TEXTO ÁUREO
“Disse
mais: Ora, não se ire o Senhor que ainda só mais esta vez falo: se, porventura,
se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei, por amor dos dez.” (Gn
18.32).
VERDADE PRÁTICA
Deus é misericordioso e dá tempo para o arrependimento, mas, quando o homem não quer, seu juízo é sem misericórdia.
DISSE MAIS: ORA, NÃO SE IRE O SENHOR QUE AINDA SÓ MAIS ESTA VEZ FALO: SE, PORVENTURA, SE ACHAREM ALIDEZ? E DISSE: NÃO A DESTRUIREI, POR AMOR DOS DEZ. E FOI-SE O SENHOR, QUANDO ACABOU DE FALAR A ABRAÃO; E ABRAÃO TORNOU AO SEU LUGAR. (GN 18.32 33)
Abraão, além de ser homem de profunda fé em Deus, era um grande intercessor. Ele estava assentado, diante de sua tenda quando foi surpreendido com a visita de três anjos. Em princípio, ele os viu como "três varões" que se achavam próximos a ele. Como um homem hospitaleiro, levantou-se e foi ao encontro dos visitantes, e inclinou-se perante eles. Em seguida, num misto de entendimento humano e espiritual, diz aos visitantes:
Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus
olhos, rogo-te que não passes de
teu servo. Traga-se,
agora, um pouco de água; e lavai
os vossos pés e re-
costai-vos debaixo desta árvore;
e trarei um bocado
de pão, para que esforceis o
vosso coração; depois,
passareis adiante, porquanto por
isso chegastes até
vosso servo. E disseram: Assim,
faze como tens dito.
(Gn 18.3-5)
Eram três "varões". Por que Abraão
se dirige a eles e diz "Meu Senhor, se tenho achado graça aos teus olhos,
rogo-te que não passes de teu servo"? Certamente, Deus lhe fez sentir que
não eram visitantes humanos, e sim enviados dos céus. Mas o sentimento humano
prevaleceu, e lhes ofereceu água para lavarem os pés, e pão para eles; e os anjos
disseram que fizesse o que havia proposto. Ao lado de Sara, providenciou uma
deliciosa refeição, que incluiu bolos, manteiga e leite, além de um gostoso churrasco,
de "uma vitela tenra e boa". E os anjos comeram e devem ter gostado
muito daquela refeição. Ou seja: os anjos de Deus, algumas vezes, para
cumprirem determinadas missões junto aos homens, assumiram a aparência
antropomórfica, forma de homem, e se comportaram como homens, inclusive se apropriando
de alimento. No desenvolvimento desse texto, veremos mais aspectos interessantes
da visita dos mensageiros de Deus.
Em Genesis 18.16-33, Abraão intercede por
Sodoma, implorando a Deus que não destrua a cidade se encontrar lá mesmo um
pequeno número de justos, desde 50 até 10. Deus, inicialmente, diz que poupará
Sodoma se encontrar 50 justos, mas Abraão negocia, pedindo se a cidade pode ser
salva com menos. A resposta de Deus é sempre afirmativa, demonstrando sua
disposição a perdoar e salvar a cidade por causa dos justos que lá residem. A
intercessão de Abraão termina quando Deus decide que, se encontrasse apenas 10
justos, ele pouparia Sodoma.
I-DEUS RENOVA A PROMESSA A SARA
Após a ótima refeição, oferecida por Abraão,
os anjos disseram:
"Onde está Sara, tua mulher? E ele disse: Ei-la, aí está na tenda. E
disse: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara, tua
mulher, terá um filho. E ouviu-o Sara à porta da tenda, que estava atrás
dele" (Gn 18.9,10).
1. Sara
Riu-se, ao Ouvir a Palavra de Deus
Não é de admirar que Sara tenha rido. Abraão
já houvera rido diante de Deus, aos 99 anos, quando Deus lhe renovou o seu pacto
de que seria "pai da multidão de nações" (Gn 17.5). Mas o seu riso
fora apenas no seu interior. Sara, porém, talvez mais expansiva, "riu-se
consigo", e os anjos perceberam seu riso.
E eram Abraão e Sara já velhos e adiantados em
idade; já a Sara havia cessado o
costume das mu-
lheres. Assim, pois, riu-se Sara
consigo, dizendo:
Terei ainda deleite depois de
haver envelhecido,
sendo também o meu senhor já
velho? E disse o
Senhor a Abraão: Por que se riu
Sara, dizendo: Na
verdade, gerarei eu ainda,
havendo já envelhecido?
Haveria coisa alguma dificil ao
Senhor? Ao tempo
determinado, tornarei a ti por
este tempo da vida,
e Sara terá um filho. E Sara
negou, dizendo: Não
me ri, porquanto temeu. E ele
disse: Não digas isso,
2. Ninguém Consegue Enganar Deus
Nesse texto, vemos uma mudança em seu teor.
Nos versículos anteriores, a Bíblia diz que os anjos falaram com Abraão. Neste último,
vemos que um dos três visitantes era o próprio Deus!
Após o riso compreensível de Sara, o Senhor
indagou sobre qual o motivo do riso e acrescentou: "Haveria coisa alguma difícil
ao Senhor?" (Gn 18.14). E repetiu a promessa de que, no tempo determinado,
ela teria um filho. Percebendo sua falha, tentou remediar, e negou que houvera
rido. Mas não adiantou.
"E ele disse: Não digas isso, porque te riste" (Gn 18.15).
Prova de que Deus, em sua Onisciência, tudo sabe, tudo vê, em todos os
detalhes, mesmo o riso interior de alguém que duvida de suas promessas.
II - O
ANÚNCIO DA DESTRUIÇÃO
DE SODOMA E GOMORRA
A misericórdia de Deus é muito grande. Sua
longanimidade supera a de todas as pessoas, como expressão do seu imenso amor.
A Bíblia fala sobre cinco cidades que se tornaram mal- ditas por causa de sua
pecaminosidade. Eram elas: Sodoma,
Gomorra,
Admá, Zeboim e Zoar. Elas situavam-se na campina do Jordão, região escolhida por
Ló, sobrinho de Abraão, para sua morada (Gn 13.12-13). A corrupção de Sodoma e
de Gomorra agravou-se diante do Senhor: "Disse mais o Senhor:
Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado
muito (Gn 18.20).
Os habitantes de Sodoma e Gomorra
envolviam-se com todo tipo de pecado. Mas, dentre eles, se destacava a
homossexualidade, pecado gravíssimo, considerado "abominação ao Senhor",
punido com pena de morte na antiga aliança (Lv 18.22;20.13).
E Deus resolveu destruir da face da terra
aquelas cidades.
Quando
Ló recebeu dois anjos em sua casa, para o tirar de
Sodoma
antes da destruição, os homens da cidade cercaram a casa de Ló, para que ele
mandasse sair os anjos para que "os conhecessem". Não era para
conhecê-los socialmente, mas para terem relações com eles! Era muito grande a
depravação entre os habitantes daquelas cidades. Ao que parece, os homens deixaram
de ter interesse sexual pelas mulheres e se voltaram para a prática abominável
da homossexualidade.
1. Abraão Intercede a Deus pelos Pecadores
Abraão sabia que seu sobrinho, Ló, habitava
em Sodoma com sua família. Por isso, sabendo do juízo de Deus contra aquelas cidades,
intercedeu de forma insistente por seus habitantes. Sua oração foi marcante e histórica.
E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também
o justo com o ímpio? Se,
porventura, houver
cinquenta justos na cidade,
destruí-los-ás também
e não pouparás o lugar por causa
dos cinquenta
justos que estão dentro dela?
Longe de ti que faças
tal coisa, que mates o justo com
o ímpio; que o justo
seja como o ímpio, longe de ti
seja. Não faria justiça
o Juiz de toda a terra? Então,
disse o Senhor: Se eu
em Sodoma achar cinquenta justos
dentro da cidade,
pouparei todo o lugar por amor
deles. E respondeu
Abraão, dizendo: Eis que, agora,
me atrevi a falar ao
Senhor, ainda que sou pó e cinza.
Se, porventura,
faltarem de cinquenta justos
cinco, destruirás por
aqueles cinco toda a cidade? E
disse: Não a destruirei,
se eu achar ali quarenta e cinco.
E continuou
ainda a falar-lhe e disse: Se,
porventura, acharem
ali quarenta? E disse: Não o
farei, por amor dos
quarenta. Disse mais: Ora, não se
ire o Senhor, se porventura
faltarem de cinquenta justos cinco, destruiras
por
aqueles cinco toda a cidade? E
disse: Não a destruirei,
se eu achar ali quarenta e cinco.
E continuou
ainda a falar-lhe e disse: Se,
porventura, acharem
ali quarenta? E disse: Não o
farei, por amor dos
quarenta. Disse mais: Ora, não se
ire o Senhor, se
eu ainda falar: se, porventura,
se acharem ali
trinta? E disse: Não o farei se
achar ali trinta. E
disse: Eis que, agora, me atrevi
a falar ao Senhor: se,
porventura, se acharem ali vinte?
E disse: Não
a destruirei, por amor dos vinte.
Disse mais: Ora,
não se ire o Senhor que ainda só
mais esta vez falo:
se, porventura, se acharem ali
dez? E disse: Não
a destruirei, por amor dos dez. E
foi-se o Senhor,
quando acabou de falar a Abraão;
e Abraão tornou
ao seu lugar. (Gn 18.23-33, grifo
nosso)
2. Pecadores Abomináveis
Alguém, ignorantemente, diz que não há pecado
grande ou pequeno. "Tudo é pecado". Porém, podemos ver, na Bíblia, que
há pecados com consequências maiores ou menores. No ministério terreno de
Jesus, Ele considerou três cidades em situação de pecados maiores que os de
outras. Duas dessas cidades são Corazim e Betsaida, a quem Jesus considerou
viverem em pecados tão grandes que disse: "[ ... ] se em Tiro e em Sidom fossem
feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido com
pano de saco grosseiro e com cinza. Por isso, eu vos digo que haverá menos
rigor para Tiro e Sidom, no Dia do Juízo, do que para vós" (Mt 11.21-22, grifo
nosso). Ou seja: os pecados cometidos em Tiro e Sidom mereciam menos castigo do
que os cometidos em Corazim e Betsaida, tendo elas sido alcançadas por grandes
sinais ou prodígios operados por Jesus.
No mesmo trecho do Evangelho, Jesus se
referiu a uma terceira cidade, cujos pecados foram tão graves, ou maiores, do
que os praticados em Sodoma. Ele disse:
E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos
infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se
operaram, teria ela permanecido até hoje. Porém eu vos digo que haverá menos rigor
para os de Sodoma, no Dia do Juízo, do que para ti"
(Mt 11.23,24, grifo nosso).
Tal declaração de Jesus não quer dizer que os
pecados de Sodoma foram menores do que os de Cafarnaum, e sim que, diante dos
sinais e prodígios que se operaram em Cafarnaum, se os mesmos houvessem sido
operados em Sodoma, ela não teria sido destruída com a tão terrível catástrofe
que a eliminou da face da terra, juntamente com mais quatro cidades.
III - A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA
Depois da destruição da humanidade, na época
de Noé, por causa da corrupção geral do ser humano (Gn 6-7), a destruição de
Sodoma, Gomorra e mais três cidades da campina do Jordão foi o fato mais marcante,
que se tornou referência e alerta da parte de Deus para toda a humanidade. O Senhor quis demonstrar que Ele é amor, mas
também é justiça. Ele é "fogo consumidor": "Pelo que, tendo
recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual
sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade; porque o nosso Deus é
um fogo consumidor" (Hb 12.28-29).
Mathew Henry narra a destruição dessas
cidades da seguinte forma:
Nunca houve nada como ela, nem antes, nem depois. O inferno choveu, do
céu, sobre as cidades.
Fogo e enxofre, e um vento
tempestuoso, esta é a porção do seu copo (SI 11.6). Não um relâmpago, que é
suficientemente destrutivo quando Deus lhe dá esta comissão, mas uma chuva de
relâmpagos.
Espalhou-se enxofre sobre as suas habitações (Jó 18.15), e então o fogo
os devastou. Deus poderia tê-los afogado, como fez no mundo antigo. Mas Ele
desejava mostrar que tinha muitas flechas em O amor de Deus pela humanidade é
tão imenso que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo não encontrou palavras na linguagem
do Novo Testamento para defini-lo, quando disse: "Porque Deus amou o mundo
de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Porém, sua justiça não é menos indescritível.
Na Bíblia está escrito: "Os ímpios serão lançados no inferno e todas as
nações que se esquecem de Deus" (SI 9.17). Comete um grave erro contra a
verdade aquele que diz que "Deus é amor" e a ninguém exclui. Sim,
Deus é amor! Seu amor é inclusivo a todos, no plano da salvação; é para toda a
humanidade, para "todo aquele que nele crê", mas essa condição é
indispensável. Só é salvo quem crê e obedece à sua Palavra, vivendo em
santidade e santificação.
Está
escrito:
"Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor" (Hb 12.14). Diz ainda a Palavra de Deus: "[ ... ] como é
santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de
viver" (1 Pe 1.15). O amor de Deus é includente para todo o que nEle crê;
mas é excludente para quem rejeita a sua Palavra.
1. Uma Catástrofe sem Igual
Não podemos imaginar quantas pessoas
habitavam em Sodoma, em Gomorra e nas cidades vizinhas. Mas, provavelmente, havia
um número elevado de habitantes. A exemplo do que ocorreu no Dilúvio, quando
somente Noé e sua família, oito pessoas, sobreviveram, da destruição daquelas
cidades também poucas pessoas foram salvas: Ló, sua esposa e suas duas filhas (Gn
19.15-23). Os genros zombaram dele quando os advertiu (Gn 19.14); seus filhos,
no mínimo dois, (Gn 19.12) também, sem dúvida, não ouviram o pai.
Infelizmente, a esposa de Ló não seguiu a
orientação dos anjos para não olhar para trás; ela olhou, talvez para ver as cidades
queimando, e "ficou convertida numa estátua de sal"
(Gn
19.26). Podemos dizer que Deus usou uma espécie de ca-
tástrofe
atômica sobre elas. Diz a Bíblia: "Então, o Senhor fez chover enxofre e
fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra. E derribou aquelas cidades,
e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da
terra" (Gn 19.24-25).
No juízo do Dilúvio, Deus destruiu toda a
humanidade daquela época com uma catástrofe hídrica universal (Gn 7.10-23).
Só escaparam Noé e sua família, num total de
oito pessoas. No juízo implacável de Deus sobre Sodoma, Gomorra, Admá,
Zeboim
e Zoar, a catástrofe foi em menor dimensão do que
a
do Dilúvio, mas Deus as destruiu com fogo, vindo dos céus!
Apenas
quatro pessoas foram salvas da terrível destruição: Ló, sua esposa e suas duas
filhas (Gn 19.15-23). Lembremo-nos de que a esposa de Ló não foi alcançada pelo
fogo, mas pereceu pela desobediência, ao olhar para trás. Devemos ter cuidado.
Como
servos de Deus, não devemos olhar para trás, mas para a frente e para "as
coisas que são de cima" (Cl 3.1-2).
CONCLUSÃO
Neste capítulo, podemos concluir que Deus é
longânimo, Ele
é
bom, sua benignidade dura para sempre (SI 136.1), mas sua longanimidade tem
limite. Nunca Deus exerceu seus juízos sem antes advertir os homens de seus
pecados e das consequências que podem ser trágicas. Antes da Queda, Deus
advertiu Adão:
E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De
toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2.16-17).
O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA
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