segunda-feira, 11 de maio de 2020

Lição 7 - Em Defesa da Vida



TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Mateus 5.17-2
17 Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 - Porque em verdade vos digo crus até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19 - Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus. 20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.
21 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.
22 - Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raça  será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno.

TEXTO ÁUREO

Não matarás.
 Êxodo 20.13

   SUBSÍDIOS PARA    
   O ESTUDO DIÁRIO   
2ª feira - Gênesis 9.1-6
 Pelo homem o seu sangue será derramado
3ª feira - 1 Coríntios 15.20-28
O último inimigo a ser aniquilado é a morte
4ª feira - Êxodo 23.1-9
 Não matarás o inocente e o justo
 5ª feira - Salmo 139.13-18
Teus olhos viram o meu corpo ainda informe
6ª feira - Romanos 13.8-10
Com efeito: não matarás
Sábado - 1 Samuel 2.6,7
O Senhor é o que tira a vida e a dá

OBJETIVOS
 Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
• entender que a cessação da vida é uma decisão que cabe somente a Deus;
• compreender que há várias formas de se quebrar o sexto mandamento; • concluir que a vida é o bem maior.

 ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
O advento das redes sociais digitais, ferramentas on-line que possibilitam a interação entre pessoas que têm interesses em comum por meio do compartilhamento de informações, mudou o comportamento das pessoas e das empresas. Se a Escola Dominical de sua igreja ainda não possui uma conta em uma rede social, não perca tempo. Invista nessa ferramenta de comunicação e promova a sua ED. A especialista em redes sociais, Lisandra Amâncio, dá algumas dicas para a sua igreja desenvolver um trabalho planejado e bem-sucedido na rede:
• tenha cuidado na hora de planejar seus posts;
• poste assuntos que edificam;
• divulgue eventos;
• mantenha o interesse em sua página atualizando-a com regularidade;
• inclua links para blogs, mensagens ou artigos relacionados ao seu público;
• compartilhe dicas de livros, filmes, músicas e outros
(Adaptado de: Revista Educação Cristã Hoje, n22. Central Gospel, 2012, p. 19,23).

COMENTÁRIO

 Palavra introdutória
Não matarás é o sexto mandamento absoluto da lei de Deus. Ninguém tem o direito de tirar a vida de um indivíduo de forma ilegítima. Obviamente, esta afirmação coloca em xeque as condições em que pessoas morrem pela aplicação da pena capital e pela guerra, assuntos que veremos adiante.
Quem mata uma pessoa toma o lugar do Altíssimo, pois somente Ele tem o direito de decidir quando a vida de alguém deve cessar (1 Sm 2.6).

1.     OS CASOS DE ASSASSINATOS NA BÍBLIA
 O primeiro é o bem conhecido caso de Caim, que matou Abel, seu irmão (Gn 4.8-16). Para coibir o assassinato, Deus disse que quem matasse Caim seria castigado sete vezes (Gn 4.15). Temos também o caso de Lameque que se vangloriou de ter matado um homem que o ferira e um jovem que o pisara (Gn 4.23).
Em Gênesis 9.6, o Senhor mostra rigor contra o assassinato: Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.
Lemos ainda o caso de Moisés que matou um egípcio para defender um hebreu (Éx 2.12).
                 1.1. Resoluções divinas x resoluções humanas
 Na história do Antigo Testamento, há ocasiões em que o próprio Deus manda matar (Éx 32.27). Para os hebreus possuírem a Terra Prometida, teriam de entrar em guerra contra as nações que ali habitavam. Eles levaram cinco anos até se apossarem da terra e, mesmo assim, não conseguiram exterminar totalmente os seus habitantes.
Há urna grande diferença entre as resoluções divinas e as humanas. Todos os homens estão debaixo do sexto mandamento, Deus não. Ele é soberano. Está acima de tudo e de todos. Além disso, Deus é o criador da vida: O SENHOR é o que tira a vida e a dá (1 Sm 2.6a). Muitas vezes, para defender Seus interesses em relação a Israel, Deus deu ordem para que matassem, como a tomada da terra de Canaã e o caminho até ela, que estava cheio de povos hostis (Dt 7.1,2; 1 Sm 15.3).
Isso parece contraditório quando se coloca o sexto mandamento ao lado dos relatos históricos. Entramos, assim, no terreno da ética, na sua perspectiva filosófica, para compreender o conflito de valores. Há conquistas que são feitas somente por meio de guerras e, nas guerras, há mortes.
Matar aplica-se a várias modalidades de crimes, como, por exemplo: impor a alguém a privação da subsistência, pois isto implica a falência da vida; odiar o irmão, conforme as palavras de João: Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino (1 Jo 3.15 ARA) etc. O sexto mandamento, portanto, visa, antes de tudo, à proteção e à promoção da vida.

2.     O ABORTO E OS MOTIVOS DOS QUE O DEFENDEM
Aborto foi a principal causa de morte no mundo em 2019, matando 42 ...
Adicionar legenda
O mundo atual vive um grande dilema na questão do aborto. Há movimentos que defendem a sua legalização, enquanto outros são totalmente contra. As justificativas daqueles que defendem o aborto partem de uma lógica equivocada e perigosa. Estes afirmam que, se o aborto for legalizado, em vez de fazerem abortos de forma clandestina, sob o risco de morte e de levarem o feto ao sofrimento, as mulheres passarão pelas mãos de médicos competentes, que farão isso de forma profissional. Simples assim. Porém a Bíblia afirma: E não matarás o inocente e o justo (Ex 23.7).
A questão é: como conciliar o aborto com o sexto mandamento? O feto, seja ele de quanto tempo for, é um ser humano em desenvolvimento no útero da mãe. Como ser humano, não tem quem lute por ele para defendê-lo contra a morte, nem da própria mãe.
O feto não é subumano (SI 139.13-18). O que mais impulsiona pessoas a praticar o aborto é a irresponsabilidade do pecado. A Palavra de Deus condena toda prática sexual ilegítima (1 Co 6.18). Como Igreja de Jesus, lutamos contra o pecado. Se consentirmos com o aborto, negaremos a nossa premissa de fé contra a sexualidade pecaminosa.
             2.1. Controle familiar
Algumas mães não desejam levar uma gravidez adiante porque um fi-lho a mais atrapalharia seus planos de controle familiar. Nesse caso, al-gumas contam com a anuência do marido.
              2.2. Indicação médica
 Há situações em que alguma doença exige que se tome uma decisão entre salvar a vida da criança ou a da mãe. Isso gera um conflito difícil de ser resolvido. Há, no entanto, fatores que favorecem a escolha pela preservação da vida da mãe, principalmente quando ela tem outros filhos para cuidar. Como pessoas que confiam no poder de Deus, talvez tenhamos um caminho diferente a tomar (Mc 9.23).Há um caminho sempre presente na vida dos servos de Deus, que é a oração (Mt 21.22). É nessa hora que se deve pôr em prova a confiança que temos no Deus a quem servimos (Jo 15.7).
             2.3. Indicação jurídica
Quando uma mulher é vítima de abuso e engravida, ela pode carregar consigo um trauma. Quando entrar em contato com a realidade que a liga ao desconhecido que abusou dela, isso pode afetá-la emocionalmente. Este é mais um dos argumentos que os defensores do aborto apresentam. No entanto, dentro dela, há uma vida que se iniciou, geneticamente, do mesmo modo que todas as vidas se iniciam
A indicação jurídica que permite à mulher fazer dignamente o aborto, numa clínica, com auxilio médico, é chamado de "aborto de honra". No entanto, há casos de mulheres que se arrependem por terem abortado nessas condições, sofrendo, posteriormente, distúrbios psicológicos severos.
              2.4. Indicação eugênica
Há crianças que, por motivos genéticos podem nascer com alguma deformidade física. Nesse caso, muitos casais optam por não dar à luz. Embora não seja algo tão simples quanto alguns pensam, a leitura que um crente em Jesus faz da vida é diferente (Rm 8.28). Um filho sempre será amado, ainda que porte alguma deformidade física ou mental
            2.5. Indicação social
 Algumas mães pobres alegam não serem capazes de sus-tentar a criança. Todavia, por pior que seja a situação, há saídas para esses casos (Mt 6.25). O que essas mães não sabem é que, segundo dados médicos, a maioria das mães que optam pelo aborto, por não terem condição financeira de criar o filho, no futuro, apresentam problemas psicológicos complicados
3.     AS GUERRAS E AS MORTES PRODUZIDAS POR ELAS
 Não há situação mais grave do que a guerra para se matar pessoas. Ela está presente na humanidade desde tempos remotos. O povo da velha aliança se envolveu inúmeras vezes em guerras. O Antigo Testamento está repleto delas (1 Sm 15.2,3). A morte está longe de ser um ideal, mas, em algumas situações, ela se torna um mal necessário. Em alguns casos, Deus mandou que Israel eliminasse povos cuja cultura era deplorável e a índole, doentia, como os povos que sacrificavam crianças (Lv 18.21; Jr 19.5).
3.1.         O cristão e a guerra
Quando o crente é convocado para ir à guerra, ele empunhará uma arma e, assim como os outros soldados, terá de usá-la. Paulo diz que o magistrado não traz a espada debalde (Em 13.4). Logo, estando sujeito ao governo, pois toda autoridade vem de Deus (Rm 13.1,2), o crente não tem como escapar dessa incumbência.
4.     A EUTANÁSIA E A FORMA COMO O CRISTÃO A ENXERGA
A eutanásia, do grego "boa morte", é um procedimento que antecipa a morte de um doente incurável para evitar maiores sofrimentos. Essa é uma prática antiga e ainda sujeita a muitas discussões. Há uma responsabilidade médica e jurídica para a sua prática; normalmente, a pedido da família, quando esta não deseja mais ver o sofrimento de um ente querido.
Segundo a Bíblia, a morte nunca é bem-vinda. Ela é chamada de inimiga (1 Co 15.26). A Bíblia valoriza a vida (Gn 9.6; Jo 10.10). Nós enxergamos a eutanásia como cessação da vida para dar fim ao sofrimento físico, mas temos a convicção de que o sofrimento não cessa para quem morre sem Jesus. Assim, cremos que a extensão da vida pode criar oportunidades ao moribundo de salvar a sua alma.
5.     A EXPLICAÇÃO DE JESUS PARA O SEXTO MANDAMENTO
Em Mateus 5.17-22, Jesus inicia o trecho dizendo que veio para cumprir a Lei e os profetas. Depois do preâmbulo que se inicia no versículo 17, Jesus entra no sexto mandamento, mencionando a tradição oral, ou seja, a versão que os mestres da religião davam a ele. Este não foi o único mandamento que Jesus interpretou, corrigindo o modo como os mandamentos regularmente eram explicados (Mt 5.21,22).
 Do mesmo modo como Jesus aprofunda o sétimo mandamento — não adulterarás — dizendo que não é necessária a consumação de um ato sexual para que se configure adultério, mas basta cobiçar, assim também o Senhor amplia o entendimento do sexto mandamento, mostrando que há formas diretas e indiretas de se praticar o pecado de matar.
        5.1. Outras formas de matar
Em defesa da vida, Jesus amplia a compreensão do mandamento de não matar (Mt 5.22). Os mestres da religião torciam a própria Lei, que tanto se ufanavam de guardar (Mt 5.43,44).
Há, evidentemente, uma ressalva na fala de Jesus: Qualquer que, sem motivo, se encolerizar (Mt 5.22). O Mestre admite a possibilidade de uma pessoa se encher de fúria contra alguém por ser provocada a isso. Nesse caso, a Palavra de Deus também oferece um caminho (Ef 4.26,31). Ainda no auge da cólera, a pessoa deve se conter.
                 5.2. Palavras que ferem
Dentro do mesmo contexto do sexto mandamento, Jesus adverte sobre o poder que há nas palavras para ferir mortalmente o coração de alguém (Mt 5.22). O termo roca, cuja tradução é desconhecida, vem da mesma raiz de cuspir. De qualquer forma, trata-se de tomar uma atitude de desrespeito em relação a alguém. Pior ainda é chamar alguém de louco como uma forma de ofender a dignidade dessa pessoa. Isso mexe profundamente com a autoestima e, por esse motivo, na visão de Jesus, pode se encaixar perfeitamente em um ato homicida.
              5.3. A importância das relações pessoais para o culto verdadeiro
 As relações pessoais devem se manter sempre em um nível de serenidade, para que o culto a Deus seja aceito (Mt 5.23-26). Nos versículos subsequentes, Jesus provoca o raciocínio dos Seus ouvintes para que eles considerem a seriedade do culto que prestam a Deus. O Senhor exige deles que desobstruam suas almas de qualquer pensamento ruim que afete a vida do próximo. Ele ainda relaciona o juízo humano, o do Sinédrio, com o juízo de Deus

CONCLUSÃO
A reflexão sobre o sexto mandamento traz consigo ainda outros desdobramentos, como a pena capital, o suicídio, o genocídio e outros. Destacamos os principais nesta lição. No entanto, devemos ter consciência de que estamos mais próximos de transgredi-lo do que imaginamos. Nossa omissão em socorrer pessoas que carecem de pão, de abrigo e de afeto, por exemplo, demonstram não apenas um gesto egoísta da nossa parte como também certo desprezo pela vida alheia. Lembremo-nos das palavras de Jesus em Mateus 25.3540.

ATIVIDADES PARA FIXAÇÃO
 1. Quem praticou o primeiro homicídio na história da humanidade?
R. Caim.
                                                       O Decálogo — A Ética do Sinai


                                             CAPÍTULO 6
                                O SEXTO MANDAMENTO

"Não matarás" (Êx 20:13).
Lemos agora em 1 Pedro 4:15: "Que nenhum de vós padeça como homicida". A norma divina quanto a tirar a vida de outro ser humano não é menos estrita sob a revelação cristã do que o foi sob o judaísmo. Não se pode tolerar o homicídio na dispensação cristã.

                                               OS DEZ MANDAMENTOS - C. H. BROWN

                             O SEXTO MANDAMENTO
Para um leitor desatento ou menos avisado da Bíblia pode parecer haver uma contradição entre o mandamento "Não matarás" (Êx 20.13; Dt 5.17) e a guerra justa prescrita no capítulo 20 de Deuteronômio ou ainda a pena capital estabelecida na lei de Moisés por diversos tipos de crimes e pecados, tema discutido mais adiante. Ninguém pode afirmar e negar algo ao mesmo tempo. O que acontece é que "Não matarás" se trata de um termo genérico que não expressa com precisão o pensamento do sexto mandamento, pois no hebraico, língua original em que o texto foi produzido, está registrado  tirtsãly, literalmente "não assassinarás" ou "não cometerás assassinato". A proibição, portanto, diz respeito ao homicídio premeditado, à violência, ao assassinato de um inimigo pessoal.
O Senhor Jesus Cristo discordou das autoridades religiosas de sua geração, dos escribas e fariseus que restringiam o sexto mandamento ao derramamento de sangue: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de rata será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno" (Mt 5.21, 22). Jesus não está aqui contrapondo o preceito da lei, mas a interpretação rabínica desse preceito, pois ao longo dos anos a tradição havia despido o sexto mandamento de seu real significado. É verdade que o sexto mandamento diz: "Não matarás" (Êx 20.13; Dt 5.17); é também verdade que o homicida será submetido a julgamento (Nm 35.30, 31). Mas a questão é que "Não matarás" não se restringe somente a isso; inclui pensamentos e palavras, ira e insultos. O mais grave é que as autoridades religiosas de Israel nada ensinavam sobre a condenação divina ao homicídio, como se o castigo fosse restrito aos tribunais civis. Jesus trouxe à tona o espírito do sexto mandamento.
 Dessa forma, "Não matarás" é ratificado no Novo Testamento pelo Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos (Tg 2.11; 1 Jo 3.15). Jesus citou este mandamento juntamente com aqueles que dizem respeito aos deveres do homem para com seu próximo: "Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 19.18, 19). O apóstolo Paulo elencou esses mandamentos numa ordem e forma levemente modificadas (Rm 13.9).
O verbo hebraico rãtsah,.. "assassinar, matar", cuja ideia é matar com violência e matar de maneira injusta. Aparece aqui, no Decálogo, pela primeira vez (Ex 20.13). Foi encontrado um só cognato nas línguas semíticas, no antigo árabe do norte, que indica "quebrar em pedaço, estilhaçar, golpear. Apesar de sua predominância como termo legal nas 47 ocorrências no Antigo Testamento, e de ser usado na linguagem cotidiana, nenhuma raiz foi encontrada nos códigos de lei do Antigo Oriente Médio.
Há mais oito verbos hebraicos no Antigo Testamento para designar a matança: hãrag,. "destruir, matar, assassinar, ferir, golpear" (Gn 4.8); zãvah,. "sacrificar, abater", que diz respeito ao abate de animal para sacrificio, mas se aplica também ao abate de seres humanos (2 Rs 23.20); tãvah, "abater, trucidar, matar, massacrar", empregado para o abate de animais ou de pessoas numa guerra (Is 34.2, 6; Jr 48.15); mia,. "morrer, matar, mandar executar" (Gn 2.17; 18.25; 1 Rs 17.18); nãchãh, "ferir, golpear, abater, matar (Em 21.12; Nm 22.23; fim 7.17; 17.6.); nqph,. "pôr abaixo, derrubar, cortar gó 19.26); qãtal,. "matar' (jó 13.15; 24.14; SI 139.19); shãhat,. "executar, matar, abater', que aparece 84 vezes no Antigo Testamento, indicando o ato de matar animais (Gn 37.31) e pessoas (Is 57.5; Ez 16.21). No entanto, na maioria das vezes, o termo diz respeito ao abate de animais no ritual de sacrifício (1 Sm 1.25). Parece que os verbos hãrag, mât e qãtal estão no mesmo contexto de rãtsab. Esta é a conclusão apresentada no The Theolo-gical Dictionary of the Old Testament [0 Dicionário Teológico do Antigo Testamento) que apresenta como argumento o paralelismo entre "matar' thãragl a viúva e "tirara vida" [rãtsah] (S194.6) e da mesma forma o paralelismo entre rãtsah e qãtal. "De madrugada levanta o homicida, [riitséah] mata lyiqtãll o pobre e necessitado e de noite é como o ladrão" (Jó 24.14). Apresenta também o uso alternativo de mát, qãtal e rãtsah na instrução jurídica da pena capital (Nm 35.19, 21, 27, 30). Assim, esses três verbos parecem indicar o assassinato no sentido vasto, sem detalhes adicionais sobre a maneira de praticar o homicídio. Com isso, o referido dicionário conclui:
Estes sinônimos têm ajudado a definir o significado de rãtsah e como assassinato culpável pelo uso da força. A natureza do ato é deixada completamente indefinida. Negativamente, é digno de nota que rãtsah nunca é usado para assassinato em batalha nem em autodefesa. Nunca é usado para suicídio. Afirma-se frequentemente que também não é empregado para a execução da pena de morte; no entanto, é contraditado por Nm 35.30, em que a raiz denota que a execução de um assassino pelo vingador do sangue é devidamente autorizada (BOTTERWECK, RINGGREN, FABRY, vol. XIII, 2004, p. 632).
Cada ponto apresentado aqui será analisado juntamente com outros temas pertinentes ao sexto mandamento. Não há necessidade de discutir sobre o aborto e a eutanásia porque "Não matarás" inclui de maneira direta a proibição dos referidos crimes. Isso é visto em toda a Bíblia com clareza meridiana. A polêmica existe para quem procura desafiar o sexto mandamento, principalmente por quem adota um estilo de vida contrário à vontade de Deus.

GUERRA
A guerra é "o recurso das nações para tratar de resolver diferenças pela força das armas. As guerras sempre são produtos da pecaminosidade humana, seja por instigação imediata ou causa indireta" (TAYLOR, 1995, p. 318). A guerra é algo indescritível. Não existe desastre humanitário maior do que a guerra, pois envolve destruição de vidas humanas, culpados e inocentes, homens e mulheres de todas as idades, propriedades rurais e urbanas, cidades e nações. Os horrores são indescritíveis. O Senhor Jesus predisse guerras e rumores de guerra (Mt 24.4-8). As nações vivem a expectativa de um holocausto nuclear.
Os antigos encaravam a guerra como algo sagrado. Era usual oferecer sacrificios antes da partida das tropas militares para a batalha a fim de invocar às divindades proteção e vitória (1 Sm 13.8-12; Is 13.3; Jr 51.27; Sf 1.7). A lei prescreve normas para a guerra no capitulo 20 de Deuteronômio. Mas a legitimidade da guerra depende de sua motivação. Deus permitiu e até ordenou a guerra por diversas vezes no período do Antigo Testamento (Jz 20.27, 28; 1 Sm 14.37; 23.2-4; 1 Rs 22.6-12). Mas hoje existem grupos ativistas que são favoráveis a ela; grupos pacifistas que são contrários, e os seletivistas, que são favoráveis em caso de guerra justa.
A guerra é em si mesma incompatível com o espírito do cristianismo. É verdade que estamos na dispensação da graça e que o cristianismo é pacifista (Mt 5.9). No entanto, até que todos se convertam ao evangelho, é necessária a manutenção da ordem pública e da segurança nacional. As forças armadas e as polícias civil e militar ou qualquer corporação afim não são figuras decorativas. Essas instituições existem para manter a ordem pública e defender o país de agressões externas. Todo mundo tem o direito de defender o que é seu e, nesse caso, o cristão não está pecando.
Isso vale também para defesa pessoal: "Se um ladrão for achado arrombando uma casa e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue" (Êx 22.2, ARA). Não se trata, pois, de um assassinato premeditado, mas de legítima defesa.
O tema não aparece no Novo Testamento. O Senhor Jesus nada disse na parábola sobre o planejamento quando menciona o rei que faz guerra a outra nação (Lc 14.31, 32). De igual modo, não recomendou que o centurião de Cafarnaum renunciasse a seu posto militar; antes, elogiou a analogia da fé com estrutura militar (Mt 8.8-13). Visto que não houve nova revelação sobre a guerra, isso significa que permanece o que está no Antigo Testamento.
 Martinho Lutero entendia que o Sermão do Monte acompanhava a orientação de Cristo "Dai a César o que é de César", separando aí Igreja e Estado, o que é de ordem pessoal e o que é de ordem jurídica. E, ainda segundo Lutero, o ensino "Amai a vossos inimigos" (Mt 5.44) não se aplica ao Estado a fim de evitar a anarquia. Isso não viola o ensino de Jesus sobre a paz e o amor ao próximo.

SUICÍDIO
Não encontramos nenhum ensino direto sobre o suicídio na Bíblia, a não ser o "Não matarás". Existem apenas três casos de suicídio no Antigo Testamento, e o verbo "suicidar" não aparece nenhuma vez na Bíblia. Saul "se lançou sobre a sua espada e morreu [wayyãmãt, de míit1 com ele" (1 Sm 31.5). Aitofel "se enforcou: e morreu [wayyãmãll e foi sepultado na sepultura de seu pai" (2 Sm 17.23). Zinri "queimou sobre si a casa do rei, e morreu [wayyãmot, de m0t1" (1 Rs 16.18). Além desses três breves relatos que mencionam suicídios, há mais um no Novo Testamento, o de Judas Iscariotes (Mt 27.3-5). Não há unanimidade sobre a morte de Sansão, muitos não consideram suicídio .
Os estoicos e epicureus viam o suicídio como saída honrosa da vida. 0 hinduísmo e o budismo aprovam o suicídio, encarando-o como uma "peça das rodas do carma".,Na verdade, é o resultado do fracasso espiritual na maioria dos casos atuais tanto quanto nos casos registrados na Bíblia. O suicídio é autoassassinato, uma vez que a nossa vida não nos pertence. Quem não crê em Deus e perdeu a esperança da vida futura, às vezes, procura na autoaniquilação refúgio para escapar de suas misérias e das intempéries e dos açoites da vida. É, no entanto, inconcebível que um cristão chegue a tal extremo: "É o abandono do posto ao qual Deus nos destinou. É uma recusa deliberada de submeter--nos à sua vontade. É um crime que não admite arrependimento e, consequentemente, envolve a perda da alma" (HODGE, 2001, p. 1294). A vida é um dom de Deus, e ninguém tem o direito de tirá-la (Gn 9.6; Já 33.4). Isso vale para a nossa vida e também para a vida dos outros. Moisés, Elias e lonas pediram a morte, mas Deus não os atendeu (Nm 11.15; 1 Rs 19.4; Jn 4.3). O fim da vida é prerrogativa exclusiva de Deus (SI 31.15; Ec 8.8). Ele sabe a hora em que a vida humana deve cessar e é o soberano de toda a existência e de todo o universo (Dt 32.29; 1 Sm 2.6; 2 Rs 5.7).

PENA DE MORTE
A maior dificuldade do sexto mandamento é a suposta con-tradição entre "Não matarás" e a guerra e a pena capital. Mas o verbo rãtsah nunca é usado em referência a assassinatos em batalha ou autodefesa. O seu emprego uma única vez na execução da pena de morte (Nm 35.30) é uma exceção; segundo Koehler & Baumgartner (vol. II, 2001, p. 1283), tal uso parece ser a causa da maior dificuldade. No entanto, considerando que originalmente a ideia do referido verbo era de vingança de sangue (CHILDS, 1976, p. 420), a exceção do seu uso na pena capital não muda o objetivo do mandamento em tela, que é a preservação da vida e a proibição do assassinato premeditado, ou seja, o homicídio com malícia. A pena de morte é um dos temas mais controvertidos da atualidade, mas ela é bíblica e foi o próprio Deus quem a instituiu logo após o Dilúvio (Gn 9.6). Deus não permitiu que ela fosse executada no caso de Caim (Gn 4.15). A lei de Moisés traz instruções específicas sobre o procedimento jurídico do homicídio doloso, quando há intenção de matar, e do homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O capítulo 35 de Números aborda exclusivamente esse tema.
A pena capital não viola o sexto mandamento porque não se trata de assassinato malicioso e violento de um inimigo pessoal. É uma exigência da justiça para manter o bem-estar e a segurança do povo e preservar a sociedade. Seu objetivo não era restaurar a vida do assassinado ou reparar o prejuízo, pois somente Deus pode dar a vida; era conter o crime. Deus delegou aos governantes a autoridade de dirigir legitimamente o Estado. A execução de uma pena capital é determinada pelo Estado, depois de julgamentos e de todo processo legal, tendo o réu amplos direitos de defesa. A lei de Moisés exige pelo menos duas testemunhas, sem as quais o processo não terá validade legal (Nm 35.30; Dt 17.6). A lei de Moisés traz a lista de crimes e pecados punidos com a morte: assassinato premeditado (Ou 21.12, 13), invocação de mortos (Lv 20.27), sequestro (Ex 21.16), blasfêmia (Lv 24.10-13), falsos profetas (Dt 13.5-10), sacrifício a falsos deuses (Êx 22.20), filhos rebeldes (Dt 21.8-21), ferir e amaldiçoar o pai ou a mãe (Êx 21.15, 17, Lv 20.9), adultério e estupro (Lv 20.10-21; Dt 22.22-24), bestialidade (Êx 22.19; Lv 20.15, 16), homossexualismo (Lv 20.13), incesto (Lv 20. 11, 12, 14) e a profanação do sábado (Êx 31.14, 15; 35.2).
O Novo Testamento reconhece a pena de morte, mas não se trata de um mandamento cristão. O Senhor Jesus se referiu a ela de maneira indireta quando disse que não veio destruir e nem ab-rogar a lei, mas cumpri-la na sua integra (Mt 5.17, 18). Ele também se referiu à lei de maneira direta: "Porque Deus or-denou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, que morra de morte" (Mt 15.4). Esses dados reaparecem na passagem paralela (Mc 7.10). Jesus combinou o sexto mandamento (E), 20.12; Dt 5.16) com a pena estabelecida no sistema mosaico contra seus infratores (Ex 21.17; Lv 20.9), mas não fez nenhuma observação contrária à pena de morte. Em Marcos, Jesus afirma que "Moisés disse" (Mc 7.10); no entanto, aqui o texto declara: "Deus ordenou". É evidente que toda a lei procede de Deus, e Moisés, como mediador entre Deus e Israel, foi o promulgador da lei. O apóstolo Paulo segue a mesma linha de pensamento. Ele reconhece a legitimidade da lei e admite a pena capital na legislação de um país (Rm 13.1-6).
Não há no Novo Testamento revelação contrária. O Espírito Santo permitiu que essa lei permanecesse para proteger a vida de inocentes. Os grupos de direitos humanos devem se preocupar também com os humanos direitos. Eles devem pensar no valor da vida da vítima dos homicidas. A inaplicabilidade da pena capital se deve ao mau uso que as autoridades vêm fazendo desse preceito ao longo dos séculos, desde os tempos bíblicos ( I Rs 21.1-16; Mc 6.16-29; At 7.55-60). O maior exemplo está na morte de Jesus, que prova não haver justiça na terra. Isso é condenável à luz do Novo Testamento.
 Todos reconhecem que a pena de morte é uma lei que fere o espírito de perdão, amor e misericórdia, que formam a essência do cristianismo; no entanto, ela está presente no Novo Testamento. A diferença do Antigo Testamento é que ali a lei prescreve como parte de um sistema legal, e aqui não é mandamento, conselho ou incentivo. O Novo Testamento apenas reconhece que a pena capital existe. É como a bomba atômica: existe mas não é para ser usada. Ela não vai resolver, como nunca resolveu, o problema da violência e da criminalidade, e serve para satisfazer caprichos de ditadores cruéis, muitos deles considerados fora da lei pela comunidade internacional. Em resumo, a pena de morte combate a violência com outra violência. A solução está na mensagem transformadora do Calvário. Jesus deu o exemplo ao absolver a mulher adúltera dessa sentença (Jo 8.1-11).
O presente estudo não busca trazer soluções para questões complexas como a guerra e a pena de morte. O assunto também não se esgota aqui. Essas coisas não se resolvem com um simples discurso baseado em "Não matarás". É uma reflexão sobre a dignidade do indivíduo, como ser humano, e sobretudo por ser a vida um dom de Deus e somente o Criador ter o direito de tirá-la. O direito à vida é natural e inalienável e é parte da responsabilidade do homem, como seu administrador. O verbo rãlsah, na legislação mosaica, tem o sentido de proibir o homicídio premeditado, ou seja, o assassinato violento de um inimigo pessoal.

                               Os dez mandamentos -  Esequias Soares

                              O Sexto Mandamento: A Vida é Um Dom Precioso | A Igreja de Deus Unida

                                    Questões éticas à luz da Bíblia
Daremos, aqui, uma síntese de algumas questões éticas, com algumas respostas indicadas por certas correntes de pensamento.

4.1 O Cristão e a Guerra.
É certo um crente, militar, ir a guerra e, ali, tirar a vida de seus semelhantes, por ordem do governo de seu país? Ou, na guerra do dia-a-dia, um policial crente atirar num bandido que lhe ameaça a vida?

1) O Ativismo diz que sim. Usam o argumento bíblico de que o governo é ordenado por Deus. No VT, Deus usou a guerra para destruir povos ímpios. No Novo Testamento, Jesus manda dar a “César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21); Paulo diz que as autoridades são dadas por Deus e devem ser obedecidas (Rm 13.1-7).

2) O Pacifismo diz que não. Também usam a Bíblia que diz: “não matarás (Êx 20.13). A guerra, dizem, é um assassinato em massa. Jesus mandou amar os inimigos, e não matá-los (Mt 5.44). Jesus mandou Pedro guardar a espada (Mt 26.52).

3) O seletivismo diz que é certo participar de algumas guerras. Resume os argumentos anteriores, usando, também, a Bíblia. Para eles, nem sempre se deve obedecer o governo. Ex. Os três hebreus (Dn 3), Daniel (Dn 6), que não obedeceram ao rei. Os apóstolos desobedeceram a ordem de não pregar (At 4 e 5). Assim, se uma guerra não é justificada, não se deve aceitá-la; entretanto, há guerras justificáveis. Deus mandou destruir nações ímpias (Js 10.40; 20.16,17). Nações más devem ser destruídas por ordem de Deus.

4) O hierarquismo: reconhece que o governo é dado por Deus, mas não está acima de Deus (1 Pe 2.13). Entre “César” e Deus, o cristão fica com Deus. Assim, se a razão maior para a punição de um ditador, de um governante assassino, a guerra é justificável. Ex. O caso de Hitler, que foi combatido na segunda guerra mundial.

4.1 O cristão e a responsabilidade social.
Biblicamente, todo cristão tem responsabilidade social. Caim não cuidou disso. A lei áurea indica isso (Mt 7.12). O Bom Samaritano (Lc 10.30) demonstra essa responsabilidade

4.2 O cristão e o controle da natalidade (o planejamento familiar)
Deus disse: “crescei e multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 1.28). Mas Deus não deu um multiplicador. Logo, ter um filho ou dois já é multiplicação. No VT não ter filhos era constrangedor (1 Sm 20).
Os filhos são galardão do Senhor (Sl 127.3). Para ter filhos, cremos que o casal deve orar muito, para que nasçam debaixo da bênção de Deus. E, para não tê-los, deve orar muito mais, para não contrariar a vontade de Deus. A limitação de filhos por vaidade é pecado, mas por necessidade, como no caso de doença da mãe, que lhe cause risco de vida cremos ser moralmente justificável; mas isso depende da consciência de cada um diante de Deus, pois o que não é de fé é pecado (Rm 14.23)

4.3 O cristão e o aborto
A vida foi criada por Deus (Gn 1.27,28). A vida foi dada por Deus (At 17.26). Por isso, somente Deus pode tirá-la. A concepção de um ser humano é algo “terrível e maravilhoso” (Sl 139.14). Deus escolhe pessoas desde o ventre (Ex. Is 49.1; Jr 1.5; Lc 1.15; 1.31-35). Se uma mãe comete aborto, como fica o plano de Deus? Há abortos que não são pecados: natural, quando por doença, morte do feto; acidental, resultante de fatores como susto, queda, acidente etc; aborto terapêutico: para salvar a vida da mãe. Mas há abortos pecaminosos: por razões egoístas; por estética (pecado), por razões eugênicas (para evitar nascer um filho com defeito); o aborto provocado é um crime, é covardia (a vítima não pode defender-se).

4.4 O cristão e a eutanásia
Eutanásia quer dizer “boa morte”. Refere-se a tirar a vida de um doente terminal, que sofre muito, não tendo mais solução evitando prolongar sua dor, desligando aparelhos, aplicando injeção letal, etc. é certo para o cristão? A Bíblia diz: “não matarás”.
Há quem diga que deixar “morrer misericordiosamente” (Geisler) não é o mesmo que “matar misericordiosamente”. É um dilema para o cristão, pois cremos que sempre há possibilidade de que faça um milagre, mesmo no instante final e, até mesmo ressuscitar um morto. Cremos não é correto tirar a vida de ninguém que está doente, mas deve-se envidar todo esforço na tentativa de sua cura, seja por medicamentos, seja pela oração da fé (Tg 5.15,16).

4.5 O cristão e o suicídio
Há suicídio por si mesmo (egoísta) e o suicídio pelos outros (altruísta). De qualquer forma, é a destruição da vida. Só Deus pode tirá-la, pois só Ele a deu. A pessoa que deve amar a si mesmo como os outros (Mt 22.39; cf. Ef 5.29).
Há quem cite o caso de Sansão (Jz 16.30) como exemplo e suicídio aprovado por Deus. Não vemos assim. Há casos em que uma pessoa morre, sacrificando-se por outra ou por outras. Um bombeiro entra no fogo e salva várias pessoas, mas ele morre; um soldado lança-se sobre uma granada, impedindo que muitos companheiros pereçam. Isso não é suicídio. É sacrifício. JESUS fês um sacrifício por nós, morreu em nosso lugar, levou sobre o castigo que era para nós.

4.6 O cristão e a doação de órgãos humanos
A lei do país diz que, se a pessoa não declarar em documento, seus órgãos podem ser retirados para salvar vidas de pessoas doentes. Como o cristão deve ver isso? Há quem diga que não deve aceitar. Há quem diga que não há problema. O problema é que o cristão crê em milagre. Se um parente sofre acidente, entra em “morte cerebral”, e o enfermeiro tirar seus órgãos, não estará impedindo a possibilidade do milagre? E na ressurreição, como ficam os órgãos?
Entendemos que doar órgão é um ato de amor. E deve ser voluntário. A lei é de certa forma autoritária. Se o cristão doar seus órgãos não peca. Se não quiser doar, também não peca. Na ressurreição, não há problema, pois ressuscitaremos em “corpo glorioso”(Fp 3.21), “corpo espiritual” (1 Co 15.42,43), que não precisará de órgãos “físicos”, ainda que será o corpo sepultado que vai ressuscitar, transformado, em corpo glorioso.

4.7 O cristão e a pena de morte
No Antigo Testamento, a pena de morte era determinada por Deus (Gn 9.6; Êx 21.25; Lv 20.10). No Novo Testamento, vemos Ananias e Safira passando pela pena de morte (At 5.3). Vemos em Rm 13.1-2, que a autoridade tem o direito de trazer “a espada”, mas tudo sob a égide da autoridade dada por Deus e não por leis humanas, que são falhas. A justiça humana é falha. Há os “erros judiciários”, em que um inocente foi morto em lugar do culpado. Há as perseguições políticas, os abusos da autoridade. Assim, cremos que o cristão não deve ser favorável à pena capital, mas à prisão perpétua, em casos de crimes hediondos.

4.8 O cristão e a mentira
Geisler conta o caso do capitão Bucher, que, tendo seu navio atacado por piratas, estes o obrigaram a fazer certas confissões que não eram verdadeiras, sob pena de matar toda a tripulação. O capitão aceitou e a tripulação foi salva. Ele mentiu? Errou? Ou não?
As parteiras hebreias mentiram a Faraó, quando este mandou que elas matassem todo o varão hebreu, e Deus as abençoou por isso (Êx 1.15-21). Elas erraram? Raabe contou uma mentira para salvar os espias de Israel (Js 2.1-6). E Deus a abençoou. Nesse casos, cremos que não houve a mentira no sentido comum, de prejudicar alguém, mas “omissão da verdade” em prol de uma causa maior.
                        
               ÉTICA DO COMPORTAMENTO CRISTÃO
                      - Pr. Elinaldo Renovato de Lima

Êx 20.13 — O sexto, o sétimo, o oitavo e o nono mandamentos foram moldados para construir uma sociedade coesa na antiga Israel. Cada um foi baseado nos valores que Deus pôs sobre os seres humanos (sua vida seus relacionamentos, sua propriedade e sua reputação). Todos esses parâmetros foram reafirmados no Novo Testamento, O sexto mandamento, não matarás, não proibiu todos os tipos de execução. A própria Lei permitia que fosse tirada a vida como punição por alguns crimes (Êx 21.15-17,23), assim como no caso de guerra (Êx 17.8-16). O assassinato intencional de outra pessoa (fora a legítima concessão de pena de morte ou a guerra) violava flagrantemente a santidade da vida. Isso incluía as mortes praticadas por oficiais de estado (leia a história de Nabote em 1 Rs 21).
A primeira execução registrada na Bíblia foi o assassinato de Abel por Caim (Gn 4-8-14). Entretanto, a morte de Jesus, baseada em falsas acusações e julgamento ilegal, foi a mais terrível execução de todos os tempos.
 
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. 
O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais.
 Editora Central Gospel. pag. 166.
 
2. HOMICÍDIO DOLOSO (NM 35.16-21).
 
Homicídio Não Justificado
A expressão «homicídios premeditados» é usada para distinguir tais casos dos homicídios justificáveis. Além disso, esses homicídios premeditados são divididos em homicídios de primeiro grau e homicídios de segundo grau. Os homicídios de primeiro grau incluem casos não somente em que houve malícia, mas também premeditação, com o propósito voluntário e planejamento deliberado de destruir a vida alheia. A condição mental que leva a essa classe de homicídios, geralmente, chama-se «premeditação maliciosa». E, se alguém termina por matar a uma pessoa a quem não queria matar, por causa de alguma vicissitude das circunstâncias, embora o tenha feito com aquela atitude mental, isso é considerado como um homicídio premeditado com «transferência de intenção». Exemplifiquemos a situação com a ilustração de um homem que ataca a outro, o qual é defendido por uma terceira pessoa. Essa terceira pessoa é morta, mas não a vitima tencionada. Isso ainda envolveum  homicídio premeditado de primeiro grau. Esses homicídios de primeiro grau também incluem casos como a morte provocada durante um assalto ou outro crime semelhante. Todos os indivíduos envolvidos em casos de incêndio culposo, furto, estupro e roubo que resultem em mortes, embora estas não tenham sido planejadas, são culpados de homicídio de primeiro grau. Além disso, em alguns países, matar um policial ou outro oficial do governo é considerado, automaticamente, um homicídio de primeiro grau. Homicídio de segundo grau. Esse caso também não é justificável, embora considerado menos culpado que os homicídios de primeiro grau. Por exemplo, os crimes que envolvem paixão, quando um homem mata a um amante ou sedutor de sua esposa. Ou então, os crimes cometidos durante discussões ou brigas, embora não houvesse malicia e premeditação anteriores.
 
Os homicídios não justificáveis podem assumir a forma de um acidente, provocado pelo descuido com que alguém agia, sendo um acidente que poderia ter sido evitado. Um homem que se alcoolize e mate a outrem em um acidente, em resultado de estar embriagado, não pode justificar o seu crime. Porém, casos assim não envolvem homicídio de primeiro ou de segundo grau. Esses casos são rotulados como homicídio culposo. Mas, se uma morte foi causada por puro acidente, então trata-se de homicídio involuntário. Dentro dessa categoria cabem aqueles casos em que, por exemplo, os pais não cuidam apropriadamente de seus filhos, no tocante à saúde e à alimentação, e eles chegam a morrer por causa disso.
 
CHAMPLIN, Russell Norman,
 Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 154.
Como orientação a todos, são dados exemplos para mostrar a diferença entre homicídio culposo e homicídio doloso (assassinato premeditado). O homicídio culposo estava sujeito à cláusula das cidades de refúgio, ao passo que o homicídio doloso estava sujeito a outras leis e era punível com a morte.
A morte causada por instrumentos especificados era, à primeira vista, prova de que o assassinato fora planejado. Eram instrumento de ferro (16), pedra na mão (17) ou instrumento de madeira (18; “instrumento de pau”, ARA) na mão. Quando a premeditação era patente, o vingador poderia matar o homicida (19) imediatamente. A mesma regra se aplicava se a vítima fosse ferida por inimizade (21), ou seja, por qualquer instrumento usado com a intenção de prejudicar outrem e com o propósito de matar.
 
Lauriston J. Du Bois. 
Comentário Bíblico Beacon.
Números. Editora CPAD. pag. 395.
 
Num 35.16-21. São dados vários exemplos definindo o assassinato. Se havia evidências claras de premeditação, o criminoso devia ser condenado por assassinato, e, portanto, exigia-se a sua morte. O tipo de arma usada era prova do intento assassino, como ferramenta de ferro ou ferramenta de pedra ou de madeira com cabo (16-18). Contudo, a arma usada era irrelevante se sabia-se que o assassino odiava antecipadamente a sua vítima; um simples soco que levasse à morte era assassinato, se houvesse evidência de inimizade anterior (21).
 
Gordon J. Wenham. 
Números Introdução e Comentário.
 Editora Vida Nova. pag. 247-248.
 
3. HOMICÍDIO CULPOSO (NM 35.22-25).
Homicídio Justificado.
 
Poderíamos estar justificados por tirar a vida a outrem? A Bíblia e as leis civis, de modo geral, respondem com um «sim». Abaixo damos as formas justificáveis de homicídio:
1. Segundo se vê no Antigo Testamento, a execução religiosa, por causa de crimes morais ou religiosos. E não meramente por causa de crimes civis, ocorreu com frequência. Nos países árabes. por seguirem o Alcorão (vide), até hoje há execuções religiosas ocasionais; mas, nos países ocidentais, esse tipo de execução não é mais considerado justificável.
2. Por motivo de defesa própria.
3. O ato de matar que resulta da tomada da defesa de alguém que esteja correndo perigo ou esteja sendo ameaçado ou assaltado de alguma maneira grave. A pessoa defendida não precisa pertencer à família do defensor.
4. Uma pessoa pode matar a outrem, de modo justificável, a fim de impedir um crime de qualquer tipo, mesmo que tal crime não ameace a vida daquele contra quem isso é feito. Por exemplo, um guarda, em um banco, pode tirar a vida a um assaltante do banco. Ou um homem pode matar a um estuprador em potencial, que ameace executar a sua ação.
5. Execuções determinadas pelo Estado. Os criminosos que tiverem cometido crimes graves, usualmente, quando tiraram a vida de alguém, em muitos países do mundo são, por sua vez, executados com a pena capital.
6. Em tempos de guerra, os soldados não somente são solicitados a matar, mas também são tidos por heróis quando matam a muitos. Audey Murphy, um famoso soldado do exército norte-americano, de certa feita, estando sozinho, matou mais de duzentos soldados alemães, destruiu vários tanques e equipamento pesado, e as pessoas nunca deixaram de admirar-se de seus feitos, não só nessa, mas também em outras ocasiões. Ele era uma máquina de matar, e tornou-se um herói nacional por causa de sua incrível habilidade. Na Bíblia, os trinta heróis guerreiros de Davi ficaram com seus nomes gloriosamente registrados, por haverem morto a muitos homens.
7. Homicídios Acidentais. Temos ai um caso de homicídio desculpável, e não tanto de homicídio justificável, porquanto esses homicídios acidentais resultam da falta de cuidado, de estados de alcoolismo. etc. A lei é que decide quais punições devem ser aplicadas, como breves períodos de encarceramento ou de detenção doméstica. etc.
Acidentes puros e inevitáveis, quando alguém mata, por exemplo, uma criança que passa correndo, atravessando o trajeto de um veiculo, não são castigados segundo a lei. Os homicídios desculpáveis, com frequência, são denominados «homicídios não premeditados», uma classe de matança sem culpa, diante dos quais a justiça não se manifesta senão a fim de inocentar.
 
CHAMPLIN, Russell Norman,
 Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia.
Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 153-154.
 
Entretanto, mesmo naqueles dias se admitia que podia haver homicídio não intencional. Se empurrar (apunhalar) uma pessoa de improviso, sem inimizade, ou contra ela lançar algum instrumento sem desígnio (22), ou sobre ela fizer cair alguma pedra sem o ver e nem procurava o seu mal (23), o assassino estaria sujeito à lei de refúgio. A congregação (24) o julgaria e, se fosse inocente de assassinato premeditado, o livraria da mão do vingador do sangue. Mas o assassino tinha de ficar na cidade de refúgio, para a qual fugiu, até à morte do sumo sacerdote (25).
Esta lei destacava a importância da intenção como ingrediente básico para determinar a natureza do crime. Este princípio é reconhecido na maioria dos países civilizados como fator importante na determinação da culpa ou inocência do suspeito. E também fator principal no conceito bíblico de pecado. E a “transgressão voluntariosa” e não o “deslize involuntário” que Deus julga como pecado.
 
Lauriston J. Du Bois. 
Comentário Bíblico Beacon.
Números. Editora CPAD. pag. 395.
 
Mas se descobrisse que tinha sido um acidente ou engano, e que o golpe tinha sido desferido sem qualquer desígnio contra a vida da pessoa assassinada, ou qualquer outra, então o homicida continuaria a salvo na cidade de refúgio, e o vingador de sangue não poderia agir contra ele, v. 25. Ali ele deveria permanecer, banido da sua própria casa e privado do seu patrimônio, até a morte do sumo sacerdote. E, se em alguma ocasião ele saísse daquela cidade ou dos seus arrabaldes, ele sairia da proteção da lei, e o vingador de sangue, se o encontrasse, poderia matá-lo, w. 26-28. Agora:
 [1] Com a preservação da vida do assassino, Deus deseja nos ensinar que os homens não devem sofrer por aquilo que é sua desgraça e não seu crime, por algo que é um ato da Providência e não o seu próprio ato, pois “Deus o fez encontrar nas suas mãos”, Êxodo 21.13.
 [2] Com a expulsão do assassino da sua própria cidade, e o seu confinamento na cidade de refúgio, onde seria, de certa maneira, um prisioneiro, Deus desejava nos ensinar a alimentar um terror e um horror à culpa do sangue, e a sermos muito cuidadosos com a vida. O Senhor quer que sempre temamos que, por engano ou negligência, a morte de alguém seja ocasionada.
[3] Com a limitação do período de confinamento do criminoso à morte do sumo sacerdote, era atribuída uma honra a este sagrado ofício. O sumo sacerdote devia ser considerado como uma bênção tão grande para o seu país, que por ocasião da sua morte a tristeza do povo deveria sufocar todos os outros ressentimentos. Sendo as cidades de refúgio, todas elas, cidades dos levitas, e o sumo sacerdote sendo o líder daquela tribo e, consequentemente, tendo um domínio peculiar sobre estas cidades, aqueles que nelas estivessem confinados poderiam ser adequadamente considerados seus prisioneiros, e por isto a morte do sumo sacerdote deveria ser a sua libertação.
 
HENRY. Matthew. Comentário 
Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. 
Editora CPAD. pag. 557.
 
 
IV. PUNIÇÃO
1. O SANGUE DE ABEL.

A voz do sangue de teu irmão clama. O perverso coração de Caim se endureceu; mas Deus ouvia o clamar amargo da vítima. As vítimas silentes não estão de fato silentes, exceto para os homens. O solo havia repudiado o ato de Caim. O sangue derramado clamava por vingança. Testemunhas se tinham levantado contra ele. Ele tinha tido todo o cuidado para evitar tal testemunho; mas este não pudera ser abafado.
Sangue. No hebraico temos o plural, “sangues”, o que, para alguns intérpretes, indica que os descendentes de Abel, ou dos justos, continuariam a clamar contra os abusos cometidos pelos pecadores. Assim, o Targum de Onkelos diz: “A voz do sangue das sementes ou gerações que deveriam vir de teu irmão”. Naturalmente, não há registro de que Abel teve filhos. Assim, podemos entender que todas as gerações de seres humanos, dali por diante, haveriam de relembrar aquele horrendo crime. A justiça divina não esquece nenhum ferimento.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 46.
 
Gn 4.10. Costumamos falar de erros que “ clamam” por reparação. O Novo Testamento combina com o Velho Testamento nisto, e desenvolve a metáfora (por ex., Ap 6:9,10; Lc 18:7,8) que, todavia, deve ser vista como metáfora. Em tocante contraste, o sangue de Jesus Cristo clama pela graça (Hb 12:24).
Gn 4.11,12. O impenitente Caim ouve palavras mais severas do que as dirigidas a Adão, para quem a maldição foi indireta, não tendo ele ouvido: “ És... maldito” .

Gênesis. Introdução e Comentário
Editora Vida Nova. pag. 71.
 
Mas Caim não pôde evitar o SENHOR (9). Logo se desenvolveu a cena de julgamento. A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra (10) é vívida expressão idiomática que significa: “Tu podes tentar esquecer teu ato de violência, mas eu não posso. O que quer que aconteça com meus filhos é questão de preocupação pessoal para mim”. O privilégio de cultivar a vida vegetal foi tomado de Caim e ele foi banido para o deserto, a fim de ser fugitivo e errante (12).
George Herbert Livingston, B.D., Ph.D. Comentário Bíblico Beacon. Gênesis. Vol.1. pag. 44.
 
Hb12.24 Os crentes também vêm a Jesus como mediador de uma nova aliança entre Deus e o povo. O único acesso a Deus é por intermédio de Jesus Cristo, que é “o caminho” (Jo 14.6). Este novo concerto ultrapassa em muito o antigo concerto; ninguém que entendesse o novo concerto poderia jamais escolher inteligentemente voltar ao modo antigo. Nós chegamos ao sangue da aspersão, porque somente por meio dele nós podemos receber o gracioso perdão de Deus.
Em contraste com o sangue redentor de Cristo, o sangue de Abel é retratado como pedindo vingança. Abel é mencionado aqui porque o seu sacrifício é o primeiro mencionado na Bíblia e porque este sacrifício forneceu o ímpeto para o sistema sacrificial do antigo concerto. O sangue de Abel pedia vingança; o sangue de Cristo fala “melhor”, chamando todas as pessoas ao arrependimento. A morte de Cristo trouxe paz e esperança. O sangue de Cristo trouxe o fim do antigo concerto e selou o novo.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 641.
 
Aqui nesta passagem, o escritor sagrado fala da superioridade do sangue de Cristo sobre o sangue de Abel, o primeiro mártir da fé. Deus respondeu à “voz do sangue” que clamava por justiça desde a terra, pedindo por justiça (Gn 4.10). Mas no texto em foco, o sangue de Cristo fala melhor do que o sangue de Abel, pois este fala lá do céu e clama por salvação. A morte deste justo não deixa de ser importante, porque seu exemplo de fé tem trazido ao povo eleito e ao cristianismo edificação espiritual de suma importância. Contudo, sua morte não tem o significado que tem a morte de Cristo, o Filho de Deus. O de Abel era, de fato, um sangue justo, mas não podia purificar ninguém. O de Cristo, pelo contrário, por si mesmo, sem nenhum acréscimo, “... nos purifica de todo pecado” (I Jo 1.7).
Severino Pedro Da Silva. Epistola aos Hebreus coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Editora CPAD. pag. 263-264.
 
2. O VINGADOR.

VINGADOR DO SANGUE
Esse termo é aplicado ao parente mais próximo de uma pessoa assassinada (ver II Sam. 14:7,11; Jos. 20:3,5,9; Sal. 8:2), que tinha o direito de vingar o homicídio. As culturas antigas, antes mesmo de Moisés, incorporavam essa provisão. Ver Gên. 9:5. Todos os membros de uma tribo eram considerados como de um só sangue, pelo que um crime de sangue que afetasse a um dos membros envolvia todos os outros membros; e o parente mais próximo tinha a responsabilidade, e não apenas o direito, de vingar o crime. A lei mosaica permitia que o vingador matasse o assassino, mas ninguém mais da família do assassino (ver Deu. 24:16; II Reis 14:6 e II Crô. 25:4). Provisões extraordinárias foram decretadas para o caso de homicídios acidentais, havendo cidades de refúgio e lugares seguros para os homicidas não-intencionais, onde estes eram protegidos do vingador do sangue. Essa provisão reconhecia gradações de culpa, o que está incluído em quase todas as legislações. A vingança pelo sangue derramado persistia durante o reinado de Davi (ver II Sam. 14:7,8; II Crô. 19: 10). De fato, a prática sempre foi generalizada, sem importar se sancionada por lei, ou não. Os ofensores, mesmo quando condenados, usualmente recebiam sentenças leves.
Prática no seio do cristianismo. Muitos cristãos estão certos de que as provisões do Antigo Testamento não somente permitem, mas também exigem a punição capital. Certas leis, em todos os países cristãos, têm sido influenciadas pelas provisões do Antigo Testamento. Porém, outros cristãos não veem qualquer solução na violência, preferindo apelar para a restauração e a aplicação da lei do amor, mesmo no caso dos mais empedernidos criminosos. Ainda outros cristãos tomam uma posição intermediária, dizendo que cada caso precisa ser julgado por seus próprios méritos. Assim, alguns casos são melhor resolvidos por meio da punição capital, mas não outros. Nenhum crente verdadeiro, entretanto, quererá reverter a posição da antiga lei, tomando vingança pessoalmente e ignorando as leis que regulamentam esses crimes. Aqueles que se opõem á punição capital tomam uma posição intermediária, apontando para o caso de Paulo. Sem dúvida ele foi culpado de muitos assassinatos, embora nunca tivesse pessoalmente matado alguém. Mas enviava as pessoas para a morte certa. No entanto, foi perdoado, e sabemos qual foi o resultado disso. Assim também, atualmente. Talvez a melhor solução seja a posição intermediária, que evita ambas as posições extremas. O meio-termo usualmente é o melhor. (ND UN Z)
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 660-661.
 
No AT, se um homem matasse outro, o parente mais próximo do assassinado tinha a obrigação de revidar essa morte, e era chamado de 'Vingador de sangue" (em hebraico go'el haddam). Essa prática talvez possa ser rastreada até Genesis 9.5s., quando, após o Dilúvio, Deus estabeleceu uma lei para a humanidade pela qual aquele que derramasse o sangue de outrem deveria ter seu sangue derramado por outro homem. A Antiguidade nos mostra a permanência dessa regra entre muitas nações e tribos. No decorrer do tempo, não é de se admirar que essa lei de vingança tenha incluído, junto com o assassinato intencional, também a morte acidental, e essa prática tenha sido a fonte de uma contenda feudal absolutamente nociva entre tribos e indivíduos.
A necessidade de interromper essa tradição foi tão intensamente sentida na época mosaica que nos regulamentos do pacto (Êx 20.22-23.33) foi introduzida uma clara distinção entre o assassinato intencional e acidental e foram feitas provisões para a salvaguarda do inocente (Êx 21.12-14) Isso levou à instituição de cidades de refúgio (q.v.; Nm 35.9-34; Js 20.1-9) onde um homem que tivesse acidentalmente matado alguém poderia refugiar-se contra o vingador de sangue e permanecer seguro até que um tribunal declarasse sua culpa ou inocência. No primeiro caso, ele seria entregue às devidas autoridades, mas no segundo exemplo, ele poderia pleitear asilo na cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote encarregado. Então, todo o caso era declarado encerrado, evidentemente um costume jurídico comparável ao término de nosso período estatutário de limitações.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1758-1759.
 
VINGADOR DO SANGUE, remidor
 ( remidor do sangue).
 
O significado do verbo é soltar, libertar, redimir, vindicar; nos casos de homicídio, vindicar o direito da vítima à vida, e libertar a terra da poluição que segue o derramamento de sangue sem justa causa. Neste sentido, vingar não é simplesmente buscar uma vingança mesquinha, mas vindicar a justiça em favor de alguém, reparar um erro exigindo do malfeitor satisfação pela ofensa cometida.
No Antigo Testamento, o goel (redentor, vingador) é aquele — geralmente o parente mais próximo (o que “goel” consequentemente passou a significar) — encarregado de vindicar a justiça, tanto resgatando a propriedade da família, que foi desapropriada ou vendida à força, ou (no caso do go'el had’dam- vingador do sangue) vingando a morte ilegal de um membro da família.
O vingador do sangue é uma figura que aparece na justiça primitiva. De acordo com os costumes antigos, era um direito, ou até uma obrigação do parente mais próximo vingar a morte de alguém da família. Talvez por isso Caim temeu por sua vida depois de matar Abel (Gn 4.14) e Lameque se justificou (Gn 4.23,24). Também é provável que Yahweh tenha sancionado esse tipo de justiça retaliativa na sociedade ainda não institucionalizada do período imediatamente após o dilúvio, quando anunciou o princípio de requerer e retaliar registrado em Gênesis 9.5,6.
 
Por ser a vingança individual de sangue muito comum no Oriente Médio, antes da formação do povo de Israel, é evidente que não foi Moisés quem instituiu o costume. A legislação mosaica, entretanto, o reconhecia e permitia; o Vingador do Sangue era uma figura bem conhecida em Israel, pelo menos até a época de Davi (2Sm 14.7,8).
Deve-se notar, porém, que a legislação mosaica não deixou o costume da vingança individual sem regulamentação. Primeiro, a lei fez uma distinção entre homicídios acidentais e deliberados (Dt 19.4,5; Nm 35.22). Segundo, providenciava um escape da ira do vingador, estabelecendo cidades de refugio, para as quais qualquer homicida podia fugir para escapar da reação imediata e (talvez) equivocada do vingador (Nm 35.9-15). Terceiro, interpunha entre o homicida e o vingador o julgamento legal dos anciãos, representantes reconhecidos da sociedade como um todo (Dt 19.12). Quarto, estipulava que nenhuma pessoa devia ser morta pelo vingador mediante o testemunho de apenas uma pessoa (Nm 35.30). Por estas provisões, o antigo costume da vingança individual de sangue foi, de fato, considerado ilegal: o vingador, assim, tomou-se quase um carrasco público.
 
Deus ordenou a Moisés que estabelecesse seis cidades de refúgio “para que, nelas, se acolha o homicida que matar alguém involuntariamente” (Nm 35.11). Se o homicida fosse apanhado e executado pelo Vingador antes de chegar a uma dessas cidades, a lei nada poderia fazer por ele. Entretanto, uma vez dentro da segurança da cidade de refúgio, o homicida seria julgado pelos anciãos. Se fosse considerado inocente de crime deliberado (assassinato), estaria isento da punição, podendo ficar naquela cidade até a morte do sumo sacerdote (Nm 35.25), quando então podia ir embora em segurança. Se fosse considerado culpado, ser-lhe-ia negado asilo, ficando então à mercê do Vingador.
Sob esta legislação está o princípio geral de que a vida deve ser paga com outra vida. Muitos cristãos acreditam que esta regra representa um princípio legítimo, sendo assim válido para todas as épocas. Consequentemente, acreditam que a pena de morte é um requisito divino perpétuo e inviolável. Outros cristãos acreditam que “vida por vida” não chega a ser um princípio, considerando a pena capital desumana e contrária ao princípio do Evangelho de amor. Outro grupo de cristãos, endossando o princípio da justiça retaliativa, acredita que a pena de morte é permissível, quando efetuada dentro de um processo judicial adequado — embora não seja um mandamento; além disso, dentro das circunstâncias da nossa existência humana, não é desejável. Nenhum cristão hoje apoiaria o antigo Vingador do Sangue.
 
MERRILL C. TENNEY. 
Enciclopédia da Bíblia.
Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 1138-1139.
 
        FONTE: http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao8-odm-1tr15-nao-mataras.htm
                       Esse teste vai desvendar se você daria conta de prender um ...

                          1 João
 (Comentário Bíblico Moody)

B. Em Relação a Nossa Posição Justiça e Amor. 3:4-18.
 Nossa posição exige uma certa prática, e João prossegue enfatizando as características desta prática em duas idéias – justiça e amor. O verso 3 explica-se assim pela expansão e contraste em 3:4-18, e talvez a melhor maneira de seguir o pensamento do escritor é apresentar um quadro destes versículos. Veja ao pé da pág. 106.
4. Comete pecado (E.R.C.). Literalmente, pratica o pecado (E.R.A.). A idéia é de pecar continuamente e tão completamente quanto possível. Porque o pecado é a transgressão da lei. Literalmente, o pecado é a ausência da lei. Os termos são intercambiáveis (por causa do uso do artigo com ambas as palavras). O pecado é ausência de lei e ausência de lei é pecado. Lei está sendo usado aqui em seu conceito mais amplo e inclui a lei natural (Rm. 2:14), a lei mosaica e a lei de Cristo (Rm. 8:2; I Co. 9:21).
6. Permanece ... não vive pecando. Ambas as palavras estão no tempo presente e indicam o caráter habitual da pessoa. A pessoa que permanece em Cristo não é capaz de pecar habitualmente. O pecado pode fazer parte de sua experiência, mas é a exceção e não a regra. Se o pecado é o princípio regente de uma vida, esta pessoa não foi redimida (Rm. 6); assim a pessoa salva não pode pecar como hábito em sua vida. Quando um cristão peca, ele confessa (I Jo. 1:9) e persevera em sua purificação (3:3). O pecador contínuo não conhece a Deus e portanto é uma pessoa não regenerada.
 7. Filhinhos. "A ternura do chamamento destaca-se pelo perigo da situação" (Westcott, pág. 105). Enganar. Literalmente, desvie do caminho. Pratica. Tempo presente; "pratica habitualmente". É justo. Atos de justiça brotam de um caráter justo e são a prova da regeneração. Assim como. Cristo, como sempre, é o exemplo.
8. Pratica. Tempo presente; "aquele que está continuamente cometendo pecado". É o seu hábito de vida, não simplesmente um ato. Procede do diabo. Satanás é a fonte desses desejos de pecado. "Ações habituais são novamente o índice do caráter, e aqui, da fonte" (Wuest, pág. 148,149). Filho de Deus. Esta é a primeira vez que João usa este título na epístola, e ele expressa particularmente dignidade e autoridade. Destruir. Literalmente, desamarrar. Cristo na Sua morte desfez os laços com os quais as obras do diabo se mantinham unidas. Satanás já não pode apresentar uma fronteira sólida em seus ataques contra os cristãos.
9. É nascido. Particípio perfeito – ação passada que resulta em continuidade no presente – "foi nascido e continua nascido" (cons. 2:29; 4:7; 5:1, 4,18). Não vive na prática de pecado ... não pode viver pecando. Tempos presentes, indicando novamente pecado habitual. Semente. O princípio da vida divina concedida ao que é nascido de Deus (Jo. 1:13; II Pe. 1:4). Isto impossibilita o cristão de viver habitualmente no pecado.
10. Nisto volta-se para os versículos precedentes, embora o mesmo ensino seja reiterado na última parte do versículo 10; isto é, "nesta vida de vitória sobre o pecado . . . " Os filhos de Deus ... os filhos do diabo. Este é o único lugar no N.T. onde estas duas frases estão lado a lado (cons. Atos 13:10; Ef. 2:3). Toda a humanidade pertence, ao que parece, a uma destas duas famílias; e até que alguém aceite Cristo, ele é filho do diabo (Ef. 2:3 e aqui). Não ama a seu irmão. "Esta cláusula não é uma simples explicação do que a precede, mas a expressão dela na mais alta forma cristã" (Westcott, pág. 109).
 12. Amor pelo irmão sugere o ódio de um irmão e por isso o exemplo de Caim foi citado. Diz-se que ele pertencia à família do maligno. Assassinou. Originalmente a palavra grega (usada aqui e em Ap. 5:6, 9, 1; 6:4, 9; 13:3, 8; 18:24 apenas) significava "cortar a garganta" e depois, "matar violentamente ". 13. Não vos maravilheis. Literalmente, parem de se maravilhar. Os leitores de João evidentemente não podiam entender por que o mundo os odiaria.
14. Amor significa vida, e ódio significa morte. O teste de ter nascido de novo não é o ódio do mundo contra nós, mas porque amamos os irmãos.
15. Assassino. Isto não deve ser entendido figurativamente, como se fosse um homicida da alma ou do caráter, mas literalmente, por causa do versículo 12. Deus olha para o coração, e o coração que está cheio de ódio é potencialmente capaz de homicídio. Compare com os ensinamentos do Senhor em Mt. 5:21, 22. "Aquele que cai em estado lamentável, cai sob os resultados normais desse estado posto em prática até as conseqüências" (Alford, The Greek Testament, IV, 474). Surgindo a ocasião, a pessoa que habitualmente odeia seu próximo agirá exatamente como Caim. Tal pessoa não está salva.
16. Cons. 2:6. Amor auto-sacrificante é uma exigência para o crente.
17. Não são muitos os chamados para dar a sua vida pelos outros, mas todos podem seguir as instruções deste versículo. João sugere "que há um perigo na auto-indulgência das opiniões sublimes que estão fora do âmbito da experiência comum. Podemos, portanto, experimentarmo-nos através de um teste bem mais despretensioso. A questão geralmente não é morrer por alguém, mas partilhar com ele os meios de vida materiais" (Westcott, pág. 114). Recursos. Posses materiais. Entranhas (E.R.C.). A sede dos afetos; melhor traduzir para coração (E.R.A.).
C. Em Relação as Nossas Orações – Respostas. 3:19-24. O ensinamento precedente poderia naturalmente causar apreensão em algumas mentes. Por isso João apressa-se em acrescentar que o fruto do amor é confiança, e a confiança expressa-se na oração, e a oração confiante recebe resposta.

1) A Resposta Depende da Confiança. 3:19-21.
19. E nisto, isto é, no amor aos irmãos. Asseguraremos (E.R.C.). Literalmente, persuadiremos ou tranqüilizaremos (E.R.A.). Persuadir nossos corações do quê? Que ele não precisa nos condenar. Assim o assegurar é uma tradução interpretativa correta. Perante ele. É na presença de Deus que vem a segurança.
20. Se, isto é, "seja como for", equilibrando todas as comas da última parte do versículo. Nas coisas em que nossos corações nos condenam, Deus é maior ... Ao examinarmos nossa vida de amor fraternal, nossos corações podem ser muito rigorosos ou demasiado lenientes. Mas Deus é maior e conhece todas as coisas; portanto, apelamos a Ele quanto à verdade a nosso respeito, e nos lembramos que Ele é todo compaixão. Isto resulta em julgamento correto e confiança para nossos corações.
 21. Um argumento a fortiori: "Se diante de Deus podemos persuadir a consciência a nos absolver, quando ela nos censura, muito mais segurança temos diante dEle, quando isto não acontece" (Plummer, The Epistles of S. John, pág. 89).
Não nos acusar. Não perfeição sem pecado, mas nenhum pecado não confessado em nossa vida. Confiança. Literalmente, ousadia ou liberdade para falar.

2) A Resposta Depende da Obediência. 3:22-24.
22. Oração respondida está agora condicionada na habitual guarda dos mandamentos e na prática das coisas que lhe agradam. Guardamos e fazemos estão ambos no tempo presente.
23. O mandamento é crer e amar (creiamos ... amemos). A fé é uma obra, como em Jo. 6:29. Creiamos em o nome. Literalmente, creiamos o nome. Significa crer em tudo o que Cristo é, conforme representado por Seu nome. Uma vez que o escritor se dirige a cristãos, é uma exortação a que creiamos nEle com referência a tudo quanto Ele nos dá na vida cristã.
 24. A obediência também resulta em permanência. Permanece (habita). Esta palavra foi traduzida para "permanece" em Jo. 15. Assim, a sentença é uma definição de permanência. Permanecer é guardar os seus mandamentos. E o Espírito Santo dá o testemunho do fato de que Cristo habita em nós.
                                                          (Comentário Bíblico Moody)

NOTAS :

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Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.

1 João 3:15,16

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