TEXTO BÍBLICO
Mateus 5.17-2
17 Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas;
não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 - Porque em
verdade vos digo crus até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se
omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19 - Qualquer, pois, que violar um destes menores
mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus;
aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.
20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e
fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.
21 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás;
mas qualquer que matar será réu de juízo.
22 - Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo,
se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu
irmão de raça será réu do Sinédrio; e
qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno.
TEXTO ÁUREO
Não matarás.
Êxodo 20.13
SUBSÍDIOS PARA
O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Gênesis 9.1-6
Pelo homem o
seu sangue será derramado
3ª feira - 1 Coríntios 15.20-28
O último inimigo a ser aniquilado é a morte
4ª feira - Êxodo 23.1-9
Não matarás o
inocente e o justo
5ª feira - Salmo 139.13-18
Teus olhos viram o meu corpo ainda informe
6ª feira - Romanos 13.8-10
Com efeito: não matarás
Sábado - 1 Samuel 2.6,7
O Senhor é o que tira a vida e a dá
OBJETIVOS
Ao término
do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
• entender que a cessação da vida é uma decisão que
cabe somente a Deus;
• compreender que há várias formas de se quebrar o
sexto mandamento; • concluir que a vida é o bem maior.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
O advento das redes sociais digitais, ferramentas
on-line que possibilitam a interação entre pessoas que têm interesses em comum
por meio do compartilhamento de informações, mudou o comportamento das pessoas
e das empresas. Se a Escola Dominical de sua igreja ainda não possui uma conta
em uma rede social, não perca tempo. Invista nessa ferramenta de comunicação e
promova a sua ED. A especialista em redes sociais, Lisandra Amâncio, dá algumas
dicas para a sua igreja desenvolver um trabalho planejado e bem-sucedido na
rede:
• tenha cuidado na hora de planejar seus posts;
• poste assuntos que edificam;
• divulgue eventos;
• mantenha o interesse em sua página atualizando-a
com regularidade;
• inclua links para blogs, mensagens ou artigos
relacionados ao seu público;
• compartilhe dicas de livros, filmes, músicas e
outros
(Adaptado de: Revista Educação Cristã Hoje, n22.
Central Gospel, 2012, p. 19,23).
COMENTÁRIO
Palavra
introdutória
Não matarás é o sexto
mandamento absoluto da lei de Deus. Ninguém tem o direito de tirar a vida de um
indivíduo de forma ilegítima. Obviamente, esta afirmação coloca em xeque as condições em
que pessoas morrem pela aplicação da pena capital e pela guerra, assuntos que
veremos adiante.
Quem mata uma pessoa toma o
lugar do Altíssimo, pois somente Ele tem o direito de decidir quando a vida de
alguém deve cessar (1 Sm 2.6).
1.
OS CASOS DE ASSASSINATOS NA BÍBLIA
O primeiro é o bem conhecido caso de Caim, que
matou Abel, seu irmão (Gn 4.8-16). Para coibir o assassinato, Deus disse que
quem matasse Caim seria castigado sete vezes (Gn 4.15). Temos também o caso de
Lameque que se vangloriou de ter matado um homem que o ferira e um jovem que o
pisara (Gn 4.23).
Em Gênesis 9.6, o Senhor mostra rigor contra o
assassinato: Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será
derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.
Lemos ainda o caso de Moisés que matou um egípcio
para defender um hebreu (Éx 2.12).
1.1. Resoluções divinas x resoluções humanas
Na história do Antigo Testamento, há ocasiões em
que o próprio Deus manda matar (Éx 32.27). Para os hebreus possuírem a
Terra Prometida, teriam de entrar em guerra contra as nações que ali habitavam.
Eles levaram cinco anos até se apossarem da terra e, mesmo assim, não conseguiram
exterminar totalmente os seus habitantes.
Há urna grande diferença entre as resoluções
divinas e as humanas. Todos os homens estão debaixo do sexto mandamento, Deus
não. Ele é soberano. Está acima de tudo e de todos. Além disso, Deus é o
criador da vida: O SENHOR é o que tira a vida e a dá (1 Sm 2.6a). Muitas vezes,
para defender Seus interesses em relação a Israel, Deus deu ordem para que
matassem, como a tomada da terra de Canaã e o caminho até ela, que estava cheio
de povos hostis (Dt 7.1,2; 1 Sm 15.3).
Isso parece contraditório
quando se coloca o sexto mandamento ao lado dos relatos históricos. Entramos,
assim, no terreno da ética, na sua perspectiva filosófica, para compreender o
conflito de valores. Há conquistas que são feitas somente por meio de guerras
e, nas guerras, há mortes.
Matar aplica-se
a várias modalidades de crimes, como, por exemplo: impor a alguém a privação da
subsistência, pois isto implica a falência da vida; odiar o irmão, conforme as
palavras de João: Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino (1 Jo 3.15 ARA)
etc. O sexto mandamento, portanto, visa, antes de tudo, à proteção e à promoção
da vida.
2.
O ABORTO E OS MOTIVOS DOS QUE O DEFENDEM
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O mundo atual vive um grande
dilema na questão do aborto. Há movimentos que defendem a sua legalização, enquanto
outros são totalmente contra. As justificativas daqueles que defendem o aborto
partem de uma lógica equivocada e perigosa. Estes afirmam que, se o aborto for
legalizado, em vez de fazerem abortos de forma clandestina, sob o risco de
morte e de levarem o feto ao sofrimento, as mulheres passarão pelas mãos de
médicos competentes, que farão isso de forma profissional. Simples assim. Porém
a Bíblia afirma: E não matarás o inocente e o justo (Ex 23.7).
A questão é: como conciliar o
aborto com o sexto mandamento? O feto, seja ele de quanto tempo for, é um ser
humano em desenvolvimento no útero da mãe. Como ser humano, não tem quem lute
por ele para defendê-lo contra a morte, nem da própria mãe.
O feto não é
subumano (SI 139.13-18). O que mais impulsiona pessoas a praticar o aborto é a
irresponsabilidade do pecado. A Palavra de Deus condena toda prática sexual
ilegítima (1 Co 6.18). Como Igreja de Jesus, lutamos contra o pecado. Se
consentirmos com o aborto, negaremos a nossa premissa de fé contra a
sexualidade pecaminosa.
2.1. Controle familiar
Algumas mães não desejam
levar uma gravidez adiante porque um fi-lho a mais atrapalharia seus planos de
controle familiar. Nesse caso, al-gumas contam com a anuência do marido.
2.2. Indicação médica
Há situações em que alguma doença exige que se
tome uma decisão entre salvar a vida da criança ou a da mãe. Isso gera um
conflito difícil de ser resolvido. Há, no entanto, fatores que favorecem a
escolha pela preservação da vida da mãe, principalmente quando ela tem outros
filhos para cuidar. Como pessoas que confiam no poder de Deus, talvez tenhamos
um caminho diferente a tomar (Mc 9.23).Há um caminho sempre presente na vida dos servos de
Deus, que é a oração (Mt 21.22). É nessa hora que se deve pôr em prova a
confiança que temos no Deus a quem servimos (Jo 15.7).
2.3. Indicação jurídica
Quando uma mulher é vítima de
abuso e engravida, ela pode carregar consigo um trauma. Quando entrar em
contato com a realidade que a liga ao desconhecido que abusou dela, isso pode
afetá-la emocionalmente. Este é mais um dos argumentos que os defensores do aborto
apresentam. No entanto, dentro dela, há uma vida que se iniciou, geneticamente,
do mesmo modo que todas as vidas se iniciam
A indicação jurídica que permite
à mulher fazer dignamente o aborto, numa clínica, com auxilio médico, é chamado
de "aborto de honra". No entanto, há casos de mulheres que se
arrependem por terem abortado nessas condições, sofrendo, posteriormente,
distúrbios psicológicos severos.
2.4. Indicação eugênica
Há crianças que, por motivos
genéticos podem nascer com alguma deformidade física. Nesse caso, muitos casais
optam por não dar à luz. Embora não seja algo tão simples quanto alguns pensam,
a leitura que um crente em Jesus faz da vida é diferente (Rm 8.28). Um filho
sempre será amado, ainda que porte alguma deformidade física ou mental
2.5.
Indicação social
Algumas mães pobres alegam não serem capazes
de sus-tentar a criança. Todavia, por pior que seja a situação, há saídas para
esses casos (Mt 6.25). O que essas mães não sabem é que, segundo dados médicos,
a maioria das mães que optam pelo aborto, por não terem condição financeira de
criar o filho, no futuro, apresentam problemas psicológicos complicados
3.
AS GUERRAS E AS MORTES PRODUZIDAS POR ELAS
Não há situação mais grave do que a guerra
para se matar pessoas. Ela está presente na humanidade desde tempos remotos. O povo da velha
aliança se envolveu inúmeras vezes em guerras. O Antigo Testamento está repleto
delas (1 Sm 15.2,3). A morte está longe de ser um ideal, mas, em
algumas situações, ela se torna um mal necessário. Em alguns casos, Deus
mandou que Israel eliminasse povos cuja cultura era deplorável e a índole,
doentia, como os povos que sacrificavam crianças (Lv 18.21; Jr 19.5).
3.1.
O cristão e a guerra
Quando o crente é convocado
para ir à guerra, ele empunhará uma arma e, assim como os outros soldados, terá
de usá-la. Paulo diz que o magistrado não traz a espada debalde (Em 13.4).
Logo, estando sujeito ao governo, pois toda autoridade vem de Deus (Rm 13.1,2),
o crente não tem como escapar dessa incumbência.
4.
A EUTANÁSIA E A FORMA COMO O CRISTÃO A ENXERGA
A eutanásia, do grego
"boa morte", é um procedimento que antecipa a morte de um doente
incurável para evitar maiores sofrimentos. Essa é uma prática antiga e ainda sujeita
a muitas discussões. Há uma responsabilidade médica e jurídica para a sua
prática; normalmente, a pedido da família, quando esta não deseja mais ver o
sofrimento de um ente querido.
Segundo a Bíblia, a morte
nunca é bem-vinda. Ela é chamada de inimiga (1 Co 15.26). A Bíblia valoriza a
vida (Gn 9.6; Jo 10.10). Nós enxergamos a eutanásia como cessação da vida para
dar fim ao sofrimento físico, mas temos a convicção de que o sofrimento não
cessa para quem morre sem Jesus. Assim, cremos que a extensão da vida pode
criar oportunidades ao moribundo de salvar a sua alma.
5.
A EXPLICAÇÃO DE JESUS PARA O SEXTO MANDAMENTO
Em Mateus 5.17-22, Jesus inicia o trecho dizendo
que veio para cumprir a Lei e os profetas. Depois do preâmbulo que se inicia no
versículo 17, Jesus entra no sexto mandamento, mencionando a tradição oral, ou
seja, a versão que os mestres da religião davam a ele. Este não foi o único
mandamento que Jesus interpretou, corrigindo o modo como os mandamentos regularmente
eram explicados (Mt 5.21,22).
Do mesmo
modo como Jesus aprofunda o sétimo mandamento — não adulterarás — dizendo que
não é necessária a consumação de um ato sexual para que se configure adultério,
mas basta cobiçar, assim também o Senhor
amplia o entendimento do sexto mandamento, mostrando que há formas diretas e
indiretas de se praticar o pecado de matar.
5.1.
Outras formas de matar
Em defesa da vida, Jesus
amplia a compreensão do mandamento de não matar (Mt 5.22). Os mestres da
religião torciam a própria Lei, que tanto se ufanavam de guardar (Mt 5.43,44).
Há, evidentemente, uma ressalva
na fala de Jesus: Qualquer que, sem motivo, se encolerizar (Mt 5.22). O Mestre
admite a possibilidade de uma pessoa se encher de fúria contra alguém por ser
provocada a isso. Nesse caso, a Palavra de Deus também oferece um caminho (Ef
4.26,31). Ainda no auge da cólera, a pessoa deve se conter.
5.2. Palavras que ferem
Dentro do mesmo contexto do sexto mandamento, Jesus
adverte sobre o poder que há nas palavras para ferir mortalmente o coração de
alguém (Mt 5.22). O termo roca, cuja tradução
é desconhecida, vem da mesma raiz de cuspir. De qualquer forma, trata-se de
tomar uma atitude de desrespeito em relação a alguém. Pior ainda é chamar
alguém de louco como uma forma de ofender a dignidade dessa pessoa. Isso mexe
profundamente com a autoestima e, por esse motivo, na visão de Jesus, pode se
encaixar perfeitamente em um ato homicida.
5.3.
A importância das relações pessoais para o culto verdadeiro
As relações pessoais devem se manter sempre em
um nível de serenidade, para que o culto a Deus seja aceito (Mt 5.23-26). Nos
versículos subsequentes, Jesus provoca o raciocínio dos Seus ouvintes para que
eles considerem a seriedade do culto que prestam a Deus. O Senhor exige deles
que desobstruam suas almas de qualquer pensamento ruim que afete a vida do
próximo. Ele ainda relaciona o juízo humano, o do Sinédrio, com o juízo de
Deus
CONCLUSÃO
A reflexão sobre o sexto
mandamento traz consigo ainda outros desdobramentos, como a pena capital, o
suicídio, o genocídio e outros. Destacamos os principais nesta lição. No
entanto, devemos ter consciência de que estamos mais próximos de transgredi-lo
do que imaginamos. Nossa omissão em socorrer pessoas que carecem de pão, de
abrigo e de afeto, por exemplo, demonstram não apenas um gesto egoísta da nossa
parte como também certo desprezo pela vida alheia. Lembremo-nos das palavras de
Jesus em Mateus 25.3540.
ATIVIDADES PARA FIXAÇÃO
1. Quem praticou o primeiro homicídio na
história da humanidade?
R. Caim.
O Decálogo — A Ética do Sinai
O SEXTO MANDAMENTO
"Não matarás" (Êx 20:13).
Lemos agora em 1 Pedro 4:15: "Que nenhum de vós padeça como homicida". A norma divina quanto a tirar a vida de outro ser humano não é menos estrita sob a revelação cristã do que o foi sob o judaísmo. Não se pode tolerar o homicídio na dispensação cristã.
OS DEZ MANDAMENTOS - C. H. BROWN
O SEXTO MANDAMENTO
Para um leitor desatento ou menos avisado da Bíblia pode parecer haver uma contradição entre o mandamento "Não matarás" (Êx 20.13; Dt 5.17) e a guerra justa prescrita no capítulo 20 de Deuteronômio ou ainda a pena capital estabelecida na lei de Moisés por diversos tipos de crimes e pecados, tema discutido mais adiante. Ninguém pode afirmar e negar algo ao mesmo tempo. O que acontece é que "Não matarás" se trata de um termo genérico que não expressa com precisão o pensamento do sexto mandamento, pois no hebraico, língua original em que o texto foi produzido, está registrado tirtsãly, literalmente "não assassinarás" ou "não cometerás assassinato". A proibição, portanto, diz respeito ao homicídio premeditado, à violência, ao assassinato de um inimigo pessoal.
O Senhor Jesus Cristo discordou das autoridades religiosas de sua geração, dos escribas e fariseus que restringiam o sexto mandamento ao derramamento de sangue: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de rata será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno" (Mt 5.21, 22). Jesus não está aqui contrapondo o preceito da lei, mas a interpretação rabínica desse preceito, pois ao longo dos anos a tradição havia despido o sexto mandamento de seu real significado. É verdade que o sexto mandamento diz: "Não matarás" (Êx 20.13; Dt 5.17); é também verdade que o homicida será submetido a julgamento (Nm 35.30, 31). Mas a questão é que "Não matarás" não se restringe somente a isso; inclui pensamentos e palavras, ira e insultos. O mais grave é que as autoridades religiosas de Israel nada ensinavam sobre a condenação divina ao homicídio, como se o castigo fosse restrito aos tribunais civis. Jesus trouxe à tona o espírito do sexto mandamento.
Dessa forma, "Não matarás" é ratificado no Novo Testamento pelo Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos (Tg 2.11; 1 Jo 3.15). Jesus citou este mandamento juntamente com aqueles que dizem respeito aos deveres do homem para com seu próximo: "Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 19.18, 19). O apóstolo Paulo elencou esses mandamentos numa ordem e forma levemente modificadas (Rm 13.9).
O verbo hebraico rãtsah,.. "assassinar, matar", cuja ideia é matar com violência e matar de maneira injusta. Aparece aqui, no Decálogo, pela primeira vez (Ex 20.13). Foi encontrado um só cognato nas línguas semíticas, no antigo árabe do norte, que indica "quebrar em pedaço, estilhaçar, golpear. Apesar de sua predominância como termo legal nas 47 ocorrências no Antigo Testamento, e de ser usado na linguagem cotidiana, nenhuma raiz foi encontrada nos códigos de lei do Antigo Oriente Médio.
Há mais oito verbos hebraicos no Antigo Testamento para designar a matança: hãrag,. "destruir, matar, assassinar, ferir, golpear" (Gn 4.8); zãvah,. "sacrificar, abater", que diz respeito ao abate de animal para sacrificio, mas se aplica também ao abate de seres humanos (2 Rs 23.20); tãvah, "abater, trucidar, matar, massacrar", empregado para o abate de animais ou de pessoas numa guerra (Is 34.2, 6; Jr 48.15); mia,. "morrer, matar, mandar executar" (Gn 2.17; 18.25; 1 Rs 17.18); nãchãh, "ferir, golpear, abater, matar (Em 21.12; Nm 22.23; fim 7.17; 17.6.); nqph,. "pôr abaixo, derrubar, cortar gó 19.26); qãtal,. "matar' (jó 13.15; 24.14; SI 139.19); shãhat,. "executar, matar, abater', que aparece 84 vezes no Antigo Testamento, indicando o ato de matar animais (Gn 37.31) e pessoas (Is 57.5; Ez 16.21). No entanto, na maioria das vezes, o termo diz respeito ao abate de animais no ritual de sacrifício (1 Sm 1.25). Parece que os verbos hãrag, mât e qãtal estão no mesmo contexto de rãtsab. Esta é a conclusão apresentada no The Theolo-gical Dictionary of the Old Testament [0 Dicionário Teológico do Antigo Testamento) que apresenta como argumento o paralelismo entre "matar' thãragl a viúva e "tirara vida" [rãtsah] (S194.6) e da mesma forma o paralelismo entre rãtsah e qãtal. "De madrugada levanta o homicida, [riitséah] mata lyiqtãll o pobre e necessitado e de noite é como o ladrão" (Jó 24.14). Apresenta também o uso alternativo de mát, qãtal e rãtsah na instrução jurídica da pena capital (Nm 35.19, 21, 27, 30). Assim, esses três verbos parecem indicar o assassinato no sentido vasto, sem detalhes adicionais sobre a maneira de praticar o homicídio. Com isso, o referido dicionário conclui:
Estes sinônimos têm ajudado a definir o significado de rãtsah e como assassinato culpável pelo uso da força. A natureza do ato é deixada completamente indefinida. Negativamente, é digno de nota que rãtsah nunca é usado para assassinato em batalha nem em autodefesa. Nunca é usado para suicídio. Afirma-se frequentemente que também não é empregado para a execução da pena de morte; no entanto, é contraditado por Nm 35.30, em que a raiz denota que a execução de um assassino pelo vingador do sangue é devidamente autorizada (BOTTERWECK, RINGGREN, FABRY, vol. XIII, 2004, p. 632).
Cada ponto apresentado aqui será analisado juntamente com outros temas pertinentes ao sexto mandamento. Não há necessidade de discutir sobre o aborto e a eutanásia porque "Não matarás" inclui de maneira direta a proibição dos referidos crimes. Isso é visto em toda a Bíblia com clareza meridiana. A polêmica existe para quem procura desafiar o sexto mandamento, principalmente por quem adota um estilo de vida contrário à vontade de Deus.
GUERRA
A guerra é "o recurso das nações para tratar de resolver diferenças pela força das armas. As guerras sempre são produtos da pecaminosidade humana, seja por instigação imediata ou causa indireta" (TAYLOR, 1995, p. 318). A guerra é algo indescritível. Não existe desastre humanitário maior do que a guerra, pois envolve destruição de vidas humanas, culpados e inocentes, homens e mulheres de todas as idades, propriedades rurais e urbanas, cidades e nações. Os horrores são indescritíveis. O Senhor Jesus predisse guerras e rumores de guerra (Mt 24.4-8). As nações vivem a expectativa de um holocausto nuclear.
Os antigos encaravam a guerra como algo sagrado. Era usual oferecer sacrificios antes da partida das tropas militares para a batalha a fim de invocar às divindades proteção e vitória (1 Sm 13.8-12; Is 13.3; Jr 51.27; Sf 1.7). A lei prescreve normas para a guerra no capitulo 20 de Deuteronômio. Mas a legitimidade da guerra depende de sua motivação. Deus permitiu e até ordenou a guerra por diversas vezes no período do Antigo Testamento (Jz 20.27, 28; 1 Sm 14.37; 23.2-4; 1 Rs 22.6-12). Mas hoje existem grupos ativistas que são favoráveis a ela; grupos pacifistas que são contrários, e os seletivistas, que são favoráveis em caso de guerra justa.
A guerra é em si mesma incompatível com o espírito do cristianismo. É verdade que estamos na dispensação da graça e que o cristianismo é pacifista (Mt 5.9). No entanto, até que todos se convertam ao evangelho, é necessária a manutenção da ordem pública e da segurança nacional. As forças armadas e as polícias civil e militar ou qualquer corporação afim não são figuras decorativas. Essas instituições existem para manter a ordem pública e defender o país de agressões externas. Todo mundo tem o direito de defender o que é seu e, nesse caso, o cristão não está pecando.
Isso vale também para defesa pessoal: "Se um ladrão for achado arrombando uma casa e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue" (Êx 22.2, ARA). Não se trata, pois, de um assassinato premeditado, mas de legítima defesa.
O tema não aparece no Novo Testamento. O Senhor Jesus nada disse na parábola sobre o planejamento quando menciona o rei que faz guerra a outra nação (Lc 14.31, 32). De igual modo, não recomendou que o centurião de Cafarnaum renunciasse a seu posto militar; antes, elogiou a analogia da fé com estrutura militar (Mt 8.8-13). Visto que não houve nova revelação sobre a guerra, isso significa que permanece o que está no Antigo Testamento.
Martinho Lutero entendia que o Sermão do Monte acompanhava a orientação de Cristo "Dai a César o que é de César", separando aí Igreja e Estado, o que é de ordem pessoal e o que é de ordem jurídica. E, ainda segundo Lutero, o ensino "Amai a vossos inimigos" (Mt 5.44) não se aplica ao Estado a fim de evitar a anarquia. Isso não viola o ensino de Jesus sobre a paz e o amor ao próximo.
SUICÍDIO
Não encontramos nenhum ensino direto sobre o suicídio na Bíblia, a não ser o "Não matarás". Existem apenas três casos de suicídio no Antigo Testamento, e o verbo "suicidar" não aparece nenhuma vez na Bíblia. Saul "se lançou sobre a sua espada e morreu [wayyãmãt, de míit1 com ele" (1 Sm 31.5). Aitofel "se enforcou: e morreu [wayyãmãll e foi sepultado na sepultura de seu pai" (2 Sm 17.23). Zinri "queimou sobre si a casa do rei, e morreu [wayyãmot, de m0t1" (1 Rs 16.18). Além desses três breves relatos que mencionam suicídios, há mais um no Novo Testamento, o de Judas Iscariotes (Mt 27.3-5). Não há unanimidade sobre a morte de Sansão, muitos não consideram suicídio .
Os estoicos e epicureus viam o suicídio como saída honrosa da vida. 0 hinduísmo e o budismo aprovam o suicídio, encarando-o como uma "peça das rodas do carma".,Na verdade, é o resultado do fracasso espiritual na maioria dos casos atuais tanto quanto nos casos registrados na Bíblia. O suicídio é autoassassinato, uma vez que a nossa vida não nos pertence. Quem não crê em Deus e perdeu a esperança da vida futura, às vezes, procura na autoaniquilação refúgio para escapar de suas misérias e das intempéries e dos açoites da vida. É, no entanto, inconcebível que um cristão chegue a tal extremo: "É o abandono do posto ao qual Deus nos destinou. É uma recusa deliberada de submeter--nos à sua vontade. É um crime que não admite arrependimento e, consequentemente, envolve a perda da alma" (HODGE, 2001, p. 1294). A vida é um dom de Deus, e ninguém tem o direito de tirá-la (Gn 9.6; Já 33.4). Isso vale para a nossa vida e também para a vida dos outros. Moisés, Elias e lonas pediram a morte, mas Deus não os atendeu (Nm 11.15; 1 Rs 19.4; Jn 4.3). O fim da vida é prerrogativa exclusiva de Deus (SI 31.15; Ec 8.8). Ele sabe a hora em que a vida humana deve cessar e é o soberano de toda a existência e de todo o universo (Dt 32.29; 1 Sm 2.6; 2 Rs 5.7).
PENA DE MORTE
A maior dificuldade do sexto mandamento é a suposta con-tradição entre "Não matarás" e a guerra e a pena capital. Mas o verbo rãtsah nunca é usado em referência a assassinatos em batalha ou autodefesa. O seu emprego uma única vez na execução da pena de morte (Nm 35.30) é uma exceção; segundo Koehler & Baumgartner (vol. II, 2001, p. 1283), tal uso parece ser a causa da maior dificuldade. No entanto, considerando que originalmente a ideia do referido verbo era de vingança de sangue (CHILDS, 1976, p. 420), a exceção do seu uso na pena capital não muda o objetivo do mandamento em tela, que é a preservação da vida e a proibição do assassinato premeditado, ou seja, o homicídio com malícia. A pena de morte é um dos temas mais controvertidos da atualidade, mas ela é bíblica e foi o próprio Deus quem a instituiu logo após o Dilúvio (Gn 9.6). Deus não permitiu que ela fosse executada no caso de Caim (Gn 4.15). A lei de Moisés traz instruções específicas sobre o procedimento jurídico do homicídio doloso, quando há intenção de matar, e do homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O capítulo 35 de Números aborda exclusivamente esse tema.
A pena capital não viola o sexto mandamento porque não se trata de assassinato malicioso e violento de um inimigo pessoal. É uma exigência da justiça para manter o bem-estar e a segurança do povo e preservar a sociedade. Seu objetivo não era restaurar a vida do assassinado ou reparar o prejuízo, pois somente Deus pode dar a vida; era conter o crime. Deus delegou aos governantes a autoridade de dirigir legitimamente o Estado. A execução de uma pena capital é determinada pelo Estado, depois de julgamentos e de todo processo legal, tendo o réu amplos direitos de defesa. A lei de Moisés exige pelo menos duas testemunhas, sem as quais o processo não terá validade legal (Nm 35.30; Dt 17.6). A lei de Moisés traz a lista de crimes e pecados punidos com a morte: assassinato premeditado (Ou 21.12, 13), invocação de mortos (Lv 20.27), sequestro (Ex 21.16), blasfêmia (Lv 24.10-13), falsos profetas (Dt 13.5-10), sacrifício a falsos deuses (Êx 22.20), filhos rebeldes (Dt 21.8-21), ferir e amaldiçoar o pai ou a mãe (Êx 21.15, 17, Lv 20.9), adultério e estupro (Lv 20.10-21; Dt 22.22-24), bestialidade (Êx 22.19; Lv 20.15, 16), homossexualismo (Lv 20.13), incesto (Lv 20. 11, 12, 14) e a profanação do sábado (Êx 31.14, 15; 35.2).
O Novo Testamento reconhece a pena de morte, mas não se trata de um mandamento cristão. O Senhor Jesus se referiu a ela de maneira indireta quando disse que não veio destruir e nem ab-rogar a lei, mas cumpri-la na sua integra (Mt 5.17, 18). Ele também se referiu à lei de maneira direta: "Porque Deus or-denou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, que morra de morte" (Mt 15.4). Esses dados reaparecem na passagem paralela (Mc 7.10). Jesus combinou o sexto mandamento (E), 20.12; Dt 5.16) com a pena estabelecida no sistema mosaico contra seus infratores (Ex 21.17; Lv 20.9), mas não fez nenhuma observação contrária à pena de morte. Em Marcos, Jesus afirma que "Moisés disse" (Mc 7.10); no entanto, aqui o texto declara: "Deus ordenou". É evidente que toda a lei procede de Deus, e Moisés, como mediador entre Deus e Israel, foi o promulgador da lei. O apóstolo Paulo segue a mesma linha de pensamento. Ele reconhece a legitimidade da lei e admite a pena capital na legislação de um país (Rm 13.1-6).
Não há no Novo Testamento revelação contrária. O Espírito Santo permitiu que essa lei permanecesse para proteger a vida de inocentes. Os grupos de direitos humanos devem se preocupar também com os humanos direitos. Eles devem pensar no valor da vida da vítima dos homicidas. A inaplicabilidade da pena capital se deve ao mau uso que as autoridades vêm fazendo desse preceito ao longo dos séculos, desde os tempos bíblicos ( I Rs 21.1-16; Mc 6.16-29; At 7.55-60). O maior exemplo está na morte de Jesus, que prova não haver justiça na terra. Isso é condenável à luz do Novo Testamento.
Todos reconhecem que a pena de morte é uma lei que fere o espírito de perdão, amor e misericórdia, que formam a essência do cristianismo; no entanto, ela está presente no Novo Testamento. A diferença do Antigo Testamento é que ali a lei prescreve como parte de um sistema legal, e aqui não é mandamento, conselho ou incentivo. O Novo Testamento apenas reconhece que a pena capital existe. É como a bomba atômica: existe mas não é para ser usada. Ela não vai resolver, como nunca resolveu, o problema da violência e da criminalidade, e serve para satisfazer caprichos de ditadores cruéis, muitos deles considerados fora da lei pela comunidade internacional. Em resumo, a pena de morte combate a violência com outra violência. A solução está na mensagem transformadora do Calvário. Jesus deu o exemplo ao absolver a mulher adúltera dessa sentença (Jo 8.1-11).
O presente estudo não busca trazer soluções para questões complexas como a guerra e a pena de morte. O assunto também não se esgota aqui. Essas coisas não se resolvem com um simples discurso baseado em "Não matarás". É uma reflexão sobre a dignidade do indivíduo, como ser humano, e sobretudo por ser a vida um dom de Deus e somente o Criador ter o direito de tirá-la. O direito à vida é natural e inalienável e é parte da responsabilidade do homem, como seu administrador. O verbo rãlsah, na legislação mosaica, tem o sentido de proibir o homicídio premeditado, ou seja, o assassinato violento de um inimigo pessoal.
Os dez mandamentos - Esequias Soares

Questões éticas à luz
da Bíblia
Daremos,
aqui, uma síntese de algumas questões éticas, com algumas respostas indicadas
por certas correntes de pensamento.
4.1 O
Cristão e a Guerra.
É certo
um crente, militar, ir a guerra e, ali, tirar a vida de seus semelhantes, por
ordem do governo de seu país? Ou, na guerra do dia-a-dia, um policial crente
atirar num bandido que lhe ameaça a vida?
1) O
Ativismo diz que sim. Usam o argumento bíblico de que o governo é
ordenado por Deus. No VT, Deus usou a guerra para destruir povos ímpios. No
Novo Testamento, Jesus manda dar a “César o que é de César, e a Deus o que é de
Deus” (Mt 22.21); Paulo diz que as autoridades são dadas por Deus e devem ser obedecidas
(Rm 13.1-7).
2) O
Pacifismo diz que não. Também usam a Bíblia que diz: “não matarás (Êx
20.13). A guerra, dizem, é um assassinato em massa. Jesus mandou amar os
inimigos, e não matá-los (Mt 5.44). Jesus mandou Pedro guardar a espada (Mt
26.52).
3) O
seletivismo diz que é certo participar de algumas guerras. Resume os
argumentos anteriores, usando, também, a Bíblia. Para eles, nem sempre se deve
obedecer o governo. Ex. Os três hebreus (Dn 3), Daniel (Dn 6), que não
obedeceram ao rei. Os apóstolos desobedeceram a ordem de não pregar (At 4 e 5).
Assim, se uma guerra não é justificada, não se deve aceitá-la; entretanto, há
guerras justificáveis. Deus mandou destruir nações ímpias (Js 10.40; 20.16,17).
Nações más devem ser destruídas por ordem de Deus.
4) O
hierarquismo: reconhece que o governo é dado por Deus, mas não está acima
de Deus (1 Pe 2.13). Entre “César” e Deus, o cristão fica com Deus. Assim, se a
razão maior para a punição de um ditador, de um governante assassino, a guerra
é justificável. Ex. O caso de Hitler, que foi combatido na segunda guerra
mundial.
4.1 O
cristão e a responsabilidade social.
Biblicamente,
todo cristão tem responsabilidade social. Caim não cuidou disso. A lei áurea
indica isso (Mt 7.12). O Bom Samaritano (Lc 10.30) demonstra essa
responsabilidade
4.2 O
cristão e o controle da natalidade (o planejamento familiar)
Deus
disse: “crescei e multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 1.28). Mas Deus não deu
um multiplicador. Logo, ter um filho ou dois já é multiplicação. No VT não ter
filhos era constrangedor (1 Sm 20).
Os filhos
são galardão do Senhor (Sl 127.3). Para ter filhos, cremos que o casal deve
orar muito, para que nasçam debaixo da bênção de Deus. E, para não tê-los, deve
orar muito mais, para não contrariar a vontade de Deus. A limitação de filhos
por vaidade é pecado, mas por necessidade, como no caso de doença da mãe, que
lhe cause risco de vida cremos ser moralmente justificável; mas isso depende da
consciência de cada um diante de Deus, pois o que não é de fé é pecado (Rm
14.23)
4.3 O
cristão e o aborto
A vida
foi criada por Deus (Gn 1.27,28). A vida foi dada por Deus (At 17.26). Por
isso, somente Deus pode tirá-la. A concepção de um ser humano é algo “terrível
e maravilhoso” (Sl 139.14). Deus escolhe pessoas desde o ventre (Ex. Is 49.1;
Jr 1.5; Lc 1.15; 1.31-35). Se uma mãe comete aborto, como fica o plano de Deus?
Há abortos que não são pecados: natural, quando por doença, morte do feto;
acidental, resultante de fatores como susto, queda, acidente etc; aborto
terapêutico: para salvar a vida da mãe. Mas há abortos pecaminosos: por razões
egoístas; por estética (pecado), por razões eugênicas (para evitar nascer um
filho com defeito); o aborto provocado é um crime, é covardia (a vítima não
pode defender-se).
4.4 O
cristão e a eutanásia
Eutanásia
quer dizer “boa morte”. Refere-se a tirar a vida de um doente terminal, que
sofre muito, não tendo mais solução evitando prolongar sua dor, desligando
aparelhos, aplicando injeção letal, etc. é certo para o cristão? A Bíblia diz:
“não matarás”.
Há quem
diga que deixar “morrer misericordiosamente” (Geisler) não é o mesmo que “matar
misericordiosamente”. É um dilema para o cristão, pois cremos que sempre há
possibilidade de que faça um milagre, mesmo no instante final e, até mesmo
ressuscitar um morto. Cremos não é correto tirar a vida de ninguém que está
doente, mas deve-se envidar todo esforço na tentativa de sua cura, seja por
medicamentos, seja pela oração da fé (Tg 5.15,16).
4.5 O
cristão e o suicídio
Há
suicídio por si mesmo (egoísta) e o suicídio pelos outros (altruísta). De
qualquer forma, é a destruição da vida. Só Deus pode tirá-la, pois só Ele a
deu. A pessoa que deve amar a si mesmo como os outros (Mt 22.39; cf. Ef 5.29).
Há quem
cite o caso de Sansão (Jz 16.30) como exemplo e suicídio aprovado por Deus. Não
vemos assim. Há casos em que uma pessoa morre, sacrificando-se por outra ou por
outras. Um bombeiro entra no fogo e salva várias pessoas, mas ele morre; um
soldado lança-se sobre uma granada, impedindo que muitos companheiros pereçam.
Isso não é suicídio. É sacrifício. JESUS fês um sacrifício por nós, morreu em
nosso lugar, levou sobre o castigo que era para nós.
4.6 O
cristão e a doação de órgãos humanos
A lei do
país diz que, se a pessoa não declarar em documento, seus órgãos podem ser
retirados para salvar vidas de pessoas doentes. Como o cristão deve ver isso?
Há quem diga que não deve aceitar. Há quem diga que não há problema. O problema
é que o cristão crê em milagre. Se um parente sofre acidente, entra em “morte
cerebral”, e o enfermeiro tirar seus órgãos, não estará impedindo a
possibilidade do milagre? E na ressurreição, como ficam os órgãos?
Entendemos
que doar órgão é um ato de amor. E deve ser voluntário. A lei é de certa forma
autoritária. Se o cristão doar seus órgãos não peca. Se não quiser doar, também
não peca. Na ressurreição, não há problema, pois ressuscitaremos em “corpo
glorioso”(Fp 3.21), “corpo espiritual” (1 Co 15.42,43), que não precisará de
órgãos “físicos”, ainda que será o corpo sepultado que vai ressuscitar,
transformado, em corpo glorioso.
4.7 O
cristão e a pena de morte
No Antigo
Testamento, a pena de morte era determinada por Deus (Gn 9.6; Êx 21.25; Lv
20.10). No Novo Testamento, vemos Ananias e Safira passando pela pena de morte
(At 5.3). Vemos em Rm 13.1-2, que a autoridade tem o direito de trazer “a
espada”, mas tudo sob a égide da autoridade dada por Deus e não por leis
humanas, que são falhas. A justiça humana é falha. Há os “erros judiciários”,
em que um inocente foi morto em lugar do culpado. Há as perseguições políticas,
os abusos da autoridade. Assim, cremos que o cristão não deve ser favorável à
pena capital, mas à prisão perpétua, em casos de crimes hediondos.
4.8 O
cristão e a mentira
Geisler
conta o caso do capitão Bucher, que, tendo seu navio atacado por piratas, estes
o obrigaram a fazer certas confissões que não eram verdadeiras, sob pena de
matar toda a tripulação. O capitão aceitou e a tripulação foi salva. Ele
mentiu? Errou? Ou não?
As
parteiras hebreias mentiram a Faraó, quando este mandou que elas matassem todo
o varão hebreu, e Deus as abençoou por isso (Êx 1.15-21). Elas erraram? Raabe
contou uma mentira para salvar os espias de Israel (Js 2.1-6). E Deus a
abençoou. Nesse casos, cremos que não houve a mentira no sentido comum, de
prejudicar alguém, mas “omissão da verdade” em prol de uma causa maior.
ÉTICA
DO COMPORTAMENTO CRISTÃO
- Pr. Elinaldo Renovato de Lima
A voz do sangue de teu irmão clama. O perverso coração de Caim se endureceu; mas Deus ouvia o clamar amargo da vítima. As vítimas silentes não estão de fato silentes, exceto para os homens. O solo havia repudiado o ato de Caim. O sangue derramado clamava por vingança. Testemunhas se tinham levantado contra ele. Ele tinha tido todo o cuidado para evitar tal testemunho; mas este não pudera ser abafado.
Gênesis. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 71.
VINGADOR DO SANGUE

1 João
(Comentário Bíblico Moody)
B. Em Relação a Nossa Posição Justiça e Amor. 3:4-18.
Nossa posição exige uma certa prática, e João prossegue enfatizando as características desta prática em duas idéias – justiça e amor. O verso 3 explica-se assim pela expansão e contraste em 3:4-18, e talvez a melhor maneira de seguir o pensamento do escritor é apresentar um quadro destes versículos. Veja ao pé da pág. 106.
4. Comete pecado (E.R.C.). Literalmente, pratica o pecado (E.R.A.). A idéia é de pecar continuamente e tão completamente quanto possível. Porque o pecado é a transgressão da lei. Literalmente, o pecado é a ausência da lei. Os termos são intercambiáveis (por causa do uso do artigo com ambas as palavras). O pecado é ausência de lei e ausência de lei é pecado. Lei está sendo usado aqui em seu conceito mais amplo e inclui a lei natural (Rm. 2:14), a lei mosaica e a lei de Cristo (Rm. 8:2; I Co. 9:21).
6. Permanece ... não vive pecando. Ambas as palavras estão no tempo presente e indicam o caráter habitual da pessoa. A pessoa que permanece em Cristo não é capaz de pecar habitualmente. O pecado pode fazer parte de sua experiência, mas é a exceção e não a regra. Se o pecado é o princípio regente de uma vida, esta pessoa não foi redimida (Rm. 6); assim a pessoa salva não pode pecar como hábito em sua vida. Quando um cristão peca, ele confessa (I Jo. 1:9) e persevera em sua purificação (3:3). O pecador contínuo não conhece a Deus e portanto é uma pessoa não regenerada.
7. Filhinhos. "A ternura do chamamento destaca-se pelo perigo da situação" (Westcott, pág. 105). Enganar. Literalmente, desvie do caminho. Pratica. Tempo presente; "pratica habitualmente". É justo. Atos de justiça brotam de um caráter justo e são a prova da regeneração. Assim como. Cristo, como sempre, é o exemplo.
8. Pratica. Tempo presente; "aquele que está continuamente cometendo pecado". É o seu hábito de vida, não simplesmente um ato. Procede do diabo. Satanás é a fonte desses desejos de pecado. "Ações habituais são novamente o índice do caráter, e aqui, da fonte" (Wuest, pág. 148,149). Filho de Deus. Esta é a primeira vez que João usa este título na epístola, e ele expressa particularmente dignidade e autoridade. Destruir. Literalmente, desamarrar. Cristo na Sua morte desfez os laços com os quais as obras do diabo se mantinham unidas. Satanás já não pode apresentar uma fronteira sólida em seus ataques contra os cristãos.
9. É nascido. Particípio perfeito – ação passada que resulta em continuidade no presente – "foi nascido e continua nascido" (cons. 2:29; 4:7; 5:1, 4,18). Não vive na prática de pecado ... não pode viver pecando. Tempos presentes, indicando novamente pecado habitual. Semente. O princípio da vida divina concedida ao que é nascido de Deus (Jo. 1:13; II Pe. 1:4). Isto impossibilita o cristão de viver habitualmente no pecado.
10. Nisto volta-se para os versículos precedentes, embora o mesmo ensino seja reiterado na última parte do versículo 10; isto é, "nesta vida de vitória sobre o pecado . . . " Os filhos de Deus ... os filhos do diabo. Este é o único lugar no N.T. onde estas duas frases estão lado a lado (cons. Atos 13:10; Ef. 2:3). Toda a humanidade pertence, ao que parece, a uma destas duas famílias; e até que alguém aceite Cristo, ele é filho do diabo (Ef. 2:3 e aqui). Não ama a seu irmão. "Esta cláusula não é uma simples explicação do que a precede, mas a expressão dela na mais alta forma cristã" (Westcott, pág. 109).
12. Amor pelo irmão sugere o ódio de um irmão e por isso o exemplo de Caim foi citado. Diz-se que ele pertencia à família do maligno. Assassinou. Originalmente a palavra grega (usada aqui e em Ap. 5:6, 9, 1; 6:4, 9; 13:3, 8; 18:24 apenas) significava "cortar a garganta" e depois, "matar violentamente ". 13. Não vos maravilheis. Literalmente, parem de se maravilhar. Os leitores de João evidentemente não podiam entender por que o mundo os odiaria.
14. Amor significa vida, e ódio significa morte. O teste de ter nascido de novo não é o ódio do mundo contra nós, mas porque amamos os irmãos.
15. Assassino. Isto não deve ser entendido figurativamente, como se fosse um homicida da alma ou do caráter, mas literalmente, por causa do versículo 12. Deus olha para o coração, e o coração que está cheio de ódio é potencialmente capaz de homicídio. Compare com os ensinamentos do Senhor em Mt. 5:21, 22. "Aquele que cai em estado lamentável, cai sob os resultados normais desse estado posto em prática até as conseqüências" (Alford, The Greek Testament, IV, 474). Surgindo a ocasião, a pessoa que habitualmente odeia seu próximo agirá exatamente como Caim. Tal pessoa não está salva.
16. Cons. 2:6. Amor auto-sacrificante é uma exigência para o crente.
17. Não são muitos os chamados para dar a sua vida pelos outros, mas todos podem seguir as instruções deste versículo. João sugere "que há um perigo na auto-indulgência das opiniões sublimes que estão fora do âmbito da experiência comum. Podemos, portanto, experimentarmo-nos através de um teste bem mais despretensioso. A questão geralmente não é morrer por alguém, mas partilhar com ele os meios de vida materiais" (Westcott, pág. 114). Recursos. Posses materiais. Entranhas (E.R.C.). A sede dos afetos; melhor traduzir para coração (E.R.A.).
C. Em Relação as Nossas Orações – Respostas. 3:19-24. O ensinamento precedente poderia naturalmente causar apreensão em algumas mentes. Por isso João apressa-se em acrescentar que o fruto do amor é confiança, e a confiança expressa-se na oração, e a oração confiante recebe resposta.
1) A Resposta Depende da Confiança. 3:19-21.
19. E nisto, isto é, no amor aos irmãos. Asseguraremos (E.R.C.). Literalmente, persuadiremos ou tranqüilizaremos (E.R.A.). Persuadir nossos corações do quê? Que ele não precisa nos condenar. Assim o assegurar é uma tradução interpretativa correta. Perante ele. É na presença de Deus que vem a segurança.
20. Se, isto é, "seja como for", equilibrando todas as comas da última parte do versículo. Nas coisas em que nossos corações nos condenam, Deus é maior ... Ao examinarmos nossa vida de amor fraternal, nossos corações podem ser muito rigorosos ou demasiado lenientes. Mas Deus é maior e conhece todas as coisas; portanto, apelamos a Ele quanto à verdade a nosso respeito, e nos lembramos que Ele é todo compaixão. Isto resulta em julgamento correto e confiança para nossos corações.
21. Um argumento a fortiori: "Se diante de Deus podemos persuadir a consciência a nos absolver, quando ela nos censura, muito mais segurança temos diante dEle, quando isto não acontece" (Plummer, The Epistles of S. John, pág. 89).
Não nos acusar. Não perfeição sem pecado, mas nenhum pecado não confessado em nossa vida. Confiança. Literalmente, ousadia ou liberdade para falar.
2) A Resposta Depende da Obediência. 3:22-24.
22. Oração respondida está agora condicionada na habitual guarda dos mandamentos e na prática das coisas que lhe agradam. Guardamos e fazemos estão ambos no tempo presente.
23. O mandamento é crer e amar (creiamos ... amemos). A fé é uma obra, como em Jo. 6:29. Creiamos em o nome. Literalmente, creiamos o nome. Significa crer em tudo o que Cristo é, conforme representado por Seu nome. Uma vez que o escritor se dirige a cristãos, é uma exortação a que creiamos nEle com referência a tudo quanto Ele nos dá na vida cristã.
24. A obediência também resulta em permanência. Permanece (habita). Esta palavra foi traduzida para "permanece" em Jo. 15. Assim, a sentença é uma definição de permanência. Permanecer é guardar os seus mandamentos. E o Espírito Santo dá o testemunho do fato de que Cristo habita em nós.
NOTAS :
https://www.facebook.com/sandrofreireautoescola/videos/2707388912712904/UzpfSTExMDA3MjA0OTEwNjgzODoyODQwMjQzMTUyNzU2MzY3/
Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.
1 João 3:15,16
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.
1 João 3:15,16




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