quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Lição 6 – Sinceridade e Arrependimento Diante de Deus















 As Parábolas de Jesus:As verdades e princípios divinos para uma vida abundante.



                                            O Fariseu e o Publicano -

 Lucas 18. 9-14 - Com. Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT
O alcance desta parábola está igualmente prefixado, e somos informados (v. 9) sobre quem eles eram, a quem ela foi dirigida, e por quem foi avaliada. Ele a criou para o convencimento de alguns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros. Eles agiam como se tivessem:

1. Uma grande presunção a respeito de si mesmos, e de sua própria bondade; eles se achavam tão santos quanto precisavam ser, e mais santos do que todos os seus vizinhos. E achavam que poderiam servir de exemplo a todos eles. Mas isto não era tudo;

2. Eles tinham uma grande confiança em si mesmos diante de DEUS, e não só tinham uma opinião muito elevada de sua própria justiça, mas contavam com seus supostos méritos, sempre que se dirigiam a DEUS, como quando faziam as suas súplicas. Eles confiavam em si mesmos crendo que eram justos; eles pensavam que haviam feito de DEUS seu devedor, e que poderiam exigir qualquer coisa dele; e:

3. Eles desprezavam os outros, e olhavam para eles com superioridade, como se os outros não fossem dignos de serem comparados com eles. Agora, CRISTO, através desta parábola, iria mostrar a loucura deles, e que desse modo eles se excluíam da aceitação do Senhor DEUS.
Esta pregação é chamada de parábola, embora não haja nenhuma semelhança nela; mas é, antes, uma descrição dos diferentes temperamentos e linguagens de dois grupos:

(a) daqueles que orgulhosamente justificam a si mesmos, e

(b) daqueles que humildemente condenam a si mesmos diante de DEUS. Aqui também fica patente a diferença da postura destes dois grupos diante de DEUS. E vemos isto todos os dias.
I
Aqui estão os dois, dirigindo-se a DEUS no dever de oração no mesmo lugar e hora (v. 10). Dois homens subiram ao templo (porque o templo ficava sobre a colina) para orar. Não era a hora da oração pública, mas eles foram ali para oferecer as suas devoções pessoais, como era costume das pessoas boas naquela época, quando o templo não era apenas o lugar, mas o meio de adoração. E o Senhor DEUS havia prometido, em resposta ao pedido de Salomão, que, qualquer que fosse a oração feita de modo correto dentro daquela casa, ela seria aceita. CRISTO é o nosso templo, e é a Ele que devemos ter em vista em todas as súplicas que dirigirmos a DEUS. O fariseu e o publicano foram ambos ao templo, orar. Note que entre os adoradores de DEUS, na igreja invisível, há uma mistura de bons e maus, de alguns que são aceitos por DEUS, e de alguns que não são; e assim tem sido desde que Caim e Abel levaram as suas ofertas para o mesmo altar. O fariseu, orgulhoso como era, não podia pensar em ficar sem a oração; nem o publicano, humilde como era, poderia sequer pensar em se excluir dos benefícios da oração; mas temos motivos para pensar que eles se apresentavam ao Senhor com opiniões diferentes.

1. O fariseu foi ao templo para orar porque era um lugar público, mais público que as esquinas das ruas. Portanto, ele deveria ter muitos olhos sobre si, que elogiariam a sua devoção, algo que seria talvez mais do que o esperado. O caráter dos fariseus que foi exposto por CRISTO – de que todas as obras que eles faziam visavam que eles fossem vistos pelos homens – nos dá motivos para esta suspeita. Note que os hipócritas mantêm as demonstrações externas somente para acumular ou ganhar crédito. Há alguns a quem vemos todos dias no templo, e que, podemos temer, não veremos no grande dia à mão direita de CRISTO.

2. O publicano foi ao templo porque este lugar fora designado como a casa de oração para todos os povos, Isaías 56.7. O fariseu foi ao templo em busca de um elogio; o publicano, para tratar de seus interesses; o fariseu, para fazer a sua exibição; o publicano, para fazer os seus pedidos. Agora, DEUS vê com que disposição e objetivo nós o servimos nas santas ordenanças, e nos julgará de forma adequada.

II
Aqui estão as palavras do fariseu a DEUS (porque não podemos chamar isto de oração): Estando em pé, orava consigo... (vv. 11,12). Em algumas versões, lemos: Colocando-se de pé, orava assim... Aquele homem estava totalmente centrado em si mesmo, não via nada além de si mesmo, de seu próprio louvor, e não enxergava a glória de DEUS. É possível que ele se colocasse em pé em algum lugar visível, onde se destacasse; ou, colocando-se em grande pompa e formalidade, ele orava. Agora o que ele aqui tinha a dizer mostra:

1. Que ele confiava em si mesmo, crendo ser justo. O fariseu disse muitas coisas boas a respeito de si mesmo, e supunha que fossem verdadeiras. Ele pensava que estava livre dos pecados grosseiros e escandalosos; achava que não era roubador, nem explorador, que não oprimia os devedores ou inquilinos, mas que era justo e bondoso com todos os que dependiam dele. Ele alegava que não era injusto em nenhum dos seus assuntos; ele não agia mal com ninguém; ele pensava que podia dizer, como Samuel, De quem tomei boi ou jumento? Ele não era adúltero, mas possuía seu vaso em santificação e honra. No entanto, isso não era tudo; ele jejuava duas vezes por semana, em parte por obrigação, em parte por devoção. Os fariseus e seus discípulos jejuavam duas vezes por semana, segunda-feira e quinta-feira. Assim ele glorificava a DEUS com o seu corpo: no entanto, isso não era tudo. Ele dava os dízimos de tudo quanto possuía, de acordo com a lei, e assim glorificava a DEUS com os seus bens terrenos. Agora, tudo isto era muito bom e recomendável. Miserável é a condição daqueles que não alcançam a justiça deste fariseu: no entanto, ele não foi aceito; e por que não?

(1) O fato de dar graças a DEUS por isso, embora seja em si uma coisa boa, parece ser uma mera formalidade. Ele não diz, “Pela graça de DEUS eu sou o que sou,” como Paulo disse, mas desaponta com um desrespeitoso, “Ó DEUS, graças te dou”, que tem como objetivo apenas introduzir uma ostentação orgulhosa e vangloriosa de si mesmo.

(2) Ele se vangloria disto, e se estende com prazer nesse assunto, como se todo o seu interesse no templo fosse dizer ao DEUS Todo-poderoso o quanto ele mesmo era bom; e ele está pronto a dizer, com estes hipócritas de quem lemos (Is 58.3), “Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso?”

 (3) Ele confiava nisto como sendo justiça, e não só mencionava, mas pleiteava, como se através disso fosse merecedor de algo das mãos de DEUS, tendo-o tornado seu devedor. (4) Aqui não há sequer uma palavra de oração em tudo o que ele disse. Ele subiu ao templo a orar, mas se esqueceu dessa tarefa; estava tão cheio de si mesmo e de sua própria bondade que pensava que não precisava de nada, não, nem mesmo do favor e da graça de DEUS, que, ao que parece, ele não julgava valer a pena pedir.

2. Que ele desprezava os outros.

 (1) Ele considerava toda a humanidade insignificante, exceto a si mesmo: Graças te dou, porque não sou como os demais homens. Ele fala indistintamente, como se ele fosse melhor que qualquer outra pessoa. Podemos ter motivos para agradecer a DEUS por não sermos como alguns homens, que são notoriamente iníquos e vis. Mas falar indiscriminadamente assim, como se apenas nós fôssemos bons, e todos à nossa volta fossem réprobos, é julgar de forma genérica.

(2) Ele considerava este publicano particularmente insignificante, um homem a quem ele havia deixado para trás, provavelmente, no pátio dos gentios, e a cuja companhia se juntou por acaso ao entrar no templo. Ele sabia que este era um publicano, e, assim, concluiu sem compaixão que ele era um roubador, injusto, e tudo o que era desprezível. Supondo que tivesse sido assim, e que ele soubesse disso, o que ele tinha a ver com isso? Será que ele não poderia pronunciar as suas orações (e isto era tudo o que os fariseus faziam) sem reprovar o seu próximo? Ou isto fazia parte do seu “Ó DEUS, graças te dou?” Tinha ele tanto prazer na maldade do publicano quanto na sua própria bondade? Não poderia haver uma evidência mais clara do que esta, não só da necessidade de humildade e caridade, mas de grande orgulho e malícia.

III
Aqui estão as palavras do publicano a DEUS, que eram o contrário das palavras do fariseu. Elas estavam tão repletas de humildade e humilhação, quanto as palavras do fariseu estavam repletas de orgulho e ostentação; tão cheias de arrependimento pelo pecado, e de um sincero desejo da presença de DEUS, quanto as do outro eram cheias de confiança em si mesmo e em sua própria justiça e suficiência.

1. O publicano expressou seu arrependimento e humildade no que fez; e seu gesto, quando se referiu às suas devoções, foi expressivo de grande seriedade e humildade, e a demonstração própria de um coração quebrantado, penitente e obediente.

(1) Ele estava de pé, de longe. O fariseu estava de pé, mas cercou-se do maior número de pessoas possível, na parte superior do pátio; o publicano manteve distância debaixo de um senso de sua indignidade para se aproximar de DEUS, e talvez por medo de ofender o fariseu, a quem ele observou olhar desdenhosamente para ele, e de perturbar as suas devoções. Com isso, aquele homem reconheceu que DEUS poderia de forma justa vê-lo de longe, e mandá-lo a um estado de distância eterna de si, e que foi um grande favor que DEUS se agradasse em admiti-lo tão perto de si.

(2) Ele nem ainda queria levantar os olhos ao céu, quanto mais as mãos, como era costume na oração. Ele na verdade levantou o seu coração a DEUS nos céus, em desejos santos, mas, através da vergonha e da humilhação dominantes, ele não levantou os seus olhos em santa confiança e coragem. As suas iniqüidades são mais numerosas do que os cabelos de sua cabeça, como uma carga pesada, de forma que ele não é capaz de olhar para cima, Salmos 40.12. O abatimento de seu semblante é uma indicação do abatimento de sua mente, que foi levada a pensar a respeito do pecado.

 (3) Ele batia no peito, em uma santa indignação contra si mesmo, pelo pecado: “Assim queria bater neste meu coração perverso, a fonte venenosa da qual fluem todas as correntes de pecado, se eu pudesse chegar perto dela”. O coração do pecador primeiro bate nele em uma reprovação penitente, 2 Samuel 24.10. O coração de Davi o abateu. Pecador, o que tu fizeste? E então ele bate em seu coração com remorso penitente: Ó homem desgraçado que sou! Foi dito que Efraim bateu em sua coxa, Jeremias 31.19. Os grandes pranteadores são representados batendo em seus peitos, Naum 2.7.

2. Ele expressou isto no que disse. A sua oração foi curta. O medo e a vergonha impediram que ele dissesse muito; suspiros e gemidos sufocaram as suas palavras; mas o que ele disse tinha um propósito: Ó DEUS, tem misericórdia de mim, pecador. E bendito seja DEUS por termos esta oração registrada como uma oração respondida, e por termos a certeza de que aquele que orou assim foi para a sua casa justificado. E nós também o seremos, através de JESUS CRISTO, se fizermos esta oração, como ele fez: “Ó DEUS, tem misericórdia de mim, pecador. Que o DEUS de infinita misericórdia tenha misericórdia de mim, porque, se Ele não tiver, estarei perdido para sempre, e serei infeliz para sempre. Senhor DEUS, tenha misericórdia de mim, porque tenho sido cruel para mim mesmo.” 

(1) Ele reconhece que é um pecador por natureza, por prática, culpado diante de DEUS. Eis que sou mau, o que responderei a ti? O fariseu nega ser um pecador; nenhum de seus vizinhos pode acusá-lo, e ele não vê motivo algum para acusar-se de qualquer coisa errada; ele está limpo, ele está puro em relação ao pecado. Mas o publicano não dá a si mesmo nenhum outro caráter além de pecador, um réu confesso no tribunal de DEUS.

 (2) Ele não depende de nada além da misericórdia de DEUS, que é a única coisa em que ele confia. O fariseu havia insistido no mérito de seus jejuns e dízimos; mas o pobre publicano rejeita todo pensamento de mérito, e corre para a misericórdia como a sua cidade de refúgio, e se apodera das pontas dos chifres deste altar. “A justiça me condena; nada irá me salvar exceto a misericórdia, e somente a misericórdia”.

(3) Ele sinceramente ora rogando o benefício desta misericórdia: “Ó DEUS, tenha misericórdia, de mim, seja favorável a mim; perdoe meus pecados; reconcilie-se comigo; coloque-me em seu favor; receba-me misericordiosamente; ame-me pela sua bondade e graça”. Ele vem como um mendigo pedindo esmolas, que está pronto a morrer de fome. Ele provavelmente repetiu esta oração com sentimentos renovados, e talvez tenha dito mais com o mesmo sentido, talvez tenha feito uma confissão específica de seus pecados, e mencionado as misericórdias específicas de que necessitava, e que esperava de DEUS; mas ainda assim este era o refrão da canção: Ó DEUS, tem misericórdia de mim, pecador.

IV
Aqui está a aceitação do publicano por parte do Senhor DEUS. Nós temos visto como estes dois homens se dirigiram a DEUS de forma diferente; vale a pena agora perguntar como eles se saíram. Havia aqueles que iriam enaltecer o fariseu, pelos quais ele iria para a sua casa aplaudido, e que iriam olhar com desprezo para este publicano desprezível e lamurioso. Mas nosso Senhor JESUS, a quem todos os corações estão abertos, de quem todos os desejos são conhecidos, e de quem nenhum segredo está oculto, que está perfeitamente familiarizado com todos os procedimentos na corte do céu, nos assegura que este pobre publicano, penitente e de coração quebrantado, foi para a sua casa justificado, enquanto o fariseu, não. O fariseu pensava que se um deles, e não o outro, devia ser justificado, certamente devia ser ele em vez do publicano. “Não”, disse CRISTO, “Digo-vos, eu afirmo com a máxima segurança, vos declaro com a máxima consideração, digo-vos, é o publicano em vez do fariseu”. O fariseu orgulhoso vai embora, rejeitado por DEUS. Suas ações de graças estão longe de serem aceitas, pois são uma abominação. Ele não é justificado, seus pecados não são perdoados, e ele não é liberto da condenação. O fariseu não é aceito como justo à vista de DEUS, porque ele é muito justo aos seus próprios olhos; mas o publicano, ao se dirigir humildemente ao céu, obtém a remissão de seus pecados, e aquele a quem o fariseu não colocaria com os cães de seu rebanho, DEUS coloca com os filhos de sua família. O motivo para isso é que a glória de DEUS consiste em resistir ao soberbo, e a dar graça ao humilde.

1.     Os homens orgulhosos, que a si mesmos se exaltam, são adversários de DEUS, e, portanto, serão certamente humilhados. DEUS, em seu diálogo com Jó, recorre a essa prova de que Ele é DEUS, que Ele olha para todo soberbo, e humilha-o, Jó 40.12. 2. Os homens humildes, que a si mesmos se humilham, estão sujeitos a DEUS, e serão exaltados. DEUS tem uma preferência reservada para aqueles que consideram as suas bênçãos como favores, não para aqueles que as exigem como dívidas. Aquele que for humilde será exaltado no amor de DEUS, e na comunhão com Ele. Será exaltado na satisfação que terá em si mesmo, e será, finalmente, exaltado até o céu. Veja como o castigo é a resposta ao pecado: Qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado. Veja como a recompensa é a resposta ao dever: Qualquer que a si mesmo se humilhar será exaltado. Veja também o poder da graça de DEUS ao trazer o bem a partir do mal; o publicano havia sido um grande pecador, e da grandeza do seu pecado foi trazido à grandeza de seu arrependimento; “Do comedor saiu comida” (Jz 14.4). Veja, ao contrário, que o poder da maldade de Satanás traz o mal a partir do bem. Era bom que o fariseu não fosse roubador, nem injusto; mas o diabo o tornou orgulhoso disso, e esta foi a sua ruína.





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