ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO
LIVRO DE APOIO DO 3º TR. DE 2018 ADULTO.
Dedicatória
À minha querida esposa, Marta de Jesus Doreto
de Andrade, por seu incentivo e orações durante a feitura deste livro. Sem a
sua ajuda, eu não teria chegado até aqui. Autora, comentarista de lições
bíblicas infanto-juvenis, tradutora e expositora da Bíblia Sagrada, ela vive
intensamente as sagradas letras.
Obrigado, Senhor, pela vida da Marta.
Prefácio
J
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amais me imaginei a comentar o livro de
Levítico. Nessa porção das Sagradas Escrituras, sempre via diculdades
intransponíveis. Anal, como lidar com regras tão minuciosas? E aquelas
descrições pormenorizadas? E quanto às recomendações que se repetem aqui e ali?
Uma coisa é ler o Gênesis e os primeiros capítulos de Êxodo. Outra bem
diferente é deter-se nas últimas seções de Êxodo e em cada versículo do
Levítico.
Todavia, o segundo e o terceiro livros da
Bíblia não poderiam ser diferentes. Quando se lê a segunda parte do Êxodo,
tem-se a impressão de que um arquiteto a escreveu. A descrição do Tabernáculo e
de sua mobília é rigorosamente técnica. As medidas são exatas. Os materiais
requisitados não admitem sucedâneos. Sobre as fórmulas dos santos óleos e
incensos, o que dizer? É trabalho de químico; perfumista de escol. Tudo foi
realizado com exclusividade para a glória e para a honra de Jeová.
Na leitura do Levítico, a situação não é
diferente. Já nos primeiros capítulos, percebemos que o livro todo é um manual
de cerimônias e ritos, cujo objetivo é proporcionar um culto perfeito a Jeová.
Nenhuma falha é admitida. Se o incenso não pode ser estranho, o fogo que o
queimará no altar de ouro não deve ser retirado de fonte ilícita. Caso
contrário, o oficiante terá o mesmo fim de Nadabe e Abiú. Em suas páginas,
não há espaço para coisas e pessoas impuras. Nada profano é admitido. Se os
animais oferecidos ao Senhor devem ser perfeitos e limpos, quem os oferece tem
de ser santo, puro e isento de falhas. A perfeição divina tem de ser re‑etida
em cada gesto e ato cultual. Que o culto seja perfeito como Perfeitíssimo é o
cultuado. Santique-se, pois, o adorador para que se apresente diante do Deus
que está a exigir de cada um de seus filhos: “Portanto, santificai-vos e sede
santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 20.7).
Confesso que, se me fosse possível, teria
passado a tarefa a alguém mais afeito a essa seção da literatura divina. Todavia,
quis o meu Deus que eu a comentasse. Não me restando alternativa; aceitei o
desafio em nome de Jesus.
Primeiro, comentei as 14 lições da Escola
Dominical para a classe dos adultos referentes ao terceiro trimestre de 2018.
Durante esse labor, fui submetido a toda sorte de provações. Quase desisti da
tarefa. O meu Deus, porém, intervindo em todos os momentos críticos e aflições,
fortaleceu-me e ajudou-me a chegar até aqui.
O
que posso dizer? Sem Ele, nada posso fazer. Com Ele, todavia, chegarei aos
confins da terra com a mensagem do Evangelho. Assim sendo, não se esqueça de
mim em suas orações.
Que o nome de Cristo seja exaltado em todas as
instâncias de minha vida.
Eu amo o
Senhor Jesus Cristo.
Rio de Janeiro, verão de 2018.
Introdução
Embora seja
visto, às vezes, como um manual de cerimônias estressante e monótono, o livro
de Levítico vai além das celebrações e ritos que prescreve. No cânon divino,
surge como parte viva, orgânica e essencial da História Sagrada. Por essa
razão, sua atualidade não pode ser ignorada por nenhum cristão. Isso não
significa, porém, que devamos submeter-nos à sua liturgia que, como muito bem
explica o apóstolo Paulo, cumpriu-se plenamente em Cristo. Enveredando-se pelo
caminho dos judaizantes, os gálatas caíram da graça; quase pereceram. Os
princípios teológicos e devocionais de Levítico, todavia, são eternos; eram
necessários ontem e continuam imprescindíveis hoje.
Nessa porção sagrada, deparamo-nos com três
palavras-chave: adoração, santidade e serviço. Tais proposições servem de
alicerce tanto à congregação israelita quanto à Igreja de Cristo. Ambas
precisaram aprender, cada uma a seu tempo, a adorar a Deus e a reconhecê-lo como
o Criador, Senhor e Mantenedor de todas as coisas. Em seguida, aprendemos com
Moisés e Arão que, para agradar ao Senhor, temos de apartar-nos do mundo e
separar-nos exclusivamente ao serviço divino. Eis o cerne da santificação
preconizada em cada seção do livro de Levítico.
Já em suas primeiras linhas, é possível
concluir que a adoração nada é sem a santificação, e a santificação, por sua
vez, nenhum valor terá se não resultar em serviços ao Reino de Deus. Aqui está
o fulcro do terceiro livro do Pentateuco. Ao chegarmos à última etapa desta
obra, concluiremos: o Levítico é tão vivo, hoje, como no dia em que Moisés,
inspirado pelo Espírito Santo, lavrou-o num papiro a caminho da Terra
Prometida.
I.
Levítico, um Livro por Excelência
À semelhança
dos demais livros do Cânon Sagrado, o Levítico destaca-se por sua
singularidade, origem e excelência. Vejamos, em primeiro lugar, a razão de seu
nome e de sua estrutura.
1. O nome do livro. No original hebraico, o livro de
Levítico é conhecido por suas palavras iniciais: Vaicrá que, literalmente,
significam “e chamou” (Lv 1.1). Numa primeira instância, veremos, nesse
enunciado, um chamado indireto de Deus a Moisés a escrever a terceira porção do
Pentateuco. Em seguida, enxerguemo-la como a vocação direta de Deus a Israel a
reerguer-se como nação santa, profética, real e sacerdotal.
Vaicrá tem, ainda, mais duas traduções
possíveis: “e separou” e “e santificou”. Teologicamente, o chamado de Deus
implica em nossa separação do mundo e em nossa imediata santificação ao serviço
de seu Reino. Na erudição judaica, o livro é conhecido também como
Torath Kohanim – A Lei dos Sacerdotes. Já na Septuaginta, a versão grega
do Antigo Testamento, o livro recebe o nome de Leuitikon, denotando-lhe o tema
e o propósito: as coisas pertencentes ao ministério dos levitas. No latim, a
sua designação é Leviticus. E, tendo em vista a origem românica do idioma
português, nossos tradutores houveram por bem denominá-lo de Levítico pelas
razões já apontadas.
2. Estrutura do livro. Terceiro livro das Sagradas
Escrituras, o Levítico é composto por 27 capítulos, 859 versículos e,
aproximadamente, 24 mil palavras. Nele, são encontrados mandamentos,
proposições, narrativas e profecias. Em suas páginas, há 26 promessas quanto ao
proceder obediente de quem professa adorar a Deus.
3. Singularidade do livro. O Levítico é um livro singular por
duas razões: 1) É o único manual que temos na Bíblia referente à forma correta
de se adorar a Deus; e 2) Embora dirigido aos sacerdotes, foi redigido por um
profeta (Lv 1.1).
4. As divisões de Levítico. Utilizaremos A Bíblia Explicada
para esboçar o Levítico. Esse livro sagrado, de acordo com S. E. Macnair, pode
ser dividido em nove seções principais: 1) As ofertas (caps. 1—6.7). 2) A lei
das ofertas (caps. 6.8—7.38). 3) Consagração (caps. 8.1—9.24). 4) Uma
transgressão e um exemplo (cap. 10.1—20). 5) Um Deus santo exige um povo santo
(caps. 11—15). 6) Expiação (cap. 16). 7) A conduta do povo de Deus (caps. 17 e
22). 8) As festas de Jeová (cap. 23). 9) Instruções e avisos (caps.
24—27).
5. Origem divina e humana do livro. À semelhança dos demais livros das
Sagradas Escrituras, o Levítico é um texto verdadeiramente humano e
verdadeiramente divino. Sua autoria fica bem patente logo no primeiro
versículo: “E chamou o SENHOR a Moisés, e falou com ele da tenda da
congregação” (Lv 1.1).
O livro tem como fonte o próprio Deus e,
como medianeiro, Moisés. Inspirado pelo Espírito Santo, o profeta e legislador
dos hebreus redigiu-o e encarregou-se de transmiti-lo aos levitas e aos demais
filhos de Israel, seus leitores e ouvintes imediatos, e, depois, a nós, a
Igreja de Cristo. É uma obra, pois, de dupla procedência e autoria:
divino-humana.
6. Excelência literária do livro. Que o livro de Levítico é inspirado
pelo Espírito Santo, não há dúvida. Nós ouvimos a voz de Deus em cada uma de
suas páginas; é um texto comprovadamente divino. Todavia, o que podemos dizer
acerca de suas qualidades literárias?
Apesar de ser uma obra técnica, o
Levítico não se perde naqueles jargões e tecnicismos que caracterizam os
manuais. O seu autor humano, sempre guiado pelo Espírito de Deus, redigiu-o de
tal forma que, passados mais de três milênios, sentimo-lo como se tivesse
acabado de ser escrito. É importante observarmos que a sua redação não secciona
a narrativa pentateutica da peregrinação dos israelitas à Terra Prometida.
Moisés escreveu o Levítico com tanto “engenho
e arte”, que se tem a impressão de que essa porção da Bíblia Sagrada é a
continuidade do Êxodo e a transição natural para os livros de Números e
Deuteronômio. Temos, pois, diante de nós, uma obra de comprovada excelência
literária. É bela e sublime; em seu gênero, inigualável.
II. A Certeza da Autoria Mosaica
Neste
tópico, ressaltaremos as qualidades literárias de Moisés. Em seguida, veremos o
idioma e a escrita usada pelo autor sagrado.
1. Deus, o autor divino. Do primeiro ao último versículo de Levítico, sente-se
claramente que Deus é o seu autor (Lv 1.1). Tal convicção não advém apenas das
reivindicações formais do livro; advém, principalmente, da experiência do
leitor com a obra. Pelo menos essa é a minha experiência pessoal.
Do início ao final de Levítico, o Senhor
dirige-se a Moisés em 38 ocasiões diferentes. Patenteia-se, dessa forma, a
origem divina da terceira seção do Pentateuco. Não há dúvida: é a palavra
inspirada, inerrante e completa de Deus.
2. Moisés, o autor humano. Não exagero ao afirmar que Moisés
foi o homem mais sábio que o mundo já conheceu. É claro que faço essa afirmação
depois de excetuar o Senhor Jesus Cristo que, além de sapientíssimo, era e é a
própria sabedoria. Aliás, Ele é a Palavra de Deus encarnada. Nesse sentido,
toda a palavra do Levítico era, essencial e tipologicamente, o oráculo do Filho
de Deus.
Vejamos algumas qualidades literárias de
Moisés.
Educado na corte faraônica, Moisés
tornou-se um homem poderoso em palavras e obras. Sua cultura não se restringia
ao Egito; era universal. Ele podia transitar por todo o Oriente Médio sem
constrangimento algum. Já refugiado em Canaã, entrou em contato com a escrita
sinaítica: um meio termo entre a pictografia egípcia e o alfabeto assurítico,
que, no tempo de Esdras, seria adotado pelos escribas judeus.
Ali, nos prados midianitas, Moisés foi
induzido, providencialmente, a trocar a primeira forma de escrita pela segunda.
Em termos técnicos, pode-se considerar os signos sinaíticos como uma espécie de
alfabeto. Será que os intelectuais egípcios conheciam os signos do Sinai?
Talvez. Mas, à semelhança dos chineses, resolveram manter o seu complexo
sistema de linguagem, a fim de não popularizar o conhecimento.
O estilo literário de Moisés foi
divinamente forjado no deserto. Fugindo às ladainhas egípcias, foi conduzido
didaticamente a sair da movediça e fantástica literatura faraônica até firmar-se
num estilo firme, racional e próprio da literatura histórico-profética. Nesse
período, deixa-se impregnar pela dicção poética, campesina e pastoral de seu
povo. E, assim, depois de quarenta anos no exílio e, após muito pensar, o filho
de Anrão e Joquebede estava preparado a lavrar as palavras que Deus, por
intermédio do Espírito Santo, assoprar-lhe-ia na alma.
3. O idioma original. Ao ser intimado por Deus a ser o pai da nação eleita, Abraão ainda não
falava o hebraico, embora fosse reconhecido como hebreu (Gn 14.13). Seu idioma
materno era, mui provavelmente, um caldaico primitivo que ainda lutava por
desvencilhar-se das influências dialetais da Acádia. Nesse sentido, a língua de
suas peregrinações pode ser classificada como pré-hebraica. Isso porque, em suas
caminhadas por Canaã foi mesclando sua língua materna aos diversos falares
cananeus. Como estes se expressavam em línguas igualmente semíticas, o
patriarca não teve dificuldades em transitar pelos diversos reinos cananeus e,
com estes, negociar e estabelecer alianças. O capítulo 14 de Gênesis mostra,
implicitamente, a desenvoltura linguística de Abraão entre os povos de Canaã.
Seria como um lusófono, alguém que fala português, a andejar numa área onde
predominasse a hispanofonia, uma comunidade linguística que envolve todas as
pessoas que têm em comum a língua espanhola.
Nos lábios dos patriarcas, a língua
hebraica foi sendo paulatinamente formada ao longo de cinco séculos: do chamado
de Abraão ao chamamento de Moisés. Um período que vai, de acordo com a
cronologia bíblica geralmente aceita, do ano 2.000 a 1.500 a.C.
A
estadia de Israel no Egito foi decisiva à consolidação do idioma hebraico. Ali,
na distante Gósen, isolada no delta oriental do Nilo, os israelitas puderam
desenvolver o seu idioma, livres das influências linguísticas dos cananeus e
dos egípcios. Apesar de residirem no Egito, os filhos de Israel não mantinham
contato com os habitantes da terra, uma vez que estes os consideravam
abominação (Gn 46.34). Os súditos de Faraó não toleravam pastores de ovelhas,
pois tinham o gado vacum e ovino como divindade.
Por
conseguinte, quando o Senhor chamou Moisés a escrever os primeiros cinco livros
da Bíblia Sagrada, a língua hebraica já estava devidamente formada.
Faltava-lhe, porém, um sistema de escrita. Que signos adotar? Os hieróglifos
egípcios? Ou a escrita cuneiforme das antigas Suméria e Acádia? Se Moisés
tivesse optado quer pelos primeiros quer pela segunda, hoje não teríamos acesso
às revelações do Gênesis e às narrativas da redenção de Israel.
4. A escrita pentatêutica. Foi nesse período que Moisés descobriu a escrita sinaítica.
Se comparada aos hieróglifos egípcios e às cunhas mesopotâmicas, ela pode ser
considerada, de fato, um sistema alfabético. No entanto, prefiro classificá-la
de pré-alfabética por duas razões: ela ainda estruturava-se em sinais
pictóricos, e estava bem longe de usar vogais em seus fonemas. Mesmo assim, era
um avanço admirável em relação às grafias dos vales do Nilo e do Eufrates.
O que poderia ter acontecido se Moisés,
ao invés de usar a escrita sinaítica, tivesse optado pela egípcia ou pela
mesopotâmica? Certamente, hoje, a História Sagrada seria um amontoado de signos
incompreensíveis e sujeitos às mais bizarras interpretações. Aliás, nem os
próprios israelitas achariam nelas qualquer sentido. Mas, graças a Deus, o
profeta foi não apenas inspirado a escrever inerrantemente o Pentateuco, como
também foi dirigido, pelo mesmo Espírito, a escolher o sistema de escrituração
mais eficaz da época, para narrar os princípios da História Sagrada até a
libertação completa dos hebreus. O alfabeto sinaítico (chamemo-lo assim) foi
rapidamente assimilado pelos sábios de Israel que, sempre dirigidos e
supervisionados pelo Espírito Santo, puderam dar continuidade à História
Sagrada. Josué, Samuel, Davi e Gade, por exemplo, tornaram-se mestres na
escrita do Sinai; grandes literatos (Js 24.26; 1 Sm 10.25; Sl 45.1). Aliás,
pelo que inferimos de algumas passagens, era um sistema já bastante utilizado
naquela região (Jz 8.14).
Na verdade, a escrita sinaítica nasceu
entre os fenícios que, já naqueles dias, dominavam o comércio na região do
Oriente Médio. E, para agilizar suas escriturações contábeis, entenderam por
bem criar um sistema de registro mais dinâmico e eficaz. E, tendo como base os
hieróglifos egípcios, elaboraram um pré-alfabeto que, séculos depois, seria
adotado e aperfeiçoado pelos gregos e romanos.
Se
bem atentarmos à história de Israel, perceberemos que, durante o exílio
babilônico, os judeus vieram a trocar, de fato, o seu alfabeto pelo assurítico.
Denominado escrita quadrática, devido à forma de suas letras, foi introduzido
na cópia das Sagradas Escrituras mui provavelmente por Esdras. O eruditíssimo
doutor e escriba, aliás, foi quem procedeu a última reforma editorial e gráfica
do Antigo Testamento. Sem o seu trabalho, as Sagradas Escrituras corriam o
risco de se tornarem um todo incompreensível. E, dessa maneira, viriam a cair
no esquecimento.
O hebraico, como o lemos hoje no Antigo
Testamento, é um legado tanto de Moisés quanto de Esdras, intermediados por
filólogos como os homens de Ezequias (Pv 25.1).
A
Moisés coube uma tripla e dificílima tarefa: adaptar a escrita sinaítica às
necessidades linguísticas de Israel; gramaticar o hebraico e, finalmente,
torná-lo uma língua literária. Nesse sentido, Moisés está para o hebraico como
Martinho Lutero (1483-1546) está para o alemão. Sem o trabalho de ambos,
separados por trinta séculos, hoje não teríamos nem a língua hebraica nem a
alemã. Moisés, por esse motivo, não foi apenas o maior profeta da História
Sagrada, foi também um dos maiores linguistas e filólogos que o mundo já
conheceu. Infelizmente, os eruditos seculares, sempre preocupados em
desconstruir a Bíblia, ainda não atentam a esse fato. Quanto a Esdras,
coube-lhe uma missão dupla e igualmente dificílima. Em primeiro lugar, adaptou
o alfabeto assurítico, usado pelos falantes do aramaico, ao hebraico do exílio.
Já resolvido o problema alfabético, o grande e bem-conceituado doutor pôs-se a
revisar linguisticamente as Escrituras Sagradas até então lavradas. Sua
revisão, frisamos, não avançou além do campo filológico; ele não fez nenhuma
mudança de conteúdo, pois a própria Escritura, a fim de preservar-se, proibia-o
terminantemente (Pv 30.5,6; Ap 22.18.19). E, sobre as adaptações linguísticas,
os editores sagrados não esconderam a sua participação (Gn 22.14; Dt 3.14; 1 Sm
5.5).
A
mudança da escrita sinaítica para o alfabeto assurítico, conhecido hoje como
hebraico, começou a ser feita no exato momento em que Daniel e seus companheiros
chegaram à corte babilônica. Eles foram não somente obrigados a aprender a
língua e a cultura dos caldeus, mas também constrangidos a assimilar o seu
alfabeto (Dn 1.4). Afinal, os documentos oficiais eram redigidos, inicialmente,
em arameu e no alfabeto assurítico, e, depois, nas demais línguas e
alfabetos.
Hoje, temos o livro de Levítico na
Bíblia Hebraica, não mais na escrita sinaítica, mas no sistema alfabético
assurítico. Concernente à língua hebraica, em si, o que podemos dizer? O
hebraico falado no tempo de Esdras seria perfeitamente inteligível a um
israelense de nossos dias. Deus, portanto, reservou os meios mais eficazes
(alfabeto, língua e trabalho editorial), para que tivéssemos, hoje, a sua
Palavra como Ele a inspirou a Moisés e aos demais profetas.
III. Ocasião, o Nascimento de Israel
Ao datarmos
a redação do livro de Levítico, temos de levar em consideração três coisas
muito importantes: a ocasião da obra, a peregrinação e o aparente atraso e,
finalmente, o estabelecimento da congregação israelita no deserto.
1. A data da redação do Levítico. De acordo com a cronologia bíblica
geralmente aceita, o livro de Levítico foi escrito por Moisés em 1445 a.C.. É
claro que essa data não pode ser considerada exata, mas também não é absurda
nem pode ser descartada. E, se levarmos em conta Êxodo 40.7, veremos que a
redação da terceira parte do Pentateuco começou a ser feita um ano depois de os
israelitas terem saído do Egito. Foi nessa ocasião, ainda, que o Senhor ordenou
fosse erguido o Santo Tabernáculo no deserto.
2. O período do Levítico. Moisés escreveu o Levítico num
momento particularmente difícil da história de Israel. Os israelitas tinham
acabado de sair de uma segunda apostasia. A primeira, como se recorda, foi o
episódio do bezerro de ouro (Êx 32). Mas a segunda, embora não tivesse como
motivação a idolatria, foi pior do que a primeira; tinha como fundamento a
incredulidade que, a partir daquele momento, tornar-se-ia crônica na vida dos
judeus.
Embora conhecessem a promessa feita por
Deus a Abraão, os hebreus, contaminados pelo desânimo, não se animaram a
apossar-se de Canaã. Foram, por isso, condenados a peregrinar no deserto por
quarenta anos (Nm 14.34). Em meio a essa rebelião e apostasia, foi que Moisés,
inspirado pelo Espírito Santo, escreveu o Levítico, a fim de ensinar o povo a
adorar o Deus Santo, Vivo, Único e Verdadeiro.
3. A peregrinação e o atraso. Não fossem as duas grandes apostasias, Israel teria chegado
a Canaã em, no máximo, dois meses. Mas, em consequência de seus pecados, os
hebreus tiveram de voltear o Sinai por um período de quarenta anos, até que
toda aquela geração de incrédulos caísse no deserto e, no deserto, fosse
sepultada. Sem esse longo contratempo, o livro de Levítico poderia ter sido
escrito em Canaã, sob circunstâncias mais favoráveis. E, quem sabe, o
lamentável episódio de Nadabe e Abiú teria sido igualmente evitado, pois ambos,
frutos daquela incredulidade, eram tão culpáveis quanto os dez espias que
esparramaram o desalento pelo arraial hebreu.
Todavia, como o cronograma redentivo de
Deus não pode ser atrasado pelas circunstâncias, aprouve ao Senhor entregar as
regras e mandamentos levíticos em pleno Sinai. E, dessa forma, a nova geração
de Israel adentraria Canaã com uma disposição renovada, apossando-se de vez da
terra que mana leite e mel. Sendo assim, podemos dizer que o atraso ocorrido na
peregrinação dos israelitas em direção à Terra Prometida foi providencial e
didático. Sem a longa estadia no deserto, Israel jamais alcançaria o seu status
de nação profética, sacerdotal e real.
4. A congregação no deserto. Foi nesse período conturbado, que
Deus ordenou a construção do Santo Tabernáculo. Neste ponto, vejo-me obrigado a
levantar esta questão: se não fossem as duas apostasias de Israel, no Sinai, a
tenda de adoração seria necessária?
Que os israelitas careciam de um centro
de adoração ninguém o pode negar. Entretanto, se a peregrinação tivesse durado
apenas sessenta dias, um tempo mais do que razoável, acredito que, ao invés de
um santuário portátil, os israelitas seriam instruídos, pelo Senhor, a erguer
uma casa definitiva. Isso, porém, só viria a acontecer quatro séculos depois da
entrada de Israel em seu território. A desobediência traz retardos e atrasos em
todos os sentidos. Eis porque devemos primar por uma vida de obediência ao
Senhor.
IV. Os Objetivos de Levítico
À primeira
vista, o livro de Levítico é um manual de cerimônia como outro qualquer.
Todavia, uma leitura mais atenta leva-nos a ver, em suas páginas, pelo menos
cinco objetivos: doxológico, hagiológico, didático, diaconológico e
missiológico.
1. Objetivo doxológico. No Êxodo, o Senhor demanda de seu povo uma adoração perfeita.
Já no Levítico, ensina Ele, a esse mesmo povo, como alcançar esse alvo. Em suas
páginas, observamos que, além da intenção do adorador, a adoração tem de
processar-se de maneira correta e santa, pois o Senhor busca os que o honram em
espírito e em verdade. Por isso, a partir do sacerdócio araônico, a adoração
passa a ser considerada um serviço a ser prestado regular e corretamente ao
Deus Santo e Verdadeiro.
A doxologia é o primeiro e mais elevado
objetivo do livro de Levítico. Eis porque, no cerne de todo sacrifício e
oferta, tem de estar o coração e a alma do adorador. Menos que isso é
inaceitável.
2. Objetivo hagiológico. A hagiologia não se limita a
estudar a vida dos homens santos; seu objetivo inclui a pesquisa de coisas
tidas como santas e o processo de santificação que as acompanha. Por essa
razão, temos de ver os estágios de santificação de Israel como o segundo
objetivo de Levítico. Isso porque, o Deus Santo e Verdadeiro requer, de seus
adoradores, a mesma santidade e a mesma verdade. Aliás, o texto áureo desse
livro é bastante claro quanto aos seus objetivos hagiológicos: “Fala a toda a
congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o
SENHOR vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).
A
hagiologia bíblica abrange um duplo processo. O primeiro é separar o homem do
mundo, para que ele, pelos meios da graça, santifique-se ao Senhor. O segundo
leva esse mesmo homem, já separado do mundo, a santificar-se para o serviço de
Deus. Conclui-se que a doxologia só há de ser perfeita se a hagiologia for
completa na vida de quem professa amar e servir ao Senhor.
3.
Objetivo didático.
Mas, como alcançar os objetivos doxológicos e hagiológicos demandados no livro
de Levítico? A fim de que a adoração de Israel fosse perfeita, o Senhor
providenciou um amplo e eficaz aparato didático. Somente assim o perfeito e
santo Deus seria perfeita e santamente adorado.
Devemos, portanto, ver como didáticos os
livros de Êxodo e de Levítico, pois o objetivo de ambos é conduzir Israel, para
que este, perfeita e completamente instruído, viesse a servir a Deus em
espírito e em verdade.
Se levarmos em conta os ensinos das
epístolas endereçadas aos gálatas e aos cristãos hebreus, veremos o Santo
Tabernáculo como um jardim de infância, no qual os israelitas, sempre
conduzidos pelas mãos de Arão e de Moisés, deveriam aprender os primeiros rudimentos
das verdades divinas (Gl 3.24,25).
Infelizmente, eles recusaram-se a
crescer na graça e no conhecimento do Senhor; optaram por ficar na escola de
pré-alfabetização; não avançaram jamais. Vendo esse retardo atingir inclusive
os cristãos, o autor sagrado exorta-os a deixar os tipos e emblemas dos bens
futuros e, nestes, fixarem-se (Hb 9.11; 10.1).
Hoje, não são poucas as igrejas evangélicas
gentias que, embevecidas pelo esplendor do culto hebreu, buscam reviver festas
e cerimônias judaicas, como se o templo cristão fosse mera sinagoga. Nosso
compromisso com Israel é orar pela paz de Jerusalém, para que os filhos de
Abraão retornem o mais depressa possível à sua herança, conforme preconizam os
santos profetas. Quanto a nós, já saímos do jardim de infância espiritual. Eis
porque devemos cumprir a terceira ordenança de Jesus: evangelizar até aos
confins da terra.
4. Objetivo diaconológico. Que Israel fora chamado a servir a
Deus era algo que não podia ser ignorado nem pela nação como um todo, nem pelo adorador
em particular. A doxologia, a hagiologia e a didática tinham de resultar,
naturalmente, na diaconia de quem professa conhecer o Deus Único e Verdadeiro.
Israel deveria erguer-se, necessária e urgentemente, como a comunidade
servidora por excelência. Mas não foi isso que aconteceu. Os judeus tardaram em
reconhecer a natureza de sua missão como filhos de Deus e herdeiros de Abraão.
Se nos detivermos no espírito de Levítico, constataremos que o seu principal
objetivo era preparar um povo obreiro ao Senhor.
5. Objetivo missiológico. O verdadeiro
santo não é aquele que se limita a não praticar o mal; é aquele que,
apartando-se do mal, deleita-se em fazer o bem e servir a Deus. Refugiar-se num
convento pode até ser eficiente para quem busca fugir à avareza, à prostituição
e às intemperanças. Todavia, tal refúgio impedir-nos-á de praticar o bem. E
quem sabe praticar o bem e não o pratica ofende a Deus; faz-se tão pecador como
aquele que, intemperando-se, lança-se a todos os excessos. Por essa razão, entendamos
de uma vez por todas: fomos salvos para divulgar o testemunho de Jesus Cristo.
Tal ensino pode ser encontrado na essência de
Levítico. Portanto, à semelhança dos demais livros das Sagradas Escrituras, ele
é, também, um livro missiológico. Se Israel, compenetrando-se de sua missão
como povo de Deus, observasse os seus mandamentos, teria partido dali mesmo, em
pleno deserto, a anunciar as grandezas de Deus. Mas, recolhido aos seus
privilégios, limitou-se a reagir às agressões dos gentios. De que modo estamos
agindo como Igreja de Deus? Agimos? Ou limitamo-nos a reagir às circunstâncias?
Santifiquemo-nos! Testemunhemos de Cristo em toda e qualquer circunstância.
Conclusão
Conforme tivemos a oportunidade de ver, o
livro de Levítico não é um simples manual de cerimônias. Se o lermos com
reverência e cuidado, constataremos estarmos diante de um livro, cuja principal
reivindicação é a nossa santificação para servir a Deus. O Senhor intima-nos a
ser santos, porque Ele é santo. Mas que a nossa santidade não venha a
isolar-nos do clamor do mundo. Embora separados deste, neste ainda estamos. Eis
porque, como santos de Deus, temos o dever de apregoar a mensagem do Evangelho
por todo o mundo.
O
livro de Levítico continua tão atual, hoje, como no dia em que Moisés, inspirado
pelo Espírito Santo, o escreveu. Que Deus nos ajude e, por intermédio do
Espírito Santo, santifique-nos a cada dia.
Claudionor de Andrade
Introdução
ao 3º livro bíblico:Levítico
Escritor: Moisés Lugar da Escrita:
Ermo Data:
Cerca de 1445-1405 a.C.
O nome mais
comum do terceiro livro da Bíblia é Levítico, que vem de Leu·i·ti·kón da
Septuaginta grega, através do "Leviticus" da Vulgata latina. Este
nome é apropriado, embora os levitas sejam mencionados apenas de passagem (em
Levítico 25:32, 33), pois o livro consiste principalmente em regulamentos para
o sacerdócio levítico, escolhido da tribo de Levi, e em leis que os sacerdotes
ensinavam ao povo: "Pois, são os lábios do sacerdote que devem guardar o
conhecimento e da sua boca devem as pessoas procurar a lei." (Mal. 2:7) No
texto hebraico, o livro é chamado segundo a sua expressão inicial, Wai·yiq·rá´,
literalmente: "E ele passou a chamar." Entre os judeus posteriores, o
livro era também chamado de Lei dos Sacerdotes e Lei das Ofertas. Lev. 1:1.
Não resta
dúvida de que Moisés escreveu Levítico. A conclusão, ou colofão, declara:
"Estes são os mandamentos que Deus deu a Moisés." (Levítico 27:34) Há
uma declaração similar em Levítico 26:46. As evidências apresentadas
anteriormente, de que Moisés escreveu Gênesis e Êxodo, comprovam também que ele
escreveu Levítico, visto que o Pentateuco evidentemente era originalmente um só
rolo. Além do mais, Levítico é ligado aos livros precedentes por meio da
conjunção "e". O mais forte testemunho de todos é que Jesus Cristo,
bem como outros servos inspirados de Deus, citam freqüentemente as leis e os
princípios de Levítico ou referem-se a eles e os atribuem a Moisés. Lev. 23:34,
40-43 Nee. 8:14, 15; Lev. 14:1-32 Mat. 8:2-4; Lev. 12:2 Luc. 2:22; Lev. 12:3
João 7:22; Lev. 18:5 Rom. 10:5.
Que período
abrange Levítico? O livro de Êxodo termina quando se erige o tabernáculo
"no primeiro mês, no segundo ano, no primeiro dia do mês". O livro de
Números (que se segue imediatamente ao relato de Levítico) começa com Deus
falando a Moisés "no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da saída
deles da terra do Egito". Segue-se, portanto, que não poderia ter passado
mais de um mês lunar para os poucos eventos de Levítico, consistindo a maior
parte do livro em leis e regulamentos. Êx. 40:17; Núm. 1:1; Lev. 8:1-10:7;
24:10-23.
Quando
Moisés escreveu Levítico? É razoável concluir que ele guardou um registro dos
eventos ao passo que iam ocorrendo, e que escreveu as instruções de Deus à
medida que as recebia. Isto é implícito na ordem de Deus a Moisés de escrever a
condenação dos amalequitas logo após Israel tê-los derrotado em batalha. Ademais,
certos assuntos no livro sugerem que foi escrito logo. Por exemplo, ordenou-se
aos israelitas trazer animais que desejassem usar para alimentação à entrada da
tenda de reunião, para serem abatidos. Esta ordem teria sido dada e registrada
pouco depois do estabelecimento do sacerdócio. Muitas instruções são dadas para
a orientação dos israelitas durante a sua viagem no ermo. Êx. 17:14; Lev. 17:3,
4; 26:46.
Por que se escreveu Levítico? Deus se
propusera a ter uma nação santa, um povo santificado, colocado à parte para Seu
serviço. Desde os dias de Abel, homens fiéis de Deus vinham oferecendo
sacrifícios a Deus, mas foi primeiro à nação de Israel que Deus deu instruções
específicas sobre ofertas pelo pecado e outros sacrifícios. Estes, segundo
explicado em pormenores em Levítico, deixaram os israelitas cientes da
excessiva pecaminosidade do pecado e incutiu-lhes na mente quão desagradáveis
isto os tornava aos olhos de Deus. Tais regulamentos, como parte da Lei,
serviram como tutor conduzindo os judeus a Cristo, mostrando-lhes a necessidade
de um Salvador, e, ao mesmo tempo, serviam para mantê-los como povo separado do
resto do mundo. Em especial as leis divinas sobre pureza cerimonial serviram
para este último objetivo. Lev. 11:44; Gál. 3:19-25.
Como nova nação
caminhando para uma nova terra, Israel necessitava de direção correta. Ainda
não passara um ano desde o Êxodo, e os padrões de vida do Egito, bem como as
suas práticas religiosas, ainda estavam vivos na mente deles. O casamento entre
irmão e irmã era comum no Egito. Praticava-se a adoração falsa em honra de
muitos deuses, alguns deles sendo deuses animais. Agora esta grande congregação
estava a caminho de Canaã, onde a vida e as práticas religiosas eram ainda mais
degradantes. Mas, observe de novo o acampamento de Israel. Engrossando a
congregação havia muitos egípcios puros ou mestiços, uma multidão mista que
vivia bem no meio dos israelitas e que nascera de pais egípcios e fora criada e
instruída segundo os costumes, a religião e o patriotismo dos egípcios. Muitos
destes, sem dúvida, até bem pouco antes, na sua terra, entregavam-se a práticas
detestáveis.
Quão
necessário é que recebam agora orientações pormenorizadas de Deus! Levítico
traz em sua inteireza a marca da inspiração divina. Meros humanos não poderiam
ter formulado as suas leis e seus regulamentos sábios e justos. Os seus
estatutos relativos à alimentação, doenças, quarentena e tratamento de
cadáveres revelam um conhecimento de fatos que os homens da medicina, do mundo,
só vieram a conhecer milhares de anos mais tarde. A lei de Deus sobre animais
impuros para alimentação protegeria os israelitas durante a sua viagem. Ela os
protegeria contra a triquinose provinda de porcos, a febre tifóide e
paratifóide de certos tipos de peixe e infecções provindas de animais
encontrados mortos. Estas leis práticas visavam orientar a religião e a vida
deles, para que permanecessem como nação santa e atingissem e habitassem a
Terra Prometida. A história mostra que os regulamentos fornecidos por Deus
resultaram em os judeus levarem definida vantagem sobre outros povos em
questões de saúde.
O
cumprimento das profecias e das prefigurações contidas em Levítico prova
adicionalmente a sua inspiração. Tanto a história sagrada como a secular
registram o cumprimento dos avisos de Levítico sobre as conseqüências da
desobediência. Entre outras coisas, predisse que mães comeriam seus próprios
filhos, por causa da fome. Jeremias indica que isto se cumpriu na destruição de
Jerusalém, em 607 aC, e Josefo conta que isso aconteceu também na destruição
posterior da cidade, em 70 dC. A promessa profética de que Deus se lembraria
deles, se eles se arrependessem, cumpriu-se no retorno deles de Babilônia, em
537 aC. (Lev. 26:29, 41-45; Lam. 2:20; 4:10; Esd 1:1-6) Como testemunho adicional
da inspiração de Levítico, há as citações que outros escritores da Bíblia fazem
dele como sendo Escritura inspirada. Além dos textos citados anteriormente para
provar que Moisés é o escritor, queira consultar Mateus 5:38; 12:4; 2 Coríntios
6:16 e 1 Pedro 1:16.
"Eu sou
o Senhor." O tema de santidade permeia Levítico, que menciona este
requisito mais do que qualquer outro livro da Bíblia. Os israelitas deviam ser
santos porque Deus é santo. Certas pessoas, lugares, objetos e períodos foram
reservados como santos. Por exemplo, o Dia da Expiação e o ano do Jubileu foram
reservados como períodos de observância especial na adoração de Deus. Em
harmonia com a sua ênfase à santidade, o livro de Levítico frisa o papel que o
derramamento de sangue, isto é, o sacrifício de uma vida, desempenhava no
perdão dos pecados. Os sacrifícios de animais limitavam-se aos animais
domésticos e limpos. Para certos pecados, requeria-se a confissão, a
restituição e o cumprimento de uma penalidade, além do sacrifício. Para outros pecados,
a penalidade era a morte.
CONTEÚDO DE LEVÍTICO
Levítico
consiste na maior parte em escrita legislativa, grande parte dela sendo também
profética. No todo, o livro segue um esboço tópico, e pode ser dividido em oito
partes, que seguem uma ordem sucessiva bastante lógica.
Regulamentos
sobre sacrifícios (1:17:38). Os diversos sacrifícios caem em duas categorias
gerais: de sangue, consistindo em bovinos, ovelhas, cabritos e aves; e
exangues, consistindo em cereais. Os sacrifícios de sangue devem ser apresentados
como ofertas
(1) queimadas,
(2) de
participação em comum,
(3) pelo
pecado ou
(4) pela
culpa.
Os quatro
tipos de oferta têm as seguintes três coisas em comum: o próprio ofertante tem
de trazer o animal à entrada da tenda de reunião, colocar as mãos sobre ele e
daí o animal tem de ser abatido. Depois da aspersão do sangue, é preciso dar
destino à carcaça segundo a espécie de sacrifício. Consideremos agora os
sacrifícios de sangue, um por vez.
(1) As
ofertas queimadas podem consistir num novilho, cordeiro, cabrito, rola ou
pombo, dependendo das posses do ofertante. Têm de ser cortadas em pedaços e,
com exceção da pele, a oferta toda tem de ser queimada sobre o altar. Em caso
de rola ou de pombo, a cabeça tem de ser truncada com a unha, mas não decepada,
e o papo e as penas removidos. 1:1-17; 6:8-13; 5:8.
(2) O
sacrifício de participação em comum pode ser de um macho ou uma fêmea dos
bovinos ou dos rebanhos. Só as partes gordurosas serão queimadas sobre o altar,
certas porções cabendo ao sacerdote e o resto devendo ser comido pelo
ofertante. É chamado apropriadamente de sacrifício de participação em comum,
pois, mediante ele, o ofertante participa de uma refeição, ou tem comunhão, por
assim dizer, com Deus e com o sacerdote. 3:1-17; 7:11- 36.
(3) Exige-se
uma oferta pelo pecado para pecados não intencionais, ou pecados cometidos por
engano. O tipo de
animal oferecido depende de quem é o pecado
que será expiado do sacerdote, do povo como um todo, dum chefe ou duma pessoa
comum. Dessemelhantes das voluntárias ofertas queimadas e de participação em
comum para indivíduos, as ofertas pelo pecado são obrigatórias. 4:1-35;
6:24-30.
(4) As ofertas pela culpa são exigidas para
expiar a culpa pessoal devido à infidelidade, à fraude e ao roubo. Em certos
casos, a culpa requer que se confesse e se faça um sacrifício segundo as posses
da pessoa. Noutros, exige-se a compensação equivalente à perda e mais 20 por
cento, bem como o sacrifício de um carneiro. Nesta parte de Levítico, que trata
das ofertas, proíbe-se enfática e repetidamente o comer sangue. 5:16:7; 7:1-7,
26, 27; 3:17. Os sacrifícios exangues têm de ser de cereais e são oferecidos
quer assados inteiros, quer pilados ou em farinha fina; preparados de vários
modos, tais como assados, grelhados ou fritos em gordura. Devem ser oferecidos
com sal e azeite e, às vezes, com olíbano, mas têm de estar totalmente isentos
de fermento ou mel. Em certos sacrifícios, uma parte pertencerá ao sacerdote.
2:1-16.
Investidura do sacerdócio
(8:1-10:20).
Chega então
o tempo para uma grande ocasião em Israel, a investidura do sacerdócio. Moisés
cuida disso em todos os pormenores, como Deus lhe ordenara. "E Arão e seus
filhos passaram a fazer todas as coisas que Deus ordenara por meio de
Moisés." (8:36) Depois dos sete dias ocupados com a investidura, há um
espetáculo milagroso e fortalecedor da fé. A assembléia inteira está presente.
Os sacerdotes acabam de oferecer sacrifício. Arão e Moisés já abençoaram o
povo. Daí, veja! "A glória de Deus apareceu . . . a todo o povo. E desceu
fogo de diante de Deus e começou a consumir a oferta queimada e os pedaços
gordos sobre o altar. Quando todo o povo chegou a ver isso, irromperam em
gritos e prostraram-se sobre as suas faces." (9:23, 24) Deveras, Deus é
digno da obediência e da adoração deles! Contudo, há transgressões da Lei. Por
exemplo, os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, oferecem fogo ilegítimo perante
Deus. "Saiu então fogo de diante de Deus e os consumiu, de modo que
morreram perante Deus." (10:2) A fim de oferecerem sacrifícios aceitáveis
e gozarem da aprovação de Deus, tanto o povo como os sacerdotes têm de seguir
as instruções de Deus. Logo depois, Deus dá o mandamento de que os sacerdotes
não devem tomar bebidas alcoólicas enquanto servem no tabernáculo, dando a
entender que a embriaguez talvez tenha contribuído para a transgressão dos dois
filhos de Arão.
Leis sobre a pureza (11:1-15:33).
Esta parte
trata da pureza cerimonial e higiênica. Certos animais, tanto domésticos como
selvagens, são impuros. Todos os corpos mortos são impuros e tornam impuros a
todos os que neles tocam. O nascimento duma criança também traz impureza e
requer separação e sacrifícios especiais. Certas doenças da pele, como a lepra,
também causam impureza cerimonial, e a limpeza tem de ser aplicada não só a
pessoas, mas também à roupa e às casas. Requer-se o isolamento. A menstruação e
as emissões seminais resultam também em impureza, bem como os fluxos. Requer-se
a separação nestes casos e, no restabelecimento, em adição, a lavagem do corpo
ou a oferta de sacrifícios, ou ambas.
Dia da Expiação (16:1-34).
Este é um
capítulo notável, pois contém as instruções para o dia mais importante para
Israel, o Dia da Expiação, que cai no décimo dia do sétimo mês. É um dia para
afligir a alma (com toda a probabilidade com jejum) e não se permitirá nenhum
trabalho secular. Começa com a oferta de um novilho pelos pecados de Arão e sua
família, a tribo de Levi, seguida da oferta de um bode pelo restante da nação.
Depois da queima do incenso, parte do sangue dos dois animais tem de ser
trazida, por sua vez, para o Santíssimo do tabernáculo, a fim de ser aspergido
perante a tampa da Arca. Mais tarde, as carcaças dos animais têm de ser levadas
para fora do acampamento e ser queimadas. Neste dia tem de se apresentar também
um bode vivo diante de Deus, e sobre ele tem de se declarar todos os pecados do
povo, após o que tem de ser conduzido para fora, para o ermo. Daí, dois
carneiros tem de ser oferecidos como ofertas queimadas, um para Arão e sua
família, e outro para o restante da nação.
Estatutos sobre sangue e outros
assuntos (17:1-20:27).
Esta parte apresenta muitos estatutos para o
povo. Proíbese outra vez o sangue, numa das mais explícitas declarações sobre
sangue que existe nas Escrituras. (17:10-14) O sangue pode ser usado apropriadamente
no altar, mas não para consumo. Proíbem-se práticas detestáveis, como incesto,
sodomia e bestialidade. Há regulamentos para a proteção dos aflitos, dos
humildes e dos estrangeiros, e dáse o mandamento: "Tens de amar o teu
próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor." (19:18) Resguarda-se o bemestar
social e econômico da nação, e os perigos espirituais, tais como a adoração de
Moloque e o espiritismo, são proscritos, sob pena de morte. Deus frisa outra
vez a necessidade de seu povo manter-se separado: "E tendes de mostrar-vos
santos para mim, porque eu, Deus, sou santo, e estou passando a separar-vos dos
povos para vos tornardes meus." 20:26
O sacerdócio e as festividades
(21:1-25:55).
Os três capítulos seguintes tratam
principalmente da adoração formal de Israel: os estatutos que governam os
sacerdotes, as suas qualificações físicas, com quem podem casar-se, quem pode
comer coisas sagradas e os requisitos quanto a animais sadios que devem ser
usados em sacrifícios. Ordenamse três festividades nacionais sazonais,
proporcionando ocasiões de 'alegria perante Deus, vosso Deus'. (23:40) Como um
só homem, a nação voltará assim a sua atenção, louvor e adoração a Deus,
fortalecendo a sua relação com ele. Essas são festividades para Deus, santos
congressos anuais. A Páscoa, juntamente com a Festividade dos Pães Não
Fermentados, é marcada para princípios da primavera; o Pentecostes, ou a
Festividade das Semanas, em fins da primavera; e o Dia da Expiação, juntamente
com a Festividade das Barracas, ou Recolhimento, de oito dias, no outono. No
capítulo 24, dá-se instrução relativa ao pão e ao azeite a serem usados no
serviço do tabernáculo. Segue-se ali o incidente em que Deus decide que todo
aquele que abusar do "Nome" sim, o nome Senhor, tem de ser morto por
apedrejamento. Declara a seguir a lei da punição de igual por igual: "Olho
por olho, dente por dente." (24:11-16, 20) No capítulo 25, acham-se
regulamentos sobre o sábado de um ano, ou ano de repouso, a ser comemorado a
cada 7 anos, e o Jubileu, a cada 50 anos. Neste 50.° ano, deve-se proclamar a
liberdade em todo o país, e as propriedades hereditárias vendidas ou cedidas
durante os últimos 49 anos devem ser restituídas. Dão-se leis que protegem os
direitos dos pobres e dos escravos. Nesta parte, o número "sete" aparece
destacadamente o sétimo dia, o sétimo ano, festividades de sete dias, um
período de sete semanas, e o Jubileu, a vir depois de sete vezes sete anos.
As conseqüências da obediência e da
desobediência (26:1-46).
O livro de
Levítico atinge o seu clímax neste capítulo. Deus alista aqui as recompensas
pela obediência e os castigos pela desobediência. Ao mesmo tempo, apresenta a
esperança para os israelitas se estes se humilharem, dizendo: "Vou
lembrar-me, em seu benefício, do pacto dos antecessores que fiz sair da terra
do Egito sob os olhares das nações, para mostrar-me seu Deus. Eu sou o
Senhor." 26:45.
Estatutos diversos (27:1-34).
Levítico
termina com instruções sobre o manejo das ofertas votivas, sobre o primogênito
para Deus e sobre a décima parte que é santificada para Deus. Daí, vem o breve
colofão: "Estes são os mandamentos que Deus deu a Moisés como ordens para
os filhos de Israel, no monte Sinai." 27:34.
POR QUE É PROVEITOSO PARA NÓS:
Como parte
das Escrituras inspiradas, o livro de Levítico é de grande proveito para os
cristãos hoje. É ajuda maravilhosa para se ter apreço por Deus, seus atributos
e seus modos de tratar as suas criaturas, conforme demonstrou tão claramente
para com Israel sob o pacto da Lei. Levítico declara muitos princípios básicos
que sempre vigorarão, e contém muitos modelos proféticos, bem como profecias,
cuja consideração fortalece a fé. Muitos de seus princípios são declarados
outra vez nas Escrituras Gregas Cristãs, alguns deles sendo citados
diretamente. Sete pontos de realce são considerados abaixo.
(1) A
soberania de Deus. Ele é o Legislador, e nós, como criaturas suas, temos de
prestar-lhe contas. De direito, ele nos ordena que o temamos. Como Soberano
Universal, ele não tolera rivalidade, seja esta em forma de idolatria, de
espiritismo ou de outras formas de demonismo. Lev. 18:4; 25:17; 26:1; Mat.
10:28; Atos 4:24.
(2) O nome de Deus. O seu nome precisa ser
mantido sagrado, e não nos atrevemos a trazer opróbrio sobre ele mediante
palavras ou ações. Lev. 22:32; 24:10-16; Mat. 6:9.
(3) A santidade de Deus. Visto que ele é
santo, seu povo precisa também ser santo, isto é, santificado ou separado para
o Seu serviço. Isto inclui mantermo-nos separados do mundo ímpio que nos cerca.
Lev. 11:44; 20:26; Tia. 1:27; 1 Ped. 1:15, 16.
(4) A
excessiva pecaminosidade do pecado. É Deus quem determina o que é pecado, e nós
precisamos precavernos dele. O pecado sempre requer um sacrifício de expiação.
Além disso, requer também da nossa parte a confissão, o arrependimento e
corrigir a situação ao máximo possível. Para certos pecados não pode haver
perdão. Lev. 4:2; 5:5; 20:2, 10; 1 João 1:9; Heb. 10:26-29
(5) A
santidade do sangue. Visto que o sangue é sagrado, não pode ser ingerido. O
único uso permitido do sangue é como expiação pelo pecado. Lev. 17:10-14; Atos
15:29; Heb. 9:22.
(6) Relatividade da culpa e da punição. Nem
todos os pecados e os pecadores eram considerados à mesma luz. Quanto mais
elevado o cargo, tanto maiores eram a responsabilidade e a penalidade pelo
pecado. O pecado deliberado era punido de modo mais severo do que o pecado não
intencional. As penalidades variavam muitas vezes segundo a habilidade de
pagar. Este princípio de relatividade se aplicava também nos campos que não
fossem de pecado e de punição, como na impureza cerimonial. Lev. 4:3, 22-28;
5:7-11; 6:2-7; 12:8; 21:1-15;Luc12:47,48; Tia. 3:1; 1 João 5:16.
(7) Justiça
e amor. Resumindo os nossos deveres para com o próximo, Levítico 19:18 diz:
"Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo." Isto abrange tudo.
Torna proibitivo mostrar parcialidade, roubar, mentir ou caluniar, e requer que
se mostre consideração para com os incapacitados, os pobres, os cegos e os
surdos. Lev. 19:9-18; Mat. 22:39; Rom. 13:8-13.
Também,
provando que Levítico é notavelmente 'proveitoso para ensinar, para repreender,
para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça' na congregação cristã,
há as repetidas referências feitas a ele por Jesus e seus apóstolos,
notavelmente Paulo e Pedro. Estes trouxeram à atenção os muitos modelos
proféticos e as sombras das coisas por vir. Segundo observou Paulo: "A Lei
tem uma sombra das boas coisas vindouras." Delineia uma 'representação
típica e sombra das coisas celestiais'. 2 Tim. 3:16; Heb. 10:1; 8:5.
O
tabernáculo, o sacerdócio, os sacrifícios e em especial o anual Dia da Expiação
tiveram todos um significado prefigurativo. A carta aos hebreus, ajuda-nos a
identificar as partes correspondentes espirituais destas coisas, em relação com
a "verdadeira tenda" da adoração de Deus. (Heb. 8:2) O principal
sacerdote, Arão, representa a Cristo Jesus "como sumo sacerdote das boas
coisas que se realizaram por intermédio da tenda maior e mais perfeita".
(Heb. 9:11; Lev. 21:10) O sangue dos sacrifícios de animais prefigura o sangue
de Jesus, que obtém "para nós um livramento eterno". (Heb. 9:12) O
compartimento mais recôndito do tabernáculo, o Santíssimo, onde o sumo
sacerdote entrava apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação, para apresentar o
sangue sacrificial, é "cópia da realidade", o "próprio
céu", para o qual Jesus ascendeu, "para aparecer agora por nós
perante a pessoa de Deus". Heb. 9:24; Lev. 16:14, 15.
As próprias
vítimas sacrificiais animais sadios e sem mácula oferecidos como ofertas
queimadas ou pelo pecado representam o sacrifício perfeito e sem mácula do
corpo humano de Jesus Cristo. (Heb. 9:13, 14; 10:1-10; Lev. 1:3) É interessante
que o autor considera também a característica do Dia da Expiação, em que as
carcaças dos animais das ofertas pelo pecado eram levadas para fora do
acampamento e queimadas. (Lev. 16:27) "Por isso, Jesus também sofreu fora
do portão. Saiamos, pois, a ele, fora do acampamento, levando o vitupério que
ele levou". (Heb. 13:12, 13) Mediante tal interpretação inspirada, os
procedimentos cerimoniais, esboçados em Levítico, assumem importância maior, e
podemos começar, deveras, a compreender quão maravilhosamente Deus fez ali
sombras que inspiram respeito, indicando as realidades que só poderiam ser
esclarecidas mediante o Espírito Santo. (Heb. 9:8) Tal entendimento correto é
vital para os que querem tirar proveito da provisão para a vida que Deus faz
mediante Cristo Jesus, o "grande sacerdote sobre a casa de Deus".
Heb. 10:19-25.
Semelhante à
casa sacerdotal de Arão, Jesus Cristo, qual Sumo Sacerdote, tem subsacerdotes
associados consigo. Fala-se a respeito destes como sendo "sacerdócio
real". (1 Ped. 2:9) Levítico indica claramente e explica o trabalho de
expiar pecados feito pelo grande Sumo Sacerdote e Rei de Deus, bem como os
requisitos exigidos dos membros de sua casa, dos quais se fala como sendo
'felizes e santos', e 'sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinando com ele por
mil anos'. Que bênção esse trabalho sacerdotal realizará em soerguer humanos
obedientes à perfeição, e que felicidade esse Reino celestial trará,
restaurando a paz e a justiça! Certamente, devemos todos agradecer ao Deus
santo, Deus, o seu arranjo de um Sumo Sacerdote e Rei, e de um sacerdócio real
para declarar em toda a parte as Suas excelências, em santificação de Seu nome!
Deveras, Levítico se une de modo maravilhoso a "toda a Escritura" em
dar a conhecer os propósitos do Reino de Deus. Ap. 20:6.
| FESTAS DE ISRAEL (Lev. Cap. 23) | |||
Festa | Mês do ano sagrado | Dia | Mês do ano solar (atual) |
* Páscoa (Êx.12:1-4;Lv.23:5) | 1 (Abibe) | 14 | Março-Abril |
* Pães Asmos (Ex.12:15-20;Lv.23:6-8) | 1 (Abibe) | 15-21 | Março-Abril |
Primícias (Lv 23:9-14) | 1 (Abibe) 3 (Sivã) | 166 | Março-AbrilJunho-Julho |
* Semanas (Colheitas ou Pentecostes) (Êx.23:16; 34:22; Lv.23:23-25) | 3 (Sivã) | 6 (50 dias após a colheita da cevada) | Maio-Junho |
Trombetas (Rosh Hashanah) (Lv. 23:23-25) | 7 (Tisri) | 1 | Setembro-Outubro |
Dia da Expiação (Yom Kippur) (Lv. 16;23:26-32) | 7 (Tisri) | 10 | Setembro-Outubro |
Tabernáculos (Tendas ou Colheita) (Êx.23:16; 34:22; Lv. 23:33-36) | 7 (Tisri) | 15-22 | Setembro-Outubro |
* Festas
principais, para as quais todos os israelitas adultos, do sexo masculino,
tinham a obrigação de viajar ao templo de Jerusalém

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