TEXTO
ÁUREO
“Porque eu sou contigo, e ninguém lançará
mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade.”
(At
18.10).
VERDADE
PRÁTICA
A
graça de Deus é suficiente para sustentar o crente em meio às adversidades.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos
18.1-11.
1 — Depois disto, partiu Paulo de Atenas e chegou a Corinto.
2
— E,
achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha
vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos
os judeus saíssem de Roma), se ajuntou com eles,
3
— e,
como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício
fazer tendas.
4
— E
todos os sábados disputava na sinagoga e convencia a judeus e gregos.
5
— Quando
Silas e Timóteo desceram da Macedônia, foi Paulo impulsionado pela palavra,
testificando aos judeus que Jesus era o Cristo.
6
— Mas,
resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes e disse-lhes: o vosso sangue
seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo e, desde agora, parto para os
gentios.
7
— E,
saindo dali, entrou em casa de um homem chamado Tito Justo, que servia a Deus e
cuja casa estava junto da sinagoga.
8
— E
Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; também
muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados.
9
— E
disse o Senhor, em visão, a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales;
10
— porque
eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito
povo nesta cidade.
11
— E
ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus.
PLANO
DE AULA
1.
INTRODUÇÃO
O
estudo desta lição nos convida a uma leitura madura e reflexiva da experiência
de Paulo em Corinto, integrando fé, contexto e vida. Considerando que a
aprendizagem ocorre na interação entre experiências pessoais e a ação formadora
da Palavra, este plano valoriza o diálogo e a aplicação consciente da Palavra.
Ao reconhecer desafios, medos e decisões do apóstolo, o aluno é levado a
reinterpretar sua própria caminhada à luz da suficiência da graça de Deus,
fortalecendo a fé e o compromisso cristão.
2.
APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A)
Objetivos da Lição: I) Conduzir o aluno a
compreender Corinto e os desafios do Evangelho; II) Verificar com o aluno a
missão de Paulo e a suficiência da graça; III) Conscientizar sobre a graça de
Deus diante dos desafios da vida cristã.
B)
Motivação: Estudar a experiência de Paulo em Corinto
permite compreender que a missão cristã não se sustenta na força humana, mas na
graça de Deus. Esse tema fortalece a fé, orienta a prática cristã e ajuda o
aluno a interpretar desafios pessoais e ministeriais à luz da fidelidade
divina.
C)
Sugestão de Método: Para introduzir o primeiro
tópico, o professor pode iniciar a aula apresentando um panorama histórico,
social e religioso da cidade de Corinto, situando o aluno no contexto em que
Paulo desenvolveu seu ministério. Por meio de uma breve exposição dialogada,
destaque o contraste entre riqueza material e decadência moral, estimulando o
aluno a perceber como o ambiente influencia a nossa jornada de fé. Em seguida,
apresente a estratégia inicial de Paulo ao pregar na sinagoga, convidando a
classe a refletir sobre desafios, resistências e a necessidade de depender da
graça divina em contextos adversos. Use a Bíblia de Estudo Pentecostal: Edição
Global, editada pela CPAD, para enriquecer seu plano de aula.
3.
CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A)
Aplicação: A vida cristã é sustentada pela graça de
Deus em meio às pressões e fragilidades. Assim como Paulo, o crente aprende a
confiar na presença do Senhor, perseverar diante das dificuldades e servir com
fidelidade, mesmo em contextos moral e espiritualmente desafiadores.
4.
SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A)
Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa
revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições
Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.39, você encontrará um subsídio especial
para esta lição.
B)
Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você
encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto
“Corinto”, localizado depois do primeiro tópico, remonta o contexto religioso e
moral da cidade de Corinto; 2) O texto “Porque Eu Sou Contigo”, localizado ao
final do segundo tópico, aprofunda o aspecto encorajador do Evangelho ao
ministério do apóstolo Paulo.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“CORINTO
[...]
Corinto ostentava a acrópole mais impressionante da Grécia — a sua Acrocorinto
elevava-se a duzentos e quarenta metros acima da cidade. A Acrocorinto servia
de fortaleza e abrigava templos, sendo o mais famoso o templo de Afrodite, que,
na cidade velha (destruída pelos romanos em 146 a.C.), ostentava mil escravos e
prostitutas do templo. A sua presença contribuiu para a reputação de Corinto
como cidade excessivamente imoral. Um verbo grego foi cunhado: korinthiazomai (lit.,
‘co-rintiar’), que significava ‘praticar imoralidade sexual’.
Na
época da chegada de Paulo, Corinto era um dos centros comerciais mais
importantes de todo o Império Romano e a maior cidade da Grécia, com uma
população livre de cerca de 300.000 habitantes e mais 460.000 escravos. Corinto
tinha uma população judaica significativa, sobretudo depois de 49 d.C., quando
os judeus foram expulsos de Roma (At 18.2). Durante o ano e meio de ministério
de Paulo, ele discutia regularmente na sinagoga (18.4).” (Dicionário Bíblico
Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.127).
AMPLIANDO
O CONHECIMENTO
O
PAPEL DE CORINTO
“Corinto desempenhou um papel significativo no
ministério de Paulo, pois este a visitou em diversas ocasiões (1Co 12.14;
13.1), escreveu 1 e 2 Coríntios para a sua igreja e foi onde, ao que tudo
indica, escreveu Romanos e 1 e 2 Tessalonicenses. Outros líderes da Igreja
Primitiva também ministraram em Corinto, como Apolo por exemplo (At 19.1).”
Amplie mais o seu conhecimento lendo o Dicionário Bíblico Baker,
editado pela CPAD, pp.126,127.
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO
“PORQUE EU SOU CONTIGO
Para
Paulo, estas palavras não se referem à presença geral de Cristo em todos os
lugares (cf. 17.26-28; Sl 139; Jr 23.23,24; Am 9.2-4). Antes, elas se referem à
sua proximidade especial com aqueles que são fiéis a Ele. A proximidade de
Cristo significa que Ele está pessoalmente aqui para comunicar os seus desejos
e propósitos e para cooperar conosco ao realizar estes propósitos. A presença
especial de Deus também dá ao seu povo um senso maior do seu amor e os ajuda a
experimentar um relacionamento mais profundo com Ele. O fato de que Deus está
conosco significa que Ele está presente em todas as situações de nossas vidas
para nos abençoar, ajudar, proteger e guiar. 1) Podemos aprender mais sobre o
que significa ‘Cristo conosco’ considerando as passagens do Antigo Testamento
onde Deus disse que estava com o seu povo fiel. Quando Moisés estava com medo
de voltar para o Egito, Deus disse: ‘Eu serei contigo’ (Êx 3.12). Quando Josué
se tornou o líder de Israel após a morte de Moisés, Deus prometeu: ‘Serei
contigo; não te deixarei nem te desampararei’ (Jo 1.5). E Deus encorajou Israel
com estas palavras: ‘Quando passares pelas águas, estarei contigo. [...] Não
temas, pois, porque estou contigo’ (Is 43.2,5).” (Bíblia de Estudo
Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022,
p.1981).
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
A
SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO
A
lição desta semana aborda a passagem do apóstolo por Corinto, uma das
principais cidades da Acaia. Durante os dezoito meses em que ficou na cidade,
Paulo experimentou sensações humanas como temor e cansaço emocional devido às
perseguições e prisões que havia sofrido anteriormente na Macedônia (At 17).
Como era de praxe, sua dedicação à pregação do Evangelho resultou em mais
oposições e conduções a tribunais para prestar testemunho de Cristo diante das
autoridades. Depois de muito sofrer pela causa do Evangelho, a percepção que se
tem de Paulo em Corinto é de um servo desgastado pelo cumprimento da missão.
Mas Deus, que é rico em misericórdia, viu as limitações de seu servo e lhe
abriu uma porta na casa de Tito Justo para que ele continuasse a pregação do Evangelho
e alcançasse muitos para Cristo. Esta oportunidade, certamente, era o alívio
que o apóstolo precisava para continuar a missão. Em meio ao seu momento de
fragilidade, pressão e oposição, o Senhor lhe encoraja: “Não temas, mas fala, e
não te cales; porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer
mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18.9,10). Essas palavras,
certamente, soaram como um consolo ao coração de Paulo. Às vezes, no ímpeto de
servir na obra de Deus, é natural que o cansaço, o desânimo ou o desgaste
emocional façam o servo de Deus pensar que os seus esforços são em vão.
Entretanto, o próprio apóstolo Paulo, com a mesma consolação com que foi
consolado, encoraja os irmãos de Corinto: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes
e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho
não é vão no Senhor” (1Co 15.58). A respeito dessa constância, o Comentário
do Novo Testamento — Aplicação Pessoal (CPAD) endossa que “o tempo
passado na terra é valioso — temos muito trabalho a fazer para o Reino. Outros
poderão ser convidados a se juntar a nós, e os crentes devem ser ensinados a
crescer no Senhor. Nada do que é feito para o Senhor é vão. Portanto, os
crentes devem ser fortes na fé, sem duvidar ou vacilar; devem ser firmes, sem
dar ouvidos às fantasias dos falsos mestres; e ser constantes, sempre
abundantes na obra do Senhor, servindo da melhor maneira possível, sabendo que
grandes recompensas os aguardam” (2009, pp.180,181). A experiência de Paulo
exemplifica que o servo de Deus não pode se esquecer de que é a graça de Deus
quem opera todas as coisas desde o início do chamado. O interessante é que este
aprendizado da graça se torna mais lúcido nos momentos de fraqueza e limitações
humanas. A graça e o amor divino, porém, sempre estiveram presentes e,
certamente, permanecerão com aqueles que esperam e confiam no Senhor (Is
40.31).
CONCLUSÃO
A
experiência de Paulo em Corinto ensina que a missão cristã exige coragem
sustentada pela graça e discernimento para anunciar a verdade eterna em
contextos marcados por profundas mudanças. A igreja ali não nasceu em terreno
favorável, mas foi estabelecida e fortalecida pela suficiência da graça de
Deus. O avanço do Evangelho não depende de recursos humanos, mas da presença
fiel do Senhor que assegura: “Eu sou contigo”.
Que aprendamos hoje com Corinto a confiar
plenamente na graça divina, proclamando o Evangelho com fidelidade doutrinária,
sensibilidade pastoral e amor genuíno, certos de que a graça de Deus continua
sendo suficiente para sustentar e fazer frutificar a obra em qualquer tempo e
lugar.
Título:
A Igreja dos Gentios — Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre
os povos
Comentarista: Wagner Gaby
Lição 6: A suficiência da Graça
na cidade de Corinto
INTRODUÇÃO
A fundação da igreja em Corinto,registrada em
Atos 18 ,é um capítulo marcante na história do cristianismo primitivo,
especialmente por evidenciar duas realidades fundamentais da missão cristã: a
suficiência da graça de Deus em meio às
adversidades
e a importância de contextualizar a mensagem do evangelho sem comprometer a sua
essência.
Enfrentando oposição e desafios numa cidade
moralmente decadente e religiosamente pluralista, encontrou no poder e na graça
divina a força necessária para perseverar, ao mesmo tempo que soube adaptar a
sua abordagem para alcançar um público altamente diversificado.
A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela
manifesta-se nos piores cenários. Como o Senhor disse a Paulo mais tarde:
"A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza" (2 Co 12.9).
I-PAULO CHEGA A CORINTO (At
18.1-6)
1. Corinto: riqueza material e
miséria espiritual
Depois de retirar-se de Atenas, Paulo chega à
cidade de Corinto, capital da província romana da Acaia desde 27 a.C. Ele chega
a Corinto após momento de aflição, cansado e abalado: perseguido em Filipos (At
16.19-24); expulso de Tessalônica (At 17.5-10); hostilizado em Bereia (At
17.5-10); ridicularizado em Atenas (At 17.32; cf. 1 Co 2.3). Paulo não chegou a
Corinto como um herói invencível, mas como um servo frágil sustentado pela
graça. Foi ali, porém, que ele decidiu revelar de maneira marcante a sua
sustentação.
A cidade era o centro político da Grécia,
que, nessa época, superou Atenas em importância política e comercial. Corinto
era capital famosa pela sua opulência, porém cheia de sensualidade e
devassidão, sendo o maior centro de imoralidade de todo o Império Romano (1 Co
6.9-11) por abrigar templos dedicados a várias divindades (At 18.4), como Afrodite,
a deusa do amor, cujo culto envolvia práticas sexuais. Estrabão, historiador,
geógrafo e filósofo grego, revela que havia em Corinto cerca de mil prostitutas
religiosas dedicadas a esse culto.
Corinto era uma metrópole cosmopolita (1 Co
1.2), isto é, uma grande cidade que se destaca pela diversidade cultural e pela
presença de pessoas de diferentes nacionalidades e origens, comercialmente
estratégica e espiritualmente caótica, com uma ambiência hostil à mensagem de
santidade (2 Co 12.21). Mesmo assim, Deus escolheu esse lugar para plantar uma
igreja forte (At 18.8), mas era ali que Ele tinha "muito povo".
Entretanto, Deus opera nos ambientes mais dificeis, e a sua graça é suficiente
(2 Co 12.9). A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela manifesta-se nos
piores cenários. Nesse ambiente desafiador, Paulo chegou com temor e tremor,
carregando não apenas o peso fisico de perseguições anteriores, mas também a
preocupação pastoral por todas as igrejas.
Em I Coríntios 2.1-5 na Nova Almeida
Atualizada, Paulo explica que, ao pregar aos coríntios, não usou
"sublimidade de palavras ou de sabedoria", mas decidiu focar em "Jesus
Cristo e este crucificado", apresentando-se com "fraqueza, temor e
grande tremor", e não com linguagem persuasiva humana, mas com
demonstração do Espírito e poder para que a fé deles dependesse do poder de Deus,
e não da sabedoria humana.
Paulo inicia as suas atividades na sinagoga
(vv. 1-6)
Paulo
encontrou o casal Priscila e Áquila, judeus que se estabeleceram em Corinto
como fabricantes de tendas, os quais tinham sido expulsos de Roma pelo decreto
do imperador Cláudio, que ordenara que todos os judeus saíssem de Roma, por
volta de 49 d.C. A razão, segundo o historiador Suetônio, foi a instabilidade causada
pelas "perturbações constantes" dos judeus, possivelmente relacionadas
à crescente influência dos primeiros cristãos.
Eles trabalhavam juntos como fabricantes de
tendas e compartilhavam do evangelho, tornando-se colaboradores e amigos de Paulo
(Rm 16.3,4; 2 Tm 4.19). Paulo viveu com eles por uns dezoito meses, e juntos
eles também foram fundamentais na formação da igreja em Corinto.
Deus provê conforto e suprimento a Paulo com
provisão humana e ministerial. A primcira, com Ele unindo-o a Áquila e Priscila
(At 18.2,3); companheiros, amigos e cooperadores (Rm 16.3,4); um lar e trabalho
para o seu sustento. A segunda, com a chegada de Silas e Timóteo fortalecendo o
trabalho (At 18.5; 1 Ts 3.6), trazendo notícias de consolo (1 Ts 3.7) e
provisão financeira que tinham trazido do apoio financeiro dos crentes de
Tessalônica e de Filipos (2 Co 11.8,9; Fp 4.15), o que permitiu que Paulo entregasse-se
totalmente à pregação do evangelho. Isso nos lembra que o Senhor usa pessoas
para sustentar os seus servos nas batalhas. A graça de Deus opera por meio de
relacionamentos. Ninguem permanece firme sozinho. Até Paulo precisou de amigos
que o levantassem.
Após
a chegada de Silas e Timóteo, Paulo intensifica a sua pregação, direcionando-a
principalmente aos judeus em Corinto.
Ele buscava convencê-los de que Jesus era o
Cristo (At 18.5), o Messias prometido aos pais e esperado por eles. Paulo
pregava na sinagoga (At 18.4), mas os judeus resistiam e blasfemavam (At 18.6).
A constante oposição dos judeus impediu Paulo de continuar anunciando o
Salvador na sinagoga. Mesmo assim, Crispo, o principal da sinagoga, converteu-se,
e muitos coríntios creram e foram batizados (At 18.8). Quanto maior a oposição,
mais Deus mostra a sua graça; onde a resistência é maior, mais gloriosa é a intervenção
divina.
Paulo
dá continuidade ao trabalho na casa de Justo (vv. 7-11)
Saindo da sinagoga, certo homem gentio
chamado Tito Justo, temente a Deus e frequentador da sinagoga, que deve ter-se convertido
sob o ministério de Paulo, ofereceu um espaço na própria residência para o
trabalho do apóstolo. A sua casa ficava ao lado da sinagoga (v. 7), o que
colaborou com a missão de Paulo, dado a ele e à nova congregação um bom
conceito na cidade, o que era muito importante. Houve uma grande repercussão
entre os coríntios quando souberam que ele pregava na casa de um cidadão romano,
e assim muitos se converteram. Como resultado do trabalho de
Paulo,
muitos habitantes de Corinto abraçaram o cristianismo, inclusive Crispo,
principal da sinagoga (v. 8).
Crispo de Calcedônia é um dos primeiros
seguidores de Jesus no Novo Testamento. Ele e mencionado em 1 Coríntios 1.14
como um dos líderes da sinagoga de Corinto. Ele e a sua família foram convertidos
ao cristianismo por Paulo de Tarso (At 18.8) e batizado pelo apóstolo em Corinto,
na Grécia (ver 1 Co 1.14).
2. Temor humano e dependência da graça
Ao chegar a Corinto, após sofrer rejeições
noutras cidades como Filipos,
Tessalônica e Atenas, Paulo estava emocionalmente abatido e fisicamente
cansado. Ele provavelmente estava deprimido, com medo, sentindo solidão e fraqueza,
temendo que ali em Corinto o seu trabalho fosse interrompido por judeus
opositores (como em Tessalônica e Bereia) ou pela mundanidade altamente
carregada ao seu redor. Apesar do seu zelo, Paulo sentiu-se vulnerável. Mais tarde,
ele escreveria sobre isso (1 Co 2.3). Isso mostra que Paulo também era humano,
sujeito a pressões e inseguranças, especialmente diante da dureza espiritual de
Corinto.
Apesar da presença de amigos na cidade, a
permanência em
Corinto
seria um período de provações para Paulo, e o Senhor
falou-lhe
numa visão com palavras de encorajamento (At 18.9,10). A afirmação divina era
apoiada por uma promessa tríplice: o Senhor estaria sempre com ele (Mt 28.19);
nada lhe faria mal (não que nenhuma tentativa seria desferida, mas que ele
sobreviveria (vv. 12-17; cf. SI 23.4; Is 41.10); Deus tinha muito povo naquela cidade
(vv. 10; cf. 1 Rs 19.18; Os 2.23). Essa promessa não apenas encorajou Paulo,
como também revelou o quanto a graça divina é suficiente para sustentar o
obreiro mesmo nos contextos mais hostis. Depois desse encorajamento, Paulo
ficou ali um ano e seis meses ensinando entre eles a palavra de Deus, tempo
incomum para alguém tão perseguido (At 18.11).
É natural o ser humano sentir medo, mas o
Altíssimo socorre os seus, e não os deixa desamparados. Quando o servo crê
nessa promessa, o medo, a insegurança, as dúvidas e as fraquezas são neutralizadas
pela fé que ele possui. Ninguém pode silenciar a voz de quem é cheio do Espírito
Santo. Isso prova que, quando Deus abre uma porta, ninguém fecha (Ap 3.7,8). E,
quando Ele diz "não temas", nossa fraqueza encontra abrigo na
suficiência da sua graça. Pela leitura sequencial do livro de Atos, percebe-se que
outro lider da sinagoga em Corinto chamado Sóstenes deve ter assumido o lugar
de Crispo na sinagoga durante algum tempo, tendo depois também se convertido ao
cristianismo.
Paulo enfrentou forte oposição e ódio contra
ele e contra o
evangelho;
por isso, passou a recear a sua permanência naquela cidade (1 Co 2.3). O apóstolo,
contudo, recebeu do Senhor uma direção clara para permanecer firme. Essa
firmeza não se apoiava em estratégias humanas, mas, sim, no reconhecimento de
que a sua força vinha do Senhor. Em outro momento de fraqueza, o próprio Paulo
ouviu isso de Deus (2 Co 12.9). Corinto foi, portanto, um laboratório da graça
divina, onde a força de Paulo não estava na sua retórica, mas na dependência do
Espírito Santo!
II - PAULO DIANTE DE GÁLIO: A GRAÇA QUE SUS-
TENTA EM MEIO À OPOSIÇÃO (At
18.12-17)
1. A acusação dos judeus e a proteção divina
A perseguição não cessou completamente, pois
os judeus locais continuaram a opor-se à pregação do evangelho. Dessa forma,
eles tentam condenar Paulo, levando-o perante as autoridades civis (vv. 12-17).
Como predito na visão, Paulo tem sucesso na
evangelização, mas também a mão do Senhor protege-o quando os judeus tem suprimir
a pregação do evangelho. Quando Gálio torna-se procônsul da província romana da
Acaia, os judeus de Corinto, oponentes de Paulo, tiram vantagem da chegada de
um novo governador atacando o apóstolo. Gálio era irmão mais velho de Sêneca, o
filósofo estoico que foi tutor de Nero durante um tempo. Uma inscrição
encontrada em Delfos menciona Gálio como irmão de Sêneca, a qual nos possibilita
datar a chegada de Gálio em Corinto mais ou menos no verão de 51 d.C. Delfos
era a sede do santuário de Apolo, que estava situado defronte de Corinto, do
outro lado do golfo de Corinto. Paulo aparentemente esteve na cidade em torno
de um ano e seis meses (ver At 18.11). Isso dizer que Paulo deve ter chegado a
Corinto no ano de 50 d.C. Essa é a única data que podemos precisar com exatidão
no tocante a todas as viagens do apóstolo dos gentios.
No começo do governo de Gálio (ao redor de
julho de 51 d.C.), os judeus em Corinto tentam arregimentar os poderes de Roma ao
seu lado contra o movimento cristão. Juntos, os oponentes de Paulo arrastam-no
perante o tribunal de Gálio. O tribunal
(bema) era uma plataforma elevada na porta da cidade, da qual Gálio presidia e
julgava (vv. 16,17). Os judeus tentaram impedir a obra de pregação de Paulo em
toda a província (v. 13).
Não está claro no versículo 13 se Paulo está
sendo acusado de quebrar a lei romana ou a lei judaica, mas essa acusação tem a
ver com a lei dos judeus. Se as leis romanas tivessem em questão, era esperado
ouvi-los e sentenciá-los. O governador vê as acusações contra o apóstolo como
brigas sobre a religião judaica (vv. 14,15).
Antes que Paulo pudesse defender-se, Gálio o
fez. Gálio mostra a sua impaciência para com os judeus, lembrando-os que Paulo não
cometeu crime contra a lei romana.
A vitória do apóstolo Paulo
Continuando as suas palavras, o governador
Gálio diz aos oponentes de Paulo que os seus alegados crimes não envolvem
fraude ou logro do ponto de vista da justiça romana e que eles, os judeus, não
têm um caso legal contra Paulo. Até onde o governador vê, a disputa é religiosa
e centraliza-se em palavras teológicas e afirmações como
"Jesus
é o Messias".
Gálio explica que, se a acusação dos judeus é
para crimes contra o Estado, então ele iria lidar com o caso. Como oficial
romano, não é o seu dever investigar assuntos que concernem à religião judaica.
Ele não está propenso a envolver-se em assuntos nos quais ele não tem interesse.
Assim o governador prontamente rejeita a acusação e fala aos judeus que ele não
se aborrecerá em tentar resolver essa disputa religiosa. Tais assuntos devem
ser solucionados pelos próprios judeus.
Gálio fica impaciente com os judeus. A sua
ação vigorosa e pronta contra eles é indicada pelo verbo "expulsou"
(apelauno). Ele manda os soldados expulsarem os judeus do tribunal.
Dessa forma, a promessa divina do Senhor,
segundo a qual ninguém faria mal a Paulo, teve um cumprimento notável e foi cumprida
(v. 10).
2. O espancamento de Sóstenes e o alcance da graça
Após a decisão de Gálio, todos os gregos, que
também estavam insatisfeitos com a situação, agarraram Sóstenes, principal da sinagoga
em Corinto, e espancaram-no diante do tribunal. Ele e outros judeus levaram
Paulo perante o procônsul Gálio, acusando-o de ensinar doutrinas contrárias à
lei (v. 17). Provavelmente, tanto a multidão quanto o próprio Gálio estavam
mais contra os judeus do que a favor de Paulo.
Sóstenes é mencionado em duas ocasiões
distintas na Bíblia. A primeira é em Atos 18.17, sendo mencionado como o
principal da sinagoga de Corinto. A segunda e em 1 Coríntios 1.1, passagem em
que Sóstenes é mencionado como "nosso irmão Sóstenes", indicando que
ele tornou-se cristão e era um companheiro na fé, e coautor da Primeira Carta
de Paulo aos Coríntios. Sóstenes pode ter
sido o secretário (amanuense) que escreveu essa carta enquanto Paulo ditava-a.
Embora não haja absoluta certeza, a conexão entre os dois Sóstenes é amplamente
aceita por estudiosos da Bíblia.
Outros líderes da sinagoga em Corinto, como
Crispo, também se converteram ao cristianismo, o que reforça a ideia de que Sóstenes pode ter passado por uma mudança
semelhante. Em suma, a evidência sugere que o Sóstenes de Atos 18 e o de 1
Coríntios 1 são a mesma pessoa, o que seria um exemplo notável de fé e do poder
transformador do evangelho, que faz um líder judeu ser transformado num
seguidor de Cristo.
Sóstenes é um exemplo de fidelidade e do
potencial para a
salvação
mesmo em meio a dificuldades, o que incentiva outros a que não desistam da fé.
3 - A suficiência da graça na experiência de Paulo
A palavra "graça" ocupa lugar central
na teologia bíblica. Ela não é apenas o meio pelo qual somos salvos, mas também
a base sobre a qual vivemos e servimos a Deus. A experiência do apóstolo Paulo mostra
que a graça não elimina dificuldades, mas torna o crente capaz de permanecer
firme nelas.
A doutrina da graça ocupa posição central na
fé cristã. Não se trata apenas de um conceito teológico, mas também de uma experiência
contínua na vida cristã. Desde a conversão até a glorificação, tudo é
sustentado pela graça. O testemunho do apóstolo Paulo revela que a graça de Deus
não apenas salva, mas também sustenta, capacita e preserva os que foram
alcançados por cla.
Graça é o favor imerecido de Deus ao dar-nos
o seu filho, que oferece a salvação a todos, e dá aos que o recebem como
Salvador pessoal uma graça acrescentada para esta vida e uma esperança para o
futuro (Rm 11.6; Ef 2.8,9). Graça, portanto, não é recompensa por mérito, mas
iniciativa soberana de Deus. Em Cristo, a graça tornou-se visível, acessível e eficaz.
A salvação é exclusivamente pela graça (At 15.11; Rm 3.24; Tt 3.5), e nenhuma
obra humana pode acrescentar algo à obra de Cristo. A graça produz reconciliação
com Deus (Rm 5.1,2; CI 1.20).
A suficiência da graça para a vida cristã é
manifesta da seguinte maneira: a graça sustenta na fraqueza (2 Co 12.7-10); a
graça capacita para o serviço (1 Co 15.10; 2 Co 3.5; Hb 12.28); a graça consola
em meio às aflições (Is 41.10; At 18.9,10; 2 Co 1.3,4); a graça garante
perseverança (2 Co 4.7-9; 2 Tm 4.17,18); a graça ensina-nos a viver em
santidade (Rm 6.14; Tt 2.11,12), gerando esperança (Rm 8.18; 1 Pe 5.10). A suficiência
da graça é a certeza de que Deus é plenamente capaz de sustentar os seus filhos
em todas as circunstâncias. Onde cessam os recursos humanos, a graça começa a
agir. Onde a força humana falha, o poder de Deus aperfeiçoa-se. Que essa
verdade conduza a Igreja a viver não na autossuficiência, mas na total
dependência da graça que basta!
O apóstolo Paulo experimentou em Corinto a
suficiência da
graça
de Deus mesmo diante de intensa oposição, perseguição, fragilidades pessoais e
desafios espirituais (At 18.1-11; 1 Co 2.3-5). A cidade de Corinto, marcada pela
idolatria e decadência moral, tornou-se palco de uma profunda experiência com o
Deus que fortalece os fracos e sustenta os fiéis com a sua graça poderosa. Corinto
foi, portanto, um laboratório da graça divina, onde a força de Paulo não estava
na sua retórica, mas, sim, na dependência do Espírito Santo!
A graça de Deus gera coragem para continuar
mesmo quando o coração está aflito. Paulo foi chamado a continuar pregando.
A graça não apenas consola, mas também
impulsiona. Não é a ausência de problemas que revela a suficiência da graça,
mas a presença do Senhor em meio aos problemas.
Na sua Segunda Carta aos Coríntios, Paulo
revela que orou três vezes para que Deus livrasse-o de um "espinho na
carne".
A resposta divina foi marcante: "A minha
graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Co 12.9).
Essa graça experimentada em Corinto, surgida num contexto de sofrimento e limitação,
certamente se tornaria uma marca do seu ministério.
Paulo, um homem usado poderosamente por Deus,
suplica pela remoção de um espinho na carne. Deus, no entanto, não remove a dor;
Ele concede algo maior: a graça suficiente. Isso nos ensina que a graça não é
ausência de luta, mas presença de Deus no meio dela. Além disso, a graça
capacita o crente para o serviço. Paulo reconhece que tudo o que realizou foi
resultado da graça de Deus operando nele (1 Co 15.10). Nao e a habilidade
humana que sustenta o ministério, mas a graça divina. É ela que transforma servos
frágeis em instrumentos eficazes.
Por fim, a graça também educa e transforma o
caráter do crente. Conforme Tito 2.11,12, a graça que salva é a mesma que
ensina a viver em santidade. Assim, a suficiência da graça não gera acomodação,
mas compromisso; não produz negligência espiritual, mas obediência amorosa.
A graça que sustentou Paulo foi a mesma que
chamou e santificou aqueles irmãos (1 Co 1.2). Apesar de todos os obstáculos,
Paulo
permaneceu dezoito meses em Corinto e ali estabeleceu uma igreja. Como Paulo,
precisamos reconhecer que é em nossa fraqueza que se aperfeiçoa o poder de
Deus.
A dependência da graça de Deus é uma das
verdades mais profundas e, ao mesmo tempo, mais negligenciadas da vida cristã. Muitos
compreendem que a salvação é pela graça, mas passam a viver como se o
crescimento espiritual e a perseverança dependessem exclusivamente do esforço
humano. A Escritura, contudo, ensina que toda a jornada cristã é sustentada
pela graça do início ao fim.
O apóstolo Paulo declara com clareza: "[
... ] pela graça sois salvos" (Ef 2.8). Entretanto, o mesmo apóstolo
também afirma:
"Pela graça de Deus, sou o que sou"
(1 Co 15.10). Essa confissão revela que a graça não apenas nos alcança no
momento da conversão, como também nos acompanha diariamente. Viver na dependência
da graça é reconhecer que nada podemos realizar sem a ação contínua de Deus em
nós.
O próprio Jesus ensinou essa verdade (Jo 15.5).
Essa declaração elimina qualquer ilusão de autossuficiência espiritual. O ramo
não produz fruto por si mesmo; ele depende da videira. Da mesma forma, o
cristão só pode viver de maneira frutífera quando permanece ligado a Cristo,
confiando na sua graça.
A
experiência de Paulo ilustra claramente essa dependência.
Ao
enfrentar fraquezas, limitações e sofrimentos, ele ouviu do
Senhor
que a graça dEle bastava (2 Co 12.9). Deus não removeu o espinho, mas concedeu
graça suficiente. Isso nos ensina que a graça não é ausência de dificuldades,
mas presença divina que sustenta em meio a elas.
O episódio de Corinto reforça essa verdade.
Em meio ao medo e à perseguição, Deus disse a Paulo: "Não temas [ ... ]
porque eu sou contigo" (At 18.9,10). A presença de Deus foi a fonte da sua
coragem e perseverança. Paulo permaneceu ali por longo tempo, não por causa da
sua força, mas porque estava sustentado pela graça.
Além disso, a graça também educa o crente. De
acordo com
Tito
2.11,12, a graça ensina-nos a negar a impiedade e a viver de modo santo.
Depender da graça não é, portanto, viver de forma negligente, mas submissa; não
é passividade, mas confiança ativa em Deus.
Concluímos que viver na dependência da graça
é o chamado diário do cristão; é reconhecer nossa fragilidade, confiar
plenamente no Senhor e caminhar sustentados pela sua misericórdia. Quando aprendemos
a depender da graça, experimentamos a verdadeira liberdade espiritual e a
plenitude da vida em Cristo.
CONCLUSÃO
A experiência de Paulo em Corinto revela que
a missão cristã exige coragem sustentada pela graça e sensibilidade para
comunicar a verdade eterna em contextos mutáveis. O ministério em Corinto ensina
a necessidade de contextualização. A sua Carta posterior aos Coríntios mostra
que ele preocupava-se em transmitir o evangelho com clareza, sem diluir a mensagem
da cruz (1 Co 1.18-24), mas também sem alienar os seus ouvintes com uma
linguagem ou cultura estranhas.
Essa contextualização, contudo, não
significava concessão ao pecado. Ao escrever aos crentes coríntios, Paulo exortava-os
à santidade, denunciava divisões e práticas imorais e lembrava-os de que haviam
sido "lavados, [ ... ] santificados, [ ... ] justificados em nome do
Senhor Jesus" (1 Co 6.11). Ou seja, a graça que salva também transforma.
Ela é suficiente não só para sustentar o mensageiro em meio à perseguição, mas
também para transformar pecadores em santos dentro de uma cultura marcada pelo
hedonismo.
A experiência de Paulo em Corinto, portanto,
revela que a missão cristã exige coragem sustentada pela graça e sensibilidade para
comunicar a verdade em contextos mutáveis. A igreja de Corinto nasceu sob
resistência, mas firmou-se sob a suficiência da graça. A força do evangelho não
está em métodos humanos, mas na presença fiel de Deus, que diz: "Eu sou
contigo".
Que a igreja de hoje aprenda com Corinto a
confiar no poder da graça e a proclamar o evangelho com sabedoria, amor e
fidelidade.
A Suficiência da Graça na Cidade de Corinto 70