LIÇÃO 4 Lição 4 – Pastores e Diáconos
Capítulo 4
A
Função dos Bispos e Diáconos
A exortação
de Paulo reveste-se de grande significado. O s bispos eram pastores que
cuidavam de todo o rebanho que lhes fora confiado pelo Espírito Santo. O VERBO
APASCENTAR é emprestado da atividade pastoril, em que os pastores alimentavam
as ovelhas e outros animais que necessitavam de alguém que deles cuidassem.
Apascentar a Igreja de Deus” não é qualquer tarefa comum, nem confiável a
qualquer um que aspire uma função de liderança na igreja. Por isso, ante a
confusão que reinava na igreja de Éfeso, em meio à disseminação das heresias
gnósticas, Paulo doutrinou sobre as funções ou qualificações dos bispos e dos
diáconos. Ele tinha em mente a necessidade de haver ordem na igreja e no culto
cristão, a necessidade de ordem no culto (1 C o 14 26.40). Paulo tinha um a
visão de administração eclesiástica. Ele sabia que só pode haver decência e
ordem se houver organização. E a organização exige liderança. N o Novo
Testamento, a palavra bispo tom a emprestado o sentido que lhe é dado na área
da administração. Bispo é o supervisor, administrador. É um líder da
organização. O pastor de um a igreja local tem essa função de mordomo dos bens
espirituais e materiais da C asa do Senhor.
2. A Chamada
Se, hoje, quando há tantos obreiros aspirando
ao ministério, ser um bispo ou presbítero é considerada oportunidade valiosa
para quem deseja servir a Deus, à época de Paulo, tinha muito mais
significância. Isso porque ter um a função de liderança na obra do Senhor não é
para qualquer um. O “candidato” ao episcopado pode desejá-lo, e isso não é nada
estranho.
M as, para
assumi-lo, é necessário, antes de qualquer requisito, ter a “chamada
específica” da parte de Deus. Aquela convocação pode ser interior, por meio da
voz de Deus falando ao coração, ou de outras formas externas, como veremos a
seguir. O episcopado não deve ser fruto de acordos e arranjos ministeriais, por
amizade, família ou condição social ou financeira. Deve ser resultado de um
relacionamento sério com Deus, o dono da obra. Paulo foi chamado desde o ventre
(G1 1.15). Nem todos são chamados assim. M as quem é chamado, não só tem a
convicção da chamada, mas apresenta um perfil que agrada a Deus. Não há um a
única forma da chamada.
1) Chamada
direta
Ela ocorre, quando Deus chama a pessoa e,
diretamente, lhe dá consciência íntima da missão a ser cumprida. Por exemplo:
Abraão (G n 12.1,2); Isaque (G n 26.1,2); Jacó (G n 31.3); Moisés (Êx 3.10). No
Antigo Testamento, via de regra, era essa a forma da chamada.
2) Chamada
indireta
Ocorre quando Deus chama alguém por intermédio
de um profeta, como no caso de Arão (Êx 4.13-16); Josué (Nm 27.18-23); por
intermédio de Jesus, no caso dos apóstolos (Mt 10.1-6); por meio da igreja,
como Matias (At 1.23-26); Barnabé e Saulo (At13.1,2), etc. O que “deseja o
episcopado” deve ter a humildade e a serenidade para esperar que Deus confirme
sua chamada, de modo direto ou por meio da igreja local, onde há líderes
comissionados por Deus, com delegação de autoridade para separar ou consagrar
obreiros para o ministério. Não deve lançar-se como um aventureiro em busca de
cargo ou de prestígio pessoal. O ministério é sacerdócio e muitas vezes é
sacrificial.
4) A chamada
e o envio
Entre o tempo da chamada e o tempo do envio de
um obreiro, há intervalos os mais diferentes. H á pessoas que são chamadas e
enviadas imediatamente.
H á chamadas
para o envio de obreiros, e há chamada de Deus para um a missão, cargo ou
função, na igreja local. Fato muito comum, em todas as igrejas cristãs. Diante
de todos esses requisitos, o bispo ou líder de um a igreja precisa reconhecer
que é Deus quem dá a liderança à igreja, mas não dá igreja a nenhum líder. A
Igreja é dEle: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e
outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento
dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef
4.11).
II -
ATRIBUIÇÕES E QUALIFICAÇÕES DOS BISPOS E DIÁCONOS (3.1-13)
1. Atribuições dos Bispos (1-7)
Considerando
a importância e a amplitude do episcopado, Paulo discriminou um a lista de
qualificações e atribuições dos bispos, presbí teros ou pastores, líderes da
igreja local. E indispensável compreendermos que qualidades ou qualificações
deve ter aquele que é chamado por Deus para exercer funções tão importantes na
obra do Senhor. Para alcançar a posição de um bispo, presbítero ou pastor, o
aspirante ao episcopado necessita conhecer quais atribuições e qualificações
precisam ter e desenvolver ao longo de sua vida ministerial. N o texto de 1
Timóteo 3.1-7, vemos algumas qualificações, que podem ser resumidas num
conjunto de indicações, que por sua vez podem ser divididas em três grupos:
1.1. Qualificações espirituais e ministeriais
1) Ter
condições de pregar a Palavra de Deus, sendo “apto a ensinar” (3.2 ; 2 Tm 2.1);
2) Ter bom testemunho diante da igreja e dos
descrentes (3.7);
3) NÃO SER
NEÓFITO, NOVATO, inexperiente (3.6);
4) Ser
vigilante, atento ao que se passa ao seu redor (3.2); 5) Saber depender de
Cristo para cumprir a missão (Jo 15.5; Fp 4.13).
1.2. Qualificações familiares
1) Ter vida conjugal ajustada, ser “marido de
um a mulher” (3.2); não só isso, mas amar a esposa, “com o Cristo am ou a
Igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25);
2) Demonstrar que governa bem sua família
(3.4);
3) Ter autoridade sobre a esposa (Ef 5.23);
4) Ter
autoridade sobre os filhos (3.4,5).
1.3. Qualificações morais e
emocionais
1) Ser “irrepreensível” (3.2), que não pode
ser acusado de algo que desabone sua conduta;
2) Ser honesto, sincero, verdadeiro (3.2);
3) Ser
“hospitaleiro”, ou acolhedor, que sabe tratar bem as pessoas (3.2);
4) “Não dado
ao vinho”, não usuário de bebidas alcoólicas (3.3);
5) “Não espancador” , ou seja, não violento,
agressivo (3.3; G1 5.22);
6) Não cobiçoso nem ganancioso (3.3);
7) Ser
“sóbrio” (3.2), simples, moderado (3.3);
8) “Não
contencioso” (3.2; 2 T m 2.24); 9) “Não avarento” (3.3; 6.10).
CONCLUSÃO
As funções
ministeriais de diácono e de presbítero são muito relevantes e necessárias à
boa ordem no ambiente de adoração e culto a Deus. São estabelecidas, com base
bíblica, para que as atividades das igrejas locais sejam bem organizadas e
contem com um a liderança eficiente e responsável. O s bispos ou pastores são
aqueles que cuidam das definições mais amplas da missão da igreja. O s diáconos
são obreiros, instituídos, biblicamente, para auxiliar os líderes cristãos, que
se dedicam ao estudo e à ministração da Palavra de Deus. Que o Senhor nos faça
entender que, sejam bispos, sejam diáconos, que “todos sejam u m ” 0 o 17.21),
sem hierarquização formalista, num sistema de poder. M as que todos tenham os a
mentalidade de servos a serviço dos servos de Deus.
As
Ordenanças de Cristo para
as Cartas Pastorais
Conselhos para obreiros
o príncipe dos pregadores orienta os ministros da igreja
C. H. Spurgeon
O zelo
frequentemente conduz à prudência e coloca um homem na posição de domínio do
discernimento, senão do talento. André usou a habilidade que possuía. Se
tivesse sido como alguns de meus jovens amigos, teria dito: “Eu deveria servir
a Deus. Ah, como gostaria de pregar! E eu deveria exigir que me dessem uma
grande congregação para pastorear”. Bem, existe um púlpito em cada rua de
Londres, e a maior porta para pregação é esta grande cidade sob o divino céu
azul. Entretanto, esse jovem zelote preferiria assumir um cargo mais fácil do
que pregar ao ar livre; e, como não é convidado para os grandes púlpitos, nada
faz. Como seria melhor se, como André, ele começasse a usar sua habilidade
entre aqueles que lhe são acessíveis e então desse um passo em direção a algo
maior, e daí para outra coisa, e assim avançasse, ano a ano! Se André não
tivesse usado os meios que tinha para converter seu irmão, provavelmente nunca
teria sido um apóstolo.
Cristo deve
ter tido suas razões para escolher aqueles apóstolos para o seu serviço. Talvez
o grande fundamento da escolha de André tenha sido o fato de ele ter sido um
homem zeloso. Jesus talvez tenha pensado: “André trouxe-me Simão Pedro; sempre
está falando com as pessoas individualmente. Farei dele um apóstolo”.
Leitor, se
você for dedicado na distribuição de folhetos e diligente na escola dominical,
provavelmente poderá se tornar um ministro; mas, se não quiser fazer nada
enquanto não puder fazer tudo, permanecerá inútil para o corpo — um estorvo
para a igreja, em vez de um ajudador.
Queridas irmãs em Cristo, nenhuma de vocês
deve pensar que não tem condições de fazer nada. Esse é um erro que Deus não
comete. Cada uma de vocês deve possuir algum talento que lhe foi confiado e uma
tarefa que ninguém mais pode fazer. Descubra qual é a sua esfera de atuação e
ocupe-se. Peça a Deus que lhe diga qual é o seu lugar e permaneça ali,
ocupando-o até que Jesus Cristo venha e a recompense. Use sua habilidade e use-a
já.
André
demonstrou sua sabedoria ao valorizar uma única alma. Dedicou todos os seus
esforços, inicialmente, a um só homem. Depois, sob o comando do Espírito Santo,
foi útil a muitos; mas começou com um. Que tarefa para um aritmético, calcular
o valor de uma alma! Uma alma vale todos os sinos celestiais tocando por seu
arrependimento. Um pecador que se arrepende faz que os anjos se regozijem. O
que aconteceria se passasse toda a vida trabalhando e suplicando pela conversão
de uma criança? Se você ganhar esta pérola, sua vida já terá valido a pena. Não
seja tolo e não fique desestimulado por causa de números ou por causa da massa
que rejeita seu testemunho. Se um homem conseguir ganhar um em um dia, pode
dar-se por satisfeito.
Talvez
alguém esteja pensando: “Como André persuadiu Simão Pedro a seguir Cristo?”.
Ele primeiro contou sua experiência e disse: “Achamos o Messias”.
André ganhou
a alma de seu irmão. E que grande tesouro ele ganhou! Aquele homem não era
outro senão Simão, o mesmo que, quando a primeira rede do evangelho foi
lançada, ganhou três mil almas em uma única pregação, em um único lançar de
rede! Pedro, um príncipe na igreja cristã, um dos poderosos servos do Senhor,
foi um conforto para André. Fico imaginando o que André diria em seus dias de
dúvida e temor: “Bendito seja Deus que transformou Pedro em uma pessoa tão
útil. Bendito seja Deus que me levou um dia a falar com Pedro! O que eu não
consigo fazer, Pedro ajudará a fazer; e, embora reconheça a minha incapacidade,
sinto-me grato porque meu querido irmão Pedro tem a honra de levar muitas almas
a Cristo”.
Depois que Jesus
concedeu Dons Espirituais aos homens, Ele mesmo, não outra pessoa, concedeu
Dons à Sua Igreja. Efésios 4:11: “E ele
mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para
profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”.
O pastorado
eficiente é um dom de Cristo. Não depende de um curso especial, nem é produto
de treinamento. Cristo deu a sua igreja (Efésios 4.11). Não pode ser
substituído por nenhum preparo intelectual. A instrução pode ser importante no
exercício do ministério pastoral, mas para que este seja uma verdadeira benção
para a igreja, necessita ser um dom vindo do alto.
Os dons do
Senhor, não só habilitam como também capacitam para o trabalho e levam aos
vocacionados a realizarem o trabalho do Senhor com zelo. Através da
experiência, notamos que aquele ministro cujo trabalho é infrutífero possui
apenas o título e não o dom. O evangelista que não tem mensagem e não ganha
almas, é alguém que recebeu um título inadequado.
Não é o título
que atrai o dom ministerial, ao contrario, o título deve corresponder ao dom
ministerial em evidência. O dom de pastor se qualifica por varias virtudes,
exigidas para este ofício.
PASTOR, CARGO OU DOM ESPIRITUAL?
Pastor: ποιμην (gr. poimen). De todos os ministérios cristão, o pastorado é o mais
conhecido em nossos dias. A função é tão honrosa, que o Antigo Testamento frequentemente
atribui a Deus o título de pastor de Israel ( Jr. 23:4; Sl. 23:1; Sl. 80:1 ).
O vocábulo
originalmente aplicado a um guardador de ovelhas significa apascentador, guia
protetor (Is. 40:11). Estas definições correspondem às varias fases das
atribuições e deveres do pastor. Como no caso dos demais ministérios,
encontramos em Jesus o grande exemplo de pastor.
A função
pastoral através do dom consiste na habilitação divina do ministro para
governar a igreja; na maneira correta de dirigir as reuniões, sem aquele
caráter de rotina, de uma liturgia sem vida, mecânica. Que não se deixe levar
pelo formalismo nem pelo fanatismo. Que sabe reconhecer e utilizar os valores
existentes na igreja. Que sabe orientar e instruir nas decisões a serem tomadas
pela assembleia, sem desprezar as opiniões construtivas dos demais. Que sabe ir
ao máximo de seus deveres e não excede ao limite de seus direitos.
Prof. Adaylton
de Almeida Conceição
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