sábado, 2 de março de 2019

Lição 10 – Poder do alto contra as Hostes da Maldade





       o relato do trabalho evangelístico de Filipe em Samaria é um dos melhores cenários para descrever o "poder do alto contra as hostes da maldade". O enfoque das hostes da maldade aparece no contexto de Efésios 6.12. Simão, o mágico, agia sob o poder das trevas; era um opositor do evangelho. Conscientemente ou não, ele era usado pelos demônios para falsificar os milagres tentando imitar as obras de Deus. O poder do alto diz respeito ao poder do Espírito Santo na vida da Igreja que veio no dia de Pentecostes para ficar para sempre.

    O PODER DO ALTO
       Jesus disse antes de voltar ao céu: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" (Lc 24.49). Ele estava se referindo à descida do Espírito Santo que aconteceu no dia de Pentecostes, marcando o início da jornada histórica da Igreja. Esse derramamento do Espírito foi em decorrência da obra expiatória de Jesus no Calvário: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (At 2.32, 33). O Novo Testamento identifica esse derramamento por diversos nomes, entre eles: revestimento de poder e promessa do Pai, ou do meu Pai (Lc 24.49), batismo no Espírito Santo (At 1.5), virtude do Espírito Santo (At 1.8) e dom do Espírito Santo (At 2.38).
        O Espírito Santo na vida da Igreja é um fenômeno exclusivo do cristianismo, que é a única religião do planeta que tem o Espírito Santo (Jo 14.16, 17). Ele habita em todos os crentes em Jesus, pentecostais e não-pentecostais (1 Co 3.16; Gl 4.6); ele mesmo é quem convence o pecador, conduzindo-o a Cristo (Jo 16.8). Na regeneração, ele promove o novo nascimento, que é um ato direto do Espírito Santo (Jo 3.6-8). O pecador recebe o Espírito quando recebe Jesus (Gl 3.2; Ef 1.13). Os crentes têm, sim, autoridade sobre o mal, pois a promessa de Jesus é para todos os que creem nele (Mc 16.17-20). Não se deve, portanto, confundir batismo no Espírito Santo com salvação. Os discípulos de Jesus já eram salvos e tinham o Espírito Santo antes mesmo do Pentecostes (Lc 10.20; Jo 15.3; 20.22).
       O batismo no Espírito Santo, o poder do alto, é um recurso espiritual adicional na vida cristã, um revestimento de poder para o crente viver a vida regenerada, um poder espiritual que contribui para a edificação interior do crente. A Declaração de fé das Assembléias de Deus define os dons espirituais como as "capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja" (p. 171). Foi sob esse poder que Filipe revolucionou a cidade de Samaria.

FILIPE EM SAMARIA
      Há no Novo Testamento quatro personagens chamados Filipe. Dois da casa de Herodes: Herodes Filipe I, ou simplesmente Filipe (Mt 14.3), e Herodes Filipe II, o tetrarca da Itureia (Lc 3.1); um é discípulo de Jesus, o apóstolo, e seu nome aparece entre os doze apóstolos (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.14); o outro é conhecido como Filipe, o evangelista (At 21.8), mencionado antes na escolha dos sete varões para o diaconato (At 6.5). Este é o Filipe que realizou o trabalho evangelístico em Samaria: "E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade" (At 8.5-8). Filipe logo se destacou na pregação do evangelho e aparece cerca de vinte anos depois como evangelista (At 21.8).
       Samaria é o nome de uma região. A Bíblia faz menção das "cidades de Samaria" (1 Rs 13.22; 2 Rs 17.24,26; 23.19), onde havia várias aldeias e cidades (Lc 9.52; Jo 4.5). Filipe esteve na "cidade de Samaria" (At 8.5). Essa cidade se tornou a capital do Reino do Norte, o reino de Israel, a casa de Efraim, todos nomes alternativos das dez tribos do norte que se separaram de Jerusalém, a casa de Davi. Ela foi fundada por Onri, o fundador da quarta dinastia do Reino do Norte, com quatro reis: Onri, Acabe, Acazia e Jorão (l Rs 16.28; 22.40; 2 Rs 1.17, 18; 9.24). Jeú matou Jorão, o último rei da dinastia de Onri, e fundou a quinta dinastia em Israel. Onri comprou um monte de um cidadão chamado Semer, onde fundou uma cidade à qual deu o nome de Samaria, em homenagem ao dono anterior, e fez dela a capital do seu reino (1 Rs 16.24). Acabe construiu nela um templo a Baal (1 Rs 16.32) e desde então a cidade se tornou um centro de idolatria (Jr 23.23; Os 8.5, 6). Herodes, o Grande, fortificou e embelezou a cidade, alterando o seu nome para "Sebaste", em homenagem a Augusto, Imperador romano. O termo vem de sebastós, adjetivo grego que significa "digno de respeito, venerado, venerável"; e sebasté, equivalente ao termo latino augustus, título imperial conferido a Otávio, o segundo dos doze Césares. Foi no reino de Augusto que Jesus nasceu (Lc 2.1). Samaritanos e judeus não consideravam o nome "Sebaste"; por essa razão, não é surpreendente o Novo Testamento usar somente o antigo nome de Samaria.
        Havia um clima de tensão cultural e religiosa entre judeus e samaritanos nos tempos de Jesus (Lc 9.52, 53; Jo 4.9), embora Israel reconheça ainda hoje os samaritanos como judeus. Mas o Senhor Jesus mudou isso abrindo as portas do futuro para Filipe (Jo 4.39-42). Dessa forma, podemos afirmar que o relacionamento cristão com os samaritanos começou de forma salutar com o Senhor Jesus e prosseguiu com Filipe e os apóstolos Pedro e João (At 8.13, 14).
        Essa rivalidade era antiga, pois os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos na reconstrução do templo de Jerusalém quando Judá retornou do cativeiro babilônico (Ed 4.1 -4). Os samaritanos rejeitaram as Escrituras do Antigo Testamento e adotaram apenas o Pentateuco, hoje conhecido como Pentateuco Samaritano, com cerca de 6 mil variantes em relação ao Pentateuco Hebraico. Além disso, os samaritanos construíram um templo rival no monte Gerizim. O relacionamento deles, que já não era bom, depois de tudo isso ficou pior ainda, e eles se tornaram rivais. Com esses fatos, a ruptura samaritana se consolidou, mas eles esperavam também a vinda do Messias (Jo 4.25). Na era apostólica, Samaria era o nome da cidade e ao mesmo tempo de uma região. Filipe foi impulsionado pelo Espírito Santo; do contrário, não ousaria enfrentar as hostilidades dos samaritanos.
       Filipe "lhes pregava a Cristo" (At 8.5), e isso era importante porque os samaritanos esperavam a vinda do Messias. Nessa pregação, eles testemunhavam o poder do Messias, o Cristo, de modo que as multidões prestavam atenção no que ele dizia, pois "ouviam e viam os sinais que ele fazia (v. 6). Era algo inédito e que atraía as multidões: "pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados" (v. 7). Essa manifestação era o autêntico poder do alto contra as hostes por meio da pregação do evangelho. Filipe revolucionou a cidade pelo poder de Deus.
       O povo prestava atenção no que Filipe dizia. Deus fazia muitos sinais e maravilhas entre os samaritanos por meio dele. Muitos se converteram e foram batizados, e o evangelho era divulgado em Samaria como determinou o Senhor (At l .8).  Filipe não falava outra coisa senão "o reino de Deus e do nome de Jesus Cristo" (8.12).
      O Senhor Jesus havia proibido antes os discípulos de entrarem em cidades de samaritanos: "Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos" (Mt 10.5). Isso porque ainda não era tempo. Antes de seu retorno ao céu, Jesus mandou pregar em Samaria: "e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra" (At 1.8). Filipe agora estava cumprindo com êxito essa missão. Encontramos samaritanos e gentios no contexto da evangeliza- ção: "Samaria e até aos confins da terra" (At l .8). Filipe, em Atos 8, inicia o grande projeto missionário, levando avante a ordem imperativa do Mestre (Mt 28.19, 20, Mc 16.16, 15). Ele começou com os samaritanos e depois foi enviado pelo Espírito Santo para a região de Gaza, a fim de levar o evangelho ao eunuco da rainha da Etiópia, que estava sedento da Palavra de Deus (At 8.26-39.
       A chegada de Filipe a Samaria mostra que na Igreja de Jesus não há preconceito. É verdade que Filipe, pelo que se infere do nome, era judeu helenista e, como tal, não era tão extremista como os judeus de Eretz Israel — os hebreus. Isso somente não justifica a sua ida a Samaria porque Pedro e João eram hebreus, nascidos em Israel; no entanto, eles foram a Samaria para apoiar o trabalho de Filipe. A chegada desses apóstolos em Samaria fortaleceu o trabalho de Filipe, e os samaritanos foram batizados no Espírito Santo (8.14-17). Onde o evangelho chega, os preconceitos são removidos, e o Espírito Santo começa a operar.

SIMÃO, 0 MÁGICO OU SIMÃO MAGO
       Antes da chegada de Filipe a Samaria, ali estava Simão, o mágico, conhecido também como Simão Mago: "Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era uma grande personagem" (At 8.9). Ele era reconhecido pela população samaritana como "a grande virtude de Deus" (At 8.10). Isso significa que Simão se declarava um tipo de emanação ou representação do ser divino. Segundo Justino, o Mártir, Simão Mago nasceu num vilarejo chamado Giton (Apologia I.26), aldeia situada 10 quilômetros a oeste da atual Nablus, na região de Sicar (Jo 4.5), a antiga Siquém no Antigo Testamento.
      Parece que a sua popularidade foi eclipsada com a chegada de Filipe na cidade. Mas o relato afirma: "E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito" (At 8.13). O que muito se discute é essa conversão, pois tradicionalmente Simão era hipócrita, segundo Irineu de Lião: "Este Simão fingiu abraçar a fé, pensando que também os apóstolos realizassem curas por meio da magia e não pelo poder de Deus" (Contra as heresias, 1.23.1). Mas o texto sagrado diz que Simão creu e foi batizado juntamente com os outros samaritanos. Justo González, citando Jürgen Roloff, explica em seu comentário sobre o livro de Atos: "Simão concordou em se juntar à comunidade na esperança de descobrir o segredo do poder de Filipe de realizar feitos extraordinários; por isso, ele não o deixa sozinho, a fim de observá-lo de perto enquanto ele desempenha suas atividades" (p. 136). Isso indica que nem sempre uma pessoa estar dentro da igreja significa que sua vida foi transformada por Cristo; muitas vezes é mera curiosidade ou interesse em copiar a ação de Deus, como se isso fosse possível.
         A chegada dos apóstolos Pedro e João a Samaria implica que ainda faltava alguma coisa; era o batismo no Espírito Santo. Essa promessa completava a obra do evangelho na região: "Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo. E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo" (At 8.17-19). Simão viu que os apóstolos tinham o poder de conferir o Espírito Santo por imposição de mãos. Ele desejava ter esse mesmo poder para ampliar o seu currículo, por isso ofereceu dinheiro em troca. Simão não se interessou pelo dom de realizar milagres, pois pediu para comprar o dom específico, ou seja, receber o dom do Espírito Santo pela imposição de mãos. Ele estava tratando o dom do espírito Santo como mercadoria. Mas o apóstolo Pedro respondeu com uma maldição que era ao mesmo tempo um convite ao arrependimento (w. 20-22). Nada indica no relato que Simão se arrependeu; está escrito que ele pediu que Pedro e João orassem por ele: "orai vós por mim ao Senhor" (At 8.24). A prática de compra e venda de posições eclesiásticas na Idade Média passou a ser chamada de "simonia", porque Simão Mago quis comprar o dom do Espírito Santo com dinheiro. O termo é usado ainda hoje, principalmente aos charlatões, que tratam o dom de Deus como se fosse mercadoria.
       O texto sagrado não diz o que aconteceu depois disso com Simão, mas há uma farta literatura patrística que mostra a má impressão de Simão Mago como poucos personagens bíblicos. Segundo Irineu de Lião, Simão foi o originador de todas as heresias (Contra as heresias, 1.23.2). Esse pensamento se perpetuou ao longo da história. A literatura patrística acusa com frequência Simão como o pai do gnosticismo. Talvez haja exagero nisso tudo, mas é certo que existem fortes ligações entre Simão e o gnosticismo antigo.
       Simão Mago era tido pelos samaritanos como o "Grande Poder" acostumado a ostentar dinheiro e operar milagres. Ele estava agora diante de um pescador da Galileia transformado em um pescador de almas, revestido do poder do alto, que impunha as mãos sobres pessoas e elas recebiam o Espírito Santo. Era a diferença entre o poder do dinheiro e o poder que transforma um humilde pecador em apóstolo de Cristo. Somente os cristãos têm poder a autoridade sobre as hostes da maldade (Mt 10.4; Lc 10.19). As obras das trevas são demolidas pelo poder de Deus no trabalho de pregação do evangelho de Cristo.


PODER DO ALTO CONTRA AS HOSTES DA MALDADE 129




    FILIPE 

                                                                      - Wycliffe Bible Dictionary –

      No NT, esse nome significa "que ama cavalos".  Filipe, o apóstolo, um dos doze discípulos de JESUS. Ele é mencionado apenas formalmente nos três primeiros Evangelhos e em Atos (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.14; At 1.13), e ocupa a quinta posição na relação dos apóstolos. É no Evangelho de João que ele desempenha um papel mais proeminente e simbólico (de acordo com o método de ilustração de João). Era de Betsaida, a mesma cidade de André e Simão (Jo 1.44). Foi dito que JESUS o "encontrou", e ele, por sua vez, encontrou Natanael, falou-lhe sobre JESUS e o convidou dizendo: "Vem e vê" (Jo 1.43,45,46). Mais tarde, o Senhor JESUS lhe perguntou como conseguiriam pão para alimentar a multidão (Jo 6.5). Sua resposta mostrou que era uma pessoa prática e realista (Jo 6.7) e alguém que ainda não havia entendido plenamente o poder de JESUS. Depois, ele foi abordado por "certos gregos" que desejavam ver JESUS (Jo 12.20,21). Pode ter sido apenas uma coincidência, ou pode ser que eles já conhecessem o seu nome grego (Philippos). Sua reação foi relatar o fato a André, que, por sua vez, o relatou a JESUS. Finalmente, ele pediu a JESUS que mostrasse o Pai (Jo 14.8). Assim como em 6.7, aqui ele usou a palavra "basta" para caracterizar a sua afirmação. Dessa forma, parece que ele tinha uma mente objetiva que calculava antes de falar. Aparentemente, foi confundido pelos patriarcas da Igreja com Filipe, o evangelista.

Veja abaixo.
4. Filipe, o evangelista, morava em Cesaréia (At 21.8) e era pai de quatro filhas virgens que profetizavam na igreja primitiva (21.9). Junto com Estêvão, ele foi um dos sete diáconos mais importantes nomeados originalmente para cuidar das viúvas (At 6.1-6) na igreja de Jerusalém. Ele foi descrito como uma pessoa de boa reputação, cheio do ESPÍRITO SANTO e de sabedoria. Durante a perseguição sob Saulo de Tarso, Filipe foi forçado a fugir de Jerusalém para Samaria, proclamando o CRISTO (o "Messias") aos samaritanos (At 8.5). Seu ministério teve muito sucesso ali, e até influenciou Simão, o mágico, a acreditar e receber o batismo cristão (8.9-13). Mais tarde, foi em direção à velha Gaza e orientou um oficial etíope quanto à fé em JESUS (26.38). Dessa forma, como um judeu helenístico (que falava o grego), ele estabeleceu uma importante ligação entre a igreja de Jerusalém e as regiões vizinhas. Referências feitas a ele pelos patriarcas da Igreja, especialmente Eusébio e Clemente de Alexandria, parecem mostrar que houve uma confusão entre esse Filipe e o apóstolo Filipe. Lucas, entretanto, tomou o cuidado de fazer uma distinção entre ambos por meio da localização de um acontecimento específico (At 8.1, "exceto os apóstolos") e do título (1.13; 21.8). W. M. D.

SAMARIA  -

1. A Cidade - foi fundada em aprox. 880 a.C, por Onri, rei de Israel. Permaneceu como a capital do reino do norte até a sua queda em 722/21 a.C. Após reinar por seis anos em Tirza (aprox. 10 quilómetros no extremo noroeste de Siquém), Onri comprou um monte (aprox. 10 quilómetros a nordeste de Siquém) e começou a construir sua nova residência. De acordo com 1 Reis 16.24, ele chamou a cidade de Samaria (heb. shorrfron), "de acordo com o nome de Semer, o antigo proprietário do monte". Mas este nome também pode significar "cuidado" ou ainda "torre de guarda". Este local excelente, com uma vista maravilhosa do mar Mediterrâneo a oeste, eleva-se a 100 metros acima de um fértil vale que tem um vinhedo e também várias oliveiras

As evidências arqueológicas indicam que existiu um pequeno assentamento na montanha, antes da compra de Onri, mas em todo caso, ele e seu filho Acabe nivelaram o topo da montanha e fortificaram este ponto alto com paredes do lado interno e externo (ANEP #718). O palácio foi construído no lado oeste da área murada. Uma vez que não havia fornecimento de água natural, foram cavadas cisternas para a coleta de água da chuva. Mais tarde, as fortificações construídas no declive da montanha proporcionaram uma maior defesa à cidade. Samaria suportou o ataque de Ben-Hadade, rei da Síria (2 Rs 6.24,25), mas finalmente caiu diante dos assírios depois de três anos de cerco (2 Rs 17.5). A menção nominal extrabíblica mais recente da cidade de Samaria, aparece em uma estela encontrada em 1967, de AdadeNirari III, escrita após 798 a.C. Na escrita cuneiforme, o nome é Sa-me-ri-na (Iraq, XXX [1968], 139-149). A capital Israelita foi notada por sua idolatria. Acabe construiu em Samaria um Templo e um altar a Baal (1 Rs 16.32), e sua esposa Jezabel sustentou 450 profetas de Baal e 400 profetas de Aserá (1 Rs 18.19).

Elias e Eliseu contestaram o patronado real da religião cananita, e profetas posteriores, declarando a condenação de Samaria, referiam-se frequentemente à sua corrupção e luxúria (por exemplo, Os 8.5,6; Âm 3.15; 6.1,4,6; Is 7.8,9; Mq 1.5-7). As escavações em Samaria revelaram algumas ostracas (pedaços de cerâmica quebrada usados para escrita), as quais provavelmente dataram do reinado de Jeroboão II (793-753 a.C), o período da maior prosperidade Israelita. Estas ostracas, com vários nomes de lugares e pessoas encontrados na Bíblia Sagrada, trazem o cômputo do vinho e do óleo recebidos como parte de uma receita real. Amos pronunciou a calamidade dos habitantes de Samaria, os quais bebiam "vinho em taças" e ungiam-se "com o mais excelente óleo" (6.6). Ele também referiu-se às suas "camas de marfim" (6.4), e numerosas peças de marfim também foram encontradas nas ruínas de Samaria. Havia muitas representações em relevo, como por exemplo: os deuses egípcios Isís e Horus, esfinges, bois, veados, leões, papiros, lótus, lírios, e palmeiras (ANEP #129, 130, 566, 649). Estes marfins, provavelmente reproduzidos por artistas fenícios a partir de originais egípcios, eram mais comuns em móveis e painéis de paredes. E neste sentido que as referências à "casa de marfim" construída por Acabe (1 Rs 22.39) e mais tarde às "casas de marfim" (Am 3.15) devem ser entendidas. Veja Marfim.

Também foram encontradas as ruínas do palácio começado por Onri e terminado por Acabe. Através de um desenho nos portões fortemente reforçados da parte leste de Samaria, pode-se compreender que Eliseu previu corretamente que a comida seria vendida por um preço extremamente baixo no dia seguinte (2 Rs 7.1), veja VBW. II 262. Após esta queda, a cidade de Samaria foi reconstruída como a capital da província assíria de Samaria. Ela também serviu como a capital provinciana durante a maior parte do período Persa. O inimigo de Neemias, Sambalate, provavelmente residia aqui sendo o governador da área (Ne 4.1,2). Alexandre, o Grande, tomou a cidade e importou pessoas da Síria e da Macedónia após ter deportado vários residentes samaritanos (q.v.) para Siquém. Os seguidores de Alexandre reforçaram as fortificações de Samaria com várias torres circulares magníficas (ANEP #720). A cidade foi devastada (entre 111 e 107 a.C.) por João Hircano, o asmoneu, líder dos judeus; mas após 63 a.C., quando a região de Samaria tornou-se parte da província romana da Síria, a reconstrução da cidade foi iniciada por Pompeu. No entanto, foi Herodes, o Grande, quem recuperou (de 30 a 20 a.C.) o esplendor da cidade. Um grande Templo foi construído sobre os escombros israelitas e helenísticos no ponto mais alto, e um extenso sistema de fortificações formado por paredes e torres foi levantado ao redor do declive mais baixo da montanha. Dentro desta área protegida surgiram áreas residenciais, ruas com colunatas, um fórum, um teatro, e um estádio. Seis mil homens das tropas mercenárias de Herodes foram estabelecidos ali e receberam terras.
Herodes dedicou a cidade e o Templo ao seu patrono, César Augusto; por esta razão a cidade foi renomeada como Sebaste, "Venerável Augusto" (a forma grega do Latim Augusta). A cultura pagã de Sebaste e seu ambiente podem ser parte da razão pela qual não se tenha registros de que o Senhor JESUS e os seus doze discípulos tenham ido a esta cidade. Mas ela pode ter sido a cidade onde Filipe pregou e encontrou Simão, o mágico (At 8.5-24).

Sebaste sofreu alguns prejuízos durante a revolta judaica (66-70 d.C), mas entre 180 e 230 d.C. os imperadores Antonino e Severo reformaram-na e ampliaram-na, o que levou a cidade ao seu maior esplendor. Durante o período Bizantino, a cidade caiu em decadência, e no tempo do controle árabe ela definhou a ponto de se tornar uma aldeia. A vila de Sebastiyeh, que existe hoje nas proximidades das ruínas de Samaria, preserva em seu nome a designação Herodiana. O conhecimento arqueológico de Samaria deriva de duas grandes séries de escavações. A primeira (1908-1910) foi realizada pela Universidade de Harvard sob a direção de Reisner, Fisher e Lyon, e publicada em 1924. A segunda (1931-1935) foi patrocinada por várias instituições sob a direção de Crowfoot, Sukenik, e Kenyon, e foi publicada em 1938, 1942 e 1957. 2. A região - que derivou seu nome da cidade de Samaria (veja a seção acima). Era o centro geográfico da Palestina. Ficava entre a Galileia, ao norte, e Judá, ao sul, e estendia-se desde o Mediterrâneo até o rio Jordão. Seus limites ao norte eram claramente definidos pelas linhas do Monte Carmelo e do Monte Gilboa.
 Uma vez que Samaria e Judá constituíam uma unidade geográfica, não havia um limite natural ao sul. Durante séculos, os limites variaram (tanto ao norte quanto ao sul de Betei) dependendo das condições militares e políticas. Nessa região, um país predominantemente montanhoso (que chegava a 1.000 metros de altitude em BaalHazor), estavam localizados os picos gémeos de Ebal e Gerizim com a antiga Siquém guardando a passagem entre eles. Veja Palestina II.B.2.C. Por ocasião da conquista de Canaã, a maior parte de Samaria foi ocupada por Efraim e pela meia tribo de Manasses. Visto que estas tribos de José eram grandes, Josué as instruiu a abrir mais espaço derrubando as florestas (Js 17.15,18). Durante o período da monarquia dividida, Samaria era o coração político e económico do reino do norte de Israel (Os 7.1; 8.4-6), e durante o reinado de Jeroboão II (793-753 a.C.) a área alcançou seu auge. Por volta de 732 a.C, Tiglate-Pileser III (745-727 a.C.) já havia percorrido a região, e com a queda de Samaria (a capital, em 722/21 a.C.) ela se tornou uma província do Império Assírio (2 Rs 17.24-26). Quando o controle assírio enfraqueceu-se, depois que Josias tornou-se rei de Judá (640-609 a.C.), este governante temente e obediente ao Senhor foi capaz de derribar os lugares altos das cidades de Samaria (2 Rs 23.19). A subserviência política continuou através dos Impérios Babilónico, Persa, Grego e Romano. Durante o período intertestamentário e o período do Novo Testamento, a região, como território dos samaritanos (q.v.), passou a ser crescentemente evitada quando os judeus viajavam entre a Judeia e a Galileia.
O Senhor JESUS, no entanto, passou por Samaria (Jo 4.4-43; Lc 17.11), e mandou que os seus discípulos testemunhassem naquela área (At 1.8). Aqui, Filipe e outros cristãos pregaram a CRISTO e estabeleceram igrejas depois de serem dispersados pelas perseguições de Saulo (At 8.1-13; 9.31; 15.3).

Bibliografia. P. R. Ackroyd, "Samaria", TAOTS pp. 343-354. André Parrot, Samaria. The Capital of the Kingdom of Israel, Londres. SCM Press, 1958. G. Ernest Wright, "Samaria", BA, XXII (1959), 67-78; "Israelite Samaria and Iron Age Chronology", BASOR #155 (1959), 13-29. D

                       SAMARITANOS


       No período do AT, este era um termo que se referia aos residentes da cidade ou da província de Samaria (2 Rs 17.29). Algumas desavenças entre os residentes da Palestina média e do sul eram evidentes no período dos juízes, mas os sentimentos foram intensificados com a formação do reino do norte de Israel sob Jeroboão I. De uma forma geral, os residentes de Israel e os cananeus praticavam uma mistura racial, social e religiosa. Em 732 a.C, os assírios sob Tiglate-Pileser III conquistaram a região nordeste de Israel, e seguiram as suas políticas pré-estabelecidas de deportar os residentes locais, substituindo-os por prisioneiros estrangeiros (2 Rs 15.29). Este processo sincrético foi ampliado quando Sargão II, em 721 a.C, deportou vários habitantes da região de Samaria e importou outros povos (2 Rs 17.24).

Os casamentos mistos foram, gradualmente, ganhando espaço. Devido aos massacres que os leões faziam entre os novos residentes, alguns dos sacerdotes deportados foram enviados de volta a Betei para que pudessem lhes ensinar "o costume do DEUS da terra" (2 Rs 17.25-28). Porém, o sucesso da missão foi parcial, pois, embora temessem ao Senhor, ao mesmo tempo serviam aos seus próprios deuses (2 Rs 17.29-33). O texto em Esdras 4.2,10 indica que a prática assíria de miscigenação dos povos teve continuidade no governo do neto de Sargão (Esar-Hadom), e também de seu bisneto (Assurbanipal, chamado Osnapar) .

Os descendentes desta população mista desejaram ajudar Zorobabel na construção do Templo, afirmando que adoravam ao mesmo DEUS. Mas, quando tiveram seu pedido negado, eles opuseram-se e atrasaram a construção (Ed 4.25). Depois que Neemias começou a reconstruir os muros de Jerusalém (em aprox. 444 a.C), este servo do Senhor sofreu uma forte oposição pelo triunvirato de Sambalate, Gesém e Tobias (Ne 2.10,19; 4.1; 6.1 etc).
Uma das cartas encontradas em Elefantina (a Sinim ou Siena de Isaías 49.12, nas proximidades da moderna Assuã), no alto Egito, nos informa que em 408 a.C, Sambalate era o governador de Samaria, e que seus filhos Delaías e Selemias o assistiam (veja Papiros de Elefantina). Embora Sambalate tivesse um nome Babilónico, Sin-uballit - "(o deus) Sin deu vida", ele era provavelmente um adorador do Senhor, pois deu aos seus filhos nomes que terminavam com iah (Yah é uma forma abreviada de Yahweh). O mesmo é verdade em relação a Tobias, uma vez que ele deu a seu filho o nome de Joana (onde Jo é uma outra forma abreviada de Yahweh). Contudo, o "Jeovismo" destes líderes era repugnante para Neemias. Na tentativa de limpar o povo de tudo o que fosse estrangeiro (Ne 13.30), ele exigiu a dissolução de todos os casamentos mistos.

 Um dos netos de Eliasibe, o sumo sacerdote, era casado com a filha de Sambalate, mas ele, aparentemente recusou-se a despedi-la, porque Neemias o expulsou de Jerusalém (Ne 13.28). Josefo (Ant. xi.7.2; 8.2-7) relata como Manasses, irmão de Jadua, o sumo sacerdote, casou-se com Nikaso, a filha de (um posterior?) Sambalate, e edificou o Templo de adoração no Monte Gerizim. A história está ligada às atividades de Dário III (335-331 a.C.) e de seu conquistador, Alexandre, o Grande (336-323 a.C). Mas, uma vez que este relato está ameaçado por improbabilidades históricas, é preferível seguir os dados bíblicos e datálos do início da divisão samaritana, em aprox. 445 a.C. Mais tarde, o termo "samaritano" veio a se referir especificamente a um grupo religioso, e não aos habitantes da cidade ou província de Samaria em geral. Somente a Tora (ou Pentateuco) foi aceita como uma Escritura genuína, e com o aumento do conflito com os judeus, os samaritanos rejeitaram o restante do AT judeu como se não fizesse parte das Sagradas Escrituras. E difícil determinar se esta limitação foi premeditada pelos sacerdotes banidos, ou se foi acidental; ou seja, é possível que uma cópia da Tora tenha sido o único manuscrito que eles tenham conseguido obter quando foram expulsos.

 De qualquer forma, a estima mútua pelos tópicos da lei era uma responsabilidade que os samaritanos e os judeus tinham em comum, a crença em um único DEUS, a veneração a Moisés, a guarda do sábado, as principais festas, e a circuncisão. A heresia irreconciliável dos samaritanos era sua reivindicação de que o Monte Gerizim, e não o Monte Sião em Jerusalém, era o local correto para se adorar a DEUS. De acordo com o livro de Deuteronômio, Moisés fez várias referências ao "lugar que escolherá o Senhor, vosso DEUS, para ali fazer habitar seu nome" (Dt 12.11), mas o lugar não foi especificamente designado. No entanto, ele instruiu o povo dizendo que ao entrar na terra eles deveriam pronunciar "a bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Ebal" (Dt 11.29; 27.12,13). O contexto implica que o Monte Gerizim, o lugar da bênção, era o lugar para o altar e, de acordo com o Pentateuco Samaritano, Moisés mandou que fosse construído um altar no Monte Gerizim (Dt 27.48).

Os judeus, no entanto, rejeitaram a reivindicação porque as suas cópias da Tora mencionavam o Monte Ebal ao invés do Monte Gerizim. Contudo, o intento da passagem, de qualquer modo, determina a adoração nas proximidades de Siquém (q.v.), o antigo centro religioso que ficava na passagem entre o Monte Ebal, ao norte, e o Monte Gerizim, ao sul. A reivindicação da prioridade de Siquém sobre Jerusalém também parece ter tido uma base histórica. Siquém foi o primeiro local em Canaã visitado por Abrão, e aqui ele construiu um altar e ofereceu sacrifícios (Gn 12.6,7). Jacó comprou um pedaço de terra em Siquém e levantou ali um altar (Gn 33.1820). Depois da conquista de Canaã, Siquém tornou-se a principal cidade de refúgio a oeste do Jordão (Js 20.7). Foi em Siquém que os ossos de José foram sepultados (Js 24.32), e ali Josué renovou sua aliança com os Israelitas (Js 24.25). De acordo com os seus próprios relatos, os samaritanos originaram-se daqueles israelitas fiéis, descendentes de José, que se recusaram a seguir Eli quando este mudou a arca do sul de Siquém para o santuário apóstata que estava em Silo.
 Quando Alexandre o Grande invadiu a Palestina (332 a.C.) ele encontrou vários samaritanos residindo na cidade de Samaria. Ele os deportou para Siquém, que, por esta razão, tornou-se mais do que nunca uma cidade samaritana. Em 1952, uma coleção de fragmentos de papiros aramaicos foi encontrada em uma caverna, a aprox. 15 quilómetros ao norte de Jericó. Trata-se de documentos legais e administrativos de samaritanos datados de aprox. 375-335 a.C, e escritos na província e/ou na cidade de Samaria. Estes documentos foram depositados em uma caverna quando aproximadamente 200 samaritanos fugiram de Alexandre, sendo finalmente massacrados neste local.

JESUS, o filho de Siraque, escrevendo em aprox. 180 a.C, expressou a escalada do ódio entre judeus e samaritanos: "Com duas nações, a minha alma está profundamente aborrecida, e uma terceira não é sequer um povo: aqueles que vivem no Monte Seir, os filisteus, e a nação tola que habita em Siquém" (Sir 50.25,26). Esta, é, provavelmente uma referência à promessa de DEUS: "Eu os provocarei a zelos com os que não são povo; com nação louca os despertarei à ira" (Dt 32.21). Apesar da inimizade entre os judeus e os samaritanos, os dois povos foram orientados no Pentateuco, e ambos opunham-se à campanha de Helenização de Antíoco Epifânio. Por esta razão, o governante selêucida destruiu os dois templos (167 a.C).

O Templo que estava em Jerusalém foi dedicado a Zeus Olimpo, e aquele que estava em Gerizim foi dedicado a Zeus Xenios, o Amigo dos Estrangeiros (II Mac 6.2). Mas o Templo samaritano não contou com a proteção de Zeus por muito tempo, porque a luta no reinado selêucida permitiu que João Hircano, o governante asmoneu dos judeus, destruísse o santuário em 128 a.C.

O Templo samaritano foi construído por permissão de Alexandre o Grande (Josefo, Ant. xi.8.2. 6-7; xii.5.5; xiii.9.1). Suas ruínas, localizadas a mais de 300 metros acima de Siquém em Tell er-Ras, no pico do Monte Gerizim que fica ao norte, foram investigadas entre 1966 e 1968. Ele está sob os alicerces de um Templo romano dedicado a Zeus que fora construído por Adriano, e tem um enorme um altar em forma de pódio, de alvenaria, medindo aproximadamente 21 x 21 metros, com mais de 8,5 metros de altura, datado - através de sua cerâmica - do período Helenístico (Robert J. Buli, "The Excavation of Tell er-Ras on Mount Gerizim", BA, XXXI [1968], 58-72). Seu Templo nunca foi reconstruído; no entanto, sua perda não significou o final dos samaritanos. A adoração pública foi transferida para uma sinagoga, e a seita samaritana continuou a ser um espinho religioso cravado nos judeus. Para não correrem o risco de sofrerem uma contaminação cerimonial devido aos samaritanos hereges, os Judeus piedosos da Judeia e da Galileia viajavam pela Transjordânia ou pela margem oeste do Jordão.

O NT explica claramente, no entanto, que João Batista e o Senhor JESUS não compartilhavam esta antipatia. O ministério batismal de João era desempenhado no rio Jordão, e ali o Senhor JESUS foi batizado. Mas mais tarde, porém, enquanto JESUS e seus discípulos estavam na Judeia, "João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas" (Jo 3.23). Admite-se tradicionalmente que Enom esteja situado no curso do Jordão em direção ao mar da Galileia. Mas, se a área do Jordão é que estava em questão, então porque acrescentar a frase "porque havia ali muitas águas"? Apenas poucos quilômetros a leste de Siquém está o local onde é mais provável (q.v.) que a cidade de Salim estivesse situada, e perto dali fica a moderna vila de 'Ainún. O último nome é provavelmente derivado do termo aramaico 'ainon, "pequena nascente"; é significativo que aquela área, que fica na cabeceira da nascente do Uádi Far'ah, tenha várias nascentes.
E mais provável, portanto, que parte do ministério de João Batista e seus discípulos tenha se desenvolvido em território samaritano, não muito longe de Siquém. A Bíblia Sagrada não indica onde João foi decapitado, nem onde seu corpo foi sepultado. Embora Josefo entenda que o local de sua morte tenha sido Macaero (q.v.), o palácio Herodiano e a fortaleza que ficam a leste do mar Morto, existe uma forte tradição que diz que o corpo de João Batista foi sepultado na cidade de Sebaste (Samaria), alguns quilómetros a nordeste de Siquém. Seria de se esperar que houvesse o desejo de sepultar o corpo fora da jurisdição de Herodes Antipas, o tetrarca da Galileia e da Peréia, mas a escolha de Samaria ao invés da Judeia pode ser uma evidência adicional de que João tinha contatos próximos com o povo desta região. O Senhor JESUS também se interessou pelos samaritanos. Logo no início de seu ministério, Ele foi a uma cidade de Samaria perto do poço de Jacó.
Embora um manuscrito grego especifique a cidade de Sicar, o antigo texto Sinaítico Siríaco traz "Sychem" isto é, Siquém. É mais provável que o último esteja correto, pois recentes escavações e explorações na moderna vila de Balatah, a nordeste do poço de Jacó, mostraram que esta era a localização de Siquém no período Romano. Ela era adjacente ao monte do AT que estava em Siquém, e foi destruída por João Hircano em 107 a.C. (G. E Wright, Shechem, Nova York. McGraw-Hill, 1965, pp. 5-6 e n.6, pp. 243ss.). É provável que o termo "Sicar" seja uma variante de Siquém, ou mesmo um erro de algum escriba que depois de copiar "Sich" acidentalmente adicionou as letras ar ao invés de em. Veja Sicar. A mulher samaritana tinha ido ao antigo poço para tirar água, e o Senhor JESUS pediu-lhe água. Sabendo que "os judeus não se comunicam com os samaritanos" (Jo 4.9), ela suspeitou de algo; mas continuou a conversa na esperança de se livrar da árdua tarefa de tirar água do poço. Quando JESUS a confrontou com um de seus segredos, ela apegou-se imediatamente a um antigo argumento teológico. "Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar" (Jo 4.20). JESUS afirmou que a adoração seguramente não estaria confinada a nenhum destes lugares, pois Ele, o Messias, tinha vindo. Depois que os discípulos surpresos retornaram, a mulher deixou o cântaro de água e dirigiu-se ao interior do vilarejo. Como resultado de seu testemunho, JESUS ficou naquela vizinhança por dois dias (Jo 4.40). Ali, ao pé do Monte Gerizim, Ele deu início ao esforço missionário que caracterizaria sua Igreja.

A preocupação de CRISTO com os samaritanos também é indicada pelas várias vezes em que Ele os citou como exemplos para os judeus; por exemplo, o verdadeiro próximo (Lc 10.3037) e o leproso que retornou para lhe agradecer (Lc 17.11-19). Mais adiante, Ele repreendeu Tiago e João quando quiseram pedir fogo do céu para destruir um vilarejo samaritano que não se mostrou hospitaleiro (Lc 9.52-56). Na Igreja primitiva, havia alguns judeus cristãos chamados de Helenistas, que demonstraram ter uma visão missionária mais ampla ao procurarem alcançar os samaritanos. Filipe, um dos sete diáconos escolhidos quando 'íiouve murmuração dos helenistas contra os hebreus" (At 6.1), proclamaram CRISTO na cidade de Samaria (At 8.5). Quando Saulo deu início à sua grande perseguição à Igreja, todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pela Judeia e por Samaria (At 8.1).
Ao ouvir falar do sucesso de Filipe, Pedro e João foram a Samaria e impuseram as mãos sobre os novos convertidos, para que estes recebessem o ESPÍRITO SANTO (At 8.14-17). Assim, como JESUS dissera aos seus discípulos no poço de Jacó, "outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho" (Jo 4.38). Em seu retorno a Jerusalém, Filipe, Pedro e João pregaram o evangelho em "muitas aldeias dos samaritanos" (At 8.25). Evidentemente os samaritanos, como os judeus, desejavam livrar-se da dominação dos romanos, porém em vão resistiram ao exército de Vespasiano. Josefo reporta (Wars iii. 7.32) que 11.600 deles foram mortos. Os Imperadores Romanos Adriano (117-138 d.C.) e Cómodo (180-193 d.C.) opuseram-se aos samaritanos e aparentemente destruíram muitos de seus escritos sagrados. Depois que os árabes conquistaram a Palestina (aprox. 634 d.C), os samaritanos, recusando-se a se converter ao Islamismo, foram submetidos a várias crueldades. Por volta de 1099 d.C, a principal comunidade dos samaritanos passou à jurisdição do pequeno reino de cristãos governado pelo cruzado Godfrey de Bouillon. Por volta de 1259, os sucessores mongóis de Genghis Khan ganharam o controle de toda esta área, mas o período da grande perseguição ocorreu sob o governo muçulmano fanático dos Turcos Otomanos.
Por volta do início do século XIX, todas as sinagogas e comunidades da dispersão samaritana (isto é, Damasco, Cairo e Gaza) haviam sido literalmente desarraigadas e restaram apenas a sinagoga e o grupo de samaritanos em que habitavam Nabulus (Neápolis). Este grupo totalizava 152 pessoas em 1901 (com apenas 55 mulheres), e por volta de 1930 o grupo havia sido reduzido a menos de cem pessoas. Agora, uma comunidade revitalizada samaritana conta com mais de 300 adesões, com aprox. 250 morando em Nabulus e outros 50 residindo em Tel Aviv. O documento sagrado da sinagoga de Nabulus é um pergaminho de Abisua que contém o Pentateuco. Ele foi escrito em uma forma modificada do hebraico antigo, ou da escrita cananéia. Devido a algumas catástrofes, grande parte do manuscrito original foi destruída e, assim, somente os três últimos capítulos de Números e todo o livro de Deuteronômio são realmente antigos. O Pentateuco Samaritano (PS) mais antigo que se conhece em forma de livro, tem uma nota de venda datada em 1150 d.C, mas o manuscrito foi provavelmente escrito alguns séculos antes.

O texto do Pentateuco Samaritano (PS) representa uma edição revisada, distinta do Pentateuco. Ele diverge da Septuaginta (LXX) ou do texto hebraico padrão em alguns textos, e em alguns casos diverge de ambos (veja Manuscritos Bíblicos. O AT, III, 12, Pentateuco Samaritano). Uma vez que os samaritanos empregaram o aramaico, o grego e o árabe em vários períodos de sua história, seu Pentateuco foi traduzido para cada um desses idiomas. Embora o livro canónico de Josué não fosse aceito pelos samaritanos como uma Escritura inspirada, Josué era altamente respeitado, e grande parte do relato da conquista é incorporado junto com adições apócrifas no livro Samaritano de Josué (um documento do século XIII d.C, em árabe, redigido conforme a antiga escrita samaritana).
Vários comentários sobre o Pentateuco também datam deste período, e de períodos posteriores. Embora grande parte da literatura samaritana antiga tenha se perdido, uma extensa liturgia sobrevivente preservou uma grande quantidade de um material relativamente antigo. Alguns dos poemas no chamado Defter, "The Common Prayers" originaram-se de Marqa (século IV d.C.) a quem os Samaritanos consideravam seu grande teólogo. A antiga crença dos samaritanos estava fundamentada nos seguintes princípios básicos. Há um único DEUS, Jeová. A lei foi dada por DEUS a um só homem, Moisés, que era o encarregado de divulgá-la. Há um único livro sagrado, a Tora. Há um único local sagrado, o Monte Gerizim (a verdadeira Betei, "casa de DEUS"). Desenvolvimento teológicos posteriores estabeleceram a crença, em anjos, na imortalidade (mas não na ressurreição) e em um dia de vingança e julgamento.

O Messias Samaritano, chamado Thaheb, possivelmente significando "restaurador", era esperado, e criam que ele viria da tribo de José. Como um líder e profeta instruído por DEUS, ele restabeleceria a unidade de Israel e subjugaria "sete nações", isto é, converteria todos os povos ao samaritanismo. Embora a tradição judaica tenha condenado os samaritanos pelo pronunciamento do nome sagrado "Jeová" (ao invés de substitui-lo por "Senhor") em seus juramentos, o judaísmo nunca os considerou idólatras. Na verdade, os samaritanos eram extremamente monoteístas e evitavam, na medida do possível, todos os antropomorfismos (descrições de DEUS em termos de formas ou características humanas). Eles eram mais estritos do que os judeus na observância da lei de Moisés, especialmente quanto ao sábado. Seu calendário religioso gira em torno das três grandes festas ordenadas em Levítico 23. Páscoa, Dia da Expiação, e Festa dos Tabernáculos.
Depois da destruição do Templo de Gerizim, a Páscoa não foi transferida à sinagoga como aconteceu com o restante do ritual. Hoje, assim como seus ancestrais, a comunidade samaritana (na região sudeste de Nablus) faz sua peregrinação anual às colinas que estão situadas nas proximidades do Monte Gerizim. Ali, perto das ruínas do antigo Templo, a grande festa é celebrada com um ritual elaborado, no qual sete cordeiros são mortos, a lã destes é arrancada, as suas entranhas são retiradas, e a carne é assada e comida.
Wycliffe Bible Dictionary

Animosidade do povo de Judá em relação aos Samaritanos


CUTA - Uma antiga cidade da Babilónia, aprox. 25 quilómetros a nordeste da Babilónia. Em 1880, Hormuzd Rassam identificou o local como Tel-Ibrahim, uma colina de aprox. 1000 metros de diâmetro, e pouco mais de 90 metros de altitude. A única menção de Cuta no Antigo Testamento é encontrada em 2 Reis 17.24,30 onde é registrada como uma origem da população mesclada de Samaria. Quando Sargão II, rei da Assíria, deportou o povo do reino do norte de Israel, ele trouxe os habitantes de outras áreas para tomar o lugar destes. Dentre eles, os habitantes de Cuta eram tão proeminentes que os judeus rabínicos aplicavam seu nome aos samaritanos em geral, e as palavras peculiares aos samaritanos eram chamadas de Cutias.
 Tábuas de contratos, o grande templo Ê-mes-lam (dedicado a Nergal, o deus do submundo), as ruínas da própria cidade, e as ruínas exteriores que se prolongam por quilómetros, indicam que aquela era uma cidade em crescimento com fundações que remetem à época dos sumários. Há marcas de um grande aumento do desenvolvimento depois da destruição da Babilónia. Em 2 Reis 17.30, é feita uma referência à introdução do culto pagão de Nergal em Samaria. A mistura racial e a apostasia das religiões trazidas para Samaria são suficientes para explicar a animosidade do povo de Judá em relação aos Samaritanos durante a restauração.
W. T. D.




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