria o damasceno Eliezer, seu mordomo, o Senhor lhe assegurou que tal não aconteceria. O seu herdeiro seria um filho seu, de suas "entranhas", ou seja, um filho natural, nascido do ventre de Sarai. Mas o tempo passava, os anos se seguiam, e a promessa não se cumpria. Então, sua esposa, sentindo o grande problema, que envolvia a idade avarıçada do esposo e a sua própria esterilidade, imaginou uma solução humana, na verdade, um atalho para ver o impossivel acontecer, A impaciência na espera tomou o lugar da ſe nas promessas

  Na opinião de Sarai, a resposta era o costume da patria de onde vieram. Este costume dizia que a expulsa sem filhos sem de oferecer ao marido uma criada para servir no lugar dela. A descendència seria considerada sua. Sarai tinha uma serva egipcia chamada Agar, que ela ofereceu a Abrão.

    Com interesse sincero no coração, Sarai fez o que nenhuma mulher gostaria. Chamou Abrão, quando ele já tinha por volta de 85 anos, e lhe propos entregar sua serva, Agar, bem mais nova que ela, para que pudesse ter um filho, que seria contado como sendo seu (de Sarai), O Pai da Fe não orou a Deus, buscando sua direção sobre o tal "arranjo". Parece-nos que aceitou a estranha ideia de pronto. Foi um grande momento de fracasso em sua fe perante Deus!

Agar acatou a proposta de tornar-se mulher de seu senhor Abrão a tomou e ela engravidou, mas não soube ser grata c honrar sua senhora, porque passou a zombar de Sarai, me nosprezando-a (Gn 16.4), Por esse motivo, Sarai chamou seu marido e lhe disse de sua decepção por ter-lhe dado sua serva, egipcia (Gn 16.5)

  II-AS CONSEQUÊNCIAS DO ARRANJO

  Deus não precisa de arranjo ou atalho para cumprir suas promessas. Ele disse a Jeremias: "E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir" (Jr 1.12). Deus é fiel! Em sua onipotência, Ele faz tudo o que quer. Em sua Palavra, Ele disse: "[...] operando eu, quem impedira?" Is 43.13b). Quando alguém deixa de crer na Palavra de Deus, c busca outras soluções, sempre resulta em problemas sérios.

  Emoções profundas e intensas no coração de cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma promessa divina por meio de providencias legais. Agar ficou arrogante com sua senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva. Indo ao marido, ela o acusou de privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude. [...] Era contrário ao costume da pátria de onde vieram as esposas servas mostrarem desrespeito à esposa principal. Abrão recusou punir Agar, mas permitiu que Sarai agisse como quisesse. O mesmo costume que permitia uma esposa substituta não permitia a expulsão desta esposa depois que ela ficasse grávida, qualquer que fosse sua atitude. Mas Sarai era diligente Ela afligiu-a, forçando a moça a fugir

  1. Conflito Familiar

  Não tardou e as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestaram. A primeira delas foi a ingratidão de Agar para com sua senhora. Mesmo sendo honrada pelo ato generoso, embora errado, de ter sido colocada nos braços de Abrão, para que este pudesse ter um filho e a promessa de Deus se cumprisse, a serva egípcia se comportou como uma competidora. Ela passou a desprezar sua senhora, certamente lhe causou inveja e mal-estar. Talvez tenha dito a Sarai: "Está vendo? Ele me ama mais do que a você!" ou "Eu sou mais abençoada por Deus que você!", "Você é estéril, e eu estou grávida!". Palavras como essas, se foram ditas, podem ter feito doer grandemente o coração de Sarai. Provavelmente, ela se arrependeu de ter tido a ideia de entregar sua serva a Abrão. Mas já era muito tarde. O estrago emocional já estava feito. Por isso, devemos anotar que nossas decisões devem ser postas diante de Deus, em oração. Como diz a oração do Pai Nosso, "Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu" (Mt 6.10.

  2. A Fuga de Agar

  Diante da ingratidão de Agar, Sarai tornou-se sua adversária. Protestou junto a Abrão pelo grande mal-estar. "E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão, faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E affigiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face" (Gn 16.6). A decisão de Sarai, em acordo com Abrão, mas fora da vontade de Deus, provocou grande constrangimento à familia e a todos os envolvidos, Percebendo o desconforto da esposa, Abrão deixou a cargo dela a solução do problema. Sarai, por sua vez, não perdeu tempo: passou a afligir Agar. Esta, sentin-do-se grandemente constrangida e ameaçada, fugiu grávida e sem apoio daqueles que poderiam ajudá-la, num momento tão crítico de sua vida. Podemos imaginar a triste situação de Agar. Grávida pela primeira vez, sem experiência, num tempo em que não havia qualquer assistência médica, saiu de casa errante, sem destino certo. Sem comida, sem água, ela foi para o deserto.

  3. Deus Entra em Ação

  Deus é maravilhoso! Ele não deixa nada por fazer. Depois de sua atitude impensada, Sarai praticamente obrigou Agar a sair de sua casa. Não tendo mais ambiente, Agar fugiu sem destino, mas Deus tudo vě. Mesmo sabedor dos fatos, o Anjo do Senhor encontrou Agar, no deserto, junto a uma fonte. "E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora" (Gn 16.8). Ela pode ter pensado que estava abandonada, que ninguém mais se importava com sua situação.

  Porém, Deus entrou em ação. O Anjo the falou: "Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos" (v. 9). Não deve ter sido fácil para Agar, Afinal, ela foi colocada numa situação que não procurou, fugiu e viu-se obrigada a passar pela grande humilhação de retornar à sua senhora. Deus tem seus planos, e seu Anjo lhe fez promessas tão grandes que ela jamais imaginara. Após a ordem de voltar para a sua senhora, o Anjo do Senhor the disse:

   Multiplicarei sobremaneira a toa semente, que não será contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o Anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor ouviu a tua affição. E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitarà diante da face de todos os sem irmãos. (Gn 16.10-12)

  Agar deve ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras do Anjo. Refeita do impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo, expressou sua alegria. "E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vë? Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi, eis que está entre Cades e Berede" (vv. 13-14).

  III-O PRIMOGÊNITO DE ABRÃO

  Nos planos de Deus, o primogenito de Abrão deveria ser Isaque, o "Filho da Promessa". Porém, a impaciência de Abrão e de Sarai mudou a história deles. O primogenito, em termos humanos, foi o filho que ele teve com Agar.

  1.0 Deus que Ouve, o Deus que Vê

  Na solene promessa a Agar, o Anjo declarou que o menino deveria ter o nome de Ismael, nome dado por Deus. Que privilégio! E o Anjo disse o significado do nome: "[...] e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor ouviu a tua aflição" (Ga 16.11). O significado do nome Ismael é "Deus ou viu" ou "Deus ouviu-me". Ismael é, para os muçulmamos, um profeta. De fato, os muçulmanos reivindicam a primogenitura a Ismael, "pai dos árabes".

  Há momentos, na vida dos servos de Deus, em que parece não haver nenhuma saída ou solução. Ele é Onisciente, sabe tudo a nosso respeito. Ele é Onipresente, está em todo lugar ao mesmo tempo. Agar se sentia só, abandonada, perdida, mas Deus se fez presente no deserto. O Anjo lhe confortou o coração com promessas maravilhosas sobre o seu filho com Abrão, servo du Altíssimo. Isso prova que, mesmo havendo falhas nas atitudes humanas, Deus, em seu grande amor e misericórdia, ouve e vě a aflição dos seus servos. Não havia ninguém no deserto. Deus agiu em favor não só de Agar, mas de Abrão, seu servo, E honrou aquele filho que não era o "da promessa", mas era filho do Pai da Fé!

  2. Um Filho na sua Velhice

  Nos tempos de Abrão, era comum o homem ter filhos em idade avançada. Ele teve o seu primeiro filho, com Agar, quando ja tinha 86 anos de idade (Gn 16.16), Para ele deve ter sido uma experiência muito impactante. E, em obediència ao que lhe dissera o Anjo de Deus, deu-lhe o nome de Ismael, embora aquele não fosse o filho que Deus lhe prometera.

CONCLUSÃO

  Como homem, Abrão teve falhas. Isso prova que ninguém é perfeito. Os anos passavam velozmente. Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora do cumprimento das promessas de Deus. Sarai, em sua esterilidade, imaginou que poderia fazer um arranjo para "ajudar" Deus. E fez a proposta a seu esposo, que mesmo sendo um homem bem idoso, mas ainda vigoroso, na época, aceitou de pronto. E o "plano" humano foi posto em prática.

   As consequências não tardaram, e não foram boas. Como mulher, Agar não se comportou do modo esperado. Tornando-se mãe, passou a desprezar sua senhora. E foi praticamente expulsa de casa e, desorientada, grávida, fugiu para o deserto. Deve ter ficado desesperada. Por amor a Abraão (Gn 17.5), novo nome dado por Deus, o Anjo do Senhor a socorreu, e a amparou de forma especial, ordenando-lhe que voltasse à casa de sua senhora, pois Deus vira a sua aflição e ouvira o seu clamor.

  Podemos tirar uma grande conclusão desse fato: Deus não precisa de arranjo ou atalho. Ele disse: "Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá? (Is 43.13).

   39 A IMPACIENCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA