TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Miqueias 2.1-5
1-
Ai daqueles que, nas suas camas, intentam a iniquidade
e
maquinam o mal; à luz da alva o
praticam, porque está no poder da sua mão!
2 - E cobiçam campos, e os arrebatam, e
casas, e as tomam; assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa
e à sua herança.
3 - Portanto, assim diz o SENHOR: Eis
que projeto um mal contra esta geração, do qual não tirareis os vossos
pescoços; e não andareis tão altivos, porque o tempo será mau.
4 Naquele dia, se levantará um provérbio
sobre vós, e se levantará pranto lastimoso, dizendo: Nós estamos inteiramente
desolados! A porção do meu povo, ele a troca! Como me despoja! Tira os nossos
campos e os reparte! - Portanto, não terás tu na congregação do SENHOR quem
lance o cordel pela sorte.
Habacuque 2.9
9 - Ai daquele que ajunta em sua casa
bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar da mão do
mal!
Lucas 12.15
15 - E disse-lhes: Acautelai-vos e
guardai-vos da avareza, porque
a
vida de qualquer não consiste na
abundância do que possui.
TEXTO ÁUREO
Não cobiçarás
a casa do teu próximo;
não cobiçarás a mulher
do teu próximo,
nem o seu servo,
nem a sua serva,
nem o seu boi,
nem o seu jumento,
nem coisa alguma
do teu próximo.
Êxodo 20.17
SUBSÍDIOS PARA
O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Gênesis 3.1-7
A mulher viu que aquela árvore era desejável
3ª feira - Marcos 4.10-19
Os enganos das riquezas sufocam a palavra
4ª feira - Josué 7.21-23
A cobiça de Acã
leva Israel à derrota
5ª feira - Mateus 5.27-32
A relação havida entre cobiça e adultério
6ª feira - Romanos 7.7-12
A Lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom
Sábado - Hebreus 13.1-6
Contentai-vos com o que tendes
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:
• entender que a cobiça é o pecado dos olhos e está
alinha-da à inveja e à avareza;
• compreender que a cobiça é idolatria;
• concluir que os cobiçosos não entrarão no céu.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
"A única
forma de uma igreja local crescer e se multiplicar é por meio de um programa
sistemático de discipulado". As palavras do teólogo norte-americano Warren
W. Wiersbe, pastor e professor de disciplinas bíblicas que possui um lastro de
conhecimento fundamentado em mais de 50 anos de estudos e ensinamentos sobre as
Sagradas Escrituras, reforçam a importância de as igrejas valorizarem um
conteúdo programático bem estruturado para os seus membros.
Para atender a essa necessidade, nada melhor do que
elaborar um planejamento de Escola Dominical considerando os resultados obtidos
no ano anterior, a fim de rever conceitos aplicados e atividades que foram ou
não bem-sucedidas. O corpo docente deve reunir-se para debater sobre esses
quesitos e expor novas estratégias a fim de dirimir os pontos falhos,
considerando sempre o público-alvo, a faixa etária, o espaço físico, as
estratégias de ensino, os recursos didáticos e a avaliação (Adaptado de:
Revista Educação Cristã Hoje, nº 21. Central Gospel, 2013, p. 17).
Deus o abençoe!
COMENTÁRIO
Palavra Introdutória
Até aqui, parece estar tudo bem quanto aos nove
mandamentos anteriores. A maioria de nós se sente confortável em estar de
acordo com as regras inibidoras impostas por aqueles mandamentos. Crer em um só
Deus, não fazer nem adorar imagens, não tomar o nome do Senhor em vão, tirar um
dia da semana para descansar, honrar pai e mãe, não matar, não adulterar, não
roubar e não mentir acerca dos outros são todas regras razoáveis, nas quais a
maioria das pessoas pensa se enquadrar (Ex. 20.1-16). Mas, agora, chegamos ao
décimo mandamento, e o que parece tão simples se reveste de uma importância
gigantesca, capaz de arruinar o futuro eterno da nossa alma: o pecado da
cobiça.
Se os outros mandamentos são
aplicados aos atos pecaminosos externos contra Deus e o próximo, o décimo mandamento
se relaciona aos sentimentos e intenções do coração humano, ou seja, a Lei se
aproxima do ensino de Jesus (Mt 5.28). O sétimo e o oitavo mandamentos proíbem
a prática do adultério (ato sexual de pessoa casada com alguém que não é o seu
cônjuge) e do roubo, mas o décimo mandamento veda até a intenção de praticar
ambos. O texto áureo desta lição (Éx 20.17) desdobra esse mandamento em dois:
cobiçar a esposa e cobiçar os bens do próximo.
1.
O QUE É A COBIÇA
Dentre os termos usados para se referir à cobiça,
aparece chamado verbo hebraico usado no décimo mandamento e que significa
"desejar". Ele aparece cerca de 14 vezes no Antigo Testamento. O
termo grego correspondente no Novo Testamento é epithumia, "desejo
intenso, desejo ardente, fixar a mente sobre". Encontramos esse termo
aproximadamente 16 vezes. A cobiça é um
desejo desordenado, egoísta e não governado. No jardim do Éden, Eva desejou
comer do fruto proibido. Seus olhos e seu coração se uniram, e ela transgrediu
a ordem divina (Gn 3.6).
1.1. A
cobiça e a inveja
Há uma tênue passagem da cobiça
para a inveja, a ponto de se confundirem uma com a outra. Enquanto a cobiça
acentua o desejo por algo que não é seu, a inveja odeia o fato de esse objeto
pertencer a outra pessoa. A inveja não se satisfaz com o sucesso alheio, é uma
deformação de caráter. Pode-se dizer que a cobiça é a mãe da inveja.
A sociedade não discrimina a inveja; antes, enxerga-a
como um agente motivador que pode levar a alcançar o mesmo sucesso dos que
estão no auge, tomando-os como modelos a serem seguidos. Isso, no entanto, só
faria algum sentido quando se entendesse a distinção que existe entre admiração
e inveja. O admirador aplaude, o invejoso odeia. A Bíblia censura a inveja e
diz que ela apodrece os ossos (Pv 14.30; Tg 3.14).
Cobiça é o pecado dos
olhos.
Esse pecado ocorre quando
as janelas do corpo abrem
diálogo com o coração,
e o coração começa a
maquinar um plano de ação.
1.2.
A inveja dos antepassados
• Caim não admirou o seu irmão Abel, mas o
odiou por ser aceito diante de Deus. Foi por esse motivo que Caim o matou (Gn 4.5-9).
• Os irmãos de José o
invejaram tanto que não mediram as consequências para vendê-lo e forjar uma
história a fim de enganar o pai, dizendo-lhe que José havia sido devorado por uma fera e,
assim, causando a esse pai a dor de um luto que durou muitos anos (Gn 37).
• Moisés sofreu a inveja de
Miriã e Arão, seus irmãos (Nm 12.2). Diante disso, Deus exaltou Moisés perante os dois.
Arão se arrependeu e pediu para não ser punido, já Miriã não escapou, ficando
leprosa (Nm 12.10,11). • Davi sofria a inveja de mãos (1 Sm 17.28).
• Absalão teve inveja de Davi
(2 Sm 15.1-37).
• Mamã teve inveja de
Mardoqueu (Et 5.9-14).
• Sambalate, Gesém e Tobias
tiveram inveja de Neemias (Ne 2.19; 4.7-23).
• Os filisteus tiveram inveja
de Isaque (Gn 26.14).
No Novo Testamento,
na cidade de Samaria, Simão
mostra ter inveja do
apóstolo Pedro (At 8.9-24).
Diótrefes teve
inveja do
apóstolo João (3 Jo 1.9).
Os filhos de Ceva tiveram inveja de
Paulo (At 19.13,14).
Judas teve inveja de Jesus (Mt 27.18).
1.3.
A cobiça e a
ambição
Além da inveja e da cobiça, existe
a ambição. Esta tem seu lado positivo quando funciona como um agente motivador
que impele alguém a buscar algo maior e melhor, como uma vida espiritual de
excelência, um nível mais alto de conhecimento ou a aquisição de bens a fim de
alcançar uma vida mais confortável.
Contudo, a ambição também
apresenta o seu lado ruim quando é desmedida e vinculada à cobiça e à inveja.
Jesus condena a ambição quando ela domina o homem e sufoca a Palavra de Deus
semeada no coração dele (Mc 4.19).
2 . A COBIÇA E A DERROTA DOS ANTEPASSADOS
A cobiça gera um círculo vicioso. Os muitos casos de
cobiça no Antigo Testamento despertaram nos profetas um grande sentimento de
repúdio contra esse pecado. Miqueias profetizou contra aqueles que cobiçavam
deitados no leito (Mq 2.1,2). Essas palavras trazem à lembrança a ocasião em
que Acabe cobiçou a vinha de Nabote (1 Rs 21). Outros exemplos de cobiça e consequentes derrotas podem ser
vistos nos subtópicos a seguir.
2.1.
Acã
Os hebreus se saíram muito
bem em sua primeira conquista na terra de Canaã. Eles destruíram Jericó no
grito, e todos estavam compenetrados na missão Os 6). Entretanto, o povo não
teve o mesmo êxito na segunda cidade, chamada Ai, por causa da cobiça de Acã Os
7.21). Quem viu e o denunciou foi o próprio Deus! O resultado foi que Acã e
toda a sua família foram apedrejados e queimados no vale de Acor, para exemplo
da congregação dos filhos de Israel. Acã cobiçou, agiu e morreu Os 7.22-26).
2.2.
Davi
Davi cobiçou Bate-Seba, sua súdita, mulher de
Urias, soldado do seu exército. Do terraço do palácio, ele a assistia
banhando-se em sua casa. A cobiça encheu-lhe o coração, ele mandou que a
chamassem e deitou-se com ela (2 Sm 11.1-5). A mulher de Urias engravidou e,
para consertar uma situação embaraçosa em relação ao seu marido, o rei promoveu
a morte dele, colocando-o à frente do seu exército em uma batalha (2 Sm
11.14,15). Davi cobiçou, foi levado da cobiça ao adultério e do adultério ao
homicídio. Tudo começou com o pecado dos olhos: a cobiça.
3
AS ESPECIFICAÇÕES DO MANDAMENTO
O décimo mandamento não é tão genérico. Ele
especifica a casa, a mulher, o servo, a serva, o boi, o jumento ou qualquer
outra coisa que pertença ao próximo (Ex 20.17). Esse detalhamento serve para ampliar o
entendimento, a fim de que se compreenda as dimensões da propriedade.
3.1.
Não cobiçarás a casa do teu próximo
Esse pecado nasce do descontentamento com a
própria sorte. O ato de olhar para a "casa do vizinho" e observar
tudo o que existe nela leva a indagações sobre o lar, a família e os bens do
próximo. A cobiça funciona como uma atitude interna. Pode ser identificada nas
Escrituras com a própria avareza (Lc 12.15).
Pelo termo casa, compreende-se o todo, não apenas a
casa em si, seu tamanho ou a sua arquitetura, mas o que existe nela, o que
enche os olhos de desejo.
3.2. Não
cobiçarás a mulher do teu próximo
O pecado da cobiça consiste
em pecar contra a propriedade. A mulher, no contexto do Antigo Testamento, é
considerada propriedade do marido, pertence a outro. A mulher não casada
pertencia aos pais; logo, não poderia ser cobiçada, a menos que houvesse uma
intenção de possuí-la como esposa, o que normalmente era uma decisão tomada
pelos pais (Êx 22.16,17).
O décimo mandamento combina diretamente com o sétimo,
sobretudo no que diz respeito ao entendimento que o próprio Senhor Jesus deu
acerca do adultério, quando disse que este já ocorria no ato de cobiçar (Mt
5.28). Esse é o ponto no qual toda a lista das Dez Palavras, por mais obedecida
que seja, cai por terra; afinal, quem tropeça em um só ponto torna-se culpado
por todos os outros (Tg 2.10).
3.3. Não
cobiçarás os servos e as servas do teu próximo
Escravidão é um domínio que seres humanos
exercem sobre seus semelhantes. Era algo comum na antiguidade, mas, em tempos
modernos, infelizmente, ainda há relatos dessa condição de servidão. O serviço
escravo deixou marcas de vergonhosa desonra para a classe nobre. O escravo era
visto como uma propriedade e como mão de obra. Quanto maior o número de
escravos, mais o proprietário podia se gabar de ser rico e poderoso.
Os escravos tanto serviam no campo quanto na casa de
seu proprietário. Podiam ser adquiridos como cativos de guerra (1 Rs 20.39; 2
Cr 28.8-15), por compra (Lv 25.44-46), por pagamento de dívida (Ex 21.2-4; 2 Rs
4.1), por presente (Gn 29.24), por herança (Lv 25.44-46) ou por nascimento (Ex
21.4; Lv 25.54).
3.4. Não
cobiçarás os animais do teu próximo
O boi e o jumento eram animais usados para
arar a terra na agricultura. Enquanto o pobre tinha de arar a terra com a força
do braço, aquele que possuía animais fortes para essa tarefa obtinha maior
conforto e mais vantagens econômicas (1 Rs 19.19-21). A questão é que o ato de
cobiçar os animais dos outros poderia levar o cobiçoso a dar um passo a mais e,
um dia, roubar o seu próximo, assim como cobiçar a mulher alheia poderia
levá-lo a consumar um adultério.
4. COMO APLICAR ESSE MANDAMENTO HOJE
A Bíblia trabalha diretamente com o que era comum nos
dias em que foi escrita. Hoje, não se fala mais em escravidão nem em animais
para se arar a terra, mas o pecado da cobiça continua a existir. Um servo de Deus, salvo em Jesus Cristo, não pode
ter a mesma conduta de um ímpio, que não obedece às Escrituras (Ef 5.3). A
cobiça se enquadra na lista das obras da carne (G1 5.19-21), mais
especificamente na acepção do pecado da inveja.
Não há nada de errado em
desejar o que é bom, necessário e legítimo. Qualquer ser humano desprovido de
desejos e vontades não teria o impulso necessário para realizar qualquer coisa
na vida, a começar pela busca do pão para a sua sobrevivência. A distinção deve
ser feita ao almejar o que convém e desprezar o que não convém. A cobiça é
perniciosa porque faz com que o indivíduo ponha os olhos sobre o que é do
próximo e, em sua mente, coloque-se no lugar dele, passando a desejar o que é
do outro e, por fim, desejando ser o outro, ou seja, a cobiça se transforma em
inveja. É por isso que a cobiça da carne e a cobiça dos olhos não procedem do
Pai (1 Jo 2.15-17).
CONCLUSÃO
Em uma sociedade tão ávida
por adquirir bens de consumo, incentivada por excelentes profissionais de
publicidade, capazes de incutir na mente de pessoas mais suscetíveis à
propaganda necessidades que não existem, precisamos aprender a vigiar nossos impulsos
e a nos guardar do pecado da cobiça, que derrotou e ainda destrói tantas pessoas
no mundo, fazendo-as escravas do mercado e afundando-as em dívidas impagáveis.
Em relação a tudo isso, a
Palavra de Deus recomenda: Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos
com o que tendes; porque ele disse: não te deixarei; nem te desampararei (Hb
13.5). A cobiça é um pecado que pode aliar--se diretamente ao adultério, à
ganância e à avareza, que é idolatria (1 Co 6.10).
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Há uma tênue passagem da
cobiça para qual pecado?
R.:
Inveja
O Decálogo — A Ética do Sinai 81
Os dez mandamentos
O Decálogo conclui com um mandamento que proíbe o
desejo ilícito, a cobiça sem sugestão alguma de ato, pois diz respeito
primariamente à motivação, e não à ação concreta. A cobiça é um mal devastador
muito comum ainda hoje em nossa cultura ocidental materialista. Trata-se de uma
atitude de natureza interna que pode expressar-se em ato real. Toda ação boa ou
ruim começa no pensamento. Os outros mandamentos proíbem atos; aqui, a
proibição diz respeito ao desejo, não ao desejo em si, mas ao desejo daquilo
que pertence a outro. Não é pecado desejar bens e conforto, as coisas boas de
que necessitamos na vida.
O décimo mandamento aborda a
responsabilidade do israelita sobre o pecado do pensamento. É um recurso divino
que Deus proveu para habilitar o israelita a obedecer os mandamentos
anteriores. A cobiça é um dos piores pecados, o pecado que não se vê. Essa é a
sua característica distintiva em relação aos outros, pois não é possível ser
conhecido. Isso mostra que o Legislador divino é onisciente, pois ele conhece o
mais íntimo do coração humano, nossos desejos e intenções (1 its 8.39; 1 Cr
28.9; Jr 17.10; At 1.24). Deus se interessa não só pelos corretos atos
concretos, não apenas pelo cerimonialismo na adoração, mas principalmente pela
pureza de um coração sincero. Isso mostra o lado espiritual do Decálogo; nem
tudo é apenas jurídico. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao
outro.
Já vimos que o Decálogo está
estruturado em duas seções identificadas com a primeira e a segunda tábuas, as
tábuas de pedra em que foram escritos os Dez Mandamentos, literalmente as dez
palavras. A primeira contém os compromissos do israelita diante de Deus, e a segunda
de sua responsabilidade para com o próximo. Os dois grandes mandamentos citados
por Jesus podem ser um resumo dessas duas tábuas. Esses mandamentos estão
dispostos numa sequência lógica. O quinto mandamento é uma ponte que une o
conteúdo das duas tábuas. Em seguida vem a proteção da vida: "Não
matarás"; depois a proteção da família: "Não adulterarás"; a
proteção da propriedade: "Não furtarás"; a proteção da honra:
"Não dirás falso testemunho contra o teu próximo"; e o último protege
o israelita de ambições erradas.
O décimo mandamento aborda a
responsabilidade do israelita sobre o pecado do pensamento. É um recurso
divino que Deus proveu para habilitar o israelita a obedecer os mandamentos
anteriores. A cobiça é um dos piores pecados, o pecado que não se vê. Essa é a
sua característica distintiva em relação aos outros, pois não é possível ser
conhecido. Isso mostra que o Legislador divino é onisciente, pois ele conhece o
mais íntimo do coração humano, nossos desejos e intenções (1 its 8.39; 1 Cr 28.9;
Jr 17.10; At 1.24). Deus se interessa não só pelos corretos atos concretos, não
apenas pelo cerimonialismo na adoração, mas principalmente pela pureza de um
coração sincero. Isso mostra o lado espiritual do Decálogo; nem tudo é apenas
jurídico. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao outro. Já vimos
que o Decálogo está estruturado em duas seções identificadas com a primeira e a
segunda tábuas, as tábuas de pedra em que foram escritos os Dez Mandamentos,
literalmente as dez palavras. A primeira contém os compromissos do israelita
diante de Deus, e a segunda de sua responsabilidade para com o próximo. Os dois
grandes mandamentos citados por Jesus podem ser um resumo dessas duas tábuas.
Esses mandamentos estão
dispostos numa sequência lógica. O quinto mandamento é uma ponte que une o
conteúdo das duas tábuas. Em seguida vem a proteção da vida: "Não
matarás"; depois a proteção da família: "Não adulterarás"; a
proteção da propriedade: "Não furtarás"; a proteção da honra:
"Não dirás falso testemunho contra o teu próximo"; e o último protege
o israelita de ambições erradas.
O formato textual do décimo
mandamento de Êxodo 20.17 é diferente do registro de Deuteronômio 5.21, mas não
divergente:
Os católicos romanos e os
luteranos mantiveram a tradição catequética medieval do Decálogo esboçada por Agostinho
de Hipona e que predominou durante a Idade Média. Os dois primeiros mandamentos
são considerados um só, e o décimo é dividido em dois. "Não cobiçarás a
casa do teu próximo" é o nono, e "Não cobiçarás a mulher do teu
próximo" (Êx 20.17), o décimo. Qualquer pessoa pode observar sem muito
esforço que tal arranjo é uma camisa de força, pois não corresponde à divisão
natural (Êx 20.1-17; Dt 5.7-21). Além disso, o Decálogo do catolicismo romano
não é bíblico, trata-se de uma interpretação com lentes papistas. Nós seguimos
o arranjo das igrejas ortodoxas e protestantes reformadas, que vem desde os
antigos judeus (JOSEFO, Antiguidades Judaicas, Livro 3, 4.113, edição CPAD).
O décimo mandamento aparece expandido em
Deuteronômio em relação ao texto de Êxodo e inclui o campo do próximo na lista
das coisas que não devem ser cobiçadas. Alguns críticos estranham a inversão
das cláusulas, pois a fraseologia de Êxodo começa por não cobiçar a casa do
próximo e em seguida vem a proibição de não cobiçar a mulher do próximo, mas em
Deuteronômio essa ordem é invertida: primeiro vem a mulher e depois a casa.
Ambos textos, contudo, proíbem a cobiça de bens e pessoas: além da mulher ou do
esposo, pois a mulher pode também cobiçar o marido alheio, o servo e a serva do
próximo; propriedades: casa e campo; o termo "casa" aparece muitas
vezes na Bíblia com o sentido de "família" Os 24.15; At 16.31), mas
parece não ser essa a ideia aqui; e semoventes: boi, jumento ou qualquer outra
coisa. A frase final "nem coisa alguma do teu próximo" inclui posição
social ou ascensão no trabalho.
Há discussão sobre a
substituição de hãmad por 'ãwãh na segunda cláusula do décimo mandamento (Dt
5.21). O verbo hãmad aqui aparece com a esposa do próximo e 'ãwãh com as demais
coisas. Isso pode levar alguém a pensar em 1.7ãmad como um tipo sensual de
desejo, mas isso não procede por duas razões principais: a) é usado para bens
móveis e imóveis Os 7.21; Mq 2.2); b) ambos os termos aparecem como sinônimos
(Gn 3.6; Pv 6.25; SI 68.17). Parece que ãwãh diz respeito a um tipo de desejo
casual. O formato textual de Êxodo está adaptado ao estilo nômade de vida de
Israel no deserto, ao passo que Deuteronômio, quase 40 anos depois, é o modelo
para o povo prestes a ser estabelecido na terra de Canaã como país.
OS FATOS
Os relatos bíblicos estão
repletos de cobiças destruidoras, a começar pelo primeiro casal. "E vendo
a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e
árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também
a seu marido, e ele comeu com ela" (Gn 3.6). Aqui se expressa exatamente o
que afirma o Novo Testamento: "a concupiscência da carne, a concupiscência
dos olhos e a soberba da vida" (110 2.16).
Os irmãos de José desejavam a
posição dele no coração de seu pai, Jacó (Gn 37.4). A cobiça causou a ruína de
Acã: "Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos
siclos de prata e, uma cunha de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e
tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a
prata, debaixo dela" (Is 7.21). 0 verbo "cobiçar" aqui é hãmad,
o mesmo usado no Decálogo (Ex 20.17; Dt 5.21). Acã cobiçou e se apropriou dos
despojos de Jericó, objetos que não lhes pertencia (Js 6.19).
O rei Acabe cobiçou vinha de
Nabote e isso resultou num escândalo nacional que levou à ruína a casa real (1
Rs 21.1-16). Ele e sua esposa, Jezabel, violaram o sexto mandamento: "Não
matarás"; o oitavo: "Não furtarás"; o nono: "Não dirás
falso testemunho contra o teu próximo"; e o décimo: "Não
cobiçarás". Dois outros casos de cobiça aconteceram na casa de Davi: seu
filho Amnom violentou a própria irmã, Tamar, movido pela lascívia (2 Sm 13.15),
e Absalão desejou ocupar o trono de seu pai enquanto Davi ainda era vivo e
reinava em Israel (2 Sm 15.16).
No Novo Testamento, encontramos Ananias e
Safira, que desejavam prestígio na Igreja, mas tentaram consegui-lo de maneira
pecaminosa (At 5.1-11). Simão Mago, de Samaria, tentou comprar os dons de Deus
com dinheiro, pois almejava poderes sobrenaturais para ostentação pessoal (At
8.18). Diótrefes, personagem desconhecida, cuja única menção no Novo Testamento
é desabonadora, já que ele procurava ter o primado na Igreja (3 Jo 9).
O DÉCIMO MANDAMENTO NO NOVO
TESTAMENTO
O mandamento "Não cobiçarás..."
se distingue dos outros nove por se tratar da motivação, e não do ato. Assim, é
possível violar esse preceito sem que haja comprovação concreta. É o décimo
mandamento que golpeia a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o
desejo perverso. O Senhor Jesus disse que é do mais íntimo do ser humano que
procede todo o tipo de pecado: "Porque do interior do coração dos homens
saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os
furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia,
a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o
homem" (Mc 7.21-23). A lista de Mateus é mais curta (Mt 15.19). Essas
palavras mostram a dura realidade: o que o ser humano realmente é, isso afeta o
que ele diz (Mt 12.34, 35). Toda ação humana começa no seu coração (Tg 1.14,
15).
O décimo mandamento era o
recurso divino para o israelita se proteger de não violar nenhum dos
mandamentos do Decálogo. Mas, na graça, somos guiados pelo Espírito Santo, o
qual controla os nossos desejos. Assim, o preceito aqui em foco foi adaptado
pela graça. Cabe a cada um vigiar e orar para não entrar pelo caminho da
cobiça. Jesus disse: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a
vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12.15). A
avareza é o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, é o desejo de adquirir e
acumular riquezas. Desse modo, os bens materiais se transformam em deus para os
tais avarentos. A Bíblia afirma que a avareza é idolatria: "Mortificai,
pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o
apetite desordenado, a vil concupiscência e a ava-reza, que é idolatria"
(Cl 3.5).
A avareza e a cobiça caminham
juntas. Ambas são impróprias para quem busca o reino de Deus (1 Tm 6.9, 10).
Essas coisas são próprias para quem teme o futuro, desconfia de Deus e da sua
providência. Não somente a avareza, mas também a inveja, pertence a esse grupo
de pecados. A inveja é o "sentimento de pesar pelo bem e pela felicidade
de outra pessoa, junto com o desejo de ter isso para si" (KASCHEL &
ZIMMER, 2006, p. 90). Todas essas coisas envolvem a cobiça, e a Palavra de Deus
afirma com todas as letras que a cobiça é pecado (Rm 7.7).
A vontade de Deus expressa
nesse último mandamento do Decálogo é que haja pleno contentamento com aquilo
que temos e com a nossa condição: "Contentai-vos com o vosso soldo"
(Lc 3.14), ensino de João Batista para os militares. "Mas é grande ganho a
piedade com contentamento" (1 Tm 6.6). Quem tem Jesus não está obcecado
pelas riquezas materiais, pois tem em seu interior algo muito mais valioso que
os tesouros do mundo. A NTLH traduz esse versículo da seguinte forma: "É
claro que a religião é uma fonte de muita riqueza, mas só para a pessoa que se
contenta com o que tem". A Bíblia nos exorta ainda: "contentando-vos
com o que tendes" (Hb 13.5). Há aqui certo paralelo com Filipenses 4.11.
Mas convém ressaltar que todas essas exortações não são uma apologia à pobreza
nem uma defesa do status quo econômico; é uma recomendação para que nossos
desejos não venham desagradara Deus nem, causar danos ao nosso próximo (Rm
12.15).
A conduta do cristão deve ser
a de se alegrar com que os se alegram e chorar com os que choram (Rm 12.15).
Ninguém deve ser dominado pela inveja (G1 5.26; Tg 4.14-16) nem alimentar o
sentimento de tristeza pelo sucesso alheio (Ne 2.10; 51112.9, 10). Glorifique a
Deus pelas bênçãos e pelo sucesso do seu irmão, e você será abençoado também, a
seu tempo (Ec 3.1-8).
OS DEZ MANDAMENTOS, Valores Imutáveis, Para Uma
Sociedade, Em Constante Mudança
Esequias soares
CAPÍTULO
10
O DÉCIMO MANDAMENTO
"Não cobiçarás a casa do teu próximo, não
cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu
boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma do teu próximo" (Êx 20:17).
Agora vamos ler Hebreus 13:5:
"Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes;
porque Ele diz: não te deixarei, nem te desampararei". O décimo mandamento
foi o que matou o apóstolo Paulo. Ele parecia ser capaz de atender aos outros
nove, mas reconheceu: "eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu
não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás... Mas o
pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou"
(Rm 7:7-11). Paulo descobriu o que todos nós descobrimos: que cobiçar é tão
natural quanto respirar. Porém a verdade revelada do cristianismo condena a
cobiça não menos severamente do que o fez a lei de Moisés.
Quantas tragédias funestas
temos visto entre os santos de Deus, que sacrificaram tudo para prosperar neste
mundo! A cobiça é egoísmo. "Contentando-vos com o que tendes". Isto,
obviamente, não quer dizer que se você está vivendo hoje em pobreza terá que
viver sempre nela; não, não se trata disso. O significado desta exortação é que
deveríamos nos sujeitar às nossas circunstâncias, e estarmos contentes nelas
até ao tempo quando aprouver a Deus alterá-las. Em outras palavras, não fique o
tempo todo a se lamentar porque as coisas não estão como você gostaria que
fossem. Não viva gemendo e se queixando; esteja contente. E se aprouver a Deus
melhorar suas circunstâncias atuais, dê-Lhe graças por isso.
"Mas é grande ganho a
piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é
que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos,
estejamos com isto contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação e em
laço, e em muitas concupiscências loucas e
nocivas, que submergem os
homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a
espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a
si mesmos com muitas dores. Mas tu, oh homem de Deus, foge destas coisas"
(1 Tm 6:6-11).
Quão verídica é a Palavra de
Deus! Acaso não temos visto todas estas afirmações das Escrituras confirmadas
na vida dos santos? Às vezes nossos jovens acham que devem buscar alcançar o
nível de vida que vêem nos outros. O resultado disso é a cobiça de uma coisa
após outra. A verdade é que o fato de vivermos na época mais próspera que o
mundo jamais conheceu tem contribuído para acelerar o desejo de querermos
sempre mais. Quanto mais tivermos, mais vamos querer ter. Não há limite. Mas,
quão diferente é o Espírito de Cristo! O de dar, e não o de conseguir. Assim
nos ensinou: "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (At
20:35).
Porém não estou dizendo que
devemos dar tudo o que temos. Houve apenas um homem, que é mencionado na
Bíblia, a quem o Senhor deu esse conselho - o jovem rico de Lucas 18. E disse
isso para que ele se desse conta do câncer que lhe corroía a própria alma - a
cobiça. Não, irmão, as possessões terrenais não constituem o segredo da
felicidade. A felicidade é um estado de espírito. É o desfrutar da Pessoa e
Obra de Cristo que conserva o coração em descanso e paz. Tenho encontrado
pessoas, santos de Deus, que nada possuem das coisas deste mundo, e ainda assim
irradiam felicidade. Eles têm Cristo.
Em resumo, no cristianismo
não estamos sob a lei, porém sob a graça. Não estamos sob a letra dos dez
mandamentos. Estamos sob o seu equivalente moral ensinado nas epístolas, exceto
no caso do único mandamento que era cerimonial, ou seja, o shabbat. Não existe
nada que tenha o seu equivalente no cristianismo. Os outros nove mandamentos -
quanto ao seu conteúdo moral - nós os temos, porém não da forma de "fareis"
e "não fareis", porém como a expressão da nova natureza que temos,
como nascidos de Deus. Jamais nos lamentaremos se assim os respeitarmos. Será
para nosso bem agora e por toda a eternidade. A justiça da lei será
cumprida em nós (Rm 8:4).
Assim o fruto do Espírito será produzido em amor para com Deus e para com todos
que são nascidos de Deus. "O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o
cumprimento da lei é o amor" (Rm 13:10).
OS DEZ MANDAMENTOS
- C. H. BROWN
O
DÉCIMO MANDAMENTO: DESEJO ILEGAL . - Verso 21
Esse
mandamento nos proíbe ferir o nosso próximo em pensamento. Nenhum olho humano
pode ver o coração da cobiça; isso é testemunhado apenas por aquele que o
possui, e por Ele para quem todas as coisas estão nuas e patentes (DEUS). Mas é
a raiz de quase todos os pecados contra o nosso próximo em palavra ou em ação.
(Tiago 1:14, 15). O homem que é aceitável diante de DEUS, andando retamente,
não caluniando com sua língua, nem faz mal ao seu próximo, é aquele que
"fala a verdade no seu coração . "(Sl 15:02, 3) -.Sp. Com .
I.
A maneira em que este mandamento é violado. Por esse descontentamento com a
sorte na vida é que alguém é levado a se preocupar e se rebelar contra a
providência de DEUS. "Nem murmreis como alguns deles murmuraram." (1
Coríntios. 10:10). Ao ceder desejos ilícitos para coisas que pertencem ao nosso
próximo. Desejo excessivo pelas riquezas e bens de outra pessoa é marcado por
este mandamento como pecado. "Acautelai-vos da avareza."
II.
O espírito que leva à violação deste mandamento. "Não cobiçarás."As
palavras indicam a intensa espiritualidade e santidade da lei. (Tg 1:15) olha
para o pecado como um ato exterior. São Paulo olha para ela em sua fonte e
estágios iniciais. É no coração que brotam os maus pensamentos dos quais brotam
as ações. O pensamento e o desejo podem levar à execução do mal. Concupiscência
(desejo) mal é a raiz de todo o pecado, especialmente dos crimes que os homens
cometem contra seus semelhantes (Mateus 15:19, Marcos 7:21). Eva e Adão
"viu, cobiçado, e tomou". Cobiça instigou Judas para trair o
Salvador, e induziu Ananias e Safira para "tentar o ESPÍRITO SANTO".
"Sem a lei eu não teria conhecido o pecado (clara e completamente como
habitação e princípio virulento), porque eu não conheceria a concupiscência
(desejo irregular e sem governo), se a lei (Mosaica) não houvesse dito: Não
cobiçarás" (Rm 7:7).
III.
O método de corrigir esse espírito. Hipócrates aconselhou uma consulta a todos
os médicos em todo o mundo para a cura de cobiça. O que eles não podiam
descobrir a Bíblia prescreve.
1.
Formar uma estimativa direta de mudança para o bem. A cobiça nunca se
satisfaz. "Salomão tinha colocado todas as criaturas em uma réplica
singular", diz Watson, e descobriu sua essência, e eis que 'tudo era
vaidade" (Ec. 2:11).
2.
2.
estar satisfeito com o que possui. Não ser infeliz porque menos do que outros.
Quanto mais temos, maior será a nossa conta no último dia. Vamos acreditar que
possuímos o melhor que DEUS nos deu. Contentamento, diz Sócrates, "é a
riqueza da natureza." "Eu tenho o suficiente", gritou Jacó (Gn
33:11). "
11 Não
digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que
tenho. 12 Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a
maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter
fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.13 Posso todas as
coisas em Cristo que me fortalece. (Filipenses 4:11-13).
3.
Ore pela graça divina enviada para ajudar . Isso por si só pode subjugar a
luxúria. Pela fé em DEUS sabemos que ELE alimenta os pássaros e veste os
lírios. A fé é o remédio para o cuidado e a cobiça. Ele vence o mundo, purifica
o coração, e faz parte de DEUS (Sl 16:05). Peça ao ESPÍRITO SANTO para fazer
você desejar as coisas celestiais e corrigir seus pensamentos sobre CRISTO e as
coisas de acima. "Procurai com zelo os melhores dons."
Os
desejos do coração; as atuações mais sutis da mente, bem como as ações visíveis
da vida estão aqui escondidas. Este mandamento nos traz sob o olhar de um
governante onisciente, sob a autoridade de um governo espiritual. Ensina-nos
que os nossos pensamentos e desejos são minuciosamente inspecionados. Ele nos
persegue aos nossos sigilos e perfura o véu das aparências externas, e abre as dobraduras
de auto-ilusão. Ele examina nossas almas, e nos faz sentir a onipresença da
Divindade. Ele faz com que as sanções da Sua lei sejam exercidas diretamente
sobre a nossa consciência presente; liga os momentos de nossa existência ao
último julgamento, e derrama para as câmaras mais íntimos do espírito à luz de
um mundo futuro. "Eu não teria conhecido o pecado, se a lei não
dissesse,"Não cobiçarás".
A
importância deste mandamento é que lança bases justas e consistentes do ponto
de vista das doutrinas do evangelho. É só por não considerar importante os
mandamentos que um homem pode resistir ou perverter o significado do evangelho.
Como pode um homem, por exemplo, de forma consistente negar a depravação total
da raça humana, sem antes destruir o rigor intransigente da lei divina,
trovejando suas maldições sobre até mesmo um desejo irregular? Como pode um
homem convencer-se de que não é o seu dever acreditar no nome de JESUS CRISTO
para a salvação, sem primeiro convencer-se de que não é o seu dever amar a DEUS
com todo o coração e ao próximo como a si mesmo e isso é um assunto de governo
moral de DEUS? Quantas vezes nos discursos públicos de JESUS, e em diálogos
privados, com várias classes de pessoas em torno dele, é que vamos ver a sua
ansiedade para produzir uma impressão de santidade e rigor dos mandamentos,
evidentemente, com a finalidade de silenciar seus opositores e preparar os que
cressem para "receber o reino de DEUS?" Com o mesmo espírito os
apóstolos pregaram e escreveram. É a consciência de seu pecado que leva o homem
a contar com a perfeita obediência a CRISTO. Aqui nós não temos simplesmente,
uma exposição de misericórdia, mas de "misericórdia e verdade"
congregar não apenas o triunfo da graça, mas de "graça reinando pela
justiça, para a vida eterna. "DEUS nos deu JESUS não só como propiciação,
mediante a fé no seu sangue, para a remissão dos pecados ", mas
também," para demonstrar a sua justiça, que ele poderia ser suficiente
justificador daquele que tem fé em JESUS "-. Dr. Stowel
REV. JAMES
Wolfendale. Homilética completa do Pregador. Comentário No
Livro De Moisés Chamado Quinta. Deuteronômio. FUNK & WAGNALLS COMPANY.
Rm
7.7 «...pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não
cobiçarás...» (Ver os trechos de Êxo. 20:17 e Deut. 5:21). O apóstolo Paulo
mostra-nos, inicialmente, os efeitos negativos da lei mosaica nesse conflito,
demonstrando ainda mais profundamente o seu argumento que a lei não nos pode
ajudar nessa luta, e nem pode propiciar-nos a vitória; e chega mesmo a
demonstrar que essa vitória só pode ser obtida em CRISTO, através do ESPÍRITO
SANTO. E como ilustração, ele escolheu o décimo mandamento da lei mosaica, «...cobiçarás...»,
neste caso, é a simples proibição do desejo que leva à cobiça, ou seja, o
desejo de possuir aquilo que é proibido, sem importar se se trata da casa do
próximo, de suas terras, de suas possessões ou de sua esposa. Em outras
palavras, se não houvesse nenhum mandamento da lei, descrevendo o mal desse
tipo de desejo, o pecado da cobiça não seria reconhecido. É verdade que a
própria consciência nos diria alguma coisa a respeito, conforme também Paulo dá
a entender no primeiro capítulo desta sua epístola; mas esse conhecimento
através da consciência, é fraco, em comparação com aquele que nos é revelado
por meio da lei. Assim, a cobiça, «como pecado», vem a ser plenamente
reconhecida através da lei, embora a experiência humana comum possa perceber algo
de sua verdadeira natureza. E que a lei tem por resultado levar o homem a
defrontar-se com a realidade do pecado, de um modo que não poderia ele fazer
doutro modo. Assim é que a lei ensina que o mero «desejo» de possuirmos aquilo
que nos é proibido já é um pecado, quanto mais a tentativa franca de posse ou a
posse mesma do objeto desejado? Quem, pois, pode estar livre do pecado, até
mesmo desse pecado em particular? Paulo, pois, exorta aqui aos seus leitores,
que «ouçam a lei falar».
CHAMPLIN,
Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por
versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 688.
Rm
7.7 Se a lei não é pecado (7.7) nem provoca a morte (7.13), qual é seu papel?
Qual é seu ministério? Qual é seu propósito? Paulo oferece três respostas:
O
propósito da lei é revelar o pecado (7.7). O pleno conhecimento do pecado vem
pela lei (3.20). A lei é um espelho que revela o ser interior e mostra como
somos imundos (Tg 1.22-25). E como um prumo que mostra a sinuosidade da nossa
vida. E como um raio-X que diagnostica os tumores infectos da nossa alma. A lei
detecta as coisas ocultas na escuridão e as arrasta à luz do dia. É a lei que
destampa o fosso do nosso coração e traz à tona a malignidade do nosso pecado.
Digno
de nota é o fato de Paulo mencionar o décimo mandamento do decálogo como aquele
que o tornou cônscio do seu pecado e abriu seus olhos para a própria
devassidão: “Não cobiçarás” (7.7) Os nove primeiros mandamentos da lei são
objetivos: “Nao terás outros deuses diante de mim”; “Não farás para ti imagem
de escultura”; “Não tomarás o nome do Senhor teu DEUS em vão”; “Lembra-te do
dia do sábado para o santificar”; “Honra a teu pai e a tua mãe”; “Não matarás”;
“Não adulterarás”; “Não furtarás”; “Não dirás falso testemunho”. Todos esses
mandamentos são objetivos, e qualquer tribunal da terra pode legislar sobre
eles, fiscalizá-los e condená-los. Mas o décimo mandamento (“Não cobiçarás”) é
subjetivo, pertence à jurisdição do foro íntimo, e nenhum tribunal da terra tem
competência para julgar foro íntimo. A lei de DEUS, porém, penetra como uma
câmara de raio-X e faz uma leitura dos propósitos mais secretos do nosso
coração, trazendo à luz seus desejos pervertidos.
William
Greathouse escreve oportunamente: “A lei não é um simples reagente pelo qual se
pode detectar a presença do pecado; é também um catalisador que ajuda e até
mesmo inicia a ação do pecado sobre o homem. A lei insufla o desejo ilícito”. A
cobiça, do grego epithymia, é algo que se expressa internamente — é um desejo,
um impulso, uma concupiscência.
Na
verdade, inclui todo tipo de desejo ilícito, sendo em si mesma uma forma de
idolatria, uma vez que põe o objeto do desejo no lugar de DEUS. Segundo F. F.
Bruce, epithymia pode ser tanto um desejo ilícito como um desejo lícito em si,
mas de tão egocêntrica intensidade que usurpa o lugar que somente DEUS deve
ocupar na alma humana.
LOPES.
Hernandes Dias. ROMANOS O Evangelho segundo Paulo. Editora
Hagnos. pag. 264-265.
3.
O
PECADO DE ACABE E JEZABEL.
I
Reis 21.9 Apregoai um jejum, e trazei a Nabote para a frente do povo. Nabote
deveria ser zombeteiramente exaltado e louvado. Ele era um homem bom, e o
público reconheceria isso. Muitas pessoas estariam presentes para honrá-lo, mas
ao lado dele haveria dois patifes que, de repente, acusariam o bom homem de
blasfêmia contra o rei e contra Elohim (o DEUS de Israel, ou, talvez os
deuses, conforme a palavra hebraica pode ser traduzida). Seja como for, a
acusação, nunca ouvida nem provada em tribunal, resultaria em sua execução (vs.
13). Bastava que duas testemunhas testificassem contra uma pessoa para que as
acusações tomassem um aspecto legal. Os dois patifes “cumpriram” a exigência
legal. Ver Deu. 17.6,7. Quanto a uma interpretação alternativa, ver a seguir.
O
texto hebraico original aceita outra interpretação. Em lugar da idéia de
exaltação, a colocação de Nabote à frente do povo pode significar “seja
submetido a julgamento”. Mas, quer ele fosse exaltado, quer fosse submetido a
julgamento, o pobre Nabote seria atraiçoado e executado por crimes que não
tinha cometido. Disse John Gill (in loc.): “...trazei-o ao tribunal e julgai-o.
Talvez em seus tribunais de juizo houvesse lugares mais elevados, acima da
cabeça das pessoas, onde os criminosos acusados costumavam pôr-se de pé, quando
estavam sendo julgados, a fim de que pudessem ser vistos e ouvidos por todos”.
Um
jejum. Jezabel fingiu que Israel estava enfrentando os pecados de Nabote.
Jejuns eram decretados em tempos de emergência nacional. Yahweh estaria prestes
a punir um povo desviado. Era necessário um arrependimento em massa, e pecados
secretos tinham de vir à luz. Algumas poucas execuções avivariam tais questões,
e isso aliviaria a ira divina. O jejum alegadamente prepararia o povo para
aproximar-se da deidade. A presença divina revelaria por que o país enfrentava
o perigo. Um jejum de sete dias era comum nos sepultamentos, em lamentação
pelos mortos (ver I Sam. 31.13), de modo que um jejum era com freqüência
associado à morte, e quase sempre ao pecado. Nas religiões modernas,
essa não é a razão principal para que haja jejum.
I
Reis 21.10 Dois homens malignos. Nossa versão portuguesa provavelmente
mostra-se correta ao fazer do nome Belial um adjetivo que significa “homens
malignos”. Esta nova versão portuguesa concorda com a Revised Standard Version.
Somente mais tarde a palavra hebraica veio a significar um nome para Satanás,
visto que essa doutrina só se desenvolveu no judaísmo posterior. Eram
essenciais duas testemunhas, de acordo com a lei antiga (ver Deu. 17.6; 19.15;
Núm. 35.30; Mat. 26.60). Isso deixava a questão aberta para a injustiça,
porquanto não seria difícil conseguir duas “testemunhas” que concordassem em
levantar uma acusação qualquer contra alguém inocente. É admirável que o
testemunho tenha sido aceito, e não tenha havido nenhum julgamento como estamos
acostumados a ver hoje em dia.
"...
eles eram uns coitados inúteis, que tinham lançado fora o jugo da lei, visto
que belial significa criaturas abandonadas e sem lei, que não têm consciência
de coisa alguma” (John Gill, in loc.).
Blasfêmia.
Falar coisas pesadas e perversas contra DEUS e o rei, esse foi o alegado
“crime” de Nabote. Entrementes, a abominável e idólatra Jezabel saiu livre de
qualquer punição, embora ela fosse um caso público e escandaloso de alguém que
deveria ser executado de acordo com os padrões da legislação mosaica. Esse era
um crime passível de execução e uma violação direta do segundo mandamento (Êxo.
20.4). Ver Deu. 17.2-5 quanto à pena de morte (por apedrejamento), que era o
castigo contra esse crime.
A
blasfêmia era punida com o apedrejamento, conforme aprendemos em Lev. 24.16 e
Deu. 13.9,10. A palavra hebraica aqui usada e traduzida como “blasfêmia”
usualmente significa “abençoar”, mas em um uso eufemístico significa também
“amaldiçoar”.
CHAMPLIN, Russell
Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 1450-1451.
O
plano de Jezabel (21.5-16). A consciência de Jezabel, de Tiro, não tinha sido
desenvolvida pelas tradições israelitas e pelo respeito aos direitos alheios.
Como Acabe não se apossou imediatamente da vinha de Nabote, uma coisa que
dificilmente seria capaz de entender (7), ela continuou com seu plano
diabólico. Os filhos de Belial (10) seriam homens desonestos. Nunca foi exposta
a falsa acusação de blasfêmia levantada contra Nabote perante a assembleia dos
anciãos e dos nobres. Este sincero israelita foi apedrejado de acordo com a lei
(13; cf. Lv 24.13-16), sob o testemunho de duas pessoas que teriam presenciado
a suposta ofensa (cf. Dt 17.6,7). Com a eliminação de Nabote, Acabe tomou posse
da vinha (15-16) que, sem dúvida, havia perdido grande parte de seus antigos
atrativos.
Harvey E. Finley. Comentário
Bíblico Beacon I e II Reis. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 338-339.
Para
satisfazê-lo, ela planeja e maquina a morte de Nabote. Não menos do que o seu
sangue servirá para reparar a afronta que fizera a Acabe, o qual deseja com
mais avidez por causa da sua adesão à lei DEUS de Israel.
1.
Tivesse ela desejado apenas suas terras, suas falsas testemunhas podiam ter
jurado falsamente por meio de um fato forjado (ela não podia ter emitido um
documento tão fraco, mas os anciãos de Jezreel teriam julgado que ele era muito
bom); mas a adúltera anda à caça de preciosa vida. (Pv 6.26). A vingança é
doce. Nabote deve morrer, e morrer como um malfeitor, para satisfazê-la. (1)
Nunca ordens mais perversas do que aquelas que Jezabel enviou aos magistrados
de Jezreel foram enviadas por qualquer príncipe (w. 8-10). Resumindo, ela os
ordena, com a submissão deles, que condenem Nabote à morte sem lhes dar
qualquer motivo para fazerem isso.Tivesse ela enviado testemunhas para
denunciá-lo, os juízes (que devem proceder secundum allegata et probata — de
acordo com as alegações e provas poderiam ter sido enganados, e a sua sentença podia
ter sido mais infeliz do que seu crime; mas obrigá-los a encontrarem
testemunhas, filhos de Belial, para eles mesmos suborná-las, e depois darem o
veredicto sobre um testemunho que eles sabiam ser falso, era uma provocação sem
vergonha a tudo o que era justo e sagrado, como não esperamos que possa ter
paralelo em qualquer história.
Ela
devia ter considerado os anciãos de Jezreel como homens perfeitamente perdidos
em relação a qualquer coisa que é honesta e honrável ao esperar que essas
ordens fossem obedecidas. Mas ela lhes ensinará um jeito de fazer isso, tendo
tanto da sutileza da serpente como tinha do seu veneno. [1] Isso devia ser
feito sob as aparências da religião: “apregoai um jejum; indicai a vossa cidade
que estais apreensivos acerca de um terrível julgamento que é iminente sobre
vós, ao qual deveis vos esforçar em evitar, não apenas pela oração, mas
descobrindo e excluindo a coisa amaldiçoada; fingi estardes temerosos de haver
escondido entre vós um grande infrator, por cuja causa DEUS está irado com a
vossa cidade; encarregai o povo, se ele souber de algo assim, de denunciá-lo
naquela ocasião solene, quando o povo estiver preocupado com o bem-estar da
cidade; e finalmente, que Nabote seja preso como o suspeito, provavelmente
porque ele não se junta aos seus vizinhos na adoração. Isso poderá servir de
pretexto para que ele seja posto acima do povo, sendo convocado à corte. Fazei
proclamação que, se alguém puder acusá-lo diante da corte, e provar que ele
seja o Acã, deve ser ouvido; e então deixai que as testemunhas apareçam para
testemunharem contra ele”.
Note: Não existe perversidade tão desprezível, tão
horrenda, para a qual algumas vezes a religião não tenha sido feita de
manto e cobertura para ela. De qualquer modo, não devemos pensar o pior do
jejum e da oração por eles terem sido usados às vezes de forma abusiva como
aqui; porém, devemos pensar muito pior daqueles planos perversos que, em
qualquer tempo, têm sido levados a efeito sob o abrigo deles. [2] Isso também
deve ser feito sob a aparência da justiça e nas formalidades de um processo
legal. Tivesse ela enviado a eles para alugar alguns de seus bandidos, alguns
rufiões perigosos, para assassiná-lo, para golpeá-lo quando estivesse andando
pelas ruas à noite, o feito teria sido mau o suficiente; mas destruí-lo através
da lei, usando para assassinar ao inocente aquele poder que devia protegê-lo,
foi tanto uma perversão violenta da justiça e do julgamento quanto algo
verdadeiramente monstruoso, e ainda somos orientados a não nos maravilharmos
com isso (Ec 5.8). O crime de que deviam acusá-lo era o de haver blasfemado
contra DEUS e contra o rei
— uma blasfêmia confusa. Com certeza ela não podia
pensar em um sentido de blasfêmia na resposta que ele tinha dado a Acabe, como
se lhe negar a sua vinha fosse blasfemar do rei, e dar razão à lei divina fosse
blasfemar de DEUS. Não, ela não finge ter nenhum fundamento para a acusação.
Embora não houvesse nenhuma plausibilidade nisso, as testemunhas deveriam
jurar, e a Nabote não se devia permitir que se defendesse, ou examinasse as
testemunhas, mas, imediatamente, sob o pretexto de um ódio universal ao crime,
eles deviam levá-lo para fora da cidade e apedrejá-lo. Por haver blasfemado de
DEUS ele teria o confisco da sua vida, mas não a de sua propriedade, e por isso
ele também foi acusado de traição ao blasfemar do rei, por cujo ato sua
propriedade devia ser confiscada, de maneira que Acabe pudesse ter a vinha que
lhe pertencera.
HENRY. Matthew. Comentário
Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag.
533-534.
4. O CASAL NÃO CONTAVA COM UMA TESTEMUNHA VERDADEIRA.
I
Reis 21.15 As boas novas foram comunicadas a Acabe. Agora ele tinha um
brinquedo com o qual brincar, a saber, a vinha de Nabote. Não fora Acabe quem
inventara o plano para assassinar Nabote, mas ele estava ansioso por tirar
vantagem dos resultados desse plano, e assim tornou-se cúmplice de sua mulher,
Jezabel. O infantil e velho rei levantou-se de seu “leito de enfermidade” e
imediatamente foi até o terreno de Nabote para preparar ali um jardim (ou
horta) (vs. 2).
II
Reis 9.26 mostra-nos que os filhos de Nabote também foram executados, e isso só serviu para
complicar a questão inteira, a saber, acarretando a morte violenta de Jezabel e
Acabe. O dia do castigo deles estava próximo.
II
Reis 9.26 Certamente
vi ontem o sangue de Nabote e o sangue de seus filhos, diz o Senhor; e neste
mesmo campo te retribuirei, diz o Senhor. Agora, pois, levanta-o, e lança-o
neste campo, conforme a palavra do Senhor.
I
Reis 21.16 Josefo (Antiq. VIII.13.8) diz-nos que “Acabe alegrou-se diante do
que tinha sido feito e levantou-se imediatamente do leito onde tinha jazido”.
Acabe tinha menos força de vontade e má imaginação que Jezabel, mas era,
igualmente, constituído de consciência. A Septuaginta, por outra parte, pinta
Acabe como entristecido pela execução, mencionando que ele “rasgou suas roupas
e vestiu-se de cilício". É possível que essas vestes rasgadas impliquem a
verdade dos fatos, e que o texto massorético removeu essa porção, pensando
exaltar demais ao ímpio Acabe. Até o cruel Acabe poderia ter ficado
temporariamente chocado por causa daquele assassinato. Mesmo sua mente
embrutecida poderia ter compreendido, naquele momento, a grande injustiça que fora
cometida.
Jezreel
ficava a cerca de vinte e seis quilômetros de Samaria, de modo que Acabe fez
uma pequena viagem para dar outra olhada em “suas terras”, que se tornariam o
“seu jardim ou horta” para embelezar sua residência de verão. John Gill (in loc.)
imaginou que ele tenha ido até lá em meio a grande pompa e glória, sendo
acompanhado por altos oficiais para celebrar a feliz ocasião.
A
Intervenção e a Retaliação de Elias (21.17-29)
Acabe
e Jezabel tinham semeado o vento e logo colheriam o tufão (ver Osé. 8.7). O
sangue de Nabote e de seus filhos (ver a história anterior) seria vingado.
“A
dinastia de Onri, pai de Acabe, seria desmantelada, tal como aconteceu à
família de Nabote, e pelas mesmas razões. Nenhuma dessas linhagens reais fora
fiel aos ideais deuteronômicos" (Norman H. Snaith, in loc.). “Novamente,
DEUS escolheu Elias para levar uma mensagem de julgamento a Acabe, que estava,
naquele momento, na vinha de Nabote. DEUS transmitiu a Elias o que ele deveria
dizer (vs. 19)” (Thomas L. Constable). A abominável e ímpia Jezabel tinha
cometido o duplo crime de assassinato e confisco ilegal de uma herança
familiar. Acabe foi o cúmplice declarado desses crimes e sofreria sorte
igualmente horrível.
I
Reis 21.17,18 A palavra do Senhor (Yahweh) veio novamente a Elias. Ele teve uma
visão, um sonho incomum, ouviu uma voz direta ou, de outra maneira qualquer,
esteve em comunicação com o Ser Divino. Cf. I Reis 18.1, a primeira ocasião em
que a palavra do Senhor veio a Elias, ordenando-lhe proferir julgamento contra
Acabe.
A
localização de Acabe foi dada a Elias. Naquele exato instante, Acabe estava
tomando posse da vinha de Nabote, que ele tinha obtido através de assassinato.
Elias haveria de “apanhá-lo com a mão na botija”, porquanto estaria tomando
posse ilegal de uma herança de família. O versículo à nossa frente parece
indicar a localização da vinha em Samaria, mas Nabote era de Jezreel, e podemos
supor que sua vinha estivesse ali. Acabe tinha uma residência de verão naquele
lugar. É possível que a declaração feita pelo autor, neste versículo, tenha
sido um equívoco. Acabe tinha palácios em dois lugares, porém o mais provável é
que a vinha ficasse perto de Jezreel e a herança da família de Nabote também
estivesse nessa última cidade.
Elias
desceu no dia seguinte após as matanças (ver II Reis 9.26).
I
Reis 21.19 A mensagem a ser transmitida foi direta e brutal. Acabe era um homem
morto. Além disso, morreria em desgraça. No próprio lugar onde os cães tinham
vindo lamber o sangue de Nabote, também lamberiam o sangue de Acabe, e dessa
forma a Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura teria exato cumprimento. Essa
foi a Lex Talionis divina, isto é, uma punição em termos iguais, como olho por
olho e dente por dente.
A
profecia não se cumpriu em termos exatos, mas, sim, quanto à sua essência,
conforme salientou John Gill (in loc.): “... a profecia teve cumprimento em
seus filhos, que eram sua carne e seu sangue (ver II Reis 9.26), porquanto o
castigo foi adiado em seus dias e transferido para os seus filhos (ver o vs.
29). Os cães, entretanto, lamberam-lhe o sangue, embora não no mesmo local (ver
I Reis 22.8)”. O arrependimento de Acabe alterou, até certo ponto, o
cumprimento final da profecia, conforme vemos no vs. 29.
“É
inútil procurarmos um cumprimento literal dessa predição. Esta teria sido assim
cumprida, mas a humilhação de Acabe induziu um DEUS misericordioso a dizer:
'Não trarei este mal nos seus dias, mas nos dias de seu filho o trarei sobre a
sua casa’ (vs. 29)” (Adam Clarke, in loc.). Os cães lamberam o sangue de Nabote
em Jezreel, e o de Acabe perto de Samaria.
“Quando
os cães lambiam o sangue de alguém, isso indicava uma morte desgraçada,
especialmente no caso de um rei, cujo corpo normalmente seria guardado e
sepultado com grande respeito” (Thomas L. Constable, in loc.).
CHAMPLIN, Russell
Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 1451-1452.
A
mensagem com a qual Elias foi enviado a Acabe, quando foi tomar posse da vinha
de Nabote (w. 17-19).
1.
Até aqui DEUS se manteve em silêncio, não interferiu na correspondência de
Jezabel, nem suspendeu o processo dos anciãos de Jezreel; mas agora Acabe é
reprovado e o seu pecado é posto diante de seus olhos. (1) Elias é a pessoa
enviada. Um profeta de posição inferior tinha sido enviado a ele com mensagens
de bondade (20.13). Mas o pai dos profetas é enviado para afligi-lo e
condená-lo por seu assassinato. (2) O lugar é a vinha de Nabote e o
tempo, justamente quando Acabe está tomando posse dela; então, e ali, a sua
sentença deve ser lida para ele. Ao tomar posse, ele aprovava tudo o que fora
feito, e fez a si mesmo culpado ex post facto — como um cúmplice após o fato.
Ele foi pego por autorizar os erros, e por isso a condenação cairia sobre ele
com muito mais força. “O que tens tu para fazer nesta vinha? Que bem podes
esperar dela quando a adquiriste com sangue (Hb 2.12) e sufocaste a alma do seu
dono (Jó 31.39). Agora que ele está se alegrando com o seu bem adquirido
desonestamente, e dando orientações para mudar a vinha em um jardim de flores,
a sua comida se mudará nas suas entranhas. Porquanto não sentiu sossego. Haja,
porém, ainda de que encher o seu ventre, e DEUS mandam sobre ele o ardor da sua
ira (Jó 20.14,20,23).
2.
Vejamos o que se passou entre ele e o profeta.
(1)
Acabe desabafou sua ira contra Elias, encolerizou-se ao vê-lo, e, em vez de
humilhar-se diante do profeta, como devia ter feito (2 Cr 36.12), estava pronto
para voar em seu pescoço. Já me achaste, inimigo meu? (v. 20). Isso mostra: [1]
Que Acabe o odiava. A última vez em que os encontramos juntos separaram-se como
bons amigos (18.46). Na ocasião, Acabe tinha permitido a reforma e por isso,
tudo estava bem entre ele e o profeta; mas agora ele tinha reincidido e estava
pior que nunca. A sua consciência lhe dizia que havia feito de DEUS seu inimigo
e, por essa razão, ele não poderia esperar que Elias fosse seu amigo.
Note:
A condição do homem que fez da palavra de DEUS sua inimiga é muito miserável, e
a sua condição, quando considera os ministros daquela palavra seus inimigos
porque lhe dizem a verdade (G1 4.16), é muito desesperada. Tendo-se vendido ao
pecado, Acabe estava resolvido a manter o negócio e não podia tolerar aquele
que o teria ajudado a se recuperar. [2] Que Acabe o temia: Já me achaste?
Insinuando que ele o evitava o quanto podia, e que agora era um terror para ele
ter de vê-lo. Ver o profeta era, para Acabe, como a visão da mão escrevendo
sobre a parede para Belsazar; então se mudou o semblante do rei, e os seus
pensamentos o turbaram. As juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus
joelhos bateram um no outro. Nunca houve um pobre devedor ou criminoso tão confuso
diante do oficial que veio para prendê-lo. Os homens podem se culpar se fazem
de DEUS e da sua palavra um terror para si.
(2)
Elias pronunciou a ira de DEUS contra Acabe: Achei-te (diz ele no v. 20),
porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau. Note: Aqueles que se
entregam ao pecado certamente serão descobertos, cedo ou tarde, para o seu
horror e assombro. Agora, Acabe está no lugar do réu, como esteve Nabote, e
treme mais do que Nabote tremeu. [1] Elias declara a sua acusação contra ele e
o condena pelas evidências notórias do fato (v. 19): Não mataste e tomaste a
herança? Assim ele foi responsabilizado pelo assassinato de Nabote, e não lhe
adiantaria dizer que a lei o havia matado (a justiça pervertida é a maior das
injustiças), nem que, se ele foi processado injustamente, não era sua culpa —
que ele não sabia nada disso; pois tudo foi feito para agradá-lo e ele se
mostrou feliz com isso e, dessa forma se fez culpado por tudo que tinha
ocorrido na condenação injusta de Nabote. Ele matou, pois ele tomou posse. Se
ele toma a vinha, leva a culpa junto com ele. Terra transit cum onere — a terra
com o encargo.
[2]
Elias dá a sentença sobre ele. Ele lhe fala da parte de DEUS que a sua família
será arruinada e arrancada (v. 21) e cortada toda a sua posteridade — que seria
feito à sua casa como às de seus predecessores pervertidos, Jeroboão e Baasa
(v. 24), particularmente, que aqueles que morressem na cidade seriam alimento
para os cães e aqueles que morressem no campo, para os pássaros (v. 24); o que tinha
sido predito a respeito da casa de Jeroboão (14.11) e da casa de Baasa (16.4) —
que Jezabel, particularmente, seria devorada pelos cães (v. 23); o que se
cumpriu (2 Rs 9.86) — e, para o próprio Acabe, que os cães lamberiam o seu
sangue no mesmo lugar onde lamberam o de Nabote (v. 19 — “o teu sangue, o teu
mesmo, embora seja sangue real, embora ele aumente em tuas veias com orgulho e
ferva em teu coração com ira, em breve será diversão para os cachorros”), o que
se cumpriu em 22.88. Isso implica que ele morreria de morte violenta, seria
trazido ao seu túmulo com sangue, e que a desgraça o visitaria, cuja previsão
deve necessariamente ser uma grande mortificação para um homem tão orgulhoso.
Aqui se insiste nas punições após a morte, as quais, embora afetassem apenas o
corpo, talvez fossem planejadas como figuras das misérias da alma depois da
morte.
HENRY. Matthew. Comentário
Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag.
534-535.
Os hebreus se saíram muito bem em sua primeira conquista na terra de Canaã. Eles destruíram Jericó no grito, e todos estavam compenetrados na missão Os 6). Entretanto, o povo não teve o mesmo êxito na segunda cidade, chamada Ai, por causa da cobiça de Acã Os 7.21). Quem viu e o denunciou foi o próprio Deus! O resultado foi que Acã e toda a sua família foram apedrejados e queimados no vale de Acor, para exemplo da congregação dos filhos de Israel.
Acã cobiçou, agiu e morreu Os 7.22-26).
REVISTA CENTRAL GOSPEL
O 8º, 9º e 10º mandamento - Série "A ética dos 10 mandamentos"
- Pastor Walter Brunelli
- Pastor Walter Brunelli





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