quarta-feira, 4 de novembro de 2026

CPAD : O DEUS DA ALIANÇA | Lição 06: A Aliança e as Bênçãos da Obediência


Capítulo 6

A Aliança e as Bençaos da Obediencia

  INTRODUÇÃO

 O CORPO CENTRAL DO SEGUNDO

DISCURSO-CAPÍTULOS 5-26-, HÁ DESTAQUE QUANTO

AOSESTATUTOS E ORDENANÇAS DA ALIANÇA QUE OS

ISRAELITAS DEVERIAM OBSERVAR QUANDO ENTRASSE

NA TERRA PROMETIDA. É BOM QUE SE ENTENDA QUE

NÃO PARTE DA BOCA DE MOISÉS UM DISCURSO COM

REGRAS MORAIS OU SOCIAIS, MAS ELE REAFIRMA OS

TERMOS DA ALIANÇA E RESSALTA A ELEIÇÃO SOBERANA DE ISRAEL PARA ESTE SER O POVO EXCLUSIVO DE DEUS (DT 7.6), TENDO A ALIANÇA COMO BASE DA BÊNÇÃO MEDIANTE A OBEDIÊNCIA (DT 7.9-15) E A SANTIDADE PRÁTICA COMO CONDIÇÃO PARA PERMANECEREM NA TERRA. PARA ISSO, NÃO PODERIAM COADUNAR-SE COM OS COSTUMES PECAMINOSOS, AS CORRUPÇÕES E OS

ÍDOLOS ALI EXISTENTES (DT 7.1-5,16-26).

  É importante ressaltar que a separação de Israel dessas nações cananeias não era apenas uma questão de fanatismo, nem se tratava de argumentações políticas e étnicas. Tal radicalidade deve ser compreendida pelo aspecto espiritual e bíblico, pois Israel é eleito para viver o chamado de Deus num mundo idólatra e pecaminoso como verdadeiros santos, consagrados ao Senhor.

  Somos cônscios de que vivemos hoje na Nova Aliança em Jesus Cristo, só que os princípios espirituais expostos em Deuteronômio 7.6-26 vigoram para todos nós. Isso se dá pelo fato de a Igreja ser eleita em Cristo e separada para Deus (Ef 1.4; 1 Pe 2.9). Dessa forma, sendo a escolhida por Deus, a Igreja precisa viver em santidade frente a um mundo pecaminoso e rejeitar qualquer tipo de aliança com o pecado. Essa separação jamais deve ser etnica, e sim espiritual (2 Co 6.14-18). No demais, cada crente deve procurar viver em obediência, pois esse é o caminho certo para a bênção e, claro, não se pode mensurar a prosperidade atual de qualquer cristão por critérios de posses ou bens materiais, mas, sim, pela sua comunhão com Deus (Jo 14.21; G1 5.22).

  I-ELEIÇÃO E SANTIDADE: DOIS ASPECTOSDA ALIANÇA

  1. ELEIÇÃO, SANTIDADE E PROPÓSITO NA ALIANÇA

DIVINA

  No Sinai da Aliança, promulgava-se por meio da Lei de Deus um programa que envolvia a conquista da terra e a destruição dos cananeus, que eram envolvidos com todo tipo de pecado e idolatria (Ex 23.20-33; 34.11-16). Ao lermos Gênesis 9.25-26, 10.15,18 e Exodo 23.23, tem-se a profecia que Noć falou contra Cam, que teria o seu fiel cumprimento. O momento do juízo divino era chegado, e Moisés esclarece e desafia Israel a cumprir com esse programa divino. Lá em Canaã, tudo o que estivesse consagrado à idolatria teria que ser destruído, pois estava destinado à ira de Deus.

  O texto é óbvio em falar de sete nações que deveriam ser destruídas. Por vezes, alguém acha por demais pesado a ordem direta de Deus para destruir essas nações, vista como uma ética subcristã. Há, porém, que se levar em consideração que tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, todos quantos não querem saber de Deus e da sua Palavra e cometem os mais horríveis e hediondos pecados sofrerão a ira divina (Rm 1.18; At 17.30; Ef 5.6; Cl 3.6). Deus assim procede por causa da sua justiça.

  Os canancus foram consagrados à destruição, e isso se ve claramente por meio da expressão "totalmente as destruirás", que transmite a ideia de consagração à destruição, anatematizar. Essa destruição não seria um tipo de extermínio para conquistar a terra, mas um ato sagrado exigido por Deus no intento de preservar a santidade do povo.

  A eleição de Israel, como dito acima, tinha o seu propósito divino. Os israelitas teriam que exterminar os cultos idolátricos dos cananeus. Dessa maneira, cumpririam a sua vocação, estariam consagrados a Deus de modo positivo e realizariam a vontade divina. Israel não poderia ser frágil nessa missão, no seu serviço, pois essa fragilidade, bem como o contato com esse povo pecaminoso, iria fragmentar a espiritualidade deles, mas deveriam estar plenamente consagrados a Deus para cumprir bem a missão para a qual foram escolhidos.

  A separação exigida por Deus no texto não é étnica ou xenofóbica, mas, sim, teológica. Os casamentos mistos seriam por demais perigosos, pois criariam vínculos que os levariam à idolatria. O ato de aparentar-se seria um entrelaçamento profundo que comprometeria a comunhão c a fidelidade com Deus. O Senhor exige em todos os tempos lealdade do seu povo para com Ele (Lv 20.26). No demais, Ele ordena uma separação total do mundo pecaminoso, pois Tiago diz que aquele que se torna amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4.4). O cristão precisa mostrar pureza e santidade em tudo, inclusive no seu testemunho, e não se prender a jugos desiguais com os infiéis, com as trevas, mas viver em santidade em tudo (2 Co 6.14; Hb 12.14).

  2. A separação como exigência da Lei de Deus

É preciso analisar duas coisas para que se compreenda a questão do julgamento: 1) Israel era a nação santa do Senhor e, para manter essa santidade, teria que eliminar todos os povos pecaminosos. Esse era um dos propósitos da eleição. No demais, o que iria prevalecer na terra onde iriam habitar era o status teocrático: povo santo do Senhor - e isso ficou claro desde que saíram do Sinai (Ex 19.5-6). Assim, esse povo teria que ter um padrão mais clevado. Ao pensar em gloriar-se, deveriam fazer isso apenas no nome de Deus, pois a sua cleição devia-se apenas ao ato soberano e à fidelidade do Senhor (Dt 4.37).

  Deus não escolheu Israel por ser um povo numeroso, pois, quando chamou Abrao, ele e Sarai eram apenas um casal sem filhos. Quando desceram ao Egito, eram apenas 70 pessoas (Dt 7.7; 10.22). Tudo isso mostra que não havia qualquer reivindicação da parte de Israel que pudesse falar da falta de cuidado do Senhor para com eles. Esse povo teria que guardar a aliança; caso contrário, as sanções divinas seriam desencadeadas contra todos eles, porque, ainda que a graça divina fosse imerecida e chegasse até mil gerações, os que procedessem na rebeldia e provável apostasia logo receberiam as maldições divinas, além de tomarem conhecimento de que essas maldições não seriam nada injustas (Dt 7.9-11).

  Se cada israelita procurasse guardar a aliança do Senhor, logo iria desfrutar das suas copiosas bênçãos na área familiar e na fertilidade do campo e dos rebanhos, pois Deus não faz promessas vazias (Gn 12.2-3; Ex 23.22-31, Dt 7.12-15), pois Ele é vivo e verdadeiro. Todas as enfermidades, que entraram no cenário humano por causa do pecado e desobediência do homem, seriam afastadas. O Senhor, no ato da preservação da sua aliança, prometeu que os que procedessem fielmente seriam protegidos. As doenças que atingiam os egípcios - clefantiase, disenteria e oftalmia – scriam todas afastadas.

  Atentaremos agora para a segunda questão, pois todo o Israel seria recompensado se fosse obediente ao Senhor na primeira (Dt 7.12-15) e teria vitória sobre o inimigo. Assim, podemos dizer que 2) Israel tinha os privilégios de ser a nação santa do Senhor; porém, com a missão que tinham de eliminar todas as nações de pecadores, por vezes poderiam ser tentados a intimidarem-se, mas eles não poderiam temer diante deles. Moisés lembra-os de que, ainda quando eles eram jovens, viveram a experiência de verem os sinais e grandes milagres operados por Deus no Egito em favor deles. Esse mesmo Deus estava com eles para desbaratar todos os seus inimigos (Dt 7.19-24).

   O uso da palavra vespões não está sendo empregado aqui por Moisés como referência ao símbolo do poder de Faraó, mas, sim, como uma figura do terror de Deus, que iria atingir os inimigos de Israel e produzir neles medo, terror e pânico. Mas agora vem a punição para os povos pecadores de Canaã: o povo de Deus teria que os lançar fora da terra (Ex 23.29-30; Jz 2.20,23; 3.1-2). A ação dos israelitas contra essas nações seria com sucesso por causa do poder do Senhor para o bem deles. É lamentável dizer, mas, depois da morte de Josué, o povo entregou-se a apostasia, de modo que Deus suspendeu essa bênção, trazendo castigo para todos.

  A ordem divina era para exterminar aquela gente idolatrica, pecadora, e apagar o nome deles da terra. Eles jamais poderiam apropriar-se do que estava debaixo de maldição por parte de Deus, pois, procedendo assim, perderiam o direito da bênção (Js 7). O versículo 16 é bem expresso em dizer que todos aqueles povos que seriam dados por Deus deveriam ser destruídos, pois, procedendo assim, Israel estaria executando o juízo divino contra aquela gente de cultura dominada pela idolatria, imoralidade e violência (Lv 18.24-30).

   Reforçamos mais uma vez que essa ação que seria feita por Israel não aconteceria em um impulso de raiva ou pódio étnico, mas como uma retribuição da justiça divina. Israel, na verdade, seria o instrumento de julgamento na terra (Dt 9.4-5). Nós, cristãos, precisamos proceder de modo correto, santo e sincero, pois Deus ainda executa juízo contra o pecado (1 Pe 4.17). Atualmente existe a idolatria moderna, que não é praticada só com idolos, mas com o coraçao dos que amam o mundo e tornam-se inimigos de Deus (1 Co 2.15-17; Cl 3.5; Tg 4.4).

  II-AELEIÇÃO DE ISRAEL: AMOR, ALIANÇA E

OBEDIÊNCIA 1. O CHAMADO À SANTIDADE DO POVO DE

DEUS

  A palavra santidade tem, literalmente, dois sentidos: 1) que possui santidade (Ex 29.29; Lv 11.45; Is 6.3-7; 1 Pe 1.16); 2) título de Deus que ressalta a sua santidade (Is 5.24; Hc 1.12), Santo de Isracl. Na eleiçao de Isracl, a santidade envolvia o lado ético e espiritual. Na verdade, como povo do Senhor, era preciso que eles respondessem com uma santidade que evidenciasse fidelidade e obediência. O relacionamento que Deus iria desenvolver com o seu povo seria firmado na sua misericórdia, fidelidade e justiça. Como nação santa, era preciso que tivessem responsabilidade e uma vocação divina para ser diferentes das outras nações (Ex 19.5-6; Dt 14.2). Note que esses mesmos princípios seriam aplicados aos crentes salvos em Jesus Cristo (1 Pe 2.9).

  O versículo 6 é enfático ao dizer que Israel era o povo santo ('am qadôsh). A palavra gādôsh significa separar, consagrar, e, nessa condição, todos deveriam viver exclusivamente para Deus em um relacionamento e vocação que expressasse santidade e serviço dedicado plenamente ao Senhor – isso porque foram escolhidos por Deus. O verbo escolher, do hebraico bahar, significa selecionar e estava firmado na eleição feita por Deus, que não era baseada em qualquer mérito humano, mas, sim, na vontade do Senhor. Ainda é dito: povo próprio ('am segullāh). A palavra segullāh era usada para descrever a propriedade pessoal de um rei, tesouro peculiar, algo precioso e separado do comum. Israel era, na verdade, o tesouro de Deus na terra (Êx 19.5), razão por que teria que viver em santidade (Dt 14.2; 26.19; Jr 2.3).

   Não havia no Israel humano grandeza, mérito ou qualquer tipo de poder que pudesse atrair a Deus, mas a sua escolha simplesmente se deu por causa da graça divina, e isso se configura muito bem por meio do verbo agradar, hāshaq, traduzido como "se agradou", que tem o sentido de "ligar-se por afeição". O Senhor ligou-se a esse povo puramente de modo voluntário e como um ato de amor. O versículo 8 ajuda-nos a entender isso melhor quando diz: "vos amava". O termo 'ahavah significa amor em sentido pessoal, e o uso aqui expressa o amor deliberado, constante e gracioso de Deus por

Israel.

  A escolha de Israel, portanto, deu-se não pelo seu valor, mas pelo amor, fidelidade e graça de Deus (Rm 9.10-13). Nessa eleição, a consequência seria a santidade, um chamado para viver à altura da aliança e que refletisse o caráter de Deus. Esse povo chamado para ser santo teria conhecimento do amor pactual de Deus, que não é um sentimento supérfluo, mas um compromisso com fidelidade e ação salvadora. O Senhor provou esse amor para com Israel em atos concretos quando o libertou do poder de Faraó, guiou-o e protegeu-o quando peregrinava pelo deserto e entrou na Terra Prometida.

  O cristão pode regozijar-se, pois a sua eleição dá-se em Cristo Jesus (Ef 1.4-5), de modo que ele também tem um chamado para viver em santidade, pois faz parte do povo adquirido do Senhor (1 Pe 2.9). Observe que a continuidade do plano redentor de Deus vem de Deuteronômio.

  2. O Deus fiel e justo: base da aliança

  Logo no versículo 9, é dito que o Senhor é Deus fiel. Isso aponta para a sua firmeza, alguém que é digno de confiança, firme, constante. O verbo saberás é derivado do verbo yada' e não significa apenas conhecer, mas fala de um conhecimento relacional, experiencial e responsável para com Deus. Cada israelita deveria ser consciente de que o seu Deus era fiel. Isso quer dizer que Ele nao muda (MI 3.6), mas que e digno de confiança em todas as gerações. No demais, também mantém a sua aliança por causa do seu caráter. O uso que se faz de até mil gerações é uma expressão idiomática hebraica para falar de perpetuidade. Não se trata apenas de um número literal, e sim de que esse Deus é longânimo para com os que amam e guardam os seus mandamentos.

   É importante compreender que a aliança de Deus alicerça-se na sua fidelidade e justiça. Na primeira, Ele simplesmente a mantém mesmo que haja falha da parte do homem (2 Tm 2.13). Na segunda, por causa da sua santidade, jamais se omite nem deixa sem julgamento os ímpios pecadores que não se arrependem.

  Compreendemos, assim, que a identidade de Deus esta revelada aqui em uma tonicidade aguda que afirma que Ele é fiel e guarda a aliança para com todos os que o amam de verdade e obedecem-lhe. Sendo Deus fiel, Ele sempre cumprirá as suas promessas, e a sua misericórdia é sempre divina para os que são fiéis.

  Deus é justiça, e o versículo 10 mostra que Ele retribui diretamente. O verbo hebraico shālam significa pagar, compensar ou ajustar contas. Trata-se de um ato de o Senhor manifestar a sua justiça pela retribuição. Sabemos biblicamente que Deus é bondoso, mas, logo no versículo 10, vê-se o contraste com o versículo 9, pois Ele recompensa aos que o amam, mas traz juízo a todos os que o rejeitam. Entender por esse prisma é singular para que jamais se pense que Deus seja indiferente ao pecado. O seu juizo é sempre certo, pessoal e imediato para quem vive na prática do pecado. É nesse sentido que Paulo diz que se deve considerar a bondade e a severidade de Deus (Rm 11.22).

   Que sempre tenhamos em nossa mente que Deus é bondoso, amoroso, mas, ao mesmo tempo, é justiça. Nessa assertiva bíblica, entendemos que deve haver um equilibro. É preciso ver o Deus de amor para quem obedece, mas também um Deus de justiça para quem é infiel, profano. O versículo 1 l reforça tudo o que estamos dizendo, pois é exigido da parte de Deus que se guarde os seus mandamentos. Os que, de fato, o conhecem responderão fielmente à justiça de Deus e com uma obediência reverente. Moisés estava dizendo ao povo que era preciso viver um compromisso de fe ativo e fiel para com Deus, pois a aliança exigia isso.

  Esses versículos bíblicos levam-nos à compreensão de que o Senhor é ficl e justo ao mesmo tempo. O erro de muitos crentes hoje e pensar e ver Deus apenas como amor, não fazendo o equilibro certo, pois é ensinado na Palavra que Ele é justiça também, o que nos impele a viver uma vida de santidade e vigilancia (1 Pe 1.15-17). Os que realmente amam a Deus de verdade procurarão constantemente lhe obedecer e viver em submissão (Jo 14.15). Deus, por fim, escolheu Israel para propósitos específicos, mas todos teriam que andar em obediência. Semelhantemente, o cristão, que é salvo e

eleito em Cristo Jesus por meio da sua graça, precisa andar em santidade, pois Deus é amor, mas também é fogo consumidor (Ef 1.4; Hb 10.29; 1 Pe 1.2).

3. Obediência e confiança: o caminho da prosperidade em Deus

  Os versículos 7-15 de Deuteronômio expressam os princípios da aliança no seu sentido condicional. As bênçãos de Deus estariam disponíveis a todos os que guardassem os seus mandamentos. Nesse sentido, aconteceria a prosperidade espiritual, que seria representada em termos materiais e na saude. Assim, se cada israclita procurasse viver em plena obediência com o Senhor, esse relacionamento resultaria em grande prosperidade, mas, SC fossem infieis, romperiam com o pacto e passariam a receber maldições.

  O versículo 12 de Deuteronômio 7 é bem enfático. "[ ... ] ouvindo estes

juízos" refere-se a uma obediência ativa, bem como uma decisão pronta de atentar para as decisões divinas presentes em tais ordenanças. Os dois verbos, ouvir e guardar, estão interligados exegeticamente. Se houvesse da parte de cada israelita a internalização das verdades recebidas da parte de Deus e ação de pôr em prática, o povo maravilhosamente desfrutaria da fidelidade de Deus, pois Ele simplesmente o amaria e abençoaria. Esse amor não seria algo emocional, mas, sim, devido à aliança. O ato de abençoar resultava em desfrutar do favor divino e envolvia tanto a produtividade dos frutos da terra quanto da descendência. Israel deveria cstar consciente de que o amor de Deus seria expresso em abundantes bênçãos espirituais e materiais, que abrangeriam a família, a agricultura e a riqueza rural, o que resultaria de uma vida de obediência (Dt 7.13).

  Logo no versículo 14, o caos seria invertido, pois o Senhor passaria a dar frutificação onde havia esterilidade. E importante entender que a fertilidade é símbolo da bênção divina. Isso se dá porque, devido a aliança e comprometimento com os ditames divinos, eles seriam benditos mais do que todos os povos da terra, expressão que evidencia um estado de bênção continua.

  Por fim, no versículo 15, o Senhor iria afastar todas as enfermidades dos que fossem fieis e obedientes. O termo hebraico choli fala de doenças físicas e sociais, bem como castigos divinos. O verbo afastar é remover por meio de um ato divino. Os que vivessem dentro dos termos da aliança e em plena obediência seriam protegidos fisicamente. Vale a pena ressaltar que as pragas que foram desencadeadas sobre os egípcios falam simbolicamente de juízos que vêm da parte de Deus sobre os ímpios e desobedientes.

   Esses versículos também nos ensinam que, quando o crente vive dentro da vontade de Deus, desfruta das bênçãos espirituais, e isso inclui a proteção divina (Sl 91.7-10). Assim, em suma, asseguramos biblicamente que os cristãos que procuram viver em obediência conforme a aliança firmada por Cristo mediante o seu sangue desfrutarão de eterna salvação (Hb 5.9), frutificação espiritual (Jo 15.2; Gl 2.22), proteção contra o mal (Mt 6.13), além de usufruírem de boa saúde fisica (3 Jo 2).

  III-SANTIDADE E SEPARAÇÃO: VIVENDO EM

OBEDIÊNCIA

 1. FORTALECENDO A CONFIANÇA PELA

OBEDIÊNCIA

  O centro da teologia de Deuteronômio é esse capítulo, e duas coisas especiais são ditas para elevar e fortalecer a moral de Israel: Moisés diz que eles são povo santo do Senhor e a sua propriedade peculiar. Nisso tudo se contempla a graça divina, a razão do seu amor e o caráter justo de Deus.

  A moral de Israel é fortalecida por ser posse peculiar de Deus e por ter os mandamentos que vinham diretamente dEle - isso, por si só, firmava a sua identidade. Israel era o povo da aliança, isto é, que tinha um compromisso com o Senhor. Hermeneuticamente, a escolha desse povo não se deu pelo seu mérito, mas, sim, por causa do amor de Deus (Dt 7.7-8). Nesse caso, eles teriam que ter um viver que correspondesse ao chamado divino, um padrão que estivesse à altura da sua identidade.

  Nós, cristãos, também somos chamados para viver moralmente firmes como o povo do Senhor (2 Co 7.1; 1 Pe 1.16), fomos eleitos em Cristo Jesus (1 Pe 2.9), de modo que temos que andar em santidade, sempre dependendo da graça de Deus (Ef 1.4-6) e sendo fiel a Ele em tudo (2 Tm 2.13).

  2. Sem acordo com o mal

  O versículo 2 destaca Israel como o povo que tem força militar, já declarando simbolicamente a vitória, bem como decisão para não ter qualquer relação com as nações pecaminosas. No demais, todos deveriam ser conscientes de que eles tinham um pacto com o Senhor e estar

conscientes de que não poderiam ter aliança com povos injustos e pecaminosos. No versículo 25, é dito que jamais poderiam cobiçar as coisas desses povos, o que poderia acontecer mediante a associação com eles.

  Como Israel era um povo moralmente santo, jamais poderiam ter ligações com naçoes pecaminosas, mas deveriam romper de vez com clas, que trilhavam o caminho do mal, pois clas poderiam desvia-los da vida espiritual e da sua identidade com os seus procedimentos maléficos e pagãos. Por esse motivo, o Senhor terminantemente proíbe parceria com eles ou cumplicidade mediante casamentos.

  No geral, a separação teria que ser total e radical do mal e da idolatria; os cananeus deveriam ser destruídos; nenhuma aliança poderia ser feita por meio de casamentos mistos; não deveria haver qualquer sentimento de piedade nem de desejo pelos ídolos, e muito menos ter nos lares objetos abomináveis a Deus, o Senhor.

  Esses ensinos estão presentes no Novo Testamento para a Igreja. Jesus e Paulo destacaram a importância de o seu povo jamais manter contato com o mundo e prender-se ao jugo desigual com os incrédulos (2 Co 6.14). É preciso, portanto, desfazer qualquer tipo de vínculo com os que podem ameaçar nossa comunhão e testemunho. Ainda que pareçam inofensivos, o melhor mesmo é seguir o conselho do salmista (Sl 1.1).

3. Separação total para uma vida santa

  Uma expressão frequentemente usada em meio aos povos pagãos é "postes de culto", que eram objetos atrelados à idolatria. O povo de Deus deveria eliminá-los completamente, pois tais materiais desviariam o coração dos israelitas. A obediência de Israel na erradicação total dessa idolatria dos povos pagãos manifestaria zelo pelo culto ao Senhor, bem como uma adoração exclusiva a Ele.

  A análise de cada versículo expressa que teriam que destruir os altares, imagens e postes-ídolos para dizimar toda idolatria (Dt 7.5). O Senhor haveria de entregar toda aquela gente nas mãos dos israelitas, pois as suas grandes fortalezas seriam destruídas (Dt 7.23-24). Era preciso seguir a advertência divina para não ter qualquer tipo de desejo para com as riquezas idolátricas e jamais querer os objetos que foram amaldiçoados.

  Era necessário que Israel tivesse todo o cuidado possível ao entrar na Terra Prometida, pois a idolatria ali presente era sedutora e estava associada com as piores práticas imorais, pois os seus ritos envolviam o sexo libertino e os sacrificios humanos. Todos esses atos eram repulsivos diante do Senhor e deveriam ser destruídos, não podendo haver sentimento algum de tolerância.

  Nos dias atuais, os cristãos são advertidos a não se deixarem seduzir pelos altares modernos que querem ocupar o lugar de Deus em nosso coração, como, por exemplo, o egocentrismo, o status, o dinheiro, a fama, o poder e as ideologias. Nosso Senhor Jesus Cristo advertiu-nos quanto ao cuidado que devemos ter e não adorar dois senhores (Mt 6.24). O apóstolo Paulo enfatiza a necessidade que temos para destruir todas as fortalezas e pensamentos que querem levantar-se contra Deus (2 Co 10.4-5).

 CONCLUSÃO

  AMADOS IRMÃOS, APRENDEMOSEM

DEUTERONÔMIO 7.6-26 QUE ISRAEL, POVO ESCOLHIDO

POR DEUS, FOI CHAMADO PARA MANTER A SUA

IDENTIDADE DE POVO SANTO, TER RESPONSABILIDADE

PARA COM A SUA VOCAÇÃO ESPIRITUAL AO CHEGAR À

NOVA TERRA, MANTER-SE SEPARADO DE TODO TIPO DE

PECADO E CONFIAR PLENAMENTE NAS PROMESSASDE

DEUS. DE IGUAL MODO, NÓS, CRISTÃOS, SOMOS

CHAMADOS A VIVER A ALIANÇA ESPIRITUAL EM CRISTO

JESUS COMO NAÇÃO SANTA (1 PE 2.9) E A SEPARARMO-

NOSDE TUDO O QUE CONTAMINA NOSSA COMUNHÃO E

DEVOÇÃO A ELE (2 C0 6.14-18). NO DEMAIS, DEVEMOS

DERRUBAR OS ÍDOLOS MODERNOS DO MATERIALISMO,

DO EGO E DA SENSUALIDADE (CL 3.5-10) E MANTER

SEMPRE NOSSA OBEDIENCIA E FIDELIDADE AO SENHOR.

    O Deus da Alianca - Advertencias, Promessas e Bencaos no Livro de Deuteronomio

 

ELEIÇÃO: UM CHAMADO PARA

PERTENCER A DEUS 

  Em Êxodo 19.5, vemos as condições e o propósito da eleição do povo de Israel.

  Primeiro, vemos que a iniciativa é de Deus e há um relacionamento aliançado. Aliás, relacionamento é uma das chaves para entender essa eleição. Deus diz ao seu povo por meio de Moisés: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto". É um convite a um relacionamento dinâmico. O Senhor toma a iniciativa de chamar, mas o pertencer a Ele manifesta-se na escuta ativa e na fidelidade à aliança. Somos eleitos para viver em harmonia com a vontade dEle.

  Em segundo lugar, vemos nessa passagem que a eleição cria identidade. Deus afirma: "Sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos". A palavra hebraica traduzida aqui como "propriedade peculiar" é segullah, que alude a um tesouro valioso que um rei guardava para si. Isso ensina que o chamado para pertencer ao Senhor redefine nossa identidade: deixamos de ser apenas parte da criação comum para tornarmo-nos objetos do cuidado especial e íntimo de Deus.

  Em terceiro lugar, esse texto mostra que eleição divina não diz respeito a exclusivismo, mas a propósito. O versículo termina lembrando: "[ ... ] porque toda a terra é minha". Ao dizer que a terra inteira pertence a Ele, Deus deixa claro que a eleição de um grupo, Israel, não significa que Ele abandonou os outros, as demais nações. Israel não foi eleito em detrimento das demais nações, mas em benefício delas. A promessa de Deus a Abraão é que nele serão benditas todas as nações da Terra (Gn 12.3; 18.18). O chamado para pertencer ao Senhor tem um objetivo: ser um povo separado para representar o Dono da Terra diante das outras nações. Pertencer a Deus por meio da eleição, portanto, é um privilégio baseado na graça, mas que carrega a responsabilidade de refletir o caráter de Deus ao mundo me- diante a obediência. E quem do mundo aceitar a salvação será incluído entre os eleitos (Rm 11.24).

  SANTIDADE: A RESPOSTA

  AO CHAMADO DIVINO 

  A santificação é apresentada na Bíblia não como meio para alcançar a Deus, mas como consequência lógica de já pertencermos a Ele; ou seja, a santidade é um estado antes de ser uma ação. Por isso, esse texto inicia-se com uma afirmação de identidade: "Porque és povo santo". Israel não se tornaria santo após ter sido escolhido, mas tornou-se santo por ter sido escolhido. A santificação começa com o que Deus fez, que é separar-nos para Ele, e não com o que fazemos. A resposta ao chamado divino não é tentar tornar-se santo para ser aceito, mas viver conforme a santidade que Deus já nos atribuiu ao escolher-nos. Uma vez separado pelo Senhor, Israel deveria viver conforme a sua separação e o seu Deus: "Porque eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vos vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo" (Lv 11.44).

  Santificação, em essência, é diferenciação, consagração. A palavra "santo" em hebraico é qadosh, que significa "separado" ou "cortado". O texto destaca que essa separação é "de todos os povos que há sobre a face da terra". A resposta ao chamado divino exige mudança de estilo de vida: se fomos chamados por Deus para sermos dEle, não podemos mais viver seguindo os padrões, valores ou práticas das culturas ao redor que contradizem o caráter de Deus.

  Em outras palavras, santificação também quer dizer "lealdade". Ao afirmar o conceito de "povo próprio" (de novo, no original, segullah, que é "tesouro particular", como vimos no último devocional), se estiver enfatizando que a santificação é uma resposta de gratidão e lealdade, então é a prova visível de que compreendemos o valor de sermos o tesouro de Deus. Ela é a assinatura do eleito. Aliás, o versículo anterior (Dt 14.1) diz: "Filhos sois do SENHOR, vosso Deus"; ou seja, a santificação também é a resposta de um filho que deseja honrar o nome da família. O chamado torna-nos filhos, e a santificação é nosso esforço em parecermo-nos com nosso Pai.

   ELEIÇÃO POR AMOR: A BASE DA ALIANÇA

  A aliança de Deus não é um contrato baseado em mérito ou grandeza, mas no caráter do próprio Deus. Deuteronômio 7.7 deixa claro que o Senhor não escolheu o povo de Israel porque os hebreus eram mais numerosos ou mais importantes. Na verdade, eles eram o menor de todos os povos. Isso mostra que a eleição não é uma recompensa por qualidades intrínsecas do escolhido. A causa está no próprio Deus. A base da escolha é o amor de Deus (v. 8).

   Quando perguntamos "Por que Deus escolheu?", a resposta bíblica é: "Porque Ele amou". O amor é a causa primária e soberana que não depende de fatores externos. Não merecíamos a salvação, mas foi Ele quem nos amou (Jo 3.16). Agora, claro, a eleição concedida pela graça, sem mérito algum nosso, tem um aspecto condicional. O povo de Israel foi escolhido por amor, mas deveria ser fiel à aliança. Havia promessas, mas também havia exigências. A eleição para a salvação, por exemplo, é também pela graça e igualmente condicional. A condição é estar e permanecer em Cristo. Não somos eleitos para estar em Cristo, mas somos eleitos em Cristo ("[ ... ] nos elegeu nele [ ... ]", Ef 1.4). Foi isso que o Senhor estabeleceu antes mesmo da fundação do mundo: que os eleitos para salvação seriam todos aqueles que viessem a Cristo e permanecessem nEle, os quais Deus, pela sua presciência, sabe quem são e chama-os de eleitos (1Pe 1.2). Em suma, a aliança não é um negócio de troca, mas uma iniciativa de graça pura, onde o amor de Deus é o motivo, e este amor exige uma resposta nossa. Mas, além do amor, o texto também cita a fidelidade de Deus em cumprir o juramento feito aos antepassados.

   A aliança é sustentada pela fidelidade divina e garante que, uma vez que escolheu amar, Ele permanecerá fiel à sua parte no compromisso. E o propósito é a santidade, pois o texto em apreço define o povo de Israel como "povo santo" e "povo próprio".

   FIDELIDADE E JUSTIÇA: O CARÁTER DE DEUS

  O texto em destaque hoje ensina que a fidelidade e a justiça de Deus não são passageiras, mas fundamentais e constantes. O Senhor é apresentado por Moisés como "O Deus fiel". Isso significa que Ele é digno de confiança e que a sua palavra não falha; que o Senhor é coerente com a sua própria natureza e que age com integridade e amor leal para com os que estão em um relacionamento com Ele; e que a fidelidade de Deus é simplesmente inabalável e uma expressão direta do seu caráter.

   A justiça é outro aspecto do caráter de Deus que também se relaciona diretamente com a sua aliança. Mais especificamente, ela manifesta-se no cumprimento das suas promessas. Moisés enfatiza que o Senhor guarda "o concerto e a misericórdia", mostrando que é justo ao honrar o que estabeleceu com o seu povo e que essa fidelidade estende-se por "até mil gerações", o que revela um caráter paciente e uma justiça que não se limita ao presente, mas alcança pessoas de todas as épocas que o amam e obedecem aos seus mandamentos.

  A expressão "até mil gerações" enfatiza que a aliança que o Senhor estava fazendo com o seu povo não era passageira. Ele estava garantindo que, da parte dEle, a aliança nunca expiraria. E mais: Deus está contrastando a fragilidade humana com a eternidade do seu caráter.

   Enquanto uma vida humana é curta, a validade da sua promessa é praticamente ilimitada. Isso ensina, pelo menos, quatro coisas sobre a aliança divina: (1) ela tem estabilidade, ou seja, não depende do humor do momento ou de mudanças políticas, sendo um compromisso de longo prazo; (2) ela é segura, com o povo podendo confiar que as promessas feitas aos seus antepassados ainda seriam válidas para os seus netos, bisnetos e além; (3) havia um legado certo, uma vez que a obediência de uma geração criava um caminho de bênçãos que reverberaria por séculos; e (4) a fidelidade de Deus sempre superaria, em medida e tempo, qualquer falha humana.

  OBEDIÊNCIA: O CAMINHO DAS BÊNÇÃOS DE DEUS

  A obediência não é um pagamento para recebermos as bênçãos de Deus, ela não é uma moeda de troca, mas, sim, uma resposta de amor e confiança. Se fosse um pagamento, a bênção seria uma dívida que o Senhor teria conosco, o que anularia a graça. Por outro lado, a obediência também é a condição para desfrutar e manter as bênçãos prometidas, pois é ela que nos mantém posicionados no caminho onde a vontade de Deus manifesta-se plenamente.

  O texto de Deuteronômio 7.12-13 ensina-nos três lições centrais sobre a obediência. A primeira é que ele diz que, se o povo de Israel obedecesse, o Senhor cumpriria as promessas da aliança. Isso mostra que as bênçãos não são aleatórias, mas fluem de um relacionamento de compromisso. Quando você decide ouvir e praticar as instruções de Deus, você posiciona-se dentro do ambiente onde as promessas divinas são concretizadas.

   A segunda lição que esse texto traz a nós acerca da obediência é o que está no versículo 13, que diz que, ao obedecer, o Senhor "amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar". A obediência abre caminho para experimentarmos o amor de Deus de forma tangível. Ele já nos ama, mas a obediência permite-nos desfrutar dos frutos práticos desse amor no dia a dia.

   A terceira e última lição é que as bênçãos de Deus abrangem todas as áreas de nossa vida. Perceba que o texto lista como bênçãos a ser recebidas a fertilidade, as colheitas, o vinho, o azeite e o gado; ou seja, a obediência traz a provisão de Deus para os detalhes da vida comum, isto é, para nossa família, nosso trabalho e nosso sustento. O Senhor tem prazer em abençoar o "fruto do seu ventre" e o "fruto da tua terra". 

  Sejamos, portanto, obedientes a nosso Senhor e Deus, pois a obediência a Ele é o caminho que mantém o canal da aliança aberto e permite que a generosidade de Deus flua sem impedimentos sobre todas as áreas de nossa vida.

   CONFIANÇA EM DEUS: VITÓRIA SOBRE OS INIMIGOS ESPIRITUAIS

  Perto de adentrar a Terra Prometida, Deus usa Moisés para encorajar Israel em relação aos inimigos que o povo enfrentaria. Apesar de o contexto ser a guerra contra nações inimigas, os princípios contidos nessa passagem ensinam-nos como lidar com o medo diante de desafios em geral que parecem maiores do que nossas forças.

   Para o povo hebreu, o medo era lógico. Eles olhavam para as nações locais e pensavam: "Estas nações são mais numerosas do que eu; como as poderei lançar fora?" (v. 17). A resposta divina não é negar que os inimigos são fortes, mas ordenar um exercício de memória. Ele diz: "Não deixes de te lembrar do que o SENHOR, teu Deus, fez a Faraó e a todos os egípcios" (v. 18). A garantia da vitória não estaria na estratégia militar de Israel, mas em Deus. Se Ele venceu o império mais poderoso da época, o Egito, as nações de Canaã não seriam problema. A vitória era uma questão de fidelidade à aliança, não de superioridade numérica.

   Quando transportamos isso para nossa vida, para a esfera espiritual, para a luta contra o pecado ou crises de fé, os princípios permanecem os mesmos. Muitas vezes olhamos para um problema e sentimo-nos pequenos, mas esse texto ensina-nos que o medo nasce quando focamos no tamanho do problema em vez de focarmos na fidelidade de Deus. Nossa primeira arma deve ser a memória. Assim como Israel deveria lembrar-se do que o Senhor fez, nossa confiança vem de lembrarmo-nos do que Cristo fez na cruz por nós. Se Ele já venceu a morte e o pecado, qualquer inimigo seu está lutando contra alguém que serve ao vencedor. Deus luta por você! O texto enfatiza que o Senhor "fará o mesmo com todos os povos que temes" (v. 19). Nossa garantia não é nossa força de vontade, mas a presença dEle em nós. Submeta, pois, seu medo ao que o Senhor já fez. A confiança em Deus não é um sentimento vago, mas uma conclusão lógica baseada nas evidências do cuidado dEle no passado.

   A ALIANÇA E AS BÊNÇÃOS DA OBEDIÊNCIA

  Esse texto estabelece a identidade espiritual de Israel como base para a aliança e a obediência, afirmando que o povo de Israel santificara-se ao Senhor e tornara-se a sua propriedade exclusiva. No contexto dessa fala, como vimos no devocional anterior, é dito que Deus entregaria as nações inimigas nas mãos do seu povo se este fosse obediente à aliança. Tanto antes como agora, a obediência a Deus é um caminho que abre portas para a proteção e o favor divinos. Dentre as muitas bênçãos prometidas, Jesus disse que se manifestaria àquele que guarda os seus mandamentos, trazendo a presença do Pai e do Filho para habitar nele (Jo 14.21-23).

  Obedecer aos princípios bíblicos também torna a pessoa mais sábia do que os seus inimigos e dá entendimento para tomar boas decisões (Sl 119.98-100). Sobretudo, a obediência à fé em Cristo garante a maior de todas as bênçãos: a salvação e a vida eterna com Deus (Hb 5.9).

  Conta-se que, certa vez, um mestre entalhador, que criava instrumentos musicais de qualidade, entregou ao seu aprendiz um pedaço de madeira bruta, escura e cheia de nós, dizendo: "Faça disso um violino, mas você deve seguir apenas uma regra: trabalhe apenas sob a luz do dia, parando assim que eu tocar o sino, não importa o quão inspirado você esteja".

   Nos primeiros dias, o aprendiz obedeceu. No entanto, o jovem começou a ficar impaciente. Ele via outros artesãos trabalhando até tarde da noite sob velas, produzindo dezenas de instrumentos e ganhando dinheiro rápido. Então, decidiu ignorar o sino. "Só mais uma hora", pensou. Mas, sob a luz das lâmpadas, a visão falhou. Ele forçou a ferramenta contra um nó da madeira, e ela rachou.

   Na manhã seguinte, o mestre disse-lhe: "A luz do dia é a única que revela as fibras ocultas desta madeira especial. Não lhe dei a regra para limitar sua produtividade, mas para proteger sua obra". Deus também nos dá orientações para nosso próprio bem. Sejamos fiéis a Ele!

   Leitura diária devocional com trechos do livro de Deuteronômio