sábado, 6 de junho de 2020

Lição 11 - Não Cobice os Bens Alheios




TEXTO BÍBLICO BÁSICO

Miqueias 2.1-5
          1-    Ai daqueles que, nas suas camas, intentam a iniquidade e
maquinam o mal; à luz da alva o praticam, porque está no poder da sua mão!
2 - E cobiçam campos, e os arrebatam, e casas, e as tomam; assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança.
3 - Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que projeto um mal contra esta geração, do qual não tirareis os vossos pescoços; e não andareis tão altivos, porque o tempo será mau.
4 Naquele dia, se levantará um provérbio sobre vós, e se levantará pranto lastimoso, dizendo: Nós estamos inteiramente desolados! A porção do meu povo, ele a troca! Como me despoja! Tira os nossos campos e os reparte! - Portanto, não terás tu na congregação do SENHOR quem lance o cordel pela sorte.

Habacuque 2.9
9 - Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar da mão do mal!

Lucas 12.15
     15 - E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque
      a vida  de qualquer não consiste na abundância do que possui.


TEXTO ÁUREO
Não cobiçarás
a casa do teu próximo;
não cobiçarás a mulher
 do teu próximo,
nem o seu servo,
nem a sua serva,
nem o seu boi,
nem o seu jumento,
nem coisa alguma
do teu próximo.

Êxodo 20.17

SUBSÍDIOS PARA
O ESTUDO DIÁRIO

2ª feira - Gênesis 3.1-7
A mulher viu que aquela árvore era desejável
3ª feira - Marcos 4.10-19
Os enganos das riquezas sufocam a palavra
4ª feira - Josué 7.21-23
 A cobiça de Acã leva Israel à derrota
5ª feira - Mateus 5.27-32
A relação havida entre cobiça e adultério
6ª feira - Romanos 7.7-12
A Lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom
 Sábado - Hebreus 13.1-6
Contentai-vos com o que tendes

OBJETIVOS

Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:
• entender que a cobiça é o pecado dos olhos e está alinha-da à inveja e à avareza;
• compreender que a cobiça é idolatria;
• concluir que os cobiçosos não entrarão no céu.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS

 "A única forma de uma igreja local crescer e se multiplicar é por meio de um programa sistemático de discipulado". As palavras do teólogo norte-americano Warren W. Wiersbe, pastor e professor de disciplinas bíblicas que possui um lastro de conhecimento fundamentado em mais de 50 anos de estudos e ensinamentos sobre as Sagradas Escrituras, reforçam a importância de as igrejas valorizarem um conteúdo programático bem estruturado para os seus membros.

Para atender a essa necessidade, nada melhor do que elaborar um planejamento de Escola Dominical considerando os resultados obtidos no ano anterior, a fim de rever conceitos aplicados e atividades que foram ou não bem-sucedidas. O corpo docente deve reunir-se para debater sobre esses quesitos e expor novas estratégias a fim de dirimir os pontos falhos, considerando sempre o público-alvo, a faixa etária, o espaço físico, as estratégias de ensino, os recursos didáticos e a avaliação (Adaptado de: Revista Educação Cristã Hoje, nº 21. Central Gospel, 2013, p. 17).

Deus o abençoe!

COMENTÁRIO

Palavra Introdutória

Até aqui, parece estar tudo bem quanto aos nove mandamentos anteriores. A maioria de nós se sente confortável em estar de acordo com as regras inibidoras impostas por aqueles mandamentos. Crer em um só Deus, não fazer nem adorar imagens, não tomar o nome do Senhor em vão, tirar um dia da semana para descansar, honrar pai e mãe, não matar, não adulterar, não roubar e não mentir acerca dos outros são todas regras razoáveis, nas quais a maioria das pessoas pensa se enquadrar (Ex. 20.1-16). Mas, agora, chegamos ao décimo mandamento, e o que parece tão simples se reveste de uma importância gigantesca, capaz de arruinar o futuro eterno da nossa alma: o pecado da cobiça.

Se os outros mandamentos são aplicados aos atos pecaminosos externos contra Deus e o próximo, o décimo mandamento se relaciona aos sentimentos e intenções do coração humano, ou seja, a Lei se aproxima do ensino de Jesus (Mt 5.28). O sétimo e o oitavo mandamentos proíbem a prática do adultério (ato sexual de pessoa casada com alguém que não é o seu cônjuge) e do roubo, mas o décimo mandamento veda até a intenção de praticar ambos. O texto áureo desta lição (Éx 20.17) desdobra esse mandamento em dois: cobiçar a esposa e cobiçar os bens do próximo.


1.     O QUE É A COBIÇA

Dentre os termos usados para se referir à cobiça, aparece chamado verbo hebraico usado no décimo mandamento e que significa "desejar". Ele aparece cerca de 14 vezes no Antigo Testamento. O termo grego correspondente no Novo Testamento é epithumia, "desejo intenso, desejo ardente, fixar a mente sobre". Encontramos esse termo aproximadamente 16 vezes. A cobiça é um desejo desordenado, egoísta e não governado. No jardim do Éden, Eva desejou comer do fruto proibido. Seus olhos e seu coração se uniram, e ela transgrediu a ordem divina (Gn 3.6).

    1.1. A cobiça e a inveja


Há uma tênue passagem da cobiça para a inveja, a ponto de se confundirem uma com a outra. Enquanto a cobiça acentua o desejo por algo que não é seu, a inveja odeia o fato de esse objeto pertencer a outra pessoa. A inveja não se satisfaz com o sucesso alheio, é uma deformação de caráter. Pode-se dizer que a cobiça é a mãe da inveja.

 A sociedade não discrimina a inveja; antes, enxerga-a como um agente motivador que pode levar a alcançar o mesmo sucesso dos que estão no auge, tomando-os como modelos a serem seguidos. Isso, no entanto, só faria algum sentido quando se entendesse a distinção que existe entre admiração e inveja. O admirador aplaude, o invejoso odeia. A Bíblia censura a inveja e diz que ela apodrece os ossos (Pv 14.30; Tg 3.14).

Cobiça é o pecado dos olhos.
 Esse pecado ocorre quando
as janelas do corpo abrem
 diálogo com o coração,
e o coração começa a
maquinar um plano de ação.


1.2.         A inveja dos antepassados

 • Caim não admirou o seu irmão Abel, mas o odiou por ser aceito diante de Deus. Foi por esse motivo que Caim o matou (Gn 4.5-9).
• Os irmãos de José o invejaram tanto que não mediram as consequências para vendê-lo e forjar uma história a fim de enganar o pai, dizendo-lhe que José havia sido devorado por uma fera e, assim, causando a esse pai a dor de um luto que durou muitos anos (Gn 37).
• Moisés sofreu a inveja de Miriã e Arão, seus irmãos (Nm 12.2). Diante disso, Deus exaltou Moisés perante os dois. Arão se arrependeu e pediu para não ser punido, já Miriã não escapou, ficando leprosa (Nm 12.10,11). • Davi sofria a inveja de mãos (1 Sm 17.28).
• Absalão teve inveja de Davi (2 Sm 15.1-37).
• Mamã teve inveja de Mardoqueu (Et 5.9-14).
• Sambalate, Gesém e Tobias tiveram inveja de Neemias (Ne 2.19; 4.7-23).
• Os filisteus tiveram inveja de Isaque (Gn 26.14).

No Novo Testamento,
na cidade de Samaria, Simão
 mostra ter inveja do apóstolo Pedro (At 8.9-24).
 Diótrefes teve inveja do
apóstolo João (3 Jo 1.9).
Os filhos de Ceva tiveram inveja de
Paulo (At 19.13,14).
Judas teve inveja de Jesus (Mt 27.18).

1.3.         A cobiça e a ambição

Além da inveja e da cobiça, existe a ambição. Esta tem seu lado positivo quando funciona como um agente motivador que impele alguém a buscar algo maior e melhor, como uma vida espiritual de excelência, um nível mais alto de conhecimento ou a aquisição de bens a fim de alcançar uma vida mais confortável.
Contudo, a ambição também apresenta o seu lado ruim quando é desmedida e vinculada à cobiça e à inveja. Jesus condena a ambição quando ela domina o homem e sufoca a Palavra de Deus semeada no coração dele (Mc 4.19).


          2 .  A COBIÇA E A DERROTA DOS ANTEPASSADOS

A cobiça gera um círculo vicioso. Os muitos casos de cobiça no Antigo Testamento despertaram nos profetas um grande sentimento de repúdio contra esse pecado. Miqueias profetizou contra aqueles que cobiçavam deitados no leito (Mq 2.1,2). Essas palavras trazem à lembrança a ocasião em que Acabe cobiçou a vinha de Nabote (1 Rs 21). Outros exemplos de cobiça e consequentes derrotas podem ser vistos nos subtópicos a seguir.

           2.1. Acã

Os hebreus se saíram muito bem em sua primeira conquista na terra de Canaã. Eles destruíram Jericó no grito, e todos estavam compenetrados na missão Os 6). Entretanto, o povo não teve o mesmo êxito na segunda cidade, chamada Ai, por causa da cobiça de Acã Os 7.21). Quem viu e o denunciou foi o próprio Deus! O resultado foi que Acã e toda a sua família foram apedrejados e queimados no vale de Acor, para exemplo da congregação dos filhos de Israel. Acã cobiçou, agiu e morreu Os 7.22-26).


             2.2. Davi

 Davi cobiçou Bate-Seba, sua súdita, mulher de Urias, soldado do seu exército. Do terraço do palácio, ele a assistia banhando-se em sua casa. A cobiça encheu-lhe o coração, ele mandou que a chamassem e deitou-se com ela (2 Sm 11.1-5). A mulher de Urias engravidou e, para consertar uma situação embaraçosa em relação ao seu marido, o rei promoveu a morte dele, colocando-o à frente do seu exército em uma batalha (2 Sm 11.14,15). Davi cobiçou, foi levado da cobiça ao adultério e do adultério ao homicídio. Tudo começou com o pecado dos olhos: a cobiça.


3       AS ESPECIFICAÇÕES DO MANDAMENTO

 O décimo mandamento não é tão genérico. Ele especifica a casa, a mulher, o servo, a serva, o boi, o jumento ou qualquer outra coisa que pertença ao próximo (Ex 20.17). Esse detalhamento serve para ampliar o entendimento, a fim de que se compreenda as dimensões da propriedade.


3.1.         Não cobiçarás a casa do teu próximo

 Esse pecado nasce do descontentamento com a própria sorte. O ato de olhar para a "casa do vizinho" e observar tudo o que existe nela leva a indagações sobre o lar, a família e os bens do próximo. A cobiça funciona como uma atitude interna. Pode ser identificada nas Escrituras com a própria avareza (Lc 12.15).

 Pelo termo casa, compreende-se o todo, não apenas a casa em si, seu tamanho ou a sua arquitetura, mas o que existe nela, o que enche os olhos de desejo.

        3.2. Não cobiçarás a mulher do teu próximo

O pecado da cobiça consiste em pecar contra a propriedade. A mulher, no contexto do Antigo Testamento, é considerada propriedade do marido, pertence a outro. A mulher não casada pertencia aos pais; logo, não poderia ser cobiçada, a menos que houvesse uma intenção de possuí-la como esposa, o que normalmente era uma decisão tomada pelos pais (Êx 22.16,17).

O décimo mandamento combina diretamente com o sétimo, sobretudo no que diz respeito ao entendimento que o próprio Senhor Jesus deu acerca do adultério, quando disse que este já ocorria no ato de cobiçar (Mt 5.28). Esse é o ponto no qual toda a lista das Dez Palavras, por mais obedecida que seja, cai por terra; afinal, quem tropeça em um só ponto torna-se culpado por todos os outros (Tg 2.10).

       3.3. Não cobiçarás os servos e as servas do teu próximo

 Escravidão é um domínio que seres humanos exercem sobre seus semelhantes. Era algo comum na antiguidade, mas, em tempos modernos, infelizmente, ainda há relatos dessa condição de servidão. O serviço escravo deixou marcas de vergonhosa desonra para a classe nobre. O escravo era visto como uma propriedade e como mão de obra. Quanto maior o número de escravos, mais o proprietário podia se gabar de ser rico e poderoso.

Os escravos tanto serviam no campo quanto na casa de seu proprietário. Podiam ser adquiridos como cativos de guerra (1 Rs 20.39; 2 Cr 28.8-15), por compra (Lv 25.44-46), por pagamento de dívida (Ex 21.2-4; 2 Rs 4.1), por presente (Gn 29.24), por herança (Lv 25.44-46) ou por nascimento (Ex 21.4; Lv 25.54).

       3.4. Não cobiçarás os animais do teu próximo

 O boi e o jumento eram animais usados para arar a terra na agricultura. Enquanto o pobre tinha de arar a terra com a força do braço, aquele que possuía animais fortes para essa tarefa obtinha maior conforto e mais vantagens econômicas (1 Rs 19.19-21). A questão é que o ato de cobiçar os animais dos outros poderia levar o cobiçoso a dar um passo a mais e, um dia, roubar o seu próximo, assim como cobiçar a mulher alheia poderia levá-lo a consumar um adultério.


      4.  COMO APLICAR ESSE MANDAMENTO HOJE

A Bíblia trabalha diretamente com o que era comum nos dias em que foi escrita. Hoje, não se fala mais em escravidão nem em animais para se arar a terra, mas o pecado da cobiça continua a existir. Um servo de Deus, salvo em Jesus Cristo, não pode ter a mesma conduta de um ímpio, que não obedece às Escrituras (Ef 5.3). A cobiça se enquadra na lista das obras da carne (G1 5.19-21), mais especificamente na acepção do pecado da inveja.

Não há nada de errado em desejar o que é bom, necessário e legítimo. Qualquer ser humano desprovido de desejos e vontades não teria o impulso necessário para realizar qualquer coisa na vida, a começar pela busca do pão para a sua sobrevivência. A distinção deve ser feita ao almejar o que convém e desprezar o que não convém. A cobiça é perniciosa porque faz com que o indivíduo ponha os olhos sobre o que é do próximo e, em sua mente, coloque-se no lugar dele, passando a desejar o que é do outro e, por fim, desejando ser o outro, ou seja, a cobiça se transforma em inveja. É por isso que a cobiça da carne e a cobiça dos olhos não procedem do Pai (1 Jo 2.15-17).

CONCLUSÃO

Em uma sociedade tão ávida por adquirir bens de consumo, incentivada por excelentes profissionais de publicidade, capazes de incutir na mente de pessoas mais suscetíveis à propaganda necessidades que não existem, precisamos aprender a vigiar nossos impulsos e a nos guardar do pecado da cobiça, que derrotou e ainda destrói tantas pessoas no mundo, fazendo-as escravas do mercado e afundando-as em dívidas impagáveis.

Em relação a tudo isso, a Palavra de Deus recomenda: Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: não te deixarei; nem te desampararei (Hb 13.5). A cobiça é um pecado que pode aliar--se diretamente ao adultério, à ganância e à avareza, que é idolatria (1 Co 6.10).

 ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Há uma tênue passagem da cobiça para qual pecado?
R.: Inveja

                                                  O Decálogo — A Ética do Sinai 81






Os dez mandamentos

 O Decálogo conclui com um mandamento que proíbe o desejo ilícito, a cobiça sem sugestão alguma de ato, pois diz respeito primariamente à motivação, e não à ação concreta. A cobiça é um mal devastador muito comum ainda hoje em nossa cultura ocidental materialista. Trata-se de uma atitude de natureza interna que pode expressar-se em ato real. Toda ação boa ou ruim começa no pensamento. Os outros mandamentos proíbem atos; aqui, a proibição diz respeito ao desejo, não ao desejo em si, mas ao desejo daquilo que pertence a outro. Não é pecado desejar bens e conforto, as coisas boas de que necessitamos na vida.

O décimo mandamento aborda a responsabilidade do israelita sobre o pecado do pensamento. É um recurso divino que Deus proveu para habilitar o israelita a obedecer os mandamentos anteriores. A cobiça é um dos piores pecados, o pecado que não se vê. Essa é a sua característica distintiva em relação aos outros, pois não é possível ser conhecido. Isso mostra que o Legislador divino é onisciente, pois ele conhece o mais íntimo do coração humano, nossos desejos e intenções (1 its 8.39; 1 Cr 28.9; Jr 17.10; At 1.24). Deus se interessa não só pelos corretos atos concretos, não apenas pelo cerimonialismo na adoração, mas principalmente pela pureza de um coração sincero. Isso mostra o lado espiritual do Decálogo; nem tudo é apenas jurídico. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao outro.

Já vimos que o Decálogo está estruturado em duas seções identificadas com a primeira e a segunda tábuas, as tábuas de pedra em que foram escritos os Dez Mandamentos, literalmente as dez palavras. A primeira contém os compromissos do israelita diante de Deus, e a segunda de sua responsabilidade para com o próximo. Os dois grandes mandamentos citados por Jesus podem ser um resumo dessas duas tábuas. Esses mandamentos estão dispostos numa sequência lógica. O quinto mandamento é uma ponte que une o conteúdo das duas tábuas. Em seguida vem a proteção da vida: "Não matarás"; depois a proteção da família: "Não adulterarás"; a proteção da propriedade: "Não furtarás"; a proteção da honra: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo"; e o último protege o israelita de ambições erradas.

O décimo mandamento aborda a responsabilidade do israelita sobre o pecado do pensamento. É um recurso divino que Deus proveu para habilitar o israelita a obedecer os mandamentos anteriores. A cobiça é um dos piores pecados, o pecado que não se vê. Essa é a sua característica distintiva em relação aos outros, pois não é possível ser conhecido. Isso mostra que o Legislador divino é onisciente, pois ele conhece o mais íntimo do coração humano, nossos desejos e intenções (1 its 8.39; 1 Cr 28.9; Jr 17.10; At 1.24). Deus se interessa não só pelos corretos atos concretos, não apenas pelo cerimonialismo na adoração, mas principalmente pela pureza de um coração sincero. Isso mostra o lado espiritual do Decálogo; nem tudo é apenas jurídico. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao outro. Já vimos que o Decálogo está estruturado em duas seções identificadas com a primeira e a segunda tábuas, as tábuas de pedra em que foram escritos os Dez Mandamentos, literalmente as dez palavras. A primeira contém os compromissos do israelita diante de Deus, e a segunda de sua responsabilidade para com o próximo. Os dois grandes mandamentos citados por Jesus podem ser um resumo dessas duas tábuas.

Esses mandamentos estão dispostos numa sequência lógica. O quinto mandamento é uma ponte que une o conteúdo das duas tábuas. Em seguida vem a proteção da vida: "Não matarás"; depois a proteção da família: "Não adulterarás"; a proteção da propriedade: "Não furtarás"; a proteção da honra: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo"; e o último protege o israelita de ambições erradas.

O formato textual do décimo mandamento de Êxodo 20.17 é diferente do registro de Deuteronômio 5.21, mas não divergente:


Os católicos romanos e os luteranos mantiveram a tradição catequética medieval do Decálogo esboçada por Agostinho de Hipona e que predominou durante a Idade Média. Os dois primeiros mandamentos são considerados um só, e o décimo é dividido em dois. "Não cobiçarás a casa do teu próximo" é o nono, e "Não cobiçarás a mulher do teu próximo" (Êx 20.17), o décimo. Qualquer pessoa pode observar sem muito esforço que tal arranjo é uma camisa de força, pois não corresponde à divisão natural (Êx 20.1-17; Dt 5.7-21). Além disso, o Decálogo do catolicismo romano não é bíblico, trata-se de uma interpretação com lentes papistas. Nós seguimos o arranjo das igrejas ortodoxas e protestantes reformadas, que vem desde os antigos judeus (JOSEFO, Antiguidades Judaicas, Livro 3, 4.113, edição CPAD).

 O décimo mandamento aparece expandido em Deuteronômio em relação ao texto de Êxodo e inclui o campo do próximo na lista das coisas que não devem ser cobiçadas. Alguns críticos estranham a inversão das cláusulas, pois a fraseologia de Êxodo começa por não cobiçar a casa do próximo e em seguida vem a proibição de não cobiçar a mulher do próximo, mas em Deuteronômio essa ordem é invertida: primeiro vem a mulher e depois a casa. Ambos textos, contudo, proíbem a cobiça de bens e pessoas: além da mulher ou do esposo, pois a mulher pode também cobiçar o marido alheio, o servo e a serva do próximo; propriedades: casa e campo; o termo "casa" aparece muitas vezes na Bíblia com o sentido de "família" Os 24.15; At 16.31), mas parece não ser essa a ideia aqui; e semoventes: boi, jumento ou qualquer outra coisa. A frase final "nem coisa alguma do teu próximo" inclui posição social ou ascensão no trabalho.

Há discussão sobre a substituição de hãmad por 'ãwãh na segunda cláusula do décimo mandamento (Dt 5.21). O verbo hãmad aqui aparece com a esposa do próximo e 'ãwãh com as demais coisas. Isso pode levar alguém a pensar em 1.7ãmad como um tipo sensual de desejo, mas isso não procede por duas razões principais: a) é usado para bens móveis e imóveis Os 7.21; Mq 2.2); b) ambos os termos aparecem como sinônimos (Gn 3.6; Pv 6.25; SI 68.17). Parece que ãwãh diz respeito a um tipo de desejo casual. O formato textual de Êxodo está adaptado ao estilo nômade de vida de Israel no deserto, ao passo que Deuteronômio, quase 40 anos depois, é o modelo para o povo prestes a ser estabelecido na terra de Canaã como país.

OS FATOS
Os relatos bíblicos estão repletos de cobiças destruidoras, a começar pelo primeiro casal. "E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela" (Gn 3.6). Aqui se expressa exatamente o que afirma o Novo Testamento: "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida" (110 2.16).

Os irmãos de José desejavam a posição dele no coração de seu pai, Jacó (Gn 37.4). A cobiça causou a ruína de Acã: "Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata e, uma cunha de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, debaixo dela" (Is 7.21). 0 verbo "cobiçar" aqui é hãmad, o mesmo usado no Decálogo (Ex 20.17; Dt 5.21). Acã cobiçou e se apropriou dos despojos de Jericó, objetos que não lhes pertencia (Js 6.19).

O rei Acabe cobiçou vinha de Nabote e isso resultou num escândalo nacional que levou à ruína a casa real (1 Rs 21.1-16). Ele e sua esposa, Jezabel, violaram o sexto mandamento: "Não matarás"; o oitavo: "Não furtarás"; o nono: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo"; e o décimo: "Não cobiçarás". Dois outros casos de cobiça aconteceram na casa de Davi: seu filho Amnom violentou a própria irmã, Tamar, movido pela lascívia (2 Sm 13.15), e Absalão desejou ocupar o trono de seu pai enquanto Davi ainda era vivo e reinava em Israel (2 Sm 15.16).

 No Novo Testamento, encontramos Ananias e Safira, que desejavam prestígio na Igreja, mas tentaram consegui-lo de maneira pecaminosa (At 5.1-11). Simão Mago, de Samaria, tentou comprar os dons de Deus com dinheiro, pois almejava poderes sobrenaturais para ostentação pessoal (At 8.18). Diótrefes, personagem desconhecida, cuja única menção no Novo Testamento é desabonadora, já que ele procurava ter o primado na Igreja (3 Jo 9).

O DÉCIMO MANDAMENTO NO NOVO TESTAMENTO
O mandamento "Não cobiçarás..." se distingue dos outros nove por se tratar da motivação, e não do ato. Assim, é possível violar esse preceito sem que haja comprovação concreta. É o décimo mandamento que golpeia a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. O Senhor Jesus disse que é do mais íntimo do ser humano que procede todo o tipo de pecado: "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" (Mc 7.21-23). A lista de Mateus é mais curta (Mt 15.19). Essas palavras mostram a dura realidade: o que o ser humano realmente é, isso afeta o que ele diz (Mt 12.34, 35). Toda ação humana começa no seu coração (Tg 1.14, 15).

O décimo mandamento era o recurso divino para o israelita se proteger de não violar nenhum dos mandamentos do Decálogo. Mas, na graça, somos guiados pelo Espírito Santo, o qual controla os nossos desejos. Assim, o preceito aqui em foco foi adaptado pela graça. Cabe a cada um vigiar e orar para não entrar pelo caminho da cobiça. Jesus disse: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12.15). A avareza é o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, é o desejo de adquirir e acumular riquezas. Desse modo, os bens materiais se transformam em deus para os tais avarentos. A Bíblia afirma que a avareza é idolatria: "Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a ava-reza, que é idolatria" (Cl 3.5).

A avareza e a cobiça caminham juntas. Ambas são impróprias para quem busca o reino de Deus (1 Tm 6.9, 10). Essas coisas são próprias para quem teme o futuro, desconfia de Deus e da sua providência. Não somente a avareza, mas também a inveja, pertence a esse grupo de pecados. A inveja é o "sentimento de pesar pelo bem e pela felicidade de outra pessoa, junto com o desejo de ter isso para si" (KASCHEL & ZIMMER, 2006, p. 90). Todas essas coisas envolvem a cobiça, e a Palavra de Deus afirma com todas as letras que a cobiça é pecado (Rm 7.7).

A vontade de Deus expressa nesse último mandamento do Decálogo é que haja pleno contentamento com aquilo que temos e com a nossa condição: "Contentai-vos com o vosso soldo" (Lc 3.14), ensino de João Batista para os militares. "Mas é grande ganho a piedade com contentamento" (1 Tm 6.6). Quem tem Jesus não está obcecado pelas riquezas materiais, pois tem em seu interior algo muito mais valioso que os tesouros do mundo. A NTLH traduz esse versículo da seguinte forma: "É claro que a religião é uma fonte de muita riqueza, mas só para a pessoa que se contenta com o que tem". A Bíblia nos exorta ainda: "contentando-vos com o que tendes" (Hb 13.5). Há aqui certo paralelo com Filipenses 4.11. Mas convém ressaltar que todas essas exortações não são uma apologia à pobreza nem uma defesa do status quo econômico; é uma recomendação para que nossos desejos não venham desagradara Deus nem, causar danos ao nosso próximo (Rm 12.15).

A conduta do cristão deve ser a de se alegrar com que os se alegram e chorar com os que choram (Rm 12.15). Ninguém deve ser dominado pela inveja (G1 5.26; Tg 4.14-16) nem alimentar o sentimento de tristeza pelo sucesso alheio (Ne 2.10; 51112.9, 10). Glorifique a Deus pelas bênçãos e pelo sucesso do seu irmão, e você será abençoado também, a seu tempo (Ec 3.1-8).

OS DEZ MANDAMENTOS, Valores Imutáveis, Para Uma Sociedade, Em Constante Mudança
Esequias soares






                                     CAPÍTULO 10
O DÉCIMO MANDAMENTO

"Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma do teu próximo" (Êx 20:17).

Agora vamos ler Hebreus 13:5: "Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque Ele diz: não te deixarei, nem te desampararei". O décimo mandamento foi o que matou o apóstolo Paulo. Ele parecia ser capaz de atender aos outros nove, mas reconheceu: "eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás... Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou" (Rm 7:7-11). Paulo descobriu o que todos nós descobrimos: que cobiçar é tão natural quanto respirar. Porém a verdade revelada do cristianismo condena a cobiça não menos severamente do que o fez a lei de Moisés.


Quantas tragédias funestas temos visto entre os santos de Deus, que sacrificaram tudo para prosperar neste mundo! A cobiça é egoísmo. "Contentando-vos com o que tendes". Isto, obviamente, não quer dizer que se você está vivendo hoje em pobreza terá que viver sempre nela; não, não se trata disso. O significado desta exortação é que deveríamos nos sujeitar às nossas circunstâncias, e estarmos contentes nelas até ao tempo quando aprouver a Deus alterá-las. Em outras palavras, não fique o tempo todo a se lamentar porque as coisas não estão como você gostaria que fossem. Não viva gemendo e se queixando; esteja contente. E se aprouver a Deus melhorar suas circunstâncias atuais, dê-Lhe graças por isso.


"Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isto contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e
nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, oh homem de Deus, foge destas coisas" (1 Tm 6:6-11).


Quão verídica é a Palavra de Deus! Acaso não temos visto todas estas afirmações das Escrituras confirmadas na vida dos santos? Às vezes nossos jovens acham que devem buscar alcançar o nível de vida que vêem nos outros. O resultado disso é a cobiça de uma coisa após outra. A verdade é que o fato de vivermos na época mais próspera que o mundo jamais conheceu tem contribuído para acelerar o desejo de querermos sempre mais. Quanto mais tivermos, mais vamos querer ter. Não há limite. Mas, quão diferente é o Espírito de Cristo! O de dar, e não o de conseguir. Assim nos ensinou: "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (At 20:35).

Porém não estou dizendo que devemos dar tudo o que temos. Houve apenas um homem, que é mencionado na Bíblia, a quem o Senhor deu esse conselho - o jovem rico de Lucas 18. E disse isso para que ele se desse conta do câncer que lhe corroía a própria alma - a cobiça. Não, irmão, as possessões terrenais não constituem o segredo da felicidade. A felicidade é um estado de espírito. É o desfrutar da Pessoa e Obra de Cristo que conserva o coração em descanso e paz. Tenho encontrado pessoas, santos de Deus, que nada possuem das coisas deste mundo, e ainda assim irradiam felicidade. Eles têm Cristo.


Em resumo, no cristianismo não estamos sob a lei, porém sob a graça. Não estamos sob a letra dos dez mandamentos. Estamos sob o seu equivalente moral ensinado nas epístolas, exceto no caso do único mandamento que era cerimonial, ou seja, o shabbat. Não existe nada que tenha o seu equivalente no cristianismo. Os outros nove mandamentos - quanto ao seu conteúdo moral - nós os temos, porém não da forma de "fareis" e "não fareis", porém como a expressão da nova natureza que temos, como nascidos de Deus. Jamais nos lamentaremos se assim os respeitarmos. Será para nosso bem agora e por toda a eternidade. A justiça da lei será
cumprida em nós (Rm 8:4). Assim o fruto do Espírito será produzido em amor para com Deus e para com todos que são nascidos de Deus. "O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13:10).

                                                 OS DEZ MANDAMENTOS - C. H. BROWN





O DÉCIMO MANDAMENTO: DESEJO ILEGAL . - Verso 21
Esse mandamento nos proíbe ferir o nosso próximo em pensamento. Nenhum olho humano pode ver o coração da cobiça; isso é testemunhado apenas por aquele que o possui, e por Ele para quem todas as coisas estão nuas e patentes (DEUS). Mas é a raiz de quase todos os pecados contra o nosso próximo em palavra ou em ação. (Tiago 1:14, 15). O homem que é aceitável diante de DEUS, andando retamente, não caluniando com sua língua, nem faz mal ao seu próximo, é aquele que "fala a verdade no seu coração . "(Sl 15:02, 3) -.Sp. Com .
I. A maneira em que este mandamento é violado. Por esse descontentamento com a sorte na vida é que alguém é levado a se preocupar e se rebelar contra a providência de DEUS. "Nem murmreis como alguns deles murmuraram." (1 Coríntios. 10:10). Ao ceder desejos ilícitos para coisas que pertencem ao nosso próximo. Desejo excessivo pelas riquezas e bens de outra pessoa é marcado por este mandamento como pecado. "Acautelai-vos  da avareza."

II. O espírito que leva à violação deste mandamento. "Não cobiçarás."As palavras indicam a intensa espiritualidade e santidade da lei. (Tg 1:15) olha para o pecado como um ato exterior. São Paulo olha para ela em sua fonte e estágios iniciais. É no coração que brotam os maus pensamentos dos quais brotam as ações. O pensamento e o desejo podem levar à execução do mal. Concupiscência (desejo) mal é a raiz de todo o pecado, especialmente dos crimes que os homens cometem contra seus semelhantes (Mateus 15:19, Marcos 7:21). Eva e Adão "viu, cobiçado, e tomou". Cobiça instigou Judas para trair o Salvador, e induziu Ananias e Safira para "tentar o ESPÍRITO SANTO". "Sem a lei eu não teria conhecido o pecado (clara e completamente como habitação e princípio virulento), porque eu não conheceria a concupiscência (desejo irregular e sem governo), se a lei (Mosaica) não houvesse dito: Não cobiçarás" (Rm 7:7).
III. O método de corrigir esse espírito. Hipócrates aconselhou uma consulta a todos os médicos em todo o mundo para a cura de cobiça. O que eles não podiam descobrir a Bíblia prescreve.
1.     Formar uma estimativa direta de mudança para o bem. A cobiça nunca se satisfaz. "Salomão tinha colocado todas as criaturas em uma réplica singular", diz Watson, e descobriu sua essência, e eis que 'tudo era vaidade" (Ec. 2:11).
2.      
2. estar satisfeito com o que possui. Não ser infeliz porque menos do que outros. Quanto mais temos, maior será a nossa conta no último dia. Vamos acreditar que possuímos o melhor que DEUS nos deu. Contentamento, diz Sócrates, "é a riqueza da natureza." "Eu tenho o suficiente", gritou Jacó (Gn 33:11). "

11 Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. 12 Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.13 Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece. (Filipenses 4:11-13).

3. Ore pela graça divina enviada para ajudar . Isso por si só pode subjugar a luxúria. Pela fé em DEUS sabemos que ELE alimenta os pássaros e veste os lírios. A fé é o remédio para o cuidado e a cobiça. Ele vence o mundo, purifica o coração, e faz parte de DEUS (Sl 16:05). Peça ao ESPÍRITO SANTO para fazer você desejar as coisas celestiais e corrigir seus pensamentos sobre CRISTO e as coisas de acima. "Procurai com zelo os melhores dons."
Os desejos do coração; as atuações mais sutis da mente, bem como as ações visíveis da vida estão aqui escondidas. Este mandamento nos traz sob o olhar de um governante onisciente, sob a autoridade de um governo espiritual. Ensina-nos que os nossos pensamentos e desejos são minuciosamente inspecionados. Ele nos persegue aos nossos sigilos e perfura o véu das aparências externas, e abre as dobraduras de auto-ilusão. Ele examina nossas almas, e nos faz sentir a onipresença da Divindade. Ele faz com que as sanções da Sua lei sejam exercidas diretamente sobre a nossa consciência presente; liga os momentos de nossa existência ao último julgamento, e derrama para as câmaras mais íntimos do espírito à luz de um mundo futuro. "Eu não teria conhecido o pecado, se a lei não dissesse,"Não cobiçarás".

A importância deste mandamento é que lança bases justas e consistentes do ponto de vista das doutrinas do evangelho. É só por não considerar importante os mandamentos que um homem pode resistir ou perverter o significado do evangelho. Como pode um homem, por exemplo, de forma consistente negar a depravação total da raça humana, sem antes destruir o rigor intransigente da lei divina, trovejando suas maldições sobre até mesmo um desejo irregular? Como pode um homem convencer-se de que não é o seu dever acreditar no nome de JESUS CRISTO para a salvação, sem primeiro convencer-se de que não é o seu dever amar a DEUS com todo o coração e ao próximo como a si mesmo e isso é um assunto de governo moral de DEUS? Quantas vezes nos discursos públicos de JESUS, e em diálogos privados, com várias classes de pessoas em torno dele, é que vamos ver a sua ansiedade para produzir uma impressão de santidade e rigor dos mandamentos, evidentemente, com a finalidade de silenciar seus opositores e preparar os que cressem para "receber o reino de DEUS?" Com o mesmo espírito os apóstolos pregaram e escreveram. É a consciência de seu pecado que leva o homem a contar com a perfeita obediência a CRISTO. Aqui nós não temos simplesmente, uma exposição de misericórdia, mas de "misericórdia e verdade" congregar não apenas o triunfo da graça, mas de "graça reinando pela justiça, para a vida eterna. "DEUS nos deu JESUS não só como propiciação, mediante a fé no seu sangue, para a remissão dos pecados ", mas também," para demonstrar a sua justiça, que ele poderia ser suficiente justificador daquele que tem fé em JESUS "-. Dr. Stowel 

REV. JAMES Wolfendale. Homilética completa do Pregador. Comentário No Livro De Moisés Chamado Quinta. Deuteronômio. FUNK & WAGNALLS COMPANY.

Rm 7.7 «...pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás...» (Ver os trechos de Êxo. 20:17 e Deut. 5:21). O apóstolo Paulo mostra-nos, inicialmente, os efeitos negativos da lei mosaica nesse conflito, demonstrando ainda mais profundamente o seu argumento que a lei não nos pode ajudar nessa luta, e nem pode propiciar-nos a vitória; e chega mesmo a demonstrar que essa vitória só pode ser obtida em CRISTO, através do ESPÍRITO SANTO. E como ilustração, ele escolheu o décimo mandamento da lei mosaica, «...cobiçarás...», neste caso, é a simples proibição do desejo que leva à cobiça, ou seja, o desejo de possuir aquilo que é proibido, sem importar se se trata da casa do próximo, de suas terras, de suas possessões ou de sua esposa. Em outras palavras, se não houvesse nenhum mandamento da lei, descrevendo o mal desse tipo de desejo, o pecado da cobiça não seria reconhecido. É verdade que a própria consciência nos diria alguma coisa a respeito, conforme também Paulo dá a entender no primeiro capítulo desta sua epístola; mas esse conhecimento através da consciência, é fraco, em comparação com aquele que nos é revelado por meio da lei. Assim, a cobiça, «como pecado», vem a ser plenamente reconhecida através da lei, embora a experiência humana comum possa perceber algo de sua verdadeira natureza. E que a lei tem por resultado levar o homem a defrontar-se com a realidade do pecado, de um modo que não poderia ele fazer doutro modo. Assim é que a lei ensina que o mero «desejo» de possuirmos aquilo que nos é proibido já é um pecado, quanto mais a tentativa franca de posse ou a posse mesma do objeto desejado? Quem, pois, pode estar livre do pecado, até mesmo desse pecado em particular? Paulo, pois, exorta aqui aos seus leitores, que «ouçam a lei falar».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 688.

Rm 7.7 Se a lei não é pecado (7.7) nem provoca a morte (7.13), qual é seu papel? Qual é seu ministério? Qual é seu propósito? Paulo oferece três respostas:
O propósito da lei é revelar o pecado (7.7). O pleno conhecimento do pecado vem pela lei (3.20). A lei é um espelho que revela o ser interior e mostra como somos imundos (Tg 1.22-25). E como um prumo que mostra a sinuosidade da nossa vida. E como um raio-X que diagnostica os tumores infectos da nossa alma. A lei detecta as coisas ocultas na escuridão e as arrasta à luz do dia. É a lei que destampa o fosso do nosso coração e traz à tona a malignidade do nosso pecado.
Digno de nota é o fato de Paulo mencionar o décimo mandamento do decálogo como aquele que o tornou cônscio do seu pecado e abriu seus olhos para a própria devassidão: “Não cobiçarás” (7.7) Os nove primeiros mandamentos da lei são objetivos: “Nao terás outros deuses diante de mim”; “Não farás para ti imagem de escultura”; “Não tomarás o nome do Senhor teu DEUS em vão”; “Lembra-te do dia do sábado para o santificar”; “Honra a teu pai e a tua mãe”; “Não matarás”; “Não adulterarás”; “Não furtarás”; “Não dirás falso testemunho”. Todos esses mandamentos são objetivos, e qualquer tribunal da terra pode legislar sobre eles, fiscalizá-los e condená-los. Mas o décimo mandamento (“Não cobiçarás”) é subjetivo, pertence à jurisdição do foro íntimo, e nenhum tribunal da terra tem competência para julgar foro íntimo. A lei de DEUS, porém, penetra como uma câmara de raio-X e faz uma leitura dos propósitos mais secretos do nosso coração, trazendo à luz seus desejos pervertidos.
William Greathouse escreve oportunamente: “A lei não é um simples reagente pelo qual se pode detectar a presença do pecado; é também um catalisador que ajuda e até mesmo inicia a ação do pecado sobre o homem. A lei insufla o desejo ilícito”. A cobiça, do grego epithymia, é algo que se expressa internamente — é um desejo, um impulso, uma concupiscência.
Na verdade, inclui todo tipo de desejo ilícito, sendo em si mesma uma forma de idolatria, uma vez que põe o objeto do desejo no lugar de DEUS. Segundo F. F. Bruce, epithymia pode ser tanto um desejo ilícito como um desejo lícito em si, mas de tão egocêntrica intensidade que usurpa o lugar que somente DEUS deve ocupar na alma humana.

LOPES. Hernandes Dias. ROMANOS O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 264-265.


3.     O PECADO DE ACABE E JEZABEL.

I Reis 21.9 Apregoai um jejum, e trazei a Nabote para a frente do povo. Nabote deveria ser zombeteiramente exaltado e louvado. Ele era um homem bom, e o público reconheceria isso. Muitas pessoas estariam presentes para honrá-lo, mas ao lado dele haveria dois patifes que, de repente, acusariam o bom homem de blasfêmia contra o rei e contra Elohim (o DEUS de Israel, ou, talvez os deuses, conforme a palavra hebraica pode ser traduzida). Seja como for, a acusação, nunca ouvida nem provada em tribunal, resultaria em sua execução (vs. 13). Bastava que duas testemunhas testificassem contra uma pessoa para que as acusações tomassem um aspecto legal. Os dois patifes “cumpriram” a exigência legal. Ver Deu. 17.6,7. Quanto a uma interpretação alternativa, ver a seguir.

O texto hebraico original aceita outra interpretação. Em lugar da idéia de exaltação, a colocação de Nabote à frente do povo pode significar “seja submetido a julgamento”. Mas, quer ele fosse exaltado, quer fosse submetido a julgamento, o pobre Nabote seria atraiçoado e executado por crimes que não tinha cometido. Disse John Gill (in loc.): “...trazei-o ao tribunal e julgai-o. Talvez em seus tribunais de juizo houvesse lugares mais elevados, acima da cabeça das pessoas, onde os criminosos acusados costumavam pôr-se de pé, quando estavam sendo julgados, a fim de que pudessem ser vistos e ouvidos por todos”.
Um jejum. Jezabel fingiu que Israel estava enfrentando os pecados de Nabote. Jejuns eram decretados em tempos de emergência nacional. Yahweh estaria prestes a punir um povo desviado. Era necessário um arrependimento em massa, e pecados secretos tinham de vir à luz. Algumas poucas execuções avivariam tais questões, e isso aliviaria a ira divina. O jejum alegadamente prepararia o povo para aproximar-se da deidade. A presença divina revelaria por que o país enfrentava o perigo. Um jejum de sete dias era comum nos sepultamentos, em lamentação pelos mortos (ver I Sam. 31.13), de modo que um jejum era com freqüência associado à morte, e quase sempre ao pecado. Nas religiões modernas, essa não é a razão principal para que haja jejum.

I Reis 21.10 Dois homens malignos. Nossa versão portuguesa provavelmente mostra-se correta ao fazer do nome Belial um adjetivo que significa “homens malignos”. Esta nova versão portuguesa concorda com a Revised Standard Version. Somente mais tarde a palavra hebraica veio a significar um nome para Satanás, visto que essa doutrina só se desenvolveu no judaísmo posterior. Eram essenciais duas testemunhas, de acordo com a lei antiga (ver Deu. 17.6; 19.15; Núm. 35.30; Mat. 26.60). Isso deixava a questão aberta para a injustiça, porquanto não seria difícil conseguir duas “testemunhas” que concordassem em levantar uma acusação qualquer contra alguém inocente. É admirável que o testemunho tenha sido aceito, e não tenha havido nenhum julgamento como estamos acostumados a ver hoje em dia.
"... eles eram uns coitados inúteis, que tinham lançado fora o jugo da lei, visto que belial significa criaturas abandonadas e sem lei, que não têm consciência de coisa alguma” (John Gill, in loc.).
Blasfêmia. Falar coisas pesadas e perversas contra DEUS e o rei, esse foi o alegado “crime” de Nabote. Entrementes, a abominável e idólatra Jezabel saiu livre de qualquer punição, embora ela fosse um caso público e escandaloso de alguém que deveria ser executado de acordo com os padrões da legislação mosaica. Esse era um crime passível de execução e uma violação direta do segundo mandamento (Êxo. 20.4). Ver Deu. 17.2-5 quanto à pena de morte (por apedrejamento), que era o castigo contra esse crime.

A blasfêmia era punida com o apedrejamento, conforme aprendemos em Lev. 24.16 e Deu. 13.9,10. A palavra hebraica aqui usada e traduzida como “blasfêmia” usualmente significa “abençoar”, mas em um uso eufemístico significa também “amaldiçoar”.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1450-1451.

O plano de Jezabel (21.5-16). A consciência de Jezabel, de Tiro, não tinha sido desenvolvida pelas tradições israelitas e pelo respeito aos direitos alheios. Como Acabe não se apossou imediatamente da vinha de Nabote, uma coisa que dificilmente seria capaz de entender (7), ela continuou com seu plano diabólico. Os filhos de Belial (10) seriam homens desonestos. Nunca foi exposta a falsa acusação de blasfêmia levantada contra Nabote perante a assembleia dos anciãos e dos nobres. Este sincero israelita foi apedrejado de acordo com a lei (13; cf. Lv 24.13-16), sob o testemunho de duas pessoas que teriam presenciado a suposta ofensa (cf. Dt 17.6,7). Com a eliminação de Nabote, Acabe tomou posse da vinha (15-16) que, sem dúvida, havia perdido grande parte de seus antigos atrativos.

Harvey E. Finley. Comentário Bíblico Beacon I e II Reis. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 338-339.

Para satisfazê-lo, ela planeja e maquina a morte de Nabote. Não menos do que o seu sangue servirá para reparar a afronta que fizera a Acabe, o qual deseja com mais avidez por causa da sua adesão à lei DEUS de Israel.

1. Tivesse ela desejado apenas suas terras, suas falsas testemunhas podiam ter jurado falsamente por meio de um fato forjado (ela não podia ter emitido um documento tão fraco, mas os anciãos de Jezreel teriam julgado que ele era muito bom); mas a adúltera anda à caça de preciosa vida. (Pv 6.26). A vingança é doce. Nabote deve morrer, e morrer como um malfeitor, para satisfazê-la. (1) Nunca ordens mais perversas do que aquelas que Jezabel enviou aos magistrados de Jezreel foram enviadas por qualquer príncipe (w. 8-10). Resumindo, ela os ordena, com a submissão deles, que condenem Nabote à morte sem lhes dar qualquer motivo para fazerem isso.Tivesse ela enviado testemunhas para denunciá-lo, os juízes (que devem proceder secundum allegata et probata — de acordo com as alegações e provas poderiam ter sido enganados, e a sua sentença podia ter sido mais infeliz do que seu crime; mas obrigá-los a encontrarem testemunhas, filhos de Belial, para eles mesmos suborná-las, e depois darem o veredicto sobre um testemunho que eles sabiam ser falso, era uma provocação sem vergonha a tudo o que era justo e sagrado, como não esperamos que possa ter paralelo em qualquer história.

Ela devia ter considerado os anciãos de Jezreel como homens perfeitamente perdidos em relação a qualquer coisa que é honesta e honrável ao esperar que essas ordens fossem obedecidas. Mas ela lhes ensinará um jeito de fazer isso, tendo tanto da sutileza da serpente como tinha do seu veneno. [1] Isso devia ser feito sob as aparências da religião: “apregoai um jejum; indicai a vossa cidade que estais apreensivos acerca de um terrível julgamento que é iminente sobre vós, ao qual deveis vos esforçar em evitar, não apenas pela oração, mas descobrindo e excluindo a coisa amaldiçoada; fingi estardes temerosos de haver escondido entre vós um grande infrator, por cuja causa DEUS está irado com a vossa cidade; encarregai o povo, se ele souber de algo assim, de denunciá-lo naquela ocasião solene, quando o povo estiver preocupado com o bem-estar da cidade; e finalmente, que Nabote seja preso como o suspeito, provavelmente porque ele não se junta aos seus vizinhos na adoração. Isso poderá servir de pretexto para que ele seja posto acima do povo, sendo convocado à corte. Fazei proclamação que, se alguém puder acusá-lo diante da corte, e provar que ele seja o Acã, deve ser ouvido; e então deixai que as testemunhas apareçam para testemunharem contra ele”. 

Note: Não existe perversidade tão desprezível, tão horrenda, para a qual algumas vezes a religião não tenha sido feita de manto e cobertura para ela. De qualquer modo, não devemos pensar o pior do jejum e da oração por eles terem sido usados às vezes de forma abusiva como aqui; porém, devemos pensar muito pior daqueles planos perversos que, em qualquer tempo, têm sido levados a efeito sob o abrigo deles. [2] Isso também deve ser feito sob a aparência da justiça e nas formalidades de um processo legal. Tivesse ela enviado a eles para alugar alguns de seus bandidos, alguns rufiões perigosos, para assassiná-lo, para golpeá-lo quando estivesse andando pelas ruas à noite, o feito teria sido mau o suficiente; mas destruí-lo através da lei, usando para assassinar ao inocente aquele poder que devia protegê-lo, foi tanto uma perversão violenta da justiça e do julgamento quanto algo verdadeiramente monstruoso, e ainda somos orientados a não nos maravilharmos com isso (Ec 5.8). O crime de que deviam acusá-lo era o de haver blasfemado contra DEUS e contra o rei
 — uma blasfêmia confusa. Com certeza ela não podia pensar em um sentido de blasfêmia na resposta que ele tinha dado a Acabe, como se lhe negar a sua vinha fosse blasfemar do rei, e dar razão à lei divina fosse blasfemar de DEUS. Não, ela não finge ter nenhum fundamento para a acusação. Embora não houvesse nenhuma plausibilidade nisso, as testemunhas deveriam jurar, e a Nabote não se devia permitir que se defendesse, ou examinasse as testemunhas, mas, imediatamente, sob o pretexto de um ódio universal ao crime, eles deviam levá-lo para fora da cidade e apedrejá-lo. Por haver blasfemado de DEUS ele teria o confisco da sua vida, mas não a de sua propriedade, e por isso ele também foi acusado de traição ao blasfemar do rei, por cujo ato sua propriedade devia ser confiscada, de maneira que Acabe pudesse ter a vinha que lhe pertencera.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 533-534.

4. O CASAL NÃO CONTAVA COM UMA TESTEMUNHA VERDADEIRA.
I Reis 21.15 As boas novas foram comunicadas a Acabe. Agora ele tinha um brinquedo com o qual brincar, a saber, a vinha de Nabote. Não fora Acabe quem inventara o plano para assassinar Nabote, mas ele estava ansioso por tirar vantagem dos resultados desse plano, e assim tornou-se cúmplice de sua mulher, Jezabel. O infantil e velho rei levantou-se de seu “leito de enfermidade” e imediatamente foi até o terreno de Nabote para preparar ali um jardim (ou horta) (vs. 2).

II Reis 9.26 mostra-nos que os filhos de Nabote também foram executados, e isso só serviu para complicar a questão inteira, a saber, acarretando a morte violenta de Jezabel e Acabe. O dia do castigo deles estava próximo.

II Reis 9.26 Certamente vi ontem o sangue de Nabote e o sangue de seus filhos, diz o Senhor; e neste mesmo campo te retribuirei, diz o Senhor. Agora, pois, levanta-o, e lança-o neste campo, conforme a palavra do Senhor.
I Reis 21.16 Josefo (Antiq. VIII.13.8) diz-nos que “Acabe alegrou-se diante do que tinha sido feito e levantou-se imediatamente do leito onde tinha jazido”. Acabe tinha menos força de vontade e má imaginação que Jezabel, mas era, igualmente, constituído de consciência. A Septuaginta, por outra parte, pinta Acabe como entristecido pela execução, mencionando que ele “rasgou suas roupas e vestiu-se de cilício". É possível que essas vestes rasgadas impliquem a verdade dos fatos, e que o texto massorético removeu essa porção, pensando exaltar demais ao ímpio Acabe. Até o cruel Acabe poderia ter ficado temporariamente chocado por causa daquele assassinato. Mesmo sua mente embrutecida poderia ter compreendido, naquele momento, a grande injustiça que fora cometida.

Jezreel ficava a cerca de vinte e seis quilômetros de Samaria, de modo que Acabe fez uma pequena viagem para dar outra olhada em “suas terras”, que se tornariam o “seu jardim ou horta” para embelezar sua residência de verão. John Gill (in loc.) imaginou que ele tenha ido até lá em meio a grande pompa e glória, sendo acompanhado por altos oficiais para celebrar a feliz ocasião.

A Intervenção e a Retaliação de Elias (21.17-29)
Acabe e Jezabel tinham semeado o vento e logo colheriam o tufão (ver Osé. 8.7). O sangue de Nabote e de seus filhos (ver a história anterior) seria vingado.

“A dinastia de Onri, pai de Acabe, seria desmantelada, tal como aconteceu à família de Nabote, e pelas mesmas razões. Nenhuma dessas linhagens reais fora fiel aos ideais deuteronômicos" (Norman H. Snaith, in loc.). “Novamente, DEUS escolheu Elias para levar uma mensagem de julgamento a Acabe, que estava, naquele momento, na vinha de Nabote. DEUS transmitiu a Elias o que ele deveria dizer (vs. 19)” (Thomas L. Constable). A abominável e ímpia Jezabel tinha cometido o duplo crime de assassinato e confisco ilegal de uma herança familiar. Acabe foi o cúmplice declarado desses crimes e sofreria sorte igualmente horrível.
I Reis 21.17,18 A palavra do Senhor (Yahweh) veio novamente a Elias. Ele teve uma visão, um sonho incomum, ouviu uma voz direta ou, de outra maneira qualquer, esteve em comunicação com o Ser Divino. Cf. I Reis 18.1, a primeira ocasião em que a palavra do Senhor veio a Elias, ordenando-lhe proferir julgamento contra Acabe.

A localização de Acabe foi dada a Elias. Naquele exato instante, Acabe estava tomando posse da vinha de Nabote, que ele tinha obtido através de assassinato. Elias haveria de “apanhá-lo com a mão na botija”, porquanto estaria tomando posse ilegal de uma herança de família. O versículo à nossa frente parece indicar a localização da vinha em Samaria, mas Nabote era de Jezreel, e podemos supor que sua vinha estivesse ali. Acabe tinha uma residência de verão naquele lugar. É possível que a declaração feita pelo autor, neste versículo, tenha sido um equívoco. Acabe tinha palácios em dois lugares, porém o mais provável é que a vinha ficasse perto de Jezreel e a herança da família de Nabote também estivesse nessa última cidade.

Elias desceu no dia seguinte após as matanças (ver II Reis 9.26).
I Reis 21.19 A mensagem a ser transmitida foi direta e brutal. Acabe era um homem morto. Além disso, morreria em desgraça. No próprio lugar onde os cães tinham vindo lamber o sangue de Nabote, também lamberiam o sangue de Acabe, e dessa forma a Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura teria exato cumprimento. Essa foi a Lex Talionis divina, isto é, uma punição em termos iguais, como olho por olho e dente por dente.

A profecia não se cumpriu em termos exatos, mas, sim, quanto à sua essência, conforme salientou John Gill (in loc.): “... a profecia teve cumprimento em seus filhos, que eram sua carne e seu sangue (ver II Reis 9.26), porquanto o castigo foi adiado em seus dias e transferido para os seus filhos (ver o vs. 29). Os cães, entretanto, lamberam-lhe o sangue, embora não no mesmo local (ver I Reis 22.8)”. O arrependimento de Acabe alterou, até certo ponto, o cumprimento final da profecia, conforme vemos no vs. 29.
“É inútil procurarmos um cumprimento literal dessa predição. Esta teria sido assim cumprida, mas a humilhação de Acabe induziu um DEUS misericordioso a dizer: 'Não trarei este mal nos seus dias, mas nos dias de seu filho o trarei sobre a sua casa’ (vs. 29)” (Adam Clarke, in loc.). Os cães lamberam o sangue de Nabote em Jezreel, e o de Acabe perto de Samaria.
“Quando os cães lambiam o sangue de alguém, isso indicava uma morte desgraçada, especialmente no caso de um rei, cujo corpo normalmente seria guardado e sepultado com grande respeito” (Thomas L. Constable, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1451-1452.

A mensagem com a qual Elias foi enviado a Acabe, quando foi tomar posse da vinha de Nabote (w. 17-19).
1. Até aqui DEUS se manteve em silêncio, não interferiu na correspondência de Jezabel, nem suspendeu o processo dos anciãos de Jezreel; mas agora Acabe é reprovado e o seu pecado é posto diante de seus olhos. (1) Elias é a pessoa enviada. Um profeta de posição inferior tinha sido enviado a ele com mensagens de bondade (20.13). Mas o pai dos profetas é enviado para afligi-lo e condená-lo por seu assassinato. (2) O lugar é a vinha de Nabote e o tempo, justamente quando Acabe está tomando posse dela; então, e ali, a sua sentença deve ser lida para ele. Ao tomar posse, ele aprovava tudo o que fora feito, e fez a si mesmo culpado ex post facto — como um cúmplice após o fato. Ele foi pego por autorizar os erros, e por isso a condenação cairia sobre ele com muito mais força. “O que tens tu para fazer nesta vinha? Que bem podes esperar dela quando a adquiriste com sangue (Hb 2.12) e sufocaste a alma do seu dono (Jó 31.39). Agora que ele está se alegrando com o seu bem adquirido desonestamente, e dando orientações para mudar a vinha em um jardim de flores, a sua comida se mudará nas suas entranhas. Porquanto não sentiu sossego. Haja, porém, ainda de que encher o seu ventre, e DEUS mandam sobre ele o ardor da sua ira (Jó 20.14,20,23).

2. Vejamos o que se passou entre ele e o profeta.
(1) Acabe desabafou sua ira contra Elias, encolerizou-se ao vê-lo, e, em vez de humilhar-se diante do profeta, como devia ter feito (2 Cr 36.12), estava pronto para voar em seu pescoço. Já me achaste, inimigo meu? (v. 20). Isso mostra: [1] Que Acabe o odiava. A última vez em que os encontramos juntos separaram-se como bons amigos (18.46). Na ocasião, Acabe tinha permitido a reforma e por isso, tudo estava bem entre ele e o profeta; mas agora ele tinha reincidido e estava pior que nunca. A sua consciência lhe dizia que havia feito de DEUS seu inimigo e, por essa razão, ele não poderia esperar que Elias fosse seu amigo.

Note: A condição do homem que fez da palavra de DEUS sua inimiga é muito miserável, e a sua condição, quando considera os ministros daquela palavra seus inimigos porque lhe dizem a verdade (G1 4.16), é muito desesperada. Tendo-se vendido ao pecado, Acabe estava resolvido a manter o negócio e não podia tolerar aquele que o teria ajudado a se recuperar. [2] Que Acabe o temia: Já me achaste? Insinuando que ele o evitava o quanto podia, e que agora era um terror para ele ter de vê-lo. Ver o profeta era, para Acabe, como a visão da mão escrevendo sobre a parede para Belsazar; então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram. As juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro. Nunca houve um pobre devedor ou criminoso tão confuso diante do oficial que veio para prendê-lo. Os homens podem se culpar se fazem de DEUS e da sua palavra um terror para si.
(2) Elias pronunciou a ira de DEUS contra Acabe: Achei-te (diz ele no v. 20), porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau. Note: Aqueles que se entregam ao pecado certamente serão descobertos, cedo ou tarde, para o seu horror e assombro. Agora, Acabe está no lugar do réu, como esteve Nabote, e treme mais do que Nabote tremeu. [1] Elias declara a sua acusação contra ele e o condena pelas evidências notórias do fato (v. 19): Não mataste e tomaste a herança? Assim ele foi responsabilizado pelo assassinato de Nabote, e não lhe adiantaria dizer que a lei o havia matado (a justiça pervertida é a maior das injustiças), nem que, se ele foi processado injustamente, não era sua culpa — que ele não sabia nada disso; pois tudo foi feito para agradá-lo e ele se mostrou feliz com isso e, dessa forma se fez culpado por tudo que tinha ocorrido na condenação injusta de Nabote. Ele matou, pois ele tomou posse. Se ele toma a vinha, leva a culpa junto com ele. Terra transit cum onere — a terra com o encargo.
[2] Elias dá a sentença sobre ele. Ele lhe fala da parte de DEUS que a sua família será arruinada e arrancada (v. 21) e cortada toda a sua posteridade — que seria feito à sua casa como às de seus predecessores pervertidos, Jeroboão e Baasa (v. 24), particularmente, que aqueles que morressem na cidade seriam alimento para os cães e aqueles que morressem no campo, para os pássaros (v. 24); o que tinha sido predito a respeito da casa de Jeroboão (14.11) e da casa de Baasa (16.4) — que Jezabel, particularmente, seria devorada pelos cães (v. 23); o que se cumpriu (2 Rs 9.86) — e, para o próprio Acabe, que os cães lamberiam o seu sangue no mesmo lugar onde lamberam o de Nabote (v. 19 — “o teu sangue, o teu mesmo, embora seja sangue real, embora ele aumente em tuas veias com orgulho e ferva em teu coração com ira, em breve será diversão para os cachorros”), o que se cumpriu em 22.88. Isso implica que ele morreria de morte violenta, seria trazido ao seu túmulo com sangue, e que a desgraça o visitaria, cuja previsão deve necessariamente ser uma grande mortificação para um homem tão orgulhoso. Aqui se insiste nas punições após a morte, as quais, embora afetassem apenas o corpo, talvez fossem planejadas como figuras das misérias da alma depois da morte.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 534-535.



Os hebreus se saíram muito bem em sua primeira conquista na terra de Canaã. Eles destruíram Jericó no grito, e todos estavam compenetrados na missão Os 6). Entretanto, o povo não teve o mesmo êxito na segunda cidade, chamada Ai, por causa da cobiça de Acã Os 7.21). Quem viu e o denunciou foi o próprio Deus! O resultado foi que Acã e toda a sua família foram apedrejados e queimados no vale de Acor, para exemplo da congregação dos filhos de Israel. Acã cobiçou, agiu e morreu Os 7.22-26).

REVISTA CENTRAL GOSPEL
O 8º, 9º e 10º mandamento - Série "A ética dos 10 mandamentos"
- Pastor Walter Brunelli

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