
(Dca.
Iésia Nóbrega)
Texto Bíblico Básico: Gl 5:1; 16-25
Texto Bíblico Complementar: Rm 8:1-9
Texto Áureo: Hb 12:14
1 – INTRODUÇÃO
De acordo com James Montgomery Boice, a glória
do cristianismo é a mensagem de que o Santo Deus preparou para nós um caminho
de acesso – o Senhor JESUS CRISTO, à sua presença. Como resultado, o que não é
santo é santificado e recebe permissão para habitar com o Eterno1. Nunca
seremos santos enquanto carne na sua totalidade.
2 –
DEFININDO E ENTENDENDO A SANTIFICAÇÃO
É um dos aspectos da salvação. É um atributo
de Deus. Podemos classificá-la assim:
Santidade:
qualidade ou estado de santo. Palavra descritiva da natureza divina, isto é,
sua perfeição moral e majestade. (Lv 11:45; 19:2; 20:26; 1Pe 1:15). A santidade
de Deus é, pois: incomparável (1Sm 2:2), perfeita e inspiradora (Sl 99:2,3).
Santificação:
é um processo, é prática, ou seja, a salvação em desenvolvimento que só é
possível quando deixamos a Palavra nos moldar. (Fp 2:12; 2Co 7:1; Cl 3:16). O
termo santificação significa consagração, separação. É o processo que leva o
crente a tornar-se uma pessoa limpa, pura, renovada, dedicada e envolvida com
tudo o que diz respeito a Deus. À medida que esse relacionamento se aprofunda,
ele (o crente), se aproxima do alvo pretendido – o céu.
3 –
É ORDEM DE DEUS - ELE ASSIM QUER.
Antes da fundação do mundo ele já determinou
assim (Ef 1:4).
Morreu para isto (Hb 13:12).
Para um sacerdócio espiritual (1Pe 2:5).
Não admite
mistura (1Co 6:14-18; Lv 10:8-10).
4 –
O QUE CARACTERIZA UMA VIDA SANTA?
Toda a vida
do homem é pautada em regras e princípios. A Bíblia também, como manual de conduta
do crente, o leva a viver de acordo com esses princípios a fim de que ele
expresse uma vida de santidade.
Abandono do pecado (Cl 3:8-10).
Mudança de condição (Rm 6:18,19; 2Tm 2:21).
Leitura e estudo da Palavra (Cl 3:16).
Verdadeira adoração (Sl 95:6; 29:2; 96:9).
Oração contínua (Cl 4:2; Ef 6:18; 1Ts 5:17).
Cooperação na obra do Senhor (1Co 3:9; Fp
4:3).
Produzindo
o Fruto do Espírito. Manifestar sua glória entre os homens, pois somos sua
imagem. (2Co 3:18).
Amor, Gozo
e Paz: estas três qualidades dizem respeito à atitude do crente para com Deus.
Longanimidade, Benignidade e Bondade: refere-se ao relacionamento social.
1 BOICE, James Montgomery. Fundamentos da Fé
Cristã - Um manual de Teologia ao alcance de todos. Rio de Janeiro: Editora
Central Gospel, 2011. p. 115.
Fé, Mansidão
e Temperança: estas três referem-se à sua própria pessoa, sua conduta pessoal.
5 –
QUAL O ALCANCE DA SANTIFICAÇÃO?
Ela é progressiva, contínua, constante,
permanente e abrangente (Ef 4:13; 1Ts 5:23). Significa dizer que ela se dá de
modo integral.
Espírito: manter um relacionamento de
intimidade diário, pois é isto que nos conecta diretamente ao Pai (Fp 4:8; Ef
1:17,18).
Alma:
pensamento, vontade e entendimento (2Tm 2:25,26; 3:17; Cl 3:2). Conforme
Descartes: Penso, logo existo.
Corpo: glorificar a Deus (1Co 6:20; Rm
6:12,13).
6 – BÊNÇÃOS ADVINDAS DA SANTIFICAÇÃO
Livre acesso à presença de Deus (Hb 10:19,20).
Plena comunhão (1Co 12:12-14; 25-27).
Providência
divina (Mt 6:33; Sl 23:1).
Esperança da glória (Mt 5:8; 25:21).
Orações respondidas (Is 59:1; Jr 33:3;
At 10:4; Lc 1:13).
7 – CONCLUSÃO
É possível viver uma vida de santidade nos
dias atuais?
Vale à pena ser diferente mesmo habitando num
mundo tão corrompido?
Este é, pois, o verdadeiro milagre da
salvação.
Deus te abençoe !
ADVEC – ASSEMBLEIA DE
DEUS VITÓRIA EM CRISTO | TAQUARA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – CLASSE DOS
PROFESSORES LPD nº 54 – Ser Um Verdadeiro Cristão 2.º Trimestre de 2018
Capítulo 38 (Crescimento, à semelhança de Cristo)
Santificação
Como você
crescer em maturidade cristã? Quais são as bênçãos do crescimento cristão?
Explicação bíblica E BASES Nos capítulos anteriores discutimos as várias ações
de Deus que ocorrem no início da nossa vida cristã: O chamado do evangelho (que
Deus nos faz), regeneração (pelo qual Deus dá vida nova), justificativa ( por
que Deus não dá pé direito legal na frente dele), e da adopção (pelo qual Deus
nos faz membros de sua família). Estudamos também a conversão (nos arrependemos
de nossos pecados e confiar em Cristo para a salvação). Todos esses eventos
ocorrem no início da nossa vida cristã. [1] Mas agora chegamos a uma parte do
pedido de resgate é um trabalho progressivo que continua ao longo de nossa vida
na terra.É também uma obra na qual Deus eo homem cooperam, cada um em um papel
diferente.Esta parte da aplicação da redenção e santificação saber: a
santificação é uma obra progressiva de Deus e do homem nos leva a ser cada vez
mais livre do pecado e nos tornar mais semelhantes a Cristo em nossa vida real.
A. Diferenças entre justificação e santificação A tabela a seguir explica
algumas das diferenças entre justificação e santificação:
Justificativa
Santificação
Situação jurídica Condição interna
Uma vez por
todas Continua ao longo da vida
É
inteiramente a obra de Deus Nós cooperamos
Perfeito
nesta vida Não é perfeito nessa vida
Mesmo para
todos os cristãos Mais em alguns do que em outros Como mostra a tabela, a
santificação é algo que continua ao longo da nossa existência como cristãos. O
curso normal de uma vida cristã envolve o crescimento contínuo em santidade, e
é algo que o Novo Testamento nos incentiva a prestar atenção e se esforçar para
alcançá-lo. B. Três fases da santificação 1. A santificação é um começo
definido na regeneração. Definido mudança moral tem lugar na nossa vida no
momento da regeneração, porque Paulo fala: "Ele nos salvou mediante o
lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tito 3:5). Uma vez que
nascemos de novo não podemos continuar pecando como um hábito ou estilo de vida
(1 João 3:9), porque o poder da nova vida espiritual dentro de nós que nos
impede de ceder à vida de pecado. A alteração inicial moral é o primeiro passo
para a santificação. Neste sentido, há alguma sobreposição entre regeneração e
santificação, porque esta mudança moral é realmente uma parte de regeneração.
Mas quando a vemos do ponto de vista da mudança moral dentro de nós mesmos,
podemos ver também como a primeira etapa da santificação. Paulo olha para trás
para um evento concluído quando diz aos Coríntios: "Mas vocês foram lavados,
mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus
Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1 Coríntios 6:11) .Da mesma forma, em
Atos 20:32 Paulo pode referir-se aos cristãos como aqueles que têm "uma
herança entre todos os que são santificados." [2] Esta etapa inicial em
santificação envolve um rompimento definitivo com o poder dominante e amor ao
pecado, para que o crente não é mais controlado ou dominado pelo pecado e não
gosta de pecado. Paulo diz: "Da mesma forma, considerem-se mortos para o
pecado, mas vivos para Deus
em Cristo
Jesus ... Pois o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da
lei mas debaixo da graça" (Romanos 6:11 , 14).Paulo diz que os cristãos
foram "libertados do pecado" (Romanos 6:18). Neste contexto, sendo
mortos para o pecado ou ser livre do pecado envolve ações ou poder de superação
de padrões de comportamento pecaminosos em nossas vidas. Paulo diz aos romanos:
"Não deixe que o pecado reinar em vosso corpo mortal, obedeçais às suas
paixões. Não oferecem as partes de seu corpo ao pecado como instrumentos de
iniqüidade, mas oferecei-vos a Deus "(Romanos 6:12-13). Sendo mortos para
o pecado poder dominante significa que nós, como cristãos, pelo poder do
Espírito Santo e da vida de ressurreição de Cristo no trabalho dentro de nós,
temos o poder para vencer a tentação e sedução do pecado. O pecado já não ser o
nosso mestre como era antes de nos tornarmos cristãos. Em termos práticos, isto
significa que nós afirmamos duas coisas como verdadeiras. Por um lado, nunca
seremos capazes de dizer: "Eu sou completamente livre de pecado",
porque a nossa santificação nunca está totalmente concluída (veja abaixo). Por
outro lado, um cristão nunca deve dizer (dizer) 'Esse pecado tem me derrotou,
eu desisto. Eu tinha um temperamento ruim para 37 e terei até o dia que eu
morrer, e pessoas que terão de suportar como eu sou. " Para dizer que o
pecado é reconhecer que você domina. É deixar o pecado reinar em nossos corpos.
É a admitir a derrota. É negar a verdade das Escrituras que nos dizem: "Da
mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo
Jesus" (Romanos 6:11). É negar a verdade das Escrituras que nos dizem que
"o pecado não terá domínio sobre vós" (Rm 6:14). A ruptura inicial com
o pecado, envolvendo uma reorientação dos nossos desejos, para que já não temos
uma inclinação para o pecado dominante em nossas vidas. Paulo sabe que seus
leitores eram escravos do pecado (como são todos os incrédulos), mas diz que
eles não são mais escravos. "Mas graças a Deus que, embora você eram
escravos do pecado, de todo coração obedecido o ensinamento que eram confiadas.
Com efeito, tendo sido libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça
"(Romanos 6:17-18). Esta mudança de os desejos e da inclinação da pessoa
ocorre no início da santificação. [3] 2. Santificação é crescente ao longo da
vida. Embora o Novo Testamento fala de um começo de santificação, também vê-lo
como um processo que continua ao longo da nossa vida cristã. Em geral, este é o
sentido primário em que a santificação é agora usado na teologia sistemática e
conversa cristã. [4] Embora Paulo diz aos seus leitores que foram libertos do
pecado (Romanos 6:18), e estão "mortos para o pecado, mas vivos para Deus
em Cristo Jesus" (Romanos 6:11), ele, no entanto, reconhece que o pecado
permanece em suas vidas, de modo que não permite efectuar chamadas para reinar
neles e dar-nos ao pecado (Romanos 6:12-13). Sua tarefa, portanto, como
cristãos é crescer mais e mais na santificação, da mesma forma como antes
estava cada vez mais no pecado. "Falo em termos humanos, devido às
limitações da natureza humana. Antes de oferecer-lhe os membros do seu corpo em
escravidão à impureza e à cada vez maior do que maldade, então agora oferecê-los
a justiça conduz à santidade "(Romanos 6:19, os termos" antes
"e" agora "[gr hosper ... houtos.] indicam que Paulo quer que
eles façam isso da mesma forma: Se" antes de "cada vez mais o
espectáculo o pecado," agora "cada vez mais oferecer-vos justiça pela
santificação). Paulo disse que toda a vida cristã "todos nós ... somos
transformados à sua semelhança com glória cada vez maior da parte do
Senhor" (2 Coríntios 3:18). Estamos nos tornando mais semelhante a Cristo
como nós vamos na vida cristã. Portanto, ele diz: "Irmãos, não acho que eu
ainda não ter tomado já. Em vez disso, uma coisa faço: esquecendo o que fica
para trás e para o que está adiante, prossigo para o alvo para ganhar o prémio
para o qual Deus me chamou para o céu em Cristo Jesus "(Fl 3:13-14).Com isso,
o apóstolo não está dizendo que quer perfeito, mas continua a atingir esses
fins para os quais Cristo tinha guardados (vv. 9-12). Paulo diz aos
Colossenses: "Não minta para si, agora que eles tiraram a roupa da velha
natureza com seus vícios, e vos vestistes do novo, o qual está sendo renovado
em conhecimento, à imagem de seu Criador "(Cl 3:10), mostrando assim que a
santificação envolve uma crescente semelhança de
Deus em
nossos pensamentos e nossas palavras e ações.O autor de Hebreus diz a seus leitores:
"jogar fora tudo o que nos impede de lastro, eo pecado que tão facilmente
embaraça" (Hb 12:1), e "procurar ... a santidade sem a qual ninguém
verá o Senhor" (I 12 : 14).Tiago encoraja seus leitores: "Não apenas
ouvir a palavra, e assim enganar a si mesmo. Leve-a à prática "(Tiago
1:22), e Pedro diz aos seus leitores:" Em vez disso, você é santo em tudo
que você faz, como aquele que vos chamou é santo "(1 Pedro 1:15). Não é
necessário acumular muitas citações mais porque grande parte do Novo Testamento
é composto de instruções para os crentes em várias igrejas sobre como devem
crescer em Cristo. Todas as exortações morais e mandamentos nas epístolas do
Novo Testamento se aplica aqui, porque todos eles encorajar os crentes a
crescer um ou outro aspecto de maior santidade em suas vidas. A expectativa de
todos os escritores do Novo Testamento é que a nossa santificação aumentar ao
longo da nossa vida cristã. 3. A santificação é completa em morte (nossas
almas) e quando o Senhor voltar (nossos corpos). Porque o pecado continua em
nossos corações, mas nós nos tornamos cristãos (Rm 6:12-13, 1 Jo 1:8), a nossa
santificação jamais é completa nesta vida (ver abaixo). Mas, uma vez morremos e
vamos estar com o Senhor, então a nossa santificação estará concluída em um
sentido, porque as nossas almas serão liberados do pecado e ser perfeito. O
autor de Hebreus diz que, quando entrar na presença de Deus a adoração que nós,
como "os espíritos dos justos aperfeiçoados" (Atos 12:23).Isto é
apropriado porque é uma antecipação do fato de que "nunca entrar nele nada
impuro" refere-se a entrar na presença de Deus na cidade celestial (Ap
21:27). No entanto, agradecemos que a santificação envolve a pessoa inteira,
inclusive os nossos corpos (veja 2 Coríntios 7:1, 1 Tessalonicenses 5:23),
então percebemos que a santificação não está totalmente concluída até a volta
do Senhor e receber novos corpos ressuscitados. Aguardamos a vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo do céu e "Ele transformará o nosso pobre corpo para
ser como o seu corpo glorioso" (Filipenses 3:21). É "quando ele vem"
(1 Cor. 15:23) que receberemos um corpo de ressurreição e, em seguida,
"devemos trazer também a imagem do [homem] nos céus" (1 Cor. 15:49).
[5] Nós colocamos para fora o processo de santificação, como mostrado na Figura
38.1, mostrando que somos escravos do pecado antes da conversão, (1) que há um
começo de santificação no momento da conversão, (2) que a santificação deve
aumentou ao longo da vida cristã, e (3) que a santificação é aperfeiçoado em
morte. (Por uma questão de simplicidade omitimos nesta tabela a conclusão da
santificação quando recebermos nossos corpos ressuscitados.)
O processo
de santificação Tabela 38,1 Eu tenho mostrado na tabela o progresso da
santificação como uma linha irregular, indicando que o crescimento em
santificação nem sempre é uma linha reta até nesta vida, mas o progresso da
santificação acontece às vezes, enquanto em outros Às vezes percebemos que
estamos recebendo algo em troca. Em um caso extremo, um crente que faz pouco
uso dos meios de santificação, e prefiro ter má educação, não andar com os
cristãos e paga pouco atenção à Palavra de Deus ea oração pode levar muitos
anos e têm
pouco
progresso no processo de santificação, mas isto certamente não é normal eo que
é esperado na vida cristã. É realmente muito incomum. 4. Santificação nunca é
completada nesta vida. Houve alguns na história da Igreja que tomaram ordens,
tais como Mateus 5:48 ("Portanto, sede perfeitos, como vosso Pai celeste é
perfeito") ou 2 Coríntios 7:1 ("purificarnos de toda a imundícia
corpo e do espírito, aperfeiçoando o temor de Deus na obra de nossa
santificação ") e ter raciocinado que desde que Deus nos dá estes
mandamentos, ele também deve nos dar a capacidade de obedecer perfeitamente.Eles
têm, portanto, concluiu, é possível para nós para obter um estado de perfeição
sem pecado nesta vida. Além disso, apontam para a oração de Paulo para os
tessalonicenses, "Maio o próprio Deus, o Deus da paz, vos santifique em
tudo" (1 Tessalonicenses 5:23), e inferir que pode ser que a oração de
Paulo ser cumprida em algum cristãos de Tessalônica. Na verdade, John ainda
diz: "Todo aquele que pratica o pecado não, viu, nem conheceu" (1 Jo
3:6). São estes versos falam da possibilidade de perfeição sem pecado na vida
de alguns cristãos? Neste estudo, eu uso o perfeccionismo palavra para se
referir a este ponto de vista de que a perfeição sem pecado é possível nesta
vida. Se olharmos com atenção vemos que essas passagens não apóiam a posição
perfeccionista. Em primeiro lugar, não simplesmente ensinado nas Escrituras que
quando Deus dá uma ordem, ele também nos dá a capacidade de obedecê-Lo em cada
caso. [6] Deus ordena que todos em toda parte a obedecer todas as leis morais e
é culpado de não obedecê-las, mesmo quando as pessoas são pecadores e não
resgatadas, como tal, são mortos em nossos delitos e pecados, e que torna
impossível obedecer aos mandamentos de Deus. Quando Jesus nos ordena a sermos
perfeitos como nosso Pai celeste é perfeito (Mt 5:48), estamos simplesmente
dizendo que a pureza absoluta de Deus moral é o objetivo para o qual
pretendemos e o padrão pelo qual Deus vai perguntar contas. O fato de que não
somos capazes de viver até aquele ideal não significa que será reduzido, mas
significa que nós precisamos da graça e do perdão de Deus para superar o que
resta do pecado em nós. Da mesma forma, quando Paul comanda o Corinthians para
completar a
obra da santificação no temor do Senhor (2 Cor 7:1), ou pedir em oração que
Deus totalmente santificar os tessalonicenses (1 Tessalonicenses 5:23), é
apontando para o objetivo que ele quer que cheguem. Não estou dizendo que
alguns vão ficar, mas isso é o ideal moral que Deus quer que todos os crentes
aspiram. A declaração de João: "Qualquer que permanece nele não vive pecando"
(1 João 3:6, [RVR 1960) não está ensinando que alguns de nós atingir a
perfeição, porque o tempo presente de verbos em grego é melhor traduzida como
indicador de uma ação contínua ou atividade normal, "Todo aquele que
permanece nele,] não praticar pecado.Todo aquele que pratica o pecado, não
viram, nem conheceu "(1 Jo 3:6, [NVI).Esta declaração é semelhante ao que
fez John poucos versos depois: "Nenhum homem é nascido de Deus não comete
pecado, porque a semente de Deus permanece nele, não pode praticar o pecado,
porque é nascido de Deus" (1 Jo 3 : 9). Se tomarmos estes versos para
provar a perfeição sem pecado teria que provar a todos os cristãos, porque eles
estão falando sobre o que é verdadeiro de todos os que são nascidos de Deus, e
todo mundo que viu Cristo e conhecidos dele. ] [7] Portanto, parece haver
nenhum versículo na Bíblia que é convincente no ensino é possível para qualquer
ser humano para ser completamente livre do pecado nesta vida. Por outro lado,
há passagens em ambos Testamentos Antigo e Novo ensinam claramente que não
podemos ser moralmente perfeito nesta vida. Na oração de Salomão na dedicação
do templo, diz ele, "Já que nenhum homem que não peque, se o teu povo
pecado contra ti ..." (1 Reis 8:46).Da mesma forma, lemos uma pergunta retórica
com uma resposta negativa implícita em Provérbios 20:9: "Quem pode
dizer:" Eu tenho um coração puro, estou limpo do pecado "?" E
nós também ler uma declaração explícita em Eclesiastes 7:20: ". Ninguém na
terra tão bela que faz bem, e nunca pecados" No Novo Testamento,
encontramos Jesus enviando seus discípulos a rezar assim: "Dá-nos hoje o
nosso pão de cada dia. Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos
aos nossos devedores "(Mateus 6:11 12).Assim como a oração para o nosso
pão de cada dia nos dá um modelo de oração que devemos repetir todos os dias,
assim que o pedido de perdão dos pecados está incluído no tipo de oração que
devemos fazer todos os dias de nossas vidas como crentes. Como dito acima,
quando Paulo fala sobre o poder do pecado que recebe o cristão não está dizendo
que não haverá pecado na vida cristã, mas apenas que o crente e não deixar
"reinado" no seu corpo ou " oferece "os seus membros para o
pecado (Romanos 6:12-13). Não estou dizendo que não vai pecar, mas o pecado não
"ter domínio" sobre eles (Rom. 6:14). O próprio fato de dar estas
instruções mostra que ele percebeu que o pecado continue na vida dos crentes ao
longo de suas vidas na Terra. Mesmo James, o irmão do Senhor poderia dizer:
"Todos nós tropeçamos muito" (Tiago 3:2), e se o próprio James pode
dizer que, então nós também devemos estar dispostos a dizer.Finalmente, na
mesma carta em que João declarou muitas vezes que um filho de Deus não vai
continuar em um padrão de comportamento pecaminoso, ele também diz claramente:
"Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos e temos a
verdade "(1 João 1:8). Aqui João está excluindo explicitamente a
possibilidade de ser completamente livre de pecado em nossas vidas. Na verdade,
diz que qualquer pessoa que diz ser livre do pecado é simplesmente enganando a
si mesmo, ea verdade não está nele. [8] Mas uma vez concluímos que a
santificação, nunca é completa nesta vida, devemos exercitar a sabedoria
pastoral e cuidado na forma como usamos esta verdade. Alguns podem tomar isso e
usá-lo como uma desculpa para não se esforçam para a santidade ou santificação
crescimento, que é o oposto de dezenas de outros mandamentos no Novo
Testamento. Outros podem pensar sobre o fato de que não podemos ser perfeito na
vida e perder a esperança de progresso na vida cristã, uma atitude que também é
contrário ao claro ensino de Romanos 6 e outras passagens sobre o poder da
ressurreição de Cristo para que possamos vencer o pecado. Portanto, embora
nunca santificação completa nesta vida, devemos também ressaltar que nunca
devemos parar de aumentá-lo em nossas vidas.
Além disso,
como os cristãos crescem em classes de maturidade que permanecem pecados em
suas vidas, muitas vezes não são pecados tanto de palavras e ações que são
externamente visível para os outros, mas os pecados atitudes internas e motivos
do coração, tais desejos como o orgulho eo egoísmo, a falta de coragem ou de
fé, falta de zelo e amor a Deus com todo nosso coração e ao nosso próximo como
a nós mesmos, e não confiar totalmente em Deus sobre tudo o que prometeu todas
as circunstâncias. Esses pecados autênticos! Mostre como estávamos longe da
perfeição moral de Cristo. No entanto, reconhecendo a natureza desses pecados
que persistem mesmo nos cristãos mais maduros também ajuda a proteger contra
malentendidos quando dizemos que ninguém vai ser livres do pecado nesta vida. É
certamente possível que muitos cristãos estão livres em muitas vezes ao longo
do dia de atos conscientes da desobediência a Deus em suas palavras e ações. Na
verdade, se os líderes cristãos estão indo ser um "modelo de papel no
discurso, na conduta, e de amor, fé e pureza" (1 Tm 4:12), então muitas
vezes é verdade que suas vidas serão palavras livres e ações que outros
considerados indesejáveis.Mas isso está longe de ter alcançado a liberdade
completa do pecado em nossas motivações, pensamentos e intenções do coração.
John Murray observa que quando o profeta Isaías estava na presença de Deus a
sua reação foi: "Então eu disse:" Ai de mim, estou perdido! Sou um homem
de lábios impuros e habito no meio dum povo de lábios impuros, e meus olhos
viram o Rei, o Senhor Todo-Poderoso! " (Is 6:5). E quando Jó, cuja justiça
foi inicialmente elogiado na história de sua vida, quando ele estava diante de
Deus Todo-Poderoso, só poderia dizer: "Eu tinha ouvido rumores sobre você,
mas agora eu vejo com meus próprios olhos. Então eu retiro o que disse, e me
arrependo no pó e na cinza "(Jó 42:5-6). Murray concluiu com base nesses
exemplos e muitos outros santos em toda a história da igreja: Na verdade, o
mais santificado é um crente, será feita à imagem de seu Salvador, a mais deve
ser contra qualquer falta de conformidade com a santidade divina. A percepção
mais profunda da majestade de Deus, o amor mais intenso por Deus, o
mais persistente
desejo seu para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus, a vontade
mais consciente da gravidade do pecado permanece nele e maior aversão a dele
... Não era esse o efeito de todos os servos de Deus para ser cada vez mais
estreita com a revelação da santidade de Deus? [9] C. Deus eo homem cooperam na
santificação Alguns (como John Murray) [10] objeto de dizer que Deus eo homem
"cooperar" em santificação, porque quero enfatizar que esta é a
principal obra de Deus e nossa parte na santificação é apenas secundária (veja
Filipenses 2:12-13) .No entanto, se explicar claramente a natureza do papel de
Deus e nosso papel na santificação, não é inadequado dizer que Deus eo homem
cooperam na santificação. Deus opera em nossa santificação e nós também, e
trabalhar para o mesmo fim. Nós não estamos dizendo que temos partes iguais na
santificação ou ambos trabalham da mesma maneira, mas apenas dizendo que nós
cooperamos com Deus de maneiras que são apropriadas para a nossa condição de
criaturas de Deus, eo fato de que as Escrituras enfatizam o papel temos em
santificação (com todos os mandamentos moral do Novo Testamento), a torna
apropriada a ensinar que Deus nos chama a colaborar com ele nessa atividade.
[11] 1. A mão de Deus na santificação. Uma vez que a santificação é obra de
Deus, é conveniente que Paulo orou dizendo: "Que o próprio Deus, o Deus da
paz, vos santifique em tudo" (1 Tessalonicenses 5:23). Uma das funções
específicas de Deus Pai, em santificação é o processo de disciplinar seus
filhos (ver Hebreus 2:5-11). Paulo diz aos filipenses: "é Deus quem opera
em vós o querer eo fazer para obter a sua boa vontade" (Fl 2:13),
indicando que algo da maneira em que Deus santificou, fazendo Desejo-lhes a
vontade eo poder de cumpri-la.O autor de Hebreus fala dos papéis do Pai e do
Filho na bênção da família, "O Deus que dá a paz ... que ele treinou em
tudo de bom para fazer a Sua vontade. E, por meio de Jesus Cristo, Deus
cumprisse em nós o que lhe agrada. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém
"(Atos 13:20-21). O papel de Deus, o Filho, Jesus Cristo, a santificação
é, primeiro, que ganhou a nossa santificação.Portanto, Paulo pode dizer que
Deus fez de Cristo ", que é a nossa sabedoria, justiça, santificação e
redenção" (1 Coríntios 1:30). Além disso, no processo de santificação
Jesus é o nosso exemplo, porque a corrida da vida "[definição] olhos em
Jesus, autor e consumador da nossa fé" (Hb 12:2).Peter diz a seus
leitores: "Cristo sofreu por vós, deixando-o um exemplo a seguir seus
passos" (1 Pedro 2:21). E João diz: "aquele que diz estar nele deve
andar como ele andou" (1 João 2:6). Mas Deus é o Espírito Santo que
trabalha especificamente dentro de nós para nos transformar e santificar-nos,
dando-nos maior santidade da vida. Pedro fala de "obra santificadora do
Espírito" (1 Pedro 1:2), e Paulo também fala de "obra santificadora
do Espírito" (2 Tessalonicenses 2:13). É o Espírito Santo que opera em nós
"o fruto do Espírito" (Gl 5:22-23), aqueles traços que fazem parte de
uma maior santificação diária. Se crescer no "andar no Espírito"
santificação e são "guiados pelo Espírito" (Gl 5:16-18; [Cf.Ro 8:14),
isto é, estamos cada vez mais sensível aos desejos e encorajamento do Espírito
Santo em nossa vida e caráter. O Espírito Santo é o espírito de santidade e de
santidade gerada dentro de nós.] [12] 2. Nossa parte na santificação. A parte
que nos manter na santificação é passiva em que tanto dependemos de Deus para
nos santificar, como ativo, no qual nós nos esforçamos para obedecer a Deus e
tomar medidas que vão aumentar a nossa santificação.Vamos agora considerar os
dois aspectos do nosso papel na santificação. Primeiro, qual o papel que
poderíamos chamar de "passivo" que temos em santificação vemos nos
textos que nos encorajam a confiar em Deus e orar pedindo-lhe para nos
santificar. Paulo diz aos seus leitores ", mas sim oferecer-vos a Deus
como aqueles que foram trazidos da morte para a vida" (Rom. 6:13, cf V.
19.), E diz a todos os cristãos em Roma: "oferecerdes vossos corpos em
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus "(Romanos 12:1).Paulo percebe
que depender do Espírito Santo para crescer na santificação, porque ele diz:
"Se pelo Espírito fizerdes morrer os atos do corpo, viverão" (Romanos
8:13). Infelizmente, esse papel "passivo" na santificação, a idéia de
oferecer a Deus e confiar nele para produzir em nós "tanto o querer como o
fazer para
obter a boa
vontade dele" (Filipenses 2:13) enfatiza tanto hoje isso é tudo que as
pessoas ouvem falar do caminho da santificação. Às vezes a frase popular de
"deixar e deixar Deus" é apresentado como um resumo de como viver a
vida cristã. Mas isso é uma distorção trágica da doutrina da santificação,
porque ele só fala sobre a metade da parte que devemos fazer e, por si só,
levar os cristãos a ser preguiçoso e negligenciar o papel activo que a
Escritura nos ordena a temos em nossa própria santificação. O apóstolo Paulo
nos diz em Romanos 8:13 o papel ativo que temos, quando ele diz: ". Se
pelo Espírito mortificardes os atos do corpo, viverão"Paulo reconhece que
aqui é "o Espírito" que somos capazes de. Mas também nos diz que
devemos fazê-lo! Ele envia o Espírito Santo para dar a morte aos atos do corpo,
mas o cristão! Da mesma forma, Paulo diz aos filipenses: "Então, meus
queridos amigos, como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito
mais agora na minha ausência para levar a cabo a sua salvação com temor e
tremor, porque Deus é que opera em vós o querer eo fazer para obter a sua boa
vontade "(Fl 2:12-13). Paulo exorta-os a obedecer, mesmo quando ele estava
presente com eles. Ele diz que a obediência é o meio pelo qual eles "[ter]
para trabalhar a vossa salvação", o que significa que a área deve
continuar lización os benefícios da salvação em sua vida cristã. [13] Os
filipenses tiveram que assegurar que o crescimento na santidade, e fazê-lo com
solenidade e reverência ("com temor e tremor") porque eles estão
fazendo na presença de Deus. Mas há mais: A razão pela qual eles devem
trabalhar e espero que seu trabalho seja bem sucedido é porque "Deus é quem
efetua em vós ..." o trabalho anterior e fundamental para a santificação
de Deus significa que seu trabalho é fortalecido por Deus , assim vale a pena e
vai dar resultados positivos. Há muitos aspectos do papel ativo que devem
desempenhar na santificação. Devemos "[procurar] ... a santidade, sem a
qual ninguém verá o Senhor" (Atos 12:14).Devemos longe "imoralidade
sexual", porque "a vontade de Deus que são santificados" (1
Tessalonicenses 4:3).João diz que eles esperam para ser como Cristo, quando ele
parece trabalhar ativamente na purificação de sua vida: "Todo mundo que
tem esta esperança, purifica
lo a si
mesmo, como ele é puro" (1 Jo 3:3).Paulo diz aos Coríntios que "fujam
da imoralidade sexual" (1 Coríntios 6:18), e não junte-se a jugo desigual
com os incrédulos "(2 Coríntios 6:14, KJV 1960).Então ele diz:
"purificar-nos de tudo o que contamina o corpo eo espírito, aperfeiçoando
o temor de Deus na obra de nossa santificação" (2 Cor 7:1).Este tipo de
luta pela obediência e santidade pode envolver um grande esforço da nossa parte
porque Peter diz a seus leitores a "lutar" para crescer em
funcionalidades que estão de acordo com a piedade (2 Pedro 1:5).Muitas
passagens específicas do Novo Testamento nos encorajam a prestar muita atenção
a vários aspectos da santidade e piedade na vida (cf. Rm 12:01-13:14, Efésios
4:17 - 6:20, Fl 4 4-9; Col 3:05 - 4:06, 1 P 2:11 - 5:11; [Et al.).Devemos
constantemente construir padrões e hábitos de santidade, porque a medida da
maturidade é que os cristãos maduros "têm a capacidade de distinguir entre
o bem eo mal, porque eles exerceram o seu poder de percepção espiritual"
(Atos 5:14).] O Novo Testamento não sugere qualquer atalho pelo qual crescemos
em santificação, mas só nos incentivou repetidamente a dar-nos a meio da leitura
da Bíblia antiga e famosa e meditação (Salmo 1:2; Mt 4: 4; Jo 17:17) oração (Ef
6:18, Fp 4:6), adoração (Ef 5:18-20), testemunho (Mt 28:19-20), a comunhão
cristã (Atos 10 :24-25), auto-disciplina e auto-controle (Gálatas 5:23, Tito
1:8). É importante que continuemos a crescer na confiança passiva em Deus para
a nossa santificação eo nosso esforço ativo para a santidade e maior obediência
em nossas vidas. Se negligenciarmos o esforço ativo para obedecer a Deus,
tornamo-nos cristãos passivos e preguiçosos. Se negligenciarmos o papel passivo
de confiança em Deus e entregar a ele, tornamo-nos muito orgulhosos e
confiantes em nós mesmos. Em qualquer caso, a nossa santificação é pobre.
Devemos manter a fé e diligência em obedecer ao mesmo tempo. O antigo hino diz:
"Ouve, e confiança em Jesus é a régua marcada para andar na luz."
[14] Nós adicionamos mais um ponto em nosso estudo do nosso papel na
santificação: A santificação é um processo corporativo no Novo
Testamento.
Acontece na comunidade. Ele nos chama: "Pense em maneiras de um outro,
para nos estimularmos ao amor e boas obras.Não deixemos de reunir, como fazem
algumas pessoas, mas vamos incentivar um ao outro, e mais como vedes que o Dia
se aproxima "(Hebreus 10:24-25). Cristãos juntos "são como pedras vivas,
que está construindo uma casa espiritual. Assim, tornar-se um sacerdócio santo
"(1 Pedro 2:5), juntos, são uma" nação santa "(1 Pedro 2:9), em
conjunto, são instados a" encorajar uns aos outros e edificar uns aos
outros, assim como fazer "(1 Tessalonicenses 5:11). Paulo pede aos irmãos
de Éfeso que "para viver uma vida digna da vocação que receberam"
(Efésios 4:1) e, assim, viver em comunidade ", humilde e manso, paciente,
suportando uns aos outros em amor. Esforce-se para manter a unidade do Espírito
pelo vínculo da paz "(Ef 4:2-3). Quando isso acontece, o corpo de Cristo
funciona como um todo unificado, cada parte funcionando corretamente, de modo
que a santificação corporativa acontece quando "o corpo todo cresce e se
constrói com amor" (Ef 4:16, cf. 1 Coríntios 12:12-26, Gal. 6:1-2).
Significativamente, o fruto do Espírito inclui muitas coisas que servem para
construir uma comunidade ("amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade,
bondade, fidelidade, mansidão e auto-controle" Gálatas 5:22-23), enquanto
" obras da natureza pecaminosa "destruir a comunidade ("
imoralidade sexual, impureza e libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio,
discórdia, ciúme, acessos de raiva, ambição egoísta, dissensões, facções e
inveja, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes " Gal 5:19-21). D.
Santificação envolve toda a pessoa Vemos que a santificação afeta nosso
intelecto e inteligência quando Paulo diz que devemos colocar-se do novo
"que está sendo renovado em conhecimento, à imagem de seu Criador"
(Cl 3:10).Ele reza que os filipenses para ver seu amor "abunde mais e mais
no conhecimento e bom senso" (Fl 1:9). E exorta os cristãos romanos para
"transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Romanos 12:2).
Embora o nosso conhecimento de Deus é mais do que conhecimento intelectual, não
é certamente um componente intelectual, e Paulo diz que esse conhecimento de
Deus deve
aumentar
sobre as nossas vidas "viver de modo digno do Senhor para o seu inteiro
agrado" ( Col 1:10). A santificação dos nossos intelectos envolvem o crescimento
em sabedoria e conhecimento para ser gradualmente "[tendo] cativo todo
pensamento para torná-lo obediente a Cristo" (2 Coríntios 10:5) e achar
que os nossos pensamentos estão recebendo os pensamentos que Deus nos ensina
através da Sua Palavra. Além disso, o crescimento na santificação afeta nossas
emoções.Veremos cada vez mais em nossas emoções da vida como "amor,
alegria, paz, paciência" (Gl 5:22). Nós vemos mais e mais capaz de
obedecer o comando de Pedro de longe dos "desejos pecaminosos, que a guerra
contra a sua alma" (1 Pedro 2:11). Cada vez mais achar que "ele [o
amor] o mundo ou qualquer coisa nele» (1 Jo 2:15), mas que nós, como nosso
Salvador, regozijamo-nos a vontade de Deus. Em uma medida cada vez maior que
"[vontade subject] coração" (Romanos 6:17), e abandonar as emoções
negativas da "amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, juntamente
com toda a malícia" (Efésios 4: 31). Além disso, a santificação afetar
nossa vontade, o poder de tomada de decisão, porque Deus está trabalhando em
nós, "é Deus quem opera em vós o querer eo fazer para obter a sua boa
vontade" (Fp 2:13 .)À medida que crescem na santificação, nossa que
respeitar mais e mais à boa vontade de nosso Pai celestial. Santificação também
afetam o nosso espírito, a parte não-física de nossos seres.Devemos
"[purificar] de tudo o que contamina o corpo eo espírito, aperfeiçoando o
temor de Deus na obra de nossa santificação" (2 Cor 7:1), e Paulo nos diz
que a preocupação com "as coisas do Senhor "leva a" dedicar-se
ao Senhor em corpo e espírito "(1 Coríntios 7:34). [15] Finalmente, a
santificação afeta nossos corpos físicos.Paulo diz: "Que o próprio Deus, o
Deus da paz, vos santifique completamente, e manter todo o seu ser-espírito,
alma e corpo - irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1
Tessalonicenses 5:23).Além disso, Paulo incentivou os coríntios a limpar
"tudo o que contamina o corpo eo espírito, aperfeiçoando o temor de Deus
na obra de nossa santificação" (2 Coríntios 7:1, cf.1
Coríntios
7:34). Para correr mais santificados em nossos corpos, eles estão se tornando
servos mais úteis de Deus, mais receptivo à vontade de Deus e os desejos do
Espírito Santo (cf. 1 Coríntios 9:27). [16] Nós não vamos deixar o pecado
reinar em nossos corpos (Romanos 6:12), nem participar em qualquer forma de
imoralidade (1 Coríntios 6:13), mas tratar o corpo com cuidado e reconhecer que
eles são meios pelos quais o Espírito Santo trabalha em nossas vidas. Portanto,
não ser molestado ou abusado de qualquer jeito, mas vou tentar ser útil e
sensível à vontade de Deus: "Não sabeis que o vosso corpo é templo do
Espírito Santo que está em vós e que tenham recebido Deus? Você não é sua;
foram comprados por um preço. Portanto, honrar a Deus no vosso corpo "(1
Coríntios 6:19-20). E. Motivo para obedecer a Deus na vida cristã Os cristãos,
por vezes, não reconhecem a ampla variedade de razões para obedecer a Deus que
encontramos no Novo Testamento. (1) É verdade que o desejo de agradar a Deus e
expressar nosso amor por ele é uma razão muito importante para obedecer. Jesus
disse: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (Jo 14:15), e
"Quem é ele que me ama? A tão reivindicada meus mandamentos e os guarda
"(Jo 14:21, cf. 1 João 5:3). Mas também nos dá muitas razões: (2) a
necessidade de manter a consciência limpa diante de Deus (Rm 13:5, 1 Timóteo
1:5, 19-20; 2 Timóteo 1:3, 1 Pe 3:16) (3), o desejo de ser "vasos para
usos mais nobres" e têm uma maior eficiência ao trabalho do reino de Deus
(2 Tim 2:20-21), (4) o desejo de ver os incrédulos vindo a Cristo mediante o
testemunho de nossas vidas (1 Pedro 3:1-2, 15-16), (5) o desejo de apresentar
as bênçãos de Deus em nossa vida e ministério (1 Pedro 3:9-12), (6 ) o desejo
de evitar desconforto ou disciplina de Deus em nossa vida (aa às vezes chamado
de "medo de Deus") (Atos 5:11; 9:31, 2 Coríntios 5:11, 7:1, Ef 4: 30,
Phil 2:12, 1 Tm 5:20;. I, 12:3-11, 1 Pedro 1:17, 2:17, cf o estado de
não-crentes em Romanos 3:18), (7) o desejo do buscar uma maior recompensa
celeste (Mateus 6:19-21, Lucas 19:17-19, 1 Coríntios 3:12-15, 2 Coríntios
5:9-10); [17] (8) o desejo de caminhar em uma relação mais íntima com Deus (Mt
5:8, Jo 14:21, 1 João 1:6, 3:21-22, e no Antigo Testamento (Salmos 66:18 ;
É 59:2), (9)
que os anjos desejam glorificar a Deus pela nossa obediência (1 Tm 5:21, 1 Pe
1:12), (10) o desejo de paz (Filipenses 4:9) e alegria (Ele 12:1-2) em nossas
vidas, e (11) o desejo de fazer o que Deus nos ordena, simplesmente porque seus
mandamentos são justos, e nos deleitamos em fazer o que é certo (Filipenses
4:8, cf .Salmo 40:8) F. A beleza ea alegria da santificação Seria errado para
acabar com este estudo, sem notar que a santificação nos traz grande alegria.
Quanto mais crescemos na semelhança de Cristo, tanto mais que experimentar
pessoalmente a "alegria" e "paz" que fazem parte do fruto
do Espírito (Gl 5:22), e quanto mais nos aproximamos do tipo de vida que vamos
o céu. Paulo diz que à medida que crescemos em obediência a Deus, nós colhemos
"a santidade que conduz à vida eterna" (Romanos 6:22). Ele percebe
que esta é a fonte da verdadeira alegria. "Porque o reino de Deus não é
comida nem bebida, mas justiça de paz, e alegria no Espírito Santo" (Rm
14:17). À medida que crescem em santidade nós crescemos em conformidade com a
imagem de Cristo, e cada vez mais vendo mais do seu caráter em nossas vidas.
Este é o objetivo da perfeita santificação que esperamos e longo prazo, e será
nossa quando Cristo voltar. "Todo mundo que tem esta esperança purifica-se
nele, assim como ele é puro" (1 João 3:3).
PERGUNTAS PESSOAIS
DE APLICAÇÃO
1. Você consegue se lembrar de sua própria
experiência o momento definidor de início da santificação quando ele se tornou
um cristão? Você sentiu uma clara ruptura com o poder dominante eo amor do
pecado em sua vida? Você realmente acredita que até agora ele está morto para o
poder eo amor do pecado em sua vida? Pode esta verdade da vida cristã ser útil
em áreas específicas de sua vida onde você ainda precisa de crescer em
santidade?
2. Olhando para os últimos anos de sua vida
cristã, você pode ver um padrão definido de crescimento em santidade? O prazer
e as coisas que não são mais do seu interesse? Quais são algumas coisas que não
tinham interesse e agora tem grande interesse para você?
3. Como ele cresceu em uma maior maturidade e
santidade na vida cristã, você já fez mais conscientes do peso do pecado que
permanece em seu coração? Se não, porque não foi? Você acha que seria bom se
você tem uma maior consciência do pecado que permanece em sua própria vida? Se
assim fosse, qual seria a diferença em sua vida?
4.
Como a vida seria afetada se eu pensasse mais sobre o fato de que o
Espírito Santo está trabalhando continuamente em você para aumentar a sua
santificação? Ao viver a vida cristã, você tem mantido um equilíbrio entre o
papel passivo e ativo na santificação, ou tende a enfatizar um aspecto sobre o
outro? Por quê? O que eu poderia fazer para corrigir este desequilíbrio, se
houver em sua vida?
5. Se você tivesse que se pensava que a
santificação afeta seu intelecto e sua maneira de pensar? Quais são as áreas de
seu intelecto ainda precisam de algum crescimento na santificação? Com relação
às suas emoções, que áreas precisam saber que Deus continue a trabalhar em você
para produzir maior santificação? Há alguma área ou aspectos de santificação
que você precisa melhorar em seu corpo físico, em obediência aos propósitos de
Deus?
6. Existem áreas em que tem lutado por anos
para crescer na santificação, mas não estão vendo o progresso em sua vida? Tem
este capítulo ajudou a restaurar a esperança de progresso nessas áreas? (Para
os cristãos que estão muito desanimados com a falta de progresso na
santificação, é muito importante para falar pessoalmente com um cristão pastor
ou madura sobre essa situação, em vez de deixá-lo ir mais longe.)
7. Em geral, o que tem este capítulo de
estímulo ou desestímulo para você na vida cristã?
TERMOS
ESPECIAIS
perfeccionismo
perfeição
sem pecado
santificação
3.
X. Santificação
A. Termos
Bíblicos Para Santificação e Santidade.
1. TERMOS DO
VELHO TESTAMENTO. A palavra veterotestamentária para “santificar” é qadash,
verbo empregado nas formas niphal, do hiphil e do hithpa’el. O substantivo
correspondente é qodesh, enquanto que o adjetivo é qadosh. As formas verbais
são derivadas das formas nominal e adjetiva. O significado original destas
palavras é incerto. Alguns são de opinião que o vocábulo qadash é relacionado
com chadash, significando “brilhar”. Isso estaria em harmonia com o aspecto
qualitativo da idéia bíblica de santidade, a saber, a de pureza. Outros, com
maior grau de probabilidade, derivam-no da raiz qad, significando “cortar”.
Isto faria da idéia de separação a idéia original. A palavra indicaria, então,
isolamento, separação, ou majestade. Embora esta significação das palavras
“santificação” e “santidade” possa parecer-nos inusitada, é, com toda a
probabilidade, a idéia fundamental expressa por elas. Diz Girdelstone: “Os
termos ‘santificação’ e ‘santidade’ são atualmente empregados com tanta
freqüência para descrever qualidades morais e espirituais, que mal comunicam ao
leitor a idéia de posição ou de relação existente entre Deus e uma pessoa ou
coisa a Ele consagrada; contudo, vê-se que este é o significado real da
palavra.”1 Similarmente, Cremer-Koegel chama a atenção para o fato de que a
idéia de separação é fundamental quanto à idéia de santidade. “Heiligheit ist
ein verhaeltnisbegriff”. Ao mesmo tempo, admite-se que as duas idéias de
santidade e de separação não se fundem, não são absorvidas uma pela outra, mas
que, em certa medida, uma serve para qualificar a outra.2
2. TERMOS DO
NOVO TESTAMENTO
a. O verbo
hagiazo e seus vários sentidos. O verbo hagiazo é derivado de hagios, que, como
a palavra hebraica qadosh, expressa primariamente a idéia de separação.
Todavia, é empregado em vários sentidos diferentes no Novo Testamento. Podemos
distinguir os seguintes: (1) È empregado num sentido mental, com referência a pessoas
ou coisas, Mt 6.9; Lc 11.2; 1 Pe 3.15. Em casos como esses, significa
“considerar um objeto como santo”; “atribuir santidade a”, ou “reconhecer sua
santidade por palavra ou ato”. (2) Também é empregado, ocasionalmente, num
sentido ritual, isto é, no sentido de “separar do ordinário para propósitos
sagrados”, ou de “por de lado para certo ofício”, Mt 23.17, 19; Jo 10.36; 2 Tm
2.21. (3) É empregado ainda para denotar a operação de Deus pela qual Ele,
especialmente por intermédio do Seu Espírito, produz no homem a qualidade
subjetiva da santidade, Jo 17.17; At 20.32; 26.18; 1 Co 1.2; 1 Ts 5.23. (4)
Finalmente, na Epístola aos Hebreus, é, ao que parece, empregado num sentido
expiatório, e também no sentido correlato do dikaioo paulino, Hb 9.13; 10.10, 29;
13.12.3 1 Old Testament Synonyms, p. 283. 2 Biblisch-Theologisches Woerterbuch
(10ª ed.), p. 41. 3 Cf. Denney, The Death of Christ, p. 220; Kennedy, The
Theology of the Epistles, p. 214. 524
b. Os
adjetivos que expressam a idéia de santidade. (1) Hieros. A palavra menos
empregada, e também menos expressiva, é hieros. Acha-se unicamente em 1 Co
9.13; 2 Tm 3.15, e, aí, não se referindo a pessoas, mas a coisas. Não expressa
excelência moral, mas o caráter inviolável da coisa referida, resultante da sua
relação com Deus. Sua melhor versão para o vernáculo é com a palavra “sagrado”.
(2) Hosios. A palavra hosios ocorre com maior freqüência. Acha-se em At 2.27;
13.34, 35; 1 Tm 2.8; Tt 1.8; Hb 7.26; Ap 15.4; 16.5, e se aplica não somente a
coisas, mas também a Deus e a Cristo. Descreve uma pessoa ou coisa como livre
de profanação ou de iniqüidade, ou mais ativamente (quanto a pessoas), como
cumprindo religiosamente toda obrigação moral. (3) Hagnos. A palavra hagnos
ocorre em 2 Co 7.11; 11.2; Fp 4.8; 1 Tm 5.22; Tg 3.17; 1 Pe 3.2; 1 Jo 3.3. Ao
que parece, a idéia fundamental da palavra é a de liberdade da impureza e
corrupção, num sentido ético. (4) Hagios. A palavra realmente característica do
Novo Testamento é, porém, hagios. Seu significado primário é o de separação na
consagração e dedicação ao serviço de Deus. Com isto se relaciona a idéia de
que aquilo que é posto à dedicação ao serviço de Deus. Com isto se relaciona a
idéia de que aquilo que é posto à parte do mundo para Deus, também deve
separar-se da corrupção do mundo e compartir a pureza de Deus. Isto explica por
que hagios depressa adquiriu uma significação ética. Nem sempre a palavra tem o
mesmo sentido no Novo Testamento. (a) É empregada para indicar uma relação
oficial externa, uma separação dos propósitos comuns para o serviço de Deus,
como por exemplo, quando lemos sobre os “santos profetas”, Lc 1.70, os “santos
apóstolos”, Ef 3.5, e os “homens santos”, 2 Pe 1.21. (b) Mais freqüentemente,
porém, é empregada num sentido ético para descrever a qualidade necessária para
manter-se uma estreita relação com Deus e para servi-lo aceitavelmente, Ef 1.4;
5.27; Cl 1.22; 1 Pe 1.15, 16. Deve-se ter em mente que, ao tratarmos da
santificação, utilizamos a palavra primordialmente neste último sentido. Quando
falamos da santidade em conexão com a santificação, temos em mente tanto uma
relação externa como uma qualidade subjetiva interior.
c. Os
substantivos que denotam santificação e santidade. O vocábulo neotestamentário
para santificação é hagiasmos. Ocorre dez vezes, a saber, em Rm 6.19, 22; 1 Co
1.30; 1 Ts 4.3, 4, 7; 2 Ts 2.13; 1 Tm 2.15; Hb 12.14; 1 Pe 1.2. Embora denote
purificação ética, inclui a idéia de separação, isto é, “a separação do
espírito de tudo que é impuro e corruptor, e uma renúncia dos pecados para as
quais os desejos da carne e da mente nos levam”. Enquanto hagiasmos denota a
obra da santificação, há outras duas palavras que descrevem o resultado do
processo, quais sejam, hagiotes e hagiosyne. Aquela se acha em 1 Co 1.30 e Hb
12.10; e esta em Rm 1.4; 2 Co 7.1 e 1 Ts 3.13. Estas passagens mostram a
qualidade da santidade ou de estar livre da corrupção e da impureza é essencial
para Deus, foi demonstrada por Jesus Cristo, e é dada ao cristão.
B. A
Doutrina da Santificação na História.
525
1. ANTES DA
REFORMA. No desenvolvimento histórico da doutrina da santificação, a igreja
preocupou-se primeiramente com três problemas: (a) a relação da graça de Deus
na santificação com a fé; (b) a relação da santificação com a justificação; e
(c) o nível da santificação nesta existência. Os escritos dos chamados pais da
igreja primitivos contêm muito pouca coisa a respeito da doutrina da
santificação. Um ar de moralismo transparece em que o homem era ensinado a
depender da fé e das boas obras para a salvação. Ele deve levar uma vida
virtuosa e, assim, merecer a aprovação do Senhor. “Tal dualismo”, diz Scott em
sua Teologia Nicena (The Nicene Theology),1 “deixava os domínios da
santificação só diretamente relacionados com a redenção em Cristo; e foi este o
campo em que, naturalmente, se desenvolveram concepções defeituosas do pecado,
o legalismo, o sacramentalismo, o falso sacerdócio e todos os excessos da
devoção monacal”. O ascetismo veio a ser considerado da maior importância.
Havia também a tendência de confundir a justificação com a santificação, e as
suas opiniões tiveram determinante influência sobre a igreja da Idade Média.
Ele não distinguia claramente entre a justificação e a santificação, incluindo
esta naquela. Desde que ele cria na corrupção total da natureza humana,
ocasionada pela Queda, pensava na santificação como uma nova comunicação da
vida divina, uma nova energia infusa, operando exclusivamente dentro dos
limites da igreja e mediante os sacramentos. Conquanto não tenha perdido de
vista a importância do amor pessoal a Cristo como um elemento constitutivo da
santificação, manifestava a tendência para uma visão metafísica da graça de
Deus na santificação – para considera-la um depósito de Deus no homem. Ele não
acentuava suficientemente a necessidade de uma constante preocupação da fé com
Cristo Redentor como o fator mais importante da transformação da vida cristã.
As tendências patentes nos ensinos de Agostinho frutificaram na teologia da
Idade Média, que se vê em sua elaboração mais desenvolvida nos escritos de
Tomaz de Aquino. Não se distinguem claramente a justificação e a santificação,
mas, segundo essa concepção, aquela inclui a infusão da graça divina, como uma
coisa substancial, na alma humana. Esta graça é uma espécie de donum superadditum
(dom superádito), pelo qual a alma é elevada a novo nível ou a uma ordem
superior do ser, e é capacitada a cumprir o seu destino celestial de conhecer,
possuir e fruir a Deus. A graça é derivada do inexaurível tesouro dos méritos
de Cristo e é infundida nos crentes por meio dos sacramentos. Vista do ponto de
vista divino, esta graça santificadora na alma assegura a remissão do pecado
original, infunde um hábito permanente de retidão inerente, e leva consigo o
potencial de ulterior desenvolvimento, e até de perfeição. A partir dela a nova
vida se desenvolve, com todas as suas virtudes. Sua obra pode ser neutralizada
ou destruída por pecados mortais; mas a culpa contraída após o batismo pode ser
removida pela eucaristia, no caso dos pecados veniais, e pelo sacramento da
penitência, no caso dos pecados mortais. Consideradas do ponto de vista humano,
as obras sobrenaturais da fé, operando pelo amor, têm mérito perante Deus e
garantem um aumento da graça. Contudo, tais obras são impossíveis sem a
contínua operação da graça de Deus. O resultado do processo todo era conhecido
como justificação, em vez de
1 P. 200.
526
santificação;
consistia em tornar justo o homem diante de Deus. Estas idéias estão
incorporadas nos Cânones e Decretos do Concílio de Trento.
2. DEPOIS DA
REFORMA. Ao falarem de santificação, os Reformadores davam ênfase à antítese de
pecado e redenção, e não à de natureza e supernatureza. Eles faziam clara
distinção entre justificação e santificação, considerando a primeira como uma
ato legal da graça divina, afetando a posição judicial do homem, e a última
como uma obra moral ou recriadora, mudando a natureza interior do homem. Mas,
enquanto que faziam cuidadosa distinção entre as duas, também salientavam a sua
inseparável conexão. Embora profundamente convictos de que o homem é
justificado somente pela fé, também compreendiam que a fé que justifica não
está sozinha. A justificação é imediatamente seguida pela santificação, visto
que Deus envia o Espírito de Seu Filho aos corações dos que Lhe pertencem, tão
logo são justificados, e esse Espírito é o Espírito de santificação. Eles não
consideravam a graça da santificação como uma essência sobrenatural infusa no
homem através dos sacramentos, mas como uma sobrenatural e graciosa obra do
Espírito Santo, primariamente mediante a Palavra, e secundariamente mediante os
sacramentos, pela qual Ele nos livra mais e mais do poder do pecado e nos
habilita a praticar boas obras. Embora de modo algum confundindo a justificação
com a santificação, sentiam a necessidade de preservar a mais estreita relação
possível entre aquela, na qual a livre e perdoadora graça de Deus é fortemente
acentuada, e esta, que requer a cooperação do homem, com o fim de evitarem o
perigo da justiça das obras. No pietismo e no metodismo, forte ênfase foi dada
à comunhão constante com Cristo como o grande meio de santificação. Exaltando a
santificação em detrimento da justificação, nem sempre evitaram o perigo da
justiça própria. Wesley não distinguia meramente entre a justificação e a santificação,
mas virtualmente as separava, e falava da santificação completa como um segundo
dom da graça, seguindo-se ao primeiro, a justificação pela fé, após um período
mais curto ou mais longo. Embora também falasse da santificação como um
processo, todavia afirmava que o crente deve rogar e buscar a santificação
completa e definitiva, efetuada por um ato definido de Deus. Sob a influência
do racionalismo e do moralismo de Kant, a santificação deixou de ser
considerada como uma obra sobrenatural do Espírito Santo na renovação dos
pescadores, e foi rebaixada ao nível de um simples melhoramento moral obtido
pelos poderes naturais do homem. Para Scheleiermacher, era simplesmente o
progressivo domínio da consciência de Deus dentro de nós sobre a consciência
humana do mundo, meramente perceptiva e sempre moralmente defeituosa. E para
Ritschl. Era a perfeição moral da vida cristã a que chegamos pelo cumprimento
da nossa vocação como membros do reino de Deus. Em grande parte da teologia
“liberal” moderna, a santificação consiste apenas na sempre crescente redenção
do ser inferior do homem mediante o domínio do seu ser superior. Redenção pelo
caráter é um dos lemas dos dias atuais, e o termo “santificação” veio a
significar mero melhoramento moral.
C. A Idéia
Bíblica de Santidade e Santificação.
527
1. NO VELHO
TESTAMENTO. Na Escritura, a qualidade da santidade aplica-se primeiramente a
Deus, e, aplicada a Ele, sua idéia fundamental é a de inacessibilidade. Esta se
baseia no fato de que Deus é divino e, portanto, absolutamente distinto das
criaturas. Neste sentido, a santidade não é apenas um atributo em coordenação
com os demais em Deus. Ele é santo em Sua graça bem como em Sua justiça, em Seu
amor bem como em Sua ira. Estritamente falando, a santidade só vem a ser um atributo
no sentido ético posterior da palavra. O sentido ético do termo desenvolveu-se
do sentido de majestade. Este desenvolvimento parte da idéia de quem ser
pecador está mais agudamente cônscio da majestade de Deus, do que um ser sem
pecado. O pecador fica ciente da sua impureza quando esta é contrastada com a
majestosa pureza de Deus, cf. Is 6. Otto* fala da santidade no sentido
original, como numinosa,** e se propõe denominar a reação típica a isto
“sentimento de criaturidade, ou consciência de ser criatura”, uma
desvalorização do ego, reduzindo-o à nulidade, ao passo que fala da reação à
santidade no sentido ético derivado como um “sentimento de profanidade”. Assim
é que se desenvolve a idéia da santidade como pureza majestosa ou sublimidade
ética. Esta pureza é um principio ativo em Deus, que necessariamente se afirma
a si próprio e defende a sua honra. Isto explica o fato de que a santidade é
apresentada na Escritura também como a luz da glória divina transformada num
fogo devorador, Is 5.24; 10.17; 33.14, 15. Em contraste com a santidade de
Deus, o homem se sente não meramente insignificante, mas positivamente impuro e
pecaminoso, e, como tal, como objeto da ira de Deus. Deus revelou no Velho
Testamento a Sua santidade de várias maneiras. Ele o fez com terríveis juízos
sobre os inimigos de Israel, Ex 15.11, 12. Também o fez separando para Si um
povo, que Ele retirou do mundo, Ex 19.4-6; Ez 20.39-44. Tomando e retirando
este povo do mundo impuro e ímpio, Ele protestou contra esse mundo e seu
pecado. Ademais, Ele o fez repetidamente, poupando o Seu povo infiel, porque
não queria que o mundo não santo se regozijasse com aquilo que poderia
considerar fracasso em Sua obra, Os 11.9.
Num sentido
derivado, a idéia de santidade também é aplicada a coisas e pessoas que são
colocadas numa relação especial com Deus. A terra de Canaã, a cidade de
Jerusalém, o montetemplo, o tabernáculo e o templo, os sábados e as festas
solenes de Israel – todas estas coisas são chamadas santas, visto serem
consagradas a Deus e introduzidas no resplendor da Sua augusta santidade.
Similarmente, os profetas, os levitas e os sacerdotes são chamados santos na
qualidade de pessoas que foram separadas para o serviço especial do Senhor.
Israel tinha os seus lugares sagrados, as suas épocas sagradas, os seus ritos
sagrados e as suas pessoas sagradas. Contudo, esta ainda não é a idéia ética da
santidade. Uma pessoa podia ser sagrada e. todavia, estar inteiramente vazia da
graça de Deus em seu coração. Na antiga dispensação, como também na nova, a
santidade ética resulta da influência renovadora e santificante do Espírito
* Rudolpf
Otto, autor de The Idea of the Holy, Londres, 1928, e de The Kingdom of God and
the Son of Man. Nota do tradutor. ** Do latim numen, sujos significados vários
vão desde os de “movimento de cabeça” e “assentimento”, até os de “poder”,
“majestade”, “grandeza”, “poder divino” e “divindade”. Otto se refere à
santidade de Deus como numinosa, isto é, como revestida de poder e augusta
majestade. Nota do tradutor. 528
Santo. Deve-se
lembrar, porém, que mesmo quando a concepção de santidade é completamente
espiritualizada, sempre expressa uma relação. Nunca a idéia de santidade é a de
bondade moral, considerada em si mesma, mas sempre é a idéia de bondade ética
vista em relação com Deus.
2. NO NOVO
TESTAMENTO. Ao passarmos do Velho Testamento para o Novo, damo-nos conta de uma
notável diferença. Enquanto no Velho Testamento não há nem um só atributo de
Deus que sequer lembre alguma semelhança com a proeminência dada à Sua santidade,
no Novo Testamento raramente se atribui santidade a Deus. Exceto nalgumas
citações do Velho Testamento, somente nos escritos de João a santidade é
atribuída a Deus, Jo 17.11; 1 Jo 2.20; Ap. 6.10. Com toda a probabilidade, a
explicação para isso está no fato de que a santidade, no Novo Testamento,
projeta-se como a característica especial do Espírito Santo, por Quem os
crentes são santificados, são qualificados para o serviço e são conduzidos ao
seu destino eterno, 2 Ts 2.13; Tt 3.5. A palavra hagios é empregada em conexão
com o Espírito de Deus cerca de cem vezes. Contudo, a concepção de santidade e
de santificação no Novo Testamento não é diferente da que se vê no Velho
Testamento. Tanto naquele como neste a santidade, num sentido derivado, é
atribuída ao homem. Num e no outro a santidade ética não é mera retidão moral,
e nunca a santificação é mero melhoramento moral. Há confusão destas duas
coisas atualmente, quando falam em salvação pelo caráter. Um homem pode
gabar-se de um grande melhoramento moral, e, todavia, não ter nenhuma
experiência da santificação. A Bíblia não insiste no progresso moral puro e
simples, mas no progresso moral em relação com Deus, em atenção a Deus e com
vistas ao serviço de Deus. Ela insiste na santificação. Justamente neste ponto,
muita pregação ética dos dias atuais é completamente enganosa; e o corretivo
para isto está na apresentação da verdadeira doutrina da santificação. Pode-se
definir a santificação como a graciosa e contínua operação do Espírito Santo
pela qual Ele liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda
a sua natureza à imagem de Deus, e o capacita a praticar boas obras.
D. Natureza
da Santificação.
1. É UMA
OBRA SOBRENATURAL DE DEUS. Alguns têm a equivocada noção de que a santificação
consiste meramente em induzir a nova vida implantada na alma pela regeneração,
de maneira persuasiva, mediante a apresentação de motivos à vontade. Mas isto
não está certo. Ela consiste, fundamental e primariamente, de uma operação
divina na alma pela qual a santa disposição nascida na regeneração é
fortalecida e os seus santos exercícios são aumentados. É essencialmente uma
obra de Deus, embora, na medida em que Deus emprega meios, possamos esperar que
o homem coopere, pelo uso adequado desses meios. A Escritura mostra claramente
o caráter sobrenatural da santificação de diversas maneiras. Descreve-a como
obra de Deus, 1 Ts 5.23; Hb 13.20,21, como fruto da união vital com Jesus
Cristo, Jo 15.4; Gl 2.20; 4.19, como uma obra que é realizada no homem por
dentro e que, por essa mesma razão, não pode ser obra do homem, Ef 3.16; Cl
1.11, e fala da sua manifestação nas virtudes cristãs como sendo obra do
529
Espírito, Gl
5.22. Jamais deverá ser descrita como um processo meramente natural de
desenvolvimento espiritual do homem, nem tampouco deverá ser rebaixada ao nível
de uma simples realização humana, como se faz em grande parte da teologia
“liberal” moderna.
2. CONSISTE
DE DUAS PARTES. As duas partes da santificação são expostas na Escritura como:
a. A
mortificação do velho homem, o corpo do pecado. Esta expressão escriturística
denota o ato de Deus pelo qual a contaminação e a corrupção da natureza que
resultam do pecado são removidas gradativamente. Muitas vezes é exposta na
Bíblia como a crucificação do velho homem e, assim, é associada à morte de
Cristo na cruz. O velho homem é a natureza humana na medida em que é dirigida
pelo pecado, Rm 6.6; Gl 5.24. No contexto da passagem de Gálatas Paulo
contrasta as obras da carne com as do Espírito, e depois diz: “E os que são de
Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências”.
Significa que, no caso deles, o Espírito obteve predomínio.
b. A
vivificação do novo homem, criado em Cristo Jesus para boas obras. Enquanto que
a primeira parte da santificação é de caráter negativo, esta é de cunho
positivo. É o ato de Deus pelo qual a disposição santa da alma é fortalecida,
os exercícios santos são incrementados e, assim, é gerado e promovido um novo
curso da vida. A velha estrutura so pecado vai sendo posta abaixo aos poucos, e
uma nova estrutura é erguida em seu lugar. Estas duas partes da santificação
não são sucessivas, mas, sim, simultâneas. Graças a Deus, o levantamento
gradual do novo edifício não precisa esperar até que o antigo esteja
completamente demolido. Se precisasse, nunca poderia começar nesta existência.
Com a gradativa dissolução do antigo, o novo vai aparecendo. É como arejar uma
casa impregnada de odores pestilentos. Conforme o ar que ali estava é extraído,
o novo ar se precipita para dentro. Esta faceta positiva da santificação muitas
vezes é chamada ressurreição com Cristo, Rm 6.4, 5; Cl 2.12; 3.1, 2. A nova
vida à qual conduz é chamada viver para Deus, Rm 6.11; Gl 2.19.
3. AFETA O
HOMEM TODO: CORPO E ALMA; INTELECTO, AFETOS E VONTADE. Isto decorre da natureza
do caso, porque a santificação ocorre na vida interior do homem, no coração, e
este não pode ser mudado sem se mudar todo o organismo do homem. Se se
transforma o homem interior, forçosamente há transformação da periferia da vida
também. Ademais a Escritura ensina clara e explicitamente que a santificação
afeta tanto o corpo como a alma, 1 Ts 5.23; 2 Co 5.17; Rm 6.12; 1 Co 6.15, 20.
O corpo é focalizado aqui como órgão ou instrumento da alma pecaminosa, pelo
qual se expressam os pendores, hábitos e paixões pecaminosos. A santificação do
corpo tem lugar principalmente na crise da morte e na ressurreição dos mortos.
Finalmente, transparece na Escritura que a santificação afeta todos os poderes
ou faculdades da alma: o entendimento, Jr. 31.34; Jo 6.45; – a vontade, Ez
36.25-27; Fp 2.13; – as paixões, Gl 5.24; – e a consciência, Tt 1.15;. Hb 9.14.
530
4. É UMA
OBRA DE DEUS NA QUAL OS CRENTES COOPERAM. Quando se diz que o homem participa
na obra de santificação, não significa que o homem e um agente independente de
ação, como se fizesse em parte a obra de Deus e em parte a obra do homem; mas
apenas que Deus efetua essa obra em parte pela instrumentalidade do homem como
ser racional, requerendo dele devota e inteligente cooperação com o Espírito. Que
o homem precisa cooperar com o Espírito de Deus se deduz: (a) das repetidas
advertências contra males e tentações, que claramente implicam que o homem deve
agir dinamicamente no empenho para evitar as armadilhas da vida, Rm 12.9, 16,
17; 1 Co 6.9, 10; Gl 5.16-23; e (b) das constantes exortações a um viver santo.
Estes fatos implicam que o crente deve ser inteligente no emprego dos meios a
seu dispor, para o aperfeiçoamento moral e espiritual da sua vida, Mq 6.8; Jo
15.2, 8, 16; Rm 8.12, 13; 12.1, 2, 17; Gl 6.7, 8, 15.
E.
Características da Santificação.
1. Como se
vê no item imediatamente anterior, a santificação é uma obra cujo autor é Deus,
e não o homem. Somente os defensores do livre arbítrio, assim chamado, podem
pretender que seja obra do homem. Nada obstante, ela difere da regeneração em
que o homem pode e tem o dever de lutar pela santificação permanentemente
crescente, utilizando os meios que Deus colocou a seu dispor. Isto é ensinado
claramente na Escritura, 2 Co 7.1; Cl 3.5-14; 1 Pe 1.22. Os antinomianos
coerentes perdem de vista esta importante verdade, e não sentem necessidade de
evitar cautelosamente o pecado, uma vez que é santo com a santidade de Cristo.
2. A
santificação tem lugar, em parte, na vida subconsciente, e, como tal, é uma
operação imediata do Espírito Santo; mas também, em parte, dá-se na vida
consciente, e, neste caso, depende do uso de certos meios, tais como o
exercício da fé, o estudo da Palavra de Deus, a oração e a associação com
outros crentes.
3.
Normalmente, a santificação é um processo longo, e jamais alcança a perfeição
nesta vida. Ao mesmo tempo, pode haver casos nos quais ela é completada num
curto período de tempo, ou até num momento, como, por exemplo, nos casos em que
a regeneração e a conversão são imediatamente seguidas pela morte temporal. Se
pudermos partir do pressuposto de que a santificação do crente é perfeita logo
depois da sua morte – e a Escritura parece ensinar isto, no concernente à alma
– então, em tais casos, a santificação da alma deve completar-se quase
imediatamente.
4. Ao que
parece, a santificação do crente deve completar-se no exato momento da morte,
ou imediatamente após a morte, no que se refere à alma, e na ressurreição,
quanto ao concernente ao corpo. Isto parece decorrer do dato de que, por um
lado, a Bíblia ensina que, na vida presente, ninguém pode arrogar-se liberdade
do pecado, 1 Rs 8.46; Pv 20.9; Rm 3.10, 12; Tg 3.2; 1 Jo 1.8; e que, por outro
lado, os que já partiram estão inteiramente santificados. Ela fala deles como
531
“espíritos dos
justos aperfeiçoados”,Hb 12.23, e como sem “mácula”, Ap 14.5. Ademais, é-nos
dito que na celestial cidade de Deus de modo nenhum “penetrará cousa alguma
contaminada, nem o que pratica abominação e mentira”. Ap 21.27; e que Cristo,
na Sua vinda, “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao
corpo da sua glória”, Fp 3.21.
F. O Autor e
os Meios da Santificação.
A
santificação é obra do Deus triúno, mas é atribuída mais particularmente ao
Espírito Santo na Escritura, Rm 8.11; 15.16; 1 pe 1.2. É particularmente
importante em nossos dias, com sua ênfase à necessidade de abordar
antropologicamente o estudo da teologia e com seu unilateral chamamento para o
serviço no reino de Deus, salientar o fato de que Deus, e não o homem, é o
autor da santificação. Especialmente em vista do ativismo, que é um traço tão
característico da vida religiosa americana,* e que glorifica a obra do homem, e
não a graça de Deus, é necessário acentuar muitas vezes que a santificação é
fruto da justificação, que aquela é simplesmente impossível sem esta, e que
ambas são frutos da graça de Deus na redenção dos pecadores. Conquanto o homem
tenha o privilégio de cooperar com o Espírito de Deus, só pode faze-lo em
virtude das forças que o Espírito lhe comunica dia após dia. O desenvolvimento
espiritual do homem não é uma realização humana, mas é obra da graça divina. O
homem não merece crédito algum pela contribuição que lhe dá instrumentalmente.
Na medida em que a santificação tem lugar na vida subconsciente, é efetuada
pela operação imediata do Espírito Santo. Mas como obra realizada na vida
consciente dos crentes, é feita por diversos meios, que o Espírito Santo
emprega.
1. A PALAVRA
DE DEUS. Em oposição à igreja de Roma, deve-se afirmar que o principal meio
usado pelo Espírito Santo é a Palavra de Deus. A verdade em si mesma certamente
não tem eficiência adequada para santificar o crente, mas é naturalmente
adaptada para ser o meio de santificação empregado pelo Espírito Santo. A
Escritura apresenta todas as condições objetivas para exercícios e atos santos.
Ela é útil para estimular a atividade espiritual apresentando motivos e
incentivos, e nos dá direção para essa atividade por meio de proibições,
exortações e exemplos, 1 pe 1.22; 2.2; 2 Pe 1.4.**
2. OS
SACRAMENTOS. Estes são os meios par excellence (por excelência), segundo a
igreja de Roma. Os protestantes os consideram subordinados à Palavra de Deus, e
às vezes falam deles até como “Palavra visível”. Simbolizam e selam para nós as
mesmas verdades que são expressas verbalmente na Palavra de Deus, e podem ser
considerados como uma palavra em ação, contendo uma viva representação da
verdade, que o Espírito Santo torna ocasião para santos exercícios. Eles não
somente são subordinados à Palavra de Deus, mas também não
* E a que
ponto esse ativismo chegou na América Latina! Nota do tradutor. ** Esta última
passagem faz referência às preciosas promessas de Deus como um meio pelo qual
podemos crescer na santificação. Tenha-se em conta o contexto. Nota do
tradutor. 532
podem
existir sem ela, e, portanto, sempre são acompanhados por ela, Rm 6.3; 1 co
12.13; Tt 3.5; 1 pe 3.21.
3. DIREÇÃO
PROVIDENCIAL. As providências de Deus, quer favoráveis quer adversas, muitas
vezes são poderosos meios de santificação. Em conexo com a operação do Espírito
Santo mediante a Palavra, elas agem em nossos afetos naturais e, assim,
freqüentemente aprofundam a impressão da verdade religiosa e a acionam
vigorosamente. Devemos ter em mente que a luz da revelação de Deus é necessária
para a interpretação das Suas orientações providenciais, Sl 119.71; Rm 2.4; Hb
12.10
G. Relação
da Santificação com Outros Estágios da Ordo Salutis.
É de
considerável importância ter correta concepção da relação que há entre a
santificação e alguns dos outros estágios da obra de redenção.
1. COM A
REGENERAÇÃO. Há aqui diferença e semelhança. A regeneração é completada de uma
vez, pois o homem não pode ser mais ou menos regenerado; está vivo ou morto
espiritualmente. A santificação é um processo que produz mudanças graduais, de
sorte que é possível distinguir diferentes graus da santidade resultante. Daí,
somos admoestados a aperfeiçoar a santidade, no temor do Senhor, 2 Co 7.1. O
Catecismo de Heidelberg também pressupõe a existência de graus de santidade,
quando declara que, mesmo “os homens mais santos, nesta existência, têm apenas
um pequeno princípio desta obediência”.1 Ao mesmo tempo, a regeneração é o
princípio da santificação. A obra de renovação, iniciada naquela, tem
prosseguimento nesta, Fp 1.6. Diz Strong: “Ela (a santificação) se distingue da
regeneração como o crescimento se distingue do nascimento, ou como o
fortalecimento de uma santa disposição se distingue da comunicação original
dela”.2
2. COM A
JUSTIFICAÇÃO. Na aliança da graça a justificação precede à santificação e lhe é
básica. Na aliança das obras a ordem da justiça e da santidade é precisamente o
inverso. Adão foi criado com uma santa disposição e inclinação para servir a
Deus, mas, com base nesta santidade, ele tinha que se sair bem na prática da
justiça para ter direito à vida eterna. A justificação é a base judicial da
santificação. Deus tem direito de exigir de nós santidade no viver, mas, uma
vez que não podemos ter bom êxito com esta santidade por nós mesmos, Ele
gratuitamente a produz em nós, por intermédio do Espírito Santo, com base na
justiça de Jesus Cristo, que nos é imputada na justificação. O próprio fato de
que ela se baseia na justificação, na qual a livre graça de Deus sobressai com
a máxima proeminência, exclui a idéia de que alguma vez possamos merecer alguma
coisa na santificação. A idéia católica romana de que a justificação habilita o
homem para praticar obras meritórias é contrária à Escritura. A justificação,
como tal,
1 Perg. 114.
2 Syst. Theol., p. 871.
533
não efetua
mudança em nosso ser interior e, portanto, necessita da santificação como seu
complemento. Não basta que o pecador tenha a posição de justo diante de Deus; é
preciso também que ele seja santo em sua vida interior. Barth tem uma descrição
bem incomum da relação entre a justificação e a santificação. Com o fim de
evitar toda justiça própria, ele insiste em que as duas sejam sempre
consideradas juntamente. Elas andam juntas e não devem se consideradas
quantitativamente, como se uma seguisse a outra. A justificação não é um posto
pelo qual a gente passa, um fato realizado em cuja base logo parte para a
estrada principal da santificação. Não é um fato consumado que se possa ver
olhando para trás com definida segurança, mas ocorre sempre de novo, toda vez
que o homem chega ao ponto de completo desespero, e então vai de mãos dadas com
a santificação. E, exatamente como o homem continua sendo pecador depois da
justificação, assim continua sendo pecador na santificação; mesmo as suas
melhores ações continuam sendo pecado. A santificação não gera uma disposição
santa, e não purifica gradativamente o homem. Não lhe dá posse de alguma
santidade pessoal, não faz dele um santo, mas o deixa pecador. A santificação
passa a ser realmente um ato declarativo, como a justificação. McConnachie,
intérprete de Barth que o vê com muita simpatia, diz: “Portanto, para Barth a
justificação e a santificação são duas faces de um ato de Deus sobre os homens.
A justificação é o perdão do pecador (justificatio impii), pelo qual Deus
declara justo o pecador. A santificação é santificação do pecador
(sanctificatio impii), pela qual Deus declara ‘santo’ o pecador”. Por mais
louvável que seja o desejo de Barth de destruir todo vestígio de justiça das
obras, certamente ele vai a um extremo destituído de fundamento, no qual
virtualmente confunde a justificação com a santificação, denega a vida cristã e
elimina a possibilidade de confiante segurança.
3. COM A FÉ.
A fé causa mediata ou instrumental santificação, como também da justificação.
Não merece a santificação, como tampouco a justificação, mas nos une a Cristo e
nos mantém em contato com Aquele que é a Cabeça da nova humanidade, a fonte da
nova vida em nós, e também da nossa progressiva santificação, através da
operação do Espírito Santo. A consciência do fato de que a santificação se
baseia na justificação e de que é impossível sobre qualquer outra base, e de
que o constante exercício da fé é necessário para haver avanço no caminho da
santidade, proteger-nos-á de toda justiça própria em nossa luta para progredir
na vida piedosa e na santidade em nosso viver. Merece particular atenção aqui o
fato de que, enquanto que mesmo a mais fraca fé serve de meio para uma
justificação perfeita, o grau de santificação é proporcional ao vigor da fé
cristã e à persistência com que se apega a Cristo.
H. O Caráter
Imperfeito da Santificação Nesta Vida.
1.
IMPERFEITA EM GRAU. Quando dizemos que a santificação é imperfeita nesta vida,
não queremos dizer que é imperfeita em partes, como se somente uma parte do
homem santo, que se origina na regeneração, fosse afetada. É a totalidade do
novo homem, mas ainda não
534
desenvolvida,
que deve crescer rumo à plena estatura. Uma criança recém-nascida é, salvo
exceções, perfeita em suas partes, mas não está no grau de desenvolvimento ao
qual foi destinada. Justamente assim, o novo homem é perfeito em suas partes,
mas, na presente vida, continua imperfeito no grau de desenvolvimento
espiritual. Os crentes terão que combater o pecado enquanto viverem, 1 rs 8.46;
Pv 20.9; Ec 7.20; Tg 3.2; 1 jo 1.8.
2. NEGAÇÃO
DESTA IMPERFEIÇÃO PELOS PERFECCIONISTAS.
a. A
doutrina do perfeccionismo. Falando em termos gerais, esta doutrina pretende
que se pode alcançar a perfeição religiosa na presente existência. É ensinada
em várias formas pelos pelagianos, católicos romanos ou semipelagianos,
arminianos, wesleyanos, seitas místicas como as labadistas, dos quietistas, dos
quacres e outras, por alguns dos teólogos de Oberlin, como Mahan e Finney, e
por Ritschl. Todos eles concordam em sustentar que é possível aos crentes,
nesta vida, atingir um estado em que cumprem as exigências da lei, sob a qual
agora vivem, ou sob essa lei nos termos em que foi ajustada à sua capacidade e
às suas necessidades atuais, e, conseqüentemente, libertar-se do pecado. Eles
diferem, porém: (1) Em sua idéia do pecado, sendo que os pelagianos, em
distinção de todos os demais, negam a corrupção inerente do homem. Contudo,
todos concordam na exteriorização do pecado. (2) Em sua concepção da lei, que
os crentes não estão obrigados a cumprir, sendo que os arminianos, incluindo-se
os wesleyanos, diferem de todos os outros na afirmação de que esta não é a lei
moral original, mas as exigências do Evangelho ou a nova lei da fé e da
obediência evangélica. Os católicos romanos e os teólogos de Oberlin afirmam
que se trata da lei original, mas admitem que as exigências desta lei são
ajustadas aos poderes deteriorados do homem e à sua capacidade atual. E Ritschl
descarta toda a idéia de que o homem está sujeito a uma lei imposta
externamente. Ele defende a autonomia da conduta moral, e afirma que não
estamos debaixo de nenhuma lei, senão a que evolui da nossa própria disposição moral
no transcurso das atividades exercidas para o cumprimento da nossa vocação. (3)
Em sua idéia da dependência em que o pecador está da graça renovadora de Deus
para ter capacidade para cumprir a lei. Todos, exceto os pelagianos, admitem
que, nalgum sentido, ele depende da graça divina para alcançar a perfeição.
É muito
significativo que todas as principais teorias perfeccionistas (com a única
exceção da pelagiana, que nega a corrupção inerente do homem) julgam necessário
abaixar o padrão de perfeição e não responsabilizam o homem por muita coisa que
indubitavelmente é exigida pela lei moral original. E é igualmente
significativo que eles sentem a necessidade de exteriorizar a idéia de pecado,
quando alegam que somente o mau procedimento consciente pode ser considerado
pecaminoso, e se recusam a reconhecer como pecado grande parte daquilo que é
exposto como tal na Escritura.
b. Provas
bíblicas aduzidas em prol da doutrina do perfeccionismo [e as respectivas
réplicas].
535
(1) A Bíblia
ordena que os crentes sejam santos, e até perfeitos, 1 Pe 1.16; Mt 5.48; Tg
1.4, e os insta a seguirem o exemplo de Cristo, que não cometeu pecado, 1 Pe
2.21, 22. Tais ordens seriam irrazoáveis, se não fosse possível alcançar a
perfeição impecável. Mas o mandado escriturístico para sermos santos e
perfeitos vale tanto para os regenerados como para os não regenerados, desde
que a lei de Deus exige santidade desde o princípio, e nunca foi revogada. Se o
mandamento implica que aqueles a quem ele chega podem cumprir a exigência, isso
terá que valer para todos os homens. Todavia, somente os que ensinam o
perfeccionismo no sentido pelagiano podem ter essa opinião. A medida da nossa
capacidade não pode ser inferida dos mandamentos bíblicos.
(2) Muitas
vezes a santidade e a perfeição são atribuídas aos crentes, na Escritura, Ct
4.7; 1 co 2.6; 2 Co 5.17; Ef 5.27; Hb 5.14; Fp 4.13; Cl 2.10. – Contudo, quanto
a Bíblia descreve os crentes como santos e perfeitos, não significa
necessariamente estão isentos de pecado, visto que ambas as palavras muitas
vezes são empregadas com sentido diferente, não só no linguajar comum, mas
também na Bíblia. A pessoas separadas para o serviço especial de Deus a Bíblia
chama santas, independentemente da sua condição e vida moral. Os crentes podem
ser chamados santos, porque são objetivamente santos em Cristo, ou porque são,
em princípio, subjetivamente santificadas pelo Espírito de Deus. Em suas
epístolas, Paulo invariavelmente se dirige aos seus leitores como a santos,
isto é, chama-lhe “os santos”, e em seguida, em vários casos, põe-se a
chamá-los a contas pelos pecados deles. E quando os crentes são descritos como
perfeitos, nalguns casos significa meramente que alcançaram pleno
desenvolvimento, 1 Co 2.6; Hb 5.14; e, noutros casos, que se acham plenamente
equipados para a sua tarefa, 2 Tm 3.17. Isso tudo certamente não dá apoio à
teoria da perfeição imune de pecado.
(3) Há,
segundo se diz, exemplos de santos que levaram vida perfeita, como Noé, Jó e
Asa, Gn 6.9; Jó 1.1; 1 Rs 15.14. Mas seguramente, exemplos que tais não provam
o ponto, pela simples razão de que eles não são exemplos de perfeição sem
pecado. Mesmo os santos mais notáveis da Bíblia são retratados como homens que
tiveram seus deslizes e pecaram, nalguns casos, gravemente. Isto vale para Noé,
Moisés, Jó, Abraão e todos os demais. É certo que isto não prova que as sua
vidas continuaram sendo pecaminosas enquanto viveram na terra, mas é notável o
fato de que não nos é apresentado um único personagem sem pecado. A
interrogação de Salomão ainda é pertinente: “Quem pode dizer: Purifiquei o meu
coração, limpo estou do meu pecado?” – Pv 20.9. Ademais, diz João: “Se
dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade
não está em nós”, 1 Jo 1.8.*
(4) O
apóstolo declara explicitamente que os nascidos de Deus não pecam, 1 Jo 3.6, 8,
9; 5.18. – Mas quando João declara que os nascidos de Deus não pecam, está
pondo em contraste dois estados, representados pelo velho homem e pelo novo,
quanto à sua natureza e princípio
* Cf. também
o versículo 10. Nota do tradutor.
536
essencial.
Uma das características essenciais do novo homem é que ele não peca. Tendo em
vista que João emprega invariavelmente o presente para expressar a idéia de que
aquele que nasceu de Deus não peca, é possível que ele deseje expressar a idéia
de que o filho de Deus não vive pecando, habitualmente, como o diabo faz, 1 Jo
3.8.1** Por certo que ele não pretende asseverar que o crente jamais pratica um
ato pecaminoso, cf. 1 Jo 1.8-10. Ademais, o perfeccionista não pode fazer bom
uso destas passagens para provar o ponto que defende, visto que provariam
demais, para o seu propósito. Ele não corre o risco de dizer que todos os
crentes são de fato isentos de pecado, mas somente afirma que eles podem chegar
a um estado de perfeição imune de pecado. Contudo, as passagens joaninas
provariam, na interpretação perfeccionista, que todos os crentes são imunes de
pecado. E, mais que isso, provariam também que os crentes jamais caem do estado
de graça (pois isto é pecar); e, todavia, são justamente os perfeccionistas que
acreditam que até o cristão perfeito pode cair.
c. Objeções
à teoria do perfeccionismo.
(1) À luz da
Escritura, a doutrina do perfeccionismo é absolutamente insustentável. A Bíblia
nos dá a explícita e mui definida segurança de que não existe ninguém na terra
que não peque, 1 Rs 8.46; Pv 20.9; Ec 7.20; Tg 3.2; 1 Jo 1.8. Em vista destas
claras afirmações da Escritura, é difícil enxergar como alguém que se diz
crente na Bíblia como sendo a infalível Palavra de Deus, pode afirmar que aos
crentes é possível ter vida sem pecado, e que alguns conseguem realmente evitar
todo pecado.
(2) Segundo
a Escritura, há uma guerra constante entre a carne e o Espírito nas vidas dos
filhos de Deus, e mesmo os melhores deles ainda estão lutando por perfeição, em
sua existência terrena. Paulo nos dá uma extraordinária descrição desta luta em
Rm 7.7-26, passagem que certamente se refere a ele em seu estado regenerado. Em
Gl 5.16-24 ele fala dessa mesma luta como sendo uma luta que caracteriza todos
os filhos de Deus. E em Fp 3.10-14 ele fala de si próprio, praticamente no
final de sua carreira, como alguém que ainda não alcançara a perfeição,
prosseguindo avante para a meta.
(3)
Exigem-se continuamente a confissão de pecados e a oração pelo perdão. Jesus
ensinou todos os Seus discípulos, sem exceção nenhuma, a orar pelo perdão de
pecados e pela libertação da tentação do maligno, Mt 6.12, 13. E João diz: “Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça”, 1 Jo 1.9. Além disso, os santos da Bíblia
são constantemente descritos confessando os seus pecados, Jó 9.3, 20; Sl 32.5;
130.3; 143.2; Pv 20.9; Is 64.6; Dn 9.16; Rm 7.14.
(4) Os
próprios perfeccionistas julgam necessário rebaixar o padrão da lei e
exteriorizar a idéia de pecado, a fim de manterem a sua teoria. Ademais, alguns
deles têm modificado 1 Cf. Robertson, The Minister and His Greek Testament, p.
100. ** Cf. também Almeida, Ed. Ver. E Atualizada, 1 Jo 3.8, 9, comp. com a Ed,
Rev. e Corrigida. Nota do Tradutor. 537
repetidamente
o ideal a que, em sua opinião, os crentes podem chegar. A princípio, o ideal
era “estar livre de todo o pecado”; depois, “estar livre de todo o pecado
consciente”; em seguida, “inteira consagração a Deus; e, finalmente, “segurança
cristã”. Isto, já por si, é suficiente condenação da sua teoria. Naturalmente,
nós não negamos que o cristão pode alcançar a segurança da fé.
I.
Santificação e Boas Obras.
A
santificação e as boas obras são interrelacionadas muito intimamente.
Precisamente como a velha vida se expressa nas obras do mal, assim a nova vida,
que se origina na regeneração e é promovida e fortalecida na santificação,
naturalmente se manifesta nas boas obras. Estas podem ser denominadas frutos da
santificação e, como tais, entram em consideração aqui.
1. NATUREZA
DAS BOAS OBRAS.
a. As boas
obras no sentido especificamente teológico. Quando falamos das boas obras em
conexão com a santificação, não nos referimos a obras que são perfeitas, que
correspondem perfeitamente às exigências da lei moral divina e que são de tanto
valor inerente que dão à pessoa o direito à recompensa da vida eterna sob as
condições da aliança das obras. Referimonos, porém, a obras que são
essencialmente diversas, quanto à qualidade moral, das ações dos não regenerados,
e que são expressões de uma nova e santa natureza, como o princípio do qual
elas provêm. Estas são obras que Deus não somente aprova, mas, em certo
sentido, também recompensa. Eis as características das obras espiritualmente
boas: (1) São frutos de um coração regenerado, visto que, sem isso, ninguém
pode ter a disposição (obedecer a Deus) e o motivo (glorificar a Deus)
exigidos, Mt 12.33; 7.17, 18. (2) Não estão apenas em externa conformidade com
a lei de Deus, mas também são feitas com consciente desobediência à vontade
revelada de Deus, isto é, porque são exigidas por Deus. Elas brotam do
princípio do amor a Deus e do desejo de fazer a Sua vontade, Dt 6.2; 1 Sm
15.22; Is 1.12; 29.13; Mt 15.9. (3) Seja qual for o seu objetivo, seu alvo
final não é o bem-estar do homem, mas a glória de Deus, que é o supremo alvo
concebível da vida humana. 1 Co 10.31; Rm 12.1; Cl 3.17, 23.
b. As boas
obras num sentido mais geral. Conquanto a expressão “boas obras” seja
geralmente empregada na teologia no sentido estrito recém-indicado, permanece
sendo verdade que os não regenerados também podem praticar obras que podem ser
chamadas boas num sentido superficial da palavra. Eles muitas vezes praticam
boas obras que estão em conformidade exterior com alei de Deus e que podem ser
chamadas objetivamente boas, em distinção das flagrantes transgressões da lei.
Tais obras atendem a um fim próximo que recebe a aprovação de Deus. Ademais, em
virtude dos restos da imagem de Deus presentes no homem natural e da luz da
natureza, o homem pode ser guiado em sua relação com outros homens por motivos
louváveis e, dentro destes limites, levar o selo da aprovação de Deus. Contudo,
essas boas obras não
538
podem ser
consideradas frutos do coração corrupto do homem. Só encontram sua explicação na
graça comum de Deus. Acresce que devemos ter em mente que, embora estas obras
possam ser chamadas boas em certo sentido, e assim sejam chamadas na Bíblia, Lc
6.33, todavia, são essencialmente defeituosas. Os feitos dos não regenerados
estão divorciados da raiz espiritual do amor a Deus. Não representam nenhuma
obediência interior à lei de Deus, e nenhuma sujeição à vontade do soberano
Governador de céus e terra. Não têm objetivo espiritual, visto que não são
feitas com o propósito de glorificar a Deus, mas somente atentam para as
relações da vida natural. A verdadeira qualidade de um ato é, naturalmente,
determinada pela qualidade do seu objetivo final. A capacidade dos não
regenerados para a prática de boas obras, nalgum sentido da expressão, tem sido
negada muitas vezes. Barth dá um passo mais, quando chega ao extremo de negar
que os crentes possam fazer boas obras, e afirma que todas as obras dos crentes
são pecados.
2. O CARÁTER
MERITÓRIO DAS BOAS OBRAS. Já nos primeiros tempos da igreja cristã, havia a
tendência de atribuir certo mérito às boas obras, mas a doutrina dos méritos
realmente se desenvolveu na Idade Média. Ao tempo da Reforma, ela era muito
proeminente na teologia católica romana e foi impelida a ridículos extremos na
vida prática. Os Reformadores logo mediram forças com a igreja de Roma sobre
este ponto.
a. A posição
de Roma sobre o ponto em questão. A Igreja Católica Romana distingue entre o
meritum de condigno (mérito por ser digno), que representa dignidade e valor
inerentes, e o meritum de congruo (mérito por ser apropriado, proporcional,
conveniente), que é uma espécie de semi-mérito, uma coisa boa para ser
recompensada. O primeiro liga-se unicamente a obras praticadas depois da
regeneração, com o auxílio da graça divina, e é um mérito que intrinsecamente
merece a recompensa e a recebe das mãos de Deus. O último liga-se àquelas
disposições ou obras que o homem pode desenvolver ou praticar antes da
regeneração, em virtude de uma simples graça preveniente, e é um mérito que
torna côngruo ou próprio para Deus recompensar o praticante dessas obras
infundindo graça em seu coração. Contudo, desde que as decisões do Concílio de
Trento são dúbias sobre este ponto, há alguma incerteza quanto à posição exata
da igreja de Roma. Parece que a idéia geral é que a capacidade para praticar
boas obras, no sentido estrito da palavra, provém da graça infundida no coração
do pecador por amor a Cristo; e que, depois, estas boas obras merecem, isto é,
dão ao homem o justo direito à salvação e à glória. A igreja de Roma vai até
mesmo além, e ensina que os fiéis podem praticar obras de supererrogação –
podem fazer mais do que o necessário para a sua própria salvação e, assim,
podem estabelecer um depósito de boas obras, que podem vir em benefício de
outros.
b. A posição
escriturística sobre este ponto. A Escritura ensina claramente que as boas
obras dos crentes não são meritórias, no sentido próprio da palavra. Devemos
ter em mente, porém, que a palavra “mérito” é empregada com duplo sentido, o
estrito e próprio, e o outro livre. Estritamente
539
falando, uma
obra meritória é uma obra à qual, por causa do seu valor e da sua dignidade
intrínsecas, a recompensa é devida justamente, em função da justiça comutativa.
Falando de modo livre, porém, uma obra merecedora de aprovação e à qual está
ligada uma recompensa (por promessa, acordo ou de outro modo), também às vezes
é chamada meritória. Obras deste tipo são dignas de louvor e são recompensadas
por Deus. Mas, por mais que seja assim, certamente elas não são meritórias no
sentido estrito da palavra. Elas não fazem, por seu valor moral intrínseco, de
Deus um devedor àquele que as pratica. Pela estrita justiça, as boas obras dos
crentes não merecem nada. Eis algumas passagens mais conclusivas para provar o
ponto em foco: Lc 17.9, 10;Rm 5.15-18; 6.23; Ef 2.8-10; 2 Tm 1.9, Tt 3.5. Estas
passagens mostram claramente que os crentes não recebem a herança da salvação
por ser esta devida a eles em virtude das suas boas obras, mas unicamente como
um dom gratuito de Deus. Também atende à razão que tais obras não podem ser
meritórias, pois: (1) Os crentes devem toda a sua vida a Deus e, portanto, não
podem ter merecimento de coisa alguma por darem a Deus simplesmente o que lhe é
devido, Lc 17.9, 10 (2) Eles não podem praticar boas obras com suas próprias
forças, mas somente com as forças que Deus lhes transmite dia após dia; e, em
vista disto, eles não podem esperar crédito por essas obras, 1 co 15.10; Fp
2.13. (3) Mesmo as melhores obras dos crentes continuam sendo imperfeitas nesta
vida, e todas as obras juntas representam apenas uma obediência parcial, ao
passo que a lei requer obediência perfeita, e nada menos que isso poderá
satisfaze-la, Is 64.6; Tg 3.2. (4) Ademais, as boas obras dos crentes estão
totalmente fora de proporção em relação à recompensa da glória eterna. Uma
obediência temporal e imperfeita nunca pode merecer uma recompensa eterna e
perfeita.
3.
NECESSIDADE DAS BOAS OBRAS. Não pode haver dúvida quanto à necessidade das boas
obras, corretamente entendida. Não as podemos considerar como necessárias para
merecimento da salvação, nem como meios pelos quais segurar a salvação, nem
ainda como o único caminho pelo qual seguir rumo à glória eterna, pois as
crianças dão entrada à salvação sem terem praticado nenhuma boa obra. A Bíblia
não ensina que ninguém pode salvar-se sem boas obras. Ao mesmo tempo, as boas
obras decorrem necessariamente da união dos crentes com Cristo.”Quem permanece
em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto”, Jo 15.5. Elas são necessárias também
porque exigidas por Deus, Rm 7.4; 8.12, 13; Gl 6.2, como frutos da fé, Tg 2.14,
17, 20-22, como expressões de gratidão, 1 co 6.20, como conducentes à segurança
da fé, 2 pe 1.5-10, e para a glória de Deus, Jo 15.8; 1 co 10.31. Deve-se
defender a necessidade das boas obras contra os antinomianos, que alegam que,
desde que Cristo não somente levou sobre Si a pena do pecado, mas também
satisfez as exigências positivas da lei, o crente está livre da obrigação de
observa-la, erro que ainda está conosco hoje em dia, nalgumas formas de
dispensacionalismo. Esta é uma posição completamente falsa, pois somente como
sistema de penalização e método de salvação é que a lei é abolida na morte de
Cristo. Como padrão para a nossa vida moral, a lei é uma transcrição da
santidade de Deus e, portanto, tem validade permanente para o crente também,
apesar de que a sua atitude para com a lei passou por uma transformação
radical. Ele
540
recebeu o
Espírito de Deus, que é o espírito de obediência, de sorte que, sem nenhum
constrangimento, ele obedece voluntariamente à lei. Strong resume bem isso,
quando diz: Cristo nos livra: “(1) da lei como um sistema de maldição e
penalidade; isto Ele faz levando sobre Si a maldição e a penalidade...; (2) da
lei com as suas exigências como método de salvação; isto Ele faz tornando
nossos a Sua obediência e os Seus méritos...; (3) da lei como compulsão externa
e alheia; isto Ele faz dando-nos o espírito de obediência e de filiação, pelo
qual a lei é realizada progressivamente dentro em nós”.1
QUESTIONÁRIO
PARA PESQUISA: 1. Como a santidade teocrática se relacionava com a santidade
ética entre os israelitas? 2. Como a purificação ritual se relacionava com a
santificação? 3. Quem é o sujeito da santificação, o velho homem, ou o novo, ou
ambos? 4. A santificação nesta vida afeta igualmente todas as partes do homem?
5. Onde começa o processo de santificação? 6. Todos os cristãos experimentam um
constante progresso na santificação? 7. Qual a diferença entre santificação e
melhoramento moral? 8. O fato de que a santificação nunca é completa nesta vida
leva necessariamente à doutrina do purgatório, ou à doutrina da santificação
depois da morte? 9. Como concebe Wesley “Santificação Integral”? 10. Barth
também atribui ao crente a santidade no sentido de qualidade ética? 11. Que
prova bíblica existe de que o cristão não está livre da lei como norma de vida?
12. Os protestantes em geral ensinam que as boas obras não são necessárias? 13.
Como diferem os católicos romanos e os protestantes quanto à necessidade das
obas obras? 14. É sábio dizer, sem nenhuma ressalva, que as boas obras são
necessárias para a salvação? 15. Se todos os cristãos herdam a vida eterna, em
que sentido as suas obras servirão de padrão para a sua recompensa?
BIBLIOGRAFIA
PARA CONSULTA: Bavinck, Geref. Dogm. IV, p. 245-288; Kuyper, Dict. Dogm., De
Salute, p. 134-157; ibid., Het Werk van den Heiligen Geest III, p. 1-123; Vos,
Geref. Dogm. IV, p. 211-248; Hodge, Syst. Theol. III, p. 213-258; Shedd, Dogm.
Theol. II, p. 553-560; Dabney, Syst., and Polem. Theol., p. 660-687; Strong,
Syst. Theol., p. 869-881; Alexander, Syst. Of Bibl. Theol. II, p.428-459;
Litton, Introd. To Dogm. Theol., p. 322-337; Schmid, Doct. Theol. Of the Luth.
Church, p. 491-503; Valentine, Chr. Theol. II, p. 272-277; Pieper, Chr. Dogmatik
III, p. 1106; Watson, Theol. Institutes III, p. 197-206; Curtis, The Chr.
Faith, p. 373-393; Pope, Chr. Theol. III, p. 28-99; Candlish, The Chr.
Salvation, p. 110-133; Impeta, De Leer der Heiliging and Volmaking bij Wesley
and Fletcher; Clarke, An Outline of Chr. Theol., p. 409-427; Wilmers, Handbook
of the Chr. Rel., p. 293-304; Moehler, Symbolism, p. 157-175; Finney, Syst.
Theol., p. 402-481; Starbuck, The Psych. Of Rel., p. 375-391; Koberle, The
Quest of Holiness; Warfield, Studies in Perfectionism (2 volumes); Newton Flew,
The Idea of Perfection in Christian Theology.
1 System.
Theol., p. 876.
541
XI. A
Perseverança dos Santos
A. A
Doutrina da Perseverança dos Santos na História.
A doutrina
da perseverança dos santos tem o sentido de que aqueles que Deus regenerou e
chamou eficazmente para um estado de graça não podem cair nem total nem
definitivamente, mas certamente perseverarão nele até o fim e serão salvos para
toda a eternidade. Quem primeiro ensinou explicitamente esta doutrina foi
Agostinho, embora não fosse coerente neste ponto, como se poderia esperar dele,
um rigoroso predestinacionista. Com ele a doutrina não assumiu a forma exposta
acima. Ele sustentava que os eleitos não podem cair de modo que se percam
definitivamente, mas, ao mesmo tempo, achava possível que alguns que foram
revestidos da nova vida e da fé verdadeira possam cair completamente da graça
e, por fim, sofrer a condenação eterna. A igreja de Roma, com o seu
semipelagianismo, inclusa a doutrina do livre arbítrio, negava a doutrina da
perseverança dos santos e colocava a perseverança destes na dependência da
incerta obediência do homem. Os Reformadores restabeleceram esta doutrina,
colocando-a no seu devido lugar. Contudo, a Igreja Luterana voltou a faze-la
incerta, atribuindolhe dependência da contínua atividade da fé, por parte do
homem, e pressupondo que os crentes verdadeiros podem cair completamente da
graça. Somente nas igrejas calvinistas é que a doutrina é defendida numa forma
que lhe dá segurança absoluta. Os Cânones de Dort, depois de chamarem a atenção
para as muitas fraquezas e faltas dos filhos de Deus, declaram: “Mas Deus, que
é rico em misericórdia, segundo o Seu imutável propósito de eleição, não retira
totalmente o Espírito Santo do Seu povo, mesmo em suas graves quedas; nem
consente que cheguem ao ponto de perderem a graça da adoção e serem provados do
estado de justificação, ou de cometerem pecado para a morte ou contra o
Espírito Santo; tampouco permite que eles fiquem totalmente desamparados e se
precipitem na destruição eterna”.1 Os arminianos rejeitaram este conceito e
proclamaram que a perseverança dos crentes depende da sua vontade de crer e das
suas boas obras. Pessoalmente, Armínio evitou esse extremo, mas os seus
seguidores não hesitaram em manter a sua posição sinergista, com todas as suas
conseqüências. Os arminianos wesleyanos seguiram esse rumo, e assim também
várias outras seitas. As igrejas reformadas calvinistas ficam praticamente
sozinhas na atitude de responder negativamente a indagação sobre se o cristão
pode cair completamente do estado de graça e perder-se definitivamente.
B. Exposição
da Doutrina da Perseverança.
A doutrina
da perseverança exige exposição cuidadosa, principalmente em vista do fato de
que a expressão “perseverança dos santos” está sujeita a ser mal compreendida.
Devemos
1 V . Art.
6.
542
observar
primeiramente que a doutrina não pretende ensinar apenas que os eleitos serão
certamente salvos no final, embora Agostinho lhe tenha dado essa forma, mas
ensina mui especificamente que aqueles que uma vez foram regenerados e chamados
eficazmente por Deus para um estado de graça, jamais poderão cair completamente
desse estado e, daí, deixar de alcançar a salvação eterna, apesar de poderem,
às vezes, ser dominados pelo mal e cair em pecado. Afirma-se que a vida própria
da regeneração e os hábitos que dela se desenvolvem nas veredas da santificação
jamais poderão desaparecer inteiramente. Além disso, devemos protegernos do
possível mal-entendido, segundo o qual, esta perseverança é considerada como
uma propriedade natural do crente, ou como uma atividade contínua do homem, por
meio da qual ele persevera no caminho da salvação. Quando Strong a descreve
como “a continuação voluntária, da parte do cristão, na fé e na prática do
bem”, e como “o lado ou aspecto humano do processo espiritual que, visto do
lado divino, denominamos santificação” – por certo isso está sujeito a criar a
impressão de que a perseverança depende do homem. Os reformados, porém, não
consideram a perseverança dos santos como sendo,a cima de tudo, uma disposição
ou atividade do crente, embora certamente creiam que o homem coopera nela,
exatamente como coopera na santificação. Eles até acentuam o fato de que o
crente cairia, se fosse deixado entregue a si mesmo. Estritamente falando, é
Deus quem persevera, não o homem. Pode-se definir a perseverança como a
contínua operação do Espírito Santo no crente, pela qual a obra da graça
divina, iniciada no coração, tem prosseguimento e se completa. É porque Deus
nunca abandona a Sua obra que os crentes continuam de pé até o fim.
C. Prova da
Doutrina da Perseverança.
Pode-se
provar a doutrina da perseverança com certas afirmações da Escritura e mediante
a inferência doutras doutrinas.
1.
AFIRMAÇÕES DIRETAS DA ESCRITURA. Há algumas passagens importantes da Escritura
que consideraremos aqui. Em Jo 10.27-29 lemos: “As minhas ovelhas ouvem a minha
voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais
perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu
Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”. Em Rm
11.29 diz o apóstolo Paulo: “Porque os dons e a vocação de Deus são
irrevogáveis” (ou, na versão utilizada pelo Autor, “são sem arrependimento”).
Quer dizer que a graça de Deus revelada em Sua vocação nunca mais é retirada,
como se Deus se arrependesse de havê-la dado. Esta afirmação é de caráter geral,
embora no contexto em que se acha à vocação de Israel. O apóstolo consola e
fortalece os crentes de Filipos com as palavras: “Estou plenamente certo de que
aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo
Jesus”, Fp 1.6. Em 2 Ts 3.3 ele diz: “Todavia o Senhor é fiel; ele vos
confirmará e guardará do maligno”. Em 2 Tm 1.12 ele faz soar uma nota de
regozijo: “... porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é
poderoso para
543
guardar o
meu depósito até aquele dia”. E em 4.18, na mesma epístola, Paulo de gloria [e
dá glória a Deus] pelo fato de que o Senhor o livrará de toda obra maligna e o
levará a salvo para o Seu reino celestial.
2. PROVAS
POR INFERÊNCIA. Também se pode comprovar a doutrina da perseverança por inferência.
a. Da
doutrina da eleição. A eleição não significa apenas que alguns serão
favorecidos por certos privilégios externos e poderão ser salvos, se cumprirem
com o seu dever, mas, sim, que aqueles que pertencem ao número dos eleitos
serão finalmente salvos e nunca ficarão aquém da salvação perfeita. É eleição
para um fim, a saber, para a salvação. Ao levá-la a efeito, Deus reveste os
crentes de influências do Espírito Santo que os levam, não somente a aceitar a
Cristo, mas também a perseverar até o fim e a salvar-se para a eternidade.
b. Da
doutrina da aliança da redenção. Na aliança da redenção Deus deu o Seu povo ao
Seu filho como recompensa pela obediência e pelo sofrimento Deste. Esta
recompensa foi estabelecida na eternidade pretérita e não foi submetida à
condição de alguma fidelidade incerta do homem. Deus não volta atrás, em Sua
promessa, e, portanto, é impossível que aqueles que são considerados como
unidos a Cristo e como partes da Sua recompensa, possam separar-se dele (Rm
8.38, 39), e que aqueles que ingressaram na aliança, entendida como uma
comunhão vital, caiam e sejam eliminados dela.
c. Da
eficácia dos méritos e da intercessão de Cristo. Em Sua obra expiatória, Cristo
pagou o preço necessário para adquirir o perdão e a divina aceitação do
pecador. A justiça de Cristo constitui a base perfeita para a justificação do
pecador, e é impossível que aquele que é justificado pelo pagamento de um preço
tão perfeito e eficaz fique de novo debaixo da condenação. Ademais, Cristo faz
constante intercessão por aqueles que Lhe são dados pelo Pai, e a Sua oração
intercessória por Seu povo é sempre eficaz, Jo 11.42; Hb 7.25.
d. Da união
mística com Cristo. Os que estão unidos a Cristo pela fé, tornam-se
participantes do Seu Espírito e, assim, tornam-se um corpo com Ele, pulsando
neles a vida do Espírito. Compartem a vida de Cristo, e, porque Cristo vive,
eles vivem também. É impossível que eles sejam retirados do corpo e, assim,
frustrem o ideal divino. A união é permanente, visto que se origina numa causa
permanente e imutável – o livre e terno amor de Deus.
e. Da obra
que o Espírito Santo realiza no coração. Diz corretamente Dabney: “É uma
inferior e indigna avaliação da sabedoria do Espírito Santo e da Sua obra no
coração humano, supor que Ele comece a obra agora e, logo em seguida, a
abandone; que a centelha vital do nascimento celestial seja um ignis fatuum
(fogo fátuo), ardendo por um pouco e depois expirando na escuridão total; que a
vida comunicada no novo nascimento seja uma espécie de vitalidade
544
espasmódica
e galvânica, dando a aparência exterior de vida à alma morta, e depois
morrendo”.1 Segundo a Escritura, já nesta vida o crente está de posse da
salvação e da vida eterna, Jo 3.36; 5.24; 6.54. Poderíamos partir da suposição
de que a vida eterna não é eterna?
f. Da
segurança da salvação. É evidente na Escritura que os crentes podem, nesta
existência, alcançar a segurança da salvação, Hb 3.14; 6.11; 10.22; 2 pe 1.10.
Isso estaria fora de questão, se fosse possível aos crentes cair da graça a qualquer
momento. Essa segurança só pode ser desfrutada por aqueles que estão com a
firme convicção de que Deus aperfeiçoará a obra que começou.
D. Objeções
à Doutrina da Perseverança.
1. NÃO SE
HARMONIZA COM A LIBERDADE HUMANA. Dizem que a doutrina da perseverança é
incoerente com a liberdade humana. Mas esta objeção parte da falsa
pressuposição de que a verdadeira liberdade consiste na liberdade da
indiferença, ou no poder de fazer escolha contrária em questões morais e
espirituais. Contudo, isto é errôneo. A verdadeira liberdade consiste
exatamente na autodeterminação rumo à santidade. O homem nunca é mais livre do
que quando se move conscientemente em direção a Deus. E o cristão está com essa
liberdade pela graça de Deus.
2. LEVA À
INDOLÊNCIA E A IMORALIDADE. Assevera-se confiadamente que a doutrina da
perseverança conduz à indolência, ao abuso e até à imoralidade. Dela resulta
uma falsa segurança, é o que se diz. Esta é, porém, uma noção equivocada, pois,
conquanto a Bíblia nos diga que somos guardados pela graça de Deus, ela não
fomenta a idéia de que Deus nos guarda sem que de nossa parte haja constante
vigilância, diligência e oração. É difícil ver como uma doutrina que garante ao
crente uma perseverança na santidade pode ser um incentivo ao pecado. Quer-nos
parecer que a certeza de sucesso na luta ativa pela santificação é o melhor
estímulo possível para esforços cada vez maiores.
3. É
CONTRÁRIA À ESCRITURA. Com freqüência se declara que a doutrina é contrária à
Escritura. As passagens aduzidas para provar esta alegação podem ser reduzidas
a três classes:
a. Há
advertências contra a apostasia que pareceriam completamente sem razão de ser,
se o crente não pudesse cair, Mt 24.12; Cl 1.23; Hb 2.1; 3.14; 6.11; 1 Jo 2.6.
Mas estas advertências consideram a questão toda a partir do lado do homem e
seu propósito é sério. Elas incitam os crentes ao exame de si mesmos e servem
de instrumento para mantê-los no caminho da perseverança. Não provam que alguns
dos seus destinatários irão apostatar da fé, mas simplesmente que o uso dos
meios é necessário para impedi-los de cometer este pecado. Comparando-se At
27.22-25 com o versículo 31, tem-se uma ilustração deste princípio.
1 Syst. and
Polem. Theol., p. 692.
545
b. Também há
exortações que concitam os crentes a permanecer no caminho da santificação, o
que parece desnecessário, se não há dúvida de que eles permanecerão até o fim.
Mas, geralmente, essas exortações acham-se ligadas a advertências do tipo das
referidas no item (a), e atendem exatamente ao mesmo propósito. Elas não provam
que quaisquer dos crentes exortados não perseverarão, mas somente que Deus
utiliza meios morais para a realização de fins morais.
c. Dizem
ainda que a Escritura registra diversos casos de apostasia concretizada, 1 Tm
1.19, 20; 2 tm 2.17, 18; 4.10; 2 pe 2.1, 2; cf. também Hb 6.4-6. Mas estes
exemplos não provam a alegação de que os crentes verdadeiros, de posse da
verdadeira fé salvadora, podem cair da graça, a não ser que se demonstre
primeiro que as pessoas indicadas nestas passagens tinham a verdadeira fé em
Cristo, e não uma simples fé temporal, não arraigada na regeneração. A Bíblia
nos ensina que há pessoas que professam a fé verdadeira e que, todavia, não
pertencem à fé, Rm 9.6; 1 jo 2.19; Ap 3.1. De alguns deles diz João: “Eles
saíram do nosso meio”, e, à guisa de explicação, acrescenta: “entretanto, não
eram dos nossos: porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido
conosco”, 1 Jo 2.19.
E. A Negação
Desta Doutrina Torna a Salvação Dependente da Vontade Humana.
A negação da
doutrina da perseverança virtualmente torna a salvação do homem dependente da
vontade humana, e não da graça de Deus. Naturalmente, esta consideração não
terá efeito nenhum nos que partilham a concepção da salvação como auto-sotérica
– e eles são numerosos – mas certamente deveria fazer com que parem para
meditar aqueles que se gloriam em salvarse pela graça. A idéia é que, depois
que o homem é levado a um estado de graça unicamente pela operação do Espírito
Santo, ou pela ação conjunta do Espírito Santo e da vontade do homem, cabe
somente ao homem continuar na fé ou abandona-la, como lhe convenha. Isso torna
a causa do homem muito precária e o impossibilita de obter a bendita segurança
da fé. Conseqüentemente, é da máxima importância defender a doutrina da
perseverança. Nas palavras de Hovey, “Ela pode ser uma fonte de grande
consolação e poder – um incentivo para a gratidão, uma motivação para o
sacrifício próprio e uma coluna de fogo na hora de perigo”.
QUESTIONÁRIO
PARA PESQUISA: 1. Qual é a real questão concernente à perseverança: é se os
eleitos ou se s regenerados perseveram? 2. Agostinho e os luteranos também
ensinam que os eleitos poderão perder-se definitivamente? 3. Como a analogia da
vida natural favorece a doutrina da perseverança? 4. Passagens como Hb 6.4-6;
10.29; 2 pe 2.1 não provam a possibilidade da queda definitiva? 5. Que dizer de
Jo 15.1-6? 6. A graça da perseverança é alguma coisa inata, necessariamente
dada com a nova natureza, ou é fruto de uma atividade especial, graciosa e
preservadora de Deus? 7. A doutrina implica que a pessoa pode estar vivendo em
pecado habitual e intencional e, contudo, estar num estado justificado? 8. Ela
exclui a idéia de quedas em pecado?
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BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA: Bavinck, Geref. Dogm. IV, p.289-294;
Vos, Geref. Dogm. IV, p. 248-260; Dabney, Syst. And Polem. Theol., p. 687-698;
Dick, Theology, Lect. LXXIX; Litton, Introd. To Dogm. Theol., p. 338-343;
Finney, Syst. Theol., p. 544-619; Hovey, Manual of Theology and Ethics, p.
295-299; Pieper, Christ. Dogm. III, p. 107-120; Pope, Chr. Theol. III, p.
131-147; Meijering, De Dordtsche Leerregels, p. 256-354; Bos, De Dordtsche
Leerregelen, p. 199-255.
AUTOR: CAROLINE V. Sandell-Berg, [TRANS. INGLÊS, ERNST B.
OLSON, TRAD. O espanhol: SALOMÃO MUSSIETT C. (TOMADA DE BATISTA HINÁRIO, #
233)]


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