TEXTO ÁUREO
“Edificados sobre o
fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal
pedra da esquina”
(Ef 2.20).
VERDADE PRÁTICA
Jesus
Cristo é a pedra basilar da Igreja, que está edificada por meio dos
ensinamentos dos apóstolos e do testemunho dos profetas.
CAPITULO 8
EDIFICADOS SOBRE FUNDAMENTO
DOS APÓSTOLOS E DOS PROFETAS
"Edificados sobre o fundamento dos
apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da
esquina"
(Ef 2.20).
Cristo formou a Igreja por meio
da reconciliação efetivada na cr. (Ef 2.13-19). O apóstolo compara-a a um
edifício em construção (2.21). A pedra angular dessa edificação é Cristo, e o
fundamento foi estabelecido pelos apóstolos e os profetas (2.20). O propósito é
tornar-se templo santo do Senhor e morada do Altíssimo (2.22). Tanto os judeus
quanto os gentios fazem parte da Igreja, também identificada como "família
de Deus" (2.19b).
Como já visto no capítulo
anterior, pela obra de Cristo na cruz, ocorreu uma mudança na condição dos gentios
que agora 'já não [são mais] estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos
Santos e [membros] da família de Deus" (2.19). Por causa de Cristo, homens
e mulheres de toda a raça, língua, tribo, nação e posição social estão juntos
na mesma família - a família de Deus.
Essa família é semelhante a um edifício
construído sobre um sólido fundamento. Aqui no texto aos Efésios, Paulo enumera
os apóstolos e profetas como sendo o fundamento (2.20). Porém, aos Coríntios,
lê-se que "ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o
qual é Jesus Cristo" (1 Co 3.11). Essa aparente contradição é explicada
pela apresentação diferente que Paulo faz da mesma metáfora: "aqui, o
apóstolo se refere a si mesmo e aos outros como pedras do edifício, ao passo que
em Coríntios (Ef 3.10) a referência é a construtores".168 Adro explicação
já descrita que se trata de apresentação diferente de uma mesma metáfora,
Bullinger, na sua obra Comentário sobre Efésios, interpreta que "Paulo não
quer dizer que os apóstolos e profetas são o fundamento da Igreja, mas Jesus
Cristo, de quem os apóstolos e profetas deram testemunho, porque Ele é a pedra
que o Senhor colocou em Sião",169
1.
UM EDIFÍCIO ESPIRITUAL
1. 0 santuário judeu
O Templo em Jerusalém era o
ponto alto da identificação exclusivista de Israel corno povo de Deus (1 Rs
8.16-20). Esse Templo foi170 idealizado pelo rei Davi e construído pelo seu
filho e sucessor, o rei Salomão (1 Cr 17.1-12). Salomão empenhou-se na
construção do Templo do quarto ao décimo primeiro ano do seu reinado (1 Rs
6.37-38).101
A proibição de acesso ao edifício por parte
dos estrangeiros era razão de inimizade entre judeus e gentios (Ef 2.14). Ao
reconciliar ambos os povos, Cristo aboliu as leis impeditivas, desfez a
inimizade e formou unia nova humanidade - a Igreja (2.18-19). Assim, o Templo
judaico perdeu a sua relevância, e um novo conceito de santuário foi
apresentado. Ao discorrer sobre o terna, Stott apresenta o seguinte
entendimento:
O templo em Jerusalém - primeiro o de Salomão, depois
o de Zorobabel, depois o de Herodes - tinha sido, por quase 1000 anos, ponto
central da identidade de Israel como povo de Deus. Agora havia novo povo.
Haveria então um novo templo, conforme alusão indireta de Jesus? O novo povo
não era uma nova nação, mas uma nova humanidade, inter-racial e de alcance
mundial. Um centro geograficamente localizado, portanto, não seda apropriado
para ele. O que, pois, poderia ser seu templo, seu elemento de união? [...). O
novo templo, porém, não é uma construção material, nem um santuário nacional,
nem tem um terreno localizado. É um edifício espiritual (a família de Deus)
[...]. Ele não está vinculado a edifícios sagrados, mas, sim, as pessoas
santas, a sua própria nova sociedade. Com esse povo Ele fez uma aliança solene.
Deus vive nesse povo, individualmente e na comunidade.
Na prática, o propósito do Templo permanece
como sendo o lugar de morada e de manifestação divina; porém, não más em uni
prédio construído pelo homem, mas, cm, na própria vida daqueles que são fiéis.
Cristo assim prometeu "[...] Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e
meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14.23).
2.
0 santuário cristão
Como já declarado, os que pertencem a Cristo
são comparados a um edifício onde Deus habita em Espírito (Ef 2.22). A frase
"sois edificados para morada de Deus", em alusão aos crentes em
Cristo, indica uni lugar de habitação de caráter inteiramente espiritual, e não
físico. O ensino lembra a Salomão quando reconheceu, no dia da inauguração, que
o Templo edificado por ele em Jerusalém não poderia conter a Deus: 11 Eis que
os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que
eu tenho edificado" (1 Rs 8.27).
Nesse mesmo sentido, estão as
palavras de Estêvão no sermão que ele proferiu aos seus algozes antes de ser
apedrejado e morto: 1..1 o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de
homens" (At 7A8). Paulo chegou ao mesmo entendimento quando contemplava os
vários santuários edificados pelos atenienses. O apóstolo, estando no meio do
Areópago, chamou-os de supersticiosos e declarou: "O Deus que fez o mundo
e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos
feitos por mãos de homens" (At 17.24).
Desse modo, ao analisar as
palavras de Salomão, Estêvão e também de Paulo, é possível compreender q. Deus
não habita em templo algum construído pelos homens, seja em Jerusalém (o Templo
de Salomão) ou em qualquer outro lugar (o templo de Diana, em Éfeso, os templos
em Atenas e os demais santuários pagãos). É dessa constatação que surge o
conceito bíblico de santuário cristão, isto é, aquele que não é material, e sim
espiritual.
Isso significa que, na Nova
Aliança, os crentes em Cristo -judeus ou gentios - tornaram-se o templo onde o
Espírito de Deus habita: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o
Espírito de Deus habita em vós?" (1 Co 3.16). O apóstolo Pedro corrobora
com esse ensino e desenvolve um quadro da igreja comparado a urna construção em
que os crentes são descritos como "pedras vivas" em uma "casa
espiritual" (1 Pe 2.5). 3. A pedra angular Em continuação à sua metáfora,
Paulo afirma que, nesse edifício espiritual, "Jesus Cristo é a principal
pedra da esquina" (Ef 2.20). Aqui, o apóstolo faz alusão à arquitetura
antiga, onde a construção de um edifício requeria urna pedra angular. Ela é
traduzida corno a "pedra mais importante" ou "pedra
principal", na qual a estrutura da construção era sustentada:
Além de ser a pedra angular de um edifício parte do
fundamento, e, portanto, suporte da superestrutura, ela determina sua forma
final, visto que, ao estar colocada na esquina formada pela junção de duas
paredes primárias, fixa a posição de duas paredes e das que cruzam no resto do
edifício. Todas as demais pedras devem ajustar-se a ela.
Em outros termos, a pedra angular era posta no
canto do prédio para sustentar o alicerce, firmar e unir toda a estrutura e
manter as paredes em linha certa. O Templo em Jerusalém tinha pedras angulares
extremamente grandes. Para termos uma ideia da dimensão dessa pedra, em uma das
escavações junto ao muro sul do Templo em Jerusalém, os arqueólogos encontraram
um monólito medindo aproximadamente 12 metros de comprimento:
4. Cristo, a pedra principal
A identificação de Cristo
como a pedra angular remonta à profecia messiânica em que a pedra rejeitada
"tornou-se cabeça de esquina" (SI 11822). Ele mesmo afirmou ser a
"cabeça da esquina" (Mc 12.10), e também os apóstolos testificaram
ser Cristo "a pedra principal" (At 4.11; 1 Pe 2.7). Logo, sem
dúvidas, a pedra angular deste novo santuário é o próprio Cristo. Stott realça
essa imprescindível atuação de Cristo nos seguintes termos:
Assim como uni edifício depende, para sua coesão e
para o seu desenvolvimento, de ser seguramente vinculado a uma pedra angular,
assim também Cristo, a pedra angular, é indispensável para a união e o
crescimento da igreja. A não ser que esteja constante e seguramente relacionada
com Cristo, a união da Igreja desintegrar-se-á e seu crescimento cessará ou
será desordenado.
Dessa maneira, tal qual a
pedra angular, que sustenta e determina a forma de uni edifício, assim
igualmente é Cristo para com a Igreja. Isso denota basicamente a fundamental
importância e "a honra de Sua posição no edifício e também a maneira pela
qual cada pedra é encaixada nEle, e pela qual acha verdadeiro lugar e utilidade
apenas em relação a Ele (Cl 2.7; 1 Pe 2.4)".176 Nesse contexto, no Sermão
do Monte, aprendemos que o homem prudente edifica a sua "casa
espiritual" sobre essa rocha, q. é Cristo Jesus (Mt 724).
II. O FUNDAMENTO: APÓSTOLOS E PROFETAS
1. 0 conceito de apóstolos O
termo grego apóstolos é usado para "enviado" ou
"mensageiro". Todo o apostolado é centrado em Cristo, que foi enviado
para ser o salvador do mundo (Hb a 1; 1 Jo 4.14). Mateus, Marcos e Lucas usam o
termo quando se referem aos 12 escolhidos por Cristo (Mt 102-5; Mc 6.30; Lc
6.13). Paulo, Tiago e, possivelmente, Barnabé também foram comissionados como
apóstolos (At 14.14; 15.13; 1 Co 9.1-6; 15.8-9). Aos apóstolos foi confiado o
ministério da Palavra para instruírem a Igreja (At 6.2-4).
Na perspectiva circunscrita do termo, os
apóstolos da Igreja Primitiva foram as testemunhas oculares do ministério,
morte e ressurreição de Jesus (At 1.2122). Donald Stamps, editor-geral da
Bíblia de Estudo Pentecostal, assegura: "[Eles] tinham autoridade ímpar na
Igreja, no tocante à revelação divina e à mensagem original do evangelho, como
ninguém más até hoje. O ministério de apóstolo nesse sentido restrito é exclusivo,
e dele não há repetição. Os apóstolos originais do NT não têm sucessores".
Em contrapartida, Stamps também avalia que, se
negligenciarmos o sentido geral do termo enviado ou mensageiro e essa postura
fizer as "igrejas cessarem de enviar pessoas assim cheias do Espírito
Santo, a propagação do evangelho em todo o mundo ficará estagnada".17.
Seguindo nessa direção, Elienai Cabral também entende q. Deus ainda hoje
comissiona certos homens para realizarem trabalhos específicos.
De qualquer forma, os intérpretes, de modo
universal, concordam que os apóstolos, como fundamento, referem-se unicamente
aos comissionados por Jesus na Igreja Primitiva, que anunciaram a mensagem de Cristo
- o fundamento da Igreja.
2. A doutrina dos apóstolos
Embora não se possa
desassociar das pessoas e do ofício que ocupavam, o que constitui o fundamento
da Igreja não é o ministério apostólico, mas, sim, a doutrina que os apóstolos
ensinavam à Igreja, ou seja, as Escrituras (At 2.42; 2 Tm 3.16). Eles receberam
essa revelação diretamente de Cristo (Rm 6.17; 1 Tm 1.3; 2 Pe 3.16). John Stott
anota o seguinte:
Em termos práticos, isto quer dÉer q. a Igreja
está edificada sobre as Escrituras [...]. São os documentos fundamentais da
Igreja [...]. Este não pode ser alterado por quaisquer acréscimos, decréscimos,
ou modificações oferecidas por aqueles que em qualquer época aleguem ser
apóstolos ou profetas. A igreja fica em pé ou cai, conforme sua dependência
leal às verdades fundamentais que Deus revelou aos seus apóstolos e profetas, e
que agora são preservadas nas Escrituras do Novo Testamento'.
Mattew Henry (1662-1714)
corrobora com essa interpretação ao afirmar q. Cristo investiu os apóstolos com
"dons extraordinários, poder para operar milagres e uma infalibilidade
para anunciar a sua verdade".182 O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento
homologa esse entendimento ao enfatizar que os apóstolos estavam
"autorizados pelo próprio Senhor Jesus Cristo para serem seus
representantes na proclamação do evangelho e no estabelecimento da
Igreja").
O evangelista Lucas registra
no livro de Atos que a Igreja perseverava "na doutrina dos apóstolos"
(At 2A2). A expressão indica que davam atenção constante ao ensino dos
apóstolos. O emprego do artigo definido na contração emoa (na) da expressão
"na doutrina" aponta para um corpo específico de doutrinas.l. E,
assim como não se pode mexer na pedra angular depois de colocado o alicerce, o
fundamento da Igreja também não pode ser violado. Cristo deixou isso bem
esclarecido ao asseverar "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras
não hão de passar" (Lc 21.33).
3. Os
profetas do Antigo Testamento
A palavra grega prophetes
significa proclamador e intérprete da revelação divina. No Antigo Testamento
hebraico, a palavra empregada más frequentemente é nabi, como sendo aquele que
dedara uma mensagem em nome de um superior. Nesse entendimento, o profeta do
Antigo Testamento "era aquele em cuja boca Deus havia colocado suas
Palavras, e que transmitia essas graciosas Palavras ao povo".185 Eles
tinham acesso à presença dos reis. Ofereciam-lhes assessoramento e, quando
necessário, até censuravam os seus atos (Is 7.3ss; 37.5-7; 2 Sm 12.7ss).
Não obstante, a primeira
mensagem messiânica registrada nas Escrituras foi proclamada diretamente pelo
próprio Deus. No Éden, o Senhor anunciou que a semente da mulher feriria a
cabeça da serpente (Gn 3.15). Ao passar do tempo, Deus revelou aos profetas do
Antigo Testamento os detalhes dessa promessa de redenção (Is 53.1-12). O livro
aos Hebreus atesta que, antigamente, Deus falou muitas vezes e de várias
maneiras, por meio dos profetas (Hb 1.1).
A mensagem anunciada acerca da salvação de
pecadores não foi, no entanto, plenamente compreendida pelos profetas do Antigo
Testamento, apesar de terem feito menção de bênçãos prometidas também aos
gentios (Is 11.10; 49.6; 54.1-3; 60.1-3; MI 1.11). Os gentios estavam alienados
acerca dessa esperança, e os judeus não a entendiam ou, então, ignoravam essa
possibilidade e, provavelmente, não a desejassem.
Tais constatações, portanto,
são razões suficientes para não incluir o testemunho dos profetas do Antigo
Testamento como "fundamento" da Igreja. Quanto a essa discussão,
Stott avalia que talvez os profetas do Antigo Testamento estejam incluídos, mas
pondera que a ordem invertida das palavras na citação bíblica, não de
"profetas e apóstolos", mas, sim, de "apóstolos e
profetas", indica que a referência seja aos profetas do Novo Testamento...
Nesse aspecto, o Comentário Bíblico Pentecostal assevera que, "em Efésios,
as duas ocorrências onde apóstolos e profetas foram mencionados em conjunto
(3.5; 4.11) a referência é claramente aos profetas cristãos como líderes da
Igreja1.7".
4.
O testemunho dos profetas do Novo Testamento
A função primária dos
profetas do Novo Testamento "era similar à dos profetas do Antigo Testamento:
anunciar a Palavra de Deus. Porém, eles ocasionalmente previam acontecimentos
futuros (At 11.28; 21.9,11r.1. O Comentário Bíblico Pentecostal destaca que os
profetas "eram aqueles indivíduos especialmente dotados de receber e
mediar diretamente a revelação recebida de Deus"... O Comentário do Novo
Testamento — Aplicação Pessoal enfatiza q. eles "tinham habilidades
especiais no ministério das mensagens de Deus para o seu povo".
Ainda na descrição do ofício dos profetas do
Novo Testamento, Mattew Henry salienta que eles expunham os escritos do Antigo
Testamento e prediziam as coisas do futuro..1 Paulo assegura que a compreensão
do mistério que estivera oculto no passado — de que os gentios tinham igual
posição no corpo de Cristo e eram participantes da promessa - foi revelado pelo
Espírito Santo aos profetas do NOVO Testamento (Ef 3,6). Assim, reitera-se o
posicionamento de que os profetas do NOVO Testamento, "homens santos de
Deus [que] falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pe 121), perfazem o
alicerce da Igreja de Cristo.
Em relação ao propósito do
profeta em nossos das, o Comentário Bíblico Pentecostal considera que
"líderes visionários e santos, pessoas cheias da Palavra e do 'espírito de
sabedoria e de revelação' (Ef 1.17), continuam a ser necessárias para liderar a
Igreja". Elienai Cabral concorda, mas faz o alerta de que nenhuma profecia
pode "acrescentar outra verdade que não tenha base nas Escrituras, mas
para edificar, exortar e consolar com base nas verdades já saudadas na
Bíblia". Desse modo, no sentido "restrito", o testemunho dos
profetas como fundamento da Igreja limita-se ao Novo Testamento. Ratifica-se,
portanto, que o fundamento no qual a Igreja de Cristo está edificada
encontra-se nas Escrituras Sagradas, a revelação escrita de Deus dada pelo
Espírito Santo, sendo essa revelação a única regra infalível de fé e prática
para a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17).194
III.
EDIFICADOS PARA MORADA DE DEUS
1.
Edifício bem ajustado
A expressão "no qual
todo o edifício, bem ajustado, cresce" (Ef 2.21a) indica um processo
contínuo de desenvolvimento (2.21). Paulo já tinha afirmado q. Cristo é a pedra
angular desse edifício (2.20b) e agora acrescenta outro pensamento, isto é,
"Cristo, além de ser o princípio de estabilidade e diretriz da igreja, é
também o princípio de seu crescimento". O edifício espiritual está
alicerçado em Cristo e fundamentado no ensino revelado aos apóstolos e no
testemunho dos profetas. Esse edifício é um organismo vivo que está em
crescimento. A ele são acrescentadas contínua e individualmente "pedras
vivas" que coletivamente formam o edifício todo (a Igreja). As pedras
incorporadas ao conjunto, "pedra de esquina" (Cristo) e
"fundamento" (apóstolos e profetas), são harmoniosamente ajustadas
umas às outras.
Nesse sentido, cada crente fiel ocupa uma
posição e um lugar certo no templo de Deus ajustado perfeitamente conforme a
vontade do Senhor da Igreja. E essa participação individual de cada crente na
construção desse edifício refere-se à ação da igreja militante, que tem de
crescer e progredir.1. Em outro aspecto não menos importante, Stott lembra que
"o templo de Jerusalém era um edifício exclusivamente judaico, no qual
todos os gentios eram proibidos de entrar. Agora, porém, não apenas lhes é
permitido a entrada, como eles mesmos são partes integrantes do templo de
Deus".
Em síntese, todas as partes desse edifício
espiritual precisam estar unidas e em harmonia (Cl 2.2; 1 Co 1.10). Isso
significa que o crescimento da Igreja depende de tudo estar bem ajustado a
Cristo (Rm 14.15-16; 2 Co 13.11). Toda pedra que estiver fora do prumo ou
desalinhada torna-se um perigo para o fundamento. Nessa construção, se formos
corretamente colocados sobre Ele e edificados juntamente com Ele, permaneceremos
fimies.l. Todo salvo em Cristo passa a comportar-se como filho obediente e,
assim, começa a evidenciar o fruto do Espírito na sua vida (1 Pe 1.14; GI
5.22). O avanço prossegue até alcançar pleno conhecimento do Filho de Deus, a
homem perfeito, à medida completa de Cristo (Ef 4.13). Por conseguinte, todo
crente bem ajustado torna-se "templo santo no Senhor" (2.21b).
2.
Templo santo no Senhor
A palavra aqui usada para templo não é o termo
grego hieron, que se refere à totalidade da construção, mas, sim, o vocábulo
nãos, que designa o recinto interior (o Lugar Santíssimo). Esse era o lugar do
encontro do sumo sacerdote com Deus. O escritor aos Hebreus afirma que o acesso
era limitado: "No segundo, só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem
sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo" (Hb 9.7).
A expressão "o segundo" refere-se à
parte "interna" do Tabernáculo ou ao "Santo dos Santos". A
menção do sangue pressupõe a morte da vítima sacrificai e faz alusão à
santidade da vida e, por isso, à santidade do sangue e ao elevado custo da
expiação de Cristo.'. Nesse aspecto, Hendriksen enfatize que é por causa do
sangue e do Espírito de Cristo que esse novo templo é santo, limpo e
consagrado2.
A analogia paulina, todavia, não se refere a
alguma nova estrutura material, mas, sim, ao crente que se tornou templo santo
(1 Co 3.16). Nessa perspectiva, libertos e separados do pecado, quem pertence a
Cristo passa a viver em santidade e andar em "novidade de vida" (1 Pe
1.15; 1 Jo 1.7; Rm 6.4). E, como indescritível resultado, ao desfrutar da
comunhão divina, o crente salvo recebe acesso livre à presença do Pai e
torna-se "morada de Deus em Espírito" (Ef 2.22b; Hb 10.19-21).
2.
Morada do Altíssimo
No Antigo Testamento, a
expressão "morada de Deus" fazia alusão ao Tabernáculo e, depois, ao
Templo israelita. A expressão indicava lugar de habitação permanente do Divino
e de comunhão íntima com o fiel e sempre se referia a um santuário físico. O
edifício construído em um lugar sagrado também era o lugar de celebração do
culto e da adoração. Para cultuar e encontrar-se com Deus, era necessário
deslocar-se até o local onde o Templo estava erigido (ver 1 Sm 121). Na Nova
Aliança, porém, esse conceito de morada do Altíssimo é modificado:
Cristo ao vir a terra tornou obsoleto o tabernáculo,
templos feitos por mãos humanas. Ele mesmo (Jesus) tornou-se um lugar de
habitação divina entre os homens, uma verdade que é expressa especialmente em
João 1.14 e 2.19-21. E este templo A não está mais entre os homens, e agora
Deus procura para sua habitação as vidas de homens que o permitiram entrar por
seu Espírito.
Esse entendimento é
comprovado pelas palavras de Cristo à mulher samaritana junto ao poço de Jacó
(Jo 4.24). Ela tinha dúvidas acerca do lugar físico adequado para a adoração.
Seria no monte em Samaria ou no Templo em Jerusalém? (Jo 4.20). A esse
questionamento, Cristo respondeu que estava chegando a hora em que a adoração
não seria "nem neste monte nem em Jerusalém" (Jo 4.21); e, em
seguida, explicou-lha claramente que se aproximava o tempo da inauguração de um
novo conceito de culto: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pá procura a tais
que assim o adorem" (Jo 4.23).
Desse modo, a doutrina
bíblica assegura que o crente, por meio da obra de Cristo, tornou-se templo
santo no Senhor (Ef 2.21b). Isso indica que Deus habita em nós por meio do seu
Espírito (2.22). Essa afirmação ratifica que Deus "não habita em templos
feitos por mãos de homens (At 17.24). Ele reside dentro de cada cristão
individualmente e também no corpo inteiro de crentes, que é a Igreja formada de
judeus e gentios (Jo 14.23; 1 Co 3.16).
A
igreja eleita -
Douglas Baptista

Efésios
(Comentário Bíblico Moody)
20. Edificados sobre o fundamento.
A Igreja, que é o corpo de Cristo, está
sendo apresentada aqui como um grande edifício, o templo de Deus. Os apóstolos.
Os homens especialmente designados pelo Senhor Jesus Cristo no começo da
Igreja. Eles não tiveram sucessores. E profetas. Não os profetas do V.T., mas
os profetas cristãos, os profetas do N.T., alguns dos quais são mencionados e
descritos no livro de Atos e nas epístolas.
Sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a
pedra angular. Passagens como esta e I Pe. 2:5 ajudam-nos a entender o
significado de Mt. 16:18. Pedro, sendo um apóstolo, foi uma das pedras
fundamentais junto com os demais apóstolos e profetas, mas a estrutura como um
todo está edificada sobre Cristo. Compare o que Paulo diz em I Co. 3:11.
21. Todo edifício. "O
apóstolo está claramente falando de um só vasto edifício, o corpo místico de
Cristo" (Alf). Esta interpretação está confirmada pela linguagem do que
vem a seguir. Israel no V.T. tinha um templo de madeira e pedra. Em contraste
com este, a Igreja é o templo (cons. I Co. 3:16; I Pe. 1: 2-9). Um templo é um
lugar da habitação de Deus, como diz o versículo 22.
Comentário Bíblico Moody

COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO
Resumo de Encerramento
Então você sois
estrangeiros e peregrinos já não, mas sois concidadãos dos santos, e sois da
família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, o
próprio Jesus Cristo sendo a pedra angular, no qual todo edifício bem ajustado
cresce para templo santo no Senhor; no qual também vós juntamente estais sendo
edificados para habitação de Deus no Espírito. (2: 19-22)
Paulo encerra sua discussão sobre a
maravilhosa unidade do Corpo de Cristo, dando três metáforas para ilustrar
isso. Na foto de concidadãos ele mostra como judeus e gentios se tornaram parte
do mesmo reino. Na foto da família de Deus , ele mostra como todos os crentes
são uma família espiritual em Cristo. Na foto de um templo santo no Senhor ,
ele mostra que todos os crentes estão juntos uma habitação para Deus.
Unido no Reino de Deus
Então você sois estrangeiros e peregrinos já não, mas
sois concidadãos dos santos, (2: 19a)
Se os crentes foram previamente separados de
Deus e Seu povo, ou se eles foram anteriormente por perto, eles se tornaram um
em Jesus Cristo. Se eles eram ex estranhos e párias ou ex- estrangeiros e
convidados, todos os crentes em Cristo se tornam concidadãos do Reino de Deus
com os santos -os crentes de todas as épocas, que confiaram em Deus. O reino de
Deus não tem estranhos ou estrangeiros, não há de segunda classe cidadãos .
"A nossa pátria está nos céus" (Fp. 3:20), Paulo declara, e os únicos
cidadãos do céu são de Deus santos .
Unido na família de Deus e
sois da família de Deus, (2: 19b)
Como se ser membros de Seu
reino divino não bastasse, obra graciosa de Deus em Cristo nos atrai ainda mais
perto e nos faz membros da família de Deus . Porque temos nos identificado com
Seu Filho pela fé, Deus agora nos vê e nos trata exatamente como Ele vê e trata
o Seu Filho, com infinito amor. Porque o Pai não pode dar qualquer coisa, mas o
seu melhor para o Filho, Ele não pode dar qualquer coisa, mas o seu melhor para
aqueles que estão em Seu Filho. "Tanto o que santifica como os que são
santificados, vêm todos de um só Pai," o escritor de Hebreus nos diz,
"razão pela qual ele não se envergonha de lhes chamar irmãos. ... Cristo
foi fiel como Filho sobre a casa cuja casa nós são "(2:11; 3: 6; Rom
8:17.).
Cidadania celestial e membros
da família não são funções ou posições distintas, mas simplesmente diferentes
visões de uma mesma realidade, porque cada cidadão do reino é um membro da
família e cada membro da família é um cidadão do reino. Se os crentes não têm
distinções diante de Deus, eles não devem ter distinções entre si. Somos
cidadãos e membros da família companheiros, iguais em todos os sentidos
espiritual diante de Deus.
Se Deus aceita cada um de
nós, como podemos não aceitar uns aos outros?
Unido no Templo de Deus tendo sido construída
sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a
pedra angular, no qual todo o edifício, bem ajustado cresce para templo santo
no Senhor; no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação
de Deus no Espírito. (2: 20-22)
O fundamento dos apóstolos e profetas, refere-se à revelação divina que eles ensinaram, que
na sua forma escrita é o Novo Testamento. Porque o caso genitivo grego parece
ser usado no sentido subjetivo, significando a agência de origem, o significado
não é que os apóstolos e profetas eram eles mesmos a fundação -embora em certo
sentido eles eram, mas que eles lançaram as bases. Paulo falou de si mesmo como
"um sábio arquiteto", que "estabeleceu uma base" e passou a
dizer: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está
posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Cor 3.: 10-11; cf. Rom 15:20)..Estes são
do Novo Testamento profetas , como indicado pelos fatos que estão listados após
os apóstolos e são parte do edifício da igreja de Jesus Cristo (cf. 3: 5;
4:11). Sua função original era para falar com autoridade a palavra de Deus para
a igreja nos anos que antecederam o cânon do Novo Testamento estava completo. O
fato de que eles são identificados com a fundação revela que eles eram
limitados a esse período formativo. Como 04:11 espetáculos, eles completaram
seu trabalho e deu lugar a "evangelistas, pastores e mestres ...".
A pedra angular da fundação é o próprio Jesus Cristo (ver Isa 28:16; Sl 118:..
22; Matt 21:42; Atos 4:11.). A pedra fundamental foi a parte estrutural
importante de edifícios antigos. Tinha que ser forte o suficiente para suportar
o que foi construído sobre ele, e ele teve que ser precisamente colocada,
porque todas as outras partes da estrutura foi orientada a ele. A pedra
fundamental foi o apoio, o orientador, e o unificador de todo o edifício. Isso
é o que Jesus Cristo é o reino de Deus, a família de Deus e edifício de Deus.
Por meio de Isaías, Deus
declarou: "Eis que ponho em Sião uma pedra, uma pedra provada, pedra
preciosa de esquina, de firme fundamento colocado. Quem crê nele não será
perturbado" (Is. 28:16). Depois de citar essa passagem, Pedro diz:
"Este valor precioso, então, é para você que acreditam ... vós sois a
geração eleita, o sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva
de Deus." (1 Pedro 2: 7. , 9).
É o próprio Jesus Cristo como pedra angular,
no qual todo o edifício, bem ajustado cresce para templo santo no Senhor .
Sunarmologeō (encaixados ) refere-se ao cuidado união de todos os componentes
de uma peça de mobiliário, parede, edifício ou outra estrutura. Cada parte é
precisamente cortado para caber confortavelmente, com força, e muito bem com
todas as outras partes. Nada está fora de lugar, com defeito, disforme, ou
inadequado. Porque é de Cristo edifício , a igreja é perfeito, impecável, sem
defeito e sem mancha. E é assim que Ele um dia vai apresentar a igreja, Seu
própriotemplo sagrado , a Si mesmo (Ef. 5:27).
Corpo de Cristo, no entanto,
não estará completo até que cada pessoa que vai acreditar nele tenha feito.
Cada novo crente é uma nova pedra no de Cristo edifício , Seu santo templo .
Assim, Paulo diz que o templo está crescendo porque os crentes estão sendo
continuamente adicionados. Muitas catedrais na Europa está em construção há
centenas de anos. Em um processo contínuo, novas salas, quartos, capelas, e
assim por diante são construídas. Essa é a maneira com a igreja de Jesus
Cristo.Ele está em um estado contínuo de construção de cada novo santo torna-se
uma nova pedra. "Você também, como pedras vivas," Pedro disse:
"sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, para
oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (1 Ped.
2: 5). Como cidadãos do reino, familiares e pedras vivas, os crentes em Jesus
Cristo são um sacerdócio santo, que oferecer sacrifícios espirituais em Deus
santo templo . Como a vida, funcionamento, e parte preciosa do que templo , que
também estão sendo construídos em conjunto em uma habitação de Deus no
Espírito(ver também 2 Cor. 6:16).
O termo uma habitação (
katoikētērion ) carrega a idéia de um lar permanente. Deus no Espírito torna
Sua santuário terrestre na igreja, onde ele tem residência permanente como
Senhor. Esta seria uma percepção vívida para pessoas que vivem em meio a
templos em que se acreditava divindades pagãs para morar, como no templo de
Artemis em Éfeso (cf. At 19: 23-41). Mas a igreja não é pequena câmara físico
em que um ídolo é mantida; é a grande corpo espiritual dos redimidos, em que
reside o Seu Espírito. (Note-se que esta é uma verdade distinta da de cada
crente sendo o templo individual do Espírito Santo, como ensinado em 1 Cor. 6:
19-20).
Através do sangue, a carne o sofrimento, a
cruz e da morte do Senhor Jesus Cristo, tornar-se cidadãos estrangeiros,
estranhos tornam-se família, os idólatras se tornar o templo do Deus
verdadeiro, a herdar sem esperança nas promessas de Deus, aqueles sem Cristo se
tornar um em Cristo, aqueles longe, trazidos para perto, e os ímpios são
reconciliados com Deus. Aí é a reconciliação dos homens com Deus e dos homens
para homens.
JOHN
MacArthur - COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO
Cidadania celestial e membros da família não são funções ou posições distintas, mas simplesmente diferentes visões de uma mesma realidade, porque cada cidadão do reino é um membro da família e cada membro da família é um cidadão do reino. Se os crentes não têm distinções diante de Deus, eles não devem ter distinções entre si. Somos cidadãos e membros da família companheiros, iguais em todos os sentidos espiritual diante de Deus. Se Deus aceita cada um de nós, como podemos não aceitar uns aos outros? JOHN MacArthur

Nenhum comentário:
Postar um comentário