segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Lição 02 - Fé Cristã e Política: Um chamado à participação





Lições Bíblicas nº 56
TEXTO BÍBLICO BÁSICO

1 Reis 12.1-81 - E foi Roboão para Siquém, porque todo o Israel veio a Siquém, para o fazerem rei.
2 - E sucedeu, pois, que, ouvindo-o Jeroboão, filho de Nebate, estando ainda no Egito (porque fugira de diante do rei Salomão e habitava Jeroboão no Egito),
3 - enviaram e o mandaram chamar; e Jeroboão e toda a congregação de Israel vieram e falaram a Roboão, dizendo:
4 - Teu pai agravou o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão de teu pai e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos.
5 - E ele lhes disse: Ide-vos até ao terceiro dia e voltai a mim. E o povo se foi.
6 - E teve o rei Roboão conselho com os anciãos que estavam na presença de Salomão, seu pai, quando este ainda vivia, dizendo: Como aconselhais vós que se responda a este povo?
7 - E eles lhe falaram, dizendo: Se hoje fores servo deste povo, e o servires, e, respondendo-lhe, lhe falares boas palavras, todos os dias serão teus servos.
8 - Porém ele deixou o conselho que os anciãos lhe tinham aconselhado e teve conselho com os jovens que haviam crescido com ele, que estavam diante dele.

TEXTO ÁUREO
"Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas, quando o ímpio domina, o povo suspira." Pv 29.2

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Prezado professor,
O Brasil passa por uma das mais severas crises da sua história e, neste mês de outubro, será escolhido o novo mandatário da nação, bem como os deputados, senadores e governadores dos Estados. Todos nós carecemos de informações seguras que nos orientem sobre como devemos proceder neste tempo de grandes conflitos e debates sobre as melhores opções quanto ao voto.
Aproveite o tempo da sua aula para esclarecer dúvidas sobre, por exemplo, qual deve ser a posição do cristão e da Igreja neste cenário. Você pode trazer informações sobre o sistema de governo do Brasil, a importância da participação popular, e como funciona a legislação eleitoral.
Muitas dúvidas ainda pairam na mente do aluno sobre as eleições. Por exemplo: A obrigatoriedade do voto é uma coisa legítima? Quem está apto a votar? A quem o voto é facultativo? Qual é a diferença entre o voto nulo e o voto em branco? Qual é o perfil do candidato ideal?
Esta é a oportunidade certa para você dar uma contribuição substancial ao seu aluno sobre cidadania e participação consciente.
Excelente aula!

Palavra introdutória
Roboão, filho e sucessor de Salomão no trono de Israel, entrou para a história como o rei responsável por decisões que resultaram em total desastre. Como consequência dos seus erros, o reino de Israel foi dividido e desencadeou-se um processo de guerras intermináveis entre tribos irmãs, o que resultou no enfraquecimento de Israel como nação. Isso pavimentou o caminho para uma invasão dos egípcios a Jerusalém, ocasião em que levaram da Cidade Santa os seus tesouros e riquezas.
O Brasil está vivendo um dos períodos mais difíceis da sua história por conta da sua crise política sem precedentes. Qual é o papel do cristão dentro deste cenário político? Este é o assunto que estudaremos nesta lição.

 1. O QUE É POLÍTICA
A palavra política vem do grego polis. Na Grécia antiga, a polis representava uma unidade que envolvia a cidade e toda a sua vida social, política e econômica. Da polis, participavam todos os seus cidadãos, decidindo ativamente sobre seus destinos e metas.
Política é a ciência e a arte de buscar ações para o
bem-estar, tanto da sociedade quanto do
indivíduo que nela se insere. É o cuidado que se
empreende em benefício dos bens que pertencem
a uma coletividade.

1.1. Contextualização do termo
Atualmente, o conceito de política é mais abrangente. Ele envolve a forma como cada um vive em seu bairro, cidade ou país e até mesmo na igreja e na família. Como disse Schlessener, A. H, no livro Cidadania e Política: “A política apresenta-se hoje como a arte de governar, de atuar na vida pública e gerir os assuntos de interesse comum. Não se restringe à atividade desenvolvida no âmbito do Estado, mas faz parte da nossa vida, permeia todas as formas de relacionamento social: no trabalho, na escola, nas ruas, no lazer e até nas relações afetivas”.

1.2. Desvios na compreensão do termo
No Brasil, por conta da falta de caráter da maioria dos políticos, o termo política ficou marginalizado. Em geral, por conta desse sentido depreciativo, todo político é visto como mentiroso, corrupto e enganador.

1.3. Uma correção necessária
Olhar o político sempre pela ótica negativa é um erro de generalização. Há pessoas de mau-caráter e condutas duvidosas em todos os setores da vida social. Essa visão equivocada pode ser muito prejudicial para compreensão desta atividade humana tão importante, como pode abrir as portas para a alienação.
1.4. A posição da Igreja
No passado, desenvolveu-se a ideia preconcebida de que os cristãos deviam viver separados do processo político. Era ensinado que a Igreja, como agência de Deus na terra, devia conservar-se pura abstendo-se de participar.
Esse erro de interpretação conduziu muitos fiéis à alienação e trouxe à Igreja a imagem de uma instituição insípida e sem representatividade (Mt 5.13). A alienação da Igreja abriu espaço ao mal, com seus ranços, vícios e ardis.

Há sempre um preço elevado
a ser pago por conta da alienação política. Como diz
Platão: “O castigo dos bons que não fazem política é ser
governados pelos maus” 

1.5. Uma mudança benfazeja
Hoje em dia, muitos líderes cristãos têm ensinado e assumido o seu papel de sal da terra e luz do mundo, conforme orientação do Senhor Jesus em Mateus 5.13-16. Os cristãos, aos poucos, vão entendendo melhor o seu dever de exercer influência na sociedade e participar da vida pública do país.
O povo está mais informado sobre política, como ela se manifesta, e qual é a missão da Igreja para que seus membros interajam com essas questões de maneira sadia e equilibrada.
2. FÉ CRISTÃ E POLÍTICA
Fé cristã e política não são excludentes. Uma vez que o cristão deve ser sal e luz, este fato, por si só, faz dele alguém que precisa entender o assunto e decidir em que medida e de que maneira ele deve participar. Endossando esse tipo de raciocínio, pode-se afirmar o seguinte:

2.1. Fé cristã não combina com alienação
A omissão política facilita o ingresso de pessoas interesseiras, desonestas e sem princípios em cargos de importância nos Poderes da República. Essas pessoas cooperam com a criação de leis e práticas que colidem com os princípios do Reino de Deus.

2.2. Alienação combina com despolitização
A alienação política é caracterizada pela transferência de uma determinada responsabilidade para outra pessoa ou instituição. O alienado, portanto, é a pessoa que delega a outros a sua capacidade de participar.
Ser informado não significa necessariamente ser politizado.
O cristão deve posicionar-se de maneira ativa, consciente e sábia dentro do cenário político. A despolitização facilita o trabalho daqueles que objetivam manipular e enganar.


2.3. Política e relações de poder
As relações de poder podem ser vistas em todas as áreas da vida. Elas estão presentes nos ambientes onde há negociações, debates e acordos. O poder, nesse caso, deve ser visto como a ação capaz de exercer controle e influência sobre uma pessoa ou um grupo.
Até na família e na igreja há relações de poder.
 Na família, nota-se o poder exercido pelo pai sobre a mãe e os filhos, pela mãe sobre o pai e os filhos e o poder que os filhos, em alguma medida, exercem sobre os pais e entre irmãos. Na igreja, também há relações de poder que podem ser notadas nas decisões em nome da boa convivência, na distribuição de cargos, na escolha de cooperadores e líderes, na busca de
recursos para desenvolvimento de projetos.
A política é um veículo de grande distribuição e atribuição de poder.

2.4. Poder político e participação popular
O Brasil é democrático, regido por uma Constituição Federal, escrita e aprovada por homens e mulheres eleitos pelo povo. Os recursos econômicos da nação advêm do pagamento de impostos. Com estes, os órgãos públicos fazem a distribuição das verbas de acordo com o que está pactuado. Uma vez que os impostos têm origem no povo e este elege os seus políticos, assim, também, o governo precisa estar aberto ao povo para que seus cidadãos exerçam o poder político em conjunto com aqueles que o representam, acompanhando ações, gastos e o dever de bem governar.

3. A POLÍTICA E O PAPEL DA IGREJA
A tarefa principal da Igreja é a evangelização. Como agência de Deus no mundo, ela está encarregada de levar o evangelho a todas as tribos, línguas e nações (Ap 5.9; 7.9;4.6). Sua mensagem apresenta a reconciliação com Deus, por meio do sacrifício de Cristo, como a única esperança para a humanidade (Jo 14.6; 1 Tm 2.5).
Após a queda do primeiro casal, a espécie humana ficou encerrada sob o pecado, independente do seu espaço histórico ou geográfico (Gn 3.15; Rm 3.9,23; 5.12,19). Depois disso, tudo que o homem realiza traz as marcas do erro e da injustiça. Suas manifestações culturais, artísticas, sua economia e política estão contaminadas pelo mal.
Assim, a Igreja precisa ser uma agência formadora de opinião. Ela deve marcar uma posição clara sobre os assuntos discutidos no país, sobretudo, quando eles contrariam os valores da Palavra de Deus.
Seguem algumas ações que ela deve empreender:

3.1. Dar instrução política
A falta de cultura política abre portas à alienação e à ingenuidade. O dever de participar é de todos. Não se pode colocar a culpa apenas nos políticos quando tudo não vai bem, pois o povo também é responsável.
É preciso ver que alguns políticos são eleitos e perpetuam-se nos cargos, não por capacidade, mas por conexões partidárias, indicação, amizades, favores e corporativismo. Há um alerta nas palavras de Jesus em Mateus 10.16: sede prudentes como as serpentes.
3.2. Não negligenciar sua condição de representante de Deus na terra
Como porta-voz do Altíssimo, sua mensagem profética precisa ser ouvida, denunciando a corrupção e os erros dos políticos, convocando todas as pessoas ao arrependimento, confissão e mudança. Como disse o profeta Isaías em Isaías 1.23.

3.3. Denunciar as proposições de leis injustas
A Igreja deve vigiar e examinar as leis em tramitação nas esferas legislativas, para impedir que leis injustas sejam aprovadas, como declarou o profeta Isaías (Is 10.1,2). O sábio Salomão, inspirado por Deus, também afirmou: O que justifica o ímpio e o que condena o justo abomináveis são para o SENHOR, tanto um como o outro (Pv 17.15).

3.4. Combater o engano, a mentira e a inversão de valores
A inversão dos valores sociais traz a falta de lucidez para fazer separação entre o certo e o errado, o bem e o mal, o moral e o imoral. Dentro deste quadro, os desvios de conduta e o pecado ganham campo e manifestam-se livremente. A inversão de valores conquistou um lugar de proeminência na sociedade brasileira; porém, o profeta Isaías faz um alerta. Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo (Is 5.20).
De igual modo ele sentenciou: Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte, os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça (Is 5.22,23 ARA). 

3.5. Mobilizar os cristãos para as causas políticas
A Igreja deve cooperar na promoção de políticas públicas. Ela deve ensinar o povo a cobrar transparência e prestação de contas dos seus representantes, assim como orientar quanto ao voto consciente.
Em uma nação democrática, o povo elege os seus representantes.
A Igreja deve preocupar-se em orientar o povo sobre o uso correto desta liberdade. A quem o cristão deve dar o direito de representá-lo na política?
De forma resumida, seguem algumas
orientações sobre o voto consciente.
Não votar apenas por ser obrigatório.
Conhecer o histórico do candidato.
O representante precisa de preparo moral, emocional
e intelectual para o exercício do cargo. Exercer o voto de
maneira livre e não por indicação.
Não votar em ficha suja.
Não votar por afinidade ou simpatia.
Conhecer a ideologia e os princípios do partido
do candidato. Você tem certeza que gostaria de ver o poder sendo
entregue nas mãos de tal partido? 

Conclusão.
Com a participação de todos, é possível acreditar que a tempestade da crise política, econômica e social que se estabeleceu no Brasil chegará ao fim, em breve.
É preciso crer e orar por esse imenso país para que venha um novo tempo. O Brasil tem jeito e seu povo pode ter dias melhores.
O Brasil pertence ao Senhor Jesus!
Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor (Sl 33.12)!

                                                   Fonte: Revista Lições da Palavra de Deus n° 56

                 CAPÍTULO 2 FÉ CRISTÃ E POLÍTICA:
                         UM CHAMADO À PARTICIPAÇÃO
       
      Os debates políticos e ideológicos têm marcado uma posição de destaque na sociedade mundial. Como resultado, grandes conflitos passaram a fazer parte da vida das pessoas, e uma parcela considerável delas posiciona-se de forma polarizada entre visão política de “direita” ou de “esquerda”. Todas, ao mesmo tempo, acreditam estar com a verdade e pensam ter as melhores alternativas para os problemas do nosso país. Algumas levantam bandeiras políticas para defender temas e soluções que entendem serem os mais viáveis para resolver os grandes problemas nacionais. Por causa de questões político-partidárias, muitas vezes, ocorrem debates, discussões acaloradas e até agressões. Quem acompanhou os últimos anos do governo da presidente Dilma Rousseff, além de seu impeachment , pôde ver nas ruas, nas mídias sociais e até entre as famílias o predomínio de sentimentos de animosidade, raiva, descontrole e ódio.
       Além disso, no Carnaval de 2018, no Brasil, ocorreram cenas lamentáveis de violência entre foliões “direitistas” e “esquerdistas”. Infelizmente, o mesmo quadro hostil foi observado entre evangélicos, que se digladiaram pela internet por causa de temas como educação, saúde, economia e liberdade religiosa. Também se observou boa parte de cristãos e igrejas que não se manifestaram, preferindo a condição de meros espectadores, omitindo-se e alienando-se da causa política.
        É importante ressaltar que, sempre que a palavra alienação surgir neste livro, seu sentido mais estrito será o da transferência da responsabilidade para outra pessoa ou instituição. Em outras palavras, quem se coloca na “zona de conforto” da alienação política também transfere a outros sua capacidade de participar, governar, exercer o voto consciente e gerir a vida pública.
      Dentro desse quadro, surge o questionamento sobre a maneira como o cristão deve posicionar-se e viver sua dimensão política. Da mesma forma, as igrejas, por meio de suas lideranças, precisam posicionar-se para não serem omissas e, ao mesmo tempo, não marcarem uma posição ao lado de partidos políticos e causas injustas e enganosas que colidem com os princípios da Palavra de Deus.
        Pensando nisso, este capítulo pretende fornecer subsídios para que cada cristão, individualmente, amplie seu entendimento sobre o que é política, como ela se manifesta e qual é a missão da Igreja, a fim de interagir de maneira sadia e equilibrada em relação a essas questões, despojando-se de interesses que não estejam relacionados ao desejo ardente de manifestar o Reino de Deus e Sua justiça (Mt 6.33).
O que é política
      Política vem da palavra grega polis que, na Grécia Antiga, representava uma unidade que envolvia a cidade nos aspectos social, político e econômico. Da polis participavam todos os seus cidadãos, decidindo ativamente sobre seus destinos e objetivos. Nesse sentido, política pode ser definida como a arte de cuidar dos bens de uma coletividade, ou seja, das propriedades que pertencem a um conjunto de pessoas.
       Hoje em dia, política é a forma como cada um vive em sua família e localidade. É a maneira de administrar a vida pública e as relações interpessoais. Para Schlesener (2000, p. 176), “a política apresenta-se hoje como arte de governar, de atuar na vida pública e gerir os assuntos de interesse comum. Não se restringe à atividade desenvolvida no âmbito do Estado, mas faz parte da nossa vida, permeia todas as formas de relacionamento social: no trabalho, na escola, nas ruas, no lazer e até nas relações afetivas”.
      O conceito de Schlesener é o que mais se ajusta ao verdadeiro sentido da palavra política . Infelizmente, em nosso país, por causa do mau testemunho e da corrupção dos homens da vida pública, o vocábulo política acabou recebendo todo tipo de conotação depreciativa. Quando alguém diz que é político, já se imagina um espertalhão, corrupto, enganador, mentiroso e ladrão. Quando alguém diz que deseja candidatar-se, logo é desaconselhado, recebendo um ar de desaprovação e preconceito.
        Porém, esse erro de generalização precisa ser superado. Embora seja muito mais notório entre os políticos, há pessoas de mau-caráter e inclinações duvidosas em todos os seguimentos da sociedade. Essa visão equivocada pode ser tanto nociva como alienatória. Quando alguém se torna politicamente alienado, algo de muito ruim pode acontecer, como cita Platão: “O preço a ser pago pela tua não participação política é seres governado por quem é inferior, e por quem não desejas”.
       No Brasil, infelizmente, durante muitos anos, desenvolveu-se entre os evangélicos a equivocada ideia de que a política não era lugar para crentes. Naquela época, afirmava-se que a Igreja, como agência de Deus na terra, deveria abster-se de qualquer tipo de participação, nesse sentido. Os cristãos interessados no assunto eram vistos de forma preconceituosa, como se fossem frios ou menos espirituais.
        Por conta disso, esse foi um tempo marcado pela alienação e pela falta de representatividade da Igreja. Ao deixar o espaço político vazio, o mal o preencheu com seus vícios e ardis. Hoje, muitas denominações têm assumido sua responsabilidade de, como sal da terra e luz do mundo, exercer influência na sociedade, participando do seu mover político e desempenhando uma missão importantíssima nas mais diversas áreas da vivência humana.
Política e poder
“Não os critiquem; são eles exatamente o que nós seríamos sob idênticas condições.”
       Abraham Lincoln Quando pensarmos em política, devemos entendê-la como um veículo de grande distribuição e atribuição de poder. Todas as relações humanas envolvem conexões de poder, e esse poder pode ser interpretado como a capacidade de exercer controle, influência e ação sobre uma pessoa ou um grupo. Como cita Anita Schlesener:
“O poder consiste num conjunto de  relações de força que indivíduos ou grupos sociais estabelecem entre si a partir de sua situação na sociedade”.
Até na família — instituição principal e mais antiga da sociedade — nota-se o poder que:
• o pai exerce sobre a mãe e os filhos;
• a mãe exerce sobre o pai e os filhos;
• os pais exercem sobre todos os filhos;
• os filhos exercem sobre seus pais;
 • um irmão exerce sobre outro.
      Em família, sempre ocorrem negociações, disputas, chantagens e coerções por meio da força intelectual, física ou emocional. O castigo dos pais sobre os filhos, o choro das crianças, o domínio sobre o ato de acordar, levantar, alimentar-se, cumprir tarefas e o controle da relação sexual entre marido e mulher são atitudes que podem envolver relações de poder.
       As famílias podem projetar esse mesmo sentimento em suas relações com a vizinhança, por meio das quais é possível, de forma visível ou velada, surgirem competições e disputas. Esse fenômeno pode ser percebido também na igreja, onde a política é exercida em prol da boa convivência, da distribuição dos cargos e da escolha de cooperadores e líderes, na busca de recursos para o desenvolvimento de projetos, cuidando para que não haja desperdício, e o trabalho possa ter continuidade.
       A política no Brasil é norteada pela ação de três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
• Executivo: é formado pelo presidente da República, seus ministros e secretários. Eles são responsáveis por governar o país de acordo com os interesses da população, guiando-se sempre pelo que está escrito na Constituição Federal. O presidente é eleito pelo povo mediante o voto direto. Seu mandato é de quatro anos, e os ministros e secretários são escolhidos por ele.
• Legislativo: é representado pela Câmara Federal e pelo Senado Federal. Além da criação de leis e normas, esse poder também é responsável pela formação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), pelo controle das contas da Presidência da República, pela fiscalização dos atos do Poder Executivo, pelo julgamento dos crimes de responsabilidade do Presidente da República, entre outras funções.
• Judiciário: é responsável pelo sistema jurídico do país. Tem a incumbência de interpretar as regras constitucionais e exercer julgamentos.
        Quanto aos recursos econômicos da nação, estes vêm dos impostos pagos pelo povo. Com esse dinheiro, os órgãos governamentais desencadeiam as ações necessárias para gerir a vida pública nacional. O poder exercido pelo governo, seja em nível municipal, estadual ou federal, deve ser, constitucionalmente, aberto ao povo, para que este o examine e acompanhe suas ações, seus gastos e seu dever de governar.
        Sobre o sistema político brasileiro, ele é regido pelo princípio democrático, diferentemente de muitos países hoje no mundo, os quais são governados por ditadores político-religiosos que detêm o poder sobre tudo e todos, e a população comum fica excluída do processo de decisões.
Política e participação cristã
“Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento.”
Abraham Lincoln Como vivemos em um país democrático, regido por uma Constituição Federal escrita e aprovada por homens eleitos por todos os cidadãos, devemos aproveitar essa oportunidade e exercer o poder político junto a ela, elegendo os melhores candidatos, acompanhando suas ações, opinando e exigindo justiça e honestidade, ou, quem sabe, sendo representantes diretos por meio de algum cargo público.
       Assim, observa-se que o termo política não pode ser tratado de maneira reducionista, visto que a atividade política vai muito além do que acontece em Brasília e nas instâncias governamentais, pois permeia todas as áreas da vida humana. O homem é um ser essencialmente político, e, onde houver relacionamento interpessoal, ali haverá negociações, disputas e acordos.
      Desse modo, toda pessoa está envolvida em relações de poder e depende delas para sua sobrevivência. Por isso, não podemos confundir a arte de fazer política com ser dissimulado, mentiroso, enganador e hipócrita . Essas inversões são praticadas por pessoas de senso comum, sem informações ou sem o mínimo de cultura pública. Logo, participar da vida política do país é ajudar na administração de tempos, palavras, desejos e ações, para viver bem consigo e com os demais cidadãos.
        Diante disso, é importante frisar que o poder não pode ser entregue a interesseiros que não têm compromisso real com o país e, muito menos, com o Reino de Deus. A alienação política e a omissão abrem caminho para que pessoas desonestas ocupem cargos de importância nos Poderes — agindo, criando leis ou julgando —, conduzindo o povo ao caos.
        Então, qual é o sentido de reclamar do atual quadro de corrupção, insegurança e desrespeito aos direitos do povo se a pessoa não se interessa pelos assuntos relacionados à política? De alguma forma, a culpa não é apenas dos políticos e dos que praticam os crimes contra a nação, mas também daqueles que, de braços cruzados, transferem a terceiros as próprias responsabilidades.
     A alienação culmina na despolitização que, muitas vezes, toma forma por meio do voto nulo e da falta de acompanhamento e fiscalização do desempenho político a quem o voto foi, nas urnas, confiado. Ainda há aqueles que votam de acordo com a vontade ou indicação de outrem, ou porque receberam algum tipo de promessa, configurando, assim, a venda do voto e o coronelismo. Às vezes, algumas pessoas agem dessa maneira sem se dar ao luxo de pesquisar se sua atitude foi certa ou se o candidato é idôneo para a função.
       A política para a vida pública — que, no Brasil, manifesta-se por meio dos votos e das eleições — é algo de suma importância para o sustento de nosso país, de suas instituições e da vida de cada brasileiro. Hoje, a reflexão sobre a importância do voto é urgente e vital. Por esse motivo, o cristão precisa votar com discernimento, sabedoria e consciência, e não porque alguém disse que o certo é votar em determinada pessoa.
       O cristão também precisa pesquisar sobre a vida do candidato, para verificar se ele tem preparo, capacidade e honestidade, e não apenas se basear na figura pública ou no seu discurso. Além disso, deve averiguar se ele tem formação compatível, se é interessado em pesquisar a respeito dos grandes temas nacionais e se entende minimamente de economia, história, sociedade e mercado. Muitos têm conseguido enganar pela aparência, pelas promessas ou pela oratória.
      Por fim, o crente não pode ter a ilusão perpassada por meio dos anos de que “cristão só vota em cristão”. Seria bom se existissem realmente filhos de Deus com opção de voto em todos os níveis dos processos eleitorais. No entanto, esse não é o caso. Assim, a escolha em dar o voto não deve levar apenas em consideração o fato de quem professa ou não a mesma fé.
     Há também o caso de cristãos, membros das inúmeras denominações evangélicas do Brasil, que deram péssimos testemunhos no exercício de seus mandatos. Alguns desses maus exemplos foram condenados e cumprem pena até o presente momento. É preciso lembrar que alguém, mesmo não professando a fé cristã, pode ser usado por Deus para o bem. Observamos isso em toda a história da humanidade, assim como na historiografia bíblica:
Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua face; eu soltarei os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortos; quebrarei as portas de bronze e despedaçarei os ferrolhos de ferro. E te darei os tesouros das escuridades e as riquezas encobertas, para que possas saber que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome. Isaías 45.1-3
      Nessa passagem, vemos Deus usando um rei pagão, de outro povo, para cumprir Seus propósitos eternos de justiça e executar juízo entre as nações. Logo, um coração com força, garra e coragem e uma vida de caráter, às vezes, falam muito mais do que a religião que se diz servir e defender.
      É claro que seria uma grande bênção se houvesse um político, não apenas cristão, mas, mormente, um verdadeiro servo de Deus, em quem se pudesse realmente confiar o voto em cada posto da vida pública nacional. Ainda não tivemos, por exemplo, um candidato forte para ocupar o cargo de presidente da República. Nem sempre há a opção de votar nesse sentido e, às vezes, quando aparece um possível nome, surgem também dúvidas sobre sua conduta, capacidade ou condições para exercer o mandato.
      Sendo assim, é preciso lembrar os candidatos que trazem consigo a fachada de cristãos, mas, em boa parte das vezes, são incompetentes, não estão à altura do cargo ou estão envolvidos em escândalos com corrupção, ativa ou passiva, e lavagem de dinheiro.
       Política, história e noções gerais
“Os políticos são sempre iguais. Prometem construir uma ponte inclusive onde não há rio.”
      Nikita Kruschev Geralmente, quando assistimos a um debate político de bom nível, os debatedores utilizam-se de uma lista enorme de nomes, dados, datas e notícias ao longo da história. Assim, discorrem sobre economia, segurança, educação, além de políticas públicas e sociais. Também vemos, com muita frequência, a usual forma de classificar um político como “direitista”, “centrista” ou “esquerdista”. Essas designações aparecerem no contexto da política brasileira contemporânea.
       Historicamente, a divisão de posições políticas de extrema “direita”, “esquerda” ou de “centro” surgiu durante a Revolução Francesa. Esse evento desencadeou uma monumental transformação na forma de perceber a atividade política na última parte do século 18 (1789–1799). A França, a Europa e o mundo ocidental nunca mais foram os mesmos a partir desse acontecimento histórico.
       Naquela época, a nação francesa passava por uma crise cruel e desgastante: no campo, o povo morria de fome, pois as colheitas eram afetadas com períodos de seca e pragas; nas cidades, reinava o desemprego, a violência e a escassez de alimentos; na política, o país era governado por reis incompetentes, corruptos, perdulários, que gastavam o dinheiro público com propinas, festas, roupas, luxos e outras coisas absurdas.
       Foi dentro desse contexto trágico que a Revolução Francesa se desencadeou. O povo saiu pelos campos queimando propriedades e pilhando os castelos dos nobres. Na cidade, ocorreu a Tomada da Bastilha pelo povo comum e pelos operários, tomando-se também o poder na França. Desde então, o poder político passou às mãos de trabalhadores e seus representantes. Na política, os comerciantes ricos e de classe média — representantes do povo, dos trabalhadores, da aristocracia monárquica e da Igreja Católica — reuniram-se em uma assembleia constituinte para reverter o quadro de caos e estancar a crise.
      Os que defendiam os privilégios da monarquia ou a continuidade do regime ou, ainda, uma transição mais moderada do poder situavam-se à direita da assembleia; os que defendiam o fim do regime monárquico, a democracia e os direitos do homem situavam-se à esquerda.
      Os políticos que se assentavam à direita na assembleia defendiam uma transição de regime moderada, queriam estancar a revolução e colocar, no poder, os populares ricos, da classe burguesa. À esquerda, assentavam-se aqueles que queriam a radicalização da revolução, a igualdade de voto e de status e direitos para todos os cidadãos, isto é, um governo liderado pelos trabalhadores urbanos e a burguesia mais pobre. Ao centro, assentavam-se aqueles que não tinham uma posição ideológica ou política muito definida, que ora apoiavam os da direita, ora apoiavam os de esquerda, de acordo com o momento ou com seus interesses.
       Esse evento histórico forneceu a base para a atual forma de classificação das posições políticas na maioria dos países ocidentais. No caso do Brasil, a situação ficou um tanto complicada, uma vez que o povo brasileiro nunca teve fronteiras ideológicas claramente definidas. Desde a colonização, a política brasileira se deu não por definição ideológica, mas por redes de relacionamentos e compadrios.
        Assim, os políticos são eleitos e perpetuam-se no cargo, não por capacidade política, mas por conexões partidárias, indicação, laços de amizade, troca de favores, corporativismo e corrupção. De fato, a questão ideológica nunca serviu de plataforma para o eleitor brasileiro.
      Dentro desse cenário, alguns cristãos ficaram polarizados, ora definindo-se como de direita, ora como de esquerda ou de centro. Essa ausência de definição e rumo trouxe uma grande falta de interesse pelas questões políticas e uma descrença generalizada do povo por aqueles que elegeram como seus representantes.
      Logo, isso fez com que boa parte da população se distanciasse do assunto, desinteressando-se pelas questões políticas, concentrando-se apenas em suas necessidades rotineiras. Assim, a corrupção e as injustiças cresceram de maneira gigantesca, criando um clima de total insegurança e desconforto, sem que a sociedade estivesse preparada para o combate.
Política e papel da Igreja
Se, com tua boca confessares a Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, Serás salvo. Romanos 10.10
     O papel primordial da Igreja é levar as boas novas de Cristo aos quatro cantos da terra, ou seja, evangelizar, comunicar ao mundo que a única esperança para a humanidade está na reconciliação com Deus, por meio do sacrifício expiatório do Senhor Jesus, do arrependimento, da confissão dos erros e da mudança pelo novo nascimento.
     O pecado, iniciado na história da humanidade a partir da queda do primeiro casal no Éden, alcançou a todos, sem qualquer distinção, independente do espaço histórico ou geográfico (Rm 5.12,19). Quando a pessoa envolve-se no pecado, ela se autodestrói, mas não somente isso, destrói sua família e o mundo à sua volta. Jesus disse que aquele que comete pecado é servo do pecado (Jo 8.34). O regime de escravidão gerado pelo mal criou uma espiral de maldade, que tem contaminado todas as relações do ser humano. Com isso, os frutos da injustiça produzidos pelas combinações pecaminosas são vistos na política brasileira de forma muito clara.
       Além disso, o fruto do pecado tem-se estendido ao mundo e às suas instituições, uma vez que todos estão debaixo do pecado (Rm 3.9,23). Como todos se encontram nestas condições, logo, todas as criações do homem trazem as marcas do erro e da injustiça (3.9-18; 6.23). Isto significa dizer que todas as produções humanas, como a política, economia, comércio e produção intelectual, como criação do homem, estão comprometidas com a semente do mal. Logo, a mensagem da salvação em Cristo deve alcançar o ser humano e transformar seu coração, destruindo suas inclinações para o erro.
O Compromisso da Cidade do Cabo , documento para evangelização mundial assinado por mais de 4.200 líderes evangélicos de 198 países, ressalta que “os efeitos do pecado e do poder do mal corromperam todas as dimensões da pessoa (espiritual, física, intelectual e relacional). Eles permeiam a vida cultural, econômica, social, política e religiosa através de todas as culturas e gerações da história. Eles têm causado sofrimento incalculável à raça humana e danos à criação de Deus. Nesse contexto sombrio, o evangelho bíblico é realmente uma boa notícia”.
       A partir dessa observação, algumas posições precisam ser estabelecidas:
 1. A igreja tem de responder a esse desafio, educando seus membros politicamente, ensinando-os as regras básicas do “jogo político” e guardando-os da ingenuidade e do despreparo.
2. As igrejas precisam exercer seu papel profético, exigindo justiça. Como os profetas do Antigo Testamento e Jesus, devem expor os erros políticos e exigir mudança, arrependimento e confissão daqueles que erram.
 3. A igreja deve mobilizar seus membros para a promoção de políticas públicas de conscientização da população em geral para o voto consciente, bem como para políticas de transparência da vida pública e dos gastos públicos.
4. A igreja deve defender veementemente os princípios do Reino de Deus. Ela não deve fazer lobby político, ou seja, colaborar na eleição de políticos que defendam certos interesses. Ao contrário, deve incentivar os que estão preparados e os que desejam estudar e entender melhor sobre economia, história e ciência política, para que estejam aptos a legislar para todos.
        Em suma, os cristãos precisam preparar-se, buscar conhecimento e orar. Somente Deus pode dar discernimento para a escolha do caminho certo. Contudo, para isso, deve haver temor e compromisso com Ele, pois esse é o princípio de toda a sabedoria (Pv 1.7). Ademais, a fé tem de ser acompanhada de obras, para não ser inoperante (Tg 2.20).

Questões da atualidade, A esperança de um novo tempo – 
Gilmar Vieira Chave




Lição 02 - Revista 56 –  Fé Cristã e Política: Um chamado à participação    
                                                                    Prof. Ronaldo de Jesus
Texto bíblico – I Rs 12 1-8

Texto áureo: Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas, quando o ímpio domina, o povo suspira. Provérbios 29.2

Só os tolos acreditam que política e religião não se discutem.
Por isso os ladrões permanecem no poder e os falsos profetas continuam a pregar ” Charles Spurgeon

Objetivos
Definir o termo política entendendo sua abrangência;
 Posicionar-se corretamente frente aos apelos de matriz política;
 Identificar a missão da igreja no cenário político nacional.  

Palavra introdutória:
Roboão, filho e sucessor de Salomão no trono de Israel, entrou para a história como o responsável por decisões que resultaram em total desastre. O Brasil está passando por uma crise política sem precedentes Qual é o papel do cristão dentro deste cenário político?

1.       O que é Política? 
Política é a maneira de administrar a vida pública e as relações interpessoais. Neemias governador de Jerusalém. Ele chega a testemunhar que aqueles que o precederam oprimiram o povo. Mas ele disse que não faria isso por duas razões: primeiro, por causa do seu temor a Deus. Segundo, por que ele amava o povo.

1.1. Contextualização do termo.

“A política apresenta-se hoje como a arte de governar, de atuar na vida pública e gerir assuntos de interesse comum. Não se restringe à atividade desenvolvida no âmbito do estado, mas faz parte da nossa vida, permeia todas as formas de relacionamento social: no trabalho, nas escolas, nas ruas, no lazer, nas relações afetivas” Anita Schlesener

1.2. Desvios na compreensão do termo Política:
palavra associada à corrupção, mentira e engano.

1.3. Uma correção necessária
Olhar o político sempre pela ótica negativa é um erro de generalização. O problema não é a política. É a corrupção que se instaurou nela. A política é legítima. Não é o poder que corrompe. O poder revela os corrompidos.

1.4. A posição da Igreja

A igreja, como agência do Reino de Deus na terra, deve conservar-se pura abstendo-se de participar?

A alienação da igreja abriu espaço ao mal, com seus ranços, vícios e ardis. O padre Antônio Vieira afirma que a omissão é o pecado que se faz não fazendo.  O apóstolo Tiago registra em sua carta: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando” (Tg 4:17).  Martin Luther King Jr., pastor batista que lutou contra o racismo norte-americano, bradou: “O que me impressiona não é o grito dos tiranos, mas o silêncio dos justos”. O fato de sermos cidadãos do reino celestial não nos exime de nossas responsabilidades terrenas. O evangelho não nos isenta de nossas responsabilidades como cidadãos. O primeiro dever do cristão é orar pelas autoridades I Tm 2.1-3 (O governo foi instituído por Deus, as autoridades procedem de Deus). “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda a piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador.” 

1.5. Uma mudança benfazeja

Os cristãos, aos poucos, vão entendendo melhor o seu dever de exercer influência na sociedade e participar da vida pública do país.

2. Fé Cristã e Política Igreja e religião não se misturam?
 Fé Cristã e Política e política não são excludentes. É possível conjugar cristianismo e política. Podemos falar de política, sim. Deus nos tirou nossos pecados não a nossa inteligência. Tem gente que acha que Satanás é o diretor executivo sobre todos os reinos da terra.  Os planos e propósitos de Deus são imutáveis, e a Sua vontade é inviolável. Ele realizará a Sua vontade, a qual nenhum governo pode contrariar (Daniel 4:34-35). Na verdade, é Deus quem "remove reis e estabelece reis" (Daniel 2:21) porque o "Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer" (Daniel 4:17). Um entendimento claro desta verdade vai nos ajudar a ver que a política é apenas um método que Deus usa para realizar a Sua vontade.

2.1. Fé cristã não combina com alienação
A omissão política facilita o ingresso de pessoas interesseiras, desonestas e sem princípios em cargos de importância nos Poderes da República.
Ignorar a política numa sociedade democrática é irresponsável. 
Como cidadãos temos o poder para escolher quem vai governar. Se não fizermos também não temos direito de queixar quando um governador ruim é eleito, porque o nosso voto podia ter colocado uma pessoa mais honesta no seu lugar. 
É também o dever de todo o cidadão crente exigir que seus governantes sejam íntegros e cooperar com eles para melhorar a sociedade (1 Pedro 2:13-14).

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2.2. Alienação combina com despolitização

A alienação política é caracterizada pela transferência de uma determinada responsabilidade para outras pessoas ou instituições.

A despolitização facilita o trabalho daqueles que objetivam manipular e enganar.

O Analfabeto Político O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. Bertolt Brecht
2.3. Política e relações de poder

A política é um veículo de grande distribuição e atribuição de poder As relações de poder e autoridade se encontram em todas as áreas da vida. Elas estão presentes nos ambientes onde há negociações, debates e acordos: na família (marido é o cabeça), na igreja (líderes) e também na sociedade.

2.4. Poder político e participação popular

Uma vez que os impostos têm origem no povo e este elege seus políticos, assim, também o governo precisa estar aberto ao povo para que seus cidadãos exerçam o poder com aqueles que o representam, acompanhando ações, gastos e o dever de bem governar.

3. A Política e o papel da igreja A tarefa principal da igreja é a evangelização, mas entendemos que ela deve também marcar uma posição clara sobre os assuntos que são discutidos no país, sobretudo quando eles contrariam os valores da Palavra de Deus.

3.1. Dar instrução política

Não se pode colocar a culpa apenas nos políticos quando tudo não vai bem, pois o povo também é responsável. O dever de participar é de todos.

Votar nulo ou em branco não é protesto: é omissão!

Deputados federais e estaduais são eleitos por meio da votação proporcional. Já para os cargos de presidente, governador e senadores, a eleição é majoritária, isto é, o candidato mais votado vence.



3.2. Não negligenciar sua condição de representante de Deus na terra.
 Isaías [1.23] diz que o povo sofre porque os "líderes são amigos de ladrões, amam o suborno e correm atrás de presentes”. A igreja precisa denunciar a corrupção e os erros dos políticos.

3.3. Denunciar as proposições de leis injustas

A igreja deve vigiar e examinar as leis em tramitação nas esferas legislativas, para impedir que leis injustas sejam aprovadas. Nós devemos nos submeter às autoridades quando elas estiverem corretas.  E se estas leis vierem de encontro aos nossos princípios? Ex. parteiras do Egito, Determinação do Sinédrio.  Ações legais de constitucionalidade, representações, manifestações políticas ordeiras, a igreja pode se manifestar como voz profética. A igreja pode funcionar como consciência do estado. Como essas pessoas estão agindo? A Igreja pode levantar a voz, fazer abaixo-assinados, protestar contra a corrupção, os descalabros, as injustiças.

 3.4. Combater o engano, a mentira e a inversão de valores.

A inversão de valores conquistou um lugar de proeminência na sociedade brasileira. Is 5.20

3.5. Mobilizar os cristãos para as causas políticas.

A igreja deve ensinar o povo a cobrar transparência e prestação de contas dos seus representantes, assim como orientar ao voto consciente. Você conhece as propostas de seus candidatos? Muitos cristãos estão votando em candidatos que defendem abertamente a união homossexual, são favoráveis a legalização do aborto, apoiam a lei da homofobia e tantas outras leis que ferem diretamente a Palavra de Deus. Como servo de Deus, seu primeiro compromisso é com a Palavra de Deus. Portanto, votar em candidatos que são instrumentos de satanás para implantar a institucionalização da iniquidade é uma contradição. Portanto, saiba em quem você está votando e quais são suas propostas de governo. "Não havendo sábia direção, cai o povo..." (Pv. 11:14).

                                                Conclusão

                     A má escolha do espinheiro para governar

O texto registrado no livro de Juízes 9.7-15, é chamado de Apólogo de Jotão. Trata-se de uma fábula, às vezes identificada como parábola ou alegoria.
Foi contada aos homens de Siquém por Jotão, filho mais novo de Gideão. O antecedente histórico do texto foi o massacre sofrido pela família de Gideão, o quinto juiz de Israel.
Abimeleque, filho bastardo de Gideão, aspirava ser rei e persuadiu os homens de Siquém a matar todos os 70 filhos legítimos de seu pai e o proclamarem rei.
Jotão, o sobrevivente do massacre, subiu ao monte Gerizim, proferiu a fábula ao rei usurpador e ao povo e refugiou-se logo em seguida.
Ele fala de como os seres qualificados, quase sempre, evadem-se de suas responsabilidades e se deixam manipular de tal modo que é o Espinheiro quem governa. Leia o Apólogo de Jotão:   

“Ouvi-me a mim, cidadãos de Siquém, para que Deus vos ouça a vós outros. Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei. Disseram à Oliveira: Reina tu sobre nós. Mas a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu azeite, que Deus e os homens em mim prezam, para ir balouçar sobre as árvores? Então disseram as árvores à Figueira: Vem tu, e reina sobre nós. Mas a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para ir balouçar sobre as árvores? Disseram então as árvores à Videira: Vem tu, e reina sobre nós. Mas a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, para ir balouçar sobre as árvores? Então todas as árvores disseram ao Espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós. E disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre vós, vinde, e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano”.  
As árvores boas (Oliveira, Figueira e a Videira) que agradavam a Deus e aos homens rejeitaram o chamado para governar. Resignaram-se em aceitar o governo do Espinheiro. Não ofereceram resistência alguma. Eximiram-se de suas responsabilidades.

O espinheiro é uma planta seca e rasteira. Não produz frutos nem sombra. Sufoca as árvores, mata sementes, incendeia facilmente e destrói as plantas em sua volta.
Infelizmente, aquelas árvores só aprenderam a lição quando o Espinheiro já estava no poder e se recusava entregar o reinado.

No Brasil, o Espinheiro ainda está reinando. Quem reclama sai ferido. Quem ousa ser contrário recebe vários termos pejorativos, tais como: preconceituoso, homofóbico, burguês, imperialista, fundamentalista e outros. Muitos justificam a corrupção, a mentira, a impunidade, a roubalheira, a insegurança e inversão de valores como apenas um mal feito. Um mal necessário. Para estes os fins justificam os meios.

Nossos dias se assemelham ao Apólogo de Jotão, embora a fábula do Espinheiro tenha chamado a atenção de todos, os homens que elegeram Siquém não refletiram e nem se arrependeram da má escolha. Os ouvintes das palavras de Jotão ainda toleraram o reinado de Abimeleque por mais três anos.

Mais tarde, pela incapacidade das árvores em tomar boas decisões, Deus decide intervir e fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito, como também o mal dos homens de Siquém. A maldição de Jotão, filho de Gideão, veio sobre eles (Jz 9.56,57). O Espinheiro destruiu a si mesmo e todos à sua volta. 

Algumas lições:

1. A omissão dos bons permite que os maus subam ao poder;

2. Quando você se omite por que acha que ninguém é bom, os outros acabam decidindo por você e, via de regra, acabam escolhendo a pior opção (saiba escolher)

3. Quando os maus governam, todos (bons e maus, gostando ou não) ficam debaixo de suas sombras (sua autoridade): e os que se submetem ao espinheiro, ele os queimará (destruirá). Este é o projeto do mal: fazer com que o povo escolha ou permita que os espinheiros subam ao poder a fim de destruí-lo.

O Brasil tem jeito! Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor (Sl 133.12)

BIBLIOGRAFIA Bíblia Sagrada, ARC, SBB, São Paulo, 1995. BUENO, Francisco da Silveira, Dicionário Escolar da Língua Portuguesa – 11ª ed. ,1994 CHAMPLIN, R.N. AT interpretado versículo por versículo, Hagnos, São Paulo, 2000. CHAVES, Gilmar. Questões da atualidade. Instruções para a Igreja em tempo de crise. LPD Nº 56, Central Gospel 2018

 

                            A parábola de Jotão

Juízes 9: 7 – 15

   INTRODUÇÃO: No tempo dos Juízes, Israel não tinha rei. Eles não eram organizados politicamente nem socialmente como nação, mas viviam como tribos que cultivavam a terra e criavam rebanhos. Gideão foi um dos principais Juízes de Israel, quando o Senhor o chamou para libertar os israelitas do jugo dos amalequitas. A primeira orientação que Deus deu a Gideão foi que ele destruísse os ídolos da casa de seu pai, quebrando assim a influência e a herança que recebera de sua família. Gideão mostrou com isso que estava consciente do chamado do Senhor.
 Após a sua vitória contra os seus inimigos, os israelitas quiseram fazer de Gideão seu rei, mas ele não aceitou. Um de seus filhos chamado Abimeleque, se apresentou desejando o cargo, e para isso matou todos os seus irmãos, para que não houvesse concorrentes. Um de seus irmãos, o mais novo, conseguiu escapar da matança. Seu nome era Jotão, o qual proferiu uma parábola para todo o Israel, advertindo-o contra o reinado de seu cruel irmão Abimeleque. A parábola fala de árvores que buscam um rei que reine sobre si. As árvores representam homens.

  A OLIVEIRA – Tipifica a unção, o derramar do Espírito Santo e os dons espirituais na vida da igreja. As revelações e a direção que o Senhor pelo seu Espírito tem dado ao seu povo.  

A FIGUEIRA – Representa aquilo que está ligado a Israel como nação. É a profecia que veio através dos profetas do Velho Testamento. As revelações contidas nos escritos dos profetas e na história do povo de Israel.  

A VIDEIRA – Aponta para a Igreja, para o plano de Salvação através do Sangue de Jesus, o novo nascimento, a doutrina de Corpo (cacho de uvas), o louvor a glorificação e a graça. 

 O ESPINHEIRO – É tudo aquilo que é próprio da natureza humana e que fere os outros. É aquilo que é ruim e que não dá fruto algum. É a mentira (não tem sombra), a maledicência, o preconceito, a falta de amor, etc. no meio da igreja. O espinheiro quando se estabelece é como fogo que destrói o cedro (Obra).  

O CEDRO – Tipifica a Obra do Senhor. O cedro é uma árvore gigantesca, com um tronco reto, de madeira de lei, que chega a 30 m de altura por 5 m de diâmetro. É muita pretensão do espinheiro querer queimar uma árvore como o cedro.    

CONCLUSÃO – Nós temos que cultivar na igreja hoje em dia a Oliveira, a Figueira e a Videira. Aquilo que elas representam espiritualmente precisam reinar no nosso meio. Se elas não reinarem, o Espinheiro termina reinando, e quando isso acontece, o Cedro, que é tipo da Obra, corre o risco de ser destruído. Podemos citar como exemplo prático o Culto Profético. Ele depende da unção e dos dons espirituais, além da profecia e da participação do Corpo para ser cumprido. Se a igreja falhar em cultivar a unção, a profecia e a graça do Senhor, quem vai acabar se estabelecendo é o espinheiro. Ele é a religião, a falta de sabedoria e outras coisas que destroem a Obra do Espírito. A pessoa que cultiva o espinheiro se torna como ele mesmo, isto é, produz espinhos e queima-se facilmente (quando chamada a atenção). Há um juízo do Senhor para o espinheiro (Miq 7: 4).

Disponível em: https://www.portalrevelacao.com/minha-biblia/estudos-biblicos/igreja/aparabola-de-jotao-juizes-9-7-15/
Acesso em 19/09/2018


                       As eleições e a parábola de Jotão


“Foram, certa vez, as árvores ungir para si um rei e disseram à oliveira: Reina sobre nós. Porém a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu óleo, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores?

Então, disseram as árvores à figueira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto e iria pairar sobre as árvores? Então, disseram as árvores à videira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores? Então, todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu e reina sobre nós. Respondeu o espinheiro às árvores: Se, deveras, me ungis rei sobre vós, vinde e refugiai-vos debaixo de minha sombra; mas, se não, saia do espinheiro fogo que consuma os cedros do Líbano”(Jz 9:8-15).

O Brasil está às vésperas de uma eleição. Houve uma época em que os governantes eram impostos ao povo e sua forma de governo era baseada em modelos totalitários e opressores. Entretanto, a democracia deu ao povo a oportunidade de participar diretamente do pleito. Hoje, elegemos nossos pares, pois a Constituição assegura que todos são iguais perante a lei, não havendo distinção de cor, sexo ou religião. Dessa forma, os eleitores tornamse co-responsáveis pela política, pois cabe à população dizer sim ou não às propostas de cada candidato. No próximo mês, todos os cidadãos, ricos e pobres, brancos e negros, cristãos e ateus, irão às urnas para eleger candidatos que vão dirigir os rumos da nossa nação. Exatamente nesse contexto cabe uma reflexão sobre a Parábola de Jotão (Jz 9:8-15). Sobre esse texto, o Pr. Paschoal Piragine Jr. faz a seguinte declaração: “A parábola de Jotão apresenta lições importantes sobre nossa missão no contexto político. Depois de Abimeleque ter assassinado seus 69 irmãos, os habitantes de Siquém decidem proclamar o fratricida seu rei. Jotão foi o único filho de Gideão a escapar com vida. É justamente durante a cerimônia de coroação que Jotão profere essa parábola profética contra o irmão e o povo, que além de patrocinar o mal exaltava-o publicamente”[1]. Diante dessa parábola, quero convidar você a refletir sobre a realidade política em que o Brasil atravessa, tirando conclusões e assumindo novas posturas diante do pleito que se aproxima.

I – Quando os bons se omitem, os maus assumem o poder. A parábola afirma que inúmeras árvores foram cogitadas para reinar, sendo a oliveira, a figueira e a videira. Contudo, nenhuma delas quis assumir essa responsabilidade. Diante disso, não havia outra saída senão convidar o espinheiro para exercer tal função. Essa parábola ilustra que a presença de um mau governo se deve em função da omissão daqueles que poderiam fazer um bom governo. O padre Antônio Vieira afirma que a omissão é o pecado que se faz não fazendo. O apóstolo Tiago registra em sua carta: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando” (Tg 4:17). Martin Luther King Jr., pastor batista que lutou contra o racismo norte-americano, bradou: “O que me impressiona não é o grito dos tiranos, mas o silêncio dos justos”. O Brasil tem sido governado por espinheiros porque as oliveiras, as figueiras e as videiras estão se omitindo. Eis o motivo pelo qual a nação padece diante da gestão de pessoas inescrupulosas que estão interessadas unicamente no benefício próprio. Ética e moral são conceitos desconhecidos pela maioria de nossos parlamentares. Como bem disse Robinson Cavalcanti: “A maior crise que o país está vivendo não é econômica ou social, mas uma crise moral”[2]. A Bíblia está repleta de exemplos que reis e príncipes que conduziram a nação de Israel à apostasia. Há uma máxima popular que é verdadeira: o povo é o reflexo de sua liderança. Muitos cristãos estão à margem dos acontecimentos, alienados ao processo eleitoral. A Igreja brasileira, que deveria ser uma voz profética para bradar contra a impiedade de nossos governantes espinheiros, tem se prostituído com esse sistema corrupto. Muitos púlpitos são transformados em verdadeiros palanques eleitorais onde candidatos profanos sobem ao altar de Deus para manipular um rebanho que se tornou massa de manobra. A igreja brasileira não deve apenas orar, mas, sobretudo, ser uma Igreja consciente! Se há um dom que carecemos na atualidade é o dom do discernimento. Precisamos que homens e mulheres vocacionados por Deus se levantem para lutar pelos valores e princípios que a nação tem perdido. Nós podemos ser as árvores frondosas de que o país precisa. Não podemos omitir-nos nem achar que todos os que exercem a política são espinhos! Se os espinhos estão lá é porque as árvores se furtaram do seu papel![3]

II – Para servir é preciso sacrificar-se; para ser servido é preciso sacrificar os outros. Eis o motivo pelo qual muitos não querem servir nem se transformar em benção na vida dos outros. Perceba que oliveira disse: “Deixaria eu o meu óleo, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores?” (v. 9). Da mesma forma, a figueira se esquivou: “Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto e iria pairar sobre as árvores?” (v. 11). Semelhantemente, a videira apresentou sua justificativa: “Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens e iria pairar sobre vós” (v. 13). Como se pode observar, o serviço exige abnegação e sacrifício, qualidades que nem todos estão dispostos a buscar. As pessoas não estão interessadas em sair da sua zona de conforto para se envolver nos problemas dos outros. Então, houve uma inversão abrupta da função pública, pois aqueles que deveriam se valer do cargo para servir os outros, utilizam o posto e suas prerrogativas para benefício próprio, em detrimento da opressão de seus súditos. De acordo com a parábola, o rei deveria pairar sobre as demais árvores, dando proteção e sombra a elas. A função do rei seria servir as demais árvores. Contudo, ao ser empossado rei, o espinheiro disse: “Vinde e refugiai-vos debaixo de minha sombra; mas, se não, saia do espinheiro fogo que consuma os cedros do Líbano” (v. 15). Ou seja, aquele que deveria ser um instrumento de benção, torna-se uma maldição. O espinheiro subjugou as demais árvores e passou a oprimi-las. Essa história é um retrato contemporâneo da política no Brasil. Basta ver e ouvir as propostas na propaganda eleitoral para vislumbrar que aquilo que se propõe é bem diferente da prática. Inclusive candidatos que se autodenominam evangélicos são flagrados em escândalos que envergonham o Evangelho de Cristo. Sendo assim, quero alertar você para duas atitudes que você deve assumir com relação às eleições:

Primeira Atitude: Ore! O apóstolo Paulo fez a seguinte exortação ao seu filho na fé, Timóteo: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda a piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador.” (I Tm 2:1-3).   Segunda Atitude: Vote com consciência! Você conhece as propostas de seus candidatos? Muitos cristãos estão votando em candidatos que defendem abertamente a união homossexual, são favoráveis ao aborto, apóiam a lei da homofobia e tantas outras leis que ferem diretamente a Palavra de Deus. Como servo de Deus, seu primeiro compromisso é com a Palavra de Deus. Portanto, votar em candidatos que são instrumentos de satanás para implantar a institucionalização da iniqüidade é uma contradição. Portanto, saiba em quem você está votando e quais são suas propostas de governo. "Não havendo sábia direção, cai o povo..." (Pv. 11:14). Rev. Daniel Sampaio Mota

[1] PIRAGINE JÚNIOR, Paschoal. Crescimento Integral da Igreja: uma visão prática de crescimento em múltiplas dimensões. São Paulo: Editora vida, 2006, p. 178. [2] CAVALCANTI, Robinson. Cristianismo e Política. Editora Ultimato, 2000. [3] PIRAGINE, Idem, p. 179.
Disponível em: http://www.ipin.org.br/index.php/artigos/53-eleicoes Acesso em: 19/09/2018

Um cristão deve se envolver em política?


Sim, o cristão informado deve se envolver em política. Política no sentido geral é trabalhar para o bem comum da sociedade. Política pode envolver ajudar pessoas em necessidade, alertar as autoridades e ajudar a resolver problemas ou até trabalhar no governo. A Bíblia nos chama a cuidar dos outros e a ser uma bênção em tudo o que fazemos (Tiago 1:27).
Todo o crente pertence ao Reino dos Céus. Mas isso não significa que não pode se envolver na política do seu país. O cristão, enquanto vive aqui na terra, tem dupla nacionalidade. Isso significa que tem direitos e deveres para com o seu país terrestre e com o seu país eterno.
Ignorar a política numa sociedade democrática é irresponsável. Como cidadãos temos o poder para escolher quem vai governar. Se não fizermos também não temos direito de queixar quando um governador ruim é eleito, porque o nosso voto podia ter colocado uma pessoa mais honesta no seu lugar. É também o dever de todo o cidadão crente exigir que seus governantes sejam íntegros e cooperar com eles para melhorar a sociedade (1 Pedro 2:13-14).
Em quem o cristão deve votar?

O cristão deve votar em quem acredita que vai fazer o melhor para a sua sociedade. Antes de votar é muito importante analisar com cuidado as opções e o que cada candidato pretende fazer, não só a sua propaganda (1 Tessalonicenses 5:21). Por exemplo, um candidato pode ser muito carismático mas seus planos podem estar completamente desajustados com as necessidades do povo. Também é muito importante orar e pedir orientação a Deus na sua escolha. E mesmo que seu candidato não ganhe, ore pelo governo, para que seja sábio e traga paz (1 Timóteo 2:1-2). Foi Deus que deu autoridade ao governo mas se deixarmos Deus de fora, quem fica com a autoridade é o diabo.

Veja aqui em mais detalhe em quem um cristão deve votar.

Cristão pode ser político?

Sim, um cristão pode ser político, se esse for o seu chamado. Tal como qualquer outra profissão, a política tem muita corrupção. O cristão que entra nesse meio precisa ser um exemplo de integridade, pedindo sempre forças a Deus para fazer o que é correto. Como crente, você também pode fazer campanha de maneira honesta, sem mentir nem fazer luta suja contra outros candidatos. Não podemos esperar que ímpios sigam a vontade de Deus, por isso é muito importante formar crentes fortes e prontos para fazer a diferença na política.

Temos vários casos na Bíblia de homens de Deus envolvidos na política, até mesmo em países ímpios como o Egito (José) e a Babilônia (Daniel, Neemias). Esses homens tinham um dom para governar e foram usados de maneira poderosa por Deus. Também na História temos casos de bons políticos cristãos. Dois exemplos foram Abraham Lincoln dos Estados Unidos e William Wilberforce na Inglaterra, que aboliram a escravatura em seus países.
Se você tem um dom para economia e seu país está em crise, porquê não servir como Ministro da Economia? O mesmo se aplica a qualquer outro cargo político. Deus recompensa os íntegros, que fazem um bom trabalho (Salmos 37:37).

Atenção! Ser cristão não qualifica ninguém para ser político, tal como não qualifica para ser arquiteto. É preciso formação adequada. Também não é bom um líder de igreja ocupar também cargos políticos. Esses são dois trabalhos muito exigentes e um ficará prejudicado. É melhor ter um ministério de cada vez. A Igreja pode ensinar sobre a importância da política mas não deve tomar partidos. A escolha é individual, de acordo com a consciência de cada um.

Disponível em: https://www.respostas.com.br/um-cristao-deve-se-envolver-em-politica/ Acesso em 23/09/2018


Política
Publicado por: Eliene


A palavra “política” provém do grego “politéia”. Tal palavra era usada para se referir a tudo relacionado a polis (Cidade-estado) e à vida em coletividade. Portanto, podemos chegar a um ponto em comum ao afirmar que a política está relacionada diretamente com a vida em sociedade, no sentido de fazer com que cada indivíduo expresse suas diferenças e conflitos sem que isso seja transformado em um caos social.

Embora se afirme que gregos e romanos tenham criado a política, com destaque para a obra “Política” de Aristóteles, não podemos negar a existência de relações de poder e autoridade em civilizações anteriores. De fato, gregos e romanos desenvolveram as características de autoridade e poder no sentido político.

De certa forma, a política surgiu para garantir a estabilidade social. O agente máximo que garante essa estabilidade é o Estado. O poder político, exercido pelo mesmo, está diretamente relacionado ao direito de coerção e uso legítimo da força física. Assim, para garantir os interesses da sociedade em geral, o Estado pode, de forma única, utilizar a forma coercitiva. Em sua obra “O Príncipe”, Maquiavel afirmou que o que move a política é a luta pela conquista e pela manutenção do poder, além disso, segundo ele, os fins deveriam justificam os meios, isto é, para a finalidade da ordem, soberania e bem-estar social, o Estado poderia usar a força física de forma legítima.

A ciência política é uma área do pensamento destinada a estudar os modelos de organização e funcionamento estatal. No âmbito acadêmico, essa área do conhecimento se institucionalizou particularmente nos Estados Unidos, com desdobramentos para a Europa Ocidental. Após a crise das democracias representativas, a difusão da política como uma ciência ocorreu em vários países do Terceiro Mundo.
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A ALIENAÇÃO POLÍTICA DO BRASILEIRO


 Quem é o alienado político?
A alienação política é uma realidade no cenário brasileiro e atinge de forma indistinta, os diversos segmentos sociais. Alguns se envolvem na política  motivados  até pela extrema necessidade, tais como os mais pobres, que estão sempre suplicando  aos seus governantes políticas públicas básicas: saúde, segurança e educação, o que, numa análise mais pragmática,  acaba por dar a eles, uma consciência política mais aguçada.
Nessa linha de pensamento, o alienado político é aquele que não quer ou se recusa a participar da vida política e de exercer de fato a sua cidadania;  tem total desinteresse por todas as questões políticas; pouco se interessa em acompanhar ou investigar os atos de seus governantes e ainda confia cegamente o seu destino a alguns líderes políticos, pois afinal, em sua visão “são eles  que entendem  de política e  então farão o melhor para o bem de todos”. Enfim, ele não questiona e nem avalia o desempenho dos gestores públicos  e entende exercício do voto eleitoral mais como um peso e não como um direito legítimo ou  mesmo como um passaporte para a mudança e  assim, não reconhece e nem valoriza a força de que realmente dispõe.
Razões da Alienação Política
A face intrigante da alienação política é que tudo aquilo  com que sonhamos ou desejamos em termos pessoais, familiares e para a nossa cidade ou país, de algum modo, em alguma etapa, deverá ser objeto da análise política ou decorrerá do processamento político da questão.  Assim, fica a pergunta: Por que então se afastar desse processo? Sei que existem vários argumentos: “os políticos são corruptos e  eu quero é manter distância deles”. No entanto, se as pessoas de bem, aquelas que buscam fazer tudo da forma mais correta, que são íntegras e honestas  e que respeitam o direito de seus semelhantes, se afastarem voluntariamente do processo político, o que nos restará? Infelizmente, salvo  as raras exceções,  sobrarão aqueles indivíduos que querem viver DA política e se servem dela em seu  próprio benefício, e não vivem PARA a política, conforme  pensamento de Max Weber  expresso na obra “Ciência e Política: duas vocações”.  A  visão correta e ampliada da Política exercida como vocação e  com real espírito público,  deve ser entendida como  aquela que busca o bem-comum, cujas ações são alicerçadas em princípios éticos inabaláveis e inegociáveis.
É evidente o descrédito  da população brasileira em relação aos erros cometidos  no passado pelos políticos e seus respectivos partidos, mas que  infelizmente ainda continuam  a rechear os noticiários da televisão,  com histórias de desvios de recursos públicos e de condutas reprováveis  de muitos gestores públicos, fatos que revoltam e enojam os telespectadores. Isso alimenta e aprofunda o processo de alienação política das pessoas.
Uma questão relevante
O que mais me incomoda nessa questão da alienação política é  a atitude de pessoas que detêm grande conhecimento acadêmico e  que são profissionais de destaque e até  mesmo de renome em suas respectivas  áreas de atuação. Muitas dessas pessoas  em seu cotidiano  denotam  uma completa alienação ou mesmo  um desprezo em relação aos benefícios que possam advir na esteira de sua participação política e de práticas de cidadania. Isso é um verdadeiro contrassenso, pois são pessoas que possuem grande potencial de influência. E no andar da carruagem, os alienados acabam sendo cooptados por espertalhões que vivem DA política, estrategicamente embalados por suas falsas promessas ou pelos discursos falaciosos recomendados por suas assessorias de marketing político. Enfim,  tornam-se presas fáceis de “salvadores da pátria”, de populistas ou de algum outsider.
O cidadão politicamente consciente
Tenho a firme convicção na validade e nos desdobramentos benéficos decorrentes da efetiva participação do cidadão nos destinos da nação brasileira. Por isso, conclamo e estimulo a todos a se alistarem nesse exército, por mais desanimado  e cansado que o meu leitor esteja em relação a tudo que você tenha vivenciado até aqui, em termos políticos. Acredito no efeito “formiguinha” das atitudes individuais e na comprovada força da ação coletiva. No entanto, é mister, fundamental e urgente, a  sua conscientização e envolvimento político. Não deixe de fazer parte desse processo de mudança, o que resultará, com certeza, em benefícios para todos os brasileiros.

http://portalebd.org.br/mais/estudos-biblicos/2923-licoes-da-palavra-de-deus-56-central-gospel-licao-2-fe-crista-e-politica-um-chamado-a-participacao-videoaula

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