terça-feira, 27 de junho de 2017

Lição 01 – Atos dos Apóstolos, uma introdução


       

LIÇÕES PALAVRA DE DEUS Nº 51 - A GÊNESE TRIUNFAL DA IGREJA-


Comentaristas: Pastores Gerson Brandão e Jefferson magno Costa

Um estudo referente à vinda e à atuação do Espírito Santo, as narrativas relacionadas aos ministérios de Pedro e Paulo, os primeiros cristãos e o crescimento da Igreja no primeiro século.
A revista também traz reflexões concernentes a três realidades imutáveis da Igreja: ela foi, é e sempre será cristocêntrica; existiram e existem obstáculos externos e internos que precisam ser vencidos pelos cristãos; os discípulos de Cristo nos dias atuais, como nos primórdios, não podem deixar de se ocupar da ação missionária.


Lição 01 – Atos dos Apóstolos, uma introdução
Lição 02 – O alvorecer de um novo tempo
Lição 03 – Os dois ícones da Igreja Primitiva
Lição 04 – Uma Igreja exemplar
Lição 05 – Um chamado à santidade
Lição 06 – O extraordinário avanço da Igreja
Lição 07 – O mistério das casas-igreja
Lição 08 – A Igreja atravessa fronteiras
Lição 09 – O retorno de Paulo a Jerusalém
Lição 10 – Uma viagem dramática a Roma
Lição 11 – Cristo, a pedra principal da Igreja
Lição 12 – Obstáculos ao avanço da Igreja
Lição 13 – Missões nos dias atuais

         

   

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apítulo

Uma introdução ao             
         livro de Atos
      

     O livro de Atos é a dobradiça do Novo Testamento. Ele fecha os evangelhos e abre as epístolas. William Barclay considera-o um dos mais importantes livros do Novo Testamento.1 Calvino o chamou de “um grande tesouro” e   Martyn Loyd-Jones, de “o mais lírico dos livros”.2 O livro de Atos é a segunda parte de uma obra cujo primeiro volume é o Evangelho de Lucas. O objetivo de Lucas em sua dupla obra era oferecer um relato coordenado das origens  cristãs.3
        Lucas reúne a história de Jesus e a história da igreja primitiva. Explica como as boas novas começaram e se espalharam a ponto de abranger o mundo mediterrâneo, desde Jerusalém até Roma.4 O segundo volume trata de tudo o que Jesus continuou a fazer e ensinar. Desta maneira, os dois volumes abrangem o começo do evangelho e a proclamação da salvação pela igreja primitiva. David Stern sugere que esse “segundo livro” poderia ser chamado de “Lucas, Parte II”.5 Matthew Henry diz que as promessas feitas nos evangelhos têm seu cumprimento em Atos. A comissão dada aos apóstolos lá é executada aqui, e os poderes implantados lá são mostrados aqui em milagres feitos no corpo das pessoas: milagres de misericórdia, curando corpos doentes e ressuscitando corpos mortos; milagres de julgamento, golpeando os rebeldes com cegueira ou tirando-lhes a vida; e milagres muitos maiores feitos na mente das pessoas, concedendo-lhes dons espirituais, dons de entendimento e dons de expressão vocal. E toda essa dinâmica é consequência dos propósitos de Cristo e do cumprimento de suas promessas feitas nos evangelhos.6
       Citando Leon Tucker, Myer Pearlman afirma que Atos pode ser sintetizado em três palavras: ascensão, descida e expansão. A ascensão de Cristo é seguida pela descida do Espírito, que por sua vez é seguida pela expansão do evangelho.7
Destacamos três verdades importantes sobre a mensagem de Atos, à guisa de introdução.
       Em primeiro lugar, a importância de sua mensagem. John Stott diz que Atos é fundamental por causa de seus registros históricos e também por sua inspiração contemporânea.8 Atos narra a história da igreja apostólica, desde os seus primeiros passos em Jerusalém até Roma, a cidade imperial. Faz uma estreita conexão entre o que Jesus começou a fazer e ensinar e o que ele continuou a fazer e ensinar por intermédio dos apóstolos. O livro de Atos não coloca no centro do palco os apóstolos, mas o Senhor Jesus. É ele quem fala e faz. Os homens de Deus são apenas instrumentos; o agente é o próprio Filho de Deus. O poder que transforma vidas não vem do homem, mas de Deus; não vem da terra, mas do céu; não vem de dentro, mas de cima. Concordo com Guilherme Orr quando diz que o tema central de Atos é ainda Cristo, mas agora é o Cristo ressuscitado, vivo, que dá poder, e que desafia seus seguidores a irem por todo o mundo com a incomparável história do amor de Deus.9
       William MacDonald ressalta com razão que o livro de Atos é a única história da igreja inspirada; é também o primeiro livro da história da igreja apostólica. Atos não é apenas uma ponte que liga a vida de Cristo com o Cristo vivo ensinado nas epístolas; é também um elo de transição entre o judaísmo e o cristianismo, entre a lei e a graça.10
      Em segundo lugar, a necessidade de sua mensagem. Atos é um manual sobre o crescimento saudável da igreja. Vivemos num tempo de busca desenfreada pelo crescimento numérico da igreja. No entanto, muitos se perdem nessa corrida. Buscam as fórmulas do pragmatismo em vez de recorrer aos princípios emanados do livro de Atos. Caem nas armadilhas da numerolatria (idolatria dos números) e transigem com a verdade para alcançar resultados. Pregam o que o povo quer ouvir em vez de pregar o que povo precisa ouvir. Pregam para agradar os incrédulos em vez de levá-los ao arrependimento. Pregam prosperidade em vez de graça. Por outro lado, o livro de Atos nos previne contra a numerofobia (medo dos números). Uma igreja saudável cresce naturalmente. Quando a igreja vive a doutrina apostólica, Deus acrescenta a ela, diariamente, os que vão sendo salvos. O livro de Atos é o mais importante manual de crescimento da igreja. Se quisermos vê-la crescer, não devemos começar com os manuais modernos; devemos retornar ao livro de Atos e nele buscar os princípios que levaram a igreja de Jerusalém a Roma em poucas décadas.
       John Stott está correto ao dizer que o livro de Atos trata de importantes questões para a igreja contemporânea, como o batismo do Espírito Santo, os dons espirituais, sinais e milagres carismáticos, a comunhão econômica da primeira comunidade cristã em Jerusalém, a disciplina na igreja, a diversidade de ministérios, a conversão cristã, o preconceito racial, os princípios missionários, o preço da unidade cristã, as motivações e os métodos na evangelização, o chamado para sofrer por Cristo, a relação entre a igreja e o Estado, e a providência divina.11 O livro Atos é também o maior livro de missões do mundo. É, de igual forma, o maior livro sobre organização e procedimentos eclesiásticos.12
         Em terceiro lugar, a urgência de sua mensagem. O livro de Atos trata do crescimento espiritual e numérico da igreja. Para alcançar esse alvo, a igreja manteve, inseparavelmente, ortodoxia e piedade, doutrina e vida, palavra e poder. Ortodoxia sem piedade gera racionalismo estéril. Piedade sem ortodoxia produz misticismo histérico. Ao longo da história, a igreja várias vezes caiu num extremo ou noutro. Ainda hoje, vemos muitas igrejas zelosas da doutrina, mas áridas como um deserto; outras cheias de entusiasmo, mas vazias de doutrina. Atos é um alerta para a necessidade urgente de uma nova reforma e de um profundo reavivamento. Não precisamos buscar as novidades do mercado da fé, mas nos voltarmos às origens do cristianismo apostólico.
Atos — A ação do Espírito Santo na vida da igreja
Introdução a Atos dos Apóstolos
O livro dos Atos é continuação do terceiro Evangelho, escrito pelo mesmo autor, Lucas, o médico amado e companheiro do apóstolo Paulo (cfr. #Cl 4.14). A evidência externa de vários escritores, do segundo século em diante, é unânime e suficiente sobre este ponto, e a evidência interna do estilo, perspectiva e assunto dos dois livros é igualmente satisfatória.
       Atos, como o terceiro Evangelho, é dedicado a um certo Teófilo (cfr. #Lc 1.3 com #At 1.1). O terceiro Evangelho é o "primeiro tratado", como se lê na sentença inicial de Atos. Teófilo parece ter sido pessoa de certa distinção, à vista do tratamento que  Lucas lhe dá-"excelentíssimo" -atribuído alhures aos governadores romanos da Judéia (#At 23.26; #At 24.3; #At 26.25). Ele já havia recebido alguma informação a respeito da fé cristã, e foi para lhe fornecer uma explicação mais precisa de sua fidedignidade que Lucas, em primeiro lugar, escreveu a história dos primórdios do Cristianismo, começando do nascimento de João Batista e de Jesus (cerca de 8-6 A. C.) até o fim dos dois anos de prisão de Paulo em Roma (cerca de 61 A. D.). 
      Assim, Lucas e Atos não são realmente dois livros, porém duas partes de uma obra só. O breve preâmbulo do Evangelho (#Lc 1.1-4) intencionalmente se aplica a ambas. Alguns eruditos têm sugerido que Lucas projetou escrever um terceiro volume, mas os argumentos que alinham em abono dessa idéia não são conclusivos.  
I. DATA
      A data dessa obra dupla é matéria discutida; alguns a colocam em 90 A. D., mas o peso da evidência parece-nos favorecer uma data anterior, provavelmente não muito depois do último fato narrado em Atos. O livro de Atos termina com uma nota de triunfo, como já tantas vezes se tem feito notar: Paulo proclamando o Evangelho em Roma, no coração do Império, sem impedimento algum. Contudo, mesmo assim, não é fácil crer que Lucas nada mais dissesse quanto ao que aconteceu a Paulo mais tarde, se de fato escreveu após a morte do apóstolo. Parece também provável que ele escreveu antes de dois importantes acontecimentos: o Grande Incêndio de Roma, em 64 A. D., seguido da perseguição aos cristãos por Nero, e a guerra judaica, em 66-70 A. D., que culminou na destruição de Jerusalém e do templo, com o que se extinguiram o sacerdócio e o culto judaicos. É difícil pensar que a atmosfera de Atos fosse exatamente aquela que Se retrata neste livro, se ao tempo de sua redação esses eventos históricos já houvessem ocorrido, ao invés de ainda estarem no futuro.
     Logo no início do segundo século, os quatro Evangelhos que, até então, haviam circulado separadamente, começaram a aparecer juntos numa só coleção. Isto fez que se separassem as duas partes da história de Lucas. A segunda parte logo começou a circular independentemente, sob o título de "os Atos dos Apóstolos". Existe alguma evidência textual de que a separação das duas partes motivou ligeira adaptação no fim de Lucas e no começo de Atos. Possivelmente por essa época, a primeira parte (Lucas) foi rematada com o acréscimo das palavras "sendo elevado para o céu" (#Lc 24.51), o que naturalmente causou a adição das palavras "foi elevado às alturas", em #At 1.2. Se isto é fato, algumas discrepâncias que têm sido notadas entre as duas narrativas da ascensão, como vêm em Lucas e em Atos, desaparecem, porque neste caso não teria havido nenhum registro desse fato no primeiro deles (Lucas).
II. LUCAS, MÉDICO
      Lucas mesmo não acompanhou pessoalmente a Jesus nos dias de Sua vida terrena. Segundo uma tradição primitiva, fortemente apoiada de vários modos, ele era natural de Antioquia da Síria, e neste caso podemos concluir que suas primeiras relações com o Cristianismo dataram do início do testemunho cristão naquela cidade, quando o Evangelho pela primeira vez foi pregado em larga escala aos gentios, estabelecendo-se ali a primeira igreja gentílica. Porquanto parece que Lucas era gentio. Em #Cl 4.10 e seg. Paulo envia saudações de três amigos-Aristarco, Marcos e Jesus, conhecido por Justo -dizendo serem estes seus únicos cooperadores judeus. E como continua no vers. 14 a enviar saudações de mais três-Epafras, Lucas e Demas-concluímos que estes eram cristãos gentios.
      Há vários traços nesta história de Lucas que denunciam nele mentalidade de grego. Sir William Ramsay sugeriu que ele foi irmão de Tito e, se tal sugestão pode ou não ter seu fundamento em #2Co 8.17-19 (Orígenes entendia que o irmão aí referido, "cujo louvor no Evangelho está espalhado por todas as igrejas", era Lucas), pelo menos é uma possibilidade. Lembramo-nos que Tito também era grego, de Antioquia (#Gl 2.1-3) e que, embora se evidencie das epístolas que ele desempenhou papel muito importante entre os companheiros de Paulo, nunca entretanto é mencionado em Atos.
III. FONTES DE INFORMAÇÃO
Quais, então, foram as fontes de informação a que Lucas recorreu, ao traçar acuradamente o curso de todos os acontecimentos, desde o princípio? Naturalmente ele presenciou alguns fatos narrados em Atos. Isto ele indica, sutil mas inequivocamente, quando passa de repente da terceira pessoa para a primeira do plural, em #At 16.10; #At 20.5; #At 27.1, três versículos que assinalam o começo do que chamamos seções do "pronome nós". E como a maior parte da segunda metade de Atos, fora mesmo as ditas seções, é dedicada à atividade de Paulo, o médico amado do apóstolo teve muitas oportunidades de colher informações de primeira mão acerca dos supra-referidos acontecimentos.
      Teve possivelmente muitos outros informantes sobre os primeiros dias de vida da Igreja, antes da conversão de Paulo, tanto quanto acerca de fatos narrados no seu Evangelho. Sendo natural de Antioquia, devia ter entrado em contato com muitos que lhe puderam contar a respeito desses primórdios, como Barnabé e possivelmente Pedro (cfr. #Gl 2.11); e teve oportunidades especiais de ampliar seus conhecimentos durante os dois anos que Paulo esteve detento em Cesaréia (#At 24.27). Aí vivia Filipe, o evangelista, com suas quatro filhas profetisas, mencionadas, por escritores que vieram depois, como informantes acerca de pessoas e fatos da novel Igreja. Em Jerusalém, Lucas hospedou-se em casa de Mnasom, um dos primeiros discípulos (#At 21.16), avistou-se com Tiago, irmão do Senhor, e alguns supõem que ele entrou em contato até com Maria, mãe de Jesus, dela ouvindo a história da natividade, por ele narrada no início do seu Evangelho.
IV. COMPOSIÇÃO
      Provavelmente empregou boa parte dos dois anos passados em Cesaréia pondo em ordem o material assim coligido. E quando acompanhou Paulo a Roma, pode ter encontrado lá outros informantes. Uma vez pelo menos, durante a prisão do apóstolo em Roma, Marcos e Lucas lhe fizeram companhia. Alguns têm sustentado, à vista de evidência interna, que Lucas ampliou o que já houvera coligido com informações prestadas por Marcos, cujo Evangelho, baseado na pregação de Pedro, alguns escritores antigos dizem ter aparecido em Roma. Este parecer, visto afetar o terceiro Evangelho, é conhecido por hipótese Proto-Lucas, mas pode bem ser que Lucas deveu a Marcos também algumas informações contidas nos primeiros capítulos de Atos.
V. CARÁTER HISTÓRICO
      As fontes de informação a que Lucas recorreu eram de valor insuperável e ele bem soube usálas. A obra que daí resultou é uma maravilha de exatidão histórica. Diferentemente de outros historiadores do Novo Testamento, ele ajusta suas narrativas ao quadro dos acontecimentos contemporâneos do Império. É o único escritor neotestamentário que menciona tantas vezes nome de imperador romano. Suas páginas estão refertas de referências a governadores de província e reis clientes. O historiador que procede assim deve fazê-lo cuidadosamente, se não quiser correr o risco de ser inexato. Lucas suporta galhardamente o exame mais acurado. O que mais tem impressionado os críticos é o conhecimento perfeito por ele revelado de uma multiplicidade de títulos usados por funcionários do império, em cidades e províncias, empregando-os sempre com acerto. Quase de espantar é o modo ágil como, em poucas pinceladas, ele expressa o colorido local exato das mais diferentes localidades mencionadas em sua narrativa.
      A defesa mais pormenorizada e completa da exatidão histórica dos escritos de Lucas foi feita, como bem se sabe, por Sir William Ramsay, que dedicou muitos anos a pesquisas arqueológicas intensas na Ásia Menor. Quando, no fim do século passado, ele para lá se dirigiu pela primeira vez, tinha como verídica a teoria de Tübingen então corrente, de que os Atos eram produção tardia e lendária dos meados do segundo século. Não foram interesses apologéticos, mas a evidência oferecida pela arqueologia que o compeliu a reconhecer que os escritos de Lucas refletem as condições, não do segundo século, mas do primeiro, que eram muito diferentes, e as refletem com inexcedível exatidão. Ramsay resume as qualidades de Lucas como historiador nas seguintes palavras:
"A história de Lucas não pode ser igualada quanto à sua fidedignidade... Lucas é um historiador de primeira ordem: não apenas suas declarações de fato são dignas de confiança: ele possui o verdadeiro senso histórico; fixa sua mente na idéia e no plano dominantes na evolução da história; e acerta sua maneira de tratar os incidentes, regulando-a com a importância de cada um deles. Toma os eventos importantes e críticos, e mostra minuciosamente sua verdadeira natureza, enquanto por outro lado refere ao de leve ou omite de todo muita coisa que não tem importância ao fim que tem em vista. Em suma, este autor deve figurar entre os maiores historiadores"... (The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the New Testament (1915), págs. 81, 222).
      A tese de Ramsay é freqüentemente havida como exagerada, porém estudantes de Atos que ignoram as contribuições dele, únicas no gênero, ao estudo desse livro, privam-se a si e a seus alunos de um cabedal de saber. "Todo leitor do livro St. Paul the Traveller conhece com que riqueza de minúcias Ramsay expõe o valor histórico de inúmeras passagens de Atos" (W. F. Howard,The Romance of New Testament Scholarship (1949), pág. 151).
      Um ilustre contemporâneo de Ramsay, que também fez muito, de um ponto de vista bem diferente, para firmar o valor histórico dos escritos de Lucas, foi Adolf von Harnack, de Berlim. (Vejam-se os seus livros Luke the Physician (1907), Acts of the Apostles (1909), Date of the Acts (1911).
VI. A ATMOSFERA PALESTINENSE DOS PRIMEIROS CAPÍTULOS
      Os primeiros capítulos de Atos refletem uma atmosfera diferente daquela do fim do livro. Quando Paulo sai pelo mundo, em suas viagens missionárias, a gente sente e respira o ar fresco dos espaços amplos do império romano; mas no princípio do livro o escritor lida com acontecimentos de Jerusalém e de outras partes da Palestina, percebendo-se em muitas localidades uma atmosfera nitidamente semítica. Algumas partes desses primeiros capítulos oferecem acentuada evidência lingüística de terem sido traduzidas de fontes aramaicas para o grego. Com efeito, o eminente professor C. C. Torrey, de Yale, autoridade em línguas semíticas, escreveu um livrinho The composition and Date of Acts (1916) para provar que toda a parte de Atos do princípio até ao vers. #At 15.34 foi traduzida de um único documento aramaico. Embora haja-se excedido nessa afirmativa, amontoou algumas evidências de peso quanto à origem aramaica de muita coisa nesses capítulos, especialmente nos relatos da pregação apostólica.
VII. INTERESSE APOLOGÉTICO
       Embora o principal e declarado objetivo da história de Lucas seja apresentar a Teófilo uma narrativa fidedigna da origem do Cristianismo, outros alvos podem ser descobertos. Um deles, aliás patente, é demonstrar que o movimento cristão não se constituía ameaça à lei e à ordem no império romano. E demonstra-o citando os testemunhos de representantes do governo imperial. Como Pilatos declara nosso Senhor isento de culpa no tocante às três acusações que lhe fizeram de rebelião, sedição e traição (#Lc 23.4,14,22), assim, quando acusações semelhantes são feitas aos Seus seguidores, Lucas mostra que não são bem sucedidas. É verdade que os pretores de Filipos prendem Paulo e Silas por ameaçarem a propriedade alheia, porém logo mais os soltam, desculpando-se humildemente por seu arbitrário excesso de jurisdição. (#At 16.19 e segs., #At 16.35 e segs.). Os politarcas de Tessalônica alegram-se por encontrar cidadãos naquela cidade que sirvam de fiadores da boa conduta dos missionários (#At 17.6-9). Gálio, procônsul da Acaia e irmão do influente Sêneca, que foi tutor e consultor de Nero no início do governo deste, recusa ouvir as acusações feitas a Paulo pelos judeus coríntios, reconhecendo não serem acusações de que as leis romanas pudessem conhecer, senão questões particulares da teologia judaica (#At 18.12-17). Em Éfeso, Paulo goza da boa vontade dos asiarcas, principais das cidades da Província da Ásia (#At 19.31). E quando um tumulto se levanta pelo alarido de interesses particulares versus a ameaça implícita do Cristianismo ao culto da Ártemis efésia, o escrivão da cidade testifica que Paulo e seus companheiros não são réus de nenhum crime com relação ao culto da grande deusa (#At 19.35-41). Em Jerusalém, inimigos acérrimos de Paulo fazem o que podem para conseguir sua condenação pelos governadores romanos Félix e Festo, com notável fracasso; Festo e o minúsculo rei Agripa II concordaram que o apóstolo não cometera ofensa digna de morte ou prisão, e que podia ser solto não fora, a fim de assegurar um julgamento imparcial do que aquele que temia receber na Palestina, haver apelado para o supremo tribunal do Imperador em Roma (#At 26.32). E os Atos concluem com uma nota de triunfo, é verdade apresentando Paulo preso, porém a continuar sua obra missionária, sem ser molestado, na própria Cidade Imperial. É improvável que essa nota triunfante fosse tão sem reservas como é, se Lucas houvesse escrito após o desencadeamento da perseguição neroniana ou a execução de Paulo.

VIII. OPOSIÇÃO JUDAICA
      Não se pode negar, entretanto, que dificuldades surgissem, aonde quer que Paulo e seus companheiros se encaminhassem. Se o novo movimento era realmente tão inocente como Lucas sustenta, por que invariavelmente se cercava de tanta agitação? Excetuando o incidente de Filipos e o tumulto de Éfeso, Lucas explica essa perturbação, atribuindo-a à oposição instigada em quase toda parte pelos judeus. No Evangelho é o Sinédrio judaico, dirigido pelos principais sacerdotes saduceus, que prevalece contra o desejo de Pilatos, de declarar Jesus inocente, e força-o a condenar o Mestre. Assim nos Atos são os judeus os mais rancorosos inimigos do Evangelho em quase todos os lugares visitados por Paulo. Em Damasco, Jerusalém, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Tessalônica, Beréia, Corinto são seus próprios patrícios que opõem os maiores entraves ao seu trabalho. Ressentem-se profundamente do modo como Paulo, segundo lhes parece, penetra nos seus domínios, visitando as sinagogas e atraindo a si aqueles gentios que ali assistem ao culto e que, conforme os judeus esperam, tornar-se-ão um
dia prosélitos de sua religião. O grosso dos judeus, em todas as cidades a que Paulo se dirigia, não considerava Jesus como o Messias, e enfurecia-se quando os gentios O aceitavam. E enquanto os Atos registram o avanço firme do Evangelho nas grandes comunidades gentílicas do Império, relatam ao mesmo tempo a rejeição dele, cada vez maior, por parte da nação à qual primeiro era ele oferecido.

IX. ÊNFASE TEOLÓGICA
       Do ponto de vista teológico, o tema dominante de Atos é a obra do Espírito Santo. Logo no início, o Senhor ressuscitado promete enviá-los apóstolos proclamam sua mensagem no poder do Espírito, manifesto por sinais externos sobrenaturais; a aceitação dessa mensagem pelos convertidos é de igual modo acompanhada de manifestações visíveis do poder do mesmo Espírito. Isto provavelmente explica o que alguns têm achado ser uma dificuldade nos Atos- que o Espírito é recebido por alguns crentes após o arrependimento e o batismo (como foi o caso dos judeus que creram, no dia de Pentecostes, #At 2.38); por alguns depois do batismo e a imposição das mãos de apóstolos (como no caso dos samaritanos, #At 8.15 e segs. e os discípulos de Éfeso, #At 19.6), e por outros imediatamente ao ato de crer, antes do batismo (como foi o caso dos familiares de Cornélio, #At 10.44). O de que Lucas está cogitando, em cada caso, não é tanto a operação invisível do Espírito na alma, como é Sua manifestação exterior no falar línguas e profetizar.
      Com efeito, o livro inteiro bem podia chamar-se, como o Dr. Pierson o fez no título de sua exposição, "Os Atos do Espírito Santo". O Espírito de Deus dirige toda a obra; guia os mensageiros, tais como Filipe no cap. 8, e Pedro no cap. 10; dirige a igreja de Antioquia na separação de Barnabé e Saulo para a obra a que os chamara (#At 13.2); encaminha-os de lugar a lugar, impedindo-os de pregar na Ásia ou de entrar na Bitínia, porém dando-lhes indicações precisas da necessidade de atravessarem o mar na direção da Europa (#At 16.6-10); é mencionado com preeminência na carta do Concílio dos Apóstolos às igrejas da Síria e Cilícia: "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós" (#At 15.28). Fala mediante profetas, predizendo por exemplo a fome dos dias de Cláudio, e a prisão de Paulo em Jerusalém (#At 11.28; #At 21.11), assim como falou pelos profetas nos dias do Velho Testamento (#At 1.16; #At 28.25). É Ele quem primeiro designa os anciãos de uma igreja, para supervisioná-la (#At 20.28). Pode-se mentir a Ele (#At 5.3), pode-se tentá-lo (#At 5.9) e a Ele resistir (#At 7.51). É Ele a primeira Testemunha da verdade do Evangelho (#At 5.32).

X. O ELEMENTO MIRACULOSO DO LIVRO
      Tem-se argüido contra Lucas o mostrar-se tão apaixonado de milagres. Esta objeção tem pouco valor para os que aceitam a origem sobrenatural do Cristianismo. Lucas não relata milagres pelo simples gosto do miraculoso; para ele, como para os outros evangelistas, os milagres são importantes por serem sinais tanto quanto prodígios-sinais, isto é, da inauguração da Nova Era, sinais do Ministério messiânico de Jesus. Porque assim como Jesus
nos Evangelhos realiza estes sinais e obras poderosas em Sua própria Pessoa, assim é Ele quem, nos Atos, realiza-os do céu por Seu Espírito em Seus representantes, agindo estes em Seu Nome e por Sua autoridade.
      Vale notar, outrossim, que o elemento miraculoso não surge a esmo pelo livro: é mais acentuado no princípio do que no fim, e é isto mesmo que devemos esperar. "Temos assim uma redução firme da ênfase sobre o aspecto miraculoso da obra do Espírito, que corresponde à sua elucidação e progresso nas epístolas paulinas; parece razoável supor que Lucas reproduz aqui suas fontes de informação com fidelidade" (Cfr. W. L. Knox, The Acts of the Apostles (1948), pág. 91).
      Quando consideramos quão escasso é o conhecimento que temos do progresso do Cristianismo em outras direções, durante os anos 30-60 A.D., e em todas as direções durante as décadas que se seguiram àqueles trinta anos, podemos avaliar quanto devemos aos Atos o conhecimento relativamente minucioso que temos de sua expansão ao longo da estrada de Jerusalém a Roma durante o período da mesma.

FONTE: ESCOLA BEREANA – ADVEDC SEDE                             

     📚  INTRODUÇÃO AO LIVRO DE                                                                                      ATOS                                 

                               INTRODUÇÃO
          O título "Atos dos Apóstolos" não é muito bem aplicado, porque o livro se ocupa apenas com dois deles, Pedro e Paulo. Era conhecido em tempos antigos como "O Evangelho do Espírito Santo" e "O Evangelho da Ressurreição", mas seu título mais acertado é "Atos do Senhor Ressurgido e Glorificado".  O Capítulo 1.1 revela a mensagem do livro. Os evangelhos recordam a vida de Jesus na carne; Atos, sua vida no Espírito (Lee).
        Escritor. Em Atos dos Apóstolos Lucas continua o relatório do Cristianismo começado no Evangelho que traz o seu nome. No "primeiro tratado" ele relata o que Jesus "começou não só a fazer mas a ensinar"; em Atos descreve o que Jesus continuou a fazer e a ensinar pelo seu Espírito.
          Data. O livro dos Atos termina com a narrativa do primeiro ministério de Paulo em Roma, em 65 d.C. e parece ter sido escrito nesses tempos.
           Tema: Este livro relata a ascensão e a promessa da volta do Senhor Jesus, a descida do Espírito Santo no Pentecoste, o uso das "chaves" por Pedro, abrindo o Reino (considerado como esfera de profissão como em Mateus 13) aos judeus no Pentecoste, e aos gentios na casa de Cornélio. Relata ainda o começo da Igreja Cristã, e a conversão e ministério de Paulo.
     O Espírito Santo enche a cena. Como nos evangelhos, a presença do Filho, revelando e exaltando o Pai, é o fato principal, assim a presença do Espírito Santo, exaltando e revelando o Filho, é o grande fato de Atos (Scofield).
                                ANÁLISE DE ATOS
                               Introdução (1.1-11)
1. O período hebraico do testemunho da Igreja pregando a Cristo (1.12 a 8.4).
Centro -  Jerusalém
1.1 Formação da Igreja (1.12 a 2.4).
1.2. Testemunho da Igreja (2.5 a Cap. 3).
1.3. Oposição à Igreja (Cap. 4 a 5.10).
1.4. Prosperidade da Igreja (5.11-42).
1.5. Administração da Igreja (6.1-6).
1.6. Perseguição da Igreja (6.7 a 8.4).
2. O período transicional do testemunho da Igreja (8.5 a 12).
Centro - Antioquia
2.1. Filipe prepara um testemunho mais amplo (8.5-40).
2.2. Paulo prepara um testemunho mais amplo (9.1-31).
2.3. Pedro prepara um testemunho mais amplo (9.32 a 10.48).
2.4. Os apóstolos preparam um testemunho mais amplo (cap.11).
2.5 A Igreja prepara um testemunho mais amplo (Cap. 12).
3. O período gentílico do testemunho da Igreja (cap. 13 a 28).
Centro - Roma
3.1. A atividade incansável de Paulo (cap. 13 a 21.16).
3.1.1. Sua primeira viagem missionária (Cap. 13 a 15.35).
3.1.2. Sua segunda viagem missionária (Cap. 18.23 a 21.16).
3.1.3. Sua terceira viagem missionária (Cap. 18.23 a 21.16).
3.2. Prisão frutífera de Paulo (Cap. 21.17 a 28).
3.2.1. Em Jerusalém (21.17 a 23.22).
3.2.2. Em Cesaréia (23.23 a 26.32).
3.2.3. Em Roma (Caps. 27 e 28) - (Scroggie).
                                 A MENSAGEM DO LIVRO DE ATOS
       Qual é o escopo deste livro, que liga os evangelhos com as epístolas? Têm-se dito que é: "a origem e progresso do cristianismo desde a capital do judaísmo até a capital do paganismo"; e também: "Os atos do Salvador glorificado formando e treinando a sua Igreja". Este último está mais de acordo com o que o próprio livro afirma de si mesmo.
       No Evangelho de Lucas temos a narrativa daquilo que Jesus fez, Ele próprio, e, em Atos, do que fez por intermédio de outras pessoas. Cristo, mais do que a Igreja, é o assunto, porque Ele é o autor, a autoridade da obra, enquanto a Igreja é apenas o instrumento. Isto compreendido, muitas dificuldades deixarão de existir, tais como: por que os discursos são resumidos; por que as viagens longas são referidas em poucas palavras; por que faltam detalhes de grandes períodos de serviço em certos centros; e por que o livro termina não inopinadamente.
        O sentido do livro não é tanto biográfico ou histórico, mas espiritual, e seu propósito dominante é relatar o que o Senhor ressurreto fez por muitos servos em muitos lugares e em benefício de muita gente pelo seu Espírito. Isso demonstrado, o propósito do livro estava realizado, e a pena posta de lado. Não há nenhuma conclusão formal do livro, que fica aberto e incompleto, porque a grande obra começada não terminou com a prisão de Paulo. Ainda continua, e durante todos os tempos o Cristo glorificado nunca tem cessado de operar por meio dos seus remidos (Scorggie).
A Bíblia Explicada - S.E. McNair (4ª edição, Rio de Janeiro,1983, CPAD

                      

       📌  Subsídio Bibliológico

                        Atos dos Apóstolos


       "Os capítulos iniciais do Livro de Atos definem os alicerces do explosivo crescimento da jovem igreja. Por cerca de quarenta dias os discípulos foram ensinados, por JESUS, sobre o Reino de DEUS e sua responsabilidade de difundir a mensagem de JESUS até aos confins da terra" (1.1-8). A ascensão visível de CRISTO ao céu foi seguida por um breve período de espera, durante o qual os discípulos escolheram um fiel seguidor de JESUS para assumir o lugar de Judas Iscariotes (1.9-26). Esta espera terminou no dia de Pentecostes.
Os primeiros capítulos de Atos apresentam os temas que percorrem todas as epístolas do Novo Testamento, e são vitais para nós hoje. O primeiro tema é o ESPÍRITO SANTO. Sua vinda inaugura a igreja. O segundo tema é a evangelização. Os primeiros cristãos são levados a proclamarem o Senhor [...]. O terceiro motivo é a comunhão. Os membros da jovem igreja são unidos por comprometimento compartilhado com JESUS. Eles adoram, estudam, repartem e oram juntos, em unidade que inspira profundo carinho de uns pelos outros. Embora devamos encarar o Livro de Atos como documento descritivo que retrata o que aconteceu no século I, em lugar de encará-Io como um documento prescritivo que nos instrui sobre como devemos viver hoje, estes três temas nos lembram de como dependência do ESPÍRITO, paixão pela evangelização e comprometimento com a comunhão são vitais para qualquer pessoa que procure seguir a JESUS CRISTO em nossa época" (RICHARDS, Lawrence O.
Comentário Histórico-Cultural, do Novo Testamento. 1. ed. Rio de, Janeiro: CPAD. 2007. pp. 251-2).

                            A Eclesiologia em Lucas
"No pensamento de Lucas, a Igreja relaciona-se com algumas coisas antigas e novas. Ela está ligada às coisas antigas porque compartilha as promessas feitas e entrega essa mensagem ao mundo. Ela está ligada às coisas novas porque é uma estrutura totalmente nova por meio da qual, agora, DEUS opera. Os apóstolos proclamavam nas sinagogas que JESUS é o cumprimento da Lei do Antigo Testamento, portanto, todo judeu que respondia as promessas devia vir a JESUS. A argumentação dos apóstolos era que o fim natural do judaísmo encontrava-se em JESUS. No início de Atos dos Apóstolos, os apóstolos não parecem considerar que foram chamados a se separar de Israel. Eles iam ao Templo e se reuniam lá (At 3.1-10; 4.1,2; 5.12). A prática deles era sensível em relação às preocupações judaicas (15.1-35; 21.17-26). [u.] Até mesmo quando Paulo deixou os judeus para ir aos gentios, ele ainda ia à sinagoga, ou ao Templo, das cidades que viajava (13.46 - 14.1; 18.6 com 21.26) [.u] Os judeus que ouviam Paulo ficavam informados que eles, para seguir até o fim seu compromisso com DEUS, tinham de abraçar a mensagem da promessa inaugurada e se tornar membros da nova comunidade. Entretanto, os eventos forçaram a Igreja a se separar do Judaísmo, por causa da rejeição judaica. Como resultado disso, a Igreja emergiu como uma comunidade independente da sinagoga.
Lucas via essa comunidade que surgia como algo novo. Por isso, em At 11.15, Pedro, ao se referir aos eventos de 2.1-4, usa a expressão 'ao princípio'. Agora, nos termos lucanos, ela é o início da realização da promessa, conforme as declarações de Pedro relacionadas com a primeira distribuição do ESPÍRITO (At 2.14-36) [.u]. Assim, o surgimento da Igreja teve sua origem na vinda do ESPÍRITO SANTO. Atos 11.15-18 torna a concessão do ESPÍRITO o marco inicial dessa nova era e desse novo grupo de fiéis. Lucas explica como esse grupo torna-se distinto do judaísmo e, mesmo assim, tem o direito de proclamar as promessas que costumam pertencer exclusivamente às sinagogas. DEUS está presente nessa nova comunidade. Em Atos 11, o ponto adicional a respeito desse novo grupo é que DEUS incluiu os gentios nesse círculo de bênçãos com sua intervenção direta (w.II-18). Em Atos 2, os eventos da fundação da igreja fazem paralelo com os eventos da casa de Cornélio, registrados em Atos 10.1-11;18, mostrando, sem deixar a menor sombra de dúvida, que DEUS agiu para incluir os gentios" (ZUCK, Roy. et aI. Teologia do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, pp. 156-57).

FONTE: Apazdosenhor.org


(Pr. Geziel Gomes)

1. LOCALIZAÇÃO
1.1 Quadragésimo-quarto livro da Bíblia
1.2 Quinto livro do NT
1.3 Situado entre os 4 Evangelhos e as Epístolas Paulinas
1.4 Nos primeiros anos foi chamado de Quinto Evangelho.
2. DADOS ESTATÍSTICOS
2.1 Contém 28 capítulos e 1,007 versículos
2.2 O nome de João é mencionado 3 vezes
2.3 Cobre um período de aproximadamente 33 anos
2.4 Menciona  30 países, 39 cidades, 21 milagres e 15 pregações.
2.5 São relatadas 9 viagens missionárias.
2.6 57 pessoas estão associadas ao Ministério de Paulo.
2.7Aparecem 28 títulos de CRISTO;11de DEUS Pai;e 4 do ESPÍRITO SANTO.              
2.8 Contem 25 referências do Antigo Testamento.
2.9 Tomados com um todo, o Evangelho de Lucas e o livro de Atos representam cerca de vinte e cinco dos escritos da Era Cristã
2.10 Mais de 100 nomes pessoais citados (isto certamente destaca o valor do indivíduo.
3. DESTINATÁRIO: TEÓFILO
3.1 Nome grego: “amigo, amante de DEUS”
3.2 Uma autoridade do Império Romano?
3.3 O advogado pessoal de Paulo durante sua defesa em Roma?
3.3 Um novo convertido, profundamente interessado no Evangelho?
3.4 Uma pessoa influente, interessada no Evangelho?
3.5 Um nome simbólico?
3.6 Muitos estudiosos afirmam que Teófilo deveria ter sido uma autoridade romano simpático à causa do Evangelho. Talvez Lucas escreveu o livro de Atos como uma defesa do Cristianismo, em tempos de perseguição, a fim de demonstrar que não se tratava de um movimento subversivo liderado pelos seguidores de JESUS.
4. ESCRITOR: LUCAS
4.1 Um médico conhecido, amigo e companheiro de Paulo, Cl 4.14; II Tm 4.11; Fl
24.                   
4.2 Escreveu o terceiro Evangelho. A similaridade de estilo e de vocabulário entre os dois livros não deixa dúvidas quanto à autoria de Lucas.
4.3 Escreveu provavelmente da Acaia ou de Roma
4.4 Lucas não foi uma testemunha ocular do ministério de CRISTO. Ele escreveu Atos como o resultado do recolhimento de informações.
4.5 Ele foi companheiro e amigo de Paulo durante muitos anos. Veja o uso de EU e NÓS por exemplo em At 16:10-17; 20:5-16; 21:1-18; 27:1-28:16, etc.
5.DATA: Escrito entre os anos 60 e 63 a.D.
6.VISÃO GERAL DO CONTEÚDO DO LIVRO
6.1 “Um dos mais enfáticos livros da Bíblia, porque aborda um fator muito importante - a Igreja planejada, destinada, revelada e finalmente inaugurada”.
6.2 “Um livro de ações, de trabalho, de movimento contínuo, o que identifica a natureza da Igreja.”.
6.3 Único livro histórico do NT
6.4  Único livro que retrata a história da Igreja Primitiva
6.5  O mais extenso livro do NT.
6.6  “Ätos assinala a transição da atuação de DEUS do meio dos judeus para uma dimensão universal de Sua Igreja. Em um senso real o leitor de Atos segue desde Jerusalém até os confines da terra”  (Walvoord, Zuck, 1983, p.349.)  

    ✅   FONTE: Apazdosenhor.org
 LIÇÃO 1 - ATOS - A Ação do ESPÍRITO SANTO Através da Igreja
Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2011 - CPAD - Jovens e Adultos

 

        📌Livro de Atos


          Autor: O livro de Atos não identifica o seu autor especificamente. De acordo com Lucas 1:1-4 e Atos 1:1-3, é evidente que o mesmo autor escreveu ambos Lucas e Atos. A tradição desde os primeiros dias da igreja tem sido que Lucas, um companheiro do apóstolo Paulo, escreveu tanto Lucas como Atos (Colossenses 4:14; 2 Timóteo 4:11).

            Quando foi escrito: O livro de Atos foi provavelmente escrito entre 61-64 dC.

             Propósito: O livro de Atos foi escrito para fornecer uma história da igreja primitiva. A ênfase do livro é a importância do dia de Pentecostes e o ser capacitado pelo Espírito para sermos testemunhas eficazes de Jesus Cristo. Atos registra os apóstolos sendo testemunhas de Cristo em Jerusalém, Judeia, Samaria e o mundo ao redor. O livro esclarece mais sobre o dom do Espírito Santo, o qual capacita, orienta, ensina e serve como nosso Consolador. Ao ler o livro de Atos, somos iluminados e encorajados pelos muitos milagres que estavam sendo realizados naquela época pelos discípulos Pedro, João e Paulo. O livro de Atos enfatiza a importância da obediência à Palavra de Deus e a transformação que ocorre como resultado do conhecimento de Cristo. Há também muitas referências daqueles que rejeitaram a verdade que os discípulos pregavam sobre o Senhor Jesus Cristo. Poder, ganância e muitos outros vícios do diabo são evidenciados no livro de Atos.

              Versículos-chave: Atos 1:8: "mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra."

Atos 2:4: "Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem."

Atos 4:12: "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos."

Atos 4:19-20: “Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos."

Atos 9:3-6: "Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer."

Atos 16:31: "Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa."

              Resumo: O livro de Atos apresenta a história da igreja cristã e a propagação do evangelho de Jesus Cristo, bem como a crescente oposição a ele. Embora muitos servos fiéis tenham sido usados para pregar e ensinar o evangelho de Jesus Cristo, Saulo, cujo nome foi mudado para Paulo, era o mais influente. Antes de se converter, Paulo tinha grande prazer em perseguir e matar cristãos. A dramática conversão de Paulo na estrada de Damasco (Atos 9:1-31) é um dos destaques do livro de Atos. Após sua conversão, ele foi para o extremo oposto de amar a Deus e pregar a Sua Palavra com poder, fervor e o Espírito do Deus vivo e verdadeiro. Os discípulos foram capacitados pelo Espírito Santo para serem Suas testemunhas em Jerusalém (capítulos 1-8:3), Judéia, Samaria (capítulos 8:4-12:25) e até os confins da terra (capítulos 13:1-28). Incluídos na última seção estão três viagens missionárias de Paulo (13:1-21:16), seus sofrimentos em Jerusalém e Cesareia (21:17-26:32) e sua última viagem a Roma (27:1-18:31).

           Conexões: O livro de Atos serve como uma transição da Antiga Aliança da lei para a Nova Aliança da graça e fé. Essa transição é observada em vários eventos importantes em Atos. Primeiro, houve uma mudança no ministério do Espírito Santo, cuja função principal no Antigo Testamento era a "unção" externa do povo de Deus, entre eles Moisés (Números 11:17), Otniel (Juízes 3:8-10), Gideão (Juízes 6:34) e Saul (1 Samuel 10:6-10). Após a ressurreição de Jesus, o Espírito veio morar nos corações dos crentes (Romanos 8:9-11, 1 Coríntios 3:16), orientando e capacitando-os de dentro. A habitação do Espírito é o dom de Deus para aqueles que se aproximam dEle com fé.

A conversão de Paulo foi um exemplo dramático da transição da Antiga Aliança para a Nova. Paulo admitiu que, antes de conhecer o Salvador ressuscitado, ele era o mais zeloso dos israelitas, sendo irrepreensível "quanto à justiça que há na lei" (Filipenses 3:6), chegando ao ponto de perseguir aqueles que ensinavam a salvação pela graça através da fé em Cristo. Entretanto, depois de sua conversão, ele percebeu que todos os seus esforços legalistas eram inúteis, passando a considerá-los "refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé" (Filipenses 3:8b-9). Agora nós também vivemos pela fé, não pelas obras da lei, para que não haja exaltação (Efésios 2:8-9).

A visão de Pedro de um lençol em Atos 10:9-15 é mais um sinal da transição da Antiga Aliança -- neste caso as leis dietéticas pertencentes aos judeus -- à unidade da Nova Aliança de judeus e gentios em uma Igreja universal. Os animais "puros" simbolizando os judeus, e os "impuros" simbolizando os gentios, foram igualmente declarados "limpos" por Deus através da morte sacrificial de Cristo. Não mais sob a Antiga Aliança da lei, ambos estão agora unidos na Nova Aliança da graça através da fé no sangue derramado por Cristo na cruz.

           Aplicação Prática: Deus pode fazer coisas incríveis através de pessoas comuns quando Ele os capacita através de seu Espírito. Deus essencialmente pegou um grupo de pescadores e os usou para transformar o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Deus tomou um assassino odiador de cristãos e o transformou no maior evangelista cristão, o autor de quase metade dos livros do Novo Testamento. Deus usou perseguição para causar a rápida expansão de uma "nova fé" na história do mundo. Deus pode e faz o mesmo através de nós -- mudando nossos corações, fortalecendo-nos pelo Espírito Santo e dando-nos uma paixão de espalhar as boas novas de salvação através de Cristo. Se tentarmos fazer essas coisas no nosso próprio poder, vamos fracassar. Tal como os discípulos em Atos 1:8, temos que aguardar pelo poder do Espírito para então, em Seu poder, cumprir a Grande Comissão (Mateus 28:19-20).


   ✅  FONTE : https://www.gotquestions.org


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