I.
POR
QUE MONARQUIA?
Um Sentimento de Orgulho Nacional
Uma leitura geral do capítulo 8 de 1 Samuel
esclarece alguns porquês que levaram o povo a solicitar a monarquia. Mas vale
evidenciar que os críticos acreditam e aludem que tanto esse texto como os
capítulos 10 a 12 tratam, na verdade, de uma narrativa que se segue à
implantação da monarquia e que o que se poderia ter então aqui é uma crítica
histórica que se faz a essa instituição.
Podemos
dizer que a monarquia terá diversas causas no processo histórico da existência
do povo de Deus. Na época dos juízes, o quadro é de total celeuma, anarquia,
falta de autoridade (Jz 21.25) e, dentro do próprio sistema dos juízes, já
havia o desejo por uma liderança centralizada em boa parte do povo. Isso se
comprova porque o povo solicitou que Gideão fosse o líder deles (Jz 8.22,23).
Alguns biblistas, especialmente aqueles que
trabalham com o Antigo Testamento, apontam que havia uma falta de consenso
quanto à questão da monarquia, pois alguns dentre os judeus achavam que isto
era certo e bom: ter um só líder que pudesse estar à frente do povo de Deus.
Através da implantação da monarquia, segundo a visão de alguns, a concentração
e a unificação de Israel dar-se-iam de maneira mais fácil, sobretudo com um
líder capaz de organizar uma força militar poderosa e uma adoração
centralizada, dando proteção a todos. Essa instituição era imprescindível; para
outros, porém, não era necessário. Assim pensava Samuel.
Sendo ou não correta a implantação da monarquia, o
desejo de um líder com poder centralizado já era grande, e o que vai colocar
mais lenha na fogueira são algumas causas externas. Uma delas é a velhice de
Samuel. Ele, que foi a grande esperança de todos, que conseguiu colocar Israel
no eixo da vontade divina, estava se apagando. Muitos temiam surgir uma
liderança como fora a de Eli; por isso, todos se empenharam em buscar um rei
que lhes desse proteção e estabilidade.
Hermeneuticamente, não é fácil explicar
Deuteronômio 17.14,15, posto que, na opinião de muitos estudiosos, o que se
percebe pela sua leitura é uma monarquia antecipada da parte de Deus, a qual
seria implantada no seu momento certo. Não há dúvidas de que o Senhor desejava
a monarquia; nela, porém, Deus seria o rei que escolheria um humano para estar
à frente do seu povo.
No geral,
ocorre que o povo, já tendo o desejo de ter um rei, procurava aproveitar-se de
qualquer circunstância para que esse projeto viesse a ser consolidado. Assim,
diante da velhice de Samuel e da vida corrupta que seus filhos levavam, foi
formada uma comissão para ter com esse juiz e, com isso, solicitar a
implantação da monarquia.
No que tange à comitiva que foi falar com Samuel,
que o texto diz que eram os anciãos de Israel, na verdade tratava-se de líderes
de famílias, tribos ou os principais da cidade que tinham autoridade. Eles
formavam um tipo de assembleia geral. Esse tipo de ajuntamento não era algo
novo no momento. Estava presente quando Moisés foi enviado para libertar os
israelitas do poder de Faraó (Êx 3.16). Por causa da casa de Eli, Samuel
reviveu na mente deles o procedimento maléfico dos filhos do sacerdote, de
maneira que temeram que toda aquela situação antiga viesse à tona outra vez.
Essa comitiva viu Samuel como um bom juiz, mas não acreditava em seus filhos.
Entendia-se que agora havia chegado o momento de acabar de vez com o sistema
dos juízes, posto que eles eram sempre falhos, vulneráveis, pecaminosos e não
inspiravam confiança. Por isso, disseram: “Dá-nos um rei”.
Nada
poderia justificar esse pedido feito pela assembleia geral, primeiro porque
estava se esquecendo de que os juízes que surgiam vinham por meio de uma
aprovação divina e, em segundo lugar, ainda que a monarquia fosse implantada,
ela seria dirigida por homens pecaminosos também.
O âmago do pedido está revelado quando os
israelitas dizem querer um rei como todas as demais nações tinham. Nesse
particular, estavam colocando-se no nível daqueles pagãos, que não tinham
compromisso com Deus, que eram independentes. Samuel não aprovou o pedido, posto
que eles queriam ser como as nações pecaminosas. A questão de querer uma
monarquia não era pecado, pois se teria muitas vantagens na concentração de um
poder unificado em torno da autoridade de um homem em tempos de constantes
guerras. Porém, a grande questão é que o próprio povo que pede um rei era
pecaminoso e só se voltava para Deus em momentos de grandes crises, desespero,
e foi nesse momento que solicitaram um rei.
O pedido da assembleia não soou bem aos ouvidos de
Samuel, que entendia que se estava rejeitando a teocracia em razão da
monarquia. Todavia, nesse particular, foi um pouco flexível, pois entendia que
havia perigo nos dois lados: no sistema dos juízes, os homens pecavam, e a
monarquia seria dirigida também por homens; ele, então, vai buscar uma
orientação divina, o que dará oportunidade para a monarquia. O historiador
Flávio Josefo diz que esse pedido incomodou Samuel, que passou a noite toda em
oração. Orar em momentos de grandes decisões e crises é fundamental para o
cristão; como falou Tiago, a oração do justo pode muito em seus efeitos (Tg
5.16).
Deus respondeu a Samuel dizendo que permitiria o
estabelecimento da monarquia. É claro, essa concessão da parte divina não é
porque Ele entendesse ser o melhor para Israel, posto que muitos reis irão ser
pecadores, infligidores de leis, corruptos, etc.; porém, frente ao que vinha
acontecendo, no caso dos juízes (Jz 17.6; 21.25), esse novo sistema poderia ser
uma nova chance de melhoria para a nação.
Podemos
dizer que o propósito especial da parte de Deus foi antecipado pelo povo, de
maneira que o ideal foi sacrificado, mas isso aconteceria porque faria parte do
processo da formação de Israel para que todos entendessem que um bom governo,
sucesso e paz não se encontram no homem ou na forma do sistema político, mas
somente em Deus.
O
Novo Comentário da Bíblia, falando desse pedido e da implantação da monarquia,
expressa: Mas a perversidade e a fraqueza dos homens levaram à desobediência,
ao fracasso. Só em presença do perigo é que o povo dava ouvidos às mensagens do
Senhor. Agora, levado por um sentimento de orgulho nacional, vai pedir um rei.
A monarquia, no fim de contas, nos destinos da Providência, tinha por objetivo
dar ao povo eleito uma ideia do reinado messiânico. Mas, se tivessem seguido fielmente
a Deus, tornava-se dispensável a presença dum rei terreno. 52
Conforme a citação acima, entendemos o porquê de
Deus permitir a monarquia, para imprimir no povo um ideal messiânico, pois é a
partir desse momento que se pode entender que o texto de Deuteronômio seria
escatológico, apontando para Jesus Cristo, o rei ideal, o qual sairia da casa
de Davi .
O
Fracasso dos Filhos de Samuel
Todo líder deve ter o cuidado necessário para não
ensinar ou pregar algo durante toda a sua vida e, no final, não cumprir. Foi o
que aconteceu com Samuel. O que ele viu na família de Eli agora estava
acontecendo na sua. Ele não repreendeu seus filhos, o que prejudicou seriamente
sua influência sobre o povo. Cuidar bem da casa é o segredo para que toda a
família do pastor tenha êxito até o final da jornada. Daí a importância de
seguir a recomendação de Paulo: “Que governe bem a sua própria casa” (1 Tm
3.4).
Pelo nome dos dois filhos de Samuel, logo poderia
ser concluído o que se esperava de cada um deles. Joel, do hebraico, quer dizer
“Jeová é Deus”. Abias, “Jeová é meu Pai”. Nenhum dos dois fez jus ao seu nome.
Samuel foi um grande homem; sua moral e seu caráter, ilibados, mas nenhum de
seus filhos seguiu seus passos.
O grande erro de Samuel foi querer assegurar o seu
futuro colocando filhos de caráter corrupto na obra. Isso foi o estopim para
que aumentasse o desejo de Israel de ter um novo rei. Alguns estudiosos dizem
que esses filhos vieram a corromper-se depois, mas, mesmo assim, podemos
declarar que houve erro da parte de Samuel em dar autoridade aos filhos de vida
moral baixa; depois, o erro dos filhos foi não proceder de acordo com a
sinceridade do pai. O homem de Deus deve sempre agir confiando e dependendo da
graça divina. Samuel errou profundamente e sentiu-se rejeitado pelo povo por
não aceitar seus filhos, mas, diante de toda a situação, ele volta para o
caminho certo, buscando a orientação do Senhor. Se tivesse feito isso desde o
início, ele não teria sofrido esse drama no final de seu ministério. Ainda que
venhamos a falhar e que outros possam abandonar-nos, o melhor mesmo é entregar
tudo nas mãos de Deus e buscar a sua orientação.
Rejeitando
os Planos de Deus
Lendo 1 Samuel 19.11, entendemos que os anciãos já
estavam determinados. Tudo o que Samuel falou não teve qualquer resultado.
Estudiosos têm procurado saber a causa da postura desses anciãos. Alguns dizem
que eles pensavam que Samuel haveria de escolher um deles, o que não aconteceu.
Precisamos atentar para a postura de Samuel: ele
não pediu qualquer orientação ou sugestão deles que pudesse fazê-los acreditar
que seria como esperavam. Samuel voltou-se apenas para o Deus verdadeiro, o
Senhor de todas as coisas, e somente a Ele pediu a direção. Deus disse para
Samuel atender o povo, mas nada seria como eles pensavam. Tudo aconteceria
conforme a determinação divina. Um verdadeiro líder não pode ficar em uma
reunião procurando ouvir “a” ou “b”. É claro, ele deve buscar conselhos, mas
sua prioridade será sempre se voltar para o dono da obra, buscando orientação.
Desse modo, terá a direção mais sábia do mundo.
Os israelitas estavam se esquecendo de que, até o
momento em que estavam vivendo, eles sempre foram guiados e orientados por
Deus. O Senhor concedeu líderes importantes em cada situação, deu-lhes os seus
mandamentos, livrou-os de poderes opressores; agora, no entanto, por causa
dessa atitude nada inteligente, tudo iria mudar.
Buscando ser como as outras nações, Israel estaria
cometendo alguns erros, a saber: (1) queria ter as mesmas questões políticas
que as outras nações; (2) deixaria de ter os líderes locais para
concentrarem-se apenas em um poder maior; e (3) desejava um líder famoso como
os das nações para fazer suas guerras.
A tomada de atitude de Israel desprezava em tudo a
ação divina, inclusive todo o trabalho que Senhor já havia feito por eles
antigamente. Todo esse processo causou grandes estragos para o povo de Deus,
mas foi aceito pela permissão divina, e não por vontade própria
II.
A
ESCOLHA DE SAUL COMO REI
Por
que Saul?
Em tudo há
um propósito especial de Deus; assim, podemos asseverar que o escritor de 1
Samuel faz menção à escolha de Saul, ainda que Davi seja o cerne da questão.
Ele queria pedagogicamente evidenciar sua preocupação com o tipo de líder que
seria escolhido. O povo já tinha recebido de Deus o tipo de líder que deveria
estar à frente do seu povo: Samuel. Na verdade, ele era um tipo de símbolo.
Como diz Roy B. Zuck, Samuel era o epítome do líder religioso que o Senhor
queria para governar o povo.
Saul entra nesse cenário por um ato soberano de
Deus. Isso para evidenciar ao povo, pela permissão divina, como é o tipo de rei
que não satisfaz os padrões divinos. Quando o povo rejeitou Samuel, estava
rejeitando uma liderança segundo os propósitos divinos, que realmente temia a
Deus. Aceitar Saul era escolher um líder que não tinha temor a Deus. Assim,
pode-se afirmar que existe certa ambivalência textual: enquanto os filhos de
Eli eram pecadores, Samuel mostrou-se santo e comprometido com as coisas divinas;
enquanto Saul desprezava a Deus, Davi procurava, mesmo com suas falhas, servir
ao Senhor.
A
Unção de Saul por Samuel
O que se sabe de Saul é que ele era de uma família
bem humilde e de formação rural. Sua tribo havia sofrido uma grande redução. No
tocante à unção feita por Samuel, na verdade apontava mais para um juiz
carismático, não propriamente um rei. Note que as narrativas das batalhas das
quais ele participou e a vitória que teve são memórias que remontam à época dos
juízes. Três sinais são dados por Samuel a Saul para confirmar sua unção como
líder ou chefe de Israel. Eles vão acontecer em lugares diferentes e buscam
satisfazer alguma necessidade de Saul. O primeiro sinal acontece em Selsá, do
hebraico “vir sobre”, uma referência ao Espírito que veio sobre Saul (1 Sm
10.6-10). É interessante entender que esse sinal apontava para o encontro das
jumentas, mas tratava do trabalho e da vida de Saul. No segundo sinal, temos a
provisão de cabritos, pães e vinhos; na verdade, tratava-se de alimentos, o que
era necessário para que ele tivesse um bom sustento para desenvolver seu
trabalho. Devemos entender que essas dádivas divinas eram consagradas a Deus, o
que pode declarar a aprovação divina. No terceiro sinal de Saul como novo rei,
está claro que sua realeza estaria ligada com o dom do Espírito Santo, o que o
levaria a profetizar. Saul não seria apenas um rei, mas alguém que teria na
boca as palavras do Senhor, como Samuel.
Saul teve os sinais que confirmavam sua escolha e
é assegurado por Samuel que Deus estaria
com Ele (1 Sm 10.6,7). Por meio desses sinais, estava declarado para Saul que
ele era o escolhido, mas todo o sucesso dependeria da sua rendição plena à
vontade soberana do Senhor, o que não aconteceu. Que ele teve experiência com o
Senhor em meio aos profetas, é uma realidade, mas só o tempo revelaria, de
fato, se ele havia sido transformado ou não (Dt 18.22).
III.
O
REI QUE O POVO ESCOLHEU
Uma Escolha Pautada na Aparência O interessante é
que, na questão da escolha de Saul como o primeiro rei de Israel, alguns
estudiosos supõem que Deus permitiu isso como um tipo de concessão, visto que,
três séculos atrás, tanto a cidade como a tribo foram quase que totalmente
extintas, mas o certo é que a escolha feita pelo povo não priorizava as
virtudes ou as qualidades espirituais vistas em Samuel, e, sim, a aparência
física.
Saul tinha
boas qualidades físicas, porém, no espiritual, suas qualidades eram péssimas.
Nesse particular, seguindo a visão de Stanley A. Ellisen, 53 ele era
impaciente, imprudente, egoísta, exigente, desobediente a Deus, cheio de ciúme.
Era orgulhoso e não se humilhava quando repreendido pelo Senhor. Com tudo isso,
aprendemos como é perigoso escolher um líder apenas atentando para a capacidade
ou qualidades humanas em detrimento daquilo que é espiritual. Por isso, o
melhor mesmo é orar ao Senhor da seara para que Ele envie a pessoa certa (Lc
10.2).
Temos que entender que ser rico, bonito e
inteligente não impede alguém de fazer a obra de Deus, mas não necessariamente
é um sinal de aprovação divina. Davi é descrito como sendo um homem de muitas
qualidades humanas (1 Sm 16.18). Sua escolha não se deu por isso, mas, sim,
pelo amor e temor que ele manifestava para com Deus. No tocante à aparência
física — que, por vezes, é um tema presente em Samuel —, na verdade, trata-se
de uma ênfase do autor como um tipo de advertência, que não se deve confiar nisso
e que, por vezes, os dons exteriores podem servir como impedimento, pois
corre-se o risco de confiar-se mais neles do que no Senhor, como aconteceu com
Absalão e com Adonias.
Os
Direitos do Novo Rei
Deus cede ao pedido do povo, mas deixa claro quais
são os direitos que o rei terá, ou seja, esse novo posicionamento do povo
traria peso sobre ele. Sociologicamente, olhando para a forma como Israel vivia
antes da monarquia, cada família era dirigida pelos seus anciãos; eram todos
livres.
Vivendo
agora um novo momento histórico, tendo um rei, o povo, que antes não prestava
serviço a ninguém e que vivia dominado e orientado pelo Senhor, doravante iria
sair dessa vida autônoma para uma vida de submissão, que envolvia alguns
aspectos: (a) Militar – seriam convocados para a guerra; (b) Agrícola – o
melhor das colheitas seria para o rei; (c) Serviços gerais – as mulheres
trabalhariam como perfumistas, cozinheiras, padeiras, etc.; (d) Impostos –
doravante pagariam impostos ao rei. Note que, no versículo 15, aparece pela
única vez a cobrança feita pelo rei para a entrega do dízimo. A vida livre que
antes Israel vivia agora seria marcada pela imposição. A situação iria cada vez
mais se intensificar, a ponto de os israelitas voltarem-se para o Senhor.
Samuel passa a descrever sobre as exigências reais. Estudiosos falam que elas
não são tão pesadas como as do então Estado Moderno.
O primeiro
grande problema que iria surgir para a nação de Israel no momento em que
constituísse um rei é que, antes, os israelitas eram vistos como tribos
dirigidas por líderes familiares e, assim, adotando características de um
império, logo a nação seria considerada uma ameaça, o que faria com que
vivessem em constante guerra (2 Sm 6.1; 8.15-18).
O texto diz que o rei iria presentear seus
ministros, ou seja, aqueles que servissem bem. O presente, na verdade, era
tomar a terra de alguém e entregar a esses servos reais. Tudo que fosse melhor
— jovens, bois, frutos, impostos da colheita — o rei teria direito de tomar.
O
Novo Sistema Político e o Aspecto Teológico
Pelo novo
sistema político, Deus não deixaria de trabalhar no meio de seu povo. Os reis
deveriam dali em diante governar tendo como medida o reino superior de Deus,
com justiça e equidade. Caso não procedessem assim, seriam julgados pelo
Senhor. Deus havia feito um pacto perpétuo com a casa de Davi: ela teria que
proceder com equidade, porém sempre fracassou. O que ficou foi a promessa que,
da linhagem de Davi, viria o grande Rei, Jesus, que julgará os povos com
justiça (Is 11; Jr 23; Ez 34).
Teologicamente, pode-se perceber que 1 Samuel
revela Deus agindo do começo ao fim. Na oração de Ana, ela descreve-o como o
Deus que controla tudo, ou seja, o destino do seu povo e da raça humana. Ele é
quem abate e exalta, inclusive é quem dará força ao rei e ao seu ungido (1 Sm
2.1-10). Assim, entendemos que, no novo sistema político, a monarquia, Deus
continuaria reinando no cenário humano, mas tendo como representante maior o
seu ungido, o qual deveria representar a justiça do Senhor perante seu povo.
Caso não seguisse o padrão de justiça estabelecido por Deus, o rei, então,
seria castigado.
OSIEL GOMES
I e II Samuel
Introdução e comentário
1
Samuel 7 demonstra o
melhor da liderança de Samuel.
Em Mispa, ele havia levado a nação ao
arrependimento, mediante uma reforma religiosa, enquanto a pedra denominada
Ebenézer tomou-se um memorial do fato de que o Senhor respondeu às intercessões
de Samuel e de que concedeu uma vitória notável sobre os filisteus. “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Sm 7.12)
trazia o triunfo dos dias passados para a experiência da geração daqueles
dias, e proclamava seu favor restaurado. Enquanto Samuel fosse juiz, tudo iria
bem.
No entanto, as mudanças eram
iminentes. A tentativa de instaurar uma dinastia havia sido feita pela primeira
vez depois da vitória de Gideão sobre os midianitas, mas ele manteve a tradição
teocrática de Israel: “Não dominarei
sobre vós, nem tampouco meu filho dominará sobre vós; o Senhor vos dominará”
(Jz 8.23). Desde o momento em que Moisés obedecera ao chamado do Senhor (Êx
3.1-12), os líderes de Israel haviam sido nomeados por Deus e recebiam suas
ordens diretamente dEle. A questão do estabelecimento de uma dinastia não
surgiu senão quando Abimeleque, filho de Gideão com uma concubina cananéia (Jz
8.31), quis fazer a experiência, que teve curta duração. Entretanto, o
comentário “naqueles dias não havia rei em Israel” (Jz 18.1; 19.1) e especialmente o refrão acrescentado
em Juizes 17.6 e 21.25, “cada qual fazia
o que achava mais reto”, indicam a opinião do escritor de que um rei teria
diminuído a anarquia e estabelecido a ordem.
Opiniões conflitantes são
refletidas nas narrativas de 1 Samuel 812.
Samuel, que entendeu o pedido de um rei como um ataque pessoal à sua
liderança, nunca esteve totalmente harmonizado com o novo regime, apesar da
orientação divina que recebeu para ungir um rei. Ele avaliou o claro testemunho
das tradições de Israel quanto à viabilidade de depender da liderança do Deus
invisível e não conseguiu ver vantagem alguma
na adoção de
modelos cananeus de
reinado. Deus, porém, instruiu-o
a ungir Saul, e Samuel esteve à frente das várias etapas do estabelecimento de
Saul no cargo. A luz da pressão da opinião pública, o Senhor deu a Israel o rei
que pedira. Samuel fez advertências e exortações oportunas. Apesar da
apostasia de Israel ao pedir um rei,
o Senhor estava
agindo de forma
positiva para atingir
Seu propósito maior.
i.
O pedido de um rei (8.1-22). 1-3. Tendo Samuel envelhecidoassinala uma
mudança nas circunstâncias, reconhecida pelo próprio Samuel e
também pela nação.
Ele preparou-se para
o futuro, nomeando seus dois
filhos, Joel e Abias, que oficiavam no santuário em Berseba, para
servir de juizes para Israel.
Evidentemente, eles serviam como
seus representantes nessa cidade no extremo sul do território de Israel, bem
além do circuito regular de Samuel (cf.
1 Sm 7.16, 17).
Esses filhos de
Samuel revelaram-se antecipadamente desqualificados, porque, à
semelhança dos filhos de Eli que vieram antes deles, estavam mais interessados
em encher os próprios bolsos do que em manter a justiça.
4-6. Os anciãos todos de Israel foram unânimes e estavam suficientemente
em contato uns com os outros para se reunir em Ramá com o pedido para que
Samuel nomeasse um rei sobre nós, para quenos governe, como o têm todas as
nações (gôyim, no sentido de “gentios”). A expressão faz lembrar
Deuteronômio 17.14, 15, onde o
desejo de imitar
outras nações é
previsto e permitido,
em vez de aprovado. Samuel desaprovou de todo, mas
ainda assim consultou o Senhor. O papel de Samuel como intermediário entre os
anciãos e o Senhor e entre este e os anciãos é uma característica deste capítulo.
7-9. Atende à voz do povo: a reivindicação unânime
de Israel deveria ser atendida,
e isso é mencionado duas vezes
(c/ v.
9). O Senhor tinha Seu propósito
para o povo, mas neste mundo tão distante do
ideal Ele adaptou
seus planos e cedeu
o suficiente, a ponto
de conceder um rei
a Israel e
até incorporar a
monarquia em Sua auto-revelação a Israel. A realeza logo
se tomaria um tema importante do Antigo Testamento, mas esse era o padrão,
iniciado no êxodo, de recusa em obedecer ao governo do Senhor.
Eles rejeitaram... a mim, para eu
não reinar sobre eles: Samuel sentia que fora rejeitado, mas isso ocorria
principalmente porque ele se identificava com a causa do Senhor. Conforme
comenta Hertzberg:
Aqui emerge um dos aspectos básicos da história mundial: a luta do homem
contra Deus — tendo começado já em Gênesis 3, uma luta que, de acordo com o
esboço geral apresentado na Bíblia, tem raízes na posição especial dada ao
homem em Gênesis 1. Samuel experimenta
o que Moisés, os profetas e até Jesus experimentaram: “Não queremos que este
reine sobre nós” (Lc 19.14).
Ninguém é obrigado a
aceitar o governo de Deus, mas, em
última instância, não há como escapar disso, pois é Ele quem designa o
rei.
10-18. Embora o
Senhor tenha sancionado
a monarquia, Ele advertiu antecipadamente acerca do preço
que Israel iria pagar por essa inovação. É interessante e instrutivo observar os
modelos sociais que prevaleciam em Israel
até essa época.
Cada família havia
sido autônoma, sob a liderança de seus anciões. Ela não tivera
obrigações para com ninguém,
enquanto, sob um
rei, o recrutamento
para o trabalho militar
e agrícola restringiria
a liberdade de
Israel. Nem mesmo as
mulheres da família
escapariam, pois, na
condição de perfumistas, cozinheiras
e padeiras, elas serviriam
a casa real. Os impostos, que
eram desconhecidos, tornar-se-iam
cada vez mais opressivos, até
que as pessoas fossem praticamente escravas e clamassem por
liberdade. Contudo, tendo feito uma escolha deliberada dessa forma de governo,
Israel teria de conviver com suas imposições restritivas.
10.1. Ainda não chegara
a hora de
um anúncio público
do primeiro rei de Israel, e, do ponto de vista de Saul, era muito
generoso que ele tivesse tempo para se adaptar à repentina revelação de ser o
escolhido de Deus. Saul recebeu a unção que o distinguiu dentre todos seus
contemporâneos e que simbolizava a bênção do Senhor sobre ele para cumprir o
papel de príncipe (nãgíd) sobre a sua herança, o povode Israel. A LXX traz
“príncipe sobre seu povo Israel”; a IBB segue bem de perto o TM: “para ser príncipe sobre a sua herança”. Esta palavra “herança” geralmente se refere à
terra de Canaã, mas também é empregada
para designar o povo de Deus (e.g.,
1 Rs 8.53;
2 Rs 21.14; Is 19.25). A BJ e a BLH trazem um texto tirado da LXX (“Tu
és quem julgará o povo de Javé e o livrarás das mãos dos seus inimigos ao
redor. E este é o sinal de que Javé te ungiu como chefe da sua herança”), mas
que não aparece no hebraico, daí sua omissão na ARA, ARC e IBB. O acréscimo faz
uma transição melhor para o versículo 2 e para os sinais dados a Saul e
descritos a seguir.
2. O primeiro sinal
será um encontro com dois homens, os quais lhe garantirão que as jumentas de
seu pai foram encontradas. Depois, eles, por sua vez, tranqüilizarão seu pai
quanto à segurança de Saul.O local Zelza é desconhecido, mas o sepulcro de
Raquel, em algum lugar entre Betei e Belém (Gn 35.16-21), ficava próximo da
fronteira de Efraim com Benjamim;
Jeremias sugere que situava-se em Ramá (Jr 31.15). O atual “túmulo de Raquel”,
logo ao norte de Belém, erigido pelos cruzados, não está de conformidade com os
dados bíblicos.
3-4. O segundo sinal, junto ao carvalho de Tabor, um marco
na estrada de Betei, consiste em três viajantes que se dirigem para o
santuário ali. O que eles estão carregando são ofertas de sacrifício, mas Saul
deve aceitar os dois pães que lhe oferecerem, embora não seja sacerdote. Por
ser o ungido do Senhor, ele é uma pessoa sagrada e qualificada para comer pão
“santo”, como o fèz Davi (1 Sm 21.6).
Além disso, ele e seu servo têm suas necessidades satisfeitas.
5-7. O terceiro sinal ocorre em Gibeá-Eloim, onde havia
outro “alto” (cf. 1 Sm 9.12, 14). O nome significa “colina de
Deus” e pode indicar Gibeá, a própria cidade de Saul. A referência à presença
de filisteus ali é um lembrete da ameaça que Saul deverá dissipar, mas ele
precisa ser revestido
de poder pelo
Espírito de Deus.
Esse revestimento de poder aconteceu não por intermédio de Samuel, mas
por um grupo de
profetas que profetizavam
ao som de
música. O Espírito do Senhor
levaria Saul a profetizar, e ele seria mudado
emoutro homem (lit., “sofreria uma reviravolta”, “seria transformado”).
Esses sinais serão a prova de que o Senhor está com ele, mas, de sua parte,
Saul deve cumprir tudo o que o Senhor lhe ordenar. De acordo com o contexto,
esse parece ser o significado da expressão idiomática “o que achar a tua mão
para fazer” (IBB; o que a ocasião te pedir,ARA)
8. Tu... descerás diante de mim a Gilgal, o importante
santuário perto de Jericó, em território benjamita. Visto que estava situado
num vale fendido, 300 metros abaixo do nível do mar, o viajante literalmente
“descia”. Uma vez ali, Saul devia esperar por Samuel durante sete dias, para
que este oferecesse sacrifícios. Parece que a instrução foi dada mais de uma
vez (cf. 1 Sm 13.8).
9-13. Saul estava firmemente decidido a ser obediente e,
quando deixou Samuel, Deus lhe
mudou o coração (lit., “transformou para ele”; cf. v. 6). Ocorreu
uma mudança dentro dele porque Deus estava agindo nele.
Todos os sinais se cumpriram,
mas só um é relatado. Quando esteve com os profetas,
Saul também profetizou, e o povo do local, que evidentemente conhecia bem a
Saul (um dado que favorece a Gibeá como o local), fez comentários de
desaprovação. O filho de Quis devia se
comportar melhor, em vez de
se misturar com
essa gente. Quem é o pai deles? sugere o escárnio de profetas
ilegítimos, que, em termos sociais, não eram ninguém. No entanto, não demoraria
muito para que Saul se opusesse ao profeta Samuel; daí a ironia implícita no
comentário também Saul entre os profetas?, que se tornou um dito proverbial
para indicar uma aliança incompatível. De fato, ele não era profeta, embora seu
estado de êxtase indicasse que podia ser. As pessoas da época, acostumadas com
o êxtase religioso em ritos ca- naneus (cf.
1 Rs 18.26-29), não aceitaram passivamente as implicações de tal
comportamento. A experiência pode ter sido de Deus, sem necessariamente indicar que
Saul teve o chamado profético;
o tempo diria, e havia testes objetivos (Dt 18.22), da mesma forma como há para a igreja
(1 Jo 4.1-3). Para Saul, o importante
era que os sinais preditos por Samuel se cumpriram, e, por isso, ele podia ter
certeza de que o Senhor estava com ele. Não há qualquer indício de que voltou a
profetizar (exceto em sua rejeição e humilhação, 1 Sm 19.23, 24).
Seguiu para o alto:
o artigo definido indica o lugar citado no versículo 5, perto de sua
casa.
14-16. As perguntas diretas não evocam de Saul nada além do
mais simples esboço dos acontecimentos. Aqui, há mais do que uma reticência
natural, pois Samuel tivera cuidado de compartilhar secretamente com Saul (1
Sm 9.27), e este sabe que não deve dizer nada sobre a unção. Provavelmente, a
notícia de que Samuel tratara Saul com toda honra havia chegado a Gibeá, onde a
curiosidade teria sido despertada. Finalmente o narrador emprega a palavra
reino (hamnflúkâ). O rei foi de fato escolhido, mas sua identidade ainda será
revelada.Ui. Saul é escolhido e aclamado rei (10.17-27).
17. Samuel, que havia
mandado as pessoas para casa (1 Sm
8.22), agora as reúne em Mispa, o mesmo lugar onde havia intercedido e perto de
onde havia erigido a pedra da vitória (1 Sm 7.5-12). No local em que a
liderança profética de Samuel havia se confirmado mais claramente, ele daria
início à uma nova era que o povo havia exigido.
18-19. Samuel usa como suas as palavras do Senhor que
refletem os primeiros termos do Decálogo (Êx 20.12; Dt 5.6), o alicerce da
consagração da aliança de Israel. Os
atos salvíficos do Senhor haviam prosseguido até a época deles, mas, apesar dos
livramentos que tinham visto, incluindo aquele em Mispa, havia um clamor
popular por um rei. Embora Samuel considerasse esse clamor uma rejeição de
Javé, ainda assim ele convocou o povo, pelas vossas tribos e pelos vossos
gruposde milhares, a se apresentar perante o Senhor, que evidentemente não os
havia abandonado. Essa interessante referência à organização social de Israel
na época mostra que a unidade básica, a tribo, estava subdividida em
“milhares” (’alãpim), o equivalente de “famílias” no versículo 21. A palavra
que mais tarde veio a significar “mil” tinha nessa data remota um sentido menos
preciso.1 Por essa razão, os números
baseados nesta subunidade da tribo não podem ser utilizados para calcular o
tamanho da população nem do exército.
20. Foi indicada por sorte a (tribo) de Benjamim: o ato de
lançar sortes era uma prática comum em todo o mundo antigo, e foram feitos
preparativos em Israel para que a orientação do Senhor fosse recebida assim. A
terra de Canaã foi distribuída por sorteio (Js 18.10); o sorteio também
decidiria o destino dos dois bodes no dia da expiação (Lv 16.8-10); e
o responsável pela
derrota em Ai
foi descoberto pelo mesmo método (Js 7.16-18). As decisões
tomadas assim eram consideradas definitivas (Pv 18.18), pois o Senhor estava
controlando o resultado (Pv 16.33). O último emprego de sorteio registrado na
Bíblia está em Atos 1.26.
21. Fez-se depois
uma seleção entre as principais subdivisões de Benjamim, entre as grandes
famílias que descendiam dos “pais”. A família de Matri não é mencionada em
nenhum outro lugar do Antigo Testamento, mas não existe justificativa textual
para substituir por “bi- critas”, palavra oriunda do nome “Bequer”, em 1
Crônicas 7.6, onde são citados os filhos de Benjamim (cf 2 Sm 20.1, “Seba,
filho de Bi- cri”).1 Por um processo de
eliminação, finalmente Saul foi indicado como a escolha de Deus.
22-23. O fato de Saul não estar presente deixa todos
perplexos. Será que o sorteio não indicou a resposta certa? “Não veio o homem
ainda para cá?” (IBB, que dá o sentido do hebraico, enquanto a ARA acompanha a
LXX, se aquele homem viera ali) insinua que
Samuel pode ter se esquecido de alguém ao realizar o processo de
escolha. Mas a palavra do Senhor conduziu os líderes ao esconderijo de Saul.
Por que ele se escondeu? Ele tivera tempo para se preparar para esse momento,
mas parece que não conseguia se ver no papel de rei, embora agora
tivesse a certeza
da unção profética
confirmada pelo sorteio. Com
relutância, mostrou que era de um físico avantajado e, por isso, aceitável pelo
povo para ser seu líder; mas ele não queria ser rei.
24. O segredo é
revelado, Saul é aceito como rei e aclamado publicamente, com uma expressão
comum no Oriente Próximo e que se tornou tradicional (1 Rs 1.25, 31, 34, 39; 2 Rs 11.12; 2 Cr 23.11) e hoje encontra um paralelo
exato, por exemplo, na França: “Vive le
roi!”. A questão foi tirada das mãos de Saul; todo o povo pensava da mesma
maneira, e não havia como escapar da decisão deles; Saul não teve oportunidade
alguma de protestar. Além disso, Samuel planejou e organizou, dentro de um
contexto de aliança, o acontecimento memorável, levando as pessoas a se conscientizar
da acusação de que haviam rejeitado o reinado de Javé (v. 19) e, então,
dando-lhes seu novo líder. Assim como a arca fora aclamada com grandes gritos
(1 Sm 4.5), agora, de maneira semelhante, Saul é aclamado. Por exigência
popular, havia sido nomeado um rei;
contudo, se Israel pensava que seu rei solucionaria todos os problemas
do povo ao levá-lo a vitórias sem considerar a lei de Deus, estava totalmente
errado.
25. A cerimônia
possuía mais um
aspecto importante: a
monarquia que Israel havia adotado não era como a das nações, pois
estava circunscrita com
“direitos e deveres” (BLH; mispat; são
necessárias as duas palavras para transmitir a idéia do hebraico),
estabelecidos para evitar o estilo de governo opressivo, descrito em 1
Samuel8.11-18, e para assegurar uma monarquia constitucional. Ademais, fica
claro que essas estipulações que regem a monarquia são estabelecidas pelo profeta
do Senhor; se
houve alguma esperança
de fazer uma separação entre a política de Israel e as
determinações da aliança, tal expectativa não se concretizou, pois, à
semelhança das leis da aliança do Sinai, os direitos e deveres do governo
monárquico estavam escritos num livro posto perante o Senhor (i.e., no
santuário; cf. Dt 31.26; Js 24.26). A aliança foi simplesmente ampliada a fim
de abranger o monarca e evitar que ele tomasse liberdades para com seu povo ou exercesse um poder despótico
sobre ele. Samuel então determinou que a assembléia se dissolvesse.
26-27. Saul foi na frente, em obediência a Samuel, e voltou
para casa; ao mesmo tempo, descobriu que havia pessoas que o seguiam e que
apoiavam seu estilo de governo monárquico, conforme definido por Samuel.
Esses eram “homens
de valor” (IBB; hahayíl, Iit.,
a “força”), pessoas preparadas para lutar sob o comando de Saul e impor
sua liderança. Esses eram homens cujos
corações Deus tocara, como também
havia tocado o de Saul, transformando-o (v. 6); outros, porém, não quiseram
esse tipo de rei teocrático e não esconderam seu desprezo por Saul, chegando ao
ponto de não entregar os presentes de costume. Pode ser um ponto positivo para
Saul o fato de ele não ter dado ouvidos, mas o leitor sente-se inseguro sobre
como esse novo rei lidará com a oposição e instaurará um estilo pioneiro de
governo monárquico, de conformidade com os estatutos dados por Samuel. Por
enquanto, ele ainda tem de demonstrar na prática que possui o que é
necessário para comandar Israel na
guerra, e rapidamente
surge uma oportunidade para tal
demonstração.
I e II Samuel
introdução e comentário Joyce G. Baldwin


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