A oração é uma prática de qualquer religião, pois é um modo de comunicação com o ser superior. Para a vida cristã, a oração é fundamental para o relacionamento pessoal com Deus, que é irradiado na igreja e na comunidade à qual o crente pertence. Podemos observar nos relatos bíblicos como a prática da oração se desenrolou ao longo da história do cristianismo. Contrariando a atual cultura da excessiva ênfase no indivíduo e nas práticas de autoajuda, o resultado da oração não é o crescimento da fé para obter ganhos pessoais, mas para abençoar a igreja, a comunidade e o mundo no geral a fim de que o nome do Senhor seja glorificado.
A ORAÇÃO DOS PRIMEIROS CRISTÃOS
A oração é
fundamental para a vida cristã, e a Bíblia mostra diversos exemplos de homens e
mulheres que oravam. Encontramos diversos modos de orar ao longo da história do
cristianismo. Pode ser uma prática privada ou pública, individual ou coletiva.
Pode expressar intercessão, agradecimento, louvor, petição ou confissão. Pode
ser espontânea, responsiva, contemplativa ou lida. Pode ser em pé, de joelhos,
com o rosto no chão, com os braços levantados ou deitado. Pode ser silenciosa,
voz baixa ou gritando. Essa diversidade nos mostra que não há desculpas para
não nos comunicarmos com Deus.
Há dois tipos
de oração bíblica, a berakah e a hodayah, conforme apresentado pelos
especialistas em liturgia Paul Bradshaw e Todd Johnson. Ambas contam e
reconhecem as grandes obras realizadas pelo Deus poderoso, feitos que se tornam
dignos de adoração. É o que Paul Bradshaw trata como anamnesis, ou lembrança,
ou seja, é uma maneira de glorificar a Deus lembrando de suas ações. Berakah,
da raiz hebraica barak, significa "bênção". A berakah se dirige
indiretamente a Deus; o início costuma ser: "Bendito seja o Senhor que
[...]" e enaltece o Senhor por tudo o que foi realizado pelo poder divino.
Um exemplo é Êxodo 18.10-11: "Bendito seja o SENHOR, que vos livrou das
mãos dos egípcios e da mão de Faraó; que livrou a este povo de debaixo da mão
dos egípcios. Agora sei que o SENHOR é maior que todos os deuses; porque na
coisa em que se ensoberbeceram, os sobrepujou".
A oração
hodayah, da raiz hebraica hodah, significa "agradecer, reconhecer,
confessar". A hodayah se dirige a Deus de maneira direta, geralmente
iniciando com "Bendito sejas tu, ó Senhor [...]",agradecendo e
continuando com uma petição, pelo fato de Deus ter agido maravilhosamente
antes, e então Deus pode ajudar aquele que ora na sua necessidade. Um exemplo é
Daniel 2.20,23: "Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque
dele é a sabedoria e a força; ó Deus de meus pais, eu te louvo e celebro porque
me deste sabedoria e força; e, agora, me fizeste saber o que te pedimos, porque
nos fizeste saber este assunto do rei".
A relevância em conhecer esses dois modelos
está em saber que eles influenciaram a vida dos primeiros cristãos, e isso nos
ajuda a pensar como eles adoravam a Deus. É importante porque vemos o padrão da
oração cristã. Berakah era a oração dos judeus convertidos no século 2 no
momento da Ceia do Senhor. Primeiro se ora objetivamente relembrando o que Deus
tem feito na história, e a seguir se fazem petições subjetivas.
Os primeiros
cristãos, ao orarem berakah, estavam contando a história na qual Deus se
revela, como se estivessem declamando o Credo. Os primeiros registros sobre a
oração cristã revelam com que regularidade ela deveria ser feita. Em A Didaqué
8.2-34, a recomendação é orar o Pai Nosso três vezes ao dia. Na Stro- mata,
Clemente de Alexandria, embora defendesse o "orai sem cessar",
especificou que fosse à terceira, sexta e nona horas (VII, VII, p. 534),
respectivamente às 9 da manhã, ao meio-dia e às 3 da tarde. Para Orígenes, três
era a quantidade mínima de vezes, sendo importante orar também à noite (Da
oração VII, p. 19). A base bíblica de Orígenes eram diversas passagens. Daniel
orava três vezes ao dia (Dn 6.10), Pedro orou na hora sexta (At 10.9), Salmos
141.2 mencionam a oração da tarde e Salmos 119.62, a da noite, juntamente com Atos
16.25. Essa prática de orar três vezes ao dia possivelmente veio por influência
da tradição judaica.
Tertuliano, em A oração XXV, 2, usou outros
exemplos para justificar a terceira, sexta e nona hora. O Espírito Santo foi
derramado pela primeira vez na terceira hora (At 2.1). Quando Pedro teve a
visão e subiu ao telhado para orar, era a sexta hora (At 10.9). Ele subiu com
João ao templo para orar na nona hora (At 3.1). Embora Tertuliano admita que
não sejam horas obrigatórias, acredita ser importante observar orar pelo menos
três vezes ao dia, nem que seja preciso parar com as atividades ou o trabalho
para isso. A interpretação de Cipriano em A oração dominical 34 quanto às
passagens bíblicas se aproxima às de Orígenes e Tertuliano.
Curiosa é a
explicação de Tertuliano para apontar a problemática do casamento misto com
base na vida de oração. Conforme Para a esposa dele (Ad uxorem) 2.5, o cônjuge
cristão, ao se levantar no meio da noite para orar, revelaria sua fé; por isso,
casamento entre cristãos e não-cristãos era algo contra a vontade de Deus.
Há mais detalhes sobre a vida dos cristãos
antes do século 4. Paul Bradshaw, em Reconstruindo a adoração do cristianismo
primitivo, observa que, embora seja difícil saber como os cristãos seguiam essa
agenda de oração, é preciso atentar para o fato de que, nesse período, a
iniciação dos novos convertidos na Igreja exigia um alto nível de
comprometimento, então deveria ser uma demanda para fazer parte do grupo.
Quanto ao conteúdo, provavelmente os cristãos do século 3 se baseavam nos
documentos do Novo Testamento, sobretudo os escritos paulinos, e nas orações -
louvor, ação de graças, petição e intercessão - do judaísmo. Provavelmente, as
orações eram individuais ou entre membros da família ou amigos nas casas e em
reuniões informais, pois as liturgias oficiais ocorriam especialmente para
celebração da Ceia do Senhor5 aos domingos e para exposição da Palavra na nona
hora às quartas e sextas-feiras.
Para os pais da
Igreja, a prática da oração era entendida como um ato de sacrifício oferecido a
Deus. Tertuliano, em Da oração, comentou a passagem de João 4.23: "Nós
somos os verdadeiros adoradores e os verdadeiros sacerdotes, porque, orando em
espírito, em espírito sacrificamos a oração, vítima apropriada de Deus e
aceitável, que ele, certamente, exigiu, que ele previu desde longe para
si" (XXVIII, 3). Irineu, em Contra as heresias, diz: "E o próprio
Verbo prescreveu ao povo que faça as oblações, embora não precisasse delas, para
que aprendessem a servir a Deus, como quer que nós também ofereçamos
continuamente e sem interrupção nossos dons no altar" (IV, 18, 6).
Orígenes, em Contra Celso, retornou aos apóstolos no dia de Pentecostes e
alertou para a necessidade de os cristãos continuarem perseverando na oração:
Estamos
continuamente nos dias de Pentecostes, principalmente quando subindo à sala
superior como os apóstolos de Jesus, perseveremos nas súplicas e orações para
nos tornarmos dignos "do vendaval impetuoso vindo do céu" (At
1.13-14; 2.2-3), para aniquilar por sua violência a malícia dos homens e seus
feitos, e merecer igualmente por parte na língua de fogo que vem de Deus (8,
22).
Em A oração
dominical, Cipriano demonstrou que a oração de cada pessoa era vista como
pertencente à oração da Igreja como um todo, não era meramente privada. "O
Deus da paz e mestre da harmonia, que nos ensinou sobre a unidade, quis que
cada um ore por todos, assim como Ele mesmo levou a todos nós sobre si"
(8). De acordo com Tertuliano, em Apologética 39, as intercessões eram feitas
em benefício de todas as pessoas, cristãs e não-cristãs, em favor das
autoridades, pelo bem-estar, pela paz e pela demora dos fins dos tempos.
A partir do
século 4, com a instituição do cristianismo como religião oficial do Império
por Constantino, a oração diária do cristão comum tornou-se parte dos cultos
oficiais duas vezes ao dia, pela manhã e à noite. Além disso, a oração
tornou-se mais centralizada, organizada dentro do modelo institucional da
Igreja, com mais foco na prática coletiva do que na individual. Salmos e hinos
foram incorporados ao culto para padronizar a liturgia, e a oração continuava
sendo o sacrifício oferecido a Deus.
Com a
oficialização do cristianismo como religião do império, as perseguições contras
os cristãos cessaram e a frequência das orações diminuiu. Alguns cristãos
interpretaram a nova situação não como um período em que as pessoas estavam
servindo ao Senhor com sinceridade, pois continuavam vivendo nas trevas; assim,
ao invés de serem inimigas do mundo, estavam relaxando e se conformando com
ele. Por isso, surgiram dois grupos de cristãos. Um era formado por homens e
mulheres que decidiram se retirar para o deserto no Egito e na Síria a fim de
continuar experimentando o martírio, porque queriam oferecer a Cristo um
testemunho de sangue. Ficaram conhecidos como os pais e as mães do deserto e se
dedicavam totalmente à oração, parando somente para comer e dormir. O outro
grupo permaneceu nos centros urbanos na Capadócia, na Síria e em outros lugares
e formou comunidades ascéticas sob os cuidados do bispo. Embora possam parecer
fanáticos, a reflexão sobre o modo de vida desses cristãos pode nos ensinar
algumas lições para a batalha espiritual do século 21.
Os que se
retiraram para o deserto preservaram a ideia de que a oração fazia parte da
vida do cristão e era responsabilidade deles. A interpretação do orar sem
cessar era mais literal, e duas ou três vezes ao dia não eram suficientes.
Esses homens e mulheres oravam, meditando nas obras dos Deus Todo-Poderoso e
suplicando pelo crescimento espiritual e pela salvação, além de alternarem as
orações com a recitação de textos bíblicos, sobretudo dos salmos. Em comparação
ao culto institucionalizado, cujo propósito da oração era relembrar, agradecer
e louvar a Deus pelos seus feitos, os pais e as mães do deserto buscavam
formação espiritual. Paul Bradshaw ressalta que, em razão da ênfase na oração
individual, não se desenvolveu entre esses grupos uma liturgia, uma dimensão
eclesial. A oração estava mais voltada para o interior da pessoa do que para
cerimônias externas.
O grupo urbano
não se isolou como aqueles que foram para o deserto, então criou práticas um
pouco distintas. Eles oravam na terceira, sexta e nona horas, à noite e de
madrugada, em grupos ou nas igrejas. Além disso, embora se preocupassem com o
aperfeiçoamento interior, mantiveram os cultos domésticos. Ou seja, como notou
Bradshaw, esse grupo preservou muitas características dos cristãos do século 3.
Informar-se sobre as práticas de oração dos
primeiros cristãos não significa tomá-los como padrão e imitá-los. Ainda mais
porque podemos perceber nas interpretações alguns desvios do texto bíblico ou
exageros ao longo da história. Vivemos em outra época e devemos pensar em
maneiras de orar que combinem a prática individual e coletiva de modo que o
nome do Senhor seja glorificado. Jesus ensinou que, quando orássemos, deveríamos
entrar no quarto e fechar a porta (Mt 6.6). Ao mesmo tempo, como pertencentes
ao corpo de Cristo, oramos como membros (At 2.42; 12.5) uns pelos outros e pelo
mundo ao nosso redor. Assim, convém que busquemos conciliar oração e louvor
coletivo com formação espiritual individual.
0 QUE APRENDEMOS COM
OS PRIMEIROS CRISTÃOS PARA LIDAR COM A BATALHA ESPIRITUAL
A Declaração de
Fé das Assembléias de Deus define oração como "o ato consciente, pelo qual
a pessoa dirige-se a Deus para se comunicar com Ele e buscar a sua ajuda por
meio de palavra ou pensamento". Embora a maneira de orar dos primeiros
cristãos possa se distanciar da tradição brasileira pentecostal, podemos
aprender com eles para aperfeiçoar nossa comunicação com Deus e nos preparar
para enfrentar as dificuldades e os ataques malignos do dia a dia.
Quanto aos
modelos berakah e hodayah, Paul Bradshaw considera que atualmente os cristãos
se afastaram desses modelos bíblicos e sugere que nos sirvam de reflexão sobre
como estamos orando. Relembrando o que Deus tem feito, estaremos interpretando
nossa experiência humana em termos religiosos; estaremos fazendo nossa
confissão de fé; estaremos proclamando o evangelho ao mundo; estaremos nos
aproximando também da natureza do relacionamento santo com Deus, sempre tendo
em mente que a oração não é algo para nosso próprio benefício, mas para que o
nome do Senhor seja glorificado.
A prática
espiritual dos pais e das mães do deserto pode ser resumida em fugir, estar em
silêncio e orar. São três verbos que se aplicam à maneira como devemos agir
diante da batalha contra o maligno: fugir da tentação e do diabo, estar em
silêncio para meditar na Palavra de Deus e discernir a vontade de Deus e orar.
Para os pais e as mães do deserto, a batalha espiritual era contra o
conformismo com o padrão de vida mundano, por isso eles se afastaram da sociedade.
A vida
espiritual começa na igreja, não no indivíduo. Por isso, a necessidade do
vínculo com a igreja para prestar contas da vida espiritual. Assim, o resultado
da oração é uma maior intimidade com Deus que leva ao crescimento espiritual e deixa
de ser algo individual para ser prestação de contas para com os outros
BATALHA ESPIRITUAL - 0 POVO DE DEUS E A GUERRA CONTRA AS
POTESTADES DO MAL
A ORAÇÃO EFICAZ - CPAD
l Rs
18.42b-45 “Elias subiu ao cume do Carmelo, e se inclinou por terra, e meteu o
seu rosto entre os seus joelhos. E disse ao seu moço:
Sobe agora e
olha para a banda do mar. E subiu, e olhou, e disse:
Não há nada.
Então, disse ele: Torna lá sete vezes. E sucedeu que, à sétima vez, disse: Eis
aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar. Então, disse
ele: Sobe e dize a Acabe:
Aparelha o
teu carro e desce, para que a chuva te não apanhe. E sucedeu que, entretanto,
os céus se enegreceram com nuvens e vento, e veio uma grande chuva; e Acabe
subiu ao carro e foi para Jezreel”.
A oração é
uma comunicação multifacetada entre os crentes e o Senhor. Além de palavras
como “oração” e “orar”, essa atividade é descrita como invocar a DEUS (Sl
17.6). Invocar o nome do Senhor (Gn 4.26), clamar ao Senhor (Sl 3.4), levantar
nossa alma ao Senhor (Sl 25.1), buscar ao Senhor (Is 55.6), aproximar-se do
trono da graça com confiança (Hb 4.16) e chegar perto de DEUS (Hb 10.22).
MOTIVOS PARA
A ORAÇÃO. A Bíblia apresenta motivos claros para o povo de DEUS orar.
Antes de
tudo, DEUS ordena que o crente ore. O mandamento para orarmos vem através dos
salmistas (1Cr 16.11; Sl 105.4), dos profetas (Is 55.6; Am 5.4,6), dos
apóstolos (Ef 6.17,18; Cl 4.2; 1Ts 5.17) e do próprio Senhor JESUS (Mt 26.41;
Lc 18.1; Jo 16.24). DEUS aspira a comunhão conosco; mediante a oração, mantemos
o nosso relacionamento com Ele.
A oração é o
elo de ligação que carecemos para recebermos as bênçãos de DEUS, o seu poder e
o cumprimento das suas promessas. Numerosas passagens bíblicas ilustram esse
princípio. JESUS, por exemplo, prometeu aos seus seguidores que receberiam o
ESPIRITO SANTO se perseverassem em pedir, buscar e bater à porta do seu Pai
celestial (Lc 11.5-13). Por isso, depois da ascensão de JESUS, seus seguidores
reunidos permaneceram em constante oração no cenáculo (At 1.14) até o ESPIRITO
SANTO ser derramado com poder (At 1.8) no dia de Pentecostes (At 2.1-4). Quando
os apóstolos se reuniram após serem libertos da prisão pelas autoridades
judaicas, oraram fervorosamente para o ESPIRITO SANTO lhes conceder ousadia e
autoridade divina para falarem a palavra dEle. “E, tendo eles orado, moveu-se o
lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do ESPIRITO SANTO e
anunciavam com ousadia a palavra de DEUS” (At 4.31). O apóstolo Paulo
freqüentemente pedia oração em seu próprio favor, sabendo que a sua obra não
prosperaria se os crentes não orassem por ele (Rm 15.30-32; 2Co 1.11; Ef 6.18,
20; Fp 1.19; Cl 4.3,4). Tiago declara inequivocamente que o crente pode receber
a cura física em resposta à “oração da fé” (Tg 5.14,15).
DEUS, no seu
plano de salvação da humanidade, estabeleceu que os crentes sejam seus
cooperadores no processo da redenção. Em certo sentido, DEUS se limita às
orações santas, de fé e incessantes do seu povo. Muitas coisas não serão realizadas
no reino de DEUS se não houver oração intercessória dos crentes (ver Êx 33.11).
Por exemplo: DEUS quer enviar obreiros para evangelizar. CRISTO ensina que tal
obra não será levada a efeito dentro da plenitude do propósito de DEUS sem as
orações do seu povo: “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para
a sua seara” (Mt 9.38). Noutras palavras, o poder de DEUS para cumprir muitos
dos seus propósitos é liberado somente através das orações contritas do seu
povo em favor do seu reino. Se não orarmos, poderemos até mesmo estorvar a
execução do propósito divino da redenção, tanto para nós mesmos, como
indivíduos, quanto para a igreja coletivamente.
REQUISITOS
DA ORAÇÃO EFICAZ. Nossa oração para ser eficaz precisa satisfazer certos
requisitos.
Nossas
orações não serão atendidas se não tivermos fé genuína, verdadeira. JESUS
declarou abertamente: “Tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e
tê-lo-eis” (Mc 11.24). Ao pai de um menino endemoninhado, Ele falou assim:
“Tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23). O autor de Hebreus admoesta-nos assim:
“Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé”
(Hb 10.22),
e Tiago encoraja-nos a pedir com fé, não duvidando (Tg 1.6; cf. 5.15).
Além disso,
a oração deve ser feita em nome de JESUS. O próprio JESUS expressou esse
princípio ao dizer: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o
Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o
farei” (Jo 14.13,14). Nossas orações devem ser feitas em harmonia com a pessoa,
caráter e vontade de nosso Senhor (ver Jo 14.13).
A oração só
poderá ser eficaz se feita segundo a perfeita vontade de DEUS. “E esta é a
confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade,
ele nos ouve” (1Jo 5.14); Uma das petições da oração modelo de JESUS, o Pai
Nosso, confirma esse fato: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no
céu” (Mt 6.10; Lc 11.2; note a oração do próprio JESUS no Getsêmani, Mt 26.42).
Em muitos casos, sabemos qual é a vontade de DEUS, porque Ele no-la revelou na
Bíblia. Podemos ter certeza que será eficaz toda oração realmente baseada nas
promessas de DEUS constantes da sua Palavra. Elias tinha certeza de que o DEUS
de Israel atenderia a sua oração por meio do fogo e, posteriormente, da chuva,
porque recebera a palavra profética do Senhor (18.1) e estava plenamente seguro
de que nenhum deus pagão era maior do que o Senhor DEUS de Israel, nem mais
poderoso (18.21-24).
Não somente
devemos orar segundo a vontade de DEUS, mas também devemos estar dentro da
vontade de DEUS, para que Ele nos ouça e atenda. DEUS nos dará as coisas que
pedimos, somente se buscarmos em primeiro lugar o seu reino e sua justiça (ver
Mt 6.33). O apóstolo João declara que “qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a
receberemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável à
sua vista” (1Jo 3.22). Obedecer aos mandamentos de DEUS, amá-lo e agradá-lo são
condições prévias indispensáveis para termos resposta às orações. Tiago ao
escrever que a oração do justo é eficaz, refere-se tanto à pessoa que foi
justificada pela fé em CRISTO, quanto à pessoa que está a viver uma vida reta,
obediente e temente a DEUS — tal qual o profeta Elias (Tg 5.16-18; Sl
34.13,14). O AT acentua este mesmo ensino. DEUS tornou claro que as orações de
Moisés pelos israelitas eram eficazes por causa do seu relacionamento obediente
com o Senhor e da sua lealdade a Ele (ver Êx 33.17). Por outro lado, o salmista
declara que se abrigarmos o pecado em nossa vida, o Senhor não atenderá as nossas
orações (Sl 66.18; ver Tg 4.5). Eis a razão principal por que o Senhor não
atendia as orações dos israelitas idólatras e ímpios (Is 1.15). Mas se o povo
de DEUS arrepender-se e voltar-se dos seus caminhos ímpios, o Senhor promete
voltar a atendê-lo, perdoar seus pecados e sarar a sua terra (2Cr 7.14; cf.
6.36-39; Lc. Note que a oração do sumo sacerdote pelo perdão dos pecados dos
israelitas no Dia da Expiação não seria atendida se antes o seu próprio estado
pecaminoso não fosse purificado (ver Êx 26.33).
Finalmente,
para uma oração eficaz, precisamos ser perseverantes. É essa a lição principal
da parábola da viúva importuna (Lc 18.1-7; ver 18.1). A instrução de JESUS:
“Pedi... buscai... batei”, ensina a perseverança na oração (ver Mt 7.7,8). O
apóstolo Paulo também nos exorta à perseverança na oração (Cl 4.2; 1Ts 5.17).
Os santos do AT também reconheciam esse princípio. Por exemplo, foi somente
enquanto Moisés perseverava em oração com suas mãos erguidas a DEUS, que os
israelitas venciam na batalha contra os amalequitas (ver Êx 17.11). Depois de
Elias receber a palavra profética de que ia chover, ele continuou em oração até
a chuva começar a cair (18.41-45). Numa ocasião anterior, esse grande profeta
orou com insistência e fervor, para DEUS devolver a vida ao filho morto da
viúva de Sarepta, até que sua oração foi atendida (17J7-23).
PRINCÍPIOS E
MÉTODOS BÍBLICOS DA ORAÇÃO EFICAZ.
Quais são os
princípios da oração eficaz? (a) Para orarmos com eficácia, devemos louvar e
adorar a DEUS com sinceridade (Sl 150; At 2.47; Rm 15.11. (b) Intimamente
ligada ao louvor, e de igual importância, vem a ação de graças a DEUS (Sl
100.4; Mt 25,26; Fp 4.6). (c) A confissão sincera de pecados conhecidos é vital
à oração da fé (Tg 5.15,16; Sl 51; Lc 18.13; 1Jo 1.9). (d) DEUS também nos
ensina a pedir de acordo com as nossas necessidades, segundo está escrito em
Tiago: deixamos de receber as coisas de que precisamos, ou porque não pedimos,
ou porque pedimos com motivos injustos (Tg 4.2,3; Sl 27.7-12; Mt 7.7-11; Fp .
(e) Devemos orar de coração pelos outros, especialmente oração intercessória
(Nm 14.13-19; Sl 122.6-9; Lc 22.31,32; 23.34).
Como devemos
orar? JESUS acentua a sinceridade do nosso coração, pois não somos atendidos na
oração simplesmente pelo nosso falar de modo vazio (Mt 6.7). Podemos orar em
silêncio (1Sm
ou em voz
alta (Ne 9.4; Ez 11.13). Podemos orar com nossas próprias palavras, ou usando
palavras diretas das Escrituras. Podemos orar com a nossa mente, ou podemos
orar através do ESPIRITO (i.e., em línguas, 1Co 14.14-18). Podemos até mesmo
orar através de gemidos, i.e., sem usar qualquer palavra humana (Rm 8.26),
sabendo que o ESPIRITO levará a DEUS esses pedidos inaudíveis. Ainda outro
método de orar é cantar ao Senhor (Sl 92.1,2; Ef 5.19,20; Cl 3.16). A oração profunda
ao Senhor será, às vezes, acompanhada de jejum (Ed 8.21; Ne 1.4; Dn 9.3,4; Lc
2.37; At 14.23; ver Mt 6.16).
Qual a
posição apropriada, do corpo, na oração? A Bíblia menciona pessoas orando em pé
(8.22; Ne 9.4,5), sentadas (1Cr 17.16; Lc 10.13), ajoelhadas (Ed 9.5; Dn 6.10;
At 20.36), acamadas (Sl
, curvadas
até o chão (Êx 34.8; Sl 95.6), prostradas no chão (2Sm 12.16; Mt 26.39) e de
mãos levantadas aos céus (Sl 28.2; Is 1.15; 1Tm 2.8).
EXEMPLOS DE
ORAÇÃO EFICAZ. A Bíblia está cheia de exemplos de orações que foram poderosas e
eficazes.
Moisés fez
numerosas orações intercessórias às quais DEUS atendeu, mesmo depois de Ele
dizer a Moisés que ia proceder de outra maneira. Sansão, arrependido, orou
pedindo uma última oportunidade de cumprir sua missão máxima de derrotar os
filisteus; DEUS atendeu essa oração ao lhe dar forças suficientes para derrubar
as colunas do prédio onde os inimigos estavam exaltando o poder dos seus deuses
(Jz 16.21-30).
DEUS
respondeu às orações de Elias em pelo menos quatro grandes ocasiões; em todas
elas redundaram em glória ao DEUS de Israel (17-18; Tg 5.17,18).
O rei
Ezequias adoeceu e Isaías lhe declarou que morreria (2Rs 20.1; Is 38.1).
Ezequias, reconhecendo que sua vida e obra estavam incompletas, virou o rosto
para a parede e orou intensamente a DEUS para que prolongasse sua vida. DEUS
mandou Isaías retornar a Ezequias para garantir a cura e mais quinze anos de
vida (2Rs 20.2-6; Is 38.2-6).
Não há
dúvida de que Daniel orou ao Senhor na cova dos leões, pedindo para não ser devorado
por eles, e DEUS atendeu o seu pedido (Dn 6.10,16-22).
Os cristãos
primitivos oraram incessantemente a DEUS pela libertação de Pedro da prisão, e
DEUS enviou um anjo para libertá-lo (At 12.3-11; cf. 12.5). Tais exemplos devem
fortalecer a nossa fé e encher-nos de disposição para orarmos de modo eficaz,
segundo os princípios delineados na Bíblia.
Livro Cristão Homens
em Oração
- Hernandes Dias Lopes
1. Os
atributos de um intercessor
Neemias, governador de Jerusalém, é um
exemplo clássico de um homem intercessor. Ele foi um homem de oração e ação.
Desfrutava de intimidade com os céus e grande des-treza na terra. Estava perto
de Deus e também das pessoas. Como consolador, Neemias viveu perto das pessoas;
como intercessor, viveu perto de Deus.
Neemias era, acima de tudo, um homem de
oração. Sempre foi um homem muito ocupado, mas não tão ocupa do a ponto de não
ter tempo para Deus. “Você encontrará” dez de suas orações no livro de Neemias
(Ne 1.4ss; 2.4; 4.4; 5.19; 6.9,14; 13.14,22,29,31). Um dos truques do diabo é
manter-nos tão ocupados que não encontramos tempo para orar. Se Neemias não
fosse um homem de oração, o futuro de Jerusalém teria sido outro. A força da
oração é maior que qualquer combinação de esforços na terra.
A oração
move o céu, aciona o braço onipotente de Deus, desencadeia grandes intervenções
do Senhor na história. Quando o homem
trabalha, o homem trabalha; mas, quando o homem ora, Deus trabalha. Neemias
começa seu ministério orando. Sua oração é uma das mais significativas
registradas na Bíblia. Vemos nela os elementos da adoração, petição, confissão
e intercessão.
Um intercessor é alguém que se levanta diante
do tro- no de Deus em favor de outra pessoa. Ésquilo foi condena- do à morte
pelos atenienses e estava prestes a ser executado. Seu irmão Amintas, herói de
guerra, tinha perdido a mão direita na batalha de Salamina, defendendo os
atenienses. Ele entrou na corte, exatamente na hora em que seu irmão estava
prestes a ser condenado, e, sem dizer uma palavra, levantou o braço direito sem
mão na presença de todos. Os historiadores dizem que, quando os juízes viram as
marcas do seu sofrimento no campo de batalha e relembraram o que ele havia
feito por Atenas, por amor a ele, perdoaram- -lhe o irmão.
Precisamos fazer um movimento em nossa nação
para despertar homens de oração. A intercessão pelos filhos não é apenas uma
responsabilidades das mães. Os homens precisam entrar nessa brecha. Os pais são
os responsáveis diante de Deus pela educação de seus filhos e, como o patriarca
Jó, devem dedicar o melhor do seu tempo para orar em favor de seus filhos. Quais são os atributos de um intercessor?
Um intercessor é alguém que sente o fardo dos
outros sobre si (Ne 1.4)
Um intercessor torna-se responsável diante do
conhecimento de uma necessidade. O conhecimento de um problema nos
responsabiliza diante de Deus e dos homens. O conhecimento dos problemas do seu
povo levou Neemias a orar a respeito do assunto. Ninguém conhece os filhos mais
que os pais. O conhecimento de suas lutas, carências e sonhos deveria
colocar-nos de joelhos diante do Pai.
Um intercessor
sente a dor dos outros em sua própria pele. Um egoísta jamais será um
intercessor. Só aqueles que têm compaixão podem sentir na pele a dor dos outros
e levá-la ao trono da graça.
Neemias
chorou, lamentou, orou e jejuou durante quatro meses pela causa do seu povo.
Sua oração foi persistente e fervorosa. Se Neemias foi capaz de chorar e jejuar
por pessoas que ele não conhecia pessoalmente, quantos motivos nós, pais, temos
para orar, jejuar e chorar em favor de nossos filhos!
Cyril Barber
diz que um líder sábio coloca bem alto em sua lista de prioridades o bem-estar
daqueles com quem trabalha. Ele se assegura de que os problemas dos seus
liderados sejam resolvidos antes de cuidar de seus próprios problemas.
Montgomery
acertadamente afirma: “O início da liderança é uma luta pelo coração e pela
mente dos homens”.2 Nós, pais, somos os líderes constituídos pelo próprio Deus
em nossa família. Precisamos carregar os fardos da nossa família e levar esses
fardos aos pés do Salvador. Precisamos ser não apenas provedores, mas sobretudo
intercessores. Não apenas estar na frente da batalha da manutenção do lar, mas sobretudo
na trincheira da oração em favor do lar.
Um intercessor é alguém que reconhece
a soberania de Deus sobre si
Um
intercessor aproxima-se de Deus com profundo senso de reverência. Neemias
começa a sua intercessão ado- rando a Deus. Você adora a Deus por quem ele é:
“Ah! Se- nhor, Deus dos céus, Deus grande e temível...” (Ne 1.5). Neemias
entende que Deus é o governador do mundo. Ele focaliza sua atenção na grandeza
de Deus, antes de pensar na enormidade do seu problema.
Um
intercessor aproxima-se de Deus sabendo que ele é soberano, onipotente, diante
de quem precisamos curvar-nos cheios de temor e reverência.
Um
intercessor aproxima-se de Deus sabendo que não há impossíveis para o Senhor.
Quanto maior Deus se torna para você,
menor se torna o seu problema. Daniel disse que o povo que conhece a Deus é
forte e ativo (Dn 11.32). Precisamos entender que os nossos filhos são filhos
da promessa. Não geramos filhos para a morte. Não geramos filhos para o
cativeiro. Não geramos filhos para ser escravos do diabo. Nossos filhos devem
ser santos ao Senhor. Devemos consagrá-los no altar de Deus. Deus é soberano e
fiel para cumprir a promessa de que, se ensinarmos nossas crianças no caminho
em que devem andar, quando forem velhas, elas jamais se desviarão dessas
veredas.
Um intercessor é alguém que se firma
na fidelidade de Deus
Um
intercessor sabe que Deus é fiel à sua aliança. Neemias expressou isso
claramente em sua oração: “... que guardas a aliança e a misericórdia para com
aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos” (Ne 1.5). Somos o povo de
Deus. Ele firmou conosco uma aliança eterna de ser o nosso Deus e de sermos o
seu povo. Ele vela por nós e prometeu estar conosco sempre. Ele prometeu
guardar-nos, conduzir-nos em triunfo e receber-nos em glória. Quando oramos,
podemos agarrar-nos às promessas dessa aliança. Deus prometeu ser o nosso Deus
e o Deus dos nossos filhos. O projeto de Deus inclui a família. Não podemos abrir
mão da nossa família. Não podemos desistir dos nossos filhos!
Um
intercessor fundamenta-se não nos seus méritos, mas na fidelidade de Deus.
Neemias tinha disposição para interceder, porque conhecia o caráter fiel e
misericordioso de Deus. Quanto mais teologia você conhece, mas compro- metido
com a oração você deve ser. Deus responde às ora- ções. Ele é o Deus que vê,
ouve e intervém. Sendo soberano, Deus escolheu agir por intermédio da oração de
seus filhos. Um intercessor é alguém que importuna Deus com suas súplicas Um
intercessor é alguém que não descansa nem dá descanso a Deus. Neemias foi
incansável em sua importunação. Orou continuamente, com perseverança. Ele
disse: “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para
acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite,
pelos filhos de Israel, teus ser- vos...” (Ne 1.6). Muitas vezes, começamos a
interceder por uma causa e logo a abandonamos. Neemias orou por 120 dias com
choro e jejum, dia e noite. Ele insistiu com Deus. Mônica orou por Agostinho
durante trinta anos. Depois da conversão de Agostinho, que veio a ser o maior
expoen- te da igreja no quinto século, Ambrósio disse: “Um filho de tantas
lágrimas jamais poderia perder-se”. Não podemos desistir de orar pelos nossos
filhos. Como Ana, devemos insistir com Deus. Como Jó, devemos levantar de
madru- gada e apresentá-los junto ao trono da graça.
Um
intercessor é alguém que se coloca na brecha em favor de outra pessoa. Ele ora
em favor do povo de Deus e se preocupa com a honra de Deus. Esse povo é servo
de Deus. É o nome de Deus que está em jogo. Ele sente esse fardo e o coloca
diante de Deus em fervente oração.
Um intercessor é alguém que reconhece
e confessa os seus pecados e os pecados do povo
Três verdades nos chamam a atenção acerca do
ministério de intercessão de Neemias.
Em primeiro lugar, um intercessor tem consciência das
causas da derrota do povo. O pecado foi a causa do cativeiro. Deus entregou o
povo nas mãos do rei da Babilônia. O pecado foi a causa da miséria dos que
voltaram do cativeiro. O pecado produz fracasso, derrota, vergonha, opróbrio. A
história está eivada de exemplos de homens que colheram frutos amargos como
consequência de seus pecados. Acã foi apedrejado com sua família. Hofni e
Fineias morreram e levaram à morte mais de 30 mil homens. Davi trouxe a espada
sobre a sua própria casa. O pecado é uma fraude, oferece prazer e paga com a
escravidão; parece gostoso ao paladar, mas mata. Nada conspira mais contra a
oração que o pecado. Um homem rendido ao pecado jamais será um intercessor. Um
pai acomomodado no pecado jamais se colocará na brecha em favor dos seus
filhos.
Em segundo lugar, um intercessor identifica-se com os
pecados do povo. Neemias orou: “... e faço confissão pelos pecados dos filhos
de Israel, os quais temos cometido con- tra ti; pois eu e a casa de meu pai
temos pecado” (Ne 1.6b). Neemias não ficou culpando o povo, mas identificou-se
com ele. Um intercessor não é um acusador, jamais aponta o dedo para os outros;
antes, levanta as mãos ao céu em ardorosa oração. Os pais precisam
identificar-se com seus filhos. A dor de seus filhos é a sua dor. As lágrimas
de seus filhos são as suas lágrimas. Os dramas de seus filhos são os seus
dramas. Certa feita Jesus foi a Tiro e Sidom. Lá estava uma mãe gentia. Ela
buscou Jesus com insistência em favor de sua família. Seu clamor não foi: “Tem
misericórdia de minha filha”, mas “Tem misericórdia de mim”. Ela se identificou
com sua filha. A causa de sua filha era a sua causa. É assim que os pais devem
orar por seus filhos!
Em terceiro lugar, um intercessor faz confissões
específicas. Muitas confissões são genéricas e pouco específicas, por isso sem
convicção de pecado e sem quebrantamento. Neemias foi específico: “Temos
procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos,
nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo” (Ne 1.7).
Para que a oração tenha efeito, precisa ser acompanhada de confissão. Quem
confessa seus pecados e os deixa alcança misericórdia (Pv 28.13). Não podemos
agir com irresponsabilidade espiritual em relação aos nossos filhos. Não
podemos fazer vistas grossas aos seus pecados. O sacerdote Eli amava mais a
seus filhos que a Deus. Por isso, deixou de corrigi-los. Não podemos
contemporizar os erros dos nossos filhos. Precisamos confrontá-los e ao mesmo
tempo clamar a Deus em favor deles, rogando ao Senhor sua misericórdia.
Um intercessor é alguém que se
estriba nas promessas da Palavra de Deus
A Palavra de Deus e a oração andam de mãos
dadas. Um intercessor precisa conhecer a Palavra. É o combustível da Palavra
que alimenta o ministério da intercessão. Quatro verdades devem ser destacadas
aqui.
Em primeiro lugar, um intercessor sabe que Deus tem
zelo por cumprir sua Palavra (Ne 1.8). Neemias começou sua oração dizendo para
Deus: “Lembra-te”. A memória de Deus é infalível, pois ele é onisciente, mas
Deus ama ser lembrado de suas promessas. Quem ora com base na Palavra, ora
segundo a vontade de Deus. As maiores orações da Bíblia foram fundamentadas nas
promessas da Palavra de Deus. A oração eficaz é aquela que se baseia nas
promessas de Deus. Como diz R. C. Trench “a oração não é vencer a relutância de
Deus; é apropriar-se de sua mais alta disposição”. Deus prometeu ser o nosso
Deus e o Deus dos nossos filhos. Nossos filhos são filhos da promessa. São
herança de Deus. Não geramos filhos para a morte. Não geramos filhos para o
cativeiro. Nossos filhos devem ser vasos de honra nas mãos do Senhor.
Em segundo lugar, um intercessor compreende que a disciplina
de Deus vem sobre a desobediência (Ne 1.8b). Deus prometeu bênçãos e alertou
acerca da maldição causada pela desobediência. O povo de Israel desobedeceu e
sofreu nas mãos de seus inimigos. A dispersão e o cativeiro foram juízos de
Deus contra o seu povo, por causa do pecado. O pecado sempre atrai juízo,
derrota, dispersão. Nossos filhos precisam ser alertados acerca da justiça de
Deus. O peca- do sempre produz consequências amargas. Deus não é um ser
bonachão. Ele é santo e fogo consumidor. Só os loucos zombam do pecado. Nossos
filhos precisam saber disso!
Em terceiro lugar, um intercessor compreende que o
arrependimento sempre redunda em restauração (Ne 1.9). Deus é compassivo. É o
Deus de toda graça, aquele que restaura o caído e não rejeita o coração
quebrantado. Neemias sabe que, se o povo se arrepender, virá um tempo novo de
restauração e refrigério. Essa é a confiança do intercessor, o conhecimento do
caráter misericordioso de Deus. A misericórdia de Deus nos impulsiona a orar.
Ele é o Deus de toda a graça. Ele não rejeita o coração quebrantado. Não despede
aqueles que se aproximam com o coração contrito. Há esperança para a família.
Há esperança para os filhos desviados. Há esperança para os pródigos que estão
perdidos no país distante. Há esperança para os feridos queMchegam em casa
emocionalmente arrebentados. Deus é o Pai de misericórdias. Ele é rico em
perdoar!
Em
quarto lugar, um intercessor compreende que os pecados do povo de Deus não
anulam a aliança de Deus com ele (Ne 1.10). Neemias ora fundamentado na
perseverança do amor de Deus pelo seu povo. Ainda que sejamos infiéis, Deus
continua sendo fiel. Neemias fala de um lugar escolhido e de um povo escolhido.
As nossas fraquezas não anulam a eleição da graça. Mesmo quando pecamos, não
deixamos de ser o povo remido por Deus nem deixamos de ser servos de Deus. O
povo da aliança é disciplinado, mas não rejeitado para sempre. Devemos
agarrar-nos a essa verdade bendita e encontrar alento para prosseguirmos nessa
empreitada de intercessão por nossos filhos.
Um intercessor é alguém que associa
devoção e ação
Um
intercessor ora e age. Neemias orou, jejuou, lamentou e chorou durante 120
dias. Ele colocou essa causa diante de Deus, mas também colocou a mesma causa
dian- te do rei. A oração não é um substituto para o trabalho. Ela é o maior
trabalho. Neemias ora e toma medidas práticas: vai ao rei, informa-o sobre a
condição do seu povo, faz pedidos, solicita cartas, verifica o problema,
mobiliza o povo e triunfa sobre dificuldades e oposição.
Um intercessor compreende que o coração do rei
está nas mãos de Deus. Neemias compreende que o maior rei da terra está debaixo
da autoridade e do poder do Rei dos reis. Neemias compreende que o mais
poderoso monarca da terra era apenas um homem. Ele sabe que só Deus pode
inclinar o coração do rei para atender ao seu pedido. Neemias compreende que a
melhor maneira de influenciar os poderosos da terra é ter a ajuda do Deus
todo-poderoso. Ele vai ao rei, confiado no Rei dos reis. Ele conjuga oração e
ação. Os pais precisam também orar e agir. Precisam falar com Deus acerca de
seus filhos e precisam falar acerca de Deus com seus filhos.
Pela oração
de Neemias um obstáculo aparentemente intransponível foi reduzido a proporções
domináveis. O coração do rei se abriu, os muros foram levantados e a cidade foi
reconstruída. A oração abre os olhos a coisas antes não vistas. Nossas orações
diárias diminuem nossas preocupações diárias. Que Deus levante um exército de
homens santos, a erguer aos céus mãos santas, em fervente oração, em favor da
família. Precisamos de um reavivamento na família. Precisamos ver nossos filhos
levantando-se, no poder do Espírito Santo, para restaurar nossa nação. Nossos
muros também estão quebrados e nossas portas foram queimadas a fogo. Que o Deus
dos céus ouça o nosso clamor e que os pais sejam desafiados, como o foi
Neemias, para se colocarem na brecha em favor de seus filhos, a fim de que essa
geração que desponta conheça a Deus e viva para a glória de Deus!
Capítulo 3
O Poder da Oração Quando se Ora no Espírito
Introdução
“...não sabemos o que havemos de pedir como convém...” (Rm 8:26). Por mais estranho
que pareça, o poder da oração é somente para os que são suficientemente humildes para confessar que não sabem como orar.
O Espírito Santo procura
por pessoas assim, para que Ele possa capacitá-las a orar.
“...o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém,mas o mesmo Espírito intercede por nós com
gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26). Somente se tivermos a capacitação do Espírito Santo na oração, poderemos obedecer à convocação de Paulo em Efésios 6:18:“Continuai orando no Espírito... Estejais em alerta... vigiai e orai”!
O que é “oração no Espírito”? Qual é a
diferença das outras formas ou maneiras de oração? Gostaria de explicar a diferença neste capítulo.
A. FORMAS DIFERENTES DE ORAÇÃO
Há muitas maneiras
pelas quais podemos nos aproximar do Senhor em
oração. Todas são importantes e têm o seu lugar na
igreja e no nosso caminhar com Deus.
1. Oração Contemplativa
Algumas
ordens religiosas consagram suas vidas inteiras à oração. Dedicam-se ao
conhecimento de Deus e ao relacionamento com a Sua vontade através da meditação ou
reflexão silenciosa e oração. A preocupação delas pelo mundo é basicamente
expressa através da “intercessão” – oração em favor
de outros. Esta é uma nobre e importante forma de oração. Contudo, os que se envolvem neste tipo de oração,raramente aprendem a “orar no Espírito”.
2. Livros de Oração
Muitos têm as suas orações em
“livros de oração”. Temos um livro de oração na
Bíblia: é chamado de Livro dos Salmos. Quando estas orações são lidas com um coração que esteja verdadeiramente buscando a
Deus, o Espírito Santo pode trazer a vida da Palavra Viva para a Palavra Escrita.
3. Orações Dirigidas
Outros, repetem “orações dirigidas”. Muitos de nós tivemos a ajuda ou direção
de outros, em nossas primeiras orações. As criancinhas aprendem a orar com a ajuda de seus pais. Frequentemente, ajudamos as pessoas a fazerem a “oração do pecador”.
Testemunhei, recentemente, um acontecimento engraçado e que me fez bem ao coração, referente
à“oração dirigida” numa igreja das Assembleias de Deus. No final do culto, um jovem perguntou a um visitante
se ele estava pronto para receber a Cristo como seu Salvador.
“Não, não creio que já esteja pronto” foi a sua resposta. O jovem
replicou, então: “Será que você saberá o que orar quando
estiver pronto?” “Não, acho que não” foi a
resposta honesta do visitante.
O jovem
disse, então: “Bem, a oração que você deveria fazer é a seguinte. Basta repeti-la depois de mim”. E, em seguida, ele o conduziu numa simples “oração dirigida” de arrependimento para receber a Cristo como seu Senhor e Salvador.
Enquanto o visitante
repetia a oração, lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. O seu rosto brilhou de alegria. O Espírito
Santo abrandou-o e Cristo entrou em seu coração – e ele de fato nasceu de novo! Sim, Deus honra todos os tipos de oração, se formos sinceros e pedirmos com fé. No entanto, por mais maravilhoso que possa ser,
isto não é “oração no Espírito”.
4. Orações do Tipo “Lista de Compras”
Uma outra forma de oração é o que alguns
chamam de abordagem do tipo lista de compras”. Alguns denós, temos uma lista de necessidades e desejos que queremos trazer
diante de Deus. Escrevemos estes pedidos para que não nos esqueçamos de continuar orando por diferentes assuntos. Estas listas talvez incluam pedidos por
nossas famílias, amigos, igrejas e pastores. Quando as nossas motivações são corretas,
esta também é uma forma de oração que resulta em bênçãos.
Aliás, Tiago 4:2 nos diz que às vezes “não temos porque não pedimos”.
Um exemplo disto é a parábola do “filho pródigo” (Lc 15:11-32). O irmão mais novo havia pedido
e recebido a sua parte da fortuna da família. Em
rebeldia, ele deixou o seu pai e o seu irmão mais velho e foi embora.
Muitos meses depois, ele voltou ao lar,
arrependido, após gastar toda a sua fortuna. Seu pai o perdoou e convocou a família
e amigos para uma linda festa para o seu filho pródigo.
Seu irmão mais velho não gostou da ideia e reclamou que seu pai nunca o havia abençoado daquela maneira. O pai simplesmente replicou: “Tu sempre estás comigo, e tudo o que tenho é teu”.
Se ao menos o irmão mais velho soubesse o que o seu relacionamento
com o pai significava de fato!Parece que ele estava
vivendo num nível bem inferior ao que era privilégio seu. Se quisesse mais, tudo oque tinha a fazer era pedir. Ele não tinha, porque não pedia.
B. O ABUSO DA ORAÇÃO E DOS
DONS ESPIRITUAIS
Há dois enganos que podemos cometer
com relação à oração. O primeiro é fracassar ao pedir. O segundo é mais crítico: pedir egoisticamente por aquilo que
queremos – mesmo se o que pedimos seja contrário ao
que Deus quer.
Tiago fala sobre ambos os problemas.
“...nada tendes porque não pedis... Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossosdeleites” (Tg 4:2,3).
1. Orar
Sem Desejo
“Desejo” significa querer algo muito ardentemente. Relaciona-se com “cobiça”
ou desejos egoísticos e com a “concupiscência”, que significa querer algo que pertença a outros. Ela se
evidencia ou se expressa de diferentes maneiras. Há a cobiça
por posições, poder, lucro financeiro e prazer imoral.
Se usarmos as orações para servir
aos nossos desejos, estaremos nos colocando em perigo espiritual.Fracassaremos diante
de Deus porque as nossas motivações estão erradas. Estaremos orando, na verdade,
com o espírito de avareza ou cobiça.
Aprendeu-se que a oração é uma maneira de obtermos qualquer coisa que queiramos de Deus, talvez nem mesmo
saibamos que estamos orando mal.
As nossas energias e orações deveriam
ser focalizadas em buscarmos “primeiro o Reino de Deus e a
Sua justiça”. Aí, então, todas as “coisas” que precisamos nesta vida nos serão acrescentadas (Mt 6:33).
Deus sabe
quais são as coisas de que necessitamos e Ele promete supri-las, se colocarmos em
primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça. Se buscarmos as “coisas
materiais” ao invés do Reino deDeus, estaremos nos movendo numa direção que
não agrada a Deus e que é espiritualmente
perigosa para nós.
2. Orar
Mal
Um dos maiores julgamentos que Deus
pode enviar sobre nós é responder às nossas orações que se originam de motivações erradas. Talvez Ele retenha a resposta por algum
tempo, mas se continuarmos orando, pode ser que Ele nos dê o que queremos. Salmos 106:15 diz: “Ele lhes concedeu o seu pedido,porém fez definhar as suas almas”.
Os filhos de Israel ficaram cansados da
sua dieta de maná (pão do céu). Assim sendo, pediram
que Deus lhes desse “carne” para comida, “...cobiçaram grandemente no deserto e testaram
Deus através de seus desejos fortes” (Sl 106:14).
O Senhor finalmente lhes concedeu o que haviam pedido, porém fez com que suas almas definhasse-me enviou doenças e morte aos seus corpos. Orar mal, pode de fato
trazer um final muito triste à nossa vida.
3. Motivações e Atitudes Erradas
Podemos abusar ou usar mal os dons de Deus. A história de Balaão é um bom exemplo de abuso de umdom espiritual (Nm 22-
24).
Balaão tinha um verdadeiro dom de profecia. Suas profecias são as mais eloquentes em
toda a Bíblia e nenhuma delas jamais falhou. O problema com
Balaão não era o seu dom ou ministério; eram as suas
motivações. Balaão usou o seu dom para a sua própria fama
e fortuna. Prometeram-lhe ouro e glória casose unisse com o rei Bala-
que para amaldiçoar o povo de Deus.
Balaão perguntou a Deus se ele devia ir ao rei Balaque. “Então disse Deus a Balaão: Não
irás com eles,nem amaldiçoarás este povo...” (Nm 22:12).
A princípio, Balaão obedeceu a Deus e
recusou-se a ir. Quando o rei Balaque lhe
prometeu mais dinheiro e prestígio, no entanto, Balaão mudou de ideia.
Finalmente,
Deus permitiu que ele fizesse a sua própria vontade, porém tentou
mostrar-lhe que Ele não se agradara, colocando um anjo em seu caminho. Balaão não podia ver o anjo, muito embora ajumenta em que cavalgava, pudesse vê-lo claramente. Balaão ficou muito enfurecido quando a jumenta se recusou a seguir caminho. A cobiça de Balaão pela fama
e fortuna, havia cegado a sua visão.
A Bíblia fala das razões porque Deus
engana aos Seus servos desobedientes. “E por isso
Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que
sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na
iniquidade”. (2 Ts 2:11,12).
As motivações e atitudes de
Balaão estavam erradas. Ele estava disposto a amaldiçoar
o povo de Deus por causa de sua própria fama e fortuna. Ele escolheu ter “prazer na iniquidade”. Portanto, Deus enviou-lhe uma forte ilusão. Ele estava no caminho errado e não sabia. Ele ficou tão cego, devido às suas motivações e ações corruptas, que ele nem ao menos podia ver a espada de advertência do anjo de Deus.
O final
da história foi triste e trágico, tanto para Balaão quanto para Israel. Balaão morreu por causa do seu pecado. (Nm 31:8).
Sejamos como Jesus: “...Pai, se queres, afasta de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua” (Lc 22:42).
C. O ESPÍRITO SANTO NOS AJUDA
A ORAR
Precisamos compreender
a razão pela qual Paulo nos exorta e nos estimula a “orar no Espírito”. Comoveremos mais tarde, esta é uma forma garantida de evitarmos orações “vãs”. Paulo desenvolve o seu pensamento em Romanos. Ele explica cuidadosamente o
que o Espírito Santo pode fazer por nós, quando
nos entregamos a Ele, enquanto oramos:
“Nem ao menos sabemos como ou pelo que orar como deveríamos. O Espírito Santo, contudo, nos ajuda em nossas fraquezas. Ele faz isto, orando por nós e através de nós com sons e gemidos profundos demais para poderem ser expressos em palavras. Deus conhece os nossos corações e a mente do Seu Espírito. E o Espírito Santo sempre ora pelos santos de acordo com a vontade de Deus” (Rm 8:26,27).
Todos nós, em
certas ocasiões, já enfrentamos circunstâncias e problemas pelos quais não sabíamos
como orar de fato, como deveríamos.
Às vezes,
os problemas podem ser tão grandes, na vida das pessoas, que não sabemos como ajudá-las.Além disso, há muitos tipos diferentes de problemas.
Podem envolver decisões, pessoas, lugares, finanças,saúde e necessidades espirituais.
Em geral, parece que tudo está amarrado
num grande nó. Não sabemos onde começar a tentativa de desatarmos este nó por nós
mesmos. Queremos fazer a coisa certa, da maneira
certa, com as pessoas certas, no lugar certo, com o motivo certo. Mas, onde começamos?
Que consolo sabermos que o Espírito Santo nos conhece melhor do que nós próprios nos conhecemos! Ele sabe quem somos, onde estamos e como estamos. Ele também sabe qual
é a vontade de Deus e a Sua resposta para a nossa necessidade. A Sua sabedoria e poder compensam a nossa falta de
conhecimento e as nossas fraquezas. E mais que isto, Ele está disposto a orar por nós e através de nós, para que
a vontade de Deus possa ser feita. Como isto acontece? Acontece quando “oramos no Espírito”.
1. Orar no Espírito
Esta expressão
é usada no Novo Testamento para descrever um tipo de oração que vai além daslimitações do nosso intelecto e do
nosso entendimento.
Em Judas 20, temos
a seguinte exortação: “Edificando-vos a vós mesmos sobre
a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.” Em Efésios 6:18, Paulo também nos exorta: “...orando sempre com todaoração e súplica no Espírito.”
a. O Dom de Línguas Dado Pela Oração. Paulo explica como fazemos isto, em l Coríntios 14:14:“Se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora...” Uma das funções principais do dom de línguas é
ode “orarmos no Espírito”.
“O que fala em língua estranha não fala aos homens, mas
a Deus” (1 Co 14:2). O falar com Deus em oração
é um dos abençoados benefícios secundários de sermos
batizados no Espírito Santo, com oresultado de falarmos em línguas.
b. O Espírito Santo nos Ajuda. Quando nos entregamos ao Espírito Santo em
oração e começamos a“orar no Espírito”,
Paulo nos ensina em Romanos 8:26,27 que três
coisas importantes acontecem:
1) O Espírito Santo nos ajuda a orarmos as orações de Deus.
2) O Espírito Santo nos ajuda a sentirmos os sentimentos de Deus.
3) O Espírito Santo nos ajuda a pensarmos os pensamentos de Deus.
c. Devemos nos Entregar à Ação do Espírito.
1) Orando as Orações de Deus.
Em 1968, no Retiro do WORLD MAP em Santa
Cruz, Califórnia,estávamos dirigindo um dia de jejum e oração. Uma profetiza mais
idosa chamada Ruth Banks fazia parte do grupo de oração que eu estava liderando.
Para surpresa minha, quando
ela pôs as mãos na cabeça de um homem e começou a
orar, parecia que ela sabia tudo a respeito dele. Ela orou por detalhes íntimos da vida
dele, que ninguém conhecia, a não ser ele mesmo (e o
Espírito Santo).
As pessoas por quem ela orava, irrompiam em choro de alegria e gratidão ao Senhor, porque sabiam que as orações de Ruth Banks nasciam no Céu. Sabiam que ela estava se entregando à ação do Espírito
Santo em sua vida e estava orando as orações de
Deus. Estas pessoas se sentiram muito encorajadas, ao compreenderem que Deus sabia tudo sobre seus problemas e que Ele as
amava o suficiente para fazer com que uma de suas servas orasse por suas mais profundas necessidades.
A Bíblia nos diz que é isto o que deveria acontecer quando permitimos que o Espírito Santo opere através de nós. “Os segredos dos corações dos homens serão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorarão
a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós” (1 Co 14:25).
Pedi ao Senhor, naquele mesmo dia, em Santa Cruz: “Querido Senhor, permite-me orar como a RuthBanks”.
Sinto-me feliz por relatar que nos anos que se seguiram, o Senhor respondeu esta oração, à medida que tenho aprendido a entregar-me à ação do Espírito na minha vida. Ele fará a mesma coisa por você se você passar bastante tempo em Sua presença, esperando no Senhor . Você poderá orar as orações de Deus à medida que você aprender a usar o dom de línguas, de interpretação e de profecia na oração.
2) Sentindo os Sentimentos de Deus. Em Romanos 8:27, Paulo nos ensina que o
Espírito Santo faz intercessão através de nós e para nós, de acordo com a vontade de
Deus, pois Ele conhece a mente (ou vontade) de Deus.
Não há nada mais importante do que a vontade de Deus para a nossa vida. O nosso ministério aos outros será uma bênção somente se revelar a vontade d’Ele para estas
pessoas. Esta é uma razão importante para orarmos no Espírito. Deus frequentemente revela a Sua vontade através da oração quando ministramos aos outros. Gostaria de compartilhar alguns exemplos com vocês.
Em nossos retiros de verão, na Costa Oeste dos E.U.A., consagramos um dia para jejum e oração. Em seguida, designamos líderes que supervisionem
grupos de cinco ou seis crentes espiritualmente maduros.Passamos o dia orando pelas pessoas que
têm necessidades, as quais se aproximam, uma de cada vez.
Geralmente, Deus revela detalhes sobre
as pessoas por quem estamos orando, para que possamos orar por elas de uma maneira bem específica. Todo o grupo de oração permanece
aberto ao Senhor para receberas Suas direções.
Cada integrante do
grupo talvez receba uma parte da vontade de Deus, para a pessoa que veio pedir oração. Enquanto surgem as revelações desta forma, pelo Espírito de Deus, elas podem ser “verificadas”
pelo grupo como um todo.
É bom sabermos que não somos infalíveis (incapazes de cometer erros) enquanto nos movemos nos dons do Espírito Santo. Há sabedoria e segurança quando recebemos
uma “palavra do Senhor” que seja confirmada e concordada por outros. Quando todos os membros do grupo concordam sobre algo, podemos seguir esta direção na oração.
Este método segue o modelo da Bíblia:
“Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra” (2 Co 13:1). “E falem dois outrês profetas e os outros
julguem” (l Co 14:29).
Desta forma, à vontade e a palavra de
Deus revelam-se à medida que o grupo espera no Senhor e nos ministérios
dos outros integrantes.
a) Três Exemplos:
1> Um Espírito de Enfermidade.
Um outro exemplo de como o Espírito Santo nos ajuda em nossas orações, aconteceu
no mesmo retiroespiritual. Uma senhora pediu que orássemos por um problema físico. Ela tinha um
poderoso ministério de “oração intercessória” (oração contra o diabo e suas forças), em benefício dos outros.
Esta é a “guerra espiritual” sobre a qual falamos em outros artigos.
Enquanto orávamos por ela, Deus nos
mostrou que o seu problema físico tinha uma causa espiritual.
Quando estava orando contra os poderes das trevas, ela foi atacada pelo inimigo com um golpe que afetarão seu corpo físico.
A causa era um poder maligno e não algo do mundo físico natural.
Ela não sabia disto ejá havia procurado ajuda de outras formas.
Enfrentamos
o diabo e suas forças malignas através do poder da oração e da autoridade da Palavra de
Deus. Enquanto orávamos em línguas, por ela, havia um tom combativo acompanhando a nossa oração.Sabíamos que estávamos combatendo um espírito de enfermidade que a estava amarrando. Ordenamos a sua libertação no poderoso nome de Jesus, e ela foi liberta imediatamente! Através da oração no Espírito
Santo, à vontade e a direção de Deus quanto à necessidade dela, nos foram reveladas. Ele fez com que orássemos as orações de
Deus, que sentíssemos os sentimentos de Deus e que pensássemos os
pensamentos de Deus.
2> Liberados Para
o Senhor.
No fim daquele mesmo
dia, oramos por uma outra senhora que estava com um problema muito difícil.Ela tinha marido e três filhos
adolescentes, os quais exigiam dela muito do seu tempo e da sua atenção.
Além de todas as tarefas que tinha como esposa e mãe, ela ainda tinha que cuidar do seu velho pai queestava com noventa
e seis anos de idade. Devido à idade avançada, ele necessitava de cuidados especiais,uma vez que era
como um bebê que necessita de fraldas para as suas necessidades fisiológicas. Ele estavamuito fraco e, por isso, já não podia sentar-se, levantar-se nem tampouco caminhar. Devido a todos essesproblemas, aquela senhora tinha que dedicar-se ao seu pai vinte e quatro horas
por dia.
Devido à falta de sono e de descanso,
ela estava à beira de um colapso físico e emocional. O que ela
devia fazer?
A Bíblia diz, “Honra
a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que seprolonguem os teus dias, e para que te vá bem...” (Dt 5:16).
Ela quis obedecer à Bíblia, dedicando o
melhor de si mesma ao seu velho pai, mas todo aquele acúmulo de tarefas a estava levando a autodestruição.
Então, eu disse: “Oremos em outras línguas, por alguns minutos, e esperemos, para ver se o EspíritoSanto atende à nossa oração”. Enquanto o grupo orava, o Senhor me revelou alguma coisa (fez-me pensaros pensamentos de Deus). Senti que o Espírito me
revelava o seguinte:
O Senhor tinha vindo para levar
o pai daquela senhora para o Céu. Quando ele estava morrendo, elaajoelhou-se ao lado da
cama dele e rejeitou a morte, ordenando-lhe em oração que o deixasse viver. O
Senhor, então, me disse: “Por haver tomado a responsabilidade pelo próprio pai, respeitei
a direção dela sobre a vida dele. Quando ela
rejeitou a morte ordenando que deixasse o pai viver, Eu me retirei e deixei-o
viver.
Eu fiquei surpreso com aquela revelação e tinha que compartilhá-la com a senhora, a
fim de saber se tudo aquilo tinha realmente
acontecido ou se aqueles pensamentos tinham vindo da
minha própria mente ou se tinham vindo do Espírito. Ela confirmou,
dizendo que seu pai havia estado à beira da
morte por diversas vezes e que ela havia orado, exatamente como foi descrito acima. Brandamente, a aconselhamos air para casa e conversar sobre o assunto, com o esposo
e os filhos, a fim de decidirem se podiam
deixar que o pai dela fosse ao encontro do Senhor.
Dissemos a ela que ele seria muito mais feliz no Céu, livre doseu corpo já quase morto, aos noventa e seis
anos.
Ela fez exatamente o que a aconselhamos a fazer. A família, então, fez esta oração: “Senhor, sequereis levar o
papai embora, nós o liberamos para os seus cuidados afetuosos”. Algumas noites maistarde, Jesus veio e levou-o para o Céu.
Eu jamais
pensaria nestas coisas, nem em mil anos, mas o Espírito
teve uma simples Palavra deConhecimento e de Sabedoria para darmos àquela senhora, quando
oramos em outras línguas (noEspírito).
3> Uma Empresa Fracassada.
Recordo-me de um outro caso, sobre um homem que desejava que eu orasse por ele,
pedindo a Deusque salvasse a sua empresa
fracassada e fizesse com que ele prospera-se financeiramente. A minharesposta foi: “Orarei no Espírito, pedindo ao Senhor que responda à minha oração, fazendo-me pensar ospensamentos d’Ele e sentir os sentimentos d’Ele.”
Após orar em línguas, eu orei a interpretação:
“Senhor, Tu trouxeste este problema para este irmão
porque ele não Te obedeceu. Tu fizeste com que ele prosperasse e
O abençoaste, mas ele não pagou dízimos nem deu dinheiro para ajudar a Tua
obra, conforme Tu mandaste. Tira todo o dinheiro que ele possui
e faze com que a sua em- presa fracasse, até
que ele se arrependa e aprenda a obedecer-Te. AMÉM!”
O homem ficou aborrecido comigo, mas
Deus o Pai respondeu à oração que o Espírito Santo havia feitoatravés dos meus lábios. O homem se arrependeu e, alguns anos mais tarde, ele veio a mim e me agradeceu,pois ele estava sendo abençoado e estava prosperando, porque estava obedecendo ao Senhor.
D. CONCLUSÃO
A oração é o
direito e responsabilidade de todos os cristãos
batizados no Espírito Santo. É a maneira pela qual Deus faz a Sua
vontade aqui na terra, assim como é feita no Céu. Oremos, portanto, em todo otempo e
de todas as formas, pelo povo de Deus em toda parte (Ef
6:18).
Oração
“Pai Celestial, oro agora pelos que estão lendo esta oração. Peço-Te que derrames o Teu Espíritosobre eles, agora mesmo, para que possam começar a orar no Espírito. Dá-lhes a interpretação do queoram em outras línguas. Faz com que sejam poderosos na oração. Faz com que orem
as Tuas orações,que sintam os Teus sentimentos e pensem
os Teus pensamentos. Peço isto em nome de Jesus, crendo queTu o farás.
AMÉM!”


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