Lição 9 : O Mistério da Unidade Revelado
Lições CPAD - A Igreja Eleita
TEXTO ÁUREO
“O qual, noutros séculos, não foi manifestado
aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus
santos apóstolos e profetas”
(Ef 3.5).
VERDADE PRÁTICA
Deus
revelou o mistério que esteve oculto, desde todos os séculos, aos profetas e
aos apóstolos do Novo Testamento.
CAPITULO 9
O MISTÉRIO DA UNIDADE
REVELADO
"Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha
compreensão do mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado
aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus
santos apóstolos e profetas" (Ef 3.4-5, ACF).
Paulo e os demais apóstolos,
bem como os profetas do Novo Testamento, receberam a revelação do mistério
oculto por meio de Cristo (Ef 3.1-4). Nesse capítulo, estudaremos o conceito
para a expressão "mistério" em Efésios 3.3,4, como esse mistério
esteve oculto nas eras passadas, como esse mistério foi revelado na Nova
Aliança (3.5,10) e como ele fora pré-estabelecido por Deus na eternidade
(3.11).
O capítulo 3 dessa carta
inicia com a sentença "Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de
Jesus Cristo por vós, os gentios" (3.1). A expressão "por esta
causa" ou "por causa disso" apontava para as razões da sua
condição de prisioneiro na cidade de Roma. A mensagem pregada pelo apóstolo,
que incluía os gentios no plano da salvação, causara grande incômodo para as
autoridades judaicas. Esse era o verdadeiro motivo pelo qual os judeus levaram
Paulo a julgamento sob a acusação de traição e fomento de rebelião entre os
judeus.
A partir desse
esclarecimento, Paulo pretende que os gentios não fiquem constrangidos com o seu
aprisionamento, mas que louvem a Deus pela perfeição dos inescrutáveis caminhos
divinos... Em seguida, o apóstolo passa a relatar a dispensação que lhe fora
confiada em favor dos gentios
(Ef 3.2); o mistério de Cristo que lhe fora dado conhecer e a sua consequente
compreensão da mensagem que estivera oculta (3.3-5); que os gentios são
coerdeiros e coparticipantes das promessas (a 6); que esse sempre foi o eterno
propósito de Deus (3.11). E, por conseguinte, ele pede aos gentios que não
desfaleçam por causa da sua prisão, pois a glória deles estava nisso, pois, se
Paulo não tivesse anunciado o "mistério revelado", ele não estaria
preso, mas também os efésios não poderiam ter ouvido o evangelho e convertido
suas vidas a Cristo (a 13).
I. O
MISTÉRIO OCULTO NO ANTIGO TESTAMENTO
1 1 .
O conceito bíblico de mistério
A palavra grega mysterion
significa "segredo" ou "doutrina secreta"; indica alguma
verdade divina que esteve oculta e passou a ser conhecida. Do total de 27
ocorrências da expressão no Novo Testamento, 21 aparecem nas cartas paulinas.
Em Efésios, o termo é utilizado seis vezes (1.9; 3.3,4,9; 5.32; 6.19).
Quanto à origem da palavra
"mistério", alguns intérpretes bíblicos argumentam que a sua fonte é
pagã, enquanto outros consideram que a fonte é judaica. Porém,
independentemente dessa discussão, o uso do termo no Novo Testamento difere da
aplicação d.o no paganismo. Quanto a essa questão, o Comentário Bíblico
Pentecostal do Novo Testamento acrescenta que, na literatura judaica e nos
escritos de Qumram, a palavra "mistério" era empregada para
referir-se a algo que seria revelado no final dos tempos. Por outro lado, o uso
paulino da expressão no Novo Testamento segue na contramão desse entendimento.
O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento assegura que "Paulo
enfatiza que a descoberta do mistério já havia ocorrido na revelação de Cristo,
portanto não precisamos esperar pelos acontecimentos que irão concluir nossa era
para conhecer a estratégia da vontade de Deus"
O Dicionário de Paulo e suas cartas aponta
nessa mesma direção ao afirmar que o emprego de "mistério" nas cartas
paulinas "não indica algum acontecimento futuro escondido no plano de
Deus, mas, sim, à sua ação decisiva em Cristo, aqui e agora"... Não se
refere, portanto, a algo misterioso que somente alguns poucos iniciados possam
compreender, como ensinavam alguns adeptos do falso misticismo (Cl 2.18). No
cristianismo, significa uma verdade que esteve encoberta e que agora foi
desvendada em benefício de todos (ver 1 Tm 2.4).
2 2 .
0 desconhecimento do mistério
Para compreender em que sentido o mistério
esteve oculto de outras gerações, é preciso pôr em foco o advérbio
"como", que aparece no texto com valor circunstancial: "o qual,
noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora"
(Ef 3.5). A palavra "como" indica q., no Antigo Testamento, não foi
dado a conhecer tão claramente como, ago., tem sido revelado pelo Espírito. Não
quer dÉer que ninguém tomara conhecimento acerca da bênção da qual os gentios
também participariam antes da Nova Aliança.
A aplicação paulina desse termo deve ser
claramente entendida para evitar equívocos na interpretação do plano divino
estabelecido desde a eternidade. Foulkes sinaliza que a acepção da expressão
"mistério oculto" não necessariamente significe negar a existência de
vislumbres do propósito de Deus quanto a este assunto no Antigo Testamento, mas
reconhecer que essa verdade não era "inteiramente compreendida, que judeus
e gentios deveriam realmente se tornar um só povo [...] e podemos entender o
como, com o sentido de 'em tal medida como' ou 'com tal clareza' como
agora"...
Na epístola aos Colossenses
1.26, encontramos um texto correlato a essa dedaração e que tem íntima relação
com a seção bíblica em apreço: "O mistério que esteve oculto desde todos
os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus
santos". Aqui, o sentido da expressão "o mistério que esteve
oculto" tem a mesma conotação empregada pelo apóstolo aos Efésios. Matthew
Henry, no seu Comentário Bíblico Novo Testamento, corrobora com essa linha de
interpretação ao destacar
que os integrantes da
dispensação do Antigo Testamento estavam cobertos com o véu do legalismo
judaico?
Nessa perspectiva, reitera-se que o
"mistério oculto" não era de total desconhecimento dos escritores do
Antigo Testamento. Na verdade, eles apenas não puderam compreender os desígnios
divinos, e isso porque ainda não era o tempo de ser claramente desvendado, isto
é, Deus projetara a revelação do "mistério" somente para depois do
primeiro advento de Cristo. Desse modo, não é correto afirmar que os patriarcas
e os profetas estavam alienados acerca das promessas que os gentios também
alcançariam. Essa verdade veremos no próximo tópico. 3. O mistério e os
profetas da Antiga Aliança
Como já afirmado no tópico
anterior, os escritores do Antigo Testamento não apenas conheciam, corno também
fizeram menção de bênçãos prometidas aos gentios. O patriarca Abraão recebeu a
revelação de que a sua descendência seria bênção para todas as famílias da
terra. Os profetas Isaías e Malaquias, por exemplo, registraram a inclusão dos
gentios no projeto divino (Gn 12.3; 22.18; Is 11.10; 49.6; 54.3; 60.3; MI
1.11).
Nessa mesma direção, Moody
avalia q. "o mistério não consistia em que os gentios poderiam ser salvos
- há muita coisa no AT relacionada com a salvação dos gentios, particularmente
em Isaías - mas que seriam ligados aos judeus em um só corpo"... Isso
indica que os profetas da Antiga Aliança conheciam em parte, mas não tinham a
revelação completa.
Desse modo, ratifica-se que
os escritores do Antigo Testamento souberam das promessas, mas não souberam
como isso aconteceria. O que nenhum deles compreendera é que Deus faria algo
totalmente novo, que as barreiras raciais e religiosas seriam rompidas por meio
de Cristo e que judeus e gentios seriam uni só povo integrante de um mesmo
corpo, a Igreja (Ef 3.6,10).
II. O MISTÉRIO REVELADO NO NOVO TESTAMENTO
1.
Revelado aos apóstolos e profetas
Paulo afirma que o mistério
oculto foi revelado pelo Espírito de Deus não somente a ele, como também aos
demais apóstolos e profetas (3.5). A narrativa da vista de Pedro, por exemplo, para
pregar o evangelho na casa do gentio Cornélio é uma prova cabal dessa
declaração paulina (ver At 11A-17). Igualmente, o registro no livro de Atos
sinaliza a importância da atividade e da revelação dos profetas na igreja
incipiente (ver At 11.27; 13.1).
Ao ressaltar que o
"mistério foi manifestado pela revelação" (3.3) e destacar q. foi
"revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas" (3.5),
Paulo ensina que o mistério divino não poderia ser desvendado por meio do
raciocínio intelectual. Desse modo, ratifica-se que o mistério foi dado a
conhecer por más da "revelação divina", e não por sabedoria humana.
Escrevendo aos Coríntios, ele fez questão de enfatizar que a sua pregação não
consistia em "palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em
demonstração de Espírito e de poder" (1 Co 2.4). Moody, ao comentar acerca
dessa característica de Paulo, salienta que ele "sempre insistia na sua
recepção direta do Evangelho do próprio Senhor Jesus, sem qualquer intermediário
humano".
3 2.
0 Mistério oculto revelado
Em termos gerais, o "mistério
revelado" é a Igreja. A revelação começa pela declaração que o Pá
idealizou tudo desde sempre (ver 1.14; 3.11); prossegue com a execução da obra
de Cristo (1.7; 2.15); a criação de uma nova humanidade (2.1-10); a união de
judeus e gentios como família de Deus e corpo de Cristo (2.11-22; 3.6); e a
comunicação dessas verdades aos santos apóstolos e profetas (3.3,5).
Na sequência dessa abordagem,
Paulo usa a expressão "mistério de Cristo" (3A) em uma clara referência
ao filho de Deus como o centro e a causa originadora desse mistério. De fato, a
pessoa de Cristo "é o ponto de partida para um verdadeiro entendimento da
ideia de mistério nessa carta, como em outras passagens de Paulo. Não há muitos
mistérios com aplicações limitadas, mas um único mistério supremo com muitas
aplicações".
Cristo é tanto a fonte como a substância desse
mistério?' e é a partir dEle que acontecem todos os desdobramentos do propósito
divino.
No primeiro
capítulo da carta, Paulo já tinha dito que Deus agora fizera conhecer
plenamente a sua vontade ao desvendar o mistério oculto (1.9). E, no capítulo
3, o apóstolo descreve o conteúdo desse mistério: "A saber, que os gentios
são coerdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo
evangelho" (3.6). Ao interpretar esse versículo, o Comentário do Novo
Testamento —Aplicação Pessoal assim discorre: No caso de alguém não .r
entendido, Paulo explicou exatamente o que aquele mistério acarretava. Enquanto
os antigos profetas haviam escrito sobre inclusão de gentios judeus, a
interpretação dos seus escritos foi a de que os gentios pudessem se tornar
prosélitos. A extensão desta inclusão e a mudança radical — os judeus e gentios
sendo coerdeiros — não foi sequer considerada. Ninguém sabia disso até que Deus
revelou a Paulo e aos outros apóstolos e profetas do Novo Testamento. Esta
inclusão de gentios e judeus pôde acontecer porque ambos creram no Evangelho.
Além disso, ambos são partes de um mesmo corpo e assim estão unidos em uma única
unidade sobre Cristo, que é a cabeça. Finalmente, ambos são participantes da
promessa em Cristo. Eles serão participantes e companheiros no recebimento das
futuras bênçãos prometidas no Reino de Deus.
A revelação do mistério
oculto esclarece que os gentios não serão salvos por meio de uma possível
conversão ao judaísmo ou da observância das leis cerimoniais judaicas (tais
como a circuncisão, guarda do sábado e outras). No versículo em análise, Paulo
faz uso de palavras compostas com o prefixo grego syn, com o significado de
"em conjunto com". Assim, os termos "coerdeiros",
"mesmo corpo" e "participantes da promessa em Cristo"
explicam que os gentios s. "herdeiros juntamente com" os judeus das
mesmas promessas prometidas a Abraão e à sua descendência.
3.
A magnitude do Mistério
Como já observado nos tópicos
anteriores, outrora ninguém tinha ventilado a possibilidade da formação de um
só povo sem distinção de pessoas, raça ou desse social em Cristo e por Cristo,
todos sendo um e participando da mesma promessa (GI 328; Ef 3.6; Cl 3.11). Até
mesmo alguns líderes da Igreja Primitiva demoraram a entender esse mistério em
que todos são aceitos em Cristo por meio da mensagem da cruz.
O apóstolo Pedro, por
exemplo, precisou justificar-se perante a Igreja em Jerusalém por ter
compartilhado o evangelho com o incircunciso Cornélio (At 11A-17). Até mesmo o
próprio Pedro teve dificuldades em compreender que o evangelho também estava
disponível para a salvação dos gentios. A compreensão de Pedro somente ocorreu
após uma visão onde Deus mostrou-lhe que a nenhum homem considerasse comum ou
imundo (At 10.1-48).
Não obstante, a dimensão e a
abrangência do mistério revelado já tinham sido anunciadas pelo apóstolo ao
asseverar que a vontade divina era "de tornar a congregar em Cristo todas
as coisas" (Ef 1.10a). A harmonia que fora destruída pelo pecado desde o
Éden agora entrou em processo de restauração por meio da cruz de Cristo 213
Essa restauração é completa e compreende tanto as coisas "que estão nos
céus como as que estão na terra" (1.10c). Na plenitude dos tempos, Cristo
será reconhecido como a Cabeça de tudo (ver 122).
No tempo presente, Cristo já é a Cabeça da
Igreja e o autor da unidade entre judeus e gentios, mas, no tempo determinado,
acontecerá a submissão do mundo a Ele como a Cabeça, e aquela unidade pela qual
ansiamos virá com o domínio de Jesus Cristo?. Ao descrever a grandiosidade
desse mistério ora revelado, Matthew Henry destaca no seu comentário que:
Precisamos reconhecer que a conversão do mundo
gentílico para a fé em Cristo foi um mistério adorável, e devemos agradecer a
Deus por isso. Quem teria imaginado que as pessoas que estiveram tanto tempo na
escuridão, e tão distantes, fossem iluminadas com a luz maravilhosa e se aproximassem
de Cristo? [...]. Nada é difícil .mais para a graça divina: ninguém é tão
indigno que Deus não possa derramar a sua imensa graça sobre ele.
É claro que isso não
significa "universalismo", que especula que todos serão salvos no
fim, mas, sim, que tudo será conforme Deus planejara (ver a 10,11). Por outro
lado, Paulo declara que o anúncio dessas dádivas recai sobre a responsabilidade
da Igreja para que "a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos
principados e potestades nos céus" (3.10). Isso indica que a própria
Igreja é a principal agência divina de divulgação desse "mistério",
cujo propósito é unir todos os homens, por meio de Cristo, em um só povo, além
de servir de testemunho até mesmo para os poderes espirituais.
III.
0 MISTÉRIO PREESTABELECIDO POR DEUS
1. As riquezas
incompreensíveis de Cristo
O mistério agora revelado e anunciado é considerado
pelo apóstolo como "riquezas incompreensíveis de Cristo" (3.8). A
expressão refere-se às maravilhas, misericórdia, amor, graça e providência
divina, que estão além do entendimento humano (ver 1.7). Paulo enfatiza que as
riquezas do evangelho e da salvação de judeus e gentios são riquezas que
inexplicavelmente nos são concedidas por meio de Cristo.
Nossa atenção é chamada para
o fato de que essas riquezas não são apenas o evangelho, nem somente a
doutrina, mas o próprio Cristo (ver Mt 13A4).21. Matthew Henry considera que
"essas são riquezas insondáveis, que a sagacidade humana jamais poderia
descobrir e as pessoas não conseguiriam obter de outra forma se não fosse por
revelação' 217 São riquezas que não se podem rastr.r ou investigar, pois são
recursos ilimitados da graça de Deus em Cristo Jesus.
Para o apóstolo dos gentios,
compartilhar com os povos essas boas novas era algo imensurável (3.18-19). A
mensagem da qual fora incumbido consistia em ministrar a todos a perfeição e a preciosidade
do mistério que estivera oculto (3.7-9). Ao referir-se à honra da comissão
divinamente recebida, Paulo ressalta que foi "feito ministro, pelo dom da
graça de Deus" (3.7). Essa declaração reforça que o seu apostolado não era
humano (a 1-3). Ele foi feito ministro e não se fez ministro. Ele não usurpou
esse privilégio; foi dom da graça de Deus.
Humildemente, ele
considerava-se "o mínimo de todos os santos" (3.8). Não se tratava de
falsa modéstia, mas de um sentimento que o acompanhava após a conversão. Aos
Coríntios, ele explicita que foi perseguidor da Igreja na sua vida pregressa e,
por isso, não se sentia digno de ser chamado apóstolo (1 Co 15.9). Contudo, ao
mesmo tempo, ele alegrava-se em proclamar que essas "riquezas" foram
projetadas desde a eternidade, sendo livremente concedidas por meio de Cristo
(Ef 1.4; 2.16). Essa mensagem abrange o beneplácito da vontade divina que
articulou o plano (1.11), o conteúdo do plano com todas as suas bênçãos (2.1-6)
e a pessoa de Cristo, que executou o plano preestabelecido por Deus (1.19-22).
2. 0 eterno propósito em Cristo
Paulo novamente reforça que lhe foi confiado a
pregação do mistério, "que, desde os séculos, esteve oculto em Deus, que
tudo criou" (3.9). Como já observado, "mistério oculto"
significa que, desde o princípio dos tempos, o Criador manteve o seu propósito
encoberto para ser plenamente revelado em tempo oportuno (1 Pe 120). Porém,
agora no presente, a ênfase paulina aponta que já havia chegado o tempo de o
mistério ser desvendado. As expressões "esteve oculto em Deus" (Ef
3.9) e "para q., agora, [...] seja conhecida" (3.10) indicam que Deus
sempre esteve no controle da sua criação "segundo o eterno propósito que
fez em Cristo Jesus, nosso Senhor" (3.11).
Paulo está falando do plano
que abarca as eras. Deus está no controle e governa as eras em toda a sua
continuidade e conteúdo 219 O eterno propósito divino já tinha sido mencionado
por Paulo em Efésios 1.11 nos seguintes temos: "[...] havendo sido
predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o
conselho da sua vontade". Essa declaração indica que os crentes (judeus e
gentios) são herdeiros da mesma promessa em Cristo conforme o propósito
divinamente estabelecido?
Isso quer dizer que tanto o
"plano da salvação", que abrange o "mistério da igreja",
quanto a "revelação desse mistério" sempre estiveram de acordo com o
desígnio divino para ser executado por intermédio de Cristo. O eterno propósito
relaciona-se, entre outros aspectos, com a providência divina para com a
humanidade.
Em outras palavras, Deus não deixou a
humanidade exposta à própria sorte, mas providenciou um plano de redenção para
os pecadores. Esse plano de salvação é direcionado a todo aquele que crê em
Jesus Cristo (Jo 3.16). Deus é soberano e estabeleceu as condições para a
salvação (Ef 2.8,9), e Ele planeja nossos dias antes mesmo q. nasçamos (ver SI
139.16). Ele, porém, faz tudo isso de tal maneira q., de algum modo, nos
garante o livre-arbítrio, a capacidade de fazer escolhas, pelas quais somos
responsáveis diante dEle (ver Is 66.3-4).
Desse modo, o eterno
propósito disponibiliza a salvação para todos, uma vez q., concordes com nossa
Declaração de Fé, o Senhor Deus não deseja a perdição de ninguém, mas
"quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da
verdade" (1 Tm 2.4).221 Essa salvação, entretanto, aplica-se somente
àquelas que creem: "Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para
todos e sobre todos os q. creem" (Rm 322).
Certamente que o propósito divino de salvar o
pecador inclui a regeneração, o livramento do poder da maldição do pecado e a
restituição do homem à plena comunhão com Deus. No entanto, apesar de isso tudo
estar presente na declaração paulina, é possível perceber a preocupação do
apóstolo com a unidade (ver 3.6) e a comunhão da Igreja (ver 3.9) para que os
crentes redimidos em Cristo cumpram o propósito para o qual foram chamados.
Em relação a essa questão, em
textos correlatos, Paulo enfatiza a necessidade da comunhão e da unidade do
corpo de Cristo. Aos Romanos, para citar ao menos uma referência, o apóstolo
lembra que, mesmo sendo diferentes uns dos outros, fazemos parte de um mesmo
corpo e, portanto, devemos ter o mesmo sentimento de Cristo Jesus (Rm 12.4-21;
15.5). Na carta aos Efésios, ele exorta a "guardar a unidade do Espírito
pelo vínculo da paz" (Ef 4.3) e, em favor dessa causa, isto é, pela
perfeita compreensão da vontade de Deus por parte dos seus leitores, Paulo
propõe-se a interceder "de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo" (3.14).
3. O plano divinamente preestabelecido
O plano divino de redenção da
humanidade não surgiu quando Adão e Eva desobedeceram às ordenanças do Criador
no Jardim do Éden (Gn 3.6-19). Deus não foi e nem nunca será apanhado de
surpresa; Ele sempre esteve no controle e já tinha um plano de salvação
preestabelecido (Ef 1.3-5). Deus é soberano e controla todas as eras, tempos e
circunstâncias. Essa verdade ensina-nos que existe um propósito eterno em
andamento por trás de todo evento da História.
Nessa perspectiva, cremos que
o plano divino não foi o resultado de alguma pressão externa, mas foi
ocasionado pelo "propósito gracioso" de Deus pelo muito que nos amou.
Tudo ocorreu conforme o beneplácito da sua soberana vontade (1.5,9).
Assim, no cumprimento desse
eterno propósito, no tempo previamente determinado, o mistério da Igreja foi
executado em Cristo, "no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela
nossa fé nele" (3.12). Significa que o acesso ao Deus-Pai estava fechado
antes da vinda de Cristo; porém, agora pelo mistério da unidade revelado, temos
livre acesso à presença do Pai (Hb 10.19-20), desfrutamos da "comunhão uns
com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo
pecado" (1 Jo 1.7). Desse modo, acerca do mistério da Igreja que esteve
oculto nas gerações passadas, no tempo previamente estipulado, Deus revelou o
seu eterno propósito aos apóstolos e aos profetas do Novo Testamento. Judeus e
gentios estavam inseridos nesse mistério idealizado por Deus. Tal mistério
agora revelado deve ser anunciado pela própria Igreja conforme os desígnios
divinamente preestabelecidos desde a eternidade.
Aleluia!
A Igreja Eleita - Douglas Baptista
Redimida Pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa.
Redimida Pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa.

Comentário Bíblico Efésios
4 4 .
O MISTÉRIO DA
UNIDADE REVELADO — 3.1-13
Nos três primeiros versículos, Paulo, mais uma
vez, se identifica como "o prisioneiro de Jesus Cristo" para cumprir
a missão de despenseiro da graça de Deus, ao qual foi revelado o mistério da
verdadeira unidade espiritual entre judeus e gentios.
"Por esta causa" (v. 1) é uma
expressão referente a tudo quanto havia escrito sobre as riquezas das bênçãos
de Deus em Cristo (cap. 1) e ao desenvolvimento que deu à questão do propósito
de Deus em Cristo (cap. 3), quando destaca a nova vida em Cristo, que reúne
judeus e gentios num só povo.
"... eu, Paulo, sou o prisioneiro de
Jesus Cristo" (v. 1). Ao identificar-se dessa maneira, Paulo queria
mostrar dois lados da mesma situação. No sentido real, ele estava preso em
Roma. Por outro lado, essa prisão lhe dava a oportunidade de tornar-se
prisioneiro de Cristo, pois ali poderia prestar-lhe um serviço que talvez não
fizesse melhor se estivesse fora da prisão de Roma. Então, a expressão
"prisioneiro de Jesus Cristo" tem um sentido literal e outro
metafórico. Ao invés de lamentar o fato de estar Preso, ele inverte o seu
significado e torna sua prisão uma forma de servir melhor ao Senhor. Como
prisioneiro, sua epístola teria um efeito muito maior entre os crentes de
Éfeso.
"... dispensação da graça de Deus"
(v. 2). O significado literal da palavra "dispensação" é
administração, portanto a frase fica melhor assim: "... tendes ouvido da
administração da graça de Deus a vós". Paulo se identifica aqui como um
administrador dos bens espirituais dados aos gentios, por isso mesmo é chamado
"apóstolo dos gentios (2 Tm 1.11). Como administrador ou despenseiro da
graça de Deus, não significava que Paulo tivesse poder para salvar ou para dar
a graça de Deus aos homens, mas ele agiria como um mordomo para distribuir e
apresentar a graça e a salvação de Deus (2 Co 10.1; Gl 5.2,3; Cl 1.23).
Alguns pontos de destaque na revelação desse mistério:
4.1.
O mistério oculto no Antigo Testamento — vv. 3-5.
"Como me foi este mistério manifestado
pela revelação" (v. 3). Paulo faz questão de frisar o fato de que o
Evangelho aos gentios lhe fora dado especialmente, para que eles (gentios)
fossem incorporados aos privilégios do reino de Deus, tanto quanto os judeus. A
fonte do ministério de Paulo aos gentios está na sua experiência com Cristo no
caminho de Damasco. Nessa experiência, Paulo viu Jesus e ouviu sua ordenação
para o ministério entre os gentios conforme está em Atos 9.15, que diz:
"... este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos
gentios e dos reis, e dos filhos de Israel". A visão de Cristo não só o
converteu como mudou o rumo da sua vida. De apaixonado e fanático fariseu entre
os judeus, tornou-se "o apóstolo dos gentios" (At 9.15,16; Gl
1.15,16). A revelação inicial desse ministério deu-se ali no caminho de Damasco
e, posteriormente, essa visão tornou-se mais ampla. O grande mistério oculto só
foi conhecido dos gentios através de Paulo, a quem foi revelado. Ele tornou
conhecido a todos os homens o propósito divino para com suas vidas e a maneira
particular de Deus revelar-lhes o mistério divino de salvação. No verso 9, as
palavras "revelação" e "demonstrar" estão intimamente
ligadas com a palavra "mistério".
Esse mistério é revelado em
dois ângulos: a revelação de Cristo na sua forma glorificada, e a revelação da
união de judeus e gentios, formando um só povo e participando dos mesmos
privilégios.
A revelação do mistério do
Cristo glorificado e a razão dessa glória são quatro destaques especiais: a) O
mistério do Cristo encarnado (1 Tm 3.16); b) O mistério da Igreja como o corpo
de Cristo (1 Co 12.27); c) O mistério da presença de Cristo dentro de nós,
morando em nós (Cl 1.27); d) O mistério da Igreja como esposa de Cristo (Ef
5.32). Esses mistérios estavam ocultos na eternidade.
4.2.
O mistério revelado no Novo Testamento — vv. 5,6
O grande mistério que Paulo
desejava revelar à igreja em Éfeso era a participação plena dos crentes gentios
na salvação efetuada na cruz. A posição dos gentios no corpo de Cristo e a sua
participação conjunta com os judeus veio de encontro a vários conceitos errados
sobre privilégios espirituais. A Igreja é a união de todos os crentes em
Cristo, independente de raça, língua ou nação. Ela é a constituição divina
formando um só povo, uma só fé, um só Senhor (Ef 4.1-7), todos com os mesmos
privilégios. A participação na filiação a Deus é direito comum a todos quantos
receberem a Cristo Jesus como Salvador (Jo 1.12).
Esse mistério é apresentado
com um sentido amplo, e a participação dos gentios na nova ordem (a Igreja) é
de igualdade de posição e privilégios em relação aos judeus cristãos. A
ampliação dessa participação gentios-judeus é compreendida pelo prefixo grego
sun, que significa iguais, sócios, participantes, juntos, isto é, no mesmo
nível: nem inferior nem superior aos outros. Este prefixo sun eqüivale ao
prefixo "co", em português, quando Paulo afirma que os gentios são
co-herdeiros, co-participantes e co-membros do corpo de Cristo, conforme está
no versículo 6. A palavra "co-herdeiros" refere-se à participação dos
gentios e os judeus crentes em Cristo na Igreja. A preocupação do apóstolo era
desfazer um falso ensino no seio da igreja de Éfeso. Alguns judeus afirmavam
que nenhum gentio crente poderia participar da herança ou parte dela prometida
a Israel, a não ser que o gentio se submetesse ao cumprimento de alguns ritos e
cerimônias estritamente judaicas. Entretanto, a Paulo foi revelado que a graça
de Deus para os gentios não exigia nenhum rito judaico, visto que esses ritos
eram especificamente para os judeus e dos judeus. Em Cristo, os gentios têm
direito a todas as bênçãos divinas com base apenas nos méritos de Cristo Jesus.
Eles são participantes das promessas de Cristo e formam um só corpo espiritual
com os judeus, cujo resultado único é a Igreja (1 Co 12.13; Ef 2.13). Os
gentios foram feitos "povo de Deus", "geração eleita",
"nação santa" e "povo adquirido" juntamente com os judeus,
tudo em Cristo Jesus (1 Pe 2.9).
4.3.
Paulo declara-se ministro dessa revelação — v. 7
As palavras "do qual" no verso 7
referem-se ao Evangelho que Paulo pregava e ensinava. O sentido da palavra
"ministro" é bem mais amplo. No original grego, a palavra empregada é
diakonos, que dá a idéia de um ofício específico (Fp 1.1; 1 Tm 3.8-12). Já o
verbo diakonein designa aquele que vive e trabalha num determinado serviço.
Implica mais um serviço dinâmico do que uma posição estática. No caso aqui, a
palavra que cabe melhor para designar aquele que serve a Cristo é diakonia (2
Co 3.6; Cl 1.23; 1 Tm 4.6). O que Paulo queria que todos soubessem em Éfeso era
que ele tinha a função de um servo investido da autoridade de Cristo. Como
"ministro" dessa revelação, Paulo era apenas o instrumento do
Espírito Santo.
As palavras que dão seqüência
à declaração de Paulo se referem a que ele "foi feito ministro... pelo dom
da graça de Deus" (v. 7), e isso mostra a sinceridade e a humildade do
apóstolo das gentes. O ministério recebido não lhe foi dado por méritos
pessoais, "mas segundo o dom", em conseqüência de, e de acordo com
"o dom da graça de Deus". Ainda o final do versículo 7 apresenta:
"... que me foi dado segundo a operação do seu poder". Que poder é
esse? Que operação é essa? A palavra "operação", no original grego,
tem o significado de energia. Aclarando melhor a frase, a teríamos nessa forma:
"segundo a força operante do seu poder". As palavras
"força", "energia" e "operação" indicam a fonte
dessa operação, que é "o poder de Deus" manifesto de forma concreta
na vida do ministro dessa revelação.
4.4. A revelação do mistério das riquezas
insondáveis em Cristo — v. 8
No verso 8, Paulo usa um superlativo para
poder dizer mais livremente das verdades reveladas. Ele diz: "A mim, o
mínimo [o menor] de todos os santos", sendo que no original esse superlativo
aparece ainda mais acentuado: "A mim, que sou o menor dos menores entre
todos os santos". Sua afirmação não possui fingimento. A graça dos
mistérios de Cristo era maior do que ele podia, humanamente, compreender. Paulo
sabia quão insondável é penetrar nos arcanos divinos, a não ser que Deus os
revele, como lhe havia feito. O grande mistério revelado alcançava um grau
superior, além das possibilidades da mente humana. "As riquezas
insondáveis de Cristo" não eram apenas o Evangelho poderoso ou o conhecimento
da doutrina de Cristo, ou uma revelação parcial da glória de Cristo expressa no
Calvário e na sua ressurreição, mas era o próprio Cristo (Mt 13.44). O
privilégio de Paulo era pregar aos gentios a Cristo como Salvador e declará-los
incluídos como participantes das bênçãos de Cristo (At 9.15, 22.21; 26.17; Rm
11.13; 15.16-21; Gl 2.7-9).
Norman Harrison, escritor
norte-americano, comenta assim o versículo 8: "O que sabemos das 'riquezas
incompreensíveis de Cristo' são:
a) As riquezas da sua glória
essencial: igual ao Pai; criador de todas as coisas; recebedor do culto e da
honra devidos à divindade.
b) As riquezas do seu próprio empobrecimento
voluntário por amor de nós: através dele, que 'sendo rico, por amor de vós se
fez Pobre'; 'para que por sua pobreza enriquecêsseis' (2 Co 8.9); a história da
sua humilhação (Fp 2.5-8); a sua disposição para, embora sendo o Criador,
tornar-se simples criatura, na encarnação.
c) As riquezas da sua glória moral: manifesto
como homem entre os homens; a perfeição do seu caráter pessoal, incomparável
aos outros; a sabedoria procedente dos seus lábios: 'Nunca homem algum falou
como este'; as maravilhas de suas obras: 'Nunca tal se viu'; a retidão das suas
ações: nunca precisou desculpar-se por algum erro de julgamento, de objetivo ou
de algum ato — em tudo isso foi um exemplo não ultrapassado, sim, nem
aproximado.
d) A riqueza de sua morte:
alcançando a finalidade de sua vinda 'para dar a sua vida' — com as qualidades
da divindade e de perfeita natureza humana — 'em resgaste de muitos'.
e) As riquezas da sua glória
como Mediador, levantado e glorificado, um homem no Céu; a sua intercessão
incessante por nós abriu-nos acesso ao Pai; o seu cuidado protetor constante
como 'O Grande Pastor das ovelhas'.
f) A riqueza da sua presença entre o seu povo:
conosco 'todos os dias'; em nós em poder transformador para reproduzir o seu
próprio caráter e semelhança; o poder da vida sem fim.
g) A riqueza da sua volta e do seu reino: Ele
reclama para os que são seus a coroa da recompensa prometida; o chamado da sua
noiva para participar dos direitos do seu reino, a herança dos séculos, de
mundos conhecidos e desconhecidos, feitos seus e nossos". (BOYER, O.S.
Efésios — O evangelho das regiões celestiais, 1959, pág. 86).
4.4.
A dispensação do mistério — v. 9
"E demonstrar a todos
qual seja a dispensação do mistério". Nesse versículo, Paulo enfatiza sua
missão de apenas "tornar conhecidas" as insondáveis riquezas desse
mistério de Cristo. A palavra "demonstrar" tem o sentido de aclarar a
todos ou iluminar (SI 18.28; Ef 1.18; Hb 6.4). Já a palavra
"dispensação" tem o sentido de mordomia. No grego, essa palavra
aparece como economia, ou aquilo que regula a distribuição de alguma coisa, ou
a forma de dar a conhecer o mistério.
4.5.
O mistério estava oculto em Deus — v. 9
O mistério revelado é a união
de gentio e judeu. Esse mistério foi traçado e planejado no Conselho Divino
antes da existência dos séculos, e só agora foi revelado a Paulo. Por que esse
fato estava envolto em mistério? No texto está assim: "... que desde os
séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou". A expressão "desde os
séculos esteve oculto" explica-se no original grego como sendo:
"desde o começo das idades" (Rm 16.25; 1 Co 2.7; Ef 1.4). "As
idades" são longos espaços de tempo marcados por sucessivas etapas da
criação. O mistério esteve oculto "em Deus". Assim como todas as coisas
foram criadas por Deus, Ele tem o direito de manter em segredo o que lhe
convém, e só revelar quando satisfizer seus propósitos. O mistério da salvação
foi oculto dos homens por várias dispensações (tempos) e somente revelado no
Novo Testamento. Esse mistério foi guardado por Deus para o tempo que Ele
designou na sua presciência, e só revelado agora, na presente dispensação.
4.7. O mistério revelado à
Igreja — v. 10 No verso 10 temos a revelação de que a Igreja é constituída de
ambos os povos — judeus e gentios. Ela não foi uma solução acidental nem um
remédio de última hora. A Igreja sempre fez parte do plano preestabelecido e
elaborado por Deus antes da fundação do mundo (Ef 1.3-5). A sua constituição é
a revelação do mistério oculto em Deus; não a igreja meramente humana, ou
política, mas a Igreja que forma o corpo místico de nosso Senhor Jesus Cristo.
4.8. O mistério revelado aos
anjos — v. 10 A revelação desse mistério foi feita não só à Igreja, mas também
aos "principados e potestades nos céus".
Que são os "principados
e potestades nos céus"? Até ser revelado à Igreja, o mistério da salvação
era desconhecido dos anjos. Foi través dela que eles vieram a conhecer esse
mistério. "Principados e Potestades" são categorias especiais de
anjos, tanto entre os anjos de Deus como entre os anjos caídos. Assim, tanto os
anjos bons como os maus passaram a conhecer a revelação do mistério quando Deus
o fez conhecido à Igreja. A expressão "seja conhecida dos principados e
potestades" nos dá a idéia de que tanto os anjos de Deus como os anjos
caídos foram surpreendidos com a revelação feita inicialmente à Igreja, e não a
eles.
4.9. O mistério foi revelado
conforme o propósito preestabelecido por Deus — vv. 11-13
"Segundo o eterno
propósito que fez em Cristo Jesus" (v. 11). A execução desse propósito só
poderia ter acontecido por meio de Jesus Cristo. O plano divino tinha a pessoa
de Cristo como o seu objetivo central. A expressão "propósito eterno"
nos ensina que todas as coisas na criação seguem um propósito preestabelecido.
Na sabedoria divina, esse propósito foi elaborado na eternidade e executado na
manifestação do Filho de Deus feito carne (Jo 1.14).
Em obediência a esse
propósito, a Igreja segue para o seu destino eterno, e cada crente em Cristo,
particularmente, como parte da Igreja, tem ousadia (liberdade) em Cristo e
acesso (livre entrada) ao reino de Deus. Ninguém pode ter acesso a Deus por
outra via, a não ser Jesus (Jo 14.6).
"Portanto, peço-vos que
não desfaleçais nas minhas tributações" (v. 13). A igreja em Éfeso sabia
que Paulo passava por tribulações e que as enfrentava por amor a Deus e para o
bem da sua igreja querida. Em outros textos das Escrituras (At 20.18-35), o apóstolo
fala de suas tribulações passadas em Éfeso. À igreja em Corinto, ele lembra as
aflições sofridas na Ásia (2 Co 1.8-11). O apóstolo lembra as suas tribulações
e as reputa como glória da igreja em Éfeso, para que os crentes não venham a
desfalecer. Sabendo que os crentes estavam enfrentando lutas e tentações a
ponto de quase esmorecerem na fé, Paulo os anima, pedindo-lhes que não
desfalecessem pelo fato de ele estar preso. A grande lição do apóstolo dos
gentios é a de que a igreja tirasse proveito espiritual dos seus sofrimentos e
entendesse a glória escondida no mistério dessa prisão. Ele estava preso porque
expusera sua vida para pregar-lhes o Evangelho. Seus sofrimentos não deviam
representar um peso na consciência dos efésios, mas lucro e glória para eles por
Jesus Cristo. Sua prisão não seria impedimento para o exercício do seu
ministério: no interior frio e cinzento do cárcere de Roma, Paulo havia
recebido a revelação do grande mistério da salvação para os gentios.
Comentário Bíblico
Efésios - Elienai Cabral

Nenhum comentário:
Postar um comentário