sábado, 15 de setembro de 2018

Lição 13 - As Orações dos Santos no Altar de Ouro





INTRODUÇÃO

N
o Apocalipse, a oração dos santos aparece como o mais precioso dos incensos. Subindo aos Céus, recende o clamor dos santos; descendo à Terra, exala julgamentos e punições. Dessa imagem, concluímos que o poder da oração, quando feita de acordo com a vontade de Deus, é ilimitado; vai além da eternidade.
     Sendo a Igreja de Cristo a comunidade de clamor e intercessão por excelência, não pode ela, sob hipótese alguma, esquecer-se de sua obrigação básica: clamar e interceder; preciosíssimo incenso. De nossos rogos, dependem a sociedade e a nação. Ainda que estas se achem indiferentes às coisas divinas, imploremos a Deus que intervenha nos assuntos e negócios humanos. Se o fizermos, Ele intervirá como tem intervindo seja na biografia do homem mais humilde, seja na história do reino mais exaltado e poderoso.
       Sem um retorno imediato à Palavra de Deus e à oração, jamais experimentaremos o avivamento de que tanto precisamos. Se lermos a Bíblia piedosamente e se nos curvarmos em orações e súplicas, o Espírito Santo jamais deixará de mover-se poderosamente entre nós. Acheguemo-nos ao trono da graça; ofereçamos ao Pai, por meio do Consolador, o incenso de nossos rogos, petições e clamores.
       Neste capítulo, mostraremos que, na História Sagrada, oração e incenso são inseparáveis. Oremos sem cessar. E o mundo sentirá, em nós, o bom cheiro de Cristo. Na presença do Senhor, assemelhamo-nos ao turíbulo de Arão; incensamos os Céus e a Terra.

I.                    A TEOLOGIA DA ORAÇÃO
Existe, sim, uma teologia da oração. Ela permeia toda a Bíblia; vai do Gênesis ao Apocalipse. Encontra-se na boca dos profetas, nos lábios dos apóstolos e na alma do próprio Cristo. Neste tópico, apesar da exiguidade do espaço de que dispomos, faremos um pequeno esboço dessa teologia, que, embora desconhecida, é preciosa; imprescindível.

1.       A oração, a voz da alma. A palavra “oração”, proveniente do vocábulo latino orationem, comporta ricos enunciados à nossa vida espiritual. Num primeiro momento, pode ser compreendida como a súplica que o peregrino, assediado por ânsias e almejos, endereça ao Pai Celeste. Nesse sentido, a oração é rogo, pedido e prece.
     Num segundo momento, a oração pode ser vista como a petição que esse mesmo peregrino, agora já não preocupado consigo, faz em favor do companheiro que desmaia na jornada à Jerusalém Celestial; intercessão amorosa.
     Recorramos ao idioma do Antigo Testamento, para vermos como a palavra “oração” foi usada pelo cantor-mor de Israel. No quarto salmo do saltério hebreu, Davi roga ao Senhor num momento de grande e inesperada angústia: “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Sl 4.1, ARA).
     O termo utilizado pelo autor sagrado, em sua prece, é o que melhor descreve a atitude do homem que, exilado no mundo, busca a face de Deus. O vocábulo hebraico  significa oração, súplica, intercessão e hino. Este último significado encerra muita beleza. Até este momento, humildemente confesso, eu ainda não tinha olhado a oração como um hino que, na angústia, entoamos a Deus. Bem cantou o poeta sacro: “Os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação, e do céu, as mais lindas melodias, se ouviram na escuridão”.
     Sim, querido leitor, a oração é poesia e hino.
     Já imaginou se nos fosse possível registrar todas as orações que chegam ao Pai Celeste num só dia? Quantas obras-primas, partidas do mais fundo da alma, não teríamos. Aqui, uma prece em português; cântico mais alto que o de Camões. Ali, uma oração em italiano; poesia mais sublime que a de Dante. Mais além, uma petição em língua alemã; verso mais belo que o de Goethe. Na Rússia, uma intercessão que supera a maravilhosa prosa de Tolstói. Já na China, apesar de todos os empecilhos do regime comunista, ouviríamos confissões que superam a sinceridade de Confúcio e a força de Lao-Tsé.
      Entremos a examinar, agora, a língua na qual foi escrito o Novo Testamento. No capítulo cinco de Apocalipse, assistimos à instalação da corte celestial, reunida solenemente para a abertura do livro que, seguro na destra de Deus, encontrava-se sob o poder de sete selos. Quando Jesus, ali identificado como o Leão de Judá, tomou o livro das mãos do TodoPoderoso, algo ocorreu entre os moradores do Céu, conforme a narrativa de João, o Teólogo:

Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. (Ap 5.7,8, ARA)

Analisemos a palavra grega, usada nessa passagem, para o substantivo “oração”. Nesse caso, como em outros do Novo Testamento, o autor sagrado utiliza o termo ; em sua essência, em nada difere do  hebreu. Além de seu primordial significado, lembra o próprio lugar da oração. Em português, possuímos também um vocábulo para designar o local consagrado aos rogos e petições: o oratório. Entre nós, evangélicos, o termo é quase desconhecido. Mas, na igreja católica, é bastante comum; descreve as capelinhas e nichos destinados às rezas e veneração de imagens.
      No deslinde do vocábulo , deveríamos ver, além da preocupação linguística, o chamamento ao lugar das preces e das intercessões, conforme exorta-nos o Senhor Jesus: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.8, ARA).
     Que em cada domicílio evangélico, haja uma capela de oração; nosso quarto. Nesse aposento tão reservado e querido, no qual descansamos e reavemos as forças, depositemo-nos diariamente aos cuidados divinos. Antes de dormirmos e depois de acordamos, conversemos com o Pai; confessemoslhe as faltas e as transgressões; narremos-lhe o nosso cotidiano; abramos-lhe a alma. Daí, sairemos renovados para mais uma jornada, não de lutas e entreveros, mas de vitórias e triunfos.

2.       A teologia da oração. Nos parágrafos anteriores, pusemos-nos a descrever a oração, e não propriamente a defini-la. Como a teologia não pode nem deve prescindir de conceitos e exposições, buscaremos, agora, definir a oração. A partir desta definição, ser-nos-á possível ver a oração não mais como um dever enfadonho, mas como o maior deleite da alma.                  
        A oração é o diálogo que o crente, capacitado pelos méritos de Jesus Cristo e por meio da ação intercessora do Espírito Santo, mantém com o Único e Verdadeiro Deus. Conquanto pareça monólogo, a oração é de fato um diálogo; comprovado e doce diálogo. Num salmo, por exemplo, temos a impressão de que a fala é apenas de Davi; a voz, a dicção e o estilo são indiscutivelmente dele. Todavia, nas entrelinhas do cântico, vemos o Senhor a responder-lhe por intermédio dessa mesma voz, dessa mesma dicção e desse mesmo estilo.
      Trata-se, pois, de um monólogo dialogável. Outro exemplo do diálogo orante temo-lo na oração sacerdotal de Nosso Senhor. Na agonia da hora que se aproximava, Jesus desfaz-se em rogos e intercessões; somente Ele fala. Mas, se é diálogo, onde esta a voz de Deus? O Senhor, sendo a própria sabedoria, nem sempre se apressa a responder-nos. Às vezes, sua resposta é imediata; o momento requer urgência. Outras vezes, só vem a responder-nos após algumas gerações. O que lhe pedimos, hoje, será respondido, amanhã, aos nossos filhos e tataranetos.
      Que a oração tem de ser espontânea, ninguém o nega. No entanto, ela requer racionalidade, método, palavras adequadas, constância, fé e piedade. Não há de ser um discurso aleatório, palavroso e vazio. Se é dirigida a Deus, demanda zelo e temor em sua composição. Eis porque, nas Sagradas Escrituras, o orar é visto como o antítipo mais perfeito do incenso. No fabrico deste, não basta jogar num frasco, ao acaso, as mais caras essências e substâncias. É necessário selecioná-las e dosá-las para que, dessa mesclagem, saia um aroma agradável não um cheiro sufocante. Sendo assim, como deve ser a nossa oração? Atentemos a algumas de suas partes.
      Antes de tudo, dirijamo-nos a Deus, exaltando-o como o Criador e Senhor de todas as coisas. Reconhecendo-o de forma mais teológica que litúrgica, descansemos; nossas petições serão respondidas de acordo com a sua vontade. Não oravam assim Davi e Paulo?
      Em segundo lugar, agradeçamos-lhe já por todos os bens recebidos. Antes da petição, a gratidão piedosa. No simples ato de agradecer, já selamos os rogos. No Salmo 103, o cantor sagrado eleva-se, aos Céus, em ações de graças por todos os benefícios de Jeová.
      Na estação seguinte, confessemos ao Pai Celeste os pecados, faltas e transgressões. Não os citemos por atacado; varejemo-los; que nenhum seja omitido. Até mesmo as iniquidades mais feias e vergonhosas devem mencionadas pelo nome; se não houver um nome, que o seja pelo apelido.
      Se você pensa que já é chegado o momento das petições, engana-se. Contenha as ansiedades. Esqueça-se de suas necessidades e carências; elas, pela fé, já não existem. Concentre-se nas carências e necessidades dos outros; altruísmo santo e bíblico. Ore pelo que o ofendeu; abençoe-o. Rogue por seu inimigo; ofereça-lhe amizade; não se limite a um armistício. Interceda por aqueles que o ignoram; faça-os conhecidos diante de Deus. Não deixe de lembrar-se dos enfermos, atribulados e angustiados. E, para que ninguém seja excluído de suas intercessões, faça uma lista; escreva cada nome e leia-os diante de Deus.
     Agora, sim, faça as suas petições. Liste-as. Seja específico; descreva-as. Mas, via de regra, quando intercedemos pelos outros, o Senhor Jesus supre, em glória, todas as nossas precisões. Não foi o que ocorreu a Jó quando orava por seus molestos amigos? Naquele momento, seu cativeiro foi prontamente removido.
      No encerramento de sua oração, dê continuidade à sua vida orante. Seus joelhos já não se acham dobrados. Mesmo assim, mantenha-se prostrado diante do Pai. Saia de seu quarto, mas prossiga a entrar, a cada instante, na presença de Deus.

3.       O orador e o orante.
       Na parábola de Jesus sobre o fariseu e o publicano, que foram ao Santo Templo, em Jerusalém, para orar, distinguimos no primeiro, o orador; e, no segundo, o orante. Nessa singela, mas belíssima narrativa, somos constrangidos a reconhecer que, nalguns momentos, cruzamos os limites entre a oração e a oratória. Leiamos a parábola de Jesus:
 Dois homens foram ao templo para orar: um era fariseu e o outro era publicano. O fariseu ficou em pé e orava de si para si mesmo, desta forma: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado. (Lc 18.10-14, ARA)

       Foquemos inicialmente a figura orgulhosa, altiva e arrogante do fariseu. Não obstante estar na Casa de Deus, não se humilha; exalta-se como objeto do próprio culto. É difícil ver, em suas palavras, um judeu religioso; em sua arenga, vê-se um orador grego, que, dispensando uma introdução, faz logo a conclusão; justifica-se a si mesmo enumerando aparentes boas obras. Na verdade, ele não ora; faz oratória. Supõe que, de sua tribunazinha, é capaz de convencer até Deus.
     Já o publicano, não tendo argumentos e não possuindo introdução alguma, limita-se a pronunciar uma oração de apenas sete minguadas palavras: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”. Garante o Senhor que este, e não aquele, retirou-se da presença de Deus justificado.
     Se o primeiro é orador, o segundo é orante. Aquele brilha na oratória; este rebrilha na confissão.
      Tal não é a nossa postura nas orações públicas? Nos grandes encontros, nem sempre temos oportunidade de exibir a nossa oratória. Mas, às vezes, chamam-nos a orar. Então, que na oração nos ostentemos como oradores. E, assim, rebuscando palavras e joeirando termos, oramos não a Deus, mas aos que, ali, nos ouvem. Não raro, aproveitamos a oportunidade para deixar um recado político, para firmar um posicionamento convencional e para amedrontar algum desafeto. Mas se somos, de fato, orantes, não precisamos de oração, nem de oratória para chegar à presença de Deus. Bastam as nove palavras do publicado, para que alcancemos o favor divino. Nossa prece, então, qual incenso precioso, chegará sem demora ao trono divino; manifestação da graça.

                                                Resultado de imagem para lição13 as orações dos santos
II.                  A SIMBOLOGIA DO INCENSO
Explicaremos, aqui, por que o incenso é tomado, na Bíblia Sagrada, como o símbolo máximo da oração. Veremos que, nas oferendas a Deus prescritas no
Levítico, há uma belíssima teologia ascendente. Do holocausto, o primeiro dos sacrifícios, ao incenso do altar de ouro, a oferta derradeira e mais bela do Tabernáculo Santo, tudo quanto é apresentado ao Senhor sobe, porque Ele se acha assentado no alto e sublime trono. Mas encontra-se, também, na humildade e contrição do adorador fiel e sincero.

1.       Homem, o ser que olha para cima. A palavra “homem”, em grego, possui uma etimologia rica e significativa: aquele que olha para cima. Pelo menos é o que ensinam alguns filólogos. O termo anthropos, em si, já é um compêndio teológico. Tendo em vista essa predisposição da alma humana, o crente hebreu, em seu culto ao Senhor, buscava sempre uma oferta, seja animal seja vegetal, que, no altar sagrado, evolasse ao céu.
      Tal descrição quadra-se muito bem ao holocausto e ao incenso; quando queimados, sobem; chegam às narinas divinas como aroma suave. Acredito que, de ambos, o incenso, como adiante veremos, é o mais representativo. Em primeiro lugar, porque só pode ser apresentado pelo adorador que já adorou no altar do holocausto; já redimido, tem condições agora de aproximar-se do altar de ouro.

2.       Incenso, oração e prece. A palavra latina “incenso” provém do vocábulo latino incensum, que, por sua vez, origina-se do verbo incendere, queimar. Ela descreve as substâncias queimadas em sacrifício.
      Quimicamente, o incenso é o resultado de um composto de materiais aromáticos. Ao fogo, esses bióticos liberam fumaça perfumada. Os elementos do incenso são assim designados, porquanto são extraídos de seres vivos: as plantas.
      A composição do incenso levítico, embora siga um processo comum, era destinada a um uso incomum: adorar a Deus. Ninguém, a não ser os ministros do altar, podiam usá-la; era algo sacratíssimo.

3.       O uso religioso do incenso. Acredita-se que o incenso começou a ser usado, para fins religiosos, no Egito dos Faraós. Importando preciosas resinas da Arábia, os sacerdotes de Heliópolis preparavam variados e finos incensos, para venerar os deuses e deusas que, prepotentes e vaidosos, requeriam adorações cada vez mais sofisticadas; tolas pretensões. O incenso era utilizado também nos templos gregos e romanos. Até na imemorial China tal prática era observada.
      As igrejas católica e ortodoxa, cada uma com o seu próprio ritual, utiliza largamente o incenso em suas liturgias. Elas justificam tal prática, citando, fora de seu devido contexto, algumas passagens isoladas do Antigo Testamento. Hoje, porém, já não precisamos do incenso em nossa liturgia; o cerimonialismo da aliança passada cumpriu-se cabalmente na nova. Por que judaizar a Igreja de Cristo?

4.       A imagem do incenso. A imagem do incenso, como evolando devoções e serviços a Deus, provém de algumas passagens do Antigo Testamento. Veja esta oração do salmista: “Apresente-se a minha oração como incenso diante de ti...” (Sl 141.2). Noutras palavras, almejava ele que as suas preces, qual precioso incenso, subissem à presença do Senhor. E, juntamente com suas orações, sua alma ascenderia ao trono da graça.
     No Antigo Testamento, a oferenda mais excelente que se podia oferecer ao Senhor, depois do holocausto, era o incenso. Ali, no limiar do lugar Santíssimo, o sacerdote entrava para, com temor e tremor, adorar ao Senhor com um incenso preparado exclusivamente àquela ocasião. Hoje, o sacrifício mais sublime que podemos oferecer ao Senhor são as orações, súplicas e ações de graças.
       Por esse motivo, o Senhor Jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta, e, no segredo de nossos aposentos, oferecer-lhe orações, lágrimas e louvores.

 III. A OFERTA DE INCENSO
Para se oferecer o incenso ao Senhor, três coisas eram necessárias: o lugar, o altar e a cerimônia. Apenas o sumo sacerdote estava autorizado a conduzir esse ato de adoração.

1. O Lugar Santo. No Lugar Santo, ficavam três mobílias: o candelabro, à esquerda de quem entrava; a mesa dos pães da proposição, à direita; e, no limiar, entre o Lugar Santo e o Santíssimo, bem em frente ao véu que os separava, estava o altar do incenso (Êx 26.35). É bom considerarmos que, embora o altar de incenso estivesse no Lugar Santo, era considerado parte da mobília do Santo dos Santos juntamente com a arca da aliança (Hb 9.1-10).

2. O altar do incenso. Feito de madeira de acácia, o altar de incenso era revestido de ouro, sendo estas as suas medidas: um côvado de comprimento, um de largura e dois de altura (Êx 30.1-10; 37.25-28). Os seus ornatos compunham-se de quatro chifres, bordas, quatro argolas e dois varais; tudo revestido de fino ouro.

3. A composição do incenso. O incenso destinado ao altar de ouro não podia ser usado indistintamente; era de uso exclusivo do Senhor (Êx 30.38). Esta era a sua composição: estoraque, ônica e gálbano (Êx 30.34-36). A receita do perfume não constituía nenhum segredo. Todavia, se alguém o reproduzisse para uso profano, seria punido severamente.

4. A cerimônia. O incenso só podia ser queimado com as brasas do altar de bronze (Lv 16.12). Isso significa que a base da adoração cristã é a redenção no sangue de Jesus Cristo. E, já de posse do fogo sagrado, o sacerdote aproximava-se do altar de ouro para queimar o incenso no altar de ouro. E, dessa forma, a nuvem do incenso cobria o propiciatório, mostrando à Casa de Israel o favor divino (Lv 16.13).

IV. A ORAÇÃO DOS SANTOS, SUAVE E PRECIOSO INCENSO
A oração dos santos, qual incenso precioso, é inimitável em seus efeitos. Ninguém, a não ser que conte com a ajuda do Espírito Santo, pode elevá-la ao trono divino.
1.       A receita para uma oração perfeita. O Senhor Jesus, no Sermão da Montanha, entregou a seus discípulos os ingredientes de uma oração perfeita (Mt 6.9-13). Ele exorta-nos também a não imitarmos os gentios e hipócritas que, presumidos e soberbos, imaginam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos (Mt 6.7).
     Fechemo-nos em nosso quarto e, ali, qual santo dos santos, falemos com o Pai Celeste (Mt 6.5,6). Dessa maneira, poderemos entrar com ousadia e confiança no trono da graça (Hb 4.16). Pode haver incenso mais excelente do que a oração dos santos? Todas as nossas súplicas chegarão aos céus por intermédio do Espírito Santo, que intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26).

2. A oração como sacrifício ao Senhor. O salmista, conhecendo perfeitamente a simbologia do incenso sagrado, assim orou ao Senhor: “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (Sl 141.2). Quando nos dedicamos integralmente ao Senhor, toda a nossa vida torna-se uma oferenda a Deus (Ef 5.2; Fp 2.17; 2 Tm 4.6).

2.       A oração dos santos na Grande Tribulação. No período da Grande Tribulação, logo após o arrebatamento da Igreja, haverá um número incontável de mártires provindos de todos os povos e nações (Ap 9.9-17). Apesar da perseguição que lhes moverá o Anticristo, eles atuarão como fiéis testemunhas de Jesus Cristo. As orações desses santos serão recebidas, em cima nos céus, como incenso de grande valor (Ap 5.8; 8.3). Ninguém pode deter o poder de um santo que, no oculto de seu quarto, roga a intervenção do Santo dos santos (Tg 5.16). Irmãos, orai sem cessar (1 Ts 5.17).

CONCLUSÃO
Como está a nossa vida de oração? Se já não arrumamos tempo para orar antes de iniciarmos a jornada diária, é hora de repensar nossas prioridades. Antes de tudo, reconsidere sua agenda. Nada pode estar acima das prioridades do Reino de Deus.
      Oração, leitura da Palavra e reflexão piedosa.
      Pode haver melhor composição para o incenso que, do altar de nossa alma, evole ao trono da graça?
     Senhor, ajuda-nos.


CLAUDIONOR DE ANDRADE


       INCENSO  - Tesouro de Conhecimentos Bíblicos –

                                                                  Emílio Conde - CPAD
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas em pé-Do grego “liba-nos”, era uma substância que se obtinha fazendo uma incisão na casca da árvore branca (do hebraico “lebonâ”), proveniente da fndia, Somália ou da Arábia do Sul, que é o país de Sabá - o Oriente mencionado no Novo Testamento (1 Rs 10.1-10; Jr 6.20; Mt 2.1-11; Ap 18.13).
Antes que alguém pergunte por que razão selecionamos frases, palavras e temas quase desconhecidos e esquecidos, para serem aqui apresentados, dizemos que o mérito está exatamente no fato de focalizarmos assuntos bíblicos por muitos esquecidos e difíceis de considerar. Pouco valor teria repetir aqui o que outros já apresentaram várias vezes ou o que eles já sabem de cor. Todos nós lucramos quando retiramos do tesouro da Bíblia coisas novas e velhas, a fim de nos instruirmos comò convém.

Focalizamos o assunto por duas razões: a primeira é para que todos conheçam a matéria de que se compunha o incenso que era usado no culto de adoração que o povo prestava ao DEUS vivo. A segunda é para que conheçam como era usado o incenso na Antiguidade, a fim de podermos combater esse espírito de superstição e de ignorância que tenta imitar um ato devocional do passado, sem qualquer utilidade no presente, mas que os homens teimam em ligar à feitiçaria e ao culto dos demônios.

O incenso entrava na confecção de perfumes e aromas e era identificado como o perfume da oferta (do grego “thy-miama”). O incenso, de acordo com o que a Bíblia registra, era uma composição de quatro ingredientes aromáticos, cujos nomes são os seguintes: estara-que, onicha, gálbano e incenso, algumas vezes acrescentada do sal. A composição deveria ser feita em partes iguais de cada ingrediente. Após esse processo da mistura dessas especiarias puras, a essência tomava o nome da última especiaria, isto é, tomava o nome do incenso que fora adicionado por último, conforme se lê em Êxodo 30.34,35.
Tudo o que anda por aí com o nome de incenso não merece esse nome, pois tanto os usuários como os fabricantes do pretenso incenso desconhecem os elementos básicos do legítimo incenso que era usado nos dias do Antigo Testamento.

Essa mistura de incenso, à qual foram acrescentadas, posteriormente, outras sete substâncias, era reservada exclusivamente para os cultos. Não podia servir para uso pessoal. A ordem divina estabelecida para o uso do incenso foi dada nestes termos: “Porém o incenso que fareis conforme a composição deste, não o fareis para vós mesmos” (Êx 30.37). O incenso não poderia ser usado a não ser no ato de culto e adoração a DEUS. Era proibido usá-lo fora do tabernáculo ou do templo, e ali somente no incensá-rio, e no altar. Não podia ser empregado a qualquer hora, mas apenas pela manhã e à noite. O fogo empregado para queimar o incenso somente podia ser o que ardia dia e noite no altar.

O encargo de queimar incenso estava confiado aos sacerdotes e nenhum estranho poderia oferecê-lo ou queimá-lo. A Bíblia assim registra a penalidade para quem desrespeitasse a ordem divina: “O homem que fizer tal como este [isto é, que misturar incenso] para cheirar, será extirpado de seu povo" (Éx 30.38).

O incenso era o perfume sagrado. Era colocado também por cima de sacrifícios de comidas e espalhado nos pães da proposição (Lv 2.1,15; 6.8; 24.7).
Sem dúvida, os leitores desejam saber de onde procediam as preciosidades aromáticas com que se preparava o incenso. A alegoria festiva que Isaías registra em seu livro declara qual o país que produzia as resinas preciosas. Eis o que o profeta registrou: “A multidão de camelos te cobrirá [referindo-se a Jerusalém], os dromedários de Midiã e Efá; todos virão de Sabá; ouro e incenso trarão e publicarão os louvores do Senhor” (60.6).O incenso procedia de Sabá (1 Rs 10.2,10; 2 Cr 9.24).

O incenso era queimado nos incensários (do hebraico “mahtãh”). Na Bíblia são mencionados diversas vezes como utensílios do tabernáculo e do templo de Salomão (Êx 25.38; 27.3; 37.25; Lv 10.1; 16.12; Nm 4.14; 1 Rs 7.50; 2 Rs 25.15; 2 Cr 4.22; Jr 52.19). Nestes textos está incluído aquele que fala de NadÉbe e Abiú, filhos de Arão, os quais trouxeram fogo estranho para queimar incenso perante o Senhor; por isso foram fulminados pelo fogo do Senhor. Este incidente era para ensinar o povo a ter respeito pelas coisas divinas e a cumprir os mandamentos que Ele lhes ordenara.
Por ocasião da rebelião de Coré o texto bíblico fala em duzentos e cinquenta incensários (Nm 16.6,17,18).

O rei Uzias, orgulhoso de seu posto de rei, exaltou-se até se corromper, e de tal forma o fez que se julgou igual aos sacerdotes, com direito de oferecer incenso, no templo em Jerusalém. Essa transgressão trouxe sobre Uzias um castigo espantoso. Vamos ver o que está escrito na Bíblia sobre o fato: “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper, e transgrediu contra o Senhor, seu DEUS; porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso. Porém, o sacerdote Azarias entrou após ele, e com ele oitenta sacerdotes do Senhor, varões valentes. 
E resistiram ao rei Uzias, e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas os sacerdotes filhos de Arão, que são consagrados para queimar incenso. Indignando-se ele pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes” (2 Cr 26.16-19). Uzias ficou leproso, por queimar incenso, sem estar autorizado para isso, apesar de ocupar a posição de rei de Israel.

O incenso figurava entre as especiarias mais raras e custosas daqueles dias. Certamente todos estarão lembrados do ato significativo dos magos que foram visitar a JESUS, em Belém, quando nasceu o Filho de DEUS. Os magos levaram-lhe presentes, dentre os quais estava o incenso.
Até aqui focalizamos vários' aspectos do incenso, sua composição, seu lugar no culto divino e sua proibição, seu valor, tudo isso na esfera e nas relações em que entrava a ação do elemento humano. Entretanto, os leitores também devem saber que o incenso tem um simbolismo de grande alcance na vida espiritual. O salmista fez esta declaração que pode e deve ser subscrita por todos os cristãos: “Suba a minha oração, como incenso perante a tua face!” (Sl 141.2).

No Antigo Testamento, o incenso era queimado e subia perante DEUS como odor suave que Ele aceitava. Na dispensa-ção da graça não há incenso, não há incensário, não há templo, não há fogo próprio para queimar o incenso e fazê-lo subir, porém, há as orações dos remidos, que sobem e chegam até o trono de DEUS, tal qual o incenso aromático de outrora. Onde a Bíblia declara que as salvas de ouro cheias de incenso são as orações dos santos? É neste expressivo trecho do Apocalipse: “E havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Ap 5.8).

No mesmo livro (Ap 8.3), o incenso aparece misturado com as orações: “E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso para pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante de DEUS”.
O incenso da Nova Aliança é mais precioso do que o incenso preparado com as especiarias de Sabá. As orações dos santos, postas sobre o altar de ouro, com muito incenso, levadas pela mão do anjo até diante de DEUS, enchem os céus de aromas santificadores, onde outros incensos, os de Sabá, não poderíam chegar.

O incenso, de acordo com o que a Bíblia registra, era uma composição de quatro ingredientes aromáticos: estaraque, onicha, gálbano e incenso
O fogo empregado para queimar o incenso somente podia ser o que ardia dia e noite no altar
O encargo de queimar incenso estava confiado aos sacerdotes e nenhum estranho poderia oferecê-lo.
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         ORAÇÃO - Tesouro de Conhecimentos Bíblicos –

                                                                        Emílio Conde - CPAD
- O termo grego que significa orar é “proseucho-mai”. Denota a oração em geral, e pode ser empregado sem mais qualificação.
A oração deve ser espontânea, deve vir do âmago do coração, mas JESUS nos ensinou como orar: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; uenha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre, Amém” (Mt 6.9-13).

Esta oração se compõe de seis petições, sendo três para a honra de DEUS e três para as nossas necessidades. A primeira petição é a reformulação do Terceiro Mandamento; declara de modo positivo o que aquele mandamento afirmava de modo negativo. Ao assim fazer, não somente exclui o tomar o nome do Senhor em vão, mas garante aquilo que se subentende no Primeiro e no Segundo Mandamentos, a respeito de outros deuses e de imagens de escultura (Êx 20.3-6). A quarta petição relembra a descida do maná, fornecido por DEUS (Êx 16.15). O pão é “e-piousios”, cotidiano. Indica a provisão para as necessidades imediatas, bem como a no reino vindouro, simbolizado pelo banquete messiânico. Do mesmo modo, a quinta e a sexta petições pelo perdão e pela libertação da tentação aplicam-se também aos Dez Mandamentos.

O exemplo de JESUS a respeito da oração é decisivo. Ele nos indicou o fundamento da oração e o cuidado providencial de DEUS. Ele ensinou os discípulos como deviam orar, e como não deviam orar. Assegurou-lhes a certeza da resposta de DEUS a uma oração reta. Associou a oração a uma vida de obediência. Também nos anima a sermos persistentes e mesmo importunos na oração. Procurou os lugares retirados para orar, e fez uso da oração intercessória na súplica, conhecida pela designação de Oração Sacerdotal (Jo 17.1-26).

A oração é a chave da vitória. Consiste na manutenção do contato com o Criador. Isto significa que DEUS existe, que pode ouvir-nos, que criou todas as coisas, que preserva e governa todas as suas criaturas e dirige as ações delas. Ele não se escraviza às leis que ordena; pode produzir resultados suspendendo as leis da natureza ou operando por meio delas; pode dirigir os corações e as mentes mais eficientemente do que possamos fazer. DEUS estabeleceu tanto a oração como a sua resposta, pois tem um plano traçado desde a criação, pela sua constante presença no universo mantendo-o e dirigindo-o.

A oração é a principal fonte de socorro do homem que em suas aflições clama por DEUS. Por isso, 

Ele exige que o ser humano ore, para ter direito ao suprimento de suas necessidades. A oração bem aceita é a dirigida pelos justos, mas a dos ímpios lhe é abominável (Pv 15.29). Somente os que têm os pecados apagados podem se aproximar de DEUS em oração. Aqueles que se revelam contra a autoridade divina não são aceitos antes de renunciarem a seus pecados e receberem o perdão. A oração é a comunhão dos filhos com o Pai que está nos céus, e consiste em adoração, ação de graças, confissão de pecados e petições (Ne 1.4-11).
DEUS responde a qualquer tipo de oração que lhe é feita de conformidade com as diretrizes por Ele estabelecidas; compreende os pássaros quando a Ele se dirigem pedindo alimento, e atende também as orações dos seus eleitos (Sl 65.2). Tiago afirma que “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16). CRISTO também declara: ‘‘Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, isso vos farei” (Jo 14.13). O povo de DEUS sabe que Ele responderá de acordo com o bem de seus filhos. 
O apóstolo João confirma esta assertiva: “Esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.14).

A oração deve ser feita em nome de JESUS, porque o pecador não pode se aproximar de DEUS em seu próprio nome. Reconheçamos que não temos merecimentos para irmos à presença do Criador, a não ser somente em nome do que nos lavou e purificou em seu sangue. A oração é dirigida à Trindade em sua plenitude, pois a bênção apostólica assim determina: “A graça do Senhor JESUS CRISTO, e o amor de DEUS, e a comunhão do ESPIRITO SANTO seja com vós todos. Amém” (2 Co 13.13).

O segredo da vitória está numa vida de íntima comunhão com DEUS através da oração
A oração é a principal fonte de socorro do homem que em suas aflições clama por DEUS. A oração feita por um justo pode muito em seu efeito


                              O altar de ouro –

                                                        Dicionário da Bíblia de John D. Davis
O altar de ouro, ou o altar do incenso que estava diante do véu que pendia ante a arca do testemunho, tinha um côvado de comprido, um côvado de largo e dois côvados de alto, e era feito de pau de cetim revestido de chapas de ouro, e tinha uma cornija em roda, também argolas e varais para o seu transporte e os cornos em cada um dos cantos. Sobre ele se queimava o incenso preparado conforme as prescrições dadas de manhã e à tarde, à luz do candeeiro. Significava a obrigação que o povo tinha de adorar a DEUS, e ao mesmo tempo, que esta adoração lhe era agradável, Ex 30: 1-10, 28:34-37; 40:5; comp. com Hb 9:4, e 1 Rs 6:22; Lv 16: 19. Quando se construiu o templo de Salomão, o novo altar de bronze tinha cerca de quatro vezes mais as dimensões primitivas, 1 Rs 8: 64; 2 Cr 4: 1. Também foi construído um novo altar de ouro, 1 Reiss 7: 48; 2 Cron 4: 19. Eram estes os únicos altares permanentes, em que se deviam oferecer os sacrifícios e o incenso aceitáveis a DEUS, Dt 12: 2, 5, 6, 7.


                       O Altar do Incenso. 30:1-10 –

                                                                 Comentario Biblico Moody
Este pequeno altar, feito de madeira de acácia revestida de ouro, é chamado muitas vezes de "altar de ouro" (39:38; 40:5, 26; Nm. 4:11) em contraste com o altar de bronze dos sacrifícios. Sobre os quatro cantos superiores havia chifres. Havia uma moldura à volta do altar e, abaixo desta, sobre os cantos, argolas de ouro para se transportar o altar. O altar ficava no Lugar SANTO, diretamente em frente ao véu que o separava do SANTO dos Santos e da arca. A íntima relação entre o altar e a arca parece estar mencionada em Hb 9:4.
Sobre este altar só se queimava incenso, e só a mistura prescrita por DEUS (Êx. 30:34 -38 ). Este altar, o símbolo da mais íntima ligação entre DEUS e o homem, também tinha de ser purificado pelo sangue expiador cada ano (v. 10). "A ligação entre a oferta de incenso e a oferta queimada está indicada na regra de que tinham de ser oferecidas ao mesmo tempo. Ambas as ofertas eram sombras da devoção de Israel ao seu DEUS, enquanto o fato de serem oferecidas diariamente comprovava que esta devoção era constante e ininterrupta. Mas a distinção entre ambas consistia em que, na oferta queimada ou inteira, Israel consagrava e santificava toda a sua vida e ação, em corpo e alma ao Senhor, enquanto que na oferta do incenso suas orações materializavam-se como a exaltação do homem espiritual a DEUS . . . a oferta do incenso pressupunha reconciliação com DEUS. . . . Sob este aspecto, a oferta do incenso não era apenas espiritualização e transfiguração da oferta queimada, mas uma conclusão desta oferta também" (KD).

                                       A imagem pode conter: texto

O Dia da Expiação (Lv cap. 16) - Sombras, Tipos e Mistérios da Bíblia - 

                                                            Melo, Joel Leitão de - CPAD
Era esta a mais importante de todas as festas do calendário dos judeus. O maior de todos os dias para eles. A razão de tão grande importância é que, naquele dia, era feita expiação de pecado: por Aarão e seus filhos; por todo o povo de Israel; e pelo Tabernáculo e seu mobiliário (vv 33 e 34).
Observado no dia dez do sétimo mês (Lv 23.27), era também dia de santa convocação (Nm 29.7).
A cerimônia do dia da Expiação consistia numa série de sacrifícios. Primeiro o sumo sacerdote Aarão oferecia um novilho por ele e por seus filhos. Levava para o interior do SANTO dos Santos o sangue do novilho e o incensado com brasas e incenso sobre elas. A fumaça de incenso cobria a Arca e o Propiciatório. Espargia o sangue do novilho sobre o Propiciatório e no chão perante ele, sete vezes com o dedo (vv 11-14).
Esta era a purificação do Tabernáculo. Pela razão de estar entre o povo pecaminoso, tornava-se impuro e precisava ser puri­ficado (ver Hebreus 9.21).

A expiação pelo povo era feita por meio de dois bodes.

Escolhiam dois bodes e lançavam sortes: um era chamado do Senhor e outro, bode emissário (vv 5-10). O bode sorteado para o Senhor era degolado, o seu sangue era levado para dentro do véu, no SANTO dos Santos, e o sacerdote fazia como com o sangue do novilho. Espargia sobre o Propiciatório e sete vezes com o dedo pelo chão, depois de colocar também o sangue nas pontas do altar (vv 15-19). Ali o sumo sacerdote entrava uma só vez no ano (Hb 9.7).
Esta vez era na cerimônia do Dia da Expiação. Depois de expiado o Santuário e a tenda da Congregação, era executada a parte referente ao outro bode.
"...então fará chegar o bode vivo'' (v 20b). Aarão punha as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessava a todas as iniqüidades e transgressões dos filhos de Israel e enviava o bode para um lugar deserto, pela mão de um homem escolhido para isso (vv 21,22). Esse bode levava sobre si as iniqüidades de todo o povo ao deserto, lugar também chamado terra solitária.

Há quem diga, sobre aqueles dois bodes, que o morto é tipo de JESUS CRISTO e o emissário é tipo de Satanás. Que no futuro, os pecados de toda a humanidade serão lançados sobre Satanás. Não há uma só passagem bíblica que confirme tal idéia.
E pura imaginação de quem não segue o ensino da palavra de DEUS. O bode emissário é chamado Azazel (Lv 16.8,18,26).

Na versão Brasileira está assim, e é a palavra no hebraico. Uma corrente antiga de judeus dizia que o sentido da palavra é demônio, mas um dicionário da autoria de um judeu define assim: ''Azazel, bode expiatório ou bode de afastamento" (Hebrew Analytical Lexicon, Benjamin Davidson, pag. 573).

Além desta definição, a Bíblia encerra uma lista de passagens dizendo que CRISTO levou nossos pecados. Ele não somente morreu por nós mas levou para longe nossas iniqüidades.
a) Isaías 53.2-12: "...fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (v.6b). "...as iniqüidades deles levará sobre si" (v.11c). "Ele levou sobre si o pecado de muitos" (v.l2c).
b) 1 Pedro 2.24a: "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados...".
c) Hebreus 9.28: "Ele voltará outra vez, sem pecado".
d) Miquéias 7.19: "Ele lançará todos os nossos pecados no fundo do mar".
e)Salmo 103.12: "Quanto está longe o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões".


Na cerimônia do dia da Expiação, o bode degolado é tipo de JESUS crucificado e o bode levado ao deserto, tipo de JESUS levando em seu corpo os nossos pecados.



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