INTRODUÇÃO
A
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ntes de iniciar este capítulo, fui à internet para ver
alguns quadros que tivessem como motivo o pão, o alimento por excelência. E,
ali, entre gravuras de todos os tempos e lugares, reparei que o pão combina com
todas as mesas e harmoniza-se com todas as iguarias. Quer numa cozinha
ocidental, quer numa oriental, faz-se ele presente. Aqui, tem um formato
cilíndrico; ali, uma forma cúbica; mais além, uma silhueta abaulada como os
gostosos pães italianos.
Nas Sagradas
Escrituras, o pão é apresentado não apenas como alimento, mas também como
liturgia e comunhão. No Tabernáculo Santo, servia para honrar e enaltecer o
Senhor. Já na Igreja Cristã, é utilizado como símbolo do corpo do Filho de
Deus, que, no Calvário, deixou-se partir vicariamente por mim e por você,
querido leitor.
Estudaremos, neste capítulo, os pães da
proposição. Conhecidos ainda como os pães da apresentação, encerram eles,
quando dispostos no Lugar Sagrado, uma teologia lindamente remidora;
soteriologia eterna. Depois, veremos a sua tipologia em relação a Jesus Cristo,
que, num pronunciamento carregado de significados redentores, declarou-se como
o Pão que desceu do Céu.
I.
UMA
BREVE HISTÓRIA DO PÃO
Nas linhas a seguir, esboçaremos rapidamente a história do
pão que,conforme já dissemos, é o mais universal dos alimentos. Nos mais
diversos formatos e nos mais variados sabores, é encontrado em todas as
sociedades. Feito de trigo, de cevada ou de milho, o pão orna a mesa do rico e
não deixa de embelezar a mesa do pobre. Comecemos por estudar essa palavra tão
abençoada.
1. A origem da
palavra “pão”. A palavra “pão”, em português, origina-se do substantivo
latino panis que, por seu turno, provém de um termo antiquíssimo: pa, que
significa nutrição. Para os romanos, acostumados ao amanho do trigo, o pão é
aquilo que nutre o homem. Acredito que, desse conceito, ninguém discorda. Hoje
mesmo, antes de assentar-me a escrever, precisei alimentar-me com uma gostosa
fatia de pão integral. A partir daí, ganhei forças e disposição para dar
sequência a este trabalho. Senhor, ajudame.
2. A origem do pão.
A história tem o Egito como a primeira padaria do mundo. Ali, às margens do
Nilo, onde a fertilidade já era proverbial há cinco mil anos, os trigais
espalhavam-se do Alto ao Baixo Egito. E, muito cedo, o egípcio veio a descobrir
que o grão do trigo, se esfarinhado, levedado e levado ao forno, transforma-se
num alimento nutritivo e delicioso.
No Egito, havia
mais de trinta variedades de pães. Ovais, cônicos ou triangulares, eram tidos
como a iguaria predileta dos deuses. Conta-se que o Faraó Ramsés III (1194 –
1163 a.C.) teria ofertado aos ídolos mais de duzentos mil pães.
Os padeiros tornaram-se tão requisitados no
Egito, que não demoraram a organizar suas guildas e aquilo que, modernamente,
chamamos de sindicato. Eram orgulhos de seu ofício; exigentes ao extremo. Às
vezes, insuportáveis. Não foi sem motivo que o Faraó, nos dias de José, filho
de Jacó, mandou executar o seu padeiro-mor. Antes de avançarmos, neste tópico,
ressalvamos que há uma leve controvérsia quanto à origem do pão. Para alguns
historiadores, este alimento teria surgido não no vale do Nilo, mas no vale
entre os rios Tigre e Eufrates. Mas, se perguntarmos a um chinês acerca da
proveniência do pão, é bem provável que ele nos responda que este não proveio
nem do Egito, nem da Mesopotâmia, mas apareceu no vale do rio Huang He. Não
obstante as controvérsias acadêmicas, o certo é que o pão aí está, em nossas
mesas, todos os dias. Obrigado, Senhor.
3. O pão em Israel. Antes mesmo de os israelitas descerem ao
Egito, precedidos por José e liderados por Jacó, o pão já fazia parte da dieta
hebreia. A primeira referência que aparece, na Bíblia, acerca do pão é feita
pelo próprio Deus ao disciplinar Adão: “No suor do rosto comerás o teu pão, até
que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás”
(Gn 3.19, ARA). Até aquele momento, o homem não havia precisado amanhar a terra
para arrancar dela o seu sustento; vivia da coleta exuberante do Éden. No
entanto, a partir do juízo divino, teria ele de trabalhar arduamente, a fim de
prover o seu pão diário.
Teria Deus se referido indiretamente ao trigo
ao mencionar o pão? Vejamos o significado dessa palavra no idioma original do
Antigo Testamento. A palavra hebraica lechem significa, além de pão, alimento,
refeição, comida, mantimento e, também, pão sagrado ou da proposição.
Quer direta,
quer indiretamente, o Senhor alertava Adão de que, a partir de agora, teria ele
de processar arduamente o seu sustento diário. E, nessa proposição, temos bem
presente a palavra de Paulo aos irmãos de Tessalônica. Aos desocupados daquela
congregação, afirmou energicamente o apóstolo: “Porque, quando ainda convosco,
vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Ts 3.10,
ARA).
Sem trabalho não
há pão; a agricultura é a base da riqueza das nações.
Acostumados a
uma dieta rica e variada, os hebreus, já no final de sua estadia no Egito
(cativeiro escancarado), tiveram de adaptar-se a um cardápio pobre e ralo;
subsistência amarga. Nas panelas que lhes dava Faraó, havia carne e peixe; pão
não havia. É o que inferimos deste lamento proferido numa das apostasias de
Israel no Sinai: “Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos
pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos” (Nm 11.5).
Por que o rei
do Egito não lhes dava pão? Alimento destinado à comunhão social egípcia e à
liturgia dos templos faraônicos, o pão jamais poderia, no imaginário egípcio,
ser destinado a uma sociedade abominável e servil como a hebreia. Então, que o
trigo do Nilo fosse trazido a Rá-Atum, a Hathor e a Osíris. Quanto aos filhos
de Israel, que se contentassem com o refugo da mesa de seus amos.
De acordo com nossos padrões nutricionais, a
dieta descrita no murmúrio hebreu parece rica. Mas, se numa mesa israelita
faltasse o pão, nenhuma refeição estaria completa.
Libertos do
cativeiro, os israelitas puderam retornar à sua dieta. Como não havia trigo
para alimentar toda a multidão que atravessara o mar Vermelho, os levitas
houveram por bem reservar o trigo, que ainda tinham e que de alguma maneira
produziam, ao uso litúrgico. Para que o povo não viesse a desnutrir-se,
proveu-lhes o Senhor o maná; pão dos anjos comungado aos homens.
4. O pão na Grécia.
O trigo começou a ser processado como pão, na Grécia, quando as várias famílias
helenas, chegadas do Leste, por volta do século XII a.C, instalaram-se naquelas
paragens, que, ainda hoje, são acariciadas pelos ventos elísios. Para aquela
gente de terra pobre e mente rica, os cereais eram considerados um dom dos
deuses. Ou, mais propriamente, de uma deusa que, embora gentil e prestativa,
era malcomportada e vingativa. Filha de Cronos e de Reia, Deméter saiu pelo
mundo, na companhia de Dionísio, a ensinar os homens a plantar e a colher. Por
isso, reverenciavamna como a divindade responsável pela agricultura. Em Roma,
ela receberia outro nome: Ceres; daí a palavra cereal. Por que os egípcios,
gregos e romanos atribuíam o seu sustento a deuses nulos e inúteis, e não ao
Todo-Poderoso? Que eles não ignoravam a existência de Deus, todos o sabemos.
Pelo menos os gregos, conforme a narrativa lucana, haviam consagrado um altar
ao Deus Desconhecido. Mas, tendo eles os moradores de Heliópolis (morada dos
deuses egípcios) e do monte Olimpo (albergue das divindades gregas) como mais
acessíveis, pois eram estes tão dissolutos e imorais quanto aqueles, ignoravam
os benefícios que, diariamente, recebiam do Senhor.
Em seu discurso
em Listra, o apóstolo Paulo, depois de ser confundido com o deus Mercúrio,
deixou bem patente aos moradores daquela antiga cidade da Licaônia, que a
subsistência de todos os seres humanos depende unicamente do Deus Único e
Verdadeiro, e não dos ídolos que, a bem da verdade, não passam de coisas
bizarras e grotescas:
Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens
como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para
que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o
mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os
povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem
testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações
frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. (At 14.15,16,
ARA)
Dizendo isto,
relata ainda Lucas, “foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de
lhes oferecerem sacrifícios”. Que provação para Barnabé e Paulo. Como tinham
suficiente maturidade, não se deixaram enredar pelo marketing do Diabo. Em seu
discurso, o apóstolo elaborou, rápida e profundamente, o que podemos chamar de
teologia do pão.
II. A TEOLOGIA DO PÃO: A DOUTRINA QUE NUTRE
Talvez, você, querido leitor, esteja dizendo que o autor
destas linhas vê teologia em todas as coisas. Você não está errado. Na verdade,
vejo não apenas teologia em tudo, mas em tudo vejo o próprio Deus. Por esse
motivo, teologizo sempre. Nesse verbo intransitivo e, às vezes, tão mal
conjugado, diviso a solução para todos os problemas humanos. Não agiam assim os
profetas e apóstolos? Então, que reflitamos sobre a teologia do pão.
1. Terceiro dia; a
semente do pão. No livro de Gênesis, observo que o reino vegetal teve
início no terceiro dia da criação. Narra o autor sagrado:
Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus
num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. À porção seca chamou
Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares. E viu Deus que isso era bom. E
disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que
dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E
assim se fez. A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a
sua espécie e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua
espécie. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o terceiro dia. (Gn
1.9-13, ARA)
Lavrador de
excelência, o Senhor da vinha preparou o terreno, amanhou a terra e, só então,
lançou a sementeira, abundante e pródiga, sobre a terra. Entre as plantas que
não demorariam a brotar, estava o trigo. Daquela sementinha, agora inumada,
brotaria uma planta que os homens cientificamente alcunharam, alguns milênios
depois, de Triticum Aestivum.
Acredito que,
dentre todos os cereais, o trigo é o mais belo de todos. Como descrever seu
caule ereto, suas folhas planas, suas espigas densas e suas cariopses
intumescidas e gentilmente tenras? Ante um trigal, tem-se a impressão de estar
à beira de um campo polvilhado de ouro.
Dessa beleza
toda, porém, sai o grão que, triturado e moído, alimentará milhões de pessoas
todos os dias. Se Deus fez o trigo, como não o agradecer pela subsistência?
2. Ações de graças
pelo pão. Na Oração Dominical, o Senhor Jesus colocou uma petição nos
lábios de seus discípulos, que jamais deveria abandonar-nos a boca. Em menos de
dez palavras, aprendemos a garantir a nossa subsistência até que, da terra dos
viventes, sejamos tirados: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11).
Aqui, nessa oração tão singela e despretensiosa, despojada de ativismos sociais
e reivindicações políticas, acha-se o equilíbrio e o segredo à paz mundial.
Se os governantes todos, ao invés de terçarem
armas, dirigissem clamores e rogos a Deus, implorando-lhe pelo sustento de seus
povos, não haveria necessidade de conflitos ou guerras. Todos os confrontos
haveriam de ser substituídos por orações, preces e lágrimas. Quanto aos
apetrechos bélicos, seriam transformados em implementos agrícolas, conforme
profetiza Isaías ao antever o reinado de Jesus Cristo, no Milênio: “Ele julgará
entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em
relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada
contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Is 2.4, ARA).
Mas, para que
isso ocorra, é urgente que todos nos voltemos aos exemplos de petição e
gratidão deixados pelo Filho de Deus, durante a sua missão na Terra de Israel.
Se no início de seu ministério, Ele ensinou os discípulos a implorar ao Pai
pela manutenção diária, no encerramento de seu ofício terreno, levou-os a
aprender a beleza do agradecimento.
Na celebração da última Páscoa, e já na
comemoração da primeira Santa Ceia, deixou-nos o maior exemplo de gratidão,
conforme registra Paulo. Embora não haja presenciado a instituição da segunda
ordenança, o apóstolo considerou as palavras do Filho de Deus mais do que um
sacramento; era uma rememoração profética, cujo cumprimento ansiosamente
aguardamos:
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei:
que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado
graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em
memória de mim” (1 Co 11.23,24, ARA).
Do que já estudamos, concluímos: na
teologia do pão, há três grandes proposições: petição, ações de graças e
liturgia. Quem diariamente nos sustenta é Deus; a Ele, nossas petições. Se Ele
é o nosso sustento, apresentemos-lhe, em cada cotidiano, reconhecimentos e
gratidões. Então, o que já vislumbramos? Uma liturgia em torno do pão nosso de
cada dia.
3. A liturgia do pão.
A primeira ação litúrgica envolvendo o pão deu-se no encontro de Abraão com
Melquisedeque. Em Salém, como já vimos, o rei da então Cidade Santa trouxe ao
patriarca hebreu pão e vinho. E, ali, num momento em que convergiam o Antigo e
o Novo Testamento, ambos celebraram, perspectivamente, a morte e a ressurreição
de Jesus Cristo (Gn 14.18-20).
Abraão
participaria ainda de outra refeição profética e memorial. Agora, com o próprio
Deus. Ao ver o Senhor, teofanicamente manifestado, o patriarca dispôs-se de
imediato a preparar-lhe uma refeição que, generosa e farta, aprofundaria a
comunhão entre ambos. Disse-lhe Abraão, agradecendoo já por todas as
promissões: “Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes
do teu servo; traga-se um pouco de água, lavai os pés e repousai debaixo desta
árvore; trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, visto que chegastes
até vosso servo; depois, seguireis avante” (Gn 18.35, ARA).
Dessa forma, o
patriarca consagrou ao Senhor, naquele dia já tão memorável, e sob os
carvalhais de Manre, o primeiro pão da apresentação. As árvores, servindo-lhe
de Tabernáculo, e a terra na qual pisava, erigindo-se-lhe como mesa, tinha
Abraão um santuário perfeito para adorar a Deus. Aquele pão, assado ao
borralho, fez-se presença e santa proposição naquele instante; prenúncio da
adoração levítica.
III. OS PÃES DA APRESENTAÇÃO
Para que os pães da proposição fossem introduzidos no
Tabernáculo, Deus ordenou o fabrico de uma mesa especial. Quanto aos pães,
deveriam estes ser preparados de acordo com uma receita bastante específica.
1. A mesa dos pães.
A mesa que receberia os pães da proposição, feita de madeira de acácia, tinha
essas medidas: dois côvados de cumprimento (90 centímetros), um côvado de
largura (45 centímetros) e sua altura, um côvado e meio (70 centímetros) (Êx
25.23-30). A mesa, toda revestida de ouro fino, recebeu adornos da altura de
quatro dedos, mui apropriados para conter os pães sagrados. Suas argolas
serviam para transportá-la. A madeira de acácia, por ser medicinal, evitava
fungos e parasitas que poderiam contaminar os pães sagrados.
2. Os pães da proposição.
Os pães da proposição eram preparados todos os sábados pelos coatitas (1 Cr
9:32). Em sua composição, usava-se a flor da farinha de trigo (Lv 24.5). Ou
seja, a parte mais fina e nobre desse produto. Depois de cozido, eram postos em
duas fileiras sobre a mesa, sendo entremeados por incenso (Lv 24.6,7). Doze
pães, um para cada tribo de Israel.
Eis como os pães
eram dispostos. O culto divino, embora repulse o formalismo, não dispensa a
ordem nem a decência. Todas as coisas, tanto ontem quanto hoje, devem ser
feitas para glorificar o nome de Deus. Às vezes, na tentativa de fugir ao
cerimonialismo, caímos numa informalidade bizarra e afrontosa que, a seu
próprio modo, não deixa de ser um cerimonialismo.
Aprendamos com
os levitas como proceder no culto divino. Fugindo aos extremos, adoremos a Deus
em espírito e em verdade. Até na mesa dos pães sagrados, observa-se a
reverência devida ao Pai Celeste.
3. A simbologia dos
pães. Os pães da proposição simbolizavam a presença sempre providencial de
Deus no meio de seu povo (Jr 32.38). Desta forma, os israelitas deveriam saber
que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus
(Mt 4.4). Quanto ao pão estar acompanhado de incenso, significa isso que a
presença do Senhor sempre vem acompanhada pelas orações dos santos (Ap 5.8;
8.3,4).
Os pães da
proposição ou da presença, representam ainda a Palavra de Deus, que, por
intermédio do Evangelho, alimenta o mundo faminto (Jo 1.1).
IV. A PALAVRA DE DEUS
É O PÃO DA VIDA
Para o povo de
Israel, o pão é mais do que um alimento; é uma experiência cerimonial e
tipológica (Gn 14. 18-20). Quer no Tabernáculo quer fora do Tabernáculo, o pão
sempre simbolizou a presença de Deus entre o seu povo.
1. A Palavra de Deus é vida. Durante a
peregrinação de Israel no Sinai, os israelitas conscientizaram-se de que nem só
de pão vive o homem, mas da Palavra de Deus (Dt 8.3). Durante 40 anos, Deus os
sustentou com o maná, o pão que descia dos céus a cada manhã (Êx 16.31-35). A
presença divina era perceptível tanto no Tabernáculo quanto no arraial. Todos
sabiam que, apesar das asperezas do deserto, o Senhor jamais os abandonaria
naquela árdua caminhada.
Sem a
intervenção divina no cotidiano hebreu, eles jamais teriam sobrevivido às
inclemências do Sinai. Os oásis, quando encontrados, não eram suficientes para
saciar a sede de uma população ambulante de aproximadamente dois milhões de
pessoas. Ali, longe do Egito e ainda distante de Canaã tinham de confiar,
exclusivamente, na providência divina. Relata-nos a Bíblia que, apesar de uma
jornada de 40 anos, foram sobrenaturalmente preservados. Os óbitos deixamo-los
por conta das apostasias e desvios de uma geração que, apesar de arrancada do
Egito, com mão poderosa, não pôde ou não quis, arrancar o Egito de seu coração.
2. A Palavra de Deus é o nosso sustento
diário. Além do pão, Deus proporcionava cotidianamente ao seu povo água,
direção, proteção e iluminação (Êx 13,21; 15.22-27, 17.1-16). Diariamente, os
israelitas eram sustentados, orientados e protegidos pelo Senhor. À semelhança
de Davi, eles podiam declarar que o Senhor era o seu pastor; nada lhes faltava
(Sl 23.1).
Já antes mesmo de haver completado 60 anos,
deixava-me tomar por uma preocupação: “Como será o meu futuro?”. Nessas horas,
porém, lembrava-me da confiança do salmista nos cuidados do Senhor. Já tomado
pelas cãs, confessou que, apesar de velho, jamais viu um justo a passar
necessidade, nem a sua descendência a mendigar o pão. Nessa confiança,
descanso, hoje, como se tudo já estivesse resolvido; de fato, já o está. Glória
a Deus.
3. A Palavra de Deus é o nosso sustento
específico. Na mesa do Tabernáculo, havia, como já vimos, doze pães
distribuídos em duas fileiras, sendo um pão para tribo de Israel (Lv 24.5).
Entre as fileiras de pães, o incenso (Lv 24.7). O que isso significa? Antes de
tudo, que Deus alimenta o seu povo tanto coletiva, quanto individualmente. Ele
conhece perfeitamente nossas necessidades (Sl 103.14; Mt 6.8). O que podemos
inferir dessa lição? Deus tem uma comida personalizada para mim, para você e
para cada santo em particular.
O Pai Celeste é
mais do que um chefe de cozinha; é um nutricionista zeloso e consciente de
nossas carências, necessidades e precisões. Por isso, administra-nos o alimento
certo na hora certa. Se estamos fracos, eis-nos uma comida leve. Mas, se já
fortalecidos, serve-nos uma refeição sólida como o pão que o anjo dispôs a
Elias. Com a força daquela comida, o profeta caminhou quarenta dias e quarenta
noites (1 Rs 19.8). Chegando a Horebe, seu ânimo ainda se renovava.
V. JESUS CRISTO, O
PÃO QUE DESCEU DO CÉU
Os pães da
proposição são o mais perfeito símbolo do Senhor Jesus Cristo, pois a sua
missão, neste mundo, foi (e sempre será) alimentar-nos com a Palavra de Deus
(Jo 1.1).
1. Jesus, o pão da vida. O Senhor Jesus, por
meio de sua palavra, revela-se como a água e o pão da vida (Jo 4.13,14; 8.32;
Ap 7.17). Certa vez, Ele foi tão claro acerca de sua missão redentora, que
levou alguns de seus discípulos mais chegados a escandalizarem-se com o seu
discurso (Jo 6.48-60).
O Senhor
Jesus, como o pão vivo, não se limitou a ficar no santuário, mas,
encarnando-se, trouxe a presença do Pai Celeste a toda a humanidade (Mt 1.23;
Hb 1.3).
2. Jesus, o pão de
nossa comunhão com o Pai. Jesus, como o pão vivo que desceu do céu, não precisa
ser trocado todos os sábados, como os pães da proposição (Lv 24.8). Nosso
Salvador, além de ser um sumo sacerdote infinitamente superior a Arão, é o pão
divino; e, do próprio sábado, é Senhor (Mt 12.8; Jo 6.41; Hb 7.17-25). Aliás,
Jesus Cristo é o próprio Tabernáculo de Deus. Ao encarnar-se, tornou-se
semelhante a nós (Jo 1.14; Hb 9.11,12). E, com a sua morte e ressurreição,
fez-nos acessível o trono da graça, no qual, hoje, entramos ousadamente (Hb
4.16).
3. Dai-lhes vós de
comer. Hoje, ao proclamarmos o Evangelho, outra coisa não fazemos senão
alimentar os famintos com a Palavra de Deus (Mt 28.1820; Lc 9.13). Portanto,
evangelizemos e façamos missões enquanto há tempo. A fome espiritual nunca foi
tão acentuada como nos dias de hoje (Am 8.11,12).
A um mundo faminto e desesperançado,
ofereçamos o que, de fato, pode sustentá-lo: a Palavra de Deus. Soa-nos aos
ouvidos, a ordem urgente e irresistível do Mestre: “Dai-lhes vós de comer”. Se
temos o Evangelho, por que retardar a evangelização de nosso bairro? Se
começarmos a falar de Jesus
à nossa vizinha, em breve o nosso país experimentará um
grande avivamento. Não nos esqueçamos da Obra Missionária. Regiões, como o
Leste da Europa e o Oriente Médio, clamam por nossa intervenção.
CONCLUSÃO
No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote e seus filhos
tinham direito de comer dos pães da proposição. A única exceção foi Davi e seus
homens (Mc 2.26). Por intermédio de Cristo, entretanto, temos acesso não
somente aos pães da proposição como também ao lugar mais santo do Tabernáculo.
E, todas as vezes que nos reunimos para celebrar a Ceia do Senhor, lembramonos
de que Jesus é a presença eterna do Pai entre nós; o pão de nossa comunhão
santa (1 Co 11.23,24).
Jesus é o pão
da vida. Na simbologia de sua paixão e morte, Ele, qual grão de trigo, foi
triturado e moído em consequência de nossos pecados. Aliás, a etimologia da
palavra “trigo” significa exatamente isto: aquilo que se tritura. Mas,
ressurreto e glorificado, nosso Amado Senhor está a alimentar-nos com a sua presença.
Você já orou hoje? Já leu a Bíblia Sagrada? Então, não morra de fome. Faça uma
pausa: ore, mesmo em espírito. No instante seguinte, vá aos profetas e
apóstolos; medite neles.
ADORAÇÃO , SANTIDADE E SERVIÇO

- Emílio Conde - CPAD
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PÃO - Tesouro de Conhecimentos Bíblicos
- Emílio Conde - CPAD
- Do hebraico “léhem” e do grego “artos”, era um alimento
feito com farinha de cevada e cozido no forno. A farinha de trigo, ao tempo da
Bíblia, era luxo. Para Israel, como para todos os povos mediterrâneos e do
Oriente Próximo, o pão sempre foi o alimento básico, muitas vezes mencionado na
Escritura como símbolo da comida.
Haverá alguma mensagem importante na palavra pão? Que haverá
de útil, atraente e desconhecido no pão, ainda não revelado para nós? Várias
são as objeções feitas mentalmente acerca desse alimento e há uma que poucos
saberão responder: Em que livro, capítulo e versículo se menciona pela primeira
vez o pão, nas Escrituras? - “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que
te tornes à terra” (Gn 3.19). Essa foi uma expressão que demonstrou o esforço
requerido pela subsistência, ainda que o homem primitivo não comesse pão. Nesse
versículo, o pão tem o sentido de tudo quanto se presta para alimentar o corpo.
Essa primeira menção de pão pode ser evidente em todos os relatos históricos
que falam da manutenção do homem como indivíduo e como comunidade tribal ou
nacional: necessitar de pão significa não dispor dos meios imprescindíveis para
viver. No deserto, o povo de Israel se rebelou contra DEUS porque não tinha pão
nem água. DEUS, então, lhes enviou o maná do céu (Ex 16.3,4,15; Nm 21.5; Dt
8.3; Ne 9.15).
A fé na soberania e na providência de DEUS sobre o homem tem
sua expressão no fato de que o Senhor dá o pão ou o tira, de acordo com sua
bênção ou sua maldição sobre o homem agradecido, ou sobre o infiel: abundância
de pão é abundância de proteção e favor divino; escassez de pão é duro castigo
ao pecado (Êx 23.25; 2 Sm 3.29; Sl 37.25; 132.15; Jr 5.17; Lm 1.11; 2.12; Ez
4.16,17).
A forma dada ao pão, nos dias do Antigo Testamento, variava
de país para país. Nos dias de Abraão, quando o patriarca recebeu a visita de
três anjos em sua tenda, ordenou a Sara, sua esposa, que fizesse bolos (pães)
de três medidas de flor de farinha. Neste caso, os pães tinham a forma redonda.
Geralmente eram redondos e achatados, como um prato. Utilizava-se a farinha de
cevada; os pães dos sacrifícios eram feitos da farinha da flor do trigo. Havia
pães também feitos de uma mistura de farinha. Será útil, sem dúvida, conhecer o
que o profeta Ezequiel escreveu acerca da composição do pão: “E tu [disse o
Senhor] toma o trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho, e aveia, e
mete-os num vaso, e faze deles pão” (Ez 4.9).
A farinha era misturada com a água e amassada;
acrescentava-se sal e fermento. Era cozido no forno, que se encontrava no pátio
da casa ou num lugar especial, um forno público, onde diversas senhoras podiam
cozinhar seus pães (Lv 26.26). Às vezes, fazia-se o pão sem forno, numa chapa
de pedra ou de metal, colocada em três pedras, debaixo da qual se acendia o
fogo; podia ser feito ainda desta forma: colocava-se a massa não fermentada na
cinza quente ou se cobria a massa com a cinza (Gn 18.6; Ex 12.8; 1 Rs 19.6; Is
44.15-19). Os pães redondos, quando prontos, eram colocados numa vara (daí a
expressão ‘‘quebrar a vara do pão”, que significa causar uma grande fome - Ez
4.16) ou eram guardados em cestas (Gn 40.16; Êx 29.3,23; Mc 6.43). Geralmente
as mulheres eram encarregadas desse trabalho, desde amassar o grão até guardar
o pão. Entretanto, durante o tempo da monarquia, apareceram os padeiros
profissionais: “Então ordenou o rei Zedequias que pusessem a Jeremias no átrio
da guarda; e deram-lhe um bolo de pão de cada dia, da rua dos padeiros, até que
se acabou todo o pão da cidade” (Jr 37.21). Outra passagem está em Oséias 7.4.
No Egito e na Babilônia existia o ofício de padeiro real (Gn 40.2). Os faraós
do Egito tinham a seu serviço uma equipe de padeiros; por isso há referência ao
padeiro-mor e ao co-peiro-mor, que estiveram no cárcere onde José, filho de
Jacó, esteve preso.
Comer pão com alguém significa tomar com ele uma refeição ou
até um banquete, principalmente depois de uma aliança entre as pessoas (Gn
31.54). Repartir o pão com o peregrino era o modo mais direto de cumprir todos
os deveres sagrados de hospitalidade (Gn 18.5; Lc 11.5,11). Comer o pão com
alguém é estabelecer as bases da amizade (Jo 13.18). Dar pão aos pobres é
obrigação religiosa (Jó 31.17; Pv 22.9; Is 58.7; Ez 18.7,16). Comer o pão com lágrimas
ou com alegria era a expressão sincera dos sentimentos que agitavam o homem (Sl
42.3; 80.5; 102.9; Pv 4.17; 31.27; Is 30.20).
Os hebreus não cortavam o pão, mas partiam-no com as mãos.
Por essa razão as Escrituras falam constantemente do partir do pão. Partir o
pão é uma expressão tipicamente judaica (desconhecida no grego profano)
indicando a cerimônia que inicia a refeição. JESUS também seguia esse costume
como se pode notar na multiplicação dos pães. Todas as narrativas da ceia do
Senhor mencionam o fato de partir o pão, tanto que a própria ceia é designada
como “partir do pão” (At 2.42,46). Partir opão nunca significa a refeição
completa.
O pão sempre foi utilizado no culto litúrgico, na religião
de todos os povos agrícolas, principalmente na forma de pães asmos ou sem
fermento; entrava como parte integrante em muitos sacrifícios, como
reconhecimento do poder divino que dá a fertilidade aos campos, assim como para
sustento dos sacerdotes encarregados do culto. Em Israel, o pão nunca foi
considerado como algo misterioso, que levasse à idolatria; sua utilidade e
proveito na vida do homem se deve ao fato de ser dom de DEUS e não produto de
forças ocultas, como acreditavam os mesopotâmi-cos. Em Israel, o pão sempre foi
simplesmente o instrumento a serviço do homem.
Focalizamos o pão comum, como base da alimentação do povo.
Convém saber algo mais sobre o pão sem fermento, o pão asmo, sem levedura. Ló,
sobrinho de Abraão, quando morava em Sodoma, recebeu a visita de dois anjos
cuja missão era salvá-lo e à sua família. Está escrito que Ló ofereceu um
banquete aos dois mensageiros e cozeu bolos (pães) sem levedura. Chamamos a
atenção dos leitores para esse fato: Os pães usados na celebração1 da primeira
páscoa, quando os hebreus deixaram o Egito, eram pães asmos, isto é, pães sem
fermento (Êx 12.8). A partir de então os judeus excluíram escrupulosamente de
suas casas não só o pão com fermento, mas também todas as matérias fermentadas.
Além dos pães asmos, havia também entre os hebreus os pães
da proposição, isto é, o pão da presença, o pão que se oferecia todos os dias
de sábado, na mesa de madeira de cetim que estava diante de DEUS, no lugar
santo (Êx 25.30). Segundo a lei de Moisés somente aos sacerdotes era permitido
comer os pães da proposição. Entretanto, em certa ocasião de emergência, Davi,
que não era sacerdote, comeu desses pães.
Ainda não focalizamos o pão que as Escrituras denominam de
pão dos poderosos e o trigo do céu (Sl 78.24,25). O pão dos nobres ou dos
poderosos, o trigo do céu, era o maná, o alimento integral que sustentou o povo
de Israel durante a peregrinação no deserto. O maná, o trigo do céu, era o
símbolo do pão mais excelente, e mais nobre do que os nobres; simbolizava a
pessoa de JESUS CRISTO, o Filho de DEUS, o verdadeiro pão. Ele mesmo declarou:
“Eu sou o pão uivo que desceu do céu” (Jo6.51). JESUS conservou em sua mensagem
a importância do pão na vida diária do homem, tanto que ensinou os discípulos a
pedirem ao Senhor DEUS o pão de cada dia, multiplicou os pães para alimentar a
multidão, e prometeu o verdadeiro pão da vida que é a fé e a aceitação de sua
pessoa e sua mensagem. A transcedência decisiva de sua pessoa para o homem está
nesta frase: “Eu sou o pão da vida”.
Para a feitura do pão era necessário primeiramente amassar o
trigo e depois colocá-lo sobre a cinza quente até assá-lo
FONTE : APAZDOSENHOR.ORG
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