domingo, 13 de janeiro de 2019

Lição 3 - A Natureza dos Demônios – Agentes da Maldade no Mundo Espiritual



     As informações bíblicas sobre a origem de Satanás e os demônios são lacônicas e não muito claras, o que dificulta o estudo sobre a demo- nologia. Mas os dados revelados nas Escrituras Sagradas são suficientes para compreendermos o assunto. A demonologia, doutrina dos demônios, é um tópico da doutrina dos anjos, pois os demônios são anjos que se rebelaram. A teologia sobre os demônios discute sobretudo a origem do diabo e dos demônios, seu destino, sua natureza e a natureza do seu domínio. Falar sobre Satanás e seus demônios significa falar sobre o poder de Deus, os planos e propósitos divinos para os seres humanos.
Satanás exerce poder como "o príncipe deste mundo” (Jo 12.31) e "o deus deste século" (2 Co 4.4). Todavia, Deus está no controle. Na cruz, Jesus já o derrotou (Jo 12.31) com seus demônios (Cl 2.15); o destino deles está determinado (Mt 25.41; Ap 20.10). Aqueles que servem a Deus nada têm a temer, porque maior é o que está conosco do que aquele que está no mundo (1 Jo 4.4).

IMAGINÁRIO SOBRE OS SERES ESPIRITUAIS NO PERÍODO INTERBÍBLICO

      Havia no período interbíblico muitas idéias e conceitos sobre as criaturas espirituais, anjos, demônios e Satanás. Mas a maioria era crendice inventada, tal como acontece hoje com os expoentes da suposta batalha espiritual. A fonte dessa angelologia, demonologia e satanalogia era a literatura apocalíptica, como os Oráculos Sibilinos e os livros de Enoque. Segundo Edersheim,2 esses escritos têm muito pouco de Bíblia. Mesmo assim, contribuíram para a construção do imaginário popular. Edersheim, em La Vidaylos Tiempos de Jesus elMesías, dedica páginas e páginas para comparar a angelologia, demonologia e satanalogia rabínica e cristã e mostra a grande diferença entre pensamento rabíni- co e a doutrina de Jesus. Na concepção rabínica, "o demônio é mais inimigo do homem do que de Deus e do bem" (p. 753); e "o rabinismo via o 'grande inimigo' apenas como rival invejoso e malicioso do homem, o elemento espiritual fica completamente eliminado" (p. 754). Edershiem afirma que isto marca uma diferença fundamental.
2 O Dr. Alfred Edersheim (1825-1889), judeu convertido à fé cristã, possuía profundos conhecimentos da Mishná: "Sua preocupação foi sempre situar a vida e obra de Jesus no background do judaísmo" (SCHLESINGER & PORTO, 1995, vol. I, p. 902). Foi pastor protestante, tradutor e professor da Universidade de Edimburgo, Escócia.
     De fato, o Novo Testamento revela outra coisa, mencionando dois reinos opostos. O Senhor Jesus exerce poder absoluto; ele é o Valente mais forte: "Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem. Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava e reparte os seus despojos" (Lc 11.21,22). Jesus se refere a Satanás como valente, pois usa a sua força contra os seres humanos, contra Deus, sendo o adversário implacável e poderoso responsável por toda miséria humana. O demônio é fortíssimo, pode ter certeza disso. Satanás e seus correligionários dispõem de armas ofensivas e meios de diversas naturezas e sabem quando e como usá-los para atacar as pessoas. Ninguém deve subestimar a força do inimigo. É importante levar esse assunto a sério, evitar zombaria e indiferentismo. Vemos que o próprio arcanjo Miguel evitou qualquer coisa desse tipo: "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda" (Jd 9). Aí está o exemplo a ser seguido.
    Glorificamos a Deus, pois existe um Valente mais poderoso que o diabo, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. Com sua vitória na cruz do Calvário, ele arrebatou das mãos do Inimigo os pecadores, pobres cativos, quebrando os grilhões pelos quais Satanás os mantinham aprisionados. É assim que o Valente mais forte vence o dono da casa, arrebata a sua armadura e reparte os despojos. Ou seja, liberta os prisioneiros do pecado e do poder do Inimigo, uma libertação completa (Jo 8.32-36).

DEMÔNIOS NA VISÃO BÍBLICA

     Os demônios aparecem com frequência no Novo Testamento como "espírito imundo" (Mt 12.43; Mc 1.23, 26; 3.30; 5.2, 8; 7.25; 9.25; Lc 8.29; 9.42; Lc 11.24); "espírito mudo" (Mc 9.17); "espírito" (Mc 9.20); "um espírito" (Lc 9.39); "espírito de demônio" (Lc 4.33); "espírito de adivinhação" (At 16.16) e "espírito maligno" (At 19.15, 16). Já nos Evangelhos e em Atos, os demônios aparecem em oposição Jesus, com ênfase na superioridade de Cristo sobre eles. Nos escritos paulinos, são principados, dominações e po- testades (1 Co 15.24, 27; Cl 1.15-20; Ef 1.20-2.2). No Apocalipse, os demônios com o diabo estão presentes na luta final contra Jesus e a igreja.
       Apesar da sua presença nos relatos dos evangelhos sinóticos e em Atos dos Apóstolos, a origem deles é considerada obscura por alguns. A melhor compreensão de como esses espíritos surgiram depende também da origem de Satanás, pois ele é chamado de Belzebu, "o príncipe dos demônios" (Mt 12.24; Mc 3.22; Lc 11.25). Jesus faz menção do "diabo e seus anjos" (Mt 25.41). Quem são esses anjos e qual a origem deles e do seu chefe? O Novo Testamento faz menção de anjos rebeldes que foram expulsos do céu (2 Pe 2.4; Jd 6). Muitos consideram Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.12- 15 como referências à origem e à queda de Satanás.
     Alguns pais da Igreja como Orígenes, Jerônimo, Ambrósio de Milão e Agostinho de Hipona, entre outros, ligaram Isaías 14.12- 15 a Lucas 10.18 e Apocalipse 12.7-9 e, dessa forma, consideram a passagem como uma referência a Satanás. Mas grandes expositores da Reforma Protestante foram unânimes em não endossar essa ideia. Lutero e Calvino disseram que seria um erro aplicar o nome de Satanás aqui. Os comentários atuais dessa passagem costumam pular essa parte e se resumem geralmente nisso: Isaías usa uma linguagem da mitologia para descrever o orgulho humano na figura de Nabucodonosor em "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva!" (Is 14.12). A estrela da alva é o planeta Vênus que as nossas versões traduzem geralmente como "estrela da manhã". Jerônimo usa "Lúcifer" na Vulgata Latina, termo que significa "portador de luz" e é um dos nomes aplicados a Satanás.
      Gustav Davidson, em A Dictionaiy ofangels including thef allen angels (Dicionário dos anjos incluindo os anjos caídos), afirma que essas palavras em Isaías se referem a Nabucodonosor, rei de Babilônia, e que são interpretadas erroneamente como se referindo à queda de Satanás. Mas Orígenes disse: "O que caiu do céu não pode ser Nabucodonosor nem nenhum outro ser humano". E, em outras palavras, ele reitera essa ideia no Tratado sobre os princípios, livro 1.5.5; livro 4.3.9. Agostinho de Hipona segue também nessa mesma linha de pensamento em Sobre a doutrina cristã e A cidade de Deus.
      A passagem de Ezequiel 28.12-15 sobre o rei de Tiro é também vista pelos pais da Igreja como referência à queda de Satanás, tal como Isaías 14.12-15, com discordância da maioria dos reformadores do século 16.0 texto sagrado descreve esse rei como o aferidor da medida: "Tu eras o selo da simetria e a perfeição da sabedoria e da formosura" (v. 12, TB); que estava no Éden, jardim de Deus, mas um jardim de pedras preciosas (w. 13, 14); era o querubim ungido e perfeito em todos os seus caminhos (w. 14, 15). Essas características ultrapassam a de qualquer ser humano. Uma passagem no Novo Testamento está em Lucas 10.18, quando Jesus disse: "Eu via Satanás, como raio, cair do céu" ou "Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago".
      A questão é: quando aconteceu ou vai acontecer essa queda de Satanás? O ponto-chave é o tempo verbal, "eu via", imperfeito, segundo a Chave linguística do Novo Testamento grego, "indica aquilo que era constantemente repetido", ou seja, uma ação contínua; em seguida, vem um comentário de Lucas: "Cada expulsão de demônios importava numa queda de Satanás" (p. 126). Jesus via a derrocada do reino das trevas enquanto os setenta discípulos pregavam. A segunda interpretação considera as palavras de Jesus como referência à queda de Satanás como apresentada em Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.12-15, ideia aceita por pais da Igreja como Cipriano, Ambrósio e Jerônimo, entre outros. O comentário bíblico NVI, de F. F. Bruce, afirma:
Visto que esse dito lembra Isaías 14.12 - "Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada!" - tem sido interpretado ao longo da história cristã como uma referência a uma queda cósmica de Satanás no passado remoto, Gregório, o Grande, já interpretava no longínquo século VI. Mas Plummer (p. 278) diz: 'O aoristo indica a coincidência entre o sucesso dos Setenta e a visão de Cristo da derrota de Satanás" (p. 1668).

O Comentário bíblicopentecostal do Novo Testamento apresenta três opiniões:
1            )    Baseado em Isaías 14.12, o Cristo preexistente testemunhou a queda de Satanás.
2            )    2) Jesus testemunhou a queda de Satanás na tentação do deserto (Lc 4.1-12), quando Jesus estabeleceu sua autoridade sobre todas as forças das trevas.
      3) Jesus teve uma visão enquanto os setenta e dois estavam ministrando sob sua autoridade. Esta terceira opção é provavelmente a explicação correta. Enquanto eles estavam desempenhando a missão, Jesus viu Satanás cair do céu como a subtaneidade de um raio. Esta visão se relaciona com as vitórias dos discípulos sobre os poderes do mal.
      A descrição Apocalipse 12.7-10 parece ter acontecido com a chegada de Jesus no céu: "E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono" (v. 5). Na sequência, a partir do v. 7 vem a batalha do arcanjo Miguel contra o Dragão em Apocalipse. Se realmente é isso, logo não se deve aplicar essa batalha à queda original de Satanás descrita em Isaías 14.12, mas nem por isso deixa de ser a uma guerra cósmica espiritual e invisível aos olhos humanos.
    Satanás tinha acesso ao céu depois de sua queda conforme Isaías 14.12? Muitos expositores bíblicos admitem essa ideia, mas que se tratava de um acesso com certa restrição. Essas evidências aparecem em algumas passagens do Antigo Testamento (1 Rs 22.23; Jó 1.6-9; 2.1-6; Zc 3.1, 2). É com base nessas passagens que Satanás é chamado de "o acusador de nossos irmãos" (Ap 12.10). A Bíblia de Estudo Pentecostal deixa transparecer essa interpretação: "Satanás é derrotado, precipitado, na terra" (cf. Lc 10.18) e não lhe é mais permitido acesso ao céu". Stanley M. Horton segue também nessa mesma linha de pensamento em seu comentário sobre o livro de Apocalipse.
      Mas, com a chegada vitoriosa de Jesus ao céu, não se achou lugar para o acusador dos irmãos, e assim não foi mais possível o acesso de Satanás e seus correligionários ao céu, pois eles "não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus" (Ap 12.8). Jesus morreu por todos os pecadores e intercede por sua Igreja, e nisso temos o grito de vitória:
E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora chegada está a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derribado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite (Ap 12.9, 10).
     O Senhor Jesus já tinha visto essa derrota de Satanás. Ele disse: "Eu via Satanás, como raio, cair do céu" (Lc 10.18).

0 DESENVOLVIMENTO DA DEM0N0L0GIA

     Um dos motivadores do desenvolvimento da teologia dos demônios a partir do século 2 foi a questão do imaginário popular, do maniqueísmo e das idéias gnósticas. Esses assuntos também fomentavam a angelologia, já que a demonologia faz parte dela. As pessoas no geral tinham muito medo da atuação dos espíritos maus; os cristãos os viam em todos os lugares, pois entendiam que os demônios atuavam para atrapalhar a união do ser humano com Deus. Assim, muitas práticas cristãs eram voltadas para o combate da ação demoníaca. Apesar das semelhanças do pensamento judaico-cristão com o helenista quanto ao assunto, a principal diferença residia na afirmação dos cristãos de que o diabo e os demônios são criaturas que, em algum momento, se rebelaram contra seu Criador.
     A doutrina dos demônios foi influenciada pelo texto bíblico, pela tradição judaica e, em menor escala, pela cultura greco- -romana. Os tópicos de interesse foram sobretudo a origem do diabo e dos demônios, seu destino, sua natureza e a natureza do seu domínio.
     Os primeiros debates sobre os demônios se relacionavam à idolatria e às perseguições. Isso tangencia a discussão da natureza do domínio dos demônios. Os apologistas no século 2 se preocupavam que os mitos, os ritos e a magia iriam atrapalhar a fé dos fiéis e logo se ocuparam de tratar do assunto. Explicavam que os demônios estavam por trás das imagens porque desejavam receber as honras e os sacrifícios que deveríam ser oferecidos somente a Deus. Justino se ocupou do papel de Satanás por trás da idolatria conforme a tradição judaica, assunto que estava relacionado ao problema do culto aos anjos (Justino, o Mártir, Apologia 1.6). Este posicionamento e o de pais posteriores reforçavam o pensamento judaico de que os demônios estavam por trás dos ídolos; logo, do culto idólatra.
      Quanto à origem dos demônios, a posição mais frequente entre os pais da Igreja é a afirmação bíblica de que o diabo e os demônios são criaturas de Deus, a maldade deles não é inata, mas consequência do livre-arbítrio. Para Agostinho de Hipona, em A Cidade de Deus, os espíritos imundos são os anjos que se afastaram da luz. Ou permaneciam na luz, ou seguir a soberba e tornarem-se trevas (11, IX-XI). O diabo rejeitou a verdade e, caso tivesse se mantido nela, "permanecería nas eternas alegrias dos santos anjos" (9, XIII). A passagem de João, "o diabo peca desde o princípio", deve ser entendida de acordo com Agostinho, no sentido de que o diabo "não peca desde o princípio de sua criação, mas desde o princípio do pecado, que começou a ser pecado com sua soberba" (9, XV). Essa posição de Agostinho relacionava a maldade dos demônios ao diabo e contrariava a tradição judaica que atribuía a origem dos demônios ao pecado carnal dos anjos utilizando a passagem de Gênesis 6.1-4.
      A explicação quanto ao destino do diabo e seus anjos remete à expulsão do céu quando estes pecaram, e desde então estão agindo entre o céu e a terra. A condenação definitiva será com o fogo eterno. Orígenes acreditava que haveria possibilidade de reverter essa condenação para o diabo e os demônios, conforme apresentado em seu Tratado sobre os princípios: "cada natureza racional é capaz de vários tipos de progresso ou recuo, conforme suas ações e esforços" (I. 6. 3). É claro, que se trata de um pensamento estranho, mas o próprio Orígenes sempre dizia que se tratava de interpretação pessoal e que estava disposto a ouvir outras idéias. Ele não tomava essas idéias e outras semelhantes como dogma.
       Em se tratando da natureza da ação maligna, a ideia principal é a de que o diabo e os demônios trabalham para interferir na obra de Deus e dos seres humanos que o servem. São causadores de desgraças e confusão, enganadores, imitadores. No entanto, possuem limites impostos por Deus por meio da atuação dos anjos bons. Para Orígenes, os anjos estariam presentes em toda parte do universo: na natureza, nas nações e na vida de cada indivíduo, com a intenção de lutar contra os demônios.
     O debate sobre a atuação do diabo e seus demônios levou à discussão sobre a origem do mal. Os apologistas e outros pais da Igreja posteriores enfatizavam que o diabo e os demônios são criaturas, mas que a maldade não lhes é inata; a maldade está relacionada à liberdade de decisão. Orígenes, em sua obra Contra Celso afirma ser "impossível conhecer a origem do mal se não tivermos conhecido os ensinamentos sobre o diabo e seus anjos, o que ele era antes de se tornar um diabo e a razão por que seus anjos tomaram parte em sua apostasia" (IV, 65).

OS DEMÔNIOS E A BATALHA ESPIRITUAL
       Em razão das poucas informações bíblicas sobre o diabo e os demônios, deve-se tomar muito cuidado para não dogmatizar determinadas linhas de interpretação. Claro e certo é que esses seres malignos atuam para atrapalhar a atuação da igreja e do crente, mas a derrota deles está garantida porque Jesus Cristo já os venceu na cruz e os condenará definitivamente. Por isso, o crente não precisa temer a ação demoníaca, mas se manter firme na sua vida de santificação, sustentado pela vida de oração e leitura da Palavra de Deus a fim de estar preparado para lidar com a batalha espiritual.
                                                                      Esequias Soares & Daniele Soares


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                                                 II. ESPÍRITOS MALIGNOS

A. Satanás. Muitos negam a existência de Satanás, como fazem
por exemplo os adeptos da seita falsa "Ciência Cristã", declarando que
ele é simplesmente um "princípio mau" ou um erro que penetrou no
pensamento humano. Satanás é geralmente representado em forma de
caricatura, como tendo chifres, patas, rabo e garfos na mão e
presidindo ao reino do fogo e enxofre. Os homens costumam envolver
seu nome em pilhérias, enquanto outros o encaram como um ser
intangível, mais parecido com os micróbios causadores de doenças.

1.Que dizem das Escrituras?

a. Satanás não é apenas um princípio, mas sim uma
pessoa. I Pe 5.8; Ap 13.1-3.
b. Satanás tem muitos nomes. Ele é chamado "Satanás"
(hebraico - adversário); Diabo (grego - caluniador ou acusador); deus deste mundo e chefe das potestades do ar, etc. Ele é mencionado de diferentes maneiras 177 vezes na Bíblia.


2. Ele é um grande dominador celestial. Ef 1.21; 6.10-12; II
Co 4.4. Satanás não é deus do universo, nem da terra, pois, "A Jeová
pertence a terra e a sua plenitude; o mundo e os que nele habitam".
Contudo, ele é o "deus deste século", "o príncipe deste mundo", da
presente ordem de coisas, e dos sistemas mundiais, incluindo as ati-
vidades comerciais, sociais, políticas e até religiosas. Vide Mt 4.8. Ele é
também o autor da morte e reina sobre a mesma. Hb 2.14; Jo
12.31; 14.30: 16.11; Lc 4.5,6.
As passagens Ef 6.10-12 e Dn 10.12 e 11.1 indicam claramente
que o reino de Satanás é organizado à base de principados e poderes,
pois o anjo Gabriel foi impedido pelo príncipe do reino da Pérsia (Dn
10.13) de trazer a revelação de Deus a Daniel. Gabriel então foi
auxiliado pelo anjo Miguel, o arcanjo, em sua peleja com aquele
príncipe. Miguel também informou que teria que pelejar contra o
príncipe da Grécia. Dn 10.20. Essas passagens provam que existe uma
satânica oposição organizada contra Deus e o cumprimento das
profecias. Satanás ocupa uma posição tão elevada que nem o próprio
arcanjo Miguel tem coragem de proferir-lhe insultos. Jd 9.

3. A Origem de Satanás. Pelo "Oratório da Criação" de Jó 38.1-
7 e passagens paralelas sabemos que as hostes angelicais foram criadas
antes da criação do mundo material. Cl 1.16; Gn 1.1,31. Os anjos
presenciaram essa criação. Jó 38.7. Em seguida foi criado o homem. Gn
1.26,27.

4. Chamado "o querubim ungido que cobre". Ez 28. 11-19.
Um estudo minucioso desta passagem revela que o "rei de Tiro"
mencionado aqui não pode ser um mero homem mortal, mas sim um
ser angelical descrito como pos-sujndo "a perfeição da sabedoria e da
formosura".
O '•'Éden" mencionado não é o Éden do tempo de Adão,
em que Satanás entrou como rebelde e usurpador, mas sim um
"Éden" anterior ao qual ele presidia. E interessante comparar as pedras
mencionadas aqui com aquelas de Ap 21.11-21. Esse esplendor talvez
indique algo da glória do palácio em que Satanás residia, em que provavelmente recebia altas honras da parte dos demais anjos. A descrição no versículo 14 indica que Satanás ocupava um lugar de destacada honra e que tinha acesso à glória divina. Vide Êx 24.10-17; Ez
1.15,22,26; Jó 1.6; Zc 3.1,2.
5. A Queda de Satanás. Ezequiel 28.15-1G revela que a queda
de Satanás foi provocada pelo pecado de orgulho, ambição pessoal, e
soberba de espirito. Is 14.13,14. Provavelmente teve inveja de Jesus, o
Filho de Deus, que ocupava uma posição ainda mais elevada. I Tm 3.6.
Segundo a opinião de certos eruditos, Ez 28.16 poderia ser assim
traduzido: "Pela abundância da tua calúnia encheu-se de violência o teu
interior". Assim se verificou a queda. Satanás até a presente data
continua sua obra de caluniar a Deus perante os homens e caluniar os
homens perante Deus. I Tm 3.6; Ap 12.10. Seu nome em grego é "ho
diabolos", o caluniador. Jó 1.6-9; Gn 3.15.
Quanto à época em que se deu sua queda, certamente foi em
algum tempo antes da restauração da terra presente, pois logo no início
do estágio presente da terra, Satanás penetrou o cenário terrestre para
exercer a sua malícia. Gn 3.1-5. Certos eruditos consideram a queda de
Satanás e dos anjos que o acompanharam como o fator principal da
grande ira de Deus contra a terra original, resultando disso sua ruína,
descrita em Gn 1.2. Essa opinião naturalmente pressupõe que Satanás
e seus anjos eram os habitantes originais da terra. Ez 28.13.

6. A Obra de Satanás.
 Em Gn 3.15 lemos: "Porei inimizade entre
ti e a mulher, e entre a tua semente é a sua semente; esta te ferirá a
cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar". À luz desta profecia, vemos a razão
de muitas coisas que de outra forma dificilmente se explicariam. As atividades de Satanás através dos séculos sempre
visaram "A Semente da mulher", o Messias, por Quem o mundo seria
redimido. János dias ante-diluvianos Satanás quase conseguiu
corromper toda a raça humana, sendo fiel a Deus apenas a família
deNoé. Gn &.5,7. Outra vez ele quase conseguiu conduzir toda a
humanidade no caminho da idolatria, no caso da Torre de Babel. Gn 11.
Ainda procurou arruinar a linhagem eseolhida de Abraão, tentando
corromper Sara. Gn 12.14-16. Felizmente, não o conseguiu. Depois ele
tramou um plano para Abraão ter um filho fora do plano de Deus. Esse

foi Ismael, filho de Hagar, o qual quase chegou a ocupar o lugar desti-
nado ao filho da promessa, que era Isaque. Gn 17.18. Em outra ocasião

Sara esteve em sério perigo de ficar envolvida com Abimeleque, rei de
Gerar. Gn 20.7. Com o nascimento de Isaque (Gn 21.1-3), observamos
como Satanás persistiu em seus ataques contra a descendência desse
homem, por meio de Esaú, o qual procurou matar seu irmão Jacó,
portador do direito de primogenitura. Gn 27.41-45.
Acompanhando a história de Israel, agora multiplicada em
grande nação, vemos a mão de Deus na preservação de José no Egito
(Gn 50.20), na chamada de Moisés para ser o libertador do povo (Êx
cap. 2), e na preservação de Israel na travessia do Mar Vermelho. Êx
15.1-14. Revelando a mais tenaz perseguição, Satanás tentou acabar
com essa nação, visando impedir a vinda ao mundo do Redentor. Junto
ao Monte Sinai (Êx 32), Satanás conseguiu corromper a nação de Israel,
e se não fossp a oração intercessória de Moisés, que se interpôs entre o
povo e Deus, Ele teria eliminado todos os israelitas.
A história dessa luta continua através do deserto, durante os
quarenta anos de perseguição, e já na própria terra prometida, e até ao
tempo dos juizes e dos reis. Especialmente contra Davi, com quem Deus
renovou a aliança, Satanás lançou alguns dos seus ataques mais ferozes. (Considerando este fato, talvez poderemos ter mais
complacência para com Davi, apesar do seu grande pecado.) Em certa
ocasião a casa de Davi ficou reduzida a um só herdeiro, Joás, um
menino. Contudo, a linhagem real foi maravilhosamente preservada
pela fidelidade de Jeoiada, e o príncipe Joás chegou ao trono, a despeito
das maquinações de Atai ia.
Muito poderíamos relatar da luta de Satanás contra o plano da
salvação através do período do Cativeiro, do regresso para a Palestina, e
até contra a própria vida de Jesus Cristo, por exemplo, Herodes e sua
matança dos inocentes. Na vida de Jesus muitas vezes Satanás O
atacou, mas graças a Deus Jesus venceu, sendo a Sua maior vitória a
da cruz no Calvário e a ressurreição ao terceiro dia. Assim a redenção,
prometida à raça humana em Gn 3.15, veio a concretizar-se
integralmente! Glória a Deus!

7. O Caráter de Satanás.
 Verificamos que o nome Satanás
(Heb. Satan; Grego - Satanás) revela não só a sua personalidade como
também o seu caráter. Significa que ele é o inimigo, e o adversário. O
nome Diabo (grego -diabolos) significa o falso acusador. Ele é o pai da
mentira, o homicida, e o ímpio. É a causa primária dos pecados e é
muito astuto. Ap 12.7-11; II Co 2.11; Ef 6.11,12; II Co 11.14; Jo 8.44; I
Jo 3.8. Satanás é maligno. Lc 8.13; I Pe 5.8; II Co 4.4; I Jo 5.19. Ao
mesmo tempo ele é covarde. Tg 4.7. Satanás é conhecido pelos nomes:
dragão, o maligno, o anjo do poço do abismo, o príncipe deste mundo, o
príncipe das potestades do ar, o deus deste mundo, apoliom, abadom,
Belial e Belzebu.
8. Os ardis de Satanás.
Imbuído de inveja, Satanás conseguiu
dominar os nossos primeiros pais, e com eles toda a raça humana.
Somente pela regeneração poderá o homem livrar-se do poder de
Satanás. E mesmo depois de se converter, a pessoa ainda passará por
muitas tentações que têm por objetivo fazê-la cair novamente. Parece
que quanto mais o crente se esforça para fazer a vontade de Deus, mais severos ficam os ataques do inimigo. Satanás não somente ataca o indivíduo, como também a coletividade, inspirando a maior parte das religiões do mundo, justamente para enganar os
homens. Jesus quando veio ao mundo não veio como inventor de religiões, mas sim para dar a Sua vida para nos prover da vida eterna!

Glória a Deus!

a. A diversão. II Co 4.4; ' Tm 3.7. Satanás sempre procura ocupar
os pensamentos dos homens com as coisas temporais, com os prazeres
da carne que passam logo, para evitar que pensem em Deus, na
eternidade e nas coisas espirituais. Ele nega o caminho da redenção
pelo sangue e substitui essa verdade pelas atraentes teorias falsas.

b. Ilusão. Gn 3.4; Ez 13.22; II Ts 2.9-11. Satanás faz o homem
pensar que poderá estabelecer a sua própria justiça através de boas
obras e rituais religiosos.

c. Vacilação. Mt 6.24; II Co 6.14,15; 7.1. Muitas pessoas, pelo
ardil satânico, julgam que podem andar com Deus e com o mundo ao
mesmo tempo. A Bíblia afirma que isso é impossível. O homem terá que
escolher, ou Deus ou o mundo.

d. Ceticismo. Rm 14.23. Por suas sutis insinuações, Satanás
semeia dúvidas nos corações. Sua maliciosa interrogação no Jardim do
Édem "E assim que Deus disse?" serviu para envenenar o clima
espiritual do mundo desde então. Gn 3.1-6.

e. Trevas. Is 50.10; Rm 1.21; II Co 4.4. O "príncipe das trevas"
não somente subjuga os ímpios em trevas, como também procura
ofuscar a experiência do próprio crente. Mesmo os mais ilustres homens
de Deus têm passado por esses repetidos ataques do maligno.

f. Desânimo. Hb 6.1; 9.14. Às vezes é pelo desânimo que o
inimigo procura vencer o crente. Mesmo a fraqueza ou enfermidade
física pode enfraquecer um servo de Deus, se não estiver bem
firmado sobre a Rocha.
At 10.38; Lc 13.16. Não raras vezes Satanás se utiliza de
acusações falsas para provocar desânimo.

g. Procrastinação. At 24.25; 26.28; Êx 8.25-28, 10.24,25. Este
ardil é um dos mais perigosos para qualquer pessoa, sendo responsável
pela destruição no inferno de milhões de incautos que alimentavam o
desejo de, algum dia, aceitar a Jesus por seu Salvador. Mas a morte os
surpreendeu privando-lhes da oportunidade, e jamais serão salvos. É
triste!

h. Transigência com o mal. O Diabo procura de toda maneira levar
o crente a transigir e tolerar o mal. Uma parte deste trama satânico é o
movimento ecumênico que visa unir todas as religiões, sob uma só
bandeira. Ap 3.9; II Co 11.14,15.

9. Como o Crente Poderá Defender-se contra Satanás.

a. Revestir-se da armadura de Deus. Ef 6.10-18.

b. Perceber as maquinações e espertezas dele. II Co 2.11.

c. Não dar lugar a Satanás. Ef 4.27. (Note o contexto, vers. 26, a
referência à ira).

d. Resistir-lhe. Tg 4.7.

e. Ser sóbrio e vigilante. I Pe 5.8.

f. Vencê-lo (Ap 12.11) pela: 1) PALAVRA (I Jo 2.4), a espada do
Espírito. Hb 4.12; 2) pelo SANGUE, e pela palavra do testemunho (Cl
2.14,15); e 3) EM CRISTO. Ef 1.19-22; 2.6; I Jo 5.8; Cl 1.13; Jo
10.28,29. A vitória de Jesus sobre Satanás é nossa também, mas é
imprescindível que permaneçamos nEle e que o poder do Espírito Santo
opere em nós.

10. O Destino de Satanás.

Satanás já foi deposto do seu elevado estado que outrora ocupava. Ez 28.16; Lc
.10.18; Jo 8.44. Jesus o viu cair. Durante a Grande Tri-bulação
ele será lançado por terra. Ap 12.9-12. Como foi predito em Gn 3.15,
Satanás já é um inimigo vencido, ven-
. cido por Cristo durante a Sua vida (Mt 4.1-11; Jo 14.30)

e na Sua morte no Calvário. I Jo 3.8; Hb 2.14; Cl 2.15; Jo 12.31; I
Co 15.55; Rm 16.20.

a. Será algemado por 1.000 anos no poço do Abismo. Ap 20.1-3.
(Confira no Mapa das Dispensações, observando a linha ondulada da
Grande Tributação ao Abismo).

b. Depois de 1.000 anos será solto. Ap 20.7,8. Esse espaço de
tempo será curto, mas suficiente para ele sair enganando as nações da
terra para fomentara rebelião de Gogue e Magogue, citada na referência
acima.

c. Será lançado para sempre no Lago de Fogo. Ap 20.10. Isso
acontecerá depois do levante de Gogue e Magogue. Mt 25.41; Is
14.17,18; II Ts 2.8. (O estudante deve seguir a linha ondulada referente
a Satanás, no Mapa das Dispensações, verificando que ela sai do
Abismo, vai para a terra e depois para o castigo eterno no Lago de
Fogo). 11. Por que Deus tolera Satanás aqui no Mundo? Oferecemos
as seguintes três razões: 1) Para desenvolver
0 caráter do cristão, e bem assim a sua fé. Lc 22.31; Rm 8.28.
Adão foi provado a fim de que a sua inocência passasse a ser santidade,
que é algo mais perfeito do que a simples inocência. 2) Prover um
conflito, para que os santos possam ser vencedores e receber
recompensa. Jó 1.2; I Jo 2.13. Essa vitória não será de nós mesmos.
1 Jo 4.4; II Co 12.7,8. 3) Demonstrar nos decaídos seres
humanos que o poder de Deus é muito maior do que o poder de Satanás.

B. Os Anjos Decaídos.

1. Os anjos atualmente associados com Satanás. Estes são os
instrumentos de Satanás no seu domínio sobre o mundo. Ocupam
posições de autoridade sobre,as nações e os povos. Dn 10.13,20; Is
20.21. O "príncipe do reino da Pérsia" resistiu ao mensageiro/de Deus
por 21 dias e o "príncipe da Grécia veio contra ele, na volta. Parece que
o único anjo santo que tem jurisdição sobre uma nação é Miguel, o
grande príncipe quese levantaa favor dos filhos de Israel. Dn 12.1; 10.21. Os anjos lutarão ao lado de Satanás contra Miguel e seus anjos na grande guerra nos céus descrita em Ap
12.7-9. Serão lançados na terra. (Sendo que o fogo eterno foi preparado
para o Diabo e seus anjos (Mt 25.41), concluímos que este será o
destino eterno desses seres decaídos.

1. Os Anjos Atualmente Algemados nas Trevas. Esta classe de
anjos, mencionada emJd6ell Pe 2.4, está reservada em cadeias e trevas,
ou no lugar chamado Tártaro (Tártarus em grego), classificado por
alguns eruditos como sendo um lugar separado do Hades, ou, como é
mais provável, o próprio Abismo. (Verificar no Mapa das Dispen-saçõss).
A razão por que D&us não lhes permite liberdade certamente é porque o
seu pecado, o de deixar o seu pró-prjo domicílio (ou reino de vida e de
ministério) foi muito grave. Jd 6. Pode ser também que sejam revestidos
de tanto poder que Deus julga inconveniente estarem em liberdade.
Serão julgados certamente na ocasião do Grande Trono Branco. Os
crentes ajudarão a julgar os anjos. I Co 6.3.

C. Demônios. É necessário fazer distinção entre "demônios",
"anjos decaídos" e o "Diabo". O Diabo chama--se "ho diabolos" em grego,
e só há um Diabo. Não se usa o nome no plural. Ap 12.10; 20.2. Os
demônios chamam--se "daimonia" em grego, sendo a palavra usada 56
vezes no Novo Testamento. A palavra "daimon" é usada cinco vezes. Os
demônios também se chamam "espíritos" em Mt 8.16; 17.18; Mc 9.25;
Lc 8.23; 10.17,20.

A diferença entre demônios e anjos decaídos é que os primeiros
são espíritos descarnados, sem corpo, enquanto os outros possuem um
corpo espiritual, Lc 20.35. É evidente que os demônios não possuem
corpos porque estão constantemente procurando entrar nos corpos dos
homens a fim de usá-los como se fossem seus. Mc 9.25; Mt 12.43-45.
Em Mt 8.31 notamos que eles aceitaram até os corpos dos
porcos. Um missionário da índia relatou-nos um caso de um
demônio que entrou num veado, o qual logo demonstrou os mesmos
sintomas da pessoa de quem fora expulso o referido demônio.
a. Personalidade. Os demônios têm personalidade, pois Jesus
dialogou com eles, interrogou-lhes e dos mesmos recebeu respostas. Lc
8.26-33. São dotados de grande inteligência, conhecendo que Jesus é o
Filho de Deus e que serão finalmente encarcerados no lugar de
tormento. Mt 8.29.

b. O Poder dos Demônios sobre o Corpo Humano.
Os demônios podem causar mudez (Mt 9.32,33), cegueira (Mt
12.22), loucura (Lc 8.26-35, cólera e homicídio (I Sm 18.10,11; 19.9,10),
mania de suicídio (Mc 9.22)ede ferir-se (Mc 9.18), e outros defeitos e
deformações. Possuem força sobrenatural. Uma vez de posse dum
corpo, podem sair e entrar à vontade deles. Lc 11.11-26.

c. O Caráter dos Demônios. Nota-se o caráter maligno desses
espíritos nas suas doutrinas falsas (I Tm 4.1), nas heresias destruidoras
(II Pe 2.1), nas orgias, festas e cultos pagãos. I Co 10.20,21. Sem dúvida
alguma, as falsas doutrinas modernas, como sejam; a Ciência Cristã,
Novo Pensamento, Baiísmo (com sede em Haifa, Israel), Teosofismo,
Espiritismo, Telepatia, Esoterismo, Necromancia, e semelhantes são
todas de origem e inspiração demoníaca. São falsas porque todas elas
negam que Cristo veio em carne e que a redenção da raça humana seja
efetuada pelo sangue de Cristo. I Jo 4.1; I Co 12.3.

d. São os Espíritos Familiares da Antiga Feiticaria.
O povo de Israel foi proibido por Deus, sob pena de morte, de ter
qualquer comunicação com espíritos familiares, como os cananeus e
outros povos pagãos costumavam fazer. Lv 20.6,27; Dt 18.10,11; Is
8.19. No moderno espiritismo eles personificam os mortos. Os médiuns
são pessoas endemoninhadas como era a moça pitonisa que Paulo libertou em Filipos. At 16.16-18. Era possessa dum espírito adivinhador.
O rei Saul, quando desesperado por não ter conseguido nenhuma
comunicação com Deus, nem por sonhos ou visões, nem pelo Urim e o
Tumim e nem pelos profetas (Samuel morrera cerca de dois anos antes),
de noite procurou a feiticeira de Endor. Antes ele mesmo havia
destruído os feiticeiros, agora ele mesmo ocupou uma tal pessoa, fato
que denuncia o quanto estava desviado dos caminhos do Senhor. I Sm
28.6-25. A mulher, pelo poder dos demônios, enganou a Saul fazendo-o
pensar que realmente havia tido comunicação com o falecido profeta
Samuel. Tudo não passou duma personificação que só serviu para a
condenação do rei angustiado. Apresentamos as seguintes nove razões
porque NÃO foi Samuel que subiu.

1) Uma vez que Deus, antes disso,
recusou comunicar-se com Saul pelos meios normais (sonhos, visões,
Urim e Tumim, e profetas) e havia retirado o Seu Espírito dele (I Sm
28.6,15,16; 16.13-23; I Cr 10.13,14), certamente não iria comunicar
com esse rei por meios condenados, isto é, por um espírito enganador,
fingindo ser Samuel.

 2) Saul propositadamente procurou a feiticeira,
portadora de espírito familiar, sabendo que a prática da feitiçaria era
proibida por Deus. Vers. 7.
 3)/À Bíblia declara que tais pretensas
comunicações com os mortos, podem ser na realidade, casos dos
demônios personificando os mortos. Vers. 7-19; Dt 18.11,1 Cr
10.13,14; Is 8.19.

4) Tais comunicações são proibidas em dezenas de
passagens. (Cf. Lc 12.29). Por conseguinte, Deus não permitiria a Saul
tentar tal comunicação.

 5) A aparição de Samuel perante a feiticeira foi
simplesmente o caso dum espírito familiar personificando e fingindo ser
Samuel. Quem falava não era Samuel mas sim o espírito que conhecia
tanto a Saul como a Samuel e as relações anteriores entre ambos. Esse
espírito era capaz de fazer predições. Dt 13.1-3. Isaías avisou-nos que a
pessoa que procura comunicar-se com os mortos é enganada por espíritos familiares. Is 8.19.

6) O espírito praticamente se denunciou quando disse que Saul e seus filhos estariam com ele no dia seguinte. De fato, Saul, ao morrer, foi para o lugar de sofrimento no
Seól ou Hades. Samuel estava no Seol, mas no lado do conforto, junto
com Abraão. 7) Não há nenhum caso registrado na Bíblia em que Deus
tenha interceptado uma comunicação entre os demônios e os homens.
Saul inquiriu através de um demônio e por um demônio foi respondido.
Deus sempre comunica Suas mensagens pelo Espírito Santo, mesmo
que utilize várias maneiras de fazê-lo. 8) Está declarado em I Cr
10.13,14 que Saul morreu por causa dos seus pecados anteriores bem
como por esse pecado contra a Palavra do Senhor, de consultar a
feiticeira e os espíritos familiares, coisa proibida por Deus. Assim,
somos obrigados a concluir que foi desse espírito e não de Samuel que
obteve Saul as informações. 9) Jesus ensinou que é impossível aos
mortos se comunicarem com os vivos aqui na terra. Todas as demais
passagens bíblicas confirmam esse ensino. Havia um abismo
intransponível entre as duas partes do Hades, de forma que Lázaro não
podia ir para o outro lado onde estava Dives. Lc 16.26-31. O único caso
duma pessoa saindo do seu lugar após a morte, e antes da ressurreição,
é o caso de Moisés a quem Deus trouxe por uma legítima razão, ao
Monte da Transfiguração. Mt 17.1-8. Neste caso, contudo, trata-se dum
ato de Deus e não dum feiticeiro. Moisés e Elias vieram à terra a fim de
conferenciarem com Jesus a respeito de Sua morte na cruz, na
qualidade de representantes do Velho Testamento, "a Lei e os Profetas".
Portanto, não existe nenhuma base nesse acontecimento para as falsas
suposições espíritas.

A história do Rico e Lázaro revela que não somente é proibida a
comunicação entre os vivos e os mortos, mas também que não é
necessária essa comunicação, pois os vivos têm Moisés e os Profetas,
isto é, as Escrituras para sua orientação espiritual. Lc 16.19-31. Portanto, qualquer pessoa
que se envolve com o espiritismo corre enorme perigo de ter o seu
"entendimento endurecido" e de passar a ficar sob o domínio dos
demônios. Ef 4.17-19.

e. A Relação dos Demônios com o Abismo, Evidentemente os
demônios têm qualquer afinidade com o Abismo, pois eles rogaram a
Jesus que não os lançasse ali. Lc 8.31. Em Ap 9.1-3 notamos que é do
Abismo, durante a Grande Tribulação, que sai um grande número de
demônios encarnados como gafanhotos. »

f. O Destino Final. Quanto ao seu destino final, sabemos que
serão encarcerados num lugar de tormento (Mt 8.29), que

evidentemente é o Lago de Fogo. Mt 25.41; Ap 20.10-14.

                                                           O Plano divino através dos séculos : estudo
                                                            das dispensações / N. Lawrence Olson.



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