A RAZÃO DA NOSSA FÉ
Esequias Soares
S U M Á R I O
Abreviaturas
Introdução
Capítulo 1: INSPIRAÇÃO DIVINA E AUTORIDADE DA
BÍBLIA
Cânon e inspiração
Credibilidade dos textos bíblicos
A Versão dos Setenta
A tradução para outras línguas tem a aprovação divina
Capítulo 2: DEUS E A CRIAÇÃO
A primeira declaração dos credos
O Deus das Escrituras
A paternidade e a onipotência de Deus. Bíblia x ciência
Capítulo 3: SOBRE A DOUTRINA DA SANTÍSSIMA
TRINDADE
As declarações escriturísticas Os apologistas.
Tertuliano de Cartago
Orígenes
Atanásio
Os pais capadócios
Agostinho de Hipona
O credo de Atanásio ou Atanasiano
Capítulo 4: SOBRE O SENHOR JESUS CRISTO
O Jesus das Escrituras O Jesus dos credos
Capítulo 5: SOBRE O ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo nas Escrituras Sagradas História da doutrina pneumatológica
Capítulo 6: A PECAMINOSIDADE HUMANA
Como a Bíblia descreve o pecado
Consequências do pecado As teorias
Capítulo 7: A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO
Religião
O novo nascimento
Capítulo 8: A IGREJA DE CRISTO
A igreja
As ordenanças
Capítulo 9: A NECESSIDADE E A POSSIBILIDADE DE
TERMOS UMA VIDA SANTA
Santidade como atributo divino
Definindo os termos
A necessidade de uma vida santa Modos de santificação
Capítulo 10: AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO
SANTO
O batismo no Espírito Santo
Defendendo a doutrina pentecostal Os dons do Espírito Santo
Capítulo 11: A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Sinais que precederão a segunda vinda de Cristo Cristo voltará
Capítulo 12: O MUNDO VINDOURO
O milênio
O destino dos injustos
A ressurreição dos mortos
O juízo final
O destino dos justos. A nova Jerusalém
Capítulo 13: A FAMÍLIA
O conceito de família Princípios básicos
Referências Bibliográficas
I N T R O D U Ç Ã O
Temos o nosso Cremos desde 1969, mas esse documento já existia em forma embrionária logo no princípio de nossa jornada, conforme pesquisa do historiador das Assembleias de Deus, Isael de Araujo. O jornal Mensageiro da Paz publicou na edição de março de 2017 o seguinte: “O Cremos era o único documento oficial doutrinário, mas, a partir de agora, o texto passa a ser um extrato da Declaração de Fé, que são as interpretações autorizadas das Escrituras e os ensinos oficiais das Assembleias de Deus no Brasil” (p. 7). Na verdade, esse texto foi durante todo esse tempo o único documento oficial que expressava os pontos básicos da nossa fé, a única fonte que mostrava para a sociedade aquilo em que cremos.
O Cremos foi submetido a algumas revisões durante esses anos e, por último, a uma revisão rigorosa e criteriosa, com acréscimos e cortes. O texto foi ampliado de 14 para 16 artigos de fé; uns foram adaptados, e outros, que tratavam de um mesmo assunto, foram mesclados. Foram incluídos três novos artigos, um sobre o Espírito Santo, outro sobre a Igreja e, finalmente, um sobre a família; houve também a inclusão de alguns pontos doutrinários, ampliando alguns artigos já existentes como o Criador de todas as coisas.
O Cremos, mesmo na sua forma original, serviu como um guia doutrinário básico para a nossa denominação. No entanto, a exigência da atualidade pedia algo mais. Com a promulgação da Declaração de Fé na 43ª Assembleia Geral da CGADB como o conjunto de crenças e práticas oficiais da nossa denominação, o Cremos continua mantendo a sua importância como uma síntese de nossa doutrina, uma visão geral daquilo em que nós cremos e daquilo que praticamos. A Declaração de Fé é uma coletânea de crenças e práticas da Igreja, estruturadas de forma simples e sistemática, que mostra para a sociedade aquilo que nós cremos. Trata-se de um documento de extraordinária importância na vida da Igreja, pois serve como sumário doutrinário da Bíblia para ajudar irmãos e irmãs na compreensão das Escrituras. A Declaração de Fé serve também para proteger a Igreja contra as falsas doutrinas.
Nenhum tema de uma confissão de fé se esgota em si mesma. Essa é a razão de um estudo mais detalhado de cada artigo de fé. O livro A razão da nossa fé – Assim cremos, assim vivemos, que o leitor tem em mãos é um comentário bíblico, teológico e histórico de cada ponto doutrinário do Cremos, que visa a uma compreensão mais ampla das nossas crenças e práticas.
C A P Í T U L O 1
Bíblia está traduzida atualmente para 2.935 línguas, segundo dados da Sociedade Bíblica do Brasil (A Bíblia no Brasil, nº 252 – agosto a outubro de 2016, Ano 68, p. 16). Todas essas versões transmitem a mesma mensagem dos antigos escritores bíblicos. Os oráculos divinos entregues a eles foram preservados e estão disponíveis para toda a humanidade. Sua inspiração divina e sua autoridade fazem dela um livro sui generis.
CÂNON E INSPIRAÇÃO
As palavras “cânon” e “inspiração”, às vezes, significam a mesma coisa. O termo kanōn se origina do vocábulo hebraico qāneh, “cana”, que se usava como “cana de medir” (Ez 40.3, 5; 41.8) e originalmente quer dizer “vara de medir”. Na literatura clássica, significa “regra, norma, padrão”. Aparece no Novo Testamento com o sentido de regra moral (Gl 6.16). É também traduzido por “medida” (2 Co 10.13, 15). Nos três primeiros séculos do cristianismo, o termo se referia ao conteúdo normativo, doutrinário e ético da fé cristã. A partir do quarto século, os pais da Igreja aplicaram as palavras “cânon” e “canônico” aos livros sagrados, para reconhecer sua autoridade como textos inspirados por Deus e instrumentos normativos para a vida e a conduta dos cristãos, portanto separados de outras literaturas. Eles constituíram a partir de então uma “lista de livros com autoridade divina”, uma biblioteca que é a nossa medida, a nossa regra de fé e prática. O cânon é, assim, a lista de livros já definidos e reconhecidos como divinos para a vida e a conduta do cristão. Cada um dos livros era reconhecido como inspirado por Deus desde a sua origem, mas a coleção desses escritos sagrados só aconteceu posteriormente.
A inspiração divina é chamada de teopneustia, que significa “inspiração divina da Bíblia” (Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa) e “inspiração divina das Escrituras – teoria segundo a qual Deus inspirou aos autores bíblicos todas as palavras e todas as ideias” (Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, de Laudelino Freire). O Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, de Michaelis, repete as mesmas palavras de Laudelino Freire. O termo “teopneustia” vem da Bíblia: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (1 Tm 3.16) ou “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil” (ARA). A palavra grega aqui traduzida por “inspirada por Deus” ou “divinamente inspirada” é theopneustos, que vem de theos, “Deus”, e pneō, “respirar”. Isso significa que a Bíblia é respirada ou soprada por Deus. A construção grega nesse versículo permite ambas as traduções, mas a tradução da Almeida Atualizada é mais precisa, uma vez que a partícula grega kai vem entre os dois adjetivos “divinamente inspirada” e “proveitosa”; também expressa melhor a intenção do Espírito Santo, pois afirma duas verdades sobre a Bíblia: a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa. A ausência do artigo antes de grafē em pasa grafē teopneustos kai ōfélimos1 não deixa claro se a construção é atributiva, “Escritura divinamente inspirada”, ou predicativa, “[a] Escritura é divinamente inspirada”.
O termo grego pasa, feminino de pas, “todo, tudo, cada”, afirma que a inspiração das Escrituras é plena, total, por isso afirmamos a nossa fé na inspiração plenária da Bíblia. Mas essa crença não se fundamenta apenas nisso, e o contexto do Novo Testamento nos deixa à vontade nesse sentido. É verdade que no período apostólico a Bíblia da Igreja era o Antigo Testamento (Lc 24.44). O termo “Escrituras”, ou “Escritura” no singular, aparece inúmeras vezes no Novo Testamento como referência específica ao Antigo Testamento ou a parte dele e entre elas podemos citar (Mt 21.42; Mc 12.10/Sl 118.22, 23; Mt 26.56; Mc 15.28/Is 53.12; Lc 4.21/Is 61.1, 2; Lc 24.27).
A expressão “Toda Escritura” (2 Tm 3.16) não se restringe apenas ao Antigo Testamento; diz respeito também aos escritos apostólicos, ou seja, ao Novo Testamento. A Bíblia inteira é divinamente inspirada, pois a autoridade dos profetas e apóstolos é a mesma. Ambos os grupos de escritores bíblicos aparecem alternadamente: “para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos” (2 Pe 3.2). Mais adiante, o apóstolo Pedro coloca as epístolas paulinas no mesmo nível nas Escrituras do Antigo Testamento: “Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pe 3.16). O apóstolo Paulo considerava os escritos apostólicos no mesmo nível das Escrituras dos judeus: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário” (1 Tm 5.18). Há aqui duas citações. A primeira vem da lei de Moisés: “Não atarás a boca ao boi, quando trilhar” (Dt 25.4); e a segunda não aparece em parte alguma do Antigo Testamento, mas nos evangelhos: “porque digno é o operário do seu alimento” (Mt 10.10); “pois digno é o obreiro de seu salário” (Lc 10.7). A construção grega revela que o apóstolo está citando o evangelho de Lucas.2 Ambas as frases são chamadas de “Escritura”. Outras vezes Paulo ousa dizer que seus escritos são de origem divina (1 Co 7.40; 2 Co 13.3; 1 Ts 4.8).
Assim, a frase “Toda Escritura é inspirada por Deus” se refere à Bíblia inteira, aos seus 66 livros. A inspiração da Bíblia é especial e única. Não existe na Bíblia um livro mais inspirado e outro menos inspirado. Todos têm o mesmo grau de inspiração e autoridade. A inspiração plenária se refere à totalidade dos 66 livros bíblicos, e a inspiração verbal significa que cada palavra foi inspirada pelo Espírito Santo (1 Co 2.13). Não somente as palavras, mas também as ideias são de origem divina: “porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (1 Pe 1.21). A palavra grega usada aqui para “inspirados” é o verbo pherō, que significa também “mover, movimentar”. Os escritores bíblicos são homens santos que foram movidos pelo Espírito Santo para falarem da parte de Deus.
A inspiração verbal não elimina a individualidade de cada autor humano. Qualquer leitor da Bíblia consegue ver sem muito esforço a diferença de linguagem e de estilo em cada livro. Essa diversidade se revela ao comparar um profeta com outro profeta do Antigo Testamento, ou um apóstolo com outro apóstolo do Novo Testamento. Quem ler os profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oseias, Amós ou os apóstolos Pedro, João e Paulo pode observar com clareza meridiana a peculiaridade na estrutura de raciocínio de cada um deles, no seu grau de instrução, no seu convívio, no seu gênio e contexto sociopolítico e religioso. Assim, a Bíblia revela o aspecto natural da individualidade e o aspecto sobrenatural da inspiração.
CREDIBILIDADE DOS TEXTOS BÍBLICOS
A quantidade enorme de manuscritos antigos, o grande número de versões em outras línguas e as citações da patrística nos primeiros séculos do cristianismo falam por si como prova da autenticidade dos livros da Bíblia. É assunto que nem mesmo os céticos questionam. Nenhuma obra da Antiguidade apresenta hoje tantos manuscritos hebraicos, gregos, latinos e em outras línguas. Temos hoje em todo o mundo mais de 25 mil manuscritos bíblicos produzidos antes do advento da imprensa no século XV. Em segundo lugar, vem a Ilíada, de Homero, com apenas 457 papiros e 188 manuscritos, perfazendo um total de 645 exemplares. Nenhuma obra da Antiguidade é mais bem confirmada que a Bíblia.
De todas as obras literárias produzidas na Antiguidade, o manuscrito mais antigo que sobreviveu apresenta um intervalo de 750 anos entre o tal manuscrito e a possível data de sua autoria. É uma obra de História, de Plínio, o Jovem, historiador romano que viveu entre 61 e 113 d.C. Restaram apenas sete manuscritos, e o mais antigo deles é datado de 850 d. C. Todos os demais, com exceção de Suetônio, também historiador romano, com 950 anos de intervalo o manuscrito mais antigo e a possível data de sua autoria, apresentam um intervalo superior a mil anos. É o caso de Platão, Tetralogias, sete cópias; e Heródoto, História, oito cópias, entre outros que não são citados aqui por absoluta falta de espaço (MCDOWELL, 2013, pp. 141, 142).
As descobertas dos rolos do mar Morto revelam a credibilidade e a fidelidade dos textos hebraicos do Antigo Testamento. Com exceção do livro de Ester, todos os outros livros do Antigo Testamento estão representados nesses 800 manuscritos. As 11 cavernas de Uaid Qumran trouxeram à tona cerca 200 manuscritos bíblicos, descobertos entre 1947 e 1964, sem contar outros manuscritos não bíblicos. O primeiro grupo desses manuscritos é datado entre 250 a.C. e 68 d.C., com manuscritos escritos ainda na grafia paleo-hebraica, ou seja, o hebraico arcaico. Julio Trebolle Barrera faz menção de alguns deles: quatro de Levítico, dois de Gênesis, Êxodo e Deuteronômio, um de Números e um de Jó (BARRERA, 1999, p. 263). O segundo grupo é datado entre 70 e 132 d.C., período entre a destruição de Jerusalém e a Revolta de Bar-Cochbar, em Yavne, ou Jâmnia. Muitos desses manuscritos não foram produzidos pelos essênios; muitos deles vieram da Babilônia e do Egito. Trata-se, portanto, de textos procedentes de várias épocas e de vários lugares. Quando o alfabeto paleo-hebraico foi substituído pelo alfabeto quadrático, os escribas tiveram de fazer adaptações. O rolo do profeta Isaías, por exemplo, é datado do ano 100 a.C. É exatamente o mesmo texto da Bíblia Hebraica, exceto por uma diferença de apenas 17 letras no capítulo 53.
As inúmeras profecias são exclusividade das Escrituras Sagradas e provas visíveis de sua inspiração e autenticidade. Muitas delas já se cumpriram em relação a muitos povos, tanto na Antiguidade como na atualidade. Um exemplo é a queda de Babilônia: “E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada, nem reedificada de geração em geração” (Is 13.19, 20). Essa profecia foi proferida quando a Babilônia estava no apogeu de sua glória. Hoje, no entanto, essa Palavra se cumpre diante de nossos olhos.
A Bíblia anunciou de antemão a dispersão dos judeus, mas profetizou seu retorno à terra de seus antepassados. Depois de cerca de 1.800 anos na diáspora, os filhos de Israel retornam para sua terra, e em um só dia nasceu uma nação (Is 66.8). Essa Palavra diz respeito à fundação do Estado de Israel logo após a derrocada do nazismo.
Não é possível enumerar todas as profecias aqui. Mas destacamos as profecias sobre reis, como Ciro, rei da Pérsia, e Alexandre, o Grande, em Isaías 44.28; 45.1 e Daniel 8.21, 22, além das profecias messiânicas cumpridas em Jesus, desde o seu nascimento de uma virgem, em Belém, conforme Isaías 7.14 e Miqueias 5.2, até a sua ascensão, registrada em Salmos 24.7-10. Tudo isso faz da Bíblia um livro sui generis, que não se assemelha a nenhum outro e está acima de qualquer outro já produzido no mundo. A Bíblia declara a si mesma como a infalível Palavra de Deus: “a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is 40.8) e em fraseologia similar: “mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pe 1.25). É o único livro que se apresenta como a revelação escrita do verdadeiro Deus e com um propósito definido: a redenção humana.
A VERSÃO DOS SETENTA
A Septuaginta é a primeira tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego. O termo “Septuaginta” vem do latim e significa literalmente “septuagésimo”, tendo sido usado pela primeira vez por Eusébio de Cesareia em História Eclesiástica. Agostinho de Hipona foi o primeiro a chamá-la de a “Versão dos Setenta”, em A Cidade de Deus. O termo “Septuaginta” é uma forma abreviada da expressão latina interpretatio Septuaginta virorum, “a tradução pelos setenta homens”, similar à forma grega katá tou hebdomēkonta, “conforme os setenta”, ou hoi hebdomēkonta, “os setenta”, todos usados por escritores cristãos do segundo século para referir-se ao Antigo Testamento Grego. Hoje é conhecido também pelo nome de “Versão dos Setenta, Versão de Alexandria” e identificado pelos algarismos romanos “LXX”.
A tradução do Pentateuco do hebraico para o grego aconteceu na metade do século III a.C., por 72 eruditos judeus enviados de Jerusalém para Alexandria; nos séculos seguintes, os outros livros do Antigo Testamento foram traduzidos. Foi um empreendimento cultural sem precedentes na história da civilização ocidental, pois a revelação divina saía do confinamento judaico para se tornar universal. Era o pensamento religioso semita à disposição do Ocidente numa língua indo-europeia.
Sua influência nos escritores do Novo Testamento foi determinante, servindo de ponte linguística e teológica entre o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo. Tanto os apóstolos como os antigos escritores cristãos encontraram na Septuaginta uma fonte de conceitos e termos teológicos para expressar o conteúdo e o pensamento cristão. Ela foi usada pelas gerações de judeus helenistas em todas as partes do mundo antigo. Foi a Bíblia adotada pelos cristãos de língua grega, como disse Agostinho no século V: “A Igreja recebeu a versão dos Setenta como se fora única e dela se servem os gregos cristãos, cuja maioria ignora se há alguma outra. Dessa versão dos Setenta fez-se a versão para o latim; é a usada nas igrejas latinas. Serve, ainda, como fonte importante para o estudo da história da Bíblia Hebraica” (A Cidade de Deus, livro 18.43).
A TRADUÇÃO PARA OUTRAS LÍNGUAS TEM A APROVAÇÃO DIVINA
O projeto de tradução das Escrituras dos judeus para a língua grega num período em que nem mesmo o cânon estava fixado mostra ser a Bíblia um livro traduzível por natureza, sendo ao mesmo tempo o prenúncio de milhares de línguas para as quais a Palavra de Deus seria traduzida – as primícias de uma grande ceifa de versões em todo o mundo. A Bíblia completa está traduzida em 563 idiomas, o Novo Testamento em 1.334 línguas, e as porções bíblicas em 1.038 línguas. O total é de 2.935 línguas. São dados publicados pela revista A Bíblia no Brasil citada acima.
É a vontade de Deus que a sua Palavra seja conhecida por todos os povos e nações na sua própria língua. Essa aprovação divina é reconhecida pelo uso do grego na redação do Novo Testamento e pelas inúmeras citações diretas da Septuaginta. Isso mostra que não importa a língua, mas o conteúdo da mensagem. A Septuaginta “no transcorrer dos anos veio a ser o Antigo Testamento por excelência dos cristãos no vasto império romano. Quando a LXX foi acrescentada à coleção de livros do Novo Testamento era o surgimento de um novo livro, a Bíblia Cristã” (SOARES, 2009, p. 56).
1 Pa/sa grafh. qeo,pneustoj kai. wvfe,limoj.
2 Compare ἄξιος γὰρ ὁ ἐργάτης τοῦ μισθοῦ αὐτοῦ (Lc
10.7) com ἄξιος ὁ ἐργάτης τοῦ μισθοῦ αὐτοῦ (1 Tm 5.18).
A RAZÃO DA NOSSA FÉ
Esequias Soares
Ø Portal Gospel Prime
No segundo domingo de dezembro é
comemorado o Dia da Bíblia. A data comemorativa foi criada em 1549, na
Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer. A ideia era que a população intercedesse em
favor da leitura das Escrituras, que não eram de fácil acesso na época.
No Brasil,
a data começou a ser celebrada em 1850, por influência dos primeiros
missionários cristãos evangélicos. Oficialmente, a primeira manifestação
pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, em
São Paulo.
Desde
dezembro de 2001, a comemoração passou a integrar o calendário oficial do país,
graças à Lei Federal 10.335, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em
todo o território nacional. A cada ano é escolhido um tema, o de 2015 é “A
Bíblia na evangelização do Brasil”.
1
– A Bíblia foi o primeiro livro impresso do mundo, é o mais traduzido e o
mais vendido
Em 1460, o
alemão Johannes Gutenberg finalizou um trabalho que demorou 5 anos. A invenção
da prensa com tipos móveis revolucionou o mundo. O primeiro livro impresso dessa
maneira foi a Bíblia e isso foi fundamental para a Reforma Protestante.
Continua
sendo o livro mais vendido do mundo desde então. Segundo as estatísticas mais
recentes, ela já foi traduzida em cerca de 2900 línguas e dialetos.
Em 2014,
somente as Sociedades Bíblicas Unidas (SBU) distribuíram
34 milhões de exemplares em todo o mundo. Considerando somente o
Brasil, foram 7,6 milhões de volumes impressos pela Sociedade Bíblica do Brasil
(SBB), que publica as versões evangélicas. São mais cerca de 3,4 das católicas, totalizando
11 milhões.
2
– Capítulos e Versículos
A Bíblia só
foi dividida em capítulos no ano de 1250, segundo organização do cardeal Hugo
Caro. Em 1550, Robert Stevens dividiu os capítulos em versículos. Ela possui
1189 capítulos (929 no AT e 260 no NT). Dependendo da versão, cerca de 31.100
versículos.
3
– Não há nenhuma descrição da aparência de Jesus na Bíblia
Nenhum
versículo da Bíblia descreve a aparência de Cristo em nenhum momento. As
centenas de maneiras como ele é representado são liberdades criativas dos
autores das imagens que o representam.
Segundo
as Escrituras, ele tinha a aparência de um homem normal do Oriente
Médio. Como a Europa foi o centro de divulgação do cristianismo por séculos, a
imagem de um Jesus de cabelos e olhos claros é influência da percepção de mundo
que eles tinham.
4 –
“Deus” não está em todos os lugares
Apesar de o
Senhor ser o centro da revelação, a palavra “Deus” não aparece nos livros de
Ester e de Cantares (ou Cântico dos Cânticos).
5
– O meio da Bíblia
O Salmo 118
é o capítulo que está no ‘meio’ da Bíblia. Há 594 capítulos antes e depois
dele. O versículo que se encontra bem no centro da Bíblia é o versículo 8 deste
Salmo.
6 – O
maior e o menor capítulo
Nos
originais, o Salmo 119 é o capítulo mais longo da Bíblia, é um acróstico. Os
176 versículos são divididos em 22 seções de oito versos cada uma,
correspondendo a cada uma das letras do alfabeto hebraico.
O menor é o
Salmo 117, com apenas dois versículos.
7
– O maior e o menor versículo
O maior
versículo é Ester 8:9 (possui 415 caracteres no original) e o menor é Êxodo
20-13 (com 10 letras).
8
– Uma ‘Bíblia’ dentro da Bíblia?
O Livro de
Isaías assemelha-se a uma pequena Bíblia. São 66 capítulos, mesmo número de
livros das Escrituras. Os primeiros 39 falam da história passada, e os 27
restantes apresentam promessas do futuro.
9
– Livros da Bíblia que tem apenas 1 capítulo
Obadias,
Filemom, II João, III João e Judas são os livros bíblicos que possuem apenas um
capítulo. II João é o menor deles, possuindo somente 13 versículos.
10 – Formação
do Novo Testamento
Tiago foi o
primeiro livro do Novo Testamento a ser escrito. Segundos os estudiosos, entre
45 e 48 d.C. Os Evangelhos foram escritos pelo menos 10 anos depois de Tiago. O
último livro do Novo Testamento foi também o último a ser escrito, o Apocalipse
(do apóstolo João) só foi escrito entre 95 e 100 d.c.
Fonte: https://noticias.gospelprime.com.br/10-curiosidades-dia-da-biblia




Nenhum comentário:
Postar um comentário