domingo, 26 de abril de 2020

Lição 05 - Tire um Dia Para Descansar



TEXTO BÍBLICO BÁSICO
 Deuteronômio 5.1-3, 12-15

 1 E chamou Moisés a todo o Israel e disse-lhes: Ouve, 6 Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardá-los-eis, para os cumprir
 2 O SENHOR, nosso Deus, fez conosco concerto, em Horebe.
 3 Não foi com nossos pais que fez o SENHOR este concerto, senão conosco, todos os que  hoje aqui estamos vivos.
12 Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o SENHOR, teu Deus.
13 - Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra.
14 - Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serra descansem como tu;
15 - porque te lembrarás de que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado.


TEXTO ÁUREO

 Lembra-te do dia
do sábado, para o
santificar.
Êxodo 20.8


SUBSIDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO


2. Feira - Gênesis 2.1-3
Deus descansou no sétimo dia
3. Feira - Êxodo 35.1-3
O sétimo dia vos se. santo
4. Feira - Marcos 2.23-28
O sábado foi feito por causa do homem
5. Feira - Levítico 23.1-3
O sétimo dia será o sábado do descanso
6. Feira - Mateus 5.17-20
Não cuideis que vim destruir a Lei
 Sábado - Colossenses 2.16-23
Ninguém vos julgue por causa dos sábados


OBJETIVOS

 Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de.

 • entender que reservar um dia da semana para descansar é um direito dado por Deus;
 • compreender que o dia do descanso é também um dia consagrado para celebrar a Deus;
 • concluir que depois da morte e ressurreição de Jesus os crentes trocaram o sábado pelo domingo.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS

 Professores que se preocupam somente com a sua preleção semanal e com a sua capacidade de armazenar e transmitir informações desconhecem a realidade e as necessidades de seus alunos. Quando isso ocorre, o aluno tende a ficar desmotivado, perdendo gradativamente a vontade de participar dos estudos bíblicos, podendo até mesmo deixar de frequentar a EBD.

 Professor, o seu aluno deseja algo além do conteúdo. Os alunos se identificam com os professores que mostraram interesse especial e cuidaram deles antes de se lembrarem daqueles que tinham bons dotes de oratória (Revista Educação Cristã Hoje, n9 1. Central Gospel, 2012, p. 27).
Deus o abençoe!

COMENTÁRIO

Palavra Introdutória

O fato de não existir qualquer evidência da guarda do sábado entre os primitivos discípulos fez com que a Igreja adotasse o domingo como dia do Senhor. Não se pode negar: grande parte dos cristãos encontra dificuldades para explicar a razão do quarto mandamento. Assim, convencionou-se dizer que o decálogo divino destinou-se, exclusivamente, ao ¡ovo da antiga aliança, os hebreus, desconsiderando-se que esse mandamento — como todos os outros — diz respeito ao corpo de Cristo.


1.     A RAZÃO DO SÁBADO

De. não faz nada sem propósito: assim como Ele instituiu as 613 leis — pondo em destaque, de forma didática, Decálogo para que o Seu povo se apegasse aos principais mandamentos, a partir dos quais todos os demais transcorreriam —, Ele sublinhou a importância de cada uma das Dez palavras, atribuindo-lhes igual valor. Embora o quarto mandamento faça parte do Decálogo destinado aos hebreus, tudo indica que ele fora instituído muito setas de o Senhor entregá-lo ao irmão de Arão (Gn 2.2,3). O sabado (hb. shabat = dia de pausa, pôr fim; cessar) alude, antes de tudo, ao sétimo dia guardado pelo próprio Deus, que, apoia de haver criado todas as coisas, descansou (Gn 2.2). O descanso divino no sétimo dia da Criação, portanto, parece soar como um prenúncio de que o dia do Senhor teria dupla finalidade: descanso e adoração.

1.1. Deus pensou nos homens e nos animais

Não nos esqueçamos de que no Egito os hebreus viviam como escravos, aos quais poucos benefícios eram dados. Depois de Moisés ter comunicado a Faraó que, por ordem de Deus, ele deveria deixar o Seu povo sair do Egito, Faraó aumentou ainda mais a carga dos hebreus, impondo-lhes maior sacrifício (Êx 5.9).

Há, no início do Decálogo, uma frase de transição que acompanha cada um dos mandamentos: Eu sou o Senhor que ,os tirou de terra do Egito (Co 20.2). Essa menção justifica todos os atos de Deus adoravam inclusive a razão de cada mandamento. No Egito, os hebreus não tinham direitos trabalhistas , eram escravos sem permissão para folga (Dt 5.15).

Os filhos de Abraão estavam acostumados àquela vida de servidão (Co 1.13,14; 2.11a). Para a mente humana, é difícil adaptar-se a uma mudança imposta; significa dizer que, ,psicologicamente, o povo escolhido estava tão acostumado com o trabalho incessante, que, para fazê-lo parar, somente por meio de uma lei impositiva. Os bois e os jumentos também precisavam de descanso. Assim como os homens, eles sofriam a fadiga do trabalho contínuo.


1.2.         Deus pensou em Si mesmo

O sábado foi santificado por Deus; esse dia estava incluído n. festas solenes, fazendo parte d. santas convocações (Lv 23.1-3) — por essa razão os judeus reúnem-se em sinagogas e os adventistas realizam cultos aos sábados. Ao mesmo tempo em que Deus determinou o descanso para homens e animais nesse dia, Ele também pensou que o dia santificado deveria ser um dia de adoração a Ele.

 A desobediência à guarda do sábado era considerada ofensiva, e o transgressor, digno de morte; isto é, à desobediência ao shabat aplicava-se a pena capital (Ex 31.14,15; Nm 15.32-36).
Assim como o Altíssimo esperava que o sábado fosse rigorosamente atendido pelos hebreus, Ele espera que o povo da nova aliança seja adorador, não somente em um dia específico, mas que o shabat seja entendido como o dia do descanso em Deus.


             2. A EXTENSÃO DO SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO
 

2.1. Ano de reflexão

O calendário do povo hebreu recebeu a inclusão do ano sabático, período que daria um ano de descanso à terra, após seis anos de plantio (Lv 25.1-7).

No ano sabático, tanto o proprietário da terra quanto os empregados e os animais colheriam da novidade da terra, ou seja, do que ela produzisse livremente (Lv 25.6). Isso igualaria o proprietário aos seus empregados e até mesmo aos animais que se esforçavam por ela. Esse descanso também levaria os filhos de Abraão a lembrarem-se de que durante 40 anos não plantaram nem colheram no deserto.

Está mais do que provado pelos agricultores que é altamente benéfico conceder um tempo de descanso para a lavoura. Foi pela idolatria, pela falta de obediência à Lei — incluindo a não observância acumulada do ano sabático da terra — que Deus levou os judeus para o cativeiro babilônico para cumprirem 70 anos de exílio (2 Cr 36.21; Jr 29.10).

2.2. Semanas de anos de reflexão

 Além do ano sabático, os hebreus deveriam observar, ainda, o ano do jubileu, comemorado a cada sete semanas de anos, perfazendo 49 anos. No quinquagésimo ano, porém, a terra descansaria (Lv 25.10-12).

No ano do jubileu, seriam anistiados os que estive.em endividados; os que haviam hipotecado suas terras  receberiam de volta sem encargos; os que foram vendidos como escravos se tornariam livres (Éx 25.10). Nenhuma propriedade pertenceria definitivamente ao seu dono, porque o Senhor disse: (...) a terra é minha (Lv 25.23).

2.3. O abuso dos gananciosos

• Nos tempos de Amós — Observa-se que os proprietários das terias eram tão gananciosos que sequer suportavam guardar o sábado comum (Am 8.5,6) — apesar das instruções e do perigo que corriam em não observar o dia sagrado.

 • Nos tempos de Neemias — Os comerciantes causaram grande mal-estar a Neemias após a construção das muralhas de Jerusalém. Eles não respeitavam o sábado; antes, pisavam uvas nos lagares, traziam jumentos carregados de feixes, comercializavam vinho, uvas e figos e até estrangeiros participavam da feira (Ne 13.15,16). Com a proibição, os comerciantes chegavam à véspera do sábado e ofere-ciam os seus produtos do lado de fora das portas da cidade. Neemias, no entanto, mandou fechá-las; assim, depois de duas semanas, eles pararam com a feira (Ne 13.19-21).


3.     O SÁBADO NO NOVO TESTAMENTO

 Enquanto não ficar claro quem são os destinatários do Antigo e do Novo Testamentos haverá confusão no seio da igreja: o Antigo Testamento foi destinado ao povo hebreu; e o Novo Testamento, à Igreja. Ambas as porções do texto bíblico compõem, de forma plena, a Palavra de Deus; porém, cada uma apresenta um tratamento peculiar para cada um dos grupos.

Referindo-se ao Antigo Testamento, cuja orientação está baseada totalmente na Lei, Jesus deixou claro que a Lei e os Profetas duraram até João (o Batista, conf. Lc 16.16). Nesse sentido, vemos que o Mestre reinterpretou a lei que estabelecia o dia do descanso, afirmando que o sábado foi feito para o homem, não o contrário (Mc 2.27). 3.1. Jesus foi cumpridor da Lei.

 Os opositores de Jesus jamais acharam nele qualquer pecado ou algo que pudesse incriminá-lo; seus oponentes, todavia, tentavam julgá-lo pelo modo como Ele e os Seus discípulos lidavam com o sábado. Para os detratores do Mestre, a guarda do sétimo dia era mais uma questão ritualística do que uma forma de gozar um beneficio, que visava à reposição das energias após uma semana de trabalho.

Jesus não tinha qualquer dificuldade com o sábado, até porque, sendo judeu, estava acostumado com essa prática desde a ma. tenra idade (Lc 4.16). O que incomodava o Salvador não era a validade do sábado, mas o legalismo tão ardorosamente defendido por aqueles que o perseguiam (Mt 5.17).

3.2. As acusações que Jesus e os discípulos sofriam

Certo sábado, enquanto Jesus passava pelas searas, Seus discípulos colheram espigas. Os fariseus reclamaram deles — afinal, era sábado (Lc 6.1,2). Jesus respondeu-lhes com um fato histórico. Ele lembrou-os de quando Davi, para alimentar-se e dar de comer aos seus homens, não se furtou de comer dos pães da propiciação que eram consagrados ao Senhor (Mc 2.23-28; 1 Sm 21.6).

3.2.1. Jesus cura no sábado

 Muito mais importante do que estar afeito à letra da Lei é compreender a 181 18180 de ser. 0 entendimento de Jesus sobre a guarda do sábado ultrapassava o que a mente mes-quinha dos religiosos de Seu tempo era capaz de alcançar. Observe:

• Jesus curou uma mulher que andava curvada havia 18 anos, em uma sinagoga, num dia de sábado. O príncipe da sinagoga ficou indignado com Ele, mas Jesus chamou-o de hipócrita: no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber água, (Lc 13.10-17);

• Jesus curou um homem hidrópico num sábado e foi recri-minado, como sempre, pelos doutores da Lei e pelos fari-seus (Lc 14.1-6);

• Jesus curou o paralitico de Betesda num sábado (Jo 5.1-9).

3.3. A guarda do domingo

Os reformadores da Igreja, como Martinho Lutero, João Calvino e os grupos cristãos mais antigos, como os puritanos, defenderam a guarda de um dia da semana para descanso e adoração. Um grupo de puritanos criou leis severas para a guarda do sábado, com base em argumentos apresentados pelo Novo Testamento. A Igreja de Cristo ao redor do mundo, no entanto, observa o domingo (It. dominus), não o sábado, como o dia destinado ao descanso e à adoração.

Os cristãos escolheram o domingo como dia do Senhor porque, além de não haver qualquer orientação para a guarda do sábado no Novo Testamento, NESTE DIA  (no domingo), nosso Senhor ressuscitou (leia Jo 20.1).

3.3.1. Os argumentos apostólicos pelo domingo

• O culto principal da Igreja primitiva acontecia aos domingos (1 Co 16.2).

• Paulo, o apóstolo aos gentios, celebrou a ceia do Senhor, em Trôade, num dia de domingo (At 20.7).

• Na igreja de Roma, houve uma discussão sobre alimentos e calendários. Paulo exortou os irmãos daquela comunidade a se entenderem e a se respeitarem mutuamente (Rm 14.5,6).

• Paulo, preocupado com o fato de os gálatas não terem compreendido que o Evangelho isenta-nos do pacto estabelecido entre Deus e os filhos de Abraão, escreveu-lhes uma carta, dizendo que quando eles ainda não conheciam a Deus, guardavam dias, e meses, e tempos, e anos, nomeando essa prática de rudimentos fracos e pobres (G14.8-11).

• Paulo foi ainda mais veemente quando tratou com os crentes de Colossos; ele estava livre do entendimento de que o dia do descanso teria de ser, necessariamente, no sábado (Cl 2.16,17).
Se o judeu Paulo cria na observância do quarto mandamento, ele não legou esse entendimento à Igreja. Os cristãos podem fazer do domingo um dia de descanso, reflexão espiritual e adoração; contudo, se essa prática tornar-se urna obrigação legalista, perderá todo o seu sentido, urna vez que o sábado, para os discípulos de Jesus, precisa ser observado na integralidade da vida (1 Co 10.31; Fp 4.8; Rm 14.7-9).


CONCLUSÃO

O nosso Deus trabalha incessantemente (Is 64.4), mas também aprecia o descanso — não que Ele tenha esgotado Seu poder e força quando criou o Universo; afinal, um Ser infinito, imaterial e todo-poderoso não poderia exaurir-se, jamais. Mas, para ilustrar a necessidade e importância de um tempo de repouso, Ele próprio descansou ao sétimo dia.

O descanso semanal — no caso, o sábado prescrito na Lei — constitui-se em uma sombra, dentre outras tantas apontadas pela mesma Lei (conf. Cl 2.16). Essas sombras falam do repouso que aguarda os filhos de Deus: um dia, repousa-remos definitivamente do trabalho que hoje empreendemos (Hb 4.1-13).


ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1              1 .     Por que Deus instituiu também o ano sabático,
           R: Para dar descanso à terra.

                                                 O DECÁLOGO – A Ética do Sinai
                                            Comentarista: Pr. Walter Brunelli



O que aprendemos de Moisés


             OS DEZ MANDAMENTOS – O DIA DO DESCANSO

 Êxodo 20.8-11

A palavra sábado não significa, necessariamente, o último dia da semana. Sabe-se que o sétimo dia da semana recebeu este nome porque a palavra sábado, de acordo com o seu sentido original, significa descansar, folgar, respirar, tomar fôlego.

O povo que vivia na "casa da servidão", no Egito, não sabia o que era descanso, pois o Faraó não lhe permitia nenhuma folga. Era preciso produzir para o Egito (Êxodo 5.7-9). Na condição de escravos do Egito, os hebreus não podiam parar para festejar ou fazer qualquer outra comemoração (Êxodo 5.1-5). Os trabalhos eram forçados e o Faraó não os via como pessoas, mas como máquinas que não podiam deixar de realizar o seu trabalho (Êxodo 5.14-17).

Assim, a libertação de Deus traz ao povo a possibilidade do descanso e do alívio. Era um descanso para toda a família, incluindo os escravos e os estrangeiros, e também os animais. A Bíblia não menciona nominalmente os outros dias da semana, o que confirma que o mais importante não é o dia em si, mas o que ele representa ou significa para nós.

Com a ressurreição de Cristo, o sábado do Antigo Testamento ou o sábado dos judeus, passou a ser, para os cristãos, o domingo, que é o Dia do Senhor, o primeiro dia da semana (João 20.19; Atos 20.7; 1 Coríntios 16.2). Os cristãos guardam o domingo e não o sábado por estas principais razões:

• O sábado fez parte da aliança exclusiva entre Deus e o antigo Israel (Êxodo 20.8-11);
• Jesus não guardou o sábado como mandava a tradição oral dos fariseus (João 9.16);
• Estamos debaixo da graça e não da lei (Colossenses 2.16,17);
• No domingo Cristo ressuscitou, apareceu aos discípulos e autorizou a Grande Comissão (Mateus 28.1-6,19,20; João 20.19,26);
• O Espírito Santo desceu sobre a Igreja no domingo, pois o Pentecoste é comemorado cinquenta dias após o sábado da Páscoa (Atos 2.1);
• A Igreja do Novo Testamento guardava o domingo (Atos 20.7; 1 Coríntios 16.1,2);
• Dos Dez Mandamentos, apenas o quarto não é repetido no Novo Testamento. Portanto, vejamos neste estudo algumas lições quanto ao Dia do Descanso ou Dia do Senhor.

 1 - O DIA DO DESCANSO PARA A GLÓRIA DE DEUS

A parte final do quarto mandamento apresenta um dos motivos pelo qual o Dia do Descanso foi estabelecido: "Porque em seis dias fez o Senhor os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou". Fica, portanto, claro que, observar o dia de descanso, é agir como Deus agiu. O dia de sábado é apresentado como um tributo à glória de Deus. É para lembrar o que Deus fez como Criador e Libertador de Seu povo. O domingo, Dia do Senhor, da ressurreição, deve representar o que Deus fez por nós e a libertação que Ele trouxe por meio de Seu Filho Jesus Cristo. Não são apenas os cultos ou outras reuniões dominicais que irão nos lembrar este feito; mas a vida e o testemunho dos cristãos que durante os outros dias da semana estiveram cuidando de suas múltiplas atividades, precisam revelar que há um dia especial na semana, no qual nos alegramos em Deus pelos feitos dEle em nossa vida. A visão de que o Dia do Descanso foi estabelecido para honra e glória de Deus, há de fazer com que a nossa atenção esteja mais focalizada não no dia em si, mas no Deus que estabeleceu o dia. É a visão da glória e do poder do Senhor. (1 Coríntios 10:31).

2 - O DIA DO DESCANSO PARA O BEM-ESTAR DO HOMEM Quando a Bíblia afirma que Deus descansou no sétimo dia, não está dizendo que Ele se cansa ou precisa descansar. A afirmação deve ser entendida como o cessar da obra criadora de Deus. Mas, o homem se cansa, sente o peso do trabalho. Por isso ele precisa parar, folgar, tirar férias, descansar.

 No Egito, os hebreus não tinham descanso, mas como libertos por Deus eles recebem este presente do quarto mandamento, para que possam revigorar-se e estar mais preparados para a jornada de seis dias de trabalho. O Deus que determinou o trabalho é o mesmo que apresenta a possibilidade do descanso. No Novo Testamento percebe-se que os escribas e fariseus fizeram tantos acréscimos à lei do sábado que o povo se sentiu "oprimido" e "sobrecarregado". Jesus foi acusado por eles de violar o sábado (João 9.16). De fato, Jesus não se deixou escravizar pelo sábado e afirmou:

"O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado" (Marcos 2.27). Nas palavras de Carlos Mesters: "Jesus denuncia o desvio da lei e coloca o sábado novamente a serviço da vida do ser humano. As necessidades do povo estão acima da lei do sábado (Mateus 12.1-8; Lucas 13.16,17)".

O mesmo acontece com o domingo. A maneira como alguns guardam o domingo nos faz pensar que ele foi estabelecido para a morte e não para a vida, pois se afadigam e sobrecarregam-se com excesso de atividades religiosas. Por outro lado, muitos são aqueles que, no domingo, não fazem mais nada, além de participar de um ou outro trabalho da Igreja. Será que o mandamento do descanso é para não se fazer nada? Há aqueles que neste dia não fazem nada de útil para si, sua família e seu próximo. Uma boa parte dos cristãos passa o domingo inteiro assistindo à televisão, por sinal, programas de péssimo nível. Desta maneira acham que estão guardando o Dia do Descanso.

O domingo é dia de atividades religiosas, pois os cristãos do Novo Testamento nos ensinam isso, mas, por outro lado, a própria igreja pode apresentar uma sobrecarga de atividades neste dia e na segunda-feira de trabalho o crente está estressado, cansado e sem condições de trabalhar. Há também o formalismo ou legalismo em torno do domingo. São regras quanto ao que se pode fazer e o que não se pode fazer.

O fato de ser Dia do Senhor não significa que todos precisam passar o dia inteiro trabalhando na igreja ou, então, trancados dentro de casa. É preciso ter uma visão mais libertadora do domingo, entendendo o que o apóstolo Paulo disse: Romanos 14.5,6 5 - Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz 6 - Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. Colossenses 2.6 Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábado.

3 - O DIA DE DESCANSO E O VERDADEIRO DESCANSO

 Para o cristão, o mais importante é saber que ele descansa numa Pessoa e não num dia. O descanso está em Cristo; Ele é o nosso sábado ou domingo. Sem esta compreensão torna-se difícil vivificar de modo correto o Dia do Senhor. Esta maneira de ver o domingo liberta do legalismo e do formalismo que muitas vezes estão presentes em nossas Igrejas em relação a este dia, à semelhança do legalismo dos escribas e fariseus quanto ao sábado. Quando Jesus declarou... Mateus 11.28-30 Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jogo é suave e o meu fardo é leve ... Ele estava se referindo ao peso das tradições orais e acréscimos à lei, impostos pelos judeus. É na pessoa de Jesus que se tem o verdadeiro descanso. Por ser o Dia do Senhor, o domingo só pode ser bem compreendido e bem vivido por aqueles que verdadeiramente estão no Senhor e na Sua pessoa descansam. Assim, pode-se dizer que o cristão guarda o domingo para o louvor da glória de Deus, para o seu próprio bem-estar, entendendo que este dia é uma lembrança do descanso que Cristo veio trazer aos que são salvos por Ele.

DISCUSSÃO
1. Há atividades que de segunda a sábado não são pecaminosas e que no domingo tornam-se pecaminosas?
2. Que sugestões podem ser dadas para melhorar a guarda do domingo nas nossas igrejas?
3. Como você analisa a questão dos profissionais que têm de trabalhar no domingo?

                                              Autor: Rev. Sérgio Pereira Tavares

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                     JUBILEU DA TERRA — TEOLOGIA

O descanso e as terras livres (Levítico 25)

Os escritos bíblicos enfatizam a idéia de um amplo acesso à terra e de uma vida digna nela. Alguns diriam que essa é uma compreensão apenas do Primeiro Testamento; no Segundo, no Novo Testamento, essa já não seria uma ênfase importante. De fato, embora no Segundo Testamento a terra continue a ter sua função, esta já não é decisiva como no Primeiro Testamento. Com a economia grega, o problema da escravização dos corpos tornou-se o assunto principal da vida. Aliás, em torno dele se trava a Guerra dos Macabeus, no início do segundo século antes de Cristo, e a Guerra Judaica, de 66 a 70 depois de Cristo.

 A rigor, a questão da escravidão, especificamente, não é, por assim dizer, a terra, mas o corpo. E nesse sentido, sim, o Segundo Testamento, em termos hermenêutico-sociais, não trata de um assunto distinto do Primeiro; trata-o em outro contexto social.

 Mas não é possível aqui tratar de questões tão amplas como a que acabase de apontar. É preciso justamente restringir. Este texto aborda tão-somente uma passagem bíblica específica: Levítico 25. Por meio dela introduz-se e evoca-se algumas perspectivas interessantes, inclusive a da escravidão, tão relevante uma vez que o contexto é o mundo persa e a passagem às condições da economia grega. Afinal, a temática de Levítico 25 não está muito distante de Neemias 5!

A insistência no descanso aos sábados

O descanso é um assunto central na Bíblia. No decorrer dos séculos, tornou-se típico para a experiência do povo de Deus.

Pode-se dizer que Jesus também “descansou” em um dia específico.


Ressuscitou no primeiro dia da semana, que para nós tornou-se o domingo. Ao vencer o poder da morte, Jesus venceu os poderes contrários ao descanso da criação de Deus, das pessoas. O trabalho incessante tende à escravidão. Domingos e sábados são ocasiões para se reativar a memória da liberdade. Nesse sentido, é muito significativo que o Antigo Testamento tenha interpretado o sábado radicalmente como dia de descanso. O dia do Senhor tornou-se dia especial de descanso e liberdade para pessoas, animais e plantas. A Bíblia não o interpreta como dia de atividades religiosas. Antes, porém, o entende como dia da “preguiça”, sem atividade, nem mesmo religiosa, muito menos sacrificial.

As formulações literárias mais antigas, entre as quais Êxodo (23.12-13), incluem no descanso sabático animais, escravos e filhos de escravas. Os socialmente mais fragilizados também participam do descanso aos sábados, que torna-se um tempo de festa de experiências de igualdade.

Em Êxodo (34.21) há uma interessante atualização da norma sabática. Valida-se a exigência de descanso também para os sábados que caem nos períodos da aradura e da colheita, embora nessas atividades possa haver necessidade de trabalho também no sábado, para terminar algum serviço iniciado.

 Enfim, em Gênesis (1.1-2, 4) a própria criação efetiva o sábado como descanso; aliás, ele é parte da própria criação. É partilhado pelo Deus criador e por suas criaturas, pessoas e animais. Nestes e em outros textos das Escrituras, o sábado é central. Torna-se marca de Israel e de sua vivência com Deus. Para uma vida digna em meio aos jardins criados por Deus, é preciso “viver de modo sabático”. Ao se descansar abrem-se as janelas de novos mundos, para a sociedade, a fim de se superar a espoliação de pessoas e animais.

 É também nesse âmbito que se situa o tema do ano sabático e do ano do Jubileu da terra em Levítico 25.

Os sábados e o sétimo ano

Os sábados se tornaram dias de identidade. E, no mínimo, a partir do exílio do povo de Israel se transformaram em um sinal cada vez mais importante. Embora antes já fossem relevantes (Am 8.4-6), são os tempos exílicos que aprofundam a identidade judaíta em relação ao dia de descanso.


 A experiência do sábado foi se ampliando na história do povo de Israel e depois também nos caminhos das comunidades messiânicas/cristãs. Parte dessa influência são os anos sabáticos (de sete em sete anos) e o ano do jubileu. Mencionam-se aqui três formulações do ano sabático:

1. Em Êxodo (23.10-11) há uma formulação bastante antiga do ano sabático. Esse ano se refere à “tua terra”, a ser plantada por seis anos (v. 10). Esses seis anos são para “ti” — o pronome de segunda pessoa refere-se ao pequeno lavrador israelita que vive de sua pequena gleba de terra, herança de seus antepassados. Mas no sétimo ano (v. 11) o fruto da terra já não será para “ti”; destina-se aos “pobres de teu povo” e aos “animais do campo” — tanto o que cresce na roça, quanto o fruto das vinhas. No sétimo ano não há plantio, mas ainda assim os frutos são colhidos. Ao não se arar nem se plantar a terra, caracteriza-se a sua existência nesse ano como de descanso. Em descanso, a terra continua criativa, aliás, como também as pessoas.

2. Deuteronômio 15.1-11 é um texto magnífico e detalhado sobre o sétimo ano. Esse trecho deve ser do sétimo século. É significativo que nele a referência seja ao empréstimo financeiro, cujo pagamento a partir do sétimo ano já não pode ser exigido: “Não o exigirá do seu próximo” (v. 2). A orientação básica é: “Ao fim de cada sete anos, farás remissão” (v. 1). Os onze versículos do texto defendem essa medida do perdão de dívidas. Tanto a radicalidade quanto a insistência argumentativa são típicas do deuteronomismo. Não basta exigir; é preciso convencer o coração: “Livremente abrirás a mão para o teu próximo” (v. 10).


3. Em Levítico (25.1-7) tem-se uma versão exílica do uso sabático da terra. Pode ser que se trate de um texto pré-exílico ou, mais provavelmente, pós-exílico. O certo é que refere-se a uma época em que o território de Israel está anexado pelos assírios, babilônios e, talvez, persas, e Judá está muito fragilizado. Um novo começo e uma chance para o futuro exigem medidas de reforma e de verdadeiro recomeço. Para tais reinícios é preciso retomar o melhor do passado e lançar sonhos já sonhados para o futuro, em direção a práticas inovadoras. E a questão da terra aparece aí como central, como indica todo o capítulo 25. O ano de descanso (v. 1-7) começa a expressar o antigo-novo que precisa ser implementado. Basicamente esses versículos reafirmam o que já está dito em trechos anteriores: “A terra guardará um sábado ao Senhor” (v. 2), isto é, descansará, ou, como expressa o capítulo 25: “Haverá um sábado de descanso solene”. Estão outra vez em questão as plantas, que, embora sem plantio, crescem e dão colheita no campo, e as árvores frutíferas (v. 3). É interessante que o primeiro a se beneficiar com o produto do “sábado solene” seja um “tu”, isto é, o próprio agricultor judaíta/israelita! Essa estranha (à primeira vista) destinação do que frutifica “naturalmente” no sétimo ano tem a ver com as condições vividas por Judá e Israel. Em 701, seus territórios foram arrasados e só em Judá 46 cidades foram queimadas. No sétimo século, os assírios e outros povos continuamente invadiam as terras e as espoliavam de tudo. Os tempos do exílio foram de extrema pobreza. Logo, torna-se claro por que o capítulo 25 reverte os “benefícios” do ano de descanso (o sétimo ano) para o “tu” (v. 6), para os do próprio povo de Deus. Os demais nomeados no texto são os socialmente enfraquecidos, mas sempre relacionados ao “tu”: “teu servo” e “tua serva”, “teu diarista” e “teu estrangeiro”. Importa, pois, aqui mais que em outros textos, que esses empobrecidos sejam “os filhos de Israel” (v. 1); também o gado e os animais são “teus”, diretamente relacionados ao “tu”. Essa ênfase, peculiar de Levítico 25, merece um destaque especial, considerando-se também o novo conceito peculiar de Israel — servo! —, que emerge dos tempos e da sociedade exílica. (Veja Isaías 52–53.)

Sim, o sábado e o ano sabático (ano de descanso) tiveram grande importância na vida social de Israel. O ano do Jubileu se situa nessas tradições. Em um contexto peculiar e no desenvolvimento dessas tradições do dia de sábado e do ano sabático, desdobra-se com vitalidade outra antiga tradição de Israel. Ainda que antigo, esse costume jubilar só veio a florescer em tempos de exílio e pós-exílio, mas então com redobrado vigor e rigor. Só haverá futuro se houver nova lida com a terra. Eis a questão!

 Um desaguadouro e um projeto para o recomeço — Levítico 25.8-55

 Na tentativa de realçar o sentido e a própria atualidade de Levítico (25.8- 55), devem-se considerar vários aspectos. Comecemos pelo Novo Testamento, com o texto de Lucas 4. Afinal, há quem possa ter a impressão de que anseios concretos como os de “reforma agrária” não caberiam na proclamação de Jesus. É importante perceber a concretude de seu evangelho, de seu sentido em favor de alimento e de terra para o povo de Deus. As palavras do capítulo 4 são centrais no evangelho de Jesus em Lucas (veja também o Magnificat de Maria em Lucas 1.46-55).

O ano aceitável — Lucas 4.16-30 Na verdade, esse texto de Lucas se baseia especificamente em Isaías 61.1-4, mas situa-se também no âmbito de Levítico 25. Particularmente interessa o versículo 19, que se refere claramente ao Jubileu: “E apregoar o ano aceitável do Senhor”. Essa é, à luz do verso 18, a última e decisiva tarefa messiânica. Esse “ano aceitável” celebra o direito de todas as pessoas aos bens sociais, em especial à terra. Vida digna tem a ver com acesso à terra; sem terra a vida se desumaniza. A tragédia brasileira de milhões de pessoas sem nada é a da terra de poucos; 500 anos de vida sem chão sob os pés resultam na tristeza de nossas favelas e malocas. Deus nos dá o ano da graça! Abre portões e apodrece cercas! O ano da graça é a bem-aventurança suprema (v. 18). Quatro detalhes o realçam: dois afloram por palavras e dois, por atos, o que, em sentido bíblico, são dois lados do mesmo. Esse ano da graça se faz evangelizando e proclamando. Pobres são evangelizados, pois na graça sua desgraça se desfaz. Aos cativos será proclamada libertação! Cada um desses propósitos é mais lindo que o outro em seu afim de nova vida. O ano da graça se faz também na “restauração da vista” e na “libertação dos cativos”. Esse ano da graça vale a pena, porque suas palavras são maravilhosas e suas ações libertadoras são encanto, são “palavras de graça” (v. 22).

A profecia já o dizia. Por toda a Bíblia o lemos. Nos Salmos o rezamos. A sabedoria bíblica o incute. Pois sem lugar para viúvas e oprimidos não há povo que seja de Deus. Isaías 61 é apenas um dos textos que o confirmam. Todo o livro de Isaías grita-o aos quatro ventos: criancinhas, viúvas e pobres são “meu povo” (3.15); e “o escravo” é seu sinal, presença de Deus (42.1-4; 52-53). Sim, a própria esperança tem sua raiz nas frágeis crianças, “maravilhas” do Senhor (8.16-18; veja também 7.10-17; 9.1-6; 11.1-5).

Isaías 61 constitui povo em meio ao dilaceramento, a um exílio que a todos tornara um vale de ossos secos (Ezequiel), escravos de rostos golpeados, feridos, torturados (Isaías 40-55), natureza sem vida (Lamentações). É daí que emerge o povo novo, saído de escombros e canseiras (Isaías 40). Não há como não ler esse Isaías, passado pelo exílio na Babilônia, sem nossa própria história. Afinal, não raro achamos mais aprazível viver de costas para nossas “veias abertas”. Sonhar com as “Europas” é mais educado e alegra nossos corações. Nossas chagas são demasiadas e como que sem solução. Índias e negras ainda choram seus lamentos. Não é boa a América Latina e Caribenha. E eis aqui o alento da graça! Os corpos ungidos e coroados, libertos, serão chamados “carvalhos da justiça” (Is 61.3).

A profecia impulsiona o sonho por uma nova criação. A vida se recria a partir da vivência e prática da justiça, e, a partir dessa justiça, as pessoas são recolocadas na teia das relações sociais. Os jardins da justiça são o lugar onde se inserem as novas criaturas.

A terra do “ano aceitável” — do Jubileu — anseia por corpos com saúde, por roças acessíveis a toda gente, por povos sem divisões, como explicam Lucas 4.20- 30.

 A terra precisa voltar

O trecho de Levítico 25.8-55 é longo e diversificado. Por isso, observá-lo por partes facilita a percepção de algumas de suas peculiaridades: v. 8-12; v. 13-19; v. 20-24; v.25-28; v. 29-34; v. 35-38; v. 39-46; v. 47-54; v. 55. Nos comentários a seguir, dá-se preferência a alguns aspectos das subdivisões.

A matriz do texto: liberdade e terra andam de mãos dadas — v.8-12 Estes são versículos fundamentais destas orientações, de seus mandamentos e de suas proibições. São, por assim dizer, a matriz de origem do que segue.

De acordo com o verso12b, “o produto do campo” destina-se a “vós”. Aí há que lembrar que no sétimo ano, no quadragésimo nono ano, pois, já tivemos um “ano de descanso”, quando os produtos ficaram destinados, principalmente, aos animais e aos empobrecidos (v. 6-7). Não se estranhe, pois, que agora, no ano subseqüente (qüinquagésimo ano), os produtos crescidos por conta própria sejam de “vós”, sem que haja definição maior. Contudo, neste particular o verso 11 tende a ser mais restritivo, excluindo esses mesmos “vós” da colheita.

Em todo caso, o mais relevante está no verso 10, segundo o qual no qüinquagésimo ano “proclamareis liberdade na terra”, quando “tornareis cada um à sua possessão, e cada um à sua família”. Esse é o ano do Jubileu: da volta à terra e à família! Da volta à terra e à família nascerá a liberdade. Liberdade e terra andam de mãos dadas. Sem o chão não há caminho próprio. Cada qual, voltando à origem de sua família, estará regressando às terras originárias da família, onde encontrará a terra em liberdade, desocupada de quem a tenha “adquirido” até a chegada do ano do Jubileu.


Detalhamentos: a terra não tem preço, só empréstimo — v.13-19 Esses versículos já entram em detalhamentos. O assunto é o que se vende ou se compra ao vender ou comprar uma “possessão”. Pois, afinal, ao se vender, vendese a possessão, não a terra, que não há como ser vendida (1 Rs 21).

A compra de uma terra, a rigor, é a compra do direito de plantio e de uso da terra até o próximo Jubileu: à venda somente está, pois, “o número dos anos das messes” (v. 16). Nesse caso, oprimir o próximo seria desconsiderar essa norma. Trata-se de uma cessão por tempo, por no máximo cinqüenta anos. Logo, o preço varia de acordo com esse tempo de cessão e não é relativo à terra, de acordo com o mercado, como acontece hoje. Pois terra não tem preço, já que é dom, dádiva de Deus, que libertou seu povo do Egito (Js 1-11, 12-24); logo, não tem preço, só empréstimo.

Para que a terra não seja feita mercadoria, para que possa ser cedida, porém não vendida, é preciso observar “leis” e “direitos” (v. 18). Aí, sim, se pode “habitar” na terra (v. 19). Tais promessas condicionadas pressupõem o exílio de Judá, a partir de 587 antes de Cristo. Explicam também por que Judá e Israel perderam suas terras e foram deportados ao exílio e submetidos a trabalhos forçados na Assíria e na Babilônia: porque não se ativeram às “leis” em prol dos indefesos e aos “direitos” do povo. Quando a terra foi feita mercadoria, quando os pobres dela foram roubados, começou o fim, o exílio, a deportação. Por isso, agora, no exílio e no pós-exílio, faz-se necessário começar de novo, retomando as antigas tradições de que terra não é mercadoria, de que ela não tem preço.

 Superando os argumentos racionais de medo da lei — v. 20-24

Não faltará alimento para aquele que cumprir a lei do ano do Jubileu, ainda que ele observe o ano sabático (o sétimo ano), resultando assim em dois anos seguidos de celebração de descanso. Essa é a clara ênfase dos versículos. O texto quer superar as argumentações racionais de medo da lei, de que a própria observância da lei possa resultar em fome. Ele vai apresentando uma brilhante formulação teológica cujo objetivo é afastar quaisquer inseguranças de parte da população. A espiritualidade é a que se propõe superar em uma tese aguda quaisquer incertezas. É o que se lê no verso 23: “Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois para mim estrangeiros e peregrinos”.

À luz dos versículos anteriores, a rigor se diria que a terra é da família, da herança (veja 1 Reis 21). Justamente por isso é que não pode ser vendida, considerandose também que na roça ficam a sepultura dos antepassados (veja Gênesis 23). Esse é, por assim dizer, o argumento mais antigo em relação à terra como bem familiar. Aqui, no verso 23, temos um argumento mais teológico e recente: não se pode vender a terra porque ela é doação de Deus. À luz do êxodo, a terra foi “dada” ao povo. Deus Javé, como doador, é também seu dono, eternamente. Por isso não cabe preço ao solo, já que uma doação não pode ser repassada em contrato de compra e venda. Assim, Israel é feito, em termos mais teológicos que sociais, “estrangeiro” (não “estranho”!) e “peregrino” na própria terra. Por ser “possessão”, é como se fosse de “peregrino”! Eis o sentido da terra.

 A remissão da terra — v. 25-28

Agora o enfoque muda novamente: trata-se da remissão da terra (veja Deuteronômio 15). Já foi mencionado que as subdivisões passam a assumir conteúdos próprios, vinculados ao Jubileu, mas que, a rigor, têm suas próprias ênfases. Nos versículos 13-19 e 20-24 foi assim. Agora, nos versos 25-28, acontece o mesmo. O eixo central permanece, de certo modo, o Jubileu, mas o que a ele se agrupa não tem relação originária com ele.

 Os versículos 25-28 tratam do caso de “irmãos” empobrecidos que tenham de pôr à venda suas possessões ou algo delas e da função do resgatador, um parente seu (v. 25) que faça o resgate, caso suas condições lhe permitam (v. 26-27). De todo modo, todas as possessões sobre as quais recaiam dívidas serão resgatadas. Isso pode ocorrer por meio daquele que tiver direito à possessão, ou de outra pessoa, ou, enfim, por meio do próprio ano do Jubileu — no qüinquagésimo ano acontece a libertação da terra. Nenhuma terra permanecerá, pois, alienada para sempre em Israel.

Há que considerar que o resgate de dívidas que pesassem sobre a terra era uma instituição, em si, específica. O resgate não se aplicava apenas a questões de terra, se bem que aí ele tivesse seu sentido peculiar. Aqui, esse assunto é associado ao tema da terra, porque a ele pertence, assinalando os diversos costumes e direitos que defendem a terra sob controle do Javé exodal e do tribalismo, cuja instituição central é a terra na mão de quem a trabalha.

A remissão das casas — v. 29-34

Aqui também se trata de resgate, mas o ângulo é outro. Estão em questão as casas, sob dois enfoques: as casas nas aldeias e as casas em cidades com muro. Casas em aldeias, onde justamente moravam os camponeses, também fazem parte da lei do resgate (v. 31). Após cinqüenta anos retornam a seus “proprietários” originais. O mesmo vale para as casas dos levitas (v. 32-34), seja em aldeias, seja em cidades muradas. Portanto, a grande maioria das casas é excluída da venda perpétua. Somente casas em cidades com muros podem ser vendidas após um ano de desocupação (v. 29-30).

Há que considerar que na época cerca de 90% da população vivia em aldeias.

Basicamente, as casas são vistas à luz dos costumes e interesses do campo. Aliás, a ótica camponesa é a que prevalece no capítulo 25, o que se percebe, por exemplo, nos versículos em questão. Em geral, as casas, mesmo as de centros urbanos, são submetidas às condições rurais. E os levitas são focalizados na perspectiva de sua pertença ao campesinato. Pensa-se, pois, o ano do Jubileu como senso de costumes rurais, de jurisprudência aldeã.

O sustento de pessoas empobrecidas — v. 35-38

Esses versículos tratam de pessoas empobrecidas que têm de ser sustentadas. Tem-se a impressão de que refere-se não apenas a pessoas empobrecidas pela violência da opressão e espoliação (veja Amós), mas também a gente golpeada por doenças e incapacidade para o trabalho. De acordo com o verso 35, “sua mão” está decaída. Essa “mão” pode ser a própria vida, porém é mais provável que seja, mais especificamente, as forças de vida da pessoa. Ao dar-lhe ou emprestar-lhe alimento, não há que esperar que ela o devolva (v. 36-37). Também não se podem cobrar juros (v. 36- 37), o que, aliás, aplica-se a qualquer irmão (Dt 15.1-11).

Por fim, o trecho insiste em considerar tais irmãos empobrecidos na lógica da história da salvação. No Egito, Deus escolhera os mais empobrecidos, os próprios escravos (v. 38). Acima, no verso 36b, o argumento provém do “temor a Deus”, do seguir a ele.

Pela quantidade e variedade de argumentos, percebe-se quão aguda era a situação desses “irmãos empobrecidos”. Essas são condições pós-exílicas, semelhantes àquelas encontradas em Lamentações ou em Ageu.

A terra precisa estar livre, e as pessoas também — v. 39-46

 O “irmão empobrecido” (v. 34-38) tende a tornar-se “escravo” (v. 39-46), no caso de seu nível de espoliação e expropriação ser aumentado (v. 39). O escravo é o assunto desta subdivisão, cuja parte final (v. 44-46) trata do escravo estrangeiro. É permitido que se tenha tal escravo em perpetuidade. Contudo, muito poucos terão sido os homens ricos em Judá que tinham tais escravos em tempos pós-exílicos, pois a grande maioria do povo de Deus era muito pobre e dependente. O problema maior, aos olhos do povo (veja Neemias 5), era a pobreza e a escravização, que estão em foco nos versos 39-42.

 É preciso atentar para o verso 42, semelhante ao 36a. A escravidão vivida no Egito e a libertação dela são, novamente, padrões de argumentação em favor do escravo irmão.


O “irmão empobrecido” não pode ser chamado de “escravo” (v. 39), mas é “jornaleiro e peregrino” (v. 40), ainda que sua realidade seja a de pessoa até cinqüenta anos a serviço de seu credor (portanto, um “escravo”).

Esse “jornaleiro” ou “escravo” retornará à sua possessão no qüinquagésimo ano.


Percebe-se nessa parte do capítulo 25 de Levítico o quanto se deseja evitar a escravidão no meio do povo de Deus. A terra precisa estar livre, mas na mesma intensidade também as pessoas. (Em Êxodo 21.1-11 ainda não se percebia essa ênfase cada vez mais antiescravagista da memória bíblica. Há que lembrar que a Guerra dos Macabeus, em 176 antes de Cristo, ou mais tarde a Guerra dos Zelotes, de 66 até 70 depois de Cristo, foram, por excelência, levantes antiescravagistas. O horror à escravidão já está formulado em um trecho como o dos versos 39-42.)


 Os escravos estrangeiros em Israel — v. 47-54


Com relação ao tema da escravidão é preciso entender que esta refere-se àquela pessoa que tenha sido vendida como escrava a um “estrangeiro ou peregrino” que vive em Israel. Nos versículos 44-46, nota-se uma situação mais ou menos inversa: a escravidão de pessoas vindas das nações. Nesse sentido, os versos 47-54 completam os versos anteriores. A diferença está em que as pessoas (escravizadas) nos versos 44-46 não tenham em comum com os filhos de Israel e Judá a mesma terra, mas terras distintas. Já os “estrangeiros e peregrinos”, nos versículos 47-54, estão escravizando “teu irmão” em terra dada por Deus. Em terra dada por Javé libertador as leis são diferentes daquelas em terras das nações. Nas terras dadas aos ex-escravos libertos da casa da escravidão no Egito não pode haver escravos nem escravas!

O “irmão” em mãos de estrangeiro pode ser resgatado (v. 48-49), e o resgate pode dar-se em qualquer momento nos anos anteriores ao do Jubileu ou, ao mais tardar, naquele “ano da graça” (v. 54). O “estrangeiro” fica, pois, submetido às leis de Israel ao morar nas terras do povo de Deus. Esse terá sido um motivo de não poucos conflitos, considerando que naqueles tempos Judá não passava de uma província persa.

A assinatura final: “Eu sou o Senhor, vosso Deus” — v. 55

Este versículo poderia agregar-se somente à última subdivisão dos versos 47-54. Mas parece que sua função vai além em relação ao que vem imediatamente antes. Ele tem o capítulo 25 como um todo em sua perspectiva.

 “Eu sou o Senhor, vosso Deus” equivale a uma assinatura final. O que nesse capítulo 25 de Levítico se diz em favor das pessoas, dos escravos e das escravas, e dos animais brota da fé em Javé, o Deus de Israel. Esse Deus, Javé, e os cuidados com irmãos e irmãs são confluentes. Em Deus Javé é preciso passar a viver nas perspectivas da liberdade, do fim do acúmulo da terra e do fim da escravidão.

Além disso, “os filhos de Israel” têm relação especial com o Senhor Javé: são-lhe “escravos”. É interessante que em um texto como o de Levítico 25 se conclua realçando a relação de “escravidão” com “Eu Sou”. O ser de Deus nos tira da escravidão, fazendo-nos seus escravos e escravas, adoradores somente dele, de seus caminhos de libertação e de liberdade. É nesse sentido, de adoradores exclusivos do Deus da libertação, que somos escravos dignos, porque pessoas livres.

                                           https://www.ultimato.com.br/revista

                                   /artigos/294/o-descanso-e-as-terraslivres-levitico-25



FONTE : 




                       SANTIFICARÁS O SÁBADO

A palavra "sábado" é um termo hebraico e significa "sétimo". O mandamento do descanso foi instituído por Deus, em primeiro lugar, para que o ser humano pudesse descansar. Lembre de que o contexto do advento da lei era a libertação da escravidão de Israel no Egito.
Como escravos, os hebreus não tinham descanso, eram explorados diuturnamente a fim de produzir mais e mais para o império de Faraó. Este via os judeus como números ou objetos necessários para enriquecerem ainda mais o Palácio. O Faraó não via os hebreus como pessoas que precisavam descansar e recarregar as energias porque eram pessoas, gente que precisava de dignidade. Apesar de Faraó não ver os israelitas como seres humanos, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó contemplou todo esse processo de escravidão humana. E ouviu o clamor do seu povo!
Por razões culturais, religiosas e teológicas as três principais religiões monoteístas do mundo guardam um dia da semana como o significado de descanso e reverência a uma só divindade: os judeus, o Sábado; os árabes, a Sexta-Feira; os cristãos, o Domingo. Mais que discutir o dia do descanso, o importante é observarmos o sentido do Sábado, o seu descanso e a sua reverência para o Criador dos Céus e da Terra.


Ora, para nós, que confessamos Jesus como Salvador, o domingo é o dia do Senhor. Observamos o domingo porque foi o dia em que Jesus de Nazaré ressuscitou dos mortos, a Igreja Primitiva se reunia para comer o pão e confraternizar-se com alegria e singeleza de coração. Não é verdade que foi Constantino quem inventou o Domingo, o imperador romano apenas o legitimou e oficializou uma prática de mais de três séculos guardada pela comunidade cristã primitiva.
Não tenha esta pergunta como legalista, mas o que estamos fazendo com o dia do Senhor? Salva as exceções, o dia de descanso oficial no mundo ocidental é o domingo. Numa perspectiva bíblica e evangélica, neste dia deveríamos dedicar-nos a meditação espiritual, adoração ao Senhor com os irmãos, o convívio com a família e a visita aos enfermos. Um dia para se viver em comunidade! Não mero ativismo religioso onde pessoas se cansam mais do que no trabalho secular.
A lição desta semana não pode se deter apenas em assuntos periféricos, tais como "os adventistas estão certos ou errados" ou em "sermos ou não legalistas". O sentido desta lição é mais do que esse. É fazermos uma pergunta honesta: O que estamos fazendo com o dia do Senhor? E com a nossa vida e saúde?

Revista ensinador. Editora CPAD. pag. 39.


COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO

O quarto mandamento é uma ponte que liga os mandamentos teológicos com os mandamentos éticos. Os três primeiros preceitos do Decálogo dizem respeito à responsabilidade do homem com o Criador; os demais falam sobre o compromisso do homem com o seu próximo. A guarda do sábado fica entre esse dois grupos, pois a lei é clara em mostrar seu caráter social e humanitário e também sua função religiosa.
As controvérsias em torno deste mandamento se referem à sua interpretação. O que acontece é que existe o sábado institucional e o sábado legal, e quem não consegue separar estas duas instituições terminam radicalizando indo aos extremos. Esse é o principal problema dos sabatistas da atualidade, como os adventistas do sétimo dia. Todos os mandamentos do Decálogo dependem de definições e de como aplicá-los na vida diária, e essas instruções são dadas no próprio sistema mosaico. Mas as definições nem sempre são conclusivas. Por exemplo, o que a Bíblia define como trabalho? O mandamento de santificar o sábado é mais bem compreendido quando se analisa o propósito pelo qual ele foi dado.

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 61-62.


"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu escravo, nem a tua escrava, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Pois em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, mas ao sétimo dia descansou. Por isso abençoou o Senhor o dia de sábado, e o santificou".
Esse é o único mandamento que não se encontra repetido na nova aliança. Esquadrinhando todo o Novo Testamento, não encontramos nenhum ensino de Jesus ou dos apóstolos para santificarmos o dia sétimo mais do que qualquer outro.

Todos os que ensinam que o sábado, o sétimo dia, deve ser santificado por todos os cristãos, não guardam este dia da maneira como foi ordenado. Os tais devem saber que a lei, ao mandar guardar ao sábado, também diz como ele deve ser observado. Para guardar o sábado os israelitas recebem as seguintes instruções:

1) não fazer nenhuma obra nesse dia, Êxodo 20.10;
2) trabalhar nos outros seis dias, v. 9;
3) não podiam apanhar lenha no dia de sábado; um homem achado fazendo isso foi apedrejado até morrer, Números 15.32,36;
4) não acender fogo em casa, Êxodo 35.3;
5) sacrificar duas ovelhas em oferta de manjares todos os sábados, Números 28.9,10.

Se os sabatistas querem insistir na guarda do sétimo dia, então terão de guardá-lo conforme estes preceitos.
A lei exigia que toda comida fosse preparada na véspera do sábado, e este dia era conhecido no tempo de Jesus como "o dia da preparação", assim mencionado nos Evangelhos. Os judeus que guardam a letra da lei, nem sequer acendem luz elétrica no sábado, porque seria acender lume. E se nós estamos vivendo sob a lei, devemos obedecer aos mandamentos em todos os preceitos.

Mas graças a Deus que não vivemos sob a lei, mas sob a graça da nova aliança, e por isso não estamos obrigados a guarda um dia mais do que outro. Em Romanos 14.5,6 o apóstolo escreve: "Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. O que come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come para o Senhor não come e dá graças a Deus".
A doutrina dos que guardam o sábado corresponde com esta? Não, porque dizem que o sábado tem de ser guardado sobre todos os outros dias. Negam assim o privilégio de cada um decidir por si mesmo a esse respeito, privilégio que é parte da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
Muito se ensina no Novo Testamento acerca do primeiro dia, o do Senhor, mas à luz de Romanos 14.4-6, entendemos que a questão de guardar um dia mais do que a outro não era obrigação, mas opção na primitiva igreja.
O dia do Senhor, ou o primeiro dia, era guardado tendo por motivo o amor, e não a lei.

Se alguém arguir que Jesus guardava o sábado de Moisés, replico: tinha de fazer assim, visto que veio sob a lei e guardou todos os mandamentos de seu Pai para os judeus; porém, ao estabelecer a nova aliança, não nos deixou nenhum mandamento a respeito do sábado, exceto o que já mencionamos em Romanos 14 e em Hebreus 10.25, onde diz: "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestemo-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia". Somos ensinados acerca das reuniões, mas o dia para realizá-las fica à nossa escolha.

Abraão de Almeida. O Sábado, a Lei e a Graça. Editora CPAD.


I. O SÁBADO DA CRIAÇÃO

1. O SHABAT.


O substantivo hebraico shabbat, "sábado", ou sábbaton, em grego, "sábado, semana", indica no calendário de Israel o sétimo dia da semana marcado pelo descanso do trabalho para cerimônias religiosas especiais, além de significar um período de sete dias, uma semana (BAUER, 2000, p. 909). O termo shabbãtôn significa "sabatismo, guarda ou observância do sábado", pois a desinência -ôn é característica de substantivo abstrato. Ele aparece no relato da criação: "E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 62.


Os Termos


A palavra hebraica sabbat significa descanso ou cessação; provavelmente está relacionada à forma verbal sbt, que significa “trazer a um fim”. Alguns estudiosos supõem que a ideia do sábado surgiu na Babilônia, e que o termo hebraico sabbat se relaciona à palavra acadiana (babilônica) sab/pattu, que fala do dia de lua cheia. Esta teoria perdeu aceitação em anos recentes. A palavra grega na Septuaginta é a forma transliterada do hebraico sabbaton, que pode significar especificamente o sábado ou pode referir-se a uma semana inteira.


CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 2.


SÁBADO. (cessação, descanso', LXX, sábado, semana). O dia da semana de descanso e adoração dos hebreus, que era observado no sétimo dia da semana, começando ao por do sol na sexta-feira e terminando ao por do sol no sábado.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 266.

Gn 2.2 E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra... descansou.
O autor da fonte de Gên. 2.1-3, a fim de emprestar a maior autoridade a essa observância, fez o próprio Deus instituí-la, como se assim tivesse sido desde o princípio. Os estudiosos conservadores aceitam o texto conforme ele está escrito, pensando em uma genuína instituição divina do sábado, após a obra da criação. Os críticos atribuem essa seção à fonte P (S).

A versão siríaca diz aqui “no sexto” dia, mas não há razão para supormos que “sétimo” não seja o texto correto, sendo esse o texto padrão hebraico, como também o texto mais difícil. Os escribas, com freqüência, alteravam os textos difíceis para torná-los mais fáceis ou aceitáveis, mas dificilmente faziam o contrário. Talvez o autor sacro pensasse que a instituição do sábado foi o real encerramento das obras da criação. Alguns têm emendado o texto de “terminado” para “desistido”, mas essa emenda é desnecessária.

“A narrativa da criação, vista através dos olhos da nova nação de Israel, nos dias de Moisés, reveste-se de grande significação teológica. Dentre o caos e as trevas do mundo pagão, Deus tirou o Seu povo, ensinando-lhes a verdade, garantindo-lhes a vitória sobre todo poder dos céus e da terra, comissionando-os para serem Seus representantes e prometendo-lhes descanso teocrático. E isso, igualmente, haveria de encorajar crentes de todos os séculos” (Allen P. Ross, in loc.).
A instituição do sábado sugere a legislação mosaica que haveria de seguir-se, bem como todos os privilégios de Israel como nação que haveria de ensinar a todas as demais nações.
Descansou. Não a fim de sugerir que o Ser Supremo pode ficar cansado, pois temos aqui uma declaração antropomórfica que diz respeito à cessação de atividades. Simbolicamente falando, o sábado foi uma obra de redenção, porquanto retrata o descanso após o pecado e a aceitação, como filho, na casa do Pai, Mas nesse sétimo dia não houve mais atividade criativa.

Gn 2.3 E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou. A instituição do sábado. Seria realmente parte de um documento muito antigo, que falava sobre a criação, ou o sábado foi subentendido no antigo relato, por parte de um escritor posterior? Ou todos os autores das fontes do Gênesis foram posteriores, em cujos dias o sábado já havia sido instituído? Provi artigos sobre esses problemas. Os emditos conservadores, crendo na autoria mosaica do Gênesis, supõem que ele soube da instituição divina do sábado mediante inspiração, e que isso serviu de apropriado clímax da criação original. O artigo que apresento no fim do versículo, a respeito do sábado, explica a questão em seus pormenores, incluindo as controvérsias sobre a alegada natureza obrigatória do sábado para os cristãos.

O sábado era a grande instituição da fé do povo hebreu. A legislação mosaica lhes dera suas instituições, ritos e crenças, mas nada era mais importante do que o sábado. Os críticos pensam que a exaltada natureza do sábado tenha sido uma das conseqüências do exílio babilônico, mas sem dúvida temos aí uma apreciação exagerada. O sábado, desde os tempos mais remotos, serviu sempre como sinal mais decisivo para quem era hebreu ou judeu. Como é claro, havia outros sinais, incluindo a circuncisão (Gên, 17.10), e, naturalmente, as grandes provisões da própria lei mosaica.

As Razões da Separação. O autor sagrado apresenta várias delas no tocante à história da criação: a luz foi separada das trevas (1.14); as águas das águas (1.6); as águas de cima do firmamento das águas de baixo (1.9); as espécies foram separadas umas das outras, e não mediante evolução (1.11,20). O sábado separou um tempo de outro, o tempo devotado ao trabalho, do tempo devotado ao descanso e ao serviço e adoração a Deus. Em tempos posteriores, o santuário divino serviu de meio de separar o sagrado do profano, o divino do humano.
Deus Santificou o Sábado. Nesta oportunidade não ficou esclarecido como o sábado seria expresso e obedecido. Mas as instituições posteriores dos hebreus nos dão informações. A adoração a Deus era frisada no dia de sábado, quando então havia culto ao Senhor. Tal como o sábado é separado para ser observado pelo homem, assim também o homem é separado para Deus.


CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 21.


2. DEUS CONCLUIU A CRIAÇÃO NO DIA SÉTIMO.

E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera" (Gn 2.2, 3).
Deus celebrou o sétimo dia após a criação e abençoou este dia e o santificou. Gênesis é o livro das origens de todas as coisas, dos céus e da terra, do homem e do pecado, do sacrifício e da promessa de redenção, do casamento, da família, das nações, das línguas, da nação de Israel, do sábado e da semana. O sábado e a semana tiveram a sua origem em Deus. A divisão hebdomadária do tempo aparece desde os dias pré-diluvianos e no período patriarcal (Gn 7.4, 10; 8.10, 12; 29.27, 28). Mas a semana na Mesopotâmia seguia as fases da lua, por isso nem sempre o sábado coincidia com o sétimo dia. A semana dos egípcios era de dez dias.


Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 62-63.

O quarto mandamento (Êx 20.8-11), embora claramente um elemento integral dos quatro primeiros — aqueles pertencentes à pessoa, à natureza e à adoração do Senhor — é uma transição para os seis restantes no fato de que tem que ver com o tratamento dos seres humanos, especialmente no relacionamento deles com o dia de descanso. Este é antecipado pela narrativa da criação, que declara: “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação” (Gn 2.2,3). Para Deus, o descanso não representava (e não representa) que ele se recuperaria da exaustão do labor, mas simplesmente que pararia o que estivera fazendo (hebraico, sbt). Ele, ao abençoar o dia, celebrou a obra de criação terminada, acrescentando a ela, por assim dizer, seu amém de aprovação.


Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 332-333.


O Dia do Santo Descanso (2.1-3)

Os primeiros três versículos deste capítulo pertencem apropriadamente ao conteúdo do capítulo 1, visto que trata do sétimo dia na série da criação. Durante seis dias, Deus esteve criando e formando a matéria inorgânica, as plantas, os animais e o homem. De certo modo, tudo isso ocupa e está relacionado com o espaço. O homem recebeu a ordem específica de sujeitar o que se encontrava no âmbito espacial. Deus inspecionou tudo e considerou muito bom; Ele concluiu tudo que quis criar. Certos rabinos antigos ficaram aborrecidos porque pensaram ter visto aqui uma indicação de que Deus trabalhara no sábado. O rabino Rashi declarou que o que faltava para o mundo era descanso, e assim o último ato de Deus foi a criação do Sábado, no qual há quietude e repouso.


George Herbert Livingston, B.D., Ph.D. Comentário Bíblico Beacon. Gênesis. Vol.1. pag. 34-35.


3. A BÊNÇÃO DE DEUS SOBRE SÉTIMO DIA.

Deus abençoou e santificou o sétimo dia como um repouso contínuo, a dispensação da inocência, interrompido por causa do pecado. Agostinho de Hipona lembra que não houve tarde no dia sétimo, pois Deus o santificou para que ele permanecesse para sempre: "Ora o sétimo dia não tem crepúsculo. Não possui ocaso porque Vós o santificastes para permanecer eternamente" [Confissões, Livro XIII.36). Adão e Eva viveram esse repouso durante a inocência até a Queda: "Foi o princípio e o tipo de repouso ao que a criação, depois que caiu da comunhão com Deus pelo pecado do homem, recebeu a promessa de que uma vez mais seria restaurada pela redenção, em sua consumação final" (KEIL & DELITZSCH, tomo 1, 2008, p. 41). O sábado da criação aponta para o descanso de Deus para o mundo inteiro no fim dos tempos: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus" (Hb 4.9).

O sábado legal não foi instituído aqui. Isso só aconteceu com a promulgação da lei. O sétimo dia é o fundamento da guarda do sábado dada aos israelitas, visto que este dia foi santificado desde o princípio do mundo. O sábado institucional é para toda a humanidade e por isso Deus o santificou antes de estabelecê-lo como mandamento para Israel. "A santificação do sábado institui uma ordem para a humanidade segundo a qual o tempo é dividido em tempo e tempo sagrado... Por santificar o sétimo dia, Deus instituiu uma polaridade entre o dia a dia e o solene, entre dias de trabalho e dias de descanso, a qual deveria ser determinante para a existência humana" (WESTERMANN, 1994, p. 171). O sábado institucional não é necessariamente o sétimo dia da semana, mas um a cada seis dias.

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 65-66.

Gn 2 .3 - O fato de Deus ter abençoado o sétimo dia significa que Ele o separou para uso santo. Este ato é encontrado nos Dez Mandamentos (Èx 20.1 -17), no qual Deus ordenou a observância do sábado. Quanto ao ensino do sábado no NT, ler as seguintes passagens: Mateus 12.8; Colossenses 2.16. Consideremos, ainda, que o sábado, no AT, prefigurava o repouso que todos encontramos em Cristo Jesus (Hb 4.1-11).


BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 7.

Gn 2.3 afirma que Deus "santificou" ou colocou à parte o dia de sábado porque ele descansou nesse dia. Mais tarde, na lei mosaica, o sábado foi colocado à parte como dia de culto (veja nota em Êx 20.8). Hebreus 4.4 distingue entre o descanso físico e o descanso redentor para o qual o primeiro apontava. Está claro em Cl 2.16 que o sábado" de Moisés não possui lugar simbólico ou ritual na nova aliança. A igreja começou a realizar cultos no primeiro dia da semana para celebrar a ressurreição de Cristo (At 20.7).

MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 19.

II. O SÁBADO INSTITUCIONAL

1. DESDE A CRIAÇÃO.

Aqui está a base do sábado institucional e do sábado legal. Deus completou a sua obra da criação no sétimo dia. Duas vezes o texto sagrado declara que Deus "descansou" ou seja, cessou, esse é o significado do verbo hebraico usado aqui, shãbat, cessar, desistir, descansar" (Gn 8.22; Jó 32.1; Ez 16.41). Descansar é sinônimo de cessar de criar. Esse repouso indica a obra concluída e não ociosidade, pois Deus não para nem se cansa (Is 40.28; Jo 5.17). Ele continua sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3). O Senhor Jesus também assentou-se à destra de Deus depois de concluir a obra da redenção (Hb 8.1; 10.12). A expressão "acabado no sétimo dia” parece indicar que houve mais alguma atividade de Deus na criação nesse dia. É o que pensam muitos expositores da atualidade. Deus terminou a sua obra no dia sexto: segundo a Septuaginta, en tê hêméra tê hektê, "no dia sexto", e também no Pentateuco Samaritano, bayyôm hashishi, "no dia sexto". A Peshita segue também essa linha, mas tudo indica que se trata de alguma emenda deliberada. Segundo Umberto Cassuto, um estudo cuidadoso desse versículo mostra que "sétimo dia" é a forma correta (1998, p. 61).

O substantivo hebraico shabbat, "o dia de sábado", não aparece aqui; sua primeira ocorrência acontece no relato do maná (Êx 16.23). Mas este termo vem da raiz do verbo "descansar", shãbat. Há quem afirme que essa omissão foi intencional porque o shãbat é o término da semana e há fortes evidências da identificação filológica do termo aqui com o acádico shabatu[m] ou shapattu, que aparece nas inscrições babilônicas como o dia da lua cheia. Trata-se do 15° dia de um mês lunar, dedicado à adoração do deus lua, Sin-Nanar e a outros deuses. Este dia se chamava também üm nüch libbi, "dia de descanso do coração" (ORR, vol. IV, 1996, p. 2630). Outros afirmam que se trata mais de um dia de expiação ou pacificação, e não necessariamente de um dia de descanso. No entanto, foram descobertos tabletes em que revelam o shabatu, como os dias 7o, 14°, 21° e 28°, que segundo o registro dessas inscrições ocupavam espaço destacado no calendário mesopotâmio. Neles havia restrições a diversos tipos de trabalho, já que o dia era dedicado aos deuses (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 267). O sábado dos israelitas era o dia de descanso reservado a cada seis dias de trabalho para todo o povo; entretanto, o shabatu era computado com base nas quatro fases da lua.
Há muitas discussões sobre a relação do shabatum com o sábado dos israelitas, e Umberto Cassuto explica o que está por trás de tudo isso. Os críticos liberais insistem em afirmar que os israelitas copiaram o sábado dos mesopotâmios e com isso querem associar o sábado de Israel com as quatro fases da lua. Cassuto questiona a existência da proibição de trabalho nos dias 7, 14, 21o e 28 do mês do luna na Babilônia e na Assíria.

Segundo esse autor, o pensamento da Torá é justamente o oposto ao sistema babilônico e desvincula completamente o sábado da adoração aos astros: "O dia de sábado de Israel não será como o sábado das nações pagãs; não será o dia da lua cheia, ou outro dia conectado com as fases da lua, nem ligado, em conseqüência, com a adoração da lua, mas será o sétimo dia" (1998, p. 68). É um sábado completamente desassociado de sinais nos céus, das hostes celestiais e de qualquer conceito astrológico, "mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus" (Êx 20.10). Assim, o propósito da omissão do termo hebraico shabbat, "sábado", no relato da criação é evitar sua identificação com o shabatu dos mesopotâmios.

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 63-65.


O contexto desta passagem e de outras similares neste capítulo refere-se a Gênesis 2.1-3, que diz: “Assim, os céus e a terra, e todo o seu exército foram acabados. E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera”. “A criação, tanto de céus e terra e do mundo espiritual, é atual também no primeiro capítulo da Bíblia. Deus criou: ‘céus e terra’. O céu e a terra com todo o seu exército é mencionado em Gênesis 2.1 — Exército, aqui, é tsebaam, de tsaba, que significa ‘avançar como soldado’ (Gesenius, erudito hebreu do século XIX), ou ‘andar juntos para serviço’ (Furst); o termo é usado, portanto, acerca dos anjos (I Rs 22.19; 2 Cr 18.18; SI 148.2; Lc 2.13). Refere-se também aos corpos celestes e aos poderes do céu (Is 34.4; Dn 8.10; Mt 24.29). Na criação original mencionada nos capítulos 1 e 2 de Gênesis, está incluído o ‘céu e a terra’, o espiritual com seus anjos. São eles as personalidades criadas no mundo espiritual (Nm 9.6), os seres e as coisas e a raça humana no mundo material (Mc 10.6)”. Deus, portanto, deixando o exemplo às suas criaturas, instituiu um dia para o descanso e “... ao sétimo dia, descansou, e restaurou-se” (Ex 31.17).


Severino Pedro Da Silva. Epistola aos Hebreus coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Editora CPAD. pag. 68-69.


Heb 4.8-10 O verdadeiro descanso de Deus não veio por meio de Josué ou Moisés, mas por meio de Jesus Cristo, que é maior do que ambos. Josué levou a nação de Israel à terra do seu descanso prometido (ve/a nota em 3. í /; Js 21.43-45). No entanto, esse foi simplesmente o descanso terreno que era apenas a sombra do que eslava envolvido no descanso celestial. O fato de que, segundo o Sl 95, Deus ainda estava oferecendo o seu descanso no tempo de Davi (muito tempo depois de Israel ter se estabelecido na Terra Prometida) significava que o descanso oferecido era espiritual — superior ao que Josué havia obtido. O descanso terreno de Israel foi repleto de ataques de inimigos e consistiu no ciclo diário de trabalho. O descanso celestial é caracterizado pela plenitude ria promessa celestial (Ef 1.3) e pela ausência de qualquer trabalho para obtê-lo.

MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 1694.
     

    Afirmações Não-bíblicas

1. Teoria planetária. Não há dúvida de que o desenvolvimento do sábado teve relação com a semana, mas foi apenas no início da era cristã que os nomes dos planetas passaram a ser associados com dias específicos. Chamar os sete dias com os nomes dos sete planetas chegou tarde demais para ter alguma relação com o sábado hebreu. Não há evidência dc que tal dia tivesse alguma coisa que ver com a veneração de um planeta, algo que seria contrário à teologia hebraica. Nem há evidências de um “empréstimo hebraico” que tivesse sofrido adaptações para ajustar-se à sua cultura.

2. Teoria pambabilônica. Os tabletes cuneiformes babilônicos usam a palavra shabatum para designar o 15* dia do mês, à hora da lua cheia, e tal dia era considerado um dia de pacificação ou apaziguamento do deus (presumivelmente o deus-chefe). Outros dias do mês, especificamente o T, o 14*, o 21" e o 28' (as fases da lua) eram considerados dias do mal ou do azar. Nesses dias até mesmo o rei tinha sua vida limitada: ele não podia andar de carruagem, comer carne assada em fogo, mudar de roupa ou discutir os negócios do Estado. Sacrifícios eram oferecidos aos deuses para afastar acidentes e reversões de fortuna. O épico babilônico Enuna elish descreve esses e outros particulares, e lembramos, aqui e ali, o relato bíblico da criação, mas as diferenças são tão grandes que eliminam o possível apoio à teoria do “empréstimo direto”.

3. Teoria da festa lunar. O sábado hebraico era originalmente um antigo festival lunar? Alguns estudiosos acham que sim. A própria Bíblia ocasionalmente associa o sábado à lua nova (II Reis 4.23; Isa. 1.13; Amós 8.5). Um exame cuidadoso de Lev. 23.11,15 parece indicar que a palavra “sábado” pode referir-se ao dia de lua cheia. No paganismo, as fases da lua (lua nova, lua cheia, meia-lua, lua minguante) eram comemoradas com sacrifícios e orações, principalmente para afastar o mal. Os judeus tinham certos sábados fixos, que caiam no dia de lua cheia, a saber, a Páscoa, o banquete dos Tabernáculos e o banquete de Purim. O sábado comum de todas as semanas, contudo, não era vinculado à lua e às fases da lua. Alguns insistem que observações das fases lunares, em um momento posterior, provocaram uma observação semanal que perdeu as conexões lunares originais, mas não há nenhuma evidência que sustente tal opinião.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 2.


2. NÃO ERA MANDAMENTO.

O sétimo dia da criação não era mandamento, mas revela a necessidade natural do descanso de toda natureza, homem, animal, máquina, agricultura. O repouso noturno de cada dia não é suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse dia não somente para comemorar a obra da criação, mas para que nesse dia todos cessem o trabalho tendo em vista o descanso físico e mental e também o culto de adoração a Deus. É importante que todos os seres humanos possam refletir que o universo foi criado por um Deus pessoal, Todo-poderoso, sábio e transcendente, que planejou todas as coisas que foram criadas. Parece que esse dia foi logo esquecido pelo gênero humano, mas há resquício dele em muitos povos da antiguidade.

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 63-65.


Afirmações Bíblicas

1. O próprio Deus deu origem ao sábado, o dia de descanso, para comemorar seu descanso da atividade de criação (Gên. 2.2). Os conservadores consideram a afirmação de Gênesis como o fim de todos os argumentos sobre a origem do sábado. Os liberais e os críticos, contudo, acreditam que essa é uma afirmação anacrônica que de fato repousava em eventos posteriores ocorridos na época de Moisés. Nesse caso, a doutrina de que o próprio Deus deu origem ao sábado, imediatamente após a criação, é “idealista” e “teológica”, não uma doutrina histórica. Os críticos destacam que o sábado não era observado na época patriarcal.
2. O sábado iniciou como um sinal do Pacto Mosaico (que descrevo na introdução a Êxo. 19, no Antigo Testamento Interpretado).

3. O sinal foi então transformado no quarto dos Dez Mandamentos (o Decálogo). Ver o artigo Dez Mandamentos. “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êxo. 20.8).
Observações Bíblicas
Importantes observações bíblicas sobre o sábado são as que seguem. O originador deste dia como o dia de descanso foi Elohim, o Poder, o Deus universal e criador de todas as coisas (Gên. 2.2). A observação do sábado pelos homens, imitando a Deus, transformou-se no sinal do Pacto Mosaico e no quarto dos dez mandamentos (Êxo. cap. 19; 20.11). Embora originalmente fosse apenas um dia de descanso, o sábado tomou-se dia sagrado (Êxo. 16.23). Ele passou a ser associado a festas solenes, especialmente aquelas em dia de lua cheia (Amós 8.5; Osé. 2.13; Isa. 1.13). O dia era comemorado, provavelmente, como um dia de louvor, adoração e oração (Lev. 23.1-3).


CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 2-3.


O quarto mandamento em si não tem a pretensão de ser a primeira promulgação do sábado. Suas palavras introdutórias, “Lembra-te do dia de sábado” (Ex 20.8), sugere que o sábado já era sido conhecido, mas foi esquecido ou era negligenciado. O motivo dado no mandamento para a santificação do sábado foi o exemplo de Deus ao terminar sua criação (20.9-11). O mandamento apontou de volta para a instituição original do sábado.
O quarto mandamento fez do sábado uma instituição distintamente hebraica. Fez parte integral da aliança que Deus fez no Sinai com Israel. A aliança consistiu dos “dez mandamentos” proclamados pelo próprio Senhor no monte (Dt 4.13; 5.2-21). O quarto mandamento tem uma posição central nesta aliança, servindo como uma ponte de ligação entre aqueles mandamentos que têm a ver com obrigações para com Deus e para com o homem.


MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 269.


3. OS PATRIARCAS NÃO GUARDARAM O SÁBADO.

O livro de Gênesis não menciona os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado. Segundo Justino, o Mártir, Abraão e seus descendentes até o Sinai agradaram a Deus sem o sábado (Diálogo com Trifão 19.5). Irineu de Lião diz que Abraão, "sem circuncisão e sem observância do*sábado, acreditou em Deus e lhe foi imputado a justiça e foi chamado amigo de Deus" (Contra as Heresias, Livro IV, 16.2). O sábado institucional não era mandamento nem havia imposição sobre a sua observância; talvez, seja essa a razão de aos poucos ter caído no esquecimento. A linguagem do quarto mandamento "Lembra-te do dia de sábado" (Êx 20.8) reforça a ideia de que não se trata de uma instituição nova, mas existente desde a criação.


Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 68.


A palavra grega por detrás desse vocábulo é uma combinação de pater, «pai», e archés, «cabeça», «chefe». Os patriarcas bíblicos são aqueles que são considerados os fundadores da raça humana, Adão e Noé (este último através de seus três filhos, Sem, Cão e Jafé; ver Gên. 10); ou então aqueles que foram cabeças ou fundadores das doze tribos de Israel. O vocábulo também é aplicado a Abraão, no Novo Testamento, em Heb. 7:4, por ser ele o fundador (progenitor) da nação hebreia, sendo também o pai dos homens espirituais, tanto judeus quanto gentios, que sigam com seriedade a vereda espiritual. Os filhos de Jacó são chamados «patriarcas» em Atos 7:8,9 e Davi é denominado desse modo, em Atos 2:29. O período patriarcal é aquele período de tempo da formação da nação hebreia, antes da época de Moisés.


CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 112.


III. O SÁBADO LEGAL

1. SIGNIFICADO.
O sábado legal é exclusividade dos israelitas e nenhum povo da terra recebeu tal responsabilidade, nem mesmo a Igreja (Êx 31.13- 17). A adoração no tabemáculo acontecia semanalmente e isso justifica a instrução da lei do sábado na presente seção que aborda a ordem do culto e demais serviços no tabemáculo. O tema do sábado havia sido tratado por ocasião do maná (Êx 16.23-30) e no quarto mandamento (Êx 20.8-11); no entanto, Javé retoma o assunto aqui para que o presente preceito seja observado de maneira apropriada.
A observância do sábado legal é perpétua, sob pena de morte para quem violar (vv. 14-6) e isso por se tratar de um sinal entre Javé e Israel (Êx 31.13, 17). Não é mandamento para todos os povos nem para a Igreja. É o segundo sinal para os israelitas, que já tinham a circuncisão como primeiro sinal desse concerto (Gn 17.10-14). Ao longo dos séculos, os judeus trataram esses dois preceitos com a mesma atenção. O Decálogo registrado em Deuteronômio apresenta o sábado como memorial da saída dos israelitas do Egito: "Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt 5.15). O sábado legal é mandamento exclusivo para o povo de Israel.


Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 68-69.


Êx 31.12,13 Todos os sábados ou descansos faziam parte da legislação sabática, com propósitos comuns. Esses sábados, como uma unidade, tornaram-se o sinal do pacto mosaico (ver as notas sobre Êx. 19.1).
O sábado, antecipado pela tradição sacerdotal (Êxo. 16.22-30), é aqui formalmente instituído no Sinai”. Mas já vimos isso confirmado de maneira formal em Êxo. 20.8,9.

Ό sábado era um sinal (vss. 13,17) do pacto que fez de Israel uma teocracia. Era um teste da consagração da nação a Deus; se não fosse mantido santo, a consequência seria a morte... Esse mandamento, declarado no decálogo (Êxo. 20.8), estava baseado no fato de que Deus descansou, terminada a Sua obra de criação, em seis das (Êxo. 31.17)... O sábado assinalava Israel como o povo de Deus. A observância do sábado mostrava que os israelitas foram separados (isto é, santificados) para Deus” (John D. Hannah, in loc.).

Nas vossas gerações. Os hebreus não antecipavam o fim de seus ritos, leis e cerimônias. Por isso, no tocante ao tabernáculo, por todo o tempo achamos a insistência de que tudo fosse observado de maneira perpétua.
O sinal da circuncisão era menos distintivo, pois muitas nações praticavam-na. Mas o sábado foi uma criação distintivamente judaica, pelo que servia muito bem de sinal.
Êx 31.17 É sinal para sempre. Conforme foi dito e anotado no vs. 13.

Aqui a alusão é a como Yahweh deu um sinal, por ocasião da criação. Elohim trabalhou durante seis dias, e, então, descansou ao sétimo. A lei do sábado remonta àquela ocasião, como um precedente bíblico (ver Gên. 2.2,3), e agora tomava-se o sinal do pacto mosaico. Foi assim que o sinal original tomou-se um novo sinal. A teocracia foi estabelecida com base nesse sinal. Ele separou para Si mesmo um povo santo.
Uma relação especial entre Deus e o Seu povo era inerente e potencial desde a criação. E agora essa potencialidade era aplicada ao pacto mosaico. A lei da criação serviu de raiz do que agora acontecia. Havia a raiz e o tronco da árvore, e ambas as coisas demandavam a lei do sábado. Nisso era pre- visto o bendito descanso final, a bem-aventurança do céu. Ver Heb. 4.1,3-5,8-11. O verdadeiro descanso espiritual, em Cristo, é espiritual em sua realização, que se dá na salvação da alma.


CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.


Deus dissera a Moisés que o sábado era um sinal (17; cf. 13) entre mim e os filhos de Israel. O primeiro sinal dado a Israel foi a circuncisão; agora, Deus adiciona o sinal do sábado como marca distintiva do seu povo. Este sinal do sábado distinguia Israel das outras nações mais que a circuncisão, porque “nenhuma outra nação jamais o adotou.
Persistiu nos tempos romanos a marca e insígnia do judeu”.
Tornou-se um “vínculo sacramental” entre Israel e Deus. Nas vossas gerações (13; cf. 16) significa “por todos os séculos” (Moffatt; cf. NTLH).
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 224.
Êx 31.13. Certamente guardareis os meus sábados, pois é sinal. Quanto ao dia de descanso, consultar 16:23; 20:8; 23:12. Aqui, contudo, o descanso semanal é revestido de significado especial por ser um sinal (como os pães asmos, 13:9) entre Deus e Israel, uma lembrança de seu relacionamento especial com Deus. Para Israel, a circuncisão era o grande “ sinal da aliança” feita com seu ancestral Abraão (Gn 17:11). Tal como a circuncisão, o sábado parece ter sido observado até certo ponto em outras nações semitas (pelo menos como um “ dia azarado” para negócios e por isso evitado): apenas em Israel, entretanto, segundo se sabe, ele possui este significado religioso especial. Talvez a ordem com respeito ao sábado apareça aqui para lembrar que, mesmo na construção do Tabernáculo, o sábado deveria ser observado (segundo Hyatt).


R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 204.


Gn 17.11 “Mediante esse símbolo, Deus impressionou-os com a impureza da natureza e com a dependência a Deus para a produção de toda forma de vida. Eles deveriam reconhecer e lembrar que: a. toda impureza nativa deve ser rejeitada, sobretudo no casamento; b. a natureza humana é incapaz de gerar a semente prometida. Os israelitas que se recusassem a deixar-se cortar fisicamente desse modo, seriam cortados (separados) dentre 0 povo (vs. 14), por motivo de desobediência ao mandamento de Deus” (Allen P. Ross, in loc.). E assim, essa operação tornou-se emblema de separação pessoal e de distinção entre aqueles que pertenciam e aqueles que não pertenciam ao pacto. O termo é usado em sentido metafórico em Deuteronômio 30.6, onde lemos sobre corações circuncisos. Paulo usou essa metáfora (Rom. 2.28,29; cf. Rom. 4.11). A incredulidade é como ter 0 coração incircunciso (Jer. 9.26; Eze. 44.7-9).


CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 128.


E será um sinal. leoth, por um sinal das coisas espirituais, pois a circuncisão feita na carne foi projetado para significar a purificação do coração de toda a injustiça, como Deus mostrou particularmente na própria lei. Veja Deuteronômio 10:16, ver também;Romanos 2:25-29; 2:11. E foi um selo de que a justiça ou justificação que vem pela fé, Romanos 4:11. Que alguns dos judeus tinham uma noção apenas da sua espiritual intenção, é claro de muitas passagens nas paráfrases Caldeu e os escritores judeus. Me emprestar uma passagem do livro Zohar, citado por Ainsworth: "Em que momento um homem é selado com este selo santo (da circuncisão), a partir daí, ele vê o santo louvou a Deus corretamente, e a alma santa está unida a ele se ele não seja digno, e não guarda este sinal, o que está escrito? Ao sopro de Deus perecem , Jó 4:9), porque este selo do santo louvou a Deus não foi mantido. Mas, se for digno, e mantê-lo, o Espírito Santo não está separado dele. "

ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.


2. O SÁBADO DO DECÁLOGO.
O quarto mandamento é o mais longo do Decálogo e difere dos três primeiros, cuja formulação é negativa. O versículo 8 introduz o mandamento positivo que impõe a obrigação de santificar o sábado, e o versículo 9 fala sobre a obrigação de trabalhar seis dias. Isso se repete no sistema mosaico (Êx23.12; 31.13-17; 34.21; Lv 23.3), mas aqui aparece também a formulação negativa. Quando Moisés no seu discurso em Deuteronômio repete o Decálogo substitui o verbo hebraico usado para "lembrar" zãchor,n "recordar, lembrar", por outro, "guardar", shãmôr, "guardar, cuidar, vigiar", quando diz: "Guarda o dia de sábado" (Dt 5.12).

Os dois verbos estão no infinitivo absoluto, que tem função de um forte imperativo, bastante comum em leis e mais próximo de um futuro cominatório, ameaçador. O propósito do uso deste verbo "lembrar" aqui em Êxodo é manter o sábado como dia santo. Isso mostra que o povo já conhecia esse dia, mas parece que a sua observância não era levada a sério antes da revelação do Sinai. As palavras "como te ordenou o SENHOR, teu Deus" (Dt 5.12b) não aparecem em Êxodo e são uma referência ao Sinai, quando a lei foi promulgada, visto que Moisés está relatando um fato acontecido no passado.
Fica evidente que houve um sábado antes da promulgação da lei. Muitos acreditam que o verbo "lembrar" se refere ao relato do maná no deserto (Êx 16.22-30). Isto fica claro pelo fato de que "a maneira incidental em que a matéria é introduzida e a repreensão do Senhor pela desobediência do povo sugerem que o sábado já era previamente conhecido" (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 267). No entanto, segundo o rabino Benno Jacob, "lembrar" aqui não tem conotação de "não esquecer", como aconteceu com o evento do maná, mas de um "memorial do passado para estabelecer um relacionamento especial para o futuro" (1992, p. 563).


Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 67.

Êx 20.8. Lembra-te do dia de sábado. Compare 16:23,26. O mandamento sobre o dia de descanso é o primeiro a ser formulado positivamente, embora ainda breve e apodíctico. O versículo 12 contém o único outro mandamento positivo na lista, embora no restante da lei esta forma não seja incomum (uma forma de mandamento positivo intimamente relacionada se encontra em Gn 9:6). Esta mudança de um mandamento negativo para outro positivo não é desconhecida em códigos antigos, mas se quisermos descobrir uma forma negativa para este mandamento, por amor à coerência, ela se encontra no versículo 10, “ não farás nenhum trabalho” . Deuteronômio 5:12 é bem semelhante ao versículo 8, embora empregue “ guardar” em lugar de “ lembrar” . Por outro lado, a razão apresentada em Deuteronômio para a observância do sábado é completamente diferente, como veremos no versículo 11.


R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 151.


Lembrando o sábado, a fim de mantê-lo santo. O sábado era um dia de descanso e de observâncias espirituais. Se Paulo admitia que podemos observar dias especiais, ele jamais obrigou outros cristãos a fazerem o mesmo. A Igreja, ou suas várias denominações, têm o direito de observar o domingo como se fosse um sábado ou descanso, embora não haja muito para recomendar essa circunstância, sobretudo se isso for feito em uma atitude legalista. É elogiável que a Igreja tenha dedicado um dia da semana (o domingo) para adoração e culto religiosos especiais, comemorando a ressurreição de Cristo. Mas isso não transforma o domingo em um “sábado cristão”.

A primeira espiritualização do versículo à nossa frente consistiu em afirmar enfaticamente a necessidade que temos de observâncias religiosas comunais, em um esforço grupal como uma igreja ou uma denominação, visando a honrar a Deus com o nosso tempo, de maneira sistemática e planejada. É bom observarmos pelo menos um dia por semana para essa finalidade e para descansar do trabalho secular.

O sábado foi instituído antes da lei mosaica. Ver Gên. 2.3.
Os reformadores do século XVI, ao ab-rogarem teologicamente o sábado, substituíram-no pelo domingo; mas fizeram deste um sábado para todos os propósitos práticos. A medida pode ter sido prática, mas não exibiu uma boa teologia. O sábado é uma contribuição distinta da religião dos hebreus. Era o sinal do pacto mosaico. Mas, sob a graça, na qual estamos, não há qualquer necessidade desse sinal, pelo que não há nenhum preceito ou exemplo de guarda do sábado por parte da Igreja cristã.
A desobediência a esse quarto mandamento traria juízo contra os israelitas desobedientes, a saber, a punição capital.
Para o santificar. Em outras palavras, como um descanso santificado (Êx. 16.23), em que os israelitas deveriam aproveitar a oportunidade para dedicarem-se ao culto e ao serviço religiosos. A provisão principal era o descanso, e podemos presumir que eles aproveitavam o ensejo para finalidades religiosas. Posteriormente, na sinagoga, sem dúvida assim acontecia. Ver também Êxo. 20.11; 23.12 e Deu. 5.14,15.
Tipo. O descanso do sábado era tipo do futuro descanso do crente, em Jesus Cristo, ou seja, a salvação eterna. Ver Heb. 4.1,3-5,8-11.


CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391-392.


O quarto mandamento do Decálogo. O quarto mandamento em si não tem a pretensão de ser a primeira promulgação do sábado. Suas palavras introdutórias, “Lembra-te do dia de sábado” (Ex 20.8), sugere que o sábado já era sido conhecido, mas foi esquecido ou era negligenciado. O motivo dado no mandamento para a santificação do sábado foi o exemplo de Deus ao terminar sua criação (20.9-11). O mandamento apontou de volta para a instituição original do sábado.
O quarto mandamento fez do sábado uma instituição distintamente hebraica. Fez parte integral da aliança que Deus fez no Sinai com Israel. A aliança consistiu dos “dez mandamentos” proclamados pelo próprio Senhor no monte (Dt 4.13; 5.2-21). O quarto mandamento tem uma posição central nesta aliança, servindo como uma ponte de ligação entre aqueles mandamentos que têm a ver com obrigações para com Deus e para com o homem.

Os Dez Mandamentos são prefixados por uma declaração de que Deus havia tirado Israel da terra do Egito (Ex 20.2; Dt 5.6). Estas palavras podem ser aplicadas em seu sentido literal apenas aos filhos de Israel. O estilo dos mandamentos em si também indica que eles eram especificamente dados aos israelitas. O quinto mandamento contém uma promessa de longevidade na terra que o Senhor estava prestes a dar a Israel (Êx 20.12; Dt 4.16). Semelhantemente, a versão deuteronômica do quarto mandamento apresenta a libertação de Israel da servidão no Egito como a principal razão para a observância do sábado (Dt 5.15). Guardar o sábado é declarado, em outro lugar, como um sinal da obediência de Israel a Deus (Êx 31.13; cp. Ne 9.14). Serve para distinguir Israel das outras nações. Não pode haver dúvida de que em seu contexto e aplicação originais a ordenança sabática era uma lei intencionada apenas para o povo de Israel.

Ao mesmo tempo, é evidente que o quarto mandamento contém princípios que são aplicáveis a todos os povos. Ele reconhece a obrigação moral do homem de adorar seu Criador, para o que tempos e lugares determinados para a adoração são necessários, assim como a cessação das ocupações comuns da vida. Reconhece também a necessidade básica do homem de um dia semanal de descanso. A história do homem tem demonstrado sua necessidade de recuperação de suas energias físicas e mentais uma vez a cada sete dias, assim como também sua necessidade de ter um dia da semana separado para a devoção e instrução espirituais. O mandamento sabático fez provisões para estas necessidades dos antigos israelitas.


MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 269.


3. PROPOSITO.

A instituição do sábado legal no Decálogo tinha o propósito duplo, social e espiritual, de cessar os trabalhos a cada seis dias de labor para dar descanso aos seres humanos e aos animais e dedicar um dia inteiro para adoração a Deus:
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra,
mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas.
Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou (Êx 20.8-11).

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 66.


Sua referência e propósito. Depois do relato da criação, o sábado é a próxima referência que aparece em relação à dádiva do maná (Êx 16.23-30), e depois no Sinai quando se tornou parte do Decálogo (Êx 20.8-11). Deus ordenou a guarda do sábado como sinal de sua aliança e do seu relacionamento com Israel (Êx 31.12-17; Ez 20.12,20). Dessa forma, ele representava o selo da aliança Mosaica (cf. Is 56.4,6), e correspondia à circuncisão como o selo da aliança com Abrão (cf. Gn 17.11).

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1710.

Dt 5.15 Porque te lembrarás. Este versículo não tem paralelo no livro de Êxodo. É aqui adicionada outra razão para a observância do sábado. A observância do sábado era uma espécie de repetição do espírito da observância da Páscoa, da mesma maneira que a Ceia do Senhor nos faz relembrar de Sua morte e ressurreição. No Egito, Israel só tinha trabalho forçado a fazer. Mas Deus lhes deu descanso quando os livrou daquele pais. Assim também, a salvação em Cristo nos outorga descanso espiritual.

O trecho de Êxodo. 20.11 elabora de forma diferente a ilustração sobre a guarda do sábado, a saber, 0 fato de que, por ocasião da criação, Deus trabalhou por seis dias e então descansou da criação, no sétimo dia. Este texto, porém, não inclui essa elaboração.
Naturalmente, o mandamento sobre o sábado não é repetido no Novo Testamento; mas os trechos de Romanos 14.5,6 e Colossenses 2.16,17 quase certamente mostram que o crente não está sob a obrigação de observar o sábado. Esse era o sinal do Pacto Mosaico, o qual foi anulado pelo Novo Pacto, sob o qual vivemos.


CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 779.


A razão apresentada no versículo 15 para a observância do sábado é diferente daquela apresentada em Êxodo 20: 11. Aqui o propósito é a recordação da libertação do Egito. Se Israel recordasse seus próprios dias de servidão, seria estimulado a tratar com misericórdia qualquer homem, mulher ou animal envolvido em serviço diário (cf. 15: 15; 16: 12; 24: 18, 22). Em Êxodo a razão oferecida é que o sábado fora um dia santo desde a criação (Êx 20: 11; cf. Gn 2: 2, 3). Havia assim duas boas razões para a guarda do sábado. Este mandamento tem apresentado muitos problemas para os cristãos. As declarações de Jesus (Mc 2: 27, 28) de que o sábado fora feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado, e que Ele, o Filho do Homem, era Senhor do sábado, removeram para sempre a lei das restrições doentias impostas pelos rabis. A observância do domingo pelo cristão é, obviamente, não a guarda do sétimo mas do primeiro dia, tendo, portanto, a natureza de um novo mandamento baseado numa nova aliança. É, contudo, o “cumprimento” do antigo mandamento. O primeiro dia da semana nos oferece oportunidade de comemorar a ressurreição de Cristo, que nos possibilitou a libertação da servidão ao pecado (cf. versículo 12), e a renovação da vida por meio de uma nova criação (cf. Êx 20:10,11).

I. A. Thompson. Deuteronômio Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 42.


IV. UM PRECEITO CERIMONIAL
1. O SACERDOTE NO TEMPLO.


Ele recorda um exemplo diário dos sacerdotes, que, da mesma maneira, eles liam na lei, e segundo a qual era o costume comum (v. 5). Os sacerdotes no templo realizavam uma grande quantidade de trabalhos servis no sábado judaico; matando, esfolando e queimando os animais sacrificados, o que, em uma situação normal, seria profanar o sábado judaico; ainda assim, isto nunca foi reconhecido como transgressão ao quarto mandamento, porque o serviço do templo o exigia e justificava. Isso dá a entender que no sábado judaico são lícitos os trabalhos que são necessários, não apenas para o sustento da vida, mas para a adoração; como tocar um sino para convocar a congregação, ir até ao templo e coisas semelhantes. O descanso do sábado deve promover, e não impedir, a adoração no sábado.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 148.


Mt 12.5 Ou não lestes na lei. Novamente Jesus usa as próprias Escrituras judaicas para apresentar outro argumento. No primeiro argumento ele se utilizou do exemplo de Davi, homem que era considerado piedoso e isento de culpa por haver comido dos pães reservados exclusivamente aos sacerdotes. Neste segundo argumento, Jesus mostra que os próprios sacerdotes, em suas tareias no templo, trabalhavam em dia de sábado. A preparação dos sacrifícios era trabalhosa. Era mister abater o animal, esfolá-lo em pedaços, além de muitos outros serviços relativos ao expediente no templo. Ver Êxo. 29:38 e Núm. 28:9. Também se permitia aos sacerdotes prepararem o pão em dia de sábado. Os sacerdotes eram isentos das leis cerimoniais do sábado, porque o serviço deles era realizado no templo, e eles eram os homens nomeados justamente para tais serviços. Jesus mostra que o trabalho manual, no sábado, não é pecado por si mesmo, porquanto há pessoas livres dessa lei. De fato, nos dias do V .T., as bênçãos recebidas na adoração levada a efeito no templo só se tornavam possíveis devido ao trabalho manual de alguns homens; e em parte esse trabalho era necessário para o bem-estar espiritual do povo. Precisamos lembrar que, provavelmente, os sacerdotes circuncidavam a muitos infantes em dia de sábado, porquanto a lei requeria que a circuncisão tivesse lugar no oitavo dia de vida da criança. Sem dúvida muitas crianças completavam seu oitavo dia de vida no sábado. Isso serve de outra prova de que o trabalho manual em dia de sábado, por si mesmo, não é condenável e que há considerações mais importantes do que observar um dia de descanso em um dia determinado da semana.


CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag. 383.

Êx 12.5,6 Jesus respondeu à acusação dos fariseus com uma segunda resposta, usando um exemplo dos sacerdotes que serviam no Templo. Novamente Jesus repetiu a pergunta - “Não tendes lido na lei de Moisés?” - para mostrar a estes fanáticos fariseus que embora eles soubessem de memória a lei, na verdade não a tinham compreendido. Os Dez Mandamentos proíbem o trabalho aos sábados (Êx 20.8-11). Isto era o que estava “escrito” na lei. Mas como o objetivo no sábado é descansar e adorar a Deus, os sacerdotes tinham que realizar sacrifícios e conduzir cultos de adoração - em resumo, eles tinham que trabalhar. O seu “trabalho de sábado” era servir e adorar a Deus, o que Deus permitia. Desta forma, mesmo que eles teoricamente não observassem o sábado, Deus os considerava inocentes. Da mesma maneira como as obrigações dos sacerdotes no Templo superam os regulamentos do sábado a respeito do trabalho, também o ministério de Jesus transcende o Templo.

Os fariseus estavam tão preocupados a respeito dos rituais da religião que se esqueceram do propósito do Templo — trazer as pessoas a Deus. Como Jesus Cristo é maior do que o Templo, Ele pode trazer as pessoas a Deus de uma forma muito melhor. O nosso amor e a nossa adoração a Deus são muito mais importantes do que os instrumentos de adoração criados pelos homens.


Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 80.


2. A CIRCUNCISÃO NO SÁBADO.
Jo 7:22,23 O que Jesus procurava provar?

1. Eles mesmos já haviam dado resposta para o problema do sábado. Permitiam certos atos, obras ou ações misericordiosos. Por exemplo, a circuncisão, ainda que o oitavo dia de vida de uma criança caísse num sábado. Ver Shabbath 18:3, Yoma 85b.

2. O pacto abraâmico tinha por fito levar uma nação toda à salvação, e seu sinal era a circuncisão. (Ver notas em Luc. 1:73 sobre esse pacto). O pacto abraâmico servia de meio de comunicação da misericórdia divina. Ora, se um ato misericordioso era permitido, por que não outros? Os atos de misericórdia não precisam esperar pelo domingo.

3. A circuncisão afetava apenas um membro do corpo. As curas miraculosas de Cristo visavam ao homem inteiro, e não um único membro. Assim, Jesus indicou que seus milagres eram muito mais poderosos, em seus efeitos, que a circuncisão. Por que, pois, haveria oposição a seus milagres em dia de sábado, quando atos misericordiosos menores não sofriam oposição?

4. Se a circuncisão, que fazia um homem tornar-se judeu, tinha um bom efeito (embora aplicada a apenas um membro do corpo), quanto mais beneficiaria a um sei humano o poder miraculoso de Cristo!
Três modalidades de lei estão subentendidas neste texto: 1. A eterna lei ética de Deus, um reflexo das perfeições de sua natureza moral. (Incluindo atos de misericórdia, como extensão de seu amor para com os homens). 2. A lei patriarcal, que era antecedente à lei de Moisés. 3. A lei de Moisés, que devia ser respeitada e observada, mas que, em alguns casos pelo menos (como na questão da circuncisão), podia ser ultrapassada pela tradição patriarcal e, certamente, pela lei eterna.
Naturalmente nestes versículos temos um reflexo da primitiva polêmica cristã contra os judeus de tendências legalistas, pois, quando este evangelho foi escrito, a questão da observância do dia de sábado era motivo de conflito entre os cristãos e os israelitas, e também entre os cristãos mais ortodoxos e os cristãos legalistas, circunstâncias essas que provocaram a escrita da epístola do apóstolo Paulo aos Gálatas. (O trecho de Gál. 3:17, igualmente, subordina a lei à promessa ou provisões patriarcais. Quanto à questão do sábado e quais pontos de vista os crentes precisam ter a respeito, ver as notas em Rom. 14:5,6. O trecho de Mat. 12:1-8 apresenta outros argumentos de Jesus concernentes à controvérsia acerca do sábado, que era um dos temas mais disputados com os judeus, e uma das razões que eventualmente provocaram a sua morte).

A extensão em que essa controvérsia serviu de meio para a sua morte, fica subentendida no vs. 23, que diz »...vos indignais contra m im ...» Encontramos aqui a única ocorrência da palavra, em todo o N.T., que no grego significa «fel». O verbo estar bilioso, com o sentido de ira amarga e profunda.

Um sumário dos elementos da interpretação desses versículos é o seguinte:
 1. Fica exigido o bom senso na interpretação da lei sabática.
2. O sábado foi instituído por causa do homem e não o homem por causa do sábado, princípio esse que, por si mesmo, elimina as interpretações apressadas que alguns atribuíam ao sábado.
3. O relaxamento das exigências sobre a lei sabática tinha precedente tanto nos patriarcas como nos escritos do A.T. (em Moisés), e até mesmo nas interpretações rabínicas (na Torah).
4. A interpretação dada por Jesus ultrapassava qualquer compreensão judaica sobre a lei, fundamentada como estava na lei eterna, que tem precedente acima da lei de Moisés e que permite qualquer ato de misericórdia, ainda que não seja urgente, a ser realizado em dia de sábado.
5. As suas curas curavam inteiramente o corpo e levavam as almas dos homens de volta ao Senhor Jesus, coisas essas que a circuncisão física não podia realizar. 6. Por conseguinte, os atos de misericórdia podem e devem ser efetuados até mesmo em dia de sábado; embora sejam certa forma de trabalho, são desejáveis, e certamente não envolvem mal moral algum; pelo contrário, revestem-se de bem definido benefício espiritual.


CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 383.


Jo 7.21-24 Por Jesus estar em Jerusalém, Ele muito provavelmente estava se referindo ao milagre descrito em 5.1-15 - a cura do homem paralítico. Jesus mencionou que havia curado no sábado, o ponto de controvérsia em torno do milagre. Jesus lembrou outra vez as pessoas de que as prioridades espirituais delas estavam erradas. Ele notou que, de acordo com a lei de Moisés, a circuncisão deveria ser realizada oito dias depois do nascimento de uma criança (Gênesis 17.9-14; Levítico 12.3). Este rito demonstrava a identidade dos judeus como parte do povo da aliança de Deus. Se o oitavo dia depois do nascimento caísse em um sábado, eles ainda assim realizavam a circuncisão (embora isto fosse considerado trabalho). Referindo-se a Abraão realizando a circuncisão, Jesus estava indicando uma autoridade e princípio anterior a Moisés. Curando uma pessoa por completo, Jesus demonstrou que o seu poder criador era igual ao de Deus, e superior ao de Moisés.


A questão era que, embora os líderes religiosos permitissem certas exceções às leis do sábado, eles não permitiam nenhuma a Jesus, que simplesmente mostrava compaixão por aqueles que necessitavam de cura. Ele demonstrou a partir das próprias práticas deles que eles iriam invalidar uma lei quando duas leis cerimoniais entrassem em conflito.
Mas os líderes judeus estavam tão absorvidos por suas ordenanças sobre guardar o sábado, que não eram capazes de enxergar a verdadeira intenção das ações de Jesus. A adesão deles às suas próprias tradições superficiais e obstinadas faria com que eles perdessem de vista o Messias, que as suas Escrituras retratavam.


Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 531.


UM ARGUMENTO SÁBIO João 7:19-24
Antes de analisar esta passagem detalhadamente, devemos assinalar um elemento. Devemos imaginar esta cena como uma discussão entre Jesus e as autoridades judaicas rodeadas pela multidão. A multidão ouve o desenvolvimento da discussão. Jesus se propõe justificar sua ação ao ter curado o paralítico no sábado, pelo qual desobedeceu a Lei sabática. Começa afirmando que Moisés lhes deu a Lei do sábado e que, no entanto, nenhum deles a observa de modo absoluto e literal. Em seguida veremos o que quis dizer com isto. Se ao curar um homem Ele desobedece a Lei, por que eles, que também desobedecem a Lei sabática, querem matá-lo? Neste momento, é a multidão que interrompe com a exclamação: "Estás louco!" e a pergunta: "Quem quer te matar?" A multidão ainda não percebeu o ódio maligno de suas autoridades: ainda não sabem nada dos planos para eliminá-lo. Lembremos que esta passagem pertence em realidade ao capítulo 5 e não ao 7. Crêem que Jesus tem uma mania persecutória, que sua imaginação está perturbada e sua mente alterada; e crêem todo isso porque não conhecem os fatos. Jesus não respondeu à pergunta da multidão. Em realidade não se tratava de uma pergunta; era a interjeição de um espectador. Jesus prossegue com a exposição de seu argumento.


Seu argumento é o seguinte. A Lei dizia que era preciso circuncidar os meninos no oitavo dia do nascimento. “E, no oitavo dia, se circuncidará ao menino” (Levítico 12:3). É evidente que com freqüência o oitavo dia caía no sábado. E a lei estabelecia com toda clareza que "podia-se fazer todo o necessário para a circuncisão no sábado." Isto está expresso com as mesmas palavras na Mishna que é a codificação da Lei dos escribas.


De maneira que o argumento de Jesus expressa o seguinte:
"Vocês dizem que observam com exatidão a Lei que receberam de Moisés. Dizem que observam a Lei que expressa que não se pode fazer nenhum trabalho no dia de sábado, e com o título de trabalho vocês incluíram todo tipo de atenção médica que não seja necessária para salvar uma vida. E entretanto, vocês mesmos permitiram que se leve a cabo a circuncisão no dia de sábado. Agora, a circuncisão são duas coisas. É uma atenção médica a uma parte do corpo de um homem, e o corpo tem duzentas e quarenta e oito partes. (Esse era o cálculo que faziam os judeus.) Mais ainda, a circuncisão é um tipo de mutilação; implica tirar algo do corpo. Como podem me culpar com razão por curar todo o corpo de um homem; e como podem me culpar por tornar o corpo de um homem em algo são e completo quando vocês mesmos o mutilam no dia de sábado?"


Trata-se de um argumento extremamente elaborado e inteligente. Se for legal fazer uma operação que mutila o corpo no dia de sábado, não pode ser ilegal levar a cabo uma operação que cura o corpo. De maneira que Jesus termina dizendo que busquem olhar além da superfície das coisas, que busquem julgar com justiça; e se o fazem já não poderão acusá-lo de quebrantar a lei.


Pode ser que uma passagem deste tipo nos pareça algo remoto, mas o certo é que quando lemos uma passagem assim vemos em ação a mente aguda, clara, profunda e lógica de Jesus, e o vemos enfrentar os homens mais sábios e inteligentes de sua época com suas próprias armas e em seus próprios termos; e podemos ver como os vence.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. JOÃO. pag. 263-264.


V. O SENHOR DO SÁBADO
1. O SÁBADO E A TRADIÇÃO DOS ANCIÃOS.


A observância do sábado nos dias do ministério terreno de Jesus havia se tornado externa e formal. As autoridades religiosas de Israel haviam criado muitas restrições e estabeleceram regras meticulosas. A Mishnah, antiga literatura religiosa dos judeus, nos tratados Shabbat e Erub, registra minúcias de como o sábado deve ser observado. A tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao sábado. Por essa razão, o Senhor Jesus entrou diversas vezes em conflito com os escribas e fariseus. Uma delas aconteceu quando ele defende os seus discípulos por colherem espigas no sábado (Mt 12.1-5).

1 Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer. 2 E os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. 3 Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4 Como entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? (Mt 12.1-4).

A passagem paralela aparece em Marcos 2.23-26 e Lucas 6.1-4. Em todas elas, o Senhor Jesus mencionou um trecho do Antigo Testamento em que Davi comeu o pão da proposição na casa do sacerdote Abiatar, quando estava sob a perseguição de Saul (1 Sm 21.6). Assim, ele colocou a guarda do sábado na mesma categoria do preceito cerimonial. A lei proibia que estranhos comessem do pão sagrado da proposição, o qual era restrito aos sacerdotes (Êx 29.33; Lv 22.10). Jesus foi além e disse que os sacerdotes no templo podiam violar o sábado e ficar sem culpa (Mt 12.5). Um mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza. Não existe concessão para preceitos morais; aqui, a vida está acima do sábado.

Em outra ocasião, o Senhor Jesus torna a considerar o sábado um preceito cerimonial com base na própria lei de Moisés. Ele nem precisou reivindicar a sua autoridade de Filho de Deus e Messias, ao lembrar às autoridades religiosas que a circuncisão de uma criança pode ser feita num dia de sábado. A lei prescreve que o menino deve ser circuncidado no oitavo dia de seu nascimento (Lv 12.3). Jesus disse que a circuncisão pode ser feita mesmo quando o oitavo dia coincide com sábado (Jo 7.22, 23).

Jesus declarou: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado" (Mc 2.27). Muitos comparam essas palavras a uma frase do Talmude creditada ao rabi Simeon ben Menasya, cerca de 180 d.C.: "O sábado foi dado a vocês, não vocês entregues a ele". A interpretação judaica diz respeito à permissão da quebra do sábado em casos especiais, como a vida em perigo. Mas o que Jesus disse significa que os seres humanos não foram criados para observar o sábado, mas que o sábado foi criado para o benefício humano. Ele não disse que o sábado foi feito por causa dos judeus ou de Israel, mas por causa de todos os seres humanos. O sábado legal, do Decálogo, foi dado a Israel como sinal entre Javé e os israelitas (Êx 31.13, 17; Dt 5.15; Ez 20.12). Aqui, o Senhor Jesus se refere ao sábado institucional que Deus estabeleceu para o bem-estar e gozo de todos os seres humanos, e isto está acima de observância meticulosa do sábado.


Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 69-71.


No período entre o Antigo e o Novo Testamento, ocorreu uma radicalização na celebração do sábado. Na época dos macabeus, muitos preferiam morrer a deixar de celebrar o sábado. Soldados recusavam-se a defender a si mesmos e ao próprio povo naquele dia (I Macabeus 2.32-38; II Macabeus 6.11). A tradição judaica posterior permitia que o dia deixasse de ser observado sob circunstâncias de vida ou morte. Perigos que ameaçassem à vida poderiam ser encarados de maneiras que violassem a manutenção da tradição sabática (Yoma 8.6). Mas nem todas as facções do judaísmo seguiram as diretrizes de liberalização. Materiais encontrados no Qumran mostram que os fazendeiros não podiam realizar no sábado atos que preservassem a vida de animais durante parturições complicadas. Se a mãe ou sua cria morresse, o acontecimento era considerado um ato de Deus.


CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 3.


No início do período do NT o verdadeiro significado do sábado havia sido obscurecido pelas numerosas restrições postas sobre sua observância. A observância do sábado se tomou basicamente extemo e formal. Os homens se tomaram mais preocupados com a observância meticulosa de um dia do que com as necessidades pungentes dos seres humanos. Era inevitável que Jesus entrasse em conflito com os líderes judeus por causa do sábado. Era costume de Jesus visitar a sinagoga aos sábados (Lc 4.16; cp. Mc 1.21; 3.1; Lc 13.10). Em seus ensinamentos ele confirmou a autoridade e validade da lei do AT (Mt 5.17-20;
15.1 -6; 19.16-19; 22.3 5-40; Lc 16.17). Sua ênfase, todavia, não era em uma observância extema da lei, antes num cumprimento espontâneo da vontade de Deus que está por baixo da lei (Mt 5.21-48; 19.3-9). Jesus procurou esclarecer o verdadeiro sentido do sábado mostrando o propósito original da sua instituição: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27).


MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 271.


2. JESUS É O SENHOR DO SÁBADO (MC 2.28).
A frase "Assim, o Filho do Homem até do sábado é senhor" (Mc 2.28) e as passagens paralelas (Mt 12.8; Lc 6.5) são disputadas pelos expositores do Novo Testamento. Há duas linhas principais de interpretação: a) a autoridade sobre o sábado foi conferida aos seres humanos, e b) trata-se do próprio Senhor Jesus. A primeira nos parece menos aceitável porque Deus nunca delegou autoridade sem limites aos humanos e, também, porque a expressão grega ho huios tou anthrõpos, "o Filho do Homem", no singular, é título messiânico e não relativo a humanos. Está claro que Jesus se referia a si mesmo. Esta é a melhor interpretação. Ele revelou seu poder e sua autoridade sobre as enfermidades, sobre a natureza, sobre todos os poderes das trevas, sobre a morte e o inferno; assim, nada mais natural ser mesmo o Senhor do sábado. O sábado veio de Javé e somente ele tem autoridade sobre a instituição. Então, não há outro no universo investido de tamanha autoridade, senão o Filho de Deus.


Mais uma vez, o Senhor Jesus Cristo apresenta o profeta Oseias como autoridade para fundamentar seu ensino (Mt 12.7; Os 6,6). Ele acrescentou ainda que é "lícito fazer bem nos sábados" (Mt 12.12). Isso o próprio Jesus o fez (Mc 3.1-5; Lc 13.10- 13; 14.1-6; Jo 5.8-18; 9.6, 7, 16), e nós também devemos fazer o bem, não importa qual seja o dia da semana. Como o sábado do relato da criação, não é regra legal opressiva; é chamado de sábado institucional que se transferiu para o domingo por causa da ressurreição de Jesus, mas não como mandamento.
Assim, como nada há no Novo Testamento que indique a sua observância, isso por si só mostra que o quarto mandamento não é um preceito moral. Esta interpretação é corroborada pelo fato de nem Jesus nem os apóstolos ensinarem a guarda do sábado. O sábado não foi mencionado quando Jesus citou os mandamentos para o moço rico (Mt 19.17-19). Toda a lei se resume no amor a Deus e ao próximo (Mt 7.12; 22.40; Mc 12.31; Rm 13.10).


O apóstolo Paulo omitiu o quarto mandamento (Rm 13.9). Ele considerava retrocesso espiritual guardar dias, meses e anos (G1 4.10, 11). Os primeiros cristãos eram judeus de origem e era natural para eles observar os serviços da sinagoga; ainda hoje, muitos judeus que são convertidos à fé cristã preferem não abrir mão de sua identidade judaica, principalmente aqueles que residem em Israel. É mais uma questão cultural. Paulo via o sábado e os preceitos dietéticos, o kashrut, como mera opção pessoal. E, mesmo não havendo prova de que o apóstolo distinguisse preceitos morais e cerimoniais, aqui ele coloca o sábado e o kashrut na mesma categoria (Rm 14.1-6). Segundo Paulo, o antigo concerto foi abolido (2 Co 3.7-14) , incluindo o sábado (Os 2.11). De fato, isso já era anunciado desde o Antigo Testamento (Jr 31.31-34).
Paulo disse que Jesus riscou na cruz "a cédula que era contra nós nas suas ordenanças" (Cl 2.14). O substantivo grego para "cédula" é cheirgraphon, um hapax legomenon, literalmente, "escrito à mão”. É um documento escrito à mão usado aqui metaforicamente. O termo aparece na literatura grega extrabíblica com vários significados: "lei mosaica, obrigação escrita, contrato (ROBINSON, 2012, p. 984); "registro de uma conta financeira, conta, registro de dívida" (LOUW & NIDA, 2013, pp. 352, 353).

É um certificado de dívida, uma nota promissória. A ordenança, ou dogma, significa "decreto, ordenança, edito", um termo usado também em referencia à lei de Moisés (Ef 2.15). É esse o sentido aqui, pois Jesus disse que a lei nos acusa (Jo 5.45). O pensamento paulino revela o aspecto condenatório da lei mosaica (Dt 27.26; 1 Co 15.56; Gl 3.10) e também o padrão divino para a vida humana (Rm 7.13, 14).
A acusação da lei contra nós foi cancelada na cruz do Calvário, e aí o apóstolo inclui o sábado. O apóstolo emprega os dois termos "cédula" e "ordenança" metaforicamente para dizer que fomos perdoados e estamos livres de legalismo: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo" (Cl 2.16, 17). Com exceção do sangue (At 15.20, 28), as restrições dietéticas de Levítico foram removidas, pois Deus purificou os animais cerimonialmente imundos (At 10.12-15). Nenhum alimento é imundo por si mesmo (Rm 14.14, 20; 1 Tm 4.3, 4). O que contamina o ser humano é o que sai dele, não o que entra (Mt 15.11-20).


O sábado cerimonial é um termo para designar os festivais de Israel que englobam as festas anuais, mensais e semanais (1 Cr 23.31; 2 Cr 2.4; 8.13; 31.3; Ez 45.17). O sábado cerimonial já está incluído na expressão "dias de festa". Assim, a "lua nova", refere-se à festa mensal e a expressão "dos sábados" diz respeito aos sábados semanais. O novo concerto nos isenta de todas essas coisas. Paulo parece empregar uma linguagem platônica no tocante ao mundo real e ao mundo das ideias no v. 17. A sombra é temporária e identifica com imperfeição o objeto que a projetou, sendo portanto inferior a ele. O apóstolo afirma nesta metáfora que a lei é uma projeção, uma sombra da realidade, que é o corpo de Cristo.


Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 71-74.


No início do período do NT o verdadeiro significado do sábado havia sido obscurecido pelas numerosas restrições postas sobre sua observância. A observância do sábado se tomou basicamente externo e formal. Os homens se tomaram mais preocupados com a observância meticulosa de um dia do que com as necessidades pungentes dos seres humanos. Era inevitável que Jesus entrasse em conflito com os líderes judeus por causa do sábado. Era costume de Jesus visitar a sinagoga aos sábados (Lc 4.16; cp. Mc 1.21; 3.1; Lc 13.10). Em seus ensinamentos ele confirmou a autoridade e validade da lei do AT (Mt 5.17-20; 15.1 -6; 19.16-19; 22.3 5-40; Lc 16.17). Sua ênfase, todavia, não era em uma observância externa da lei, antes num cumprimento espontâneo da vontade de Deus que está por baixo da lei (Mt 5.21-48; 19.3-9). Jesus procurou esclarecer o verdadeiro sentido do sábado mostrando o propósito original da sua instituição: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27).


Em seis ocasiões diferentes Jesus entrou em conflito com judeus por causa da discriminação deles do sábado. Ele defendeu seus discípulos por colherem espigas no sábado aludindo ao tempo quando Davi e seus homens comeram os pães da proposição (Mt 12.1-4; Mc 2.23-26; Lc 6.1-4). Ao fazer isto, Jesus colocou o mandamento do sábado na mesma categoria da lei cerimonial que proibia o comer deste pão sagrado por outros além dos sacerdotes, e ensinou que as necessidades humanas tinham precedência sobre os requerimentos legais do sábado. Ele também lembrou seus críticos de que os sacerdotes no Templo profanavam o sábado e eram inocentes (Mt 12.5). Ele, sem dúvida, se referiu à prática prescrita na lei sobre circuncidar no sábado, se isto for o oitavo dia após o nascimento (Lv 12.3; Jo 7.22,23). Conseqüentemente, a lei cerimonial que requer a circuncisão da criança oito dias após o nascimento assumiu precedência sobre a lei do sábado. Foi nesta mesma ocasião que Jesus disse que o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2.27), indicando que ele considerava o sábado como uma providência para a necessidade e bem estar do homem, e não como um requerimento legal opressivo. Foi também nesta ocasião que Jesus afirmou seu senhorio sobre o sábado (Mt 12.8; Mc 2.28; Lc 6.5).
Jesus expressou ira para com aqueles judeus na sinagoga em Cafamaum que demonstraram mais interesse pela observância meticulosa do sábado do que pelo ser humano que era privado do uso de uma mão, e o curou diante de todos eles (Mc 3.1-5). Numa outra ocasião, quando o chefe da sinagoga ficou indignado porque Jesus curou uma mulher que tinha um espírito de enfermidade durante dezoito anos, ele defendeu sua ação apelando para a prática comum de soltar os animais domésticos a fim de os levar para beberem água no sábado (Lc 13.10-17). Novamente, quando Jesus, sob os olhares críticos dos fariseus, curou um homem hidrópico no sábado, ele se defendeu perguntando aos seus críticos se deixariam de resgatar um boi ou jumento que havia caído num poço naquele dia (14.1-6).


As outras duas ocasiões quando as ações de Jesus no sábado provocaram conflito com os líderes judeus são registradas em João. Uma foi a cura do homem impotente no tanque de Betesda (Jo 5.1-18); a outra foi a cura do homem que nasceu cego (9.1-41). Na primeira destas ocasiões Jesus defendeu seu direito de curar no sábado com base em que seu Pai não parava suas atividades beneficentes naquele dia (5.17) e na segunda ocasião ele condenou a cegueira espiritual dos fariseus (9.40,41).
Em todos estes exemplos Jesus mostrou que ele colocava a necessidade humana acima da simples observância externa do sábado. Jesus nunca fez ou disse qualquer coisa a fim de tirar do homem os privilégios proporcionados por um dia de descanso como este. Por outro lado, não se pode dizer que Jesus tinha a intenção de perpetrar o sábado hebraico ou estendeu sua aplicação a todos os homens. No que diz respeito ao registro dos evangelhos, ele nunca fez menção ao quarto mandamento. Ao enfatizar o princípio que está por traz da lei, o espírito e propósito da lei, ao invés dos seus regulamentos formais e externos, ele preparou o caminho para a abolição de todas as leis e ordenanças externas do AT.


MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 271-272.


Em seis ocasiões diferentes Jesus entrou em conflito com judeus por causa da discriminação deles do sábado. Ele defendeu seus discípulos por colherem espigas no sábado aludindo ao tempo quando Davi e seus homens comeram os pães da proposição (Mt 12.1-4; Mc 2.23-26; Lc 6.1-4). Ao fazer isto, Jesus colocou o mandamento do sábado na mesma categoria da lei cerimonial que proibia o comer deste pão sagrado por outros além dos sacerdotes, e ensinou que as necessidades humanas tinham precedência sobre os requerimentos legais do sábado. Ele também lembrou seus críticos de que os sacerdotes no Templo profanavam o sábado e eram inocentes (Mt 12.5). Ele, sem dúvida, se referiu à prática prescrita na lei sobre circuncidar no sábado, se isto for o oitavo dia após o nascimento (Lv 12.3; Jo 7.22,23). Conseqüentemente, a lei cerimonial que requer a circuncisão da criança oito dias após o nascimento assumiu precedência sobre a lei do sábado. Foi nesta mesma ocasião que Jesus disse que o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2.27), indicando que ele considerava o sábado como uma providência para a necessidade e bem estar do homem, e não como um requerimento legal opressivo. Foi também nesta ocasião que Jesus afirmou seu senhorio sobre o sábado (Mt 12.8; Mc 2.28; Lc 6.5).

Jesus expressou ira para com aqueles judeus na sinagoga em Cafamaum que demonstraram mais interesse pela observância meticulosa do sábado do que pelo ser humano que era privado do uso de uma mão, e o curou diante de todos eles (Mc 3.1-5). Numa outra ocasião, quando o chefe da sinagoga ficou indignado porque Jesus curou uma mulher que tinha um espírito de enfermidade durante dezoito anos, ele defendeu sua ação apelando para a prática comum de soltar os animais domésticos a fim de os levar para beberem água no sábado (Lc 13.10-17). Novamente, quando Jesus, sob os olhares críticos dos fariseus, curou um homem hidrópico no sábado, ele se defendeu perguntando aos seus críticos se deixariam de resgatar um boi ou jumento que havia caído num poço naquele dia (14.1-6).


As outras duas ocasiões quando as ações de Jesus no sábado provocaram conflito com os líderes judeus são registradas em João. Uma foi a cura do homem impotente no tanque de Betesda (Jo 5.1-18); a outra foi a cura do homem que nasceu cego (9.1-41). Na primeira destas ocasiões Jesus defendeu seu direito de curar no sábado com base em que seu Pai não parava suas atividades beneficentes naquele dia (5.17) e na segunda ocasião ele condenou a cegueira espiritual dos fariseus (9.40,41).
Em todos estes exemplos Jesus mostrou que ele colocava a necessidade humana acima da simples observância externa do sábado. Jesus nunca fez ou disse qualquer coisa a fim de tirar do homem os privilégios proporcionados por um dia de descanso como este. Por outro lado, não se pode dizer que Jesus tinha a intenção de perpetrar o sábado hebraico ou estendeu sua aplicação a todos os homens. No que diz respeito ao registro dos evangelhos, ele nunca fez menção ao quarto mandamento. Ao enfatizar o princípio que está por traz da lei, o espírito e propósito da lei, ao invés dos seus regulamentos formais e externos, ele preparou o caminho para a abolição de todas as leis e ordenanças externas do AT.


MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 271-272.
3. DIA DO CULTO CRISTÃO.

O SÁBADO CRISTÃO

O sábado legal do Decálogo foi estabelecido para Israel se lembrar da escravidão no Egito (Dt 5.15). Há certa analogia com o sábado cristão, o domingo, que, sem precisar de imposição legal, passou a ser o dia de adoração cristã coletiva em memória à ressurreição de Cristo que ocorreu num domingo (Mc 16.1-6; Lc24.1-6). Éosábado institucional. Isso está claro em três passagens do Novo Testamento: "No primeiro dia da semana, ajuntando os discípulos para o partir do pão" (At 20.7). Era um domingo, "talvez 24 de abril de 57 d.C.", segundo F. F. Bruce (apud STOTT, 1994, p. 360). O "partir do pão" é um termo usado para a Ceia do Senhor (At 2.42; 1 Co 10.16; 11.20-26). Segundo o autor citado, essa passagem "é a evidência inequívoca mais primitiva que temos da prática cristã de reunir-se para a adoração nesse dia". Isso se confirma mais adiante no Novo Testamento: "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar" (1 Co 16.2). Temos aqui outra prova de que o primeiro dia da semana era o dia de culto regular. O apóstolo recomendou que nessas reuniões se levantasse uma coleta para socorrer os irmãos pobres de Jerusalém.


O apóstolo João foi arrebatado no dia do Senhor: Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta" (Ap 1.10). A expressão dia do Senhor" não é escatológica, pois a construção grega aqui, en tê kyriakê hêmera, se refere ao domingo. Versões católicas como Figueiredo, Matos Soares e a Bíblia do Peregrino empregam "num dia de domingo" para traduzir a referida frase. Esta tradução é aceitável porque está de acordo com o contexto bíblico e histórico.

A palavra kyriakê significa "domingo" ainda hoje na Grécia. O termo "domingo", literalmente quer dizer, "dia do senhor , do latim, dominus, "senhor", e dies, "dia". Inácio de Antioquia usa a mesma frase grega do apóstolo João em Apocalipse, para indicar o primeiro dia da semana: "Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senho em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte" (Magnésios 9-1, Coleção Patrística 1, Padres Apostólicos). Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia e conheceu os apóstolos Paulo e João. Preso em 110 no reinado de Trajano, foi levado a Roma e atirado às feras. Trata-se de alguém da segunda geração dos apóstolos.
Outra razão que confirma essa interpretação é o fato de a Septuaginta usar uma forma diferente para o "dia do Senhor escatológico, hêmera tou kyriou ou hêmera kyriou. E o mesmo acontece nas cinco vezes que a frase aparece no Novo Testamento grego (At 2.20; 1 Co 5.5; 2 Co 1.14; 1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10).

Os primeiros pais da Igreja mostram que nos três primeiros séculos da história da Igreja o domingo continuava sendo o dia de reunião dos cristãos. Além de Inácio de Antioquia, isso pode ser ainda visto na Epístola de Barnabé (que não era o Barnabé citado do Novo Testamento). Trata-se de um documento da primeira metade do século 2, que declara: "Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus" (Epístola de Barnabé, 15.9).

Herdamos dos dias apostólicos essa prática que foi perpetuada pelo tempo. Os preceitos cerimoniais não desobrigam os seres humanos de cultuarem a Deus, mas estes não precisam de rituais e nem lhes é exigido irem a Jerusalém. Da mesma forma, o sábado não precisa ser o sétimo dia da semana. Os adventistas do sétimo estão equivocados quando afirmam que o imperador Constantino substituiu o sábado pelo domingo, e sua doutrina não tem sustentação bíblica. É um erro teológico e histórico.


Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 74-76.

O Dia do Senhor. Para os cristãos, o domingo é o dia do Senhor, e não o sábado. Historicamente, os intérpretes têm dito que o domingo é o “descanso”, chamando-o de sábado cristão. Mas apesar de ser verdade que nossos cultos religiosos ocorram no primeiro dia da semana, o que retém um certo elemento próprio do dia de sábado, isso não faz o Dia do Senhor tornar-se um sábado cristão. Que Deus nos salve do legalismo! Isso não significa que o crente deveria ignorar as implicações de quão próprio é que um dos dias da semana seja especi- almente consagrado a exercícios espirituais. Paulo, todavia, deixou claro que, para o crente, todos os dias são iguais (Rom. 14.5 ss.). No mesmo contexto, porém, ele também deixou claro que o crente pode estabelecer uma distinção, se tal distinção puder fomentar a sua piedade e a eficácia de sua adoração. Historicamente, a Igreja tem estabelecido essa distinção. O domingo deveria ser um dia isento de todo legalismo, tão-somente retendo um devido espírito de adoração. Não deveria ser profanado. A Igreja assim tem observado, para bem do homem. A Escola Dominical é uma grande instituição, embora não faça parte dos ensinos do Novo Testamento. O domingo tem-se tornado um dia dedicado à adoração, ao estudo da Bíblia e à evangelização de uma Igreja reunida com esses propósitos. É no domingo que a Igreja comemora a ressurreição de Jesus. Ele saiu do túmulo revestido de uma vida nova, O domingo, pois, é uma oportunidade para participar-mos dessa vida nova e a expressarmos. O domingo não é imposto, conforme o sábado era imposto. Contudo, é benéfico, e exige nosso respeito. A liberdade, se for abusada, será sempre tão ruim e errada quanto uma obrigação imposta.


A Natureza Monótona e Destrutiva de um Labor Contínuo. Deus pode conferirmos a graça e talvez até permitir e encorajar que labutemos todos os dias, se tal trabalho for benéfico para nós mesmos e para o próximo. Todavia, descansar um dia por semana é uma boa medida de saúde. Talvez se assim fizermos, poderemos realizar em seis dias o que realizamos em sete. A saúde inclui o ritmo intercalado de trabalho e descanso. Não nos deveríamos preocupar se, em dia de domingo, estivermos fazendo aquilo que os antigos sabatistas proibiam para o sábado. Se tivermos tal preocupação, estaremos mostrando nossa insensatez. Não obstante, estaremos pecando se nos esquecermos do espírito do sábado, que nos convida a estacar, descansar, adorar e servir.


O Mandamento contra o Ócio. Foi ordenado ao homem que trabalhasse por seis dias, e não apenas que descansasse no sétimo. “Aquele que se mostra ocioso por seis dias é igualmente culpado, aos olhos de Deus, do que se vier a trabalhar no sétimo dia” (Adam Clark, in loc.)


CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 21-22.
    
                                                             ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

                            Shabbat Shalom – The Real Jerusalem Streets


                                               CAPÍTULO 4
                           
                          O QUARTO MANDAMENTO


"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar" (Êx 20:8). Tenho que confessar que não pude encontrar coisa alguma que pudesse ser o correspondente a este mandamento no cristianismo. Não existe. Lembremo-nos de que a palavra "shabbat", que significa "repouso", é usada pela primeira vez em Êxodo 16:23, com relação ao recolhimento do maná pelos filhos de Israel. Não era para ser recolhido no sábado, o sétimo dia. Este dia foi designado como um dia de descanso.
Mas quando entramos na dispensação cristã, ou economia cristã, se preferir, não encontramos nenhuma instrução para que se observe tal dia. Há apenas uma menção ao "shabbat" em todo o conjunto de epístolas do Novo Testamento: "Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados" (Cl 2:16).

Mas preste atenção para a declaração qualificativa do versículo 17: "Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo".


Evidentemente, a única razão de se ter mencionado o sábado foi para mostrar que ele não faz parte da revelação cristã. Pelo contrário, mostra que foi somente uma sombra do que havia de vir. Porém quanto ao nosso dia de repouso, sabemos que Hebreus 4:9 diz: "Portanto resta ainda um repouso para o povo de Deus". Não podemos dizer que o "shabbat" (o descanso) foi trocado pelo domingo. O "shabbat" sempre foi o sétimo dia da semana; o domingo é o primeiro dia da semana e, assim sendo, nunca poderia ser o "shabbat". Nós cristãos esperamos nosso dia de repouso que será quando o Senhor nos levar à casa de Seu Pai, para que descansemos em Seu amor. O descanso está no final de uma jornada.


"Mas" - perguntará alguém - "não seria o domingo, o primeiro dia da semana, o nosso repouso?". Deveremos responder - "Não!". Então qual é o lugar que o domingo deve ocupar em nossas vidas?
Porventura a própria expressão, "o dia do Senhor", não responde a esta pergunta? Este dia pertence ao Senhor e devemos empregá-lo para Ele. É o dia em que nos reunimos para partir o pão. O termo "o dia do Senhor" aparece no original apenas uma vez na Bíblia, em Apocalipse 1:10, e pode ser traduzido do grego por "dia dominical". Poderíamos traduzir o versículo da seguinte forma: "Eu fui arrebatado em espírito no dia dominical". Encontramos também a mesma palavra grega no texto relativo à ceia do Senhor, ou, como deveria ser chamada, a ceia dominical. Acaso não é significativo que o único uso desta palavra grega "dominical" no Novo Testamento esteja conectado à ceia e ao dia? Portanto celebra-se a ceia do Senhor no dia do Senhor.


O dia do Senhor se distingue definitivamente dos demais dias por várias passagens bíblicas. Nosso Senhor Jesus ressuscitou de entre os mortos no primeiro dia da semana; Ele apareceu aos Seus discípulos neste dia; tornou a aparecer a eles no segundo dia do Senhor depois de Sua ressurreição. Notamos que o Espírito Santo desceu no dia de Pentecostes, que era também o primeiro dia da semana. Os discípulos se reuniram para partir o pão no primeiro dia da semana. O apóstolo exortou aos coríntios que cada um separasse sua oferta para os santos pobres no primeiro dia da semana (1 Coríntios 16:2).


Todas estas passagens demonstram que no cristianismo o primeiro dia da semana remove totalmente o "shabbat" judaico. Quão impróprio seria que a igreja de Deus celebrasse como seu dia aquele durante o qual seu Senhor e Salvador esteve sob o poder da morte e do sepulcro! Mas quão glorioso é nos reunirmos no primeiro dia da semana, o dia de Sua vitória sobre o sepulcro! Quão doce e precioso é dar-Lhe este primeiro dia da semana, o Seu dia!


Gostaria de dizer algo aos que são jovens. Me entristeço ao ver que muitos estão empregando o dia dominical para as habituais tarefas cotidianas. Talvez você me diga que não pensaria em sair de casa no dia do Senhor para cortar a grama do jardim, ou, talvez, para lavar roupa neste dia. Mas vamos dar uma olhada dentro de casa. Você talvez seja um estudante, e isto é perfeitamente correto e faz parte de sua
tarefas escolares. Mas - preste atenção - será que suas tarefas escolares são tão importantes ao ponto de impedi-lo de dispor apropriadamente o dia do Senhor a Ele, a Quem o dia pertence? Talvez você responda: - Se eu não estudar no dia do Senhor, não conseguirei tirar a nota que preciso.

Talvez não, mas ainda assim, o que é mais importante para você, uma boa nota ou a aprovação do Senhor? Procuremos, pela graça de Deus, dar ao Senhor o Seu dia.
Talvez algum jovem me pergunte: - Bem, como então hei de empregar o dia do Senhor? Eu sei como alguns de nossos queridos jovens irmãos e irmãs empregam o tempo disponível no dia do Senhor. Aproveitam várias oportunidades para evangelizar, em visitas a hospitais e outras instituições para distribuir folhetos e falar às pessoas individualmente acerca do Senhor ou em pregações ao ar livre. Outros fazem isto em visitas aos doentes e aos encarcerados. Há ainda alguns que dedicam uma parte do dia do Senhor para escrever cartas de encorajamento a seus amigos cristãos, ou talvez a seus parentes e amigos inconversos, enquanto outros se ocupam em empacotar literatura cristã para ser enviada pelo correio àqueles que possam ter suas almas auxiliadas por algum folheto ou livreto. Não; não há nenhum sábado, nenhum dia de repouso para os cristãos, senão um dia em que podemos estar livres para servirmos ao Senhor. Que o Senhor nos dê uma consciência terna, para que esse dia seja verdadeiramente o dia que pertence a Ele.

                                OS DEZ MANDAMENTOS-C. H. BROWN





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