quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Lição 3 – O Crescimento do Reino de Deus






Capítulo 3
A Expansão do Reino dos Céus

Mateus 13.31,32; Atos 2.44-47; 12.24; 19.20

Parábolas de jesus
Elienai Cabral 

     A Igreja é o Reino de Deus expandido e proeminente sobre a terra, revelado por Jesus no mistério poderoso do crescimento com desenvolvimento do grão de mostarda. A pregação de Jesus Cristo em todo o tempo de sua vida terrena teve por objetivo específico falar do Reino dos céus. Em cada parábola havia elementos da estrutura do Reino, sua composição, vida interior, relações com o mundo exterior e extensão no mundo das criaturas. Várias parábolas, entre as quais, a do Grão de Mostarda, tratam de crescimento e desenvolvimento do Reino de Deus na terra. Sua habilidade com a linguagem figurada deu-lhe a autoridade de falar com profundidade teológica e filosófica, mas utilizando uma forma clara e acessível a qual­ quer pessoa, de qualquer grau de cultura. Nesta parábola, em especial, Ele se volta para o mundo da botânica e usa a figura de uma pequena semente (grão) de mostarda para ilustrar um grande Reino, o dos céus. Ao fazer essa comparação, Jesus fala de desenvolvimento, crescimento e expansão desse Reino. Portanto, o “grão de mostarda”, quando semeado na terra, sendo pequeno e diminuto, tem a força interior para se desenvolver, crescer e transformar-se numa grande árvore. Cristo confere um tom poético e literal à descrição da mostarda e diz que ela torna-se suficientemente grande para abrigar até mesmo os pássaros em seus ramos. Na verdade, a lição espiritual que esta parábola nos dá é sobre a elevação, expansão e proeminência do Reino de Deus na terra. Três pontos principais sugerem estudar­mos esta parábola: a semente, a hortaliça e as aves do céu.

                             A SEMENTE DE MOSTARDA

Se Jesus estivesse em nossos dias em carne e osso certa­ mente Ele usaria os recursos modernos para ilustrar suas grandes verdades, que são eternas e nunca caem em desuso. Naqueles dias, Ele se voltou para as coisas próprias dos hábitos e costumes , bem como dos valores morais da época e, com uma linguagem especial, ensinou verdades profundas que são os valores que conhecemos em nossos tempos modernos. Ao utilizar figuras da vida física, animal, botânica e humana, Jesus aguçou o conhecimento existente da época como também a curiosidade das pessoas pelas novidades que apresentava. Há uma certa similitude entre as parábolas do Semeador, do Joio e do Trigo, do Grão de Mostarda e do Fermento. Cada parábola tem a sua interpretação própria, mas Ele falou dando uma harmonia quanto às lições que queria ensinar. Ainda que alguns intérpretes divirjam quanto ao ensino que cada parábola apresenta, temos de reconhecer que o Senhor foi uniforme em seus ensinos. Jamais empregou uma figura com dois sentidos diferentes. Em cada parábola há uma perfeita harmonia na mensagem final que Jesus queria ensinar.

                                     O grão de mostarda (v. 31)

A mostarda é uma palavra de origem egípcia, sinapis, que aparece especialmente nos três primeiros Evangelhos por quatro vezes (Mt 13.31; 17.20;Mc 4.31;Lc 13.10; 17.6). Jesus utiliza a mostarda conhecida na Palestina como sinapis nigra e sinapis alba. Esses dois tipos de mostarda, a negra e a branca, são sementes pequeninas. Nos dias de Jesus, era a sinapis nigra, ou seja, a mostarda negra, que era a mais conhecida como uma hortaliça. Ora, uma hortaliça é uma planta herbácea que produz sementes, as quais, depois de trituradas, servem de tempero para comida. Era uma planta que, quando em terra fértil, podia crescer rapidamente até cerca de três metros e meio. Em seus ramos estendidos, as aves do céu podiam aninhar-se.

                                               A lição dos contrastes

Essa era a lição que Jesus queria ensinar: a dos contrastes. O que significa contraste? Significa “o grau marcante de diferença ou de oposição entre coisas da mesma natureza” (Dicionário Houaiss). Nesta parábola, Jesus utiliza-se dessa forma de ilustração para mostrar as diferenças de valores entre as coisas do reino desse mundo e do Reino de Deus. De um modo especial, os contrastes internos e externos da planta da mostarda apresentados nesta parábola indicam o poder misterioso do diminuto grão dessa planta. Pelo fato dessa hortaliça produzir tão pequeninas sementes, Jesus que­ ria que seus discípulos entendessem que uma semente tão pequena era capaz de produzir um grande resultado. A partir de um começo obscuro chega-se a um final surpreendente. Na realidade, “a menor de todas as sementes” e a “maior das plantas” formam um contraste dentro da parábola, que somente nos é possível compreender com uma visão espiritual. A operação divina é o elemento que promove o crescimento do Reino de Deus. Em virtude do diminuto tamanho e peso do grão de mostarda, o Reino de Deus (a Palavra) surge do nada para tornar-se tudo o que o poder de Deus pode fazer. A Igreja, como um grão de mostarda, pequenino e pouco notado de início, foi capaz de surpreender o mundo com a sua vida dinâmica. Pode-se comparar esse sucesso do grão de mostarda à fé nascida no coração de uma pessoa capaz de surpreender, posteriormente, com uma grande obra em favor do Reino de Deus.

                                    O poder misterioso da fé

Certa feita, Jesus estava rodeado de uma grande multidão carente e curiosa pelos seus milagres quando aproximou-se um homem, pai desesperado pelo estado espiritual e físico de seu filho, e pediu-lhe que o curasse (Mt 17.14-21). Segundo o relato de Mateus, os discípulos não conseguiram libertar o rapaz. Um sentimento de frustração e derrota dominou o coração daqueles discípulos. Jesus não apenas curou e libertou o rapaz de uma casta de demônios que o escravizara até então, mas aproveitou o ensejo para dar uma lição aos seus discípulos. Perguntaram-lhe: “Por que não pudemos nós expulsá-lo? “Jesus, de forma objetiva e direta, respondeu-lhes: “Por causa da vossa pequena fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá — e há de passar; e nada vos será impossível” (v. 20). Ao usar a figura do “grão de mostarda”, Jesus quis demonstrar o poder misterioso e qualitativo da fé. A dificuldade dos discípulos para curar e libertar aquele jovem endemoninhado deu a Jesus a oportunidade não só de curar aquele pobre homem, mas acima de tudo, de mostrar-lhes que a fé é algo misterioso e poderoso quando exercida na devida proporção. Ao mesmo tempo, a figura do “grão de mostarda” é usada pelas características misteriosas e poderosas de aparecer do nada e operar grandes coisas. 46

              Estratégias espirituais versus estratégias materiais

O mercado evangélico está repleto de interessantes livros que oferecem métodos de crescimento da igreja na terra. Esses métodos têm a sua importância, mas tendem a fugir dos princípios naturais estabelecidos na Bíblia para um crescimento equilibrado em quantidade e qualidade. A visão mercadológica de crescimento não vê a Igreja na ótica de Cristo. Por melhores que sejam as idéias, os planos, as discussões de conceitos e de marketing empresarial para fazer uma igreja crescer, não podem omitir o elemento fundamental do verdadeiro crescimento da Igreja que é o espiritual. A Igreja é mais que um conglomerado de pessoas em torno das doutrinas cristãs; é mais que um mero grupo social. A Igreja, a despeito de ser constituída de pessoas humanas, é um projeto de Deus apoiada e sustentada por Ele.
    Lamentavelmente, muitos líderes evangélicos se deixaram embeber com estas novidades para suas igrejas e as dirigem como empresas. Entretanto, a falta de fé é típica desse tipo de liderança que abandona os princípios vitais do Novo Testa­ mento para abraçar todo tipo de novidade.
     Acredito que o evangelho é poder de Deus suficientemente capaz e superior a toda e qualquer idéia humana de cresci­ mento (Rni 1.16). Não há neste conceito pessoal nenhum retrocesso, tampouco qualquer resquício de legalismo atrofiante. Não! Porém, creio que os métodos neotestamentários não podem ser relegados por métodos temporais de homens. Precisamos, sim, renovar a fé e torná-la menos racionalista e mais racional e espiritual. Vejo certa distância entre ser racional e ser racionalista. O cristão racional avalia as coisas de Deus por uma perspectiva bíblica e inteligente. O cristão racionalista avalia as coisas espirituais relegando-as ao mero conhecimento intelectual da verdade. O apóstolo Paulo declarou que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.14). Ora, o poder misterioso da fé só é possível aos que a recebem e a exercitam em sua vida cristã.
      A visão que Cristo deixou-nos é a do “grão de mostarda” e o seu poder misterioso de crescimento sem qualquer esforço humano. A estratégia divina para o crescimento da igreja difere das estratégias humanas baseadas em esforços humanos. O após­ tolo Paulo descreveu o crescimento do cristão como um pro­ cesso pelo qual a Igreja toda cresce. Em Efésios 4.15, ele registrou: “seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. Depreende-se desta escritura tanto o crescimento do cristão (individualmente) como o da Igreja (coletivamente).Trata-se de um crescimento mediante o desenvolvimento da maturidade espiritual e do comportamento cotidiano (Ef4.12-14).

  O campo de semeadura (v. 31)

Um “campo” não fica nunca em lugares altos e cheios de elevações físicas. Um campo de plantio é sempre um lugar extenso e plano. Nas terras do Oriente Médio existem poucos campos de plantio e os existentes são aproveitados ao máximo para o plantio de grãos. No caso da mostarda, a terra não tinha de ser, obrigatoriamente, um lugar plano, como se faz necessário para o plantio do trigo, cevada e aveia, por exemplo.
     Há um pequeno detalhe nesta parábola que deve merecer a nossa apreciação. Está descrito “que um homem, pegando dele [do grão de mostarda], semeou no seu campo”. O prono­ me possessivo“seu”indica que aquele campo não era um campo alheio, de outrem, mas pertencia ao semeador. A semente foi semeada no “seu campo” (v.31). Os outros Evangelhos Sinóticos lembraram a mesma parábola: Marcos escreveu que a semente foi semeada “na terra” (Mc 4.31), e Lucas disse que foi semeada “na sua horta” (Lc 13.19). Estas pequenas diferenças são apenas de linguagem dos autores, porque a verdade que Jesus queria ensinar foi mantida na sua integridade. Se foi num campo, ou na terra, ou numa horta, não temos de forçar os detalhes de linguagem, pois têm o mesmo sentido. Utilizando a linguagem de Mateus, “o campo” é, sem dúvida, o do mundo; o mesmo das parábolas similares. Podemos entender que a semente semeada no mundo no dia de Pentecostes foi pequena e insignificante (“quase cento e vinte pessoas” —, At 1.15,16), mas poderosa. Então, repentinamente, cresceu o número de discípulos (At 2.14,37-41) para quase três mil almas.

                                          A lição do crescimento

Não parece que Jesus estivesse preocupado em falar de crescimento numérico, mas, sim, reunir os dois elementos funda­ mentais para se avaliar o crescimento do Reino de Deus. Esses dois elementos são, essencialmente, o quantitativo e o qualitativo. O crescimento da hortaliça da mostarda indica que Jesus queria que “o Reino dos céus” , representado pela sua Igreja na terra, tivesse um crescimento baseado não em valores materiais, mas em valores espirituais. A instituição do discipulado em Mateus 28.19,20 diz: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Há uma relação dessa ordenança com o desejo de Cristo no sentido de ver sua Igreja crescer. O cumpri­ mento da Grande Comissão foi o segredo dos discípulos, aprendido, sem dúvida, entre outras coisas, com o ensino dessa parábola do grão de mostarda. 4 9
Nessa lição, Jesus destacou a qualidade desse grão capaz de esconder em seu minúsculo interior uma força descomunal para tornar-se uma grande árvore. Aprendemos, também, que o crescimento do Reino de Deus é centrífugo, isto é, parte de dentro para fora, e pela sua força íntima o rebento parte para fora com crescimento à vista. O tamanho é diminuto (um grãozinho), mas o poder é imenso, capaz de transformar uma semente pequena em uma grande árvore.

                                            A GRANDE ÁRVORE

O texto diz , literalmente:“...mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore” (Mt 13.32). Lucas descreveu as- sim:“... e cresceu e fez-se grande árvore” (Lc 13.19). Os botânicos dizem que as hortaliças são plantas que podem adquirir aparência de árvores, mas são plantas completamente diferentes das árvores. Porém, Jesus, a despeito da linguagem quase que hiperbólica utilizada para ilustrar a hortaliça da mostarda, teve por objetivo fazer comparação.

                                         A forma de crescimento

 O crescimento de uma árvore é lento e progressivo, mas o de uma hortaliça, neste caso a mostarda, se desenvolve rápido e, geralmente, é de pouca duração, porque esta vive apenas o suficiente para produzir flores e sementes. Porém, quando Jesus compara o Reino de Deus a uma hortaliça de mostarda, sugere um desenvolvimento totalmente alheio à sua natureza e constituição. Por esta razão, alguns intérpretes preferem não com­ parar o crescimento da Igreja ao da mostarda. Entretanto, o ensino básico e fundamental dessa parábola é mostrar que, in­ dependente da forma rápida e misteriosa de desenvolvimento do grão de mostarda, “o Reino de Deus” (a Igreja) surpreenderia o mundo com sua expansão e proeminência.
As ameaças ao crescimento
     Nas parábolas similares anteriores a esta, aparece o campo de plantio, e em cada um desses campos havia problemas típicos de solos e sementes. Esses problemas de recepção, absorção e desenvolvimento do campo são típicos daqueles que recebem a Palavra de Deus. Cada problema tinha de ser encarado com diligência e paciência da parte do agricultor (1 Co 3.8). No sentido geral, a Igreja é o grão de mostarda semeado no mundo e esse grão desenvolveu-se e cresceu e tornou-se uma grande árvore. Dois mil anos se passaram e a Igreja expandiu- se em toda a terra. O campo representa o lugar onde foi semeada a Igreja de Cristo.
      Esse campo pode ser interpretado de dois modos: como “mundo físico”, onde vivemos, e como o “mundo espiritual”. Esse último sistema é invisível e age no mundo das criaturas. Considerando essa palavra pela perspectiva espiritual, a Bíblia identifica o “mundo” como um sistema de comando satânico em que os demônios agem para deter o crescimento da Igreja de Cristo. João, o apóstolo, disse que “sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno” (1 Jo 5.19).Vivemos neste mundo (físico e espiritual) como Igreja e nele nos deparamos com dois oponentes: a carne e o Diabo, os quais se incumbem de criar todas as dificuldades possíveis ao desenvolvimento do Reino de Deus. São agentes satânicos contra Cristo e sua Igreja.
     João escreveu em sua primeira epístola: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo 2.16,17). Essa escritura revela que o Diabo tem sob o seu sistema três elementos comandados por seus agentes para infectarem os cristãos e, por esse modo, impedir o seu crescimento. O antagonismo do “mundo” contra a Igreja de Cristo é uma represália de Satanás para rebater a mensagem insistente de João: “Filhinhos, não amemos o mundo”, no que se inclui, não só negar nosso afeto ao que é mundano, mas a separação de tudo o que o mundo oferece.
       Ora, se sabemos que “o mundo” é um sistema diabólico que se opõe a Deus, devemos nos manter fiéis à sua Palavra. Esse sistema espiritual diabólico explora os elementos da nossa natureza humana pecaminosa para nos lançar contra Deus, entre os quais, a “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”. Esses elementos corrosivos estão sob o domínio do Espírito Santo na vida do cristão e somente serão efetivos se nos deixarmos enganar pelo pecado.
      A primeira classe de incentivo do “espírito do mundo” é à “concupiscência da carne”. A palavra concupiscência tem sua origem na língua grega, epithumía, e quer dizer: “desejo in- continente, forte, incontrolável”. Os agentes demoníacos se prestam a incentivar nossa carne, ou seja, os “desejos próprios da carne” relacionados com o comer, beber, sexo e outras coisas mais. Esses desejos não são naturais, mas incontroláveis e conduzem a pessoa a glutonarias, bebedices, adultérios, prostituições e abusos. Quanto aos “desejos incentivados pelos olhos” são os pecados da atração dos olhos, e “a soberba da vida” está relacionada com a busca de ostentação pela opulência, em que a pessoa perde o bom senso, e para ter posse de coisas que satisfaçam sua vaidade pessoal é capaz de praticar loucuras. Ora, esses elementos são nocivos ao crescimento individual do cristão e, automaticamente, afetam o crescimento do Corpo de Cristo, a Igreja.
      Assim como nas parábolas anteriores havia obstáculos ao desenvolvimento das sementes semeadas, na Parábola do Grão de Mostarda, aprendemos que em todo um campo onde é semeada a boa semente aparecem também as más sementes. Do ponto de vista escatológico, aprendemos que no final de tudo haverá a separação entre o falso e o verdadeiro, entre o trigo e o joio. Os falsos cristãos serão separados dos verdadeiros cristãos pelo poder do evangelho (Mt 13.39-43).

Que significa essa “ grande árvore” ? (v, 32)

Todos sabemos que a mostarda é uma hortaliça que pode crescer até uma altura de três a quatro metros. Ela existe, especialmente, no vale do Jordão. Razão pela qual Jesus usou a figura da mostarda para falar em parábolas. Ainda que alguns intérpretes discordem da idéia básica do significado dessa “árvore”, ela pode representar cada crente em particular, mas a idéia principal é a de que represente todo o conjunto que compõe a Igreja na terra. Em síntese, uma árvore chama a atenção porque se torna visível aos olhos humanos. Cada salvo em Cristo constitui-se parte da Igreja invisível, mas de modo geral a igreja visível pode ser esta árvore sobre a qual, em seus ramos, os pássaros podem aninhar-se. Segundo o Comentário Bíblico Pentecostal, da CPAD, os autores comentaram o seguinte: “A referência à árvore indica um império em expansão (e.g., Ez 17.23; 31.3-9; Dn 4.10-12); os pássaros representam as nações do império (Dn 4.20-22)”.

                                          AS AVES DO CÉU

O texto diz: “mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos” (v. 32).Alguns intérpretes entendem que essas “aves do céu” simbolizam Satanás e seus poderes insidiosos contra a Igreja. O famoso exegeta bíblico Herbert Lockyer, em seu livro sobre parábolas, escreveu: “...sustentamos, pois, que as ‘aves do céu’ não representam homens e nações, e sim o mal, isto é, Satanás, o príncipe da potestade do ar (Ef 6.12), que tem observado em segredo como se tem estendido o Reino desde o seu pequeno início até seu grande desenvolvimento atual”. Entretanto, a despeito dessas interpretações negativas acerca do que representam essas “aves do céu”, prevalece aquela, a qual o “grão de mostarda” significa o triunfo rápido e final do evangelho, e as “aves do céu” passam a ter um sentido positivo de proteção e refúgio à sombra dessa grande árvore.
      O famoso expositor bíblico Trench interpretou que “as aves são uma profecia de refúgio e defesa que deve haver para todos os homens na igreja”. Jesus não preocupou-se em detalhar a interpretação dessa parábola, porque preferia destacar a verdade principal do seu ensino e não os detalhes pitorescos de uma parábola, que são, às vezes, apenas um modo de dar beleza e estética à história. O que vale é a sua aplicação clara, visto que a lição básica que Jesus queria transmitir aos seus discípulos era sobre o crescimento da Igreja no mundo. Ele deixou claro que era a partir do seu pequeno começo como um “grão de mostarda” que a Igreja cresceria até alcançar a altura de uma árvore.
     As “aves do céu” podem não ter, obrigatoriamente, uma interpretação específica. Parece-nos que essas “aves do céu” fazem parte apenas da composição da parábola, sem nenhum significado especial. Num certo sentido, elas podem significar apenas a representação daqueles que podem se abrigar nessa grande árvore (Mt 6.26; Dn 4.10-12).

 Parábolas de jesus
Elienai Cabral 




Um Grão de Mostarda:
Uma Parábola sobre o Reino de Deus

Jesus Cristo foi um mestre incomparável, e um dos seus métodos mais eficazes de comunicar mensagens espirituais foi o uso de parábolas, comparações utilizando experiências comuns do dia a dia para ensinar verdades espirituais. Algumas das parábolas foram relatos detalhados da interação de várias personagens, e outras foram simples comparações de poucas palavras. Vamos considerar uma ilustração que Jesus usou para ensinar sobre expansão e crescimento.

“Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos” (Mateus 13:31-32; relatos paralelos encontrados em Marcos 4:30-32 e Lucas 13:18-19).

A parábola trata do tema principal das pregações do Novo Testamento, o reino dos céus. Devemos resistir à tentação de focalizar os enfeites (as aves e seus ninhos) ou nos perder em informações extrabíblicas (discussões sobre qual espécie de mostarda, o tamanho exato das sementes ou das plantas). Mesmo se não soubesse nada sobre essas plantas, o leitor facilmente compreenderia o ponto. O reino de Deus teria um começo aparentemente insignificante e ficaria muito grande.
Os ensinamentos de Jesus serviam para desafiar os pensamentos populares, frequentemente contrariando as orientações dos religiosos e políticos. Quando nos lembramos desse fato, percebemos o desafio de compreender essa pequena parábola. Falar que o reino dos céus ficaria grande não é surpreendente, especialmente quando lembramos que os ouvintes originais conheciam as profecias do Antigo Testamento. A autoridade do Messias foi descrita como uma montanha maior do que outros montes (Isaías 2:1-3). Seu reino, conforme profecia, iria esmiuçar e consumir os reinos dos homens e permanecer para sempre (Daniel 2:44-45).
O elemento surpreendente nessa parábola é o começo insignificante, conforme os homens medem as coisas. Uma semente pequenina daria uma planta grande. Os homens pensam em grandes conquistas e demonstrações de força. Quando Jesus estava no auge do seu ministério, com dezenas de milhares de seguidores, o povo queria fazê-lo rei (João 6:15). Até os apóstolos imaginavam um reino grande e glorioso e desejavam posições de honra e influência (Marcos 10:35-37). A resposta de Jesus para Pilatos afirmou que seu reino não cumpriria expectativas humanas e políticas (João 18:36). Até hoje, muitos ainda não compreenderam essa diferença fundamental na natureza do reino do Senhor. Muitos ainda pregam uma doutrina carnal na qual Jesus e seus seguidores precisam conquistar território para estabelecer um reino terrestre.
A realidade, porém, é outra. Jesus não iniciou seu reino no auge do apoio popular, e sim num momento em que quase todos o abandonaram. O começo foi, aparentemente, insignificante. Os embaixadores que iriam liderar a conquista foram poucos homens sem importância na sociedade. Eram doze homens iletrados e incultos de uma região desprezada (Atos 2:7; 4:13). Além dos apóstolos, havia pouco mais de 100 pessoas que ficaram depois da morte de Jesus (Atos 1:15).
Se o “exército” do reino de Jesus não foi nada impressionante, as armas também não teriam o efeito de apavorar grandes nações. Enquanto conquistadores da época usavam armas sofisticadas, cavalos e até elefantes, as armas que Jesus deu para seus soldados eram espirituais, a mais importante sendo a palavra que ele lhes deixou. Paulo disse, uns 20 anos depois da morte de Jesus: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus” (2 Coríntios 10:3-5). Fala sério! O maior reino da história seria estabelecido e mantido com palavras?
A semente foi plantada, e a planta cresceu. Na mesma cidade na qual Jesus foi morto, 3.000 pessoas foram batizadas em um só dia (Atos 2:41). Pouco tempo depois, contavam-se quase 5.000 homens (Atos 4:4). “E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor”(Atos 5:14). Só em Jerusalém, chegaram a contar dezenas de milhares de cristãos (Atos 21:20). A palavra foi pregada ao mundo (Colossenses 1:23) e o reino continuou crescendo. O que começou com uma pequena semente se tornou uma grande planta!
-por Dennis Allan

Reflexão O Evangelho e os Grãos de Mostarda

"Em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte:Passa daqui para acolá e há de passar; e nada vos será impossível". (Mt 17:20)

"O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo; o qual é realmente a menor de todas as sementes, mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vem as aves do céu e se aninham nos seus ramos". (Mt 13;31,32).

A mostardeira é uma hortaliça, e, diferentemente das demais chega a medir até 4 metros. Da planta pode-se aproveitar quase tudo: folhas, flores, grãos. Existem mostardas da espécies: branca, marrom e negra. Jesus, em sua parábola, se referia a mostardeira de grãos negros pois é a mais comum na região oriental. Por suas propriedades energética, digestiva, antibacteriana e de ajudar na coagulação do sangue a hortaliça é ainda hoje muito utilizada na medicina. Na antiguidade os romanos utilizaram pelo menos 40 tipos de remédios feitos a partir da mostardeira. Algumas comunidades judaicas utilizaram-no como "erva amarga" na Páscoa.

As sementes de mostarda são colhidas antes de amadurecerem, ao secarem sobrevivem de 4 a 8 anos conservando sua faculdade germinativa. na Índia, as sementes dão origem a um óleo comestível. O óleo da mostardeira tem propriedades antibióticas, contém também enzima peroxidase, muito usada em biologia molecular, em amplificação e detecção de anticorpos, entre muitas coisas.

A farinha feita com as sementes de mostarda serve para preparar os famosos sinopismos-cataplasmas que fazem afluir certa quantidade de sangue no local onde são aplicados.

Sementes de mostarda são as menores existentes, medem de 1 a 2 milímetros de diâmetros, porém, dão origem a maior planta da família das hortaliças.

O forte sabor da mostarda costuma se sobrepor ao dos outros alimentos, quando misturados.

                      A FÉ, O REINO E OS GRÃOS DE MOSTARDA

Assim como as minúsculas sementes geram frondosas hortaliças, a pequena fé produz grandes resultados. Como os muitos pássaros que se abrigam à sombra das hortaliças e procuram comer de suas sementes, as muitas vidas, sedentas por alivio, buscam conforto no Reino se alimentando da Palavra.

Me impressionou o fato de grãos de mostarda conservarem a capacidade germinativa por até 8 anos, relacionando o fato com a fé, como fez o próprio Jesus, significa que existe um tempo de maturação entre crer e acontecer. Me faz lembrar de Abraão, Isaac, Jacó, Sara, Ana e tantos outros que esperaram confiantes por anos até verem o milagre realizado.

As propriedades antibióticas contidas nos grãos de mostarda podem se comparar aos efeitos da fé na vida do crente: A fé, os sustenta com ânimo mesmo quando o quadro de vida mostra uma realidade contrária. Os antibióticos combatem as bactérias e vírus, que deixam o corpo doente.

Tanto as folhas como os grãos da mostardeira possuem capacidades terapêuticas que agem sobre os pulmões, os brônquios e sobre os ferimentos, ajudando na cicatrização. assim é o Reino, assim é a fé: Dão vida, curam as feridas mais profundas do ser.

Por último, encontrei vários sites de culinária fazendo a observação: "O forte sabor da mostarda pode se sobrepor ao dos outros alimentos, quando misturados". Assim é o Reino, assim é a fé: "Tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças".
|  Autor: Wilma Rejane  |  Divulgação: estudosgospel.Com.BR






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