sábado, 6 de junho de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — Lição 10: A experiência transformadora de Jacó

 


 Lição 10

 01 de junho de 2026

 E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas

 Abraão será o teu nome; porque por pai da

 multidão de nações te tenho posto.

 Gênesis 17.5

  DEUS TRANSFORMOU ABRÃO EM ABRAÃO

  O encontro de Abrão com Deus não foi apenas um marco histórico, mas também uma experiência que reorganizou toda a sua vida. O Senhor não apenas falou promessas, como também entrou em relação com um homem disposto a caminhar pela fé. A partir desse encontro, Abrão passou a viver orientado pela voz divina, aprendendo que obedecer a Deus é confiar mesmo quando o futuro ainda não está claro. A transformação começa quando o coração decide ouvir e responder ao chamado do Senhor (Gn 12.1-3).

  "E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome" (Gn 17.5). Essa declaração revela que Deus age de forma ativa na história humana. Ao estabelecer a sua aliança, o Senhor redefine o horizonte de Abraão, mostrando que o propósito divino ultrapassa limites pessoais e alcança gerações. A mudança não foi apenas nominal, mas também relacional: Abraão passou a viver como alguém que pertence a Deus, sustentado pela promessa e guiado pela fidelidade do Senhor (Hb 11.8-10).

  No processo dessa caminhada, Abraão aprendeu que a transformação promovida por Deus é progressiva e pedagógica. A fé foi sendo lapidada em meio a esperas, desafios e renúncias, pois o Senhor forma os seus servos ao longo do caminho.

  Deus transforma o caráter e conduz os seus filhos a uma maturidade espiritual que nasce da comunhão constante com Ele, como ensina a Escritura: "o justo viverá da fé" (Rm 1.17).

  "Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós" (Tg 4.8). A transformação espiritual continua sendo uma realidade acessível a todos os que se dispõem a encontrar-se com o Senhor. Deus muda histórias, restaura propósitos e conduz os seus filhos a uma vida alinhada com o seu querer. Que, assim como Abraão, aprendamos a viver não pelo que vemos, mas pela confiança naquEle que chama, sustenta e transforma poderosamente todos os que andam na sua presença.

 Lição 10

 02 de junho de 2026

Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua mulher,

não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas

Sara será o seu nome.

Gênesis 17.15

 DEUS TRANSFORMOU SARAI EM SARA

  A história de Sarai ensina-nos que Deus age de modo pessoal e intencional na vida daqueles a quem Ele chama. Antes mesmo do cumprimento da promessa, o Senhor já estava trabalhando no seu interior, tratando expectativas, medos e limites humanos. A transformação começou quando Sarai aprendeu a permanecer diante de Deus, mesmo quando a realidade parecia contradizer a Palavra.

  O encontro com o Senhor redefine o modo de esperar e de crer, pois Ele é fiel ao que promete (Gn 12.2).

  Essa palavra revela que o Senhor não ignora a história de dor, mas atravessa-a com graça: "Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua mulher, não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome" (Gn 17.15). Ao renomear Sarai, o Senhor afirma que a sua promessa não estava anulada pelo tempo ou pelas circunstâncias.

  O Deus da aliança fala de identidade antes do milagre, ensinando que a fé verdadeira nasce da confiança na sua voz.

  A caminhada de Sara foi marcada por aprendizados profundos. Em meio a dúvidas e tentativas humanas, o Senhor continuou conduzindo a sua serva ao amadurecimento espiritual. A fé que transforma não é instantânea, mas cultivada na perseverança, no silêncio e na submissão ao agir divino. Assim, Sara aprendeu que o Senhor cumpre a sua palavra no tempo certo, fortalecendo o coração daquele que espera nEle (Hb 11.11).

  "Porque para Deus não haverá impossíveis" (Lc 1.37, ARA). O encontro com Deus transforma não apenas o futuro, mas também a maneira de interpretar o presente.

  Sara passou a enxergar a sua história à luz da promessa, e não mais das limitações naturais. Quando o Espírito do Senhor opera, somos conduzidos por Ele a viver acima do medo e da incredulidade, gerando esperança onde antes havia resignação e cansaço (Rm 4.19-21). Quando Deus fala, Ele recria, restaura e conduz os seus filhos a viverem segundo o seu propósito eterno (Fp 1.6).

Lição 10

03 de junho de 2026

Então, disse: Não se chamará mais o teu nome

Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste

com Deus e com os homens e prevaleceste.

Gênesis 32.28

 DEUS TRANSFORMOU JACÓ EM ISRAEL

  A trajetória de Jacó é marcada por conflitos, escolhas ambíguas e uma busca constante por segurança. Desde o nascimento, a sua história foi permeada por disputas, a começar com a rivalidade com Esaú, intensificada pela obtenção da primogenitura e da bênção paterna (Gn 25.29-34). Ao fugir para Padã-Arã, Jacó carrega promessas, mas também medo e culpa. Mesmo experimentando o cuidado de Deus em Betel (Gn 28.12-15), a sua vida ainda refletia estratégias humanas mais do que plena confiança no Senhor.

  Anos depois, já enriquecido e com família constituída, Jacó retorna à terra prometida, mas é seguido pelo seu passado. O temor do reencontro com Esaú revela que, apesar das bênçãos externas, havia conflitos internos não resolvidos. Naquela noite decisiva, às margens do vau de Jaboque, Jacó permanece só, confrontado por Deus e pela sua própria história (Gn 32.22-24). Antes de reencontrar o irmão, ele precisava enfrentar o Senhor, pois nenhuma reconciliação verdadeira acontece sem transformação interior.

  "Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel" (Gn 32.28). Esse ato divino marca a mudança definitiva de identidade. Jacó, o suplantador, torna-se Israel, aquele que prevaleceu com Deus. A nova identidade não surge de astúcia, mas rendição. A experiência espiritual moldou um novo homem, agora capacitado para enfrentar Esaú com humildade, preparando o caminho da reconciliação (Gn 33.4). O encontro com Deus reorganizou relações, afetos e decisões.

  Assim também ocorre com todo aquele que tem um encontro real com Deus.

  O Espírito Santo age no íntimo, quebrando padrões antigos e gerando uma nova natureza. A fé cristã não é mero ajuste comportamental, mas, sim, transformação profunda do ser. Deus não apenas muda circunstâncias; Ele muda o homem por dentro, conduzindo-o a viver segundo o caráter de Cristo (2 Co 5.17). Que vivamos

como Israel de Deus, marcados por uma fé viva e transformadora.

 Lição 10

 04 de junho de 2026

  E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele,

disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás

chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

João 1.42

DEUS TRANSFORMOU COMPLETAMENTE

 A VIDA DE PEDRO

  Pedro surge nos Evangelhos como um homem intenso, impulsivo e sincero, marcado por coragem e fragilidade. Foi o primeiro a confessar Jesus como o Cristo, mas também aquele que tentou impedir o caminho da cruz e que, dominado pelo medo, negou o Mestre (Mt 16.16; 26.69-75). O seu temperamento oscilava entre fé intensa e insegurança humana. Ainda assim, ele foi chamado por Jesus para perto, caminhou com Ele e revelou que a graça não rejeita personalidades imperfeitas, mas forma essas personalidades no convívio do discipulado do Reino.

  O ponto inicial dessa transformação está no olhar de Jesus: "E levou-o a Jesus.

  E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão [ ... ] tu serás chamado Cefas" (Jo 1.42). Antes de qualquer feito, Cristo revela quem Pedro é e quem ele certamente se tornaria. Simão ainda não havia amadurecido, mas Jesus já via o que a graça produziria. A palavra do Senhor precede a maturidade e inaugura um processo de formação espiritual que atravessaria quedas, aprendizados e restauração.

  Após a Ressurreição, o mesmo Jesus reencontra Pedro à beira do mar e restaura-o com amor e missão: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21.15-17). Aquele que negara agora é confirmado no chamado. Em Atos, vemos o resultado dessa obra:

  Pedro levanta-se cheio do Espírito Santo e anuncia Cristo com autoridade, levando multidões ao arrependimento (At 2.14,41). O medo cede lugar à ousadia, pois o Espírito Santo transforma o interior do homem.

  A história de Pedro afirma que Deus não apaga nossa personalidade, e sim a redime. O Espírito Santo trabalha nossa história, temperamento e fragilidades, fazendo-nos instrumentos vivos do Reino. O mesmo Cristo que chamou Simão continua formando "Pedros" hoje, homens e mulheres moldados pela graça, fortalecidos pelo Espírito e enviados para testemunhar: "[ ... ] e todos foram cheios do Espírito Santo" (At 4.31). A vida é verdadeiramente transformada onde o Espírito governa.

  Lição 10

 05 de junho de 2026

 Todavia, Saulo, que também se chama Paulo,

 cheio do Espírito Santo.

 Atos 13.9

 DEUS TRANSFORMOU A VIDA DE SAULO

  Diferentemente de Abraão, Sara ou Jacó, a transformação de Saulo não se deu por uma mudança formal de nome determinada por Deus. Saulo sempre foi também conhecido como Paulo, conforme o uso cultural do mundo judaico e romano (At 13.9). O que muda, portanto, não é o nome, mas o eixo da vida. Deus não renomeia Saulo, e sim o converte, redireciona e recria interiormente, mostrando que a verdadeira transformação não está no título, mas na rendição do coração (At 9.3-6).

  "Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo" (At 13.9).

   Esse texto é um divisor de águas no ministério do apóstolo. O perseguidor da Igreja agora age sob a autoridade do Espírito. Aquele que consentia na morte dos santos (At 8.1) passa a confrontar o erro com ousadia espiritual. A plenitude do Espírito revela que a transformação de Paulo não foi apenas moral ou intelectual, mas profundamente pneumatológica, isto é, espiritual. A partir desse encontro redentor, Paulo vive uma inversão completa de trajetória.

  De perseguidor, torna-se perseguido; de mestre da Lei, torna-se servo do Evangelho; de defensor das tradições, apóstolo dos gentios (Gl 1.13-16). O Espírito Santo não apagou a sua formação, mas ressignificou-a. Tudo o que antes servia à oposição a Cristo agora é colocado a serviço do Reino, para a edificação da Igreja (1 Co 15.9-10), demonstrando que Deus transforma competências, história e vocação quando o coração rende-se plenamente à sua graça. A história de Paulo testifica que Deus transforma vidas de modo radical e gracioso.

  Nenhum passado é obstáculo quando o Espírito Santo assume o governo do coração. O Senhor continua convertendo histórias, reposicionando vocações e usando vidas rendidas para a sua honra e glória: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17). Onde o Espírito Santo age, a velha vida perde força, e o novo propósito floresce.

  Lição 10

  06 de junho de 2026

Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se,

 disse-lhe: Raboni (que quer dizer Mestre)!

  João 20.16

  JESUS TRANSFORMA VIDAS

  O chamado de Jesus a Maria Madalena revela uma transformação profunda e pessoal. Ao ouvir o seu nome - "Maria!" -, ela reconhece o Ressurreto e tem a sua dor convertida em esperança (Jo 20.16). Aquela que fora libertada de opressões profundas agora é restaurada em dignidade, identidade e missão. Maria Madalena, antes marcada pelo sofrimento, torna-se a primeira testemunha da ressurreição. O Cristo vivo transforma histórias feridas em instrumentos de anúncio, pois, quando Jesus chama pelo nome, Ele recria a vida.

  Em Marcos 5.19, vemos outro exemplo do poder transformador de Jesus. O gadareno, antes dominado por legiões de espíritos malignos, vivia isolado, ferido e sem dignidade. Após o encontro com Cristo, ele é restaurado e enviado como testemunha viva da misericórdia divina. "Vai para tua casa" marca o retorno à comunhão e ao propósito. Jesus não apenas liberta; Ele reintegra, devolvendo ao homem a sua sanidade, a sua história e a sua missão.

  Esses dois encontros ecoam a experiência transformadora de Jacó. Assim como Maria e o gadareno, Jacó teve a sua vida redefinida após se encontrar com o Senhor Deus. No vau de Jaboque, o enganador tornou-se Israel, um homem marcado pela graça e pela presença divina (Gn 32.28). Em todos esses relatos, a transformação não é superficial: ela alcança identidade, destino e relações. Quem tem um encontro com Deus não permanece o mesmo.

  Esses textos certamente nos asseguram de que Jesus continua transformando vidas hoje. Ele chama pelo nome, liberta cadeias interiores e envia-nos com um novo propósito. Pelo agir do Espírito Santo, nossa história é redimida, nosso passado é ressignificado, e nossa vida é direcionada para a honra e glória de Deus. Há restauração completa onde Cristo entra, pois somos exortados a não nos conformarmos com este mundo, mas a sermos transformados pela renovação de nossa mente (Rm 12.2), e essa nova vida manifesta-se em fé renovada, caráter transformado e compromisso contínuo com o testemunho do Evangelho no poder do Espírito.

   Lição 10

07 de junho de 2026

E eis que estou contigo, e te guardarei por onde

quer que fores, e te farei tornar a esta terra,

porque te não deixarei, até que te haja feito o

que te tenho dito.

Gênesis 28.15

DEUS CAMINHA CONOSCO NO PROCESSO

DA TRANSFORMAÇÃO

  Na visão da escada em Betel, Jacó encontra-se em fuga, solitário e inseguro quanto ao futuro. É nesse contexto de fragilidade que o Senhor revela-se, mostrando que o Céu não está distante da terra e que a sua presença acompanha o peregrino.

  A promessa de Gênesis 28.15 nasce em meio ao medo, afirmando que Deus não abandona os seus servos no caminho. A escada simboliza comunhão, cuidado e direção divina em meio à incerteza.

  Essa promessa não surge isolada, mas como continuidade da aliança feita com Abraão e confirmada a Isaque. O Deus que chamou Abraão e sustentou Isaque agora se compromete pessoalmente com Jacó, reafirmando que a história da promessa segue firme. A fidelidade divina atravessa gerações, mostrando que o plano de Deus não depende da perfeição humana, mas, sim, da constância da sua Palavra e do seu propósito eterno (Gn 12.2-3; 26.3-4).

  Ao longo da sua jornada, Jacó experimenta essa promessa de forma progressiva. Ele é guardado, conduzido e moldado por Deus, que usa o tempo, as circunstâncias e os confrontos internos para transformá-lo.

  Aquele que saiu como fugitivo retornaria como Israel, um homem marcado pelo encontro com Deus. A promessa de presença não apenas protege, mas também transforma, preparando Jacó para uma nova identidade e um novo futuro.

  O mesmo acontece com o crente. O Deus que promete estar conosco caminha sempre ao nosso lado enquanto nos transforma. Mesmo em processos longos e dificeis, Ele não nos abandona até que tudo o que falou seja cumprido. Somos sustentados pela sua presença, moldados pela sua Palavra e conduzidos à maturidade pelo seu Espírito Santo. Quem confia nessa promessa aprende que o caminho com Deus também é um caminho de transformação e graça (SI 138.8).

74 Devocional Leitura Diária 

      Homens Dos Quais o Mundo Não Era Digno


quinta-feira, 28 de maio de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — Lição 9: Jacó e Esaú: irmãos em conflito


   Devocional Leitura Diária

   Homens Dos Quais o Mundo Não Era Digno

Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos

vivam em união!

Salmos 133.1

Lição 9

25 de maio de 2026

OS IRMÃOS DEVEM VIVER EM UNIÃO

  O conflito entre Esaú e Jacó revela o quanto a divisão no seio familiar produz feridas profundas e duradouras. A preferência dos pais, o engano e a falta de diálogo abriram espaço para ressentimento, ódio e ameaça de morte entre irmãos, transformando o lar num ambiente de tensão e afastamento (Gn 27.41). Quando a família perde a unidade, o projeto de Deus para a comunhão é enfraquecido, e as relações deixam de refletir o cuidado e o amor que deveriam marcá-las.

"Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!" (Sl 133.1). O salmista declara que a unidade não é apenas desejável, mas espiritualmente agradável ao Senhor. A união fraterna é comparada ao óleo precioso e ao orvalho do Hermom, imagens de vida, refrigério e bênção contínua. Deus ordena a bênção onde há unidade; onde há divisão, instala-se a perda da paz e da alegria espiritual.

  Essa verdade alcança diretamente a vida do crente. Somos chamados a viver em harmonia, rejeitando contendas, invejas e disputas que enfraquecem o testemunho cristão. O apóstolo Paulo exorta a Igreja a evitar divisões e a falar a mesma coisa, sendo unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer (1 Co 1.10). A fé cristã também se expressa na maneira como tratamos nossos irmãos.

  Desde o início, somos orientados pela Palavra de Deus a cultivar relacionamentos marcados pelo amor e pelo respeito mútuo (Rm 12.10). A unidade não significa ausência de diferenças, mas disposição para perdoar, reconciliar e caminhar juntos sob a direção do Espíritő Santo. O Senhor chama cada um de nós a superar os conflitos com graça, colocando o bem do outro acima do orgulho pessoal.

  A Palavra de Deus sempre nos convida a viver em comunhão verdadeira, refletindo o caráter de Cristo em nossa família e na Igreja. Onde há unidade, Deus manifesta-se; onde há reconciliação, o Espírito opera. Viver em união é obedecer ao chamado divino e experimentar a plenitude da bênção do Senhor.


Lição 9

26 de maio de 2026

Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de

nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos

uma mesma coisa e que não haja entre vós

dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo

sentido e em um mesmo parecer.

1 Coríntios 1.10

EVITE AS DISSENSÕES

  O apóstolo Paulo exorta a igreja de Corinto a preservar a unidade doutrinária, relacional e espiritual, lembrando que a fé cristã não comporta divisões motivadas por orgulho, vaidade ou partidarismos. O seu apelo é pastoral e cristocêntrico: falar a mesma coisa significa alinhar palavras, atitudes e propósitos à mente de Cristo, rejeitando rupturas que enfraquecem o corpo e comprometem o testemunho do

Evangelho (1 Co 1.10).

   Essa advertência apostolica encontra um retrato vívido na historia de Esau e Jaco, onde a dissensão não surgiu de forma repentina, mas foi sendo construída dentro do próprio lar (Gn 27.41). Esse quadro degenerou em hostilidade aberta, até que o conflito entre os irmãos transformou-se em ódio declarado, colocando em risco a própria vida familiar e rompendo os vínculos que deveriam ser preservados.

"Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo [ ... ]" (1 Co1.10). Essa exortação alcança diretamente a vida do crente hoje. Somos chamados a vigiar o coração, evitando atitudes que promovam contendas, murmurações e divisões. A maturidade espiritual expressa-se na disposição de preservar a comunhão mesmo diante de diferenças, buscando sempre a edificação mútua.

  Somos orientados pelas Sagradas Escrituras a rejeitar o espírito de discórdia e a cultivar relacionamentos marcados pela humildade e pelo amor fraternal. A unidade é perdida quando se prevalece o desejo de dominar ou vencer o outro; mas onde há temor do Senhor, a paz é preservada, pois o amor cobre uma multidão de pecados (1 Pe 4.8). Assim, a Palavra de Deus claramente nos conclama a viver em um mesmo parecer, guiados pelo Espírito Santo, que promove reconciliação e comunhão verdadeira. Evitar as dissensões é um compromisso espiritual e ético do povo de Deus para que a Igreja e a família reflitam a harmonia do Reino e glorifiquem o nome de Cristo em todas as coisas (Ef 4.3).

Lição 9

27 de maio de 2026

  E levá-lo-ás a teu pai, para que o coma e para

que te abençoe antes da sua morte. Então,

disse Jacó a Rebeca, sua mãe: Eis que Esaú,

meu irmão, é varão cabeludo, e eu, varão

liso. Porventura, me apalpará o meu pai, e serei,

a seus olhos, enganador; assim, trarei eu sobre

mim maldição e não bênção. E disse-lhe sua

mãe: Meu filho, sobre mim seja a tua maldição;

somente obedece à minha voz, e vai, e traze-mos.

Gênesis 27.10-13

A MÃE INDUZIU O FILHO A MENTIR 

  O episódio de Gênesis 27.10-13 revela uma cena delicada e dolorosa: Rebeca, movida por zelo carnal e desejo de garantir a bênção, induz Jacó a participar de um engano contra o próprio pai. Mesmo consciente do risco moral e espiritual,

Jacó é convencido a obedecer à voz materna, colocando-se no caminho da mentira e das suas consequências. A narrativa expõe como decisões precipitadas podem comprometer princípios eternos.

   Esse relato problematiza seriamente o perigo das dissensões morais quando

pai ou mãe, que deveriam ser referência de verdade, passam a legitimar o erro pelo exemplo. A influência formativa dos pais é profunda, e, quando o modelo transmitido é o da mentira, cria-se um terreno fértil para vícios de caráter, pois o filho aprende o caminho que vê (cf. Dt 6.6-7), ainda que esse caminho seja tortuoso e espiritualmente nocivo.

  A Escritura ensina que a transmissão dos valores eternos ocorre, sobretudo, pelo exemplo vivido: "Instrui o menino no caminho em que deve andar" (Pv 22.6). A virtude praticada diariamente comunica mais do que discursos ocasionais. Pais que vivem a verdade, a retidão e o temor do Senhor formam filhos sensíveis à voz de Deus, preparados para resistir às pressões do erro e permanecer firmes na fé.

  A Palavra de Deus é clara quando diz que nenhuma bênção verdadeira pode nascer da mentira. Ainda que Rebeca buscasse cumprir a promessa divina, escolheu um atalho humano que produziu dor, separação e anos de sofrimento familiar. O Senhor agrada-se da obediência simples e sincera, pois "os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR" (Pv 12.22). Somos chamados a viver e ensinar a verdade, começando no lar e alcançando todas as relações.

Lição 9

28 de maio de 2026

  E estas palavras que hoje te ordeno estarão no

teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas

falarás assentado em tua casa, e andando pelo

caminho, e deitando-te, e levantando-te. Também

as atarás por sinal na tua mão, e te serão por

testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos

umbrais de tua casa e nas tuas portas.

Deuteronômio 6.6-9

  OS PAIS DEVEM SER EXEMPLOS

  A passagem de Deuteronômio 6.6-9 estabelece que a fé não deve permanecer apenas na memória, mas também no coração, orientando palavras e atitudes. O verbo "intimarás" revela um ensino intencional, constante e pessoal; "falarás" indica diálogo contínuo; e as expressões "assentado", "andando", "deitando-te" e "levantando-te" mostram que a formação espiritual acontece no cotidiano, não em momentos isolados, mas na vida vivida diante dos filhos.

   Esse ensino e reforcado quando o texto ordena "ataras" e "escreveras", imagens pedagógicas que comunicam permanência e visibilidade. A Palavra deveria marcar mãos, olhos e portas, ou seja, ações, visão e ambiente. Assim, a fé torna-se prática, perceptível e transmitida pelo exemplo diário, conforme o próprio Senhor determinou a Israel, para que a próxima geração aprendesse observando e ouvindo no convívio familiar (Dt 6.8-9).

  Em contraste, o relato de Gênesis 27 revela o mau exemplo de Rebeca, que, em vez de ensinar a confiança e a verdade, induziu Jacó ao engano. Embora conhecesse a promessa divina, ela escolheu o caminho da astúcia humana, mostrando como o exemplo errado de um pai ou de uma mãe pode distorcer valores e gerar consequências dolorosas para toda a família (Gn 27.10-13).

  A Palavra de Deus leva-nos a refletir que nenhuma instrução verbal substitui um exemplo coerente. Pais são chamados a viver o que ensinam, pois os filhos aprendem mais pelo que veem do que pelo que apenas escutam. Pais que andam com Deus, falam da Palavra e praticam-na diariamente tornam-se instrumentos da graça na vida dos filhos. Ser exemplo é um chamado santo, que glorifica a Deus e prepara gerações para viverem segundo a vontade dEle (Dt 6.7).

 

  Lição 9

29 de maio de 2026

PRINCÍPIOS DO SENHOR PARA OS PAIS

  E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos

filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação

do Senhor.

Efésios 6.4

  A exortação apostólica em Efésios 6.4 revela o cuidado de Deus com a formação integral dos filhos. Ao ordenar que os pais não provoquem a ira aos seus filhos, a Escritura condena práticas autoritárias, incoerentes ou duras, que produzem medo e ressentimento. A disciplina bíblica não nasce da ira, mas do amor responsável, que corrige sem ferir e orienta sem humilhar, refletindo o caráter gracioso do Pai celestial (Ef 6.4).

   Na mesma instrução, Paulo estabelece um caminho positivo: criar os filhos segundo a instrução e o conselho do Senhor. Isso implica ensinar, orientar e acompanhar a vida dos filhos à luz da Palavra, formando consciência, fé e caráter. Não se trata de impor regras, mas de conduzir com sabedoria espiritual, como ensina a Escritura ao afirmar que o ensino deve ser transmitido com discernimento e verdade (Dt 6.7).

  "E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos" (Ef 6.4). Esses mandamentos revelam princípios claros de Deus para os pais de hoje, algo que Isaque e Rebeca ainda não possuíam plenamente. Eles caminhavam pela fé em um tempo sem lei escrita ou um manual explícito de orientação familiar. Por isso, erraram ao agir por preferências e impulsos humanos, ainda em processo de amadurecimento na revelação divina (Gn 27.1-10).

  À luz do Evangelho, somos chamados a exercer a paternidade e a maternidade com responsabilidade espiritual. Deus concedeu ao seu povo princípios claros para que o lar não seja lugar de confusão, mas de edificação. A correção guiada pelo amor preserva o coração dos filhos e cria um ambiente favorável ao crescimento saudável, como ensina a sabedoria bíblica (Pv 22.6).

Os princípios do Senhor permanecem, portanto, como fundamento seguro para a família cristã. Pais que se deixam orientar pela Palavra tornam-se instrumentos de graça na formação dos filhos, conduzindo-os com equilíbrio, temor e amor. Viver segundo esses princípios é obedecer a Deus e cooperar para que novas gerações caminhem firmes na fé e na verdade (Cl 3.21).

 

  Lição 9

30 de maio de 2026

 Amai-vos cordialmente uns aos outros com

amor fraternal, preferindo-vos em honra uns

aos outros.

Romanos 12.10

  O VALOR DO AMOR FRATERNAL

  A história de Esaú e Jacó revela que a preferência explícita de Isaque por Esaú e de Rebeca por Jacó criou barreiras quase intransponíveis para a vivência do amor fraternal. Onde há favoritismo, o coração fica fechado, o ressentimento cresce e a rivalidade ocupa o lugar do cuidado mútuo. Assim, o ambiente familiar deixa de ser espaço de acolhimento e passa a alimentar disputas que ferem vínculos e destroem a comunhão entre irmãos (Gn 25.28).

  O apóstolo Paulo, ao exortar a Igreja, apresenta um ensino elevado e contracultural: amar cordialmente implica afeto sincero, e preferir o outro em honra exige  do ego e disposição para servir. O amor fraternal não é mero sentimento, mas uma prática consciente que valoriza o próximo acima de si mesmo, refletindo o caráter de Cristo na vida comunitária (Rm 12.10).

  Esse ensino não pertence apenas ao contexto da Igreja Primitiva, mas é um chamado permanente ao povo de Deus: "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal" (Rm 12.10). Em um mundo marcado por competição e individualismo, o crente é convocado a viver relações curadas, onde o respeito, a honra e a graça governam as atitudes, promovendo unidade e testemunho fiel.

Essa capacidade de viver o amor fraternal, contudo, não nasce apenas do esforço humano; é fruto de uma vida rendida à ação do Espírito Santo, que transforma o coração e ordena as emoções, os afetos. Somente cheios do Espírito somos capacitados a amar como Cristo amou, superando mágoas, invejas e divisões (Ef 5.18).

  Que a Palavra de Deus nos conduza a redescobrir o valor do amor fraternal como expressão da vida no Espírito. Onde esse amor é cultivado, a família é restaurada, a Igreja é fortalecida, e Deus é glorificado. Amar o irmão é sinal de maturidade espiritual e evidência de que a graça de Cristo governa nossas relações (1 Jo 4.7).

  [ ... ] Duas nações há no teu ventre, e dois povos

se dividirão das tuas entranhas: um povo

será mais forte do que o outro povo, e o maior

servirá ao menor.

Gênesis 25.23

  Lição 9

31 de maio de 2026

EM JESUS, TODA A PAREDE DA

SEPARAÇÃO FOI DERRUBADA

  A palavra profética dirigida a Rebeca revela que havia tensão e distinção entre os dois filhos desde o ventre. "Duas nações" e "dois povos" indicam trajetórias diferentes, forças em contraste e uma inversão dos padrões culturais da primogenitura. O texto não legitima rivalidade, mas anuncia a soberania divina sobre a história, mostrando que o Senhor conduz os seus propósitos mesmo em contextos marcados por divisão e conflito familiar (Gn 25.23).

  Essa revelação, contudo, não encontra o seu fim na separação, mas aponta para a redenção plena em Cristo, pois Ele é a resposta definitiva às rupturas humanas (Ef 2.14). Se vemos muros erguidos por disputa e ressentimento entre Esaú e Jacó, contemplamos em Jesus a derrubada da parede da separação, onde inimizades são vencidas e a reconciliação torna-se possível pelo poder do Evangelho.

  "Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade" (Gl 5.13). Quem vive no Espírito do Senhor não disputa lugares, não busca dominar nem escravizar o outro, mas serve voluntariamente. A vida no Espírito produz um coração livre para amar, disposto a fazer o bem e a reconhecer no próximo não um rival, mas alguém a quem servir em humildade e graça.

  A mensagem do Evangelho sempre nos conduz a um novo modo de viver, no qual as antigas divisões perdem força diante da obra de Cristo. Em vez de repetir padrões de rivalidade, somos chamados a viver como um só corpo, reconciliados com Deus e uns com os outros, pois em Cristo as distinções que geram separação são superadas pela graça (Cl 3.11).

  Que essa verdade alcance o seu coração hoje: toda parede da separação foi derrubada em Jesus. NEle, aprendemos a viver reconciliados, servindo com amor e testemunhando

a unidade que só o Espírito Santo pode gerar. Onde Cristo reina, a divisão cede lugar à comunhão, e a paz de Deus governa as relações para a glória do seu nome (Ef 2.14).

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   Homens Dos Quais o Mundo

   Não Era Digno

 

 

 


quinta-feira, 21 de maio de 2026

CPAD — O legado de Abraão, Isaque e Jacó Lição 8: Isaque: herdeiro da promessa


TEXTO ÁUREO

E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o Senhor o abençoava.

(Gn 26.12).

VERDADE PRÁTICA

Deus abençoou Abraão em tudo, e Isaque, o filho da promessa, também seria abençoado. Quando Deus age, ninguém pode impedi-lo.

 LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 26.1-5,12-14,24,25.

1 — E havia fome na terra, além da primeira fome, que foi nos dias de Abraão; por isso, foi-se Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar.

2 — E apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser;

3 — peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai.

4 — E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra,

5 — porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.

12 — E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o SENHOR o abençoava.

13 — E engrandeceu-se o varão e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui grande;

14 — e tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam.

24 — e apareceu-lhe o SENHOR naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo.

25 — Então, edificou ali um altar, e invocou o nome do SENHOR, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço.

 AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“DEUS MANTEVE A PROMESSA DE ABENÇOAR ISAQUE

Os vizinhos filisteus ficaram enciumados porque tudo que Isaque fazia parecia dar certo, e assim tentaram livrar-se dele. A inveja é uma força divisória, potente o suficiente para despedaçar a mais poderosa nação ou os amigos mais íntimos. A desolada área de Gerar estava localizada na extremidade de um deserto. A água era tão preciosa quanto o ouro. Se alguém cavasse um poço, estava reivindicando aquela terra. Alguns poços possuíam trancas para que os ladrões não roubassem água. Encher o poço de água com sujeira era um ato de guerra, e também considerado um dos crimes mais sérios que poderiam existir. Isaque tinha razão em revidar quando os filisteus arruinaram seus poços, mas ele escolheu manter a paz. Ao final, os filisteus o respeitaram por sua paciência.” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p.26).

 AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

 ISAQUE, UM HOMEM MANSO

Procure enfatizar as características do caráter de Isaque. Mostre que a sua mansidão “é vista em sua submissão sem resistência a seu pai ao tornar-se o sacrifício sobre o altar de Moriá, e em sua recusa a discutir quando os pastores de Gerar reivindicavam os poços. Ele possuía uma natureza afetuosa, profundamente ligado à mãe, chorando por sua morte, e sendo depois confortado em seu amor por Rebeca. Seu espírito mediador pode ter contribuído para seu afeto expansivo. Ele era um homem que vivia em contato com Deus. Embora não tenha as visitações que foram concedidas ao seu pai, Abraão, Isaque obedeceu aos mandamentos de Deus. O altar, a tenda e o poço simbolizavam os principais interesses de sua vida”. (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.990).

CONCLUSÃO

Vimos nesta lição que, da mesma forma como Abraão, Isaque passou por várias provas em sua vida. Enfrentou uma fome e foi em busca de socorro, entre os filisteus. Contudo, assim como Deus esteve com seu pai, demonstrou que estava com ele e renovou as promessas feitas para a descendência do patriarca.

Sua prosperidade despertou a inveja dos filisteus, e estes, com maldade sem limites, entulharam todos os poços que seu pai houvera aberto e que eram seus por direito. Mas ele os reabriu dando-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes dera. E Deus continuou o abençoando grandemente, confirmando que ele era o herdeiro das promessas.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA

  Isaque ficou responsável por levar a diante o legado das promessas de Deus feitas a Abraão. Uma vez que a promessa dizia a respeito da sua posteridade, um descendente direto de Abraão deveria preservar a fé e o temor para com Deus a fim de que as gerações posteriores não perdessem de vista a promessa. Por esse motivo, Deus aparece a Isaque e renova a promessa feita a Abraão. Assim como foi com seu pai, Deus também seria com Isaque garantindo proteção, multiplicação e prosperidade. Logo nos primeiros anos, Isaque enfrentou grandes desafios durante a jornada. No período da fome, teve de se deslocar para a terra de Gerar. Ali, os filisteus invejavam Isaque e tudo quanto possuía. Por inveja, entulhavam seus poços para tentar impedir o seu progresso. Mas a bênção de Deus estava sobre a vida dele e, apesar da maldade dos seus inimigos, Isaque perseverava em abrir novos poços. Note que exemplo de perseverança! Mesmo quando os adversários tentam nos prejudicar, precisamos manter firmes nosso propósito diante de Deus.

  A história de Isaque foi marcada por lutas que estavam vinculadas ao legado que ele carregava. Muitos conheciam Abraão pelos grandes feitos que o Senhor realizara em sua vida, mas agora era a vez de Isaque testemunhar a respeito do Deus das causas impossíveis! Conforme discorre a Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD), “1. Conforme o seu propósito, Deus renovou o concerto com cada geração, começando com Isaque, o filho de Abraão (Gn 17.21). Em outras palavras, não era suficiente ser filho de Abraão; Isaque também tinha de aceitar as promessas de Deus pela fé. Somente então Deus lhe diria: ‘sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente’ (Gn 26.24); 2. Durante os vinte primeiros anos de casamento, Isaque e Rebeca não tiveram filhos (cf. Gn 25.20,26). No entanto, Isaque orou incessantemente e com sinceridade para que sua esposa pudesse conceber (Gn 25.21). Deus atendeu essa oração, demonstrando que o concerto não se cumpriria por meios naturais, mas apenas pela graça de Deus — seu favor imerecido — em resposta à oração (Gn 25.21); 3. Isaque também deveria obedecer a Deus para receber os benefícios do concerto. Por exemplo, quando a fome atingiu a terra de Canaã, Deus lhe disse que não fosse ao Egito, mas permanecesse onde estava. Deus prometeu a Isaque, caso ele obedecesse: ‘Confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai’ (Gn 26.3,5)” (p.53). Deus honra a aliança que firma com Seus servos. A partir do legado de Abraão passado a Isaque, podemos aprender que o Senhor Jesus também nos entregou um legado, uma herança. Essa herança que não é feita daquilo que é material, e sim do que é espiritual.

  CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — O legado de Abraão, Isaque e Jacó

Comentarista: Elinaldo Renovato

Lição 8: Isaque: herdeiro da promessa


 

DEPOIS, SUBIU DALI A BERSEBA, E APARECEU-LHE O SENHOR NAQUELA MESMA NOITE E DISSE: EU SOU O DEUS DE ABRAÃO, TEU PAI. NÃO TEMAS, PORQUE EU SOU CONTIGO, E ABENÇOAR-TE-EI, E MULTIPLICAREI A TUA SEMENTE POR AMOR DE ABRAÃO, MEU SERVO. ENTÃO, EDIFICOU ALI UM ALTAR, E INVOCOU O NOME DO SENHOR, E ARMOU ALI A SUA TENDA; E OS SERVOS DE ISAQUE CAVARAM ALI UM POÇO. (GN 26.23-25)

  Certamente, Abraão, como homem de fé e obediência a Deus, soube conduzir sua família nos caminhos do Senhor. Seu filho, Isaque, seguiu os passos de seu velho pai. Tanto Ismael, filho de Agar, como Isaque, seu filho com Sara, estavam bem conscientes do valor da adoração ao Deus de seus pais. Assim como a Abraão, Deus o dirigiu em todos os passos de sua jornada.

   Depois que seu pai morreu, com cento e setenta e cinco anos de idade (Gn 25.7), ele e seu irmão, Ismael, o sepultaram no mesmo túmulo onde Sara fora sepultada, na cova de Macpela, que Abraão comprara de Efrom, entre os filhos de Hete (Gn 25.9-10). Mas Deus não o desamparou após a morte do pai. Pelocontrário, o abençoou como abençoou Abraão, para cumprir as promessas que lhe fizera, de manter o concerto com seus descendentes. "E aconteceu, depois da morte de Abraão, que Deus abençoou a Isaque, seu filho; e habitava Isaque junto ao poço Laai-Roi" (Gn 25.11).

   Isaque se casou com Rebeca, "filha de Betuel, arameu de

Padã-Arã". Por coincidência, sua esposa também era estéril,

como o fora sua mãe; porém, como filho de Abraão, Isaque

também era homem de oração.

 

E Isaque orou instantemente ao Senhor por sua

mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as

suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu. E os

filhos lutavam dentro dela; então, disse: Se assim é,

por que sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor.

E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre,

e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um

povo será mais forte do que o outro povo, e o maior

servirá ao menor. (Gn 25.21-23)

   Quando Deus curou Rebeca da infertilidade, e Isaque já tinha sessenta anos de idade, ela deu à luz gêmeos. Ao primeiro, chamou-lhe de Esaú; ao que saiu do ventre em seguida, deu-lhe o nome de Jacó. Ambos cresceram e Esaú se dedicou mais à vida de caçador, enquanto Jacó era mais caseiro. Um problema se desenhou na criação dos filhos. Enquanto Isaque amava mais a Esaú, por gostar da caça, Rebeca amava mais a Jacó, por ser mais habituado à vida doméstica, vivendo mais próximo da mãe. Vale salientar que tal comportamento é errado no seio de qualquer família. O pai demonstrar mais amor por um filho, e a mãe demonstrar mais amor por outro. Isso pode causar inveja de um em relação ao outro, gerando mal-estar ou contendas.

  Os anos se passaram, eles se tornaram jovens. Certo dia, Esaú chegou cansado, com fome, depois de caçar; e Jacó havia preparado um guisado saboroso; então pediu ao irmão que lhe desse um pouco daquele guisado. Jacó, com esperteza, disse que lhe daria, desde que ele lhe vendesse seu direito de primogenitura. Sem pensar, de modo precipitado, Esaú aceitou a proposta. E vendeu sua primogenitura a Jacó. Foi o maior erro de sua vida. Ele não foi enganado. Abriu mão de sua primogenitura de modo consciente e imediatista (Gn 25.27-34).

 

   I-A FOME NA TERRA E A DIREÇÃO DE DEUS

   Da mesma forma que Abraão enfrentou a ocorrência de uma fome onde vivia (Gn 12.10), Isaque também teve essa desagradável experiência.

  E havia fome na terra, além da primeira fome, que

foi nos dias de Abraão; por isso, foi-se Isaque a Abi-

meleque, rei dos filisteus, em Gerar. E apareceu-lhe

o Senhor e disse: Não desças ao Egito. Habita na

terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei

contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua semente

darei todas estas terras e confirmarei o juramento

que tenho jurado a Abraão, teu pai. E multiplicarei

a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua

semente todas estas terras. E em tua semente serão

benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão

obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado,

os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.

Assim, habitou Isaque em Gerar. (Gn 26.1-6)

   1. Socorro entre os filisteus

  Isaque buscou refúgio para enfrentar a fome com Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar (Gn 26.1). Essa medida teve a aprovação de Deus, que lhe determinou que não descesse ao Egito, como fizera seu pai.

  E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai. (Gn 26.2-3)

  2. Confirmação das promessas a Abraão

  No seu tempo e do seu modo, Deus vela para cumprir suas promessas a seus servos, quando tem propósitos com eles. Deus repetiu e confirmou a Isaque o que prometera a Abraão:

  E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou

o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis. Assim, habitou Isaque em Gerar.

(Gn 26.4-6)

   O pacto de Deus com Abraão foi tão precioso que sempre Ele fez referência ao patriarca, mesmo após a sua morte.

  3. O problema, envolvendo Rebeca

  Os filisteus demonstraram interesse em Rebeca, esposa de Isaque, da mesma forma que puseram os olhos em Sara, sua mãe, que era também muito formosa (Gn 20). Perguntaram acerca de Rebeca, e ele mentiu, dizendo que era sua irmã. Mas Abimeleque, rei dos filisteus, percebeu que Isaque brincava com Rebeca, talvez com carícias e intimidades (Gn 26.8).

  Então, chamou Abimeleque a Isaque e disse: Eis que,

na verdade, é tua mulher; como, pois, disseste: É minha

irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu

porventura não morra por causa dela. E disse Abime-

leque: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria

deitado alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias

trazido sobre nós um delito. E mandou Abimeleque a

todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste varão

ou em sua mulher certamente morrerá.

 (Gn 26.9-11)

  Nesse episódio, vemos a fraqueza do homem, e o cuidado de

Deus. Em lugar de falar a verdade quando lhe pediram informação sobre Rebeca, Isaque imitou seu pai e mentiu, afirmando que ela era sua irmã. Ele correu o risco de algum filisteu ter assediado sua esposa e ter tido relações com ela. Mas Deus usou o próprio rei da terra para perceber que Isaque demonstrava um carinho por Rebeca que não era comum entre irmãos, e que ela só podia ser sua esposa. O rei chamou-o e lhe advertiu que sua atitude poderia ter causado um grande mal a ele e a sua esposa. Isaque deu uma desculpa que não convencera a Abimeleque, e este determinou que ninguém tocasse na esposa dele. Foi um livramento de Deus.

  II -A PROSPERIDADE DE ISAQUE

  Deus abençoou Isaque grandemente. Ele prosperou com sua família naquela terra dos filisteus. Foi tão grande o seu crescimento econômico e patrimonial que causou inveja aos moradores da terra.

  E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o Senhor o abençoava. E engrandeceu-se o varão e ia-se engrandece ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam. (Gn 26.12-14)

1. A Inveja dos Filisteus

  Os filisteus não apenas invejaram Isaque pela sua prosperidade material, mas agiram de má-fé e por vingança de quem se sente inferior. Resolveram prejudicá-lo não só em sua vida, mas atacaram até o que seu pai houvera deixado como legado naquela terra. Além de construtor de altares, Abraão foi um abridor de poços. "E todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de Abraão, seu pai, os filisteus entulharam e encheram de terra" (Gn 26.15). Fizeram uma ação vil, perniciosa, e de grande prejuízo para Isaque, demonstrando sua índole maldosa e perversa.

  O rei Abimeleque, ainda que admirasse Isaque, percebendo os transtornos, envolvendo seu povo, por causa da bênção de Deus sobre ele, o chamou e lhe disse para sair da sua terra: "Disse também Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque muito mais poderoso te tens feito do que nós. Então, Isaque foi-se dali, e fez o seu assento no vale de Gerar, e habitou lá" (Gn 26.16- 17). Isso mostra que o invejoso se sente fraco, inferior à pessoa de quem tem inveja.

Jesus orientou sobre isso, em Mateus 5.41: "e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas". Não é fácil abrir mão de bens e direitos adquiridos com esforço próprio em favor de quem nada fez para obtê-los. Mas, para evitar maiores problemas, muitas vezes, o cristão, com a graça de Deus, pode abrir mão dos seus direitos. Paulo diz: "Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens" (Rm 12.18).

  2. Isaque Honra a Memória de Abraão

  Se a contenda com os pastores de Gerar, que entulharam os poços que Abraão houvera aberto, fosse nos dias atuais, bastaria um processo na justiça e Isaque poderia ser indenizado pelos prejuízos. Mas, naquele tempo, a questão dos direitos era muito complicada. O regime era totalitário. Só o rei era a autoridade a quem se podia recorrer. Não havia lei a obedecer, na terra dos filisteus. Por isso, Isaque fez um esforço enorme e mandou que seus servos reabrissem os poços que seu pai houvera cavado. E, numa demonstração de honra ao nome de Abraão, Isaque teve o cuidado de dar aos poços reabertos os mesmos nomes que seu pai lhes dera. "E tornou Isaque, e cavou os poços de água que cavaram nos dias de Abraão, seu pai, e que os filisteus taparam depois da morte de Abraão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pai" (Gn 26.18).

  3. Isaque Abre mais Poços

  Além disso, na reabertura dos poços, descobriram "um poçon de águas vivas". Era um poço que alcançara o lençol freático, e nunca faltava água. Então, houve contenda dos pastores de Gerar com os pastores de Isaque.

  Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale e acharam ali um poço de águas vivas. E os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o nome daquele poço Eseque, porque contenderam com ele.

(Gn 26.19-20)

  Eseque significa "poço da contenda". Depois, os servos de Isaque abriram outro poço, e os maus servos de Abimeleque contenderam sobre ele, a quem deram o nome de Sitna, que significa "inimizade". Não havia paz entre os pastores de Gerar e os pastores de Isaque, mesmo no vale de Gerar. Para evitar confusão, Isaque mandou que seus pastores abrissem outro poço, e, de modo surpreendente, os filisteus não mais brigaram por ele. "E partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Reobote e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra. Depois, subiu dali a Berseba" (Gn 26.22-23). Reobote significa "alargamento.

  III-DEUS APARECE A ISAQUE

  Em seguimento aos passos de Abraão, Isaque tinha comunhão com Deus. E o Senhor lhe apareceu, depois de enfrentar tantas lutas, e lhe falou benignamente, tranquilizando seu coração.

  1. Promessas de Deus a Isaque

  De modo semelhante ao que falara com Abraão, na noite em que chegou a Berseba, "apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo" (Gn 26.24). Deus lhe fez três promessas maravilhosas depois que lhe disse "Eu sou o Deus de Abraão, teu pai".

  1.1. "Não temas, porque eu sou contigo"

  Certamente, Isaque já tinha ouvido a voz de Deus; desde sua infância, já pudera ver o exemplo de como seu pai se relacionava com Deus, e como este lhe falava, orientando-o e dirigindo seus passos. Assim, depois de passar por tantas provas difíceis, talvez ele tenha se mostrado um tanto temeroso diante dos problemas e encarava o futuro com algum receio. Mas Deus lhe disse: "Não temas, porque eu sou contigo".

  Para ele, ouvir aquela voz, mansa, suave e firme, era algo especial; tudo o que precisava para prosseguir na sua jornada, cheia de tribulações. Não há nada melhor para o cristão do que saber que pode ter a presença de Deus em sua vida. "Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente" (Sl 16.11).

  1.2. "e abençoar-te-ei"

  Essa promessa Deus já fizera a seu pai, Abraão. Deus é abençoador. Quando Ele tem um propósito na vida de um servo seu, além de chamá-lo, derrama suas bênçãos sobre ele, sobre sua família, e sobre suas atividades e projetos. Deus prometeu abençoar Isaque de forma ampla. Em termos espirituais, em termos familiares e na sua missão, como verdadeiro e legítimo sucessor de Abraão.

1.3. "e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo"

  Essa promessa tem um aspecto interessante. Deus promete multiplicar a descendência de Isaque, por amor de Abraão, seu pai. Daí se pode ver quanto Deus honrou a Abraão.

  1.4. O primeiro altar de Isaque

  Como visto no capítulo 2, Abraão construiu quatro altares (em Siquém, entre Betel e Ai, em Hebrom e no Monte Moriá).

Em sua jornada, Isaque só construiu um altar após as promessas que Deus lhe fizera, depois de construir vários poços. "Então, edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço" (Gn 26.25).

  2. Abimeleque Faz um Pacto com Isaque

  Como visto, os filisteus de Gerar causaram muitos problemas a Isaque. Primeiro, entulharam todos os poços que Abraão houvera cavado; e todos foram reabertos por Isaque; depois, porfiaram com Isaque pelos poços que mandou cavar (poço de Eseque, "da contenda"; e poço de Sitna, "inimizade"). Finalmente, cavou um poço, diante do qual não houve mais contenda, e chamou de "poço do alargamento" - "agora nos alargou o Senhor". Foi morar em Berseba (Gn 26.18-23), e seus servos cavaram mais um poço (Gn 26.25).

  Depois dessas coisas, Abimeleque, rei de Gerar, propôs um

pacto com Isaque:

  E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Ausate, seu amigo, e Ficol, príncipe do seu exército. E disse-lhe Isaque: Por que viestes a mim, pois que vós me aborreceis e me enviastes de vós? E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo; pelo que dissemos: Haja, agora, juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos concerto contigo. Que nos não faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz. Agora, tu és o bendito do Senhor. Então, lhes fez um banquete, e comeram e beberam. E levantaram-se de madrugada e juraram um ao outro; depois, os despediu Isaque, e despediram-se dele, em paz.

  (Gn 26.26-31)

  Cumpriu-se o que está escrito em Provérbios: "Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Senhor, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele" (Pv 16.7).

  3. O Poço de Berseba

  Logo após o pacto ou juramento entre Abimeleque e Isaque, os servos deste lhe trouxeram a boa nova de que haviam achado água, no poço que tinham cavado, após a construção do altar.

 E aconteceu, naquele mesmo dia, que vieram os servos de Isaque, e anunciaram-lhe acerca do negócio do poço, que tinham cavado, e disseram-lhe:

  Temos achado água. E chamou-o Seba. Por isso, é o nome daquela cidade Berseba até o dia de hoje.

(Gn 26.32-33)

  Seba, no hebraico, significa "juramento"; esse último poço, aberto pelos servos de Isaque, foi denominado "poço do juramento".

 CONCLUSÃO

 Da mesma forma que Abraão, Isaque passou por várias provas em sua vida. Enfrentou uma fome e foi buscar socorro entre os filisteus. Mas, assim como Deus esteve com seu pai, demonstrou que estava com ele e renovou as promessas feitas para a descendência do patriarca. Sua prosperidade foi tão grande que causou a inveja dos filisteus; estes, com maldade sem limites, entulharam todos os poços d'água que seu pai houvera aberto com tanto esforço. Mas Isaque reabriu todos, dando-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes dera. E Deus continuou o abençoando grandemente, confirmando que ele era o herdeiro das promessas.

     ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA 95