segunda-feira, 25 de maio de 2020

Lição 9 - O Respeito Pela Propriedade Alheia




TEXTO BÍBLICO BÁSICO

Êxodo 22.1-4, 6-9

 1-    Se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois; e pela ovelha, quatro ovelhas.
2 - Se o ladrão for achado a minar, e for ferido, e morrer, o que o feriu não se culpado do sangue.
3 - Se o sol houver saído sobre ele, será culpado do sangue. O ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto.
4 - Se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha, pagará o dobro.
6 - Se rebentar um fogo, e pegar aos espinhos, e abrasar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquele que acendeu o fogo pagará totalmente o queimado.
7 - Se alguém der prata ou objetos ao seu próximo a guadar e isso for furtado da casa daquele homem, se o ladrão se achar, pagará o dobro.
8 - Se o ladrão não se achar, então, o dono da casa será levado diante dos juízes, a ver se não meteu a sua mão na fazenda do seu próximo.
9- Sobre todo negócio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miúdo, sobre vós sobre toda coisa perdida, de que alguém disser que é sua, a causa de ambos virá perante os juízes; aquele a quem condenarem os juízes o paga em dobro ao seu próximo.
  
TEXTO ÁUREO

Não furtarás.
 Êxodo 20.15

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO

2ª feira - Efésios 4.25-32
Aquele que furtava não furte mais
3ª feira - Gênesis 2.15-17
 Deus instituiu o trabalho
4ª feira - Gênesis 31.17-21
Raquel furtou os ídolos que seu pai tinha
5ª feira - Deuteronômio 25.13-16
Pesos e medidas justos
6ª feira - Mateus 19.18
Jesus reconhece a autoridade do oitavo mandamento
Sábado - Marcos 7.14-23
 Do coração dos homens saem os furtos

OBJETIVOS

Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:

 • entender que Deus assegura a todos o direito de propriedade;
 • compreender que todo roubo é condenado por Deus, e não há roubo sem punição;
 • concluir que o roubo é impulsionado pela avareza do coração humano.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS

 Salas de aula com poucos alunos e, como consequência, professores desmotivados a ensinar: essa é uma cena que pode ser comum até nas igrejas evangélicas que se empenham em promover o ensino bíblico. Aumentar a assiduidade e conquistar novos alunos para a Escola Dominical costuma ser uma tarefa difícil para a liderança. A solução para esse problema pode ser encontrada em algumas estratégias de Marketing que serão capazes de contribuir para o crescimento da ED. A igreja não tem interesse comercial, porém seus membros lucrarão com o aprendizado das Escrituras, e, como resultado, vidas serão transformadas pela Palavra de Deus.

 Para iniciar uma campanha que visa a melhorias, é necessário, primeiro, que seja feito um planejamento pela equipe de coordenadores e professores, traçando metas em prol de alvos específicos que desejam alcançar. Identificar as necessidades e deficiências também é um passo importante para o desenvolvimento do ensino (Revista Educação Cristã Hoje, nº2. Central Gospel, 2012, p. 42,43).
Fique atento!
Deus o abençoe!


COMENTÁRIO

 Palavra introdutória

O termo hebraico ganab (Ex 20.15) significa "roubar, furtar, levar embora, levar furtivamente". Um dos objetivos do oitavo mandamento é o respeito pela propriedade privada e pelos bens alheios, ou seja, sua aplicação guarda a integridade das posses do próximo.

 O verdadeiro proprietário de tudo o que há no mundo é Deus (SI 24.1). O homem, criado por Deus, desenvolveu direitos de propriedade para administrar os bens na terra. A Bíblia defende isso, enquadrando os proprietários na condição de mordomos. As leis de Deus relativas à propriedade são minuciosas, e envolvem terras, animais, roupas, utilitários domésticos, filhos e esposas. Os pecados contra a propriedade preveem restituições com multas e até castigos severos.



1.     DIREITOS DE PROPRIEDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

 A noção de propriedade acompanha o ser humano desde o início da sua história. Ao colocar Adão no jardim do Éden, Deus o incumbiu de cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2.15). Com a Queda, o homem foi posto para fora dele. No transcorrer da História, os homens se apropriavam de terras e as cultivavam (Gn 26.12-35), faziam suas casas, fabricavam utensílios domésticos, ferramentas, armas e não permitiam a invasão nem mesmo a apropriação indébita do que lhes pertencia.

 Quando os hebreus chegaram a Canaã, depois de 40 anos peregrinando pelo deserto, estabeleceram-se em terras, conforme o croqui feito por Josué, para assentar as 12 tribos as 13-21). Os pedaços de terra, por sua vez, foram divididos pelas famílias, que tinham o dever de cultivar essas terras para produzir alimentos e de destinar uma parte delas para o pasto, a fim de alimentar o gado.

Outra vertente que pode ser explorada no mandamento de "não furtar" é o fato de a transgressão a esse mandamento envolver diretamente o semelhante, sua dignidade, seu bem-estar e sua liberdade. O furto é uma atitude egoísta, e Jesus ensinou que essa prática nasce, como toda transgressão, no corarão do homem (Mt 15.19).


           1.1. A dignidade em possuir

 Parte-se sempre do pressuposto de que os bens adquiridos são frutos de trabalho, resultado de heranças ou presentes de alguém. O homem tem o direito de desfrutar daquilo que lhe pertence e, quando é roubado, sua dignidade é ferida, sobretudo quando a propriedade é fruto de anos de trabalho árduo. A Bíblia garante que gozar do resultado do trabalho é uma dádiva divina (Ec 5.19).

              1.2. O direito à propriedade

 A lei que assegura o direito à propriedade é bem explícita em Êxodo 22.1-5. Ela fala do animal (v. 1-5), da plantação (v. 6), do roubo sobre objetos de valor, penhorados (v. 7,8) e de objetos emprestados que foram danificados (v. 14,15). Na propriedade, é assegurado o direito absoluto de posse, sendo estabelecido que cada indivíduo trabalhe para conseguir sua possessão de maneira honesta.

            1.3. O rebanho dos amalequitas fica com Saul

Saul perdeu a oportunidade única na história de exterminar completamente os amalequitas, antes, preservou o seu rei, Agague, e o seu rebanho (1 Sm 15.9). Os amalequitas foram, talvez, os piores inimigos dos hebreus em toda a histó-ria, e eram um povo muito cruel. Amaleque foi um obstáculo no caminho para Canaã (Êx 17.8).

Tanto o rei Saul como o povo de Deus tiraram proveito dos bens dos amalequitas. O povo se justificou dizendo que aque-le gado era para ser ofertado ao Senhor em Gilgal (v. 21). Por conta desse ato, o Senhor se mostrou arrependido de haver posto Saul como rei sobre a nação (v. 10,11).

           1.4. O roubo de Raquel, de Mica e de Acã

Raquel roubou os ídolos de seu pai (Gn 31.19). Mica rou-bou mil e cem moedas de prata de sua mãe (Jz 17.1,2). Quan-do os hebreus atacavam a cidade de Ai, Acã roubou uma capa babilônica. Como resultado, ele e sua família foram mortos (js 7.19-26).

             1.5. O roubo dos comerciantes

Os comerciantes são advertidos por Deus porque não usavam medida correta em suas balanças (Dt 25.12-16; Lv 19.35-37). Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer, como está registrado em Provérbios 11.1.


              1.6. O sequestro


Pessoas eram roubadas para servirem de escravas: E quem furtar algum homem e o vender, ou for achado na sua mão, certamente morrerá (Êx 21.16). Os irmãos de José o sequestraram, vendendo-o, em seguida, como escravo (Gn 37.26-28). 1.7. O roubo dos poderosos

Para alargar a área do seu palácio, o rei Acabe se propôs a comprar o terreno vizinho, por preço vantajoso. Era a vinha de Nabote, mas este se recusou a vender por se tratar de uma propriedade de família, de onde ele tirava o seu sustento (1 Rs 21.4). Vendo que não conseguia obter as terras de Nabote, Jezabel, esposa do rei, achou um jeito mais fácil de resolver o problema: mandou matar Nabote, sob a acusação de blasfê-mia contra Deus e contra o rei, e se apoderou da vinha (1 Rs 21.1-29). Sabendo disso, o profeta Elias vaticinou a morte de Acabe (1 Rs 21.17-20).

             1.8. O protesto dos profetas

 O profeta Jeremias condena aquele que se vale do ser-viço alheio sem pagar às pessoas o valor que lhes é devido (Jr 22.13). Esse texto fala não somente de maus patrões ou de pessoas que contratam algum serviço e não pagam por ele, mas o texto também pode ser aplicável aos que praticam qualquer tipo de falsificação, pirataria ou aquisição injusta. Os profetas de Israel viram essa situação em seu país e protestaram contra os ricos que oprimiam os pobres, e contra toda forma de cobiça e aquisição injusta (Am 5.12; Mq 2.1,2).

O profeta Malaquias admite a possibilidade de o homem rou-bar o próprio Deus (M13.8). Para se safarem da devolução dos dízimos, muitos tentam criar uma nova teologia, como insistir que a prática do dízimo é restrita ao Antigo Testamento, por exemplo. Estes, provavelmente, desconhecem que o dízimo é absolutamente vigente no Novo Testamento, e que quem o recebe é aquele de quem se testifica que vive (Hb 7.8).


2.     FURTOS NO NOVO TESTAMENTO

Não há muitos casos de furtos relatados no Novo Testamento, mas as poucas amostras que temos demonstram o mesmo tom de reprovação divina aos que os praticam.


               2.1. A figura do ladrão nos discursos de Jesus

Jesus foi crucificado entre dois ladrões, embora não merecesse estar ali (Mt 27.38). Durante o Seu ministério, o Mestre fez várias referências aos ladrões e salteadores, como, por exemplo, ao falar dos que não entram pela porta do aprisco (Jo 10.1). Ele ressaltou o perigo de uma casa ser roubada caso o pai de família não se previna, trancando a casa para que não seja assaltada (Lc 12.39).

Em outro contexto, Pedro diz que o dia do Senhor virá como ladrão (2 Pe 3.10). Jesus usou o termo ladrão para mostrar que Ele era o seu oposto (Jo 10.10). Em Apocalipse (16.15), referindo-se novamente à Sua vinda, o Senhor diz: Eis que venho como ladrão. A propensão para o furto é algo que nasce dentro do coração do homem, do mesmo modo que nascem outros pecados, como a prostituição, o homicídio, a blasfêmia e outros (Mc 7.21,22).

          2.2. A figura do ladrão nas histórias do Novo Testamento

Judas, um dos 12 discípulos de Jesus, não teve o mesmo destino que os demais apóstolos. Quando Jesus o chamou, ofereceu a ele as mesmas oportunidades que os demais, e, quando a Bíblia diz que Jesus amou os discípulos até o fim (Jo 13.1), isso incluía Judas.

Em um jantar em Betânia, enquanto o Senhor é adorado por uma mulher que quebra um vaso de alabastro e derrama unguento de nardo puro sobre os Seus pés — um produto caro —, Judas, hipocritamente, reclama dizendo que aquele valor poderia ser revertido em favor dos pobres. Judas era o tesoureiro do colégio apostólico e, enquanto fazia sua reivindicação de solidariedade aos pobres, roubava o dinheiro que era colocado na bolsa (Jo 12.6). Judas afundou-se na sua ganância, a ponto de vender Jesus por 30 moedas de prata. O seu fim foi o suicídio (Mt 27.5).

Este, infelizmente, acaba sendo o fim de todo aquele que ama o dinheiro. As Escrituras dizem que essa cobiça tem levado as pessoas a duas ruínas: física e espiritual (1 Tm 6.8-10).

O impulso para o roubo pode atingir pessoas normais, tendo seu início desencadeado nos pequenos gestos, como pedir uma caneta emprestada, e não devolvê-la, ficar com um troco a mais, encontrar dinheiro caído no chão e não se esforçar para saber quem o perdeu a fim de devolvê-lo, pedir dinheiro emprestado e não restituí-lo ao credor, e outros.

3.     QUESTÕES RELACIONADAS AO NOSSO TEMPO

           3.1. A sonegação de impostos

A sociedade brasileira vem sofrendo há anos com a corrup-ção praticada por autoridades políticas, o que é, sem dúvida, urna vergonha nacional. Pena que falte a unia grande parte do povo a integridade moral suficiente para protestar à altura, uma vez que há uma imensidão de brasileiros que sonega impostos devidos ao governo. Muitos argumentam que o governo exige muito e oferece pouco. Por mais verdadeiro que seja esse argumento, como crentes em Jesus, temos o dever de cumprir com a orientação dada por Ele (Lc 20.25). Sonegar é roubar o governo.

                   3.2. A avareza

Avareza é o apego excessivo ao dinheiro, que por tudo responde (Ec 10.19). De fato, precisamos do dinheiro para quase tudo nesta vida. Nada é de graça. No entanto, há formas honestas e desonestas de se adquirir dinheiro. Comida, bebida e alegria acompanham o homem que trabalha (Ec 8.15).

 De acordo com os ensinos de Jesus, mais do que evitar o roubo, é preciso ter um coração doador (Mt 5.42). Ele ainda disse: Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração (Lc 12.34). João Batista, por sua vez, orientou seus discípulos a que não fossem gananciosos (Lc 14.14). Já o apóstolo Paulo disse que o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males (1 Tm 6.10). Em resumo, a avareza é idolatria (Cl 3.5); logo, fere o segundo mandamento.

Pode-se dizer que há roubos particulares e coletivos, públicos e privados. Taxas, juros e impostos exagerados podem configurar descumprimento, por parte das autoridades, do oitavo mandamento. Deus ama e ordena a justiça por parte de todos, sobretudo dos governantes (Pv 8.15 NVI; Mq 3.1-4; Ez 18.7,8).


CONCLUSÃO

A quebra do oitavo mandamento — não furtarás — é uma possibilidade que está muito próxima de qualquer um de nós. Trata-se de um pecado que tão de perto nos rodeia (Hb 12.1). Jesus disse que quem é fiel no mínimo também o é no muito (Lc 16.10). Do roubo à mão armada a um troco a mais não devolvido, da ganância pelo acúmulo de dinheiro desonesto a um pequeno empréstimo não devolvido, do trabalho excessi-vo pela ganância de querer sempre mais à preguiça do que quer comer sem trabalhar, tudo se enquadra na transgressão inibida pelo oitavo mandamento.

 ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Qual foi o pecado de Saul quando Deus mandou que ele exterminasse os amalequitas?
 R.: Preservou o seu rei, Agague, e o seu rebanho, com a desculpa de que este serviria de oferta.

                                               O Decálogo — A ética  do Sinai 63

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ASSEMBLEIA DE DEUS VITÓRIA EM CRISTO ESCOLA BÍBLICA DINÂMICA – EBD “A maior Escola Teológica do Mundo”

                               Tema: O Cristão e a propriedade alheia

JESUS E O DINHERIO Referência :
"E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!"

 VERDADE PRÁTICA

 As Escrituras não condenam a aquisição honesta de riquezas, e, sim, o amor a elas dispensado.

INTRODUÇÃO

 O cristianismo bíblico e ortodoxo sempre manteve uma posição de cautela e até mesmo reserva com respeito ao uso do dinheiro e aquisição de riquezas. Na verdade, os primeiros líderes cristãos, inspirados nos ensinos de Jesus, passaram a desestimular a aquisição de bens materiais. Entretanto, o secularismo e o materialismo sempre rondaram o arraial cristão e, vez por outra, Mamon tem deixado suas marcas em nosso meio. Observaremos, nesta lição, que os ensinos de Jesus sobre a aquisição de riquezas se distanciam do judaísmo de seus dias e, também, daquele que é praticado hoje por muitos setores do cristianismo evangélico. Longe de estimular a aquisição de bens, como fazem dezenas de igrejas, Jesus aconselhava se desvencilhar delas. Aprendamos com o Mestre o uso correto do dinheiro e como ser bons mordomos dos bens que nos foram confiados.

I. O DINHEIRO, BENS E POSSES NAS PERSPECTIVAS SECULAR E CRISTÃ
1. Perspectiva secular.

Uma das formas mais comuns de se enxergar o dinheiro, bens e posses na cultura secular é vê-los apenas como algo de natureza puramente material. Tanto no mundo antigo quanto no contemporâneo, é possível observar que a realidade material pareceu sempre se sobrepor à espiritual. O material passa a dominar a vida das pessoas e isso inclui dinheiro, bens e posses. No Mundo Ocidental, essa forma de enxergar as coisas transformou-se em uma filosofia de vida que se recusa a enxergar outra coisa além da matéria. Por essa perspectiva, o material é superestimado enquanto o espiritual é ignorado e suplantado. Nesse contexto, quem tem posses é valorizado, e quem não as possui nada vale. O dinheiro, como valor material que garante posses, ganha o status de senhor em vez de servo.

2. Perspectiva cristã.

 No contexto cristão, o mesmo Deus que fez o espiritual é o mesmo que fez o material. Nos ensinos de Cristo, não há um dualismo entre matéria e espírito! Todavia, as coisas espirituais, por serem de natureza eterna, ganham primazia sobre as materiais, que são apenas temporais (Lc 10.41). Na perspectiva cristã, portanto, as dimensões material e espiritual devem coexistir. Assim como servimos a Deus com o nosso espírito, nossa dimensão espiritual, devemos também servir com o nosso corpo (1 Co 6.19,20; 1 Ts 5.23), nossa dimensão material. Dessa forma, quem se tornou participante dos valores espirituais deve também servir com seus bens materiais (Rm 15.27; Lc 8.3). Aqui, o dinheiro, como valor material, não é visto como senhor, mas apenas como um servo.

II. DINHEIRO, BENS E POSSES NO JUDAÍSMO DO TEMPO DE JESUS

1. Ricos e pobres.

No judaísmo do tempo de Jesus, a sociedade estava dividida em dois grupos: os ricos e os pobres. Na classe mais abastada, estavam os sacerdotes, participantes de uma elite que controlava o sistema de sacrifícios e lucravam com ele, e os herodianos que possuíam grandes propriedades. Um outro grupo era formado por membros da aristocracia judaica que enriqueceu à custa de impostos de suas propriedades e ao seu comércio. O último grupo era formado por judeus comerciantes, que, embora não possuíssem herdades, participavam ativamente da vida econômica da nação. No extremo oposto dessa situação, estavam os pobres! Estes eram "o povo da terra" (Lc 21.1-4). Não possuíam nada e ainda eram oprimidos pelos ricos (Tg 2.6).

 2. Generosidade e prosperidade.

 Na cultura judaica nos dias de Jesus, a posse de bens materiais não era vista como um mal em si. O expositor bíblico P. H. Davids observa que os exemplos de Abraão, Salomão e Jó serviam de inspiração àqueles que almejavam a prosperidade. A ideia era que os ricos prosperavam porque sobre eles estava o favor de Deus. Dessa forma, a prosperidade passou a ser associada à piedade. Para evitar a avareza e a ganância, a tradição rabínica estimulava os ricos a serem generosos e solidários com os pobres, que era maioria na comunidade. Evidentemente que essa concepção estimulava apenas as ações exteriores, sem levar em conta as atitudes interiores (Lc 21.4).

III. DINHEIRO, BENS E POSSES NOS ENSINOS DE JESUS

 1. Jesus alertou sobre os perigos da riqueza.

O ensino de Jesus sobre o uso das riquezas foi muito mais radical do que ensinava o judaísmo e a tradição rabínica dos seus dias. Jesus, ao contrário dos rabinos, não associou a piedade com a prosperidade. A riqueza de alguém nada dizia sobre a sua real condição espiritual. Para Jesus, o perigo das riquezas estava no fato de que elas poderiam, até mesmo, se transformar numa personificação do mal e reivindicar o culto para si. Por isso, advertiu: "Não podeis servir a Deus e [as riquezas]" (Lc 16.13). O vocábulo traduzido como "riqueza", nesse texto, corresponde à palavra grega de origem aramaica Mammonas, traduzida na ARC como Mamom. A riqueza pode se transformar em um ídolo, ou deus, para aqueles que a possui. Nesse aspecto, as riquezas tornam-se um obstáculo no caminho daquele que serve a Deus (Lc 8.14).

 2. Jesus ensinou a confiança em Deus.

 Embora Jesus tenha mostrado que as riquezas podem, até mesmo, se tornar uma personificação do mal, Ele não as demonizou. No entanto, na perspectiva lucana, Jesus desencoraja a aquisição de riquezas (Lc 12.13; 18.22) e estimula a confiança em Deus. E havia uma razão para isso. Logo após mostrar os perigos da avareza a alguém que queria fazer dEle um juiz em uma questão relacionada a uma herança, Jesus revela a seus discípulos que a melhor forma de se proteger desse mal é confiar inteiramente na provisão divina (Lc 12.13-34). As riquezas dão a falsa sensação de segurança e de independência das coisas espirituais. Daí, sua recomendação para não se confiar nelas (Lc 12.33,34).

IV. DINHEIRO, BENS E POSSES NA MORDOMIA CRISTÃ

1. Avaliando a intenção do coração.

Os léxicos definem a avareza como um apego demasiado e sórdido ao dinheiro e mesquinhez. Vimos que, para evitar esse mal, a tradição rabínica estimulava as práticas filantrópicas e solidárias. O ensino de Jesus sobre o uso das riquezas vai muito além da simples doação de bens e ações filantrópicas. Ele não se limitava a avaliar apenas as ações exteriores, mas, sobretudo, voltava-se para as atitudes interiores. Dessa forma, valorizou as atitudes da mulher pecadora na casa de Simão, o leproso, e de Maria de Betânia, a irmã de Marta e de Lázaro (Lc 7.36-50). Não era, portanto, apenas se desfazer dos bens, mas a atitude e intenção com que isso era feito (Lc 11.41; 21.1-4). Não basta apenas ofertar, ou dar o dízimo, mas a atitude com que se faz essas coisas. Não era apenas doar, mas doar-se.

2. Entesourando no céu.

 Mordomo é alguém que administra os bens de outra pessoa. Os bens não lhe pertencem, mas ele pode usufruir deles enquanto os administra para seu legítimo dono. Jesus contou a parábola do administrador, ou mordomo infiel, para mostrar esse fato (Lc 16.1-13). O entendimento entre os intérpretes da Bíblia é que essa parábola tem um fim escatológico. Assim como os filhos deste mundo são perspicazes e astutos no que diz respeito ao uso de suas riquezas, assim também os filhos do Reino devem ser sábios na aplicação de seus bens. O ensino da parábola é que o melhor investimento é usar os recursos materiais adquiridos na propagação do Reino de Deus e, dessa forma, ganhar amigos para a vida eterna (Lc 16.9).

3. CONCLUSÃO

 Não há valor moral no dinheiro em si. Ter dinheiro pode ser uma coisa boa ou ruim. Isso vai depender do conjunto de valores daquele que o utiliza. Certamente, usar o dinheiro para ajudar uma obra filantrópica, ou investir na obra missionária, é uma coisa útil e louvável. Todavia, usar esse dinheiro, como advertiu Jesus, simplesmente com a atitude de querer mais posses, mais prestígio, mais autossatisfação, acaba se tornando uma coisa ruim. Leiamos com cuidado o terceiro Evangelho e descubramos o exercício da verdadeira mordomia cristã.

https://escoladominical.assembleia.org.br/licao-10-jesus-e-o-dinheiro-2/ Lucas 18:24


Pequenos Furtos: Como Descobrir, Como agir? Atente-se aos Detalhes


                                 Tema: O Cristão e a propriedade alheia

O CRISTÃO E OS BENS MATERIAIS

 “(...) a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15c)

Passando por alguns canais de tevê, deparei-me com um repórter perguntado: “Depois que você passou a frequentar a Igreja B como ficou sua vida?” O entrevistado com um sorriso no rosto responde: “Minha vida agora é uma benção. Eu estava totalmente arruinado. Agora já consegui comprar uma casa, tenho dois carros novos, vários celulares e o mais importante, meu negocio próprio que vai muito bem. Tudo isso eu consegui depois que entrei para a Igreja B. E ainda vou conseguir muito mais bênçãos”.

Não tem como evitar. Quem ouve uma entrevista como esta, fica com a idéia de que benção e bens materiais são sinônimos. E este é exatamente o ensino da chamada teologia da prosperidade. Quem tem fé verdadeira em Deus é um ofertante generoso e, por conseqüência, alguém próspero e que tem todo o conforto.

Para os teólogos da prosperidade vale a advertência de Jesus. “Prestem atenção! Tenham cuidado com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas” (Lc 12.15 NTLH). Vale também o exemplo de Alexandre, o grande. Conta-se que ele chamando um dos seus generais revelou-lhe os seus três últimos desejos. Primeiro que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos. Segundo que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros. Terceiro que suas duas mãos fossem deixadas para fora do caixão, balançando no ar. O general perguntou sobre os motivos para tais pedidos e Alexandre respondeu: “Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem. Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos”.

Em outras palavras, Deus disse o mesmo ao rico que queria guardar toda a sua produção e viver a vida regaladamente: “Seu tolo! Esta noite você vai morrer; aí quem ficará com tudo o que você guardou?” (Lc 12.20). O desejo de acumular bens matérias é pecaminoso. “Todo aquele que se permite desejar mais do que lhe é necessário, francamente se põe em direta oposição a Deus, visto que todas as luxúrias carnais se lhe opõem diretamente” (João Calvino). Os bens materiais são importantes, mas não garantem a vida. O que garante é a fé em Jesus como Senhor e Salvador. Quem nele confia saberá dimensionar e administrar corretamente seus bens e jamais os confundirá com bênçãos divinas.

Soli Deo Gloria!
 Rev. Ezequiel Luz

Roubar na infância não faz um criminoso | SUPER NOTICIA

                            Tema: O Cristão e a propriedade alheia

O CRISTÃO E A PROPRIEDADE PRIVADA Referência:

Numa época de polarizações entre o Capitalismo e o Comunismo, o tema “propriedade privada” se coloca no centro dos embates. O Capitalismo considera como propriedade privada o acúmulo de bens adquiridos por meio de ganhos lícitos ou fruto de uma herança familiar; O Comunismo, por sua vez, não incentiva a propriedade privada, considerando que cabe ao Estado concentrar e distribuir as riquezas para todos. Diante disto surge uma pergunta, como deve o cristão tratar o assunto da propriedade privada? É pecado acumular bens?

Creio que um texto, escrito à quase 500 anos atrás, pode lançar luz sobre este tema. Comentando a respeito do oitavo mandamento (Não cometerás furto Ex 20:15), Calvino faz a seguinte declaração: “A cada um vem aquilo que possui, não por contingência fortuita, mas em virtude da dispensação do Supremo Senhor de todas as coisas. Portanto, não se pode, mediante maldosas artimanhas, defraudar as posses de quem quer que seja, sem que se cometa violação da divina dispensação”[1].

Embora este não fosse o tema principal tratado por Calvino, podemos considerar que para ele o Criador de todas as coisas dispensava a cada um aquilo que possuía. Não havia crime algum em possuir bens, pelo contrário, uma vez que isto fosse fruto de trabalho lícito, todos deveriam respeitar a propriedade e considerá-la como dádivas do Criador.

Richard Foster nos oferece também uma preciosa contribuição para o esclarecimento deste tema, ele diz: “Quando sabemos (de verdade) que a terra é de Deus, então a posse em si nos torna mais conscientes a respeito do Senhor. Por exemplo, se estivéssemos passando uns dias cuidando da casa de férias de uma atriz famosa, nos lembraríamos dela diariamente pelo próprio fato de estar vivendo em sua casa. Milhares de coisas nos trariam a mente sua lembrança. Assim é em nosso relacionamento com Deus. A casa na qual vivemos é dele, o carro que dirigimos é dele, o jardim que plantamos é dele. Somos apenas despenseiros temporários de coisas que pertencem a outro: o próprio Deus”[2].

Acima de tudo, nosso coração deve estar somente em Deus. O amor ao dinheiro (como qualquer outra coisa) pode ocupar o lugar de Deus na vida de uma pessoa. A exortação de Paulo a Timóteo foi com respeito ao AMOR pelo dinheiro, não com dinheiro propriamente dito. Devemos sempre nos lembrar de que o dinheiro é um ótimo servo, mas um cruel senhor. Podemos conquistar bens, mas nunca podemos nos esquecer de que a terra e tudo que nela se contem pertencem ao Senhor, inclusive nós.

 [1] CALVINO João, As Institutas, Livro II,Cap.VIII,45 [2] FOSTER Richard, Dinheiro,Sexo e Poder. Mundo Cristão.

 NÃO ROUBARÁS" | NCPAM

                                 Tema: O Cristão e a propriedade alheia

O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE A PROPRIEDADE Referência:

O oitavo mandamento é “não furtarás” (Ex. 20.15). Apesar de ser uma frase simples e clara, ela envolve um grande número de questões que um leitor desatento pode não reparar ou simplesmente não reflete por achar demasiadamente óbvio. Por isso, gostaria de trazer, de maneira breve, três pontos que julgo importantes envolvendo este mandamento e que fará com que se reflita seus posicionamentos.

Os três pontos são o seguinte: 1) Se algo pode ser roubado, significa ela pertence a alguém; 2) O direito de propriedade não pode ser violado; por fim, 3) A violação da propriedade de alguém é uma atitude que deve ser condenada. Passo então a destacar brevemente algumas questões pontuais sobre isso.

O que é a propriedade?

 A propriedade pode ser definida, segundo nos diz Melnik (2009, p.10), como o “direito do dono ou donos, devidamente documentado, formalmente reconhecido pela autoridade pública e protegido por lei, passível de exploração de ativos, seja material ou imaterial, na exclusão de qualquer outra pessoa e a seu dispor para venda ou de outra forma”. Ou seja, é “qualquer coisa que as pessoas possam usar, controlar ou dispor que legalmente as pertença” (Ibid, p. 8). Ela pode ser algo tangível, como uma casa, carro ou roupa; ou intangível, como direitos autorais, marcas, etc., além de que a propriedade pode ser produtiva ou pessoal. A primeira refere-se àquilo que gera outras propriedades, como a terra. A segunda está relacionada àquilo que é para ser usado, consumido.

 A propriedade, juntamente com a família e a religião, formam os três pilares da sociedade.

Sobre a violação da propriedade

 Respeito pela propriedade alheia é muito importante. O ser humano tem direito possuir, e, possuindo, não pode ser privado por quem quer que seja. Tudo o que alguém possui vem do trabalho, seja dela ou de outrem. Isto é, ela pode ter conseguido pelo fruto de seu trabalho ou pela doação de outras pessoas. A bíblia relata que o trabalhador é digno do seu salário (Lc 10.7), por isso não se pode privar um homem do fruto do seu trabalho, do seu sacrifício pessoal.

A violação desse direito é algo que não deve ser permitido pelo Estado. A propriedade estará devidamente protegida quando seu direito é garantido por meio das leis. É através a aplicação das leis na sociedade que os magistrados poderão garantir que a propriedade não será violada. Assim, o livre comércio entre as pessoas, empresas, e assim por diante, ficam assegurados. Ora, a liberdade para negociar não teria sentido se as pessoas não tiverem seus direitos (à propriedade) assegurados.

Concluindo, como cristãos devemos defender direito à propriedade, que é assegurado pela Bíblia. Devemos cobrar dos nossos magistrados que protejam aquilo que deve ser protegido. Os cristãos devem incentivar o direito a propriedade privada e sua inviolabilidade; devem requerer dos governantes leis que garantam esse direito; devem exigir leis que tornem esse direito constitucional. A violação desse direito deve ser rigorosamente punida, dadas às proporções. Portanto, enquanto cristãos, não podemos aceitar que o Estado, ou ideologias, em momento algum possam retirar dos cidadãos esse direito.

Texto de Lucas Dantas Citação do autor: Melnik, S. Liberdade e propriedade. São Paulo: Instituto Friedrich Naumann, dezembro 2009

FONTE :      





                                             CAPÍTULO 8
                               O OITAVO MANDAMENTO

"Não furtarás" (Êx 20:15).

Vamos ler agora Efésios 4:28: "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade". O roubar se condena tanto na dispensação cristã como na judaica.
A igreja em Éfeso havia recebido a verdade mais elevada que Deus jamais havia entregado a assembleia alguma. Deve ter havido uma condição tal que os qualificava para que fossem os depositários de tão maravilhosa verdade. Mas ainda assim, após os assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, Deus tem que descer o teor da epístola ao nível humilhante da carne que havia neles, e passar a falar-lhes a respeito do ato de roubar. Tal é o homem!


A lei só fez a proibição: "Não furtarás". Mas o cristianismo sobrepuja a isso e insiste que devemos trabalhar, fazendo o que é bom, para podermos dar ao que padece necessidade. Quão formoso! Porém note-se, é o fazer o que é bom. Ganhar o pão com o trabalho não é por si só fazer o que é bom. Será que você está fazendo o que é bom, isto é, aquilo que tem a aprovação de Deus?


Conhecíamos um irmão em Cristo, que agora já está com o Senhor, que antes de se converter era balconista em um bar. Ganhava seu pão cotidiano honestamente com seu trabalho. Mas depois de entregar-se ao Senhor, se deu conta de que não fazia o que era bom; buscou outro emprego e o achou. Não roubemos, é o lado negativo. Para que tenhamos o que dar, façamos o que é bom; este é o lado positivo no cristianismo. Você sabe que a Palavra de Deus fala dos santos pobres e que não há nada que possa ser considerado biblicamente incoerente nestas duas palavras: "santos" e "pobres". Então tenhamo-las presentes em nossa memória para assim cumprirmos a vontade de Deus.

OS
DEZ
MANDAMENTOS
C. H. BROWN




Não haverá paz numa sociedade se não houver proteção da propriedade. Isso inclui o compromisso de cada um na construção de uma sociedade justa e saudável. Deus concedeu a todos os seres humanos o direito de adquirir bens materiais, desde que essa aquisição seja de maneira honesta e envolva o trabalho. O oitavo mandamento foi dado a Israel como preceito jurídico e religioso, mas no Novo Testamento o tema é espiritual, pois os ladrões e roubadores não herdarão o Reino de Deus (1 Co 6.10).


Adquirir legitimamente a propriedade é direito sagrado. Ninguém temo direito de subtrair o que não lhe pertence. Nem mesmo o Estado pode lançar mão da propriedade alheia. O rei Acabe se apoderou ilegitimamente do campo de Nabote e tal atitude deixou Deus irado, por isso mandou o profeta Elias ditar o destino desse monarca com sua esposa Jezabel (1 Rs 21.17-19). Essa garantia vem de Deus.

PROPRIEDADE E TRABALHO

As informações bíblicas mais antigas de que dispomos sobre o regime de propriedade retrocedem ao período patriarcal. Abraão comprou de um heteu chamado Efrom parte de uma propriedade que se localizava no fim de seu campo, para o sepultamento de Sara (Gn 23.17-20). No Egito, durante o período das vacas magras, José comprou para o Faraó todas as terras do Egito, exceto aquelas que pertenciam aos sacerdotes egípcios. Assim, os antigos proprietários arrendaram essas terras e passaram a pagar ao rei do Egito 20% de sua produção (Gn 47.20-26). Textos antigos de autores profanos confirmam essa reforma administrativa de José no Egito. Heródoto diz que o Faraó Sisóstris "repartiu o país entre todos os egípcios, concedendo a cada um uma parte quadrada e, conforme esta partilha, estabeleceu a eles o pagamento de um tributo anual" (História il. 109). Os sacerdotes eram isentos desse tributo. Relato similar aparece em Diodoro Sículo, historiador da Sicília, contemporâneo de Júlio César e Augusto, em sua Biblioteca Histórica, afirma que toda a terra do Egito pertencia aos sacerdotes, ao rei e aos guerreiros (1.73); e, segundo o estoico Estrabão, historiador e geógrafo grego (64 a.C.-19 d.C.), autor da obra Geografia, os camponeses e mercadores arrendaram as terras do Egito de modo que elas não lhes pertenciam (Livro 17). São documentos extrabíblicos confirmando o relato da Bíblia. Na Mesopotâmia, as propriedades eram familiares e individuais, e o rei só podia dispor delas se as comprasse.

 No sistema mosaico, toda a terra pertencia a Javé (Ex 19.5; Dt 10.14). Deus autorizou a partilha da terra dos cananeus entre as famílias israelitas, o que aconteceu durante as conquistas de Josué. A partir do capitulo 13 de Josué, há o registro da divisão da terra entre as tribos de Israel. Cada propriedade estava limitada por marcos cuja remoção a lei proibia severamente (Dt 19.14; 27.17), e essa ordem se estende ao longo do Antigo Testamento (Jó 24.2; Pv 22.28; 23.20; Os 5.10). A lei garantia o direito de posse da propriedade, que era patrimônio familiar, e o rei não tinha o direito de se apossar dela, exceto pela compra se o proprietário quisesse vendê-la. O episódio do rei Acabe é um exemplo clássico do direito sagrado de propriedade, como se vê em 1 Reis 21.

 Deus não criou o homem para a ociosidade. Adão recebeu tarefas para serem feitas mesmo antes da Queda do Éden: "E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn 2.15). A Bíblia mostra o trabalho como bênção de Deus e não como maldição (SI 128.1, 2). Todos devem trabalhar e isso é honroso. O apóstolo Paulo disse que, "se alguém não quiser trabalhar, não coma também" (2 Ts 3.10). Não existe trabalho baixo e alto, desde que seja honesto. Até os ricos trabalham. Certamente produzir e enriquecer é trabalhar. Talento, habilidade, esforço são elementos do trabalho. Os bens e propriedades adquiridos por meio de trabalho honesto ou por herança são opostos ao furto e roubo.


O OITAVO MANDAMENTO

O mandamento "Não furtarás" se dirigia originalmente a sequestradores, segundo a maioria dos exegetas do Antigo Testamento, mas o contexto revela sua aplicação contra tudo o que é apropriação indébita, de coisas ou pessoas. A ligação com o tráfico de pessoas é uma conclusão e se baseia na inferência de Êxodo 21.16: "E quem furtar algum homem e o vender; ou for achado na mão, certamente morrerá". Este preceito reaparece mais adiante (Dt 24.7). E o verbo hebraico gãnav, "roubar, furtar", que aparece no oitavo mandamento /o ' tignov». "Não furtarás", é o mesmo usado nesses dois versículos (Êx 21.16; Dt 24.7). Pessoas eram roubadas na antiguidade para serem vendi-das como escravas, como aconteceu com José do Egito, que foi vendido pelos próprios irmãos (Gn 37.22-28). Ele mesmo disse: "De fato, fui roubado da terra dos hebreus" (Gn 40.35). Esse tipo de crime era comum também no período do Novo Testamento (1 Tm 1.10). Mas o preceito se refere também a furto de objetos (Gn 44.8). O campo semântico da raiz gnb,"6 se estende de "remover (secretamente)" a "trapacear" (Gn 31.20, 26, 27).

O furto se distingue do roubo, já que o primeiro é a subtração do objeto sem violência e às esconsas, pois o dono está ausente; o roubo é a subtração da coisa na presença da vítima, também sem violência, como fazem os batedores de carteira nas grandes cidades. O assalto é o ataque súbito a alguém com ameaça e violência para subtrair alguma coisa. O latrocínio é o roubo seguido de morte da vítima. O mandamento "Não furtarás" é um dispositivo contra o roubo: "Não confiem na violência, nem esperem ganhar alguma coisa com o roubo" (SI 62.10, NTLH) e contra o furto: "Aquele que furtava não furte mais" (Ef 4.28). Mas o oitavo mandamento não se restringe a isso, havendo muitas atividades desonestas condenadas na presente ordem.

 O sistema mosaico aplica a pena capital a quem violar o oitavo mandamento no crime de tráfego de seres humanos (Êx 21.16; Dt 24.7). A sanção contra os demais tipos de pecados e crimes previstos no presente mandamento é a restituição da coisa roubada ao dono. O receptador de bens roubados ou furtados é igualmente culpado com o autor do crime (SI 50.18; Pv 29.24). 0 sistema mosaico condena também as transações fraudulentas (Lv 19.35, 36; Dt 25.13-16). Essa proibição reaparece mais adiante na história de Israel (Pv 11.1). É o que Deus espera de cada um de nós: "Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas" (1 Ts 4.6). Isso envolve a opressão, a extorsão, o suborno e a usura (Lv 25.17, 36; Dt 19.16; 23.29). Quem toma emprestado deve pagar (SI 37.2 I). Os moradores de Judá estavam envolvidos nestes pecados nos dias da apostasia que precederam a queda de Jerusalém (Ez 22.12). É também violação do preceito em foco a remoção de marcos para aumentar a extensão da área de uma propriedade (Dt 19.14; 27.17; Pv 22.28).


LEGISLAÇÃO MOSAICA SOBRE O FURTO

A legislação mosaica traz mais adiante o modus operandi, a instrução para que as autoridades de Israel possam julgar os casos pertinentes ao sétimo mandamento (Êx 22.1-15). O tema é de caráter jurídico a ser administrado pelo Estado e não necessariamente pela Igreja.

O primeiro preceito desta seção dispõe sobre a pena aplicada ao ladrão (Êx 22.1-4). 0 v. 3b seria a sequência lógica do v. 1, ficando assim: "Se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois; e pela ovelha, quatro ovelhas. ... O ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto". Teria sido da lavra de Moisés ou de editores posteriores, igualmente inspirados, o deslocamento dessa cláusula? No segundo caso, qual teria sido o propósito des-sa mudança? Há muitas explicações que não são dadas aqui por absoluta falta de espaço, mas merece destaque a interpretação de Cassuto, segundo o qual os vv. 2 e 3a devem ser o tópico central porque o foco é a vida humana, (apud DOZEMAN, 2009, p. 539).

 A pena para quem violasse o oitavo mandamento não era a morte, exceto no caso de rapto de pessoas para serem vendidas como escravos. A pena era a restituição de cinco para cada boi e de quatro para cada ovelha (Êx 22.1), mas, se o animal estivesse ainda vivo, a restituição seria o dobro (Êx 22.4) ou 20% se o ladrão confessasse voluntariamente o furto (Lv 6.4, 5). Essa restituição não era uma simples multa pecuniária, mas o resgate pela vida do ladrão, porque a invasão da propriedade da vítima para roubar era um crime de violência que devia ser punido com a morte. Aqui está uma diferença significativa entre os demais códigos antigos, como o de Hamurabi e o Hitita. No entanto, se o ladrão capturado não tivesse como restituir o roubo, como mandava a lei, seria vendido como escravo (Êx 22.3b). É preciso lembrar que a lei do escravo para os hebreus era diferenciada em Israel. O escravo israelita nesse caso seguia o padrão mosaico (Êx 21.2).

A lei dispõe ainda sobre o ladrão arrombador, caso fosse morto dentro de casa pelo seu proprietário. Se o ato acontecesse durante a noite, o dono da casa que matou o ladrão não seria culpado de sangue, mas, se o caso ocorreu de dia, o dono seria culpado de sangue pela morte do ladrão (vv. 2, 3b).

 Há certo paralelismo entre o sistema mosaico e o Código de Hamurabi, com diferenças e semelhanças além do aspecto espiritual que faz da lei de Moisés um código sui generis. O sequestro e o furto de qualquer objeto do templo dos deuses ou do palácio real eram crimes punidos com a pena capital (5 6, I4), mas, se o objeto do furto fosse animal ou barco, a pena poderia ser pecuniária, equivalente a 30 vezes o valor do furto, e, se a vítima fosse um cidadão comum, a pena seria reduzida para dez vezes. Se o ladrão não tivesse com que pagar, seria morto (§ 8). A legislação mesopotâmica aqui é mais dura quanto à pena pecuniária e mais dura se o ladrão não tivesse como pagar a multa.

 O segundo e o terceiro preceitos dizem respeito à negligência (Ou 22.5, 6). A pena aqui é diferenciada. No primeiro caso, o responsável pelo estrago na safra do campo e da vinha da vítima teria de retribuir os prejuízos com o melhor do seu próprio campo. No segundo caso, o culpado pelo incêndio teria de fazer a restituição com o pagamento total dos danos causados pela queima.

O sistema mosaico revela nesse oitavo mandamento o cuidado individual de evitar danos e prejuízos alheios. Esses princípios estão presentes em todas as civilizações antigas e permanecem ainda hoje em todas as nações. O contexto histórico social é outro, mas o princípio é o mesmo. Não há bois nem ovelhas nas cidades, mas há cães e gatos nas residências, e nem sempre seus donos se dão conta dos incômodos que causam aos vizinhos, ruídos e também dejetos em terrenos alheios, às vezes, nas próprias ruas. A intenção do Espírito Santo aqui é nos ensinara amare respeitar ao próximo e a não lhes causar nenhum prejuízo.

A lei fala sobre animais, porém no contexto atual muitas outras coisas podem ser adicionadas, por exemplo, acidentes de carros, problemas em construção de casa, barulhos etc. AI está, mais uma vez, a grandeza e a importância da lei dada a Israel no concerto do Sinai, que serve como inspiração e instrução para todos os povos e em todas as épocas para o bem-estar de todas as pessoas. A lei apresenta ainda na presente seção alguns preceitos adicionais sobre o ladrão (Ou 22.7-9). Aqui a lei trata de alguém que tem objeto roubado sob a sua guarda. Se o ladrão for encontrado, ele retribuirá o dobro (v. 7). Mas, se o autor do roubo não for encontrado, o responsável pela custódia terá de provar que o objeto não foi de fato roubado, confirmando assim sua inocência (v. 8). Isso é para ser feito num julgamento, razão pela qual o assunto é levado perante os juízes (v. 9). A lei constituiu juizes para julgar os réus como também deliberar sobre os litígios.

 O termo "juízes", em hebraico aqui 'el-hã-Wohim,"'significa literalmente "diante de Deus", embora o termo plural, Wohim, de forma isolada, signifique também "deuses". O termo aparece duas vezes na presente seção (vv. 8, 9). A tradução literal se-ria "perante Deus" como aparece na Septuaginta e na Vulgata Latina. Este uso é padrão para o verdadeiro Deus no Antigo Testamento e não deve ser traduzido como "deuses" por causa do artigo. O emprego de "juízes" aqui é legítimo e ninguém ques-tiona essa tradução. As versões rabinicas empregam "perante a corte". A passagem paralela em Deuteronômio lança luz sobre o assunto, pois aparece liplmé hã-koháním we-ha-shshophe-tim,", "diante dos sacerdotes e dos juízes" (Dt 19.17). O termo shophetim, plural de shophet, significa "juiz, árbitro, conselhei-ro jurídico; governante" (Dt 19.17). Os juízes representavam o Deus de Israel nos julgamentos, pois a sentença judicial vinha investida de legitimidade divina.

A presente seção dispõe também sobre a apropriação indébita (Ex 22.10-13). O preceito aqui é a continuação do anterior, é que lá trata de "prata ou objetos" (v. 7), em hebraico é kesseph Kesseph se usa para "prata", mas ainda hoje significa também "dinheiro" em Israel; kélim, plural de kelt, significa "objeto, artigo, utensílio, vaso", que as nossas versões traduzem também por "roupa, traje, veste" em Deuteronômio 22.5. Mas os versículos 10-13 tratam agora de animais sob a custódia de alguém. Se o animal fugir, morrer ou for dilacerado sem que haja testemunha disso, o responsável pela guarda fará um juramento perante Deus de que não subtraiu os animais em questão e seu dono deve aceitar esse juramento. Isso significa que ele não tem direito à restituição. Se o animal for furtado, o que tinha a custódia fará restituição ao dono, e, se for dilacerado, não haverá restituição, mas o dono precisa ver essa dilaceração.

A seção se encerra com instruções sobre empréstimo, aluguel e arrendamento: "Se um homem pedir emprestado ao seu próximo, e aquilo que for emprestado vier a danificar-se ou morrer em ausência do dono, certamente fará ele restituição. Se o dono estiver presente, o outro não fará restituição; se a coisa for alugada, o preço do seu aluguel já respondeu por ela" (vv. 14, 15). Se a coisa emprestada for danificada ou o animal arrendado for morto, estando o dono presente não haverá restituição, mas, se ele estiver ausente, o que tomou o objeto emprestado ou o que arrendou o animal terá de restituí-lo.

 Diante do exposto, fica evidente que o oitavo mandamento é uma proibição que envolve toda a forma de apropriação indébita: o furto, o roubo, o tráfico de seres humanos e a recepção de qualquer coisa roubada, as transações fraudulentas e os pesos e as medidas falsos, a remoção de marcos de propriedade, a injustiça e a infidelidade em contratos entre os homens ou em questões de confiabilidade, patrão e empregado e vice-versa, a opressão, a extorsão, a usura e o suborno.

                                                         Os dez mandamentos Esequias soares

                              "Não matarás. "Não adulterarás. "Não furtarás. "Não darás falso testemunho contra o teu próximo. "Não cobiçarás a mulher do teu próximo. Não desejarás a casa do teu próximo, nem sua propriedade; nem seu servo ou serva; nem seu boi ou jumento; nem coisa alguma que lhe pertença". (Deuteronômio 5:17-21)

Lição 10 - Não Furtarás
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 - CPAD
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS –


O NOVO TESTAMENTO

Romanos 2:21 «...Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas ?...» Não se pode duvidar que o furto era um defeito de caráter extremamente comum entre os judeus. Mas mui provavelmente Paulo, à semelhança do Senhor JESUS, se referia aqui a formas mais pervertidas e às vezes disfarçadas de furto, conforme vemos nos pontos discriminados abaixo:

1. Por exemplo, impunham pesadas cargas aos outros, como impostos e a necessidade de contribuírem com altas somas para o templo, além daquilo que era legítimo, a fim de que enriquecessem. (Ver Mat. 23:2,4).
2. Faziam da própria casa de DEUS, o templo de Jerusalém, um covil de salteadores, estabelecendo mesas de cambistas no templo, onde vendiam os sacrifícios necessários por preços exorbitantes. (Ver Mat. 21:13 e João 2:16).
3. Toda a moeda corrente no templo tinha de ser judaica, e por isso havia o grande negócio explorado pelos cambistas, que trocavam o dinheiro estrangeiro pelo dinheiro nacional. O câmbio era exageradamente alto, e assim o povo judaico era sistematicamente roubado de seu dinheiro, e isso para atenderem a uma finalidade religiosa.
4. Os líderes do judaísmo também furtavam as casas das viúvas, convencendo-as a doarem suas propriedades e heranças para o serviço de DEUS, ou formando processos contra elas, a fim de se apossarem dessas propriedades. Ou ainda pressionando-as ilegalmente, fazendo acusações inverídicas. (Ver Mat. 23:14). Todas essas coisas eram tantas outras formas de furto, e o partido dos saduceus não se envergonhava por lançar mãos desses artifícios; e com essas medidas conseguiam dominar e controlar o culto do templo.
5. Também furtavam espiritualmente aos outros, ensinando interpretações falsas da lei, e defraudando o povo de sua legítima herança espiritual. Porém, o mais provável é que esse crime não esteja em vista no presente versículo, apesar de que assim realmente agiam aqueles homens.
6. Cobravam juros exorbitantes por empréstimos feitos a compatriotas judeus, sem importar-lhes que a lei proibia a cobrança de juros, em qualquer forma, da parte de um judeu contra outro. (Ver Deu. 23:19). Essa, pois, era uma outra forma como se manifestava a desonestidade daqueles mestres judeus.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 3. pag. 600.

Ele agrava suas provocações (w. 21-24) por duas coisas:

1. Que eles pecaram contra seu próprio conhecimento e confissão, fizeram aquilo que eles mesmos ensinavam os outros a não fazer: “...tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo Ensinar é um pouco desta caridade que começa em casa, ainda que não deva terminar ali. Era a hipocrisia dos fariseus que eles não praticavam o que ensinavam (Mt 23.3), mas destruíam em suas vidas o que construíam com sua pregação; porque, quem acreditará naqueles que não acreditam em si mesmos? Os exemplos valem mais que as regras. Os que mais impedem o sucesso da palavra são aqueles cuja má vida contradiz sua boa doutrina, que no púlpito pregam tão bem que é uma pena que eles sempre saem, e fora do púlpito vivem tão mal que é uma pena que eles sempre entrem. Ele especifica três pecados em particular que ocorrem muito entre os judeus: (1) Furto. Essa acusação é feita a alguns que declaravam os estatutos de DEUS (SI 50.16,18): “Quando vês o ladrão, consentes com ele”. Os fariseus são acusados de devorar as casas das viúvas (Mt 23.14), e esse é o pior dos roubos.
Foi nos últimos dias da igreja do Antigo Testamento que eles foram acusados de roubar a DEUS “...nos dízimos e nas ofertas” (Ml 3.8,9), convertendo para seu próprio uso, e para o serviço de seus desejos, o que era, de maneira especial, separado para DEUS. E isso é quase equivalente à idolatria, embora esse sacrilégio fosse mascarado com o repúdio aos ídolos. Serão severamente responsabilizados outro dia aqueles que, enquanto condenam o pecado em outrem, fazem o mesmo, ou pior, eles mesmos.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora CPAD. pag. 320.


Rm 2.21-23 — Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Há certo grau de ironia nessa pergunta de Paulo. Os judeus estavam preparados para ensinar aos gentios os mandamentos da Lei, mas eles próprios quebravam tais mandamentos. Observe: Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? (o oitavo mandamento). Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? (o sétimo mandamento) . Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? (o segundo mandamento). Os judeus estavam prontos para pregar a moralidade, mas não estavam prontos para praticar a mensagem que eles próprios pregavam. Eles estavam roubando uns aos outros, ou talvez mantinham em si grande cobiça; eles cometiam adultérios; eles profanavam a casa de DEUS, transformando-a em local de comércio. Sendo assim, Paulo fez a provocadora pergunta: Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? A transgressão da Lei traz desonra a DEUS. Os judeus reivindicam ter o conhecimento da Lei, embora não a pratiquem. Eles se esquecem de que a Lei habita onde ela é silenciosamente praticada.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. 
O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais.
 Editora Central Gospel.


No hebraico, ganab, «furtar», vocábulo que ocorre por trinta e nove vezes, conforme se vê, por exemplo, em Gên. 30:33; 31:19,20,26,27,30,32,39; 44:8; Exo. 20:15; Lev. 19:11; Deu. 5:19; 24:7; Jos. 7:11; II Sm. 19:41; II Rs 11:2; II Crô. 22:11; Jó 27:20; Pv. 6:30; 9:17; Jr. 7:9; 23:30; Os. 4:2; Oba. 5; Zc. 5:3. No grego temos a palavra klépto, «furtar», usada por onze vezes: Mt. 6:19,20; 19:18 (citando Ex. 20:13,15); 27:64; 28:13; Mc. 10:19; Lc. 18:20; Jo 10:10; Rm. 2:21; 13:9 (citando Êx. 20:14,15); Ef. 4:28.
Furtar é um dos pecados humanos mais comuns. Algumas vezes os homens furtam por autêntica necessidade; mas, na maioria das vezes, furtam por motivo de sua preguiça, ou porque gostam mesmo de furtar, devido a uma atitude mental distorcida. Há pessoas que furtam quando não têm necessidade disso, porquanto querem enriquecer mais ainda, mesmo que já tenham o bastante. O ladrão apossa-se daquilo que não lhe pertence, que é propriedade de outrem. Esse furto pode ser de bens materiais, de afeições, de tempo, etc., através de meios ilegítimos. Existe o furto espiritual, não meramente de coisas materiais. Assim, pode-se furtar a fé de uma pessoa, como também sua moralidade, sua autoconfiança, seu auto-respeito, seus direitos e não apenas suas possessões.

1. O mandamento que proíbe o furto faz parte da legislação mosaica original. O Antigo Testamento inclui proibições referentes ao furto, ao dano às propriedades e ao mau uso das propriedades ou objetos pertencentes ao próximo (ver Êx. 21:33,34; 22:5,6; 22:4,7,9; 20:15; Gn. 31:31; II Sm. 23:21).
2. O furto é uma abominação (Jr. 7:9,10), sobretudo quando praticado contra os pobres (Pv. 22:22). Nesse aspecto está incluída a fraude (Lv. 19:13).
3. Não pagar salários justos é um furto (Lv. 19:13; Tg. 5:4).
4. O furto é um pecado que contamina os culpados (Mt. 15:20).
5. Os ímpios são inclinados ao furto (Sl. 119:61); a cobiça promove o furto (Am 3:10).
6. Aqueles que consentem com o furto também tornam-se culpados (Jó 24:14; Ob. 5).
7. Geralmente quem furta também mata (Jr. 7:9; Os. 4:2).
8. Paira uma maldição sobre o ladrão (Os. 4:2,3; Ml. 3:5). O furto provoca a ira de DEUS (Ez. 22:29,31).
9. O pecado do roubo é um daqueles vícios que exclui as pessoas do reino celestial (I Co. 6:10).
10. Os tesouros celestes não estão sujeitos ao furto (Mt. 6:20).
11. Aqueles que se convertem à fé cristã não somente não deveriam mais furtar, como também deveriam suprir aos seus semelhantes o necessário, em atos de caridade (Ef. 4:28): «Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado».

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 836.


Tudo que as pessoas possuem é emprestado por DEUS para elas, e elas são responsáveis por administrar o que possuem em nome dele. Os servos não têm o direito de roubar uns dos outros na casa do Mestre, pois, nesse caso, eles estão realmente roubando do Mestre mesmo e, ao fazer isso, transmitem sua insatisfação com o que ele já confiou a eles.
Esse tipo de espírito é diametralmente oposto ao plano da criação designado para a jurisdição da humanidade sobre tudo que DEUS fez. Nas estruturas do governo e da sociedade, alguns exercem um tipo de autoridade, e outros, outro tipo. Alguns parecem ser mais privilegiados que outros e desfrutar de maiores domínios de administração que outros. Mas o Soberano, onisciente, dispensa suas dádivas e favores conforme acha adequado; e, nessa estrutura de organização do Reino, cada elemento deve funcionar de acordo com o que ele determina que é o melhor. O ladrão, quer roube coisas materiais, quer aspire a uma posição não designada para ele, prova ser um servo inútil, indigno de desempenhar qualquer administração que lhe tenha sido confiada.

Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 336-337.

Lv 19.13 A ordem para não furtar é contra qualquer forma de opressão ou desonestidade quanto a questões monetárias. Ver Lc. 3.14 quanto a uma aplicação do que aqui é dito, no Novo Testamento. Um modo de furtar e oprimir é tratar desonestamente com os empregados. O texto proíbe estritamente adiar o pagamento do salário de um empregado. Precisamos lembrar que a maioria dos trabalhadores consistia em diaristas, que eram pagos no fim de cada dia de trabalho. Um empregador, pois, não podia reter consigo esse dinheiro, nem mesmo até o dia seguinte, quanto mais por algum prazo ainda mais dilatado. Cf. Dt. 14.14,15; Jr. 32.13; Ml. 3.5 e Tg.
5.4. Nos dias do segundo templo, a regra era a seguinte: “Aquele que trata com dureza a um contratado peca tão gravemente como se tivesse tirado uma vida e transgredido a cinco preceitos”. Esses preceitos mosaicos fazem oposição tanto ao capitalismo selvagem quanto ao comunismo empobrecedor.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 551.

Lv 19.11-12. As regras para os bons relacionamentos sociais são declaradas especificamente aqui. O furto, os tratos desonestos, e a mentira deliberada (11) são proibidos porque são estranhos à ética da aliança. Criam a suspeita, a desconfiança e o ódio, e pela sua própria natureza enfraquecem seriamente a estrutura da sociedade. Os filhos da nova aliança são conclamados a evitar tais males também (cf. Ef 4:28; Cl 3:9, etc.).
Lv 19.13-14. Ninguém deve explorar seu próximo israelita de qualquer modo, porque são irmãos e irmãs. O próximo (13) fica sendo o jornaleiro em Dt 24:14, mas o princípio é o mesmo. Sua paga deve lhe ser dada á taxa certa, sem qualquer parte ser retida (“nem o roubarás”).

Quando os trabalhadores são contratados por dia, precisam ter seu pagamento antes do anoitecer (cf. Mt 20:8), visto que os pobres teriam necessidade do salário do dia. No Novo Testamento os senhores são exortados a tratarem com justiça seus servos (Ef 6:9; Cl 4:1). Ao passo que pessoas com desvantagens no Oriente Próximo antigo tenderiam a ser exploradas e abusadas, entre os israelitas deviam ser tratadas com consideração, visto que levavam em si a imagem do DEUS a quem Israel era ordenado a reverenciar. Amaldiçoar ao surdo era realmente tirar vantagem injusta de pessoas que não poderiam defender-se. Visto que tanto Levítico (19:14) quanto Deuteronômio (27:18) proibiam os israelitas de colocarem obstáculos de vários tipos diante dos cegos, ou de guiá-los em direções em que não queriam seguir, pareceria que este tipo de atividade não era desconhecido noutras nações. O fato de que havia legislação para os surdos e os cegos como sendo classes da sociedade indica que estas doenças estavam em evidência na era mosaica. A restauração da vista e da audição fazia parte das maravilhosas atestações do ministério sobrenatural de CRISTO (cf. Lc 4:18).

R. K. Harrison. Leviticos. Introdução e Comentário
Editora Vida Nova. pag. 182-183.

EM CONSTRUÇÃO

O 8º, 9º e 10º mandamento - Série "A ética dos 10 mandamentos"
- Pastor Walter Brunelli


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