segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Lição 6 - Quem Domina a sua Mente



Jesus nos chama para amar o Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, de todo o nosso entendimento e com toda a nossa força (Mc 12.33), ou seja, devemos servi-lo com tudo o que somos. Dessa forma, é pertinente entendermos de que forma nossa mente está relacionada à vida espiritual e ao comportamento humano como um todo. Valorizar o intelecto não é subestimar ou negar o relacionamento com Deus, que é sustentado pela oração, adoração e reflexão; pelo contrário, é entender melhor a complexidade do mundo e da experiência humana a fim de melhor servirmos ao Reino de Deus.

   Por conta do pecado, há tendência de o ser humano ser conduzido pelos poderes malignos (Ef 6.10-13), condição que só pode ser alterada por Jesus Cristo, que nos leva das trevas para a luz (1 Pe 2.9). Os que vivem em Cristo têm sua mente reconciliada com Deus (Cl 2.2).

LENDO FILIPENSES 4.4-9

No pensamento paulino, o ser humano é composto por uma dimensão corpórea e uma incorpórea. É um ser com corpo (2 Co 4.10, 11; Cl 1.22), que raciocina e entende com a inteligência (1 Co 14.14-16) e com as emoções (Rm 12.15). As principais palavras empregadas pelo apóstolo para expressar essas funções são corpo (soma), carne (sarx), coração (kardia), espírito (pneuma), alma (psyche) e mente (nous). O objetivo não é explorar o uso de cada um desses termos por Paulo e suas implicações teológicas, mas simplesmente entender que esses elementos dependem uns dos outros para que o ser humano desempenhe suas atividades, desenvolva seu caráter e decida seu comportamento.
       Na passagem de Filipenses 4.4-9, o apóstolo Paulo apresenta pontos importantes do comportamento cristão que deveríam ser trabalhados e desenvolvidos pelos filipenses. São abordadas tanto a vida devocional do crente quanto a sua ética. Depositar o intelecto em Cristo implica buscar a presença de Deus, desfrutar da paz divina, imitar e praticar ações que criam hábitos e formam caráter. Esses conselhos são úteis ainda hoje para nós, que vivemos numa sociedade cujos valores parecem exigir ações justas e tolerantes por parte de seus cidadãos.
      Os crentes da igreja de Filipos viviam um momento de conflito pois suas crenças e práticas eram hostis aos costumes romanos. A cidade de Filipos era uma colônia romana com aproximadamente mil habitantes, localizada na Macedônia. A influência romana se dava sobretudo pelas instituições, a influência religiosa principalmente por meio do culto ao imperador. A carta aos filipenses não menciona diretamente um problema da igreja (Fp 1.27-30), mas podemos notar que o apóstolo os encoraja a manter a alegria e a comunhão, mesmo num contexto de dificuldades, porque eles estão em Cristo.
       Na passagem em questão, o apóstolo fala sobre alegrar-se (v. 4), viver bem em comunidade (v. 5) e seguir o que é excelente e louvável (v. 8). Esse padrão de vida era desejado por qualquer pessoa - judeu, romano e cristão; então, qual o diferencial que Paulo apresenta nessa passagem em relação ao que os filósofos e pensadores não faziam? A alegria de que Paulo fala está no Senhor. O apóstolo enfatiza aos filipenses que eles se regozijem no Senhor (v. 4). No capítulo 1 de Filipenses, Paulo escreveu sobre sua alegria, mesmo estando encarcerado e sabendo dos pregadores mal-intencionados (1.18). No capítulo 3, Paulo desejava que os filipenses o imitassem e se alegrassem também, porque "a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador" (3.20b).
      A alegria do cristão se mostra como a resposta ao reconhecimento da presença de Deus mesmo quando a situação é de sofrimento ou problema. Gordon Fee, em seu comentário sobre a carta aos Filipenses, explica que não se trata de uma alegria temporal, mas de uma alegria fundamentada no relacionamento da pessoa com Deus; é expressão da qualidade de uma profunda vida espiritual.
      A alegria de que Paulo fala, portanto, deve ser alvo do crente, algo que se deve buscar na presença do Senhor. Em seguida, Paulo escreve sobre a tolerância que as pessoas precisam ter umas com as outras (v. 5). De difícil tradução, a ARC traduziu tolerância por "equidade"; a NAA, por "moderação". Gordon Fee explica que o termo se refere ao modo gentil como Deus e os nobres tratam os outros. Segundo Paulo, vemos que o tratamento que se dá aos outros importa para Deus. No contexto social dos filipenses, em que a hostilidade religiosa era uma realidade, importava que os cristãos soubessem reagir às contrariedades, tratando as pessoas com gentileza.
       Até então, aparecem duas expressões externas daqueles que estão em Cristo: a alegria e a moderação. A experiência incor- pórea se mostra pelo agir do corpo, no modo como o cristão se comporta. O apóstolo Paulo recomenda que assim devem agir aqueles que servem ao Senhor, ou seja, alegrar-se e ser moderado resulta de um aprendizado da vida cristã. As pessoas de fora da igreja olhariam para os crentes filipenses e testemunhariam um comportamento que contrariava a circunstância de aflição.
        "O Senhor está perto" (v. 5b). Essa expressão parece deslocada no meio da passagem, podendo estar relacionada aos que se alegram e tratam os outros com moderação, ou aos que estão preocupados. Assim, damos uma dupla leitura, podendo indicar tanto uma esperança escatológica, pois o apóstolo tem em vista o Dia de Cristo (1.6, 10; 3.20), quanto o tempo presente, pois o Senhor está perto daqueles que o invocam (Sl 145.18). Por meio da oração e da súplica (v. 6), Paulo explica que os filipenses podem levar tudo a Deus. Ou seja, a maneira de lidar com o sofrimento e dificuldades da vida é pelo relacionamento e pela conversa franca que se estabelece com Deus.
     Para quem está em Cristo, não há motivo para preocupação. Craig Keener, em A mente do Espírito, ressalta que "a alternativa de Paulo para a preocupação não consiste em tentar ansiosamente suprimi-la, mas em reconhecer as necessidades diante de Deus e entregá-las a ele" (p. 312). Num mundo como o nosso, no qual muitas pessoas sofrem por ansiedade e o mercado rapidamente procura ofertar produtos que atendam a demanda, serve para nós a recomendação do apóstolo Paulo dada aos filipenses para que o receio não seja ignorado, mas sim entregue ao Senhor por meio da oração.
       A oração e a súplica, nessa passagem, revelam-se práticas que devem ser constantes na vida do cristão. O apóstolo Paulo acrescenta que são acompanhadas de ações de graças. A expressão de alegria acompanhada de oração aparece nos salmos; é exemplo de como essas práticas tomam forma no dia a dia (Sl 64.10; 68.3; 95.2; 96; 98.4). Além disso, ao mesmo tempo que nos dirigimos ao Senhor com os problemas, também agradecemos. Encontramos a oração dos momentos de sofrimento nos salmos de lamento (Sl 39, 42, 109, 142, etc.), em que lamentamos as tribulações não para reclamar da vida, mas para louvar a Deus pela sua grandeza e misericórdia, agradecendo de antemão pela resposta da súplica. Isso revela a confiança que temos no poder de Deus para intervir e cuidar de cada servo, e nos encoraja a passar pela situação difícil. Essa postura de entregar-se ao Senhor, portanto, é reconhecimento da soberania divina.
       Com essa firme confiança em Deus, vem a paz. A paz de Deus na vida do cristão é o que guarda seu coração e sua mente (Fp 4.7). Enquanto o crente deve buscar a alegria e a moderação e dedicar-se à oração, a paz divina lhe é dada. A paz de Deus na Bíblia aparece no sentido de completude (1 Sm 25.6; Sl 122.6; Jr 29.7); não significa ausência de conflito. O apóstolo Paulo escreve sobre uma paz que ultrapassa a compreensão humana, é algo que somente Deus pode dar, é uma experiência íntima do cristão. Isso significa dizer que Deus cuida da pessoa por inteiro, pois é a paz divina que guarda o coração, de onde "procedem as fontes da vida" (Pv 4.23), e também a mente, que é a faculdade de processar o pensamento (2 Co 3.14; 4.4).
       O sentido de "guardar" é militar. A mesma palavra aparece em 2 Coríntios 11.32, "manter guarda", e em Gálatas 3.23, "estar sob tutela". Tendo em vista a situação da cidade de Filipos, Gordon Fee aponta para o contraste entre a paz que provém de Deus e a força coerciva que guarda os cidadãos em nome da pax romana. Ou seja, o apóstolo Paulo está diferenciando o senhorio de Deus e o senhorio de César.
         A maneira pela qual a paz de Deus acontece está no versículo 8. Ao entregar o intelecto e as emoções a Cristo, os hábitos e os pensamentos se voltam ao que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de boa fama. Primeiro, o apóstolo Paulo explica genericamente as virtudes que pertencem à linguagem moral do mundo greco-romano. As quatro virtudes cardeais descritas na República, de Platão (IV, 428-430,433) são prudência/sabedoria, coragem, temperança e justiça. Os antigos já exortavam as pessoas a pensarem nas coisas boas. A virtude era entendida como a capacidade de realizar determinada tarefa, e era necessário tê-la para ser feliz e livre. Assim, a lista apresentada pelo apóstolo Paulo no versículo 8 chama atenção para o que é oferecido de bom na cultura dos filipenses.
       No entanto, há uma diferença: os filipenses deveríam, primeiro, identificar as coisas que são verdadeiras, honestas, justas, puras, amáveis e de boa fama, para, então, entre estas coisas, pensar com cautela no que há virtude e no que há louvor3. Em seguida, o critério de avaliação é ter por referência a vida de Paulo (v. 9), aquilo que o apóstolo os ensina e a maneira como ele vive (Fp 1.3-5, 20, 27-30) . "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Fp 1.21), ou seja, os filipenses deveríam imitar o apóstolo da mesma maneira que Paulo seguia a cruz de Cristo (Fp 3.17).
     Há interpretações distintas sobre o sentido do versículo 8. A leitura de Gordon Fee entende que Paulo escreveu que os filipen- ses deveríam absorver o que é bom, não importando o que fosse. Isso, no entanto, deveria acontecer de maneira discriminatória, fundamentada no evangelho que o apóstolo pregava e vivia. É o evangelho do Messias crucificado, cuja morte na cnrz não só redime como também revela o caráter de Deus no qual as pessoas são transformadas continuamente.
      A interpretação de Stephen Fowl ressalta o emprego dos adjetivos - verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de boa fama - a que tipo de pessoas, coisas e ações esses qualificativos são aplicados. As palavras podem ser usadas de maneiras inconciliáveis (l Co 1.18-2.16); o que é puro para o não-crente pode não o ser para o crente. Por isso, o contraste de Paulo entre a cultura greco-romana e a da cruz é discernir pessoas, coisas ou ações que parecem ser favoráveis daquelas que realmente são. Assim, o que diferencia o crente do não-crente é o agir com sabedoria. O ensino do apóstolo, portanto, é que em Cristo a pessoa precisa ver além da aparência.
       Em suma, para fazer a distinção dos valores, os filipenses precisavam de referenciais: experiência com Deus por meio da alegria (v. 4), moderação (v. 5), paz divina (v. 7), ensino e imitação de Paulo (v. 9). É Deus operando no ser humano completo por meio do Espírito Santo no funcionamento articulado do corpo, do intelecto e das emoções. Vivendo dessa maneira, um novo caráter se desenvolve; a pessoa não mais vive pela carne, mas sim pelo Espírito Santo (Fp 3.3), e a paz de Deus a acompanha.
      Há diferenças que o apóstolo Paulo oferece na carta aos Filipenses em relação aos ensinos dos filósofos e dos pensadores. A alegria está no Senhor, não na autossuficiência. Lidar com os problemas é entregá-los a Deus pela oração e não por trole. Em vez de um discurso filosófico sobre desenvolvimento de virtudes pessoais, o ensino de Paulo é para uma vida centrada em Cristo. Fowl aponta que se regozijar no Senhor (Fp 3.1; 4.4) reflete a comunhão da igreja de Filipos, o que a diferenciava dos vizinhos pagãos. Assim, a comunhão dos filipenses apresentava um corpo político alternativo, governado por um Senhor distinto.

A MENTE DE QUEM ESTA EM CRISTO






       Estando em Cristo, a pessoa se torna nova criatura; há mudança de caráter. Esse é o pensamento paulino presente em diversas epístolas. Antes, a pessoa pensava de determinada forma e tinha um modo de agir; em Cristo, a transformação deve ser completa. Nos escritos paulinos, há uma descrição não-exaustiva de alguns elementos do comportamento da nova criatura. São instruções para ajudar na vida cristã. Em Cristo, a pessoa completa - corpo, intelecto e emoções - deve estar voltada para viver conforme o propósito divino. Ter a nova identidade é revestir-se de Cristo, ou seja, aprender as virtudes do seu caráter. A santificação consiste, de acordo com a Declaração def é das Assembléias de Deus, na separação do pecado e dedicação a Deus. Assim, sendo nova criatura, esse processo de santificação envolve prática das virtudes, mudança de comportamento e desenvolvimento de novos hábitos.
     Uma maneira de aprender é imitando exemplo de outras pessoas. O apóstolo Paulo recomenda que os filipenses imitem seu modo de viver (Fp 3.17), o que aparece também nas cartas aos coríntios (1 Co 4.16; 11.1) e aos tessalonicenses (1 Ts 1.6; 2.14; 2 Ts 3.7-9). A imitação era um exemplo moral no mundo antigo, como aparece em Sêneca na obra Epistulae Morales ad Lucilium (Cartas morais a Lucílio). O discípulo aprendia com os mestres, que já tinham mais experiência. Dessa forma, as instruções do mestre Paulo para fazer como ele, seguindo a cruz, seriam para a formação dos discípulos que iniciam a vida em Cristo.
     Servir aos outros e não somente a si próprio é uma característica que deve ser desenvolvida na vida daquele que serve a Deus. Jesus Cristo é o modelo essencial, "que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus" (Fp 2.6). Keener aponta que pensar como Cristo (1.7; 2.2, 5; 3.15, 19; 4.2, 10) era apelo à unidade e comunhão, assunto comum no Mediterrâneo por conta das divisões. A preocupação deveria ser servir aos outros e não ocupar uma posição.
       Além de Paulo (Fp 2.17; 4.9), Timóteo (Fp 2.19-22) e Epafrodito (Fp 2.25-30) são outros nomes mencionados como modelos a serem imitados pela postura de servos. Além da imitação, a prática também é uma maneira de desenvolver o novo caráter (Fp 1.9, 25). A alegria é uma virtude explorada na carta aos filipenses, virtude que é fundamentada no Senhor. Tendo em vista o futuro glorioso com Cristo e a presente intervenção divina que dá esperança em meio à tribulação, os filipenses deveríam praticar a alegria. Fowl explica que a alegria "é resultado da formação disciplinar da maneira de pensar e agir no mundo [...] é o sinal de que os filipenses estão sendo formados na maneira que Paulo defende" (p. 181). A tolerância com todas as pessoas também é uma qualidade a ser trabalhada. James Smith, em Você é aquilo que ama, mostra que a virtude não se adquire pelo intelecto, mas pelo afeto. "O ensino da virtude é um tipo de formação, uma reciclagem de nossas disposições" (p. 39). Assim, é importante que as práticas se tornem hábitos. Os filipenses, então, deveríam voltar suas disposições ao regozijo e à gentileza, para que eventualmente elas moldassem o caráter e formassem a nova identidade.
       A formação da vida cristã vista desse contexto aponta para o desenvolvimento de um estilo de vida baseado na maneira de analisar e decidir pelas coisas excelentes que levam ao caminho da salvação em Jesus Cristo. A maneira como o crente se comporta e trata as pessoas irradia de diversas maneiras no mundo ao seu redor, dando oportunidade para que a redenção aconteça. Em primeiro lugar, há um ganho individual que é o amadurecimento espiritual, por conhecer cada vez mais a Deus por meio das experiências. Em segundo, a Igreja como um todo se enriquece com a comunhão daqueles que se dedicam a servir a Deus e aos outros. Isso é o testemunho de Cristo, é o evangelho proclamado para alcançar aqueles que ainda não receberam a salvação.

0 USO DO INTELECTO E A BATALHA ESPIRITUAL

A batalha espiritual é o ataque do inimigo contra os crentes, por isso a defensiva deve estar preparada. Como novas criaturas que se dedicam à santificação e têm sua identidade moldada pela prática das virtudes, aqueles que estão em Cristo se aperfeiçoam a cada dia em conhecimento intelectual, emocional e espiritual contra as adversidades. Na passagem de Filipenses 4.4-9, vemos que para a vida cristã é significante praticar a alegria e a moderação, orar, agradecer e refletir cuidadosamente sobre as virtudes. Portanto, a redenção da cruz redime o ser humano do pecado e garante que a transformação do seu caráter aconteça continuamente. O resultado é experimentar a paz de Deus e a comunhão uns com os outros.
        Num mundo em que a batalha espiritual é reconhecida pelo medo e pela ansiedade que as pessoas sentem, a mensagem de Paulo aos filipenses se torna necessária e eficaz. A paz que só o Senhor pode oferecer acompanha a mente santificada para não cair nas armadilhas da insegurança.

                                       BATALHA ESPIRITUAL
                               - 0 POVO DE DEUS E A GUERRA CONTRA AS POTESTADES DO MAL




                    A Mente Santa (Fp 4.8,9)

1. A importância de pensar do modo correto. Nesses versos, Paulo admoesta os filipenses a meditar em tudo que é nobre diante de DEUS, em tudo que purifica a nós mesmos e em tudo que apela aos melhores sentimentos do homem. As Escrituras ressaltam o efeito que o pensamento tem sobre o caráter e o destino. “Porque, como imaginou na sua alma, assim é” (Pv 23.7, cf. Pv 4.23). Sábios em todos os períodos da história têm entendido que “o pensamento é o pai da ação” . Essa verdade é tão clara que, no Novo Testamento, aquele que dá abrigo a pensamentos de ódio é considerado assassino (1 Jo 3.15). O que pensa em adulterar, já adulterou.

2. Os assuntos do pensar correto. Meus pensamentos produzem maus modos de viver; por outro lado, o pensar correto levará a uma vida correta. Paulo faz uma lista de assuntos que devem alimentar os pensamentos do cristão.
“Nisso pensai”.
(1) “Tudo o que é verdadeiro”. As coisas verdadeiras se opõem à falsidade em palavras e conduta.
(2) “Tudo o que é honesto”. “Honesto” aqui significa literalmente o que é honroso ou reverente. Refere-se às coisas consistentes com santa dignidade e respeito e corresponde àquele amor que “não se conduz inconvenientemente”.
(3) “Tudo o que é justo”. O trato justo em todos os nossos relacionamentos. O cristão auferirá todos os seus pensamentos com a Regra Áurea.
(4) “Tudo o que é puro” refere-se à pureza no seu sentido mais lato - pensamentos, motivos, palavras e ações livres de elementos que rebaixam e maculam. “Bem-aventurados os limpos de coração”.
(5) “Tudo o que é amável” se refere à delicadeza, humildade e caridade que atraem o amor e tornam amáveis as pessoas.
(6) “Tudo o que é de boa fama” se refere às coisas que todos concordemente recomendam: a cortesia, agradabilidade, justiça, temperança, verdade e respeito pelos pais. E possível alguém realizar coisas boas com modos tais que lancem opróbrio sobre a causa de DEUS. “Não seja, pois, blasfemado o vosso bem” (Rm 14.16). (7) E, para incluir todos os assuntos que merecem consideração, o apóstolo diz: “Se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

3. O resultado do pensar correto. A meditação verdadeira produzirá ação. “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei” . Quando se age à altura da verdade conhecida, recebe-se evidência inabalável de que é a verdade mesmo. Torna-se parte de nós. Realmente, pode-se dizer que a verdade não pode ser expressada em palavras apenas - precisa ser vivida. A bênção de DEUS é prometida para as vidas santas que resultam de pensamentos santos: “E o DEUS de paz será convosco”. Notemos uma distinção: “a paz de DEUS” se refere a uma dádiva no íntimo, trazendo paz à alma; “o DEUS da paz” descreve a presença de DEUS com aquele que crê, orientando, protegendo e providenciando todas as necessidades.


CULTIVANDO HARMONIA NA COMUNHÃO DA IGREJA

O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor. Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude; pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida. (4:2–3)
O companheirismo e o apoio do corpo de CRISTO é um fator importante no desenvolvimento e na manutenção da estabilidade espiritual. A força geral da união se torna a força de cada indivíduo. Quanto mais isolado um crente é, afastado dos outros cristãos, mais instável espiritualmente ele  poderá vir a ser. A igreja deve ser um lugar onde as pessoas se apóiam mutuamente, se consideram responsáveis, e cuidam uns dos outros. Deve ser uma comunhão de vida em que os mais fortes ajudam os mais fracos a se recuperarem (Gálatas 6:1) e suportarem as cargas uns dos outros (v. 2). A igreja deve "admoestar os insubmissos, encorajar os desanimados, ajudar os fracos, serem pacientes com todos" (1 Ts. 5:14). Mas Paulo sabia que tal edificante ministério só poderia acontecer em uma atmosfera de harmonia. Portanto, quaisquer ameaças à unidade da Igreja devem ser confrontadas. Paulo lidou com uma séria ameaça para a unidade da igreja em Filipos nos versículos 2 e 3. Ele identificou o problema em termos específicos, nomeando as duas mulheres que estavam envolvidas, e exortando uma terceira pessoa para ajudar a resolver a crise. Desde que o conflito entre as pessoas influentes em uma igreja podem gerar instabilidade em toda a congregação, as briga dessas duas mulheres  em Filipos representavam um perigo para a estabilidade da Igreja inteira. Havia uma possibilidade real de que os filipenses se tornassem críticos, amargos, vingativos, hostis, implacáveis, e orgulhosos. Paulo sabia que a menos que uma ação decisiva fosse tomada rapidamente, a igreja de Filipos poderia ser dividida em discórdias e facções hostis. Era imperativo que os filipenses fossem "diligentes para preservar a unidade do ESPÍRITO no vínculo da paz" (Ef 4:3; Cf. Col 3:14). 

A frase repetida duas vezes peço ...
"peço" o modo como Paulo abordou a questão da divisão das mulheres mostra que Paulo estava em um requerimento. O apóstolo faz menção de um assunto tão aparentemente banal, pode até parecer surpreendente depois do material doutrinário rebuscado do capítulo 2 e as advertências contra os perigosos falsos mestres no capítulo 3. Mas Paulo entendia que discórdias e divisões representavam uma ameaça igualmente incapacitante para a igreja. A desunião rouba uma igreja de seu poder e destrói o seu testemunho e sua sã doutrina é prejudicada.
E a igreja enfrenta inimigos externos hostis, não pode se dar ao luxo de ter os seus membros lutando entre entre si. Essa luta interna freqüentemente dá aos inimigos da cruz uma avenida para dispararem seu ataque contra a igreja. A discórdia resultante da desunião e os conflitos poderiam devastar a integridade do testemunho da igreja em Filipos. Há indícios, anteriormente relatados nesta epístola, da preocupação de Paulo com a unidade da igreja de Filipos. Em 1:27, ele os exortou: "Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de CRISTO, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho." Ele confessou a eles em 2:2 "completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa." Se essa alegria de Paulo não estava completa isso implica em que havia alguma discórdia na congregação de Filipos. Uma dica adicional de discórdia entre os filipenses foi a exortação do apóstolo para "Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas" (2:14). O que ele já havia insinuado, Paulo agora abordada diretamente.

Pouco se sabe sobre Evódia e Síntique, mas vários fatos sobre a situação são evidentes.
Primeiro, elas eram membros da igreja, e não arruaceiras de fora da congregação.
Em segundo lugar, a disputa não era, possivelmente, sobre um assunto doutrinário. Se fosse, Paulo teria resolvido isso se aliando com o que era correto e repreendendo a pessoa que estava em erro (mas poderia ser que ele não queria correr o risco de perder a outra pessoa, uma das fundadoras da igreja, apenas por causa de um erro doutrinário - observação minha).
Terceiro, elas eram mulheres de destaque, bem respeitadas pela congregação de Filipos. Elas podem até ser algumas daquelas mulheres que ouviram Paulo pregar às margens do rio Gangites quando chegou a Filipos (Atos 16:13).

A disputa entre essas mulheres estava causando dissensão significativa na comunhão de Filipos.
A solução de Paulo para a disputa foi simples e direta: ele ordenou às duas mulheres envolvidas a viverem em harmonia no Senhor. Há um tempo quando o conflito é aceitável, ou seja, quando a verdade está em jogo. Paulo chegou a confrontar Pedro quando este estava em erro: "E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível." (Gl 2:11). O apóstolo João também não recua diante de conflitos para o bem da verdade: "Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Pelo que, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja (3 João 9-10).

Mas meros conflitos pessoais devem ser resolvidos e a harmonia restaurada, de modo que Paulo ordenou a Evódia e Síntique para que vivessem em harmonia. O texto grego diz literalmente: "para ser da mesma opinião", um pré-requisito essencial para que os cristãos possam viver em harmonia. Para a a igreja em Corinto, que vivia em facção, Paulo escreveu: "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor JESUS CRISTO, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer." (1 Cor. 1:10). Pedro também pediu a seus leitores: "E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis," (1 Pedro 3:8). O acordo entre Evódia e Síntique era essencial, e a esfera na qual elas tinham que encontrar a harmonia estava no Senhor. Paulo sabia que, se ambas se submetessem ao Senhor, ambas seriam justas uma com a outra. Devido à gravidade de sua discordância, Paulo percebeu que Evódia e Síntique precisavam de ajuda da igreja para resolver a sua animosidade. A partícula grega traduzida na verdade expressa afirmação forte e poderia ser traduzido como "sim" ou "certamente". Em seguida, Paulo se dirigiu a alguém identificado como verdadeiro companheiro. Suzugos (verdadeiro companheiro) significa "companheiro de trabalho", e refere-se a alguém que compartilha um fardo comum. A imagem é um dos dois bois puxando a mesma carga. Várias explicações possíveis para a identidade deste indivíduo podem ser oferecidas. Alguns acreditam que ele era um indivíduo que Paulo sabia quem era, mas preferiu não citar seu nome uma vez que no contexto imediato Paulo chama pelo nome a Evódia, Síntique, e Clemente, então, por que ele não teria nomeado este indivíduo? O Filipenses certamente sabiam quem ele era, por isso Paulo não o nomeou. Outros argumentam que Paulo usou suzugos (verdadeiro companheiro) termo singular, em um sentido coletivo para se referir à igreja de Filipos como um todo. A melhor explicação é tomar suzugos em sua tradução literal e aceitá-lo como um nome próprio. O que Paulo chama de Suzugos, sendo no singular ou no plural, é um jogo de palavras, indicando que era um companheiro de trabalho. Paulo fez um jogo similar de palavras em Filemon 10-11, "Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões, o qual, noutro tempo, te foi inútil, mas, agora, a ti e a mim, muito útil; eu to tornei a enviar." Da mesma forma Barnabé fez jus ao seu nome, que significa "Filho da Consolação"(Atos 4:36). Suzugos era um companheiro de trabalho genuíno, assim como Onésimo era verdadeiramente útil e Barnabé era um verdadeiro filho de encorajamento. Suzugos  (verdadeiro companheiro) foi provavelmente um dos supervisores (anciãos) mencionados em 1:1. Os mais velhos, obviamente, não tinham resolvido a diferença entre Evódia e Síntique, uma vez que ainda estava acontecendo. Então, Paulo lembrou Suzugos (verdadeiro companheiro) de seu dever, por escrito, peço-vos também para ajudar essas mulheres. Paulo também teve um motivo pessoal para querer Evódia e Síntique reconciliadas: elas tinham compartilhado sua luta pela causa do evangelho.

Sunathleo (compartilhado minha luta) significa "lutar ao lado de" ou "trabalho em conjunto com". Como mencionado acima, Evódia e Síntique podem ter sido duas das mulheres que ouviram Paulo pregar quando chegou a Filipos (Atos 16:13). Se assim for, elas testemunharam os acontecimentos turbulentos que marcaram a fundação da igreja em Filipos. Após a conversão de Lídia (16:14), o apóstolo e sua equipe de ministério ficaram com ela em sua casa (16:15). Depois de ser assediado por vários dias por uma adivinhação feita por uma menina endemoninhada (16:16-17), Paulo finalmente expulsa o demônio dela (16:18). Seus mestres, furiosos com a perda de seu potencial de fazer dinheiro, conduzem Paulo e Silas perante as autoridades (16.19-21). Como resultado, os dois pregadores foram espancados e jogados na prisão (16:2224). Mas DEUS enviou um terremoto e os libertou da prisão, o que levou à conversão do carcereiro (16:25-34). Depois de descobrirem com horror que tinham espancado e preso injustamente cidadãos romanos, as autoridades assustadas imploraram a Paulo e Silas para que deixassem Filipos (16:35-39). Eles o fizeram depois de uma última visita aos fiéis reunidos na casa de Lídia (16:40). O trágico conflito entre Evódia e Síntique revela que mesmo as pessoas mais maduras, fiéis e comprometidas com o evangelho podem se tornar tão egoístas a ponto de serem envolvidas em controvérsias se elas não forem diligentes em manter a unidade. Havia outros na congregação de Filipos a quem o apóstolo cita. Nada se sabe de Clemente, então não há nenhuma maneira de identificá-lo com o Clemente que foi bispo de Roma no final do primeiro século, como alguns acreditam. O nome era comum. Para ter certeza de que ele não deixara ninguém de fora, Paulo mencionou o resto de seus colegas de trabalho. Não importa que seus nomes não estejam no livro de Filipenses, o que importa é que seus nomes estão no livro da vida. O livro da vida é o registrador onde DEUS guarda os nomes dos remidos (Ex. 32:32; Sl 69:28; Dan 12:1; Mal 3:16-17; Lucas 10:20; Ap 3: 5; 13:8; 20:12, 15; 21:27). Seus nomes estavam escritos lá para a eternidade (Mateus 25:34; Ef 1:4;. 2 Tm 1:9). Amar a unidade da comunhão dos crentes cria um ambiente de estabilidade. Discórdias deixam a igreja vulnerável e instável com seus membros individualistas. Estabilidade espiritual exige a paz e a harmonia na igreja. Bem-aventurados os pacificadores de fato (Mt 5:9).

MANTENDO UM ESPÍRITO DE ALEGRIA
Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! (4:4)
Este versículo expressa o tema do livro de Filipenses, esforçar-se por alegrar-se sempre no Senhor (cf. 3:1).

Alegrar-se é um fator tão vitalmente importante para a estabilidade espiritual dos crentes que Paulo repete seu comando para dar ênfase: novamente eu vou dizer, regozijai-vos! Esta repetição pressupõe que na realidade não era fácil ser alegre. A alegria era necessária para que os Filipenses crescessem acima das circunstâncias.

Alguns, erradamente identificando alegria como uma emoção puramente humana, ficam intrigados pelo comando de Paulo para que os filipenses se alegrassem, repetindo isso por duas vezes. As pessoas podem ser comandadas a produzir uma emoção? A alegria não é um sentimento, é a confiança lá no fundo que DEUS está no controle de tudo para o crente alcance sua própria glória, e, portanto, tudo está bem, não importa quais sejam as circunstâncias.
Chairete (alegrar) é um imperativo presente, chamando os fiéis para a prática contínua e habitual de regozijo. Nem a prisão de Paulo, nem dos filipenses devem eclipsar a sua alegria. É verdade que os crentes, muitas vezes não conseguem encontrar motivos para se alegrarem em algumas circunstâncias específicas. Certamente a maldade geral, a tristeza, a miséria e a morte no mundo não evocam nenhuma alegria. Pessoas não são de uma fonte confiável de alegria, pois eles podem mudar, magoar, e decepcionar. A única certeza confiável e inabalável fonte de alegria imutável é DEUS. É por isso que Paulo ordena aos crentes a se alegrarem no Senhor. A frase "no Senhor" introduz um princípio importante: a estabilidade espiritual está diretamente relacionada à forma como uma pessoa pensa sobre DEUS. O que vem em nossas mentes quando pensamos sobre DEUS é a coisa mais importante sobre nós. A história da humanidade provavelmente mostrará que nenhum povo jamais subiu acima de sua religião, e a história espiritual do homem será positivamente demonstrar que nenhuma religião tem sido sempre maior do que a sua idéia de DEUS. A adoração é pura base para o adorador elevar seus pensamentos a DEUS.
Por este motivo a mais grave questão antes da Igreja é sempre o próprio DEUS, e o fato mais portentoso sobre qualquer homem não é o que em um determinado momento pode dizer ou fazer, mas o que ele no profundo de seu coração concebe sobre DEUS. Temos a tendência por uma lei secreta da alma para nos mover em direção à uma imagem mental de DEUS já formada. Isto é verdade não só do cristão individual, mas da maioria dos cristãos que compõem a Igreja. A coisa mais reveladora sobre a Igreja é a sua idéia de DEUS, assim como a sua mensagem mais importante é o que ela diz sobre Ele ou deixa de dizer; seu silêncio muitas vezes é mais eloqüente do que o seu discurso. Ela nunca pode escapar à auto-revelação de seu testemunho a respeito de DEUS. Somos capazes de extrair de qualquer homem uma resposta completa à pergunta: "O que vem à sua mente quando você pensa sobre DEUS?", Podemos prever com certeza o futuro espiritual desse homem. (Reimpressão; New York: Harper & Row, 1975,9).

O conhecimento de DEUS é a chave para a alegria. Aqueles que conhecem as grandes verdades sobre DEUS acham que é fácil de se alegrar; aqueles com pouco conhecimento Dele vão achar difícil se alegrar. DEUS deu os Salmos de Israel em forma poética, para que pudessem ser facilmente memorizados e cantados. Os três primeiros versículos do livro de Salmos prometem bênçãos para aqueles que meditam sobre a Escritura: Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores! Mas o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dão o seu fruto no seu tempo e sua folhagem não murcha; e em tudo que faz, ele prospera. (Sl 1:1-3).
É a partir desse conhecimento de DEUS, a repetição, a recitação e canto da Sua natureza e atributos que os crentes fluirão nessa alegria. Tão profundo era o conhecimento dos apóstolos do caráter de DEUS e seus planos, que mesmo sofrendo lhes era motivo de alegria, desde que fosse por causa de JESUS CRISTO: "Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de JESUS."(Atos 5:41). Após a dedicação do templo, Salomão "no dia vigésimo-terceiro do sétimo mês, o rei deixou ir o povo para as suas tendas, alegres e de bom ânimo, pelo bem que o SENHOR tinha feito a Davi, e a Salomão, e a seu povo de Israel." (2 Cron 7:10).

Os crentes se alegram na contemplação da redenção de DEUS. Em 1 Samuel 2:1, "Ana orou e disse: Então, orou Ana e disse: O meu coração exulta no SENHOR, o meu poder está exaltado no SENHOR; a minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação." No Salmo 13: 5 Davi com confiança afirmou: "eu confio na tua benignidade; meu coração se regozija na tua salvação" (cf. Pss 21:1;. 35:9; 40:16;. Isa 61:10;. Hab 3:18). No Salmo 71:23 o salmista exultou: "Os meus lábios exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma que tu remiste". Outra razão para que os crentes se alegrem é que DEUS prometeu suprir todas as suas necessidades. Paulo lembrou ao Filipenses, "O meu DEUS, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por CRISTO JESUS." (Fp 4:19). Nas entrelinhas das promessas do Antigo Testamento o salmista escreveu: "Porque o SENHOR DEUS é um sol e escudo; o SENHOR dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão." (Sl 84:11). No Sermão da Montanha, o Senhor JESUS CRISTO fez a promessa de DEUS para suprir as necessidades dos crentes inequivocamente claras: " 28 E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. 29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30 Pois, se DEUS assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? 31 Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? 32 (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas; 33 Mas buscai primeiro o Reino de DEUS, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas." (Mat 6:28-33).

Paulo regozijou-se por causa do privilégio de servir a DEUS. Para Timóteo, ele escreveu: "Agradeço a JESUS CRISTO, nosso Senhor, que me fortaleceu, porque me julgou fiel, pondo-me em seu serviço" (1 Tm 1:12). Ele também se alegrou quando a verdade de DEUS foi proclamada (Fp 1:18). A declaração anterior de Paulo aos Filipenses nesta epístola: "Porque para mim o viver é CRISTO e o morrer é lucro" (1:21), revela que mesmo a perspectiva da morte não poderia saciar a sua alegria. A confiança "38 Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS, nosso Senhor!" (Rm 8:38-39) produz a alegria profunda e estabilidade espiritual.

APRENDA A SER AMÁVEL 

Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos.. (4:5a)
Epieikes (espírito manso) tem um significado mais rico do que qualquer palavra pode transmitir em Português. Assim, comentaristas e versões da Bíblia variam muito em como traduzi-la. Razoabilidade Doce, generosidade, boa vontade, simpatia, magnanimidade, caridade para com as faltas dos outros, a misericórdia para com as falhas dos outros, indulgência das falhas dos outros, clemência, calorosamente
 generoso, moderação, tolerância, gentileza; são algumas das tentativas de capturar o rico significado de epieikes. Talvez a melhor palavra correspondente em português seja graça -a graça da humildade, a bondade humilde que produz a paciência para suportar a injustiça, desgraça, e maus-tratos, sem retaliação, vingança, amargura ou contentamento.
Humildade Clemente vai contra o culto do amor-próprio que era galopante na sociedade antiga, e é crescente na sociedade moderna também. Focar o amor-próprio, auto-estima e auto-realização só conduz à instabilidade cada vez maior e ansiedade. Por outro lado, aquele cujo foco não é em si mesmo não estará sujeito a injustiça, a desigualdade de tratamento injusto, mentiras, ou humilhação. Eles podem dizer como Paulo: "" (4:11). Estabilidade espiritual relaciona-se com graciosamente humilde.

DESCANSANDO NA FÉ CONFIANTE NO SENHOR
Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma (4:5b–6a)
Não há maior fonte de estabilidade espiritual do que a confiança em que o Senhor está próximo. Engus (perto) pode significar próximo no espaço ou próximo no tempo. Alguns tomam engus num sentido cronológico, quer como uma referência ao retorno de CRISTO (3:20-21, Tiago 5:8), ou para a morte dos crentes, o que os levaria à presença do Senhor (1:23; 2 Cor 5:8). Enquanto aquelas são verdades consoladoras, parece que a ênfase de Paulo aqui é sobre a proximidade do Senhor, no sentido de Sua presença. Ele está perto, tanto para ouvir o clamor do coração do crente, como para ajudá-los e fortalecê-los. No Salmo 73:28 o salmista declarou: "A proximidade de DEUS é o meu bem" (cf. Pss 34:18; 75:1; 119:151; 145:18). Por causa da proximidade de DEUS, os crentes não devem ter medo, ansiedade ou serem vacilantes. Eles não devem entrar em desespero, mas serem fortes e estáveis(Josué 1:6-9; Pss 27:14; 125:1).

Infelizmente, quando enfrentam provações, os crentes, muitas vezes parecem esquecer o que eles sabem sobre DEUS. Eles perdem a confiança Nele, perdem a estabilidade do auto-controle espiritual, e são derrotados. Até os crentes fortes não são imunes a um lapso ocasional, como revela o incidente ocorrido na vida de Davi. Fugindo da perseguição implacável de Saul, Davi buscou asilo na cidade filistéia de Gate. "Porém os criados de Aquis lhe disseram: Não é este Davi, o rei da terra? Não se cantava deste nas danças, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os
seus dez milhares?" (1 Sam. 21:11). Percebendo que sua verdadeira identidade se tornou conhecida, "E Davi considerou essas palavras no seu ânimo e temeu muito diante de Aquis, rei de Gate" (v. 12). Em vez de confiar em DEUS para livrá-lo, Davi entrou em pânico e "Pelo que se contrafez diante dos olhos deles, e fez-se como doido entre as suas mãos, e esgravatava nas portas do portal, e deixava correr saliva pela barba.
"14 Então, disse Aquis aos seus criados: Eis que bem vedes que este homem está louco; por que mo trouxestes a mim?" (v. 13). Seu ato produziu os resultados desejados: "Faltam-me a mim doidos, para que trouxésseis este que fizesse doidices diante de mim? Há de este entrar na minha casa?(Vv. 14-15). Como resultado, "Davi saiu de lá e escapou para a caverna de Adulão" (1 Sam. 22:1). Lá, com a crise passada, Davi teve tempo para refletir sobre como ele deveria ter lidado com a situação em Gate. No Salmo 57, escrito na época, ele reafirmou as verdades sobre DEUS que ele havia esquecido temporariamente: "Tem misericórdia de mim, ó DEUS, tem piedade de mim, porque minha alma se refugia em Ti, e à sombra das tuas asas vou refugiar até que a destruição passe. Eu vou clamar a DEUS Altíssimo, ao DEUS que faz todas as coisas para mim. Ele enviará salvação desde os céus,, Ele repreende quem pisa em cima de mim. Selah. DEUS enviará a sua misericórdia e a sua verdade." (Sl 57:1-3).
Lembrando o caráter de estabilidade espiritual DEUS restaurou Davi e sua alegria, capacitando-o a declarar: "Meu coração está firme, ó DEUS, meu coração está firme; cantarei, sim, cantarei louvores" (Sl 57:7 ). Assim como Davi, o profeta Habacuque enfrentou uma crise. Mas ao contrário de Davi, ele manteve sua estabilidade espiritual. Em Habacuque 1:2-11 o profeta clamou a DEUS sobre a Sua aparente indiferença à apostasia de Judá: 

"Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritarei: Violência! E não salvarás?
3 Por que razão me fazes ver a iniqüidade e ver a vexação? Porque a destruição e a violência estão diante de mim; há também quem suscite a contenda e o litígio.
4 Por esta causa, a lei se afrouxa, e a sentença nunca sai; porque o ímpio cerca o justo, e sai o juízo pervertido.
5 Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizo, em vossos dias, uma obra, que vós não crereis, quando vos for contada.
6 Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas não suas.
7 Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua grandeza.
8 Os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos e mais perspicazes do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; sim, os seus cavaleiros virão de longe, voarão como águias que se apressam à comida.
9 Eles todos virão com violência; o seu rosto buscará o oriente, e eles congregarão os cativos como areia.10 E escarnecerão dos reis e dos príncipes farão zombarias; eles se rirão de todas as fortalezas, porque, amontoando terra, as tomarão.
11 Então, passarão como um vento, e pisarão, e se farão culpados, atribuindo este poder ao seu deus. 

Em vez de responder à pergunta inicial de Habacuque, a resposta de DEUS levantou uma segunda questão ainda mais vexatório: Como Ele poderia usar uma nação pagã, sem DEUS para castigar o Seu povo? Confrontado com a apostasia de Judá, a invasão caldéia iminente , e suas próprias perguntas sem resposta, Habacuque lembrou-se do que ele sabia ser verdade sobre DEUS: "Não és tu desde sempre, ó SENHOR, meu DEUS, meu SANTO? Nós não morreremos. Ó SENHOR, para juízo o puseste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar.13 Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a vexação não podes contemplar; por que, pois, olhas para os que procedem aleivosamente e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?(Hc 1:12-13). Habacuque lembrou-se da eternidade de DEUS, fidelidade, justiça, soberania e santidade. Apesar das provações, dúvidas e perguntas que ele enfrentou, a fé de Habacuque e confiança em DEUS permaneceu firme. Ele afirmou a importância de viver uma vida de fé em Habacuque 2:4: "O justo viverá pela sua fé." Tanto inicialmente na justificação, e continuamente na santificação, a vida cristã é uma vida de fé em DEUS. Como ele lembrou-se da grandeza do seu DEUS, a fé de Habacuque ficou mais forte. Até o final de sua profecia, ele era capaz de cantar triunfante da natureza gloriosa de DEUS e poder, "17 Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, 18 todavia, eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no DEUS da minha salvação.19 JEOVÁ, o Senhor, é minha força, e fará os meus pés como os das cervas, me me fará andar sobre as minhas alturas. (Hc 3:17-19).
A fé de Habacuque em DEUS fez dele um homem Espiritualmente estável, tanto que mesmo se as coisas normais e confiáveis da vida de repente faltassem, mesmo assim ele ainda se gloriaria em DEUS. O Senhor que está próximo é o todo-poderoso, verdadeiro e vivo DEUS revelado nas Escrituras. Aqueles que se comprazem em Seu santo poder, amor e sabedoria cultivam um profundo conhecimento Dele, estudando e meditando na Sua Palavra viverão fundados na verdade e sendo espiritualmente estáveis. Na presença de DEUS, os crentes nunca devem estar ansiosos por nada. Nada está fora do seu controle soberano ou muito difícil para ele guardar e proteger. A falta da visão de DEUS conduz a uma miríade de problemas na igreja. A falta da visão de DEUS é a causa de centena de males menores que atingem universalmente os cristãos. A nova filosofia de vida cristã resulta nesse erro básico em nosso pensamento religioso. Os cristãos instáveis para se fortalecerem precisam construir a sua força sobre o fundamento do que a Bíblia diz sobre DEUS. O resultado do fracasso da Igreja para equipar os crentes com o conhecimento do caráter de DEUS e suas obras é uma falta de compreensão de sua natureza e fins, e uma conseqüente falta de confiança nele. As areias movediças da teologia mal entendida ou com defeito não oferecem suporte estável para o crente.
A ansiedade é uma violação da Escritura e totalmente desnecessária. Em uma passagem magnífica no Sermão da Montanha, JESUS apontou para a insensatez da ansiedade: "25 Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?26 Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?28 E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam.29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.30 Pois, se DEUS assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?31 Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?32 (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;33 Mas buscai primeiro o Reino de DEUS, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.34 Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." (Mateus 6:25-34). Harmonia na comunhão, alegria no Senhor, o contentamento em circunstâncias e confiança confiante em DEUS são os primeiros passos no caminho da estabilidade espiritual.

Estabilidade Espiritual - Gratidão, Pensamento Divino e Obediência (Filipenses 4:6 b-9)
mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a DEUS. E a paz de DEUS, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em CRISTO JESUS. Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham-no em prática. E o DEUS da paz estará com vocês. (4:6b–9).
Nossa sociedade admira as pessoas que permanecem firmes, sem deixar suas convicções, são corajosos e ousados, e não podem ser comprados, intimidados ou derrotados.
Rudyard Kipling descreveu essas pessoas em seu famoso poema "Se", um tributo ao mais nobre humanismo: "Se consegues manter a calma quando à tua volta todos a perdem e te culpam por isso. Se consegues ter confiança em ti quando todos duvidam de ti e aceitas as suas dúvidas. Se consegues esperar sem te cansares por esperar ou caluniado não responderes com calúnias ou odiado não dares espaço ao ódio sem porém te fazeres demasiado bom ou falares cheio de conhecimentos. Se consegues sonhar sem fazeres dos sonhos teus mestres. Se consegues pensar sem fazeres dos pensamentos teus objetivos. Se consegues encontrar-te com o Triunfo e a Derrota e tratares esses dois impostores do mesmo modo. Se consegues suportar a escuta das verdades que dizes distorcidas pelos que te querem ver cair em armadilhas ou encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida ficar destruído e reconstruíres tudo de novo com instrumentos gastos pelo tempo. Se consegues num único passo arriscar tudo o que conquistaste num lançamento de cara ou coroa, perderes e recomeçares de novo sem nunca suspirares palavras da tua perda. Se consegues constringir o teu coração, nervos e força para te servirem na tua vez já depois de não existirem, e agüentares quando já nada tens em ti a não ser a vontade que te diz: "Agüenta-te!" Se consegues falar para multidões e permaneceres com as tuas virtudes ou andares entre reis e pobres e agires naturalmente Se nem inimigos ou amigos queridos te conseguirem ofender. Se todas as pessoas contam contigo mas nenhuma demasiado. Se consegues preencher cada minuto dando valor a todos os segundos que passam. Tua é a Terra e tudo o que nela existe e mais ainda, tu serás um Homem, meu filho!
Se essas virtudes, coragem, convicção, integridade, credibilidade e devoção inflexível são qualidades admiráveis para as pessoas do mundo, quanto mais essencial eles são para os cristãos? O próprio nome "cristão" identifica os crentes com JESUS CRISTO, o modelo mais perfeito de integridade, coragem, convicção, integridade, credibilidade e devoção inflexível que já viveu. O Novo Testamento repetidamente ordena os crentes a segui-Lo, firmes na submissão a DEUS (cf. 1:27; 1 Coríntios 16:13; 2 Coríntios 1:24, Gal 5:1; Ef 6:11, 13, 14, 1 Tessalonicenses 3:8; 2 Tessalonicenses 2:15;. Hb 3:6, 14; 1 Pedro 5:9, 12). 

A preocupado de Paulo era para com sua amada congregação de Filipos, ele desejava que ela ficasse firme na fé. De 4:2-9 sete princípios básicos para o desenvolvimento e manutenção da estabilidade espiritual emergem. O capítulo anterior neste volume considera os quatro primeiros: cultivar a harmonia na comunhão da igreja, mantendo um espírito de alegria, aprendendo a estar contente, e repousando sobre uma fé confiante no Senhor. Este capítulo irá considerar os três últimos: reagindo a problemas com a oração agradecida, pensar em virtudes divinas, e obedecendo o padrão de DEUS.

REAGINDO A PROBLEMAS COM ORAÇÃO DE GRATIDÃO 

mas em tudo, pela oração e súplica, com ações de graças sejam as vossas petições conhecidas diante de DEUS. E a paz de DEUS, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em CRISTO JESUS. (4:6b–7)
Pessoas espiritualmente estáveis oram em agradecimento antes mesmo de receberem bênçãos do SENHOR. Tal oração é o antídoto da preocupação e a cura para a ansiedade. A teologia da oração não está em vista aqui, mas a sua prioridade e a atitude do crente que a pratica. Os três sinônimos usados aqui, a oração, súplicas e pedidos, referem-se a três tipos específicos de oração, ofertas diretas e petição a DEUS. O pressuposto do texto é que os crentes clamam a DEUS quando eles têm uma necessidade ou um problema, não duvidando, nem questionando, ou até mesmo culpando a DEUS, mas com ações de graças (cf. Cl 4:2). Em vez de ter um espírito de rebelião contra o que DEUS permite, os crentes confiam em DEUS lançando sobre Ele "toda a ansiedade, porque Ele cuida deles (nós)" (1 Pedro 5:7). 

As promessas de DEUS se cumprem com a sabedoria da gratidão. Ele prometeu que nenhum juízo seria difícil para eles lidarem com eles (1 Cor 10:13). Ele também prometeu usar tudo o que acontece na vida dos crentes para o seu bem final (Rom. 8:28). Mesmo o sofrimento os leva a serem aperfeiçoados, confirmados, fortalecidos e estabelecidos (1 Pedro 5:10). Os crentes devem também estar gratos pelo poder de DEUS (Sl 62:11, 1 Pedro 1:5; Apocalipse 4:11), por suas promessas (Dt 1:11; 2 Coríntios 1:20), pela esperança de alívio do sofrimento (2 Cor 4:17; 1 Pedro 5:10), pela esperança da glória (Rm 5:2; Colossenses 1:27), por Sua misericórdia (Romanos 15:9), e pelo Seu trabalho aperfeiçoado neles (Fp 1:6).
As pessoas tornam-se preocupadas, ansiosas e com medo porque não confiam na sabedoria de DEUS, em seu poder ou bondade. Eles temem que DEUS não seja sábio o suficiente, não seja suficientemente forte, ou bom o suficiente para evitar um desastre em suas vidas. Pode ser que esta dúvida seja pecaminosa porque o seu conhecimento de DEUS está com defeito, ou que o pecado em suas vidas tenha paralisado sua fé. A oração de gratidão traz libertação do medo e da preocupação, porque afirma controle soberano de DEUS sobre todas as circunstâncias, e que seu propósito é para o bem do crente (Rom. 8:28).

Uma vez que o pecador esteja em "paz com DEUS" (Rm 5:1), isto é, pela sua salvação deixou de ser inimigo de DEUS e tornou-se Seu filho, ele pode desfrutar da paz de DEUS, dessa tranqüilidade dentro da alma, dada por DEUS . É uma relação de confiança em Sua sabedoria perfeita e infinita, em seu poder que proporciona tranqüilidade no meio das tempestades da vida.
Isaías escreveu sobre esta paz sobrenatural: "Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti" (Isaías 26:3). Paulo orou pelos romanos que "Ora, o DEUS de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do ESPÍRITO SANTO" (Rm 15:13). Em sua bênção sacerdotal em Israel Arão disse: "O Senhor levante o seu rosto sobre ti, e te dê a paz" (Nm 6:26). No Salmo 29:11 Davi escreveu: "O Senhor abençoará o seu povo com a paz." Pouco antes de Sua morte, JESUS prometeu: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize."(João 14:27). A paz de DEUS não é para todos, no entanto, "Não há paz para os ímpios, diz o Senhor" (Is 48:22), nem com DEUS, nem de DEUS.
Paulo define ainda esta paz sobrenatural como a paz que excede todo o entendimento. Ela transcende poderes humanos, mentes intelectuais privilegiadas, teologia humana, tecnologia humana, e compreensão humana. Esta paz é superior a conspiradores humanos, dispositivos humanos e soluções humanas, pois sua fonte é o DEUS cujas decisões são insondáveis e cujos caminhos são insondáveis (Rom 11:33). Esta paz é vivenciada em uma calma transcendente que levanta o crente acima do julgamento mais debilitante. Uma vez que é uma obra sobrenatural, ela resiste a qualquer compreensão humana.

O verdadeiro desafio da vida cristã não é eliminar todas as circunstâncias desagradáveis, é confiar no bom propósito de nosso infinito, santo DEUS, soberano e poderoso em cada dificuldade. Aqueles que vão honrá-lo por confiar nele vão experimentar as bênçãos de Sua paz perfeita.
Percebe-se na vida dos crentes, que a paz de DEUS os guardará de sua ansiedade, dúvida e preocupação. Phroureo (vontade de guardar) é um termo militar utilizado por soldados de plantão. A imagem teria sido familiar aos Filipenses, desde que os romanos estacionaram suas tropas em Filipos para proteger seus interesses em seu império mundial. Assim como os soldados da guarda imperial romana protegiam uma cidade, do mesmo modo os guardas de DEUS promovem a paz e protegem os crentes que confiam Nele.  Mais uma vez, Paulo lembra a seus leitores que a verdadeira paz não está disponível através de qualquer fonte humana, mas só em CRISTO JESUS.

Filipenses - Epístolas Paulinas - E.P. myer pearlman 

FONTE : APAZDOSENHOR.ORG


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