Introdução
A
|
tipologia bíblica constitui-se uma das maiores
rique-
zas de proveito espiritual para o crente
que deseja
conhecer a Bíblia mais profundamente. A
linguagem
figurada na Bíblia expressa a relação de
Deus, o Criador e
Senhor, o Todo-Poderoso, com a sua
criação e com as suas
criaturas. Neste livro, trataremos da
tipologia messiânica, es-
pecialmente encontrada no Pentateuco,
bem como em outros
livros do Antigo Testamento.
Deus estabeleceu um plano para a formação de um povo
que o servisse e que o representasse
perante todas as nações.
Ele escolheu a Abraão, e, de sua
semente, sairia o povo que o
serviria (Gn 12.1-4).
Na linguagem figurada dos símbolos representativos na
convivência humana, na organização
social e econômica,
nas relações familiares e, também, nas
relações religiosas, a
semente de Abraão seria abençoada. A
partir da saída de Israel
do Egito e sua peregrinação no deserto
por 40 anos, esse povo
aprenderia a depender de Deus numa
relação vital. Depois de
algum tempo de peregrinação, quando o
povo de Israel chega
ao monte Sinai, liderado por Moisés,
Deus dá a ele um projeto
para a construção de um lugar para o
qual todo o povo con-
vergiria para conhecê-lo e senti-lo
perto.
O Tabernáculo foi um projeto que Deus deu a Moisés e res-
ponsabilizou-o para construí-lo segundo
um modelo especial.
O modelo era divino, mas era feito com
elementos materiais e
teria um caráter temporal, que podia
armar e ser desarmado
para ser conduzido a outros lugares.
Neste livro, a tipologia do Tabernáculo será tratada de acor-
do com os parâmetros da hermenêutica
bíblica. Cada detalhe
da estrutura física, seus objetos,
metais e madeiras, tecidos
e bordados, peles e cores, estavam na
mente de Deus como
significados simbólicos e tipológicos
voltados para revelar o
seu caráter e a sua glória. A mesma
tipologia aponta para um
povo futuro, a Igreja, e a pessoa de
Cristo Jesus. O estudo do
Tabernáculo constitui-se a descoberta da
maior riqueza da
tipologia bíblica.
O Antigo Testamento não pode ser tratado como se fosse
uma coletânea de contos históricos sem
relação com o Novo
Testamento. Na verdade, o Antigo
Testamento oferece-nos o
modo como Deus age por meio da
experiência humana, ten-
do como ponto de partida o povo de
Israel, mas com ensinos
através dos tipos que essas histórias
podem oferecer-nos.
Portanto, como declarou Agostinho: “O
Novo está contido
no Antigo; o Antigo é explicado pelo
Novo”. Ora, se cremos
que toda a Escritura é inspirada por
Deus (ver 2 Tm 3.16),
também entendemos que as histórias do
Antigo Testamento
ensinam lições morais e espirituais que
são imprescindíveis
na experiência cristã.
Os tipos têm a finalidade de ilustrar doutrinas fundamen-
tais na Bíblia. Não podem ser um produto
de fantasias, mas
precisam ter um claro apoio das
Escrituras. Os pontos de
correspondência entre os tipos e
antítipos devem ser deli-
mitados com cuidado e temor de Deus. Não
se deve buscar
tipos e antítipos que não tenham
respaldo bíblico. Existem
os abusos dos que tentam dar significado
a fatos que não têm
correspondência alguma com o ensino
geral das Escrituras e
que extraem conclusões absurdas,
empobrecendo, assim, a
verdade essencial da Palavra de Deus.
A tipologia pode ser definida como o estabelecimento de
conexões históricas entre fatos, pessoas
e coisas do Antigo
Testamento com o que existe no Novo. Por
isso, ao estudar-
mos sobre a tipologia do Tabernáculo,
entendemos que ela é
manifestada na pessoa de Cristo e em sua
obra expiatória (1
Co 10.11).
O pastor Abraão de Almeida escreveu que “o tipo é uma
representação pré-ordenada, pela qual
pessoas, eventos e ins-
tituições do Antigo Testamento
prefiguram pessoas, eventos
e instituições do Novo Testamento”. A
Bíblia, de modo geral,
utiliza em sua linguagem vários termos
relativos aos typos que
ilustram perfeitamente as verdades
espirituais e são identifi-
cados como sinal (Jo 20.25); figura (At
7.43; Rm 5.14; 1 Co 10.11);
forma (Rm 6.17); parábola, alegoria (Hb
9.9); modelo (At 7.44; Hb
8.4,5); sombra (Cl 2.14-17; Hb 8.5);
exemplo (Fp 3.17; 1 Tm 4.12;
1 Pe 5.3; 2 Pe 2.6) e tantas outras
formas de comunicação,
através das quais são reveladas as
coisas espirituais. Temos
algumas figuras de linguagem, tais como
hipérbole, metonímia,
prosopopeia, sinédoque, antropomorfismo,
enigma, metáfora, as
quais são utilizadas no mundo secular,
mas que também são
encontradas na linguagem bíblica. Por
isso, é necessário que
o texto bíblico seja respeitado pela
linguagem do seu contexto
para evitar desvios de interpretação.
Entretanto, sabemos que os tipos na Bíblia são, em sua
maioria, cristocêntricos, porque revelam
a natureza da pessoa
de Cristo, o caráter de sua obra
expiatória e a glória dos seus
sofrimentos. No texto de 1 Coríntios
10.11, o apóstolo Paulo
ensina que tudo isso foi escrito para
assinalar que todas as
coisas encontram sua consumação em
Cristo e em sua obra
expiatória. A consumação de todas as coisas
— “chegados os
fins dos séculos” — torna-se efetiva na
Igreja de Cristo.
Portanto, a tipologia já é muito rica em si mesma, poden-
do, assim, ser explorada sem temor,
desde que as regras da
hermenêutica sejam sempre respeitadas. É
bom lembrar que
um tipo é sempre inferior ao tipificado.
Nada na terra pode
representar a divindade, a glória, o
poder e a obra salvífica
de Cristo Jesus com total precisão.
Uma das lições que aprendemos em Hermenêutica Bíbli-
ca é que todos os fatos e princípios do
Antigo Testamento
constituem-se em sombras ou tipos das
realidades das coisas
celestiais, uma vez que não há dúvida de
que todo o conteúdo
da Bíblia é a Palavra de Deus e que ela
é proveitosa e útil em
sua totalidade para instruir os que
desejam conhecer o Senhor
(Is 55.11; 2 Tm 3.16,17).
Qual a importância em estudar sobre o Tabernáculo? Que
lições podemos tirar dessa história e
tipo? Se o sistema sacri-
fical e o próprio Tabernáculo foram
abolidos do sistema de
culto dos judeus, que valor terá o
estudo sobre esse assunto
hoje? A resposta é dada pelo apóstolo
Paulo quando ele diz
que Israel havia bebido de águas no
deserto e que Cristo era a
rocha espiritual, da qual beberam os
judeus (1 Co 10.4,5). Ora,
subentende-se, portanto, que a rocha da
qual beberam os isra-
elitas continua sendo a rocha da qual
verte água para saciar a
sede da Igreja hoje. Quando estudamos
sobre o Tabernáculo,
que é a figura do próprio Cristo,
tornamos evidente que Ele é a
realidade do Tabernáculo. Cristo,
portanto, é nosso Tabernáculo
neotestamentário. Por isso, tudo na
história de Israel, desde
sua saída do Egito até chegar à terra de
Canaã, constitui-se
em exemplo e tipo de uma realidade ainda
a aparecer. Essa
realidade fez-se conhecida em Jesus
Cristo.
Na tradução da Bíblia King James, Paulo diz em sua epístola
aos coríntios que “todas estas coisas
lhes aconteceram como
exemplos, e elas estão escritas para
nossa admoestação”; já na
ARC, a tradução do texto está assim:
“Tudo isso lhes sobreveio
como figuras, e estão escritas para
aviso nosso [...]” (1 Co 10.11).
Ambas as traduções estão corretas quando
usam as palavras
“exemplos” e “figuras”, que aparecem no
grego como typos,
referindo-se ao modelo de alguma
realidade que está por apa-
recer. Portanto, typos é, na verdade, um
protótipo daquilo que
pode ser reconhecido na realidade. No
Novo Testamento, um
typos pode caracterizar algum fato
histórico que serve como
modelo e que tenha um propósito didático
e interpretativo.
Assim sendo, vários textos do Novo
Testamento são antytipos
que servem como figuras de alguma
realidade espiritual (Hb
9.24 e 1 Pe 3.21). Em Hebreus 9.24, o
santuário verdadeiro é o
tipo e o antítipo. Subentende-se,
portanto, que esse santuário
é a cópia do Tabernáculo que Moisés
construiu.
Devemos ter em mente que nenhum tipo pode existir sem
seu correspondente antítipo, assim como
nenhuma sombra
pode existir sem sua pertinente
realidade; por isso, o estudo
do Tabernáculo ensina-nos e mostra-nos a
realidade das coisas
celestiais (Hb 9). Há muita revelação
embutida nas Escritu-
ras que requer de quem estuda o cuidado
para entender sua
linguagem.
No estudo do Tabernáculo, não devemos apenas conside-
rar a sua bonita história. Devemos
entender que o emprego
tipológico do Tabernáculo não apenas
objetiva a apreciação da
sua historia, como também oferece lições
preciosas que estão
implícitas nos elementos tipológicos que
revelam verdades
espirituais para a nossa vida hoje.
A tipologia deve ter sua base de autoridade na Bíblia, não
na imaginação do intérprete. É
lamentável a banalização feita
por pretensos intérpretes que, à revelia
do que está revelado
na Palavra de Deus, engenham
interpretações que tornam a
Bíblia um livro de historinhas
fantasiosas e antibíblicas.
TABERNÁCULO – UM LUGAR DA HABITAÇÃO DE DEUS
U
|
ma das primeiras lições que se aprende
em Teologia
acerca de Deus é que “Deus é espírito”
e, por isso, Ele é
autoexistente, não criado por outro ser,
atemporal, autos-
suficiente, não restrito a nenhum
determinado ponto geográfico
(ver Jo 4.24). O fato de Deus manifestar
seu desejo de habitar com o
seu povo não o limita a nada. Ele tem
origem em si mesmo, ou seja,
Ele existe por si mesmo quando diz: “Eu
Sou o Que Sou” (Êx 3.14).
I.
Uma Morada Terrena para a Divindade
A ordem dada a Moisés para construir uma
morada para Ele
tinha por objetivo mostrar o seu
Espírito, fazendo-se sentir
pelas manifestações especiais da
natureza, como fogo, nuvem,
água, relâmpagos e trovões sobre o lugar
da sua presença, ou
seja, a sua Shekinah.
Para entendermos essa dimensão da Divindade, devemos
considerar o projeto de construção do
Tabernáculo. Estudar e
conhecer a estrutura do Tabernáculo com
seu mobiliário, suas
medidas e materiais revela um Deus que
se identifica com o seu
povo utilizando as coisas materiais para
facilitar a compreen-
são do povo de Israel. Desde que o
Senhor mostrou o modelo a
Moisés no Monte Sinai, deu a ele ordens
para serem obedecidas
cuidadosamente. As coisas de Deus são
perfeitas porque Ele é
perfeito em todas as suas obras (2 Sm
22.31; Mt 5.48). Portanto,
o Tabernáculo (ohel e mishkan, heb.) era
o lugar onde o Senhor
habitaria com o seu povo depois da sua
saída do Egito.
II.
Cinco Razões por que Deus Concedeu oTabernáculo a Israel
Há pelo menos cinco razões da parte
divina para a construção
do Tabernáculo:
A
Primeira Razão do Coração de Deus Era o
Desejo
de Habitar com os Homens
Em primeiro lugar, Deus deu a ordem:
“E me farão um san-
tuário, e habitarei no meio deles” (Êx
25.8). O Tabernáculo
seria a morada de Deus entre o seu povo.
Esse desejo divino é
percebido nas Escrituras quando Deus revela-se
a si mesmo
ao homem. Ele aparece caminhando no
jardim do Éden para
comunicar-se com suas criaturas humanas,
que foram criadas
por Ele para sua glória.
Em
segundo lugar, vemos Deus revelando-se a si mesmo a
Moisés no monte Horebe, envolvido na
sarça ardente (Êx 3.4),
e, logo depois, Ele manifesta-se de modo
incisivo a Moisés,
dando-lhe instruções para libertar os
hebreus da escravidão
egípcia (Êx 3.5-12).
Em
terceiro lugar, depois que os hebreus são libertados do
Egito, Deus manifesta-se de modo
espetacular no Monte Sinai
envolvido numa coluna de nuvem durante o
dia; às noites,
Ele demonstrava sua presença numa coluna
de fogo sobre o
Tabernáculo (Êx 13.21).
Em
quarto lugar, quando Moisés acabou de construir o
Tabernáculo, a glória de Deus apareceu
brilhante na mesma
nuvem (Êx 40.34). A presença divina
esteve constante na mar-
cha de Israel no deserto, e Deus falava
com Moisés fazendo-se
ouvir do centro daquela nuvem de glória.
Em
quinto lugar, quando Salomão acabou de orar a Deus
depois da inauguração do Grande Templo,
a glória de Deus
manifestou-se em fogo sobre o altar dos
sacrifícios e encheu
toda a casa (2 Cr 7.11).
Tabernáculo – Um Lugar da Habitação de
Deus
Em
sexto lugar, quanto à habitação de Deus com os homens,
algo maravilhoso e ímpar aconteceu,
porque Deus revelou-
-se e habitou entre nós na Pessoa de
Jesus Cristo, seu Filho
Amado, cumprindo-se a palavra de João:
“E o Verbo se fez
carne e habitou entre nós [...]” (Jo
1.14). O vocábulo “habitou”
no grego do Novo Testamento é “skenoo”,
que significa “ten-
da”, “morada”, “tabernáculo”. Ele (Jesus
Cristo) montou seu
tabernáculo entre nós, e nós “vimos a
sua glória” (Jo 1.14).
A
Segunda Razão do Coração de Deus Era Fazer do Tabernáculo uma Antecipação das
Glórias que Viriam depois
Não é difícil entender que o Tabernáculo era um tipo
perfeito de Cristo. Quando Ele terminou
sua obra na terra,
a Bíblia diz que Ele ascendeu ao céu, ou
seja, ao seio do Pai
Celestial, e, então, enviou o Espírito
Santo para habitar na sua
Igreja, ou seja, na vida pessoal de cada
crente (Jo 14.16,17). O
final do versículo 17 diz: “[...] porque
habita convosco e estará
em vós”. Quando um pecador arrepende-se
de seus pecados
e declara que Jesus é o Salvador e
Senhor, o Espírito Santo
é-lhe dado como “penhor da nossa
herança”, ou seja, garantia
de todas as promessas de Deus (Ef 1.14).
Outrossim, quando o
Espírito entra na vida de um pecador
remido, passa a habitar
dentro dele, e seu corpo passa a ser
templo do Espírito Santo
(1 Co 6.19). Se, antes no Antigo
Testamento, ninguém podia
chegar a Deus a não ser pelo sumo
sacerdote, agora temos
acesso a Deus Pai por meio de Jesus
Cristo (Hb 4.16).
A
Terceira Razão do Coração de Deus É Ensinar o Conflito
entre
a Santidade de Deus e a Pecaminosidade do Homem
O propósito de Deus ao ordenar a construção do Tabernáculo
com todas as suas restrições de acesso
ao Lugar Santíssimo era
mostrar o caminho para desfazer o conflito
entre a santidade
de Deus e a pecaminosidade do homem.
Ora, no Tabernáculo,
encontram-se Deus e o homem, e o
conflito precisa ser dirimido.
O caminho para desfazer esse conflito
não é o das religiões,
nem o das boas obras, nem o das justiças
humanas. O caminho
indicado por Deus é um só, que é Cristo
e sua obra expiatória
no calvário. Tudo isso é prefigurado no
Tabernáculo, predito
nas profecias bíblicas e confirmado pelo
próprio Senhor e
seus apóstolos. Há um só caminho (Jo
14.6) e um só mediador
entre Deus e o homem (1 Tm 2.5); há um
só sacrifício, através
do qual se efetuou uma eterna redenção
(Hb 9.12).
A
Quarta Razão do Coração de Deus para a
Construção
do Tabernáculo Era Tornar aquele Lugar
um
Lugar de Adoração e Louvor a Deus
O Tabernáculo chamava a atenção de todo o povo, porque a
glória de Deus manifestava-se de modo
especial naquele lugar.
O Senhor manifestava-se a si mesmo
naquele lugar através da
palavra dos líderes do povo,
especialmente Moisés e Arão. No NT,
a glória de Deus é manifestada através
do Espírito Santo, porque
Jesus disse que rogaria ao Pai e
enviaria “outro Consolador, para
que [estivesse com seus discípulos] para
sempre” (Jo 14.16). No
AT, Deus tinha a Arca, o Castiçal de
Ouro, o altar do incenso e a
mesa dos pães da proposição. No NT, o
modo de adorar tornou-se
diferente e especial, porque o lugar da
adoração é uma Pessoa, o
próprio Senhor Jesus Cristo.
Nessa gloriosa Pessoa,
homem, e este com Deus.
Por isso, não é a igreja que
salva, e sim uma Pessoa
que salva (Jo 14.6). Não
há um templo, nem um
nome, nem mesmo outro
fundamento. Para adorar a
nome, nem mesmo outro
fundamento. Para adorar a
Deus,
fazemo-lo pelo nome
de Jesus Cristo (Mt 18.20).
de Jesus Cristo (Mt 18.20).
A
Quinta Razão do Coração de Deus para a
Construção
do Tabernáculo Era a Necessidade de um
Lugar
para os Sacrifícios
A Bíblia faz entender que se podia apaziguar o poder da
justiça contra o pecado mediante os
sacrifícios oferecidos a
Deus. Era, também, um modo de
aproximar-se do Criador. Na
história de Abraão, o velho patriarca
entendeu que não podia
chegar-se a Deus, senão mediante um
sacrifício. Na sua des-
cendência posterior, o povo de Israel
entendeu a importância
da Páscoa e das ofertas oferecidas ao
Senhor por seus pecados.
Por isso, a instituição do Tabernáculo
foi a mais expressiva
mensagem divina de amor e perdão para
com o povo escolhido.
Todo o sistema levítico foi elaborado em
torno dos sacrifícios,
porque esse era o modo de poder chegar a
Deus. O sistema dos
sacrifícios satisfazia a santidade
divina, que requeria justiça e
a sua devida punição, e a única maneira
de satisfazer a plena
e perfeita justiça divina era a oferta
pelo pecado através de um
só sacrifício mediante o sangue inocente
que substituiria o pe-
cador. A porta exterior sempre estaria
aberta para o pecador, e
o fogo consumidor estaria ardendo sobre
o altar dos sacrifícios.
Tudo isso indicava que Deus estava
sempre disposto a receber
as ofertas voluntárias de seu povo pelos
seus pecados. Assim
como o derramamento de sangue do animal
representava um
alto custo da salvação, nada menos que o
sangue de Cristo seria
suficiente para satisfazer a pena do
pecado por quem Jesus mor-
reu. Deus tem avaliado nossa salvação a
um custo nada menor
que este: o derramamento do sangue de
Jesus (ver Is 53.10).
Numa tipologia especial, entendemos que
o sacrifício da cruz
revela a glória do caráter de Deus. Ora,
como ver a glória divina
na obra expiatória da cruz? Paulo disse
aos romanos: “Sendo
justificados gratuitamente pela sua
graça, pela redenção que há
em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Mais a
frente, Paulo diz: “Mas Deus
prova o seu amor para conosco em que
Cristo morreu por nós,
sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
- LIVRO DE
APOIO ADULTOS 2º TRIMESTRE DE 2019
A Casa de Ouro
Ali não era um acampamento de férias,
mas havia muitas tendas,
e bem no centro estava a Casa de Ouro.
Eram milhares de tendas. Mas não eram
de cores vivas como as de hoje, não, eram cinzentas
e pretas e abrigavam um povo nômade no
deserto. Também não se tratava de um povo
pequeno ou de uma tribo, porém de uma
nação de doze tribos, vários milhões de pessoas.
Cada vez que retomavam a viagem,
formavam um imenso cortejo de homens, mulheres e
crianças, além do gado que possuíam.
Sempre que armavam suas tendas formavam
um enorme acampamento, cuja disposição
era exatamente um quadrado: três tribos
ao leste, três ao sul, três ao oeste e três ao norte.
E no centro do acampamento se armava
cada vez essa casa, a Casa de Ouro; de ouro e
cortinas.
Esta era a casa de DEUS.
Mas, na verdade, aquelas tendas pretas
e essa linda casa não se harmonizavam em nada;
tampouco o povo com Deus.
Ah, que coisas se passavam nessas
tendas!
Cada família tinha suas preocupações e
tristezas, também suas brigas e miséria.
Ah, se pudéssemos ter olhado e escutado
dentro dessas tendas!
Se tivéssemos a possibilidade de ver o
que se passava em cada coração!
O que teríamos visto?
Exatamente as mesmas coisas que em
nossos próprios corações:
egoísmo, orgulho, pensamentos impuros,
ódio e aversão contra certas pessoas.
O Céu na Terra
Por que essa Casa de Ouro, a casa de
Deus, está no meio desse povo?
Por que Deus se interessa por essa
gente?
Por que não deixa as pessoas à sua
própria revelia?
Por que Ele não fica no céu... ?
...Deus desce do céu.
Ordena construírem esta Casa de Ouro na
Terra.
Quer viver no meio dos homens, e quer
que eles vivam próximos a Ele.
Todos eles, você também, são BEM-VINDOS
a DEUS.
DEUS é AMOR.
O Seu desejo de habitar entre os homens
não se refere somente aos dias do povo de Israel.
Aplica-se também ao nosso tempo, e até
mesmo ao (breve) futuro quando haverá o novo
Céu e a nova Terra. Veja o que diz
Apocalipse 21:1-3:
“Eis o tabernáculo de Deus com os
homens. Deus habitará com eles...”
A Casa Maravilhosa
Essa Casa de Ouro,
a casa de Deus,
fala-nos do Filho de Deus. Fala de Deus
e do Céu.
A história do “tabernáculo” — também
conhecido como “tenda da congregação” — não é
uma mera descrição de um santuário
qualquer, sem um significado mais profundo.
Que sentido teria dedicar tantos
capítulos da Bíblia à descrição tão detalhada de todas as
medidas, pesos e materiais?
A concepção desta casa reflete os
pensamentos de Deus; fala-nos da glória do céu, da cidade
de ouro e da nova Jerusalém.
Conforme Hebreus 9:23-24, as coisas do
tabernáculo são figuras das coisas do Céu
E qual é o Elemento central do Céu?
Ali toda a riqueza e glória estão
reunidas numa maravilhosa Pessoa: no Filho de Deus, em
nosso Senhor Jesus Cristo.
Ele é o centro dos pensamentos e
propósitos de Deus, desde a eternidade passada até à
futura. E o que vamos notar se
estudarmos a Sagrada Escritura. Por isso, aqui também não
é diferente: cada detalhe dessa Casa de
Ouro no deserto nos revela um aspecto desta Pessoa.
A Bíblia é a Palavra de Deus.
Deus inspirou os homens; Ele
“soprou-lhes” o que deviam escrever.
Assim se originou a Sagrada Escritura —
o próprio Deus no-La deu.
Bem
no começo da Bíblia, no segundo livro, Êxodo, encontramos a descrição
do
tabernáculo.
Não é uma mera planta de construção de
um edifício, não, é um quadro poderoso e vivo,
revelando os pensamentos de seu
Criador. Cada detalhe tem o seu significado. E esses
significados, nós podemos
buscar e encontrar na Palavra de Deus, porque a Sagrada
Escritura se explica por si só.
A Ordem para Construir
Esta casa então não podia ser edificada
segundo as idéias humanas.
Devia ser edificada porque Deus tinha
este desejo: “E me farão um santuário, para que eu
possa habitar no meio deles” (Êxodo 25:8).
Deus mesmo mostrou o modelo a Moisés
quando este esteve com ele durante
quarenta dias no monte Sinai (Êxodo 24:18).
É por esta razão que na descrição da
construção lemos repetidamente que
“fizeram tudo
segundo o SENHOR tinha ordenado” (Êxodo
39 e 40).
O tabernáculo seria algo que homem
algum teria imaginado.
Uma Visão do Tabernáculo
Vamos examiná-lo de perto?
De longe, somente se vê um cercado de
cortinas de linho suspenso entre firmes colunas;
100 côvados de cumprimento e 50 côvados
de largura (Êxodo 27:9 e 12). Um côvado
hebreu media cerca de 50 cm, assim, o
átrio (o pátio) era de 50 metros por 25, mais ou
menos.
Por cima da cerca ainda se pode ver o
teto da tenda, que está do lado de dentro do cercado
e que mede 10 côvados de altura.
A cor do teto não é muito bonita.
Não, o que se vê deste lado realmente
não é muito atrativo.
Sabe, é sempre assim com as coisas de
Deus. Quem ainda não entrou na casa de Deus não
entende as coisas e a Palavra de Deus.
Estas coisas são loucura para ele. É o que a Bíblia,
aliás, também confirma: 1 Coríntios
1:18 e 23. Quando o Senhor Jesus Cristo, o Filho de
Deus, esteve aqui na Terra, as pessoas
também não viram n’Ele algo especial — nada de
atrativo, visto que
tudo estava oculto para eles. “Não tinha
aparência nem formosura;
olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse... era desprezado, e dele não
fizemos caso” (Isaías 53:2-3).
Esta é a experiência que cada crente já
deve ter relatado:
“Antes não havia nada em Cristo que me
atraísse; mas agora que O conheci, Ele vem se
tornando cada vez maior e mais precioso
para mim.”
Entrada Proibida Êxodo 27:9-19
Vamos aproximar-nos um pouco mais.
Como é impressionante este cercado! As
cortinas, bem brancas, contrastam com as tendas
cinzentas ao redor. Transmitem a
impressão da pureza e santidade que se requer lá dentro.
E que altura: dois metros e meio! Assim
ninguém pode olhar por cima.
Deus não se deixa ver.
Não se dá, assim, prontamente, as
boas-vindas. É como se essas cortinas altas e brancas
dissessem: “Entrada Proibida”.
O assunto é sério: normalmente o acesso a Deus é proibido a
qualquer pessoa. Houve
somente um homem que era tão alvo e
puro como essas cortinas. Este era Cristo, o único
puro, o Homem perfeito.
E você, leitor: sua vida condiz com
estas cortinas? Ela é pura?
Muitos querem seguir a Cristo.
Parece-lhes que é a coisa certa a fazer. Mas a primeira coisa
que Deus quer nos ensinar por meio
desta casa, e a cerca já nos ensina esta lição, é que nós,
gente das tendas cinzentas, deste mundo sujo, contrastamos drasticamente com a Sua
pureza.
Não podemos vir a Ele simplesmente
do modo como
somos: não podemos
simplesmente dizer que estamos do lado
de Cristo ou afirmar que O seguimos. O que Sua
pureza e perfeição nos mostram é
justamente o quão sujos somos por dentro.
Todos nós estamos manchados, sujos e
com pecado. “Não há quem faça o bem... com a
língua urdem engano... todo o mundo [é]
culpável perante Deus... pois todos pecaram e
carecem da glória de Deus [isto
é: não alcançarão a glória de Deus]"
(Romanos 3:10-23).
Caso desejemos nos achegar-nos a Deus,
então o primeiro passo a ser dado é reconhecer isso.
Você quer ser sincero o suficente para
reconhecer a sua culpa, quer chegar-se a Deus com
sua vida perdida, assim como você é?
Se este é o caso, ENTÃO Deus, APESAR DE
TUDO, o aceitará.
Do lado oriental há uma porta:
uma
porta aberta para todo pecador arrependido!
A CASA DE
OURO - JAN ROUW E PAUL F. KIANE





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