domingo, 5 de julho de 2026

CPAD - A Igreja dos Gentios — Lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios

 



CPAD - A Igreja dos Gentios — Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

Comentarista: Wagner Gaby

Lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios


INTRODUÇÃO

  A primeira viagem missionária do apóstolo Paulo está relatada em Atos 13–14. Imediatamente após terem sido separados pelo Espírito Santo (At 13.2,3), Saulo e Barnabé,

orientados pelo mesmo Espírito, partiram para a obra que veio a ser chamada de “a primeira viagem missionária” para anunciar a Palavra de Deus.

   Essa viagem durou um período de aproximadamente dois anos, que ocorreu entre 46 e 48 d.C. Nesse período, Saulo, acompanhado por Barnabé e João Marcos, viajou de Antioquia da Síria para Chipre, terra natal de Barnabé (At 4.36), e a Ásia Menor, pregando o evangelho em sinagogas e cidades como Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. O objetivo dessa incursão missionária era a população gentílica da Ásia Menor.

  Eles seguiram as rotas de ligação do Império Romano, o que facilitou a viagem. Saulo, ainda como assistente de Barnabé, começou a sua série de viagens missionárias que resultaria na implantação de igrejas na Ásia Menor, na Macedônia e na Grécia.

   I – A MISSÃO EM CHIPRE: A PRIMEIRA PORTA

ABERTA ENTRE OS GENTIOS

  Partindo de Antioquia, os missionários desceram à Selêucia (v. 4), cidade portuária de Antioquia. De Selêucia, cruzaram o mar em direção a Chipre, aportando diretamente em Salamina (v. 5), situada na costa ocidental da ilha, a principal cidade de Chipre, onde aconteceu a sua primeira parada.

  Chipre, uma importante ilha do mar Mediterrâneo, estava situada há uns 160 quilômetros a sudoeste. Tratava-se da terra natal de Barnabé (At 4.36), lugar de fácil acesso onde alguns helenistas já tinham evangelizado (At 11.19) e onde alguns membros da igreja em Antioquia tinham laços familiares, inclusive o próprio Barnabé.

  A primeira visita dos missionários a Chipre foi a Salamina, o ponto mais próximo ao lugar de partida da viagem. Eles logo começaram a pregar o evangelho nas sinagogas (At 13.4,5), primeiro aos judeus e depois às demais nações (Rm 1.16). Somente quando a sinagoga não aceitava o evangelho é que Paulo começava a sua pregação aos gregos e às outras pessoas.

  A missão entre os gentios tem, assim, um sentido tanto positivo como negativo. Isso porque Deus quer missão entre os gentios (positivo), e essa missão tornou-se necessária porque os judeus negaram o evangelho (negativo) (vide Rm 9–11). Entretanto, convém notar que Paulo continua indo primeiro aos judeus mesmo depois de ter-se dirigido aos gentios.

  A missão em Chipre é um retrato da missão da Igreja em todos os tempos: proclamar com ousadia, enfrentar as forças do mal e confiar no poder transformador do evangelho. Que, como Paulo e Barnabé, estejamos prontos para levar a Palavra a todos mesmo diante de oposição, confiantes de que o Senhor confirma a sua obra com sinais e frutos duradouros.

  Em seguida, atravessaram a ilha até o outro extremo dela, cerca de cento e quarenta e cinco quilômetros, chegando a Pafos (At 13.6-12).

 1. O envio missionário e o avanço da Palavra

  Como ponte natural entre a Grécia e o Oriente, Chipre era um centro comercial e cultural, governada por um procônsul residindo na cidade de Pafos, a capital ocidental da ilha, sede do governo romano em Chipre. A palavra procônsul indica uma autoridade romana, normalmente o governador de uma província. Havia desses delegados romanos espalhados por todo o Império Romano.

   Juntamente com Barnabé e Saulo, seguiu João Marcos, sobrinho de Barnabé, que era apresentado como colaborador dos dois missionários. Não temos informações precisas da pregação em Salamina; somente é dito que os missionários “anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus”. Porém, à medida que atravessavam toda a ilha até Pafos, o foco missionário alargava-se para além dos judeus. Isso nos ensina que toda missão começa com a fidelidade à Palavra e com uma disposição para ir aonde for necessário.

  Proclamar a Palavra de Deus com fidelidade significa anunciar e viver a mensagem bíblica de forma íntegra e verdadeira, sem distorções, como um “dispenseiro dos mistérios de Deus” (1 Co 4.1,2), que é responsável por entregar a mensagem sem acrescentar ou remover. Isso exige santidade na conduta, perseverança na fé e uma resposta pessoal e prática à fidelidade de Deus, que Ele demonstra não só através das suas promessas, mas também na forma como nos sustenta nas tentações, como ensina 1 Coríntios 10.13.

   Proclamar a Palavra de Deus com fidelidade significa comunicá-la de forma precisa e verdadeira, sem adulterações ou omissões, honrando a sua mensagem original (Mt 4.4; 2 Tm 3.16,17). A proclamação da Palavra de Deus exige preparo, reverência e fidelidade (Jr 23.28,29). Ela não se limita à pregação, mas estende-se ao testemunho de vida. Viver conforme os mandamentos de Deus e praticar a sua palavra — como, por exemplo, Maria fez ao acolher a palavra do anjo Gabriel — é um ato de fidelidade. Para proclamar com fidelidade, é preciso cultivar uma vida espiritual profunda mediante a oração e a contemplação, que proporciona a graça de doar-se ao próximo e cumprir a missão confiada por Deus. A missão em Chipre lembra-nos de que evangelizar exige movimento, planejamento e obediência à direção do Espírito Santo.

 

 2. O confronto com as trevas e a vitória do evangelho (vv. 6-8)

  Em Pafos, os missionários encontraram um judeu mágico, encantador, feiticeiro e falso profeta chamado Barjesus, cujo segundo nome era Elimas, pelo qual era conhecido — nome de origem árabe que significa “mágico” ou “bruxo” (ver Dt 18.9-11; Gl 5.20,21; Ap 22.15). Elimas ocupava um cargo oficial na administração do procônsul Sérgio Paulo, principal governante de Chipre, o qual era considerado varão prudente, homem sensato. Apesar de estar debaixo da influência do referido mágico judaico, demonstrou claramente a sua inteligência em chamar Barnabé e Saulo querendo ouvir o evangelho que eles pregavam. E é aqui em Pafos que, pela primeira vez, vemos Saulo revelar a mensagem cristã a um alto funcionário romano. É nessa ocasião que Lucas apresenta pela primeira vez o nome de Paulo, que, na continuidade da sua narração, substituirá o nome Saulo, provavelmente porque é a primeira vez que Paulo apresenta-se diante dos gentios. Nessa oportunidade, convém dar-lhe o nome que ele usou na comunicação com os gentios. Paulo, portanto, é a forma grega do nome Saulo.

  O falso profeta, verificando que estava perdendo a sua influência sobre o procônsul, resistia a Barnabé e Paulo, tentando desviar a fé de Sérgio Paulo para que este não ouvisse a Palavra de Deus. Cheio do Espírito Santo, Paulo repreende Elimas com autoridade, chamando-o de: “Filho do diabo”, devido ao seu caráter enganador, malicioso e caluniador. Ao ouvir o juízo de Deus anunciado por Paulo — “contra ti a mão do Senhor” (v. 11) —, ele ficou cego para que não mais ousasse falar nada contra os caminhos do Senhor. Tanto Jesus (Lc 8.27-30) como os apóstolos (At 5.1-11; 8.23) tinham a capacidade de reconhecer e desmascarar o mal e chamá-lo pelo devido nome. O mago tinha a pretensão de iluminar o caminho das pessoas que o consultavam, mas o “iluminador” ficou cego após o encontro com Paulo. Tanto ele mesmo como as pessoas ao redor podiam ver a cegueira que o mago representa. Nos relatos de milagres na Bíblia, é normal que a conclusão seja a conversão de pessoas.

  Esse sinal sobrenatural foi decisivo para a conversão de Sérgio Paulo, um homem inteligente e influente, que ficou maravilhado com a doutrina do Senhor, o qual creu maravilhado com a Palavra de Deus. O procônsul reconhece a superioridade dos ensinamentos de Paulo, comprovada pelos fatos. Ele chega a ter fé no poder de Jesus, mas nada indica que ele foi batizado e incluído na comunidade cristã. Lucas relata o fato provavelmente para mostrar a superioridade do evangelho sobre o sincretismo religioso.

  Esse confronto mostra que a missão não é apenas uma questão de estratégia ou oratória, mas também um campo de batalha espiritual. Sempre haverá resistência das trevas quando a luz do evangelho brilhar. Elimas simboliza a resistência espiritual ao evangelho, bem como os que se opõem à verdade espiritual por interesse próprio ou engano. Isso exige da Igreja discernimento, coragem e autoridade espiritual. Missões envolvem discernimento e coragem, pois não se tratam apenas de ideias, mas também de um combate espiritual. Você já enfrentou oposição ao compartilhar a fé? Se sim, como reagiu?

  3. Conando no poder transformador do Evangelho

(vv. 9-12)

  Paulo não limitou os seus esforços a nenhuma camada social. Ele tinha em mira alcançar os desprivilegiados assim como os influentes (Rm 1.14,15). Encontramos em Atos 16.9-34 a narração da experiência de Paulo em Filipos, onde Deus abriu o coração de Lídia, libertou uma jovem possessa do espírito de adivinhação e transformou o carcereiro em um homem salvo e batizado em um terremoto. Deus age de maneiras diferentes para alcançar o mesmo resultado transformador. A experiência de Lídia, da escrava possuída e do carcereiro são distintas, mas igualmente válidas para o propósito de Deus.

   Somente o evangelho pode libertar uma pessoa do pecado e livrá-la da condenação eterna. O que a medicina não pode fazer para curar o desenganado, ou o que os tratamentos não são capazes de fazer para libertar o dependente químico, bem como tudo o que está além da capacidade humana, o evangelho é capaz de resolver, pois é o poder de Deus que está disponível para mudar qualquer situação. Basta somente nEle crer (Rm 1.16).

   O “confronto espiritual” (Rm 13.6-8) refere-se à aplicação do amor cristão em um contexto de relacionamento com as autoridades, onde a dívida de amor a todos é a única obrigação que não se quita, ao passo que os impostos e honras às autoridades devem ser pagos, pois elas servem a Deus. Essa passagem ensina que quem ama cumpre a lei, resumida no mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-39) e que essa dívida de amor é a única que se deve e que se paga continuamente. Esse episódio mostra que o evangelho é poderoso não apenas para condenar o engano, mas também para transformar vidas (vv. 9-12).

  O poder transformador do evangelho refere-se à capacidade de o cristianismo mudar vidas profunda e radicalmente, tornando-as novas e dignas do Senhor, levando à libertação do pecado e das trevas, à redenção e a um estilo de vida segundo os princípios de Deus. Essa transformação ocorre a partir de um encontro com Jesus

Cristo, que muda as prioridades, a visão de mundo e as atitudes das pessoas, resultando numa vida de plenitude e crescimento espiritual.

   A missão em Chipre mostra que Deus abre portas entre os gentios, alcançando até os governantes e mudando realidades por meio da pregação fiel (1 Tm 3.2-6). O evangelho não se limita a uma dimensão isolada, mas permeia todas as áreas da vida, transformando a maneira como pensamos, sentimos e agimos

 O impacto do evangelho é intelectual, espiritual e prático.

  Impacto intelectual – A fé cristã desafia e transforma a maneira como pensamos, oferecendo um novo entendimento sobre Deus, o mundo e nós mesmos (Rm 12.2; 2 Co 10.5), incentivando a renovação da mente e a submissão dos pensamentos a Cristo, indicando que o evangelho opera uma transformação intelectual.

 Impacto espiritual – Promove uma transformação espiritual, ou seja,no interior do ser humano, por meio da graça de Deus, levando-o à conversão, ao crescimento espiritual e a uma nova vida em Cristo (2 Co 5.17).

  Impacto prático – Pode ser observado na transformação pessoal, como mudança de comportamento, promovendo uma vida mais justa, ética e altruísta. Nas relações interpessoais (familiares, amizades, comunidade). Na área social (prática da justiça social, compaixão pelos necessitados, na busca pelo bem comum). Quanto à nossa missão e serviço ao próximo (partilha das Boas Novas de salvação, levando esperança e transformação a todas as pessoas)

(Mt 7.24-27; Jo 13.34,35; ; Lc 11.27,28; Tg 2.14-26; 1 Jo 2.3-6).

  Ore por uma pessoa que ainda resiste ao evangelho. Compartilhe a Palavra com alguém esta semana, confiando que Deus pode fazer maravilhas mediante o poder transformador do evangelho!

  II – A MISSÃO EM ANTIOQUIA DA PISÍDIA: O

EVANGELHO QUE ILUMINA

  1. A exposição apostólica que revela Cristo nas Escritu-

ras (At 13.16-43)

   Depois de atravessar Chipre, os missionários navegaram para um lugar que hoje é a atual Turquia e deram uma rápida parada em Perge, pequena cidade um pouco mais para o interior (At 13.13).

  Foi neste lugar que João Marcos desistiu da viagem, mas Paulo e Barnabé continuaram (At 13.14-52). Transpondo primeiro uma região montanhosa, penetraram no território da Psídia e prosseguiram através dele em direção à outra cidade chamada Antioquia da Pisídia. Paulo aceitou o convite para pregar, seguindo o que era costume nas sinagogas helenísticas, ficando em pé para ensinar, e enfatizava com gestos a sua mensagem. No século I, o discurso por um membro da sinagoga, ou por um visitante, era prática costumeira na observância do sábado. Para Paulo, provavelmente não fosse incomum, quem sabe, vestido como fariseu, ser convidado a falar.

  O auditório consistia de judeus e gentios que temiam a Deus (cf. At 10.2). Paulo dirigiu-se aos judeus em particular, a quem chamou de israelitas como o povo detentor da história de Israel.

  Ele entrou diretamente num panorama da história dos judeus, cujo propósito era demonstrar que Israel fora escolhido por Deus e que este lhe deu uma terra e líderes; essa sucessão de líderes tinha chegado a um ponto culminante quando Jesus foi enviado como salvador.

  Em seguida, Paulo passa a abordar os seguintes assuntos: O período dos juízes e o reinado de Saul (Jz 2.16-1; 1 Sm 31.13); Jesus, a descendência de Davi (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38); João Batista, o precursor de Jesus (Mt 3); a crucificação de Jesus cumprindo os profetas (Is 53; Sl 22); a ressurreição de Jesus, que é comprovada por muitas testemunhas (Mt 28; Mc 16; Lc 24; Jo 20–21; 1 Co 15.1-23); a ressurreição de Jesus, que é confirmada pelas profecias que se cumpriram (Sl 2.7; 16.10); a justificação pela fé somente em Jesus, e não pela Lei (Rm 4.13-21; a justificação para todos que têm semelhante fé em Cristo (Jo 3.16,36; 5.24); aviso para não rejeitar a Cristo.

  O discurso de Paulo pode ser resumido a um tipo de panorama histórico que visa arraigar a vinda de Jesus na sucessão real de Judá e para demonstrar que a carreira de Jesus cumpria a profecia. O sermão termina com um apelo aos ouvintes no sentido de não repetirem o erro do povo de Jerusalém que rejeitaram a Jesus.

  Com o encerramento do sermão, os judeus saíram da sinagoga, mas os gentios permaneceram para implorar aos missionários que lhes pregassem mais sobre essa verdade no sábado seguinte (vv. 42,43).

  Os ouvintes gentios responderam, em grande parte, de maneira mais favorável do que os ouvintes judeus: “E, no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus” (At 13.44). Os judeus não podiam suportar que os gentios fossem iguais a eles em Cristo (At 13.45; 1 Co 12.13; Gl 3.28; Cl 3.11). Contradiziam os argumentos dos cristãos e blasfemavam de Jesus Cristo. Grandemente abençoado é o culto em que há verdadeira fome da Palavra de Deus. Grandemente abençoada é a cidade cujo povo procura a casa de Deus, em vez dos lugares de divertimentos. Grandemente abençoado é o pregador que pode dirigir-se à “quase toda a cidade”.

  2. A rejeição dos judeus e a tristeza de Paulo diante da incredulidade (At 13.44,45)

  Paulo, o apóstolo dos gentios, ao chegar a uma nova cidade, sempre iniciava o seu ministério pelas sinagogas (At 9.20; 13.5,14; 14.1; 17.10,17; 18.4,19; 19.8). As sinagogas eram locais estratégicos ideais (At 22.10) para encontrar judeus, principalmente na Diáspora (At 9.2), além de encontrar-se gentios com certa estima pelo monoteísmo e pela tradição bíblica.

  Essa sequência, na opinião dos estudiosos, refere-se à prioridade “histórico-salvífica”, ou seja, Israel deveria ter prioridade, pelo fato de que Deus ofereceu a sua obra aos gentios somente por causa da rejeição de Israel (Rm 11.11,30). Isso demonstra o amor que Paulo nutria pelo seu povo, desejando a sua salvação (Rm 9.1-3; 10.1; 11.14).

  Ele via a prioridade da história da salvação primeiramente para os judeus e depois para os gentios (Rm 1.16; 2.9,10), afirmando que o evangelho é para todos (Rm 10.12; Gl 3.28).

  A grande tristeza e contínua dor no coração que Paulo sentia (At 9.2) devia-se à condição espiritual dos judeus que, pela dureza do coração, continuavam separados de Deus e distantes da salvação. Eles não reconheciam que as Escrituras tiveram o seu cumprimento no Senhor Jesus e que Ele era o Messias anunciado pelos profetas e, por essa razão, rejeitaram-no.

  A tristeza de Paulo por causa da incredulidade dos judeus encontra-se em Romanos 9.1-5. Nesse texto, Paulo declara a sua imensa tristeza e angústia constante pelo sofrimento do seu povo, os israelitas, que rejeitaram o Messias e a salvação oferecida por Deus. Essa dor contínua que Paulo trazia na sua alma por causa dessa situação era tão profunda que ele chegou a dizer que poderia desejar ser maldito (separado do Salvador) por amor a eles, enfatizando o sofrimento que ele sentia se isso tivesse algum proveito para livrar o seu povo da destruição. Obviamente que ele sabia que isso não teria nenhum valor, pois a salvação é individual, mas o que ele quis demonstrar era o seu grande desejo de ver os seus compatriotas salvos. O verdadeiro homem de Deus sofre ao ver as pessoas rejeitarem a salvação, pois sabe do terrível sofrimento que as aguarda. O seu sonho de salvar almas é tão grande, que ele abre mão de tudo para dedicar-se à obra do Senhor.

  Embora Paulo fosse considerado um traidor por alguns dos judeus, ele fala nesses versículos sobre a importância de Israel ter sido adotado por Deus para ser o seu povo. O apóstolo enumera algumas dádivas que eles receberam: a glória de Deus para diferenciá-los das demais nações; as Alianças feitas com os antepassados; a Lei no monte Sinai (Êx 31.18); o culto verdadeiro de adoração e devoção a Ele mediante os ensinamentos no Tabernáculo e no Templo; as promessas; os patriarcas; os profetas e, principalmente, a maior honra de todas: o Senhor Jesus Cristo, o Salvador, que descendeu deles segundo a carne. Paulo conclui o argumento declarando publicamente a divindade e a superioridade do Senhor Jesus sobre todos.

  3. A porta da fé aberta aos gentios pela graça de Deus (At

13.46-49)

  O apóstolo Paulo vê nas suas Epístolas a rejeição temporária de Israel como base para alcançar os gentios (Rm 11.11-15,19,20). Entretanto, para ele, conforme Romanos 1.16 e 2.9,10, a mensagem não era exclusiva para o povo judeu, mas era para eles primeiro (ver At 26.20) e depois aos gentios. No entanto, os judeus de Antioquia da Pisídia, tomados de inveja, não apenas rejeitavam, como também contradiziam e blasfemavam contra a mensagem de salvação que Paulo pregava. Como é trágico estarmos tão tristes com a popularidade de alguém a ponto de ignorarmos a verdade fundamental dos problemas da vida! Em razão disso, eles tornaram-se indignos da vida eterna.

   Por terem desprezado a Palavra, os apóstolos voltaram a sua atenção à pregação aos gentios, que se alegraram com as Boas Novas. Deus planejou que Israel fosse essa luz (Is 49.6). De Israel nasceu Jesus, a luz das nações (Lc 2.32), e essa luz seria expandida e iluminaria os gentios.

   Muitos gentios creram (At 13.48). A resposta dos gentios que ouviram a mensagem foi imediata e de todo o coração. Regozijavam-se com as Boas Novas e glorificavam a palavra do Senhor.

  Uma observação foi incluída: “creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (v. 48). Daí vem a pergunta:   Quem está ordenado para a vida eterna? Resposta: Todo aquele que crê! Os gentios receberam com alegria a mensagem de salvação e glorificaram a Deus. Independentemente de cultura, classe social, raça, cor ou grau de escolaridade, todos os que creem no Senhor Jesus e estão dispostos a obedecer aos seus ensinamentos estão aptos a viver eternamente ao seu lado. Não existe uma predestinação arbitrária, e sim a responsabilidade pessoal de aceitar ou rejeitar a Salvação, que é oferecida por Deus a todos.

  O pensamento não é que Deus havia limitado a salvação a uns poucos, mas, sim, que a estendera a muitos, constratando com o exclusivismo judaico. É óbvio que essa escolha divina não dispensa a fé pessoal. Alguns entendem que o verbo está na voz média, e não na passiva, e traduzem o texto desta forma: “e tantos quantos destinaram-se a si mesmos mediante sua reação positiva aos apelos do Espírito Santo” para a vida eterna creram.

 III – A MISSÃO EM ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A FÉ

QUE PERSEVERA

  1. Icônio: o testemunho ousado que enfrenta oposição

(At 14.1-7) Icônio, Listra e Derbe eram três cidades que Paulo visitou na região sul da Galácia. O apóstolo escreveu uma carta a essas igrejas, a Epístola aos Gálatas, porque muitos cristãos judeus afirmavam que os cristãos gentios não poderiam ser salvos a menos que seguissem as leis e os costumes judaicos. A Carta de Paulo refutou esse pensamento e trouxe os crentes de volta ao padrão correto de compreensão da fé em Jesus Cristo (Gl 3.3,5). Talvez Paulo tenha escrito a Carta aos Gálatas logo depois de ter deixado a região (At 14.28). A Epístola aos Gálatas foi escrita provavelmente antes do Concílio de Jerusalém (capítulo 15), porque nela a questão dos cristãos gentios terem ou não que seguir a Lei judaica ainda não estava resolvida. Tal conselho reuniu-se para solucionar esse problema.

  Icônio era a capital da Licaônia e um próspero centro cosmopolita inspirado na cidade-estado grega. Era também um centro de comunicações e cidade-quartel de tropas romanas. Paulo, com o seu estilo próprio, privilegiou a sinagoga judaica para lançar o seu ministério. Em primeiro lugar, a sua estratégia foi marcada pela contínua preocupação para com a sua própria gente (At 13.46;

 9.2-5). Em segundo lugar, pela consciência de que os gentios adeptos do judaísmo que congregavam nas sinagogas, eram provavelmente os mais receptivos ao evangelho. De fato, a maioria das igrejas do século I tinha um núcleo de crentes gentios que já dispunham de alguma familiaridade com o Antigo Testamento.

  Sinais e prodígios ali foram operados “[...] falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça” (At 14.3); todavia, a multidão ainda ficou dividida. Provavelmente, isso quer dizer que o Espírito Santo testemunhava ao coração dos ouvintes que aquilo que os missionários estavam pregando era verdade, permitindo também que “por suas mãos se fizessem sinais e prodígios (v. 3). Os milagres deveriam convencer “aqueles que pediam um sinal” (1 Co 1.22). Tanto Paulo como Barnabé são chamados apóstolos (At 14.14).

  Em Antioquia, os judeus haviam conseguido que as mulheres gregas e os magistrados expulsassem Paulo e Barnabé da sua cidade (13.50). Entretanto, em Icônio, a oposição foi feita por uma multidão, e tanto gentios como gregos fizeram um atentado contra os missionários para ultrajá-los e, se possível, apedrejá-los. Como a prudência foi mais importante, Paulo e Barnabé tiveram que fugir para Listra (14.6), porém sem abandonar a missão. Podemos supor

que a mesma alegria e o mesmo poder que houve em Antioquia permaneceram com eles também na recém-formada igreja. Não significa que eles tiveram medo, mas essas foram as instruções do Senhor (Mt 10.14,23; At 14.20). Icônio fica na divisa com a Frígia e a Licaônia, e a rota de escape levava a Listra, ao sul, no coração da Licaônia. O crescimento da igreja frequentemente vem acompanhado de oposição, mas isso não deve impedir o avanço do evangelho.

  2. Listra: milagres, confusão religiosa e sofrimento por

Cristo (At 14.8-20)

  Em Listra, não se faz menção de sinagogas e tampouco de judeus. Diante dessas circunstâncias, os missionários precisavam de um local de reuniões públicas, sendo o fórum o local apropriado, além de ser o mercado da cidade um local de reuniões públicas.

  O relato da visita em Listra começa com um milagre: a cura de um coxo de nascença. A história do milagre é semelhante à da cura do aleijado por Pedro na porta do templo (At 3.1-8). Paulo, sem dúvida, tinha pregado ao ar livre de tal maneira que o coxo, presumivelmente um mendigo, foi atraído para a mensagem e teve “fé para ser curado”. A ordem é simples e direta, e o salto e o caminhar são instantâneos (14.9,10).

As multidões impressionadas com o milagre que acabaram de presenciar acreditavam que Paulo e Barnabé deviam ser dois deuses da mitologia grega que vieram visitá-los e resolveram que os dois deviam ser honrados. Paulo foi considerado igual a Mercúrio, por ser o principal portador da palavra, pois Mercúrio era o mensageiro dos deuses, ao passo que Barnabé foi considerado como Júpiter, a principal divindade dos gregos. Por causa da barreira idiomática, os missionários não sabiam o que estava acontecendo, mas o sacerdote local do templo de Zeus estava trazendo bois e grinaldas de flores para oferecer sacrifícios a eles como deuses (vv. 11-13).

  Paulo e Barnabé finalmente entenderam a má compreensão que a multidão tem da missão deles e tentam restringi-la (vv. 14-18) com a pregação a respeito do Deus verdadeiro (vv. 15-17). Os argumentos apresentados por Paulo no seu eloquente sermão não produziram grande efeito entre os seus ouvintes e foi com dificuldade que Barnabé e ele impediram a multidão de oferecer-lhes sacrifícios (v. 18).

 

  Enquanto Paulo e Barnabé estão enfrentando a situação em

Listra, “sobrevieram uns judeus de Antioquia e Icônio a Listra”.

   A distância de Antioquia a Listra era de uns duzentos quilômetros e de aproximadamente sessenta e cinco quilômetros de Icônio a Listra. Esses judeus invejosos (13.45,50; 14.2), cheios de ódio pelos dois missionários, seguiram-lhes a pé por toda aquela distância a fim de criar problemas (13.50; 14.2,5; 17.13). Influenciado pelos invejosos, o povo ignorou a cura que Paulo realizou pelo poder de Deus e as palavras de fé ministradas (vv. 9,10).

  Eles convenceram o povo de Listra, talvez atribuindo o milagre da cura a um poder demoníaco (Mt 12.24). Desejando silenciar o evangelho, esses judeus, junto com a cooperação de cidadãos de Listra, apedrejaram Paulo (2 Co 11.25), “arrastando-o para fora da cidade, cuidando que estava morto” (At 14.19).

  A avó, mãe e pai de Timóteo moravam em Listra, uma cidade na província romana da Licaônia, não muito longe de Tarso, na Cilícia, onde Paulo nasceu. O pai de Timóteo era grego e pagão, enquanto a sua mãe, Eunice, e a sua avó, Loide, eram judias. Elas foram as primeiras cristãs convertidas ao cristianismo na cidade de Listra. É provável que a conversão delas tenha ocorrido durante a primeira viagem missionária do apóstolo Paulo a Listra (16.1,2).

  3. Derbe: frutos que brotam da perseverança

  (At 14.20,21)

  A obra missionária em Derbe é relatada de forma mais resumida do que o relato de Icônio. No dia seguinte, Paulo e Barnabé vão para Derbe, uma cidade da província romana da Galácia (hoje identificada com a atual cidade de Kerti Hüyük), localizada na extremidade sudeste da Licaônia, na estrada principal de Listra a Laranda, no centro-sul da Ásia Menor, na atual Turquia, cerca de 96 quilômetros de Listra.

  A experiência missionária em Derbe revela a essência da obra evangelística da Igreja. Após ser apedrejado e dado por morto , Paulo não desistiu, mas, fortalecido pelo Senhor, levantou-se e seguiu adiante. Ele não se deixou intimidar pelo sofrimento, mas entendeu que “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). Esse ato demonstra que a missão não se apoia em circunstâncias humanas, mas na fidelidade de Deus que sustenta os seus servos (2 Co 4.8-10; Cl 1.28).

  Mesmo após o sofrimento, Paulo continua pregando e discipulando. Em contraste com Antioquia, Icônio e Listra, os apóstolos não sofrem perseguição aqui.

  Em Derbe, Paulo e Barnabé encontraram sucesso ao pregar

o evangelho e fizeram muitos discípulos (A Grande Comissão é fazer discípulos — Mt 28.19-20), e não há menção de existência de sinagoga judaica na cidade. O trabalho de Paulo e Barnabé em Derbe foi marcante devido à grande quantidade de pessoas que creram e à formação de uma igreja, mesmo após terem sido perseguidos em cidades vizinhas, como Icônio e Listra.

  Paulo e Barnabé geralmente começavam o trabalho nas sinagogas, mas, em Derbe, eles focaram na pregação direta à população, conseguindo um número muito maior de convertidos. Evangelização genuína não consiste tão somente em ganhar almas, mas principalmente em formar discípulos que amadureçam na fé.

  Ainda que Atos não diga literalmente “fundaram uma igreja em Derbe”, o texto mostra que os missionários ganharam muitos novos discípulos, sendo altamente provável que tenha sido formada uma igreja local nessa cidade. Gaio, um amigo de Paulo, que o acompanhou em algumas das suas viagens missionárias, era natural de Derbe (At 20.4).

  A evangelização em Derbe ensina-nos sobre perseverança, foco em Cristo e compromisso com o discipulado. A igreja de hoje deve seguir esse exemplo, confiando que o Espírito Santo continua capacitando a sua missão no mundo.

  A obra missionária em Derbe também antecipa o alcance universal do evangelho. A multiplicação de discípulos naquela cidade mostra que a mensagem de Cristo não é limitada por fronteiras,

 mas destinada a todas as nações (Mc 13.10; Ap 7.9). A igreja contemporânea, como herdeira dessa missão, precisa manter acesa a chama missionária: evangelizar, discipular e enviar. Assim, a evangelização em Derbe deixa-nos três grandes lições: a perseverança diante da perseguição, a centralidade do discipulado e o caráter universal da missão. Como Paulo declarou em 1 Coríntios 9.16:

“Ai de mim se não anunciar o evangelho”.

  CONCLUSÃO

Tendo encerrado a primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé voltaram a Listra, Icônio e Antioquia (At 14.21), “Confirmando o ânimo dos discípulos, exortando-os a perseverar na fé” e elegendo presbíteros em cada igreja (vv. 22,23). Finalmente retornaram a Antioquia, “onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido” (v. 26).

  Eles apresentaram o relatório à igreja, relatando: “quão grandes coisas Deus fizera por eles e como abrira aos gentios a porta da fé” (v. 27). Essa era a finalidade principal da sua missão.

  A Porta da Fé se Abre entre os Gentios

  A Igreja dos Gentios

 

 

 


CPAD - A Igreja dos Gentios — Lição 1: O chamado para os gentios

 


TEXTO ÁUREO

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”

(At 13.2).

VERDADE PRÁTICA

Quando a igreja ouve o Espírito, o Evangelho avança e vidas são alcançadas para a glória de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 13.1-12.

1 — Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.

2 — E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

3 — Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.

4 — E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.

5 — E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador.

6 — E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu, mágico, falso profeta, chamado Barjesus,

7 — o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus.

8 — Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul.

9 — Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, disse:

10 — Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?

11 — Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão.

12 — Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudaremos A Igreja dos Gentios, acompanhando a expansão do Evangelho para além do contexto judaico e evidenciando a direção soberana do Espírito Santo na missão da Igreja. Nesta primeira lição — O Chamado para os Gentios — analisamos Atos 13 e o envio de Paulo e Barnabé a partir da igreja de Antioquia, destacando uma comunidade sensível à voz do Espírito. O comentarista é o Pr. Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR), conferencista, advogado e escritor, autor de obras publicadas pela CPAD, como As Doenças do Século, Planejamento e Gestão Eclesiástica, Relações Públicas para Líderes Cristãos e As Parábolas de Jesus.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: 

I) Apresentar o contexto histórico e espiritual da igreja de Antioquia e sua missão aos gentios;

 II) Conduzir o aluno à reflexão sobre a atuação do Espírito Santo na condução da obra missionária e no envio dos obreiros;

III) Aplicar os princípios da igreja de Antioquia à vida da igreja local, assumindo a missão cristã como identidade e compromisso.

B) Motivação: A missão da Igreja não nasce de estratégias humanas, mas do agir soberano do Espírito Santo. Ao estudar o chamado para os gentios, somos convidados a ouvir a voz de Deus, discernir seu propósito e compreender que também fazemos parte do plano divino de alcançar vidas e nações.

C) Sugestão de Método: Conduza a aula partindo de uma breve pergunta provocativa sobre o alcance do Evangelho, levando o aluno a refletir se a fé cristã se limita a um grupo específico, por exemplo: Se o Evangelho é para todos, por que a Igreja Primitiva precisou aprender isso ao longo do tempo? Em seguida, apresente a transição da igreja judaica para a missão gentílica em Atos, destacando a ação do Espírito Santo conforme a exposição dos três tópicos. Por fim, promova uma aplicação prática, mostrando que a igreja atual é herdeira dessa missão e chamada a viver o Evangelho sem barreiras culturais ou étnicas.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Assim como a Igreja Primitiva ouviu a voz do Espírito e superou limites culturais para obedecer à missão, a igreja de hoje é chamada a examinar suas próprias barreiras — sociais, culturais — que podem dificultar o alcance do Evangelho. Viver como Igreja dos Gentios, significa que deve haver abertura para que o Espírito Santo conduza a missão para além de nossas preferências e zonas de conforto.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Antioquia da Síria”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda as características da igreja que se voltaria aos gentios; 2) O texto “O Espírito Santo Inspira as Missões”, localizado ao final do segundo tópico, reflete a respeito da motivação missionária da Igreja.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Lucas registra o cumprimento progressivo da promessa de Jesus em Atos 1.8: o Evangelho alcançaria Jerusalém, Judeia, Samaria e chegaria aos confins da Terra. Os capítulos 13 a 28 marcam a grande virada da narrativa, quando o foco deixa de ser Jerusalém e passa a Antioquia. É dessa igreja, caracterizada por diversidade, sensibilidade espiritual e prática missionária madura, que o Espírito Santo convoca Paulo e Barnabé para a evangelização dos gentios. A partir desse ponto, o ministério de Paulo torna-se central, e o Espírito é mostrado como o verdadeiro condutor da expansão cristã. A Missão Gentílica nasce, portanto, não como estratégia humana, mas como resposta ao chamado direto do Espírito para alcançar as nações.

Palavra-Chave:

GENTIOS

  AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

  “ANTIOQUIA DA SÍRIA

  A Antioquia da Síria foi um importante centro político, econômico e religioso durante o período romano. A população diversificada de Antioquia contribuiu para uma grande diversidade de religiões ligadas à cidade. O seu subúrbio de Dafne era um importante local de culto para o paganismo, e a cidade manteve grande população judaica ao longo da sua história. Além disso, foi para Antioquia que muitos cristãos de Jerusalém fugiram durante a perseguição inicial da igreja. Aqui, pela primeira vez, os cristãos judeus começaram a focar intencionalmente em compartilhar o evangelho para os gentios (At 11.19-21).

  O resultado foi uma igreja grande, multicultural e vibrante. A igreja em Antioquia era conhecida pela sua diversidade étnica e cultural, a sua generosidade (enviou uma oferta a Jerusalém durante uma fome; veja 11.27-30) e o seu coração voltado para missões (serviu de sede para Paulo nas suas três viagens missionárias). Não surpreendentemente, foi em Antioquia que os seguidores de Cristo foram chamados pela primeira vez de ‘cristãos’ (11.26).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.41).

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

  “O ESPÍRITO SANTO INSPIRA AS MISSÕES. Notemos a palavra ‘apartar’. A tendência natural das igrejas, naqueles dias como hoje, era estabelecerem-se como grupos firmados. Não prestavam a devida atenção à expansão missionária. A igreja em Jerusalém começou a se acomodar como grupo firme, centralizado naquela cidade. O Senhor, então, quebrou aquela organização e fez os pedaços se espalharem por toda a Palestina. Agora, de entre os ministros de Antioquia, retiram estes dois para uma missão especial.” (PEARLMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na Força e na Unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.144,145)

  CONCLUSÃO

  A missão entre os gentios começa com oração, jejum e sensibilidade à voz do Espírito. A igreja de Antioquia mostra que Deus fala, chama, separa e envia; e que a igreja responde, intercede e sustenta. A Palavra de Deus é poderosa para transformar todo pecador em uma pessoa regenerada, alcançada pela graça. Hoje, o Espírito continua chamando sua igreja para alcançar as nações. Estamos dispostos a ouvir, obedecer e participar da missão que ainda está em andamento?

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

O CHAMADO PARA OS GENTIOS

Estimado(a) professor(a), a copiosa paz do Senhor esteja com você. Neste novo trimestre, teremos a grata e rica oportunidade de estudar sobre o chamado da igreja para proclamar a salvação entre os gentios, bem como da consolidação da mensagem evangelística entre as nações. Para discorrer sobre o tema, o comentarista deste trimestre é o pastor Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba.

  A abordagem sobre a proclamação do Evangelho entre os gentios considera, inicialmente, o propósito divino desde o Antigo Testamento. Deus havia prometido, por intermédio dos profetas da Antiga Aliança, que a mensagem de salvação alcançaria outras nações para além de Israel (Is 49.6; Sl 22.27,28). Nesse sentido, o grande avivamento experimentado pelos cristãos em Antioquia, a partir da pregação aos gentios, é o cumprimento dessa promessa. Esta cidade foi escolhida pelo Espírito Santo haja vista ser um local que havia recebido profunda influência da cultura greco-helenista e abrigava forte presença judaica. Esses dois aspectos contribuíram para que a mensagem do Evangelho encontrasse guarida nos corações. A influência greco-helenista tornava a cidade como um berço do desenvolvimento intelectual da época, aberta às discussões filosóficas e oportunas à reflexão sobre a salvação. Semelhantemente, a presença judaica contribuía para que os missionários da igreja, enviados ao local, persuadissem os judeus à fé cristã a partir das profecias do Antigo Testamento.

  O Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD) discorre que “Barnabé fortaleceu grandemente os laços de amizade entre as congregações de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Os discípulos receberam o nome de ‘cristãos’ pela primeira vez em Antioquia (At 11.26). Paulo foi enviado da igreja de Antioquia às suas três grandes missões: em Chipre, na Ásia Menor e na Grécia (At 13.1ss; 15.36; 18.23). [...] Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo e mártir (110 d.C.) cujas cartas ainda lemos; e por sua escola e grandes ensinadores, Crisóstomo (390 d.C.) e Teodoro de Mopsuestia (390 d.C.) que exortou a uma interpretação literal e histórica da Bíblia, contra as tendências de alegoria de Clemente e Orígenes de Alexandria no Egito” (2006, pp.142,143). O cenário era excelente para que a igreja de Antioquia se tornasse um braço forte na pregação do Evangelho em outras regiões.

CPAD - A Igreja dos Gentios — Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

Comentarista: Wagner Gaby

Lição 1: O chamado para os gentios

 


SUMÁRIO

Capítulo 1 - O Chamado para os Gentios

Capítulo 2 - A Porta da Fé se Abre entre os Gentios

Capítulo 3 - A Graça que Alcança todas as Nações

Capítulo 4 - O Espírito que nos Guia para além das Fronteiras

Capítulo 5 - Cristo entre os Filósofos: o Deus desconhecido se Revela

Capítulo 6 - A Suficiência da Graça na Cidade de Corinto

Capítulo 7 - Quando o Espírito Sopra em Éfeso

Capítulo 8 - Despedida em Éfeso: entre Lágrimas e Alertas

Capítulo 9 - Coragem para Testemunhar: Paulo diante da Multidão

Capítulo 10 - Uma Esperança Inabalável perante os Poderosos

Capítulo 11 - Entre Tempestades e Promessas

Capítulo 12 - O Evangelho Chega ao Coração do Império

Capítulo 13 - A Missão Continua em Nós

   Capitulo 1

O CHAMADO PARA

OS GENTIOS

 

INTRODUÇÃO

  Após a sua ressurreição e momentos antes da sua ascensão aos céus, Jesus havia anunciado aos seus discípulos que eles receberiam o poder do Espirito Santo e que seriam as suas testemunhas tanto em Jerusalem, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra (At 1.8). O alvo estabelecido nesse texto foi cumprido mediante a expansão da igreja desde Jerusalém (At 2-7) até toda a Judeia e Samaria (At 8-12).

  O capítulo 13 de Atos marca uma grande virada na narrativa do livro. Até aqui, o foco estava principalmente em Jerusalém e na evangelização dos judeus. A partir daqui, a atenção volta-se para a missão entre os gentios, sendo transferida para Antioquia da Síria, onde havia nascido uma igreja marcada por um forte ardor missionário.

  O restante do livro de Atos, dos capítulos 13 a 28, descreve a propagação do evangelho na extremidade oriental do mundo mediterrâneo e em direção ao ocidente até Roma, a capital do Império Romano. Pedro havia sido a figura principal nos doze primeiros capítulos deste livro, mas Paulo ocupa o lugar central no restante da história, no que Adolph Harnack (1851-1930), teólogo luterano alemão e proeminente historiador do cristianismo, chamou de "missão e expansão do cristianismo".

  I - O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA

  1. Antioquia: um centro escolhido por Deus (v. 1)

 Antioquia da Síria estava situada na extremidade norte da Síria, em frente à Asia Menor e Europa, na margem do rio Oronte, 50 quilometros distante do mar e a 500 quilômetros de Jerusalém. Fundada por Seleuco I Nicátor (c. 358-281 a.C.), um dos generais de Alexandre em 300 a.C., e cresceu a ponto de contar com numerosa população nos tempos do apóstolo Paulo, incluindo muitos judeus, que obtiveram o direito de cidadania desde tempos remotos. Não se sabe ao certo quão grande era a cidade nos dias de Paulo, mas, com base na informação dada por Crisóstomo, deve ter contado com uma população de cerca de 800 mil habitantes. Flávio Josefo, o historiador judeu do tempo dos apóstolos, diz-nos que era a terceira maior cidade do Império Romano, perdendo em importância numérica apenas para Roma e Alexandria, sendo conhecida como a "Rainha do Oriente".

  Antioquia tornou-se um grande centro da erudição hebraica, bem como cidade onde havia numerosa colônia judaica - embora a grande maioria da população fosse síria. A sua cultura era tipicamente greco-helenista. O seu porto era Seleucia (At 13.4), que era uma reputada cidade comercial e centro marítimo. Os romanos fizeram-na capital da província da Síria.

  Antioquia da Siria, local do nascimento da missao gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). Foi nessa cidade que os seguidores de Cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11.26). Ο termo "cristao" (χριστιανοί), nome dado nao pelos judeus, mas pelos gregos, é usado apenas tres vezes no Novo Testamento (ver At 11.26; At 26.28;1 Pe 4.16). Paulo saiu de Antioquia para todas as suas três viagens missionárias (At 13.1-3; 15.35,36; 18.22,23). Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho.

   Antioquia da Siria e muito importante na historia inicial da Igreja. Nicolau, um dos primeiros diáconos, era um prosélito de Antioquia (At 6.5). Durante as perseguições que se seguiram após o apedrejamento de Estevao, muitos cristaos de Jerusalem fugiram para Antioquia, onde pregaram para judeus que falavam grego (helenistas) e para os gregos (helenos).

   Barnabé forneceu grandes laços de amizade entre a congregação de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo mártir, aproximadamente 110 d.C., e pela sua escola e grandes ensinadores. A história da igreja em    Antioquia, a igreja-mãe entre os gentios, tinha uma distinção de que desfrutava durante muitos anos. Um dos seus bispos mais ilustres foi Joao Crisostomo, grande escritor de comentários biblicos, que exerceu notável influência sobre o desenvolvimento doutrinário da igreja cristã.

   2. Profetas e doutores servindo ao Senhor e jejuando (vv. 1,2)

  Os profetas eram considerados logo depois dos apóstolos, e os doutores ou mestres ocupavam o terceiro lugar (1 Co 12.28). Depois que a função de apóstolos terminou, os profetas e doutores passaram a constituir os dois principais grupos de obreiros da igreja dignos de receber apoio, como mostra a Didaquê (c.13), do segundo século.

  A função dos profetas era essencialmente hortatoria (do latim hortari, que significa "incentivar" ou "encorajar"), ao passo que a funçao de mestres era essencialmente didática. Os dois ministérios não eram necessariamente idênticos, embora o oficio mais elevado de profecia comumente incluísse o oficio do ensino. O oficio de profeta subentende uma mensagem diretamente recebida de Deus, proveniente do Espírito Santo. O oficio de mestre implica em uma instrução mais sistemática, em que a razão e a reflexão desempenham o seu devido papel.

  A gramática grega, nesse ponto, ao utilizar-se do duplo te, dá-nos a entender que havia tres profetas (Barnabe, Simeao e Lucio), ao passo que os dois outros eram mestres (Manaém e Saulo).

   Lucas jamais afirma que Paulo profetizou; em vez disso, refere-se a ele regularmente como alguém que ensinava (At 15.35; 18.11; 20.20; 28.31). A tarefa do mestre era a de instruir a igreja, fazendo uso do Antigo Testamento e das tradições da vida e ensinos de Jesus.

Barnabe e Paulo tinham sido os principais professores na igreja de Antioquia (At 11.26). O Espirito Santo selecionou ambos como os seus primeiros missionarios.

  Barnabe, provavelmente com 55 anos, tinha sido um rico proprietário de terras antes da sua conversão. Saulo, dez anos mais moço, tinha sido educado para tornar-se um rabino. Duas pessoas diferentes, porem colocadas iuntas na obra do Senhor.

   "Servindo eles ao Senhor, e jejuando [ ... ]depois de jejuarem e

orarem [ ... ]"

  Na prática cristã primitiva, era comum a oração estar ligada ao jejum (Mt 17.21; Mc 9.29; At 10.30; 14.23). Os judeus estenderam esse costume de jejuar a um ponto bem mais adiantado do que prescrevia a Lei (Dia da Expiação - At 27.9), quando havia um jejum particularmente severo para todos os judeus (Lv 23.27), e Jesus ensinou aos seus discipulos que estes haveriam de continuar com a pratica (Mt 6.16-18; 9.14-16). O jejum na Biblia implica em total abstinência de alimentação por certo período.

  Jejuar significa abster-se de alimentos durante um período específico com a finalidade de concentrar-se no Senhor. A dor da fome ira lembrá-los da sua completa dependência de Deus (2 Cr 20.3; Ed 8.23; Et 4.16; Mt 6.16- 18).

   A palavra "servindo" envolve oração, jejum, meditação e exortação ou seja, provavelmente uma combinaçao de todos esses elementos. Tudo isso pode ter sido feito propositalmente para buscar a orientação divina sobre o que deveria ser feito em seguida para obtenção do progresso das atividades missionárias da igreja; ou, então, essa orientação divina pode ter surgido como um resultado natural.

   Na Biblia de Estudo Plenitude, no verbete Dinâmica do Reino, destacam-se quais são as características do líder (At 13.1-3) com o seguinte comentário:

   Os líderes da Igreja Primitiva chegavam a decisões somente depois de jejuar e orar.

  Em Antioquia, os profetas e mestres jejuavam e oravam, buscando a direçao de Deus para a Igreja. Enquanto eles esperavam por Deus, o Espirito Santo deu a direção (v. 2), começando, assim, o ministério missionário, que, por fim, levou o evangelho ao mundo inteiro. Os líderes piedosos confiam em Deus para a direção, e fortalecimento de sua vida e ministério. O jejum disciplinado e oração constante são meios comprovados para se chegar a isso e, sendo assim, são obrigatórios na vida dos líderes (Mt 9.5)

   II - O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA

   1. O Espírito que conduz a missão

  Dentre as muitas funções do Espírito Santo, estão a de ungir, a de inspirar, a de separar e a de enviar homens e mulheres para os quatro cantos da terra como missionários do Senhor.

  A obra missionária é uma tarefa ligada à ação exclusiva do Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus dependeu da unção do Espírito Santo para o exercício do seu ministério (Is 61.1-3; Lc 4.17-20). Alguém já disse que o livro de Atos poderia ser chamado de Atos do Espírito Santo, e isso se deu porque todo o livro é pautado na ação do Espírito na vida da Igreja. Antes de receberem o poder do Espírito, os discípulos estavam meio que acovardados, sem rumo. Ao receberem a unção do Espírito, tornam-se verdadeiros missionários, impulsionados aos perdidos e cheios de ousadia para anunciar o grande amor de Cristo.

  O Espírito Santo não permitiu que os próprios apóstolos ficassem envolvidos com problemas sociais e quaisquer outras atividades que não fossem a evangelização (At 6.1-4). Os cristãos primitivos, por sua vez, eram fiéis nas contribuições, o que proporcionava alegria e liberdade para que os apóstolos tivessem mais ousadia e poder do Espírito Santo para pregar a Palavra de Deus (At 4.32; 9.31).

  O Espírito Santo e quem escolhe e envia missionarios para anunciarem as Boas Novas de salvação ao mundo (At 8.26-40; 13.2; 20.28). Em Atos 16.4- 7, temos uma revelação clara de como o Espírito Santo deseja que a ação missionária seja realizada, onde e por quem. O Espírito Santo também é o instrutor dos ministros da Palavra de Deus (1 Co 2.1-18).

  A ação do poder do Espírito Santo na Igreja é a característica mais surpreendente no livro de Atos, a ponto de o livro ter sido chamado de "Os Atos do Espírito Santo". Tanto o ministerio publico de Jesus quanto o ministério público da Igreja no livro de Atos tiveram o início com a experiência com o Espírito Santo.

  O poder do Espírito Santo capacitou Jesus para anunciar o evangelho mediante a cura dos enfermos, a expulsão de demônios e a libertação dos cativos (Mt 4.23; Lc 4.14-19; At 10.38). Esse mesmo poder do Espirito Santo concedeu a mesma autoridade espiritual aos discípulos no capítulo 2 de Atos.

  O Espírito Santo é visto como o protagonista e a força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar, capacitar e guiar os missionários e a Igreja no cumprimento da missão divina, além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos. O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para capacitar os seus discípulos como testemunhas - promessa que se cumpriu plenamente com a descida do Espírito Santo.

  2. O poder do Espírito na evangelização dos gentios

  Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e de gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55).

  A igreja crescia em números, diariamente, por adição de vidas salvas e por ação divina. Vejamos o crescimento da Igreja Primitiva em números:

1. Atos 1.15-120 membros;

2. Atos 2.41 -3.000 membros;

3. Atos 4.4-5.000 membros;

4. Atos 5.14- Uma multidão é agregada à igreja;

5. Atos 6.17 -O número dos discípulos é multiplicado;

6. Atos 9.31 - A igreja expande-se para a Judeia, Galileia e Samaria;

7. Atos 16.5-Igrejas são estabelecidas e fortalecidas no mundo inteiro.

   Em Atos 1.3, vemos como a assistencia do Espirito Santo e imprescindivel

à obra missionaria. Guiados pelo Consolador, os missionarios faziam

discípulos numa cidade e partiam para outra (vv. 46-51). Graças à direção e

providência do Espírito, o evangelho, tendo alcançado a Europa (At

16.10), tambem chegou a America do Norte, de onde vieram os

missionários suecos Daniel Berg (1884-1963) e Gunnar Vingren (1879-

1933), pioneiros do Movimento Pentecostal no Brasil.

 

3. Evidências da ação missionária do Espírito (At 13-14)

Em Atos 13-14, fica bem clara a presenca do Espirito Santo confirmando

e aprovando a obra de evangelização realizada por Barnabé e Paulo.

  A despeito das fortes perseguições que sofreram no cumprimento da nobre tarefa missionaria, Paulo e a equipe que estava com ele evidenciaram a manifestação do poder de Deus por meio da vida deles. Muitos gentios e judeus creram e aceitaram Jesus como Salvador, muitas igrejas foram fundadas, curas divinas e libertação ocorreram.

  Jesus claramente nos instruiu que teriamos afliçoes no mundo, mas também que deveríamos ter bom ânimo (Jo 16.33). No Sermão do Monte, Ele disse para que exultássemos e alegrássemos quando fossemos injuriados e perseguidos (Mt 5.11,12). As vezes, choramos, mas logo somos consolados e invadidos por uma alegria que vem diretamente do trono de Deus:

  Os que semeiam em lagrimas segarao com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltara, sem duvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. (S1 126.5,6)

  Teremos oposições, mas também muitos resultados extraordinários, pois a glória do Senhor manifesta-se por meio de nos para que o nome dEle seja glorificado.

  O grande legado missiológico deixado pela igreja de Antioquia é o de que Deus tinha, por meio deles, aberto as portas da fe aos pagãos (At 14.27).

  A historia da evangelização de Antioquia ilustra quando o Evangelho tem sucesso, quando é pregado a gente nova (At 11.19); quando é pregado a todas as classes e raças (At 11.20,21) e quando é pregado por homens cheios do Espírito Santo (At 11.22-26).

  O segredo do êxito em cruzadas evangelísticas é buscar em oração a assistência do Consolador.

  III - A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA

  1. A Igreja que ouve a voz de Deus

Uma igreja missionária é, antes de tudo, uma igreja que ouve a Deus: "E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Aparta-me a

Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado"(At 13.2). Se quisermos impactar o mundo, precisamos primeiro ouvir o Céu.

  Ouvir a voz de Deus implica em sair de si mesmo, ser inflamado pela caridade divina e espalhar esse amor ao próximo, tornando-se um instrumento da glória divina.

  Uma igreja que se considera uma agência missionária ouve a voz de Deus ao reconhecer o chamado para a missão, que vem de Cristo e do amor de Deus pelo mundo. Ela deve basear-se no conhecimento da Palavra de Deus e dedicar-se à sua missão, preparando e enviando discípulos para anunciar o evangelho em todos os lugares, agindo com ousadia e coragem para a justiça e paz.

  Uma igreja missionaria precisa ser profundamente conhecedora da Palavra de Deus, pois é por meio dela que se ouve a mensagem e que se conhece a Deus.

  Vivemos em tempos em que a igreja é muitas vezes vista apenas como um lugar de culto e comunhao. A Biblia, porem, mostra-nos que a função central da igreja é ser uma agência missionária, enviada por Deus ao mundo.

  Em Atos 13, vemos a igreja de Antioquia servindo como um modelo claro de uma comunidade que entende a sua missão. Uma igreja centrada em Deus, e nao em entretenimento, que ora e jejua como pratica regular e sensível à voz do Espírito Santo. Deus fala a uma igreja comprometida com a sua vontade.

  2. Uma igreja que envia e sustenta seus missionários

  A afirmaçao de que a igreja é uma agencia missionaria significa que ela, como comunidade, assume ativamente a missao de Deus, envolvendo-se no preparo, envio e apoio dos seus missionários, e não delegando essas responsabilidades apenas a organizações externas. Essa participação ativa na missão global de Deus é vista como uma fonte de bênção e de alegria para a igreja, pois contribui para a propagação do evangelho e para a salvação de almas: "Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as maos, os despediram" (At 13.3). A igreja nao retem os seus melhores líderes (Paulo e Barnabé foram enviados) com oração, autoridade e apoio espiritual. Envia como resposta ao chamado divino, não apenas por estratégias humanas. A responsabilidade do envio é da Igreja.

  Uma igreja missionária não é centrada em si mesma, mas investe em pessoas, tempo e recursos para alcançar os perdidos. A igreja sustentava, intercedia e enviava obreiros continuamente. Missões não é um departamento; é a essência da Igreja.

  Uma igreja que tem como base a expansão do Reino de Deus é como a igreja de Antioquia, que se tornou o quartel-general da missão gentílica. Foi de la que partiram muitas viagens missionárias do apóstolo Paulo.

  A igreja local deve engajar-se de maneira prática e constante nas missões sem desligar-se da sua responsabilidade e oportunidade de bênção. A sua igreja local pode ate ser pequena, mas, quando esta cheia do Espírito Santo, torna-se uma base poderosa para transformar nações.

  3. A igreja que cumpre a Grande Comissão

  A Igreja Primitiva cumpriu a Grande Comissão enviando Paulo e Barnabé para a obra que o Senhor havia-os chamado. Assim, Paulo alcançou as nações da sua época.

  Nós, como Igreja do Senhor, também devemos fazer nossa parte, pois ainda existem muitas naçoes e povos que precisam ser alcancados com o evangelho de Cristo. Atualmente, na chamada "Janela 10x40", existem milhares de pessoas que se encontram em trevas espirituais. Como elas ouvirao o evangelho se nao ha quem pregue? (Rm 10.14). E como pregarão se a Igreja do Senhor não enviar e sustentar os missionários?

(Rm 10.15). Ouçamos a voz do Espírito Santo, pois Ele continua a falar à sua Igreja: "Separai meus servos para a obra que os tenho chamado".

  Nossa missão ainda não acabou. Deus está chamando a sua Igreja para ser mais do que uma comunidade de celebração; Ele soberanamente nos chama para ser um povo em missão.

Sua igreja é apenas um lugar de encontros, ou um centro de envio para a glória de Deus entre os povos?

  CONCLUSÃO

  A igreja de Antioquia serve como modelo para a igreja missionária. A missão entre os gentios começa com oração, direção do Espírito e coragem.

  A Palavra de Deus é poderosa para alcançar todo tipo de pessoa, desde Elimas, o magico enganador (At 13.6-11), ao proconsul Sérgio Paulo, governador de Chipre (At 13.7,8, 12).

  O Espírito Santo e o guia e orientador da Igreja do Senhor neste mundo. Hoje Ele continua chamando homens e mulheres para realizarem grandes obras para o Senhor.

  Estamos dispostos a cumprir nossa missão de anunciar o evangelho até os confins da terra? Como tem sido minha participação, como parte da Igreja do Senhor Jesus, quanto ao chamado de Deus para os "gentios"? Oração?

Contribuição? Disposição de ir?

   A Igreja dos Gentios: Da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho ...

Por Wagner Gaby