terça-feira, 19 de março de 2019

LIÇÃO 12 : João, as Declarações do Filho de Deus








João, as Declarações do Filho de Deus
___/___/____    João, as Declarações do Filho de Deus


TEXTO BÍBLICO BÁSICO
João 8.50-59
50 - Eu não busco a minha glória; há quem a busque e julgue.
51 - Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.
52 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora, conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.
53 - És tu maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? E também os profetas morreram; quem te fazes tu ser?
54 - Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.
55 - E vós não o conheceis, mas eu conheço-o; e, se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.
56 - Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.
57 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?
58 - Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou.
59 - Então, pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.

TEXTO ÁUREO
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim." João 14.6

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS

Caro professor, em Êxodo 3.14, Deus apresenta-se a Moisés como Eu Sou; isto põe em relevo Sua autoexistência e imutabilidade, pois, sendo o Eu Sou, Ele é sem qualquer causa que o preceda. Sendo “autocausado” e autossustentado, o Senhor nunca dependeu de algo ou de alguém para existir e jamais dependerá de algo ou de alguém para continuar existindo.
A vida humana é formatada pelo que fomos, somos e seremos; é muito comum dizermos; eu fui; ou eu serei; Jesus, no entanto, afirma: Eu Sou (Jo 6.35,51; 8.12; 9.5; 10.7,9,11,14;
11.25,26; 14.6,7; 15.1,5)! Ao fazer uso dessa expressão, repetidas vezes, o Salvador tinha por objetivo reafirmar Sua divindade.
Com o Filho de Deus compreendemos que as limitações do Cronos inexistem para o Eterno: nem passado nem futuro puderam, podem ou poderão delimitá-lo.
Tenha uma boa aula!


Palavra introdutória

propósito do Evangelho de João é apologético [aquilo que se defende por discurso falado ou escrito]. Esse livro foi escrito para produzir fé em todas as pessoas que viessem a ter acesso ao texto joanino — fosse pela leitura ou pela escuta, como era costume acontecer na Igreja primitiva.
O discípulo amado realça, de maneira veemente, a divindade de Jesus; por outro lado, também exibe, de forma incisiva, Sua humanidade: nesse livro observamos, por exemplo, que Jesus ficou cansado (Jo 4.6), teve sede (Jo 4.7), chorou (Jo 11.35) e sangrou (Jo 19.34). Para os que o viam apenas casualmente, Ele era o homem chamado Jesus (Jo 9.11); mas para os que se aproximavam dele e conviviam com Ele não havia dúvida quanto a Sua origem: Nós temos crido e conhecido que
tu és o Cristo, o Filho de Deus (Jo 6.69).
No quarto Evangelho, além de destacar os sinais realizados por Cristo, João registrou as várias autodeclarações feitas por Ele, as quais comprovam, do mesmo modo, Sua divindade.

Nos primeiros livros neotestamentários, os evangelistas preocuparam-se em registrar as muitas histórias provocativas (parábolas) que Jesus contou aos Seus ouvintes, com o objetivo de apresentar-lhes o Reino dos céus, tais como: a parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30), a parábola da semente (Mc 4.26-29) e a parábola do amigo importuno (Lc 11.5-13). João, por sua vez, não focou em seu livro sequer uma parábola proposta pelo Salvador; ao contrário, no quarto Evangelho, Jesus é o sujeito de todos os Seus sermões. Observe:

enquanto nos sinóticos Jesus fala do pastor e da ovelha perdida (Mt 18.12-14; Lc 15.1-7); em João, Ele é o bom Pastor (Jo 10.11);
enquanto nos outros Evangelhos Jesus propõe uma parábola na qual o Reino é semelhante a uma vinha que será entregue a outros (Mt 21.33-46; Mc 12.1-12; Lc 20.9-19); em João, Ele é a própria Videira (Jo 15.1-7).

Nos tópicos e subtópicos seguintes, veremos que, no Evangelho de João, Jesus utilizou por sete vezes a expressão Eu Sou em autorreferência (Jo 6.35.51; 8.12; 9.5; 10.7,9; 10.11,14; 11.25,26; 14.6,7; 15.1,5) — a mesma utilizada por Deus, quando apresentou-se a Moisés no Sinai (Êx 3.6,14).
É importante ressaltar que, além das autodeclarações diretas feitas pelo Salvador, há aquelas que deixam subentendido ser Ele o grande Eu Sou do Antigo Testamento (Jo 4.25,26; 8.24,28,58; 13.19)

1. AQUELE QUE SUPRE NOSSAS NECESSIDADES
No Evangelho de João, percebe-se que, frequentemente, um milagre conduz a um discurso de Jesus.
Aprendemos com isto que os sinais completam-se na Palavra: milagres sem Palavra são despropositados, pois acabam sendo interpretados equivocadamente.
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Os sinais produzem a fé, mas
o caminho que conduz à fé
é a Palavra; não se passa
diretamente do sinal à fé;
antes, passa-se do sinal à fé
através da Palavra.
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1.1. Eu Sou o pão da vida
No início do sexto capítulo do Evangelho de João (1-15), lemos que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes, com vistas a alimentar uma numerosa multidão. Avançando na leitura do texto, observamos que, no dia seguinte, a multidão foi em busca de Jesus, do outro lado do mar (Jo 6.24).
O Mestre, ao defrontar-se com aquelas pessoas, confrontou-as dizendo que elas o procuravam porque tiveram sua fome física saciada, não porque entenderam os milagres que Ele realizara. E continuou exortando-as: Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna (Jo 6.27a). Sem entender o que Jesus queria dizer, remontando à peregrinação de Israel no deserto — quando o povo foi alimentado com maná que caía do céu —, elas perguntaram ao Mestre que milagre Ele realizaria naquele momento para que pudessem crer Nele (Jo 6.28-31). Jesus, então, declarou diante de todos os presentes que o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo e revelou ser Ele mesmo o pão da vida; todo aquele que viesse a Ele jamais teria fome (Jo 6.34,35).
O Filho de Deus é aquele que dá e sustenta a vida — não qualquer tipo de vida, mas a vida eterna (espiritual): assim como um pedaço de pão sacia a fome humana, o pão da vida sacia as almas famintas de Deus; e, diferente do maná que foi passageiro e apodrecia (Êx 16.29-21), Jesus é eterno e incorruptível.
1.2. Eu Sou a luz do mundo
Esta declaração de Jesus foi feita no período da Festa dos Tabernáculos (Jo 7.2,10), ocasião em que os átrios do templo de Jerusalém eram iluminados com quatro grandes candelabros de ouro, os quais projetavam luz sobre a cidade, permitindo que as celebrações se estendessem durante as noites.
Há quem afirme que essa radiante iluminação fosse um memorial da coluna de fogo que guiou Israel em sua peregrinação pelo deserto (Êx 13.21,22).
Aproveitando essa ocasião, Jesus declarou: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8.12). O Filho de Deus esteva entre os homens para anunciar que Ele é a nova coluna de fogo que guiará os remidos à eternidade, conforme vaticinado por Malaquias: [...] para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das suas asas (Ml 4.2).

1.2.1. Um conceito ampliado 
No Antigo Testamento, encontramos outras declarações acerca da Luz que ilumina os homens. Nos livros poéticos, por exemplo, os autores sagrados declararam: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação” (Sl 27.1); “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105); “Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lei, uma luz, e as repreensões da correção são o caminho da vida” (Pv 6.23).
Jesus, o Verbo encarnado, personificou todas essas declarações veterotestamentárias: Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (Jo 1.4,5). A revelação registrada no Evangelho de João amplia esse conceito: Jesus não é apenas luz para Israel; Ele é luz para o mundo. Esta é uma revelação soteriológica, pois torna conhecido Seu poder salvífico em nossa vida: o homem que Nele crê é subtraído das trevas e reencontra o caminho da salvação.

1.3. Eu Sou a porta das ovelhas
 Em João 10.1-21, Jesus usa como exemplo o trabalho pastoril para destacar outras verdades espirituais a Seu respeito.
Ele começa mostrando a diferença entre o pastor das ovelhas e os ladrões e salteadores: quem usa caminhos ilícitos para acessar o aprisco não é o pastor, mas, sim, o ladrão e salteador (Jo 10.1); o pastor usa a porta (Jo 10.3).
Em seguida, Ele põe em contraste os ladrões e salteadores e a porta (Jo 10.7-10). Jesus está afirmando, rigorosamente, que não há outro caminho; nenhum outro acesso é valido; Ele é a única passagem por onde passa o rebanho de Deus (Jo 10.9).

2. AQUELE QUE NOS PROTEGE

2.1. Eu Sou o bom Pastor
Na sequência do texto, observamos que Jesus continua apontando contrastes. Entre os versículos 11-18 (Jo 10), Ele põe em relevo o mercenário e o pastor. O mercenário é aquele que tem por objetivo obter vantagens financeiras. O Mestre deixa bem claro: O mercenário não é pastor! As ovelhas não pertencem a ele. Não por outra razão, o mercenário foge quando o lobo vem, permitindo o ataque ao rebanho (Jo 10.12,13). Em contrapartida, Jesus declara: Eu sou o bom (gr. kalos = ideal, digno, escolhido, excelente) Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11; grifo do comentarista) — ainda que ninguém pudesse tirá-la, Ele a entregou por todos nós (Jo 10.18).
Dois outros pontos destacam-se nessa porção da Escritura. Eu [...] conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido (Jo 10.14). Esta declaração remete-nos à realidade de que existe, sim, um relacionamento íntimo e mútuo entre Ele e nós: o bom Pastor conhece nossas necessidades e nós conhecemos a Sua vontade.
Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco (Jo 10.16) — Jesus não é apenas o Pastor de Israel, mas o Pastor da Igreja (Sl 23), de todos quantos Nele creem.
 
2.2. Eu Sou a ressurreição e a vida
Jesus fez esta declaração no episódio da morte e ressurreição de Lázaro (Jo 11.1-45). Naquele dia, diante da incompreensão de Seus ouvintes, Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá (Jo 11.25). Esta é uma das mais poderosas revelações de Jesus.
Nessa frase, o sujeito e o predicado são permutáveis: Jesus é a ressurreição e a vida; a vida e a ressurreição são Jesus [ou estão em Jesus].
Ressurreição e vida não são um Dia; são uma pessoa: Jesus, o Eu Sou! A ressurreição e a vida estão
Nele (Rm 6.8-9; 1 Co 15.20,57; Cl 1.18; 1 Ts 4.16). É importante frisar, neste ponto, que, primeiro, vem a ressurreição, depois, a vida; afinal, é a ressurreição em Cristo que dá acesso à vida eterna com Deus. Marta disse: se tu estivesses aqui (passado); depois, transferiu sua esperança para o último Dia (futuro). Jesus, todavia, disse-lhe: Eu Sou (presente)! Nosso Salvador não foi nem será; Ele é!
______________________
Jesus é o Caminho —
naquele dia, o Filho de
Deus revelou que não
tinha vindo a este mundo
para ensinar o caminho;
Ele é, em si mesmo, o
Caminho para o Pai.
• Jesus é a Verdade —
Ele não apenas dizia e
ensinava a verdade; Ele
é a Verdade. Os que têm
Jesus têm a Verdade (Jo
1.14,17).
• Jesus é a Vida — Ele é a
fonte da vida espiritual
e eterna (Jo 1.4; 5.26;
11.25; 1 Jo 5.20).
______________________

2.3. Eu Sou o caminho, e a verdade e a vida
Na noite anterior ao Calvário, os discípulos, querendo saber para onde o Senhor iria (Jo 13.36), foram consolados e incentivados por Ele a crer que lhes seria preparado um lugar (Jo 14.1-3). João faz-nos saber que Tomé redarguiu: não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho (Jo 14.5)? Eis que surge uma das mais poderosas afirmativas do Novo Testamento: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6).

CONCLUSÃO

Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1): este sétimo Eu Sou abre o capítulo 15 do Evangelho de João, e as lições extraídas desta verdade são preciosíssimas. Observe.
Jesus é a Videira, os discípulos são os ramos e o Pai é o lavrador (Jo 15.1-3) — Videira, ramos e lavrador remetem à ideia de relacionamento.
A Videira é uma só, o lavrador também é um só, mas os ramos apresentam-se de quatro maneiras distintas: sem fruto (Jo 15.2); com fruto (Jo 15.2); com mais fruto (Jo 15.2) e com muito fruto (Jo 15.8) — é imperativo ao cristão produzir frutos, a fim de que Deus seja glorificado por intermédio da sua vida (Jo 15.8).
A única maneira de ser um ramo produtivo é estar ligado à Videira, pois o ramo, por si só, não é capaz de frutificar (Jo 15.4,5).
Há o trabalho do lavrador na vinha — ele tira os ramos infrutíferos e poda os frutíferos para que produzam mais frutos (Jo 15.2).
Apenas uma vida de relacionamento íntimo com Cristo, por intermédio da Sua Palavra, pode fazer de nós ramos frutíferos para Sua glória (Jo 15.7).
Estejamos, pois, sempre ligados Nele, a Videira verdadeira.

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Quantas vezes, no Evangelho de João, Jesus utilizou a expressão Eu Sou em autorreferência?
R.: Sete: Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,51); Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12; 9.5); Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9); Eu sou o bom Pastor (Jo 10.11,14); Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25,26); Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida (Jo 14.6,7); Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).

Fonte: Revista Lições da Palavra de Deus n° 57



Jesus, o Pão da Vida
Texto:  João  6
Introdução


A  leitura completa do sexto capítulo de João nos  ajudará  a  colocar  o  sermão  de  Jesus  (v.  26-37),  que  receberá nossa atenção especial neste estudo, no seu exato contexto. O  capítulo  registra  muitas  coisas  grandiosas:/. 

1. Um grande milagre.  Depois de os apóstolos voltarem da  sua  breve  viagem  evangelística,  Jesus  os  levou  para  o ermo, a fim de passarem juntos uns breves períodos de descanso  c  comunhão  espiritual.  Não  havia,  no  entanto,  nenhum  descanso  para os  cansados;  seus  movimentos  foram observados,  e  o  povo  acorreu  ao  lugar  onde  desembarcaram, correndo pela praia ao redor do mar da Galiléia, como se  temesse  que  eles  escapassem.  Havia  ao  todo  cinco  mil homens.  Cerca de  15  mil  pessoas, contando-se também  as mulheres  c  as  crianças.  E  aquEle  que  revelou  seu  poder criador,  transformando  a  água  em  vinho,  exerceu  este mesmo  poder,  alimentando  aquela  multidão  com  uns  poucos  pães  e  peixes

2.  O grande entusiasmo. 
Ate esta altura,  a popularidade do  Senhor  tinha  crescido  com  velocidade  sempre  maior. Depois  de  o  povo  ver  este  milagre,  seu  entusiasmo  ficou até  febril.  Chegaram  à  conclusão  de  que  Ele,  ao  repetir  o milagre  da  alimentação  sobrenatural  de  Israel  no  deserto, revelou-se  como  o  Messias.  Saudaram-no  como  Rei,  e  se prontificaram  a  escoltá-lo  a  Jerusalém  para  sua  coroação, esperando  que  Ele  expulsasse  os  romanos  da  Palestina  e exaltasse  Israel  acima  das  nações.

3.  A  grande  tempestade.  Jesus  imediatamente  reconheceu  o  incidente  como  sendo  mais  uma artimanha  da parte de  Satanás, para tentá-lo  a tomar o  trono  sem  aceitar  a  cruz.  Rapidamente  mandou  embora  a  multidão, ordenou  aos  discípulos  que  se  afastassem  num  barco  e depois  subiu  a  uma  montanha  para  orar.  Nesse  ínterim, levantou-se  uma  tempestade  que  impedia  os  discípulos de  remar  c  ameaçava  virar  o  barco.  A  tempestade  prenunciava  a  experiência  que  estava  para  lhes  sobrevir. Dentro  em  breve,  rajadas  de  impopularidade  soprariam contra  o  Mestre  e  seu  grupo,  ameaçando  sossobrar-lhes a  fé.  Logo  teriam  de  resistir  aos  ventos  c  às  ondas,  para não  serem  levados  em  debandada  à  ruína,  pelo  furacão da apostasia.  No  entanto,  o  Mestre  não  se esquecera dos discípulos;  seu  olhar  vigiava  o  barco,  e,  no  momento  da necessidade,  interveio  em prol  deles.  Jesus  nunca se descuida dos  seus  fiéis,  quando  estão  
passando  pelas  águas de  tribulação.

4.  Um  grande  sermão.  Cristo  estava  no  auge  da  popularidade,  era o “homem do  momento”.  Certamente,  segundo o pensamento popular, quem Linha poderes para alimentar milagrosamente  cinco  mil  pessoas  seria ideal  para restaurar  a  prosperidade  da  nação  e  oferecer  ao  povo  tudo quanto  necessitava.  Satanás  conhecia  muito  bem  os  sentimentos  do povo quando sugeriu que Jesus  lançasse  mão de seus  poderes  para  transformar  pedras  em  pão.  Naquelaocasião,  como  também  no  incidente  aqui  registrado, Jesus declarou  que  o  homem  não  obterá  mediante  a  comida  na tural  a  sua  verdadeira  vida,  que  c  espiritual  (Mt  4.3,4;  Jo 6.27).
O  Senhor  não  queria  que  alguém  o  seguisse  sem  ter  o conceito  correto  quanto  à  sua pessoa;  todos  deviam  saber com  certeza  que  tipo  de  Messias  era  Ele.  Em  vista  disto, pregou  um  sermão muito  claro  para estabelecer qual  era a sua posição. Não veio como Messias político para dar nova vida  à  política  da  nação,  e  sim  como  Messias  espiritual, para  oferecer  vida  espiritual  ao  seu  povo.  Quando  Jesus alimentou  o povo  com pão físico,  demonstrava,  simbolicamente,  seu  desejo  de  alimentá-lo  com  o  Pão  espiritual  que produz  a  vida  eterna.

5.  A  grande  triagem.  A  mensagem  que  Cristo  pregou foi  um  golpe  mortal  contra  a  sua  pop ularid ad e; deliberadamente,  destruiu  o  apoio  de  uma grande parte da população:  “Desde então  muitos dos seus discípulos  tornaram  para  trás,  c  já  não  andavam  com  ele”  (6.66).  Seus ensinamentos estavam além  do  alcance deles,  e suas  ações não  se  harmonizavam  com  a  idéia  que  tinham  de  como deveria se comportar o Messias.  Muitas pessoas pensavam: “Se é assim  o Messias,  não  queremos  saber dele”.  Isto não se  constituiu  cm  surpresa para  o  Senhor:  afinal  de  contas, planejara semelhante crise deliberadamente, porque, apesar dos  seus  anseios  pela  salvação  de  todos  os  homens,  desejando  que  todos  chegassem  a Ele  para  receber  a vida,  não aceitaria pessoa alguma que não se consagrasse ao Senhor. Procurava aqueles que lhe eram dados por Deus (6.37), ensinados por Deus  (6.45)  e trazidos por Deus  (6.44),  sabendo  que  somente  os  tais  permaneceríam  na  sua  Palavra.6.  Uma  grande  prova  de  fé.  O  Mestre  estava  sendo abandonado por muitos seguidores decepcionados. Será que os apóstolos também seriam levados pela onda de apostasia? Jesus  coloca diante  deles  a questão:  “Quereis  vós  também retirar-vos?” Três âncoras seguravam os discípulos,  firmes, durante  esta  tempestade  de  apostasia:  primeiro,  sua  sinceridade  real  -  verdadeiramente  queriam  o  melhor  que  Deus tinha para  eles;  segundo,  a  consideração  das  alternativas  - “Para  quem  iremos  nós?  Tu  tens  as  palavras  da  vida eterna”;  terceiro,  sua  convicção  de  que  Jesus  era  tudo  o  que dizia  ser  -  “E  nós  temos  crido  e  conhecido  que  tu  és  o Cristo,  o  Filho  de  Deus”.

I  -  Jesus  Corrige  um  Conceito  Falso  (Jo  6.26-29)Veja  os  versículos  22-25.  A  multidão  alimentada  permaneceu  no  local  durante  toda  a  noite.  Logo  de  manhã, percebeu,  surpresa,  que Jesus  tinha ido embora.  Logo  chegou  uma  flotilha de  barcos  (talvez  para vender  mantimentos)  e,  embarcando  neles,  foram  procurar Jesus.  Achando- o  finalmente, perguntaram:  “Rabi, quando chegaste aqui?”, querendo  saber como  viajara tal  distância cm  tão  pequeno espaço de tempo. Tinham  visto Jesus  subir sozinho o monte,  enquanto  os  discípulos  partiram  sem  Ele.  Não compreenderam  como  Ele  poderia  ler  atravessado  o  mar,  pois nenhum  barco  ficara disponível  depois  da  partida dos  discípulos.  Imaginavam que, por certo, o operador do milagre dos  pães  fizera  a  travessia  de  modo  milagroso,  sem,  porem, lerem tomado conhecimento do fato de Ele ter andado por  sobre  o  mar./. 
Condenação.  “Jesus  respondeu-lhes, e disse:  Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que  vistes,  mas  porque  comestes  do  pão  e  vos  saciastes”. Estes  homens,  em  vez  de perceberem no  milagre um  sinal da divindade de Cristo,  encararam-no  simplesmente  como uma  maneira  de  receberem  alimentos  para  seu  corpo  físico.  Souberam ver os pães no  sinal,  e não o sinal nos  pães. Seguiam  a Jesus  visando  propósitos  mundanos  c  motivos egoístas.  Jesus conhecia o coração humano,  não  se deixando iludir com  o entusiasmo popular.  Percebia as  suas aspi rações sem  espiritualidade, comparáveis  às  atitudes daqueles  que desejam o milagre da cura divina sem  almejarem  a salvação  da  alma.Os versículos  26 c 27  servem como  comentário  do texto:  “Não  só de pão  viverá o homem”.  Precisa de pão,  mas precisa também de outras coisas; é-lhe necessário  ter víveres,  como  também  ter  visão.  Se  o  homem  fosse  apenas corpo, bastar-lhe-ia o pão;  sendo também  alma, ele precisa de  Deus.

2.  Exortação.  “Trabalhai,  não  pela  comida que  perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna,  a qual o  Filho  do  homem  vos  dará;  porque  a  este  o  Pai,  Deus,  o selou”. Os ouvintes tinham corrido uma distância tão grande  por  causa  da  comida  que  perece  e  que,  portanto,  não pode produzir a  imortalidade;  deveriam  ler mostrado  igual interesse  cm  procurar  a  comida  que  nutre  a  alma  para  a vida eterna. Jesus  não  quer dizer que não se deve  trabalhar para ganhar a vida, inclusive a comida diária,  mas não quer que  as  coisas  naturais  sejam  o  alvo  principal  do  homem. Assim como existe uma fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4.14),  assim  também  existe  uma comida que,  ao ser  assimilada,  transmite  à  alma  a  vida  divinal.  Sabemos que Cristo nos oferece tal comida, porquanto  "o Pai,  Deus, o  selou”.  Este  selo  é  o  sinal  da  aprovação  daquilo  que  é genuíno,  c  da  exclusão  daquilo  que  é  errado.  Através  do milagre da multiplicação dos pães, Deus dá seu carimbo de aprovação  que  comprova  ser  Jesus  o  Doador  do  Pão  da Vida.  A  descida  do  Espírito  Santo,  a  voz  do  céu  e  a  operação  de poderosos  milagres  eram  evidencias que provavam que o  Pai  dedicara  Cristo  para  ser Salvador do  mundo.

3.  Interrogação.  “Disseram-lhe, pois:  Que faremos, para executarmos as obras de  Deus?”  (Ou seja,  obras aprovadas por Deus, e que nos aproximam de Deus.) A pergunta surgia com  naturalidade  entre  os judeus,  cujo  conceito  da  salvação  era  que  a  escrupulosa  observância  de  um  currículo inteiro  de  deveres,  cerimônias  e  outras  obras  lhes  daria  o direito a ela.  Mesmo assim, a pergunta demonstrava algum interesse  na  questão,  e  queriam  esforçar-se  neste  sentido. Semelhante  pergunta  vem  irrompendo  do  fundo  do  coração  de  todos  aqueles que,  tendo começado com  uma atitude  de  total  indiferença, já  fizeram  algum  progresso  na  direção  de  procurarem  uma  vida  santa  que  agrade  a  Deus.

4.  E xplicação.  “Jesus  respondeu,  c disse-lhes:  A  obra de  Deus  é  esta:  Que  creiais  naquele  que  ele  enviou” .  A fé  é  a  obra  de Deus  porque  é  Deus quem  a exige  e  aprova.  Sem  fé,  é  impossível  agradar-lhe.  Note  que  Jesus disse  que  crer  c  “a  obra”  -  c  não  uma  das  obras  -  de Deus.  A  fc  é aquela  única  obra  de  onde  procedem  todas as  demais  obras  genuínas,  lí  a  própria  fc  não  c  mérito nosso;  é  dom  de  Deus.  A  fé  é  a  mais  sublime  qualidade de  obra,  porque  por  ela  o  homem  se  entrega  a  Deus,  e não  há  nada  mais  nobre  para  um  ser  livre  fazer  do  que dar-se  a  si  mesmo.  Tiago  ressalta que  “a  fé,  se  não  tiver as  obras,  é  morta  em  si  mesma"  (Tg  2.20).  Paulo  ressalta  que  as  obras,  sem  a  1c,  estão  mortas  (Rm  3.20;  cf.  Hb 3.20).  São  verdadeiras  ambas  as  proposições.  A  fé  viva produzirá  obras  vivas;  c  obras  vivas,  aceitáveis  diante de  Deus,  devem  proceder  de  uma  fé que  realmente  vive. Disse  Martinho  Lutero:  “Ficar  confiando  na  Palavra  de Deus,  de  tal  forma  que  o  coração  não  fique  aterrorizado diante  do pecado  c  da morte,  mas,  pelo  contrário,  confie e  creia  cm  Deus,  é  algo  mais  severo  c  difícil  do  que todas  as  exigências  das  ordens  monásticas.”
Note que o supremo  objeto da fé é Jesus Cristo,  o Filho de  Deus.  O judeu  ortodoxo  afirma que,  enquanto  agrada a Deus,  não  tem  necessidade  de  Cristo.  Como,  no  entanto, poderá agradar a Deus  se rejeita o seu Mensageiro?  (cf. 18.18,19)

                                                            Jesus,o Bom Pastor

Texto:  João  10IntroduçãoA cura do cego, descrita no capítulo anterior, serve como pano de fundo ao discurso de Jesus registrado aqui.  Os  líderes  religiosos  já  haviam  determinado  que  qualquer  pessoa que  confessasse  ser  Jesus  o  Messias  fosse  excomungada, expulsa da sinagoga (Jo 9.22). Quando o cego curado persistiu  na  sua lealdade a Jesus,  “expulsaram-no’'  (9.34).  Existiam  vários  graus  de excomunhão;  a  forma mais  severa,  chamada querem , fazia com  que o excomungado  fosse  contado como virtualmente morto:  não tinha  licença de  estudar com outras pessoas, e ninguém devia lhe oferecer convívio - nem sequer indicar-lhe a direção a seguir quando viajava.  Embora lhe fosse permitido comprar os mantimentos para a sobrevivência, proibia-se que outras pessoas comessem ou bebessem  com  ele.  O cego  curado fizera a escolha certa,  embora possa ter sentido pesar por ser rejeitado pelos  líderes  religiosos,  repudiado  por  todos  que  o  viam  passando  pela  rua  e sem  o  direito  ao  convívio  com  homens  bons,  o  que  o  ajudaria  cm  sua  nova  vida.

C)  Mestre, no entanto, não o deixou desamparado. Quando  os  falsos  pastores  o  eolocaram  fora  do  aprisco  deles, Jesus,  o  Bom  Pastor,  proeurou-o  para  abrigá-lo  no  seu aprisco.  Fechou-se a porta da sinagoga;  abriu-se a porta do reino dos  céus.  E em  face a tal  situação  que Jesus  declara: “Eu  sou  a  porta  das  ovelhas...  Eu  sou  o  bom  Pastor”.  O próprio  Messias,  o  Pastor  de  Israel,  ofereceu  acesso  à  segurança  e  ao  gozo  espiritual,  cancelando  a  sentença  injusta  dos  falsos  dominadores  do  rebanho,  que  nenhuma autoridade tinham para admitir  ou  demitir pessoas  na vida espiritual  e  na  verdadeira  comunhão.
 Jesus  é  a  suprema autoridade  em  assuntos  espirituais,  e  quem  nEle  cec  está livre  da  tirania  de  falsos  líderes  religiosos.Jesus,  revelando  tais  verdades,  aplica  a  si  mesmo  duas expressões  figuradas:  Ele  c  a porta do  aprisco  das  ovelhas e o  Pastor das  ovelhas. 

Trataremos das duas  figuras  individualmente.

I  -  A  Porta  do  Aprisco  das  Ovelhas/.  A  porta  ao  ministério.  “Na verdade,  na verdade  vos digo  que  aquele  que  não  entra  pela  porta  do  curral  das ovelhas,  mas  sobe  por  outra  parte,  c  ladrão  e  salteador. Aquele,  porém,  que  entra  pela  porta  c  o  pastor  das  ovelhas.  A  este  o  porteiro  abre”.  Jesus  sempre  usava  como ilustrações  assuntos  que  seus  ouvintes  pudessem  entender.

A  ilustração.  A  cena pertence  à  vida diária da  Palestina.  A  noite,  as  ovelhas  são  levadas  para o aprisco,  um abrigo com altos  muros e portão bem protegido com  ferro- lhos,  onde  descansam  sob  a  vigilância  de  um  porteiro.  De manhã, cada pastor chega e é admitido  pelo porteiro  mediante  um  sinal  combinado;  então,  cada um chama suas próprias  ovelhas.  As  ovelhas  seguem-no  ao  reconhecer  a  sua voz;  não  reconhecem  a  voz  de  um  estranho,  e  o  próprio porteiro  não  admitiría  um  estranho.  Deste  modo,  qualquer falso  pastor,  querendo  furtar  as  ovelhas,  teria  de  pular  o muro.

1.2.  A  interpretação.  O  Senhor indica as  características da liderança espiritual: há modos lícitos e ilícitos de se obter acesso  às  pessoas  e  assumir  autoridade  sobre  elas.  Há  o caminho  certo,  divino,  para  entrar  no  ministério  cristão,  e há  o  caminho  errado  e  humano.  Quem  quiser  ministrar  às almas  dos  homens  deve  passar  por  (d isto,  a  Porta,  sendo vocacionado e enviado  por ele,  comovido pelo seu  espírito de  compaixão.  É  através  dele  que  os  pastores  assistentes têm  acesso  ao  rebanho.  O  ministério  de  Paulo  deu  frutos porque ele entrou  pela  Porta,  mediante  a chamada de  Cristo;  por  outro  lado,  os  filhos  de  Ceva  “tentaram  invocar  o nome de Jesus” sem  serem  servos de Cristo,  e  fracassaram (At  19.13-16).

Jesus  chama  de  ladrão  c  salteador  o  pastor  falso  que entra no ministério por motivos egoístas  não para fazer o bem  às  ovelhas,  c  sim  para  tirar  vantagens  delas,  visando seus  próprios propósitos  (Ml 7.15;  Al  20.29,30).  O  Senhor dá  a  entender  que  muitos  queriam  assumir  a  condição  de pastor diante do rebanho de Deus sem  ter vocação na alma. Eles  insistiam  nos  seus próprios privilégios e direitos,  pensavam  que  as  estreitas  tradições  que  representavam  eram os  mandamentos  de  Deus,  afligiam  as  almas  famintas  e angustiadas com suas próprias interpretações da Palavra de Deus  c  demonstravam,  de  modo  geral,  não  possuir acesso algum  aos  corações  humanos.  As  palavras  de  Jesus  se  referem  imediatamente  aos  líderes  religiosos  dos  seus  dias, que  excomungaram  um  pobre cego  pela  sua corajosa  leal dade àquEle que lhe abrira os olhos,  mas suas advertências devem  ser aplicadas  aos  eclesiásticos  tirânicos  de todos  os tempos  e  lugares.  Ninguém  pode  cuidar  do  seu  próximo como  verdadeiro  pastor  se  não  possuir  real  simpatia  por ele.
“Todos quantos  vieram  antes de  mim  são  ladrões e  salteadores;  mas  as  ovelhas  não  os  ouviram”  (v.  8).  Certa- mente  não  há  aqui  nenhuma  palavra  eontra  os  profetas  c outros  homens  de  Deus que vieram  ao povo  antes de Cristo. Jesus se refere, em  primeiro  lugar, aos falsos profetas c falsos  messias  que  arrogavam  direitos  que  pertencem  somente  a  Cristo;  em  segundo  lugar,  refere-se  a  líderes  religiosos  sedentos  pelo  poder,  que  alegam  ter o domínio  sobre as  almas  humanas  que  só  a  Cristo  pode  pertencer;  cm terceiro  lugar,  há alusão  aos  sacerdotes e  fariseus dos  seus dias,  que  usurpavam  o  direito  de  expulsar  do  aprisco  os que reconhecessem  ser Jesus o Cristo.  Isto foi por causa do seu  santo zelo e da sua paixão  pelas  almas?  Não.  Segundo o  próprio  Cristo,  foi  por ciúmes  da  sua própria  autoridade e  prestígio  (cf.  Mt 23.1-33;  Jo  1  1.47-53;  12.10,1 1).  Quem é  representado  pela  figura  do  “porteiro”?  Talvez  seja  o Espírito  Santo,  supervisionando  a  obra  de  vocacionar  homens para o ministério cristão (cf. Jo  16.14; At 20.28;  13.2).2.  A  poria para  a  salvação.  
“Eu  sou  a porta;  se alguém entrar  por  mim,  salvar-se-á,  e  entrará,  e  sairá,  e  achará pastagens”  (cf.  Jo  14.6).  O  cego  curado  deve  ter  pensado: “Graças a Deus!  Os anciãos da  sinagoga nenhum  dano  me podem  fazer;  não  podem  admitir  ou  excluir  ninguém  do Reino  de  Deus.  Porém  este  personagem,  tão  compassivo, tão semelhante a Deus,  tão poderoso - Ele é a Porta.”  Note as  três  bênçãos  que  decorrem  do  ato  de  passar  pela  Porta para  desfrutar  da  viva  comunhão  com  Cristo:

2.  /. A  segurança.  “Salvar-se-á”.  No contexto da vida na terra,  "salvo”  significa  seguro,  são,  protegido  por Cristo  e cm  Cristo,  até  que  nossa comunhão  com Ele,  além  dos  limites da morte, se revele na forma de salvação eterna. Pela sua  contínua  proteção,  “o  Senhor  me  livrará de toda  a má obra, c guardar-me-á para o seu reino celestial” (2 Tm 4.1 8).

2.  A  liberdade.  “Entrar  e  sair”  é  frase  freqüentementc empregada para expressar o livre uso da moradia por parte de  quem  habita  no  seu  lar.  O  crente  que  entra  em  comunhão  com  Deus,  recebendo  a  salvação,  não  “entra  c  sai” com  respeito  àquele  relacionamento,  e  sim,  como  filho  de Deus,  desfruta  da  familiaridade  da  comunhão  com  Deus.

3.  O sustento.  “Achará pastagens”.  Acham-se em Cristo todas as coisas de que a alma necessita para seu crescimento espiritual. A idéia de “pastagens” pode ser aplicada também  aos  “meios  da  graça”  -  a  oração,  a  Palavra,  a  comunhão  com  o  povo  de  Deus  nos  cultos  públicos

 II  -  Cristo,  o  Pastor  das  Ovelhas

O relacionamento das almas com Cristo é comparado  ao da  ovelha  com  o  pastor.  Tal  ilustração  é  corriqueira  nas Escrituras (SI 23;  80.1;  Is 40.1  1;  Ez 34; Mq 5.4; Zc  13.7; 1 Ib 13.20;  1  Pc  2.25).  A  ilustração  fala muitas  coisas  ao  nosso coração,  especial mente  quando  levamos  em  conta  certas semelhanças entre as  ovelhas e  os homens.  Os homens  tendem  a  seguir  um  líder;  facilmente  se  extraviam  (espiritualmente); precisam de proteção; necessitam dc sustento.  Notemos  o  que  o  Pastor  faz  em  prol  das  suas  ovelhas.

1.  Conduz  suas  ovelhas.  “E,  quando  tira  para  fora  as suas  ovelhas,  vai  adiante  delas,  e  as  ovelhas  o  seguem, porque  conhecem  a  sua  voz”  (v.  4).  Como  disse  Davi: “ Guia-me mansamente a águas  tranquilas... guia-mc pelas veredas  da justiça  por  amor  do  seu  nome”  (SI  23.2,3).1.1.  Ele  guia  e  conduz  mediante  o  seu  exemplo.  Esta  a mais  sublime forma de liderança (Jo  13.15;  1  Pe 2.21;  1  Jo 2 .6 ).

1.2.  Diferentemente  dos  falsos  pastores  que  buscam  a popularidade,  Ele  conduz  as  ovelhas,  vai  adiante  delas,  e não  as  segue.  O  falso pastor dá  às  ovelhas  o  que  elas  querem;  o verdadeiro  pastor dá-lhes  aquilo  dc que necessitam  Arão era um  verdadeiro  sacerdote,  mas  caiu em grave crio quando  seguiu  as  vontades  do  povo  (Ex  32.1-5)

1.3.  Conduz,  e  não  impede.  Uma  das  características  do Messias  é  sua  ternura  e  mansidão  (Is  40.11;  cf.  lPe  5.2).2.  Conhece  suas ovelhas.  '‘As ovelhas ouvem a sua vo/,, e  chama  pelos  nomes  às  suas  ovelhas...  e  as  ovelhas  o seguem,  porque  conhecem  a  sua  voz.  Mas  de  modo  nenhum  seguirão  o  estranho,  antes  fugirão  dele,  porque  não conhecem a voz dos estranhos” (v. 3,4,5). Como disse Davi: "O  Senhor  é  o  meu  pastor”.

2. 1.  As almas sequiosas  imediatamente reconhecem  seu Pastor (1  Pc 2.25). Certo hindu que confessou a Cristo como Salvador,  logo ao ouvir o primeiro sermão,  disse que havia quatro  anos  estava procurando  a vida eterna:  “Minha  vida estava repleta de imperfeições e pecados.  Minha consciência  de  culpa  me  sobrecarregava.  Durante  dias  c  noites  eu derramava  lágrimas  amargas.  Finalmcntc,  numa agonia de desespero,  lancci-mc  ao  chão  c  clamei  ao  Poder  que  me deu  a  existência,  pedindo  que  enviasse  alguém  para  mc salvar.  Clamei  por misericórdia c confessei  o  meu  pecado. Naquele  instante,  deixei  tudo  por  conta  daquele  Poder. Muitas  vezes  lenho  imaginado  como  seria  aquEle  que  o Poder Sublime enviaria a mim.  Reconheci-o, portanto, imediatamente, ao ouvir o sermão. Faz alguns anos que já estava confiando  cm  Jesus,  sem,  porem,  saber  por  qual  nome deveria chamá-lo”.O  homem  ouviu  a  voz  do  Pastor  através  do  sermão, reconhecendo-o  imediatamente.

2.2.  Ele nos  conhece pelo  nom e (Is 43.1; 45.3; 49.1;  Ap 3.5;  Ap  2.17).  Temístocles  gabava-se  de  conhecer  os  nomes  dos  vinte  mil  cidadãos  de  Atenas.  O  Pastor  Divino conhece os nomes dos  seus milhões de ovelhas,  bem  como cada  aspecto  de  suas  personalidades.  Várias  pessoas  na Bíblia tiveram a íntima experiência de serem chamadas pelo nome  em  conversa  com  o  Senhor:  Abraão,  Moisés,  Saulo de Tarso,  Ananias  (At  9)  e Pedro,  Maria (Jo 20) e Samuel, entre  outras

2.3.  A s  ovelhas  o  conhecem   e  o  seguem .  Viajantes  no Oriente Próximo têm comprovado muitas ve/,cs que nenhum disfarce  dc  roupas,  voz,  gestos,  de  saber  os  nomes  das ovelhas,  faz  com  que  as  ovelhas  se  confundam  quanto  ao seu  verdadeiro  pastor.  Naquelas  regiões,  há  profundos  laços dc simpatia,  afeição  e  reconhecimento entre o pastor c suas  ovelhas;  o  pastor  reconhece  cada  uma  das  ovelhas, que parecem  idênticas  at)  olhar  do  estranho,  c  elas,  apesar da  sua  pouca  inteligência,  reconhecem  o  pastor.

3.  Ele  dá  vida  às  ovelhas.  “O  ladrão  não  vem  senão  a roubar,  a matar e  a destruir;  eu  vim  para que tenham  vida,  e a tenham  em  abundância”.  O  Senhor ainda  tem  em  mente  o falso  pastor,  o  ladrão  das  almas  -  o  homem  que,  sem  real amor pela causa,  se  estabelece  como  líder religioso  baseado no  seu  próprio  egoísmo,  o  homem  que  não  deseja  que  as ovelhas  tenham  livre acesso  ao  Reino  dos  Céus  (Mt  23.13).No  sentido  mais  amplo,  a palavra  "ladrão” pode  representar  Satanás,  o  inimigo  das  nossas  almas,  que  quer  nos despojar  da  nossa  paz  e  alegria,  e  dar  o  golpe  derradeiro em  nossa  vida  espiritual.Km  contraste  com  a  obra  dos  falsos  pastores,  Jesus declara:  “Eu  vim  para  que  tenham  vida,  e  a  tenham  em abundância”.  Jesus  oferece  a plenitude  da  vida.  O  melhor comentário acerca destas palavras encontra-se no Salmo 23, o Salmo do Bom Pastor.  Não fomos vocacionados para viver uma  vida  de  fraqueza  c  incapacidade;  e  sim  para  que  tenhamos  a vida abundante,  a vida vitoriosa.  Muitas pessoas simplesmente  existem;  Cristo  quer  que vivam.

4.    Pastor morre pela s  ovelhas.  “Eu  sou  o bom  Pastor;  o  bom  Pastor  dá  a  vida  pelas  ovelhas.”  Jesus  assim se  destaca  do  mercenário  (v.  12),  que  pensa  ser  o pastorado   um a  profissão ,  com o  a  de  porqueiro, vinhateiro,  pedreiro,  advogado,  médico  ou  negociante. O  mercenário  não  se  preocupa  com  as  ovelhas;  procura apenas  salário.  Sua  disposição  não  é  ver  o  quanto  pode dar dc  si  às  ovelhas,  c  sim  o quanto  pode  arrancar delas. 12  natural  que  fuja quando  se  aproxima o perigo,  porque o  motivo dominante no  seu  trabalho  c a autopreservação. Em  contraste  com  tal  atitude,  o  objetivo  do  verdadeiro pastor c procurar para suas  ovelhas  uma vida mais  abundante.  Na  Palestina,  a  devoção  dos  pastores  às  suas ovelhas  muitas  vezes  tem  levado  alguns  deles  a  morrer na  luta  contra  feras  ou  salteadores.

O  Senhor  Jesus  considera  a  raça  humana  necessitada como rebanho  seu  (Mt 9.36),  fazendo pelas  suas  ovelhas o  supremo  sacrifício.  Não  somente  morreu  cm  prol  delas,  como  também  ressuscitou  para  lhes  dar  a  vida  (Hb 13.20)  -  voltou  para  o  Céu  com  a  intenção  dc  levá-las consigo.  Rem oveu  a  peçonha  da  taça  da  morte,  para transformá-la em  simples  soporífico  visando  o despertar saudável,  de  modo  que  seus  seguidores  possam  dizer, como  Davi:  “Ainda  que  eu  ande  pelo  vale  da  sombra da morte,  não  temerei  mal  nenhum,  porque  tu  estás  com igo” .

II  -  Ensinamentos  Práticos/.

 “Eu sou a p o r ta ”.  O cego curado foi expulso da igreja  oficial,  mas  sua  excomunhão  o  promoveu,  porque  passou  da sinagoga para o Salvador.  Podiam excluí-lo de  uma instituição,  mas não do Céu.  “Eu  sou a porta”, disse Jesus. Muitas pessoas piedosas e tementes a Deus têm  sido excluídas das igrejas durante a história da cristandadc, e isto não c de  se estranhar, porque o próprio  Senhor tem  sido excluído  dc  tantas  delas!  Veja  Apocalipse  3.20.  Certas  igrejas, como  a dc  Laodicéia,  que deixam  Cristo fora da porta,  são mais  clubes  religiosos  do  que  igrejas  dc  Cristo,  e  há  mais vantagem  espiritual  cm  ficar fora  delas.Ao longo  dos  séculos,  a igreja mundana tem  excomungado e destruído a muitos, denunciando-os como “hereges”, por terem deixado a consciência,  iluminada pela Palavra de Deus,  ser  o  árbitro  das  suas  vidas.  Líderes  eclesiásticos, pensando  possuir  as  “chaves  do  reino  do  Céu”,  imaginam que podem excluir pessoas do céu.  Não podem, no entanto, separar de Cristo estas nobres almas, nem afastá-las daquele  que  c  “santo,  o  que  é  verdadeiro,  o  que  tem  a chave  de Davi;  o  que  abre,  e  ninguém  fecha;  e  fecha,  e  ninguém abre”  (Ap  3.7).
O  Senhor  Jesus  se  opõe  a  qualquer  forma  de  exclusão injusta:  repreendeu  os  discípulos  quando  queriam  afastar as crianças  dos  seus ternos  cuidados e  quando queriam  excluir um obreiro desconhecido do privilégio do  serviço (Lc 9.49,50).

2.  Profissionalismo  religioso.  Por que os  fariseus excomungaram  o  cego  curado  por  sua  lealdade  a  Cristo?  Seja qual  tenha  sido  a  explicação  deles,  Jesus  mostrou,  no  seu discurso, que o motivo real  foi  o profissionalismo.  Os  líderes  religiosos  haviam caído no  erro que prende os  potentados eclesiásticos, a saber,  que o povo existe cm  prol  deles, e  não  eles  para  servir  ao  povo.  Quando,  portanto,  o  cego curado  não  se  dobrou  diante  das  vontades  deles,  quando não  aceitou  suas  opiniões,  quando  refutou  os  seus  argumentos, então deram  vazão  à sua ira,  com ultrajes e exclusão  de  privilégios  religiosos.

O profissionalismo  surge quando o  pastor  usa sua posição  e as  pessoas  como  trampolim para  sua autopromoção, realização profissional  cm  posição  e  salário.  Passa a  ser  o “mercenário” que vive às custas das pessoas, e não em prol delas.  Não  entra no ministério  através da porta que  é Cristo;  força caminhos por meios  humanos.  O  obreiro cristão é dominado pelos únicos motivos aceitáveis:  amor a Cristo e paixão  pelas  almas.

3.  O velhas  doentes  são  logradas.  Pastores  no  Oriente dizem  que  em  caso  de  doença  as  ovelhas  podem  ser induzidas  a  seguir  um  falso  pastor.  O  mesmo  se  pode dizer da vida espiritual.  Embora seja possível  crentes  sinceros  serem  levados  a seguir um  falso  mestre disfarçado cm  manto  de  piedade  e  fidelidade  à  sã doutrina,  é geral- mente quando  as pessoas  ficam  longe da comunhão com Deus  c cspiritualmentc  frias  que  se  tornam  presas  fáceis de falsas seitas e  invencionices religiosas (cf.  1  Tm  1.5,6; 2  Tm  3.5,6).  Paulo  deseja ardentemente  que  cada  crente seja  cdificado:  “Até  que  todos  cheguemos  à  unidade  da fé,  c  ao  conhecimento  do  Filho  de  Deus,  a  varão  perfeito,  à  medida  da  estatura  completa  de  Cristo.  Para  que não  sejamos mais meninos  inconstantes,  levados em roda por  todo vento de doutrina,  pelo  engano  dos homens  que com  astúcia  enganam  fraudulosamentc"  (Ff 4.13,14).

4.  A s  ovelhas  ouvem   a  sua  voz.  Estas  palavras  sugerem  o  teste  do  discipulado;  a  palavra  “ouvir”  significa ler  atenção  c  obediência.  Sc  somos  ovelhas  de  Cristo, obedecemos  e  seguimos  a  Ele.  Se  somos  ovelhas  de Cristo,  o  Pastor nos  procurará e chamará mesmo  quando andamos  desgarrados  c  desobedientes.  As  vezes  Ele  nos acha  cm  situações  vergonhosas:  dias  passados  sem  oração,  com  coração  endurecido,  pensamentos  cínicos,  pecando  por  comissão  ou  por  omissão.  Quantas  vezes  a sua  voz já  nos  despertou  para  uma  renovação  espiritual, cm  vida  c  obediência!

5.  Comunhão  e  serviço.  “Entrará,  e  sairá” .  Há  dois lados  na vida espiritual.  Para termos  um  ministério  bem equilibrado,  precisamos  “entrar”  em  momentos  de  profunda comunhão  com Deus e  “sair” para nossa obra cristã entre  nossos  semelhantes.  Existe  a  tendência  aos  extremos:  alguns  “entram ”,  mas  não  “saem”  cm  serviço  ativo;  outros  sempre  estão  “saindo”  cm  atividades  enérgicas,  mas  não  “entram”  para  receberem  a  renovação  das forças  e  inspiração.  O  Senhor  Jesus  é  nosso  exemplo quanto  a  isto:  antes  do  raiar  do  sol,  estava  a  sós . em comunhão  com  Deus;  durante  as  horas  úteis  do  restante do  dia,  servia  aos  homens.

6.  A  vida  m ais  abundante.  Como  cristãos,  possuímos  a vida;  será,  porem,  que já possuímos  toda a  sua plenitude  e abundância? Temos a verdadeira alegria de viver? Estamos tendo  sucesso  em  nos  sobrepujar  às  provações?  Estamos servindo ao Senhor segundo o  nosso próprio e fraco modo, ou  na  força  do  seu  poder?  Cristo  nos  oferece  a  vida  mais abundante.  Podemos  assumir os  deveres  da nossa vocação em  Cristo,  sabendo  que  Ele  não  nos  lançará  em  rosto  as nossas  fraquezas,  porque  prometeu:  “Recebereis  poder

                                                      A Ressurreição de Lázaro

Introdução

A  série  de  milagres  de  Cristo,  realizados  antes  da crucificação c registrados no Evangelho de João, ehega ao seu ponto  alto  com  o  sétimo  milagre  -  o  da  ressurreição  de Lázaro. Coroa os demais milagres de modo triste, e de modo alegre. É  o  milagre  culminante,  no  sentido  triste.  Os  dez  capítulos  anteriores  indicam  de  que  maneira Jesus  se  revelou  aos judeus,  de  todos  os  modos  diferentes  que  pudessem  inspirar  a  verdadeira  fé,  e  narram  como  cada  nova revelação  só  servia para enchê-los  de  amargura c dureza, até  que  a  hostilidade  deles  chegasse  a  um  ponto desesperador.  Jesus  se  manifestou  como  Doador da  vida, mas  não  queriam  chegar  a  Ele  a  fim  de  receberem  esta vida;  Jesus  declarou-lhes  ser  o  Pão  da  Vida,  mas  não  tinham  apetite  por  comida  espiritual;  Jesus  proclamou  ser a  Luz  do  mundo,  mas  eles  preferiram  andar  nas  trevas; Jesus  disse  que  era  o  Bom  Pastor;  eles,  porém,  não  que riam  ouvir  a  sua  voz  nem  ser  guiados  por  Ele.  Agora, finalmente,  comprova ser Ressurreição c a Vida,  c planejam   condená-lo  à  morte.  Crime  dos  crimes:  m ataram   o Autor  da  vida!  (At  3.15).
A  ressurreição  de  Lázaro  é  o  milagre  culminante,  no sentido alegre: é o sinal externamente visível de que o Cristo de  Deus já venceu a morte e a sepultura.  Depois  da operação  deste  milagre,  bem  podemos  exclamar:  “Onde  está,  ó morte, o leu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1  Co  15.55).I  -  Jesus  e  o  Sofrim ento  (Jo  11.1-16)

1.  O  recado.  “Senhor,  eis  que está enfermo  aquele que tu  amas”.  Foi  este  o  recado  que  Marta  e  Maria  enviaram para  seu  Mestre  e  amigo,  enquanto  Ele  estava  na  região além  do  Jordão.

2.  atraso.  “Ouvindo  pois  que  estava  enfermo,  ficou ainda dois dias no  lugar onde estava”.  Parece estranho este deliberado atraso, cm  vez da pressa para chegar ao lado do leito  de  dores  daquele  a  quem  amava.  Imagine  os  sentimentos  das  irmãs  enquanto  as  longas  horas  foram  se  passando sem que Jesus aparecesse, enquanto a vida do irmão estava  regredindo.  Talvez  tenham  ficado  sujeitas  à  tentação  de  levantar  a  dúvida:  “Será  que  ele  realmente  se  importa?”  O  Senhor,  porém,  tinha  um  propósito  específico nesta demora:  o  poder e a glória de  Deus  estavam para ser revelados  mediante a ressurreição de  um  homem que morrera havia  quatro  dias.  Foi  atraso  apenas  segundo  as  aparências  humanas;  segundo  o  horário  planejado  por  Deus, Jesus  chegou  na  hora  combinada.

3.  O apelo.  Quando, depois de dois dias, o Senhor anunciou  seu  propósito  de  ir  para  a  Judéia,  os  discípulos  fizeram-lhe  um  apelo  no  sentido  de  que  evitasse  colocar  em risco  a  sua  vida.  A  resposta  de  Jesus  dá  a  entender  o  seguinte:  “O tempo determinado para o exercício do meu  ministério não  se  esgotou; portanto, estarei  seguro na Judeia, e vocês também; esgotado este prazo, então correrei perigo de  morte”  (v.  9,10).

4.  A  notificação.  Jesus proclamou  seu  propósito de  ressuscitar Lázaro  da morte.  “Lázaro  está morto;  e fo lg o,  por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis”. O  leitor  também  está  alegre  porque  Jesus  não  estava  ali quando  Lázaro  morreu?  Por  quê?

II  -  Jesus  e  os  Que  Sofrem   (Jo  11.17-28)

Jesus,  chegando  ali,  encontrou  a  seguinte  situação: Lázaro  já  estava  na  sepultura,  c  Maria  c  Marta  estavam enlutadas  na  casa  de  amigas.  Quando  chegou  a  elas  a  notícia de que Jesus se aproximava,  “ouvindo pois Marta que Jesus  vinha,  saiu-lhe  ao  encontro;  Maria,  porém,  ficou  assentada  em  casa”  (v.  20)./.
 A  delicada  censura.  “Disse  pois  Marta  a  Jesus;  Senhor,  se tu estiveras aqui, meu  irmão não teria morrido” (v. 21).  Provavelmente,  havia  no  íntimo  de  Marta  uma  luta entre  a confiança c  a dúvida.  A resposta de Jesus,  ao receber a notícia da enfermidade  de Lázaro,  fora:  “Esta enfermidade  não  é para morte,  mas  para a glória de  Deus;  para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (v. 4).  Agora, porém,  o  irmão  dela  estava  morto.  Como  harmonizar  a promessa  de  Jesus  com  as  condições  reais?
Marta  viu  sua  fé  submetida  a  três  provas.  A  primeira:  a ausência  de  Jesus.  Todos  poderíam  ter  faltado,  mas  a  presença dElc ao lado do irmão era indispensável. A  segunda:  a demora de Jesus.  Esperava-se que ele comparecesse junta mente com o  mensageiro  que fora procurá-lo;  Ele,  porém, adiou a viagem. A terceira: a perda do ente querido. O irmão estava morto,  mas  poderia estar com  vida se Jesus estivesse se presente. A noite era escura,  sem nenhuma luz a  não a da  futura ressurreição, que parecia tão perdida na distância.  Ela não tinha percebido quão perto estava a Ressurreição!

2.  A  gloriosa promessa.  “Disse-lhe Jesus: Teu  irmão há de  ressuscitar”  (v.  23).  Jesus  se referia ao  milagre que  estava  para  operar;  Marta,  no  entanto,  não  compreendeu,  e replicou:  “Eu  sei  que  há  de  ressuscitar  na  ressurreição  do último  dia”.  Então  declarou  Jesus:  “Eu  sou  a  ressurreição c a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá”. Marta acreditava  que  Jesus  podería  ter  sido  a  Ressurreição  (v. 21),  e  que,  no  fim  do  mundo,  seria  a  Ressurreição.  O  Senhor Jesus  Cristo,  em  virtude  da  sua  natureza  divina,  diz: Eu  sou.  Não é tarde demais  para ressuscitar Lázaro,  nem  é cedo  demais  para  a  ressurreição;  hoje  mesmo,  Eu  sou  a ressurreição deste irmão  (cf.  Ilb  13.8).  Note que  "a ressurreição  c  a  vida” representam  causa  c efeito:  Jesus  c  a  ressurreição porque é a vida.  É a vida que produz a ressurreição.
Jesus  c  a  ressurreição;  segue-se,  portanto,  que  “quem erê em  mim,  ainda que esteja morto,  viverá”.  Os  que  morrem  no  Senhor  continuam  a  viver,  a  despeito  da  desintegração  do  corpo,  e  passarão  a  ter  um  corpo  espiritual  (Fp 1.23;  2  Co  5.1-6;  1  Ts  4.13,14).  Jesus  é  a  vida;  segue-se, portanto,  que “todo  aquele que  vive, e crê em mim,  nunca morrerá”.  Os  crentes  cm  Cristo  nunca  morrem  no  sentido comum  do  conceito  da  morte;  para  eles,  a  morte  não  é  o fim;  é  o  passar de  um  estado  de  vida para  um  estado  mais sublime.  Não  há  nenhum  instante  de  interrupção  da  sua vida de fé e de comunhão com  Deus; o crente adormece no que diz respeito a esta vida e, neste mesmo instante,  já está despertado  na  vida  eterna,  além  do  túmulo.

3.  O  testem unho  da  fé.  “Crês  tu  isto?”  pergunta Jesus. Marta crê que Jesus  é o  Senhor da vida e da morte?  A  sua le  nas  verdades  divinas  da  ressurreição  e  da  vida  eterna após  a  morte está centralizada  na pessoa de  Cristo? respondeu:  “Sim,  Senhor,  creio que tu és  o Cristo,  o  Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”. Note que Marta estava aprendendo  a crer -  não tanto cm fatos,  mas  sim na pessoa de  Jesus  Cristo.  Quem  tem  o  próprio  Cristo,  possui  todas as  coisas  que  Ele  oferece;  quem  tem  o  próprio  Doador, recebe  todas  as  dádivas.
Marta  se  sentia  satisfeita  e  plena  de  certeza  ao  ouvir as  graciosas palavras  do  Mestre,  c  o testemunho  que deu dc  sua  fé  completou-lhe  a  paz  c  alegria:  “E,  dito  isto, partiu”  (v.  28).  Tão  logo  chegou  em  casa,  chamou  sua irmã,  Maria.  Sentia  fogo  celestial  na alma,  e sua taça de alegria transbordava.  Por isso  sentiu forte desejo de com partilhar  com  alguém  a  sua  felicidade.  A  genuína  fé  em Cristo  é comunicativa (cf.  Jo  1.36-42;  4.28-30).  “Partiu, e  chamou  em  segredo  (havia  outras  pessoas  na  casa)  a Maria,  sua  irmã,  dizendo:  O  Mestre  está  cá,  e  te  chama” .  Aquele  recado  é  o  que  a  igreja de Cristo  transmite a  todos  os  que  estão  vivendo  no  meio  do  pecado,  da tristeza ou  das  trevas  espirituais:  “O  Mestre está cá,  e  tc chama”  (cf.  Mc  10.49).

III  -  Jesus  e  a  Morte  (Jo  11.38-44)7. 

A  emoção.  Enquanto  Jesus  contemplava  a profunda tristeza  de  Maria  c  dos  amigos  enlutados,  duas  emoções lhe  perturbavam  o  espírito.  A  primeira,  uma  mistura  de tristeza  e  simpatia:  “Jesus  chorou”  (v.  35).  A  segunda era uma mistura de indignação e perturbação: Jesus “moveu-se muito  em  espírito,  e  perturbou-se”  (v.  33,38).  Aqui,  a palavra  “moveu-se”  contém  o  significado  de  “indignar-se”, segundo o grego bíblico original. Sua indignação se dirigia contra a origem da morte, da doença e do sofrimento - contra o próprio pecado. Contemplava os horrores da morte como salário do pecado,  as  angústias  do  mundo,  das  quais tinha diante  de  si  uma  pequena  amostra.  Pensava  cm  todos  os enlutados  do mundo. Sim, estava para enxugar as lágrimas das  pessoas  ali  presentes.  Estava para  lhes  oferecer alegria em  lugar  de  tristeza,  mas  isto  não  alterava  a  situação  de modo  permanente:  Lázaro  ressurgiría,  mas  voltaria  a provar a amargura da  morte.
 As  lágrimas  voltariam  a correr  - c quantos choram sem ter o Salvador por perto para enxugá- las,  ainda  que  só  uma  vez?  Jesus  sentiu  assim  grande  indignação contra o causador de todos estes males e quis imediatamente entrar na  luta contra o diabo e seus poderes nefastos revelados na desgraça humana. Começa a saquear os despojos  do  maligno,  como  prova  de  que  chegou  o  mais forte  (Mt  12.29).As  lágrimas  de  Jesus  revelam  sua  compaixão  pelas nossas  aflições, e  sua comoção  revela indignação  contra  o pecado,  que  causa  todas  as  desgraças.

2.  A  ordem.  “Jesus  pois,  movendo-se  outra  vez  muito em  si mesmo,  veio ao  sepulcro;  e  era uma caverna,  c tinha uma  pedra  posta  sobre  ela.  Disse  Jesus:  Tirai  a  pedra”  (v. 38,39). Jesus  muito facilmente poderia ter mandado Lázaro passar direto  pela porta de  pedra,  mas  não  fará  aquilo que podemos  fazer por nós  mesmos;  é nosso  privilegio  cooperar com  Cristo  em  sua  obra;  é  nosso  exercício  para  nosso crescimento  espiritual;  é  nossa  oportunidade  de  ter  mais íntima  comunhão  com  Ele.

3.  A  ressalva.  “Marta,  irmã  do  defunto,  disse-lhe:  Senhor,  já  cheira  mal,  porque  é já  de  quatro  dias”  (v.  39). Conhecendo  a rápida decomposição dos  cadáveres  cm  países  quentes,  Marta  estremece  ao  pensar  como  estaria  o corpo  do  seu  irmão;  não  podia  crer  que  Jesus já  tinha  tomado  sobre si  o  zelo  pelo  cadáver no túmulo,  protegendo- o  da  corrupção.Jesus põe fim a tal descrença com a suave censura:  “Não te  hei  dito  que,  se  creres,  verás  a  glória  de  Deus?”  (v. 4,25,26).  Logo passou a demonstrar que tinha poderes para destruir  o  poder  da  morte,  tirando-lhe  o  aguilhão,  proclamando que a morte é um inimigo derrotado. Note-se que a admocstação de Jesus era: “Se creres,  verá s”,  o exato oposto do  ditado  popular:  “É  preciso  ver para  crer.”

4.  A  oração.  “E Jesus,  levantando  os  olhos  para  o  céu, disse:  Pai,  graças  te  dou,  por  me  haveres  ouvido.  Eu  bem sei  que  sempre  me  ouves,  mas  eu  disse  isto  por  causa  da multidão  que  está  em  redor,  para  que  creiam  que  tu  me enviaste”  (v.  41,42).  Esta não  era uma  petição,  e  sim  ação de graças pela petição respondida. Jesus,  na sua inabalável certeza, já agradece  o milagre, como se este já tivesse sido operado (cf.  1  Jo 5.14). A oração proferida em público deu aos  presentes  a  oportunidade  de  averiguar  se  Jesus  seria um  impostor  a  ser  rejeitado  ou  o  Messias  a  ser  aceito  e adorado  (cf.  v.  45;  1  Rs  18.36,37).

5.  O  milagre.  “E,  tendo  dito  isto,  clamou  com  grande voz:  Lázaro,  sai  para  fora”.  Era  a  voz  da  Divindade  chamando  coisas  que  não  são,  como  se já  existissem  (cf.  Jo 
5.28,29;  1  Co  15.51,52;  1  Ts  4.16).  A  voz  do  Senhor,  re- verberando  pelo  túmulo,  profetiza  que  um  dia  a  voz  do Criador  há  de  ser  ouvida ecoando  no  meio  de  todo  o  reinado  da  morte.
“E  o  defunto  saiu,  tendo  as  mãos  c  os  pés  ligados com  faixas,  c  o  seu  rosto  envolto  num  lenço.  Disse-lhe Jesus:  Desligai-o,  e deixai-o ir”  (v. 44).  Lázaro conseguiu sair  do  seu  túmulo,  mas  não  das  mortalhas  -  tipificando certos  novos  convertidos  que  foram  alvos  da  poderosa atuação  do  Espírito  de  Deus,  sem,  porém,  ter  entrado  na plenitude  do  gozo  da  liberdade  cristã.  O  Senhor,  após despertar  tais  pessoas  da  morte  espiritual,  envia-as  ao pastor da  igreja,  com  a ordem:  “Desata-os”.  Quais  são  os laços  que  os  prendem,  quais  as  ataduras?  A  ignorância, que  devemos  esclarecer;  a  tristeza,  que  devemos  consolar;  as  dúvidas,  que  devemos  dissipar;  os  maus  hábitos, que devem ser desarraigados.  Se todos  os crentes que  Icmi coisas  amarrando  a  sua  vida  fossem  libertos  das  suas mortalhas,  o  mundo  inteiro  se  despertaria  de  súbito prestar atenção.  Vocc c  um  erente amarrado?  Aquele que nos  libertou  da  morte  pode  lambem  libertar  do  pecado  c da  frieza  espiritual.

IV  -  Ensinamentos  Práticos/. 

1. Cristo  vale  m ais  do  que  o  credo.  Quando  Jesus declarou:  “Teu  irmão  há  de  ressuscitar”,  Marta  recitou, de  modo  muito  triste,  um  artigo  do  credo judaico:  “Eu sei  que  há de ressuscitar  na ressurreição  do  último  dia”. O  único  alívio  que  sentia  era  uma  esperança  para  o  futuro  distante,  baseada numa  doutrina.  Jesus,  no  entanto, fez  com  que  ela  desviasse  sua  atenção  do  artigo  do  credo  para  fixá-la nElc:  “Eu  sou  a ressurreição  e  a  vida”,  o que  nos  faz  entender  que  o  Cristianismo  consiste  mais cm  confiar num a  Pessoa divina  do  que assentir a proposições  te o ló g ic as.  Não  há  prov eito   cm  procurar asscnhorcar-sc  da  teologia  sem  primeiro  aceitar  Cristo como  Senhor.  Podemos  crer  numa  doutrina  sem  entregar  nossa  vida  a  ela  em  plena  confiança;  podem os entende-la  sem  que  ela  nos  transforme  o  coração;  como Marta,  podem os  crer  na  ressurreição  sem  ter  verdadeira fé  naquElc  que  6  a  Ressurreição  c  a  Vida.

2.  Viveremos,  porque  Ele  vive.  “Eu  sou  a ressurreição  c a  vida;  quem  crê  cm  mim,  ainda que  esteja morto,  viverá”. Com tais palavras, Jesus assegurou a Marta e Maria que seu irmão  não  tinha  realmentc  perecido,  que  estava  seguro.  O mesmo Jesus que tivera doce comunhão com Lázaro durante a  vida,  c  que  tem  poder  sobre  a  morte,  não  toleraria que  a morte destruísse  o  doce  c  espiritual  convívio  cristão.Existem  muitos  argumentos  formais  que  comprovam  a doutrina da imortalidade;  o que,  porem,  nos dá  mais certeza do que a fria lógica é sabermos que estamos cm  profunda comunhão com  Deus e com Cristo. Imaginemos o servo de  Cristo  que  andou  com  Ele  durante  muitos  anos  devorosa  comunhão  espiritual,  chegando  finalmcnte  ao  seu leito  de  morte.  Como  seria possível  que  Cristo  de repente declarasse rompidos  os  laços  de  amor? Muito  pelo contrário:  os que estão “em Cristo” ( I  Ts 4.14-17) não podem ser separados  dElc, nem  pela vida,  nem pela morte (Rm  8.38). É impossível a idéia de que quem desfrutou da presença de Cristo  neste  mundo  tão  alheio  às  coisas  espirituais  possa ser  separado  dElc  na  gloriosa  eternidade,  que  o  amor  de Deus  que  nos  sustenta  no  tempo  possa  ser  cancelado  na eternidade.Se  alguém  pertence  a  Cristo,  tudo  quanto  é  dEle  será operante também  na  sua vida:  se Cristo  é a Ressurreição e a  Vida,  esta  realidade  será  transmitida  ao  crente.  Estamos vinculados  a Jesus Cristo  mediante o  Espírito,  a  vida eterna  já  raiou  em  nossa  alma,  c  estamos  caminhando  para  a vida  eterna,  no  Céu.

4.  As  lágrimas  de  Jesus.  “Jesus  chorou”.  Consideraremos:

3.1.  A  causa  das  lágrim as  áe  Jesus.  Tais  lágrimas  fazem  parte da humanidade de Jesus.  Apesar de  ser Eilho de Deus,  Ele sofreu todas as aflições dos homens, embora sem a prática do  pecado.  “E o  Verbo  se  fez carne”.  Sua humanidade não era fictícia; participou  realmente da nossa natureza.  As  lágrimas  brotaram  de  real  compaixão,  foram  a resposta  do  coração  de  Jesus  ao  apelo  da  tristeza.  Suas lágrimas  também  foram  causadas  pela  tristeza  -  tristeza pelos  danos  causados  pelo  pecado  c  pela  morte.  Na  criação,  viu  que  tudo  quanto  fizera  era  muito  bom;  como, portanto, o bom se transformou cm  maldade? “Um inimigo fez  isso”  (Mt  13.28).

3.2.  A  natureza  das  lágrim as  de  Cristo.  Jesus  chorou com  calm a,  c  não  com  amarga  c  desesperada  angústia Podemos  chorar  nossos  entes  queridos,  sem,  porém,  dai vazão  ao  desespero  que  é  característica  dos  pagãos.  Jesus chorou dc modo reservado:  deu clara vazão à simpatia, sem participar  dc  lamentações  ostensivas.  Jesus  chorou  sem sentir  que  seria  algo  vergonhoso.  Podia  ter  escondido  as lágrimas c a tristeza,  mas  não  c  da  sua doutrina  reprimir a personalidade  humana,  estrangulando  os  sentimentos  de amor  c  compaixão.  O  cstoicismo,  que  esconde  a  ternura, pertence  ao  orgulho  carnal;  c  a  insensibilidade  ao  sofrimento  não  faz  parte  do  heroísmo.
3.3.  A s  lições  tiradas  das  lágrimas  de  Jesus.  São  uma am ostra  da  eterna  natureza  de  Cristo,  da  sua  compaixão, graça  e  misericórdia,  que  continua  derramando  sobre  nós (Hb 4.15,16). São nosso exemplo. As lágrimas dc Jesus nos ensinam  a  demostrar  simpatia  aos  corações  tristes,  oferecendo  o  nosso  consolo;  nosso  amor é  nada  comparado  ao do  Filho  de  Deus,  mas  não  deixa  dc  ajudar  maravilhosamente.

4.  Crer  é  ver.
  “Não  tc  hei  dito  que,  se  creres,  verás  a glória  dc  Deus?”  A  vida  microscópica  existe  invisível  ao olho  humano,  e  o  mesmo  se  dá  com  incontáveis  estrelas. Usando o microscópio e o telescópio,  podemos contemplar esses  aspectos  do  Universo,  e  ninguém  ousaria  negar  sua existência por não ter ao alcance tais  instrumentos.  As eternas  coisas  dc  Deus,  no  entanto,  precisam  ser  examinadas através da lente da visão espiritual chamada 1c. Como, pois, os homens  do  mundo, que  alegam  só  aceitar o testemunho dos  “fatos  averiguáveis”,  ousam  negar  a  existência  das coisas espirituais,  quando nunca experimentaram os instrumentos  da  fc?  Querendo  entender  mais  de  Deus,  devemos rogar  a  Ele:  “Senhor,  aumenta-nos  a  fé.


Jesus E a Videira
Introdução

Cristo  c  seus  discípulos  haviam  acabado  dc  participar da  Ceia.  Ele  anunciara que era mister a sua partida,  c prometeu que enviaria o Consolador para ser a invisível  representação da sua presença.  As expressões de  incompreensão e  tristeza  nos  rostos  dos  discípulos  levaram  Cristo  a  dar- lhes  a mais  simples  ilustração  da promessa do  Consolador e  da  sua  contínua presença entre  eles,  removendo  o  temor da  total  separação com  as  palavras:  ‘‘Eu  sou  a videira,  vós as  varas” .A  ilustração  também  serviu  para  ensinar-lhes  que  seu sucesso como  obreiros  cristãos  dependia de sua união com Ele.

I  - A  Natureza da  Comunhão  coin  Cristo  (Jo  15.1-3)A  comunhão  com  Cristo,  em  toda a sua abrangência,  c explicada  pelas  três  seguintes  ilustrações: 
1                          A  Videira,  2) o  Agricultor  e  3)  os  ramos /.
 A  Videira:  Cristo.  “Eu  sou  a  videira verdadeira".  O que  o  Senhor  tinha  em  mente  ao  dizer  estas  palavras? Talvez  pensasse  nas  vinhas  do  monte  das  Oliveiras  c  na quantidade  de  galhos  podados  que  ali  se  queimavam;  ou na  videira  de  ouro,  símbolo  de  Israel,  que  ornamentava um  dos  portões  do  templo;  ou,  ainda,  talvez  meditasse sobre  o  produto  da  videira,  o  vinho,  que  naquela  Ceia veio  a  ser  símbolo  da  sua  morte  sacrifieal.
Por que Jesus  afirmou  ser a “videira  verdadeira ”?  Foi porque  as  eoisas  boas  desta terra  não  passam  de  sombras das  realidades  eternas.  O  pão  natural  que  alimenta o  cor-po  não  passa  de  um  imperfeito  símbolo  de  Cristo,  o verdadeiro  Pão  que  alimenta  a  alma.  A  água  natural,  que satisfaz  a  sede  do  corpo,  é  apenas  uma  leve  sugestão  de Cristo,  a  Agua  Viva,  que  satisfaz  a  sede  da  alma.  O  Senhor,  dizendo  ser  a  Videira  verdadeira,  ensinou  que,  assim  como  a  videira  natural  é  a  fonte  de  vida  c  fruição para  seus  ramos,  também  era  Ele  a  verdadeira  fonte  tia vida  frutífera  dos  seus  seguidores.

2.  O  Agricultor:  Deus  Pai.  “Meu  Pai  é  o  lavrador”. Nestas  palavras,  Deus  c  descrito  como  sendo  Dono  e Cultivador  da  vinha,  com  o  exercício  das  seguintes  funções: 

1)  Ele plantou a videira, ou seja,  foi Ele quem enviou seu  Filho a este  mundo para ser fonte de vida.

 2) Ele corta os  ramos  infrutíferos:  “Toda  a  vara,  em  mim,  que  não  dá fruto,  a  tira".  Assim  como  se  remove  os  ramos  inúteis, também  são  removidos  os  cristãos  professos  que  não  têm vida espiritual.  Foi  este  o juízo  divino pronunciado  contra a  nação  de  Israel  (Ec  13.6-10;  Rm  11.17-21).  Judas Iscariotcs  é  exemplo  destacado  de  alguém  que  foi  cortado do convívio com Cristo (At  1.16-20). A aplicação se vê em 1  Coríntios  5.1-5;  11.29,30;  1  Timóteo  1.20;  M ateus 18.34,35;  25.24-30;  e  2  Pedro  1.8-10  (cf.  Rm  8.9;  G1 5.22,23). 

3)  Ele  limpa  (poda)  o  ramo  frutífero:  “E  limpa ioda  aquela que  dá  fruto, para que  dê mais fruto”.  amos  supor  que  os  ramos  frutíferos  ficariam  livres  da  severidade,  por  serem  motivos  de  satisfação  para o  Agricultor. No entanto, assim como  videiras boas são podadas sem hesitação,  a  fim  de concentrarem  a  seiva nos  cachos,  também  os  filhos  de  Deus  muitas  vezes  recebem  severas  disciplinas  a  fim  de  se  tornarem  mais  eficazes  na obra cristã. Mediante  a  aplicação  da disciplina,  o  Pai  remove da alma humana os  empecilhos  ã vida c  ao  crescimento -  as  ambições  desta  vida,  a  traiçoeira  influência  das  riquezas,  as concupiscências  da  carne  e  as  paixões  da  alma  (Hb  12.6-I 1).

4) Neste ponto, Cristo tranqüiliza seus discípulos: “Vós já  estais  limpos,  pela  palavra  que  vos  tenho  falado”.  Tinham seguido os seus ensinos, estavam cm comunhão com Ele  (Jo  13.8-1 1).3.  Os  ramos.  “Vós  sois  os  ramos”.  Os  discípulos  são os  meios  através  dos  quais  o  próprio  Cristo  produz  o  seu fruto  neste  mundo,  sendo  para  Ele  o  que  os  ramos  são para  a  videira.  Sua  obra  pessoal  tinha  sido  treiná-los  c, por  assim  dizer,  transmitir-lhes  a  seiva  da  divina  vida  e verdade,  e  a  parte  que  lhes  cabia  era  transformar  a  seiva em  uvas.  O  Pai  enviara  o  E ilho  ao  mundo  a  fim  de  dar vida, e o  Eilho já a transmitira aos  seus  discípulos;  agora, na  sua  ausência,  a  obra  deles  seria  ceder  ao  Espírito  e produzir  fruto.  Esta  união  de  Cristo  com  seus  discípulos é  espiritual,  a  união  da  vida  divina  com  a  vida  humana; é  real  e  vital,  não  sendo  um  assunto  de  meramente  se afiliar  a  alguma  organização;  é  mútua,  porque  devemos consentir  em  aceitar  a  união  com  ele;  é  muito  estreita , não  podendo  haver  união  mais  estreita  do  que  a  união entre  a  videira  e  seus  ramos.

II  -  A  Importância  da  Comunhão  com   Cristo(Jo  15.4,6)“Estai  cm  mim,  e eu em  vós;  como  a vara de si  mesma não  pode  dar  fruto,  se  não  estiver  na  videira,  assim  nem vós,  sc não estiverdes cm mim”. Naquele momento, os discípulos  estavam  cm  estreito  contato com  Cristo,  mas deviam  permanecer  sempre  assim  para  cumprir  a  sua  obra espiritual  no  mundo.

1.  A  razão.  “Quem  está  cm  mim,  e  eu  nele,  esse  dá muito  fruto”  (v.  5).  O  fruto  é  a propagação  do  Evangelho c  a  conquista  de  almas.  Inclui-se  a  santidade  pessoal  (G1 5.22,23), que c um dos meios de produzir frutos, conservar c desenvolver a obra de  Deus.  Dar  fruto,  ou  seja,  produzir reais  resultados  espirituais,  é  o  propósito  da  religião  de Cristo  c,  portanto,  o  teste  prático  da  sinceridade  c capacidade  espiritual  dos  que  dizem  ser  seus discípulos.  Quando o  “fazer”  quer  tomar  o  lugar  do  “crer”,  c  errado  c  mau; quando, porém, é o eleito da fé em  ação, é bom c precioso. Qual  a  prova  real  da  qualidade  de  uma  árvore  frutífera?  E o  fruto  que  produz.  “Porque  sem  mim  nada podeis  fazer". Indirctamcntc, estas  palavras ensinam  a divindade tie Cristo, t) Onipotente.  Diretamente, ensinam que,  fora do contato  com  Cristo,  não  temos  vida,  apoio,  inspiração  ou  
resultado  espirituais  c  verdadeiros  no  ministério  cristão.

2.  A  advertência.  “Se alguém  não  estiver em  mim,  será lançado  fora,  como  a vara,  e  secará; e  os colhem  e  lançam no fogo, e ardem”. Tal  é a penalidade de afastar-se de Cristo.  E  uma  lei  que  sc  percebe  cm  toda  a  natureza  -   que  a faculdade  que  não  é  exercitada  fica  paralisada,  atrofiada. Conservamos  as  nossas  faculdades  ao  empregá-las,  c,  deixando  de  excerce-las,  perdemo-las.Note quão gradual e progressivo é este processo:  falta de  fruto,  secar,  ser lançado fora,  ser apanhado,  ser queimado.  O  que  simboliza o  queimar  neste  versículo?  Refere-se aos ensinos de Mateus  18.34,35 c 25.30, e Lucas  12.45,46? Ou explica-se nas seguinte passagens bíblicas -  1  Coríntios U  2-15; 5.4,5;  11.29-32; Hebreus  12.5-11; Lucas  12.47,48? Seja qual  for a conclusão, não pode haver dúvida quanto graves conscqüências de  se ficar de fora de comunhão com Cristo.

III  -  Os  Resultados  da  Comunhão  com  Cristo(Jo  15.5,7,8)
1.    
                            Quanto  aos  discípulos.

 1 )  Os  que  permanecem  cm Cristo  dão fruto  genuíno  e  abundante.  A  vida de  Cristo  na alma  do  crente  produz  resultados  marcantes  e  reais. 

2) Sucesso na oração.  “Se vós estiverdes em mim  [conservando  a comunhão  com  Cristo],  e  as  minhas  palavras  estiverem  em  vós  [se  os  ensinamentos  de Cristo  controlam  nossos  pensamentos  c  idéias  ate  se  transformarem  em  nossa orientação  c  inspiração],  pedireis  tudo  o  que  quiserdes,  e vos será feito”.  Unidos com Cristo, pedimos cm nome dele, ou  seja,  de  acordo  com  a  sua  vontade,  e  conforme  os melhores  interesses do  seu  Reino  c do  nosso  bem  espiritual. 3)  O diseipulado  completo.  “E assim  sereis  meus discípulos”.  Discípulos,  não  meramente  cm  palavras,  mas  na realidade.

2.  Quanto  ao  Pai.  “Nisto  é  glorificado  meu  Pai,  que deis  muito  fruto” .  O  agricultor  c  respeitado,  c  sente-se satisfeito quando a lavoura dá bons  frutos. Quando os crentes  vivem  c  colaboram  como  devem,  são  testemunhas  vivas  da  realidade  c  do  poder  de  Deus  c  de  Cristo.  O  que acontece  quando  os  crentes  fracassam?  Veja  2  Samuel 12.14.

IV  -  O  Padrão  da  Comunhão  (Jo  15.9,10)

1.  O padrão  do  amor.  “Como  o Pai me amou,  também eu  vos  amei  a  vós;  permanecei  no  meu  amor”.  E como  se Jesus  dissesse:  “Vocês  observaram como  o  Pai  tem  ficado comigo  durante meu  ministério  na terra,  e  como  seu  amoi me tem  acompanhado desde o Céu  até  à terra.  Assim  Iambém  é  grande  c  terno  o  meu  amor  por  vocês.  Vivam  de modo  que  nada  venha  impedir a continuação  deste  derramamento  de  amor  celestial  cm  suas  vidas”.

2.  O  padrão  da  obediência.  “Sc  guardardes  os  meus mandamentos,  permanecereis  no  meu  amor;  do  mesmo modo  que  eu  tenho  guardado  os  mandamentos  de  meu Pai,  e  permaneço  no  seu  amor”.  A  obediência c  o  segredo  de  permanecer  no  amor  de  Cristo.  O  Senhor  nunca incumbiu  os  discípulos  de  qualquer  dever  que  Ele  mesmo  não  se  dispusesse  a cumprir.  Portanto,  aponta para o exemplo  da  sua própria  obediência aos  mandamentos  do Pai.

V  -  Os  Frutos  da  Comunhão  com  Cristo
Certas  coisas  decorrem  da  comunhão  com  Cristo:/. 
A  plenitude  da  alegria.  No  versículo  1  1  explica-se o duplo  motivo  dos  ensinos  de  Cristo  quanto  à  frutificação:

1)  “Tenho-vos  dito  isto,  para  que  o  meu  gozo  permaneça cm  vós”.  A  continuação  do  júbilo  cristão  no  coração  do crente depende de uma vida frutífera.  Mesmo naquela hora, Cristo  sentia  júbilo  por seus  discípulos, embora cspiritual-mente imaturos,  assim como o agricultor se sente satisfeito com os cachos de uvas quando ainda são pequenos,  verdes e  sem  valor  comestível,  vendo  neles  a  promessa  das  uvas maduras.  Cristo  transmite sua alegria aos discípulos:  a alegria  da  comunhão  com  Deus,  da  perfeita  obediência,  do perfeito  amor, da abnegação c da dedicação.

 2) “E o  vosso gozo  seja completo”.  A  perfeita alegria é  dada  àquele  que frutifica para Cristo.  E  o  servo  fiel  que ouvirá as palavras: “Entra  no  gozo  do  teu  Senhor”.2.  O m andam ento do  amor.  “O meu mandamento c este: Que  vos  ameis  uns  aos  outros,  assim  como  eu  vos  amei”. O  Senhor  quer  ensinar  a  seus  discípulos  que  permanecer no  amor uns  dos  outros  é quase tão  necessário  ao  seu  bem espiritual  como  o  fato  de  cada  um  deles  permanecer  nEle pela  fé.  As  divisões,  partidarismos  e ciúmes  teriam  efeitos fatais  na  sua  obra.  O  padrão:  “assim  como  eu  vos  amei”. Cristo amou  seus discípulos com amor forte, terno, paciente, perseverante e sacrifical, ao ponto assim descrito:  “Ninguém  tem  maior  amor  do  que  este:  de  dar  alguém  a  sua vida pelos  seus  amigos”.

3.  A  amizade  de  Cristo.  "Vós  sereis  meus  amigos”. Segundo  a  Lei,  o  relacionamento  entre  Deus  e  seu  povo era  o  de  senhor  para com  os  seus  servos.  O  Senhor  Jesus passou  a  estabelecer  um  novo  relacionamento,  que  acrescenta divinal  dignidade àqueles que trabalham por Ele:  "Sc fizerdes o que eu vos mando”.  Geralmentc o  senhor dá ordem aos  servos, c não aos amigos; Cristo,  porém, não pode ser despojado da sua autoridade:  Ele é nosso Amigo, e também  o  nosso  Rei.  O  resultado  da  amizade:  “Já  não  vos chamarei  servos,  porque  o  servo  não  sabe  o  que  faz  o  seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi  de  meu  Pai  vos  tenho  feito  conhecer” .  A  intimidade da  conversação  é  sinal  da  amizade.  Cristo  linha  revelado seu  coração  aos  discípulos,  contando-lhes  algumas  das coisas  mais  profundas  dos  planos  divinos  (cf.  Ex  33.1 1).

4.  O  c o n h e c im e n to   da  eleiçã o   divina .  “Não  me escolhestes  a  mim,  mas  eu  vos  escolhi  a  vós”.  A  eleição refere-se ao  fato de ser escolhido por Deus.  Cristo chamou seus  discípulos  de amigos,  mas  longe estava de colocá-los cm  pé  de  igualdade  com  Ele.  Suas  palavras  aqui  mostram que  sua posição  de  amigos  não  decorre  de  qualquer  merecimento  da  parte  deles,  e  sim  dos  graciosos  propósitos  de Cristo. Tudo  quanto  são e serão,  devem-no  ao  seu Senhor. Note  os  propósitos  da  eleição:  “E  vos  nomeei,  para  que vades”.  Foi  seu  plano que  fossem  pregar o  Evangelho,  saindo por toda parte (Ml  28.19,20).  “E deis fruto”,  o que  se refere principalmente  a  ganhar  almas  e  aos  eleitos  do  seu ministério.  “E  o  vosso  fruto  permaneça”.  Seu  ministério deve produzir resultados permanentes. Por exemplo, a con versão  dc  D.  L.  Moody  foi  o  fruto  permanente  de  certo jovem pregador que eslava achando acanhados os frutos do seu  ministério.  O  Peregrino  foi  o  fruto das  meditações  dc John  Bunyan enquanto estava encarcerado pela sua fc,  fruto  este  que  tem  perdurado  até  agora,  c  que  decerto  será apreciado enquanto existirem cristãos neste mundo. “A  fim dc  que  tudo  quanto  em  meu  nome  pedirdes  ao  Pai  ele  vo- lo  conceda”.  Os  crentes  podem  ter  a  certeza  dc  que  tudo quanto precisam para produzir frutos espirituais está ao seu alcance mediante a oração. Pedir em  nome de Cristo  significa  pedir  de  acordo  com  a  sua  vontade,  dependendo  da sua  intercessão  cm  nosso  favor,  e  em  prol  dos  mais  altos interesses  do  seu  Reino.

VI  -  Ensinam entos  Práticos/.

 Somos  a  vinho  de  Deus.  Em  cada  etapa  do  crescimento,  c  a  cada  estação  do  ano,  o  viticultor  tem  algo  a fazer  com  suas  videiras.  E  qual  o  seu  propósito?  Tudo  c feito  na esperança dc virem  os  frutos.  Não havendo  frutos, seu  interesse entra cm colapso, e todos os cuidados se transformam  em  desperdício  de  tempo.  Na  realidade,  os  ramos vazios  podem  ate  ser  motivo  para  os  vizinhos  zombarem do  viticultor.
Deus  c  como  o  viticultor.  Não  criou  o  mundo  c  os homens  como  vão  passatempo.  Criou-nos  a  fim  de  que venhamos  a produzir caráter e atos de  seu  agrado.  E este o fruto  que justifica o  trabalho e cuidados  que  Ele dedicou  a nós.  Caso  contrário,  a decepção  de  Deus  será a que  se  expressa  em  Isaías  5.4:  “Que  mais  se  podia  fazer  à  minha vinha,  que  eu  lhe  não  tenha  feito?  c  como,  esperando  eu que  desse  uvas,  veio  a  produzir  uvas  bravas?
"Nossas  vidas  c  ações  estão  dando  ao  nosso  Criador  os frutos  que  Ele  merece,  depois  dc  tudo  o  que  fez  por  nós?

2.  '‘Porque  nenhum  de nós  vive para  si ”  (Rm  14.7).  Os crentes,  comparados  aos  ramos  da  videira,  não  somente dependem de Cristo,  como  também  uns  dos  outros.  Devemos  aceitar nossa  situação  de  ramos  porque  não  podemos nos separar c formar nossas próprias raízes.  O braço cortado fora do corpo,  o ramo  cortado  fora da videira -  c assim0  homem  que  quer viver para  si  mesmo.  Será deixado  em frio  isolamento.  Nossa vida só  pode  ser vivida plenamente quando  reconhecemos  que  fazemos  parte  de  um  todo,  e que  não  existimos  na  terra  para  levar  adiante  os  nossos próprios planos nem  para acumular bens para nós mesmos, mas  para promover causas  que  beneficiem  a  todos  c  agradem  a Deus.

3.  Limpos pela palavra.  Veja João  15.3  e  Salmo  1  19.9. Os ensinamentos administrados aos apóstolos, quando Cristo repreendia  seus  erros,  corrigia  as  suas  falhas  e  purificava os  seus  motivos,  tinham  poder  para  santificá-los.Nós  também  podemos  sentir  o  poder  sanlificador  da Palavra.  Por  exemplo,  estamos  perturbados,  com  preocupações e temores?  Então,  um  “banho”  cm  Mateus  6.19-34 nos  fará  bem.  Estamos  carregados  com  descrença  e  dúvidas? Devemos,  então,  tomar um bom “banho” em  I lebreus1 1,  para  nos  sentirmos  cheios  de  fé  c  esperança.  Certo homem  leu  1  Coríntios  13  uma  vez  por  semana  durante três meses, e isso transformou-lhe a vida.  É um dos  muitos exemplos  de  quão  real  c  prática  é  a  experiência  expressa nas  palavras:  “Vós já  estais  limpos,  pela  palavra  que  vos tenho  falado”.

4.  Condições para produzir fruto.  Fomos, por natureza, ramos de uma videira degenerada; pela regeneração, fomos separados  do  antigo  tronco e enxertadós  na Videira verdadeira.  Mesmo  assim,  precisamos  dos  contínuos  cuidados do  Agricultor,  por  causa  dos  seguintes  perigos:

4.1.  O  ramo  pode  soltar-se;  daí  a  admoestação:  “Estai em  mim”.  O  enxerto  não  somente  é  amarrado  ao  tronco, como  também  coberto,  no  ponto  de junção,  com  cera  ou algo  semelhante,  para excluir qualquer elemento  estranho Assim  tamhcm  na vida espiritual.  Nada deverá  perturbar a nossa  firmeza  cm  Cristo.

4.2.  O  segundo  perigo  é  que  o  ramo  pode  voltar  a  ser um  galho  silvestre,  correndo  pelo  chão  na  forma  de  cipó, que  produz  madeira e  folhas  sem  fruto.  Quem  desconhece as videiras poderia considerar um desperdício a quantidade de sarmentos e folhas que se corta c lança fora cm monturos. A  poda,  no  entanto,  leva a videira a ganhar muito mais  do que  perde  porque  é  feita  para  aumentar  o  produto. Semelhantemente,  os  sofrimentos  c  a  disciplina  que  os crentes precisam  enfrentar geralmente  tem  efeito  depurativo,  como  se  fossem resultado  da divina  faca de poda,  cortando  os  brotos  da  vida  egoísta,  a  fim  de  que  todas  as energias da alma possam  manifestar a vida de Jesus  (cf.  Fp 3.10;  Hb  2.10;  12.5-12).

5.  A  perseverança  elos  santos.  “Sc  alguém  não  estiver em  mim,  será  lançado  fora,  como  a  vara”.  Existe  a  possibilidade  de  alguém  ter  conexão  com  Cristo  e  depois  ser separado  dElc.  E  a  experiência  religiosa aborliva,  que  não é  verdadeira  conversão.  A  culpa  c  do  discípulo,  e  não  do Mestre;  o  Mestre  não  abandona  ninguém;  seja  qual  for  a nossa  fraqueza,  ou  desvantagens  naturais,  Deus  nos  levará á  vitória  final,  se  nossa  vontade  for  entregue  a  Ele.

6.  “Sem mim...  nada''.  Havia um costume em Munique, Alemanha,  de se  levar a uma instituição  de  caridade  qualquer criança achada na rua esmolando.  Fazia-sc um  retrato da criança na condição em que foi  achada e, uma vez completada a sua educação,  era solta,  com  a condição  de  levar consigo,  c  guardar  para  sempre,  o  retrato  daquilo  que  era antes  de  ser  alvo  da  misericórdia.  Aqui  há  uma  lição  para todo  crente.  Muitos  crentes  chegam  a  ter  grande  sucesso mediante  a  graça  c  poder  de  Cristo,  e  então  começam  a gloriar-se nas  suas próprias realizações.  Precisam  lembrar- se   tie quem  os transformou, voltando-se para Ele antes que as  vitórias  sejam  transformadas  em  fracassos
.  Condições para a oração respondida.  Leia o versículo 7.  A disposição de Deus  quanto  a responder às nossas orações  é  um convite a pedir.  Sugerem  se as  seguintes  condições,  para  que  a  oração  possa  ser  atendida  por  Deus:

7.1.  A  glória  do  Pai  (Jo  14.13).  Nenhuma  oração  tem possibilidade  de chegar à fruição  se  não  for  inspirada pelo desejo  de  fazer  com  que  o  Pai  seja  conhecido,  amado  c adorado;  Deus  honra  aos  que  o  honram.

7.2.  Em  nome  de  Cristo  (Jo  14.13).  Nas  Escrituras,  o “nome”  representa  a  “natureza”.  Orar  em  nome  de  Cristo c  orar  conforme  nos  inspira  nossa  natureza  cristã,  c  não nosso próprio-eu carnal.  Orar em nome de Cristo é orar no Espírito  de  Cristo.

7.3.  Permanecendo  em  Cristo  (Jo  15.7).  Quando  permanecemos com Cristo cm comunhão diária, a unção (“seiva”) do Espírito Santo, aprofundando nossa comunhão com o  Senhor  invisível,  produzirá  em  nós  desejos  c  petições semelhantes aos que  Ele incessantemente apresenta ao  Pai. Ele  nunca poderá pedir coisas  que  não  seriam  apropriadas ao  Pai  conceder.

7.4.  A  conformidade  com  os  ensinos de  Cristo.  “Se...  as minhas  palavras  estiverem  cm  vós”.  Os  ensinos  de  Cristo são  como juizes,  examinando  cada petição  antes  que  cheguem  ao  Mestre.  Por  exemplo,  uma  petição  egoísta  seria devolvida com  o pronunciamento:  “Mas  buscai  primeiro  o reino de Deus,  e a sua justiça”.  Uma oração  manchada por sentimentos  de  má  vontade  pode  ser  retificada  com  a injunção:  “Amai  os  vossos  inimigos  e  orai  pelos  que  vos perseguem”.  A  oração em nome de Cristo deve conformar- se  aos  seus  ensinos.

7.5.  A  oração deve relacionar-se com nosso serviço cris tão  (v.  16).  A  oração  atinge  o  nível  mais  alto  quando  tem a  finalidade  de  nos  ajudar  a  servir aos  outros  na  propaga ção  do  Reino  de  Deus.

X.  A  perseverança produz  o  gozo perfeito. 

“Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça cm vós, c o vosso gozo  seja completo”.  Estas  exigências  quanto  à vida  frutí- iera visam  transformar o júbilo de um recém-convcrtido no gozo estável, pleno e completo do cspiritualmcnte maduro. A  perfeita  felicidade  c  para  quem  venceu  a  luta,  para  o ceifeiro  depois  de  completa  a  colheita,  para  o  atleta  que ganhou  o  prêmio  da  força,  da perícia  c  da  velocidade.Perseverando  cm  fazer  o  bem,  ouviremos  a  voz  do Senhor,  dizendo:  “Entra  no  gozo  do  teu  Senhor”.

9. A perfeita amizade.  Note como Jesus nos oferece todos os  elementos  da perfeita  amizade.

9.1.  Mantém   a  casa  aberta para  nós.  Muitas  casas  têm o  aviso:  “Não  se  recebem  mendigos  ou  vendedores”.  Este Amigo,  porem,  avisa:  “Pedi,  c  dar-sc-vos-á”.

9.2.  Jesus  sempre  olhava  o  lado melhor da  conduta  dos seus discípulos.  Havia muitas ocasiões de  fracasso entre os discípulos, como no Getsêmani,  mas Jesus, cm vez de acusá- los,  reconheceu  suas  limitações:  “O  espírito  está  disposto, mas  a  carne  é  fraca”.

9.3.  Jesus  entende  as  alegrias  e  as  tristezas  dos  seus amigos.  Seu  recado:  “Mas  ide,  dizei  a  seus  discípulos, e  a Pedro"  (Mc  16.7)  mostra  como  entendeu  os  sentimentos do  seu  apóstolo  desencorajado.


9.4.  Jesus  tem  plena  confiança  nos  seus  amigos,  e  este é um teste  importantíssimo de amizade.  Disse o Senhor com respeito a Abraão, seu “amigo”:  “Ocultarei  a Abraão o que estou para  fazer?” Os  que entram  no recôndito da sua presença  sabem  que  o  segredo  do  Senhor  está  com  os  que  o temem.9.5.  Jesus  é  um  Amigo  que  nunca  abandona  os  que  o amam.  “Como havia amado  os seus, que estavam  no  mundo,  amou-os  até  ao  fim”  (Jo  13.1).  Podemos  saber  que, lambem  neste  ponto,  Ele  é  o  mesmo  ontem,  hoje  e  para sempre

MYER PEARLMAN - JOO O EVANGELHO DO FILHO DE DEUS






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