segunda-feira, 13 de abril de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa



 

TEXTO ÁUREO

E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

(Gn 16.2).

VERDADE PRÁTICA

A impaciência é antagônica a fé, por isso não devemos ser dominados por ela. Deus é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 16.1-16.

1 — Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

2 — E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 — Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.

4 — E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 — Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O SENHOR julgue entre mim e ti.

6 — E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face.

7 — E o Anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.

8 — E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora.

9 — Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos.

10 — Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será.

11 — Disse-lhe também o Anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.

12 — E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13 — E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?

14 — Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede.

15 — E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael.

16 — E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu Ismael a Abrão.

  PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Abrão é chamado de “pai da fé” e “amigo de Deus” porque deixou sua terra rumo ao desconhecido, tornando-se figura central para judeus e gentios. Contudo, o Senhor usou o tempo para moldar seu caráter. A promessa divina parecia distante, as circunstâncias não se alinhavam e Sarai, vencida pela impaciência, decidiu agir por conta própria ao entregar sua serva a Abrão. Ele, por sua vez, não a lembrou das promessas recebidas. Ambos tinham fé, mas precisavam guardar na memória o que Deus lhes dissera. Esse é o segredo para não sucumbirmos na espera e não agirmos por impulso, como fizeram Abrão e Sarai. 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a Deus; II) Explicar as consequências de agir por conta própria; III) Encorajar os alunos a permanecerem firmes no Deus que conduz a história.

B) Motivação: “Você tem a virtude da paciência?” Em um mundo imediatista e ansioso, muitos agem como Sarai, tentando resolver tudo sem Deus. Mas as consequências chegam. No Reino de Deus, não há espaço para o imediatismo: o Senhor governa o tempo. Por isso, devemos esperar nEle e rejeitar toda ansiedade, confiando que seus planos são perfeitos e se cumprem no momento certo. A paciência preserva o coração e fortalece a fé em meio às demoras da vida.

C) Sugestão de Método: Para introduzir o tópico, escreva “ansiedade” no quadro e pergunte aos alunos o que essa palavra desperta neles. Explique que ansiedade é uma preocupação excessiva que afeta corpo, alma e espírito, trazendo irritação, aceleração do pensamento e desejo de controlar tudo. Sarai, diante da longa espera, deixou-se dominar pela ansiedade e elaborou seu próprio plano, gerando consequências para ela e para Abrão. A Bíblia nos orienta a entregar nossas inquietações ao Senhor. Conclua lendo Filipenses 4.6,7 e 1 Pedro 5.7.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Depois de expor todos os tópicos da lição, aplique as verdades estudadas mostrando que não devemos andar ansiosos nem tentar “ajudar” a Deus criando atalhos, como fez Sarai. É essencial aprender a esperar o tempo do Senhor, confiando que Ele trabalha mesmo quando não vemos. Devemos manter viva a esperança, lembrando que aquEle que prometeu é fiel e cumpre sua Palavra no momento certo, conduzindo-nos com sabedoria e graça.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 105, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Reconhecendo as Promessas de Deus”, localizado depois do primeiro tópico, vai nos mostrar o que é uma promessa divina para nós; 2) No final do segundo tópico, o texto “Eis que o Senhor me tem impedido de gerar” vai nos ajudar a compreender o que significava para a mulher ser estéril dentro da cultura judaica do AT.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Deus fez uma promessa a Abrão, mas o tempo passou, e parecia que ela jamais seria cumprida. Abrão já estava com 85 anos, e sua esposa também já era bem idosa. Então, Sarai foi dominada pela impaciência e desejou agir por conta própria. Ela decidiu entregar sua serva a Abrão para que tivesse filhos com ela. Ao que tudo indica, o pai da fé e amigo de Deus não consultou ao Senhor, mas deixou-se levar pela impaciência de sua esposa. Todos que são dominados pela impaciência sofrem consequências ruins, e com Abrão e Sarai não foi diferente. Nesta lição, meditaremos sobre a sabedoria divina de aguardar com perseverança o cumprimento da promessa de Deus dirigida ao seu povo.

Palavra-Chave:

IMPACIÊNCIA

 AUXÍLIO TEOLÓGICO

 “RECONHECENDO AS PROMESSAS DE DEUS

Para podermos depositar nossa fé nas promessas de Deus é necessário, primeiramente, sabermos o que é e o que não é uma promessa de Deus na Bíblia. Obviamente, se aplicarmos como promessa um versículo que, de fato, não é nenhuma promessa, então nossa fé estará deslocada e ficaremos desiludidos quando não virmos os resultados que esperamos. Entretanto, não ficaremos desapontados com a Palavra de Deus se a interpretarmos corretamente (2Tm 2.15) e aplicarmos apenas os versículos que se constituem em promessa para nós hoje.

  Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de ser válidas para todos os crentes. Um exemplo disso é Gênesis 12.2. Essa promessa foi feita apenas a Abraão, e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje não devem considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles [...].” (RHODES, R. Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.19,20).

  AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR

Era costume entre os povos da Mesopotâmia que a esposa incapaz de conceber filhos obrigasse sua serva a gerar filhos por ela. Os filhos pertenceriam à esposa.

 (1) Não obstante ao costume, não era dessa maneira que Deus pretendia dar a Abrão e Sarai uma família (cf. 2.24).

 (2) O Novo Testamento equipara o filho de Agar a fruto de esforço humano — “segundo a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Em outras palavras, somente podemos cumprir os propósitos de Deus se fizermos as coisas à maneira dEle — pelo poder do seu Espírito e pela oração.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.20).

   SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Nesta oportunidade, estudaremos com mais detalhes a respeito do tempo de espera que Abrão teve de suportar para ver cumprir-se a promessa de que seria pai. Deus tem Seus próprios caminhos para fazer valer a Sua palavra. Ele é Soberano e tem o controle de todas as coisas sob Suas mãos. Abrão não precisava “ajudar” Deus a cumprir o que havia lhe prometido, ou mesmo descobrir um atalho para antecipar o cumprimento dos desígnios divinos. Infelizmente, o patriarca não soube esperar e decidiu agir mais uma vez impelido pela emoção. Os muitos anos de espera para ver se cumprir a promessa de que teria um herdeiro provocou no patriarca um cansaço espiritual. Abrão já não via mais esperança de que Sarai lhe daria um filho. Por outro lado, Sarai entendeu que, em razão da sua velhice, já havia cessado os dias da sua capacidade de gerar filhos. E vendo o quanto era importante para seu marido ter um herdeiro, permitiu que sua concubina Agar se deitasse com Abrão a fim de lhe gerar um filho.

  Conforme discorre o Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD), “Sara desesperou-se para dar à luz o herdeiro que Deus havia prometido a Abraão. Sara, então, incentivou seu marido a gerar uma criança com Agar (Gn 16.1-3), utilizando um expediente legal e normal, frequentemente atestado na Antiga Babilônia, e nos textos de Nuzu. Pela lei, uma esposa sem filhos deveria prover a seu marido uma mulher, geralmente, uma escrava, que lhe geraria filhos em nome da esposa. Sara também agiu dentro de seus direitos de acordo com as leis comuns da Mesopotâmia ao tratar Agar rispidamente por desprezar sua senhora estéril (Gn 16.4; código de Hamurabi, #146). Quando Agar ficou grávida e fugiu, foi necessária uma intervenção divina para trazê-la de volta à casa de Abraão, onde nasceu Ismael (Gn 16.5-15)” (p.1765).

  Nota-se que, além da esterilidade do ventre de Sarai, o tempo de espera tornou-se um desafio a mais para a fé de Abrão. Aprendemos a partir do seu exemplo que o exercício da fé depara-se com circunstâncias que são imprevisíveis. Nesse sentido, tanto a imprevisibilidade quanto o tempo são recursos que o próprio Deus instrumentaliza para forjar a fé no coração do fiel e torná-lo mais confiante no autor da promessa. Somente enfrentando esses desafios é que Abrão experimentou o amadurecimento espiritual e, por fim, pôde ser intitulado de “amigo de Deus”. Semelhantemente, Deus usa adversidades para nos fazer crescer na fé e conhecê-Lo não apenas como Criador e Soberano, mas a desfrutar da sua presença como o nosso Salvador e Senhor pessoal. Aquele com quem temos comunhão e ansiamos conviver por toda a eternidade (Hb 4.14-16).

   CONCLUSÃO

  Os anos passavam, e Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora no cumprimento das promessas de Deus. Sarai, olhando para sua esterilidade, acreditou que poderia “ajudar” a Deus e sugeriu que seu esposo tomasse sua serva, Agar, uma egípcia, a fim de ter filho com ela. Mesmo sendo um homem de fé, Abrão aceitou participar do plano de sua esposa. E o “plano” humano deu certo. Abrão uniu-se a Agar e tiveram um filho, Ismael.

  Vimos que as consequências não tardaram e não foram boas. Essa parte da história de Abrão é marcada por erros. O patriarca, sua esposa e sua serva erram, pois Deus não precisa de atalho ou da ajuda humana para que seus planos se cumpram. Ele é o Senhor que governa a história e como afirmou o profeta Isaías: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13)

    Homens dos quais o mundo não era digno — O legado de Abraão, Isaque e Jacó

Comentarista: Elinaldo Renovato

Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa



Capítulo 3

  A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMΜΕΝΤΟ DA PROMESSA

  ORA, SARAI, MULHER DE ABRÃO, NÃO LHE GERAVA FILHOS, E ELE TINHA UMA SERVA EGIPCIA, CUJO NOME ERA AGAR. E DISSE SARAI A ABRÃO: EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR; ENTRA, POIS, A MINHA SERVA; PORVENTURA, TEREI FILHOS DELA. E OUVIU ABRÃO A VOZ DE SARAI. ASSIM, TO-MOU SARAI, MULHER DE ABRÃO, A AGAR, EGIPCIA, SUA SERVA, E DEU-A POR MULHER A ABRÃO, SEU MARIDO, AO FIM DE DEZ ANOS QUE ABRÃO HABITARA NA TERRA DE CANAA. (GN 16.1-3)

   Sem dúvida, Abrão procurou ter um relacionamento normal com Sarai, não obstante as suas respectivas idades. Ela era muito formosa e motivo de atração sexual para seu esposo. Após o casamento, dentro de pouco tempo, tiveram a constatação de que ela era estéril. Diante de tal fato e das promessas de Deus, Abrão esperou no seu cumprimento. Porém Sarai não teve a mesma paciência. E inquietou-se em seu coração, vendo o tempo passar. Então falou para o seu esposo:

  Eis que o Senhor me tem impedido de gerar, entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai. Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaa E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos. Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O Senhor julgue entre mim e ti. E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face. E o Anjo do Senhor a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur. E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora. Então, tle disse o Anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos, Disse-lhe mais o Anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o Anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor ouviu a tua aflição. E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele, e habitară diante da face de todos os seus irmãos. E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque dise: Não olhei eu também para aquele que me vë? Por iso, se chama aquele poço de Laai-Roi eis que está entre Cades e Berede. E Agar deu um filho a Abrão e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael. E era Abrão da idade de citenta e seis anos, quando Agar deu lunael a Abrão (Gn 16.2-16)

 1-O PAI DA FÉ FRAQUEJA

  Quando Abrão questionou a Deus, dizendo que seu herdeiro provavelmente seria o damasceno Eliezer, seu mordomo, o Senhor lhe assegurou que tal não aconteceria. O seu herdeiro seria um filho seu, de suas "entranhas", ou seja, um filho natural, nascido do ventre de Sarai. Mas o tempo passava, os anos se seguiam, e a promessa não se cumpria. Então, sua esposa, sentindo o grande problema, que envolvia a idade avarıçada do esposo e a sua própria esterilidade, imaginou uma solução humana, na verdade, um atalho para ver o impossivel acontecer, A impaciência na espera tomou o lugar da ſe nas promessas

  Na opinião de Sarai, a resposta era o costume da patria de onde vieram. Este costume dizia que a expulsa sem filhos sem de oferecer ao marido uma criada para servir no lugar dela. A descendència seria considerada sua. Sarai tinha uma serva egipcia chamada Agar, que ela ofereceu a Abrão.

    Com interesse sincero no coração, Sarai fez o que nenhuma mulher gostaria. Chamou Abrão, quando ele já tinha por volta de 85 anos, e lhe propos entregar sua serva, Agar, bem mais nova que ela, para que pudesse ter um filho, que seria contado como sendo seu (de Sarai), O Pai da Fe não orou a Deus, buscando sua direção sobre o tal "arranjo". Parece-nos que aceitou a estranha ideia de pronto. Foi um grande momento de fracasso em sua fe perante Deus!

Agar acatou a proposta de tornar-se mulher de seu senhor Abrão a tomou e ela engravidou, mas não soube ser grata c honrar sua senhora, porque passou a zombar de Sarai, me nosprezando-a (Gn 16.4), Por esse motivo, Sarai chamou seu marido e lhe disse de sua decepção por ter-lhe dado sua serva, egipcia (Gn 16.5)

  II-AS CONSEQUÊNCIAS DO ARRANJO

  Deus não precisa de arranjo ou atalho para cumprir suas promessas. Ele disse a Jeremias: "E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir" (Jr 1.12). Deus é fiel! Em sua onipotência, Ele faz tudo o que quer. Em sua Palavra, Ele disse: "[...] operando eu, quem impedira?" Is 43.13b). Quando alguém deixa de crer na Palavra de Deus, c busca outras soluções, sempre resulta em problemas sérios.

  Emoções profundas e intensas no coração de cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma promessa divina por meio de providencias legais. Agar ficou arrogante com sua senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva. Indo ao marido, ela o acusou de privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude. [...] Era contrário ao costume da pátria de onde vieram as esposas servas mostrarem desrespeito à esposa principal. Abrão recusou punir Agar, mas permitiu que Sarai agisse como quisesse. O mesmo costume que permitia uma esposa substituta não permitia a expulsão desta esposa depois que ela ficasse grávida, qualquer que fosse sua atitude. Mas Sarai era diligente Ela afligiu-a, forçando a moça a fugir

  1. Conflito Familiar

  Não tardou e as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestaram. A primeira delas foi a ingratidão de Agar para com sua senhora. Mesmo sendo honrada pelo ato generoso, embora errado, de ter sido colocada nos braços de Abrão, para que este pudesse ter um filho e a promessa de Deus se cumprisse, a serva egípcia se comportou como uma competidora. Ela passou a desprezar sua senhora, certamente lhe causou inveja e mal-estar. Talvez tenha dito a Sarai: "Está vendo? Ele me ama mais do que a você!" ou "Eu sou mais abençoada por Deus que você!", "Você é estéril, e eu estou grávida!". Palavras como essas, se foram ditas, podem ter feito doer grandemente o coração de Sarai. Provavelmente, ela se arrependeu de ter tido a ideia de entregar sua serva a Abrão. Mas já era muito tarde. O estrago emocional já estava feito. Por isso, devemos anotar que nossas decisões devem ser postas diante de Deus, em oração. Como diz a oração do Pai Nosso, "Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu" (Mt 6.10.

  2. A Fuga de Agar

  Diante da ingratidão de Agar, Sarai tornou-se sua adversária. Protestou junto a Abrão pelo grande mal-estar. "E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão, faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E affigiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face" (Gn 16.6). A decisão de Sarai, em acordo com Abrão, mas fora da vontade de Deus, provocou grande constrangimento à familia e a todos os envolvidos, Percebendo o desconforto da esposa, Abrão deixou a cargo dela a solução do problema. Sarai, por sua vez, não perdeu tempo: passou a afligir Agar. Esta, sentin-do-se grandemente constrangida e ameaçada, fugiu grávida e sem apoio daqueles que poderiam ajudá-la, num momento tão crítico de sua vida. Podemos imaginar a triste situação de Agar. Grávida pela primeira vez, sem experiência, num tempo em que não havia qualquer assistência médica, saiu de casa errante, sem destino certo. Sem comida, sem água, ela foi para o deserto.

  3. Deus Entra em Ação

  Deus é maravilhoso! Ele não deixa nada por fazer. Depois de sua atitude impensada, Sarai praticamente obrigou Agar a sair de sua casa. Não tendo mais ambiente, Agar fugiu sem destino, mas Deus tudo vě. Mesmo sabedor dos fatos, o Anjo do Senhor encontrou Agar, no deserto, junto a uma fonte. "E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora" (Gn 16.8). Ela pode ter pensado que estava abandonada, que ninguém mais se importava com sua situação.

  Porém, Deus entrou em ação. O Anjo the falou: "Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos" (v. 9). Não deve ter sido fácil para Agar, Afinal, ela foi colocada numa situação que não procurou, fugiu e viu-se obrigada a passar pela grande humilhação de retornar à sua senhora. Deus tem seus planos, e seu Anjo lhe fez promessas tão grandes que ela jamais imaginara. Após a ordem de voltar para a sua senhora, o Anjo do Senhor the disse:

   Multiplicarei sobremaneira a toa semente, que não será contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o Anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor ouviu a tua affição. E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitarà diante da face de todos os sem irmãos. (Gn 16.10-12)

  Agar deve ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras do Anjo. Refeita do impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo, expressou sua alegria. "E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vë? Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi, eis que está entre Cades e Berede" (vv. 13-14).

  III-O PRIMOGÊNITO DE ABRÃO

  Nos planos de Deus, o primogenito de Abrão deveria ser Isaque, o "Filho da Promessa". Porém, a impaciência de Abrão e de Sarai mudou a história deles. O primogenito, em termos humanos, foi o filho que ele teve com Agar.

  1.0 Deus que Ouve, o Deus que Vê

  Na solene promessa a Agar, o Anjo declarou que o menino deveria ter o nome de Ismael, nome dado por Deus. Que privilégio! E o Anjo disse o significado do nome: "[...] e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor ouviu a tua aflição" (Ga 16.11). O significado do nome Ismael é "Deus ou viu" ou "Deus ouviu-me". Ismael é, para os muçulmamos, um profeta. De fato, os muçulmanos reivindicam a primogenitura a Ismael, "pai dos árabes".

  Há momentos, na vida dos servos de Deus, em que parece não haver nenhuma saída ou solução. Ele é Onisciente, sabe tudo a nosso respeito. Ele é Onipresente, está em todo lugar ao mesmo tempo. Agar se sentia só, abandonada, perdida, mas Deus se fez presente no deserto. O Anjo lhe confortou o coração com promessas maravilhosas sobre o seu filho com Abrão, servo du Altíssimo. Isso prova que, mesmo havendo falhas nas atitudes humanas, Deus, em seu grande amor e misericórdia, ouve e vě a aflição dos seus servos. Não havia ninguém no deserto. Deus agiu em favor não só de Agar, mas de Abrão, seu servo, E honrou aquele filho que não era o "da promessa", mas era filho do Pai da Fé!

  2. Um Filho na sua Velhice

  Nos tempos de Abrão, era comum o homem ter filhos em idade avançada. Ele teve o seu primeiro filho, com Agar, quando ja tinha 86 anos de idade (Gn 16.16), Para ele deve ter sido uma experiência muito impactante. E, em obediència ao que lhe dissera o Anjo de Deus, deu-lhe o nome de Ismael, embora aquele não fosse o filho que Deus lhe prometera.

CONCLUSÃO

  Como homem, Abrão teve falhas. Isso prova que ninguém é perfeito. Os anos passavam velozmente. Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora do cumprimento das promessas de Deus. Sarai, em sua esterilidade, imaginou que poderia fazer um arranjo para "ajudar" Deus. E fez a proposta a seu esposo, que mesmo sendo um homem bem idoso, mas ainda vigoroso, na época, aceitou de pronto. E o "plano" humano foi posto em prática.

   As consequências não tardaram, e não foram boas. Como mulher, Agar não se comportou do modo esperado. Tornando-se mãe, passou a desprezar sua senhora. E foi praticamente expulsa de casa e, desorientada, grávida, fugiu para o deserto. Deve ter ficado desesperada. Por amor a Abraão (Gn 17.5), novo nome dado por Deus, o Anjo do Senhor a socorreu, e a amparou de forma especial, ordenando-lhe que voltasse à casa de sua senhora, pois Deus vira a sua aflição e ouvira o seu clamor.

  Podemos tirar uma grande conclusão desse fato: Deus não precisa de arranjo ou atalho. Ele disse: "Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá? (Is 43.13).

   39 A IMPACIENCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA

 

   
































sexta-feira, 10 de abril de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — Lição 2: A fé de Abrão nas promessas de Deus

 



Capítulo 2

A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS

  ENTÃO, DISSE ABRÃO: SENHOR JEOVÁ, QUE ME HÁS DE DAR? POIS ANDO SEM FILHOS, E O MORDOMO DA MINHA CASA É O DAMASCENO ELIÉZER. DISSE MAIS ABRÃO: EIS QUE ME NÃO TENS DADO SEMENTE, E EIS QUE UM NASCIDO NA MINHA CASA SERÁ O MEU HERDEIRO. E EIS QUE VEIO A PALAVRA DO SENHOR A ELE, DIZENDO: ESTE NÃO SERÁ O TEU HERDEI-RO; MAS AQUELE QUE DE TI SERÁ GERADO, ESSE SERÁ O TEU HERDEIRO. ENTÃO, O LEVOU FORA E DISSE: OLHA, AGORA, PARA OS CÉUS E CONTA AS ESTRELAS, SE AS PODES CONTAR. E DISSE-LHE: ASSIM SERÁ A TUA SEMENTE. (GN 15.2-5)

   Dentre as grandes promessas de Deus a Abrão, está a de que ele haveria de ser pai de "uma grande nação" (Gn 12.1-2). Aquela altura de sua vida, Abrão já contava com 75 anos de idade; Sarai era dez anos mais nova que ele; porém, ambos eram bastante idosos e, além disso, Sarai era uma mulher estéril, o que a tornava totalmente impedida de ter filhos. Diante de tal realidade, Abrão, ao ouvir a promessa de Deus, fez uma indagação ao Senhor, dizendo: "Senhor Jeová, que me hás de dar? Pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer. Disse mais Abrão: Eis que me não tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro" (Gn 15.2-3).

   Certamente, Abrão não estava, em princípio, duvidando de Deus, mas encarando a dura realidade que envolvia a sua esposa. Chegou a imaginar e a expressar sua preocupação a Deus, supondo que um servo seu, nascido em sua casa, seria o seu herdeiro! Provavelmente, a lógica racional humana tinha grande peso para um ancião, casado com uma mulher que não podia ter filhos. Mas Deus não se guia nem depende da lógica humana, limitada e falha. Ele está acima de qualquer racionalidade quando tem um propósito a alcançar. Está escrito: "Porque para Deus nada é impossível" (Lc 1.37). Em sua onipotência, Ele diz: "Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?" (Is 43.13).

  Depois do seu chamado, Abrão continuou tendo sua fé desafiada por meio de provas muito profundas. Já consciente de ter ouvido a voz de Deus, e de estar no centro de sua vontade, Abrão passou por muitos desafios espirituais e humanos.

  I-ABRÃO VOLTA DO EGITO PARA CANAÃ

  No capítulo anterior, vimos que o patriarca Abrão, com sua família, teve que descer ao Egito. Anotemos que, quem sai de Canaã para o Egito, desce em sua jornada. O Egito é um tipo do mundo sem Deus. Para ir do Egito a Canaã, figura do céu, a pessoa tem que subir. Em sentido contrário. A Bíblia diz que Abrão e Ló retornaram muito ricos, em termos materiais (Gn 13.1-6). Mas a riqueza do Egito lhes trouxe sérios problemas.

    A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS

    1. Contenda entre os Pastores

  Por causa da riqueza de Abrão e de Ló, no retorno a Canaã, a terra não comportava a habitação das famílias do tio e do sobrinho: "[...] porque a sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos" (Gn 13.6). Aqui, temos uma grande lição. Quando os bens materiais causam contendas entre os parentes, a ponto de não poderem habitar juntos, certamente tais riquezas, adquiridas no Egito, não têm a bênção de Deus. Esse fato nos lembra o que acontece, nos dias atuais, no meio eclesiástico.

  Há casos conhecidos de pastores evangélicos que contendem entre si por causa de "campo eclesiástico", causando dissensões e até divisões entre as igrejas locais. Sem a menor dúvida, essa não é a vontade de Deus. Ele deseja que os pastores, e todos os crentes em Cristo, como irmãos na fé, vivam em união. Diz o salmo:

  Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre. (SI 133.1-3)

   2. Os Parentes se Separam

   Deve ter sido uma grande decepção para Abrão constatar que seus pastores de gado e os de Ló estavam tendo contenda por causa do espaço físico, que não comportava o suprimento de pastagens aos respectivos rebanhos. Mas Abrão, percebendo o grave problema, disse ao seu sobrinho, em tom conciliador:

   [...] Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a es-querda. (Gn 13.8-9)

   Abrão, sendo de mais idade, tio de Ló, poderia ter requerido para si o direito de escolha. Mas, como homem generoso, humilde e altruísta, concedeu ao sobrinho oportunidade de escolher primeiro a direção que tomaria, para que se evitassem contendas entre seus pastores e, mais do que isso, que não fosse alimentada a desunião familiar. Sem dúvida, é um grande exemplo para nós, cristãos, para não darmos lugar a contendas, desuniões ou desavenças, como irmãos em Cristo. A Palavra de Deus nos diz: "Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens" (Rm 12.18).

  3. As Escolhas de cada um

  3.1. A escolha de Ló

  Ló aproveitou a liberalidade oferecida por seu tio, e não perdeu tempo. Como homem carnal, não buscou a direção de Deus em sua decisão. Escolheu pelos olhos.

   E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro. (Gn 13.10-11)

   Ele optou por "toda a campina do Jordão". O rio Jordão sempre foi conhecido pela fertilidade às suas margens, com terras bem regadas e árvores produtivas. Mas os que habitavam em sua região eram homens ímpios, que se entregavam a todas as abominações a Deus. Sua escolha não poderia ter sido pior. As consequências foram trágicas tanto para ele quanto para sua família.

    A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS

    3.2. A escolha de Abrão

  Já em idade avançada, Abrão era homem de fé, temente a Deus, que buscava sua direção. Dando a Ló o direito de escolha em primeiro lugar, certamente submeteu sua escolha à direção do Senhor. Preferiu escolher a terra prometida por Deus, a terra de Canaã.

  Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o Senhor. (Gn 13.12-13)

   O lugar escolhido por Abrão não era tão aprazível quando o que Ló escolheu. Mas teve a bênção de Deus. Por outro lado, a terra escolhida por Ló, em si, era uma terra de uma paisa-gem bonita, cheia de plantações atraentes e produtivas. Mas, no meio daquela pujança e da beleza natural, havia um povo reprovado por Deus. Isso nos mostra que, quando se faz uma escolha pela vista dos olhos humanos, sem a direção de Deus, os resultados a serem colhidos poderão ser os piores possíveis, principalmente em teremos espirituais e morais.

  II - AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS

  1. A Colheita de Abrão

   É fato que as escolhas de cada pessoa são opcionais. Porém, as consequências são inevitáveis e quase sempre imprevisíveis.

   Num primeiro instante, a escolha de Ló prometia ser mais lucrativa, mas estava relacionada com uma situação potencialmente explosiva. A generosidade de Abrão parecia ter-lhe sido danosa, se considerada sob a ótica dos costumes da época. Mas, às vezes, decisões difíceis devem ser tomadas quando o homem busca fazer a vontade de Deus. Não obstante, em virtude das promessas e da ajuda do Senhor, o futuro de Abrão garantia lucros profusos.¹

   O texto bíblico nos mostra que Deus aprovou a escolha de Abrão, e o fez expressando sua aprovação de modo bem claro e evidente.

  1.1. Olhando na direção de Deus

  "E disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta, agora, os teus olhos e olha desde o lugar onde estás, para a banda do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente" (Gn 13.14). Depois que Ló fez sua escolha, o Senhor orientou Abrão sobre o futuro daquela terra, bem como as consequências de sua submissão à vontade do Senhor. Nada fica fora da bênção de Deus quando o homem resolve seguir o rumo determinado por Ele. Deus poderia ter dito a Abrão: "Olha a terra que escolheste". Já seria grande bênção. Mas Deus lhe disse que olhasse em todas as direções, nos quatro pontos cardeais: para o Norte, para o Sul, para o Leste e para o Oeste!

   1.2. A promessa para os descendentes

    Deus repetiu a promessa já feita no capítulo anterior (Gn 12.6-8) e acrescentou a Abrão:

 porque toda esta terra que vês te hei de dar a ti e à tua semente, para sempre. E farei a tua semente como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, também a tua semente será contada. Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei. (Gn 13.15-17)

    A FÉ DE ABRÃO NAS PROMESSAS DE DEUS

   III-OS ALTARES DE ABRAÃO

Abraão foi um homem de fé e obediência e também um gran-de adorador. Por onde passou, sempre levantou um altar de adoração ao Senhor.

  1. Um Altar na Terra Escolhida

  "E Abrão armou as suas tendas, e veio, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor" (Gn 13.18). Além de ser um homem de fé, Abrão valorizava a vida espiritual. Em sua jornada, ele construiu quatro altares. Sempre em louvor, gratidão e adoração a Deus.

  1.1. O primeiro altar

   Abrão construiu seu primeiro altar em Siquém, que signifi-ca "ombro". Era uma das cidades refúgio. Ali Josué despediu o povo: "[...] escolhei hoje a quem sirvais [...]" (Js 24.15). Em gratidão a Deus pelas bênçãos e promessas que lhe concedera, Abrão edificou um altar ao Senhor em Siquém. “E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera" (Gn 12.7). Na nossa vida, algumas vezes, precisamos de um "ombro" amigo para nos apoiar. Abrão teve o poderoso ombro de Deus, como homem de fé.

  1.2. O segundo altar

  Abrão construiu outro altar em Betel (lugar que significa "Casa de Deus"). Foi ali que invocou o nome do Senhor.

   Deus se manifestou a Abrão quando e onde ele edificou um altar, visando o Deus que lhe aparecera. Assim ele retribuiu a visita de Deus, e manteve a sua correspondência com o céu, como alguém que estava decidido a não deixar que ela falhasse por alguma negligência de sua parte. Assim ele reconheceu, com gratidão, a bondade de Deus a ele, ao fazer-lhe esta graciosa visita e promessa. E assim ele testificou a sua confiança e dependência da palavra que Deus tinha dito.2

    1.3. O terceiro altar, em Hebrom (Unido)

   Abrão construiu esse altar depois da separação do seu sobri-nho Ló (Gn 13.1-13). "E Abrão armou as suas tendas, e veio, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor" (Gn 13.18). É interessante que Abrão foi para Hebrom, que significa "união", depois que seu sobrinho separou-se dele. Tal fato lembra-nos que, em nossa jornada, devemos viver em união (Sl 133.1) e em amor fraternal (Hb 13.1).

  1.4. O quarto altar, no Monte Moriá (Entrega)

   Em Moriá, Abraão viveu sua maior prova. Deus provou sua fé, ordenando que, naquele monte, oferecesse Isaque em sacrificio. Não foi fácil para o patriarca ouvir aquela determinação. Mas Abraão, mesmo com dor na alma, não questionou a Deus. Deixou seus servos à beira do monte e caminhou só com seu filho para o lugar do sacrifício. Ele pôs a lenha sobre Isaque e levou o fogo, e o facão na sua mão. A prova começou a se apresentar quando seu amado filho falou: "Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?" (Gn 22.7). A resposta do patriarca foi digna de estar registrada na Palavra de Deus: "E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim, caminharam ambos juntos" (Gn 22.8).

    Não foi uma encenação. Foi uma prova real! Ali, Abraão, diante de Isaque, inocente, edificou um altar, chamou o seu filho e o amarrou sobre a lenha. Se Abraão é chamado de "o Pai da Fé", creio que Isaque pode ser chamado de "o Pai da Obediência". Como jovem, forte, poderia ter protestado. Mas entendeu a prova de seu pai, e submeteu-se resignadamente. Deixou-se amarrar em silêncio. A hora crucial chegara.

E estendeu Abraão a sua mão e tomou o cutelo para imolar o seu filho. Mas o Anjo do Senhor lhe bradou desde os céus e disse: Abraão, Abraão! E cle disse: Eis-me aqui. Então, disse: Não estendas a tua mão sobre o moço e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus e não me negaste o teu filho, o teu único. (Gn 22.10-12)

  Em seguida, o anjo mostrou um cordeiro para o sacrificio.

  Diz a Bíblia:

   Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado, sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar" (Hb 11.17-18).

   CONCLUSÃO

   Como homem de fé, Abraão tinha um excelente relacionamento com Deus. E fazia questão de demonstrar isso perante todas as pessoas ao seu redor. Em cada fase de sua jornada, boa ou difícil, ele sempre construía um altar de adoração a Deus.

   [...] onde quer que ele tivesse uma tenda, Deus tinha um altar, e um altar santificado pela oração. Pois ele [Abraão] não somente se preocupava com a parte cerimonial da religião, a oferta do sacrifício, mas com o dever natural de buscar o seu Deus, e de invocar o seu nome, este sacrificio espiritual no qual Deus se compraz.3

   Abraão era um verdadeiro adorador. Que Deus nos ajude a ter, em nossa vida cristă, altares erguidos ao nosso Deus. Em nossas residências, em lugar de termos o "altar da televisão", ou "altar das redes sociais", tomando nosso tempo e de nossas famílias, tenhamos sempre o altar da adoração a Deus, realizando, diariamente, o culto doméstico.

    HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO 30

 





































quarta-feira, 1 de abril de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — Lição 1: Abraão: seu chamado e sua jornada de fé

     

TEXTO ÁUREO  

Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.”  

(Gn 12.1).  

VERDADE PRÁTICA  

O chamado de Deus na vida de Abrão e na nossa exige obediência irrestrita, fé e perseverança. 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 

Gênesis 12.1-9. 

1 — Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. 

2 — E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. 

3 — E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. 

4 — Assim, partiu Abrão, como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã. 

5 — E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã. 

6 — E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam, então, os cananeus na terra. 

7 — E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera. 

8 — E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betel e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR. 

9 — Depois, caminhou Abrão dali, seguindo ainda para a banda do Sul. 

 PLANO DE AULA 

1. INTRODUÇÃO 

Prezado(a) professor(a), neste trimestre estudaremos o legado de fé do patriarca Abraão. Analisaremos também a história de seu filho Isaque e de seu neto Jacó, de quem descenderam as doze tribos de Israel. Abraão foi chamado por Deus de maneira singular, e sua convocação envolveu deixar sua terra natal e seguir para um destino desconhecido — um ato que exigiu fé e obediência. O comentarista deste trimestre é o pastor Elinaldo Renovato, autor de diversas obras publicadas pela CPAD e professor universitário. 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO 

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar como ocorreu o chamado de Abrão; II) Enfatizar a obediência de Abrão a Deus diante desse chamado; III) Mostrar as lutas enfrentadas por Abrão ao chegar a Canaã. 

B) Motivação: A fé ocupa um lugar especial na vida de Abrão, assim como na vida do crente e da igreja. Sem fé é impossível agradar a Deus. A fé de Abrão nos mostra que ela é a essência da vida cristã e absolutamente indispensável. Ele recebeu o chamado do Senhor para deixar sua terra, sua parentela e seguir rumo a um lugar que não conhecia. Diante disso, precisamos nos perguntar: será que a nossa fé demonstra o mesmo comprometimento e convicção? 

C) Sugestão de Método: Para introduzir o primeiro tópico da lição, comece fazendo a seguinte indagação aos alunos: “O que significa fé?”. Ouça atentamente as respostas e, em seguida, explique que fé é o “firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). O propósito dessa dinâmica é avaliar o entendimento prévio dos alunos sobre o tema, lembrando que Abraão demonstrou uma fé notável ao obedecer a Deus de forma incondicional. Ele confiou plenamente nas promessas do Senhor, mesmo quando as circunstâncias pareciam desfavoráveis. A Carta aos Romanos afirma que Abraão “esperou contra a esperança” (Rm 4.18-20). Conclua esse momento com uma oração, pedindo a Deus que fortaleça a fé no Senhor Todo-Poderoso. 

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO 

A) Aplicação: Depois de fazer toda a exposição dos tópicos da Lição, aplique as verdades estudadas, mostrando que o chamado de Deus na vida de Abraão e na nossa exige obediência irrestrita, fé e perseverança. Não é possível viver a fé sem perseverar nela. 

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 105, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição. 

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Abrão”, localizado após o primeiro tópico, traz um resumo do chamado e da vida de Abrão em Ur dos Caldeus; 2) No fim do segundo tópico, o texto “Obediência” aprofunda o nosso conhecimento a respeito do que é realmente obedecer a Deus. 

COMENTÁRIO 

INTRODUÇÃO 

Neste trimestre, estudaremos a jornada de fé dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Veremos que o patriarca foi chamado de uma forma muito especial. Sua convocação implicava deixar sua terra natal e ir para um local que não conhecia. Era preciso fé e obediência. 

Abrão, cujo significado é “pai exaltado”, depois de um tempo tendo o seu caráter forjado pelo Senhor, teve seu nome mudado para Abraão, que significa “pai da multidão das nações” (Gn 17.5). 

Palavra-Chave: 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO 

“ABRÃO. Abrão, cujo nome Deus mais tarde mudou para Abraão, nasceu em uma das fabulosas cidades do mundo antigo, Ur. Nos dias de Abrão, 4.100 anos passados, Ur era o centro de uma rica cultura, uma cidade localizada ao longo do rio Eufrates, que ostentava uma arquitetura monumental, enorme riqueza, moradia confortáveis, música e arte. Em sua terra natal, Abrão ‘servia a outros deuses’ (Js 24.2). No entanto, quando recebeu o chamado de Deus, Abrão deixou sua civilização e peregrinou para Canaã, onde viveu como nômade em tendas por quase cem anos. Abrão trocou a desvanecente glória deste mundo por um relacionamento pessoal com Deus [...]. Hoje ele é reverenciado por adeptos de três grandes religiões mundiais: judaísmo, islamismo e cristianismo.” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2012) 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO 

A Origem de Abraão 

“O relato em Gênesis detalha cem anos da vida de Abraão e move-se rapidamente pelos primeiros setenta e cinco anos de eventos. Em apenas alguns versículos (11.26-31), ficamos sabendo que Abrão era filho de Tera, irmão de Harã e Naor, marido da estéril Sarai (mais tarde Sara) e tio de Ló, filho de Harã, que morreu em Ur dos Caldeus. O enredo marca cronologicamente eventos significativos na vida de Abraão.” Amplie mais o seu conhecimento, consultando o Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, p.20. 

II. A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEU  

1. Atendendo o chamado. Como homem de fé, Abrão atendeu ao chamado divino sem hesitar e partiu para a terra que Deus ordenou, sem saber onde se localizava, seguindo somente a direção do Senhor. Ele não conhecia o significado de fé, tão bem definido na Bíblia, como conhecemos atualmente. Hoje sabemos a definição bíblica de fé: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Mesmo sem conhecer essa definição, Abrão agiu com fé em sua decisão. Ele não tinha a menor ideia de como seria sua vida em uma terra totalmente desconhecida. Contudo, creu em Deus e partiu para o lugar determinado pelo Senhor. 

2. Um descuido. Já vimos que Abrão era um homem de fé, porém permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse na jornada que haveria de empreender. Talvez, Abrão não tenha lembrado de que Deus havia dito que deveria deixar tudo para trás, não apenas sua terra, mas também a sua parentela. Tempos depois, seu descuido ocasionou alguns problemas com seu sobrinho (Gn 13.8,9). Assim, Abrão saiu da Caldeia, em direção a uma terra escolhida por Deus. Tenha cuidado, pois, sempre que deixamos de obedecer de forma irrestrita ao Senhor, os problemas surgem. 

3. A passagem por HarãNem sempre Deus nos leva diretamente ao propósito que Ele definiu para nós. Antes de chegar a Canaã (nome antigo da Palestina, às margens do Mar Mediterrâneo), Abrão e os que lhe acompanhavam tiveram que passar um tempo em Harã, cidade importante da Mesopotâmia (Gn 11.31). Certamente, Deus queria forjar seu caráter antes de sua chegada ao seu destino (Dt 8.2). 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO 

“OBEDIÊNCIA.  

 Um conceito central em ambos os Testamentos para entender a maneira pela qual o povo de Deus deve responder a Ele. Deus deseja obediência do seu povo, em contraste com mero serviço da boca para fora (Is 29.13; Mt 15.8; Mc 7.6) ou conformidade com o ritual religioso (Os 6.6; Mq 6.6-8). Quando Saul desobedeceu a Deus sacrificando alguns dos despojos da sua vitória sobre os amalequitas, o profeta Samuel respondeu: ‘[...] o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros’ (1Sm 15.22). 

  No NT, o foco muda da obediência à Lei mosaica para a obediência a Jesus Cristo. A Grande Comissão contém instruções de Jesus para os seus próprios discípulos fazerem discípulos, ensinando-os a ‘obedecer’ (gr. tereo) o que Cristo ordenara (Mt 28.19,20, ARA).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.362) 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO  

ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ 

  Estimado(a) professor(a), a copiosa Paz de nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos iniciando um novo trimestre de estudos com a revista Lições Bíblicas Adultos, editada pela CPAD. Nesta rica oportunidade, conheceremos maiores detalhes sobre as histórias dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. As experiências de fé vivenciadas por esses homens são uma referência para os crentes dos dias atuais. O testemunho deles revela que a fé verdadeira advém de um relacionamento muito especial com o próprio Deus. Trata-se de um exercício de confiança, paciência e sofrimento submetido à orientação divina. 

  A história dos patriarcas é uma referência de fé para os crentes do Novo Testamento. A obediência de Abraão ao chamado divino, sua perseverança e disposição de fé para vencer os desafios são evidências do cuidado divino para fazer valer a sua Palavra. Alguns aspectos do comportamento de Abraão foram essenciais para que ele se tornasse o pai de uma grande nação e, posteriormente, chamado de o “pai da fé”. Esses mesmos aspectos servem de referência para que tenhamos uma fé firmada em Cristo, semelhante a fé demonstrada por Abraão. Conforme discorre a Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD), “O chamado de Abraão incluía promessas e também obrigações. Deus exigiu de Abraão obediência e comprometimento pessoal com Ele — como o Senhor, o líder e a autoridade da vida de Abraão — a fim de receber o que lhe era prometido. Essa obediência e esse comprometimento incluíam: a) Confiança na palavra de Deus, ainda que as promessas parecessem humanamente impossíveis (Gn 15.1-6; 18.10-14); b) Obediência à ordem de Deus para deixar sua casa (Gn 12.4; Hb 11.8); e c) Um esforço sincero para viver de acordo com os padrões de Deus e fazer o que Deus diz que é correto (Gn 17.1,2)” (p.28). 

Estes aspectos, observados na trajetória de Abraão, apontam o padrão de obediência que Deus espera encontrar em seus servos na Nova Aliança. O exercício de fé dos cristãos inclui a obediência de um coração sincero, semelhante àquela praticada por Abraão na antiguidade. Por essa razão, os cristãos são chamados “filhos de Abrão” e herdeiros também de uma promessa (Gl 3.29). Como Deus fez com seu servo Abraão no passado, Ele também cumprirá suas promessas para conosco e, na verdade, já tem cumprido, nos tornando participantes da sua graça por meio do Espírito Santo que nos tem concedido (Rm 5.1,2). 

CONCLUSÃO  

  Como vimos, Abrão foi um homem escolhido por Deus para uma missão importantíssima: abençoar em Cristo todas as famílias da Terra. Diante da sua obediência e fé em cumprir sua missão, recebeu da parte de Deus promessas extraordinárias. Essas promessas se estenderiam aos seus descendentes, para que o plano divino de salvação para toda a humanidade viesse a se cumprir. Como homem de fé, Abrão também falhou, mas pela misericórdia divina, foi restaurado, e tornou-se um dos personagens mais destacados e importantes na história bíblica. 

   CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — O legado de Abraão, Isaque e Jacó 

Comentarista: Elinaldo Renovato  

Lição 1: Abraão: seu chamado e sua jornada de fé 

    



ORA, O SENHOR DISSE A ABRÃO: SAI-TE DA TUA TERRA, E 

DA TUA PARENTELA, E DA CASA DE TEU PAI, PARA A TERRA 

QUE EU TE MOSTRAREI. E FAR-TE-EI UMA GRANDE NAÇÃO, E 

ABENÇOAR-TE-EI, E ENGRANDECEREI O TEU NOME, E TU SE- 

RÁS UMA BÊNÇÃO. E ABENÇOAREI OS QUE TE ABENÇOAREM 

E AMALDIÇOAREI OS QUE TE AMALDIÇOAREM; E EM TI SERÃO 

BENDITAS TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA. (GN 12.1-3) 

  A jornada de fé do patriarca Abraão começou com seu chamado por Deus, de uma forma muito especial e  estranha à   lógica humana, ainda quando seu nome  não tivera sido mudado, quando ele se chamava Abrão, cujo  significado é “pai exaltado”. Depois, seu nome foi mudado  para Abraão, que significa “pai da multidão de nações” (Gn 17.5), quando ele alcançou a idade de 99 anos! Deus usa de  modos muitas vezes estranhos quando quer alcançar seus  divinos propósitos.   

  Abrão estava em sua casa, certamente em suas atividades  rotineiras, quando, de forma surpreendente, Deus o chamou  para cumprir uma grande e extraordinária missão. Diz a Bíblia:  “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua  parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1). Para qualquer pessoa, um chamado dessa  natureza causaria muita perplexidade. E, para um homem  como Abrão, que já tinha por volta de 75 anos, sem dúvida  alguma, deve ter gerado um impacto emocional que ele jamais  havia experimentado.   

  Deixar sua terra já seria muito difícil para um ancião, porém  mais difícil ainda era deixar seus parentes, a casa de seu pai, de  sua grande família, com quem já estava bem acostumado. Deus  apresentou tamanhas condições para que pudesse cumprir sua  vontade na vida do patriarca. Após dizer o que esperava de  Abrão, Deus acrescentou que o enviaria a uma terra que lhe  seria mostrada, depois que ele obedecesse à sua voz (Gn 12.1).  

 Não deve ter sido fácil para Abrão atender àquele chama do divino. Todavia, Deus não faz nada sem condições e sem  propósitos elevados. Além disso, quando Ele chama alguém, já  terá analisado todo o seu perfil, em termos espirituais, morais,  emocionais e de toda a ordem, segundo o seu propósito.   

  Deus vira no patriarca um homem que cria nEle. E o cha mou e fez-lhe uma promessa tão grande que, ainda hoje, está  se cumprindo. Para que Deus cumprisse a promessa de fazer  de Abrão “uma grande nação” (Gn 12.2) e abençoar os que  o abençoassem, bem como amaldiçoar os que o amaldiçoas sem (Gn 12.3). Abrão teve de obedecer, deixar sua parentela,  sair do seio de sua família e de sua terra, para um lugar que  desconhecia. 

 Sendo um homem de fé, quando ele atendeu ao chamado de  Deus, todas as promessas divinas se cumpriram em sua vida e  na sua família. Outras promessas Deus deu a Abrão, quando  ele obedeceu à sua voz: “E te farei frutificar grandissimamente e  de ti farei nações, e reis sairão de ti” (Gn 17.6). Lembremo-nos  de que Abrão já era bastante idoso, e que sua esposa era estéril!  Como parte da aliança com Abrão, Deus exigiu que todos os  machos, seus descendentes, não só seus filhos, mas também  os servos de sua casa fossem circuncidados, para que tivessem  sempre a aprovação de Deus (Gn 17.10-14,23). Além de ser  um homem de fé, Abrão era um homem obediente.   

  Tendo em vista o chamado de Deus a Abrão, as mudanças em  sua vida não se limitaram à mudança de lugar e de geografia.  Deus não mudou somente o seu nome, mas o de sua esposa  que antes se chamava Sarai, que significa “minha princesa”,  “minha senhora”, para Sara, que tem o significado de “mãe  das nações” (Gn 17.16). Por intermédio dela, Deus tinha um  maravilhoso plano a cumprir, na linhagem real, que incluiu a  vinda do Messias, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.   

  Tempos depois, quando Deus chamou Isaque declarou que  Abraão obedeceu integralmente a sua voz: “porquanto Abraão  obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus  preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn 26.5). Ele foi um homem de fé e um exemplo na obediência a Deus.   

  I – CHAMADO PARA UMA TERRA QUE  NÃO CONHECIA  

 Abrão era originário de Ur dos caldeus, no sul da Mesopotâmia.  Era filho de Tera, descendente de Sem, um dos filhos de Noé  (Gn 11.10). Tera também gerou a Naor, Harã e Sarai (Gn  11.24-32, 20.12). Ele decidiu se mudar para a terra de Canaã;  levou em sua companhia seu filho Abrão, sua nora Sarai e seu  neto Ló, filho de Harã, e habitaram na cidade de Harã. Ali,  Tera alcançou 205 anos de vida e morreu. 

   Abrão ouviu a voz de Deus, por volta do ano 1800 a.C.,  chamando-o para ser um dos personagens mais importantes  da história sagrada, descrita na Bíblia. Ele se encontrava com  seu pai, em Harã, uma cidade importante do Império Assírio.  

O nome Harã é mencionado primeiramente na  Bíblia como sendo o lugar para o qual Tera viajou  a partir de Ur dos caldeus. Tera morreu nesse lugar  e foi lá que Abraão recebeu o chamado de Deus  para deixar seus parentes e ir para Canaã. Abraão  partiu com sua mulher e seu sobrinho Ló, enquanto  os outros membros do clã permaneceram na cidade  (Gn 11.31–12.4). Embora não esteja especificamente  afirmadoHarã era aparentemente o lugar onde  o servo de Abraão, ao procurar uma esposa para  Isaque, encontrou Rebeca junto ao poço; ainda  pode ser visto o local tradicional desse poço. Mais  tarde, Jacó fugiu para seu tio Labão que vivia em  Harã, ou em suas proximidades (Gn 28.10), e lá  permaneceu durante 20 anos antes de retornar à  sua casa (Gn 28–30).1  

 Hoje, corresponde à cidade de Harran, ao sul da Turquia,  mas, na verdade, Deus olhou para Abrão desde quando ele  estava na terra de seus pais, na Caldeia.  

 1. Provado na sua Fé   

  Em seu chamado a Abrão, Deus ordenou que ele saísse de sua  terra, onde já era bem conhecido, já tinha relacionamentos  antigos e duradouros, no cerne de sua família e de seus amigos,  e fosse para uma terra completamente desconhecida. Deus sabe  o que faz, com quem faz e para que o faz. A terra dos pais de  Abrão era uma terra de idólatras; contudo, de alguma forma,  Abrão conheceu a Deus, o Senhor e Criador de todas as coisas.  Ao ouvir aquela determinação, Abrão não questionou Deus.   

  Não ponderou que já era um homem bastante idoso, de qua se oitenta anos e que já estava bem onde morava. Não! Ele  simplesmente creu e tomou as providências para se mudar para  o lugar destinado por Deus. A experiência da vida cristã nos  mostra que, para a fé ser aprovada pelo Senhor, normalmente,  ela tem que ser provada. Nunca alguém pode dizer que tem fé  se não passar por momentos de prova em sua vida.   

  2. Promessas Gloriosas na Vida de Abrão   

  Abrão foi provado nas mudanças que teria de experimentar em  sua vida pessoal, familiar e comunitária. Entretanto, no chama do de Deus, recebeu promessas de grande valor e significado  espiritual para ele, para sua família e para seus descendentes.  Além disso, as promessas feitas a Abrão ultrapassaram o âmbito  de sua vida particular, familiar e nacional, e incluíam toda a  humanidade. Podemos demonstrar sete promessas de Deus a  Abrão que marcaram a sua história e a de seus descendentes  até os dias de hoje.  

2.1. Deus prometeu fazer dele “uma grande nação”   

  Antes de chamar Abrão, Deus se revelava a um povo único na  Terra. Não havia distinção entre gentios e judeus ou israelitas.  Porém, a partir do chamado de Abrão, a promessa de Deus  foi a de fazer dele, ou a partir dele, “uma grande nação”, que  se tornou a nação israelita, ou dos judeus. Ele é considerado o  primeiro patriarca de Israel. Por isso, também é chamado de  “o pai da nação de Israel”. Diz o texto bíblico: “Ora, o Senhor  disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa  de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma  grande nação […]” (Gn 12.1-2a). Aqui, vemos a origem da  nação israelita.  

  2.2. Deus prometeu abençoá-lo (Gn 12.2b)   

 “[...] e abençoar-te-ei”. Uma das características mais marcantes  de Deus no relacionamento com seus servos é a de abençoador.  Ele tem prazer em abençoar os que o amam e o servem “em  espírito e em verdade” (Jo 4.23). Quando Deus fez o ser humano, homem e mulher, seu projeto era que o ser criado fosse  abençoado eternamente. Teria vida eterna; nunca envelheceria  e jamais morreria; teria uma vida plena de paz, alegria, saúde  e felicidades; e, o mais importante, teria o contato permanente  e pessoal com o Criador.   

  Deus falava com o homem todos os dias, antes da Queda. “E  ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela  viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença  do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (Gn 3.8). O texto  de Gênesis nos dá a entender que, diariamente, pela viração  do dia, ou nos finais de cada tarde, o próprio Deus visitava o  casal e interagia com ele. Infelizmente, porém, usando mal a  sua liberdade, ou livre-arbítrio, o ser humano preferiu ouvir  a voz do Maligno e desprezou a voz de Deus. Com a entrada  do pecado (Rm 5.12) no coração do ser criado, este perdeu a  bênção de desfrutar da gloriosa presença pessoal de Deus no  jardim do Éden.  

2.3. Deus prometeu engrandecer o seu nome (Gn 12.2c)   

  Abrão só era conhecido em sua terra. Jamais imagina ria, sendo um personagem tribal, ter um nome tão famoso  e importante para os judeus, e para toda a humanidade,  além de ser um personagem especial para a Igreja de Jesus.  Abrão, cujo significado era, em hebraico, “pai exaltado”,  era o nome original de Abraão, que foi mudado quando ele  tinha 99 anos, com o novo significado de “Pai da multidão  de nações”. Seu nome foi engrandecido por Deus de forma  que ele nunca imaginou.  

2.4. Deus prometeu fazer dele “uma bênção” (Gn 12.2d) 

   A cada pessoa chamada por Deus para alguma missão há um  preço a pagar, em termos espirituais, emocionais e de outras  ordens, mas também Deus tem propósitos elevados e promessas  gloriosas para aqueles que são chamados. Abrão não foi ape nas uma bênção para Israel e para toda a humanidade. Ele foi  uma bênção para sua família. Isaque e Jacó se tornaram nomes  influentes na história dos hebreus, da igreja e do mundo. Eles  foram beneficiários das promessas de Deus a Abrão.  Em comentários posteriores, veremos como seus filhos se tor naram patriarcas e instrumentos de Deus para o cumprimento  das promessas feitas a seu pai, encontradas em Gênesis 12.1-3.  É um ponto crucial da história bíblica. Ela registra um pacto  entre Deus e Abrão, com a promessa de uma descendência nu merosa e de bênçãos para todas as nações. A promessa de que  Abrão seria uma bênção significa que ele e sua descendência  seriam instrumentos para a manifestação do favor e da graça  divina no mundo.  

  2.5. Deus prometeu, em Abrão, abençoar todas  as famílias da terra (Gn 12.2-3)  

  Se não bastasse tamanha amplitude das promessas divinas a  Abrão, Deus disse a ele: “E abençoarei os que te abençoarem  e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas  todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Essa é uma das maiores promessas da parte de Deus para Abrão. Deus prometera  abençoar a Abrão e fazer dele “uma bênção”, o que já significa  uma grande consideração da parte do Senhor. Porém, em sua  promessa ao patriarca, Deus estendeu sua bênção a todos os  que o abençoassem e, por conseguinte, a seus descendentes,  os filhos de Israel. A declaração de Deus sobre essa bênção é  muito significativa, incisiva e muito forte, em termos espirituais  e proféticos: “E abençoarei os que te abençoarem”. 

  Além dessas promessas grandiosas de bênçãos a Abraão  e a todos os que abençoam Israel, Deus prometeu abençoar  “todas as famílias da terra”. Certamente, a maioria absoluta  das famílias da terra jamais tomou conhecimento da história  do patriarca Abraão. No entanto, quando Deus prometeu  abençoá-lo, estendeu essa bênção a “todas as famílias da terra”.  

 2.6. “Abençoarei os que te abençoarem”  

 Essa promessa de Deus a Abrão e a seus descendentes tem  seu cumprimento cabal ao longo da história de Israel. Todos os  países ou nações (ou pessoas) que se mostram favoráveis a Israel  são alvo das bênçãos de Deus. Mesmo que não sejam nações  em que seu povo se volte para Deus, de forma plena, pelo fato  de abençoarem Israel, são abençoadas pelo Deus de Abraão.   

  Como exemplos dessa realidade, podemos citar os Estados  Unidos da América. Ao longo dos séculos, a nação americana  tem se posicionado ao lado de Israel, quando aquela nação  tem sido ameaçada pelos seus inimigos, especialmente os países  muçulmanos. Os Estados Unidos são a nação mais poderosa da  terra, em termos econômicos, financeiros, políticos e militares.  É um grande aliado, incondicional, de Israel.   

  Outro exemplo é o da Inglaterra. País que já foi nação cris , porém, como os demais países da Europa, tem se afastado  da fé cristã, aprovando práticas consideradas abomináveis a  Deus, como a homossexualidade e a famigerada ideologia de  gênero. Ainda assim, tem ficado ao lado de Israel, nos conflitos  internacionais. Tem sido exemplo de país desenvolvido, em  muitos aspectos, incluindo as ciências, a tecnologia, a política  e na vida militar.   

 2.7. “Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”  

 Todas as nações ou países (ou pessoas) que sposicionam  contra Israel, em termos políticos ou institucionais, sãpaíses  que experimentam grandes problemas de ordem espiritual, moral, econômica ou financeira. “[...] e amaldiçoarei os que te  amaldiçoarem” (Gn 12.3) — Deus vela pela sua palavra para  a cumprir (cf. Jr 1.12).  

As promessas de Deus a Abrão são exemplos de como Ele  cumpre seus pactos, e como a fé em suas promessas pode ser uma  fonte de esperança e confiança. As promessas a Abrão também  são vistas como a definição do plano de Deus para a salvação  da humanidade, por intermédio de Jesus Cristo. Em resumo, as  promessas de Deus a Abraão são promessas de bênção, profecia  e previsão do futuro que moldou a história da fé e da salvação.  

 II – A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS  

  Como demonstração de que Abrão era um homem que tomou  conhecimento do Deus Criador dos Céus e da Terra e passou a  crer nEle de modo marcante e profundo, ao ouvir o chamado de  Deus, se dispôs a obedecer-lhe prontamente, sem qualquer hesitação. Humanamente, poder-se-ia entender que Abraão estaria  indo em direção a uma grande aventura.   

 1. Atendendo ao Chamado   

 Como homem de fé, ele atendeu ao chamado e partiu para  a terra a que Deus se referira, sem saber onde se localizava,  seguindo a direção espiritual do Senhor em seu coração. Ele  não conhecia o significado de fé, tão bem definido na Bíblia:  “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a  prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1), mas agiu com essa  visão. Não tinha a menor ideia de como seria sua vida numa  terra totalmente desconhecida. Contudo, creu em Deus e partiu  para o destino que lhe reservara.   

  Ele não saiu errante, como alguém poderia pensar. Confiando  nas promessas de Deus, iniciou a jornada, deixando para trás  sua terra; despediu-se dos seus familiares e parentes, e levou  consigo sua esposa. Eram bem idosos àquela altura de suas vidas. Devemos ressaltar, no entanto, que Abrão e Sarai eram  bem idosos para nossos padrões de faixas etárias. Como a  longevidade era muito grande, no seu tempo, o casal poderia  ser considerado ainda “de meia-idade”. Aqui, temos uma lição  para os que seguem a Cristo nos dias presentes. Ao se tornar  cristão, o crente tem de abandonar muitas coisas de sua velha  vida. Não precisa abandonar seus pais, ou a família, no sentido  literal, mas tem que deixar de seguir as crenças, os costumes,  a linguagem, marcados pela idolatria ou pela cultura de sua  família. Sua decisão implica uma mudança completa em todas  as áreas da vida. Diz o apóstolo Paulo: “Assim que, se alguém  está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram;  eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).  

 2. A Presença de um Parente   

  Como ninguém é perfeito, nem mesmo um homem de fé,  Abraão permitiu que seu sobrinho, Ló, o acompanhasse na  longa jornada que haveria de empreender. Talvez não tenha se  lembrado de que Deus lhe dissera que deveria deixar para trás  não apenas sua terra, mas também a sua parentela. Tempos  depois, Abraão sofreu sérios problemas com a presença de seu  sobrinho. Assim, o pequeno grupo, formado por Abrão, Sara e  Ló, saiu da Caldeia, em direção a uma terra escolhida por Deus.   

 3. A Passagem por Harã  

  Nem sempre, Deus nos leva diretamente ao destino que define  para nós. Antes de chegar a Canaã (nome antigo da Palestina,  às margens do Mar Mediterrâneo), Abrão e os que o acompanhavam tiveram que passar um tempo em Harãcidade  importante da Mesopotâmia. Certamente, Deus queria seu  preparo espiritual e emocional, sendo necessário ter algumas  experiências anteriores à sua chegada ao destino visado.  

  III – AS LUTAS QUE ABRÃO ENFRENTOU AO CHEGAR A CANAà 

  Em todos os tempos, todos os que decidem obedecer a Deus  experimentam lutas, problemas ou oposições em suas vidas.  Abrão enfrentou todas as lutas que se lhe apresentaram. Mes mo com sua fé inabalável e tendo a companhia de sua esposa,  que sempre esteve ao seu lado, como verdadeira adjutora em  todas as experiências da vida, obedecer a Deus foi um grande  desafio para Abrão e os que o acompanharam. Além de terem  deixado “a terra de sua parentela”, em atenção à voz de Deus,  levaram todos os seus bens móveis, toda a sua fazenda, todo o  seu patrimônio adquirido ao longo dos anos. “Eles não desejavam ter nenhuma tentação de voltar. Por isso, não deixaram  nem uma unha para trás, para que isto não os fizesse pensar  na terra da qual saíram”.2  

  Essa é uma lição muito eloquente para quem aceita a Cristo  como seu Salvador. Levar para sua vida com Cristo apenas o  que é indispensável e coerente. Tudo o que não agrada a Deus,  do antigo “Egito”, que é o mundo, que “jaz no Maligno”, velhos  costumes, antigos comportamentos carnais, que afrontam a Deus,  tudo que não é da vontade do Senhor, deve ser deixado para trás.  Mas não deixaram para trás seus servos, que faziam parte do  grupo social; certamente, eles também foram muito abençoados  por Deus, por acompanharem Abrão para a Terra Prometida.  

 1. A Fome na Terra  

  Depois que Abrão chegou a Canaã, deparou-se com um aconteci mento frustrante. “Essa é a primeira fome a ser registrada na Bíblia,  na história da humanidade”.3 Várias pessoas acompanharam Abrão  e sua família, além de animais, que dependiam de seus cuidados.  Diz a Bíblia: “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito,  para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra” (Gn  12.10). O problema da fome era tão grande que Abrão teve que  sair de Canaã e buscar refúgio no Egito (cf. Gn 12.11a).  

  2. A Necessidade de Descer ao Egito  

  Parece estranho. Na Terra Prometida, surgiu uma calamidade  enorme. Uma grande fome sobre aquela região. Enquanto no  Egito, terra de idolatria, de tantos deuses estranhos, havia far tura de pão! “A terra de Canaã era um lugar frutífero. Porém,  ocasionalmente, por razões climáticas, falhava a agricultura  de sustento. O Egito contava com o poderoso rio Nilo, cujas  águas nunca secavam, pelo que era capaz de cuidar melhor  do problema da fome”.4 Tempos depois, a história se repetiu.  O povo de Deus teve que ir buscar socorro no Egito, quando  José foi elevado a governador daquele império.   

 3. O Problema Envolvendo sua Esposa  

 Um grande problema se apresentou diante de Abrão quando  ele se encontrava no Egito. Num momento, provavelmente, de  falta de fé, o patriarca teve receio de que Sarai, mesmo com  65 anos, sendo uma mulher formosa, cuja beleza chamava a  atenção, fosse cobiçada pelo Faraó. Ele era sabedor dos costumes daquela época, em que os reis possuíam poderes absolutos,  incluindo o de ter várias mulheres, além de concubinas. Não  havia leis que garantissem os direitos humanos; os poderosos  faziam o que bem entendiam.  

 Mesmos com tantas esposas, o Faraó poderia requisitar Sarai  para ser mais uma de suas mulheres. Abrão, assim, orientou  sua esposa para que, ao entrar no Egito, dissesse que era sua  irmã. Diz o texto bíblico: “e será que, quando os egípcios te  virem, dirão: Esta é a sua mulher. E matar-me-ão a mim e a  ti te guardarão em vida. Dize, peço-te, que és minha irmã,  para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma  por amor de ti” (Gn 12.12-13). Certamente, foi uma situação  constrangedora. O homem de Deus orientar que sua esposa  mentisse, para poupar a sua vida. Onde estava o homem de fé?  

  O texto diz que, quando os egípcios viram Sarai, com sua  beleza singular, disseram esse fato ao Faraó. Este mandou cha mar Sarai e a tomou para sua casa. “E viram-na os príncipes  de Faraó e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada  para a casa de Faraó. E fez bem a Abrão por amor dela; e ele  teve ovelhas, e vacas, e jumentos, e servos, e servas, e jumentas,  e camelos” (Gn 12.15-16). Aqui, há interpretações diversas.  Estudiosos dizem que Faraó se relacionou sexualmente com  Sarai; por isso beneficiou Abrão com tantos bens. Outros dizem  que Deus impediu que ele a tivesse como esposa.   

  Tal entendimento toma por base o texto seguinte, que diz:   

 Feriu, porém, o Senhor a Faraó com grandes pragas  e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão.  Então, chamou Faraó a Abrão e disse: Que é isto  que me fizeste? Por que não me disseste que ela era  tua mulher? Por que disseste: É minha irmã? De  maneira que a houvera tomado por minha mulher;  agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te.  (Gn 12.17-19)   

  O texto dá a entender que, de fato, Faraó tomou Sarai por  sua mulher. Algo muito estranho para uma serva de Deus,  chamada para ser mãe de nações, ao lado de seu esposo. Fica  claro que o Faraó repreendeu Abrão por faltar com a verdade  e o despediu com Sarai, levando todos os bens que Faraó lhe  concedera por causa da união ilícita com sua esposa.  

 CONCLUSÃO  

  Como vimos, Abrão foi um homem escolhido por Deus para  uma missão importantíssima, diante do que lhe fez promessas  extraordinárias, como não fez em tamanha dimensão a outros  homens de Deus. Repetiu as promessas a seus filhos, para cumprir o seu plano para a nação de Israel, para a Igreja e para a  humanidade. Como homem de fé, Abrão também falhou, mas,  pela misericórdia divina, foi restaurado e se tornou um dos per sonagens mais destacados e importantes na história registrada  pela Bíblia Sagrada. 

    HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO  19 

   Elinaldo Renovato de Lima