TEXTO ÁUREO
“Por causa disso, me ponho de joelhos
perante o Pai de nosso Senhor JESUS CRISTO, do qual toda a família nos céus e
na terra toma o nome.” (Ef 3.14,15)
VERDADE PRÁTICA
Devemos interceder pelos eleitos de
CRISTO para que eles sejam fortalecidos de poder, vivam em comunhão e exercitem
o amor de DEUS.
"Por causa disso, me
ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a
família nos céus e na terra toma o nome" (Ef 3.14-15).
Após revelar o mistério
oculto e todas as dádivas nele contidas (Ef 3.1-13), Paulo sentiu a real
necessidade de orar em favor da Igreja de Cristo (3.16-19). Na intercessão
paulina, também aprendemos que Deus pode fazer tudo além do que pedimos ou pensamos,
sendo Ele o único digno de ser glorificado (3.20,21). A oração do apóstolo
inicia com a expressão "por causa disso" ou "por esta
razão" (3.14a), expressão que aparece pela primeira vez em Efésios 3.1 e
que volta a ser mencionada em referência às imensuráveis dádivas contidas na
revelação do mistério oculto em que os gentios são alcançados pela misericórdia
e graça divinas.
A invocação é dirigida "perante o Pai
[...], do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome" (3.14,15).
A expressão "perante o Pai" representa o acesso direto a Deus por
meio do sangue de Cristo e do Espírito Santo. Quanto à expressão "toda a
família", Stott avalia que é melhor traduzir no sentido de "toda a
família dos crentes", indicando tanto a Igreja militante na terra como a
Igreja triunfante nos céus, as duas partes da única grande família de Deus.223
Ao Pai dessa família (que é a Igreja), por meio das suas imensuráveis riquezas,
Paulo pede aos crentes que sejam por Ele corroborados com o poder do Espírito e
arraigados e fundados em amo,
I.
CORROBORADOS COMO PODER DO ESPIRRO
1.
As riquezas da sua glória
Paulo apresenta a sua oração confiando
"nas riquezas da glória [de Deus]" (a 16a). O apóstolo já tinha
dedarado que Deus é "o Pai da glória" (1.17), cheio de "abundantes
e insondáveis riquezas" (2.7; 3.8). Isso significa que Deus é possuidor de
todas as glórias e despenseiro de ricas e ilimitadas bênçãos. Nessa direção,
também aponta Foulkes ao declarar que "Paulo não apenas ora para que Deus
dê 'dos tesouros de sua glória', mas segundo tal riqueza (Fp 4.19). Ele dá sem
limite porque Ele próprio é infinitamente maior do que a 'medida da mente
humana', e as riquezas que Ele dá são de Sua própria natureza.
Na concepção da doutrina bíblica, Deus é pleno
de glória (Rm 2.4; 923; 11.33; Fp 4.19; Cl 127; 2.2). Essa glória indica a sua
grandeza e majestade e o seu glorioso e sobre-excelente poder. Ensina que Deus
não é limitado, porquanto a sua fonte é a riqueza da sua glória. Paulo não tem
dúvidas acerca dessa verdade. Pela revelação do Espírito, o apóstolo
compreendeu que Deus tem recursos inesgotáveis e que Ele pode atender à sua
oração.225 Em razão disso, ele pede a Deus em oração que a Igreja seja
fortalecida com poder, que permaneça habitada por Cristo, que compreenda o amor
divino e que tenha pleno desenvolvimento espiritual (3.16-19).
2.
Fortalecidos com poder
O primeiro pedido na
intercessão paulina é para que a Igreja seja corroborada "com poder pelo
seu Espírito no homem interior" (3.16b). Essa petição não quer dizer que a
Igreja em Éfeso não tivesse o Espírito de Deus (ver 1.14). A oração é para que
a Igreja fosse continuamente revigorada com poder para o seu fortalecimento
diário (1 Co 16.13). A Palavra de Deus enfatiza que a única força que habilita
o crente a manter-se firme advém do Espírito Santo (Jo 14.16-17). Esse poder
atua no homem interior e capacita o crente a perseverar, a manter-se afastado
do pecado e a compreender as coisas espirituais (1 Co 2.12-16). Esse
isso, não desfalecemos; mas,
ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de
dia em da" (2 Co 4.16). Isso significa que, embora estejamos suscetíveis
às fraquezas e aos sofrimentos de nossa carne, o Espírito de Deus operando em
nós capacita o cristão a prosseguir e a não desfalecer. Mesmo as melhores
pessoas precisam de renovação contínua do homem interior dia a dia .
Ambos os textos (Rm 7.2223 e 2 Co 4.16)
evidenciam a contumaz batalha travada entre a carne e o Espírito, anotada por
Paulo na sua carta aos Gaiatas (GI 5.17). Ciente da realidade humana
concernente à fraqueza da carne e da sua inclinação para o mal (Rm 8.7), Paulo
exorta aos irmãos na Galados e a todos nós: 1..1 Andai em Espírito e não
cumprireis a concupiscência da carne" (GI 5.16). Em outras palavras,
ratifica-se aqui o ensino de que só é possível vencer o pecado e perseverar em
santidade pelo poder do Espírito Santo, sendo esse o sentido da intercessão de
Paulo junto ao Pá em favor dos efésios: "Para q., segundo as riquezas da
sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no
homem interior" (Ef 3.16b).
3. Habitados por Cristo
Paulo também orou para que
Cristo habitasse pela fé no coração dos santos (ver a 17a). Novamente, o pedido
não significa dÉer q. Cristo não estivesse presente na Igreja em Éfeso. Tanto a
habitação de Cristo no coração quanto o poder do Espírito Santo são
experiências similares (222). O Comentário Beacon assevera que "o
fortalecimento pelo Espírito e a habitação de Cristo no coração não são
experiências totalmente diferentes. É mais do que óbvio que desfrutar a
presença do Espírito equivale a desfrutar a presença de Cristo"
O Comentário do Novo Testamento — Aplicação
Pessoal complementa esse argumento ao destacar que Cristo encontra habitação
duradoura no coração dos crentes. Na Bíblia Sagrada, o termo
"coração" sempre se refere ao centro das emoções e da vontade de uma
pessoa. Cristo fixa residência permanente, mudando o "coração" e,
consequentemente, as suas palavras e pensamentos Hendriksen valida essa percepção e confirma q.
o "coração é a fonte central das disposições, tanto quanto dos sentimentos
e dos pensamentos (Mt 5.19; 22.37; Fp 1.7; 1 Tm 1.5). É do coração que flui a
vida (Pv 423).2. Nesse sentido, "coração" é o equivalente à expressão
"homem interior", que figura no versículo anterior. O termo
"coração" aponta para o íntimo do homem, onde Deus passa a fazer
morada, por tornar-se templo do Espírito Santo (1 Co 3.16).
No versículo em questão, o
verbo grego traduzido por habitação é katoikein, que significa "habitação
permanente", em oposição à "habitação temporária". Segundo Handley
Moule, citado por Stott, "a palavra expressamente denota a residência em
contraste com o alojamento, a habitação do dono da casa no seu próprio lar em
contraste com o viajante que sai do caminho para pernoitar em algum lugar, e
que no dia seguinte já terá ido embora" Essa informação sinaliza que a oração
apostólica era para q. Cristo habitasse continuamente na vida da Igreja. E o
ensino novamente deixa claro que a igreja não pode subsistir às forças do mal
sem Cristo (Mt 16.18).
II.
ARRAIGADOS E FUNDADOS EM AMOR
1.
Amor: a virtude cristã
Todas as características divinas são
manifestadas por meio dos atributos da sua natureza. Nas Escrituras, o amor é
atributo divino: "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é
amor" (1 Jo 4.8). Foi por amor que Cristo entregou-se para o resgate da
humanidade (Ef 52). Bergstén afirma q. "a Bíblia não somente diz que Deus
ama os homens, mas q. Ele é amor [...]. Toda a trindade é uma expressão do amor
divino. A Bíblia fala de Jesus, o Filho de Deus, do seu amor que excede todo o
entendimento (Ef 3,.19). Fala também do amor do Espírito Santo (Rm
15.30)"235 Nas cartas paulinas, a palavra "amor" figura com
proeminência. Nos seus escritos, por exemplo, o termo grego agapé (amor) aparece
75 vezes, a expressão agapaõ (demonstrar amor) ocorre 34 vezes, e agapétos
(alguém que é amado) é utilizado 27 vezes. O entendimento paulino do evangelho
está centrado no amor de Deus manifestado em Cristo.
O Senhor Jesus ensinou que o
amor é o resumo da Lei e dos profetas (Mt 22.34-40). Antes de ser preso por
ocasião da Páscoa, Ele disse que o amor seria o sinal dos seus discípulos (Jo
13.35). O apóstolo João destaca que o amor é a prova de filiação com Deus (1 Jo
4.7) e que deve ser expresso por meio de atitudes (1 Jo 3.17). O amor,
portanto, é a maior de todas as virtudes e o princípio que norteia o fruto do
Espírito (1 Co 13.13). Ciente dessa relevância, o apóstolo implora a Deus para
que o viver da Igreja seja arraigado e alicerçado em amor.
2.
Arraigados e fundados em amor
Após rogar ao Pai pelo poder
do Espírito e a habitação de Cristo, o apóstolo dama para que a Igreja possa
também compreender e viver na prática do amor (Ef 3.16,17). A expressão
"arraigados e fundados em amor" (3.17b) compara os santos a uma
árvore bem enraizada e a uma casa bem alicerçada. Essas duas imagens são
inspiradas no mundo das plantas e na arte da construção, sendo bem conhecidas
da tradição bíblica e judaica para descrever a experiência espiritual (Jr 1.10;
18.9; 3128).
Ambas as metáforas enfatizam
a profundidade e a maturidade em contraponto à superficialidade e à imaturidade
espiritual. O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento ratifica o
conceito que a expressão "estar arraigado em amor" sinaliza raízes
que se aprofundam no solo, e "estar fundado" em amor assemelha-se a
um edifício com poderosos alicerces estabelecidos sobre sólidas rochas. Nesse
sentido, essas declarações indicam que a vida cristã não tem sustentação alguma
sem o amor, que é a essência do cristianismo (1 Co 13.1-3). Por causa disso, o
apóstolo insiste pela total compreensão de "qual seja a largura, e o
comprimento, e a altura, e a profundidade" do amor divino (Ef 3.18b).
Stott avalia que esses termos não são apenas retóricos, mas a constatação de q.
"o amor de Cristo é suficientemente largo para abranger a humanidade toda,
suficientemente comprido para durar por toda a eternidade, suficientemente
profundo para alcançar o pecador mais degradado e suficientemente alto para
levá-lo ao céu"...
Sem dúvidas, o uso dessas expressões aponta
para a vastidão do amor de Cristo, "que excede todo o entendimento"
(3.19a). Foulkes assinala que esse amor é infinitamente maior do que o homem é
capaz de compreender ou imaginar de modo cabal, sendo também muito mais do que
qualquer objeto de conhecimento; é superior ao conhecimento (1 Co 8.1), mesmo
ao conhecimento espiritual (1 Co 132).2.. Essa concepção paulina indica que a
lógica humana não pode mensurar o amor de Deus.
3. A
intensidade do amor de Cristo
Consciente de que somente o
Espírito pode fazer entender e experimentar a grandeza do amor de Deus, Paulo
persevera em pedir aos crentes para que conheçam a intensidade do amor de
Cristo (Ef 3.18,19a). As expressões "1...1 a fim de [...] poderdes
perfeitamente compreender" (a 18a) e "conhecer o amor de Cristo"
(3.19a) sugerem a dificuldade de conhecer as coisas profundas de Deus por
nossas faculdades meramente humanas... Necessitamos, portanto, da ação do
Espírito Santo para a perfeita compreensão e verdadeiro conhecimento.
O apóstolo sabe que o esforço
humano não pode atingir essa meta; por isso, ele acrescenta na oração para que
os crentes sejam "cheios de toda a plenitude de Deus" (a 19c). Aqui,
Moody chama atenção para o fato de q. Paulo não está pedindo q. a "vida
dos leitores seja divinizada; eles não serão cheios da plenitude da qual Deus
está cheio como Ser infinito. O desejo do apóstolo é que eles desfrutem a
plenitude da graça que Deus comunica aos homens por seu Filho"
Esse desejo é enfatizado no capítulo 5 de
Efésios. Paulo exorta os crentes a serem "imitadores de Deus, como filhos
amados" (5.1) e, para tanto, conclama a todo cristão a andar em amor: como
também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício
a Deus, em cheiro suave" (5.2). Desse modo, a ênfase recai na necessidade
de o cristão identificar-se com Cristo, entender a intensidade do amor e seguir
os passos do Mestre. Assim como somos amados por Cristo, também devemos amar
uns aos outros (1 Jo 4.10-11).
III. A BÊNÇÃO DE DEUS
EXCEDE O PENSAMENTO HUMANO
1. A dimensão das bênçãos divinas
O apóstolo termina a sua oração com uma
doxologia (Ef 3.2021). Aprendemos nas Escrituras que é apropriado concluir
nossas orações com louvores. Cristo ensinou-nos a encerrar nossas petições
reconhecendo que "o Reino, e o poder, e a glória" pertencem a Deus
para todo o sempre (Mt 6.13). Na sua petição pelos efésios, Paulo lembra qov a
magnitude do poder de Deus é capaz de fazer "muito mais abundantemente
além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera"
(Ef 3.20).
As palavras do apóstolo indicam qov aquilo que
Deus pode fazer ultrapassa em demasiado nossos melhores anseios e desejos.
Mathew Henry afirma que "existe uma plenitude inesgotável de graça e
misericórdia em Deus que as orações de todos os santos nunca podem
esgotar".242 Isso quer dizer que a mente humana é incapaz de alcançar a
dimensão das bênçãos divinas que Deus tem para oferecer e que estão disponíveis
para os fiéis.
O Comentário do Novo
Testamento — Aplicação Pessoal conjectura que nossos pensamentos incluem mais
do que ousamos pedir em nossas orações. Assim, pelo seu muito amor, e pela
grandeza do seu poder, e por meio do seu Espírito, Deus atende-nos até mesmo
nos sonhos não mencionados ou naquilo que não nos consideramos dignos de ser
atendidos:
Ele responde até mesmo as
orações não pronunciadas. Deus pode agir além da nossa capacidade de pedir ou
mesmo imaginar [...]. Deus está muito acima e além das nossas mentes finitas.
Deus é capaz porque é Todo-poderoso. A incomensurável profundidade do amor de
Cristo é acrescentada a extraordinária abundância do seu poder. Os crentes
podem reivindicar o grande amor de Cristo (a 19) e saber que o seu poder está
operando dentro de nós através do Espírito Santo
O Comentário Bíblico Beacon avalia que Paulo
não pediu coisas pequenas na sua oração. O apóstolo apresentou a Deus, dentre
outras petições, que os crentes fossem iluminados, fortalecidos de poder, que
vivessem em amor e fossem cheios do Espírito Santo até a plenitude. Ao conduir
a sua oração, o apóstolo não estava constrangido pelas suas altas aspirações;
ao contrário, ele estava convicto de que os seus pedidos jamais poderiam
esgotar os recursos divinos.
Escrevendo aos Coríntios, Paulo corrobora com
esse ensino ao declarar que as coisas que sequer "subiram ao coração do
homem são as que Deus preparou para os que o amam" (1 Co 2.9). Essa
instrução ratifica que os pensamentos do Senhor são muito mais altos do que os
nossos (ver Is 55.9). Desse modo, o poder divino que age na vida do crente e as
bênçãos disponíveis são impossíveis de dimensionar.
O ensino bíblico declara que a sobre-excelente
grandeza do poder de nosso Deus é capaz de responder para além das mais
audaciosas orações (ver 1 Rs 3.5-14). No entanto, a respeito do poder da oração
e da sua eficácia, Wayne Grudem faz uma séria advertência à Igreja hodierna,
"Se estivéssemos realmente convencidos de que a oração muda o modo como
Deus age e de que Deus de fato causa notáveis mudanças no mundo em resposta à
oração como as Escrituras repetidamente ensinam, então oraríamos muito mais do
que fazemos hoje".
2. O
convite para adoração
Paulo encerra esse capítulo
com o convite de adoração a Deus, cuja glória é devida "na igreja, por
Jesus Cristo, em todas as
começou a ser revelado na
igreja, ele elogiou essas coisas e ressaltou o que Deus estava fazendo nos seus
eleitos e nas pessoas fiéis pela pregação do evangelho. Ele estava certo em nos
lembrar de que Deus deve ser glorificado em primeiro lugar na igreja, para que
seja glorificado em toda parte. A terra está cheia da majestade de Deus, mas
como as inesgotáveis riquezas e graças de Deus foram derramadas sobre os [..]
fiéis na igreja, é apropriado que Ele seja glorificado na igreja com zelo
particular.
Essa também é a percepção anotada por Matthew
Henry ao argumentar que, na Igreja, "cada membro em particular, judeu ou
gentio, coopera nessa obra de louvar a Deus. O mediador desses louvores é Jesus
Cristo. Todos os dons de Deus vêm por meio da mão de Cristo; e todos os nossos
louvores passam de nós para Deus por meio da mesma mão"?' Nesse aspecto, o
Comentário Bíblico Beacon lembra que a Igreja é o campo onde se exterioriza o
plano de Deus aqui na terra (Ef 3.10), que a glória ocorre por meio de Cristo,
pois foi Ele quem trouxe a Igreja à existência por meio do sacrifício e
ressurreição dos mortos.
Por fim, o apóstolo anela que
essa postura de adoração e exaltação a Cristo perdure "por todas as
gerações" e enfatiza o seu pedido com a expressão"para todo o
sempre". Moody, ao comentar essas expressões, enfatize que "a glória
de Deus está sendo manifesta por toda a eternidade no corpo q. Ele redimiu [...].
Literalmente, por todas as gerações, pelo século dos séculos. Uma expressão
muito forte para a eternidade"... Isso significa que o louvor e a adoração
devem ser praticados por todos os crentes de ontem, de hoje, de amanhã e depois
de amanhã, e continuamente por toda a eternidade!
A igreja eleita - Douglas Baptista
Comentário Bíblico
Moody
G. A Segunda Oração de Paulo. 3:14-21.
Esta é a segunda oração de
Paulo pelos efésios, e tal como a anterior em Ef. 1, relaciona-se
principalmente com seu bem-estar espiritual. Enquanto a primeira oração se
centraliza no conhecimento, esta focaliza o amor.
14. Por esta causa. Isto retoma o pensamento começado em 3:1. Evidentemente o pensamento
principal deste capítulo é a oração, e 3:2- 13 é explanatório. Me ponho de
joelhos. Embora as Escrituras não indiquem nenhuma posição corporal necessária
à oração, o pôr-se de joelhos indica sincera reverência. Do Pai. Alguns
manuscritos omitem as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo. Há um jogo de
palavras com a palavra Pai em 3:14 e a palavra traduzida para família (que é
paternidade) em 3:15.
15. Toda a família. Há duas possíveis explicações para isto. Alguns preferem cada família,
com a idéia de que o conceito de família ou paternidade vem de Deus. Isto é
verdade, é claro, embora menos comum. Gramaticalmente a outra explicação parece
encaixar-se melhor no contexto das Escrituras de um modo geral; isto é, toda a
família. A expressão tanto no céu como sobre a terra parece favorecê-la. Isto
é, toda a família dos redimidos – aqueles que já partiram e aqueles que Efésios
ainda estão vivos aqui na
terra – têm um só Pai, que é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Comentário Bíblico Moody

Capítulo 6
A oração mais ousada da história (Ef 14-21)
A primeira oração de Paulo,
nessa carta, enfatiza a necessidade de iluminação; ela enfatiza a capacitação.
A ênfase agora não é no conhecer, mas no ser. Essa oração é geralmente
considerada a mais sublime, a de mais longo alcance e a mais nobre de todas as
orações das epístolas paulinas e, possivelmente, de toda a Bíblia.156 Essa
oração é o ponto culminante da teologia de Paulo. É considerada a oração mais
ousada da história. Paulo está preso, algemado, na antessala da morte, no
corredor do martírio, com o pé na sepultura e com a cabeça próxima da
guilhotina de Roma. Ele tem muitas necessidades físicas e materiais imediatas e
urgentes, porém não faz nenhuma espécie de pedido a Deus com relação à essas
necessidades.
Os homens podem colocar Paulo
atrás das grades, mas não podem enjaular sua alma. Eles podem algemar suas
mãos, mas não podem algemar a Palavra de Deus em seus lábios. Eles podem
proibir Paulo de viajar, visitar e pregar nas igrejas, mas não podem impedir
Paulo de orar pelas igrejas. Sobre isso Lloyd-Jones escreve:
O importante para nós é saber que Paulo está realmente
dizendo que, embora prisioneiro, embora um perverso inimigo o tenha
encarcerado, o tenha posto em grilhões, o tenha impossibilitado de visitar os
efésios e de pregar-lhes (ou de ir a qualquer outro lugar para pregar), há uma
coisa que o inimigo não pode fazer não pode impedi-lo de orar. Ele ainda pode
orar. O inimigo pode confiná-lo numa cela, pode meter ferrolhos e trancas nas
portas, pode algemá-lo a soldados, pode pôr grades nas janelas, pode
enclausurá-lo e confiná-lo fisicamente, entretanto nunca poderá obstruir o caminho
do coração do crente mais humilde para o coração do Deus eterno.
Paulo estava na prisão, mas não inativo. Ele
estava realizando um poderoso ministério na prisão: o ministério da
intercessão. Paulo nunca separou o ministério da instrução do ministério da
oração. Instrução e oração andam juntas. Hoje, a maioria dos téologos tem
abandonado a trincheira da oração. Separamos a academia da piedade, a pregação
da oração. Precisamos retornar às origens!
O preâmbulo da oração
John Stott, com oportuna lucidez, diz que o
prelúdio indispensável a toda petição é a revelação da vontade de Deus. Não
temos autoridade alguma para orar por qualquer coisa que Deus não revelou ser
sua vontade. Por isso, a leitura da Bíblia e a oração devem caminhar
sempre juntas. E nas Escrituras que Deus revelou a sua vontade, e é na oração
que pedimos que ele a realize.
Na introdução de sua oração, podemos aprender
três coisas importantes com o apóstolo Paulo:
Em primeiro lugar, a postura de Paulo revela reverência (3.14). Por
essa razão, dobro meus joelhos perante o Pai. Os judeus normalmente oravam de
pé, mas Paulo se põe de joelhos. Essa postura era usada em ocasiões especiais
ou em circunstâncias excepcionais (Lc 22.41; At 7.60).1,9 A Bíblia não
sacraliza a postura física com que devemos orar. Temos exemplos de pessoas
orando em pé, assentadas, ajoelhadas, andando e até mesmo deitadas. Obviamente,
não podemos ser desleixados com nossa postura física quando nos apresentamos
àquele que está assentado num alto e sublime trono. Um santo de joelhos enxerga
mais longe do que um filósofo na ponta dos pés. Quando a igreja ora, a mão
onipotente que dirige o Universo se move para agir providencialmente na
história. Concordamos com a expressão Quando o homem trabalha, o homem trabalha;
mas quando o homem ora, Deus trabalha.
Em segundo lugar, a motivação de Paulo revela exultação pela obra de
Deus na igreja (3.14,15). O apóstolo diz: Por essa razão, dobro meus joelhos
perante o Pai, de quem toda família nos céu e na terra recebe o nome. Em
Efésios 3.1,14, Paulo fala da gloriosa reconciliação dos gentios com Deus e dos
gentios com os judeus, formando uma única igreja, o corpo de Cristo. A igreja
da terra e a igreja do céu são a mesma igreja, a família de Deus.
Paulo fala aqui da igreja militante na terra e
da igreja triunfante no céu como uma única igreja. Somos a mesma igreja (Hb
12.22,23).160 O nome de todos os crentes, sejam os que ainda estão na terra, sejam
os que já estão no céu, está escrito em um só livro da vida e gravado no peitoral
do único Sumo Sacerdote.
Paulo se dirige a Deus como
nosso Pai, temos confiança e intimidade; ousadia, acesso e confiança (3.12).
Russell Shedd diz que a paternidade de Deus é um arquétipo, não havendo nada
neste mundo que não tenha sua origem em Deus. Toda a ideia de paternidade se
manifesta, tanto no céu como na terra, referindo-se à figura original da
paternidade de Deus. Aquele que é o Pai dos homens é também a fonte da
confraternidade e unidade em todas as ordens de seres finitos. Francis Foulkes,
nessa mesma linha de pensamento, diz que cada um recebe de Deus sua existência,
seu conceito e sua experiência de paternidade. O nome do Pai não emergiu de
nós, mas veio do alto até nós. A um Pai assim, Pai de todos, o único em quem a
paternidade é vista com perfeição, é que os homens se dirigem quando oram.
Em terceiro lugar, a audácia de
Paulo revela sua confiança (3.16). Paulo manifesta o desejo de que Deus atenda
às suas súplicas segundo as riquezas da sua glória (3.16). A glória de Deus não
é um atributo de Deus, mas o fulgor pleno de todos os atributos de Deus. Curtis
Vaughan diz que o apóstolo tinha em mente os ilimitados recursos que estão
disponíveis a Deus.16 Podemos fazer pedidos audaciosos a Deus. Seus recursos
são inesgotáveis.
O conteúdo da oração ( Ef 3.16-19 )
Nessa oração, as petições de
Paulo são como degraus de uma escada, cada uma delas subindo mais, porém,
baseadas todas no que veio antes. Solidamente entrelaçadas, cada ideia leva à
ideia seguinte. O ponto culminante da oração está nas últimas palavras do
versículo 19: Para que sejais preenchidos
até a plenitude de Deus. O que Paulo pede a Deus?
Em primeiro lugar, a oração de Paulo
é uma súplica p or poder interior (3.16,17). Para que, segundo as riquezas da
sua glória, vos conceda que sejais interiormente fortalecidos com poder pelo
seu Espírito. E que Cristo habite pela fé em vosso coração, a fim de que,
arraigados e fundamentados em amor. Paulo não está pedindo que haja mudança nas
circunstâncias em relação a si mesmo nem em relação aos outros. Ele ora pedindo
poder. A preocupação de Paulo não é com as coisas materiais, mas com as coisas
espirituais. As orações de hoje, tão centradas no homem, na busca imediata de
prosperidade e curas, estão longe do ideal dessa oração paulina. A oração de
Paulo não é apenas espiritual, mas também específica. Paulo não divaga em sua
oração. Ele não usa expressões genéricas. Ele não pede alívio dos problemas,
mas poder para enfrentá-los. O poder é concedido pelo Espírito. A presença do
Espírito na vida é a evidência da salvação (Rm 8.9), mas o poder do Espírito é
a evidência da capacitação para a vida (At 1.8). Jesus realizou seu ministério
na terra sob o poder do Espírito Santo (Lc 4.1,14; At 10.38). Há 59 referências
ao Espírito Santo no livro de Atos, um quarto de todas as referências do Novo
Testamento.
Precisamos ser fortalecidos com poder porque
somos fracos, porque o diabo é astucioso, porque nosso homem interior (mente,
coração e vontade) depende do poder do alto para viver em santidade. Martyn
Lloyd-Jones comenta sobre a experiência de Dwight L. Moody, em Nova Iorque:
Subitamente quando caminhava na Wall Street lhe sobreveio o Espírito Santo; foi
batizado com o Espírito Santo. Diz-nos ele que a experiência foi tão tremenda,
tão gloriosa, que ele ficou em dúvida se poderia aguentá-la, num sentido
físico; tanto assim que ele clamou a Deus para que segurasse a sua mão, para
que ele não caísse na rua. Foi assim por causa da glória transcendental da
experiência. Pode-se ver a mesma coisa nas experiências de Jonathan F.dwards e
David. Brainerd.
O poder do Espírito Santo nos é dado de acordo
com as riquezas da sua glória. Essas duas petições caminham juntas. As duas se
referem ao ponto mais íntimo do cristão, seu homem interior, de um lado, e seu
coração, de outro. Lloyd-Jones diz que o homem interior é o oposto do corpo e
todas suas faculdades e funções. Inclui o coração, a mente e o espírito do
homem regenerado, do homem que está em Cristo Jesus. O poder do Espírito e a
habitação de Cristo referem-se à mesma experiência. E mediante o Espírito que
Cristo habita em nosso coração (Rm 8.9).
Cada cristão é habitado pelo Espírito Santo e
é templo do Espírito Santo. A habitação de Cristo, aqui, porém, é uma questão
de intensidade. Havia duas palavras distintas para habitar : paroikéo e
katoikéo. A primeira palavra quer dizer habitar como estrangeiro (2.19). Era
usada para o peregrino que está morando longe de sua casa. Katoikéo, por outro
lado, tem o sentido de estabelecer-se em algum lugar. Refere-se a uma habitação
permanente em contraste com a temporária, e é usada tanto para a plenitude da
divindade habitando em Cristo (Cl 2.9) quanto para a plenitude de Cristo
habitando no coração do crente (3.17).
A palavra que foi escolhida,
katoikein, denota a residência em contraste com o alojamento; a habitação do
dono da casa em seu próprio lar em contraste com o viajante que sai do caminho
para pernoitar em algum lugar e que, no dia seguinte, já terá ido embora. Russell
Shedd ainda lança luz sobre a palavra katoikéo, quando diz que ela significa
tomar conta de toda a casa, tendo procuração ou autorização completa, de forma
a poder fazer limpeza nas despensas se quiser, mudar a mobília como quiser,
jogar fora o que quiser. Ele é o dono da casa.
A palavra katoikéo também tem
o sentido de sentir-se bem ou sentir-se em casa. Cristo sente-se em casa em
nosso coração. Os mesmos anjos que se hospedaram na casa de Abraão também se
hospedaram na casa de Ló, em Sodoma. Mas eles não se sentiram do mesmo jeito em
ambas as casas. Uma coisa é ser habitado pelo Espírito, outra é ser cheio do
Espírito.
Uma coisa é ter o Espírito residente, outra é
ter o Espírito presidente. O coração do crente é o lugar da habitação de
Cristo, no qual ele está presente não apenas para consolar e animar, mas para
reinar. Cristo, em alguns, está apenas presente; em outros, ele é proeminente
e, em outros ainda, ele é preeminente.172 Se Cristo está presente em nosso
coração, algumas coisas não podem estar (2Co 6.17,18; G1 5.24).
Em segundo lugar, a oração de Paulo é uma súplica por aprofundamento
no amor fraternal (3.17b). Arraigados e fundamentados em amor. Para que Paulo
pede poder do Espírito e plena soberania de Cristo em nós? Paulo ora para que
os crentes sejam fortalecidos para amar. Nessa nova comunidade que Deus está
formando, o amor é a virtude mais importante. Precisamos do poder do Espírito e
da habitação de Cristo para amar uns aos outros, principalmente atravessando o
profundo abismo racial e cultural que, anteriormente, separava-nos. Martyn
Lloyd-Jones faz um solene alerta sobre esse ponto:
O
propósito de toda doutrina, o valor de toda instrução, é levar-nos à Pessoa do
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A falta de entendimento desse ponto tem
sido uma armadilha para muitos na Igreja através dos séculos. Para alguns
cristãos professos, a armadilha é perturbar-se acerca do conhecimento; essas
pessoas já se acham numa posição falsa. Outros podem ver claramente que é para
termos conhecimento que as Escrituras nos concitam a isso, e, assim, eles se
põem a buscar conhecimento. Então, o diabo entra e transforma isso numa coisa
puramente intelectual. O resultado é que eles têm cabeças repletas de
conhecimento e de doutrina, mas os seus corações são frios e duros como pedras.
O verdadeiro conhecimento cristão é conhecimento de uma Pessoa. E porque é
conhecimento de uma Pessoa, leva ao amor, porque Ele é amor.
Paulo usa duas metáforas para expressar a
profundidade do amor: uma procedente da botânica e outra, da arquitetura. Ambas
enfatizam profundidade em contraste com superficialidade. Devemos estar tão
firmes como uma árvore e tão sólidos como um edifício. O amor deve ser o solo
em que a vida deve ser plantada; o amor deve ser o fundamento em que a vida
deve ser edificada. Uma árvore precisa ter suas raízes profundas no solo se ela
quiser encontrar provisão e estabilidade. Assim também é o crente. Precisamos
estar enraizados no amor de Cristo.
A parte mais importante num
edifício é sua fundação. Se ele não cresce com solidez para baixo, ele não pode
crescer com segurança para cima. As tempestades da vida provam se as nossas
raízes e a fundação da nossa vida são profundas (Mt ). O amor é a principal
virtude cristã (ICo ). O amor é a evidência do nosso discipulado (Jo 13.34,35).
O amor é a condição para realizarmos a obra de
Deus 92
90 A oração mais ousada
da história (Jo ). O amor é o cumprimento da lei (ICo 10.4). O conhecimento
incha, mas o amor edifica (ICo 8.2).
Em terceiro lugar, a oração de Paulo
é uma súplica pela compreensão do amor de Cristo (3.18,19). Vos seja possível
compreender, juntamente com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura
e a profundidade desse amor e assim conhecer esse amor de Cristo, que excede
todo o entendimento, para que sejais preenchidos até a plenitude de Deus. O
apóstolo passa, agora, do nosso amor pelos irmãos para o amor de Cristo por
nós. Precisamos de força e poder para compreender o amor de Cristo. A ideia
central do pedido provém de duas ideias: compreender (3.18) e conhecer (3.19).
A primeira sugere compreensão intelectual. Representa apossar-se de alguma
coisa, tornando-a sua propriedade. Mas o verbo conhecer refere-se a um
conhecimento alcançado pela experiência. Portanto, a súplica implica que os
crentes tenham um conhecimento objetivo do amor de Cristo e uma profunda
experiência nele.
Paulo ora para que possamos
compreender o amor de Cristo em suas plenas dimensões: qual a largura, o
comprimento, a altura e a profundidade dele (3.18). A referência às dimensões
tem o propósito de falar da imensurabilidade desse amor. O amor de Cristo é
suficientemente largo para abranger a totalidade da humanidade (Ap 5.9,11; 7.9;
Cl 3.11), suficientemente comprido para durar por toda a eternidade (Jr 31.3;
Ap 13.8; Jo 13.1), suficientemente profundo para alcançar o pecador mais
degradado (Is 53.6,7) e suficientemente alto para levá-lo ao céu (Jo 17.24).
Russell Shedd entende que a
largura do amor de Cristo abrange membros de toda tribo, língua, povo e nação.
O evangelho é tão largo que não
se pode excluir nenhuma entidade, nenhuma comunidade humana. O seu comprimento
aponta para o tempo, começando no Éden, logo após a queda do homem, até o fim,
quando Jesus voltar. Nunca houve nem haverá, até Cristo voltar, um intervalo na
operação poderosa e salvadora do evangelho. A terceira dimensão é sua altura
que vem do mais alto céu e desce até o mais baixo inferno. E, finalmente, sua
profundidade: chegará até os piores pecadores, já descritos eficientemente
(2.1-3). Não há nenhum pecador ou rebelde que não possa ser incluído em tão
grande salvação.
Alguns pais da igreja viram nessas quatro
dimensões um símbolo da própria cruz de Cristo. É inatingível a magnitude do
amor de Cristo pelos homens. O conhecimento do amor de Cristo deve ser obtido
no contexto da comunhão fraternal. Paulo diz: Vos seja possível compreender,
juntamente com todos os santos (grifo do autor). O isolamento e a falta de
comunhão com os crentes é um obstáculo à compreensão do amor de Cristo pelos
homens. Precisamos da totalidade da igreja, sem barreira de etnia, cultura, cor
e denominação, para compreender o grande amor de Cristo por nós. Os santos
contarão uns aos outros sobre suas descobertas e experiências a respeito de
Cristo. Veja Salmo 66.16: Todos vós que temeis a Deus, vinde e ouvi, e eu
contarei o que tem ele feito por mim.
O apóstolo continua: E assim conhecer esse
amor de Cristo, que excede todo o entendimento. O amor de Cristo é por demais
largo, comprido, profundo e alto até mesmo para todos os santos entenderem. O
amor de Cristo é tão inescrutável quanto suas riquezas são insondáveis (3.8).
Sem dúvida, passaremos a eternidade explorando as riquezas inesgotáveis da
graça e do amor de Cristo.
Passaremos a eternidade
contemplando o amor de Cristo, maravilhando-nos e extasiando-nos com isso.
Entretanto, o que nos cabe é começar nisso aqui e agora, nesta vida. O amor de
Cristo tem quatro dimensões, mas elas não podem ser medidas. Nós somos tão
ricos em Cristo que as nossas riquezas não podem ser calculadas nem mesmo pelo
mais hábil contabilista.
Em quarto lugar, a oração de Paulo é uma súplica pela plenitude de
Deus (3.19b). Para que sejais preenchidos até a plenitude de Deus.
Provavelmente, nenhuma oração poderá ser mais sublime que essa porque ela
inclui todas as outras. O seu sentido pleno está além da nossa compreensão, e é
bem provável que ela tivesse vindo a ser a oração que os efésios estimassem
como a de mais alto nível espiritual. Nessa carta aos efésios, Paulo fala-nos
que devemos ser cheios da plenitude do Filho (1.23), do Pai (3.19) e do
Espírito Santo (5.18).
Devemos ser cheios da própria
Trindade. Embora Deus seja transcendente e nem os céus dos céus possam contê-lo
(2Cr 6.18), ele habita em nós de forma plena. O pedido de Paulo é que sejamos
tomados de toda a plenitude de Deus! Deus está presente em cada célula, em cada
membro do corpo, em cada área da vida. Tudo é tragado pela presença e pelo
domínio de Deus. Devemos ser cheios não apenas com a plenitude de Deus, mas até
a plenitude de Deus. Devemos ser santos como Deus é santo e perfeitos como Deus
é perfeito (IPe 1.16; Mt 5.48). Devemos ficar cheios até o limite, cheios até
aquela plenitude de Deus que os seres humanos são capazes de receber sem deixar
de permanecer humanos. Isso também quer dizer que seremos semelhantes a Cristo,
ou seja, alcançaremos o propósito eterno de Deus (Rm 8.29; 2Co 3.18).
Representa, outrossim, que atingiremos a plenitude do amor, do qual Paulo
acabara de falar em sua oração. Então, se cumprirá a oração do próprio Jesus:
Para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu também neles esteja (Jo
17.26).
Nós gostamos de medir a nós
mesmos, comparando-nos com os crentes mais fracos que conhecemos. Então,
orgulhamo-nos: Bem, estou melhor do que eles. Paulo, porém, fala-nos que a
medida é Cristo e que não podemos nos orgulhar sobre coisa alguma. Quando
tivermos alcançado a plenitude de Cristo, então, teremos chegado ao limite.
A conclusão da oração
Na conclusão dessa magnífica
oração do apóstolo Paulo, ele trata de dois pontos muito importantes:
Em primeiro lugar, a capacidade de Deus de responder às orações (3.20).
Aquele que é poderoso para fazer bem todas as coisas, além do que pedimos ou
pensamos, pelo poder que age em nós. John Stott diz que a capacidade de Deus de
responder às orações é declarada pelo apóstolo de modo dinâmico numa expressão
composta de sete etapas:
1) Deus é poderoso para fazer, pois ele não
está ocioso, inativo nem morto.
2) Deus é poderoso para fazer
o que pedimos, pois escuta a oração e a responde.
3) Deus é poderoso para fazer
o que pedimos ou pensamos, pois lê nossos pensamentos.
4) Deus é poderoso para fazer
tudo quanto pedimos ou pensamos, pois sabe de tudo e tudo pode realizar.
5) Deus é poderoso para fazer
mais do que tudo que pedimos ou pensamos, pois suas expectativas são mais altas
do que as nossas.
6) Deus é poderoso para fazer muito mais do
que tudo quanto pedimos ou pensamos, pois sua graça não é dada por medidas
racionadas.
7) Deus é poderoso para fazer
infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos conforme o seu poder
que opera em nós, pois é o Deus da superabundância.
Em segundo lugar, a doxologia ao Deus que responde às orações (3.21).
A ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para
todo o sempre. Amém. Nada poderia ser acrescentado a essa oração de Paulo senão
a doxologia: a ele seja a glória. Deus é o único que tem poder para ressuscitar
e fazer com que o sonho se torne realidade. O poder vem da parte dele; a glória
deve ser dada a ele. Conclui o apóstolo: A ele seja a glória na igreja e em
Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém. A igreja é a
esfera em que a glória de Deus se manifesta. Concordo com Curtis Vaughan quando
diz que nada podemos acrescentar à inerente glória de Deus, mas podemos viver
de tal modo que nossa vida contribua para que outros também possam contemplar a
sua glória.
A Deus seja a glória no corpo e na cabeça, na
comunidade da paz e no Pacificador, por todas as gerações (na História) e para
todo o sempre (na eternidade).
Efésios Igreja, a
noiva gloriosa de Cristo
H D Lopes
Resumo da Lição 10 - A Intercessão pelos Efésios
Apresentado pelo Comentarista das Revistas Lições Bíblicas Adultos da CPAD, pastor Douglas Baptista.
Neste trimestre estudaremos: A Igreja Eleita - Redimida Pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa.
COMENTARISTA: Douglas Baptista



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