Capítulo 4
O CHAMADO A OBEDIÊNCIA
INTRODUÇÃO O CAPÍTULO 5 MOISÉS ATUA COMO UM PASTOR
QUE CUIDA DO REBANHO E DESEJA, AO MESMO TEMPO, CRESCIMENTO NA VIDA ÍNTIMA COM
DEUS. ELE NÃO ESTÁ FAZENDO UM MERO DISCURSO FORMAL, UMA REPETIÇÃO FRIA E
MECÂNICA DA LEI, TAMPOUCO AGINDO COMO UM LEGISLADOR QUE SOBRECARREGA O POVO COM
NORMASLEGALISTAS. COMO JÁ DITO, ELE AGE COMO UM PASTOR E PROFETA, COM O CORAÇÃO
CHEIO DE DEUS E DESEJOSO DE QUE CADA PESSOA TENHA NO CORAÇÃO OS MANDAMENTOSDO
SENHOR PARA, ASSIM, PRESERVAR A SUA ALIANÇA E DESENVOLVER UMA COMUNHÃO
VERDADEIRA COM ELE.
Moisés esclarece à nova geração que o Senhor
revelou-se do meio do fogo não para impressionar, causar impacto e criar
grandes expectativas, mas para dizer a todos que Ele não é um Deus distante. No
ato da sua revelação, o Senhor objetivava receber uma resposta do povo em
fidelidade e obediência. É para isso que serve a manifestação divina. Cultos e movimentos
em que as manifestações não tenham propósito de transformar, mudar vidas e
edificar não têm qualquer utilidade para Deus (1 Co 14.26).
A forma de Moises usar os seus discursos foi
em tom de sermao pastoral. No livro de Deuteronômio, a teologia do pacto, como
falada por ele, salienta exortações constantes para que cada israelita fosse
obediente e fiel à aliança, tudo baseado na fidelidade de Deus. Como dito, a
repetição dos mandamentos não foi algo apenas para repetir, mas, sim, reavivar
a fé dos novos israelitas a fim de que tivessem o coração pronto para viver e obedecer
a Lei de Deus.
I-O CONCERTO REITERADO EM HOREBE 1. O CHAMADO PARA OUVIR E OBEDECER
O grande líder começa o capítulo 5.1-5 de
modo imperativo, dizendo àquela nova geração que era preciso ouvir, aprender e
obedecer. Ouvir, aqui, vai além de escutar; trata-se de ouvir para responder de
modo ativo. Moisés estava chamando todos para participarem da aliança divina,
mas isso teria que ser de modo consciente.
O chamado de Moisés envolvia teologicamente
um ato de obediência por causa da revelaçao de Deus, e, assim, a Lei dada ao
seu povo jamais poderia ser vista ou considerada como um fardo, pois ela
expressava o caráter de Deus, bem como uma trilha para chegar-se à vida e
comunhão que só é possível por meio dEle. Quando Israel evidenciasse na prática
a sua obediência e fidelidade, isso iria caracterizá-lo como o verdadeiro povo
de Deus.
A Igreja de Cristo deve manter esse exemplo e
padrao, ouvir a Palavra de Deus com total reverência e obedece-la (Jo 14.15),
pois só assim terá a vida eterna. A prática dessa obediência aos mandamentos
divinos não é algo legalista, mas expressão de amor e fidelidade para com
Cristo, que provou o seu amor na cruz por nós (Rm 5.8).
2. A pessoalidade da Aliança
Podemos ver a pessoalidade da aliança nos
termos expressivos: "conosco [ ... ], todos os que hoje estamos
vivos". Nao se pode jamais imaginar que se tenha aqui uma contrariedade do
evento histórico que aconteceu no Sinai. A maneira como Moisés expressa-se denota
claramente que ele tratava da renovação da aliança, que é tanto pessoal quanto
presente. Esse sentido é maravilhoso para entender-se que ela não pode ser
vista apenas como uma herança histórica, familiar, mas que envolve fé; logo, o
termo conosco destaca uma inclusão relacional e direta.
Nunca se deve pensar que a aliança que Deus
fez com Israel fosse um tipo de contrato frio. A aliança envolvia fé e um ato
vivo que deveria ser contínuo. Ela era pessoal porque o Senhor desejava
desfrutar com Israel um relacionamento real, caminhar com o seu povo e que
todos pudessem manifestar uma resposta para com Ele repleta de amor,
obediência, fé e fidelidade. A aliança com Isracl era a mancira pela qual Deus
aproximava- se de cada um deles, mantinha a sua soberana vontade e, ao mesmo
tempo, criava comunhão. Para nós, cristãos, compreender essa verdade é algo
singular no sentido de entendermos que a geração nova precisava ter fé. Ainda
que os pais tenham tido fe, cada um é chamado a responder com amor, obediência
e fidelidade ao chamado divino. Pedro fala que a promessa é para todos quantos
o Senhor, nosso Deus, chamar (At 2.39). Dessarte, cada pessoa ainda é chamada
hoje para viver a Nova Aliança feita pelo sangue de Cristo Jesus (Mt 26.26).
3. Uma revelação direta de Deus
Para que se entenda nitidamente que a aliança
cra algo bem pessoal, o versículo 5 faz uso da antropopatia, que é uma forma de
usar-se uma humana para falar de Deus. Assim, pela expressão "face a
face", dois aspectos podem ser vistos nesse ato da revelação divina:
intimidade e intensidade. O Deus eterno, santo, justo e poderoso não se ocultou
do homem, mas revelou-se ao seu povo escolhido de modo pessoal, mesmo que fizesse
uso de um intermediário, Moisés. Outro tipo de manifestação de Deus descrita no
versículo é a do meio do fogo, que expressa a sua glória, temor e santidade.
Destacamos já que a aliança não é um
contrato, pois nela tem-se a central revelação de Deus, que jamais pode ser visto
ou entendido como uma ideia, força invisível, mas um ser real, que fala,
revela-se e manifesta-se. A revelação de Deus no Sinai posteriormente iria
apontar para vinda de Cristo Jesus (Hb 1.1-2). O cristão vive constantemente
desfrutando da revelação ou comunicação de Deus, mas isso não acontece mais
hoje por meio do fogo, de anjos, mas diretamente pela Palavra e pelo Espírito
Santo, que nos guia em toda a verdade (Jo 14.16,26; Hb 4.12). Todos viram o
fogo no Sinai. No Pentecostes, o fogo e o Espírito Santo que atua em nosso coração
(J1 2.28; At 2.16).
II -AEXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS
MANDAMENTOS
A partir de Deuteronômio 5.6-11, tem-se o
bloco que faz a introdução inaugural do Decálogo, que não se resume a
mandamentos, mas atém-se à construção da base que gera relacionamento de Deus
com o homem, isto é, algo que vem de cima. Ademais, o Senhor e apresentado como
o grande redentor, que deseja do homem uma resposta de obediência (Dt 5.6).
Lendo-se os Dez Mandamentos, é possível
entender que o Senhor não começa dando ordens ao homem, mas o seu
relacionamento começa com a açao de libertar os israclitas. Isso e interessante,
porque nenhum deles iria obedecer a Deus para ser salvo, mas a resposta de
obediencia e santidade cra devido aos grandiosos favores e bençaos que Deus
havia-lhes concedido, inclusive a libertação do Egito; logo, nesse sentido,
compreende-se nessa ação divina a teologia da graça, que se faz presente nas
Sagradas Escrituras de capa a capa.
O que abordaremos nesses versículos, portanto,
é que a centralidade para o relacionamento com Deus é exposta por Moisés de
modo singular. Em primeiro lugar, exclusividade na adoração (v. 7), pureza no
culto (vv. 8-9), zelo divino (v. 9), reverência para com Deus (v. 11). Todo
israelita, pelo ensino, deveria estar consciente de que o Senhor era o único
Deus e que qualquer tipo de idolatria teria que ser rejeitada. No demais, todos
eram chamados para uma adoração verdadeira, que deveria ser marcada pela espiritualidade,
verdade e reverência.
O fundamento para esses mandamentos seria o
amor a Deus com todo o coração (Dt 6.5). Quando algum israelita manifestasse
obediência aos mandamentos divinos com zelo, santidade e adoração, estaria
revelando um sincero, e nao apenas meras palavras ou sentimentos vazios. Nosso Senhor
Jesus Cristo reforçou essa mesma estrutura de Deuteronômio quanto à essência
dos mandamentos (Mt 22.37-38).
A leitura dos Dez Mandamentos é feita à luz
do contexto da aliança, isso porque os mandamentos não são leis universais, mas,
sim, juramentos que o povo de Israel fazia para com o Senhor, que requer
fidelidade de cada um do seu povo. Historicamente e voltando ao contexto dos
tempos antigos, os clementos de um contrato no oriente englobam um tratado de
soberania c nele o rei impunha a sua lei aos vassalos. Nos Dez Mandamentos,
porém, tem-se a presença do Deus que os libertou e salvou e que se relaciona e deseja
que cada um volte-se para Ele com amor verdadeiro.
1. Os quatro primeiros mandamentos:
amor a Deus
Na estrutura dos quatro primeiros mandamentos,
está claro que todo israelita deveria manter para com Deus exclusividade,
reverência, temor e comunhão. No primeiro, o Senhor quer exclusividade, pois é
único e soberano; no segundo, jamais se deve fazer qualquer tentativa de reduzi-lo
a algo material para representá-lo; já o terceiro pede reverência para com o seu
nome, Yahweh, que revela o seu caráter; e o quarto envolve a santificação do
tempo e reconhece o mesmo como Deus criador e redentor (Ex 20.8; Dt 5.15).
Pela instrumentalidade desses mandamentos,
fica claro que o Senhor quer um relacionamento exclusivo com o seu povo, pois
Ele não divide a sua glória com ninguém (Is 42.8), marcado pela santidade,
adoração verdadeira, zelo e fidelidade, pois cada ponto desses mandamentos
reflete a santidade de Deus. A Lei, nesse particular, não pode ser analisada
tão somente como exigências morais, mas, sim, como santa, espiritual e
relacional.
Essas exigências divinas estão presentes em
todo o Novo Testamento, de maneira que o cristao precisa entender que o Senhor
continua exigindo adoração exclusiva para Ele (1 Co 8.6), rejeitando e
condenando todo tipo de idolatria (1 Jo 5.21), requerendo de todos reverencia
para com o seu nome (Mt 6.9) e convidando a todos para um tempo de descanso
espiritual c adoração (Hb 4.9-10). Quem segue todos esses princípios bíblicos e
coloca- os em prática realmente manifestará um amor sincero para com Deus que será
acima de todas as coisas (Mt 22.37). Adorar ao Senhor Deus em obediência e
fidelidade e com a vida totalmente consagrada a Ele está acima de qualquer
tradição religiosa e liturgias frias.
2. Os
seis mandamentos: amor ao proximo
Os seis últimos mandamentos estabelecem uma
ordem ética que envolve a vida em comunidade e mostra que o Senhor deseja uma
vida com respeito, verdade e integridade. Em destaque, nota-se que "honrar
pai e mãe" é o único mandamento com promessa. "Não matar" mostra
respeito pela vida, e "não adulterar", santidade no casamento. Os
outros que se seguem envolvem o ato de preservar-se a propriedade, a verdade e
a pureza do coração.
É importante atentar para os mandamentos
dessa ética relacional, pois cada um deles mostra que o Senhor leva em
consideração a forma como tratamos nosso próximo, pois cada ser humano traz na
sua existência a imagem de Deus (Gn 1.26-27; 9.6), de modo que não se pode ter
qualquer tipo de preconceito, racismo e diferença para com as pessoas, pois
todos foram criados por Deus, e Ele jamais faz acepção de pessoas (Dt 10.17; 16.19;
2 Cr 19.7; MI 2.9; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; Cl 3.25; Tg 2.1,9; 1 Pe 1.17).
Ao estudarmos o Decálogo, não estamos, portanto,
tratando simplesmente de uma lei fria ou apenas de exigências morais, mas nele
estão expressos o caráter de Deus, a sua santidade e o que o Senhor quer do seu
povo. Essa lei divina não é só um código, mas a sua vontade (Dt 4.13). Nela
estão declarados os fundamentos para que uma sociedade seja justa, o que só é possível
quando, em primeiro lugar, acontece a mudança no coração de cada indivíduo,
Esses mandamentos, pela ótica de Paulo, são
por demais pertinentes, e ele reafirma-os em Romanos 13.8-10 como uma expressão
de amor. Compreendemos que a etica cristã é imprescindivel para que o amor seja
desenvolvido na prática. Quando se obedece à lei moral, o Fruto do Espírito é
manifesto (Gl 5.22-23) no contexto que envolve os relacionamentos. Essa ctica
relacional e a moldura moral que visa proteger a vida em sociedade, a família,
o casamento, a propriedade e a verdade. Trata-se de expressões práticas que
envolvem o segundo e maior mandamento (Lv 19.18; Mt 22.39) e que são reflexo do
caráter de Deus. Todo cristão, portanto, deve viver de modo justo, íntegro e
amoroso na sua relação com o seu próximo. Paulo fala que toda a Lei é cumprida
numa só palavra: amar o próximo (Gl 5.14).
3. Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje?
Esta tem sido a pergunta de muitos cristãos:
"Qual a utilidade da Lei para os que vivem em Cristo?". As leis
cerimonial e civil foram cumpridas em Cristo Jesus (Mt 5.17), mas a lei moral
permanece viva e expressa o caráter de Deus. Pode-se dizer, assim, que a graça
não anula a obediência, mas fundamenta-a. Paulo falou que a Lei serviu de aio
para conduzir-nos a Cristo (Gl 3.24), mas Cristo Jesus devolve-nos a Lei como
uma norma de gratidão e santidade.
Em se tratando da utilidade da Lei para o
cristão, é preciso analisar os seus três usos tradicionais: o primeiro pode ser
visto na sua função moral. Nesse sentido, ela está sendo usada como um freio
para o pecado, instruindo a consciência do homem (1 Tm 1.9,10). Segundo, ela
tem o seu uso na função normativa para uma vida santa. No momento em que acontece
o novo nascimento, a lei moral passa a ser um guia de vida que expressa a
vontade de Deus (Sl 1.2; Rm 7.12). Terceiro, a Lei e usada na sua função
pedagógica, pois revela o pecado e a incapacidade de o homem libertar-se dele
pela sua vontade. Ela, porém, certamente o conduz a Cristo, que é a verdade que
liberta (Jo 8.32; Gl 3.24).
Tudo se volta para o Antigo Testamento quando
falamos das leis civil, e cerimonial, e os eventos têm ligação direta com a obra
que Cristo consumou. Essa divisão, que foi muito usada pelos reformadores,
serviu para explicar como esses aspectos aplicam a Lei Mosaica aos cristãos. Os
cultos, os sacrificios, as festas religiosas, a pureza ritual, o sacerdócio
levítico e o Tabernaculo estavam presentes na lei cerimonial e apontavam para Cristo
Jesus, sendo, portanto, sobras das coisas futuras (Cl 2.16-17; Hb 10.1). Jesus,
como Cordeiro, Templo perfeito e Sumo Sacerdote, cumpriu essa lei totalmente Jo
1.29; 5.17; Hb 7-10). Essa lei não é mais exigida para o culto cristão de hoje.
Temos na lei civil o conjunto de leis que regiam
a nação de Israel, que era teocrática, e isso envolvia penalizações,
restituições, administração da justiça, herança, propriedade e guerra (Ex
21-23; Lv 25; Dt 19.15-21).
Nesse particular, Jesus cumpriu toda a justiça
da Lei e ensinou a todos princípios que vão além do contexto vivido por Israel,
os quais foram direcionados a todas as nações (Mt 22.21; Jo 18.36). Não há mais
dessa lei civil para o cristão; o povo de Deus agora se espalha toda a terra (1
Pe 2.9). Mesmo não sendo mais uma teocracia, os de justiça, cquidade e
dignidade humana sempre são válidos.
Os mandamentos são universais e eternos na
lei moral. Eles refletem o caráter santo e justo de Deus. Essa cláusula não foi
abolida, mas, sim, cumprida em Cristo e reafirmada por Ele (Ex 20; Dt 5; Mt
22.37-40; Rm 13.8-10). Jesus cumpriu essa lei porque viveu neste mundo sem
pecar (Hb 4.15) e ensinou os seus discipulos a obedecerem-na em espirito e
verdade Mt 5.17-20; Rm 8.3-4). Essa lei permanece válida para os cristãos,
porém jamais como meio de salvação, mas como norma para uma vida pura e
santa,
dirigida e avivada pelo Espírito Santo de Deus (GI 5.16,22-23).
O cristão, portanto, não vive debaixo da Lei
como uma forma de receber a regeneração, a justificação (Gl 2.16), mas
submete-se à sua autoridade moral, pois os mandamentos guiam e orientam para
uma vida de santificação e obediência, bem como discernimento ético frente a um
mundo com os seus postulados relativistas (Rm 3.21). Assim, a Lei para o cristão
apresenta três aspectos: espelho, ao revelar a necessidade de Cristo; bússola,
ao orientar a caminhada; e testemunho, ao apresentar exemplo vivo de uma vida transformada
pela graça de Deus (1 Jo 5.3).
III -OBEDECENDO À VOZ DE DEUS UMA TEMÁTICA QUE
FAZ PARTE DE TODA A ESCRITURA
SAGRADA É A
OBEDIÊNCIA A DEUS. ESTAMOS,
PORÉM, COM NOSSA
ATENÇÃO VOLTADA AO CAPÍTULO 5 DE
DEUTERONÔMIO, CUJO CONTEÚDO ORBITA, NO SEU TODO, NA QUESTÃO DA OBEDIÊNCIA. O
SENHOR NÃO SE REVELOU POR SIMPLESMENTE SE REVELAR, MUITO MENOS DEU MANDAMENTOSPOR
ACASO. POR MEIO DA SUA REVELAÇÃO, ELE TENCIONAVA DESENVOLVER COM CADA ISRAELITA
UM RELACIONAMENTO QUE FOSSE
RESPONDIDO COM TEMOR E OBEDIÊNCIA
(DT5.4).
QUANDO UM ISRAELITA MANIFESTAVA
OBEDIÊNCIA AO
SENHOR, ESTAVA RECONHECENDO A SUA
VOZ E AUTORIDADE DIVINAS, A SUA SANTIDADE ABSOLUTA E O SEU AMOR REDENTOR (DT
28.1).
A obediência do israelita era uma resposta fiel
à revelação divina e à sua presença. Ele não estaria apenas seguindo leis sob
algum tipo de medo ou punição, mas andaria com Deus e creria que a vontade dEle
estava revelada scus mandamentos. De igual modo, o cristão, quando manifesta obediência
para com Cristo, está demonstrando submissão ao seu senhorio Jo 10.27). Isso
acontece porque, quando se escuta obedientemente a Deus, tem-se a real prova de
uma crença verdadeira, cujo resultado será de bênçãos maravilhosas e duradouras
que envolvem a preservação, a comunhão e a vida eterna (S1 119.105; Mt 7.24,27;
Rm 10.17).
1. A Palavra de Deus revelada à congregação
Nos versículos de Deuteronômio 5.22-27, há
pormenores que precisam ser analisados. Em primeiro lugar, vemos que o Senhor
falou tanto com Moisés quanto com toda a congregação de Israel. Essa revelação
de Deus no Horebe (Sinai) foi audível e seguida de fogo, escuridão e voz
poderosa. É por demais relevante esse aspecto da revelação
divina acontecer de modo público, e não isoladamente, como se vê nos registros
históricos de certas scitas, em que a revelação só é dada para uma pessoa.
Aqui, o Senhor deu contas à congregação para que jamais houvesse qualquer tipo
de invenção ou adulteração humana (Dt 5.22).
Entendemos que o Senhor sempre quis
comunicar-se com o homem, e a maneira como Ele procedeu na sua revelação, que
foi direta, evidencia que Deus é comunicativo, santo e quer que o seu povo ouça
a sua voz e viva em comunhão com Ele. Teologicamente, a relação geral de Deus
torna-se especial quando fala de modo direto (Hb 1.1,2). Quando o Senhor fala,
a sua voz mostra a sua glória e vontade (SI 29). Essa revelação começou no Antigo
Testamento, mas teve o seu desfecho completo na pessoa de Cristo Jesus (Jo
1.14).
A Igreja e consciente de que serve a um Deus
vivo e poderoso e de que faz parte do seu pastoreio (SI 100.3). Assim, quando
se reúne, é para ouvir a voz divina por meio da pregação e ensino das Sagradas
Escrituras, pois hoje Ele fala por meio dela e espera uma resposta de
fidelidade e obediência sem traço de incredulidade, mas, sim, de plena fé (Hb
3.7-8; Ap 2.7).
O versículo 27 possui dois verbos que destacam
a consideração do povo para com a palavra revelada: o primeiro é escutaremos ou
ouviremos. Não se trata apenas de limitar-se ao ouvir fisico, mas, sim, uma
atenção e uma compreensão que respondesse obedientemente. Quando o povo disse:
"ouviremos",
todos estavam reconhecendo que a obediência começava pela escuta reverente (Rm
10.17).
O segundo verbo e cumpriremos. Ao usarem esse
termo, todos se comprometiam a praticar o que iriam ouvir e, dessa mancira,
diziam que teriam submissão total à vontade de Deus (Tg 1.22).
2. Bênção e preservação aos obedientes
Nos versículos 29-33, Moisés mostra que a
obediência aos mandamentos de Deus traria ao povo gloriosas bênçãos: vida,
bem-estar, preservação c continuidade tanto espiritual como social (Dt 5.29). A
dimensão da bênção aqui descrita não é apenas material, mas vai muito mais
além, pois, quando obedece a Deus em resposta à sua Lei, o homem tem a sua alma
preservada e recebe vida abundante, cujos frutos serão duradouros (Dt 5.33).
Bíblica e teologicamente, sabemos que a
obediência é fruto do temor a Deus (Pv 1.7). No demais, ao obedecer, cada israelita
era consciente de que estava ouvindo a voz de Deus, por meio da qual receberia
proteção, direção e herança espiritual (S1 91; Is 30.21). Semelhantemente, os
cristãos que vivem a obediência por meio da Palavra de Deus são tanto
aperfeiçoados quanto salvos (2 Tm 3.15; Hb 5.9). Além disso, mostra um amor
grandioso para com a voz divina, guardando os mandamentos (Jo 14.15; Tg 1.22).
Os que realmente desejam desfrutar das copiosas bênçaos do Senhor precisam ouvir
e sujeitar-se à sua voz constantemente.
3.
Palavras exortativas de Moisés
Os versículos 27-33 mostra que o povo temeu
ouvir a voz de Deus, de modo que os israelitas solicitaram que Moisés figurasse
como mediador entre eles c o Senhor. Nesse caso, o grande lider atuaria como um
pastor que iria cxortar e relembrar a todos os mandamentos do Senhor, bem como convocar
cada um a viver conforme os mandamentos divinos com fe, fidelidade e obediência
(Dt 5.27). As exortações dadas por Moisés eram para que cada um pudesse ouvir,
guardar e praticar o que o Senhor Deus estava determinando por meio dos seus
mandamentos e que isso fosse feito com a atitude de um coração cheio de temor e
santidade, pois, somente procedendo assim é que teriam vida e bênção (Dt 5.32-33).
Já dissemos que Moisés iria atuar não como um
orador ou um filósofo, que apenas mostram erudição acadêmica. Ele mesmo tinha
consciência de que estaria dando ao povo os mandamentos do Senhor, de modo que
a sua atuação seria profética e conclamaria a toda a congregação a uma vida de santidade
e aliança com o Senhor. Nesse particular, o grande legislador do povo de Isracl
vai figurar como a pessoa de Jesus Cristo, que scra o Mediador superior da Nova
Aliança, firmada no seu próprio sangue (Hb 3.5-6; 8.6). Ao falarmos de Moisés
como exortador, não queremos dizer que
ele
seria um tipo de opressor, ou seja, alguém que iria impor a sua vontade e ideias.
Ele, na verdade, entregaria a toda a congregação a Palavra de Deus, marcada
pela graça divina que leva a vida.
Os pastores de hoje, assim como Moisés, são
profetas de Deus para esta geração e devem entregar na integra a mensagem
divina, exortar todos a achegarem-se mais a Deus com temor e tremor santo, em
rendiçao e submissão, e fazerem isso por meio do evangelho de Jesus Cristo, que
é o poder de Deus para a salvação de todos (Rm 1.16). Essa exortação objetiva levar
cada um a viver de santidade e fé, lembrando que, como disse Paulo, as
Escrituras Sagradas são úteis para tudo (2 Tm 3.16). Devemos, portanto, exortar
uns aos outros por meio dela (Hb 3.13).
CONCLUSÃO
OS
AMANTESDA PALAVRA DE DEUS SÃO
CIENTES DE QUE O TEMA OBEDECERÉ
PRESENTE EM
TODAS AS SUASPÁGINAS, DE MODO QUE
PODEMOSDIZER QUE, QUANDO OBEDECE À VOZ DE DEUS, O CRISTÃO ESTÁ VIVENDO A
ESSÊNCIA DA FÉ CRISTÃ, CONFORME ESTUDAMOS EM DEUTERONÔMIO 5. POR MEIO DESSE CAPÍTULO,
VEMOS QUE O FALAR DE DEUS É SIMPLESE QUE OS QUE OBEDECEM AO SEU FALAR RECEBEM BÊNÇÃOS
MARAVILHOSAS: PRESERVAÇÃO E VIDA. NO DEMAIS, COMO O SENHOR USOU MOISÉS PARA
EXORTAR O POVO, HOJE ELE CONTINUA USANDO HOMENS ESCOLHIDOS, OS LÍDERES, PARA
EXORTAR E CONDUZIR O POVO NOS SEUS CAMINHOS. PODEMOS VIVER EM OBEDIÊNCIA
SEGUINDO O MODELO DE CRISTO (FP 2.8),
QUE É SUPREMO, E O SEU SANTO
ESPÍRITO É QUEM NOS CONDUZIRÁ A UM VIVER SANTO E A UMA OBEDIÊNCIA FIEL À VOZ DE
DEUS (SL 95.7-8; RM 8.14).


