quinta-feira, 7 de maio de 2026

CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — LIÇÃO 5 : O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA


 TEXTO ÁUREO

 “Disse mais: Ora, não se ire o Senhor que ainda só mais esta vez falo: se, porventura, se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei, por amor dos dez.” (Gn 18.32).

 VERDADE PRÁTICA

  Deus é misericordioso e dá tempo para o arrependimento, mas, quando o homem não quer, seu juízo é sem misericórdia.




  DISSE MAIS: ORA, NÃO SE IRE O SENHOR QUE AINDA SÓ MAIS ESTA VEZ FALO: SE, PORVENTURA, SE ACHAREM ALIDEZ? E DISSE: NÃO A DESTRUIREI, POR AMOR DOS DEZ. E FOI-SE O SENHOR, QUANDO ACABOU DE FALAR A ABRAÃO; E ABRAÃO TORNOU AO SEU LUGAR. (GN 18.32 33)

   Abraão, além de ser homem de profunda fé em Deus, era um grande intercessor. Ele estava assentado, diante de sua tenda quando foi surpreendido com a visita de três anjos. Em princípio, ele os viu como "três varões" que se achavam próximos a ele. Como um homem hospitaleiro, levantou-se e foi ao encontro dos visitantes, e inclinou-se perante eles. Em seguida, num misto de entendimento humano e espiritual, diz aos visitantes:

   Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus

olhos, rogo-te que não passes de teu servo. Traga-se,

agora, um pouco de água; e lavai os vossos pés e re-

costai-vos debaixo desta árvore; e trarei um bocado

de pão, para que esforceis o vosso coração; depois,

passareis adiante, porquanto por isso chegastes até

vosso servo. E disseram: Assim, faze como tens dito.

(Gn 18.3-5)

   Eram três "varões". Por que Abraão se dirige a eles e diz "Meu Senhor, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo"? Certamente, Deus lhe fez sentir que não eram visitantes humanos, e sim enviados dos céus. Mas o sentimento humano prevaleceu, e lhes ofereceu água para lavarem os pés, e pão para eles; e os anjos disseram que fizesse o que havia proposto. Ao lado de Sara, providenciou uma deliciosa refeição, que incluiu bolos, manteiga e leite, além de um gostoso churrasco, de "uma vitela tenra e boa". E os anjos comeram e devem ter gostado muito daquela refeição. Ou seja: os anjos de Deus, algumas vezes, para cumprirem determinadas missões junto aos homens, assumiram a aparência antropomórfica, forma de homem, e se comportaram como homens, inclusive se apropriando de alimento. No desenvolvimento desse texto, veremos mais aspectos interessantes da visita dos mensageiros de Deus.

   Em Genesis 18.16-33, Abraão intercede por Sodoma, implorando a Deus que não destrua a cidade se encontrar lá mesmo um pequeno número de justos, desde 50 até 10. Deus, inicialmente, diz que poupará Sodoma se encontrar 50 justos, mas Abraão negocia, pedindo se a cidade pode ser salva com menos. A resposta de Deus é sempre afirmativa, demonstrando sua disposição a perdoar e salvar a cidade por causa dos justos que lá residem. A intercessão de Abraão termina quando Deus decide que, se encontrasse apenas 10 justos, ele pouparia Sodoma.

  I-DEUS RENOVA A PROMESSA A SARA

  Após a ótima refeição, oferecida por Abraão, os anjos disseram:

  "Onde está Sara, tua mulher? E ele disse: Ei-la, aí está na tenda. E disse: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara, tua mulher, terá um filho. E ouviu-o Sara à porta da tenda, que estava atrás dele" (Gn 18.9,10).

 

  1. Sara Riu-se, ao Ouvir a Palavra de Deus

  Não é de admirar que Sara tenha rido. Abraão já houvera rido diante de Deus, aos 99 anos, quando Deus lhe renovou o seu pacto de que seria "pai da multidão de nações" (Gn 17.5). Mas o seu riso fora apenas no seu interior. Sara, porém, talvez mais expansiva, "riu-se consigo", e os anjos perceberam seu riso.

  E eram Abraão e Sara já velhos e adiantados em

idade; já a Sara havia cessado o costume das mu-

lheres. Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo:

Terei ainda deleite depois de haver envelhecido,

sendo também o meu senhor já velho? E disse o

Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: Na

verdade, gerarei eu ainda, havendo já envelhecido?

Haveria coisa alguma dificil ao Senhor? Ao tempo

determinado, tornarei a ti por este tempo da vida,

e Sara terá um filho. E Sara negou, dizendo: Não

me ri, porquanto temeu. E ele disse: Não digas isso,

  2. Ninguém Consegue Enganar Deus

  Nesse texto, vemos uma mudança em seu teor. Nos versículos anteriores, a Bíblia diz que os anjos falaram com Abraão. Neste último, vemos que um dos três visitantes era o próprio Deus!

  Após o riso compreensível de Sara, o Senhor indagou sobre qual o motivo do riso e acrescentou: "Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?" (Gn 18.14). E repetiu a promessa de que, no tempo determinado, ela teria um filho. Percebendo sua falha, tentou remediar, e negou que houvera rido. Mas não adiantou.

  "E ele disse: Não digas isso, porque te riste" (Gn 18.15). Prova de que Deus, em sua Onisciência, tudo sabe, tudo vê, em todos os detalhes, mesmo o riso interior de alguém que duvida de suas promessas.

 

  II - O ANÚNCIO DA DESTRUIÇÃO

  DE SODOMA E GOMORRA

  A misericórdia de Deus é muito grande. Sua longanimidade supera a de todas as pessoas, como expressão do seu imenso amor. A Bíblia fala sobre cinco cidades que se tornaram mal- ditas por causa de sua pecaminosidade. Eram elas: Sodoma,

Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar. Elas situavam-se na campina do Jordão, região escolhida por Ló, sobrinho de Abraão, para sua morada (Gn 13.12-13). A corrupção de Sodoma e de Gomorra agravou-se diante do Senhor: "Disse mais o Senhor:

  Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado,  e porquanto o seu pecado se tem agravado muito (Gn 18.20).

  Os habitantes de Sodoma e Gomorra envolviam-se com todo tipo de pecado. Mas, dentre eles, se destacava a homossexualidade, pecado gravíssimo, considerado "abominação ao Senhor", punido com pena de morte na antiga aliança (Lv 18.22;20.13).

   E Deus resolveu destruir da face da terra aquelas cidades.

Quando Ló recebeu dois anjos em sua casa, para o tirar de

Sodoma antes da destruição, os homens da cidade cercaram a casa de Ló, para que ele mandasse sair os anjos para que "os conhecessem". Não era para conhecê-los socialmente, mas para terem relações com eles! Era muito grande a depravação entre os habitantes daquelas cidades. Ao que parece, os homens deixaram de ter interesse sexual pelas mulheres e se voltaram para a prática abominável da homossexualidade.

   1. Abraão Intercede a Deus pelos Pecadores

  Abraão sabia que seu sobrinho, Ló, habitava em Sodoma com sua família. Por isso, sabendo do juízo de Deus contra aquelas cidades, intercedeu de forma insistente por seus habitantes.   Sua oração foi marcante e histórica.

  E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também

o justo com o ímpio? Se, porventura, houver

cinquenta justos na cidade, destruí-los-ás também

e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta

justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças

tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo

seja como o ímpio, longe de ti seja. Não faria justiça

o Juiz de toda a terra? Então, disse o Senhor: Se eu

em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade,

pouparei todo o lugar por amor deles. E respondeu

Abraão, dizendo: Eis que, agora, me atrevi a falar ao

Senhor, ainda que sou pó e cinza. Se, porventura,

faltarem de cinquenta justos cinco, destruirás por

aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei,

se eu achar ali quarenta e cinco. E continuou

ainda a falar-lhe e disse: Se, porventura, acharem

ali quarenta? E disse: Não o farei, por amor dos

quarenta. Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, se porventura

 faltarem de cinquenta justos cinco, destruiras por

aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei,

se eu achar ali quarenta e cinco. E continuou

ainda a falar-lhe e disse: Se, porventura, acharem

ali quarenta? E disse: Não o farei, por amor dos

quarenta. Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, se

eu ainda falar: se, porventura, se acharem ali

trinta? E disse: Não o farei se achar ali trinta. E

disse: Eis que, agora, me atrevi a falar ao Senhor: se,

porventura, se acharem ali vinte? E disse: Não

a destruirei, por amor dos vinte. Disse mais: Ora,

não se ire o Senhor que ainda só mais esta vez falo:

se, porventura, se acharem ali dez? E disse: Não

a destruirei, por amor dos dez. E foi-se o Senhor,

quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou

ao seu lugar. (Gn 18.23-33, grifo nosso)

  2. Pecadores Abomináveis

  Alguém, ignorantemente, diz que não há pecado grande ou pequeno. "Tudo é pecado". Porém, podemos ver, na Bíblia, que há pecados com consequências maiores ou menores. No ministério terreno de Jesus, Ele considerou três cidades em situação de pecados maiores que os de outras. Duas dessas cidades são Corazim e Betsaida, a quem Jesus considerou viverem em pecados tão grandes que disse: "[ ... ] se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido com pano de saco grosseiro e com cinza. Por isso, eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no Dia do Juízo, do que para vós" (Mt 11.21-22, grifo nosso). Ou seja: os pecados cometidos em Tiro e Sidom mereciam menos castigo do que os cometidos em Corazim e Betsaida, tendo elas sido alcançadas por grandes sinais ou prodígios operados por Jesus.

  No mesmo trecho do Evangelho, Jesus se referiu a uma terceira cidade, cujos pecados foram tão graves, ou maiores, do que os praticados em Sodoma. Ele disse:

  E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Porém eu vos digo que haverá menos rigor para os de Sodoma, no Dia do Juízo, do que para ti" (Mt 11.23,24, grifo nosso).

  Tal declaração de Jesus não quer dizer que os pecados de Sodoma foram menores do que os de Cafarnaum, e sim que, diante dos sinais e prodígios que se operaram em Cafarnaum, se os mesmos houvessem sido operados em Sodoma, ela não teria sido destruída com a tão terrível catástrofe que a eliminou da face da terra, juntamente com mais quatro cidades.

 III - A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA

  Depois da destruição da humanidade, na época de Noé, por causa da corrupção geral do ser humano (Gn 6-7), a destruição de Sodoma, Gomorra e mais três cidades da campina do Jordão foi o fato mais marcante, que se tornou referência e alerta da parte de Deus para toda a humanidade.   O Senhor quis demonstrar que Ele é amor, mas também é justiça. Ele é "fogo consumidor": "Pelo que, tendo recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor" (Hb 12.28-29).

  Mathew Henry narra a destruição dessas cidades da seguinte forma:

  Nunca houve nada como ela, nem antes, nem depois. O inferno choveu, do céu, sobre as cidades.

Fogo e enxofre, e um vento tempestuoso, esta é a porção do seu copo (SI 11.6). Não um relâmpago, que é suficientemente destrutivo quando Deus lhe dá esta comissão, mas uma chuva de relâmpagos.

  Espalhou-se enxofre sobre as suas habitações (Jó 18.15), e então o fogo os devastou. Deus poderia tê-los afogado, como fez no mundo antigo. Mas Ele desejava mostrar que tinha muitas flechas em O amor de Deus pela humanidade é tão imenso que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo não encontrou palavras na linguagem do Novo Testamento para defini-lo, quando disse: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).   Porém, sua justiça não é menos indescritível. Na Bíblia está escrito: "Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de Deus" (SI 9.17). Comete um grave erro contra a verdade aquele que diz que "Deus é amor" e a ninguém exclui. Sim, Deus é amor! Seu amor é inclusivo a todos, no plano da salvação; é para toda a humanidade, para "todo aquele que nele crê", mas essa condição é indispensável. Só é salvo quem crê e obedece à sua Palavra, vivendo em santidade e santificação.

   Está escrito:

  "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). Diz ainda a Palavra de Deus: "[ ... ] como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver" (1 Pe 1.15). O amor de Deus é includente para todo o que nEle crê; mas é excludente para quem rejeita a sua Palavra.

  1. Uma Catástrofe sem Igual

  Não podemos imaginar quantas pessoas habitavam em Sodoma, em Gomorra e nas cidades vizinhas. Mas, provavelmente, havia um número elevado de habitantes. A exemplo do que ocorreu no Dilúvio, quando somente Noé e sua família, oito pessoas, sobreviveram, da destruição daquelas cidades também poucas pessoas foram salvas: Ló, sua esposa e suas duas filhas (Gn 19.15-23). Os genros zombaram dele quando os advertiu (Gn 19.14); seus filhos, no mínimo dois, (Gn 19.12) também, sem dúvida, não ouviram o pai.

   Infelizmente, a esposa de Ló não seguiu a orientação dos anjos para não olhar para trás; ela olhou, talvez para ver as cidades queimando, e "ficou convertida numa estátua de sal"

(Gn 19.26). Podemos dizer que Deus usou uma espécie de ca-

tástrofe atômica sobre elas. Diz a Bíblia: "Então, o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra. E derribou aquelas cidades, e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra" (Gn 19.24-25).

   No juízo do Dilúvio, Deus destruiu toda a humanidade daquela época com uma catástrofe hídrica universal (Gn 7.10-23).

   Só escaparam Noé e sua família, num total de oito pessoas. No juízo implacável de Deus sobre Sodoma, Gomorra, Admá,

Zeboim e Zoar, a catástrofe foi em menor dimensão do que

a do Dilúvio, mas Deus as destruiu com fogo, vindo dos céus!

Apenas quatro pessoas foram salvas da terrível destruição: Ló, sua esposa e suas duas filhas (Gn 19.15-23). Lembremo-nos de que a esposa de Ló não foi alcançada pelo fogo, mas pereceu pela desobediência, ao olhar para trás. Devemos ter cuidado.

Como servos de Deus, não devemos olhar para trás, mas para a frente e para "as coisas que são de cima" (Cl 3.1-2).

  CONCLUSÃO

  Neste capítulo, podemos concluir que Deus é longânimo, Ele

é bom, sua benignidade dura para sempre (SI 136.1), mas sua longanimidade tem limite. Nunca Deus exerceu seus juízos sem antes advertir os homens de seus pecados e das consequências que podem ser trágicas. Antes da Queda, Deus advertiu Adão:

  E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De

toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2.16-17).

   O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA

 


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