TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Êxodo 22.1-4, 6-9
2 - Se o ladrão for achado a minar, e for ferido, e
morrer, o que o feriu não se culpado do sangue.
3 - Se o sol houver saído sobre ele, será culpado do
sangue. O ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar, será
vendido por seu furto.
4 - Se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi,
ou jumento, ou ovelha, pagará o dobro.
6 - Se rebentar um fogo, e pegar aos espinhos, e
abrasar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquele que acendeu o fogo
pagará totalmente o queimado.
7 - Se alguém der prata ou objetos ao seu próximo a
guadar e isso for furtado da casa daquele homem, se o ladrão se achar, pagará o
dobro.
8 - Se o ladrão não se achar, então, o dono da casa
será levado diante dos juízes, a ver se não meteu a sua mão na fazenda do seu
próximo.
9- Sobre todo negócio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado
miúdo, sobre vós sobre toda coisa perdida, de que alguém disser que é sua, a
causa de ambos virá perante os juízes; aquele a quem condenarem os juízes o
paga em dobro ao seu próximo.
TEXTO ÁUREO
Não furtarás.
Êxodo 20.15
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Efésios 4.25-32
Aquele que furtava não furte mais
3ª feira - Gênesis 2.15-17
Deus instituiu
o trabalho
4ª feira - Gênesis 31.17-21
Raquel furtou os ídolos que seu pai tinha
5ª feira - Deuteronômio
25.13-16
Pesos e medidas justos
6ª feira - Mateus 19.18
Jesus reconhece a autoridade do oitavo mandamento
Sábado - Marcos 7.14-23
Do coração dos
homens saem os furtos
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:
• entender que
Deus assegura a todos o direito de propriedade;
• compreender
que todo roubo é condenado por Deus, e não há roubo sem punição;
• concluir que
o roubo é impulsionado pela avareza do coração humano.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Salas de aula com poucos alunos e, como consequência,
professores desmotivados a ensinar: essa é uma cena que pode ser comum até nas igrejas
evangélicas que se empenham em promover o ensino bíblico. Aumentar a
assiduidade e conquistar novos alunos para a Escola Dominical costuma ser uma
tarefa difícil para a liderança. A solução para esse problema pode ser
encontrada em algumas estratégias de Marketing que serão capazes de contribuir
para o crescimento da ED. A igreja não tem interesse comercial, porém seus
membros lucrarão com o aprendizado das Escrituras, e, como resultado, vidas
serão transformadas pela Palavra de Deus.
Para iniciar
uma campanha que visa a melhorias, é necessário, primeiro, que seja feito um
planejamento pela equipe de coordenadores e professores, traçando metas em prol
de alvos específicos que desejam alcançar. Identificar as necessidades e
deficiências também é um passo importante para o desenvolvimento do ensino (Revista
Educação Cristã Hoje, nº2. Central Gospel, 2012, p. 42,43).
Fique
atento!
Deus o abençoe!
COMENTÁRIO
Palavra
introdutória
O termo hebraico ganab (Ex 20.15) significa
"roubar, furtar, levar embora, levar furtivamente". Um dos objetivos
do oitavo mandamento é o respeito pela propriedade privada e pelos bens
alheios, ou seja, sua aplicação guarda a integridade das posses do próximo.
O verdadeiro
proprietário de tudo o que há no mundo é Deus (SI 24.1). O homem, criado por
Deus, desenvolveu direitos de propriedade para administrar os bens na terra. A
Bíblia defende isso, enquadrando os proprietários na condição de mordomos. As leis de Deus relativas à propriedade são
minuciosas, e envolvem terras, animais, roupas, utilitários domésticos, filhos
e esposas. Os pecados contra a propriedade preveem restituições com multas e
até castigos severos.
1.
DIREITOS DE
PROPRIEDADE NO ANTIGO TESTAMENTO
A noção de
propriedade acompanha o ser humano desde o início da sua história. Ao colocar
Adão no jardim do Éden, Deus o incumbiu de cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2.15).
Com a Queda, o homem foi posto para fora dele. No transcorrer da História, os
homens se apropriavam de terras e as cultivavam (Gn 26.12-35), faziam suas
casas, fabricavam utensílios domésticos, ferramentas, armas e não permitiam a
invasão nem mesmo a apropriação indébita do que lhes pertencia.
Quando os
hebreus chegaram a Canaã, depois de 40 anos peregrinando pelo deserto,
estabeleceram-se em terras, conforme o croqui feito por Josué, para assentar as
12 tribos as 13-21). Os pedaços de terra, por sua vez, foram divididos pelas
famílias, que tinham o dever de cultivar essas terras para produzir alimentos e
de destinar uma parte delas para o pasto, a fim de alimentar o gado.
Outra vertente que pode ser explorada no mandamento de
"não furtar" é o fato de a transgressão a esse mandamento envolver
diretamente o semelhante, sua dignidade, seu bem-estar e sua liberdade. O furto
é uma atitude egoísta, e Jesus ensinou que essa prática nasce, como toda
transgressão, no corarão do homem (Mt 15.19).
1.1.
A dignidade em possuir
Parte-se sempre do pressuposto de que os bens
adquiridos são frutos de trabalho, resultado de heranças ou presentes de
alguém. O homem tem o direito de desfrutar daquilo que lhe pertence e, quando é
roubado, sua dignidade é ferida, sobretudo quando a propriedade é fruto de anos
de trabalho árduo. A Bíblia garante que gozar do resultado do trabalho é uma
dádiva divina (Ec 5.19).
1.2.
O direito à propriedade
A lei que assegura o direito à propriedade é
bem explícita em Êxodo 22.1-5. Ela fala do animal (v. 1-5), da plantação (v.
6), do roubo sobre objetos de valor, penhorados (v. 7,8) e de objetos
emprestados que foram danificados (v. 14,15). Na propriedade, é assegurado o
direito absoluto de posse, sendo estabelecido que cada indivíduo trabalhe para
conseguir sua possessão de maneira honesta.
1.3.
O rebanho dos amalequitas fica com Saul
Saul perdeu a oportunidade
única na história de exterminar completamente os amalequitas, antes, preservou
o seu rei, Agague, e o seu rebanho (1 Sm 15.9). Os amalequitas foram, talvez,
os piores inimigos dos hebreus em toda a histó-ria, e eram um povo muito cruel.
Amaleque foi um obstáculo no caminho para Canaã (Êx 17.8).
Tanto o rei Saul como o povo
de Deus tiraram proveito dos bens dos amalequitas. O povo se justificou dizendo
que aque-le gado era para ser ofertado ao Senhor em Gilgal (v. 21). Por conta
desse ato, o Senhor se mostrou arrependido de haver posto Saul como rei sobre a
nação (v. 10,11).
1.4. O roubo de Raquel, de Mica e de Acã
Raquel roubou os ídolos de
seu pai (Gn 31.19). Mica rou-bou mil e cem moedas de prata de sua mãe (Jz
17.1,2). Quan-do os hebreus atacavam a cidade de Ai, Acã roubou uma capa
babilônica. Como resultado, ele e sua família foram mortos (js 7.19-26).
1.5.
O roubo dos comerciantes
Os comerciantes são advertidos
por Deus porque não usavam medida correta em suas balanças (Dt 25.12-16; Lv
19.35-37). Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o
seu prazer, como está registrado em Provérbios 11.1.
1.6.
O sequestro
Pessoas eram roubadas para
servirem de escravas: E quem furtar algum homem e o vender, ou for achado na
sua mão, certamente morrerá (Êx 21.16). Os irmãos de José o sequestraram,
vendendo-o, em seguida, como escravo (Gn 37.26-28). 1.7. O roubo dos poderosos
Para alargar a área do seu
palácio, o rei Acabe se propôs a comprar o terreno vizinho, por preço
vantajoso. Era a vinha de Nabote, mas este se recusou a vender por se tratar de
uma propriedade de família, de onde ele tirava o seu sustento (1 Rs 21.4).
Vendo que não conseguia obter as terras de Nabote, Jezabel, esposa do rei,
achou um jeito mais fácil de resolver o problema: mandou matar Nabote, sob a
acusação de blasfê-mia contra Deus e contra o rei, e se apoderou da vinha (1 Rs
21.1-29). Sabendo disso, o profeta Elias vaticinou a morte de Acabe (1 Rs
21.17-20).
1.8.
O protesto dos profetas
O profeta Jeremias condena aquele que se vale
do ser-viço alheio sem pagar às pessoas o valor que lhes é devido (Jr 22.13). Esse texto fala
não somente de maus patrões ou de pessoas que contratam algum serviço e não
pagam por ele, mas o texto também pode ser aplicável aos que praticam qualquer
tipo de falsificação, pirataria ou aquisição injusta. Os profetas de
Israel viram
essa situação em seu país e protestaram contra os ricos que oprimiam os
pobres, e contra toda forma de cobiça e aquisição injusta (Am 5.12; Mq 2.1,2).
O profeta Malaquias admite a
possibilidade de o homem rou-bar o próprio Deus (M13.8). Para se safarem da devolução dos
dízimos, muitos tentam criar uma nova teologia, como insistir que a prática do
dízimo é restrita ao Antigo Testamento, por exemplo. Estes, provavelmente,
desconhecem que o dízimo é absolutamente vigente no Novo Testamento, e que quem
o recebe é aquele de quem se testifica que vive (Hb 7.8).
2.
FURTOS NO NOVO TESTAMENTO
Não há muitos casos de furtos
relatados no Novo Testamento, mas as poucas amostras que temos demonstram o
mesmo tom de reprovação divina aos que os praticam.
2.1.
A figura do ladrão nos discursos de Jesus
Jesus foi crucificado entre
dois ladrões, embora não merecesse estar ali (Mt 27.38). Durante o Seu
ministério, o Mestre fez várias referências aos ladrões e salteadores, como,
por exemplo, ao falar dos que não entram pela porta do aprisco (Jo 10.1). Ele
ressaltou o perigo de uma casa ser roubada caso o pai de família não se
previna, trancando a casa para que não seja assaltada (Lc 12.39).
Em outro contexto, Pedro diz
que o dia do Senhor virá como ladrão (2 Pe 3.10). Jesus usou o termo ladrão
para mostrar que Ele era o seu oposto (Jo 10.10). Em Apocalipse (16.15),
referindo-se novamente à Sua vinda, o Senhor diz: Eis que venho como ladrão. A
propensão para o furto é algo que nasce dentro do coração do homem, do mesmo modo
que nascem outros pecados, como a prostituição, o homicídio, a blasfêmia e
outros (Mc 7.21,22).
2.2. A
figura do ladrão nas histórias do Novo Testamento
Judas, um dos
12 discípulos de Jesus, não teve o mesmo destino que os demais apóstolos.
Quando Jesus o chamou, ofereceu a ele as mesmas oportunidades que os demais, e,
quando a Bíblia diz que Jesus amou os discípulos até o fim (Jo 13.1), isso
incluía Judas.
Em um jantar em Betânia,
enquanto o Senhor é adorado por uma mulher que quebra um vaso de alabastro e
derrama unguento de nardo puro sobre os Seus pés — um produto caro —, Judas,
hipocritamente, reclama dizendo que aquele valor poderia ser revertido em favor
dos pobres. Judas era o tesoureiro do colégio apostólico e, enquanto fazia sua
reivindicação de solidariedade aos pobres, roubava o dinheiro que era colocado
na bolsa (Jo 12.6). Judas afundou-se na sua ganância, a ponto de vender Jesus
por 30 moedas de prata. O seu fim foi o suicídio (Mt 27.5).
Este,
infelizmente, acaba sendo o fim de todo aquele que ama o dinheiro. As
Escrituras dizem que essa cobiça tem levado as pessoas a duas ruínas: física e
espiritual (1 Tm 6.8-10).
O impulso para
o roubo pode atingir pessoas normais, tendo seu início desencadeado nos
pequenos gestos, como pedir uma caneta emprestada, e não devolvê-la, ficar com
um troco a mais, encontrar dinheiro caído no chão e não se esforçar para saber
quem o perdeu a fim de devolvê-lo, pedir dinheiro emprestado e não restituí-lo ao credor, e
outros.
3.
QUESTÕES RELACIONADAS AO NOSSO TEMPO
3.1.
A sonegação de impostos
A sociedade brasileira vem
sofrendo há anos com a corrup-ção praticada por autoridades políticas, o que é,
sem dúvida, urna vergonha nacional. Pena que falte a unia grande parte do povo
a integridade moral suficiente para protestar à altura, uma vez que há uma
imensidão de brasileiros que sonega impostos devidos ao governo. Muitos
argumentam que o governo exige muito e oferece pouco. Por mais verdadeiro que
seja esse argumento, como crentes em Jesus, temos o dever de cumprir com a
orientação dada por Ele (Lc 20.25). Sonegar é roubar o governo.
3.2. A avareza
Avareza é o apego excessivo
ao dinheiro, que por tudo responde (Ec 10.19). De fato, precisamos do dinheiro
para quase tudo nesta vida. Nada é de graça. No entanto, há formas honestas e
desonestas de se adquirir dinheiro. Comida, bebida e alegria acompanham o homem
que trabalha (Ec 8.15).
De acordo com os ensinos de Jesus, mais do que
evitar o roubo, é preciso ter um coração doador (Mt 5.42). Ele ainda disse:
Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração (Lc
12.34). João Batista, por sua vez, orientou seus discípulos a que não fossem
gananciosos (Lc 14.14). Já o apóstolo Paulo disse que o amor ao dinheiro é a
raiz de toda espécie de males (1 Tm 6.10). Em resumo, a avareza é idolatria (Cl
3.5); logo, fere o segundo mandamento.
Pode-se dizer que há roubos particulares e coletivos,
públicos e privados. Taxas, juros e impostos exagerados podem configurar
descumprimento, por parte das autoridades, do oitavo mandamento. Deus ama e
ordena a justiça por parte de todos, sobretudo dos governantes (Pv 8.15 NVI; Mq
3.1-4; Ez 18.7,8).
CONCLUSÃO
A quebra do oitavo mandamento
— não furtarás — é uma possibilidade que está muito próxima de qualquer um de
nós. Trata-se de um pecado que tão de perto nos rodeia (Hb 12.1). Jesus disse
que quem é fiel no mínimo também o é no muito (Lc 16.10). Do roubo à mão armada
a um troco a mais não devolvido, da ganância pelo acúmulo de dinheiro desonesto
a um pequeno empréstimo não devolvido, do trabalho excessi-vo pela ganância de
querer sempre mais à preguiça do que quer comer sem trabalhar, tudo se enquadra
na transgressão inibida pelo oitavo mandamento.
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Qual foi o pecado de Saul
quando Deus mandou que ele exterminasse os amalequitas?
R.: Preservou o seu rei, Agague, e o seu
rebanho, com a desculpa de que este serviria de oferta.
O
Decálogo — A ética do Sinai 63

ASSEMBLEIA DE DEUS VITÓRIA EM CRISTO
ESCOLA BÍBLICA DINÂMICA – EBD “A maior Escola Teológica do Mundo”
Tema: O Cristão e a propriedade alheia
JESUS E O DINHERIO Referência :
"E, vendo Jesus que ele ficara muito triste,
disse: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!"
VERDADE PRÁTICA
As Escrituras não condenam a aquisição honesta
de riquezas, e, sim, o amor a elas dispensado.
INTRODUÇÃO
O cristianismo bíblico e ortodoxo sempre
manteve uma posição de cautela e até mesmo reserva com respeito ao uso do
dinheiro e aquisição de riquezas. Na verdade, os primeiros líderes cristãos,
inspirados nos ensinos de Jesus, passaram a desestimular a aquisição de bens
materiais. Entretanto, o secularismo e o materialismo sempre rondaram o arraial
cristão e, vez por outra, Mamon tem deixado suas marcas em nosso meio.
Observaremos, nesta lição, que os ensinos de Jesus sobre a aquisição de
riquezas se distanciam do judaísmo de seus dias e, também, daquele que é
praticado hoje por muitos setores do cristianismo evangélico. Longe de
estimular a aquisição de bens, como fazem dezenas de igrejas, Jesus aconselhava
se desvencilhar delas. Aprendamos com o Mestre o uso correto do dinheiro e como
ser bons mordomos dos bens que nos foram confiados.
I. O DINHEIRO, BENS E POSSES NAS PERSPECTIVAS SECULAR
E CRISTÃ
1. Perspectiva secular.
Uma das formas mais comuns de
se enxergar o dinheiro, bens e posses na cultura secular é vê-los apenas como
algo de natureza puramente material. Tanto no mundo antigo quanto no
contemporâneo, é possível observar que a realidade material pareceu sempre se
sobrepor à espiritual. O material passa a dominar a vida das pessoas e isso
inclui dinheiro, bens e posses. No Mundo Ocidental, essa forma de enxergar as
coisas transformou-se em uma filosofia de vida que se recusa a enxergar outra
coisa além da matéria. Por essa perspectiva, o material é superestimado
enquanto o espiritual é ignorado e suplantado. Nesse contexto, quem tem posses
é valorizado, e quem não as possui nada vale. O dinheiro, como valor material
que garante posses, ganha o status de senhor em vez de servo.
2. Perspectiva cristã.
No contexto cristão, o mesmo Deus que fez o
espiritual é o mesmo que fez o material. Nos ensinos de Cristo, não há um
dualismo entre matéria e espírito! Todavia, as coisas espirituais, por serem de
natureza eterna, ganham primazia sobre as materiais, que são apenas temporais
(Lc 10.41). Na perspectiva cristã, portanto, as dimensões material e espiritual
devem coexistir. Assim como servimos a Deus com o nosso espírito, nossa
dimensão espiritual, devemos também servir com o nosso corpo (1 Co 6.19,20; 1
Ts 5.23), nossa dimensão material. Dessa forma, quem se tornou participante dos
valores espirituais deve também servir com seus bens materiais (Rm 15.27; Lc
8.3). Aqui, o dinheiro, como valor material, não é visto como senhor, mas
apenas como um servo.
II. DINHEIRO, BENS E POSSES NO JUDAÍSMO DO TEMPO DE
JESUS
1. Ricos e pobres.
No judaísmo do tempo de
Jesus, a sociedade estava dividida em dois grupos: os ricos e os pobres. Na
classe mais abastada, estavam os sacerdotes, participantes de uma elite que
controlava o sistema de sacrifícios e lucravam com ele, e os herodianos que
possuíam grandes propriedades. Um outro grupo era formado por membros da aristocracia
judaica que enriqueceu à custa de impostos de suas propriedades e ao seu
comércio. O último grupo era formado por judeus comerciantes, que, embora não
possuíssem herdades, participavam ativamente da vida econômica da nação. No
extremo oposto dessa situação, estavam os pobres! Estes eram "o povo da
terra" (Lc 21.1-4). Não possuíam nada e ainda eram oprimidos pelos ricos
(Tg 2.6).
2. Generosidade
e prosperidade.
Na cultura judaica nos dias de Jesus, a posse
de bens materiais não era vista como um mal em si. O expositor bíblico P. H.
Davids observa que os exemplos de Abraão, Salomão e Jó serviam de inspiração
àqueles que almejavam a prosperidade. A ideia era que os ricos prosperavam
porque sobre eles estava o favor de Deus. Dessa forma, a prosperidade passou a
ser associada à piedade. Para evitar a avareza e a ganância, a tradição
rabínica estimulava os ricos a serem generosos e solidários com os pobres, que
era maioria na comunidade. Evidentemente que essa concepção estimulava apenas
as ações exteriores, sem levar em conta as atitudes interiores (Lc 21.4).
III. DINHEIRO, BENS E POSSES NOS ENSINOS DE JESUS
1. Jesus
alertou sobre os perigos da riqueza.
O ensino de Jesus sobre o uso
das riquezas foi muito mais radical do que ensinava o judaísmo e a tradição
rabínica dos seus dias. Jesus, ao contrário dos rabinos, não associou a piedade
com a prosperidade. A riqueza de alguém nada dizia sobre a sua real condição
espiritual. Para Jesus, o perigo das riquezas estava no fato de que elas
poderiam, até mesmo, se transformar numa personificação do mal e reivindicar o
culto para si. Por isso, advertiu: "Não podeis servir a Deus e [as
riquezas]" (Lc 16.13). O vocábulo traduzido como "riqueza",
nesse texto, corresponde à palavra grega de origem aramaica Mammonas, traduzida
na ARC como Mamom. A riqueza pode se transformar em um ídolo, ou deus, para
aqueles que a possui. Nesse aspecto, as riquezas tornam-se um obstáculo no
caminho daquele que serve a Deus (Lc 8.14).
2. Jesus
ensinou a confiança em Deus.
Embora Jesus tenha mostrado que as riquezas
podem, até mesmo, se tornar uma personificação do mal, Ele não as demonizou. No
entanto, na perspectiva lucana, Jesus desencoraja a aquisição de riquezas (Lc
12.13; 18.22) e estimula a confiança em Deus. E havia uma razão para isso. Logo
após mostrar os perigos da avareza a alguém que queria fazer dEle um juiz em
uma questão relacionada a uma herança, Jesus revela a seus discípulos que a
melhor forma de se proteger desse mal é confiar inteiramente na provisão divina
(Lc 12.13-34). As riquezas dão a falsa sensação de segurança e de independência
das coisas espirituais. Daí, sua recomendação para não se confiar nelas (Lc
12.33,34).
IV. DINHEIRO, BENS E POSSES NA MORDOMIA CRISTÃ
1. Avaliando a intenção do coração.
Os léxicos definem a avareza
como um apego demasiado e sórdido ao dinheiro e mesquinhez. Vimos que, para
evitar esse mal, a tradição rabínica estimulava as práticas filantrópicas e
solidárias. O ensino de Jesus sobre o uso das riquezas vai muito além da
simples doação de bens e ações filantrópicas. Ele não se limitava a avaliar
apenas as ações exteriores, mas, sobretudo, voltava-se para as atitudes
interiores. Dessa forma, valorizou as atitudes da mulher pecadora na casa de
Simão, o leproso, e de Maria de Betânia, a irmã de Marta e de Lázaro (Lc
7.36-50). Não era, portanto, apenas se desfazer dos bens, mas a atitude e
intenção com que isso era feito (Lc 11.41; 21.1-4). Não basta apenas ofertar,
ou dar o dízimo, mas a atitude com que se faz essas coisas. Não era apenas doar,
mas doar-se.
2. Entesourando no céu.
Mordomo é alguém que administra os bens de
outra pessoa. Os bens não lhe pertencem, mas ele pode usufruir deles enquanto
os administra para seu legítimo dono. Jesus contou a parábola do administrador,
ou mordomo infiel, para mostrar esse fato (Lc 16.1-13). O entendimento entre os
intérpretes da Bíblia é que essa parábola tem um fim escatológico. Assim como
os filhos deste mundo são perspicazes e astutos no que diz respeito ao uso de
suas riquezas, assim também os filhos do Reino devem ser sábios na aplicação de
seus bens. O ensino da parábola é que o melhor investimento é usar os recursos
materiais adquiridos na propagação do Reino de Deus e, dessa forma, ganhar
amigos para a vida eterna (Lc 16.9).
3. CONCLUSÃO
Não há valor moral no dinheiro em si. Ter
dinheiro pode ser uma coisa boa ou ruim. Isso vai depender do conjunto de
valores daquele que o utiliza. Certamente, usar o dinheiro para ajudar uma obra
filantrópica, ou investir na obra missionária, é uma coisa útil e louvável.
Todavia, usar esse dinheiro, como advertiu Jesus, simplesmente com a atitude de
querer mais posses, mais prestígio, mais autossatisfação, acaba se tornando uma
coisa ruim. Leiamos com cuidado o terceiro Evangelho e descubramos o exercício
da verdadeira mordomia cristã.
https://escoladominical.assembleia.org.br/licao-10-jesus-e-o-dinheiro-2/
Lucas 18:24

Tema: O Cristão e a propriedade alheia
O CRISTÃO E OS BENS MATERIAIS
“(...) a vida
de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15c)
Passando por alguns canais de
tevê, deparei-me com um repórter perguntado: “Depois que você passou a
frequentar a Igreja B como ficou sua vida?” O entrevistado com um sorriso no
rosto responde: “Minha vida agora é uma benção. Eu estava totalmente arruinado.
Agora já consegui comprar uma casa, tenho dois carros novos, vários celulares e
o mais importante, meu negocio próprio que vai muito bem. Tudo isso eu consegui
depois que entrei para a Igreja B. E ainda vou conseguir muito mais bênçãos”.
Não tem como evitar. Quem
ouve uma entrevista como esta, fica com a idéia de que benção e bens materiais
são sinônimos. E este é exatamente o ensino da chamada teologia da
prosperidade. Quem tem fé verdadeira em Deus é um ofertante generoso e, por
conseqüência, alguém próspero e que tem todo o conforto.
Para os teólogos da
prosperidade vale a advertência de Jesus. “Prestem atenção! Tenham cuidado com
todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das
coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas” (Lc 12.15 NTLH). Vale também o
exemplo de Alexandre, o grande. Conta-se que ele chamando um dos seus generais
revelou-lhe os seus três últimos desejos. Primeiro que seu caixão fosse
transportado pelas mãos dos médicos. Segundo que fosse espalhado no caminho até
seu túmulo os seus tesouros. Terceiro que suas duas mãos fossem deixadas para
fora do caixão, balançando no ar. O general perguntou sobre os motivos para
tais pedidos e Alexandre respondeu: “Quero que os mais iminentes médicos
carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a
morte. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas
possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem. Quero que
minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias
viemos e de mãos vazias partimos”.
Em outras palavras, Deus
disse o mesmo ao rico que queria guardar toda a sua produção e viver a vida
regaladamente: “Seu tolo! Esta noite você vai morrer; aí quem ficará com tudo o
que você guardou?” (Lc 12.20). O desejo de acumular bens matérias é pecaminoso.
“Todo aquele que se permite desejar mais do que lhe é necessário, francamente
se põe em direta oposição a Deus, visto que todas as luxúrias carnais se lhe
opõem diretamente” (João Calvino). Os bens materiais são importantes, mas não
garantem a vida. O que garante é a fé em Jesus como Senhor e Salvador. Quem
nele confia saberá dimensionar e administrar corretamente seus bens e jamais os
confundirá com bênçãos divinas.
Soli Deo Gloria!
Rev. Ezequiel Luz

Tema: O Cristão e a propriedade alheia
O CRISTÃO E A PROPRIEDADE
PRIVADA Referência:
Numa época de polarizações
entre o Capitalismo e o Comunismo, o tema “propriedade privada” se coloca no
centro dos embates. O Capitalismo considera como propriedade privada o acúmulo
de bens adquiridos por meio de ganhos lícitos ou fruto de uma herança familiar;
O Comunismo, por sua vez, não incentiva a propriedade privada, considerando que
cabe ao Estado concentrar e distribuir as riquezas para todos. Diante disto
surge uma pergunta, como deve o cristão tratar o assunto da propriedade
privada? É pecado acumular bens?
Creio que um texto, escrito à
quase 500 anos atrás, pode lançar luz sobre este tema. Comentando a respeito do
oitavo mandamento (Não cometerás furto Ex 20:15), Calvino faz a seguinte
declaração: “A cada um vem aquilo que possui, não por contingência fortuita,
mas em virtude da dispensação do Supremo Senhor de todas as coisas. Portanto,
não se pode, mediante maldosas artimanhas, defraudar as posses de quem quer que
seja, sem que se cometa violação da divina dispensação”[1].
Embora este não fosse o tema
principal tratado por Calvino, podemos considerar que para ele o Criador de
todas as coisas dispensava a cada um aquilo que possuía. Não havia crime algum
em possuir bens, pelo contrário, uma vez que isto fosse fruto de trabalho
lícito, todos deveriam respeitar a propriedade e considerá-la como dádivas do
Criador.
Richard Foster nos oferece
também uma preciosa contribuição para o esclarecimento deste tema, ele diz:
“Quando sabemos (de verdade) que a terra é de Deus, então a posse em si nos
torna mais conscientes a respeito do Senhor. Por exemplo, se estivéssemos
passando uns dias cuidando da casa de férias de uma atriz famosa, nos
lembraríamos dela diariamente pelo próprio fato de estar vivendo em sua casa.
Milhares de coisas nos trariam a mente sua lembrança. Assim é em nosso
relacionamento com Deus. A casa na qual vivemos é dele, o carro que dirigimos é
dele, o jardim que plantamos é dele. Somos apenas despenseiros temporários de
coisas que pertencem a outro: o próprio Deus”[2].
Acima de tudo, nosso coração
deve estar somente em Deus. O amor ao dinheiro (como qualquer outra coisa) pode
ocupar o lugar de Deus na vida de uma pessoa. A exortação de Paulo a Timóteo
foi com respeito ao AMOR pelo dinheiro, não com dinheiro propriamente dito.
Devemos sempre nos lembrar de que o dinheiro é um ótimo servo, mas um cruel
senhor. Podemos conquistar bens, mas nunca podemos nos esquecer de que a terra
e tudo que nela se contem pertencem ao Senhor, inclusive nós.
[1]
CALVINO João, As Institutas, Livro II,Cap.VIII,45 [2] FOSTER Richard,
Dinheiro,Sexo e Poder. Mundo Cristão.

Tema: O Cristão e a propriedade alheia
O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE A PROPRIEDADE Referência:
O oitavo mandamento é “não
furtarás” (Ex. 20.15). Apesar de ser uma frase simples e clara, ela envolve um
grande número de questões que um leitor desatento pode não reparar ou
simplesmente não reflete por achar demasiadamente óbvio. Por isso, gostaria de
trazer, de maneira breve, três pontos que julgo importantes envolvendo este
mandamento e que fará com que se reflita seus posicionamentos.
Os três pontos são o
seguinte: 1) Se algo pode ser roubado, significa ela pertence a alguém; 2) O
direito de propriedade não pode ser violado; por fim, 3) A violação da
propriedade de alguém é uma atitude que deve ser condenada. Passo então a
destacar brevemente algumas questões pontuais sobre isso.
O que é a propriedade?
A propriedade pode ser definida, segundo nos
diz Melnik (2009, p.10), como o “direito do dono ou donos, devidamente
documentado, formalmente reconhecido pela autoridade pública e protegido por
lei, passível de exploração de ativos, seja material ou imaterial, na exclusão de
qualquer outra pessoa e a seu dispor para venda ou de outra forma”. Ou seja, é
“qualquer coisa que as pessoas possam usar, controlar ou dispor que legalmente
as pertença” (Ibid, p. 8). Ela pode ser algo tangível, como uma casa, carro ou
roupa; ou intangível, como direitos autorais, marcas, etc., além de que a
propriedade pode ser produtiva ou pessoal. A primeira refere-se àquilo que gera
outras propriedades, como a terra. A segunda está relacionada àquilo que é para
ser usado, consumido.
A propriedade, juntamente com a família e a
religião, formam os três pilares da sociedade.
Sobre a violação da propriedade
Respeito pela propriedade alheia é muito
importante. O ser humano tem direito possuir, e, possuindo, não pode ser
privado por quem quer que seja. Tudo o que alguém possui vem do trabalho, seja
dela ou de outrem. Isto é, ela pode ter conseguido pelo fruto de seu trabalho
ou pela doação de outras pessoas. A bíblia relata que o trabalhador é digno do
seu salário (Lc 10.7), por isso não se pode privar um homem do fruto do seu
trabalho, do seu sacrifício pessoal.
A violação desse direito é
algo que não deve ser permitido pelo Estado. A propriedade estará devidamente
protegida quando seu direito é garantido por meio das leis. É através a
aplicação das leis na sociedade que os magistrados poderão garantir que a
propriedade não será violada. Assim, o livre comércio entre as pessoas,
empresas, e assim por diante, ficam assegurados. Ora, a liberdade para negociar
não teria sentido se as pessoas não tiverem seus direitos (à propriedade)
assegurados.
Concluindo, como cristãos
devemos defender direito à propriedade, que é assegurado pela Bíblia. Devemos
cobrar dos nossos magistrados que protejam aquilo que deve ser protegido. Os
cristãos devem incentivar o direito a propriedade privada e sua
inviolabilidade; devem requerer dos governantes leis que garantam esse direito;
devem exigir leis que tornem esse direito constitucional. A violação desse
direito deve ser rigorosamente punida, dadas às proporções. Portanto, enquanto
cristãos, não podemos aceitar que o Estado, ou ideologias, em momento algum
possam retirar dos cidadãos esse direito.
Texto de Lucas Dantas Citação
do autor: Melnik, S. Liberdade e propriedade. São Paulo: Instituto Friedrich
Naumann, dezembro 2009
FONTE :
CAPÍTULO 8
O OITAVO MANDAMENTO
"Não furtarás" (Êx 20:15).
Vamos ler agora Efésios 4:28:
"Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o
que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade". O
roubar se condena tanto na dispensação cristã como na judaica.
A igreja em Éfeso havia
recebido a verdade mais elevada que Deus jamais havia entregado a assembleia
alguma. Deve ter havido uma condição tal que os qualificava para que fossem os
depositários de tão maravilhosa verdade. Mas ainda assim, após os assentar nos
lugares celestiais em Cristo Jesus, Deus tem que descer o teor da epístola ao
nível humilhante da carne que havia neles, e passar a falar-lhes a respeito do
ato de roubar. Tal é o homem!
A lei só fez a proibição:
"Não furtarás". Mas o cristianismo sobrepuja a isso e insiste que
devemos trabalhar, fazendo o que é bom, para podermos dar ao que padece
necessidade. Quão formoso! Porém note-se, é o fazer o que é bom. Ganhar o pão
com o trabalho não é por si só fazer o que é bom. Será que você está fazendo o
que é bom, isto é, aquilo que tem a aprovação de Deus?
Conhecíamos um irmão em
Cristo, que agora já está com o Senhor, que antes de se converter era
balconista em um bar. Ganhava seu pão cotidiano honestamente com seu trabalho.
Mas depois de entregar-se ao Senhor, se deu conta de que não fazia o que era
bom; buscou outro emprego e o achou. Não roubemos, é o lado negativo. Para que
tenhamos o que dar, façamos o que é bom; este é o lado positivo no
cristianismo. Você sabe que a Palavra de Deus fala dos santos pobres e que não
há nada que possa ser considerado biblicamente incoerente nestas duas palavras:
"santos" e "pobres". Então tenhamo-las presentes em nossa
memória para assim cumprirmos a vontade de Deus.
OS
DEZ
MANDAMENTOS
C. H. BROWN
Não haverá paz numa sociedade
se não houver proteção da propriedade. Isso inclui o compromisso de cada um na
construção de uma sociedade justa e saudável. Deus concedeu a todos os seres
humanos o direito de adquirir bens materiais, desde que essa aquisição seja de maneira
honesta e envolva o trabalho. O oitavo mandamento foi dado a Israel como
preceito jurídico e religioso, mas no Novo Testamento o tema é espiritual, pois
os ladrões e roubadores não herdarão o Reino de Deus (1 Co 6.10).
Adquirir legitimamente a
propriedade é direito sagrado. Ninguém temo direito de subtrair o que não lhe
pertence. Nem mesmo o Estado pode lançar mão da propriedade alheia. O rei Acabe
se apoderou ilegitimamente do campo de Nabote e tal atitude deixou Deus irado,
por isso mandou o profeta Elias ditar o destino desse monarca com sua esposa
Jezabel (1 Rs 21.17-19). Essa garantia vem de Deus.
PROPRIEDADE E TRABALHO
As informações bíblicas mais
antigas de que dispomos sobre o regime de propriedade retrocedem ao período
patriarcal. Abraão comprou de um heteu chamado Efrom parte de uma propriedade
que se localizava no fim de seu campo, para o sepultamento de Sara (Gn
23.17-20). No Egito, durante o período das vacas magras, José comprou para o
Faraó todas as terras do Egito, exceto aquelas que pertenciam aos sacerdotes
egípcios. Assim, os antigos proprietários arrendaram essas terras e passaram a
pagar ao rei do Egito 20% de sua produção (Gn 47.20-26). Textos antigos de
autores profanos confirmam essa reforma administrativa de José no Egito.
Heródoto diz que o Faraó Sisóstris "repartiu o país entre todos os egípcios,
concedendo a cada um uma parte quadrada e, conforme esta partilha, estabeleceu
a eles o pagamento de um tributo anual" (História il. 109). Os sacerdotes
eram isentos desse tributo. Relato similar aparece em Diodoro Sículo,
historiador da Sicília, contemporâneo de Júlio César e Augusto, em sua Biblioteca
Histórica, afirma que toda a terra do Egito pertencia aos sacerdotes, ao rei e
aos guerreiros (1.73); e, segundo o estoico Estrabão, historiador e geógrafo
grego (64 a.C.-19 d.C.), autor da obra Geografia, os camponeses e mercadores
arrendaram as terras do Egito de modo que elas não lhes pertenciam (Livro 17).
São documentos extrabíblicos confirmando o relato da Bíblia. Na Mesopotâmia, as
propriedades eram familiares e individuais, e o rei só podia dispor delas se as
comprasse.
No sistema mosaico, toda a terra pertencia a
Javé (Ex 19.5; Dt 10.14). Deus autorizou a partilha da terra dos cananeus entre
as famílias israelitas, o que aconteceu durante as conquistas de Josué. A
partir do capitulo 13 de Josué, há o registro da divisão da terra entre as
tribos de Israel. Cada propriedade estava limitada por marcos cuja remoção a
lei proibia severamente (Dt 19.14; 27.17), e essa ordem se estende ao longo do
Antigo Testamento (Jó 24.2; Pv 22.28; 23.20; Os 5.10). A lei garantia o direito
de posse da propriedade, que era patrimônio familiar, e o rei não tinha o
direito de se apossar dela, exceto pela compra se o proprietário quisesse
vendê-la. O episódio do rei Acabe é um exemplo clássico do direito sagrado de
propriedade, como se vê em 1 Reis 21.
Deus não criou o homem para a ociosidade. Adão
recebeu tarefas para serem feitas mesmo antes da Queda do Éden: "E tomou o
SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar"
(Gn 2.15). A Bíblia mostra o trabalho como bênção de Deus e não como maldição
(SI 128.1, 2). Todos devem trabalhar e isso é honroso. O apóstolo Paulo disse
que, "se alguém não quiser trabalhar, não coma também" (2 Ts 3.10).
Não existe trabalho baixo e alto, desde que seja honesto. Até os ricos
trabalham. Certamente produzir e enriquecer é trabalhar. Talento, habilidade,
esforço são elementos do trabalho. Os bens e propriedades adquiridos por meio
de trabalho honesto ou por herança são opostos ao furto e roubo.
O OITAVO MANDAMENTO
O mandamento "Não
furtarás" se dirigia originalmente a sequestradores, segundo a maioria dos
exegetas do Antigo Testamento, mas o contexto revela sua aplicação contra tudo
o que é apropriação indébita, de coisas ou pessoas. A ligação com o tráfico de
pessoas é uma conclusão e se baseia na inferência de Êxodo 21.16: "E quem
furtar algum homem e o vender; ou for achado na mão, certamente morrerá".
Este preceito reaparece mais adiante (Dt 24.7). E o verbo hebraico gãnav,
"roubar, furtar", que aparece no oitavo mandamento /o ' tignov».
"Não furtarás", é o mesmo usado nesses dois versículos (Êx 21.16; Dt
24.7). Pessoas eram roubadas na antiguidade para serem vendi-das como escravas,
como aconteceu com José do Egito, que foi vendido pelos próprios irmãos (Gn 37.22-28).
Ele mesmo disse: "De fato, fui roubado da terra dos hebreus" (Gn
40.35). Esse tipo de crime era comum também no período do Novo Testamento (1 Tm
1.10). Mas o preceito se refere também a furto de objetos (Gn 44.8). O campo
semântico da raiz gnb,"6 se estende de "remover (secretamente)"
a "trapacear" (Gn 31.20, 26, 27).
O furto se distingue do
roubo, já que o primeiro é a subtração do objeto sem violência e às esconsas,
pois o dono está ausente; o roubo é a subtração da coisa na presença da vítima,
também sem violência, como fazem os batedores de carteira nas grandes cidades.
O assalto é o ataque súbito a alguém com ameaça e violência para subtrair
alguma coisa. O latrocínio é o roubo seguido de morte da vítima. O mandamento
"Não furtarás" é um dispositivo contra o roubo: "Não confiem na
violência, nem esperem ganhar alguma coisa com o roubo" (SI 62.10, NTLH) e
contra o furto: "Aquele que furtava não furte mais" (Ef 4.28). Mas o
oitavo mandamento não se restringe a isso, havendo muitas atividades desonestas
condenadas na presente ordem.
O sistema mosaico aplica a pena capital a quem
violar o oitavo mandamento no crime de tráfego de seres humanos (Êx 21.16; Dt
24.7). A sanção contra os demais tipos de pecados e crimes previstos no
presente mandamento é a restituição da coisa roubada ao dono. O receptador de
bens roubados ou furtados é igualmente culpado com o autor do crime (SI 50.18;
Pv 29.24). 0 sistema mosaico condena também as transações fraudulentas (Lv
19.35, 36; Dt 25.13-16). Essa proibição reaparece mais adiante na história de
Israel (Pv 11.1). É o que Deus espera de cada um de nós: "Ninguém oprima
ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas
estas coisas" (1 Ts 4.6). Isso envolve a opressão, a extorsão, o suborno e
a usura (Lv 25.17, 36; Dt 19.16; 23.29). Quem toma emprestado deve pagar (SI
37.2 I). Os moradores de Judá estavam envolvidos nestes pecados nos dias da
apostasia que precederam a queda de Jerusalém (Ez 22.12). É também violação do
preceito em foco a remoção de marcos para aumentar a extensão da área de uma
propriedade (Dt 19.14; 27.17; Pv 22.28).
LEGISLAÇÃO MOSAICA SOBRE O FURTO
A legislação mosaica traz
mais adiante o modus operandi, a instrução para que as autoridades de Israel
possam julgar os casos pertinentes ao sétimo mandamento (Êx 22.1-15). O tema é
de caráter jurídico a ser administrado pelo Estado e não necessariamente pela
Igreja.
O primeiro preceito desta
seção dispõe sobre a pena aplicada ao ladrão (Êx 22.1-4). 0 v. 3b seria a
sequência lógica do v. 1, ficando assim: "Se alguém furtar boi ou ovelha e
o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois; e pela ovelha, quatro
ovelhas. ... O ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar,
será vendido por seu furto". Teria sido da lavra de Moisés ou de editores
posteriores, igualmente inspirados, o deslocamento dessa cláusula? No segundo
caso, qual teria sido o propósito des-sa mudança? Há muitas explicações que não
são dadas aqui por absoluta falta de espaço, mas merece destaque a
interpretação de Cassuto, segundo o qual os vv. 2 e 3a devem ser o tópico
central porque o foco é a vida humana, (apud DOZEMAN, 2009, p. 539).
A pena para quem violasse o oitavo mandamento
não era a morte, exceto no caso de rapto de pessoas para serem vendidas como
escravos. A pena era a restituição de cinco para cada boi e de quatro para cada
ovelha (Êx 22.1), mas, se o animal estivesse ainda vivo, a restituição seria o
dobro (Êx 22.4) ou 20% se o ladrão confessasse voluntariamente o furto (Lv 6.4,
5). Essa restituição não era uma simples multa pecuniária, mas o resgate pela
vida do ladrão, porque a invasão da propriedade da vítima para roubar era um
crime de violência que devia ser punido com a morte. Aqui está uma diferença
significativa entre os demais códigos antigos, como o de Hamurabi e o Hitita.
No entanto, se o ladrão capturado não tivesse como restituir o roubo, como
mandava a lei, seria vendido como escravo (Êx 22.3b). É preciso lembrar que a
lei do escravo para os hebreus era diferenciada em Israel. O escravo israelita
nesse caso seguia o padrão mosaico (Êx 21.2).
A lei dispõe ainda sobre o
ladrão arrombador, caso fosse morto dentro de casa pelo seu proprietário. Se o
ato acontecesse durante a noite, o dono da casa que matou o ladrão não seria
culpado de sangue, mas, se o caso ocorreu de dia, o dono seria culpado de
sangue pela morte do ladrão (vv. 2, 3b).
Há certo paralelismo entre o sistema mosaico e
o Código de Hamurabi, com diferenças e semelhanças além do aspecto espiritual
que faz da lei de Moisés um código sui generis. O sequestro e o furto de
qualquer objeto do templo dos deuses ou do palácio real eram crimes punidos com
a pena capital (5 6, I4), mas, se o objeto do furto fosse animal ou barco, a
pena poderia ser pecuniária, equivalente a 30 vezes o valor do furto, e, se a
vítima fosse um cidadão comum, a pena seria reduzida para dez vezes. Se o
ladrão não tivesse com que pagar, seria morto (§ 8). A legislação mesopotâmica
aqui é mais dura quanto à pena pecuniária e mais dura se o ladrão não tivesse
como pagar a multa.
O segundo e o terceiro preceitos dizem
respeito à negligência (Ou 22.5, 6). A pena aqui é diferenciada. No primeiro
caso, o responsável pelo estrago na safra do campo e da vinha da vítima teria
de retribuir os prejuízos com o melhor do seu próprio campo. No segundo caso, o
culpado pelo incêndio teria de fazer a restituição com o pagamento total dos
danos causados pela queima.
O sistema mosaico revela nesse
oitavo mandamento o cuidado individual de evitar danos e prejuízos alheios.
Esses princípios estão presentes em todas as civilizações antigas e permanecem
ainda hoje em todas as nações. O contexto histórico social é outro, mas o
princípio é o mesmo. Não há bois nem ovelhas nas cidades, mas há cães e gatos
nas residências, e nem sempre seus donos se dão conta dos incômodos que causam
aos vizinhos, ruídos e também dejetos em terrenos alheios, às vezes, nas
próprias ruas. A intenção do Espírito Santo aqui é nos ensinara amare respeitar
ao próximo e a não lhes causar nenhum prejuízo.
A lei fala sobre animais,
porém no contexto atual muitas outras coisas podem ser adicionadas, por
exemplo, acidentes de carros, problemas em construção de casa, barulhos etc. AI
está, mais uma vez, a grandeza e a importância da lei dada a Israel no concerto
do Sinai, que serve como inspiração e instrução para todos os povos e em todas
as épocas para o bem-estar de todas as pessoas. A lei apresenta ainda na presente
seção alguns preceitos adicionais sobre o ladrão (Ou 22.7-9). Aqui a lei trata
de alguém que tem objeto roubado sob a sua guarda. Se o ladrão for encontrado,
ele retribuirá o dobro (v. 7). Mas, se o autor do roubo não for encontrado, o
responsável pela custódia terá de provar que o objeto não foi de fato roubado,
confirmando assim sua inocência (v. 8). Isso é para ser feito num julgamento,
razão pela qual o assunto é levado perante os juízes (v. 9). A lei constituiu
juizes para julgar os réus como também deliberar sobre os litígios.
O termo "juízes", em hebraico aqui
'el-hã-Wohim,"'significa literalmente "diante de Deus", embora o
termo plural, Wohim, de forma isolada, signifique também "deuses". O
termo aparece duas vezes na presente seção (vv. 8, 9). A tradução literal
se-ria "perante Deus" como aparece na Septuaginta e na Vulgata
Latina. Este uso é padrão para o verdadeiro Deus no Antigo Testamento e não
deve ser traduzido como "deuses" por causa do artigo. O emprego de
"juízes" aqui é legítimo e ninguém ques-tiona essa tradução. As
versões rabinicas empregam "perante a corte". A passagem paralela em
Deuteronômio lança luz sobre o assunto, pois aparece liplmé hã-koháním
we-ha-shshophe-tim,", "diante dos sacerdotes e dos juízes" (Dt
19.17). O termo shophetim, plural de shophet, significa "juiz, árbitro,
conselhei-ro jurídico; governante" (Dt 19.17). Os juízes representavam o
Deus de Israel nos julgamentos, pois a sentença judicial vinha investida de
legitimidade divina.
A presente seção dispõe também
sobre a apropriação indébita (Ex 22.10-13). O preceito aqui é a continuação do
anterior, é que lá trata de "prata ou objetos" (v. 7), em hebraico é
kesseph Kesseph se usa para "prata", mas ainda hoje significa também
"dinheiro" em Israel; kélim, plural de kelt, significa "objeto,
artigo, utensílio, vaso", que as nossas versões traduzem também por
"roupa, traje, veste" em Deuteronômio 22.5. Mas os versículos 10-13
tratam agora de animais sob a custódia de alguém. Se o animal fugir, morrer ou
for dilacerado sem que haja testemunha disso, o responsável pela guarda fará um
juramento perante Deus de que não subtraiu os animais em questão e seu dono
deve aceitar esse juramento. Isso significa que ele não tem direito à
restituição. Se o animal for furtado, o que tinha a custódia fará restituição
ao dono, e, se for dilacerado, não haverá restituição, mas o dono precisa ver
essa dilaceração.
A seção se encerra com
instruções sobre empréstimo, aluguel e arrendamento: "Se um homem pedir
emprestado ao seu próximo, e aquilo que for emprestado vier a danificar-se ou
morrer em ausência do dono, certamente fará ele restituição. Se o dono estiver
presente, o outro não fará restituição; se a coisa for alugada, o preço do seu
aluguel já respondeu por ela" (vv. 14, 15). Se a coisa emprestada for
danificada ou o animal arrendado for morto, estando o dono presente não haverá
restituição, mas, se ele estiver ausente, o que tomou o objeto emprestado ou o
que arrendou o animal terá de restituí-lo.
Diante do exposto, fica evidente que o oitavo
mandamento é uma proibição que envolve toda a forma de apropriação indébita: o
furto, o roubo, o tráfico de seres humanos e a recepção de qualquer coisa
roubada, as transações fraudulentas e os pesos e as medidas falsos, a remoção
de marcos de propriedade, a injustiça e a infidelidade em contratos entre os
homens ou em questões de confiabilidade, patrão e empregado e vice-versa, a
opressão, a extorsão, a usura e o suborno.
Os dez mandamentos Esequias soares

Lição 10 - Não Furtarás
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 - CPAD
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS –
O NOVO
TESTAMENTO
Romanos 2:21 «...Tu, que pregas
que não se deve furtar, furtas ?...» Não se pode duvidar que o furto era um
defeito de caráter extremamente comum entre os judeus. Mas mui provavelmente
Paulo, à semelhança do Senhor JESUS, se referia aqui a formas mais pervertidas
e às vezes disfarçadas de furto, conforme vemos nos pontos discriminados
abaixo:
1.
Por exemplo, impunham pesadas cargas aos outros, como impostos e a necessidade
de contribuírem com altas somas para o templo, além daquilo que era legítimo, a
fim de que enriquecessem. (Ver Mat. 23:2,4).
2.
Faziam da própria casa de DEUS, o templo de Jerusalém, um covil de salteadores,
estabelecendo mesas de cambistas no templo, onde vendiam os sacrifícios
necessários por preços exorbitantes. (Ver Mat. 21:13 e João 2:16).
3.
Toda a moeda corrente no templo tinha de ser judaica, e por isso havia o grande
negócio explorado pelos cambistas, que trocavam o dinheiro estrangeiro pelo
dinheiro nacional. O câmbio era exageradamente alto, e assim o povo judaico era
sistematicamente roubado de seu dinheiro, e isso para atenderem a uma
finalidade religiosa.
4.
Os líderes do judaísmo também furtavam as casas das viúvas, convencendo-as a
doarem suas propriedades e heranças para o serviço de DEUS, ou formando
processos contra elas, a fim de se apossarem dessas propriedades. Ou ainda
pressionando-as ilegalmente, fazendo acusações inverídicas. (Ver Mat. 23:14).
Todas essas coisas eram tantas outras formas de furto, e o partido dos saduceus
não se envergonhava por lançar mãos desses artifícios; e com essas medidas
conseguiam dominar e controlar o culto do templo.
5.
Também furtavam espiritualmente aos outros, ensinando interpretações falsas da
lei, e defraudando o povo de sua legítima herança espiritual. Porém, o mais
provável é que esse crime não esteja em vista no presente versículo, apesar de
que assim realmente agiam aqueles homens.
6.
Cobravam juros exorbitantes por empréstimos feitos a compatriotas judeus, sem
importar-lhes que a lei proibia a cobrança de juros, em qualquer forma, da
parte de um judeu contra outro. (Ver Deu. 23:19). Essa, pois, era uma outra forma
como se manifestava a desonestidade daqueles mestres judeus.
CHAMPLIN, Russell Norman, O
Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Candeias. Vol. 3. pag. 600.
Ele
agrava suas provocações (w. 21-24) por duas coisas:
1.
Que eles pecaram contra seu próprio conhecimento e confissão, fizeram aquilo
que eles mesmos ensinavam os outros a não fazer: “...tu, pois, que ensinas a
outro, não te ensinas a ti mesmo Ensinar é um pouco desta caridade que começa
em casa, ainda que não deva terminar ali. Era a hipocrisia dos fariseus que
eles não praticavam o que ensinavam (Mt 23.3), mas destruíam em suas vidas o
que construíam com sua pregação; porque, quem acreditará naqueles que não
acreditam em si mesmos? Os exemplos valem mais que as regras. Os que mais
impedem o sucesso da palavra são aqueles cuja má vida contradiz sua boa
doutrina, que no púlpito pregam tão bem que é uma pena que eles sempre saem, e
fora do púlpito vivem tão mal que é uma pena que eles sempre entrem. Ele
especifica três pecados em particular que ocorrem muito entre os judeus: (1)
Furto. Essa acusação é feita a alguns que declaravam os estatutos de DEUS (SI
50.16,18): “Quando vês o ladrão, consentes com ele”. Os fariseus são acusados
de devorar as casas das viúvas (Mt 23.14), e esse é o pior dos roubos.
Foi
nos últimos dias da igreja do Antigo Testamento que eles foram acusados de
roubar a DEUS “...nos dízimos e nas ofertas” (Ml 3.8,9), convertendo para seu
próprio uso, e para o serviço de seus desejos, o que era, de maneira especial,
separado para DEUS. E isso é quase equivalente à idolatria, embora esse
sacrilégio fosse mascarado com o repúdio aos ídolos. Serão severamente
responsabilizados outro dia aqueles que, enquanto condenam o pecado em outrem,
fazem o mesmo, ou pior, eles mesmos.
HENRY. Matthew. Comentário
Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa.Editora
CPAD. pag. 320.
Rm 2.21-23 — Tu, pois, que ensinas a
outro, não te ensinas a ti mesmo? Há certo grau de ironia nessa pergunta de
Paulo. Os judeus estavam preparados para ensinar aos gentios os mandamentos da
Lei, mas eles próprios quebravam tais mandamentos. Observe: Tu, que pregas que
não se deve furtar, furtas? (o oitavo mandamento). Tu, que dizes que não se
deve adulterar, adulteras? (o sétimo mandamento) . Tu, que abominas os ídolos,
cometes sacrilégio? (o segundo mandamento). Os judeus estavam prontos para
pregar a moralidade, mas não estavam prontos para praticar a mensagem que eles
próprios pregavam. Eles estavam roubando uns aos outros, ou talvez mantinham em
si grande cobiça; eles cometiam adultérios; eles profanavam a casa de DEUS,
transformando-a em local de comércio. Sendo assim, Paulo fez a provocadora
pergunta: Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que
pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar,
adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? A transgressão
da Lei traz desonra a DEUS. Os judeus reivindicam ter o conhecimento da Lei,
embora não a pratiquem. Eles se esquecem de que a Lei habita onde ela é
silenciosamente praticada.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House.
O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais.
Editora Central Gospel.
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Editora Central Gospel.
No
hebraico, ganab, «furtar», vocábulo que ocorre por trinta e nove vezes,
conforme se vê, por exemplo, em Gên. 30:33; 31:19,20,26,27,30,32,39; 44:8; Exo.
20:15; Lev. 19:11; Deu. 5:19; 24:7; Jos. 7:11; II Sm. 19:41; II Rs 11:2; II
Crô. 22:11; Jó 27:20; Pv. 6:30; 9:17; Jr. 7:9; 23:30; Os. 4:2; Oba. 5; Zc. 5:3.
No grego temos a palavra klépto, «furtar», usada por onze vezes: Mt. 6:19,20;
19:18 (citando Ex. 20:13,15); 27:64; 28:13; Mc. 10:19; Lc. 18:20; Jo 10:10; Rm.
2:21; 13:9 (citando Êx. 20:14,15); Ef. 4:28.
Furtar
é um dos pecados humanos mais comuns. Algumas vezes os homens furtam por
autêntica necessidade; mas, na maioria das vezes, furtam por motivo de sua
preguiça, ou porque gostam mesmo de furtar, devido a uma atitude mental
distorcida. Há pessoas que furtam quando não têm necessidade disso, porquanto
querem enriquecer mais ainda, mesmo que já tenham o bastante. O ladrão
apossa-se daquilo que não lhe pertence, que é propriedade de outrem. Esse furto
pode ser de bens materiais, de afeições, de tempo, etc., através de meios
ilegítimos. Existe o furto espiritual, não meramente de coisas materiais.
Assim, pode-se furtar a fé de uma pessoa, como também sua moralidade, sua
autoconfiança, seu auto-respeito, seus direitos e não apenas suas possessões.
1.
O mandamento que proíbe o furto faz parte da legislação mosaica original. O
Antigo Testamento inclui proibições referentes ao furto, ao dano às
propriedades e ao mau uso das propriedades ou objetos pertencentes ao próximo
(ver Êx. 21:33,34; 22:5,6; 22:4,7,9; 20:15; Gn. 31:31; II Sm. 23:21).
2.
O furto é uma abominação (Jr. 7:9,10), sobretudo quando praticado contra os
pobres (Pv. 22:22). Nesse aspecto está incluída a fraude (Lv. 19:13).
3.
Não pagar salários justos é um furto (Lv. 19:13; Tg. 5:4).
4.
O furto é um pecado que contamina os culpados (Mt. 15:20).
5.
Os ímpios são inclinados ao furto (Sl. 119:61); a cobiça promove o furto (Am
3:10).
6.
Aqueles que consentem com o furto também tornam-se culpados (Jó 24:14; Ob. 5).
7.
Geralmente quem furta também mata (Jr. 7:9; Os. 4:2).
8.
Paira uma maldição sobre o ladrão (Os. 4:2,3; Ml. 3:5). O furto provoca a ira
de DEUS (Ez. 22:29,31).
9.
O pecado do roubo é um daqueles vícios que exclui as pessoas do reino celestial
(I Co. 6:10).
10.
Os tesouros celestes não estão sujeitos ao furto (Mt. 6:20).
11.
Aqueles que se convertem à fé cristã não somente não deveriam mais furtar, como
também deveriam suprir aos seus semelhantes o necessário, em atos de caridade
(Ef. 4:28): «Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com
as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado».
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia
de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 836.
Tudo
que as pessoas possuem é emprestado por DEUS para elas, e elas são
responsáveis por administrar o que possuem em nome dele. Os servos não têm o
direito de roubar uns dos outros na casa do Mestre, pois, nesse caso, eles
estão realmente roubando do Mestre mesmo e, ao fazer isso, transmitem sua
insatisfação com o que ele já confiou a eles.
Esse
tipo de espírito é diametralmente oposto ao plano da criação designado para a
jurisdição da humanidade sobre tudo que DEUS fez. Nas estruturas do governo e
da sociedade, alguns exercem um tipo de autoridade, e outros, outro tipo.
Alguns parecem ser mais privilegiados que outros e desfrutar de maiores
domínios de administração que outros. Mas o Soberano, onisciente, dispensa suas
dádivas e favores conforme acha adequado; e, nessa estrutura de organização do
Reino, cada elemento deve funcionar de acordo com o que ele determina que é o
melhor. O ladrão, quer roube coisas materiais, quer aspire a uma posição não
designada para ele, prova ser um servo inútil, indigno de desempenhar qualquer
administração que lhe tenha sido confiada.
Eugene H. Merrill. Teologia
do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 336-337.
Lv 19.13 A ordem para não furtar é
contra qualquer forma de opressão ou desonestidade quanto a questões
monetárias. Ver Lc. 3.14 quanto a uma aplicação do que aqui é dito, no Novo
Testamento. Um modo de furtar e oprimir é tratar desonestamente com os empregados.
O texto proíbe estritamente adiar o pagamento do salário de um empregado.
Precisamos lembrar que a maioria dos trabalhadores consistia em diaristas, que
eram pagos no fim de cada dia de trabalho. Um empregador, pois, não podia reter
consigo esse dinheiro, nem mesmo até o dia seguinte, quanto mais por algum
prazo ainda mais dilatado. Cf. Dt. 14.14,15; Jr. 32.13; Ml. 3.5 e Tg.
5.4.
Nos dias do segundo templo, a regra era a seguinte: “Aquele que trata com
dureza a um contratado peca tão gravemente como se tivesse tirado uma vida e
transgredido a cinco preceitos”. Esses preceitos mosaicos fazem oposição tanto
ao capitalismo selvagem quanto ao comunismo empobrecedor.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo
Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.
551.
Lv
19.11-12. As regras para os bons relacionamentos sociais são declaradas
especificamente aqui. O furto, os tratos desonestos, e a mentira deliberada
(11) são proibidos porque são estranhos à ética da aliança. Criam a
suspeita, a desconfiança e o ódio, e pela sua própria natureza enfraquecem
seriamente a estrutura da sociedade. Os filhos da nova aliança são conclamados
a evitar tais males também (cf. Ef 4:28; Cl 3:9, etc.).
Lv
19.13-14. Ninguém deve explorar seu próximo israelita de qualquer modo, porque
são irmãos e irmãs. O próximo (13) fica sendo o jornaleiro em Dt 24:14, mas o
princípio é o mesmo. Sua paga deve lhe ser dada á taxa certa, sem qualquer
parte ser retida (“nem o roubarás”).
Quando
os trabalhadores são contratados por dia, precisam ter seu pagamento antes do
anoitecer (cf. Mt 20:8), visto que os pobres teriam necessidade do salário do
dia. No Novo Testamento os senhores são exortados a tratarem com justiça seus
servos (Ef 6:9; Cl 4:1). Ao passo que pessoas com desvantagens no Oriente
Próximo antigo tenderiam a ser exploradas e abusadas, entre os israelitas
deviam ser tratadas com consideração, visto que levavam em si a imagem do DEUS
a quem Israel era ordenado a reverenciar. Amaldiçoar ao surdo era realmente
tirar vantagem injusta de pessoas que não poderiam defender-se. Visto que tanto
Levítico (19:14) quanto Deuteronômio (27:18) proibiam os israelitas de
colocarem obstáculos de vários tipos diante dos cegos, ou de guiá-los em
direções em que não queriam seguir, pareceria que este tipo de atividade não
era desconhecido noutras nações. O fato de que havia legislação para os surdos
e os cegos como sendo classes da sociedade indica que estas doenças estavam em
evidência na era mosaica. A restauração da vista e da audição fazia parte das
maravilhosas atestações do ministério sobrenatural de CRISTO (cf. Lc 4:18).
R. K. Harrison. Leviticos. Introdução
e Comentário.
Editora Vida Nova. pag. 182-183.
Editora Vida Nova. pag. 182-183.
EM CONSTRUÇÃO
O 8º, 9º e 10º mandamento - Série "A ética dos 10 mandamentos"
- Pastor Walter Brunelli
- Pastor Walter Brunelli



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