TEXTO ÁUREO
“Porque ele é a
nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação
que estava no meio” (Ef
2.14).
VERDADE PRÁTICA
Ao morrer na Cruz do Calvário, Cristo reconciliou os
eleitos desfazendo a inimizade entre Deus e os homens
CAPITULO 7
CRISTO É NOSSA
RECONCILIAÇÃO COM DEUS
A narrativa do antigo quadro
desolador dos gentios (Ef 2.11-12) sofre uma significativa e relevante mudança.
Paulo usa a expressão adversativa "mas, agora" (2.13a) para indicar
que algo de extraordinário aconteceu e alterou a situação de outrora. O
apóstolo explica que a diferença repousa na obra q. Cristo fez em favor dos
perdidos pecadores: '1...) vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de
Cristo chegastes perto" (2.13).
As palavras "longe"
e "perto" fazem alusão à posição dos gentios e judeus em relação a
Deus. Nesse caso, o povo de perto eram os judeus, e o povo de longe eram os
gentios. O Comentário Bíblico Beacon considera que a terminologia e o
pensamento do escritor provieram das palavras do profeta Isaías no capítulo
57.19, q. vaticinou 1.1 paz, paz, para os que estão longe e para os que estão
perto, diz O SENHOR, e eu os sararei".149
Já o termo "antes"
indica a condição passada dos gentios. A expressão faz paralelo com
"noutro tempo" (Ef 2.11) e "naquele tempo" (2.12). Ambos os
termos fazem contraste com a expressão "mas, agora" (2.13a), que
enfatiza uma situação modificada no presente. Outro detalhe a ser observado é a
expressão "em Cristo Jesus" (2.13b), em contraste com as palavras
"sem Cristo" do verso anterior (2.12). Sinaliza-se que a mudança que
aproximou os gentios foi efetivada por obra do sangue de Cristo Jesus (2.13c).
Como veremos em minúcias nas
páginas seguintes, o propósito divino de trazer aqueles que estavam longe para
perto dEle somente podia acontecer por meio da obra redentora de Cristo. A
remissão dos pecadores afastados exigia derramamento de sangue (Hb 9.22), e foi
o próprio Deus quem idealizou o plano da redenção por intermédio do sangue de
Cristo (Ef 2.13). Para tanto, era necessário por meio da cruz de Cristo efetuar
o ministério da reconciliação, desfazendo com ela as inimizades (2.16).
1
CRISTO DESFEZ A INIMIZADE ENTRE OS HOMENS
1. A parede de separação
entre os homens Ao descrever as mudanças que alteraram o quadro desolador dos
gentios, Paulo afirma que judeus e
gentios passaram a ser um só povo pelo sangue de Cristo, tendo sido derrubada a
parede de separação (2.13-14). Ao usar a expressão "parede de
separação", o apóstolo faz uma analogia com as muralhas do Templo em
Jerusalém. A estrutura da construção era uma demonstração do exclusivismo
espiritual do judaísmo. Entre o santuário e o átrio dos gentios, havia um muro
de pedra com a proibição de acesso aos estrangeiros:
De qualquer lugar os gentios podiam olhar e observar o
templo, porém não tinham permissão de aproximar-se dele. Estavam impedidos pelo
muro que o circundava, uma barricada de um metro e meio de pedra sobre a qual
estavam colocados, em seguidos intervalos, avisos em grego e latim. Na verdade,
esses avisos não diziam: "os intrusos serão processados" e sim
"os intrusos serão executados".180
O extremismo quanto a esse aspecto levou Paulo
à prisão, onde foi acusado de permitir um grego ultrapassar essa barreira (At
2128-30). Na ocasião, o apóstolo outra vez sentiu na pele o fanatismo dos se.
conterrâneos. Embora questionasse a eficácia dos rituais judaicos, para
apaziguar os judeus cristãos, ao término da sua terceira viagem missionária,
Paulo submeteu-se ao dto da purificação (At 21.26). Essa postura do apóstolo
pode ser compreendida pelo seu desejo de ganhar o maior número de pessoas para
Cristo (ver 1 Co 920).
Contudo, apesar do esforço em
abrandar os ânimos dos judaizastes, alguns judeus da Ásia, vendo-o no templo,
acusaram-no de ensinar a todos a ser contra os judeus, contra a Lei e contra o
templo; além disso, imputaram-lhe o crime de "profanação" por
supostamente ter autorizado a entrada no santuário do gentio Trólimo, de Éfeso
(At 21.28-29). Diante disso, sublevaram-se as emoções, e a cidade entrou em
alvoroço, arrastando Paulo para fora do templo a fim de linchá-lo, mas a
intervenção do tribuno poupou a vida do apóstolo (At 21.30-34).
2.
A derrubada da parede da separação
Retomando o tema da declaração paulina, da
qual em Cristo foi derrubada "a parede de separação que estava no
meio" (Ef 2.14b), é possível afirmar que essa barreira era tanto literal
quanto espiritual. É literal não no sentido histórico de o muro de pedra deixar
de existir fisicamente, mas no sentido de terem sido revogadas as restrições,
que, outrora, foram o propósito da sua construção; é espiritual porque todos os
que creem (tanto judeus quanto gentios) em Cristo têm acesso diretamente à
presença de Deus-Pai. Porquanto, foi por mérito da cruz de Cristo que a
divisória foi rompida, da qual o muro era um símbolo de separação.
Por causa daquilo que Cristo
fez na sua carne, isto é, pelo seu corpo entregue por nós e pelo seu sangue
vertido nos flagelas da crucificação, a inimizade e a barreira foram desfeitas
(2.15a). Em Cristo, deixamos de ser indignos forasteiros e de ser alienados das
promessas messiânicas. Na Nova Aliança, não há mais impedimento de aproximação
à presença do Deus único, santo e verdadeiro.
Pertencemos à família de
Deus; por causa de Cristo, judeus e gentios têm "acesso ao Pai em um mesmo
Espírito" (2.18). E, ainda, conforme ensina o escritor aos Hebreus, não
existe mais razão para os gentios temerem a terrível sentença da muralha
escrita em grego e latim: "os intrusos serão executados", pois agora
temos "ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e
vivo caminho que ele nos consagrou" (Hb 10.19-20).
3. O
conceito da lei dos mandamentos
O apóstolo assevera q. Cristo
"desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em
ordenanças" (Ef 2.15b). Aqui, cabe perguntar em que sentido a "lei
dos mandamentos" foi anulada em Cristo. A interpretação ortodoxa considera
que, "em Cristo", foi eliminado o legalismo, que era utilizado pelos
judeus corno meio de obtenção da vida eterna e da santificação (Rm 82). Assim,
a melhor compreensão desse conceito repousa na visão tripartida da Lei Mosaica:
moral, cerimonial e civil, que são três partes de uma mesma lei.
A lei civil ou judicial diz respeito ao
israelita como cidadão. Nesse sentido, o Dicionário Bíblico Wycliffe avalia que
tais leis não devem ser consideradas como extensões ou aplicações dos Dez
Mandamentos; ele acrescenta: "essas leis específicas foram outorgadas
principalmente à nação de Israel da Antiguidade, e a sua aplicação à vida
cristã atual deve ser governada pelos princípios básicos estabelecidos no
NT'.151
Por outro lado, a Lei Moral,
exceto o rito da guarda do sábado, permanece em vigor como padrão de conduta,
mas não como meio de salvação (ver Ef 2.8,9). O entendimento da validade da lei
moral para nossos dias é de vital importância contra os extremos, tanto do
legalismo como da licenciosidade:
Lei moral. A atitude do cristão em relação a essa
parte da lei de Moisés pode ser resumida da seguinte maneira: (1) Ninguém pode
ser salvo apenas obedecendo aos Dez Mandamentos. Esse fato não só é explicado
claramente no NT (At 13.39; Rm 3.20, GI 2.16), como também é aceito pela
maioria dos cristãos. (2) Entretanto, esses mandamentos ainda estão válidos por
que levam o cristão a descobrir a natureza e o poder do pecado. Essa verdade é
ensinada por Paulo (Rm 320; 5.20; 7.7; GI 3.19). E ele é universalmente
reconhecido pelos cristãos. (3) Como a lei é "santa" (Rm 7.12), ela é
uma fonte de prazer espiritual para os filhos de Deus. Essa abordagem da lei
moral ainda válida para o cristão de nossos dias é magnificamente descrita no
salmo 119.97 [...] (4) Ela também representa unia norma para vida cristã porque
quase todos os Dez Mandamentos são repetidos especificamente em um princípio
aplicável ao crente (Mt , 21-48; Rm 7.7; 13.9; 1Co 8.1-6; 10.14-22; Ef 5.3-5;
6.1-3). No Novo Testamento, só está faltando o mandamento referente à guarda do
sábado. Assim sendo, a lei moral do Antigo Testamento funciona como um guia
para conhecer a vontade Deus, e faz parte do padrão de nossa santificação. Ao
mesmo tempo, os requisitos da lei são exercidos apenas pelo Espírito Santo
quando ele opera no interior e por meio de cada crente (Rm 8.3-4).
Nesse ponto, convém ratificar
e ressaltar que a guarda do sábado é o único preceito do Decálogo não repetido
no Novo Testamento para ser observado pelo cristão (ver Cl 2.16). O sábado é um
preceito cerimonial, pois é colocado no mesmo nível do ritual do templo (Mt
12.2-4).153 Desse modo, concordes com as citações acima, não é acerca da lei
civil (restrita aos israelitas) ou da lei moral (ainda em vigor) q. Paulo fazia
referência no versículo em apreço.
Nessa concepção, só nos resta
como alternativa a revogação da lei cerimonial que a versão Nova Tradução da
Linguagem de Hoje (NTLH) denomina como "seus mandamentos e
regulamentos" (Ef 2.15). Na sua Epístola aos Colossenses, Paulo enumera
esses regulamentos como sendo a "circuncisão",
"sacrifícios", "comida e bebida", "dias de festas, lua
nova e sábados" (Cl 2.11,16-21). Esses ritos identificavam a posição do
povo judeu diante de Deus e gerava hostilidade com os gentios.
4. A
revogação da lei dos mandamentos
Seguindo a linha interpretati.
A exposta no ponto anterior, a eliminação das barreiras deu-se pela revogação
da "lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças" (Ef 15b). Essa
revelação não contradiz as palavras de Cristo, que disse: "não vim
ab-rogar, mas cumprir" (Mt 5.17). Ao entregar o seu corpo para ser
crucificado, Cristo cumpriu a Lei oferecendo-se como sacrifício vivo em favor
de ambos os povos (Hb 727). Desse modo, a revogação realizada por Cristo e aqui
aludida diz respeito à lei cerimonial:
Essa lei prescrevia uma série de ritos e cerimônias
exteriores e consistia em muitas instituições e compromissos concernentes às
partes exteriores da adoração divina. As cerimônias legais foram anuladas por
Cristo, sendo cumpridas nEle. Ao tirar isso do caminho, ele formou uma igreja de
crentes, incluindo judeus e gentios [...]. Ele formou desses dois partidos uma
nova sociedade, ou um novo corpo do povo de Deus, unindo-os consigo mesmo como
Cabeça comum.
Esse conjunto de regras e regulamentações do
Código Mosaico intensificou-se desde o regresso dos judeus do exílio
babilônico. A religião judaica tornou-se profundamente legalista. Hendriksen
afirma que "a ênfase recaía sobre a obediência às ordenanças tradicionais.
Ora, foi essa mesma ênfase sobre estipulações cerimoniais, acrescidas ainda
daquelas estipulações contidas na lei mosaica, o que formou o muro divisório
entre judeus e gentios".
O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo
Testamento ratifica esse posicionamento e assegura que:
Cristo
aboliu a lei, que trazia um código escrito de regulamentos sobre sacrifícios de
animais, questões alimentares, regras sobre a limpeza impureza, e às. - Que
criava uma séria barreira entre judeus e gentios e que resultava em um
particularismo judeu e em uma exclusão dos gentios.
Esse formalismo e exclusivismo extremado por
parte dos judeus resultaram em separação e hostilidade. No entanto, o ato de
Cristo, oferecido a Deus em cheiro suave, aboliu a necessidade dessas
ordenanças ritualísticas; assim, a inimizade foi desfeita (Ef 2.15; 52). A
passagem enfatize que Cristo, ao entregar-se por nós conto oferta e sacrifício
a Deus, anulou a lei de cerimônias e toda a sua força escravizadora, com o
propósito de criar em si mesmo um novo homem dos dois povos (judeus e gentios),
fazendo a paz (2.15c).
II. PELA PAZ, CRISTO FEZ UM
NOVO HOMEM
1. 0 conceito bíblico de paz
Em termos gerais, a paz é a descrição de boas relações (At 24.2), fim de um
conflito (Lc 14.32), estado de tranquilidade (1 Rs 4.24), um dom de Deus (Is
45.7) e uma qualidade espiritual (GI 5.22). Segundo o Dicionário Vine, no
Antigo Testamento, o substantivo hebraico shalám significa "paz,
completitude, perfeição, bem-estar, saúde". O uso do termo é frequente
(237 vezes) e variado na sua amplitude semântica. Nas Escrituras da Nova
Aliança, o substantivo grego correspondente eirene ocorre em cada um dos livros
do Novo Testamento, exceto na primeira Epístola de João.
O Dicionário Bíblico Wycliffe corrobora com
esse entendimento e descreve a dádiva da paz nos seguintes termos:
O homem que recebe esta aliança de paz com Deus deve
buscar esta paz no aumento da sua santificação (1 Ts 523; Hb 12.14; Cl 3.15; 1
Pe 3.11), pela obra do Espírito, que gera como um fruto particular a própria
paz (Rm 8.6; 15.13; GI 5.22). Ele não deve viver com medo e ansiedade, porque o
tesouro do legado da paz de Cristo foi colocado no seu coração (Jo 14.27). Sua
serenidade de mente e tranquilidade interior em Cristo não dependerão, nem
serão abalados pelo fato de vir a ter tribulações neste mundo maligno (Jo 16.
33). Estando em paz com seus companheiros cristãos através da graça de Deus,
ele se esforçará com aquela motivação para manter a unidade do Espírito no
vínculo da paz (Ef 4.3; 2 Co 13.11; 1 Ts 5.13).
Nesse diapasão, na Teologia
Sistemática editada por Stanley Horton, o pastor pentecostal David Lim ratifica
q. "devemos esforçar-nos por manter a unidade do Espírito no vínculo da
Paz (Ef 4.3). A paz é condição fundamental para progredirmos na união, para
acolhermos os ministérios de outras pessoas e para aprendermos, ainda que
através dos fracassos"). Nesse aspecto, na passagem em Efésios 2.14, o
apóstolo ressalta a paz conferida por meio de Cristo. A sua morte na cruz
desfez a inimizade com Deus e entre os homens e toryou possível a reconciliação
entre ambos promovendo a paz (Cl 1.20).
2.
Cristo é o motivo de nossa paz
Paulo declara que Cristo
"é a nossa paz" (Ef 2.14b). Essa expressão aponta para uma conotação
mais profunda. Cristo não é apenas o "autor da paz", mas também é
literalmente "a nossa paz". Hendriksen declara acertadamente "o
que nenhuma outra coisa -seja a Lei com as suas ordenanças, sejam os méritos
humanos, sejam as obras da Lei de toda e qualquer espécie, sejam sacrifícios,
etc. - jamais poderia fazer. Ele, tão somente Ele, na sua própria pessoa, fez,
porquanto Ele é a própria encarnação da paz".'. Isso implica no conceito
de "comunhão espiritual", isto é, Cristo habita em nós sendo Ele
próprio nossa paz (Jo 14.23-27). Nessa perspectiva, Foulkes assevera que:
Não é
suficiente dizer q. Cristo traz a paz. Ele é a nossa paz. À medida que os
homens passam a estar nEle, e continuam a viver nEle, encontram paz com Deus,
e, desse forma também um ponto de encontro com o seu semelhante, quaisquer que
tenham sido anteriormente as divisões de raça, cor, posição social ou credo.
Ele veio com este propósito (Lc 2.14), para ser Príncipe da Paz, e de fato, foi
assim que os profetas predisseram a sua vinda (Is 9.6; 53.5; Ag 2,9; Zc
9.10).161 Desse modo, a expressão refere-se à paz que repousa na Igreja, onde,
pela fé, Cristo habita no interior dos crentes (ver Ef 3.17). No texto
correlato de Colossenses 1.20, aprendemos que essa paz deu-se "pelo sangue
da sua cruz", quando Cristo reconciliou todas as coisas consigo mesmo.
Assim, Cristo é a razão de nossa paz;
Ele é nosso paccador. A paz
conquistada por Ele possibilitou a comunhão entre o crente e Deus e entre
judeus e gentios, agora reconciliados em um único povo em Cristo Jesus, a
Igreja (Ef 2.14.b).
3. A nova humanidade formada pela paz
Em continuação, o apóstolo ratifica
que Cristo uniu os povos que outrora se hostilizavam para criar "em si
mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz" (2.15c). Essa unidade não foi
o resultado de algum acordo firmado entre os homens. Toda e qualquer tentativa
humana nesse sentido jamais logrou êxito. Todos os acordos de trégua sucumbiram
ante a natureza humana pecaminosa e egocêntrica. Assim, a reconciliação da raça
humana foi realizada "em si mesmo", ou seja, o único modo possível
era "em Cristo" e "por meio de Cristo". Stronstad reforça
esse entendimento ao assegurar q. "Cristo, e somente Cristo, nos deu a
solução para esse problema que infesta à raça humana, isto é, a separação de
Deus e de outras pessoas. Ele é a reconciliação do povo com Deus e a
reconciliação das pessoas umas com as outras. Assim, o evangelho torna-se uma
mensagem de reconciliação (2 Co 5.17ss.)"
A partir desse ato de reconciliação efetuado
no Calvário, Cristo formou uma nova humanidade, a Igreja, "onde não há
circuncisão e nem incircuncisão" (Cl 3.11). Foi Cristo quem criou esse
novo povo "fazendo a paz" (Ef 2.15c). As desigualdades e a
animosidade foram eliminadas. Em Cristo, não há acepção de pessoas, raça ou
classe social (Rm 2.11, Gl 3.28). Porém, essa unidade não se deu apenas pela
ascensão dos gentios para a mesma posição dos judeus. Ambos foram elevados para
desfrutar de algo maior, o "novo homem, que, segundo Deus, é criado em
verdadeira justiça e santidade" .
III. PELA CRUZ, RECONCILIADOS
COM DEUS EM UM CORPO
1. Cristo fez-se maldição por
nós Ser condenado à morte de cruz era sinal de maldição e profunda humilhação
(ver Hb 122). Hagner salienta que "a morte por crucificação era uma das
mais desprezíveis formas de pena capital do mundo romano. Os cidadãos romanos
estavam automaticamente protegidos contra esse tipo de punição, considerada
adequada apenas para os estrangeiros".163 O martírio da cruz era
ultrajante e desumano. O réu era fortemente açoitado com um chicote de várias
tiras de couro com chumbo ou ossos nas pontas (ver Mc 15.15).
Após o flagelo dos açoites, o
condenado era obrigado a carregar publicamente a sua cruz até o lugar da
execução (Jo 19.17). Quanto a esse aspecto, Simão, o cireneu, foi constrangido
a ajudar a Jesus (Mt 27.32). Após unia noite de tortura e açoites, Ele estava
fraco demais para carregar a sua própria cruz. Isso revela a intensidade dos
sofrimentos q. Cristo sofrera antes mesmo de ser crucificado. Entretanto, por
amor, como cordeiro mudo, Ele submeteu-se ao ultraje e "não abriu a sua
boca" (At 8.32).
Diante dessa humilhante
exposição e desonra pública, degradação do ser humano, vergonha e vexame diante
da sociedade, a morte de cruz era escândalo para os judeus e loucura para os
gentios (1 Co 123). Apesar disso, Cristo não se deixou intimidar pela ofensa à
sua dignidade e à sua honra. Ele suportou a afronta e os terríveis golpes
desferidos contra a sua carne. Cristo levou nossa culpa, derramou o seu sangue,
entregou o seu corpo para ser crucificado e fez-se maldição em nosso lugar
(G13.13).
2.
Reconciliados pela cruz de Cristo
Foi o sacrifício vicário de Cristo na cruz e a
sua consequente vitória sobre a morte que possibilitou nossa reconciliação com
Deus e também com os homens (Cl 120). Paulo enfatiza q., "pela cruz,
[Cristo] reconciliou ambos com Deus em um corpo, matando com ela as
inimizades" (Ef 2.16).
Dessa forma, o sangue vertido
no sacrifício de Cristo expiou nossos pecados. Biblicamente, expiar é pagar,
quitar, perdoar mediante um sacrifício reparador, por meio da morte de alguém como
substituto do culpado. Por conseguinte, a "expiação pelo sangue [de
Cristo] foi necessária para dar satisfação à lei divina -caso contrário, essa
lei seria vã - e o seu legislador escarnecido".164 Desse modo, Cristo
pagou nossa dívida com a Lei e com o legislador na cr. (Cl 2.14). Ele fez-se
pecado por nós, e a sua expiação efetuou a reconciliação:
O Novo Testamento ensina com clareza que a obra
salvífica de Cristo é um trabalho de reconciliação. Pela sua morte, Ele removeu
todas as barreiras entre Deus e nós [...E. O verbo Katallassõ e o substantivo
Katallagé transmitem com exatidão a ideia de "trocar" ou
"reconciliar", da maneira como se conciliam os livros contábeis. No
Novo Testamento, o assunto em pauta é primariamente o relacionamento entre Deus
e a humanidade. A obra reconciliadora de Cristo restaurou-nos ao favor de Deus
porque "foi tirada a diferença entre os livros contábeis" ...
Nesse aspecto e como resultado dessa
maravilhosa obra, como já vimos, Cristo é apresentado por Paulo como sendo
"a nossa paz" (Ef 2.14). E também fomos instruídos pelo apóstolo q.,
por intermédio do sacrifício na cruz, Cristo criou "um novo homem, fazendo
a paz" (2.15). E, ainda, Paulo acrescenta e enfatiza q. Ele
"evangelizou a paz", proclamando ao mundo as Boas Novas que fizera na
cruz (2.16,17). Matthew Henry, ao discorrer acerca da expressão
"evangelizou a paz", considera que Cristo publicou os termos da
reconciliação com Deus e da vida eterna na cruz.
3.
Reconciliados na cruz em um corpo
Paulo reforça que o propósito de Cristo foi o
de "reconciliar ambos (judeus e gentios) com Deus em um corpo" (Ef
2.16b). A ênfase aqui recai sobre a inimizade existente na vertical: entre os
homens e Deus. Em versículo anterior, o destaque era a inimizade horizontal:
entre os judeus e os gentios (2.14). De forma que a reconciliação deve ser
duplamente compreendida. As Alas inimizades foram
desfeitas quando Cristo levou
nossos pecados no madeiro (1 Pe 224). Nesse contexto, na Teologia Sistemática
editada por Stanley Horton, o pastor pentecostal Daniel B. %cota realça que, em
uma genuína e sincera reconciliação, "a parte lesada desempenha um papel
primário. Se a pessoa lesada não demonstrar a disposição de acolher quem a lesou,
não haverá reconciliação".
Nesse caso, ratifica-se "O favor
imerecido" de Deus para conosco. Foi Ele quem tomou a iniciativa de
reconciliação. A ira divina, que repousava sobre nós por causa dos pecados,
ficou cravada na cruz de Cristo por amor e graça (Cl 2.13,14). Assim, pela
cruz, a reconciliação foi concretizada, gerando um novo povo, tornado em um
único corpo: a "família de Deus", a "Igreja de Cristo" (Ef
2.19; 3.6; 4.4; 523,30).
A Igreja Eleita
-
Redimida Pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa.
Douglas
Baptista

Efésios
Comentário Bíblico Moody
Um Só Corpo. 2:13-18.
Judeus e gentios foram unidos
em Cristo, e o último agora está tão perto dele quanto o primeiro.
13. Mas
agora. Isto é enfático. Indica um contraste à sua anterior posição. Em Cristo
Jesus. Antes estavam no mundo (v. 12). Sua condição era sem esperanças. Agora
estão em Cristo, com todos os privilégios do céu. Observe os diversos
contrastes nestes versículos – no mundo, em Cristo Jesus; naquele tempo, agora;
separados, aproximados.
14. Ele é a nossa paz. Observe o progresso desta seção:
Ele é a nossa paz (v. 14); fazendo a paz (v. 15); evangelizou paz (v. 17; cons.
Cl,1:20). De ambos fez um. Isto é, judeus e gentios. Tendo derrubado a parede
da separação pode ser aqui uma alusão à parede que separava o Pátio dos Gentios
e o Pátio dos Judeus no Templo. Uma inscrição nessa parede advertia os gentios
da pena de morte, se entrassem no Pátio dos Judeus. Agora, diante de Deus, não
há mais distinção (veja Rm. 1; 2; 3). A inimizade. Talvez em aposição à
"parede de separação que estava no meio".
15. Um novo
homem. Não um indivíduo, mas a nova criação da qual Cristo é a Cabeça.
16. Ambos.
Novamente uma referência aos judeus e gentios. Destruindo por ela a inimizade.
Isto é, pela cruz.
17,18. Estes
versículos desdobram mais esta verdade da união do judeu com o gentio em
Cristo. Vós outros que estáveis longe. Os gentios. Aos que estavam perto. Os
judeus.
18. Observe a ênfase sobre a palavra ambos (vs. 14, 16,
18). Ambos unidos, ambos reconciliados com Deus, ambos tendo acesso.
3) Um
Só Edifício. 2:19-22.
A figura da Igreja como um
corpo humano transforma-se gradativamente na figura da Igreja como um grande
edifício. O corpo humano é também descrito como um edifício em várias passagens
(por exemplo, I Co. 6:19; lI Co. 5:1).
19. Assim. A
conclusão lógica do que foi escrito. Já não sois estrangeiros, e peregrinos. A
presente posição desses gentios foi inteiramente revertida da sua condição
anterior, descrita anteriormente neste capítulo. Mas concidadãos dos santos. Em
Cristo, judeus e gentios têm uma nova cidadania (cons. Fp. 3:20, 21).
Efésios (Comentário Bíblico Moody)

Comentário Bíblico
Efésios
2. UNIDADE NO CORPO DE CRISTO — 2.13-18
Com a expressão "mas
agora", o versículo 13 inicia mostrando o contraste da vida nova com a
velha. Essas palavras indicam a posição presente dos crentes e, quando a
continuação do verso diz "em Cristo Jesus", temos uma visão de nosso
estado de perdição antes de conhecer a Cristo. É um paralelo que o apóstolo faz
entre a velha vida (v v. 11,12) e a nova vida conquistada pela obra da redenção
(v. 13).
Notemos os contrastes: antes,
"sem Cristo" e agora "em Cristo"; antes, separados e
excluídos, mas agora "chegastes perto" (v. 13); antes, separados
"na carne", agora unidos "em um mesmo Espírito" (v. 18).
O poder da unidade nesse novo pacto de Deus
com o homem está no "sangue de Cristo", expresso no verso 13:
"... vós que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes
perto". Antes estávamos "longe", agora, "em Cristo",
estamos "perto". A expressão "estáveis longe" refere-se aos
gentios que puderam aproximar-se de Deus pelo poder do sangue de Cristo. Não há
mais barreira que impeça nossa aproximação. Antes, por causa de nossos pecados,
estávamos afastados, sem possibilidade de remissão pelo sistema sacrificial
comum em Israel, mas Cristo se fez "Cordeiro de Deus" e, sendo
sacrificado espontaneamente, vertendo seu sangue precioso no Calvário, desfez
as barreiras, removeu o pecado e nos uniu em si mesmo.
2.1. Cristo é feito paz e reconciliação — vv. 14,15
"Porque ele é a nossa
paz" (v. 14), ou seja, Ele foi o meio de reconciliação entre Deus e o
homem. Ele cumpriu toda a lei, que não podíamos cumprir, para nos justificar da
condenação. A lei era um pacto de obras e exigia uma obediência perfeita da
parte do homem. A justificação perante Deus estava implícita na obediência à
lei, mas o homem não podia cumpri-la. Jesus, então, subjugou-se à exigência da
lei e cumpriu-a por nós. Pelo seu sangue, nossa expiação foi feita. A justiça
divina não foi adiada, mas cumprida integralmente. Nossa paz com Deus foi
restituída por Jesus (Rm 5.1).
"Na sua carne desfez a
inimizade" (v. 15). Que entendemos por "inimizade"? Essa
inimizade tinha sentido social e religioso. Religiosamente, os judeus eram
inimigos dos gentios porque estes eram pagãos, isto é, serviam a outros deuses.
Socialmente, eram inimigos dos gentios porque não eram circuncidados.
Entretanto, Paulo destacou a necessidade de quebrar essa inimizade, esse
sentimento hostil e de animosidade, por um sentimento fraternal. O termo
"inimizade" diz respeito também ao muro de separação existente entre
ambos os povos, mas Jesus veio para destruir esse muro através da sua obra na
cruz. "
... a lei dos mandamentos que
consistia em ordenanças" (v. 15) indica que a legislação mosaica foi
abolida; não só a cerimonial, mas toda a lei, com todas as suas ordenanças.
Cristo, pela "sua carne", desfez toda a condenação da lei, criando a
"lei do espírito de vida" (Rm 8.2), que desfaria toda a inimizade e
diferenças para unir todos quantos cressem em Cristo, formando um só povo,
"em um corpo" (v. 16).
2.2. Em Cristo, a verdadeira unidade — vv. 15-17
2.2.1. A paz. reconciliadora "Fazendo a paz" (v.
15), isto é, promoveu a verdadeira unidade, no seu coipo, de ambos os povos —
judeus e gentios. Não foi uma unidade exterior e mecânica, mas interior e
espiritual. Fomos reconciliados com Deus "em um corpo" (v. 16).
Cristo nos libertou da lei como pacto de obras pelo fato de Ele mesmo ter-se
sujeitado a ela (Gl 4.5). Ele recebeu a pena da lei (Gl 3.13) em seu corpo (Rm
7.4; Cl 1.22) na cruz do Calvário (Gl 2.14).
2.2.2.
"Dos dois, um novo homem"— v. 75 "... para criar em si mesmo dos
dois um novo homem". A unidade espiritual dos dois povos (judeus e
gentios) foi feita por Cristo "em si mesmo", isto é, no seu corpo,
criando uma nova humanidade. Deus trata a ambos os povos como um só indivíduo.
É uma nova criação que só acontece com a obra regeneradora do Espírito Santo
(Tt 3.5). A nova criação, ou seja, "o novo homem", aqui representado
pelo povo de Deus (a Igreja), não pode ser tratado separadamente do seu
contexto. O termo "novo homem" não pode ser interpretado isoladamente
porque ele está devidamente preso pelo seu contexto espiritual, que fala da
nova criação em Cristo, formando dos dois povos um só.
2.2.3. O elo
da reconciliação, a cruz — v. 16 No verso 16, a cruz de Cristo serviu de elo de
reconciliação e também de destruição. A cruz foi o ímã para a reconciliação dos
homens com Deus (Rm 5.10; 2 Co 5.18-20; Cl 1.20), mas foi também o símbolo de
morte e destruição das inimizades existentes entre Deus e o homem. No versículo
17 Paulo afirma que "ele [Jesus] evangelizou a paz" aos que estavam
longe (os gentios), e aos que estavam perto (os judeus).
2.3. Em Cristo, acesso a Deus pelo Espírito Santo — v.
18
"Porque por ele ambos temos acesso ao Pai
em um mesmo Espírito". A unidade espiritual de judeus e gentios em Cristo
permite que tenham acesso ao Pai. Como? Vemos a Trindade em ação quando o Pai
promove a unidade: o Filho a executa e o Espírito Santo a mantém.
O Filho é o mediador da nova
aliança. E aquele que padeceu uma vez pelos pecados, isto é, o justo pelos
injustos, para levar-nos a Deus (1 Pe 3.18). O Espírito Santo opera a obra
regeneradora: Ele convence o homem dos seus pecados e aplica a obra remidora no
homem. O Pai recebe o pecador remido. O mesmo Espírito que nos santifica é o
que unifica todos os crentes para terem acesso a Deus, o Pai. Assim como o espírito
humano vivifica o homem, assim "o novo homem" em Cristo, a Igreja, é
vivificado pelo Espírito Santo.
"Ambos temos
acesso". Ambos os povos, judeus e gentios. em Cristo Jesus se
interrelacionam, isto é, se ligam e se unem. Têm as mesmas vantagens e privilégios,
e passam a ter a mesma posição comum no corpo de Cristo (1 Co 12.12). Ambos são
um nele. O Espírito Santo é quem nos introduz no corpo de Cristo, e assim temos
acesso ao Pai através do corpo de seu Filho. Jesus declarou certa feita:
"Ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). Essa declaração
fortalece o fato de que por Jesus chegamos ao Pai.
2.4. Em Cristo, as diferenças são desfeitas — v. 19
No verso 19 o apóstolo
apresenta o fruto da obra de Cristo: a unidade conquistada pela sua cruz. As
diferenças são desfeitas. O poder unificador do Espírito opera através do
sangue de Cristo e faz com que todos os crentes de todas as raças, línguas e
povos formem um só povo, uma só família, e os torna "concidadãos dos
santos". Somos agora a família da fé. Antes éramos estrangeiros, agora, em
Cristo, formamos uma nova raça, uma nova família.
Comentário Bíblico
Efésios - Elienai Cabral
Resumo da Lição 7 - Cristo é a nossa Reconciliação com Deus Apresentado pelo Comentarista das Revistas Lições Bíblicas Adultos da CPAD, pastor Douglas Baptista. Neste trimestre estudaremos: A Igreja Eleita - Redimida Pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo da Promessa.

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