segunda-feira, 28 de outubro de 2019

LIÇÃO 5 - A Instituição da Monarquia em Israel


I.                    POR QUE MONARQUIA?

 Um Sentimento de Orgulho Nacional
Uma leitura geral do capítulo 8 de 1 Samuel esclarece alguns porquês que levaram o povo a solicitar a monarquia. Mas vale evidenciar que os críticos acreditam e aludem que tanto esse texto como os capítulos 10 a 12 tratam, na verdade, de uma narrativa que se segue à implantação da monarquia e que o que se poderia ter então aqui é uma crítica histórica que se faz a essa instituição.

 Podemos dizer que a monarquia terá diversas causas no processo histórico da existência do povo de Deus. Na época dos juízes, o quadro é de total celeuma, anarquia, falta de autoridade (Jz 21.25) e, dentro do próprio sistema dos juízes, já havia o desejo por uma liderança centralizada em boa parte do povo. Isso se comprova porque o povo solicitou que Gideão fosse o líder deles (Jz 8.22,23).

Alguns biblistas, especialmente aqueles que trabalham com o Antigo Testamento, apontam que havia uma falta de consenso quanto à questão da monarquia, pois alguns dentre os judeus achavam que isto era certo e bom: ter um só líder que pudesse estar à frente do povo de Deus. Através da implantação da monarquia, segundo a visão de alguns, a concentração e a unificação de Israel dar-se-iam de maneira mais fácil, sobretudo com um líder capaz de organizar uma força militar poderosa e uma adoração centralizada, dando proteção a todos. Essa instituição era imprescindível; para outros, porém, não era necessário. Assim pensava Samuel.

Sendo ou não correta a implantação da monarquia, o desejo de um líder com poder centralizado já era grande, e o que vai colocar mais lenha na fogueira são algumas causas externas. Uma delas é a velhice de Samuel. Ele, que foi a grande esperança de todos, que conseguiu colocar Israel no eixo da vontade divina, estava se apagando. Muitos temiam surgir uma liderança como fora a de Eli; por isso, todos se empenharam em buscar um rei que lhes desse proteção e estabilidade.

 Hermeneuticamente, não é fácil explicar Deuteronômio 17.14,15, posto que, na opinião de muitos estudiosos, o que se percebe pela sua leitura é uma monarquia antecipada da parte de Deus, a qual seria implantada no seu momento certo. Não há dúvidas de que o Senhor desejava a monarquia; nela, porém, Deus seria o rei que escolheria um humano para estar à frente do seu povo.

 No geral, ocorre que o povo, já tendo o desejo de ter um rei, procurava aproveitar-se de qualquer circunstância para que esse projeto viesse a ser consolidado. Assim, diante da velhice de Samuel e da vida corrupta que seus filhos levavam, foi formada uma comissão para ter com esse juiz e, com isso, solicitar a implantação da monarquia.

No que tange à comitiva que foi falar com Samuel, que o texto diz que eram os anciãos de Israel, na verdade tratava-se de líderes de famílias, tribos ou os principais da cidade que tinham autoridade. Eles formavam um tipo de assembleia geral. Esse tipo de ajuntamento não era algo novo no momento. Estava presente quando Moisés foi enviado para libertar os israelitas do poder de Faraó (Êx 3.16). Por causa da casa de Eli, Samuel reviveu na mente deles o procedimento maléfico dos filhos do sacerdote, de maneira que temeram que toda aquela situação antiga viesse à tona outra vez. Essa comitiva viu Samuel como um bom juiz, mas não acreditava em seus filhos. Entendia-se que agora havia chegado o momento de acabar de vez com o sistema dos juízes, posto que eles eram sempre falhos, vulneráveis, pecaminosos e não inspiravam confiança. Por isso, disseram: “Dá-nos um rei”.

 Nada poderia justificar esse pedido feito pela assembleia geral, primeiro porque estava se esquecendo de que os juízes que surgiam vinham por meio de uma aprovação divina e, em segundo lugar, ainda que a monarquia fosse implantada, ela seria dirigida por homens pecaminosos também.

O âmago do pedido está revelado quando os israelitas dizem querer um rei como todas as demais nações tinham. Nesse particular, estavam colocando-se no nível daqueles pagãos, que não tinham compromisso com Deus, que eram independentes. Samuel não aprovou o pedido, posto que eles queriam ser como as nações pecaminosas. A questão de querer uma monarquia não era pecado, pois se teria muitas vantagens na concentração de um poder unificado em torno da autoridade de um homem em tempos de constantes guerras. Porém, a grande questão é que o próprio povo que pede um rei era pecaminoso e só se voltava para Deus em momentos de grandes crises, desespero, e foi nesse momento que solicitaram um rei.

O pedido da assembleia não soou bem aos ouvidos de Samuel, que entendia que se estava rejeitando a teocracia em razão da monarquia. Todavia, nesse particular, foi um pouco flexível, pois entendia que havia perigo nos dois lados: no sistema dos juízes, os homens pecavam, e a monarquia seria dirigida também por homens; ele, então, vai buscar uma orientação divina, o que dará oportunidade para a monarquia. O historiador Flávio Josefo diz que esse pedido incomodou Samuel, que passou a noite toda em oração. Orar em momentos de grandes decisões e crises é fundamental para o cristão; como falou Tiago, a oração do justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16).

Deus respondeu a Samuel dizendo que permitiria o estabelecimento da monarquia. É claro, essa concessão da parte divina não é porque Ele entendesse ser o melhor para Israel, posto que muitos reis irão ser pecadores, infligidores de leis, corruptos, etc.; porém, frente ao que vinha acontecendo, no caso dos juízes (Jz 17.6; 21.25), esse novo sistema poderia ser uma nova chance de melhoria para a nação.

 Podemos dizer que o propósito especial da parte de Deus foi antecipado pelo povo, de maneira que o ideal foi sacrificado, mas isso aconteceria porque faria parte do processo da formação de Israel para que todos entendessem que um bom governo, sucesso e paz não se encontram no homem ou na forma do sistema político, mas somente em Deus.

O Novo Comentário da Bíblia, falando desse pedido e da implantação da monarquia, expressa: Mas a perversidade e a fraqueza dos homens levaram à desobediência, ao fracasso. Só em presença do perigo é que o povo dava ouvidos às mensagens do Senhor. Agora, levado por um sentimento de orgulho nacional, vai pedir um rei. A monarquia, no fim de contas, nos destinos da Providência, tinha por objetivo dar ao povo eleito uma ideia do reinado messiânico. Mas, se tivessem seguido fielmente a Deus, tornava-se dispensável a presença dum rei terreno. 52

Conforme a citação acima, entendemos o porquê de Deus permitir a monarquia, para imprimir no povo um ideal messiânico, pois é a partir desse momento que se pode entender que o texto de Deuteronômio seria escatológico, apontando para Jesus Cristo, o rei ideal, o qual sairia da casa de Davi .

O Fracasso dos Filhos de Samuel

Todo líder deve ter o cuidado necessário para não ensinar ou pregar algo durante toda a sua vida e, no final, não cumprir. Foi o que aconteceu com Samuel. O que ele viu na família de Eli agora estava acontecendo na sua. Ele não repreendeu seus filhos, o que prejudicou seriamente sua influência sobre o povo. Cuidar bem da casa é o segredo para que toda a família do pastor tenha êxito até o final da jornada. Daí a importância de seguir a recomendação de Paulo: “Que governe bem a sua própria casa” (1 Tm 3.4).
Pelo nome dos dois filhos de Samuel, logo poderia ser concluído o que se esperava de cada um deles. Joel, do hebraico, quer dizer “Jeová é Deus”. Abias, “Jeová é meu Pai”. Nenhum dos dois fez jus ao seu nome. Samuel foi um grande homem; sua moral e seu caráter, ilibados, mas nenhum de seus filhos seguiu seus passos.

O grande erro de Samuel foi querer assegurar o seu futuro colocando filhos de caráter corrupto na obra. Isso foi o estopim para que aumentasse o desejo de Israel de ter um novo rei. Alguns estudiosos dizem que esses filhos vieram a corromper-se depois, mas, mesmo assim, podemos declarar que houve erro da parte de Samuel em dar autoridade aos filhos de vida moral baixa; depois, o erro dos filhos foi não proceder de acordo com a sinceridade do pai. O homem de Deus deve sempre agir confiando e dependendo da graça divina. Samuel errou profundamente e sentiu-se rejeitado pelo povo por não aceitar seus filhos, mas, diante de toda a situação, ele volta para o caminho certo, buscando a orientação do Senhor. Se tivesse feito isso desde o início, ele não teria sofrido esse drama no final de seu ministério. Ainda que venhamos a falhar e que outros possam abandonar-nos, o melhor mesmo é entregar tudo nas mãos de Deus e buscar a sua orientação.

Rejeitando os Planos de Deus
Lendo 1 Samuel 19.11, entendemos que os anciãos já estavam determinados. Tudo o que Samuel falou não teve qualquer resultado. Estudiosos têm procurado saber a causa da postura desses anciãos. Alguns dizem que eles pensavam que Samuel haveria de escolher um deles, o que não aconteceu.

Precisamos atentar para a postura de Samuel: ele não pediu qualquer orientação ou sugestão deles que pudesse fazê-los acreditar que seria como esperavam. Samuel voltou-se apenas para o Deus verdadeiro, o Senhor de todas as coisas, e somente a Ele pediu a direção. Deus disse para Samuel atender o povo, mas nada seria como eles pensavam. Tudo aconteceria conforme a determinação divina. Um verdadeiro líder não pode ficar em uma reunião procurando ouvir “a” ou “b”. É claro, ele deve buscar conselhos, mas sua prioridade será sempre se voltar para o dono da obra, buscando orientação. Desse modo, terá a direção mais sábia do mundo.

Os israelitas estavam se esquecendo de que, até o momento em que estavam vivendo, eles sempre foram guiados e orientados por Deus. O Senhor concedeu líderes importantes em cada situação, deu-lhes os seus mandamentos, livrou-os de poderes opressores; agora, no entanto, por causa dessa atitude nada inteligente, tudo iria mudar.

Buscando ser como as outras nações, Israel estaria cometendo alguns erros, a saber: (1) queria ter as mesmas questões políticas que as outras nações; (2) deixaria de ter os líderes locais para concentrarem-se apenas em um poder maior; e (3) desejava um líder famoso como os das nações para fazer suas guerras.

A tomada de atitude de Israel desprezava em tudo a ação divina, inclusive todo o trabalho que Senhor já havia feito por eles antigamente. Todo esse processo causou grandes estragos para o povo de Deus, mas foi aceito pela permissão divina, e não por vontade própria

II.                  A ESCOLHA DE SAUL COMO REI

Por que Saul?

 Em tudo há um propósito especial de Deus; assim, podemos asseverar que o escritor de 1 Samuel faz menção à escolha de Saul, ainda que Davi seja o cerne da questão. Ele queria pedagogicamente evidenciar sua preocupação com o tipo de líder que seria escolhido. O povo já tinha recebido de Deus o tipo de líder que deveria estar à frente do seu povo: Samuel. Na verdade, ele era um tipo de símbolo. Como diz Roy B. Zuck, Samuel era o epítome do líder religioso que o Senhor queria para governar o povo.

Saul entra nesse cenário por um ato soberano de Deus. Isso para evidenciar ao povo, pela permissão divina, como é o tipo de rei que não satisfaz os padrões divinos. Quando o povo rejeitou Samuel, estava rejeitando uma liderança segundo os propósitos divinos, que realmente temia a Deus. Aceitar Saul era escolher um líder que não tinha temor a Deus. Assim, pode-se afirmar que existe certa ambivalência textual: enquanto os filhos de Eli eram pecadores, Samuel mostrou-se santo e comprometido com as coisas divinas; enquanto Saul desprezava a Deus, Davi procurava, mesmo com suas falhas, servir ao Senhor.

A Unção de Saul por Samuel

O que se sabe de Saul é que ele era de uma família bem humilde e de formação rural. Sua tribo havia sofrido uma grande redução. No tocante à unção feita por Samuel, na verdade apontava mais para um juiz carismático, não propriamente um rei. Note que as narrativas das batalhas das quais ele participou e a vitória que teve são memórias que remontam à época dos juízes. Três sinais são dados por Samuel a Saul para confirmar sua unção como líder ou chefe de Israel. Eles vão acontecer em lugares diferentes e buscam satisfazer alguma necessidade de Saul. O primeiro sinal acontece em Selsá, do hebraico “vir sobre”, uma referência ao Espírito que veio sobre Saul (1 Sm 10.6-10). É interessante entender que esse sinal apontava para o encontro das jumentas, mas tratava do trabalho e da vida de Saul. No segundo sinal, temos a provisão de cabritos, pães e vinhos; na verdade, tratava-se de alimentos, o que era necessário para que ele tivesse um bom sustento para desenvolver seu trabalho. Devemos entender que essas dádivas divinas eram consagradas a Deus, o que pode declarar a aprovação divina. No terceiro sinal de Saul como novo rei, está claro que sua realeza estaria ligada com o dom do Espírito Santo, o que o levaria a profetizar. Saul não seria apenas um rei, mas alguém que teria na boca as palavras do Senhor, como Samuel.

Saul teve os sinais que confirmavam sua escolha e é assegurado por  Samuel que Deus estaria com Ele (1 Sm 10.6,7). Por meio desses sinais, estava declarado para Saul que ele era o escolhido, mas todo o sucesso dependeria da sua rendição plena à vontade soberana do Senhor, o que não aconteceu. Que ele teve experiência com o Senhor em meio aos profetas, é uma realidade, mas só o tempo revelaria, de fato, se ele havia sido transformado ou não (Dt 18.22).

III.                O REI QUE O POVO ESCOLHEU

Uma Escolha Pautada na Aparência O interessante é que, na questão da escolha de Saul como o primeiro rei de Israel, alguns estudiosos supõem que Deus permitiu isso como um tipo de concessão, visto que, três séculos atrás, tanto a cidade como a tribo foram quase que totalmente extintas, mas o certo é que a escolha feita pelo povo não priorizava as virtudes ou as qualidades espirituais vistas em Samuel, e, sim, a aparência física.

 Saul tinha boas qualidades físicas, porém, no espiritual, suas qualidades eram péssimas. Nesse particular, seguindo a visão de Stanley A. Ellisen, 53 ele era impaciente, imprudente, egoísta, exigente, desobediente a Deus, cheio de ciúme. Era orgulhoso e não se humilhava quando repreendido pelo Senhor. Com tudo isso, aprendemos como é perigoso escolher um líder apenas atentando para a capacidade ou qualidades humanas em detrimento daquilo que é espiritual. Por isso, o melhor mesmo é orar ao Senhor da seara para que Ele envie a pessoa certa (Lc 10.2).

Temos que entender que ser rico, bonito e inteligente não impede alguém de fazer a obra de Deus, mas não necessariamente é um sinal de aprovação divina. Davi é descrito como sendo um homem de muitas qualidades humanas (1 Sm 16.18). Sua escolha não se deu por isso, mas, sim, pelo amor e temor que ele manifestava para com Deus. No tocante à aparência física — que, por vezes, é um tema presente em Samuel —, na verdade, trata-se de uma ênfase do autor como um tipo de advertência, que não se deve confiar nisso e que, por vezes, os dons exteriores podem servir como impedimento, pois corre-se o risco de confiar-se mais neles do que no Senhor, como aconteceu com Absalão e com Adonias.

Os Direitos do Novo Rei

Deus cede ao pedido do povo, mas deixa claro quais são os direitos que o rei terá, ou seja, esse novo posicionamento do povo traria peso sobre ele. Sociologicamente, olhando para a forma como Israel vivia antes da monarquia, cada família era dirigida pelos seus anciãos; eram todos livres.

 Vivendo agora um novo momento histórico, tendo um rei, o povo, que antes não prestava serviço a ninguém e que vivia dominado e orientado pelo Senhor, doravante iria sair dessa vida autônoma para uma vida de submissão, que envolvia alguns aspectos: (a) Militar – seriam convocados para a guerra; (b) Agrícola – o melhor das colheitas seria para o rei; (c) Serviços gerais – as mulheres trabalhariam como perfumistas, cozinheiras, padeiras, etc.; (d) Impostos – doravante pagariam impostos ao rei. Note que, no versículo 15, aparece pela única vez a cobrança feita pelo rei para a entrega do dízimo. A vida livre que antes Israel vivia agora seria marcada pela imposição. A situação iria cada vez mais se intensificar, a ponto de os israelitas voltarem-se para o Senhor. Samuel passa a descrever sobre as exigências reais. Estudiosos falam que elas não são tão pesadas como as do então Estado Moderno.

 O primeiro grande problema que iria surgir para a nação de Israel no momento em que constituísse um rei é que, antes, os israelitas eram vistos como tribos dirigidas por líderes familiares e, assim, adotando características de um império, logo a nação seria considerada uma ameaça, o que faria com que vivessem em constante guerra (2 Sm 6.1; 8.15-18).

O texto diz que o rei iria presentear seus ministros, ou seja, aqueles que servissem bem. O presente, na verdade, era tomar a terra de alguém e entregar a esses servos reais. Tudo que fosse melhor — jovens, bois, frutos, impostos da colheita — o rei teria direito de tomar.

O Novo Sistema Político e o Aspecto Teológico

 Pelo novo sistema político, Deus não deixaria de trabalhar no meio de seu povo. Os reis deveriam dali em diante governar tendo como medida o reino superior de Deus, com justiça e equidade. Caso não procedessem assim, seriam julgados pelo Senhor. Deus havia feito um pacto perpétuo com a casa de Davi: ela teria que proceder com equidade, porém sempre fracassou. O que ficou foi a promessa que, da linhagem de Davi, viria o grande Rei, Jesus, que julgará os povos com justiça (Is 11; Jr 23; Ez 34).

Teologicamente, pode-se perceber que 1 Samuel revela Deus agindo do começo ao fim. Na oração de Ana, ela descreve-o como o Deus que controla tudo, ou seja, o destino do seu povo e da raça humana. Ele é quem abate e exalta, inclusive é quem dará força ao rei e ao seu ungido (1 Sm 2.1-10). Assim, entendemos que, no novo sistema político, a monarquia, Deus continuaria reinando no cenário humano, mas tendo como representante maior o seu ungido, o qual deveria representar a justiça do Senhor perante seu povo. Caso não seguisse o padrão de justiça estabelecido por Deus, o rei, então, seria castigado.

                                                OSIEL GOMES





                                                      I e II Samuel
                                            Introdução e comentário
1      
            Samuel  7 demonstra o  melhor da liderança de  Samuel.
 Em Mispa, ele havia levado a nação ao arrependimento, mediante uma re­forma religiosa, enquanto a pedra denominada Ebenézer tomou-se um memorial do fato de que o Senhor respondeu às intercessões de Sa­muel e de que concedeu uma vitória notável sobre os filisteus.  “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Sm 7.12) trazia o triunfo dos dias passa­dos para a experiência da geração daqueles dias, e proclamava seu fa­vor restaurado. Enquanto Samuel fosse juiz, tudo iria bem.

No entanto, as mudanças eram iminentes. A tentativa de instaurar uma dinastia havia sido feita pela primeira vez depois da vitória de Gideão sobre os midianitas, mas ele manteve a tradição teocrática de Is­rael:  “Não dominarei sobre vós, nem tampouco meu filho dominará sobre vós; o Senhor vos dominará” (Jz 8.23). Desde o momento em que Moisés obedecera ao chamado do Senhor (Êx 3.1-12), os líderes de Israel haviam sido nomeados por Deus e recebiam suas ordens dire­tamente dEle. A questão do estabelecimento de uma dinastia não sur­giu senão quando Abimeleque, filho de Gideão com uma concubina cananéia (Jz 8.31), quis fazer a experiência, que teve curta duração. Entretanto, o comentário “naqueles dias não havia rei em Israel” (Jz 18.1;  19.1) e especialmente o refrão acrescentado em Juizes  17.6 e 21.25, “cada qual fazia o que achava mais reto”, indicam a opinião do escritor de que um rei teria diminuído a anarquia e estabelecido a or­dem.

Opiniões conflitantes são refletidas nas narrativas de 1 Samuel 8­12.  Samuel, que entendeu o pedido de um rei como um ataque pessoal à sua liderança, nunca esteve totalmente harmonizado com o novo re­gime, apesar da orientação divina que recebeu para ungir um rei. Ele avaliou o claro testemunho das tradições de Israel quanto à viabilidade de depender da liderança do Deus invisível e não conseguiu ver van­tagem  alguma  na  adoção  de  modelos  cananeus  de  reinado.  Deus, porém, instruiu-o a ungir Saul, e Samuel esteve à frente das várias eta­pas do estabelecimento de Saul no cargo. A luz da pressão da opinião pública, o Senhor deu a Israel o rei que pedira. Samuel fez advertên­cias e exortações oportunas. Apesar da apostasia de Israel ao pedir um rei,  o  Senhor  estava  agindo  de  forma  positiva  para  atingir  Seu propósito maior.

i.                     O pedido de um rei (8.1-22).  1-3. Tendo Samuel envelhecidoassinala uma mudança nas  circunstâncias,  reconhecida pelo  próprio Samuel  e  também  pela  nação.  Ele  preparou-se  para  o  futuro, nomeando seus dois filhos, Joel e Abias, que oficiavam no santuário em Berseba,  para  servir de juizes  para  Israel.  Evidentemente,  eles serviam como seus representantes nessa cidade no extremo sul do ter­ritório de Israel, bem além do circuito regular de Samuel (cf.  1  Sm 7.16,  17).  Esses  filhos  de  Samuel  revelaram-se  antecipadamente desqualificados, porque, à semelhança dos filhos de Eli que vieram an­tes deles, estavam mais interessados em encher os próprios bolsos do que em manter a justiça.

4-6. Os anciãos todos de Israel foram unânimes e estavam sufi­cientemente em contato uns com os outros para se reunir em Ramá com o pedido para que Samuel nomeasse um rei sobre nós, para quenos governe, como o têm todas as nações (gôyim, no sentido de “gen­tios”). A expressão faz lembrar Deuteronômio  17.14, 15, onde o de­sejo  de  imitar  outras  nações  é  previsto  e  permitido,  em  vez  de aprovado. Samuel desaprovou de todo, mas ainda assim consultou o Senhor. O papel de Samuel como intermediário entre os anciãos e o Senhor e entre este e os anciãos é uma característica deste capítulo.

7-9. Atende  à voz do povo:  a reivindicação  unânime  de Israel deveria ser atendida,  e  isso é mencionado duas vezes (c/  v.  9).  O Senhor tinha Seu propósito para o povo, mas neste mundo tão distante do  ideal  Ele  adaptou  seus  planos  e cedeu  o  suficiente,  a ponto  de conceder  um  rei  a  Israel  e  até  incorporar  a  monarquia  em  Sua auto-revelação a Israel. A realeza logo se tomaria um tema importante do Antigo Testamento, mas esse era o padrão, iniciado no êxodo, de recusa em obedecer ao governo do Senhor.

Eles rejeitaram...  a mim, para eu não reinar sobre eles: Samuel sentia que fora rejeitado, mas isso ocorria principalmente porque ele se identificava com a causa do Senhor. Conforme comenta Hertzberg:

Aqui emerge um dos aspectos básicos da história mundial: a luta do homem contra Deus — tendo começado já em Gênesis 3, uma luta que, de acordo com o esboço geral apresentado na Bíblia, tem raízes na posição especial dada ao homem em Gênesis 1. Sa­muel  experimenta o que Moisés, os profetas e até Jesus experi­mentaram: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19.14).

Ninguém  é obrigado a aceitar o governo de Deus, mas, em  última instância, não há como escapar disso, pois é Ele quem designa o rei.

10-18.  Embora  o  Senhor  tenha  sancionado  a  monarquia,  Ele advertiu antecipadamente acerca do preço que Israel iria pagar por essa inovação. É interessante e instrutivo observar os modelos sociais que prevaleciam  em  Israel  até  essa  época.  Cada  família  havia  sido autônoma, sob a liderança de seus anciões. Ela não tivera obrigações para  com  ninguém,  enquanto,  sob  um  rei,  o  recrutamento  para  o trabalho  militar  e  agrícola  restringiria  a  liberdade  de  Israel.  Nem mesmo  as  mulheres  da  família  escapariam,  pois,  na  condição  de perfumistas,  cozinheiras  e padeiras,  elas  serviriam  a casa real.  Os impostos,  que  eram  desconhecidos,  tornar-se-iam  cada  vez  mais opressivos,  até  que  as pessoas fossem  praticamente escravas e clamassem por liberdade. Contudo, tendo feito uma escolha deliberada dessa forma de governo, Israel teria de conviver com suas imposições restritivas.


10.1. Ainda  não  chegara  a  hora  de  um  anúncio  público  do primeiro rei de Israel, e, do ponto de vista de Saul, era muito generoso que ele tivesse tempo para se adaptar à repentina revelação de ser o escolhido de Deus. Saul recebeu a unção que o distinguiu dentre todos seus contemporâneos e que simbolizava a bênção do Senhor sobre ele para cumprir o papel de príncipe (nãgíd) sobre a sua herança, o povode Israel. A LXX traz “príncipe sobre seu povo Israel”; a IBB segue bem  de perto o TM: “para ser príncipe  sobre a sua herança”.  Esta palavra “herança” geralmente se refere à terra de Canaã, mas também é  empregada para designar o povo de Deus (e.g.,  1  Rs  8.53;  2 Rs 21.14; Is 19.25). A BJ e a BLH trazem um texto tirado da LXX (“Tu és quem julgará o povo de Javé e o livrarás das mãos dos seus inimigos ao redor. E este é o sinal de que Javé te ungiu como chefe da sua he­rança”), mas que não aparece no hebraico, daí sua omissão na ARA, ARC e IBB. O acréscimo faz uma transição melhor para o versículo 2 e para os sinais dados a Saul e descritos a seguir.

2.    O primeiro sinal será um encontro com dois homens, os quais lhe garantirão que as jumentas de seu pai foram encontradas. Depois, eles, por sua vez, tranqüilizarão seu pai quanto à segurança de Saul.O local Zelza é desconhecido, mas o sepulcro de Raquel, em al­gum lugar entre Betei e Belém (Gn 35.16-21), ficava próximo da fron­teira de Efraim  com Benjamim; Jeremias sugere que situava-se em Ramá (Jr 31.15). O atual “túmulo de Raquel”, logo ao norte de Belém, erigido pelos cruzados, não está de conformidade com os dados bíbli­cos.

3-4. O segundo sinal, junto ao carvalho de Tabor, um marco na estrada de Betei, consiste em três viajantes que se dirigem para o san­tuário ali. O que eles estão carregando são ofertas de sacrifício, mas Saul deve aceitar os dois pães que lhe oferecerem, embora não seja sacerdote. Por ser o ungido do Senhor, ele é uma pessoa sagrada e qualificada para comer pão “santo”, como o fèz Davi (1  Sm 21.6). Além disso, ele e seu servo têm suas necessidades satisfeitas.

5-7. O terceiro sinal ocorre em Gibeá-Eloim, onde havia outro “alto” (cf.  1  Sm 9.12, 14). O nome significa “colina de Deus” e pode indicar Gibeá, a própria cidade de Saul. A referência à presença de filisteus ali é um lembrete da ameaça que Saul deverá dissipar, mas ele precisa  ser  revestido  de  poder  pelo  Espírito  de  Deus.  Esse revestimento de poder aconteceu não por intermédio de Samuel, mas por um  grupo  de  profetas  que  profetizavam  ao  som  de  música.  O Espírito do Senhor levaria Saul a profetizar, e ele seria mudado  emoutro homem (lit., “sofreria uma reviravolta”, “seria transformado”). Esses sinais serão a prova de que o Senhor está com ele, mas, de sua parte, Saul deve cumprir tudo o que o Senhor lhe ordenar. De acordo com o contexto, esse parece ser o significado da expressão idiomática “o que achar a tua mão para fazer” (IBB; o que a ocasião te pedir,ARA)

8. Tu... descerás diante de mim a Gilgal, o importante santuário perto de Jericó, em território benjamita. Visto que estava situado num vale fendido, 300 metros abaixo do nível do mar, o viajante literal­mente “descia”. Uma vez ali, Saul devia esperar por Samuel durante sete dias, para que este oferecesse sacrifícios. Parece que a instrução foi dada mais de uma vez (cf. 1 Sm 13.8).

9-13. Saul estava firmemente decidido a ser obediente e, quando deixou  Samuel, Deus  lhe  mudou o  coração (lit.,  “transformou para ele”; cf. v. 6). Ocorreu uma mudança dentro dele porque Deus estava agindo  nele.  Todos os  sinais  se cumpriram,  mas  só um  é relatado. Quando esteve com os profetas, Saul também profetizou, e o povo do local, que evidentemente conhecia bem a Saul (um dado que favorece a Gibeá como o local), fez comentários de desaprovação. O filho de Quis  devia  se  comportar melhor,  em  vez de  se  misturar  com  essa gente. Quem é o pai deles? sugere o escárnio de profetas ilegítimos, que, em termos sociais, não eram ninguém. No entanto, não demoraria muito para que Saul se opusesse ao profeta Samuel; daí a ironia im­plícita no comentário também Saul entre os profetas?, que se tornou um dito proverbial para indicar uma aliança incompatível. De fato, ele não era profeta, embora seu estado de êxtase indicasse que podia ser. As pessoas da época, acostumadas com o êxtase religioso em ritos ca- naneus (cf.  1 Rs 18.26-29), não aceitaram passivamente as implicações de tal comportamento. A experiência pode ter sido de Deus, sem ne­cessariamente  indicar que  Saul teve o  chamado  profético;  o tempo diria, e havia testes objetivos (Dt  18.22), da mesma forma como há para a igreja (1  Jo 4.1-3). Para Saul, o importante era que os sinais preditos por Samuel se cumpriram, e, por isso, ele podia ter certeza de que o Senhor estava com ele. Não há qualquer indício de que voltou a profetizar (exceto em sua rejeição e humilhação, 1 Sm 19.23, 24).

Seguiu para  o  alto:  o artigo definido  indica o  lugar citado no versículo 5, perto de sua casa.

14-16. As perguntas diretas não evocam de Saul nada além do mais simples esboço dos acontecimentos. Aqui, há mais do que uma reticência natural, pois Samuel tivera cuidado de compartilhar secre­tamente com Saul (1 Sm 9.27), e este sabe que não deve dizer nada so­bre a unção. Provavelmente, a notícia de que Samuel tratara Saul com toda honra havia chegado a Gibeá, onde a curiosidade teria sido des­pertada. Finalmente o narrador emprega a palavra reino (hamnflúkâ). O rei foi de fato escolhido, mas sua identidade ainda será revelada.Ui. Saul é escolhido e aclamado rei (10.17-27).

 17. Samuel, que havia mandado as pessoas para casa (1  Sm 8.22), agora as reúne em Mispa, o mesmo lugar onde havia intercedido e perto de onde havia erigido a pedra da vitória (1 Sm 7.5-12). No local em que a liderança profética de Samuel havia se confirmado mais claramente, ele daria início à uma nova era que o povo havia exigido.

18-19. Samuel usa como suas as palavras do Senhor que refletem os primeiros termos do Decálogo (Êx 20.12; Dt 5.6), o alicerce da con­sagração da aliança de Israel.  Os atos salvíficos do Senhor haviam prosseguido até a época deles, mas, apesar dos livramentos que tinham visto, incluindo aquele em Mispa, havia um clamor popular por um rei. Embora Samuel considerasse esse clamor uma rejeição de Javé, ainda assim ele convocou o povo, pelas vossas tribos e pelos vossos gruposde milhares, a se apresentar perante o Senhor, que evidentemente não os havia abandonado. Essa interessante referência à organização social de Israel na época mostra que a unidade básica, a tribo, estava subdi­vidida em “milhares” (’alãpim), o equivalente de “famílias” no ver­sículo 21. A palavra que mais tarde veio a significar “mil” tinha nessa data remota um sentido menos preciso.1  Por essa razão, os números baseados nesta subunidade da tribo não podem ser utilizados para cal­cular o tamanho da população nem do exército.

20. Foi indicada por sorte a (tribo) de Benjamim: o ato de lançar sortes era uma prática comum em todo o mundo antigo, e foram feitos preparativos em Israel para que a orientação do Senhor fosse recebida assim. A terra de Canaã foi distribuída por sorteio (Js 18.10); o sorteio também decidiria o destino dos dois bodes no dia da expiação (Lv 16.8-10);  e  o  responsável  pela  derrota  em  Ai  foi  descoberto  pelo mesmo método (Js 7.16-18). As decisões tomadas assim eram consi­deradas definitivas (Pv 18.18), pois o Senhor estava controlando o re­sultado (Pv 16.33). O último emprego de sorteio registrado na Bíblia está em Atos 1.26.

21.    Fez-se depois uma seleção entre as principais subdivisões de Benjamim, entre as grandes famílias que descendiam dos “pais”. A família de Matri não é mencionada em nenhum outro lugar do Antigo Testamento, mas não existe justificativa textual para substituir por “bi- critas”, palavra oriunda do nome “Bequer”, em 1 Crônicas 7.6, onde são citados os filhos de Benjamim (cf 2 Sm 20.1, “Seba, filho de Bi- cri”).1  Por um processo de eliminação, finalmente Saul foi indicado como a escolha de Deus.

22-23. O fato de Saul não estar presente deixa todos perplexos. Será que o sorteio não indicou a resposta certa? “Não veio o homem ainda para cá?” (IBB, que dá o sentido do hebraico, enquanto a ARA acompanha a LXX, se aquele  homem viera ali)  insinua que  Samuel pode ter se esquecido de alguém ao realizar o processo de escolha. Mas a palavra do Senhor conduziu os líderes ao esconderijo de Saul. Por que ele se escondeu? Ele tivera tempo para se preparar para esse momento, mas parece que não conseguia se ver no papel de rei, em­bora  agora  tivesse  a  certeza  da  unção  profética  confirmada  pelo sorteio. Com relutância, mostrou que era de um físico avantajado e, por isso, aceitável pelo povo para ser seu líder; mas ele não queria ser rei.

24.    O segredo é revelado, Saul é aceito como rei e aclamado pu­blicamente, com uma expressão comum no Oriente Próximo e que se tornou tradicional (1 Rs  1.25, 31, 34, 39; 2 Rs  11.12; 2 Cr 23.11) e hoje encontra um paralelo exato, por exemplo, na França:  “Vive le roi!”. A questão foi tirada das mãos de Saul; todo o povo pensava da mesma maneira, e não havia como escapar da decisão deles; Saul não teve oportunidade alguma de protestar. Além disso, Samuel planejou e organizou, dentro de um contexto de aliança, o acontecimento memo­rável, levando as pessoas a se conscientizar da acusação de que haviam rejeitado o reinado de Javé (v. 19) e, então, dando-lhes seu novo líder. Assim como a arca fora aclamada com grandes gritos (1 Sm 4.5), ago­ra, de maneira semelhante, Saul é aclamado. Por exigência popular, havia sido nomeado um rei;  contudo, se Israel pensava que seu rei solucionaria todos os problemas do povo ao levá-lo a vitórias sem con­siderar a lei de Deus, estava totalmente errado.

25.    A  cerimônia  possuía  mais  um  aspecto  importante:  a  mo­narquia que Israel havia adotado não era como a das nações, pois esta­va  circunscrita  com  “direitos  e  deveres” (BLH; mispat;  são  neces­sárias as duas palavras para transmitir a idéia do hebraico), estabele­cidos para evitar o estilo de governo opressivo, descrito em 1 Samuel8.11-18, e para assegurar uma monarquia constitucional. Ademais, fica claro que essas estipulações que regem a monarquia são estabelecidas pelo  profeta  do  Senhor;  se  houve  alguma  esperança  de  fazer  uma separação entre a política de Israel e as determinações da aliança, tal expectativa não se concretizou, pois, à semelhança das leis da aliança do Sinai, os direitos e deveres do governo monárquico estavam escri­tos num livro posto perante o Senhor (i.e., no santuário; cf. Dt 31.26; Js 24.26). A aliança foi simplesmente ampliada a fim de abranger o monarca e evitar que ele tomasse liberdades para com  seu povo ou exercesse um poder despótico sobre ele. Samuel então determinou que a assembléia se dissolvesse.

26-27. Saul foi na frente, em obediência a Samuel, e voltou para casa; ao mesmo tempo, descobriu que havia pessoas que o seguiam e que apoiavam seu estilo de governo monárquico, conforme definido por  Samuel.  Esses  eram  “homens  de  valor” (IBB; hahayíl,  Iit.,  a “força”), pessoas preparadas para lutar sob o comando de Saul e im­por sua liderança. Esses eram homens cujos  corações Deus  tocara, como também havia tocado o de Saul, transformando-o (v. 6); outros, porém, não quiseram esse tipo de rei teocrático e não esconderam seu desprezo por Saul, chegando ao ponto de não entregar os presentes de costume. Pode ser um ponto positivo para Saul o fato de ele não ter dado ouvidos, mas o leitor sente-se inseguro sobre como esse novo rei lidará com a oposição e instaurará um estilo pioneiro de governo mo­nárquico, de conformidade com os estatutos dados por Samuel. Por en­quanto, ele ainda tem de demonstrar na prática que possui o que é necessário  para comandar Israel  na  guerra,  e  rapidamente  surge  uma oportunidade para tal demonstração.

                            I e II Samuel introdução e comentário Joyce G. Baldwin






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