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O MILÊNIO
A palavra “milênio” não aparece no Novo Testamento. O termo vem do latim mille, “mil”, e annus, “ano”, portanto “mil anos”; é uma referência aos mil anos mencionados em Apocalipse 20.1-7. Esse período tem ralação direta com Isaías 11 e Miqueias 4. O período se inicia com a vinda de Cristo em glória, ocasião em que um anjo vai amarrar e prender a Satanás por mil anos (Ap 20.1). Essa prisão impedirá que ele engane as nações (v. 2). É o período da paz universal, o governo de justiça e paz anunciado pelos profetas (Is 2.3-5; 9.7; 11.1-10; 65.20-25; Mq 4.1-5). A sede desse governo é Jerusalém: “E virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR” (Is 2.3). O poder daquele que causa todos os males e as desgraças estará neutralizado nesse período. É a restauração do reino de Davi em Jerusalém (Am 9.11; Zc 8.20-22).
Sob o governo de Jesus Cristo, haverá saúde nas nações: “E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniquidade” (Is 33.24). Os cegos, surdos, mudos e paralíticos serão curados (Is 35.5, 6). A morte terá seu efeito reduzido ao máximo (Is 65.20), e a longevidade humana voltará à terra (Is 65.22). A segurança será perfeita, sem assalto, roubo, furto ou violência (Is 65.21-23); as indústrias bélicas serão transformadas em fábricas de instrumentos agrícolas (Is 2.4), e a produção do campo será uma bênção (Am 9.13). Até mesmo entre os animais ferozes e perigosos haverá harmonia (Is 11.6-9; 65.25). Trata-se de um período em que “a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Is 11.9), e as orações de seus moradores serão atendidas antes mesmos de concluídas com o “amém” (Is 65.24). Mas ainda não será a consumação dos séculos; será, na verdade, um período probatório até que o plano de Deus seja totalmente concluído, quando o Senhor Jesus, depois de ter o domínio sobre todas as coisas, entregará o Reino ao Pai (1 Co 15.24-28).
A terra virá a ser um paraíso sob o governo de Cristo, e os seus santos reinarão com ele: “E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos” (Ap 20.4). Aqui estão incluídos os santos do Antigo Testamento e todos os crentes provenientes da era da Igreja, os quais serão investidos de poder para governar a terra (Ap 2.26, 27; 3.21). Os doze apóstolos governarão sobre as doze tribos de Israel (Mt 19.28; Lc 22.30) juntamente com os santos do Antigo Testamento (Lc 13.28, 29). Integrarão o grupo dos súditos de Cristo os mártires da Grande Tribulação (Ap 6.9-11). “Julgar” ou “julgamento” aparece na Bíblia com o sentido de governar ou governo (1 Sm 4.18; 2 Rs 23.22; 2 Cr 1.11). Esse parece ser o significado aqui.
O DESTINO DOS INJUSTOS
É sensato imaginar que tudo na vida tem seu lado positivo e seu lado negativo. Assim, como há o bem, há também o mal; como há galardão, há castigo; como há amigos, há inimigos; como há bênção, há maldição; como há verdadeiro, há mentiroso; como há justo, há injusto; como há vida, há morte; assim também, como há céu, há inferno. Como pode um Deus benigno e tão cheio de amor condenar alguém? Os nossos sentimentos ou pensamentos nada têm que ver com os de Deus. Quem contesta o inferno tem opinião contrária à de Deus. A doutrina do inferno, conforme ensina a Bíblia e conforme nós cremos, não neutraliza o amor de Deus, porque não pode haver amor sem justiça (Na 1.3). Deus não tem prazer em condenar ninguém, por isso “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). O profeta Ezequiel diz que Deus não tem prazer na morte do ímpio (Ez 18.23). A prova do amor de Deus está no Calvário: Ele deu o seu Filho Unigênito para que pudéssemos ser salvos (Jo 3.16) e franqueou a todas as pessoas a sua salvação: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11); “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At 17.30).
Cada pessoa será responsável por seus atos diante de Deus. Trata-se de uma realidade baseada nos princípios básicos da moral. O castigo eterno dos ímpios é uma vindicação da lei e a manifestação da santidade de Deus, pois o pecado não significa apenas um só ato, mas diz respeito a uma condição da alma, a um estado impuro.
O castigo divino é escalonado; cada um recebe de acordo com a sua obra:
“E o servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites. Mas o que a não soube e fez coisas dignas de açoites com poucos açoites será castigado. E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá” (Lc 12.47, 48). Jesus disse que haverá menos rigor para Sodoma do que para Cafarnaum (Mt 11.24). O apóstolo Paulo afirma que cada um receberá o castigo conforme a sua obra (Rm 2.5, 6; 2 Tm 4.14).
O destino dos injustos é o inferno ardente, um lugar de suplício eterno dos ímpios. Esse lugar aparece nas Escrituras Sagradas com diversos nomes, tais como: abismo, literalmente “lugar sem fundo, insondável, profundeza”, a tradução da palavra grega ábyssos (Lc 8.31; Ap 9.2-4); fornalha de fogo, lugar onde “haverá pranto e ranger de dentes” (Mt 13.50); trevas exteriores, outra expressão para designar o inferno como lugar de maldição eterna, e “ali, haverá pranto e ranger de dentes” (Mt 22.13); fogo eterno (Mt 25.41); tormento eterno (Mt 25.46) ou “suplício eterno” (TB); vergonha e desprezo eterno (Dn 12.2).
A palavra “inferno” vem do latim infernus, que significa “lugar inferior”. Foi usada por Jerônimo, na Vulgata Latina, para traduzir do hebraico a palavra she’ôl, no Antigo Testamento que significa, “o mundo invisível” (Sl 89.48) e o seu equivalente grego na Septuaginta e no Novo Testamento é a palavra hadēs. O “Hades é a região dos mortos” (Lc 1623-, 24). Jerônimo translitera os termos geenna (Mt 5.22, 29, 30) e tártaro (2 Pe 2.4). Geena é o inferno, o lago de fogo apocalíptico (Ap 19.20; 20.10, 14, 15). Tártaro significa “lançar ao inferno; prender no inferno”.
A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS
A morte é uma das consequências primárias do pecado, sua punição e castigo. Por essa razão, o mundo inteiro tem de experimentar esse terrível golpe: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb 9.27). Esse é o resultado do pecado original de Adão (Rm 5.12, 17). A morte é inevitável, mas temos promessas de Deus, desde o Antigo Testamento, da nossa libertação desse veredicto: “Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá” (Sl 49.15). A ressurreição de Jesus é a garantia de que seremos ressuscitados. O nosso Salvador é vivo. Jesus disse: “Porque eu vivo, e vós vivereis” (Jo 14.19). O apóstolo Paulo ensina que: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele” (1 Ts 4.14), e isso vincula a nossa ressurreição à de Cristo.
O verbo grego mais usado para “ressuscitar”, no Novo Testamento, é egeiro, “despertar, levantar” e o segundo, anístēmi, “levantar, levantar-se, ressuscitar”. O substantivo é anástasis, “ressurreição”; de aná, “acima”, e hístēmi, “pôr em pé”. Ressuscitar, portanto, significa “levantar dentre os mortos”, isso é voltar a viver no mesmo corpo, em uma ressurreição corporal: “Aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11).
A Bíblia fala em duas ressurreições – a dos justos e dos injustos: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2); “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5.28, 29); “Há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos injustos” (At 24.15). A ressurreição dos justos se dará por ocasião do arrebatamento da Igreja: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.16, 17). A ressurreição dos santos é também conhecida como primeira ressurreição (Ap 20.5, 6). Ela inclui ainda a ressurreição do salvos que foram mortos por causa do testemunho que deram de Jesus no período da Grande Tribulação (Ap 20.4). Na linguagem do profeta Daniel e até mesmo na do Senhor Jesus Cristo e do apóstolo Paulo, parece ser simultânea a ressurreição dos justos e injustos. Mas o contexto mostra que se trata de duas ressurreições num intervalo de mais de mil anos entre elas. Isso só vai acontecer depois do Milênio: “Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram” (Ap 20.5). Essa ressurreição é para o Juízo Final e inclui todos os incrédulos desde o princípio do mundo (Ap 20.12, 13).
O JUÍZO FINAL
O Juízo Final é conhecido também como o Juízo do Grande Trono Branco e aparece no Novo Testamento como “o dia do juízo” (Mt 11.22, 24; 12.36; 2 Pe 3.7) ou, simplesmente, “o juízo” (Hb 9.27). O Juiz é o Senhor Jesus Cristo: “O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (Jo 5.22). Assim, Deus executará esse juízo por meio de Jesus Cristo (At 10.42; 2 Tm 4.1).
11 E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de
cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. 12 E vi os
mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os
livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados
pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. 13 E deu o
mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles
havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. 14 E a morte e o inferno
foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. 15 E aquele que não foi
achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo (Ap 20.11-15).
Esse julgamento não é
o mesmo mencionado pelo Senhor Jesus em Mateus 25.31-46, pois Ele estava
falando a respeito do julgamento das nações, no vale de Josafá, em Jerusalém,
no final da Grande Tribulação (Is 3.13; Jo 3.12). O juízo aqui não é em
Jerusalém: “de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para
eles” (v. 11), não será na terra; e se trata de pessoas individuais (vv. 12,
13), não de nações; não há presença de vivos, mas somente mortos; nem há menção
de salvos, só de condenados (v. 15). Não é o que ocorre no julgamento das
nações.Os “grandes e pequenos” (v. 12) não se referem a adultos e crianças, mas aos poderosos da terra e aos cidadãos comuns. A “morte e o Hades” (v. 13 – TB) são termos sinônimos aqui. Já foi mostrado que Sheol e Hades aparecem com o sentido de morte. Assim, o Hades devolverá todos os mortos incrédulos para o julgamento segundo as obras de cada um deles. O destino final dos injustos é o lago de fogo, e não o Hades, por isso os mortos precisam se apresentar diante de Deus para ser julgados. Tudo o que alguém faz na vida é escrito nesses livros, por isso cada um é julgado segundo as coisas que estão escritas neles. O livro da vida está presente nesse julgamento para mostrar que o nome desses réus não consta ali.
A própria morte será lançada no lago de fogo (v. 14). É a derrota da morte; ela terá fim um dia, e o dia é esse. É cumprimento da promessa divina (Os 13.14; 1 Co 15.54, 55). O lago de fogo é a Geena, cuja definição foi dada anteriormente. Ele é descrito como “lago de fogo e enxofre”, no qual serão lançados vivos a besta e o falso profeta (Ap 19.20) e, mil anos depois, o diabo será também lançado nesse mesmo lugar (Ap 20.10). É, de fato, como o Senhor Jesus disse, “o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41). E para esse mesmo lugar irão os perdidos da terra (v. 15).
A expressão “segunda morte”, ho thanatos ho deuteros, em grego, significa a condenação eterna. A palavra grega, aqui, para “morte” é thanatos, que traz a ideia de “separação”, e não “extinção”. Na morte física, a alma e espírito separam-se do corpo. Essa é a primeira morte. Aqui, é a pessoa que será separada de Deus, banida da sua glória para todo o sempre, para nunca mais ver a luz. E essa separação é chamada de “segunda morte” (2 Ts 1.9), em que “de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20.10).
O DESTINO DOS JUSTOS
Depois do Juízo Final, Deus cumprirá a sua promessa de criar um novo céu e uma nova terra desde o Antigo Testamento: “Porque eis que eu crio céus novos e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65.17). A partícula “mas”, no versículo seguinte (18), uma enfática conjunção adversativa hebraica ki-im, “mas antes, contudo”, mostra que a promessa divina de criar os novos céus e a nova terra não anula o seu compromisso com Jerusalém sobre as bênçãos para o Milênio. A promessa de novos céus e nova terra é reiterada mais adiante: “Porque, como os céus novos e a terra nova que hei de fazer estarão diante da minha face, diz o SENHOR” (Is 66.22). Jesus também ensinou sobre o assunto quando disse: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35). A declaração bíblica de que a terra durará para sempre (Ec 1.4) é a garantia divina de que sempre haverá uma terra, mas isso não significa necessariamente a mesma terra.
Tudo isso aqui já está extremamente contaminado pelo pecado, e o universo físico não suportará o esplendor da santidade, da pureza da glória de Deus. O céu e a terra desaparecerão da presença daquele que está assentado sobre o Grande Trono Branco (Ap 21.11). “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1). Na visão do apóstolo João, os céus e a terra de hoje serão substituídos. O universo físico que vemos hoje não será transformado; Deus vai criar tudo novo. A frase “o mar já não existe” mostra uma nova ordem, pois “os oceanos são necessários à oxigenação da atmosfera na terra. A falta de mares, portanto, sugere que toda a economia da nova terra será diferente” (HORTON, 1995, p. 304).
Que o céu e a terra que conhecemos vão desaparecer, isso é anunciado desde o Antigo Testamento (Sl 102.25, 26; Is 51.6). A profecia do Salmo 102 é citada no Novo Testamento (Hb 1.10-12). Essa terra e esse céu estão reservados para o fogo: “Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?” (2 Pe 3.10-12). Os sistemas teológicos, em geral, dão pouca importância aos temas escatológicos ou espiritualizam demais essas profecias forçando a exegese, principalmente os que criticam o sistema dispensacionalista. Não há exagero algum na interpretação literal e futurista desses fatos.
A NOVA JERUSALÉM
Depois da visão do novo céu e da nova terra, João viu a nova Jerusalém: “E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21.2). Ela é a nossa pátria, como disse o apóstolo Paulo: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Há diversas descrições da nova Jerusalém na literatura apocalíptica do período interbíblico e nos pseudoepígrafos (como o Testamento de Dã 5.12; 2 Baruque 32.2-4; 2 Esdras 7.26; 10.49). É bom lembrar que o evento aqui é o pós-milênio. A Jerusalém do Milênio é em Israel, portanto, na terra (Is 2.2-3; 65.18-20), mas a nova Jerusalém, o apóstolo a viu descendo do céu; ela é celestial, e seu arquiteto e construtor é Deus (Hb 11.10). Não é ela a mesma do Milênio. Não é essa a primeira vez que ela é mencionada no Novo Testamento: “Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós” (Gl 4.26); “Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos” (Hb 12.22). É a cidade que esperamos (Hb 13.14), a cidade de Deus (Ap 3.12).
A descrição da cidade é incompatível com a do Milênio, e as características são completamente fora de qualquer realidade terrena. Deus habitará com o seu povo: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3). O tabernáculo foi construído no deserto porque é a vontade de Deus habitar no meio do seu povo: “E me farão um santuário, e habitarei no meio dele” (Êx 25.8). Era a presença de Deus no meio dos filhos de Israel (Lv 26.11; Ez 37.27). Em Cristo, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). O verbo grego para “habitar” aqui é skēnoō, que significa “habitar em tenda” ou “em tabernáculo”; isso fala de habitação temporária, mas o substantivo para “tabernáculo” é skēnē. Do verbo skēnoō. A presença deDeus é contínua na Igreja, a sua habitação (1 Co 3.16; Ef 2.22). Mas, na nova Jerusalém, o “mesmo Deus”, ou seja, o próprio Deus estará com os salvos, homens e mulheres, de forma literal (1 Jo 3.2). Trata-se da eterna morada dos santos.
As palavras “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4), mostram que os benefícios aqui transcendem a qualquer período da história e até mesmo do Milênio. Trata-se de uma nova ordem de coisas, por isso a profecia diz que o sofrimento é coisa do passado, pois Satanás e a morte já estão definitivamente fora de ação, vencidos e para sempre no lago de fogo e enxofre.
Depois da descrição externa da nova Jerusalém, do formato e dimensão, dos muros e portões, e do material de construção (Ap 21.9-21), temos a informação de que a cidade não necessita de sol e nem de lua, pois a glória de Deus a alumia e o Senhor Jesus é a sua lâmpada (Ap 21.23). Essa declaração mostra que aqui já estamos na eternidade. A presença de nações e “reis da terra” fora da Jerusalém celestial depois do Juízo Final (vv. 24-26) tem levado muita gente a confundir o mundo vindouro dos santos com o Milênio. Na verdade, há certo paralelismo entre os benefícios e as bênçãos do Milênio com o lar eterno e definitivo dos santos do Senhor. Mas isso são prenúncios da bênção vindoura e não significam dois períodos.
A RAZÃO DA NOSSA FÉ
Esequias Soares 📚
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
MILÊNIO
A palavra 'milênio' vem dos termos latinos Mille e annum ('ano')- A
palavra gregachilias, que também significa "mil', aparece por seis vezes
em Apocalipse 20, definindo a duração do Reino de Cristo antes da destruição do
velho céu e da velha terra.
O Milênio, portanto, refere-se aos mil anos do futuro Reino de Cristo
sobre a terra, que virá imediatamente antes da eternidade (Ryrie, pp.145-146).
Durante o Milênio, Cristo reinará no tempo e no espaço.
[...] PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E CONDIÇÕES DO MILÉNIO
O Milênio será um tempo de controle tanto político como espiritual.
Politicamente, ele será universal (Dn 2.35), discricionário (Is 11.4) e
caracterizado pela retidão e justiça. Será zeloso para com os pobres (Is
11.3-5), mas trará recriminação e juízo para quem transgredir as ordenanças do
Messias (SI 2.10-12).
Este reino literal de Cristo sobre a terra também terá características
espirituais. Acima de tudo, será um reino de justiça, onde Cristo será o Rei e
governará com absoluta retidão (Is 23.1). Será também um tempo em que se
manifestarão a plenitude do Espírito e a santidade de Deus (Is 11.2-5),
'Naquele dia, se gravará sobre as campainhas dos cavalos: Santidade Ao Senhor
[...] e todas as panelas em Jerusalém e Judá serio consagradas ao Senhor dos
Exércitos' (Zc 14.20-21).
Tudo, do trabalho à adoração, será santificado ao Senhor, O pecado será
punido (SI 72.1-4; Zc 14.16-21) de maneira pública e justa. A era messiânica
também será caracterizada por um reinado de paz (Is 2,4; 11,5-9; 65.25; Mq
4.3).
As profecias de Isaías revelam outras características, incluindo:
• Alegria (Is 9.3-4);
• Glória (Is 24,23)
• Justiça (Is 9.7);
• Conhecimento pleno (Is 11,1-2);
• Instruções e orientações (Is 2,2-3);
• Fim da maldição sobre a terra e a eliminação de toda enfermidade
(11.6-9; 33.24);
• Maior expectativa de vida (Is
65.20);
• Prosperidade no trabalho (Is 4.1; 35.1-2; 62,8-9)
• Harmonia no reino animal (Is 11,6-9; 62.25).
Sofonias 3.9 e Isaías 45.13 afirmam que, no Milênio, a linguagem e
a adoração serão puras. A pura adoração será possível por causa da maravilhosa
presença de Deus (Ez 37,27-28), A presença física do Messias garantirá estas
bênçãos. Walvoord diz: "A gloriosa presença de Cristo no cenário do
Milênio é, logicamente, o foco de toda a espiritualidade e adoração (Walvoord,
p.307)" (LAHAYE, Tim; HINDSON, Eu. (Eds.). Enciclopédia Popular de
Profecia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.318).
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"Embora o trono de Deus seja o trono de julgamento, Jesus declarou:
'E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo' (Jo 5,22), O
único Mediador entre Deus e a humanidade tornar-se-á também o Mediador do
julgamento. Por conseguinte, Jesus assentar-se-á sobre o trono. E tão grande
será a sua majestade, que a terra e o céu 'fugirão', não havendo mais para eles
'lugar, no plano de Deus'.
Isto posto, abrir-se-á caminho para os novos céus e a nova terra. Eis os
que comparecerão diante do grande trono branco: 'os mortos, grandes e peque- Ap
20.12).
Quanto aos justos, por haverem participado da primeira ressurreição, já
terão corpos imortais e incorruptíveis. Portanto, os mortos que estarão de pé,
diante do grande trono branco, para serem julgados, serão os outros mortos' (Ap
20.5) que não tomaram parte na primeira ressurreição por ocasião do
arrebatamento. Esses serão os "mortos ímpios', incluindo os que foram
consumidos após o Milênio, por haverem seguido a Satanás" (MENZIES, WHliam
W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da nossa Fé. 1.ed.
Rio de Janeiro: CPAD, (95, pp.207,08).
O plano divino através dos séculos - N. Lawrence Olson
Podemos dizer que a cruz.é o ponto
central de todo este glorioso plano e propósito divinos. Anteriormente, tudo
que passou teve a cruz em prospecto e tudo que acontece posteriormente tem a
cruz em retrospecto. No Velho Testamento, sob a lei e suas sombras e tipos
temos o reino de Deus em prospecto. Na dispensação atual, a da graça,
já vemos o reino de Deus sendo estabelecido em seu aspecto
espiritual. É verdade que * Satanás ataca o reino de Deus, procurando
corrompê-lo, como o vemos nas Parábolas de Mateus cap. 13, havendo certa
mistura do bem e do mal. Convém esclarecer neste ponto que os termos
"reino dos céus", em Mateus, e "reino de Deus", em Marcos e
Lucas, sào idênticos quanto ao significado, e referem-se à presente
dispensação do evangelho na qual o reino está sendo proclamado. Quem
aceita a Cristo, entra no reino pelo novo nascimento. Contudo, Deus não
está sendo glorificado na terra como devia ser e como ainda será. A Oração
Dominical - "...Venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra
como no céu" -ainda será cumprida futuramente. O reino de Deus se
manifestará de modo glorioso sobre toda a face da terra. Este período
será a Dispensação do governo divino, dos mil anos de paz.
O termo
"milênio" significa mil anos. É usado seis vezes na
passagem Ap 20.1-7. É o tempo durante o qual Satanás
será amarrado e lançado no abismo enquanto Cristo reina em poder e glória
sobre a terra. Na visão de Daniel, em que viu a grande imagem e as bestas (Dn 2
e 7), ele viu uma sucessão de quatro grandes reinos ou impérios mundiais,
seguidos pelo "reino da pedra". Dn 2.45; 7.13,14. Este último
reino é o reino de Cristo a ser estabelecido quando Ele for revelado,
vindo do céu, vingando--se do Anticristo que será destruído (II Ts 2.8),
juntamente o Falso Profeta, e ainda efetuando o julgamento das nações. Jl
3.9-17.
Quando
Cristo voltar à terra (Ap
1.7; Zc 14.4), Ele trará consigo os santos,
revestidos de corpos gloriosos, pessoas essas que morreram em Cristo desde o
tempo de Abel para cá. I Ts 4.16,17; Jd 14,15. Esses estarão com Cristo na
administração dos reinos e governos da terra. Ap 11.15. Os judeus perderão
grande parte de sua população durante a Grande Tribulação. Zc 13.8,9; Cf Gn 45.
Tendo Cristo como seu Messias e Cabeça, Israel tornar--se-á a nação líder
do mundo, e não mais a "cauda". Dt 28.13,44; Is 60.10-15; Zc 8.20-23.
Assim sendo, os habitantes da terra, durante o Milênio, consistirão de Cristo
como o Rei supremo, os santos ressuscitados, os judeus que abraçaram a
fé em Jesus, e as nações simpatizantes.
1. A
Forma de Governo. A terra será regida, não por
monarquia, nem por democracia, nem por autocracia, mas sim por uma TEOCRACIA,
isto é, o próprio Deus regerá o mundo na Pessoa do Seu Filho, o
Senhor Jesus Cristo. Lc 1.32,33; Dn 7.13,14. Certas passagens das Escrituras
indicam que o rei Davi, de cuja linhagem veio Jesus, segundo a carne,
tomará parte no governo de Israel já restaurado, servindo como príncipe
ou co-regente. Os 3.5; Jr 30.9; Ez 37.24,25; Is 2.2-4. Cristo prometeu a Seus
discípulos que se assentariam "em doze tronos para julgar as doze tribos
de Israel." Mt 19.28.
2.
A Sede do Governo. A capital do
mundo não será nem Washington, nem Londres, nem Tóquio e nem Paris, mas
sim Jerusalém, a desprezada cidade tantas vezes pisada pelos exércitos
invasores. Essa cidade será totalmente restaurada, vindo a realizar-se a
visão do salmista que disse: "Grande é o Senhor e mui digno de
ser louvado, na cidade do nosso Deus. Seu santo monte, belo e
sobran-ceiro, é a alegria de toda a terra; o monte de
Sião, para
< os lados
do norte, a cidade do grande Rei. Nos palácios dela, Deus se faz conhecer como
alto refúgio." SI 48.1-3; Cf. Is 2.2-4.
3. O Território
de Israel. Há diferença de opinião quanto à extensão
do território de Israel durante o Milênio. Sabemos que a terra prometida a
Abraão em Gn 15.18, jamais foi totalmente ocupada por essa nação, nem mesmo
durante os prósperos reinados de Davi e Salomão. A concessão original
estende-se do "Rio do Egito", que na opinião de certos eruditos seria
o Rio Nilo e de outros, dum pequeno rio chamado El Arish, procedente da
Península do Sinai, perto do Egito, até o Rio Eufrates. Se entendemos que
toda a extensão do Rio Eufrates é incluída como fronteira, então a
promessa incluiria toda a península arábica. As referências Dt 11.24 e Ez
47.18, que mencionam "o mar ocidental" (o Mediterrâneo) e "ornar
oriental", provavelmente não se referem ao Mar Morto, mas sim ao
Mar Índico. "O ermo exultará e florescerá como o
narciso". Is 35.1. Haverá grande aumento de população, tornando a
nação forte. Is 60.22. Para cumprir essas profecias, seria necessário um
território bem maior do que Israel atualmente possui (1974), isto é,
aquela faixa entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão e mais os altos de
Golã e o deserto do Sinai, tomada na Guerra dos Seis Dias em 1967.
4. A
Cidade Milenial. Ez 48.1-35. Nesta passagem temos a repartição do
território de Israel entre as doze tribos em largas faixas, estendendo-se do
oeste ao leste, a partir da tribo de Dã no norte, e terminando com Gade no
sul. Colocada entre as tribos de Judá e Benjamim,
haverá uma área conhecida como a "região
santa", um território de sessenta milhas (cerca de 100 km)
quadradas, no meio da qual estará a cidade de Jerusalém, inclusive as
terras dos levitas e sacerdotes. O templo judaico milenial, localizado no
centro da terra dos sacerdotes, terá mais de uma milha quadrada de
extensão. É notável que as tribos de Judá e Benjamim, que eram
as mais leais a Davi no tempo da divisão do reino, agora achar-se--ão em lugar
mais privilegiado quanto à proximidade da "região santa".
5. O
Rio Milemal. Ez 47.1-12; Zc 14.1-8. Esta pas1 sagem de Ez 47.1-12 costuma ser interpretada
de modo espiritual a significar o rioda salvação, aságuas do Espirito Santo,
que começaram a fluir no dia de Pentecoste, em profundidade crescente, que veio
a atingir com suas bênçãos toda a face da terra. Por muito bem que sirva como
ilustração, o rio que o profeta descreve é um rio literal que sai
debaixo do altar do templo restaurado, fluindo na direção oriental, desaguando
finalmente no Mar Morto. As águas salubres deste rio transformarão esse
mar, atualmente muito salgado, em mar de água doce. Então
haverá peixe nesse mar. Hoje não há. Nas suas margens haverá terrenos
frutíferos. O leito desse rio que fluirá na direção oriental (o que
atualmente seria impossível), provavelmente será aberto por terremoto na
ocasião em que Jesus descer sobre o Monte das Oliveiras (Zc 14.4). O sismo
fará o monte dividir-se em duas partes, uma deslocando-se para o norte e a
outra para o sul, permitindo o rio passar entre ambas. Quem conhece a
topografia dessa região, como o autor destas linhas a conhece, diria que tais
acontecimentos jamais poderiam realizar-se. Só podia ser por meio de
milagre e com Deus nada disso é impossível. As profecias
cumprir-se-ão!
6.
O Templo Milenial e seu Serviço. Ez 40.1 a 44.31. O profeta
Ezequiel teve uma visão extraordinária sobre a ordem das coisas durante o
Milênio, tanto civil como religiosa. Essa visão prove uma descrição detalhada
do próprio santuário do templo, o ritual realizado no mesmo, o ministério dos
sacerdotes e levitas, e as instruções minuciosas para sacerdote e povo quanto
ao culto a Jeová. Em nossa opinião, esse templo será construído no início
do Milênio, não concordando com a opinião de alguém que o mesmo seja o da visão
do templo de Zorobabel reconstruído depois do cativeiro dos setenta anos, e nem
tão pouco que seja o templo de Herodes, o Grande, os quais ja foram destruídos.
a. O
Sacerdócio Arônico. Ez 44.13-31. Temos que
ter em mente que a descrição dada nesta profecia não condiz estritamente com as
coisas que conhecemos na presente dispensação da igreja. Deus aqui
está tratando com o povo de Israel, a nação que foi afastada
temporariamente das bênçãos da aliança, e que será novamente reintegrada a
essa posição. Cremos que é por isso que vemos na dispensação milenial
os antigos sacrifícios restabelecidos, sacrifícios esses que nós julgávamos
passados para sempre. Escreve o pastor W.C. Stevens a respeito: "... estes
sacrifícios podem ser considerados sob o ponto de vista retrospectivo; em
ambos os casos seu valor consiste, em contemplá-los através da Pessoa de Jesus
Cristo, discernindo os vários aspectos do Seu sacrifício por nós. Jesus deu a
entender, por exemplo, que depois do Seu retorno, celebraria a ceia do Senhor,
prometendo beber o novo vinho conosco no Seu reino. Semelhantemente, Jesus
imprimirá uma nova significação a esses sacrifícios renovados, pelo fato
dEle estar presente".
Não nos deve
causar tanta estranheza que Israel, uma vez restaurada à sua terra,
fato já concretizado, e gozando das bênçãos de Deus como nação, celebre
novamente as festas da Páscoa e dos Tabernaculos. Ez
45.21; 45.52; Zc 14.16-19. Tais datas são para os judeus como o dia Sete de
Setembro é para os brasileiros. A Páscoa continuará a ser uma
lembrança da libertação do Egito e a Festa dos Tabernaculos, lembrança da
preservação miraculosa durante a jornada no deserto. Contudo,
haverá
Certas
diferenças. Em Levítico o ano findou com uma
expectativa de expiação futura. Em Ezequiel o ano começa com um memorial
(45.18) duma expiação perfeitamente realizada. Em lugar dos sacrifícios duplos
de Levítico na ocasião da Páscoa e dos Tabernaculos, haverá durante o
Milênio a celebração de Sete Ofertas, simbolizando uma
expiação perfeitamente revelada. Em Levítico havia um sacrifício
pela manhã e outro pela tarde. Agora haverá um
só sacrifício (holocausto), simbolizando que não há mais a noite
moral e espiritual sobre Israel. Está com eles o próprio "Sol da
Justiça" - Jesus, o Messias! Na ordem milenial também se nota a ausência
dum sumo-sacerdote, e isso em razão de Jesus, o supremo Sacerdote, estar
pessoalmente com Seu povo. Também não há menção da arca da aliança, na
qual sempre esteve guardada, a lei de Moisés. A lei agora estará, não na arca,
mas sim no próprio coração do povo. Jr 3.16-18; 31.33,34. Assimtambém o véu, os
pães da proposição, e o candeeiro estão ausentes, pois esses memoriais do
Messias ausente, perdem o sentido estando Eie presente. Pela mesma razão
a Festa das Semanas (o Pentecoste) desaparece pelo fato de se
ter realizado a colheita geral, isto é, o rapto da Igreja.
7. As
Condições Espirituais. As condições
espirituais em evidência durante o Milênio contrastarão fortemente com as
prevalecentes nos dias atuais. Então terá sua plena realização a profecia
de Joel 2.28,29, havendo um derramamento do Espírito Santo sobre Israel,
nessa época renovado, e sobre as demais nações. Zc 12.10; Ez 36.25-27. O
contexto da passagem Jl 2.28,29, mostra que tais bênçãos seguir-se-ão aos
juízos do "dia do Senhor", dos quais o remanescente fiel de Israel
será libertado. O derramamento do Espírito no dia de Pentecoste e o atual
movimento pentecostal são da mesma qualidade daquela de Jl
2.28,29, permitindo Pedro dizer, "... ocorre é o que foi
dito por intermédio do profeta Joel", At 2.16. Contudo, nenhuma dessas
efusões do Espírito representa o cumprimento total ou a plena medida vista em
Joel 2.28-32. Esse cumprimento ainda aguarda o início do Milênio. O povo
pentecostal costuma errar na exegese desta passagem, atribuindo ao movimento
atual o pleno cumprimento da profecia. Repetimos que em qualidade ou natureza é igual,
mas em grau não o é. Dias gloriosos ainda esperam a
Israel e às nações!
O Conhecimento
do Senhor será Universal durante o
Milênio. Zc 8.22,23; Is 11.9; Jr 31.34. Tal qual hoje prevalece o mal e muitas
nações jazem nas trevas da idolatria, naquele tempo a justiça
prevalecerá e todas as nações conhecerão o nome de Jeová. Ml 1.11.
A
Glória "Shequinah" se Manifestará Continuamente sobre a Cidade
de Jerusalém. Em sua visão, Ezequiel viu a glória de
Deus afastando-se paulatinamente do templo e da cidade de Jerusalém, vindo a
desaparecer de vez a leste do Monte das Oliveiras. Ez 9.3; 10.4; 10.18; 11.23.
Esse fenômeno deu-se em razão das horríveis abomina-ções idolatras e
pecaminosas dessa nação. Mas o profeta viu quando novamente a glória do Senhor
começou a voltar do oriente, vindo a encher o templo. Ez 43.1-5. Esta glória da
presença do Senhor permanecerá continuamente sobre a Cidade Santa. Is
4.5,6.
Satanâs
Será Amarrado durante o Milênio. Esse inimigo, tanto
de Deus como do homem, será algemado e lançado no "abismo", de
maneira que ele ficará impossibilitado de exercer o seu nefasto programa
de engano entre os homens. Que vitória empolgante será! Os céus, como também a
terra, serão purificados de todas as influências maléficas de Satanás e suas
hostes. Ap 12.7-12; 20.1-3; Jó 15.15.
Haverá Paz
Universal durante este período em estudo. Não
serão mais esmagados debaixo dos enormes orçamentos bélicos os habitantes da
terra que durante séculos têm mantido essas forças armadas, com as quais
ameaçam as demais nações. Is 2.4; Mq 4.3,4. A história universal é a
história de guerras cada vez mais devastadoras. Só neste Século XX
passamos por duas guerras mundiais, além de muitas outras de conseqüências
desastrosas para todos nós. As Nações Unidas, organização mundial, que têm por
alvo promover a paz entre as nações, também não consegue seu objetivo. As
freqüentes conferências de paz também não o conseguem, por muito nobres que
sejam esses esforços. Sabemos que a paz mundial será concretizada somente
com o estabelecimento do reino de Cristo, que na Bíblia é conhecido
como "Príncipe da Paz". Os estadistas esquecem-se de que as guerras
só serão afastadas quando a causa das guerras, a iniqüidade no coração
humano, for erradicada.
8. As
Condições Físicas e Prosperidade da Terra da Palestina. Essa terra
era uma vez a "terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras;
terra de oliveiras, de azeite e mel". Dt 8.8; 11.11. Mas
a bênção do Senhor foi retirada por causa da desobediência do Seu povo, que
resultou nas chuvas serem retidas) Durante séculos essa terra permanecia
abandonada, sendo verdadeiramente arruinada. Mas agora, pelo restabelecimento
de Israel a Palestina, e o emprego de métodos modernos e científicos de
agricultura, a terra está novamente florescente. Com a canalização
das águas do Jordão em direção sul até o deserto do Neguev, esse ermo
agora está literalmente transformado em producentes fazendas de toda
espécie. As chuvas "têmporas" e "serôdias" já voltaram
a regar aterra, como o autor destas linhas em recente viagem a Israel pôde
constatar. Cremos que tudo isso que hoje acontece em
Israel é prenuncio das ainda maiores bênçãos que se evidenciarão ali
durante os mil anos de paz sob o regime de Jesus Cristo. Jl 3.18; Am 9.13,14; Is
35.1; SI 67.6; Jl 2.23-26; Is 55.13; Ez 36.8-11.
A
Ferocidade dos animais será removida e todas as
espécies viverão em paz e harmonia entre si e "um pequenino os
guiará". Is 11.6-8.
A Vida
Humana será Prolongada. O homem outra
vez viverá até alcançar idade provecta, de centenas de anos, como nos
dias ante-diluvianos, registrados em Gênesis 5.1-32; Isaías 65.20-22; Zacarias
8.4. Isso pode ser atribuído a algumas mudanças climáticas ou ambientais e
mesmo à remoção da influência maléfica de Satanás. Cf. Jó 119;
Is 65.20.
Os
Raios Benéficos solares serão acrescentados sete vezes em
potência e a lua brilhará como o sol, segundo Isaías 30.26. Aparentemente,
Jerusalém e as circunvi-zinhanças serão iluminadas, não apenas pelo sol e a
lua, como também pela presença gloriosa de Deus. Is 45.5,6; Êx 13.21,22.
9. A
Confluência de Alianças. Qual junção de vários rios para formar
um só grande rio, assim no Milênio vemos a confluência de todas as
alianças celebradas entre Deus e o homem. Ap 11.19. A Aliança Edênica, que
restaurou a supremacia do homem sobre a criação animal e a própria natureza;
a Aliança com Adão, com sua promessa de redenção; a Aliança
com Noé, com suas provisões governamentais; a Aliança com
Abraão, com a chamada do povo judeu e a restauração da Palestina;
a Mosaica, com seu sistema de ritos e festas anuais; a Aliança
com Davi, cujo cumprimento está em Cristo, o Filho de Davi; e
ainda a Nova e Eterna Aliança da graça divina
- todas essas contribuem para tornar esta dispensação milenial aquela em que
Deus e os homens se aproximaram mais do que nunca sobre esta terra.
a. A
Aliança Edênica. Jesus, o Filho do homem, cumpriu o lado
humano desta aliança e, por conseguinte, tem o direito de abrir o livrou ou a
"escritura" deste mundo e assumir o domínio sobre o mesmo, domínio
que o primeiro Adão perdeu. Ap 5.1-7; Rm 8.19-23. A criatura não está mais
sujeita ao usurpador que é Satanás e não seguirá mais o seu mau
exemplo. Ef 2.2; Gl 5.15. Satanás, a velha serpente, é destituído de
sua posição de "deus deste mundo". II Co 4.4; Ap 12.7-9; 20.1-3. No
lugar dele reinará Cristo! Glória a Deus! Ap 11.15. Até a própria
criação recebe a influência da presença de Cristo na terra. Tudo está em
paz e tranqüilidade maravilhosa. Is 11.6-9; 65.25; Os 2.18; Is 35.1-10; 55.13.
b. A
Aliança com Adão. A Aliança com Adão havia prometido que o
Redentor esmagaria a cabeça da serpente, Satanás, e a
primeira coisa que observamos nesta dispen-sação é a expulsão desse
anjo das regiões celestiais e sua remoção de sobre a face da terra e seu
confinamento no abismo. Ap 12.7-9; 20.1-3. A expressão "... um Cordeiro
como tinha sido morto" (Ap 5.6) é prova de que esses
acontecimentos são cumprimento dessa Aliança, pois foi no Calvário que o
domínio de Satanás foi quebrado. Hb 2.14; Jo 12.31. Ouve-se o cântico dos
redimidos no céu, anun-ciando-se o fato de que a muito esperada salvação
já chegou! Ap 5.9,10; 15.3; I Pe 1.5; Ap 12.10. Assim no Milênio vemos a
muito desejada esperança da redenção sendo realizada, e Cristo, o Redentor, pessoalmente
assumindo a direção política de toda a terra. Os redimidos de todos os séculos
estarão sobre tronos junto a Ele. Os judeus, agora convertidos, tornar-se-ão
missionários para as nações. O mundo todo estará cheio do conhecimento do
Senhor e Seu nome em toda parte será engrandecido. Is 66.19; Hb 2.14; Zc
8.20:23; 14.16-21;
Is 61.5,6; Ml 1.11.
c. A
Aliança com Abraão. Durante o Milênio a Aliança
com Abraão cumprir-se-á em sua plenitude. Nesse tempo, como nunca dantes,
o povo judaico será uma bênção para todas as nações. Gn 22.18; Zc 8.23; Is
66.19. Pela primeira vez em toda sua história, esse povo herdará as terras
desde o Rio Nilo até o Rio-Eufrates, e de mar a mar, como lhe foi
prometido a Abraão em possessão perpétua. Gn 17.8; Ez 37.25-28. As várias
tribos terão a sua própria faixa de terra, conforme descrito em Ez 48.
d. A Aliança
Mosaica. Esta Aliança, naturalmente, tornou-se
nula à cruz do Calvário, mas de qualquer maneira, além de ver todos
seus princípios morais reencor-porados na Nova Aliança, vemos também o sistema
do ritual do templo e de festas anuais novamente utilizados no culto a Deus. O
templo será reconstruído, sendo as instruções para a sua construção
elaboradas em Ez 40.1 a 43.17. Os rituais que ali serão celebrados não significam
que fosse restabelecida a antiga
lei, mas que apenas servirão de "memoriais"
do amor e da morte de Cristo, no mesmo sentido em que a Ceia do Senhor também
tem e continuará a ter esse
sentido. Lc 22.16,18,30; Mt 26.29; Mc 14.25.
e. As
Alianças com Noé e Davi. Observamos
que o arco-íris da Aliança com Noé envolve nesta época o trono de
juízo, Deus lembrando-Se de Sua promessa de não castigar todo ser vivente. Gn
9.13-15; Ap4.3. As provisões desta aliança que afetam a natureza e o reino
animal, naturalmente são incluídas na renovação da Aliança Edênica. A
instituição de governo humano será perpetuada ea Aliança com Davi
cumprir-se-á na íntegra no reino do Deus--homem, o Filho de Davi,
Cristo, e Seus santos que com Ele reinarão. Lc 1.32,33; Dn 2.45; 7.13,14; Ap
5.10; 11.15; 12.5; 20.4,6. Pela primeira vez em toda a história, a justiça
absoluta será aplicada a quem comete pecado, e isso imediatamente.
Is 11.1-5; SI 2.9; Ec 8.11; Ap12.5. Jerusalém
será capital desse governo mundial de Cristo e Davi será o príncipe
da Palestina. Is 2.2-4; Ez37.24,25. Durante este reino milenial não
haverá guerra nenhuma em toda a terra. Mq 4.3,4.
f. A
Nova Aliança durante o Milênio. Como
já observamos, todas essas alianças fundamentam-se sobre a Nova ou a
Eterna Aliança. Portanto, consideramos que tenham o seu cumprimento integral no
período milenial, sendo elas realmente expressões ou partes integrais da grande
Nova Aliança. É evidente que quando essa Aliança foi prometida, ela
associava-se às condições mileniais descritas no Velho Testamento e
prometidas especialmente aos judeus quando esses estariam
restaurados à sua terra, a Palestina. Ez
36.19-28. É evidente que o derramamento do Espírito Santo, previsto
por Joel (2.28-32), concerne de modo especial ao povo judeu no princípio do
Milênio. Zc 12.10. Esse fato não contradiz nada que aprendemos a respeito da
Dispensação da Igreja, isto é,quea Nova Aliança é a Aliança
vigente durante esse período. O Espírito Santo claramente
ensina que a Nova Aliança cumpre-se verdadeiramente
durante a atual dispensação. Contudo, um cumprimento ainda maior nos espera em
dias vindouros. Hb 8.7-13; 10.16,17.
A Nova
Aliança proveu purificação dos pecados, um coração novo e a presença do
Espírito Santo, bênçãos previstas para o povo de Deus tanto durante a
Dispensação da Igreja como para a Dispensação Milenial. Assim vemos que a Nova
Aliança será plenamente operante, demonstrando em todo o mundo, e mui
particularmente na Palestina, as suas bênçãos, resultando em que a grande
maioria dos homens do mundo buscarão a Deus e aprenderão a justiça. SI 72; Is
11.9; 26.9; Zc 14.16-21; Ml 1.11.
10. O
Fim do Milênio. O estado de depravação natural do coração
humano é revelado pelos acontecimentos ao fim desse período de 1.000
anos, durante o qual o homem foi exposto às melhores influências
espirituais possíveis. Satanás estava algemado e Jesus Cristo e o Espírito
reinavam supremos em todo o mundo. Mas ao fim do Milênio Satanás
será solto do abismo por "pouco tempo" (Ap 20.3,7-9), quando uma
vasta multidão de gente o acompanhará em uma rebelião contra o Senhor
Jesus Cristo em Jerusalém. Essa rebelião será fustigada imediatamente e
dominada por Deus que enviará fogo do céu que os devorará. Esse
será o verdadeiro e terminante fim da carreira de Satanás quanto a esta
terra, quando então ele será lançado no lago de fogo, onde
será atormentado para sempre. O fim do Milênio marcará também o fim
de todas as dispensações terrestres e o fim do tempo. Havendo muitos
fracassados durante esta derradeira dispensação em que se manifestou a presença
do Senhor e Sua influência, que visava a salvação e a vida eterna, não resta
mais nada para os tais a não ser a indignação abrasadora de Deus. Deus havia
prometida a Noé que nunca mais destruiria a terra por água, e essa
promessa Deus tem cumprido à risca. Portanto, esta vez a destruição
será por fogo,como Pedro o ^revela em II
Pe 3.7-12; Ap 20.9. Assim como os salvos dos séculos".
Ap 22.5. Que lar glorioso para residência dos fiéis do
Senhor!
O curso da
história da salvação do homem realmente tem o seu ponto final em
Apocalipse 21.8. A passagem de Ap 21.9 a 22.5 serve de explicação mais
detalhada sobre essa cidade santa que é a Nova Jerusalém. Enquanto os
santos gozarão eternamente da presença de Deus, os incrédulos sofrerão o
castigo eterno nas chamas do Lago de Fogo. Ap 20.11,13-15; 21.8. Assim Deus
terá separado de Si para sempre todos os rebeldes e incrédulos, e trazido para
a Sua presença todos os que aceitaram a Jesus por seu
Salvador. Aleluia!
Que o leitor seja um desses!
O plano divino
através dos séculos - N. Lawrence Olson



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