Mateus, o Evangelho do Reino
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Lições Bíblicas nº 57
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Mateus 7.21-23
21 - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 - Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fi zemos muitas maravilhas?
23 - E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
21 - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 - Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fi zemos muitas maravilhas?
23 - E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
Mateus 18.1-31 - Naquela mesma hora, chegaram os
discípulos ao pé de Jesus, dizendo:
Quem é o maior no Reino dos céus?
2 - E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles
3 - e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fi zerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus.
Quem é o maior no Reino dos céus?
2 - E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles
3 - e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fi zerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus.
TEXTO ÁUREO
"Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e
a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas." Mateus 6.33
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, a marca indelével do Evangelho de Mateus é o Reino dos céus. Relembrar o assunto abordado na lição anterior é uma boa maneira de introduzir esta lição, pois todo Rei precisa de um reino.
Apresente aos alunos o contexto histórico daquele tempo: as regiões da Judeia, Galileia, Pereia e Samaria estavam sob a jurisdição do Império Romano; por essa razão, como bem destacou Pr. Walter Brunelli, aquele era um momento delicado; pois o fato de estarem nas mãos do governo romano criava grande tensão entre o povo; porém, o que movia Jesus não era um reino político, mas, sim, um reino espiritual e eterno.
Prepare-se com antecedência para ministrar esta aula. Que Deus possa usá-lo com graça e ousadia.
Boa aula!
Palavra introdutória
Nenhum outro evangelista falou tanto sobre o Reino como Mateus. Em seu Evangelho, a palavra reino aparece mais de 55 vezes, e a expressão Reino dos céus, 32 vezes. Das dezenas de parábolas encontradas em Mateus, apenas cinco não começam com a expressão “o Reino dos céus é semelhante a [...]” (Mt 13.3; 21.28; 21.33; 24.45; 25.14).
A definição humana de reino está diretamente relacionada à extensão territorial administrada por dado soberano. Em Mateus, no entanto, a expressão Reino de Deus não tem conotação geográfica, mas, sim, relacional.
Jesus pregou o evangelho do Reino (Mt 4.23), indicando que, onde houver um coração regenerado por Ele, ali também estará o Seu Reino. As parábolas propostas pelo Mestre para apresentar a dimensão do Seu domínio revelam sua multiforme abrangência; só em Mateus 13, Ele comparou-o:
ao semeador (v. 3-9);
ao campo, no qual crescem juntos o trigo e o joio (v. 24-30);
à semente de mostarda (v. 31,32);
ao fermento que é introduzido na massa (v. 33);
a um tesouro escondido (v. 44);
à pérola de grande preço (v. 45,46);
a uma rede lançada ao mar que apanha toda qualidade de peixes (v. 47-50).
A ideia de um reino teocrático não aparece apenas no Novo Testamento. Quando Israel estava no Sinai, após ter sido resgatado do cativeiro egípcio, Deus falou ao povo: Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa (Êx 19.6a ARA).
A priori, Israel seria o povo que formaria o Reino; e Deus seria o seu Rei. Entretanto, o advento do
Messias, como Rei prometido, revela-nos um novo prisma: Cristo viveu, morreu e ressuscitou; quem nele crê pode ingressar no Reino de Deus (Mt 21.43).
1. AS LEIS DO REINO
Um reino no qual inexistem leis e/ou regras torna-se uma anarquia (conf. Michaelis: sistema político e social baseado na negação do princípio de autoridade governamental). O Reino de Deus é dotado de princípios que normatizam a conduta dos seus cidadãos — neste tópico, tais princípios serão chamados de leis do Reino.
Essas leis (do Reino) não podem ser entendidas como um meio para conquistar-se a salvação, visto que a recebemos por intermédio de Jesus e de Seu sacrifício na cruz. Uma pessoa pode viver de maneira ilibada, mas, se não reconhecer Jesus como único e suficiente Salvador, não será salva. As leis do Reino descrevem a condição interior e as ações exteriores dos que já são cidadãos do Reino.
Mateus registrou a mensagem mais cuidadosamente estruturada dos Evangelhos; os capítulos 5—7 do livro trazem não apenas orientações para os súditos do Rei, mas incluem advertências àqueles que pensam ser verdadeiros discípulos, mas não o são, pois suas práticas não condizem com o seu discurso.
Os escribas e fariseus, por exemplo, pensavam que, pelo fato de cumprirem a Lei de Moisés, sistematicamente, eram mais justos que os outros. Jesus ensina-nos, neste sermão, que a justiça do Reino suplanta tal premissa, pois o pecado consiste não apenas no ato cometido, mas também no motivo ou sentimento que o provocou (Mt 5.21,22,27,28). O Sermão do Monte traz, de modo sintético, o tipo de vida que Jesus, o Rei, quer que Seus súditos vivam.
DIVISÃO SINTÉTICA
DO SERMÃO DO MONTE
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REF. BÍBLICA
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Parte 1 — Introdução
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Mt 5.1-2
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Parte 2 — As bem-aventuranças ou o caráter do cidadão do Reino
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Mt 5.3-16
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Parte 3 — A conduta do cidadão do Reino diante da Lei
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Mt 5.17-48
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Parte 4 — A conduta do cidadão do Reino em relação a Deus
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Mt 6.1-34
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Parte 5 — A conduta do cidadão do Reino diante dos valores da vida
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Mt 7.1-29
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1.1. Leis éticas e morais
A ética e a moral observadas nos escritos de Mateus vinculam-se à pessoa e à obra de Jesus, cuja vida e ensino constituem-se no cumprimento da Lei. No conhecido Sermão do Monte, Jesus apresentou os princípios éticos e morais do Seu Reino, os quais formam uma contracultura diante da cultura
imposta pela sociedade.
A palavra ética tem origem no grego (ethos = morada, habitat, refúgio) e está associada ao caráter (à índole, ao modo de ser) de dado indivíduo. A moral, por sua vez, tem origem no latim (morales = relativo aos costumes) e relaciona-se ao conjunto de regras aplicadas na sociedade. Em outras palavras, significa dizer que enquanto a ética diz respeito ao comportamento pessoal, a moral atrela-se ao comportamento social (exercido na coletividade).
1.1.1. A ética ilumina a conduta moral
Para aquilo que muitos consideram estar no campo da decisão moral, é a ética (pessoal) quem dita o comportamento, na realidade. Por exemplo: em alguns países, onde o aborto é uma questão moral (normatizado pela lei), é a ética (caráter individual) quem determina sua prática ou não.
Mateus pode ser considerado o Evangelho ético por excelência; no entanto, a ética apresentada por Jesus nesse livro não se restringe a uma lista de regras; antes, diz respeito a fazer a vontade de Deus. Destaque-se, neste ponto, que a exigência central da Lei de Deus é o amor ao próximo: esse, aliás, é o cerne da missão de Cristo. Enquanto a ética e a moral do mundo dizem: “o que você me faz, faço a você”, a ética e a moral do Reino afirmam: “o que Deus tem feito por mim, isso farei por você”.
Não foi por acaso que o Mestre chamou de sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16) aqueles que — mesmo vivendo em um ambiente deturpado — sabem que precisam fazer a diferença, pois são cidadãos do Reino de Deus.
1.2. Leis espirituais
Uma reforma eficiente começa de dentro para fora. O Reino de Deus encontra-se no campo da espiritualidade (Rm 14.16,17); sendo assim, as leis espirituais não ficam relegadas a um segundo plano.
As leis éticas e morais dizem respeito ao relacionamento dos cidadãos do Reino com os cidadãos do mundo. As leis espirituais, em contrapartida, dizem respeito ao relacionamento dos cidadãos do Reino com o Deus do Reino. Essas leis espirituais podem soar como loucura para os que estão no mundo; podem não fazer sentido para os céticos; contudo, os cidadãos do Reino entendem que não basta ter uma vida equilibrada (na horizontal), é preciso estabelecer comunhão com o Eterno (na vertical).
Dentre as muitas leis espirituais contidas nos ensinamentos de Jesus, destacamos dez: doação e liberalidade, sem pensar em recompensa (Mt 6.2-4) — fazer o bem a quem não tem condições de retribuir;
- oração (Mt 6.5-15) — trata-se da forma mais íntima
e profunda de relacionar-se com Deus;
- adoração (Mt 6.9) — Pai nosso [...], santificado seja teu Nome — adorar a Deus é primazia no Reino;
- perdão (Mt 6.12-15) — ninguém pode esperar receber perdão, se não o concede a outrem;
- adoração (Mt 6.9) — Pai nosso [...], santificado seja teu Nome — adorar a Deus é primazia no Reino;
- perdão (Mt 6.12-15) — ninguém pode esperar receber perdão, se não o concede a outrem;
- jejum (Mt 6.16-18) — abster-se de alimentos, não
como penitência, mas como um ato espiritual;
- desapego das coisas materiais (Mt 6.19-21) — um cidadão do Reino dos céus não pode estar preso à terra;
- desapego das coisas materiais (Mt 6.19-21) — um cidadão do Reino dos céus não pode estar preso à terra;
- crença na provisão divina (Mt 6.33) — ansiedade e
preocupação não podem nos dominar;
- não julgar o próximo (Mt 7.1-5) — precisamos julgar a nós mesmos, não os outros;
- discernimento (Mt 7.6) — cidadãos do Reino precisam saber identificar as coisas espirituais;
- prática da Palavra (Mt 7.24-29) — ouvir e não praticar desabilita-nos a viver no Reino.
- não julgar o próximo (Mt 7.1-5) — precisamos julgar a nós mesmos, não os outros;
- discernimento (Mt 7.6) — cidadãos do Reino precisam saber identificar as coisas espirituais;
- prática da Palavra (Mt 7.24-29) — ouvir e não praticar desabilita-nos a viver no Reino.
2. COMO SER UM CIDADÃO DO REINO
Ser cidadão do Reino de Deus é ser discípulo de Cristo.
Não há outra maneira de tornar-se um cidadão do Reino, senão por intermédio de Jesus: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me (Mt 16.24). Seguir a Cristo é opcional. Ele disse: “se alguém quiser”, mas, após decidir-se pelo Caminho, há condicionais
para Seus seguidores.
2.1. Renuncie-se a si mesmo!
Cristo não nos chama para a afirmação do eu, mas para sua renúncia. Precisamos abdicar do orgulho, soberba, presunção e autoconfiança, antes de seguir Seus passos. Entrementes, negar-se a si mesmo não equivale à aniquilação pessoal. Não se trata de anular-se, mas de servir a Cristo e ao Reino com prioridade. Negar a si mesmo implica permitir o reinado soberano de Jesus, onde o ego tenha previamente exercido total controle. No reino dos homens, o ego predomina; no Reino de Deus, é preciso renúncia.
Para ser um cidadão do Reino, é preciso abrir mão dos sonhos, projetos de vida e desejos do coração? Absolutamente, não! Jesus disse: [...] buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.33; grifo do comentarista). Paulo disse: [...] Vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim (Gl 2.20a), ou seja, o que prevalece não é mais o meu eu, mas a vontade de Cristo.
2.2. Tome sobre si a sua cruz!
A cruz é o símbolo da responsabilidade cristã: é
impossível ter Cristo no coração, se não houver cruz sobre os ombros.
Tomar a cruz é assumir a responsabilidade do martírio, se necessário for; assim como Ele fez por nós. A figura de linguagem aqui utilizada remete-nos a um condenado, forçado a levar a própria cruz até o lugar da execução (Jo 19.17); entretanto, enquanto o condenado o faz por coação, o discípulo de Cristo o faz de boa vontade. Assim como um condenado à execução não podia ocultar a sua cruz, pois era obrigado a transportá-la publicamente, assim também um discípulo de Cristo não teria como ocultar sua fidelidade como cidadão do Reino, nem os resultados dessa responsabilidade em sua vida.
Há muitos crentes sem cruz, mas vida cristã sem responsabilidade para com o Reino não existe.
Tomar a cruz é assumir a responsabilidade do martírio, se necessário for; assim como Ele fez por nós. A figura de linguagem aqui utilizada remete-nos a um condenado, forçado a levar a própria cruz até o lugar da execução (Jo 19.17); entretanto, enquanto o condenado o faz por coação, o discípulo de Cristo o faz de boa vontade. Assim como um condenado à execução não podia ocultar a sua cruz, pois era obrigado a transportá-la publicamente, assim também um discípulo de Cristo não teria como ocultar sua fidelidade como cidadão do Reino, nem os resultados dessa responsabilidade em sua vida.
Há muitos crentes sem cruz, mas vida cristã sem responsabilidade para com o Reino não existe.
2.3. Siga-me!
Esta condicional diz respeito a seguir a Cristo diária e constantemente, não apenas por um determinado tempo. Segui-lo é imitá-lo; é fazer o que Ele faria em nosso lugar; é ser-lhe fiel, não somente quando for fácil, conveniente ou popular, mas colocar a mão no arado e não olhar atrás, seguindo-o, pela fé, sem retroceder.
O cidadão do Reino dos céus é fiel a Cristo não apenas no início da jornada; ao contrário, ele anda em Suas pegadas (1Pe 2.21), obedece aos Seus mandamentos e é-lhe grato pela salvação recebida. As nossas atitudes e escolhas revelam se estamos seguindo o Rei e sendo-lhe fiéis, ou se já renunciamos à herança eterna.
3. UM REINO TRANSCENDENTE
Ao Reino não se aplicam delimitações políticas ou geográficas, como acontece com os reinos dos homens. O domínio do Reino de Deus está na terra e no céu; ele é transcendente: Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu (Mt 6.10).
Destacamos, a seguir, algumas premissas do Reino: o Reino de Deus representa Seu domínio (Mt 5.34,35); ser um cidadão do Reino implica acreditar que, mesmo estando neste mundo e subordinado aos governos humanos,
Deus opera poderosamente, desde os céus, em favor do Seu povo, aqui na terra;
os reis da terra têm sua presença limitada; a presença do Rei do Reino, em contrapartida, não se limita ao céu, pois Ele interage diretamente com a terra (Sl 24.1).
3.1. Do céu para terra
Não podemos ser alienados, no que diz respeito à nossa cidadania terrena, mas precisamos entender que o governo do reino espiritual, no qual estamos inseridos, emana do céu.
Em outras palavras: não somos regidos por imposições terrenas, mas pela autoridade do Rei eterno.
Não podemos ser alienados, no que diz respeito à nossa cidadania terrena, mas precisamos entender que o governo do reino espiritual, no qual estamos inseridos, emana do céu.
Em outras palavras: não somos regidos por imposições terrenas, mas pela autoridade do Rei eterno.
3.2. Da terra para o céu
Assim como o céu interatua com a terra, a terra interage com
o céu. Engana-se quem pensa que atitudes tomadas neste mundo não se refletem no
céu (leia Mt 10.32,33). O que fazemos aqui, seja bom ou mau, compromete nossa
cidadania celestial.
3.3. Eterno
O Reino de Deus não transcende apenas a geografia (o espaço), ele transcende também o tempo. Muitos reinos e impérios levantaram-se com vigor e exuberância, mas não puderam superar a força do tempo e a pujança da evolução.
Grandes conquistadores sucumbiram, e seus reinos ruíram, mas o Reino de Deus é eterno (Sl 145.13). Não apenas o Reino é eterno; o seu Rei também é.
O tempo não pode influenciar o Reino de Deus, pois ele é eternamente (passado, presente e futuro). O Reino já estava preparado antes da fundação do mundo (Mt 25.34); desde a pregação de Jesus, ele está presente entre nós (Mt 4.17); mas, em um futuro breve, será estabelecido para sempre (Ap 11.15b). Somos cidadãos de um reino eterno.
CONCLUSÃO
O Reino de Deus deve ser experimentado e vivido, não apenas transmitido e ensinado. Enquanto aguardamos o reino escatológico, sua essência deve ser levada a cabo no tempo presente.
Jesus chamou homens e confiou-lhes a continuidade desse Reino. Princípios éticos, morais e espirituais não caminham sozinhos pela terra, eles precisam ser conduzidos por pessoas e instituições que sirvam ao Rei com inteireza de coração.
À medida que outras pessoas passam a crer e a participar dessa experiência, o Reino de Deus expande-se no mundo.
Fonte: Revista Lições da
Palavra de Deus n° 57
Mateus, o Evangelho do
Reino | ADVEC TAQUARA | 13/01/19 | Pr Isaías Jr
Lição 2 - Mateus, o
Evangelho do Reino
Introdução
João Batista anuncia que o Reino estava próximo. Jesus ainda
não havia iniciado seu ministério. Mateus 3:1,2 Naqueles dias surgiu João
Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: "Arrependam-se, porque
o Reino dos céus está próximo".
O início do ministério
de Jesus. A chegada do Reino Mateus 4:12-17
Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, voltou para a Galiléia; E,
deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de
Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías,
que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar,
além do Jordão, A Galiléia das nações; O povo, que estava assentado em trevas,
Viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte,A luz
raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é
chegado o reino dos céus.
Aqui farei uma inversão na ordem dos tópicos para
caracterizar o Reino antes de falar de suas Leis. Falaremos primeiro do tópico
3 da lição... 3.
Um Reino Transcendente
3.1 Do céu para a terra 3.2 Da terra para o céu
O Reino deve na Terra como é no Céu! Venha o teu Reino!
Mateus 6:9,10 Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha
o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
3.3 Eterno (preparado desde a fundação do mundo) Mateus
25:34 34.
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde,
benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a
fundação do mundo;
1. As Leis do Reino
Há leis no Reino!
Quem não segue as leis está fora do Reino!
Mateus 7:21-23 - texto bíblico básico "Nem todo aquele
que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que
faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia:
‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos
demônios e não realizamos muitos milagres? ’ Então eu lhes direi claramente:
‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ "
1.1 Leis éticas e morais
As leis éticas e morais do Reino são tensas! Mateus 5:38-48
38.
Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
39.Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na
face direita, oferece-lhe também a outra; 40.E, ao que quiser pleitear contigo,
e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; 41.E, se qualquer te obrigar a
caminhar uma milha, vai com ele duas. 42.Dá a quem te pedir, e não te desvies
daquele que quiser que lhe emprestes. 43.Ouvistes que foi dito: Amarás o teu
próximo, e odiarás o teu inimigo. 44.Eu, porém, vos digo: Amai a vossos
inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos
que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está
nos céus; 45.Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva
desça sobre justos e injustos. 46.Pois, se amardes os que vos amam, que
galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47.E, se saudardes
unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também
assim? 48.Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos
céus.
Mateus 7:1,2 - Não julguem "Não julguem, para que vocês
não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a
medida que usarem, também será usada para medir vocês.
Mateus 7:3-5 - Cuide da sua vida 3. "Por que você
repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que
está em seu próprio olho? 4. Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar
o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? 5. Hipócrita, tire primeiro a
viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do
seu irmão.
1.2 Leis espirituais
Orem Mateus 7:7-11 7.
"Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão;
batam, e a porta lhes será aberta. 8. Pois todo o que pede, recebe; o que
busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta. 9. "Qual de
vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? 10.Ou se pedir peixe, lhe
dará uma cobra? 11.Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos
seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas
aos que lhe pedirem!
Perdoem Mateus 6:12-15 12.
Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos
devedores. 13.E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque
teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’. 14.Pois se perdoarem as
ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. 15.Mas se não
perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas".
Conhecimento e Prática da Palavra Mateus 7:24-29 24.
"Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica
é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. 25.Caiu a
chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e
ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26.Mas quem ouve estas
minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre
a areia. 27.Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram
contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda". 28.Quando Jesus
acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu
ensino, 29.porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os
mestres da lei.
2. Como ser um cidadão do reino
Mateus 16:24 Então Jesus disse aos seus discípulos: "Se
alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
2.1 Renuncie-se a si mesmo!
● O que atrapalha sua comunhão com Deus?
● O que precisa ser renunciado na sua vida?
2.2 Tome sobre si a sua cruz!
● Cruz é chamado, missão, responsabilidade.
● Jesus tomou a cruz
dele e cumpriu sua árdua missão.
● Qual é a sua cruz? Seu chamado? Sua missão?
● Cruz é dor, dificuldade, sofrimento
● Jesus sofreu muito por nós!
● Até que ponto, você está disposto a sofrer por Ele?
● Mateus 26:39
● Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em
terra e orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice;
contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres".
2.3 Siga-me!
● O Reino é prioridade!
● Lucas 9:59-62 59.A outro disse: "Siga-me". Mas o
homem respondeu: "Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai".
60.Jesus lhe disse: "Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos;
você, porém, vá e proclame o Reino de Deus". 61.Ainda outro disse:
"Vou seguir-te, Senhor, mas deixa-me primeiro voltar e me despedir da
minha família". 62.Jesus respondeu: "Ninguém que põe a mão no arado e
olha para trás é apto para o Reino de Deus".
Conclusão Busquemos o Reino de Deus na Terra para que
vivamos eternamente no Reino dos Céus Mateus 6:33 Mas, buscai primeiro o reino
de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Mateus 13:36-43 36.Então ele deixou a multidão e foi para
casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Explica-nos a
parábola do joio no campo". 37.Ele respondeu: "Aquele que semeou a
boa semente é o Filho do homem. 38.O campo é o mundo, e a boa semente são os
filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno, 39.e o inimigo que o semeia é
o diabo. A colheita é o fim desta era, e os encarregados da colheita são anjos.
40."Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também
acontecerá no fim desta era. 41.O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles
tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal.
42.Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.
43.Então os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai. Aquele que tem
ouvidos, ouça".
Características do Cidadão do Reino de Deus
1.O cidadão do Reino cumpre a vontade do Senhor do Reino
(Mateus 7:21); “Nem todo o que me diz:
Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade demeu
Pai, que está nos céus.” Não basta
saber o que é certo. Tem que fazer o que é certo. Não basta pregar, tem que
viver o que se prega
2.Está comprometido com a missão de propagação do Reino
(Marcos 1:16-18); “E, andando junto do
mar da Galiléia, viu Simão, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar,
pois eram pescadores. E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejais
pescadores de homens. E,DEIXANDO LOGO AS SUAS REDES, O SEGUIRAM.” O cidadão do reino não se embaraça com esse
mundo. Não perde tempo com pequenos
prazeres pois seu tesouro está no Reino de Deus
Se você é cidadão do reino então fale sobre esse reino e seu justo Rei.
3.Sabe que seu procedimento é meio para evocação da justiça
do reino (Mateus5:20); “Porque vos digo
que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum
entrareis no reino dos céus.” 4.Tem o
reino como sua prioridade (Mateus 6:33); “Mas, buscai primeiro o reino de Deus,
e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.
5.Compreende a necessidade
de identificação com o senhor do Reino (Mateus 5:11-12; João 15:20) “
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo,
disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o
vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes
de vós.” “ Lembrai-vos da palavra que
vos disse: Não é o servo maior do que o seu SENHOR. Se a mim me perseguiram,
também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a
vossa.”
6.Está disposto a
renunciar sua própria vida (Mateus 16:24); “Então disse Jesus aos seus
discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie -se a si mesmo, tome sobre
si a sua cruz, e siga-me ” 7.Enfrenta
os desafios da vida, sabendo que a vitória final é certa (Mateus 13:43;
ICoríntios 15:57). “Então os justos
resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir,
ouça.” “Mas graças a Deus que nos dá a
vitória por nosso SENHOR Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede
firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso
trabalho não é vão no Senhor.”
O Reino de Deus
O Reino dos Céus, um filme de Ridley Scott lançado em 2005, trata de conflitos para controlar e manter a paz na cidade de Jerusalém. Tanto na Idade Média como nos dias de hoje, muitas pessoas têm entendido o Reino de Deus como uma entidade política e material. Milhões ainda acreditam que Jesus voltará à terra para estabelecer um reino com um exército físico e território geográfico. Seu conceito do reino é material e terrestre.
Um entendimento correto do Reino de Deus não vem do cinema,
nem das especulações humanas sobre os planos de Deus para o futuro. Para
entender a natureza desse reino, precisamos examinar os ensinamentos sobre o
assunto nas mensagens reveladas pelo Senhor nas Escrituras.
O Novo Testamento fala repetidamente do reino de Deus ou do
reino dos céus. Esse reino foi o tema da pregação de João Batista, o precursor
de Jesus. Quando João começou a anunciar a mensagem do Senhor no deserto da
Judeia, ele dizia: "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos
céus" (Mateus 3:2). Pouco tempo depois, Jesus iniciou seu ministério com a
mesma mensagem: "Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer:
Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 4:17). Lucas
comenta depois sobre este propósito no ensinamento de Jesus: "Ele, porém,
lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às
outras cidades, pois para isso é que fui enviado"(Lucas 4:43). Até o final
do seu trabalho, Jesus continuou pregando um reino espiritual e celestial:
"O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus
ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus;
mas agora o meu reino não é daqui" (João 18:36).
Depois de Jesus cumprir sua missão terrestre e voltar para
os céus, os apóstolos e outros pregadores na igreja primitiva continuaram
pregando o mesmo tema. Filipe levou o evangelho à cidade de Samaria.
"Quando, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do
reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como
mulheres" (Atos 8:12). A reação à mensagem sobre o reino dos céus foi a
decisão desses ouvintes de aceitar a orientação espiritual, levando ao batismo
deles. Se o reino fosse material e político, teriam pedido cidadania ou tomado
armas para defendê-lo (como o próprio Jesus disse para Pilatos em João 18:36).
Em Éfeso, Paulo ensinou durante três meses em uma sinagoga,
"dissertando e persuadindo com respeito ao reino de Deus" (Atos
19:8). Esta mensagem envolve todo o propósito de Deus desde as profecias do
Antigo Testamento até o cumprimento delas em Jesus. Quando Paulo chegou a Roma,
ele teve oportunidade de explicar sobre o reino: "Então, desde a manhã até
à tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus, procurando
persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos
profetas" (Atos 28:23).
Nesse último capítulo do livro de Atos dos Apóstolos, percebemos
que a mensagem do Reino dos céus é inseparável da mensagem sobre Jesus Cristo.
O livro termina com este comentário sobre o trabalho de Paulo durante sua
prisão em Roma: "pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem
impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo"
(Atos 28:31). Quando ele usa o termo "Senhor Jesus Cristo", ele
enfatiza três aspectos importantes do trabalho do Filho de Deus. Jesus é um
nome que significa Salvador. Cristo vem da forma grega da palavra Messias, que
significa Ungido. Senhor identifica sua posição de autoridade absoluta, pois
ele é o rei do reino celestial.
Receber o reino dos céus não significa a participação em
alguma guerra carnal para matar ou dominar outras pessoas. Significa a submissão
total a Jesus Cristo. Como ele mesmo disse: "Toda a autoridade me foi dada
no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a
guardar todas as coisas que vos tenho ordenado" (Mateus 28:18-20).
Jesus nos convida a participar do seu reino eterno como
cidadãos sujeitos ao Rei!
por Dennis Allan
O Evangelho do Reino
por Charlie
Brackett
Jesus veio “pregando
o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está
próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:14-15).
Com a brevidade
usual, Marcos expôs o que ele e outros escritores inspirados denominaram o
evangelho do reino. Evangelho significa boa nova ou boa
mensagem. O reino de Deus estava próximo. Sua vinda estava perto. Os
mandamentos de Deus ordenam a todos que se arrependam e creiam nessa jubilosa
mensagem.
Nunca houve uma
mensagem tão acreditável. O poder miraculoso provava que Jesus falava a
verdade; “trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias
enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os
curou”(Mateus 4:24). O poder sobre os demônios provou ser verdadeira a sua
mensagem e anunciou poderosamente a chegada do reino. Acusado de expelir
demônios pelo poder de Satanás, Jesus replicou que, se isso fosse verdadeiro, o
reino de Satanás estava dividido, condenado à aniquilação. “Se, porém,
eu expulso demônios pelo Espírito de Deus”, ele disse, “certamente
é chegado o reino de Deus sobre vós” (Mateus 12:22-30). A vinda do
reino de Deus era um golpe mortal em Satanás. A luta foi breve. Ainda que tudo
parecesse perdido na cruz, a vitória foi arrebatada da morte quando Cristo
ressuscitou. O reino veio! Essa boa nova ressoou em todos os cantos do globo e
ainda oferece esperança a todos os pecadores. Ela persiste porque o evangelho
do reino é...
- A boa nova de Deus (Romanos 1:1).
Ele é sua fonte. Paulo escreveu, “Nem olhos viram, nem ouvidos
ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado
para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito” (1
Coríntios 2:9-10). As boas novas do reino são dignas de aceitação e
crédito.
- A boa nova do Filho de Deus, Jesus
Cristo (1 Tessalonicenses 3:2). Ele é o mensageiro. “Deus...nestes
últimos dias, nos falou pelo Filho” (Hebreus 1:1-2). Jesus não é
somente o mensageiro, ele é a mensagem. O evangelho apresenta Jesus: quem
ele é (o Filho de Deus), como foi declarado (ressuscitado dentre os
mortos), e o que ele fez (fez-nos seus chamados, amados de Deus) (Romanos
1:1-7,9,16). Marcos afirma que o início do evangelho de Jesus Cristo
estava escrito nos profetas (Marcos 1:1-2). As boas novas de um reino
vindouro seriam incompletas se não houvesse predição, descrição e anúncio
da vinda do Rei.
- A boa nova da graça de Deus (Atos
20:24). É uma bela história de amor, e a graça de Deus é vista nesse amor.
Pela graça ele nos salva e nos eleva para sentarmos em lugares celestiais
em Cristo (Efésios 2:4-8). Quando se fica na graça de Deus, tem-se paz com
Deus em seu reino (Romanos 5:1-2; Colossenses 1:13-14). A graça de Deus
explica a bondade básica do evangelho.
- A boa nova da nossa
salvação (Efésios 1:13). O evangelho é o poder de Deus para salvar
(Romanos 1:16). Por ele os pecadores crêem que Deus ressuscitou Jesus
dentre os mortos (Romanos 10:9) e são persuadidos a invocar o nome do
Senhor para serem salvos (Romanos 10:13). Nele eles aprendem que para
permanecer no amor de Deus e para retribuir-lhe amor, é necessário guardar
seus mandamentos (João 15:9-10; 1 João 5:3). Obedecendo quanto ao
arrependimento e batismo (Marcos 16:16; Atos 2:38), eles se tornam
cidadãos do reino (Atos 2:41,47; Colossenses 1:13).
- A boa nova de paz (Efésios 6:15).
Muitos buscam a paz. Alguns fingem ter a paz, mas por
dentro estão as dúvidas, a ansiedade e a perturbação. Outros tentam fazer a
paz. Horas e dinheiro incontáveis são gastos nos auditórios de
conferências do mundo buscando a paz. Tanto os líderes políticos como os
religiosos negociam sem sucesso duradouro. Mas o evangelho do reino diz,
“simplesmente receba a paz”. O evangelho leva o homem a
se reconciliar com Deus (Romanos 5:10-11) e unir-se com o seu semelhante
(1 João 5:1). Jesus Cristo, que é nossa paz (Efésios 2:14-18), diz, “Vinde
a mim...Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim...e achareis descanso
para a vossa alma” (Mateus 11:28-30). Esse descanso traz paz com
Deus e consigo mesmo, e dá ao lar, à igreja e a tudo mais, uma calma
celestial. Oh, paz que ultrapassa o entendimento (Filipenses 4:7)!
- A boa nova de
esperança (Colossenses 1:23). Muitos dos que lêem isto têm ouvido e
recebido aquela mesma esperança do evangelho que os cristãos primitivos
abraçaram. Que Deus nos ajude a permanecer “na fé, alicerçados e
firmes” para que nossa esperança no reino não venha a diminuir.
COMENTÁRIO BÍBLICO NOVO TESTAMENTO
MATTEW HENRY
Versículos 7-11
A oração é
o meio designado
para conseguir o
que necessitamos . Orem;
orem freqüentemente; façam
da oração sua
ocupação e sejam
sérios e fervorosos
nela. Peçam, como
um mendigo pede esmola. Peçam como o viajante pergunta pelo caminho. Busquem como se busca uma coisa de valor que
perdemos; ou como
o mercador que
procura por pérolas
boas. Chamem como
bate à porta
o que deseja entrar
em casa. O pecado
colocou chave e
fechou a porta
contra nós; pela
oração chamamos.
Seja o que
for pelo que
orem, conforme com
a promessa, será
dado se Deus
vê que é
bom para vocês, e
que mais poderiam
desejar? Isto é
para aplicá-lo a
todos os que
oram bem; todo
o que pede,
recebe, seja judeu
ou gentio, jovem
ou velho, rico
ou pobre, alto
ou baixo, amo
ou servo, douto ou inculto, todos por igual são
bem-aventurados ao trono da graça, se vão pela fé.É explicado
comparando-o com os
pais terrenos e
sua aptidão para
darem a seus
filhos o que
pedem.
Os pais costumam
ser nesciamente afetuosos,
mas Deus é onisciente.
Ele sabe o
que necessitamos, o que
desejamos, e o
que é bom
para nós. Nunca
achemos que nosso
Pai celestial nos pediria que
oremos e depois se negaria a ouvir ou a dar-nos o que não nos prejudica .
Versículos 12-14
Cristo veio a
ensinar-nos não somente
o que devemos
saber e acreditar,
senão o que
devemos fazer; não
só para com
Deus, senão para
com os homens ;
não só para
com os que
são de nosso
partido e denominação, senão
para com os
homens em geral,
com todos aqueles
que nos relacionemos. Devemos
fazer a nosso
próximo o que
nós mesmos reconhecemos que
é bom e
razoável. Em nossos
tratos com os
homens devemos colocar-nos
no mesmo lugar
e nas circunstâncias daqueles
com os que nos relacionamos, e agir em conformidade com isso.
Não há senão
dois caminhos: o
correto e o
errado, o bom
e o mau;
o caminho ao
céu e o caminho
ao inferno; todos
vamos andando por
um ou por
outro; não há
um lugar intermédio
no além; não há
um caminho neutro.
Todos os filhos
dos homens somos
santos ou pecadores,
bons ou maus.
Vejam o caminho
do pecado e
dos pecadores, que
a porta é
larga e está
aberta. Podem entrar por
esta porta com
toda s as luxúrias
que a rodeiam;
não freia apetites
nem paixões. É
um caminho largo; existem
muitas sendas nele,
há opções de
caminhos pecaminosos. Há
multidões neste caminho. Mas
que proveito há
em estar disposto
a ir para
o inferno com
os outros, porque
eles não irão ao
céu conosco? O
caminho da vida
eterna é estreito.
Não estamos no
céu tão logo
como passamos pela porta
estreita. Devemos negar
o enérgico, manter
o corpo sob
controle, e mortificar as corrupções.
Devemos resistir as
tentações diárias; devemos
cumprir os deveres.
Devemos velar
em todas as
coisas e andar
com cuidado; e
devemos passar por
mui ta tribulação. Não
obsta nte, este caminho nos
convida a todos;
conduz à vida,
ao consolo presente
no favor de
Deus, que é
a vida da alma; à
bênção eterna, cuja esperança no
final de nosso caminho deve
facilitar-nos todas as
dificuldades do caminho.
Esta simples
declaração de Cristo
tem sido descartada
por muitos que
se deram ao
trabalho de fazê-la
desaparecer com explicações, porém
em todas as
épocas o discípulo
verdadeiro de Cristo
tem sido
visto como uma
personalidade singular, que
não está na
moda; e todos os
que ficaram do
lado da grande
maioria, se foram
pelo caminho amplo
rumo a destruição. Se servirmos
a Deus, devemos
ser firmes em
nossa religião. Podemos
ouvir repetidas vezes
sobre a porta estreita
e o caminho
apertado, e que
são poucos o
que o acham,
sem condoer-nos por
nós mesmos ou
sem considerar se
entramos no caminho
estreito e qual
o avanço que
estamos fazendo nele?
Versículos 15-20
Nada impede tanto
aos homens de
passar pela porta
estreita e chegar
a ser verdadeiros
seguidores de Cristo
como as doutrinas
carnais, apaziguadoras e
aduladoras dos que
se opõem à
verdade. Estes podem ser
conhecidos pelo arrasto e os efeitos
de suas doutrinas. Uma parte de seus temperamentos e
condutas resulta contrária
à mente de Cristo. As
opiniões que levam
a pecar não vêm de Deus.
Versículos 21-29
Aqui Cristo mostra que não bastará reconhecê-lo como nosso
Amo somente de palavra e língua.
É necessário
para nossa felicidade
que acreditemos em
Cristo, que nos
arrependamos do pecado,
que vivamos uma vida
santa, que nos
amemos os uns
aos outros.
Esta é
sua vontade, nossa
santificação.Tenhamos
cuidado de não
apoiar-nos nos privilégios
e obras externas,
não seja
que nos enganemos
e pereçamos eternamente
com uma mentira
a nossa direita,
como o fazem
multidões. Que cada
um que invoca
o nome de
Cristo se afaste
de todo pecado.
Existem outros cuja
religião descansa no puro
ouvir, sem ir
além; suas cabeças
estão cheias de noções
vazias. Essas duas classes de ouvintes estão representados
pelos dois construtores. Esta parábola
nos ensina a ouvir os ditados do
Senhor Jesus: alguns
podem parecer duros
para carne e
sangue, mas devem
ser feitos. Cristo
está colocado como
fundamento e toda
outra coisa fora
de Cristo é
areia. Alguns constroem suas esperanças
na prosperidade mundana;
outros, numa profissão
externa de religião.
Sobre estas se aventuram,
mas estas são
só areia, demasiado
fracas para suportar
uma trama como
nossas esperanças do céu
Há uma tormenta que
vem e provará a obra de todo homem.
Quando Deus tira a alma, onde
está a
esperança do hipócrita?
A casa desabou
na tormenta, quando
mais a necessitava
o construtor, e
esperava que lhe
servisse de refúgio.
Caiu quando era
demasiado tarde para
edificar outra. O Senhor
nos faça construtores
sábios para a
eternidade. Então, nada
nos separará do
amor de Cristo Jesus.
As multidões ficavam
atônitas ante a sabedoria e o
poder da
doutrina de Cristo.
Este sermão, tão
freqüentemente lido, sempre
resulta novo. Cada
palavra prova que
seu Autor é
divino. Sejamos cada vez
mais decididos e
fervorosos, e façamos
de uma ou
de outra destas
bem-aventuranças e graças cristãs
o tema principal
de nossos pensamentos, por
semanas seguidas. Não
descansemos em desejos gerais e
confusos, pelos quais possamos captá-lo tudo, porém sem reter nada.
Reino e Reinado: O Reino de
Deus e o Reino dos Céus - Geehardus Vos
A palavra
grega basileia, usada nos evangelhos para “reino”, e as palavras
correspondentes no hebraico e aramaico, tais como Malkuth e Memlakhah, como
muitas outras palavras em nossa língua, podem designar o mesmo conceito de dois
pontos de vista distintos. Elas podem indicar o reino como algo abstrato, o
reinado ou governo exercido pelo rei. Podem, também, descrever o reino como
algo concreto, o território, a soma total dos súditos e possessões sobre os
quais se reina, incluindo quaisquer direitos, privilégios e
vantagens que são
desfrutados nessa esfera. Agora, surge a questão: em que sentido nosso Senhor
falou do “Reino de Deus”? No Antigo Testamento, em que um Reino é atribuído a
Jeová, o sentido abstrato é o que prevalece, com a exceção de Ex 19.6, onde os
israelitas são chamados de “um reino de sacerdotes” e, portanto, o sentido é
concreto, o de um corpo de súditos que são governados.
O Reino de Deus é sempre
seu reinado, seu governo, nunca seu domínio geográfico. Quando Obadias prediz
que “o Reino será do
Senhor”, o sentido
é que no futuro a supremacia pertencerá a Jeová. A maneira em que a supremacia
de Israel sobre as nações é associada com a idéia de reino revela que esse era
também o uso judaico comum no tempo do nosso Senhor.
Nós já vimos que a
relativa ausência da frase “o Reino de Deus” nas fontes judaicas aponta para a
mesma conclusão, pois foi a falta de interesse na verdade que Jeová seria
supremo que impediu a frase de se tornar popular.
Por outro lado, o
conceito de que Deus governaria era para Jesus um pensamento glorioso que
enchia sua alma com o gozo mais sagrado. Sendo assim, sem dúvida, é correta a
sugestão de escritores modernos que, ao interpretarem os dizeres do nosso
Senhor, mostram que o significado de “reino” e “reinado” deve ser o nosso ponto
de partida, salvaguardando contra associações enganosas da palavra “reino” que,
em uso moderno, praticamente sempre significa o território ou área geográfica.
Ainda assim é aconselhável proceder com
cautela neste ponto. Já chamamos a atenção para a significativa expansão que
Jesus introduziu ao uso corrente da frase. Se para ele esta abrangia todos os
privilégios e bênçãos que fluem do Reino vindouro de Deus, então é evidente o
quão inevitável ela tenderia a se tornar, em sua fala, uma designação concreta.
Significando, primeiramente, “um governo”, o termo passaria a significar, se
não um território ou corpo de súditos, pelo menos um domínio, uma esfera da
vida, um estado das coisas, todos estes concebidos mais ou menos localmente.
Certamente, embora permaneça a conotação de que o Reino entendido dessa forma é
possuído e, portanto, permeado por Deus, a tradução abstrata “reinado de Deus”
não mais poderia ser aplicada. De fato, apenas uma rápida observação dos
discursos do evangelho revela o quão absolutamente impossível é usar
exclusivamente a tradução abstrata em cada exemplo em que o nosso Senhor fala
do Reino de Deus.
Apresentada
resumidamente, a questão assume a seguinte forma: em alguns exemplos a tradução
“reinado” é requerida pela conexão, como quando é dito “o Filho do Homem virá
em seu Reino”. Em outros casos, menos raros que o anterior, é possível, ou
talvez um pouco mais plausível, adotar a tradução abstrata, como quando lê-se
do Reino “vindo”, “surgindo”, “estando próximo”, “sendo visto”, apesar de que
nestes e em outros exemplos ninguém pode sustentar que a substituição do
concreto tornaria o sentido artificial.
Ainda que nenhum
dos sentidos seja inadequado, pode-se nesses casos, por razões gerais,
inclinar-se a acreditar que a idéia da revelação do poder de Deus como rei
ocupa o lugar central na mente do nosso Senhor. Mas há um grande número de
passagens, talvez a maioria, em que o tom do concreto claramente predomina.
Quando a figura é de “chamado” para o Reino de Deus, de “entrada” nele, deste
ser “fechado” ou de pessoas serem “expulsas”, de ser “buscado”, “dado”,
“possuído”, “recebido”, “herdado”, todos sentem que tais formas de falar não
são o exercício do governo divino em si mesmo, mas a ordem das coisas
resultantes, o complexo de bênçãos que este produz, a esfera
em que trabalha,
que se ergue diante da mente daquele que fala. Levando isso em consideração,
podemos afirmar que se basileia for traduzida em todo lugar pela mesma palavra,
essa palavra deve ser “reino”. Traduzir e introduzir uma distinção entre
“reino”, em alguns casos, e “reinado”, em outros, é obviamente impraticável
porque, como foi afirmado anteriormente, em muitos casos não temos fatos que
nos ajudem a escolher entre os dois.
Ainda menos
satisfatória é a recente proposta de traduzir em todos os casos como “a
soberania de Deus”, pois não apenas essa prática é inadequada para todos os
dizeres em que o uso concreto do termo é sem dúvida presente, como também falha
em expressar o sentido abstrato de forma completa e acurada nos casos em que é
reconhecido. Soberania denota uma relação de existência por direito, mesmo onde
esta não é, na verdade, imposta. No caso de Deus, portanto, não se pode dizer
que sua soberania tenha “vindo”. O
basileia divino
inclui como já vimos, além do direito de governar, o verdadeiro e enérgico
estabelecimento do real poder de Deus nos atos de salvação.
Além do “Reino de
Deus”, encontramos “o Reino dos céus”. O evangelista Mateus usa esta expressão
quase exclusivamente. Somente em 6.33; 12.28; 13.43; 21.31,43; 26.29 ele
escreve “o Reino de Deus” ou “o Reino de meu Pai” (ou “seu Pai”), enquanto “o
Reino dos céus” ocorre mais de trinta vezes em seu evangelho. Em 12.28 o uso de
“Deus” ao invés de “céus”explica-se pela expressão precedente “Espírito de
Deus”; não há razões aparentes para a substituição nos outros dois exemplos no
capítulo 21. Em Marcos e Lucas a expressão “Reino dos céus” não é encontrada.
Esse fato levanta a questão de qual dessas duas versões reproduz o uso de Jesus
mais literalmente. Todas as probabilidades apontam para Mateus, uma vez que não
existe uma boa razão de porque ele substituiria “o Reino dos céus”, enquanto
que uma razão suficientemente plausível para o procedimento oposto por parte de
Marcos e Lucas pode ser encontrada no fato de que, escrevendo para leitores
gentios, eles poderiam ter pensado que uma frase tão tipicamente judaica quanto
“o Reino dos céus” seria menos inteligível do que simplesmente “Reino de Deus”.
É claro que, afirmando isso, não implicamos que, em cada caso individual em que
o primeiro evangelista escreve “Reino dos céus”, essa frase tenha sido na
verdade pronunciada por Jesus. Tudo que intentamos afirmar é a proposição geral
que Jesus usou ambas as frases e que Mateus preservou para nós um item de
informação que não se obtém dos outros dois evangelhos sinópticos.
Mas, qual é a
origem e o sentido dessa frase “o Reino dos céus” e que luz esta traz ao
conceito de Reino do nosso Senhor? No judaísmo antigo existia uma tendência de
se evitar o uso do nome de Deus. Vários substitutos eram correntes e “céus” era
um deles. Além dessa frase em discussão, traços desse discurso são encontrados
em Mt 16.19; Mc 11.30; Lc 15.18,21. Essa foi uma forma de discurso que havia
surgido do hábito judaico de enfatizar na natureza de Deus sua exaltação sobre
o mundo e sua majestade inatingível mais do que qualquer outra coisa, até ao ponto
de colocar em perigo o que deve sempre ser a essência da religião, uma
verdadeira comunhão entre Deus e o homem. Mas esse hábito, apesar de
exponencial de uma falta característica do judaísmo, também teve seu lado
positivo, senão o Senhor não o haveria adotado. Em sua natureza humana, Jesus
tinha um senso profundo da infinita distância entre Deus e a criatura. O que
havia de genuíno temor religioso e reverência a Deus na consciência judaica
despertou um eco em seu coração e encontrou nele a sua expressão ideal,
desaparecendo toda a unilateralidade que o judaísmo havia agregado. Portanto,
se Jesus falou de Deus utilizando o termo “céus” isso não surgiu de um medo
supersticioso de nomear Deus, mas de um desejo de nomeá-lo de tal forma a
evocar a mais exaltada concepção de seu caráter e ser. Para tanto, a palavra
“céus” era eminentemente adequada uma vez que cativa os pensamentos do homem
para o lugar onde Deus revela sua glória e perfeição.
Isso pode ser
observado melhor em outra frase que, igualmente, apenas Mateus preservou entre
os evangelistas, e que nosso Senhor tinha em comum com os mestres judaicos
daquela época: a expressão “Pai nos céus” ou “Pai celestial”. Se nessas frases
o nome “Pai” expressa o condescendente amor e graça de Deus e sua infinita proximidade
de nós, o qualificativo “nos céus” adiciona ao restante sua infinita majestade
sobre nós, pela qual o padrão deve ser sempre mantido em equilíbrio para que
não prejudiquemos o verdadeiro
espírito de
religião. Pode-se afirmar, portanto, que ao se referir ao “Reino dos céus”,
Jesus procurava usar essa expressão em um sentido que não era em nada diferente
de “Reino de Deus” exceto por uma adicional nota de ênfase à natureza exaltada
daquele a quem esse Reino pertence.
A palavra “céus”,
entretanto, apesar de primariamente qualificar a Deus e descrever a sua
grandeza, não a do Reino, deve também ter sido utilizada por nosso Senhor com o
intuito de dar cor a este conceito. Se o rei é alguém que concentra toda a
glória do céu em si mesmo, como deve ser seu Reino?
Não iremos tão
longe ao ponto de dizer, erroneamente, que Jesus desejou despertar em seus
discípulos um sentido do misterioso caráter sobrenatural, de absoluta perfeição
e magnificência, do valor supremo pertencente a essa nova ordem das coisas e
que desejava que eles vissem e abordassem a questão em um espírito que
apreciasse essas qualidades santas. Apesar da frase “Reino dos céus” não se
achar no Antigo Testamento, a palavra “céus” já aparece em associação
significativa com a idéia do Reino futuro. Em Daniel lemos que “o Deus dos
céus” estabelecerá um Reino e isso significa que o novo Reino se originará, de
uma maneira sobrenatural, do mundo espiritual. Para Jesus, “céus” e o
sobrenatural eram idéias cognatas (Mt 16.17; Mc 11.30). O fato de que, na mente
de Jesus, a idéia de absoluta perfeição do mundo celestial como determinador do
caráter do Reino pode muito bem ter sido associada com a frase “Reino dos
céus”, aparece na conexão íntima entre a segunda e a terceira petição no Pai
Nosso: “Venha o teu Reino; faça-se a tua vontade assim na terra como no céu”
(cf. Mt 5.48). Podemos nos referir a palavras como as de Mt 5.12; 6.20 para
indicar a idéia dos “céus” como a esfera de supremos valores imutáveis e o
objetivo que devemos aspirar. Tendo em vista o profundo significado que Jesus
atribuiu ao contraste entre os mundos celeste e terreno, é bem improvável que
“céu”, para ele, era um mero rodeio formal de palavras para Deus. O termo não
significava Deus em geral, mas Deus como conhecido e revelado naquelas regiões
celestiais onde havia sido a eterna morada do nosso Senhor. Somente com isso em
mente podemos ter esperança de entender algo do sentido profundo pelo qual ele
chamou o Reino de “Reino dos céus”.
Fonte: O Reino de Deus e a Igreja, Geerhardus
Vos, Editora Logos, p. 29-36.





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