TEXTO ÁUREO
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro
Consolador, para que fique convosco para sempre.”
(Jo 14.16).
VERDADE PRÁTICA
O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade,
plenamente divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
João
14.25-31.
25
— Tenho-vos
dito isso, estando convosco.
26
— Mas
aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos
ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
27
— Deixo-vos
a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o
vosso coração, nem se atemorize.
28
— Ouvistes
o que eu vos disse: vou e venho para vós. Se me amásseis, certamente,
exultaríeis por ter dito: vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.
29
— Eu
vo-lo disse, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós
acrediteis.
30
— Já
não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo e nada
tem em mim.
31
— Mas
é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou.
Levantai-vos, vamo-nos daqui.
PLANO
DE AULA
1. INTRODUÇÃO
O
Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino e coigual ao
Pai e ao Filho. Ele não é uma força impessoal, mas Consolador, Ensinador e
Santificador da Igreja. Nesta lição, estudaremos sua Pessoa, sua divindade e
suas principais obras, confirmando sua atuação indispensável na vida cristã e
na missão da Igreja.
2.
APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A)
Objetivos da Lição: I) Mostrar que o Espírito Santo
é uma Pessoa, distinta, mas coigual ao Pai e ao Filho; II) Evidenciar a plena
divindade do Espírito Santo e seus atributos; III) Ressaltar as principais
obras do Espírito Santo: encarnação, ressurreição e santificação.
B)
Motivação: Muitos confundem o Espírito Santo como mera
força ou influência. A Bíblia, porém, o apresenta como Pessoa divina, com
mente, vontade e emoções. Ele age em nossa vida como Consolador, Ensinador e
Santificador. Reconhecer sua divindade fortalece nossa fé e nos leva a viver em
plena dependência de sua ação.
C)
Sugestão de Método: Inicie a aula convidando os
alunos a refletirem sobre como têm experimentado a presença de Deus em sua
caminhada. Depois, leia pausadamente João 14.16, destacando a promessa de
Jesus: o Consolador estaria conosco para sempre. Pergunte: “De que forma o
Espírito Santo já consolou, guiou ou fortaleceu você em momentos difíceis?”.
Permita que alguns compartilhem brevemente suas experiências. Em seguida,
destaque: o Espírito é Pessoa, que se relaciona conosco; é Deus, que habita em
nós; e realiza obras divinas, transformando nosso coração. Finalize com uma
breve oração de gratidão, pedindo que a classe viva diariamente sob a direção
do Espírito Santo.
3.
CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A)
Aplicação: O Espírito Santo é plenamente Deus, distinto
do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Ele habita em nós
como Consolador, guia nossa vida, transforma nosso caráter e fortalece nossa
missão. Devemos abrir espaço para sua atuação, andando em santidade e vivendo
sob sua direção até a volta de Cristo.
4.
SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A)
Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa
revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições
Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.40, você encontrará um subsídio especial
para esta lição.
B)
Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você
encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto
“Como Consolador”, localizado depois do primeiro tópico, aponta para a reflexão
a respeito da Pessoa do Espírito e sua identidade revelada na Bíblia; 2) O
texto “Símbolos do Espírito Santo”, ao final do segundo tópico, aprofunda o
tema sobre a divindade do Espírito Santo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O
Espírito Santo é uma Pessoa divina, não uma força impessoal ou uma mera
influênci
Palavras-Chave:
ESPÍRITO
SANTO
“COMO
CONSOLADOR
Conforme observado no estudo dos títulos do
Espírito Santo, eles nos oferecem chaves para entendermos a sua pessoa e obra.
A obra do Espírito Santo como Consolador inclui o seu papel como Espírito da
Verdade que habita em nós (Jo 14.16; 15.26), como Ensinador de todas as coisas,
como aquEle que nos faz lembrar tudo o que Cristo tem dito (14.26), como aquEle
que dará testemunho de Cristo (15.26) e como aquEle que convencerá o mundo do
pecado, da justiça e do juízo (16.8). Não se pode subestimar a importância
dessas tarefas. O Espírito Santo, dentro em nós, começa a esclarecer as crenças
incompletas e errôneas sobre Deus, sua obra, seus propósitos, sua Palavra, o
mundo, crenças estas que trazemos conosco ao iniciarmos nosso relacionamento
com Deus. Conforme as palavras de Paulo, é uma obra vitalícia, jamais
completada neste lado da eternidade (1Co 13.12). Claro está que a obra do
Espírito Santo é mais que nos consolar em nossas tristezas; Ele também nos leva
à vitória sobre o pecado e sobre a tristeza. O Espírito Santo habita em nós
para completar a transformação que iniciou no momento de nossa salvação. Jesus
veio para nos salvar dos nossos pecados, e não dentro deles. Ele veio não
somente para nos salvar do inferno no além. [...] Jesus trabalha para realizar
essa obra por intermédio do Espírito Santo.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia
Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
2019, pp.397,398).
“SÍMBOLOS
DO ESPÍRITO SANTO
Os símbolos oferecem quadros concretos de
coisas abstratas, tais como a terceira Pessoa da Trindade. Os símbolos do
Espírito Santo também são arquétipos. Em literatura, arquétipo é uma
personagem, tema ou símbolo comum a várias culturas e épocas. Em todos os
lugares, o vento representa forças poderosas, porém invisíveis; a água límpida
que flui representa o poder e refrigério sustentador da vida a todos os que têm
sede, física ou espiritual; o fogo representa uma força purificadora (como na
purificação de minérios) ou destruidora (frequentemente citada no juízo). Tais
símbolos representam realidades intangíveis, porém genuínas. Vento.
A palavra hebraica ruach tem amplo alcance semântico. Pode
significar ‘sopro’, ‘espírito’ ou ‘vento’. É empregada em paralelo com nephesh.
O significado básico de nephesh é ‘ser vivente’, ou seja, tudo
que tem fôlego. A partir daí, seu alcance semântico desenvolve-se ao ponto de
referir-se a quase todos os aspectos emocionais e espirituais do ser humano
vivente.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma
Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.387,388).
CONCLUSÃO
Compreender a divindade do Espírito Santo fortalece nossa fé na Trindade. O Espírito é distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Como Consolador, Ele continua a Obra de Cristo, e habita na vida dos crentes. Sua presença é viva e transformadora, indispensável na edificação, ensino, e missão da Igreja. Que todos nós vivamos guiados pelo Espírito, até que Cristo volte.
CPAD : A Santíssima Trindade — O
Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas Baptista
Lição 8: O Deus Espírito Santo
0 Espírito Santo é
Deus, a terceira Pessoa da Trindade. Não se trata de um mero símbolo da
presença divina ou uma força impessoal. Ele é Pessoa, com intelecto, vontade e
emoções, capaz de falar (At 13.2), ensinar (Jo 14.26), interceder (Rm 8.26) e
entristecer-se (Ef 4.30). Jesus o chama de “outro Consolador”, indicando que
Ele possui a mesma natureza divina do Filho, sendo distinto em Pessoa, mas
idêntico em essência. O presente capítulo tratará da Pneumatologia bíblica e teológica
sob três eixos principais: (i) a Pessoa do Espírito Santo — evidências bíblicas
de sua personalidade e relação trinitária e igualdade com o Pai e o Filho; (ii)
a eterna divindade do Espírito — seus atributos divinos e símbolos representativos;
e (iii) as obras do Espírito Santo — passando pela encarnação e ressureição até
a santificação e glorificação final dos santos.
1 - A
PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
1. O Espírito Santo
E uma Pessoa Na teologia cristã, a Pessoa é
compreendida como um sujeito com vontade, inteligência, emoção e ação própria.
O Espírito Santo, como revelado nas Escrituras, age de modo consciente,
relacionai e autônomo, características que evidenciam sua personalidade. Ele
age com autonomia, exercendo funções próprias de uma Pessoa.
Paulo ensina que o Espírito tem propósito,
mente e consciência: “E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção
do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos” (Rm 8.27). O
termo grego para “intenção” aqui é phronêma, que se refere a mentalidade,
disposição, pensamento.' O apóstolo atribui ao Espírito uma mente ativa e consciente,
que intercede de forma compatível com a vontade de Deus. Isso confirma sua
racionalidade e intenção volitiva, própria de uma Pessoa. O Espírito Santo pode
ser entristecido (Ef 4.30). Implica dizer que o Espírito tem emoções, mas não
como emoções humanas voláteis, e sim sensibilidade moral e relacionai, ou seja,
Ele responde com pesar ao pecado e à quebra de comunhão. Ele ensina e faz
lembrar (Jo 14.26), o que demonstra inteligência e comunicação consciente com
propósito pedagógico.
O
Espírito Santo apresenta na memória do crente tudo o que Cristo falou, palavras
que jamais podem ser esquecidas.1
Ele
guia e orienta os crentes, função que exige entendimento e relacionamento, como
de um mestre para o discípulo Jo 16.13). Ele distribui os dons “como quer”,
demonstrando vontade deliberada, pessoal e ativa (1 Co 12.11). Ele fala
diretamente e com clareza, e designa tarefas missionárias, o que comprova seu
papel ativo no plano divino (At 13.2). Negar a pessoalidade do Espírito Santo é
reduzir o próprio Deus a uma força impessoal, algo completamente alheio à
revelação bíblica.
2. Pessoa Distinta na Trindade
A
doutrina da Trindade afirma que Deus é um só em essência, mas subsiste
eternamente em três Pessoas. Pedro distingue as três Pessoas divinas, cada uma
agindo em uma etapa do processo da salvação: “eleitos segundo a presciência de
Deus Pai, em santificação do Espírito, para obediência e aspersão do sangue de
Jesus Cristo” (1 Pe 1.2). Nesse versículo, em três orações separadas, o
apóstolo descreve três atos do Deus Triúno: o Pai elege, o Espírito santifica e
o Filho redime.3 Contudo, essa distinção funcional não implica inferioridade,
mas ordem trinitária. Embora o Espírito Santo compartilhe da mesma natureza
divina do Pai e do Filho, sendo plenamente Deus, Ele é uma Pessoa distinta
dentro da unidade da Trindade: “fomos salvos pelo poder regenerador e renova
dor do Espírito Santo” (Tt 3.5, BJ). O texto demonstra que o Espírito tem um
papel distinto de dar vida, dentro da função trinitária (Gn 2.7; > 6 .63; Rm
8.11). Hendriksen leciona que “na Escritura é especialmente a terceira pessoa
da Trindade a que é representada como quem outorga a vida; daí, ela também
outorga a vida espiritual”.4
Essa
distinção do Espírito Santo é essencial para refutar heresias, como o modalismo
que ensina que Pai, Filho e Espírito são apenas “modos” sucessivos de uma única
Pessoa divina. Sabélio (séc. III) foi o maior defensor desse pensamento. Ele
argumentava que a natureza do Filho era apenas semelhante à do Pai; não era,
portanto, idêntica à do Pai. Essa heresia foi condenada no Concilio de
Antioquia (268 d.C.).5 A distinção do Espírito também combate o arianismo, que
negava a divindade do Filho. Ário ensinava que Deus Pai é o único Eterno, e que
Cristo tinha sido criado, portanto, não Eterno. Ele foi excomungado por heresia
no Concilio de Niceia (325 d.C.).6
Nessa
esteira, a ortodoxia ratifica o papel distinto e a missão específica do
Espírito Santo. Em João, essa distinção é facilmente percebi da: “aquele
Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas
as coisas” (Jo 14.26). A construção grega desse versículo é clara: cada sujeito
tem ações próprias, o que descarta a ideia de que são apenas manifestações ou
modos de uma única Pessoa. O texto destaca três sujeitos distintos atuando simultaneamente:
o Pai envia; o Filho é a referência do envio (“em meu nome”); e o Espírito é o
enviado com missão específica. Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai e do
Filho, mas plenamente Deus (1 Co 2.10-11).
3. O Consolador Prometido
Jesus
fez uma promessa aos discípulos: “[...] eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro
Consolador, para que fique convosco para sempre” Jo 14.16). O termo grego
jbaráklêtos, formado pela preposição “para” (ao lado de) e o verbo “kaléõ”
(chamar), significa “aquele chamado para estar ao lado”. Os campos semânticos
do vocábulo permitem a tradu ção como “Consolador” — que ampara, encoraja e
traz conforto em meio à dor (2 Co 1.3-4); “Ajudador” — que assiste, presta
auxílio ativo e prático nas necessidades (Rm 8.26-27); e “Advogado” —- defensor
le gal ou intercessor que pleiteia a causa de outro diante de um juiz (1 Jo
2.1).7 Em João, a expressão parákletos aparece cinco vezes, referindo-se ao
Espírito Santo e também a Cristo. Observa a tabela abaixo:
“Outro Consolador” (gr. állos parákletos)
significa alguém da mesma natureza que Jesus. O uso do adjetivo állos (outro),
e não heteros , sinaliza que o Espírito Santo é divino, pessoal e eterno.8 Esse
versículo sustenta a Personalidade do Espírito Santo, que não é inferior ao
Filho, mas assume o papel da presença permanente de Deus na vida dos crentes
(Mt 28.19-20).
II - A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
1. O
Debate “Filioque”
Fundamentada nas Escrituras, a fé cristã
ratificou a doutrina trinitária nos concílios ecumênicos. Em Niceia (325 d.C.),
estabeleceu a divindade do Filho: “Cremos [...] em um só Senhor Jesus Cristo,
Fi lho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus,
Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só
substância [homooúsios\ com o Pai”.9 Em Constantinopla (381 d.C.), no Credo
niceno-constantinopolitano, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito
Santo possuem a mesma natureza, o concilio ratificou a divindade do Espírito:
“Cremos [...] no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e
do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorifica- do, que
falou por meio dos profetas”.10
O debate da divindade de Jesus e do Espírito
ocorreu durante o século I\( em virtude do arianismo negar a igualdade e
eternidade do Filho com o Pai, e de forma indireta também do Espírito. Nesse
período o grupo dos “pneumatómacos” de tendências semiarianas apesar de
aceitarem que o Filho era divino, negavam que o Espírito Santo fosse Deus. Os
primeiros concílios ecumênicos foram realizados para dirimir essas
controvérsias.
A
respeito do Espírito, em Constantinopla (381 d.C.) o credo grego declarou “to
ektou Patros ekporeuommorP (que procede do Pai). Em Toledo (589 d.C.) a frase
correspondente do credo latino acrescentou “qui ex Pa ire FilioqueprocediF (que
procede do Pai e do Filho). O termo “filioque” (e do Filho) foi inserido para
salvaguardar a fé bíblica que o Espírito procede tanto do Pai como do Filho Jo
15.26; 16.7).
Os
textos-chaves são: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” (Jo
14.16); e, “quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar,
aquele Espírito da verdade, que procede do Pai” (Jo 15.26). Os verbos “rogarei”
(gr. erõtáo) e “proceder” (gr. ekporeuetai) são cruciais para esse debate.
O
verbo erõtáõ significa “pedir em termo de igualdade e, por isso, é sempre usado
por Cristo em relação ao seu próprio pedido para o Pai, no conhecimento de sua
igual dignidade”.11 O verbo “proceder” sinaliza que “o Espírito Santo é dado
pelo Pai, em resposta à solicitação do Filho. Ele procede tanto do Pai como do
Filho. O Pai o dá; o Filho o envia”.12 O apóstolo Paulo usa preposições gregas
como ek (“de”) para expressar a relação do Espírito com o Pai e o Filho
compatíveis com a doutrina que o Espírito também pro cede do Filho, a saber:
“[...] se alguém não tem o Espírito de Cristo” (Rm 8.9); e, “Deus enviou aos
nossos corações o Espírito de seu Filho” (G1 4.6).
2. Os
Atributos Divinos do Espírito
O reconhecimento da divindade do Espírito não
se apoia apenas nas declarações dos concílios da Igreja, mas, sobretudo, no
fato de que a Bíblia lhe atribui os mesmos atributos exclusivos dc Deus. Esses
atributos não são adquiridos ou conferidos, mas são inerentes à sua essência
eterna, como Pessoa da Trindade. Desse modo, todos os atributos divinos do Pai
e do Filho são igualmente relacionados com o Espírito Santo:
Onipotência.
O Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas. O nascimento virginal de
Jesus é atribuído ao poder do Espírito, revelando que sua ação é ilimitada e
criadora (Lc 1.35). O vocábulo “po der” (gr. dynamis) expressa capacidade
absoluta de realizar tudo o que está de acordo com a vontade divina. Todos os
milagres e obras poderosas no evangelho são realizados pela operação do
Espírito (Rm 15.19). Somente Deus é onipotente (SI 115.3), logo, se o Espírito
Santo é dotado de onipotência, Ele é Deus.
Onisciência.
Não existe nada além de seu conhecimento. Pedro identifica que o Espírito
conhecia o que estava oculto no coração de Ananias (At 5.3-4). Paulo ensina que
o Espírito possui conhecimento completo e direto, sem limitação alguma (1 Co
2.10-11). A onisciência pertence unicamente a Deus (SI 147.5). Assim, o
conhecimento pleno do Espírito é prova de sua divindade.
Onipresença.
O Espírito possui conhecimento absoluto. O sal- mista reconhece que o Espírito
está em todos os lugares (SI 139.7-10). A presença simultânea em toda a criação
é prerrogativa divina (Jr 23.24), portanto, o Espírito é plenamente Deus.
Eternidade.
Existência sem princípio nem fim. O Espírito já atuava no momento da criação,
pairando sobre as águas (Gn 1.1 -2). O Espírito é eterno, Ele não passou a
existir no Pentecostes, mas já estava ativo na inspiração profética e na
história da salvação (Hb 9.14). A eternidade é atributo essencial de Deus (SI
90.2); por conseguinte, o Espírito não é criatura, mas divino. Como observado,
esses atributos absolutos são exclusivos da divindade. Tais virtudes são de
modo inequívoco evidências da deidade do Espírito Santo. A terceira Pessoa da
Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.
3. Os
Símbolos do Espírito
A expressão “símbolo” é uma combinação de
duas palavras gregas “sjn” (com) e “ballein” (lançar), que significa literalmente
“comparar uma coisa com outra”. Não é o objeto real, mas serve como ponte para
compreendê-lo ou expressá-lo. A Declaração de Fé é das Assembléias de Deus
afirma que “os símbolos do Espírito Santo são reflexos das suas múltiplas
operações, mas, de maneira alguma, comprometem a sua personalidade e
divindade”.13 Os principais símbolos representativos do Espírito são
Fogo.
No relato do Pentecostes, o fogo aparece como línguas que pousam sobre os
discípulos, simbolizando o batismo no Espírito Santo (At 2.3). O fogo é um
símbolo bíblico multifacetado, associado à pu rificação (Ml 3.2-3), ao poder
divino (Ex 3.2), à presença de Deus (Ex 19.18), à santificação, ao zelo e ao
fervor espiritual (Rm 12.11).
Agua.
Simboliza o Espírito como fonte de vida, pureza e renovação espiritual. O
Espírito flui da Palavra como “água viva” vivificante e refrescante que
satisfaz a sede espiritual, refrigera o crente e o reveste de poder (Jo
7.37-39; Ef 5.26).
Vento.
Invisível e imprevisível, ilustra a natureza espiritual e livre do Espírito (Jo
3.8). No Pentecostes, o som do vento impetuoso anuncia a manifestação do
Espírito de forma poderosa e transformadora (At 2.2). Simboliza o caráter
soberano e ativo do Espírito Santo.
Oleo. Usado como símbolo de unção,
consagração e capacitação para o ministério. Na antiguidade, o óleo também era usado
para iluminação, indicando o Espírito como fonte de iluminação espiritual e
entendimento das Escrituras (2 Co 1.21-22; 1 Jo 2.20,27). O Espírito capacita o
crente a viver em santidade e exercer dons espirituais.
Pomba. Presente no batismo de Jesus,
simboliza a mansidão, paz e pureza do Espírito (Mt 3.16). Esse pássaro,
conhecido por sua natureza pacífica e inofensiva, expressa o caráter gentil e
consolador do Espírito. Representa a presença serena e pacificadora do Espírito
Santo que habita no crente. Assim, os símbolos são figuras humanas para
compreender aspectos invisíveis do Espírito Santo, mas o Espírito não está
limitado a esses símbolos. Cada figura revela um atributo divino ou uma ação
específica do Espírito a fim de auxiliar na compreensão do caráter e da atuação
do Espírito.
III - AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO
1. O Espírito Santo e a
Encarnação
A
encarnação do Filho de Deus revela o papel singular do Espírito como o agente
divino na concepção de Jesus. Lucas registra que o anjo Gabriel declarou a
Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo [...] o Santo, que de ti há de
nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35).
O verbo “descerá” (gr. eperchomai) transmite a ideia de uma vinda intencional e
eficaz, enfatizando que a ação do Espírito Santo é pessoal e direcionada.14
Essa linguagem indica que a concepção de Jesus não foi resultado de ação
humana, mas o Espírito Santo em união com o poder do Pai, atua de modo
sobrenatural no ventre de Maria.
Mateus
enfatiza a origem divina da concepção, ao revelar que Maria “se achou grávida
pelo Espírito Santo” (Mt 1.18, NAA). O Evangelista reforça a informação:
“porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20, NAA). Aqui o verbo
“gerado” (gr. gennáo) confirma a obra misteriosa do Espírito Santo e ratifica a
ausência de qualquer intervenção física. Essa verdade está em consonância com o
livro dos começos. Barclay destaca que “no princípio o Espírito de Deus
sobrevoava a face das águas, e o caos se converteu em cosmos (Gn 1.2). O
Espírito é o criador do mundo e o doador da vida. De maneira que, em Jesus
Cristo, ingressa no mundo o poder de Deus que dá vida e cria”.15
Embora
Jesus tenha sido concebido pelo Espírito Santo, Ele é eternamente o Filho do
Pai, gerado e não criado Jo 1.1; Mq 5.2). A concepção virginal não cria o
Filho, mas introduz a sua natureza humana na história. O Espírito Santo atua
como agente da nova criação, formando no ventre de Maria o corpo santo do
Salvador (Efb 10.5), sem a mácula do pecado, para que Ele pudesse ser o
Cordeiro perfeito (1 Pe 1.19). Essa participação direta do Espírito confirma
sua divindade, pois a concepção do Verbo encarnado é obra exclusiva de Deus.
A
concepção virginal de Jesus é, em essência, uma obra trinitária. O Pai é a fonte
e o autor do plano redentor. O Pai é quem envia o Filho: “vindo, porém, a
plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho” (G1 4.4, ARA). O Filho
voluntariamente assume a natureza humana: “a si mesmo se esvaziou, assumindo a
forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” (Fp 2.7, ARA). O Espírito
Santo executa o milagre da concepção, unindo a natureza divina do Verbo à
natureza humana recebida de Maria, de forma santa e sem a transmissão do pecado
original (Mt 1.20; Hb 4.15). Essa coopera ção revela a participação direta do
Espírito na encarnação do Verbo, uma obra que somente Deus podería realizar.16
2. O
Espírito Santo e a Ressurreição
A
ressurreição é uma demonstração incontestável da soberania divina sobre a
morte. As Escrituras afirmam que apenas Deus possui o poder de dar vida e
restaurá-la: “Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim
também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21). Desse modo, a ressurreição
de Cristo é um ato conjunto e inseparável do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
O Pai é apresentado como aquEle que ressuscitou Jesus dentre os mortos (At
2.24).
O
Filho, por sua vez, declarou possuir autoridade para entregar a sua vida e
retomá-la: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou.
Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la” Jo 10.18, ARA). O
verbo “reaver” (gr. lambáno) que sig nifica “pegar de volta”, aponta para a
divindade de Jesus, pois a vida e a ressurreição são prerrogativas exclusivas
de Deus Jo 5.21; 11.25). Além disso, Jesus não apenas afirma que ressuscitará,
mas se apresenta como a própria ressurreição: “Eu sou a ressurreição e a vida;
quem crê em mim, ainda que morra, viverá” Jo 11.25, ARA).
Nas Escrituras, também o Espírito Santo é
revelado como o agente vivificador dessa obra. Paulo declara: “o Espírito
daquele que ressuscitou a Jesus dos mortos [...] também dará vida aos vossos
corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8.11, TB). Essa afirmação
possui duas dimensões: (i) aponta para a ação direta do Espírito Santo na
ressurreição de Cristo; e (ii) garante aos crentes que esse mesmo Espírito lhes
concederá vida na ressurreição final (1 Co 15.51-54). Dessa forma, a
ressurreição de Cristo é uma obra trinitária: Esse ato revela a unidade e a
igualdade do Espírito Santo com o Pai e o Filho, afirmando que Ele é plenamente
Deus e participante da obra salvífica desde a encarnação até a consumação
final.
3. O Espírito Santo e a Santificação
A
santificação é uma das obras essenciais do Espírito Santo na vida do crente. O
próprio Cristo declarou que o Espírito viria para convencer o mundo do pecado,
da justiça e do juízo (Jo 16.8). Sinaliza que o Espírito não apenas convence o
homem do pecado, mas também promove sua transformação (2 Co 3.18). O plano
eterno de Deus inclui a santidade do seu povo. Desde antes da fundação do
mundo, o Pai elegeu os salvos em Cristo para serem santos e irrepreensíveis
diante dEle (Ef 1.4). Essa escolha soberana é aplicada pelo Espírito, conforme
Paulo ensina: “Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela
santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13, ARA).
A
santificação possui duas dimensões complementares: uma posicionai, que ocorre
no momento da conversão, quando o pecador é separado para Deus e declarado
justificado pela obra de Cristo: “Mas vocês foram lavados, foram santificados,
foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”
(1 Co 6.11, NAA). A outra dimensão é progressiva, isto é, um processo contínuo de
conformidade à imagem de Cristo, que dura por toda a vida do cristão.1' O autor
de Hebreus exorta: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém
verá o Senhor” (Hb 12.14).
Conforme as Escrituras, o Espírito Santo
habita no crente desde a regeneração até a glorificação, guiando-o no caminho
da santidade. Contudo, esse processo envolve responsabilidade humana: “[...]
andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (G1 5.16,
ARA). Ao mesmo tempo, o apóstolo adverte: “Não entristeçais o Espí rito Santo
de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção” (Ef 4.30). Essa
dinâmica mostra que a santificação não é fruto exclusivo do esforço humano, mas
resultado de uma ação permanente e soberana do Espírito Santo (1 Pe 1.2).
Essa
ação atesta a deidade do Espírito, pois somente Deus é capaz de transformar o
coração humano, como já havia profetizado Ezequiel: “[...] vos darei um coração
novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da
vossa carne e vos darei um coração de carne” (Ez 36.26). Assim, a santificação
é, ao mesmo tempo, uma dádiva concedia pela graça e um chamado à cooperação
diária com o Espírito. Ela comprova a divindade do Espírito Santo, pois ape nas
Deus pode regenerar e preservar um pecador frutificando por toda a vida até o
dia de Cristo.
CONCLUSÃO
Compreender a divindade do Espírito Santo
fortalece nossa fé na Trindade. O Espírito é distinto do Pai e do Filho, mas
coigual em essência, poder e glória. Como Consolador, Ele continua a obra de
Cristo e habita na vida dos crentes. Sua presença é viva e transformadora,
indispensável na edificação, ensino, e missão da Igreja. Que todos nós vivamos
guiados pelo Espírito, até que Cristo volte.
O Deus Espírito Santo | 99