quinta-feira, 15 de junho de 2017

Lição 12: José, O Pai Terreno de Jesus – Um Homem de Caráter


Classe: Adultos
Revista: Do professor - CPAD
Data da aula: 18 de Junho de 2017
Trimestre: 2° de 2017
Texto Áureo
"E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher." (Mtl.24)
VERDADE PRÁTICA
José, pai de Jesus, nos deixou um exemplo marcante de um caráter
humilde, submisso e amoroso.

                                     Capítulo12

        JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS:
               UM HOMEM DE CARÁTER


Neste capítulo, estudaremos um pouco do que a Bíblia revela sobre a vida de José de Nazaré, esposo de Maria, mãe de Jesus. Seu lado humano mostra-nos um homem humilde, trabalhador, que exercia o ofício de carpinteiro. José era homem dotado de caráter justo, temperante e amoroso. No lado espiritual, ele tinha experiências com Deus. Ao saber que a noiva ficara grávida, mesmo sabendo dela que era algo sobrenatural, José não a quis infamar e resolveu deixá-la secretamente. Ele correu grande risco. Se a sociedade soubesse que ele era noivo de Maria e a tinha abandonado, provavelmente tal fato seria motivo para suporem que ele teria cometido adultério ou fornicação e fugira para não ser apanhado em flagrante e ser apedrejado com a noiva.
          Deus, porém, ao escolher a mulher em cujo ventre Jesus iria nascer, também escolheu aquele que haveria de dar apoio e proteção a ela e a seu filho primogênito. Dessa forma, Jesus passou a ser partícipe do plano salvífico de Deus: “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (G1 4.4,5). A encarnação de Jesus é prova de que Deus valoriza a família. Para Ele, uma família tem que ser formada a partir de um homem, que se une pelo matrimônio a uma mulher, que tenham filho ou filhos, para juntos servirem a Deus. Jesus nasceu no seio de uma família, que, além dEle, viu nascer mais quatro filhos e, pelo menos, duas filhas (Mt 13.55). Deus concedeu a José uma missão por demais elevada. Ele tornou-se o pai adotivo de Jesus, para cuidar de sua vida espi­ritual, moral e física ao lado de Maria. Pouco se tem na Bíblia sobre a infância de Jesus, mas os rápidos registros indicam que sua formação e educação foram bastante sólidas e com base na
Palavra de Deus: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Maria e José eram muito zelosos quanto à educação de Jesus. O texto mostra que seu crescimento era equilibrado e integral. Ele crescia espiritualmente, intelectualmente e cheio da graça de Deus.
      Desde o nascimento de Jesus, José foi um pai presente em todas as etapas de sua vida, especialmente na infância e na adoles­cência. Não se sabe se José morreu antes ou depois de Jesus iniciar o seu ministério público, mas o pouco que se sabe sobre seu papel de pai terreno faz-nos crer que ele dedicou-se com muito amor à criação do menino, com base nos princípios da Lei de Deus. José é um exemplo para os dias presentes, em que muitos pais cristãos estão completamente descuidados da educação cristã de seus filhos. Muitas crianças e adolescentes estão sendo educadas pela “babá eletrônica”, a televisão secular e pela “mestra virtual”, que é a Internet. Muitos pais já não seguem mais o conselho de Deus: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6).
        Ao lado de Maria, a mãe de Jesus, José cumpriu a sua mis­são, pois participou da educação do menino-Deus até Ele ter consciência de que era o Filho de Deus, enviado ao mundo para salvar o homem perdido. Quando Jesus teve consciência de sua natureza divina e que Ele era a “semente da mulher” prevista por Deus depois da Queda, tornou-se independente para iniciar, desenvolver e cumprir seu ministério terreno até à consumação do plano salvífico de Deus na cruz do calvário. José não estava  junto à cruz, mas Maria testemunhou o supremo sacrifício do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

                          I - JOSÉ, O PAI DE JESUS

1.  Quem Era ele?
       José, marido de Maria, era um homem de caráter exemplar. Pouco se sabe sobre sua vida, e mesmo assim, o que se sabe é aquilo que está relacionado aos fatos acerca do nascimento de Jesus, como um personagem coadjuvante, porém de grande valor, na bela história de encarnação do Verbo (Jo 1.1). Era um nome também muito comum em seu tempo. Ele também é chamado de José de Nazaré, na Galiléia, pois a Bíblia registra os nomes de outros “Josés”.1 Assim como a esposa, José era uma pessoa simples, humilde, talvez mais conhecido que ela por causa de sua profissão. Ele exercia o ofício de carpinteiro. Há quem creia que ele era o único carpinteiro do lugar. Não era um homem rico, mas tinha sua profissão que, depois, haveria de ensinar a Jesus (Mc 6.3).
        Ele entrou na genealogia de Jesus contribuindo para o cumprimento das profecias, que indicavam que o Messias faria parte da descendência de Davi (2 Sm 7.12,16). Quanto à sua idade, a Bíblia não faz menção. Tradições cristãs dizem que José era bem mais velho que Maria. Gardner diz que “Não há como saber a idade de José, comparando-se com a de Maria, ou as circunstâncias específicas em que se conheceram e ficaram noivos. A ausência de seu nome em Mt 13.35 e Jo 2.1, passagens onde se esperaria que estivesse presente se estivesse vivo, implica que ele era bem mais velho do que ela e já havia falecido quando Jesus iniciou o seu ministério público (ou, logo depois, em Lc 3.23)”.1 2

2. Pai Terreno de Jesus
       José não era o pai biológico de Jesus, mas o seu pai adotivo, visto que Jesus foi gerado pela ação sobrenatural do Espírito Santo, no ventre de Maria  (Lc  1.35). É também chamado de “pai-guardião” de Jesus. Esse fato é de grande importância, pois ele era “da casa e família de Davi”  (Lc 2.4). Perante a lei, José era o pai de Jesus, incluindo-o na ascendência de sua família e também na ascendência de Maria, conforme o registro de Lucas (3.23-38). Dessa forma, ele garantiu a confirmação de Jesus na descendência real de Davi e da tribo de Judá. Mateus registra a árvore genealógica de Jesus a partir da descendência de Davi, por meio de Natã, seu filho (Lc 3.31), visto que o último rei da casa de Davi, em Judá, Jeoiaquim, sofreu terrível maldição de que nenhum descendente dele se assentaria no trono de Davi (ver Jr 22.28-30).

3. José, um Sonhador Obediente
      José de Nazaré era homem de profunda comunhão com Deus e teve experiências notáveis na área espiritual que marcaram toda a sua vida de um piedoso servo de Deus. Como noivo de Maria, ao saber da gravidez dela, pensou em deixá-la secretamente para não infamá-la. Mas Deus, que tem o controle dos fatos e das pessoas envolvidas em seus divinos propósitos, entrou em ação e deu a José um sonho tranquilizador para que não saísse do seu lugar: “E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.20,21). Deus não deixou que ele concretizasse seu desejo de fugir às escondidas para não sofrer as consequências da gravidez inesperada de sua noiva.Deus tem muitas maneiras de revelar-se aos que o temem e andam conforme a sua direção: “E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer ou em sonhos falarei com ele” (Nm 12.6).
        José do Egito, filho de Jacó, era um jovem sonhador que recebia sonhos da parte de Deus (Gn 37.7-10). Ele tornou-se famoso após interpretar sonhos de dois colegas de prisão (Gn 40.1-23) e, depois, os sonhos preocupantes do rei do Egito  (Gn 41.1-37). Daniel era entendido em sonhos  (Dn 1.17); os magos foram avisados por sonho para não retornar a Herodes, que desejava matar Jesus (Mt 2.12). Dentre as maneiras de revelar sua vontade, Deus usa “visão” e “sonhos”. A José, noivo de Maria , ele revelou que sua noiva não havia fornicado, mas que iria ser mãe pela intervenção sobrenatural do Espírito Santo (Mt 1.20,21). Tempos depois, após a visita dos magos do Oriente a Jesus, Deus falou com José em sonhos, orientando que ele se levantasse e fugisse com Maria e o bebê para o Egito, pois Herodes queria matá-lo (Mt 2.13,14).

                     II  - O CARÁTER EXEMPLAR DE
                                        JOSÉ
1.  Era um Homem Justo
       O caráter de um homem torna-se mais visível nos momentos difíceis, em meio às adversidades. Mateus diz que, ao saber que Maria estava grávida, mesmo tendo sido informado de que se tratava de uma operação realizada pelo Espírito Santo, José preferiu fugir para não causar embaraço e constrangimento à sua jovem noiva. O texto diz: “Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mt 1.19). Sem dúvida, José viveu o momento mais perturbador de sua vida. Ele ainda não estava casado com Maria. A gravidez dela transtornou seus pensamentos. O casamento em Israel tinha três etapas: primeiro, os jovens assumiam o compromisso de amarem um ao outro visando o matrimônio; a segunda fase era a do noivado, quando já eram considerados casados de direito, mas não de fato. Essa fase era tão séria que, se houvesse o rompimento do noivado, tinha que haver o processo de divórcio. O terceiro passo era o do casamento propriamente dito. Foi na fase de noivado que José, por meio de Maria, tomou conhecimento de sua experiência com o mensageiro celestial.
         Nessas circunstâncias dramáticas, José mostrou a grandeza de seu caráter justo. Fugindo da constrangedora situação e desaparecendo para bem longe, José poderia recomeçar a vida anonimamente. Em termos humanos, ele tinha razão. Não era fácil para um homem do seu tempo ser acusado de adultério. Ele poderia provar que não fora o causador da gravidez, e Maria seria apedrejada sem misericórdia. Mas seu caráter impediu-o de agir deforma precipitada. Ele preferia sair de cena a prejudicar a reputação da noiva. Como Deus tinha incluído José em seus planos, entrou em ação e tranquilizou seu coração de forma especial, falando-lhe através de um sonho que mudou todo o pensamento e decisão de José.

2.  Um Homem Obediente
       A obediência era um dos traços mais marcantes do caráter de José. Ao ter a revelação acerca da natureza da gravidez santa de Maria e receber a ordem de Deus para desistir de sua fuga para não fazer Maria sofrer, José submeteu-se à vontade divina: “E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher” (Mt 1.24). Notemos que José não viu o anjo. Tão somente recebeu a revelação por meio de um sonho. Ele poderia ter despertado e dado tempo para verificar se não teria tido apenas um sonho resultante de muitas ocupações (Ec 5.3), mas ele teve o discernimento espiritual de que se tratava de um sonho de origem divina. E obedeceu prontamente e tão logo despertou de seu merecido sono. Com amor e compreensão, abraçou Maria e contou a ela acerca da experiência que Deus lhe proporcionara sobre a gravidez da noiva.
       Certamente, podemos conjecturar: Maria segurou sua mão, deu-lhe um abraço afetuoso e disse-lhe que era isso o que ela esperara dele e ficou muito grata por seu gesto de amor e obediência a Deus. Ao receber Maria como sua esposa, José contribuiu para que Jesus nascesse no seio de uma família, a sagrada família. Ele cumpriu o papel de pai de forma bastante zelosa. Maria cumpriu o papel da mãe extremada, amorosa e santa, ainda que fosse, como se entende, uma adolescente. Depois da manjedoura, Jesus foi levado para a casa de seus pais em Belém. Ali, receberam a visita dos
magos do Oriente. “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11).
        Depois da visita dos magos — que irritaram Herodes por não terem retornado para dizer onde se encontrava o menino j esus — o monarca romano decidiu matar todas as crianças de Belém de dois anos para baixo, visando pôr a mão em Jesus para matá-lo. E mais uma vez, Deus revelou-se a José através de um sonho, ordenando que o mesmo fugisse para o Egito com a família sagrada: “E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito” (w. 13,14). José permaneceu no Egito com Maria e o menino Jesus até que Deus determinasse seu retorno a Israel em segurança — o que, de fato, aconteceu depois da morte de Herodes (w. 15,21). Ele não ficou em Belém ou Jerusalém; antes, sabendo que Arquelau, o filho de Herodes, assumira o poder em Jerusalém, foi para a Galileia, “por divina revelação”, passando a residir em Nazaré (w. 21-23).

3.  Um Homem Temperante
       Mesmo tendo mais idade que Maria, José não era um ancião abatido pelos anos de vida. Nem mesmo era um homem de meia-idade, pelo que se depreende do que a Bíblia revela sobre ele. Ele deveria ser um homem dotado de energia física suficiente para, depois do nascimento virginal de Jesus, ter coabitado com Maria e tido seis filhos biológicos, sendo quatro filhos e, pelo menos, duas filhas com ela (cf. Mc 6.3). No período em que era noivo (desposado) com Maria, ele não teve relações sexuais com ela. Primeiro, porque era um grave pecado, em que os envolvi­dos, quando apanhados na prática ilícita, eram apedrejados  (Dt 22.24). Em segundo lugar, porque era homem de bem e obediente a Deus, homem “justo”  (Mt  1.19). “e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de JESUS” (v. 25). Na Bíblia, há vários casos de homens de Deus que não resistiram à tentação do sexo e caíram de modo escandaloso, seja no pecado de adultério ou de fornicação, como Davi, que acabou manchando o bom nome do povo de Deus. Se há um ponto em comum entre José do Egito e José de Nazaré, esse ponto é o fato de ambos serem sonhadores; outro ponto em que eles fizeram diferença foi na pureza moral. Ambos foram fortes o suficiente para serem fiéis a Deus nessa área em que muitos não resistem nem à primeira investida do maligno.

             III   - A NOBRE MISSÃO DE JOSÉ

1. Assegurar a Ascendência Real de Jesus

       Como visto no item 1.2, José, perante a lei, era o pai de Jesus, incluindo-o na ascendência de sua família e também na ascendência de Maria, conforme o registro de Lucas (3.23-38). Dessa forma, ele garantiu a confirmação de Jesus na descendência real de Davi, pela tribo de Judá: “E Davi era filho de um homem, efrateu, de Belém de Judá, cujo nome era Jessé  [...]”  (1  Sm 17.12). Jesus é descrito no livro de Apocalipse como “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi”, o único capaz de abrir o livro selado com sete selos  (Ap 5.5). Mateus registra a árvore genealógica de Jesus a partir da descendência de Davi, por meio de Natã, seu terceiro filho (Lc 3.31; 2 Sm 5.14), visto que o penúltimo rei da casa de Davi, em Judá, Joaquim (ou Jeconias), sofreu terrível maldição: nenhum descendente dele se assentaria no trono de Davi por causa da pecaminosidade em seu reinado  (ver Jr 22.28-30)”. Esses fatos negativos provocaram um rompimento da linhagem davídica, mas Jesus foi adotado por José, que era da tribo de Judá. Quando uma criança era adotada como primogênito passava a pertencer à tribo do pai adotivo.

2.  Proteger Jesus em seus primeiros Anos

       A sociedade judaica era eminentemente patriarcal. Ela requeria que uma família tivesse o pai como líder espiritual e humano da família, ao lado de sua esposa. Jamais se imaginaria uma mulher dizer que tivera um filho, sem que a presença do pai fosse notória. Mesmo em se tratando da concepção virginal de Jesus, pelo Espírito Santo, Maria não teria condições de criá-lo humanamente sem o apoio da figura paterna. A contribuição de José à formação espiritual, moral e social de Jesus ao lado de Maria foi inestimável. Ele prestou um serviço de alta relevância perante Deus, como pai adotivo e guardião de Jesus em sua infância e adolescência. Alguns fatos sobre a vida de Jesus comprovam o amor e o zelo de José pelo menino que não era seu filho, e sim filho de Maria pela intervenção divina.

1)  No nascimento de Jesus. Ao chegar a Belém para o alistamento determinado pelo governo, José e Maria, com o menino em seu ventre, não tiveram lugar para se hospedar e tiveram que aceitar recolher-se, no meio da noite, numa estrebaria. Ali, as dores do parto foram intensas e, em meio ao silêncio noturno, Maria deu à luz a Jesus, na companhia de José:
“E subiu da Galiléia também José, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.4-7).
      Maria, na sua condição social, não tinha uma serva a seu serviço. Naquela situação,  sem dúvida, José participou dos procedimentos no parto de Jesus, ajudando Maria em todos os detalhes, amparando o bebê na saída do útero materno, no corte do cordão umbilical, em sua limpeza pós-parto, no envolvimento em panos e na colocação da criança na manjedoura.

2) Nas cerimônias exigidas pela Lei. Na circuncisão de Jesus ao oitavo dia de nascido e também na apresentação no templo, José estava ao lado de Maria:  “E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor” (Lc 2.21,22).

3) Na fuga para o Egito. Diante da ameaça de Herodes de matar o menino Jesus, Deus determinou que José tomasse Maria e o menino e todos fugissem para o Egito, até que o rei homicida tivesse morrido. Quase 500 quilômetros de viagem, em meio a estradas desertas, com risco de assaltos e intempéries, José con­duziu a esposa e seu filho para um lugar seguro e só voltou de lá por revelação de Deus, quando Herodes havia morrido. E os
três foram morar em Nazaré (Mt 2.13-23).3.  Zelar pela Formação Espiritual de Jesus Como criança normal, saudável, inteligente e de família
judaica, Jesus foi criado conforme os ditames da Lei de Moisés. Certamente, seus pais cumpriam o que fora determinado quanto à educação dos filhos, com o ensino sistemático e diário das palavras de Deus (cf. Dt 11.18-21). Fazia parte de sua educação conhecer e participar das festas anuais de Israel, das quais a Páscoa era a mais impactante por seu significado histórico e espiritual. José e Maria levavam o menino a Jerusalém para essa festividade nacional: “Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalém, à Festa da Páscoa. E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa” (Lc 2.41,42).
        Embora os relatos sobre a vida desse personagem bíblico sejam escassas, o que se conhece dele é suficiente para se de­monstrar que se trata de um servo de Deus, que cumpriu uma missão importantíssima no projeto de Deus para a redenção da humanidade. Seu papel coadjuvante não deve ser menosprezado nem diminuído. Maria foi a escolhida para acolher a encarnação de Jesus, o Verbo que “se fez carne, e habitou entre nós” (Jo1.14). José, porém, foi escolhido por Deus para ser parte integrante da sagrada família, cuidando de Maria, como esposo humilde e amoroso, e de Jesus, como pai terreno, zelando pela integridade física, emocional e espiritual de Jesus, notadamente nos anos da infância e da adolescência. Um exemplo eloquente de um verda­deiro pai, que se faz presente na vida do filho, e não apenas um genitor, que, gera e descuida-se da vida do filho.
       A igreja católica criou uma imagem de José repleta de piedade e devoção e que ultrapassa a verdade esposada na Bíblia acerca desse servo de Deus. Durante os primeiros 500 anos do cristianismo, José nunca foi venerado ou exaltado, muito menos cultuado. “Mas, somente no século XV d.C. é que começaram a aparecer na Europa as primeiras missas e ofícios em honra a São José. Em 1479, Pio IV introduziu a festa a São José, em Roma. Pio IX, em 1870, declarou que José era o patrono da Igreja Universal”.4 Assim como foi feito com Maria, exaltada à condição de mãe de Deus, “Rainha do Céu”, mediadora entre Jesus e os homens, José também recebeu honras e veneração que ele próprio jamais aceitaria por causa de seu caráter santo e humilde. Devemos ficar com o que a Palavra de Deus diz sobre os personagens da história sagrada.

              CONCLUSÃO


       José, o pai terreno de Jesus, foi escolhido por Deus para uma missão muito elevada no plano da redenção. Ele foi o homem que, na presciência de Deus, amparou Maria em sua missão de conceber Jesus como Filho do Homem, como Deus encarnado. Não só a ela, mas também ao próprio Jesus, em seu nascimento biológico, em sua infância, nas ameaças que sofreu, ao cuidar de sua educação esmerada ao lado de Maria. Como profissional da carpintaria, José ensinou o ofício a Jesus, a ponto de ele ser co­nhecido como “o carpinteiro, filho de Maria [...]” (Mc 6.3). Ele foi um homem santo, assim como todos os que se dedicaram ao chamado de Deus em suas vidas. Mas, assim como Maria, ele nunca reivindicou para si honras e louvores, que só pertencem a Deus.

O Caráter do cristão.


JOSÉ
QUALIDADES E REALIZAÇÕES
Um homem de integridade. Pai terreno e legal de Jesus. Sensível à orientação de Deus, e disposto a fazer a vontade de Deus.
LIÇÕES DE VIDA
Deus honra a integridade. Ser obediente a Deus traz mais orientações dele. Os sentimentos não são medidas precisas da correção ou do erro de uma ação.
ESTATÍSTICAS VITAIS
Locais: Nazaré, Belém. Ocupação: Carpinteiro. Parentes: Esposa: Maria. Filhos: Jesus, Tiago, José, Judas, Simão, e filhas.
VERSÍCULO-CHAVE
"Então, José, seu marido, como era justo e não queria infamar, intentou deixá-la secretamente" (Mt 1.19).


        📌 JOSÉ -  Comentário Bíblico TT W. W. Wiersbe - O Nascimento do Rei

Mateus 1 ; 2
Se um homem aparece de repente dizendo ser rei, a primeira coisa que as pessoas querem ver são as provas. De onde vem? Quem são seus súditos? Quais são suas credenciais? Prevendo essas perguntas importantes, Mateus começa seu livro com um relato detalhado do nascimento de Jesus Cristo e dos acontecimentos subseqüentes. Ele apresenta quatro fatos sobre o Rei.

1. A linhagem do Rei (Mt 1:1-25)
Uma vez que a realeza depende da linhagem, era importante determinar o direito de Jesus ao trono de Davi. Mateus apresenta a linhagem humana de Jesus (Mt 1:1-17) bem como a divina (Mt 1:18-25).
A linhagem humana (w. 1-17). Os judeus davam grande importância às genealogias, pois, sem elas, não podiam provar que faziam parte de determinada tribo nem quem possuía direito de herança. Qualquer um que afirmasse ser "filho de Davi" deveria ser capaz de provar tal asserção. Costuma-se concluir que Mateus apresenta a genealogia de Jesus pelo seu padrasto, José, enquanto Lucas fornece a linhagem de Maria (Lc 3:23ss).

Muitos leitores pulam essa lista de nomes antigos (e, em alguns casos, impronunciáveis). Mas essa "lista de nome" é essencial para o registro do Evangelho, pois mostra que Jesus Cristo faz parte da história. Mostra também que toda a história de Israel preparou o cenário para seu nascimento. Em sua providência, Deus governou e prevaleceu sobre os acontecimentos históricos, a fim de realizar seu grande propósito de trazer seu Filho ao mundo.
Essa genealogia também ilustra a maravilhosa graça de Deus. É muito raro encontrar nomes de mulheres em genealogias judaicas, pois os nomes e heranças eram passados para os homens. No entanto, encontramos nessa lista referências a quatro mulheres do Antigo Testamento: Tamar (Mt 1:3), Raabe e Rute (Mt 1:5), e Bate-Seba, "a que fora mulher de Urias" (Mt 1:6).
Fica claro que Mateus deixa alguns nomes de fora dessa genealogia. É provável que tenha feito isso a fim de apresentar um sumário sistemático de três períodos na história de Israel, cada um com catorze gerações. O valor numérico das letras em hebraico para "Davi" é igual a catorze. Talvez Mateus tenha usado essa abordagem a fim de ajudar seus leitores a memorizar essa lista complicada. Muitos judeus eram descendentes do rei Davi. Seria preciso mais do que um certificado de linhagem para provar que Jesus Cristo era "filho de Davi" e herdeiro do trono de Davi. Daí a grande importância de sua linhagem divina.

A linhagem divina (w. 18-25). Mateus 1:16 , 18 deixam claro que o nascimento de Jesus Cristo foi diferente daquele de qualquer outro menino judeu mencionado na genealogia. Mateus ressalta que José não "gerou" Jesus Cristo. Antes, José foi "marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo". Jesus nasceu de uma mãe terrena, sem a necessidade de um pai terreno. Esse fato é chamado de doutrina do nascimento virginal. Cada criança que nasce é uma criatura totalmente nova. Mas Jesus Cristo, sendo o Deus eterno (Jo 1:1, 14), existia antes de Maria, de José ou de qualquer outro de seus antepassados. Se Jesus Cristo tivesse sido concebido da mesma forma que qualquer outra criança, não poderia ser Deus. Era necessário que viesse ao mundo por meio de uma mãe terrena, mas sem ser gerado por um pai terreno. Assim, por um milagre do Espírito Santo, Jesus foi concebido no ventre de Maria, uma virgem (Lc 1:26-38).
Há quem questione se, de fato, Maria era virgem, dizendo que "virgem", em Mateus 1:23, deve ser traduzido por "moça". Porém, a palavra traduzida por virgem nesse versículo tem sempre esse significado e não permite qualquer outra tradução, nem mesmo "moça".
Tanto Maria quanto José pertenciam à casa de Davi. As profecias do Antigo Testamento afirmavam que o Messias nasceria de uma mulher (Gn 3:15), da descendência de Abraão (Gn 22:18), pela tribo de Judá (Gn 49:10) e da família de Davi (2 Sm 7:12, 13). A genealogia de Mateus acompanha a linhagem através de Salomão, enquanto Lucas acompanha sua linhagem através de Natã, outro filho de Davi. É interessante observar que Jesus Cristo é o único judeu vivo que pode provar seu direito ao trono de Davi! Todos os outros registros foram destruídos quando os Romanos tomaram Jerusalém em 70 d.C.

Para o povo judeu daquela época, o noivado equivalia ao casamento - exceto pelo fato de que o homem e a mulher não coabitavam. Os noivos eram chamados de "marido e esposa", e, ao fim do período de noivado, o casamento era consumado. Se uma mulher que estava noiva ficava grávida, isso era considerado adultério (ver Dt 22:13-21). Porém, José não pediu nenhuma punição nem o divórcio quando descobriu que Maria estava grávida, pois o Senhor havia lhe revelado a verdade. Todas essas coisas cumpriram Isaías 7:14.

Antes de terminar nosso estudo desta seção importante, devemos considerar três nomes dados ao Filho de Deus. O nome Jesus significa "Salvador" e vem do hebraico Josué ("Jeová é salvação"). Havia muitos meninos judeus chamados Josué (ou, no grego, Jesus), mas o filho de Maria chamava-se "Jesus o Cristo". O termo Cristo quer dizer "ungido" e é o equivalente grego da designação Messias. Ele é "Jesus o Messias". Jesus é o seu nome humano; Cristo (Messias) é o seu título oficial; e Emanuel descreve quem ele é - "Deus conosco". Jesus Cristo é Deus! Encontramos a designação "Emanuel" em Isaías 7:14 ; 8:8.

Assim, o Rei era um homem judeu e também o Filho de Deus. Mas será que alguém reconheceu sua realeza? Sim, os magos que vieram do Oriente e o adoraram.

A FAMÍLIA de JESUS - Enciclopédia da vida de Jesus / Louis-Claude Fillion - Ia edição: Setembro/2004 - Editora Central Gospel.

José, um homem de grande caráter

Por suas qualidades e virtudes, José também foi digno da dupla missão que Deus lhe confiou acerca de duas pessoas que ele havia de cuidar em nossa pobre terra: Jesus e Maria. Mas o perfil de José é ainda mais difícil de ser traçado que o de Maria, porque os evangelistas são muito sucintos em seus comentários a respeito dele. Assim, o discreto olhar que nos permite lançar sobre o noivo de Maria nos dois primeiros capítulos de Mateus nos informa acerca de um homem possuidor de uma alma de incomparável beleza.

O evangelista, não contente em retratá-lo de uma maneira geral com o epíteto de justo (Mt 1.19), informando-nos que José era um fiel observador da lei judaica, destacou também, em quatro ocasiões sucessivas (Mt 1.24; 2.14,21,22), a prontidão e a perfeição da obediência dele a outras tantas ordens divinas, em meio às dificuldades que o tornavam destacadamente meritório.

A atitude para com sua noiva que José se propunha a ter [não infamá-la, assumindo a culpa pelo rompimento da aliança] antes que o anjo o informasse de que ela estava grávida do Messias pelo poder de Deus, revela um vivíssimo sentimento de honra pessoal, um coração cheio de ternura e de coragem para suportar aquela dolorosa prova. Ele se mostrou um homem de grande caráter.
Contudo, o que há em José de mais belo e comovedor é, indubitavelmente, o amor que ele sentia por sua esposa e pelo menino de quem era pai adotivo. José nunca cessou de demonstrar esse amor em todas as ocasiões, apesar da humilde situação a que havia sido reduzido em virtude das dificuldades pelas quais passava a nação de Israel, sendo ele um herdeiro legal do trono de Davi. José possuía, com efeito, grandes sentimentos e rara elevação moral.
Fora dos relatos da infância do Salvador, José só é mencionado nos evangelhos de maneira indireta (Jo 1.45; 6.42). Em Marcos 6.3, há uma referência a um carpinteiro, que designa Jesus. Qual teria sido o verdadeiro ofício de José? O termo tomado tanto em Mateus como em Marcos (Mt 13.55; Me 6.3) tem que ver com a palavra operário.

Esse substantivo, de significação muito vaga, pode ser aplicado tanto ao operário que trabalha com ferro como àquele que trabalha com madeira. Alguns antigos intérpretes preferiram achar que José trabalhava com ferro. Todavia, está muito mais em harmonia com a tradição admitir que o pai adotivo de Jesus tenha sido carpinteiro e que, conseqüentemente, Jesus também o tenha sido.
Num texto de Justino Mártir, no diálogo com o judeu Trifon, está escrito assim: “José achava trabalho de carpintaria entre os ricos e as pessoas simples de Nazaré, e mesmo entre os camponeses que frequentavam o mercado”.

Seria fácil, se conhecêssemos o que entre os judeus representava o ofício de carpinteiro, imaginar quais eram as atividades ou as encomendas que José recebia: preparar vigas para sustentação dos terraços das casas, fabricar jugos, lanças, camas, arcas, amassadeiras, guarda-papéis para os escribas, comerciantes ou rabinos. Tais eram, com efeito, os diferentes trabalhos que os carpinteiros judeus costumavam executar. Estes mesmos ou semelhantes seriam os objetos confeccionados pelo carpinteiro José e por Jesus. Portanto, eles manejaram o serrote, a plaina e usaram pregos e martelo como instrumentos de trabalho.
Eis tudo o que nos dizem os documentos antigos acerca do esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. Será possível formarmos uma idéia exata da vida que aquele casal levava em Nazaré quando Jesus, ainda criança, tornou-se o gracioso adolescente e mais tarde o jovem perfeito que atraía juntamente para si a benevolência do céu e o afeto dos homens? Sim, até certo ponto, conforme o que conhecemos da alma deles e pelo que nos dizem os costumes daquele tempo, que em grande parte são conservados ainda em Nazaré.

Em primeiro lugar, temos de considerar que José e Maria levaram uma vida humilde e na obscuridade. Muitas vezes, tem-se exagerado a pobreza da família humana de Jesus, confundido-a com a miséria e a indigência. Mais tarde, quando Jesus viveu sua fatigosa vida de missionário, depois de ter deixado tudo para propagar a boa nova por toda a Palestina, o Filho do Homem disse que não tinha nada, nem uma pedra onde pudesse reclinar a cabeça (Mt 8.20; Lc 9.58).

Observação do Pr. Henrique - José tinha uma profissão que o mantinha dentro da classe média e não da pobre. Quando se ocupou com a ida a Belém, nascimento de JESUS, ida a Jerusalém para apresentação do menino JESUS e depois fuga para o Egito, ai sim, sem trabalhar, teve dificuldades financeiras, embora no Egito tivesse produtos ganhados no nascimento de JESUS que podia sustentar sua família).
Paulo dirá de Jesus: porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis (2Co 8.9). Mas, graças ao contínuo trabalho de José e do próprio Jesus, quando cresceu, a vida daquela família não foi de miséria e de indigência. Além disso, temos de levar em conta que os orientais geralmente se contentam com pouco no que diz respeito à habitação, às vestimentas e aos alimentos. Simples e sóbrios, eles poderiam viver facilmente com gastos reduzidíssimos.
A casa, os móveis, as vestes e os alimentos de Maria, de José e dos demais irmãos de Jesus eram muito simples. Sua vida era também de trabalho ativo, conforme se deduz do que acabamos de dizer acerca do ofício exercido por José e depois por Jesus, e por meio desse ofício eles supriam as necessidades da família. Jesus e seu pai adotivo servem de modelo para os trabalhadores cristãos.
Além disso, já vimos que o trabalho manual era tido, então, em grande conta na terra de Jesus, e que os mais célebres rabinos não se esquivavam de dedicar-se a ele.
Maria também se dedicava infatigavelmente às múltiplas ocupações domésticas, cumprindo com perfeição a significativa divisa da mulher respeitável romana: “permaneceu em casa, e fiou a lã”.
Em sua epístola a Tito (2.5), Paulo expressa o desejo de que as mulheres cristãs sejam mulheres trabalhadoras. Maria possuía esta qualidade em alto grau. Em sua humilde esfera, ela retratava a mulher forte e ideal do capítulo 31 de Provérbios.
Podemos supor também que a casa de José tinha uma horta nos fundos, que Maria a cultivava em suas horas livres, aumentando seus modestos recursos. A colaboração dela era, sem dúvida, procurada na época dos grandes trabalhos agrícolas. E talvez José fosse chamado aos lugares vizinhos para construções ou reparos próprios do seu ofício.
Certamente, naquele lar havia espaço para a consagração, para a santidade, porque a família de Jesus estava em perpétua união com Deus, e o próprio Senhor contemplava a vida deles e se alegrava com sua dedicação.
Na casa em Nazaré, orava-se com freqüência. Ali, mais ainda do que nas outras famílias de Israel, os assuntos espirituais faziam parte dos pormenores da vida. Tudo no lar de Jesus servia para promover a consagração a Deus.
No Sábado e nos demais dias de festa religiosa, Jesus, seus irmãos, Maria e José assistiam aos ofícios da sinagoga, edificando a todos com sua grave e recolhida compostura. Eles colocavam, então, conforme o costume geral, suas melhores roupas de vivas cores, sobre as quais Jesus e seu pai adotivo vestiam seu talit, o manto de oração, enquanto Maria se cobria com um longo véu branco.
Os irmãos de Jesus

TENTAM PRENDÊ-LO
Em Mateus 12.47, está escrito: E disse-lhe [a Jesus] alguém: Eis que estão ali fôra tua mãe e teus irmãos, que quer em falar-te. Existem textos paralelos em Marcos 3.31-35 e Lucas 8.18-21. Devemos analisar essa visita da família de Jesus com as palavras que se encontram em Marcos 3.20,21: E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E, quando os seus parentes ouviram isso, saíram para o prender, porque moer grãos diziam: Está fôra de si. O ministério de Jesus aumentou de tal maneira que ele nem tinha tempo para comer, e pode-se imaginar que, devido às múltiplas curas e à intensificação das controvérsias com as autoridades religiosas, a agitação chegou, algumas vezes, a um estado de furor.
A família de Jesus, como é evidente, compreendeu algo da situação e, ouvindo ainda mais acerca dos acontecimentos, supôs que Jesus fôra mentalmente afetado. E, agindo assim, pensaram que estariam praticando um ato de misericórdia, prendendo o Rabi e levando-o para casa.
E certo que não foram até ali a fim de atrair a atenção do povo, dizendo: “Somos parentes deste grande e famoso homem”. Pelo contrário, queriam livrá-lo de sua própria “insanidade”, bem como das ameaças das autoridades. A intenção dos parentes de Jesus, apesar de errada, era pelo menos honesta. Esse episódio da vida de Jesus ilustra quão pouco a sua própria família o compreendia, e também quão pouco compreendia a sua missão.
Marcos mencionou o nome de quatro irmãos de Jesus (Me 6.3), bem como um número desconhecido de irmãs. Muitos discutem a questão dos irmãos do Mestre. Alguns, pretendendo preservar a doutrina da perpétua virgindade de Maria, inventada pelos homens, apresentam as seguintes explicações: 1. Esses irmãos de Jesus eram os seus primos, e não irmãos no sentido literal, como podem indicar as palavras gregas e hebraicas para irmãos. Alguns sugerem que os tais irmãos eram filhos de Alfeu e de Maria, uma tia de Jesus;

2. Seriam filhos de José mediante um casamento anterior; ou

3. Seriam filhos de José mediante um casamento posterior. José teria contraído essas núpcias a fim de criar os filhos de um irmão seu, já falecido.
Todas essas idéias tiveram início bem cedo na história eclesiástica, e até hoje perduram.
OS IRMÃOS E AS IRMÃS DE JESUS ERAM FILHOS DE JOSÉ E MARIA
Os quatro argumentos enumerados abaixo confirmam que os irmãos e as irmãs de Jesus eram filhos de José e Maria, em seu sentido literal (Mt 13.55,56; Me 6.2,3).

Primeiro argumento
O texto em João 7.5 invalida a idéia de que a expressão seus irmãos refira- se aos doze apóstolos. Em Atos 1.14, vemos que os doze também são mencionados em separado. Portanto, os irmãos de Jesus não podiam, realmente, ser primos de Jesus e estar entre os doze apóstolos.
Os nomes Tiago, Judas e Simão eram muito comuns, e é provável que alguns dos primos de Jesus até tivessem os mesmo nomes dos irmãos do Mestre. As Escrituras também indicam que os irmãos de Jesus não tiveram fé nele, a não ser após a sua ressurreição (Jo 7.5).
Segundo argumento

Das quinze vezes que os irmãos de Jesus são mencionados (dez nos evangelhos, uma em Atos, e algumas vezes nas cartas de Paulo), quase sempre estão em companhia de Maria, mãe cle Jesus. E estranho que os primos de Jesus andassem sempre em companhia de uma tia, em vez de andarem em companhia de sua própria mãe.

Terceiro argumento
Em nenhuma porção das Escrituras é indicado que eles fossem primos de Jesus ou filhos somente de José, e não de Maria, Tais suposições são especulações humanas para estabelecer e firmar uma teologia humana.

Quarto argumento
A não ser por motivo de preconceito teológico, não há razão para não acolhermos esse fato em seu sentido mais natural, isto é, que os irmãos de Jesus eram filhos de José e de Maria, em sentido literal. A elevação de Maria à estatura de deusa é uma tradição romanista, contrária ao próprio tratamento de Jesus à sua mãe (Mt 12.47-50), no qual ele a reconhece como simples mulher, e não como uma pessoa divina, com poder sobrenatural ou com qualquer influência sobre ele.
Finalmente, devemos notar que a doutrina da perpétua virgindade de Maria não é apoiada nas Escrituras. A preservação dessa doutrina forma a base dos argumentos que explicam erroneamente os irmãos de Jesus como se não o fossem literalmente; e também não goza de base alguma nas Escrituras. Parece razoável que uma doutrina dessa natureza, caso tivesse tanta importância como tantos afirmam, pelo menos fosse apoiada por uma pequena afirmação bíblica nesse sentido.

Enfim, a vida dos membros da família de Jesus era de doce e santa missão, de recíproco e infatigável afeto. Não podemos esquecer do amor paternal e maternal recebido pelo Salvador e do filial carinho com que Jesus lhes correspondia.
Acrescentemos, por último, que Jesus mantinha com seus parentes e irmãos, com seus vizinhos e com todos um relacionamento de afetuosa cordialidade e de amor que não media sacrifícios. Um dia, porém, a dor penetrou naquele lar, único no mundo, quando entre os braços de Jesus e de Maria expirou docemente José, o esposo de Maria e o pai adotivo de Jesus.
Ele teria morrido antes que o Salvador inaugurasse seu ministério público. Isto se conclui razoavelmente pelo fato de José não ter sido mencionado por João entre os parentes do Salvador, quando este se referiu ao primeiro milagre do Mestre (Jo 2.12), nem em outras passagens relativas à época posterior (Mt 13.55-56; Me 6.3). Então, mais do que nunca, Jesus envolveu sua mãe de respeito e de ternura; e a partir daí, mais do que nunca, Maria demonstrou seu amor maternal por seu filho. Juntos, eles choraram e se consolaram com os demais irmãos de Jesus pela morte de José.


    UM FILHO DE ISRAEL - A Vida Diária Nos Tempos de Jesus
"Um filho se nos deu" — Marcado com o selo de Deus — O nome — A educação do jovem — Maioridade "
   UM FILHO SE NOS DEU
O nascimento de um filho na família judia era o mais feliz de todos os acontecimentos, dando aos pais a maior alegria. A notícia se espalhava pela vila ou quarteirão e os vizinhos eram avisados de que, segundo o costume antigo, havería uma festa para a qual seriam convidados todos os parentes, amigos e pessoas que vivessem nas proximidades a fim de se rejubilarem juntos. 0 mais humilde dos casais se apropriava da grandiosa declaração de Isaías, repleta de implicações messiânicas: "Porque, um menino nos nasceu, um filho se nos deu”.

1 Os judeus sempre consideraram os filhos como uma bênção, como a maior forma de riqueza. Nas palavras do salmista: "Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre seu galardão". Outro salmo comparava o pai de uma família numerosa ao homem cuja mesa está cercada de oliveiras novas.

2 Um trocadilho popular transformou a palavra banim, filhos, em bonim, construtores. A esterilidade era então vergonhosa, segundo declarou Isabel, a mãe de João Batista;

3 e os rabinos avançaram ainda mais, dizendo que "o homem sem filhos devia ser considerado como morto".

4 Quanto á esterilidade voluntária, era tida como um pecado tão grave que o profeta Isaías foi pedir contas ao rei Ezequias por causa disso, dizendo-lhe que a morte era o justo castigo de tal crime.O desejo de ter filhos era tão grande nos primeiros tempos que a mulher legítima concordava em que o marido os tivesse com uma de suas criadas, como fez Abraão, e Jacó depois dele.8 Não se sabe, entretanto, se esta prática da poligamia vigorava ainda nos dias de Cristo.7
A criança nascia então assim e geralmente sem grande dificuldade. As mulheres de Israel se orgulhavam de dar â luz rápida e facilmente — não como as egípcias, segundo diziam elas.9 Isso não evitava que sofressem, como ocorria, de acordo com o pronunciamento de Deus. Elas eram ajudadas por parteiras, de quem se faz menção desde a época dos patriarcas,8 e que usavam assentos especiais para o parto. Mas as mulheres judias podiam ajeitar-se perfeitamente sem as parteiras. Maria fez isso no estábulo de Belém.10 O.desejo de assistir ao nascimento de crianças era tão grande que os rabinos abriam uma exceção na lei sagrada do descanso sabático: era lícito ajudar a mulher em trabalho de parto, levar uma parteira até ela, amarrar o cordão umbilical e até, como afirma o tratado Shabbath, cortar o mesmo." Se houvesse perigo
para a mãe, os métodos anticoncepcionais não só eram permitidos como recomendados.12 O pai não podia participar do nascimento de maneira alguma; mas aguardar até que alguém fosse dar-lhe a noticia. Esta é pelo menos a conclusão tirada de um versículo do livro de Jeremias.13
No momento em que era avisado, o pai entrava e colocava a criança sobre os joelhos: este era o reconhecimento oficial da sua legitimidade. Se um dos ancestrais da criança estivesse presente, ele recebia às vezes este privilégio, como vemos no caso do patriarca José, cujos bisnetos “tomou sobre seus joelhos"14 A criança era lavada, esfregada com sal para endurecer a pele e enrolada;15 depois disso podia ser mostrada aos outros. Os cumprimentos erám especialmente calorosos no caso de um filho do sexo masculino; se fosse menina o entusiasmo arrefecia, chegando ao ponto de parecerem simples expressões de simpatia. As filhas não aumentavam a fortuna da família, desde que ao se casarem passavam a pertencer a outras famílias. "As filhas não passam de um tesouro ilusório," observa o Talmude; e depois acrescenta, "além disso, precisam ser continuamente vigiadas".18
Mas, — e isto deve ser enfatizado, pois favorece em muito israel — o medonho costume pagão de abandonar bebês, comum no Egito, na Grécia e em Roma, se não era desconhecido aos judeus17 era pelo menos absolutamente proibido. 0 pai egípcio podia escrever à esposa prestes a ter um filho: "Se for menino, pode criá-io; se for menina, mate-a".18 Nessa mesma época, porém. Filo estava escrevendo contra esta prática abominável numa passagem especialmente admirável.19 É possível que em Israel não houvesse grande alegria ao nascer uma menina, mas ela era mantida pelos pais em qualquer circunstância.
Quando o primogênito de uma família era homem, a alegria chegava ao auge. O hebreu tinha uma palavra especial, bekor, para o primogênito, e foi este termo que Lucas traduziu e aplicou ao filho de Maria.20 Ele não quis dizer necessariamente que esse "primogênito" seria seguido de outros, como Lucian e outros lembraram mas apenas que como "a força e as primícias do pai",22 ele seria o futuro cabeça de sua família, com todos os deveres implícitos e privilégios concedidos a essa posição;23 'sendo também seu o direito de primogenitura, isto é, pelo menos uma parte em dobro da herança.24 Ao nascerem gêmeos, tomava-se a precaução de registrar qual deles vinha em primeiro lugar, talvez amarrando um fio vermelho na mão da criança, como no caso dos filhos de Tamar e Judá.28 Isto é entretanto um erro, pois a obstetrícia moderna provou que o mais velho, o primeiro a ser concebido, é o segundo a emergir.
Filho ou filha, mais velho ou não, o bebê era sempre amamentado pela mãe: este era um dever, e os rabinos não deixavam que as mulheres de Israel se esquecessem dele.28 Apenas raramente as mulheres dos ricos davam-se ao luxo de contratarem amas. A criança mamava longo tempo, durante dois ou até mesmo três anos se possível, a fim de poupar-lhe as doenças do clima, sendo a disenteria a principal dentre elas. Quando a criança era finalmente desmamada havia uma celebração e um sacrifício, em memória daqueles realizados por Abraão quando Sara desmamou Isaque.27 A essa altura, porém, a criança já se tornara há muito um membro da comunidade religiosa, solenemente marcada com o selo de Deus.

MARCADO COM O SELO DE DEUS
      A Lei declarava com absoluta determinação que todo membro do sexo masculino devia ser circuncidado.28 Nos dias de Cristo isso tinha de ser feito oito dias após o nascimento. A obrigação era de tal forma absoluta que a circuncisão (corte do prepúcio) devia ser realizada mesmo que o dia caísse num sábado.28 Os rabinos estabeleceram cuidadosamente o que podia ser feito, transgredindo os mandamentos da Lei — "0 corte, a extração da pele, o curativo da ferida, e a colocação sobre ela de uma pasta de óleo, vinho e cominho".30 Judeu algum podia portanto fugir da obrigação. 0 Livro dos Jubileus, uma obra apócrifa do segundo século A.C., chega ao ponto de declarar solenemente que os próprios anjos foram circuncidados.31
Como surgiu este dever? Os judeus não hesitavam em replicar que tivera origem em Deus, quando ordenou a Abraão que fizesse isso, tanto ele como seus descendentes. "Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós"32 Não tem grande importância que a análise de textos possa ter suscitado a questão do rito ter ou não sido adotado por Moisés a exemplo dos midianitas ou talvez por Josué na Colina dos Prepúcios quando entrou com seu povo na Terra Prometida.34 O que é certo é que este costume era antiquíssimo, como provado pelo fato de serem sempre usadas facas de pedras para a operação.38 Na época de Cristo a circuncisão era tida tanto como uma marca da aliança como um ato de purificação ritual. Homens como Herodes poderiam afirmar tratar-se simplesmente de um ato de limpeza; mas eles eram heréticos. É possível que em certa época fosse um rito a que os adolescentes se submetiam na puberdade, semelhante ao que existe hoje entre certos povos africanos; mas desde que aplicado ao recém-nascido, simbolizava sua admissão na tribo e sua filiação à comunidade dos fiéis. Uma cerimônia puramente religiosa foi também estabelecida para as meninas, a fim de marcar sua entrada no povo de Deus.
        A operação era tida como insignificante; todavia, o tratado Shabbath observa que pode ser penosa, particularmente no terceiro dia. No princípio era o pai de família que a realizava, como o próprio Abraão fizera;38 a mãe não praticava esse ato a não ser nos casos muito graves, como por exemplo nos dias extremamente perigosos em que viveu a mãe dos maca-beus.37 No tempo de Cristo cada cidade tinha o seu mohel, um especialista nessa operação delicada. Precisava ser muito bem feita, pois se o prepúcio não fosse removido adequadamente, o homem não seria admitido para "comer o Teruma", isto é, as primícias oferecidas pelos fiéis aos sacerdotes.38
Os judeus se apegavam a este rito mais do que a tudo no mundo, mais ainda do que às suas vidas, como foi visto no tempo dos macabeus, quando as mães judias preferiram morrer do que deixar de circuncidar os filhos,39 pois viam na circuncisão o sinal de que pertenciam verdadeiramente ao povo de Deus. Não ser circuncidado, dizia o Livro dos Jubileus, era "não pertencer aos filhos da aliança, mas aos filhos da destruição". Chamar um homem de incircun-ciso era o mais doloroso dos insultos. Não sabiam os judeus que outras nações haviam praticado o mesmo rito, os egípcios, por exemplo, e até mesmo seus vizinhos e inimigos os midianitas, edomitas, cananeus e fenícios? (Entre os fenícios, porém, ele tendia à extinção.) É certo que sabiam: mas fora a sua circuncisão que os diferenciara dos gregos e que continuava ainda a diferenciá-los dos romanos. Nos dias dos reis ímpios, foram poucos os que "dissimularam os sinais da circuncisão, a fim de freqüentarem os ginásios pagãos sem sentir vergonha".40 Foi por esta razão que os verdadeiros fiéis se apegaram tanto ao rito — a que Jesus teve Certamente de submeter-se. Todavia, a Lei e os Profetas declararam que o simples fato nada representava a não ser que fosse seguido de uma intenção espiritual, e que a verdadeira circuncisão era a do coração:41 esta foi uma grande lição que nosso Senhor iria repetir muitas vezes, e de várias formas.

A circuncisão não era a única cerimônia religiosa que acompanhava um nascimento em Israel. Havia outra ligada à mulher que dava à luz o filho. Toda mulher era impura perante a Lei depois do parto, á semelhança do homem que tocava um corpo morto. Tratava-se claramente da permanência de um tabu muito anterior a Moisés, mas a lei deste o confirmou. O período de impureza dobrava no nascimento da menina em relação ao do menino: oitenta e não quarenta dias. Durante esse período "nenhuma coisa santa tocará, nem entrará no santuário ... E, cumpridos os dias da sua purificação, por filho ou filha, trará ao sacerdote um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola por oferta pelo pecado â porta da tenda da congregação ... Mas, se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará então duas rolas, ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado: assim o sacerdote fará expiação pela mulher, e será limpa".*2 A tradição cristã manteve a memória deste rito na cerimônia de ação de graças após o parto.
Quando a criança era o primogênito, os pais precisavam cumprir um dever especial. Isto fazia parte da lei geral, pois em Israel todos os primogênitos de todos os seres vivos, assim como os primeiros frutos, pertenciam a Javé.43 0 Todo-poderoso, ao falara Moisés, lhe ordenara que todos os primogênitos, seja de homens ou animais, fossem dedicados a Ele. Em seu evangelho, Lucas usa mesmo o termo grego hagion que significa santo; tornando-se a criança uma coisa santa, oferecida a Deus e separada do mundo comum, terreno. De onde veio esse costume? Ao ler os mandamentos em Deuteronômio tem-se a impressão de que ele surgiu de uma reação contra as "abominações" dos povos vizinhos que queimavam seus filhos em honra aos (dolos.44 O próprio Javé sustara a mão de Abraão quando ele estava prestes a sacrificar seu filho Isaque em sua honra. Em lugar de sacrificar o recém-nascido, eles então o dedicavam de modo inteiramente espiritual e depois o resgatavam. Isto é, davam um animal para ser sacrificado em substituição, ou uma soma em dinheiro: foi isto que Javé exigiu deles,46 em memória da misericórdia que mostrara a seu povo naquela noite em que o seu anjo destruíra todos os primogênitos do Egito mas poupara os de Israel, satisfazendo-se com um cordeiro em seu lugar.46 Nos dias de Cristo este dever tinha de ser cumprido dentro de um mês: uma oferta queimada de dois pombinhos ou duas rolas, o que era bem pouco; mas os pais ofertavam também cinco ciclos de prata, uma soma bastante alta para os mais pobres. Nenhuma família judia ousava porém fugir a este encargo piedoso, e Lucas nos mostra o mais dedicado, o mais santo de todos os filhos "resgatado” por seus pais na cena comovente da apresentação do Templo, onde as vozes inspiradas do idoso Simeão e da profetiza Ana deram a José e Maria uma idéia dos mistérios de glória e sofrimento a ele reservados.46

0 NOME
      Era também durante as primeiras semanas e provavelmente no dia de sua circuncisão que a criança recebia um nome. A escolha do mesmo tinha a máxima importância, pois os judeus, como todos os habitantes do mundo antigo, atribuíam uma influência numinosa aos nomes. Na lenda egípcia de ísis, vemos a deusa milagrosa recusando-se a curar Ra da mordida de uma serpente até que ele lhe dissesse o seu nome, no qual reside o segredo do seu poder. Da mesma forma, na história de Moisés, Deus lhe confere o maior símbolo da sua confiança revelando-lhe o seu nome inefável.49 Acreditava-se que o nome fazia parte integral do indivíduo, que tinha influência sobre o seu caráter e até sobre o seu destino. Se apegavam de tal forma a isto que um rabino chegou a dizer: "A condenação do céu pode ser modificada por uma mudança de nome".60 Reminiscências dessas crenças certamente chegaram até nós: existem muitas pessoas hoje convencidas de que um nome cristão possui influência; e houve novelistas como Balzac que escolheram o nome de seus personagens de acordo com a natureza dé cada um.
O direito de escolher o nome do filho pertencia portanto ao pai, o chefe da família, h)á muitos casos de pais dando nome aos filhos nas Sagradas Escrituras:61 no relato do nascimento milagroso de João Batista no evangelho vemos Zacarias insistindo neste direito, embora estivesse mudo.62 Entretanto, existem também muitos casos de mães dando nome aos filhos na Bíblia; e a primeira foi Eva, a mãe da humanidade.63 Pode ser então praticamente concluído que a escolha era no geral feita mediante acordo entre os pais.
O nome escolhido correspondia ao nosso primeiro nome: os judeus não tinham sobrenome — este não existia, embora tal coisa não signifique que o sentimento familiar não era altamente desenvolvido entre eles, pois era. O filho recebia necessariamente o nome do pai, como acontece entre os árabes hoje. O menino era chamado "filho de fulano", ben em hebraico e bar em aramaico: por exemplo, João ben Zacarias, Jônatas ben Hanan, ou Yeshua ben José. O filho mais velho recebia com freqüência o nome do avô a fim de continuar a tradição onomásti-ca da família e também para distinguí-lo do pai.54
     Alguns desses nomes, ou antes prenomes, eram apelidos, lembrando as circunstâncias em que a criança nascera ou fora gerada. Certos deles eram sem dúvida piedosos: o Batista, por exemplo, foi chamado Yochanan (Joâo) por ter sido "desejado por Deus". Havia também outros nomes menos agradáveis deste tipo. Conta-se o caso de uma mãe que, irritada por não dar à luz senão filhas, chamou a quarta de Zaoulé e a oitava de Tamam, que podem ser traduzidos como "aborrecimento” e "basta". Outros nomes eram escolhidos para dar boa sorte à criança, e alguns rabinos recomendavam até que fossem consultadas as estrelas, cuja prática era rejeitada por outros. Os nomes de animais eram bastante comuns: Raquel, ovelha; Débora, abelha; Yona, pomba; e Akbor, camundongo. Também havia árvores: Tamar, palmeira; Elon, carvalho; Zeitan, oliveira. Um grande número de nomes era tirado da Bíblia: patriarcas, profetas, santos e heróis. Encontravam-se portanto muitos Jacós e Josés, Elias e Daniéis, Sauls e Davis, sendo inúmeros meninos chamados de Simão e Judas, os gloriosos macabeus. Outros ainda eram teóforos, isto é, evocavam o nome de Deus, ou antes, um de seus nomes. Assim sendo, Jesus, Yeshua, significava "Yah (i.e., Javé) é salvação". Os nomes terminados em -el lembrava o nome bíblico antiquíssimo para o Deus Único, El, Elohim. Mas com freqüência tais nomes tinham perdido seu significado histórico ou sagrado com o uso, e não se pensava mais no sentido deles. Alguns tinham sido até deturpados, como o de Miriam, muito comum, o qual dificilmente fazia lembrar da irmã de Moisés, e cujo significado original "amada de Javé" fora esquecido. Sob a influência do termo aramaico mary ele era sem dúvida pronunciado Mariam, cuja forma grega e latina era Maria, significando "a senhora". É curioso notar que no italiano este nome se transforma em Madona, no francês em Notre Dame e no português Nossa Senhora.56
Todos esses nomes judeus possuíam competidores estrangeiros, em quantidades cada vez maiores. Talvez fossem aramaicos, como Marta, Tabita ou Bar-Tolomai (Bartolomeu); ou talvez gregos ou latinos. Entre estes dois, o grego era o mais provável, desde que o koiné, a linguagem popular, era a língua universal do império. A partir da época em que os selêucidas governaram o país, sempre havia judeus dispostos a helenizar seus nomes, como aquele Jesus, irmão do sumo sacerdote Onias III, por exemplo, a quem o semi-louco Antíoco IV colocou no lugar do irmão, e que se fez chamar de Jason Antiochener.66 Nos dias de Cristo o hábito se arraigara tanto que metade dos personagens do Novo Testamento tem nome grego. Entre os apóstolos por exemplo, Filipe e André são nomes helénicos puros; Tadeu e Mateus são deturpações gregas de nomes hebraicos (Matthayah, o dom de Javé, tornou-se Matthaios, assim como Yeshua tornou-se Jesus e Miriam Maria); Tiago, Joâo e até Simão parecem ser formas helenizadas de antigos nomes bíblicos; só Judas é inteiramente judeu. A adoção de nomes gregos era muito comum entre as pessoas da classe alta, e isso acabava por extinguir completamente o nome original. No caso da dinastia herodiana, por exemplo, a família beduína de onde surgiram ficou inteiramente perdida para a história, mascarada pelo nome grego que significa filhos de heróis. 0 antigo cemitério judeu de Bete-Searim recém-descoberto contém 175 inscrições gregas em comparação com apenas 32 hebraicas ou aramaicas, o que mostra a extensão da helenização.67
Este hábito foi naturalmente ainda mais adotado nas comunidades judias da Diáspora, onde todos os nomes em Yah ou El se tornaram Teodoro, Teófilo, Dositeus ou Doroti. Uma família no Egito, cujos arquivos foram encontrados em Edfou, era composta de um pai chamado Antonio Rufo e cinco filhos, Nicon, Teodotos Niger, Teodoros Niger, Diofanes e Ptulis.68 É portanto possível que esses nomes pagãos fossem usados para o trato com o mundo exterior, e que entre si os judeus continuassem a empregar seus velhos nomes religiosos: o título real de Herodes Agripa I era meio grego e meio romano, mas como sumo sacerdote ele se chamava Matatias, em memória do herói que dera os primeiros golpes na guerra de libertação, matando um oficial grego e um judeu apóstata.

A EDUCAÇÃO DOS JOVENS

A criança, circuncidada, tendo recebido um nome e marcada com o selo de Deus, permanecia nos primeiros anos completamente sob os cuidados da mâe. Os pais judeus não pareciam absolutamente inclinados a fazer o papel de ama. Além do mais, as judias eram excelentes mães, conscienciosas e devotas, a Bíblia está cheia de exemplos nesse sentido. As filhas ficavam com as mães até o dia do casamento. Elas ajudavam nos cuidados da casa, carregavam água, teciam e, na zona rural, participavam do trabalho externo — respigavam após os ceifeiros ou cuidavam das ovelhas durante o dia. O pai se encarregava dos filhos e os iniciava na sua profissão o mais cedo possível, para que logo pudessem trabalhar com ele, primeiro na função de aprendizes e a seguir como oficiais. Vemos assim na parábola dos dois filhos contada no evangelho, o proprietário de uma vinha mandando seus filhos trabalhar nela,69 e na do pródigo, um dos filhos do homem abastado a serviço dele.60 Jesus teria certamente aprendido o ofício de carpinteiro com José.
A educação ficava também a cargo do pai e ao que se pode depreender das tradições rabínicas, os métodos de ensino judeu eram excelentes. Os desagradáveis resultados da preferência do patriarca Jacó por José, deram lugar ao conselho prudente: "0 homem jamais deve fazer diferença entre seus filhos". "Ninguém deve ameaçar uma criança" afirmou outro sábio, "mas castigá-la ou silenciar". E outro ainda: "Jamais diga a uma criança que vai dar-lhe algo e faltar â promessa, isso seria ensiná-la a mentir."61 Deve ser porém admitido que os métodos deles não eram excessivamente brandos. "0 que retém a vara aborrece a seu filho," dizem os Provérbios, apoiando nossa frase popular: "Guarde a vara e estrague a criança". Outro versículo diz: "Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrará a sua alma do inferno." Também, "A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela".62 E, como podemos ver, Eclesiastes aprova esses princípios sadios.63
Os verdadeiros israelitas davam maior importância â educação moral do que a tudo mais. Existe um provérbio nas Sagradas Escrituras que diz, "Ensina a criança no caminho que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele".64 Na medida em que a lei moral se fundiu na religiosa, o primeiro dever do pai era ensinar os mandamentos a seus filhos. Foi esta em todo caso a ordem direta dada por Javé, através de Moisés, a todos os homens de Israel, ordem essa repetida de manhã e à noite na oração: "Ensinarás a teus filhos os meus mandamentos".66 Os pais também contavam aos filhos as maravilhas realizadas por Javé a favor de seu povo, pois a prática da religião e a história da raça eram ambas parte da Lei. Eles explicavam o significado das grandes festas e lhes mostravam como cada um dos costumes observados possuía um sentido santo. Isto era também exigido deles pela Lei. Quando instituiu a Festa dos Pães Asmos, Javé disse: "Naquele mesmo dia contarás a teu filho, dizendo: É isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito. E será como sinal na tua mão, e por memorial entre teus olhos."66
Isto significa que o ensino na escola era desprezado? Longe disso. Os rabinos afirmavam repetidamente que ele era a base de tudo e absolutamente indispensável. "Se você tiver conhecimento," dizia conhecido provérbio, "você tem tudo. Mas se lhe faltar conhecimento, nada tem". Certos doutores da Lei afirmavam: "É melhor que um santuário seja destruído do que uma escola".67 E um deles, provavelmente um professor, chegou a ponto de explicar o mandamento divino: "Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas"99 como uma referência aos alunos e seus professores.
Havia, pois, escolas na Palestina nos dias de Jesus, embora fossem uma invenção comparativamente recente, datando de apenas cerca de 100 anos antes dessa época. 0 rabino Simon ben Shetach, irmão da rainha Salomé Alexandra e presidente do Sinédrio , abriu a primeira beth hasefer, casa do livro,99 em Jerusalém. Seu exemplo foi seguido por outros e, pouco a pouco, todo um sistema de instrução pública veio a existir. Cerca de trinta anos depois da morte de Cristo, no ano 64 mais ou menos, o sumo sacerdote Joshua ben Gamala promulgou o que pode ser considerado como a primeira legislação educacional: nada faltava nela — os pais eram obrigados a enviar seus filhos, havia castigos para os preguiçosos e os que faltavam muito, e uma espécie de curso secundário para os alunos mais inteligentes.70 Jesus não teve o benefício de tal sistema em sua infância; mas é provável que o rabino Gamala estivesse dando apenas os toques finais em algo que já existia bem antes dele.
A escola primária ficava ligada à sinagoga, como acontecia no oeste medieval, com a igreja paroquial. As crianças, tanto ricas como pobres, começavam a freqüentá-la na idade de cinco anos. O mestre não era outro senão o hazzan, o guardião dos livros sagrados e o ministro da sinagoga. Mais tarde, ficou estabelecido que no caso do número de alunos ultrapassar vinte e cinco, um professor especial seria nomeado. Os professores eram muito considerados; de fato, a voz corrente dizia que um mestre-escola era "o mensageiro do Todo-poderoso". Ao que parece, havia até mesmo inspetores encarregados de supervisionar a educação.
A tarefa principal dos alunos, enquanto ficavam sentados no chão à volta do mestre, era repetir de memória, e todos juntos, as sentenças ditas por ele em voz alta.71 A mnemónica, parte necessária da expressão e transmissão do pensamento,72 como veremos, era freqüente-mente usada no ensino — paralelismo, repetição, aliteração — e as crianças a empregavam mesmo em suas brincadeiras, como podemos ver naqueles meninos em Lucas que "gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes: entoamos lamentações e não chorastes",73 que são obviamente versos mnemónicos.
O que elas aprendiam na escola? Em primeiro lugar a Torá; ou, para ser mais exato, praticamente nada além da Torá, a Lei sagrada de Deus. Dizia-se que "a criança deve ser engordada com a Torá como um boi é cevado no estábulo".74 As máximas da Lei, aprendidas na infância "entram através do sangue e saem pelos lábios". Ela era ensinada para tudo, até para aprender o alfabeto: para tornar o aprendizado mais agradável, palavras eram formadas com cada letra por sua vez, como no nosso ABC, e arranjadas de modo que a criança podia transformá-las numa pequena lenda. Linguagem, gramática, história e geografia, ou pelo menos os rudimentos dessas matérias, eram todas estudadas na Bíblia. "É na Bíblia," diz Josefo, "que se encontra o mais elevado conhecimento, e a fonte da felicidade".78 Ele próprio se gaba de tê-la conhecido inteiramente aos quatorze anos; e o apóstolo Paulo lembra seu discípulo Timóteo que aprendeu as sagradas letras desde a infância.76
Este uso exclusivo das Escrituras no ensino foi aparentemente a causa que levou muitos rabinos a negarem às meninas o direito de aprender. As mulheres não tinham posição oficial na religião, por que então ensinar-lhes a Lei? "Seria melhor ver a Torá queimada," afirmou um doutor algo exaltado, "do que ouvir suas palavras dos lábios das mulheres."77 O mesmo doutor, que era sem dúvida um misógino, declarou que "ensinar uma menina seria o mesmo que colocá-la no caminho da devassidão moral". Talvez possa ser vista aqui uma referência às maneiras do mundo pagão, em que a educação das mulheres fazia com que entrassem em contato com os homens, em grande detrimento da boa ordem. Todavia, nem todos os rabinos defendiam esta opinião, e o mesmo tratado do Talmude que impede a entrada de meninas na escola, contém esta máxima sábia: 'Todo homem deve ensinar a Torá à sua filha". Se pudermos julgar pelo exemplo da pequena Maria, mãe de Jesus, é lícito supor que muitas meninazinhas judias conheciam tão bem as Sagradas Escrituras quanto seus irmãos; pois quando ela declamou espontaneamente as linhas esplêndidas que conhecemos como o "Magnificat" tantos ecos bíblicos lhe ocorreram que é possível distingüir mais de trinta deles.78
Os estudos solenes não impediam porém que as crianças de Israel brincassem. Zacarias nos mostra as ruas de Jerusalém cheias de crianças brincando,79 aquelas eternas brincadeiras das crianças ao ar livre. O evangelho refere-se a crianças copiando os adultos e brincando nas festas e enterros. Vemos também que nos dias de Jó as meninas brincavam com animaizi-nhos, até mesmo com "leviatãs", isto é, pequenos crocodilos. Elas também brincavam com bonecas. As escavações trouxeram à luz pequenas criaturas de barro, particularmente pássaros como aqueles que, segundo o Evangelho da Infância apócrifo,82 o menino Jesus dotou de percepção; chocalhos, bolas e dados decorados: sem dúvida neste caso a Lei e sua proibição de fazer imagens de qualquer coisa viva podia ser desconsiderada. Em vários locais, especialmente em Megido, linhas riscadas na pavimentação trazem à mente o jogo de amarelinha.
0 que pode ser chamado de educação primária tinha um prolongamento para aqueles que desejassem especializar-se nos estudos religiosos, um nível bastante superior. A fim de beneficar-se deles era preciso ir a Jerusalém e entrar numa das beth ha-midrash, uma daquelas escolas onde ensinavam os mais famosos doutores da Lei. Foi assim que o jovem Saulo de Tarso veio a sentar-se aos pés de Gamaliel. Não havia porém qualquer idéia de adquirir conhecimentos que não fossem religiosos nessas instituições, até mesmo o conceito de uma cultura profana era impossível em Israel. Esses grupos, em que a casuística era a disciplina principal, existiam com a finalidade de produzir futuros doutores da Lei. Á grande massa das crianças judias não chegava até esse ponto.

MAIORIDADE
0 tratado talmúdico Pirke Aboth, "ditados dos pais”, cujas partes essenciais são com certeza anteriores à era cristã, estabelecia os seguintes estágios de desenvolvimento da criança: "Aos cinco anos deve começar os estudos sagrados; aos dez deve dedicar-se ao aprendizado da tradição; aos treze deve conhecer toda a Lei de Javé e praticar suas exigências; e aos quinze anos tem início o aperfeiçoamento de seus conhecimentos" Assim sendo, sem contar aqueles que desejavam aperfeiçoar seu conhecimento religioso, os meninos judeus deixavam a escola aos treze anos, alcançando também a maioridade. 0 fato disso acontecer tão cedo pode ser explicado pela incontestável precocidade de sua raça. Aos treze anos o jovem israelita tinha certamente abandonado a infância, mesmo que não fosse capaz de discutir, como o menino Jesus, com os doutores da Lei reunidos nos átrios do Templo. A partir dessa época exigia-se dele, como dos adultos, que recitasse três vezes por dia a famosa oração Shema Israel, em que todo crente deve proclamar sua fé no Deus Único. Ele passaria a jejuar regularmente, nos dias estabelecidos, especialmente na grande cerimônia do Dia da Expiação. Realizaria as peregrinações tradicionais, e sempre que fosse ao Templo ser-lhe-ia permitido entrar no "pátio dos homens", passando assim a fazer parte integrante da nação de Israel.
Por esta razão o Bar Mitzvah, em que o menino ao entrar na maioridade era declarado "filho da Lei", se realizava mediante uma cerimônia religiosa durante a qual ele devia ler uma passagem da Lei em público e com grande alegria. Tratava-se de uma data muito importante na vida do judeu. Mesmo hoje em Israel, entre as famílias menos religiosas, ele continua a reter um caráter semi-religioso. O menino é levado do kibbutz para um ponto da fronteira onde substitui um dos guardas da Terra Santa, ou doa sangue para ser usado em transfusões. Da forma em que era celebrado há dois mil anos atrás, o israelita, ao entrar na maioridade, deveria compreender que pertencia a uma comunidade.
Ele também tinha um dever, o qual era exigido dele pela comunidade: mas, não seria realmente mais que um dever? "O jovem é como o potro que rincha,” diz novamente o Talmude, "anda de íá para cá, arruma-se com cuidado, tudo porque está procurando esposa”. O rabino realista que fez esta afirmação, acrescenta: "Mas, uma vez casado, se assemelha a um jumento, carregado de fardos”.
FONTE: APAZDOSENHOR.ORG





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