INTRODUÇÃO
N
|
o Apocalipse, a oração dos santos aparece como o mais
precioso dos incensos. Subindo aos Céus, recende o clamor dos santos; descendo
à Terra, exala julgamentos e punições. Dessa imagem, concluímos que o poder da
oração, quando feita de acordo com a vontade de Deus, é ilimitado; vai além da
eternidade.
Sendo a Igreja de Cristo a comunidade de
clamor e intercessão por excelência, não pode ela, sob hipótese alguma,
esquecer-se de sua obrigação básica: clamar e interceder; preciosíssimo
incenso. De nossos rogos, dependem a sociedade e a nação. Ainda que estas se
achem indiferentes às coisas divinas, imploremos a Deus que intervenha nos
assuntos e negócios humanos. Se o fizermos, Ele intervirá como tem intervindo
seja na biografia do homem mais humilde, seja na história do reino mais
exaltado e poderoso.
Sem um retorno imediato à Palavra de Deus e à
oração, jamais experimentaremos o avivamento de que tanto precisamos. Se lermos
a Bíblia piedosamente e se nos curvarmos em orações e súplicas, o Espírito Santo
jamais deixará de mover-se poderosamente entre nós. Acheguemo-nos ao trono da
graça; ofereçamos ao Pai, por meio do Consolador, o incenso de nossos rogos,
petições e clamores.
Neste capítulo,
mostraremos que, na História Sagrada, oração e incenso são inseparáveis. Oremos
sem cessar. E o mundo sentirá, em nós, o bom cheiro de Cristo. Na presença do
Senhor, assemelhamo-nos ao turíbulo de Arão; incensamos os Céus e a Terra.
I.
A
TEOLOGIA DA ORAÇÃO
Existe, sim, uma teologia da oração. Ela permeia toda a
Bíblia; vai do Gênesis ao Apocalipse. Encontra-se na boca dos profetas, nos
lábios dos apóstolos e na alma do próprio Cristo. Neste tópico, apesar da
exiguidade do espaço de que dispomos, faremos um pequeno esboço dessa teologia,
que, embora desconhecida, é preciosa; imprescindível.
1. A oração, a voz da alma. A palavra
“oração”, proveniente do vocábulo latino orationem, comporta ricos enunciados à
nossa vida espiritual. Num primeiro momento, pode ser compreendida como a
súplica que o peregrino, assediado por ânsias e almejos, endereça ao Pai
Celeste. Nesse sentido, a oração é rogo, pedido e prece.
Num segundo momento, a oração
pode ser vista como a petição que esse mesmo peregrino, agora já não preocupado
consigo, faz em favor do companheiro que desmaia na jornada à Jerusalém
Celestial; intercessão amorosa.
Recorramos ao idioma do Antigo
Testamento, para vermos como a palavra “oração” foi usada pelo cantor-mor de
Israel. No quarto salmo do saltério hebreu, Davi roga ao Senhor num momento de
grande e inesperada angústia: “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha
justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha
oração” (Sl 4.1, ARA).
O termo utilizado pelo autor sagrado, em
sua prece, é o que melhor descreve a atitude do homem que, exilado no mundo,
busca a face de Deus. O vocábulo hebraico
significa oração, súplica, intercessão e hino. Este último significado
encerra muita beleza. Até este momento, humildemente confesso, eu ainda não
tinha olhado a oração como um hino que, na angústia, entoamos a Deus. Bem
cantou o poeta sacro: “Os mais belos hinos e poesias foram escritos em
tribulação, e do céu, as mais lindas melodias, se ouviram na escuridão”.
Sim, querido leitor, a oração é poesia e
hino.
Já imaginou se nos fosse possível
registrar todas as orações que chegam ao Pai Celeste num só dia? Quantas
obras-primas, partidas do mais fundo da alma,
não teríamos. Aqui, uma prece em português; cântico mais alto que o de Camões.
Ali, uma oração em italiano; poesia mais sublime que a de Dante. Mais além, uma
petição em língua alemã; verso mais belo que o de Goethe. Na Rússia, uma
intercessão que supera a maravilhosa prosa de Tolstói. Já na China, apesar de
todos os empecilhos do regime comunista, ouviríamos confissões que superam a
sinceridade de Confúcio e a força de Lao-Tsé.
Entremos a examinar, agora, a língua na qual
foi escrito o Novo Testamento. No capítulo cinco de Apocalipse, assistimos à
instalação da corte celestial, reunida solenemente para a abertura do livro
que, seguro na destra de Deus, encontrava-se sob o poder de sete selos. Quando
Jesus, ali identificado como o Leão de Judá, tomou o livro das mãos do
TodoPoderoso, algo ocorreu entre os moradores do Céu, conforme a narrativa de
João, o Teólogo:
Veio, pois, e
tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando
tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos
prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro
cheias de incenso, que são as orações dos santos. (Ap 5.7,8, ARA)
Analisemos a palavra grega, usada nessa passagem, para o
substantivo “oração”. Nesse caso, como em outros do Novo Testamento, o autor
sagrado utiliza o termo ; em sua essência, em nada difere do hebreu. Além de seu primordial significado,
lembra o próprio lugar da oração. Em português, possuímos também um vocábulo
para designar o local consagrado aos rogos e petições: o oratório. Entre nós,
evangélicos, o termo é quase desconhecido. Mas, na igreja católica, é bastante
comum; descreve as capelinhas e nichos destinados às rezas e veneração de
imagens.
No deslinde do
vocábulo , deveríamos ver, além da preocupação linguística, o chamamento ao
lugar das preces e das intercessões, conforme exorta-nos o Senhor Jesus: “Tu,
porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai,
que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.8,
ARA).
Que em cada
domicílio evangélico, haja uma capela de oração; nosso quarto. Nesse aposento
tão reservado e querido, no qual descansamos e reavemos as forças,
depositemo-nos diariamente aos cuidados divinos. Antes de dormirmos e depois de
acordamos, conversemos com o Pai; confessemoslhe as faltas e as transgressões;
narremos-lhe o nosso cotidiano; abramos-lhe a alma. Daí, sairemos renovados
para mais uma jornada, não de lutas e entreveros, mas de vitórias e triunfos.
2.
A
teologia da oração. Nos parágrafos anteriores, pusemos-nos a descrever a
oração, e não propriamente a defini-la. Como a teologia não pode nem deve
prescindir de conceitos e exposições, buscaremos, agora, definir a oração. A
partir desta definição, ser-nos-á possível ver a oração não mais como um dever
enfadonho, mas como o maior deleite da alma.
A oração é o diálogo que o crente,
capacitado pelos méritos de Jesus Cristo e por meio da ação intercessora do
Espírito Santo, mantém com o Único e Verdadeiro Deus. Conquanto pareça
monólogo, a oração é de fato um diálogo; comprovado e doce diálogo. Num salmo,
por exemplo, temos a impressão de que a fala é apenas de Davi; a voz, a dicção
e o estilo são indiscutivelmente dele. Todavia, nas entrelinhas do cântico,
vemos o Senhor a responder-lhe por intermédio dessa mesma voz, dessa mesma
dicção e desse mesmo estilo.
Trata-se, pois, de um monólogo
dialogável. Outro exemplo do diálogo orante temo-lo na oração sacerdotal de
Nosso Senhor. Na agonia da hora que se aproximava, Jesus desfaz-se em rogos e
intercessões; somente Ele fala. Mas, se é diálogo, onde esta a voz de Deus? O
Senhor, sendo a própria sabedoria, nem sempre se apressa a responder-nos. Às
vezes, sua resposta é imediata; o momento requer urgência. Outras vezes, só vem
a responder-nos após algumas gerações. O que lhe pedimos, hoje, será
respondido, amanhã, aos nossos filhos e tataranetos.
Que a oração tem
de ser espontânea, ninguém o nega. No entanto, ela requer racionalidade,
método, palavras adequadas, constância, fé e piedade. Não há de ser um discurso
aleatório, palavroso e vazio. Se é dirigida a Deus, demanda zelo e temor em sua
composição. Eis porque, nas Sagradas Escrituras, o orar é visto como o antítipo
mais perfeito do incenso. No fabrico deste, não basta jogar num frasco, ao
acaso, as mais caras essências e substâncias. É necessário selecioná-las e
dosá-las para que, dessa mesclagem, saia um aroma agradável não um cheiro
sufocante. Sendo assim, como deve ser a nossa oração? Atentemos a algumas de
suas partes.
Antes de tudo, dirijamo-nos a Deus,
exaltando-o como o Criador e Senhor de todas as coisas. Reconhecendo-o de forma
mais teológica que litúrgica, descansemos; nossas petições serão respondidas de
acordo com a sua vontade. Não oravam assim Davi e Paulo?
Em segundo
lugar, agradeçamos-lhe já por todos os bens recebidos. Antes da petição, a
gratidão piedosa. No simples ato de agradecer, já selamos os rogos. No Salmo
103, o cantor sagrado eleva-se, aos Céus, em ações de graças por todos os
benefícios de Jeová.
Na estação seguinte, confessemos ao Pai
Celeste os pecados, faltas e transgressões. Não os citemos por atacado;
varejemo-los; que nenhum seja omitido. Até mesmo as iniquidades mais feias e
vergonhosas devem mencionadas pelo nome; se não houver um nome, que o seja pelo
apelido.
Se você pensa
que já é chegado o momento das petições, engana-se. Contenha as ansiedades.
Esqueça-se de suas necessidades e carências; elas, pela fé, já não existem.
Concentre-se nas carências e necessidades dos outros; altruísmo santo e
bíblico. Ore pelo que o ofendeu; abençoe-o. Rogue por seu inimigo; ofereça-lhe
amizade; não se limite a um armistício. Interceda por aqueles que o ignoram;
faça-os conhecidos diante de Deus. Não deixe de lembrar-se dos enfermos,
atribulados e angustiados. E, para que ninguém seja excluído de suas
intercessões, faça uma lista; escreva cada nome e leia-os diante de Deus.
Agora, sim, faça
as suas petições. Liste-as. Seja específico; descreva-as. Mas, via de regra,
quando intercedemos pelos outros, o Senhor Jesus supre, em glória, todas as
nossas precisões. Não foi o que ocorreu a Jó quando orava por seus molestos
amigos? Naquele momento, seu cativeiro foi prontamente removido.
No encerramento
de sua oração, dê continuidade à sua vida orante. Seus joelhos já não se acham
dobrados. Mesmo assim, mantenha-se prostrado diante do Pai. Saia de seu quarto,
mas prossiga a entrar, a cada instante, na presença de Deus.
3. O orador e o orante.
Na parábola de
Jesus sobre o fariseu e o publicano, que foram ao Santo Templo, em Jerusalém,
para orar, distinguimos no primeiro, o orador; e, no segundo, o orante. Nessa
singela, mas belíssima narrativa, somos constrangidos a reconhecer que, nalguns
momentos, cruzamos os limites entre a oração e a oratória. Leiamos a parábola
de Jesus:
Dois homens foram ao templo para orar: um era
fariseu e o outro era publicano. O fariseu ficou em pé e orava de si para si
mesmo, desta forma: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um,
fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si
mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens,
roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas
vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em
pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito,
dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu
justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será
humilhado; mas o que se humilha será exaltado. (Lc 18.10-14, ARA)
Foquemos
inicialmente a figura orgulhosa, altiva e arrogante do fariseu. Não obstante
estar na Casa de Deus, não se humilha; exalta-se como objeto do próprio culto.
É difícil ver, em suas palavras, um judeu religioso; em sua arenga, vê-se um
orador grego, que, dispensando uma introdução, faz logo a conclusão;
justifica-se a si mesmo enumerando aparentes boas obras. Na verdade, ele não
ora; faz oratória. Supõe que, de sua tribunazinha, é capaz de convencer até
Deus.
Já o publicano, não tendo argumentos e não
possuindo introdução alguma, limita-se a pronunciar uma oração de apenas sete
minguadas palavras: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”. Garante o Senhor que
este, e não aquele, retirou-se da presença de Deus justificado.
Se o primeiro é orador, o segundo é orante.
Aquele brilha na oratória; este rebrilha na confissão.
Tal não é a
nossa postura nas orações públicas? Nos grandes encontros, nem sempre temos
oportunidade de exibir a nossa oratória. Mas, às vezes, chamam-nos a orar.
Então, que na oração nos ostentemos como oradores. E, assim, rebuscando
palavras e joeirando termos, oramos não a Deus, mas aos que, ali, nos ouvem.
Não raro, aproveitamos a oportunidade para deixar um recado político, para
firmar um posicionamento convencional e para amedrontar algum desafeto. Mas se somos,
de fato, orantes, não precisamos de oração, nem de oratória para chegar à
presença de Deus. Bastam as nove palavras do publicado, para que alcancemos o
favor divino. Nossa prece, então, qual incenso precioso, chegará sem demora ao
trono divino; manifestação da graça.
II.
A
SIMBOLOGIA DO INCENSO
Explicaremos, aqui, por que o incenso é tomado, na Bíblia
Sagrada, como o símbolo máximo da oração. Veremos que, nas oferendas a Deus
prescritas no
Levítico, há uma belíssima teologia ascendente. Do
holocausto, o primeiro dos sacrifícios, ao incenso do altar de ouro, a oferta
derradeira e mais bela do Tabernáculo Santo, tudo quanto é apresentado ao
Senhor sobe, porque Ele se acha assentado no alto e sublime trono. Mas
encontra-se, também, na humildade e contrição do adorador fiel e sincero.
1. Homem, o ser que olha para cima. A
palavra “homem”, em grego, possui uma etimologia rica e significativa: aquele
que olha para cima. Pelo menos é o que ensinam alguns filólogos. O termo
anthropos, em si, já é um compêndio teológico. Tendo em vista essa
predisposição da alma humana, o crente hebreu, em seu culto ao Senhor, buscava
sempre uma oferta, seja animal seja vegetal, que, no altar sagrado, evolasse ao
céu.
Tal descrição
quadra-se muito bem ao holocausto e ao incenso; quando queimados, sobem; chegam
às narinas divinas como aroma suave. Acredito que, de ambos, o incenso, como
adiante veremos, é o mais representativo. Em primeiro lugar, porque só pode ser
apresentado pelo adorador que já adorou no altar do holocausto; já redimido,
tem condições agora de aproximar-se do altar de ouro.
2. Incenso, oração e prece. A palavra
latina “incenso” provém do vocábulo latino incensum, que, por sua vez,
origina-se do verbo incendere, queimar. Ela descreve as substâncias queimadas
em sacrifício.
Quimicamente, o
incenso é o resultado de um composto de materiais aromáticos. Ao fogo, esses
bióticos liberam fumaça perfumada. Os elementos do incenso são assim
designados, porquanto são extraídos de seres vivos: as plantas.
A composição do incenso levítico, embora siga
um processo comum, era destinada a um uso incomum: adorar a Deus. Ninguém, a
não ser os ministros do altar, podiam usá-la; era algo sacratíssimo.
3. O uso religioso do incenso. Acredita-se
que o incenso começou a ser usado, para fins religiosos, no Egito dos Faraós.
Importando preciosas resinas da Arábia, os sacerdotes de Heliópolis preparavam
variados e finos incensos, para venerar os deuses e deusas que, prepotentes e
vaidosos, requeriam adorações cada vez mais sofisticadas; tolas pretensões. O
incenso era utilizado também nos templos gregos e romanos. Até na imemorial
China tal prática era observada.
As igrejas
católica e ortodoxa, cada uma com o seu próprio ritual, utiliza largamente o
incenso em suas liturgias. Elas justificam tal prática, citando, fora de seu
devido contexto, algumas passagens isoladas do Antigo Testamento. Hoje, porém,
já não precisamos do incenso em nossa liturgia; o cerimonialismo da aliança
passada cumpriu-se cabalmente na nova. Por que judaizar a Igreja de Cristo?
4. A imagem do incenso. A imagem do
incenso, como evolando devoções e serviços a Deus, provém de algumas passagens
do Antigo Testamento. Veja esta oração do salmista: “Apresente-se a minha
oração como incenso diante de ti...” (Sl 141.2). Noutras palavras, almejava ele
que as suas preces, qual precioso incenso, subissem à presença do Senhor. E,
juntamente com suas orações, sua alma ascenderia ao trono da graça.
No Antigo
Testamento, a oferenda mais excelente que se podia oferecer ao Senhor, depois
do holocausto, era o incenso. Ali, no limiar do lugar Santíssimo, o sacerdote
entrava para, com temor e tremor, adorar ao Senhor com um incenso preparado
exclusivamente àquela ocasião. Hoje, o sacrifício mais sublime que podemos
oferecer ao Senhor são as orações, súplicas e ações de graças.
Por esse
motivo, o Senhor Jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta,
e, no segredo de nossos aposentos, oferecer-lhe orações, lágrimas e louvores.
III. A OFERTA DE INCENSO
Para se oferecer o incenso ao Senhor, três coisas eram
necessárias: o lugar, o altar e a cerimônia. Apenas o sumo sacerdote estava
autorizado a conduzir esse ato de adoração.
1. O Lugar Santo.
No Lugar Santo, ficavam três mobílias: o candelabro, à esquerda de quem
entrava; a mesa dos pães da proposição, à direita; e, no limiar, entre o Lugar
Santo e o Santíssimo, bem em frente ao véu que os separava, estava o altar do
incenso (Êx 26.35). É bom considerarmos que, embora o altar de incenso
estivesse no Lugar Santo, era considerado parte da mobília do Santo dos Santos
juntamente com a arca da aliança (Hb 9.1-10).
2. O altar do incenso.
Feito de madeira de acácia, o altar de incenso era revestido de ouro, sendo
estas as suas medidas: um côvado de comprimento, um de largura e dois de altura
(Êx 30.1-10; 37.25-28). Os seus ornatos compunham-se de quatro chifres, bordas,
quatro argolas e dois varais; tudo revestido de fino ouro.
3. A composição do
incenso. O incenso destinado ao altar de ouro não podia ser usado
indistintamente; era de uso exclusivo do Senhor (Êx 30.38). Esta era a sua
composição: estoraque, ônica e gálbano (Êx 30.34-36). A receita do perfume não
constituía nenhum segredo. Todavia, se alguém o reproduzisse para uso profano,
seria punido severamente.
4. A cerimônia. O
incenso só podia ser queimado com as brasas do altar de bronze (Lv 16.12). Isso
significa que a base da adoração cristã é a redenção no sangue de Jesus Cristo.
E, já de posse do fogo sagrado, o sacerdote aproximava-se do altar de ouro para
queimar o incenso no altar de ouro. E, dessa forma, a nuvem do incenso cobria o
propiciatório, mostrando à Casa de Israel o favor divino (Lv 16.13).
IV. A ORAÇÃO DOS SANTOS,
SUAVE E PRECIOSO INCENSO
A oração dos santos, qual incenso precioso, é inimitável em
seus efeitos. Ninguém, a não ser que conte com a ajuda do Espírito Santo, pode
elevá-la ao trono divino.
1. A receita para uma oração perfeita. O
Senhor Jesus, no Sermão da Montanha, entregou a seus discípulos os ingredientes
de uma oração perfeita (Mt 6.9-13). Ele exorta-nos também a não imitarmos os
gentios e hipócritas que, presumidos e soberbos, imaginam que, pelo seu muito
falar, serão ouvidos (Mt 6.7).
Fechemo-nos em nosso quarto e, ali, qual
santo dos santos, falemos com o Pai Celeste (Mt 6.5,6). Dessa maneira,
poderemos entrar com ousadia e confiança no trono da graça (Hb 4.16). Pode
haver incenso mais excelente do que a oração dos santos? Todas as nossas súplicas
chegarão aos céus por intermédio do Espírito Santo, que intercede por nós com
gemidos inexprimíveis (Rm 8.26).
2. A oração como
sacrifício ao Senhor. O salmista, conhecendo perfeitamente a simbologia do
incenso sagrado, assim orou ao Senhor: “Suba a minha oração perante a tua face
como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (Sl
141.2). Quando nos dedicamos integralmente ao Senhor, toda a nossa vida
torna-se uma oferenda a Deus (Ef 5.2; Fp 2.17; 2 Tm 4.6).
2. A oração dos santos na Grande Tribulação. No
período da Grande Tribulação, logo após o arrebatamento da Igreja, haverá um
número incontável de mártires provindos de todos os povos e nações (Ap 9.9-17).
Apesar da perseguição que lhes moverá o Anticristo, eles atuarão como fiéis
testemunhas de Jesus Cristo. As orações desses santos serão recebidas, em cima
nos céus, como incenso de grande valor (Ap 5.8; 8.3). Ninguém pode deter o
poder de um santo que, no oculto de seu quarto, roga a intervenção do Santo dos
santos (Tg 5.16). Irmãos, orai sem cessar (1 Ts 5.17).
CONCLUSÃO
Como está a nossa vida de oração?
Se já não arrumamos tempo para orar antes de iniciarmos a jornada diária, é
hora de repensar nossas prioridades. Antes de tudo, reconsidere sua agenda.
Nada pode estar acima das prioridades do Reino de Deus.
Oração, leitura da Palavra e reflexão
piedosa.
Pode haver melhor composição para o incenso
que, do altar de nossa alma, evole ao trono da graça?
Senhor, ajuda-nos.
CLAUDIONOR DE ANDRADE
-Do grego “liba-nos”, era uma substância que se obtinha
fazendo uma incisão na casca da árvore branca (do hebraico “lebonâ”), proveniente
da fndia, Somália ou da Arábia do Sul, que é o país de Sabá - o Oriente
mencionado no Novo Testamento (1 Rs 10.1-10; Jr 6.20; Mt 2.1-11; Ap 18.13).
INCENSO - Tesouro de Conhecimentos Bíblicos –
Emílio Conde - CPAD
-Do grego “liba-nos”, era uma substância que se obtinha
fazendo uma incisão na casca da árvore branca (do hebraico “lebonâ”), proveniente
da fndia, Somália ou da Arábia do Sul, que é o país de Sabá - o Oriente
mencionado no Novo Testamento (1 Rs 10.1-10; Jr 6.20; Mt 2.1-11; Ap 18.13).
Antes que alguém pergunte por que razão selecionamos frases,
palavras e temas quase desconhecidos e esquecidos, para serem aqui
apresentados, dizemos que o mérito está exatamente no fato de focalizarmos
assuntos bíblicos por muitos esquecidos e difíceis de considerar. Pouco valor
teria repetir aqui o que outros já apresentaram várias vezes ou o que eles já
sabem de cor. Todos nós lucramos quando retiramos do tesouro da Bíblia coisas
novas e velhas, a fim de nos instruirmos comò convém.
Focalizamos o assunto por duas razões: a primeira é para que
todos conheçam a matéria de que se compunha o incenso que era usado no culto de
adoração que o povo prestava ao DEUS vivo. A segunda é para que conheçam como
era usado o incenso na Antiguidade, a fim de podermos combater esse espírito de
superstição e de ignorância que tenta imitar um ato devocional do passado, sem
qualquer utilidade no presente, mas que os homens teimam em ligar à feitiçaria
e ao culto dos demônios.
O incenso entrava na confecção de perfumes e aromas e era
identificado como o perfume da oferta (do grego “thy-miama”). O incenso, de
acordo com o que a Bíblia registra, era uma composição de quatro ingredientes
aromáticos, cujos nomes são os seguintes: estara-que, onicha, gálbano e
incenso, algumas vezes acrescentada do sal. A composição deveria ser feita em
partes iguais de cada ingrediente. Após esse processo da mistura dessas
especiarias puras, a essência tomava o nome da última especiaria, isto é,
tomava o nome do incenso que fora adicionado por último, conforme se lê em
Êxodo 30.34,35.
Tudo o que anda por aí com o nome de incenso não merece esse
nome, pois tanto os usuários como os fabricantes do pretenso incenso
desconhecem os elementos básicos do legítimo incenso que era usado nos dias do
Antigo Testamento.
Essa mistura de incenso, à qual foram acrescentadas,
posteriormente, outras sete substâncias, era reservada exclusivamente para os
cultos. Não podia servir para uso pessoal. A ordem divina estabelecida para o
uso do incenso foi dada nestes termos: “Porém o incenso que fareis conforme a
composição deste, não o fareis para vós mesmos” (Êx 30.37). O incenso não
poderia ser usado a não ser no ato de culto e adoração a DEUS. Era proibido
usá-lo fora do tabernáculo ou do templo, e ali somente no incensá-rio, e no
altar. Não podia ser empregado a qualquer hora, mas apenas pela manhã e à
noite. O fogo empregado para queimar o incenso somente podia ser o que ardia
dia e noite no altar.
O encargo de queimar incenso estava confiado aos sacerdotes
e nenhum estranho poderia oferecê-lo ou queimá-lo. A Bíblia assim registra a
penalidade para quem desrespeitasse a ordem divina: “O homem que fizer tal como
este [isto é, que misturar incenso] para cheirar, será extirpado de seu
povo" (Éx 30.38).
O incenso era o perfume sagrado. Era colocado também por
cima de sacrifícios de comidas e espalhado nos pães da proposição (Lv 2.1,15;
6.8; 24.7).
Sem dúvida, os leitores desejam saber de onde procediam as
preciosidades aromáticas com que se preparava o incenso. A alegoria festiva que
Isaías registra em seu livro declara qual o país que produzia as resinas
preciosas. Eis o que o profeta registrou: “A multidão de camelos te cobrirá
[referindo-se a Jerusalém], os dromedários de Midiã e Efá; todos virão de Sabá;
ouro e incenso trarão e publicarão os louvores do Senhor” (60.6).O incenso
procedia de Sabá (1 Rs 10.2,10; 2 Cr 9.24).
O incenso era queimado nos incensários (do hebraico
“mahtãh”). Na Bíblia são mencionados diversas vezes como utensílios do
tabernáculo e do templo de Salomão (Êx 25.38; 27.3; 37.25; Lv 10.1; 16.12; Nm
4.14; 1 Rs 7.50; 2 Rs 25.15; 2 Cr 4.22; Jr 52.19). Nestes textos está incluído
aquele que fala de NadÉbe e Abiú, filhos de Arão, os quais trouxeram fogo
estranho para queimar incenso perante o Senhor; por isso foram fulminados pelo
fogo do Senhor. Este incidente era para ensinar o povo a ter respeito pelas coisas
divinas e a cumprir os mandamentos que Ele lhes ordenara.
Por ocasião da rebelião de Coré o texto bíblico fala em
duzentos e cinquenta incensários (Nm 16.6,17,18).
O rei Uzias, orgulhoso de seu posto de rei, exaltou-se até
se corromper, e de tal forma o fez que se julgou igual aos sacerdotes, com
direito de oferecer incenso, no templo em Jerusalém. Essa transgressão trouxe
sobre Uzias um castigo espantoso. Vamos ver o que está escrito na Bíblia sobre
o fato: “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se
corromper, e transgrediu contra o Senhor, seu DEUS; porque entrou no templo do
Senhor para queimar incenso no altar do incenso. Porém, o sacerdote Azarias
entrou após ele, e com ele oitenta sacerdotes do Senhor, varões valentes.
E resistiram
ao rei Uzias, e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante
o Senhor, mas os sacerdotes filhos de Arão, que são consagrados para queimar
incenso. Indignando-se ele pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa
perante os sacerdotes” (2 Cr 26.16-19). Uzias ficou leproso, por queimar
incenso, sem estar autorizado para isso, apesar de ocupar a posição de rei de
Israel.
O incenso figurava entre as especiarias mais raras e
custosas daqueles dias. Certamente todos estarão lembrados do ato significativo
dos magos que foram visitar a JESUS, em Belém, quando nasceu o Filho de DEUS.
Os magos levaram-lhe presentes, dentre os quais estava o incenso.
Até aqui focalizamos vários' aspectos do incenso, sua
composição, seu lugar no culto divino e sua proibição, seu valor, tudo isso na
esfera e nas relações em que entrava a ação do elemento humano. Entretanto, os
leitores também devem saber que o incenso tem um simbolismo de grande alcance
na vida espiritual. O salmista fez esta declaração que pode e deve ser
subscrita por todos os cristãos: “Suba a minha oração, como incenso perante a
tua face!” (Sl 141.2).
No Antigo Testamento, o incenso era queimado e subia perante
DEUS como odor suave que Ele aceitava. Na dispensa-ção da graça não há incenso,
não há incensário, não há templo, não há fogo próprio para queimar o incenso e
fazê-lo subir, porém, há as orações dos remidos, que sobem e chegam até o trono
de DEUS, tal qual o incenso aromático de outrora. Onde a Bíblia declara que as
salvas de ouro cheias de incenso são as orações dos santos? É neste expressivo
trecho do Apocalipse: “E havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e
quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e
salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Ap 5.8).
No mesmo livro (Ap 8.3), o incenso aparece misturado com as
orações: “E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de
ouro; e foi-lhe dado muito incenso para pôr com as orações de todos os santos
sobre o altar de ouro, que está diante de DEUS”.
O incenso da Nova Aliança é mais precioso do que o incenso
preparado com as especiarias de Sabá. As orações dos santos, postas sobre o
altar de ouro, com muito incenso, levadas pela mão do anjo até diante de DEUS,
enchem os céus de aromas santificadores, onde outros incensos, os de Sabá, não
poderíam chegar.
O incenso, de acordo com o que a Bíblia registra, era uma
composição de quatro ingredientes aromáticos: estaraque, onicha, gálbano e
incenso
O fogo empregado para queimar o incenso somente podia ser o
que ardia dia e noite no altar
O encargo de queimar incenso estava confiado aos sacerdotes
e nenhum estranho poderia oferecê-lo.

ORAÇÃO - Tesouro de Conhecimentos Bíblicos –
Emílio Conde - CPAD
- O termo grego que significa orar é “proseucho-mai”. Denota
a oração em geral, e pode ser empregado sem mais qualificação.
A oração deve ser espontânea, deve vir do âmago do coração,
mas JESUS nos ensinou como orar: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que
estás nos céus, santificado seja o teu nome; uenha o teu reino, seja feita a
tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e
perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e
não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o
poder, e a glória, para sempre, Amém” (Mt 6.9-13).
Esta oração se compõe de seis petições, sendo três para a
honra de DEUS e três para as nossas necessidades. A primeira petição é a
reformulação do Terceiro Mandamento; declara de modo positivo o que aquele
mandamento afirmava de modo negativo. Ao assim fazer, não somente exclui o
tomar o nome do Senhor em vão, mas garante aquilo que se subentende no Primeiro
e no Segundo Mandamentos, a respeito de outros deuses e de imagens de escultura
(Êx 20.3-6). A quarta petição relembra a descida do maná, fornecido por DEUS
(Êx 16.15). O pão é “e-piousios”, cotidiano. Indica a provisão para as necessidades
imediatas, bem como a no reino vindouro, simbolizado pelo banquete messiânico.
Do mesmo modo, a quinta e a sexta petições pelo perdão e pela libertação da
tentação aplicam-se também aos Dez Mandamentos.
O exemplo de JESUS a respeito da oração é decisivo. Ele nos
indicou o fundamento da oração e o cuidado providencial de DEUS. Ele ensinou os
discípulos como deviam orar, e como não deviam orar. Assegurou-lhes a certeza
da resposta de DEUS a uma oração reta. Associou a oração a uma vida de obediência.
Também nos anima a sermos persistentes e mesmo importunos na oração. Procurou
os lugares retirados para orar, e fez uso da oração intercessória na súplica,
conhecida pela designação de Oração Sacerdotal (Jo 17.1-26).
A oração é a chave da vitória. Consiste na manutenção do
contato com o Criador. Isto significa que DEUS existe, que pode ouvir-nos, que
criou todas as coisas, que preserva e governa todas as suas criaturas e dirige
as ações delas. Ele não se escraviza às leis que ordena; pode produzir resultados
suspendendo as leis da natureza ou operando por meio delas; pode dirigir os
corações e as mentes mais eficientemente do que possamos fazer. DEUS
estabeleceu tanto a oração como a sua resposta, pois tem um plano traçado desde
a criação, pela sua constante presença no universo mantendo-o e dirigindo-o.
A oração é a principal fonte de socorro do homem que em suas
aflições clama por DEUS. Por isso,
Ele exige que o ser humano ore, para ter
direito ao suprimento de suas necessidades. A oração bem aceita é a dirigida
pelos justos, mas a dos ímpios lhe é abominável (Pv 15.29). Somente os que têm
os pecados apagados podem se aproximar de DEUS em oração. Aqueles que se
revelam contra a autoridade divina não são aceitos antes de renunciarem a seus
pecados e receberem o perdão. A oração é a comunhão dos filhos com o Pai que
está nos céus, e consiste em adoração, ação de graças, confissão de pecados e
petições (Ne 1.4-11).
DEUS responde a qualquer tipo de oração que lhe é feita de
conformidade com as diretrizes por Ele estabelecidas; compreende os pássaros
quando a Ele se dirigem pedindo alimento, e atende também as orações dos seus
eleitos (Sl 65.2). Tiago afirma que “a oração feita por um justo pode muito em
seus efeitos” (Tg 5.16). CRISTO também declara: ‘‘Tudo o que pedirdes ao Pai em
meu nome, isso vos farei” (Jo 14.13). O povo de DEUS sabe que Ele responderá de
acordo com o bem de seus filhos.
O apóstolo João confirma esta assertiva: “Esta
é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade,
ele nos ouve” (1 Jo 5.14).
A oração deve ser feita em nome de JESUS, porque o pecador
não pode se aproximar de DEUS em seu próprio nome. Reconheçamos que não temos
merecimentos para irmos à presença do Criador, a não ser somente em nome do que
nos lavou e purificou em seu sangue. A oração é dirigida à Trindade em sua
plenitude, pois a bênção apostólica assim determina: “A graça do Senhor JESUS
CRISTO, e o amor de DEUS, e a comunhão do ESPIRITO SANTO seja com vós todos.
Amém” (2 Co 13.13).
O segredo da vitória está numa vida de íntima comunhão com
DEUS através da oração
A oração é a principal fonte de socorro do homem que em suas
aflições clama por DEUS. A oração feita por um justo pode muito em seu efeito
O altar de ouro –
Dicionário da Bíblia de John D. Davis
O altar de ouro, ou o altar do incenso que estava diante do
véu que pendia ante a arca do testemunho, tinha um côvado de comprido, um
côvado de largo e dois côvados de alto, e era feito de pau de cetim revestido
de chapas de ouro, e tinha uma cornija em roda, também argolas e varais para o
seu transporte e os cornos em cada um dos cantos. Sobre ele se queimava o
incenso preparado conforme as prescrições dadas de manhã e à tarde, à luz do
candeeiro. Significava a obrigação que o povo tinha de adorar a DEUS, e ao
mesmo tempo, que esta adoração lhe era agradável, Ex 30: 1-10, 28:34-37; 40:5;
comp. com Hb 9:4, e 1 Rs 6:22; Lv 16: 19. Quando se construiu o templo de
Salomão, o novo altar de bronze tinha cerca de quatro vezes mais as dimensões
primitivas, 1 Rs 8: 64; 2 Cr 4: 1. Também foi construído um novo altar de ouro,
1 Reiss 7: 48; 2 Cron 4: 19. Eram estes os únicos altares permanentes, em que
se deviam oferecer os sacrifícios e o incenso aceitáveis a DEUS, Dt 12: 2, 5,
6, 7.
O Altar do Incenso. 30:1-10 –
Comentario Biblico Moody
Este pequeno altar, feito de madeira de acácia revestida de
ouro, é chamado muitas vezes de "altar de ouro" (39:38; 40:5, 26; Nm.
4:11) em contraste com o altar de bronze dos sacrifícios. Sobre os quatro
cantos superiores havia chifres. Havia uma moldura à volta do altar e, abaixo
desta, sobre os cantos, argolas de ouro para se transportar o altar. O altar
ficava no Lugar SANTO, diretamente em frente ao véu que o separava do SANTO dos
Santos e da arca. A íntima relação entre o altar e a arca parece estar
mencionada em Hb 9:4.
Sobre este altar só se queimava incenso, e só a mistura
prescrita por DEUS (Êx. 30:34 -38 ). Este altar, o símbolo da mais íntima
ligação entre DEUS e o homem, também tinha de ser purificado pelo sangue
expiador cada ano (v. 10). "A ligação entre a oferta de incenso e a oferta
queimada está indicada na regra de que tinham de ser oferecidas ao mesmo tempo.
Ambas as ofertas eram sombras da devoção de Israel ao seu DEUS, enquanto o fato
de serem oferecidas diariamente comprovava que esta devoção era constante e
ininterrupta. Mas a distinção entre ambas consistia em que, na oferta queimada
ou inteira, Israel consagrava e santificava toda a sua vida e ação, em corpo e
alma ao Senhor, enquanto que na oferta do incenso suas orações
materializavam-se como a exaltação do homem espiritual a DEUS . . . a oferta do
incenso pressupunha reconciliação com DEUS. . . . Sob este aspecto, a oferta do
incenso não era apenas espiritualização e transfiguração da oferta queimada,
mas uma conclusão desta oferta também" (KD).

O Dia da Expiação (Lv cap. 16) - Sombras, Tipos e Mistérios da Bíblia -
Melo, Joel Leitão de - CPAD
Era esta a mais importante de todas as festas do calendário
dos judeus. O maior de todos os dias para eles. A razão de tão grande
importância é que, naquele dia, era feita expiação de pecado: por Aarão e seus
filhos; por todo o povo de Israel; e pelo Tabernáculo e seu mobiliário (vv 33 e
34).
Observado no dia dez do sétimo mês (Lv 23.27), era também
dia de santa convocação (Nm 29.7).
A cerimônia do dia da Expiação consistia numa série de
sacrifícios. Primeiro o sumo sacerdote Aarão oferecia um novilho por ele e por
seus filhos. Levava para o interior do SANTO dos Santos o sangue do novilho e o
incensado com brasas e incenso sobre elas. A fumaça de incenso cobria a Arca e
o Propiciatório. Espargia o sangue do novilho sobre o Propiciatório e no chão
perante ele, sete vezes com o dedo (vv 11-14).
Esta era a purificação do Tabernáculo. Pela razão de estar
entre o povo pecaminoso, tornava-se impuro e precisava ser purificado (ver
Hebreus 9.21).
A expiação pelo povo era feita por meio de dois bodes.
Escolhiam dois bodes e lançavam sortes: um era chamado do
Senhor e outro, bode emissário (vv 5-10). O bode sorteado para o Senhor era
degolado, o seu sangue era levado para dentro do véu, no SANTO dos Santos, e o
sacerdote fazia como com o sangue do novilho. Espargia sobre o Propiciatório e
sete vezes com o dedo pelo chão, depois de colocar também o sangue nas pontas
do altar (vv 15-19). Ali o sumo sacerdote entrava uma só vez no ano (Hb 9.7).
Esta vez era na cerimônia do Dia da Expiação. Depois de
expiado o Santuário e a tenda da Congregação, era executada a parte referente
ao outro bode.
"...então fará chegar o bode vivo'' (v 20b). Aarão
punha as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessava a todas as iniqüidades e
transgressões dos filhos de Israel e enviava o bode para um lugar deserto, pela
mão de um homem escolhido para isso (vv 21,22). Esse bode levava sobre si as
iniqüidades de todo o povo ao deserto, lugar também chamado terra solitária.
Há quem diga, sobre aqueles dois bodes, que o morto é tipo
de JESUS CRISTO e o emissário é tipo de Satanás. Que no futuro, os pecados de
toda a humanidade serão lançados sobre Satanás. Não há uma só passagem bíblica
que confirme tal idéia.
E pura imaginação de quem não segue o ensino da palavra de
DEUS. O bode emissário é chamado Azazel (Lv 16.8,18,26).
Na versão Brasileira está assim, e é a palavra no hebraico.
Uma corrente antiga de judeus dizia que o sentido da palavra é demônio, mas um
dicionário da autoria de um judeu define assim: ''Azazel, bode expiatório ou
bode de afastamento" (Hebrew Analytical Lexicon, Benjamin Davidson, pag.
573).
Além desta definição, a Bíblia encerra uma lista de
passagens dizendo que CRISTO levou nossos pecados. Ele não somente morreu por
nós mas levou para longe nossas iniqüidades.
a) Isaías 53.2-12: "...fez cair sobre ele a iniqüidade
de nós todos" (v.6b). "...as iniqüidades deles levará sobre si"
(v.11c). "Ele levou sobre si o pecado de muitos" (v.l2c).
b) 1 Pedro 2.24a: "Levando ele mesmo em seu corpo os
nossos pecados...".
c) Hebreus 9.28: "Ele voltará outra vez, sem
pecado".
d) Miquéias 7.19: "Ele lançará todos os nossos pecados
no fundo do mar".
e)Salmo 103.12: "Quanto está longe o Oriente do
Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões".
Na cerimônia do dia da Expiação, o bode degolado é tipo de
JESUS crucificado e o bode levado ao deserto, tipo de JESUS levando em seu
corpo os nossos pecados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário