domingo, 24 de junho de 2018

Lição 1- Levítico, Adoração e Serviço ao Senhor



ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO 
LIVRO DE APOIO DO 3º TR. DE 2018 ADULTO.

Dedicatória
 À minha querida esposa, Marta de Jesus Doreto de Andrade, por seu incentivo e orações durante a feitura deste livro. Sem a sua ajuda, eu não teria chegado até aqui. Autora, comentarista de lições bíblicas infanto-juvenis, tradutora e expositora da Bíblia Sagrada, ela vive intensamente as sagradas letras. 
Obrigado, Senhor, pela vida da Marta.

Prefácio
J
 amais me imaginei a comentar o livro de Levítico. Nessa porção das Sagradas Escrituras, sempre via di­culdades intransponíveis. A­nal, como lidar com regras tão minuciosas? E aquelas descrições pormenorizadas? E quanto às recomendações que se repetem aqui e ali? Uma coisa é ler o Gênesis e os primeiros capítulos de Êxodo. Outra bem diferente é deter-se nas últimas seções de Êxodo e em cada versículo do Levítico.
    Todavia, o segundo e o terceiro livros da Bíblia não poderiam ser diferentes. Quando se lê a segunda parte do Êxodo, tem-se a impressão de que um arquiteto a escreveu. A descrição do Tabernáculo e de sua mobília é rigorosamente técnica. As medidas são exatas. Os materiais requisitados não admitem sucedâneos. Sobre as fórmulas dos santos óleos e incensos, o que dizer? É trabalho de químico; perfumista de escol. Tudo foi realizado com exclusividade para a glória e para a honra de Jeová.
      Na leitura do Levítico, a situação não é diferente. Já nos primeiros capítulos, percebemos que o livro todo é um manual de cerimônias e ritos, cujo objetivo é proporcionar um culto perfeito a Jeová. Nenhuma falha é admitida. Se o incenso não pode ser estranho, o fogo que o queimará no altar de ouro não deve ser retirado de fonte ilícita. Caso contrário, o o­ficiante terá o mesmo ­fim de Nadabe e Abiú. Em suas páginas, não há espaço para coisas e pessoas impuras. Nada profano é admitido. Se os animais oferecidos ao Senhor devem ser perfeitos e limpos, quem os oferece tem de ser santo, puro e isento de falhas. A perfeição divina tem de ser re‑etida em cada gesto e ato cultual. Que o culto seja perfeito como Perfeitíssimo é o cultuado. Santi­que-se, pois, o adorador para que se apresente diante do Deus que está a exigir de cada um de seus filhos: “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 20.7).
      Confesso que, se me fosse possível, teria passado a tarefa a alguém mais afeito a essa seção da literatura divina. Todavia, quis o meu Deus que eu a comentasse. Não me restando alternativa; aceitei o desafio em nome de Jesus.
     Primeiro, comentei as 14 lições da Escola Dominical para a classe dos adultos referentes ao terceiro trimestre de 2018. Durante esse labor, fui submetido a toda sorte de provações. Quase desisti da tarefa. O meu Deus, porém, intervindo em todos os momentos críticos e aflições, fortaleceu-me e ajudou-me a chegar até aqui.
       O que posso dizer? Sem Ele, nada posso fazer. Com Ele, todavia, chegarei aos confins da terra com a mensagem do Evangelho. Assim sendo, não se esqueça de mim em suas orações.
 Que o nome de Cristo seja exaltado em todas as instâncias de minha vida.
Eu amo o Senhor Jesus Cristo.
 Rio de Janeiro, verão de 2018. 

                     
                                                                   Introdução
Embora seja visto, às vezes, como um manual de cerimônias estressante e monótono, o livro de Levítico vai além das celebrações e ritos que prescreve. No cânon divino, surge como parte viva, orgânica e essencial da História Sagrada. Por essa razão, sua atualidade não pode ser ignorada por nenhum cristão. Isso não significa, porém, que devamos submeter-nos à sua liturgia que, como muito bem explica o apóstolo Paulo, cumpriu-se plenamente em Cristo. Enveredando-se pelo caminho dos judaizantes, os gálatas caíram da graça; quase pereceram. Os princípios teológicos e devocionais de Levítico, todavia, são eternos; eram necessários ontem e continuam imprescindíveis hoje.
      Nessa porção sagrada, deparamo-nos com três palavras-chave: adoração, santidade e serviço. Tais proposições servem de alicerce tanto à congregação israelita quanto à Igreja de Cristo. Ambas precisaram aprender, cada uma a seu tempo, a adorar a Deus e a reconhecê-lo como o Criador, Senhor e Mantenedor de todas as coisas. Em seguida, aprendemos com Moisés e Arão que, para agradar ao Senhor, temos de apartar-nos do mundo e separar-nos exclusivamente ao serviço divino. Eis o cerne da santificação preconizada em cada seção do livro de Levítico.
       Já em suas primeiras linhas, é possível concluir que a adoração nada é sem a santificação, e a santificação, por sua vez, nenhum valor terá se não resultar em serviços ao Reino de Deus. Aqui está o fulcro do terceiro livro do Pentateuco. Ao chegarmos à última etapa desta obra, concluiremos: o Levítico é tão vivo, hoje, como no dia em que Moisés, inspirado pelo Espírito Santo, lavrou-o num papiro a caminho da Terra Prometida.

I.              Levítico, um Livro por Excelência
À semelhança dos demais livros do Cânon Sagrado, o Levítico destaca-se por sua singularidade, origem e excelência. Vejamos, em primeiro lugar, a razão de seu nome e de sua estrutura.
1. O nome do livro. No original hebraico, o livro de Levítico é conhecido por suas palavras iniciais: Vaicrá que, literalmente, significam “e chamou” (Lv 1.1). Numa primeira instância, veremos, nesse enunciado, um chamado indireto de Deus a Moisés a escrever a terceira porção do Pentateuco. Em seguida, enxerguemo-la como a vocação direta de Deus a Israel a reerguer-se como nação santa, profética, real e sacerdotal.
        Vaicrá tem, ainda, mais duas traduções possíveis: “e separou” e “e santificou”. Teologicamente, o chamado de Deus implica em nossa separação do mundo e em nossa imediata santificação ao serviço de seu Reino. Na erudição judaica, o livro é conhecido também como Torath Kohanim – A Lei dos Sacerdotes. Já na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento, o livro recebe o nome de Leuitikon, denotando-lhe o tema e o propósito: as coisas pertencentes ao ministério dos levitas. No latim, a sua designação é Leviticus. E, tendo em vista a origem românica do idioma português, nossos tradutores houveram por bem denominá-lo de Levítico pelas razões já apontadas.
2. Estrutura do livro. Terceiro livro das Sagradas Escrituras, o Levítico é composto por 27 capítulos, 859 versículos e, aproximadamente, 24 mil palavras. Nele, são encontrados mandamentos, proposições, narrativas e profecias. Em suas páginas, há 26 promessas quanto ao proceder obediente de quem professa adorar a Deus.
3. Singularidade do livro. O Levítico é um livro singular por duas razões: 1) É o único manual que temos na Bíblia referente à forma correta de se adorar a Deus; e 2) Embora dirigido aos sacerdotes, foi redigido por um profeta (Lv 1.1).
4. As divisões de Levítico. Utilizaremos A Bíblia Explicada para esboçar o Levítico. Esse livro sagrado, de acordo com S. E. Macnair, pode ser dividido em nove seções principais: 1) As ofertas (caps. 1—6.7). 2) A lei das ofertas (caps. 6.8—7.38). 3) Consagração (caps. 8.1—9.24). 4) Uma transgressão e um exemplo (cap. 10.1—20). 5) Um Deus santo exige um povo santo (caps. 11—15). 6) Expiação (cap. 16). 7) A conduta do povo de Deus (caps. 17 e 22). 8) As festas de Jeová (cap. 23). 9) Instruções e avisos (caps. 24—27). 
5. Origem divina e humana do livro. À semelhança dos demais livros das Sagradas Escrituras, o Levítico é um texto verdadeiramente humano e verdadeiramente divino. Sua autoria fica bem patente logo no primeiro versículo: “E chamou o SENHOR a Moisés, e falou com ele da tenda da congregação” (Lv 1.1).
       O livro tem como fonte o próprio Deus e, como medianeiro, Moisés. Inspirado pelo Espírito Santo, o profeta e legislador dos hebreus redigiu-o e encarregou-se de transmiti-lo aos levitas e aos demais filhos de Israel, seus leitores e ouvintes imediatos, e, depois, a nós, a Igreja de Cristo. É uma obra, pois, de dupla procedência e autoria: divino-humana.
6. Excelência literária do livro. Que o livro de Levítico é inspirado pelo Espírito Santo, não há dúvida. Nós ouvimos a voz de Deus em cada uma de suas páginas; é um texto comprovadamente divino. Todavia, o que podemos dizer acerca de suas qualidades literárias?
       Apesar de ser uma obra técnica, o Levítico não se perde naqueles jargões e tecnicismos que caracterizam os manuais. O seu autor humano, sempre guiado pelo Espírito de Deus, redigiu-o de tal forma que, passados mais de três milênios, sentimo-lo como se tivesse acabado de ser escrito. É importante observarmos que a sua redação não secciona a narrativa pentateutica da peregrinação dos israelitas à Terra Prometida.
       Moisés escreveu o Levítico com tanto “engenho e arte”, que se tem a impressão de que essa porção da Bíblia Sagrada é a continuidade do Êxodo e a transição natural para os livros de Números e Deuteronômio. Temos, pois, diante de nós, uma obra de comprovada excelência literária. É bela e sublime; em seu gênero, inigualável.

 II. A Certeza da Autoria Mosaica
Neste tópico, ressaltaremos as qualidades literárias de Moisés. Em seguida, veremos o idioma e a escrita usada pelo autor sagrado.
       1. Deus, o autor divino. Do primeiro ao último versículo de Levítico, sente-se claramente que Deus é o seu autor (Lv 1.1). Tal convicção não advém apenas das reivindicações formais do livro; advém, principalmente, da experiência do leitor com a obra. Pelo menos essa é a minha experiência pessoal.
       Do início ao final de Levítico, o Senhor dirige-se a Moisés em 38 ocasiões diferentes. Patenteia-se, dessa forma, a origem divina da terceira seção do Pentateuco. Não há dúvida: é a palavra inspirada, inerrante e completa de Deus.
2. Moisés, o autor humano. Não exagero ao afirmar que Moisés foi o homem mais sábio que o mundo já conheceu. É claro que faço essa afirmação depois de excetuar o Senhor Jesus Cristo que, além de sapientíssimo, era e é a própria sabedoria. Aliás, Ele é a Palavra de Deus encarnada. Nesse sentido, toda a palavra do Levítico era, essencial e tipologicamente, o oráculo do Filho de Deus.
    Vejamos algumas qualidades literárias de Moisés.
     Educado na corte faraônica, Moisés tornou-se um homem poderoso em palavras e obras. Sua cultura não se restringia ao Egito; era universal. Ele podia transitar por todo o Oriente Médio sem constrangimento algum. Já refugiado em Canaã, entrou em contato com a escrita sinaítica: um meio termo entre a pictografia egípcia e o alfabeto assurítico, que, no tempo de Esdras, seria adotado pelos escribas judeus.
       Ali, nos prados midianitas, Moisés foi induzido, providencialmente, a trocar a primeira forma de escrita pela segunda. Em termos técnicos, pode-se considerar os signos sinaíticos como uma espécie de alfabeto. Será que os intelectuais egípcios conheciam os signos do Sinai? Talvez. Mas, à semelhança dos chineses, resolveram manter o seu complexo sistema de linguagem, a fim de não popularizar o conhecimento.
      O estilo literário de Moisés foi divinamente forjado no deserto. Fugindo às ladainhas egípcias, foi conduzido didaticamente a sair da movediça e fantástica literatura faraônica até firmar-se num estilo firme, racional e próprio da literatura histórico-profética. Nesse período, deixa-se impregnar pela dicção poética, campesina e pastoral de seu povo. E, assim, depois de quarenta anos no exílio e, após muito pensar, o filho de Anrão e Joquebede estava preparado a lavrar as palavras que Deus, por intermédio do Espírito Santo, assoprar-lhe-ia na alma.
       3. O idioma original. Ao ser intimado por Deus a ser o pai da nação eleita, Abraão ainda não falava o hebraico, embora fosse reconhecido como hebreu (Gn 14.13). Seu idioma materno era, mui provavelmente, um caldaico primitivo que ainda lutava por desvencilhar-se das influências dialetais da Acádia. Nesse sentido, a língua de suas peregrinações pode ser classificada como pré-hebraica. Isso porque, em suas caminhadas por Canaã foi mesclando sua língua materna aos diversos falares cananeus. Como estes se expressavam em línguas igualmente semíticas, o patriarca não teve dificuldades em transitar pelos diversos reinos cananeus e, com estes, negociar e estabelecer alianças. O capítulo 14 de Gênesis mostra, implicitamente, a desenvoltura linguística de Abraão entre os povos de Canaã. Seria como um lusófono, alguém que fala português, a andejar numa área onde predominasse a hispanofonia, uma comunidade linguística que envolve todas as pessoas que têm em comum a língua espanhola.
        Nos lábios dos patriarcas, a língua hebraica foi sendo paulatinamente formada ao longo de cinco séculos: do chamado de Abraão ao chamamento de Moisés. Um período que vai, de acordo com a cronologia bíblica geralmente aceita, do ano 2.000 a 1.500 a.C.
        A estadia de Israel no Egito foi decisiva à consolidação do idioma hebraico. Ali, na distante Gósen, isolada no delta oriental do Nilo, os israelitas puderam desenvolver o seu idioma, livres das influências linguísticas dos cananeus e dos egípcios. Apesar de residirem no Egito, os filhos de Israel não mantinham contato com os habitantes da terra, uma vez que estes os consideravam abominação (Gn 46.34). Os súditos de Faraó não toleravam pastores de ovelhas, pois tinham o gado vacum e ovino como divindade.
      Por conseguinte, quando o Senhor chamou Moisés a escrever os primeiros cinco livros da Bíblia Sagrada, a língua hebraica já estava devidamente formada. Faltava-lhe, porém, um sistema de escrita. Que signos adotar? Os hieróglifos egípcios? Ou a escrita cuneiforme das antigas Suméria e Acádia? Se Moisés tivesse optado quer pelos primeiros quer pela segunda, hoje não teríamos acesso às revelações do Gênesis e às narrativas da redenção de Israel.
      4. A escrita pentatêutica. Foi nesse período que Moisés descobriu a escrita sinaítica. Se comparada aos hieróglifos egípcios e às cunhas mesopotâmicas, ela pode ser considerada, de fato, um sistema alfabético. No entanto, prefiro classificá-la de pré-alfabética por duas razões: ela ainda estruturava-se em sinais pictóricos, e estava bem longe de usar vogais em seus fonemas. Mesmo assim, era um avanço admirável em relação às grafias dos vales do Nilo e do Eufrates.
       O que poderia ter acontecido se Moisés, ao invés de usar a escrita sinaítica, tivesse optado pela egípcia ou pela mesopotâmica? Certamente, hoje, a História Sagrada seria um amontoado de signos incompreensíveis e sujeitos às mais bizarras interpretações. Aliás, nem os próprios israelitas achariam nelas qualquer sentido. Mas, graças a Deus, o profeta foi não apenas inspirado a escrever inerrantemente o Pentateuco, como também foi dirigido, pelo mesmo Espírito, a escolher o sistema de escrituração mais eficaz da época, para narrar os princípios da História Sagrada até a libertação completa dos hebreus. O alfabeto sinaítico (chamemo-lo assim) foi rapidamente assimilado pelos sábios de Israel que, sempre dirigidos e supervisionados pelo Espírito Santo, puderam dar continuidade à História Sagrada. Josué, Samuel, Davi e Gade, por exemplo, tornaram-se mestres na escrita do Sinai; grandes literatos (Js 24.26; 1 Sm 10.25; Sl 45.1). Aliás, pelo que inferimos de algumas passagens, era um sistema já bastante utilizado naquela região (Jz 8.14).
        Na verdade, a escrita sinaítica nasceu entre os fenícios que, já naqueles dias, dominavam o comércio na região do Oriente Médio. E, para agilizar suas escriturações contábeis, entenderam por bem criar um sistema de registro mais dinâmico e eficaz. E, tendo como base os hieróglifos egípcios, elaboraram um pré-alfabeto que, séculos depois, seria adotado e aperfeiçoado pelos gregos e romanos.
       Se bem atentarmos à história de Israel, perceberemos que, durante o exílio babilônico, os judeus vieram a trocar, de fato, o seu alfabeto pelo assurítico. Denominado escrita quadrática, devido à forma de suas letras, foi introduzido na cópia das Sagradas Escrituras mui provavelmente por Esdras. O eruditíssimo doutor e escriba, aliás, foi quem procedeu a última reforma editorial e gráfica do Antigo Testamento. Sem o seu trabalho, as Sagradas Escrituras corriam o risco de se tornarem um todo incompreensível. E, dessa maneira, viriam a cair no esquecimento.
       O hebraico, como o lemos hoje no Antigo Testamento, é um legado tanto de Moisés quanto de Esdras, intermediados por filólogos como os homens de Ezequias (Pv 25.1).
       A Moisés coube uma tripla e dificílima tarefa: adaptar a escrita sinaítica às necessidades linguísticas de Israel; gramaticar o hebraico e, finalmente, torná-lo uma língua literária. Nesse sentido, Moisés está para o hebraico como Martinho Lutero (1483-1546) está para o alemão. Sem o trabalho de ambos, separados por trinta séculos, hoje não teríamos nem a língua hebraica nem a alemã. Moisés, por esse motivo, não foi apenas o maior profeta da História Sagrada, foi também um dos maiores linguistas e filólogos que o mundo já conheceu. Infelizmente, os eruditos seculares, sempre preocupados em desconstruir a Bíblia, ainda não atentam a esse fato. Quanto a Esdras, coube-lhe uma missão dupla e igualmente dificílima. Em primeiro lugar, adaptou o alfabeto assurítico, usado pelos falantes do aramaico, ao hebraico do exílio. Já resolvido o problema alfabético, o grande e bem-conceituado doutor pôs-se a revisar linguisticamente as Escrituras Sagradas até então lavradas. Sua revisão, frisamos, não avançou além do campo filológico; ele não fez nenhuma mudança de conteúdo, pois a própria Escritura, a fim de preservar-se, proibia-o terminantemente (Pv 30.5,6; Ap 22.18.19). E, sobre as adaptações linguísticas, os editores sagrados não esconderam a sua participação (Gn 22.14; Dt 3.14; 1 Sm 5.5).     
       A mudança da escrita sinaítica para o alfabeto assurítico, conhecido hoje como hebraico, começou a ser feita no exato momento em que Daniel e seus companheiros chegaram à corte babilônica. Eles foram não somente obrigados a aprender a língua e a cultura dos caldeus, mas também constrangidos a assimilar o seu alfabeto (Dn 1.4). Afinal, os documentos oficiais eram redigidos, inicialmente, em arameu e no alfabeto assurítico, e, depois, nas demais línguas e alfabetos. 
       Hoje, temos o livro de Levítico na Bíblia Hebraica, não mais na escrita sinaítica, mas no sistema alfabético assurítico. Concernente à língua hebraica, em si, o que podemos dizer? O hebraico falado no tempo de Esdras seria perfeitamente inteligível a um israelense de nossos dias. Deus, portanto, reservou os meios mais eficazes (alfabeto, língua e trabalho editorial), para que tivéssemos, hoje, a sua Palavra como Ele a inspirou a Moisés e aos demais profetas.

 III. Ocasião, o Nascimento de Israel
Ao datarmos a redação do livro de Levítico, temos de levar em consideração três coisas muito importantes: a ocasião da obra, a peregrinação e o aparente atraso e, finalmente, o estabelecimento da congregação israelita no deserto.
1. A data da redação do Levítico. De acordo com a cronologia bíblica geralmente aceita, o livro de Levítico foi escrito por Moisés em 1445 a.C.. É claro que essa data não pode ser considerada exata, mas também não é absurda nem pode ser descartada. E, se levarmos em conta Êxodo 40.7, veremos que a redação da terceira parte do Pentateuco começou a ser feita um ano depois de os israelitas terem saído do Egito. Foi nessa ocasião, ainda, que o Senhor ordenou fosse erguido o Santo Tabernáculo no deserto.
2. O período do Levítico. Moisés escreveu o Levítico num momento particularmente difícil da história de Israel. Os israelitas tinham acabado de sair de uma segunda apostasia. A primeira, como se recorda, foi o episódio do bezerro de ouro (Êx 32). Mas a segunda, embora não tivesse como motivação a idolatria, foi pior do que a primeira; tinha como fundamento a incredulidade que, a partir daquele momento, tornar-se-ia crônica na vida dos judeus.
       Embora conhecessem a promessa feita por Deus a Abraão, os hebreus, contaminados pelo desânimo, não se animaram a apossar-se de Canaã. Foram, por isso, condenados a peregrinar no deserto por quarenta anos (Nm 14.34). Em meio a essa rebelião e apostasia, foi que Moisés, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu o Levítico, a fim de ensinar o povo a adorar o Deus Santo, Vivo, Único e Verdadeiro.     
      3. A peregrinação e o atraso. Não fossem as duas grandes apostasias, Israel teria chegado a Canaã em, no máximo, dois meses. Mas, em consequência de seus pecados, os hebreus tiveram de voltear o Sinai por um período de quarenta anos, até que toda aquela geração de incrédulos caísse no deserto e, no deserto, fosse sepultada. Sem esse longo contratempo, o livro de Levítico poderia ter sido escrito em Canaã, sob circunstâncias mais favoráveis. E, quem sabe, o lamentável episódio de Nadabe e Abiú teria sido igualmente evitado, pois ambos, frutos daquela incredulidade, eram tão culpáveis quanto os dez espias que esparramaram o desalento pelo arraial hebreu.
       Todavia, como o cronograma redentivo de Deus não pode ser atrasado pelas circunstâncias, aprouve ao Senhor entregar as regras e mandamentos levíticos em pleno Sinai. E, dessa forma, a nova geração de Israel adentraria Canaã com uma disposição renovada, apossando-se de vez da terra que mana leite e mel. Sendo assim, podemos dizer que o atraso ocorrido na peregrinação dos israelitas em direção à Terra Prometida foi providencial e didático. Sem a longa estadia no deserto, Israel jamais alcançaria o seu status de nação profética, sacerdotal e real.
       4. A congregação no deserto. Foi nesse período conturbado, que Deus ordenou a construção do Santo Tabernáculo. Neste ponto, vejo-me obrigado a levantar esta questão: se não fossem as duas apostasias de Israel, no Sinai, a tenda de adoração seria necessária?
        Que os israelitas careciam de um centro de adoração ninguém o pode negar. Entretanto, se a peregrinação tivesse durado apenas sessenta dias, um tempo mais do que razoável, acredito que, ao invés de um santuário portátil, os israelitas seriam instruídos, pelo Senhor, a erguer uma casa definitiva. Isso, porém, só viria a acontecer quatro séculos depois da entrada de Israel em seu território. A desobediência traz retardos e atrasos em todos os sentidos. Eis porque devemos primar por uma vida de obediência ao Senhor.

 IV. Os Objetivos de Levítico
À primeira vista, o livro de Levítico é um manual de cerimônia como outro qualquer. Todavia, uma leitura mais atenta leva-nos a ver, em suas páginas, pelo menos cinco objetivos: doxológico, hagiológico, didático, diaconológico e missiológico.
      1. Objetivo doxológico. No Êxodo, o Senhor demanda de seu povo uma adoração perfeita. Já no Levítico, ensina Ele, a esse mesmo povo, como alcançar esse alvo. Em suas páginas, observamos que, além da intenção do adorador, a adoração tem de processar-se de maneira correta e santa, pois o Senhor busca os que o honram em espírito e em verdade. Por isso, a partir do sacerdócio araônico, a adoração passa a ser considerada um serviço a ser prestado regular e corretamente ao Deus Santo e Verdadeiro.
        A doxologia é o primeiro e mais elevado objetivo do livro de Levítico. Eis porque, no cerne de todo sacrifício e oferta, tem de estar o coração e a alma do adorador. Menos que isso é inaceitável.   
 2. Objetivo hagiológico. A hagiologia não se limita a estudar a vida dos homens santos; seu objetivo inclui a pesquisa de coisas tidas como santas e o processo de santificação que as acompanha. Por essa razão, temos de ver os estágios de santificação de Israel como o segundo objetivo de Levítico. Isso porque, o Deus Santo e Verdadeiro requer, de seus adoradores, a mesma santidade e a mesma verdade. Aliás, o texto áureo desse livro é bastante claro quanto aos seus objetivos hagiológicos: “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).
        A hagiologia bíblica abrange um duplo processo. O primeiro é separar o homem do mundo, para que ele, pelos meios da graça, santifique-se ao Senhor. O segundo leva esse mesmo homem, já separado do mundo, a santificar-se para o serviço de Deus. Conclui-se que a doxologia só há de ser perfeita se a hagiologia for completa na vida de quem professa amar e servir ao Senhor.

      3. Objetivo didático. Mas, como alcançar os objetivos doxológicos e hagiológicos demandados no livro de Levítico? A fim de que a adoração de Israel fosse perfeita, o Senhor providenciou um amplo e eficaz aparato didático. Somente assim o perfeito e santo Deus seria perfeita e santamente adorado.
      Devemos, portanto, ver como didáticos os livros de Êxodo e de Levítico, pois o objetivo de ambos é conduzir Israel, para que este, perfeita e completamente instruído, viesse a servir a Deus em espírito e em verdade.
       Se levarmos em conta os ensinos das epístolas endereçadas aos gálatas e aos cristãos hebreus, veremos o Santo Tabernáculo como um jardim de infância, no qual os israelitas, sempre conduzidos pelas mãos de Arão e de Moisés, deveriam aprender os primeiros rudimentos das verdades divinas (Gl 3.24,25).
       Infelizmente, eles recusaram-se a crescer na graça e no conhecimento do Senhor; optaram por ficar na escola de pré-alfabetização; não avançaram jamais. Vendo esse retardo atingir inclusive os cristãos, o autor sagrado exorta-os a deixar os tipos e emblemas dos bens futuros e, nestes, fixarem-se (Hb 9.11; 10.1).
       Hoje, não são poucas as igrejas evangélicas gentias que, embevecidas pelo esplendor do culto hebreu, buscam reviver festas e cerimônias judaicas, como se o templo cristão fosse mera sinagoga. Nosso compromisso com Israel é orar pela paz de Jerusalém, para que os filhos de Abraão retornem o mais depressa possível à sua herança, conforme preconizam os santos profetas. Quanto a nós, já saímos do jardim de infância espiritual. Eis porque devemos cumprir a terceira ordenança de Jesus: evangelizar até aos confins da terra.
4. Objetivo diaconológico. Que Israel fora chamado a servir a Deus era algo que não podia ser ignorado nem pela nação como um todo, nem pelo adorador em particular. A doxologia, a hagiologia e a didática tinham de resultar, naturalmente, na diaconia de quem professa conhecer o Deus Único e Verdadeiro. Israel deveria erguer-se, necessária e urgentemente, como a comunidade servidora por excelência. Mas não foi isso que aconteceu. Os judeus tardaram em reconhecer a natureza de sua missão como filhos de Deus e herdeiros de Abraão. Se nos detivermos no espírito de Levítico, constataremos que o seu principal objetivo era preparar um povo obreiro ao Senhor.
       5. Objetivo missiológico. O verdadeiro santo não é aquele que se limita a não praticar o mal; é aquele que, apartando-se do mal, deleita-se em fazer o bem e servir a Deus. Refugiar-se num convento pode até ser eficiente para quem busca fugir à avareza, à prostituição e às intemperanças. Todavia, tal refúgio impedir-nos-á de praticar o bem. E quem sabe praticar o bem e não o pratica ofende a Deus; faz-se tão pecador como aquele que, intemperando-se, lança-se a todos os excessos. Por essa razão, entendamos de uma vez por todas: fomos salvos para divulgar o testemunho de Jesus Cristo.
       Tal ensino pode ser encontrado na essência de Levítico. Portanto, à semelhança dos demais livros das Sagradas Escrituras, ele é, também, um livro missiológico. Se Israel, compenetrando-se de sua missão como povo de Deus, observasse os seus mandamentos, teria partido dali mesmo, em pleno deserto, a anunciar as grandezas de Deus. Mas, recolhido aos seus privilégios, limitou-se a reagir às agressões dos gentios. De que modo estamos agindo como Igreja de Deus? Agimos? Ou limitamo-nos a reagir às circunstâncias? Santifiquemo-nos! Testemunhemos de Cristo em toda e qualquer circunstância.
Conclusão
 Conforme tivemos a oportunidade de ver, o livro de Levítico não é um simples manual de cerimônias. Se o lermos com reverência e cuidado, constataremos estarmos diante de um livro, cuja principal reivindicação é a nossa santificação para servir a Deus. O Senhor intima-nos a ser santos, porque Ele é santo. Mas que a nossa santidade não venha a isolar-nos do clamor do mundo. Embora separados deste, neste ainda estamos. Eis porque, como santos de Deus, temos o dever de apregoar a mensagem do Evangelho por todo o mundo.
        O livro de Levítico continua tão atual, hoje, como no dia em que Moisés, inspirado pelo Espírito Santo, o escreveu. Que Deus nos ajude e, por intermédio do Espírito Santo, santifique-nos a cada dia.

Claudionor de Andrade

                                                     Resultado de imagem para Lição 1- Levítico, Adoração e Serviço ao Senhor
                                   Introdução ao 3º livro bíblico:Levítico

Escritor: Moisés Lugar da Escrita:
Ermo Data: Cerca de 1445-1405 a.C.

O nome mais comum do terceiro livro da Bíblia é Levítico, que vem de Leu·i·ti·kón da Septuaginta grega, através do "Leviticus" da Vulgata latina. Este nome é apropriado, embora os levitas sejam mencionados apenas de passagem (em Levítico 25:32, 33), pois o livro consiste principalmente em regulamentos para o sacerdócio levítico, escolhido da tribo de Levi, e em leis que os sacerdotes ensinavam ao povo: "Pois, são os lábios do sacerdote que devem guardar o conhecimento e da sua boca devem as pessoas procurar a lei." (Mal. 2:7) No texto hebraico, o livro é chamado segundo a sua expressão inicial, Wai·yiq·rá´, literalmente: "E ele passou a chamar." Entre os judeus posteriores, o livro era também chamado de Lei dos Sacerdotes e Lei das Ofertas. Lev. 1:1.
Não resta dúvida de que Moisés escreveu Levítico. A conclusão, ou colofão, declara: "Estes são os mandamentos que Deus deu a Moisés." (Levítico 27:34) Há uma declaração similar em Levítico 26:46. As evidências apresentadas anteriormente, de que Moisés escreveu Gênesis e Êxodo, comprovam também que ele escreveu Levítico, visto que o Pentateuco evidentemente era originalmente um só rolo. Além do mais, Levítico é ligado aos livros precedentes por meio da conjunção "e". O mais forte testemunho de todos é que Jesus Cristo, bem como outros servos inspirados de Deus, citam freqüentemente as leis e os princípios de Levítico ou referem-se a eles e os atribuem a Moisés. Lev. 23:34, 40-43 Nee. 8:14, 15; Lev. 14:1-32 Mat. 8:2-4; Lev. 12:2 Luc. 2:22; Lev. 12:3 João 7:22; Lev. 18:5 Rom. 10:5.
Que período abrange Levítico? O livro de Êxodo termina quando se erige o tabernáculo "no primeiro mês, no segundo ano, no primeiro dia do mês". O livro de Números (que se segue imediatamente ao relato de Levítico) começa com Deus falando a Moisés "no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da saída deles da terra do Egito". Segue-se, portanto, que não poderia ter passado mais de um mês lunar para os poucos eventos de Levítico, consistindo a maior parte do livro em leis e regulamentos. Êx. 40:17; Núm. 1:1; Lev. 8:1-10:7; 24:10-23.
Quando Moisés escreveu Levítico? É razoável concluir que ele guardou um registro dos eventos ao passo que iam ocorrendo, e que escreveu as instruções de Deus à medida que as recebia. Isto é implícito na ordem de Deus a Moisés de escrever a condenação dos amalequitas logo após Israel tê-los derrotado em batalha. Ademais, certos assuntos no livro sugerem que foi escrito logo. Por exemplo, ordenou-se aos israelitas trazer animais que desejassem usar para alimentação à entrada da tenda de reunião, para serem abatidos. Esta ordem teria sido dada e registrada pouco depois do estabelecimento do sacerdócio. Muitas instruções são dadas para a orientação dos israelitas durante a sua viagem no ermo. Êx. 17:14; Lev. 17:3, 4; 26:46.
 Por que se escreveu Levítico? Deus se propusera a ter uma nação santa, um povo santificado, colocado à parte para Seu serviço. Desde os dias de Abel, homens fiéis de Deus vinham oferecendo sacrifícios a Deus, mas foi primeiro à nação de Israel que Deus deu instruções específicas sobre ofertas pelo pecado e outros sacrifícios. Estes, segundo explicado em pormenores em Levítico, deixaram os israelitas cientes da excessiva pecaminosidade do pecado e incutiu-lhes na mente quão desagradáveis isto os tornava aos olhos de Deus. Tais regulamentos, como parte da Lei, serviram como tutor conduzindo os judeus a Cristo, mostrando-lhes a necessidade de um Salvador, e, ao mesmo tempo, serviam para mantê-los como povo separado do resto do mundo. Em especial as leis divinas sobre pureza cerimonial serviram para este último objetivo. Lev. 11:44; Gál. 3:19-25.
Como nova nação caminhando para uma nova terra, Israel necessitava de direção correta. Ainda não passara um ano desde o Êxodo, e os padrões de vida do Egito, bem como as suas práticas religiosas, ainda estavam vivos na mente deles. O casamento entre irmão e irmã era comum no Egito. Praticava-se a adoração falsa em honra de muitos deuses, alguns deles sendo deuses animais. Agora esta grande congregação estava a caminho de Canaã, onde a vida e as práticas religiosas eram ainda mais degradantes. Mas, observe de novo o acampamento de Israel. Engrossando a congregação havia muitos egípcios puros ou mestiços, uma multidão mista que vivia bem no meio dos israelitas e que nascera de pais egípcios e fora criada e instruída segundo os costumes, a religião e o patriotismo dos egípcios. Muitos destes, sem dúvida, até bem pouco antes, na sua terra, entregavam-se a práticas detestáveis.
Quão necessário é que recebam agora orientações pormenorizadas de Deus! Levítico traz em sua inteireza a marca da inspiração divina. Meros humanos não poderiam ter formulado as suas leis e seus regulamentos sábios e justos. Os seus estatutos relativos à alimentação, doenças, quarentena e tratamento de cadáveres revelam um conhecimento de fatos que os homens da medicina, do mundo, só vieram a conhecer milhares de anos mais tarde. A lei de Deus sobre animais impuros para alimentação protegeria os israelitas durante a sua viagem. Ela os protegeria contra a triquinose provinda de porcos, a febre tifóide e paratifóide de certos tipos de peixe e infecções provindas de animais encontrados mortos. Estas leis práticas visavam orientar a religião e a vida deles, para que permanecessem como nação santa e atingissem e habitassem a Terra Prometida. A história mostra que os regulamentos fornecidos por Deus resultaram em os judeus levarem definida vantagem sobre outros povos em questões de saúde.
O cumprimento das profecias e das prefigurações contidas em Levítico prova adicionalmente a sua inspiração. Tanto a história sagrada como a secular registram o cumprimento dos avisos de Levítico sobre as conseqüências da desobediência. Entre outras coisas, predisse que mães comeriam seus próprios filhos, por causa da fome. Jeremias indica que isto se cumpriu na destruição de Jerusalém, em 607 aC, e Josefo conta que isso aconteceu também na destruição posterior da cidade, em 70 dC. A promessa profética de que Deus se lembraria deles, se eles se arrependessem, cumpriu-se no retorno deles de Babilônia, em 537 aC. (Lev. 26:29, 41-45; Lam. 2:20; 4:10; Esd 1:1-6) Como testemunho adicional da inspiração de Levítico, há as citações que outros escritores da Bíblia fazem dele como sendo Escritura inspirada. Além dos textos citados anteriormente para provar que Moisés é o escritor, queira consultar Mateus 5:38; 12:4; 2 Coríntios 6:16 e 1 Pedro 1:16.
"Eu sou o Senhor." O tema de santidade permeia Levítico, que menciona este requisito mais do que qualquer outro livro da Bíblia. Os israelitas deviam ser santos porque Deus é santo. Certas pessoas, lugares, objetos e períodos foram reservados como santos. Por exemplo, o Dia da Expiação e o ano do Jubileu foram reservados como períodos de observância especial na adoração de Deus. Em harmonia com a sua ênfase à santidade, o livro de Levítico frisa o papel que o derramamento de sangue, isto é, o sacrifício de uma vida, desempenhava no perdão dos pecados. Os sacrifícios de animais limitavam-se aos animais domésticos e limpos. Para certos pecados, requeria-se a confissão, a restituição e o cumprimento de uma penalidade, além do sacrifício. Para outros pecados, a penalidade era a morte.

CONTEÚDO DE LEVÍTICO
Levítico consiste na maior parte em escrita legislativa, grande parte dela sendo também profética. No todo, o livro segue um esboço tópico, e pode ser dividido em oito partes, que seguem uma ordem sucessiva bastante lógica.
Regulamentos sobre sacrifícios (1:17:38). Os diversos sacrifícios caem em duas categorias gerais: de sangue, consistindo em bovinos, ovelhas, cabritos e aves; e exangues, consistindo em cereais. Os sacrifícios de sangue devem ser apresentados como ofertas
 (1) queimadas,
(2) de participação em comum,
(3) pelo pecado ou
(4) pela culpa.
Os quatro tipos de oferta têm as seguintes três coisas em comum: o próprio ofertante tem de trazer o animal à entrada da tenda de reunião, colocar as mãos sobre ele e daí o animal tem de ser abatido. Depois da aspersão do sangue, é preciso dar destino à carcaça segundo a espécie de sacrifício. Consideremos agora os sacrifícios de sangue, um por vez.
(1) As ofertas queimadas podem consistir num novilho, cordeiro, cabrito, rola ou pombo, dependendo das posses do ofertante. Têm de ser cortadas em pedaços e, com exceção da pele, a oferta toda tem de ser queimada sobre o altar. Em caso de rola ou de pombo, a cabeça tem de ser truncada com a unha, mas não decepada, e o papo e as penas removidos. 1:1-17; 6:8-13; 5:8.
(2) O sacrifício de participação em comum pode ser de um macho ou uma fêmea dos bovinos ou dos rebanhos. Só as partes gordurosas serão queimadas sobre o altar, certas porções cabendo ao sacerdote e o resto devendo ser comido pelo ofertante. É chamado apropriadamente de sacrifício de participação em comum, pois, mediante ele, o ofertante participa de uma refeição, ou tem comunhão, por assim dizer, com Deus e com o sacerdote. 3:1-17; 7:11- 36.
(3) Exige-se uma oferta pelo pecado para pecados não intencionais, ou pecados cometidos por engano. O tipo de
 animal oferecido depende de quem é o pecado que será expiado do sacerdote, do povo como um todo, dum chefe ou duma pessoa comum. Dessemelhantes das voluntárias ofertas queimadas e de participação em comum para indivíduos, as ofertas pelo pecado são obrigatórias. 4:1-35; 6:24-30.
 (4) As ofertas pela culpa são exigidas para expiar a culpa pessoal devido à infidelidade, à fraude e ao roubo. Em certos casos, a culpa requer que se confesse e se faça um sacrifício segundo as posses da pessoa. Noutros, exige-se a compensação equivalente à perda e mais 20 por cento, bem como o sacrifício de um carneiro. Nesta parte de Levítico, que trata das ofertas, proíbe-se enfática e repetidamente o comer sangue. 5:16:7; 7:1-7, 26, 27; 3:17. Os sacrifícios exangues têm de ser de cereais e são oferecidos quer assados inteiros, quer pilados ou em farinha fina; preparados de vários modos, tais como assados, grelhados ou fritos em gordura. Devem ser oferecidos com sal e azeite e, às vezes, com olíbano, mas têm de estar totalmente isentos de fermento ou mel. Em certos sacrifícios, uma parte pertencerá ao sacerdote. 2:1-16.

Investidura do sacerdócio (8:1-10:20).
Chega então o tempo para uma grande ocasião em Israel, a investidura do sacerdócio. Moisés cuida disso em todos os pormenores, como Deus lhe ordenara. "E Arão e seus filhos passaram a fazer todas as coisas que Deus ordenara por meio de Moisés." (8:36) Depois dos sete dias ocupados com a investidura, há um espetáculo milagroso e fortalecedor da fé. A assembléia inteira está presente. Os sacerdotes acabam de oferecer sacrifício. Arão e Moisés já abençoaram o povo. Daí, veja! "A glória de Deus apareceu . . . a todo o povo. E desceu fogo de diante de Deus e começou a consumir a oferta queimada e os pedaços gordos sobre o altar. Quando todo o povo chegou a ver isso, irromperam em gritos e prostraram-se sobre as suas faces." (9:23, 24) Deveras, Deus é digno da obediência e da adoração deles! Contudo, há transgressões da Lei. Por exemplo, os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, oferecem fogo ilegítimo perante Deus. "Saiu então fogo de diante de Deus e os consumiu, de modo que morreram perante Deus." (10:2) A fim de oferecerem sacrifícios aceitáveis e gozarem da aprovação de Deus, tanto o povo como os sacerdotes têm de seguir as instruções de Deus. Logo depois, Deus dá o mandamento de que os sacerdotes não devem tomar bebidas alcoólicas enquanto servem no tabernáculo, dando a entender que a embriaguez talvez tenha contribuído para a transgressão dos dois filhos de Arão.

Leis sobre a pureza (11:1-15:33).
Esta parte trata da pureza cerimonial e higiênica. Certos animais, tanto domésticos como selvagens, são impuros. Todos os corpos mortos são impuros e tornam impuros a todos os que neles tocam. O nascimento duma criança também traz impureza e requer separação e sacrifícios especiais. Certas doenças da pele, como a lepra, também causam impureza cerimonial, e a limpeza tem de ser aplicada não só a pessoas, mas também à roupa e às casas. Requer-se o isolamento. A menstruação e as emissões seminais resultam também em impureza, bem como os fluxos. Requer-se a separação nestes casos e, no restabelecimento, em adição, a lavagem do corpo ou a oferta de sacrifícios, ou ambas.

Dia da Expiação (16:1-34).
Este é um capítulo notável, pois contém as instruções para o dia mais importante para Israel, o Dia da Expiação, que cai no décimo dia do sétimo mês. É um dia para afligir a alma (com toda a probabilidade com jejum) e não se permitirá nenhum trabalho secular. Começa com a oferta de um novilho pelos pecados de Arão e sua família, a tribo de Levi, seguida da oferta de um bode pelo restante da nação. Depois da queima do incenso, parte do sangue dos dois animais tem de ser trazida, por sua vez, para o Santíssimo do tabernáculo, a fim de ser aspergido perante a tampa da Arca. Mais tarde, as carcaças dos animais têm de ser levadas para fora do acampamento e ser queimadas. Neste dia tem de se apresentar também um bode vivo diante de Deus, e sobre ele tem de se declarar todos os pecados do povo, após o que tem de ser conduzido para fora, para o ermo. Daí, dois carneiros tem de ser oferecidos como ofertas queimadas, um para Arão e sua família, e outro para o restante da nação.

Estatutos sobre sangue e outros assuntos (17:1-20:27).
 Esta parte apresenta muitos estatutos para o povo. Proíbese outra vez o sangue, numa das mais explícitas declarações sobre sangue que existe nas Escrituras. (17:10-14) O sangue pode ser usado apropriadamente no altar, mas não para consumo. Proíbem-se práticas detestáveis, como incesto, sodomia e bestialidade. Há regulamentos para a proteção dos aflitos, dos humildes e dos estrangeiros, e dáse o mandamento: "Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor." (19:18) Resguarda-se o bemestar social e econômico da nação, e os perigos espirituais, tais como a adoração de Moloque e o espiritismo, são proscritos, sob pena de morte. Deus frisa outra vez a necessidade de seu povo manter-se separado: "E tendes de mostrar-vos santos para mim, porque eu, Deus, sou santo, e estou passando a separar-vos dos povos para vos tornardes meus." 20:26

O sacerdócio e as festividades (21:1-25:55).
 Os três capítulos seguintes tratam principalmente da adoração formal de Israel: os estatutos que governam os sacerdotes, as suas qualificações físicas, com quem podem casar-se, quem pode comer coisas sagradas e os requisitos quanto a animais sadios que devem ser usados em sacrifícios. Ordenamse três festividades nacionais sazonais, proporcionando ocasiões de 'alegria perante Deus, vosso Deus'. (23:40) Como um só homem, a nação voltará assim a sua atenção, louvor e adoração a Deus, fortalecendo a sua relação com ele. Essas são festividades para Deus, santos congressos anuais. A Páscoa, juntamente com a Festividade dos Pães Não Fermentados, é marcada para princípios da primavera; o Pentecostes, ou a Festividade das Semanas, em fins da primavera; e o Dia da Expiação, juntamente com a Festividade das Barracas, ou Recolhimento, de oito dias, no outono. No capítulo 24, dá-se instrução relativa ao pão e ao azeite a serem usados no serviço do tabernáculo. Segue-se ali o incidente em que Deus decide que todo aquele que abusar do "Nome" sim, o nome Senhor, tem de ser morto por apedrejamento. Declara a seguir a lei da punição de igual por igual: "Olho por olho, dente por dente." (24:11-16, 20) No capítulo 25, acham-se regulamentos sobre o sábado de um ano, ou ano de repouso, a ser comemorado a cada 7 anos, e o Jubileu, a cada 50 anos. Neste 50.° ano, deve-se proclamar a liberdade em todo o país, e as propriedades hereditárias vendidas ou cedidas durante os últimos 49 anos devem ser restituídas. Dão-se leis que protegem os direitos dos pobres e dos escravos. Nesta parte, o número "sete" aparece destacadamente o sétimo dia, o sétimo ano, festividades de sete dias, um período de sete semanas, e o Jubileu, a vir depois de sete vezes sete anos.
 As conseqüências da obediência e da desobediência (26:1-46).
O livro de Levítico atinge o seu clímax neste capítulo. Deus alista aqui as recompensas pela obediência e os castigos pela desobediência. Ao mesmo tempo, apresenta a esperança para os israelitas se estes se humilharem, dizendo: "Vou lembrar-me, em seu benefício, do pacto dos antecessores que fiz sair da terra do Egito sob os olhares das nações, para mostrar-me seu Deus. Eu sou o Senhor." 26:45.
Estatutos diversos (27:1-34).
Levítico termina com instruções sobre o manejo das ofertas votivas, sobre o primogênito para Deus e sobre a décima parte que é santificada para Deus. Daí, vem o breve colofão: "Estes são os mandamentos que Deus deu a Moisés como ordens para os filhos de Israel, no monte Sinai." 27:34.

POR QUE É PROVEITOSO PARA NÓS:
Como parte das Escrituras inspiradas, o livro de Levítico é de grande proveito para os cristãos hoje. É ajuda maravilhosa para se ter apreço por Deus, seus atributos e seus modos de tratar as suas criaturas, conforme demonstrou tão claramente para com Israel sob o pacto da Lei. Levítico declara muitos princípios básicos que sempre vigorarão, e contém muitos modelos proféticos, bem como profecias, cuja consideração fortalece a fé. Muitos de seus princípios são declarados outra vez nas Escrituras Gregas Cristãs, alguns deles sendo citados diretamente. Sete pontos de realce são considerados abaixo.
(1) A soberania de Deus. Ele é o Legislador, e nós, como criaturas suas, temos de prestar-lhe contas. De direito, ele nos ordena que o temamos. Como Soberano Universal, ele não tolera rivalidade, seja esta em forma de idolatria, de espiritismo ou de outras formas de demonismo. Lev. 18:4; 25:17; 26:1; Mat. 10:28; Atos 4:24.
 (2) O nome de Deus. O seu nome precisa ser mantido sagrado, e não nos atrevemos a trazer opróbrio sobre ele mediante palavras ou ações. Lev. 22:32; 24:10-16; Mat. 6:9.
 (3) A santidade de Deus. Visto que ele é santo, seu povo precisa também ser santo, isto é, santificado ou separado para o Seu serviço. Isto inclui mantermo-nos separados do mundo ímpio que nos cerca. Lev. 11:44; 20:26; Tia. 1:27; 1 Ped. 1:15, 16.
(4) A excessiva pecaminosidade do pecado. É Deus quem determina o que é pecado, e nós precisamos precavernos dele. O pecado sempre requer um sacrifício de expiação. Além disso, requer também da nossa parte a confissão, o arrependimento e corrigir a situação ao máximo possível. Para certos pecados não pode haver perdão. Lev. 4:2; 5:5; 20:2, 10; 1 João 1:9; Heb. 10:26-29
(5) A santidade do sangue. Visto que o sangue é sagrado, não pode ser ingerido. O único uso permitido do sangue é como expiação pelo pecado. Lev. 17:10-14; Atos 15:29; Heb. 9:22.
 (6) Relatividade da culpa e da punição. Nem todos os pecados e os pecadores eram considerados à mesma luz. Quanto mais elevado o cargo, tanto maiores eram a responsabilidade e a penalidade pelo pecado. O pecado deliberado era punido de modo mais severo do que o pecado não intencional. As penalidades variavam muitas vezes segundo a habilidade de pagar. Este princípio de relatividade se aplicava também nos campos que não fossem de pecado e de punição, como na impureza cerimonial. Lev. 4:3, 22-28; 5:7-11; 6:2-7; 12:8; 21:1-15;Luc12:47,48; Tia. 3:1; 1 João 5:16.
(7) Justiça e amor. Resumindo os nossos deveres para com o próximo, Levítico 19:18 diz: "Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo." Isto abrange tudo. Torna proibitivo mostrar parcialidade, roubar, mentir ou caluniar, e requer que se mostre consideração para com os incapacitados, os pobres, os cegos e os surdos. Lev. 19:9-18; Mat. 22:39; Rom. 13:8-13.
Também, provando que Levítico é notavelmente 'proveitoso para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça' na congregação cristã, há as repetidas referências feitas a ele por Jesus e seus apóstolos, notavelmente Paulo e Pedro. Estes trouxeram à atenção os muitos modelos proféticos e as sombras das coisas por vir. Segundo observou Paulo: "A Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras." Delineia uma 'representação típica e sombra das coisas celestiais'. 2 Tim. 3:16; Heb. 10:1; 8:5.

O tabernáculo, o sacerdócio, os sacrifícios e em especial o anual Dia da Expiação tiveram todos um significado prefigurativo. A carta aos hebreus, ajuda-nos a identificar as partes correspondentes espirituais destas coisas, em relação com a "verdadeira tenda" da adoração de Deus. (Heb. 8:2) O principal sacerdote, Arão, representa a Cristo Jesus "como sumo sacerdote das boas coisas que se realizaram por intermédio da tenda maior e mais perfeita". (Heb. 9:11; Lev. 21:10) O sangue dos sacrifícios de animais prefigura o sangue de Jesus, que obtém "para nós um livramento eterno". (Heb. 9:12) O compartimento mais recôndito do tabernáculo, o Santíssimo, onde o sumo sacerdote entrava apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação, para apresentar o sangue sacrificial, é "cópia da realidade", o "próprio céu", para o qual Jesus ascendeu, "para aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus". Heb. 9:24; Lev. 16:14, 15.

As próprias vítimas sacrificiais animais sadios e sem mácula oferecidos como ofertas queimadas ou pelo pecado representam o sacrifício perfeito e sem mácula do corpo humano de Jesus Cristo. (Heb. 9:13, 14; 10:1-10; Lev. 1:3) É interessante que o autor considera também a característica do Dia da Expiação, em que as carcaças dos animais das ofertas pelo pecado eram levadas para fora do acampamento e queimadas. (Lev. 16:27) "Por isso, Jesus também sofreu fora do portão. Saiamos, pois, a ele, fora do acampamento, levando o vitupério que ele levou". (Heb. 13:12, 13) Mediante tal interpretação inspirada, os procedimentos cerimoniais, esboçados em Levítico, assumem importância maior, e podemos começar, deveras, a compreender quão maravilhosamente Deus fez ali sombras que inspiram respeito, indicando as realidades que só poderiam ser esclarecidas mediante o Espírito Santo. (Heb. 9:8) Tal entendimento correto é vital para os que querem tirar proveito da provisão para a vida que Deus faz mediante Cristo Jesus, o "grande sacerdote sobre a casa de Deus". Heb. 10:19-25.
Semelhante à casa sacerdotal de Arão, Jesus Cristo, qual Sumo Sacerdote, tem subsacerdotes associados consigo. Fala-se a respeito destes como sendo "sacerdócio real". (1 Ped. 2:9) Levítico indica claramente e explica o trabalho de expiar pecados feito pelo grande Sumo Sacerdote e Rei de Deus, bem como os requisitos exigidos dos membros de sua casa, dos quais se fala como sendo 'felizes e santos', e 'sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinando com ele por mil anos'. Que bênção esse trabalho sacerdotal realizará em soerguer humanos obedientes à perfeição, e que felicidade esse Reino celestial trará, restaurando a paz e a justiça! Certamente, devemos todos agradecer ao Deus santo, Deus, o seu arranjo de um Sumo Sacerdote e Rei, e de um sacerdócio real para declarar em toda a parte as Suas excelências, em santificação de Seu nome! Deveras, Levítico se une de modo maravilhoso a "toda a Escritura" em dar a conhecer os propósitos do Reino de Deus. Ap. 20:6.

FESTAS DE ISRAEL (Lev. Cap. 23) 

Festa 

Mês do ano sagrado 

Dia 

Mês do ano solar (atual) 

Páscoa
(Êx.12:1-4;Lv.23:5) 

1 (Abibe) 

14 

Março-Abril 


Pães Asmos 
(Ex.12:15-20;Lv.23:6-8) 

1 (Abibe) 

15-21 

Março-Abril 


Primícias
(Lv 23:9-14) 

1 (Abibe)
3 (Sivã) 


166 


Março-AbrilJunho-Julho


Semanas
(Colheitas ou Pentecostes)
(Êx.23:16; 34:22; Lv.23:23-25) 

3 (Sivã) 

6
(50 dias após a colheita da cevada) 

Maio-Junho 


Trombetas
(Rosh Hashanah)
(Lv. 23:23-25) 

7 (Tisri) 


Setembro-Outubro 


Dia da Expiação 
(Yom Kippur)
(Lv. 16;23:26-32) 

7 (Tisri) 

10 

Setembro-Outubro 


Tabernáculos
(Tendas ou Colheita)
(Êx.23:16; 34:22; Lv. 23:33-36) 

7 (Tisri) 

15-22 

Setembro-Outubro 

  

  

  

  

* Festas principais, para as quais todos os israelitas adultos, do sexo masculino, tinham a obrigação de viajar ao templo de Jerusalém


                                             

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