quarta-feira, 27 de maio de 2020

Lição 9 : O Mistério da Unidade Revelado


Lição 9 : O Mistério da Unidade Revelado
Lições CPAD - A Igreja Eleita  

TEXTO ÁUREO
O qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas
(Ef 3.5).

VERDADE PRÁTICA
Deus revelou o mistério que esteve oculto, desde todos os séculos, aos profetas e aos apóstolos do Novo Testamento.



CAPITULO 9
O MISTÉRIO DA UNIDADE REVELADO

"Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas" (Ef 3.4-5, ACF).

Paulo e os demais apóstolos, bem como os profetas do Novo Testamento, receberam a revelação do mistério oculto por meio de Cristo (Ef 3.1-4). Nesse capítulo, estudaremos o conceito para a expressão "mistério" em Efésios 3.3,4, como esse mistério esteve oculto nas eras passadas, como esse mistério foi revelado na Nova Aliança (3.5,10) e como ele fora pré-estabelecido por Deus na eternidade (3.11).

O capítulo 3 dessa carta inicia com a sentença "Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios" (3.1). A expressão "por esta causa" ou "por causa disso" apontava para as razões da sua condição de prisioneiro na cidade de Roma. A mensagem pregada pelo apóstolo, que incluía os gentios no plano da salvação, causara grande incômodo para as autoridades judaicas. Esse era o verdadeiro motivo pelo qual os judeus levaram Paulo a julgamento sob a acusação de traição e fomento de rebelião entre os judeus.

A partir desse esclarecimento, Paulo pretende que os gentios não fiquem constrangidos com o seu aprisionamento, mas que louvem a Deus pela perfeição dos inescrutáveis caminhos divinos... Em seguida, o apóstolo passa a relatar a dispensação que lhe fora

confiada em favor dos gentios (Ef 3.2); o mistério de Cristo que lhe fora dado conhecer e a sua consequente compreensão da mensagem que estivera oculta (3.3-5); que os gentios são coerdeiros e coparticipantes das promessas (a 6); que esse sempre foi o eterno propósito de Deus (3.11). E, por conseguinte, ele pede aos gentios que não desfaleçam por causa da sua prisão, pois a glória deles estava nisso, pois, se Paulo não tivesse anunciado o "mistério revelado", ele não estaria preso, mas também os efésios não poderiam ter ouvido o evangelho e convertido suas vidas a Cristo (a 13).

     I. O MISTÉRIO OCULTO NO ANTIGO TESTAMENTO


1                   1 .     O conceito bíblico de mistério

A palavra grega mysterion significa "segredo" ou "doutrina secreta"; indica alguma verdade divina que esteve oculta e passou a ser conhecida. Do total de 27 ocorrências da expressão no Novo Testamento, 21 aparecem nas cartas paulinas. Em Efésios, o termo é utilizado seis vezes (1.9; 3.3,4,9; 5.32; 6.19).

Quanto à origem da palavra "mistério", alguns intérpretes bíblicos argumentam que a sua fonte é pagã, enquanto outros consideram que a fonte é judaica. Porém, independentemente dessa discussão, o uso do termo no Novo Testamento difere da aplicação d.o no paganismo. Quanto a essa questão, o Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento acrescenta que, na literatura judaica e nos escritos de Qumram, a palavra "mistério" era empregada para referir-se a algo que seria revelado no final dos tempos. Por outro lado, o uso paulino da expressão no Novo Testamento segue na contramão desse entendimento. O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento assegura que "Paulo enfatiza que a descoberta do mistério já havia ocorrido na revelação de Cristo, portanto não precisamos esperar pelos acontecimentos que irão concluir nossa era para conhecer a estratégia da vontade de Deus"

 O Dicionário de Paulo e suas cartas aponta nessa mesma direção ao afirmar que o emprego de "mistério" nas cartas paulinas "não indica algum acontecimento futuro escondido no plano de Deus, mas, sim, à sua ação decisiva em Cristo, aqui e agora"... Não se refere, portanto, a algo misterioso que somente alguns poucos iniciados possam compreender, como ensinavam alguns adeptos do falso misticismo (Cl 2.18). No cristianismo, significa uma verdade que esteve encoberta e que agora foi desvendada em benefício de todos (ver 1 Tm 2.4).

2                2 .     0 desconhecimento do mistério

 Para compreender em que sentido o mistério esteve oculto de outras gerações, é preciso pôr em foco o advérbio "como", que aparece no texto com valor circunstancial: "o qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora" (Ef 3.5). A palavra "como" indica q., no Antigo Testamento, não foi dado a conhecer tão claramente como, ago., tem sido revelado pelo Espírito. Não quer dÉer que ninguém tomara conhecimento acerca da bênção da qual os gentios também participariam antes da Nova Aliança.

 A aplicação paulina desse termo deve ser claramente entendida para evitar equívocos na interpretação do plano divino estabelecido desde a eternidade. Foulkes sinaliza que a acepção da expressão "mistério oculto" não necessariamente significe negar a existência de vislumbres do propósito de Deus quanto a este assunto no Antigo Testamento, mas reconhecer que essa verdade não era "inteiramente compreendida, que judeus e gentios deveriam realmente se tornar um só povo [...] e podemos entender o como, com o sentido de 'em tal medida como' ou 'com tal clareza' como agora"...

Na epístola aos Colossenses 1.26, encontramos um texto correlato a essa dedaração e que tem íntima relação com a seção bíblica em apreço: "O mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos". Aqui, o sentido da expressão "o mistério que esteve oculto" tem a mesma conotação empregada pelo apóstolo aos Efésios. Matthew Henry, no seu Comentário Bíblico Novo Testamento, corrobora com essa linha de interpretação ao destacar
que os integrantes da dispensação do Antigo Testamento estavam cobertos com o véu do legalismo judaico?

 Nessa perspectiva, reitera-se que o "mistério oculto" não era de total desconhecimento dos escritores do Antigo Testamento. Na verdade, eles apenas não puderam compreender os desígnios divinos, e isso porque ainda não era o tempo de ser claramente desvendado, isto é, Deus projetara a revelação do "mistério" somente para depois do primeiro advento de Cristo. Desse modo, não é correto afirmar que os patriarcas e os profetas estavam alienados acerca das promessas que os gentios também alcançariam. Essa verdade veremos no próximo tópico. 3. O mistério e os profetas da Antiga Aliança

Como já afirmado no tópico anterior, os escritores do Antigo Testamento não apenas conheciam, corno também fizeram menção de bênçãos prometidas aos gentios. O patriarca Abraão recebeu a revelação de que a sua descendência seria bênção para todas as famílias da terra. Os profetas Isaías e Malaquias, por exemplo, registraram a inclusão dos gentios no projeto divino (Gn 12.3; 22.18; Is 11.10; 49.6; 54.3; 60.3; MI 1.11).

Nessa mesma direção, Moody avalia q. "o mistério não consistia em que os gentios poderiam ser salvos - há muita coisa no AT relacionada com a salvação dos gentios, particularmente em Isaías - mas que seriam ligados aos judeus em um só corpo"... Isso indica que os profetas da Antiga Aliança conheciam em parte, mas não tinham a revelação completa.


Desse modo, ratifica-se que os escritores do Antigo Testamento souberam das promessas, mas não souberam como isso aconteceria. O que nenhum deles compreendera é que Deus faria algo totalmente novo, que as barreiras raciais e religiosas seriam rompidas por meio de Cristo e que judeus e gentios seriam uni só povo integrante de um mesmo corpo, a Igreja (Ef 3.6,10).


II. O MISTÉRIO REVELADO NO NOVO TESTAMENTO


               1. Revelado aos apóstolos e profetas


Paulo afirma que o mistério oculto foi revelado pelo Espírito de Deus não somente a ele, como também aos demais apóstolos e profetas (3.5). A narrativa da vista de Pedro, por exemplo, para pregar o evangelho na casa do gentio Cornélio é uma prova cabal dessa declaração paulina (ver At 11A-17). Igualmente, o registro no livro de Atos sinaliza a importância da atividade e da revelação dos profetas na igreja incipiente (ver At 11.27; 13.1).

Ao ressaltar que o "mistério foi manifestado pela revelação" (3.3) e destacar q. foi "revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas" (3.5), Paulo ensina que o mistério divino não poderia ser desvendado por meio do raciocínio intelectual. Desse modo, ratifica-se que o mistério foi dado a conhecer por más da "revelação divina", e não por sabedoria humana. Escrevendo aos Coríntios, ele fez questão de enfatizar que a sua pregação não consistia em "palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" (1 Co 2.4). Moody, ao comentar acerca dessa característica de Paulo, salienta que ele "sempre insistia na sua recepção direta do Evangelho do próprio Senhor Jesus, sem qualquer intermediário humano".


3                     2.     0 Mistério oculto revelado


 Em termos gerais, o "mistério revelado" é a Igreja. A revelação começa pela declaração que o Pá idealizou tudo desde sempre (ver 1.14; 3.11); prossegue com a execução da obra de Cristo (1.7; 2.15); a criação de uma nova humanidade (2.1-10); a união de judeus e gentios como família de Deus e corpo de Cristo (2.11-22; 3.6); e a comunicação dessas verdades aos santos apóstolos e profetas (3.3,5).

Na sequência dessa abordagem, Paulo usa a expressão "mistério de Cristo" (3A) em uma clara referência ao filho de Deus como o centro e a causa originadora desse mistério. De fato, a pessoa de Cristo "é o ponto de partida para um verdadeiro entendimento da ideia de mistério nessa carta, como em outras passagens de Paulo. Não há muitos mistérios com aplicações limitadas, mas um único mistério supremo com muitas aplicações".

 Cristo é tanto a fonte como a substância desse mistério?' e é a partir dEle que acontecem todos os desdobramentos do propósito divino.

 No primeiro capítulo da carta, Paulo já tinha dito que Deus agora fizera conhecer plenamente a sua vontade ao desvendar o mistério oculto (1.9). E, no capítulo 3, o apóstolo descreve o conteúdo desse mistério: "A saber, que os gentios são coerdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho" (3.6). Ao interpretar esse versículo, o Comentário do Novo Testamento —Aplicação Pessoal assim discorre: No caso de alguém não .r entendido, Paulo explicou exatamente o que aquele mistério acarretava. Enquanto os antigos profetas haviam escrito sobre inclusão de gentios judeus, a interpretação dos seus escritos foi a de que os gentios pudessem se tornar prosélitos. A extensão desta inclusão e a mudança radical — os judeus e gentios sendo coerdeiros — não foi sequer considerada. Ninguém sabia disso até que Deus revelou a Paulo e aos outros apóstolos e profetas do Novo Testamento. Esta inclusão de gentios e judeus pôde acontecer porque ambos creram no Evangelho. Além disso, ambos são partes de um mesmo corpo e assim estão unidos em uma única unidade sobre Cristo, que é a cabeça. Finalmente, ambos são participantes da promessa em Cristo. Eles serão participantes e companheiros no recebimento das futuras bênçãos prometidas no Reino de Deus.

A revelação do mistério oculto esclarece que os gentios não serão salvos por meio de uma possível conversão ao judaísmo ou da observância das leis cerimoniais judaicas (tais como a circuncisão, guarda do sábado e outras). No versículo em análise, Paulo faz uso de palavras compostas com o prefixo grego syn, com o significado de "em conjunto com". Assim, os termos "coerdeiros", "mesmo corpo" e "participantes da promessa em Cristo" explicam que os gentios s. "herdeiros juntamente com" os judeus das mesmas promessas prometidas a Abraão e à sua descendência.

              3. A magnitude do Mistério

Como já observado nos tópicos anteriores, outrora ninguém tinha ventilado a possibilidade da formação de um só povo sem distinção de pessoas, raça ou desse social em Cristo e por Cristo, todos sendo um e participando da mesma promessa (GI 328; Ef 3.6; Cl 3.11). Até mesmo alguns líderes da Igreja Primitiva demoraram a entender esse mistério em que todos são aceitos em Cristo por meio da mensagem da cruz.


O apóstolo Pedro, por exemplo, precisou justificar-se perante a Igreja em Jerusalém por ter compartilhado o evangelho com o incircunciso Cornélio (At 11A-17). Até mesmo o próprio Pedro teve dificuldades em compreender que o evangelho também estava disponível para a salvação dos gentios. A compreensão de Pedro somente ocorreu após uma visão onde Deus mostrou-lhe que a nenhum homem considerasse comum ou imundo (At 10.1-48).

Não obstante, a dimensão e a abrangência do mistério revelado já tinham sido anunciadas pelo apóstolo ao asseverar que a vontade divina era "de tornar a congregar em Cristo todas as coisas" (Ef 1.10a). A harmonia que fora destruída pelo pecado desde o Éden agora entrou em processo de restauração por meio da cruz de Cristo 213 Essa restauração é completa e compreende tanto as coisas "que estão nos céus como as que estão na terra" (1.10c). Na plenitude dos tempos, Cristo será reconhecido como a Cabeça de tudo (ver 122).

 No tempo presente, Cristo já é a Cabeça da Igreja e o autor da unidade entre judeus e gentios, mas, no tempo determinado, acontecerá a submissão do mundo a Ele como a Cabeça, e aquela unidade pela qual ansiamos virá com o domínio de Jesus Cristo?. Ao descrever a grandiosidade desse mistério ora revelado, Matthew Henry destaca no seu comentário que:

Precisamos reconhecer que a conversão do mundo gentílico para a fé em Cristo foi um mistério adorável, e devemos agradecer a Deus por isso. Quem teria imaginado que as pessoas que estiveram tanto tempo na escuridão, e tão distantes, fossem iluminadas com a luz maravilhosa e se aproximassem de Cristo? [...]. Nada é difícil .mais para a graça divina: ninguém é tão indigno que Deus não possa derramar a sua imensa graça sobre ele.

É claro que isso não significa "universalismo", que especula que todos serão salvos no fim, mas, sim, que tudo será conforme Deus planejara (ver a 10,11). Por outro lado, Paulo declara que o anúncio dessas dádivas recai sobre a responsabilidade da Igreja para que "a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus" (3.10). Isso indica que a própria Igreja é a principal agência divina de divulgação desse "mistério", cujo propósito é unir todos os homens, por meio de Cristo, em um só povo, além de servir de testemunho até mesmo para os poderes espirituais.


             III. 0 MISTÉRIO PREESTABELECIDO POR DEUS


             1. As riquezas incompreensíveis de Cristo

 O mistério agora revelado e anunciado é considerado pelo apóstolo como "riquezas incompreensíveis de Cristo" (3.8). A expressão refere-se às maravilhas, misericórdia, amor, graça e providência divina, que estão além do entendimento humano (ver 1.7). Paulo enfatiza que as riquezas do evangelho e da salvação de judeus e gentios são riquezas que inexplicavelmente nos são concedidas por meio de Cristo.

Nossa atenção é chamada para o fato de que essas riquezas não são apenas o evangelho, nem somente a doutrina, mas o próprio Cristo (ver Mt 13A4).21. Matthew Henry considera que "essas são riquezas insondáveis, que a sagacidade humana jamais poderia descobrir e as pessoas não conseguiriam obter de outra forma se não fosse por revelação' 217 São riquezas que não se podem rastr.r ou investigar, pois são recursos ilimitados da graça de Deus em Cristo Jesus.

Para o apóstolo dos gentios, compartilhar com os povos essas boas novas era algo imensurável (3.18-19). A mensagem da qual fora incumbido consistia em ministrar a todos a perfeição e a preciosidade do mistério que estivera oculto (3.7-9). Ao referir-se à honra da comissão divinamente recebida, Paulo ressalta que foi "feito ministro, pelo dom da graça de Deus" (3.7). Essa declaração reforça que o seu apostolado não era humano (a 1-3). Ele foi feito ministro e não se fez ministro. Ele não usurpou esse privilégio; foi dom da graça de Deus.

Humildemente, ele considerava-se "o mínimo de todos os santos" (3.8). Não se tratava de falsa modéstia, mas de um sentimento que o acompanhava após a conversão. Aos Coríntios, ele explicita que foi perseguidor da Igreja na sua vida pregressa e, por isso, não se sentia digno de ser chamado apóstolo (1 Co 15.9). Contudo, ao mesmo tempo, ele alegrava-se em proclamar que essas "riquezas" foram projetadas desde a eternidade, sendo livremente concedidas por meio de Cristo (Ef 1.4; 2.16). Essa mensagem abrange o beneplácito da vontade divina que articulou o plano (1.11), o conteúdo do plano com todas as suas bênçãos (2.1-6) e a pessoa de Cristo, que executou o plano preestabelecido por Deus (1.19-22).

                 2. 0 eterno propósito em Cristo

 Paulo novamente reforça que lhe foi confiado a pregação do mistério, "que, desde os séculos, esteve oculto em Deus, que tudo criou" (3.9). Como já observado, "mistério oculto" significa que, desde o princípio dos tempos, o Criador manteve o seu propósito encoberto para ser plenamente revelado em tempo oportuno (1 Pe 120). Porém, agora no presente, a ênfase paulina aponta que já havia chegado o tempo de o mistério ser desvendado. As expressões "esteve oculto em Deus" (Ef 3.9) e "para q., agora, [...] seja conhecida" (3.10) indicam que Deus sempre esteve no controle da sua criação "segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus, nosso Senhor" (3.11).

Paulo está falando do plano que abarca as eras. Deus está no controle e governa as eras em toda a sua continuidade e conteúdo 219 O eterno propósito divino já tinha sido mencionado por Paulo em Efésios 1.11 nos seguintes temos: "[...] havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade". Essa declaração indica que os crentes (judeus e gentios) são herdeiros da mesma promessa em Cristo conforme o propósito divinamente estabelecido?

Isso quer dizer que tanto o "plano da salvação", que abrange o "mistério da igreja", quanto a "revelação desse mistério" sempre estiveram de acordo com o desígnio divino para ser executado por intermédio de Cristo. O eterno propósito relaciona-se, entre outros aspectos, com a providência divina para com a humanidade.

 Em outras palavras, Deus não deixou a humanidade exposta à própria sorte, mas providenciou um plano de redenção para os pecadores. Esse plano de salvação é direcionado a todo aquele que crê em Jesus Cristo (Jo 3.16). Deus é soberano e estabeleceu as condições para a salvação (Ef 2.8,9), e Ele planeja nossos dias antes mesmo q. nasçamos (ver SI 139.16). Ele, porém, faz tudo isso de tal maneira q., de algum modo, nos garante o livre-arbítrio, a capacidade de fazer escolhas, pelas quais somos responsáveis diante dEle (ver Is 66.3-4).

Desse modo, o eterno propósito disponibiliza a salvação para todos, uma vez q., concordes com nossa Declaração de Fé, o Senhor Deus não deseja a perdição de ninguém, mas "quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2.4).221 Essa salvação, entretanto, aplica-se somente àquelas que creem: "Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os q. creem" (Rm 322).

 Certamente que o propósito divino de salvar o pecador inclui a regeneração, o livramento do poder da maldição do pecado e a restituição do homem à plena comunhão com Deus. No entanto, apesar de isso tudo estar presente na declaração paulina, é possível perceber a preocupação do apóstolo com a unidade (ver 3.6) e a comunhão da Igreja (ver 3.9) para que os crentes redimidos em Cristo cumpram o propósito para o qual foram chamados.

Em relação a essa questão, em textos correlatos, Paulo enfatiza a necessidade da comunhão e da unidade do corpo de Cristo. Aos Romanos, para citar ao menos uma referência, o apóstolo lembra que, mesmo sendo diferentes uns dos outros, fazemos parte de um mesmo corpo e, portanto, devemos ter o mesmo sentimento de Cristo Jesus (Rm 12.4-21; 15.5). Na carta aos Efésios, ele exorta a "guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz" (Ef 4.3) e, em favor dessa causa, isto é, pela perfeita compreensão da vontade de Deus por parte dos seus leitores, Paulo propõe-se a interceder "de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo" (3.14).

           3. O plano divinamente preestabelecido

O plano divino de redenção da humanidade não surgiu quando Adão e Eva desobedeceram às ordenanças do Criador no Jardim do Éden (Gn 3.6-19). Deus não foi e nem nunca será apanhado de surpresa; Ele sempre esteve no controle e já tinha um plano de salvação preestabelecido (Ef 1.3-5). Deus é soberano e controla todas as eras, tempos e circunstâncias. Essa verdade ensina-nos que existe um propósito eterno em andamento por trás de todo evento da História.

Nessa perspectiva, cremos que o plano divino não foi o resultado de alguma pressão externa, mas foi ocasionado pelo "propósito gracioso" de Deus pelo muito que nos amou. Tudo ocorreu conforme o beneplácito da sua soberana vontade (1.5,9).

Assim, no cumprimento desse eterno propósito, no tempo previamente determinado, o mistério da Igreja foi executado em Cristo, "no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele" (3.12). Significa que o acesso ao Deus-Pai estava fechado antes da vinda de Cristo; porém, agora pelo mistério da unidade revelado, temos livre acesso à presença do Pai (Hb 10.19-20), desfrutamos da "comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1 Jo 1.7). Desse modo, acerca do mistério da Igreja que esteve oculto nas gerações passadas, no tempo previamente estipulado, Deus revelou o seu eterno propósito aos apóstolos e aos profetas do Novo Testamento. Judeus e gentios estavam inseridos nesse mistério idealizado por Deus. Tal mistério agora revelado deve ser anunciado pela própria Igreja conforme os desígnios divinamente preestabelecidos desde a eternidade.

Aleluia!

A Igreja Eleita - Douglas Baptista
Redimida Pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa.

                                      

                      Comentário Bíblico Efésios

4                     4 .     O MISTÉRIO DA UNIDADE REVELADO — 3.1-13

 Nos três primeiros versículos, Paulo, mais uma vez, se identifica como "o prisioneiro de Jesus Cristo" para cumprir a missão de despenseiro da graça de Deus, ao qual foi revelado o mistério da verdadeira unidade espiritual entre judeus e gentios.

 "Por esta causa" (v. 1) é uma expressão referente a tudo quanto havia escrito sobre as riquezas das bênçãos de Deus em Cristo (cap. 1) e ao desenvolvimento que deu à questão do propósito de Deus em Cristo (cap. 3), quando destaca a nova vida em Cristo, que reúne judeus e gentios num só povo.

 "... eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo" (v. 1). Ao identificar-se dessa maneira, Paulo queria mostrar dois lados da mesma situação. No sentido real, ele estava preso em Roma. Por outro lado, essa prisão lhe dava a oportunidade de tornar-se prisioneiro de Cristo, pois ali poderia prestar-lhe um serviço que talvez não fizesse melhor se estivesse fora da prisão de Roma. Então, a expressão "prisioneiro de Jesus Cristo" tem um sentido literal e outro metafórico. Ao invés de lamentar o fato de estar Preso, ele inverte o seu significado e torna sua prisão uma forma de servir melhor ao Senhor. Como prisioneiro, sua epístola teria um efeito muito maior entre os crentes de Éfeso.

 "... dispensação da graça de Deus" (v. 2). O significado literal da palavra "dispensação" é administração, portanto a frase fica melhor assim: "... tendes ouvido da administração da graça de Deus a vós". Paulo se identifica aqui como um administrador dos bens espirituais dados aos gentios, por isso mesmo é chamado "apóstolo dos gentios (2 Tm 1.11). Como administrador ou despenseiro da graça de Deus, não significava que Paulo tivesse poder para salvar ou para dar a graça de Deus aos homens, mas ele agiria como um mordomo para distribuir e apresentar a graça e a salvação de Deus (2 Co 10.1; Gl 5.2,3; Cl 1.23).

Alguns pontos de destaque na revelação desse mistério:

4.1.         O mistério oculto no Antigo Testamento — vv. 3-5.

 "Como me foi este mistério manifestado pela revelação" (v. 3). Paulo faz questão de frisar o fato de que o Evangelho aos gentios lhe fora dado especialmente, para que eles (gentios) fossem incorporados aos privilégios do reino de Deus, tanto quanto os judeus. A fonte do ministério de Paulo aos gentios está na sua experiência com Cristo no caminho de Damasco. Nessa experiência, Paulo viu Jesus e ouviu sua ordenação para o ministério entre os gentios conforme está em Atos 9.15, que diz: "... este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios e dos reis, e dos filhos de Israel". A visão de Cristo não só o converteu como mudou o rumo da sua vida. De apaixonado e fanático fariseu entre os judeus, tornou-se "o apóstolo dos gentios" (At 9.15,16; Gl 1.15,16). A revelação inicial desse ministério deu-se ali no caminho de Damasco e, posteriormente, essa visão tornou-se mais ampla. O grande mistério oculto só foi conhecido dos gentios através de Paulo, a quem foi revelado. Ele tornou conhecido a todos os homens o propósito divino para com suas vidas e a maneira particular de Deus revelar-lhes o mistério divino de salvação. No verso 9, as palavras "revelação" e "demonstrar" estão intimamente ligadas com a palavra "mistério".

Esse mistério é revelado em dois ângulos: a revelação de Cristo na sua forma glorificada, e a revelação da união de judeus e gentios, formando um só povo e participando dos mesmos privilégios.

A revelação do mistério do Cristo glorificado e a razão dessa glória são quatro destaques especiais: a) O mistério do Cristo encarnado (1 Tm 3.16); b) O mistério da Igreja como o corpo de Cristo (1 Co 12.27); c) O mistério da presença de Cristo dentro de nós, morando em nós (Cl 1.27); d) O mistério da Igreja como esposa de Cristo (Ef 5.32). Esses mistérios estavam ocultos na eternidade.

4.2.         O mistério revelado no Novo Testamento — vv. 5,6


O grande mistério que Paulo desejava revelar à igreja em Éfeso era a participação plena dos crentes gentios na salvação efetuada na cruz. A posição dos gentios no corpo de Cristo e a sua participação conjunta com os judeus veio de encontro a vários conceitos errados sobre privilégios espirituais. A Igreja é a união de todos os crentes em Cristo, independente de raça, língua ou nação. Ela é a constituição divina formando um só povo, uma só fé, um só Senhor (Ef 4.1-7), todos com os mesmos privilégios. A participação na filiação a Deus é direito comum a todos quantos receberem a Cristo Jesus como Salvador (Jo 1.12).

Esse mistério é apresentado com um sentido amplo, e a participação dos gentios na nova ordem (a Igreja) é de igualdade de posição e privilégios em relação aos judeus cristãos. A ampliação dessa participação gentios-judeus é compreendida pelo prefixo grego sun, que significa iguais, sócios, participantes, juntos, isto é, no mesmo nível: nem inferior nem superior aos outros. Este prefixo sun eqüivale ao prefixo "co", em português, quando Paulo afirma que os gentios são co-herdeiros, co-participantes e co-membros do corpo de Cristo, conforme está no versículo 6. A palavra "co-herdeiros" refere-se à participação dos gentios e os judeus crentes em Cristo na Igreja. A preocupação do apóstolo era desfazer um falso ensino no seio da igreja de Éfeso. Alguns judeus afirmavam que nenhum gentio crente poderia participar da herança ou parte dela prometida a Israel, a não ser que o gentio se submetesse ao cumprimento de alguns ritos e cerimônias estritamente judaicas. Entretanto, a Paulo foi revelado que a graça de Deus para os gentios não exigia nenhum rito judaico, visto que esses ritos eram especificamente para os judeus e dos judeus. Em Cristo, os gentios têm direito a todas as bênçãos divinas com base apenas nos méritos de Cristo Jesus. Eles são participantes das promessas de Cristo e formam um só corpo espiritual com os judeus, cujo resultado único é a Igreja (1 Co 12.13; Ef 2.13). Os gentios foram feitos "povo de Deus", "geração eleita", "nação santa" e "povo adquirido" juntamente com os judeus, tudo em Cristo Jesus (1 Pe 2.9).


4.3.         Paulo declara-se ministro dessa revelação — v. 7

 As palavras "do qual" no verso 7 referem-se ao Evangelho que Paulo pregava e ensinava. O sentido da palavra "ministro" é bem mais amplo. No original grego, a palavra empregada é diakonos, que dá a idéia de um ofício específico (Fp 1.1; 1 Tm 3.8-12). Já o verbo diakonein designa aquele que vive e trabalha num determinado serviço. Implica mais um serviço dinâmico do que uma posição estática. No caso aqui, a palavra que cabe melhor para designar aquele que serve a Cristo é diakonia (2 Co 3.6; Cl 1.23; 1 Tm 4.6). O que Paulo queria que todos soubessem em Éfeso era que ele tinha a função de um servo investido da autoridade de Cristo. Como "ministro" dessa revelação, Paulo era apenas o instrumento do Espírito Santo.

As palavras que dão seqüência à declaração de Paulo se referem a que ele "foi feito ministro... pelo dom da graça de Deus" (v. 7), e isso mostra a sinceridade e a humildade do apóstolo das gentes. O ministério recebido não lhe foi dado por méritos pessoais, "mas segundo o dom", em conseqüência de, e de acordo com "o dom da graça de Deus". Ainda o final do versículo 7 apresenta: "... que me foi dado segundo a operação do seu poder". Que poder é esse? Que operação é essa? A palavra "operação", no original grego, tem o significado de energia. Aclarando melhor a frase, a teríamos nessa forma: "segundo a força operante do seu poder". As palavras "força", "energia" e "operação" indicam a fonte dessa operação, que é "o poder de Deus" manifesto de forma concreta na vida do ministro dessa revelação.

      4.4. A revelação do mistério das riquezas insondáveis em Cristo — v. 8

 No verso 8, Paulo usa um superlativo para poder dizer mais livremente das verdades reveladas. Ele diz: "A mim, o mínimo [o menor] de todos os santos", sendo que no original esse superlativo aparece ainda mais acentuado: "A mim, que sou o menor dos menores entre todos os santos". Sua afirmação não possui fingimento. A graça dos mistérios de Cristo era maior do que ele podia, humanamente, compreender. Paulo sabia quão insondável é penetrar nos arcanos divinos, a não ser que Deus os revele, como lhe havia feito. O grande mistério revelado alcançava um grau superior, além das possibilidades da mente humana. "As riquezas insondáveis de Cristo" não eram apenas o Evangelho poderoso ou o conhecimento da doutrina de Cristo, ou uma revelação parcial da glória de Cristo expressa no Calvário e na sua ressurreição, mas era o próprio Cristo (Mt 13.44). O privilégio de Paulo era pregar aos gentios a Cristo como Salvador e declará-los incluídos como participantes das bênçãos de Cristo (At 9.15, 22.21; 26.17; Rm 11.13; 15.16-21; Gl 2.7-9).

Norman Harrison, escritor norte-americano, comenta assim o versículo 8: "O que sabemos das 'riquezas incompreensíveis de Cristo' são:

a) As riquezas da sua glória essencial: igual ao Pai; criador de todas as coisas; recebedor do culto e da honra devidos à divindade.

 b) As riquezas do seu próprio empobrecimento voluntário por amor de nós: através dele, que 'sendo rico, por amor de vós se fez Pobre'; 'para que por sua pobreza enriquecêsseis' (2 Co 8.9); a história da sua humilhação (Fp 2.5-8); a sua disposição para, embora sendo o Criador, tornar-se simples criatura, na encarnação.

 c) As riquezas da sua glória moral: manifesto como homem entre os homens; a perfeição do seu caráter pessoal, incomparável aos outros; a sabedoria procedente dos seus lábios: 'Nunca homem algum falou como este'; as maravilhas de suas obras: 'Nunca tal se viu'; a retidão das suas ações: nunca precisou desculpar-se por algum erro de julgamento, de objetivo ou de algum ato — em tudo isso foi um exemplo não ultrapassado, sim, nem aproximado.

d) A riqueza de sua morte: alcançando a finalidade de sua vinda 'para dar a sua vida' — com as qualidades da divindade e de perfeita natureza humana — 'em resgaste de muitos'.

e) As riquezas da sua glória como Mediador, levantado e glorificado, um homem no Céu; a sua intercessão incessante por nós abriu-nos acesso ao Pai; o seu cuidado protetor constante como 'O Grande Pastor das ovelhas'.

 f) A riqueza da sua presença entre o seu povo: conosco 'todos os dias'; em nós em poder transformador para reproduzir o seu próprio caráter e semelhança; o poder da vida sem fim.

 g) A riqueza da sua volta e do seu reino: Ele reclama para os que são seus a coroa da recompensa prometida; o chamado da sua noiva para participar dos direitos do seu reino, a herança dos séculos, de mundos conhecidos e desconhecidos, feitos seus e nossos". (BOYER, O.S. Efésios — O evangelho das regiões celestiais, 1959, pág. 86).

4.4.         A dispensação do mistério — v. 9

"E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério". Nesse versículo, Paulo enfatiza sua missão de apenas "tornar conhecidas" as insondáveis riquezas desse mistério de Cristo. A palavra "demonstrar" tem o sentido de aclarar a todos ou iluminar (SI 18.28; Ef 1.18; Hb 6.4). Já a palavra "dispensação" tem o sentido de mordomia. No grego, essa palavra aparece como economia, ou aquilo que regula a distribuição de alguma coisa, ou a forma de dar a conhecer o mistério.

4.5.         O mistério estava oculto em Deus — v. 9

O mistério revelado é a união de gentio e judeu. Esse mistério foi traçado e planejado no Conselho Divino antes da existência dos séculos, e só agora foi revelado a Paulo. Por que esse fato estava envolto em mistério? No texto está assim: "... que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou". A expressão "desde os séculos esteve oculto" explica-se no original grego como sendo: "desde o começo das idades" (Rm 16.25; 1 Co 2.7; Ef 1.4). "As idades" são longos espaços de tempo marcados por sucessivas etapas da criação. O mistério esteve oculto "em Deus". Assim como todas as coisas foram criadas por Deus, Ele tem o direito de manter em segredo o que lhe convém, e só revelar quando satisfizer seus propósitos. O mistério da salvação foi oculto dos homens por várias dispensações (tempos) e somente revelado no Novo Testamento. Esse mistério foi guardado por Deus para o tempo que Ele designou na sua presciência, e só revelado agora, na presente dispensação.

4.7. O mistério revelado à Igreja — v. 10 No verso 10 temos a revelação de que a Igreja é constituída de ambos os povos — judeus e gentios. Ela não foi uma solução acidental nem um remédio de última hora. A Igreja sempre fez parte do plano preestabelecido e elaborado por Deus antes da fundação do mundo (Ef 1.3-5). A sua constituição é a revelação do mistério oculto em Deus; não a igreja meramente humana, ou política, mas a Igreja que forma o corpo místico de nosso Senhor Jesus Cristo.

4.8. O mistério revelado aos anjos — v. 10 A revelação desse mistério foi feita não só à Igreja, mas também aos "principados e potestades nos céus".

Que são os "principados e potestades nos céus"? Até ser revelado à Igreja, o mistério da salvação era desconhecido dos anjos. Foi través dela que eles vieram a conhecer esse mistério. "Principados e Potestades" são categorias especiais de anjos, tanto entre os anjos de Deus como entre os anjos caídos. Assim, tanto os anjos bons como os maus passaram a conhecer a revelação do mistério quando Deus o fez conhecido à Igreja. A expressão "seja conhecida dos principados e potestades" nos dá a idéia de que tanto os anjos de Deus como os anjos caídos foram surpreendidos com a revelação feita inicialmente à Igreja, e não a eles.

4.9. O mistério foi revelado conforme o propósito preestabelecido por Deus — vv. 11-13

"Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus" (v. 11). A execução desse propósito só poderia ter acontecido por meio de Jesus Cristo. O plano divino tinha a pessoa de Cristo como o seu objetivo central. A expressão "propósito eterno" nos ensina que todas as coisas na criação seguem um propósito preestabelecido. Na sabedoria divina, esse propósito foi elaborado na eternidade e executado na manifestação do Filho de Deus feito carne (Jo 1.14).

Em obediência a esse propósito, a Igreja segue para o seu destino eterno, e cada crente em Cristo, particularmente, como parte da Igreja, tem ousadia (liberdade) em Cristo e acesso (livre entrada) ao reino de Deus. Ninguém pode ter acesso a Deus por outra via, a não ser Jesus (Jo 14.6).

"Portanto, peço-vos que não desfaleçais nas minhas tributações" (v. 13). A igreja em Éfeso sabia que Paulo passava por tribulações e que as enfrentava por amor a Deus e para o bem da sua igreja querida. Em outros textos das Escrituras (At 20.18-35), o apóstolo fala de suas tribulações passadas em Éfeso. À igreja em Corinto, ele lembra as aflições sofridas na Ásia (2 Co 1.8-11). O apóstolo lembra as suas tribulações e as reputa como glória da igreja em Éfeso, para que os crentes não venham a desfalecer. Sabendo que os crentes estavam enfrentando lutas e tentações a ponto de quase esmorecerem na fé, Paulo os anima, pedindo-lhes que não desfalecessem pelo fato de ele estar preso. A grande lição do apóstolo dos gentios é a de que a igreja tirasse proveito espiritual dos seus sofrimentos e entendesse a glória escondida no mistério dessa prisão. Ele estava preso porque expusera sua vida para pregar-lhes o Evangelho. Seus sofrimentos não deviam representar um peso na consciência dos efésios, mas lucro e glória para eles por Jesus Cristo. Sua prisão não seria impedimento para o exercício do seu ministério: no interior frio e cinzento do cárcere de Roma, Paulo havia recebido a revelação do grande mistério da salvação para os gentios.

                                        Comentário Bíblico Efésios - Elienai Cabral








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