INTRODUÇAO
O presente capítulo apresenta a ação soberana do Espírito
Santo, que conduz Paulo e Silas à Macedônia, estabele-
cendo a primeira igreja cristã em solo europeu.
A segunda viagem missionária de Paulo constitui um dos capí-
tulos mais notáveis da história da Igreja Primitiva e do avanço do
evangelho. Ela é um divisor de águas na história da vida cristã.
Na sua narrativa, o livro de Atos demonstra a transição decisiva
do cristianismo, que, até então, florescia entre os judeus para o
mundo gentílico. Mediante a obediência dos servos de Deus e da
direção do Espírito Santo, o evangelho rompe fronteiras culturais
e geográficas, alcançando o continente europeu, a começar pela
cidade de Filipos, principal cidade da Macedônia.
O capítulo 13 de Atos marca uma grande virada na narrativa do
livro. Até aqui, o foco estava principalmente em Jerusalém e na evan-
gelização dos judeus. A partir daqui, a atenção volta-se para a missão
entre os gentios, sendo transferida para Antioquia da Síria, onde havia
nascido uma igreja marcada por forte ardor missionário.
Os capítulos 13 a 28 descrevem a propagação do evangelho na
extremidade oriental do mundo Mediterrâneo e em direção ao
ocidente até Roma, a capital do Império Romano.
O texto de Atos 16-40, por sua vez, não narra apenas fatos
históricos, mas também revela a dinâmica espiritual da missão:
Deus direciona, abre corações, liberta oprimidos e salva famílias
inteiras. Aqui encontramos o retrato da Igreja em ação: evangeli-
zando, libertando e adorando mesmo em meio à perseguição. Essa
passagem mostra que a expansão da Igreja é resultado direto da
soberania de Deus e da fidelidade dos seus servos. Cada personagem
presente capítulo apresenta a ação soberana do Espírito
- Lídia, a jovem possessa e o carcereiro - simboliza um aspecto
do poder do evangelho que transforma todos os tipos de pessoas.
A expansão da Igreja, portanto, não é obra humana, e sim fruto
da ação soberana de Deus, que guia os seus servos e transforma
realidades. O Espírito Santo é o protagonista do livro de Atos, e
as viagens missionárias de Paulo são um testemunho vivo de que a
Igreja existe para ser missionária. A evangelização, o discipulado
e o envio constituem a essência da identidade cristã.
I - LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORA-
ÇÃO E FUNDA UMA IGREJA
1. A direção soberana do Espírito na segunda viagem
missionária
O apóstolo Paulo era um homem de visões: "E Paulo teve de noite
uma visão" (At 16.9; cf. 9.12; 18.9; 22.18; 26.19; 2 Co 12.1). Es-
sas visões que Paulo teve eram, às vezes, para encorajar e, outras
vezes - como aqui, por exemplo -, para dirigi-lo ao trabalho.
Um anjo apresentou-se diante dele para dizer-lhe que era da
vontade de Jesus que ele fosse à Macedônia. Disse-lhe também
que não se deixasse abater pelos impedimentos e proibições que
se lhe ocorriam repetidamente pelos quais as suas intenções eram
interceptadas. Embora não fosse aonde queria ir, Paulo iria aonde
Deus tinha trabalho para ele fazer.
A Deus não faltam maneiras para dirigir os seus filhos. Ele pode
dirigi-los mesmo por meio de visões e por meio de sonhos (ver At
2.17). Apesar de ser durante a noite, Paulo foi dirigido por uma visão
e não por sonho. Na visão, apresentou-se diante dele um varão da
Macedônia. O apóstolo é chamado para ir lá por um varão da Ma-
cedônia, que fala em nome dos demais. O anjo não deve anunciar o
evangelho aos macedônios, mas tem de levar Paulo a eles; nem deve,
pela autoridade de um anjo, ordená-lo que vá, mas deve, na pessoa
de um macedônio, solicitá-lo que venha. Esse macedônio honesto
rogava-lhe, dizendo: "Passa a Macedônia e ajuda-nos!" (16.9).
Lucas, o autor de Atos, passa a empregar pela primeira vez a
forma do verbo na primeira pessoa do plural, indicando que ele
mesmo se ajuntara ao grupo de missionários: "E logo depois desta
visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o
Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho" (v. 10).
A interpretação da visão que o apóstolo Paulo teve foi que eles
estavam prontos para ir aonde quer que fossem dirigidos por Deus.
Podemos concluir que Deus certamente nos chama quando
somos chamados por alguém. Se o varão da Macedônia diz "Vem
e ajuda-nos", Paulo, então, conclui que Deus diz: "Vá e ajude-os".
ministros trabalham com grande alegria e ânimo quando per-
cebem que foram chamados por Jesus Cristo não só para anunciar
o evangelho, mas também para anunciá-lo naquele momento,
naquele lugar e àquele povo.
O maior dos apóstolos nem sempre esperava uma visão para
descobrir o lugar onde devia trabalhar. Para ele, o fato de um campo
não ter o evangelho era suficiente para entrar e iniciar a obra. E
isso fazia se o Senhor permitisse-lhe ou não o impedisse (vv. 6,7).
"[ ... ] e estivemos alguns dias nesta cidade" (v. 12)
O que Paulo encontrou logo ao chegar à Europa não dava para
animá-lo para a obra de Deus. O homem da Macedônia, que
vira na visão e rogara que passasse para lá, não apareceu. Paulo,
contudo, não fez como fazem alguns missionários, concluindo
que se enganara acerca da chamada do Senhor, nem se assentou
esperando até que chegasse o homem; ele saiu a procurá-lo (v. 13).
II - A CONVERSÃO DE LÍDIA (vv.13-15)
1. Dados biográficos de Lídia
Lídia, a mulher que figura como personagem central de Atos
16.14 e seguintes, provavelmente devia o seu nome por causa da
sua vinculação com a província da parte ocidental da Ásia Menor.
Tiatira era uma cidade que ficava na região chamada Lídia,
na parte ocidental da Asia Menor. Por essa razão, alguns creem
que Lídia não seria o nome dessa mulher, mas simplesmente uma
alcunha ou apelido que os filipenses teriam atribuído a ela.
Ela residia em Filipos, uma colônia romana, principal cidade
da Macedônia, possivelmente por motivos comerciais, mas seria
originária de Tiatira ou, pelo menos, teria morado lá anteriormente.
Lídia era uma mulher de negócios, bem-sucedida, "vendedora
de púrpura, da cidade de Tiatira" (v. 14), uma pessoa de alguma
importância. Tiatira, cidade na Asia Menor, mencionada em
Apocalipse 2.18, era famosa pela indústria têxtil, especialmente
na tintura de tecidos de púrpura - produto de luxo reservado à
nobreza e à elite romana. Era também famosa pela fabricação de
tinta de púrpura e de fazenda da mesma cor e bem conhecida pela
sua indústria de tingimento. É provável que Lídia tivesse aprendido
ali as habilidades que vieram a tornar-se a sua profissão.
Mais tarde, já em Filipos, Lídia vendia púrpura tíria, quer o
corante, quer o vestuário e tecidos tingidos com ele. Ao que tudo
indica, essas roupas eram artigos de luxo ao alcance de poucos.
Vê-se que Lídia devia viver bem em sentido financeiro. Ela re-
presenta a classe culta e trabalhadora que busca a Deus com
sinceridade. A sua conversão é o primeiro registro de uma pes-
soa europeia convertida ao cristianismo, fazendo dela um marco
histórico e espiritual na expansão do Reino: "[ ... ] e o Senhor lhe
abriu o coração para estivesse atenta ao que Paulo dizia" (v. 14).
Deus prepara corações receptivos antes mesmo que a mensagem
seja pregada. A salvação é uma obra da graça, e o Espírito Santo
é quem abre o entendimento para a verdade.
2. A Pregação em Filipos
A cidade de Filipos, que ficava na região da Macedônia, ocupou
um lugar destaque na missão de Paulo. Como colônia militar -
embora não tenha sido a capital daquele distrito da Macedônia
- era uma colônia romana, e os seus ocupantes desfrutavam dos
mesmos privilégios que os próprios cidadãos romanos.
Ao entrar numa cidade, era habitual Paulo começar a sua missão
pregando numa sinagoga judaica, mas não havia sinagoga em Fi-
lipos, pois uma verdadeira congregação não podia ser estabelecida
sem o número mínimo de dez homens. A vida em Filipos não devia
ser fácil para os judeus e para os prosélitos do judaísmo, visto que o
imperador Cláudio havia banido os judeus de Roma pouco antes
da visita de Paulo. Pelo fato de não haver sinagoga entre os exila-
dos, as orações eram feitas, como de costume, à beira de rios (cf.
SI 137.1). Há quem afirme, porém, que a lei romana proibia aos
judeus a prática da sua religião nos "limites sagrados" de Filipos.
Depois de passar "alguns dias" em Filipos, os missionários saíram
fora das portas da cidade para a beira do rio Gangites, onde julgaram
haver um lugar de oração. Ao chegarem ao local, encontraram algumas
mulheres devotas que se reuniam para a oração (v. 13). O início do
trabalho missionário na Macedônia não poderia ter sido mais simples
e humilde, mas, quando os missionários contaram a sua história às mu-
lheres, a primcira a aceitar a mensagem foi Lídia. A presença dela no
lugar de oração indica a sua devoção e abertura para questões espirituais.
3. Quem era Lídia na Bíblia
Lídia, mencionada em Atos dos Apóstolos, é uma figura importante
no início do cristianismo na europa. E uma das personagens mais
interessantes do livro de Atos dos Apóstolos, especialmente por ser a
primeira mulher a converter-se na Europa mediante o ministério de
Paulo. Apesar de pouco conhecida, ela teve um papel importante na
Igreja Primitiva e continua sendo um exemplo para os cristãos de hoje.
A disposição de Lídia em abraçar o evangelho e as suas ações sub-
sequentes refletem o poder transformador da graça de Deus e o cha-
mado ao discipulado.Um momento crucial na história dela é que "[ ... ]
o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo
dizia" (At 16.14). Essa frase destaca a iniciativa divina na sua conversão.
É um lembrete de que a fé é, em última análise, um presente de Deus,
que trabalha no coração das pessoas para trazê-las a si. A resposta
imediata de Lídia ao evangelho é ser batizada juntamente com a sua
casa. Esse ato de batismo significa a sua plena aceitação da fé cristã e
a sua identificação com a comunidade cristã nascente.
O relato de Lídia, encontrado em Atos 16.11-15, oferece uma
janela para a dinâmica da Igreja Primitiva, a disseminação do
cristianismo no mundo greco-romano e o papel emergente das
mulheres nas comunidades cristãs nascente. O seu testemunho foi
tao eficaz que trouxe muitos outros à fe em Cristo.
A Biblia nao especifica quem eram os membros da família de
Lídia, que podia ser solteira ou viúva, já que não se fala do marido.
A sua família talvez fosse composta de parentes, mas esse termo
podia referir-se também a escravos ou servos. De qualquer forma,
Lídia foi pronta a transmitir às pessoas que moravam com ela a
sua nova fé e as coisas que havia aprendido.
Tudo indica que essa mulher não era materialista, embora
tivesse uma boa fonte de rendimento, visto que reservava tempo
para as atividades religiosas no sábado, tendo ainda de enfrentar
crescentes sentimentos de antissemitismo.
A sua casa provavelmente se tornou um local de encontro para
os primeiros cristãos na cidade, uma das primeiras igrejas domés-
ticas cristãs. Essa foi a primeira forma de serviço em que podia
participar. A conversão de Lídia foi imediatamente seguida pela
sua oferta de hospitalidade a Paulo e ao seu grupo; ela foi rápida
não so em seguir a praxe cristã hospitaleira (ver Rm 12.13; 1 Tm
3.2; Hb 13.2; 1 Pe 4.9; 3 Jo 5-8), como também em compartilhar
bens materiais com os que ensinam a Palavra de Deus (ver I Co
9.14; GI 6.6). Posteriormente, os outros crentes de Filipos tinham
o mesmo espírito de hospitalidade (ver Fp 4.15; Hb 13.2).
Atos 16.40 parece indicar que a igreja reunia-se na sua casa, que,
provavelmente, era espaçosa, visto que o seu negócio era importante.
Assim sendo, Filipos foi a primeira igreja fundada na Europa.
III - A PRISÃO DE PAULO E SILAS E A CONVER-
SÃO DO CARCEREIRO
1. Açoitados e presos por causa do Evangelho (At 16.22-24)
Paulo e Silas foram falsamente acusados e espancados (v. 22). Após
isso, foram lançados na prisão, no cárcere interior, ficando com os
pes presos no tronco, como criminosos perigosos.
O cárcere interior da prisão em Filipos era uma cela de segu-
rança máxima em um nível abaixo da prisão principal, como um
porão ou masmorra, sendo a parte mais segura e, provavelmente,
a mais inóspita e insalubre, onde Paulo e Silas foram encarcerados
após serem açoitados. Essa seção da prisão era caracterizada pela
escuridão e ausência de luz natural, com as portas fechadas, sem
ventilação adequada, úmida e, muitas vezes, fétida, e as correntes
eram utilizadas para prender os pés dos detentos no tronco. Por-
tanto, o cárcere interior da prisão em Filipos não era apenas um
lugar de detenção, mas também um local de sofrimento. O tronco
era usado como forma de tortura e humilhação, pois impedia a
movimentação dos presos e deixava-os expostos.
As prisões romanas daquela época serviam principalmente como
locais de detenção temporária antes do julgamento ou da execução.
O "cárcere interior" (ou calabouço) era tipicamente o local escolhido
para os prisionciros considerados mais perigosos ou para quem se
queria garantir absolutamente que não escapasse. Paulo e Silas foram
colocados ali, demonstrando a gravidade de como eram vistos pelas
autoridades locais. Portanto, em termos de segurança e condições,
o cárcere interior funcionava como uma instalação de segurança
máxima dentro da estrutura prisional de Filipos.
2. O louvor que abre portas e transforma ambientes
(At 16.25,26)
Paulo e Silas estavam presos em Filipos e lançados no cárcere interior
com os pés presos ao tronco após terem libertado uma jovem possessa
de um espírito adivinho, o que desagradou os seus mestres, que os
arrastaram perante as autoridades. Perto da meia noite, com as costas
vertendo sangue das feridas dos açoites e com os pés apertados no tronco,
os missionarios Paulo e Silas escolheram orar e cantar hinos a Deus
em vez de lamentarem ou reclamarem. Outros prisioneiros podiam
ouvi-los. Isso é um exemplo concreto da prática cristã da alegria em
meio ao sofrimento (Rm 5.3; Cl 1.24; Tg 1.2; 1 Pe 1.6).
De repente, ocorre um terremoto na prisão de Filipos que sa-
code as fundações da prisão e arrebenta as portas (vv. 25,26), e as
cadeias dos prisioneiros são desatadas. E, sem sombra de dúvidas,
um grande milagre. Essa direta intervenção divina tem um efeito
paralisante, pois nenhum prisioneiro tenta fugir.
O louvor deles serviu de testemunho para os outros presos e,
crucialmente, levou à conversão do carcereiro e de toda a sua família
(vv. 27-34). O maior milagre, segundo estudos bíblicos, não foi a
abertura das portas, mas a salvação de vidas. Isso nos ensina a man-
ter a esperança e a paz interior mesmo nos momentos mais dificeis,
sabendo que Deus tem poder para transformar nossas situações.
3. A conversão do carcereiro e a vitória da graça
At 16.27-34)
Após um terremoto milagroso que abriu todas as portas da prisão
e soltou as correntes de todos os prisioneiros, o carcereiro acordou.
Vendo as portas abertas, ele pensa que os presos fugiram e, temendo
a severa punição romana por permitir a fuga dos presos (que era a
morte), ele sacou a sua espada para suicidar-se, mas foi impedido por
Paulo (vv. 27-30). O carcereiro, tremendo de medo e impressionado
pelos eventos (as orações e louvores de Paulo e Silas já haviam sido
ouvidos por ele antes do terremoto), pediu luz, correu para dentro
e, prostrando-se diante de Paulo e Silas, perguntou: "Senhores, que
é necessário que eu faça para me salvar?", eles responderam: "[ ... ]
Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (vv. 29-31).
Paulo e Silas pregaram a palavra de Deus ao carcereiro e a toda a sua
família. Naquela mesma noite, o carcereiro levou-os para a casa dele,
lavou os ferimentos causados pelos açoites e foi batizado imcdiatamente,
ele e todos os seus. Toda a família demonstrou grande alegria por terem
crido em Deus (vv. 32-34). Onde o evangelho entra, transforma, muda
corações, relacionamentos e famílias inteiras!
No dia seguinte, os magistrados (autoridades da cidade) enviaram
oficiais para libertar Paulo e Silas. Paulo, no entanto, recusou-se a sair
em segredo, protestando formalmente por terem sido açoitados e presos
ilegalmente, sendo eles cidadãos romanos. Temendo as consequências
de violar os direitos de cidadãos romanos, os magistrados foram pes-
soalmente, pediram desculpas e suplicaram que eles saíssem da cidade.
Paulo e Silas, então, deixaram a prisão, foram à casa de Lídia para
encorajar os irmãos e depois partiram para Tessalônica (vv. 35-40).
A narrativa demonstra o poder transformador do evangelho, que
alcança até mesmo um carcereiro romano em meio a circunstâncias
adversas, resultando na fundação da igreja em Filipos.
A Epístola de Paulo aos Filipenses mostra que um afeto muito
especial unia Paulo a esses irmãos (Fp 4.15-20), sendo a única igreja
da qual Paulo aceita ajuda financeira (Fp 4.16). No mais ele trabalha
fabricando tendas para sustentar-se e manter o seu ministério (At 18.3).
CONCLUSÃO
Após cerca de três anos de intensa atividade missionária, Paulo
retorna a Antioquia da Síria (At 18.22). A missão é contínua e requer
persistência. Deus guia os seus servos por meio do Espírito Santo.
A Igreja cresce mesmo em meio às oposições, sendo fortalecida,
enquanto que novas igrejas são fundadas na Europa.
A expansão do Reino depende de obreiros comprometidos com
a Palavra. Assim, como Paulo, sejamos fiéis, ousados e guiados pelo
Espírito Santo em cada passo de nossa jornada cristã!
48 O Espírito que nos Guia para além das Fronteiras
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