segunda-feira, 25 de março de 2019

LIÇÃO 13 : ORANDO SEM CESSAR



      A oração é uma prática de qualquer religião, pois é um modo de comunicação com o ser superior. Para a vida cristã, a oração é fundamental para o relacionamento pessoal com Deus, que é irradiado na igreja e na comunidade à qual o crente pertence. Podemos observar nos relatos bíblicos como a prática da oração se desenrolou ao longo da história do cristianismo. Contrariando a atual cultura da excessiva ênfase no indivíduo e nas práticas de autoajuda, o resultado da oração não é o crescimento da fé para obter ganhos pessoais, mas para abençoar a igreja, a comunidade e o mundo no geral a fim de que o nome do Senhor seja glorificado.
      
   A ORAÇÃO DOS PRIMEIROS CRISTÃOS

     A oração é fundamental para a vida cristã, e a Bíblia mostra diversos exemplos de homens e mulheres que oravam. Encontramos diversos modos de orar ao longo da história do cristianismo. Pode ser uma prática privada ou pública, individual ou coletiva. Pode expressar intercessão, agradecimento, louvor, petição ou confissão. Pode ser espontânea, responsiva, contemplativa ou lida. Pode ser em pé, de joelhos, com o rosto no chão, com os braços levantados ou deitado. Pode ser silenciosa, voz baixa ou gritando. Essa diversidade nos mostra que não há desculpas para não nos comunicarmos com Deus.
       Há dois tipos de oração bíblica, a berakah e a hodayah, conforme apresentado pelos especialistas em liturgia Paul Bradshaw e Todd Johnson. Ambas contam e reconhecem as grandes obras realizadas pelo Deus poderoso, feitos que se tornam dignos de adoração. É o que Paul Bradshaw trata como anamnesis, ou lembrança, ou seja, é uma maneira de glorificar a Deus lembrando de suas ações. Berakah, da raiz hebraica barak, significa "bênção". A berakah se dirige indiretamente a Deus; o início costuma ser: "Bendito seja o Senhor que [...]" e enaltece o Senhor por tudo o que foi realizado pelo poder divino. Um exemplo é Êxodo 18.10-11: "Bendito seja o SENHOR, que vos livrou das mãos dos egípcios e da mão de Faraó; que livrou a este povo de debaixo da mão dos egípcios. Agora sei que o SENHOR é maior que todos os deuses; porque na coisa em que se ensoberbeceram, os sobrepujou".
       A oração hodayah, da raiz hebraica hodah, significa "agradecer, reconhecer, confessar". A hodayah se dirige a Deus de maneira direta, geralmente iniciando com "Bendito sejas tu, ó Senhor [...]",agradecendo e continuando com uma petição, pelo fato de Deus ter agido maravilhosamente antes, e então Deus pode ajudar aquele que ora na sua necessidade. Um exemplo é Daniel 2.20,23: "Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; ó Deus de meus pais, eu te louvo e celebro porque me deste sabedoria e força; e, agora, me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei".
       A relevância em conhecer esses dois modelos está em saber que eles influenciaram a vida dos primeiros cristãos, e isso nos ajuda a pensar como eles adoravam a Deus. É importante porque vemos o padrão da oração cristã. Berakah era a oração dos judeus convertidos no século 2 no momento da Ceia do Senhor. Primeiro se ora objetivamente relembrando o que Deus tem feito na história, e a seguir se fazem petições subjetivas.
        Os primeiros cristãos, ao orarem berakah, estavam contando a história na qual Deus se revela, como se estivessem declamando o Credo. Os primeiros registros sobre a oração cristã revelam com que regularidade ela deveria ser feita. Em A Didaqué 8.2-34, a recomendação é orar o Pai Nosso três vezes ao dia. Na Stro- mata, Clemente de Alexandria, embora defendesse o "orai sem cessar", especificou que fosse à terceira, sexta e nona horas (VII, VII, p. 534), respectivamente às 9 da manhã, ao meio-dia e às 3 da tarde. Para Orígenes, três era a quantidade mínima de vezes, sendo importante orar também à noite (Da oração VII, p. 19). A base bíblica de Orígenes eram diversas passagens. Daniel orava três vezes ao dia (Dn 6.10), Pedro orou na hora sexta (At 10.9), Salmos 141.2 mencionam a oração da tarde e Salmos 119.62, a da noite, juntamente com Atos 16.25. Essa prática de orar três vezes ao dia possivelmente veio por influência da tradição judaica.
        Tertuliano, em A oração XXV, 2, usou outros exemplos para justificar a terceira, sexta e nona hora. O Espírito Santo foi derramado pela primeira vez na terceira hora (At 2.1). Quando Pedro teve a visão e subiu ao telhado para orar, era a sexta hora (At 10.9). Ele subiu com João ao templo para orar na nona hora (At 3.1). Embora Tertuliano admita que não sejam horas obrigatórias, acredita ser importante observar orar pelo menos três vezes ao dia, nem que seja preciso parar com as atividades ou o trabalho para isso. A interpretação de Cipriano em A oração dominical 34 quanto às passagens bíblicas se aproxima às de Orígenes e Tertuliano.
         Curiosa é a explicação de Tertuliano para apontar a problemática do casamento misto com base na vida de oração. Conforme Para a esposa dele (Ad uxorem) 2.5, o cônjuge cristão, ao se levantar no meio da noite para orar, revelaria sua fé; por isso, casamento entre cristãos e não-cristãos era algo contra a vontade de Deus.
         Há mais detalhes sobre a vida dos cristãos antes do século 4. Paul Bradshaw, em Reconstruindo a adoração do cristianismo primitivo, observa que, embora seja difícil saber como os cristãos seguiam essa agenda de oração, é preciso atentar para o fato de que, nesse período, a iniciação dos novos convertidos na Igreja exigia um alto nível de comprometimento, então deveria ser uma demanda para fazer parte do grupo. Quanto ao conteúdo, provavelmente os cristãos do século 3 se baseavam nos documentos do Novo Testamento, sobretudo os escritos paulinos, e nas orações - louvor, ação de graças, petição e intercessão - do judaísmo. Provavelmente, as orações eram individuais ou entre membros da família ou amigos nas casas e em reuniões informais, pois as liturgias oficiais ocorriam especialmente para celebração da Ceia do Senhor5 aos domingos e para exposição da Palavra na nona hora às quartas e sextas-feiras.
       Para os pais da Igreja, a prática da oração era entendida como um ato de sacrifício oferecido a Deus. Tertuliano, em Da oração, comentou a passagem de João 4.23: "Nós somos os verdadeiros adoradores e os verdadeiros sacerdotes, porque, orando em espírito, em espírito sacrificamos a oração, vítima apropriada de Deus e aceitável, que ele, certamente, exigiu, que ele previu desde longe para si" (XXVIII, 3). Irineu, em Contra as heresias, diz: "E o próprio Verbo prescreveu ao povo que faça as oblações, embora não precisasse delas, para que aprendessem a servir a Deus, como quer que nós também ofereçamos continuamente e sem interrupção nossos dons no altar" (IV, 18, 6). Orígenes, em Contra Celso, retornou aos apóstolos no dia de Pentecostes e alertou para a necessidade de os cristãos continuarem perseverando na oração:
Estamos continuamente nos dias de Pentecostes, principalmente quando subindo à sala superior como os apóstolos de Jesus, perseveremos nas súplicas e orações para nos tornarmos dignos "do vendaval impetuoso vindo do céu" (At 1.13-14; 2.2-3), para aniquilar por sua violência a malícia dos homens e seus feitos, e merecer igualmente por parte na língua de fogo que vem de Deus (8, 22).
        Em A oração dominical, Cipriano demonstrou que a oração de cada pessoa era vista como pertencente à oração da Igreja como um todo, não era meramente privada. "O Deus da paz e mestre da harmonia, que nos ensinou sobre a unidade, quis que cada um ore por todos, assim como Ele mesmo levou a todos nós sobre si" (8). De acordo com Tertuliano, em Apologética 39, as intercessões eram feitas em benefício de todas as pessoas, cristãs e não-cristãs, em favor das autoridades, pelo bem-estar, pela paz e pela demora dos fins dos tempos.
       A partir do século 4, com a instituição do cristianismo como religião oficial do Império por Constantino, a oração diária do cristão comum tornou-se parte dos cultos oficiais duas vezes ao dia, pela manhã e à noite. Além disso, a oração tornou-se mais centralizada, organizada dentro do modelo institucional da Igreja, com mais foco na prática coletiva do que na individual. Salmos e hinos foram incorporados ao culto para padronizar a liturgia, e a oração continuava sendo o sacrifício oferecido a Deus.
       Com a oficialização do cristianismo como religião do império, as perseguições contras os cristãos cessaram e a frequência das orações diminuiu. Alguns cristãos interpretaram a nova situação não como um período em que as pessoas estavam servindo ao Senhor com sinceridade, pois continuavam vivendo nas trevas; assim, ao invés de serem inimigas do mundo, estavam relaxando e se conformando com ele. Por isso, surgiram dois grupos de cristãos. Um era formado por homens e mulheres que decidiram se retirar para o deserto no Egito e na Síria a fim de continuar experimentando o martírio, porque queriam oferecer a Cristo um testemunho de sangue. Ficaram conhecidos como os pais e as mães do deserto e se dedicavam totalmente à oração, parando somente para comer e dormir. O outro grupo permaneceu nos centros urbanos na Capadócia, na Síria e em outros lugares e formou comunidades ascéticas sob os cuidados do bispo. Embora possam parecer fanáticos, a reflexão sobre o modo de vida desses cristãos pode nos ensinar algumas lições para a batalha espiritual do século 21.
       Os que se retiraram para o deserto preservaram a ideia de que a oração fazia parte da vida do cristão e era responsabilidade deles. A interpretação do orar sem cessar era mais literal, e duas ou três vezes ao dia não eram suficientes. Esses homens e mulheres oravam, meditando nas obras dos Deus Todo-Poderoso e suplicando pelo crescimento espiritual e pela salvação, além de alternarem as orações com a recitação de textos bíblicos, sobretudo dos salmos. Em comparação ao culto institucionalizado, cujo propósito da oração era relembrar, agradecer e louvar a Deus pelos seus feitos, os pais e as mães do deserto buscavam formação espiritual. Paul Bradshaw ressalta que, em razão da ênfase na oração individual, não se desenvolveu entre esses grupos uma liturgia, uma dimensão eclesial. A oração estava mais voltada para o interior da pessoa do que para cerimônias externas.
        O grupo urbano não se isolou como aqueles que foram para o deserto, então criou práticas um pouco distintas. Eles oravam na terceira, sexta e nona horas, à noite e de madrugada, em grupos ou nas igrejas. Além disso, embora se preocupassem com o aperfeiçoamento interior, mantiveram os cultos domésticos. Ou seja, como notou Bradshaw, esse grupo preservou muitas características dos cristãos do século 3.
       Informar-se sobre as práticas de oração dos primeiros cristãos não significa tomá-los como padrão e imitá-los. Ainda mais porque podemos perceber nas interpretações alguns desvios do texto bíblico ou exageros ao longo da história. Vivemos em outra época e devemos pensar em maneiras de orar que combinem a prática individual e coletiva de modo que o nome do Senhor seja glorificado. Jesus ensinou que, quando orássemos, deveríamos entrar no quarto e fechar a porta (Mt 6.6). Ao mesmo tempo, como pertencentes ao corpo de Cristo, oramos como membros (At 2.42; 12.5) uns pelos outros e pelo mundo ao nosso redor. Assim, convém que busquemos conciliar oração e louvor coletivo com formação espiritual individual.

0 QUE APRENDEMOS COM OS PRIMEIROS CRISTÃOS PARA LIDAR COM A BATALHA ESPIRITUAL
     
  A Declaração de Fé das Assembléias de Deus define oração como "o ato consciente, pelo qual a pessoa dirige-se a Deus para se comunicar com Ele e buscar a sua ajuda por meio de palavra ou pensamento". Embora a maneira de orar dos primeiros cristãos possa se distanciar da tradição brasileira pentecostal, podemos aprender com eles para aperfeiçoar nossa comunicação com Deus e nos preparar para enfrentar as dificuldades e os ataques malignos do dia a dia.
     Quanto aos modelos berakah e hodayah, Paul Bradshaw considera que atualmente os cristãos se afastaram desses modelos bíblicos e sugere que nos sirvam de reflexão sobre como estamos orando. Relembrando o que Deus tem feito, estaremos interpretando nossa experiência humana em termos religiosos; estaremos fazendo nossa confissão de fé; estaremos proclamando o evangelho ao mundo; estaremos nos aproximando também da natureza do relacionamento santo com Deus, sempre tendo em mente que a oração não é algo para nosso próprio benefício, mas para que o nome do Senhor seja glorificado.
       A prática espiritual dos pais e das mães do deserto pode ser resumida em fugir, estar em silêncio e orar. São três verbos que se aplicam à maneira como devemos agir diante da batalha contra o maligno: fugir da tentação e do diabo, estar em silêncio para meditar na Palavra de Deus e discernir a vontade de Deus e orar. Para os pais e as mães do deserto, a batalha espiritual era contra o conformismo com o padrão de vida mundano, por isso eles se afastaram da sociedade.
       A vida espiritual começa na igreja, não no indivíduo. Por isso, a necessidade do vínculo com a igreja para prestar contas da vida espiritual. Assim, o resultado da oração é uma maior intimidade com Deus que leva ao crescimento espiritual e deixa de ser algo individual para ser prestação de contas para com os outros

BATALHA ESPIRITUAL - 0 POVO DE DEUS E A GUERRA CONTRA AS POTESTADES DO MAL




A ORAÇÃO EFICAZ - CPAD

l Rs 18.42b-45 “Elias subiu ao cume do Carmelo, e se inclinou por terra, e meteu o seu rosto entre os seus joelhos. E disse ao seu moço:
Sobe agora e olha para a banda do mar. E subiu, e olhou, e disse:
Não há nada. Então, disse ele: Torna lá sete vezes. E sucedeu que, à sétima vez, disse: Eis aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar. Então, disse ele: Sobe e dize a Acabe:
Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva te não apanhe. E sucedeu que, entretanto, os céus se enegreceram com nuvens e vento, e veio uma grande chuva; e Acabe subiu ao carro e foi para Jezreel”.
A oração é uma comunicação multifacetada entre os crentes e o Senhor. Além de palavras como “oração” e “orar”, essa atividade é descrita como invocar a DEUS (Sl 17.6). Invocar o nome do Senhor (Gn 4.26), clamar ao Senhor (Sl 3.4), levantar nossa alma ao Senhor (Sl 25.1), buscar ao Senhor (Is 55.6), aproximar-se do trono da graça com confiança (Hb 4.16) e chegar perto de DEUS (Hb 10.22).
MOTIVOS PARA A ORAÇÃO. A Bíblia apresenta motivos claros para o povo de DEUS orar.
Antes de tudo, DEUS ordena que o crente ore. O mandamento para orarmos vem através dos salmistas (1Cr 16.11; Sl 105.4), dos profetas (Is 55.6; Am 5.4,6), dos apóstolos (Ef 6.17,18; Cl 4.2; 1Ts 5.17) e do próprio Senhor JESUS (Mt 26.41; Lc 18.1; Jo 16.24). DEUS aspira a comunhão conosco; mediante a oração, mantemos o nosso relacionamento com Ele.
A oração é o elo de ligação que carecemos para recebermos as bênçãos de DEUS, o seu poder e o cumprimento das suas promessas. Numerosas passagens bíblicas ilustram esse princípio. JESUS, por exemplo, prometeu aos seus seguidores que receberiam o ESPIRITO SANTO se perseverassem em pedir, buscar e bater à porta do seu Pai celestial (Lc 11.5-13). Por isso, depois da ascensão de JESUS, seus seguidores reunidos permaneceram em constante oração no cenáculo (At 1.14) até o ESPIRITO SANTO ser derramado com poder (At 1.8) no dia de Pentecostes (At 2.1-4). Quando os apóstolos se reuniram após serem libertos da prisão pelas autoridades judaicas, oraram fervorosamente para o ESPIRITO SANTO lhes conceder ousadia e autoridade divina para falarem a palavra dEle. “E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do ESPIRITO SANTO e anunciavam com ousadia a palavra de DEUS” (At 4.31). O apóstolo Paulo freqüentemente pedia oração em seu próprio favor, sabendo que a sua obra não prosperaria se os crentes não orassem por ele (Rm 15.30-32; 2Co 1.11; Ef 6.18, 20; Fp 1.19; Cl 4.3,4). Tiago declara inequivocamente que o crente pode receber a cura física em resposta à “oração da fé” (Tg 5.14,15).
DEUS, no seu plano de salvação da humanidade, estabeleceu que os crentes sejam seus cooperadores no processo da redenção. Em certo sentido, DEUS se limita às orações santas, de fé e incessantes do seu povo. Muitas coisas não serão realizadas no reino de DEUS se não houver oração intercessória dos crentes (ver Êx 33.11). Por exemplo: DEUS quer enviar obreiros para evangelizar. CRISTO ensina que tal obra não será levada a efeito dentro da plenitude do propósito de DEUS sem as orações do seu povo: “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara” (Mt 9.38). Noutras palavras, o poder de DEUS para cumprir muitos dos seus propósitos é liberado somente através das orações contritas do seu povo em favor do seu reino. Se não orarmos, poderemos até mesmo estorvar a execução do propósito divino da redenção, tanto para nós mesmos, como indivíduos, quanto para a igreja coletivamente.

REQUISITOS DA ORAÇÃO EFICAZ. Nossa oração para ser eficaz precisa satisfazer certos requisitos.
Nossas orações não serão atendidas se não tivermos fé genuína, verdadeira. JESUS declarou abertamente: “Tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis” (Mc 11.24). Ao pai de um menino endemoninhado, Ele falou assim: “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23). O autor de Hebreus admoesta-nos assim: “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé”
(Hb 10.22), e Tiago encoraja-nos a pedir com fé, não duvidando (Tg 1.6; cf. 5.15).
Além disso, a oração deve ser feita em nome de JESUS. O próprio JESUS expressou esse princípio ao dizer: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14.13,14). Nossas orações devem ser feitas em harmonia com a pessoa, caráter e vontade de nosso Senhor (ver Jo 14.13).
A oração só poderá ser eficaz se feita segundo a perfeita vontade de DEUS. “E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14); Uma das petições da oração modelo de JESUS, o Pai Nosso, confirma esse fato: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6.10; Lc 11.2; note a oração do próprio JESUS no Getsêmani, Mt 26.42). Em muitos casos, sabemos qual é a vontade de DEUS, porque Ele no-la revelou na Bíblia. Podemos ter certeza que será eficaz toda oração realmente baseada nas promessas de DEUS constantes da sua Palavra. Elias tinha certeza de que o DEUS de Israel atenderia a sua oração por meio do fogo e, posteriormente, da chuva, porque recebera a palavra profética do Senhor (18.1) e estava plenamente seguro de que nenhum deus pagão era maior do que o Senhor DEUS de Israel, nem mais poderoso (18.21-24).

Não somente devemos orar segundo a vontade de DEUS, mas também devemos estar dentro da vontade de DEUS, para que Ele nos ouça e atenda. DEUS nos dará as coisas que pedimos, somente se buscarmos em primeiro lugar o seu reino e sua justiça (ver Mt 6.33). O apóstolo João declara que “qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável à sua vista” (1Jo 3.22). Obedecer aos mandamentos de DEUS, amá-lo e agradá-lo são condições prévias indispensáveis para termos resposta às orações. Tiago ao escrever que a oração do justo é eficaz, refere-se tanto à pessoa que foi justificada pela fé em CRISTO, quanto à pessoa que está a viver uma vida reta, obediente e temente a DEUS — tal qual o profeta Elias (Tg 5.16-18; Sl 34.13,14). O AT acentua este mesmo ensino. DEUS tornou claro que as orações de Moisés pelos israelitas eram eficazes por causa do seu relacionamento obediente com o Senhor e da sua lealdade a Ele (ver Êx 33.17). Por outro lado, o salmista declara que se abrigarmos o pecado em nossa vida, o Senhor não atenderá as nossas orações (Sl 66.18; ver Tg 4.5). Eis a razão principal por que o Senhor não atendia as orações dos israelitas idólatras e ímpios (Is 1.15). Mas se o povo de DEUS arrepender-se e voltar-se dos seus caminhos ímpios, o Senhor promete voltar a atendê-lo, perdoar seus pecados e sarar a sua terra (2Cr 7.14; cf. 6.36-39; Lc. Note que a oração do sumo sacerdote pelo perdão dos pecados dos israelitas no Dia da Expiação não seria atendida se antes o seu próprio estado pecaminoso não fosse purificado (ver Êx 26.33).

Finalmente, para uma oração eficaz, precisamos ser perseverantes. É essa a lição principal da parábola da viúva importuna (Lc 18.1-7; ver 18.1). A instrução de JESUS: “Pedi... buscai... batei”, ensina a perseverança na oração (ver Mt 7.7,8). O apóstolo Paulo também nos exorta à perseverança na oração (Cl 4.2; 1Ts 5.17). Os santos do AT também reconheciam esse princípio. Por exemplo, foi somente enquanto Moisés perseverava em oração com suas mãos erguidas a DEUS, que os israelitas venciam na batalha contra os amalequitas (ver Êx 17.11). Depois de Elias receber a palavra profética de que ia chover, ele continuou em oração até a chuva começar a cair (18.41-45). Numa ocasião anterior, esse grande profeta orou com insistência e fervor, para DEUS devolver a vida ao filho morto da viúva de Sarepta, até que sua oração foi atendida (17J7-23).

PRINCÍPIOS E MÉTODOS BÍBLICOS DA ORAÇÃO EFICAZ.
Quais são os princípios da oração eficaz? (a) Para orarmos com eficácia, devemos louvar e adorar a DEUS com sinceridade (Sl 150; At 2.47; Rm 15.11. (b) Intimamente ligada ao louvor, e de igual importância, vem a ação de graças a DEUS (Sl 100.4; Mt 25,26; Fp 4.6). (c) A confissão sincera de pecados conhecidos é vital à oração da fé (Tg 5.15,16; Sl 51; Lc 18.13; 1Jo 1.9). (d) DEUS também nos ensina a pedir de acordo com as nossas necessidades, segundo está escrito em Tiago: deixamos de receber as coisas de que precisamos, ou porque não pedimos, ou porque pedimos com motivos injustos (Tg 4.2,3; Sl 27.7-12; Mt 7.7-11; Fp . (e) Devemos orar de coração pelos outros, especialmente oração intercessória (Nm 14.13-19; Sl 122.6-9; Lc 22.31,32; 23.34).
Como devemos orar? JESUS acentua a sinceridade do nosso coração, pois não somos atendidos na oração simplesmente pelo nosso falar de modo vazio (Mt 6.7). Podemos orar em silêncio (1Sm
ou em voz alta (Ne 9.4; Ez 11.13). Podemos orar com nossas próprias palavras, ou usando palavras diretas das Escrituras. Podemos orar com a nossa mente, ou podemos orar através do ESPIRITO (i.e., em línguas, 1Co 14.14-18). Podemos até mesmo orar através de gemidos, i.e., sem usar qualquer palavra humana (Rm 8.26), sabendo que o ESPIRITO levará a DEUS esses pedidos inaudíveis. Ainda outro método de orar é cantar ao Senhor (Sl 92.1,2; Ef 5.19,20; Cl 3.16). A oração profunda ao Senhor será, às vezes, acompanhada de jejum (Ed 8.21; Ne 1.4; Dn 9.3,4; Lc 2.37; At 14.23; ver Mt 6.16).
Qual a posição apropriada, do corpo, na oração? A Bíblia menciona pessoas orando em pé (8.22; Ne 9.4,5), sentadas (1Cr 17.16; Lc 10.13), ajoelhadas (Ed 9.5; Dn 6.10; At 20.36), acamadas (Sl
, curvadas até o chão (Êx 34.8; Sl 95.6), prostradas no chão (2Sm 12.16; Mt 26.39) e de mãos levantadas aos céus (Sl 28.2; Is 1.15; 1Tm 2.8).

EXEMPLOS DE ORAÇÃO EFICAZ. A Bíblia está cheia de exemplos de orações que foram poderosas e eficazes.
Moisés fez numerosas orações intercessórias às quais DEUS atendeu, mesmo depois de Ele dizer a Moisés que ia proceder de outra maneira. Sansão, arrependido, orou pedindo uma última oportunidade de cumprir sua missão máxima de derrotar os filisteus; DEUS atendeu essa oração ao lhe dar forças suficientes para derrubar as colunas do prédio onde os inimigos estavam exaltando o poder dos seus deuses (Jz 16.21-30).
DEUS respondeu às orações de Elias em pelo menos quatro grandes ocasiões; em todas elas redundaram em glória ao DEUS de Israel (17-18; Tg 5.17,18).
O rei Ezequias adoeceu e Isaías lhe declarou que morreria (2Rs 20.1; Is 38.1). Ezequias, reconhecendo que sua vida e obra estavam incompletas, virou o rosto para a parede e orou intensamente a DEUS para que prolongasse sua vida. DEUS mandou Isaías retornar a Ezequias para garantir a cura e mais quinze anos de vida (2Rs 20.2-6; Is 38.2-6).
Não há dúvida de que Daniel orou ao Senhor na cova dos leões, pedindo para não ser devorado por eles, e DEUS atendeu o seu pedido (Dn 6.10,16-22).
Os cristãos primitivos oraram incessantemente a DEUS pela libertação de Pedro da prisão, e DEUS enviou um anjo para libertá-lo (At 12.3-11; cf. 12.5). Tais exemplos devem fortalecer a nossa fé e encher-nos de disposição para orarmos de modo eficaz, segundo os princípios delineados na Bíblia.


Livro Cristão Homens em Oração
 - Hernandes Dias Lopes

1. Os atributos de um intercessor

      Neemias, governador de Jerusalém, é um exemplo clássico de um homem intercessor. Ele foi um homem de oração e ação. Desfrutava de intimidade com os céus e grande des-treza na terra. Estava perto de Deus e também das pessoas. Como consolador, Neemias viveu perto das pessoas; como intercessor, viveu perto de Deus.
 Neemias era, acima de tudo, um homem de oração. Sempre foi um homem muito ocupado, mas não tão ocupa­ do a ponto de não ter tempo para Deus. “Você encontrará” dez de suas orações no livro de Neemias (Ne 1.4ss; 2.4; 4.4; 5.19; 6.9,14; 13.14,22,29,31). Um dos truques do diabo é manter-nos tão ocupados que não encontramos tempo para orar. Se Neemias não fosse um homem de oração, o futuro de Jerusalém teria sido outro. A força da oração é maior que qualquer combinação de esforços na terra.
A oração move o céu, aciona o braço onipotente de Deus, desencadeia grandes intervenções do  Senhor na história. Quando o homem trabalha, o homem trabalha; mas, quando o homem ora, Deus trabalha. Neemias começa seu ministério orando. Sua oração é uma das mais significativas registradas na Bíblia. Vemos nela os elementos da adoração, petição, confissão e intercessão.
 Um intercessor é alguém que se levanta diante do tro- no de Deus em favor de outra pessoa. Ésquilo foi condena- do à morte pelos atenienses e estava prestes a ser executado. Seu irmão Amintas, herói de guerra, tinha perdido a mão direita na batalha de Salamina, defendendo os atenienses. Ele entrou na corte, exatamente na hora em que seu irmão estava prestes a ser condenado, e, sem dizer uma palavra, levantou o braço direito sem mão na presença de todos. Os historiadores dizem que, quando os juízes viram as marcas do seu sofrimento no campo de batalha e relembraram o que ele havia feito por Atenas, por amor a ele, perdoaram- -lhe o irmão.
 Precisamos fazer um movimento em nossa nação para despertar homens de oração. A intercessão pelos filhos não é apenas uma responsabilidades das mães. Os homens precisam entrar nessa brecha. Os pais são os responsáveis diante de Deus pela educação de seus filhos e, como o patriarca Jó, devem dedicar o melhor do seu tempo para orar em favor de seus filhos. Quais são os atributos de um intercessor?

 Um intercessor é alguém que sente o fardo dos outros sobre si (Ne 1.4)

 Um intercessor torna-se responsável diante do conhecimento de uma necessidade. O conhecimento de um problema nos responsabiliza diante de Deus e dos homens. O conhecimento dos problemas do seu povo levou Neemias a orar a respeito do assunto. Ninguém conhece os filhos mais que os pais. O conhecimento de suas lutas, carências e sonhos deveria colocar-nos de joelhos diante do Pai.
Um intercessor sente a dor dos outros em sua própria pele. Um egoísta jamais será um intercessor. Só aqueles que têm compaixão podem sentir na pele a dor dos outros e levá-la ao trono da graça.
Neemias chorou, lamentou, orou e jejuou durante quatro meses pela causa do seu povo. Sua oração foi persistente e fervorosa. Se Neemias foi capaz de chorar e jejuar por pessoas que ele não conhecia pessoalmente, quantos motivos nós, pais, temos para orar, jejuar e chorar em favor de nossos filhos!
Cyril Barber diz que um líder sábio coloca bem alto em sua lista de prioridades o bem-estar daqueles com quem trabalha. Ele se assegura de que os problemas dos seus liderados sejam resolvidos antes de cuidar de seus próprios problemas.
Montgomery acertadamente afirma: “O início da liderança é uma luta pelo coração e pela mente dos homens”.2 Nós, pais, somos os líderes constituídos pelo próprio Deus em nossa família. Precisamos carregar os fardos da nossa família e levar esses fardos aos pés do Salvador. Precisamos ser não apenas provedores, mas sobretudo intercessores. Não apenas estar na frente da batalha da manutenção do lar, mas sobretudo na trincheira da oração em favor do lar.

Um intercessor é alguém que reconhece a soberania de Deus sobre si

Um intercessor aproxima-se de Deus com profundo senso de reverência. Neemias começa a sua intercessão ado- rando a Deus. Você adora a Deus por quem ele é: “Ah! Se- nhor, Deus dos céus, Deus grande e temível...” (Ne 1.5). Neemias entende que Deus é o governador do mundo. Ele focaliza sua atenção na grandeza de Deus, antes de pensar na enormidade do seu problema.
Um intercessor aproxima-se de Deus sabendo que ele é soberano, onipotente, diante de quem precisamos curvar-nos cheios de temor e reverência.
Um intercessor aproxima-se de Deus sabendo que não há impossíveis para o Senhor. Quanto maior Deus se torna  para você, menor se torna o seu problema. Daniel disse que o povo que conhece a Deus é forte e ativo (Dn 11.32). Precisamos entender que os nossos filhos são filhos da promessa. Não geramos filhos para a morte. Não geramos filhos para o cativeiro. Não geramos filhos para ser escravos do diabo. Nossos filhos devem ser santos ao Senhor. Devemos consagrá-los no altar de Deus. Deus é soberano e fiel para cumprir a promessa de que, se ensinarmos nossas crianças no caminho em que devem andar, quando forem velhas, elas jamais se desviarão dessas veredas.

Um intercessor é alguém que se firma na fidelidade de Deus

Um intercessor sabe que Deus é fiel à sua aliança. Neemias expressou isso claramente em sua oração: “... que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos” (Ne 1.5). Somos o povo de Deus. Ele firmou conosco uma aliança eterna de ser o nosso Deus e de sermos o seu povo. Ele vela por nós e prometeu estar conosco sempre. Ele prometeu guardar-nos, conduzir-nos em triunfo e receber-nos em glória. Quando oramos, podemos agarrar-nos às promessas dessa aliança. Deus prometeu ser o nosso Deus e o Deus dos nossos filhos. O projeto de Deus inclui a família. Não podemos abrir mão da nossa família. Não podemos desistir dos nossos filhos!
Um intercessor fundamenta-se não nos seus méritos, mas na fidelidade de Deus. Neemias tinha disposição para interceder, porque conhecia o caráter fiel e misericordioso de Deus. Quanto mais teologia você conhece, mas compro- metido com a oração você deve ser. Deus responde às ora- ções. Ele é o Deus que vê, ouve e intervém. Sendo soberano, Deus escolheu agir por intermédio da oração de seus filhos. Um intercessor é alguém que importuna Deus com suas súplicas Um intercessor é alguém que não descansa nem dá descanso a Deus. Neemias foi incansável em sua importunação. Orou continuamente, com perseverança. Ele disse: “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus ser- vos...” (Ne 1.6). Muitas vezes, começamos a interceder por uma causa e logo a abandonamos. Neemias orou por 120 dias com choro e jejum, dia e noite. Ele insistiu com Deus. Mônica orou por Agostinho durante trinta anos. Depois da conversão de Agostinho, que veio a ser o maior expoen- te da igreja no quinto século, Ambrósio disse: “Um filho de tantas lágrimas jamais poderia perder-se”. Não podemos desistir de orar pelos nossos filhos. Como Ana, devemos insistir com Deus. Como Jó, devemos levantar de madru- gada e apresentá-los junto ao trono da graça.
Um intercessor é alguém que se coloca na brecha em favor de outra pessoa. Ele ora em favor do povo de Deus e se preocupa com a honra de Deus. Esse povo é servo de Deus. É o nome de Deus que está em jogo. Ele sente esse fardo e o coloca diante de Deus em fervente oração.

Um intercessor é alguém que reconhece e confessa os seus pecados e os pecados do povo

 Três verdades nos chamam a atenção acerca do ministério de intercessão de Neemias.
Em primeiro lugar, um intercessor tem consciência das causas da derrota do povo. O pecado foi a causa do cativeiro. Deus entregou o povo nas mãos do rei da Babilônia. O pecado foi a causa da miséria dos que voltaram do cativeiro. O pecado produz fracasso, derrota, vergonha, opróbrio. A história está eivada de exemplos de homens que colheram frutos amargos como consequência de seus pecados. Acã foi apedrejado com sua família. Hofni e Fineias morreram e levaram à morte mais de 30 mil homens. Davi trouxe a espada sobre a sua própria casa. O pecado é uma fraude, oferece prazer e paga com a escravidão; parece gostoso ao paladar, mas mata. Nada conspira mais contra a oração que o pecado. Um homem rendido ao pecado jamais será um intercessor. Um pai acomomodado no pecado jamais se colocará na brecha em favor dos seus filhos.
Em segundo lugar, um intercessor identifica-se com os pecados do povo. Neemias orou: “... e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido con- tra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado” (Ne 1.6b). Neemias não ficou culpando o povo, mas identificou-se com ele. Um intercessor não é um acusador, jamais aponta o dedo para os outros; antes, levanta as mãos ao céu em ardorosa oração. Os pais precisam identificar-se com seus filhos. A dor de seus filhos é a sua dor. As lágrimas de seus filhos são as suas lágrimas. Os dramas de seus filhos são os seus dramas. Certa feita Jesus foi a Tiro e Sidom. Lá estava uma mãe gentia. Ela buscou Jesus com insistência em favor de sua família. Seu clamor não foi: “Tem misericórdia de minha filha”, mas “Tem misericórdia de mim”. Ela se identificou com sua filha. A causa de sua filha era a sua causa. É assim que os pais devem orar por seus filhos!
Em terceiro lugar, um intercessor faz confissões específicas. Muitas confissões são genéricas e pouco específicas, por isso sem convicção de pecado e sem quebrantamento. Neemias foi específico: “Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo” (Ne 1.7). Para que a oração tenha efeito, precisa ser acompanhada de confissão. Quem confessa seus pecados e os deixa alcança misericórdia (Pv 28.13). Não podemos agir com irresponsabilidade espiritual em relação aos nossos filhos. Não podemos fazer vistas grossas aos seus pecados. O sacerdote Eli amava mais a seus filhos que a Deus. Por isso, deixou de corrigi-los. Não podemos contemporizar os erros dos nossos filhos. Precisamos confrontá-los e ao mesmo tempo clamar a Deus em favor deles, rogando ao Senhor sua misericórdia.

Um intercessor é alguém que se estriba nas promessas da Palavra de Deus

 A Palavra de Deus e a oração andam de mãos dadas. Um intercessor precisa conhecer a Palavra. É o combustível da Palavra que alimenta o ministério da intercessão. Quatro verdades devem ser destacadas aqui.
Em primeiro lugar, um intercessor sabe que Deus tem zelo por cumprir sua Palavra (Ne 1.8). Neemias começou sua oração dizendo para Deus: “Lembra-te”. A memória de Deus é infalível, pois ele é onisciente, mas Deus ama ser lembrado de suas promessas. Quem ora com base na Palavra, ora segundo a vontade de Deus. As maiores orações da Bíblia foram fundamentadas nas promessas da Palavra de Deus. A oração eficaz é aquela que se baseia nas promessas de Deus. Como diz R. C. Trench “a oração não é vencer a relutância de Deus; é apropriar-se de sua mais alta disposição”. Deus prometeu ser o nosso Deus e o Deus dos nossos filhos. Nossos filhos são filhos da promessa. São herança de Deus. Não geramos filhos para a morte. Não geramos filhos para o cativeiro. Nossos filhos devem ser vasos de honra nas mãos do Senhor.
Em segundo lugar, um intercessor compreende que a disciplina de Deus vem sobre a desobediência (Ne 1.8b). Deus prometeu bênçãos e alertou acerca da maldição causada pela desobediência. O povo de Israel desobedeceu e sofreu nas mãos de seus inimigos. A dispersão e o cativeiro foram juízos de Deus contra o seu povo, por causa do pecado. O pecado sempre atrai juízo, derrota, dispersão. Nossos filhos precisam ser alertados acerca da justiça de Deus. O peca- do sempre produz consequências amargas. Deus não é um ser bonachão. Ele é santo e fogo consumidor. Só os loucos zombam do pecado. Nossos filhos precisam saber disso!
Em terceiro lugar, um intercessor compreende que o arrependimento sempre redunda em restauração (Ne 1.9). Deus é compassivo. É o Deus de toda graça, aquele que restaura o caído e não rejeita o coração quebrantado. Neemias sabe que, se o povo se arrepender, virá um tempo novo de restauração e refrigério. Essa é a confiança do intercessor, o conhecimento do caráter misericordioso de Deus. A misericórdia de Deus nos impulsiona a orar. Ele é o Deus de toda a graça. Ele não rejeita o coração quebrantado. Não despede aqueles que se aproximam com o coração contrito. Há esperança para a família. Há esperança para os filhos desviados. Há esperança para os pródigos que estão perdidos no país distante. Há esperança para os feridos queMchegam em casa emocionalmente arrebentados. Deus é o Pai de misericórdias. Ele é rico em perdoar!

Em quarto lugar, um intercessor compreende que os pecados do povo de Deus não anulam a aliança de Deus com ele (Ne 1.10). Neemias ora fundamentado na perseverança do amor de Deus pelo seu povo. Ainda que sejamos infiéis, Deus continua sendo fiel. Neemias fala de um lugar escolhido e de um povo escolhido. As nossas fraquezas não anulam a eleição da graça. Mesmo quando pecamos, não deixamos de ser o povo remido por Deus nem deixamos de ser servos de Deus. O povo da aliança é disciplinado, mas não rejeitado para sempre. Devemos agarrar-nos a essa verdade bendita e encontrar alento para prosseguirmos nessa empreitada de intercessão por nossos filhos.

Um intercessor é alguém que associa devoção e ação

Um intercessor ora e age. Neemias orou, jejuou, lamentou e chorou durante 120 dias. Ele colocou essa causa diante de Deus, mas também colocou a mesma causa dian- te do rei. A oração não é um substituto para o trabalho. Ela é o maior trabalho. Neemias ora e toma medidas práticas: vai ao rei, informa-o sobre a condição do seu povo, faz pedidos, solicita cartas, verifica o problema, mobiliza o povo e triunfa sobre dificuldades e oposição.
 Um intercessor compreende que o coração do rei está nas mãos de Deus. Neemias compreende que o maior rei da terra está debaixo da autoridade e do poder do Rei dos reis. Neemias compreende que o mais poderoso monarca da terra era apenas um homem. Ele sabe que só Deus pode inclinar o coração do rei para atender ao seu pedido. Neemias compreende que a melhor maneira de influenciar os poderosos da terra é ter a ajuda do Deus todo-poderoso. Ele vai ao rei, confiado no Rei dos reis. Ele conjuga oração e ação. Os pais precisam também orar e agir. Precisam falar com Deus acerca de seus filhos e precisam falar acerca de Deus com seus filhos.
Pela oração de Neemias um obstáculo aparentemente intransponível foi reduzido a proporções domináveis. O coração do rei se abriu, os muros foram levantados e a cidade foi reconstruída. A oração abre os olhos a coisas antes não vistas. Nossas orações diárias diminuem nossas preocupações diárias. Que Deus levante um exército de homens santos, a erguer aos céus mãos santas, em fervente oração, em favor da família. Precisamos de um reavivamento na família. Precisamos ver nossos filhos levantando-se, no poder do Espírito Santo, para restaurar nossa nação. Nossos muros também estão quebrados e nossas portas foram queimadas a fogo. Que o Deus dos céus ouça o nosso clamor e que os pais sejam desafiados, como o foi Neemias, para se colocarem na brecha em favor de seus filhos, a fim de que essa geração que desponta conheça a Deus e viva para a glória de Deus!




Capítulo 3
O Poder da Oração Quando se Ora no Espírito
Introdução
“...não sabemos o que havemos de pedir como convém...” (Rm 8:26). Por mais estranho que pareça, o poder da oração é somente para os que são suficientemente humildes para confessar que não sabem como orar.
O Espírito Santo procura por pessoas assim, para que Ele possa capacitá-las a orar.
“...o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém,mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26). Somente se tivermos a capacitação do Espírito Santo na oração, poderemos obedecer à convocação de Paulo em Efésios 6:18:“Continuai orando no Espírito... Estejais em alerta... vigiai e orai”!
O que é “oração no Espírito”? Qual é a diferença das outras formas ou maneiras de oração? Gostaria de explicar a diferença neste capítulo.

A. FORMAS DIFERENTES DE ORAÇÃO
Há muitas maneiras pelas quais podemos nos aproximar do Senhor em oração. Todas são importantes e têm o seu lugar na igreja e no nosso caminhar com Deus.

1.  Oração Contemplativa
Algumas ordens religiosas consagram suas vidas inteiras à oração. Dedicam-se ao conhecimento de Deus e ao relacionamento com a Sua vontade através da meditação ou reflexão silenciosa e oração. A preocupação delas pelo mundo é basicamente expressa através da “intercessão” – oração em favor de outros. Esta é uma nobre e importante forma de oração. Contudo, os que se envolvem neste tipo de oração,raramente aprendem a “orar no Espírito”.

2.  Livros de Oração
Muitos têm as suas orações em “livros de oração”. Temos um livro de oração na Bíblia: é chamado de Livro dos Salmos. Quando estas orações são lidas com um coração que esteja verdadeiramente buscando a Deus, o Espírito Santo pode trazer a vida da Palavra Viva para a Palavra Escrita.

3.  Orações Dirigidas
Outros, repetem “orações dirigidas”. Muitos de nós tivemos a ajuda ou direção de outros, em nossas primeiras orações. As criancinhas aprendem a orar com a ajuda de seus pais. Frequentemente, ajudamos as pessoas a fazerem a “oração do pecador”.
Testemunhei, recentemente, um acontecimento engraçado e que me fez bem ao coração, referente à“oração dirigida” numa igreja das Assembleias de Deus. No final do culto, um jovem perguntou a um visitante se ele estava pronto para receber a Cristo como seu Salvador.
“Não, não creio que já esteja pronto” foi a sua resposta. O jovem replicou, então: “Será que você saberá o que orar quando estiver pronto?” “Não, acho que não” foi a resposta honesta do visitante.
O jovem disse, então: “Bem, a oração que você deveria fazer é a seguinte. Basta repeti-la depois de mim”. E, em seguida, ele o conduziu numa simples “oração dirigida” de arrependimento para receber a Cristo como seu Senhor e Salvador.
Enquanto o visitante repetia a oração, lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. O seu rosto brilhou de alegria. O Espírito Santo abrandou-o e Cristo entrou em seu coração – e ele de fato nasceu de novo! Sim, Deus honra todos os tipos de oração, se formos sinceros e pedirmos com fé. No entanto, por mais maravilhoso que possa ser, isto não é “oração no Espírito”.

4.  Orações do Tipo “Lista de Compras”
Uma outra forma de oração é o que alguns chamam de abordagem do tipo lista de compras”. Alguns denós, temos uma lista de necessidades e desejos que queremos trazer diante de Deus. Escrevemos estes pedidos para que não nos esqueçamos de continuar orando por diferentes assuntos. Estas listas talvez incluam pedidos por nossas famílias, amigos, igrejas e pastores. Quando as nossas motivações são corretas, esta também é uma forma de oração que resulta em bênçãos.
Aliás, Tiago 4:2 nos diz que às vezes “não temos porque não pedimos”.
Um exemplo disto é a parábola do “filho pródigo” (Lc 15:11-32). O irmão mais novo havia pedido e recebido a sua parte da fortuna da família. Em rebeldia, ele deixou o seu pai e o seu irmão mais velho e foi embora.
Muitos meses depois, ele voltou ao lar, arrependido, após gastar toda a sua fortuna. Seu pai o perdoou e convocou a família e amigos para uma linda festa para o seu filho pródigo.
Seu irmão mais velho não gostou da ideia e reclamou que seu pai nunca o havia abençoado daquela maneira. O pai simplesmente replicou: “Tu sempre estás comigo, e tudo o que tenho é teu”.
Se ao menos o irmão mais velho soubesse o que o seu relacionamento com o pai significava de fato!Parece que ele estava vivendo num nível bem inferior ao que era privilégio seu. Se quisesse mais, tudo oque tinha a fazer era pedir. Ele não tinha, porque não pedia.

B. O ABUSO DA ORAÇÃO E DOS DONS ESPIRITUAIS
Há dois enganos que podemos cometer com relação à oração. O primeiro é fracassar ao pedir. O segundo é mais crítico: pedir egoisticamente por aquilo que queremos – mesmo se o que pedimos seja contrário ao que Deus quer.
Tiago fala sobre ambos os problemas.
“...nada tendes porque não pedis... Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossosdeleites” (Tg 4:2,3).

1.  Orar Sem Desejo
“Desejo” significa querer algo muito ardentemente. Relaciona-se com “cobiça” ou desejos egoísticos e com a “concupiscência”, que significa querer algo que pertença a outros. Ela se evidencia ou se expressa de diferentes maneiras. Há a cobiça por posições, poder, lucro financeiro e prazer imoral.
Se usarmos as orações para servir aos nossos desejos, estaremos nos colocando em perigo espiritual.Fracassaremos diante de Deus porque as nossas motivações estão erradas. Estaremos orando, na verdade, com o espírito de avareza ou cobiça.
Aprendeu-se que a oração é uma maneira de obtermos qualquer coisa que queiramos de Deus, talvez nem mesmo saibamos que estamos orando mal.
As nossas energias e orações deveriam ser focalizadas em buscarmos “primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça”. Aí, então, todas as “coisas” que precisamos nesta vida nos serão acrescentadas (Mt 6:33).
Deus sabe quais são as coisas de que necessitamos e Ele promete supri-las, se colocarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça. Se buscarmos as “coisas materiais” ao invés do Reino deDeus, estaremos nos movendo numa direção que não agrada a Deus e que é espiritualmente perigosa para nós.

2.  Orar Mal
Um dos maiores julgamentos que Deus pode enviar sobre nós é responder às nossas orações que se originam de motivações erradas. Talvez Ele retenha a resposta por algum tempo, mas se continuarmos orando, pode ser que Ele nos dê o que queremos. Salmos 106:15 diz: “Ele lhes concedeu o seu pedido,porém fez definhar as suas almas”.
Os filhos de Israel ficaram cansados da sua dieta de maná (pão do céu). Assim sendo, pediram que Deus lhes desse “carne” para comida, “...cobiçaram grandemente no deserto e testaram  Deus através de seus desejos fortes” (Sl 106:14).
O Senhor finalmente lhes concedeu o que haviam pedido, porém fez com que suas almas definhasse-me enviou doenças e morte aos seus corpos. Orar mal, pode de fato trazer um final muito triste à nossa vida.
3.  Motivações e Atitudes Erradas
Podemos abusar ou usar mal os dons de Deus. A história de Balaão é um bom exemplo de abuso de umdom espiritual (Nm 22- 24).
Balaão tinha um verdadeiro dom de profecia. Suas profecias são as mais eloquentes em toda a Bíblia e nenhuma delas jamais falhou. O problema com Balaão não era o seu dom ou ministério; eram as suas motivações. Balaão usou o seu dom para a sua própria fama e fortuna. Prometeram-lhe ouro e glória casose unisse com o rei Bala- que para amaldiçoar o povo de Deus.
Balaão perguntou a Deus se ele devia ir ao rei Balaque. “Então disse Deus a Balaão: Não irás com eles,nem amaldiçoarás este povo...” (Nm 22:12).
A princípio, Balaão obedeceu a Deus e recusou-se a ir. Quando o rei Balaque lhe prometeu mais dinheiro e prestígio, no entanto, Balaão mudou de ideia.
Finalmente, Deus permitiu que ele fizesse a sua própria vontade, porém tentou mostrar-lhe que Ele não se agradara, colocando um anjo em seu caminho. Balaão não podia ver o anjo, muito embora ajumenta em que cavalgava, pudesse vê-lo claramente. Balaão ficou muito enfurecido quando a jumenta se recusou a seguir caminho. A cobiça de Balaão pela fama e fortuna, havia cegado a sua visão.
A Bíblia fala das razões porque Deus engana aos Seus servos desobedientes. “E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade”. (2 Ts 2:11,12).
As motivações e atitudes de Balaão estavam erradas. Ele estava disposto a amaldiçoar o povo de Deus por causa de sua própria fama e fortuna. Ele escolheu ter “prazer na iniquidade”. Portanto, Deus enviou-lhe uma forte ilusão. Ele estava no caminho errado e não sabia. Ele ficou tão cego, devido às suas motivações e ações corruptas, que ele nem ao menos podia ver a espada de advertência do anjo de Deus.
O final da história foi triste e trágico, tanto para Balaão quanto para Israel. Balaão morreu por causa do seu pecado. (Nm 31:8).
Sejamos como Jesus: “...Pai, se queres, afasta de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua” (Lc 22:42).

C. O ESPÍRITO SANTO NOS AJUDA A ORAR
Precisamos compreender a razão pela qual Paulo nos exorta e nos estimula a “orar no Espírito”. Comoveremos mais tarde, esta é uma forma garantida de evitarmos orações “vãs”. Paulo desenvolve o seu pensamento em Romanos. Ele explica cuidadosamente o que o Espírito Santo pode fazer por nós, quando nos entregamos a Ele, enquanto oramos:
“Nem ao menos sabemos como ou pelo que orar como deveríamos. O Espírito Santo, contudo, nos ajuda em nossas fraquezas. Ele faz isto, orando por nós e através de nós com sons e gemidos profundos demais para poderem ser expressos em palavras. Deus conhece os nossos corações e a mente do Seu Espírito. E o Espírito Santo sempre ora pelos santos de acordo com a vontade de Deus” (Rm 8:26,27).
Todos nós, em certas ocasiões, já enfrentamos circunstâncias e problemas pelos quais não sabíamos como orar de fato, como deveríamos.
Às vezes, os problemas podem ser tão grandes, na vida das pessoas, que não sabemos como ajudá-las.Além disso, há muitos tipos diferentes de problemas. Podem envolver decisões, pessoas, lugares, finanças,saúde e necessidades espirituais.
Em geral, parece que tudo está amarrado num grande nó. Não sabemos onde começar a tentativa de desatarmos este nó por nós mesmos. Queremos fazer a coisa certa, da maneira certa, com as pessoas certas, no lugar certo, com o motivo certo. Mas, onde começamos?
Que consolo sabermos que o Espírito Santo nos conhece melhor do que nós próprios nos conhecemos! Ele sabe quem somos, onde estamos e como estamos. Ele também sabe qual é a vontade de Deus e a Sua resposta para a nossa necessidade. A Sua sabedoria e poder compensam a nossa falta de conhecimento e as nossas fraquezas. E mais que isto, Ele está disposto a orar por nós e através de nós, para que a vontade de Deus possa ser feita. Como isto acontece? Acontece quando “oramos no Espírito”.

1.  Orar no Espírito
Esta expressão é usada no Novo Testamento para descrever um tipo de oração que vai além daslimitações do nosso intelecto e do nosso entendimento.
Em Judas 20, temos a seguinte exortação: “Edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.” Em Efésios 6:18, Paulo também nos exorta: “...orando  sempre com todaoração e súplica no Espírito.”

a.  O  Dom de  Línguas  Dado  Pela Oração. Paulo explica como fazemos isto, em l Coríntios 14:14:“Se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora...”  Uma das funções principais do dom de línguas é ode “orarmos no Espírito”.
“O que fala em língua estranha não fala aos homens, mas a Deus” (1 Co 14:2). O falar com Deus em oração é um dos abençoados benefícios secundários de sermos batizados no Espírito Santo, com oresultado de falarmos em línguas.

b.  O Espírito Santo nos Ajuda. Quando nos entregamos ao Espírito Santo em oração e começamos a“orar no Espírito”,
Paulo nos ensina em Romanos 8:26,27 que três coisas importantes acontecem:

1) O Espírito Santo nos ajuda a orarmos as orações de Deus.
2) O Espírito Santo nos ajuda a sentirmos os sentimentos de Deus.
3) O Espírito Santo nos ajuda a pensarmos os pensamentos de Deus.

c. Devemos nos Entregar à Ação do Espírito.

1) Orando as Orações de Deus.
 Em 1968, no Retiro do WORLD MAP em Santa Cruz, Califórnia,estávamos dirigindo um dia de jejum e oração. Uma profetiza mais idosa chamada Ruth Banks fazia parte do grupo de oração que eu estava liderando.
Para surpresa minha, quando ela pôs as mãos na cabeça de um homem e começou a orar, parecia que ela sabia tudo a respeito dele. Ela orou por detalhes íntimos da vida dele, que ninguém conhecia, a não ser ele mesmo (e o Espírito Santo).
As pessoas por quem ela orava, irrompiam em choro de alegria e gratidão ao Senhor, porque sabiam que as orações de Ruth Banks nasciam no Céu. Sabiam que ela estava se entregando à ação do Espírito Santo em sua vida e estava orando as orações de Deus. Estas pessoas se sentiram muito encorajadas, ao compreenderem que Deus sabia tudo sobre seus problemas e que Ele as amava o suficiente para fazer com que uma de suas servas orasse por suas mais profundas necessidades.
A Bíblia nos diz que é isto o que deveria acontecer quando permitimos que o Espírito Santo opere através de nós. “Os segredos dos corações dos homens serão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorarão  a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós” (1 Co 14:25).
Pedi ao Senhor, naquele mesmo dia, em Santa Cruz: “Querido Senhor, permite-me orar como a RuthBanks”. 
Sinto-me feliz por relatar que nos anos que se seguiram, o Senhor respondeu esta oração, à medida que tenho aprendido a entregar-me à ação do Espírito na minha vida. Ele fará a mesma coisa por você se você passar bastante tempo em Sua presença, esperando no Senhor . Você poderá orar as orações de Deus à medida que você aprender a usar o dom de línguas, de interpretação e de profecia na oração.

2) Sentindo os Sentimentos de Deus. Em Romanos 8:27, Paulo nos ensina que o Espírito Santo faz intercessão através de nós e para nós, de acordo com a vontade de Deus, pois Ele conhece a mente (ou vontade) de Deus.
Não há nada mais importante do que a vontade de Deus para a nossa vida. O nosso ministério aos outros será uma bênção somente se revelar a vontade d’Ele para estas pessoas. Esta é uma razão importante para orarmos no Espírito. Deus frequentemente revela a Sua vontade através da oração quando ministramos aos outros. Gostaria de compartilhar alguns exemplos com vocês.
Em nossos retiros de verão, na Costa Oeste dos E.U.A., consagramos um dia para jejum e oração. Em seguida, designamos líderes que supervisionem grupos de cinco ou seis crentes espiritualmente maduros.Passamos o dia orando pelas pessoas que têm necessidades, as quais se aproximam, uma de cada vez.
Geralmente, Deus revela detalhes sobre as pessoas por quem estamos orando, para que possamos orar por elas de uma maneira bem específica. Todo o grupo de oração permanece aberto ao Senhor para receberas Suas direções.
Cada integrante do grupo talvez receba uma parte da vontade de Deus, para a pessoa que veio pedir oração. Enquanto surgem as revelações desta forma, pelo Espírito de Deus, elas podem ser “verificadas” pelo grupo como um todo.
É bom sabermos que não somos infalíveis (incapazes de cometer erros) enquanto nos movemos nos dons do Espírito Santo. Há sabedoria e segurança quando recebemos uma “palavra do Senhor” que seja confirmada e concordada por outros. Quando todos os membros do grupo concordam sobre algo, podemos seguir esta direção na oração.
Este método segue o modelo da Bíblia:
“Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra” (2 Co 13:1). “E falem dois outrês profetas e os outros julguem” (l Co 14:29).
Desta forma, à vontade e a palavra de Deus revelam-se à medida que o grupo espera no Senhor e nos ministérios dos outros integrantes.

a) Três Exemplos:
1> Um Espírito de Enfermidade.
Um outro exemplo de como o Espírito Santo nos ajuda em nossas orações, aconteceu no mesmo retiroespiritual. Uma senhora pediu que orássemos por um problema físico. Ela tinha um poderoso ministério de “oração intercessória” (oração contra o diabo e suas forças), em benefício dos outros. Esta é a “guerra espiritual” sobre a qual falamos em outros artigos.
Enquanto orávamos por ela, Deus nos mostrou que o seu problema físico tinha uma causa espiritual. Quando estava orando contra os poderes das trevas, ela foi atacada pelo inimigo com um golpe que afetarão seu corpo físico. A causa era um poder maligno e não algo do mundo físico natural. Ela não sabia disto ejá havia procurado ajuda de outras formas.
Enfrentamos o diabo e suas forças malignas através do poder da oração e da autoridade da Palavra de Deus. Enquanto orávamos em línguas, por ela, havia um tom combativo acompanhando a nossa oração.Sabíamos que estávamos combatendo um espírito  de enfermidade  que a estava amarrando. Ordenamos a sua libertação no poderoso nome de Jesus, e ela foi liberta imediatamente! Através da oração no Espírito Santo, à vontade e a direção de Deus quanto à necessidade dela, nos foram reveladas. Ele fez com que orássemos as orações de Deus, que sentíssemos os sentimentos de Deus e que pensássemos os pensamentos de Deus.

2> Liberados Para o Senhor.
No fim daquele mesmo dia, oramos por uma outra senhora que estava com um problema muito difícil.Ela tinha marido e três filhos adolescentes, os quais exigiam dela muito do seu tempo e da sua atenção. Além de todas as tarefas que tinha como esposa e mãe, ela ainda tinha que cuidar do seu velho pai queestava com noventa e seis anos de idade. Devido à idade avançada, ele necessitava de cuidados especiais,uma vez que era como um bebê que necessita de fraldas para as suas necessidades fisiológicas. Ele estavamuito fraco e, por isso, já não podia sentar-se, levantar-se nem tampouco caminhar. Devido a todos essesproblemas, aquela senhora tinha que dedicar-se ao seu pai vinte e quatro horas por dia.
Devido à falta de sono e de descanso, ela estava à beira de um colapso físico e emocional. O que ela devia fazer?

A Bíblia diz, “Honra  a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que seprolonguem os teus dias, e para que te vá bem...” (Dt 5:16).
Ela quis obedecer à Bíblia, dedicando o melhor de si mesma ao seu velho pai, mas todo aquele acúmulo de tarefas a estava levando a autodestruição.
Então, eu disse: “Oremos em outras línguas, por alguns minutos, e esperemos, para ver se o EspíritoSanto atende à nossa oração”. Enquanto o grupo orava, o Senhor me revelou alguma coisa (fez-me pensaros pensamentos de Deus). Senti que o Espírito me revelava o seguinte:

O Senhor tinha vindo para levar o pai daquela senhora para o Céu. Quando ele estava morrendo, elaajoelhou-se ao lado da cama dele e rejeitou a morte, ordenando-lhe em oração que o deixasse viver. O Senhor, então, me disse: “Por haver tomado a responsabilidade pelo próprio pai, respeitei a direção dela sobre a vida dele. Quando ela rejeitou a morte ordenando que deixasse o pai viver, Eu me retirei e deixei-o viver.
Eu fiquei surpreso com aquela revelação e tinha que compartilhá-la com a senhora, a fim de saber se tudo aquilo tinha realmente acontecido ou se aqueles pensamentos tinham vindo da minha própria mente ou se tinham vindo do Espírito. Ela confirmou, dizendo que seu pai havia estado à beira da morte por diversas vezes e que ela havia orado, exatamente como foi descrito acima. Brandamente, a aconselhamos air para casa e conversar sobre o assunto, com o esposo e os filhos, a fim de decidirem se podiam deixar que o pai dela fosse ao encontro do Senhor. 

Dissemos a ela que ele seria muito mais feliz no Céu, livre doseu corpo já quase morto, aos noventa e seis anos.
Ela fez exatamente o que a aconselhamos a fazer. A família, então, fez esta oração: “Senhor, sequereis levar o papai embora, nós o liberamos para os seus cuidados afetuosos”. Algumas noites maistarde, Jesus veio e levou-o para o Céu.
Eu jamais pensaria nestas coisas, nem em mil anos, mas o Espírito teve uma simples Palavra  deConhecimento e de Sabedoria para darmos àquela senhora, quando oramos em outras línguas (noEspírito).

3> Uma Empresa Fracassada.
Recordo-me de um outro caso, sobre um homem que desejava que eu orasse por ele, pedindo a Deusque salvasse a sua empresa fracassada e fizesse com que ele prospera-se financeiramente. A minharesposta foi: “Orarei no Espírito, pedindo ao Senhor que responda à minha oração, fazendo-me pensar ospensamentos d’Ele e sentir os sentimentos d’Ele.”
Após orar em línguas, eu orei a interpretação:
“Senhor, Tu trouxeste este problema para este irmão porque ele não Te obedeceu. Tu fizeste com que ele prosperasse e O abençoaste, mas ele não pagou dízimos nem deu dinheiro para ajudar a Tua obra, conforme Tu mandaste. Tira todo o dinheiro que ele possui e faze com que a sua em- presa fracasse, até que ele se arrependa e aprenda a obedecer-Te. AMÉM!”
O homem ficou aborrecido comigo, mas Deus o Pai respondeu à oração que o Espírito Santo havia feitoatravés dos meus lábios. O homem se arrependeu e, alguns anos mais tarde, ele veio a mim e me agradeceu,pois ele estava sendo abençoado e estava prosperando, porque estava obedecendo ao Senhor.

D. CONCLUSÃO
A oração é o direito e responsabilidade de todos os cristãos batizados no Espírito Santo. É a maneira pela qual Deus faz a Sua vontade aqui na terra, assim como é feita no Céu. Oremos, portanto, em todo otempo e de todas as formas, pelo povo de Deus em toda parte (Ef 6:18).

Oração
“Pai Celestial, oro agora pelos que estão lendo esta oração. Peço-Te que derrames o Teu Espíritosobre eles, agora mesmo, para  que possam começar a orar no Espírito. Dá-lhes a interpretação  do queoram em outras línguas. Faz com que sejam poderosos na oração.  Faz com que orem as Tuas orações,que sintam os Teus sentimentos e pensem os Teus pensamentos. Peço isto em nome de Jesus, crendo queTu o farás.
 AMÉM!”





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