
Texto Áureo
“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória,
vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação.” (Ef 1.17)
VERDADE PRÁTICA
A vocação do crente inclui a herança de preciosas riquezas
conferidas aos eleitos pela grandeza do poder de Deus.
CAPÍTULO 4
ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL DO CRENTE
“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus
Cristo, o Pai
da glória, vos dê em seu conhecimento o
espírito de
sabedoria e de revelação”
(Ef 1.17).
Ao término da maravilhosa
doxologia presente na perícope 1.3-14, onde Deus é profundamente louvado por
todas as bênçãos espirituais concedidas em Cristo, Paulo dá início à outra
longa sentença que pode ser assim dividida: ação de graças (Ef 1.15-16); oração
intercessória (1.17-19) e confissão de louvor e exaltação (1.20-23). A
doxologia dos versos 1.3-14 foi escrita em tom mais contemplativo, mas agora a
escrita do apóstolo torna-se mais pessoal. Ele passa a agradecer a Deus pela fé
e o amor na vida dos seus leitores e a orar por eles para que sejam iluminados
a fim de compreender a dimensão da chamada e herança divina, bem como entender
a grandeza do poder de nosso Deus (1.18-19).
Após registrar a sua alegria
e gratidão pelas boas notícias das quais estava informado acerca deles (1.15),
o apóstolo demonstra sincera preocupação com o crescimento e amadurecimento
espiritual dos seus destinatários. Esse sentimento é característico de Paulo em
relação aos seus filhos na fé. Aos Gálatas, ele escreveu que sentia dores de
parto, até que Cristo fosse formado na vida dos fiéis (Gl 4.19). Essa postura
deve nortear a vida da Igreja hodierna: não devemos apenas agradecer pelos que
estão sendo salvos, mas também interceder para que todos alcancem a estatura de
Cristo e perseverem na fé até o fim.
O Comentário Bíblico Pentecostal afirma que,
nesse contexto, a expressão “lembrando-me de vós” significa “pedindo em seu
nome”, sendo esse o sentido da intercessão, ou seja, pedir em favor de outro. A
tradução literal, “fazendo menção de vós”, sugere que, na sua intercessão,
Paulo trouxe realmente os seus leitores à presença de Deus mencionando os seus
nomes. Desse modo, aprendemos aqui a importância, a necessidade e o propósito
da oração intercessória.
I. A ESPERANÇA
DA VOCAÇÃO E AS RIQUEZAS DA GLÓRIA
1. Ação de graças e intercessão
Como já afirmado, o apóstolo
rende graças a Deus pela vida dos santos (Ef 1.15-16) e por todas as bênçãos
espirituais recebidas, tais como a eleição, a filiação e o dom do Espírito
Santo (1.3-14). Paulo tinha recebido informações acerca da genuína conversão e
do bom testemunho dos cristãos na região da Ásia Menor: “Pelo que, ouvindo eu
também a fé que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com todos os
santos” (1.15). Provavelmente, Epafras ou Tíquico tinham sido os portadores de
tão alvissareira notícia.
O versículo chama atenção
para as expressões “fé em Jesus” e “amor para com os santos”, que formam um
exato paralelo com Colossenses 1.4. Stott avalia que “todo cristão crê quando
ama. A fé e o amor são graças cristãs básicas, como também é a esperança [...].
É impossível estar em Cristo e não se achar atraído tanto a Ele na fé como ao
seu povo em amor”.80 Nesse mesmo entendimento, Russell Shedd expressa: “É
impossível separar a fé e o amor, pois esse versículo nos mostra que eles são
dois lados da mesma moeda. Quem se compromete com Cristo, compromete-se com os
seus irmãos e com o mundo perdido”.
Imediatamente após a nota de
gratidão e adoração a Deus pela vida dos eleitos, Paulo intercede ao Pai da glória
para que seja concedido aos seus leitores “o espírito de sabedoria e de
revelação” (1.17). O vocábulo espírito é usado por Paulo com significados
distintos. Por isso, para evitar equívocos de interpretação, é preciso observar
que, “com o artigo, na maioria das vezes a palavra indica a pessoa do Espírito
Santo; ao passo que, sem ele, indica alguma manifestação ou concessão especial
do Espírito Santo”.82 Nesse caso, devemos entender “espírito de sabedoria e de
revelação” como um dom do Espírito Santo capaz de tornar alguém sábio para
compreender o plano divino revelado. Nessa questão, o Comentário Bíblico
Pentecostal do Novo Testamento confirma que “um espírito de sabedoria e
revelação somente poderia ser concedido através dEle, que é pessoalmente o espírito
da sabedoria e da revelação”.
Paulo era consciente dessa verdade e, por
conseguinte, da impossibilidade de alguém perceber a glória dessas boas novas
se elas não fossem ensinadas por Deus (1 Co 2.14-15). Desse modo, a compreensão
da “esperança da sua vocação” (1.18b), “as riquezas da glória da sua herança”
(1.18c) e a “grandeza do poder de Deus” (1.19) não são possíveis separadamente
do Espírito Santo, sobre quem Isaías descreve como: “o Espírito de sabedoria e
de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de
conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.2, ARA).
2. A esperança da vocação
Na sequência da intercessão,
o apóstolo ratifica a necessidade de os cristãos na Ásia Menor terem
“iluminados os olhos do vosso entendimento” (1.18a). A expressão tem paralelo
ao versículo anterior referente ao espírito de sabedoria e de revelação.
Segundo Beacon, trata-se de outro meio de descrever o dom, que resulta em
“iluminação interior”. Ter os olhos iluminados implica em ver melhor, ter um conhecimento
mais claro das bênçãos divinamente recebidas. Também inclui uma compreensão
plena, não somente clareza intelectual, mas também a clareza espiritual e
experimental.
O vocábulo “entendimento” é a
tradução do grego kardia (coração). Na linguagem bíblica, o coração não se
refere meramente às emoções ou à vontade, mas também ao centro de toda a
personalidade. Para os judeus, “o coração era o núcleo da personalidade, a
pessoa interior completa, o centro do pensamento e do julgamento moral”. Isso
denota que a compreensão do chamamento divino não pode ser superficial e que,
por conseguinte, o cristão não deve viver uma espiritualidade mediana, mas ser
transformado pela renovação do entendimento, devendo experimentar sempre “qual
seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2b).
Nesse sentido, Paulo
intercede para que o Espírito Santo ilumine os crentes a fim de saberem “qual
seja a esperança da vocação” (1.18b); em outras palavras, para que fossem
capazes de experimentar e conhecer profunda e espiritualmente os privilégios de
serem vocacionados. Essa esperança e essa chamada têm uma dimensão passada,
presente e futura e está centrada em Cristo: a) Deus chamou a Igreja no passado
(ver 2 Tm 1.9). Essa chamada foi iniciativa de Deus e deu-se a partir da
eleição da qual fazemos parte (1.3-14); b) a chamada abrange serviço e
santificação no presente (ver Fp 3.13,14). Inclui ser irrepreensível, viver em
comunhão e andar de modo digno (1.4; 2.11-18; 4.1); c) a participação gloriosa
no futuro (5.27), que compreende a vida eterna e a esperança de conhecer Deus
face a face (1 Co 13.12).
Nesse aspecto, pode-se afirmar que “existe
esperança nessa vocação”. Consiste na firme convicção e absoluta confiança em
Cristo de que cada uma das suas promessas será cabalmente cumprida. Essa
compreensão conduz o crente a uma entrega total, obediência irrestrita e
verdadeira fidelidade a Cristo durante todos os dias da caminhada cristã.
Aleluia!
3. As riquezas da glória da sua herança
O apóstolo insere na oração o
pedido para que os crentes também entendessem “as riquezas da glória da sua
herança” (Ef 1.18c). A expressão “sua herança” enfatiza tudo o que está
prometido e assegurado por Deus aos seus eleitos (Cl 1.12). Alguns
comentaristas sugerem que se refere à herança que Deus possui entre o seu povo,
mas o texto correlato em Colossenses 1.12 (“dando graças ao Pai, que nos fez
idôneos para participar da herança dos santos na luz") sinaliza outra
interpretação; ou seja, a herança de Deus refere-se aquilo que Ele planejou
conceder aos fiéis.
Nesse pressuposto, a herança abrange as muitas
"riquezas da glória". Refere-se, então, às maravilhosas bênçãos que
acompanham o plano da salvação. Aquelas que já usufruímos, tais como o perdão,
a adoção de filhos, o selo do Espírito Santo e as que serão desfrutadas no
porvir (Cl 1.27; 1 Pe 1.4-5). Em relação àquelas que ainda aguardamos, Paulo
assevera que está muito além de nossa capacidade de imaginar e ainda sobrepuja
nossas maiores expectativas. São coisas que o olho não viu e o ouvido não ouviu
e sequer "subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que
o amam" (1 Co 2.9).
Também Pedro, ao dissertar
acerca de nossa herança celestial, apresenta uma terminologia farta de
profundos significados, a saber, "unia herança incorruptível,
incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus" (1 Pe 1.4).
Aleluia! Quantas riquezas! Quanta glória! Não é possível mensurar o seu valor,
e nosso escasso e finito vocabulário não consegue descrever.
Porque fomos adotados como
filhos, logo passamos a ser herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm 8.17).
O selo do Espírito Santo é o penhor dessa herança (1.14). No tempo presente, já
desfrutamos parte dela e, finalmente e em definitivo, pela sua graça, todos os
salvos tomarão posse da herança preparada desde a fundação do mundo (Mt 25.34).
II. A SOBREEXCELENTE GRANDEZA
E FORÇA DO PODER DIVINO
1. Sobreexcelente grandeza do seu poder
Paulo também intercede para
que os salvos possam entender a "sobre-excelente grandeza do [poder de
Deus] sobre nós" (1.19a). Aqui, o apóstolo faz uso de pleonasmo
(redundância de termos e excesso de palavras) com o propósito de conferir maior
vigor ao que está sendo expresso. Trata-se de um artifício linguístico
empregado por Paulo na tentativa de descrever o imensurável poder de Deus. A
palavra "sobre-excelente" é tradução do grego uperballõ, q., na forma
adjetivada, significa "supremacia ou extraordinário" (2 Co 4.7).
Segundo Roger Stronstad, "somente Paulo faz uso dessa palavra em todo o
Novo Testamento (cf. 2.7, 3.19) e reflete seu desejo, quase irrealizado, de
manifestar através das palavras a inexprimível grandeza do poder de Deus".
Outra expressão utilizada é megethos
(grandeza), que objetiva especificamente enaltecer a magnitude do poder de Deus
que a tudo sobrepuja (Mt 26.64). O próximo termo na construção da frase é
dunamis, aqui traduzido por "poder". Essa palavra grega originou os
termos "dinâmico", "dínamo" e "dinamite" e
representa a potência desse poder, apontando para os feitos miraculosos que
requerem força fora de medida (ver At 8.13).
A repetição desses termos
enfatize que apenas o maior de todos os poderes é capaz de realizar a
transformação e a salvação na vida do homem (2 Pe 1.4). Salienta que somente um
poder tão grande assim pode operar e concretizar as bênçãos inclusas na
"esperança da vocação" dos eleitos e as "riquezas da
herança" prometida aos crentes (Ef 1.18).
Convém ressaltar que essa
afirmação não implica em assegurar a salvação independentemente do que façamos
de errado . Ao contrário, sinaliza que a
fé dos eleitos na suficiência do poder de Deus é absolutamente necessária para
uma caminhada de fidelidade e firmeza, tomando todo o "cuidado até ao fim,
para completa certeza da esperança" (Hb 6.11).
2. A força do poder divino
Nessa sentença "segundo a operação da
força do seu poder" (Ef 1.19b), o apóstolo faz uso de três vocábulos
gregos concordes entre si: "operação, força e poder". A palavra
"operação" é tradução do grego energeia (em português, "energia"),
que também significa "eficácia" e q. sinaliza "poder em
atividade" (Cl 129). A segunda expressão é "força", que vem do
termo grego kratos com a ideia de "intensidade". Denota poder como
força magistral - aquele que vence as resistências. Refere-se "aquele
tributo distintivo da natureza divina tão louvado nas doxologias do Novo
Testamento (1 Tm 6.16; 1 Pe 4.11; 5.11; Jd 25; Ap 1.6; 5.13)"... O
terceiro termo grego aqui empregado é "ischus", que indica o
"poder inerente" de Deus (Jo 1.12; 2 Pe 2.11). Stronstad faz analogia
ao "poder do braço de um homem; poder que está disponível sempre que for
necessário".. O uso reiterado desses sinônimos indica a plenitude do poder
de Deus. Esse incomensurável poder realiza qualquer coisa, tudo o que lhe
apraz. Está acima de tudo e de todos e não depende de nada, nem de ninguém.
Em síntese, todo esse esforço
gramatical do apóstolo visa deixar claro aos seus leitores a supremacia do
poder de Deus. Acontece que muitos desses novos cristãos vieram do paganismo e
da prática das artes mágicas (At 19.9). Desse modo, existia a probabilidade de
que alguns dos conversos ainda vivessem com temor de tais poderes das trevas.
Essa ideia recebe reforços quando, mais adiante, Paulo afirma que o nome de
Cristo está muito acima de quaisquer outros poderes (Ef 121), tema que
abordaremos com mais detalhes nas páginas seguintes.
De fato, a associação desses conceitos
assinala que o potencial poder de Deus, inerente à natureza divina, opera em
favor daqueles que creem. Após essa impressionante e insistente descrição,
Paulo apresenta três exemplos irrefutáveis da força desse poder: (1) a
ressurreição de Cristo, (2) a sua ascensão à direita de Deus nos céus (120) e
(3) a sua elevação acima de todo o domínio (121-22). No ponto a seguir, veremos
a demonstração desse incalculável poder.
III. CRISTO: NOSSO EXEMPLO DE EXALTAÇÃO
1. Cristo, as primícias dos que dormem
Paulo enfatiza que a primeira grande evidência
do poder de Deus manifestou-se em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos (ver
Ef 120a). Verdadeiramente, o Novo Testamento descreve a ressurreição de Cristo
como obra do poder de Deus Pai. No discurso de Pedro no dia de Pentecostes, o
apóstolo da circuncisão afirmou acerca de Cristo: "Deus o ressuscitou dos
mortos, rompendo os laços da morte" (At 2.24, NVI) e acrescentou à
mensagem o testemunho ocular dos demais discípulos: "Deus ressuscitou a
este Jesus, do que todos nós somos testemunhas" (At 2.32). Tempos depois,
por ocasião da cura do coxo de nascença, Pedro declarou, diante do povo
maravilhado, que o poder de Deus ressuscitara a seu Filho Jesus (ver At 3.26).
E, quando da segunda viagem missionária, no Areópago em Atenas, Paulo descreveu
o poder de Deus aos atenienses dizendo: "E [Deus] deu provas disso a
todos, ressuscitando-o [Cristo] dentre os mortos" (At 17.31, NVI).
O túmulo vazio testemunhado
pelas mulheres (Mt 28.6,11), presenciado pelos soldados da guarda do sepulcro
(Mt 28.11) e constatado por Pedro e João (Jo 20.3-8), bem como o aparecimento a
Saulo de Tarso, e a Tiago, e ainda a mais de 500 pessoas (1 Co 15.5-8) eram
provas irrefutáveis tanto do poder de Deus como do evento da ressurreição. Anos
depois, ao escrever aos Coríntios, Paulo precisou combater a heresia daqueles
que não criam na ressurreição dos mortos (1 Co 12). A reprimenda do apóstolo e
o argumento utilizado demonstram que a morte e a ressurreição de Cristo são a
viga mestra e o pilar da fé cristã, pois, "se Cristo não ressuscitou, logo
é vã a nossa pregação" (1 Co 15.13-14).
A ressurreição de Cristo não
é meramente a recuperação da fé de amedrontados discípulos diante da
crucificação do seu líder ou, simplesmente, o Kérigma. da Igreja anunciando a
vitória do Messias sobre a morte. A ressurreição de Jesus é um evento
histórico. Ela foi real e corporal (física), conforme profetizado no Antigo
Testamento (SI 16.8-10) e previamente anunciada pelo próprio Senhor Jesus
Cristo (Jo 220-22). Ao contrário daqueles que a consideram um mito, a
ressurreição de Cristo é doutrina elementar na Bíblia Sagrada (1 Co 15.3-4),
sendo mencionada 104 vezes no Novo Testamentos.]
Por conseguinte, segundo as Escrituras, ao
ressurgir dentre os mortos, Cristo foi feito as primícias dos que dormem (1 Co
15.20-22). Isso significa que Cristo foi o primeiro a ressuscitar e permanecer
vivo. No registro das outras ressurreições, as pessoas tornaram a morrer. Isso
indica que, a começar por Cristo, muitos outros desfrutarão dessa dádiva. Essa
é a mesma ideia presente em Colossenses 1.18: "[Cristo] é o princípio e o
primogênito dentre os mortos".
Quanto à abrangência dessa
declaração, John Stott escreveu que Deus "levantou Jesus para uma vida
totalmente nova (imortal, gloriosa e livre), que ninguém experimentara antes, e
que ninguém experimentou depois, pelo menos por enquanto".. A ressurreição
de Jesus, portanto, é a garantia de que igualmente seremos ressuscitados (1 Ts
4.14). De sorte que o mesmo poder que ressuscitou a Cristo está disponível
também aos salvos (ver Ef 2.6).
Desse modo, os crentes em
Cristo vencerão a morte e erguer-se-ão gloriosamente dos seus sepulcros para
reinarem eternamente com Cristo (..lo 5.2829; Fp 32021). E, por ocasião do
ressoar da trombeta de Deus (1 Ts 4.16), aqueles que ainda estiverem vivos por
ocasião da sua vinda serão arrebatados para juntamente com os ressuscitados
encontrar a Cristo "e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Ts
4.17). Nesse dia, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e todos serão
transformados e revestidos da imortalidade (1 Co 15.51-53). Então, cumprir-se-á
a palavra que está escrita: "Tragada foi a morte na vitória" (1 Co
15.54).
2. Cristo elevado à direita de Deus
Após chamar Cristo da
sepultura, Deus elevou-o para o trono "pondo-o à sua direita nos
céus" (Ef 1.20b). Aqui está em foco a ascensão de Cristo como cumprimento
da promessa messiânica: "Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha
mão direita" (SI 110.1a). Estêvão, o primeiro mártir cristão, contemplou o
Cristo ressurreto à direita de Deus (At 7.56).
O grau de exaltação para essa
posição de honra e autoridade indica a completa vitória de Cristo sobre o
pecado e as forças do mal (Fp 2.9-11; Cl 2.15). Acerca da simbologia da
expressão "pondo-o à sua direita nos céus" e da sublimidade dessa
posição, o Comentário Bíblico Beacon descreve o seguinte:
O assento à direita de um rei oriental sempre era
reservado para o primeiro-ministro ou chefe de governo, simbolizando não só
honra e dignidade, mas também poder delegado. No caso de Cristo, significa que
Ele foi investido com o senhorio soberano e o domínio universal. Nos lugares
celestiais, seria nas regiões onde Deus está em ação.
Assim, a entronização de
Cristo ao lugar de maior honra sinaliza talo o seu poderio e faz lembrar as
suas palavras após a ressurreição: "É-me dado todo o poder no céu e na
terra" (Mt 28.18) e ainda nos remete, outra vez, ao Salmo messiânico que
diz: "o Senhor estenderá o cetro de teu poder desde São, e dominarás sobre
os teus inimigos!" (SI 110.2, NVI). Stronstad recorda o autor aos Hebreus
quando explica que: "embora ainda não vejamos todas as coisas subjugadas a
Ele, ainda assim vemos a Jesus coroado de glória e de honra" (Hb 2.8,9).
A vitória de Cristo sobre a
morte e as trevas também está assegurada aos salvos (1 Co 15.55-57) e endossa
nossa participação no reino celestial conforme indica a expressão "[...]
nos fez assentar nos lugares celestiais" (Ef 2.6). Significa que esse
acontecimento confere aos remidos a esperança de reinarem com Cristo para talo
o sempre (Ap 22.5). Stott anota q. "nossa identificação com Cristo na sua
ressurreição e exaltação não é um item de misticismo cristão sem sentido. É o
testemunho a uma experiência viva, de que Cristo nos deu, por um lado, uma vida
nova [...] e, por outro, uma vida de vitória"95 Assim, a ressurreição, a
ascensão e o reinado de Cristo são obras do poder do Pai que estão disponíveis
à sua Igreja.
3. Cristo exaltado sobremaneira
Nesse ponto, Paulo sanciona
que o poder de Deus exaltou Cristo "acima de todo o principado, e poder, e
potestade, e domínio" (Ef 121a). Essa declaração faz analogia com o texto
messiânico em que todos os inimigos estariam sobre o estrado dos pés de Cristo
(SI 110. lb). Nesse sentido, a primeira parte dessa sentença indica que Cristo
foi exaltado acima de todas as forças do mal (principado, poder, potestade e domínio),
e a segunda parte onde se lê acima "de todo o nome que se nomeia" (Ef
1.21b) deve induir também "os anjos e qualquer outro ser inteligente que
se possa conceber, sobre os quais Jesus reina com supremacia absoluta"..
Isso signo que Cristo foi
exaltado acima de toda eminência do bem e do mal e de todo título que se possa
conferir nessa era e também no porvir. Não existe poder algum que seja maior e
nem mesmo igual ao poder de Cristo. Deus exaltou-o sobremaneira tendo sido
"nomeado como o soberano acima de todas as coisas, isto é, o chefe supremo
da criação, a manifestação final do que nos espera no futuro (cf. 1.10)".
Mais adiante, a fim de não restar dúvidas,
Paulo atesta o cumprimento das profecias messiânicas na pessoa de Jesus (SI
8.6; 110.1) ao declarar que Deus sujeitou todas as coisas aos pés de Cristo
(ver 1.22a). Esse versículo é novamente utilizado por Paulo na primeira
Epístola aos Coríntios. Nessa referência, o apóstolo enfatize que o Soberano
delegou ao Filho o poder que lhe trouxe a sujeição de tudo para que Deus, o
Pai, seja tudo em todos (1 Co 1527,28).
O resultado efetivo da
exaltação do Messias traz duplo benefício para a Igreja: primeiro, que Deus fez
Cristo cabeça tanto do Universo como da Igreja (1.22). E, segundo, que Deus designou
a Igreja para ser a expressão plena de Cristo (123). Nas palavras de
Hendriksen, o poder de Deus manifestado em Cristo não está adormecido, mas
"está sendo utilizado no governo do universo no interesse da Igreja".
Quer dizer que nenhum poder pode prevalecer
contra a Igreja (Mt 16.18).
Diante dessas verdades espirituais, em que o
Senhor de tudo foi dado como Cabeça da Igreja, não há razão para os salvos
temerem a oposição do homem ou das forças do mal. Aliás, mais para frente, o
apóstolo vai convocar os fiéis "fortalecidos no Senhor e na força do seu
poder" para enfrentar e vencer as astutas ciladas do diabo (6.10-12).
Mercê do conjunto dessas revelações, o Comentário de Aplicação Pessoal assevera
que "Cristo não tem igual ou rival. Ele é superior a todos os outros
seres. Estas palavras devem encorajar os crentes , porque, quanto mais alta a
honra de Cristo, que é a Cabeça, mais alta a honra de seu povo.
A igreja eleita
DOUGLAS ROBERTO DE ALMEIDA BAPTISTA
Comentário Bíblico Efésios
6.
PRIMEIRA ORAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO
—1.15-23
Nesses versículos, Paulo, com coração devoto,
lembrando-se de seus leitores, orando e agradecendo a Deus por eles, numa
demonstração do seu espírito altruísta e intercessório, ensina-nos uma grande
lição. Nos versos 3 a 14 do mesmo capítulo, nossa posição em Cristo é
assegurada pelas três bênçãos principais que emanam de Deus: fomos eleitos em
Cristo para sermos santos e irrepreensíveis; fomos remidos pelo seu sangue; e
fomos selados com o Espírito Santo até o dia em que corpo, alma e espírito
sejam plenamente livres para o gozo eterno.
Depois que Paulo mostrou
essas três bênçãos divinas, orou pelos efésios, impelido pelo grande amor que
tinha para com aqueles irmãos na fé. Orou pelo crescimento espiritual da igreja
e, no verso 16, disse ainda: "Não cesso de dar graças a Deus por
vós".
6.1. Dois aspectos da vida de oração de Paulo — v. 16
Dois aspectos da vida de
oração do apóstolo são destacados no versículo 16. Em primeiro lugar, sua
constância na oração e o contínuo apelo aos crentes para que orassem sem cessar
(Rm 12.12; Ef 5.18; Cl 4.2; 1 Ts 5.17). O segundo aspecto de sua oração está no
agradecimento. Ele ensinou à igreja que a intercessão deve estar acompanhada de
louvores ao Senhor (Ef 5.19; Fp 4.6; Cl 3.15-17; 4.2; 1 Ts 5.18).
6.2. A oração de intercessão pelos crentes de Éfeso —
v. 16
A intercessão na oração é
eficaz em seus resultados e denota um espírito altruísta e desprendido de si
mesmo. Paulo preocupava-se constantemente com o nível espiritual dos crentes em
Éfeso, por isso, mesmo estando numa prisão em Roma, intercedia por aqueles
irmãos.
6.3. Três pedidos especiais na oração do apóstolo —
vv. 17,18
A oração do "apóstolo
das gentes" teve três pedidos especiais para os crentes da igreja em
Éfeso. Ele começa com as palavras [que Ele] vos dê" (v. 17) e apresenta a
seguir os três pedidos. Primeiro, "o espírito de sabedoria". Segundo,
"[o espírito] de revelação". Terceiro, que lhes fossem "iluminados
os olhos do... entendimento".
6.3.1. O primeiro pedido: "Para que... vos dê... o espírito de
sabedoria" (v. 17) A palavra "espírito" nesse versículo
refere-se ao espírito humano, não a outro espírito (Rm 1.9; 2 Co 7.13; Ef 4.23;
Cl 1.9). Entretanto, entendemos que é o Espírito Santo quem opera no próprio
espírito do crente. O pedido de Paulo para que Deus desse "o espírito de
sabedoria e de revelação" refere-se à experiência cristã vivida pelos
efésios, por isso desejava que tal experiência fosse fortalecida na fé. Que
sabedoria era essa? A sabedoria espiritual, a fim de que tivessem pleno
conhecimento da verdade divina, e ainda uma visão clara e racional do
significado da vida cristã. "O espírito de sabedoria" é dado pelo
Espírito Santo que habita no interior do crente em Cristo e contrasta com a
simples sabedoria humana. Ter o "espírito de sabedoria" é ter
conhecimento de Deus. E penetrar nos seus tesouros imensuráveis. No capítulo
12.8 da Primeira Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo, quando fala acerca dos
dons do Espírito, apresenta, entre os demais dons, aquele que ele denomina de
"dom de sabedoria". Sem dúvida, quando ele ora em favor dos efésios,
pede que Deus lhes dê esse dom, que habilita o crente a saber viver uma vida
cristã vitoriosa, podendo distinguir todos os valores espirituais. Ter o
"espírito de sabedoria" é ter a ação do Espírito Santo aclarando os
mistérios espirituais através da mente; é ter luz sobre a glória do Cristo
ressurreto; é a capacitação para saber distinguir entre o bem e o mal; é o poder
para conhecer a Jesus Cristo na Bíblia e, automaticamente, conhecer a Deus.
6.3.2. O segundo pedido é para que
tenham "o espírito de
revelação" (v. 17) O sentido da palavra "revelação" indica a
importância do pedido de Paulo em favor dos efésios. Revelação significa tirar
o véu sobre alguma coisa obscura ou escondida. É ter uma revelação espiritual,
isto é, uma visão espiritual dos valores espirituais. É a visão que penetra no
conhecimento de Deus. Há um conhecimento inacessível ao homem natural — o
conhecimento das coisas divinas: só pelo "espírito de revelação" será
possível conhecer essas coisas. O "espírito de revelacão" é dado pelo
Espírito Santo. Não significa uma nova revelação além daquilo que já está
revelado nas Escrituras, mas diz respeito a uma iluminação da parte do Espírito
Santo no espírito do crente para que ele possa ver claro as verdades
espirituais. Não significa aquela iluminação natural e gradual que pode
acontecer com o estudante da Palavra de Deus, mas importa num conhecimento
pleno e profundo dos mistérios espirituais escondidos na Bíblia Sagrada.
6.3.3. O terceiro pedido nessa oração
está no verso 18, que diz:
"Tendo os olhos iluminados do vosso entendimento..." A sabedoria
divina só poderá ser vista por "olhos iluminados", que não são olhos
naturais, mas "os olhos do vosso entendimento".
6.4. Três
possibilidades expressas na oração — v. 18
A expressão "tendo os olhos iluminados do
entendimento" fornece três possibilidades:
6.4.1. Primeira
O entendimento iluminado, que
nos possibilita compreender os motivos de nossa separação do mundo. Fomos
salvos para servir a Deus aqui na terra e desfrutarmos a herança com Cristo na
eternidade. Enquanto se está em trevas, todas as coisas espirituais são
obscuras, mas quando Cristo entra em nós, o Espírito Santo desfaz as trevas e
nos dá uma nova visão, uma nova compreensão. E quando temos condições de, com o
entendimento iluminado, notar a diferença entre o salvo e o perdido. Em algumas
versões temos uma variante textual que, ao invés de "entendimento"
aparece a palavra "coração", ou seja, "tendo iluminados os olhos
do vosso coração". O texto correto encontrado em todos os manuscritos
iniciais realmente é "coração", cujo sentido pode ser também tomado
por "entendimento". Certamente algum escriba, ao copiar o texto
original, preferiu a segunda opção. A iluminação do coração, ou do
entendimento, não é a simples descoberta ou acuidade intelectual, mas é a ação
do Espírito Santo fazendo penetrar sua luz radiante sobre as grandes verdades
divinas. Aquilo que a mente natural não pode perceber, a alma pode ter olhos
que vejam, mediante o Espírito Santo.
6.4.2. Segunda
A capacidade de olhar para as
riquezas de sua glória com olhos espirituais. Essa glória é o reflexo do
caráter de Cristo revelado na obra expiatória e conhecida na sua glorificação.
E a glória da herança que o Pai Celestial tem para nós (Jo 17.24).
6.4.3. Terceira Tendo "os olhos iluminados" do nosso interior,
poderemos ver a "suprema grandeza do seu poder" (v. 19). Ora, depois
de termos uma visão da glória de Cristo e estarmos conscientizados de nossa
vocação celestial, precisaremos ainda de poder. Essa experiência ocorre
"segundo a operação da força do seu poder" (v. 19). Que poder é esse?
Ele se manifesta pela vontade do Espírito Santo. É a capacitação dada pelo
Espírito para penetrarmos nas riquezas espirituais. Ninguém jamais poderá, por
capacidade intelectual ou apenas por desejo próprio, penetrar nessas riquezas
sem a obtenção desse poder. Esse poder nos fornece a chave dos tesouros divinos.
O poder que nos regenerou é o mesmo que nos habilita a viver uma vida de
vitória sobre o pecado.
6.5. As riquezas espirituais encontradas através da
oração — v. 19
No versículo 18 somos
possibilitados a conhecer essas riquezas da sua glória. Já o versículo 19
indica o conhecimento da "suprema grandeza do seu poder sobre nós".
Paulo nos dá a impressão de ter penetrado nas riquezas dos mistérios divinos e,
então, quando usa o vocábulo "suprema", nos leva para dentro desses
mistérios gloriosos. A palavra "suprema", traduzida do grego
huperballo, dá o sentido literal de ultrapassar, ir além, lançar além. Dentro
do contexto bíblico, a palavra fala daquilo que é extraordinário, ou fora de
medida ou incomensuravel. Isso indica que "as riquezas da glória da sua
herança" (v. 18) ou "a suprema grandeza do seu poder" são
incomensuráveis, isto é, não se podem medir pelos cálculos humanos. Tudo em
Deus é grandioso. Quando lemos o restante da passagem — "os que cremos,
segundo a operação da força do seu poder" (v. 19) —, entendemos, mais uma vez,
que a nossa participação nas riquezas da sua glória e do seu poder só é
possível mediante o ato divino em nosso favor. Esse poder, no grego dunamis,
significa energia, força, habilidade, mas no que se refere à "força do seu
poder" deve ser interpretado como o impulso que leva alguém a realizar
determinado trabalho. E o Espírito Santo quem nos possibilita, isto é, nos faz
entrar ou nos torna capazes de conhecer as riquezas da glória de Cristo.
6.6. Paulo exalta a Cristo na sua oração — vv. 20-23
Nos versos 20-23 temos a
exaltação de Cristo sobre todas as coisas. "Que manifestou em Cristo,
ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o à sua direita nos céus" (v. 20).
Esse versículo é a continuação do 19. Ele mostra que o mesmo poder que tirou a
Jesus Cristo do túmulo, ressuscitando-o dentre os mortos, é o poder que levanta
um pecador da morte espiritual e o coloca numa nova posição de comunhão com
Deus (Rm 8.11). O mesmo poder que abriu o mar Vermelho para que Israel passasse
a seco (Êx 14.15- 26) ressuscitou a Jesus dentre os mortos. Agora esse mesmo
poder está à nossa disposição, pois podemos usá-lo em nossa experiência diária.
6.6.7. Cristo acima de todos os poderes espirituais —
v. 21
"Acima de todo o
principado, e poder, e potestade e domínio". Esse trecho do verso 21
indica a supremacia do poder de Deus sobre todas as forças espirituais. As
designações "principado, poder, potestade e domínio" falam de camadas
angelicais puras, isto é, que servem a Deus, bem como das camadas angelicais
caídas (anjos caídos), os quais, tanto no céu como na terra, e debaixo da
terra, estão sob o poder de Deus (Fp 2.9-11; Cl 1.16-20). Todas essas forças
estão sujeitas ao poder de Cristo, pois a Ele foi dado esse poder e autoridade
(Mt 28.18; Ap 1.1,17,18).
6.6.2. Cristo acima de todo nome — v. 21
"... e de todo nome que se
nomeia, não só neste século, mas também no vindouro". Mais uma vez o poder
implica a autoridade maior e um nome maior (Fp 2.9), que lhe foi dado acima de
todo nome. As palavras "neste século e no vindouro" mostram que o seu
poder tem ação presente, isto é, no tempo e na eternidade.
6.6.3. Cristo acima de todas as coisas — v. 22
"E sujeitou todas as coisas a seus
pés". Tudo o que se move está sob o controle de Cristo. O próprio Pai
colocou tudo sob seu domínio (Sl 8.7;1 Co 15.27). A expressão mostra que Cristo
foi elevado a uma posição de poder absoluto. Sua autoridade, além de absoluta,
é universal.
6.6.4. Cristo como cabeça da Igreja — v. 22
"... e sobre todas as coisas o constituiu
cabeça da igreja". Sua autoridade é absoluta em relação à Igreja. Cristo,
o cabeça da Igreja, e não o papa da igreja romana, é quem ocupa essa posição. O
corpo da Igreja não está separado da cabeça. É a cabeça que comanda o corpo e
seus membros em particular.
6.6.5. Cristo
como o Senhor do seu corpo, a Igreja — v. 23
"... que é o seu corpo". O poder é
administrado por Cristo em favor da Igreja, que é o seu corpo. Cada crente,
devidamente ligado a esse corpo, recebe as bênçãos desse poder. E a união vital
e espiritual com Cristo que nos torna poderosos na vida cristã. A complementação
do verso diz: "... a plenitude daquele que cumpre tudo em todos". A
plenitude de Cristo representa toda a sua vida atuando sobre todo o seu corpo.
Cada crente (membro do corpo) é dinamizado por essa plenitude que envolve toda
a Igreja (todo o corpo). A Igreja é a plenitude de Cristo, porém, é Cristo quem
a enche e a torna plena com a sua glória e a sua presença. No capítulo 4.13 de
Efésios, o crente é convidado a crescer espiritualmente até que chegue "à
medida da estatura completa de Cristo". Em outras traduções, a expressão
aparece assim: "até que cheguem à estatura da sua plenitude".
6.6.6. Cristo, a plenitude do seu corpo, a Igreja — v.
23
"... que cumpre tudo em
todos". Nada do seu corpo fica fora do seu alcance. Cada membro, mesmo os
aparentemente mais insignificantes, recebe poder da mesma fonte que os demais.
Esse versículo mostra que Ele é fiel e "cumpre tudo". Os que estão
unidos a Ele por sua vida na Igreja podem ter a segurança de que receberão seu
poder.
Comentário Bíblico
Efésios - Elienai Cabral

COMENTÁRIO BÍBLICO
MOODY
C. A Primeira Oração de Paulo. 1:15-23.
A oração que se segue
baseia-se no parágrafo justamente concluso. Paulo pode orar dessa maneira
porque Deus fez todas essas coisas pelo crente, levando-o desde o Seu eterno
propósito na eternidade do passado até a consumação da redenção na eternidade
futura. Observe que, contrastando com a maioria das nossas orações, a
intercessão de Paulo foi primeiramente pelo bem-estar espiritual daqueles por
quem ele orava.
15. Eu também,
tendo ouvido a fé que há entre vós no
Senhor Jesus, e o amor para com todos os santos. Às vezes nos esquecemos que,
depois de salvas as pessoas, deveríamos orar com a mesma veemência que oramos
pela sua salvação. A fé e o amor desses crentes efésios eram um incentivo para
Paulo orar pelo seu continuado crescimento espiritual.
16. Não cesso de dar graças por vós. Por vós, isto é, graças a Deus pelo que Ele fizera
pelos efésios. Fazendo menção de vós nas minhas orações. Paulo não considerava
a oração como algo vago e indefinido. Ele se lembrava especificamente deles e
de suas necessidades diante de Deus.
17. Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo (cons. v.3), o Pai da glória. Isto é, o Pai
caracterizado pela glória. Vos conceda espírito de sabedoria e de revelação.
Provavelmente isto é objetivo; isto é, o Espírito Santo que dá sabedoria e
revelação. No pleno conhecimento dele. Esta expressão indica pleno conhecimento
experimental.
18. Iluminados os olhos do vosso coração. "O coração nas Escrituras é o próprio âmago e
centro da vida" (Alf).
Para saberdes. Só quando Deus nos ilumina é
que podemos realmente saber o que Ele quer que saibamos.
Qual é a esperança do seu
chamamento. Esperança nas Escrituras é a certeza absoluta do bem futuro.
A riqueza da glória da sua
herança nos santos. Compare com as "riquezas da sua graça" no
versículo 7 (cons. também Dt. 33: 3, 4).
19. A suprema grandeza do seu poder. As frases que se seguem acumulam palavras que
denotam todo o poder de Deus sobre nós.
20. O qual
exerceu ele em Cristo,
ressuscitando-o dentre os mortos. No V.T. o padrão para o poder de Deus é
freqüentemente o livramento do Egito, especialmente a travessia do Mar
Vermelho. Mas aqui está um padrão de poder muito maior. O próprio poder de Deus
que ressuscitou Cristo dos mortos está à nossa disposição, e podemos
experimentá-lo. Fazendo-o sentar à sua direita. Provavelmente as diversas
referências a Cristo assentado à direita de Deus, no N.T., tem sua origem no
Salmo 110. Nos lugares celestiais. Nesta segunda vez, das cinco em que foi
usada esta frase, o sentido é evidentemente local: o Senhor Jesus está literal
e corporalmente no céu.
21. Acima de todo principado ... e poder. Todo no sentido de "cada".
Diferentes palavras foram usadas no N.T. para as diversas categorias e espécies
de seres celestiais, para ambos, anjos santos e decaídos. Compare esta
exaltação de Cristo com Fp. 2:8-11. No presente século. Uma palavra que se
refere a tempo – nesta dispensação.
22. E pôs todas
as coisas debaixo dos seus pés. Novamente
a alusão é ao Sl. 110:1 (cons. também Sl. 8:6). Isto indica a última vitória
completa de Cristo. E, para ser o cabeça sobre todas (cons. Jo. 3:16). Esta é a
primeira menção, na epístola de Cristo como a Cabeça da Igreja, uma verdade que
será posteriormente desenvolvida de maneira mais completa (veja Introdução).
23. A qual é o seu corpo. Embora falemos disto como uma figura, é mais do que
isso. Indica a completa união ta Igreja com o Senhor Jesus, a absoluta
identificação dos crentes com ele (cons. I Co. 12: 12).
A plenitude.
Aquilo que está cheio. "Ela (a Igreja) é a contínua revelação de Sua vida
divina na forma humana" (JFB). Pode-se ver que a verdadeira oração inclui
uma abundância de louvor. Adoração de nosso maravilhoso Deus deveria ter a
precedência sobre nossas petições egoísticas e ego-centralizadas. Como nossas
vidas seriam diferentes se orássemos assim uns pelos outros continuamente!
Efésios
(Comentário Bíblico Moody)
Nenhum comentário:
Postar um comentário