Existe um mundo habitado por seres malévolos e invisíveis que se opõem à Igreja e às obras de Deus. São os poderes ocultos das trevas dos quais os crentes devem se proteger pela força do poder de Deus. A Igreja está em contínua batalha contra o reino das trevas, contra Satanás e seus correligionários, os demônios. O engano, a mentira e o disfarce são especialidades do diabo; ele é o pai da mentira (Jo 8.44). As hostes infernais dominam com muita facilidade as pessoas que não conhecem o evangelho. Nenhuma força humana é capaz de vencê-los. Jesus disse: "porque sem mim nada podereis fazer" (Jo 15.5).
No último capítulo de Efésios, nos versículos 10,11 e 12, antes de explorar as características da armadura de Deus, o apóstolo Paulo aborda a natureza da batalha espiritual, enfatizando que só em Cristo é possível combater os poderes demoníacos e ter vitória.
UMA LINGUAGEM MILITAR CARREGADA DE METAF0RISM0
Os seis capítulos de Efésios são seis partes iguais. Os três capítulos iniciais são teológicos, e os outros três são práticos, em uma perfeita combinação de doutrina cristã e dever cristão, de fé cristã e vida cristã. Os três primeiros capítulos se referem à riqueza do cristão em Cristo, e os outros três falam sobre o andar em Cristo. Ao se aproximar da conclusão, o apóstolo introduz um "no demais" (Ef 6.10), para se referir a uma realidade espiritual muito importante. Paulo não apresenta a origem nem a biografia do príncipe das trevas; no entanto, ensina ser importante conhecer as astutas ciladas do nosso inimigo. A epístola termina com uma exortação para a luta contra as astutas ciladas do diabo.
O apóstolo Paulo empregou a expressão grega tou loipou ou to loiport, traduzida por "no demais" (Ef 6.10)? Ambas aparecem nos manuscritos e nos textos impressos do Novo Testamento grego. Mas, as edições de Westcott & Hort, Aland Nestle e das Sociedades Bíblicas Unidas escolheram tou loipou; o Textus Recep- tus e o texto de Scriviner optaram por to loiport, o uso adverbial do adjetivo loipós, "resto, restante, outro, demais". O que parece ser apenas um detalhe, à primeira vista pela grafia, faz, contudo, diferença no significado. Tou loipou, significa, "do restante, daqui para frente" (Gl 6.17); e to loipon, "ademais, quanto ao mais, resta, no demais, finalmente" (2 Co 13.11; Fp 3.1; 4.8; 2 Ts 3.1). O "no demais, finalmente" ou qualquer expressão similar significa que o apóstolo está introduzindo uma seção para finalizar a epístola. O "daqui para frente" ou "desde agora" indica que Paulo está dizendo que daqui para frente o conflito contra o reino das trevas será contínuo até o retorno de Cristo, desde a sua ascensão até a sua volta. As nossas versões seguiram Efésios 6.10 conforme o Textus Receptus: "No demais" (ARC), "Quanto ao mais" (ARA), "Finalmente" (TB) e "uma palavra final" (NVT). Não há problema em nenhuma dessas interpretações, pois nenhuma delas está fora do contexto. O importante é notar que o tema dessa passagem é atual, e a peleja da Igreja continua contra as hostes infernais.
A exortação apostólica: "fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder" (Ef 6.10) diz que os crentes devem buscar essa força não neles mesmos, mas no Senhor Jesus; por essa razão, o apóstolo Paulo emprega o verbo grego na voz passiva, endy- namousthe, "sede dotados de força em, sede fortalecidos", do verbo endynamoo, "fortalecer em". Esse poder não vem de nós mesmos, mas de uma força externa, do próprio Deus. Jesus disse: "sem mim nada podereis fazer" fio 15.5). A combinação pleonás- tica, "força do seu poder", dá mais relevo ao pensamento, uma expressão que Paulo já havia usado antes na epístola (1.19). Ele está falando sobre força e poder no campo espiritual, não sobre força física (2 Co 10.4). O Senhor Jesus capacitou os cristãos, pelo Espírito Santo, para vencer todo o mal e toda a tentação interna, os desejos da carne, e toda a tentação externa, tudo aquilo que vem diretamente do poder das trevas. Essa capacitação envolve o discernimento para compreender as astúcias malignas (2 Co 2.11) e também o poder sobre os demônios (Lc 10.17, 19).
O apóstolo Paulo vê os cristãos empenhados numa fileira de batalha espiritual contra grande número de inimigos poderosos e cheios de sutilezas: "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo" (Ef 6.11). O termo grego que ele usa para "armadura" épanoplía, que significa "armadura completa, panóplia". Panóplia é o nome que se dá à armadura completa do cavaleiro europeu na Idade Média e também se refere hoje a coleções de armas exibidas para decoração. A "armadura de Deus" é uma metáfora que o apóstolo usa para ensinar uma verdade espiritual utilizando uma linguagem militar bem conhecida dos seus leitores originais. Mas adiante, ele descreve algumas armas dessa panóplia com aplicação espiritual (Ef 6.13- 17). São armas pesadas usadas pelos gregos e romanos em batalhas ferrenhas. O propósito dessa armadura espiritual é fortalecer os crentes para uma batalha terrível, contra o diabo e suas astúcias. Por isso precisamos estar revestidos dela. "Revestir" significa "vestir novamente" a fim de nos tornarmos firmes e resistentes para desmantelar todos os diversos meios, planos, esquemas e toda a sorte de maquinações do diabo que Paulo chama de methodeia, "maquinação, cilada, astúcia".
ESTE MUNDO TENEBROSO
Depois de mostrar a necessidade do revestimento do poder de Deus na vida do cristão para destruir todas as maquinações do diabo, o apóstolo explica contra quem devemos lutar: "porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6.12). Trata-se de um conflito espiritual e sobrenatural cujos inimigos a serem vencidos são descritos pelo apóstolo.
O termo "carne" tem vários significados na Bíblia, mas a combinação "carne e sangue" é um hebraísmo para indicar o ser humano e só aparece mais duas vezes no Novo Testamento: "porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus" (Mt 16.17); "carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus” (1 Co 15.50). Essas palavras aparecem juntas, porém, quando flexionadas de outra maneira "não consultei carne nem sangue" (Gl 1.16); "participam da carne e do sangue" (Hb 2.14). Tal combinação diz respeito à pessoa, ao ser humano, à gente, que pode ser o outro ou nós mesmos no conflito interno no sentido: "a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis" (Gl 5.17).
Os termos principados e potestades, archai e exoussíai, forma plural de arché e exoussía, aparecem juntos cerca de 10 vezes no Novo Testamento. Arché, "início, causa", "denota o ponto inicial, a primeira causa e poder, autoridade ou governo" (VERBRUGGE, 2018, p. 91). É usado na Septuaginta para traduzir pelo menos 25 termos hebraicos, entre eles ro'sh, "cabeça, principal, chefe", e memshalah, "domínio, autoridade, força militar". No Novo Testamento, arché é usado como "princípio" (Jo 1.1); "poder, autoridade, governante humano" (Lc 20.12,20; Tt 3.10) e "poder angelical" (Cl 1.16). Exoussía, "liberdade de escolha, direito, poder, autoridade, poder governante", é usado no sentido secular com relação às autoridades humanas (Lc7.8; 19.17; 23.7; Rm 13.1); mas se refere à autoridade e ao poder de Jesus (Mt 28.18; Lc 4.36) e do Pai (At 1.7). Os anjos são assim chamados (Cl 1.16), e o Senhor Jesus conferiu esse poder aos crentes (Lc 9.1; 10.17, 19).
Com os "principados", archai, a ideia é de primazia no poder; as "potestades", exousías, denotam liberdade para agir. O apóstolo Paulo emprega o termo tanto para os anjos (Rm 8.38; Cl 1.16) como para os demônios (1 Co 15.24; Cl 2.15) investidos de poder. Desse modo, a expressão se refere a governos ou autoridades tanto na esfera terrestre quanto na esfera espiritual. Em Efésios 6.12, o conflito não é humano, mas se refere a seres espirituais, líderes de anjos decaídos sob as ordens de Satanás.
A frase "contra os príncipes das trevas deste século" é traduzida pela ARA como: "contra os dominadores deste mundo tenebroso"; e isso podemos traduzir como "contra as potências cósmicas dessas trevas". A ARC emprega o termo "príncipes" para kosmokrátoras, de kosmos, "mundo", e krateo, "dominar", portanto "regente do mundo, monarca do mundo". Essa palavra só aparece em Efésios 6.12 e em nenhum outro lugar do Novo Testamento, referindo-se aos dominadores cósmicos, os espíritos malignos. Esse termo é usado com mais frequência nos séculos 1 e 2 d.C. na literatura da magia e da astrologia. Nos papiros do século 4, a palavra kosmokrátor aparece como título de divindades pagãs como Hélios, na astrologia, o mestre dos planetas no universo; Zeus, Hermes, Serápis. A literatura judaica do século 2 emprega esse vocábulo para "príncipe do mundo das trevas". O uso plural revela que muitos desses dominadores ou príncipes estão sob comando de Satanás. É possível que o apóstolo Paulo esteja se referindo à Diana, deusa dos efésios (At 19.34), que os romanos chamavam de Ártemis, além de se referir às demais divindades pagãs que representavam os demônios (1 Co 10.19-21). É verdade que os pesquisadores nunca encontraram nenhum documento da época que identifique kosmokrátor com Diana, porém silêncio nem sempre é sinônimo de negação.
O termo grego mais usado para "príncipe" é archon, que aparece 37 vezes no Novo Testamento, traduzido também como "governador" humano. É usado para se referir a Belzebu, "príncipe dos demônios" (Mt 12.24); para Satanás como "príncipe deste mundo" (Jo 12.31; 14.30; 16.11); e, ainda, ao "príncipe das potesta- des do ar" (Ef 2.2). Mas não é esse o termo usado em Efésios 6.12.
O termo grego, skotos, "trevas, escuridão", é usado também na literatura clássica dos gregos para "morte" e "submundo". A Septuaginta emprega a palavra 75 vezes para traduzir o vocábulo hebraico, hoshech, "trevas, escuridão", e seus derivados no Antigo Testamento. Os termos hebraico e grego aparecem no sentido físico (Gn 1.2-5) e também com conotação teológica, como o lugar em que Deus não está, como mal, iniquidade, pecado, desobediência e cegueira espiritual (Jó 19.8; Sl 82.5; 107.10; Is 9.2). A mesma coisa acontece no Novo Testamento: as trevas podem ser no sentido físico como na crucificação de Jesus (Mt 27.45; Mc 1.33; Lc 23.44), mas na maioria das vezes se referem ao pecado e à ignorância (Jo 3.19; 2 Co 6.14; Ef 4.18; Cl 1.13; 1 Jo 2.8).
O apóstolo Paulo emprega skotos para se referir ao reino satânico. Ele especifica os principais agentes no reino das trevas e conclui dizendo que eles formam "as hostes espirituais da maldade" (Ef 6.12). Essa expressão refere-se aos "espíritos malignos", um termo presente no pensamento judaico e também no Novo Testamento. Essas hostes são os comandantes do exército de Satanás: principados, potestades e dominadores deste mundo tenebroso, contra quem temos de lutar fortalecidos no Senhor e na força do seu poder e revestidos da armadura completa de Deus (Ef 6.10, 11).
A expressão "lugares celestiais" ou "regiões celestiais" no presente contexto nos chama atenção, pois parece indicar o céu, o lugar onde Cristo habita, a morada dos crentes. No entanto, o apóstolo escreve: "contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais", termo que aparece cinco vezes em Efésios e em nenhum outro lugar no Novo Testamento (1.3, 20; 2.6; 3.10; 6.12). No mundo antigo, as pessoas acreditavam que o céu tinha diferentes níveis, ocupados por uma diversidade de seres espirituais. No nível mais elevado, habitava Deus com os seres mais puros. Ou seja, as "regiões celestiais" podem significar onde Deus está ou onde estão os poderes espirituais. O sentido dessas palavras depende do contexto em que elas aparecem. Uma referência à esfera onde o Senhor Jesus ressurreto está assentado (1.20); onde os crentes desfrutarão da comunhão com Jesus (2.6). Uns acreditam que não significa ser o próprio céu, mas a região do conflito. Outros creem designar o céu onde Cristo está sentado à destra de Deus, onde os salvos estão com Cristo (1.3, 20) e onde habitam os anjos eleitos (3.10). A melhor explicação é que se trata da esfera supraterrestre (Ef 2.2).
CONTRA OS PODERES DAS TREVAS
A realidade da batalha espiritual está invisível aos olhos humanos. Para enxergá-la e enfrentá-la, é necessário que o crente esteja firmado em Cristo e seja conduzido pelo Espírito Santo. Não podemos esquecer que Deus é soberano inclusive sobre as atividades malignas, por isso não há espaço para medo. É importante que sejamos sábios em perceber a atuação do inimigo, não lhe dando poder demais nem subestimando sua força. Nem sempre um problema existe por causa demoníaca; às vezes é a consequência de uma má escolha ou decisão. É fácil atribuir culpa aos espíritos maus quanto aos infortúnios da vida e desconsiderar o peso da responsabilidade pessoal.
A cegueira espiritual e a falta de discernimento são desafios para os servos de Deus. No contexto da cultura brasileira, em que as manifestações de espíritos acontecem em diversos cultos religiosos, o assunto de batalha espiritual não parece estranho às pessoas porque é algo que se vê. Assim, os crentes identificam com facilidade quando há uma atuação demoníaca. Mais difícil, no entanto, é perceber a atuação do inimigo no sistema de idéias e nas estruturas que estão fundamentadas na injustiça e no pecado. Peçamos sabedoria a Deus para ver o mundo espiritual de forma que possamos agir a fim de que o nome de Jesus seja glorificado.
BATALHA ESPIRITUAL – EZEQUIAS SOARES


Ama “o evangelho”
3. É difícil acreditar que existisse em algum lugar da igreja primitiva um gênio falsificador que refundisse os escritos genuínos de Paulo numa obra com um estilo tão excelente, tão lógico em seu desenvolvimento, e tão elevado em seu conteúdo, que teria estado pelo menos a par da habilidade intelectual e discernimento espiritual do apóstolo, e capaz inclusive de prover a igreja com pensamentos paulinos em avançado desenvolvimento, e então não deixar para trás nenhum rastro de sua identidade.
4. O testemunho da igreja primitiva está em consonância com a conclusão que estabelecemos supra. Assim, Eusébio, depois de fazer um estudo exaustivo das fontes a seu alcance, declara: “São, porém, claramente evidentes e naturais as quatorze (cartas) de Paulo; contudo, não é correto ignorar o fato de que alguns polemizam acerca da (carta) aos Hebreus (EcclesiasticalHistory Ill.iii. 4, 5). É claro, pois, que este grande historiador eclesiástico, escrevendo no início do quarto século, estava bem ciente do fato de que toda a igreja fiel de seus dias e época reconhecia Efésios como epístola autêntica de Paulo.
De Eusébio recuamos a Orígenes (ca. de 210-250), que em sua obra On Principies (De Principiis) cita várias passagens de Efésios, designando-as a “o apóstolo” ou a “Paulo mesmo” (II.iii.5; IExi.5; IIEv. 4). Em sua principal apologia Against Celsus (Contra Celsum), ele diz (capítulo 72): “O apóstolo Paulo declara”, e então cita Efésios 2.3.
De Orígenes recuamos a tempos anteriores, até a seu mestre, Clemente de Alexandria (ca. de 190-200). Em sua obra The Instructor (Paedogogus 1.5) ele cita Efésios 4.13-15, atribuindo-a a “o apóstolo” (de acordo com o contexto anterior).
Por esse mesmo tempo, Tertuliano (ca. de 193-216), em sua obra AgainstMarcion (Adversus Marcionem V. 17), declara: “Temos na verdadeira tradição da igreja que esta epístola foi enviada aos efésios, e não aos laudicenses. Marcião, contudo, nutria profundo desejo de dar-lhe um novo título, como se ele fosse extremamente preciso na investigação de tal ponto. Que importância têm os títulos, porém, se ao escrever a certa igreja o apóstolo de fato escreveu a todas elas?” Novamente (v. 11): “Aqui passo por alto a discussão concernente à outra epístola, que mantemos ter sido escrita aos efésios, enquanto que os hereges dizem ter sido aos laudicenses.”
Uns poucos anos antes, Irineu, que foi por muito tempo contemporâneo de Clemente de Alexandria e de Tertuliano, afirma em sua obra
Against Heresies (Adversus Haereses, I.viii.5): “Isto também declara Paulo com estas palavras” - e então cita Efésios 5.13. Igualmente (V.ii.3): “... assim como o bendito Paulo declara em sua epístola aos Efésios: “Somos membros de seu corpo, de sua came e de seus ossos.” Conferir Efésios 5.30. Este testemunho de Irineu, no qual ele claramente menciona Paulo como o autor de Efésios, é muito significativo, pois Irineu viajou extensamente, tendo um conhecimento pleno de toda a igreja de seu dia e época, um período da história antiga durante o qual as tradições dos apóstolos ainda se mantinham vivas.
O Fragmento Muratoriano (ca. de 180-200), uma visão panorâmica dos livros do Novo Testamento, menciona de forma definitiva Paulo como o autor de Efésios.
No entanto podemos recuar ainda mais, para antes do final do segundo século d.C. Passemos por alto as disputas alusivas a Efésios em O Pastor de Hermas, O Ensino dos Apóstolos (Didaquê), a assim chamada Epístola de Barnabé entre outros, visto que tais passagens polêmicas têm pouco se não nenhum valor decisivo. Prestemos atenção a certos autores que não só floresceram em um ou em outro tempo ao longo do período de 100-170, mas também forneceram claras evidências da existência e reconhecimento da epístola em seus dias. Em um tempo tão próximo ao dos apóstolos, não era necessário mencionar seus nomes. Citando seus escritos, o que implicava bom conhecimento de sua existência e que foram considerados autoritativos para a igreja, é tudo o que podemos esperar dessas testemunhas antigas. Estou certo de que aqueles que rejeitam a autoria paulina de Efésios negarão, sem dúvida, a relevância das passagens que vamos citar. Mas, ao fazê-lo, enfrentarão dificuldades que são bastante evidentes. Notemos, pois, as seguintes:
Policarpo declara: “... sabendo que pela graça foram salvos, não por obras” (Letter to the Philippians 1.3, citação de Efésios 2.8,9). Novamente: “Somente como é dito nessas Escrituras: Trem-se, mas não pequem’, e ‘Não se ponha o sol sobre sua ira”’ (Xii. 1, latim, citando Ef. 4.26). Com relação a esta epístola de Policarpo, ver também C.N.T. sobre Filipenses, Introdução, final da
Seção V.
Chegamos então a Inácio e à sua carta Aos Efésios,8 A referência mais clara a Efésios, como sendo de Paulo, se encontra no parágrafo
inicial (1.1): sendo imitadores de Deus.” Estas palavras nos fazem
lembrar de imediato uma exortação de Paulo: “Sejam, pois, imitadores de Deus” (Ef 5.1). E quando Inácio compara os crentes a “pedras do santuário do Pai, preparadas para o edifício de Deus nosso Pai” (IX. 1), porventura não é uma referência óbvia à declaração de Paulo em Efé-sios 2.20-22?
Clemente de Roma (como representante da igreja de Roma) escreve: “Através dele os olhos de nossos corações foram abertos” (The First Epistle ofClement to the CorinthiansXXXVl.2). Não é esta uma citação aproximada de Efésios 1.18: “... para que os olhos de seus corações sejam iluminados”? Compare também: “Ou não temos nós um Pai e um Cristo e um Espírito de graça derramado sobre nós, e uma vocação em Cristo?” (XLVI.6) com esta expressão de Paulo: “Há ... um só Espírito, assim como também vocês foram chamados numa só esperança que seu chamamento lhes trouxe (Lit. ‘de seu chamamento’), um só Senhor ..., um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.4-6).
Segundo Hipólito, os basilides, os ofitas e os valentinianos fizeram uso da carta de Paulo aos Efésios; ora, essas três se achavam entre as primeiras seitas gnósticas. A epístola aos Efésios, pois, também estava inclusa no Cânon de Marcião (ainda que, como já se indicou, sob um título diferente), na versão latina antiga e na versão siríaca antiga. Finalmente, existe a possibilidade de Colossenses 4.16 estar se referindo a esta epístola. Ver C.N.T. sobre esta passagem.
Já se demonstrou, pois, que tão logo a igreja começou a atribuir os escritos do Novo Testamento a autores definidos, “em consonância” apontaram Paulo como o autor de Efésios. Não houve dúvida nem dissidência. A designação definitiva começou mais ou menos em fins do segundo século. No entanto, mesmo mais cedo se reconheceu por toda parte sua existência e o alto apreço que a igreja lhe concedeu como escrito inspirado. Não há razão para afastar-se dessas convicções tradicionais.
De Eusébio recuamos a Orígenes (ca. de 210-250), que em sua obra On Principies (De Principiis) cita várias passagens de Efésios, designando-as a “o apóstolo” ou a “Paulo mesmo” (II.iii.5; IExi.5; IIEv. 4). Em sua principal apologia Against Celsus (Contra Celsum), ele diz (capítulo 72): “O apóstolo Paulo declara”, e então cita Efésios 2.3.
De Orígenes recuamos a tempos anteriores, até a seu mestre, Clemente de Alexandria (ca. de 190-200). Em sua obra The Instructor (Paedogogus 1.5) ele cita Efésios 4.13-15, atribuindo-a a “o apóstolo” (de acordo com o contexto anterior).
Por esse mesmo tempo, Tertuliano (ca. de 193-216), em sua obra AgainstMarcion (Adversus Marcionem V. 17), declara: “Temos na verdadeira tradição da igreja que esta epístola foi enviada aos efésios, e não aos laudicenses. Marcião, contudo, nutria profundo desejo de dar-lhe um novo título, como se ele fosse extremamente preciso na investigação de tal ponto. Que importância têm os títulos, porém, se ao escrever a certa igreja o apóstolo de fato escreveu a todas elas?” Novamente (v. 11): “Aqui passo por alto a discussão concernente à outra epístola, que mantemos ter sido escrita aos efésios, enquanto que os hereges dizem ter sido aos laudicenses.”
Uns poucos anos antes, Irineu, que foi por muito tempo contemporâneo de Clemente de Alexandria e de Tertuliano, afirma em sua obra
Against Heresies (Adversus Haereses, I.viii.5): “Isto também declara Paulo com estas palavras” - e então cita Efésios 5.13. Igualmente (V.ii.3): “... assim como o bendito Paulo declara em sua epístola aos Efésios: “Somos membros de seu corpo, de sua came e de seus ossos.” Conferir Efésios 5.30. Este testemunho de Irineu, no qual ele claramente menciona Paulo como o autor de Efésios, é muito significativo, pois Irineu viajou extensamente, tendo um conhecimento pleno de toda a igreja de seu dia e época, um período da história antiga durante o qual as tradições dos apóstolos ainda se mantinham vivas.
O Fragmento Muratoriano (ca. de 180-200), uma visão panorâmica dos livros do Novo Testamento, menciona de forma definitiva Paulo como o autor de Efésios.
No entanto podemos recuar ainda mais, para antes do final do segundo século d.C. Passemos por alto as disputas alusivas a Efésios em O Pastor de Hermas, O Ensino dos Apóstolos (Didaquê), a assim chamada Epístola de Barnabé entre outros, visto que tais passagens polêmicas têm pouco se não nenhum valor decisivo. Prestemos atenção a certos autores que não só floresceram em um ou em outro tempo ao longo do período de 100-170, mas também forneceram claras evidências da existência e reconhecimento da epístola em seus dias. Em um tempo tão próximo ao dos apóstolos, não era necessário mencionar seus nomes. Citando seus escritos, o que implicava bom conhecimento de sua existência e que foram considerados autoritativos para a igreja, é tudo o que podemos esperar dessas testemunhas antigas. Estou certo de que aqueles que rejeitam a autoria paulina de Efésios negarão, sem dúvida, a relevância das passagens que vamos citar. Mas, ao fazê-lo, enfrentarão dificuldades que são bastante evidentes. Notemos, pois, as seguintes:
Policarpo declara: “... sabendo que pela graça foram salvos, não por obras” (Letter to the Philippians 1.3, citação de Efésios 2.8,9). Novamente: “Somente como é dito nessas Escrituras: Trem-se, mas não pequem’, e ‘Não se ponha o sol sobre sua ira”’ (Xii. 1, latim, citando Ef. 4.26). Com relação a esta epístola de Policarpo, ver também C.N.T. sobre Filipenses, Introdução, final da
Seção V.
Chegamos então a Inácio e à sua carta Aos Efésios,8 A referência mais clara a Efésios, como sendo de Paulo, se encontra no parágrafo
inicial (1.1): sendo imitadores de Deus.” Estas palavras nos fazem
lembrar de imediato uma exortação de Paulo: “Sejam, pois, imitadores de Deus” (Ef 5.1). E quando Inácio compara os crentes a “pedras do santuário do Pai, preparadas para o edifício de Deus nosso Pai” (IX. 1), porventura não é uma referência óbvia à declaração de Paulo em Efé-sios 2.20-22?
Clemente de Roma (como representante da igreja de Roma) escreve: “Através dele os olhos de nossos corações foram abertos” (The First Epistle ofClement to the CorinthiansXXXVl.2). Não é esta uma citação aproximada de Efésios 1.18: “... para que os olhos de seus corações sejam iluminados”? Compare também: “Ou não temos nós um Pai e um Cristo e um Espírito de graça derramado sobre nós, e uma vocação em Cristo?” (XLVI.6) com esta expressão de Paulo: “Há ... um só Espírito, assim como também vocês foram chamados numa só esperança que seu chamamento lhes trouxe (Lit. ‘de seu chamamento’), um só Senhor ..., um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.4-6).
Segundo Hipólito, os basilides, os ofitas e os valentinianos fizeram uso da carta de Paulo aos Efésios; ora, essas três se achavam entre as primeiras seitas gnósticas. A epístola aos Efésios, pois, também estava inclusa no Cânon de Marcião (ainda que, como já se indicou, sob um título diferente), na versão latina antiga e na versão siríaca antiga. Finalmente, existe a possibilidade de Colossenses 4.16 estar se referindo a esta epístola. Ver C.N.T. sobre esta passagem.
Já se demonstrou, pois, que tão logo a igreja começou a atribuir os escritos do Novo Testamento a autores definidos, “em consonância” apontaram Paulo como o autor de Efésios. Não houve dúvida nem dissidência. A designação definitiva começou mais ou menos em fins do segundo século. No entanto, mesmo mais cedo se reconheceu por toda parte sua existência e o alto apreço que a igreja lhe concedeu como escrito inspirado. Não há razão para afastar-se dessas convicções tradicionais.
IV. Destino e Propósito
A. Destino
1. Os fatos e o problema oriundos delesDefrontamo-nos com uma dificuldade real, porquanto Efésios 1.1, que na maioria das versões menciona aqueles a quem a carta foi destinada, não tem esse mesmo conteúdo em todos os manuscritos gregos.
As palavras iniciais - “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e crentes em Cristo Jesus que estão em” - não constituem problema textual sério. A dificuldade emana da frase adicional -“em Éfeso” (èv ’Eijjéocp). Esta frase não se encontra nos manuscritos mais antigos em existência: está ausente em p46, que data do segundo século, no Sinaíticus não revisado e no Vaticanus do quarto século.9 Segundo vê a maioria dos eruditos, há um comentário de Orígenes (do início do terceiro século) que dá a entender que ela não estava no texto que ele usou. Uma observação de Basílio (ca. de 370 d.C.) leva à mesma conclusão com respeito ao texto sobre o qual ele comentou.
Por outro lado, desde os meados do segundo século, com uma única exceção, o título que encabeça a epístola tem sido sempre "aos Efé-5io5”. A única exceção foi a cópia de Marcião, na qual o título exibido na epístola era “aos Laudicenses”. Comumente se mantém, com boa razão, que esta exceção à regra foi devido à má interpretação de Colos-senses 4.16. A maneira como Tertuliano criticou Marcião por aceitar (ou originar?) este erro já ficou registrada (ver IIIB 4 supra). Também, de forma quase unânime, os manuscritos subseqüentes incluem “em Éfeso” no texto de 1.1. As versões também, de comum acordo, sustentam esta redação.
O problema, portanto, é o seguinte: Como podemos explicar a ausência da frase - “em Éfeso” - nos manuscritos mais antigos em existência, à luz do testemunho quase unânime em favor de sua inclusão? E qual é a luz que estes fatos lançam sobre o destino real de Efésios?
As palavras iniciais - “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e crentes em Cristo Jesus que estão em” - não constituem problema textual sério. A dificuldade emana da frase adicional -“em Éfeso” (èv ’Eijjéocp). Esta frase não se encontra nos manuscritos mais antigos em existência: está ausente em p46, que data do segundo século, no Sinaíticus não revisado e no Vaticanus do quarto século.9 Segundo vê a maioria dos eruditos, há um comentário de Orígenes (do início do terceiro século) que dá a entender que ela não estava no texto que ele usou. Uma observação de Basílio (ca. de 370 d.C.) leva à mesma conclusão com respeito ao texto sobre o qual ele comentou.
Por outro lado, desde os meados do segundo século, com uma única exceção, o título que encabeça a epístola tem sido sempre "aos Efé-5io5”. A única exceção foi a cópia de Marcião, na qual o título exibido na epístola era “aos Laudicenses”. Comumente se mantém, com boa razão, que esta exceção à regra foi devido à má interpretação de Colos-senses 4.16. A maneira como Tertuliano criticou Marcião por aceitar (ou originar?) este erro já ficou registrada (ver IIIB 4 supra). Também, de forma quase unânime, os manuscritos subseqüentes incluem “em Éfeso” no texto de 1.1. As versões também, de comum acordo, sustentam esta redação.
O problema, portanto, é o seguinte: Como podemos explicar a ausência da frase - “em Éfeso” - nos manuscritos mais antigos em existência, à luz do testemunho quase unânime em favor de sua inclusão? E qual é a luz que estes fatos lançam sobre o destino real de Efésios?
2. Propõem-se várias soluçõesa. A carta não foi destinada a qualquer localidade específica, fosse grande ou pequena, porém, antes, aos crentes de todos os lugares e de qualquer tempo.
De acordo com esse ponto de vista, o que fosse que o título pudesse dizer, jamais foi a intenção de Paulo que as palavras “em Éfeso” fossem inseridas. Esta teoria tem duas formas principais. Segundo a primeira, Paulo dirige sua mensagem aos santos “que são”, ou seja, os únicos que possuem verdadeira existência, já que Cristo, em quem eles vivem, é o único que verdadeiramente É. Não é ele o grande EU SOU? (cf. Êx 3.14; Jo 6.35,48; 8.12; 10.7,9,11,14; Ap 1.8; 22,13). Esta interpretação foi sugerida por Orígenes. Basílio também a adotou. De acordo com a segunda, Paulo está simplesmente escrevendo “aos santos, que são também fiéis em Cristo Jesus”. Isto, omitidas as palavras “em Éfeso”, se encontra não só no texto da R.S.V., mas é também favorecido, com certas variações de palavras, por muitos outros, tanto tradutores quanto expositores: Beare, Findlay, Goodspeed, Mackay, Williams e outros.
Avaliação: Em toda parte nas epístolas de Paulo, onde aparecem as palavras “que estão” ou (a igreja) “que está”, quando presentes no original, são invariavelmente seguidas do nome de um lugar (Rm 1.7; ICo 1.2; 2Co 1.1; Fp 1.1). Em conseqüência, não há razão plausível para se admitir que a ocorrência das palavras “que estão”, em Efésios, é uma exceção à regra. Não há nada nas outras epístolas de Paulo que forneça a explicação metafísica apresentada por Orígenes e Basílio. E quanto à versão semelhante “aos que também são fiéis”, sem nenhuma designação de lugar, além de estar exposta à objeção supramencionada, só teria sentido razoável se não fosse interpretado para significar que havia alguns santos que eram fiéis e outros que não o eram.
Ainda que por razão já mencionada (o uso paulino nas demais epístolas), não posso aceitar a teoria endossada pela R.V.S., entre outras, não obstante sou de opinião que a mesma contém um elemento de valor que não deve ser negligenciado. O que Tertuliano já indicou é procedente, ou seja, que “ao escrever a certa igreja, o apóstolo de fato estava escrevendo a todas” (ver supra IIIB 5). Em Efésios, bem como em todas as demais epístolas, o Espírito está se dirigindo a todas as igrejas, as daquele tempo e as de agora. De fato, o tema ecumênico de Efésios acresce ênfase a este aspecto. E possível dar demasiada ênfase à questão local. Entretanto, isso não significa que a questão, se as palavras “em Éfeso” devam ou não ser mantidas, pode ser descartada como destituída de valor.
De acordo com esse ponto de vista, o que fosse que o título pudesse dizer, jamais foi a intenção de Paulo que as palavras “em Éfeso” fossem inseridas. Esta teoria tem duas formas principais. Segundo a primeira, Paulo dirige sua mensagem aos santos “que são”, ou seja, os únicos que possuem verdadeira existência, já que Cristo, em quem eles vivem, é o único que verdadeiramente É. Não é ele o grande EU SOU? (cf. Êx 3.14; Jo 6.35,48; 8.12; 10.7,9,11,14; Ap 1.8; 22,13). Esta interpretação foi sugerida por Orígenes. Basílio também a adotou. De acordo com a segunda, Paulo está simplesmente escrevendo “aos santos, que são também fiéis em Cristo Jesus”. Isto, omitidas as palavras “em Éfeso”, se encontra não só no texto da R.S.V., mas é também favorecido, com certas variações de palavras, por muitos outros, tanto tradutores quanto expositores: Beare, Findlay, Goodspeed, Mackay, Williams e outros.
Avaliação: Em toda parte nas epístolas de Paulo, onde aparecem as palavras “que estão” ou (a igreja) “que está”, quando presentes no original, são invariavelmente seguidas do nome de um lugar (Rm 1.7; ICo 1.2; 2Co 1.1; Fp 1.1). Em conseqüência, não há razão plausível para se admitir que a ocorrência das palavras “que estão”, em Efésios, é uma exceção à regra. Não há nada nas outras epístolas de Paulo que forneça a explicação metafísica apresentada por Orígenes e Basílio. E quanto à versão semelhante “aos que também são fiéis”, sem nenhuma designação de lugar, além de estar exposta à objeção supramencionada, só teria sentido razoável se não fosse interpretado para significar que havia alguns santos que eram fiéis e outros que não o eram.
Ainda que por razão já mencionada (o uso paulino nas demais epístolas), não posso aceitar a teoria endossada pela R.V.S., entre outras, não obstante sou de opinião que a mesma contém um elemento de valor que não deve ser negligenciado. O que Tertuliano já indicou é procedente, ou seja, que “ao escrever a certa igreja, o apóstolo de fato estava escrevendo a todas” (ver supra IIIB 5). Em Efésios, bem como em todas as demais epístolas, o Espírito está se dirigindo a todas as igrejas, as daquele tempo e as de agora. De fato, o tema ecumênico de Efésios acresce ênfase a este aspecto. E possível dar demasiada ênfase à questão local. Entretanto, isso não significa que a questão, se as palavras “em Éfeso” devam ou não ser mantidas, pode ser descartada como destituída de valor.
b. A carta, ainda que enviada a crentes que viviam numa região definida e limitada, de modo algum pretendia ser para Efeso.
Esta teoria tem como defensores, entre outros, T.K. Abbott, em sua obra The Epistles to the Ephesians and to the Colossians (International Criticai Commentary), Nova York, 1916, p. viii; e E.F. Scott, em sua breve exposição The Epistles of Paul to the Colossians, to Philemon and to the Ephesians (MoffattNew Testament Commentary), Nova York, 1930, pp. 121, 122. Segundo Abbott, Efésios foi escrita para os gentios convertidos de Laodicéia, Hierápolis, Colossos, entre outras.
Scott escreve: nada é definido, exceto que a carta não foi escrita
aos efésios.” Motivos: “em Éfeso” está ausente nos melhores manuscritos; não há detalhes pessoais; a implicação de 1.15; 3.2; 4.21,22 elimina totalmente Éfeso.
Resposta: Dificilmente se pode conceber que Paulo, que gastara tanto tempo e energia em Éfeso, tivesse escrito uma carta às igrejas da Ásia Proconsular, e excluísse a própria Éfeso.
As duas teorias seguintes devem ser consideradas em conjunto. Ambas estão basicamente de acordo, posto que procedem do pressuposto de que, em um sentido ou em outro, a epístola foi enviada a Éfeso. Elas diferem em que c. interpreta “em Éfeso” regionalmente; e d., localmente.
c. A carta foi dirigida aos crentes que residiam na província da qual Efeso era a principal cidade. Era uma carta circular, destinada não só à igreja local, mas também às congregações da Asia Proconsular
Este é um ponto de vista amplamente aceito hoje.
d. A carta foi enviada a uma igreja local e específica, ou seja, a de Efeso, assim como Filipenses foi enviada à igreja de Filipos, e 1 e 2 Coríntios foram enviadas à igreja de Corinto.
Para as defesas deste ponto de vista e a refutação da idéia de carta-circular, apresentam-se as seguintes respostas:
Esta teoria tem como defensores, entre outros, T.K. Abbott, em sua obra The Epistles to the Ephesians and to the Colossians (International Criticai Commentary), Nova York, 1916, p. viii; e E.F. Scott, em sua breve exposição The Epistles of Paul to the Colossians, to Philemon and to the Ephesians (MoffattNew Testament Commentary), Nova York, 1930, pp. 121, 122. Segundo Abbott, Efésios foi escrita para os gentios convertidos de Laodicéia, Hierápolis, Colossos, entre outras.
Scott escreve: nada é definido, exceto que a carta não foi escrita
aos efésios.” Motivos: “em Éfeso” está ausente nos melhores manuscritos; não há detalhes pessoais; a implicação de 1.15; 3.2; 4.21,22 elimina totalmente Éfeso.
Resposta: Dificilmente se pode conceber que Paulo, que gastara tanto tempo e energia em Éfeso, tivesse escrito uma carta às igrejas da Ásia Proconsular, e excluísse a própria Éfeso.
As duas teorias seguintes devem ser consideradas em conjunto. Ambas estão basicamente de acordo, posto que procedem do pressuposto de que, em um sentido ou em outro, a epístola foi enviada a Éfeso. Elas diferem em que c. interpreta “em Éfeso” regionalmente; e d., localmente.
c. A carta foi dirigida aos crentes que residiam na província da qual Efeso era a principal cidade. Era uma carta circular, destinada não só à igreja local, mas também às congregações da Asia Proconsular
Este é um ponto de vista amplamente aceito hoje.
d. A carta foi enviada a uma igreja local e específica, ou seja, a de Efeso, assim como Filipenses foi enviada à igreja de Filipos, e 1 e 2 Coríntios foram enviadas à igreja de Corinto.
Para as defesas deste ponto de vista e a refutação da idéia de carta-circular, apresentam-se as seguintes respostas:
(1) Em todos os manuscritos antigos (exceto o de Marcião) a carta traz o titulo: aos Efésios. Todas as versões antigas têm “em Éfeso”, no versículo 1. Que explicação daríamos a tal título e a tais versões se a carta não tivesse sido originalmente endereçada à congregação de Éfeso? Quanto à ausência da frase “em Éfeso”, em 1.1, nos manuscritos mais antigos, não é possível que alguém tenha alterado o texto? Quase todos os manuscritos gregos mais recentes contêm esta frase tão discutida. Que explicação fornecem aqueles que rejeitam seu caráter genuíno?
(2) Quanto a 1.15; 3.2 e 4.21,22, esta é uma questão de interpretação. Ver adiante o comentário sobre essas passagens.
(3) Não é correto dizer que não há nenhuma relação entre o relato da obra de Paulo que se encontra em Atos e o conteúdo desta epístola. Ao contrário, de que outra carta se pode dizer com mais propriedade que está proclamando “todo o conselho de Deus” (cf. 1.3-14)? Ora, de acordo com Atos 20.27, esta é exatamente a caracterização da pregação de Paulo em Éfeso. Ver também o comentário sobre Efésios 2.2022. A ausência de grandes problemas locais que perturbassem a congregação pode explicar por que Paulo não menciona, nessa epístola, a maneira como foi recebido quando fundou a igreja. Além do mais, no que se refere às expressões de intimidade e às matérias a respeito de si mesmo, pode-se encontrar a explicação em 6.21,22: Tíquico estava preparado para fornecer maiores informações.
(4) 2 Coríntios, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses também não trazem saudação, ainda que escritas a igreja fundadas por Paulo. Por outro lado, Romanos, embora endereçada a uma igreja não fundada pelo apóstolo, contém uma grande quantidade de saudações.
Avaliação: é obvio que nem todas as razões apresentadas em favor da teoria da carta-circular são válidas. O item (4) é particularmente fraco, e tem sido abandonado por muitos dos partidários do conceito encíclico. É duvidoso, contudo, que a refutação do item (3) seja inteiramente satisfatória. A falta, ou, melhor, a pouca consideração para com os toques de caráter regional e de expressões pessoais, bem como a questão da sublimidade e amplitude do tema (a igreja universal) pareceriam harmonizar-se melhor com a teoria encíclica do que com a de caráter meramente local. Há, além disso, um outro fator que pareceria prestar ainda maior apoio ao ponto de vista da carta-circular. Teria sido quase impossível a Paulo dirigir uma carta aos crentes de Éfeso sem incluir também aquelas igrejas adjacentes. Éfeso era o coração e centro da comunidade cristã, como é muito claro de Atos 19.10, do que implica que, quando Paulo trabalhava nesta cidade, as pessoas dos arredores afluíam para ouvi-lo. Como resultado, “todos os que viviam na Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus quanto gregos”. No livro do Apocalipse, também a primeira do grupo de sete cartas está endereçada à igreja em Éfeso (Ap 2.1-7). Conseqüentemente, favoreço a teoria da alínea c. No entanto, com base em ambos os pontos de vista (c ou d), podem-se conservar as palavras “em Éfeso”, sem riscos, em nossa tradução de Efésios 1.1.
Ora, desenvolvendo a teoria sobre a carta-circular, há um ponto de vista popular (proposto por Beza e endossado pelo arcebispo Ussher), ou seja, que originalmente foi deixado espaço em branco depois das palavras “que estão”, e que a Tíquico ou a algum outro solicitou-se que fizesse várias cópias, uma para esta igreja outra para aquela, etc., a fim de que em cada caso particular fosse preenchido o espaço em branco, escrevendo nele o nome da igreja para qual se destinava a cópia. Além disso, de acordo com essa teoria, no decorrer do tempo prevaleceu a frase “em Éfeso”, porquanto a igreja nessa cidade veio a ser a mais importante.
Esta teoria dá lugar a possíveis objeções; por exemplo: primeiro, porventura não estamos atribuindo a Efésios um método para distribuição de cartas “com mais sabor de formas modernas que antigas” (Abbott)? Em segundo lugar, como explicaremos o fato de que em método totalmente diferente de circulação postal está obviamente indicado em Colossenses 4.16? Em terceiro lugar, se tal série de nomes colocados nos espaços em branco é o que realmente acontece, como é que não existe nenhum exemplar das cópias em que 1.1 tenham outro nome que seja senão Éfeso?
Temos que admitir que de fato não sabemos como, quando e por que ocorre a mudança, desde a omissão de “em Éfeso” à sua inserção (ou vice-versa). Lenski, partindo da idéia de que as palavras “em Éfeso” estavam no texto desde o início, conjetura que Marcião teria, em seus dias, alterado o texto. Entretanto, esta não é a única e nem talvez a maneira mais benévola de solucionar o problema. Outra sugestão -novamente uma mera possibilidade\ - seria que em plena harmonia com os desejos expressos do apóstolo e com inteira sinceridade para com todos os interessados, o que aconteceu foi o seguinte:
Vamos admitir que na carta original, o próprio autógrafo, foi deixado um espaço em branco depois das palavras “que estão”. Ao ser esta carta lida a alguma das congregações reunidas para o culto, o espaço em branco foi preenchido oralmente, em cada caso de maneira adequada ao local onde a carta era lida. Depois de ser lida em Éfeso, a carta começou sua jornada circular, chegando em seguida a Laodicéia. Aqui, antes de ser enviada à próxima igreja, em Colossos (Cl 4.16?), foi feita uma cópia, propiciando aos membros da igreja laodicense, bem como aos irmãos e irmãs do outro lado do rio (em Hierápolis), de lê-la uma vez após outra e de recordar a beleza de seu conteúdo inspirado. Esta cópia era fiel ao original escrito em todos os sentidos, mesmo a ponto de conservar o espaço em branco. Esta condição da carta está refletida nos manuscritos mais antigos em existência. Finalmente, tendo cada igreja feito sua cópia, o autógrafo, e tendo completado seu circuito pelas diversas congregações para as quais fora originalmente destinada, ela voltou a Éfeso para repousar nos arquivos daquela igreja. Todavia, em atendimento às prévias instruções de Paulo, as palavras “em Éfeso” são agora inseridas, visto que agora os crentes de todos os lugares poderiam entender que a designação de lugar tinha referência à grande Éfeso, ou seja, àprópria Efeso e adjacências. Não sabemos exatamente qual foi a extensão desse percurso. Entretanto, embora descansasse nos arquivos de Éfeso, a carta não ficou improdutiva. Deste grande centro, cópias eram expedidas à medida que se fazia necessário. Essas cópias continham a frase “em Éfeso”, exatamente como refletida em quase todos 05 manuscritos posteriores. Repito: Tudo isso não passa de uma das tantas possibilidades. O que realmente aconteceu poderia ter sido algo inteiramente diferente. Não obstante, sobre a possibilidade sugerida não cai o peso das três objeções mencionadas anteriormente, onde se acha exposta a teoria dos espaços em branco, os quais foram preenchidos imediatamente, completando assim uma série. Nem tampouco acumula desonra sobre o nome de Marcião. Quanto a isso, não o fez Tertuliano de maneira assombrosa e completa (Against Marcion 1.1)?
Avaliação: é obvio que nem todas as razões apresentadas em favor da teoria da carta-circular são válidas. O item (4) é particularmente fraco, e tem sido abandonado por muitos dos partidários do conceito encíclico. É duvidoso, contudo, que a refutação do item (3) seja inteiramente satisfatória. A falta, ou, melhor, a pouca consideração para com os toques de caráter regional e de expressões pessoais, bem como a questão da sublimidade e amplitude do tema (a igreja universal) pareceriam harmonizar-se melhor com a teoria encíclica do que com a de caráter meramente local. Há, além disso, um outro fator que pareceria prestar ainda maior apoio ao ponto de vista da carta-circular. Teria sido quase impossível a Paulo dirigir uma carta aos crentes de Éfeso sem incluir também aquelas igrejas adjacentes. Éfeso era o coração e centro da comunidade cristã, como é muito claro de Atos 19.10, do que implica que, quando Paulo trabalhava nesta cidade, as pessoas dos arredores afluíam para ouvi-lo. Como resultado, “todos os que viviam na Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus quanto gregos”. No livro do Apocalipse, também a primeira do grupo de sete cartas está endereçada à igreja em Éfeso (Ap 2.1-7). Conseqüentemente, favoreço a teoria da alínea c. No entanto, com base em ambos os pontos de vista (c ou d), podem-se conservar as palavras “em Éfeso”, sem riscos, em nossa tradução de Efésios 1.1.
Ora, desenvolvendo a teoria sobre a carta-circular, há um ponto de vista popular (proposto por Beza e endossado pelo arcebispo Ussher), ou seja, que originalmente foi deixado espaço em branco depois das palavras “que estão”, e que a Tíquico ou a algum outro solicitou-se que fizesse várias cópias, uma para esta igreja outra para aquela, etc., a fim de que em cada caso particular fosse preenchido o espaço em branco, escrevendo nele o nome da igreja para qual se destinava a cópia. Além disso, de acordo com essa teoria, no decorrer do tempo prevaleceu a frase “em Éfeso”, porquanto a igreja nessa cidade veio a ser a mais importante.
Esta teoria dá lugar a possíveis objeções; por exemplo: primeiro, porventura não estamos atribuindo a Efésios um método para distribuição de cartas “com mais sabor de formas modernas que antigas” (Abbott)? Em segundo lugar, como explicaremos o fato de que em método totalmente diferente de circulação postal está obviamente indicado em Colossenses 4.16? Em terceiro lugar, se tal série de nomes colocados nos espaços em branco é o que realmente acontece, como é que não existe nenhum exemplar das cópias em que 1.1 tenham outro nome que seja senão Éfeso?
Temos que admitir que de fato não sabemos como, quando e por que ocorre a mudança, desde a omissão de “em Éfeso” à sua inserção (ou vice-versa). Lenski, partindo da idéia de que as palavras “em Éfeso” estavam no texto desde o início, conjetura que Marcião teria, em seus dias, alterado o texto. Entretanto, esta não é a única e nem talvez a maneira mais benévola de solucionar o problema. Outra sugestão -novamente uma mera possibilidade\ - seria que em plena harmonia com os desejos expressos do apóstolo e com inteira sinceridade para com todos os interessados, o que aconteceu foi o seguinte:
Vamos admitir que na carta original, o próprio autógrafo, foi deixado um espaço em branco depois das palavras “que estão”. Ao ser esta carta lida a alguma das congregações reunidas para o culto, o espaço em branco foi preenchido oralmente, em cada caso de maneira adequada ao local onde a carta era lida. Depois de ser lida em Éfeso, a carta começou sua jornada circular, chegando em seguida a Laodicéia. Aqui, antes de ser enviada à próxima igreja, em Colossos (Cl 4.16?), foi feita uma cópia, propiciando aos membros da igreja laodicense, bem como aos irmãos e irmãs do outro lado do rio (em Hierápolis), de lê-la uma vez após outra e de recordar a beleza de seu conteúdo inspirado. Esta cópia era fiel ao original escrito em todos os sentidos, mesmo a ponto de conservar o espaço em branco. Esta condição da carta está refletida nos manuscritos mais antigos em existência. Finalmente, tendo cada igreja feito sua cópia, o autógrafo, e tendo completado seu circuito pelas diversas congregações para as quais fora originalmente destinada, ela voltou a Éfeso para repousar nos arquivos daquela igreja. Todavia, em atendimento às prévias instruções de Paulo, as palavras “em Éfeso” são agora inseridas, visto que agora os crentes de todos os lugares poderiam entender que a designação de lugar tinha referência à grande Éfeso, ou seja, àprópria Efeso e adjacências. Não sabemos exatamente qual foi a extensão desse percurso. Entretanto, embora descansasse nos arquivos de Éfeso, a carta não ficou improdutiva. Deste grande centro, cópias eram expedidas à medida que se fazia necessário. Essas cópias continham a frase “em Éfeso”, exatamente como refletida em quase todos 05 manuscritos posteriores. Repito: Tudo isso não passa de uma das tantas possibilidades. O que realmente aconteceu poderia ter sido algo inteiramente diferente. Não obstante, sobre a possibilidade sugerida não cai o peso das três objeções mencionadas anteriormente, onde se acha exposta a teoria dos espaços em branco, os quais foram preenchidos imediatamente, completando assim uma série. Nem tampouco acumula desonra sobre o nome de Marcião. Quanto a isso, não o fez Tertuliano de maneira assombrosa e completa (Against Marcion 1.1)?
3. ConclusãoO destino da carta era “Éfeso”, no sentido já explicado: as igrejas de Éfeso e adjacências. Lugar e tempo em que foi escrita: Roma, nos meados do período 61-63 d.C. Ver C.N.T. sobre Colossenses e File-mom, Introdução, Seção V: sobre Filipenses, Introdução, Seção V.
B. Propósito
1. Paulo escreveu essa carta com o fim de expressar aos destinatários sua íntima satisfação por sua fé, que estava centrada em Cristo, e por seu amor para com todos os santos (1.15). A partida de Tíquico e Onésimo para Colossos ( 6.21,22; cf. Cl 4.7-9) propiciou ao apóstolo enviar suas calorosas saudações, entre outras coisas, aos crentes residentes em Éfeso, cidade pela qual os emissários deviam passar. A mesma mensagem devia ser comunicada às igrejas adjacentes.
2. Outro propósito estreitamente relacionado foi o de descrever a gloriosa graça redentora de Deus para com a igreja, derramada sobre ela a fim de que pudessem ser uma bênção para o mundo, e pudesse permanecer unida contra todas as forças do mal, e assim glorificar seu Redentor.
Todos os pensamentos que Paulo desenvolve a respeito dos aspectos distintos desta gloriosa igreja são levados às ultimas conseqüên-cias. Dessa forma, ele deixa bem claro que nem boas obras, nem mesmo a fé, senão unicamente o gracioso plano de Deus, “em Cristo”, desde toda a eternidade, ou seja, Cristo mesmo, é o verdadeiro fundamento da igreja (1.3ss). Cristo controla nada menos que o universo inteiro no interesse da igreja (1.20-22). Tanto judeus quanto gentios estão incluídos no propósito da redenção (2.14-18), em conexão com a qual todas as coisas são postas sob o governo de Cristo, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra (1.10). O processo salvífico não pára quando os homens “se convertem”. Ao contrário, o alvo dos crentes é alcançar “a medida da estatura da plenitude de Cristo” (4.13). E, para alcançar esse alvo, todos devem manifestar sua unidade em Cristo, e devem crescer em todas as coisas, nele (4.1 -16). Paulo ora para que os crentes possam ser capazes de conhecer o amor de Cristo, o qual excede a todo conhecimento, para que possam ficar cheios de toda a plenitude de Deus (3.19). A sabedoria de Deus, em toda sua infinita variedade, deve ser conhecida não só pelo mundo, mas também pelos principados e pelas autoridades nos lugares celestiais (3.10). Todo membro da família de Deus tem o dever de manifestar sua renovação (5.226.9). A igreja, em sua luta contra o mal, atuando como um só corpo, deve fazer uso eficaz de toda a panóplia provida por Deus (6.1 lss).
Não é de todo impossível que a exuberante doxologia de Paulo, no início dessa carta, tenha tido sua origem, em parte, no fato de ter ele visto, nos corações e vidas de seus destinatários, segundo lhe fora informado, um parcial, porém significativo, grau de progresso na realização do plano de Deus por sua igreja. Esta, porém, não foi a única razão de sua alegria e louvor. Ver sobre 1.3.
3. E possível que, ao escrever essa carta, o apóstolo também intentasse estabelecer um contraste entre o império romano, do qual era prisioneiro, e a igreja. Por meio de outra carta, escrita durante essa mesma prisão, entendemos que essa possibilidade não deve ser inteiramente descartada (Fp 3.20). Se é assim, então o esplendor de Roma bem que poderia ter-lhe sugerido a glória da igreja. O severo ditador romano que governava sobre um vasto, porém limitado domínio, pressupõe o gracioso Senhor da igreja, soberano sobre tudo. Sua consolidação política pela força física pressupõe a unidade orgânica da igreja no vínculo da paz. Seu poder militar pressupõe a armadura espiritual da igreja; e seu fundamento temporal sujeito a “mudanças e quedas” pressupõe o eterno fundamento da igreja e sua duração infindável.
Todos os pensamentos que Paulo desenvolve a respeito dos aspectos distintos desta gloriosa igreja são levados às ultimas conseqüên-cias. Dessa forma, ele deixa bem claro que nem boas obras, nem mesmo a fé, senão unicamente o gracioso plano de Deus, “em Cristo”, desde toda a eternidade, ou seja, Cristo mesmo, é o verdadeiro fundamento da igreja (1.3ss). Cristo controla nada menos que o universo inteiro no interesse da igreja (1.20-22). Tanto judeus quanto gentios estão incluídos no propósito da redenção (2.14-18), em conexão com a qual todas as coisas são postas sob o governo de Cristo, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra (1.10). O processo salvífico não pára quando os homens “se convertem”. Ao contrário, o alvo dos crentes é alcançar “a medida da estatura da plenitude de Cristo” (4.13). E, para alcançar esse alvo, todos devem manifestar sua unidade em Cristo, e devem crescer em todas as coisas, nele (4.1 -16). Paulo ora para que os crentes possam ser capazes de conhecer o amor de Cristo, o qual excede a todo conhecimento, para que possam ficar cheios de toda a plenitude de Deus (3.19). A sabedoria de Deus, em toda sua infinita variedade, deve ser conhecida não só pelo mundo, mas também pelos principados e pelas autoridades nos lugares celestiais (3.10). Todo membro da família de Deus tem o dever de manifestar sua renovação (5.226.9). A igreja, em sua luta contra o mal, atuando como um só corpo, deve fazer uso eficaz de toda a panóplia provida por Deus (6.1 lss).
Não é de todo impossível que a exuberante doxologia de Paulo, no início dessa carta, tenha tido sua origem, em parte, no fato de ter ele visto, nos corações e vidas de seus destinatários, segundo lhe fora informado, um parcial, porém significativo, grau de progresso na realização do plano de Deus por sua igreja. Esta, porém, não foi a única razão de sua alegria e louvor. Ver sobre 1.3.
3. E possível que, ao escrever essa carta, o apóstolo também intentasse estabelecer um contraste entre o império romano, do qual era prisioneiro, e a igreja. Por meio de outra carta, escrita durante essa mesma prisão, entendemos que essa possibilidade não deve ser inteiramente descartada (Fp 3.20). Se é assim, então o esplendor de Roma bem que poderia ter-lhe sugerido a glória da igreja. O severo ditador romano que governava sobre um vasto, porém limitado domínio, pressupõe o gracioso Senhor da igreja, soberano sobre tudo. Sua consolidação política pela força física pressupõe a unidade orgânica da igreja no vínculo da paz. Seu poder militar pressupõe a armadura espiritual da igreja; e seu fundamento temporal sujeito a “mudanças e quedas” pressupõe o eterno fundamento da igreja e sua duração infindável.
V Tema e Esboço
Se é verdade que em Colossenses a preocupação de Paulo é “Cristo, o Preeminente, o único e Todo-suficiente Salvador”, então em Efésios ele discute seu corolário, ou seja, “A Unidade de Todos os Crentes em Cristo”. Podemos substituir “Todos os Crentes” por “A Igreja Gloriosa”. As idéias de “unidade” e “em Cristo” podem ter seu lugar adequado no Esboço. O estudo cuidadoso de Efésios tem conduzido um número sempre crescente de exegetas a concluir que o conceito igreja recebe nestas epístolas tal ênfase, que todo seu conteúdo pode ser agrupado em tomo dele sem sobrepor nossas próprias opiniões subjetivas sobre o pensamento do apóstolo.10
O termo igreja, como usado aqui, indica o corpo (Ef 1.22,23; 4.4,16; 5.23,30), o edifício (2.19-22) e a esposa (5.25-27,32) de Cristo; atota-lidade daqueles, sejam judeus ou gentios, que foram salvos por meio do sangue de Cristo. E através dele têm seu acesso ao Pai em um Espírito (2.13,18).
Como sucede em Romanos e Colossenses, também aqui em Efésios há uma divisão bem delineada entre Exposição e Exortação. Entre verdade declarada e verdade aplicada; os capítulos 1-3 pertencem à primeira parte; os capítulos 4-6, à segunda. O estilo, especialmente o da primeira divisão, é, não obstante, tão sublime que Culto expressa o conteúdo mais precisamente que Exposição. A alma do apóstolo transborda de humilde gratidão a Deus, o Autor da Igreja gloriosa. Ele derrama seu coração em sincero, espontâneo e profúso louvor. Para Paulo, doutrina significa doxologial
E uma questão não só da mente, mas também do coração e da experiência cristã sob a direção da inspiração.
Depois da saudação inicial de abertura (1.1,2), o corpo da carta começou, no original, com a palavra Eulogêtós (bendito!). O apóstolo eulogizes (rende o mais elevado louvor) a Deus por suas maravilhosas bênçãos à igreja. Como auxílio à memória, pode-se formar um acróstico das primeiras seis letras desta palavra inicial, lidas verticalmente.
Breve Sumário de Efésios Tema:
O termo igreja, como usado aqui, indica o corpo (Ef 1.22,23; 4.4,16; 5.23,30), o edifício (2.19-22) e a esposa (5.25-27,32) de Cristo; atota-lidade daqueles, sejam judeus ou gentios, que foram salvos por meio do sangue de Cristo. E através dele têm seu acesso ao Pai em um Espírito (2.13,18).
Como sucede em Romanos e Colossenses, também aqui em Efésios há uma divisão bem delineada entre Exposição e Exortação. Entre verdade declarada e verdade aplicada; os capítulos 1-3 pertencem à primeira parte; os capítulos 4-6, à segunda. O estilo, especialmente o da primeira divisão, é, não obstante, tão sublime que Culto expressa o conteúdo mais precisamente que Exposição. A alma do apóstolo transborda de humilde gratidão a Deus, o Autor da Igreja gloriosa. Ele derrama seu coração em sincero, espontâneo e profúso louvor. Para Paulo, doutrina significa doxologial
E uma questão não só da mente, mas também do coração e da experiência cristã sob a direção da inspiração.
Depois da saudação inicial de abertura (1.1,2), o corpo da carta começou, no original, com a palavra Eulogêtós (bendito!). O apóstolo eulogizes (rende o mais elevado louvor) a Deus por suas maravilhosas bênçãos à igreja. Como auxílio à memória, pode-se formar um acróstico das primeiras seis letras desta palavra inicial, lidas verticalmente.
Breve Sumário de Efésios Tema:
A Igreja gloriosa
I. Adoração por seu
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4.1
I. Adoração por seu
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4.1
Eterno Fundamento “em Cristo”
Após a saudação (vs. 1,2), a doxologia começa assim: “Bendito (seja) o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda bênção nos lugares celestiais em Cristo, assim como nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” (1.3,4).
Universal Propósito (abrangendo tanto judeus quanto gentios)
“Porque por meio dele temos nosso acesso ao Pai em um Espírito” (2.18).
Luminosa Finalidade
“A fim de que agora aos principados e às autoridades, nos lugares celestiais, seja dado a conhecer, através da igreja, a magnificente sabedoria de Deus ... (e) conhecer o amor de Cristo que excede a todo conhecimento; a fim de que vocês possam transbordar de toda a plenitude de Deus” (3.10,19).
Após a saudação (vs. 1,2), a doxologia começa assim: “Bendito (seja) o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda bênção nos lugares celestiais em Cristo, assim como nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” (1.3,4).
Universal Propósito (abrangendo tanto judeus quanto gentios)
“Porque por meio dele temos nosso acesso ao Pai em um Espírito” (2.18).
Luminosa Finalidade
“A fim de que agora aos principados e às autoridades, nos lugares celestiais, seja dado a conhecer, através da igreja, a magnificente sabedoria de Deus ... (e) conhecer o amor de Cristo que excede a todo conhecimento; a fim de que vocês possam transbordar de toda a plenitude de Deus” (3.10,19).
II. Exortação descrevendo e instando
16 Orgânica Unidade (em meio à adversidade) e Crescimento em Cristo:
“Eu, portanto, o prisioneiro no Senhor, solicito-lhes a ... fazerem todo esforço para preservar a unidade comunicada pelo Espírito por meio do vínculo (que consiste na) paz... para que nós... aderindo à verdade em amor, cresçamos em todas as coisas, nele que é a cabeça, Cristo” (4.1,3,14,15).
Capítulo 4.17-6.9
16 Orgânica Unidade (em meio à adversidade) e Crescimento em Cristo:
“Eu, portanto, o prisioneiro no Senhor, solicito-lhes a ... fazerem todo esforço para preservar a unidade comunicada pelo Espírito por meio do vínculo (que consiste na) paz... para que nós... aderindo à verdade em amor, cresçamos em todas as coisas, nele que é a cabeça, Cristo” (4.1,3,14,15).
Capítulo 4.17-6.9
Gloriosa Renovação
“ ... com respeito à sua maneira anterior de vida, vocês devem despojar-se do velho homem ... e devem ser renovados no espírito de suas mentes, e se revistam do novo homem” (4.22-24).
Capítulo 6.10-24
“ ... com respeito à sua maneira anterior de vida, vocês devem despojar-se do velho homem ... e devem ser renovados no espírito de suas mentes, e se revistam do novo homem” (4.22-24).
Capítulo 6.10-24
Eficaz Armadura
“Vistam-se de toda a armadura de Deus a fim de que possam estar aptos a permanecerem firmes contra os métodos astutos do diabo” (6.11). Conclusão (vs. 21-
24).
Em seguida, um mais completo
Esboço de Efésios
Capítulo 1
“Vistam-se de toda a armadura de Deus a fim de que possam estar aptos a permanecerem firmes contra os métodos astutos do diabo” (6.11). Conclusão (vs. 21-
24).
Em seguida, um mais completo
Esboço de Efésios
Capítulo 1
Tema: A Igreja gloriosa
I. Adoração por seu
Eterno Fundamento “em Cristo”
Após a saudação inicial (vs. 1,2), Paulo “bendiz” a Deus pelo fato de este ser um fundamento:
1. resultando em “toda Bênção espiritual” para os crentes, no louvor da glória de Deus o Pai e o Filho e o Espírito Santo (1.3-14); e
2. conduzindo às ações de graça e à oração, a fim de que os olhos dos leitores possam ser iluminados, para que vejam o poder salvífico de Deus, demonstrado na ressurreição e na coroação de Cristo (1.1523).
I. Adoração por seu
Eterno Fundamento “em Cristo”
Após a saudação inicial (vs. 1,2), Paulo “bendiz” a Deus pelo fato de este ser um fundamento:
1. resultando em “toda Bênção espiritual” para os crentes, no louvor da glória de Deus o Pai e o Filho e o Espírito Santo (1.3-14); e
2. conduzindo às ações de graça e à oração, a fim de que os olhos dos leitores possam ser iluminados, para que vejam o poder salvífico de Deus, demonstrado na ressurreição e na coroação de Cristo (1.1523).
Capítulo 2
Universal Propósito (abrangendo judeus e gentios)
1. Assegurado pelas grandes bênçãos redentoras, para ambos, cujo centro está “em Cristo”, e cuja analogia é sua ressurreição e sua vida triunfante (2.1-10)
2. evidenciado pela reconciliação de judeus e gentios, por meio da cruz (2.11-18);
3. e porque a igreja de judeus e gentios está crescendo para ser um edifício, um santuário santo no Senhor. Do qual Cristo mesmo é a principal pedra de esquina (2.19-22).
Universal Propósito (abrangendo judeus e gentios)
1. Assegurado pelas grandes bênçãos redentoras, para ambos, cujo centro está “em Cristo”, e cuja analogia é sua ressurreição e sua vida triunfante (2.1-10)
2. evidenciado pela reconciliação de judeus e gentios, por meio da cruz (2.11-18);
3. e porque a igreja de judeus e gentios está crescendo para ser um edifício, um santuário santo no Senhor. Do qual Cristo mesmo é a principal pedra de esquina (2.19-22).
Capítulo 3
Luminosa Finalidade
1. Para dara conhecer aos principados e aos poderes
nos lugares celestiais a magnificente sabedoria de Deus, refletida no mistério revelado especialmente (ainda que não exclusivamente) a Paulo, ou seja, que os gentios são ... membros do corpo de Cristo (3.1-13); e
2. Conhecer o amor de Cristo que excede o conhecimento, a fim de transbordar em toda a plenitude de Deus (3.14-19). Doxologia (3.20,21).
II. Exortação descrevendo e instando com todos
Capítulo 4.1-16 Capítulo 4.17-6.9
Capítulo 6.10-24
Orgânica Unidade (em meio à diversidade) e Crescimento em Cristo
instando
1. Para dara conhecer aos principados e aos poderes
nos lugares celestiais a magnificente sabedoria de Deus, refletida no mistério revelado especialmente (ainda que não exclusivamente) a Paulo, ou seja, que os gentios são ... membros do corpo de Cristo (3.1-13); e
2. Conhecer o amor de Cristo que excede o conhecimento, a fim de transbordar em toda a plenitude de Deus (3.14-19). Doxologia (3.20,21).
II. Exortação descrevendo e instando com todos
Capítulo 4.1-16 Capítulo 4.17-6.9
Capítulo 6.10-24
Orgânica Unidade (em meio à diversidade) e Crescimento em Cristo
instando
Gloriosa Renovação
1. A todos (4.17-5.21)
a. “Despojem-se do velho homem. Renovem-se.
Revistam-se do novo homem.”
b. “Não dêem ao diabo um ponto de apoio. Sejam imitadores de Deus.”
c. “Vocês, anteriormente, eram trevas, mas agora sãov uz no Senhor, andem sempre como filhos da luz.”
d. “Não se embriaguem com vinho, mas transbordem-se do Espírito.”
2. A grupos particulares (5.22-6.9)
a. “Esposas, sejam submissas a seus próprios esposos. Esposos, amem suas esposas.”
b. “Filhos, obedeçam a seus pais. Pais, eduquem-nos com ternura.”
c. “Servos, obedeçam a seus senhores. Senhores, parem com as ameaças.”
Instando com todos a vestir-se com o que Deus deu à igreja, ou seja, a Eficaz Armadura.
1. A todos (4.17-5.21)
a. “Despojem-se do velho homem. Renovem-se.
Revistam-se do novo homem.”
b. “Não dêem ao diabo um ponto de apoio. Sejam imitadores de Deus.”
c. “Vocês, anteriormente, eram trevas, mas agora sãov uz no Senhor, andem sempre como filhos da luz.”
d. “Não se embriaguem com vinho, mas transbordem-se do Espírito.”
2. A grupos particulares (5.22-6.9)
a. “Esposas, sejam submissas a seus próprios esposos. Esposos, amem suas esposas.”
b. “Filhos, obedeçam a seus pais. Pais, eduquem-nos com ternura.”
c. “Servos, obedeçam a seus senhores. Senhores, parem com as ameaças.”
Instando com todos a vestir-se com o que Deus deu à igreja, ou seja, a Eficaz Armadura.
Conclusão
1. “Vistam-se de toda a armadura de Deus” (6.10-20);
2. Conclusão (6.21-24).
1. “Vistam-se de toda a armadura de Deus” (6.10-20);
2. Conclusão (6.21-24).
Fonte : apazdosenhor.org

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