quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Lição 11 - A Segunda Vinda de Cristo



E
scatologia é a doutrina das últimas coisas. O termo vem de dois vocábulos gregos: éskhatos, “último”, e logos, “palavra, tratado, estudo”. A segunda vinda de Cristo é parte da escatologia, uma doutrina da teologia de fundamental importância na vida cristã porque envolve a esperança dos crentes em Jesus. O assunto envolve os sinais que precederão a vinda de Cristo, o próprio evento em si, a ressurreição dos mortos, o juízo divino sobre as nações incrédulas, o destino glorioso dos crentes e a recompensa dos infiéis.
      Todas as profecias do Antigo Testamento concernentes à vida do Messias se cumpriram cabalmente em Jesus (Lc 24.44). Os profetas anunciaram também de antemão o destino de Israel e dos grandes impérios da Antiguidade, como Assíria, Babilônia, Grécia, Roma; tais oráculos se cumpriram no passado, e outros se cumprem na atualidade. A história é testemunha disso. Os fatos estão aí à disposição de todos. Os eventos do porvir elencados na doutrina escatológica são a consumação da história humana. O livro de Apocalipse é a revelação do epílogo da história da humanidade. O cumprimento das profecias bíblicas na Antiguidade e ao longo da história é igualmente a garantia do cumprimento das coisas futuras.

SINAIS QUE PRECEDERÃO A
SEGUNDA VINDA DE CRISTO
      Nenhum dos seres humanos nem mesmo os anjos têm conhecimento da data da vinda de Cristo. Mas o Senhor Jesus deixou sinais claros e evidentes, positivos e negativos que nos mostram que esse evento está próximo. O Senhor Jesus chama nossa atenção para a Israel na parábola da figueira: “Olhai para a figueira e para todas as árvores. Quando já começam a brotar, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão. Assim também vós, quando virdes acontecer essas coisas, sabei que o Reino de Deus está perto” (Lc 21.29-31). A “figueira” é Israel (Jr 8.13; Os 9.10; Jl 1.7) e as outras “árvores” são uma referência às outras nações. A restauração da nação de Israel dar-se-á em duas etapas, conforme as profecias bíblicas. A restauração nacional de Israel como nação autônoma já aconteceu desde 29 de novembro de 1947, quando a primeira assembleia geral das Nações Unidas aprovou a criação de um estado judeu em Éretz Israel. Muitas profecias bíblicas se cumpriram, entre elas Amós 9.14-15 e Ezequiel 36.24; 37.21. O renascimento do Estado de Israel é um sinal evidente de que vinda de Jesus está próxima.
       Os sinais positivos são diversos, entre eles a agitação mundial e o avanço da ciência (Dn 12.4), e a efusão do Espírito Santo como nunca depois do dia de Pentecostes. Os pentecostais juntamente com os neopentecostais já são o segundo maior grupo cristão. A palavra profética anuncia esse acontecimento para os últimos dias (Jo 2.28-32; At 2.16-21). A obra da evangelização mundial é um fenômeno cada vez mais crescente na atualidade. Nunca houve na história da igreja um despertamento como vem acontecendo nestes últimos dias (Mt 24.14). É bom lembrar que, com os recursos dos meios de comunicação da atualidade, principalmente a Internet, é possível se evangelizar o mundo em questão de horas. Portanto, ninguém deve dormir nem se acomodar, pois o arrebatamento da igreja pode ocorrer a qualquer momento.
       Os sinais negativos são ainda mais visíveis, como o aparecimento de falsos cristos e falsos profetas (Mt 24.5, 11). É verdade que muitos falsos cristos se já levantaram ao longo da história do cristianismo. À medida que a vinda de Cristo se aproxima, o número deles vai aumentando. A quantidade é alarmante. É praticamente impossível apresentar uma lista completa deles. Alguns servirão de exemplos: David Koresh, da Califórnia, sobre o qual a imprensa internacional noticiou recentemente, dizia ser o Cristo e fez vários adeptos. O reverendo Moon também declarou-se ser o Cristo e teve muitos adeptos. Em Curitiba, Inri Cristo declara ser o Cristo. Muitos outros têm declarado ser o Messias. Isso aponta para o sinal dos tempos. Jesus advertiu-nos de antemão sobre estas coisas. O crescimento da apostasia nos últimos anos tem alcançado proporções estarrecedoras. O apóstolo Paulo afirma que a apostasia generalizada é coisa para os últimos tempos (1 Tm 4.1-3; 2 Tm 3.1-5). A crescente violência nas principais capitais do mundo, assim como a expansão do terrorismo e do narcotráfico acontecem nos dias atuais, porque a iniquidade está se multiplicando (Mt 24.12). Estamos vivendo na época do princípio de dores.
       Outros sinais negativos visíveis: “Levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares” (Mt 24.6, 7). O v. 5 refere-se aos distúrbios mundiais e a uma crise na política internacional. As guerras no Oriente Médio parecem não ter fim. Testemunhamos a fome generalizada em muitos países, e o avanço de doenças como a aids e o ebola, entre outras. Trata-se de uma crise de caráter mundial, e não apenas local. É verdade que desde os tempos de Jesus sempre houve guerras, pestilências, fomes, imoralidades etc. Mas o ensino de Jesus consiste no fato de essas coisas irem aumentando e se intensificando dia após dia, à medida que a vinda de Cristo se aproxima, até chegar a um ponto insuportável. Os dias que estamos vivendo, à luz das palavras de Jesus, caracterizam o princípio das dores (Mt 24.8).
       O cenário mundial já está pronto para que o apocalipse se cumpra. A palavra “fim” (Mt 24.14) é ambígua e há muitas controvérsias sobre o assunto entre os expositores da Bíblia. Ninguém pode garantir que isso seja o arrebatamento da igreja ou a vinda de Cristo em glória; ela pode aplicar-se aos dois eventos. Há quem afirme que Isaías 66.18, 19 está no contexto de Mateus 24.14. Se isto puder ser confirmado, é possível que a pregação continue durante a Grande Tribulação, pelos 144 mil remanescentes de Israel (Ap 7.1-8), e assim a profecia tenha o seu completo cumprimento.

CRISTO VOLTARÁ
        Há diversas interpretações escatológicas, principalmente sobre a segunda vinda de Cristo. Mas todas elas têm um ponto em comum: Ele virá! Isso é tão certo quanto a sucessão dos dias e das noites (Os 6.3). É algo que não se discute. É uma esperança cristalina nas Escrituras que desde os primeiros pais da Igreja é ensinada e aparece ainda nos credos ecumênicos. A diferença está no modus operandi, em como essa promessa divina vai se cumprir.
       Stanley M. Horton, em sua obra intitulada Nosso destino, publicação da CPAD de 1998, apresenta um estudo criterioso e esclarecedor das diversas interpretações sobre o fim dos tempos.
      O Antigo Testamento fala sobre a vinda do Messias como homem, na encarnação no Verbo, como servo sofredor, mas revela também a sua vinda em glória. Mas Justino, o Mártir precisou explicar isso aos judeus no século 2 (Diálogo, 80.5; 81.14), uma vez que não era do conhecimento de Israel nem de suas autoridades religiosas. Da mesma maneira, a segunda vinda de Cristo em duas fases é uma doutrina genuinamente bíblica; no entanto, isso só veio à tona a partir de 1830, na Escócia. Seus principais expoentes no século 19 foram John Darby e Scofield, na sua Bíblia Anotada.
       Há passagens nas Escrituras que mostram a repentina vinda de Jesus, rápida e invisível aos olhos humanos; por outro lado, elas também anunciam vinda de Jesus visível a todos os moradores da terra. Isso mostra com clareza meridiana que se trata de dois acontecimentos distintos. O Senhor Jesus Cristo virá em duas etapas distintas. Na primeira, levará os santos ao céu, que é o arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51-53; 1 Ts 4.14-17). Esse acontecimento será em fração de segundos, simultâneo no mundo inteiro e invisível aos olhos
dos moradores da terra. Essa é a expectativa e a esperança da Igreja. Jesus prometeu nos buscar (Jo 14.3). Com o arrebatamento da Igreja será estabelecido o império do anticristo, identificado no livro de Apocalipse, capítulo 13, como a besta. Ele é chamado também de “o homem do pecado, o filho da perdição... o iníquo” (2 Ts 2.3, 8). O termo “anticristo” só aparece nas epístolas de João (1 Jo 2.18, 22; 4.3; 2 Jo 7). Essa personagem fará um concerto com Israel depois que a Igreja for raptada da terra. Os detalhes desse período estão em Apocalipse dos capítulos 6 a 19.
        Esse período se chama a Grande Tribulação. Terá a duração de sete anos, ou uma semana de anos, e na metade da semana os judeus descobrirão que fizeram acordo com o anticristo. O concerto será rompido na metade da semana (Dn 9.27). Só a partir daí começa o período da angústia de Jacó (Jr 30.7). A cidade de Jerusalém será ainda tomada, por pouco tempo, pois, no final da Grande Tribulação, o Senhor Jesus descerá para livrar seu povo (Zc 14.2-4). Por isso que a metade da Grande Tribulação terá a duração de três anos e meio, ou, usando a linguagem bíblica, “um tempo, de tempos e metade de um tempo” (Dn 12.7), que em Apocalipse aparece descrito como “tempos e metade de um tempo” (Ap 12.14) ou ainda “mil duzentos e sessenta dias” (Ap 12.6) e “quarenta e dois meses” (Ap 13.5).
       O falso profeta é o porta-voz da besta e ambas as personagens serão lançadas no lago de fogo (Ap 19.20). A Grande Tribulação é o período de transição entre a Dispensação da Igreja e o Milênio. É um período de angústias e sofrimentos sem precedentes na história e será universal. Há quatro passagens clássicas sobre a Grande Tribulação nas Escrituras (Jr 30.7; Dn 12.1; Jl 2.2; Mt 24.21) e a passagem paralela em Marcos 13.19. Este período foi determinado por Deus para fazer justiça contra a rebelião dos moradores da terra e para preparar a nação de Israel para o encontro com o seu Messias (Am 4.12). Mas haverá pregação do evangelho nesse período. Esses pregadores são os 144 mil judeus que se converterão ao Senhor Jesus no período da Grande Tribulação, que não se contaminarão com as falsas doutrinas (Ap 14.1-5) e que substituirão a igreja na pregação do evangelho: “... primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16).
      Enquanto o cálice da ira de Deus está sendo derramado sobre os moradores da terra, a Igreja é recepcionada pelo Senhor Jesus no céu. Após o arrebatamento da Igreja, os salvos se apresentarão diante do tribunal de Cristo (2 Co 5.10). Esse julgamento é para que cada um receba o seu galardão conforme a obra realizada na terra pela causa do evangelho (1 Co 3.12-15). Haverá outro evento glorioso no céu enquanto a Grande Tribulação acontece na terra: as Bodas do Cordeiro (Ap 19.7). Esta celebração é a festa de recepção da Igreja pelo Senhor Jesus.
Depois disso, o Senhor Jesus virá em glória com a sua Igreja glorificada, os salvos raptados da terra por ocasião do arrebatamento da Igreja (1 Ts 3.13; Jd 14), e todo o olho verá (Mt 24.30; Ap 1.7). Ele voltará da mesma maneira que subiu ao céu na presença dos seus discípulos (At 1.9-11). Essa é a segunda fase da segunda vinda de Cristo para destruir o império do anticristo.
      A batalha do Armagedom (Ap 16.16)12 é o símbolo de todas as batalhas nas quais Deus manifesta o seu poder, quando o seu povo, em condições de inferioridade em efetivo e em equipamento bélico, se vê diante de seus inimigos. É a Batalha Final, a última batalha da história da humanidade do Senhor Jesus Cristo contra Satanás e o seu império representado pelo do anticristo (Ap 19.20). Nesse contexto, está a libertação de Israel (Zc 12.10; 14.8, 9), o conflito decisivo com a interferência direta do Senhor Jesus em favor de seu povo.
      Nessa ocasião, o Senhor Jesus julgará as nações (Mt 25.31, 32). Não se deve confundir esse julgamento com o do Juízo Final mencionado em Apocalipse. Aqui o juízo é sobre todas as nações (Jl 3.12), e não sobre todas as pessoas. As bem-aventuranças citadas aqui são recompensas pelas boas obras; no entanto, ninguém é salvo pelas obras, mas pela graça mediante a fé (Gl 2.16; Ef 2.8). Os irmãos aqui de Jesus são os judeus e, agora, as nações vão receber a recompensa pelo tratamento dado a eles ao longo da história. O Reino preparado desde a fundação do mundo (Mt 25.34) não é o céu, mas o Milênio.
     Nessa vinda de Jesus em glória se cumprirá também a promessa de Deus que o anjo Gabriel anunciou a Maria: “E o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará para sempre na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1.32, 33). E, assim, será estabelecido o Milênio, com o lançamento no lago de fogo da besta e do falso profeta (Ap 19.20).
12 O termo “Armagedom” significa literalmente “monde de Megido”, duas palavras hebraicas: har, “monte”, e magidó, “Megido”. O vale de Megido está no norte de Israel e foi palco de grandes batalhas nos tempos do Antigo Testamento (Jz 5.19), lá morreu o rei Josias na batalha contra Faraó-Neco, rei do Egito (2 Rs 23.29, 30). É nesse local que será realizada a Batalha do Armagedom, a batalha da história de Cristo contra o anticristo e seus seguidores.
A RAZÃO DA NOSSA FÉ
Esequias Soares 📚



                  VII. A segunda vinda de Cristo.

                     Conhecendo as Doutrinas da Bíblia
                         Myer Pearlman

1. O fato de sua vinda.

O fato da segunda vinda de Cristo é mencionado mais de 300 vezes no Novo Testamento. Paulo refere-se ao evento umas cinqüenta vezes.
 Alguém já disse que a segunda vinda é mencionada oito vezes mais do que a primeira. Epístolas inteiras (Cl e 2Tess.) e capítulos inteiros (Mat. 24, Mat. 13) são dedicados ao assunto. Sem dúvida, é uma das doutrinas mais importantes do Novo Testamento.

2. A maneira de sua vinda.

Será de maneira pessoal (João 14:3; Atos 1:10,11; 1Tess. 4:16; Apo. 1:7; 22:7), literal (Atos 1:10; 1Tess. 4:16, 17; Apo. 1:7; Zac. 14:4), visível (Heb. 9:28; Fps. 3:20; Zac. 12:10) e gloriosa (Mat. 16:27; 25:31; 2Tess. 1:7-9; Gál. 3:4). Há interpretações que procuram evitar a opinião de que a vinda de Cristo seja literal e pessoal. Alguns ensinam que a morte é a segunda vinda de Cristo. Mas a Bíblia mostra que a segunda vinda é o contrário da morte, pois os mortos em Cristo ressuscitarão nessa ocasião. Com a morte iremos para Cristo, mas na sua vinda ele virá para nos buscar. Certas passagens (Mat. 16:28; Fil. 3:20) perdem seu significado se substituíssemos morte por segunda vinda. Finalmente, a morte é um inimigo, enquanto a vinda de Cristo é a gloriosa esperança. Alguns sustentam que a segunda vinda foi a descida do Espírito no dia de Pentecoste. Outros ensinam que Cristo veio no tempo da destruição de Jerusalém no ano 70 A.D., mas em cada um desses casos não houve ressurreição dos mortos, nem o arrebatamento dos vivos, nem outros eventos preditos que acompanharão o segundo advento.

3. O Tempo da sua vinda.

Tentativas houve para determinar a data da vinda de Cristo, mas em nenhuma delas o Senhor veio na hora marcada pelos homens! Ele declarou que o tempo exato de sua vinda está oculto nos conselhos divinos. (Mat. 24:36-42; Mar. 13:21, 22.) é bom que seja assim.
Quem gostaria de saber com antecedência a hora exata de sua morte? Tal conhecimento teria o efeito de perturbar e inutilizar a pessoa. Basta que saibamos que a morte pode vir a qualquer instante; portanto, devemos trabalhar "enquanto é dia pois a noite vem quando ninguém pode trabalhar". O mesmo raciocínio serve quanto ao fim da presente dispensação. Esse dia também não nos foi revelado, mas sabemos quê será repentino (1Cor. 15:52; Mat. 24:27) e inesperado (2Ped. 3:4; Mat. 24:48-51; Apo. 16:15). O Senhor avisa seus servos: "Negociai até que eu venha"
Damos em seguida uma visão geral do ensino de Cristo sobre o tempo da sua vinda: após a destruição de Jerusalém os judeus serão desterrados entre todas as nações, expulsos de sua terra, a qual passará a ser subjugada pelos gentios até ao fim dos tempos, quando Deus julgará as nações gentias (Luc. 21:24). Durante esse período os servos de Cristo levarão sua obra avante (Luc. 19:11-27) pregando o Evangelho a todas as nações (Mat. 24:14).
Será um tempo de demora durante o qual muitas vezes a igreja será tentada a duvidar do retomo do seu Senhor (Luc. 18:1-8), quando alguns se prepararão e outros se tornarão negligentes, enquanto o Noivo demora (Mat. 25:1-11). Ministros infiéis desviar-se-ão, dizendo consigo mesmos: "O meu Senhor tarda a vir" (Luc. 12:45).
"Muito tempo depois" (Mat. 25:19), "… meia-noite (Mat. 25:6), ‹a hora e no dia dos quais nenhum dos seus discípulos sabe (Mat. 24:36, 42,50), o Senhor repentinamente aparecerá para ajuntar seus servos e julgá-los segundo as suas obras (Mat. 25:19; e 2Cor. 5:10). Mais tarde, depois de ter sido pregado universalmente o Evangelho e após o mundo havê-lo rejeitado, quando o povo estiver vivendo completamente ignorante quanto à iminente catástrofe, como nos dias de Noé (Mat. 24:37-39) e nos dias da destruição de Sodoma (Luc. 17:28, 29) virá o Filho do homem em glória e poder para julgar as nações do mundo e sobre elas reinar (Mat. 25:31-46).

4. Sinais de sua vinda.

As Escrituras ensinam que a aparição de Cristo inaugurando a Idade Milenial será precedida por um tempo agitado de transição, no qual haverá distúrbios físicos, guerras, crises econômicas, declínio moral, apostasia religiosa, infidelidade, pânico geral e perplexidade. A última parte desse período transitório chama-se "A Grande Tribulação", durante a qual o mundo inteiro estará sob o domínio dum governo contra Deus e anticristão. Crentes em Deus serão brutalmente perseguidos, e a nação judaica, em particular, passará pela fornalha da aflição.

5. O propósito de sua vinda.

(a) Em relação à igreja. Assim escreve o Dr. Pardington: Assim como a primeira vinda do Senhor se estendeu sobre um período de 30 anos, assim a segunda vinda influirá em vários eventos. Na primeira vinda ele foi revelado como o Menino de Belém; mais tarde como o Cordeiro de Deus, ao ser batizado, e como o Redentor no Calvário. Na segunda vinda aparecerá aos seus secreta e repentinamente para trasladá-los às Bodas do Cordeiro. Essa aparição chama-se o arrebatamento ou "Parousia" (que significa "aparição" ou "presença" ou "chegada" na língua grega). Nessa ocasião os crentes serão julgados para determinar as suas recompensas por serviços prestados (Mat. 25:14-30). Após o arrebatamento, segue-se um período de terrível tribulação, que terminará na revelação, ou manifestação aberta de Cristo proveniente do céu, quando ele estabelecerá seu reino messiânico sobre a terra.

(b) Em relação a Israel. Aquele que é a Cabeça e Salvador da igreja, do povo do céu, é também o prometido Messias de Israel, do povo terrestre. Como Messias, ele libertará esse povo da tribulação, congregá-lo-á dos quatro cantos da terra, restaurá-lo-á na sua antiga terra e sobre ele reinará como seu, há muito prometido, Rei sobre a Casa de Davi.

(c) Em relação ao anticristo. O espírito do anticristo já está no mundo (1João 4:3; 2:18; 2:22), mas ainda virá outro anticristo final (2Tess. 2:3). Nos últimos dias ele se levantará dentre o velho mundo (Apo. 13:1) e tornar-se-á o soberano sobre um Império Romano ressuscitado que dominará todo o mundo. Assumirá grande poder político (Dan. 7:8, 25), comercial (Dan. 8:25; Apo. 13:16, 17) e religioso (Apo. 17:1-15). Ele será anti-Deus e anti-Cristo, e perseguirá os cristãos numa tentativa de extinguir o Cristianismo. (Dan. 7:25; 8:24; Apo. 13:7, 15). Sabendo que os homens desejam ter alguma religião, ele estabelecerá um culto baseado na divindade do homem e na supremacia do Estado. Como personificação desse Estado, ele exigirá o culto do povo, e formará um sacerdócio para fazer cumprir e promulgar esse culto. (2Tess. 2:9,10; Apo. 13: 12-15.) O anticristo levará ao extremo a doutrina da supremacia do Estado, a qual ensina que o governo é o supremo poder, em torno do qual tudo, incluindo a própria consciência do homem, tem que lhe estar subordinado. Visto que não existe poder ou lei mais elevados do que o Estado, segundo eles, Deus e sua lei precisam ser abolidos para se prestar culto ao Estado. A primeira tentativa para estabelecer o culto ao Estado está registrada em Daniel cap. 3. Nabucodonosor orgulhou-se do poderoso império que edificara. "não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?..." (Dan. 4:30). Tão deslumbrado ficou ele diante do poderio e governos humanos, que o Estado para ele se tomou como um deus. Que melhor maneira para impressionar os homens com sua glória, do que ordenar-lhes que o símbolo desse governo fosse venerado! Portanto, ele edificou uma grande imagem dourada e mandou que todos os povos se prostrassem diante dela, sob pena de morte. A imagem não foi a de uma divindade local, mas representava o próprio Estado. Recusar cultuar a imagem era considerado ateísmo ou traição. Ao instituir essa nova religião, Nabucodonosor como que dizia ao povo: "Quem vos deu as belas cidades, as boas estradas, e belos jardins? O Estado! Quem vos provê de alimentos e serviço, quem funda escolas e patrocina templos? O Estado! Quem vos defende dos ataques dos inimigos? O Estado! não será então o Estado, esse poderio, um deus? Portanto, que maior deus quereis do que vosso exaltado governo? Prostrai-vos perante o símbolo da grande Babilônia!" E se Deus não o tivesse humilhado do seu orgulho blasfemo (Dan. 4:28-37), Nabucodonosor talvez teria exigido o culto de sua própria pessoa como chefe do Estado. Como os três filhos hebreus (Dan. 3) foram perseguidos por se recusarem a curvar-se perante a imagem de Nabucodonosor, assim os cristãos do primeiro século sofreram porque se recusaram a render homenagens divinas à imagem de César. Havia tolerância de todas as religiões no Império Romano, mas sob a condição de que fosse venerada a imagem de César como símbolo do Estado. Os cristãos foram perseguidos, não tanto por sua lealdade a Cristo, mas porque se recusaram a adorar a César e dizer: "César é Senhor." Recusaram-se a cultuar o Estado como deus. A Revolução francesa oferece outro exemplo dessa política. Deus e Cristo foram lançados fora e um deus, ou deusa, se fez da "Pátria" (o Estado). Assim disse um dos lideres: "O Estado é supremo em todas as coisas. Quando o Estado se pronuncia, a igreja não tem nada a dizer." A lealdade ao Estado elevou-se à posição de religião. A assembléia decretou que em todas as vilas fossem levantados altares com a seguinte inscrição: "O cidadão nasce, vive e morre por La Patrie." Preparou-se um ritual para batismos, casamentos e enterros civis. A religião do Estado possuía seus hinos e orações, seus jejuns e festas. O Novo Testamento reconhece o governo humano como divinamente ordenado para a manutenção da ordem e da justiça. O cristão, por conseguinte, deve lealdade à sua pátria. Tanto a igreja como o estado têm sua parte no programa divino, e cada qual deve limitar-se à sua esfera. Deus deve receber o que lhe pertence, e César deve receber o que lhe pertence. Mas acontece que muitas vezes César exige coisas que são de Deus, resultando que a igreja, muito contra sua vontade, entra em choque com o governo. As Escrituras prevêem que esses conflitos futuramente chegarão ao seu ponto máximo. A última civilização será anti-Deus, e o anticristo, seu chefe, o ditador mundial, tornará as leis desse superestado supremas sobre todas as demais leis", e exigirá o culto à sua pessoa como a personificação do Estado. As mesmas Escrituras predizem a vitória de Deus e que sobre as ruínas do império mundial" anticristão, ele levantará seu reino no qual Deus é supremo — o Reino de Deus. (Dan. 2:34, 35, 44; Apo. 11:15; 19:11-21.)

(d) Em relação às nações. As nações serão julgadas, os reinos do mundo destruídos, e todos os povos estarão sujeitos ao Rei dos reis. (Dan. 2:44; Miq. 4:1; Isa. 49:22, 23; Jer. 23:5; Luc. 1:32; Zac. 14:9; Isa. 24:23; Apo. 11:15.) Cristo regerá as nações com vara de ferro; tirará toda a opressão e injustiça da terra e inaugurará a Idade áurea de mil anos. (Sal. 2:7-9; 72; Isa. 11:1-9; Apo. 20:6.) "Depois virá o fim, quando houver entregado o reino a Deus, o Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda potestade e força" (1Cor. 15:24). Há três estágios na obra de Cristo como Mediador: Sua obra como Profeta, cumprida durante seu ministério terrestre; sua obra como Sacerdote, começada na cruz e continuada durante a dispensação atual; e sua obra como Rei, começando com a sua vinda e continuando durante o Milênio. Depois do Milênio ter cumprido sua obra de unir a humanidade a Deus, de forma que os habitantes do céu e da terra formem uma só grande família onde Deus será tudo e estará em todos. (Efés. 1:10; 3:14, 15.)
Contudo, Cristo continuará a reinar como o Deus-homem, e partilhar do governo divino, pois "o seu reino não terá fim" (Luc. 1:33).
   Conhecendo as Doutrinas da Bíblia
                         Myer Pearlman

                   
                                  ✏SUBSÍDIO PEDAGÓGICO
Além dos termos bíblicos serem importantes para o estudo da segunda de Cristo, outros termos, de cunho teológicos, são também de suma importância ao professor dominá-los. Veja abaixo:
Eschaton:
"[Do gr. schaton, últimas coisas] Termo teológico que denota a culminação de todas as coisas segundo os decretos divinos."
Escatologia:
"[Do gr. escathos, ultimas coisas + logia, discurso racional] Estudo sistemático e lógico das doutrinas concernentes às últimas coisas. Compreendida como um dos capítulos da dogmática cristã, a escatologia tem por objeto os seguintes temas: estado intermediário, arrebatamento da Igreja, Grande Tribulação, Milênio, Julgamento Final e o estado perfeito eterno."

Escatologia Individual:
"[Do gr. escathos, ultimas coisas + logia, discurso racional; Individual:      do lat. individu, pessoa] Estudo das últimas coisas que dizem respeito exclusivamente ao indivíduo, tratando de sua morte, estado intermediário, ressurreição e destino eterno. Neste contexto, nenhuma abordagem é feita, quer a Israel, quer a Igreja."



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