terça-feira, 21 de abril de 2020

LIÇÃO 4 - A ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL DO CRENTE



Texto Áureo
“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação.” (Ef 1.17)

VERDADE PRÁTICA
A vocação do crente inclui a herança de preciosas riquezas conferidas aos eleitos pela grandeza do poder de Deus.


CAPÍTULO 4

ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL DO CRENTE

“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai
da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de
 sabedoria e de revelação”
(Ef 1.17).

Ao término da maravilhosa doxologia presente na perícope 1.3-14, onde Deus é profundamente louvado por todas as bênçãos espirituais concedidas em Cristo, Paulo dá início à outra longa sentença que pode ser assim dividida: ação de graças (Ef 1.15-16); oração intercessória (1.17-19) e confissão de louvor e exaltação (1.20-23). A doxologia dos versos 1.3-14 foi escrita em tom mais contemplativo, mas agora a escrita do apóstolo torna-se mais pessoal. Ele passa a agradecer a Deus pela fé e o amor na vida dos seus leitores e a orar por eles para que sejam iluminados a fim de compreender a dimensão da chamada e herança divina, bem como entender a grandeza do poder de nosso Deus (1.18-19).

Após registrar a sua alegria e gratidão pelas boas notícias das quais estava informado acerca deles (1.15), o apóstolo demonstra sincera preocupação com o crescimento e amadurecimento espiritual dos seus destinatários. Esse sentimento é característico de Paulo em relação aos seus filhos na fé. Aos Gálatas, ele escreveu que sentia dores de parto, até que Cristo fosse formado na vida dos fiéis (Gl 4.19). Essa postura deve nortear a vida da Igreja hodierna: não devemos apenas agradecer pelos que estão sendo salvos, mas também interceder para que todos alcancem a estatura de Cristo e perseverem na fé até o fim.
 O Comentário Bíblico Pentecostal afirma que, nesse contexto, a expressão “lembrando-me de vós” significa “pedindo em seu nome”, sendo esse o sentido da intercessão, ou seja, pedir em favor de outro. A tradução literal, “fazendo menção de vós”, sugere que, na sua intercessão, Paulo trouxe realmente os seus leitores à presença de Deus mencionando os seus nomes. Desse modo, aprendemos aqui a importância, a necessidade e o propósito da oração intercessória.

 I. A ESPERANÇA DA VOCAÇÃO E AS RIQUEZAS DA GLÓRIA

1. Ação de graças e intercessão

Como já afirmado, o apóstolo rende graças a Deus pela vida dos santos (Ef 1.15-16) e por todas as bênçãos espirituais recebidas, tais como a eleição, a filiação e o dom do Espírito Santo (1.3-14). Paulo tinha recebido informações acerca da genuína conversão e do bom testemunho dos cristãos na região da Ásia Menor: “Pelo que, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com todos os santos” (1.15). Provavelmente, Epafras ou Tíquico tinham sido os portadores de tão alvissareira notícia.

O versículo chama atenção para as expressões “fé em Jesus” e “amor para com os santos”, que formam um exato paralelo com Colossenses 1.4. Stott avalia que “todo cristão crê quando ama. A fé e o amor são graças cristãs básicas, como também é a esperança [...]. É impossível estar em Cristo e não se achar atraído tanto a Ele na fé como ao seu povo em amor”.80 Nesse mesmo entendimento, Russell Shedd expressa: “É impossível separar a fé e o amor, pois esse versículo nos mostra que eles são dois lados da mesma moeda. Quem se compromete com Cristo, compromete-se com os seus irmãos e com o mundo perdido”.

Imediatamente após a nota de gratidão e adoração a Deus pela vida dos eleitos, Paulo intercede ao Pai da glória para que seja concedido aos seus leitores “o espírito de sabedoria e de revelação” (1.17). O vocábulo espírito é usado por Paulo com significados distintos. Por isso, para evitar equívocos de interpretação, é preciso observar que, “com o artigo, na maioria das vezes a palavra indica a pessoa do Espírito Santo; ao passo que, sem ele, indica alguma manifestação ou concessão especial do Espírito Santo”.82 Nesse caso, devemos entender “espírito de sabedoria e de revelação” como um dom do Espírito Santo capaz de tornar alguém sábio para compreender o plano divino revelado. Nessa questão, o Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento confirma que “um espírito de sabedoria e revelação somente poderia ser concedido através dEle, que é pessoalmente o espírito da sabedoria e da revelação”.

 Paulo era consciente dessa verdade e, por conseguinte, da impossibilidade de alguém perceber a glória dessas boas novas se elas não fossem ensinadas por Deus (1 Co 2.14-15). Desse modo, a compreensão da “esperança da sua vocação” (1.18b), “as riquezas da glória da sua herança” (1.18c) e a “grandeza do poder de Deus” (1.19) não são possíveis separadamente do Espírito Santo, sobre quem Isaías descreve como: “o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.2, ARA).

2. A esperança da vocação

Na sequência da intercessão, o apóstolo ratifica a necessidade de os cristãos na Ásia Menor terem “iluminados os olhos do vosso entendimento” (1.18a). A expressão tem paralelo ao versículo anterior referente ao espírito de sabedoria e de revelação. Segundo Beacon, trata-se de outro meio de descrever o dom, que resulta em “iluminação interior”. Ter os olhos iluminados implica em ver melhor, ter um conhecimento mais claro das bênçãos divinamente recebidas. Também inclui uma compreensão plena, não somente clareza intelectual, mas também a clareza espiritual e experimental.

O vocábulo “entendimento” é a tradução do grego kardia (coração). Na linguagem bíblica, o coração não se refere meramente às emoções ou à vontade, mas também ao centro de toda a personalidade. Para os judeus, “o coração era o núcleo da personalidade, a pessoa interior completa, o centro do pensamento e do julgamento moral”. Isso denota que a compreensão do chamamento divino não pode ser superficial e que, por conseguinte, o cristão não deve viver uma espiritualidade mediana, mas ser transformado pela renovação do entendimento, devendo experimentar sempre “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2b).

Nesse sentido, Paulo intercede para que o Espírito Santo ilumine os crentes a fim de saberem “qual seja a esperança da vocação” (1.18b); em outras palavras, para que fossem capazes de experimentar e conhecer profunda e espiritualmente os privilégios de serem vocacionados. Essa esperança e essa chamada têm uma dimensão passada, presente e futura e está centrada em Cristo: a) Deus chamou a Igreja no passado (ver 2 Tm 1.9). Essa chamada foi iniciativa de Deus e deu-se a partir da eleição da qual fazemos parte (1.3-14); b) a chamada abrange serviço e santificação no presente (ver Fp 3.13,14). Inclui ser irrepreensível, viver em comunhão e andar de modo digno (1.4; 2.11-18; 4.1); c) a participação gloriosa no futuro (5.27), que compreende a vida eterna e a esperança de conhecer Deus face a face (1 Co 13.12).

 Nesse aspecto, pode-se afirmar que “existe esperança nessa vocação”. Consiste na firme convicção e absoluta confiança em Cristo de que cada uma das suas promessas será cabalmente cumprida. Essa compreensão conduz o crente a uma entrega total, obediência irrestrita e verdadeira fidelidade a Cristo durante todos os dias da caminhada cristã. Aleluia!

3. As riquezas da glória da sua herança

O apóstolo insere na oração o pedido para que os crentes também entendessem “as riquezas da glória da sua herança” (Ef 1.18c). A expressão “sua herança” enfatiza tudo o que está prometido e assegurado por Deus aos seus eleitos (Cl 1.12). Alguns comentaristas sugerem que se refere à herança que Deus possui entre o seu povo, mas o texto correlato em Colossenses 1.12 (“dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz") sinaliza outra interpretação; ou seja, a herança de Deus refere-se aquilo que Ele planejou conceder aos fiéis.

 Nesse pressuposto, a herança abrange as muitas "riquezas da glória". Refere-se, então, às maravilhosas bênçãos que acompanham o plano da salvação. Aquelas que já usufruímos, tais como o perdão, a adoção de filhos, o selo do Espírito Santo e as que serão desfrutadas no porvir (Cl 1.27; 1 Pe 1.4-5). Em relação àquelas que ainda aguardamos, Paulo assevera que está muito além de nossa capacidade de imaginar e ainda sobrepuja nossas maiores expectativas. São coisas que o olho não viu e o ouvido não ouviu e sequer "subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam" (1 Co 2.9).

Também Pedro, ao dissertar acerca de nossa herança celestial, apresenta uma terminologia farta de profundos significados, a saber, "unia herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus" (1 Pe 1.4). Aleluia! Quantas riquezas! Quanta glória! Não é possível mensurar o seu valor, e nosso escasso e finito vocabulário não consegue descrever.

Porque fomos adotados como filhos, logo passamos a ser herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm 8.17). O selo do Espírito Santo é o penhor dessa herança (1.14). No tempo presente, já desfrutamos parte dela e, finalmente e em definitivo, pela sua graça, todos os salvos tomarão posse da herança preparada desde a fundação do mundo (Mt 25.34).


II. A SOBREEXCELENTE GRANDEZA
E FORÇA DO PODER DIVINO

1. Sobreexcelente grandeza do seu poder

Paulo também intercede para que os salvos possam entender a "sobre-excelente grandeza do [poder de Deus] sobre nós" (1.19a). Aqui, o apóstolo faz uso de pleonasmo (redundância de termos e excesso de palavras) com o propósito de conferir maior vigor ao que está sendo expresso. Trata-se de um artifício linguístico empregado por Paulo na tentativa de descrever o imensurável poder de Deus. A palavra "sobre-excelente" é tradução do grego uperballõ, q., na forma adjetivada, significa "supremacia ou extraordinário" (2 Co 4.7). Segundo Roger Stronstad, "somente Paulo faz uso dessa palavra em todo o Novo Testamento (cf. 2.7, 3.19) e reflete seu desejo, quase irrealizado, de manifestar através das palavras a inexprimível grandeza do poder de Deus".

 Outra expressão utilizada é megethos (grandeza), que objetiva especificamente enaltecer a magnitude do poder de Deus que a tudo sobrepuja (Mt 26.64). O próximo termo na construção da frase é dunamis, aqui traduzido por "poder". Essa palavra grega originou os termos "dinâmico", "dínamo" e "dinamite" e representa a potência desse poder, apontando para os feitos miraculosos que requerem força fora de medida (ver At 8.13).

A repetição desses termos enfatize que apenas o maior de todos os poderes é capaz de realizar a transformação e a salvação na vida do homem (2 Pe 1.4). Salienta que somente um poder tão grande assim pode operar e concretizar as bênçãos inclusas na "esperança da vocação" dos eleitos e as "riquezas da herança" prometida aos crentes (Ef 1.18).


Convém ressaltar que essa afirmação não implica em assegurar a salvação independentemente do que façamos de errado .  Ao contrário, sinaliza que a fé dos eleitos na suficiência do poder de Deus é absolutamente necessária para uma caminhada de fidelidade e firmeza, tomando todo o "cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança" (Hb 6.11).

2. A força do poder divino

 Nessa sentença "segundo a operação da força do seu poder" (Ef 1.19b), o apóstolo faz uso de três vocábulos gregos concordes entre si: "operação, força e poder". A palavra "operação" é tradução do grego energeia (em português, "energia"), que também significa "eficácia" e q. sinaliza "poder em atividade" (Cl 129). A segunda expressão é "força", que vem do termo grego kratos com a ideia de "intensidade". Denota poder como força magistral - aquele que vence as resistências. Refere-se "aquele tributo distintivo da natureza divina tão louvado nas doxologias do Novo Testamento (1 Tm 6.16; 1 Pe 4.11; 5.11; Jd 25; Ap 1.6; 5.13)"... O terceiro termo grego aqui empregado é "ischus", que indica o "poder inerente" de Deus (Jo 1.12; 2 Pe 2.11). Stronstad faz analogia ao "poder do braço de um homem; poder que está disponível sempre que for necessário".. O uso reiterado desses sinônimos indica a plenitude do poder de Deus. Esse incomensurável poder realiza qualquer coisa, tudo o que lhe apraz. Está acima de tudo e de todos e não depende de nada, nem de ninguém.

Em síntese, todo esse esforço gramatical do apóstolo visa deixar claro aos seus leitores a supremacia do poder de Deus. Acontece que muitos desses novos cristãos vieram do paganismo e da prática das artes mágicas (At 19.9). Desse modo, existia a probabilidade de que alguns dos conversos ainda vivessem com temor de tais poderes das trevas. Essa ideia recebe reforços quando, mais adiante, Paulo afirma que o nome de Cristo está muito acima de quaisquer outros poderes (Ef 121), tema que abordaremos com mais detalhes nas páginas seguintes.

 De fato, a associação desses conceitos assinala que o potencial poder de Deus, inerente à natureza divina, opera em favor daqueles que creem. Após essa impressionante e insistente descrição, Paulo apresenta três exemplos irrefutáveis da força desse poder: (1) a ressurreição de Cristo, (2) a sua ascensão à direita de Deus nos céus (120) e (3) a sua elevação acima de todo o domínio (121-22). No ponto a seguir, veremos a demonstração desse incalculável poder.


III. CRISTO: NOSSO EXEMPLO DE EXALTAÇÃO

1. Cristo, as primícias dos que dormem

 Paulo enfatiza que a primeira grande evidência do poder de Deus manifestou-se em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos (ver Ef 120a). Verdadeiramente, o Novo Testamento descreve a ressurreição de Cristo como obra do poder de Deus Pai. No discurso de Pedro no dia de Pentecostes, o apóstolo da circuncisão afirmou acerca de Cristo: "Deus o ressuscitou dos mortos, rompendo os laços da morte" (At 2.24, NVI) e acrescentou à mensagem o testemunho ocular dos demais discípulos: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas" (At 2.32). Tempos depois, por ocasião da cura do coxo de nascença, Pedro declarou, diante do povo maravilhado, que o poder de Deus ressuscitara a seu Filho Jesus (ver At 3.26). E, quando da segunda viagem missionária, no Areópago em Atenas, Paulo descreveu o poder de Deus aos atenienses dizendo: "E [Deus] deu provas disso a todos, ressuscitando-o [Cristo] dentre os mortos" (At 17.31, NVI).

O túmulo vazio testemunhado pelas mulheres (Mt 28.6,11), presenciado pelos soldados da guarda do sepulcro (Mt 28.11) e constatado por Pedro e João (Jo 20.3-8), bem como o aparecimento a Saulo de Tarso, e a Tiago, e ainda a mais de 500 pessoas (1 Co 15.5-8) eram provas irrefutáveis tanto do poder de Deus como do evento da ressurreição. Anos depois, ao escrever aos Coríntios, Paulo precisou combater a heresia daqueles que não criam na ressurreição dos mortos (1 Co 12). A reprimenda do apóstolo e o argumento utilizado demonstram que a morte e a ressurreição de Cristo são a viga mestra e o pilar da fé cristã, pois, "se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação" (1 Co 15.13-14).

A ressurreição de Cristo não é meramente a recuperação da fé de amedrontados discípulos diante da crucificação do seu líder ou, simplesmente, o Kérigma. da Igreja anunciando a vitória do Messias sobre a morte. A ressurreição de Jesus é um evento histórico. Ela foi real e corporal (física), conforme profetizado no Antigo Testamento (SI 16.8-10) e previamente anunciada pelo próprio Senhor Jesus Cristo (Jo 220-22). Ao contrário daqueles que a consideram um mito, a ressurreição de Cristo é doutrina elementar na Bíblia Sagrada (1 Co 15.3-4), sendo mencionada 104 vezes no Novo Testamentos.]

 Por conseguinte, segundo as Escrituras, ao ressurgir dentre os mortos, Cristo foi feito as primícias dos que dormem (1 Co 15.20-22). Isso significa que Cristo foi o primeiro a ressuscitar e permanecer vivo. No registro das outras ressurreições, as pessoas tornaram a morrer. Isso indica que, a começar por Cristo, muitos outros desfrutarão dessa dádiva. Essa é a mesma ideia presente em Colossenses 1.18: "[Cristo] é o princípio e o primogênito dentre os mortos".

Quanto à abrangência dessa declaração, John Stott escreveu que Deus "levantou Jesus para uma vida totalmente nova (imortal, gloriosa e livre), que ninguém experimentara antes, e que ninguém experimentou depois, pelo menos por enquanto".. A ressurreição de Jesus, portanto, é a garantia de que igualmente seremos ressuscitados (1 Ts 4.14). De sorte que o mesmo poder que ressuscitou a Cristo está disponível também aos salvos (ver Ef 2.6).

Desse modo, os crentes em Cristo vencerão a morte e erguer-se-ão gloriosamente dos seus sepulcros para reinarem eternamente com Cristo (..lo 5.2829; Fp 32021). E, por ocasião do ressoar da trombeta de Deus (1 Ts 4.16), aqueles que ainda estiverem vivos por ocasião da sua vinda serão arrebatados para juntamente com os ressuscitados encontrar a Cristo "e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Ts 4.17). Nesse dia, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e todos serão transformados e revestidos da imortalidade (1 Co 15.51-53). Então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: "Tragada foi a morte na vitória" (1 Co 15.54).


2. Cristo elevado à direita de Deus

Após chamar Cristo da sepultura, Deus elevou-o para o trono "pondo-o à sua direita nos céus" (Ef 1.20b). Aqui está em foco a ascensão de Cristo como cumprimento da promessa messiânica: "Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita" (SI 110.1a). Estêvão, o primeiro mártir cristão, contemplou o Cristo ressurreto à direita de Deus (At 7.56).


O grau de exaltação para essa posição de honra e autoridade indica a completa vitória de Cristo sobre o pecado e as forças do mal (Fp 2.9-11; Cl 2.15). Acerca da simbologia da expressão "pondo-o à sua direita nos céus" e da sublimidade dessa posição, o Comentário Bíblico Beacon descreve o seguinte:

O assento à direita de um rei oriental sempre era reservado para o primeiro-ministro ou chefe de governo, simbolizando não só honra e dignidade, mas também poder delegado. No caso de Cristo, significa que Ele foi investido com o senhorio soberano e o domínio universal. Nos lugares celestiais, seria nas regiões onde Deus está em ação.

Assim, a entronização de Cristo ao lugar de maior honra sinaliza talo o seu poderio e faz lembrar as suas palavras após a ressurreição: "É-me dado todo o poder no céu e na terra" (Mt 28.18) e ainda nos remete, outra vez, ao Salmo messiânico que diz: "o Senhor estenderá o cetro de teu poder desde São, e dominarás sobre os teus inimigos!" (SI 110.2, NVI). Stronstad recorda o autor aos Hebreus quando explica que: "embora ainda não vejamos todas as coisas subjugadas a Ele, ainda assim vemos a Jesus coroado de glória e de honra" (Hb 2.8,9).

A vitória de Cristo sobre a morte e as trevas também está assegurada aos salvos (1 Co 15.55-57) e endossa nossa participação no reino celestial conforme indica a expressão "[...] nos fez assentar nos lugares celestiais" (Ef 2.6). Significa que esse acontecimento confere aos remidos a esperança de reinarem com Cristo para talo o sempre (Ap 22.5). Stott anota q. "nossa identificação com Cristo na sua ressurreição e exaltação não é um item de misticismo cristão sem sentido. É o testemunho a uma experiência viva, de que Cristo nos deu, por um lado, uma vida nova [...] e, por outro, uma vida de vitória"95 Assim, a ressurreição, a ascensão e o reinado de Cristo são obras do poder do Pai que estão disponíveis à sua Igreja.


3. Cristo exaltado sobremaneira

Nesse ponto, Paulo sanciona que o poder de Deus exaltou Cristo "acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio" (Ef 121a). Essa declaração faz analogia com o texto messiânico em que todos os inimigos estariam sobre o estrado dos pés de Cristo (SI 110. lb). Nesse sentido, a primeira parte dessa sentença indica que Cristo foi exaltado acima de todas as forças do mal (principado, poder, potestade e domínio), e a segunda parte onde se lê acima "de todo o nome que se nomeia" (Ef 1.21b) deve induir também "os anjos e qualquer outro ser inteligente que se possa conceber, sobre os quais Jesus reina com supremacia absoluta"..

Isso signo que Cristo foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal e de todo título que se possa conferir nessa era e também no porvir. Não existe poder algum que seja maior e nem mesmo igual ao poder de Cristo. Deus exaltou-o sobremaneira tendo sido "nomeado como o soberano acima de todas as coisas, isto é, o chefe supremo da criação, a manifestação final do que nos espera no futuro (cf. 1.10)".

 Mais adiante, a fim de não restar dúvidas, Paulo atesta o cumprimento das profecias messiânicas na pessoa de Jesus (SI 8.6; 110.1) ao declarar que Deus sujeitou todas as coisas aos pés de Cristo (ver 1.22a). Esse versículo é novamente utilizado por Paulo na primeira Epístola aos Coríntios. Nessa referência, o apóstolo enfatize que o Soberano delegou ao Filho o poder que lhe trouxe a sujeição de tudo para que Deus, o Pai, seja tudo em todos (1 Co 1527,28).

O resultado efetivo da exaltação do Messias traz duplo benefício para a Igreja: primeiro, que Deus fez Cristo cabeça tanto do Universo como da Igreja (1.22). E, segundo, que Deus designou a Igreja para ser a expressão plena de Cristo (123). Nas palavras de Hendriksen, o poder de Deus manifestado em Cristo não está adormecido, mas "está sendo utilizado no governo do universo no interesse da Igreja".  Quer dizer que nenhum poder pode prevalecer contra a Igreja (Mt 16.18).

 Diante dessas verdades espirituais, em que o Senhor de tudo foi dado como Cabeça da Igreja, não há razão para os salvos temerem a oposição do homem ou das forças do mal. Aliás, mais para frente, o apóstolo vai convocar os fiéis "fortalecidos no Senhor e na força do seu poder" para enfrentar e vencer as astutas ciladas do diabo (6.10-12). Mercê do conjunto dessas revelações, o Comentário de Aplicação Pessoal assevera que "Cristo não tem igual ou rival. Ele é superior a todos os outros seres. Estas palavras devem encorajar os crentes , porque, quanto mais alta a honra de Cristo, que é a Cabeça, mais alta a honra de seu povo.

A igreja eleita
DOUGLAS ROBERTO DE ALMEIDA BAPTISTA

                                                         


                   Comentário Bíblico Efésios
         6. PRIMEIRA ORAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO
          —1.15-23

 Nesses versículos, Paulo, com coração devoto, lembrando-se de seus leitores, orando e agradecendo a Deus por eles, numa demonstração do seu espírito altruísta e intercessório, ensina-nos uma grande lição. Nos versos 3 a 14 do mesmo capítulo, nossa posição em Cristo é assegurada pelas três bênçãos principais que emanam de Deus: fomos eleitos em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis; fomos remidos pelo seu sangue; e fomos selados com o Espírito Santo até o dia em que corpo, alma e espírito sejam plenamente livres para o gozo eterno.

Depois que Paulo mostrou essas três bênçãos divinas, orou pelos efésios, impelido pelo grande amor que tinha para com aqueles irmãos na fé. Orou pelo crescimento espiritual da igreja e, no verso 16, disse ainda: "Não cesso de dar graças a Deus por vós".

6.1. Dois aspectos da vida de oração de Paulo — v. 16

Dois aspectos da vida de oração do apóstolo são destacados no versículo 16. Em primeiro lugar, sua constância na oração e o contínuo apelo aos crentes para que orassem sem cessar (Rm 12.12; Ef 5.18; Cl 4.2; 1 Ts 5.17). O segundo aspecto de sua oração está no agradecimento. Ele ensinou à igreja que a intercessão deve estar acompanhada de louvores ao Senhor (Ef 5.19; Fp 4.6; Cl 3.15-17; 4.2; 1 Ts 5.18).

6.2. A oração de intercessão pelos crentes de Éfeso — v. 16

A intercessão na oração é eficaz em seus resultados e denota um espírito altruísta e desprendido de si mesmo. Paulo preocupava-se constantemente com o nível espiritual dos crentes em Éfeso, por isso, mesmo estando numa prisão em Roma, intercedia por aqueles irmãos.

6.3. Três pedidos especiais na oração do apóstolo — vv. 17,18

A oração do "apóstolo das gentes" teve três pedidos especiais para os crentes da igreja em Éfeso. Ele começa com as palavras [que Ele] vos dê" (v. 17) e apresenta a seguir os três pedidos. Primeiro, "o espírito de sabedoria". Segundo, "[o espírito] de revelação". Terceiro, que lhes fossem "iluminados os olhos do... entendimento".

6.3.1. O primeiro pedido: "Para que... vos dê... o espírito de sabedoria" (v. 17) A palavra "espírito" nesse versículo refere-se ao espírito humano, não a outro espírito (Rm 1.9; 2 Co 7.13; Ef 4.23; Cl 1.9). Entretanto, entendemos que é o Espírito Santo quem opera no próprio espírito do crente. O pedido de Paulo para que Deus desse "o espírito de sabedoria e de revelação" refere-se à experiência cristã vivida pelos efésios, por isso desejava que tal experiência fosse fortalecida na fé. Que sabedoria era essa? A sabedoria espiritual, a fim de que tivessem pleno conhecimento da verdade divina, e ainda uma visão clara e racional do significado da vida cristã. "O espírito de sabedoria" é dado pelo Espírito Santo que habita no interior do crente em Cristo e contrasta com a simples sabedoria humana. Ter o "espírito de sabedoria" é ter conhecimento de Deus. E penetrar nos seus tesouros imensuráveis. No capítulo 12.8 da Primeira Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo, quando fala acerca dos dons do Espírito, apresenta, entre os demais dons, aquele que ele denomina de "dom de sabedoria". Sem dúvida, quando ele ora em favor dos efésios, pede que Deus lhes dê esse dom, que habilita o crente a saber viver uma vida cristã vitoriosa, podendo distinguir todos os valores espirituais. Ter o "espírito de sabedoria" é ter a ação do Espírito Santo aclarando os mistérios espirituais através da mente; é ter luz sobre a glória do Cristo ressurreto; é a capacitação para saber distinguir entre o bem e o mal; é o poder para conhecer a Jesus Cristo na Bíblia e, automaticamente, conhecer a Deus.

6.3.2. O segundo pedido é para que tenham "o espírito de revelação" (v. 17) O sentido da palavra "revelação" indica a importância do pedido de Paulo em favor dos efésios. Revelação significa tirar o véu sobre alguma coisa obscura ou escondida. É ter uma revelação espiritual, isto é, uma visão espiritual dos valores espirituais. É a visão que penetra no conhecimento de Deus. Há um conhecimento inacessível ao homem natural — o conhecimento das coisas divinas: só pelo "espírito de revelação" será possível conhecer essas coisas. O "espírito de revelacão" é dado pelo Espírito Santo. Não significa uma nova revelação além daquilo que já está revelado nas Escrituras, mas diz respeito a uma iluminação da parte do Espírito Santo no espírito do crente para que ele possa ver claro as verdades espirituais. Não significa aquela iluminação natural e gradual que pode acontecer com o estudante da Palavra de Deus, mas importa num conhecimento pleno e profundo dos mistérios espirituais escondidos na Bíblia Sagrada.

6.3.3. O terceiro pedido nessa oração está no verso 18, que diz: "Tendo os olhos iluminados do vosso entendimento..." A sabedoria divina só poderá ser vista por "olhos iluminados", que não são olhos naturais, mas "os olhos do vosso entendimento".

 6.4. Três possibilidades expressas na oração — v. 18

 A expressão "tendo os olhos iluminados do entendimento" fornece três possibilidades:

6.4.1. Primeira

O entendimento iluminado, que nos possibilita compreender os motivos de nossa separação do mundo. Fomos salvos para servir a Deus aqui na terra e desfrutarmos a herança com Cristo na eternidade. Enquanto se está em trevas, todas as coisas espirituais são obscuras, mas quando Cristo entra em nós, o Espírito Santo desfaz as trevas e nos dá uma nova visão, uma nova compreensão. E quando temos condições de, com o entendimento iluminado, notar a diferença entre o salvo e o perdido. Em algumas versões temos uma variante textual que, ao invés de "entendimento" aparece a palavra "coração", ou seja, "tendo iluminados os olhos do vosso coração". O texto correto encontrado em todos os manuscritos iniciais realmente é "coração", cujo sentido pode ser também tomado por "entendimento". Certamente algum escriba, ao copiar o texto original, preferiu a segunda opção. A iluminação do coração, ou do entendimento, não é a simples descoberta ou acuidade intelectual, mas é a ação do Espírito Santo fazendo penetrar sua luz radiante sobre as grandes verdades divinas. Aquilo que a mente natural não pode perceber, a alma pode ter olhos que vejam, mediante o Espírito Santo.

6.4.2. Segunda

A capacidade de olhar para as riquezas de sua glória com olhos espirituais. Essa glória é o reflexo do caráter de Cristo revelado na obra expiatória e conhecida na sua glorificação. E a glória da herança que o Pai Celestial tem para nós (Jo 17.24).

 6.4.3. Terceira Tendo "os olhos iluminados" do nosso interior, poderemos ver a "suprema grandeza do seu poder" (v. 19). Ora, depois de termos uma visão da glória de Cristo e estarmos conscientizados de nossa vocação celestial, precisaremos ainda de poder. Essa experiência ocorre "segundo a operação da força do seu poder" (v. 19). Que poder é esse? Ele se manifesta pela vontade do Espírito Santo. É a capacitação dada pelo Espírito para penetrarmos nas riquezas espirituais. Ninguém jamais poderá, por capacidade intelectual ou apenas por desejo próprio, penetrar nessas riquezas sem a obtenção desse poder. Esse poder nos fornece a chave dos tesouros divinos. O poder que nos regenerou é o mesmo que nos habilita a viver uma vida de vitória sobre o pecado.

6.5. As riquezas espirituais encontradas através da oração — v. 19

No versículo 18 somos possibilitados a conhecer essas riquezas da sua glória. Já o versículo 19 indica o conhecimento da "suprema grandeza do seu poder sobre nós". Paulo nos dá a impressão de ter penetrado nas riquezas dos mistérios divinos e, então, quando usa o vocábulo "suprema", nos leva para dentro desses mistérios gloriosos. A palavra "suprema", traduzida do grego huperballo, dá o sentido literal de ultrapassar, ir além, lançar além. Dentro do contexto bíblico, a palavra fala daquilo que é extraordinário, ou fora de medida ou incomensuravel. Isso indica que "as riquezas da glória da sua herança" (v. 18) ou "a suprema grandeza do seu poder" são incomensuráveis, isto é, não se podem medir pelos cálculos humanos. Tudo em Deus é grandioso. Quando lemos o restante da passagem — "os que cremos, segundo a operação da força do seu poder" (v. 19) —, entendemos, mais uma vez, que a nossa participação nas riquezas da sua glória e do seu poder só é possível mediante o ato divino em nosso favor. Esse poder, no grego dunamis, significa energia, força, habilidade, mas no que se refere à "força do seu poder" deve ser interpretado como o impulso que leva alguém a realizar determinado trabalho. E o Espírito Santo quem nos possibilita, isto é, nos faz entrar ou nos torna capazes de conhecer as riquezas da glória de Cristo.

6.6. Paulo exalta a Cristo na sua oração — vv. 20-23

Nos versos 20-23 temos a exaltação de Cristo sobre todas as coisas. "Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o à sua direita nos céus" (v. 20). Esse versículo é a continuação do 19. Ele mostra que o mesmo poder que tirou a Jesus Cristo do túmulo, ressuscitando-o dentre os mortos, é o poder que levanta um pecador da morte espiritual e o coloca numa nova posição de comunhão com Deus (Rm 8.11). O mesmo poder que abriu o mar Vermelho para que Israel passasse a seco (Êx 14.15- 26) ressuscitou a Jesus dentre os mortos. Agora esse mesmo poder está à nossa disposição, pois podemos usá-lo em nossa experiência diária.


6.6.7. Cristo acima de todos os poderes espirituais — v. 21

"Acima de todo o principado, e poder, e potestade e domínio". Esse trecho do verso 21 indica a supremacia do poder de Deus sobre todas as forças espirituais. As designações "principado, poder, potestade e domínio" falam de camadas angelicais puras, isto é, que servem a Deus, bem como das camadas angelicais caídas (anjos caídos), os quais, tanto no céu como na terra, e debaixo da terra, estão sob o poder de Deus (Fp 2.9-11; Cl 1.16-20). Todas essas forças estão sujeitas ao poder de Cristo, pois a Ele foi dado esse poder e autoridade (Mt 28.18; Ap 1.1,17,18).

6.6.2. Cristo acima de todo nome — v. 21 "... e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro". Mais uma vez o poder implica a autoridade maior e um nome maior (Fp 2.9), que lhe foi dado acima de todo nome. As palavras "neste século e no vindouro" mostram que o seu poder tem ação presente, isto é, no tempo e na eternidade.

6.6.3. Cristo acima de todas as coisas — v. 22

 "E sujeitou todas as coisas a seus pés". Tudo o que se move está sob o controle de Cristo. O próprio Pai colocou tudo sob seu domínio (Sl 8.7;1 Co 15.27). A expressão mostra que Cristo foi elevado a uma posição de poder absoluto. Sua autoridade, além de absoluta, é universal.

6.6.4. Cristo como cabeça da Igreja — v. 22

 "... e sobre todas as coisas o constituiu cabeça da igreja". Sua autoridade é absoluta em relação à Igreja. Cristo, o cabeça da Igreja, e não o papa da igreja romana, é quem ocupa essa posição. O corpo da Igreja não está separado da cabeça. É a cabeça que comanda o corpo e seus membros em particular.

 6.6.5. Cristo como o Senhor do seu corpo, a Igreja — v. 23

 "... que é o seu corpo". O poder é administrado por Cristo em favor da Igreja, que é o seu corpo. Cada crente, devidamente ligado a esse corpo, recebe as bênçãos desse poder. E a união vital e espiritual com Cristo que nos torna poderosos na vida cristã. A complementação do verso diz: "... a plenitude daquele que cumpre tudo em todos". A plenitude de Cristo representa toda a sua vida atuando sobre todo o seu corpo. Cada crente (membro do corpo) é dinamizado por essa plenitude que envolve toda a Igreja (todo o corpo). A Igreja é a plenitude de Cristo, porém, é Cristo quem a enche e a torna plena com a sua glória e a sua presença. No capítulo 4.13 de Efésios, o crente é convidado a crescer espiritualmente até que chegue "à medida da estatura completa de Cristo". Em outras traduções, a expressão aparece assim: "até que cheguem à estatura da sua plenitude".

6.6.6. Cristo, a plenitude do seu corpo, a Igreja — v. 23

"... que cumpre tudo em todos". Nada do seu corpo fica fora do seu alcance. Cada membro, mesmo os aparentemente mais insignificantes, recebe poder da mesma fonte que os demais. Esse versículo mostra que Ele é fiel e "cumpre tudo". Os que estão unidos a Ele por sua vida na Igreja podem ter a segurança de que receberão seu poder.

                          Comentário Bíblico Efésios - Elienai Cabral

                              


                           COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY

C. A Primeira Oração de Paulo. 1:15-23.

A oração que se segue baseia-se no parágrafo justamente concluso. Paulo pode orar dessa maneira porque Deus fez todas essas coisas pelo crente, levando-o desde o Seu eterno propósito na eternidade do passado até a consumação da redenção na eternidade futura. Observe que, contrastando com a maioria das nossas orações, a intercessão de Paulo foi primeiramente pelo bem-estar espiritual daqueles por quem ele orava.

 15. Eu também, tendo ouvido a fé que há entre vós no Senhor Jesus, e o amor para com todos os santos. Às vezes nos esquecemos que, depois de salvas as pessoas, deveríamos orar com a mesma veemência que oramos pela sua salvação. A fé e o amor desses crentes efésios eram um incentivo para Paulo orar pelo seu continuado crescimento espiritual.

16. Não cesso de dar graças por vós. Por vós, isto é, graças a Deus pelo que Ele fizera pelos efésios. Fazendo menção de vós nas minhas orações. Paulo não considerava a oração como algo vago e indefinido. Ele se lembrava especificamente deles e de suas necessidades diante de Deus.

17. Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo (cons. v.3), o Pai da glória. Isto é, o Pai caracterizado pela glória. Vos conceda espírito de sabedoria e de revelação. Provavelmente isto é objetivo; isto é, o Espírito Santo que dá sabedoria e revelação. No pleno conhecimento dele. Esta expressão indica pleno conhecimento experimental.

18. Iluminados os olhos do vosso coração. "O coração nas Escrituras é o próprio âmago e centro da vida" (Alf).

 Para saberdes. Só quando Deus nos ilumina é que podemos realmente saber o que Ele quer que saibamos.

Qual é a esperança do seu chamamento. Esperança nas Escrituras é a certeza absoluta do bem futuro.

A riqueza da glória da sua herança nos santos. Compare com as "riquezas da sua graça" no versículo 7 (cons. também Dt. 33: 3, 4).

19. A suprema grandeza do seu poder. As frases que se seguem acumulam palavras que denotam todo o poder de Deus sobre nós.

 20. O qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos. No V.T. o padrão para o poder de Deus é freqüentemente o livramento do Egito, especialmente a travessia do Mar Vermelho. Mas aqui está um padrão de poder muito maior. O próprio poder de Deus que ressuscitou Cristo dos mortos está à nossa disposição, e podemos experimentá-lo. Fazendo-o sentar à sua direita. Provavelmente as diversas referências a Cristo assentado à direita de Deus, no N.T., tem sua origem no Salmo 110. Nos lugares celestiais. Nesta segunda vez, das cinco em que foi usada esta frase, o sentido é evidentemente local: o Senhor Jesus está literal e corporalmente no céu.

21. Acima de todo principado ... e poder. Todo no sentido de "cada". Diferentes palavras foram usadas no N.T. para as diversas categorias e espécies de seres celestiais, para ambos, anjos santos e decaídos. Compare esta exaltação de Cristo com Fp. 2:8-11. No presente século. Uma palavra que se refere a tempo – nesta dispensação.

 22. E pôs todas as coisas debaixo dos seus pés. Novamente a alusão é ao Sl. 110:1 (cons. também Sl. 8:6). Isto indica a última vitória completa de Cristo. E, para ser o cabeça sobre todas (cons. Jo. 3:16). Esta é a primeira menção, na epístola de Cristo como a Cabeça da Igreja, uma verdade que será posteriormente desenvolvida de maneira mais completa (veja Introdução).

23. A qual é o seu corpo. Embora falemos disto como uma figura, é mais do que isso. Indica a completa união ta Igreja com o Senhor Jesus, a absoluta identificação dos crentes com ele (cons. I Co. 12: 12).

A plenitude. Aquilo que está cheio. "Ela (a Igreja) é a contínua revelação de Sua vida divina na forma humana" (JFB). Pode-se ver que a verdadeira oração inclui uma abundância de louvor. Adoração de nosso maravilhoso Deus deveria ter a precedência sobre nossas petições egoísticas e ego-centralizadas. Como nossas vidas seriam diferentes se orássemos assim uns pelos outros continuamente!

                                Efésios (Comentário Bíblico Moody)





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