sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

CPAD : A Santíssima Trindade — Lição 8: O Deus Espírito Santo

 


TEXTO ÁUREO

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.

(Jo 14.16).

VERDADE PRÁTICA

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 14.25-31.

25 — Tenho-vos dito isso, estando convosco.

26 — Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

27 — Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

28 — Ouvistes o que eu vos disse: vou e venho para vós. Se me amásseis, certamente, exultaríeis por ter dito: vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.

29 — Eu vo-lo disse, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

30 — Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo e nada tem em mim.

31 — Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.

  PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino e coigual ao Pai e ao Filho. Ele não é uma força impessoal, mas Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja. Nesta lição, estudaremos sua Pessoa, sua divindade e suas principais obras, confirmando sua atuação indispensável na vida cristã e na missão da Igreja.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, distinta, mas coigual ao Pai e ao Filho; II) Evidenciar a plena divindade do Espírito Santo e seus atributos; III) Ressaltar as principais obras do Espírito Santo: encarnação, ressurreição e santificação.

B) Motivação: Muitos confundem o Espírito Santo como mera força ou influência. A Bíblia, porém, o apresenta como Pessoa divina, com mente, vontade e emoções. Ele age em nossa vida como Consolador, Ensinador e Santificador. Reconhecer sua divindade fortalece nossa fé e nos leva a viver em plena dependência de sua ação.

C) Sugestão de Método: Inicie a aula convidando os alunos a refletirem sobre como têm experimentado a presença de Deus em sua caminhada. Depois, leia pausadamente João 14.16, destacando a promessa de Jesus: o Consolador estaria conosco para sempre. Pergunte: “De que forma o Espírito Santo já consolou, guiou ou fortaleceu você em momentos difíceis?”. Permita que alguns compartilhem brevemente suas experiências. Em seguida, destaque: o Espírito é Pessoa, que se relaciona conosco; é Deus, que habita em nós; e realiza obras divinas, transformando nosso coração. Finalize com uma breve oração de gratidão, pedindo que a classe viva diariamente sob a direção do Espírito Santo.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO 

A) Aplicação: O Espírito Santo é plenamente Deus, distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Ele habita em nós como Consolador, guia nossa vida, transforma nosso caráter e fortalece nossa missão. Devemos abrir espaço para sua atuação, andando em santidade e vivendo sob sua direção até a volta de Cristo.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Como Consolador”, localizado depois do primeiro tópico, aponta para a reflexão a respeito da Pessoa do Espírito e sua identidade revelada na Bíblia; 2) O texto “Símbolos do Espírito Santo”, ao final do segundo tópico, aprofunda o tema sobre a divindade do Espírito Santo.

COMENTÁRIO 

INTRODUÇÃO

O Espírito Santo é uma Pessoa divina, não uma força impessoal ou uma mera influênci

Palavras-Chave:

 

ESPÍRITO SANTO

 

“COMO CONSOLADOR

  Conforme observado no estudo dos títulos do Espírito Santo, eles nos oferecem chaves para entendermos a sua pessoa e obra. A obra do Espírito Santo como Consolador inclui o seu papel como Espírito da Verdade que habita em nós (Jo 14.16; 15.26), como Ensinador de todas as coisas, como aquEle que nos faz lembrar tudo o que Cristo tem dito (14.26), como aquEle que dará testemunho de Cristo (15.26) e como aquEle que convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo (16.8). Não se pode subestimar a importância dessas tarefas. O Espírito Santo, dentro em nós, começa a esclarecer as crenças incompletas e errôneas sobre Deus, sua obra, seus propósitos, sua Palavra, o mundo, crenças estas que trazemos conosco ao iniciarmos nosso relacionamento com Deus. Conforme as palavras de Paulo, é uma obra vitalícia, jamais completada neste lado da eternidade (1Co 13.12). Claro está que a obra do Espírito Santo é mais que nos consolar em nossas tristezas; Ele também nos leva à vitória sobre o pecado e sobre a tristeza. O Espírito Santo habita em nós para completar a transformação que iniciou no momento de nossa salvação. Jesus veio para nos salvar dos nossos pecados, e não dentro deles. Ele veio não somente para nos salvar do inferno no além. [...] Jesus trabalha para realizar essa obra por intermédio do Espírito Santo.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.397,398).

“SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

   Os símbolos oferecem quadros concretos de coisas abstratas, tais como a terceira Pessoa da Trindade. Os símbolos do Espírito Santo também são arquétipos. Em literatura, arquétipo é uma personagem, tema ou símbolo comum a várias culturas e épocas. Em todos os lugares, o vento representa forças poderosas, porém invisíveis; a água límpida que flui representa o poder e refrigério sustentador da vida a todos os que têm sede, física ou espiritual; o fogo representa uma força purificadora (como na purificação de minérios) ou destruidora (frequentemente citada no juízo). Tais símbolos representam realidades intangíveis, porém genuínas. Vento. A palavra hebraica ruach tem amplo alcance semântico. Pode significar ‘sopro’, ‘espírito’ ou ‘vento’. É empregada em paralelo com nephesh. O significado básico de nephesh é ‘ser vivente’, ou seja, tudo que tem fôlego. A partir daí, seu alcance semântico desenvolve-se ao ponto de referir-se a quase todos os aspectos emocionais e espirituais do ser humano vivente.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.387,388).

   CONCLUSÃO

Compreender a divindade do Espírito Santo fortalece nossa fé na Trindade. O Espírito é distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Como Consolador, Ele continua a Obra de Cristo, e habita na vida dos crentes. Sua presença é viva e transformadora, indispensável na edificação, ensino, e missão da Igreja. Que todos nós vivamos guiados pelo Espírito, até que Cristo volte.

   CPAD : A Santíssima Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas

  Comentarista: Douglas Baptista

   Lição 8: O Deus Espírito Santo

 


   0 Espírito Santo é Deus, a terceira Pessoa da Trindade. Não se trata de um mero símbolo da presença divina ou uma força impessoal. Ele é Pessoa, com intelecto, vontade e emoções, capaz de falar (At 13.2), ensinar (Jo 14.26), interceder (Rm 8.26) e entristecer-se (Ef 4.30). Jesus o chama de “outro Consolador”, indicando que Ele possui a mesma natureza divina do Filho, sendo distinto em Pessoa, mas idêntico em essência. O presente capítulo tratará da Pneumatologia bíblica e teológica sob três eixos principais: (i) a Pessoa do Espírito Santo — evidências bíblicas de sua personalidade e relação trinitária e igualdade com o Pai e o Filho; (ii) a eterna divindade do Espírito — seus atributos divinos e símbolos representativos; e (iii) as obras do Espírito Santo — passando pela encarnação e ressureição até a santificação e glorificação final dos santos.

 1 - A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

 1. O Espírito Santo

  E uma Pessoa Na teologia cristã, a Pessoa é compreendida como um sujeito com vontade, inteligência, emoção e ação própria. O Espírito Santo, como revelado nas Escrituras, age de modo consciente, relacionai e autônomo, características que evidenciam sua personalidade. Ele age com autonomia, exercendo funções próprias de uma Pessoa.

  Paulo ensina que o Espírito tem propósito, mente e consciência: “E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos” (Rm 8.27). O termo grego para “intenção” aqui é phronêma, que se refere a mentalidade, disposição, pensamento.' O apóstolo atribui ao Espírito uma mente ativa e consciente, que intercede de forma compatível com a vontade de Deus. Isso confirma sua racionalidade e intenção volitiva, própria de uma Pessoa. O Espírito Santo pode ser entristecido (Ef 4.30). Implica dizer que o Espírito tem emoções, mas não como emoções humanas voláteis, e sim sensibilidade moral e relacionai, ou seja, Ele responde com pesar ao pecado e à quebra de comunhão. Ele ensina e faz lembrar (Jo 14.26), o que demonstra inteligência e comunicação consciente com propósito pedagógico.

   O Espírito Santo apresenta na memória do crente tudo o que Cristo falou, palavras que jamais podem ser esquecidas.1

   Ele guia e orienta os crentes, função que exige entendimento e relacionamento, como de um mestre para o discípulo Jo 16.13). Ele distribui os dons “como quer”, demonstrando vontade deliberada, pessoal e ativa (1 Co 12.11). Ele fala diretamente e com clareza, e designa tarefas missionárias, o que comprova seu papel ativo no plano divino (At 13.2). Negar a pessoalidade do Espírito Santo é reduzir o próprio Deus a uma força impessoal, algo completamente alheio à revelação bíblica.

  2. Pessoa Distinta na Trindade

   A doutrina da Trindade afirma que Deus é um só em essência, mas subsiste eternamente em três Pessoas. Pedro distingue as três Pessoas divinas, cada uma agindo em uma etapa do processo da salvação: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pe 1.2). Nesse versículo, em três orações separadas, o apóstolo descreve três atos do Deus Triúno: o Pai elege, o Espírito santifica e o Filho redime.3 Contudo, essa distinção funcional não implica inferioridade, mas ordem trinitária. Embora o Espírito Santo compartilhe da mesma natureza divina do Pai e do Filho, sendo plenamente Deus, Ele é uma Pessoa distinta dentro da unidade da Trindade: “fomos salvos pelo poder regenerador e renova dor do Espírito Santo” (Tt 3.5, BJ). O texto demonstra que o Espírito tem um papel distinto de dar vida, dentro da função trinitária (Gn 2.7; > 6 .63; Rm 8.11). Hendriksen leciona que “na Escritura é especialmente a terceira pessoa da Trindade a que é representada como quem outorga a vida; daí, ela também outorga a vida espiritual”.4

   Essa distinção do Espírito Santo é essencial para refutar heresias, como o modalismo que ensina que Pai, Filho e Espírito são apenas “modos” sucessivos de uma única Pessoa divina. Sabélio (séc. III) foi o maior defensor desse pensamento. Ele argumentava que a natureza do Filho era apenas semelhante à do Pai; não era, portanto, idêntica à do Pai. Essa heresia foi condenada no Concilio de Antioquia (268 d.C.).5 A distinção do Espírito também combate o arianismo, que negava a divindade do Filho. Ário ensinava que Deus Pai é o único Eterno, e que Cristo tinha sido criado, portanto, não Eterno. Ele foi excomungado por heresia no Concilio de Niceia (325 d.C.).6

   Nessa esteira, a ortodoxia ratifica o papel distinto e a missão específica do Espírito Santo. Em João, essa distinção é facilmente percebi da: “aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas” (Jo 14.26). A construção grega desse versículo é clara: cada sujeito tem ações próprias, o que descarta a ideia de que são apenas manifestações ou modos de uma única Pessoa. O texto destaca três sujeitos distintos atuando simultaneamente: o Pai envia; o Filho é a referência do envio (“em meu nome”); e o Espírito é o enviado com missão específica. Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho, mas plenamente Deus (1 Co 2.10-11).

  3. O Consolador Prometido

   Jesus fez uma promessa aos discípulos: “[...] eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” Jo 14.16). O termo grego jbaráklêtos, formado pela preposição “para” (ao lado de) e o verbo “kaléõ” (chamar), significa “aquele chamado para estar ao lado”. Os campos semânticos do vocábulo permitem a tradu ção como “Consolador” — que ampara, encoraja e traz conforto em meio à dor (2 Co 1.3-4); “Ajudador” — que assiste, presta auxílio ativo e prático nas necessidades (Rm 8.26-27); e “Advogado” —- defensor le gal ou intercessor que pleiteia a causa de outro diante de um juiz (1 Jo 2.1).7 Em João, a expressão parákletos aparece cinco vezes, referindo-se ao Espírito Santo e também a Cristo. Observa a tabela abaixo:


  “Outro Consolador” (gr. állos parákletos) significa alguém da mesma natureza que Jesus. O uso do adjetivo állos (outro), e não heteros , sinaliza que o Espírito Santo é divino, pessoal e eterno.8 Esse versículo sustenta a Personalidade do Espírito Santo, que não é inferior ao Filho, mas assume o papel da presença permanente de Deus na vida dos crentes (Mt 28.19-20).

  II - A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

  1. O Debate “Filioque”

  Fundamentada nas Escrituras, a fé cristã ratificou a doutrina trinitária nos concílios ecumênicos. Em Niceia (325 d.C.), estabeleceu a divindade do Filho: “Cremos [...] em um só Senhor Jesus Cristo, Fi lho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância [homooúsios\ com o Pai”.9 Em Constantinopla (381 d.C.), no Credo niceno-constantinopolitano, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma natureza, o concilio ratificou a divindade do Espírito: “Cremos [...] no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorifica- do, que falou por meio dos profetas”.10

  O debate da divindade de Jesus e do Espírito ocorreu durante o século I\( em virtude do arianismo negar a igualdade e eternidade do Filho com o Pai, e de forma indireta também do Espírito. Nesse período o grupo dos “pneumatómacos” de tendências semiarianas apesar de aceitarem que o Filho era divino, negavam que o Espírito Santo fosse Deus. Os primeiros concílios ecumênicos foram realizados para dirimir essas controvérsias.

   A respeito do Espírito, em Constantinopla (381 d.C.) o credo grego declarou “to ektou Patros ekporeuommorP (que procede do Pai). Em Toledo (589 d.C.) a frase correspondente do credo latino acrescentou “qui ex Pa ire FilioqueprocediF (que procede do Pai e do Filho). O termo “filioque” (e do Filho) foi inserido para salvaguardar a fé bíblica que o Espírito procede tanto do Pai como do Filho Jo 15.26; 16.7).

   Os textos-chaves são: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” (Jo 14.16); e, “quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai” (Jo 15.26). Os verbos “rogarei” (gr. erõtáo) e “proceder” (gr. ekporeuetai) são cruciais para esse debate.

   O verbo erõtáõ significa “pedir em termo de igualdade e, por isso, é sempre usado por Cristo em relação ao seu próprio pedido para o Pai, no conhecimento de sua igual dignidade”.11 O verbo “proceder” sinaliza que “o Espírito Santo é dado pelo Pai, em resposta à solicitação do Filho. Ele procede tanto do Pai como do Filho. O Pai o dá; o Filho o envia”.12 O apóstolo Paulo usa preposições gregas como ek (“de”) para expressar a relação do Espírito com o Pai e o Filho compatíveis com a doutrina que o Espírito também pro cede do Filho, a saber: “[...] se alguém não tem o Espírito de Cristo” (Rm 8.9); e, “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (G1 4.6).

  2. Os Atributos Divinos do Espírito

  O reconhecimento da divindade do Espírito não se apoia apenas nas declarações dos concílios da Igreja, mas, sobretudo, no fato de que a Bíblia lhe atribui os mesmos atributos exclusivos dc Deus. Esses atributos não são adquiridos ou conferidos, mas são inerentes à sua essência eterna, como Pessoa da Trindade. Desse modo, todos os atributos divinos do Pai e do Filho são igualmente relacionados com o Espírito Santo:

  Onipotência. O Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas. O nascimento virginal de Jesus é atribuído ao poder do Espírito, revelando que sua ação é ilimitada e criadora (Lc 1.35). O vocábulo “po der” (gr. dynamis) expressa capacidade absoluta de realizar tudo o que está de acordo com a vontade divina. Todos os milagres e obras poderosas no evangelho são realizados pela operação do Espírito (Rm 15.19). Somente Deus é onipotente (SI 115.3), logo, se o Espírito Santo é dotado de onipotência, Ele é Deus.

   Onisciência. Não existe nada além de seu conhecimento. Pedro identifica que o Espírito conhecia o que estava oculto no coração de Ananias (At 5.3-4). Paulo ensina que o Espírito possui conhecimento completo e direto, sem limitação alguma (1 Co 2.10-11). A onisciência pertence unicamente a Deus (SI 147.5). Assim, o conhecimento pleno do Espírito é prova de sua divindade.

   Onipresença. O Espírito possui conhecimento absoluto. O sal- mista reconhece que o Espírito está em todos os lugares (SI 139.7-10). A presença simultânea em toda a criação é prerrogativa divina (Jr 23.24), portanto, o Espírito é plenamente Deus.

  Eternidade. Existência sem princípio nem fim. O Espírito já atuava no momento da criação, pairando sobre as águas (Gn 1.1 -2). O Espírito é eterno, Ele não passou a existir no Pentecostes, mas já estava ativo na inspiração profética e na história da salvação (Hb 9.14). A eternidade é atributo essencial de Deus (SI 90.2); por conseguinte, o Espírito não é criatura, mas divino. Como observado, esses atributos absolutos são exclusivos da divindade. Tais virtudes são de modo inequívoco evidências da deidade do Espírito Santo. A terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.

  3. Os Símbolos do Espírito

  A expressão “símbolo” é uma combinação de duas palavras gregas “sjn” (com) e “ballein” (lançar), que significa literalmente “comparar uma coisa com outra”. Não é o objeto real, mas serve como ponte para compreendê-lo ou expressá-lo. A Declaração de Fé é das Assembléias de Deus afirma que “os símbolos do Espírito Santo são reflexos das suas múltiplas operações, mas, de maneira alguma, comprometem a sua personalidade e divindade”.13 Os principais símbolos representativos do Espírito são

   Fogo. No relato do Pentecostes, o fogo aparece como línguas que pousam sobre os discípulos, simbolizando o batismo no Espírito Santo (At 2.3). O fogo é um símbolo bíblico multifacetado, associado à pu rificação (Ml 3.2-3), ao poder divino (Ex 3.2), à presença de Deus (Ex 19.18), à santificação, ao zelo e ao fervor espiritual (Rm 12.11).

   Agua. Simboliza o Espírito como fonte de vida, pureza e renovação espiritual. O Espírito flui da Palavra como “água viva” vivificante e refrescante que satisfaz a sede espiritual, refrigera o crente e o reveste de poder (Jo 7.37-39; Ef 5.26).

   Vento. Invisível e imprevisível, ilustra a natureza espiritual e livre do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes, o som do vento impetuoso anuncia a manifestação do Espírito de forma poderosa e transformadora (At 2.2). Simboliza o caráter soberano e ativo do Espírito Santo.

   Oleo. Usado como símbolo de unção, consagração e capacitação para o ministério. Na antiguidade, o óleo também era usado para iluminação, indicando o Espírito como fonte de iluminação espiritual e entendimento das Escrituras (2 Co 1.21-22; 1 Jo 2.20,27). O Espírito capacita o crente a viver em santidade e exercer dons espirituais.

   Pomba. Presente no batismo de Jesus, simboliza a mansidão, paz e pureza do Espírito (Mt 3.16). Esse pássaro, conhecido por sua natureza pacífica e inofensiva, expressa o caráter gentil e consolador do Espírito. Representa a presença serena e pacificadora do Espírito Santo que habita no crente. Assim, os símbolos são figuras humanas para compreender aspectos invisíveis do Espírito Santo, mas o Espírito não está limitado a esses símbolos. Cada figura revela um atributo divino ou uma ação específica do Espírito a fim de auxiliar na compreensão do caráter e da atuação do Espírito.

   III - AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO

   1. O Espírito Santo e a Encarnação

   A encarnação do Filho de Deus revela o papel singular do Espírito como o agente divino na concepção de Jesus. Lucas registra que o anjo Gabriel declarou a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo [...] o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc  1.35). O verbo “descerá” (gr. eperchomai) transmite a ideia de uma vinda intencional e eficaz, enfatizando que a ação do Espírito Santo é pessoal e direcionada.14 Essa linguagem indica que a concepção de Jesus não foi resultado de ação humana, mas o Espírito Santo em união com o poder do Pai, atua de modo sobrenatural no ventre de Maria.

   Mateus enfatiza a origem divina da concepção, ao revelar que Maria “se achou grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.18, NAA). O Evangelista reforça a informação: “porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20, NAA). Aqui o verbo “gerado” (gr. gennáo) confirma a obra misteriosa do Espírito Santo e ratifica a ausência de qualquer intervenção física. Essa verdade está em consonância com o livro dos começos. Barclay destaca que “no princípio o Espírito de Deus sobrevoava a face das águas, e o caos se converteu em cosmos (Gn 1.2). O Espírito é o criador do mundo e o doador da vida. De maneira que, em Jesus Cristo, ingressa no mundo o poder de Deus que dá vida e cria”.15

   Embora Jesus tenha sido concebido pelo Espírito Santo, Ele é eternamente o Filho do Pai, gerado e não criado Jo 1.1; Mq 5.2). A concepção virginal não cria o Filho, mas introduz a sua natureza humana na história. O Espírito Santo atua como agente da nova criação, formando no ventre de Maria o corpo santo do Salvador (Efb 10.5), sem a mácula do pecado, para que Ele pudesse ser o Cordeiro perfeito (1 Pe 1.19). Essa participação direta do Espírito confirma sua divindade, pois a concepção do Verbo encarnado é obra exclusiva de Deus.

   A concepção virginal de Jesus é, em essência, uma obra trinitária. O Pai é a fonte e o autor do plano redentor. O Pai é quem envia o Filho: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho” (G1 4.4, ARA). O Filho voluntariamente assume a natureza humana: “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” (Fp 2.7, ARA). O Espírito Santo executa o milagre da concepção, unindo a natureza divina do Verbo à natureza humana recebida de Maria, de forma santa e sem a transmissão do pecado original (Mt 1.20; Hb 4.15). Essa coopera ção revela a participação direta do Espírito na encarnação do Verbo, uma obra que somente Deus podería realizar.16

  2. O Espírito Santo e a Ressurreição

   A ressurreição é uma demonstração incontestável da soberania divina sobre a morte. As Escrituras afirmam que apenas Deus possui o poder de dar vida e restaurá-la: “Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21). Desse modo, a ressurreição de Cristo é um ato conjunto e inseparável do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Pai é apresentado como aquEle que ressuscitou Jesus dentre os mortos (At 2.24).

   O Filho, por sua vez, declarou possuir autoridade para entregar a sua vida e retomá-la: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la” Jo 10.18, ARA). O verbo “reaver” (gr. lambáno) que sig nifica “pegar de volta”, aponta para a divindade de Jesus, pois a vida e a ressurreição são prerrogativas exclusivas de Deus Jo 5.21; 11.25). Além disso, Jesus não apenas afirma que ressuscitará, mas se apresenta como a própria ressurreição: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá” Jo 11.25, ARA).

  Nas Escrituras, também o Espírito Santo é revelado como o agente vivificador dessa obra. Paulo declara: “o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dos mortos [...] também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8.11, TB). Essa afirmação possui duas dimensões: (i) aponta para a ação direta do Espírito Santo na ressurreição de Cristo; e (ii) garante aos crentes que esse mesmo Espírito lhes concederá vida na ressurreição final (1 Co 15.51-54). Dessa forma, a ressurreição de Cristo é uma obra trinitária: Esse ato revela a unidade e a igualdade do Espírito Santo com o Pai e o Filho, afirmando que Ele é plenamente Deus e participante da obra salvífica desde a encarnação até a consumação final.

   3. O Espírito Santo e a Santificação

   A santificação é uma das obras essenciais do Espírito Santo na vida do crente. O próprio Cristo declarou que o Espírito viria para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Sinaliza que o Espírito não apenas convence o homem do pecado, mas também promove sua transformação (2 Co 3.18). O plano eterno de Deus inclui a santidade do seu povo. Desde antes da fundação do mundo, o Pai elegeu os salvos em Cristo para serem santos e irrepreensíveis diante dEle (Ef 1.4). Essa escolha soberana é aplicada pelo Espírito, conforme Paulo ensina: “Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13, ARA).

   A santificação possui duas dimensões complementares: uma posicionai, que ocorre no momento da conversão, quando o pecador é separado para Deus e declarado justificado pela obra de Cristo: “Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.11, NAA). A outra dimensão é progressiva, isto é, um processo contínuo de conformidade à imagem de Cristo, que dura por toda a vida do cristão.1' O autor de Hebreus exorta: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

   Conforme as Escrituras, o Espírito Santo habita no crente desde a regeneração até a glorificação, guiando-o no caminho da santidade. Contudo, esse processo envolve responsabilidade humana: “[...] andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (G1 5.16, ARA). Ao mesmo tempo, o apóstolo adverte: “Não entristeçais o Espí rito Santo de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção” (Ef 4.30). Essa dinâmica mostra que a santificação não é fruto exclusivo do esforço humano, mas resultado de uma ação permanente e soberana do Espírito Santo (1 Pe 1.2).

   Essa ação atesta a deidade do Espírito, pois somente Deus é capaz de transformar o coração humano, como já havia profetizado Ezequiel: “[...] vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um coração de carne” (Ez 36.26). Assim, a santificação é, ao mesmo tempo, uma dádiva concedia pela graça e um chamado à cooperação diária com o Espírito. Ela comprova a divindade do Espírito Santo, pois ape nas Deus pode regenerar e preservar um pecador frutificando por toda a vida até o dia de Cristo.

   CONCLUSÃO

   Compreender a divindade do Espírito Santo fortalece nossa fé na Trindade. O Espírito é distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Como Consolador, Ele continua a obra de Cristo e habita na vida dos crentes. Sua presença é viva e transformadora, indispensável na edificação, ensino, e missão da Igreja. Que todos nós vivamos guiados pelo Espírito, até que Cristo volte.

    O Deus Espírito Santo | 99


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

CPAD - Lição 07 : A Obra do Filho - A Santíssima Trindade

 



TEXTO ÁUREO 
Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.

 (Fp 2.9).

VERDADE PRÁTICA 
A humilhação voluntária de Cristo, sua obra redentora e sua exaltação gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda adoração e obediência.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Filipenses 2.5-11; Hebreus 9.24-28. 
Filipenses 2 
5 — De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 
6 — que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. 
7 — Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; 
8 — e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. 
9 — Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, 
10 — para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, 
11 — e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. 
Hebreus 9 
24 — Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus; 
25 — nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santuário com sangue alheio. 
26 — Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 
27 — E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, 
28 — assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação. 
PLANO DE AULA 
1. INTRODUÇÃO 
A obra do Filho de Deus se revela em três dimensões: sua humilhação voluntária, sua obra redentora e sua exaltação gloriosa. Nesta lição, veremos que Filipenses 2 e Hebreus 9 revelam que Jesus esvaziou-se de sua glória, ofereceu-se em sacrifício vicário e foi exaltado pelo Pai. Confirmaremos que essa obra é completa, suficiente e eterna, revelando que somente Ele é digno de toda adoração e obediência. 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO 
A) Objetivos da Lição: I) Explicar a humilhação voluntária de Cristo e sua obediência até a cruz; II) Mostrar que a obra redentora do Filho é única, suficiente e vicária; III) Ressaltar a exaltação gloriosa de Cristo e sua soberania universal. 
B) Motivação: Ao contemplarmos a trajetória de Cristo — da humilhação à exaltação —, entendemos que a salvação não vem de nossos méritos, mas da obediência perfeita do Filho. Sua cruz nos redime e sua exaltação garante nossa esperança. Essa verdade deve nos inspirar a viver em santidade, submissão e expectativa do seu retorno. 
C) Sugestão de Método: Antes de iniciar a aula, escreva no quadro três palavras: Humilhação — Redenção — Exaltação. Divida a classe em três grupos e entregue a cada grupo um conjunto de versículos correspondentes (Fp 2.5-8; Hb 9.24-28; Fp 2.9-11). Peça que cada grupo leia e prepare uma explicação simples sobre como o texto se relaciona com sua palavra. Em seguida, cada grupo compartilha com a classe. Finalize mostrando que essas três dimensões formam a obra completa de Cristo.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO 
A) Aplicação: A obra do Filho é perfeita e suficiente. Ele se humilhou para nos salvar, ofereceu-se como sacrifício vicário para nos redimir e foi exaltado à destra do Pai, onde reina soberano. Diante disso, devemos viver em obediência, gratidão e esperança, aguardando com fidelidade o retorno triunfal de Cristo.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR 
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.39, você encontrará um subsídio especial para esta lição. 
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “A Glória Eterna e o Esvaziamento de Cristo”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda o tema da humilhação voluntária do Filho de Deus; 2) O texto “O Sangue de Jesus Cristo”, ao final do segundo tópico, aprofunda o tema da Obra Redentora do Filho, tendo no derramamento de sangue sua expressão máxima de salvação.

                              Palavra-Chave: OBRA

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO 
A GLÓRIA ETERNA E O ESVAZIAMENTO DE CRISTO 
“Jesus Cristo é o Filho de Deus, possuindo em sua própria essência a natureza divina, sendo, portanto, igual ao Pai antes, durante e depois de seu tempo na terra (cf. Jo 1.1; 8.58; 17.24; 20.28; Cl 1.15,17; Mc 1.11; veja o artigo Os Atributos de Deus, p.1025). Em outras palavras, Jesus é, foi e sempre será Deus. O fato de Cristo não ter considerado ‘usurpação ser igual a Deus’ significa que Ele, voluntariamente, abriu mão de seus privilégios e de sua glória celestial para viver na terra como homem e, por fim, entregar a sua vida a fim de que pudéssemos ser salvos. A expressão grega utilizada é ekenōsen (do verbo kenoō, derivado de kenos, ‘vazio, vão’), que literalmente significa ‘ele esvaziou-se’. Isso não quer dizer que Jesus tenha renunciado à sua divindade (isto é, à sua plena natureza como Deus), mas que voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas divinas, incluindo sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de seus atributos como Deus (Jo 5.19; 8.28; 14.10). Esse esvaziamento implicou não apenas a suspensão voluntária de seus privilégios divinos, mas também a aceitação do sofrimento humano, de maus-tratos, do ódio e, em última instância, da maldição da morte na cruz.” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2199).

 AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO 
“O SANGUE DE JESUS CRISTO. O sangue de Jesus Cristo, que representa o seu sacrifício pelos nossos pecados, está intimamente ligado ao conceito de redenção no Novo Testamento, isto é, à salvação espiritual [...]. Ao morrer na cruz, Jesus derramou o seu sangue inocente para remover os nossos pecados e restaurar a possibilidade de desfrutarmos de um relacionamento correto com Deus (Rm 5.8,19; Fp 2.8; cf. Lv 16). Por meio de seu sangue, Jesus realizou uma grande obra: (1) Seu sangue fornece o perdão para os pecados de todos aqueles que se convertem de suas próprias maneiras e depositam sua fé em Cristo (Mt 26.28). (2) Seu sangue resgata (isto é, restaura) todos os verdadeiros crentes do controle de Satanás e dos poderes malignos (At 20.28; Ef 1.7; 1Pe 1.18,19; Ap 5.9; 12.11). (3) Seu sangue justifica (isto é, torna correto com Deus) todos os que confiam a vida a Ele (Rm 3.24,25).” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2315). 

  CONCLUSÃO 
A obra do Filho é completa, suficiente e gloriosa - da humilhação à exaltação. Ele se humilhou para nos salvar, ofereceu-se em sacrifício vicário para nos redimir e foi exaltado para governar eternamente. Como Igreja, somos chamados a viver em comunhão com essa verdade, aguardando o retorno do nosso Senhor e Salvador. Vivamos como servos daquEle que nos serviu com sua vida e nos salvou com seu sangue.

   CPAD - Lição 0: A Obra do Filho - A Santíssima Trindade  

  Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus, que assumiu a forma humana, viveu uma vida sem pecado, morreu e ressuscitou vitoriosamente. Sua missão abrange não apenas o perdão dos pecados, mas a revelação do caráter do Pai e a restauração de toda a criação. A encarnação e a vida terrena de Jesus Cristo revelam o mistério profundo da humilhação voluntária do Filho de Deus. Ele renunciou ao exercício pleno de seus direitos divinos em favor da salvação dos pecadores.

  Sua missão não terminou na manjedoura. O propósito da encarnação foi a redenção da humanidade por meio de sua morte substitutiva na cruz e sua ressurreição gloriosa (Lc 19.10; Hb 9.12). A cruz não foi o fim, mas o caminho para a glória. Sua humilhação foi seguida por sua exaltação suprema, como resposta do Pai à sua perfeita obediência e sacrifício expiatório (Fp 2.9-11). Sob tais premissas, este capítulo apresenta a obra do Filho em três dimensões: sua humilhação, sua redenção e sua exaltação. 

 I - A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO

 1. A Submissão de Cristo

  Aos Filipenses, Paulo exorta a Igreja à unidade e à humildade (Fp 2.1-4). O apóstolo adverte o cristão a ter a mente de Cristo: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). Aqui, Paulo apresenta Cristo com o exemplo supremo de humildade, e modelo máximo de serviço abnegado, contrastando com a tendência do ser humano ao orgulho e à autopromoção (Gn 3.5; Is 14.13-14). O termo grego para “sentimento” é phroneõ, que significa mais do que uma emoção passageira — trata-se de um modo de pensar, uma disposição humilde que dirige e molda a mente por uma visão ética e espiritual.1 Na sequência do texto, Paulo introduz o chamado “hino cristológico” (Fp 2.6-11), considerado uma das porções mais sublimes acerca da encarnação e da exaltação de Cristo. A perícope apresenta dois movimentos: (i) a humilhação voluntária do Filho (Fp 2.6-8); e (ii) a exaltação gloriosa de Cristo pelo Pai (Fp 2.9-11). Nessa perspectiva, Paulo convida os Filipenses a seguirem o exemplo deixado por Cristo e assumirem concretamente sua atitude de humildade e serviço voluntário. Isso demonstra que o crente deve, em todo tempo e de toda a maneira, imitar o mesmo modo de pensar e viver que foi demonstrado por Jesus Cristo (1 Jo 2.6). Essa conduta a ser assumida pelo cristão refere-se a uma consciência orientada pela humildade e pelo exercício do amor Jo 13.15). Imitar a mente de Cristo significa o abandono de exclusivida de e busca por prestígio, trata-se de um convite à cruz diária (Lc 9.23). A submissão voluntária de Cristo ao Pai Jo 6.38; Mt 26.39) revela o caminho da obediência plena, que deve caracterizar todo cristão. Des sa forma, o chamado é para pensar e agir como Cristo, o que envolve transformação da mente (Rm 12.2), vida de serviço (Mc 10.45) e a renúncia do próprio eu (Fp 2.3-4). 

 Implica, ainda, buscar o bem do próximo, e não se moldar ao espírito do presente século. Reporta-se a um viver diário prático e renovado (Rm 12.1-2). Essa renovação é operada pelo Espírito Santo por meio da Palavra (2 Co 3.18Ef 4.23; Cl 3.10). Tal transformação habilita o crente a discernir e praticar a vontade de Deus, e essa vontade é sempre voltada para a glória do Pai em todas as esferas da existência — trabalho, família, relacionamentos e ministério (1 Co 10.31Mt 5.16). Como cristãos, somos chamados não apenas a crer em Cristo, mas a pensar e agir como Ele (Mt 11.29).

  2. O Esvaziamento de sua Glória

  O apóstolo Paulo escreve que Jesus, “subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fp 2.6 ARA).

  Essa construção do texto grego é teologicamente profunda. O verbo “subsistindo” (gr. hyparcho) indica um estado contínuo e permanente, ou seja, Cristo sempre foi Deus, mesmo antes de sua encarnação (Jo 1.1; Cl 1.17). A expressão “forma de Deus” (gr. morphê Theou) aponta para a essência divina compartilhada com o Pai, não apenas uma apa rência. Conforme leciona Barclay, “Jesus está de maneira inalterável na forma de Deus; sua essência e seu ser imutável são divinos”.2

  Contudo, Cristo não considerou esse status divino como algo a ser usado em benefício próprio. A frase traduzida “como usurpação” (gr. harpagmós) pode ser entendida como “algo a ser retido a todo custo” ou “algo a ser explorado egoisticamente”. A versão brasileira (TB) traduz como “não julgou que o ser igual a Deus fosse coisa de que não deves se abrir mão”. Como escreve Hendriksen, “Ele não considerou o fato de ser igual a Deus como sendo algo que não devesse escapar de seu domínio”.3 Ao contrário do primeiro Adão, que almejou ser “como Deus” (Gn 3.5), Cristo, o segundo Adão, sendo Deus, por amor preocupou-se com bem-estar dos outros (Fp 2.4b).

  Sendo Ele igualmente Deus, compartilhando da mesma natureza do Pai Jo 1.1), preferiu privar-se de seus direitos — não da sua divindade. Essa realidade é confirmada quando Jesus “fez a si mesmo de nenhuma reputação” (Fp 2.7a, ACF). Essa frase também pode ser traduzida como “a si mesmo se esvaziou” ou “aniquilou-se a si mesmo”. O termo “esvaziou-se/aniquilou-se” (gr. ekenõsen, de kénosis) refere-se à autoabnegação voluntária, assumindo a natureza humana (Fp 2.7b). Isso não significa a perda de sua divindade, mas a renúncia da glória que Ele possuía na eternidade com o Pai Jo 17.5).4 

  Aqui é importante ratificar que, na encarnação, Jesus não perdeu seus atributos divinos. Cristo não deixou de ser Deus, mas abriu mão da manifestação externa da sua glória e dos privilégios celestiais Jo 17.5). Stronstad corrobora com essa interpretação ao afirmar que a “divindade foi algo que Jesus se recusou a reconhecer como seu direito inalienável. Ele colocou de lado os seus direitos (não a sua divindade), e não os defendeu”.5 Sim, Ele se humilhou, tornando-se servo (gr. doulos), com total identificação com os homens (Hb 2.14-17; 4.15). 

 3. Obediência Sacrificial até a Cruz 

 A obediência de Cristo foi plena, desde a encarnação até o Calvário: “na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Esse versículo descreve uma progressão descendente: da eternidade divina à condição humana, e da humanidade até a morte. A expressão “humilhou-se a si mesmo” (gr. etapdrwsen heauton) indica um ato voluntário e intencional de submissão. Ele não foi humilha do pelos homens apenas — Ele escolheu se humilhar Jo 10.17-18). 

  Cristo desceu à condição mais humilde e morreu como servo (2 Co 8.9). Em obediência ao Pai, submeteu-se à humilhação da cruz (Hb 12.2). Beacon descreve que “a morte de cruz fala do clímax da humilhação própria de Cristo, pois era a maneira mais infame de morte conheci da nos dias de Paulo [...] associada à cruz estava a vergonha mais intensa”,6 A frase “morte de cruz” era uma expressão carregada de horror e escândalo para os judeus (Dt 21.23; G1 3.13) e vergonha para os gentios (1 Co 1.23). Mas Cristo, o Santo de Deus, submeteu-se a essa ignomínia por amor aos pecadores (Hb 12.2).

  O termo “obediente” (gr. hypekoos) carrega a ideia de submissão completa à autoridade. A obediência de Jesus não foi parcial, nem condicional, mas plena, ativa e contínua, desde a manjedoura até o Cal vário. As Escrituras ensinam que pela desobediência, o primeiro Adão trouxe condenação pelo pecado; e Cristo, o segundo Adão, trouxe justiça por meio de sua perfeita obediência (Rm 5.19). Essa verdade ratifica que a obra redentora do Filho está fundamentada na obediência completa de Cristo ao Pai Jo 6.38). Por sua obediência, Cristo “não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2 Tm 1.10, ARA). A salvação dos pecadores é resultado dessa obediência, e não de méritos humanos (Ef 2.8-9).

  Portanto, a morte de cruz não foi um acidente de percurso, mas o culminar do propósito redentor de Deus (At 2.23). Cristo obedeceu até o fim, por amor ao Pai e à humanidade. A obediência ativa de Cristo inclui toda a sua vida de conformidade com a vontade do Pai (Jo 4.34; Jo 6.38), e sua obediência passiva culmina na cruz Jo 10.17-18). A justificação do salvo se fundamenta nessa perfeita obediência de Cristo, imputada por meio da fé (2 Co 5.21; Ef 2.8-9). A obediência de Cristo não é apenas substitutiva, mas serve de exemplo ao crente para obedecer à vontade do Pai (Rm 12.1; Mt 16.24). 

 II - A OBRA REDENTORA DO FILHO 

 1. A Ineficácia do Sacerdócio Levítico 

 O sacerdócio levítico da Antiga Aliança tinha por função mediar entre Deus e os homens por meio de rituais prescritos na Lei (Êx 28-29). O ponto culminante desse ministério era o Dia da Expiação (Tom Kippur), quando o sumo sacerdote adentrava ao Santo dos Santos, uma vez ao ano, com o sangue de animais, para fazer expiação tanto por seus próprios pecados quanto pelos do povo (Lv 16.11-15). O autor aos Hebreus explica a limitação desse sistema levítico, cuja eficácia era temporária e simbólica, apontando para algo maior (Hb 9.7,25; 10.1-4). A repetição anual demonstrava sua incapacidade de purificar a consciência ou de oferecer redenção plena.' 

 Esse sacerdócio estava marcado pela transitoriedade. Seus ministros eram homens pecadores (Hb 7.27-28), o sumo sacerdote terreno era uma figura (tipo) de Cristo, que é o real e eterno Sumo Sacerdote (Hb 2.17). Seu santuário era terreno e provisório (Hb 8.5; 9.1). Seus sacrifícios eram apenas tipológicos, incapazes de remover definitivamente o pecado (Hb 10.4). A Lei levítica não conduziu à perfeição, pois foi dada como “sombra dos bens futuros” (Hb 10.1). Por ser imperfeito, o sacerdócio levítico foi substituído por um superior, o sacerdócio de Cristo (Hb 7.23-24).

  A doutrina cristã entende que Cristo é o antítipo perfeito, o cumprimento do que o sistema levítico apenas prenunciava. Enquanto o sacerdote levítico oferecia sangue alheio (animal), Cristo ofereceu o seu próprio sangue (Hb 9.12). Enquanto o sumo sacerdote terreno voltava ano após ano, Jesus entrou no céu mesmo e de uma vez por todas, para interceder pelos pecadores diante do Pai (Hb 8.1-2). A entrada única de Cristo no santuário assegura uma eterna redenção (Hb 9.25-26). 

  Por conseguinte, no plano redentor de Deus, o sacerdócio levítico era pedagógico (G1 3.24), revelando tanto a santidade de Deus quanto a gravidade do pecado. O sacerdócio levítico foi substituído por um sacerdócio superior — segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 7.11- 17) — cuja perfeição se encontra em Cristo. Ele é o sumo sacerdote eternamente (Hb 7.24-28), sem pecado (Hb 4.15; e capaz de salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus (Hb 7.25). Assim, o crente em Cristo já não precisa mais viver sob o peso de sacrifícios repetitivos ou de uma culpa não resolvida. Cristo ofereceu um único e definitivo sacrifício. O perdão não depende de esforço humano, mas da obra perfeita do Redentor.

 2. O Sacrifício Único e Suficiente

  Como já observado, na Antiga Aliança, ofereciam-se sacrifícios continuamente pelo pecado por causa da ineficácia dessas ofertas. O sumo sacerdote repetia o mesmo rito muitas vezes (Hb 9.25 . O advérbio multiplicativo “muitas vezes” (gr. pollákis) significa (‘frequentemente”.8 Transmite a ideia de algo feito repetidamente, enfatizando a reiterada necessidade de sacrifícios no sistema levítico. Essa repetição constante evidencia a insuficiência dos sacrifícios antigos para tratar o pecado de forma definitiva, porque “nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb 10.1). Diferente do sistema levítico, Cristo não se ofereceu sistematicamente, como o sumo sacerdote terreno fazia. A Escritura revela que Jesus “ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hb 9.26b, ARA). O termo “aniquilar” (gr. athetésis) também pode ser traduzido como abolir, remover ou anular completamente. O texto enfatiza que o pecado foi tratado de forma decisiva pela entrega voluntária de Cristo.9

  Assim sendo, a morte de Jesus foi definitiva, completa e eficaz. Ele se ofereceu “uma vez para levar os pecados de muitos” (Hb 9.28a, ACF). A expressão “uma vez” (gr. hápax) significa literalmente “uma única vez para sempre”, e indica que não há necessidade de repetição, o que Ele fez é perfeito e eterno (Eíb 10.10). Conforme anota Guthrie, “a frase expressa a completa suficiência do sacrifício de Cristo”.10 A salvação não é progressiva por méritos ou rituais humanos, mas plena e gratuita, alcançada pela fé na obra consumada de Cristo (Jo 19.30). Cristo, ao morrer, rasgou o véu que separava o homem da presença de Deus (Mt 27.51). Não há outro meio de salvação, nenhuma outra oferta, nenhum outro nome (At 4.12). O Calvário é suficiente. Jesus é tudo!  

 3. A Substituição Vicária

  A expressão “substituição vicária” é central para a compreensão do sacrifício de Cristo. A palavra “vicária” deriva do latim vicarius, que significa “aquele que age em lugar de outro” — conceito claramente expresso em textos bíblicos tanto na Antiga como na Nova Aliança (Is 53.4-6; Rm 8.32). A substituição vicária é inseparável da justiça divina (Rm 3.26). Conforme interpreta Pohl, “na morte de Jesus o Deus todo se revelou totalmente — inteiramente como juiz, inteiramente como redentor. Ele julgou com o máximo rigor, porém amou seus inimigos com amor supremo”.11 No entanto, o pecado não podia ser ignorado, o peca do precisava ser punido (Rm 5.21). 

  Em virtude disso, Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou para morrer em lugar dos pecadores, assumindo sobre si a penalidade destinada aos transgressores (Rm 8.32). A expressão “não poupou” (gr. ephásato) indica a recusa de evitar um sofrimento — evidenciando a determinação divina em punir o pecado não no pecador, mas no Substituto Perfeito. No sistema sacrificial da Lei, os animais oferecidos tipificavam essa substituição, mas não removiam o pecado (Hb 10.4). Somente Cristo, o Cordeiro de Deus sem mácula, podería cumprir cabalmente essa função substitutiva (Jo 1.29). Ele não apenas cobriu o pecado, como nos ritos do Antigo Testamento, mas o removeu definitivamente, assumindo sobre si a culpa da humanidade caída. Dessa forma, a substituição vicária é o cerne da doutrina da expiação, ela integra o plano eterno de redenção, revelado progressivamente nas Escrituras desde o Éden (Gn 3.21). Ratifica-se que a doutrina afirma que Cristo morreu em lugar do pecador, suportando a ira justa de Deus contra o pecado (Rm 3.25- 26). A justiça divina exige punição, e o amor divino proveu um substi tuto: Jesus Cristo. Nesse entendimento, Horton ratifica que “Cristo su portou em nosso lugar a total penalidade que deveriamos pagar [...] Ele sofreu, não meramente para nosso beneficio ou vantagem, mas em nos  lugar”.12 Essa verdade da substituição vicária de Cristo deve produzir em todo crente salvo sentimento de gratidão reverente, adoração sincera e uma vida consagrada. Como diz Paulo: “Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15). Cristo morreu pelos pecadores, e isso muda tudo. A cruz não é apenas um símbolo religioso, mas o local onde a dívida da culpa foi paga, o pecado foi julgado e a salvação foi selada. 

 III - A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO 

 1. Recebido à Destra do Pai

  Após sua humilhação voluntária, o Filho foi entronizado nos céus com glória eterna: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente” (Fp 2.9a). O termo grego hyperypsõsen, traduzido como “exaltou soberanamente” ou “exaltou sobremaneira”, é um composto intensificado de hypsóõ (elevar, exaltar), mais o prefixo hyper, que comunica que Deus o elevou de forma suprema, incomparável e singular, exaltando-o acima de toda criatura,13 em virtude de sua obediência perfeita até a morte (Fp 2.8). Henry corrobora com esse entendimento ao afirmar que a exaltação de Cristo “foi a recompensa da sua humilhação. Pelo fato de Ele se humilhar, Deus o exaltou; e o exaltou soberanamente a uma posição extraordinariamente elevada”.14  

 Cristo não apenas venceu a morte, mas foi exaltado à posição suprema no Universo: “depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3). Estar “à destra do Pai” não é apenas uma referência espacial, mas uma metáfora rica em significados. Simboliza autoridade suprema, honra, glória e domínio (SI 110.1; Mt 26.64). A destra é o lugar de honra reservado ao herdeiro real (1 Rs 2.19). Estar assentado expressa descanso depois do conflito (Ef 4.10; Hb 8.1). Deus exaltou a Jesus crucificado, não apenas o ressuscitando dos mortos, mas também o entronizando no céu.15 Assim, o fato de Cristo estar assentado demonstra o reconhecimento divino da obra completa realizada pelo Filho (Jo 17.4-5).16  

 Nesse aspecto, a exaltação de Cristo é uma das fases da Cristologia, que contempla os estados de humilhação e exaltação de Jesus. A humilhação inclui sua encarnação, sofrimento, morte e sepultamento. A exaltação compreende sua ressurreição, ascensão, assentamento à destra de Deus e ainda o seu retorno glorioso. Essa doutrina da exaltação de Cristo é confessada universalmente na fé cristã ortodoxa. O Credo dos Apóstolos afirma: “subiu ao céu, e está sentado à mão direita de Deus, o Pai Todo-Poderoso”.17Ele não apenas retornou para o céu; Ele assentou-se no trono (Ap 3.21). O Cristo exaltado é a nossa esperança viva, pois está entronizado e intercede por nós (Rm 8.34; Hb 7.25). João confirma essa esperança em sua visão apocalíptica: “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21). Ele não está ausente ou inativo, mas reina soberanamente, dirige a histó ria, cuida de sua Igreja e prepara a consumação de todas as coisas.

 2. Um Nome acima de todo

  Nome Cristo recebeu de Deus Pai “um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). A expressão grega para “nome” (gr.ónoma) vai muito além de um título ou identificação. No Antigo e Novo Testamentos, o “nome” representa a essência, o caráter, a autoridade e a reputação da pessoa (SI 8.1; Pv 18.10; Mt 1.21). Ao dizer que Cristo recebeu um nome sobre-excelente, a Escritura afirma que nenhuma autoridade, visível ou invisível, se compara ao seu poder e posição (Ef 1.21a). Henry anota que se trata de “um título de dignidade acima de todas as criaturas, homens e anjos”.18 

 Isso significa que Cristo foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal e de todo título que se possa conferir nesta ere também no porvir (Ef 1.21b). Implica dizer que nenhuma força — seja humana, seja demoníaca, política ou espiritual — pode se comparar ou rivalizar com Cristo. Ele não apenas reina sobre todos; Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16). Desse modo, a frase “nome acima de todo nome” reflete a soberania universal e messiânica de Jesus, como anunciado pelos profetas (Is 9.6-7Dn 7.13-14) e confirmado pela ressurreição (Rm 1.4).  

  Conforme lecionStronstad, Cristo foi entronizado como Senhor “acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio” (Ef 1.21); e nomeado como a autoridade suprema para a Igreja (Ef 1.22,23).19 Essa declaração faz analogia com o texto messiânico em que todos os inimigos estariam sob o estrado dos pés de Cristo (SI 110.1b). Nesse sentido, Stronstad ratifica que Cristo foi “nomeado como o soberano acima de todas as coisas, isto é, o chefe supremo da criação, a manifestação final do que nos espera no futuro (Ef. 1.10)”.20 

  Portanto, não existe poder algum que seja maior e nem mesmo igual ao poder de Cristo (1 Pe 3.22).21 22 O nome de Jesus não é apenas um símbolo de fé, mas uma fonte real de autoridade. O Senhor delegou à Igreja o uso de seu nome, para curar, libertar, pregar e vencer as forças do mal \ 1 c 16.17-18). Contudo, o nome de Jesus não e uma fórmula mágica, mas representa sua presença e poder concedidos à Igreja. A expressão “nome de Jesus”; não se refere ao som da palavra, mas à autoridade de Jesus. Usar o nome de Jesus significa agir em sua missão, segundo sua vontade, sob seu senhorio e para sua glória.  

 3. Soberania Universal e Retorno Triunfal

  A exaltação de Cristo culmina não apenas na sua entronização, mas também na plena manifestação de sua soberania sobre todo o uni verso, no presente e no futuro escatológico. A Bíblia declara que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp 2.10-11). A expressão “todo joelho se dobre” (NVT) ecoa a profecia, onde o próprio Deus declara que toda criatura se curvará diante dEle (Is 45.23). Ao aplicar esse texto ao Filho, Paulo ratifica a divindade e o senhorio de Cristo. A estrutura tripartida “nos céus, na terra e debaixo da terra” (Fp 2.10b, NVT) indica o alcance universal e cósmico do domínio de Cristo. Hendriksen chama atenção para as três classes de seres: (i) no céu: os humanos redimidos e os seres celestiais; (ii) na terra: os seres humanos vivos; e (iii) debaixo da terra: os condenados no inferno, tanto humanos quanto anjos maus ou demônios." Não haverá criatura que escape ao reconhecimento do senhorio de Jesus. 

  A confissão universal de que ‘Jesus Cristo é o Senhor se dará de duas maneiras: voluntária, por aqueles que hoje confessam Jesus como Senhor e vivem sob seu senhorio (Rm 10.9-10); e compulsória, por aqueles que, mesmo tendo rejeitado a Cristo, um dia o reconhecerão, não para salvação, mas para condenação (Rm 14.11; Fp 2.11). Hendriksen explica que “os anjos e os seres humanos redimidos farão isso com intenso regozijo; os condenados farão isso com profunda tristeza e profundo remorso”.23 

 Hebreus afirma que Ele voltará para levar para si os que o esperam (Hb 9.28). Esse retorno será em glória e majestade, poder e juízo (Mt 24.30). Sua glória será reconhecida por todos — para salvação ou para condenação. Ele voltará triunfante para buscar sua Noiva e para reinar eternamente Jo 14.2-3; Ap 11.15). Diante da soberania de Jesus e da certeza do seu retorno triunfal, o cristão é convocado a dobrar seus joelhos em adoração e proclamar com ousadia: Maranata! Jesus Cristo é o Senhor! 

CONCLUSÃO

  A obra do Filho é completa, suficiente e gloriosa — da humilhação à exaltação. Ele se humilhou para nos salvar, ofereceu-se em sacrifício vi- cário para nos redimir e foi exaltado para governar eternamente. Como Igreja, somos chamados a viver em comunhão com essa verdade, aguar dando o retorno do nosso Senhor e Salvador. Vivamos como servos daquEle que nos serviu com sua vida e nos salvou com seu sangue.

    88 | A Santíssima Trindade