EM CONSTRUÇÃO
Capítulo 1
O PROPÓSITO DE LUCAS
Metodologia
Ao estudarmos uma
obra literária, precisamos, dentre outras coisas, levar em conta a sua autoria
e data, o tipo de gênero literário, o seu destinatário e o propósito para o
qual ela foi escrita. Essa metodologia é importante não apenas para o estudo de textos
bíblicos, mas também para qualquer obra da literária universal. A sua observância garantirá
que o intérprete não chegue a conclusões equivocadas e diferentes daquelas que
tencionou o autor.
O estudante da Bíblia deve,
portanto, ter isso em mente quando estuda o terceiro Evangelho. Roger Stronstad, teólogo de
tradição pentecostal canadense, demonstrou, por exemplo, que uma metodologia
errada na análise do Evangelho de Lucas tem levado vários estudiosos a chegarem
a conclusões teológicas igualmente erradas.1 Esses equívocos têm como subprodutos uma fé e
prática cristã diferente daquela desenhada nas obras de Lucas.
Ao analisar, por exemplo, os
contrastes existentes no desenvolvimento histórico da doutrina do Espírito
Santo nas diferentes tradições cristãs, Stronstad observa que “essa divisão não
é simplesmente teológica. No fundo, o assunto tem diferenças hermenêuticas ou metodológicas
fundamentais. Essas diferenças metodológicas surgem dos diversos gêneros
literários e são da mesma extensão que estes. Por exemplo, há que deduzir a teologia do Espírito Santo de Lucas
de uma “história” de dois volumes sobre a fundação e o crescimento do
cristianismo, dos quais se classifica o volume um como um Evangelho e o volume
dois como Atos. Por contraste, temos que derivar a teologia do Espírito Santo de
Paulo de suas cartas, as quais dirigiu às igrejas geograficamente separadas em
diferentes ocasiões de suas jornadas missionárias. Estas cartas são circunstanciais, quer dizer, tratam de alguma
circunstância particular: por exemplo notícias de controvérsias (Gálatas),
respostas às perguntas específicas (1 Coríntios) ou planos para uma visita
vindoura (Romanos). Assim que, à medida que Lucas narra o papel do Espírito Santo na história da igreja primitiva, Paulo
ensina a seus leitores acerca da pessoa e ministério do Espírito”.2
Autoria
Como veremos mais
adiante, a tradição que atribui autoria lucana para o terceiro Evangelho é
muito antiga. No texto bíblico, as referências ao “médico amado” são Colossenses
4.14; 2 Timóteo 4.11 e Filemon 24. Todavia assim como outros escritos do Novo Testamento, o terceiro
Evangelho também não traz grafado o nome de seu autor.
Evidências internas da
autoria lucana
Diferentemente de outros livros
neotestamentários que são anônimos, o terceiro Evangelho deixou pistas que
permitiram à igreja atribuir a Lucas, o médico amado, a sua autoria. Alguns desses indícios
internos listados pelos biblistas são:
1. Tanto o livro de Lucas como o livro de Atos são endereçados a uma
pessoa identificada como Teófilo. “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos
que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os
presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também
a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem,
havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio” (Lc 1.3),
“Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a
fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter
dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais
também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas,
sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao
Reino de Deus” (At 1.1-3).
2. Como vimos, o livro de Atos se refere a um outro livro que fora
escrito anteriormente (At 1.1), que sem dúvida alguma trata-se do terceiro
Evangelho. Quem
escreveu Atos dos Apóstolos, portanto, escreveu também o terceiro evangelho.3
3. O estilo literário e as características estruturais de Lucas e
Atos apontam na direção de um só autor;
4. Muitos temas comuns ao terceiro Evangelho e Atos não são
encontrados em nenhum outro lugar do Novo Testamento. Por exemplo, a ênfase na ação carismática do Espírito
Santo sobre Jesus e seus seguidores (Lc 24.49; At 1.4-8).4 Devemos observar
ainda, como destaca Walter Liefeld, dentro dessa perspectiva, que o autor de
Lucas-Atos não foi uma testemunha ocular dos feitos de Jesus, mas um cristão da
segunda geração que se propôs a documentar a tradição existente sobre Jesus e o
andar dos primeiros cristãos. Na passagem de Atos 16.10-17, a referência à
primeira pessoa do plural (nós) além de revelar que Lucas era um dos
companheiros de Paulo na segunda viagem missionária mostra também que era ele
quem documentava esses registros:
“E, logo depois desta visão, procuramos partir para a
Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o
evangelho. E, navegando de Trôade, fomos correndo em caminho direito para a
Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis; e dali, para Filipos, que é a
primeira cidade desta parte da Macedônia e é uma colônia; e estivemos alguns
dias nesta cidade. No dia de sábado, saímos fora das portas, para a beira do
rio, onde julgávamos haver um lugar para oração; e, assentando-nos, falamos às
mulheres que ali se ajuntaram. E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de
púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe
abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. Depois que foi batizada,
ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao
Senhor, entrai em minha casa e ficai ali. E nos constrangeu a isso. E aconteceu
que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem que tinha espírito de
adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Esta,
seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o
caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo” (At 16.10-17).
Essas evidências internas, sem sombra de dúvidas, apontam
a autoria lucana do terceiro Evangelho. A propósito, em 1882 o escritor W.K.
Hobart em seu livro: A Linguagem Médica de Lucas demonstrou a existência de
vários termos médicos usados no terceiro Evangelho, o que confirmaria a autoria
lucana. Posteriormente a obra O Estilo Literário de Lucas, escrita por H. J.
Cadbury tentou mostrar que não somente Lucas usou termos médicos em sua obra,
mas que outros escritores, mesmo não sendo médicos, fizeram o mesmo. Mas como
bem observou William Hendriksen, quando se faz um paralelo entre Lucas e os
demais Evangelhos Sinóticos observa-se a peculiaridade do vocabulário médico
empregado por Lucas. Hendriksen comparou, por exemplo, Lucas 4.38 com Mateus
8.14 e Marcos 1.30 (a natureza ou grau da febre da sogra de Pedro); Lucas 5.12
com Mateus 8.2 e Marcos 1.40 (a lepra); e Lucas 8.43 com Marcos 5.26 (a mulher
e os médicos). Ainda de acordo com Hendriksen, pode-se acrescentar facilmente
outros pequenos toques. Por exemplo, somente Lucas declara que era a mão
direita que estava seca (6.6, cf. Mt 12.10; Mc 3.1); e entre os escritores
sinóticos, somente Lucas menciona que foi a orelha direita do servo do sumo
sacerdote a ser cortada (22.50; cf. Mt 26.51 e Mc 14.47). Com pare também
Lucas 5.18 com Mateus 9.2, 6 e Marcos 2.3, 5, 9; e çf. Lucas 18.25 com Mateus
19.24 e Marcos 10.25. Além do mais, conclui Hendrinksen, embora seja verdade
que os quatro Evangelhos apresentam Cristo como o Médico compassivo da alma e
do corpo, e ao fazê-lo revelam que seus escritores também eram homens de terna
compaixão, em nenhuma parte é este traço mais abundantemente notório que no
Terceiro Evangelho.5
Evidências externas da autoria lucana
Além dessas evidências internas, há também diversas
evidências externas, que fazem parte da tradição cristã, atestando a autoria
lucana para o terceiro Evangelho. Uma delas, o cânon muratoriano, escrita em
cerca de 180 d.C., confirma a autoria de Lucas: “o terceiro livro do Evangelho,
segundo Lucas, que era médico, que após a ascensão de Cristo, quando Paulo o
tinha levado com ele como companheiro de sua jornada, compôs em seu próprio
nome, com base em relatório”. Em cerca de 135 d.C., antes portanto do Cânon
muratoriano, Marcião, o herege, também atesta a autoria de Lucas para o terceiro
Evangelho. Testemunho confirmado posteriormente por Irineu (Contra as Heresias,
3.14-1) e outros escritores posteriores.
Data de
Composição da Obra
A data da
composição do terceiro evangelho é melhor definida pelos biblistas quando se
leva em conta alguns fatores. Por exemplo, se Lucas valeu-se do Evangelho de
Marcos como uma de suas fontes, nesse caso é preciso situá-lo em data posterior
ao escrito de Marcos que foi redigido alguns anos antes do ano 70 d.C. Segundo,
se Lucas é o primeiro volume de uma obra em dois volumes (Lucas-Atos), como se
acredita que é, fica bastante evidente que o terceiro Evangelho foi compilado
antes dos Atos dos Apóstolos. Nesse caso será preciso primeiramente datar o
livro de Atos. Os eruditos acreditam que, levando-se em conta uma análise
detalhada do livro de Atos dos Apóstolos, a data para sua redação está entre 61
a 65 d.C. Em Terceiro lugar, a data para a redação de Lucas dependerá também de
como se interpreta o sermão feito por Cristo sobre a destruição de Jerusalém
(Lc 21.8-36). Nesse caso, argumentam os críticos, Lucas escreveu depois da
destruição de Jerusalém no ano 70 visto ter feito referência aos fatos
ocorridos nessa data. Esse argumento é fraco, visto que Cristo proferiu uma profecia
sobre os eventos do fim e que tiveram início na destruição de Jerusalém. E o
que os teólogos denominam de vaticinium ex eventu, isto é, uma profecia que é
feita antes que o evento ocorra. Em quarto lugar, muitos críticos argumentam em
favor de uma data mais tardia para Lucas, porque segundo eles, algumas
situações mostradas nas obras de Lucas demonstrariam situações que ainda não
existiam nos anos 60 e 70 d.C. Mas esse é um argumento que não se sustenta
pelas mesmas razões já expostas anteriormente.6 Em resumo, Lucas redigiu sua
obra entre os anos 60 e 70, sendo que alguns estudiosos opinam para a primeira
parte dessa década enquanto outros pela segunda. Seja como for, isso em nada
altera aquilo que Lucas escreveu.
Gênero
Literário
Compreender a que tipo de gênero literário pertence o
terceiro Evangelho é crucial para uma correta compreensão do seu texto. Isso se
torna mais relevante ainda quando se estuda o papel que o Espírito Santo ocupa
na teologia lucana. Já há algum tempo, a perspectiva teológica que via as obras
de Lucas apenas como biografia e história vem sendo abandonadas pelos
biblistas. Em 1970 o conceituado teólogo I. Howard Marshall chamou a atenção
para o fato de que Lucas não poderia ser visto mais como um simples
historiador, mas como um teólogo que escreveu a história.7 Em outras palavras,
Lucas não apenas documentou os fatos, mas escreveu suas obras tendo em mente um
propósito teológico definido. Nesse aspecto, observa o escritor Luís Fernando
Garcia-Viana, “Lucas é o teólogo da história da salvação: a história de Israel
ou tempo da preparação; Jesus como centro do tempo (Lc 16.16); e o tempo da
missão ou da igreja, que se inicia com a Ascensão e o Pentecostes”.8
Quando se reduz as
obras de Lucas apenas à sua dimensão histórica, forçosamente se é tentado a
vê-las apenas como material de natureza narrativa ou descritiva e sem nenhum
valor didático. Esse é um erro que precisamos evitar a todo custo. Por muitos
anos esse era o entendimento que dominava os círculos teológicos graças às
obras dos teólogos John Stott e Gordon D. Fee.9 Partindo de uma metodologia que
atribui apenas valor narrativo e não didático à obra de Lucas, tanto Sott como
Fee acabaram por mutilar o caráter claramente carismático do texto lucano. A
esse respeito, Stott escreveu:
“Se deve buscar a revelação do propósito de Deus nas
Escrituras nas partes didáticas, e jamais em sua porção histórica. Mais
precisamente devemos buscá-la nos ensinos de Jesus e nos sermões e escritos dos
apóstolos e não nas porções puramente narrativas de Atos”.10
Esse é um exemplo
clássico de falácia exegética, pois anula uma máxima bíblica na qual se afirma
que toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para o nosso ensino (2 Tm
3.16; Rm 15.4). Por outro lado, não leva em conta o caráter didático das
narrativas veterotestamentárias usadas por Paulo quando instrui os primeiros
cristãos (Rm 4.1-25; 1 Co 10.1-12; G1 3.6-14). A propósito, após ver sua
argumentação ser contraditada por Roger Stronstad, o anglicano John Stott
voltou atrás e fez emendas em sua tese: “Não estou negando que narrativas
históricas têm uma finalidade didática, pois é claro que Lucas era tanto um
historiador e um teólogo; Estou afirmando que a finalidade didática de uma
narrativa nem sempre é evidente em si mesma e por isso muitas vezes precisa de
ajuda interpretativa de outro lugar nas Escrituras”.11
Lucas, portanto, foi um teólogo que escreveu a história e
ao assim proceder o fez com um fim didático. Primeiramente ele mostra no seu Evangelho
a história da Salvação se revelando de uma forma especial e chegando ao seu
clímax com Jesus, o Messias prometido. O Espírito do Senhor, que agiu sobre os
antigos profetas e que seria um sinal distintivo do Messias (Is 61.1; Lc 4.18),
estava sobre Jesus capacitando-o a realizar as obras de Deus. No segundo volume
da sua obra, Atos dos Apóstolos, ele demonstra que essa história da Salvação
não sofreu solução de continuidade, pois o mesmo Jesus, na pessoa do Espírito
Santo, continuou presente em seus seguidores. O Messias cumpriu as profecias e
derramou o Espírito Santo sobre toda a carne (Jl 2.28; At 2.33; 5.32). Não há
dúvidas, portanto, que a teologia lucana mostra de forma inequívoca que as
mesmas experiências dos cristãos primitivos serviriam de parâmetro para todos
os crentes na história da igreja.12
Propósito
A fé cristã no
seu contexto histórico
E inegável que Lucas, como um teólogo, demonstrou um
grande interesse pelos fatos históricos quando redigiu sua obra. O prólogo,
escrito a Teófilo, que se acredita ser um gentio de alta posição social, atesta
isso. “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que
entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram
desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim
conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem,
havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que
conheças a certeza das coisas de que já estás informado” (Lc 1.1-4).13
O que pretendia, portanto, o autor do terceiro Evangelho
ao documentar sua obra? Lucas procura narrar a história; mas não a história
como se entende hoje em seu sentido secular ou positivo, que se prende apenas à
narrativa das ações humanas.14 Ele narra a história da Salvação. A história de
Lucas é a história da ação de Deus entre os homens e como ele demonstra a sua
soberania entre eles! Dentro desse contexto o seu interesse era mostrar os
fatos sobre os quais o evangelho estava fundamentado; estabelecer o vínculo
entre o cristianismo e o judaísmo, revelando dessa forma que a fé cristã
possuía raízes judaicas; deixar claro que o cristianismo não veio para competir
com o império romano, mostrando assim que ele não era uma ameaça política à
autoridade do império.15
Uma Teologia Carismática
Como um escritor
inspirado e um teólogo cristão, Lucas mostra que o tempo do cumprimento das
promessas de Deus, preditas nos antigos profetas, havia chegado. Fica claro
para ele que o advento do cristianismo foi precedido pela renovação do Espírito
profético. O último profeta, Malaquias, havia silenciado cerca de quatrocentos
anos antes. Esse hiato entre os dois testamentos é conhecido como período
inter-bíblico. Agora esse silêncio é rompido, primeiramente pelo anúncio feito
a Zacarias, pai de João Batista (Lc 1.13) e posteriormente a Maria, a mãe de
Jesus (Lc 1.28). É, contudo, no ministério de João Batista, que Lucas mostra a
restauração da antiga profecia bíblica: “E, no ano quinze do império de Tibério
César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes, tetrarca da
Galileia, e seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da província de Traconites,
e Lisânias, tetrarca de Abilene, sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no
deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias” (Lc 3.1-2).
Essa restauração
da antiga profecia bíblica, como veremos em capítulos posteriores, é importante
no contexto da teologia carismática de Lucas. Já foi dito que Lucas escreveu
uma obra em dois volumes e esse é um fato importante porque essa homogeneidade
nos ajuda compreender a ação do Espírito Santo na teologia Lucas-Atos. No
Evangelho, Lucas mostra o Espírito atuando sobre o Messias e capacitando-o para
realizar as obras de Deus como havia sido prometido nas profecias (Lc 4.18; Is
61.1). Por outro lado, no livro de Atos está o cumprimento da promessa do
Messias de derramar esse mesmo Espírito sobre os seus seguidores (Lc 11.13;
24.49; At 1.8). Em outras palavras, o mesmo revestimento de poder que estava
sobre Jesus Cristo e que o capacitou a curar os enfermos, ressuscitar os mortos
e expulsar os demônios seria também dado a seus seguidores quando ele fosse
glorificado. “De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do
Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis”
(At 2.33); “nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o
Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem” (At 5.32).16
A História da
Salvação
A história da Salvação no terceiro Evangelho é revelada
em seu aspecto particular e universal. Sem dúvida a ênfase maior está na
universalidade da Salvação. Jesus veio para os judeus, mas não somente para
estes, ele veio também para os gentios. A Salvação é para todos! Esse princípio
teológico de Lucas fica em evidência quando se observa o lugar que os excluídos
ocupam nos seus registros. No anúncio do nascimento de Jesus feito pelos anjos
aos camponeses foi dito: “Vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para
todo o povo” (Lc 2.10).
Todo o povo, e não apenas os judeus, era objeto da graça
de Deus. E inegável a atenção que se dá aos pobres, excluídos e marginalizados
no Evangelho de Lucas. O Espírito Santo estava sobre Jesus para “evangelizar os
pobres” (Lc 4.18). É interessante observarmos que a palavra grega ptochoi,
traduzida como pobres, significa alguém que possui alguma carência. E
exatamente esses carentes que Jesus irá priorizar em seu ministério. Ele dará
grande atenção aos publicanos, pecadores, mulheres e aos samaritanos que eram
discriminados naquela cultura (Lc 5.32; 7.34-39;9.51-56; 10.3; 15.1; 17.16;
18.13; 19.10).
Essa Salvação predita pelos profetas, anunciada pelos
anjos e declamada em forma poética pelo sacerdote Zacarias e Maria, mãe de Jesus,
é também de natureza escatológica. A teologia lucana mostra João anunciado a
chegada do Reino e Jesus estabelecendo-o durante o seu ministério. Todavia esse
Reino inaugurado pela manifestação messiânica (Lc 4.43; 8.1; 9.2; 17.21) ainda
não está revelado em toda a sua extensão. Já podemos, sim, viver a sua
realidade no presente, mas a sua plenitude somente na sua parousial (At
1.6-11).
Essa é a nossa esperança!
Lucas - O Evangelho de Jesus,
O Homem Perfeito José Gonçalves
NOTA :
O autor do quarto
Evangelho
Lucas, “o médico
amado”(Cl 4.14), a pena que o ESPÍRITO SANTO usou para escrever este livro, não
era um dos apóstolos, como se diz comumente. Nem era discípulo, quando CRISTO
andava neste mundo. (Compare Lc 1.1,2). Mas, depois de se converter, foi
colaborador e amigo íntimo e amado do apóstolo Paulo, acompanhando-o na maior
parte das viagens missionárias. Foi-lhe, também, fiel companheiro na prisão de
Cesaréia e depois na de Roma, Cl 4.14; Fm 24. Lucas era de descendência
judaica. O bom estilo do grego que escreveu indica que era judeu da dispersão.
Conforme a tradição era judeu de Antioquia, como Paulo o era de Tarso. Entre os
escritores antigos, somente Gregório afirma que Lucas morreu mártir.
A data do livro de
Lucas
Foi, talvez,
durante o tempo da prisão em Roma, que Lucas teve vagar para escrever seu
Evangelho e, também, Atos dos Apóstolos. Os eruditos, geralmente, concordam que
foi entre os anos 63 e 68. Quanto a Igreja deve às prisões pelos preciosos
escritos que possui atualmente!
Orlando S. Boyer. Espada
Cortante 2. Editora CPAD. pag. 16.
O autor de Atos se
refere ao Evangelho especificamente como “o primeiro tratado,” (At 1.1), e
ambos são dirigidos a Teófilo (Lc 1.3; At 1.1). Ele fala de si mesmo em ambos
os livros como “eu” na frase “pareceu-me” Kajaol, Lc 1.3) e [Eu] fiz eu o At
1.1. Ele se refere a si mesmo com outros termos como “nós”, como em Atos 16.10,
e nas seções “nós” de Atos. O mesmo estilo aparece no Evangelho e em Atos, de
forma que a pressuposição é forte em apoio à afirmação do autor. É bem possível
que a Introdução formal ao Evangelho (1.1-4) se destinasse também a ser
aplicada em Atos que possui apenas uma oração introdutória. Plummer argumenta
que supor que o autor de Atos tenha imitado o Evangelho intencionalmente é
supor um milagre literário. Até mesmo Cadbury, que não está convencido da
autoria de Lucas, diz: “Em meu estudo de Lucas e Atos, a sua unidade é um
axioma fundamental e inspirador.” Ele acrescenta: “Elas não são meramente duas
escrituras da mesma caneta; elas são uma obra única e contínua. Atos não é um apêndice
nem uma reflexão posterior. É provavelmente uma parte integral do plano e
propósito originais do autor.”
A DATA DO EVANGELHO
Existem dois fatos
extraordinários para marcar a data deste Evangelho de Lucas. Foi depois do
Evangelho de Marcos, visto que Lucas faz uso abundante dele. Foi antes de Atos
dos Apóstolos, visto que ele definitivamente se refere a ele em Atos 1.1.
Infelizmente a data precisa de ambos termini é incerta. Muitos que aceitam este
ponto de vista defendem a autoria de Atos e do Evangelho como sendo de Lucas.
Há muito tempo
defendo este ponto de vista, não tão habilmente defendido por Hamack, de que
Atos dos Apóstolos termina da maneira que termina pelo motivo simples e óbvio
de que Paulo ainda estava preso em Roma. Se Lucas quis que Atos fosse usado no
tribunal em Roma, o que pode ter acontecido ou não, não é a questão. Alguns
argumentam que Lucas contemplava um terceiro livro que cobriria os eventos do
tribunal e a carreira posterior de Paulo. Não há prova deste ponto de vista. O
fato impressionante é que o livro termina com Paulo já prisioneiro por dois
anos em Roma.
Se Atos foi escrito
por volta de 63 d.C., como eu acredito ser o caso, então obviamente o Evangelho
vem antes; quanto tempo antes, não sabemos. Acontece que Paulo era prisioneiro
há pouco mais de dois anos em Cesareia. Este período deu a Lucas uma abundante
oportunidade para o tipo de pesquisa do qual ele fala em Lucas 1.1-4. Na
Palestina ele poderia ter acesso a pessoas familiares com a vida e os ensinos
terrenos de JESUS e a quaisquer documentos que já estivessem produzidos a
respeito destas questões. Lucas pode ter produzido o Evangelho durante o final
da estada de Paulo em Cesareia ou durante a primeira parte da primeira prisão
romana, em algum ponto entre 59 e 62 d. C.
O outro testemunho
diz respeito à data do Evangelho de Marcos. Não há uma dificuldade real no
caminho da data inicial do Evangelho de Marcos. Todos os fatos que são
conhecidos admitem, e até mesmo favorecem uma data próxima a 60 d. C. Se Marcos
escreveu o seu Evangelho em Roma, como é possível, certamente seria antes de 64
d.C., a data em que Nero pôs fogo em Roma. Há estudiosos, porém, que defendem
uma data muito anterior para o seu Evangelho, chegando a 50 d. C.
A. T. ROBERTSON. COMENTÁRIO
LUCAS À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 14; 17-18.
A tradição tem
sempre crido que Lucas é o autor e não temos nenhum escrúpulo em aceitar a
tradição neste caso. No mundo antigo era comum atribuir os livros a nomes
famosos; ninguém via mal nisso. Mas Lucas nunca foi uma figura famosa na igreja
primitiva. Se não tivesse escrito o evangelho é mais que seguro que ninguém o
tivesse atribuído como autor. Lucas era um gentio; e tem a distinção de ser o
único autor do Novo Testamento que não é judeu. Era médico de profissão
(Colossenses 4:14) e possivelmente esse mesmo feito lhe conferisse a grande
simpatia que possuía.
Tem-se dito que um pastor
vê o melhor dos homens; um advogado vê o pior, e um médico os vê tal como são.
Lucas via os homens e os amava. O livro foi escrito para um homem chamado
Teófilo. É chamado excelentíssimo Teófilo, tratamento que geralmente se dava
aos altos funcionários do governo romano. Sem dúvida Lucas o escreveu para
contar mais a respeito de JESUS a uma pessoa muito interessada; e teve êxito em
dar a Teófilo um quadro que deve ter aproximado seu coração ainda mais ao JESUS
do qual tinha ouvido.
BARCLAY. William. Comentário
Bíblico. LUCAS. pag. 4
2. A OBRA.
As narrações de
Lucas nos arrebatam por seu interesse humano. São histórias de eventos na vida
humana, eventos comoventes, eventos cheios de alegria e de tristeza, cheios de
cânticos e de lágrimas, de louvor e de oração.
E só Lucas que
escreve o nascimento e a meninice de JESUS CRISTO e de Seu precursor, lançando
um grande e significativo halo de glória sobre a infância de todos nós.
O livro de Lucas é
notável pelos cânticos registrados. Há, ao menos, seis: Maria com o anjo
Gabriel, 1.28. A Beatitude de Isabel, 1.42. O Magnificai, de Maria, 1.46-55. O
Benedictus, de Zacarias, 1.68-79. O Glória in excelsis, dos anjos, 2.14. O
Nunc-dnnittis, de Simeão, 2.29-32.
É Lucas que
marca as datas mais plenamente. (Vede cap. 1.5,26,36; 2.1,2,21,22,36,37,42;
3.1,2.)
Lucas é que dá mais
atenção ao sexo feminino, falando sobre o grupo de mulheres que andavam com
JESUS: Isabel, a virgem mãe, a idosa Ana, a viúva de Naim, a viúva que ofertou
tudo que possuía, as irmãs de Betânia, a pecadora penitente, a mulher curvada
por Satanás, as mulheres santas que seguiam a JESUS de aldeia em aldeia, as
“filhas de Jerusalém” que, chorando, O acompanharam até a cruz,...
Lucas fala mais nas
orações de CRISTO do que Mateus, Marcos ou João (Vede cap. 3.21; 5.16; 6.12;
9.18,29; 11.1; etc.)
É só Lucas que dá a
parábola de 1) Os dois devedores (7.41-43), 2) 0 bom samaritano (10.25-37), 3)
O amigo importuno (11.5-8), 4) O rico insensato (12.116-21), 5) Os servos
vigilantes (12.35-40), 6) O mordomo (12.42-48), 7) A figueira estéril (13.6-9),
8) A grande ceia (14.16-224), 9) A construção de uma torre (14.28-33), 10) A
moeda perdida (15.8-10), 11) O filho perdido (15.11-32), 12) O administrador
infiel (16.1.13), 13) O rico e Lázaro (16.19-31), 14) O senhor e seu servo
(17.7-10), 15) A viúva importuna (18.1-8), 16) O fariseu e o publicano
(18.10-14), 17) As dez minas (19.12-27).
Lucas é o Evangelho
do lar. É esse livro que nos dá um olhar momentâneo para a vida no lar em
Nazaré, da cena na casa de Simeão, da hospitalidade de Maria e Marta, da
refeição com os dois discípulos em Emaús, da parábola do amigo importuno à meia
noite, da mulher varrendo a casa, em procura da dracma perdida, e do pródigo,
que volta ao lar paterno.
O livro de Lucas é,
também, o Evangelho dos pobres e dos humildes como se descobre no cântico de
Maria, no nascimento do Rei dos reis em uma estrebaria, na vida do precursor do
Rei no deserto, na parábola do néscio rico, na história do rico e Lázaro e no
óbolo da viúva.
Grande e eterna é a
perda daqueles que não conhecem intimamente o Evangelho segundo Lucas. Que o
ESPÍRITO SANTO abra nossos olhos para ver a admirável beleza da “mais bela obra
do mundo”! Então podemos levar os alunos de nossa Escola Bíblica Dominical, e
os membros de nossa igreja, a contemplarem praticamente a beleza que é
verdadeira, que é eterna e que nos encanta mais. “Se vós estiverdes em mim, e
as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será
feito” (Jo 15.7).
Orlando S. Boyer. Espada
Cortante 2. Editora CPAD. pag. 17.
Os textos de Lucas
estão entre os mais literários dos livros do Novo Testamento, distintos no
original por seu estilo fluente e belo. Lucas é o único dos autores a escrever
uma seqüência — o Livro de Atos — que conta a história da igreja primitiva e
sua disseminação. Diferentemente dos outros Evangelhos, cujo conteúdo pode ser
traçado a partir do passado pelas narrativas das testemunhas oculares da vida
de JESUS compartilhada com seus discípulos, Mateus, João e Pedro (a fonte do
Evangelho de Marcos), Lucas desenvolve sua narrativa através do que poderíamos
chamar, hoje, de “reportagem investigativa”. Na introdução, Lucas nos conta
(1.1-4) que seu trabalho é fruto de cuidadosa pesquisa, no estilo de “uma
narrativa ordenada” com o objetivo de levar o leitor “para que conheças a
certeza das coisas de que já estás informado”. E muito provável que Lucas tenha
realizado a maior parte de sua pesquisa durante os anos em que Paulo esteve
preso em Cesaréia, aguardando julgamento (cf. At 23-27).
A exemplo de outros
escritores do Evangelho, Lucas tem em mente determinada audiência. Para tanto,
moldou seu material para reforçar temas de especial interesse a esse público e
aos seus leitores em geral. Muitos concordam que Lucas escreve para os
helenistas, com raízes na cultura grega, cujo ideal é arete, “excelência”.
Lucas, sempre ciente da divindade de JESUS, também o considerava como o ser
humano ideal, capaz de redefinir a excelência.
A “excelência” em
JESUS, é vista não como uma superioridade pessoal em detrimento dos outros, mas
uma superioridade pessoal expressa na preocupação com os outros. Os demais
valores de JESUS são sutilmente desprezados pela sociedade: a mulher, o pobre,
o excluído. A confiança de JESUS na oração e no ESPÍRITO SANTO revela a
humanidade em sua íntima relação com o universo, dependente de um DEUS que,
embora exista além de nós, nos ama de tal maneira que decidiu se envolver
inteiramente em nossa vida. Tudo isso faz de Lucas talvez o mais caloroso e
sensível dos quatro Evangelhos e nos proporciona o mais atraente dos retratos
de JESUS CRISTO.
RICHARDS. Lawrence
O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a
Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 649.
3. OS DESTINATÁRIOS
ORIGINAIS.
E inegável que
Lucas, como um teólogo, demonstrou um grande interesse pelos fatos históricos
quando redigiu sua obra. O prólogo, escrito a Teófilo, que se acredita ser um
gentio de alta posição social, atesta isso. “Tendo, pois, muitos empreendido
pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos
transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros
da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó
excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente
de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já
estás informado” (Lc 1.1-4).
José Gonçalves.
Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD.
pag. 19.
O próprio autor
declara peremptoriamente um dos propósitos que teve, ao escrever a sua obra, no
prefácio deste evangelho (1:1-4). Muitas pessoas haviam escrito a respeito de
JESUS e sua vida admirável, talvez de maneiras incompletas e quiçá
contraditórias; e Lucas desejava suprir uma narrativa em ordem e digna de
confiança para Teófilo (que evidentemente era um alto oficial romano,
possivelmente recém-convertido ao cristianismo). Todavia, também é possível que
Teófilo não fosse o único destinatário porque Lucas pode ter tido o interesse
de suprir um evangelho em ordem e completo para leitores não-judeus. E Lucas
também queria esclarecer, ao governo imperial de Roma, que os cristãos não eram
alguma seita sediciosa e subversiva, e nem mera facção do judaísmo; pelo
contrário, que a sua mensagem é universal, e, por isso mesmo, importante para
todos os povos. Também desejava apresentar um Salvador universal, um grande e
compassivo Médico, Mestre e Profeta, que viera aliviar os sofrimentos humanos e
salvar as almas dos homens.
CHAMPLIN, Russell
Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Candeias. Vol. 2. pag. 1-2.
Entre os evangelhos
sinóticos: Mateus escreveu para os judeus, Marcos para os romanos, Lucas para
os gentios. Tanto o terceiro Evangelho como Atos refletem um enorme interesse
em difundir o cristianismo aos não-judeus. No Evangelho de Lucas, por exemplo,
JESUS disse que a fé do centurião foi superior ao de qualquer judeu; a história
do Bom Samaritano, onde JESUS, quase irônico, condena a religiosidade dos
judeus.
Destinatários-leitores,
apenas um é mencionado: um tal de Teófilo, o epíteto krátistos 2903 , também
aplica ao governador romano Félix e a Festus o tratamento de potentíssimo (Atos
23:26; 24:3; 26:25), e serve para confirmar que Teófilo não é simplesmente
um termo genérico para todos os crentes como "amado do Senhor", mas
indica uma pessoa de alguma elevada posição social (comp. 1 Coríntios. 1:26).
No entanto, é possível que, apesar de ser especificamente destinada a um
possível empresário rico, o objetivo geral era precisamente aqueles
considerados excluídos da aliança (gentios). Mas esta maneira de abordar este
convertido gentio, Teófilo é realmente um trabalho de dedicado discipulado.. FF
Bruce afirma que o título de "Excelência", se usado com precisão
aponta para um elevado membro da Ordem Equestre da sociedade romana; mas
poderia ser usado de forma mais geral, como um título de cortesia.
Pode muito bem ser
esperado que Theophilus apoiaria a publicação do livro de Lucas. O que está
claro é que Lucas tinha em mente os leitores gentios. Por exemplo, deve-se
notar o cuidado de Lucas para informar seus leitores sobre pontos palestinianos
relacionados à geografia, mesmo os mais simples, e isso contrasta com o fato de
que seus leitores eram judeus. Por outro lado, Lucas deliberadamente evita o
uso de Aramaísmos como rabi ; ou semitismos como hosana. Isso explica mais uma
vez que Lucas escolheu um monte de material da sociedade judaico-romana,
incluindo a "leitura de Nazaré", porque ele queria enfatizar que o
ministério de JESUS fora ungido pelo ESPÍRITO do Senhor, o que era
completamente desconhecido para os crentes gentios.
Daniel Carro; José
Tomás Poe; Ruben O. Zorzoli. Comentário bíblico mundo hispano.
Editora Mundo Hispanico. Casa Batista de Pulblicaiones.
II - OS FUNDAMENTOS
E HISTORICIDADE DA FÉ CRISTÃ
1. O CRISTIANISMO
NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO.
Como um escritor
inspirado e um teólogo cristão, Lucas mostra que o tempo do cumprimento das
promessas de DEUS, preditas nos antigos profetas, havia chegado. Fica claro
para ele que o advento do cristianismo foi precedido pela renovação do ESPÍRITO
profético. O último profeta, Malaquias, havia silenciado cerca de quatrocentos
anos antes. Esse hiato entre os dois testamentos é conhecido como período interbíblico.
Agora esse silêncio é rompido, primeiramente pelo anúncio feito a Zacarias, pai
de João Batista (Lc 1.13) e posteriormente a Maria, a mãe de JESUS (Lc 1.28).
É, contudo, no ministério de João Batista, que Lucas mostra a restauração da
antiga profecia bíblica: “E, no ano quinze do império de Tibério César, sendo
Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes, tetrarca da Galileia, e seu
irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da província de Traconites, e Lisânias,
tetrarca de Abilene, sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a
palavra de DEUS a João, filho de Zacarias” (Lc 3.1-2).
Essa restauração da
antiga profecia bíblica, como veremos em capítulos posteriores, é importante no
contexto da teologia carismática de Lucas. Já foi dito que Lucas escreveu uma
obra em dois volumes e esse é um fato importante porque essa homogeneidade nos
ajuda compreender a ação do ESPÍRITO SANTO na teologia Lucas-Atos. No
Evangelho, Lucas mostra o ESPÍRITO atuando sobre o Messias e capacitando-o para
realizar as obras de DEUS como havia sido prometido nas profecias (Lc 4.18; Is
61.1). Por outro lado, no livro de Atos está o cumprimento da promessa do
Messias de derramar esse mesmo ESPÍRITO sobre os seus seguidores (Lc 11.13;
24.49; At 1.8). Em outras palavras, o mesmo revestimento de poder que estava
sobre JESUS CRISTO e que o capacitou a curar os enfermos, ressuscitar os mortos
e expulsar os demônios seria também dado a seus seguidores quando ele fosse
glorificado. “De sorte que, exaltado pela destra de DEUS e tendo recebido do
Pai a promessa do ESPÍRITO SANTO, derramou isto que vós agora vedes e ouvis”
(At 2.33); “nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o
ESPÍRITO SANTO, que DEUS deu àqueles que lhe obedecem” (At 5.32).
José Gonçalves.
Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD.
pag. 20.
Tetrarca (v.l):
Governador de uma das quatro partes em que se dividiam alguns estados.
Herodes (v.l):
Herodes, o Grande, era rei da Judéia, de 39 a 4 AC. Seu filho, Herodes Antipas,
que degolou João Batista, era tetrarca da Galiléia, 4 AC a 39 AD.
Herodes Agripa I,
que matou a Tiago (At 12) era rei de 27 a 44 AD.
Eis a negra lista
dos que governavam no lugar de Davi! Tibério, Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe
(irmão de Herodes), Anás e Caifás eram homens acerca dos quais sabemos muito
pouco, a não ser que eram cruéis, pérfidos, traiçoeiros e sem escrúpulo.
É suficiente isto
para salientar o fato de haver chegado o tempo da imperiosa necessidade de João
Batista iniciar sua obra.
Nunca nos convém cair
no desespero por causa das nuvens sombrias e ameaçadoras que pairam mais e mais
sobre a humanidade. Como no tempo de João Batista, a libertação dos céus pode
estar mais perto do que pensamos. Num momento DEUS pode tornar as trevas da
meia noite no clarão do meio dia.
Sendo Anás e Caifás
sumos sacerdotes (v. 2): No início, os judeus reconheciam apenas um sumo
sacerdote. Mas depois, parece o costume de ter dois sumos sacerdotes 2 Rs
25.18. Tanto Zadoque como Abiatar, exerciam o ofício de sumo sacerdote no tempo
de Davi, 2 Sm 15.29. Apesar de Anás ter sido deposto por Pilatos, ele
continuava a ter grande influência e exercer muito do poder de seu genro
Caifás. (Vede Jo 18.13; At 4.6.)
Veio no deserto a
palavra de DEUS a João (v. 2): João, sem dúvida, permanecia no deserto, onde,
separado dos homens, podia discernir melhor a vontade do Senhor.
O tempo que
gastamos dentro de nosso quarto, com a porta fechada e a sós com DEUS, não é
tempo perdido.
Somente aqueles
chamados por DEUS, aqueles em que o fogo divino arde, devem pregar. Como pode
um homem anunciar as verdades que ele mesmo nunca experimentou? Como pode
testificar de um Salvador que nunca viu? Como pode pregar a Palavra de DEUS se
essa Palavra nunca lhe veio? E percorreu... (v. 3): João Batista não foi desobediente
à visão celestial, do v. 2. Produzi pois frutos dignos de arrependimento (v.
8): João discriminava praticamente os frutos que deviam produzir: 1) A multidão
(v. 10), 2) Aos publicanos, vv . 12,13. 3) Aos soldados, v. 14. Isso nos ensina
que 1) O Evangelho é muito prático.
2) Não todas as
pessoas têm as mesmas tentações, que há certos pecados que nos apegam mais que
outros. (Vede Hb 12.1.)
Orlando S. Boyer. Espada
Cortante 2. Editora CPAD. pag. 53.
1. Lucas começa com
datas pormenorizadas, não no início do ministério de JESUS, mas, sim, no início
daquele de João. Reflete, assim, a importância crítica do reavivamento da
profecia. E coloca aquilo que se segue firmemente no contexto da história
secular. Visto que Augusto morreu em 19 de agosto de 14 d.C., o décimo quinto
ano do reinado de Tibério César foi de agosto de 28 d. C. até agosto de 29 d.
C. Alguns argumentam que a contagem deveria começar com a co-regência de
Tibério com Augusto, 11-12 d.C.; mas nenhum exemplo pode ser citado de alguém
que em qualquer tempo calculasse a data a partir de então. As datas sempre são
a partir do tempo em que Tibério veio a ser imperador. Outros sustentam que
Lucas está usando o método sírio mediante o qual o ano começava em 1 de
outubro. O período de 19 de agosto até 30 de setembro seria contado como o
primeiro ano do reinado, e o segundo ano começaria em 1 de outubro. Assim,
chegaríamos ao ano que começou em 1 de outubro de 27 d. C. Se fosse seguir um
sistema judaico semelhante, o ano seria aquele que começava em 1 de Nisã
(março-abril) de 28 d. C.; Não parece que possamos chegar mais perto de que
cerca de 27-29 d. C.
Sendo Pôncio
Pilatos governador. Esta palavra tem significado muito geral, mas uma inscrição
mostra que seu título era “prefeito” (e não “procurador,” conforme muitas vezes
tem sido sustentado). A Judeia fazia parte da região distribuída por Herodes
Magno a Arqueleu, mas este reinou tão mal que seus súditos dirigiram uma
petição aos romanos para que o removessem. Fizeram-no, e instalaram seu próprio
governador em 6 d. C. Pilatos deteve este cargo em 26-36 d.C .Herodes é Herodes
Antipas, filho de Herodes Magno. Ficou sendo tetrarca da Galiléia e da Peréia
na ocasião da morte do seu pai em 4 a.C., e deteve o cargo até 39 d. C.
Destarte, reinou durante a maior parte da vida de JESUS sobre o território em
que a maior parte do tempo de JESUS foi passada. A palavra tetrarca significa,
a rigor, um soberano sobre uma quarta parte de uma região, mas veio a ser empregada
para qualquer príncipe insignificante (Herodes Magno, na realidade, dividiu seu
reino em três partes). O irmão de Herodes, Filipe, reinou sobre sua tetrarquia
(que ficava ao nordeste do Mar da Galiléia) de 4 a.C. até 33 ou 34 d. C.
Lisânias é um problema. Josefo menciona um homem com este nome que governou um
território extenso a partir da sua capital de Cálquis até sua morte em 36 (ou
34) a.C. (Antiguidades xv.92).
Há, porém,
inscrições que se referem a um Lisânias num período posterior que reinou como
tetrarca de Abilene, que fica ao norte das demais regiões mencionadas. Parece
melhor sustentar que Lucas independe de Josefo e que escreve acerca deste
Lisânias posterior. Nada mais se sabe acerca deste homem.
2. Lucas passa a
acrescentar uma data de especial importância aos judeus, a saber: a referência
aos sumos sacerdotes. Anás era sumo sacerdote em 6-15 d,C., quando, então, o
governador romano Grato o depôs. Cinco dos seus filhos vieram a ser sumos
sacerdotes no decurso do tempo, e Caifás, que deteve o cargo de 18 até 36 d.C.,
foi seu genro. Lucas emprega o singular, que demonstra que sabia que havia um
só sumo sacerdote. Parece que quer dizer que Caifás era o detentor oficial do
cargo, mas que Anás ainda exercia grande influência, e talvez que ainda fosse
considerado por muitos judeus como o verdadeiro sumo sacerdote (cf. At 4:6).
Talvez valha a pena
indicar que quando JESUS foi preso, foi trazido primeiramente a Anás (Jo
18:13).
Na ocasião definida
de modo tão impressionante, pois, veio a palavra de DEUS a João. A expressão é
muito semelhante àquela que se emprega na LXX acerca da maneira de os profetas
receberem sua mensagem (cf. Jz 1:2). Provavelmente visa colocar João na
sucessão profética verdadeira.
3. Ele percorreu
toda a circunvizinhança do Jordão parece significar que João viajava muito no
vale do Jordão. Diferentemente de Mateus e Marcos, Lucas nada diz acerca da
aparência e dos hábitos dietéticos de João. Vai diretamente à mensagem dele.
João pregava batismo de arrependimento para remissão de pecados. Trata-se de um
batismo que segue o arrependimento e que é sinal dele, João conclamava as
pessoas a se voltarem dos seus pecados, A aceitação do batismo era um sinal que
assim fizeram.
O propósito era o
perdão. o batismo era um rito de purificação em certo número de religiões.
Parece certo que neste tempo os judeus usavam o batismo dos prosélitos.
Consideravam impuros todos os gentios, de modo que os batizavam quando se
tomavam prosélitos (além de circuncidar os homens). O ferrão que havia na prática
de João era que aplicava aos judeus a cerimônia considerada apropriada para os
gentios impuros. Muitos judeus esperavam que no julgamento DEUS tratasse
duramente com os pecadores gentios, mas que os judeus, os descendentes de
Abraão, o amigo de DEUS, estariam seguros. João denuncia esta atitude e remove
a imaginada segurança.
Leon L. Morris. Lucas. Introdução
e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 89-91.
No versículo 1,
Lucas faz menção de várias regiões políticas nas quais o país dos judeus fora
dividido e que existia quando João começou seu ministério público.
Os seis itens
cronológicos aos quais Lucas faz menção serão comentados na ordem 2, 3, 4, 5,
6,
1. Essa seqüência
será seguida porque, como este autor a vê, o sexto item lança luz sobre a
compreensão correta do item 1.
2. A palavra de
DEUS veio a João, filho de Zacarias, “sendo Pôncio Pilatos governador
da Judeia”. O que sucedeu foi o seguinte: Herodes o Grande elaborou
um testamento que foi por ele revisado várias vezes. No momento de sua morte (em
ou antes de 4 de abril do ano 4 a. C.), o governo romano permitiu que a última
revisão fosse reconhecida. Consequentemente, Arquelau, um filho que Herodes o
Grande, teve com Maltace, foi feito etnarca da Judeia, Samaria e Iduméia.
Devido, porém, ao fato de Arquelau ter sido um governante cruel, ele foi
deposto no ano 6 d. C. O imperador designou então um “governador” para
substituir Arquelau, e a tríplice região, que então passou a chamar-se
província da Judeia, passou a ser uma divisão da prefeitura da Síria,
de modo que o governador ficasse, em alguma medida, subordinado ao legado da
Síria. Não obstante, na própria Judeia, o governador
exercia autoridade irrestrita.
Os governadores
seguiam uns aos outros em rápida sucessão. A província
da Judeia não foi uma exceção. Pôncio Pilatos foi o quinto
desses “governadores”. Nessa qualidade, ele governou de 26 a 36 d. C.
3. “Herodes,
tetrarca da Galiléia.” Esse homem, comumente conhecido como “Herodes Agripa”,
era irmão de Arquelau. O mesmo fato que fez Arquelau um “etnarca”, fez Herodes
Antipas um “tetrarca” da Galiléia (e Peréia). Este permaneceu em sua posição de
4 a.C. a 39 d.C., quando foi banido para Lião, na Gália. Algum tempo depois o
domínio que lhe fora tirado foi agregado ao reino de Herodes Agripa I, o Herodes
a que faz referência Atos 12.
Herodes Antipas é o
“Herodes” que encontramos nos Evangelhos (com exceção de Mt 2.1-19 e Lc 1.5,
onde a referência é a seu pai, Herodes I, o Grande).
4. “Seu irmão
Filipe, tetrarca da região de Ituréia e Traconite.” Filipe era um filho de
Herodes I com Cleópatra de Jerusalém (não confundir com a Cleópatra egípcia). A
informação que temos dele devemos, em sua grande parte, a Josefo, Antiguidades
XVIII 106-108. Filipe foi quem ampliou e embelezou a cidade de Paneas, situada
próximo à nascente do Jordão, e a chamou Cesaréia. Para distinguir esse lugar
da Cesaréia no Mediterrâneo, começou a ser chamada “Cesaréia de Filipe” (Mt
16.13). Ele também ampliou Betsaida, isto é, a Betsaida localizada próximo à
confluência setentrional do lago da Galiléia e do rio Jordão, e a chamou
Betsaida Júlia, em honra de Júlia, filha do imperador Augusto. Segundo Josefo,
esse Filipe foi um homem de excelente caráter, alguém que teve cuidado especial
por seu povo. Ele governou de 4 a.C. até sua morte, em 34 d. C.
5. “E Lisânias,
tetrarca de Abilene.” A afirmação de Lucas já não está só, como sucedeu durante
muitos anos. Foi confirmada por uma inscrição numa rocha a oeste de Damasco.
Essa inscrição afirma que Lisânias realmente foi governador dessa região.
6. “E sendo sumos
sacerdotes Anás e Caifás.” Anás (ou “Ananus”, como Josefo o chama) fora
designado sumo sacerdote por Quirino no ano 6 a.C., e foi deposto por Valério
Grato em cerca do ano 15 d. C. Mas, embora deposto, ele continuou sendo por longo
tempo o espírito predominante do Sinédrio. Cinco filhos e um neto o sucederam
no sumo sacerdócio; também um genro, o mesmo mencionado por Lucas, a saber,
Caifás. Este último manteve o ofício sumo sacerdotal de 18 a 36 d. C. O Novo
Testamento se refere a Caifás nas seguintes passagens (além de Lc. 3.2): Mateus
26.3, 57; João 11.49; 18.13, 14, 24, 28; e Atos 4.6; a Anás, também em João
18.13, 24; Atos 4.6.
Pode parecer
estranho que Lucas identifique o começo do ministério de João Batista com o
sumo sacerdócio não só de Caifás, mas “de Anás e Caifás”. Anás, afinal de
contas, foi deposto de seu ofício em 15 d.C., bem antes de o ministério de João
Batista começar. Podemos compreender que Lucas identifique o começo do
ministério de João com o sumo sacerdócio de Caifás (18-36 d.C.), mas por que o
de Anás?
Não obstante, Lucas
está certo. Ele está pensando na situação real, não unicamente oficial. A
verdadeira situação era que tanto Anás quanto Caifás eram os condutores durante
todo o período do ministério de João e durante o tempo que durou o ministério
de CRISTO; Anás, com a mesma autoridade de Caifás - talvez com mais autoridade
ainda que Caifás.
7. Voltamos agora
ao primeiro item cronológico dado por Lucas, a saber, “No ano décimo quinto do
império de Tibério César... a palavra de DEUS veio a João, filho de Zacarias
...”
Há quem argumente
dizendo que, já que João começou seu ministério “no ano décimo quinto de
Tibério César”, e já que Tibério começou a reinar quando da morte do Imperador
Augusto em 19 de agosto do ano 14 d.C., o ministério de João deve ter-se
iniciado no ano 28 ou, talvez, em 29 d. C.
HENDRIKSEN. William. Comentário
do Novo Testamento. Lucas I. Editora Cultura Cristã. pag. 269-272.
2. DISCIPULADO
ATRAVÉS DOS FATOS.
Lc 1.4. O verbo
instruído ê freqüentemente usado para a instrução dos convertidos cristãos ou
os interessados {katècheõ; ver Atos 18:25; 1 Co 14:19, etc.). Alguns deduzem
que Teófilo era crente, e apoiam esta ideia com o argumento de que
dificilmente teria sido o patrocinador literário de Lucas se não o fosse.
Contra a ideia, no entanto, insiste-se que provavelmente teria sido
chamado “irmão” se fosse crente. De qualquer maneira, o verbo pode ser usado de
um relatório tanto hostil como errado (e, g. Atos 21:21, 24), de modo que
devamos conservar aberta a possibilidade de que não passasse de alguém de fora
que estava interessado. Certamente sabia alguma coisa acerca da fé cristã, e
Lucas quer que ele saiba as verdades dela. Ne d B. Stonehouse entende que a verdade
é especialmente importante no Prólogo. O “impacto principal” do Prólogo é “que
o cristianismo é verdadeiro e é capaz de confirmação.”
Leon L. Morris. Lucas. Introdução
e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 63-64.
Lc 1.4. A certeza
sem deslizar (tropeçar ou cair, e a negação). Lucas promete uma narrativa
confiável. “Teófilo saberá que a fé que ele abraçou tem uma inexpugnável
fundação histórica”.
Das coisas,
literalmente, palavras, os detalhes das palavras na instrução.
Estás informado um
primeiro indicativo aoristo passivo. Ele não é encontrado no Antigo Testamento,
e é raro no grego antigo, mas aparece nos papiros. A palavra é a nossa palavra
eco; (repetir, instruir, dar instrução oral. (Cf. 1 Co 14.9; At 21.21,24;
18.25; G1 6.6). Os homens, que davam o ensinamento, eram chamados catequistas e
os que recebiam a instrução eram chamados catecúmenos. Se Teófilo era ainda um
catecúmeno, não se sabe. Este prefácio, escrito por Lucas, está em Koivf|
literário esplêndido, e não é superado por nenhum autor grego (Heródoto,
Tucídides, Políbio). É inteiramente possível que Lucas estivesse familiarizado
com este hábito dos historiadores gregos de escrever prefácios, uma vez que ele
era um homem culto.
A. T. ROBERTSON. COMENTÁRIO
LUCAS À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 27.
Observe por que
Lucas enviou o Evangelho a “Teófilo”: Eu lhe escrevi estas coisas não para que
você possa dar reputação ao trabalho, mas para que você possa ser edificado por
ele, (v. 4): “Para que conheças a certeza das coisas de que já estás
informado.”
1. Está implícito
que Teófilo fora instruído sobre estas coisas, antes do seu batismo, ou logo
depois, ou ambas as hipóteses, de acordo com a lei, Mateus 28.19,20.
Provavelmente Lucas o batizara, e sabia o quão instruído ele estava; peri hon
katecheth.es - a respeito daquilo com que você foi catequizado, esta é a
palavra; os cristãos de maior conhecimento começavam sendo catequizados (ou
discipulados). Teófilo era uma pessoa de qualidade, talvez de família nobre; e
mais esforços devem ser empreendidos com tais pessoas quando são jovens, para
ensiná-las os princípios dos oráculos de DEUS, para que possam ser fortalecidas
contra as tentações, e capacitadas para as oportunidades, sim, aos que têm uma
elevada condição no mundo.
2. A intenção era
que ele conhecesse a certeza destas coisas, compreendendo-as mais claramente e
crendo mais firmemente. Existe uma certeza no Evangelho de CRISTO, existe algo
sobre o que podemos edificar; e aqueles que são bem instruídos nas coisas de
DEUS quando são jovens, mais tarde devem procurar diligentemente conhecer a
certeza de tais coisas – conhecer não somente aquilo em que cremos, mas saber
por que cremos nisto, para que possam ser capazes de dar “a razão da esperança”
que há em nós.
HENRY. Matthew. Comentário
Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa.Editora CPAD.
pag. 509.
III - A
UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO
1. A HISTÓRIA DA
SALVAÇÃO.
A história da
Salvação no terceiro Evangelho é revelada em seu aspecto particular e
universal. Sem dúvida a ênfase maior está na universalidade da Salvação. JESUS
veio para os judeus, mas não somente para estes, ele veio também para os
gentios. A Salvação é para todos! Esse princípio teológico de Lucas fica em
evidência quando se observa o lugar que os excluídos ocupam nos seus registros.
No anúncio do nascimento de JESUS feito pelos anjos aos camponeses foi dito:
“Vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2.10).
José Gonçalves.
Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD.
pag. 21.
No primeiro
enunciado (v. 16), JESUS declara que a lei e os profetas duraram até João. João
Batista é ao mesmo tempo o fim da antiga era e o início da nova. Ele havia
recebido o ministério de preparar o povo para a chegada do Messias (v. 1:57-80;
3:120).
Desde então (desde
o Batista) é anunciado o reino de DEUS, a saber, o reino é pregado por JESUS e
seus apóstolos (v. 16). Conforme vimos na Introdução (v. a p. 22ss.), Lucas
16:16 é um versículo importante para que se entenda o conceito do evangelista a
respeito da obra redentora de DEUS na história. Parece que Lucas entendia que a
história era formada de três eras, ou épocas (v. Fitzmyer, p. 185). A primeira
época é mencionada em Lucas 16:16a, que vai da criação ao aparecimento de João
Batista. É o período da “lei e dos profetas”. Com o surgimento de João Batista,
encerra-se esse período e inaugura-se outro. Esse segundo período, mencionado
no v. 16b, é o período de JESUS na terra, quando o Senhor proclamou “as Boas
Novas do reino de DEUS. A terceira época é o período da igreja, como se pode
verificar em Atos 1:6-8; nesse tempo os seguidores de JESUS pregam a fé da
páscoa (v. Atos 2:16-39). Durante esse tempo a igreja tem a ordem de pregar as Boas
Novas por todo o mundo (Atos 1:8).
Craig a. Evans. Comentário
Bíblico Contemporâneo. Lucas. Editora Vida. pag. 278.
O Senhor JESUS
passou a se dirigir aos publicanos e pecadores como os candidatos que mais
provavelmente seriam os objetos da operação do seu Evangelho, do que aqueles
fariseus avarentos e presunçosos (v. 16): “A Lei e os Profetas duraram até
João, e a dispensação do Antigo Testamento, que estava limitada a vós, judeus,
continuou; até que João Batista apareceu a vós, que parecíeis ter o monopólio
da justiça e da salvação, e estais envaidecidos com isto, e isto vos confere
uma elevada estima entre os homens, que vos consideram como os maiores
estudantes da lei e dos profetas.” Mas, desde que João Batista apareceu, o
Reino de DEUS é anunciado. Esta é a dispensação do Novo Testamento, que não
avalia os homens por serem doutores da lei, mas todo homem entra no reino do
Evangelho, gentios bem como judeus, e nenhum homem se considera tão bom ou
merecedor de tamanha misericórdia a ponto de deixar que suas qualidades passem
adiante de si, ou de permanecer até que os príncipes e os fariseus o conduzam
por este caminho. Esta não chega a ser uma constituição nacional política como
era o governo judaico, quando a salvação era somente dos judeus; mas é como uma
preocupação pessoal específica. E, assim, todo homem que está convencido de que
tem uma alma para salvar, e uma eternidade para a qual deve se preparar, se
esforça para entrar, para que o seu acesso ao céu não seja barrado por causa de
alguma ninharia ou lisonja”. Alguns dão este sentido a esta palavra; eles
zombavam de CRISTO ou falavam com desprezo das riquezas, porque pensavam da
seguinte forma: Não havia muitas promessas de riquezas e outras coisas
temporais boas na lei e nos profetas? E grande parte dos melhores servos de
DEUS não era composta por muito ricos, como Abraão e Davi? “É verdade,” disse
CRISTO, “assim foi, mas agora que o Reino de DEUS começou a ser anunciado, as
coisas tomam um novo rumo: agora bem-aventurados são os pobres, os que choram,
e os que são perseguidos.” Os fariseus, para retribuírem ao povo pela opinião
elevada que tinham deles, permitiam que tivessem uma religião insignificante,
fácil e formal. “Mas,” disse CRISTO, “agora que o Evangelho é anunciado, os
olhos das pessoas são abertos. E como não podem ter, agora, uma veneração pelos
fariseus, como vinham tendo, eles não podem se satisfazer com tal indiferença
na religião, como haviam sido instruídos, mas se lançam com uma santa violência
para dentro do Reino de DEUS”. Observe que aqueles que querem ir para o céu
devem padecer, devem lutar contra a corrente, devem produzir uma forte
impressão na multidão que está indo na direção contrária.
HENRY. Matthew. Comentário
Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa.Editora CPAD.
pag. 664.
A vinda de JESUS
marcava uma linha divisória. Até então, a revelação de DEUS tinha sido feita na
lei (a rigor: os livros de Gênesis até Deuteronômio) e os profetas. A expressão
combinada representa a totalidade do Antigo Testamento. Operava bem até aos
tempos de João Batista. Conzelmann atribui muito significado a esta passagem.
Entende que “o período de Israel” durou até este ponto, inclusive o ministério
de João. Enfatiza isto mais do que as palavras de Lucas exigem, mas há, sem
dúvida, uma ênfase sobre a nova situação causada pela vinda de JESUS. Agora,
vem sendo anunciado o evangelho do reino de DEUS. O reino é o tópico predileto
de JESUS no Seu ensino (ver sobre 4:43). Representa o domínio de DEUS na
totalidade da vida.
Leon L. Morris. Lucas. Introdução
e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 235-236.
2. A SALVAÇÃO EM
SEU ASPECTO UNIVERSAL.
Todo o povo, e não
apenas os judeus, era objeto da graça de DEUS. É inegável a atenção que se dá
aos pobres, excluídos e marginalizados no Evangelho de Lucas. O ESPÍRITO SANTO
estava sobre JESUS para “evangelizar os pobres” (Lc 4.18). É interessante observarmos
que a palavra grega ptochoi, traduzida como pobres, significa alguém que possui
alguma carência. E exatamente esses carentes que JESUS irá priorizar em seu
ministério. Ele dará grande atenção aos publicanos, pecadores, mulheres e aos
samaritanos que eram discriminados naquela cultura (Lc 5.32; 7.34-39;9.51-56;
10.3; 15.1; 17.16; 18.13; 19.10).
Essa Salvação
predita pelos profetas, anunciada pelos anjos e declamada em forma poética pelo
sacerdote Zacarias e Maria, mãe de JESUS, é também de natureza escatológica. A
teologia lucana mostra João anunciado a chegada do Reino e JESUS
estabelecendo-o durante o seu ministério. Todavia esse Reino inaugurado pela
manifestação messiânica (Lc 4.43; 8.1; 9.2; 17.21) ainda não está revelado em
toda a sua extensão. Já podemos, sim, viver a sua realidade no presente, mas a
sua plenitude somente na sua parousial (At 1.6-11).
Essa é a nossa
esperança!
José Gonçalves.
Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD.
pag. 21.
Apesar de suas
origens judaicas, todavia, o cristianismo deveria ser reputado como religião
universal, porque não reconhecia qualquer limitação racial ou cultural. O
evangelho de Lucas traça a genealogia de JESUS até A dão, e não até Abraão; e
esse fato, por si mesmo, é extremamente significativo, porquanto subentende
universalidade. JESUS foi declarado pelo profeta Simeão como «...luz para
revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel» (Lucas 2:32). No
evangelho de Lucas, em seu sermão inaugural, JESUS asseverou que
Elias não fora enviado às muitas viúvas de Israel, e, sim, a Sarepta, na
terra de Sidom, ao passo que Eliseu não purificou nenhum dos muitos leprosos
que havia em Israel, mas tão-somente a Naamã, o sírio. Um samaritano, e não um
judeu, é o herói de uma das mais coloridas parábolas do evangelho de Lucas.
Quando JESUS curou os dez leprosos, apenas um, um agradecido samaritano,
regressou para louvar a DEUS e dar-lhe graças. Além desses fatos, também
devemos notar que o próprio evangelho de Lucas prepara o caminho para o livro
de Atos, que é, bem definidamente, uma descrição sobre a evangelização
universal, feita pelos cristãos primitivos.
E é assim que
ouvimos Pedro a pregar: «Reconheço por verdade que DEUS não faz acepção de
pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é
justo lhe é aceitável» (Atos 10:34,35). E é ali, igualmente, que encontramos as
palavras de Paulo e Bamabé: «Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que
sejas para salvação até aos confins da terra » (Atos 13:46,47). Por
conseguinte, pode-se ver claramente que um dos grandes temas deste evangelho é
a—universalidade—da mensagem cristã.
CHAMPLIN, Russell
Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Candeias. Vol. 2. pag. 2.
A medida que o evangelho
se espalha, torna-se aguda a questão de como os gentios se enquadram no plano
redentor de DEUS. Visto que muitos gentios na verdade creram e se uniram à
igreja, que crescia rapidamente, ergueu-se, como seria natural, a questão: o
que os gentios tinham que ver com um movimento religioso predominantemente
judaico, enraizado em Israel, com suas promessas escriturísticas? Para Lucas a
resposta tinha aspectos tanto positivos quanto negativos. De modo positivo, o
evangelho do reino deveria ser oferecido a todos. O livro de Atos registra a
divulgação do evangelho primeiro entre os judeus (Atos 2:5—7:60), depois aos
samaritanos, que eram judeus “mestiços” (Atos 8:2-24), depois aos gentios
“tementes a DEUS” (algumas traduções dizem “piedosos”) que haviam recebido
instruções anteriores na fé judaica (Atos 10:1 — 11:18) e finalmente a gentios
que jamais haviam tido contato com o judaísmo (Atos 13:2—28:31). O hábito de
Paulo durante suas viagens missionárias de entrar primeiro nas sinagogas para
pregar a seus compatriotas judeus (v. Atos 13:16-41; 14:1-3; 17:1-3, 10-12;
18:2-4) reflete esse padrão e exprime-se por essa filosofia de evangelização
bem conhecida: “primeiro do judeu, e também do grego” (Romanos 1:16; 2:10).
Outra evidência positiva da legimitidade dos gentios como membros participantes
do movimento judaico messiânico foi o fato de os gentios receberem o batismo do
ESPÍRITO SANTO.
A semelhança dos
apóstolos judeus (Atos 2:2-4), samaritanos e gentios também receberam o
ESPÍRITO SANTO (Atos 8:14-17; 10:44-47; 11:15-18). Nas palavras de Paulo, os
primeiros cristãos, independentemente de identidade étnica, foram “batizados em
um só ESPÍRITO... e a todos nós foi dado beber de um só ESPÍRITO” (ICoríntios
12:13).
Lucas também
oferece uma resposta negativa à questão gentílica. Houve uma razão explícita
para o fato de os missionários se voltarem para os gentios: a incredulidade dos
judeus e sua rejeição do evangelho. Que a liderança religiosa judaica se opunha
ao ensino apostólico se evidencia logo de início no registro de Atos (Atos
4:1-22; 5:17-42). Essa oposição representa apenas a continuação da descrença
que JESUS havia encontrado previamente (Lucas 19:47,48; 20:1-8,19,20;
22:47,23:25), a qual era característica do renitente Israel (Lucas 13:34). De
fato, Lucas vai à origem da descrença dos fariseus na pregação de João Batista:
“Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de DEUS quanto a si
mesmos, não tendo sido batizados por ele” (Lucas 7:30). A mudança formal da
evangelização dirigida primordialmente aos judeus para uma evangelização
voltada para os gentios encontra-se no sermão temático de Paulo em Atos
13:16-47. Paulo adverte seus compatriotas judeus a que não endureçam o coração
à pregação do evangelho e cita uma profecia ominosa de Habacuque: “Vede entre
as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos, porque realizo em vossos
dias uma obra, que vós não crereis, quando vos for contada” (Habacuque 1:5,
citada em Atos 13:41). Exatamente como Paulo temera, os judeus começaram a
encher-se “de inveja, e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava” (Atos
13:45). Então, Paulo declara: “Era necessário que a vós se pregasse primeiro a
palavra de DEUS. Mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida
eterna, voltamo-nos para os gentios” (Atos 13:46).
Como justificativa
dessa nova estratégia Paulo cita Isaías 49:6, de que Simeão havia mencionado
parte (Lucas 2:32), ao contemplar o menino JESUS; aquele ancião reconhecera o
significado de JESUS para o mundo: “Eu te pus para luz dos gentios, a fim de
que sejas para salvação até os confins da terra” (Atos 13:47). Diferentemente
dos judeus rebeldes e incrédulos, os gentios se regozijaram e reagiram
demonstrando fé (Atos 13:42,43,48).
Essa mudança de
judeus para gentios tem origem no próprio cerne do ensino de JESUS, com
respeito a como ser membro do reino de DEUS. Não é, portanto, uma solução
repentina e provisória, diante de uma circunstância inesperada. Em numerosas
passagens, algumas das quais encontram-se apenas no evangelho de Lucas, JESUS
declara que certas pessoas, cuja aparência sugeriria serem as mais prováveis
receptoras do favor de DEUS, e segundo os padrões humanos seriam consideradas
merecedoras desse favor divino, nem sempre se mostram receptivas à presença de
DEUS. Muita gente “confiante” em sua salvação e em suas recompensas vir-se-á um
dia sob julgamento. E outros indivíduos, que pareceriam menos religiosos, que
teriam recebido menos bênçãos nessa vida, poderão vir a ser recompensados e
abençoados. O exemplo clássico dessa ideia se encontra na
parábola do rico e Lázaro (Lucas 16:19-31). O rico gozou de todas as boas
coisas que essa vida poderia oferecer. Vestia-se bem e alimentava-se bem,
morando numa bela mansão. Lá fora, na rua, todavia, jazia o pobre Lázaro,
esfarrapado, subnutrido, doente e desabrigado. Contrariando a crença popular da
Palestina do primeiro século, Lázaro foi para o céu e o rico para o inferno.
Leon L. Morris. Lucas. Introdução
e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 22-24.
IV - A IDENTIDADE
DE JESUS, O MESSIAS ESPERADO
1. JESUS, O HOMEM
PERFEITO.
Observação do Ev.
Luiz Henrique - Inspiração para Lucas - Flipenses 2. 5 - Tende em vós aquele
sentimento que houve também em CRISTO JESUS, 6 o qual, subsistindo em forma de
DEUS, não considerou o ser igual a DEUS, coisa a que se devia aferrar, 7 mas
esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos
homens; 8 e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se
obediente até a morte, e morte de cruz.
Seu nome é Filho de
DEUS não por causa de quaisquer façanhas extraordinárias ou por causa de uma
graça que posteriormente se derrama sobre Ele, mas por ter sido em essência e
desde a eternidade o Filho perpétuo de DEUS – por isso ele também continuou
sendo o Filho de DEUS no momento de se tornar humano, em virtude de sua
maravilhosa geração, ocorrida a partir de DEUS por intermédio do ESPÍRITO
SANTO. CRISTO é verdadeiro DEUS, porém da mesma maneira verdadeiro ser humano.
JESUS é o único ser humano que certamente precisava nascer, mas não renascer.
Fritz Rienecker. Comentário
Esperança Evangelho de Lucas. Editora Evangélica Esperança.
Este Evangelho
apresenta a JESUS como o Homem ideal e como o Salvador de todos os tipos de
homens. Aqui vemo-Lo passar por todos os estágios de uma vida humana normal, da
infância, através da meninice, até adulto amadurecido. Aqui Ele é visto
atingindo a vida humana em todos os seus lados, entrando na vida doméstica do
povo e movendo-Se entre todas as classes da sociedade. Lucas torna claro que a
simpatia de JESUS dirigiu-se especialmente para com os pobres, os quais compõem
a grande maioria da humanidade, e para com as mulheres, as quais eram
desprezadas tanto pelos judeus como pelos gentios naquele mundo antigo.
O evangelho
universal que Paulo pregava daria a Lucas a base para o retrato que ele pinta
do Salvador, e a própria denominação que Lucas tinha como o “médico amado”
dar-lhe-ia uma compreensão simpática da natureza e necessidades do homem.
DAVIDSON. F. Novo
Comentário da Bíblia. Lucas. pag. 3-4.
«Filho de DEUS».
aparece aqui para indicar uma relação toda especial com DEUS—provavelmente a
participação na mesma essência—assim ensinando indiretamente a divindade de
CRISTO.
Foi atribuído, sob
diferentes circunstâncias a Israel, a reis e a sacerdotes, como título. Em
algumas referências, quando CRISTO está em foco, não há qualquer intenção de
destacar essa relação especial com DEUS ou com a natureza divina de JESUS. Se
acompanharrmos o uso dessa expressão pelas páginas sagradas, haveremos de
encontrar as seguintes declarações:
1. JESUS é
identificado com o personagem profético do Messias davídico do V.T.
2. Reivindica uma
relação especial, existente entre JESUS e DEUS Pai.
3. Às vezes indica
a natureza divina de JESUS, e até mesmo a perfeita união com o Pai (João
5:19,30; 16:32; Heb. 1:3,4).
4. Embora tenha
sido inicialmente aplicada ao Messias davídico, posteriormente assume
qualidades transcendentais e se torna um título de JESUS CRISTO, com o intuito
de indicar a sua natureza divina.
CHAMPLIN, Russell
Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Candeias. Vol. 2. pag. 16.
Filho do homem.
Expressão hebraica que significa, principalmente, uma posição humilde,
depravação, ou ausência de privilégios especiais. Por cerca de oitenta vezes
essa expressão é usada para indicar JESUS, e não é usada com referência a algum
profeta por vir, como alguns supõem. Mat. 16:13-15 mostra que embora JESUS
tivesse falado na terceira pessoa, o termo se refere a ele mesmo.Essa
expressão pode conter dois sentidos principais:
1. Apresentação de
JESUS como ser humano típico, isto é, representante da raça humana. Esse é o
significado comum dos termos que contêm a expressão «filho de».
2. Identificação
que JESUS fez de si mesmo com a personagem profética de Dan 7:13,14. Isso fica
claro em I Crô. 16:13-17. Tudo indica que JESUS usou esse termo com ambos os
sentidos. Sua missão usualmente é implícita, incluindo até a sua missão futura,
ambas em um segundo advento (Mat. 10:23), e como juiz universal (João 5:22-27).
Neste versículo, a ênfase recai sobre a idéia de sua posição humilde, como
homem, idéia de aviltamento.
CHAMPLIN, Russell
Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Candeias. Vol. 2. pag. 343.



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