TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Deuteronômio
5.1-3, 12-15
1 E chamou
Moisés a todo o Israel e disse-lhes: Ouve, 6 Israel, os estatutos e juízos que
hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardá-los-eis, para os cumprir
2 O SENHOR, nosso Deus, fez conosco concerto,
em Horebe.
3 Não foi com
nossos pais que fez o SENHOR este concerto, senão conosco, todos os que hoje
aqui estamos vivos.
12 Guarda o
dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o SENHOR, teu Deus.
13 - Seis dias
trabalharás e farás toda a tua obra.
14 - Mas o
sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra nele, nem tu,
nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi,
nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de
tuas portas; para que o teu servo e a tua serra descansem como tu;
15 - porque te lembrarás de que foste servo na
terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço
estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de
sábado.
TEXTO ÁUREO
Lembra-te do
dia
do sábado, para o
santificar.
Êxodo 20.8
SUBSIDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2. Feira - Gênesis 2.1-3
Deus descansou no sétimo dia
3. Feira - Êxodo 35.1-3
O sétimo dia vos se. santo
4. Feira - Marcos 2.23-28
O sábado foi feito por causa do homem
5. Feira - Levítico 23.1-3
O sétimo dia será o sábado do descanso
6. Feira - Mateus 5.17-20
Não cuideis que vim destruir a Lei
Sábado - Colossenses 2.16-23
Ninguém vos julgue por causa dos sábados
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz
de.
• entender que
reservar um dia da semana para descansar é um direito dado por Deus;
• compreender que o dia do descanso é também um dia consagrado
para celebrar a Deus;
• concluir que depois da morte e ressurreição de Jesus
os crentes trocaram o sábado pelo domingo.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Professores que
se preocupam somente com a sua preleção semanal e com a sua capacidade de
armazenar e transmitir informações desconhecem a realidade e as necessidades de
seus alunos. Quando isso ocorre, o aluno tende a ficar desmotivado, perdendo
gradativamente a vontade de participar dos estudos bíblicos, podendo até mesmo
deixar de frequentar a EBD.
Professor, o
seu aluno deseja algo além do conteúdo. Os alunos se identificam com os
professores que mostraram interesse especial e cuidaram deles antes de se
lembrarem daqueles que tinham bons dotes de oratória (Revista Educação Cristã
Hoje, n9 1. Central Gospel, 2012, p. 27).
Deus o abençoe!
COMENTÁRIO
Palavra Introdutória
O fato de não existir qualquer
evidência da guarda do sábado entre os primitivos discípulos fez com que a
Igreja adotasse o domingo como dia do Senhor. Não se pode negar: grande parte
dos cristãos encontra dificuldades para explicar a razão do quarto mandamento.
Assim, convencionou-se dizer que o decálogo divino destinou-se, exclusivamente,
ao ¡ovo da antiga aliança, os hebreus, desconsiderando-se que esse mandamento —
como todos os outros — diz respeito ao corpo de Cristo.
1.
A RAZÃO DO SÁBADO
De. não faz nada sem
propósito: assim como Ele instituiu as 613 leis — pondo em destaque, de forma didática,
Decálogo para que o Seu povo se apegasse aos principais mandamentos, a partir
dos quais todos os demais transcorreriam —, Ele sublinhou a importância
de cada uma das Dez palavras, atribuindo-lhes igual valor. Embora o quarto
mandamento faça parte do Decálogo destinado aos hebreus, tudo indica que ele
fora instituído muito setas de o Senhor entregá-lo ao irmão de Arão (Gn 2.2,3).
O sabado (hb.
shabat = dia de pausa, pôr fim; cessar) alude, antes de tudo, ao sétimo
dia guardado pelo próprio Deus, que, apoia de haver criado todas as coisas,
descansou (Gn 2.2). O descanso divino no sétimo dia da Criação, portanto,
parece soar como um prenúncio de que o dia do Senhor teria dupla finalidade:
descanso e adoração.
1.1. Deus pensou nos homens e nos animais
Não nos esqueçamos de que no Egito os hebreus viviam como
escravos, aos quais poucos benefícios eram dados. Depois de Moisés ter comunicado
a Faraó que, por ordem de Deus, ele deveria deixar o Seu povo sair do Egito, Faraó
aumentou ainda mais a carga dos hebreus, impondo-lhes maior sacrifício (Êx
5.9).
Há, no início do Decálogo,
uma frase de transição que acompanha cada um dos mandamentos: Eu sou o Senhor
que ,os tirou de terra do Egito (Co 20.2). Essa menção justifica todos os atos
de Deus adoravam inclusive a razão de cada mandamento. No Egito, os hebreus não
tinham direitos trabalhistas , eram escravos sem permissão para folga (Dt
5.15).
Os filhos de Abraão estavam acostumados àquela vida de
servidão (Co 1.13,14; 2.11a). Para a mente humana, é difícil adaptar-se a uma
mudança imposta; significa dizer que, ,psicologicamente, o povo escolhido
estava tão acostumado com o trabalho incessante, que, para fazê-lo parar,
somente por meio de uma lei impositiva.
Os bois e os jumentos também precisavam de descanso. Assim como os homens, eles
sofriam a fadiga do trabalho contínuo.
1.2.
Deus pensou em Si mesmo
O sábado foi santificado por
Deus; esse dia estava incluído n. festas solenes, fazendo parte d. santas
convocações (Lv 23.1-3) — por essa razão os judeus reúnem-se em sinagogas e os
adventistas realizam cultos aos sábados. Ao mesmo tempo em que Deus
determinou o descanso para homens e animais nesse dia, Ele também pensou que o
dia santificado deveria ser um dia de adoração a Ele.
A desobediência à guarda do sábado era
considerada ofensiva, e o transgressor, digno de morte; isto é, à desobediência ao shabat
aplicava-se a pena capital (Ex 31.14,15; Nm 15.32-36).
Assim como o Altíssimo
esperava que o sábado fosse rigorosamente atendido pelos hebreus, Ele espera
que o povo da nova aliança seja adorador, não somente em um dia específico, mas
que o shabat seja entendido como o dia do descanso em Deus.
2. A
EXTENSÃO DO SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO
2.1. Ano de reflexão
O calendário do povo hebreu
recebeu a inclusão do ano sabático, período que daria um ano de descanso à
terra, após seis anos de plantio (Lv 25.1-7).
No ano sabático, tanto o
proprietário da terra quanto os empregados e os animais colheriam da novidade
da terra, ou seja, do que ela produzisse livremente (Lv 25.6). Isso igualaria o
proprietário aos seus empregados e até mesmo aos animais que se esforçavam por
ela. Esse descanso também levaria os filhos de Abraão a lembrarem-se de que
durante 40 anos não plantaram nem colheram no deserto.
Está mais do que provado pelos agricultores que é altamente
benéfico conceder um tempo de descanso para a lavoura. Foi pela idolatria, pela
falta de obediência à Lei — incluindo a não observância acumulada do ano
sabático da terra — que Deus levou os judeus para o cativeiro babilônico para
cumprirem 70 anos de exílio (2 Cr 36.21;
Jr 29.10).
2.2. Semanas de anos de reflexão
Além do ano sabático, os hebreus deveriam
observar, ainda, o ano do jubileu, comemorado a cada sete semanas de anos,
perfazendo 49 anos. No quinquagésimo ano, porém, a terra descansaria (Lv
25.10-12).
No ano do jubileu, seriam
anistiados os que estive.em endividados; os que haviam hipotecado suas
terras receberiam de volta sem encargos;
os que foram vendidos como escravos se tornariam livres (Éx 25.10). Nenhuma
propriedade pertenceria definitivamente ao seu dono, porque o Senhor disse: (...) a terra é
minha (Lv 25.23).
2.3. O abuso dos gananciosos
• Nos tempos de Amós —
Observa-se que os proprietários das terias eram tão gananciosos que sequer
suportavam guardar o sábado comum (Am 8.5,6) — apesar das instruções e do perigo que
corriam em não observar o dia sagrado.
• Nos tempos de Neemias — Os comerciantes causaram grande
mal-estar a Neemias após a construção das muralhas de Jerusalém. Eles
não respeitavam o sábado; antes, pisavam uvas nos lagares, traziam jumentos carregados
de feixes, comercializavam vinho, uvas e figos e até estrangeiros participavam
da feira (Ne 13.15,16). Com a proibição, os comerciantes chegavam à véspera do
sábado e ofere-ciam os seus produtos do lado de fora das portas da cidade.
Neemias, no entanto, mandou fechá-las; assim, depois de duas semanas, eles
pararam com a feira (Ne 13.19-21).
3.
O SÁBADO NO NOVO
TESTAMENTO
Enquanto não
ficar claro quem são os destinatários do Antigo e do Novo Testamentos haverá
confusão no seio da igreja: o Antigo Testamento foi destinado ao povo hebreu; e
o Novo Testamento, à Igreja. Ambas as porções do texto bíblico compõem, de
forma plena, a Palavra de Deus; porém, cada uma apresenta um tratamento
peculiar para cada um dos grupos.
Referindo-se ao Antigo
Testamento, cuja orientação está baseada totalmente na Lei, Jesus deixou claro
que a Lei e os Profetas duraram até João (o Batista, conf. Lc 16.16). Nesse
sentido, vemos que o Mestre reinterpretou a lei que estabelecia o dia do
descanso, afirmando que o sábado foi feito para o homem, não o contrário (Mc
2.27). 3.1. Jesus foi cumpridor da Lei.
Os opositores de Jesus jamais acharam nele
qualquer pecado ou algo que pudesse incriminá-lo; seus oponentes, todavia,
tentavam julgá-lo pelo modo como Ele e os Seus discípulos lidavam com o sábado.
Para os detratores do Mestre, a guarda do sétimo dia era mais uma questão
ritualística do que uma forma de gozar um beneficio, que visava à reposição das
energias após uma semana de trabalho.
Jesus não tinha qualquer
dificuldade com o sábado, até porque, sendo judeu, estava acostumado com essa
prática desde a ma. tenra idade (Lc 4.16). O que incomodava o Salvador não era
a validade do sábado, mas o legalismo tão ardorosamente defendido por aqueles
que o perseguiam (Mt 5.17).
3.2. As acusações que Jesus e os discípulos sofriam
Certo sábado, enquanto Jesus
passava pelas searas, Seus discípulos colheram espigas. Os fariseus reclamaram
deles — afinal, era sábado (Lc 6.1,2). Jesus respondeu-lhes com um fato histórico.
Ele lembrou-os de quando Davi, para alimentar-se e dar de comer aos seus homens,
não se furtou de comer dos pães da propiciação que eram consagrados ao Senhor
(Mc 2.23-28; 1 Sm 21.6).
3.2.1. Jesus cura no sábado
Muito mais importante do que estar afeito à letra da
Lei é compreender a 181 18180 de ser. 0 entendimento de Jesus sobre a guarda do
sábado ultrapassava o que a mente mes-quinha dos religiosos de Seu tempo era
capaz de alcançar. Observe:
• Jesus curou uma mulher que
andava curvada havia 18 anos, em uma sinagoga, num dia de sábado. O príncipe da
sinagoga ficou indignado com Ele, mas Jesus chamou-o de hipócrita: no sábado
não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a
beber água, (Lc 13.10-17);
• Jesus curou um homem
hidrópico num sábado e foi recri-minado, como sempre, pelos doutores da Lei e
pelos fari-seus (Lc 14.1-6);
• Jesus curou o paralitico de
Betesda num sábado (Jo 5.1-9).
3.3. A guarda do domingo
Os reformadores da Igreja, como Martinho Lutero, João
Calvino e os grupos cristãos mais antigos, como os puritanos, defenderam a
guarda de um dia da semana para descanso e adoração. Um grupo de puritanos
criou leis severas para a guarda do sábado, com base em argumentos apresentados
pelo Novo Testamento. A Igreja de Cristo ao redor do mundo, no entanto, observa
o domingo (It. dominus), não o sábado, como o dia destinado ao descanso e à
adoração.
Os cristãos escolheram o
domingo como dia do Senhor porque, além de não haver qualquer orientação para a
guarda do sábado no Novo Testamento, NESTE DIA (no domingo), nosso Senhor ressuscitou (leia
Jo 20.1).
3.3.1. Os argumentos apostólicos pelo domingo
• O culto principal da Igreja
primitiva acontecia aos domingos (1 Co 16.2).
• Paulo, o apóstolo aos
gentios, celebrou a ceia do Senhor, em Trôade, num dia de domingo (At 20.7).
• Na igreja de Roma, houve
uma discussão sobre alimentos e calendários. Paulo exortou os irmãos daquela
comunidade a se entenderem e a se respeitarem mutuamente (Rm 14.5,6).
• Paulo, preocupado com o
fato de os gálatas não terem compreendido que o Evangelho isenta-nos do pacto
estabelecido entre Deus e os filhos de Abraão, escreveu-lhes uma carta, dizendo
que quando eles ainda não conheciam a Deus, guardavam dias, e meses, e tempos,
e anos, nomeando essa prática de rudimentos fracos e pobres (G14.8-11).
• Paulo foi ainda mais
veemente quando tratou com os crentes de Colossos; ele estava livre do
entendimento de que o dia do descanso teria de ser, necessariamente, no sábado
(Cl 2.16,17).
Se o judeu Paulo cria na
observância do quarto mandamento, ele não legou esse entendimento à Igreja. Os
cristãos podem fazer do domingo um dia de descanso, reflexão espiritual e
adoração; contudo, se essa prática tornar-se urna obrigação legalista, perderá
todo o seu sentido, urna vez que o sábado, para os discípulos de Jesus, precisa
ser observado na integralidade da vida (1 Co 10.31; Fp 4.8; Rm 14.7-9).
CONCLUSÃO
O nosso Deus trabalha
incessantemente (Is 64.4), mas também aprecia o descanso — não que Ele tenha
esgotado Seu poder e força quando criou o Universo; afinal, um Ser infinito,
imaterial e todo-poderoso não poderia exaurir-se, jamais. Mas, para ilustrar a
necessidade e importância de um tempo de repouso, Ele próprio descansou ao
sétimo dia.
O descanso semanal — no caso,
o sábado prescrito na Lei — constitui-se em uma sombra, dentre outras tantas
apontadas pela mesma Lei (conf. Cl 2.16). Essas sombras falam do repouso que
aguarda os filhos de Deus: um dia, repousa-remos definitivamente do trabalho
que hoje empreendemos (Hb 4.1-13).
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1 1 .
Por que Deus
instituiu também o ano sabático,
R: Para dar descanso à terra.
O DECÁLOGO – A Ética do Sinai
Comentarista: Pr. Walter Brunelli

OS
DEZ MANDAMENTOS – O DIA DO DESCANSO
Êxodo 20.8-11
A palavra sábado não
significa, necessariamente, o último dia da semana. Sabe-se que o sétimo dia da
semana recebeu este nome porque a palavra sábado, de acordo com o seu sentido
original, significa descansar, folgar, respirar, tomar fôlego.
O povo que vivia na
"casa da servidão", no Egito, não sabia o que era descanso, pois o
Faraó não lhe permitia nenhuma folga. Era preciso produzir para o Egito (Êxodo
5.7-9). Na condição de escravos do Egito, os hebreus não podiam parar para
festejar ou fazer qualquer outra comemoração (Êxodo 5.1-5). Os trabalhos eram
forçados e o Faraó não os via como pessoas, mas como máquinas que não podiam
deixar de realizar o seu trabalho (Êxodo 5.14-17).
Assim, a libertação de Deus
traz ao povo a possibilidade do descanso e do alívio. Era um descanso para toda
a família, incluindo os escravos e os estrangeiros, e também os animais. A
Bíblia não menciona nominalmente os outros dias da semana, o que confirma que o
mais importante não é o dia em si, mas o que ele representa ou significa para
nós.
Com a ressurreição de Cristo,
o sábado do Antigo Testamento ou o sábado dos judeus, passou a ser, para os
cristãos, o domingo, que é o Dia do Senhor, o primeiro dia da semana (João
20.19; Atos 20.7; 1 Coríntios 16.2). Os cristãos guardam o domingo e não o
sábado por estas principais razões:
• O sábado fez parte da
aliança exclusiva entre Deus e o antigo Israel (Êxodo 20.8-11);
• Jesus não guardou o sábado
como mandava a tradição oral dos fariseus (João 9.16);
• Estamos debaixo da graça e
não da lei (Colossenses 2.16,17);
• No domingo Cristo
ressuscitou, apareceu aos discípulos e autorizou a Grande Comissão (Mateus
28.1-6,19,20; João 20.19,26);
• O Espírito Santo desceu
sobre a Igreja no domingo, pois o Pentecoste é comemorado cinquenta dias após o
sábado da Páscoa (Atos 2.1);
• A Igreja do Novo Testamento
guardava o domingo (Atos 20.7; 1 Coríntios 16.1,2);
• Dos Dez Mandamentos, apenas
o quarto não é repetido no Novo Testamento. Portanto, vejamos neste estudo
algumas lições quanto ao Dia do Descanso ou Dia do Senhor.
1 - O DIA DO
DESCANSO PARA A GLÓRIA DE DEUS
A parte final do quarto
mandamento apresenta um dos motivos pelo qual o Dia do Descanso foi
estabelecido: "Porque em seis dias fez o Senhor os céus, a terra, o mar e
tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o
dia de sábado e o santificou". Fica, portanto, claro que, observar o dia
de descanso, é agir como Deus agiu. O dia de sábado é apresentado como um
tributo à glória de Deus. É para lembrar o que Deus fez como Criador e
Libertador de Seu povo. O domingo, Dia do Senhor, da ressurreição, deve
representar o que Deus fez por nós e a libertação que Ele trouxe por meio de
Seu Filho Jesus Cristo. Não são apenas os cultos ou outras reuniões dominicais
que irão nos lembrar este feito; mas a vida e o testemunho dos cristãos que
durante os outros dias da semana estiveram cuidando de suas múltiplas
atividades, precisam revelar que há um dia especial na semana, no qual nos
alegramos em Deus pelos feitos dEle em nossa vida. A visão de que o Dia do
Descanso foi estabelecido para honra e glória de Deus, há de fazer com que a
nossa atenção esteja mais focalizada não no dia em si, mas no Deus que
estabeleceu o dia. É a visão da glória e do poder do Senhor. (1 Coríntios 10:31).
2 - O DIA DO DESCANSO PARA O
BEM-ESTAR DO HOMEM Quando a Bíblia afirma que Deus descansou no sétimo dia, não
está dizendo que Ele se cansa ou precisa descansar. A afirmação deve ser
entendida como o cessar da obra criadora de Deus. Mas, o homem se cansa, sente
o peso do trabalho. Por isso ele precisa parar, folgar, tirar férias,
descansar.
No Egito, os hebreus não tinham descanso, mas
como libertos por Deus eles recebem este presente do quarto mandamento, para
que possam revigorar-se e estar mais preparados para a jornada de seis dias de
trabalho. O Deus que determinou o trabalho é o mesmo que apresenta a
possibilidade do descanso. No Novo Testamento percebe-se que os escribas e
fariseus fizeram tantos acréscimos à lei do sábado que o povo se sentiu "oprimido"
e "sobrecarregado". Jesus foi acusado por eles de violar o sábado
(João 9.16). De fato, Jesus não se deixou escravizar pelo sábado e afirmou:
"O sábado foi
estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado"
(Marcos 2.27). Nas palavras de Carlos Mesters: "Jesus denuncia o desvio da
lei e coloca o sábado novamente a serviço da vida do ser humano. As
necessidades do povo estão acima da lei do sábado (Mateus 12.1-8; Lucas
13.16,17)".
O mesmo acontece com o
domingo. A maneira como alguns guardam o domingo nos faz pensar que ele foi
estabelecido para a morte e não para a vida, pois se afadigam e
sobrecarregam-se com excesso de atividades religiosas. Por outro lado, muitos
são aqueles que, no domingo, não fazem mais nada, além de participar de um ou
outro trabalho da Igreja. Será que o mandamento do descanso é para não se fazer
nada? Há aqueles que neste dia não fazem nada de útil para si, sua família e
seu próximo. Uma boa parte dos cristãos passa o domingo inteiro assistindo à
televisão, por sinal, programas de péssimo nível. Desta maneira acham que estão
guardando o Dia do Descanso.
O domingo é dia de atividades
religiosas, pois os cristãos do Novo Testamento nos ensinam isso, mas, por
outro lado, a própria igreja pode apresentar uma sobrecarga de atividades neste
dia e na segunda-feira de trabalho o crente está estressado, cansado e sem
condições de trabalhar. Há também o formalismo ou legalismo em torno do
domingo. São regras quanto ao que se pode fazer e o que não se pode fazer.
O fato de ser Dia do Senhor
não significa que todos precisam passar o dia inteiro trabalhando na igreja ou,
então, trancados dentro de casa. É preciso ter uma visão mais libertadora do
domingo, entendendo o que o apóstolo Paulo disse: Romanos 14.5,6 5 - Um faz
diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha
opinião bem definida em sua própria mente. Quem distingue entre dia e dia para
o Senhor o faz 6 - Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem
come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o
Senhor não come, e dá graças a Deus. Colossenses 2.6 Ninguém, pois, vos julgue
por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábado.
3 - O DIA DE DESCANSO E O VERDADEIRO DESCANSO
Para o cristão, o mais importante é saber que
ele descansa numa Pessoa e não num dia. O descanso está em Cristo; Ele é o
nosso sábado ou domingo. Sem esta compreensão torna-se difícil vivificar de
modo correto o Dia do Senhor. Esta maneira de ver o domingo liberta do legalismo
e do formalismo que muitas vezes estão presentes em nossas Igrejas em relação a
este dia, à semelhança do legalismo dos escribas e fariseus quanto ao sábado.
Quando Jesus declarou... Mateus 11.28-30 Vinde a mim todos os que estais
cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e
aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para
as vossas almas. Porque o meu jogo é suave e o meu fardo é leve ... Ele estava
se referindo ao peso das tradições orais e acréscimos à lei, impostos pelos
judeus. É na pessoa de Jesus que se tem o verdadeiro descanso. Por ser o Dia do
Senhor, o domingo só pode ser bem compreendido e bem vivido por aqueles que
verdadeiramente estão no Senhor e na Sua pessoa descansam. Assim, pode-se dizer
que o cristão guarda o domingo para o louvor da glória de Deus, para o seu
próprio bem-estar, entendendo que este dia é uma lembrança do descanso que
Cristo veio trazer aos que são salvos por Ele.
DISCUSSÃO
1. Há atividades que de
segunda a sábado não são pecaminosas e que no domingo tornam-se pecaminosas?
2. Que sugestões podem ser
dadas para melhorar a guarda do domingo nas nossas igrejas?
3. Como você analisa a
questão dos profissionais que têm de trabalhar no domingo?
Autor:
Rev. Sérgio Pereira Tavares
JUBILEU DA TERRA — TEOLOGIA
O descanso e as terras livres (Levítico 25)
Os escritos bíblicos
enfatizam a idéia de um amplo acesso à terra e de uma vida digna nela. Alguns
diriam que essa é uma compreensão apenas do Primeiro Testamento; no Segundo, no
Novo Testamento, essa já não seria uma ênfase importante. De fato, embora no
Segundo Testamento a terra continue a ter sua função, esta já não é decisiva
como no Primeiro Testamento. Com a economia grega, o problema da escravização
dos corpos tornou-se o assunto principal da vida. Aliás, em torno dele se trava
a Guerra dos Macabeus, no início do segundo século antes de Cristo, e a Guerra
Judaica, de 66 a 70 depois de Cristo.
A rigor, a questão da escravidão,
especificamente, não é, por assim dizer, a terra, mas o corpo. E nesse sentido,
sim, o Segundo Testamento, em termos hermenêutico-sociais, não trata de um
assunto distinto do Primeiro; trata-o em outro contexto social.
Mas não é possível aqui tratar de questões tão
amplas como a que acabase de apontar. É preciso justamente restringir. Este
texto aborda tão-somente uma passagem bíblica específica: Levítico 25. Por meio
dela introduz-se e evoca-se algumas perspectivas interessantes, inclusive a da
escravidão, tão relevante uma vez que o contexto é o mundo persa e a passagem
às condições da economia grega. Afinal, a temática de Levítico 25 não está
muito distante de Neemias 5!
A insistência no descanso aos sábados
O descanso é um assunto
central na Bíblia. No decorrer dos séculos, tornou-se típico para a experiência
do povo de Deus.
Pode-se dizer que Jesus
também “descansou” em um dia específico.
Ressuscitou no primeiro dia
da semana, que para nós tornou-se o domingo. Ao vencer o poder da morte, Jesus
venceu os poderes contrários ao descanso da criação de Deus, das pessoas. O
trabalho incessante tende à escravidão. Domingos e sábados são ocasiões para se
reativar a memória da liberdade. Nesse sentido, é muito significativo que o
Antigo Testamento tenha interpretado o sábado radicalmente como dia de
descanso. O dia do Senhor tornou-se dia especial de descanso e liberdade para
pessoas, animais e plantas. A Bíblia não o interpreta como dia de atividades
religiosas. Antes, porém, o entende como dia da “preguiça”, sem atividade, nem
mesmo religiosa, muito menos sacrificial.
As formulações literárias
mais antigas, entre as quais Êxodo (23.12-13), incluem no descanso sabático
animais, escravos e filhos de escravas. Os socialmente mais fragilizados também
participam do descanso aos sábados, que torna-se um tempo de festa de
experiências de igualdade.
Em Êxodo (34.21) há uma interessante
atualização da norma sabática. Valida-se a exigência de descanso também para os
sábados que caem nos períodos da aradura e da colheita, embora nessas
atividades possa haver necessidade de trabalho também no sábado, para terminar
algum serviço iniciado.
Enfim, em Gênesis (1.1-2, 4) a própria criação
efetiva o sábado como descanso; aliás, ele é parte da própria criação. É
partilhado pelo Deus criador e por suas criaturas, pessoas e animais. Nestes e
em outros textos das Escrituras, o sábado é central. Torna-se marca de Israel e
de sua vivência com Deus. Para uma vida digna em meio aos jardins criados por
Deus, é preciso “viver de modo sabático”. Ao se descansar abrem-se as janelas
de novos mundos, para a sociedade, a fim de se superar a espoliação de pessoas
e animais.
É também nesse âmbito que se situa o tema do
ano sabático e do ano do Jubileu da terra em Levítico 25.
Os sábados e o sétimo ano
Os sábados se tornaram dias
de identidade. E, no mínimo, a partir do exílio do povo de Israel se transformaram
em um sinal cada vez mais importante. Embora antes já fossem relevantes (Am
8.4-6), são os tempos exílicos que aprofundam a identidade judaíta em relação
ao dia de descanso.
A experiência do sábado foi se ampliando na
história do povo de Israel e depois também nos caminhos das comunidades
messiânicas/cristãs. Parte dessa influência são os anos sabáticos (de sete em
sete anos) e o ano do jubileu. Mencionam-se aqui três formulações do ano
sabático:
1. Em Êxodo (23.10-11) há uma
formulação bastante antiga do ano sabático. Esse ano se refere à “tua terra”, a
ser plantada por seis anos (v. 10). Esses seis anos são para “ti” — o pronome
de segunda pessoa refere-se ao pequeno lavrador israelita que vive de sua
pequena gleba de terra, herança de seus antepassados. Mas no sétimo ano (v. 11)
o fruto da terra já não será para “ti”; destina-se aos “pobres de teu povo” e
aos “animais do campo” — tanto o que cresce na roça, quanto o fruto das vinhas.
No sétimo ano não há plantio, mas ainda assim os frutos são colhidos. Ao não se
arar nem se plantar a terra, caracteriza-se a sua existência nesse ano como de
descanso. Em descanso, a terra continua criativa, aliás, como também as
pessoas.
2. Deuteronômio 15.1-11 é um
texto magnífico e detalhado sobre o sétimo ano. Esse trecho deve ser do sétimo
século. É significativo que nele a referência seja ao empréstimo financeiro,
cujo pagamento a partir do sétimo ano já não pode ser exigido: “Não o exigirá
do seu próximo” (v. 2). A orientação básica é: “Ao fim de cada sete anos, farás
remissão” (v. 1). Os onze versículos do texto defendem essa medida do perdão de
dívidas. Tanto a radicalidade quanto a insistência argumentativa são típicas do
deuteronomismo. Não basta exigir; é preciso convencer o coração: “Livremente
abrirás a mão para o teu próximo” (v. 10).
3. Em Levítico (25.1-7)
tem-se uma versão exílica do uso sabático da terra. Pode ser que se trate de um
texto pré-exílico ou, mais provavelmente, pós-exílico. O certo é que refere-se
a uma época em que o território de Israel está anexado pelos assírios,
babilônios e, talvez, persas, e Judá está muito fragilizado. Um novo começo e
uma chance para o futuro exigem medidas de reforma e de verdadeiro recomeço.
Para tais reinícios é preciso retomar o melhor do passado e lançar sonhos já sonhados
para o futuro, em direção a práticas inovadoras. E a questão da terra aparece
aí como central, como indica todo o capítulo 25. O ano de descanso (v. 1-7)
começa a expressar o antigo-novo que precisa ser implementado. Basicamente
esses versículos reafirmam o que já está dito em trechos anteriores: “A terra
guardará um sábado ao Senhor” (v. 2), isto é, descansará, ou, como expressa o
capítulo 25: “Haverá um sábado de descanso solene”. Estão outra vez em questão
as plantas, que, embora sem plantio, crescem e dão colheita no campo, e as
árvores frutíferas (v. 3). É interessante que o primeiro a se beneficiar com o
produto do “sábado solene” seja um “tu”, isto é, o próprio agricultor
judaíta/israelita! Essa estranha (à primeira vista) destinação do que frutifica
“naturalmente” no sétimo ano tem a ver com as condições vividas por Judá e
Israel. Em 701, seus territórios foram arrasados e só em Judá 46 cidades foram
queimadas. No sétimo século, os assírios e outros povos continuamente invadiam
as terras e as espoliavam de tudo. Os tempos do exílio foram de extrema
pobreza. Logo, torna-se claro por que o capítulo 25 reverte os “benefícios” do
ano de descanso (o sétimo ano) para o “tu” (v. 6), para os do próprio povo de
Deus. Os demais nomeados no texto são os socialmente enfraquecidos, mas sempre
relacionados ao “tu”: “teu servo” e “tua serva”, “teu diarista” e “teu
estrangeiro”. Importa, pois, aqui mais que em outros textos, que esses
empobrecidos sejam “os filhos de Israel” (v. 1); também o gado e os animais são
“teus”, diretamente relacionados ao “tu”. Essa ênfase, peculiar de Levítico 25,
merece um destaque especial, considerando-se também o novo conceito peculiar de
Israel — servo! —, que emerge dos tempos e da sociedade exílica. (Veja Isaías
52–53.)
Sim, o sábado e o ano
sabático (ano de descanso) tiveram grande importância na vida social de Israel.
O ano do Jubileu se situa nessas tradições. Em um contexto peculiar e no
desenvolvimento dessas tradições do dia de sábado e do ano sabático,
desdobra-se com vitalidade outra antiga tradição de Israel. Ainda que antigo,
esse costume jubilar só veio a florescer em tempos de exílio e pós-exílio, mas
então com redobrado vigor e rigor. Só haverá futuro se houver nova lida com a
terra. Eis a questão!
Um desaguadouro
e um projeto para o recomeço — Levítico 25.8-55
Na tentativa de realçar o sentido e a própria
atualidade de Levítico (25.8- 55), devem-se considerar vários aspectos.
Comecemos pelo Novo Testamento, com o texto de Lucas 4. Afinal, há quem possa
ter a impressão de que anseios concretos como os de “reforma agrária” não
caberiam na proclamação de Jesus. É importante perceber a concretude de seu
evangelho, de seu sentido em favor de alimento e de terra para o povo de Deus.
As palavras do capítulo 4 são centrais no evangelho de Jesus em Lucas (veja
também o Magnificat de Maria em Lucas 1.46-55).
O ano aceitável — Lucas
4.16-30 Na verdade, esse texto de Lucas se baseia especificamente em Isaías
61.1-4, mas situa-se também no âmbito de Levítico 25. Particularmente interessa
o versículo 19, que se refere claramente ao Jubileu: “E apregoar o ano
aceitável do Senhor”. Essa é, à luz do verso 18, a última e decisiva tarefa
messiânica. Esse “ano aceitável” celebra o direito de todas as pessoas aos bens
sociais, em especial à terra. Vida digna tem a ver com acesso à terra; sem
terra a vida se desumaniza. A tragédia brasileira de milhões de pessoas sem
nada é a da terra de poucos; 500 anos de vida sem chão sob os pés resultam na
tristeza de nossas favelas e malocas. Deus nos dá o ano da graça! Abre portões
e apodrece cercas! O ano da graça é a bem-aventurança suprema (v. 18). Quatro
detalhes o realçam: dois afloram por palavras e dois, por atos, o que, em
sentido bíblico, são dois lados do mesmo. Esse ano da graça se faz evangelizando
e proclamando. Pobres são evangelizados, pois na graça sua desgraça se desfaz.
Aos cativos será proclamada libertação! Cada um desses propósitos é mais lindo
que o outro em seu afim de nova vida. O ano da graça se faz também na
“restauração da vista” e na “libertação dos cativos”. Esse ano da graça vale a
pena, porque suas palavras são maravilhosas e suas ações libertadoras são
encanto, são “palavras de graça” (v. 22).
A profecia já o dizia. Por
toda a Bíblia o lemos. Nos Salmos o rezamos. A sabedoria bíblica o incute. Pois
sem lugar para viúvas e oprimidos não há povo que seja de Deus. Isaías 61 é
apenas um dos textos que o confirmam. Todo o livro de Isaías grita-o aos quatro
ventos: criancinhas, viúvas e pobres são “meu povo” (3.15); e “o escravo” é seu
sinal, presença de Deus (42.1-4; 52-53). Sim, a própria esperança tem sua raiz
nas frágeis crianças, “maravilhas” do Senhor (8.16-18; veja também 7.10-17;
9.1-6; 11.1-5).
Isaías 61 constitui povo em
meio ao dilaceramento, a um exílio que a todos tornara um vale de ossos secos
(Ezequiel), escravos de rostos golpeados, feridos, torturados (Isaías 40-55),
natureza sem vida (Lamentações). É daí que emerge o povo novo, saído de
escombros e canseiras (Isaías 40). Não há como não ler esse Isaías, passado pelo
exílio na Babilônia, sem nossa própria história. Afinal, não raro achamos mais
aprazível viver de costas para nossas “veias abertas”. Sonhar com as “Europas”
é mais educado e alegra nossos corações. Nossas chagas são demasiadas e como
que sem solução. Índias e negras ainda choram seus lamentos. Não é boa a
América Latina e Caribenha. E eis aqui o alento da graça! Os corpos ungidos e
coroados, libertos, serão chamados “carvalhos da justiça” (Is 61.3).
A profecia impulsiona o sonho
por uma nova criação. A vida se recria a partir da vivência e prática da
justiça, e, a partir dessa justiça, as pessoas são recolocadas na teia das
relações sociais. Os jardins da justiça são o lugar onde se inserem as novas
criaturas.
A terra do “ano aceitável” —
do Jubileu — anseia por corpos com saúde, por roças acessíveis a toda gente,
por povos sem divisões, como explicam Lucas 4.20- 30.
A terra precisa
voltar
O trecho de Levítico 25.8-55
é longo e diversificado. Por isso, observá-lo por partes facilita a percepção
de algumas de suas peculiaridades: v. 8-12; v. 13-19; v. 20-24; v.25-28; v.
29-34; v. 35-38; v. 39-46; v. 47-54; v. 55. Nos comentários a seguir, dá-se
preferência a alguns aspectos das subdivisões.
A matriz do texto: liberdade
e terra andam de mãos dadas — v.8-12 Estes são versículos fundamentais destas
orientações, de seus mandamentos e de suas proibições. São, por assim dizer, a
matriz de origem do que segue.
De acordo com o verso12b, “o
produto do campo” destina-se a “vós”. Aí há que lembrar que no sétimo ano, no quadragésimo
nono ano, pois, já tivemos um “ano de descanso”, quando os produtos ficaram
destinados, principalmente, aos animais e aos empobrecidos (v. 6-7). Não se
estranhe, pois, que agora, no ano subseqüente (qüinquagésimo ano), os produtos
crescidos por conta própria sejam de “vós”, sem que haja definição maior.
Contudo, neste particular o verso 11 tende a ser mais restritivo, excluindo
esses mesmos “vós” da colheita.
Em todo caso, o mais
relevante está no verso 10, segundo o qual no qüinquagésimo ano “proclamareis
liberdade na terra”, quando “tornareis cada um à sua possessão, e cada um à sua
família”. Esse é o ano do Jubileu: da volta à terra e à família! Da volta à
terra e à família nascerá a liberdade. Liberdade e terra andam de mãos dadas.
Sem o chão não há caminho próprio. Cada qual, voltando à origem de sua família,
estará regressando às terras originárias da família, onde encontrará a terra em
liberdade, desocupada de quem a tenha “adquirido” até a chegada do ano do
Jubileu.
Detalhamentos: a terra não
tem preço, só empréstimo — v.13-19 Esses versículos já entram em detalhamentos.
O assunto é o que se vende ou se compra ao vender ou comprar uma “possessão”.
Pois, afinal, ao se vender, vendese a possessão, não a terra, que não há como
ser vendida (1 Rs 21).
A compra de uma terra, a
rigor, é a compra do direito de plantio e de uso da terra até o próximo
Jubileu: à venda somente está, pois, “o número dos anos das messes” (v. 16).
Nesse caso, oprimir o próximo seria desconsiderar essa norma. Trata-se de uma
cessão por tempo, por no máximo cinqüenta anos. Logo, o preço varia de acordo
com esse tempo de cessão e não é relativo à terra, de acordo com o mercado,
como acontece hoje. Pois terra não tem preço, já que é dom, dádiva de Deus, que
libertou seu povo do Egito (Js 1-11, 12-24); logo, não tem preço, só
empréstimo.
Para que a terra não seja
feita mercadoria, para que possa ser cedida, porém não vendida, é preciso
observar “leis” e “direitos” (v. 18). Aí, sim, se pode “habitar” na terra (v.
19). Tais promessas condicionadas pressupõem o exílio de Judá, a partir de 587
antes de Cristo. Explicam também por que Judá e Israel perderam suas terras e
foram deportados ao exílio e submetidos a trabalhos forçados na Assíria e na
Babilônia: porque não se ativeram às “leis” em prol dos indefesos e aos
“direitos” do povo. Quando a terra foi feita mercadoria, quando os pobres dela
foram roubados, começou o fim, o exílio, a deportação. Por isso, agora, no
exílio e no pós-exílio, faz-se necessário começar de novo, retomando as antigas
tradições de que terra não é mercadoria, de que ela não tem preço.
Superando os
argumentos racionais de medo da lei — v. 20-24
Não faltará alimento para
aquele que cumprir a lei do ano do Jubileu, ainda que ele observe o ano
sabático (o sétimo ano), resultando assim em dois anos seguidos de celebração
de descanso. Essa é a clara ênfase dos versículos. O texto quer superar as
argumentações racionais de medo da lei, de que a própria observância da lei
possa resultar em fome. Ele vai apresentando uma brilhante formulação teológica
cujo objetivo é afastar quaisquer inseguranças de parte da população. A
espiritualidade é a que se propõe superar em uma tese aguda quaisquer
incertezas. É o que se lê no verso 23: “Também a terra não se venderá em perpetuidade,
porque a terra é minha; pois vós sois para mim estrangeiros e peregrinos”.
À luz dos versículos
anteriores, a rigor se diria que a terra é da família, da herança (veja 1 Reis
21). Justamente por isso é que não pode ser vendida, considerandose também que
na roça ficam a sepultura dos antepassados (veja Gênesis 23). Esse é, por assim
dizer, o argumento mais antigo em relação à terra como bem familiar. Aqui, no
verso 23, temos um argumento mais teológico e recente: não se pode vender a
terra porque ela é doação de Deus. À luz do êxodo, a terra foi “dada” ao povo.
Deus Javé, como doador, é também seu dono, eternamente. Por isso não cabe preço
ao solo, já que uma doação não pode ser repassada em contrato de compra e
venda. Assim, Israel é feito, em termos mais teológicos que sociais,
“estrangeiro” (não “estranho”!) e “peregrino” na própria terra. Por ser
“possessão”, é como se fosse de “peregrino”! Eis o sentido da terra.
A remissão da
terra — v. 25-28
Agora o enfoque muda
novamente: trata-se da remissão da terra (veja Deuteronômio 15). Já foi
mencionado que as subdivisões passam a assumir conteúdos próprios, vinculados
ao Jubileu, mas que, a rigor, têm suas próprias ênfases. Nos versículos 13-19 e
20-24 foi assim. Agora, nos versos 25-28, acontece o mesmo. O eixo central
permanece, de certo modo, o Jubileu, mas o que a ele se agrupa não tem relação
originária com ele.
Os versículos 25-28 tratam do caso de “irmãos”
empobrecidos que tenham de pôr à venda suas possessões ou algo delas e da
função do resgatador, um parente seu (v. 25) que faça o resgate, caso suas
condições lhe permitam (v. 26-27). De todo modo, todas as possessões sobre as
quais recaiam dívidas serão resgatadas. Isso pode ocorrer por meio daquele que
tiver direito à possessão, ou de outra pessoa, ou, enfim, por meio do próprio
ano do Jubileu — no qüinquagésimo ano acontece a libertação da terra. Nenhuma
terra permanecerá, pois, alienada para sempre em Israel.
Há que considerar que o
resgate de dívidas que pesassem sobre a terra era uma instituição, em si,
específica. O resgate não se aplicava apenas a questões de terra, se bem que aí
ele tivesse seu sentido peculiar. Aqui, esse assunto é associado ao tema da
terra, porque a ele pertence, assinalando os diversos costumes e direitos que
defendem a terra sob controle do Javé exodal e do tribalismo, cuja instituição
central é a terra na mão de quem a trabalha.
A remissão das casas — v. 29-34
Aqui também se trata de
resgate, mas o ângulo é outro. Estão em questão as casas, sob dois enfoques: as
casas nas aldeias e as casas em cidades com muro. Casas em aldeias, onde
justamente moravam os camponeses, também fazem parte da lei do resgate (v. 31).
Após cinqüenta anos retornam a seus “proprietários” originais. O mesmo vale
para as casas dos levitas (v. 32-34), seja em aldeias, seja em cidades muradas.
Portanto, a grande maioria das casas é excluída da venda perpétua. Somente
casas em cidades com muros podem ser vendidas após um ano de desocupação (v.
29-30).
Há que considerar que na
época cerca de 90% da população vivia em aldeias.
Basicamente, as casas são
vistas à luz dos costumes e interesses do campo. Aliás, a ótica camponesa é a
que prevalece no capítulo 25, o que se percebe, por exemplo, nos versículos em
questão. Em geral, as casas, mesmo as de centros urbanos, são submetidas às
condições rurais. E os levitas são focalizados na perspectiva de sua pertença
ao campesinato. Pensa-se, pois, o ano do Jubileu como senso de costumes rurais,
de jurisprudência aldeã.
O sustento de pessoas empobrecidas — v. 35-38
Esses versículos tratam de
pessoas empobrecidas que têm de ser sustentadas. Tem-se a impressão de que
refere-se não apenas a pessoas empobrecidas pela violência da opressão e
espoliação (veja Amós), mas também a gente golpeada por doenças e incapacidade para
o trabalho. De acordo com o verso 35, “sua mão” está decaída. Essa “mão” pode
ser a própria vida, porém é mais provável que seja, mais especificamente, as
forças de vida da pessoa. Ao dar-lhe ou emprestar-lhe alimento, não há que
esperar que ela o devolva (v. 36-37). Também não se podem cobrar juros (v. 36-
37), o que, aliás, aplica-se a qualquer irmão (Dt 15.1-11).
Por fim, o trecho insiste em
considerar tais irmãos empobrecidos na lógica da história da salvação. No
Egito, Deus escolhera os mais empobrecidos, os próprios escravos (v. 38).
Acima, no verso 36b, o argumento provém do “temor a Deus”, do seguir a ele.
Pela quantidade e variedade
de argumentos, percebe-se quão aguda era a situação desses “irmãos
empobrecidos”. Essas são condições pós-exílicas, semelhantes àquelas
encontradas em Lamentações ou em Ageu.
A terra precisa estar livre, e as pessoas também — v.
39-46
O “irmão empobrecido” (v. 34-38) tende a
tornar-se “escravo” (v. 39-46), no caso de seu nível de espoliação e
expropriação ser aumentado (v. 39). O escravo é o assunto desta subdivisão,
cuja parte final (v. 44-46) trata do escravo estrangeiro. É permitido que se
tenha tal escravo em perpetuidade. Contudo, muito poucos terão sido os homens
ricos em Judá que tinham tais escravos em tempos pós-exílicos, pois a grande
maioria do povo de Deus era muito pobre e dependente. O problema maior, aos
olhos do povo (veja Neemias 5), era a pobreza e a escravização, que estão em
foco nos versos 39-42.
É preciso atentar para o verso 42, semelhante
ao 36a. A escravidão vivida no Egito e a libertação dela são, novamente,
padrões de argumentação em favor do escravo irmão.
O “irmão empobrecido” não
pode ser chamado de “escravo” (v. 39), mas é “jornaleiro e peregrino” (v. 40),
ainda que sua realidade seja a de pessoa até cinqüenta anos a serviço de seu
credor (portanto, um “escravo”).
Esse “jornaleiro” ou
“escravo” retornará à sua possessão no qüinquagésimo ano.
Percebe-se nessa parte do
capítulo 25 de Levítico o quanto se deseja evitar a escravidão no meio do povo
de Deus. A terra precisa estar livre, mas na mesma intensidade também as
pessoas. (Em Êxodo 21.1-11 ainda não se percebia essa ênfase cada vez mais
antiescravagista da memória bíblica. Há que lembrar que a Guerra dos Macabeus,
em 176 antes de Cristo, ou mais tarde a Guerra dos Zelotes, de 66 até 70 depois
de Cristo, foram, por excelência, levantes antiescravagistas. O horror à
escravidão já está formulado em um trecho como o dos versos 39-42.)
Os escravos
estrangeiros em Israel — v. 47-54
Com relação ao tema da
escravidão é preciso entender que esta refere-se àquela pessoa que tenha sido
vendida como escrava a um “estrangeiro ou peregrino” que vive em Israel. Nos
versículos 44-46, nota-se uma situação mais ou menos inversa: a escravidão de
pessoas vindas das nações. Nesse sentido, os versos 47-54 completam os versos
anteriores. A diferença está em que as pessoas (escravizadas) nos versos 44-46
não tenham em comum com os filhos de Israel e Judá a mesma terra, mas terras
distintas. Já os “estrangeiros e peregrinos”, nos versículos 47-54, estão
escravizando “teu irmão” em terra dada por Deus. Em terra dada por Javé
libertador as leis são diferentes daquelas em terras das nações. Nas terras
dadas aos ex-escravos libertos da casa da escravidão no Egito não pode haver
escravos nem escravas!
O “irmão” em mãos de
estrangeiro pode ser resgatado (v. 48-49), e o resgate pode dar-se em qualquer
momento nos anos anteriores ao do Jubileu ou, ao mais tardar, naquele “ano da
graça” (v. 54). O “estrangeiro” fica, pois, submetido às leis de Israel ao
morar nas terras do povo de Deus. Esse terá sido um motivo de não poucos
conflitos, considerando que naqueles tempos Judá não passava de uma província
persa.
A assinatura final: “Eu sou o Senhor, vosso Deus” — v.
55
Este versículo poderia
agregar-se somente à última subdivisão dos versos 47-54. Mas parece que sua
função vai além em relação ao que vem imediatamente antes. Ele tem o capítulo
25 como um todo em sua perspectiva.
“Eu sou o Senhor, vosso Deus” equivale a uma
assinatura final. O que nesse capítulo 25 de Levítico se diz em favor das
pessoas, dos escravos e das escravas, e dos animais brota da fé em Javé, o Deus
de Israel. Esse Deus, Javé, e os cuidados com irmãos e irmãs são confluentes.
Em Deus Javé é preciso passar a viver nas perspectivas da liberdade, do fim do
acúmulo da terra e do fim da escravidão.
Além disso, “os filhos de
Israel” têm relação especial com o Senhor Javé: são-lhe “escravos”. É
interessante que em um texto como o de Levítico 25 se conclua realçando a relação
de “escravidão” com “Eu Sou”. O ser de Deus nos tira da escravidão, fazendo-nos
seus escravos e escravas, adoradores somente dele, de seus caminhos de
libertação e de liberdade. É nesse sentido, de adoradores exclusivos do Deus da
libertação, que somos escravos dignos, porque pessoas livres.
/artigos/294/o-descanso-e-as-terraslivres-levitico-25
FONTE :
SANTIFICARÁS O SÁBADO
A palavra "sábado"
é um termo hebraico e significa "sétimo". O mandamento do descanso
foi instituído por Deus, em primeiro lugar, para que o ser humano pudesse
descansar. Lembre de que o contexto do advento da lei era a libertação da escravidão
de Israel no Egito.
Como
escravos, os hebreus não tinham descanso, eram explorados diuturnamente a fim
de produzir mais e mais para o império de Faraó. Este via os judeus como
números ou objetos necessários para enriquecerem ainda mais o Palácio. O Faraó
não via os hebreus como pessoas que precisavam descansar e recarregar as
energias porque eram pessoas, gente que precisava de dignidade. Apesar de Faraó
não ver os israelitas como seres humanos, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e
o Deus de Jacó contemplou todo esse processo de escravidão humana. E ouviu o
clamor do seu povo!
Por razões culturais,
religiosas e teológicas as três principais religiões monoteístas do mundo
guardam um dia da semana como o significado de descanso e reverência a uma só
divindade: os judeus, o Sábado; os árabes, a Sexta-Feira; os cristãos, o
Domingo. Mais que discutir o dia do descanso, o importante é observarmos o
sentido do Sábado, o seu descanso e a sua reverência para o Criador dos Céus e
da Terra.
Ora, para nós, que
confessamos Jesus como Salvador, o domingo é o dia do Senhor. Observamos o
domingo porque foi o dia em que Jesus de Nazaré ressuscitou dos mortos, a
Igreja Primitiva se reunia para comer o pão e confraternizar-se com alegria e
singeleza de coração. Não é verdade que foi Constantino quem inventou o
Domingo, o imperador romano apenas o legitimou e oficializou uma prática de
mais de três séculos guardada pela comunidade cristã primitiva.
Não tenha esta pergunta como
legalista, mas o que estamos fazendo com o dia do Senhor? Salva as exceções, o
dia de descanso oficial no mundo ocidental é o domingo. Numa perspectiva
bíblica e evangélica, neste dia deveríamos dedicar-nos a meditação espiritual,
adoração ao Senhor com os irmãos, o convívio com a família e a visita aos
enfermos. Um dia para se viver em comunidade! Não mero ativismo religioso onde
pessoas se cansam mais do que no trabalho secular.
A lição desta semana não pode
se deter apenas em assuntos periféricos, tais como "os adventistas estão
certos ou errados" ou em "sermos ou não legalistas". O sentido
desta lição é mais do que esse. É fazermos uma pergunta honesta: O que estamos
fazendo com o dia do Senhor? E com a nossa vida e saúde?
Revista ensinador. Editora CPAD. pag. 39.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O quarto mandamento é uma ponte
que liga os mandamentos teológicos com os mandamentos éticos. Os três primeiros
preceitos do Decálogo dizem respeito à responsabilidade do homem com o Criador;
os demais falam sobre o compromisso do homem com o seu próximo. A guarda do
sábado fica entre esse dois grupos, pois a lei é clara em mostrar seu caráter
social e humanitário e também sua função religiosa.
As controvérsias em torno
deste mandamento se referem à sua interpretação. O que acontece é que existe o
sábado institucional e o sábado legal, e quem não consegue separar estas duas
instituições terminam radicalizando indo aos extremos. Esse é o principal
problema dos sabatistas da atualidade, como os adventistas do sétimo dia. Todos
os mandamentos do Decálogo dependem de definições e de como aplicá-los na vida
diária, e essas instruções são dadas no próprio sistema mosaico. Mas as
definições nem sempre são conclusivas. Por exemplo, o que a Bíblia define como
trabalho? O mandamento de santificar o sábado é mais bem compreendido quando se
analisa o propósito pelo qual ele foi dado.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 61-62.
"Lembra-te do dia do
sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra, mas o
sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu,
nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu escravo, nem a tua escrava, nem o
teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Pois em seis
dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, mas ao sétimo
dia descansou. Por isso abençoou o Senhor o dia de sábado, e o
santificou".
Esse é o único mandamento que
não se encontra repetido na nova aliança. Esquadrinhando todo o Novo
Testamento, não encontramos nenhum ensino de Jesus ou dos apóstolos para
santificarmos o dia sétimo mais do que qualquer outro.
Todos os que ensinam que o
sábado, o sétimo dia, deve ser santificado por todos os cristãos, não guardam
este dia da maneira como foi ordenado. Os tais devem saber que a lei, ao mandar
guardar ao sábado, também diz como ele deve ser observado. Para guardar o
sábado os israelitas recebem as seguintes instruções:
1) não fazer nenhuma obra
nesse dia, Êxodo 20.10;
2) trabalhar nos outros seis
dias, v. 9;
3) não podiam apanhar lenha
no dia de sábado; um homem achado fazendo isso foi apedrejado até morrer,
Números 15.32,36;
4) não acender fogo em casa,
Êxodo 35.3;
5) sacrificar duas ovelhas em
oferta de manjares todos os sábados, Números 28.9,10.
Se os sabatistas querem
insistir na guarda do sétimo dia, então terão de guardá-lo conforme estes
preceitos.
A lei exigia que toda comida
fosse preparada na véspera do sábado, e este dia era conhecido no tempo de
Jesus como "o dia da preparação", assim mencionado nos Evangelhos. Os
judeus que guardam a letra da lei, nem sequer acendem luz elétrica no sábado,
porque seria acender lume. E se nós estamos vivendo sob a lei, devemos obedecer
aos mandamentos em todos os preceitos.
Mas graças a Deus que não
vivemos sob a lei, mas sob a graça da nova aliança, e por isso não estamos
obrigados a guarda um dia mais do que outro. Em Romanos 14.5,6 o apóstolo
escreve: "Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos
os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que
faz caso do dia, para o Senhor o faz. O que come para o Senhor come, porque dá
graças a Deus; e o que não come para o Senhor não come e dá graças a
Deus".
A doutrina dos que guardam o
sábado corresponde com esta? Não, porque dizem que o sábado tem de ser guardado
sobre todos os outros dias. Negam assim o privilégio de cada um decidir por si
mesmo a esse respeito, privilégio que é parte da gloriosa liberdade dos filhos
de Deus.
Muito se ensina no Novo
Testamento acerca do primeiro dia, o do Senhor, mas à luz de Romanos 14.4-6,
entendemos que a questão de guardar um dia mais do que a outro não era
obrigação, mas opção na primitiva igreja.
O dia do Senhor, ou o
primeiro dia, era guardado tendo por motivo o amor, e não a lei.
Se alguém arguir que Jesus
guardava o sábado de Moisés, replico: tinha de fazer assim, visto que veio sob
a lei e guardou todos os mandamentos de seu Pai para os judeus; porém, ao
estabelecer a nova aliança, não nos deixou nenhum mandamento a respeito do sábado,
exceto o que já mencionamos em Romanos 14 e em Hebreus 10.25, onde diz:
"Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes,
admoestemo-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando
aquele Dia". Somos ensinados acerca das reuniões, mas o dia para
realizá-las fica à nossa escolha.
Abraão de Almeida. O Sábado, a Lei e a Graça. Editora
CPAD.
I. O SÁBADO DA CRIAÇÃO
1. O SHABAT.
O substantivo hebraico
shabbat, "sábado", ou sábbaton, em grego, "sábado, semana",
indica no calendário de Israel o sétimo dia da semana marcado pelo descanso do
trabalho para cerimônias religiosas especiais, além de significar um período de
sete dias, uma semana (BAUER, 2000, p. 909). O termo shabbãtôn significa
"sabatismo, guarda ou observância do sábado", pois a desinência -ôn é
característica de substantivo abstrato. Ele aparece no relato da criação:
"E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito,
descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 62.
Os Termos
A palavra hebraica sabbat
significa descanso ou cessação; provavelmente está relacionada à forma verbal
sbt, que significa “trazer a um fim”. Alguns estudiosos supõem que a ideia do
sábado surgiu na Babilônia, e que o termo hebraico sabbat se relaciona à
palavra acadiana (babilônica) sab/pattu, que fala do dia de lua cheia. Esta
teoria perdeu aceitação em anos recentes. A palavra grega na Septuaginta é a
forma transliterada do hebraico sabbaton, que pode significar especificamente o
sábado ou pode referir-se a uma semana inteira.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de
Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 2.
SÁBADO.
(cessação, descanso', LXX, sábado, semana). O dia da semana de descanso e
adoração dos hebreus, que era observado no sétimo dia da semana, começando ao
por do sol na sexta-feira e terminando ao por do sol no sábado.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia.
Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 266.
Gn 2.2 E havendo Deus
terminado no dia sétimo a sua obra... descansou.
O autor da fonte de Gên.
2.1-3, a fim de emprestar a maior autoridade a essa observância, fez o próprio
Deus instituí-la, como se assim tivesse sido desde o princípio. Os estudiosos
conservadores aceitam o texto conforme ele está escrito, pensando em uma
genuína instituição divina do sábado, após a obra da criação. Os críticos
atribuem essa seção à fonte P (S).
A versão siríaca diz aqui “no
sexto” dia, mas não há razão para supormos que “sétimo” não seja o texto
correto, sendo esse o texto padrão hebraico, como também o texto mais difícil.
Os escribas, com freqüência, alteravam os textos difíceis para torná-los mais
fáceis ou aceitáveis, mas dificilmente faziam o contrário. Talvez o autor sacro
pensasse que a instituição do sábado foi o real encerramento das obras da
criação. Alguns têm emendado o texto de “terminado” para “desistido”, mas essa
emenda é desnecessária.
“A narrativa da criação,
vista através dos olhos da nova nação de Israel, nos dias de Moisés, reveste-se
de grande significação teológica. Dentre o caos e as trevas do mundo pagão,
Deus tirou o Seu povo, ensinando-lhes a verdade, garantindo-lhes a vitória
sobre todo poder dos céus e da terra, comissionando-os para serem Seus
representantes e prometendo-lhes descanso teocrático. E isso, igualmente,
haveria de encorajar crentes de todos os séculos” (Allen P. Ross, in loc.).
A instituição do sábado
sugere a legislação mosaica que haveria de seguir-se, bem como todos os
privilégios de Israel como nação que haveria de ensinar a todas as demais
nações.
Descansou. Não a fim de
sugerir que o Ser Supremo pode ficar cansado, pois temos aqui uma declaração
antropomórfica que diz respeito à cessação de atividades. Simbolicamente
falando, o sábado foi uma obra de redenção, porquanto retrata o descanso após o
pecado e a aceitação, como filho, na casa do Pai, Mas nesse sétimo dia não houve
mais atividade criativa.
Gn 2.3 E abençoou Deus o dia
sétimo, e o santificou. A instituição do sábado. Seria realmente parte de um
documento muito antigo, que falava sobre a criação, ou o sábado foi
subentendido no antigo relato, por parte de um escritor posterior? Ou todos os
autores das fontes do Gênesis foram posteriores, em cujos dias o sábado já
havia sido instituído? Provi artigos sobre esses problemas. Os emditos
conservadores, crendo na autoria mosaica do Gênesis, supõem que ele soube da
instituição divina do sábado mediante inspiração, e que isso serviu de
apropriado clímax da criação original. O artigo que apresento no fim do
versículo, a respeito do sábado, explica a questão em seus pormenores,
incluindo as controvérsias sobre a alegada natureza obrigatória do sábado para
os cristãos.
O sábado era a grande
instituição da fé do povo hebreu. A legislação mosaica lhes dera suas
instituições, ritos e crenças, mas nada era mais importante do que o sábado. Os
críticos pensam que a exaltada natureza do sábado tenha sido uma das
conseqüências do exílio babilônico, mas sem dúvida temos aí uma apreciação
exagerada. O sábado, desde os tempos mais remotos, serviu sempre como sinal
mais decisivo para quem era hebreu ou judeu. Como é claro, havia outros sinais,
incluindo a circuncisão (Gên, 17.10), e, naturalmente, as grandes provisões da
própria lei mosaica.
As Razões da Separação. O
autor sagrado apresenta várias delas no tocante à história da criação: a luz
foi separada das trevas (1.14); as águas das águas (1.6); as águas de cima do
firmamento das águas de baixo (1.9); as espécies foram separadas umas das
outras, e não mediante evolução (1.11,20). O sábado separou um tempo de outro,
o tempo devotado ao trabalho, do tempo devotado ao descanso e ao serviço e adoração
a Deus. Em tempos posteriores, o santuário divino serviu de meio de separar o
sagrado do profano, o divino do humano.
Deus Santificou o Sábado.
Nesta oportunidade não ficou esclarecido como o sábado seria expresso e
obedecido. Mas as instituições posteriores dos hebreus nos dão informações. A
adoração a Deus era frisada no dia de sábado, quando então havia culto ao
Senhor. Tal como o sábado é separado para ser observado pelo homem, assim
também o homem é separado para Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 21.
2. DEUS CONCLUIU A CRIAÇÃO
NO DIA SÉTIMO.
E abençoou Deus o dia sétimo
e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e
fizera" (Gn 2.2, 3).
Deus celebrou o sétimo dia
após a criação e abençoou este dia e o santificou. Gênesis é o livro das
origens de todas as coisas, dos céus e da terra, do homem e do pecado, do
sacrifício e da promessa de redenção, do casamento, da família, das nações, das
línguas, da nação de Israel, do sábado e da semana. O sábado e a semana tiveram
a sua origem em Deus. A divisão hebdomadária do tempo aparece desde os dias
pré-diluvianos e no período patriarcal (Gn 7.4, 10; 8.10, 12; 29.27, 28). Mas a
semana na Mesopotâmia seguia as fases da lua, por isso nem sempre o sábado
coincidia com o sétimo dia. A semana dos egípcios era de dez dias.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 62-63.
O quarto mandamento (Êx
20.8-11), embora claramente um elemento integral dos quatro primeiros — aqueles
pertencentes à pessoa, à natureza e à adoração do Senhor — é uma transição para
os seis restantes no fato de que tem que ver com o tratamento dos seres humanos,
especialmente no relacionamento deles com o dia de descanso. Este é antecipado
pela narrativa da criação, que declara: “No sétimo dia Deus já havia concluído
a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o
santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação” (Gn
2.2,3). Para Deus, o descanso não representava (e não representa) que ele se
recuperaria da exaustão do labor, mas simplesmente que pararia o que estivera
fazendo (hebraico, sbt). Ele, ao abençoar o dia, celebrou a obra de criação
terminada, acrescentando a ela, por assim dizer, seu amém de aprovação.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo
Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 332-333.
O Dia do Santo Descanso (2.1-3)
Os primeiros três versículos
deste capítulo pertencem apropriadamente ao conteúdo do capítulo 1, visto que
trata do sétimo dia na série da criação. Durante seis dias, Deus esteve criando
e formando a matéria inorgânica, as plantas, os animais e o homem. De certo
modo, tudo isso ocupa e está relacionado com o espaço. O homem recebeu a ordem
específica de sujeitar o que se encontrava no âmbito espacial. Deus inspecionou
tudo e considerou muito bom; Ele concluiu tudo que quis criar. Certos rabinos
antigos ficaram aborrecidos porque pensaram ter visto aqui uma indicação de que
Deus trabalhara no sábado. O rabino Rashi declarou que o que faltava para o
mundo era descanso, e assim o último ato de Deus foi a criação do Sábado, no
qual há quietude e repouso.
George Herbert Livingston, B.D.,
Ph.D. Comentário Bíblico Beacon. Gênesis. Vol.1. pag.
34-35.
3. A BÊNÇÃO DE DEUS SOBRE
SÉTIMO DIA.
Deus abençoou e santificou o
sétimo dia como um repouso contínuo, a dispensação da inocência, interrompido
por causa do pecado. Agostinho de Hipona lembra que não houve tarde no dia
sétimo, pois Deus o santificou para que ele permanecesse para sempre: "Ora
o sétimo dia não tem crepúsculo. Não possui ocaso porque Vós o santificastes
para permanecer eternamente" [Confissões, Livro XIII.36). Adão e Eva viveram
esse repouso durante a inocência até a Queda: "Foi o princípio e o tipo de
repouso ao que a criação, depois que caiu da comunhão com Deus pelo pecado do
homem, recebeu a promessa de que uma vez mais seria restaurada pela redenção,
em sua consumação final" (KEIL & DELITZSCH, tomo 1, 2008, p. 41). O
sábado da criação aponta para o descanso de Deus para o mundo inteiro no
fim dos tempos: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de
Deus" (Hb 4.9).
O sábado legal não foi
instituído aqui. Isso só aconteceu com a promulgação da lei. O sétimo dia é o
fundamento da guarda do sábado dada aos israelitas, visto que este dia foi
santificado desde o princípio do mundo. O sábado institucional é para toda a
humanidade e por isso Deus o santificou antes de estabelecê-lo como mandamento
para Israel. "A santificação do sábado institui uma ordem para a
humanidade segundo a qual o tempo é dividido em tempo e tempo sagrado... Por
santificar o sétimo dia, Deus instituiu uma polaridade entre o dia a dia e o
solene, entre dias de trabalho e dias de descanso, a qual deveria ser
determinante para a existência humana" (WESTERMANN, 1994, p. 171). O
sábado institucional não é necessariamente o sétimo dia da semana, mas um a
cada seis dias.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 65-66.
Gn 2 .3 - O fato de Deus ter
abençoado o sétimo dia significa que Ele o separou para uso santo. Este ato é
encontrado nos Dez Mandamentos (Èx 20.1 -17), no qual Deus ordenou a observância
do sábado. Quanto ao ensino do sábado no NT, ler as seguintes passagens: Mateus
12.8; Colossenses 2.16. Consideremos, ainda, que o sábado, no AT, prefigurava o
repouso que todos encontramos em Cristo Jesus (Hb 4.1-11).
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo
Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 7.
Gn 2.3 afirma que Deus
"santificou" ou colocou à parte o dia de sábado porque ele descansou
nesse dia. Mais tarde, na lei mosaica, o sábado foi colocado à parte como dia
de culto (veja nota em Êx 20.8). Hebreus 4.4 distingue entre o descanso físico
e o descanso redentor para o qual o primeiro apontava. Está claro em Cl 2.16
que o sábado" de Moisés não possui lugar simbólico ou ritual na nova
aliança. A igreja começou a realizar cultos no primeiro dia da semana para
celebrar a ressurreição de Cristo (At 20.7).
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade
Bíblica do Brasil. pag. 19.
II. O SÁBADO INSTITUCIONAL
1. DESDE A CRIAÇÃO.
Aqui está a base do sábado
institucional e do sábado legal. Deus completou a sua obra da criação no sétimo
dia. Duas vezes o texto sagrado declara que Deus "descansou" ou seja,
cessou, esse é o significado do verbo hebraico usado aqui, shãbat, cessar, desistir,
descansar" (Gn 8.22; Jó 32.1; Ez 16.41). Descansar é sinônimo de cessar de
criar. Esse repouso indica a obra concluída e não ociosidade, pois Deus não
para nem se cansa (Is 40.28; Jo 5.17). Ele continua sustentando todas as coisas
pela palavra do seu poder (Hb 1.3). O Senhor Jesus também assentou-se à destra
de Deus depois de concluir a obra da redenção (Hb 8.1; 10.12). A expressão
"acabado no sétimo dia” parece indicar que houve mais alguma atividade de
Deus na criação nesse dia. É o que pensam muitos expositores da atualidade.
Deus terminou a sua obra no dia sexto: segundo a Septuaginta, en tê hêméra tê
hektê, "no dia sexto", e também no Pentateuco Samaritano, bayyôm
hashishi, "no dia sexto". A Peshita segue também essa linha, mas tudo
indica que se trata de alguma emenda deliberada. Segundo Umberto Cassuto, um
estudo cuidadoso desse versículo mostra que "sétimo dia" é a forma
correta (1998, p. 61).
O substantivo hebraico
shabbat, "o dia de sábado", não aparece aqui; sua primeira ocorrência
acontece no relato do maná (Êx 16.23). Mas este termo vem da raiz do verbo
"descansar", shãbat. Há quem afirme que essa omissão foi intencional
porque o shãbat é o término da semana e há fortes evidências da identificação
filológica do termo aqui com o acádico shabatu[m] ou shapattu, que aparece nas
inscrições babilônicas como o dia da lua cheia. Trata-se do 15° dia de um mês
lunar, dedicado à adoração do deus lua, Sin-Nanar e a outros deuses. Este dia
se chamava também üm nüch libbi, "dia de descanso do coração" (ORR,
vol. IV, 1996, p. 2630). Outros afirmam que se trata mais de um dia de expiação
ou pacificação, e não necessariamente de um dia de descanso. No entanto, foram
descobertos tabletes em que revelam o shabatu, como os dias 7o, 14°, 21° e 28°,
que segundo o registro dessas inscrições ocupavam espaço destacado no
calendário mesopotâmio. Neles havia restrições a diversos tipos de trabalho, já
que o dia era dedicado aos deuses (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 267). O sábado dos
israelitas era o dia de descanso reservado a cada seis dias de trabalho para
todo o povo; entretanto, o shabatu era computado com base nas quatro fases da
lua.
Há muitas discussões sobre a
relação do shabatum com o sábado dos israelitas, e Umberto Cassuto explica o
que está por trás de tudo isso. Os críticos liberais insistem em afirmar que os
israelitas copiaram o sábado dos mesopotâmios e com isso querem associar o
sábado de Israel com as quatro fases da lua. Cassuto questiona a existência da
proibição de trabalho nos dias 7, 14, 21o e 28 do mês do luna na Babilônia e na
Assíria.
Segundo esse autor, o
pensamento da Torá é justamente o oposto ao sistema babilônico e desvincula
completamente o sábado da adoração aos astros: "O dia de sábado de Israel
não será como o sábado das nações pagãs; não será o dia da lua cheia, ou outro
dia conectado com as fases da lua, nem ligado, em conseqüência, com a
adoração da lua, mas será o sétimo dia" (1998, p. 68). É um sábado
completamente desassociado de sinais nos céus, das hostes celestiais e de
qualquer conceito astrológico, "mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu
Deus" (Êx 20.10). Assim, o propósito da omissão do termo hebraico shabbat,
"sábado", no relato da criação é evitar sua identificação com o
shabatu dos mesopotâmios.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 63-65.
O contexto desta passagem e
de outras similares neste capítulo refere-se a Gênesis 2.1-3, que diz: “Assim,
os céus e a terra, e todo o seu exército foram acabados. E, havendo Deus
acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de
toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou;
porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera”. “A
criação, tanto de céus e terra e do mundo espiritual, é atual também no
primeiro capítulo da Bíblia. Deus criou: ‘céus e terra’. O céu e a terra com
todo o seu exército é mencionado em Gênesis 2.1 — Exército, aqui, é tsebaam, de
tsaba, que significa ‘avançar como soldado’ (Gesenius, erudito hebreu do século
XIX), ou ‘andar juntos para serviço’ (Furst); o termo é usado, portanto, acerca
dos anjos (I Rs 22.19; 2 Cr 18.18; SI 148.2; Lc 2.13). Refere-se também aos
corpos celestes e aos poderes do céu (Is 34.4; Dn 8.10; Mt 24.29). Na criação
original mencionada nos capítulos 1 e 2 de Gênesis, está incluído o ‘céu e a
terra’, o espiritual com seus anjos. São eles as personalidades criadas no
mundo espiritual (Nm 9.6), os seres e as coisas e a raça humana no mundo
material (Mc 10.6)”. Deus, portanto, deixando o exemplo às suas criaturas,
instituiu um dia para o descanso e “... ao sétimo dia, descansou, e
restaurou-se” (Ex 31.17).
Severino Pedro Da Silva. Epistola aos Hebreus coisas novas e grandes que Deus
preparou para você. Editora CPAD. pag. 68-69.
Heb 4.8-10 O verdadeiro
descanso de Deus não veio por meio de Josué ou Moisés, mas por meio de Jesus
Cristo, que é maior do que ambos. Josué levou a nação de Israel à terra do seu
descanso prometido (ve/a nota em 3. í /; Js 21.43-45). No entanto, esse foi
simplesmente o descanso terreno que era apenas a sombra do que eslava envolvido
no descanso celestial. O fato de que, segundo o Sl 95, Deus ainda estava
oferecendo o seu descanso no tempo de Davi (muito tempo depois de Israel ter se
estabelecido na Terra Prometida) significava que o descanso oferecido era
espiritual — superior ao que Josué havia obtido. O descanso terreno de Israel foi
repleto de ataques de inimigos e consistiu no ciclo diário de trabalho. O
descanso celestial é caracterizado pela plenitude ria promessa celestial (Ef
1.3) e pela ausência de qualquer trabalho para obtê-lo.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade
Bíblica do Brasil. pag. 1694.
Afirmações Não-bíblicas
1. Teoria planetária. Não há
dúvida de que o desenvolvimento do sábado teve relação com a semana, mas foi
apenas no início da era cristã que os nomes dos planetas passaram a ser
associados com dias específicos. Chamar os sete dias com os nomes dos sete
planetas chegou tarde demais para ter alguma relação com o sábado hebreu. Não
há evidência dc que tal dia tivesse alguma coisa que ver com a veneração de um
planeta, algo que seria contrário à teologia hebraica. Nem há evidências de um
“empréstimo hebraico” que tivesse sofrido adaptações para ajustar-se à sua
cultura.
2. Teoria pambabilônica. Os
tabletes cuneiformes babilônicos usam a palavra shabatum para designar o 15*
dia do mês, à hora da lua cheia, e tal dia era considerado um dia de
pacificação ou apaziguamento do deus (presumivelmente o deus-chefe). Outros
dias do mês, especificamente o T, o 14*, o 21" e o 28' (as fases da lua)
eram considerados dias do mal ou do azar. Nesses dias até mesmo o rei tinha sua
vida limitada: ele não podia andar de carruagem, comer carne assada em fogo,
mudar de roupa ou discutir os negócios do Estado. Sacrifícios eram oferecidos
aos deuses para afastar acidentes e reversões de fortuna. O épico babilônico
Enuna elish descreve esses e outros particulares, e lembramos, aqui e ali, o
relato bíblico da criação, mas as diferenças são tão grandes que eliminam o
possível apoio à teoria do “empréstimo direto”.
3. Teoria da festa lunar. O
sábado hebraico era originalmente um antigo festival lunar? Alguns estudiosos
acham que sim. A própria Bíblia ocasionalmente associa o sábado à lua nova (II
Reis 4.23; Isa. 1.13; Amós 8.5). Um exame cuidadoso de Lev. 23.11,15 parece
indicar que a palavra “sábado” pode referir-se ao dia de lua cheia. No
paganismo, as fases da lua (lua nova, lua cheia, meia-lua, lua minguante) eram
comemoradas com sacrifícios e orações, principalmente para afastar o mal. Os
judeus tinham certos sábados fixos, que caiam no dia de lua cheia, a saber, a
Páscoa, o banquete dos Tabernáculos e o banquete de Purim. O sábado comum de
todas as semanas, contudo, não era vinculado à lua e às fases da lua. Alguns
insistem que observações das fases lunares, em um momento posterior, provocaram
uma observação semanal que perdeu as conexões lunares originais, mas não há
nenhuma evidência que sustente tal opinião.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag.
2.
2. NÃO ERA MANDAMENTO.
O sétimo dia da criação não
era mandamento, mas revela a necessidade natural do descanso de toda natureza,
homem, animal, máquina, agricultura. O repouso noturno de cada dia não é
suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse dia não somente para
comemorar a obra da criação, mas para que nesse dia todos cessem o trabalho
tendo em vista o descanso físico e mental e também o culto de adoração a Deus.
É importante que todos os seres humanos possam refletir que o universo foi
criado por um Deus pessoal, Todo-poderoso, sábio e transcendente, que planejou
todas as coisas que foram criadas. Parece que esse dia foi logo esquecido pelo
gênero humano, mas há resquício dele em muitos povos da antiguidade.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 63-65.
Afirmações Bíblicas
1. O próprio Deus deu origem
ao sábado, o dia de descanso, para comemorar seu descanso da atividade de
criação (Gên. 2.2). Os conservadores consideram a afirmação de Gênesis como o
fim de todos os argumentos sobre a origem do sábado. Os liberais e os críticos,
contudo, acreditam que essa é uma afirmação anacrônica que de fato repousava em
eventos posteriores ocorridos na época de Moisés. Nesse caso, a doutrina de que
o próprio Deus deu origem ao sábado, imediatamente após a criação, é
“idealista” e “teológica”, não uma doutrina histórica. Os críticos destacam que
o sábado não era observado na época patriarcal.
2. O sábado iniciou como um
sinal do Pacto Mosaico (que descrevo na introdução a Êxo. 19, no Antigo Testamento
Interpretado).
3. O sinal foi então
transformado no quarto dos Dez Mandamentos (o Decálogo). Ver o artigo Dez
Mandamentos. “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êxo. 20.8).
Observações Bíblicas
Importantes observações
bíblicas sobre o sábado são as que seguem. O originador deste dia como o dia de
descanso foi Elohim, o Poder, o Deus universal e criador de todas as coisas
(Gên. 2.2). A observação do sábado pelos homens, imitando a Deus,
transformou-se no sinal do Pacto Mosaico e no quarto dos dez mandamentos (Êxo.
cap. 19; 20.11). Embora originalmente fosse apenas um dia de descanso, o sábado
tomou-se dia sagrado (Êxo. 16.23). Ele passou a ser associado a festas solenes,
especialmente aquelas em dia de lua cheia (Amós 8.5; Osé. 2.13; Isa. 1.13). O
dia era comemorado, provavelmente, como um dia de louvor, adoração e oração
(Lev. 23.1-3).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag.
2-3.
O quarto mandamento em si não
tem a pretensão de ser a primeira promulgação do sábado. Suas palavras
introdutórias, “Lembra-te do dia de sábado” (Ex 20.8), sugere que o sábado já
era sido conhecido, mas foi esquecido ou era negligenciado. O motivo dado no
mandamento para a santificação do sábado foi o exemplo de Deus ao
terminar sua criação (20.9-11). O mandamento apontou de volta para a
instituição original do sábado.
O quarto mandamento fez do
sábado uma instituição distintamente hebraica. Fez parte integral da aliança
que Deus fez no Sinai com Israel. A aliança consistiu dos “dez
mandamentos” proclamados pelo próprio Senhor no monte (Dt 4.13; 5.2-21). O
quarto mandamento tem uma posição central nesta aliança, servindo como uma
ponte de ligação entre aqueles mandamentos que têm a ver com obrigações para
com Deus e para com o homem.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia.
Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 269.
3. OS PATRIARCAS NÃO
GUARDARAM O SÁBADO.
O livro de Gênesis não
menciona os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado. Segundo
Justino, o Mártir, Abraão e seus descendentes até o Sinai agradaram a Deus sem
o sábado (Diálogo com Trifão 19.5). Irineu de Lião diz que Abraão, "sem circuncisão
e sem observância do*sábado, acreditou em Deus e lhe foi imputado a justiça e
foi chamado amigo de Deus" (Contra as Heresias, Livro IV, 16.2). O sábado
institucional não era mandamento nem havia imposição sobre a sua observância;
talvez, seja essa a razão de aos poucos ter caído no esquecimento. A linguagem
do quarto mandamento "Lembra-te do dia de sábado" (Êx 20.8) reforça a
ideia de que não se trata de uma instituição nova, mas existente desde a
criação.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 68.
A palavra grega por detrás
desse vocábulo é uma combinação de pater, «pai», e archés, «cabeça», «chefe».
Os patriarcas bíblicos são aqueles que são considerados os fundadores da raça
humana, Adão e Noé (este último através de seus três filhos, Sem, Cão e Jafé;
ver Gên. 10); ou então aqueles que foram cabeças ou fundadores das doze tribos
de Israel. O vocábulo também é aplicado a Abraão, no Novo Testamento, em Heb.
7:4, por ser ele o fundador (progenitor) da nação hebreia, sendo
também o pai dos homens espirituais, tanto judeus quanto gentios, que sigam com
seriedade a vereda espiritual. Os filhos de Jacó são chamados «patriarcas» em
Atos 7:8,9 e Davi é denominado desse modo, em Atos 2:29. O período patriarcal é
aquele período de tempo da formação da nação hebreia, antes da época
de Moisés.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de
Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 112.
III. O SÁBADO LEGAL
1. SIGNIFICADO.
O sábado legal é
exclusividade dos israelitas e nenhum povo da terra recebeu tal
responsabilidade, nem mesmo a Igreja (Êx 31.13- 17). A adoração no tabemáculo
acontecia semanalmente e isso justifica a instrução da lei do sábado na
presente seção que aborda a ordem do culto e demais serviços no tabemáculo. O
tema do sábado havia sido tratado por ocasião do maná (Êx 16.23-30) e no quarto
mandamento (Êx 20.8-11); no entanto, Javé retoma o assunto aqui para que o
presente preceito seja observado de maneira apropriada.
A observância do sábado legal
é perpétua, sob pena de morte para quem violar (vv. 14-6) e isso por se tratar
de um sinal entre Javé e Israel (Êx 31.13, 17). Não é mandamento para todos os
povos nem para a Igreja. É o segundo sinal para os israelitas, que já tinham a
circuncisão como primeiro sinal desse concerto (Gn 17.10-14). Ao longo dos
séculos, os judeus trataram esses dois preceitos com a mesma atenção. O
Decálogo registrado em Deuteronômio apresenta o sábado como memorial da saída
dos israelitas do Egito: "Porque te lembrarás que foste servo na terra do
Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido;
pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado"
(Dt 5.15). O sábado legal é mandamento exclusivo para o povo de Israel.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 68-69.
Êx 31.12,13 Todos os sábados
ou descansos faziam parte da legislação sabática, com propósitos comuns. Esses
sábados, como uma unidade, tornaram-se o sinal do pacto mosaico (ver as notas
sobre Êx. 19.1).
O sábado, antecipado pela
tradição sacerdotal (Êxo. 16.22-30), é aqui formalmente instituído no Sinai”.
Mas já vimos isso confirmado de maneira formal em Êxo. 20.8,9.
Ό sábado era um sinal (vss.
13,17) do pacto que fez de Israel uma teocracia. Era um teste da consagração da
nação a Deus; se não fosse mantido santo, a consequência seria a morte... Esse
mandamento, declarado no decálogo (Êxo. 20.8), estava baseado no fato de que
Deus descansou, terminada a Sua obra de criação, em seis das (Êxo. 31.17)... O
sábado assinalava Israel como o povo de Deus. A observância do sábado mostrava
que os israelitas foram separados (isto é, santificados) para Deus” (John D.
Hannah, in loc.).
Nas vossas gerações. Os
hebreus não antecipavam o fim de seus ritos, leis e cerimônias. Por isso, no
tocante ao tabernáculo, por todo o tempo achamos a insistência de que tudo
fosse observado de maneira perpétua.
O sinal da circuncisão era
menos distintivo, pois muitas nações praticavam-na. Mas o sábado foi uma
criação distintivamente judaica, pelo que servia muito bem de sinal.
Êx 31.17 É sinal para sempre.
Conforme foi dito e anotado no vs. 13.
Aqui a alusão é a como Yahweh
deu um sinal, por ocasião da criação. Elohim trabalhou durante seis dias, e,
então, descansou ao sétimo. A lei do sábado remonta àquela ocasião, como um
precedente bíblico (ver Gên. 2.2,3), e agora tomava-se o sinal do pacto
mosaico. Foi assim que o sinal original tomou-se um novo sinal. A teocracia foi
estabelecida com base nesse sinal. Ele separou para Si mesmo um povo santo.
Uma relação especial entre
Deus e o Seu povo era inerente e potencial desde a criação. E agora essa
potencialidade era aplicada ao pacto mosaico. A lei da criação serviu de raiz
do que agora acontecia. Havia a raiz e o tronco da árvore, e ambas as coisas
demandavam a lei do sábado. Nisso era pre- visto o bendito descanso final, a
bem-aventurança do céu. Ver Heb. 4.1,3-5,8-11. O verdadeiro descanso
espiritual, em Cristo, é espiritual em sua realização, que se dá na salvação da
alma.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.
Deus dissera a Moisés que o
sábado era um sinal (17; cf. 13) entre mim e os filhos de Israel. O primeiro
sinal dado a Israel foi a circuncisão; agora, Deus adiciona o sinal do sábado
como marca distintiva do seu povo. Este sinal do sábado distinguia Israel das
outras nações mais que a circuncisão, porque “nenhuma outra nação jamais o adotou.
Persistiu nos tempos romanos
a marca e insígnia do judeu”.
Tornou-se um “vínculo
sacramental” entre Israel e Deus. Nas vossas gerações (13; cf. 16) significa
“por todos os séculos” (Moffatt; cf. NTLH).
Leo G. Cox. Comentário
Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 224.
Êx 31.13. Certamente
guardareis os meus sábados, pois é sinal. Quanto ao dia de descanso, consultar
16:23; 20:8; 23:12. Aqui, contudo, o descanso semanal é revestido de
significado especial por ser um sinal (como os pães asmos, 13:9) entre Deus e
Israel, uma lembrança de seu relacionamento especial com Deus. Para Israel, a
circuncisão era o grande “ sinal da aliança” feita com seu ancestral Abraão (Gn
17:11). Tal como a circuncisão, o sábado parece ter sido observado até certo
ponto em outras nações semitas (pelo menos como um “ dia azarado” para negócios
e por isso evitado): apenas em Israel, entretanto, segundo se sabe, ele possui
este significado religioso especial. Talvez a ordem com respeito ao sábado
apareça aqui para lembrar que, mesmo na construção do Tabernáculo, o sábado
deveria ser observado (segundo Hyatt).
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e
Comentário. Editora Vida Nova. pag. 204.
Gn 17.11 “Mediante esse
símbolo, Deus impressionou-os com a impureza da natureza e com a dependência a
Deus para a produção de toda forma de vida. Eles deveriam reconhecer e lembrar
que: a. toda impureza nativa deve ser rejeitada, sobretudo no casamento; b. a
natureza humana é incapaz de gerar a semente prometida. Os israelitas que se
recusassem a deixar-se cortar fisicamente desse modo, seriam cortados
(separados) dentre 0 povo (vs. 14), por motivo de desobediência ao mandamento
de Deus” (Allen P. Ross, in loc.). E assim, essa operação tornou-se emblema de
separação pessoal e de distinção entre aqueles que pertenciam e aqueles que não
pertenciam ao pacto. O termo é usado em sentido metafórico em Deuteronômio
30.6, onde lemos sobre corações circuncisos. Paulo usou essa metáfora (Rom.
2.28,29; cf. Rom. 4.11). A incredulidade é como ter 0 coração incircunciso
(Jer. 9.26; Eze. 44.7-9).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 128.
E será um sinal. leoth, por
um sinal das coisas espirituais, pois a circuncisão feita na carne foi projetado
para significar a purificação do coração de toda a injustiça, como Deus mostrou
particularmente na própria lei. Veja Deuteronômio 10:16, ver também;Romanos
2:25-29; 2:11. E foi um selo de que a justiça ou justificação que vem pela fé,
Romanos 4:11. Que alguns dos judeus tinham uma noção apenas da sua espiritual
intenção, é claro de muitas passagens nas paráfrases Caldeu e os escritores
judeus. Me emprestar uma passagem do livro Zohar, citado por Ainsworth:
"Em que momento um homem é selado com este selo santo (da circuncisão), a
partir daí, ele vê o santo louvou a Deus corretamente, e a alma santa está
unida a ele se ele não seja digno, e não guarda este sinal, o que está escrito?
Ao sopro de Deus perecem , Jó 4:9), porque este selo do santo louvou a Deus não
foi mantido. Mas, se for digno, e mantê-lo, o Espírito Santo não está separado
dele. "
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam
Clarke.
2. O SÁBADO DO DECÁLOGO.
O quarto mandamento é o mais
longo do Decálogo e difere dos três primeiros, cuja formulação é negativa. O
versículo 8 introduz o mandamento positivo que impõe a obrigação de santificar
o sábado, e o versículo 9 fala sobre a obrigação de trabalhar seis dias. Isso
se repete no sistema mosaico (Êx23.12; 31.13-17; 34.21; Lv 23.3), mas aqui
aparece também a formulação negativa. Quando Moisés no seu discurso em
Deuteronômio repete o Decálogo substitui o verbo hebraico usado para
"lembrar" zãchor,n "recordar, lembrar", por outro,
"guardar", shãmôr, "guardar, cuidar, vigiar", quando diz:
"Guarda o dia de sábado" (Dt 5.12).
Os dois verbos estão no
infinitivo absoluto, que tem função de um forte imperativo, bastante comum em
leis e mais próximo de um futuro cominatório, ameaçador. O propósito do uso
deste verbo "lembrar" aqui em Êxodo é manter o sábado como dia santo.
Isso mostra que o povo já conhecia esse dia, mas parece que a sua observância
não era levada a sério antes da revelação do Sinai. As palavras "como te
ordenou o SENHOR, teu Deus" (Dt 5.12b) não aparecem em Êxodo e são uma
referência ao Sinai, quando a lei foi promulgada, visto que Moisés está
relatando um fato acontecido no passado.
Fica evidente que houve um
sábado antes da promulgação da lei. Muitos acreditam que o verbo
"lembrar" se refere ao relato do maná no deserto (Êx 16.22-30). Isto
fica claro pelo fato de que "a maneira incidental em que a matéria é
introduzida e a repreensão do Senhor pela desobediência do povo sugerem que o
sábado já era previamente conhecido" (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 267). No
entanto, segundo o rabino Benno Jacob, "lembrar" aqui não tem
conotação de "não esquecer", como aconteceu com o evento do maná, mas
de um "memorial do passado para estabelecer um relacionamento especial para
o futuro" (1992, p. 563).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 67.
Êx 20.8. Lembra-te do dia de
sábado. Compare 16:23,26. O mandamento sobre o dia de descanso é o primeiro a
ser formulado positivamente, embora ainda breve e apodíctico. O versículo 12
contém o único outro mandamento positivo na lista, embora no restante da lei
esta forma não seja incomum (uma forma de mandamento positivo intimamente
relacionada se encontra em Gn 9:6). Esta mudança de um mandamento negativo para
outro positivo não é desconhecida em códigos antigos, mas se quisermos
descobrir uma forma negativa para este mandamento, por amor à coerência, ela se
encontra no versículo 10, “ não farás nenhum trabalho” . Deuteronômio 5:12 é
bem semelhante ao versículo 8, embora empregue “ guardar” em lugar de “
lembrar” . Por outro lado, a razão apresentada em Deuteronômio para a
observância do sábado é completamente diferente, como veremos no versículo 11.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e
Comentário. Editora Vida Nova. pag. 151.
Lembrando o sábado, a fim de
mantê-lo santo. O sábado era um dia de descanso e de observâncias espirituais.
Se Paulo admitia que podemos observar dias especiais, ele jamais obrigou outros
cristãos a fazerem o mesmo. A Igreja, ou suas várias denominações, têm o
direito de observar o domingo como se fosse um sábado ou descanso, embora não
haja muito para recomendar essa circunstância, sobretudo se isso for feito em
uma atitude legalista. É elogiável que a Igreja tenha dedicado um dia da semana
(o domingo) para adoração e culto religiosos especiais, comemorando a
ressurreição de Cristo. Mas isso não transforma o domingo em um “sábado
cristão”.
A primeira espiritualização
do versículo à nossa frente consistiu em afirmar enfaticamente a necessidade
que temos de observâncias religiosas comunais, em um esforço grupal como uma
igreja ou uma denominação, visando a honrar a Deus com o nosso tempo, de
maneira sistemática e planejada. É bom observarmos pelo menos um dia por semana
para essa finalidade e para descansar do trabalho secular.
O sábado foi instituído antes
da lei mosaica. Ver Gên. 2.3.
Os reformadores do século
XVI, ao ab-rogarem teologicamente o sábado, substituíram-no pelo domingo; mas
fizeram deste um sábado para todos os propósitos práticos. A medida pode ter
sido prática, mas não exibiu uma boa teologia. O sábado é uma contribuição
distinta da religião dos hebreus. Era o sinal do pacto mosaico. Mas, sob a
graça, na qual estamos, não há qualquer necessidade desse sinal, pelo que não
há nenhum preceito ou exemplo de guarda do sábado por parte da Igreja cristã.
A desobediência a esse quarto
mandamento traria juízo contra os israelitas desobedientes, a saber, a punição
capital.
Para o santificar. Em outras
palavras, como um descanso santificado (Êx. 16.23), em que os israelitas
deveriam aproveitar a oportunidade para dedicarem-se ao culto e ao serviço
religiosos. A provisão principal era o descanso, e podemos presumir que eles
aproveitavam o ensejo para finalidades religiosas. Posteriormente, na sinagoga,
sem dúvida assim acontecia. Ver também Êxo. 20.11; 23.12 e Deu. 5.14,15.
Tipo. O descanso do sábado
era tipo do futuro descanso do crente, em Jesus Cristo, ou seja, a salvação
eterna. Ver Heb. 4.1,3-5,8-11.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391-392.
O quarto mandamento do
Decálogo. O quarto mandamento em si não tem a pretensão de ser a primeira
promulgação do sábado. Suas palavras introdutórias, “Lembra-te do dia de
sábado” (Ex 20.8), sugere que o sábado já era sido conhecido, mas foi esquecido
ou era negligenciado. O motivo dado no mandamento para a santificação do sábado
foi o exemplo de Deus ao terminar sua criação (20.9-11). O mandamento apontou
de volta para a instituição original do sábado.
O quarto mandamento fez do
sábado uma instituição distintamente hebraica. Fez parte integral da aliança
que Deus fez no Sinai com Israel. A aliança consistiu dos “dez mandamentos”
proclamados pelo próprio Senhor no monte (Dt 4.13; 5.2-21). O quarto mandamento
tem uma posição central nesta aliança, servindo como uma ponte de ligação entre
aqueles mandamentos que têm a ver com obrigações para com Deus e para com o
homem.
Os Dez Mandamentos são
prefixados por uma declaração de que Deus havia tirado Israel da terra do Egito
(Ex 20.2; Dt 5.6). Estas palavras podem ser aplicadas em seu sentido literal
apenas aos filhos de Israel. O estilo dos mandamentos em si também indica que
eles eram especificamente dados aos israelitas. O quinto mandamento contém uma
promessa de longevidade na terra que o Senhor estava prestes a dar a Israel (Êx
20.12; Dt 4.16). Semelhantemente, a versão deuteronômica do quarto mandamento
apresenta a libertação de Israel da servidão no Egito como a principal razão
para a observância do sábado (Dt 5.15). Guardar o sábado é declarado, em outro
lugar, como um sinal da obediência de Israel a Deus (Êx 31.13; cp. Ne 9.14).
Serve para distinguir Israel das outras nações. Não pode haver dúvida de que em
seu contexto e aplicação originais a ordenança sabática era uma lei
intencionada apenas para o povo de Israel.
Ao mesmo tempo, é evidente
que o quarto mandamento contém princípios que são aplicáveis a todos os povos.
Ele reconhece a obrigação moral do homem de adorar seu Criador, para o que
tempos e lugares determinados para a adoração são necessários, assim como a
cessação das ocupações comuns da vida. Reconhece também a necessidade básica do
homem de um dia semanal de descanso. A história do homem tem demonstrado sua
necessidade de recuperação de suas energias físicas e mentais uma vez a cada
sete dias, assim como também sua necessidade de ter um dia da semana separado
para a devoção e instrução espirituais. O mandamento sabático fez provisões
para estas necessidades dos antigos israelitas.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia.
Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 269.
3. PROPOSITO.
A instituição do sábado legal
no Decálogo tinha o propósito duplo, social e espiritual, de cessar os trabalhos
a cada seis dias de labor para dar descanso aos seres humanos e aos animais e
dedicar um dia inteiro para adoração a Deus:
Lembra-te do dia do sábado,
para o santificar.
Seis dias trabalharás e farás
toda a tua obra,
mas o sétimo dia é o sábado
do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua
filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu
estrangeiro que está dentro das tuas portas.
Porque em seis dias fez o
SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou;
portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou (Êx 20.8-11).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 66.
Sua referência e propósito.
Depois do relato da criação, o sábado é a próxima referência que aparece em
relação à dádiva do maná (Êx 16.23-30), e depois no Sinai quando se tornou
parte do Decálogo (Êx 20.8-11). Deus ordenou a guarda do sábado como sinal de
sua aliança e do seu relacionamento com Israel (Êx 31.12-17; Ez 20.12,20).
Dessa forma, ele representava o selo da aliança Mosaica (cf. Is 56.4,6), e
correspondia à circuncisão como o selo da aliança com Abrão (cf. Gn 17.11).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico
Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1710.
Dt 5.15 Porque te lembrarás.
Este versículo não tem paralelo no livro de Êxodo. É aqui adicionada outra
razão para a observância do sábado. A observância do sábado era uma espécie de
repetição do espírito da observância da Páscoa, da mesma maneira que a Ceia do
Senhor nos faz relembrar de Sua morte e ressurreição. No Egito, Israel só tinha
trabalho forçado a fazer. Mas Deus lhes deu descanso quando os livrou daquele
pais. Assim também, a salvação em Cristo nos outorga descanso espiritual.
O trecho de Êxodo. 20.11
elabora de forma diferente a ilustração sobre a guarda do sábado, a saber, 0
fato de que, por ocasião da criação, Deus trabalhou por seis dias e então
descansou da criação, no sétimo dia. Este texto, porém, não inclui essa
elaboração.
Naturalmente, o mandamento
sobre o sábado não é repetido no Novo Testamento; mas os trechos de Romanos
14.5,6 e Colossenses 2.16,17 quase certamente mostram que o crente não está sob
a obrigação de observar o sábado. Esse era o sinal do Pacto Mosaico, o qual foi
anulado pelo Novo Pacto, sob o qual vivemos.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 779.
A razão apresentada no
versículo 15 para a observância do sábado é diferente daquela apresentada em
Êxodo 20: 11. Aqui o propósito é a recordação da libertação do Egito. Se Israel
recordasse seus próprios dias de servidão, seria estimulado a tratar com
misericórdia qualquer homem, mulher ou animal envolvido em serviço diário (cf.
15: 15; 16: 12; 24: 18, 22). Em Êxodo a razão oferecida é que o sábado fora um
dia santo desde a criação (Êx 20: 11; cf. Gn 2: 2, 3). Havia assim duas boas
razões para a guarda do sábado. Este mandamento tem apresentado muitos problemas
para os cristãos. As declarações de Jesus (Mc 2: 27, 28) de que o sábado fora
feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado, e que Ele, o Filho
do Homem, era Senhor do sábado, removeram para sempre a lei das restrições
doentias impostas pelos rabis. A observância do domingo pelo cristão é,
obviamente, não a guarda do sétimo mas do primeiro dia, tendo, portanto, a
natureza de um novo mandamento baseado numa nova aliança. É, contudo, o
“cumprimento” do antigo mandamento. O primeiro dia da semana nos oferece
oportunidade de comemorar a ressurreição de Cristo, que nos possibilitou a
libertação da servidão ao pecado (cf. versículo 12), e a renovação da vida por
meio de uma nova criação (cf. Êx 20:10,11).
I. A. Thompson. Deuteronômio Introdução e Comentário. Editora
Vida Nova. pag. 42.
IV. UM PRECEITO CERIMONIAL
1. O SACERDOTE NO TEMPLO.
Ele recorda um exemplo diário
dos sacerdotes, que, da mesma maneira, eles liam na lei, e segundo a qual era o
costume comum (v. 5). Os sacerdotes no templo realizavam uma grande quantidade
de trabalhos servis no sábado judaico; matando, esfolando e queimando os
animais sacrificados, o que, em uma situação normal, seria profanar o sábado
judaico; ainda assim, isto nunca foi reconhecido como transgressão ao quarto
mandamento, porque o serviço do templo o exigia e justificava. Isso dá a
entender que no sábado judaico são lícitos os trabalhos que são necessários,
não apenas para o sustento da vida, mas para a adoração; como tocar um sino
para convocar a congregação, ir até ao templo e coisas semelhantes. O descanso
do sábado deve promover, e não impedir, a adoração no sábado.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo
Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 148.
Mt 12.5 Ou não lestes na lei.
Novamente Jesus usa as próprias Escrituras judaicas para apresentar outro
argumento. No primeiro argumento ele se utilizou do exemplo de Davi, homem que
era considerado piedoso e isento de culpa por haver comido dos pães reservados
exclusivamente aos sacerdotes. Neste segundo argumento, Jesus mostra que os
próprios sacerdotes, em suas tareias no templo, trabalhavam em dia de sábado. A
preparação dos sacrifícios era trabalhosa. Era mister abater o animal,
esfolá-lo em pedaços, além de muitos outros serviços relativos ao expediente no
templo. Ver Êxo. 29:38 e Núm. 28:9. Também se permitia aos sacerdotes
prepararem o pão em dia de sábado. Os sacerdotes eram isentos das leis
cerimoniais do sábado, porque o serviço deles era realizado no templo, e eles
eram os homens nomeados justamente para tais serviços. Jesus mostra que o
trabalho manual, no sábado, não é pecado por si mesmo, porquanto há pessoas
livres dessa lei. De fato, nos dias do V .T., as bênçãos recebidas na adoração
levada a efeito no templo só se tornavam possíveis devido ao trabalho manual de
alguns homens; e em parte esse trabalho era necessário para o bem-estar
espiritual do povo. Precisamos lembrar que, provavelmente, os sacerdotes
circuncidavam a muitos infantes em dia de sábado, porquanto a lei requeria que
a circuncisão tivesse lugar no oitavo dia de vida da criança. Sem dúvida muitas
crianças completavam seu oitavo dia de vida no sábado. Isso serve de outra
prova de que o trabalho manual em dia de sábado, por si mesmo, não é condenável
e que há considerações mais importantes do que observar um dia de descanso em
um dia determinado da semana.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag.
383.
Êx 12.5,6 Jesus respondeu à
acusação dos fariseus com uma segunda resposta, usando um exemplo dos
sacerdotes que serviam no Templo. Novamente Jesus repetiu a pergunta - “Não
tendes lido na lei de Moisés?” - para mostrar a estes fanáticos fariseus que
embora eles soubessem de memória a lei, na verdade não a tinham compreendido.
Os Dez Mandamentos proíbem o trabalho aos sábados (Êx 20.8-11). Isto era o que
estava “escrito” na lei. Mas como o objetivo no sábado é descansar e adorar a
Deus, os sacerdotes tinham que realizar sacrifícios e conduzir cultos de adoração
- em resumo, eles tinham que trabalhar. O seu “trabalho de sábado” era servir e
adorar a Deus, o que Deus permitia. Desta forma, mesmo que eles teoricamente
não observassem o sábado, Deus os considerava inocentes. Da mesma maneira como
as obrigações dos sacerdotes no Templo superam os regulamentos do sábado a
respeito do trabalho, também o ministério de Jesus transcende o Templo.
Os fariseus estavam tão
preocupados a respeito dos rituais da religião que se esqueceram do propósito
do Templo — trazer as pessoas a Deus. Como Jesus Cristo é maior do que o
Templo, Ele pode trazer as pessoas a Deus de uma forma muito melhor. O nosso
amor e a nossa adoração a Deus são muito mais importantes do que os
instrumentos de adoração criados pelos homens.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora
CPAD. Vol. 1. pag. 80.
2. A CIRCUNCISÃO NO
SÁBADO.
Jo 7:22,23 O que Jesus
procurava provar?
1. Eles mesmos já haviam dado
resposta para o problema do sábado. Permitiam certos atos, obras ou ações
misericordiosos. Por exemplo, a circuncisão, ainda que o oitavo dia de vida de
uma criança caísse num sábado. Ver Shabbath 18:3, Yoma 85b.
2. O pacto abraâmico tinha
por fito levar uma nação toda à salvação, e seu sinal era a circuncisão. (Ver
notas em Luc. 1:73 sobre esse pacto). O pacto abraâmico servia de meio de
comunicação da misericórdia divina. Ora, se um ato misericordioso era permitido,
por que não outros? Os atos de misericórdia não precisam esperar pelo domingo.
3. A circuncisão afetava
apenas um membro do corpo. As curas miraculosas de Cristo visavam ao homem
inteiro, e não um único membro. Assim, Jesus indicou que seus milagres eram
muito mais poderosos, em seus efeitos, que a circuncisão. Por que, pois,
haveria oposição a seus milagres em dia de sábado, quando atos misericordiosos
menores não sofriam oposição?
4. Se a circuncisão, que
fazia um homem tornar-se judeu, tinha um bom efeito (embora aplicada a apenas
um membro do corpo), quanto mais beneficiaria a um sei humano o poder
miraculoso de Cristo!
Três modalidades de lei estão
subentendidas neste texto: 1. A eterna lei ética de Deus, um reflexo das
perfeições de sua natureza moral. (Incluindo atos de misericórdia, como
extensão de seu amor para com os homens). 2. A lei patriarcal, que era
antecedente à lei de Moisés. 3. A lei de Moisés, que devia ser respeitada e
observada, mas que, em alguns casos pelo menos (como na questão da
circuncisão), podia ser ultrapassada pela tradição patriarcal e, certamente,
pela lei eterna.
Naturalmente nestes
versículos temos um reflexo da primitiva polêmica cristã contra os judeus de
tendências legalistas, pois, quando este evangelho foi escrito, a questão da
observância do dia de sábado era motivo de conflito entre os cristãos e os
israelitas, e também entre os cristãos mais ortodoxos e os cristãos legalistas,
circunstâncias essas que provocaram a escrita da epístola do apóstolo Paulo aos
Gálatas. (O trecho de Gál. 3:17, igualmente, subordina a lei à promessa ou
provisões patriarcais. Quanto à questão do sábado e quais pontos de vista os
crentes precisam ter a respeito, ver as notas em Rom. 14:5,6. O trecho de Mat.
12:1-8 apresenta outros argumentos de Jesus concernentes à controvérsia acerca
do sábado, que era um dos temas mais disputados com os judeus, e uma das razões
que eventualmente provocaram a sua morte).
A extensão em que essa
controvérsia serviu de meio para a sua morte, fica subentendida no vs. 23, que
diz »...vos indignais contra m im ...» Encontramos aqui a única ocorrência da
palavra, em todo o N.T., que no grego significa «fel». O verbo estar bilioso,
com o sentido de ira amarga e profunda.
Um sumário dos elementos da
interpretação desses versículos é o seguinte:
1. Fica exigido o bom senso na interpretação
da lei sabática.
2. O sábado foi instituído
por causa do homem e não o homem por causa do sábado, princípio esse que, por
si mesmo, elimina as interpretações apressadas que alguns atribuíam ao sábado.
3. O relaxamento das
exigências sobre a lei sabática tinha precedente tanto nos patriarcas como nos
escritos do A.T. (em Moisés), e até mesmo nas interpretações rabínicas (na
Torah).
4. A interpretação dada por
Jesus ultrapassava qualquer compreensão judaica sobre a lei, fundamentada como
estava na lei eterna, que tem precedente acima da lei de Moisés e que permite
qualquer ato de misericórdia, ainda que não seja urgente, a ser realizado em
dia de sábado.
5. As suas curas curavam
inteiramente o corpo e levavam as almas dos homens de volta ao Senhor Jesus,
coisas essas que a circuncisão física não podia realizar. 6. Por conseguinte,
os atos de misericórdia podem e devem ser efetuados até mesmo em dia de sábado;
embora sejam certa forma de trabalho, são desejáveis, e certamente não envolvem
mal moral algum; pelo contrário, revestem-se de bem definido benefício
espiritual.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag.
383.
Jo 7.21-24 Por Jesus estar em
Jerusalém, Ele muito provavelmente estava se referindo ao milagre descrito em
5.1-15 - a cura do homem paralítico. Jesus mencionou que havia curado no
sábado, o ponto de controvérsia em torno do milagre. Jesus lembrou outra vez as
pessoas de que as prioridades espirituais delas estavam erradas. Ele notou que,
de acordo com a lei de Moisés, a circuncisão deveria ser realizada oito dias
depois do nascimento de uma criança (Gênesis 17.9-14; Levítico 12.3). Este rito
demonstrava a identidade dos judeus como parte do povo da aliança de Deus. Se o
oitavo dia depois do nascimento caísse em um sábado, eles ainda assim
realizavam a circuncisão (embora isto fosse considerado trabalho). Referindo-se
a Abraão realizando a circuncisão, Jesus estava indicando uma autoridade e
princípio anterior a Moisés. Curando uma pessoa por completo, Jesus demonstrou
que o seu poder criador era igual ao de Deus, e superior ao de Moisés.
A questão era que, embora os
líderes religiosos permitissem certas exceções às leis do sábado, eles não
permitiam nenhuma a Jesus, que simplesmente mostrava compaixão por aqueles que
necessitavam de cura. Ele demonstrou a partir das próprias práticas deles que
eles iriam invalidar uma lei quando duas leis cerimoniais entrassem em
conflito.
Mas os líderes judeus estavam
tão absorvidos por suas ordenanças sobre guardar o sábado, que não eram capazes
de enxergar a verdadeira intenção das ações de Jesus. A adesão deles às suas
próprias tradições superficiais e obstinadas faria com que eles perdessem de
vista o Messias, que as suas Escrituras retratavam.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora
CPAD. Vol. 1. pag. 531.
UM ARGUMENTO SÁBIO João 7:19-24
Antes de analisar esta
passagem detalhadamente, devemos assinalar um elemento. Devemos imaginar esta
cena como uma discussão entre Jesus e as autoridades judaicas rodeadas pela
multidão. A multidão ouve o desenvolvimento da discussão. Jesus se propõe
justificar sua ação ao ter curado o paralítico no sábado, pelo qual desobedeceu
a Lei sabática. Começa afirmando que Moisés lhes deu a Lei do sábado e que, no
entanto, nenhum deles a observa de modo absoluto e literal. Em seguida veremos
o que quis dizer com isto. Se ao curar um homem Ele desobedece a Lei, por que
eles, que também desobedecem a Lei sabática, querem matá-lo? Neste momento, é a
multidão que interrompe com a exclamação: "Estás louco!" e a
pergunta: "Quem quer te matar?" A multidão ainda não percebeu o ódio
maligno de suas autoridades: ainda não sabem nada dos planos para eliminá-lo.
Lembremos que esta passagem pertence em realidade ao capítulo 5 e não ao 7.
Crêem que Jesus tem uma mania persecutória, que sua imaginação está perturbada
e sua mente alterada; e crêem todo isso porque não conhecem os fatos. Jesus não
respondeu à pergunta da multidão. Em realidade não se tratava de uma pergunta;
era a interjeição de um espectador. Jesus prossegue com a exposição de seu
argumento.
Seu argumento é o seguinte. A
Lei dizia que era preciso circuncidar os meninos no oitavo dia do nascimento.
“E, no oitavo dia, se circuncidará ao menino” (Levítico 12:3). É evidente
que com freqüência o oitavo dia caía no sábado. E a lei estabelecia com toda
clareza que "podia-se fazer todo o necessário para a circuncisão no
sábado." Isto está expresso com as mesmas palavras na Mishna que é a
codificação da Lei dos escribas.
De maneira que o argumento de
Jesus expressa o seguinte:
"Vocês dizem que
observam com exatidão a Lei que receberam de Moisés. Dizem que observam a Lei
que expressa que não se pode fazer nenhum trabalho no dia de sábado, e com o
título de trabalho vocês incluíram todo tipo de atenção médica que não seja
necessária para salvar uma vida. E entretanto, vocês mesmos permitiram que se
leve a cabo a circuncisão no dia de sábado. Agora, a circuncisão são duas
coisas. É uma atenção médica a uma parte do corpo de um homem, e o corpo tem
duzentas e quarenta e oito partes. (Esse era o cálculo que faziam os judeus.)
Mais ainda, a circuncisão é um tipo de mutilação; implica tirar algo do corpo.
Como podem me culpar com razão por curar todo o corpo de um homem; e como podem
me culpar por tornar o corpo de um homem em algo são e completo quando vocês
mesmos o mutilam no dia de sábado?"
Trata-se de um argumento
extremamente elaborado e inteligente. Se for legal fazer uma operação que
mutila o corpo no dia de sábado, não pode ser ilegal levar a cabo uma operação
que cura o corpo. De maneira que Jesus termina dizendo que busquem olhar além
da superfície das coisas, que busquem julgar com justiça; e se o fazem já não
poderão acusá-lo de quebrantar a lei.
Pode ser que uma passagem
deste tipo nos pareça algo remoto, mas o certo é que quando lemos uma passagem
assim vemos em ação a mente aguda, clara, profunda e lógica de Jesus, e o vemos
enfrentar os homens mais sábios e inteligentes de sua época com suas próprias
armas e em seus próprios termos; e podemos ver como os vence.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. JOÃO.
pag. 263-264.
V. O SENHOR DO SÁBADO
1. O SÁBADO E A TRADIÇÃO
DOS ANCIÃOS.
A observância do sábado nos
dias do ministério terreno de Jesus havia se tornado externa e formal. As
autoridades religiosas de Israel haviam criado muitas restrições e
estabeleceram regras meticulosas. A Mishnah, antiga literatura religiosa dos
judeus, nos tratados Shabbat e Erub, registra minúcias de como o sábado deve
ser observado. A tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao
sábado. Por essa razão, o Senhor Jesus entrou diversas vezes em conflito com os
escribas e fariseus. Uma delas aconteceu quando ele defende os seus discípulos
por colherem espigas no sábado (Mt 12.1-5).
1 Naquele tempo, passou Jesus
pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a
colher espigas e a comer. 2 E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os
teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. 3 Ele, porém, lhes
disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele
estavam? 4 Como entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição, que não
lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? (Mt
12.1-4).
A passagem paralela aparece
em Marcos 2.23-26 e Lucas 6.1-4. Em todas elas, o Senhor Jesus mencionou um
trecho do Antigo Testamento em que Davi comeu o pão da proposição na casa do
sacerdote Abiatar, quando estava sob a perseguição de Saul (1 Sm 21.6). Assim,
ele colocou a guarda do sábado na mesma categoria do preceito cerimonial. A lei
proibia que estranhos comessem do pão sagrado da proposição, o qual era
restrito aos sacerdotes (Êx 29.33; Lv 22.10). Jesus foi além e disse que os
sacerdotes no templo podiam violar o sábado e ficar sem culpa (Mt 12.5). Um
mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza. Não existe concessão
para preceitos morais; aqui, a vida está acima do sábado.
Em outra ocasião, o Senhor
Jesus torna a considerar o sábado um preceito cerimonial com base na própria
lei de Moisés. Ele nem precisou reivindicar a sua autoridade de Filho de Deus e
Messias, ao lembrar às autoridades religiosas que a circuncisão de uma criança
pode ser feita num dia de sábado. A lei prescreve que o menino deve ser
circuncidado no oitavo dia de seu nascimento (Lv 12.3). Jesus disse que a
circuncisão pode ser feita mesmo quando o oitavo dia coincide com sábado (Jo
7.22, 23).
Jesus declarou: "O
sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado"
(Mc 2.27). Muitos comparam essas palavras a uma frase do Talmude creditada ao
rabi Simeon ben Menasya, cerca de 180 d.C.: "O sábado foi dado a vocês,
não vocês entregues a ele". A interpretação judaica diz respeito à
permissão da quebra do sábado em casos especiais, como a vida em perigo. Mas o
que Jesus disse significa que os seres humanos não foram criados para observar
o sábado, mas que o sábado foi criado para o benefício humano. Ele não disse
que o sábado foi feito por causa dos judeus ou de Israel, mas por causa de
todos os seres humanos. O sábado legal, do Decálogo, foi dado a Israel como
sinal entre Javé e os israelitas (Êx 31.13, 17; Dt 5.15; Ez 20.12). Aqui, o
Senhor Jesus se refere ao sábado institucional que Deus estabeleceu para o
bem-estar e gozo de todos os seres humanos, e isto está acima de observância
meticulosa do sábado.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 69-71.
No período entre o Antigo e o
Novo Testamento, ocorreu uma radicalização na celebração do sábado. Na época
dos macabeus, muitos preferiam morrer a deixar de celebrar o sábado. Soldados
recusavam-se a defender a si mesmos e ao próprio povo naquele dia (I Macabeus
2.32-38; II Macabeus 6.11). A tradição judaica posterior permitia que o dia
deixasse de ser observado sob circunstâncias de vida ou morte. Perigos que
ameaçassem à vida poderiam ser encarados de maneiras que violassem a manutenção
da tradição sabática (Yoma 8.6). Mas nem todas as facções do judaísmo seguiram
as diretrizes de liberalização. Materiais encontrados no Qumran mostram que os
fazendeiros não podiam realizar no sábado atos que preservassem a vida de
animais durante parturições complicadas. Se a mãe ou sua cria morresse, o
acontecimento era considerado um ato de Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de
Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 3.
No início do período do NT o
verdadeiro significado do sábado havia sido obscurecido pelas numerosas
restrições postas sobre sua observância. A observância do sábado se tomou
basicamente extemo e formal. Os homens se tomaram mais preocupados com a
observância meticulosa de um dia do que com as necessidades pungentes dos seres
humanos. Era inevitável que Jesus entrasse em conflito com os líderes judeus
por causa do sábado. Era costume de Jesus visitar a sinagoga aos sábados (Lc
4.16; cp. Mc 1.21; 3.1; Lc 13.10). Em seus ensinamentos ele confirmou a
autoridade e validade da lei do AT (Mt 5.17-20;
15.1 -6; 19.16-19; 22.3 5-40;
Lc 16.17). Sua ênfase, todavia, não era em uma observância extema da lei, antes
num cumprimento espontâneo da vontade de Deus que está por baixo da lei (Mt
5.21-48; 19.3-9). Jesus procurou esclarecer o verdadeiro sentido do sábado
mostrando o propósito original da sua instituição: “O sábado foi estabelecido
por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia.
Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 271.
2. JESUS É O SENHOR DO
SÁBADO (MC 2.28).
A frase "Assim, o Filho
do Homem até do sábado é senhor" (Mc 2.28) e as passagens paralelas (Mt
12.8; Lc 6.5) são disputadas pelos expositores do Novo Testamento. Há duas
linhas principais de interpretação: a) a autoridade sobre o sábado foi conferida
aos seres humanos, e b) trata-se do próprio Senhor Jesus. A primeira nos parece
menos aceitável porque Deus nunca delegou autoridade sem limites aos humanos e,
também, porque a expressão grega ho huios tou anthrõpos, "o Filho do
Homem", no singular, é título messiânico e não relativo a humanos. Está
claro que Jesus se referia a si mesmo. Esta é a melhor interpretação. Ele
revelou seu poder e sua autoridade sobre as enfermidades, sobre a natureza,
sobre todos os poderes das trevas, sobre a morte e o inferno; assim, nada mais
natural ser mesmo o Senhor do sábado. O sábado veio de Javé e somente ele tem
autoridade sobre a instituição. Então, não há outro no universo investido de
tamanha autoridade, senão o Filho de Deus.
Mais uma vez, o Senhor Jesus
Cristo apresenta o profeta Oseias como autoridade para fundamentar seu ensino
(Mt 12.7; Os 6,6). Ele acrescentou ainda que é "lícito fazer bem nos
sábados" (Mt 12.12). Isso o próprio Jesus o fez (Mc 3.1-5; Lc 13.10- 13;
14.1-6; Jo 5.8-18; 9.6, 7, 16), e nós também devemos fazer o bem, não importa
qual seja o dia da semana. Como o sábado do relato da criação, não é regra
legal opressiva; é chamado de sábado institucional que se transferiu para o
domingo por causa da ressurreição de Jesus, mas não como mandamento.
Assim, como nada há no Novo
Testamento que indique a sua observância, isso por si só mostra que o quarto
mandamento não é um preceito moral. Esta interpretação é corroborada pelo fato
de nem Jesus nem os apóstolos ensinarem a guarda do sábado. O sábado não foi mencionado
quando Jesus citou os mandamentos para o moço rico (Mt 19.17-19). Toda a lei se
resume no amor a Deus e ao próximo (Mt 7.12; 22.40; Mc 12.31; Rm 13.10).
O apóstolo Paulo omitiu o
quarto mandamento (Rm 13.9). Ele considerava retrocesso espiritual guardar
dias, meses e anos (G1 4.10, 11). Os primeiros cristãos eram judeus de origem e
era natural para eles observar os serviços da sinagoga; ainda hoje, muitos
judeus que são convertidos à fé cristã preferem não abrir mão de sua identidade
judaica, principalmente aqueles que residem em Israel. É mais uma questão
cultural. Paulo via o sábado e os preceitos dietéticos, o kashrut, como mera
opção pessoal. E, mesmo não havendo prova de que o apóstolo distinguisse
preceitos morais e cerimoniais, aqui ele coloca o sábado e o kashrut na mesma
categoria (Rm 14.1-6). Segundo Paulo, o antigo concerto foi abolido (2 Co
3.7-14) , incluindo o sábado (Os 2.11). De fato, isso já era anunciado desde o
Antigo Testamento (Jr 31.31-34).
Paulo disse que Jesus riscou
na cruz "a cédula que era contra nós nas suas ordenanças" (Cl 2.14).
O substantivo grego para "cédula" é cheirgraphon, um hapax legomenon,
literalmente, "escrito à mão”. É um documento escrito à mão usado aqui
metaforicamente. O termo aparece na literatura grega extrabíblica com vários
significados: "lei mosaica, obrigação escrita, contrato (ROBINSON, 2012,
p. 984); "registro de uma conta financeira, conta, registro de
dívida" (LOUW & NIDA, 2013, pp. 352, 353).
É um certificado de dívida,
uma nota promissória. A ordenança, ou dogma, significa "decreto,
ordenança, edito", um termo usado também em referencia à lei de Moisés (Ef
2.15). É esse o sentido aqui, pois Jesus disse que a lei nos acusa (Jo 5.45). O
pensamento paulino revela o aspecto condenatório da lei mosaica (Dt 27.26; 1 Co
15.56; Gl 3.10) e também o padrão divino para a vida humana (Rm 7.13, 14).
A acusação da lei contra nós
foi cancelada na cruz do Calvário, e aí o apóstolo inclui o sábado. O apóstolo
emprega os dois termos "cédula" e "ordenança" metaforicamente
para dizer que fomos perdoados e estamos livres de legalismo: "Portanto,
ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa,
ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo
é de Cristo" (Cl 2.16, 17). Com exceção do sangue (At 15.20, 28), as
restrições dietéticas de Levítico foram removidas, pois Deus purificou os
animais cerimonialmente imundos (At 10.12-15). Nenhum alimento é imundo por si
mesmo (Rm 14.14, 20; 1 Tm 4.3, 4). O que contamina o ser humano é o que sai
dele, não o que entra (Mt 15.11-20).
O sábado cerimonial é um
termo para designar os festivais de Israel que englobam as festas anuais,
mensais e semanais (1 Cr 23.31; 2 Cr 2.4; 8.13; 31.3; Ez 45.17). O sábado
cerimonial já está incluído na expressão "dias de festa". Assim, a
"lua nova", refere-se à festa mensal e a expressão "dos
sábados" diz respeito aos sábados semanais. O novo concerto nos isenta de
todas essas coisas. Paulo parece empregar uma linguagem platônica no tocante ao
mundo real e ao mundo das ideias no v. 17. A sombra é temporária e identifica
com imperfeição o objeto que a projetou, sendo portanto inferior a ele. O
apóstolo afirma nesta metáfora que a lei é uma projeção, uma sombra da
realidade, que é o corpo de Cristo.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 71-74.
No início do período do NT o
verdadeiro significado do sábado havia sido obscurecido pelas numerosas
restrições postas sobre sua observância. A observância do sábado se tomou
basicamente externo e formal. Os homens se tomaram mais preocupados com a
observância meticulosa de um dia do que com as necessidades pungentes dos seres
humanos. Era inevitável que Jesus entrasse em conflito com os líderes judeus
por causa do sábado. Era costume de Jesus visitar a sinagoga aos sábados (Lc
4.16; cp. Mc 1.21; 3.1; Lc 13.10). Em seus ensinamentos ele confirmou a
autoridade e validade da lei do AT (Mt 5.17-20; 15.1 -6; 19.16-19; 22.3 5-40;
Lc 16.17). Sua ênfase, todavia, não era em uma observância externa da lei,
antes num cumprimento espontâneo da vontade de Deus que está por baixo da lei
(Mt 5.21-48; 19.3-9). Jesus procurou esclarecer o verdadeiro sentido do sábado
mostrando o propósito original da sua instituição: “O sábado foi estabelecido
por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27).
Em seis ocasiões diferentes
Jesus entrou em conflito com judeus por causa da discriminação deles do sábado.
Ele defendeu seus discípulos por colherem espigas no sábado aludindo ao tempo
quando Davi e seus homens comeram os pães da proposição (Mt 12.1-4; Mc 2.23-26;
Lc 6.1-4). Ao fazer isto, Jesus colocou o mandamento do sábado na mesma
categoria da lei cerimonial que proibia o comer deste pão sagrado por outros
além dos sacerdotes, e ensinou que as necessidades humanas tinham precedência
sobre os requerimentos legais do sábado. Ele também lembrou seus críticos de
que os sacerdotes no Templo profanavam o sábado e eram inocentes (Mt 12.5).
Ele, sem dúvida, se referiu à prática prescrita na lei sobre circuncidar no
sábado, se isto for o oitavo dia após o nascimento (Lv 12.3; Jo 7.22,23).
Conseqüentemente, a lei cerimonial que requer a circuncisão da criança oito
dias após o nascimento assumiu precedência sobre a lei do sábado. Foi nesta
mesma ocasião que Jesus disse que o sábado foi feito para o homem e não o homem
para o sábado (Mc 2.27), indicando que ele considerava o sábado como uma
providência para a necessidade e bem estar do homem, e não como um requerimento
legal opressivo. Foi também nesta ocasião que Jesus afirmou seu senhorio sobre
o sábado (Mt 12.8; Mc 2.28; Lc 6.5).
Jesus expressou ira para com
aqueles judeus na sinagoga em Cafamaum que demonstraram mais interesse pela
observância meticulosa do sábado do que pelo ser humano que era privado do uso
de uma mão, e o curou diante de todos eles (Mc 3.1-5). Numa outra ocasião,
quando o chefe da sinagoga ficou indignado porque Jesus curou uma mulher que
tinha um espírito de enfermidade durante dezoito anos, ele defendeu sua ação
apelando para a prática comum de soltar os animais domésticos a fim de os levar
para beberem água no sábado (Lc 13.10-17). Novamente, quando Jesus, sob os
olhares críticos dos fariseus, curou um homem hidrópico no sábado, ele se defendeu
perguntando aos seus críticos se deixariam de resgatar um boi ou jumento que
havia caído num poço naquele dia (14.1-6).
As outras duas ocasiões
quando as ações de Jesus no sábado provocaram conflito com os líderes judeus
são registradas em João. Uma foi a cura do homem impotente no tanque de Betesda
(Jo 5.1-18); a outra foi a cura do homem que nasceu cego (9.1-41). Na primeira
destas ocasiões Jesus defendeu seu direito de curar no sábado com base em que
seu Pai não parava suas atividades beneficentes naquele dia (5.17) e na segunda
ocasião ele condenou a cegueira espiritual dos fariseus (9.40,41).
Em todos estes exemplos Jesus
mostrou que ele colocava a necessidade humana acima da simples observância
externa do sábado. Jesus nunca fez ou disse qualquer coisa a fim de tirar do
homem os privilégios proporcionados por um dia de descanso como este. Por outro
lado, não se pode dizer que Jesus tinha a intenção de perpetrar o sábado
hebraico ou estendeu sua aplicação a todos os homens. No que diz respeito ao registro
dos evangelhos, ele nunca fez menção ao quarto mandamento. Ao enfatizar o
princípio que está por traz da lei, o espírito e propósito da lei, ao invés dos
seus regulamentos formais e externos, ele preparou o caminho para a abolição de
todas as leis e ordenanças externas do AT.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia.
Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 271-272.
Em seis ocasiões diferentes
Jesus entrou em conflito com judeus por causa da discriminação deles do sábado.
Ele defendeu seus discípulos por colherem espigas no sábado aludindo ao tempo
quando Davi e seus homens comeram os pães da proposição (Mt 12.1-4; Mc 2.23-26;
Lc 6.1-4). Ao fazer isto, Jesus colocou o mandamento do sábado na mesma
categoria da lei cerimonial que proibia o comer deste pão sagrado por outros
além dos sacerdotes, e ensinou que as necessidades humanas tinham precedência
sobre os requerimentos legais do sábado. Ele também lembrou seus críticos de
que os sacerdotes no Templo profanavam o sábado e eram inocentes (Mt 12.5).
Ele, sem dúvida, se referiu à prática prescrita na lei sobre circuncidar no
sábado, se isto for o oitavo dia após o nascimento (Lv 12.3; Jo 7.22,23).
Conseqüentemente, a lei cerimonial que requer a circuncisão da criança oito
dias após o nascimento assumiu precedência sobre a lei do sábado. Foi nesta
mesma ocasião que Jesus disse que o sábado foi feito para o homem e não o homem
para o sábado (Mc 2.27), indicando que ele considerava o sábado como uma
providência para a necessidade e bem estar do homem, e não como um requerimento
legal opressivo. Foi também nesta ocasião que Jesus afirmou seu senhorio sobre
o sábado (Mt 12.8; Mc 2.28; Lc 6.5).
Jesus expressou ira para com
aqueles judeus na sinagoga em Cafamaum que demonstraram mais interesse pela
observância meticulosa do sábado do que pelo ser humano que era privado do uso
de uma mão, e o curou diante de todos eles (Mc 3.1-5). Numa outra ocasião,
quando o chefe da sinagoga ficou indignado porque Jesus curou uma mulher que
tinha um espírito de enfermidade durante dezoito anos, ele defendeu sua ação
apelando para a prática comum de soltar os animais domésticos a fim de os levar
para beberem água no sábado (Lc 13.10-17). Novamente, quando Jesus, sob os
olhares críticos dos fariseus, curou um homem hidrópico no sábado, ele se
defendeu perguntando aos seus críticos se deixariam de resgatar um boi ou
jumento que havia caído num poço naquele dia (14.1-6).
As outras duas ocasiões
quando as ações de Jesus no sábado provocaram conflito com os líderes judeus
são registradas em João. Uma foi a cura do homem impotente no tanque de Betesda
(Jo 5.1-18); a outra foi a cura do homem que nasceu cego (9.1-41). Na primeira
destas ocasiões Jesus defendeu seu direito de curar no sábado com base em que
seu Pai não parava suas atividades beneficentes naquele dia (5.17) e na segunda
ocasião ele condenou a cegueira espiritual dos fariseus (9.40,41).
Em todos estes exemplos Jesus
mostrou que ele colocava a necessidade humana acima da simples observância
externa do sábado. Jesus nunca fez ou disse qualquer coisa a fim de tirar do
homem os privilégios proporcionados por um dia de descanso como este. Por outro
lado, não se pode dizer que Jesus tinha a intenção de perpetrar o sábado
hebraico ou estendeu sua aplicação a todos os homens. No que diz respeito ao
registro dos evangelhos, ele nunca fez menção ao quarto mandamento. Ao
enfatizar o princípio que está por traz da lei, o espírito e propósito da lei,
ao invés dos seus regulamentos formais e externos, ele preparou o caminho para
a abolição de todas as leis e ordenanças externas do AT.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia.
Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 271-272.
3. DIA DO CULTO CRISTÃO.
O SÁBADO CRISTÃO
O sábado legal do Decálogo
foi estabelecido para Israel se lembrar da escravidão no Egito (Dt 5.15). Há
certa analogia com o sábado cristão, o domingo, que, sem precisar de imposição
legal, passou a ser o dia de adoração cristã coletiva em memória à ressurreição
de Cristo que ocorreu num domingo (Mc 16.1-6; Lc24.1-6). Éosábado institucional.
Isso está claro em três passagens do Novo Testamento: "No primeiro dia da
semana, ajuntando os discípulos para o partir do pão" (At 20.7). Era um
domingo, "talvez 24 de abril de 57 d.C.", segundo F. F. Bruce (apud
STOTT, 1994, p. 360). O "partir do pão" é um termo usado para a Ceia
do Senhor (At 2.42; 1 Co 10.16; 11.20-26). Segundo o autor citado, essa
passagem "é a evidência inequívoca mais primitiva que temos da prática
cristã de reunir-se para a adoração nesse dia". Isso se confirma mais adiante
no Novo Testamento: "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de
parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam
as coletas quando eu chegar" (1 Co 16.2). Temos aqui outra prova de que o
primeiro dia da semana era o dia de culto regular. O apóstolo recomendou que
nessas reuniões se levantasse uma coleta para socorrer os irmãos pobres de
Jerusalém.
O apóstolo João foi
arrebatado no dia do Senhor: Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e
ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta" (Ap 1.10). A
expressão dia do Senhor" não é escatológica, pois a construção grega aqui,
en tê kyriakê hêmera, se refere ao domingo. Versões católicas como Figueiredo,
Matos Soares e a Bíblia do Peregrino empregam "num dia de domingo"
para traduzir a referida frase. Esta tradução é aceitável porque está de acordo
com o contexto bíblico e histórico.
A palavra kyriakê significa
"domingo" ainda hoje na Grécia. O termo "domingo",
literalmente quer dizer, "dia do senhor , do latim, dominus,
"senhor", e dies, "dia". Inácio de Antioquia usa a mesma
frase grega do apóstolo João em Apocalipse, para indicar o primeiro dia da
semana: "Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova
esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senho em que a nossa vida
se levantou por meio dele e da sua morte" (Magnésios 9-1, Coleção
Patrística 1, Padres Apostólicos). Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia e
conheceu os apóstolos Paulo e João. Preso em 110 no reinado de Trajano, foi
levado a Roma e atirado às feras. Trata-se de alguém da segunda geração dos
apóstolos.
Outra razão que confirma essa
interpretação é o fato de a Septuaginta usar uma forma diferente para o
"dia do Senhor escatológico, hêmera tou kyriou ou hêmera kyriou. E o mesmo
acontece nas cinco vezes que a frase aparece no Novo Testamento grego (At 2.20;
1 Co 5.5; 2 Co 1.14; 1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10).
Os primeiros pais da Igreja
mostram que nos três primeiros séculos da história da Igreja o domingo
continuava sendo o dia de reunião dos cristãos. Além de Inácio de Antioquia,
isso pode ser ainda visto na Epístola de Barnabé (que não era o Barnabé citado
do Novo Testamento). Trata-se de um documento da primeira metade do século 2,
que declara: "Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no
qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos
céus" (Epístola de Barnabé, 15.9).
Herdamos dos dias apostólicos
essa prática que foi perpetuada pelo tempo. Os preceitos cerimoniais não
desobrigam os seres humanos de cultuarem a Deus, mas estes não precisam de
rituais e nem lhes é exigido irem a Jerusalém. Da mesma forma, o sábado não precisa
ser o sétimo dia da semana. Os adventistas do sétimo estão equivocados quando
afirmam que o imperador Constantino substituiu o sábado pelo domingo, e sua
doutrina não tem sustentação bíblica. É um erro teológico e histórico.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em
Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 74-76.
O Dia do Senhor. Para os
cristãos, o domingo é o dia do Senhor, e não o sábado. Historicamente, os
intérpretes têm dito que o domingo é o “descanso”, chamando-o de sábado
cristão. Mas apesar de ser verdade que nossos cultos religiosos ocorram no
primeiro dia da semana, o que retém um certo elemento próprio do dia de sábado,
isso não faz o Dia do Senhor tornar-se um sábado cristão. Que Deus nos salve do
legalismo! Isso não significa que o crente deveria ignorar as implicações de
quão próprio é que um dos dias da semana seja especi- almente consagrado a
exercícios espirituais. Paulo, todavia, deixou claro que, para o crente, todos
os dias são iguais (Rom. 14.5 ss.). No mesmo contexto, porém, ele também deixou
claro que o crente pode estabelecer uma distinção, se tal distinção puder
fomentar a sua piedade e a eficácia de sua adoração. Historicamente, a Igreja
tem estabelecido essa distinção. O domingo deveria ser um dia isento de todo
legalismo, tão-somente retendo um devido espírito de adoração. Não deveria ser
profanado. A Igreja assim tem observado, para bem do homem. A Escola Dominical
é uma grande instituição, embora não faça parte dos ensinos do Novo Testamento.
O domingo tem-se tornado um dia dedicado à adoração, ao estudo da Bíblia e à
evangelização de uma Igreja reunida com esses propósitos. É no domingo que a
Igreja comemora a ressurreição de Jesus. Ele saiu do túmulo revestido de uma
vida nova, O domingo, pois, é uma oportunidade para participar-mos dessa vida
nova e a expressarmos. O domingo não é imposto, conforme o sábado era imposto.
Contudo, é benéfico, e exige nosso respeito. A liberdade, se for abusada, será
sempre tão ruim e errada quanto uma obrigação imposta.
A Natureza Monótona e
Destrutiva de um Labor Contínuo. Deus pode conferirmos a graça e talvez até
permitir e encorajar que labutemos todos os dias, se tal trabalho for benéfico
para nós mesmos e para o próximo. Todavia, descansar um dia por semana é uma
boa medida de saúde. Talvez se assim fizermos, poderemos realizar em seis dias
o que realizamos em sete. A saúde inclui o ritmo intercalado de trabalho e
descanso. Não nos deveríamos preocupar se, em dia de domingo, estivermos
fazendo aquilo que os antigos sabatistas proibiam para o sábado. Se
tivermos tal preocupação, estaremos mostrando nossa insensatez. Não obstante,
estaremos pecando se nos esquecermos do espírito do sábado, que nos convida a
estacar, descansar, adorar e servir.
O Mandamento contra o Ócio.
Foi ordenado ao homem que trabalhasse por seis dias, e não apenas que
descansasse no sétimo. “Aquele que se mostra ocioso por seis dias é igualmente
culpado, aos olhos de Deus, do que se vier a trabalhar no sétimo dia” (Adam
Clark, in loc.)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento
Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 21-22.
ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

O QUARTO MANDAMENTO
"Lembra-te do dia do
sábado, para o santificar" (Êx 20:8). Tenho que confessar que não pude
encontrar coisa alguma que pudesse ser o correspondente a este mandamento no
cristianismo. Não existe. Lembremo-nos de que a palavra "shabbat",
que significa "repouso", é usada pela primeira vez em Êxodo 16:23,
com relação ao recolhimento do maná pelos filhos de Israel. Não era para ser
recolhido no sábado, o sétimo dia. Este dia foi designado como um dia de
descanso.
Mas quando entramos na
dispensação cristã, ou economia cristã, se preferir, não encontramos nenhuma
instrução para que se observe tal dia. Há apenas uma menção ao
"shabbat" em todo o conjunto de epístolas do Novo Testamento:
"Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos
dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados" (Cl 2:16).
Mas preste atenção para a
declaração qualificativa do versículo 17: "Que são sombras das coisas
futuras, mas o corpo é de Cristo".
Evidentemente, a única razão
de se ter mencionado o sábado foi para mostrar que ele não faz parte da
revelação cristã. Pelo contrário, mostra que foi somente uma sombra do que
havia de vir. Porém quanto ao nosso dia de repouso, sabemos que Hebreus 4:9
diz: "Portanto resta ainda um repouso para o povo de Deus". Não
podemos dizer que o "shabbat" (o descanso) foi trocado pelo domingo.
O "shabbat" sempre foi o sétimo dia da semana; o domingo é o primeiro
dia da semana e, assim sendo, nunca poderia ser o "shabbat". Nós
cristãos esperamos nosso dia de repouso que será quando o Senhor nos levar à
casa de Seu Pai, para que descansemos em Seu amor. O descanso está no final de uma
jornada.
"Mas" - perguntará
alguém - "não seria o domingo, o primeiro dia da semana, o nosso
repouso?". Deveremos responder - "Não!". Então qual é o lugar
que o domingo deve ocupar em nossas vidas?
Porventura a própria
expressão, "o dia do Senhor", não responde a esta pergunta? Este dia
pertence ao Senhor e devemos empregá-lo para Ele. É o dia em que nos reunimos
para partir o pão. O termo "o dia do Senhor" aparece no original
apenas uma vez na Bíblia, em Apocalipse 1:10, e pode ser traduzido do grego por
"dia dominical". Poderíamos traduzir o versículo da seguinte forma:
"Eu fui arrebatado em espírito no dia dominical". Encontramos também
a mesma palavra grega no texto relativo à ceia do Senhor, ou, como deveria ser
chamada, a ceia dominical. Acaso não é significativo que o único uso desta
palavra grega "dominical" no Novo Testamento esteja conectado à ceia
e ao dia? Portanto celebra-se a ceia do Senhor no dia do Senhor.
O dia do Senhor se distingue
definitivamente dos demais dias por várias passagens bíblicas. Nosso Senhor
Jesus ressuscitou de entre os mortos no primeiro dia da semana; Ele apareceu
aos Seus discípulos neste dia; tornou a aparecer a eles no segundo dia do
Senhor depois de Sua ressurreição. Notamos que o Espírito Santo desceu no dia
de Pentecostes, que era também o primeiro dia da semana. Os discípulos se
reuniram para partir o pão no primeiro dia da semana. O apóstolo exortou aos
coríntios que cada um separasse sua oferta para os santos pobres no primeiro
dia da semana (1 Coríntios 16:2).
Todas estas passagens
demonstram que no cristianismo o primeiro dia da semana remove totalmente o
"shabbat" judaico. Quão impróprio seria que a igreja de Deus
celebrasse como seu dia aquele durante o qual seu Senhor e Salvador esteve sob
o poder da morte e do sepulcro! Mas quão glorioso é nos reunirmos no primeiro
dia da semana, o dia de Sua vitória sobre o sepulcro! Quão doce e precioso é
dar-Lhe este primeiro dia da semana, o Seu dia!
Gostaria de dizer algo aos
que são jovens. Me entristeço ao ver que muitos estão empregando o dia
dominical para as habituais tarefas cotidianas. Talvez você me diga que não
pensaria em sair de casa no dia do Senhor para cortar a grama do jardim, ou,
talvez, para lavar roupa neste dia. Mas vamos dar uma olhada dentro de casa.
Você talvez seja um estudante, e isto é perfeitamente correto e faz parte de
sua
tarefas escolares. Mas -
preste atenção - será que suas tarefas escolares são tão importantes ao ponto de
impedi-lo de dispor apropriadamente o dia do Senhor a Ele, a Quem o dia
pertence? Talvez você responda: - Se eu não estudar no dia do Senhor, não
conseguirei tirar a nota que preciso.
Talvez não, mas ainda assim,
o que é mais importante para você, uma boa nota ou a aprovação do Senhor?
Procuremos, pela graça de Deus, dar ao Senhor o Seu dia.
Talvez algum jovem me
pergunte: - Bem, como então hei de empregar o dia do Senhor? Eu sei como alguns
de nossos queridos jovens irmãos e irmãs empregam o tempo disponível no dia do
Senhor. Aproveitam várias oportunidades para evangelizar, em visitas a
hospitais e outras instituições para distribuir folhetos e falar às pessoas
individualmente acerca do Senhor ou em pregações ao ar livre. Outros fazem isto
em visitas aos doentes e aos encarcerados. Há ainda alguns que dedicam uma
parte do dia do Senhor para escrever cartas de encorajamento a seus amigos
cristãos, ou talvez a seus parentes e amigos inconversos, enquanto outros se
ocupam em empacotar literatura cristã para ser enviada pelo correio àqueles que
possam ter suas almas auxiliadas por algum folheto ou livreto. Não; não há
nenhum sábado, nenhum dia de repouso para os cristãos, senão um dia em que
podemos estar livres para servirmos ao Senhor. Que o Senhor nos dê uma
consciência terna, para que esse dia seja verdadeiramente o dia que pertence a
Ele.
OS DEZ MANDAMENTOS-C.
H. BROWN


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