TEXTO
BÍBLICO BÁSICO
Jeremias 23.16-20, 25-27
16
- Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas
que entre vós profetizam; ensinam-vos vaidades e falam da visão do seu coração,
não da boca do SENHOR.
17 - Dizem continuamente aos que me desprezam:
O SENHOR disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo o propósito do seu
coração, dizem: Não virá mal sobre vós.
18 - Porque quem esteve no conselho do SENHOR,
e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a ouviu?
19
- Eis que saiu com indignação a tempestade do SENHOR, e uma tempestade penosa
cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios.
20 - Não se desviará a ira do SENHOR até que
execute e cumpra os pensamentos do seu coração; no fim dos dias, entendereis isso
claramente.
25
- Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, profetizando mentiras em meu nome,
dizendo: Sonhei! Sonhei!
26
- Até quando sucederá isso no coração dos profetas que profetizam mentiras e
que são só profetas do engano do seu coração?
27. Os quais cuidam que farão que o meu povo
se esqueça do meu nome, pelos sonhos que cada um conta ao seu companheiro,
assim como seus pais se esqueceram do meu nome, por causa de Baal.
TEXTO
ÁUREO
Não
tomarás o
nome do SENHOR,
teu
Deus, em
vão;
porque o
SENHOR
não terá
por
inocente o que
tomar
o seu nome
em
vão.
Êxodo 20.7
SUBSÍDIOS
PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Mateus 6.9-15
Santificado
seja o Teu nome
3ª feira - Lucas 10.17-20
Pelo
Teu nome, até os demônios se nos sujeitam
4ª feira - Deuteronômio 12.5-11
Para ali fazer habitar o Seu nome
5ª feira - Colossenses 3.12-17
Fazei tudo em nome do Senhor Jesus
6ª feira - Mateus 7.21-23
Não
profetizamos nós em Teu nome?
Sábado
- Filipenses 2.5-11
E lhe deu um nome que é sobre todo o nome
OBJETIVOS
Ao término do estudo
bíblico, o aluno deverá:
• entender que o nome do Senhor
deve ser santificado porque nele está a Sua honra;
• compreender que o nome
do Senhor não pode ser usado para endossar palavras que não saíram dele;
• reconhecer que, um dia, todo joelho se
dobrará e confessará o nome do Senhor Jesus.
ORIENTAÇÕES
PEDAGÓGICAS
Caro professor, um aspecto
a ser considerado é a importância da EBD para a mudança e para a formação de
novos crentes. Embora tenhamos muitas palavras para definir esse processo, a
maior responsabilidade da igreja, depois de evangelizar. é promover o discipulado
do novo crente. Se a igreja deseja crescer, irá deparar-se com os problemas
sociais e culturais. Assim, deverá instruir os crentes naquilo que crê e em
como essa crença deverá afetar a vida cotidiana de seus membros.
Novamente, entra em cena
a atuação imprescindível do professor da Escola Dominical. Quando o professor
tem consciência da importância de sua função e que esta deve sempre visar ao
crescimento do aluno e, em consequência, ao crescimento da igreja, buscará
alternativas para acompanhar seus alunos e estreitar os laços de amizade para
além da sala de aula (Revista Educação Cristã Hoje, nº 1. Central Gospel, 2012,
p. 27).
Deus o abençoe!
COMENTÁRIO
Palavra
Introdutória
Quando compreendermos o
cuidado do Senhor em transmitir ao Seu povo as "Dez Palavras",
perceberemos o quanto elas são completas (e complexas) no que tange às
exigências que devemos cumprir para nos enquadrarmos dentro dos limites
estabelecidos por Ele. A abrangência do terceiro mandamento, por exemplo, vai
da simples inibição de se usar indevidamente o termo Deus até à repreensão dos
que questionam a Sua existência e zombam dos Seus atributos.
A finalidade do terceiro mandamento é, antes
de tudo, afirmar a santidade do nome de Deus, conforme orienta a oração modelo: Pai
nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome (Mt 6.9).
Santificar o nome de Deus, segundo a oração de Jesus, significa que ele deve
ser respeitado, reverenciado, consagrado e separado das coisas profanas, ou
seja, o santíssimo nome do Senhor precisa ser usado com entendimento,
responsabilidade, temor e, sobretudo, amor. Embora não haja punição explicita para
o uso indevido do nome de Deus, certamente não ficaria impune quem ousasse
cometer tal delito.
1. A HONRA
DESSE NOME
O terceiro mandamento
incluía a ideia de não se pronunciar o nome do Soberano em qualquer rito ou
pacto gentil. O fato de o Santo Nome não poder estar associado a deuses
estranhos, isto é, a outras divindades constitui-se em outra proibição embutida
nesta ordenança divina.
Os hebreus, por temor,
buscavam adjetivos para Deus a fim de não serem culpados de tomarem o nome do
Senhor (Yahweh) em vão. Inclusive, parece que esse fato pode ter sido um dos
motivos pelo qual o santo nome do Altíssimo tornou-se impronunciável no
decorrer da história. Se o nome de Deus fosse mais sagrado em nossas igrejas,
talvez fosse mais sagrado no mundo.
1.1. A importância de um nome
A
honra de uma pessoa está em seu nome. Quando os setenta discípulos voltaram da
pequena comissão relatando o êxito de sua missão, disseram: (...) Senhor, pelo
teu nome, até os demônios se nos sujeitam (Lc 10.17). Jesus, então, deu-lhes um
motivo maior para se regozijarem: alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome
escrito nos céus (Lc 10.20; grifo do autor).
O
Senhor Todo-poderoso
O
Senhor do pacto
O
Senhor dos exércitos
O
Senhor está aqui
Deus
poderoso
O
Senhor proverá O Senhor santo
O
Senhor é a nossa bandeira
Deus
eterno
O
Senhor que cura
O
Senhor é o meu pastor
O
Senhor é a nossa paz
Jeová,
nossa Justiça
1.2. Não pronunciar esse nome sem motivo legítimo
Se
preservamos tanto a honra do nosso nome, quanto mais o Altíssimo preserva a
glória do Seu. Muito antes de se estabelecerem princípios para salvaguardar
nomes humanos
—em qualquer país ou cultura —, Deus criou uma
Lei para preservar a Sua reputação: uma inscrição cuneiforme feita em fogo,
cunhada com Seu próprio dedo em tábua de pedra.
1.3. Um lugar para o Seu nome
O
tabernáculo, construído no deserto, era montado e desmontado enquanto os
hebreus peregrinavam até Canaã (Nm 9.15-23). Quando o povo escolhido chegasse à
Terra Prometida, a habitação do Senhor seria montada definitivamente, até que
fosse substituída por um templo de alvenaria. Devido ao fato de a glória
de Deus estar presente no tabernáculo (Éx 40.34), o que se dizia era que o
lugar onde a tenda fosse montada seria um lugar para Deus fazer habitar o seu
nome (Dt 12.11; grifo do autor). Inicialmente esse lugar era Siló (jr 7.12);
depois, passou a ser Jerusalém, onde o templo fora construído. É por essa razão
que quando nos reunimos para cultuar ao Senhor nós o fazemos em nome de
Jesus. E quanto fizerdes por palavra ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor
Jesus, dando por ele graças a Deus Pai (Cl 3.17).
Deus
proibiu, terminantemente, que o Seu nome fosse usado para apoiar falsos
juramentos: nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso
Deus.
Eu
sou o SENHOR (Lv 19.12).
1.4.
O respeito dos judeus pelo nome do Senhor
Deus
disse a Moisés que apareceu aos patriarcas como El Shadai, ou seja, como o Deus
Todo-poderoso (Êx 6.3). Esse é o modo como as pessoas, de modo geral, concebem
a Deus, o Criador de todas as coisas; mas, a Moisés Ele apresentou-se como o Eu
Sou — uma forma mais pessoal e, ao mesmo tempo, mais abrangente, tanto que os
judeus temem repetir esse nome por medo de errar a pronúncia.
A lingua hebraica, em sua
escrita, não continha vogais, apenas consoantes. Assim, o que temos em Êxodo
3.14 — E disse Deus a Moisés: (...) Eu Sou me enviou a vós — é apenas o tetragrama
YHWH. As vogais apareceram anos mais tarde pelos massoretas (escribas), por
meio de sinais, com pontos e traços ligados a cada vogal (YAHWEH).
1.5. O cuidado de Mateus com esse nome
Os quatro Evangelhos distinguem-se
entre si quanto aos seus destinatários: Mateus escreveu para os judeus; Marcos,
para os romanos; Lucas, para os gregos; e João é conhecido como o evangelho
universal pelo fato de não destacar qualquer grupo específico.
Mateus
tem por objetivo apresentar Jesus como o Messias Prometido, ou seja, como o Rei
Ungido; por isso, o seu livro põe em destaque o Reino. O evangelista apresenta
com muita frequência esse conceito, mas, para não repetir o nome de Deus, ele
utiliza a expressão Reino dos céus (Mt 3.1,2; 4.17; 5.3; 7.21; 8.11; 10.7;
11.11,12; 13.24). Significa dizer, portanto, que, no texto bíblico, Reino dos céus não é
diferente de Reino de Deus. Algumas vezes, os autores sagrados apenas
substituíram uma expressão pela outra para evitar repetir o nome do Altíssimo.
Percebe-se
um cuidado especial
para com o uso do nome de Deus
entre os
crentes norte-americanos:
em vez de usarem a interjeição "my God"
(=
"meu Deus"), eles preferem dizer "my gosh"
—
termo sem significado na língua inglesa
— ou "my goodness",
que quer
dizer bondade.
2. O USO
INDEVIDO DESSE NOME
Por ocasião do cativeiro
de Judá, Jeremias viveu um grande dilema ao anunciar a chegada dos babilônios,
e ao dizer que nem o rei nem ninguém deveria oferecer resistência, porque eles
vinham da parte do Senhor para castigar a nação. O profeta disse ainda que, se
resistissem, seria pior. Porém,
ninguém quis aceitar as
palavras de Jeremias; ao contrário, o rei contratou arautos para vaticinarem o
contrário (Jr 23.16-18,25). Conclusão: o Senhor protestou contra esses profetas
dizendo: Escutem o que eu, o SENHOR, estou dizendo! Sou contra os profetas que
contam sonhos cheios de mentiras. Eles contam esses sonhos e, dizendo mentiras
e se gabando, fazem o meu povo errar. Eu não os enviei, nem os mandei ir, e
eles não ajudam o meu povo em nada. Eu, o SENHOR, estou falando (Jr 23.27
NTLH).
2.1. Jurar em nome de Deus
No AT, em circunstâncias
específicas, era permitido fazer--se juramento. Em Êxodo 22.11, por exemplo,
observa-se urna ação legal, perante autoridades reconhecidas pelo Governo, para
a preservação de dada propriedade — assim como acontece em tribunais
norte-americanos em que a pessoa jura dizer toda a verdade com a mão sobre a
Bíblia. Em Deuteronômio 6.13, nota-se que o juramento dizia respeito a um voto
de fidelidade, inquebrável, de se temer e servir somente a Deus.
Entretanto, especialmente
nas últimas décadas, o nome do Senhor tem sido mal utilizado em todo o mundo:
quer em interjeições viciosas; quer em juramentos ou em mensagens humanas
entregues em nome do Senhor para garantir a sua autenticidade. E isso é muito
sério. Não
raramente ouvimos alguém dizer: "Juro por Deus". Tiago, no
entanto, retomando as instruções de Jesus a esse respeito (Mt 5.34-37; 23.16),
exortou seus leitores: (...) meus irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela
terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim e
não, não, para que não caiais em condenação (Tg 5.12).
2.2. Transmitir mensagens que o Senhor não
proferiu
O
nome do Altíssimo é tomado em vão quando, por exemplo, vaticínios são
pronunciados em Seu nome sem que Ele tenha dito, de fato, alguma coisa. Deus
não é obrigado a endossar tudo quanto dizemos em Seu nome, especialmente quando
proferimos inconsequentes palavras de fé.
Muitos
falsificadores da Palavra agem desta forma com o objetivo único de obter vantagens
espirituais e/ou (maneeires. Outros, por sua vez, usam o nome do Senhor como
forma de autoexaltação. Quanto a isto, o salmista declara: Não a nós, SENHOR,
não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua
verdade (SI 115.1).
2.3.
Realizar milagres em nome do Senhor
O Senhor credenciou a Sua Igreja para realizar
milagres em Seu nome (Mc 16.17,18; Lc 10.17; At 16.18). Jesus, no entanto,
disse a Seus discípulos que, nos últimos tempos, apareceriam pessoas que seriam
capazes de realizar prodígios em Seu nome, sem que tivessem qualquer ligação
legítima com Ele (Mt 7.21-23). Isso é o que se constata, por exemplo, na grande mídia
evangélica, que propaga um evangelho que não exalta a cruz, a salvação, a
santificação e o arrebatamento da Igreja. Os que assim agem estão interessados
em crescer a todo custo, oferecendo todo tipo de milagre e solução para os
problemas humanos. São pregadores inescrupulosos que não temem a Deus e não se
importam em expor o nome do Senhor a escândalos e blasfêmias (Rm 2.24).
3. O PODER DESSE NOME
No
Antigo Testamento observamos que o Senhor empenhava o Seu nome em favor do Seu
povo. Observe:
(1) Elias foi atendido quando, ao enfrentar os profetas de Baal, clamou ao Deus
de Abraão, Isaque e Israel (1 Rs 18.36); (2) Davi enfrentou o gigante Golias em
nome do Senhor dos Exércitos e o derrotou (1 Sm 17.45).
Hoje, a Igreja tem sobre si o poderoso nome de
Jesus. Paulo, aos filipenses, diz que Ele foi exaltado soberanamente e recebeu
um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho
dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse
que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2.9-11). E, aos romanos,
o apóstolo ressalta que todo aquele que confessar esse nome bendito será salvo
(Rm 10.9).
CONCLUSÃO
Geralmente, o nome de uma pessoa tem íntima relação
com o seu caráter. Se assim é com os homens, quanto mais o será em relação a
Deus.
No
nome do Altíssimo está embutida a revelação do Seu caráter, da Sua santidade, da
Sua soberania e dos Seus atributos. Blasfemar contra ele, difamá-lo, menosprezá-lo,
banalizá-lo ou usá-lo para dizer: "o Senhor me falou", "o Senhor
me mostrou", ou coisa semelhante, sem que haja absoluta certeza disso, é,
sim, tomar o Seu nome em vão.
Se
no dia do Juízo haveremos de dar conta de palavras ociosas que saíram dos
nossos lábios, imaginemos quanto não pesará sobre todos nós as inúmeras vezes
em que, de modo impensado, usamos o nome do Senhor em vão (Mt 12.36)!
ATIVIDADE
PARA FIXAÇÃO
1.
Por que razão Jesus ensinou-nos a santificar o nome de Deus?
R.: Porque no Seu nome está a Sua honra.
O QUE É TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO?
Por Vinicius Moura
Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão. porque o
Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
Êxodo capítulo 20.7
O nome de pessoas ou coisas é muito
importante. Tanto é assim que o grande escritor William Shakespeare escreveu:
“se a rosa tivesse outro nome, não cheiraria tão doce”.
O nome é tão significativo que as pessoas
costumam reagir mal quando ele é escrito ou pronunciado de forma errada. E
apelidos ridículos podem até causar complexos.
Nos tempos bíblicos, os nomes
eram ainda mais importantes. Naquela época, eles normalmente caracterizavam a
própria personalidade da pessoa. Hoje os nomes são normalmente mais uma questão
de gosto ou de marketing.
Alguns exemplos demonstram
bem a importância dos nomes nos tempos bíblicos. Primeiro, quando Moisés teve
uma visão no monte Sinai, ele perguntou qual era o nome de Deus. Afinal, saber
esse nome, que ninguém até então tinha tido conhecimento, demonstraria para o
povo de Israel sua intimidade com Deus. Outro caso é o de Jacó, que mudou de
nome, passando a se chamar Israel (aquele que luta com Deus), depois do
episódio da sua luta com o anjo (ver Gênesis capítulo 32, versículos 22 a 30).
Outros personagens bíblicos importantes também mudaram de nome – por exemplo,
Abrão virou Abraão – ou passaram a ser conhecidos por apelidos – por exemplo,
Simão virou Pedro e Saul virou Paulo -, à medida que evoluíram na sua vida
espiritual.
E não podemos esquecer que os
cristãos devem ser batizados “em nome” do Pai, Filho e Espírito Santo. Pela
mesma razão, costumamos concluir nossas orações “em nome” de Jesus. E os
demônios são repreendidos também usando o mesmo nome.
Nomear alguém ou alguma coisa
significa que quem nomeia tem poder sobre quem é nomeado. Por isso são os pais
que costumam dar nomes aos filhos. Essa prática sempre existiu em praticamente
todas as culturas. Foi por isso que Deus pediu a Adão para nomear os animais
(Gênesis capítulo 2, versículos 19 e 20).
Usando o nome de Deus
Ninguém pode compreender
totalmente a natureza de Deus e muito menos tem poder sobre Ele.
Por isso ninguém pode dar
nome a Deus. No máximo, as pessoas poderiam dar títulos a Ele, como “Senhor dos
Exércitos” ou “Todo Poderoso”. Por isso foi preciso que o próprio Deus contasse
a Moisés como deveria ser chamado. E o nome que deu foi surpreendente: “Eu sou
o que sou”, ou ainda “Eu serei o que sempre tenho sido” (ver Êxodo capítulo 3,
versículos 13 a 15).
O nome Iavé (ou, de forma
aportuguesada, Jeová) vem da raiz do nome que Deus deu a si mesmo. Esse seria
de fato o nome do nosso Deus.
Agora, por que existe um
mandamento específico (o terceiro dentre os dez mandamentos) para não tomar o
nome de Deus em vão? E o que isso significa? Começo minha resposta lembrando
que o mandamento de não tomar o nome de Deus em vão segue o mandamento de não
fazer imagens divinas. Isso porque uma coisa é, de certa forma, continuação da
outra.
O terceiro mandamento ensina
que as pessoas não podem tomar algo sagrado e usá-lo de forma indevida (“em
vão”). Afinal, isso seria um enorme desrespeito. Assim as pessoas não podem se
referir diretamente a Deus o em exclamações, piadas, em promessas mentirosas ou
mesmo maldições.
É exatamente por causa desse
mandamento que os judeus nunca se referem diretamente a Deus. Quando precisam
fazer isso usam, de forma alternativa, as palavras “Senhor” (Adonai em
hebraico) ou “Eterno”. Essa é a abordagem adotada pela Bíblias: quando no texto
em português aparece a palavra “SENHOR” é porque no original consta Iavé.
Essa cautela por parte dos
judeus parece-me bastante apropriada, demonstrando claramente a importância de
dirigir-se a Deus da forma apropriada. É preciso respeitar uma certa liturgia
para fazer isso.
Acho que há ainda uma dúvida
a ser esclarecida: é errado jurar em nome de Deus mesmo no caso de um assunto
sério? É sempre errado, mas é importante perceber que a proibição não vem do
terceiro dentre os dez mandamentos e sim de outra ordenança específica,
proibindo esse tipo de prática, essa dada pelo próprio Jesus (Mateus, capítulo
5 versículos 33 a 37):
Vocês também ouviram o que
foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos
que você fez diante do Senhor’. Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma.
nem pelo céu, porque é o trono de Deus. nem pela terra, porque é o estrado de
seus pés. nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. E não jure pela
sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo.
Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’. o que passar disso vem do
Maligno.
Concluindo, as razões para o
terceiro dos dez mandamentos mandamento são simples de entender, como também é
relativamente fácil cumprir o que é pedido por Deus nesse caso. Por isso é
surpreendente perceber tratar-se de um dos mandamentos mais violados pelas
pessoas. E isso acontece por pura falta de cuidado. Nesse particular, os
cristãos têm muito que aprender com os judeus.
Disponível em: https://www.sercristao.org/tomar-o-nome-de-deus-em-vaoexplicando/
O TERCEIRO MANDAMENTO
Voltemos a ler Êxodo, capítulo 20, e desta vez o versículo 7:
"Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá
por inocente o que tomar o Seu nome em vão". Vamos ler Tiago 5:12:
"Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela Terra nem
façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não,
não; para que não caiais em condenação".
Quão plenamente isto comprova o terceiro mandamento mosaico! Não
creio que entre meus leitores esteja alguém que tome deliberadamente o nome do
Senhor em vão; mas notemos que Tiago trata deste assunto como mais do que uma
mera proibição, exortando-nos a que "a vossa palavra seja sim, sim, e não,
não; para que não caiais em condenação". Com isto diante de nós, qual de
nós pode dar-se por inocente? Para poder alcançar plenamente a vitória no
assunto de obediência à Palavra de Deus, devemos fazer da oração de Davi o
nosso rogo diário: "Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a
meditação de meu coração perante a Tua face, Senhor. Rocha minha e Libertador
meu!" (Sl 19:14).
Penso especialmente naqueles que são jovens e na formação de seu
vocabulário. Convém, enquanto jovem, eliminar totalmente do vocabulário toda
palavra agressiva, rude ou profana. Nunca permita que tais palavras sejam
ouvidas em sua boca. Devemos conservar o nosso falar limpo e puro, no lar, na
escola, no trabalho, para que o mesmo possa ser aprovado perante o tribunal de
Cristo.
OS DEZ MANDAMENTOS - C. H. BROWN
As
informações sobre cada um dos dez mandamentos do Decálogo são fornecidas ao
longo do Pentateuco e em muitos casos em toda a Bíblia, e aqui não é diferente.
O texto não expressa de maneira explícita, mas deixa claro que diz respeito a
tudo o que se refere ao nome de Deus. Há expositor que exagera ao dizer que não
é possível saber o que este mandamento quer dizer com as palavras: "Não
tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por
inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êx 20.7; Dt 5.11). O contexto
bíblico esclarece o que Deus está nos ensinando e mostra a abrangência do
referido mandamento. Fala sobre o uso de modo trivial do nome divino, proibindo
o perjúrio e toda a forma de profanação e blasfêmia do nome de Javé.
O
NOME "DEUS"
Os
nomes de Deus não são apenas uma identificação pessoal, mas são inerentes à sua
natureza e revelam suas obras e seus atributos. Não é meramente uma distinção
dos deuses das nações pagãs. Quando a Bíblia faz menção do "nome de
Deus", está re velando o poder, a grandeza e a glória do Deus
Todo-Poderoso; além de mostrar seus atributos, o nome representa o próprio
Deus. O nome de Deus está ligado à sua soberania e glória.
Há três diferentes palavras hebraicas no
Antigo Testamento para "Deus": ’êl, ’elõahe ’èlõhím. A Septuaginta
emprega o termo grego theos, "Deus", para esses três vocábulos.
Eles aparecem como nome pessoal do Deus de Israel e também como apelativos
quando se referem aos deuses nas nações, razão pela qual costumamos empregar a
expressão "nomes genéricos".
O
termo êl tem relação com ’il, ’ilu e palavras similares usadas para deidades
dos antigos povos semitas. Aparecem com frequência ilu[m], ’iltu (fem.), ’ilü
(pl.) nos documentos da Mesopotâmia, em acádico, como nomes próprios e também
como apelativos de deidade. Diversas etimologias já foram apresentadas pelos
estudiosos, mas a proposta que prevalece é que ’il se deriva de uma raiz que
significa "ser forte" ou "ser proeminente". É um
"termo semítico muito antigo para divindade" (HOLADAY, 2010, p. 20),
usado para identificar o Deus de Israel (Nm 23.8).
No
Antigo Testamento, há 238 ocorrências de ’êl e ’êlim, (pl.) juntos, como nome
alternativo de Javé (Êx 20.5; Dt 4.24; I 5 0 I. 5.9); como o próprio Deus de
Israel: ’êl 'êlõhêi ysrãêl, "Deus, o Deus de Israel" (Gn 33.20) ou
"El-Elohei-Israel" (TB); ’ãnôchi hã - ’ 'êlõhêi ’ãbichã, "Eu sou Deus, o Deus de teu pai" (Gn
46.3). Vem associado a outros nomes de Deus ’êl 'elyôn, "Deus Altíssimo" (Gn 14.19, 22); ’êl
shadday, "Deus Todo-poderoso" (Gn 17.1; 28.3).
É usado também com frequência em ugarítico,
mas aparece ainda em relação ao Deus de Israel e a seus atributos, como:
"Deus da vista" (Gn 16.13); "Deus eterno" (Gn 21.33);
"Deus ze loso" (Êx 20.5; 34.14); "Deus, a minha rocha” (Sl
42.9); e Deus de compaixão (Sl 99.8) etc. O substantivo ’êl e o seu plural,
’êlím, aparecem como apelativos para designar os deuses das nações (Êx 15.11;
34.14; Dt 32.12). É o nome mais usado na Bíblia para mencionar as divindades
pagãs.
O nome
’elõhím é plural de 'elõah e, segundo se diz, trata-se de uma forma expandida
de com a letra H. Em aramaico, é ’êlãhs0e o plural é ’èlãhínf 1o singular e o
plural juntos somam 95 vezes nas porções aramaicas do Antigo Testamento. Elohim
aparece 2.600 vezes no Antigo Testamento, ao passo que sua forma singular
ocorre apenas 57 vezes, das quais 41 aparecem no livro de Jó, dos capítulos 3 a
40, no diálogo com os seus ami gos. As outras 16vezes aparecem em Deuteronômio
32.15, 17; 2 Crônicas 32.15; Neemias 9.17; Salmos 18.32; 50.22; 114.7; 139.19;
Provérbios 30.5; Isaías 44.8; Daniel 11.37-39; Habacuque 1.11; 3.3.
O nome
Elohim apresenta os primeiros vislumbres da Trindade. A declaração de Gênesis
1.1 traz o verbo no singular, "criou", e o sujeito no plural Elohim,
"Deus", o que revela a unidade de Deus na Trindade. Construção
similar aparece em várias partes do Antigo Testamento: "E disse Deus:
Façamos o homem à nos sa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1.26);
"Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós" (Gn
3.22); "Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua" (Gn 11.7). A
Trindade é vista em Elohim à luz do contexto bíblico. O Novo Testamento
explicitou o que antes estava implícito no Antigo Testamento. Quando Elohim
refere-se às divindades falsas traz no plural o verbo, o pronome ou o adjetivo,
representando a multiplicidade. Quando, porém, aplicado ao Deus de Israel, o
verbo e o seus complementos vêm geralmente no singular.
Os
rabinos reconheceram a pluralidade neste nome, mas, como o judaísmo é uma
religião que defende o monoteísmo ab soluto, e não admite Jesus Cristo como o
Messias de Israel, fica difícil para eles entenderem essa pluralidade. Para
explicá-la, argumentam ser um plural de majestade, mas isso é uma deter
minação rabínica posterior. A definição de plural de majestade ou de
excelência, como disse, foi dada pelo rabinato posterior. Disse Shlomo ibn
Yitschaki, conhecido pela sigla RASHI, grande rabino e erudito judeu (nascido
em 1040): "O plural de majestade não significa haver mais de uma pessoa na
divindade". Essa declaração serviu para o judaísmo prosseguir sua marcha
mantendo o monoteísmo absoluto sem Jesus e sem o Espírito Santo.
No
relato da criação e em muitas outras passagens do Antigo Testamento, Elohim é
nome próprio usado como forma alter nativa de Javé. Segundo Umberto Cassuto, esse
nome é usado para se referir à ideia obscura e mais abstrata da deidade, de um
Deus universal e Criador do mundo, indicando a transcendência da natureza de
Deus; ao passo que Javé aparece quando as características estão claras e
concretas e sugere um Deus pessoal que se relaciona diretamente com o povo.
No
capítulo um de Gênesis, Deus aparece como o Criador do universo físico e como o
Senhor do mundo, exercendo domínio sobre todas as coisas. Tudo quanto existe
veio à existência por causa exclusiva de Seu fiat, sem qualquer contato direto
entre Ele e a natureza. Portanto, aplicando-se aquelas regras, aqui cabe o uso
do nome Elohim (CASSUTO, 1961, p. 32).
Elohim
é um dos nomes próprios de Deus, mas aparece como apelativo no Antigo
Testamento quando se refere a divindades falsas, por exemplo os deuses do Egito
(Êx 12.2) e de outras nações (Dt 13.7,8; Jz 6.10). A palavra é usada com
relação às imagens dos cultos pagãos (Êx 20.23). As Escrituras fazem uso
irregular de Elohim em referência a seres sobrenaturais (1 Sm 28.13) e juizes
(SI 82.6). Aparece também, cerca de 20 vezes, com relação às divindades pagãs
individuais.
ELION, SHADAI E ADONAI
O
Antigo Testamento emprega outros nomes para identificar o Deus Javé de Israel.
São eles: ‘elyôn, "Altíssimo"; shadday, "Todo-poderoso" e
’ãdhonãy,S3"Senhor".
O nome
composto ’êl ‘elyôn significa "Deus Altíssimo". Elion designa Deus
como o Alto e Excelente, o Deus Glorioso. É um dos nomes genéricos porque ele
também é aplicado a governantes, mas nunca vem acompanhado de artigo quando se
refere ao Deus de Israel. Abraão adorava a El Shadai, "Deus
Todo-Poderoso" (Gn 17.1); e Melquisedeque, rei e sacerdote de Salém, era
adorador de El Elion (Gn 14.19-20). Quando Abraão se encontrou com
Melquisedeque, descobriu que seu Deus era o mesmo de Melquisedeque, apenas
conhecido por um nome diferente ( ê x 6.3). Em Gênesis 14.19-20, esse nome vem
acompanhado de "El", mas, às vezes, aparece sozinho (Is 14.14).
O Deus
de Israel é também identificado como ’êl shadday, "Deus
Todo-Poderoso". Shadai é o "nome de uma deidade" (KO- EHLER
BAUMGARTNER, vol. II, 2001, p. 1420). Segundo Holaday, é o nome de deidade
identificado com Javé (2010, p. 514); e, de acordo com Gesenius, "mais poderoso,
Todo-poderoso, um epíteto de Jeová, às vezes com El" (1982, p. 806).
Aparece 48 vezes no texto hebraico das Escrituras, sete delas antecedido de El.
Esse era um nome apropriado para o período
patriarcal, du rante o qual os patriarcas viviam numa terra estranha e estavam
rodeados pelas nações hostis. Eles precisavam saber que o seu Deus era o
Todo-poderoso (Gn 17.1). O termo aparece com frequência na era patriarcal; só
no livro de Jó ocorre 31 vezes. Êxodo 6.3 nos mostra que Deus era conhecido
pelos patriarcas por esse nome. Deus se revelou primeiro aos patriarcas do
Gênesis com nome El Shadai e, após o Sinai, os hebreus identificaram o seu
libertador Javé com o El Shadai dos seus antepassados.
As duas formas do nome hebraico ’ãdhonay ou
’ãdhônay,54"o Senhor, Adonai", aparecem no Antigo Testamento com
"o" breve e com "o" longo (Is 6.1; Jz 13.8). O termo ocorre
quase 450 vezes no Antigo Testamento, 310 vezes em conexão com o tetragrama e
134 vezes sozinho. É um nome próprio e significa literalmente "meu
senhor" e, segundo Gesenius, é "somente usado para Deus" (1982,
p. 12); forma "reservada como uma designação para Javé" (JENNI &
WESTERMANN, vol. 1, 2001, p. 24). Adonai, "Senhor", é um nome divino
e expressa a soberania de Deus no Universo. A desinência -ay indica plural,
como acontece com o nome Elohim; o judaísmo considera Adonai comopluralis
excellentiae. É diferente de ’ãdhôn,S5"senhor, dono", referindo-se
geralmente a homens, ou com o sufixo ’ãdhõní, s 6 "meu senhor", forma
pela qual Sara se dirigia a Abraão e Ana se dirigia a Eli (Gn 18.12; 1 Sm 1.15,
26).
Javé,
o nome pessoal do Deus de Israel, é escrito pelas quatro consoantes mrP (YHWH)
— o tetragrama. A escrita hebraica foi usada durante todo o período do Antigo
Testamento sem as vogais. Elas nada mais são do que sinais gráficos
diacríticos, criados pelos rabinos entre os séculos 5 e 9, e que são colocados
sobre, sob e no meio de cada consoante. Até hoje, esses sinais ajudam muito na
leitura de qualquer texto hebraico; todavia, quem já conhece a língua não
precisa mais deles.
Êxodo 3.14 revela que Deus é o que tem
existência própria, ou seja, existe por si mesmo. É o imutável, o que causa
todas as coisas, é autoexistente, aquele que é, que era e o que há de vir, o
eterno. Até hoje, os judeus religiosos preferem chamar Deus de "O
ETERNO", como se encontra na edição de 1988 da Bíblia na Linguagem de Hoje
e na edição da Sêfer da Bíblia Hebraica em lugar do tetragrama. Aqui, Deus
explicou a Moisés o significado do nome Iavé. Desde o patriarca Abraão até ao
período do reino dividido, era costume invocar a Javé mediante o uso do seu
nome (Gn 12.8; 13.4; 21.33; 1 Rs 18.24). Era necessário conhecer o nome para
que se pudesse estabelecer um relacionamento de comunhão. Veja que Jacó
perguntou ao anjo com quem lutava o seu nome (Gn 32.29). Manoá, o pai de
Sansão, fez a mesma pergunta com o propósito de estabelecer um relacionamento
espiritual (Jz 13.11- 17).
Com
Moisés, não foi diferente:
Então, disse Moisés a Deus: Eis que quando
vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós;
e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés:
EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me
enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O
SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de
Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de
geração em geração (ê x 3.13-15).
Javé
estabeleceu um memorial ao seu nome, anunciado aqui, mas concretizado por
ocasião da promulgação da lei, quando foi oficializado o concerto do Sinai (Êx
20.24). Aqui está a base do tetragrama YHWH. No texto hebraico, encontramos a
frase ’ehyeh asher 'ehyeh;57"EU SOU O QUE SOU". A substituição do “y
” de ‘ehyeh pelo w do tetragrama vem de hãwãh,58forma arcaica e sinônimo de
hãyâh,59 "ser, estar, existir, tornar-se, acontecer", cuja primeira
pessoa do imperfeito60 é ‘ehweh, e cuja terceira pessoa é yhweh.
Na poesia hebraica, usa-se com frequência a
forma reduzida Yah. "Já é o seu nome; exultai diante dele" (Sl 68.4,
TB).61 Isso pode explicar a presença da letra "a" no nome Yahweh.
"Parece provável que a pronúncia original tenha sido YaHWeH, tanto por
causa da forma verbal correspondente, o imperfeito de hãwãh, arcaicamente
escrito yahweh, como de representações mais re centes desse nome em grego
pelas palavras iaoue e iabe" (HAR- RIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p.
346).
A partir de 300 a.C. o nome Adonai passou
gradualmente a ser mais usado que o tetragrama até que o nome Javé tornou- -se
completamente impronunciável pelos judeus. Para evitar a vulgarização do nome e
para que a forma não fosse tomada em vão, eles pronunciavam por reverência
’ãdhonãy cada vez que encontravam o tetragrama no texto sagrado, na leitura da
sina goga. Na Idade Média, os rabinos inseriram no tetragrama as vogais de
adhonay (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p. 347).
As
vogais de 'H S ( adõnãy) são ( , = « ) ; ( = o) e (., = ã). Elas foram
inseridas no tetragrama sagrado, resultando na seguinte forma: nin O resultado
disso é a pronúncia "YeHoWaH". Mas os judeus ainda hoje pronunciam
"Adonai" para lembrar na leitura bíblica na sinagoga que esse nome é
inefável. Esse enxerto no tetragrama resultou no nome híbrido YEHOWAH, que a
partir de 1520 os reformadores difundiram como "Jeová". A forma
híbrida "Jeová" não é bíblica, mas foi assim que o nome passou para a
cultura ocidental; aos poucos, contudo, esse nome vem sendo substituído pela
forma Iavé ou Javé.
Os
nomes Adonai e Javé são tão sagrados para os judeus que eles evitam
pronunciá-los na rua ou no cotidiano. O segundo nem mesmo nas sinagogas é
pronunciado, e no dia a dia eles chamam Deus de há-shêm,62"o Nome"
(Lv 24.11, TB; 2 Sm 6.2).
Nos
manuscritos da Septuaginta, encontramos kyrios,63"dono, senhor, o
Senhor" (BALZ & SCHNEIDER, 2001, vol. I, p. 2437), no lugar de
’ãdõnã(y) e yhvh. Alguns fragmentos gregos de origem judaica apresentam o
tetragrama, mas outros usam kyrios. Isso não é novidade. Jerônimo (347-420)
"conhece a prática de, em manuscritos gregos, inserir o nome de Deus
(Yahweh) com ca racteres hebraicos" (WÜRTHWEIN, 2013, p. 262). A
Septuaginta, como tradução, foi submetida a revisões e recensões e, por isso,
até hoje ninguém sabe qual foi exatamente o texto original ou o que foi
alterado no transcorrer dos séculos. Uns afirmam que o nome kyrios é original:
"Assim, no contexto de uma revisão arcaizante e hebraizante, o tetragrama
parece ter sido inserido na tradução antiga no lugar de Kyrios" (op. cit.,
p. 262). Mas, para outros, é de origem cristã ou teria vindo dos judeus. O
certo é que ambos foram usados desde a origem da tradução.
O QUE SIGNIFICA TOMAR O NOME DE DEUS EM
VÃO?
Há
diversas interpretações sobre o terceiro mandamento do Decálogo. Tomar o nome
de Deus em vão, em hebraico, lashshãw‘,64"em vão" (êx 20.7; Dt 5.11),
fala sobre a honra e a santificação do nome de Deus. O termo shaw ‘ aparece 52
vezes no Antigo Testamento e seu significado é vasto: "fraude, engano,
inutilidade, inútil, imprestável, falsidade, desonestidade, futilidade,
vacuidade". Seguem alguns exemplos: sem valor, "trazer ofertas vãs”
(Is 1.13, ARA); sem resultado, "De nada adiantou castigar" (Jr2.30,
NVI); palavras vazias, falsas, "confiam na vaidade" (Is 59.4) ou
"confiam no que é nulo" (AR A); informação falsa, falsa testemunha
(Êx 23.1; Dt 5.20); além de "vaidade" ür 18.15), usado em relação aos
ídolos.
Alguns
expositores afirmam que o significado original dessa palavra era a magia:
"É possível de se imaginar que também em Israel houve épocas de propensão
a fazer uso do nome de Javé para fins de práticas obscuras e nocivas à
comunidade" (RAD, 2006, p. 181). No entanto, parece que o cerne deste
mandamento é proibir o costume de juramento falso, pois o verdadeiro jura
mento se fazia mediante a invocação do nome de Deus (Lv 19.12). Era uma
necessidade imperiosa que todos falassem a verdade, como o dever de cada um
honrar o compromisso assumido com os homens e diante de Deus.
É
dever de todos cumprir os votos feitos a Deus; a lei é clara sobre essa
responsabilidade (Nm 30.2; Dt 23.21). Essa exigência divina se faz necessária
por causa da inclinação humana à men tira. Era grande a falsidade no
relacionamento entre familiares e amigos. Ninguém podia confiar em ninguém, já
que a falta de sinceridade era a marca do povo. Não era uma questão de desvio
ocasional, mas de estilo de vida (Jr 9.2-5). Uma sociedade não pode viver numa
decadência dessa; a vida se torna insuportável.
Mas as
autoridades religiosas de Israel classificaram os jura mentos em duas
categorias: os que podiam ser descumpridos e os que não podiam. Há uma lista
deles em Mateus 5.33-37; 23.16- 22. O Senhor Jesus reprovou com veemência essa
violação dos escribas e fariseus. A interpretação rabínica da época permitia
violar o terceiro mandamento e fazer de conta que ele não havia sido violado.
O
terceiro mandamento é um apelo à santificação do nome de Deus. Na oração
"Pai Nosso", Jesus nos ensinou a abrir a oração santificando o nome
de Deus: "Santificado seja o teu nome (Mt 6.9). Isso nada tem que ver com
a pronúncia do nome Javé. Os teólogos das testemunhas de Jeová estão
equivocados ao defenderem a doutrina da vindicação do nome Jeová, pois o
tetragrama nem mesmo aparece no texto grego do Novo Testamento. Deus é
absolutamente santo, sua santidade é infinita e inigualável; ele é santo em si
mesmo, em sua essência e natureza. Assim, as palavras de Jesus estão
fundamentadas no Antigo Testamento (Sl 30.4; 97.12; 111.9; Is 29.23; Ez 36.20-23).
Tal atributo é a característica prima de Javé, e isso expressava o pensamento
do povo. O mandamento não visa tornar o nome de Deus santo, pois ele já é
santo, mas significa reconhecer e reverenciar a Deus pelo que ele é. Não se
trata de uma petição para que o povo em geral reconheça isso, mas para que
expresse a reverência que a sua santidade exige (Lv 11.44; 19.2; 20.7; 1 Pe 1.16).
Os dez mandamentos Esequias
soares





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