domingo, 9 de setembro de 2018

LIÇÃO 12 OS PÃES DA PROPOSIÇÃO






INTRODUÇÃO
A
ntes de iniciar este capítulo, fui à internet para ver alguns quadros que tivessem como motivo o pão, o alimento por excelência. E, ali, entre gravuras de todos os tempos e lugares, reparei que o pão combina com todas as mesas e harmoniza-se com todas as iguarias. Quer numa cozinha ocidental, quer numa oriental, faz-se ele presente. Aqui, tem um formato cilíndrico; ali, uma forma cúbica; mais além, uma silhueta abaulada como os gostosos pães italianos.
      Nas Sagradas Escrituras, o pão é apresentado não apenas como alimento, mas também como liturgia e comunhão. No Tabernáculo Santo, servia para honrar e enaltecer o Senhor. Já na Igreja Cristã, é utilizado como símbolo do corpo do Filho de Deus, que, no Calvário, deixou-se partir vicariamente por mim e por você, querido leitor.
      Estudaremos, neste capítulo, os pães da proposição. Conhecidos ainda como os pães da apresentação, encerram eles, quando dispostos no Lugar Sagrado, uma teologia lindamente remidora; soteriologia eterna. Depois, veremos a sua tipologia em relação a Jesus Cristo, que, num pronunciamento carregado de significados redentores, declarou-se como o Pão que desceu do Céu.

I.                    UMA BREVE HISTÓRIA DO PÃO
Nas linhas a seguir, esboçaremos rapidamente a história do pão que,conforme já dissemos, é o mais universal dos alimentos. Nos mais diversos formatos e nos mais variados sabores, é encontrado em todas as sociedades. Feito de trigo, de cevada ou de milho, o pão orna a mesa do rico e não deixa de embelezar a mesa do pobre. Comecemos por estudar essa palavra tão abençoada.

1. A origem da palavra “pão”. A palavra “pão”, em português, origina-se do substantivo latino panis que, por seu turno, provém de um termo antiquíssimo: pa, que significa nutrição. Para os romanos, acostumados ao amanho do trigo, o pão é aquilo que nutre o homem. Acredito que, desse conceito, ninguém discorda. Hoje mesmo, antes de assentar-me a escrever, precisei alimentar-me com uma gostosa fatia de pão integral. A partir daí, ganhei forças e disposição para dar sequência a este trabalho. Senhor, ajudame.

2. A origem do pão. A história tem o Egito como a primeira padaria do mundo. Ali, às margens do Nilo, onde a fertilidade já era proverbial há cinco mil anos, os trigais espalhavam-se do Alto ao Baixo Egito. E, muito cedo, o egípcio veio a descobrir que o grão do trigo, se esfarinhado, levedado e levado ao forno, transforma-se num alimento nutritivo e delicioso.
     No Egito, havia mais de trinta variedades de pães. Ovais, cônicos ou triangulares, eram tidos como a iguaria predileta dos deuses. Conta-se que o Faraó Ramsés III (1194 – 1163 a.C.) teria ofertado aos ídolos mais de duzentos mil pães.
     Os padeiros tornaram-se tão requisitados no Egito, que não demoraram a organizar suas guildas e aquilo que, modernamente, chamamos de sindicato. Eram orgulhos de seu ofício; exigentes ao extremo. Às vezes, insuportáveis. Não foi sem motivo que o Faraó, nos dias de José, filho de Jacó, mandou executar o seu padeiro-mor. Antes de avançarmos, neste tópico, ressalvamos que há uma leve controvérsia quanto à origem do pão. Para alguns historiadores, este alimento teria surgido não no vale do Nilo, mas no vale entre os rios Tigre e Eufrates. Mas, se perguntarmos a um chinês acerca da proveniência do pão, é bem provável que ele nos responda que este não proveio nem do Egito, nem da Mesopotâmia, mas apareceu no vale do rio Huang He. Não obstante as controvérsias acadêmicas, o certo é que o pão aí está, em nossas mesas, todos os dias. Obrigado, Senhor.

3. O pão em Israel. Antes mesmo de os israelitas descerem ao Egito, precedidos por José e liderados por Jacó, o pão já fazia parte da dieta hebreia. A primeira referência que aparece, na Bíblia, acerca do pão é feita pelo próprio Deus ao disciplinar Adão: “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19, ARA). Até aquele momento, o homem não havia precisado amanhar a terra para arrancar dela o seu sustento; vivia da coleta exuberante do Éden. No entanto, a partir do juízo divino, teria ele de trabalhar arduamente, a fim de prover o seu pão diário.
       Teria Deus se referido indiretamente ao trigo ao mencionar o pão? Vejamos o significado dessa palavra no idioma original do Antigo Testamento. A palavra hebraica lechem significa, além de pão, alimento, refeição, comida, mantimento e, também, pão sagrado ou da proposição.
      Quer direta, quer indiretamente, o Senhor alertava Adão de que, a partir de agora, teria ele de processar arduamente o seu sustento diário. E, nessa proposição, temos bem presente a palavra de Paulo aos irmãos de Tessalônica. Aos desocupados daquela congregação, afirmou energicamente o apóstolo: “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Ts 3.10, ARA).
      Sem trabalho não há pão; a agricultura é a base da riqueza das nações.
       Acostumados a uma dieta rica e variada, os hebreus, já no final de sua estadia no Egito (cativeiro escancarado), tiveram de adaptar-se a um cardápio pobre e ralo; subsistência amarga. Nas panelas que lhes dava Faraó, havia carne e peixe; pão não havia. É o que inferimos deste lamento proferido numa das apostasias de Israel no Sinai: “Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos” (Nm 11.5).
       Por que o rei do Egito não lhes dava pão? Alimento destinado à comunhão social egípcia e à liturgia dos templos faraônicos, o pão jamais poderia, no imaginário egípcio, ser destinado a uma sociedade abominável e servil como a hebreia. Então, que o trigo do Nilo fosse trazido a Rá-Atum, a Hathor e a Osíris. Quanto aos filhos de Israel, que se contentassem com o refugo da mesa de seus amos.
         De acordo com nossos padrões nutricionais, a dieta descrita no murmúrio hebreu parece rica. Mas, se numa mesa israelita faltasse o pão, nenhuma refeição estaria completa.
        Libertos do cativeiro, os israelitas puderam retornar à sua dieta. Como não havia trigo para alimentar toda a multidão que atravessara o mar Vermelho, os levitas houveram por bem reservar o trigo, que ainda tinham e que de alguma maneira produziam, ao uso litúrgico. Para que o povo não viesse a desnutrir-se, proveu-lhes o Senhor o maná; pão dos anjos comungado aos homens.


4. O pão na Grécia. O trigo começou a ser processado como pão, na Grécia, quando as várias famílias helenas, chegadas do Leste, por volta do século XII a.C, instalaram-se naquelas paragens, que, ainda hoje, são acariciadas pelos ventos elísios. Para aquela gente de terra pobre e mente rica, os cereais eram considerados um dom dos deuses. Ou, mais propriamente, de uma deusa que, embora gentil e prestativa, era malcomportada e vingativa. Filha de Cronos e de Reia, Deméter saiu pelo mundo, na companhia de Dionísio, a ensinar os homens a plantar e a colher. Por isso, reverenciavamna como a divindade responsável pela agricultura. Em Roma, ela receberia outro nome: Ceres; daí a palavra cereal. Por que os egípcios, gregos e romanos atribuíam o seu sustento a deuses nulos e inúteis, e não ao Todo-Poderoso? Que eles não ignoravam a existência de Deus, todos o sabemos. Pelo menos os gregos, conforme a narrativa lucana, haviam consagrado um altar ao Deus Desconhecido. Mas, tendo eles os moradores de Heliópolis (morada dos deuses egípcios) e do monte Olimpo (albergue das divindades gregas) como mais acessíveis, pois eram estes tão dissolutos e imorais quanto aqueles, ignoravam os benefícios que, diariamente, recebiam do Senhor.
       Em seu discurso em Listra, o apóstolo Paulo, depois de ser confundido com o deus Mercúrio, deixou bem patente aos moradores daquela antiga cidade da Licaônia, que a subsistência de todos os seres humanos depende unicamente do Deus Único e Verdadeiro, e não dos ídolos que, a bem da verdade, não passam de coisas bizarras e grotescas:

Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. (At 14.15,16, ARA)

      Dizendo isto, relata ainda Lucas, “foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios”. Que provação para Barnabé e Paulo. Como tinham suficiente maturidade, não se deixaram enredar pelo marketing do Diabo. Em seu discurso, o apóstolo elaborou, rápida e profundamente, o que podemos chamar de teologia do pão.

 II. A TEOLOGIA DO PÃO: A DOUTRINA QUE NUTRE
Talvez, você, querido leitor, esteja dizendo que o autor destas linhas vê teologia em todas as coisas. Você não está errado. Na verdade, vejo não apenas teologia em tudo, mas em tudo vejo o próprio Deus. Por esse motivo, teologizo sempre. Nesse verbo intransitivo e, às vezes, tão mal conjugado, diviso a solução para todos os problemas humanos. Não agiam assim os profetas e apóstolos? Então, que reflitamos sobre a teologia do pão.

1. Terceiro dia; a semente do pão. No livro de Gênesis, observo que o reino vegetal teve início no terceiro dia da criação. Narra o autor sagrado:

Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares. E viu Deus que isso era bom. E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o terceiro dia. (Gn 1.9-13, ARA)

       Lavrador de excelência, o Senhor da vinha preparou o terreno, amanhou a terra e, só então, lançou a sementeira, abundante e pródiga, sobre a terra. Entre as plantas que não demorariam a brotar, estava o trigo. Daquela sementinha, agora inumada, brotaria uma planta que os homens cientificamente alcunharam, alguns milênios depois, de Triticum Aestivum.   
        Acredito que, dentre todos os cereais, o trigo é o mais belo de todos. Como descrever seu caule ereto, suas folhas planas, suas espigas densas e suas cariopses intumescidas e gentilmente tenras? Ante um trigal, tem-se a impressão de estar à beira de um campo polvilhado de ouro.
       Dessa beleza toda, porém, sai o grão que, triturado e moído, alimentará milhões de pessoas todos os dias. Se Deus fez o trigo, como não o agradecer pela subsistência?

2. Ações de graças pelo pão. Na Oração Dominical, o Senhor Jesus colocou uma petição nos lábios de seus discípulos, que jamais deveria abandonar-nos a boca. Em menos de dez palavras, aprendemos a garantir a nossa subsistência até que, da terra dos viventes, sejamos tirados: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11). Aqui, nessa oração tão singela e despretensiosa, despojada de ativismos sociais e reivindicações políticas, acha-se o equilíbrio e o segredo à paz mundial.
       Se os governantes todos, ao invés de terçarem armas, dirigissem clamores e rogos a Deus, implorando-lhe pelo sustento de seus povos, não haveria necessidade de conflitos ou guerras. Todos os confrontos haveriam de ser substituídos por orações, preces e lágrimas. Quanto aos apetrechos bélicos, seriam transformados em implementos agrícolas, conforme profetiza Isaías ao antever o reinado de Jesus Cristo, no Milênio: “Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Is 2.4, ARA).
       Mas, para que isso ocorra, é urgente que todos nos voltemos aos exemplos de petição e gratidão deixados pelo Filho de Deus, durante a sua missão na Terra de Israel. Se no início de seu ministério, Ele ensinou os discípulos a implorar ao Pai pela manutenção diária, no encerramento de seu ofício terreno, levou-os a aprender a beleza do agradecimento.
      Na celebração da última Páscoa, e já na comemoração da primeira Santa Ceia, deixou-nos o maior exemplo de gratidão, conforme registra Paulo. Embora não haja presenciado a instituição da segunda ordenança, o apóstolo considerou as palavras do Filho de Deus mais do que um sacramento; era uma rememoração profética, cujo cumprimento ansiosamente aguardamos:
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (1 Co 11.23,24, ARA).
        Do que já estudamos, concluímos: na teologia do pão, há três grandes proposições: petição, ações de graças e liturgia. Quem diariamente nos sustenta é Deus; a Ele, nossas petições. Se Ele é o nosso sustento, apresentemos-lhe, em cada cotidiano, reconhecimentos e gratidões. Então, o que já vislumbramos? Uma liturgia em torno do pão nosso de cada dia.

3. A liturgia do pão. A primeira ação litúrgica envolvendo o pão deu-se no encontro de Abraão com Melquisedeque. Em Salém, como já vimos, o rei da então Cidade Santa trouxe ao patriarca hebreu pão e vinho. E, ali, num momento em que convergiam o Antigo e o Novo Testamento, ambos celebraram, perspectivamente, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo (Gn 14.18-20).
        Abraão participaria ainda de outra refeição profética e memorial. Agora, com o próprio Deus. Ao ver o Senhor, teofanicamente manifestado, o patriarca dispôs-se de imediato a preparar-lhe uma refeição que, generosa e farta, aprofundaria a comunhão entre ambos. Disse-lhe Abraão, agradecendoo já por todas as promissões: “Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do teu servo; traga-se um pouco de água, lavai os pés e repousai debaixo desta árvore; trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, visto que chegastes até vosso servo; depois, seguireis avante” (Gn 18.35, ARA).
        Dessa forma, o patriarca consagrou ao Senhor, naquele dia já tão memorável, e sob os carvalhais de Manre, o primeiro pão da apresentação. As árvores, servindo-lhe de Tabernáculo, e a terra na qual pisava, erigindo-se-lhe como mesa, tinha Abraão um santuário perfeito para adorar a Deus. Aquele pão, assado ao borralho, fez-se presença e santa proposição naquele instante; prenúncio da adoração levítica.
 III. OS PÃES DA APRESENTAÇÃO
Para que os pães da proposição fossem introduzidos no Tabernáculo, Deus ordenou o fabrico de uma mesa especial. Quanto aos pães, deveriam estes ser preparados de acordo com uma receita bastante específica.

1. A mesa dos pães. A mesa que receberia os pães da proposição, feita de madeira de acácia, tinha essas medidas: dois côvados de cumprimento (90 centímetros), um côvado de largura (45 centímetros) e sua altura, um côvado e meio (70 centímetros) (Êx 25.23-30). A mesa, toda revestida de ouro fino, recebeu adornos da altura de quatro dedos, mui apropriados para conter os pães sagrados. Suas argolas serviam para transportá-la. A madeira de acácia, por ser medicinal, evitava fungos e parasitas que poderiam contaminar os pães sagrados.

2. Os pães da proposição. Os pães da proposição eram preparados todos os sábados pelos coatitas (1 Cr 9:32). Em sua composição, usava-se a flor da farinha de trigo (Lv 24.5). Ou seja, a parte mais fina e nobre desse produto. Depois de cozido, eram postos em duas fileiras sobre a mesa, sendo entremeados por incenso (Lv 24.6,7). Doze pães, um para cada tribo de Israel.
      Eis como os pães eram dispostos. O culto divino, embora repulse o formalismo, não dispensa a ordem nem a decência. Todas as coisas, tanto ontem quanto hoje, devem ser feitas para glorificar o nome de Deus. Às vezes, na tentativa de fugir ao cerimonialismo, caímos numa informalidade bizarra e afrontosa que, a seu próprio modo, não deixa de ser um cerimonialismo.
      Aprendamos com os levitas como proceder no culto divino. Fugindo aos extremos, adoremos a Deus em espírito e em verdade. Até na mesa dos pães sagrados, observa-se a reverência devida ao Pai Celeste.

3. A simbologia dos pães. Os pães da proposição simbolizavam a presença sempre providencial de Deus no meio de seu povo (Jr 32.38). Desta forma, os israelitas deveriam saber que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 4.4). Quanto ao pão estar acompanhado de incenso, significa isso que a presença do Senhor sempre vem acompanhada pelas orações dos santos (Ap 5.8; 8.3,4).
     Os pães da proposição ou da presença, representam ainda a Palavra de Deus, que, por intermédio do Evangelho, alimenta o mundo faminto (Jo 1.1).
IV. A PALAVRA DE DEUS É O PÃO DA VIDA
      Para o povo de Israel, o pão é mais do que um alimento; é uma experiência cerimonial e tipológica (Gn 14. 18-20). Quer no Tabernáculo quer fora do Tabernáculo, o pão sempre simbolizou a presença de Deus entre o seu povo.

1.       A Palavra de Deus é vida. Durante a peregrinação de Israel no Sinai, os israelitas conscientizaram-se de que nem só de pão vive o homem, mas da Palavra de Deus (Dt 8.3). Durante 40 anos, Deus os sustentou com o maná, o pão que descia dos céus a cada manhã (Êx 16.31-35). A presença divina era perceptível tanto no Tabernáculo quanto no arraial. Todos sabiam que, apesar das asperezas do deserto, o Senhor jamais os abandonaria naquela árdua caminhada.
      Sem a intervenção divina no cotidiano hebreu, eles jamais teriam sobrevivido às inclemências do Sinai. Os oásis, quando encontrados, não eram suficientes para saciar a sede de uma população ambulante de aproximadamente dois milhões de pessoas. Ali, longe do Egito e ainda distante de Canaã tinham de confiar, exclusivamente, na providência divina. Relata-nos a Bíblia que, apesar de uma jornada de 40 anos, foram sobrenaturalmente preservados. Os óbitos deixamo-los por conta das apostasias e desvios de uma geração que, apesar de arrancada do Egito, com mão poderosa, não pôde ou não quis, arrancar o Egito de seu coração.

2.       A Palavra de Deus é o nosso sustento diário. Além do pão, Deus proporcionava cotidianamente ao seu povo água, direção, proteção e iluminação (Êx 13,21; 15.22-27, 17.1-16). Diariamente, os israelitas eram sustentados, orientados e protegidos pelo Senhor. À semelhança de Davi, eles podiam declarar que o Senhor era o seu pastor; nada lhes faltava (Sl 23.1).
       Já antes mesmo de haver completado 60 anos, deixava-me tomar por uma preocupação: “Como será o meu futuro?”. Nessas horas, porém, lembrava-me da confiança do salmista nos cuidados do Senhor. Já tomado pelas cãs, confessou que, apesar de velho, jamais viu um justo a passar necessidade, nem a sua descendência a mendigar o pão. Nessa confiança, descanso, hoje, como se tudo já estivesse resolvido; de fato, já o está. Glória a Deus.

3.       A Palavra de Deus é o nosso sustento específico. Na mesa do Tabernáculo, havia, como já vimos, doze pães distribuídos em duas fileiras, sendo um pão para tribo de Israel (Lv 24.5). Entre as fileiras de pães, o incenso (Lv 24.7). O que isso significa? Antes de tudo, que Deus alimenta o seu povo tanto coletiva, quanto individualmente. Ele conhece perfeitamente nossas necessidades (Sl 103.14; Mt 6.8). O que podemos inferir dessa lição? Deus tem uma comida personalizada para mim, para você e para cada santo em particular.
       O Pai Celeste é mais do que um chefe de cozinha; é um nutricionista zeloso e consciente de nossas carências, necessidades e precisões. Por isso, administra-nos o alimento certo na hora certa. Se estamos fracos, eis-nos uma comida leve. Mas, se já fortalecidos, serve-nos uma refeição sólida como o pão que o anjo dispôs a Elias. Com a força daquela comida, o profeta caminhou quarenta dias e quarenta noites (1 Rs 19.8). Chegando a Horebe, seu ânimo ainda se renovava.
V. JESUS CRISTO, O PÃO QUE DESCEU DO CÉU
      Os pães da proposição são o mais perfeito símbolo do Senhor Jesus Cristo, pois a sua missão, neste mundo, foi (e sempre será) alimentar-nos com a Palavra de Deus (Jo 1.1).

1.       Jesus, o pão da vida. O Senhor Jesus, por meio de sua palavra, revela-se como a água e o pão da vida (Jo 4.13,14; 8.32; Ap 7.17). Certa vez, Ele foi tão claro acerca de sua missão redentora, que levou alguns de seus discípulos mais chegados a escandalizarem-se com o seu discurso (Jo 6.48-60).
        O Senhor Jesus, como o pão vivo, não se limitou a ficar no santuário, mas, encarnando-se, trouxe a presença do Pai Celeste a toda a humanidade (Mt 1.23; Hb 1.3).

2. Jesus, o pão de nossa comunhão com o Pai. Jesus, como o pão vivo que desceu do céu, não precisa ser trocado todos os sábados, como os pães da proposição (Lv 24.8). Nosso Salvador, além de ser um sumo sacerdote infinitamente superior a Arão, é o pão divino; e, do próprio sábado, é Senhor (Mt 12.8; Jo 6.41; Hb 7.17-25). Aliás, Jesus Cristo é o próprio Tabernáculo de Deus. Ao encarnar-se, tornou-se semelhante a nós (Jo 1.14; Hb 9.11,12). E, com a sua morte e ressurreição, fez-nos acessível o trono da graça, no qual, hoje, entramos ousadamente (Hb 4.16).

3. Dai-lhes vós de comer. Hoje, ao proclamarmos o Evangelho, outra coisa não fazemos senão alimentar os famintos com a Palavra de Deus (Mt 28.1820; Lc 9.13). Portanto, evangelizemos e façamos missões enquanto há tempo. A fome espiritual nunca foi tão acentuada como nos dias de hoje (Am 8.11,12).
      A um mundo faminto e desesperançado, ofereçamos o que, de fato, pode sustentá-lo: a Palavra de Deus. Soa-nos aos ouvidos, a ordem urgente e irresistível do Mestre: “Dai-lhes vós de comer”. Se temos o Evangelho, por que retardar a evangelização de nosso bairro? Se começarmos a falar de Jesus
à nossa vizinha, em breve o nosso país experimentará um grande avivamento. Não nos esqueçamos da Obra Missionária. Regiões, como o Leste da Europa e o Oriente Médio, clamam por nossa intervenção.

CONCLUSÃO
No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote e seus filhos tinham direito de comer dos pães da proposição. A única exceção foi Davi e seus homens (Mc 2.26). Por intermédio de Cristo, entretanto, temos acesso não somente aos pães da proposição como também ao lugar mais santo do Tabernáculo. E, todas as vezes que nos reunimos para celebrar a Ceia do Senhor, lembramonos de que Jesus é a presença eterna do Pai entre nós; o pão de nossa comunhão santa (1 Co 11.23,24).
       Jesus é o pão da vida. Na simbologia de sua paixão e morte, Ele, qual grão de trigo, foi triturado e moído em consequência de nossos pecados. Aliás, a etimologia da palavra “trigo” significa exatamente isto: aquilo que se tritura. Mas, ressurreto e glorificado, nosso Amado Senhor está a alimentar-nos com a sua presença. Você já orou hoje? Já leu a Bíblia Sagrada? Então, não morra de fome. Faça uma pausa: ore, mesmo em espírito. No instante seguinte, vá aos profetas e apóstolos; medite neles.

ADORAÇÃO , SANTIDADE E SERVIÇO

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PÃO - Tesouro de Conhecimentos Bíblicos

                                          - Emílio Conde - CPAD

- Do hebraico “léhem” e do grego “artos”, era um alimento feito com farinha de cevada e cozido no forno. A farinha de trigo, ao tempo da Bíblia, era luxo. Para Israel, como para todos os povos mediterrâneos e do Oriente Próximo, o pão sempre foi o alimento básico, muitas vezes mencionado na Escritura como símbolo da comida.
Haverá alguma mensagem importante na palavra pão? Que haverá de útil, atraente e desconhecido no pão, ainda não revelado para nós? Várias são as objeções feitas mentalmente acerca desse alimento e há uma que poucos saberão responder: Em que livro, capítulo e versículo se menciona pela primeira vez o pão, nas Escrituras? - “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra” (Gn 3.19). Essa foi uma expressão que demonstrou o esforço requerido pela subsistência, ainda que o homem primitivo não comesse pão. Nesse versículo, o pão tem o sentido de tudo quanto se presta para alimentar o corpo. Essa primeira menção de pão pode ser evidente em todos os relatos históricos que falam da manutenção do homem como indivíduo e como comunidade tribal ou nacional: necessitar de pão significa não dispor dos meios imprescindíveis para viver. No deserto, o povo de Israel se rebelou contra DEUS porque não tinha pão nem água. DEUS, então, lhes enviou o maná do céu (Ex 16.3,4,15; Nm 21.5; Dt 8.3; Ne 9.15).

A fé na soberania e na providência de DEUS sobre o homem tem sua expressão no fato de que o Senhor dá o pão ou o tira, de acordo com sua bênção ou sua maldição sobre o homem agradecido, ou sobre o infiel: abundância de pão é abundância de proteção e favor divino; escassez de pão é duro castigo ao pecado (Êx 23.25; 2 Sm 3.29; Sl 37.25; 132.15; Jr 5.17; Lm 1.11; 2.12; Ez 4.16,17).

A forma dada ao pão, nos dias do Antigo Testamento, variava de país para país. Nos dias de Abraão, quando o patriarca recebeu a visita de três anjos em sua tenda, ordenou a Sara, sua esposa, que fizesse bolos (pães) de três medidas de flor de farinha. Neste caso, os pães tinham a forma redonda. Geralmente eram redondos e achatados, como um prato. Utilizava-se a farinha de cevada; os pães dos sacrifícios eram feitos da farinha da flor do trigo. Havia pães também feitos de uma mistura de farinha. Será útil, sem dúvida, conhecer o que o profeta Ezequiel escreveu acerca da composição do pão: “E tu [disse o Senhor] toma o trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho, e aveia, e mete-os num vaso, e faze deles pão” (Ez 4.9).

A farinha era misturada com a água e amassada; acrescentava-se sal e fermento. Era cozido no forno, que se encontrava no pátio da casa ou num lugar especial, um forno público, onde diversas senhoras podiam cozinhar seus pães (Lv 26.26). Às vezes, fazia-se o pão sem forno, numa chapa de pedra ou de metal, colocada em três pedras, debaixo da qual se acendia o fogo; podia ser feito ainda desta forma: colocava-se a massa não fermentada na cinza quente ou se cobria a massa com a cinza (Gn 18.6; Ex 12.8; 1 Rs 19.6; Is 44.15-19). Os pães redondos, quando prontos, eram colocados numa vara (daí a expressão ‘‘quebrar a vara do pão”, que significa causar uma grande fome - Ez 4.16) ou eram guardados em cestas (Gn 40.16; Êx 29.3,23; Mc 6.43). Geralmente as mulheres eram encarregadas desse trabalho, desde amassar o grão até guardar o pão. Entretanto, durante o tempo da monarquia, apareceram os padeiros profissionais: “Então ordenou o rei Zedequias que pusessem a Jeremias no átrio da guarda; e deram-lhe um bolo de pão de cada dia, da rua dos padeiros, até que se acabou todo o pão da cidade” (Jr 37.21). Outra passagem está em Oséias 7.4. No Egito e na Babilônia existia o ofício de padeiro real (Gn 40.2). Os faraós do Egito tinham a seu serviço uma equipe de padeiros; por isso há referência ao padeiro-mor e ao co-peiro-mor, que estiveram no cárcere onde José, filho de Jacó, esteve preso.

Comer pão com alguém significa tomar com ele uma refeição ou até um banquete, principalmente depois de uma aliança entre as pessoas (Gn 31.54). Repartir o pão com o peregrino era o modo mais direto de cumprir todos os deveres sagrados de hospitalidade (Gn 18.5; Lc 11.5,11). Comer o pão com alguém é estabelecer as bases da amizade (Jo 13.18). Dar pão aos pobres é obrigação religiosa (Jó 31.17; Pv 22.9; Is 58.7; Ez 18.7,16). Comer o pão com lágrimas ou com alegria era a expressão sincera dos sentimentos que agitavam o homem (Sl 42.3; 80.5; 102.9; Pv 4.17; 31.27; Is 30.20).

Os hebreus não cortavam o pão, mas partiam-no com as mãos. Por essa razão as Escrituras falam constantemente do partir do pão. Partir o pão é uma expressão tipicamente judaica (desconhecida no grego profano) indicando a cerimônia que inicia a refeição. JESUS também seguia esse costume como se pode notar na multiplicação dos pães. Todas as narrativas da ceia do Senhor mencionam o fato de partir o pão, tanto que a própria ceia é designada como “partir do pão” (At 2.42,46). Partir opão nunca significa a refeição completa.

O pão sempre foi utilizado no culto litúrgico, na religião de todos os povos agrícolas, principalmente na forma de pães asmos ou sem fermento; entrava como parte integrante em muitos sacrifícios, como reconhecimento do poder divino que dá a fertilidade aos campos, assim como para sustento dos sacerdotes encarregados do culto. Em Israel, o pão nunca foi considerado como algo misterioso, que levasse à idolatria; sua utilidade e proveito na vida do homem se deve ao fato de ser dom de DEUS e não produto de forças ocultas, como acreditavam os mesopotâmi-cos. Em Israel, o pão sempre foi simplesmente o instrumento a serviço do homem.
Focalizamos o pão comum, como base da alimentação do povo. Convém saber algo mais sobre o pão sem fermento, o pão asmo, sem levedura. Ló, sobrinho de Abraão, quando morava em Sodoma, recebeu a visita de dois anjos cuja missão era salvá-lo e à sua família. Está escrito que Ló ofereceu um banquete aos dois mensageiros e cozeu bolos (pães) sem levedura. Chamamos a atenção dos leitores para esse fato: Os pães usados na celebração1 da primeira páscoa, quando os hebreus deixaram o Egito, eram pães asmos, isto é, pães sem fermento (Êx 12.8). A partir de então os judeus excluíram escrupulosamente de suas casas não só o pão com fermento, mas também todas as matérias fermentadas.

Além dos pães asmos, havia também entre os hebreus os pães da proposição, isto é, o pão da presença, o pão que se oferecia todos os dias de sábado, na mesa de madeira de cetim que estava diante de DEUS, no lugar santo (Êx 25.30). Segundo a lei de Moisés somente aos sacerdotes era permitido comer os pães da proposição. Entretanto, em certa ocasião de emergência, Davi, que não era sacerdote, comeu desses pães.

Ainda não focalizamos o pão que as Escrituras denominam de pão dos poderosos e o trigo do céu (Sl 78.24,25). O pão dos nobres ou dos poderosos, o trigo do céu, era o maná, o alimento integral que sustentou o povo de Israel durante a peregrinação no deserto. O maná, o trigo do céu, era o símbolo do pão mais excelente, e mais nobre do que os nobres; simbolizava a pessoa de JESUS CRISTO, o Filho de DEUS, o verdadeiro pão. Ele mesmo declarou: “Eu sou o pão uivo que desceu do céu” (Jo6.51). JESUS conservou em sua mensagem a importância do pão na vida diária do homem, tanto que ensinou os discípulos a pedirem ao Senhor DEUS o pão de cada dia, multiplicou os pães para alimentar a multidão, e prometeu o verdadeiro pão da vida que é a fé e a aceitação de sua pessoa e sua mensagem. A transcedência decisiva de sua pessoa para o homem está nesta frase: “Eu sou o pão da vida”.
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Para a feitura do pão era necessário primeiramente amassar o trigo e depois colocá-lo sobre a cinza quente até assá-lo


FONTE : APAZDOSENHOR.ORG





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