As Parábolas de Jesus,
escrito por Wagner Tadeu dos Santos
A Parábola
do Juiz Iníquo
é um importante ensino de Jesus registrado no Evangelho de Lucas
18:1-8. Essa parábola também é conhecida como a Parábola da Viúva Perseverante
ou a Parábola da Mulher Persistente.
A Parábola
do Juiz Iníquo faz parte de um texto bíblico cujo tema principal é a oração.
Através dessa parábola o Senhor Jesus falou especificamente sobre a necessidade
da perseverança na oração. Dessa forma o seu significado ensina muitas lições
preciosas para todos os cristãos.
Resumo da
Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva
Na Parábola
do Juiz Iníquo Jesus falou sobre um juiz que julgava numa certa cidade. Esse
juiz não temia a Deus e nem era sensível às necessidades das pessoas. Na mesma
cidade havia também uma viúva. Essa mulher tinha uma causa a ser julgada e
frequentemente se dirigia ao juiz rogando-lhe: “Faze-me justiça na causa que
pleiteio contra meu adversário” (Lucas 18:X-).
O juiz se
negou a atender a viúva durante algum tempo. Mas num dado momento ele refletiu
sobre a situação daquela mulher, e preocupado com seus próprios interesses,
considerou atendê-la. Ele admitiu que não temia a Deus e nem tinha consideração
pelas pessoas; mas também ele não queria mais ser importunado. Então ele
resolveu julgar a causa da viúva para que ela deixasse de aborrecê-lo com seu
pedido.
Então o
Senhor Jesus concluiu a Parábola do Juiz Iníquo com a seguinte declaração:
“Atentai à resposta do juiz da injustiça! Porventura Deus não fará plena
justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam de dia e de noite, ainda que lhes
pareça demorado em atendê-los? Eu vos asseguro: Ele vos fará sua justiça, e
depressa. No entanto, quando o Filho do homem vier, encontrará fé em alguma
parte da terra?” (Lucas 18:-8).
Contexto da
Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva
Jesus contou
a Parábola do Juiz Iníquo aos seus discípulos com o objetivo de adverti-los
quanto ao dever de orar continuamente e jamais desanimar. O evangelista Lucas
posicionou essa parábola sequencialmente após uma exposição escatológica feita
pelo por Jesus (Lucas 17). Este detalhe é importante, pois os ensinos do
capítulo 18 possuem uma ligação direta com o tema do capítulo 17, apesar de
algumas pessoas não perceberem.
No capítulo
17 o Senhor falou sobre o período difícil que seus seguidores deverão suportar
antes de seu retorno glorioso (Lucas 17:22,23). Jesus alertou que esse período
seria longo e traria um sofrimento progressivo até culminar no dia de seu
retorno. Diante dessa realidade, no capítulo 18 Ele exorta seus seguidores a
perseverar em oração, na certeza de que suas suplicas serão respondidas.
Explicação
da Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva
A Parábola
do Juiz Iníquo possui um paralelo muito claro com a Parábola do Amigo Importuno
contada por Jesus em outra ocasião (Lucas 11:5-8). As duas parábolas enfatizam
a importância da perseverança na oração. Na Parábola do Juiz Iníquo são
mencionados três personagens: o juiz; a viúva; o adversário da viúva.
A viúva
A viúva
tinha um opositor que de alguma forma estava agindo com injustiça contra ela.
As viúvas naquela época facilmente passavam necessidades, principalmente quando
herdavam dividas de seus maridos falecidos.
Desde o
Antigo Testamento, a Bíblia menciona algumas viúvas que passaram por situações
difíceis e viveram de modo precário. Aqui podemos citar como exemplos a viúva
que hospedou o profeta Elias em Sarepta, e a viúva que mais tarde hospedou o
profeta Eliseu (1 Reis 17:8-16; 2 Reis 4:1-7).
Nas
Escrituras também encontramos várias referências sobre o cuidado de Deus para
com as viúvas. A Bíblia diz que o Senhor julga e castiga aqueles que defraudam
e prejudicam as viúvas (Êxodo 22:22,23; Deuteronômio 10:18; Salmos 68:5). O
profeta Malaquias afirmou que Deus testemunhará contra aqueles que oprimem os
órfãos e as viúvas (Malaquias 3:5).
Apesar
disso, não é possível afirmar qual era a verdadeira situação daquela viúva. Não
sabemos se ela era jovem ou idosa, se era rica ou pobre; nem mesmo sabemos a
causa de seu litígio. Simplesmente tais detalhes são indiferentes e
desnecessários à narrativa bíblica.
O juiz
Na cidade em
que a viúva vivia havia um juiz. Jesus o descreve como sendo um homem contrário
a Deus e que também não tinha qualquer respeito pelas pessoas. Essa descrição
sem dúvida enfatiza que aquele juiz era alguém egoísta e desprezível.
Quando Jesus
diz que aquele juiz não tinha qualquer reverência para com Deus, isso significa
que o juiz iníquo não se preocupava em fazer o que era moralmente certo. Com a
informação de que ele não respeitava as pessoas, também concluímos que ele não
dava importância para a opinião pública.
O tribunal
A viúva
procurou diretamente o juiz para que sua causa fosse resolvida. Em casos assim,
a viúva passava a ocupar o lugar do marido falecido, tendo então os mesmos
direitos de um homem no tribunal.
Na parábola
Jesus não indica que o adversário da viúva comparecia regularmente ao tribunal.
A viúva, por sua vez, constantemente procurava o juiz pedindo que ele julgasse
sua causa. O comportamento do juiz foi completamente condizente ao seu perfil
perverso.
Durante um
tempo ele se recusou a fazer qualquer coisa a favor da viúva, até que depois de
muita insistência ele resolveu julgar a sua causa. Ele queria apenas ficar
livre daquela importunação. A forma com que o texto bíblico descreve a intenção
do juiz, parece indicar que ele não agiu pelo senso de justiça, e, muito menos,
pela compaixão. Em sua própria fala ele declara explicitamente não temer a Deus
e nem se importar com os homens. Ele julgou a causa da viúva para não ser mais
incomodado.
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Estudos da Bíblia
Significado
da Parábola do Juiz Iníquo
O
significado da Parábola do Juiz Iníquo é bastante claro: os filhos de Deus
devem orar constantemente, de modo perseverante e sem esmorecer, mesmo que
sejam submetidos a uma longa espera (Lucas 18:1).
Na parábola
Jesus estabeleceu também um contraste agudo entre o juiz iníquo e o justo Juiz.
Isso fica muito claro quando Jesus chama a atenção para as palavras do juiz e
contrasta com a seguinte pergunta: “E Deus não fará justiça aos seus
escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com
eles?” (Lucas 18:7).
Em outras
palavras, Jesus diz que se um juiz ímpio, perverso e egoísta fez justiça à
causa da viúva, quanto mais fará Deus que é santo e justo em prol de seu provo
escolhido que ora a Ele de dia e de noite? Além disso, por seu caráter
perverso, o juiz iníquo agiu motivado por princípios egoístas, enquanto Deus
age por amor aos que são seus.
Um Juiz que
cuida dos que são seus
Com base
nesse raciocínio, não podemos desprezar o uso de uma expressão que transmite um
significado muito sublime. Jesus diz que certamente Deus fará justiça “aos seus
eleitos”. A palavra original grega é eklektos, que significa “selecionado” ou
“escolhido”.
Com isso,
Jesus enfatiza a verdade de que o juiz iníquo nada tinha a ver com a viúva; ao
contrário, ele não se importava com ela e queria se livrar dela. Ele estava
disposto a qualquer coisa só para não precisar mais ver aquela mulher.
Diferentemente disso, Jesus demonstra que o supremo Juiz não age assim. O justo
Juiz julga a causa daqueles que são seus e se importa com eles de tal forma,
que foi Ele próprio quem os elegeu como seu povo.
Geralmente é
o cliente que escolhe o advogado. Na parábola foi a viúva quem procurou e
escolheu o juiz que, naquele contexto, também lhe serviu de advogado. Mas no
reino de Deus é diferente! Foi o justo Juiz quem escolheu aqueles que são seus.
Ele os amou quando estes ainda estavam mortos em delitos e pecados; e os
justificou pelos méritos de Cristo no Calvário, fazendo-lhes ser “a geração
eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (2 Pedro 2:9).
Isso
significa que não há como dar errado! Os redimidos nunca estarão desamparados e
no tempo oportuno serão vindicados. Essa verdade é maravilhosa e reconfortante
(Apocalipse 6:10,11).
Um Juiz que
age no tempo certo
Na Parábola
do Juiz Iníquo Jesus também destaca que Deus age depressa em favor de seu povo,
ainda que pareça ser tardio para com eles. Isso parece ser uma contradição, mas
não é! A demora enfrentada pela viúva se deu pelo caráter desleal do juiz
iníquo. Mas os seguidores de Cristo possuem um Juiz imutável e verdadeiro, no
qual podem depositar toda sua confiança e fidelidade. Esse Juiz que conhece
todas as coisas responde às orações de seu povo no tempo oportuno, de acordo
com seus propósitos eternos.
Além disso,
essa última parte da Parábola do Juiz Iníquo aponta novamente para os
acontecimentos escatológicos referidos no capítulo anterior (Lucas 17). Jesus
termina a parábola falando sobre a consumação da presente era que se dará “no
dia em que o Filho do homem vier”.
Todo cristão
verdadeiro aguarda ansiosamente por esse momento final, quando toda justiça
será revelada no dia do juízo. Nesse dia Cristo julgará os vivos e os mortos e
porá fim em toda maldade, perversidade e injustiça (Atos 10:42).
Mas é
verdade que a espera por esse dia pode parecer muito longa e demorada para nós.
Contudo, nos planos de Deus o tempo certo já está determinado, assim como disse
o apóstolo Pedro (2 Pedro 3:9). Quando esse momento finalmente chegar, o justo
Juiz agirá depressa, e todas as promessas feitas aos seus filhos que sofreram
perseguições durante toda a história serão cumpridas integralmente.
Por isso
Jesus termina a Parábola do Juiz Iníquo com uma pergunta inevitável: “Quando
porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8).
Jesus não
fez essa pergunta para especular se haverá cristãos verdadeiros na terra na
ocasião de sua vinda. A Bíblia já responde claramente esta questão (cf. Mateus
24:44-46; Lucas 12:37; 17:34,35; 1 Tessalonicenses 4:13-18; etc). Mas a pergunta
feita por Jesus tem o objetivo de provocar uma reflexão, um auto-exame. Cada um
deve se perguntar:
Será que
estou pronto para aguardar pacientemente e perseverando em oração, o momento da
volta de Cristo?
Estou me
derramando diariamente diante de Deus em oração pedindo que “venha a nós o teu
reino, e seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”?
Realmente
estou orando fervorosamente pela volta do Senhor Jesus?
Lições da
Parábola do Juiz Iníquo e a Viúva
Podemos
pontuar algumas reflexões adicionais sobre a Parábola do Juiz Iníquo. Em
primeiro lugar, essa parábola nos ensina que devemos orar continuamente e com
perseverança. A viúva não desistiu de suplicar sua causa a um homem ímpio e sem
consideração por ninguém. Nós, porém, temos um Juiz santo e justo; então não
podemos desanimar.
Em segundo
lugar, a Parábola do Juiz Iníquo nos ensina a orar pelos motivos corretos. Todo
o contexto da parábola parece indicar que a viúva que importunava o juiz estava
do lado da justiça, ou seja, seu pedido era legítimo e aceitável.
Em terceiro
lugar, a Parábola do Juiz Iníquo nos ensina que a resposta da oração pode
demorar. Uma oração sem resposta não significa que Deus não a escutou. A demora
na resposta de uma oração sempre tem um propósito. Se você está orando pelos
motivos certos, não com propósitos egoístas, mas visando o bem do reino de
Deus, e ainda não foi respondido, então talvez o Senhor esteja lhe ensinando
algumas lições necessárias.
A demora na
resposta de uma oração se dá por razões que somente Deus conhece. Mas durante
esse período, aproveite para aprender mais sobre a paciência e a perseverança,
e tenha sua fé fortalecida. Às vezes Deus nos reserva uma bênção ainda maior
que vai além do nosso pedido, mas nossa impaciência muitas vezes acaba
prejudicando nossa compreensão a esse respeito.
O ensino
sobre a oração no capítulo 18 de Lucas não terminou com a Parábola do Juiz
Iníquo. Jesus continuou seu ensinamento na Parábola do Fariseu e o Publicano,
enfatizando a atitude e as intenções corretas ao orar. Se você que estudar
sobre o significado de todas as parábolas de Jesus, conheça aqui um material
especial para lhe ajudar.













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