Comentarista: Elinaldo Renovato
Lição 4: A confirmação de uma promessa
Quanto a mim,
eis o meu concerto contigo é, e
serás o pai de
uma multidão de nações.
Gênesis 17.4
Lição
4
O CONCERTO É RENOVADO
A jornada de Abraão era uma jornada de
aprendizado com Deus; logo, era pedagógica. O silêncio divino fazia parte desse
processo de amadurecimento do patriarca diante do Criador. Quando Deus fala
novamente, reafirmando o seu concerto, revela que o tempo de espera não foi
perda, mas preparo. O Senhor educa a fé dos seus servos no intervalo entre a
promessa e o cumprimento. Ele não esquece o que disse; apenas trabalha em nós
para que estejamos prontos quando a bênção chegar (Nm 23.19; Hb 6.13-15).
Quando Deus renova o concerto com Abraão, Ele
não apenas reafirma uma promessa, como também reforça um propósito. O silêncio
foi a sala de aula; a renovação, o novo capítulo da lição. A graça divina
aparece como o método pedagógico de Deus:
Ele ensina pela paciência, forma pela espera e confirma pela fidelidade.
Abraão aprende que a aliança não depende da sua força, mas da misericórdia do
Deus que o chamou. Assim é conosco: a cada nova experiência, o Senhor
recorda-nos de que a sua graça é o fundamento da caminhada e que a sua voz,
quando volta a soar, sempre traz restauração e direção (Gn 17.1,2; Rm 4.1-5; Fp
1.6).
A renovação do concerto não apenas confirma
a promessa, como também transforma o homem que a recebe. Deus muda o nome de
Abrão para Abraão, sinalizando o amadurecimento da fé e o início de uma nova
etapa com o Altíssimo (Gn 17.5). Ele torna-se pai de promessas. Em Cristo, esse
principio continua: Ele amorosamente nos chama, transforma e envia para viver e
testemunhar a sua fidelidade (2 Co 5.17; 1 Pe 2.9).
O Deus que falou com Abraão continua falando hoje. Ele renova promessas com os que não abandonam a fé mesmo feridos pela espera. A aliança de ontem se torna a esperança de hoje: as suas promessas são fiéis, e as suas misericórdias renovam-se a cada manhã (Lm 3.22,23). Quando tudo parece cessar, a sua Palavra levanta-se e declara que todas as promessas de Deus são "sim" e "Amém" em Cristo (2 Co 1.20).
26
E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu
velo sobre a minha palavra para a cumprir.
Jeremias 1.12
DEUS VELA PELA SUA PALAVRA
PARA A CUMPRIR
A visão concedida a Jeremias revela o mesmo Deus
que se apresentou a Abraão em Gênesis 17. Ao renovar a sua aliança com o patriarca,
o Senhor reafirmou que vela por aquilo que promete. O tempo pode passar, mas a
Palavra permanece (Gn 17.4; Hb 6.13-15). Em ambas as revelações, Deus mostra
que não há esquecimento no seu coração: Ele trabalha até que a sua vontade seja
cumprida plenamente.
Quando parece tardar, Ele apenas amadurece o
tempo e prepara o coração do homem para receber o cumprimento da promessa.
O atributo da fidelidade divina é a base de
nossa confiança. O Deus que fala é o Deus que cumpre, pois Ele mesmo vela pela
execução do que diz (Nm 23.19; SI 89.34). A sua Palavra não cai por terra.
Mesmo quando não vemos sinais imediatos, Ele continua operando e alinhando o
tempo e as circunstâncias ao seu propósito. O profeta aprendeu que a promessa
divina não depende de forças humanas, mas, sim, do caráter imutável de quem a
proferiu; por isso, podemos descansar na certeza de que o Senhor nunca falhará.
Somos, portanto, desafiados a viver pela fé e
sustentados pela certeza de que o Senhor é fiel para cumprir tudo o que
prometeu (Rm 4.20,21; Hb 10.23). A fé não é um salto no escuro, mas uma
resposta confiante à voz do Deus verdadeiro. Assim como Abraão creu contra a
esperança, também somos chamados a perseverar, confiando que a Palavra do
Senhor jamais voltará vazia (Is 55.11). Crer é caminhar mesmo sem ver, sabendo
que Deus transforma promessas em realidades no tempo certo.
Servir ao Deus zeloso pela sua Palavra é
viver com o coração firmado na esperança e nas promessas eternas. Ele continua
velando sobre cada detalhe da vida dos que nEle confiam. As suas promessas não
são lembranças antigas, mas, sim, compromissos vivos do Deus que age. Quando
Ele fala, cumpre; e quando cumpre, revela a sua glória. Que jamais duvidemos: o
Senhor vela sobre a sua Palavra, e nada poderá frustrar o que Ele determinou
(Fp 1.6; Ap 3.8).
27
E não se
chamará mais o teu nome Abrão, mas
Abraão será o
teu nome; porque por pai da
multidão de
nações te tenho posto.
Gênesis 17.5
DEUS MUDA O NOME DE ABRÃO
Na Bíblia, o nome está ligado à identidade e
ao propósito de vida. O nome revela o caráter, a missão e a história de cada
pessoa diante de Deus (Is 43.1). Quando o Senhor muda o nome de alguém, está
declarando um novo tempo e um novo chamado. Não é apenas uma troca de palavras,
mas também uma transformação espiritual profunda. Assim foi com Abrão, cuja
vida seria marcada por uma aliança eterna com o Altíssimo, resultado de uma
experiência pessoal e transformadora com o Deus vivo.
O Senhor mudou o nome de Abrao para Abraão,
pois este não seria mais apenas um homem de promessas, mas o pai da fé, que
geraria uma multidão de nações (Gn 17.5; Rm 4.16-18). Essa mudança representava
o amadurecimento espiritual do patriarca e o cumprimento progressivo do
propósito divino. Deus conduziu-o da incerteza à confiança, da promessa à
plenitude, transformando a sua identidade num testemunho vivo da fidelidade do
Senhor e da eficácia da Palavra que jamais volta vazia (Is 55.11).
Deus também deseja moldar nossa identidade
conforme o propósito do seu Reino. Quando o Espirito Santo age em nós, Ele certamente
nos faz novas criaturas (2 Co 5.17). Já não somos mais definidos pelo passado,
e sim pelo que o Senhor declara a nosso respeito. Assim como Abraão foi forjado
pela Palavra, o crente é chamado a deixar que a sua fé, caráter e missão reflitam
o designio de Deus. Ele não apenas nos chama, como também nos transforma
enquanto caminhamos com Ele, conduzindo-nos a viver como espelhos da sua glória
(2 Co 3.18).
Nossa identidade em Cristo revela quem realmente
somos diante de Deus. Servimos ao Senhor que muda nomes, histórias e destinos.
Em Cristo, recebemos um novo nome, uma nova esperança e uma nova natureza (Ap
2.17). Quando somos chamados de filhos por Deus, Ele não apenas nos nomeia, mas
também nos forma. Que vivamos, pois, como aqueles que foram alcançados pela
graça e marcados pelo nome que nos concedeu o Céu: o nome de Cristo, que está
acima de todo nome (Fp 2.9-11).
28
Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua
mulher,
não chamarás
mais pelo nome de Sarai, mas
Sara será o
seu nome.
Génesis 17.15
DEUS MUDA O NOME DE SARAI
A mudança de nome de Sarai para Sara revela a
transformação de identidade operada por Deus. Ela era símbolo de esterilidade e
limitação; agora, tornava-se mãe de multidões (Gn 17.16). Quando Deus
transforma alguém, a sua ação vai além do indivíduo, alcançando o lar. A
mudança de caráter e de propósito gera novos caminhos, pois o
Senhor
integra toda a família aos seus cuidados e promessas (Js 24.15), fazendo de
cada membro um participante ativo da aliança e do cumprimento do seu plano
redentor.
Quando Abraão teve o seu nome mudado, Deus
também alcançou a sua esposa.
Isso
mostra que a obra divina em um coração reflete-se no outro, especialmente no cônjuge
(Ef 5.31). Nossa nova identidade atinge todos ao redor, porque o Espírito Santo
faz de nos instrumentos de bênção no lar. Assim como Sara compartilhou da
promessa de Abraão, o cônjuge também é convidado a participar da herança espiritual
que o Senhor concede (1 Pe 3.7).
Quando Cristo transforma alguém, este é
inserido em um propósito coletivo. A nova vida em Deus jamais é isolada, mas
relacional. O lar cristão torna-se espaço de comunhão, perdão e fé. Quando um é
renovado, o outro é fortalecido (Cl 3.12-14). Foi assim com Sara, cuja fé
amadureceu ao longo da jornada (Hb 11.11). A graça que renova um coração
expande-se até alcançar o ambiente familiar, promovendo cura, harmonia e
santificação (1 Co 7.14), tornando o lar um testemunho vivo do poder
restaurador do Espirito Santo.
Deus deseja forjar o casal, lado a lado,
formando famílias que vivam sob a nova identidade em Cristo. Quando o Senhor
muda a identidade, também muda o destino. Ele continua transformando pais, filhos
e irmãos em instrumentos da sua vontade (2 Co 5.17). Que nossa casa seja um
altar de comunhão, onde cada membro experimente o poder do Espírito Santo
moldando caracteres, restaurando alianças, fazendo do lar um reflexo do Reino
de Deus (Ef 2.19-22), irradiando luz, fé e esperança a todos que se aproximam,
como um farol espiritual nesta geração.
29
Assim que, se alguém está em Cristo, nova
criatura é: as
coisas velhas já passaram; eis que
tudo se fez
novo.
2 Corintios
5.17
MUDANÇA TOTAL PARA
QUEM ESTÁ EM CRISTO
A mudança de vida em Cristo é mais do que um
ajuste de comportamento; é uma transformação profunda que começa no coração.
Algo sobrenatural acontece quando o pecador encontra o Salvador: o velho homem
morre, e um novo ser nasce (Rm 6.6). O Evangelho não apenas melhora a vida,
como também recria o ser humano à imagem de Cristo. Essa transformação é fruto
da regeneração operada pelo Espirito Santo. É Ele quem concede ao crente uma
nova natureza, um novo modo de pensar, sentir e agir - a verdadeira metanoia (Jo
3.5; Tt 3.5). A mente é renovada pela Palavra (Rm 12.2), o coração é purificado
pela fé (At 15.9), e o caráter começa a refletir o de Jesus. O Espírito não
apenas habita no crente, como também o molda dia após dia, gerando frutos de
justiça e santidade.
Essa nova natureza manifesta-se em todas as
áreas da vida. O cristão regenerado perdoa com sinceridade, fala com amor e
vive com propósito (Ef 4.22-24). A fé verdadeira revela-se nas atitudes
cotidianas, no lar, no trabalho e na comunhão com os irmãos. Quem foi alcançado
por Cristo não pode mais viver como antes, porque o poder que o transformou
também o conduz a uma vida de obediência e serviço (Gl 2.20). Assim como Deus
mudou o nome de Abrão e Sarai, dando-lhes nova identidade e missão (Gn
17.5,15), Ele também redefine nosso ser e propósito em Cristo.
Ter nova vida em Cristo é viver em comunhão
com Ele e refletir a sua glória no mundo. A identidade do cristão é marcada por
sinais concretos: amor, humildade, santidade e compaixão (Cl 3.10-12). O Espírito
Santo continua operando em nós, fazendo-nos crescer na graça e no conhecimento
de Jesus (2 Pe 3.18). Essa transformação certamente nos conduz a viver com
propósito, testemunhando o poder do
Evangelho em palavras e atitudes, para que o mundo veja em nós a luz de Cristo
(Mt 5.16). Que cada dia Deus revele mais dessa obra divina até que Cristo seja
plenamente formado em nós (Gl 4.19).
30
E vos
vestistes do novo, que se renova para o
conhecimento,
segundo a imagem daquele
que o criou.
Colossenses
3.10
VESTINDO-NOS COM O NOVO
A nova identidade de Abraão e Sara é uma bela
metáfora da novidade de vida em Cristo Jesus. Quando Deus mudou os seus nomes,
concedeu-lhes não apenas uma promessa, mas também uma nova história (Gn
17.5.15). A transformação operada por Deus não foi superficial, mas profunda e
espiritual. Assim também acontece conosco: em Cristo, deixamos as vestes do
passado e revestimo-nos da graça que renova nosso ser (2 Co 5.17; Ef 4.24).
A caminhada com Cristo concede-nos um novo
olhar sobre todas as coisas. Somos chamados a enxergar o mundo, as pessoas e a
nos mesmos segundo os valores do Reino (Rm 12.2). O conhecimento de Cristo
ilumina nossa mente, purifica nossas intenções e orienta nossos passos (Ef
1.18). Esse "novo" não é apenas um estado espiritual, mas também uma
contínua renovação pelo Espírito, que nos conforma à imagem daquEle que nos
criou (Rm 8.29).
Essa nova maneira de viver é uma verdadeira
contracultura. Enquanto o mundo exalta o ego, o cristão aprende a servir;
enquanto a sociedade valoriza o ter, o discipulo de Cristo valoriza o ser (Mt
5.3-9). O Espirito Santo ensina-nos a andar na contramão dos padrões terrenos,
vivendo com simplicidade, pureza e amor.
Revestidos do novo homem, somos chamados a ser
sal e luz, mostrando que há outro modo de existir (Mt 5.13-16).
Não
andamos mais pelo padrão do mundo, mas pelo padrão do Céu. O novo de Deus não é
uma vestimenta passageira, mas uma vida moldada pela presença do Espirito Santo
(GI 5.25). Temos uma identidade celestial e um propósito eterno em Cristo. Cada
dia é uma oportunidade de reafirmarmos quem somos nEle, deixando que a sua luz
brilhe em nós. Que o mundo veja em nossas atitudes a beleza da nova vida que
nos concedeu o Senhor (Fp 2.15).
31
E
estabelecerei o meu concerto entre mim e ti
e a tua
semente depois de ti em suas gerações,
por concerto
perpétuo, para te ser a ti por Deus
e à tua
semente depois de ti.
Genesis 17.7
O CONCERTO PERPÉTUO DE DEUS
O Senhor revelou a Abraão que a sua aliança
não seria provisória, mas perpétua, estendendo-se ao patriarca e à sua
descendência. A promessa incluía presença, direção e identidade espiritual: O
Senhor seria o Deus de Abraão e dos seus filhos em todas as gerações. Tal pacto
não repousava sobre méritos humanos, mas sobre a firmeza da Palavra divina, que
permanece para sempre. Como declara o
salmista:
"Porque a palavra do SENHOR
é reta, e todas as suas obras são fiéis" (SI 33.4).
A natureza desse concerto evidencia o
caráter imutável de Deus. Ele não revoga o que prometeu, nem altera os seus
propósitos eternos. Quando estabelece uma aliança, Ele certamente a sustenta
com a sua própria fidelidade. Por isso, o apóstolo Paulo afirma que "os
dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Rm 11.29, ARA). O Senhor que chama
é o mesmo que preserva, conduz e confirma a sua promessa ao longo das eras.
Para o crente, essa imutabilidade torna-se
âncora segura em meio às instabilidades da vida. A caminhada é marcada por
desafios, mudanças e incertezas; porém, a fidelidade de Deus permanece
inabalável. Ele nao se esquece dos seus filhos, não abandona as suas palavras e
não falha nos seus caminhos.
Essa verdade impacta profundamente nossa vida
devocional. Quando sabemos que Deus não muda, nossa oração torna-se mais confiante,
nossa esperança mais firme, e nossa adoração, mais profunda. A fé amadurece ao
perceber que cada súplica repousa sobre o Deus cuja "palavra é
provada" (2 Sm 22.31, ARA). Mesmo nas noites mais escuras, Ele sustenta os
seus filhos com graça constante e cuidado contínuo.
Em um mundo marcado pela instabilidade, é o
concerto perpétuo de Deus com Abraão que nos chama a viver com firmeza espiritual.
Nossa vida não se apoia nas circunstâncias, mas, sim, no Deus eterno, cuja fidelidade
jamais falha. Edificamos nossa jornada sobre aquEle que é "rocha
eterna" (Is 26.4). Conhecer e confiar nesse Deus é o que nos conduz à
verdadeira segurança: Ele é o mesmo que prometeu, o mesmo que cumpre e o mesmo
que permanecera para sempre.
ADULTOS | 2° TRIMESTRE 2026 CPAD
Homens dos quais o
Mundo não Era Digno
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó
Marcelo Oliveira
A CONFIRMAÇÃO DE
UMA PROMESSA
DA PROMESSA
ORA, SARAI, MULHER DE ABRÃO, NÃO LHE GERAVA FILHOS, E ELE TINHA UMA
SERVA EGÍPCIA, CUJO NOME ERA AGAR. E DISSE SARAI A ABRÃO: EIS QUE O SENHOR ME
TEM IMPEDIDO DE GERAR; ENTRA, POIS, À MINHA SERVA; PORVENTURA, TEREI FILHOS
DELA. E OUVIU ABRÃO A VOZ DE SARAI. ASSIM, TOMOU SARAI, MULHER DE ABRÃO, A
AGAR, EGÍPCIA, SUA SERVA, E DEU-A POR MULHER A ABRÃO, SEU MARIDO, AO FIM DE DEZ
ANOS QUE ABRÃO HABITARA NA TERRA DE CANAĀ. (GN 16.1-3)
POSSESSÃO, E SER-LHES-EI O SEU DEUS. DISSE MAIS DEUS A ABRAÃO: TU,
PORÉM, GUARDARÁS O MEU CONCERTO, TU E A TUA SEMENTE DEPOIS DE TI, NAS SUAS
GERAÇÕES. ESTE É O MEU CONCERTO, QUE GUARDAREIS ENTRE MIM E VÓS E A TUA SEMENTE
DEPOIS DE TI: QUE TODO MACHO SERÁ CIRCUNCIDADO.
E CIRCUNCIDAREIS A CARNE DO VOSSO PREPÚCIO; E ISTO SERÁ POR SINAL DO CONCERTO ENTRE MIM E VÓS. (GN 17.1-11)
Deus sempre deixa bem claro os seus
propósitos para com a humanidade e, principalmente, para seus servos.
No
capítulo 12 de Gênesis, Deus falou com Abrão, prometendo-lhe que ele seria
feito "uma grande nação" (Gn 12.2); no capítulo 15, ante a dificuldade
de entender a promessa, Abrão questiona Deus, e Ele lhe responde, prometendo
que lhe daria a terra onde estava a sua semente (Gn 15.18). Mas, como vimos, a
impaciência de Sarai o levou a aceitar a proposta dela para se unir a Agar e
ter filho com sua serva.
Com base em Gênesis 17, vemos que, quando
Abrão já contava 99 anos, o Senhor lhe apareceu, e mudou o nome dele e o de sua
esposa, para que suas identidades estivessem em harmonia com o plano de Deus em
suas vidas. Neste capítulo, vemos que Deus renovou suas promessas ao patriarca,
mas o fez com uma condição: "anda em minha presença e sê perfeito"
(Gn 17.1).
A princípio, essa condição parece impossível
de ser atendida. Como alguém pode ser perfeito na presença de Deus? A Bíblia diz
que, no mundo, "na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça bem
e nunca peque" (Ec 7.20; 1 Rs 8.46).
Conforme entendemos, a Bíblia não tem contradições. O homem jamais poderá ter a perfeição absoluta. Esta só Deus a tem. Porém a perfeição que Deus exigiu de Abrão referia-se à sua integridade espiritual e moral, sinônimo de santidade ou irrepreensibilidade (Cf. 1 Ts 5.23). Em seguida, Deus renovou o concerto já firmado anteriormente, estendendo-o à sua descendência (Gn 17.2-14).
I - DEUS MUDOU O NOME DE ABRÃO E DE SARAI
Nos tempos do Antigo Testamento, os nomes das
pessoas, em grande parte, não eram escolhidos porque os pais os achavam bonitos
ou sonoros. Havia uma conexão entre eles e a vontade de Deus. Era um ato de fé,
vinculado muitas vezes aos acontecimentos vividos pelos genitores. Exemplos
diversos são encontrados na Bíblia. Quando José teve seu primeiro filho, e lhe
pôs o nome de Manassés, ele já era governador do Egito.
Depois de ter sofrido tanto, ser desprezado
pelos próprios irmãos, vendido como escravo para o Egito, ao interpretar o sonho
de Faraó, pela sabedoria que Deus lhe dera, José pôs o nome no seu primogênito
de Manassés, que significa "Deus me fez esquecer", ou "esquecimento",
em alusão a tudo o que passara entre seus irmãos, na casa de seus pais. Ao
segundo filho, deu o nome de Efraim, que significa "duplamente
frutífero", ou "Deus me fez crescer" (Gn 41.51-52). Há casos em
que a mudança de nome foi feita pelo próprio Deus, tendo em vista seu plano
para algumas pessoas.
1. O Novo Nome de Abrão
No caso de Abrão, seu nome original significa "pai exaltado". Diante do plano de Deus em sua vida, esse nome não parecia adequado para a sua história. Deus lhe apareceu quando ele estava com 99 anos, renovou suas promessas para ele, e lhe mudou o nome, dizendo:
Quanto
a mim, eis o meu concerto contigo é, e serás o pai de uma multidão de nações. E
não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por
pai da multidão de nações te tenho posto.
E te farei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão de ti. E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti. E te darei a ti e à tua semente depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus. Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás o meu concerto, tu e a tua semente depois de ti, nas suas gerações. Gn 17.4-9
2. O Novo Nome de Sarai
O nome Sarai tem significado em hebraico e a sua tradução mais comum é "minha princesa" ou "minha senhora". Sarai é o nome original da matriarca Sara, esposa de Abraão. A mu- dança de nome ocorreu quando Deus anunciou que ela teria um filho. Face ao plano de Deus para Sarai, que era mulher estéril, esposa de Abraão, "pai da multidão de nações", Deus mudou seu nome para Sara, cujo significado é "mãe das nações". Diz a Bíblia:
Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua mulher, não
chamarás mais pelo nome de Sarai,
mas Sara será
o seu nome. Porque eu a hei de
abençoar e te hei
de dar a ti dela um filho; e a
abençoarei, e será mãe
das nações; reis de povos sairão
dela. (Gn 17.15-16)
Mais um exemplo de que, quando Deus age,
todas as coisas, em seus mínimos detalhes, harmonizam-se de forma especial. Um
"pai exaltado" e uma "princesa" não estariam de acordo com
o desígnio de Deus. Porém um "pai da multidão de nações" (Abraão) e
uma "mãe das nações" (Sara) estariam unidos para cumprir o plano do
Senhor para suas vidas. E assim aconteceu, como nos mostram as Escrituras.
3. O Pai da Fé Riu-se diante da Promessa de Deus
Para
um homem do nível de Abraão, houve momentos difíceis de compreender. Depois que
Deus mudou o seu nome e o de sua esposa, e disse-lhes que reis e povos haveriam
de sair dela,
Abraão não se conteve e não pôde esconder
seus sentimentos que seriam chamados de incredulidade, ante a profundidade e a natureza
da palavra que Deus lhe falara. Diz a Bíblia: "Então, caiu Abraão sobre o
seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer
um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos?" (Gn 17.17).
Não podemos criticar Abraão por seu riso. Em sua velhice, casado com uma esposa estéril, podemos compreender sua estranheza. Ele não riu diante das pessoas. Ele "riu-se, e disse no seu coração", no seu interior somente. Em pensamento, ele disse que achava muito estranho que um homem de 100 anos e a esposa, com 99 anos, em extrema velhice, e, ainda mais, sendo ela estéril, tivessem um filho. Seria isso possível? Mas ele se esqueceu de que, quando Deus quer operar, nada e ninguém o pode impedir (cf. Is 43.13). "Porque para Deus nada é impossível" (Lc 1.37). Após o riso, Deus confirmou seu plano na vida de Abraão e lhe disse de forma muito clara: "Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele" (Gn 17.19).
II -
A CONFIRMAÇÃO DO CONCERTO
DE DEUS COM ABRÃO
O chamado de Deus a Abrão foi especial. O Senhor confirmou o concerto ou pacto abraâmico de modo muito solene, depois de fazer a mudança de seu nome para Abraão.
E não
se chamará mais o teu nome Abrão, mas
Abraão será o teu nome; porque
por pai da multidão de nações te tenho posto. E te farei frutificar
grandissimamente e de ti farei
nações, e reis sairão
de ti. E estabelecerei o meu
concerto entre mim e ti
e a tua semente depois de ti em
suas gerações, por
concerto perpétuo, para te ser a
ti por Deus e à tua
semente depois de ti. E te darei
a ti e à tua semente
depois de ti a terra de tuas
peregrinações, toda a
terra de Canaã em perpétua
possessão, e ser-lhes-ei
o seu Deus. Disse mais Deus a
Abraão: Tu, porém,
guardarás o meu concerto, tu e a
tua semente depois
de ti, nas suas gerações. (Gn 17.5-9)
1. O Concerto Estendido aos Descendentes
Deus declarou que Abraão seria "pai da
multidão de nações". Mas ele já estava com 99 anos de idade, e sua esposa,
ainda estéril, com 89 anos. Mas Deus não quis deixar dúvidas ao seu servo.
"E estabelecerei o meu concerto entre
mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo,
para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti" (Gn 17.7). Como veremos,
em capítulos posteriores, Deus cumpriu sua promessa na vida de Isaque e de
Jacó, que também se tornaram patriarcas.
É prometido a Abraão que ele será o pai de uma
multidão de nações. Isto é: 1.
Que a sua semente,
segundo a carne, seria muito
numerosa, tanto através
de Isaque quanto através de
Ismael, assim como
através dos filhos de Quetura:
alguma coisa extraor-
dinária, sem dúvida, está
incluída nesta promessa, e
podemos supor que o evento
correspondeu a ela e
que houve, e há, mais filhos dos
homens descendentes
de Abraão do que de qualquer
outro homem igual-
mente distante, como ele, de Noé,
que foi a raiz de
todos. 2. Que todos os crentes,
em todas as épocas,
seriam considerados como sua
semente espiritual, e
que ele seria chamado, não somente de amigo de
Deus, mas de pai dos crentes fiéis.1
2. O Concerto com Abraão Envolve Ismael
Ismael foi o primogênito de Abraão. Fruto da união dele, aos 86 anos, com Agar (Gn 16.15-16). Deus poderia ter abando- nado Ismael, por ser filho de uma união não aprovada, com uma estrangeira egípcia; mas Deus demonstrou seu amor por
Abraão, e sua misericórdia para com Agar, que era uma espécie de esposa secundária, ou uma concubina de Abraão, fato que era comum e permitido por Deus naquele tempo. Abrão orou por seu primogênito, mesmo consciente de que não seria "o filho da promessa". E Deus ouviu sua oração.
E, quanto a Ismael, também te tenho ouvido: eis
aqui o tenho abençoado, e
fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei
multiplicar grandissimamente;
doze príncipes gerará, e
dele farei uma grande nação. O
meu concerto, porém,
estabelecerei com Isaque, o qual
Sara te dará neste
tempo determinado, no ano
seguinte. E acabou de
falar com ele e subiu Deus de Abraão. (Gn 17.20-22)
III - O PACTO PERPÉTUO DA CIRCUNCISÃO
Na renovação do concerto de Deus com Abraão, Ele incluiu o pacto da circuncisão. Deus lhe disse:
Este é
o meu concerto, que guardareis entre mim e
vós e a tua semente depois de ti:
Que todo macho
será circuncidado. E
circuncidareis a carne do vosso
prepúcio; e isto será por sinal
do concerto entre mim
e vós. O filho de oito dias,
pois, será circuncidado;
todo macho nas vossas geraçõcs, o
nascido na casa
e o comprado por dinheiro a
qualquer estrangeiro,
que não for da tua semente. Com
efeito, será circun-
cidado o nascido em tua casa e o
comprado por teu
dinheiro; e estará o meu concerto
na vossa carne por
concerto perpétuo. E o macho com
prepúcio, cuja
carne do prepúcio não estiver
circuncidada, aquela
alma será extirpada dos seus
povos; quebrantou o
meu concerto. (Gn 17.10-14)
1. Todo Macho Seria Circuncidado
A circuncisão consistia numa cirurgia, na
qual a pele que cobre a glande do órgão genital masculino é removida. É feita
há muitos anos. Originalmente, por motivos espirituais, como entre o povo de
Israel, mas, atualmente, pode ser feita por motivos higiênicos, de saúde ou
para evitar enfermidades, como para corrigir a fimose ou a parafimose. Mesmo
sendo uma cirurgia de pequeno porte, certamente, no tempo de Abraão, e tempos depois,
até no Novo Testamento, deve ter sido muito dolorosa, pois não havia qualquer
tipo de anestesia.
A Bíblia relata a história da vingança de
Simeão e Levi contra os cananeus, quando Diná, sua irmã, se envolveu com
Siquém, filho de Hamor. Eles tiveram relações e isso foi considerado uma grande
afronta contra a sua família. Os dois filhos de Jacó enganaram os cananeus,
dizendo que não haveria nenhuma ação contra eles se todos os machos se
circuncidassem. Eles aceitaram a ideia e passaram pela circuncisão. O texto
bíblico diz:
E
aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam
com a mais violenta dor, dois
filhos de Jacó, Simeão
e Levi, irmãos de Diná, tomaram
cada um a sua
espada, e entraram afoitamente na
cidade, e mata-
ram todo macho. Mataram também a
fio de espada
a Hamor, e a seu filho Siquém; e
tomaram Diná da
casa de Siquém e saíram. (Gn
34.25-26)
Nesse episódio, todos os circuncidados eram jovens ou adultos. Sofreram tão violenta dor que não puderam lutar contra os filhos de Jacó. Provavelmente, a dor dos que eram circuncidados como bebês, ao oitavo dia, não era menor que a dos adultos, mas, em sua inocência, não percebiam o grande trauma que lhes era imposto. Talvez por isso Deus estabeleceu a circuncisão ao oitavo dia depois do nascimento.
2. Quem Deveria Ser Circuncidado
A obrigação da circuncisão não era exigida apenas dos filhos dos israelitas, mas de todos os machos que estivessem em Israel.
O
filho de oito dias, pois, será circuncidado; todo
macho nas vossas gerações, o
nascido na casa e o
comprado por dinheiro a qualquer
estrangeiro, que
não for da tua semente. Com
efeito, será circunci-
dado o nascido em tua casa e o
comprado por teu
dinheiro; e estará o meu concerto
na vossa carne por
concerto perpétuo. E o macho com
prepúcio, cuja
carne do prepúcio não estiver
circuncidada, aquela
alma será extirpada dos seus
povos; quebrantou o
meu concerto. (Gn 17.12-14)
O macho adulto que não fosse circuncidado
era considerado por Deus como em grave pecado e deveria ser extirpado, ou removido
do meio do povo de Israel. O pacto ou concerto de Deus com Abraão tinha a circuncisão
como o sinal ou a marca física e visível de seu cumprimento.
Na circuncisão, a pele do prepúcio era
cortada com facas de pedra nos seus primórdios. Hoje, é feita entre os judeus,
com bisturi cirúrgico e com anestesia, quando o processo doloroso
é
aliviado.
3. Abraão Cumpre o Pacto da Circuncisão
Em obediência à determinação de Deus para a circuncisão, Abraão realizou essa operação em seu filho primogênito, Ismael, quando ele tinha 13 anos, no início da adolescência; e em todos os que estavam na sua casa. Ele próprio também foi circuncidado, quando já estava com 99 anos de idade (Gn 17.23-27).
Certamente, foi algo muito estranho para sua família e para todas as pessoas que estavam ao seu redor, pois jamais teriam visto tal procedimento.
CONCLUSÃO
Neste capítulo, que se refere ao concerto
espiritual entre Deus e Abrão, cujo nome foi mudado para Abraão, "pai da
multidão de nações", vemos que nada escapa ao controle de Deus quando Ele
define seus planos e propósitos. Abraão não tinha ideia de como seria sua vida
pessoal e familiar, depois das promessas de Deus, ao concordar com a impaciência
de Sara, ao propor o "arranjo" humano e carnal para que seu esposo se
unisse com sua serva egípcia, a fim de poder atender ao plano de Deus. Ela usou
a lógica humana, racional. E Abraão aprovou tal sugestão, que não fazia parte
dos propósitos de Deus. Mas, em seu amor e misericórdia, Deus abençoou Abraão,
confirmou e renovou a promessa do seu pacto; ao mesmo tempo, também teve misericórdia
de Agar, a serva que fugiu para o deserto. Ele lhe confortou o coração, mostrando
que não a abandonara. Esse é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; o Pai de
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
A CONFIRMAÇÃO DE UMA PROMESSA