3 8 | As
Ordenanças de Cristo
para as Cartas
Pastorais
Capítulo 3
A Oração e o Comportamento
Cristão no Culto
O objetivo principal das cartas pastorais de Paulo a Timóteo
e a Tito era o combate aos falsos mestres, e a boa organização das igrejas e do
ministério. Mas ele sabia que as igrejas precisavam de muito mais, além das
recomendações objetivas. N o capítulo 2 de sua primeira carta a Timóteo, ele
começa orientando o jovem pastor acerca da necessidade premente e indispensável
da oração.
I - ORAÇÃO POR TODOS OS HOMENS
1. Quatro Tipos de
Oração Com o um excelente professor (didaskalos), Paulo transmite a seu
discípulo ensinos acerca do valioso e indispensável recurso da oração. Ele
sabia que a oração é o meio mais eficiente da comunicação com Deus. N o Pai
Nosso, Jesus ensinou a orar de modo altruísta, e não individualista: “Pai
nosso”, e não “meu Pai”; “venha a nós”, e não “a mim”; “o pão nosso” e não “meu
pão”; “nos dá hoje”, e não “me dá hoje”; “perdoa as nossas dívidas”, e não “as
minhas dívidas”; “não nos deixeis cair”, e não “não me deixe cair”. O Mestre
Jesus não só ensinava, mas praticava a oração. Paulo também não vivia da
teoria. Vivia o que ensinava. Não nos esqueçamos de que ele estava escrevendo a
Timóteo, mas seu alvo era a igreja de Éfeso. A igreja local, no sentido
coletivo. Com o bom discípulo de Jesus, Paulo também ensina que se deve orar
“por todos os homens” . Poderia ter ficado nessa admoestação, e já teria
alcançado seu objetivo, mostrando a Timóteo que é necessário não excluir
ninguém nas orações da igreja local, ou seja, da oração comunitária. Na oração
individual, o crente pode tomar tempo orando por si, por seus problemas, por
sua família. Mas na oração da igreja, esta deve voltar-se para a oração “por
todos os homens” . Mas além de referir-se a “todos os homens”, Paulo ressalta a
importância de a igreja orar pelas autoridades constituídas, de um a forma ou
de outra, com permissão de Deus.
Com o tudo indica que
a heresia que mais perturbava a igreja em Éfeso era o gnosticismo, Paulo se
contrapôs à sua visão acerca dos homens. Para os gnósticos, a maioria dos
homens não merecia nada a não ser a destruição total. Conforme Champlin1, eles
ensinavam que havia três tipos de homens: os “hylikoi”, ou homens “materiais”,
que só valorizavam a matéria, que é má, e seriam destruí-dos com ela; os
“psychoi” , ou “meio-espirituais”, que não teriam alcançado a iluminação
mística — esses poderiam ser redimidos, mas em níveis inferiores; e,
finalmente, os “pneumatikoi” , ou seja, “os espirituais”, que possuíam os
conhecimentos “místicos” ou “gnosis” (de onde vem o termo gnosticismo), e
seriam de nível espiritual muito elevado e glorioso, os plenamente salvos, na
com unhão com Deus. Por esses seria necessário orar. M as, pelos outros, “os materiais”,
ou a maioria dos homens, não faria sentido.Ante essa visão deturpada dos
homens, Paulo diz a Timóteo que se deve orar “por todos os homens” e “pelos
reis e por todos os que estão em eminência” (2.2). Assim , Paulo exorta a fazer
quatro tipos de oração:
1) “Deprecações” O
termo (gr. deesis) significa “suplicar, implorar, rogar por” alguém ou alguma
coisa (Dicionário Houaiss). Dá a entender um tipo de oração que é feita com o
intercessão a Deus por todos os homens, de modo ardente, dramático, compassivo.
2) “Orações” Alguns
estudiosos entendem que Paulo usava os termos como sinônimos, não havendo
necessidade de se especificar quatro tipos de oração. M as nos parece mais
interessante fazer essa distinção didática para efeito de destacar alguns
aspectos importantes, visto que, no original grego, as palavras empregadas são
diferentes. “Orações” (gr. proseuche)
refere-se ao termo com um para as orações em geral. Sejam de súplica, de
louvor, de intercessão, etc.
3) “Intercessões” Tem o sentido de “intervenção, mediação,
interferência, intermédio” (Dicionário Houaiss). Do grego enteuxis,
significando “apelar para”, ou intercessões em geral, que se fazem em favor de
alguém.
4) “Ações de graça ”
Vem do termo grego eucharistia. A expressão é autoexplicativa, denotando
orações em que a pessoa expressa sua gratidão a Deus por bênçãos recebidas, ou
até por coisas adversas. Por isso, Paulo diz: “Em tudo dai graças, porque esta
é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.18; E f 5.20). Daí,
porque não concordam os com a ideia de que os quatro termos aqui usados são
apenas sinônimos. Quem presta “ações de graça” não roga ou suplica. M as
agradece e louva. Toda súplica é uma oração, mas nem toda oração é um a
súplica; toda intercessão é oração, mas nem toda oração é um a intercessão;
toda ação de graças é oração, mas nem toda oração é ação de graças. Essas
orações devem ser feitas “por todos os homens” e “por todos os que estão em
eminência”, tendo em vista um objetivo muito importante, na visão de Paulo:
“para que tenhamos um a vida quieta e sossegada, em toda a piedade e
honestidade”.
Paulo foi realista nessa admoestação. A igreja é espiritual,
instituição divina, mas vive no meio social, político, humano. E não pode
isolar-se da realidade em sua volta. Ele sabia que, mesmo os cristãos, só podem
ter “uma vida quieta e sossegada” se o contexto em que vivem tem estabilidade
social e política, se houver segurança, ordem e respeito aos direitos das
pessoas.
2. A Salvação de Todos
— a Vontade de Deus Paulo não se esquecia da missão
primordial da igreja: a proclamação do evangelho de Cristo para a salvação dos
homens (1 T m 2.4). Esse é o desejo divino: a salvação da humanidade. Mas
essa salvação não é automática, nem incondicional. Pelo contrário. Ela requer a
resposta do homem, detentor do livre-arbítrio, como ser criado à “imagem” e
“semelhança” de Deus. Deus “amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito” para morrer pela salvação do homem, mas só se torna eficaz para
“todo aquele que nele crê” (Jo 3.16). Deus quer que “todos os homens se salvem”
ao mesmo tempo em que “venham ao conhecimento da verdade”. Ou seja, da verdade
do evangelho, da verdade de Cristo. N o mundo, atualmente, calcula-se que haja
cerca de 40.000 religiões, seitas ou movimentos religiosos, de todas as
origens, credos, crenças, filosofias, doutrinas, etc. E cada uma dessas
“religiões” diz possuir “a verdade”. A maioria delas não crê em Deus, no Deus
da Bíblia, Criador do universo e do homem. Crê em “deuses” e “deusas”, em “entidades”
ditas espirituais. E, no meio desse emaranhado de “verdades” , o homem está
perdido, sem saber quem é, de onde veio e para onde vai. Isto é: totalmente
perdido.
Só há salvação em Cristo, que é “a verdade” e não um a
verdade. Essa é a motivação por que Paulo exorta à oração universal, “por todos
os homens”. Nunca ela foi tão necessária.
A humanidade do
século XXI está perdida. Apenas 1/3 dos habitantes do planeta diz crer em Deus.
Ou que é cristão. N o entanto, nessa pequena parte dos
homens, apenas “poucos, escolhidos” (Mt 22.14). A razão por que os salvos
sempre foram, e serão, a minoria, no mundo, é que, para isso, os homens
precisam entrar pela porta estreita: “E porque estreita é a porta, e apertado,
o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7.14). Para que
orar pelos homens, se já está previsto que “poucos” serão os salvos? Exatamente
por isso, para que esse pequeno número seja alargado, aumentado, em sua
proporção em relação à humanidade. Paulo
sabia e ensinou a Timóteo que a salvação não é alcançada por meio de qualquer
deus ou deusa, como os gnósticos ensinavam. Disse ele: “Porque há um só Deus e
um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem, o qual se deu a si
mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo” (1
Tm 2.5,6). Essa declaração é fundamental no plano da salvação. “Há um só Deus.”
O Diabo tem feito tudo para tirar Deus da mente dos homens, ou afastá-lo deles.
Mas a Bíblia é clara quanto à revelação que Deus fez de si mesmo à humanidade.
“Deus, em sua infinitude, é incompreensível à mente finita do homem. [...] Mas
Ele mesmo resolveu revelar-se ao homem. Por intermédio de Cristo, em seu amor,
Deus enviou o que de melhor se pode conhecer a seu respeito: “E a vida eterna é
esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem
enviaste” (Jo 17.3). E possível conhecer Deus, por meio da revelação, mas de
modo limitado, pois o finito não pode abarcar aquEle que é infinito. A salvação
é para todos, pois essa é a “vontade de Deus”. Mas só serão salvos os
que aceitarem a dádiva de Deus em Cristo Jesus. “Ouvindo a pregação do
evangelho, o pecador só tem duas atitudes: crer ou não crer. Não há um meio
termo em relação a isso. Se crer, de acordo com a Palavra de Deus, será salvo.
[...] Quem crê, ouvindo a Palavra, a pregação do evangelho, que Jesus Cristo é
o único Salvador, “não é condenado”. É salvo, portanto. Quem , ouvindo a
Palavra, não crê que Jesus Cristo é o Salvador, “já está condenado, porquanto
não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.
1 1 -0 TRAJE DAS MULHERES CRISTÃS
Nas instruções de Paulo a Timóteo, para a igreja em Efeso,
nota-se um a mudança rápida, que parece não ter nada a ver com o texto
antecedente. N o versículo 8, Paulo fala do comportamento dos “homens” ,
relativo à maneira de orar em público. D e modo aparentem ente desconexo, o
apóstolo passa a exortar acerca do comportamento das mulheres cristãs, no que
tange ao seu vestuário, adentrando num terreno polêmico dos “usos e costumes”
(1 T m 2.9,10). A expressão “do mesmo
modo” faz a ligação entre o que Paulo ensinava sobre a oração pelos
homens, indicando que as mulheres também deveriam orar com o mesmo cuidado (com
“mãos santas, sem ira nem contenda”. E acrescentou o cuidado que elas deveriam
ter com seus trajes, na reunião cristã. Assim , os homens estão incluídos no
contexto de suas recomendações pastorais. O s trajes das mulheres não cristãs
não eram nada recatados. Vestidos de seda, finíssimos, atraíam os olhares dos
homens para o corpo das mulheres, que não usavam qualquer vestimenta íntima,
exibindo toda a sua sensualidade. Grande parte das mulheres cristãs era oriunda
daquele ambiente mundano. Paulo escreveu que as mulheres cristãs devem
ataviar-se ou vestir-se “em traje honesto, com pudor e modéstia, não com
trancas, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos” (2.9). Ataviar-se vem
do termo grego kosmeo, que tem o significado de “adornar-se”, “tornar
atrativo”. Reflete o desejo natural da mulher de embelezar-se (desse termo, vem
a palavra cosmético). Desde que esse desejo seja moderado, decente e sujeito à
simplicidade ensinada por Cristo (Mt 10.16), não há qualquer recriminação com
base na doutrina cristã.
1) Traje honesto É
sinônimo de decoroso, decente (gr. katastole), com sobriedade, ou simplicidade.
O traje da mulher cristã deve ser diferente de vestes usadas por mulheres
ímpias, que não têm temor de Deus. Um traje honesto quer dizer traje que revela
o caráter de quem o usa. Depois da Queda, no Éden, a primeira providência de
Deus foi cobrir o corpo do homem e da mulher. Na contramão de Deus, Satanás
procura descobrir o que Deus cobriu em público. Infelizmente, muitas mulheres
cristãs não valorizam esse aspecto da santidade do corpo, que deve ser “templo
do Espírito Santo” (1 C o 6.19) e não objeto de exibição sensual ou carnal.
2) Traje com pudor Pudor tem o sentido de “recato, vergonha,
modéstia, seriedade” (Dicionário Houaiss). “Sentimento de vergonha; sensação de
mal-estar e de timidez que podem ser provocadas por algo contrário aos bons
costumes (inocência)”.3 As definições do léxico demonstram de modo claro o que
deve ser um “traje com pudor”. O ensino de Paulo à igreja em Efeso, por meio de
Timóteo, é de uma atualidade desconcertante. Aplica-se como um a luva ao que
está acontecendo em muitas igrejas locais.
3) Traje com modéstia Modéstia significa “simplicidade,
singeleza, despretensão”. Paulo se referia a esses sentidos para a modéstia nos
trajes femininos. Além de ter honestidade (verdadeiro) e pudor (recato), o traje
da mulher cristã deve ser “honesto”, com singeleza e simplicidade. Ou seja, sem
exibicionismo, sem chamar a atenção para quem os usa. Calvino, um dos grandes
reformadores, do século XVI, dizia: “Onde a cobiça reina no íntimo, não haverá
modéstia nas vestes exteriores”. Acrescenta ainda: “A vestimenta de uma mulher
piedosa tem de ser diferente das vestes de uma prostituta, se a piedade tem de
ser provada pelas obras, a verbalização de ser crente também precisa ser
visível em vestes decentes e apropriadas”.
III - A MULHER NA IGREJA EM ÉFESO
1. A Submissão ao Esposo e o Silêncio no Culto Na sequencia
da carta a Timóteo, Paulo se refere à posição da mulher na igreja local, em
Efeso, certamente em vista de fatos observados naquela igreja, que sofria as influências
do mundanismo e do materialismo grego. Seu ensino deve ter sido bem
compreendido e aceito, no período neotestamentário. Nos dias presentes, em meio
a um mundo relativista, humanista e hedonista, sem dúvida, o ensino paulino
encontra muita resistência, críticas e polêmicas quanto ao papel da mulher e
sua postura na igreja local. Ele escreveu: “A mulher aprenda em silêncio, com
toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade
sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (1 T m 2.11,12). Esse é um dos
textos mais polêmicos e criticados das epístolas paulinas. Mais polêmico que
esse só o texto em que Paulo ensina que “as mulheres estejam caladas nas
igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também
ordena a lei” (1 C o 14.34). N o contexto histórico e cultural da igreja em
Éfeso, a realidade do ambiente eclesiástico certamente era bem diferente do que
vemos em nossos dias. Naquela sociedade oriental, uma mulher não poderia
aparecer em público. Champlin diz que “Extremamente poucas mulheres
freqüentavam escolas ou aprendiam a ler e escrever”.5 N a sinagoga, as mulheres
jamais tinha oportunidade para falar e muito menos para ensinar. Foi para uma
igreja inserida nesse ambiente que Paulo escreveu tão estranha admoestação às
mulheres. Não se deve aplicar esse preceito de modo literal às mulheres
cristãs, de todas as igrejas, pois o evangelho da graça de Deus é inclusivo no
sentido do culto ou da adoração a Deus. Concluir que todas as mulheres, no culto
cristão, devem ficar mudas, seria uma interpretação fora de contexto. Se fosse
verdade, somente os homens poderiam cantar, orar ou glorificar a Deus em alta
voz, como acontece normalmente, nos cultos das igrejas cristãs. A submissão da
mulher ao seu marido é preceito cristão. Doutrinando aos cristãos de Éfeso,
Paulo foi bem explícito sobre esse aspecto do relacionamento entre os cônjuges
cristãos. “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o
marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele
próprio o salvador do corpo. Vós, maridos, amai vossa mulher, como também
Cristo amou a igreja e a si m esmo se entregou por ela” (E f 5.22,23,25). Nesse
texto, temos um a recomendação de caráter mais abrangente do que a que foi
escrita a Timóteo, em sua primeira carta. Ali, as recomendações eram bem
particulares para as mulheres da igreja de Éfeso. N o texto de Paulo aos
efésios, podemos depreender que se trata de um a exortação às mulheres cristãs
em geral. Ele demonstra que a submissão da mulher ao esposo tem um caráter
espiritual e social. Deve-se ressaltar que a submissão da esposa ao esposo não
se deve à pretensa superioridade do homem sobre a mulher. D e forma alguma. A
partir do casal, forma-se o grupo social que dá origem à família. A boa ética
da administração de grupos indica que é necessária a definição de quem é o
líder de um grupo. Sem líder não se tem um “grupo”, mas um “bando”, sem
ordem , sem direção, sem objetivos. O marido é o líder, na recomendação bíblica.
Mas não é o dono da mulher nem o dono da família. Só merece a submissão da
esposa se ele se com portar de modo legítimo e correto, sob os ditames dos
preceitos cristãos. A esposa cristã, portanto, devem submeter-se ao esposo, to
ando como referência a submissão da Igreja a Cristo, “com o ao Senhor”. De igual modo, essa submissão tem que ser
consciente , amorosa e por obediência à Palavra de Deus. 2. As Mulheres no Novo
Testamento Cristo, em seu ministério terreno, teve a cooperação de diversas
mulheres, que atuavam
ao seu lado como obreiras a serviço do Reino (Lc 8.1-3). Hoje, há uma
participação maior das mulheres nas igrejas, onde ocupam posições jamais
imaginadas em tempos passados. As mulheres podem assumir importantes funções
eclesiásticas, mesmo que não façam parte de cargos e funções no ministério
regular, em que os ministros e obreiros em geral são admitidos mediante
ordenação ou consagração. Há igrejas que ordenam mulheres ao ministério;
outras, não aceitam essa ordenação, por não encontrarem respaldo claro nas
Escrituras. De qualquer forma, no cristianismo, a mulher deixou de ser um a
cidadã de segunda ou terceira categoria. Mesmo considerando o contexto cultural
de sua época, o ensino de Paulo tem grande significado quanto ao comportamento
feminino nas igrejas locais, extensivos, sem dúvidas, também , aos homens. O
apóstolo tinha em mente que, na Grécia, o culto pagão era por excelência
misturada com práticas e rituais libertinos. Havia cultos a deuses do panteão
grego, em que os fiéis praticavam atos sexuais no recinto das reuniões. N o
culto a Afrodite, a “deusa do amor”, as sacerdotisas eram conhecidas como
“prostitutas sagradas”. Elas tinham relações com rapazes, em troca de ofertas,
no levantamento de fundos para os templos. Naquele ambiente cultural, muitas
mulheres se convertiam a Cristo, com seus maridos, ou não, e gostariam de
representar um papel de liderança e hegemonia no culto cristão. Paulo constatou
que havia mulheres “néscias, carregadas de pecado” (2 T m 3.6). Por isso é possível
que Paulo tenha resolvido doutrinar a respeito do traje das mulheres, nas
reuniões solenes ou no culto público. E
inistrou um a das m ais oportunas e consistentes doutrinas acerca do
traje cristão, com o foi visto no item 1. Como nos referimos a 1 Coríntios
14.34, em que Paulo ensina que a mulher deve estar calada na igreja, devemos
entender que Paulo escrevia à igreja em Corinto, na Grécia. M as o texto
demonstra que o culto em Corinto sofria as influências dos costumes ou da
cultura da época e do lugar. Não deve ser tomada ao pé da letra, visto que
Paulo valorizou, e muito, o trabalho das mulheres na Igreja Primitiva. E
enaltece o trabalho várias mulheres, como: Febe, Priscila (líder), Maria,
Júnia, Trifena, Trifosa, Pérside, Júlia, Olimpas. (Ver Rm 16.1-15) Essas
mulheres eram cooperadoras fiéis e muito ativas. Não poderiam permanecer
silentes ou mudas, servindo ao Senhor.
CONCLUSÃO
No trecho da primeira carta de Paulo a Timóteo, ora em
estudo, vemos preceitos significativos não só para a igreja em Éfeso, mas para
toda a igreja cristã, em todos os tempos. No que tange à oração, não resta
qualquer dúvida quanto à aplicação dos ensinos paulinos a todos os crentes, em
qualquer época. Em qualquer lugar ou em qualquer tempo, devemos fazer súplicas,
intercessões e ações de graças diante de Deus. No que concerne ao comportamento
cristão, Paulo deu um destaque incisivo quanto à postura das mulheres,
especialmente às irmãs de Éfeso, tendo em vista o contexto liberal e lascivo do
ambiente em que viviam antes da conversão. M as os preceitos comportamentais às
mulheres cristãs podem ser aplicados aos homens, pois Deus não discrimina
ninguém, nem faz acepção de pessoas (D t 10.17), quando estas se submetem à sua
vontade.
VESTUÁRIO : NOVO MANUAL DOS USOS E COSTUME S DOS TEMPOS
BÍBLICOS
O guarda-roupa do indivíduo que vivia nos tempos bíblicos
era básico. Uma tanga (talvez) era usada por baixo da túnica, e também se usava
alguma forma de cobertura para a cabeça. Calçados e casaco eram opcionais. As
pequenas variações nesse padrão durante os dias bíblicos ficavam no terreno das
cores, material e estilo, em vez de nas provisões básicas, pois roupas desse
tipo se adaptavam melhor a um clima relativamente quente. Paulo usava a túnica
presa na cintura por um cinto, como uma metáfora para o estilo de vida do povo
escolhido de Deus (Cl 3.12), e todos compreendiam que ele falava do que era
básico. A roupa de baixo, quando usada, era uma tanga ou saiote.
Pedro usava a tanga
quando ficava “nu” ou “despído” no barco de pesca da família (Jo 21.7). Jesus
foi crucificado usando apenas a tanga, porque os soldados já haviam removido
sua túnica (Jo 19.23).
A Túnica
A túnica era a peça essencial, sendo feita de dois
pedaços de material, costurado de forma que a costura ficasse horizontal, à
altura da cintura. Quando eram tecidas listas no material do tear, elas caíam
verticalmente no tecido acabado. A túnica era como um saco em muitos aspectos.
Havia uma abertura em V para a cabeça, e cortes feitos nas duas laterais para
os bra ços. A túnica era geralmente vendida sem a abertura em V, para provar
que era realmente nova. O material podia ser lã, linho ou até algodão, segundo
as posses do usuário. As túnicas feitas de pano de saco ou pêlo de cabra eram
muito desconfortáveis por causarem irritação na pele. Só eram então usadas em
épocas de luto ou arrependimento.
As túnicas masculinas eram quase sempre curtas e coloridas;
as das mulheres chegavam aos tornozelos e eram azuis, com bordados no decote em
“V”, o que em alguns casos indicava a aldeia ou região do usuário. A túnica
usada por Jesus deve ter sido da última moda, por não ter a costura central.
Teares preparados para acomodar o comprimento total da túnica só foram
inventados nos seus dias (veja Jo 19.23). A túnica era presa à cintura por um
cinto de couro ou tecido áspero. O cinto tinha às vezes uma abertura, para
colocar um bolso onde guardar dinheiro ou outros pertences pessoais (Mc 6.8). O
cinto era também útil para enfiar armas ou ferramentas (1 Sm 15.13).
Quando os homens
precisavam de liberdade para trabalhar ou correr, levantavam a barra da túnica
e a prendiam no cinto, tendo assim maior liberdade de movimento. Isso era
chamado de “cingir os lombos”, e a frase tornou-se uma metáfora para os
preparativos. Pedro recomenda, por exemplo, discernimento claro, aconselhando
os cristãos a cingirem o seu entendimento (1 Pe 1.13). As mulheres também
levantavam a barra da túnica — no caso delas — para levarem coisas de um lugar
para outro. Não eram usadas roupas de dormir no fim do dia; o cinto era
afrouxado e a pessoa deitava-se com a sua túnica.





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