TEXTO ÁUREO
Não
adulterarás.
Êxodo 20.14
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
2 Samuel 11.2-9
2 - E aconteceu, à hora da
tarde, que Davi, se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da
casa real, e ,u do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta
mulher mui formosa à vista.
3 - E enviou Da, e perguntou
por aquela mulher; e disseram: Porventura, não é esta Bate-Seba, filha de Eliã
e mulher de Urias, o heteu?
4 - Então, enviou Davi , mensageiros e a
mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela (e já ela se tinha
purificado da sua imundície então, voltou ela para sua casa.
5- E a mulher concebeu, e enviou, e fê-lo
saber a Da., e disse: Pejada estou.
6- Então, enviou Davi , a Joabe,
dizendo: Envia-me Urias, o heteu. E Joabe enviou Urias a Davi.
7 - Vindo, pois, Urias a ele,
perguntou Davi como ficava Joabe, e como ficava o povo, e como ia a guerra.
8- Depois, disse Davi a Urias:
Desce à tua casa e lava os seus pés. E, saindo Urias da casa real, logo saiu
atrás dele iguaria do rei.
9 - Porém Urias se deitou à
porta da casa real, com todos os servos do seu senhor, e não desceu à sua casa.
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Gênesis 2.18-25
Serão ambos uma carne
3ª feira -
Mateus 5.27-32
Não cometerás adultério
4ª feira - Hebreus 13.1-6
Venerado seja entre todos o matrimônio
5ª feira - 1 Coríntios
6.15-18
Serão dois numa só cama
6ª feira - Efésios 5.22-33
Grande é este mistério
Sábado - Gálatas 5.16-25
Andai em Espírito
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deve ser
capaz de:
• entender que o casamento é uma aliança abençoada por
Deus;
• compreender
que o adultério é urna violação dessa aliança, podendo ser factual ou
imaginário;
• concluir que é possível evitá-lo andando no
Espírito.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor,
uma das maiores contribuições dos reformadores para a educação cristã foram os
seus catecismos, manuais de instrução em forma de perguntas e respostas que
tinham por objetivo ensinar os princípios básicos da fé para crianças e jovens.
O primeiro desses documentos foi o Pequeno Catecismo (1529), de Martinho
Lutero, que abordava os Dez Mandamentos, o Credo Apostólico, a Oração do Senhor
e os sacramentos. Calvino produziu valiosos textos como Instrução na Fé (1537)
e o Catecismo de Genebra 0.542). Outros documentos influentes são o Catecismo
de Heidelberg (1563) e o Breve Catecismo de Westminter (1647).
Transcorridos mais de 500 anos, a mensagem da Reforma
Protestante continua relevante e atual para as igrejas evangélicas dos nossos
dias. Sua ênfase na graça redentora de Deus, na supremacia da pessoa e da obra
de Cristo, na centralidade das Escrituras para a vida e a fé, no sacerdócio de
todos os crentes, na importância de um culto teocêntrico e em tantas outras
convicções e valores precisa ser reconhecida e resgatada numa época de
crescente conformação da Igreja com os padrões (ia sociedade (Revista Educação
Cristã Hoje, n92. Central Gospel, 2012, p. 47).
Deus o abençoe!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
Na segunda parte do Decálogo, estamos diante
de uma situação de "prosperidade (ou bem-estar) social.". Veja a sequência
que inclui a vida individual, familiar e a propriedade: o sexto mandamento
protege a vida (Ex 20.13); no sétimo — não adulterarás —, cônjuges precisam
honrar-se mutuamente (Ex 20.14); o oitavo e o décimo guardam a integridade dos
bens do próximo (Ex 20.15,17); o nono mandamento conserva a dignidade da pessoa
humana e sua moral (Éx 20.16).
Aqui, observamos que todos
esses mandamentos visam à preservação da família, e, consequentemente, à
manutenção da sociedade. Além disso, destaca-se que o amor é a maior lei da
vida e não o
prazer, sobretudo quando desfrutado com doses egoístas e destituído de
benevolência e complacência. Quando há permissividade, a vida pode se
tornar indigna e desequilibrada, ou seja, a pureza do amor sexual. é de extrema
importância, e consiste no relacionamento do casal que se ama com fidelidade.
O sétimo mandamento, na sua
abrangência, inibe as ilicitudes sexuais, o que inclui toda a iniciativa sexual
fora dos padrões pré-estabelecidos por Deus, de acordo com a Bíblia. A
sexualidade tem propósitos que atendem à união do homem e da mulher na formação
da família, cujas finalidades absolutas são: a criação de laços efetivos e a
procriação (Gn 1.28).
O sétimo mandamento Inclui: a fornicação; o
concubinato; a zoofilia; a homossexualidade; o Incesto; a poligamia; a
pedofilia; a lascívia; a pornografia ou qualquer outro ato que envolva a
sensualidade ilegítima.
O texto da lição é uma
demonstração clara de como começa e no que pode resultar um adultério. Ambos,
Davi e Bate-Seba, eram casados, mas transgrediram a ordem do Senhor.
1.
O CASAMENTO
O casamento é uma decisão
divina que se perenizou na humanidade. O Senhor deu ordem para que o homem
deixa-se a casa de seus pais e se unisse à sua mulher, para que se fizessem
unia só carne (Gn 2.24); por isso, criou dois seres diferentes: macho e fêmea.
Deus os abençoou e ordenou-lhes ,que frutificassem e enchessem a terra (Gn
1.27,28).
1.
2 O casamento é originalmente monógamo
Deus criou apenas uma mulher
para Adão (Gn 2.18). Ao criá-la, o Criador disse: Far-lhe-ei uma adjutora. Mas,
com passar do tempo, a poligamia desapareceu até mesmo entre os patriarcas e
reis de Israel. Abraão e ps seus filhos foram polígamos (Gn 16.1,2; 25.6). Davi
e Salomão também. Da,, porém, pagou alto preço pelo seu adultério, e Salomão
teve o coração corrompido pelas mulheres :2 Sm 12.7-10; 1 Rs 11.3,4). Deus
tolerou por um tempo a poligamia, mas esse jamais foi o Seu desejo. Em todas as
Escrituras, permanece o ideal da Criação.
2.2 A legalização do casamento
Muitos questionam sobre a
oficialização do casamento no Antigo testamento, perante as leis nacionais.
Mas, tais leis não existiam. casamento de Adão e Eva, por exemplo, não foi
registrado em cartório, e sempre foi assim na humanidade. O casamento, no
entanto, pressupunha um ritual que podia levar dias. Em Israel, geralmente,
durava uma semana Jz 14.12-18). Na cerimônia, além de farta refeição, havia uma
vestimenta especial usada pelos convidados (Mt 22.11,12). O noivo cobria a
noiva com uma manta (Ez 16.8). A aliança era feita não apenas entre os noivos,
mas entre as famílias, e demandava acertos feitos entre os pais. Os noivos,
portanto, não tinham direito de escolha. Além disso, havia pagamento de dotes
(Gn 34.12).
O casamento instituído legalmente
no mundo é uma prática recente. Os reformadores, no entanto, defendiam que, por
se tratar de uma aliança, devia ser amparada pelo Estado. Em 1791, a
Constituição francesa o admitiu. No Brasil, foi formalmente oficializado a
partir da primeira Constituição, em 1892. Até então, sua oficialização era
feita pela Igreja Católica, garantida pelo direito canônico. Para a Igreja
Católica, o casamento compõe um dos sacramentos. Um evangélico não podia
oficializar o seu matrimônio, pois rejeitava o casamento católico; nesse caso,
os casamentos evangélicos eram realizados nas igrejas e registrados em atas.
Em Deuteronômio 21.15- 17, a poligamia foi até regulamentada,
já que era uma prática comum, a fim de se garantir o direito dos filhos pela
ordem de nascimento. No entanto, podemos inferir que Jesus defendeu a monogamia
(Mt 19.4-6). No Noto Testamento, a poligamia é totalmente rejeitada. No império
romano, que governava o mundo na época de Jesus, a poligamia era crime.
1.3.
O casamento é uma aliança inquebrável
Nas nossas cerimônias de casamento, usamos a
expressão: Até que a morte os separe. Essa expressão conta com respaldo blibico
(.n 7.1-3; 1 Co 7.39) e encontro pleno apoio nas palavras de Jesus. Portanto, o
que Deus ajuntou não separe o homem (Mt 19.6). Na perpetuação do casamento,
está a plena vontade de Deus.
1.4
O ideal de uma vida matrimonial sem mácula
Não há pecado algum na
sexualidade de um casal legitimamente casado. O sexo deve ser prazeroso e o
meio de garantir a aliança feita entre duas pessoas em sua forma mais íntima.
Esse é um direito garantido por Deus, pelo Estado e pela sociedade. A fidelidade
no matrimônio garantia sua rezo(. 13.4; 1 Co 6.15,16,18).
2.
O ADULTÉRIO
Na legislação matrimonial de
Israel não havia igualdade entre os sexos. Talvez porque a nação era uma
sociedade originalmente patriarcal. Qualquer relacionamento de uma mulher
casada com um estranho (qualquer 0.. homem) era considerado adultério. O homem,
contudo, só praticava a ilicitude em caso de relações com uma mulher casada (Pv
6.29). Muitos casados tinham concubinas (1 Sm 1.1,2). A mulher, no entanto, só
podia ter um marido.
O termo adultério consiste na
violação de uma regra, em falsificação, em infidelidade conjugal. O sétimo
mandamento trata o adultério corno infidelidade conjugal.
O adultério é uma prática
sexual ilegítima envolvendo, ao menos, uma pessoa casada. Esse, talvez, seja o
pecado que mais acompanha o homem ao longo da sua história, porque ele tanto
pode ocorrer de fato como apenas na mente de uma pessoa. Jesus ampliou o
entendimento acerca do sétimo mandamento (Mt 5.28). Assim, ele tanto pode ser
uma ação corno urna intenção. O adultério é o maior responsável pela destruição
de lares e pela felicidade de filhos, e é o causador de muitas mortes geradas
pelo ciúme. É, na verdade, a traição mais ferrenha do amor, uma quebra da
lealdade e um acinte contra a fidelidade e a honra. Configura uma ruptura no
pacto de lealdade acordado no dia do casamento (Pv 2.17; MI 2.14).
2.1.
0 adultério é a violação de uma aliança
Talvez, o maior de todos os
problemas não esteja exatamente no sexo, mas na infidelidade ao cônjuge e na
quebra de uma aliança referendada por Deus. Em Efésios 5.22-33, o apóstolo
Paulo traça uni paralelo entre as relações Cristo/ Igreja e marido/mulher. A
união entre Cristo e Sua Noiva, a Igreja, manifesta os segredos para uma
aliança firme e próspera entre esposo e esposa.
2.2.
Uma geração adúltera
A legislação brasileira não considera mais o
adultério um crime — trata-se apenas de uma opção. Jesus prostava contra o
adultério (Mt 12.39; cf.16.4; Mc 8.38). O mundo de Sua época não era muito diferente
dos dias de hoje.
Há inúmeros fatores que levam
uma pessoa a quebrar o sétimo mandamento. A relação entre um casal pode sofrer
esfriamento por falta de atenção, excesso de trabalho, descuido com o corpo e
falta de diálogo, por exemplo. Um casamento também pode estar indo bem, e,
mesmo assim, sofrer por conta da infidelidade de um dos cônjuges. Além dos
estímulos sexuais produzidos pela grande mídia, as redes sociais se tornaram um
perigoso veículo de comunicação pelo qual as pessoas, muitas vezes, trocam
mensagens sedutoras, que podem culminar, fatalmente, com o adultério.
2.3.
O adultério como figura espiritual
Deus se mostrou, algumas
vezes, como um marido traído pela nação alei.. O livro do profeta Oseias
ilustra muito bem esse sentimento (Os 1.2). O relacionamento entre Deus e
Israel assemelhava-se a um contrato matrimonial (Is 54.5; 36 3.14). O sentimento
de marido traído se dava cada vez que a nação transgredia o segundo mandamento,
o qual proibia o povo de seguir outros deuses. Esse pecado, infelizmente, era
recorrente (Os 11.7). Outro caso é demonstrado no livro do profeta Jeremias.
Deus, traído pela nação que ama, oferece a ela perdão, mas, sem êxito, expede
carta de divórcio (Jr 3.6-8).
3.
OUTRAS IMPLICAÇÕES DO PECADO DE ADULTÉRIO
3.1.
Traz consigo a mentira
A mentira é um pecado aliado
de todos os demais tipos de pecado, e tem sua origem no diabo (jo 8.44). O
pecado do adultério tenta cobrir-se com o manto da mentira onde puder. É
através dela que as pessoas enganam umas às outras a fim de tirar algum
proveito. Além disso, é um escárnio à honra alheia.
3.2.
Descamba em divórcio
Dados estatísticos apontam que o adultério, na
maioria dos casos, resulta em divórcio, o que é sempre traumático para todos os
envolvidos.
A Blibia diz que Deus odeia o
divórcio (Ml 2.16), mas, ao mesmo tempo, ela admite haver o divórcio (Lv
21.7,14; 22.13; Nm 30.9; Dt 22.19,29; 24.1-4). Jesus explicou aos fariseus,
quando lhe perguntaram sobre o divórcio, que, no princípio, Deus criou macho e
fêmea, e que o homem deixaria a casa dos pais para se unir à sua mulher,
tornando-se ambos uma só carne (Mt 19.1-5). Mas, eles insistiram: Então, por
que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la, (v. 7). A resposta de
Jesus foi: Por causa da dureza do vosso coração (v. 8). A mulher que traía o
marido era digna de morte por apedrejamento, e, já que o marido não era capaz
de perdoá-la, que lhe desse, enfim, a carta de divórcio, para que ela não fosse
morta e seguisse a sua vida.
A CONCUPISCÊNCIA E A TENTAÇÃO
A concupiscência é uma paixão
carnal inerente ao ser humano. Está presente no coração de cada um (Mt 15.19).
São as propensões carnais que pendem para o mal, devido à corrupção dos
sentidos (2 Co 11.3). A concupiscência é interna. A tentação se materializa
externamente (Tg 1.14,15), atuando por meio dos sentidos — afetados no Éden.
CONCLUSÃO
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. O casamento que envolve apenas duas
pessoas, segundo o ideal de Deus é:
R.:Casamento monogâmico.
O Decálogo
— A Ética do Sinai 57
LIÇÃO 8: A FIDELIDADE NO CASAMENTO
Pr. Eliseu Fernandes
Introdução Nesta lição, trataremos, sobre o
sétimo mandamento do Decálogo1 , e suas implicações contextuais à Israel e à
Igreja. Em Gênesis não apenas como Criador, mas como Legislador, em realizar a
cerimônia de casamento, que converge nos ideias morais dos Dez Mandamentos em
Êx 20.14 e Dt 5.18, consolidando a vontade divina – a fidelidade por toda a
vida2 . Para teóricos da Lei e Jurisprudência como James B. White: “Ao longo do
que poderei conceber da Lei como um sistema de discurso de um jurista e juiz
deve aprender e usar, e no que nós podemos perguntar o que significa a Lei,
isto cria ou nos habilita a criar para nossa vida individual e coletiva.”3
• A Lei permite criar ou não
tudo que organiza a nossa vida por meio da permissão ou proibição de coisas.
• Deus como Criador também é Legislador –
ordem e perfeição / desobediência traz imperfeição.
1.O que é o
casamento?
O casamento tem aspectos
espirituais, sociais e morais:
• Espirituais: o aspecto
espiritual do casamento, casamento é um projeto divino - "Não é bom que o
homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele" (Gn
2.18). Foi Deus quem viu a necessidade humana do casamento. Na questão do
divórcio em Mt 19.4-6: 4 Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido
que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, 5 E disse: Portanto
deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?
6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o
separe o homem.
Ser homem ou ser mulher não é escolha humana é
divina – soberania / quem fez o homem e a mulher? Deus (v.4). A separação do
núcleo familiar para a formação de outro (v.5). Tornando-se apenas um na
perspectiva divina (v.6) = Deus fez UM, para fazer DOIS e os DOIS voltam a ser
UM. O casamento humano é um reflexo da Aliança Divina – Deus e Israel / Cristo
e a Igreja. “1
Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de
Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque não
há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na terra. 2 Só prevalecem
o perjurar, e o mentir, e o matar, e o furtar, e o adulterar, e há homicídios
sobre homicídios” (Os 4.1,2).
✓ Gn 4.23: “E Lameque disse a suas esposas Ada e Zilá:
"Ouvi a minha voz; vós, esposas de Lameque, escutai as minhas palavras;
porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar.” = POLIGAMIA –
invenção humana
✓ Gn
2.24: “Portanto, o varão deixará o seu pai e a sua mãe, e se achegará- e-
aderirá à sua esposa, e ambos serão uma só carne.” =
MONOGAMIA – invenção divina
• Sociais: o aspecto sociológico do casamento,
o casamento é a continuidade da sociedade, e que devem existir a proteção da
família, e a socialização dos filhos para que sejam cidadãos. O casamento
sempre é celebrado com festa, por quê? Representam uma nova realidade civil do indivíduo com responsável pelo novo núcleo familiar.
Jo 2.1-11 – Jesus vai em um casamento como convidado, um aspecto sociológico
que dependendo das posses dos noivos durava uma semana – o vinho acaba, e Jesus
realiza o milagre da água em vinho – interessante que temos os personagens –
Maria, Jesus, os discípulos, os servos ou garçons da festa, o responsável pela
festa ou mestre-sala, o noivo anônimo, MAS A NOIVA NÃO APARECE?
• Morais: o aspecto moral do casamento é a
monogamia dentro matrimônio, não é apenas TER UM PARCEIRO OU PARCEIRA SEXUAL, é
ESTAR CASADO OU CASADA DE FATO. Jovens não casados que fazem sexo estão
fornicando ou abrasando-se. Veja: Hb 13.4: “ τίμιος ὁ γάμος ἐν πᾶσιν καὶ ἡ
κοίτη ἀμίαντος, πόρνους γὰρ 4 καὶ μοιχοὺς κρινεῖ ὁ θεός5 / honrável o casamento
dentre todos [seja], e a cama imaculada [seja], porque aos que se prostituem e
aos adúlteros, Deus [os] julgará”
DUAS
CARACTERÍSTICAS DO CASAMENTO
✓
Honrável em tudo – todos os aspectos da vida conjugal
✓ Leito
imaculado ou cama sem pecado – pureza sexual pela fidelidade
DOIS PECADOS SEXUAIS CONDENADOS
✓ A
prostituição – aos não casados
✓ Adultério - aos casados
2.Como o sétimo mandamento é válido para hoje?
“Coisa espantosa e horrenda
se anda fazendo na terra” (Jr 5.30). Leis que destoem a família, o casamento
legitimado, e inventando outros tipos de relações para legitimar sua
pecaminosidade. SEXISMO DA MÍDIA – o corpo como produto de consumo – estética e
desejo.
Concubinato /União estável/
Poliamor = a frase de Michel Foucault está viva no mundo, o filósofo disse: “é
proibido proibir” – os Mandamentos de Deus são proibições, não para nos tirar
algo, mas para nos preservar a vida. É Deus quem proíbe Êx 20.14 ou Dt 5.18:
“Não Adulterarás/ ף אְנ ִּֿ ת אֹל /lo ’ tinā ’ph 6 . O texto na LXX ou no NT o verbo é
sempre μοιχεύω/ moicheúō (adulterar ou apostatar) que está ligado ao adultério,
outros pecados sexuais são sentenciados pelo verbo πορνεύω/porneúō que implica
todo tipo de desvio sexual (zoofilia, homossexualismo, fornicação e etc.), é o
termo que origina a palavra pornografia em português.
O adultério e a prostituição
são tolerados e confirmados pela sociedade – dias de Noé e dias de Sodoma e
Gomorra - dias que antecedem o julgamento divino em uma sociedade que
desrespeita os princípios fundamentais:
• Comiam, bebiam, casavam e
davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio,
e os consumiu a todos (Lc 17.27).
• O paralelo é incrível,
entre as necessidades e desejos humanos e suas distorções – Lc 17.27 = fome,
sede e libido = desejos naturais que potencializados pelo pecado se tornam
aberrações para o próprio homem que foi criado a imagem e semelhança de Deus.
Ações verbais – comer, beber,
casar e dar-se em casamento – FOME é força da autodisciplina. Se uma pessoa
consegue controlar o que come e bebe, pode controlar todos os demais desejos e
necessidades.
Os verbos no imperfeito ativo
ou passivo em 3 p. pl7 ., no versículo implica que era atitudes constantes –
sempre comiam, sempre bebiam, sempre casavam e sempre se davam ao casamento.
Uma constância no comer, beber e sexo = glutonaria, orgias e prostituição =
facilidade na quebra dos vínculos do casamento – casamento como trocar de uma
camisa. Adultério = falsificação de uma relação ou produto (ex.: produto
adulterado = falso) – adultério ou pecados sexuais são a falsificação da
natureza sexual do homem e da mulher e na destruição do propósito da criação.
3.O que Jesus
ensina sobre o adultério?
No Sermão do Monte Jesus
ensina sobre o adultério (Mt 5.27-32):
27 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás
adultério. 28 Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a
cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. 29 Portanto, se o teu
olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é
melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no
inferno. 30 E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para
longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja
todo o teu corpo lançado no inferno. 31 Também foi dito: Qualquer que deixar
sua mulher, dê-lhe carta de desquite. 32 Eu, porém, vos digo, que qualquer que
repudiar sua mulher, a não ser por causa da prostituição faz que ela cometa adultério,
e qualquer que se casar com a repudiada comete adultério.
• Não o ato em si, mas a
intenção de fazer.
• O Olhar pecaminoso = o
arrancar do olho, da mão, os pés – partes do corpo que são as iscas para fazer
pecar o homem.
• O adultério mental é pecado
– ser casado e fantasiar com outra mulher na cama é pecado.
• O adultério virtual é
pecado – se sua mulher ou seu marido passa muito tempo na internet – até altas
horas, e não tem tempo um para o outro – é hora de verificar o histórico dele
ou dela.
1Jo 2.16 Porque
tudo o que há no mundo a concupiscência da carne, e a concupiscência dos olhos,
e a soberba da vida, não é de o Pai, mas do mundo é.
DOIS FATORES CONDUZEM AO PECADO:
• Fator interno: a carne – natureza decaída em
Adão
• Fator externo: a tentação –
arma do diabo
Os dois fatores agem entre si
para que os estágios da Tentação ocorram e com isso, o pecado seja gerado e
consumado, então, a morte acontece:
Em Tiago temos o Estágio da
Tentação (Tg 1.14,15)
14a mas cada indivíduo,
tentado [é] sob o (seu) próprio desejo
14b sendo atraído (para uma
rede) e seduzido (por uma isca).
15a logo, o desejo engravida, produz ao
pecado,
15b mas o pecado [sendo] consumado faz nascer
(a) morte
Figuras de pensamento: rede
de arrastão/ isca para pesca
Considerações
Finais
Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer
por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à
semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado
na carne (Rm 8.3).
FONTE :
O SÉTIMO MANDAMENTO
O próximo na seqüência é o
bem conhecido sétimo mandamento: "Não adulterarás" (Êx 20:14). Lemos
em Hebreus 13:4: "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem
mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os
julgará". Logo em 1 Co 6:9-11: "Não sabeis que os injustos não hão de
herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os
adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os
avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o
reino de Deus. E é o que alguns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis
sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo
Espírito do nosso Deus".
Antes de sua conversão a
Deus, alguns daqueles santos de Corinto, aos quais Paulo estava escrevendo,
haviam violado o divino código moral. Mas não é maravilhoso que Deus tenha
encontrado, por meio do sacrifício de Seu amado Filho no Calvário, um modo de
limpar o mais vil de toda mancha do pecado, e fazer dele um filho de Deus?
Somos santificados - separados para Deus - justificados, considerados como se
nunca houvéssemos sido culpados.
Eu gosto de recordar a
definição dada por uma menina para o termo "justificado". Quando sua
professora lhe perguntou qual o significado da palavra, ela respondeu usando
algumas partes da própria palavra: "Significa que sou Justa como se nunca
tivesse pecado." Ela estava certa. É assim que Deus nos vê. Repare que no
versículo 11 toda a Trindade Se ocupa nesta questão: "mas haveis sido
justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus". Não
obstante, jamais consideremos levianamente a gravidade da imoralidade diante
dos olhos de Deus. Ele não mudou nem um pouco Sua atitude desde a Sua solene
declaração feita no Sinai. Escutemos hoje Sua admoestação: "aos que se dão
à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará".
Estamos vivendo os últimos
dias, muito próximo do fim da presente dispensação da graça de Deus. Existe um
abandono universal das normas de moralidade. Alguns de nós que somos mais
velhos temos presenciado uma mudança tremenda durante nossa vida. Talvez alguns
daqueles que são mais jovens abriguem a idéia de que a atual falta de moralidade
sempre existiu tal como é no dia de hoje. Não é assim. Não digo que esses
pecados não se cometiam; sim, foram cometidos, mas antigamente havia uma medida
de censura pública contra os tais, e aqueles que os cometiam eram considerados
como pessoas que caíam em desgraça.
Mas agora, se aceitarmos
"Hollywood" como norma, tais violações do código moral são quase
consideradas como insígnias de honra. Esses heróis e heroínas de Hollywood não
perdem sua aceitação nos círculos sociais por causa de sua conduta. Mas,
queridos jovens, lembrem-se enquanto vocês viverem, de que as normas de Deus
nestes assuntos não se modificam nem um pouco sequer. Ele é o Deus três vezes
Santo, que não deixa o pecado impune.
Irmãos, que não baixemos os
marcos delimitadores nestes assuntos. Mantenhamos as normas exatamente como
Deus as estabeleceu e nunca erraremos. Quanto mais tempo permanecermos neste
mundo, mais difícil será para nos mantermos fiéis aos desígnios de Deus neste
assunto tão solene. Deus continua a falar com toda a autoridade e dignidade de
Quem conhece o fim desde o princípio. Sua admoestação é: "Foge destas
coisas" (1 Tm 6:11).
OS DEZ MANDAMENTOS
- C. H. BROWN

DEZ MANDAMENTOS
- VALORES
DIVINOS PARA UMA SOCIEDADE EM CONSTANTE MUDANÇA
O CASAMENTO
O casamento é um projeto
divino, pois Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma
adjutora que esteja como diante dele" (Gn 2.18). A instituição foi
sancionada pelo Senhor Jesus com sua honrosa presença nas bodas de Caná da
Galileia ()o 2.1-11). Está escrito: "Venerado seja entre todos o matrimônio"
(Hb 13.4). A frase "Bom seria que o homem não tocasse em mulher" (1
Co 7.1) é uma citação da carta que o apóstolo recebeu dos irmãos da Igreja de
Corinto. Essas palavras não são ensinos paulinos, senão o apóstolo estaria
contrariando o princípio da procriação (Gn 1.12) e o Deus que declarou:
"Não é bom que o homem esteja só" (Gn 2.18); além, disso, estaria
também defendendo o celibato para todos os homens. Os rabinos ensinavam que o
casamento era uma obrigação do homem e outros diziam ainda que era um dever da
mulher.
O casamento é reconhecido em
todas as civilizações e não há como ficar fora das relações sociais e civis. É
um contrato jurídico de uma união espiritual, como disse Myer Pearlman em seu
Manual do Ministro. O Estado, como guardião desses direitos, tem legitimidade
para legislar sobre o tema, e isso envolve herança, propriedade, filhos. Mas
vivemos em um tempo que nem sempre o que é legitimo para o Estado é aceitável a
Deus. O mundo está às avessas, como disse Jeremias: "Coisa espantosa e
horrenda se anda fazendo na terra" (Jr 5.30). Este sistema não é padrão
para a Igreja (Rm 12.2). A Palavra de Deus está acima de qualquer lei terrena.
A natureza do casamento está
fundamentada nas palavras: "Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua
mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.24). O
homem e a sua esposa formam "uma só carne" e ambos juntos formam o
ser humano completo. A expressão "uma carne" ou "uma só
carne" (ARA e TB) se refere à comunhão, à unidade física, intelectual e
espiritual. A unidade física é o relacionamento sexual dentro do casamento, que
tem o aval divino por ser uma prática pura e santa aos olhos de Deus. A Bíblia
chega a comparar a intimidade conjugal com o relacionamento entre Deus e Israel
(Is 54.5; Os 2.19, 20) e da mesma forma com o relacionamento místico entre
Cristo e a Igreja (2 Co 11.2).
Assim, a relação sexual com
alguém que não é o cônjuge representa a ruptura desse vínculo sagrado que Deus
estabeleceu no Éden desde o princípio. Segundo o Handy Commentaty, o adultério
"é uma invasão da vida doméstica, a destruição da família, a dissolução do
contrato fundamental da ordem social" (apud MESQUITA, 1979, p. 189). Não
se trata meramente de uma desonra ou de um ato vergonhoso, mas de algo com
profundas implicações na vida humana. Mesmo depois da cura, ficam as
cicatrizes. A lei contra o adultério e sua respectiva sentença aos infratores
valiam tanto para o homem como a mulher em Israel (Lv 20.10; Dt 22.22).
As palavras "Deixará o
varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher (Gn 2.24) revelam o
princípio original da monogamia, pois o texto não diz: "e apegar-se-á às
suas mulheres". A monogamia foi instituída pelo Criador, porém a poligamia
foi adotada pelos homens. O primeiro polígamo da história foi Lameque (Gn
4.19). A poligamia era tolerada na época de Moisés (Ex 21.7-11; Dt 21. I 5),
mas ela é pecaminosa porque viola o princípio original e permanente do
matrimonio. O Novo Testamento ensina a monogamia: "Cada um tenha a sua
própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido" (1 Co 7.2).
Qualquer relação sexual fora do casamento é adultério no Novo Testamento. Não
existe o sistema de concubinato na fé cristã (Mc 10.11,12).
Ao longo da história da interpretação,
expositores judeus e cristãos reconheceram como pertinentes ao sétimo
mandamento as proibições concernentes a toda sorte de incastidade e aberrações
sexuais. O livro Casamento, Divórcio & Sexo à Luz da Bíblia, de minha
autoria e publicado pela CPAD, enfoca o casamento, o concubinato e a união
estável, o homossexualismo e a prostituição, o divórcio e o papel da Igreja,
cuja leitura recomendo. O tema é atual e de grande importância para o fortalecimento
da família.
O ENSINO DE JESUS
O Senhor Jesus, no Sermão do
Monte, depois de falar sobre o sexto mandamento, seguiu a mesma ordem do
Decálogo, mencio-nando a proteção da vida e a preservação da família. Ele
reiterou o que Deus disse no princípio da criação sobre o casamento, que se
trata de uma instituição divina, uma união estabelecida pelo próprio Deus (Mt
19.4-6).
"Não adulterarás" é
citado no Sermão do Monte e para o moço rico (Mt 5.27; 19.18; Mc 10.19; Lc
18.20). Jesus corrigiu com autoridade e muita propriedade o pensamento
equivocado dos líderes religiosos dos seus dias. Os escribas e fariseus haviam
reduzido o mandamento "Não adulterarás" ao próprio ato físico e,
desconhecendo o espírito da lei, apegavam-se à letra da lei (2 Co 3.6). Assim,
como é possível cometer assassinato sem o ato concreto, mas apenas com a cólera
ou palavras in-sultuosas, da mesma forma é possível cometer adultério só no
pensamento. Parece que os rabis daquela época não davam a devida atenção ao
décimo mandamento que ordena não cobiçar a mulher do próximo.
O adultério começa na mente
contaminada pela cobiça e ter-mina no corpo pela prática física (Mt 15.34; Tg
1.15). 0 ensino de Jesus é mais profundo e vai à raiz do problema. Ele disse
que nem é preciso o homem se deitar com uma mulher para cometer adultério;
basta olhar e cobiçar uma mulher que não seja sua esposa, e já cometeu
adultério com ela (Mt 5.28). É o adultério da mente que é consumado no corpo;
não se restringe somente à prática do ato, mas também ao pensamento. E a sanção
contra o referido pecado é de caráter espiritual e se distingue do sistema
mosaico.
Não é proibido olhar para uma
mulher e vice-versa, pois há diferença entre olhar e cobiçar. O pecado é o
olhar concupiscente. O sexo é santo aos olhos de Deus, desde que dentro do
casamento, nunca fora dele. A Palavra de Deus ressalta: "Venerado seja
entre todos o matrimônio e o leito sem mácula" (Hb 13.4). O termo grego
para "venerado" é tímios,tu "honrado". A Versão Almeida
Atualizada traduz por: "Digno de honra"; e a Tradução Brasileira por:
"Seja honrado". Que os votos de fidelidade do casamento sejam
mantidos e da mesma maneira seja puro o relacionamento matrimonial. O livro de
Cantares de Salomão mostra que o sexo não é apenas para procriação, mas também
para o prazer e a felicidade dos seres humanos. Jesus não está tratando disso,
não está questionando o sexo, mas combatendo a impureza sexual e o sexo
ilícito, a prostituição. O ensino dele é que qualquer prática imoral no ato é
igualmente condenada no olhar, no pensamento e na imaginação (Mt 5.27). Jesus
disse que os adultérios procedem do coração humano (Mt 15.19).
Cabe aqui uma breve reflexão sobre o divórcio.
Trata-se de um dos temas mais polêmicos da Igreja. Essas controvérsias já
existiam mesmo antes do nascimento de Jesus. O divórcio na lei de Moisés previa
novas núpcias, e a base para a sua legitimidade nunca ficou clara no Antigo
Testamento:
Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela,
então, será que, se não achar graça em seus olhos, por nela achar coisa feia,
ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará na sua mão, e a despedirá da sua
casa. Se ela, pois, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem... (Dl
24.1, 2).
O "escrito de
repúdio" significa "termo de divórcio" (ARA). A mulher não era
considerada adúltera se contraísse novo casamento, mesmo tendo o seu primeiro
marido encontrado nela "coisa feia". Não se sabia o que a lei queria
dizer com tal expressão "coisa feia" ou "indecente" (ARA).
Havia muita discussão entre as principais escolas rabínicas no período de
Herodes, o Grande, Hillel e Shammai. O primeiro era liberal, e o segundo,
conservador. Para Hillel e seus seguidores, "coisa feia" era qualquer
coisa que o marido considerasse como tal. Mas, para Shammai e seus discípulos,
o termo se referia aos pecados sexuais.
Os fariseus levaram o assunto
a Jesus. Eles não perguntaram sobre o divórcio, mas sobre as bases para a sua
legitimidade: "É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer
motivo?" (Mt 19.3). Essa era a escola de Hillel. Os fariseus queriam saber
qual escola Jesus apoiava. Mas o Senhor Jesus se dirigiu à Palavra. O casamento
é indissolúvel, foi a sua conclusão sobre Gênesis 2.24, "o que Deus
ajuntou não separe o homem" (Mt 19.6). O que fazer com o mandamento de
Moisés?, perguntaram a Jesus (Mt 19.7). Moisés não deu esse mandamento; era uma
interpretação precipitada, pois uma leitura cuidadosa em Deuteronômio 24.1-4
mostra que não se trata de uma ordem. Por isso, Jesus disse que Moisés
"permitiu", e isso "por causa da dureza do vosso cora-ção"
(Mt 19.8). Deus só permitiu o divórcio por causa do pecado humano; portanto,
trata-se de um instituto contrário à vontade de Deus. A Bíblia não ensina, não
encoraja, não aconselha nem incentiva o divórcio. É um remédio extremamente
amargo para uma solução inglória.
Quando o Senhor Jesus fez
menção do divórcio no Sermão do Monte, referia-se ao mencionado em Moisés (Dt
24.1-4) e deixou claro que a única base que pode legitimar o divórcio é a
infidelidade conjugal: "Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua
mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e
qualquer que casar com a repudiada comete adultério" (Mt 5.32) e
fraseologia similar (Mt 19.9). A prostituição é a "coisa feia" que
ninguém sabia, talvez porque tal pecado podia implicar na pena capital. Mas
agora tudo se esclarece e a "coisa feia" vale também para o homem.
O apóstolo Paulo acrescentou
mais um elemento que pode legitimar o abandono: "Mas, se o descrente se
apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à
servidão; mas Deus chamou-nos para a paz" (1 Co 7.15). A NTLH emprega "quiser
o divórcio" no lugar de "se apartar". A voz do verbo grego
mostra que a iniciativa é da parte incrédula que se aparta. Assim, a deserção
deve ser considerada se for por causa da fé cristã e por iniciativa do cônjuge
descrente.
Entendemos, portanto, como divórcio a
dissolução do vinculo matrimonial por infidelidade conjugal, que viola a
instrução divina de "uma só carne" (Gn 2.24; Mt 19.5) ou, por
deserção, que viola a instrução de "apegar-se" (Gn 2.24). Em qualquer
dessas duas situações, o cônjuge inocente tem direito a novas núpcias. Deus é
sábio e perfeito. Ele conhece todas as coisas, pois é onisciente.
"Deus é amor" (1 Jo
4.8) e deseja o bem-estar de todas as pessoas. Somente ele sabe o que é bom e
salutar para a vida humana. É insensatez confiar o destino eterno à lógica e à
razão, pois a Bíblia é a Palavra de Deus, o manual divino do fabricante para
todos os seres humanos. A vontade de Deus resumida no sétimo mandamento diz
respeito à castidade do corpo e da mente, visando a preservação do casamento de
um só homem com uma só mulher (1 Ts 4.3-7). A felicidade humana está em se
deleitar em Deus.
Os dez mandamentos - Esequias soares
NOTAS :
O mandamento é apresentado
aqui (v. 27): “Não cometerás adultério”, o que inclui uma proibição de todos os
outros atos de impureza, e o desejo deles; mas os fariseus, em suas
interpretações deste mandamento, tornaram a sua abrangência limitada somente ao
ato do adultério, sugerindo que se o pecado somente fosse considerado no
coração, e não passasse disso, DEUS não o ouviria, não o consideraria (SI
66.18), e, portanto, eles pensavam que isto era suficiente para que pudessem
dizer que não eram adúlteros (í.c 18,11).
Aqui está explicada a
severidade, em três aspectos, que agora podem parecer novos e estranhos àqueles
que sempre foram governados pela tradição dos anciãos e que assumiam o que eles
ensinavam como sendo palavras de oráculo.
1.
Aprendemos
que existe ó adultério no coração, os pensamentos e tendências adúlteros, que
nunca dão origem ao ato do adultério ou da fornicação; e talvez a impureza que
eles causam à alma, que aqui está tão claramente declarada, não estivesse
incluída no sétimo mandamento, mas tinha sentido e objetivo em muitas das
profanações cerimoniais sujeitas à lei, pelas quais eles deviam lavar as roupas
e a sua carne na água. Qualquer pessoa que olhasse para uma mulher (não somente
a esposa de outro homem, como alguns interpretam, mas qualquer mulher) para
cobiçá-la, teria cometido adultério com ela em seu coração (v. 28). Este
mandamento proíbe não apenas os atos de fornicação e adultério, mas: (1) Todos
os apetites impuros, toda a cobiça do objeto proibido. Este é o início do
pecado, a concepção da concupiscência (Tg 1.15); é um mal passo em direção ao
pecado. E onde se aprova e se lida com a cobiça, e o desejo devasso é tratado
pela língua como algo doce, ali está a comissão do pecado, até onde o coração
pode tê-la – não faltando nada - a não ser uma oportunidade conveniente para o
próprio pecado. Adtdtera mens est - A mente ê corrupta, Ovídio. A cobiça é
frustrada ou influenciada pela consciência: influenciada, se ela não diz nada sobre
o pecado; frustrada, se ela não comanda o que diz. (2) Todas as abordagens
deste caso. Alimentar os olhos com a visão do fruto proibido; não apenas
procurando o que eu possa cobiçar, mas olhando até que eu cobice realmente, ou
procurando gratificar a cobiça, onde nenhuma satisfação adicional possa ser
obtida.. Os olhos são, ao mesmo tempo, a entrada e a saída de uma grande
quantidade de pecados deste tipo, como testemunham a mulher que tentou José (Gn
39.7), a mulher que se entregou a Sansão (Jz 16.1), e a amante de Davi (2 Sm
11.2). Há olhos cheios de adultério que não cessam de pecar (2 Pe 2.14). Que
necessidade temos nós, portanto, como o santo Jó, de fazer um concerto com os
nossos olhos, de fazer este acordo com eles, para que tenham o prazer de contemplar
a luz do sol e as obras de DEUS, com a condição de que nunca se fixem ou
residam sobre qualquer coisa que possa provocar imaginações ou desejos impuros!
E, sob esta penalidade, pelo que eles fizessem, precisariam sofrer com lágrimas
penitentes! (Jó 31.1). Para que temos a pálpebra sobre os olhos, a não ser para
restringir os olhares corruptos e para evitar as impressões que possam nos
contaminar? Aqui também se proíbe o uso de qualquer outro dos nossos sentidos
para provocar a cobiça.
Se os olhares sedutores
são frutos proibidos, muito mais o são as palavras impuras e os galanteios
devassos, o combustível e o fole deste fogo infernal. Estes preceitos são
limites sobre a lei da pureza do coração (v. 8). E se olhar é cobiçar, aqueles
que se vestem e se enfeitam, e se exibem, com o desejo de serem vistos e
desejados (como Jezabel, que pintou o rosto, enfeitou a cabeça, e olhou pela
janela) não são menos culpados. Os homens pecam, mas os demônios tentam ao
pecado.
2. Tais olhares e tais
galanteios são tão perigosos e destrutivos para a alma, que é melhor perder o
olho e a mão que assim pecam do que abrir caminho ao pecado e perecer
eternamente nele. Isto nos é ensinado aqui (w. 29,30), A natureza corrupta logo
objetaria contra, a proibição do adultério no coração, dizendo que ela é algo
impossível de se controlar: “São palavras duras, quem pode suportá-las? A carne
e o sangue não podem evitar olhar com prazer para uma mulher bonita, e é
impossível se abster de cobiçar e flertar com algo assim”. Desculpas como estas
dificilmente serão vencidas pela razão, e, portanto, devem ser atacadas com os
terrores do Senhor; e é assim que são atacadas aqui. (1) Aqui é descrita uma
operação severa para a prevenção desses desejos carnais. Se o teu olho direito
te escandalizar, ou ofender outra pessoa, com olhares devassos a coisas
proibidas; se a tua mão direita te escandalizar, ou ofender outra pessoa com
flertes devassos; e se for realmente impossível, como se diz, controlar o olho
e a mão, e eles estiverem tão acostumados a estes procedimentos pecaminosos, a
ponto de não poder evitá-los; se não existir outra maneira de restringi-los (o
que, bendito seja DEUS, por meio da sua graça, existe), é melhor para nós
arrancar o olho e cortar a mão (ainda que sejam o olho direito e a mão direita,
os mais dignos de honra e os mais úteis) do que tolerar que eles pequem para a
ruína da alma. E se isto tiver que ser contido – diante desta ideia,
a natureza estremece - devemos nos determinar ainda mais a controlar o
corpo e a conter estas coisas. Viver uma vida de mortificação e de autonegação;
manter constante vigilância sobre os nossos próprios corações; suprimir o
surgimento de qualquer desejo e corrupção ali; evitar as oportunidades de
pecados, resistir aos seus estímulos e recusar a companhia daqueles que são uma
armadilha para nós, ainda que sejam muito agradáveis; ficar afastados do
caminho do mal e reduzir o uso das coisas lícitas, quando descobrirmos que são
tentações para nós; buscar a DEUS, buscar a sua graça: confiar diariamente na
sua graça, e desta maneira andar no ESPÍRITO, para não satisfazermos os desejos
da carne - isto será tão eficiente quanto cortar a mão direita ou arrancar o
olho direito; e talvez igualmente eficiente em oposição à carne e ao sangue;
esta é a destruição do velho homem.
HENRY.
Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição
completa. Editora CPAD. pag. 54-55.
A lei judaica restringia o
termo «adultério» às relações sexuais com a esposa ou noiva de um judeu. O uso
de JESUS é mais lato, e provavelmente inclui as relações sexuais ilícitas de
qualquer sorte, e certamente Paulo fala sobre isso com linguagem clara (I Ts.
4:3). No vs. 28 vemos que o adultério pode ser mental, e há paralelos disso nos
escritos do filósofo estóico Epicteto (Discursos Lc18.15) e também em vários
escritos rabínicos, embora isso talvez não represente a maioria da
opinião do judaísmo. Cobiçar a mulher do próximo é explicitamente proibido
pelo décimo mandamento (Ex. 20:17 e Deut. 5:21). Os rabinos geralmente criam
que as boas intenções de um homem lhe eram lançadas na conta como se as tivesse
realizado, mas que suas—más intenções—só seriam lançadas em seu débito se
chegasse a cumpri-las.
Olhar...com intenção
impura». Quem olha é casado. A mulher a quem olha é casada, mas não com ele, ou
é solteira. O olhar não é casual, mas persistente, motivado por
desejo ilegítimo (assim diz a maior parte dos intérpretes. Mas Lutero
insiste que o impulso momentâneo do desejo (mesmo que não seja persistente),
também é adultério no coração. Os que preferem a interpretação mais suave
mostram que o trecho de 6:1 traz a mesma expressão, «com o fim de serdes
vistos» (equivalente a «com intenção»—a expressão tem a mesma forma no grego, a
despeito da tradução não indicar isso). O que a expressão indica é o intento da
vontade, e não o desejo involuntário, passageiro. Se esse fosse o caso, ainda
assim náo ficaria provado que o desejo passageiro também não é pecado.
Naturalmente desejaríamos
saber a opinião de JESUS. Conhecendo sua moral estrita, quase podemos dizer que
ele concordaria com a interpretação mais severa, como Lutero. Lutero fazia
distinção entre a culpa inerente no olhar com desejo persistente e o desejo
involuntário. Provavelmente JESUS também faria tal diferença.
«Já adulterou». O sétimo
mandamento indica mais do que o ato manifesto; mostra a intenção do coração—se
houver intenção de cometer adultério, é adultério. Alguns rabinos, é claro,
ensinavam a mesma coisa, percebendo o espírito da lei, mas a maior parte das
autoridades religiosas dos judeus não sentiu o sentido mais profundo deste e de
outros mandamentos. Quando a lei fala em não matar, subentende mais do que o
homicídio literal; assim também, adulterar é mais do que praticar o ato. Ambos
assumem a forma de meras atitudes, de condições do coração. Esse é o espírito
da lei.
Alguns intérpretes indicam
que o sétimo mandamento inclui qualquer tipo de formicação,
entre solteiros ou casados, porque o sexo ilegítimo, por sua própria
natureza, é adultério ante a lei de DEUS. Provavelmente JESUS concordaria com
essa opinião, apesar do fato de que o texto fala principalmente, ou mesmo
exclusivamente, da relação que um homem casado possa ter com mulher que não
seja sua esposa;. Paulo escreveu: «Esta é a vontade de DEUS, a vossa santificação:
que vos abstenhais da prostituição» (I Tes. 4:3). Nesta citação as Escrituras
se referem a qualquer pecado de ordem sexual, entre casados ou solteiros.
CHAMPLIN, Russell
Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por
versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag.312.
Os homens de outrora, como
também os escribas e fariseus dos dias de JESUS, certamente estavam corretos em
citar o sétimo mandamento na forma como o faziam. Porém, novamente aqui, como
já mostramos ao tratar do sexto mandamento, eles não conseguiam dar uma
exposição satisfatória do assunto. Como no caso anterior, não era a lei, e,
sim, a exposição dos rabinos que era defeituosa.
O sétimo mandamento
deveria ter sido explicado à luz do décimo: “Não cobice a mulher do seu próximo”
(Ex 20.17; Dt 5.18). Caso tivessem feito isso, teria ficado plenamente claro
que é “do coração que vêm as más deliberações, os homicídios, os adultérios, as
imoralidades...” (Mt 15.19). Os inimigos de CRISTO condenavam os atos
exteriores. Pelo menos era isso que enfatizavam. Quando convinha aos seus
propósitos, eles podiam ser muitíssimo severos para com aqueles que cometiam um
adultério literal ou concreto (Jo 8.1-11). Entretanto, JESUS considera que os
maus desejos do coração já constituem adultério, assim como considera que o
ódio do coração já é homicídio.
Só é necessário
acrescentar que o que é dito ao homem casado, também se aplica à mulher casada.
A infidelidade no vínculo matrimonial é sempre errada. Naturalmente, isso
significa que qualquer tendência que suscite tal infidelidade — por exemplo, a
intenção de uma pessoa solteira de romper um matrimônio — é igualmente um
pecado contra o sétimo mandamento. Depois de um exame mais detido notamos que
nada há de inocente com referência ao homem descrito no v.28. Ele não é alguém
que, sem quaisquer más intenções, vê alguém do sexo oposto. Não. Ele está
olhando, observando, examinando uma mulher com o fim de cobiçá-la, para em
seguida possuí-la e dominá-la completamente, de usá-la para o seu próprio prazer.
A expressão verbal “qualquer que olha”, tomada isoladamente, é inteiramente
neutra. A forma verbal usada original é muito geral em seu uso. Porém, o que
temos aqui no v.28 é um olhar para cobiçar. Não há nada de inocente nisso. É
egoísmo. Ver Mt 7.12. Em seu cenário apropriado, o sexo é um maravilhoso dom de
DEUS. Entretanto, não há desculpas para a luxúria e a vulgaridade. Isso é
errôneo sempre e em qualquer lugar, seja para os solteiros ou para os casados.
HENDRIKSEN. William. Comentário
do Novo Testamento. Mateus I. Editora Cultura Cristã. pag. 423-424.
2. O PROBLEMA DOS
ESCRIBAS E FARISEUS.
O adultério começa na
mente contaminada pela cobiça e termina no corpo pela prática física (Mt 15.34;
Tg 1.15). O ensino de JESUS é mais profundo e vai à raiz do problema. Ele disse
que nem é preciso o homem se deitar com uma mulher para cometer adultério;
basta olhar e cobiçar uma mulher que não seja sua esposa, e já cometeu
adultério com ela (Mt 5.28). É o adultério da mente que é consumado no corpo;
não se restringe somente à prática do ato, mas também ao pensamento. E a sanção
contra o referido pecado é de caráter espiritual e se distingue do sistema
mosaico.
Esequias Soares. Os
Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante
Mudança. Editora CPAD. pag. 107.
Mt 5:27-30 - O sétimo
mandamento é: “Não adulterarás” (Êxodo 20:14; Deuteronômio 5:18). Agora JESUS
nos ensina que um olhar lascivo é uma forma de adultério. Ao identificar a
lascívia com a ação, CRISTO rejeita “a distinção muito bem desenvolvida pelos
escribas entre intenção e ação” (Stendhal, p. 776). Embora o ato de adultério
possa produzir conseqüências sociais muito mais sérias (a penalidade de acordo
com a lei, em Levítico 20:10 era a morte para ambos os infratores), o desejo
intencional de despertar a luxúria é igualmente pecaminoso aos olhos de DEUS.
Não existem limites bem definidos entre o desejo e a ação.
Robert H.
Mounce. Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida. pag. 57.
27-30. Segunda ilustração:
adultério. JESUS indica que o pecado descrito em Êx. 20:14 tem raízes mais
profundas que o ato declarado. Qualquer que olhar caracteriza o homem cujo
olhar não está controlado por uma santa reserva e que forma o desejo impuro de
concupiscência por determinada mulher. O ato será consumado quando houver
oportunidade.
Charles F.
Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. Mateus.
pag. 24.
A cola da alma
O Sétimo Mandamento
Não adulterarás. Êxodo 20:14
Não sei qual seria o relógio mais bonito do
mundo na opinião dos especialistas, mas em minha mente não tenho dúvidas a esse
respeito. Seria o relógio que sempre andou no bolso inferior esquerdo do colete
do meu avô. Feito de ouro, tinha uma abertura com dobradiças na parte de trás
e, de vez em quando, o vovô o abria para me deixar ver o pequeno mecanismo que
se movia para trás e para a frente, para trás e para a frente, a cada avanço do
ponteiro dos segundos. Outras rodinhas minúsculas moviam o suporte de diamante
ao lado da mola mestra à qual o vovô dava corda todas as noites antes de ir para
a cama. O relógio tinha tanto que ver com o meu avô que parecia impossível
imaginá-lo sem ele.
Certa
vez, quando eu tinha seis anos de idade, nossa família passou um fim de semana
com o vovô e a vovó. No domingo de manhã, acordei cedo. Mamãe e papai ainda
dormiam, mas ouvi um suave murmúrio de vozes vindo da cozinha, de modo que saí
e vi meus avós comendo mingau de aveia com molho quente de maçã e creme por
cima. Depois de um abraço de bom-dia, colocaram uma tigela sobre a mesa para
mim, e comi junto com eles. O colete do vovô estava desabotoado, mas a corrente
do relógio estava visível, como sempre, saindo da presilha que a segurava e
desaparecendo no bolso do colete Com os cotovelos sobre a mesa e o queixo nas
mãos, olhei para o rosto do idoso homem e expressei uma ideia que havia acabado
de brotar na minha mente:
–
Vovô, posso ficar com o seu relógio quando você morrer?
Não
me lembro se os olhos azuis dele piscaram naquele momento, como faziam com
frequência. Mas sua resposta ainda ecoa na minha memória.
– Sim – disse ele.
–
Quando eu morrer, o relógio será seu. Um senso de reverência me dominou e
fiquei indescritivelmente emocionado. Acho que nem sequer terminei o desjejum
antes de sair de mansinho e contar a maravilhosa notícia para mamãe. Para meu
espanto, ela ficou horrorizada.
– Você não pediu isso de verdade, pediu?
Encolhendo-me para trás, balancei a cabeça sem falar nada. A alegria daquele
momento se evaporou instantaneamente. O tom de voz da minha mãe deixou claro
que eu havia feito algo realmente terrível.
– Não vê que isso dá a entender que você está
desejando que ele morra, para poder ficar com o relógio?
–
explicou ela. Fiquei envergonhado e, naturalmente, nunca mais mencionei o
relógio ao vovô. Mas ele não se esqueceu. Dois anos mais tarde, justamente
antes de morrer, ele disse à minha mãe:
–
Lembre-se, Zola, meu relógio vai ficar com o Loron. Depois que ele se foi,
mamãe me mostrou o relógio e então o guardou numa pequena caixa preta na
prateleira superior do armário. Enquanto os anos passavam, ela me deixava
tirá-lo de vez em quando para lustrá-lo e dar-lhe corda antes de pô-lo de volta
no lugar. Era sempre uma alegria vê-lo e recordar o amor que representava, bem
como as lindas lembranças do vovô.
Um
dia, quando eu tinha 14 anos, em vez de guardar novamente o relógio, coloquei-o
no bolso e disse à mamãe:
– Agora já tenho idade suficiente para cuidar
dele. Depois de um silêncio um tanto prolongado, ela respondeu:
–
Não acho que seja uma boa ideia, mas você pode decidir. Na manhã seguinte, o
relógio do vovô foi balançando para a escola no bolso dianteiro da minha calça
jeans. Durante a primeira metade da manhã, era impressionante a frequência com
que eu precisava olhar as horas. Nada se igualava ao fato de eu ser o único
garoto na sala a ter um relógio de ouro. Notei que outros alunos olhavam na
minha direção de tempos em tempos, e achei que talvez iriam se juntar em torno
de mim na hora do recreio para admirar aquele notável relógio. Mas, como sempre,
quando a sineta tocou, a classe inteira disparou na direção da porta e os
meninos pegaram suas luvas de beisebol enquanto corriam.
Eu
havia me esquecido de que, ao suspendermos o jogo na sextafeira, seria a vez da
nossa equipe participar. Demorou uns 35 segundos até que todos se colocassem
nos seus lugares e gritassem: “OK, o jogo vai começar!”
Bonell
Stevens deu o início. Depois Larry Fields deu uma bastonada que o colocou em
segundo e depois disso foi a minha vez. Minha reputação como o rei das
rebatidas ficou seriamente prejudicada quando mandei a bola para o campo de
trás no primeiro arremesso. No momento em que Glenn Hansen a apanhou e jogou
para seu irmão Calvin, que estava na primeira base, eu o havia ultrapassado e
não estava longe da segunda. Dei um mergulho heroico, deslizando pelo resto do
trajeto, e consegui tocar a base um décimo de segundo antes que a bola se
encaixasse na luva de Dal Cornforth.
Puxa! Aquilo foi adrenalina pura! Todos gritavam
ao mesmo tempo. Foi um dos momentos mais inesquecíveis da vida, especialmente
para alguém com a minha fama. Coloquei-me de pé, três centímetros mais alto que
antes, e comecei a sacudir a poeira. Nesse momento, minha mão encontrou algo
duro, achatado e redondo no bolso direito da minha calça jeans. Ali estava o
“objeto”, mas por alguma razão parecia estranhamente deformado.
Ai,
não! Não podia ser verdade! Mas era. Ainda estremeço ao recordar aquele momento
terrível.
Entendi,
então, que eu era o garoto absolutamente mais estúpido do mundo. Aos 14 anos,
eu não sabia muito acerca do valor de um relógio de ouro de bolso, mas sabia o
quanto amava meu avô, que o havia confiado a mim. E descobri que, no espaço de
poucos segundos, você pode fazer algo que passará anos – quem sabe o resto da
vida – lamentando.
É
disso que trata o sétimo mandamento. É sobre quebrar algo frágil, precioso e
muito, muito difícil – às vezes impossível – de consertar.
Algumas
pessoas, naturalmente, discordariam. Pouco tempo atrás, uma atriz se exibia num
programa popular de TV. Começou alegremente a citar nomes, enquanto regalava o
auditório com detalhes do seu irrequieto estilo de vida. Antes de eu encontrar
o controle remoto, ela deve ter mencionado pelo menos meia dúzia de pessoas
famosas com quem alegava ter ido para a cama.
Para
aqueles que partilham esse ponto de vista, este é um bravo mundo novo, e seus
cidadãos dizem que ocorreu uma “revolução” e uma grande “liberação”, abrindo as
portas para uma liberdade e alegria sem limites.
Mas
eles estão errados – e não porque alguém tenha inventado um decreto para
estragar sua diversão. Estão errados porque o sétimo mandamento expressa uma
lei fundamental da vida, um princípio gravado profundamente no nosso coração e
na nossa mente. Baseia-se na maneira como somos programados, e não podemos
romper isso sem violar algo profundo lá dentro.
Uma
das mais famosas passagens na Bíblia nos ajuda a entender por que isso é assim.
Digo “famosas” porque até pessoas que nunca abriram a Bíblia na vida já ouviram
a respeito de Gênesis 2:22 e 23. Infelizmente, às vezes, a passagem é usada no
contexto de uma piada. Mas, se deixarmos isso de lado por um momento e
tratarmos o texto com o respeito que merece, descobriremos que ele tem um
significado profundo. Diz:
“Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono
sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar
com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa
mulher e lha trouxe” (Gênesis 2:21 e 22).
As
primeiras palavras de Adão, que ele pronunciou quando viu aquela linda criatura
caminhando na sua direção, mostram que ele entendera o que havia acontecido.
Com profunda emoção, Adão exclamou: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e
carne da minha carne” (verso 23). É claro que a alegria de Adão refletia o
início de seu relacionamento sexual, porque o registro acrescenta
imediatamente:
“Por
isso [por esta razão; porque a mulher foi tomada do corpo do homem; porque ela
é osso dos seus ossos e carne da sua carne], deixa o homem pai e mãe e se une à
sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (verso 24). O fato de uma vez
mais se tornarem uma só carne está relacionado com o fato de terem originalmente
sido uma só carne. É desígnio de Deus que, através da relação sexual, a carne
se una à carne e o espírito ao espírito.
Um
termo bem conhecido na psicologia popular descreve o conceito ensinado em
Gênesis 2:22-24: “identificação”. “Identificar-se” com alguém envolve mais do
que alimentar essa pessoa ou cuidar dela. Significa que, de algum modo
misterioso, chegamos a partilhar sua identidade, como se de alguma forma
fôssemos essa pessoa. Por meio da identificação, podemos ver o mundo através dos
olhos dela, entender sua alegria e sua dor. Essa força poderosa está em ação
quando choramos no fim de um filme triste. Nossas lágrimas fluem porque o ator
fez com que nos identificássemos com a personagem na tela, de modo que a sua
perda se tornasse a nossa.
Quando
Adão viu aquela formosa criatura que se aproximava, teve um senso profundo de
identificação lá no íntimo. Ela era parte dele, pois havia se originado de seu
próprio corpo. Essa é a razão do incrível impacto que tal experiência produziu
nele, levando-o a exclamar: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da
minha carne”! Então, o que seria mais maravilhoso e natural para Adão do que
segurá-la nos braços, sentir o corpo dela junto ao seu e partilhar com ela o
intenso prazer que, segundo o desígnio de Deus, devia acompanhar esse alegre
encontro?
Deus
planejou e criou a união sexual para que fosse um poderoso instrumento de
identificação e união. Dizendo com outras palavras, o sexo é o “superbonder” da
alma.
Isso
não é meramente uma teoria agradável ou uma ideia carinhosa. A ciência
descobriu uma química poderosa que o corpo libera durante o sexo. Esses
elementos químicos intensificam a ligação do casal. Um hormônio chamado
oxitocina atua diretamente no cérebro para fortalecer nossa relação e
identificação, e seu fluxo aumenta durante a relação sexual. Isso significa que
Deus planejou o aspecto físico do ato sexual como parte da intimidade total do
coração e da mente, que é o casamento.
O
apóstolo Paulo também fala da função unificadora do sexo e diz que ela opera
inclusive quando podemos nem ter essa intenção. Isso quer dizer que, ao
contrário do que alguns poderiam desejar ou crer, não é realmente possível
fazer sexo e ir embora na crença de que nada aconteceu.
“Ou
não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela?”,
pergunta Paulo. “Porque, como se diz, serão os dois uma só carne” (1 Coríntios
6:16). Você pode sair da cama, vestir-se e ir embora, mas alguma coisa
aconteceu. Ocorreu uma ligação e você está levando algo consigo. Você esteve
tecendo uma teia que o enreda e que, de um jeito ou de outro, voltará para
assombrá-lo.
Jesus também Se referiu à função vinculadora
da intimidade física. “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez
homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá
a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais
dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”
(Mateus 19:4-6).
Assim
como Paulo, Jesus está dizendo que o relacionamento sexual é uma agência
divinamente designada para tornar forte e permanente a união de duas vidas. É o
meio que o Céu usa para cimentar dois corações, e eles não poderão depois disso
ser separados sem grave dano a ambos.
Sexo Seguro
Uma das expressões usadas por aqueles que
promovem a revolução sexual é “sexo seguro”. O termo tem levado milhões de
pessoas a crer que existe mesmo segurança num estilo de vida libertino.
Refere-se à ideia de que os preservativos podem evitar doenças. Sem dúvida,
eles ajudam nesse sentido; contudo, a proteção que oferecem reduz, mas não
elimina o risco. Além do mais, esse mito repousa sobre a ideia de que a doença
é a única consequência indesejável de tal comportamento. Porém, os resultados
da quebra do sétimo mandamento são multifacetados e de longa duração.
Faz
parte desse mesmo mito a ideia de que “você precisa testar um carro antes de
comprá-lo”. Parece lógico, não é? Morar juntos ou coabitar parece uma forma
livre de riscos para verificar a compatibilidade. Deveria ser um excelente
método de chegar a um casamento perfeito.
O estranho é que as estatísticas mostram que
acontece o contrário: casais que começam seu casamento dessa maneira têm quase
o dobro de possibilidade de divorciar-se dentro de dez anos, em comparação com
os que começam a vida em comum com o casamento.1
Além disso, um estudo recente descobriu que os
casais que apenas coabitam têm um índice de agressão física três vezes mais
elevado que os casais casados,2 e o índice de violência grave é quase cinco
vezes maior do que em casais casados.3 Quanto mais ativos sexualmente os
cônjuges forem antes do casamento, maior será a probabilidade de que eles se
traiam depois de estabelecido o vínculo.4 Não é de surpreender que as mulheres
envolvidas em relacionamentos casuais5 relatem um índice muito mais elevado de
depressão e muito mais baixo de satisfação sexual do que as mulheres numa
relação matrimonial.6
A atual explosão de doenças sexualmente
transmissíveis (DSTs) desafia ainda mais o conceito do sexo seguro. Uma análise
da literatura científica revela que os preservativos não evitam a transmissão
do vírus HIV – que causa a Aids – entre 15 e 31% das vezes.7 Portanto, não
deveria nos surpreender que, apesar de ter aumentado o uso de preservativos nos
últimos 25 anos, novos casos e novos tipos de DSTs hajam aumentado ainda mais.8
Nos
anos 60, antes do início da “revolução sexual”, as principais doenças
transmitidas pelo contato sexual eram a sífilis e a gonorreia, e se acreditava
que estivessem desaparecendo por causa do desenvolvimento de antibióticos.
Hoje, a ciência médica descobriu mais de 20 tipos amplamente disseminados de
DSTs, com média de mais de quinze milhões de novos casos por ano nos Estados
Unidos. Dois terços de todas as DSTs ocorrem entre pessoas de 25 anos de idade
ou menos.9 A cada ano, três milhões de adolescentes contraem uma DST nos
Estados Unidos. Em média, pelo menos um quarto dos adolescentes sexualmente
ativos é infectado.10
A
DST líder é o papilomavírus humano (HPV), com 5,5 milhões de novos casos
relatados a cada ano.11 Outro flagelo mortal é a Chlamydia trachomatis, que
agride as trompas de Falópio e é a causa de infertilidade que mais cresce. A
ciência médica ainda não tem cura para doenças virais como herpes e o vírus da
imunodeficiência humana (HIV), que causa a Aids. Segundo os Centros de
Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, a Aids lidera como causa de
morte entre pessoas de 25 a 44 anos de idade. A simples menção desses números
dificilmente apresenta um quadro do que significa ter a vida devastada pelo HPV
ou presenciar a morte de um ente querido com Aids. Posso garantir que essa é
uma forma horrível de morrer.
O
Que Dizer das Crianças ? Um resultado ainda mais triste da revolução sexual tem
sido o aumento quintuplicado no número de crianças que crescem em lares com a
presença de apenas um dos pais. De acordo com o Centro Nacional de Estatísticas
da Saúde dos Estados Unidos, os nascimentos fora do matrimônio naquele país
representaram 33% de todos os nascimentos em 2002, comparados com 7% em 1960.
Isso acontece a despeito de mais de 1,3 milhão de abortos realizados anualmente
ali.
“Não
há um único fator em que as crianças deste país não estejam em pior situação”
por causa da mudança nos valores sexuais, segundo Patrick Fagan, da Heritage
Foundation.12 As crianças em lares dirigidos por apenas um dos pais têm maior
probabilidade de sofrer abuso sexual, ser presas, repetir o ano escolar, parar
de estudar ou ser expulsas, usar maconha, cocaína e cigarro, carregar armas,
ter graves problemas emocionais e comportamentais, sofrer de problemas de saúde
física, ser sexualmente ativas, tornar-se mães/pais solteiros, sofrer depressão
ou cometer suicídio.
Esses
são alguns resultados mais óbvios da “liberdade” e “liberação” que ocorre. É
verdade que aconteceu uma mudança radical nos padrões morais de alguns
elementos da sociedade, mas descrevê-la como “liberação” ou promovê-la como
avanço ou melhoramento é como gabar-se da liberdade para fumar. E o número
anual de pessoas que morrem como resultado da revolução sexual excede em muito
o número anual dos que morrem devido ao fumo.
Obtendo o Controle
Jesus disse que o adultério começa onde
termina: no coração. “Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos
digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já
adulterou com ela” (Mateus 5:27 e 28).
Ele
reconheceu que o impulso sexual se origina na mente e que a mente é estimulada
pelos sentidos – “olhar para uma mulher com intenção impura”. O sexo mental –
fantasias sexuais desenfreadas – pode parecer um prazeroso e inocente
passatempo, mas não é. Olhar cenas que excitam o desejo sexual e ouvir ou ler
histórias e descrições de sexo estimulam fortemente essas fantasias.
É aí, portanto, que deve começar a batalha
pelo autocontrole. É comum falar acerca da contaminação do ambiente por
indústrias pesadas. Mas existe outro tipo de poluição que é igualmente
disseminado. É a contaminação do ambiente por pessoas que usam imagens
sexualmente estimulantes em outdoors, na televisão, nos cinemas e impressas em
toda parte.
Hoje
ocorre um debate público acerca da educação sexual. Um grupo diz que precisamos
mostrar aos jovens que o único sexo seguro é a abstinência. “É só dizer não”,
defendem. Seus oponentes alegam que essa ideia simplesmente não funciona. Não
importa quantas vezes você disser isso, eles vão fazê-lo de qualquer jeito.
Ambos
os grupos têm razão. É claro que os jovens nunca serão capazes de “simplesmente
dizer não” se isso for tudo o que lhes dissermos. Como conseguiriam, quando são
bombardeados dia e noite com imagens altamente estimulantes e propaganda sexual
na mídia? Precisamos explicar aos jovens – e, deixando a presunção de lado,
vamos reconhecer que todos nós precisamos disso, não só os adolescentes – que o
controle sexual começa onde Jesus disse: na nossa mente. Se, vez após vez, nos
permitirmos ser levados até o limite e se nosso plano de defesa for parar
quando estivermos a ponto de cair, certamente fracassaremos.
É
aqui que o poder de escolha entra em cena. Os anunciantes podem publicar
quadros estimulantes, mas não podem nos forçar a continuar olhando ou a comprar
seus produtos. Os compositores podem incluir palavras vulgares na sua música,
mas não podem nos obrigar a ouvir ou prestar atenção à sua mensagem. Ninguém
pode nos forçar, contra nossa vontade, a continuar olhando um vídeo ou um
programa de TV obsceno uma vez que percebamos de que se trata, nem a continuar
sendo amigos de pessoas que insistem em fazer pressão sobre nós com seus falsos
valores e histórias sobre seus casos e conquistas.
Estávamos
parados no topo de El Peñol, um gigantesco monólito de arenito que se ergue
abruptamente 200 metros acima dos campos de Antioquia, na Colômbia. Com alguns
amigos, arfando e ofegando, havíamos subido os 649 degraus até o topo.
Para
nossa grande surpresa, não vimos nenhuma grade de proteção lá em cima, nenhuma
barreira ou mesmo placas de advertência. O amistoso guarda nos contou que já
estava naquele emprego fazia mais de vinte anos.
–
Alguém já despencou aqui de cima? – perguntei. – Sim – disse ele. – Uns trinta.
Chocado, perguntei:
–
E todas essas pessoas tiveram a intenção de se jogar ou foi por acidente?
– Não sei. Nunca pudemos fazer a pergunta.
– Ele
parecia divertirse com essa resposta.
Depois
de conversar com o homem por algum tempo, andamos por ali para observar o
cenário. A área plana no topo compreende cerca de meio hectare. O curioso é que
não há um precipício repentino na margem. Existe apenas um declive gradual. Na
verdade, não parece tão perigoso.
Enquanto
observava isso, fiquei pensando que seria interessante descobrir se alguma
pessoa já teria chegado perto da beirada o suficiente para espiar lá para
baixo. Podíamos enxergar quilômetros ao redor em todas as direções, mas seria
mais excitante se pudéssemos olhar diretamente para baixo, não seria?
Hummm,
OK. Acho que vou chegar um pouquinho mais perto da extremidade. Ei, isso é
divertido! Mas ainda não vejo direito. Está bem, mamãe. Não se preocupe. Não
penso mesmo em ir até o fim.
O
topo do El Peñol não tem placas de advertência. Mas fico feliz porque Jesus nos
deixou um claro aviso em Seu ensino acerca do sétimo mandamento. Não chegue nem
mesmo perto da margem, disse Ele. Decida por si o que seus olhos verão, em que
sua mente pensará. Não permita que anunciantes obscenos e roteiristas de cinema
determinem o conteúdo do seu pensamento.
“Tudo o que é verdadeiro,
tudo o que é respeitável,
tudo o que é justo,
tudo o que é puro,
tudo o que é amável,
tudo o que é de boa fama,
se alguma virtude há
e se algum louvor existe,
seja isso o que ocupe o vosso pensamento”
(Filipenses 4:8).
É aqui que devemos traçar a linha na batalha
pela pureza. Só poderemos vencer a batalha afastando-nos do mal, ocupando a
mente com ideias positivas e enobrecedoras, fazendo de Deus a prioridade da
nossa vida. “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é
firme; porque ele confia em Ti” (Isaías 26:3).
Completo Novamente
Numa sociedade perfeita, poderíamos encerrar
este capítulo aqui mesmo, mas vivemos num mundo devastado pelo mal. Sem dúvida,
algumas pessoas que leem isto estão relembrando experiências que prefeririam
esquecer.
Num
dia terrível, um grupo de homens foi a Jesus arrastando uma mulher, que jogaram
aos pés dEle como um trapo sujo.
– Mestre – disseram
–
esta mulher foi apanhada em flagrante adultério (João 8:4). Depois de Jesus ter
desmascarado aqueles hipócritas e eles terem saído, Ele disse à mulher:
–
Onde estão as pessoas que a acusavam? Surpresa, ela abriu os olhos e olhou ao
redor.
Depois respondeu:
–
Não há ninguém, Senhor.
A
pergunta de Jesus é para todos os que, assim como aquela mulher, já se acharam
vencidos pelo pecado e ficaram cheios de remorso e desespero. Jesus disse:
–
Nem Eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.
“Porquanto
Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o
mundo fosse salvo por Ele” (João 3:17).
“Agora,
pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos
8:1).
– Acho que não é uma boa ideia
– comentou minha mãe quando eu quis levar o
relógio do vovô para a escola.
–
Ei, já tenho 14 anos
–
respondi.
–
Sei o que estou fazendo.
–
E lá fui eu. Quando o desastre aconteceu, parecia que eu havia quebrado a coisa
mais preciosa no mundo e que nada podia doer tanto. Mas, de lá para cá,
descobri que isso não era verdade. Há coisas que são infinitamente mais
preciosas do que um relógio de ouro, e quebrá-las dói mais do que eu poderia
ter imaginado.
Desde
aquele dia, já conheci mais de trinta pessoas que despencaram pela borda do
abismo com relação ao sétimo mandamento, e já vi o dano de longo alcance
causado pelo que fizeram. Mas também testemunhei a cura, a esperança e a
restauração, e sei que isso é possível.
O
dano que causei naquele dia ao relógio do vovô teve conserto. Algumas semanas
mais tarde, ele tiquetaqueava fielmente como sempre. Por falar nisso, eu ainda
o tenho hoje.
Louvo a Deus pelo sétimo mandamento. Ele
mostra que Deus nos ama e Se importa conosco o suficiente para nos avisar do
terrível perigo. Também me sinto grato porque o perdão e a restauração se
encontram livremente acessíveis a todos.
Os DEZ MANDAMENTOS
-
Princípios divinos para melhorar seus relacionamentos
Loron Wade




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