O
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materialista, enganado pela falsa “Teoria da Evolução”,
acredita que o homem surgiu “por acaso” e “evoluiu por acaso” e admite que o
ser humano apenas tem um corpo com um a mente inteligente, mas não tem alma nem
espírito. Para o materialista, a única coisa que se pode provar existente é a
matéria, energias físicas e processos físicos. Os materialistas veem a Bíblia
como um livro cheio de mitos, estórias e invencionices religiosas. Não
acreditam em nada de ordem espiritual. Enquadram-se na categoria de “ímpios” a
que se referiu o salmista em sua soberba perante o transcendente. “Por causa do
seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus”
(SI 10.4; 53.1).
Ao negar a
existência de Deus, o Criador, o materialista nega a existência da alma e do
espírito humano. Como só acredita na existência da matéria, para ele o corpo é
matéria, o único elemento da constituição do homem. Certamente, quando
estiverem diante de Deus no Juízo Final, todos terão a mais terrível decepção e
o mais cruel dos arrependimentos, pois não terão mais oportunidade de
reconhecer sua soberba. Imaginemos os médicos, os biólogos, os químicos, que
estudam a vida e os seres vivos e admitem que o corpo, com sua organização e
complexidade, pode ser resultado de um processo aleatório. Preferem ignorar que
o acaso nunca produziu nem produz nada que seja organizado e complexo. No
entanto, para nós, os crentes em Deus, sua Palavra revela-nos a origem de todas
as coisas, do Universo, dos seres vivos, da vida e do homem. De acordo com a
Palavra de Deus, o ser humano é formado de três partes: “espírito, e alma, e
corpo” (1 Ts 5.23). Nessa tricotomia, a parte material, tangível, é o corpo,
com sua estrutura extraordinária e complexa chamado de “homem exterior” (ver 2
Co 4.16). A parte interior, intangível, é form ada do espírito e da alma, que
integram o homem juntam ente com o corpo (1 Ts 5.23).
Assim como vimos
no capítulo anterior, no qual falamos sobre a mordomia do corpo, estudaremos a
mordomia da alma e do espírito hum ano neste capítulo, buscando entender o que
nos ensina e exorta a Palavra de Deus sobre como tratar do “homem interior” (Rm
7.22; Ef 3.16). Veremos que, se cuidar da mordomia do corpo é difícil em termos
espirituais, desenvolver a mordomia da alma e do espírito hum ano é algo muito
mais complexo, pois envolve a fonte dos pensamentos e ideias humanas, que
influem e têm reflexos diretos na vida espiritual. U m problema no corpo, de
ordem natural ou orgânica, pode ser resolvido com terapias humanas, mas os
problemas da alma e do espírito humano exigem soluções de ordem espiritual, que
transcendem à visão natural do homem. A formação da parte interior do ser, da
alma e do espírito foi feita por Deus. Diz a Bíblia: “ [...] e soprou em seus
narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. Como foi esse
processo? Q ue fôlego foi esse? De que se constituiu em sua plenitude? Dali
surgiu a alma somente ou a alma e o espírito? São a mesma coisa ou são entes
distintos? E mais que isso: como se propaga a alma? Não é difícil entender como
o corpo humano é gerado no ventre da mãe, sobretudo hoje com os recursos da
ultrassonografia moderna. Mas como a alma é “gerada”? Como se multiplica? E o
espírito? Ele difere da alma ou é sinônimo dela? Como a alma “entra” no
embrião?
0 cristão não é
obrigado a conhecer todos os detalhes acerca da alma, sua origem, formação e
natureza, mas a mordomia da alma e do espírito do homem necessita, antes de
tudo, da fé em Deus e da presença dEle em sua vida, de sua entrega
incondicional a Cristo Jesus como seu Salvador, bem como a ação poderosa do
Espírito Santo agindo na sua mente e pensamentos. São soluções sobrenaturais,
que dependem da fé em Deus e em sua Palavra. Meditaremos, assim, nesse
importante tema de natureza bíblica e espiritual.
1 - A ALMA HUMANA
O seu Significado. A palavra “Alma” no AT vem do hebraico nephesh.
No NT, é psique, na língua grega, tendo o sentido de “alma” e de “vida”; está
ligada ao term o psíquicos, que tem o sentido de “pertencente a esta vida”. E
“a base [...] das experiências conscientes”. A alma pode ter três áreas de
significados:
1. Psyché, no sentido da base impessoal da vida, a própria
vida;
2. A parte interior do homem;
3. Uma alma independente em contraste com o corpo.1
No sentido impessoal,
eqüivale à própria vida. No sentido de ser “parte interior do homem ”,
refere-se à sua personalidade ou à pessoa (cf. 2 Co 1.23). O texto de Levítico
17.10-15 dá um a diversidade de sentidos para a palavra “alma”:
• “[...] contra aquela alma que comer sangue eu porei a
minha face e a extir-
parei do seu povo” (v. 10); aqui, “alma” significa a própria
pessoa;
• “Porque a alma da carne está no sangue [...]” (v. 11);
neste sentido, “alma”
significa a vida do corpo, dos tecidos, que são alimentados
pelo sangue;
• “[...] Nenhuma alma dentre vós comerá sangue [...]” (v.
12), em que alma
refere-se à pessoa;
• “a alma de toda a carne; o seu sangue é pela sua alma” (v.
14); nessa passagem, vemos referência à vida de toda a carne e que o sangue
seria derramado pela vida do transgressor.
Tanto nephesh
como psique indicam o princípio vital da vida humana, física ou animal. Quando
Deus disse que o homem fora feito “alma vivente”, nephesh chayyah, no hebraico,
e quando Ele disse que a terra produzisse “alma vivente” em relação aos
animais, o termo “alma vivente” também foi nephesh chayyah.
No entanto, como
vimos em um item anterior, o homem é distinto do animal por várias razões,
entre as quais estão o autoconhecimento e a autodeterminação. Assim, a alma
(nephesh) do homem é profundamente diferente da alma (:nephesh) do animal.
Vemos várias
referências sobre o significado de alma no ΝΤ. Jesus disse: “Qualquer que
quiser salvar a sua vida \psiquê\ perdê-la-á [...]” (Mc 8.35; ver Mc 10.45; M t
20.28). “Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida [...]” (Mt 6.25). Nesse sentido,
“alma” refere-se à vida.
Em sentido
teológico, a alma é a sede das emoções e dos sentimentos. Jesus disse: “ [...]
A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mc 14.34). A alma fica
triste. “É a parte sensível da vida do ego, a sede das emoções do amor (Gt
1.7), do anseio (SI 36.62) e da alegria (SI 86.4).”2. 0 texto que distingue “alma”
de espírito é o de 1 Tessalonicenses 5.23: “ [...] e todo o vosso espírito, e
alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de
nosso Senhor Jesus Cristo” (grifo nosso); nessa passagem, temos “alma” significando
a parte interior do ser, distinta do espírito, porém intrinsecamente ligada a
ele, formando o “homem interior” (Rm 7.22). A alma comunica-se com o exterior
do ser através do corpo e comunica-se com Deus através do espírito. Horton
acentua: “A alma sobrevive à morte porque é energizada pelo espírito, mas alma
e espírito são inseparáveis porque o espírito está entretecido na própria
textura da alma. São fundidos e caldeados numa só substância”.3
Origem da Alma.
Como vimos, a
alma faz parte do “homem interior” e está unida ao espírito. Intrigantes questões
têm sido formuladas sobre a origem da alma, como, por exemplo: “A alma é
introduzida no corpo?”, “Ela é formada durante a concepção?”, “A alma é preexistente?”.
Há, basicamente, três teorias acerca da origem da alma; todas elas evocando
fundamento bíblico. Esboçamos um resumo delas a seguir:
Teoria da preexistência
.
É um dos fundamentos da doutrina espírita. Segundo essa
ideia, as almas existem em esferas diversas do mundo espiritual e entram no
corpo gerado no processo chamado reencarnação. Segundo os defensores dessa
doutrina, a alma peca na vida presente e, para redimir-se, precisa
purificar-se, voltando a integrar-se num outro corpo humano durante inumeráveis
existências sucessivamente. Antes mesmo de ser um a doutrina codificada por Allan
Kardec (1804-69),4 expoente da doutrina espírita, a teoria da preexistência da
alma tivera o apoio de filósofos, como Platão e Filo, e de Teólogos cristãos,
tais como Orígenes de Alexandria (185-253 d.C.).
Essa teoria tem
base no maniqueísmo, que ensinava que o espírito era puro, ao lado da alma, que
já preexistia, e o corpo era intrinsecamente mau, bem como a matéria em sua
volta. Esse ensino não tem qualquer fundamento bíblico pelas seguintes razões:
a. O homem foi feito “alma vivente” somente após o sopro de
Deus, no momento inicial da criação do primeiro ser humano na face da terra.
Antes de Adão, não há qualquer indicação nas Escrituras da existência de almas,
guardadas num “celeiro de almas”, num lugar, ou nos planetas, como entendem os
espíritas;
b. Os maus atos e a depravação do homem são conseqüências
primárias do pecado de Adão, que foram passadas a todos os homens (Rm 5.12), e
consequências pessoais, individuais e responsáveis de cada pessoa que peca em
sua existência atual, e não de pretensas existências anteriores ao seu
nascimento;
c. Deus fez o Homem, incluindo sua parte imaterial
(alma/espírito): “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom
[...]” (Gn 1.31).
Teoria
criacionista .
’ Trata-se de uma
teoria segundo a qual Deus “faz as almas diariamente”, conforme ensinava Aristóteles.
Polano dizia que “Deus sopra a alma nos meninos quarenta dias após a concepção,
e nas meninas oitenta” (sic); Jerônimo (347-420 d.C.) e Pelágio da Bretanha
(360-420 d.G.) também acatavam esse entendimento, bem como a igreja católica e
os teólogos reformados, a exemplo de João Calvino (1509-64). Segundo Strong,
Martinho Lutero (1483—1546) inclinava-se para o traducionismo (veremos a
seguir).
Segundo Strong,
os criacionistas baseiam-se nos seguintes textos bíblicos:
“ [...] e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.7); “
[...] palavra do S e n h o r [...] e que forma o espírito do homem dentro dele”
(Zc 12.1); “ [...] e as almas que eu fiz” (Is 57.16). A Bíblia, entretanto, não
dá respaldo a essa teoria.
Teoria participativa .
Leite Filho
entende que quando se afirma que a alma é criada, é necessário fazer algumas
distinções: a criação é uma produção do nada; a alma é produzida na matéria e
não da matéria; a produção da alma necessita de uma realidade criada já
existente; a ação divina não tem como objetivo uma alma separada e sim o homem
completo.6
De fato, o
homem, desde a fecundação, não é “um aglomerado de células”, como dizem os
cientistas ateus e materialistas. É um ser completo, composto de espírito, alma
e corpo.
Toda nova pessoa
humana é fruto da ação imediata de Deus e da dos pais: Deus e os pais produzem o sujeito inteiro,
mas os pais podem produzi-lo somente enquanto é um ser material vivo, isto é,
tem um corpo, e Deus o produz imediatamente enquanto é um ser pessoal, isto é,
tem uma alma.7
Assim, podemos
concluir que a alma humana é formada e, segundo as leis da procriação, deixada
por Deus, numa cooperação entre os pais biológicos e “o pai dos espíritos”.
Cada vez que um gameta masculino funde-se com um gameta feminino, seja no
casamento ou fora dele, pela lei do Criador, forma-se um conjunto alma-espírito
dentro do homem. Diz a Bíblia: “ [...] Fala o Senhor , o que estende o céu, e que
funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele” (Zc 12. lb). A
maneira como Deus atua na formação da alma é um mistério ao qual devemos
curvar-nos por causa de nosso conhecimento limitado.
II. A MORDOMIA DA ALMA
Significado.
Podemos dizer que, ao criar o ser humano, Deus dotou-o do corpo e de sua parte
interior chamada de 0 homem interior, que é o conjunto espiritual formado pela
alma e pelo espírito (cf. 1 Ts 5.23). Ao soprar no homem o “fôlego de vida”,
Deus fez dele “alma vivente”, ou um ser que tem vida. Nesse sopro, o Criador
infundiu no interior do homem sua parte espiritual. Por esse fôlego, ele
adquiriu o princípio vital (lat. Animei), que o anima. O espírito é a parte
imaterial do homem, que, juntam ente com a alma, forma “o homem interior”. Diz
Paulo: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm
7.22). O apóstolo ensinava sobre a luta entre a carne, ou a natureza carnal do
homem, e o espírito, que provém de Deus, e acentuava que o “homem interior” tinha
prazer na lei de Deus. Em outro versículo, lemos: “Por isso, não desfalecemos;
mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, 0 interior, contudo, se
renova de dia em dia” (2 Co 4.16). Nesse texto, vemos o “homem exterior”, que é
o corpo, e “o interior”, que é a parte imaterial do homem.
Os Cuidados com a Alma.
Já vimos que o ser humano é formado de três partes, como
ensinou o apóstolo Paulo: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo
o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis
para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23, grifo nosso). A alma do
homem, assim como o espírito e o corpo, deve ser conservada irrepreensível para
a vinda do Senhor Jesus Cristo. Essa é a essência da mordomia da alma. Cada um
deve mantê-la com irrepreensibilidade ou integridade. Alguns aspectos devem ser
considerados na mordomia da alma.
O Cuidado com as Emoções. Como a alma é a sede das emoções e
dos sentimentos, o cristão deve ter muito cuidado com seus pensamentos e
atitudes mentais. Todo ser humano tem vários tipos de necessidade. Existem as
necessidades do espírito: salvação, adoração, graça, conhecimento de Deus, amor
de Deus, paz com Deus (Rm 5.1), alegria espiritual (Lc 1.47). Elas podem ser
satisfeitas por Deus, por Cristo, pelo Espírito Santo. Ao lado dessas
necessidades do espírito, há as necessidades emocionais, que podem ser vistas
como necessidades da alma: alegria, amor, paz interior, saúde emocional,
motivação, afeto, reconhecimento, companheirismo, lazer.
Essas necessidades
da alma, que incluem as emoções, podem ser satisfeitas no relacionamento com
Deus: o salmista disse: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me
faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha
alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome” (SI 23.1-3 -
grifos acrescentados). Davi tinha consciência de que o Pastor Divino, além de
prover-lhe todas as coisas (hb. Jeovah Raa), proporcionava-lhe tranqüilidade e
refrigério para sua alma. Q uando o salmo 42 foi escrito, os filhos de Corá
expressaram sentimentos profundos das necessidades de sua alma: “Gomo o cervo
bram a pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A
minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei
ante a face de Deus?” (Sl 42.1,2). A presença de Deus promove a satisfação das
necessidades interiores do ser humano. O salmista enfatizou isso ao dizer: “A
minha alma suspira por ti, ó Deus”. Esse suspiro é demonstrado e verbalizado
quando o crente ora a Deus com sua alma. “A minha alma tem sede de Deus” é um a
expressão que revela o desejo de ter comunhão profunda com Deus. Quando a
pessoa entra em contato e comunhão com Deus, suas emoções são equilibradas. O Espírito
Santo preenche as necessidades espirituais do crente em Deus. Paulo escreve
sobre “o Fruto do Espírito”, que demonstra essa realidade: “Mas o fruto do
Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão,
temperança. Contra essas coisas não há lei. E ós que são de Cristo crucificaram
a carne com as suas paixões e concupiscências” (G1 5.22-24). Analisando esse
maravilhoso texto, vemos como o Espírito Santo promove uma extraordinária
bênção no interior do ser humano. O fruto do Espírito é demonstrado em vários
aspectos: Em am or (ou caridade): ele preenche a necessidade interior de am ar
e ser amado; gozo (ou alegria): toda pessoa precisa experimentar alegria. E
indispensável sentir a alegria. Diz a Bíblia:
“[...] porque a alegria do S e n h o r é a vossa força” (Ne
8.10). Depois da alegria interior, o Espírito Santo promove a paz. Todas as
pessoas precisam de paz. Para a maioria, paz é a ausência de conflitos internos
e externos, mas a “paz interior”, que é provocada pelo Espírito Santo,
transcende à ausência de problemas e conflitos. No texto do fruto do Espírito,
vemos que o amor é expresso em “longanimidade, benignidade, bondade, fé,
mansidão e temperança”. Todas essas virtudes devem ser cultivadas na mordomia
cristã.
A Santificação da Alma.
Ninguém pode ser
salvo se não vivenciar o processo da santificação (Hb 12.14). A alma integra o
“homem integral”, ou seja, o ser humano em sua plenitude, constituído da
tricotomia “espírito, alma e corpo”. Diz Paulo: “Abstende-vos de toda aparência
do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo 0 vosso espírito,
e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de
nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.22,23 - grifo acrescentado). Como a alma
pode ser entendida como “a sede das emoções, dos sentimentos e dos pensamentos”,
a mordomia cristã deve zelar por tudo o que enche a mente do crente. Diz a
Palavra de Deus: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é
honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que
é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp
4.8). Jesus advertiu que é do coração do homem (do seu interior) que “procedem
os maus pensamentos” (Mt 15.19). E importante não apenas cuidar do “fazer”,
mas, antes de tudo, daquilo em que pensar. Toda ação ou reação é precedida de
pensamentos, sentimentos e emoções.
III - A MORDOMIA DO
ESPÍRITO
Em termos espirituais, só há dois tipos de crentes: os
espirituais e os carnais. Os crentes espirituais caracterizam-se pela vida de
comunhão com o Espírito
Santo. Os carnais vivem de acordo com as concupiscências da
carne, ou da natureza carnal, não transformada por Cristo.
Andando em Espírito . Na mordomia do espírito, o crente deve procurar
andar em Espírito, ou seja, na direção e submissão ao Espírito Santo. O texto
bíblico diz: “Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência
da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a
carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis. Mas, se
sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (G1 5.16-18). “Se vivemos
no Espírito, andemos também no Espírito” (G1 5.25). Andar em Espírito é viver
obedecendo à direção do Espírito Santo em todas as áreas da vida.
Frutificando no Espírito. Quando o crente produz frutos dignos
da vida cristã, glorifica a Deus. Jesus disse: “Nisto é glorificado m eu Pai:
que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos [...]. Não me escolhestes
vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto,
e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai
ele vos conceda” (Jo 15.8,16). Os “frutos” na vida cristã significam um
testemunho de vida que demonstra que o crente é um a nova criatura em Cristo
Jesus (2 Co 5.17). Esses “frutos” de um a nova vida, de conversão genuína,
podem ser reunidos no “fruto do Espírito”. Diz a Bíblia: “Mas o fruto do
Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão,
temperança. Contra essas coisas não há lei” (G1 5.22,23).
Santificando o Espírito. A santificação do espírito ocorre no
mesmo processo da santificação da alma e do corpo, ou seja, do homem integral.
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma,
e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor
Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). Quando o cristão busca a santificação do seu ser no
seu interior, ele alcança a santificação do espírito e da alma. Como o espírito
está intimamente ligado à alma, a santificação dela santifica o espírito e
vice-versa. O espírito, porém, precisa ter sua santificação própria. Paulo diz:
“Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia
da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2 Co
7.1). Essa santificação plena do ser humano, do “espírito, e alma, e corpo”, é
indispensável para a sua salvação: “Segui a paz com todos e a santificação, sem
a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).
CONCLUSÃO
Alma e espírito, os entes distintos que constituem “o homem
interior” do ser humano, são, na verdade, a essência de cada pessoa que vem ao
mundo. O corpo é o seu invólucro, a sua “casa terrestre”, igualmente
importante, porém sujeita às limitações físicas e materiais, com suas
necessidades orgânicas, que demandam estruturas das mais diversas. N a
realidade, face à visão distorcida que domina a maioria dos homens, é dado
muito mais atenção e assistência ao corpo do que à alma e ao espírito. O
salmista escreveu o que poderia ser chamado de “um cântico dos anseios da alma”
quando declarou num monólogo de grande significado espiritual:
Como o
cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó
Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me
apresentarei ante a face de Deus? As minhas lágrimas servem-me de mantimento de
dia e de noite, porquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus? Quando
me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a
multidão; fui com eles à Casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a
multidão que festejava. Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te
perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação da sua presença.
0 meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; portanto, lembro-me de ti
desde a terra do Jordão, e desde o Hermom, e desde o pequeno monte (SI 42.1-6).
1 Lothar C O H EN & Colin BROWN. Dicionário
internacional de teologia do
Antigo Testamento, p. 69.
3 Stanley M. HORTON. Teologia sistemática, p.
248.
4 N. do E.: Foi o pseudônimo de Hippolyte Léon
Denizard Rivail. Além de expoente
da doutrina espírita (espiritismo), foi também um
influente educador, além de autor
e tradutor francês.
5 Não se deve confundir com o Criacionismo
científico, que defende a ideia da criação
do homem de modo sobrenatural.
6 Tácito d a G am a Leite Filho. O homem em três
tempos, p. 55.
7 Ibid., p. 55.
Elinaldo Renovato
TEMPO, BENS
E TALENTOS

A Liberação do Espírito
Para o
leitor apreciar devidamente
estas lições, talvez
sejam úteis algumas declarações
preparatórias:Primeiramente, devemos ficar
acostumados com a
terminologia que o
Irmão Nee emprega.
Escolheu chamar o
espírito do homem
de "homem interior"; à
alma do homem,
chama de "homem
exterior" e para
o cor po emprega
o termo "homem
periférico." No diagrama
re traíamos este fato.
Será útil, também,
reconhecer que Deus,
ao planejar o
homem originalmente, pretendeu
que o espírito
do homem fosse
Seu lar ou
Sua residência. Assim,
o Espírito Santo, formando
uma união com o espírito humano,
deveria governar a
alma, e o espírito e a alma, usariam o corpo como meio de expressão
Diagrama
Periférico
alma Homem
Exterior
espírito Homem
Interior
T. Austin-Sparks indicou com sabedoria:
"Devemos tomar
cuidado para que,
ao reconhecermos o
fato de que
a alma tem
sido seduzida, levada
ao cativeiro, escurecida
e envenenada com
seus próprios interesses,
não a consideremos como
algo a ser
exterminado e destruído
nesta vida. Isto
seria o asceticismo, uma forma
de budismo. O resultado de
qualquer comportamento deste
tipo usualmente não
passa de outra
forma de uma
doutrina da alma
em grau exagerado;
talvez o ocultismo.
A totalidade da
nossa natureza humana
está em nossa
alma, e se
a natureza for
suprimida numa direção,
tomará vingança numa
outra direção. É
exatamente o problema
de muitas pessoas,
se somente o soubessem. Há
uma diferença entre
uma vida de
supressão e uma
vida de serviço.
A submissão, a
sujeição e a
posição de Servo
no caso de
Cristo, diante do
Pai, não era
uma vida de
destruição da alma,
mas, sim, de
descanso e de
deleite. A escravidão,
no mau sentido,
é o destino
dos que vivem
inteiramente na sua
própria alma. Precisamos
revisar nossas ideias
acerca do serviço,
pois está ficando
cada vez mais
comum pensar que
o serviço é
cativeiro e escravidão,
quando, na realidade,
é uma coisa
divina. A espiritualidade não
é uma vida
de supressão. Esta
é negativa. A
espiritualidade é positiva;
é uma vida
nova e adicional,
não a vida antiga, lutando para
obter o domínio de s i mesma."
"É na vossa perseverança que
ganhareis as vossas almas."Lucas21:19
"Tendo purificado as vossas
almas, pela vossa obediência à verdade." 1 Pedro 1:22
"O fim da vossa fé, a salvação
das vossas almas."1 Pedro 1:9
Finalmente, nestas
lições, devemos ver por
que Watchman Nee
insiste que a
alma (o homem
exterior) seja quebrantada, dominada,
e renovada para
o espírito usá-lo. T. Austin-Sparks disse:
"Quer já
tenhamos a capacidade
de aceitá-lo, quer
não, o fato
é que se
vamos avançar com
Deus de modo
integral, todas as
capacidades e energias
da alma para
saber, compreender, sentir
e fazer, chegarão
ao fim, e
nós — naquele
lado — ficaremos desnorteados, estonteados, paralisados e
incapazes. Somente então,
a compreensão, o
constrangimento e a
energia, novos, diferentes
e divinos, nos
impulsionarão para a
frente ou manter-nos -ão em
andamento. Em tais
tempos, teremos de
dizer a nossa
alma: "Somente em
Deus, ó minha alma, espera
silenciosa (SI 62:5); e "Ó
minha alma, vem comigo seguir
ao Senhor." Mas
quanta alegria e
fortaleza, é quando,
depois da alma
ter s ido constrangida para
entregar-se ao espírito,
a sabedoria e
glória mais sublimes
são percebidas na
sua vindicação. É então que
"A minha alma
engrandece ao Senhor,
e o meu
espírito s e alegrou
em Deus, meu
Salvador" (Lucas 1:
46). O espírito
fêz alguma coisa,
a alma a faz —
note os tempos
dos verbos.Deste modo,
a alma é
essencial para a
plenitude da alegria,
e DEVE ser
trazida através da escuridão e
da morte da
sua própria capacidade
a fim de
aprender as realidades
mais altas e profundas para
as quais o
espírito é o
primeiro órgão e faculdade."
*
CAPÍTULO 1
A
IMPORTÂNCIA DO QUEBRANTAMENTO
Qualquer pessoa
que serve a
Deus descobrirá, mais
cedo ou mais
tarde, que o
grande impedimento para
a sua obra
não são outras
pessoas mas, sim,
ela mesma. Descobrirá
que seu homem
exterior e seu
homem interior não
estão em harmonia,
pois os dois
tendem para direções
opostas. Sentirá, também,
a incapacidade do
seu homem exterior
submeter-se ao controle
do espírito, tornando- o, assim,
incapaz de obedecer
a os mandamentos mais
sublimes de Deus.
Perceberá rapidamente que
a maior dificuldade
acha-se no seu homem exterior, pois este o impede de
fazer uso do seu espírito.
Muitos dos
servos de Deus
nem sequer conseguem
fazer as obras
mais elementares. Normalmente, devem
ser capacitados pelo
exercício do seu
espírito a conhecer
a palavra de
Deus, a discernir
a condição espiritual
doutra pessoa, entregar as mensagens
de Deus com unção e receber as revelações de Deus.
Mesmo assim, devido
às distrações do
homem exterior, parece
que seu espírito
não funciona apropriadamente. É
basicamente porque seu
homem exterior nunca
foi tratado. Por
esta razão, o reavivamento, o
zelo, o implorar
e as atividades
não passam de
um desperdício de
tempo. Conforme veremos,
há apenas um
só tratamento que
pode capacitar o
homem a ser
útil diante de
Deus: o quebrantamento.
O Homem Interior e o Homem Exterior
Note como
a Bíblia divide
o homem em
duas partes: "Porque,
no tocante ao
homem interior, tenho
praze r na lei
de Deus" (Rm
7: 22). Nosso
homem interior deleita- se na
Lei de Deus.
". . .
que sejais fortalecidos com
poder, mediante o
seu Espírito no
homem interior" (Ef
3:16). E Paulo
também nos informa:
"Mesmo que o
nosso homem exterior
se corrompa,
contudo o nosso
homem interior se renova de dia em dia" (2 Co 4:16).Quando Deus vem
habitar em nós mediante o Seu Espirito, a Sua vida e o Seu
poder, entra em
nosso espírito, que
estamos chamando de "homem interior." Fora
deste homem interior
há a alma,
na qual funcionam
nossos pensamentos, nossas
emoções e nossa
vontade. O homem
periférico é nosso corpo
físico. Assim, falaremos
do homem interior
como sendo o
espírito, do homem
exterior como sendo
a alma, e
do homem periférico
como sendo o
corpo. Nunca devemos
nos esquecer de
que nosso homem
interior é o
espírito humano onde
Deus habita, onde
Seu Espírito Se
combina com nosso
espírito. Assim como nós vestimos roupas, assim também nosso
homem interior
"veste" um homem
exterior: o espírito
"veste" a alma.
E, de modo
semelhante, o espírito
e a alma
"vestem" o corpo.
Está bem evidente
que os homens
geralmente estão mais
conscientes do homem
exterior e do
periférico, e dificilmente rec onhecem ou entendem seu
espírito, de modo algum.
Devemos saber
que aquele que
pode trabalhar para
Deus, é aquele
cujo homem interior
pode ser liberado.
A dificuldade básica
de um servo
de Deus acha-se
no fracasso do homem interior de
irromper pelo homem exterior.
Logo, devemos reconhecer
diante de Deus
que a primeira
dificuldade que enfrenta mos
na obra não
está nos outros
mas, sim, em
nós mesmos. Nosso
espírito parece estar
embrulhado num invólucro
de modo que
não pode facilmente
irromper de lá.
Se nunca aprendemos
como liberar nosso
homem interior por
meio de irromper
pelo homem exterior,
não temos capacidade
de servir. Na da
pode estorvar-nos tanto
quanto este homem
exterior. Se nossas
obras sã o frutíferas
ou não, depende
de se nosso homem
exterior foi quebrantado
pelo Senhor de
modo que o
homem interior possa
passar pelo quebrantamento e s
e manifestar. Este
é o problema
básico. O Senhor
deseja quebrar nosso
homem exterior a
fim de que
o homem interior
possa ter uma
via de saída. Quando o homem
interior for liberado, tanto os
descrentes quanto os cristãos serão abençoados.
A Natureza Tem Sua Maneira de Quebrar
O Senhor
Jesus conta-nos em
João 12: "Se
o grão de
trigo, ca indo na
terra, não morrer,
fica ele só;
mas se morrer ,
produz muito fruto."
A vida está no
grão de trigo,
mas há uma
casca, uma casca
muito dura, no
lado de fora.
Enquanto aquela casca
não for rachada
e aberta, o
trigo não pode
brotar nem crescer.
"Se o grão
de trigo, caindo
na terra, não
morrer . .
." Que morte
é essa? É o
arrombar da casca
mediante a cooperação
da temperatura e
da umidade no
solo. Uma vez
que a casca
é fendida e
aberta, o trigo
começa a crescer.
Então, a questão
aqui não é
se há vida
dentro, mas, sim,
se a casca
externa foi rachada.
A Escritura
continua, dizendo: "Quem
ama a sua
vida (Grego, alma)
perde-a; mas aquele
que odeia a
sua vida (Grego,
alma) neste mundo, preservá-la-á para a vida
eterna" (v. 25). O Senhor nos mostra aqui que a casca externa
é nossa própria
vida (a vida
da nossa alma),
ao passo que
a vida interior
é a vida
eterna que Ele
nos deu. Para
permitir que a
vida interior se
manifeste, é imperativo
que a vida
exterior seja substituída. Se
o exterior permanecer intato, o interior nunca
poderá aparecer.
É necessário
(neste escrito) que
dirijamos estas palavras
para aquele grupo de pessoas que possuem a vida do
Senhor. Entre aqueles que possuem a vida
do Senhor podem
ser achadas duas
condições distintas: uma
inclui aqueles em
que a vida
é confinada, restringida, aprisionada
e incapaz de
se manifestar; a outra inclui
aqueles em que o Senhor forjou um
caminho, e a vida deles, portanto, é
liberada.A pergunta, pois,
não é como
obter a vida,
mas, sim, como
permitir que esta
vida apareça. Quando
dizemos que temos
necessidade de que
o Senhor nos
quebrante, não é
meramente um modo
de falar, nem
é apenas uma
doutrina. É vital
que sejamos quebrantados pelo
Senhor. Não é
que a vida
do Senhor não possa cobrir a terra,
mas, sim, que Sua vida está sendo aprisionada por
nós. Não é que o
Senhor não possa abençoar a ig reja,
mas, sim, que a vida
do Senhor está tão confinada
dentro de nós que não se manifesta.
Se o homem exterior
permanecer intato, nunca
poderemos s er uma
bênção para a
Sua igreja, e
não podemos esperar
que a palavra
de Deus seja
abençoada através de nós!
O Vaso de Alabastro Deve Ser Quebrado
A Bíblia
conta acerca do
nardo puro. Deus,
deliberadamente usou este
termo "puro" na
Sua palavra para
mostrar que é
verdadeiramente espiritual. Mas
se o vaso
de alabastro não
for quebrado, o
nardo puro não
fluirá. Por estranho
que pareça, muitos
ainda estão valorizando
demasiadamente o vaso
de alabastro, pensando
que seu valor
excede o do
unguento. Muitos pensam
que seu homem
exterior é mais
precioso do que
seu homem interior.
Este fica sendo
o problema na
igreja. Uma pessoa
tem e m grande
estima sua habilidade,
pensando que é bem
importante; outra valoriza
suas próprias emoções,
e se estima
como pessoa importante;
outras têm alta
consideração por si
mesmas, e sentem
que são melhores
do que as
demais, que sua
eloquência ultrapassa a
das demais, que
sua rapidez de
ação e exatidão
de julgamento são
superiores, e assim
por diante . Nós,
porém, não somos
colecionadores de antiguidades; somos
aqueles que desejamos
cheirar somente a
fragrância d o unguento.
Sem quebrar o
exterior, o interior
não surgirá. Deste
modo, individualmente não
temos qualquer fluir,
como também a
igreja não tem
um caminho vivo.
Por que, pois,
devemos considerar-nos tão
preciosos, se nosso interior retém a fragrância, ao invés de liberá-la?
O Espírito
Santo não cessou
de operar. Um
evento após outro ,
uma coisa após outra, vem a nós. Cada operação disciplinar tem um só propósito: quebrar nosso
homem exterior a fim de
que nosso homem
interior possa se manifestar.
Aqui, porém, está
nossa dificuldade: ficamos
impacientes por causa
de ninharias, murmuramos
diante de perdas
de pequena monta.
O Senhor está
preparando um modo
de usar-nos, mas,
mal Sua mão
nos tocou , sentimo-nos
infelizes, até ao
ponto de contendermos com
Deus e de nos
tornarmos negativos em
nossas atitudes. Desde
que fomos salvos,
fomos tocados várias
vezes e de
várias maneiras pelo
Senhor, e tudo
com o propósito
de quebrar nosso
homem exterior. Quer
tenhamos consciência disto,
quer não, o
alvo do Senhor é quebrar este homem
exterior.Desta maneira, o
Tesouro está no
vaso de barro,
mas se o
vaso de barro
não for quebrado, quem
poderá ver o
Tesouro que está
dentro? Qual é o objetivo
final da operação
do Senhor em
nossas vidas? É
quebrar este vaso
de barro, é
quebrar nosso vaso
de alabastro, é
arrombar nossa casca.
O Senhor anseia
por achar um
meio de abençoar
o mundo através
daqueles que pertencem
a Ele. O quebrantamento é
o caminho da
benção, o caminho
da fragrância, o
caminho da frutificação, mas
também é um caminho
salpicado de sangue.
Sim, há sangue de
muitas feridas. Quando
nos oferecemos ao
Senhor para fazer
a Sua obra
não podemos nos
dar ao luxo
da morosidade de
nos pouparmos. Devemos
deixar que o
Senhor rache totalmente
nosso homem exterior, de modo que Ele possa achar um
caminho para Suas operações.
Cada um de nós
deve descobrir para si mesmo qual
é a mente do Senhor para
sua vida. É
um fato muitíssimo
lamentável, que muitos
não sabem qual
é a mente
ou intenção do
Senhor para suas
vidas. Quanto ma is
precisam de que
Ele abra os seus
olhos, para ver que
tudo quanto entra
nas suas vidas pode
ler significado. Entender
o propósito do
Senhor é ver muito
claramente que Ele
visa um único objetivo: o quebrantamento do homem exterior.11
Muitas
pessoas , no entanto, antes mesmo que o Senhor
erga Sua mão, já estão
aflitas. Oh! devemos
reconhecer que todas
a s experiências, problemas
e provações que o
Senhor nos envia sã o para nosso bem
supremo. Não podemos esperar que
o Senhor nos
dê coisas melhores,
pois estas são
as melhores. Se
alguém se aproximasse do
Senhor, e orasse,
dizendo: "Ó Senhor,
por favor, deixa-me
escolher o melhor," creio
que Ele lhe
diria: "Aquilo que
Eu te dei
é o melhor; tuas
provações diárias são para
teu máximo proveito." Assim, o motivo
por detrás de
toda a providência
de Deus é
quebrantar nosso homem
exterior. Uma vez que isto ocorre
e o espírito p ode fluir, então, começamos a exercitá-lo
A Cronologia em Nosso Quebrantamento
O Senhor
emprega dois meios
diferentes para quebrar
nosso homem exterior;
um é paulatino,
o outro é
repentino. Para alguns,
o Senhor dá
um quebrantamento súbito seguido por um paulatino. Com outros, o
Senhor dispõe para
que tenham provações
diárias constantes, até
que, um dia, leva
a efeito um
quebrantamento em grande
escala. Se não
for o repentino
primeiro, e depois
o paulatino, então,
é o paulatino
seguido pelo repentino.
Parece que o
Senhor normalmente trabalha
conosco durante vá rios
anos antes de
poder realizar esta obra de
quebrantamento.
A cronologia
está na mão
dEle. Não podemos
encurtar o tempo,
embora certamente o
possamos prolongar. Em
algumas vidas, o
Senhor pode realizar
esta obra depois
de uns poucos
anos de trato;
noutras, é evidente
que depois de
dez ou vinte
anos a obra
ainda está incompleta.
Isto é muito
sério! Nada é
mais lastimável do
que desperdiçar o
tempo de Deus.
Quão frequentemente a
igreja é atrapalhada! Podemos
pregar com o
uso da nossa
mente, podemos comover
os outros com
o uso das
nossas emoções; mas
se não sabemos
usar nosso espírito,
o Espírito de
Deus não poderá
tocar as pessoas
a través de nós. A
perda será grande, se prolongarmos desnecessariamente o tempo.Logo, se
nunca antes nos
consagramos de modo
total e inteligente
ao Senhor, façamo -lo
agora, dizendo: "Senhor, para
o futuro da
igreja, para o
futuro do evangelho,
para o Teu
caminho, e também
para minha própria
vida, ofereço-me sem
condições, sem reservas,
nas Tuas mãos.
Senhor, deleito-me em
oferecer-me a
Ti e estou
disposto a deixar-Te
fazer toda a
Tua vontade através de mim."
O Significado da Cruz
Ouvimos falar
frequentemente acerca da
cruz. Talvez estejamos
por demais familiarizado com
o termo. Mas
o que é
a cruz, afinal
das contas? Quando
realmente compreendermos a
cruz, veremos que
significa o quebrantamento do
homem exterior. A
cruz reduz o
homem exterior à
morte; racha a
casca humana e a
abre. A cruz
deve quebrar tudo
quanto pertence ao
nosso homem exterior
— nossas opiniões,
nossos modos, nossa
habilidade, nosso amor-próprio, nosso
tudo. O caminho
está claro, claro
mesmo como o cristal.
Tão logo
que nosso homem
exterior é destruído,
nosso espírito pode
sair facilmente para
fora. Considere certo
irmão, como exemplo.
Todos quantos o
conhecem reconhecem que
tem uma mente
aguçada, uma vontade
dinâmica, e profundas
emoções. M as, ao
invés de ficarem
impressionados por estas
características naturais da
sua alma, reconhecem que se encontraram com seu
espírito. Sempre que
as pessoas estão
tendo comunhão com
ele, encontram um
espírito, um
espírito limpo. Por que? Porque
tudo quanto é da sua
alma foi destruído.
Tomemos
como outro exemplo certa irmã. Todos aqueles que a
conhecem reconhecem que
ela tem
uma disposição pronta
— rápida para
pensar, rápida para
falar, rápida para
confessar, rápida para
escrever cartas, e
rápida para rasgar
o que escreveu.
Apesar disto, os
que se encontram
com ela não
se encontram com
sua rapidez, mas sim, com
seu espírito. Ela é uma
pessoa que foi totalmente destruída e que se tornou
transparente.Esta destruição do
homem exterior é
uma questão fundamental. Não
devemos apegar-nos às
fracas características da
nossa alma, ainda
emitindo a mesma
fragrância, mesmo depois
de o Senhor
lidar conosco durante
cinco ou dez anos. Não: devemos deixar o Senhor forjar
um caminho em nossas vidas .
Duas Razões para Não Ser Quebrantado
Por que
é que, depois
de muitos anos
de trato, algumas
pessoas permanecem inalteradas? Alguns
indivíduos têm uma
vontade forte; alguns
têm emoções fortes;
e outros têm
uma mente forte.
Visto que o
Senhor pode quebrantá-los, por
que depois de
muitos anos, alguns
ficam sem transformação? Cremos que há duas razões
principais.
A primeira é
que muitos que vivem
nas trevas não estão
vendo a
mão de Deus. Enquanto
Deus está operando,
enquanto Deus está
destruindo, não reconhecem
que é da
parte dEle. Estão
destituídos de luz,
e, somente veem
homens que se
opõem a eles.
Imaginam que se
o meio-ambiente é
realmente difícil demais, que
as circunstâncias são
as culpadas. Assim,
continua m nas trevas
e no desespero.
Que Deus
nos dê uma
revelação para ver
o que é
da mão dEle,
a fim de
que nos ajoelhemos
e Lhe digamos:
"És Tu; visto
que és Tu,
eu aceitarei." Pelo
menos, devemos reconhecer
de Quem é
a mão que
trata conosco. Não
é mão humana,
nem a mão
da nossa família,
nem a dos
irmãos e irmãs
na igreja, mas,
sim, a de
Deus. Precisamos aprender
como nos ajoelhar
e beijar a
mão, amar a
mão que lida
conosco, assim como
fazia Madame Guyon.
Precisamos ter esta
luz para ver,
seja o que
o Senhor fez,
aceitamos e cremos;
o Senhor nada pode fazer de errado.
A segunda razão, outro grande
impedimento à obra de
quebrar o homem exterior é
o amor-próprio. Devemos pedir que
Deus remova o coração
do amor-próprio. À medida
em que Ele
lida conosco em
reposta à nossa
oração, devemos adorar
e dizer: "Ó
Senhor, s e isto
for da Tua
mão, que eu
o aceite do
meu coração." Lembremo -nos de
que a
única razão para
todo mal entendido,
toda a irritação,
todo o descontentamento, é que secretamente amamos
a nós mesmos.
Assim, planejamos um
modo mediante o
qual podemos livrar
a nós mesmos.
Muitas vezes, os
problemas surgem porque
procuramos uma via
de escape — uma fuga da operação
da cruz.
Aquele que
subiu à cruz e que s e recusa a beber o
vinho com fel é aquele que conhece
o Senhor. Muitos
sobem à cruz
com certa relutância,
ainda pensando em
beber o vinho
com fel para
aliviar suas dores.
Todos aqueles que
dizem: "Não beberei,
porventura, o cálice
que o Pai
me deu?" não
beberá do cálice
do vinho com
fel. Somente podem
beber um cálice,
não dois. Estas
pessoas não têm
qualquer amor-próprio. O a
mor-próprio é uma
dificuldade básica. Que o Senhor
nos fale hoje
de tal maneira
que possamos orar:
"Ó meu Deus,
vi que todas
as coisas vêm
de Ti. Todos
os meus caminhos
estes cinco anos,
dez anos, ou
vinte anos, são
de Ti. Operastes
de tal maneira
que atingistes Teu
propósito, que não
é outro senão
que Tua vida
seja vivida através de mim. Mas eu fui tolo. Não vi. Fiz muitas coisas para
escapar, e a ssim adiei o
Teu tempo. Hoje,
vejo Tua mão.
Estou disposto a
me oferecer a
Ti. Mais uma vez coloco- me nas Tuas mãos."
Espere que Verá Feridas
Ninguém é mais belo
do que alguém
que está quebrantado! A teimosia e
o amor- próprio cedem
lugar à beleza
na pessoa que f
oi quebrantada por
Deus. Vemos Jacó
no Antigo Testamento,
como mesmo no
ventre da sua
mãe, lutava com
seu irmão. Era
sutil, enganoso, traiçoeiro.
Por isso, sua
vida estava cheia
de tristezas e
mágoas. Ainda jovem,
fugiu do seu
lar. Durante vinte
anos foi logrado
por Labão. A
esposa do amor
de seu coração,
Raquel, morreu prematuramente. O
filho do seu
a mor, José, foi
vendido. Anos mais
tarde, Benjamin foi
preso no Egito.
Deus tratou com
ele sucessivamente, e
Jacó encontrou infortúnio
a pós infortúnio. Deus
o feriu uma vez, duas vezes;
na realidade, sua história
inteira pode ser descrita como
sendo uma história de ser ferido
por Deus. Finalmente,
depois de muitos
tratamentos deste tipo,
o homem Jacó
foi transformado. Durante
seus últimos poucos
anos, era bem
transparente . Quão nobre
era sua resposta
a Faraó! Quão
belo foi seu
fim, quando adorou
a Deus, apoiado
no seu bordão!
Quão claras eram
suas bênçãos pronunciadas
sobre seus descendentes!
Depois de ler a última
página da sua história, queremos
curvar a cabeça e adorar a Deus.
Aqui temos alguém que está
a madurecido, que conhece
a Deus. Várias
décadas de tratos
tiveram como resultado
que o homem
exterior de Jacó
foi quebrantado. Na sua
velhice, o quadro é belo
Cada um
de nós tem
boa parte da
mesma natureza de
Jacó em nós.
Nossa única esperança
é que o
Senhor marque um
caminho para fora,
quebrando o homem exterior
de tal maneira que o
homem interior possa surgir e
ser visto. Isto
é precioso, e é o
caminho daqueles que
servem ao Senhor.
Somente assim podemos servir;
somente assim podemos
leva r os homens
ao Senhor. Tudo
o mais está
limita do quanto ao
seu valor. A
doutrina não tem muita utilidade,
nem a teologia.
Qual é a
utilidade do mero
conhecimento teórico da
Bíblia se o
homem exterior permanecer
sem ser quebrantado?
Somente a pessoa através de quem Deus pode aparecer, é útil.Depois de
nosso homem exterior
ter sido ferido,
tratado, e levado
por várias provas,
temos feridas em
nós, e assim
deixamos o espírito
emergir- Temos receio
de encontrar alguns
irmãos e irmãs
cujo ser total
permanece intato, nunca
tendo sido tratado
e transformado. Que
Deus tenha misericórdia
de nós, mostrando -nos claramente
este caminho, e
revelando-nos que é o único
caminho. Que Ele
também nos mostre
que nisto é
visto o propósito
de todos os
Seus tratos durante
estes poucos anos,
sejam dez ou
vinte. Que ninguém
menospreze os tratos
do Senhor. Que
Ele nos revele verdadeiramente o
que significa o
quebrantamento do homem
exterior. Se o
homem exterior permanecesse
integral, tudo estaria
meramente em nossa
mente, totalmente inútil.
Tenhamos esperança de
que o Senhor
venha a tratar
de nós de
modo completo.14
Watchman
Nee - A Liberação do Espírito



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