terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Lição 2 - A Natureza dos Anjos – A Beleza do Mundo Espiritual




         O s anjos são seres espirituais que aparecem em toda a Bíblia. Ora atuam no céu, ora na terra. Aparecem glorificando ao Senhor, mas também interagindo com os seres humanos. Embora estejam presentes em diversas passagens bíblicas, as informações disponíveis não oferecem tantos detalhes sobre a hierarquia dos anjos. Sabemos que são seres espirituais, assexuados e habitantes do céu. Os anjos fazem parte da corte celeste, adorando a Deus; como ministros de Cristo, servem para entregar mensagens divinas aos seres humanos e também os auxiliam e os protegem.
Este capítulo explora de maneira sucinta o desenvolvimento da teologia dos anjos, a angelologia, pelos pais da Igreja e qual a posição das Assembléias de Deus no Brasil sobre o assunto.

DEFININDO OS TERMOS

     O termo "anjo" na Bíblia pode ser tradução de malakh, do hebraico, ou de angelos, do grego. O significado é mensageiro. A Bíblia refere-se àquela criatura que traz uma mensagem divina ao ser humano. De início, "anjo" poderia se referir tanto a seres humanos quanto a seres espirituais, bons ou maus, ou seja, anjos de Deus ou demônios. Na história dos três anjos que visitam Abraão, são três homens que apareceram (Gn 18.2). No entanto, em algumas passagens é difícil identificar se o mensageiro é humano ou divino (Gn 19.1-22; Lc 24.4). É na literatura tardia do Antigo Testamento e no Novo Testamento que malakh e angelos passaram a ser usados de maneira genérica para os assistentes de Deus. Foi com os escritos apocalípticos do período interbíblico, a literatura apócrifa e pseudoepígrafa, como os livros de 1 e 2 Enoque, os Oráculos Sibilinos e o livro de Tobias, que o tema ganhou destaque. Foi com o tempo, então, que "anjo" passou a descrever somente os seres espirituais no sentido que usamos hoje.
      A percepção dos antigos israelitas sobre a dimensão espiritual não é semelhante à nossa de hoje. Segundo o Dicionário de Deidades e Demônios da Bíblia (DDDB), um israelita do período monárquico não confundiría um "anjo", um mensageiro de Deus, com um querubim ou um serafim. Isso porque a descrição dessas duas criaturas seria assustadora (Is 6; Ez 10), o que os desqualificaria como mensageiros divinos. É interessante observar que não há passagem bíblica de querubim e serafim agindo nessa função. Querubim aparecem como guardiões da árvore ou do trono (Gn 3.24; 1 Sm 4.4; 1 Rs 6.29-35; Ez 10.1,20; 41.18-25). Serafim aparecem em Isaías 6 como os seres de asas que cantam a Javé, o Deus de Israel.
      No Antigo Oriente Próximo, o papel do mensageiro não era apenas transmitir a mensagem; ele também guardava os viajantes durante a jornada. Essa tarefa aparece no texto bíblico relacionada ao "Anjo do Senhor" (Gn24.7,40; Êx 14.19; 23.20-23; 32.34; 33.2), expressão usada para se referir ao próprio Deus e interpretada como uma pré-encarnação de Jesus. Além disso, era tarefa do mensageiro ir à frente e anunciar antecipadamente a chegada do viajante ao anfitrião. Esse caso só aparece uma vez no Antigo Testamento, em Malaquias 3.1, no contexto profético que se torna importante para as discussões teológicas de judeus e cristãos. É interesse notar que transmitir uma mensagem implicava interagir com o receptor, ou seja, muitas vezes era necessário responder perguntas e esclarecer dúvidas. E isso aparece no texto bíblico (Zc 1.9).
        As Escrituras atribuem outras atividades aos anjos, malakh e angelos, além de mensageiros. Existem muitos deles e circulam entre céu e terra (Gn 28.12; 32.1). São adoradores de Deus (Sl 103.20; 148.2). Guardam e protegem a vida dos que servem a Deus (1 Rs 19.5; Sl 91.11, 12; At 12.11). Dão instruções e ajudam os fiéis (Dn 8.16; 9.20-27; At 8.26; 10.3, 22). São executores do juízo divino (Ap 14.14-20).
       Só aparecem dois nomes de anjos no texto bíblico. São eles Miguel (Dn 10.13; Ap 12.7) e Gabriel (Dn 8.16; 9.21; Lc 1.19,26). No entanto, posteriormente, a literatura extrabíblica menciona diversos nomes de anjos.

DESENVOLVIMENTO DA ANGELOLOGIA

       O desenvolvimento da teologia dos anjos, ou angelologia, deu-se logo no início da história da Igreja, condicionado pelo crescimento das igrejas e da necessidade de esclarecimento de pontos doutrinários da fé cristã. Os principais eventos que motivaram a discussão do assunto foram o problema da influência da angelologia judaica, do imaginário popular quanto à dimensão espiritual, do culto aos anjos e das idéias gnósticas. O resultado foi a afirmação da transcendência absoluta do Deus Criador, dos anjos como criaturas e da distinção entre os anjos de Jesus Cristo e o Espírito Santo.
       A tradição judaica influenciou a teologia cristã nos primeiros séculos do cristianismo, em parte porque os escritores do Novo Testamento estavam vinculados ao mundo judaico e também porque os primeiros pensadores e líderes cristãos ou eram judeus ou haviam estudado segundo a linha do pensamento judaico. Alguns livros apócrifos e pseudoepígrafos trazem informações sobre a crença nos anjos naquele período. Os anjos eram entendidos como ministros de Deus, que executavam os desígnios divino no mundo. Alguns foram nomeados, como Uriel (1 Enoque 75.3). E apareceram sete arcanjos em Tobias 12.15. Em 1 Enoque 20.1-8 apresenta os nomes dos sete arcanjos: Uriel, Rafael, Raquel, Miguel, Saracael, Gabriel e Remiel. Em Apocalipse de Moisés 33-35, os anjos Miguel e Gabriel chegam a ser retratados como intercessores pelos seres humanos diante do trono de Deus.
      O conteúdo dos livros apócrifos e pseudoepígrafos estava bem presente no imaginário dos primeiros cristãos, e esses livros tratam de assuntos envolvendo anjos. A ideia de que Jesus era um anjo mais elevado pode ser lida em O Pastor de Hermas (150). A teologia do livro é controversa, pois primeiro trata o Filho de Deus e o Espírito Santo como sendo os mesmos: "quero mostrar-te outra vez tudo o que te mostrou o Espírito Santo, que falou contigo sob a figura da Igreja; porque aquele Espírito Santo é o Filho de Deus" (Parábola IX.I). Segundo, a imagem de Miguel se assemelha à de Jesus. Miguel aparece com poder sobre o povo de Deus e autoridade para pronunciar juízo (Parábola VIII.69). Pela leitura do texto, a identidade do arcanjo Miguel confunde-se com a do Filho de Deus. Essa confusão ainda sobrevive no pensamento de alguns grupos contemporâneos como os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová.
        O gnosticismo foi um fenômeno cristão dividido em diversas seitas e escolas de pensamento nos primeiros séculos. Cláudio Moreschini, estudioso da história do pensamento pagão e cristão tardio-antigo, em História da filosofia patrística, define gnosticismo como:
       Qualquer movimento de pensamento segundo o qual a verdade divina de salvação está contida numa revelação acessível somente a poucos eleitos, os quais podiam obtê-la ou por meio da experiência direta da revelação ou mediante a iniciação à tradição secreta e esotérica de tais revelações (p. 43).

      Segundo o gnosticismo, o mundo consiste na dimensão material e na dimensão espiritual, sendo mau tudo aquilo que é material porque é criação de um deus inferior, o Deus de Gênesis, que surgiu da ruptura do domínio maior do Deus verdadeiro, o Pleroma. Além dos seres humanos, uma variedade de seres habita o espaço entre o Pleroma e o mundo material. Os anjos, então, seriam esse tipo de criatura, os demiurgos e as emanações de eones superiores. Alguns nomes ligados à teologia gnóstica incluem Marcião, Valentim, Basilides.
       Irineu (130-202) foi o primeiro a sistematizar uma doutrina sobre os anjos, segundo Basilio Studer (DPAC). Em Contras as heresias, Irineu respondeu:

[...] aquele que fez todas as coisas é o Deus único, o único Onipotente, o único Pai, [...] Com o Verbo de seu poder tudo compôs e tudo ordenou por meio da sua Sabedoria; ele que tudo contém e que nada pode conter. Ele é o Artífice, o Inventor, o Fundador, o Criador, o Senhor de todas as coisas e não existe outro fora e além dele, nem a Mãe que eles se arrogam, nem o outro deus que Marcião inventou, nem o Pleroma dos 30 Éões [...] Só um é o Deus Criador que está acima de todo Principado, Potência, Dominação e Virtude [...] ele é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus dos viventes, anunciado pela Lei, pregado pelos profetas, revelado por Cristo, transmitido pelos apóstolos, crido pela Igreja; ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo [...] O Filho que está sempre com o Pai e que desde o princípio sempre revela o Pai aos Anjos e Arcanjos, às Potestades e Virtudes e a todos a quem Deus quer revelar (Livro 11.30.9).

      Assim, contra a teologia gnóstica escreveram os pais da Igreja, afirmando que o Deus da Bíblia é o verdadeiro e o Criador do mundo material. Portanto, são os anjos criaturas de Deus.
      A problemática dos anjos entrou na grande discussão teológica sobre a Trindade, quando se formalizava Deus como três pessoas distintas de uma mesma substância. Assim, a ideia de que Jesus e o Espírito Santo eram um tipo de anjo logo foi refutada. O contexto antiariano deu espaço para diferenciar os anjos de Jesus.
       Alguns confundiam o Espírito Santo com anjo. O grupo dos chamados "tropicianos", em Tmuis, Egito, dizia que o Espírito foi criado do nada e era um anjo superior aos outros.1 Eles usavam Hebreus 1.14 para sustentar essa ideia, classificando o Espírito como um dos "espíritos ministradores", e também Amós 4.13, Zacarias 1.9 e 1 Timóteo 5.21. Atanásio (296-373) refutou essa ideia, na epístola dirigida a Serapião, bispo de Tmuis, defendendo que o Espírito não é criatura, mas sim uma pessoa que compartilha da mesma substância indivisível do Pai e do Filho: "A santa e bendita Trindade é indivisível e uma em si mesma. Quando se faz menção do Pai, o Verbo também está incluído, como também o Espírito que está no Filho. Se o Filho é citado, o Pai está no Filho, e o Espírito não está fora do Verbo. Pois há uma só graça que se realiza a partir do Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo" (Epístola a Serapião sobre o Espírito Santo, livro I 14.4).
       Basílio de Cesareia (330-379) explicou que a comunhão entre Pai, Filho e Espírito Santo pode ser vista nos seres criados - todas as coisas visíveis e invisíveis - desde o princípio. Em O Espírito Santo, ele escreveu: "de modo que os espíritos com missão de serviço subsistem pela vontade do Pai, existem

1 Os tropicianos eram uma seita do Egito; o nome vem de tropos, “figura". Atanásio assim o denominou por causa da exegese figurada deles. Eles diziam ser o Espírito Santo um anjo e uma criatura.

pela ação do Filho e se aperfeiçoam pela presença do Espírito" (16.38). A perfeição dos anjos é entendida como "a santidade e sua permanência nela" (16.38). Portanto, Basílio considerou o Espírito como digno de adoração tanto quanto o Pai e o Filho; e foi o Senhor dos anjos quem os aperfeiçoou.

       Agostinho de Hipona (354-430) dedicou-se a entender os anjos com o devido cuidado de fundamentar sua doutrina nas Escrituras. Em A Cidade de Deus, ele explica que os anjos foram criados antes de todas as criaturas corpóreas, quando Deus disse "haja luz!" (Gn 1.3). Isso porque as passagens bíblicas contam que as obras do Senhor o louvam, e os anjos estão na lista da criação divina. Além disso, as Escrituras afirmam que os anjos louvaram a Deus no momento em que os astros foram criados. Isso aconteceu no quarto dia; portanto, a criação angelical foi anterior a esse dia. "Diremos, acaso, haverem sido feitos no terceiro dia? Nem pensá-lo. [...] No segundo, porventura? Tampouco" (11, IX). Logo, só poderia ter sido no primeiro dia, "se os anjos fazem parte das obras de Deus realizadas nesses dias, são a luz que recebeu o nome de dia" (11, IX). O pensamento de Agostinho reforça o que já vinha sendo ensinado: que os anjos são criaturas de Deus, no entanto, o momento exato em que essa criação aconteceu não está explícito. Embora esse raciocínio seja compreensível, a origem dos anjos continua sendo uma especulação.
      A passagem de Gênesis 6.1-4 era controvérsia, pois muitos interpretavam que os anjos tiveram relações sexuais com os seres humanos. Essa interpretação, como ressalta Bruce Waltke no seu comentário ao livro de Gênesis, não só é antiga como permaneceu nos escritos apocalípticos, no judaísmo rabínico e nos escritos do Novo Testamento (1 Enoque 6.1-7; Testamento de Ruben 5.6) e também nos escritos canônicos (1 Pe 3.19, 20; 2 Pe 2.4; Jd 6, 7). Agostinho, em A Cidade de Deus (25, XXIII), escreveu contra essa tradição, pois a passagem não trata de pecado de anjos, mas sim de uma ação humana. Ele explica que o termo "os filhos de Deus" (v. 2) na Bíblia pode se referir tanto a homens quanto a anjos. Se o problema é que da relação entre "os filhos de Deus" e "as filhas dos homens" nasceram outro tipo de criatura, os gigantes, por isso seriam anjos, Agostinho argumentou que era possível nascerem pessoas de estatura elevada em qualquer época. Além disso, ressaltou que o próprio texto já apontava a prévia existência de gigantes na terra, ou seja, não era nada extraordinário.
       Outro tema da angelologia é a hierarquia angelical. Seguindo o raciocínio da proximidade de Deus, embora o texto bíblico não ofereça muitos detalhes sobre a hierarquia dos anjos, Pseudo- -Dionísio, o Areopagita (cerca do ano 500 d.C.), em sua obra Hierarquia celeste, elaborou uma das estruturas mais conhecidas na tradição. A ordem seria a seguinte:

Primeira hierarquia: Serafim, querubim e tronos; Segunda hierarquia: Dominações, virtudes e potestades; Terceira hierarquia: Principados, arcanjos e anjos.

      A primeira hierarquia dos seres superiores abrangería os que estão mais perto de Deus, e a terceira pertencería às criaturas que ajudam os seres humanos chegarem a Deus. A ideia é que, ao mesmo tempo que do topo a luz divina ilumina os seres humanos, estes se elevam por meio da purificação. Essa doutrina desenvolvida por Pseudo-Dionísio buscava dar aplicação ao pensamento teológico, a fim de aprimorar a vida espiritual do fiel.

      É interessante observar que tradições extrabíblicas fortaleceram determinados pontos da angelologia. Além de algumas crenças da tradição judaica, há também a influência do pensamento filosófico platônico. A cosmologia platônica baseada no princípio da hierarquia de todos os seres criados ajudava a sustentar a doutrina de Pseudo-Dionísio. Era compreensível porque haveria criaturas mais próximas ou mais distantes de Deus. Portanto, os anjos seriam criaturas superiores aos seres humanos.

ANJOS NA DECLARAÇÃO DE FÉ DAS ASSEMBLÉIA DE DEUS NO BRASIL

      As Assembléias de Deus brasileiras expressam na Declaração de fé seu posicionamento em relação aos anjos no capítulo VIII, "Sobre as criaturas espirituais". São explorados os nomes dos anjos, sua natureza, seus ofícios e sua hierarquia. Além disso, é explicado que a ideia de anjo da guarda como o ser que acompanha a pessoa durante sua vida para protegê-la não tem fundamento bíblico.

A CONFUSÃO COM 0 ARCANJO MIGUEL NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

      As Escrituras falam muito pouco a respeito do arcanjo Miguel. O nome "Miguel", mikhael em hebraico, significa "quem é semelhante a Deus?". O nome aparece cinco vezes na Bíblia, como "príncipes" (Dn 10.13, 21; 12.1); como arcanjo (Jd 9) e como o combatente contra Satanás e seus anjos (Ap 12.7). A declaração "e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes" (Dn 10.13) mostra que existem mais anjos da categoria dele, e não é, portanto, verdadeira a ideia de que só existe um arcanjo.
        Os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová ensinam que Miguel é o próprio Jesus Cristo. Esse pensamento não nos surpreende no tocante às testemunhas de Jeová, que são aria- nistas. O que nos chama a atenção é o fato de os adventistas do sétimo dia, que afirmam crer na Trindade, confundirem o Criador com a criatura.
        A aparente base bíblica para a doutrina desses dois grupos religiosos está nas palavras: "Porque o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo e ressoada a trombeta de Deus" (1 Ts 4.16). Os líderes das testemunhas de Jeová argumentam.- "Caso a designação 'arcanjo' se aplicasse não a Jesus Cristo, mas a outros anjos, então a referência à voz de arcanjo não seria apropriada. Nesse caso, estaria descrevendo uma voz de menor autoridade do que a do Filho de Deus" (Ajuda ao Entendimento da Bíblia, p. 1111,1112). Dizer que o Senhor Jesus é o mesmo arcanjo Miguel com base nessas palavras paulinas é uma interpretação contraditória em si mesma. Isso porque a "palavra de ordem" e "a voz de arcanjo" são duas coisas distintas: pois "a palavra de ordem" é do Senhor Jesus, trata-se de um brado de guerra, mas a voz é do arcanjo. A presença de um arcanjo indica a ação do exército celestial. Se a "voz de arcanjo" faz de Jesus arcanjo, assim, da mesma maneira, a "trombeta de Deus" faria dele também a trombeta Deus.          Os adventistas apresentam a seguinte comparação: "a 'voz de arcanjo' está associada à ressurreição dos santos, na segunda vinda de Jesus". Cristo declarou que os mortos se levantarão de seus túmulos quando ouvirem a voz do Filho do Homem (Jo 5.28). Portanto, parece claro que Miguel é o próprio Senhor Jesus" (Co mentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia - lsaías a Malaquias, vol. 4,2013, p. 947). Em seguida, o comentarista cita duas obras da Sra. Ellen G. White, cofundadora do movimento, para fundamentar o seu pensamento. A primeira é o livro Primeiros Escritos, no qual, na página 164, a autora confunde Jesus com o arcanjo Miguel. A segunda obra é O Desejado de todas as nações, na página 421.

REPRESENTAÇÃO NAS PINTURAS

      A imagem que temos do anjinho de auréola com cabelos cacheados é uma representação que se desenvolveu ao longo da história. Até o século 4, os anjos aparecem em termos genéricos nas pinturas e esculturas. No final do século 4, é que começam a aparecer anjos com asas, auréolas, vestes longas e a ocupar lugares de proeminências nas igrejas e lugares religiosos.
     Com base na hierarquia de Pseudo-Dionísio, George Fergu- son descreve a representação dos seres celestiais nas pinturas. Serafim são representantes do Amor Divino e aparecem na cor vermelha e, algumas vezes, segurando velas. Querubim são os que adoram a Deus, são representantes da sabedoria divina e aparecem na cor amarelo-dourada ou azul; algumas vezes estão segurando livros. Os tronos são o suporte do assento divino e representam a justiça divina, por isso vestem roupas de juizes e carregam o bastão de autoridade. As dominações aparecem coroadas, carregam cetros e, algumas vezes, um globo com uma cruz para representar o Poder de Deus. As virtudes trazem lírios brancos ou rosas vermelhas como símbolo da paixão de Cristo. Potestades vestem-se com armadura de guerreiro para mostrar a vitória contra os demônios.

OS ANJOS E A BATALHA ESPIRITUAL

      A maneira como a angelologia foi desenvolvida ao longo da história indica que devemos tomar cuidado para não dar aos anjos uma posição que não é a deles. Anjos são criaturas de Deus como assim o são os seres humanos. Num contexto de batalha espiritual, os anjos são apresentados na Bíblia nas guerras celestiais (Dn 10.13), sem o envolvimento de seres humanos. A atividade angelical no mundo terreno está relacionada à entrega de mensagem de Deus e à ajuda aos que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). A luta humana contra as hostes malignas está baseada na consagração pessoal e da igreja local por meio das práticas de oração, conhecimento bíblico, jejum e de uma vida consagrada ao Senhor Jesus que promovam a justiça.


Esequias Soares & Daniele Soares


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