O apóstolo Paulo usa linguagem
metafórica quando orienta a Igreja na defesa da fé cristã. Antes, ele revela a
existência de um poder do mal que se opõe a Deus e ao seu povo, ao qual os
crentes em Jesus combatem continuamente, e isso já foi visto e estudado no
capítulo 2 deste livro. Os escritores bíblicos, profetas e apóstolos empregam
as experiências diárias do povo nos seus discursos e ensinos como ilustrações.
Visto que a economia nos tempos bíblicos se baseava principalmente na
agricultura, na pecuária e na pescaria, eram essas atividades os recursos
empregados no texto bíblico, que tornam o ensino e as pregações pitorescos e
facilitam a compreensão da mensagem.
É usando o
contexto militar romano que o apóstolo Paulo fala sobre o combate espiritual e
por isso está presente a figura do exército, da guerra e da armadura, em uma
linguagem metafórica para que os crentes compreendessem com clareza a realidade
da peleja.
ELEMENTOS USADOS NAS
ILUSTRAÇÕES
O profeta
Jeremias emprega fatos da sua vida pessoal para ilustrar a então situação de
Judá, como o relato do cinto de linho, a visita à casa do oleiro e a canga de
madeira sobre o pescoço. Há também ilustrações que não parecem tão claras para
o nosso tempo, mas faziam sentido para os primeiros leitores, como veremos mais
adiante.
Na ilustração do cinto narrada em Jeremias
13.1 -11, Deus ordenou que o profeta Jeremias comprasse um cinto e colocasse na
cintura, sem que o objeto encostasse na água. O cinto é uma peça de roupa
íntima, e isso mostra os bons tempos em que os filhos de Israel viviam na
presença de Deus. Jeremias obedeceu à ordem divina, mas depois lhe veio uma
palavra de Deus mandando-o esconder o cinto numa fenda da rocha na região do
rio Eufrates, na Mesopotâmia, por tempo suficiente até o cinto apodrecer. Como
o cinto apodrecido para nada presta, assim a orgulhosa Judá, que resistia à
palavra de Deus, deveria experimentar a humilhação e a ruína, recebendo o justo
castigo por sua idolatria. A vontade divina era que o seu povo estivesse ligado
a ele assim como o cinto está ligado ao ser humano: "Porque, como o cinto
está ligado aos lombos do homem, assim eu liguei a mim toda a casa de Israel e
toda a casa de Judá, diz o SENHOR, para me serem por povo, e por nome, e por
louvor, e por glória; mas não deram ouvidos" (Jr I3.l l). Esse discurso
emprega elementos de conhecimento geral de toda a população e uma linguagem que
todos podiam compreender.
A visita à casa do oleiro (Jr 18.1-6) é uma
passagem literal, e não meramente uma parábola, mas nada impede de
identificarmos a presente seção como tal, pois a parábola pode ser uma
ilustração real ou imaginária. O ofício do oleiro era muito comum no Antigo
Oriente Médio, de modo que a lição transmitida nessa ilustração estava ao
alcance de todos. Jeremias, como qualquer pessoa de sua geração, conhecia essa
ocupação; assim não havia novidade alguma na produção dessa cerâmica. Ele devia
ter visto o oleiro trabalhando diversas vezes, mas Deus o enviou à sua casa, pois
Jeremias precisava estar no lugar certo para receber a mensagem divina.
A ilustração da canga de madeira está
registrada em Jeremias 27.2-5: "Assim me disse o SENHOR: Faze umas prisões
e jugos e pô-los-ás sobre o teu pescoço" (v. 2). Eram duas peças de
madeira presas com pedaços de couro, conhecidas como canzis ou cangas, usadas
para os bois puxarem carros. O profeta deveria usá-las como ato simbólico para
ilustrar o jugo da Babilônia sobre as nações. Assim como o boi é dominado pelo
jugo, as nações deviam sujeitar-se ao domínio dos caldeus. Seria inútil tentar
livrar-se do tacão de Nabucodonosor. O emprego de figuras e símbolos é
importante porque chama a atenção, e as pessoas dificilmente se esquecem deles.
O profeta Oseias
em seu discurso profético apresenta inúmeras ilustrações e faz uso de linguagem
metafórica de fácil compreensão na cultura daquela geração, mas que não são
claras para o leitor da atualidade. Veja o seguinte exemplo: "Todos eles
são adúlteros: semelhantes são ao forno aceso pelo padeiro, que cessa de atear
o fogo, desde que amassou a massa até que seja levedada" (Os 7.4). O que
isso quer dizer?
O profeta mostra
o retrato da lascívia e da sensualidade do povo e das autoridades civis e
religiosas. O adultério aqui não é apenas físico, mas diz também respeito à
infidelidade a Javé, à apostasia religiosa generalizada. O rei Jeroboão I,
filho de Nebate, introduziu o fermento, o culto do bezerro (1 Rs 12.28- 31),
para levedar a massa, e esperou o fogo aquecer até toda a massa ficar levedada.
O fogo se espalhou rapidamente de modo que todo o Israel estava contaminado
pela prostituição física e espiritual, pela sensualidade e lascívia, pela
idolatria e apostasia. A comparação do forno mostra que ardia neles o desejo
intenso de praticar coisas pecaminosas, o culto idolátrico. Depois dessas
orgias, da cobiça e da multidão dos pecados, vem a ressaca. Logo que o povo se
recupera dela, torna a praticar as mesmas coisas. O profeta afirma que, como o
padeiro que cessa de atear fogo até que a massa fique levedada, da mesma forma
o povo descansa temporariamente até de novo ser vencido pelo poder do mal, até
chegar à levedura.
Segue mais um
exemplo de Oseias: "Dores de mulher de parto lhe virão; ele é um filho
insensato, porque é tempo, e não está no lugar em que deve vir à luz" (Os
13.13). Em muitos lugares na Bíblia, a figura da mulher representa Israel e
também a igreja. A expressão dores de mulher de parto sempre é usada com
frequência na Bíblia para indicar sofrimento decorrente do juízo divino (Is
13.8; 21.3; Jr 4.31; 13.21; 49.24; Mq 4.9). O profeta está ilustrando o
sofrimento de Israel com o castigo divino com o sofrimento da mulher no parto.
Essa parte do versículo é compreensível hoje.
Mas a segunda parte diz: "ele é um filho
insensato, porque é tempo, e não está no lugar em que deve vir à luz". O
que isso quer dizer? Que Israel é como um bebê que na agonia do parto não se
esforça para nascer. Oseias apresenta Israel como esposa infiel e também como
filho. Esse filho aqui é insensato porque não se esforça para nascer no ponto
crítico em que a mulher deve dar à luz. Não nascendo, morre a mãe e morre
também o filho. A mulher não pode dar à luz nem o filho faz a sua parte. Ambos
morrem. Isso significa que, para Israel viver, necessita de novo nascimento,
mas Efraim, nome alternativo de Israel usado com frequência em Oseias,
recusou-se a fazê-lo.
PARTINDO DO GENÉRICO
PARA 0 ESPECÍFICO
Antes de falar
sobre a armadura de Deus, é importante analisar a guerra nos tempos bíblicos.
Não há necessidade de explicar aqui os horrores indescritíveis da guerra;
trata-se de um dos maiores desastres humanitários. Mas ela existe desde a
antiguidade e ainda aflige grande parcela da humanidade. Ela aparece nas
páginas do Antigo Testamento, mas sua legitimidade depende de sua motivação. A
lei prescreve normas para a guerra no capítulo 20 de Deuteronômio. O Novo
Testamento não trata do assunto, pois parece manter certo distanciamento em
relação ao Estado e suas instituições. O Senhor Jesus faz menção da guerra na
parábola sobre o planejamento, quando cita o rei que guerreou com outra nação
(Lc 14.31,32).
Havia na guerra entre os antigos hebreus um
caráter religioso. "Preparem as nações para lutarem contra ela" (Jr
51.27, NAA); "Preparem as nações para o combate contra ela" (NVI). O
verbo hebraico usado para "preparar" é qadash,
"santificar", que transmite a ideia básica de "separar, retirar
do uso comum" (Lv 10.10). A ARC emprega "santificai as nações" e
a ARA, "consagrai as nações". Preparar para a guerra era o mesmo que
santificar (Sf l .7). Era usual oferecer sacrifício antes da partida do
exército para a batalha a fim de invocar proteção e vitória (l Sm 13.8-12; Is
13.3; Sf l .7), pois os antigos encaravam a guerra como algo sagrado.
Havia regra de
pureza, consulta do oráculo divino, presença simbólica de Deus, intervenção
divina no combate, terror divino para assombrar o inimigo e oferta dos despojos
depois da vitória. Os israelitas buscavam a sanção divina antes de iniciar uma
batalha (Jz l. I; l Sm 23.2) e a ajuda de Deus com a sua presença mediante a
arca da aliança (l Sm 4.4; 14.18). Havia em Israel o serviço de inteligência,
pois antes de invadir o território inimigo eram enviados espias (Nm 13.2; Js
2.1; l Sm 26.4). A cavalaria era um elemento importante das antigas guerras do
Oriente Médio (Jr 46.9; Sl 20.7; Is 43.17).
A cavalaria
egípcia era famosa na antiguidade (Is 31.1-3). A descrição do aparato militar
dá a impressão de uma vitória certa, mas o profeta vê de antemão a derrota
deles.
A armadura romana
era sem igual no mundo antigo, e a geração do Novo Testamento estava bem
familiarizado com ela. O Novo Testamento mostra que os israelitas conviviam com
essa realidade. João Batista aconselhou alguns soldados (Lc 3.14); talvez estes
fossem de Herodes e não romanos, mas, de qualquer forma, eram militares e
portavam armas. O centurião de Cafarnaum se encontrou com o Senhor Jesus (Mt
8.5-13; Lc 7.1-10). O apóstolo Paulo viajou pelo vasto mundo romano e sempre se
envolveu com as autoridades romanas; Filipos, por exemplo, onde Paulo esteve
preso por ocasião de sua segunda viagem missionária, era uma colônia militar
romana e uma das principais cidades da Macedônia. Seus moradores se
consideravam romanos (At 16.12,21). O tribuno Cláudio Lisias determinou a
transferência do apóstolo Paulo de Jerusalém para Cesareia com uma escolta de
200 soldados, 70 de cavalaria e 200 lanceiros, para que levassem o apóstolo com
segurança para o governador Félix em Cesareia: "E, chamando dois
centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados,
e setenta de cavalo, e duzentos lanceiros para irem até Cesareia; e aparelhai
cavalgaduras, para que, pondo nelas a Paulo, o levem salvo ao governador
Félix" (At 23.23-24). E, em Roma, ele era vigiado 24 horas por dia em sua
prisão domiciliar (At 28.16).
O apóstolo Paulo emprega a figura da guerra,
pois fala de armadura de Deus e em seguida usa metaforicamente diversas armas
para ilustrar a proteção do cristão contra os ataques do Inimigo. Qualquer
pessoa do período bíblico, principalmente do Novo Testamento, conhecia a figura
do soldado, e dessa forma o sistema militar aparece com frequência de forma
metafórica. Essas figuras e ilustrações eram excelentes recursos didáticos que
aparecem na Bíblia para tornar claro e mais compreensíveis o discurso dos
profetas e os ensinos apostólicos.
Quando o apóstolo
Paulo fala sobre a armadura de Deus, panoplían ton theou, em grego, está se
referindo a uma armadura completa: "Revesti-vos de toda a armadura de
Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo"
(Ef 6.11). Panóplia é o nome que se dá à armadura completa do cavaleiro europeu
na Idade Média e também se refere hoje a coleções de armas exibidas para
decoração. Veja o capítulo 2 anteriormente, que trata desse assunto. A "armadura
de Deus" é uma metáfora que o apóstolo usa para ensinar uma verdade
espiritual utilizando uma linguagem militar, bem conhecida dos seus leitores
originais. As palavras "guerra, batalha, luta, combate, peleja"
aparecem na Bíblia de forma literal e metafórica. O que é uma metáfora? É uma
figura de linguagem que "consiste na transferência de um termo para uma
esfera de significação que não é a sua, em virtude de uma comparação
implícita" (Rocha Lima), ou seja, é o emprego de uma palavra em um sentido
diferente do próprio por analogia. Mas o uso metafórico dessas palavras não se
restringe à Bíblia; parte da nossa vida do dia a dia para indicarmos, muitas
vezes, um debate ou discussão e, também, para nos referirmos às dificuldades da
vida. Mas a metáfora aqui se aplica à defesa e ao combate espiritual, à
pregação e ao ensino da Palavra.
O apóstolo
Paulo não foi exaustivo ao elencar os instrumentos bélicos de sua geração. Ele
mostra que Deus proveu os recursos espirituais necessários para a nossa
proteção: "Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos
de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas
ciladas do diabo" (Ef 6.10,11). São armas espirituais à altura do inimigo
que temos de enfrentar. Depois de revelar as hostes infernais contra quem
devemos combater, o apóstolo descreve os elementos da armadura romana com sua
aplicação espiritual: "Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos
lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçados os pés na preparação
do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis
apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da
salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus" (Ef 6.14-17).
Essa vivida descrição do soldado romano equipado com sua armadura é uma
excelente ilustração do nosso combate contra o reino das trevas.
Capítulo 2
A Couraça e o Cetro da Retidão
Introdução
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus [Por que? Por esta razão] para que possais estar firmes...” (Ef 6:11).
Quando ora, você está entrando na arena da guerra espiritual e será atacado.
Portanto, você precisa da armadura de Deus para protegê-lo (a armadura de
defesa) e da espada do Espírito (a sua arma de ataque) para vencer a batalha.
(Você deve rever a Seção D9.3, Prepare-se Para Expulsar Demônios, para
instruções de como revestir-se da armadura.)
A. A COURAÇA DA RETIDÃO
A polícia, da maioria das nações, fornece coletes à prova de
balas aos seus policiais, a fim de protegê-los de ferimentos e para evitar que
sejam mortos no caso de serem atingidos.
Nos tempos passados, as ameaças eram com pedras, lanças e
espadas e a couraça era a proteção dos guerreiros.
A couraça da retidão faz hoje, por mim e por você,
exatamente a mesma coisa. Ela fornece proteção na guerra contra o pecado e
contra Satanás.
A “couraça da retidão” é uma parte importante da nossa
armadura espiritual. A couraça protege e cobre o nosso coração (nossas emoções
e afeições).
Há dois conceitos de retidão no Novo Testamento. Ambos
referem-se à nossa couraça.
1. A Posição Correta
e a Retidão Imputada
Um destes conceitos é a nossa “reta posição” diante de um
Deus santo. É a bondade do Seu caráter que se torna nossa, em Cristo Jesus, ao
crermos. É um dom da Sua graça, que é “imputada” (colocada a nosso crédito)
quando colocamos a nossa fé em Cristo como Senhor e Salvador. A Bíblia diz:
“Abraão creu em Deus, e foi-lhe isso imputado (considerado ou creditado a ele)
como justiça...” (Tg 2:23). É o que
recebemos quando colocamos todos os nossos pecados numa pilha e todas as nossas
boas obras numa outra pilha, fugimos de ambas em direção a Jesus. Quando
confiamos por completo e apenas na graça de Deus, não somente somos perdoados
dos nossos pecados, mas somos também revestidos da retidão de Cristo. Deus nos
vê em Seu Filho como pessoas imaculadas porque Jesus levou os nossos pecados e
nos deu a Sua retidão. Isto é “retidão imputada”.
2. O Comportamento
Correto e a Retidão Revelada
a. O que Deus Espera.
O Livro de Romanos descreve um segundo tipo de retidão nos capítulos 6, 7 e
8. Deus não somente “imputa” a Sua
justiça a nós mas, também, “transmite” (coloca) a Sua reta natureza dentro de
nós. Através do poder do Seu Santo Espírito, Deus quer que expressemos ou
vivamos uma vida justa e reta. Devemos:
1) ter motivações “corretas”,
2) pensar
pensamentos “corretos”,
3) falar palavras
“corretas” e
4) agir
“corretamente”.
b. Quando Outros
nos Observam. Este segundo tipo de retidão é a santidade no caráter e na
conduta. Significa permitirmos que Jesus viva a Sua vida através de nós.
É um tipo bem prático de retidão, que pode ser visto por
pessoas observadoras e também por Deus. Significa:
1) termos motivações puras,
2) termos atitudes
corretas,
3) sermos obedientes à autoridade,
4) falarmos a verdade em amor,
5) sermos honestos em tudo quanto fazemos,
6) trabalharmos em nossos empregos como se Jesus fosse o
nosso patrão,
7) servirmos aos
outros com alegria,
8) e muito mais...!
c. O Espírito Santo
é a Chave. Vemos em Romanos 8 que
a chave para vivermos uma vida justa e reta é o poder do Espírito Santo.
O padrão para uma
vida de retidão é a lei, mas ela não pode nos ajudar a vivê-la.
Somente o Espírito Santo pode fazer isto. Ele é, contudo, um
Espírito “Santo”.
1) Afligir o Espírito
Santo e Perder a Sua Proteção. Sempre que cedemos a desejos ou
motivações (nossa carne) que não sejam santos, Ele se entristece e o Seu poder
nesta área de nossa vida é “reprimido” ou enfraquecido (Ef 4:30, 1 Ts 5:19). E,
assim, perdemos a proteção de que necessitamos.
Na verdade, deixamos de lado a nossa “couraça da retidão”,
nos abrimos e nos expomos ao ataque do Diabo, o qual com toda a certeza,
responde!
2) Viva Corretamente e Desfrute da Proteção. Há uma proteção por detrás da couraça da
retidão (comportamentos ou ações corretas). Se fizermos o que é correto,
estaremos seguros. Se formos cuidadosos, dedicados e éticos em tudo quanto
fizermos, dissermos ou pensarmos, desfrutaremos de proteção e vitória.
Sejamos, portanto, puros, limpos e corretos diante do Senhor
e diante dos outros, em todas as nossas atitudes e ações.
As nossas motivações (os profundos propósitos do nosso
coração) devem existir sempre para glorificá-Lo e para fazer- mos a Sua
vontade.
Atente às palavras do Apóstolo João ao escrever para a
Igreja de Sardo: “Mas também tens em Sardo algumas pessoas que não contaminaram
seus vestidos, e Comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. O que
vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome
do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus
anjos. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas’’ (Ap 3:4-6).
3) Estamos em Guerra. Paulo termina suas instruções na
preparação para a batalha, com estas palavras: “Orando em todo o tempo com toda
a oração e súplica no Espírito... por
todos os Santos” (Ef 6:18).
O campo de batalha está repleto de mortos e feridos.
Milhares e milhares de líderes ao redor do mundo, que certa vez foram
poderosos e úteis na obra de Cristo, agora estão
desqualificados. POR QUÊ? Por causa da ausência da couraça da retidão.
Efésios 6 é a grande obra do Apóstolo Paulo, na GUERRA
ESPIRITUAL. Leia os seguintes versículos de Efésios 6:
Versículo 10: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no
Senhor e na força do Seu poder”.
Versículo 11: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus,
para que possais estar firmes contra as
astutas ciladas do Diabo”.
Versículo 13: “Portanto tomai toda a armadura de Deus, para
que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”.
Versículo 14: “Estai pois firmes, tendo cingido os vossos
lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça”.
Paulo estava escrevendo esta admoestação sobre vestirem a
couraça da justiça, à Igreja de Éfeso. Éfeso era uma cidade per- versa e
maligna. Estava, também, repleta de pecados sexuais, os quais faziam parte da
sua adoração a ídolos.
Era um lugar ímpio, imoral e impuro, com seus templos
religiosos repletos de prostitutas e de todas as formas de vícios morais.
Portanto, as tentações para os cristãos de Éfeso estavam em
toda parte. Para sobrevivermos em tais ambientes, devemos “ter cingidos os
vossos lombos com a verdade e vestida a couraça
da justiça” (Ef 6:14). Isto significa que devemos ter os nossos apetites
sexuais e emocionais sob firme controle.
a. Um Dom da Graça de
Deus.
A nossa “couraça da retidão” é um dom da graça de Deus. É
uma forma infalível de defesa.
Com esta proteção podemos marchar e invadir o território
inimigo, trazendo um testemunho brilhante para a glória de Deus.
Batalhas podem ser ganhas e cativos libertos. E foi
exatamente isto o que aconteceu em Éfeso!
Deus levantou um testemunho cristão naquela cidade
pervertida, o que provou o poder das palavras de Paulo. Uma forte igreja
desenvolveu-se em Éfeso. Algumas das maiores revelações de Paulo foram escritas
aos crentes de lá.
Aprenderam a ver-se como filhos e filhas reais da amada
família de Deus. Não somente haviam morrido com Cristo, mas haviam também sido
ressurretos com Ele ao Seu real trono no Céu. Experimentaram a graça de Deus,
prometida em 1 Samuel 2:8:
“Ele levanta o pobre do pó, e desde o esterco exalta o
necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar
o trono de glória...”
Esta promessa pode ser experimentada por nós, até mesmo em
ocasiões de fracasso e desânimo. O salmista Davi passou por isto em sua própria
experiência pessoal. Houve uma época em sua vida em que havia fracassado diante
de Deus e caído num grande pecado. Ele se arrependeu com profunda tristeza e
Deus, em Sua graça, o restaurou. “Tirou-me dum lago horrível, dum charco de
lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos” (Sl 40:2).
b. A Retidão é
Essencial. Como o inimigo entra na vida de um líder como Davi?
Esta é uma pergunta importante e merece uma resposta franca.
O inimigo entra sempre que desonramos as leis de Deus e nos contaminamos com o
pecado. Desta forma, esmorecemos nos padrões de retidão em alguma área de nossa
vida.
Quando oramos, a couraça de retidão é especialmente
decisiva. O Rei Davi disse: “Se eu atender à minha iniquidade no meu
coração, o Senhor não me ouvirá” (Sl 66:18). A ausência de iniquidade é
essencial para um ministério de oração frutífera. A iniquidade aturde os
ouvidos de Deus para as nossas orações, mas “...a oração
feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5:16).
É a falta de retidão na liderança que causa mais problemas
para os líderes, do que qualquer outra coisa.
B. O CETRO DA RETIDÃO
Vimos como é importante a couraça da retidão. Aprendemos que
a retidão é o santo caráter de Deus, na nossa vida diária. É a lei de Deus
expressa na vida do homem, através da graça do Espírito Santo (Rm 8:2).
A couraça da retidão é a nossa defesa contra motivações,
atitudes e ações incorretas. Se pusermos de lado esta parte da armadura,
seremos enganados e destruídos.
1. A Autoridade
Provém da Retidão
A retidão, contudo, tem um outro papel importante na vida do
guerreiro de oração. Davi falou as seguintes palavras proféticas sobre o Filho
de Deus: “O Teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; a justiça é o cetro do Teu
Reino” (Sl 45:6; Hb 1:8).
Adão havia recebido o “cetro” para governar na época da
Criação. Ele recebeu o domínio (o direito de governar) sobre toda a terra. Ele
havia sido criado à imagem de Deus – um quadro santo de retidão. Enquanto
estivesse crescendo na vida à imagem de Deus, ele teria autoridade para
governar sobre todas as coisas na terra.
2. O Pecado Acarreta
a Perda da Autoridade
Quando Adão desobedeceu a Deus, pecando voluntariamente, o
cetro de autoridade caiu de suas mãos. Ele caiu do seu lugar de domínio e
perdeu o seu direito de governar (Gn 3:24). Por quê? Porque o cetro do Reino de
Deus é um cetro de retidão.
O pecado estragou a sua imagem de retidão e, uma vez que a
autoridade provém da retidão, Adão perdeu o seu domínio. Salmos 45:7 vai além e
diz, com relação a Cristo: “Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; por isso
Deus (o Pai) Te ungiu acima de todos os outros”.
A Sua elevada “unção” e autoridade Lhes foram concedidas
porque Ele odiava o que era mau e errado, e amava o que era santo e correto.
Esta é a razão porque Ele retinha o cetro.
A autoridade provém da retidão (comportamento correto). Observamos esta verdade espiritual na vida de
Jesus. As pessoas ficavam maravilhadas e estupefatas pela autoridade de Suas
palavras e obras. Os demônios fugiam; os enfermos eram curados; os mortos eram
ressuscitados; os pães eram multiplicados; as tempestades eram acalmadas e
muitos outros sinais e maravilhas foram vistos e ouvidos. Se violarmos este
princípio de retidão limitaremos então a demonstração do poder e autoridade de
Deus através de nossa vida.
3. O Poder na Oração
Hebreus 5:7 nos diz: “...oferecendo, com grande clamor e
lágrimas, orações e súplicas... foi ouvido quanto ao que temia”. A
sua devoção fez com que as suas orações fossem ouvidas e
atendidas.
a. Viver
Honradamente. Se quisermos que as nossas orações sejam ouvidas e atendidas,
devemos viver uma vida de retidão,
do contrário o Senhor voltará a sua face contra nós.
Se o nosso relacionamento familiar não está sendo
satisfatório, isto pode impedir a eficácia das nossas orações. “Igualmente vós,
maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso
mais fraco; como sendo vós os seus co- herdeiros da graça da vida; para que não
sejam impedidas as vossas orações” (1 Pe
3:7).
Se quisermos ser eficazes na oração, devemos nos lembrar de
que “E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra’’ (Ap 5:10). A Bíblia diz,
“...justiça e juízo são a base do seu
trono” (Sl 97:2). “Eis aí está que reinará um rei com justiça...” (Is 32:1).
O trono de Deus e o cetro de autoridade estão com aqueles
que vivem uma vida de pureza e santidade perante Deus. “...puri- fiquemo-nos de
toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor
de Deus” (2 Co 7: l).
Cornélio era um homem virtuoso e, por isso, as suas orações
eram atendidas. “E havia em Cesaréia um
homem por nome Cornélio... Piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o
qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus.
“Este, quase à hora nona do dia, viu claramente numa visão
um anjo de Deus que se dirigia para ele
e dizia... As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de
Deus” (At 10:1-4).
Observe a relação entre as suas esmolas (caridade –
altruísmo) e suas orações.
As suas ações virtuosas faziam com que Deus ouvisse as suas
preces. “Porque os olhos do Senhor estão
sobre os justos, e os seus ouvidos atentos às suas orações; mas o rosto do
Senhor é contra os que fazem males” (1
Pe 3:12). Ações virtuosas não compram favores de Deus mas elas fazem com que
Deus fique atento, quando oramos.
b. Comprometidos com
a Retidão.
Não quero que você pense que eu esteja pregando uma
perfeição absoluta, ou seja, a condição de estarmos acima de todo e qual- quer
pecado, 1 João 1:8 nos diz o seguinte: “Se dissermos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”. Todos fracassamos de vez
em quando, porém o nosso comprometimento básico ou o desejo do nosso coração,
deveria ser para com a retidão.
Há uma grande diferença entre a prática voluntária de pecado
e os fracassos que podem acontecer em momentos de fraqueza. Se nos dedicamos a
ser retos, tais fracassos nos levam rapidamente a um arrependimento e a uma
tristeza pelos nossos pecados. Queremos “endireitar as coisas” com o nosso Pai
Celestial tão logo quanto possível.
Certa vez, enquanto estava numa fazenda onde se cria
ovelhas, eu estava falando sobre a diferença entre um porco e uma ovelha.
Quando um porco cai num buraco de lama, ele simplesmente fica deitado lá,
divertindo-se. Também, sempre que puder, ele volta para o mesmo lugar sujo. Se
uma ovelha cair num buraco de lama, ela tentará fazer todo o possível para
encontrar rapidamente o caminho de saída e evitará esse lugar no futuro.
Após a reunião, um dos homens me contou sobre uma
experiência pessoal que ele havia tido em sua fazenda. Uma peça da bomba de um
dos seus moinhos, ficou emperrada. Como consequência, ela bombeou um excesso de
água ao chão e fez um enorme buraco de lama.
Passaram-se alguns dias, antes que ele pudesse verificar
todos os seus moinhos. Quando pôde fazer isto, descobriu que uma das suas
ovelhas havia caído naquele buraco de lama.
Havia sinais que demonstravam quão arduamente a ovelha havia
lutado para sair, porém fracassara. Ela havia se esforçado para livrar-se,
porém morreu na tentativa. O fazendeiro, então, disse simplesmente: “Isto nos
mostra de fato a diferença entre uma ovelha e um porco, não é?”
A verdade espiritual desta historinha é claramente afirmada
em Hebreus 12:4: “Na luta contra o pecado, ainda não resististes até o ponto de
derramardes o vosso sangue”. Este
versículo está falando sobre o nosso compromisso para com a retidão. É a
motivação básica em nossa vida de não pecarmos, não importa qual seja o custo!
Sim, podemos cair ou fracassar, mas não temos que permanecer
no pecado ou na condenação (a dor da culpa), 1 João 1:9 nos diz firmemente que
sempre podemos confessar o nosso pecado. Por causa de Jesus,
Deus então nos perdoa e nos purifica de toda quebra de
integridade. Ele também nos restaura à alegria da nossa salvação e nos dá um
espírito disposto a ser forte em Seu Espírito (Sl 51:11,12).
c. Ser Equilibrado
com Relação ao Pecado. Quatro vezes
Paulo nos exorta a “ficarmos firmes” no Senhor, em Efésios 6:10-14). Satanás
sabe que será impossível para nós, ficarmos de pé e firmes se formos
desequilibrados espiritualmente. Portanto, ele sempre tenta nos levar a um
extremo ou outro. Ele tenta fazer com que adotemos uma atitude superficial
sobre o pecado, ou nos coloca sob condenação e culpa, tentando fazer com que
deixemos de seguir a Jesus.
1) Não Negligencie o Pecado.
Por outro lado, ele gostaria de induzir-nos a usar a graça de Deus como
uma desculpa para o nosso pecado. “O Senhor compreende que não sou perfeito, e
tenho a certeza de que Ele deixa passar as minhas falhas e fracassos”. O Senhor
realmente compreende, mas é exatamente por esta razão que Ele não “deixa
passar” o pecado. O pecado tem que ser punido e a penalidade tem que ser paga.
Você quer saber o que Deus pensa sobre o pecado? Olhe para o
Calvário; ele diz o quanto Deus detesta injustiça.
Tudo o que aconteceu a Jesus, quando Ele foi crucificado,
mostra o quanto Deus estava zangado sobre o pecado. “Mas a prostituição e toda
a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos;
“Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices,
que não convém; mas antes ações de graças.
“Porque... nenhum
fornicário, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança
no Reino de Cristo e de Deus... porque por estas coisas vem a ira de
Deus sobre os filhos da desobediência” (Ef 5:3- 6).
Jesus absorveu toda a ira de Deus, contra o pecado, por nós
que cremos n’Ele. “Muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue,
seremos por Ele salvos da ira” (Rm 5:9).
Não devemos tratar o pecado com superficialidade. Veja o
preço que Jesus pagou para nos salvar do pecado. Queremos, então, rebaixar o
valor de Sua morte, vivendo de maneira que O ofenda?
Não ousemos desculpar os nossos pecados. Devemos
confessá-los e receber o perdão por todas as iniquidades.
2) Não Viva em Condenação.
Por outro lado, o diabo gostaria que nos sentíssemos sempre num estado
de condenação (dor de culpa). Ele até tentaria fazer com que chegássemos a
ponto de duvidarmos da nossa salvação. Ele não pode nos impedir de entrarmos no
céu, porém ele tenta fazer com que a viagem seja tão dolorosa quanto possível.
Algumas pessoas vivem sob uma nuvem constante de culpa e condenação.
Paulo nos ensina em Romanos Capítulo Seis a Oito, que a
nossa vida no Espírito pode nos levar a um lindo equilíbrio. Somos salvos pela
graça e não pelas obras. Não há nada que possamos adicionar à nossa fé em
Cristo. Quando Cristo clamou na Cruz “Está consumado!”, estava consumado de
fato! “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:l).
3) Livre Para
Vivermos Como Devemos. Isto não significa que possamos pecar sem medo de
nos machucarmos, ou de machucarmos os outros. O perdão não significa uma
liberdade para vivermos cor- no quisermos. O perdão é a liberdade para vivermos
como deveríamos.
Deus não somente quer nos libertar da “penalidade” do pecado
mas, também, do “poder” do pecado. A penalidade do peca- do precisa ser paga
antes que o poder do pecado possa ser quebrado. E isto foi o que Jesus fez na
Cruz. Ele pagou a penalidade por nós. Alguém disse que o pecado é sempre uma
possibilidade, porém nunca uma necessidade. Em outras palavras, podemos pecar,
mas não temos que pecar! Devido a Satanás e à nossa antiga natureza, o pecado é
sempre possível. Porém, devido a Jesus e à nossa nova natureza, não é
necessário. “Maior é o [Jesus] que está em vós do que aquele [Satanás] que está
no mundo!” (1 Jo 4:4).
C. PROTEJA-SE COM A ARMADURA DE DEUS
A verdadeira marca de um Apóstolo é a seguinte: quando todos
ao seu redor já caíram, ele ainda está de pé. Paulo era um homem assim. Por
isso suas palavras tinham tanto peso e poder: “A nossa luta não é contra a
carne e o sangue mas, sim, contra os principados – as autoridades e poderes –
deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais da
maldade nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a
armadura de Deus...” (Ef 6:12,13).
Deus nos forneceu as armas e a proteção de que precisamos
para nos engajarmos na batalha espiritual. “Portanto, tomai toda a
armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau...” (Ef
6:13).
Paulo viveu, pregou e levantou igrejas em cidades do Império
Romano que eram muito ímpias, cruéis e impuras. A sua adoração de ídolos
envolvia a imoralidade e pecados sexuais de todos os tipos. Os homens eram
motivados por seus desejos de poder, prazeres e lucros. A mente e o corpo eram
altamente considerados, mas o espírito do homem recebia pouca atenção. A
atitude daqueles dias (o pensamento da época) era ateia (independente de Deus),
ou até mesmo contrária a Deus.
Em toda parte, os homens haviam caído diante das potestades
e forças malignas do seu mundo cruel.
1. A Mente: O Nosso
Campo de Batalha Espiritual Então “...para que possais resistir no dia mau... e
vestida a couraça da justiça; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual
podereis apagar todos os dardos in-
flamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação...” (Ef
6:13,14,16,17).
As três partes importantes da armadura são a “couraça da
justiça”, o “capacete da salvação” e o “escudo da fé”.
A nossa mente é o campo de batalha, tanto das forças do bem
quanto do mal. É a porta através da qual a revelação e o engano podem entrar em
nossa vida. Se não nos revestirmos de “toda a armadura de Deus... [não seremos capazes de] estar
firmes contra as astutas ciladas do diabo”. (Ef 6:11.)
Não somos deixados, no entanto, sem nenhuma defesa contra as
mentiras e enganos do Diabo. O “capacete da salvação” e a “couraça da justiça” têm o propósito de nos proteger
contra os dardos inflamados da dúvida, do temor, da cobiça, da inveja e de
outros pensamentos e sentimentos negativos semelhantes.
Os “dardos inflamados” usados em guerras naqueles dias, eram
flechas cujas pontas eram untadas com piche e que eram incendiadas para serem
atiradas sobre as muralhas e defesas do inimigo. Os telhados de palha pegariam
fogo rapidamente e toda a cidade poderia ser destruída pelo fogo.
a. Pensamentos – os Dardos
Inflamados de Satanás. Um certo
amigo meu, que era dedicado a Deus, estava passando por uma verdadeira batalha com
pensamentos impuros. Ele realmente amava o Senhor e queria, acima de tudo,
andar em retidão. Geralmente, são pessoas assim que são incomodadas desta
maneira. Satanás não é nenhum tolo. Ele aponta os seus “dardos in- flamados” em
direção aos que representam uma ameaça ao seu reino.
Certo dia, enquanto estava jejuando e orando sobre o seu
problema, o Senhor lhe revelou o que estava acontecendo. O Diabo atirava um
dardo inflamado em sua mente, com a esperança de que o meu amigo tomasse aquele
pensamento e o abanasse até que se tornasse uma chama. (Podemos fazer isto
desenvolvendo a ideia em nossa imaginação, o lugar onde retratamos os nossos
pensamentos). Ao recusar-se a fazer isto, Satanás então atirava outro dardo. O
revólver dele tem duas “balas”, ou seja, o dardo da culpa e o da condenação.
O dardo inflamado da condenação (a dor da culpa) não é fácil
de se apagar, porque achamos que o merecemos. O Senhor mostrou ao meu amigo que
ele não deveria sentir-se culpado pelos dardos do Diabo, mas que ele era responsável
pelo que fazia com eles.
Ele não deveria reter-se ou desenvolver aqueles pensamentos,
nem tampouco entrar em condenação por causa deles. Qual- quer uma destas
direções enfraqueceria ou estragaria a sua vida espiritual e o seu tempo.
b. A Nossa Defesa
Contra os Dardos Inflamados. O Senhor, em seguida, mostrou-lhe as defesas
que ele tinha no capacete da salvação, no escudo da fé e na espada do Espírito.
Pela fé, ele rapidamente traria em cena a presença de Jesus.
“Senhor, Tu viste este pensamento também, não é? E não vamos permitir que vá
nem mais um pouco além deste ponto, vamos? Para trás de nós, Satanás!”
Isto resolveu todo aquele problema bem rapidamente. E
resolverá para nós também!
Não devemos nos entregar às tentações, nem tampouco à
condenação. Não daremos tempo a estes pensamentos e nem nos sentiremos culpados
por causa destes dardos.
2. Jesus: o Nosso
Exemplo. Podemos ver estes mesmos princípios na tentação de Jesus.
Ele foi tentado, testado e provado em todas as maneiras,
exatamente como nós, contudo sem pecado (Hb 4:15). Ele é o nosso exemplo. Há
muitas lições que podemos aprender com a Sua vida.
Estudemos juntos esta narrativa.
Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, uma selvagem e
árida região da Judéia.
Lá Ele passou quarenta dias sem comida. No final do Seu
jejum, Ele encontrou-Se com o próprio Diabo. Três vezes Ele foi tentado a
desobedecer a palavra e a vontade do Seu Pai Celestial.
a. Do que Dependeu Jesus? Em Sua humanidade, Jesus tinha que depender
das mesmas fontes que nós para vencer o mundo, a carne e o Diabo. Ele não
dependia dos Seus poderes de divindade (natureza divina), porém dependia
totalmente:
1) do poder do Espírito de Deus e
2) do poder da Palavra de Deus. Ele obteve a vitória em
todas as ocasiões e foi totalmente triunfante! Jesus deve ter contado a
história toda aos Seus discípulos. Ele queria que eles, e nós também,
soubéssemos como vencermos as nossas batalhas contra o Diabo.
b. Jesus Venceu com a
Palavra! Não sabemos se as tentações
vieram através de palavras ou pensamentos. De qualquer maneira, porém, era a
mente de Jesus que Satanás queria alcançar.
As palavras eram reais; as tentações eram reais; o Diabo era
real. Cada ataque poderoso foi contra atacado por Jesus com duas palavras
pequenas, porém poderosíssimas: “Está escrito...” Jesus venceu com a Palavra, a
espada do Espírito. Nós também podemos vencer da mesma maneira!
Jesus começou o Seu estudo da Palavra de Deus, ainda como
garoto. Tenho a certeza de que o Espírito Santo O ajudou a esconder esta
Palavra em Seu coração para que Ele pudesse ser sempre obediente à vontade do
Seu Pai (Sl 119:11). Os estudiosos hebreus do Templo maravilharam-se e ficaram
estupefatos pela Sua sabedoria na Palavra quando Ele tinha apenas 12 anos de
idade (Ec 2:46,47).
Nos anos posteriores, ainda era a Palavra de Deus que Ele
falava com tamanho poder e autoridade. Uma vez mais, as pessoas ficavam
estupefatas e ouviam com grande admiração. Era a Palavra de Deus no poder do
Espírito que fazia com que os demônios tremessem e fugissem de medo (Ec
4:32-36).
Como é necessário também que nós escondamos a Palavra de
Deus em nosso co- ração e mente. Ela se torna um depósito divino através do
qual podemos resistir aos poderes das trevas. Que lição importante deveríamos
aprender com este episódio da vida terrena do nosso Senhor!
3. A Palavra de Deus:
A Nossa Espada Espiritual
Há alguns anos atrás, tive o privilégio de aprender com o
ministério de um querido irmão. Ele é um querido presbítero e pai no Senhor,
agora com noventa e tantos anos de idade. O pai dele era um pregador
presbiteriano, que tinha um grande respeito pelas Escrituras. Ele encorajou o
filho a ler e a aprender a Santa Palavra de Deus.
Quando ele tinha cerca de 12 anos de idade, ele já havia
decorado todas as Epístolas de Paulo. Com 20 anos de idade, ele já havia
decorado todo o Novo Testamento. Com 40 anos de idade, grandes trechos do
Antigo Testamento já haviam sido decora- dos.
Ele fez isto, decorando cinco versículos por dia. Num ano,
portanto, ele decorava cerca de 1800 versículos. O maior livro do Novo
Testamento é Lucas, com 1151 versículos. O Novo Testamento inteiro tem 7597
versículos e o Antigo Testamento 22485.
Este irmão causou um grande impacto na minha vida. Ele foi
um dos meus professores no Instituto de Treinamento Missionário em que estudei.
Como você já deve estar suspeitando, era exigido de nós, também, que
decorássemos as Escrituras.
Descobri que após o curto período de um ano eu também estava
decorando grandes trechos do Novo Testamento. Tal reservatório da verdade,
torna-se um rico depósito onde o Espírito Santo pode recorrer durante épocas de
necessidades ou desafios. É uma forte defesa contra os ataques do inimigo.
Jesus nos diz em João 14:26, “...o Espírito Santo...
enviará... todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito’’.
a. Decore a
Palavra de Deus. O Espírito Santo faz
com que nos “lembremos” de todas as coisas. Isto indica, é claro, que há
um “banco de memória” onde o Espírito Santo pode recorrer.
Para começar, Ele não pode fazer com que nos lembremos de algo que nunca
aprendemos. Isto deveria nos motivar a um verdadeiro desejo de decorarmos a
Palavra de Deus.
Sei que a ideia de aprendermos trechos das Escrituras, tão
grandes assim,” pode às vezes desanimar, em vez de nos motivar. Se esta tarefa
parecer muito grande, podemos pelo menos começar, lendo a Bíblia toda, uma vez
por ano. Isto exige somente a leitura de cinco capítulos por dia. (Talvez o
Novo Testamento possa ser lido mais vezes). Quanto mais lermos, tanto mais o
alicerce ou fundamento da nossa fé é estabelecido em nossa mente. Isto é o que
necessitamos quando nos defrontamos com as tentações do Diabo. “Está
escrito...” é a nossa melhor defesa.
b. Podemos Ser
Vencedores. Muitas pessoas não têm
certeza com relação aos seus relacionamentos com Deus – até mes- mo a sua
salvação! É necessário que estejamos firmemente estabelecidos e firmados em
nossa fé através da Palavra de Deus. Caso contrário, o inimigo pode fender o
nosso capacete e empurrar-nos para fora da nossa fundação ou alicerce. Nossa
vida tornar-se-á fraca e instável e seremos alvos fáceis para os dardos do
Diabo, da dúvida e do temor.
Fixemos, portanto, com firmeza em nossas cabeças, o capacete
da salvação, segure- mos fortemente o nosso escudo da fé e tomemos a espada do
Espírito com grande confiança.
Temos os nossos pés calçados com o Evangelho da paz de Deus.
Portanto, ficaremos firmes e seguros. Podemos enfrentar qualquer ataque do
Diabo, levantando a espada do Espírito de Deus, que é a Sua Palavra. Com o
grito de batalha “Está escrito”, o inimigo dá a meia volta e foge. “... resisti
ao diabo e ele fugirá de vós” (Tg 4:7).
“E eles o venceram [a Satanás] pelo sangue do Cordeiro e
pela palavra do Seu testemunho [confissão]...” (Ap 12:11). Podemos ser
vencedores sempre!
D. GUERREIROS DE ORAÇÃO
Paulo estava muito familiarizado com a natureza desta
batalha espiritual. Em 1 Coríntios 15:32, ele nos diz como ele havia
“combatido contra bestas selvagens” em Éfeso. Ele está se
referindo aos poderes bestiais dos espíritos malignos e cruéis que se opunham à
sua pregação do Evangelho.
1. Os Espíritos
Demoníacos São Reais. Já ministramos em mais de cem nações ao redor do mundo. A
maioria dessas nações são países pagãos (ateus).
Frequentemente podemos sentir a cobertura de trevas e sentir
a presença de poderes malignos. A obra de arte dos templos pagãos retrata
criaturas horríveis, feias e bestiais. Representam seres espirituais
demoníacos, os quais muitos dos artistas viram de fato.
Não são somente os cristãos que têm visões e que podem ver o
mundo espiritual. Os que servem o Diabo podem ver o mundo espiritual também.
Porém, em vez de terem visões do Senhor e dos santos anjos, têm visões de
poderes demoníacos e de espíritos malignos. São muito reais, assim como
qualquer pessoa que já tenha viajado por estas partes do mundo pode testificar.
Os espíritos malignos talvez não se re- velem tão prontamente
em algumas partes do mundo e são exatamente tão poderosos mas de uma maneira
oculta. Às vezes, podem ser até mais perigosos, uma vez que as pessoas não
estão cientes de sua presença.
Não temos que sair por aí procurando demônios, porém
precisamos estar cientes de que estamos numa batalha espiritual. Desta maneira,
estaremos sempre preparados e em guarda.
2. Satanás Ataca
Quando Oramos
Num sentido prático, onde geralmente batalhamos contra o
inimigo? Qual é o seu principal ponto de pressão? Certamente, há uma oposição e
resistência contra nós, sempre que tentamos avançar com o Reino de Deus. O
conflito mais intenso vem, creio eu, numa área do ministério em que, por anos a
fio, não considerei. Refiro-me à batalha para ORARMOS.
Creio que o propósito principal de Efésios 6:11-17 é o de
nos aprontar e preparar para o versículo 18: “Orando sempre com toda a oração e
súplica no Espírito.”
Em outras palavras, QUANDO ORAMOS, somos resistidos mais que
nunca por Satanás e sentimos a sua pressão. É aqui que podemos esperar que ele
venha a nos pressionar e nos atacar e lutar contra nós, mais veementemente.
3. Lembre-se da Sua
Armadura!
A oração no Espírito, com toda a certeza, nos leva ao
confronto espiritual com os poderes das trevas. Por esta razão, é importante
que não entremos na batalha sem a armadura espiritual e as armas que Deus nos
deu. Poderemos sair feridos e derrotados se assim o fizermos!
É verdade que sempre nos movemos pela fé e não pelo temor.
Porém, a fé precisa ser direcionada àquilo que conhecemos. Deus não quer que
sejamos “ignorantes [sem conhecimento]
dos ardis [maneiras e métodos] do diabo” (2 Co 2:11).
4. Há Poder na Oração
Nos últimos 40 anos, tenho visto as vitórias que Deus pode
nos dar através do poder e da autoridade da oração. Isto tem significado a
minha própria vida!
Há alguns anos atrás, o Diabo tentou me enfraquecer e me
destruir com cólera. As vacinas que eu havia tomado não me forneceram a proteção
necessária. No curso natural da enfermidade, eu poderia esperar a morte dentro
de duas a quatro horas. Coloquei a minha vida e ministério diante do Senhor e
entreguei tudo à Sua vontade. Eu não estava desistindo de tudo com uma atitude
fraca e sem fé, porém estava firmemente confessando que a plena vontade e
propósito de Deus fossem feitos.
Se esta fosse a minha hora para ser levado ao lar celestial,
então eu estava pronto para ir. “Porque para mim, o viver é Cristo, e o morrer
é ganho” (Fp 1:21). Se Deus não tivesse terminado a Sua obra em mim, então eu
seguiria para ministrar numa outra região. Decidi, firmemente, que não me
retrairia, porém tomaria uma firme atitude de fé diante do inimigo. A armadura
de Deus seria a minha defesa!
Uma vez mais, experimentei o poder da oração e da autoridade
dos guerreiros da oração de Deus. O Diabo foi derrotado e a minha vida foi
poupada. Vocês podem ver porque, para mim, a oração significa mais do que um
simples tema de pregação. Ela é de fato a minha própria vida!
Venha, querido guerreiro de oração.
Vista a armadura, tome a sua espada e derrote o inimigo,
pela autoridade da Palavra de Deus!
Se assim você fizer, você saberá “...o Teu trono subsiste
pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do Teu rei-
no” (Hb 1:8).
“Por ventura não é este o jejum que escolhi? Que soltes as
ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras de jugo? “Por ventura não é
também que repartas o teu pão com o faminto e recolhas em casa os pobres
desterrados? E vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? “Então
romperá a tua luz como a alva,e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a
glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te
responderá: gritarás, e Ele dirá: Eis-me aqui...” (Is 58:6-9). a. Falta Poder na Sua Oração? Se você estiver
lendo isto e estiver ciente de que não está vivendo corretamente, por que não
para, agora mesmo, e responde a este convite do Senhor: “Deixe o ímpio o seu
caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR que se
compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Is
55:7).
A sua oração de arrependimento, a confissão da sua
transgressão ao Senhor, a reparação àqueles a quem você tenha causado algum
mal, são passos que podem restaurar a sua comunhão com Deus. E aí, então, você
poderá ter poder na oração. Você poderá ter o cumprimento santo desta promessa
na sua vida: “E será que antes que clamem, eu responderei: estando eles ainda
falando, eu os ouvirei” (Is 65:24).
O CAJADO DO PASTOR
A Conduta dos Crentes na Batalha Espiritual
Depois de mostrar aos efésios o padrão cristão para os
vários aspectos da vida cotidiana, o apóstolo Paulo conduz-nos para dentro de
um ambiente de guerra. Não se trata de uma guerra comum, física ou política,
mas de uma guerra espiritual, em que se luta com armas espirituais. O apóstolo
mostra como enfrentar e vencer os inimigos nessa batalha, apresentando um
equipamento individual, com o qual, devidamente preparado, o crente pode lutar.
1. PREPARAÇÃO PARA A BATALHA
— 6.10,11 Toda e qualquer batalha requer preparação e
estratégia. Ninguém se lança numa luta despreparado. Essa preparação requer
cuidados que se tornam indispensáveis para o sucesso da batalha.
1.1. Fortalecimento — v. 10 "No demais, irmãos
meus" é uma frase própria de um relacionamento bem pessoal do apóstolo. O
uso das palavras "irmãos meus" denota uma linguagem tipicamente
cristã, por-que indica uma família, a família de Deus. Essa família espiritual
não conhece diferenças de cor, língua, raça ou sangue, mas reúne brancos,
negros, amarelos e vermelhos, que formam uma só família em Cristo, tendo como
Pai o nosso grande Deus e Senhor. "... fortalecei-vos" ou "sede
fortalecidos". A palavra no grego é
endunamousthe e significa
fortaleza, tornar-se forte. Outra palavra no grego com o mesmo sentido é
krataioomai, que quer dizer "ser
fortalecido", "ser corroborado". Ninguém poderá entrar numa
batalha enfraquecido. O convite do apóstolo — "fortalecei-vos" —
implica na busca de poder espiritual que capacita o crente a enfrentar os
inimigos no campo de batalha. Paulo sabia que essa luta é renhida e requer
força espiritual, por isso ele induz os crentes à busca de poder. De que tipo
de fortalecimento Paulo fala e qual a sua fonte? Note a continuação da frase:
"fortalecei-vos nos Senhor e na força do seu poder". Observe que o
texto deve ser interpretado espiritualmente. Não se trata de fortalecimento
físico, mas espiritual. O crente por si mesmo e com suas próprias forças jamais
poderá suportar uma guerra espiritual. Inimigos espirituais são enfrentados com
armas espirituais. "Fortalecei-vos no Senhor" implica um
fortalecimento de nossa posição nEIe, isto é, no Senhor. Estamos nEle,
posicionados nEle, como os membros estão no nosso corpo. As mãos e os pés
sustentam o corpo; se uma das mãos ou um dos pés estiver sem força, todo o
corpo sofrerá. As mãos e os pés têm sua posição no corpo, e, para o bem do
corpo, cada mão ou cada pé deve ser fortalecido. Paulo fortalecia sua posição
no Senhor e por isso diz: "Posso todas as coisas naquele que me
fortalece". Donde procede essa força espiritual que capacita o crente a
lutar contra inimigos espirituais? Tal força procede do poder de Deus, como
afirma o texto: "e na força do seu poder". Esse poder e força se
encontram na fortaleza do Senhor.
1.2. Conhecimento —
v. 11 "Revesti-vos de toda a armadura de Deus". Duas coisas que devem
ser conhecidas pelo lutador espiritual se destacam nesse versículo. Em primeiro
lugar, o crente deve conhecer a armadura de Deus, que é o equipamento pessoal
de guerra. O texto inicia com um convite: "Revesti-vos". A palavra
"revestir" dá a idéia de vestir sobre outra vestimenta, pois o
significado da expressão é "vestir de novo". Entendo que, nessa luta
espiritual, é necessário mais que as armas próprias do crente, que são válidas,
mas incapazes de vencer esses inimigos. Por isso, o convite é:
"Revesti-vos" da "armadura de Deus". Nos versos 14 a 17
temos a especificação das armas defensivas e ofensivas. A palavra "armadura"
está no original grego como panoplia, que inclui todas as armas; não só um tipo
de armamento, mas todas as peças do armamento. A lição que aprendemos aqui é
que o crente, para lutar, precisa estar devidamente equipado para a luta, isto
é, precisa vestir-se com todas as peças indispensáveis da armadura espiritual —
"Revesti-vos de toda a armadura de Deus". Um equipamento incompleto
torna o crente vulnerável aos ataques satânicos. Em segundo lugar, o lutador
precisa conhecer "as astutas ciladas do diabo". A expressão
"astutas ciladas" pode ser explicada por outros termos que ajudarão
na elucidação do texto. A palavra grega
methodia quer dizer métodos, e
"astutas ciladas" podem ser traduzidas por "métodos
artificiosos", isto é, meios de engano. Portanto, para a methodia de
Satanás o crente tem aplanopia de Deus. Esses artifícios são ciladas perigosas
que surgem com ares de inocência, mas que são preparadas para pegar de surpresa
o crente desprevenido, tanto na esfera física, como moral, material e
espiritual.
1.3. Capacitação — v.
11 "Para que possais estar firmes". O verbo "poder" tem uma
conotação especial nesse versículo. Ele tem a ver com a capacitação espiritual
para a batalha. Os soldados nas organizações militares são treinados para a
guerra: para a defesa e para o ataque; assim também ocorre no plano espiritual.
A igreja é o quartel general, onde o soldado de Cristo é preparado e capacitado
para a batalha espiritual. Nosso general é Cristo, e o Espírito Santo é o
instrutor que capacita o crente para a batalha. Não se trata aqui de
capacitação intelectual, mas espiritual. Somos capacitados pela Palavra, isto
é, a Palavra é que nos habilita para o combate.
2. O CAMPO DE BATALHA
— 6.11,12 Toda
batalha tem seu campo de ação e envolve todos os aspectos próprios de uma
guerra, como o lugar de combate, os inimigos, a estratégia, as armas de defesa
e de ataque etc. O campo de batalha espiritual não se limita a alguma área
geográfica e terrena, mas abrange todo e qualquer lugar onde o reino de Deus
esteja. Onde estiver um crente fiel sequer, ali se tornará um campo de batalha.
O apóstolo declara enfaticamente que essa batalha não é física nem terrena, mas
espiritual. Essa declaração está no versículo 12: "Porque não temos de
lutar contra a carne e o sangue". A expressão "carne e o sangue"
denota a espécie da batalha. Não é luta humana de homens contra homens, mas é
luta espiritual contra inimigos espirituais. A palavra "lugar"
aparece no grego como palé e indica o tipo de luta individual, corpo a corpo.
Paulo usou essa palavra baseado no tipo de luta que havia nos jogos gregos e,
posteriormente, nas arenas romanas, onde os lutadores lutavam corpo a corpo até
a morte de um deles. O que Paulo queria dizer com a expressão "carne e
sangue" é que não se tratava de uma luta carnal ou material.
2.1. O lugar de
combate — v. 12 "... nos lugares
celestiais". Mais uma vez fortifica-se o fato de que se trata de uma luta
espiritual, não terrena. No grego, a frase "nos lugares celestiais"
aparece como en tois epouraniois. Algumas versões preferem "regiões
celestiais". Onde acontece essa batalha? É na Terra ou fora da Terra? É
uma batalha visível ou invisível? Claro que não podemos apontar algum ponto no
espaço ou na Terra nem esperar algum tipo de combate material, porque a batalha
é espiritual, e só os espirituais podem lutar e conhecer esses inimigos, que
são espirituais (1 Co 2). Diversas vezes encontramos a expressão "regiões
[lugares] celestiais" na carta aos Efésios. Esses "lugares
celestiais" possuem conotações distintas em algumas das vezes citadas na
carta. A palavra "lugares", no plural, indica que há mais de um lugar
nas regiões celestiais. Nas passagens de Efésios 1.3 e 2.6, esses "lugares
celestiais" indicam a posição do crente em Cristo. Uma posição elevada,
isto é, colocada acima da vida do mundo. Entretanto, no texto de 6.12, o
significado da expressão "lugares celestiais" é outro. Indica os
lugares onde Satanás e suas hostes habitam e comandam toda a sua guerra contra
Deus e contra os remidos do Senhor. O combate do crente contra as forças do mal
é nas "regiões [lugares] celestiais". Como a batalha é espiritual,
resta ao crente lutar com as armas espirituais contra poderes espirituais. O
ataque de Satanás é contra a nossa posição espiritual. Ele quer nos fazer
descer para o plano carnal e material para dominar sobre nós. Nossa luta
"nos lugares celestiais" é para conservar a nossa posição em
Cristo.
2.2. Os inimigos
nessa batalha — vv. 11,12 Destacam-se alguns inimigos que estão sob o mesmo
comando de Satanás.
2.2.1. O diabo —v. 11 "... astutas ciladas do
diabo". Esse versículo identifica pessoalmente o diabo como o inimigo
número um dos remidos. Quem é ele? O diabo é um "querubim" caído (Ez
28.12-17). É o chefe geral de todos os anjos que o acompanharam na sua rebelião
contra Deus. Ele é chamado "o príncipe deste mundo" (Jo 12.31);
"o deus deste século" (2 Co 4.4). "É o grande dragão";
"a antiga serpente" etc. Ele é o principal inimigo do crente nessa
batalha. Ele combate pessoalmente e comanda seus espíritos maus contra o
crente.
2.2.2. hostes
espirituais da maldade — v. 12 Essas hostes incluem várias ordens ou classes de
espíritos caídos. O reino de Satanás é organizado em hostes especiais. O texto
apresenta basicamente três categorias de inimigos que são os escalões de
Satanás. "... contra os principados, contra as potestades". São dois
tipos de ordens angelicais de Satanás que designam espíritos que exercem
atividades de comando sobre outros demônios contra os remidos. A expressão
"príncipes das trevas deste século" é a mesma coisa que designar,
como está em algumas versões: "governadores das trevas" ou
"dominadores mundiais das trevas". Eles são espíritos que comandam o
entenebrecimento espiritual (as trevas) neste século. 3. AS
ARMAS ESPIRITUAIS DESSA BATALHA — 6.13-17 3.1.
O imperativo da batalha — v. 13 "Portanto, tomai toda a
armadura de Deus". O apóstolo ordena a posse dessas armas com um
imperativo: TOMAI. Ele não ordenou que se fizessem armas, mas que se tomassem
as armas existentes. Não há o que nos possa preocupar. As armas existem e estão
à disposição dos remidos. As armas humanas são frágeis e impróprias para essa
batalha espiritual.
3.2. A resistência no
"dia mau" da batalha — v. 13 "... para que possais resistir no
dia mau". O "dia mau" não precisa ser especificamente um dia de
24 horas, mas pode representar aquele dia, ou hora ou minuto em que somos
surpreendidos com doenças, tentações, circunstâncias inesperadas etc. Para que
possamos resistir nesse "dia mau", precisamos estar alerta, tomando
posse das armas espirituais que nos capacitam para a resistência. "... e,
havendo feito tudo, ficar firmes". Depois de havermos superado as
dificuldades e termos vestido toda a armadura de Deus, resta apenas estarmos em
pé para o combate. Nossa armadura espiritual não é para ser exibida, mas para
ser usada contra o inimigo. Visto que o adversário é sagaz e cheio de malícia,
o soldado de Cristo não pode descuidar-se: ele deve "estar firme",
isto é, estar em pé com o sentido de prontidão para qualquer eventualidade de
ataque do inimigo.
3.3. A designação das armas — vv. 14-17 Notemos que Paulo
inspirou-se nas armas militares de seu tempo, mui especialmente nas armas
romanas. E claro que essas armas são uma figura das armas espirituais. São
armas cujas peças formam um "todo" e envolvem "o corpo
total".
a) Armas defensivas
para o corpo — "o cinto da verdade" e a "couraça da
justiça" (v. 14).
b) Para os pés —
"calçados... na preparação do evangelho" (v. 15).
c) Para as mãos —
"o escudo da fé" (v. 16).
d) Para a cabeça — "o capacete da salvação" (v.
17).
e) Para a boca —
"a espada do Espírito" (v. 17). 3.3.1.
O cinto da verdade — v. 14 O
texto literal é "cingidos com a verdade". O cinto é a peça que cinge,
isto é, que segura ou prende as roupas à cintura. Significa que todas as
roupagens espirituais que usamos devem estar com a verdade. Usava-se no
armamento romano um cinto para prender a couraça e o resto da roupa. Esse cinto
vinha cheio de pedras semipreciosas e era usado com muito orgulho pelo soldado.
A finalidade do cinto era prender os pontos dos vestidos, deixando livres as
pernas do soldado, que assim podia se movimentar.
3.3.2. A couraça da justiça — v. 14
A principal finalidade da couraça é defender, isto é,
proteger o peito. A justiça deve permear a vida e os atos do lutador cristão. A
justiça aqui se une com a verdade, e elas podem ser notadas frontalmente pelos
inimigos (Is 59.17; 1 Ts 5.8). A "couraça" protege das setas mortais
do inimigo. Na nossa luta espiritual, a "justiça e a verdade" andam
de mãos dadas.
3.3.3. Calçados... na
preparação do evangelho — v. 75 "... e calçados os pés na preparação do
evangelho da paz". Os calçados são importantes para os pés do lutador na
guerra. Nos tempos romanos, em que Paulo se inspirou para fazer a analogia das
armas, o soldado usava um tipo de sandália com cravos nas solas que ajudavam o
soldado a não deslizar, dando-lhe segurança. Portanto, a significação da expressão
paulina para "calçados na preparação do evangelho da paz" tem a ver
com a segurança da mensagem que pregamos. O Evangelho é poder — dunamis, no
grego — contra as forças do mal. A palavra "preparação" tem o sentido
de prontidão. Os calçados deviam oferecer segurança e capacidade de prontidão
em momentos inesperados, isto é, prontidão sem riscos de quedas ou
deslizamentos. Outro termo que se destaca no versículo é "evangelho",
que significa boa novas, boas notícias ou mensagem. O soldado calçado com o Evangelho
exerce também o papel de mensageiro. Nessa batalha espiritual, nossos inimigos
quererão arrancar nossos calçados para que não levemos a vitória do Evangelho
da paz ao mundo perdido.
3.3.4. Escudo da fé — v. 16 "... tomando
sobretudo o escudo da fé". O escudo é a arma defensiva contra os ataques
diretos do inimigo. O soldado prendia o escudo num dos braços. Esse escudo
tinha a forma de um prato gigante, que servia para proteger todo o corpo. A fé
diz respeito à nossa confiança e crença doutrinária. Um soldado cristão sem
escudo é soldado vulnerável aos ataques satânicos. O conhecimento da Palavra de
Deus forma o "corpo da fé", ou seja, o escudo da fé que protege o
crente contra as heresias e mentiras satânicas. "... com o qual podereis
apagar todos os dardos inflamados do maligno". Que são esses dardos
inflamados? Eram estopas embebidas em alguma substância inflamável, que eram
acesas e lançadas em flechas contra o adversário. Havia naquele tempo escudos
muito frágeis, feitos de madeira. Os inimigos lançavam esses "dardos
inflamados" para queimar o escudo e tornar vulnerável o corpo do soldado
para ser atingido. No sentido espiritual, o diabo lança suas flechas com dardos
inflamados de carnalidade e maldade para enfraquecer o crente, mas nosso escudo
deve ser o "escudo da fé", que impede a destruição com fogo. Nossa fé
deve ser a força incontestável que derrota o diabo. A fé aqui tem um sentido
transcendental, não natural. A confiança em Deus deteriora DS poderes malignos.
3.3.5. O capacete da salvação — v. 17 "Tomai
também o capacete da salvação". No grego, a palavra 'capacete" é
perikephalaia. O capacete servia para proteger a cabeça. Nos tempos antigos, os
capacetes eram feitos com figuras decoradas de animais ou carrancas para
intimidar o adversário ou para representar o usuário do capacete. O apóstolo
usou a figura do capacete para representar a salvação. A cabeça é a parte mais
vulnerável do corpo, por isso o lutador a protegia com um capacete. As figuras
representativas usadas no capacete tinham o objetivo de mostrar a força e a
inteligência do lutador. O crente, por sua vez, toma posse do
"capacete" da salvação, que é a segurança máxima de sua vida, pois se
a cabeça for atingida, ele corre o risco de perder a salvação.
3.3.6. A espada do Espírito — v. 17 "... e a espada do
Espírito, que é a Palavra de Deus". Havia dois tipos de espada usadas numa
batalha. Uma era feita de várias formas e tamanhos, normalmente de bronze. No
grego, esse tipo de espada chamava-se ziphos. O bronze pode representar a
presença do Espírito Santo na vida do crente. O outro tipo, no grego machaira,
era um pouco mais curta que a ziphos e era usada pelos gladiadores. Quanto à
dimensão da espada, o texto não se preocupa; preocupa-se antes com o seu
manuseio. A espada era arma de ataque. O texto diz que a "espada do Espírito
é a Palavra de Deus". A Palavra das Escrituras é a espada do Espírito
contra o erro, contra a mentira e a presunção. Só essa espada pode vencer o
diabo e o pecado. É uma arma ofensiva. A Palavra pregada ou ensinada com
autoridade é a espada do Espírito em ação. A nossa própria palavra é frágil,
mas a Palavra de Deus é poderosa. G. H. Lacy, em seu Comentário da Carta aos Efésios, diz: "Os grandes triunfos dos evangelistas
se devem ao fato de fazerem muito uso da Palavra de Deus em suas pregações. Os
que pregam filosofia ou sutilezas da lógica moderna podem convencer o
intelecto, mas não movem o coração". Portanto, é a Palavra de Deus a maior
arma de defesa e ataque que o crente tem à sua disposição: (Hb 4.12; 2 Pe
1.21). A espada de dois fios corta em dois sentidos. De um lado ela convence e
converte; do outro, condena (SI 45.3,5). É uma espada que sai da boca de Cristo
(Ap 1.16; 19.15). Com a espada nas mãos dos santos (Sl 149.6), o mundo será
convencido do Evangelho pelo poder da Palavra de Deus — "a espada do
Espírito" (2 Tm 3.16; Hb 3.7; 1 Pe 1.11).
4. PROVISÃO NA BATALHA — 6.18-20
Qual a maior provisão do crente na batalha
contra o mal? É a oração! Alguns intérpretes têm colocado a oração conforme
está no texto: como uma das armas do crente. Esse ponto de vista é aceitável,
já que não há nenhuma implicação doutrinária e os intérpretes são livres para
apresentar pontos de vista pessoais. Eu, particularmente, creio que a oração
faz parte da batalha como provisão para o soldado.
4.1. A oração na
batalha — vv. 18,19 "Orando em todo o tempo". A palavra "orando"
está no gerúndio, o que dá a idéia de continuidade da ação. Podemos concluir
que a oração faz parte permanente de todo o equipamento de guerra exposto nos
versículos precedentes (vv. 14-17). Cada uma das armas espirituais, desde o
"cinto" até a "espada", deve ser vestida com a oração.
Consideremos as partes para compreendermos claramente a finalidade do
texto.
4.1.1. Em todo o tempo — v.18 Orar "em todo o
tempo" não significa passar o tempo ajoelhado em oração, mas podemos orar
"em todo o tempo" no Espírito, isto é, em comunhão com Deus. O bom
lutador é aquele que atenciosamente está ligado ao seu comandante para lutar. A
oração, na guerra espiritual, tem o sentido de comunhão com o seu comandante.
Não é desligar-se do trabalho que tem a fazer, mas é o soldado fazer exatamente
o que o seu comandante espera que ele faça. Na batalha espiritual, a carne é o
inimigo mais ferrenho, e, para vencê-la, a melhor arma é a oração. A espada (a
Palavra), sem oração, nada pode fazer. Orar "em todo o tempo" é orar incessantemente.
É estar todo o tempo pronto para a comunicação com o Senhor. É a via de
comunicação sem fios para falar com Deus (Cl 4.2; 1 Ts 5.17). Podemos orar
viajando, andando na rua, trabalhando, descansando ou em outras circunstâncias
quaisquer. Esse tipo de oração envolve, antes de tudo, a mente. Jesus condenou
os fariseus que oravam nas praças, movendo os lábios para serem vistos pelos
homens. Entretanto, posso estar em qualquer lugar e, sem ser notado, estar
orando no meu interior. Como se pode orar dessa forma? O tópico seguinte
explica.
4.1.2. Com súplica no Espírito — v. 18 Existem vários tipos
de oração, quais sejam:
a) a oração de
invocação;
b) a oração de intercessão;
c) a oração de louvor e adoração;
d) a oração de
súplica; e e. a oração de petição.
A expressão "com toda a oração" está ligada aos
vários tipos de oração sugeridas na Bíblia. A continuação do texto apresenta a
oração de "súplica". E a oração humilde que se faz em grandes
necessidades. É a oração que se faz com instância, com rogo. E a oração feita
com a consciência da necessidade e com o reconhecimento da grandeza do Senhor e
da nossa pequenez diante dEle, como fez Jairo diante de Jesus, quando
prostrou-se em terra, e disse: "Rogo-te" (Mc 5.22). "No Espírito".
Observe a colocação da frase: "Com toda a oração e súplica no
Espírito". Qual é a oração no Espírito? Antes analisemos três tipos de
oração que falam da palavra "espírito". Há a "oração com o
espírito" (1 Co 14.14,15), que é a oração do espírito do crente, não do
Espírito Santo, mas produzida pelo Espírito Santo. Aqui aprendemos que é o
Espírito Santo quem ensina o nosso espírito interior a orar. As línguas
estranhas, que são a evidência inicial do batismo com o Espírito Santo, são
faladas pelo nosso espírito interior através da boca. É a oração sem a
interferência da mente, porque ela surge do espírito do crente. Entretanto,
Paulo orienta para que se ore com o espírito (1 Co 14.15) e, também, com o
entendimento.
O segundo tipo de oração é a "oração em espírito",
que é a oração silenciosa, mental, que se faz em qualquer ocasião, trabalhando
ou não, na rua ou em casa. É a oração meditativa que se faz com a Bíblia
aberta. É a oração em momentos difíceis onde não se pode alçar a voz, mas
pode-se elevar o espírito interior à comunhão com Deus e dEle receber a
resposta. O terceiro tipo de oração é "a oração no Espírito" (Ef
6.18). Esse tipo envolve aquela oração produzida pelo Espírito Santo, isto é,
ensinada por Ele. Portanto, é o Espírito Santo quem nos ensina e habilita a
orar a Deus (Rm 8.15,26; Gl 4.6; Jd 20). É a oração que recebe o impulso do
Espírito para interceder, para adorar e louvar a Deus. 4.1.3.
Vigiando com perseverança — v. 18 O sentido da palavra
"vigiando" refere-se a não estar dormindo no campo de batalha (Ef
5.14). O lutador tem que vigiar, isto é, estar de olhos abertos e atentos para
os eventuais ataques de surpresa do inimigo. A frase pode ficar assim:
"vigiando com toda a instância".
4.1.4. Por todos os santos — v. 18 É a continuação
do versículo: "orando em todo o tempo, com toda a oração e súplica no
Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos". Entendemos que
essa oração tem o sentido de intercessão. A palavra "santos" diz
respeito a todos os remidos por Cristo. Não são os santos mortos e feitos
esculturas. São os santos (os crentes) vivos. Paulo exortava os efésios a
orarem com intercessão por todos os seus irmãos na fé. A igreja, constituída de
pessoas de todas as raças, línguas e nações, forma uma irmandade mais que
humana, pois é também espiritual. Nessa irmandade não há diferenças. Todos têm
os mesmos direitos e bênçãos. Esse espírito fraterno e cristão deve
manifestar-se nas ações de uns para com os outros. Por isso, não importa se não
conhecemos fisicamente nossos irmãos na fé do outro lado do mundo. O que
importa é que eles participam de nossa santificação espiritual e são chamados
"santos" como nós. Por isso oramos "por todos os santos" em
todo o mundo. G. H. Lacy escreveu na pág. 184 de seu Comentário da Carta aos
Efésios: "Segundo os ensinos deste versículo (v. 18), o crente: primeiro —
deve praticar todas as classes de oração; segundo — tem que orar em toda a
ocasião propícia; terceiro — tem que orar no Espírito; quarto — tem que estar
alerta e perseverar no desempenho do dever; quinto — tem de orar "por
todos os santos".
4.1.5. ...e por mim — v. 19 Paulo solicita a
intercessão em seu favor. A lição oferecida aqui é que nenhuma pessoa viva pode
dispensar a ajuda intercessória dos santos a seu próprio favor. Paulo era
exemplo em tudo quanto ensinava. Ele orava incessantemente por todos e carecia
da mesma ajuda. Sua batalha era ferrenha contra as forças do mal, e ele sabia
que sozinho não podia vencer. Ele precisava de força espiritual e sabia que as
intercessões a seu favor muito o ajudariam. A intercessão sincera anula
qualquer presunção diante de Deus e nos torna acessíveis às bênçãos que
pedimos.
4.1.6. A palavra com confiança — vv. 19,20 A continuação do
verso 19 apresenta a razão do pedido de intercessão que Paulo faz em seu favor.
Primeiro, "para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com
confiança". Paulo não queria "abrir a boca" para falar de si
mesmo ou para falar de vãs filosofias, como os gregos, senão de Jesus Cristo, o
Salvador e Senhor. Ele precisava de coragem moral e espiritual para que, ao
"abrir a boca", a palavra saísse com segurança e confiança. Nessa
batalha espiritual, a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, precisava
movimentar-se com firmeza, e Paulo deseja usá-la "com confiança" e
ter golpes certeiros contra o pecado.
Segundo, "para fazer notório
o mistério do evangelho" (v. 19). Esse mistério já foi revelado aos
"santos", mas aos que estão em trevas lhes é desconhecido. Por isso,
precisamos notificá-lo a todos os homens. E o mistério do poder transformador
(Rm 1.16) que o Evangelho realiza na vida dos pecadores. Para "fazer
notório" esse mistério é preciso poder espiritual. Terceiro, "pelo
qual sou embaixador" (v. 20), isto é, representante legal de Cristo. O
embaixador é aquele que representa os interesses de um governo e os do seu
dirigente máximo. Paulo era representante de Cristo "em cadeias" (v.
20). Quando escreveu a sua carta aos efésios, estava preso em Roma, mas assim
mesmo não deixou preso o seu ministério, nem se calou, antes anunciava o reino
de Cristo e o mistério do Evangelho. A expressão "em cadeias" aparece
no grego como en halusei, que dá a idéia da forma de prisão ou cadeia a que
estava preso o apóstolo.
5. SAUDAÇÕES FINAIS
— 6.21-24
Uma característica
bem pessoal do "apóstolo das gentes" era o tratamento particular que
ele dava aos crentes, lembrando nomes e fatos ocorridos. Essa característica
denotava muito bem a personalidade de Paulo e o grande amor que ele reservava
no coração para todos os crentes em Cristo. Uma das razões que o levaram a
escrever essa carta e todas as que ficaram conhecidas como as "cartas da
prisão", era consolar as igrejas dispersas e informar acerca do seu estado
de saúde, anotando o fato de estar preso e impedido de poder visitá-las
pessoalmente.
5.1. Tíquico, o fiel ministro — v. 21 "... para que
possais saber dos meus negócios, e o que eu faço". Com essas palavras,
Paulo não esconde nada. Na verdade, referia-se à sua condição de preso e ao que
podia fazer. Tal conhecimento de suas atividades ministeriais era transmitido
por um fiel amigo e portador de suas cartas — Tíquico.
Quem era Tíquico? O seu nome no grego significa "o que
tem fortuna". O nome de Tíquico é mencionado algumas vezes no Novo
Testamento. Ele foi enviado junto com Paulo a Jerusalém para entregar aos
pobres e perseguidos irmãos na fé na Palestina as ofertas voluntárias
angariadas pelas igrejas gentias (At 20.4). Representou Paulo na igreja de
Colossos (Cl 4.7). Paulo o enviou a Éfeso quando precisou de Timóteo (2 Tm
4.12). Tíquico não era judeu, mas veio da Ásia Menor. Era jovem e dedicado à
obra de Deus. Estava sempre pronto para servir. Paulo o chama de "irmão
amado" no sentido fraternal e cristão. Depois o chama de "fiel
ministro". Os intérpretes têm se esforçado para descobrir o verda-deiro
sentido desse título dado por Paulo a Tíquico. Para alguns, a palavra
"ministro" em relação à Tíquico tem um sentido apenas diaconal pelo
fato de ele ter sido portador das cartas de Paulo, mas não lhe ser atribuída
nenhuma vez qualquer função pastoral que o identifique como tal; esses
intérpretes não o vêem como "ministro da Palavra". Outros dão à
palavra "ministro" nesse versículo 21 o mesmo sentido com que a
palavra é usada para identificar Timóteo, Tito e outros ministros da Palavra.
Estes serviram a Paulo tanto quanto Tíquico, cuja função seria a de informar as
igrejas de tudo acerca de Paulo (seus cuidados pastorais, por exemplo) e
transmitir, com suas próprias palavras, os ensinos apreendidos de Paulo. O
verso 22 indica a missão de Tíquico, que era o de informar tudo acerca do
apóstolo e "consolar os corações" com as boas notícias e com os
ensinos do apóstolo amado aos efésios.
5.2. Saudação final
— vv. 23,24
5.2.1. Paz —v. 23. "Paz seja
com os irmãos". Não se trata de qualquer paz, mas daquela paz produzida
pelo Espírito Santo nos corações que une os irmãos em Cristo. Aquela paz
perfeita conquistada no Calvário e que demonstra a reconciliação com Deus. E a
paz com o sentido de
comunhão perene com Deus.
5.2.2. Amor e fé — v. 23. "... e caridade com fé da
parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo". E interessante a colocação
dessas duas virtudes espirituais — "amor com fé", ou seja, a fé
exercida pelo amor. A fonte do "amor com fé" está em Deus. "...
da parte de Deus". Aprendemos que essas virtudes da natureza espiritual no
crente não são produzidas pela vontade do homem, mas são divinas. Quando Paulo
fala dessas virtudes, dá a idéia de que a fé sem o amor nada vale, e o amor sem
a fé é nulo.
5.2.3. Graça — v. 24 "A graça seja com todos os
que amam a nosso Senhor Jesus Cristo". Graça! Que palavra maravilhosa na
vida do crente! Ela é o fator divino oferecido aos fiéis em Cristo. Todos
quantos estão "em Cristo" (2 Co 5.17) foram favorecidos por Deus,
isto é, alcançaram a graça de Deus. A graça faz parte da nova saudação cristã,
visto que no Antigo Testamento a saudação usada era somente a palavra "paz".
Já no Novo Testamento, associada à palavra "paz", surge a palavra
"graça". Quando saudamos nossos irmãos na fé, os saudamos com
"graça e paz".
5.2.4. Em sinceridade — v. 24 Muita gente afirma que
ama a Jesus Cristo, mas essa afirmação é feita sem que o sirvam fielmente. O
verdadeiro amor ao Senhor Jesus expressa-se "em sinceridade". Qual o
sentido de amar em sinceridade? E amar com o coração perfeito. E amar sem
nenhuma marca de corrupção. É amar sem hipocrisia!
5.2.5. Amém — v.24 E
a última palavra da carta. Demonstra o desejo de Paulo de que todos os ensinos
e exortações sejam reconhecidos pela igreja em Éfeso, como sendo do próprio
Senhor Jesus Cristo. Amém! Assim seja!
Conclusão: Nossa pretensão, ao comentar a Epístola aos Efésios, foi a de
oferecer, com humildade, alguns subsídios doutrinários para a elucidação das
verdades espirituais bíblicas.
Que o Espírito Santo alumie o entendimento dos estudantes
deste livro, e que a glória e a honra sejam dadas inteiramente a Jesus Cristo,
nosso Senhor e Salvador!
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