TEXTO
BÍBLICO BÁSICO
Rm 1.1-6,15-17
1 - Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado
para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.
2 - O qual antes prometeu pelos seus
profetas nas santas escrituras,
3 - Acerca de seu Filho, que nasceu da
descendência de Davi segundo a carne,
4 - Declarado Filho de Deus em poder,
segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus
Cristo, nosso Senhor,
5 - Pelo qual recebemos a graça e o apostolado,
para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome,
6 - Entre as quais sois também vós chamados
para serdes de Jesus Cristo.
15 - E assim, quanto está em mim, estou
pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.
16 - Porque não me envergonho do evangelho
de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê;
primeiro do judeu, e também do grego.
17 - Porque nele se descobre a justiça de
Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.
TEXTO ÁUREO
"E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da
bênção do evangelho de Cristo.", Romanos 15.29
Palavra introdutória
A palavra evangelho (Gr boas novas) faz parte da lista de
vocábulos essenciais ao cristianismo. Seu significado expõe a autoridade e o
poder que remonta à sua origem: é o
evangelho de Deus e de Seu Filho, levado a efeito por meio de Seu Espírito (Rm
1.1,9; 1 Ts 1.5).
Neste estudo, vamos apresentar aspectos básicos do
evangelho, a saber, sua natureza, seu propósito e, também, a responsabilidade
atribuída por Cristo à Igreja de transmiti-lo aos pecadores. Nos dias atuais, é
necessário compreender o seu significado bíblico para que não vivamos uma
distorção do evangelho, como o que aconteceu com duas das primeiras comunidades
cristãs (Gl 1.6-9; 2 Co 11.1-4) e como acontece, muitas vezes, com o uso do
adjetivo evangélico na mídia publicitária.
1. A BOA NOVA DA
VERDADE
O evangelho constitui-se no anúncio da verdade em seu
caráter genuíno e puro, que é Jesus Cristo, o salvador, para uma sociedade que
descarta valores éticos e morais (Mt 4.23; Gl 2.5). A essa verdade, devem os
homens obedecer, sem exceção, sob o risco da condenação eterna (Rm 2.16;
10.16).
1.1 Digna de fé
O apelo divino para a obediência a verdade proclamada pelo
evangelho pode ser encontrado desde o Antigo Testamento, uma vez que foi
anunciado primeiro a Abraão para, dessa maneira, abençoar toda a humanidade (Gl
3.8).
A Igreja deve estar atenta à triste condição em que se
encontram os pecadores, uma vez que tem uma forte barreira a ser traspassada: o
deus desse século impede-lhes de perceber a luz do evangelho e a glória de
Cristo (At 15.7; 2 Co 4.3,4; Is 42.16-18).
1.2. Libertadora
O evangelho da verdade, pelo crivo da fé, exerce um papel
libertador.
O poder libertador do evangelho conduz-no a evitar,
diariamente, a tentação de recuar na fé e voltar para a velha vida, na qual o
pecado tinha domínio sobre nós e escravizava-nos (1 Jo 5.20; Rm 6.6,12,22).A
verdade do evangelho não permitirá que desvaneçamos, pois a fé produz
liberdade!
1.3 Esperançosa
O evangelho tem poder para trazer esperança, e de sua
mensagem não podemos apartar-nos (Rm 15.4,13). O ser humano somente poderá
sentir-se esperançoso do seu futuro a partir da certeza da salvação que é
recebida do próprio Deus, no momento em que irrompe a fé em Cristo, esperança
dos homens (Sl 16.11; 2 Ts 2.16).
Na prática, o cristão que vive sob o poder e autoridade do
evangelho há de gloriar-se na esperança (Rm 5.2), alegra-se na esperança (Rm
12.12) e viver sob a expectativa da esperança (Gl 5.5; 1 Ts 1.3). Essa
esperança produz um sentimento de prazer quando compartilhamos a Palavra com a
pessoa que evangelizamos.
2. A BOA NOVA DO
REINO
Na essência da mensagem evangélica, está o anúncio de que
Deus tem um reinado específico a realizar no coração dos homens (Ex 15.18; Sl
146.10).
2.1. Anúncio da paz
Deus ordenou nas Escrituras que o evangelho do reino seja
pregado a todas as nações, a fim de que todas as pessoas possam obedecer à Sua
ordem de crer (Mt 24.14). Dessa maneira, Ele estabelece um novo tempo de paz em
Cristo. O resultado é a reconciliação do pecador com Deus e a restauração da
comunhão com Ele e com os demais irmãos (Rm 5.1; 12.18; Fp 4.7).
2.2. Mensagem de
justiça
Deus quer reinar com justiça. Essa é a mensagem
poderosamente anunciada pelo evangelho da salvação tanto pelos profetas do
Antigo Testamento (Is 5.16; Ez 37.24) como por Jesus e pelos apóstolos no Novo
Testamento (Mt 5.6; Fp 3.9).
O cerne da mensagem do evangelho declara que aprouve a Deus
vestir-nos da Sua salvação e envolver-nos com o manto da Sua justiça, que é
consorte da paz (Is 61.10; Tg 3.18). Essa é a singular descrição das boas novas
revelada ao profeta Isaías. Nesse sentido, o evangelho produz, no tempo
presente, os frutos de justiça, que redundam na glória e no louvor de Deus
eternamente (Fp 1.11).
3. AUTORIDADE DO
EVANGELHO DE HOJE
O evangelho é o poder de Deus (Rm 1.16) em atuação para
salvar a humanidade. A Igreja de Cristo é o instrumento para disseminar, com
dedicação e ardor, as boas novas de Jesus por todo o mundo, às vezes em face de
grande oposição (At 9.31; 15.3; 16.5).
3.1. Exposição da
palavra de poder
Jesus e Seus discípulos atuavam com poder na apresentação da
boa nova de salvação (Mc 13.10; Lc 8.1). Tal esforço teve continuidade com os
apóstolos e com homens e mulheres na Igreja primitiva (2 Co 2.12; At 8.40; Fp
4.3). Evidente que Deus espera a mesma atitude de nós, hoje (Mc 16.15; 1 Co
9.16). Para esse fim, confiou-nos o evangelho (2 Tm 1.8).
3.2. Divulgação
acompanhada de sinais
Isaías profetizou que as boas novas seriam acompanhadas de
sinais, cuja função é manifestar a glória do Messias, ou seja, a Sua divindade
(Is 61). Esses sinais foram realizados para que as pessoas cressem que Jesus
era o Cristo, o Filho de Deus, e fossem por Ele vivificadas (Jo 2.11; 4.48).
Durante os primeiros anos da história da Igreja, muitos
sinais e maravilhas eram concedidos aos apóstolos pelo Senhor para validar a
condição de ministros ordenados por Deus e para comprovar a veracidade do
testemunho deles (Hb 2.3,4). Dessa forma, entendemos que sinais, milagres e
evidências sobrenaturais que acompanham a pregação do evangelho demonstram Sua
autoridade (2 Co 12.12; At 14.3).
CONCLUSÃO
O verdadeiro evangelho anuncia a graça oferecida por Deus
aos que estão mortos em delitos e pecados, anunciando-lhes o poder que foi dado
ao Salvador para trazê-los à vida (Ef 2.1), e que este poder encontra-se
disponível a todos, pela fé em Jesus (Jo 5.24).
Fonte: Revista Lições da Palavra de Deus n° 58
E bem sei que, indo ter convosco, chegarei
com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo. Romanos 15:29
Introdução
Hoje estudaremos sobre a autoridade do Evangelho, e primeiramente
devemos definir o que é Evangelho.
Segundo o dicionário Strong ευαγγελιον euaggelion – recompensa
por boas notícias ou simplesmente Boas Novas
Neste vocábulo, podemos encontrar pelo menos três significações. 1)
Anúncio da salvação oferecida gratuitamente por Deus, através de Jesus Cristo,
a todos os que crêem. 2) Doutrina de Cristo como se encontra nos quatro
primeiros livros do Novo Testamento. 3) Os relatos da vida, do ministério e da
paixão de Cristo, registrados por Mateus, Marcos, Lucas e João.
No Novo Testamento, as boas novas falam do reino de
Deus, da mensagem de Deus aos homens, do perdão de pecados, da esperança. Nos
escritos de Paulo o termo significa boas novas, especialmente em relação às
igrejas; o plano de Deus para a igreja, o destino e grande privilégio
da mesma, incluindo os meios de salvação, o perdia de pecados, a justificação
etc…
Portanto os Evangelhos são uma autoridade em relação a vida, missão,
obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
1. A boa verdade
O Apóstolo Paulo na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 15, nos
versos 1 a 4, ensina que o evangelho que ele tinha recebido é que Cristo morreu
por nossos pecados; que foi sepultado, e ressuscitado ao terceiro dia, segundo
as Escrituras. Este era o evangelho que ele tinha recebido. Muito provavelmente
tinha recebido de Ananias depois que foi para Damasco, quando da sua conversão,
e depois por Barnabé e os apóstolos.
Mas quando Paulo escreve a carta aos Romanos, provavelmente da própria
cidade de Coríntios, ele fala que o evangelho, que chama ousadamente de seu
evangelho, vai muito mais além. Ele diz que no evangelho é revelada de fé em fé
a justiça de Deus (Rom. 1.17). E ele mesmo diz que os cristãos que estavam em
Roma, necessitavam conhecer todo o evangelho em Cristo Jesus. Que eles também
como Paulo só tinham recebido uma parte deste evangelho, e que todo o evangelho
agora era dado a conhecer para a obediência da fé (Rom. 16.26).
Até o capítulo 5 da carta aos Romanos, Paulo fala mais uma vez sobre
aquilo que eles já tinham recebido: a justificação pela fé. Mas a justificação
é para levar o homem à glorificação, isto é, ser conformado à imagem de seu
Filho: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a
estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”
Romanos 8.29-30.
Este é o propósito eterno de Deus, de nos conformar à imagem do seu
Filho. Mas da justificação para a glorificação existe a santificação. No
capítulo 5 de Romanos o apóstolo Paulo usa por 4 vezes a expressão “muito
mais”. Ele queria nos compartilhar que no evangelho em Cristo havia muito mais
que apenas uma justiça através da fé no sangue. Que a graça tinha sido
abundante no perdão dos nossos pecados, mas que ela tinha ido muito além do
perdão, tinha sido superabundante.
Tinha também alcançado uma libertação da escravidão do pecado. No
capítulo 6 Paulo entra na santificação pelo sacrifício de Cristo na cruz. Até o
capítulo 5 Paulo trata da justificação pela fé, mas a partir do capítulo 6, já
não é somente fé, mas também virtude e conhecimento.
A graça não se mostraria mais abundante se continuasse apenas perdoando
pecados, mas ela se mostrou mais abundante nos libertando do pecado e de sua
escravidão: “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado,
para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado
como escravos” Romanos 6.6. A Palavra da cruz é poder de Deus para os que já
são salvos (I Cor. 1.18). Cristo morreu e ressuscitou e nós fomos unidos,
plantados em sua morte e ressurreição (Rom. 6.5), para que mortos para os
pecados pudéssemos viver para a justiça (I Pd. 2.24, Gál. 2.19).
Paulo em Romanos 6 entra no evangelho no que diz respeito à
santificação. Cremos que fomos perdoados dos nossos pecados pelo sangue, agora
temos que crer que morremos para o pecado, que estamos livres do velho homem e
da escravidão do pecado. Que agora libertos do pecado fomos feitos servos da
justiça (Rom. 6.18). Que como Cristo morreu e ressuscitou, e já não morre mais,
a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez
por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus; assim
também nós devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus em
Cristo Jesus. Agora devemos oferecer os nossos membros como instrumentos de
justiça a Deus e não mais ao pecado. Portanto, devemos reinar sobre o pecado, e
não o pecado reinar sobre nós, para obedecermos às suas concupiscências (Rom.
6.8-12). Reinar em vida por um só: Jesus Cristo (Rom. 5.17). Uma vez que
morremos e ressuscitamos com Cristo, com Ele viveremos. Ainda que permanecemos
num corpo de morte, o pecado não reina mais. Quem reina é Jesus Cristo.
Agora libertos do pecado, e feitos servos de Deus, temos que ter o nosso
fruto para a santificação e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é
a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso
Senhor (Rom. 6.22-23). Agora não é somente fé no sangue de Cristo para perdão,
mas fé e obediência à forma de doutrina a que temos sido entregues, para a
santificação (Rom. 6.17). Antes não tínhamos escolha porque éramos escravos do
pecado. Mas agora crendo que estamos libertos do pecado por Cristo na cruz,
devemos agora apresentar os nossos membros não mais ao pecado como instrumentos
de iniquidade, mas como quem ressuscitou com Cristo em novidade de vida.
Oferecer agora os nossos membros como instrumentos de justiça a Deus
(Rom. 6.9-13). Paulo diz: “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que
seja a graça mais abundante? De modo nenhum” Romanos 6.1-2a. A graça é
maravilhosa nos perdoando os pecados, mas ela só se mostra mais abundante
libertando do pecado. Onde abundou o pecado, superabundou a graça, para que,
assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a
graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
A morte reinou trazendo escravidão, mas agora a graça reina, trazendo
perdão e libertação (Rom. 5.20-21). O perdão dos pecados já era dado no
sacrifício dos animais na velha aliança, mas aqueles sacrifícios nunca podiam
aperfeiçoar os que se achegavam a Deus (Heb. 10.1). Neste período a morte
reinava e reinou até Cristo. Mas como os filhos são participantes de carne e
sangue, Jesus também participou das mesmas coisas, para que pela morte,
derrotasse aquele que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse
todos aqueles que com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à
escravidão (Heb. 2.14-15).
Jesus derrotou aquele que tinha o império da morte, e agora Deus nos
transportou daquele império, para o reino do Filho do seu amor (Col.1.13).
Agora não estamos mais debaixo daquele poder da morte, mas do poder de uma vida
indissolúvel. Fomos de novos gerados não de semente corruptível, que se
corrompe pelo poder do pecado, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus que é
viva e permanece para sempre. Se é que temos purificado as nossas almas na
obediência à verdade (I Pd. 1.22-23). Uma vez justificados pela fé não podemos
mais viver no pecado e esperar que a graça nos sustente. De modo nenhum. A
graça é muito mais abundante. Ela não só nos perdoou, como também nos libertou
do poder do pecado. Uma vez que estamos libertos do pecado, não podemos mais
viver em suas concupiscências, mas como filhos amados, ser santos assim como
Ele é santo (I Pd. 1.16). Seguindo a paz com todos e a santificação, sem a qual
ninguém verá o Senhor (Heb. 12.14).
Uma vez justificados pela fé, e em paz com Deus, temos que crescer na
santificação, porque esta é a vontade de Deus. Porque Deus não nos chamou para
a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isto não rejeita o
homem, mas sim a Deus, que nos deu o seu Espírito Santo (I Tess. 4.3, 7-8).
Temos recebido um reino que não pode ser abalado, por isso, devemos reter a
graça, crescer e esperar inteiramente nela, e servir a Deus agradavelmente, com
reverência e santo temor; pois o nosso Deus é um fogo consumidor(Heb.,
12.28-29).
A justificação e a santificação nos levarão a glorificação, porque Jesus
tomará para si mesmo uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, mas santa e
irrepreensível. Foi por isso que Ele morreu por ela e agora a está santificando
pela lavagem da água pela Palavra. Tudo isto já temos em Cristo, porque Ele
mesmo disse: Tudo está consumado.
Mas para os que são santos, os que foram santificados em Cristo (I Cor.
1.2), é necessário ser santificado ainda (Apoc. 22.11); santificados na verdade
(Jo. 17.17). Este é o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as
nações para obediência da fé (Rom. 16.26).
O Evangelho nos dias de Hoje
O evangelho que está em voga hoje em dia oferece uma falsa esperança aos
pecadores. Promete-lhes que terão a vida eterna apesar de continuarem a viver
em rebeldia contra Deus. Na verdade, encoraja as pessoas a reivindicarem Jesus
como Salvador, mas podendo deixar para mais tarde o compromisso de obedecê-Lo
como Senhor. Promete livramento do inferno mas não necessariamente libertação
da iniquidade. Oferece uma falsa segurança às pessoas que
folgam nos pecados da carne e desprezam o caminho da santidade. Ao fazer
separação entre fé e fidelidade,deixa a impressão de que a aquiescência
intelectual é tão válida quanto a obediência de todo coração à verdade. Dessa
forma, as boas novas de Cr isto deram lugar às más novas de uma
fé fácil e traiçoeira, que não faz qualquer exigência moral
para a vida dos pecadores. Não se trata da mesma mensagem proclamada por Jesus!
Este novo evangelho tem produzido uma geração de
cristãos professos cujo comportamento raramente se distingue da rebeldia em que
vive o não-regenerado. Estatísticas recentes revelam que 1.6 bilhão da
população da terra são considerados cristãos. Uma bem conhecida pesquisa de opinião
pública indicou que quase um terço de todos os norte-americanos se
declaram nascidos de novo. Tais números, com certeza, representam
milhões de pessoas que estão tragicamente enganadas. O que
eles têm é uma falsa garantia, passível de condenação eterna.
O testemunho da igreja para o mundo tem sido sacrificado no altar da
graça barata. Formas chocantes de imoralidade aberta têm se tornado coisa
trivial entre professos cristãos. E por que não? A promessa de vida eterna, sem
uma rendição à autoridade divina, alimenta a mesquinhez do coração
não-regenerado.
Os entusiásticos convertidos a este novo evangelho crêem que o seu
comportamento nada tem a ver com o seu status espiritual — mesmo que permaneçam
libertinamente apegados aos tipos mais grosseiros de pecado e de formas de
depravação humana.
Parece que a igreja de nossa geração será lembrada principalmente por
causa de uma série de escândalos horripilantes que trouxeram a público as mais
indecentes exibições de depravação na vida de alguns dos mais populares
televangelistas. E o pior de tudo é a dolorosa consciência de que muitos
cristãos olham para esses homens como parte do rebanho, e não
como lobos e falsos profetas que se imiscuíram
entre as ovelhas (Mt 7.15). Por que deveríamos crer que pessoas que vivem na
prática do adultério, fornicação, homossexualismo, fraude, e todo tipo de
intemperança são nascidas de novo?
O que se precisa é de um
completo reexame do que seja o evangelho. Temos
de voltar ao fundamento de todo o ensino neotestamentário sobre a salvação — ao
evangelho proclamado por Jesus. Penso que muitos ficarão surpresos
ao descobrir como a mensagem de Jesus é radicalmente
diferente daquela que por ventura tenham aprendido
Esboço do Verdadeiro Evangelho
1 .
Ele ensina a Adoração
2 .
Ele salva Pecadores
3 .
Ele cura os enfermos
4 .
Ele desafia as Pessoas
5 .
Ele Busca e Salva o Perdido
6 .
Ele Condena um Coração Endurecido
7 .
Ele Oferece um Jugo Suave
8 .
Ele Chama ao Arrependimento
9 .
Ele Mostra Natureza da Fé Verdadeira
1 0. Ele Ensina o Caminho da Salvação
1 1. Ele Dá a Certeza da Vida ou do Juízo Eterno
1 2. Ele Auxilia no Discipulado
1 3. Ele Mostra o Senhorio de Cristo
FONTE : ensinopentecostal.com
Capítulo I Introdução (1 - 17)
Paulo a seus Leitores (1, 1 - 7)
Vs. 1 - 7 Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para Apóstolo e
escolhido para o evangelho de Deus, o qual há muito fez anunciar através de
seus profetas, nas Escrituras Sagradas, tratando de seu Filho, nascido da estirpe
de Davi segundo a carne, poderosamente estabelecido como Filho de Deus, segundo
o Santo Espírito, pela sua ressurreição de entre os mortos— Jesus Cristo, nosso
Senhor por intermédio de quem recebemos graça e apostolado, para criar
obediência à fidelidade de Deus, confirmada no evangelho, entre todos os povos,
entre os quais estais, como chamados de Jesus Cristo, para honra e glória de
seu nome — a todos amados de Deus,chamados para a santidade, sobre vós, a graça
e a paz de Deus, nosso pai,e o Senhor Jesus Cristo.
“Paulo, servo de Cristo Jesus chamado para apóstolo”.
Quem fala aqui “não é um gênio entusiasmado consigo mesmo”(Zuendel)
porém um mensageiro cativo da missão que recebeu. Não é senhor mas servo,
ministro de seu rei. Seja Paulo quem ou o que for: não interessa. O conteúdo de
sua mensagem não está nele mas vem de lugares estranhos, longínquos,
inconquistáveis, inatingíveis.Paulo não pode considerar a sua vocação para o
Apostolado como uma ocorrência casual, momentânea, de sua vida; ela é fato
paradoxal que o acompanha desde o primeiro momento de sua existência e
permanecerá com ele até o fim, à parte de sua identidade pessoal
(Kierkegaard).Todavia, Paulo é e continua o mesmo. Todos os homens lhe são, em essência,
próximos; porém, em contradição consigo mesmo, e diferentemente de todos os
homens, ele é também aquele que foi chamado, e enviado por Deus.Portanto,
fariseu? [Fariseu envolve, originalmente, a idéia de separação — os fariseus
consideravam-se separados dos demais membros da comunidade judaica, por sua
santidade].
— Sim, fariseu, ainda que de ordem superior; especial, separado,
indi-vidualizado [particularizado], diferente. Em carne e osso, conforme todos;
pe-dra entre pedras. Mas em sua relação com Deus é caso SUI GENERIS. Visto como
apóstolo, ele não tem relação estruturada com a comunidade humana nem com a
realidade histórica, e portanto ele é apenas possível como exceção,ou melhor,
ele é uma exceção impossível.
O direito a esta posição e a credibilidade de suas palavras apoiam-se em
Deus e são, [o direito e a credibilidade] por isso, tão pouco compreensíveis como
o próprio Deus. Esta é a razão pela qual o apóstolo tem bastante ânimo para
exigir que lhe ouçam e a coragem de abordar os outros, sem receio de se enaltecer
ou de se aproximar demais deles. A sua autoridade vem do fato que ele não quer
e não pode apoiar-se senão na autoridade de Deus.
O recado que Paulo tem para entregar é o “Evangelho de Deus”; é transmitir
aos homens a inaudita, boa e alegre verdade de Deus! Justamente de Deus! Não se
trata de mensagem religiosa, ou de notícia ou instrução so-bre a divindade ou a
divinização do homem, mas da mensagem de um Deus totalmente diferente do qual o
homem, como tal, nunca virá a ter conheci-mento, ou ter parte, mas de quem, por
isso mesmo, vem a salvação; não é algo a ser entendido diretamente, uma coisa a
ser compreendida, de uma vez,entre as demais coisas, mas é a Palavra sempre
nova que precisa ser percebi-da sempre de novo, com temor e tremor; é a Palavra
sempre reiterada, da origem de todas as coisas.
Não se trata de vivência, experiência ou descoberta; porém, ainda que fosse
algo disso, seria então simples conhecimento objetivo daquilo que ne-nhum olho
viu e ouvido algum jamais ouviu. Trata-se de comunicação que não demanda,
apenas, que dela se tome conhecimento, mas impõe que dela se par-ticipe; ela
não requer mero entendimento, mas compreensão; não somente com-paixão mas
cooperação; é comunicação que pressupõe a existência da fé da qual é também
geratriz. E a mensagem de Deus “de há muito anunciada” e não uma idéia repentina
de agora; essa mensagem é o sentido, o pomo amadureci-do, da própria história;
é o fruto dos tempos e qual semente da eternidade é o cumprimento da profecia.
É a palavra pronunciada pelos profetas de antiga-mente que agora se torna
perceptível e percebida.
Esta é a essência da mensagem confiada ao apóstolo; ela é a garantia do
seu discurso e a sua crítica. Falam, agora, as palavras dos profetas, que há muito
estavam fechadas sob chave: ouve-se hoje o que foi anunciado há sécu-los por
Jeremias, por Jó, pelo pregador Salomão; pode-se pois ver e entender o que está
escrito. Temos agora “um acesso a todo Antigo Testamento”.(Lutero)
É sobre o rastro da história, assim revelada e esclarecida, que está
posta-do aquele que fala na Epístola, e “logo de início ele se nega a honra da
origina-lidade.” (Schlatter).
“Jesus Cristo, nosso Senhor”: este é o evangelho e o sentido da
história;neste nome encontram-se e separam-se dois mundos; interceptam-se dois
pla-nos. Um conhecido e outro desconhecido.
O plano conhecido é o mundo da carne, dos homens, do tempo e da matéria,
o nosso mundo que foi, originalmente, criado por Deus, mas perdeu a sua unidade
com ele e, havendo decaído, necessita de redenção.
Este plano conhecido é cortado por outro, desconhecido dos homens, queé
o mundo do Pai, o mundo da criação original e da redenção final.
A relação entre nós e Deus, entre o nosso mundo e o mundo de Deus,entre
os dois planos que se interceptam, não é evidente por si só, porém se revela no
ponto de destaque da linha de interseção: Jesus! [É Jesus que torna visível a
relação entre nós e Deus; é apenas em Jesus que esse relacionamento pode ser
visto]. É o Jesus de Nazaré; o Jesus “histórico” que nasceu da linha-gem de
Davi, segundo a carne, e que, em sua função histórica, significa o ponto de
divisão [o ponto de tangência] entre um mundo nosso conhecido e outro,nosso
desconhecido.
O tempo, as coisas, os homens, de nosso mundo sobressaem acima dos demais
tempos, coisas e homens, não por si mesmos, mas na medida em que se aproximam
daquele ponto peculiar que traz à luz a linha oculta da interseção entre a
temporalidade e a eternidade, entre a matéria e a origem, entre a huma-nidade e
Deus.
Os anos 1 a 30 da nossa era, são de revelação e descobrimento. Estes são
os anos durante os quais, volvendo a vista para Davi, vemos uma nova era,diferente;
vemos a finalidade, a razão de ser, de todos os tempos conforme os desígnios de
Deus. Todavia o destaque, o privilégio desse tão pequeno período da história
temporal, sobre todos os tempos, épocas e eras da história, desapa-rece
porquanto ele mesmo proporciona aos demais períodos, épocas e eras a possibilidade
de se transformarem também em tempos de revelação e desco-berta. [Pela
universalidade e “extra-temporalidade” da graça revelada por Emanuel. — Deus
conosco].
O ponto central da linha de interseção dos dois planos, semelhantemente ao
plano desconhecido que ele anuncia [e ao qual, também ele pertence] não se expande
sobre o plano do nosso mundo; [antes é um ponto de absorção, que absorve a
nossa história como o vórtice de um sumidouro].
O efeito de irradiação, ou melhor, de sorvedouro, de vacuidade, que se nota
na história do nosso mundo quando ocorre o contato com o mundo desconhecido de
Deus, não deve ser confundido com esse mundo desconhecido,ainda que seja
identificado ou identificável com a vida de Jesus.
À medida que o nosso mundo [temporal] for tocado pelo outro mundo[de
Deus] através de Jesus, deixa ele de ser histórico, temporal, material,
dire-tamente perceptível: Jesus é “poderosamente estabelecido como Filho de
Deus,pelo Espírito Santo, através da sua ressurreição de entre os mortos”.
Este estabelecimento de Jesus é o seu verdadeiro significado e como tal não
pode ser verificado historicamente.
Jesus, como o Cristo, o Messias, é o final dos tempos. Ele só pode ser entendido
[compreendido], como paradoxo— (Kierkegaard), como vencedor— (Blunhardt), como
pré-história. (Overbeck).Jesus, como Cristo, é o plano desconhecido que corta o
nosso, perpen-dicularmente, vindo do alto.
Do ponto de vista histórico, Cristo só pode ser entendido como
proble-ma, um mito; ele traz o universo do Pai, do qual nada conhecemos, nem
pode-mos vir a conhecer, através da história.A ressurreição de entre os mortos,
porém, é o ponto de inflexão, de mudança de rumo. É o ponto estabelecido de
cima e visível de baixo.
A ressur-reição é a revelação, o descobrimento de Jesus, como Cristo, e
nele o apareci-mento e o conhecimento de Deus; a origem da necessidade de dar a
honra a Deus e de contar com o desconhecido e invisível em Jesus, dando-lhe as
cre-denciais de Consumador dos tempos, Paradoxal, Pré-histórico, Vencedor.
Na ressurreição o novo mundo do Espírito Santo toca o velho mundo carnal
qual tangente roçando o círculo, não o tocando mas tangenciando ape-nas; chega
ao ponto de tangência como o limite entre os dois mundos.
A ressurreição é o acontecimento fundamental que ocorreu ante as por-tas
de Jerusalém, no ano 30, conquanto aí teve lugar, foi descoberta e ficou conhecida;
neste sentido, é pois fato histórico. Todavia, como essa ocorrência,o seu
desconhecimento, o seu reconhecimento, a sua necessidade, não foram os seus
elementos determinantes, mas estes elementos estavam [e estão] na ressurreição,
em si mesma; ela já não pode mais ser considerada qual mera ocorrência
histórica, porém, à medida que Jesus se revela e é reconhecido comoo Messias,
ele é “investido como Filho de Deus”, ainda antes da Páscoa, tão certamente
quanto depois dela.
Esta é a significação de Jesus: a investidura do Filho do Homem como Filho
de Deus.
O que Jesus é afora desta investidura tem apenas a importância ou a
irrelevância de todas as coisas temporais, materiais e humanas, em si mesmas.
“Embora tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos
assim”.
Naquilo que ele foi, ele é; mas naquilo que ele é, está subjacente o que
ele foi.
Não há, aqui, enlace entre Deus e o homem — [O Filho do Homem e o Filho
de Deus]. O homem não é guindado à divindade nem esta se derrama no ser humano.
Mas, o que nos tangencia sem tocar-nos [sem se confundir conosco]em Jesus — o
Cristo, é o Reino de Deus, — [Deus] o Criador e Redentor.
O Reino de Deus tornou-se atual; ele chegou próximo. (Cap. 3 vs. 21
e22). Este Jesus Cristo é “Nosso Senhor”. Por sua presença neste mundo e em nossa
vida, somos anulados como homens e alicerçados em Deus. Com os olhos postos
nele, somos retidos e impelidos; os nossos passos são retardados e apressados.
E porque ele, como Senhor, está acima de Paulo e dos Romanos,Deus, na Epístola,
não é uma palavra vazia.
De Jesus Cristo Paulo recebeu a “Graça e o Apostolado”.
Graça é o fato real, embora incompreensível, que Deus se agrada do ser humano
e que este pode alegrar-se em Deus. Mas a graça somente é graça quando ela for
reconhecida como inexplicável [sem razão de ser], incompreen-sível. E por isso
que só há graça sob o reflexo da ressurreição, como dádiva de Cristo, que
eliminou a distância entre Deus e os homens, tirando-a violenta-mente [quiçá,
vencendo o afastamento que a morte implicitamente encerra,com o rompimento
violento do túmulo para o surgimento triunfante da vida].
Deus conhece o homem desde longe e o homem pode reconhecê-lo em sua
inescrutável altura; [porém] o homem se achega a seu semelhante,
inevita-velmente, na condição de mensageiro. (Esta é a condição que pesa sobre
os ombros de Paulo).“Uma coação está sobre mim: Ai de mim se eu não pregar o
Evange-lho”. (1 Cor. 9,16).
A diferença entre a situação de Paulo e a dos demais cristãos é apenas questão
de intensidade: De menos ou mais. Onde houver a graça de Cristo o homem toma
parte na proclamação da ressurreição, que é o ponto de retorno[quiçá de
conversão] para onde convergem todas as coisas e todos os tempos,ainda que sob
a maior relutância ou sob o mais absoluto ceticismo.
O homem que houver encontrado a graça de Deus porá em dúvida a legitimidade
do modo de ser do mundo, e tanto lutará contra a conduta munda-na quanto
pugnará pela esperança ofertada em Deus. Não se trata da imposição e propagação
de sua convicção, porém do testemunho da fidelidade de Deus,que ele encontrou
em Cristo, e da qual ficou devedor desde o instante que a conheceu.
A fidelidade assim despertada no ser humano, a fé que aceita a graça,
leva-o à obediência, obediência que impõe a si e que se estende também aos
outros.
O mesmo Deus que fez de Paulo o Apóstolo dos Gentios, pensou também nos
cristãos de Roma para trazê-los ao seu reino, próximo a vir. Assim, chamados para
a santidade, não pertencem mais a si mesmos nem ao velho mundo que passa mas a
quem os chamou. Também para os romanos foi o Filho do Homem estabelecido,
investido, como Filho de Deus, por força da ressurreição. Tam-bém eles estão
agora cativos da grande carência que têm e da grande esperança que sentem.
Também eles foram escolhidos e particularizados por Deus, de alguma maneira.
Também para eles existe uma nova condição “na graça e paz de Deus, nosso Pai, e
do Senhor Jesus Cristo” [desta forma irmanando os Cris-tãos Romanos ao Senhor
Jesus — este e eles, filhos do mesmo pai].
Oxalá essa condição se renovasse constantemente! Fosse a sua paz,
a[causa de] sua falta de paz — a sua paz!
Este é o começo e o fim da Epístola aos Romanos.
O Tema da Epístola (1, 16-17)Vs. 16 e 17
Porque eu não me envergonho do evangelho, pois ele é o poder de Deus
para a salvação de todo aquele que crê, do Judeu primeiro e também do grego.
Porque a justiça de Deus se revela nele; da fidelidade à fé, como está escrito:
“O justo viverá de minha fidelidade”.
[A tradução de Lutero escreve: “O justo viverá de sua fé”; a versão
sinodal da Sociedade Bíblica Francesa registra: “Aquele que é justificado viverá
pela sua fé”. A Revised Standard Version (1953), americana, traz: “Aquele que é
reto, pela fé viverá”; a edição da Biblioteca de autores cristãos de Madri,
(1950), versão cató-lica, diz: “O justo viverá pela fé”, portanto APUD nossa
versão de Almeida; a nossa (hoje já quase esquecida) versão de Figueiredo diz:
“O justo viverá da fé”.Acha o Autor que a sua tradução se harmoniza melhor com
o texto ori-ginal e por ela orienta a sua análise, entendendo-se porém que em
Hab. 2,4, é Deus quem fala. O possessivo refere-se a Deus; parafraseando,
poderíamos dizer, segundo o Autor, “o justo viverá pela fidelidade de Deus”]“Eu
não me envergonho”,
O evangelho não precisa ir em busca de polê-mica com as religiões e
filosofias do mundo, nem tão pouco precisa temê-las ou fugir delas. O evangelho
persiste e subsiste por si, como a mensagem que vem da linha de interseção do
plano deste mundo como plano do mundo do além, desconhecido para nós. O
evangelho não entra em concorrência com quaisquer teorias ou pesquisas ou outras
elucubrações e deduções que a ciên-cia, a sabedoria ou cultura possam haver
encontrado ou ainda venham a encon-trar mesmo que sejam transcendentais e
oriundas do mais elevado círculo do saber humano pois o evangelho não é uma
verdade ao lado de outras verdades mas é a verdade que questiona, [afere],
todas as demais verdades. O evangelho é dobradiça e não folha de porta.
Quem aceita o evangelho, embora possa sentir-se perplexo [ante as
condi-ções do mundo em seu século], está livre [e acima] de toda e qualquer
conten-da; não há apologética nem preocupação com a vitória do evangelho, pois
ele é a própria base de todas as coisas; o seu sustentáculo é também a sua
consuma-ção, o seu fim; e assim sendo, o evangelho é a vitória que vence o
mundo.O evangelho não precisa ser defendido nem suportado ou carregado: É ele
que defende e suporta aos que o proclamam.
É certo que Paulo poderá chegar e de fato chegará a Roma para aí
con-solar e ser consolado sem envergonhar-se do evangelho; mas é igualmente
cer-to que esta visita tão ansiosamente esperada por todos não é necessária
para que o evangelho subsista.
Deus não necessita de nós, e teria mesmo que se envergonhar de nós,não
fora ele Deus e precisasse de nossos préstimos. Antes, somos nós que
delecarecemos.
O evangelho da ressurreição é o “Poder de Deus”; é a sua
virtude(VULGATA); é a revelação e o conhecimento desse Poder; é a sua excelente
supremacia confirmada por obras perante todos os deuses; é o milagre dos
mi-lagres pelo qual Deus dá-se a conhecer como aquele “que é o que é” [Ex. 3,
14]isto é, o Deus desconhecido que habita em auréola de luz, em páramos
inaces-síveis ao homem — o Santo, o Cristo, o Redentor. “Aquele que, sem o conhecerdes,
tendes honrado, este vos anuncio”. (Atos 17.23).Todas as divindades que ficam
aquém da ressurreição; que moram em templos, que são feitura de mãos humanas e
delas necessitam para serem servi-das; divindades que carecem dos próprios
homens [que as reconhecem por deuses] (Atos 17,24-25); essas divindades não são
Deus; essas, o homem co-nhece!
Deus é o Deus desconhecido e como tal dá vida, alento e tudo, a todos.
E assim é o seu Poder, a sua força: não a força da natureza, nem da
alma,nem outra força qualquer, mais alta ou uma super-força que acaso
conheçamos ou alguma outra que pudéssemos vir a conhecer. O Poder, ou a força
de Deus nãopode ser considerado, nem mesmo, como a força suprema do mundo, ou a
somatória de todas as forças ou ainda a origem delas, mas é a crise de todas e
de qualquer delas, porquanto esta força é algo totalmente diverso, em
comparação com a qual as demais forças tanto podem ter alguma significação
corno podem ser absolutamente nulas; sim, algo e nada; [a crise gerada pelo
eventual confronto de força humana com o Poder divino] tanto pode representar o
impulso inicial,como o fator de estagnação final e definitiva dessa força
terrena.
O Poder de Deus é a força que pode trazer o cancelamento, a supressão da
própria origem de todas as forças e também a sustentação, a preservação, do
objetivo delas.O Poder de Deus permanece, meridianamente claro, acima de tudo.
Nãode lado [paralelamente como se ombreasse com as demais forças] e não
supe-rior [sobrenatural, como se fosse comparável, ainda que em grau
superlativo,com as outras forças] porém, além de todas elas, [e diferente
delas].
As forças que o mundo possui, ou que imagina que tenha ou que possa vir
a ter, são necessariamente condicionadas [limitadas].
Ora, o Poder de Deus não pode ser intercambiado ou alinhado com tais forças,
nem podem estas ser comparadas com ele, senão com o mais absoluto cuidado e a
máxima prudência.
O Poder de Deus é a investidura de Jesus, como o Cristo (1,4) e isto, no
seu sentido mais restrito, é pressuposição destituída de qualquer significado tangível.
Acontece em Espírito e somente pode ser reconhecida espiritualmen-te. Essa
investidura é absolutamente auto-suficiente, e verdadeira em si mesma;ela é o
fator decisivo, se assim nos pudermos expressar; o ponto crítico que ocorre na
mente humana [no seu sentimento] e que leva o homem a Deus.É justamente desta
mensagem — de sua proclamação e sua percepção,— que se trata entre Paulo e seus
leitores e ouvintes de Roma.
Com esta mensagem da investidura de Jesus, como o Cristo, relaciona-se
todo o ensino, toda a moral e todo o culto da comunidade cristã, uma vez que tudo
isso tem apenas a função de [preparar o terreno destacando a inutilidadedo
esforço humano para a salvação, a enormidade do afastamento de Deus que o
pecado acarreta, a nenhuma valia que o homem pode atribuir aos humana-mente
mais excelentes méritos que tivesse; esse conjunto de perspectivas tão negativas
contribui para] formar uma espécie de funil de escoamento, de sorve-douro, de
vazio, onde se dá [a inserção], a implantação da mensagem.
A comunidade [cristã] não conhece palavras, obras, ou coisas que
sejamsantas em si mesmas; conhece apenas palavras, obras e coisas que, como
nega-ções, [isto é como sinais e evidência de tudo quanto o homem não é, ou
melhor,de tudo quanto ele é em oposição a Deus] apontam ao que é Santo.Se a
atitude cristã e o modo de ser dos cristãos não fossem referendados ao
evangelho, seriam qual acessório ou subproduto humano, perigoso restolho religioso,
lamentável mal entendido conquanto, ao invés da vacuidade [do homem que se nega
a si mesmo, que se anula em sua soberba pretensão e sua vontade egoísta e
vaidosa, para dar lugar a Deus], teria conteúdo [ainda que fátuo]; em vez de
côncavo seria convexo [isto é, em vez de fazer convergir e concentrar a
mensagem recebida a dispersaria]; em vez de negativo, seria posi-tivo; em vez
de ser a expressão da sua própria insuficiência, toda voltada para aesperança
na promessa do evangelho, teria a pretensão da auto-suficiência, demostrar-se
intrinsecamente rico em qualidades.
Nestas condições deixariam os cristãos de ser uma comunidade cristã para
serem uma cristandade compromissada com a oscilante realidade mundi-al, de
aquém ressurreição [portanto sem o Cristo vivo, ressurrecto]. Tal cristan-dade,
praticando com o mundo um pacífico e cômodo MODUS-VIVENDI,não pode ter parte
com o Poder de Deus.
Semelhante evangelho de maneira nenhuma estaria livre da concorrência com
o mundo e, competindo, não estaria em posição vantajosa, antes estaria em
grande embaraço e aperto pois as filosofias e religiões do mundo,
forjadas,urdidas ou criadas aquém ressurreição, foram desenvolvidas a gosto do
homem[de forma semelhante à confecção das imagens e o culto idólatra]
deturpando o evangelho com o objetivo de acomodá-lo ao gosto do presente século
[criando ilusões e desvirtuando a imagem do próprio Deus que deixa de ser
espiritual para ter a imagem e a semelhança do homem e o evangelho deixa de ser
Poder,para ser movimento; e os cristãos deixam de ser sal e luz, e portanto a
minoria do caminho estreito, para serem massa num pseudo evangelho chamado
social,ecumênico, tolerante e, sobretudo, tolerável e tolerado pelo
mundo].Haveria, então, razões suficientes para ter vergonha do evangelho!
Paulo, porém, refere-se ao “Poder” do Deus desconhecido: “O que olho algum
viu, nenhum ouvido ouviu, o que jamais chegou ao coração humano”.
E por isso que ele não se envergonha do evangelho.
O “poder de Deus” é poder “para a salvação”. O homem, neste mundo,está
em cativeiro. Nenhuma luz adicional encontraremos se nos aprofundarmos na
conscientização de nossas limitações humanas, antes, sentir-nos-emos cada vez
mais distantes de Deus; ficaremos mais compenetrados da enormidade de nossa
queda (1, 18; 5, 12) e as suas seqüelas serão cada vez maiores (1, 24; 5,12) do
que, sequer nos permitiremos sonhar.
É que o homem é agora [após a queda e aquém da ressurreição] o seu próprio
senhor. A sua unidade com Deus foi tão profundamente destruída, dila-cerada,
que o reatamento dessa união é absolutamente inimaginável para o ho-mem. A sua
condição de criatura é o seu grilhão; seu pecado, a sua culpa; sua morte, o seu
destino. Seu mundo é um caos disforme que flutua ao léu sob a ação de forças
naturais, anímicas e algumas outras. Sua vida é uma aparência.
Esta é a nossa situação.
— “Existe um Deus”?
Uma pergunta muito boa.
Pretender entender este mundo em sua unidade com Deus será, ou
con-denável arrogância religiosa ou, a última [a mais profunda] visão [ou
perspec-tiva] da verdade que existe para além do berço e do túmulo: uma visão
vinda do lado de Deus.
A arrogância terá que desaparecer quando a perspectiva do lado de Deus tiver
lugar. [Todavia] enquanto existirem moedas falsas em circulação as ver-dadeiras
são postas em dúvida.
O evangelho proporciona a visão pela última perspectiva, partindo do lado
de Deus [isto é pela ressurreição que mostra o Poder de Deus, com a investidura
de Jesus como o Cristo]; todavia, para a sua eficácia, [para que pelo Poder de
Deus se restabeleça o vínculo da união do homem com o Criador] é necessário que
as outras perspectivas, as penúltimas [as arrogantes pretensões que ganham
curso e circulação na categoria de moedas falsas] sejam banidas.
O evangelho fala-nos de Deus, como ele é; refere-se a ele, e a ele
só!Fala do Criador que se torna nosso Redentor e do Redentor que é nosso
Criador.O evangelho tem o intuito de nos virar completa e absolutamente.
Anun-cia-nos a transformação de nossa condição de criaturas livres; oferece o
perdão de nossos pecados. A vitória da vida sobre a morte; a devolução de tudo
quanto perdemos.
O evangelho é o toque de alarme, é o sinal de fogo, de um mundo novo que
está chegando.
— O que quer dizer isso tudo?
Agora e aqui, atados ao “isso” e “aquilo”, não o sabemos, Apenas
pode-mos perceber o que acontece e captamos esta percepção pelos sentidos
volta-dos a Deus, depois que foram devidamente despertados pelo evangelho.
O mundo, porém, não deixa de ser mundo e o ser humano continua sendo um
ser humano; cabe-lhe suportar toda a carga do pecado e arcar com a total maldição
da morte, [a despeito de haver percebido os sinais da graça de Deus].Que não
haja qualquer auto-ilusão sobre o estado de fato da nossa exis-tência e de
nosso modo de ser.A ressurreição, que é a nossa saída, é também o nosso
cerceamento:mas o cerceamento é também saída!
O não que veio a nosso encontro, o NÃO de Deus: o que nos falta é também
o que nos socorre; o que nos cerceia [o que barra a nossa saída] é a nova terra
[a porta que nos enclausura é também o umbral que nos leva ao reino dos céus].
O que destrói todas as verdades do mundo, é também o que as alicerça.E,
exatamente porque o NÃO de Deus é total, ele é também o divino SIM!
É assim que temos no Poder de Deus a perspectiva do portal da esperan-ça
e, com essa visão ante os olhos, a possibilidade de avançar o passo
seguinte,ainda que vacilante, na senda estreita deste mundo, prosseguindo em
“consola-do desespero” (Lutero).
O prisioneiro é transformado em atalaia que, confinado ao seu posto de vigia,
qual enclausurado em sua cela, anseia pelo raiar da aurora: “Aqui estou eu, de
atalaia, e subo ao alto da fortaleza para perscrutar atentamente o horizon-te,
para ver o que ele acaso tem para dizer-me e o que responderá à minha queixa.
Então respondeu-me o Senhor e disse: escreve a revelação; registra-a sobre uma
lousa para que seja claramente legível. A revelação espera ainda por seu tempo
próprio, mas se aproxima rapidamente do fim, e não enganara. Se ela demorar,
aguarda-a com perseverança porque ela se cumprirá com certeza”.(Hab. 2, 1-3).
O evangelho requer fé. Somente para os crentes é ele o “Poder de Deus para
a Salvação”. Portanto, a sua verdade não pode ser comunicada diretamente,[não é
palpável]. Cristo foi estabelecido o Filho de Deus, “pelo Espírito”,(1, 4).
Ora, “o espírito é a negação do que é reconhecível diretamente, [que é a matéria].
Se Cristo for verdadeiro Deus, então ele será necessariamente irreconhecível. O
conhecimento direto é uma característica inerente aos ídolos”.(Kierkegaard).
O “Poder de Deus para a Salvação” é algo tão novo, tão inaudito, tão inesperado,
neste mundo, que só pode surgir, ser percebido e ser aceito como contradição. É
assim que o evangelho não porfia por esclarecer-se nem procura tornar-se
conveniente [cômodo e agradável aos interesses terrenos]; não solici-ta e não
transige; não ameaça e não promete. Ele se retrai por toda parte onde não for
ouvido pela própria força de sua proclamação.
“A fé orienta-se às coisas invisíveis; para dar oportunidade à fé, é
neces-sário que tudo o que se há de crer esteja oculto, e esse ocultamento é
tanto mais profundo quando o objeto da fé fica em franca oposição ao sentido da
vista, da sensação dos sentidos, do senso, e da experiência. Quando Deus, pois,
vivifica faz morrer; quando justifica ele o faz, inculpando-nos; quando nos
conduz ao céu, fá-lo conduzindo-nos ao inferno.” (Lutero).O evangelho é,
apenas, digno de fé. [O evangelho não pode ser assimi-lado, apropriado, pela
análise intelectual, por deduções lógicas ou por elucubrações indutivas ou
ainda, por convicção intuitiva; nem por sugestão,por exposição, por ensino ou
exemplo, mas unicamente pela fé.
O evangelho é totalmente estranho à natureza das coisas deste mundo
nosso conhecido, por isso não pode ser apreendido senão pela fé e, portanto,
para ser aceito é preciso que se creia nele. A única alternativa à sua
aceitação pela fé. é a sua rejeição].
O evangelho manifesta a seriedade de sua presença em nossa vida im-pondo
a opção entre o caminho da fé e a escandalização. [Ou a pessoa aceita o evangelho,
crendo nele, ou se escandaliza com a verdade que apresenta, consi-derando-o
absoluta loucura em sua pretensão de ser o único caminho para a redenção,
situando-o, quando muito, como uma possibilidade, uma interpreta-ção e quiçá,
até uma verdade entre muitas outras alternativas, filosofias, cren-ças e
religiões].
Aquele que não estiver à altura da contradição, que não se conformar
comela, [que não estiver pronto a perseverar na esperança da boa nova qual o
evange-lho a apresenta, não quiser esvaziar-se a si mesmo para dar lugar à
plenitude de Deus] para esse, o evangelho será motivo de escândalo. Todavia, a
todos os que não fugirem da evidência da contradição [antes perseverarem na
aceitação da graça paradoxal e inaudita, e estiverem prontos para morrer para a
vida material(a fim de ganharem a vida espiritual), de se esvaziarem completamente
(para se encherem dos dons do espírito), que nada pretenderem, nem mesmo
ousarem desejar herdar a vida eterna ou se locupletar de dons celestiais, que
não imagina-rem uma transação de vacuidade calculada para dar lugar ao
preenchimento que viria qual recompensa, os que voltarem suas vistas,
sinceramente, para a Cruz e a Ressurreição] para esses tais abrir-se-á o
caminho da fé.A fé é o respeito ante o incógnito divino, e o amor a Deus, com
plena consciência da diferença qualitativa entre Deus e os homens; Deus, e o
mundo.
Fé é a confirmação da ressurreição como ponto de retorno do mundo [ao
consentimento], ao SIM contido dentro do NÃO divino. A fé é a estacada
arrasado-ra perante Deus, em Cristo Jesus.Todo aquele que reconhece que os
limites do mundo estão demarcados por uma verdade que o contradiz; todo aquele
que vê a sua própria limitação marcada pela vontade divina que contraria sua
própria vontade; quem acaricia o espinho que esse cerceamento representa em seu
ser e seu modo de ser, ainda que isto lhe seja extremamente difícil, por
conhecer demasiadamente bem a extensão dessa contradição e que, embora por
essas razões todas tenha anseios de escapar dela, obriga-se a viver com ela
(Overbeck) e que, em resumo, se confessa sujeito a essa contradição, vencendo a
si mesmo ao ponto de nela [e por dai apoiar e orientar a sua vida, — esse tal
crê!
Quem confia em Deus — em Deus mesmo e somente em Deus isto é,quem
reconhecer a fidelidade de Deus na própria contradição que essa fidelidade impõe
e pela qual somos deslocados [somos feitos estrangeiros] da existência e do
modo de ser deste mundo, quem corresponder a essa fidelidade divina com a sua
própria fidelidade, quem ficar com Deus, a despeito de todos os “ainda que” e
“apesar de” [que as contingências da vida possam trazer], este CRÊ!E o crente
encontra no Evangelho o “Poder de Deus” para a salvação, os raios precursores
da eterna bem-aventurança, e o ânimo de colocar-se em guar-da, de sentinela!
Mas o encontro, a descoberta, do Poder de Deus, exige a escolha (a opção)
livre e contínua, de cada instante, entre o escândalo e a fé. Todavia, no que
concerne à fé, o calor da descoberta, a pujança da convicção, o grau de entendimento
e a cultura alcançada são mera roupagem [de ocorrências] deste lado [de aquém
ressurreição] e por isso marcos irrelevantes do fenômeno.
Sendo marcos do acontecimento da fé não são grandezas positivas,porém,
grandezas negativas com relação a outras positivas, quais etapas de trabalho de
desentulho pelo qual desocupamos a praça “deste lado” para receber o “além”.
É por isso que a fé não é, jamais, idêntica à “religiosidade” ainda que esta
seja a mais fina, a mais pura, pois a religiosidade é um marco da fé, e como tal
anula outras realidades do mundo e junto com estas, notoriamente, a si mes-ma.
A fé, porém, vive por si própria, porque vive de Deus! Este e o
CENTRUMPAULINUM. (Bengel).
Todo indivíduo pode e deve crer. Com o direito de opção [a crer e a escandalizar-se]
estão “o judeu e o grego”.
O evangelho questiona a existência e o modo de ser do mundo e,
conse-qüentemente, de cada ser humano; tão certo quanto a profunda problemática
de nossa vida é uma condição geral, assim, também a contradição divina em
Cris-to faz-se sentir individualmente, em cada pessoa. O “judeu”, o homem
religio-so, o homem de igreja, é o primeiro a ser chamado a fazer a opção pois
ele está na linha divisória, lá onde deveria ser vislumbrada a linha de
interseção (1. 4)do plano deste mundo com o da nova dimensão [e nessa
interseção, o seu ponto de destaque — a ressurreição de Jesus], (2, 17-20; 3,
1-2; 9,4-5; 10, 14-15). O fato de ser o judeu o primeiro a escolher [a decidir]
não representa primazia ou superioridade. [O judeu deveria ser o primeiro a
reconhecer o Salvador, o Cris-to, em Jesus, por lhe terem sido confiados os
oráculos divinos a fim de que se desempenhasse da incumbência de nação
sacerdotal, isto é, de povo escolhido para servir a Deus endireitando as
veredas para o advento de Emanuel, que é Deus conosco; foi às portas de
Jerusalém que ocorreram os marcos materiais da ressurreição que é a investidura
espiritual de Jesus como Filho Unigênito de Deus, O “judeu” (ou o crente que
conhece a Bíblia, que assiste aos cultos, que trabalha na Igreja) foi
devidamente instruído na lei, teve conhecimento da sã doutrina, sabe qual a
vontade de Deus, a ponto de arvorar-se em mestre, guia de cegos e luz nas
trevas; tem pois obrigação de achegar-se primeiro a seu Senhor e Redentor.
Os judeus tiveram a voz de seus profetas e os crentes de hoje têm a
graça de Jesus revelada nas Escrituras Sagradas. Esta é a vantagem de uns e
outros. Os judeus tiveram o testemunho dos patriarcas e profetas e da própria
linhagem de Cristo, segundo a carne; os crentes de hoje, herdando as mesmas
provas antigas,receberam o dom maior de serem o novo Israel de Deus, nação
eleita pela adoção através de Jesus Cristo. Os ‘judeus” que não confessam a
Cristo como seu Salva-dor por não aceitarem a ressurreição, por nela não
crerem, e os gentios que ou-vindo o convite de Jesus não o aceitarem por não se
conformarem com a renúncia que impõe, pela contradição que representa, ao
renegarem a opção da fé, optam pelo escândalo, não com maior degradação, porém
primeiramente!].
A pergunta “se é religioso, ou não”, já não tem mais razão de ser, e da outra
interrogação: “Se é eclesiástico ou mundano”, nem se fala. [Se é clérigo ou
leigo].
A possibilidade de ouvir o evangelho é igual para todos e assim também a
responsabilidade de anunciá-lo para que seja efetivamente ouvido e se cum-pra a
promessa feita aos que em o ouvindo, o aceitarem.
O que se revela no evangelho é o grande, o universal mistério da justiça
de Deus, que pesa sobre todo homem seja qual for sua categoria, posição ou nível.
A harmonia de Deus em si mesmo [do seu amor e da sua justiça tão insistentemente
procurada por judeus e gregos, por todo mundo, vem à luz e é exaltada em Cristo
Jesus.
O que o homem entende por Deus aquém da ressurreição, é
caracteristi-camente a negação de Deus. E um Deus que não redime a sua
criatura; que permite o livre curso da injustiça humana; que não se confessa
ser nosso Deus.
[Ora] um Deus que seja a confirmação máxima do que o mundo é e de como o
mundo é, — é simplesmente insuportável; é “NÃO — DEUS”, a des-peito dos mais
altos atributos com que o adornemos.
O clamor revoltoso dos que se insurgem contra tal Deus está mais perto da
verdade do que as artificialidades levantadas pelos que o querem justificar.
É somente pela carência de coisa melhor e pela falta de coragem de ir até
o desespero, que o ateísmo não se generalizado lado de cada ressurreição.
Porém, em Cristo, Deus fala; fustiga o NÃO-DEUS das mentiras deste mundo
e confirma a si mesmo ao negar-nos quais somos e ao rejeitar o mundo,qual é.Ele
dá-se a conhecer como Deus, Deus além da nossa queda, além do tempo, da matéria
e dos homens: como libertador dos cativos e assim, em seu conjunto, como
Criador.
Ele se declara nosso Deus enquanto cria e resguarda a distância que vai de
nós a ele; ele se compadece de nós convidando [provocando] a nossa crise e trazendo-nos
a juízo. Ele garante a nossa salvação querendo ser Deus e ser reconhecido como
Deus, em Cristo. Ele nos justifica, justificando-se a si mes-mo.
[Submetendo-se, ele mesmo, à sua justiça].
“Pela fidelidade” revela-se a nós a justiça de Deus: pela sua fidelidade
para conosco. O verdadeiro Deus não se esqueceu do homem. O criador
não abandonou a criatura.
Tenha o mistério sido “silenciado” desde os tempos “remotos”, e que ainda
continue oculto (16, 26); que sempre, de novo, o homem considere o NÃO-DEUS
mais suportável que a contradição divina [em Cristo]; que nos pareça impossível
a revelação do irrevelável ante o qual só a irreflexão não recua assustada
[desalentada]; permanece, todavia, a fidelidade de Deus para com o homem.
Permanece a mais profunda coincidência [a congruência] entre a vontade de Deus
e o anseio que o homem, depois de liberto, aninha no mais recôndito de seu ser:
Esperamos um novo céu e uma nova terra onde habite a Justiça! A este nosso
anseio é dada a resposta divina quando a última interrogação humana acorda em
nós. [Quando ouvimos a boa nova, vinda do lado de Deus;quando estiverem fora de
circulação todas as moedas falsas, cunhadas pela nossa pretensão, nosso
egoísmo, nossa auto-suficiência, nossa arrogância].
E porque estamos empenhados nesta esperança, nisto reconhecemos
a fidelidade de Deus.
À fé revela-se o que Deus revela por sua fidelidade. Aqueles que
pres-cindiram da comunicação direta, recebem-na; àqueles que ousam arriscar-se com
Deus [que entregam a própria sorte em suas mãos, sem indagar sobre a natureza
de Deus] fala Deus como ele é; aos que tomam sobre si o fardo do divino NÃO,
ele suporta com o divino SIM, que é infinitamente maior. Os que sofrem a
contradição, sem dela fugir, são sobrecarregados, mas aliviados; aqueles que
perseveram na esperança, nela mesmo reconhecem que estão autorizados atê-la:
que podem e devem esperar pela fidelidade de Deus.
Neles cumpre-se a profecia:
“O justo viverá pela fidelidade”. (Hab. 2, 4).O “justo” é o cativo que
se transformou em sentinela. E o atalaia no umbral da realidade divina. Não há
outra justiça que a do homem atemorizado e esperançoso que se submete à justiça
de Deus. Ele viverá: ele traz em si a candidatura à vida verdadeira, desde o
momento quando reconheceu a futilidade desta vida, e passou a ter nela, sempre
presente, o reflexo da outra, da verdadeira; dentro do efêmero passou a ter a
vista voltada para o eterno!
A grande impossibilidade anunciou-lhe o objetivo e o término dos pequenos
impossíveis. Ele viverá da fidelidade de Deus.
Dizer-se da fidelidade de Deus ou pela fé humana é o mesmo. A forma pela
qual as palavras do profeta vieram a nós, aponta às duas direções.
É pela sua fidelidade que Deus, como o total outro, o Santo, com seu inevitável
NÃO, veio ao nosso encontro, em nosso encalço.
A fé, pela parte do homem, é a adoração que este NÃO divino aceita[pois
sem fé é impossível agradar a Deus]; a fé é a fonte que promove no homem a
vontade de esvaziar-se; a fé é a comovida persistência na negação, [expressa
pelo NÃO divino e, conseqüentemente na total negação a si mesmo,como está
escrito: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e
siga-me.”] (Marc. 8, 34).
Onde a fidelidade de Deus encontra essa fé, aí se revela a sua Justiça.
E o justo viverá!
Este é o tema em torno do qual gira a Epístola aos Romanos
Vs. 22 a 29 Por isso fui reiteradamente impedido de ir
até vós, agora porém,que não tenho campo nestas paragens e porque há muitos
anos tenho pedido para ir ter convosco e seguir viagem para Espanha, espero
ver-vos de passagem e encontrar entre vós companheiros para seguir até lá, — depois
de eu me haver recreado um pouco convosco. Contudo, agora viajo para
Jerusalém.As igrejas de Macedônia e Acáia deliberaram enviar um auxílio em beneficio
dos necessitados entre os santos de Jerusalém. Elas o resolve-ram e lhes devem
isso pois se os gentios receberam o auxílio deles nas coisas espirituais, são
seus devedores para lhes servir também nas coisas exteriores. Quando eu houver
resolvido isto e lhes houver entregue com segurança o produto [da coleta] então
irei à Espanha passando por vós para que quando eu aí chegai; seja na plenitude
da graça de Cristo.
[Barth comenta que a expressão “MUITOS ANOS” poderia ter parecido
exagero a algum copista que, por isso, teria transcrito “muitas vezes”].
A aproximação, e o contacto pessoal objetivo com a comunidade, [coma
Igreja,] são coisas muito bonitas e devem ser procurados com alegria pois constituem
uma atitude simpática no ministério (1,9-13). [Todavia] o pequeno desvio
Corinto-Jerusalém deve ser tomado em sua perspectiva peculiar: é preciso fazer
a entrega da coleta, já anunciada (12, 13), aos cristãos de
Jerusalém,exatamente como expressão prática da mensagem da unidade entre
gentios e judeus, entre os que estão perto e os que estão longe, entre os
conhecidos e os desconhecidos; — [esta mensagem] é o tema da Epístola.
O plano seguinte do homem, que já quase não encontra “campo” [para as
suas atividades] “deste lado da Itália”, é a viagem à Espanha, uma iniciativa que
demonstra a universalidade final [do cristianismo]. Neste plano, na realidade
muito mais apocalíptico do que racional, está também encaixada a possibilidade
de o autor e os leitores da carta se verem e se reverem pessoalmente.
CARTA AOS ROMANOS - KARL BARTH
BÍBLIA COMENTADA
Romanos 1:16
Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego.
Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego.
Adam Clarke
Eu não tenho vergonha do Evangelho de Cristo
- Este texto é melhor ilustrado por Isaías 28:16 ; Isaías
49:23 , citado pelo apóstolo, Romanos 10:11 ; Porque a Escritura
diz: Todo aquele que nele crer não será envergonhado; isto é, não serão
confundidos nem desapontados com sua esperança. Os judeus, por não crerem em
Jesus Cristo, por não recebê-lo como o Messias prometido, mas confiando nos
outros, foram desapontados, envergonhados e confundidos, desde aquele tempo até
os dias atuais. Sua expectativa é cortada; e, enquanto rejeitam a Cristo e
esperam outro Messias, eles continuam sob o desagrado de Deus e se envergonham
de sua confiança. Por outro lado, aqueles que acreditaram em Cristo têm, em e
através dele, todas as bênçãos de que os profetas falaram; cada promessa de
Deus sendo sim e amém através dele. Paulo, como judeu, acreditava em Cristo
Jesus; e acreditando que ele tinha vida através de seu nome; através dele ele
desfrutou de uma abundância de graça; de modo que, estando cheio dessa
felicidade que um Cristo que habita em nós produz, ele poderia alegremente
dizer: Eu não me envergonho do Evangelho de Cristo. E porque? Porque ele sentiu
que era o poder de Deus para a salvação de sua alma crente. Este parece ser o
verdadeiro sentido dessa passagem, e essa interpretação adquire força adicional
da consideração que São Paulo está aqui, evidentemente, se dirigindo aos
judeus.
É o poder de Deus para a salvação - δυναμιςγαρθεουεστιν· O
poder onipotente de Deus acompanha esta pregação às almas dos que crêem; e a
conseqüência é que eles são salvos; e o que, senão o poder de Deus, pode salvar
uma alma caída e pecadora?
Para o judeu primeiro - Não só os judeus
têm a primeira oferta deste Evangelho, mas eles têm a maior necessidade dele;
estando tão profundamente caídos, e tendo pecado contra tais gloriosos
privilégios, eles são muito mais culpados do que os gentios, que nunca tiveram
a luz de uma revelação divina.
E também para o grego - Embora a salvação
de Deus até agora tenha sido aparentemente confinada ao povo judeu, ainda assim
não será mais assim, pois o Evangelho de Cristo é enviado aos gentios, bem como
aos judeus; Deus não colocou diferença entre eles; e Jesus Cristo, provando a
morte por todo homem.
Romanos 1:17
Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé".
Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé".
Elicott
(17) O evangelho alcança seu fim, a salvação do crente, ao revelar a
justiça de Deus, ou seja, o plano ou processo projetado por Ele para que
os homens se tornem justos ou justos em Seu vista. A parte essencial do lado do
homem, o início e o fim desse plano, é a fé. Para o qual havia autoridade no
Antigo Testamento, onde é dito: "O justo viverá pela fé".
A justiça de Deus. - Isto não significa, como poderia,
talvez, ser suposto, um atributo da natureza divina - como se a justiça
essencial de Deus fosse feita pela primeira vez através do evangelho. St. Paul
continua a mostrar em Rom. 1:
19-20 , que tanto pelo menos da natureza de Deus pode ser conhecido
sem qualquer revelação sobrenatural. "Deus" significa no presente
exemplo "que procede de Deus". E a "justiça" que assim
"procede de Deus" é aquela condição de justiça no homem em que ele
entra pela sua participação no reino messiânico. Todo o objeto da vinda do
Messias era tornar os homens "justos" diante de Deus. Isto foi feito
mais especialmente pela morte de Cristo na cruz, que, como aprendemos com Rom. 3:
24-26 , teve o efeito de tornar Deus "propício" para com os
homens. O benefício deste ato é assegurado a todos os que fazem bem a
reivindicação de serem considerados membros do reino messiânico por uma adesão
leal ao Messias. Tais pessoas são tratadas como se fossem "justas",
embora a justiça que lhes é atribuída não é um mérito próprio, mas uma condição
ideal em que são colocados por Deus. Esta é a conhecida doutrina da
justificação pela fé. (Veja Excursus A: Sobre o significado da palavra
Justiça na Epístola aos Romanos, e Excursus E: Sobre a
Doutrina de Justificação por Fé e Justiça Imponta. )
Revealed.- O propósito de Deus de justificar
os homens está em processo de ser revelado ou declarado no evangelho. É
revelado teoricamente nas expressões expressas do modo como o homem pode ser
justificado. É revelado praticamente na aceitação sincera das declarações e da
mudança de vida que eles envolveram. Para os romanos, o momento da revelação
foi aquele em que eles ouviram pela primeira vez o evangelho. São Paulo deseja
que eles conheçam o significado total - a filosofia, como se poderia chamar -
daquilo que eles ouviram.
Da fé à fé .- É por A fé que o homem primeiro
impõe no evangelho, e seu último produto é uma fé intensificada e
intensificada. Além da fé, o evangelho permanece nulo e vazio para o indivíduo.
Não é realizado. Mas quando se realizou uma vez e levado para casa para o
próprio homem, sua tendência é confirmar e fortalecer essa mesma faculdade pela
qual foi apreendida. Isso faz aquilo para o qual os discípulos oraram quando
disseram: "Senhor, aumente a nossa fé" ( Luk. 17: 5 ).
Os justos viverão pela fé. - As palavras são
parte da resposta consoladora que o profeta Habacuque recebe no estresse da
invasão dos caldeus. Embora as suas hostes irresistíveis varrem a terra, o
justo que confia em Deus viverá. Talvez St. Paul pretendesse que as palavras
"por fé" fossem tomadas em vez de "o justo" do que na
versão inglesa. "O justo pela fé" ou "O homem cuja justiça se
baseia na fé" deve viver.
O Apóstolo usa a palavra "fé" em seu próprio sentido peculiar
e grávida. Mas isso é naturalmente levado até a forma como foi usado por
Habacuque. A intensa confiança e confiança pessoal que o judeu sentiu no Deus
de seus pais é dirigida pelo cristão a Cristo, e é mais desenvolvida em uma
energia ativa de devoção.
"Fé", como é entendido por São Paulo, não é apenas uma crença de cabeça, um processo puramente intelectual, como o qual St. James falou quando disse que "os demônios também crêem e tremem"; nem é meramente "confiança", uma dependência passiva de um poder invisível; mas é uma etapa adicional de sentimento desenvolvido a partir destes, uma corrente de emoção fortemente forte na direção de seu objeto, uma apreensão ardente e vital desse objeto e um anexo firme e fiel a ele. (Veja Excursus B: Sobre o significado da palavra Fé. )
"Fé", como é entendido por São Paulo, não é apenas uma crença de cabeça, um processo puramente intelectual, como o qual St. James falou quando disse que "os demônios também crêem e tremem"; nem é meramente "confiança", uma dependência passiva de um poder invisível; mas é uma etapa adicional de sentimento desenvolvido a partir destes, uma corrente de emoção fortemente forte na direção de seu objeto, uma apreensão ardente e vital desse objeto e um anexo firme e fiel a ele. (Veja Excursus B: Sobre o significado da palavra Fé. )
Romanos 1:4
e que mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.
e que mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.
Adam Clarke
E declarado ser o Filho de Deus - Veja a nota
em Atos 13 : 33 , onde este assunto é considerado em geral. A
palavra ορισθεντος, que declaramos, vem de οριζω, ligar, definir,
determinar ou limitar e, portanto, nosso horizonte de palavras, a linha que
determina a parte mais distante visível da Terra, em referência a os ceús.
Neste lugar, a palavra significa uma manifestação tão completa e manifesta do
assunto quanto torná-lo indubitável. A ressurreição de Cristo dentre os mortos
era uma prova tão evidente da inocência de nosso Senhor, a verdade de sua
doutrina e o cumprimento de tudo o que os profetas tinham falado, a ponto de
não deixar dúvidas sobre qualquer consideração e consideração sincera.
Com poder - ενδυναμει, com uma exibição
miraculosa de energia divina; pois, como poderia seu corpo ser ressuscitado
novamente, mas pela energia miraculosa de Deus? Alguns aplicam a palavra aqui à
prova da filiação de Cristo; como se fosse dito que ele foi manifestamente
declarado o Filho de Deus, com provas e argumentos tão poderosos que tornam a
verdade irresistível.
De acordo com o espírito de santidade - Existem muitas
diferenças de sentimento em relação ao significado desta frase neste lugar;
alguns supondo que o espírito de santidade implica a natureza divina de Jesus
Cristo; outros, sua imaculada santidade, etc. Para mim, parece que o apóstolo
significa simplesmente que a pessoa chamada Jesus, recentemente crucificada em
Jerusalém, e em cujo nome a salvação foi pregada ao mundo, era o Filho de Deus,
o mesmo Messias prometido antes nas sagradas escrituras; e que ele era esse
Messias foi amplamente demonstrado. Primeiro, por sua ressurreição dentre os
mortos, a prova irrefragável de sua pureza, inocência e aprovação divina; pois,
se ele fosse um malfeitor, como os judeus fingiam, o poder milagroso de Deus
não teria sido exercido ao ressuscitar seu corpo dos mortos.
2) Ele foi provado ser o Filho de Deus, o Messias prometido, pelo
Espírito Santo, (chamado aqui o espírito de santidade), que ele enviou sobre
seus apóstolos, e não somente sobre eles. , mas em tudo o que acreditava em seu
nome; por cuja influência multidões foram convencidas do pecado, da justiça e
do juízo, e multidões foram santificadas para Deus; e foi pela unção peculiar
deste espírito de santidade, que os apóstolos deram testemunho da ressurreição
do Senhor Jesus, Atos 4:33 .
Assim, então, Cristo foi provado ser o verdadeiro Messias, o filho de
Davi segundo a carne, tendo o direito exclusivo ao trono de Israel; e Deus
reconheceu esse caráter, e este direito, por sua ressurreição dentre os mortos,
e enviando os vários dons e graças do Espírito de santidade em seu nome.
Romanos 15:29
Sei que, quando for visitá-los, irei na plenitude da bênção de Cristo.
Sei que, quando for visitá-los, irei na plenitude da bênção de Cristo.
Albert Barnes
Eu tenho certeza - grego, eu sei;
expressando a mais plena confiança, uma confiança que foi grandemente
confirmada pelo sucesso de seus trabalhos em outros lugares.
Na plenitude das bênçãos 133; - Este é um modo de
expressão hebraico, onde um substantivo realiza o propósito de um adjetivo, e
significa "com uma bênção completa ou abundante". Esta confiança ele,
expressa em outra linguagem em Romanos 1: 11-12 ; veja as notas.
Do evangelho de Cristo - Que o evangelho de
Cristo é adequado para transmitir. Assim, todo ministro do evangelho deve
desejar ir. Este deve ser seu desejo incessante de pregar. Paulo foi para Roma;
mas ele foi em laços; Atos 28: 30-31 . Deus pode nos desapontar com
relação ao " mode" em que nos propomos a fazer o bem; mas se
realmente desejamos isso, ele nos capacitará a fazê-lo em seu próprio caminho.
É " may" seja melhor pregar o evangelho em " bonds" do que
em liberdade; it " is" melhor fazê-lo, mesmo em uma prisão, do que
não em todos. Bunyan escreveu o Progresso de Pilgrims para divertir suas horas
pesadas durante doze anos; prisão cruel. Se ele estivesse em liberdade, ele
provavelmente não teria escrito nada. O grande desejo de seu coração foi
realizado, mas uma prisão; era o lugar para fazê-lo. Paulo pregou; mas pregou
em correntes.
John Calvin
29. E eu sei, quando eu venho,
etc. Essas palavras podem ser explicadas de duas maneiras: o primeiro
significado é —que ele deveria encontrar um fruto abundante do evangelho em
Roma; pois a bênção do evangelho é, quando frutifica pelas boas obras: mas
confinar isso à esmola, como alguns fazem, não é o que eu aprovo. A segunda é
que, para tornar sua vinda a eles mais um objeto de desejo, ele diz que espera
que não seja infrutífero, mas que seja uma grande adesão ao evangelho; e isso
ele chama de plenitude de bênção, que significa uma bênção plena; por qual
expressão ele significa grande sucesso e aumento. Mas essa bênção dependia em
parte de seu ministério e em parte de sua fé. Por isso, ele promete que sua
vinda a eles não seria em vão, pois ele não os desapontaria da graça dada a
ele, mas daria a mesma rapidez com que suas mentes estavam preparadas para
receber o evangelho.
A exposição anterior foi mais comumente recebida e parece-me também a
melhor; isto é, que ele esperava que, em sua vinda, encontrasse o que desejava
especialmente, até mesmo que o evangelho florescessem entre eles e prevalecesse
com evidente sucesso, —que eles estavam se destacando em santidade e em todas
as outras virtudes. Pela razão que ele dá para o seu desejo é que ele não
esperava nenhuma alegria comum em vê-los, como ele esperava vê-los abundantes
em todas as riquezas espirituais do evangelho. (463)
Adam Clarke
Na plenitude da bênção do Evangelho de Cristo
- As palavras τουευαγγελιουτου, do Evangelho, estão faltando em quase
todos os MS. de importância. Griesbach os deixou fora do texto. Não há dúvida
de que eles devem ser omitidos. A plenitude da bênção de Cristo é realmente
mais do que a plenitude da bênção do Evangelho de Cristo. Ele esperava chegar a
eles não apenas com a bênção do Evangelho, mas dotado dos dons e graças do
próprio Senhor Jesus; que ele era agora um instrumento constante, nas mãos de
Deus, para dispensar entre aqueles que foram convertidos à fé cristã.
Thomas Coke
Romanos 15:29 . Eu irei na plenitude da bênção — Ele
pode ser entendido para significar aqui, que ele deveria poder satisfazê-los,
que o perdão de pecados deveria ser obtido pelo Evangelho; para isso ele
mostra, cap. Romanos 4: 6-9 . E eles tinham tanto título pelo
Evangelho, quanto os próprios judeus; que era a coisa que ele tinha provado a
eles nesta epístola. Veja Locke; cuja paráfrase é, eu trarei para você plena
satisfação, sobre a bem-aventurança que você recebe pelo Evangelho de Cristo.




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