___/___/____ João,
o Filho de Deus Vence a Morte
Lições Bíblicas nº 57
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
João 20.1-9
1 - E, no
primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo
ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.
2 - Correu,
pois, e foi a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava e disse-lhes:
Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.
3 - Então,
Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao sepulcro.
4 - E os dois
corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro e
chegou primeiro ao sepulcro.
5 - E,
abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia, não entrou.
6 - Chegou,
pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis
7 - e que o
lenço que tinha estado sobre a sua cabeça não estava com os lençóis, mas
enrolado, num lugar à parte.
8 - Então,
entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e
creu.
9 - Porque
ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos
mortos.
TEXTO ÁUREO
"Disse-lhe Jesus: Não me detenhas,
porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu
subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.",
João 20.17
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, chegamos ao final de nossa jornada. Nesta lição,
discorreremos sobre o mais notável de todos os milagres narrados nos
Evangelhos: a ressurreição de Cristo.
No Antigo Testamento, encontramos o registro de três casos de ressureição:
o filho da viúva de Sarepta, ressuscitado por Elias (1 Rs 17.17-24); o filho da
sunamita, ressuscitado por Eliseu (2 Rs 4.32-37); e o homem que foi colocado
sobre os ossos de Eliseu (2 Rs 13.20,21).
No Novo Testamento, o Filho de Deus demonstrou Sua autoridade sobre a vida
e a morte ao ressuscitar o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17), a filha de
Jairo (Lc 8.41,42,49-55) e Lázaro (Jo 11.1-44); com isso, Ele provou ser
suficientemente poderoso para ressuscitar a si mesmo, conforme predissera aos
Seus discípulos, diversas vezes (Mt 16.21; 20.17-19; Mc 8.31; 10.32-34; Jo
12.23-33).
Boa aula!
Palavra introdutória
Antes de tratarmos
da vitória do Filho de Deus sobre a morte, remontaremos e pontuaremos algumas
questões extremamente relevantes a respeito de Seus últimos dias.
Seguindo o esboço geral da Paixão de Cristo, apresentado por João, observamos os seguintes fatos:
·
Jesus celebra a
última ceia pascoal com os discípulos na noite de uma quinta-feira (Jo 13.1,2);
·
em seguida, Ele e
os discípulos vão para o monte das Oliveiras (Jo 18.1), local onde é preso e
levado a uma audiência noturna diante do sumo sacerdote (julgamento religioso;
conf. Jo 18.12-14);
·
na manhã do dia
seguinte (sexta-feira), o Salvador é conduzido até Pilatos, onde é condenado à
morte (julgamento civil; conf. Jo 18.28-40) e levado, imediatamente, à
crucificação (Jo 19.16,17,31).
No relato joanino,
o que está posto em realce é a autoridade de Jesus. Não vemos o Salvador como
uma queixosa vítima, mas, sim, como o vencedor soberano e absoluto que comanda
os eventos de toda a história da paixão, em cada fato e detalhe.
Jesus declarou, antes de ser entregue à morte, que Sua vida
ninguém poderia tomar; antes, Ele a daria por Sua própria vontade e a tomaria,
outra vez, por Seu próprio poder — essa autoridade Ele recebeu do Pai (Jo
10.17,18).
1. O CONTRASTE DO CALVÁRIO
No período em que Jesus está consumando Sua obra (Jo 18.1—20.31), cujo
fastígio se dá no Calvário, observamos um vívido contraste entre incredulidade
e fé. Nos eventos que antecederam a crucificação, a incredulidade atuou sem
disfarce:
a traição de Judas (Jo 18.2), a negação de Pedro (Jo 18.25-27), a malícia
invejosa dos sacerdotes (Jo 18.14) e a covardia de Pilatos (Jo 19.12)
mostram-nos como a incredulidade atingiu seu fim último; por outro lado, a
constância de João, o discípulo amado, a presença das mulheres ao pé da cruz
(Jo 19.25-27) e a generosa ação de José de Arimateia e de Nicodemos (Jo
19.38-42) revelam-nos como a fé, mesmo pequena, reforça a lealdade a despeito
de qualquer perigo.
Ainda hoje o Calvário revela esse contraste: há aqueles que tomam
conhecimento do sacrifício de Cristo, mas permanecem na incredulidade e, com
isso, caminham a passos largos em direção à perdição eterna; entrementes,
outros tantos creem nas boas novas do evangelho, recebem-nas em seu coração e
confessam-nas com sua boca para salvação (Rm 10.10).
Nos subtópicos seguintes, veremos que o Calvário não
denunciou apenas o contraste entre fé e
incredulidade, mas também, entre ódio e amor.
1.1. A expressão máxima do ódio
A morte por
crucificação — um dos métodos mais antigos de execução, que foi aplicado na
Pérsia e em Roma, inclusive — era considerada maldição nos tempos bíblicos (Dt
21.22,23; Gl 3.13). A fim de compreender a fúria e o desprezo
direcionados a Jesus em Seus últimos dias, observe os aspectos envolvidos no
ato da
·
Crucificação: a crucificação deveria acontecer
do lado de fora da cidade — além de seus muros —, e
a vítima deveria carregar a própria cruz (gr. stauros) até o local da execução
— este ato, em si, era uma tortura humilhante; a vítima era deitada
sobre a parte horizontal da cruz (patibulum ou antenna), e, enquanto o
patibulum estivesse apoiado no solo, suas mãos (pulso
ou metacarpo) eram cravadas nele — primeiro, a
direita e, em seguida, a esquerda;
·
em seguida, a vítima e o patibulum eram erguidos
por cordas e fixados no poste vertical — ou então a cruz era montada no chão, e
a vítima e a cruz (inteira) eram erguidas e deixadas cair em uma perfuração;
·
os pés poderiam ser pregados separados — ou
juntos, unidos por um só cravo (pelo espaço do segundo metatarsiano,
possivelmente);
·
as pernas poderiam ser cruzadas para dar maior
sustentação ao corpo, ou seja, para que não se rasgassem as mãos da vítima,
fazendo-a cair. Isso provocava uma morte lenta e
dolorosa.
O crucificado
sentia dores excruciantes: os cravos nas mãos e nos pés, que são concentrações
de nervos e tendões, perdiam pouco sangue, fazendo com que o corpo do supliciado
sofresse aguda tensão. Em pouco tempo, as artérias cerebrais e esofágicas
ficavam regurgitadas de sangue, provocando lancinantes dores na cabeça. Devido
à dificuldade de manter o corpo ereto na cruz, as complicações respiratórias
aumentavam o sofrimento da vítima, fazendo-a agonizar por longo período de
tempo.
São Méliton de
Sardes, que morreu no fim do segundo século (180 d.C.), escreveu: “Os
padecimentos físicos já tão violentos ao fincar os pregos, em órgãos
extremamente sensíveis e delicados, faziam-se ainda mais intensos pelo peso do
corpo suspenso pelos pregos, pela forçada imobilidade do paciente, pela intensa
febre que sobrevinha, pela ardente sede produzida por esta febre, pelas
convulsões e espasmos, e também pelas moscas que o sangue e as chagas atraíam”.
Esta cena desumana revela-nos que a crucificação foi, de
fato, a mais cruel exteriorização de ódio destilada contra o Filho de Deus por
Seus perseguidores e algozes.
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Tem-se conhecimento
de ao menos três tipos
de cruzes, utilizados nos
tempos de Jesus, a saber: a
cruz na forma de “X” (crux
decussata ou cruz de Santo
André); a cruz semelhante
à letra “T” (comissa ou cruz
de Santo Antônio); e a cruz
latina (crux immissa), cujo
formato é o mais conhecido
e aceito como sendo o
utilizado na execução de
Cristo.
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1.2. A expressão
máxima do amor
O mais perverso e cruel instrumento de execução
transformou-se no símbolo do cristianismo, pois, sobre o lenho da cruz, Jesus
carregou em Seu corpo os nossos pecados (1 Pe 2.24). O que para o mundo
representava a expressão máxima do ódio, para os cristãos representa a
expressão máxima do amor de Deus (Jo 3.16).
A partir do Novo Testamento, observamos que o vocábulo cruz
é usado como referência ao evangelho da salvação. A pregação do evangelho é a
palavra da cruz; é o Cristo crucificado; parece loucura para os que perecem,
mas, para os salvos, é o poder de Deus (1 Co 1.18 KJA).
________________________
Há muitos
significados
figurados na cruz
de Cristo:
nela, fomos
crucificados para
o mundo (Gl
6.14); no sangue
da cruz,
recebemos paz e
somos
reconciliados com
Deus (Cl 1.20);
na cruz, fomos
justificados (2
Co 5.21); na
cruz, além de
reconciliados,
fomos salvos (Rm
5.10); na
cruz, recebemos
nova vida (Gl
2.20).
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2. ESTÁ CONSUMADO
Então [...]
exclamou Jesus: “Está consumado!”. E, inclinando a cabeça, entregou seu
espírito (Jo 19.30 KJA). Este versículo expressa a perfeita obediência do Filho
ao Pai, pois condensa em si todo o plano de redenção da humanidade — predito
nas profecias e figuras do Antigo Testamento. O Filho de Deus cumpriu Sua
missão, ponto a ponto, desde que entrou no mundo (Jo 1.14), até o último
momento de Sua vida terrena (Adaptado de: FILLION, L. Central Gospel, 2008. p.
982).
Se a manjedoura foi a porta de entrada do Redentor no mundo,
a cruz foi a porta de saída; e, no espaço de tempo entre a manjedoura e a cruz,
Ele cumpriu todo o propósito divino.
2.1. Tetelestai, o preço foi pago
O vocábulo grego tetelestai era comumente usado por pessoas
dos mais diferentes segmentos sociais (sacerdotes, servos, comerciantes,
artistas etc.) para confirmar que o preço requerido por determinado serviço ou
bem (material ou imaterial) fora pago. Cristo, o Filho de Deus, ao entregar-se
na cruz, cumpriu inteiramente os requisitos justos de uma lei santa, pagando
definitivamente o escrito de dívida, que era contra nós (Cl 2.14 ARA) (Adaptado
de: WIERSBE, W. W. Central Gospel, 2008. p. 288).
2.2. Não lhe
quebraram as pernas
Na execução pela cruz, costumava-se desferir um golpe de
misericórdia (crurifragium) contra o supliciado, apressando-lhe a morte, isto
é, quebravam-se os ossos das pernas do condenado, como aconteceu com os ladrões
que estavam ao lado de Jesus (Jo 19.32). Isso, no entanto, não foi feito ao
nosso Salvador, pelo fato de já estar morto (Jo 19.33).
Sendo testemunha ocular dos fatos, João convida seus
leitores a olharem para o Cristo transpassado, que cumpria, naquele momento, a
profecia de Zacarias: E sobre a casa
de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de
súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram (Zc 12.10).
______________________
“Está consumado”
(gr.
tetelestai) é a
declaração
de que nada mais
ficou por
fazer. Isso é o
que diferencia
o cristianismo
das demais
religiões, pois,
enquanto
todas as outras
dizem
“faça!”, o
cristianismo diz
“feito!”. Jesus
completou a
obra redentiva
no madeiro;
não resta ao
homem
qualquer outro
sacrifício a
fazer, senão
crer.
___________________
3. O SEPULCRO ESTÁ
VAZIO
A maior vitória do cristianismo não consiste apenas na cruz
que Cristo ocupou por nós, mas na certeza de que o Seu sepulcro está vazio. Esta é a nossa esperança: não servimos um cristo
morto, mas o Cristo vivo.
3.1. Ele ressuscitou
Confúcio está no
túmulo, Buda está no túmulo, Maomé está no túmulo, Gandhi está no túmulo, Allan
Kardec está no túmulo, Chico Xavier está no túmulo, mas Jesus está vivo; a
morte não pôde detê-lo; Seu túmulo está vazio! Este é o ápice da mensagem de
João: o Crucificado ressuscitou! Se Jesus não tivesse ressuscitado, nossa fé
seria vã e também a nossa pregação (1 Co 15.14).
As tentativas de varrer as evidências da ressurreição da
História foram inúmeras, mas esta axiomática verdade prevalece: Cristo ressuscitou
dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem (1 Co 15.20). Esta, aliás, é a mensagem arvorada pela Igreja.
O Filho de Deus, que fora executado em uma cruz, ressuscitou dentre os mortos
(At 2.24-32).
A maior
importância da ressurreição não está no passado — Cristo ressuscitou —, mas no
presente — Cristo está — vivo (KREEFT; TACELLI. Central Gospel, 2008, p. 275).
3.2. As testemunhas
Há doze referências bíblicas às aparições do Cristo
ressurreto. Testemunharam esse evento
inadjetivável: Maria Madalena (Jo 20.15,16; Mc 16.9); as mulheres no túmulo (Mt
28.9); dois discípulos no caminho para Emaús (Lc 24.13-31); Pedro (Lc 24.34; 1
Co 15.5); dez discípulos (Tomé ausente; Jo 20.19); os Onze (incluindo Tomé; Jo
20.26); os sete discípulos que foram pescar (Jo 21.1-22); os Onze em algum
monte na Galileia (Mt 28.16,17); os doze (incluindo Matias; 1 Co 15.5; At
1.21-26); Tiago, irmão do Senhor (1 Co 15.7); todos os apóstolos (1 Co 15.7; Mc
16.19,20; Lc 24.50-53; At 1.3-12,36); e outros 500 irmãos (1 Co 15.6 — a maior
parte ainda estava viva quando Paulo escreveu esse texto, confirmando, assim, a
ressurreição).
As aparições do Cristo ressurreto, além de confirmar Sua
ressurreição, cumpriram o propósito de instruir os discípulos e fortalecê-los
na fé.
CONCLUSÃO
João começa seu Evangelho apresentando o Verbo de Deus (Jo
1.1); ao final do livro, ele inclui a confissão de Tomé a respeito do Cristo
ressurreto — Senhor meu e Deus meu (Jo 20.28; grifo do comentarista) —,
formando, assim, um “fecha parênteses” no relato da divindade do Messias.
Ao fim desta
lição, fica a certeza de que Aquele que habita a eternidade foi o
mesmo que se fez carne, habitou entre nós, morreu em uma cruz, mas venceu a
morte, ressuscitou e vive para sempre (Ap 1.18)!
A Ele, pois, seja a glória, a honra, a majestade e o louvor!
Fonte: Revista Lições da Palavra de Deus n° 57
Jesus, o Ressurreto
Texto: João 20.1-18
Introdução
Aqui lemos uma
“reportagem” diretamente do
túmulo vazio, feita pelo apóstolo
João, testemunha ocular naquela primeira
manhã de Páscoa. Enquanto lemos o seu relatório, os séculos
parecem desvanecer-se, e
é como se
nós também estivéssemos presentes
no túmulo. A intenção do apóstolo é
dar-nos esta viva
impressão porque seu
evangelho foi escrito para
inspirar e confirmar
a fé em
Jesus como Filho de
Deus.
I - O
Túmulo Vazio (Jo
20.1-10)1. Maria no
sepulcro. A ressurreição de Jesus realizou- se antes
da aurora, talvez
bem no meio
da noite. AquElc que
havia de dissipar
as trevas da
morte ressuscitou enquanto
as trevas ainda cobriam a terra.
O ato da ressurreição foi acompanhado pela descida
de anjos e a remoção da pedra
“E no primeiro
dia da semana,
Maria Madalena foi ao
sepulcro de madrugada,
sendo ainda escuro, c
viu a pedra tirada do
sepulcro”. Parece que
Maria chegara com um
grupo de
mulheres (note o plural
no versículo 2)
c, vendo o sepulcro
vazio, foi correndo
avisar a Pedro
c João.
“Correu, pois, e foi a Simão
Pedro, e ao outro discípulo, a
quem Jesus amava,
c disse-lhes: Levaram
o Senhor do sepulcro,
e não sabemos
onde o puseram”.
Maria c as demais mulheres vieram ao
túmulo para embalsamar o corpo de Jesus,
o que, segundo
o costume daqueles
tempos, significava espalhar
especiarias perfumadas no meio
das roupas de
sepultamento. Esta intenção
demonstrou tanto a ignorância
como a devoção
destas mulheres. Os
horrores da crucificação lhes
tinham anuviado a
fé, e não
estavam realmente esperando a
ressurreição. Parecia-lhes que a
missão de Jesus fracassara. Mesmo assim, desejavam prestar-lhe as últimas
homenagens. Estas mulheres
foram fieis até o
fim. Tinha sido
fácil seguir a Cristo nos
dias da sua popularidade, mas agora elas estavam
passando o profundo teste da verdadeira
devoção.
Note que Maria continua chamando Jesus de
“Senhor”. Talvez pensasse
que o
sepulcro de José haveria
de servir- lhe de abrigo temporário (v. 15; cf. Jo
19.42) e que alguém teria removido
o corpo de Jesus
para outro lugar.
Certo é que a
ausência do corpo
não lhe parecia
motivo de esperança,
e sim de desespero.
Quão freqüentemente nós
também interpretamos erroneamente
como sendo escuros
e tristes determinados fatos
que realmente brilham
com luz celestial, cegamente
atribuindo a causas
desconhecidas as
maravilhosas coisas que
Jesus faz!2. João
e Pedro no
sepulcro. Note a
corrida entre o Zelo
(representado por Pedro) e o
Amor (representado por João)!
Ambos começaram juntos;
Amor chegou primeiro ao
sepulcro, e parou; Zelo entrou no sepulcro c olhou para o que
ali havia. Então
Amor o seguiu.
A reverêneia fez João
hesitar na entrada; o
amor prático e
impulsivo levou Pedro a
entrar. E assim,
sua destemida ação o encorajou. João registra no
seu evangelho: “E viu no chão
os lençóis. E que o lenço,
que tinha estado
sobre a sua
cabeça, não estava com os
lençóis, mas enrolado
num lugar à parte” e, quando João
entrou para olhar mais de perto, “viu, e creu”. Por que João creu? Porque as
mortalhas deixadas no túmulo convenceram-no de que Jesus não fora levado, como supunha
Maria, nem roubado,
como mais tarde
diriam falsa- mente os principais
sacerdotes (Mt 28.12,13).
Pessoas que assim faziam
não teriam perdido
tempo em desembrulhar os lençóis,
que eram como
intermináveis ataduras do
tipo que se vê
nas múmias. João,
portanto, chegou à conclusão de que Jesus milagrosamente passara pelas mortalhas,
deixando-as intactas e vazias,
caídas na forma em que tinham sido cuidadosamente embrulhadas
ao redor do
corpo de Jesus, sem
a mínima perturbação ou desordem.
Entendeu, portanto, que Jesus
já assumira seu
corpo glorificado, não sujeito a leis terrestres, c que Jesus ressuscitara para
nunca mais morrer.
Os discípulos deveriam
ter deixado que o
Salmo 22 os convencesse de que o
Messias sofredor seria
finalmentc exaltado, c que o
Cordeiro de Deus veria sua descendência e prolongaria os seus
dias. Alcm disso,
por certo, ficou na mente
deles alguma lembrança das
palavras de Jesus prenunciando
a sua própria ressurreição.
Somente depois de os discípulos terem visto de perto o
sepulcro vazio foi que esses trechos bíblicos e as palavras de
Jesus tomaram novo significado (v. 9).
Embora fosse Pedro o primeiro a entrar no sepulcro, foi João o primeiro a realmente crer. Enquanto
Pedro pensava sobre o que
significaria aquilo, raiou
em João a fé
na ressurreição, assim
como foi ele o primeiro
a reconhecer o Cristo
ressurreto na praia do
mar da Galiléia .
II -
O Senhor Ressurreto
(Jo 20.11-16)/.
1. O Cristo ausente.
Enquanto os dois discípulos voltavam
para casa, Maria permanecia junto à entrada do túmulo, demonstrando profunda
tristeza e verdadeiro amor.
Continua enlutada pela sua perda.
Talvez sentisse remorsos por não
ter ficado a
noite inteira vigiando
a entrada do sepulcro.
Estava tão absorta cm seus
pensamentos que a presença de anjos lhe parecia um incidente de somenos importância,
c a pergunta deles
só fez com
que ela desse
vazão ã tristeza que
lhe magoava o
coração.
2. O Cristo
que se aproxima.
“E, tendo dito
isto, voltou-sc para trás,
c viu Jesus
em pé, mas não
sabia que era Jesus”. Seus
olhos marejados de
lágrimas só conseguiram ver, obscuramente,
uma forma humana,
que julgou ser o jardineiro. Como no caso dos dois
discípulos que caminhavam para Emaús,
“seus olhos estavam
como que impedidos
de o reconhecer”.
O coração sobrecarregado com mágoa
âs vezes perde a consciência da presença de Cristo e se recusa a ser
consolado, por não
conseguir ver a
Cristo no meio da
tristeza.
Note o oferecimento de
Maria para levar embora o corpo de Jesus.
Seus braços fracos
não poderíam sustentar
o peso, mas o
amor não leva
cm conta o
peso do fardo!
J. O Cristo
que se revela.
“Disse-lhe Jesus: Maria!” Pronunciou o
nome familiar, com
o mesmo tom
de voz e ênfase já
conhecidos a ela (cf.
Jo 10.3,14). Ela respondeu na língua
materna que ambos
conheciam e amavam: “Rabboni!” - o
mais alto dos
títulos que os judeus
davam a um mestre,
significando “Meu grande
Mestre”, c raríssimas vezes
falado cm público.
A expressão no
versículo 17 -
“Não me detenhas; porque ainda não subi para meu
Pai” - tem sido entendida de várias
maneiras: 1) Maria tinha
sabido da promessa
de Jesus quanto à
sua partida e
futura volta, e
Jesus agora tinha dc
explicar que ainda
havería a ascensão
antes da Segunda Vinda.
2) Jesus explicava
que a antiga
amizade não permanecería na
antiga base, e
que Ele estava
para voltar ao trono celestial. Então
ela poderia sempre tocá-lo, não com o
toque físico das
mãos, e sim com
o toque espiritual da fé
viva. 3) Maria, empregando
a antiga saudação, “Rabboni”,
estava mantendo a antiga atitude para com Jesus, mas agora o Mestre só poderia aceitar a saudação: “Senhor meu,
c Deus meu!”
(Jo 20.28). Maria
agora só poderia conhecê-lo como
Senhor ressurreto e
glorificado.
III -
Ensinamentos Práticos
1. Nossa necessidade
atred a graça
de Cristo. Nenhum
olho mortal testemunhou o ato da
ressurreição. Para quem Cristo
deveria aparecer primeiro
a fim de
fazer conhecidas as boas-novas?
Deveria ir ao palácio do sumo sacerdote ou ao pretório dc Pilatos para triunfar sobre
os inimigos boquiabertos? Ou
deveria primeiramente revelar-sc
a alguns dc
seus seguidores? Sua
primeira aparição foi
revelada a uma
pobre mulher que
nada poderia fazer para celebrar
publicamente o triunfo dElc. Por que ela?
Porque era a
que mais sentia
necessidade dEle, e esta
sensação dc dependência
c o ponto
magnético que atrai a
sua presença até
hoje. Buscar a
Cristo é sentir como
Maria sentia, reconhecer
com clareza que
Ele é o bem
mais precioso que
existe no Universo,
e ter a convicção de
que ser como
Ele, pela sua
graça, é a
coisa mais importante da
vida.
2. Lamentando a perda de
uma bênção. Cristo apareceu a Maria
enquanto ela estava ali,
chorando a sua
ausência. Nisto há uma
lição importante. Repetidas
vezes a raça humana
tem permitido que Cristo
desapareça da sua vida, ficando
como se fosse uma vaga sombra
distante. Graças a Deus, porém,
sua presença pode ser restaurada como viva c visível influência no mundo, sempre
que há pessoas conscicntcs da sua
ausência, e que oram
com fé até ter a visão de Jesus na
sua glória.
Há nisto uma
lição bem pessoal para
cada um de
nós. As vezes descuidamos
da nossa comunhão com o
Senhor, c sentimos falta da sua presença. Quando, porém, reconhecemos e lamentamos que sua presença
não está sendo para nós a
vibrante realidade de
antes, já estamos no
caminho da restauração. Lamentar a sua ausência é o primeiro passo
para a
restauração porque serve
como convite a
Ele para que volte
a nós, e
este convite sempre
será atendido pela sua presença.
“Por que choras?” A
pergunta dá a entender que Maria
estava chorando por
causa de uma perda existente apenas na
sua imaginação. Imaginava
que seu Senhor
morrera, e que seu corpo tivesse
sido removido, quando, na realidade, Ele já passara por
uma gloriosíssima
ressurreição. Eoi assim
que Jacó exclamou,
ao ouvir o
relatório trazido pelos seus
filhos: “Tendcs-mc desfilhado;
José já não existe,
e Simeão não está
aqui; agora levareis
a Benjamim! Todas estas
coisas vieram sobre
mim” (Gn 42.36).
Na realidade, porem, todas as
coisas estavam concorrendo para o bem de
Jacó. José, a quem ele considerava morto, estava com vida, preparando para ele,
num país distante,
uma morada feliz para
o restante da
sua vida.O Senhor
não nos condena
por causa das nossas
lágrimas vertidas no
meio das tristezas
c decepções, tão comuns nesta vida.
Somos humanos, afinal de contas,
c é um alívio abrir as
comportas para dar
expressão à nossa
mágoa. Há momentos, no entanto, cm que erroneamente imaginamos
o pior, e
choramos na hora
errada pelo motivo errado. E nesse momento, então,
que Jesus pergunta: “Por que
choras?” Mesmo quando temos motivos de
sobra para chorar, devemos levar o
assunto diretamente a Jesus,
para evitar que a mágoa danifique a nossa espiritualidade, c para
não dependermos das
falsas e traiçoeiras
consolações de pessoas que
não amam a
Cristo.
Jesus Aparece a Sete Discípulos na GaliléiaTexto:
João 21.1-24
Introdução
Nós, que
pertencemos ao Jesus ressurreto,
podemos ter certeza de
que, enquanto labutamos
nos mares desta
vida, Ele está nos olhando da praia além, pronto
a dar as instruções
que nos garantirão o
sucesso. Talvez não cheguemos
a ver os resultados até o raiar da aurora final, quando mãos angelicais
recolherão o fruto ao Celeiro eterno. Estêvão viu Jesus à
mão direita de
Deus, e Ele se revela
a todos que buscam a sua face. Nosso Senhor, entronizado, dirige de lá a batalha
cuja vitória final
já c garantida;
c a partir
desta vitória que podemos
proclamar o Evangelho:
“Ora, o Senhor,
depois de lhes
ter falado, foi
recebido no céu,
e as- sentou-se à
direita de Deus.
E eles, tendo
partido, pregaram por
toda parte”. O
mesmo Senhor vitorioso
que está nas alturas,
também está lutando
ao lado dos
seus fiéis, “cooperando com
eles o Senhor,
c confirmando a palavra com
sinais que se
seguiram” (Mc 16.19,20).
Embora estejamos no meio
do mar bravio,
c Ele no
Céu, há entre
o Senhor e nós a plenitude
da união e da comunhão, e recobcrcmos da
parte dEIc ilimitados
suprimentos de forças, graça c bênçãos, se reconhecermos a sua presença, confessarmos a nossa insuficiência,
obedecermos a Ele e esperarmos a
sua bênção.
I -
A Festa Inesperada
(Jo 21.114)/.
Uma expedição infrutífera.
Os apóstolos, obedecendo
as ordens do
Mestre, foram para
a Galiléia, onde
Ele prometera encontrá-los. Durante
a espera, Pedro,
sempre impaciente, falou, com
característica impulsividade: “Vou pescar”.
Se ele achava
que, enquanto esperava
o Mestre, deveria aproveitar o
tempo para cuidar dos negócios, fazer
um pouco
de exercício c
tomar o ar
fresco do mar, então conseguiu bastante
exercício c ar
fresco, mas nenhum
resultado no negócio da sua
especialidade, a pesca: “Naquela noite nada
apanharam”. Achamos que
talvez o Senhor
tivesse
algo a ver com aquelas redes
vazias; não queria que seus futuros
missionários se dedicassem demais
às antigas ocupações.
2. O alegre
encontro. “Filhos [lilcralmcntc, ‘rapazes’], tendes alguma
coisa de comer?”
perguntou o desconhecido,
cm pé, na
praia. Recebendo resposta
negativa, fez a seguinte
sugestão: “Lançai a
rede para a
banda direita do barco,
e achareis”. De
fato, fizeram uma
pesca de cento
e cinquenta e três grandes peixes. João, com seu discernimento e sensibilidade
espiritual, olhou bem
para o desconhecido na praia c reconheceu-o,
exclamando: “E o Senhor” ! Pedro não
parou para duvidar, debater ou investigar: impulsionado
pelo seu amor ao
Mestre, saiu do
barco de um só
salto para dentro da água, c logo
chegou à praia. Não sc
importava mais com
a pesca ou
os peixes -
queria Cristo!
Muitas vezes, em
nossas viagens pelo
oceano da vida, nosso
labor torna-se infrutífero;
então, quando alguém nos
dirige aos frutos,
exclamam os com júbilo:I o
Senhor!”
3. O gracioso
convite. Pedro, chegando
à praia, viu que
havia um fogo
aceso (“umas brasas”)
em que Jesus preparava uma refeição, bem
diferente do fogo
(“braseiro” )
ao lado do qual
Pedro queria se aquecer no pátio
do sumo sacerdote. Aquela
ocasião fora palco
de tristeza, tentação e
negação de Jesus;
agora, havia glória,
segurança c a
restauração da comunhão
com Cristo. Pedro sentia-se muito
mais confortável aqui,
à beira-mar, ao lado
do milagre da
condescendência divina. O
eterno Filho de Deus,
Criador do Universo,
entende tão bem nossa fraca situação humana, prepara uma
refeição e diz, sorridente: “Vinde, jantai” . O
Senhor gostava de
cuidar dos seus, segundo
suas próprias palavras:
“Pois o próprio Filho do homem
não veio para ser servido, mas para servir, e
dar a sua
vida cm resgate
por muitos” . Nosso Senhor,
no Céu, continua
com a mesma
disposição em nos atender,
conforme Ele mesmo declarou: “Bem -aventurados aqueles
servos, os quais,
quando o Senhor
vier, achar vigiando! Em
verdade vos digo
que se cingirá,
e os fará assentar-se
à mesa, e,
chegando-sc, os servirá” (Lc
12.37).
II -
O Culto da Ordenação (Jo
21.15-17)
A refeição que
Pedro tomou ao
lado de Cristo
talvez simbolize aquela profunda
c contínua comunhão que
seria necessária ao seu
futuro ministério. Nós
também devemos aceitar o
alimento que Cristo nos
prepara se quisermos ter condições
de alimentar as
suas ovelhas.
Estudaremos a restauração
pública de Pedro
no seu ofício, posição que ele
mesmo considerava sacrificada pela sua
tríplice negação de
Cristo. A restauração
cm público era tão
necessária como a
que recebeu cm
particular (Lc 24.34), a fim
de os demais apóstolos
reconhecerem-no cm sua posição
de autoridade espiritual .
O interrogatório. A
Bíblia contém perguntas
bem diretas e profundas,
como por exemplo:
“Onde estás?” “Onde está Abel,
teu irmão?” “Que fazes aqui, Elias?” Aqui temos
o tríplice interrogatório, com
Jesus perguntando três vezes: “Simão, filho de João, amas-mc?” Esta
pergunta era:/./
1. Uma lembrança.
Jesus, deixando de
lado o nome de
Pedro (que representa
a força espiritual
que seria ao edificar-sc firmemente
na rocha, que
c Cristo), que
Ele mesmo lhe dera,
voltou a empregar
o nome de
“Simão”, como que o
lembrando das suas
antigas fraquezas, e perguntando se está disposto a ser
Pedro, a rocha — não pelas suas próprias forças,
e sim mediante
a firmeza que apenas Cristo lhe pode dar.
As três reiterações da pergunta
seriam a retratação da
tríplice negação, e
as palavras “amas-me mais
do que estes?”
serviríam de lembrança
a Pedro, de que não devia jactar-sc da sua própria
lealdade: “Ainda que todos se
escandalizem cm ti,
eu nunca rne
escandalizarei” (Ml 26.33). E:
“Ainda que todos
se escandalizem, nunca, porem,
eu” (Mc 14.29).1.2.
Um leste Antes
de Pedro ser
enviado em nome
de Jesus para cuidar das ovelhas, precisava ter certeza de estar cm harmonia
com o Sumo
Pastor. O amor
tem de ser o
vínculo entre Cristo c seus obreiros.
Amor, c não imaginação
apenas. Amor, e
não somente um
rígido senso do dever. Amor,
e não um
sentimento romântico. Paulo
descreve assim a
essência do Cristianismo:
“A fc que
atua pelo amor” (Cl 5.6).
O teste supremo da nossa experiência cristã é
nosso real amor
por Cristo.
2. O examinando. Jesus
emprega a palavra
amar, que tem, na
língua original, vinculação
com o amor
divinal c puro, e
Pedro, na sua
resposta, emprega a
palavra amar mais comum,
que representa a
amizade. Aquela terrível noite no pátio do
sumo sacerdote, quando Pedro,
aconchegando-se aos confortos
dos inimigos de
Cristo, negou-o quando menos o imaginava, já o havia curado da
confiança cm si mesmo.
Na terceira pergunta,
Jesus volta à
palavra mais comum, como se para testar a autoconfiança dc Pedro até no
tocante à sua
simples e leal
amizade. Pedro ficou triste,
mas respondeu apenas:
“Senhor, tu sabes
tudo; tu sabes que
eu te amo”.
Pedro já não depende
da confiança que tem
em si mesmo;
fora de Cristo,
ele nada pode; seu amor
se alicerça no
amor que Ele
lhe deu, c
seu caráter depende daquele aspecto
melhor do seu íntimo
que Cristo conhece, podendo
ensiná-lo a amar
devidamente. Aqui há consolação
para nós: quando
as pessoas criticam
nossas atitudes, como se estivessem
dizendo que não é assim
que o servo dc Cristo deve
agir, é uma bênção podermos
dizer, cm oração: “Tu
sabes que eu
te amo”.
.3. A obra.
Pedro, recuperado quanto
às suas forças
espirituais, deve dedicá-las
ao serviço da
Igreja de Cristo. Antes da negação, Cristo
admoestou-o: “Tu, quando te converteres, confirma
os teus irmãos”
(Lc 22.32); depois
da negação, a admoestação c:
“Apascenta as minhas ovelhas”.
Pedro, lembrando-se das
próprias fraquezas, cheio
dc gratidão pelo
amor dc Cristo,
que o perdoou,
c sentindo as necessidades dos
seus companheiros mediante
a compreensão dc
que suas próprias
falhas lhe ensinaram
a encará- las com simpatia,
animado pelo amor de Cristo, teria agora dc ser um herói, a fim de fortalecer os demais. Muitos anos mais tarde,
Pedro transmitiu este mesmo recado,
esta mesma incumbência,
aos líderes das
muitas igrejas que
existiam: “Aos presbíteros,
que estão entre
vós, admoesto eu, que
sou também presbítero com
eles... Apascentai o rebanho
de Deus, que há entre vós... E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis
a incorruptível coroa
da glória” (1 Pe
5.1-4).
Há, nas três incumbências, certa progressão dc pensamento: 1) “Apascenta
as minhas ovelhas”.
Isto refere cspecialmcnte a crentes jovens e
imaturos, que devem
ser guiados mansamenlc c alimentados com o genuíno leite espiritual, que
é u Palavra
(1 Pc 2.2).
2) “Apascenta as minhas ovelhas”.
Guiar, dirigir, proteger de
inimigos os discípulos
mais maduros que saem a enfrentar
o mundo,
conservando também a
disciplina do rebanho.
3) “Apascenta as minhas
ovelhas”. As vezes
há crentes antigos
que tem tantas fraquezas
ou tentações, que
exigem mais atenção pastoral que os próprios
cordeirinhos.
Ensinamentos Práticos
1. Trabalhando durante
a noite. Os
infrutíferos esforços dos
discípulos durante a noite inteira
lembram-nos que os obreiros cristãos
mais bem-sucedidos têm muitas
experiências de fracassos c
decepções. Mesmo quando estamos
lutando contra a maré,
no meio das ondas
e na noite escura, Jesus está nos
olhando, e de um
momento para o outro pode
nos revelar sua presença e mostrar-nos que, enquanto perseveramos com
paciência e esperança, nossa
obra feita para o
Senhor não é
em vão.
2. A consideração
de Cristo. Os Evangelhos trazem todos
os sinais da
veracidade: nenhuma imaginação
piegas, nenhum inventor de
lendas teria pensado cm
pintar um quadro
do Senhor ressurreto preocupando-se com
algo tão comum e insignificante como cozinhar peixe para seus
seguidores.
Não há. entretanto,
nada de artificial,
forçado ou desnalurado cm
nosso Senhor glorificado; o que
é do nosso interesse,
interessa a Ele. O que
é suficientemente importante
para ocupar a
nossa séria reflexão
é suficientemente importante
para Ele. O
Senhor tem compaixão
das nossas enfermidades, dos
nossos sentimentos, por mais triviais
que pareçam ser.
Isto nos incentiva a orar sobre todo e qualquer assunto
- lançando sobre
Ele os nossos
fardos!
3. A necessidade
humana — a
oportunidade do Senhor. Guando Jesus
perguntou: “Filhos, tendes
alguma coisa de comer?”,
já sabia que a resposta teria que
ser negativa; sua pergunta visava
despertar neles o
reconhecimento do seu próprio
fracasso. Muitas vezes,
o Senhor tem
que desferir um golpe
mortal em nosso
orgulho c autoconfiança, a fim
de nos
preparar para receber
da parte dEle
as suas forças. Quando nosso
eu chega ao
fim, Ele pode
começar. Nosso limite é
a oportunidade do
Senhor. “Sendo tu
pequeno aos teus olhos...
o Senhor tc
ungiu” (1 Sm
15.17)
4. “Lançai a
rede à destra
do barco ”, Se,
após sofrcrmos algum
fracasso, nos dispusermos
a escutar a
voz do Senhor, Ele nos mostrará o modo certo de servi-lo. Ele não quer repreender, denunciar,
criticar; deseja, sobretudo, nos orientar.
“E, se algum de vós
tem falta de sabedoria,
peça- a a Deus,
que a todos
dá libcralmentc, e
o não lança
cm rosto, c ser-lhe-á dada” (Tg
1.5). Certa missionária descobriu que,
a despeito do
seu muito esforço
na organização, pregação c
ensino, seu ministério
era um fracasso.
Sentiu- se, então, levada a deixar de
lado algumas atividades
para dedicar algumas horas
ã oração. Houve,
como resultado, uma revolução
total no seu ministério. Fora levada a
lançar a sua rede no lado certo! Quando
surgem os fracassos, como ãs vezes acontece,
devemos levá-los ao
Senhor (cf. Mc 9.28,29).
5. Após a tempestade,
a bonança. As
incertezas do mar tempestuoso seguidas pela segurança da praia firme; a
noite de labuta seguida pelo brilho da aurora; a ausência de Cristo seguida
pela sua presença pessoal; a dolorosa fome seguida
pela refeição que
satisfaz — todos
estes aspectos fazem com que a narrativa seja uma bela
figura da nossa chegada ao Céu, após
a tempestuosa viagem
pela vida.
6. O amor, motivação suprem a
da vida cristã.
“Simão, filho de Jonas,
amas-me?” Jesus poderia
ter perguntado: “Simão, já
te arrependeste?” ; ou:
“Simão, finalmente te humilhaste?”; ou:
“Simão, tens certeza
de ter o
conceito correto quanto à minha pessoa?”; ou: “Simão, prometes que
nunca mais me
negarás?”; ou: “Simão,
sempre me obedecerás?”
Ao contrário, simplesmente
pergunta: “Simão, TU ME AMAS
’ No
entanto, aquela pergunta tão singela atinge o próprio
coração da vida cristã. Cristo busca cm primeiro lugar o
nosso coração, a
entrega de nossos
afetos, pois, uma vez
que assim acontece,
seguir-se-ão naturalmente o arrependimento, a
lealdade, a obediência
c o serviço.
Quantos deveres cristãos
são deixados de
lado quando se diminui
a frequência à
igreja ou quando
as ofertas vão escasseando. Podemos achar uma centena de desculpas para
explicar o descuido. Muitas vezes, porém, a verdadeira razão pode ser
definida nas seguintes
palavras: “Deixaste o teu
primeiro amor” (Ap
2.4). Mesmo assim,
a consciência de nossa
falta de amor
não deve nos
desencorajar a buscar o
Senhor; temos plena
consciência das nossas
falhas passadas; hesitamos
quanto a oferecer ao Senhor os nossos afetos
tão minguados. Jesus
Cristo, no entanto,
aceita nossos minguados recursos de amor, porque Pile pode
transformá- los cm plenitude
de abundância.
7. Reconhecendo o
Senhor. Qual foi
a demonstração concreta da
verdade de ser o Senhor a pessoa que estava na praia? Resposta:
“Chegou pois Jesus...
e deu-lho”. Jesus c sobretudo
o grande Doador.
Neste mesmo evangelho,
Ele diz com respeito ao
seu Pai: “Porque
Deus amou o mundo de tal
maneira que deu”. Este
é um sinal
da divindade de Cristo, que
“a todos dá
liberalmente, e o
não lança em rosto”.
Dá aos homens
cm suas necessidades;
quando os sedentos estão
desmaiando, Pile faz brotar as águas,
mesmo no meio do
deserto ou das
duras rochas. Muitos
cristãos, recebendo uma bênção
espiritual inesperada ou
uma expressão da
divina providência na sua vida,
podem exclamar:
“É o Senhor”!
·
Myer Pearlman - Joo O Evangelho Do
Filho de Deus
O TÚMULO VAZIO, 24.1-12.
24.1 “E, no primeiro dia da semana, muito de madrugada,
foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado”.
2 “E acharam a pedra do sepulcro removida”.
3 “E, entrando, não acharam o corpo do Senhor JESUS”.
4 “E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito,
eis que pararam junto delas dois varões com vestes resplandecentes”.
5 “E, estando elas muito atemorizadas e abaixando o rosto
para o chão, eles lhe disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos”?
6 “Não está aqui, mas ressuscitou”. Lembrai-vos como vos
falou, estando ainda na Galiléia,
7 “dizendo: Convém que o Filho do Homem seja entregue nas
mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e, ao terceiro dia, ressuscite”.
8 “E lembraram-se das suas palavras”.
9 “E, voltando do sepulcro, anunciaram todas essas coisas
aos onze e a todos os demais”.
10 “E eram Maria Madalena,e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e
as outras que com elas estavam as que diziam estas coisas aos apóstolos”.
11 “E as suas
palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram”.
12 “Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro e,
abaixando-se, viu só os lençóis ali postos; e retirou-se, admirando consigo
aquele caso”.
A ressurreição de CRISTO é o nascer do Sol da justiça que
dissipa as trevas espessas do Calvário.
Muito de madrugada, foram elas ao sepulcro (v.l): O grande
amor destas mulheres que tinham vindo com Ele da Galiléia (cap. 23.55), não
reconhecia perigo nem qualquer horror em visitar, no escuro de madrugada, o
sepulcro evitado pelos outros discípulos, cap. 23.49.
Levando as especiarias (v.l): Não para tirar, talvez, o
lençol como José de Arimatéia o deixara, mas para ungir a cabeça, os pés e as
mãos feridas, e espalhar aromas sobre o corpo e em redor dele, como temos o
costume de espalhar flores sobre os corpos e túmulos de nossos queridos.
Entrando não acharam o corpo... (v.3): Justamente como vem o
dia em que os túmulos de nossos queridos ficarão vazios. Por que buscais o vivente
entre os mortos? (v.5): Por que buscais CRISTO entre os heróis mortos do mundo?
Por que buscais CRISTO entre as imagens, crucifixos e tradições dos homens? Por
que buscais na letra morta da lei aquilo que se acha somente no ESPÍRITO SANTO?
Por que buscais em vós mesmos, mortos, aquilo que se encontra apenas no CRISTO
vivo?
Estando ainda na Galiléia (v. 6): Falavam às mulheres que
tinham vindo com Ele da Galiléia, cap. 23.55.
LUCAS
- ESPADA CORTANTE 2 - Orlando Boyer - CPAD
A RESSURREIÇÃO (24:1-53)
Nenhum dos quatro Evangelhos descreve a ressurreição, que,
de qualquer maneira, nenhum ser humano viu. Todos, porém, ressaltam sua
importância crítica, embora de maneiras grandemente diferentes. Algumas coisas
existem em comum em todos os relatos, tais como o túmulo vazio, a relutância
dos discípulos de crerem que JESUS ressuscitara. O fato de que os primeiros
aparecimentos foram a mulheres, e o número limitado de aparecimentos. Até mesmo
quando estão falando do mesmo aparecimento, cada Evangelista o conta da sua
própria maneira individual (e.g. Lc 24:36ss.; Jo 20:19ss.). Coisas desta
natureza tomam difícil a disposição dos aparecimentos numa sequência coerente,
e alguns críticos sustentam que as discrepâncias nos vários relatos tornam
impossível semelhante disposição. Que esta ideia é incorreta é demonstrado pelo
fato de que Arndt, por exemplo, elaborou uma harmonia possível (assim como
fizeram outras pessoas). Podemos ou não sentir-nos capazes de aceitar a solução
de Arndt, mas não se pode negar que ele elaborou uma sequência que abrange
todos os aparecimentos mencionados nos relatos. O tesouro de Lucas e a história
maravilhosa da caminhada para Emaús. Suas outras histórias da ressurreição
também possuem o cunho próprio dele, e são diferentes daquilo que lemos
alhures. É digno de nota que se concentra em Jerusalém e nada diz acerca dos
aparecimentos do Senhor ressurreto na Galiléia. O
aparecimento às mulheres
(24:1-11)
1. O sábado era, naturalmente, o sétimo dia, de modo que o
primeiro dia da semana foi nosso domingo. O sábado teria terminado ao por do
sol no sábado, mas pouca coisa poderia ser feita durante as horas de escuridão.
Destarte, as mulheres já estavam aflitas bem cedo no domingo, e foram
caminhando para o túmulo no começo da aurora. Que levaram consigo os aromas
demonstram que tinham em mente a completação do sepultamento de JESUS.
2,3. Marcos nos conta que enquanto caminhavam, discutiam o
problema de remover a pedra pesada da entrada do túmulo. Lucas simplesmente diz
que quando chegaram, acharam-na já removida do sepulcro. Quando, mais tarde, o
discípulo amado chegou ao túmulo, sentia dificuldade quanto ao entrar nele (Jo
20:5), mas as mulheres não tinham nenhuma hesitação desta natureza. Quando
entraram, no entanto, não acharam o corpo.
4. Não sem motivo, as mulheres estavam totalmente perplexas.
Os dois homens que agora ficaram ali com vestes resplandecentes (cf. At 1:10)
evidentemente devem ser entendidos como sendo anjos. Mateus fala de um anjo que
removeu a pedra e também falou as mulheres. Marcos se refere a um jovem com
manto branco, a quem viram depois de entrarem no túmulo. João menciona dois
anjos vestidos de branco que falaram a Maria Madalena. Fica claro que todas
estas referências dizem respeito a anjos. O fato de que as vezes ouvimos falar
de um, e as vezes de dois, não precisa preocupar-nos. Conforme indicam muitos
comentaristas, um porta-voz destaca-se mais do que seus companheiros e pode ser
mencionado sem referências aos outros. Nem sequer devemos ser grandemente
preocupados porque os anjos possam estar sentados (em João) ou em pé (aqui),
nem que suas palavras não são idênticas em todos os vários relatos. E critica
exagerada que não permite os anjos a mudarem de posição, e não ha razão alguma
para sustentar que falaram uma só vez. Além disto, João fala deles em conexão
com um incidente diferente. Há problemas, sem duvida, mas a coisa principal que
estas diferenças pequenas nos contam é que os relatos são independentes entre
si. É possível, também, que no caso de anjos seja requerida a percepção
espiritual, e que nem todos tenham visto a mesma coisa.
5-7. A reação das mulheres era de medo. Baixar o rosto para
o chão era uma marca de respeito diante de seres tão grandiosos. Os anjos
perguntaram primeiro: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Esta
pergunta surpreendente chega imediatamente a raiz do assunto. Não se deve
pensar que JESUS está morto: logo, não deve ser procurado entre os mortos. As
palavras: Ele não está aqui, mas ressuscitou, são rejeitadas por muitos
críticos, visto que não se acham em um dos MSS gregos importantes, e faltam
nalgumas poucas outras autoridades. É argumentado que é provável que fossem
importadas de Mc 16:6. Contra isto, porém, são atestadas por uma maioria
esmagadora de MSS, inclusive o antiquíssimo P75. Além disto, parecem ser
subentendidas pelo v. 23. Devem ser aceitas. E mesmo se não fossem, o que as
palavras declaram deve ser subentendido. Os anjos passam a lembrar às mulheres
que isto estava de acordo com a predição feita por JESUS enquanto Ele ainda
estava na Galiléia. Naquela ocasião dissera que seria crucificado e
ressuscitaria no terceiro dia (cf. 9:22; este ensino continuou depois da
Galiléia, 17:25; 18:32-33). Mateus e Marcos omitiram esta declaração, mas nos
informam, como não faz Lucas, que JESUS iria para a Galiléia diante dos
discípulos, e que eles O veriam ali. Talvez Lucas omitisse esta parte porque
não tinha o propósito de incluir qualquer relato dos aparecimentos de JESUS na
Galiléia.
8, 9. Lembraram-se, e é evidente que isto lhes trouxe certa
medida de convicção. Já tinham ouvido aquelas palavras antes, mas JESUS
frequentemente tinha falado metaforicamente, e provavelmente tinham entendido
as palavras estranhas acerca da ressurreição de alguma maneira semelhante.
Agora perceberam que JESUS pretendia que Suas palavras fossem tomadas
literalmente. As mulheres foram levar suas notícias aos onze e também as
contaram a todos os mais que com eles estavam, i.e, os demais seguidores de
JESUS que havia naquele local.
10. Lucas passa a alistar os nomes dalgumas das mulheres.
Maria Madalena, a primeira a ver o Senhor ressurreto (cf. Mc 16:9), e
mencionada em cada um dos quatro Evangelhos na narrativa da ressurreição. Mas a
parte da sua conexão com a crucificação e a ressurreição, ouvimos falar dela somente
em 8:2. Joana é mencionada somente aqui e em 8:2. Maria mãe de Tiago (Mc 16:1)
e aparentemente “a outra Maria” de Mt 28:1. Estas, e as demais mulheres (que
incluem Salomé, mencionada em Mc 16:1) contaram aos apóstolos o que viram e
ouviram.
11. Os homens altivos, no entanto, não ficaram
impressionados. Consideraram a história como delírio. Lucas sublinha este
conceito ao acrescentar "e não acreditaram nelas". Os apóstolos não
eram homens balançados a beira da crença, que precisassem de uma sombra de uma
desculpa antes de lançar-se numa proclamação da ressurreição. Estavam
totalmente céticos. Até mesmo quando mulheres que O conheciam bem contavam-lhes
as experiências delas, recusaram-se a crer. É claro que uma evidencia
irrefutável seria necessária para convencer estes céticos.
Lucas - Introdução e Comentário - Leon L. Morris -
SOCIEDADE
RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA
|
Aparição de JESUS
ressurreto
|
Referências bíblicas
|
|
1) A Maria Madalena
|
Marcos 16.9
|
|
2) Às mulheres que retornavam
da tumba
|
Mateus 28.8-10
|
|
3) A Pedro, em Jerusalém
|
Lucas 24.34
|
|
4) Aos dois discípulos que iam
para Emaús
|
Marcos 16.12 e Lucas 24.13-32
|
|
5) Aos dez discípulos
|
João 20.19-25
|
|
6) Aos onze discípulos
|
João 20.26-29
|
|
7) Aos sete discípulos junto ao
Mar da Galiléia
|
João 21
|
|
8) A mais de 500 pessoas
|
1Coríntios 15.6
|
|
9) A Tiago
|
1Coríntios 15.7
|
|
10) Aos onze discípulos em um
monte da Galiléia
|
Mateus 28.16
|
|
11) No Monte das Oliveiras, em
Betânia
|
Lucas 24.50-53
|
|
12) Ao apóstolo Paulo no
caminho para Damasco
|
Atos 9.3-6 e 1Coríntios 15.8
|




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