
Assunto: Reforma Protestante: história, ensinos e legado.
Lição: Jovens e
Adultos
Trimestre: 4° de 2017
Comentarista: Pr. Gilmar Vieira
Chaves
Editora: Central Gospel
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Habacuque 2.1-4
1 SOBRE a minha guarda estarei, e
sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o
que eu responderei quando eu for argüido.
2 Então o SENHOR me respondeu, e
disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler
quem passa correndo.
3 Porque a visão é ainda para o tempo
determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o,
porque certamente virá, não tardará.
4 Eis que a sua alma está orgulhosa,
não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá.
TEXTO ÁUREO
Porque nele se descobre a justiça de
Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé. Romanos 1.17
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Tiago
1.19-27: A religião pura e imaculada
3ª feira - Romanos
3,21-25: A justificação pela fé em Cristo
4ª feira - Salmo 103: O
Senhor faz justiça e juízo a todos
5ª feira - Efésios
2.1-10: Pela Graça mediante a fé
6ª feira - Isaías
1.10-20: Já estou farto dos holocaustos
Sábado - Apocalipse 2.1-7:
Lembra-te, pois, de onde caíste
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno
deverá:
• compreender que o estopim da Reforma Protestante está
associado ao modo como os cristãos apropriam-se da salvação;
• saber que, na Idade Média, a Igreja Romana afirmava
que a salvação estava condicionada ao acúmulo de méritos diante de Deus;
• discorrer sobre o significado de ser justificado
somente pela fé;
• refletir sobre o fato de que, diante dos imperativos
da pós-modernidade, a Igreja vem perdendo, gradativamente, sua relevância
histórica.
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor,
Dentro de uma denominação, em termos gerais, a
maioria das pessoas se conduz por uma linha doutrinária parecida. Contudo, em
pontos secundários sempre há variação, independente da posição oficial da
Igreja.
Ninguém pensa absolutamente igual.
A própria Bíblia reconhece e respeita a
variedade de pensamento entre os irmãos: Um faz diferença entre dia e dia, mas
outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu
próprio ânimo (Rm 14.5).
A tarefa do professor é levar o educando a refletir.
O educador cristão deve enxergar um teólogo em cada aluno, ou seja, alguém que
reflita sobre teologia (não necessariamente alguém que venha a cursar uma
faculdade de Teologia). Pense nisso!
Excelente aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
Em 31 de outubro de 1517, Martinho
Lutero subiu os degraus da catedral de Wittenberg, na Alemanha, para afixar em
suas portas as 95 teses que desencadeariam a Reforma Protestante. Esse dia, sem
sombra de dúvidas, foi o grande marco de transição na história universal.
Esse movimento, de profundas
repercussões sociais, políticas e culturais — conforme veremos na Lição 11 —,
destacou algumas verdades bíblicas, as quais formam o alicerce de nossa
evangelização — todos os cristãos evangélicos, sem exceção, de um modo ou
outro, são herdeiros dessa revolução.
Nesta lição e nas próximas (Lições
3—6), discorreremos sobre os fundamentos teológicos da Reforma Protestante,
especialmente no que tange à soteriologia dos reformadores [(sola fide =
somente a fé); sola Scriptura (somente a Escritura); solus
Christus (somente Cristo); sola gratia (somente a
Graça)].
1. E A LUZ BRILHA NAS TREVAS
A Igreja Romana
afirmava que a salvação estava condicionada ao acúmulo de méritos diante de
Deus. Mesmo que um indivíduo não possuísse créditos suficientes para alcançar a
salvação, os pequenos acúmulos amealhados durante a vida serviriam para
abreviar sua passagem pelo Purgatório. O merecimento de uma pessoa, de acordo
com o Clero, aumentava na proporção da prática de boas obras — como o pagamento
de indulgências, as ações de caridade e a piedade religiosa.
Os reformistas, em franca oposição a
Roma, apregoavam que os pecadores são declarados justos diante de Deus somente
pela fé, somente em Cristo, somente pela Graça, não mediante as boas obras
praticadas.
. É preciso salientar, neste tópico, os seguintes pontos:
• a teologia reformada jamais negligenciou a importância do socorro aos
desfavorecidos, ao contrário, reafirmava que não amparar o necessitado
equivaleria a abandonar um claro ensinamento da Escritura (Tg 1.27; l Jo 3;17);
entretanto, rejeitava toda e qualquer associação dessa obrigação cristã à aquisição
da salvação;
• a piedade religiosa comumente associada às atividades eclesiásticas,
às preces diárias, à devoção aos santos, dentre outras práticas — era vista
como um meio de obter a salvação. A teologia reformada defende o envolvimento
do cristão com a comunidade da qual faz parte; no entanto, não atribui qualquer
valor salvífico a tal condição
1.1. A posição da Igreja Romana
A Igreja Romana sentiu-se
obrigada a responder à exposição reformista, e o fez no Concílio de Trento, um
sínodo ecuménico realizado entre 1545 e 1563.
Dentre as defesas apresentadas por
Roma naquela ocasião, destacam-se as listadas a seguir:
* os pecadores são justificados pelo
batismo;
* os pecadores são justificados pela
fé em Cristo e pelas boas obras que praticam;
* a pessoa pode perder sua posição de
justificação.
O pensamento romano — em clara
condenação à sola fide — foi resumido em uma declaração: Se alguém
disser que o pecador é justificado pela fé somente, como entendido que nada
mais é requerido para cooperar com a obtenção da graça da justificação (...)
que seja anátema (Cânon 9 do Concílio de Trento).
Diversos ensinos e doutrinas da Igreja
Romana estavam em pleno desacordo com as Escrituras; Isto desencadeou, à época,
severas controvérsias teológicas. Entretanto, pode-se afirmar que o estopim da
Reforma Protestante está associado ao modo como os cristãos apropriam-se da
salvação.
2. SOLA FIDE
A adequada compreensão do termo
justificação é essencial para o contexto da fé cristã; portanto, neste tópico,
veremos em que consiste a doutrina da justificação pela fé (sola fide).
2.1. Em que implica a justificação?
Sem a justificação, o cristianismo
não existiria como realidade redentiva. Os reformadores tinham convicção da
relevância do tema; eles entendiam que é por meio da justificação que o Senhor
nos oferece a possibilidade de sermos considerados kustos diante de Deus.
Martinho Lutero denominou a
justificação de artigo principal de toda a doutrina cristã, que, de fato,
faz cristãos.
Convicto de que é por meio da fé
que tomamos posse dos benefícios alcançados pelo Cristo ressurreto, e que
nesses benefícios repousam nossa certeza de salvação eterna, Lutero declarou:
Quando nosso conhecimento sobre a justificação foi questionado, tudo o mais o
foi também. [...] A justificação é a essência que dá origem a todas as outras
doutrinas. Ela gera, nutre, edifica, preserva e defende a Igreja de Deus e, sem
ela, a Igreja do Senhor não pode existir. [...] Ela está acima de qualquer
outra doutrina.
O conceito de
justificação não foi elaborado por Paulo, mas sim por Jesus, que declarou que o
publicano (e não o fariseu) desceu justificado para a sua casa (Lc 18.14).
Contudo, já no Antigo Testamento, a ideia estava presente, quando Isaías
declarou: ... com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a
muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si (Is 53.11).
2.1.1. Justificação — significado e
uso
O verbo justificar
(gr. dikaioõ), no Novo Testamento, apresenta uma diversificada
série de conceitos, porém o significado mais usual é declarar justo.
De acordo com Hans Küng (1928),
teólogo suíço, a afirmação divina de justiça é, ao mesmo tempo e no mesmo ato,
um tornar justo. Assim, justificação seria o ato singular que,
concomitantemente, declara justo e torna justo.
O que significa essa
assertiva? Se justo, neste caso, traz a ideia de perdoado, aceito, correio com
Deus, então nos tornamos imediata e totalmente aquilo que Ele afirma que somos,
e usufruímos a condição justa a qual Ele nos atribuiu.
2.2. Em que implica a fé?
De acordo com a doutrina reformada,
somos justificados só e unicamente pela fé, mas isso não significa uma
esperança estéril, estática ou morta em si mesma.
Paulo, na carta que escreveu aos
efésios, faz-nos entender que não somos salvos pelas obras que praticamos, mas,
sim, para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas (Ef
2.10); ensinamento corroborado por Tiago, irmão do Senhor, em sua epístola (Tg
2.14-26): as obras são fruto da salvação, não a causa dela.
2.2.1. O que a fé não é
A fé que justifica o pecador não
pode ser entendida como credulidade pura e simples; tampouco deve estar
associada à ideia de mero exercício intelectivo.
A fé implica, antes
de tudo, abandonar nossas presunções de auto justificação nas mãos de Cristo,
admitindo a imensidão de nossa culpa e nossa absoluta incapacidade de
libertar-nos, por meios próprios, de nossos delitos e pecados (Rm 5.1).
Ter fé em Jesus não é outra coisa
senão isto: deixar-se salvar por Ele.
John Stott (1921—2011), pastor e teólogo
britânico, tocou exatamente nessa questão, quando disse: A justificação pela fé
parece-nos ser o coração e centro, paradigma e essência, de toda a economia da
graça salvadora de Deus.
2.2.2. O que significa viver por fé?
Martinho Lutero encontrou consolo para
suas batalhas espirituais no texto paulino, que chegou a ser um grito de guerra
da Reforma: o justo viverá por fé (Rm 1.17 ARA).
Mas, o que significa viver por fé?
Um dos grandes erros cometidos pelos
cristãos medievais foi acreditar que os homens de fé eram aqueles que cumpriam
com zelo as atividades eclesiais.
Infelizmente, o que se observa, na
atualidade, é o mesmo equívoco cometido naquele tempo: muitos cristãos
protestantes têm confundido fé com convenções religiosas e exterioridades.
É preciso que se diga, enfaticamente,
que o viver por fé transcende ao formalismo vazio de sentido.
Viver por fé é infinitamente mais do que
vestir-se de um modo específico, estar em determinado culto, participar de toda
agenda eclesiástica ou erguer as mãos aos céus em sinal de gratidão.
Viver por fé é, antes de tudo,
subjugar a alma ao Espírito de Deus e mergulhar em Sua paz, sabendo que quem
nos justifica é Cristo (l Jo 2.1). Viver por fé é compreender que nossas boas
obras fazem crescer os frutos da justiça (2 Co 9.10), mas elas não têm qualquer
efeito meritório. Em si mesmas, elas não passam de trapos da imundícia (Is
64.6).
3. ADVERTÊNCIA À IGREJA REFORMADA: A
SECULARIZAÇÃO DA FÉ
Endente-se por secularização da fé o processo por
meio do qual a Igreja recebe influências do meio exterior, tornando-se cada vez
mais irreconhecível. Em outras palavras, como disse o Prof. Dr. Cláudio
Ribeiro: Secularização é o processo pelo qual o sal perde o seu sabor (Mt
5.13).
Não podemos fechar os olhos a esta realidade: num
mundo pós-moderno, em que a verdade tornou-se mais um produto de consumo
(ajustável ao gosto do freguês), a Igreja vem perdendo sua relevância
histórica, gradativamente.
Neste tópico, veremos que a
secularização manifesta-se em nosso meio de duas formas, basicamente.
3.1. Na ortodoxia hermética
Nesta manifestação, preservam-se as
práticas religiosas, enquanto se esvaem os conteúdos espirituais.
No texto bíblico, encontramos vários
episódios de ortodoxia hermética (fechada e estéril), dentre os quais se
destacam os seguintes.
• Israel — O Altíssimo, por
intermédio de Isaías, exortou Israel quanto ao vazio de seus costumes (Is
1.11,12). Nos dias do profeta, o povo mantinha seus ritos religiosos, mas a
essência de sua espiritualidade havia se perdido; suas ofertas e orações não
tinham qualquer valor para o Senhor.
• A igreja de Éfeso — Essa
comunidade teve o grande privilégio de ser pastoreada por dois apóstolos (Paulo
e João) e quatro evangelistas (Priscila, Áquila, Apoio e Timóteo). Paulo havia
elogiado os cristãos de Éfeso pelo amor a Deus e aos irmãos (Ef 1.5), mas, no
período em que João escreveu o Apocalipse, parece que uma nova geração não deu
continuidade a essa prática (Ap 2.4).
3.2. No descompromisso com a causa do
Evangelho
Enquanto na ortodoxia hermética os
aspectos exteriores da fé podem ser observados, nesta última manifestação nem
mesmo tais exterioridades são percebidas.
Muitos cristãos reformados, na
contramão das exortações bíblicas, têm-se mantido completamente alheios aos
usos e costumes da Cristandade, fazendo romper o elo que nos mantém conectados
à Igreja que nos deu origem.
Dentre as práticas que revelam o
descompromisso com a causa do Evangelho, destacam-se as seguintes: frequência
irregular aos cultos; ausência de contribuição financeira; comportamentos sociais
inadequados, dentre outras tantas.
De Israel à Igreja Reformada, sempre
houve e sempre haverá esperança para os que desejam viver por fé:
arrependimento e mudança de rota.
CONCLUSÃO
Lancemos um olhar para além das
circunstâncias religiosas: a salvação pelas obras, a ortodoxia hermética e o
descompromisso com a causa do Evangelho não correspondem ao chamamento de
Cristo.
Para os desafios do nosso tempo, a
bandeira dos reformadores continua flamejando: sola fide (só a fé) em Cristo
pode levar-nos em segurança aos caminhos eternos.
✏Fonte:https://sub-ebd.blogspot.com.br
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Lição 03 – A justificação Unicamente pela Fé: Sola Fide (Pr. Luiz Claudio Cruz)
Texto Bíblico: Hb 2:1-4; Rm 5:1,2,8,18,19
INTRODUÇÃO
Ao lermos a epístola
aos Romanos logo no capítulo 1, encontramos uma solene advertência: os homens
pecaram, contrariando sua consciência, a natureza e seu conhecimento.
Contrariando essas três coisas, pecaram contra Deus. Todas as partes de seu ser
foram contaminadas pelo pecado.
a) A queda
espiritual do homem (vv. 19-21).
b) A queda mental e
moral do homem (vv. 22-25).
c) A queda física do
homem (vv 26-28).
d) A queda total do
homem (vv. 29-32).
1
– TODO O MUNDO ESTÁ CONDENADO (Rm 3:9-20).
Em Rm 3:9-20, o
Espírito Santo faz duas declarações. Primero, todas as pessoas são culpadas
diante de Deus. Segundo, fora de Deus não há justiça para o homem. Nenhum outro
texto das Escrituras apresenta estes dois fatos de forma tão conclusiva.
1.1 – Todos os homens são
culpados.
Paulo faz uma análise nestes versículos e afirma
que: a) Todos estão debaixo do pecado. b) Não há nenhum justo; nenhum sequer.
c) Não há ninguém que busque a Deus. d) Todos se extraviaram. e) À uma se
fizeram inúteis. f) Todo o mundo seja culpável perante deus. g) Ninguém será
justificado diante dele (vv. 9-20)
1.2
– Fora de Deus não há justiça para o homem.
Todos os homens
pecaram é a depravação moral. O que é a depravação moral?
a) Ela implica em
que o homem nasce sem um relacionamento interior com Deus (Ef 2:12).
b) O homem é nascido
na carne (Jo 3:6). Isto quer dizer que os primeiros recursos interiores de um
bebê são as sensações da carne.
c) Ao nascer, a
criança é direcionada pelos impulsos da carne, e não pelas escolhas voluntárias
de sua vontade e razão.
d) Depois que a
vontade da criança começa a operar conscientemente, torna-se hábitos em sua
vida. Isso produz no homem a depravação moral e o ato de desobediência. À busca
de justificar-se, não deve haver confusão entre a Lei e o evangelho. A Lei é
como um mapa que nos indica um destino moral, a retidão. A Lei é uma luz,
revelando-nos o que Deus requer de nós e o que ele pode oferecer-nos. O
Evangelho é este poder de Deus que nos conduz à retidão.
2
– TRÊS VERDADES RELATIVAS ÀS LIMITAÇÕES DA LEI
2.1
– A Lei condena o pecador, mas não pode cancelar seus pecados
O mandamento foi o meio que Deus usa para
produzir a convicção de pecados, pois pela Lei vem o conhecimento do pecado (3:20). Mas eles não
oferecem nem graça, nem perdão. São o “ministério da morte”. O homem precisa
libertar-se desta condenação de Lei.
2.2
– A Lei exige uma liberdade que não pode conceder
A Lei acentua a realidade do cativeiro do
homem no pecado, mas nada pode fazer para libertá-lo. O homem que se encontra
nessas condições é semelhante a um escravo que foi vendido a um senhor que
descreve para ele uma vida melhor. Ao ver pessoas livres, seu cativeiro se
torna ainda mais penoso. Ele só terá liberdade, se alguém for ali e libertá-lo.
2.3
– A Lei exige uma espiritualidade que não pode comunicar
Paulo disse o seguinte: “A Lei é espiritual;
eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. Sendo espiritual, a
Lei não pode ser cumprida por um homem totalmente entregue à carnalidade. Ela
exige que o homem se liberte de uma mentalidade carnal e se coloque sob o
controle do Espirito Santo. A Lei é como uma miragem de agua, que não pode
saciar-nos a sede.
3
– A RECONCILIAÇÃO DO PECADOR: O SANGUE E A JUSTIÇA DE CRISTO (Rm 3:21-5:21)
Nos três primeiros
capítulos de Romanos, Paulo apresenta a ira de Deus; pois a Lei exige a
retidão, mas não pode produzi-la no coração (Rm 3:21,22).
3.1
- Há três fatos acerca da justificação, a saber:
a) A justificação é pelo sangue (3:25-26);
b) A justificação é
mediante a fé (3:27-4:25);
c) A justificação é
pela graça (5:1-21).
3.2
– É importante frisar que Deus vê o homem é de seu governo: espiritual e não
humano.
a) Um bom governo produz para sociedade uma
ação dupla, ou seja, é beneficente e defensiva. Concede honras, misericórdia e
proteção. b) Outra forma de ação é de ordem judicial e ofensiva. Autoriza a
polícia e penitenciárias a deter, aprisionar e castigar os infratores. Concede
segurança e harmonia aos cidadãos. Então, um bom governo pode exercer ira e
benevolência. c) Todos os aspectos do governo de Deus têm origem no seu Amor.
3.3
- O que devemos compreender é que a Lei foi um agente disciplinador, mas a
Graça disciplina e justifica.
Logo, a justiça para
o reino e governo divino, é o mesmo que a boa cidadania para a sociedade
humana. O propósito de Deus ao ressuscitar Cristo era justificar os pecadores
por meio do seu sangue e sua justiça (3:24).
4
– QUATRO GRANDES EFEITOS DO SANGUE DE JESUS (Rm 3:25-31)
a) Pelo seu sangue
derramado, Jesus e a propiciação pelos nossos pecados - aponta para Deus
(v.25).
b) O sangue de jesus limpou a culpa do homem
perante um Deus santo, justificando o pecador arrependido - aponta para o homem
(v.26).
c) Anteriormente à consumação da redenção, o
sangue de Jesus, que seria derramado no futuro, possibilitou a tolerância de
Deus para com os pecados cometidos até então (v.25) - a cruz apontando para o
passado.
d) O sangue de Jesus
opera a remissão dos pecados daqueles que vieram depois de sua morte - a cruz
apontando para o futuro.
✏ADVEC – ASSEMBLEIA DE DEUS VITÓRIA EM CRISTO
II. A Justificação
1. Natureza da justificação: absolvição
divina.
2. Necessidade da Justificação: a condenação
do homem.
3. A fonte da justificação: a graça.
4. Fundamento da justificação: a justiça de
Cristo.
5. Os meios da justificação: a fé.
II. A Justificação
1. Natureza da justificação: absolvição
divina.
A palavra
"justificar" é termo judicial que significa absolver, declarar justo,
ou pronunciar sentença de aceitação. A ilustração procede das relações legais.
O réu está perante Deus, o justo Juiz; mas, ao invés de receber sentença
condena-tória, ele recebe a sentença de absolvição.
O substantivo
"justificação" ou "justiça", significa o estado de
aceitação para o qual se entra pela fé. Essa aceitação é dom gratuito da parte
de Deus, posto à nossa disposição pela fé em Cristo. (Rom. 1:17; 3:21,22.) É o
estado de aceitação no qual o crente permanece (Rom. 5:2). Apesar de seu
passado pecaminoso e de imperfeições no presente, o crente goza de completa e
segura posição para com Deus. "Justificado" é o veredito divino e
ninguém o poderá contradizer. (Rom. 8:34.) Essa doutrina assim se define:
"Justificação é um ato da livre graça de Deus pelo qual ele perdoa todos
os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos somente por nos ser
imputada a justiça de Cristo, que se recebe pela fé."
Justificação é primeiramente
uma mudança de posição da parte do pecador, o qual antes era um condenado;
agora, porém, goza de absolvição. Antes estava sob a condenação, mas agora
participa da divina aprovação.
Justificação inclui mais do
que perdão dos pecados e remoção da condenação, pois no ato da justificação
Deus coloca o ofensor na posição de justo. O presidente da República pode
perdoar o criminoso, mas não pode reintegrá-lo na posição daquele que nunca
desrespeitou as leis. Mas a Deus é possível efetuar ambas as coisas! Ele apaga
o passado, os pecados e ofensas, e, em seguida, trata o ofensor como se nunca
tivesse cometido um pecado sequer! O criminoso perdoado não é considerado ou descrito
como bom ou justo; mas Deus, ao perdoar o pecador, o declara justificado, isto
é, justo aos olhos divinos. Juiz algum poderia justificar o criminoso, isto é,
declará-lo homem justo e bom. Se Deus estivesse sujeito às mesmas limitações e
justificasse somente gente boa, então não haveria evangelho nenhum a ser
anunciado aos pecadores. Paulo nos assegura que Deus justifica o ímpio. "O
milagre do Evangelho é que Deus se aproxima dos ímpios, com uma misericórdia
absolutamente justa e os capacita pela fé, a despeito do que são, a entrarem em
nova relação com ele, relação pela qual é possível que se tomem bons. O segredo
do Cristianismo do Novo Testamento, e de todos os avivamentos e reformas da
igreja, é justamente este maravilhoso paradoxo: "Deus justifica o
ímpio!"
Assim vemos que justificação
é primeiramente subtração — o cancelamento dos pecados; segundo, adição —
imputação de justiça.
2. Necessidade da Justificação: a condenação
do homem.
"Como se justificará o
homem para com Deus?" perguntou Jó (9:1). "Que é necessário que eu
faça para me salvar?" interrogou o carcereiro de Filipos. Ambos
expressaram a maior de todas as perguntas: Como pode o homem acertar sua vida
perante Deus e ter certeza da aprovação divina?
A resposta a essa
interrogação encontra-se no Novo Testamento, especialmente na epístola aos
Romanos, na qual se apresenta, em forma sistemática e detalhada, o plano da
salvação. O tema do livro encontra-se no capítulo 1:16,17, o qual se pode
parafrasear da seguinte maneira: O evangelho é o poder de Deus para a salvação
dos homens, pois o evangelho revela aos homens como se pode mudar de posição e
de condição, de maneira que eles sejam justos perante Deus.
Uma das frases proeminentes
da mesma epístola é: "A justiça de Deus." O inspirado apóstolo descreve
a qualidade de justiça que Deus aceita, de forma que o homem que a possui tenha
aceitação como justo perante ele. Essa justiça resulta da fé em Cristo. Paulo
demonstra que todos os homens necessitam dessa justiça de Deus, porque toda a
raça pecou. Os gentios estão sob condenação. Os passos de sua degradação foram
claros: outrora conheceram a Deus (1:19,20); falhando em o servirem e adorarem,
seu coração insensato se obscureceu (1:21,22); a cegueira espiritual os
conduziu à idolatria (verso 23) e a idolatria os conduziu à corrupção moral
(vers. 24-31). São indesculpáveis porque tinham a revelação de Deus na
natureza, e a consciência que aprova ou desaprova seus atos. (Rom. 1:19,20;
2:14,15.) O judeu também está sob condenação. É verdade que ele pertence à
nação escolhida, e conhece a lei de Moisés de há muitos séculos, mas
transgrediu essa lei em pensamentos, atos e palavras (cap. 2). Paulo, assim,
estrondosamente, encerra toda a raça humana sob a condenação: "Ora, nós
sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que
toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por
isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela
lei vem o conhecimento do pecado" (Rom. 3:19,20).
Qual será essa
"justiça" de que tanto necessita o homem? A própria palavra significa
"retidão", ou estado de reto, ou justo. A palavra às vezes descreve o
caráter de Deus, como sendo isento de toda imperfeição ou injustiça. Quando
aplicada ao homem, significa o estado de retidão diante de Deus. Retidão
significa "reto", aquilo que se conforma a um padrão ou norma. Por
conseguinte, é o homem que se conforma à lei divina. Mas que acontecerá se esse
homem descobrir que, em vez de ser "reto", ele é perverso (literalmente
"torto") sem poder se endireitar? É então que ele precisa da
justificação — que é obra exclusiva de Deus.
Paulo declarou que pelas
obras da lei ninguém será justificado. Essa declaração não é uma crítica contra
a lei, a qual é santa e perfeita. Significa simplesmente que a lei não foi dada
com esse propósito de fazer justo o povo, e, sim, de suprir a
necessidade duma norma de justiça. A lei pode ser comparada a uma fita métrica
que pode medir o comprimento do pano, sem, contudo, aumentar o comprimento.
Podemos compará-la à balança que determina o nosso peso, sem, contudo, aumentar
esse peso. "Pela lei vem o conhecimento do pecado."
"Mas agora se manifestou
sem a lei a justiça de Deus" (Rom. 3:21). Notem a palavra
"agora". Alguém disse que Paulo dividiu todo o tempo em
"agora" e "depois". Em outras palavras, a vinda de Cristo
operou uma grande mudança nas transações de Deus com os homens. Introduziu uma
nova dispensação. Durante séculos os homens pecavam e aprendiam a impossibilidade
de aniquilarem ou vencerem seus pecados. Mas agora Deus, clara e
abertamente, revelou-lhes um novo caminho.
Muitos israelitas julgavam
que devia haver um meio de serem justificados sem ser pela guarda da lei; por
duas razões: 1) perceberam um grande abismo entre as exigências de Deus para
com Israel e seu verdadeiro estado espiritual. Israel era injusto, e a salvação
não podia proceder dos próprios méritos ou esforços. A salvação teria que
proceder de Deus, por sua intervenção. 2) Muitos israelitas reconheceram por
experiência própria sua incapacidade para guardar perfeitamente a lei. Chegaram
à conclusão de que devia haver uma justiça alcançável independentemente de suas
próprias obras e esforços. Em outras palavras,-anelavam por redenção e graça. E
Deus lhes assegurou que tal justiça lhes seria revelada. Paulo (Rom. 3:21) fala
da justiça de Deus sem a lei, "tendo o testemunho da lei (Gên. 3:15; 12:3;
Gál. 3:6-8) e dos profetas (Jer. 23:6; 31:31-34)". Essa justiça incluía
tanto o perdão dos pecados como a justiça íntima do coração.
Na verdade, Paulo afirma que
a justificação pela fé foi o plano original de Deus para a salvação dos homens;
a lei foi acrescentada para disciplinar os israelitas e fazê-los sentir a
necessidade de redenção. (Gál. 3:19-26.) Mas a lei em si não possuía poder para
salvar, como o termômetro não tem poder para baixar a febre que ele registra.
Seria o próprio Senhor, o Salvador do seu povo; e sua graça seria a sua única
esperança.
Infelizmente, os judeus
exaltaram a lei, imaginando que ela fosse um agente justificador, e elaboraram
um plano de salvação baseado no mérito pela guarda dos seus preceitos e das
tradições que lhes foram acrescentadas. "Porquanto, não conhecendo a
justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram
à justiça de Deus" (Rom. 10:3). Não conheceram o propósito da lei.
Confiaram nela como meio de salvação espiritual, ignorando a pecabilidade dos
seus próprios corações, e imaginavam que seriam salvos pela guarda da letra da
lei. Por essa razão, quando Cristo veio, oferecendo-lhes a salvação dos seus
pecados, pensavam que não precisavam dum Messias como ele. (vide João 8:32-34.)
O pensamento dos judeus era o de estabelecer rígidos requisitos pelos quais
conseguiriam a vida eterna. "Que faremos para executarmos as obras
de Deus?" perguntaram. E não se prontificaram a obedecer à indicação de
Jesus: "A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele
enviou" (João 6:28,29). Tão ocupados estavam em estabelecer seu próprio
sistema de justiça, que perderam, por completo, a oportunidade de serem
participantes da justificação divinamente provida para os homens pecadores. Na
viagem, um trem representa o meio de conseguir um determinado alvo. Ninguém
pensa em fazer do trem sua morada; antes, preocupa-se tão somente em chegar ao
destino. Ao chegar a esse destino, deixa-se o trem. A lei foi dada a Israel com
o propósito de conduzi-lo a um destino, e esse destino é a fé na graça
salvadora de Deus. Mas, ao aparecer o Redentor, os judeus satisfeitos consigo
mesmos, fizeram o papel do viajante que, chegando ao destino, se recusa a
deixar o trem, embora o condutor lhe diga: "Estamos no fim da
viagem"! Os judeus se recusaram a deixar as poltronas do "trem do
Antigo Pacto", muito embora o Novo Testamento lhes assegurasse: "O
fim da lei é Cristo", e que se cumpriu o Antigo Testamento. (Rom. 10:4.)
3. A fonte da justificação: a graça.
Graça significa,
primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da parte de Deus. Alguém a
definiu como a "bondade genuína e favor não recompensados", ou
"favor não merecido". Dessa forma a graça nunca incorre em dívida. O
que Deus concede, concede-o como favor; nunca podemos recompensá-lo ou
pagar-lhe. A salvação é sempre apresentada como dom, um favor não merecido,
impossível de ser recompensado; é um benefício legítimo de Deus. (Rom. 6:23) O
serviço cristão portanto, não é pagamento pela graça de Deus; serviço cristão é
um meio que o crente aproveita para expressar sua devoção e amor a Deus.
"Nós o amamos porque ele primeiramente nos amou."
A graça é transação de Deus
com o homem, absolutamente independente da questão de merecer ou não merecer.
"Graça não é tratar a pessoa como merece, nem tratá-la melhor do
que merece", escreveu L. S. Chafer. "E tratá-la graciosamente sem a
mínima referência aos seus méritos. Graça é amor infinito expressando-se em
bondade infinita."
Devemos evitar certo
mal-entendido. Graça não significa que Deus é de coração tão magnânimo que
abranda a penalidade ou desiste dum justo juízo.
Sendo Deus o Soberano
perfeito do universo, ele não pode tratar indulgentemente o assunto do pecado
pois isso depreciaria sua perfeita santidade e justiça. A graça de Deus aos
pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação de Cristo, pagou
toda a pena do pecado. Por conseguinte, ele pode justamente perdoar o
pecado sem levar em conta os merecimentos ou não merecimentos. Os pecadores são
perdoados, não porque Deus seja benigno para desculpar os pecados deles, mas
porque existe redenção mediante o sangue de Cristo. (Rom. 3:24; Efés. 1:6.) Os
pregadores modernistas erram nesse ponto; pensam que Deus por sua benignidade
perdoa os pecados; entretanto, seu perdão baseia-se na mais rigorosa justiça.
Ao perdoar o pecado, "Ele é fiel e justo" (1 João 1:9). A graça
de Deus revela-se no fato de haver ele provido uma expiação pela qual pode ser
justo e justificador e, ao mesmo tempo, manter sua santa e imutável lei. A
graça manifesta-se independente das obras ou atividades dos homens. Quando a
pessoa está sob a lei, não pode estar sob a graça; e quando está sob a graça,
não pode estar sob a lei. Está "sob a lei" quando tenta assegurar a
sua salvação ou santificação como recompensa, por fazer boas obras ou observar
certas cerimônias. Essa pessoa está "sob a graça" quando assegura para
si a salvação por confiar na obra que Deus fez por ela, e não na obra que ela
faz para Deus. As duas esferas são mutuamente exclusivas. (Gál. 5:4.) A lei
diz: "paga tudo"; mas a graça diz: "Tudo está pago." A lei
representa uma obra a fazer; a graça é uma obra consumada. A lei restringe as
ações; a graça transforma a natureza. A lei condena; a graça justifica. Sob a
lei a pessoa é servo assalariado; sob a graça é filho em gozo de herança
ilimitada.
Enraizada no coração humano
está a idéia de que o homem deve algo para tornar-se merecedor da salvação. Na
igreja primitiva certos instrutores judaico-cristãos insistiam em que os
convertidos fossem salvos pela fé e a observância da Lei de Moisés. Entre os
pagãos, e em alguns setores da igreja cristã, esse erro tem tomado a forma de
auto-castigo, observância de ritos, peregrinações, e esmolas. A idéia
substancial de todos esses esforços é a seguinte: Deus não é bondoso; o homem
não é justo; por conseguinte, o homem precisa fazer-se justo a fim de tornar
Deus benigno. Esse foi o erro de Lutero, quando, mediante automortificações,
envidava esforços para efetuar a sua própria salvação. "Oh quando será que
você se tornará piedoso a ponto de ter um Deus benigno?" exclamou certa
vez, referindo-se a si próprio. Finalmente Lutero descobriu a grande verdade
básica do evangelho: Deus é bondoso; portanto deseja fazer justo o homem. A
graça do amoroso Pai, revelada na morte expiatória de Cristo é um dos elementos
que distinguem o Cristianismo das demais religiões.
Salvação é a justiça de Deus
imputada ao pecador; não é a justiça imperfeita do homem. Salvação é divina
reconciliação; não é regulamento humano. Salvação é o cancelamento de todos os
pecados; não é eliminar alguns pecados. Salvação é ser libertado da lei e estar
morto para a lei; não é ter prazer na lei ou obedecer á lei. Salvação é
regeneração divina; não é reforma humana. Salvação é ser aceitável a Deus; não
é tornar-se excepcionalmente bom. Salvação é perfeição em Cristo; não é
competência de caráter. A salvação, sempre e somente, procede de Deus; nunca
procede do homem. — Lewis Sperry Chofer. Usa-se, às vezes, a palavra
"graça", no sentido íntimo, para indicar a operação da influência
divina (Efés. 4:7) e seus efeitos (Atos 4:33; 11:23; Tia. 4:6; 2 Cor. 12:9). As
operações desse aspecto da graça têm sido classificadas da seguinte maneira:
Graça proveniente (literalmente, "que vem antes") é a influência
divina que precede a conversão da pessoa, influências que produzem o desejo de
voltar para Deus. É o efeito do favor divino em atrair os homens (João 6:44) e
convencer os desobedientes. (Atos 7:51.) Essa graça, às vezes, é denominada eficiente,
tornando-se eficaz em produzir a conversão, quando não encontra
resistência. (João 5:40; Atos 7:51; 13:46.) A graça efetiva capacita os
homens a viverem justamente, a resistirem à tentação, e a cumprirem o seu
dever. Por isso pedimos graça ao Senhor para cumprir uma determinada tarefa. A
graça habitual é o efeito da morada do Espírito Santo que resulta em uma
vida plena do fruto do Espírito (Gál. 5:22,23).
4. Fundamento da justificação: a justiça de
Cristo.
Como pode Deus tratar o
pecador como pessoa justa? Resposta: Deus lhe provê a justiça. Mas será que
isso é apenas conceder o título de "bom" e "justo" a quem
não o merece? Resposta: O Senhor Jesus Cristo ganhou o título a favor do
pecador, o qual é declarado justo "mediante a redenção que há em Cristo
Jesus". Redenção significa completa libertação por preço pago.
Cristo ganhou essa justiça
por nós, por sua morte expiatória, como está escrito: "Ao qual Deus propôs
para propiciação pela fé no seu sangue." Propiciação é aquilo que assegura
o favor de Deus para com os que não o merecem. Cristo morreu por nós para nos
salvar da justa ira de Deus e nos assegurar o seu favor. A morte e a
ressurreição de Cristo representam a provisão externa para a salvação do homem,
referindo-se o termo justificação à maneira pela qual os benefícios salvadores
da morte de Cristo são postos à disposição do pecador. Fé é o meio pelo qual o
pecador lança mão desses benefícios.
Consideremos a necessidade de
justiça. Como o corpo necessita de roupa, assim a alma necessita de caráter.
Assim como é necessário apresentar-se em público decentemente vestido, assim é
necessário que o homem se vista da roupa dum caráter perfeitamente justo para
apresentar-se diante de Deus. (Vide Apo. 19:8; 3:4; 7:13,14.) As vestes do
pecado estão sujas e rasgadas (Zac. 3:1-4); se o pecador se vestisse de sua
própria bondade e seus próprios méritos, alegando serem boas as suas obras,
elas seriam consideradas como "trapos de imundícia". (Isa. 64:6.) A
única esperança do homem é adquirir a justiça que Deus aceita — a "justiça
de Deus". Visto que o homem por natureza está destituído dessa justiça,
terá que ser provida para ele essa justiça; terá que ser uma justiça que lhe
seja imputada, não merecida.
Essa justiça foi comprada
pela morte expiatória de Cristo. (Isa. 53:5,11; 2 Cor. 5:21; Rom. 4:6;
5:18,19.) Sua morte foi um ato perfeito de justiça, porque satisfez a lei de
Deus. Foi também um ato perfeito de obediência. Tudo isso foi feito por nós e
posto a nosso crédito. "Deus nos aceita como justos aos seus olhos somente
por nos ter sido imputada a justiça de Cristo", afirma determinada
declaração doutrinária.
O ato pelo qual Deus credita
essa justiça à nossa conta chama-se imputação. Imputação é levar à conta de
alguém as conseqüências do ato de outrem. As conseqüências do pecado do homem
foram levadas à conta de Cristo, e as conseqüências da obediência de Cristo
foram levadas à conta do crente. Ele vestiu-se das vestes do pecado para que
nós pudéssemos nos vestir do seu "manto de justiça". "Cristo...
para nós foi feito por Deus... justiça" (1Cor. 1:30). Ele torna-se "O
Senhor Justiça Nossa" (Jer. 23:6).
Cristo expiou nossa culpa,
satisfez a lei, tanto por obediência como por sofrimento, e tornou-se nosso
substituto, de maneira que, estando unidos com ele pela fé, sua morte toma-se
nossa morte, e sua obediência toma-se nossa obediência. Deus então nos aceita,
não por qualquer bondade própria que nós tenhamos, nem pelas coisas imperfeitas
que são as nossas "obras" (Rom. 3:28; Gál. 2:16), nem por nossos
méritos, mas porque nos foi creditada a perfeita e toda-suficiente justiça de
Cristo. Por causa de Cristo, Deus trata o homem culpado, quando este se
arrepende e crê, como se fosse justo. Os méritos de Cristo são creditados a
ele.
Também surgem as seguintes
perguntas na mente da pessoa que investiga: sim, a justificação que salva é
algo externo e concernente à posição legal do pecador; mas não haverá mudança
alguma na condição moral? Afeta a sua situação, mas não afetará sua conduta? A
justiça é imputada somente e não concedida de modo prático? Na justificação
Cristo somente será por nós, ou agirá também em nós? Em outras palavras, parece
que a imputação da justiça desonraria a lei se não incluísse a certeza de
justiça futura.
A resposta é que a fé que
justifica é o ato inicial da vida cristã e esse ato inicial, quando a fé
for viva, é seguido por uma transformação interna conhecida como regeneração. A
fé une o crente com o Cristo vivo; essa união com o Autor da vida resulta em
transformação do coração. "Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as
coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Cor. 5:17). A
justiça é imputada no ato da justificação e é comunicada na regeneração. O
Cristo que é por nós torna-se o Cristo em nós.
A fé pela qual a pessoa é
realmente justificada, necessariamente tem que ser uma fé viva. Uma fé viva
produzirá uma vida reta; será uma fé que "opera pelo amor"
(Gál. 5:6). Outrossim, vestindo a justiça de Cristo, o crente é exortado a
viver uma vida em conformidade com o caráter de Cristo. "Porque o linho
fino são as justiças dos santos" (literalmente os atos de justiça) (Apoc.
19:8). A verdadeira salvação requer uma vida de santidade prática. Que
julgamento faríamos da pessoa que sempre se vestisse de roupa imaculada mas
nunca lavasse o corpo? Incoerente, diríamos! Mas não menos incoerente é a
pessoa que alega estar vestida da justiça de Cristo, e, ao mesmo tempo, vive de
modo indigno do evangelho. Aqueles que se vestem da justiça de Cristo terão
cuidado de purificar-se do mesmo modo como ele é puro. (1 João 3:3.)
5. Os meios da justificação: a fé.
Visto que a lei não pode
justificá-lo, a única esperança do homem é receber "justiça sem lei"
(isto, entretanto, não significa injustiça ilegal, nem tampouco religião que
permita o pecado; significa sim, uma mudança de posição e condição). Essa é a
"justiça de Deus", isto é, a justiça que Deus concede, sendo também
um dom, pois o homem é incapaz de operar a justiça. (Efés. 2:8-10.)
Mas um dom tem que ser
aceito. Como, então, será aceito o dom da justiça? Ou, usando a linguagem
teológica: qual é o instrumento que se apropria da justiça de Cristo? A
resposta é: "pela fé em Jesus Cristo." A fé é a mão, por assim dizer,
que recebe o que Deus oferece. Que essa fé é a causa instrumental da
justificação prova-se pelas seguintes referências: Rom. 3:22; 4: 11; 9:30; Heb.
11:7; Fil. 3:9.
Os méritos de Cristo são
comunicados e seu interesse salvador é assegurado por certos meios. Esses meios
necessariamente são estabelecidos por Deus e somente ele os distribui. Esses
meios são a fé — o princípio único que a graça de Deus usa para restaurar-nos à
sua imagem e ao seu favor. Nascida, como é, no pecado, herdeira da miséria, a
alma carece duma transformação radical, tanto por dentro como por fora; tanto
diante de Deus como diante de si própria. A transformação diante de Deus
denomina-se justificação; a transformação interna espiritual que se segue,
chama-se regeneração pelo Espírito Santo. Esta fé é despertada no homem pela
influência do Espírito Santo, geralmente em
conexão com a Palavra. A fé
lança mão da promessa divina e apropria-se da salvação. Ela conduz a alma ao
descanso em Cristo como Salvador e Sacrifício pelos pecados; concede paz à
consciência e dá esperança consoladora do céu. Sendo essa fé viva e de natureza
espiritual, e cheia de gratidão para com Cristo, ela é rica em boas obras de
toda espécie.
"Porque pela graça sois
salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das
obras, para que ninguém se glorie" (Efés. 2:8,9). O homem nenhuma coisa
possuía com que comprar sua justificação. Deus não podia condescender em
aceitar o que o homem oferecia; o homem também não tinha capacidade para
cumprir a exigência divina. Então Deus graciosamente salvou o homem, sem pagar
este coisa alguma —"gratuitamente pela sua graça" (Rom. 3:24). Essa
graça gratuita é recebida pela fé. Não existe mérito nessa fé, como não cabem
elogios ao mendigo que estende a mão para receber uma esmola. Esse método fere
a dignidade do homem, mas perante Deus, o homem decaído não tem mais dignidade;
o homem não tem possibilidades de acumular bondade suficiente para adquirir a
sua salvação. "Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da
lei" (Rom. 3:20).
A doutrina da justificação
pela graça de Deus, mediante a fé do homem, remove dois perigos: primeiro, o
orgulho de autojustiça e de auto-esforço; segundo, o medo de que a pessoa seja
fraca demais para conseguir a salvação.
Se a fé em si não é
meritória, representando apenas a mão que se estende para receber a livre graça
de Deus, que é então que lhe dá poder, e que garantia oferece ela à pessoa que
recebeu esse dom gratuito, de que viverá uma vida de justiça? Importante e
poderosa é a fé porque ela une a alma a Cristo, e é justamente nessa união que
se descobre o motivo e o poder para a vida de justiça. "Porque todos
quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo"(Gál.
3:27). "E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e
concupiscências" (Gál. 5:24).
A fé não só recebe
passivamente mas também usa de modo ativo aquilo que Deus concede. É assunto
próprio do coração (Rom. 10:9,10; vide Mat. 15:19; Prov. 4:23), e quem crê com
o coração, crê também com suas emoções, afeições e seus desejos, ao aceitar a
oferta divina da salvação. Pela fé, Cristo mora no coração (Efés. 3:17). A fé
opera pelo amor (a "obra da fé"... 1Tess. 1:3), isto é, representa um
princípio enérgico, bem como uma atitude receptiva. A fé, por conseguinte, é
poderoso motivo para a obediência e para todas as boas obras. A fé envolve a
vontade e está ligada a todas as boas escolhas e ações, pois "tudo que não
é de fé é pecado" (Rom. 14:23).Ela inclui a escolha e a busca da verdade
(2 Tess. 2:12) e implica sujeição à justiça de Deus (Rom. 10:3).
O que se segue representa o
ensino bíblico concernente à relação entre fé e obras. A fé se opõe às obras
quando por obras entendemos boas obras que a pessoa faz com o intuito de merecer
a salvação. (Gál. 3:11.) Entretanto, uma fé viva produzirá obras (Tia. 2:26),
tal qual uma árvore viva produzirá frutos. A fé é justificada e aprovada pelas
obras (Tia. 2:18), assim como o estado de saúde das raízes duma boa árvore é
indicado pelos frutos. A fé se aperfeiçoa pelas obras (Tia. 2:22), assim como a
flor se completa ao desabrochar. Em breves palavras, as obras são o resultado
da fé, a prova da fé, e a consumação da fé.
Imagina-se que haja
contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago. O primeiro, aparentemente,
teria ensinado que a pessoa é justificada pela fé, o último que ela é
justificada pelas obras. (Vide Rom. 3:20 e Tia. 2:14-16.) Contudo, uma
compreensão do sentido em que eles empregaram os termos, rapidamente fará
desvanecer a suposta dificuldade. Paulo está recomendando uma fé viva que
confia somente no Senhor; Tiago está denunciado uma fé morta e formal que
representa, apenas, um consentimento mental. Paulo está rejeitando as obras
mortas da lei, ou obras sem fé; Tiago está louvando as obras vivas que
demonstram a vitalidade da fé. A justificação mencionada por Paulo refere-se ao
início da vida cristã; Tiago usa a palavra com o significado de vida de
obediência e santidade como evidência exterior da salvação. Paulo está combatendo
o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de salvação; Tiago está
combatendo antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa qual seja a
conduta da pessoa, uma vez que creia. Paulo e Tiago não são soldados lutando
entre si; são soldados da mesma linha de combate, cada qual enfrentando
inimigos que os atacam de direções opostas.
✏ Conhecendo as Doutrinas da
Bíblia
Myer Pearlman
SOMENTE A FÉ (SOLA FIDE)
A ênfase da Reforma na fé somente foi o resultado dos intensos conflitos de Lutero para resolver a questão a respeito de como um pecador caído pode ser salvo. "Minha situação era que, embora fosse um monge impecável, permanecia diante de Deus como um pecador de consciência atribulada e não tinha qualquer confiança de que meu caráter satisfizesse a Deus. Noite e dia, eu pensava nisso", disse Lutero. A solução veio quando lhe foi dado um discernimento sobre Romanos 1.17: "Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". Posteriormente, Lutero escreveu: "Eu compreendi que a justiça de Deus é a justiça pela qual, por meio de graça e pura misericórdia, ele nos justifica pela fé. Imediatamente, senti-me haver entrado pelas portas do Paraíso". [12]
Por fim, Lutero entendeu que a fé é o meio pelo qual a justificação chega ao pecador. O evangelho torna a fé o único meio pelo qual um pecador recebe a graça de Deus. Na tradição escolástica medieval, os teólogos falavam sobre obter a fé por intermédio da instrução e da pregação (fides acquisita). Essa fé era distinta da fé infundida (fide infusa), que é um dom da graça e implica aceitação de toda a verdade revelada.
Os protestantes repudiaram essa distinção, ensinando que nenhum desses tipos de fé nos justifica. A fé salvadora que vem pela pregação é também a fé que justifica, disseram eles. A justificação pela fé é um dom de Deus absolutamente essencial à salvação. Lutero também disse: "Esta doutrina é a pedra angular e o topo. Somente ela concebe, nutre, edifica, preserva e defende a igreja de Deus; e, sem ela, a igreja de Deus não pode existir nem mesmo por uma hora". [13]
Os reformadores explicaram que as referências das Escrituras quanto à justificação pela fé somente nunca falam de uma justificação fundamentada na fé em si mesma (propter fidem), e sim da justificação fundamentada em Cristo e no seu sacrifício, a justiça que é imputada graciosamente a pecadores indignos (propter Christum). Como escreveu Calvino: "A justificação consiste no perdão dos pecados e na imputaçãoda justiça de Cristo". [14]
Esta justificação somente pela fé em Cristo é o âmago do evangelho. Visto que não temos nenhuma justiça inerente que nos permita permanecer inculpáveis diante de Deus, precisamos de uma justiça de fora de nós mesmos (extra nos) - uma justiça "alheia", como dizia Lutero - uma justiça aprovada por Deus e obtida para nós. Essa foi a justiça que Cristo proveu. [15]
Na regeneração, o Espírito Santo dá aos pecadores a fé para receberem a justiça de Cristo, para a salvação (Jo 1.12-13). A fé, em si mesma, não merece a salvação, de modo algum, mas ela recebe a transferência da justiça de Cristo. A fé não cria, ela apenas recebe. Como disse Calvino: "A fé justifica quando nos introduz na participação da justiça de Cristo". [16]
A fé e a graça não estão em conflito. A salvação é por meio da fé porque é somente na fé que a graça de Deus é honrada. Sola gratia é confirmada por sola fide. A fé graciosa aceita de todo o coração a verdade do evangelho. Em pobreza, ela corre para as riquezas de Cristo; em culpa, ela busca a retidão de Cristo; em escravidão, ela corre à libertação em Cristo. A fé se apropria de Cristo e de sua justiça, unindo o pecador com o Salvador. A fé recebe a Cristo, com confiança, apegando-se à Palavra dele e crendo em suas promessas. Como Lutero escreveu: "A fé se apossa de Cristo e segura-o como uma possessão presente, assim como o anel segura a pedra preciosa". [17] A fé veste a alma com a justiça de Cristo, capacitando a alma a viver por Cristo. Ela compromete toda a pessoa com todo o Cristo. [18]
Este conceito reformado da fé era bem diferente do conceito ensinado pela Igreja Católica Romana. A igreja de Roma mesclava a santificação com a justificação, por ensinar que a justificação não era obtida pela obra de Deus em declarar um pecador justo, e sim pela obra de Deus em torná-lo justo. Assim, no conceito católico, a justiça de Cristo tem de ser apoiada pela justiça do próprio pecador na justificação. Há graus na justificação, ensinava a Igreja Católica, e o crente depende da fé implícia (fides implicita) nos ensinos da igreja para receber a graça de Deus por meio dos sacramentos.
Sola fide versus fé e obras: à qual aderimos? A nossa fé está centrada em Cristo? Vivemos tão-somente por essa fé? Podemos dizer como Lutero: "A fé dá Cristo a mim; o amor, fluindo da fé, faz com que eu me dê ao meu próximo"? Entendemos, amamos e vivemos a verdade expressa pela sola fide? Somos filhos e filhas da Reforma?
A ênfase da Reforma na fé somente foi o resultado dos intensos conflitos de Lutero para resolver a questão a respeito de como um pecador caído pode ser salvo. "Minha situação era que, embora fosse um monge impecável, permanecia diante de Deus como um pecador de consciência atribulada e não tinha qualquer confiança de que meu caráter satisfizesse a Deus. Noite e dia, eu pensava nisso", disse Lutero. A solução veio quando lhe foi dado um discernimento sobre Romanos 1.17: "Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". Posteriormente, Lutero escreveu: "Eu compreendi que a justiça de Deus é a justiça pela qual, por meio de graça e pura misericórdia, ele nos justifica pela fé. Imediatamente, senti-me haver entrado pelas portas do Paraíso". [12]
Por fim, Lutero entendeu que a fé é o meio pelo qual a justificação chega ao pecador. O evangelho torna a fé o único meio pelo qual um pecador recebe a graça de Deus. Na tradição escolástica medieval, os teólogos falavam sobre obter a fé por intermédio da instrução e da pregação (fides acquisita). Essa fé era distinta da fé infundida (fide infusa), que é um dom da graça e implica aceitação de toda a verdade revelada.
Os protestantes repudiaram essa distinção, ensinando que nenhum desses tipos de fé nos justifica. A fé salvadora que vem pela pregação é também a fé que justifica, disseram eles. A justificação pela fé é um dom de Deus absolutamente essencial à salvação. Lutero também disse: "Esta doutrina é a pedra angular e o topo. Somente ela concebe, nutre, edifica, preserva e defende a igreja de Deus; e, sem ela, a igreja de Deus não pode existir nem mesmo por uma hora". [13]
Os reformadores explicaram que as referências das Escrituras quanto à justificação pela fé somente nunca falam de uma justificação fundamentada na fé em si mesma (propter fidem), e sim da justificação fundamentada em Cristo e no seu sacrifício, a justiça que é imputada graciosamente a pecadores indignos (propter Christum). Como escreveu Calvino: "A justificação consiste no perdão dos pecados e na imputaçãoda justiça de Cristo". [14]
Esta justificação somente pela fé em Cristo é o âmago do evangelho. Visto que não temos nenhuma justiça inerente que nos permita permanecer inculpáveis diante de Deus, precisamos de uma justiça de fora de nós mesmos (extra nos) - uma justiça "alheia", como dizia Lutero - uma justiça aprovada por Deus e obtida para nós. Essa foi a justiça que Cristo proveu. [15]
Na regeneração, o Espírito Santo dá aos pecadores a fé para receberem a justiça de Cristo, para a salvação (Jo 1.12-13). A fé, em si mesma, não merece a salvação, de modo algum, mas ela recebe a transferência da justiça de Cristo. A fé não cria, ela apenas recebe. Como disse Calvino: "A fé justifica quando nos introduz na participação da justiça de Cristo". [16]
A fé e a graça não estão em conflito. A salvação é por meio da fé porque é somente na fé que a graça de Deus é honrada. Sola gratia é confirmada por sola fide. A fé graciosa aceita de todo o coração a verdade do evangelho. Em pobreza, ela corre para as riquezas de Cristo; em culpa, ela busca a retidão de Cristo; em escravidão, ela corre à libertação em Cristo. A fé se apropria de Cristo e de sua justiça, unindo o pecador com o Salvador. A fé recebe a Cristo, com confiança, apegando-se à Palavra dele e crendo em suas promessas. Como Lutero escreveu: "A fé se apossa de Cristo e segura-o como uma possessão presente, assim como o anel segura a pedra preciosa". [17] A fé veste a alma com a justiça de Cristo, capacitando a alma a viver por Cristo. Ela compromete toda a pessoa com todo o Cristo. [18]
Este conceito reformado da fé era bem diferente do conceito ensinado pela Igreja Católica Romana. A igreja de Roma mesclava a santificação com a justificação, por ensinar que a justificação não era obtida pela obra de Deus em declarar um pecador justo, e sim pela obra de Deus em torná-lo justo. Assim, no conceito católico, a justiça de Cristo tem de ser apoiada pela justiça do próprio pecador na justificação. Há graus na justificação, ensinava a Igreja Católica, e o crente depende da fé implícia (fides implicita) nos ensinos da igreja para receber a graça de Deus por meio dos sacramentos.
Sola fide versus fé e obras: à qual aderimos? A nossa fé está centrada em Cristo? Vivemos tão-somente por essa fé? Podemos dizer como Lutero: "A fé dá Cristo a mim; o amor, fluindo da fé, faz com que eu me dê ao meu próximo"? Entendemos, amamos e vivemos a verdade expressa pela sola fide? Somos filhos e filhas da Reforma?
✏ Fonte: http://www.protestantismo.com.br



Esses são o resumo do cap.3??
ResponderExcluirEsses são o resumo do Cap.3???
ResponderExcluirSim , observe a data referente a lição ( Trimestre: 4° de 2017
ExcluirComentarista: Pr. Gilmar Vieira Chaves
Editora: Central Gospel ).