João, as Declarações do Filho de Deus
___/___/____ João,
as Declarações do Filho de Deus
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
João 8.50-59
50 - Eu não busco a minha glória; há quem a busque e julgue.
51 - Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.
52 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora, conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.
53 - És tu maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? E também os profetas morreram; quem te fazes tu ser?
54 - Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.
55 - E vós não o conheceis, mas eu conheço-o; e, se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.
56 - Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.
57 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?
58 - Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou.
59 - Então, pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.
50 - Eu não busco a minha glória; há quem a busque e julgue.
51 - Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.
52 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora, conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.
53 - És tu maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? E também os profetas morreram; quem te fazes tu ser?
54 - Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.
55 - E vós não o conheceis, mas eu conheço-o; e, se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.
56 - Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.
57 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?
58 - Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou.
59 - Então, pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.
TEXTO ÁUREO
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o
caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim." João
14.6
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, em Êxodo 3.14, Deus apresenta-se a Moisés
como Eu Sou; isto põe em relevo Sua autoexistência e imutabilidade, pois, sendo
o Eu Sou, Ele é sem qualquer causa que o preceda. Sendo
“autocausado” e autossustentado, o Senhor nunca dependeu de algo ou de alguém
para existir e jamais dependerá de algo ou de alguém para continuar existindo.
A vida humana é formatada pelo que fomos, somos e seremos; é muito comum dizermos; eu fui; ou eu serei; Jesus, no entanto, afirma: Eu Sou (Jo 6.35,51; 8.12; 9.5; 10.7,9,11,14;
11.25,26; 14.6,7; 15.1,5)! Ao fazer uso dessa expressão, repetidas vezes, o Salvador tinha por objetivo reafirmar Sua divindade.
Com o Filho de Deus compreendemos que as limitações do Cronos inexistem para o Eterno: nem passado nem futuro puderam, podem ou poderão delimitá-lo.
Tenha uma boa aula!
A vida humana é formatada pelo que fomos, somos e seremos; é muito comum dizermos; eu fui; ou eu serei; Jesus, no entanto, afirma: Eu Sou (Jo 6.35,51; 8.12; 9.5; 10.7,9,11,14;
11.25,26; 14.6,7; 15.1,5)! Ao fazer uso dessa expressão, repetidas vezes, o Salvador tinha por objetivo reafirmar Sua divindade.
Com o Filho de Deus compreendemos que as limitações do Cronos inexistem para o Eterno: nem passado nem futuro puderam, podem ou poderão delimitá-lo.
Tenha uma boa aula!
Palavra introdutória
O propósito do Evangelho de
João é apologético [aquilo que se defende por discurso falado ou escrito]. Esse
livro foi escrito para produzir fé em todas as pessoas que viessem
a ter acesso ao texto joanino — fosse pela leitura ou pela escuta, como era
costume acontecer na Igreja primitiva.
O discípulo amado realça, de maneira veemente, a divindade de Jesus; por outro lado, também exibe, de forma incisiva, Sua humanidade: nesse livro observamos, por exemplo, que Jesus ficou cansado (Jo 4.6), teve sede (Jo 4.7), chorou (Jo 11.35) e sangrou (Jo 19.34). Para os que o viam apenas casualmente, Ele era o homem chamado Jesus (Jo 9.11); mas para os que se aproximavam dele e conviviam com Ele não havia dúvida quanto a Sua origem: Nós temos crido e conhecido que
tu és o Cristo, o Filho de Deus (Jo 6.69).
No quarto Evangelho, além de destacar os sinais realizados por Cristo, João registrou as várias autodeclarações feitas por Ele, as quais comprovam, do mesmo modo, Sua divindade.
Nos primeiros livros neotestamentários, os evangelistas preocuparam-se em registrar as muitas histórias provocativas (parábolas) que Jesus contou aos Seus ouvintes, com o objetivo de apresentar-lhes o Reino dos céus, tais como: a parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30), a parábola da semente (Mc 4.26-29) e a parábola do amigo importuno (Lc 11.5-13). João, por sua vez, não focou em seu livro sequer uma parábola proposta pelo Salvador; ao contrário, no quarto Evangelho, Jesus é o sujeito de todos os Seus sermões. Observe:
O discípulo amado realça, de maneira veemente, a divindade de Jesus; por outro lado, também exibe, de forma incisiva, Sua humanidade: nesse livro observamos, por exemplo, que Jesus ficou cansado (Jo 4.6), teve sede (Jo 4.7), chorou (Jo 11.35) e sangrou (Jo 19.34). Para os que o viam apenas casualmente, Ele era o homem chamado Jesus (Jo 9.11); mas para os que se aproximavam dele e conviviam com Ele não havia dúvida quanto a Sua origem: Nós temos crido e conhecido que
tu és o Cristo, o Filho de Deus (Jo 6.69).
No quarto Evangelho, além de destacar os sinais realizados por Cristo, João registrou as várias autodeclarações feitas por Ele, as quais comprovam, do mesmo modo, Sua divindade.
Nos primeiros livros neotestamentários, os evangelistas preocuparam-se em registrar as muitas histórias provocativas (parábolas) que Jesus contou aos Seus ouvintes, com o objetivo de apresentar-lhes o Reino dos céus, tais como: a parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30), a parábola da semente (Mc 4.26-29) e a parábola do amigo importuno (Lc 11.5-13). João, por sua vez, não focou em seu livro sequer uma parábola proposta pelo Salvador; ao contrário, no quarto Evangelho, Jesus é o sujeito de todos os Seus sermões. Observe:
enquanto nos sinóticos Jesus fala do pastor e da ovelha
perdida (Mt 18.12-14; Lc 15.1-7); em João, Ele é o bom Pastor (Jo 10.11);
enquanto nos outros Evangelhos Jesus propõe uma parábola na
qual o Reino é semelhante a uma vinha que será entregue a outros (Mt 21.33-46;
Mc 12.1-12; Lc 20.9-19); em João, Ele é a própria Videira (Jo 15.1-7).
Nos tópicos e subtópicos seguintes, veremos que, no
Evangelho de João, Jesus utilizou por sete vezes a expressão Eu Sou em
autorreferência (Jo 6.35.51; 8.12; 9.5; 10.7,9; 10.11,14; 11.25,26; 14.6,7;
15.1,5) — a mesma utilizada por Deus, quando apresentou-se a Moisés no Sinai
(Êx 3.6,14).
É importante ressaltar que, além das autodeclarações diretas feitas pelo Salvador, há aquelas que deixam subentendido ser Ele o grande Eu Sou do Antigo Testamento (Jo 4.25,26; 8.24,28,58; 13.19)
É importante ressaltar que, além das autodeclarações diretas feitas pelo Salvador, há aquelas que deixam subentendido ser Ele o grande Eu Sou do Antigo Testamento (Jo 4.25,26; 8.24,28,58; 13.19)
1. AQUELE QUE SUPRE NOSSAS NECESSIDADES
No Evangelho de João, percebe-se que, frequentemente, um milagre conduz a um discurso de Jesus.
Aprendemos com isto que os sinais completam-se na Palavra: milagres sem Palavra são despropositados, pois acabam sendo interpretados equivocadamente.
No Evangelho de João, percebe-se que, frequentemente, um milagre conduz a um discurso de Jesus.
Aprendemos com isto que os sinais completam-se na Palavra: milagres sem Palavra são despropositados, pois acabam sendo interpretados equivocadamente.
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Os
sinais produzem a fé, mas
o caminho que conduz à fé
é a Palavra; não se passa
diretamente do sinal à fé;
antes, passa-se do sinal à fé
através da Palavra.
o caminho que conduz à fé
é a Palavra; não se passa
diretamente do sinal à fé;
antes, passa-se do sinal à fé
através da Palavra.
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1.1. Eu Sou o pão da vida
No início do sexto capítulo do Evangelho de João (1-15), lemos que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes, com vistas a alimentar uma numerosa multidão. Avançando na leitura do texto, observamos que, no dia seguinte, a multidão foi em busca de Jesus, do outro lado do mar (Jo 6.24).
O Mestre, ao defrontar-se com aquelas pessoas, confrontou-as dizendo que elas o procuravam porque tiveram sua fome física saciada, não porque entenderam os milagres que Ele realizara. E continuou exortando-as: Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna (Jo 6.27a). Sem entender o que Jesus queria dizer, remontando à peregrinação de Israel no deserto — quando o povo foi alimentado com maná que caía do céu —, elas perguntaram ao Mestre que milagre Ele realizaria naquele momento para que pudessem crer Nele (Jo 6.28-31). Jesus, então, declarou diante de todos os presentes que o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo e revelou ser Ele mesmo o pão da vida; todo aquele que viesse a Ele jamais teria fome (Jo 6.34,35).
O Filho de Deus é aquele que dá e sustenta a vida — não qualquer tipo de vida, mas a vida eterna (espiritual): assim como um pedaço de pão sacia a fome humana, o pão da vida sacia as almas famintas de Deus; e, diferente do maná que foi passageiro e apodrecia (Êx 16.29-21), Jesus é eterno e incorruptível.
No início do sexto capítulo do Evangelho de João (1-15), lemos que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes, com vistas a alimentar uma numerosa multidão. Avançando na leitura do texto, observamos que, no dia seguinte, a multidão foi em busca de Jesus, do outro lado do mar (Jo 6.24).
O Mestre, ao defrontar-se com aquelas pessoas, confrontou-as dizendo que elas o procuravam porque tiveram sua fome física saciada, não porque entenderam os milagres que Ele realizara. E continuou exortando-as: Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna (Jo 6.27a). Sem entender o que Jesus queria dizer, remontando à peregrinação de Israel no deserto — quando o povo foi alimentado com maná que caía do céu —, elas perguntaram ao Mestre que milagre Ele realizaria naquele momento para que pudessem crer Nele (Jo 6.28-31). Jesus, então, declarou diante de todos os presentes que o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo e revelou ser Ele mesmo o pão da vida; todo aquele que viesse a Ele jamais teria fome (Jo 6.34,35).
O Filho de Deus é aquele que dá e sustenta a vida — não qualquer tipo de vida, mas a vida eterna (espiritual): assim como um pedaço de pão sacia a fome humana, o pão da vida sacia as almas famintas de Deus; e, diferente do maná que foi passageiro e apodrecia (Êx 16.29-21), Jesus é eterno e incorruptível.
1.2. Eu Sou a luz do mundo
Esta declaração de Jesus foi feita no período da Festa dos Tabernáculos (Jo 7.2,10), ocasião em que os átrios do templo de Jerusalém eram iluminados com quatro grandes candelabros de ouro, os quais projetavam luz sobre a cidade, permitindo que as celebrações se estendessem durante as noites.
Há quem afirme que essa radiante iluminação fosse um memorial da coluna de fogo que guiou Israel em sua peregrinação pelo deserto (Êx 13.21,22).
Esta declaração de Jesus foi feita no período da Festa dos Tabernáculos (Jo 7.2,10), ocasião em que os átrios do templo de Jerusalém eram iluminados com quatro grandes candelabros de ouro, os quais projetavam luz sobre a cidade, permitindo que as celebrações se estendessem durante as noites.
Há quem afirme que essa radiante iluminação fosse um memorial da coluna de fogo que guiou Israel em sua peregrinação pelo deserto (Êx 13.21,22).
Aproveitando essa ocasião, Jesus declarou: Eu sou a luz do
mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida
(Jo 8.12). O Filho de Deus esteva entre os homens para anunciar que Ele é a
nova coluna de fogo que guiará os remidos à eternidade, conforme
vaticinado por Malaquias: [...] para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da
justiça e salvação trará debaixo das suas asas (Ml 4.2).
1.2.1. Um conceito ampliado
No Antigo Testamento, encontramos outras declarações acerca da Luz que ilumina os homens. Nos livros poéticos, por exemplo, os autores sagrados declararam: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação” (Sl 27.1); “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105); “Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lei, uma luz, e as repreensões da correção são o caminho da vida” (Pv 6.23).
Jesus, o Verbo encarnado, personificou todas essas declarações veterotestamentárias: Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (Jo 1.4,5). A revelação registrada no Evangelho de João amplia esse conceito: Jesus não é apenas luz para Israel; Ele é luz para o mundo. Esta é uma revelação soteriológica, pois torna conhecido Seu poder salvífico em nossa vida: o homem que Nele crê é subtraído das trevas e reencontra o caminho da salvação.
1.3. Eu Sou a porta das ovelhas
Em João 10.1-21, Jesus usa como exemplo o trabalho pastoril para destacar outras verdades espirituais a Seu respeito.
Ele começa mostrando a diferença entre o pastor das ovelhas e os ladrões e salteadores: quem usa caminhos ilícitos para acessar o aprisco não é o pastor, mas, sim, o ladrão e salteador (Jo 10.1); o pastor usa a porta (Jo 10.3).
Em seguida, Ele põe em contraste os ladrões e salteadores e a porta (Jo 10.7-10). Jesus está afirmando, rigorosamente, que não há outro caminho; nenhum outro acesso é valido; Ele é a única passagem por onde passa o rebanho de Deus (Jo 10.9).
2. AQUELE QUE NOS PROTEGE
2.1. Eu Sou o bom Pastor
Na sequência do texto, observamos que Jesus continua apontando contrastes. Entre os versículos 11-18 (Jo 10), Ele põe em relevo o mercenário e o pastor. O mercenário é aquele que tem por objetivo obter vantagens financeiras. O Mestre deixa bem claro: O mercenário não é pastor! As ovelhas não pertencem a ele. Não por outra razão, o mercenário foge quando o lobo vem, permitindo o ataque ao rebanho (Jo 10.12,13). Em contrapartida, Jesus declara: Eu sou o bom (gr. kalos = ideal, digno, escolhido, excelente) Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11; grifo do comentarista) — ainda que ninguém pudesse tirá-la, Ele a entregou por todos nós (Jo 10.18).
1.2.1. Um conceito ampliado
No Antigo Testamento, encontramos outras declarações acerca da Luz que ilumina os homens. Nos livros poéticos, por exemplo, os autores sagrados declararam: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação” (Sl 27.1); “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105); “Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lei, uma luz, e as repreensões da correção são o caminho da vida” (Pv 6.23).
Jesus, o Verbo encarnado, personificou todas essas declarações veterotestamentárias: Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (Jo 1.4,5). A revelação registrada no Evangelho de João amplia esse conceito: Jesus não é apenas luz para Israel; Ele é luz para o mundo. Esta é uma revelação soteriológica, pois torna conhecido Seu poder salvífico em nossa vida: o homem que Nele crê é subtraído das trevas e reencontra o caminho da salvação.
1.3. Eu Sou a porta das ovelhas
Em João 10.1-21, Jesus usa como exemplo o trabalho pastoril para destacar outras verdades espirituais a Seu respeito.
Ele começa mostrando a diferença entre o pastor das ovelhas e os ladrões e salteadores: quem usa caminhos ilícitos para acessar o aprisco não é o pastor, mas, sim, o ladrão e salteador (Jo 10.1); o pastor usa a porta (Jo 10.3).
Em seguida, Ele põe em contraste os ladrões e salteadores e a porta (Jo 10.7-10). Jesus está afirmando, rigorosamente, que não há outro caminho; nenhum outro acesso é valido; Ele é a única passagem por onde passa o rebanho de Deus (Jo 10.9).
2. AQUELE QUE NOS PROTEGE
2.1. Eu Sou o bom Pastor
Na sequência do texto, observamos que Jesus continua apontando contrastes. Entre os versículos 11-18 (Jo 10), Ele põe em relevo o mercenário e o pastor. O mercenário é aquele que tem por objetivo obter vantagens financeiras. O Mestre deixa bem claro: O mercenário não é pastor! As ovelhas não pertencem a ele. Não por outra razão, o mercenário foge quando o lobo vem, permitindo o ataque ao rebanho (Jo 10.12,13). Em contrapartida, Jesus declara: Eu sou o bom (gr. kalos = ideal, digno, escolhido, excelente) Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11; grifo do comentarista) — ainda que ninguém pudesse tirá-la, Ele a entregou por todos nós (Jo 10.18).
Dois outros pontos destacam-se nessa porção da Escritura. Eu
[...] conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido (Jo 10.14). Esta
declaração remete-nos à realidade de que existe, sim, um relacionamento íntimo
e mútuo entre Ele e nós: o bom Pastor conhece nossas necessidades e nós
conhecemos a Sua vontade.
Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco (Jo 10.16) — Jesus não é apenas o Pastor de Israel, mas o Pastor da Igreja (Sl 23), de todos quantos Nele creem.
Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco (Jo 10.16) — Jesus não é apenas o Pastor de Israel, mas o Pastor da Igreja (Sl 23), de todos quantos Nele creem.
2.2. Eu Sou a ressurreição e a vida
Jesus fez esta declaração no episódio da morte e ressurreição de Lázaro (Jo 11.1-45). Naquele dia, diante da incompreensão de Seus ouvintes, Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá (Jo 11.25). Esta é uma das mais poderosas revelações de Jesus.
Nessa frase, o sujeito e o predicado são permutáveis: Jesus é a ressurreição e a vida; a vida e a ressurreição são Jesus [ou estão em Jesus].
Ressurreição e vida não são um Dia; são uma pessoa: Jesus, o Eu Sou! A ressurreição e a vida estão
Nele (Rm 6.8-9; 1 Co 15.20,57; Cl 1.18; 1 Ts 4.16). É importante frisar, neste ponto, que, primeiro, vem a ressurreição, depois, a vida; afinal, é a ressurreição em Cristo que dá acesso à vida eterna com Deus. Marta disse: se tu estivesses aqui (passado); depois, transferiu sua esperança para o último Dia (futuro). Jesus, todavia, disse-lhe: Eu Sou (presente)! Nosso Salvador não foi nem será; Ele é!
Jesus fez esta declaração no episódio da morte e ressurreição de Lázaro (Jo 11.1-45). Naquele dia, diante da incompreensão de Seus ouvintes, Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá (Jo 11.25). Esta é uma das mais poderosas revelações de Jesus.
Nessa frase, o sujeito e o predicado são permutáveis: Jesus é a ressurreição e a vida; a vida e a ressurreição são Jesus [ou estão em Jesus].
Ressurreição e vida não são um Dia; são uma pessoa: Jesus, o Eu Sou! A ressurreição e a vida estão
Nele (Rm 6.8-9; 1 Co 15.20,57; Cl 1.18; 1 Ts 4.16). É importante frisar, neste ponto, que, primeiro, vem a ressurreição, depois, a vida; afinal, é a ressurreição em Cristo que dá acesso à vida eterna com Deus. Marta disse: se tu estivesses aqui (passado); depois, transferiu sua esperança para o último Dia (futuro). Jesus, todavia, disse-lhe: Eu Sou (presente)! Nosso Salvador não foi nem será; Ele é!
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Jesus
é o Caminho —
naquele dia, o Filho de
Deus revelou que não
tinha vindo a este mundo
para ensinar o caminho;
Ele é, em si mesmo, o
Caminho para o Pai.
• Jesus é a Verdade —
Ele não apenas dizia e
ensinava a verdade; Ele
é a Verdade. Os que têm
Jesus têm a Verdade (Jo
1.14,17).
• Jesus é a Vida — Ele é a
fonte da vida espiritual
e eterna (Jo 1.4; 5.26;
11.25; 1 Jo 5.20).
naquele dia, o Filho de
Deus revelou que não
tinha vindo a este mundo
para ensinar o caminho;
Ele é, em si mesmo, o
Caminho para o Pai.
• Jesus é a Verdade —
Ele não apenas dizia e
ensinava a verdade; Ele
é a Verdade. Os que têm
Jesus têm a Verdade (Jo
1.14,17).
• Jesus é a Vida — Ele é a
fonte da vida espiritual
e eterna (Jo 1.4; 5.26;
11.25; 1 Jo 5.20).
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2.3. Eu Sou o caminho, e a verdade e a vida
Na noite anterior ao Calvário, os discípulos, querendo saber para onde o Senhor iria (Jo 13.36), foram consolados e incentivados por Ele a crer que lhes seria preparado um lugar (Jo 14.1-3). João faz-nos saber que Tomé redarguiu: não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho (Jo 14.5)? Eis que surge uma das mais poderosas afirmativas do Novo Testamento: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6).
Na noite anterior ao Calvário, os discípulos, querendo saber para onde o Senhor iria (Jo 13.36), foram consolados e incentivados por Ele a crer que lhes seria preparado um lugar (Jo 14.1-3). João faz-nos saber que Tomé redarguiu: não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho (Jo 14.5)? Eis que surge uma das mais poderosas afirmativas do Novo Testamento: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6).
CONCLUSÃO
Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1): este sétimo Eu Sou abre o capítulo 15 do Evangelho de João, e as lições extraídas desta verdade são preciosíssimas. Observe.
Jesus é a Videira, os discípulos são os ramos e o Pai é o lavrador (Jo 15.1-3) — Videira, ramos e lavrador remetem à ideia de relacionamento.
A Videira é uma só, o lavrador também é um só, mas os ramos apresentam-se de quatro maneiras distintas: sem fruto (Jo 15.2); com fruto (Jo 15.2); com mais fruto (Jo 15.2) e com muito fruto (Jo 15.8) — é imperativo ao cristão produzir frutos, a fim de que Deus seja glorificado por intermédio da sua vida (Jo 15.8).
A única maneira de ser um ramo produtivo é estar ligado à Videira, pois o ramo, por si só, não é capaz de frutificar (Jo 15.4,5).
Há o trabalho do lavrador na vinha — ele tira os ramos infrutíferos e poda os frutíferos para que produzam mais frutos (Jo 15.2).
Apenas uma vida de relacionamento íntimo com Cristo, por intermédio da Sua Palavra, pode fazer de nós ramos frutíferos para Sua glória (Jo 15.7).
Estejamos, pois, sempre ligados Nele, a Videira verdadeira.
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Quantas vezes, no Evangelho de João, Jesus utilizou a expressão Eu Sou em
autorreferência?
R.: Sete: Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,51); Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12; 9.5); Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9); Eu sou o bom Pastor (Jo 10.11,14); Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25,26); Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida (Jo 14.6,7); Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).
R.: Sete: Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,51); Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12; 9.5); Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9); Eu sou o bom Pastor (Jo 10.11,14); Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25,26); Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida (Jo 14.6,7); Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).
Fonte: Revista Lições da Palavra de Deus n° 57
Jesus, o Pão da Vida
Texto: João 6
Introdução
A leitura completa do
sexto capítulo de João nos ajudará a
colocar o sermão
de Jesus (v.
26-37), que receberá nossa atenção especial neste estudo,
no seu exato contexto. O capítulo registra
muitas coisas grandiosas:/.
1. Um grande milagre.
Depois de os apóstolos voltarem da
sua breve viagem
evangelística, Jesus os
levou para o ermo, a fim de passarem juntos uns breves
períodos de descanso c comunhão
espiritual. Não havia,
no entanto, nenhum
descanso para os cansados;
seus movimentos foram observados, e
o povo acorreu
ao lugar onde
desembarcaram, correndo pela praia ao redor do mar da Galiléia, como
se temesse que
eles escapassem. Havia
ao todo cinco
mil homens. Cerca de 15
mil pessoas, contando-se também as mulheres
c as crianças.
E aquEle que
revelou seu poder criador, transformando
a água em
vinho, exerceu este mesmo
poder, alimentando aquela
multidão com uns
poucos pães e
peixes
2. O grande entusiasmo.
Ate esta altura, a
popularidade do Senhor tinha
crescido com velocidade
sempre maior. Depois de o povo
ver este milagre,
seu entusiasmo ficou até
febril. Chegaram à
conclusão de que
Ele, ao repetir
o milagre da alimentação
sobrenatural de Israel
no deserto, revelou-se como
o Messias. Saudaram-no
como Rei, e se
prontificaram a escoltá-lo
a Jerusalém para
sua coroação, esperando que
Ele expulsasse os
romanos da Palestina
e exaltasse Israel acima das
nações.
3. A grande
tempestade. Jesus imediatamente
reconheceu o incidente
como sendo mais
uma artimanha da parte de Satanás, para tentá-lo a tomar o
trono sem aceitar
a cruz. Rapidamente
mandou embora a
multidão, ordenou aos discípulos
que se afastassem
num barco e depois
subiu a uma montanha para
orar. Nesse ínterim, levantou-se uma
tempestade que impedia
os discípulos de remar
c ameaçava virar
o barco. A
tempestade prenunciava a
experiência que estava
para lhes sobrevir. Dentro em
breve, rajadas de
impopularidade soprariam
contra o
Mestre e seu
grupo, ameaçando sossobrar-lhes a fé.
Logo teriam de
resistir aos ventos
c às ondas,
para não serem levados
em debandada à
ruína, pelo furacão da apostasia. No
entanto, o Mestre
não se esquecera dos
discípulos; seu olhar
vigiava o barco,
e, no momento
da necessidade, interveio em prol
deles. Jesus nunca se descuida dos seus
fiéis, quando estão
passando pelas águas de
tribulação.
4. Um grande
sermão. Cristo estava
no auge da
popularidade, era o “homem
do momento”. Certamente,
segundo o pensamento popular, quem Linha poderes para alimentar milagrosamente cinco
mil pessoas seria ideal
para restaurar a prosperidade
da nação e
oferecer ao povo
tudo quanto necessitava. Satanás
conhecia muito bem os sentimentos do povo quando sugeriu que Jesus lançasse
mão de seus poderes para
transformar pedras em
pão. Naquelaocasião, como
também no incidente
aqui registrado, Jesus
declarou que o
homem não obterá
mediante a comida
na tural a sua
verdadeira vida, que
c espiritual (Mt
4.3,4; Jo 6.27).
O Senhor não
queria que alguém
o seguisse sem
ter o conceito correto
quanto à sua pessoa;
todos deviam saber com
certeza que tipo
de Messias era
Ele. Em vista
disto, pregou um sermão muito
claro para estabelecer qual era a sua posição. Não veio como Messias
político para dar nova vida à política
da nação, e sim como
Messias espiritual, para oferecer
vida espiritual ao
seu povo. Quando
Jesus alimentou o povo com pão físico, demonstrava,
simbolicamente,
seu desejo de
alimentá-lo com o
Pão espiritual que produz
a vida eterna.
5. A grande
triagem. A mensagem
que Cristo pregou foi
um golpe mortal
contra a sua
pop ularid ad e; deliberadamente, destruiu
o apoio de uma
grande parte da população: “Desde
então muitos dos seus discípulos tornaram
para trás, c
já não andavam
com ele” (6.66).
Seus ensinamentos estavam além
do alcance deles, e suas
ações não se harmonizavam
com a idéia
que tinham de
como deveria se comportar o Messias.
Muitas pessoas pensavam: “Se é assim
o Messias, não queremos
saber dele”. Isto não se constituiu
cm surpresa para o
Senhor: afinal de
contas, planejara semelhante crise deliberadamente, porque, apesar
dos seus
anseios pela salvação
de todos os
homens, desejando que
todos chegassem a Ele
para receber a vida,
não aceitaria pessoa alguma que não se consagrasse ao Senhor. Procurava
aqueles que lhe eram dados por Deus (6.37), ensinados por Deus (6.45)
e trazidos por Deus (6.44), sabendo que
somente os tais
permaneceríam na sua
Palavra.6. Uma grande
prova de fé.
O Mestre estava
sendo abandonado por muitos seguidores decepcionados. Será que os apóstolos
também seriam levados pela onda de apostasia? Jesus coloca diante
deles a questão: “Quereis
vós também retirar-vos?” Três
âncoras seguravam os discípulos, firmes,
durante esta tempestade
de apostasia: primeiro,
sua sinceridade real
- verdadeiramente queriam
o melhor que
Deus tinha para eles; segundo,
a consideração das
alternativas - “Para quem
iremos nós? Tu
tens as palavras
da vida eterna”; terceiro,
sua convicção de que Jesus
era tudo o que
dizia ser -
“E nós temos
crido e conhecido
que tu és o
Cristo, o Filho
de Deus”.
I - Jesus
Corrige um Conceito
Falso (Jo 6.26-29)Veja
os versículos 22-25.
A multidão alimentada
permaneceu
no local durante
toda a noite.
Logo de manhã, percebeu, surpresa,
que Jesus tinha ido embora. Logo
chegou uma flotilha de
barcos (talvez para vender
mantimentos) e, embarcando
neles, foram procurar Jesus. Achando- o
finalmente, perguntaram: “Rabi,
quando chegaste aqui?”, querendo saber
como viajara tal distância cm tão
pequeno espaço de tempo. Tinham
visto Jesus subir sozinho o monte, enquanto
os discípulos partiram
sem Ele. Não compreenderam como
Ele poderia ler
atravessado o mar,
pois nenhum barco ficara disponível depois
da partida dos discípulos.
Imaginavam que, por certo, o operador do milagre dos pães
fizera a travessia
de modo milagroso,
sem, porem, lerem tomado
conhecimento do fato de Ele ter andado por
sobre o mar./.
Condenação.
“Jesus respondeu-lhes, e
disse: Na verdade, na verdade vos digo
que me buscais, não pelos sinais que
vistes, mas porque
comestes do pão
e vos saciastes”. Estes homens,
em vez de perceberem no milagre um
sinal da divindade de Cristo,
encararam-no simplesmente como uma
maneira de receberem
alimentos para seu
corpo físico. Souberam ver os pães no sinal,
e não o sinal nos pães.
Seguiam a Jesus visando
propósitos mundanos c
motivos egoístas. Jesus conhecia
o coração humano, não se deixando iludir com o entusiasmo popular. Percebia as
suas aspi rações sem
espiritualidade, comparáveis
às atitudes daqueles que desejam o milagre da cura divina sem almejarem
a salvação da alma.Os versículos 26 c 27
servem como comentário do texto:
“Não só de pão viverá o homem”. Precisa de pão, mas precisa também de outras coisas; é-lhe
necessário ter víveres, como
também ter visão.
Se o homem
fosse apenas corpo, bastar-lhe-ia
o pão; sendo também alma, ele precisa de Deus.
2. Exortação. “Trabalhai,
não pela comida que
perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o
Filho do homem
vos dará; porque
a este o
Pai, Deus, o selou”. Os ouvintes tinham corrido uma
distância tão grande por causa
da comida que
perece e que,
portanto, não pode produzir
a imortalidade; deveriam
ler mostrado igual interesse cm
procurar a comida
que nutre a
alma para a vida eterna. Jesus não
quer dizer que não se deve
trabalhar para ganhar a vida, inclusive a comida diária, mas não quer que as
coisas naturais sejam
o alvo principal
do homem. Assim como existe uma
fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4.14), assim
também existe uma comida que, ao ser
assimilada, transmite à
alma a vida
divinal. Sabemos que Cristo nos
oferece tal comida, porquanto "o
Pai, Deus, o selou”.
Este selo é
o sinal da aprovação daquilo
que é genuíno, c da exclusão
daquilo que é
errado. Através do milagre da multiplicação dos pães, Deus dá
seu carimbo de aprovação que comprova
ser Jesus o
Doador do Pão da
Vida. A
descida do Espírito
Santo, a voz
do céu e
a operação de poderosos
milagres eram evidencias que provavam que o Pai
dedicara Cristo para
ser Salvador do mundo.
3. Interrogação. “Disseram-lhe, pois: Que faremos, para executarmos as obras
de Deus?” (Ou seja,
obras aprovadas por Deus, e que nos aproximam de Deus.) A pergunta
surgia com naturalidade entre
os judeus, cujo conceito
da salvação era
que a escrupulosa
observância de um
currículo inteiro de deveres,
cerimônias e outras
obras lhes daria
o direito a ela. Mesmo assim, a
pergunta demonstrava algum interesse na questão,
e queriam esforçar-se
neste sentido. Semelhante pergunta
vem irrompendo do
fundo do coração
de todos aqueles que,
tendo começado com uma atitude de
total indiferença, já fizeram
algum progresso na direção de
procurarem uma vida
santa que agrade
a Deus.
4. E xplicação. “Jesus
respondeu, c disse-lhes: A obra
de Deus
é esta: Que
creiais naquele que
ele enviou” . A fé é a
obra de Deus porque
é Deus quem a exige
e aprova. Sem
fé, é impossível
agradar-lhe. Note que
Jesus disse que crer c
“a obra” -
c não uma
das obras - de
Deus. A
fc é aquela única
obra de onde
procedem todas as demais
obras genuínas, lí
a própria fc
não c mérito nosso;
é dom de
Deus. A fé
é a mais
sublime qualidade de obra,
porque por ela
o homem se
entrega a Deus,
e não há nada
mais nobre para
um ser livre
fazer do que dar-se
a si mesmo.
Tiago ressalta que “a fé, se
não tiver as obras,
é morta em
si mesma" (Tg
2.20). Paulo ressalta
que as obras,
sem a 1c, estão mortas
(Rm 3.20; cf. Hb
3.20). São verdadeiras
ambas as proposições.
A fé viva produzirá obras
vivas; c obras
vivas, aceitáveis diante de
Deus, devem proceder
de uma fé que
realmente vive. Disse Martinho
Lutero: “Ficar confiando
na Palavra de Deus,
de tal forma
que o coração
não fique aterrorizado diante do pecado
c da morte, mas,
pelo contrário, confie e
creia cm Deus,
é algo mais
severo c difícil
do que todas as
exigências das ordens
monásticas.”
Note que o supremo
objeto da fé é Jesus Cristo, o
Filho de Deus. O judeu
ortodoxo afirma que, enquanto
agrada a Deus, não tem
necessidade de Cristo.
Como, no entanto, poderá agradar a Deus se rejeita o seu Mensageiro? (cf. 18.18,19)
Jesus,o
Bom Pastor
Texto: João
10IntroduçãoA cura do cego, descrita no capítulo anterior, serve como
pano de fundo ao discurso de Jesus registrado aqui. Os
líderes religiosos já
haviam determinado que
qualquer pessoa que confessasse
ser Jesus o
Messias fosse excomungada, expulsa da sinagoga (Jo 9.22).
Quando o cego curado persistiu na sua lealdade a Jesus, “expulsaram-no’' (9.34).
Existiam vários graus
de excomunhão; a forma mais
severa, chamada querem , fazia
com que o excomungado fosse
contado como virtualmente morto:
não tinha licença de estudar com outras pessoas, e ninguém devia
lhe oferecer convívio - nem sequer indicar-lhe a direção a seguir quando
viajava. Embora lhe fosse permitido
comprar os mantimentos para a sobrevivência, proibia-se que outras pessoas
comessem ou bebessem
com ele. O cego
curado fizera a escolha certa,
embora possa ter sentido pesar por ser rejeitado pelos líderes
religiosos, repudiado por
todos que o
viam passando pela
rua e sem o direito ao
convívio com homens
bons, o que
o ajudaria cm
sua nova vida.
C) Mestre, no entanto, não o deixou desamparado.
Quando os falsos
pastores o eolocaram
fora do aprisco
deles, Jesus, o Bom
Pastor, proeurou-o para
abrigá-lo no seu aprisco.
Fechou-se a porta da sinagoga; abriu-se
a porta do reino dos céus. E em
face a tal situação que Jesus
declara: “Eu sou a
porta das ovelhas...
Eu sou o
bom Pastor”. O próprio
Messias, o Pastor
de Israel, ofereceu
acesso à segurança
e ao gozo
espiritual, cancelando a
sentença injusta dos
falsos dominadores do
rebanho, que nenhuma autoridade tinham para admitir ou
demitir pessoas na vida
espiritual e na
verdadeira comunhão.
Jesus
é a suprema autoridade em
assuntos espirituais, e
quem nEle cec
está livre da tirania
de falsos líderes
religiosos.Jesus, revelando tais
verdades, aplica a si mesmo
duas expressões figuradas: Ele c a porta do
aprisco das ovelhas e o
Pastor das ovelhas.
Trataremos
das duas figuras individualmente.
I -
A Porta do
Aprisco das Ovelhas/.
A porta ao ministério. “Na verdade,
na verdade vos digo que
aquele que não
entra pela porta
do curral das ovelhas,
mas sobe por
outra parte, c
ladrão e salteador. Aquele, porém,
que entra pela
porta c o
pastor das ovelhas.
A este o
porteiro abre”. Jesus
sempre usava como ilustrações assuntos
que seus ouvintes
pudessem entender.
A
ilustração. A cena pertence
à vida diária da Palestina.
A noite, as
ovelhas são levadas
para o aprisco, um abrigo com
altos muros e portão bem protegido
com ferro- lhos, onde
descansam sob a
vigilância de um
porteiro. De manhã, cada pastor
chega e é admitido pelo porteiro mediante um
sinal combinado; então,
cada um chama suas próprias ovelhas. As
ovelhas seguem-no ao
reconhecer a sua voz;
não reconhecem a
voz de um
estranho, e o
próprio porteiro não admitiría
um estranho. Deste
modo, qualquer falso pastor,
querendo furtar as
ovelhas, teria de
pular o muro.
1.2. A
interpretação. O Senhor indica as características da liderança espiritual: há
modos lícitos e ilícitos de se obter acesso
às pessoas e
assumir autoridade sobre
elas. Há o caminho
certo, divino, para
entrar no ministério
cristão, e há o
caminho errado e
humano. Quem quiser
ministrar às almas dos
homens deve passar
por (d isto, a
Porta, sendo vocacionado e
enviado por ele, comovido pelo seu espírito de
compaixão. É através
dele que os
pastores assistentes têm acesso
ao rebanho. O
ministério de Paulo
deu frutos porque ele entrou pela
Porta, mediante a chamada de
Cristo; por outro
lado, os filhos
de Ceva “tentaram
invocar o nome de Jesus” sem serem
servos de Cristo, e fracassaram (At 19.13-16).
Jesus chama
de ladrão c
salteador o pastor
falso que entra no ministério por
motivos egoístas não para fazer o
bem às
ovelhas, c sim
para tirar vantagens
delas, visando seus próprios propósitos (Ml 7.15;
Al 20.29,30). O
Senhor dá a entender
que muitos queriam
assumir a condição
de pastor diante do rebanho de Deus sem
ter vocação na alma. Eles
insistiam nos seus próprios privilégios e direitos, pensavam
que as estreitas
tradições que representavam
eram os mandamentos de
Deus, afligiam as
almas famintas e angustiadas com suas próprias
interpretações da Palavra de Deus c demonstravam,
de modo geral,
não possuir acesso algum aos
corações humanos. As
palavras de Jesus
se referem imediatamente
aos líderes religiosos
dos seus dias, que
excomungaram um pobre cego
pela sua corajosa leal dade àquEle que lhe abrira os
olhos, mas suas advertências devem ser aplicadas
aos eclesiásticos tirânicos
de todos os tempos e
lugares. Ninguém pode
cuidar do seu
próximo como verdadeiro pastor
se não possuir
real simpatia por ele.
“Todos quantos vieram
antes de mim são
ladrões e salteadores; mas
as ovelhas não os ouviram”
(v. 8). Certa- mente
não há aqui
nenhuma palavra eontra
os profetas c outros
homens de Deus que vieram ao povo
antes de Cristo. Jesus se refere, em
primeiro lugar, aos falsos
profetas c falsos messias que
arrogavam direitos que
pertencem somente a
Cristo; em segundo
lugar, refere-se a
líderes religiosos sedentos
pelo poder, que
alegam ter o domínio sobre as
almas humanas que
só a Cristo
pode pertencer; cm terceiro
lugar, há alusão aos
sacerdotes e fariseus dos seus dias,
que usurpavam o direito de
expulsar do aprisco
os que reconhecessem ser Jesus o
Cristo. Isto foi por causa do seu santo zelo e da sua paixão pelas
almas? Não. Segundo o
próprio Cristo, foi
por ciúmes da sua própria
autoridade e prestígio (cf.
Mt 23.1-33; Jo 1
1.47-53; 12.10,1 1). Quem é
representado pela figura
do “porteiro”? Talvez
seja o Espírito Santo,
supervisionando a obra
de vocacionar homens para o ministério cristão (cf. Jo 16.14; At 20.28; 13.2).2.
A poria para a
salvação.
“Eu sou a
porta; se alguém entrar por
mim, salvar-se-á, e
entrará, e sairá,
e achará pastagens” (cf.
Jo 14.6). O cego curado
deve ter pensado: “Graças a Deus! Os anciãos da
sinagoga nenhum dano me podem
fazer; não podem
admitir ou excluir
ninguém do Reino de
Deus. Porém este
personagem, tão compassivo, tão semelhante a Deus, tão poderoso - Ele é a Porta.” Note as
três bênçãos que
decorrem do ato
de passar pela
Porta para desfrutar da
viva comunhão com
Cristo:
2. /. A
segurança. “Salvar-se-á”. No contexto da vida na terra, "salvo”
significa seguro, são,
protegido por Cristo e cm
Cristo, até que
nossa comunhão com Ele, além
dos limites da morte, se revele
na forma de salvação eterna. Pela sua
contínua proteção, “o
Senhor me livrará de toda a má obra, c guardar-me-á para o seu reino
celestial” (2 Tm 4.1 8).
2. A
liberdade. “Entrar e
sair” é frase
freqüentementc empregada para expressar o livre uso da moradia por parte
de quem
habita no seu
lar. O crente
que entra em
comunhão com Deus,
recebendo a salvação,
não “entra c sai”
com respeito àquele
relacionamento, e sim,
como filho de Deus,
desfruta da familiaridade
da comunhão com
Deus.
3. O sustento.
“Achará pastagens”. Acham-se em
Cristo todas as coisas de que a alma necessita para seu crescimento espiritual.
A idéia de “pastagens” pode ser aplicada também
aos “meios da
graça” - a
oração, a Palavra,
a comunhão com
o povo de
Deus nos cultos
públicos
II
- Cristo, o
Pastor das Ovelhas
O relacionamento das
almas com Cristo é comparado ao da ovelha
com o pastor.
Tal ilustração é
corriqueira nas Escrituras (SI
23; 80.1; Is 40.1
1; Ez 34; Mq 5.4; Zc 13.7; 1 Ib 13.20; 1
Pc 2.25). A ilustração fala muitas
coisas ao nosso coração, especial mente quando
levamos em conta
certas semelhanças entre as
ovelhas e os homens. Os homens
tendem a seguir
um líder; facilmente
se extraviam (espiritualmente);
precisam de proteção; necessitam dc sustento.
Notemos o que
o Pastor faz
em prol das
suas ovelhas.
1. Conduz
suas ovelhas. “E,
quando tira para
fora as suas ovelhas,
vai adiante delas,
e as ovelhas
o seguem, porque conhecem
a sua voz”
(v. 4). Como
disse Davi: “ Guia-me mansamente
a águas tranquilas... guia-mc pelas
veredas da justiça por
amor do seu
nome” (SI 23.2,3).1.1.
Ele guia e
conduz mediante o
seu exemplo. Esta a
mais sublime forma de liderança (Jo 13.15; 1 Pe
2.21; 1
Jo 2 .6 ).
1.2. Diferentemente dos
falsos pastores que
buscam a popularidade, Ele
conduz as ovelhas,
vai adiante delas,
e não as segue.
O falso pastor dá às
ovelhas o que
elas querem; o verdadeiro
pastor dá-lhes aquilo dc que necessitam Arão era um
verdadeiro sacerdote, mas
caiu em grave crio quando
seguiu as vontades
do povo (Ex
32.1-5)
1.3. Conduz,
e não impede.
Uma das características do Messias
é sua ternura
e mansidão (Is
40.11; cf. lPe
5.2).2. Conhece suas ovelhas.
'‘As ovelhas ouvem a sua vo/,, e
chama pelos nomes
às suas ovelhas...
e as ovelhas
o seguem, porque conhecem
a sua voz.
Mas de modo
nenhum seguirão o
estranho, antes fugirão
dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” (v. 3,4,5).
Como disse Davi: "O Senhor é
o meu pastor”.
2. 1. As almas sequiosas imediatamente reconhecem seu Pastor (1
Pc 2.25). Certo hindu que confessou a Cristo como Salvador, logo ao ouvir o primeiro sermão, disse que havia quatro anos
estava procurando a vida
eterna: “Minha vida estava repleta de imperfeições e
pecados. Minha consciência de
culpa me sobrecarregava. Durante
dias c noites
eu derramava lágrimas amargas.
Finalmcntc, numa agonia de
desespero, lancci-mc ao
chão c clamei
ao Poder que me
deu a
existência, pedindo que
enviasse alguém para
mc salvar. Clamei por misericórdia c confessei o meu pecado. Naquele instante,
deixei tudo por
conta daquele Poder. Muitas
vezes lenho imaginado
como seria aquEle
que o Poder Sublime enviaria a
mim. Reconheci-o, portanto, imediatamente,
ao ouvir o sermão. Faz alguns anos que já estava confiando cm
Jesus, sem, porem,
saber por qual
nome deveria chamá-lo”.O homem ouviu
a voz do
Pastor através do
sermão, reconhecendo-o
imediatamente.
2.2. Ele nos
conhece pelo nom e (Is 43.1;
45.3; 49.1; Ap 3.5; Ap
2.17). Temístocles gabava-se
de conhecer os nomes dos vinte
mil cidadãos de
Atenas. O Pastor
Divino conhece os nomes dos seus
milhões de ovelhas, bem como cada
aspecto de suas
personalidades. Várias pessoas
na Bíblia tiveram a íntima experiência de serem chamadas pelo nome em
conversa com o
Senhor: Abraão, Moisés,
Saulo de Tarso, Ananias (At
9) e Pedro, Maria (Jo 20) e Samuel, entre outras
2.3. A
s ovelhas o
conhecem e o
seguem . Viajantes no Oriente Próximo têm comprovado muitas
ve/,cs que nenhum disfarce dc roupas,
voz, gestos, de
saber os nomes
das ovelhas, faz com
que as ovelhas
se confundam quanto
ao seu verdadeiro pastor.
Naquelas regiões, há
profundos laços
dc simpatia, afeição e
reconhecimento entre o pastor c suas
ovelhas; o pastor
reconhece cada uma
das ovelhas, que parecem idênticas
at) olhar do
estranho, c elas,
apesar da sua pouca
inteligência, reconhecem o
pastor.
3. Ele dá
vida às ovelhas.
“O ladrão não
vem senão a roubar,
a matar e a destruir; eu
vim para que tenham vida,
e a tenham em abundância”.
O Senhor ainda tem
em mente o falso
pastor, o ladrão
das almas -
o homem que,
sem real amor pela causa, se
estabelece como líder religioso baseado no
seu próprio egoísmo,
o homem que
não deseja que as
ovelhas tenham livre acesso
ao Reino dos
Céus (Mt 23.13).No
sentido mais amplo,
a palavra "ladrão” pode representar
Satanás, o inimigo
das nossas almas,
que quer nos despojar
da nossa paz
e alegria, e
dar o golpe
derradeiro em nossa vida
espiritual.Km contraste com
a obra dos
falsos pastores, Jesus declara: “Eu
vim para que
tenham vida, e
a tenham em abundância”. Jesus
oferece a plenitude da
vida. O melhor comentário acerca destas palavras
encontra-se no Salmo 23, o Salmo do Bom Pastor.
Não fomos vocacionados para viver uma
vida de fraqueza
c incapacidade; e
sim para que tenhamos a vida abundante, a vida vitoriosa. Muitas pessoas simplesmente existem;
Cristo quer que vivam.
4. Pastor
morre pela s ovelhas. “Eu
sou o bom Pastor;
o bom Pastor
dá a vida
pelas ovelhas.” Jesus
assim se destaca do mercenário (v.
12), que pensa
ser o pastorado um a
profissão , com o a
de porqueiro, vinhateiro, pedreiro,
advogado, médico ou
negociante. O mercenário não
se preocupa com
as ovelhas; procura apenas salário. Sua
disposição não é
ver o quanto
pode dar dc si às
ovelhas, c sim o
quanto pode arrancar delas. 12 natural
que fuja quando se
aproxima o perigo, porque o motivo dominante no seu
trabalho c a autopreservação.
Em contraste com
tal atitude, o
objetivo do verdadeiro pastor c procurar para suas ovelhas
uma vida mais abundante. Na
Palestina, a devoção
dos pastores às
suas ovelhas muitas vezes
tem levado alguns
deles a morrer na
luta contra feras
ou salteadores.
O Senhor
Jesus considera a raça humana
necessitada como rebanho seu (Mt 9.36),
fazendo pelas suas ovelhas o
supremo sacrifício. Não
somente morreu cm
prol delas, como
também ressuscitou para
lhes dar a
vida (Hb 13.20) -
voltou para o
Céu com a
intenção dc levá-las consigo. Rem oveu
a peçonha da
taça da morte,
para transformá-la em
simples soporífico visando
o despertar saudável, de modo
que seus seguidores
possam dizer, como Davi:
“Ainda que eu
ande pelo vale
da sombra da morte, não
temerei mal nenhum,
porque tu estás
com igo” .
II -
Ensinamentos Práticos/.
“Eu sou a p o r ta ”. O cego curado foi expulso da igreja oficial,
mas sua excomunhão
o promoveu, porque
passou da sinagoga para o
Salvador. Podiam excluí-lo de uma instituição, mas não do Céu. “Eu
sou a porta”, disse Jesus. Muitas pessoas piedosas e tementes a Deus têm sido excluídas das igrejas durante a história
da cristandadc, e isto não c de se
estranhar, porque o próprio Senhor
tem sido excluído dc
tantas delas! Veja
Apocalipse 3.20. Certas
igrejas, como a dc Laodicéia,
que deixam Cristo fora da
porta, são mais clubes
religiosos do que
igrejas dc Cristo,
e há mais vantagem
espiritual cm ficar fora
delas.Ao longo dos séculos,
a igreja mundana tem excomungado
e destruído a muitos, denunciando-os como “hereges”, por terem deixado a
consciência, iluminada pela Palavra de Deus, ser
o árbitro das
suas vidas. Líderes
eclesiásticos, pensando
possuir as “chaves
do reino do
Céu”, imaginam que podem excluir
pessoas do céu. Não podem, no entanto,
separar de Cristo estas nobres almas, nem afastá-las daquele que c “santo,
o que é
verdadeiro, o que
tem a chave de Davi;
o que abre,
e ninguém fecha;
e fecha, e
ninguém abre” (Ap 3.7).
O Senhor
Jesus se opõe
a qualquer forma
de exclusão injusta: repreendeu
os discípulos quando
queriam afastar as crianças dos
seus ternos cuidados e quando queriam excluir um obreiro desconhecido do privilégio
do serviço (Lc 9.49,50).
2. Profissionalismo religioso.
Por que os fariseus excomungaram o
cego curado por
sua lealdade a Cristo? Seja qual
tenha sido a
explicação deles, Jesus
mostrou, no seu discurso, que o motivo real foi o
profissionalismo. Os líderes
religiosos haviam caído no erro que prende os potentados eclesiásticos, a saber, que o povo existe cm prol
deles, e não eles
para servir ao
povo. Quando, portanto,
o cego curado não
se dobrou diante
das vontades deles,
quando não aceitou suas
opiniões, quando refutou
os seus argumentos, então deram vazão
à sua ira, com ultrajes e exclusão de
privilégios religiosos.
O
profissionalismo surge quando o pastor
usa sua posição e as pessoas
como trampolim para sua autopromoção, realização
profissional cm posição
e salário. Passa a
ser o “mercenário” que vive às
custas das pessoas, e não em prol delas.
Não entra no ministério através da porta que é Cristo;
força caminhos por meios
humanos. O obreiro cristão é dominado pelos únicos
motivos aceitáveis: amor a Cristo e
paixão pelas almas.
3. O velhas
doentes são logradas.
Pastores no Oriente dizem
que em caso
de doença as
ovelhas podem ser induzidas
a seguir um
falso pastor. O
mesmo se pode dizer da vida espiritual. Embora seja possível crentes
sinceros serem levados
a seguir um falso mestre disfarçado cm manto
de piedade e
fidelidade à sã doutrina,
é geral- mente quando as
pessoas ficam longe da comunhão com Deus c cspiritualmentc frias
que se tornam
presas fáceis de falsas seitas
e invencionices religiosas (cf. 1
Tm 1.5,6; 2 Tm 3.5,6). Paulo
deseja ardentemente que cada
crente seja cdificado: “Até
que todos cheguemos
à unidade da fé,
c ao conhecimento
do Filho de
Deus, a varão
perfeito, à medida
da estatura completa
de Cristo. Para
que não sejamos mais meninos inconstantes,
levados em roda por todo vento de
doutrina, pelo engano
dos homens que com astúcia
enganam fraudulosamentc" (Ff 4.13,14).
4. A s ovelhas ouvem
a sua voz.
Estas palavras sugerem
o teste do
discipulado; a palavra
“ouvir” significa ler atenção
c obediência. Sc
somos ovelhas de
Cristo, obedecemos e seguimos
a Ele. Se
somos ovelhas de Cristo,
o Pastor nos procurará e chamará mesmo quando andamos desgarrados
c desobedientes. As
vezes Ele nos acha
cm situações vergonhosas:
dias passados sem
oração, com coração
endurecido, pensamentos cínicos,
pecando por comissão
ou por omissão.
Quantas vezes a sua
voz já nos despertou
para uma renovação
espiritual, cm vida c
obediência!
5. Comunhão
e serviço. “Entrará,
e sairá” . Há
dois lados na vida
espiritual. Para termos um
ministério bem equilibrado, precisamos “entrar”
em momentos de profunda
comunhão com Deus e “sair” para nossa obra cristã entre nossos
semelhantes. Existe a
tendência aos extremos:
alguns “entram ”, mas
não “saem” cm
serviço ativo; outros
sempre estão “saindo”
cm atividades enérgicas,
mas não “entram”
para receberem a
renovação das forças e
inspiração. O Senhor
Jesus é nosso
exemplo quanto a isto:
antes do raiar
do sol, estava
a sós . em comunhão com
Deus; durante as
horas úteis do
restante do dia, servia
aos homens.
6. A
vida m ais abundante.
Como cristãos, possuímos
a vida; será, porem,
que já possuímos toda a sua plenitude
e abundância? Temos a verdadeira alegria de viver? Estamos tendo sucesso
em nos sobrepujar
às provações? Estamos servindo ao Senhor segundo o nosso próprio e fraco modo, ou na
força do seu
poder? Cristo nos
oferece a vida
mais abundante. Podemos assumir os
deveres da nossa vocação em Cristo,
sabendo que Ele
não nos lançará
em rosto as nossas
fraquezas, porque prometeu:
“Recebereis poder
A Ressurreição de
Lázaro
Introdução
A série
de milagres de
Cristo, realizados antes
da crucificação c registrados no Evangelho de João, ehega ao seu
ponto alto com
o sétimo milagre
- o da
ressurreição de Lázaro. Coroa os
demais milagres de modo triste, e de modo alegre. É o
milagre culminante, no
sentido triste. Os
dez capítulos anteriores
indicam de que
maneira Jesus se revelou
aos judeus, de todos
os modos diferentes
que pudessem inspirar
a verdadeira fé, e narram
como cada nova revelação só
servia para enchê-los de amargura c dureza, até que a hostilidade
deles chegasse a
um ponto desesperador. Jesus
se manifestou como
Doador da vida, mas não
queriam chegar a
Ele a fim
de receberem esta vida;
Jesus declarou-lhes ser
o Pão da
Vida, mas não tinham apetite
por comida espiritual;
Jesus proclamou ser a
Luz do mundo,
mas eles preferiram
andar nas trevas; Jesus
disse que era
o Bom Pastor;
eles, porém, não
que riam ouvir a
sua voz nem
ser guiados por
Ele. Agora, finalmente, comprova ser Ressurreição c a Vida, c planejam
condená-lo à morte.
Crime dos crimes:
m ataram o Autor da
vida! (At 3.15).
A ressurreição
de Lázaro é o milagre
culminante, no sentido alegre: é
o sinal externamente visível de que o Cristo de
Deus já venceu a morte e a sepultura.
Depois da operação deste
milagre, bem podemos
exclamar: “Onde está,
ó morte, o leu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1 Co
15.55).I - Jesus e o
Sofrim ento (Jo 11.1-16)
1. O
recado. “Senhor, eis
que está enfermo aquele que
tu amas”. Foi
este o recado
que Marta e
Maria enviaram para seu
Mestre e amigo,
enquanto Ele estava
na região além do
Jordão.
2. atraso.
“Ouvindo pois que
estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava”. Parece estranho este deliberado atraso, cm vez da pressa para chegar ao lado do
leito de
dores daquele a
quem amava. Imagine
os sentimentos das
irmãs enquanto as
longas horas foram
se passando sem que Jesus
aparecesse, enquanto a vida do irmão estava
regredindo. Talvez tenham
ficado sujeitas à
tentação
de levantar a
dúvida: “Será que
ele realmente se importa?” O
Senhor, porém, tinha
um propósito específico nesta demora: o
poder e a glória de Deus estavam para ser revelados mediante a ressurreição de um
homem que morrera havia
quatro dias. Foi
atraso apenas segundo
as aparências humanas;
segundo o horário
planejado por Deus, Jesus
chegou na hora
combinada.
3. O apelo.
Quando, depois de dois dias, o Senhor anunciou seu
propósito de ir
para a Judéia,
os discípulos fizeram-lhe
um apelo no
sentido de que evitasse colocar
em risco a sua
vida. A resposta
de Jesus dá
a entender o seguinte: “O tempo determinado para o exercício do
meu ministério não se
esgotou; portanto, estarei seguro
na Judeia, e vocês também; esgotado este prazo, então correrei perigo de morte”
(v. 9,10).
4. A
notificação. Jesus proclamou seu
propósito de ressuscitar
Lázaro da morte. “Lázaro
está morto; e fo lg o, por amor de vós, de que eu lá não estivesse,
para que acrediteis”. O leitor também
está alegre porque
Jesus não estava
ali quando Lázaro morreu?
Por quê?
II -
Jesus e os
Que Sofrem (Jo
11.17-28)
Jesus, chegando ali,
encontrou a seguinte
situação: Lázaro já estava
na sepultura, c
Maria c Marta
estavam enlutadas na casa
de amigas. Quando
chegou a elas
a notícia de que Jesus se
aproximava, “ouvindo pois Marta que
Jesus vinha, saiu-lhe
ao encontro; Maria,
porém, ficou assentada
em casa” (v.
20)./.
A
delicada censura. “Disse
pois Marta a
Jesus; Senhor, se tu estiveras aqui, meu irmão não teria morrido” (v. 21). Provavelmente, havia
no íntimo de
Marta uma luta entre
a confiança c a dúvida. A resposta de Jesus, ao receber a notícia da enfermidade de Lázaro,
fora: “Esta enfermidade não é
para morte, mas para a glória de Deus;
para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (v. 4). Agora, porém,
o irmão dela
estava morto. Como
harmonizar a promessa de
Jesus com as
condições reais?
Marta viu
sua fé submetida
a três provas.
A primeira: a ausência
de Jesus. Todos
poderíam ter faltado, mas
a presença dElc ao lado do irmão
era indispensável. A segunda: a demora de Jesus. Esperava-se que ele comparecesse junta mente
com o mensageiro que fora procurá-lo; Ele,
porém, adiou a viagem. A terceira: a perda do ente querido. O irmão
estava morto, mas poderia estar com vida se Jesus estivesse se presente. A noite
era escura, sem nenhuma luz a não a da
futura ressurreição, que parecia tão perdida na distância. Ela não tinha percebido quão perto estava a
Ressurreição!
2. A
gloriosa promessa. “Disse-lhe
Jesus: Teu irmão há de ressuscitar”
(v. 23). Jesus
se referia ao milagre que estava para
operar; Marta, no
entanto, não compreendeu,
e replicou: “Eu sei
que há de
ressuscitar na ressurreição
do último dia”. Então
declarou Jesus: “Eu
sou a ressurreição c a vida; quem crê em mim, ainda
que morra, viverá”. Marta acreditava
que Jesus podería
ter sido a
Ressurreição (v. 21), e que, no
fim do mundo,
seria a Ressurreição.
O Senhor Jesus Cristo,
em virtude da sua natureza
divina, diz: Eu sou.
Não é tarde demais para
ressuscitar Lázaro, nem é cedo
demais para a
ressurreição; hoje mesmo,
Eu sou a ressurreição deste irmão (cf.
Ilb 13.8). Note que
"a ressurreição c a
vida” representam causa c efeito:
Jesus c a ressurreição
porque é a vida. É a vida que produz a
ressurreição.
Jesus c
a ressurreição; segue-se,
portanto, que “quem erê em
mim, ainda que esteja morto, viverá”.
Os que morrem
no Senhor continuam
a viver, a
despeito da desintegração
do corpo, e
passarão a ter
um corpo espiritual
(Fp 1.23; 2 Co
5.1-6; 1 Ts
4.13,14). Jesus é
a vida; segue-se, portanto, que “todo
aquele que vive, e crê em
mim, nunca morrerá”. Os
crentes cm Cristo
nunca morrem no
sentido comum do conceito
da morte; para
eles, a morte não é o
fim; é
o passar de um
estado de vida para
um estado mais sublime.
Não há nenhum
instante de interrupção
da sua vida de fé e de comunhão
com Deus; o crente adormece no que diz
respeito a esta vida e, neste mesmo instante,
já está despertado na vida
eterna, além do
túmulo.
3. O
testem unho da fé.
“Crês tu isto?”
pergunta Jesus. Marta crê que Jesus
é o Senhor da vida e da
morte? A
sua le nas verdades
divinas da ressurreição
e da vida
eterna após a morte está centralizada na pessoa de
Cristo? respondeu: “Sim, Senhor,
creio que tu és o Cristo, o
Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”. Note que Marta estava
aprendendo a crer - não tanto cm fatos, mas
sim na pessoa de Jesus Cristo.
Quem tem o
próprio Cristo, possui
todas as coisas que
Ele oferece; quem
tem o próprio
Doador, recebe todas as
dádivas.
Marta se
sentia satisfeita e
plena de certeza
ao ouvir as graciosas palavras do
Mestre, c o testemunho
que deu dc sua fé
completou-lhe a paz
c alegria: “E,
dito isto, partiu” (v.
28). Tão logo
chegou em casa,
chamou sua irmã, Maria.
Sentia fogo celestial
na alma, e sua taça de alegria
transbordava. Por isso sentiu forte desejo de com partilhar com
alguém a sua
felicidade. A genuína
fé em Cristo é comunicativa (cf. Jo
1.36-42; 4.28-30). “Partiu, e
chamou em segredo
(havia outras pessoas
na casa) a Maria,
sua irmã, dizendo:
O Mestre está
cá, e te chama”
. Aquele
recado é o
que a igreja de Cristo transmite a
todos os que
estão vivendo no
meio do pecado,
da tristeza ou das trevas
espirituais: “O Mestre está cá, e tc
chama” (cf. Mc
10.49).
III -
Jesus e a Morte (Jo
11.38-44)7.
A emoção.
Enquanto Jesus contemplava
a profunda tristeza de Maria
c dos amigos
enlutados, duas emoções lhe
perturbavam o espírito.
A primeira, uma
mistura de tristeza e
simpatia: “Jesus chorou”
(v. 35). A
segunda era uma mistura de indignação e perturbação: Jesus “moveu-se
muito em
espírito, e perturbou-se”
(v. 33,38). Aqui,
a palavra “moveu-se” contém
o significado de
“indignar-se”, segundo o grego bíblico original. Sua indignação se dirigia
contra a origem da morte, da doença e do sofrimento - contra o próprio pecado.
Contemplava os horrores da morte como salário do pecado, as
angústias do mundo,
das quais tinha diante de
si uma pequena
amostra. Pensava cm
todos os enlutados do mundo. Sim, estava para enxugar as
lágrimas das pessoas ali
presentes. Estava para lhes
oferecer alegria em lugar de
tristeza, mas isto
não alterava a
situação de modo permanente:
Lázaro ressurgiría, mas
voltaria a provar
a amargura da morte.
As
lágrimas voltariam a correr
- c quantos choram sem ter o Salvador por perto para enxugá- las, ainda
que só uma
vez? Jesus sentiu
assim grande indignação contra o causador de todos estes
males e quis imediatamente entrar na
luta contra o diabo e seus poderes nefastos revelados na desgraça
humana. Começa a saquear os despojos
do maligno, como
prova de que
chegou o mais forte
(Mt 12.29).As lágrimas
de Jesus revelam
sua compaixão pelas nossas
aflições, e sua comoção revela indignação contra
o pecado, que causa
todas as desgraças.
2. A
ordem. “Jesus pois,
movendo-se outra vez
muito em si mesmo, veio ao
sepulcro; e era uma caverna, c tinha uma
pedra posta sobre
ela. Disse Jesus:
Tirai a pedra”
(v. 38,39). Jesus muito facilmente
poderia ter mandado Lázaro passar direto
pela porta de pedra, mas
não fará aquilo que podemos fazer por nós
mesmos; é nosso privilegio
cooperar com Cristo em
sua obra; é
nosso exercício para
nosso crescimento espiritual; é nossa oportunidade
de ter mais íntima
comunhão com Ele.
3. A
ressalva. “Marta, irmã
do defunto, disse-lhe:
Senhor, já cheira
mal, porque é já
de quatro dias”
(v. 39). Conhecendo a rápida decomposição dos cadáveres
cm países quentes,
Marta estremece ao
pensar como estaria
o corpo do seu
irmão; não podia
crer que Jesus já
tinha tomado sobre si
o zelo pelo
cadáver no túmulo, protegendo-
o da
corrupção.Jesus põe fim a tal descrença com a suave censura: “Não te
hei dito que,
se creres, verás
a glória de
Deus?” (v. 4,25,26). Logo passou a demonstrar que tinha poderes
para destruir o poder
da morte, tirando-lhe
o aguilhão, proclamando que a morte é um inimigo
derrotado. Note-se que a admocstação de Jesus era: “Se creres, verá s”,
o exato oposto do ditado popular:
“É preciso ver para
crer.”
4. A
oração. “E Jesus, levantando
os olhos para
o céu, disse: Pai,
graças te dou,
por me haveres
ouvido. Eu bem sei
que sempre me
ouves, mas eu
disse isto por
causa da multidão que
está em redor,
para que creiam
que tu me enviaste”
(v. 41,42). Esta não
era uma petição, e sim ação de graças pela petição respondida.
Jesus, na sua inabalável certeza, já
agradece o milagre, como se este já
tivesse sido operado (cf. 1 Jo 5.14). A oração proferida em público deu
aos presentes a
oportunidade de averiguar
se Jesus seria um
impostor a ser
rejeitado ou o
Messias a ser
aceito e adorado (cf.
v. 45; 1
Rs 18.36,37).
5. O milagre. “E,
tendo dito isto,
clamou com grande voz:
Lázaro, sai para
fora”. Era a
voz da Divindade
chamando
coisas que não
são, como se já
existissem (cf. Jo
5.28,29;
1 Co 15.51,52;
1 Ts 4.16).
A voz do Senhor, re- verberando pelo
túmulo, profetiza que
um dia a
voz do Criador há
de ser ouvida ecoando no
meio de todo
o reinado da
morte.
“E o
defunto saiu, tendo
as mãos c
os pés ligados com
faixas, c o
seu rosto envolto
num lenço. Disse-lhe Jesus: Desligai-o,
e deixai-o ir” (v. 44). Lázaro conseguiu sair do
seu túmulo, mas
não das mortalhas
- tipificando certos novos
convertidos que foram
alvos da poderosa atuação do Espírito de
Deus, sem, porém,
ter entrado na plenitude
do gozo da
liberdade cristã. O
Senhor, após despertar tais
pessoas da morte
espiritual, envia-as ao pastor da
igreja, com a ordem:
“Desata-os”. Quais são os
laços que os prendem, quais
as ataduras? A
ignorância, que devemos esclarecer;
a tristeza, que
devemos consolar; as
dúvidas, que devemos
dissipar; os maus
hábitos, que devem ser desarraigados.
Se todos os crentes que Icmi coisas
amarrando a sua
vida fossem libertos
das suas mortalhas, o
mundo inteiro se
despertaria de súbito prestar atenção. Vocc c
um erente amarrado? Aquele que nos libertou
da morte pode
lambem libertar do
pecado c da frieza
espiritual.
IV -
Ensinamentos Práticos/.
1. Cristo vale m
ais do
que o credo.
Quando Jesus declarou: “Teu irmão há
de ressuscitar”, Marta
recitou, de modo muito
triste, um artigo
do credo judaico: “Eu sei
que há de ressuscitar na ressurreição do
último dia”. O único
alívio que sentia
era uma esperança
para o futuro
distante, baseada numa doutrina.
Jesus, no entanto, fez
com que ela
desviasse sua atenção
do artigo do credo para
fixá-la nElc: “Eu sou a
ressurreição e a
vida”, o que nos
faz entender que
o Cristianismo consiste
mais cm confiar num a Pessoa divina
do que assentir a proposições te o ló g ic as. Não há prov
eito cm
procurar asscnhorcar-sc da teologia
sem primeiro aceitar
Cristo como Senhor. Podemos
crer numa doutrina
sem entregar nossa
vida a ela
em plena confiança;
podem os entende-la sem que
ela nos transforme
o coração; como Marta,
podem os crer na
ressurreição sem ter
verdadeira fé naquElc que
6 a Ressurreição
c a Vida.
2. Viveremos,
porque Ele vive.
“Eu sou a ressurreição c a
vida; quem crê
cm mim, ainda que
esteja morto, viverá”. Com tais
palavras, Jesus assegurou a Marta e Maria que seu irmão não
tinha realmentc perecido,
que estava seguro.
O mesmo Jesus que tivera doce comunhão com Lázaro durante a vida,
c que tem
poder sobre a
morte, não toleraria que
a morte destruísse o doce
c espiritual convívio
cristão.Existem muitos argumentos
formais que comprovam
a doutrina da imortalidade; o
que, porem, nos dá
mais certeza do que a fria lógica é sabermos que estamos cm profunda comunhão com Deus e com Cristo. Imaginemos o servo de Cristo
que andou com
Ele durante muitos
anos devorosa comunhão
espiritual, chegando finalmcnte
ao seu leito de
morte. Como seria possível que
Cristo de repente declarasse
rompidos os laços
de amor? Muito pelo contrário: os que estão “em Cristo” ( I Ts 4.14-17) não podem ser separados dElc, nem
pela vida, nem pela morte
(Rm 8.38). É impossível a idéia de que
quem desfrutou da presença de Cristo
neste mundo tão
alheio às coisas
espirituais possa ser separado
dElc na gloriosa
eternidade, que o
amor de Deus que nos sustenta
no tempo possa
ser cancelado na eternidade.Se alguém
pertence a Cristo,
tudo quanto é
dEle será operante também na sua
vida: se Cristo é a Ressurreição e a Vida,
esta realidade será
transmitida ao crente.
Estamos vinculados a Jesus
Cristo mediante o Espírito,
a vida eterna já
raiou em nossa
alma, c estamos
caminhando para a vida
eterna, no Céu.
4. As
lágrimas de Jesus.
“Jesus chorou”. Consideraremos:
3.1. A
causa das lágrim as
áe Jesus. Tais
lágrimas fazem parte da humanidade de Jesus. Apesar de
ser Eilho de Deus, Ele sofreu
todas as aflições dos homens, embora sem a prática do pecado.
“E o Verbo se fez
carne”. Sua humanidade não era fictícia;
participou realmente da nossa natureza. As
lágrimas brotaram de
real compaixão, foram
a resposta do coração
de Jesus ao
apelo da tristeza.
Suas lágrimas também foram
causadas pela tristeza
- tristeza pelos danos
causados pelo pecado
c pela morte.
Na criação, viu
que tudo quanto
fizera era muito
bom; como, portanto, o bom se
transformou cm maldade? “Um inimigo
fez isso” (Mt
13.28).
3.2. A
natureza das lágrim as
de Cristo. Jesus
chorou com calm a, c
não com amarga
c desesperada angústia Podemos chorar
nossos entes queridos,
sem, porém, dai vazão
ao desespero que
é característica dos
pagãos. Jesus chorou dc modo
reservado: deu clara vazão à simpatia,
sem participar dc lamentações
ostensivas. Jesus chorou
sem sentir que seria
algo vergonhoso. Podia
ter escondido as lágrimas c a tristeza, mas
não c da sua
doutrina reprimir a personalidade humana,
estrangulando os sentimentos
de amor c compaixão.
O cstoicismo, que
esconde a ternura, pertence ao
orgulho carnal; c
a insensibilidade ao
sofrimento
não faz parte
do heroísmo.
3.3. A s
lições tiradas das
lágrimas de Jesus.
São uma am ostra da
eterna natureza de
Cristo, da sua
compaixão, graça e misericórdia,
que continua derramando
sobre nós (Hb 4.15,16). São nosso
exemplo. As lágrimas dc Jesus nos ensinam
a demostrar simpatia
aos corações tristes,
oferecendo o nosso
consolo; nosso amor é
nada comparado ao do
Filho de Deus,
mas não deixa
dc ajudar maravilhosamente.
4. Crer
é ver.
“Não
tc hei dito
que, se creres,
verás a glória dc
Deus?” A vida
microscópica existe invisível
ao olho humano, e
o mesmo se
dá com incontáveis
estrelas. Usando o microscópio e o telescópio, podemos contemplar esses aspectos
do Universo, e
ninguém ousaria negar
sua existência por não ter ao alcance tais instrumentos.
As eternas coisas dc
Deus, no entanto,
precisam ser examinadas através da lente da visão
espiritual chamada 1c. Como, pois, os homens
do mundo, que alegam
só aceitar o testemunho dos “fatos
averiguáveis”, ousam negar
a existência das coisas espirituais, quando nunca experimentaram os instrumentos da
fc? Querendo entender
mais de Deus,
devemos rogar a Ele:
“Senhor, aumenta-nos a fé.
Jesus E a Videira
Introdução
Cristo c
seus discípulos haviam
acabado dc participar da
Ceia. Ele anunciara que era mister a sua partida, c prometeu que enviaria o Consolador para ser
a invisível representação da sua
presença. As expressões de incompreensão e tristeza
nos rostos dos
discípulos levaram Cristo
a dar- lhes a mais
simples ilustração da promessa do Consolador e
da sua contínua presença entre eles,
removendo o temor da
total separação com as
palavras: ‘‘Eu sou a
videira, vós as varas” .A
ilustração também serviu
para ensinar-lhes que
seu sucesso como obreiros cristãos
dependia de sua união com Ele.
I - A
Natureza da Comunhão coin
Cristo (Jo 15.1-3)A
comunhão com Cristo,
em toda a sua abrangência, c explicada
pelas três seguintes
ilustrações:
1 A
Videira, 2) o Agricultor
e 3) os
ramos /.
A
Videira: Cristo. “Eu
sou a videira verdadeira". O que
o Senhor tinha
em mente ao
dizer estas palavras? Talvez pensasse
nas vinhas do
monte das Oliveiras
c na quantidade de
galhos podados que
ali se queimavam;
ou na videira de
ouro, símbolo de
Israel, que ornamentava um dos
portões do templo;
ou, ainda, talvez
meditasse sobre o produto
da videira, o
vinho, que naquela
Ceia veio a ser
símbolo da sua
morte sacrifieal.
Por que Jesus afirmou ser a “videira
verdadeira ”? Foi porque as
eoisas boas desta terra
não passam de
sombras das realidades eternas.
O pão natural
que alimenta o cor-po
não passa de
um imperfeito símbolo
de Cristo, o verdadeiro
Pão que alimenta
a alma. A
água natural, que satisfaz
a sede do
corpo, é apenas
uma leve sugestão
de Cristo, a Agua
Viva, que satisfaz
a sede da
alma. O Senhor,
dizendo ser a
Videira verdadeira, ensinou
que, assim como
a videira natural
é a fonte
de vida c
fruição para seus ramos,
também era Ele
a verdadeira fonte
tia vida frutífera dos
seus seguidores.
2. O
Agricultor: Deus Pai.
“Meu Pai é
o lavrador”. Nestas palavras,
Deus c descrito
como sendo Dono e
Cultivador da vinha,
com o exercício
das seguintes funções:
1) Ele plantou a videira, ou seja, foi Ele quem enviou seu Filho a este
mundo para ser fonte de vida.
2) Ele corta os ramos
infrutíferos: “Toda a
vara, em mim,
que não dá fruto,
a tira". Assim
como se remove
os ramos inúteis, também são
removidos os cristãos
professos que não
têm vida espiritual. Foi este o
juízo divino pronunciado contra a
nação de Israel
(Ec 13.6-10; Rm
11.17-21). Judas Iscariotcs é
exemplo destacado de
alguém que foi
cortado do convívio com Cristo (At
1.16-20). A aplicação se vê em 1
Coríntios 5.1-5; 11.29,30;
1 Timóteo 1.20;
M ateus 18.34,35; 25.24-30; e 2 Pedro
1.8-10 (cf. Rm
8.9; G1 5.22,23).
3) Ele
limpa (poda) o
ramo frutífero: “E
limpa ioda aquela que dá
fruto, para que dê mais
fruto”. amos supor
que os ramos
frutíferos ficariam livres
da severidade, por
serem motivos de
satisfação para o Agricultor. No entanto, assim como videiras boas são podadas sem hesitação, a
fim de concentrarem a
seiva nos cachos, também
os filhos de
Deus muitas vezes
recebem severas disciplinas
a fim de
se tornarem mais
eficazes na obra cristã.
Mediante a aplicação
da disciplina, o Pai
remove da alma humana os
empecilhos ã vida c ao
crescimento - as ambições
desta vida, a
traiçoeira influência das
riquezas, as concupiscências da
carne e as
paixões da alma
(Hb 12.6-I 1).
4) Neste ponto,
Cristo tranqüiliza seus discípulos: “Vós já
estais limpos, pela
palavra que vos
tenho falado”. Tinham seguido os seus ensinos, estavam cm
comunhão com Ele (Jo 13.8-1 1).3.
Os ramos. “Vós
sois os ramos”.
Os discípulos são os
meios através dos
quais o próprio
Cristo produz o seu
fruto neste mundo,
sendo para Ele
o que os
ramos são para a
videira. Sua obra
pessoal tinha sido
treiná-los c, por assim
dizer, transmitir-lhes a
seiva da divina
vida e verdade, e
a parte que
lhes cabia era
transformar a seiva em
uvas. O Pai
enviara o E ilho
ao mundo a
fim de dar vida, e o
Eilho já a transmitira aos
seus discípulos; agora, na
sua ausência, a obra deles
seria ceder ao
Espírito e produzir fruto.
Esta união de
Cristo com seus
discípulos é espiritual, a
união da vida
divina com a
vida humana; é real e vital,
não sendo um
assunto de meramente
se afiliar a alguma
organização; é mútua,
porque devemos consentir em
aceitar a união
com ele; é
muito estreita , não podendo
haver união mais
estreita do que
a união entre a
videira e seus
ramos.
II -
A Importância da
Comunhão com Cristo(Jo
15.4,6)“Estai cm mim, e
eu em vós; como a
vara de si mesma não pode
dar fruto, se
não estiver na
videira, assim nem vós,
sc não estiverdes cm mim”. Naquele momento, os discípulos estavam
cm estreito contato com
Cristo, mas deviam permanecer
sempre assim para
cumprir a sua
obra espiritual no mundo.
1. A
razão. “Quem está
cm mim, e
eu nele, esse
dá muito fruto” (v.
5). O fruto
é a propagação do
Evangelho c a conquista
de almas. Inclui-se
a santidade pessoal
(G1 5.22,23), que c um dos meios de produzir frutos, conservar c
desenvolver a obra de Deus. Dar fruto, ou
seja, produzir reais resultados
espirituais, é o
propósito da religião
de Cristo c, portanto,
o teste prático
da sinceridade c capacidade
espiritual dos que
dizem ser seus discípulos. Quando o
“fazer” quer tomar
o lugar do
“crer”, c errado
c mau; quando, porém, é o eleito
da fé em ação, é bom c precioso.
Qual a
prova real da
qualidade de uma
árvore frutífera? E o
fruto que produz.
“Porque sem mim
nada podeis fazer".
Indirctamcntc, estas palavras
ensinam a divindade tie Cristo, t) Onipotente.
Diretamente, ensinam que, fora do
contato
com Cristo, não
temos vida, apoio,
inspiração ou
resultado
espirituais c verdadeiros
no ministério cristão.
2. A
advertência. “Se alguém não
estiver em mim, será lançado
fora, como a vara,
e secará; e os colhem
e lançam no fogo, e ardem”.
Tal é a penalidade de afastar-se de Cristo. E
uma lei que
sc percebe cm
toda a natureza
- que a faculdade
que não é
exercitada fica paralisada,
atrofiada. Conservamos as nossas
faculdades ao empregá-las,
c, deixando de
excerce-las, perdemo-las.Note
quão gradual e progressivo é este processo:
falta de fruto, secar,
ser lançado fora, ser
apanhado, ser queimado. O
que simboliza o queimar
neste versículo? Refere-se aos ensinos de Mateus 18.34,35 c 25.30, e Lucas 12.45,46? Ou explica-se nas seguinte
passagens bíblicas - 1 Coríntios U
2-15; 5.4,5; 11.29-32;
Hebreus 12.5-11; Lucas 12.47,48? Seja qual for a conclusão, não pode haver dúvida quanto
graves conscqüências de se ficar de fora
de comunhão com Cristo.
III -
Os Resultados da Comunhão com
Cristo(Jo 15.5,7,8)
1.
Quanto
aos discípulos.
1 )
Os que permanecem
cm Cristo dão fruto genuíno
e abundante. A vida
de Cristo na alma
do crente produz
resultados marcantes e
reais.
2) Sucesso na
oração. “Se vós estiverdes em mim [conservando
a comunhão com Cristo],
e as minhas
palavras estiverem em
vós [se os
ensinamentos de Cristo controlam
nossos pensamentos c
idéias ate se
transformarem em nossa orientação c
inspiração], pedireis tudo
o que quiserdes,
e vos será feito”. Unidos com
Cristo, pedimos cm nome dele, ou
seja, de acordo
com a sua
vontade, e conforme
os melhores interesses do seu
Reino c do nosso
bem espiritual. 3) O diseipulado
completo. “E assim sereis
meus discípulos”.
Discípulos, não meramente
cm palavras, mas na
realidade.
2. Quanto
ao Pai. “Nisto
é glorificado meu
Pai, que deis muito
fruto” . O agricultor
c respeitado, c
sente-se satisfeito quando a lavoura dá bons frutos. Quando os crentes vivem
c colaboram como
devem, são testemunhas
vivas da realidade
c do poder
de Deus c
de Cristo. O que
acontece quando os
crentes fracassam? Veja
2 Samuel 12.14.
IV -
O Padrão da Comunhão (Jo
15.9,10)
1. O padrão
do amor. “Como
o Pai me amou, também eu vos
amei a vós;
permanecei no meu
amor”. E como se Jesus
dissesse: “Vocês observaram como o
Pai tem ficado comigo
durante meu ministério na terra,
e como seu
amoi me tem acompanhado desde o
Céu até
à terra. Assim Iambém
é grande c
terno o meu
amor por vocês.
Vivam de modo que
nada venha impedir a continuação deste
derramamento de amor
celestial cm suas
vidas”.
2. O padrão da
obediência. “Sc guardardes
os meus mandamentos, permanecereis
no meu amor;
do mesmo modo que
eu tenho guardado
os mandamentos de meu
Pai, e
permaneço no seu amor”.
A
obediência c o segredo
de permanecer no
amor de Cristo.
O Senhor nunca incumbiu os
discípulos de qualquer
dever que Ele
mesmo não se
dispusesse a cumprir. Portanto,
aponta para o exemplo da sua própria
obediência aos mandamentos do Pai.
V -
Os Frutos da Comunhão com
Cristo
Certas coisas
decorrem da comunhão
com Cristo:/.
A plenitude
da alegria. No
versículo 1 1 explica-se
o duplo motivo dos
ensinos de Cristo
quanto à frutificação:
1) “Tenho-vos
dito isto, para
que o meu
gozo permaneça cm vós”.
A continuação do
júbilo cristão no
coração do crente depende de uma
vida frutífera. Mesmo naquela hora,
Cristo sentia júbilo
por seus discípulos, embora
cspiritual-mente imaturos, assim como o
agricultor se sente satisfeito com os cachos de uvas quando ainda são
pequenos, verdes e sem
valor comestível, vendo
neles a promessa
das uvas maduras. Cristo
transmite sua alegria aos discípulos:
a alegria da comunhão
com Deus, da
perfeita obediência, do perfeito
amor, da abnegação c da dedicação.
2) “E o
vosso gozo seja completo”. A
perfeita alegria é dada àquele
que frutifica para Cristo. E o
servo fiel que ouvirá as palavras: “Entra no
gozo do teu Senhor”.2. O m andam ento do amor.
“O meu mandamento c este: Que
vos ameis uns
aos outros, assim
como eu vos
amei”. O Senhor quer
ensinar a seus
discípulos que permanecer no
amor uns dos outros
é quase tão necessário ao
seu bem espiritual como
o fato de
cada um deles
permanecer nEle pela fé.
As divisões, partidarismos
e ciúmes teriam efeitos fatais na
sua obra. O
padrão: “assim como
eu vos amei”. Cristo amou seus discípulos com amor forte, terno, paciente,
perseverante e sacrifical, ao ponto assim descrito: “Ninguém
tem maior amor
do que este:
de dar alguém
a sua vida pelos seus
amigos”.
3. A amizade de
Cristo. "Vós sereis
meus amigos”. Segundo a
Lei, o relacionamento entre
Deus e seu
povo era o de
senhor para com os
seus servos. O
Senhor Jesus passou a
estabelecer um novo
relacionamento, que acrescenta divinal dignidade àqueles que trabalham por Ele: "Sc fizerdes o que eu vos mando”. Geralmentc o
senhor dá ordem aos servos, c não
aos amigos; Cristo, porém, não pode ser
despojado da sua autoridade: Ele é nosso
Amigo, e também o nosso
Rei. O resultado
da amizade: “Já
não vos chamarei servos,
porque o servo
não sabe o
que faz o seu
senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de
meu Pai vos
tenho feito conhecer” .
A intimidade da conversação
é sinal da
amizade. Cristo linha
revelado seu coração aos
discípulos, contando-lhes algumas
das coisas mais profundas
dos planos divinos
(cf. Ex 33.1 1).
4. O c o
n h e c im e n to da eleiçã o
divina . “Não me escolhestes a
mim, mas eu
vos escolhi a
vós”. A eleição refere-se ao fato de ser escolhido por Deus. Cristo chamou seus discípulos
de amigos, mas longe estava de colocá-los cm pé
de igualdade com
Ele. Suas palavras
aqui mostram que sua posição
de amigos não
decorre de qualquer
merecimento da parte
deles, e sim
dos graciosos propósitos
de Cristo. Tudo quanto são e serão,
devem-no ao seu Senhor. Note os
propósitos da eleição:
“E vos nomeei,
para que vades”. Foi
seu plano que fossem
pregar o Evangelho, saindo por toda parte (Ml 28.19,20).
“E deis fruto”, o que se refere principalmente a
ganhar almas e
aos eleitos do seu
ministério. “E o
vosso fruto permaneça”.
Seu ministério deve produzir
resultados permanentes. Por exemplo, a con versão dc D.
L. Moody foi
o fruto permanente
de certo jovem pregador que
eslava achando acanhados os frutos do seu
ministério. O Peregrino
foi o fruto das
meditações dc John Bunyan enquanto estava encarcerado pela sua
fc, fruto este que tem
perdurado até agora,
c que decerto
será apreciado enquanto existirem cristãos neste mundo. “A fim dc
que tudo quanto
em meu nome
pedirdes ao Pai
ele vo- lo conceda”.
Os crentes podem
ter a certeza
dc que tudo quanto precisam para produzir frutos
espirituais está ao seu alcance mediante a oração. Pedir em nome de Cristo significa pedir
de acordo com
a sua vontade,
dependendo da sua intercessão
cm nosso favor,
e em prol
dos mais altos interesses do seu
Reino.
VI -
Ensinam entos Práticos/.
Somos
a vinho de
Deus. Em cada
etapa do crescimento,
c a cada
estação do ano,
o viticultor tem
algo a fazer com
suas videiras. E
qual o seu
propósito? Tudo c feito
na esperança dc virem os frutos.
Não havendo frutos, seu interesse entra cm colapso, e todos os
cuidados se transformam em desperdício
de tempo. Na
realidade, os ramos vazios
podem ate ser
motivo para os
vizinhos zombarem do viticultor.
Deus c como o
viticultor. Não criou
o mundo c os
homens como vão
passatempo. Criou-nos a
fim de que venhamos
a produzir caráter e atos de
seu agrado. E este o fruto que justifica o trabalho e cuidados que
Ele dedicou a nós. Caso
contrário, a decepção de
Deus será a que se expressa em
Isaías 5.4: “Que
mais se podia
fazer à minha vinha,
que eu lhe
não tenha feito?
c como, esperando
eu que desse uvas,
veio a produzir
uvas bravas?
"Nossas vidas
c ações estão
dando ao nosso
Criador os frutos que
Ele merece, depois
dc tudo o
que fez por
nós?
2. '‘Porque
nenhum de nós vive para
si ” (Rm 14.7).
Os crentes, comparados aos
ramos da videira,
não somente dependem de Cristo, como
também uns dos
outros. Devemos aceitar nossa
situação de ramos
porque não podemos nos separar c formar nossas próprias
raízes. O braço cortado
fora do corpo, o ramo cortado
fora da videira - c assim0 homem
que quer viver para si
mesmo. Será deixado em frio
isolamento. Nossa vida só pode
ser vivida plenamente quando
reconhecemos que fazemos
parte de um
todo, e que não
existimos na terra
para levar adiante
os nossos próprios planos nem para acumular bens para nós mesmos, mas para promover causas que
beneficiem a todos
c agradem a Deus.
3. Limpos pela palavra. Veja João
15.3 e Salmo
1 19.9. Os ensinamentos
administrados aos apóstolos, quando Cristo repreendia seus
erros, corrigia as
suas falhas e
purificava os seus motivos,
tinham poder para
santificá-los.Nós também podemos
sentir o poder
sanlificador da Palavra. Por
exemplo, estamos perturbados,
com preocupações e temores? Então,
um “banho” cm
Mateus 6.19-34 nos fará
bem. Estamos carregados
com descrença e dúvidas?
Devemos, então, tomar um bom “banho” em I lebreus1 1,
para nos sentirmos
cheios de fé c esperança.
Certo homem leu 1
Coríntios 13 uma
vez por semana
durante três meses, e isso transformou-lhe a vida. É um dos
muitos exemplos de quão
real c prática
é a experiência
expressa nas palavras: “Vós já
estais limpos, pela
palavra que vos tenho
falado”.
4. Condições para produzir fruto. Fomos, por natureza, ramos de uma videira
degenerada; pela regeneração, fomos separados
do antigo tronco e enxertadós na Videira verdadeira. Mesmo
assim, precisamos dos
contínuos cuidados do Agricultor,
por causa dos
seguintes perigos:
4.1. O
ramo pode soltar-se;
daí a admoestação:
“Estai em mim”. O
enxerto não somente
é amarrado ao
tronco, como também coberto,
no ponto de junção,
com cera ou algo
semelhante, para excluir qualquer
elemento estranho Assim tamhcm
na vida espiritual. Nada
deverá perturbar a nossa firmeza
cm Cristo.
4.2. O
segundo perigo é
que o ramo
pode voltar a ser
um galho
silvestre, correndo pelo
chão na forma
de cipó, que produz
madeira e folhas sem fruto. Quem
desconhece as videiras poderia considerar um desperdício a quantidade de
sarmentos e folhas que se corta c lança fora cm monturos. A poda,
no entanto, leva a videira a ganhar muito mais do que
perde porque é
feita para aumentar
o produto. Semelhantemente, os
sofrimentos c a
disciplina que os crentes precisam enfrentar geralmente tem
efeito depurativo, como
se fossem resultado da divina
faca de poda, cortando os brotos
da vida egoísta,
a fim de
que todas as energias da alma possam manifestar a vida de Jesus (cf.
Fp 3.10; Hb 2.10;
12.5-12).
5. A
perseverança elos santos.
“Sc alguém não
estiver em mim, será
lançado fora, como
a vara”. Existe
a possibilidade de
alguém ter conexão
com Cristo e
depois ser separado dElc.
E a experiência
religiosa aborliva, que não é
verdadeira conversão. A
culpa c do
discípulo, e não do
Mestre; o Mestre
não abandona ninguém;
seja qual for a
nossa fraqueza, ou
desvantagens naturais, Deus
nos levará á vitória
final, se nossa
vontade for entregue
a Ele.
6. “Sem mim...
nada''. Havia um costume em
Munique, Alemanha, de se levar a uma instituição de
caridade qualquer criança achada
na rua esmolando. Fazia-sc um retrato da criança na condição em que
foi achada e, uma vez completada a sua
educação, era solta, com a
condição de levar consigo, c
guardar para sempre,
o retrato daquilo
que era antes de
ser alvo da
misericórdia. Aqui há
uma lição para todo
crente. Muitos crentes
chegam a ter
grande sucesso mediante a
graça c poder
de Cristo, e
então começam a gloriar-se nas suas próprias realizações. Precisam
lembrar- se tie quem os transformou, voltando-se para Ele antes
que as vitórias sejam
transformadas em fracassos
. Condições para a oração respondida. Leia o versículo 7. A disposição de Deus quanto
a responder às nossas orações
é um convite a pedir. Sugerem
se as seguintes condições,
para que a
oração possa ser
atendida por Deus:
7.1. A
glória do Pai
(Jo 14.13). Nenhuma
oração tem possibilidade de chegar à fruição se não for
inspirada pelo desejo de fazer
com que o
Pai seja conhecido,
amado c adorado; Deus
honra aos que
o honram.
7.2. Em nome de
Cristo (Jo 14.13).
Nas Escrituras, o “nome”
representa a “natureza”.
Orar em nome
de Cristo c orar
conforme nos inspira
nossa natureza cristã,
c não nosso próprio-eu carnal. Orar em nome de Cristo é orar no Espírito de
Cristo.
7.3. Permanecendo em
Cristo (Jo 15.7).
Quando permanecemos com Cristo cm
comunhão diária, a unção (“seiva”) do Espírito Santo,
aprofundando nossa comunhão com o
Senhor invisível, produzirá
em nós desejos
c petições semelhantes aos
que Ele incessantemente apresenta
ao Pai. Ele nunca poderá pedir coisas que
não seriam apropriadas ao Pai
conceder.
7.4. A
conformidade com os
ensinos de Cristo. “Se...
as minhas palavras estiverem
cm vós”. Os
ensinos de Cristo são
como juizes, examinando cada petição
antes que cheguem
ao Mestre. Por
exemplo, uma petição
egoísta seria devolvida com o pronunciamento: “Mas
buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça”. Uma oração
manchada por sentimentos de má
vontade pode ser retificada com a
injunção: “Amai os
vossos inimigos e
orai pelos que
vos perseguem”. A oração em nome de Cristo deve conformar-
se aos
seus ensinos.
7.5. A
oração deve relacionar-se com nosso serviço cris tão (v.
16). A oração
atinge o nível
mais alto quando
tem a finalidade de
nos ajudar a
servir aos outros na
propaga ção do Reino
de Deus.
X. A
perseverança produz o gozo perfeito.
“Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo
permaneça cm vós, c o vosso gozo seja
completo”. Estas exigências
quanto à vida frutí- iera visam transformar o júbilo de um recém-convcrtido
no gozo estável, pleno e completo do cspiritualmcnte maduro. A perfeita
felicidade c para
quem venceu a
luta, para o ceifeiro
depois de completa
a colheita, para
o atleta que ganhou
o prêmio da força, da perícia
c da velocidade.Perseverando cm
fazer o bem,
ouviremos a voz do
Senhor, dizendo: “Entra
no gozo do
teu Senhor”.
9. A perfeita
amizade. Note como Jesus nos oferece
todos os elementos da perfeita
amizade.
9.1. Mantém
a casa aberta para
nós. Muitas casas
têm o aviso: “Não
se recebem mendigos
ou vendedores”. Este Amigo,
porem, avisa: “Pedi,
c dar-sc-vos-á”.
9.2. Jesus
sempre olhava o lado
melhor da conduta dos seus discípulos. Havia muitas ocasiões de fracasso entre os discípulos, como no
Getsêmani, mas Jesus, cm vez de acusá-
los, reconheceu suas
limitações: “O espírito
está disposto, mas a
carne é fraca”.
9.3. Jesus
entende as alegrias e
as tristezas dos
seus amigos. Seu recado:
“Mas ide, dizei
a seus discípulos, e
a Pedro" (Mc 16.7)
mostra como entendeu
os sentimentos do seu
apóstolo desencorajado.
9.4. Jesus
tem plena confiança
nos seus amigos,
e este é um teste importantíssimo de amizade. Disse o Senhor com respeito a Abraão, seu
“amigo”: “Ocultarei a Abraão o que estou para fazer?” Os
que entram no recôndito da sua
presença sabem que
o segredo do
Senhor está com
os que o temem.9.5.
Jesus é um Amigo que
nunca abandona os
que o amam. “Como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os
até ao fim”
(Jo 13.1). Podemos
saber que, lambem neste
ponto, Ele é
o mesmo ontem,
hoje e para sempre
MYER PEARLMAN - JOO O EVANGELHO DO FILHO DE DEUS


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