segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Lição 5 - O Espírito Santo na Nova Aliança


TEXTO BÍBLICO BASE
Atos 13:2-6 , 9-12

E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.
E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.
E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador.
E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu mágico, falso profeta, chamado Barjesus.

Todavia Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo, e fixando os olhos nele,
Disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?
Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. E no mesmo instante a escuridão e as trevas caíram sobre ele e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão.
Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.



TEXTO ÁUREO

E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai;
ficai, porém, na cidade de Jerusalém,
 até que do alto
 sejais revestidos de poder.
Lucas 24.49



OBJETIVOS

 Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
• compreender como o Espírito Santo age no Novo Testamento de forma mais clara do que no Antigo Testamento;
• entender que o Espírito Santo trabalha diretamente na Igreja do Senhor a fim de edificá-la em Cristo;
• perceber que o Espírito Santo teve um papel fundamental na execução dos planos de Deus.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS

 Caro professor, a palavra aprendizagem provém do latim apreendere e significa apreender, tomar posse, reter. Ela nos transmite a ideia de algo que incorporamos ao nosso patrimônio pessoal ou ao nosso comportamento ao longo da vida. O ato de aprender, invariavelmente, trará mudanças significativas na vida de quem aprende. Neste sentido, aprendizagem é o processo de modificação sistemática do comportamento. A eficiência do ensino é confirmada na aprendizagem. Quando há aprendizagem, há também mudanças substanciais na conduta, no comportamento, no modo de pensar a si e aos outros, na visão de mundo (cosmovisão), e nas habilidades para realizar determinadas tarefas. Como disse o salmista, a aprendi-zagem dos retos juízos do Senhor o levaria à sincera atitude de ação de graças com integridade de coração (SI 119.7) (Extraído de: CHAVES, G. V. Educação Cristã - Uma Jornada Para Toda Vida. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2012, p. 51,52).

Deus o abençoe!

COMENTÁRIO

 Palavra introdutória

 A Bíblia Sagrada foi integralmente redigida sob a inspiração do Espírito Santo. Em ambos os Testamentos, Sua presença é efetiva e real, mas, no Novo Testamento, ela é apresentada com maior clareza. A participação e a presença do Espírito Santo na Bíblia são notadas do primeiro ao último de seus capítulos (Gn 1.2; Ap 22.17).

 A revelação das verdades divinas é progressiva nas Escrituras Sagradas. No Antigo Testamento, a expressão Espírito do Senhor ocorre 25 vezes; Espírito de Deus, 14 vezes; e Espírito Santo, duas vezes. O Novo Testamento contém 261 referências ao Espírito Santo em 24 de seus livros. Existem 57 passagens com referências diretas ao Espírito em Atos dos Apóstolos, não é por menos que ele também é chamado por alguns de Atos do Espírito Santo.

 Vejamos, então, um pouco dessa revelação tão sublime que as Escrituras nos têm dado sobre a terceira pessoa da Trindade.

1                   1 .    ESPÍRITO SANTO NOS EVANGELHOS

Os três Evangelhos sinópticos — Mateus, Marcos e Lucas — veem Cristo de maneira semelhante e têm muitas correspondências verbais, não porque copiaram um do outro, mas porque essa era a forma pela qual a vida de Cristo era contada regularmente na Igreja primitiva. Mateus, outra testemunha ocular, acrescenta detalhes próprios que apresentam Cristo como o Rei dos judeus em cumprimento à profecia do Antigo Testamento. Lucas retrata Cristo como o perfeito Filho do Homem e inclui fatos colhidos de muitos seguidores primitivos de Cristo e aparentemente de outros episódios abreviadamente escritos (Lc 1.1). O propósito teológico de Marcos era explicar a vida mais significante de toda a história humana. Quem era Jesus? Ele era o Filho de Deus (Mc 1.1,11; 14.61; 15.39), o Filho do Homem (Mc 2.10; 8.31; 13.26), o Messias (Mc 8.29) e o Senhor (Mc 1.3; 7.28). João provavelmente foi escrito depois dos Evangelhos sinópticos e antes de 1, 2 e 3 João e Apocalipse. Isso coloca a escrita do quarto Evangelho em algum tempo depois de 70 e antes de 90 d.C.
João deixa claro o seu propósito em escrever: ele espera que, ao contar aos seus leitores sobre os sinais de Jesus, que foram realizados na presença de Seus discípulos, eles pudessem crer que Jesus era o Messias, o Filho de Deus, e, crendo, tivessem vida em Seu nome (Jo 20.30,31) (HINDSON; YA-TES, Central Gospel, 2014, p. 59,80).

 Existe uma abundância de referências ao Espírito Santo nos Evangelhos, como: os quatro relatam que o Espírito desceu sobre Jesus após o Seu batismo (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32). Além disso, Ele atuou na vida de João Batista (Lc 1.15), gerou Jesus (Lc 1.35), ungiu o Mestre (Lc 4.18,19), guiou o Filho de Deus (Mt 4.1), conduziu o Cordeiro de Deus ao sacrificio por nós (Hb 9.14) e ressuscitou-o depois de tudo (Rm 8.11). O Espírito Santo é o prometido Consolador (Jo 14.16) profetizado pelo profeta Joel no AT (II 2.28), o qual foi enviado por Jesus (Jo 16.7).

2             2 .   O ESPÍRITO SANTO NO LIVRO DE ATOS

Atos dos Apóstolos é o segundo volume de urna série de duas partes. O Evangelho de Lucas foi a primeira parte. O escritor Lucas começou contando a história da vida, do ministério, da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele continuou sua história em Atos, dizendo como a mensagem de Jesus foi pregada ao mundo após a ascensão de Cristo ao céu. A Igreja começou uma comunidade predominantemente judaica em Jerusalém, e Lucas conta como ela tornou-se predominantemente gentia, chegando até Roma. Lucas enfatiza dois pregadores do evangelho, Pedro e Paulo, como personagens importantes na disseminação do evangelho. Jesus é o personagem principal no Evangelho de Lucas, e o Espírito Santo é enfatizado como aquele que continua o ministério de Jesus no Livro de Atos dos Apóstolos (HINDSON; YATES, Central Gospel, 2014, p. 91).

 Logo em Atos 1.2, somos informados de que Jesus deu mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos. Ele é mencionado novamente durante a escolha de um apóstolo que substituiria Judas (At 1.16). Atos 2 é um marco sublime, pois narra a descida do Espírito Santo sobre os cristãos reuni-dos, no cenáculo, no dia de Pentecostes. Nos relatos seguintes desse livro, temos a operação sobrenatural do Espírito Santo na vida dos apóstolos (At 2.43) e Sua capacitação aos cristãos para a expansão e a edificação da Igreja (At 6.10).

3. O ESPÍRITO SANTO EM ALGUMAS CARTAS PAULINAS

3.1. Aos Romanos

 Na rica epístola aos Romanos, Paulo nos apresenta ao Espírito de santificação, que nos libertou do cativeiro do pecado por meio do sacrifício de Cristo, o qual ressuscitou dos mortos (Rm 1.4). O apóstolo nos informa que o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo e que a lei do Espírito de vida é o que nos livra da lei do pecado e da morte (Rm 5.5; 8.2). Assim, o verdadeiro cristão não é aquele que anda segundo a carne, mas segundo o Espírito (Rm 8.4-9). Não pode haver verdadeira vida sem Ele.

O Espírito que nos habita também nos identifica como pertencentes a Cristo e como filhos de Deus (Rm 8.9,14,16) e garante a nossa futura ressurreição (Rm 8.11). Ele é intercessor (Rm 8.26,27) e é quem nos santifica (Rm 15.16). É vivendo no Espírito Santo que o cristão encontra justiça, paz e alegria verdadeiras (Rm 14.17).

3.2. Aos Gálatas

Gálatas guarda semelhança com Romanos. Em ambas as cartas, Paulo procura mostrar o contraste entre a vida no Espírito e a vida carnal. As perguntas do apóstolo expressam sua preocupação com uma igreja que estava trocando a liberdade no Espírito pelas amarras legalistas (G1 3.2,3,5). O Espírito também alcançou os gentios e permitiu que participassem das promessas de Deus a Abraão pela morte de Jesus (G13.14). Nesse livro, Paulo fala sobre manter a liberdade cristã (GI 5.1-12), andar no Espírito (GI 5.13-26) e sobre levar as cargas uns dos outros (GI 6.1-10).

3.3. Aos Tessalonicenses

Os cristãos em Tessalónica experimentaram uma miraculosa transformação de vida quando se converteram da idolatria. Paulo passou apenas um curto tempo com eles, mas quando o apóstolo escreveu para os tessalonicenses alguns meses depois, eles já haviam se unido em uma dinâmica comunhão cristã. Essa epístola é uma das cartas mais pessoais. Nela, Paulo falou que, apesar da tribulação, os tessalonicenses desfrutavam a alegria que provém do Espírito Santo (1 Ts 1.6) e ele também admoestou a igreja a ser zelosa, a fim de que o Espírito não fosse extinto com o envolvimento em imoralidades (1 Ts 5.14-22).

3.4. A Timóteo e a Tito

 As duas cartas de Paulo a Timóteo são classificadas como pastorais. Na primeira, Paulo adverte sobre a apostasia nos últimos tempos, como alertou o Espírito Santo (1 Tm 4.1). Na segunda, o apóstolo aconselha Timóteo sobre o seu dom (2 Tm 1.6), o qual, sem dúvida, é a capacitação concedida pelo Espírito Santo a fim de que o jovem exercesse o seu ministério. O apóstolo também lembra o jovem Timóteo de que Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação (2 Tm 1.7).

 Em Tito, também uma das cartas pastorais de Paulo, o apóstolo menciona o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tt 3.5). Encontramos no texto uma referência à regeneração (ou novo nascimento) operada pelo Espírito Santo no momento da conversão.

3               4 .   O ESPÍRITO SANTO EM OUTRAS CARTAS

4.1. Aos Hebreus

 A carta aos Hebreus, que destaca a superioridade de Cristo sobre o sistema sacrificai judaico, afirma que o evangelho foi confirmado por Deus mediante sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade (Hb 2.4). Aliás, o testemunho do Espírito Santo é bem patente nessa epístola (111) 3.7; 9.8; 10.15).

Em Hebreus 9.14, lemos que Cristo se ofereceu em sacrificio pelo Espirito eterno, por certo uma indicação de que o Seu ministério terreno estava na dependência do Espírito Santo. Essa declaração também situa o Espírito Santo como agente executor da redenção. Mais adiante, o autor adverte da culpa que trará sobre si aquele que pisar o Filho de Deus [...] e fizer agravo ao Espírito da graça (Hb 10.29).

4.2. Nas epístolas de Pedro

Em Pedro, também há referência à ação do Espírito Santo na ressurreição de Cristo (1 Pe 3.18), de cujas aflições par-ticipamos. Todavia, o sofrimento pela causa de Crista deve ser motivo de alegria para o cristão, pois significa que sobre este repousa o Espírito da glória de Deus (1 Pe 4.14), ou seja, a Sua presença é manifestada de forma especial em sua vida, proporcionando uma prévia da glória que ele desfrutará no futuro com Cristo.

4.3. Na epístola de Tiago

A carta de Tiago tem como tema a fé manifestada pelas boas obras. Para o autor, a vida espiritual tem de ser produtiva. Ao mesmo tempo, é uma vida que deve manter-se separada do mundo e antagônica ao pecado, pois qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes (Tg 4.4,5)? A verdadeira vida no Espírito não comporta parceria com o mundo (Mt 6.24; Is 42.8).

4        5 .   O ESPÍRITO SANTO NO APOCALIPSE

 Por fim, o Espirito Santo aparece de maneira multiforme no Livro do Apocalipse. Ele está diante do trono de Deus e, no céu, representado pelo fogo e pelo número sete, identificado como os sete Espíritos de Deus (Ap 4.5). A frase "Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas", repetida sete ve-zes no livro (Ap 2.7,11,17,29; Ap 3.6,13,22), demonstra a Sua participação ativa na vida do povo de Deus.

Em Apocalipse, o Espírito Santo é o responsável por proclamar a bem-aventurança acerca dos que morrem em Cristo (Ap 14.13). Com a esposa do Cordeiro, Ele faz o generoso convite: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida (Ap 22.17). A palavra Espírito aparece nove vezes em Apocalipse (2.7,11,17,29; 3.6,13,22; 14.13; 22.17).
É maravilhoso saber que o Espírito está pronto para prestar assistência ao cristão em momentos de aflição, angústia e perseguições ou quando ele precisar de ajuda para a defesa de sua fé. Essa assistência foi prometida literalmente por Jesus (Mc 13.11).

CONCLUSÃO

A apresentação do Espírito Santo nas páginas do Novo Testamento, ainda que de modo resumido, dadas as inúmeras ocorrências no texto sagrado, devem nos convencer do imenso privilégio que a Igreja possui por tê-lo atuando em sua expansão e edificação. Que saibamos valorizá-lo e que possamos caminhar ao lado dele continuamente, dispondo-nos para o Seu serviço na igreja e na evangelização do mundo.

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO

1.      Cite quatro exemplos da ação do Espírito Santo nos Evangelhos.
R: O Espírito desceu sobre Jesus após o Seu batismo (Jo 1.32). Além disso, Ele atuou na vida de João Batista (Lc 1.15); gerou Jesus (Lc 1.35); guiou o Filho de Deus (Mt 4.1).


                                            Lições da Palavra de Deus PROFESSOR 61



APOCALIPSE

O Espírito Santo aparece de maneira multiforme no livro do Apocalipse. Ele está diante do trono de Deus. Está no céu, representado pelo fogo e pelo número sete, identificado como os sete Espíritos de Deus (Ap 4.5; veja também Is 11.2).

A frase: Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas, repetida sete vezes no livro (2.7,11,17,29; 3.6,13,22), demonstra a Sua participação ativa na vida do povo de Deus.

 Disse Russell Norman Champlin, em O Novo Testamento interpretado , que essa expressão, “além de ser uma solene ordem, para que se dê ouvidos ao que se dizia, para que os homens ajam segundo o que lhes é ordenado, assegura-nos que é o Espírito de Deus quem transmite a mensagem” (CHAMPLIN, 1995).

Em Apocalipse, o Espírito Santo é o responsável por proclamar a bem-aventurança acerca dos que morrem em Cristo (14.13). Com a esposa do Cordeiro, Ele faz o generoso convite: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida (Ap 22.17).

A palavra Espírito aparece nove vezes em Apocalipse (2.7,11,17,29; 3.6,13,22; 14.13; 22.17).

 Sete Espíritos de Deus

APÓSTOLO

A palavra apóstolo vem do grego e significa enviado. Ela é aplicada no Novo Testamento inicialmente aos 12 primeiros discípulos escolhidos por Jesus, posteriormente a Paulo e a outros homens cuja ação do Espírito Santo se destacou na vida deles (At 14.4,14; 1 Co 9.5,6; 2 Co 8.23; Gl 1.19).

A Igreja primitiva reconheceu sem dificuldades os primeiros apóstolos que conviveram com Cristo e testemunharam Sua ressurreição (Jo 15.27; At 1.21,22; 1 Co 9.1).

O Espírito Santo confiou aos primeiros apóstolos a tarefa de lançar os alicerces doutrinários ou teológicos da Igreja, preparando-a, assim, para os séculos que viriam. No exercício de seu ministério, eles continuaram a obra iniciada por Jesus (Mc 3.14; Lc 6.13; At 1.1; Gl 1.1).

Os apóstolos tinham plena consciência de que eram usados pelo Espírito Santo, e isso está demonstrado em seus escritos (At 15.28; 1 Co 2.1,2,13; 1 Ts 4.8; 1 Jo 5.9-12). À medida que eram dirigidos pelo Espírito Santo, Deus operava milagres por intermédio dos apóstolos, confirmando a Palavra por eles pregada (2 Co 12.12; Hb 2.4).

Eles foram ricamente abençoados e intensamente confirmados em sua obra. Em virtude disso, a Igreja lhes tem profunda consideração (1 Co 9.1,2; 2 Co 3.2,3). ASCENSÃO À ascensão de Cristo, seguiu-se a espera da chegada do Espírito Santo pelo grupo original de 120 cristãos, pois Jesus lhes havia declarado: Convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei (Jo 16.7).

ASCENSÃO

 À ascensão de Cristo, seguiu-se a espera da chegada do Espírito Santo pelo grupo original de 120 cristãos, pois Jesus lhes havia declarado: Convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei (Jo 16.7).

Em Conhecendo as doutrinas da Bíblia , informa-nos Myer Pearlman:

Depois da ascensão o Senhor Jesus exerceu a grande prerrogativa messiânica que lhe foi concedida — enviar o Espírito [que habitava nele] sobre outros. [At 2.33; Ap 5.6] Portanto, ele concede a bênção que ele mesmo recebeu e desfruta, e nos faz coparticipantes com ele mesmo. (PEARLMAN, 1990 )

ASSISTÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO

É maravilhoso saber que o Espírito está pronto para prestar assistência ao cristão em momentos de aflição, angústia e perseguições ou quando ele precisar de ajuda para a defesa de sua fé. Essa assistência foi prometida literalmente por Jesus: Quando [...] vos conduzirem para vos entregarem, não estejais solícitos de antemão pelo que haveis de dizer; mas o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. Marcos 13.11 A assistência do Espírito Santo é múltipla, permanente, espontânea, gentil e incansável.

ATIVIDADES GERAIS DO ESPÍRITO SANTO

 Uma relação completa das atividades do Espírito Santo mencionadas nas Sagradas Escrituras seria muito extensa. Portanto, o que se segue é um resumo.

Ele ajuda, concede dons, paz, convida, ensina, expressa amor, bondade, vontade própria, fala, fortalece, guia, lava, ouve, faz recordar, regenera, renova, reparte alegria, justiça, vida, revela, santifica, unge e vivifica (veja Ne 9.20; Jo 14.26; 15.26; 16.12-14; At 10.38; 16.6,7; 21.11; Rm 1.4; 8.1,2,6,14,26; 14.17; 15.13,16,30; 1 Co 2.10-15; 12.11; Ef 3.16; 1 Ts 1.5,6; 1 Tm 4.1; Tt 3.5; Ap 2.7; 22.17).

Criação e nova criação

ATOS DOS APÓSTOLOS

O livro de Atos abrange cerca de 30 anos da história da Igreja. Nele se percebe a ação do Espírito Santo desde o início da Igreja e em seu desenvolvimento.

Assim como Cristo se destacou nos Evangelhos, o Espírito Santo, o Consolador prometido, sobressai em Atos. Alguns estudiosos afirmam que o livro, em vez de Atos dos Apóstolos, poderia ser chamado de Atos do Espírito Santo. Já em Atos 1.2, somos informados de que Jesus deu mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos.

 A promessa de poder do alto, por meio do batismo com o Espírito Santo, é lembrada em seguida (At 1.5,8). O Espírito Santo é mencionado por Pedro quando se votou pela escolha de um apóstolo substituto para o lugar de Judas (At 1.16). O capítulo 2 de Atos é um marco sublime, pois relata a descida do Espírito Santo sobre os cristãos reunidos no cenáculo, no dia de Pentecostes, quando a Igreja foi oficialmente estabelecida.

 O que temos nos capítulos desse livro seguintes são relatos concisos ou detalhados da operação sobrenatural do Espírito Santo, confirmando a Palavra e ditando os rumos da recém-criada Igreja:
 • O Espírito Santo se manifestou como línguas de fogo que pairavam sobre os discípulos no Dia de Pentecostes (At 2.3); • Sinais e maravilhas foram operados pelos apóstolos (At 2.43);
• Pedro e João ministraram cura a um paralítico à porta do templo (At 3.1-11);
• O local de reunião dos cristãos tremeu (At 4.31);
• Ananias e Safira morreram punidos pelo Espírito Santo (At 5.1-10);
• Outros sinais e prodígios se manifestaram pelas mãos dos apóstolos (At 5.12);
• Pessoas foram curadas pela sombra de Pedro (At 5.15,16); • Um anjo abriu as portas da prisão (At 5.17-20);
• Por intermédio de Estêvão, Deus realizou prodígios e grandes sinais entre o povo (At 6.8);
• Por intermédio de Filipe, Deus realizou grandes sinais e maravilhas em Samaria (At 8.5-13);
• Saulo foi curado de cegueira (At 9.8-18);
• Enéias, um paralítico, foi curado (At 9.32-35);
• Dorcas foi ressuscitada (At 9.36-42);
• Um anjo liberta Pedro da prisão (At 12.1-10);
 • Um mágico ficou cego por perturbar os retos caminhos do Senhor (At 13.6-11);
• Sinais e prodígios foram realizados em Icônio (At 14.1-3);
• Grandes sinais e prodígios foram realizados por Deus entre os gentios (At 15.12);
• Um espírito de adivinhação foi expulso de uma moça (At 16.16-18);
• Paulo e Silas foram libertos da prisão por um terremoto (At 16.23-26);
• Maravilhas extraordinárias foram realizadas por Paulo em Éfeso (At 19.11,12);
• Um jovem foi ressuscitado em Trôade (At 20.7-12);
• Paulo sobreviveu milagrosamente à picada de uma víbora (At 28.3-6);
• Públio e vários enfermos na ilha de Malta foram curados (At 28.8,9). Toda essa ação do Espírito Santo resultou em muitas conversões (At 2.43,47; 8.6,12; 9.32-35,40-42; 13.11,12).

 No Manual Bíblico de Halley , este observou:

Se tirássemos os milagres de Atos dos Apóstolos, pouca coisa sobraria. Por mais que os críticos desfaçam do valor comprobatório dos milagres, é inegável que Deus fez uso abundante de milagres ao lançar o cristianismo no mundo. (HALLEY,2001)

O Espírito Santo assumiu o comando da Igreja.

ATUALIDADE DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

 Ao contrário daqueles que negam a possibilidade de alguém ser batizado com o Espírito Santo, em nossos dias pode-se, sem qualquer dificuldade, comparando os textos bíblicos, chegar-se à conclusão de que essa bênção e essa experiência são profundamente possíveis hoje. Para começar, o Espírito Santo continua atuante hoje como era nos tempos da Igreja primitiva. Nada indica que parte de Sua atividade tenha sido suprimida.

 Um detalhe importante é que o apóstolo Pedro afirmou que o batismo é para todos os que estão longe: tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar (At 2.39). Obviamente, essa categoria não pode restringir-se aos tempos apostólicos. Cabe aqui a observação de French L. Arrington, no Comentário bíblico pentecostal :
Deus deseja que todo o seu povo tenha a mesma experiência momentosa que os discípulos receberam no dia de Pentecostes. O cumprimento de sua promessa do Espírito, dada no Antigo Testamento, não se exaure no livro de Atos quando a Igreja alcança os gentios. Permanece uma bênção presente e universal, a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar, incluindo todos os que estão longe. (ARRINGTON, 2003)

Jesus prometeu batismo com o Espírito a todos os que nele creem (Jo 7.37-39), o que por certo não limita essa dádiva ao tempo dos primeiros cristãos. O mesmo se pode dizer desta outra promessa de Jesus:
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. [...] Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? Lucas 11.9-13

O profeta Joel predisse o Seu derramamento sobre toda a carne (Jl 2.28-30).

Por fim, milhões de cristãos têm recebido o batismo com o Espírito Santo ao longo dos séculos, sendo o exemplo maior a eclosão do movimento pentecostal no início do século 20.

Batismo com o Espírito Santo

AUTORIDADE DO ESPÍRITO SANTO
 As Sagradas Escrituras reconhecem, identificam e declaram a autoridade do Espírito Santo. Primariamente, a Sua autoridade deriva do fato de Ele ser Deus, visto que divindade inerentemente pressupõe autoridade. A autoridade do Espírito tornou-se perceptível quando Jesus desempenhou o Seu ministério terreno, uma vez que Ele esteve, na condição de pessoa humana, debaixo dessa autoridade. Isso compreende o período que vai desde o nascimento até a ascensão de Jesus.
Outro aspecto notável da autoridade do Espírito é verificado na história da Igreja, quando Ele atuou de forma soberana em muitas dimensões, especialmente na direção efetiva e no controle absoluto, a partir do dia de Pentecostes.
Passados dois milênios, a Igreja continua a depender da autoridade do Espírito. Se essa autoridade não fosse real e explícita, a Noiva poderia fragilizar-se e deixar de alcançar a sua meta. Para isso, o melhor que cada cristão deve fazer é seguir a recomendação paulina: Enchei-vos do Espírito (Ef 5.18).

BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Embora a expressão batismo com o Espírito Santo não apareça literalmente na Bíblia, lemos que Jesus vos batizará com o Espírito Santo (Lc 3.16). Ele também disse: Sereis batizados com o Espírito Santo (At 1.5). Outras expressões encontradas no texto sagrado apontam para o mesmo fenômeno espiritual, como estas, encontradas no livro de Atos: Foram cheios do Espírito Santo (At 2.4), recebereis o dom do Espírito Santo (At 2.38) e caiu o Espírito Santo sobre (At 10.44). A ausência da expressão literal em nada altera a realidade dessa experiência. Usa-se também, às vezes, a expressão batismo no Espírito Santo.
 O batismo com o Espírito Santo é uma das mais significativas e maravilhosas experiências projetadas por Deus e destinadas aos membros de Sua Igreja. Significa o revestimento de poder espiritual, prometido desde o Antigo Testamento, também chamado promessa do Pai (At 1.4).
 A primeira experiência de batismo com o Espírito Santo ocorreu no Dia de Pentecostes (At 2). Esse batismo testifica a ressurreição de Jesus (Jo 16.7; At 2.32,33); só pode ser concedido por Ele (Jo 1.33; At 1.5); destina-se a todos os cristãos (Mt 3.11; Jo 7.39; 14.17; At 2.3,4; 10.44). Ele foi prometido pelo Pai (At 1.4); é oferecido aos que têm sede e creem (Jo 7.37-39); concede autoridade especial a quem o recebe (Lc 24.49).
Para recebê-lo, o cristão deve crer de acordo com as Escrituras (Jo 7.37); pedir com fé (Mt 7.7; Lc 11.13; Tg 1.6); orar com perseverança (Lc 18.1; At 1.14); obedecer de coração (Lc 24.49; At 1.4,12,13); aproximar-se com confiança do Pai (Is 55.1; Jo 7.37,38); demonstrar profunda sede por Deus (Sl 143.6; Is 41.17; 44.3; Ap 21.6); beber da água que Cristo dá (Jo 7.37; Ap 22.7).

Em A doutrina espiritual , o pastor Raimundo de Oliveira assinalou que:
A Doutrina do Batismo no Espírito Santo é uma das pedras basilares da Doutrina Pentecostal, por vários séculos; pois está provado que o Batismo no Espírito Santo, além de bibliocêntrico é também prático e experimental . (OLIVEIRA, 2007)
O pastor Estevam Ângelo de Souza, em Nos domínios do Espírito , disse que:
O batismo no Espírito Santo é um ato de Deus pelo qual o Espírito vem sobre o crente e o enche plenamente. É a vinda do Espírito Santo para encher e apoderar-se do filho de Deus como propriedade sua.

Sobre a relação entre o batismo com o Espírito Santo e a regeneração (outra obra do Espírito), na Bíblia de Estudo Pentecostal , observou o pastor Donald Stamps:

O batismo com o Espírito Santo é uma obra distinta e à parte da regeneração, também por Ele efetuada. Assim como a obra santificadora do Espírito é distinta e completiva em relação à obra regeneradora do mesmo Espírito, assim também o batismo no Espírito complementa a obra regeneradora e santificadora do Espírito. No mesmo dia em que Jesus ressuscitou, Ele assoprou sobre seus discípulos e disse: Recebei o Espírito Santo (Jo 20.22), indicando que a regeneração e a nova vida estavam-lhe sendo concedidas [...] Depois, Ele lhes disse que também deviam ser revestidos de poder pelo Espírito Santo (Lc 24.49; cf. At 1.5,8). Portanto, esse batismo é uma experiência subsequente à regeneração .

A Declaração de verdades fundamentais das Assembleias de Deus afirma também que a experiência do batismo com o Espírito Santo é distinta e subsequente à experiência do novo nascimento.
Existem propósitos definidos para o batismo, e o principal deles é fazer da pessoa que o recebe uma poderosa testemunha de Cristo (At 1.8), capacitando-a a dar testemunho do evangelho (At 20.24), a conquistar almas (At 2.41; 4.4), a curar enfermos (At 3.8,9), a sofrer por Cristo (At 7.55), a enfrentar perseguições (At 8.1-5), a ver a Palavra confirmada (Hb 2.4) e a conhecer os mistérios divinos (1 Jo 2.20,27).
Esse batismo foi experimentado pela primeira vez em Jerusalém, por volta do ano 33, no Dia de Pentecostes (At 2.1-4). Também foi vivenciado em Samaria, no ano 34 (At 8.14-17); em Damasco, no ano 35 (At 9.17); em Cesaréia, no ano 41 (At 10.24,44); em Éfeso, no ano 51 (At 19.1-6), e assim por diante.

Atualidade do batismo com o Espírito Poder espiritual

BATISMO DE JESUS
Os quatro evangelistas do Novo Testamento são unânimes na informação de que o Espírito Santo desceu sobre a pessoa de Jesus após o Seu batismo:
Sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. Mateus 3.16 Logo que [Jesus] saiu da água, viu os céus abertos e o Espírito, que, como pomba, descia sobre ele. Marcos 1.10
Aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és meu Filho amado; em ti me tenho comprazido. Lucas 3.21,22
João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele (Jo 1.32). Nessa ocasião, o Pai declarou: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mt 17.5). Jesus não foi batizado com o Espírito Santo, mas foi cheio do Espírito (Mt 4.1). Seu batismo em águas indica que todos os Seus seguidores também devem ser batizados dessa maneira (Mc 16.17; Mt 28.18; At 2.38).

BATISMO EM ÁGUAS
 A Bíblia menciona vários tipos ou formas de batismo. Quando o Senhor Jesus proclamou a Grande Comissão, pronunciou as seguintes palavras:
Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. Mateus 28.19,20

 É por essa razão que, em nossas igrejas, o ministrante, antes de mergulhar a pessoa na água, costuma dizer: “Eu o batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. As igrejas evangélicas em geral adotam essa fórmula, chamada trinitariana, justamente por ter sido instituída por Jesus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são as três pessoas da Trindade.
A fórmula recomendada por Cristo, portanto, expressa a crença no Deus triúno. Logo, o Espírito Santo está relacionado com o ato batismal de cada pessoa que recebe a Cristo e decide tornar-se membro de Sua Igreja. Para outros textos que aludem diretamente ao batismo em águas, ver Marcos 16.15,16; Atos 2.38,41; 8.16; 10.48; 19.3,5; Romanos 6.3; 1 Coríntios 1.13; 10.2; 12.13; Gálatas 3.27.

 BATISMO EM UM CORPO
 Além do batismo em águas e do batismo com o Espírito Santo outorgado à Igreja no Dia de pentecostes, temos no Novo Testamento a informação de que: Todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito (1 Co 12.13). Esse é o batismo em que o Espírito Santo realiza a obra de unir o cristão ao Corpo de Cristo, a Igreja. Assim, o convertido torna-se um com Cristo e com os demais membros de Seu Corpo (Rm 12.5). Nesse sentido, os cristãos são espiritualmente batizados, o que vem a ser a obra da regeneração, operada pelo Espírito Santo.

                                             Dicionário do Espírito Santo- Geziel Gomes 

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                                         TEOLOGIA SISTEMÁTICA                                                                    

   A. B. LANGSTON

 3.2.2.  E  Jesus  encheu-se  do  Espírito  Santo  por  ocasião  do  batismo.  «E  aconteceu  que,  como  todo  o  povo fosse batizado e sendo batizado também Jesus, e orando, abriu-se o céu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: «Tu és o meu Filho amado, em ti me tenho comprazido» (Lucas 3:21,22).

3.2.3. Jesus foi guiado pelo Espírito Santo: «E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo  Espírito  ao  deserto»  (Lucas  4:1).  «O  Espírito do  Senhor  está  sobre  mim,  porquanto  me  ungiu  para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração» (Lucas 4:18). 3.2.4. Jesus expulsou demônios pelo poder do Espírito Santo: «Mas,  se  eu  expulso  os  demônios  pelo  Espírito  de  Deus,  é  conseguintemente  chegado  a  vós  o  reino  de Deus» (Mateus 12:28).

3.2.5.  Jesus  foi  apontado  por  João  Batista  como  aquele  que  havia  de  batizar  com  o  Espírito  Santo,  e  esta promessa  confirmou-a  o  próprio  João  Batista  no  seu último  discurso:  «E  eu,  na  verdade,  vos  batizo  com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo» (Mateus 3:11).
O cumprimento desta promessa encontramos narrado em Atos 2:4: «E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. »

 3.2.6. Jesus foi levado ao deserto pelo Espírito Santo, e ali, pelo seu poder, venceu o tentador: «Então foi conduzido  Jesus  pelo  Espírito  ao  deserto,  para  ser tentado  pelo  diabo»  (Mateus  4:1).  E  no  verso  2  deste mesmo capítulo encontramos: «Então o diabo o deixou; e eis que chegaram os anjos, e o serviram.»

3.2.7.  Jesus  ofereceu-se  em  sacrifício  na  cruz  pelo  poder  do  Espírito  Santo:  «Quanto  mais  o  sangue  de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?» (Hebreus 9:14).

3.2.8. Jesus foi ressuscitado pelo poder do Espírito Santo: «Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor» (Romanos 1:4). Vimos  que  no  Velho  Testamento  o  dom  do  Espírito  Santo  não  era  dado  a  todos,  mas  só  a  certas  pessoas privilegiadas;  porém,  no  Novo  Testamento,  temos  evidências  da  distribuição  mais  liberal  deste  dom  aos homens, embora, como sabemos, o Espírito Santo esteja mais intimamente relacionado com Cristo no seu ministério  do  que  com  qualquer  outra  pessoa.

 Em  muitas  passagens  encontramos  a  promessa  de  que  o Espírito Santo há de se relacionar intimamente com os crentes. No Evangelho de Lucas 11:13, encontramos que Deus está pronto a atender aos pedidos dos crentes como um pai atende à súplica dos seus filhos. «Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito àqueles  que  lho  pedirem?»

 No  Evangelho  de  João  temos:  «E  eu  rogarei  ao  Pai,  e  ele  vos  dará  outro Consolador, para que fique convosco para sempre» (João 14:16). «Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, a saber, aquele Espírito de verdade que procede do Pai, ele vos testificará de mim» (João 15:26). De muita importância sobre este assunto é ainda esta passagem que se encontra neste mesmo Evangelho de João, cap. 16:7-11: «Porém, digo vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós;  mas,  se  eu  for,  enviar-vo-lo-ei.  E,  quando  ele  vier,  convencerá  o  mundo  do  pecado,  da  justiça  e  do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.»

Três fatos importantes aprendemos dessas passagens que acabamos de citar:

 a)  A  relação  do  Espírito  Santo  para  com  o  crente.  No  Evangelho  de  João  14:16,  lemos  que  ele  ficará conosco  para  sempre.  Jesus  tinha  que  ir  embora,  mas  o  outro  Consolador  viria,  para  ficar  conosco  para sempre.  O  Espírito  Santo  está  sempre  ao  lado  do  crente.  Mas  a  Bíblia  fala  de  uma  relação  ainda  mais íntima: o Espírito Santo habitará no crente. «O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê nem o conhece: mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós» (João 14:17). A relação  do  Espírito  Santo  para  com  o  crente  é  uma  relação  muito  íntima,  mais  íntima  do  que  a  que  os discípulos  podiam  ter  com  Jesus  Cristo  enquanto  ele  estava  na  carne;  porque  Jesus  podia  estar  com  o homem e não no homem, ao passo que o Espírito Santo não só está conosco, mas, ainda mais do que isso, está em nós. Esta é uma das razões por que Jesus disse: «Convém que eu vá.»

 b) A segunda lição que aprendemos é no tocante à relação -do Espírito Santo para com o trabalho de Jesus. Ele vai edificando, e vai completando o estabelecimento do reino de Deus na terra. Jesus fundou o reino de Deus, mas o Espírito Santo é que vai levar avante a obra, até que ele seja estabelecido em cada coração. O que  Cristo  «começou  a  fazer  e  a  ensinar»  o  Espírito  Santo  vai  completar.  «Mas  aquele  Consolador,  o Espírito  Santo,  que  o  Pai  enviará  em  meu  nome,  esse  vos  ensinará  todas  as  coisas,  e  vos  fará  lembrar  de tudo quanto vos tenho dito» (João 14:26).

c)  A  terceira  lição  diz  respeito  à  relação  do  Espírito  Santo  com  o  mundo.  Ele  convencerá  o  mundo  do pecado, da justiça e do juízo:
«E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em  mim;  da  justiça,  porque  vou  para  o  Pai,  e  não  me  vereis  mais;  e  do  juízo,  porque  já  o  príncipe  deste mundo está julgado» (João 16:8-11). Se  pararmos  um  pouco  para  considerar  a  condição  do mundo,  e,  também,  o  que  Cristo  já  fez  em  seu benefício, havemos de ver a razão desse trabalho do Espírito Santo de convencê-lo do pecado, da justiça e do juízo. O mundo estava perecendo no pecado e, por causa do grande amor de Deus, Jesus Cristo veio e ofereceu-se  em  sacrifício  para  remi-lo  do  pecado.  O  mundo,  porém,  ignorava  o  triste  estado  em  que  se achava; e por isso havia grande necessidade de alguém que o convencesse não só da realidade do pecado,como  também  da  sua  natureza  e  das  suas  conseqüências.

 Além  disso,  o  mundo  precisava  ser  convencido também de que Cristo veio salvá-lo do pecado. O Espírito Santo, em realizar este trabalho, naturalmente convence também o mundo da justiça, da retidão e da santidade que Deus queria comunicar ao homem. Isto é, havia grande necessidade de obrigar o mundo a  reconhecer  que  a  justiça  de  Deus  era  a  única  que podia  ser  aceita.  O  apóstolo  Paulo,  escrevendo  aos filipenses, disse que não queria a sua própria justiça, senão aquela que vem de Deus. «E seja achado nele, não  tendo  a  minha  justiça  que  vem  da  lei,  mas  a  que  vem  da  fé  em  Cristo,  a  saber,  a  justiça  que  vem  deDeus pela fé» (Filipenses 3:9).

 Era  necessário  também  que  o  mundo  fosse  convencido do  juízo;  porque,  entre  o  pecado  e  a  justiça, certamente há de haver um juízo. Quem se não convence do pecado e do juízo será julgado de acordo com o  seu  modo  de  pensar  sobre  este  assunto.  O  juízo  de  Deus  é  não  só  inevitável,  como  infalível.  No Evangelho segundo João lemos as seguintes palavras: «Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus» (João 3:18).

 Aquele, então, que não crê no nome de Jesus Cristo, o Juiz, traz sobre si mesmo a condenação certa; porém aquele  que  se  deixar  persuadir  da  verdade  e  crer  em  Jesus  não  entrará  em  condenação.  Assim  disse  o apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos: «Assim que agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito» (Romanos 8:1). Este juízo de Deus é a  base  das  suas  ações  e  dele  depende  o  destino  dos homens.  Vemos,  portanto,  neste  trabalho  do  Espírito Santo,  uma  coisa  que  vai  até  além  do  que  está  descrito  no  verso  16  do  terceiro  capítulo  do  Evangelho  de João.  Deus,  além  de  amar  o  mundo  e  dar  o  seu  Filho unigênito  para  que  todo  aquele  que  nele  crê  não pereça,  mas  tenha  a  vida  eterna,  deu  o  seu  Espírito,  para  que  o  mundo  ficasse  convencido  do  pecado,  da justiça e do juízo. Tudo quanto era possível fazer para levar o homem ao arrependimento e à salvação Deus já fez.

E  é  interessante  pensar  como  o  Espírito  Santo  tem  trabalhado  em  relação  ao  mundo. Hoje,  milhões  e milhões de pessoas já foram convencidas do pecado, da justiça e do juízo, crêem e tem sido salvas em Jesus Cristo. A obra realizada pelo Espírito Santo neste sentido é simplesmente extraordinária. O Espírito Santo trabalha  tão  ativamente  hoje  como  em  qualquer  época  na  história  deste  mundo.  O  mundo  está-se convencendo do pecado, da necessidade da justiça que vem de Deus, e da certeza de um juízo que traz, ao que não crê, convicção da condenação. Quando Jesus expirou na cruz, poucas pessoas estavam convencidas de  que  a salvação  vinha  por  meio  dele;  hoje,  porém,  numeram-se  em  milhões  e milhões  os  que  crêem  no seu  nome.  Tudo  isso  é  o  resultado  do  trabalho  do  Espírito  Santo  convencendo  o  mundo  do  pecado,  da justiça e do juízo.

3.3. O Espírito Santo nos Atos dos Apóstolos e nas Epístolas

Chegamos  agora  ao  período  de  maior  atividade  do  Espírito  Santo.  Não  devemos,  porém,  pensar  que  o Espírito  Santo  não  trabalhava  antes  neste  mundo.  Ele  não  era  estranho  ao  progresso  da  humanidade  e  do reino de Deus em qualquer época da história, O Espírito Santo, como já vimos tem trabalhado ativamente desde o princípio da criação. Era ele mesmo que se movia sobre a face das águas na manhã do primeiro dia da  existência  do  mundo.  A  fé  de  Abraão,  o  arrependimento  de  Davi,  a  perseverança  de  Jeremias  e  a inspiração de Isaías são obras do Espírito Santo, assim como as maravilhas operadas nas vidas de João e de Paulo. Em toda obra realizada por Deus em qualquer época na vida do homem, lá havemos de encontrar o Espírito  agindo.  «E  repousará  sobre  ele  o  Espírito do  Senhor,  o  espírito  de  sabedoria  e  de  inteligência,  o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E o seu deleite será no  temor  do  Senhor;  e  não  julgará  segundo  a  vista  dos  seus  olhos,  nem  repreenderá  segundo  o  ouvir  dos seus ouvidos» (Isaías 11:2,3).

 A diferença entre este período de atividade do Espírito Santo e os outros períodos já mencionados acha-se no  fato  de  que  Cristo  já  havia  completado  o  seu  trabalho;  já  havia  preparado  o  caminho  para  a  vinda  do Espírito Santo. Jesus veio ao mundo, fundou o seu reino e voltou para o Pai; de sorte que Deus podia enviar mais poderes para a continuação da obra começada. Agora havia um Salvador, que deveria ser anunciado, um Cristo a ser glorificado e uma salvação que deveria tornar-se uma realidade a todos os corações. Jesus deixou  tudo  pronto  para  as  maiores  atividades  de  Deus  na  salvação  da  humanidade.  Tudo  estava encaminhado, e só restava executar o grande plano de Deus na salvação consumada por Cristo. Foi no dia de  Pentecostes  que  esta  personalidade  divina  veio  com  todos  os  seus  poderes  maravilhosos  para  habitar com a igreja de Jesus.

O dia de Pentecostes foi um grande passo dado por Deus para a redenção do mundo. Pela vinda do Espírito Santo o reino de Deus entrou no período de maiores atividades e de maior prosperidade. Considerado sob certo ponto de vista, tudo quanto fora realizado antes era uma preparação para a vinda gloriosa do Espírito Santo. No livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versos 1-7, temos a narrativa deste acontecimento. «E, cumprindo-se  o  dia  de  Pentecostes,  estavam  todos  concordemente  reunidos.  E  de  repente  veio  do  céu  um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, e pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do  Espírito  Santo,  e  começaram  a  falar  noutras  línguas,  conforme  o  Espírito  Santo  lhes  concedia  que falassem.  E  em  Jerusalém  estavam  habitando  judeus, varões  religiosos,  de  todas  as  nações  que  estão debaixo do céu. E, correndo aquela voz, ajuntou-se a multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na  sua  própria  língua.  E  todos  pasmavam  e  se maravilhavam,  dizendo  uns aos  outros:  Pois  quê!  não são  galileus  todos  esses  homens  que  estão  falando? Como,  pois,  os  ouvimos  cada  um  na  nossa  própria língua em que somos nascidos?»

Notemos, agora, três resultados imediatos da vinda do Espírito Santo: 3.3.1. Dons. No momento em que receberam o Espírito Santo, os discípulos começaram a falar em línguas estranhas. Convém notar também que este acontecimento do dia de Pentecostes foi acompanhado de outras manifestações do mundo material.

 3.3.2.  Poder  do  alto.  O  segundo  resultado  foi  o  poder  extraordinário  vindo  do  céu.  Pela  pregação  dos apóstolos, converteram-se nesse dia quase três mil pessoas!

3.3.3.  União.  O  Espírito  Santo  estabeleceu  a  união entre  os  crentes,  porque  foi  nesse  dia  que  começou a formar-se  no  mundo,  de  uma  maneira  especial,  a  igreja  de  Jesus  Cristo  como  um  corpo.  «Porque  assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo  também.  Porque  todos  nós  fomos  também  batizados  em  um  Espírito  para  um  corpo,  quer  judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito» (1 Coríntios 12:12, 13).

Devido  às  condições  espirituais  em  que  se  achavam  os  discípulos,  a  vinda  do  Espírito  Santo  foi acompanhada de muitos sinais visíveis: Maravilhas  línguas,fogo,  etc.  Porém,  à  proporção  que  os  homens  se  tornavam  mais  espirituais,  iam desaparecendo  também  os  sinais  visíveis  no  mundo  material.  Essas  coisas  serviam  para  convencer  os apóstolos  da  realidade  da  presença  do  Espírito  Santo.  Eram  coisas  passageiras  e,  naturalmente,  passaram com o decurso do tempo. Nos tempos atuais, nenhuma razão há para ligar aqueles sinais exteriores com a presença do Espírito Santo.

4. PECULIARIDADES

Consideremos agora duas peculiaridades em relação ao Espírito Santo.

Desde  o  dia  de  Pentecostes  até  o  dia  da  visão  de  Pedro  e  da  sua  pregação  a  Cornélio,  havia sempre  certo intervalo entre a hora de crer e a hora de receber o Espírito Santo. «Mas, como creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres. E creu até o mesmo Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e, vendo os sinais que se faziam, estava atônito. Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samária recebera a palavra de Deus,  enviaram-lhes  Pedro  e  João.  Os  quais,  tendo  descido,  oraram  por  eles,  para  que  recebessem  o Espírito Santo. (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor  Jesus)»  (Atos  8:12-  17).  «E  Ananias  foi,  e  entrou  na  casa,  e,  impondo-lhe  as  mãos,  disse:  Irmão Saulo,  o  Senhor  Jesus,  que  te  apareceu  no  caminho  por  onde  vinhas,  me  enviou,  para  que  tornes  a  ver  e sejas  cheio  (10  Espírito  Santo.  E  logo  lhe  caíram  dos  olhos  como  que  umas  escamas,  e  recebeu  logo  avista; e, levantando-se, foi batizado (Atos 9:17, 18). E digno de nossa atenção também o fato de que o Espírito Santo só veio quando os discípulos impuseram as  mãos.  Porém,  do  capítulo  10  em  diante,  neste  mesmo  livro,  o  Espírito  Santo  começou  a  descer  sobre todos sem a imposição das mãos de quem quer que fosse. Parece que temos aqui duas épocas distintas em relação  ao  Espírito  Santo,  e  mais  particularmente  em  relação  à  sua  vinda  sobre  os  crentes.  Os  primeiros nove capítulos do livro dos Atos dos Apóstolos abrangem o primeiro período, e o segundo período é o que vai do capítulo 10 em diante.

Relatando  o  apóstolo  Pedro,  perante  a  igreja  em  Jerusalém,  as  maravilhas  que  Deus  havia  operado  pela pregação  do  evangelho  entre  os  gentios,  disse  que, em  certa  reunião,  apenas  começara  a  falar,  o  Espírito Santo desceu sobre os ouvintes assim como havia descido sobre os próprios apóstolos. «E, quando comecei a  falar,  caiu  sobre  eles  o  Espírito  Santo,  como  também  sobre  nós  ao  princípio»  (Atos  11:15).  E,  desde aquela data em diante, o Espírito Santo não só regenera, mas habita com os crentes e nos crentes. «Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual tendes de Deus e que não sois  de  vós  mesmos?»  (1  Coríntios6:  19).  Paulo  fala  dessa  maneira,  não  obstante  as  irregularidades  doscrentes da igreja em Corinto, como  vemos das seguintes palavras dirigidas àquela igreja: «Porque de vós, irmãos meus, me foi notificado, pelos da família de Cloé, que há também contendas entre vós. E digo isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo» (1 Coríntios 1:11, 12). «E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, os que ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, porque ainda  sois  carnais:  pois,  havendo  entre  vós  inveja,  contendas  e  dissensões,  não  sois  porventura  carnais,  e não  andais  segundo  os  homens?  Porque,  dizendo  um:  Eu  sou  de  Paulo;  e  outro:  eu  de  Apolo,  porventura não  sois  carnais?»  (1  Coríntios  3:1-4).  Ainda  uma  passagem  que  põe  a  claro  as  tristíssimas  condições espirituais da igreja em Corinto é a que se encontra em 1 Coríntios 5:1.

Não  obstante  tudo  isso,  o  apóstolo  Paulo  escreve  àqueles  crentes,  dizendo  que  eles  eram  o  templo  do Espírito  Santo.  E  é  mesmo  neste  fato  que  fundamenta  as  suas  exortações,  pedindo  àqueles  irmãos  que evitassem  tais  coisas.  Sobre  este  assunto  temos  duas  passagens,  muito  interessantes:  «Porque  não recebestes  o  espírito  de  escravidão,  para  outra  vez  estardes  em  temor,  porém  recebestes  o  espírito  de adoção de filhos, pelo qual chamamos: Aba Pai. O mesmo espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus» (Romanos 8:15, 16). «E, porque sois filhos, Deus envia aos vossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Aba, Pai» (Gálatas 4:6).

 Estas duas passagens estabelecem claramente que o Espírito Santo habita no crente, não obstante as muitas irregularidades da sua vida. Convém notar, porém, que essas irregularidades são incompatíveis com a vida de uma pessoa em quem habita o Espírito Santo de Deus.

 Ë  uma  verdade  muito  importante  esta que, aquele  que  crê  em  Jesus  e  o  recebe, recebe também  o  Espírito Santo. A condição essencial hoje para receber o Espírito Santo é a de ser verdadeiro crente em Jesus Cristo. «Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos,  que,  tendo  começado  pelo  Espírito,  acabeis  agora  pela  carne?»  (Gálatas  3:2,  3).  «E  não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção» (Efésios 4:30). «Quem crê  em  mim,  como  diz  a  Escritura,  rios  dágua  manarão  do  seu  ventre.  E  isto  disse  ele  do  Espírito  que haviam  de  receber  os  que nele  cressem;  porque  o  Espírito  Santo  ainda  não  fora  dado,  porque  ainda Jesusnão tinha sido glorificado» (João 7:38, 39).

Devemos, porém, notar que o homem que é crente pode ter já recebido o Espírito Santo e o Espírito Santo pode  já  estar  habitando  nele,  sem,  contudo,  estar  cheio  do  Espírito  Santo.  Há  grande  diferença  entre  o receber-se o Espírito Santo quando se crê e o ficar cheio do Espírito Santo; ou, em outras palavras, deixar-se  influenciar  pelo  Espírito  Santo,  entregando-se  inteiramente  à  sua  direção.  O  Espírito  Santo  não  pode habitar  em  nós  sem  ter  em  suas  mãos  a  direção  da  nossa  vida.  O  que  devemos  fazer  então  é  nos entregarmos inteiramente à sua direção. O Espírito Santo não é como uma pessoa que nos visita em nossa casa,  porque  ele faz  parte da  família,  é  o  chefe  da  casa.  E  uma  Pessoa  que  deve  percorrer  a  casa inteira  e tudo  deve  ser  entregue  à  sua  direção.  Ele  deve  encher  a  casa  toda  com  a  sua  presença,  porque,  se  há  um crente poderoso, este é o crente cheio do Espírito Santo. Esta é uma grande necessidade de cada crente em Jesus  Cristo:  encher-se  do  Espírito  Santo.  «E,  cumprindo-se  o  dia  de  Pentecostes,  estavam  todos concordemente reunidos. E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, que encheu  toda  a  casa  em  que  estavam  assentados.  E  foram  vistas  por  eles  línguas  repartidas,  como  que  de fogo,  e  pousaram  sobre  cada  um  deles.  E  todos  foram  cheios  do  Espírito  Santo,  e  começaram  a  falar noutras  línguas,  conforme  o  Espírito  Santo  lhes  concedia  que  falassem»  (Atos  2:1-4).  «E,  tendo  orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e falavam com ousadia a palavra de Deus» (Atos 4:31).

No  dia  em  que  aceitamos  a  Cristo  como  nosso  Salvador  recebemos  também  o  Espírito  Santo,  ficamos batizados e selados nele. Há, porém, além disso, mais um passo a dar, e este é o de irmo-nos entregando, cada  dia,  cada  vez  mais,  à  direção  do  Espírito  Santo,  até  que  fiquemos  completamente  cheios  dele.  Este êxito, às vezes, é demorado, mas pode ser também instantâneo. Seja como for, desta ou daquela maneira, o dever do crente é entregar-se ao Espírito Santo para fazer o trabalho de Deus neste mundo e ser-lhe fiel até a morte.

Sem  dúvida  alguma,  Jesus é  o  Salvador  da  nossa alma,  mas  é  o  Espírito  Santo  que  nos  livra de  uma  vida infrutífera e inútil. A maior necessidade daquele que crê é entregar-se ao Espírito Santo e ficar cheio dele, para que a sua vida não seja infrutífera.

                                                      TEOLOGIA SISTEMÁTICA                                                                       
                                                                 B. LANGSTON

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                                  Cristologia

Antonio Gilberto

A Palavra de Deus alerta, em Rom anos 1.23-26, quanto a mudanças indevidas e seus resultados funestos para a igreja. Daniel menciona “mudanças” como uma das características do tempo do Anticristo. Essas mudanças são muitas e injustificáveis, como a teologia da libertação, o culto da prosperidade, além de um elevado número de fatos e eventos registrados na Bíblia transformados em doutrina pelos falsos mestres.

Em 2 Coríntios 4.2, lemos sobre o perigo da falsificação da Palavra de Deus e o que devemos fazer para não sermos enganados: “antes, rejeitamos as coisas que, por vergonha, se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade”. Há um padrão bíblico para a igreja (2T m 1.13; H b 8.5). E os que a edificam devem atentar para o que está escrito em I Coríntios 3.10: “Segundo a graça de Deus que foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele”, pois a obra de cada um se manifestará (v. 13). Cuidado, os edificadores da igreja; os que fazem discípulos para o Senhor (M t 28.19).

Existem quatorze palavras-chaves — ou frases — , em Atos 2, que marcaram o primeiro Pentecostes, indicando fatos que devem acompanhar a verdadeira ação do Espírito Santo através dos tempos: “Pentecostes” (v.I); “todos” (vv. 1,4,17,21,39,43,44); “reunidos” (v.I); “céu” (v.2); “som” (v.2); “vento” (v.2); “casa” (v.2); “línguas” (v.3); “fogo” (v.3); “cheios” (v.4); “nações” (v.5); “zombaria” (v. 13); “Pedro” (v. 14); e “Palavra de Deus” (vv. 16-36).

Meditemos, pois, nessas palavras, tendo em mente o contexto do primeiro derramamento pentecostal, e comparemos isso com o que ora ocorre em nosso meio.



O significado de Pentecostes. Em Levítico 23, Deus estabeleceu sete festas sagradas para Israel observar, as quais prefiguravam, de antemão, todo o curso da história da igreja. Essas festas sagradas falam também do caráter alegre que caracterizaria a igreja, pois festa pressupõe alegria. E Jesus sempre foi um homem alegre, apesar de viver à sombra da horrenda cruz!

Das sete festas sagradas de Israel, a quarta era a de Pentecostes (Lv 23.15,16), também chamada de Festa das Semanas (D t 16.10) e Festa das Colheitas (Ex 23.16). A Festa de Pentecostes ocorria no terceiro mês, Sivã, e durava um dia — dia 6 de Sivã, mês que corresponde mais ou menos ao nosso junho. A Festa de Pentecostes era precedida de três outras festas conjuntas: Páscoa: 14 de Abibe (um dia); Pães Asmos: de 15 a 22 de Abibe (sete dias); Primícias: 16 de Abibe (um dia). As três levavam oito dias e eram celebradas no mês de Abibe, o primeiro do calendário sagrado de Israel. O primeiro mês do calendário civil eraTisri, que corresponde mais ou menos ao nosso outubro.

Três outras festas seguiam o Pentecostes: Trombetas: em I o de Tisri (um dia); Tisri era o início do ano civil de Israel; Expiação: em 10 deTisri (um dia), “o grande dia da Expiação”; e Tabernáculos: de 15 a 21 deTisri (sete dias). Essas três últimas festas eram todas celebradas num mesmo mês (Tisri).

Pentecostes era a festa central das sete que o Senhor determinou para Israel observar, conforme Levítico 23. Ou seja, eram realizadas três festas antes de Pentecostes, e três, depots (3 + 1 + 3 ). Isso fala da importância do batismo com o Espírito Santo para a igreja, e do equilíbrio espiritual que resulta dele.

Ninguém sabe, ao certo, o dia do Natal de Cristo, nem o da sua morte, porém todos sabem o dia da sua ressurreição (primeiro dia da semana), bem como o dia de Pentecostes (qüinquagésimo dia após as Primícias). Depois das Primicias, contavam-se sete semanas, vindo a seguir o dia de Pentecostes (7x7 semanas+I dia=50 dias). Há, pois, uma profecia típica na Festa de Pentecostes, que falava da ressurreição de Cristo (Lv 23.15; I Co 15.20). Isso mostra também que sem Páscoa — isto é, o Cordeiro de Deus morto e ressurreto — não teríamos Pentecostes!

Mas faz-se necessário explicar a profecia típica da Festa de Pentecostes. N a festa das Primícias era movido perante o Senhor um molho (um feixe) de espigas de trigo (Lv 23.10,11). Na Festa de Pentecostes eram movidos perante o Senhor dois pães de trigo (Lv 23.15-17). Isso falava da igreja, que seria composta de judeus e gentios — formando um só corpo, o Corpo de Cristo (E f 2.14; Jo 11.52). Quanto ao feixe de espigas, isso fala de união, mas os pães vão além: representam unidade (E f 4.3). Num a espiga, como é fácil verificar, os grãos estão presos a ela, mas distintos uns dos outros.

Comparemos o trigo de Josué 5.10-12 com o de João 12.24. Num feixe de espigas, os grãos estão simplesmente presos à espiga, mas distintos uns dos outros. Num pão é diferente: o trigo é o mesmo, enquanto os grãos passaram por um multiforme processo, formando agora um todo — um corpo único. O derramamento pentecostal fez isso na formação da igreja, conforme lemos em Atos 2, e quer continuar fazendo o mesmo hoje.

Todos reunidos. As palavras “to d o ” e “todos” aparecem diversas vezes em Atos, especialmente no capítulo 2 (vv. 1,4,17,21,39,43,44). Como o vocábulo “todos” é inclusivo, todos os salvos são candidatos ao batismo com o Espírito Santo. Observe, contudo, que a salvação não é o batismo com o Espírito Santo; este deve seguir-se à salvação. Os discípulos do Senhor, juntamente com as mulheres — Maria e outras (At 1.13,14) — já eram salvos antes do dia de Pentecostes.

A Palavra de Deus elimina qualquer dúvida nesse sentido. Em Atos 2.38,39, fica claro que o batismo com o Espírito Santo é destinado a pessoas salvas, membros do corpo de Cristo. Retrocedendo um pouco na leitura, vemos a ênfase: “sobre meus servos e minhas servas” (v. 18). E Paulo perguntou aos varões de Éfeso: “Recebestes vós já o Espírito Santo quanto crestes?” (At 19.2), numa demonstração de que o revestimento de poder é subseqüente à experiência do novo nascimento. Por isso, Jesus salientou que o mundo não pode receber o Espírito de Deus (Jo 14.17).

 Em Atos 2.1, está escrito: “Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar”. Isso indica não somente união, mas unidade no Espírito Santo (cf. v.4). Acabaram-se as discordâncias, as contendas, as divergências pessoais em torno das coisas de Deus, e todos estavam ali, juntos, reunidos. Mentalizemos, pois, João, Pedro, Tomé, unidos...

Um som vindo do céu. N o dia do prometido derramamento de poder celestial, a Palavra de Deus diz que veio do céu um som como de um vento (At 2.2). O que está ocorrendo atualmente em sua vida, em sua igreja, em seu movimento religioso? Isso tudo vem mesmo do céu? Ou vem simplesmente dos homens? Leia Jeremias 17.9. Ou vem do astuto Enganador? Ê importante que reflitamos sobre a origem daquilo que sentimos. O verdadeiro revestimento de poder do Espírito vem do Alto (Lc 24.49; At 11.15), mas a Palavra de Deus nos alerta quanto a “outro espírito” (2 Co II.4 ).

 Observemos que o Espírito Santo veio primeiramente como um som. Um som para despertar os dormentes; para acordar do sono espiritual. Um som para alertar de perigo; para avisar. Um som para convocar para o trabalho; para reunir (I Co 14.8). U m som para a igreja louvar a Deus, com “música de Deus” (I Cr 16.42; Cl 3.16). O som que veio do céu era como de um vento. Isto é, não houve vento natural de fato, e sim algo semelhante a seus efeitos sonoros, circundantes e propulsores. O que isso representa?
1 ) 0 vento fala de força impulsora, como nas velas dos barcos, nos moinhos, etc.
2) O vento separa a palha do grão (SI 1.4; M t 3.12); o leve do pesado.
3) O vento move e movimenta água, árvores.
4) O vento fertiliza, levando o pólen, a vida (Cl 4.16; Jo 3.5,8).
5) O vento limpa árvores, campos, etc.
6) O vento não tem cor: favoritismo, individualismo, discriminação.
 7) O vento não pertence a um clima único; é universal.
8) O vento move-se continuamente (cf. Ec 1.6; Gn 1.2).
9) O vento não tem cheiro, mas espalha perfume; aqui é importante refletir sobre o papel do Altar do Incenso, no Tabernáculo. Ver também 2 Coríntios 2.14,15.
10) O vento, quando se move, é infalivelmente sentido, notado.
 11) O vento refresca e suaviza no calor.
12) O vento — o ar — alimenta e vivifica (pulmões, a vida orgânica).

Em Ezequiel 37.8-10, naquela visão que Deus deu ao profeta sobre um vale de ossos secos, vemos nos corpos: ossos, nervos, carne, pele, mas não vida, até que o Espírito assoprou sobre eles. Aleluia! H á muitos crentes por aí que têm de sobra “ossos, nervos, carne e pele”, porém falta-lhes a vida abundante do Espírito.

13) O vento é misterioso (Jo 3.8). Cabe aqui um aviso: devemos ter cuidado com as falsificações, isto é, os ventos nocivos, que não provém do Espírito de Deus (M t 7.25; E f 4.14).

A casa ficou cheia. O som como de um vento veemente e impetuoso encheu toda a casa (At 2.2). Aquele primeiro derramamento do Espírito ocorreu numa residência, numa casa de família. Isso leva-nos a refletir sobre o importante papel da família cristã cheia do Espírito Santo, para a igreja.

A família, como primeira instituição divina na terra, foi o meio pelo qual Deus iniciou o ciclo da história humana. Foi por meio dela, ainda, que Ele fundou a nação que traria o Messias ao mundo. E, por fim, o Senhor serviu-se de uma família para que dela nascesse o Messias. E devido a grande importância que a família tem para todos e para tudo na face da terra que o Inimigo — com todas as suas hostes — luta para destruí-la, inclusive dentro da igreja. Mas observemos como Deus cuida da família:
1) Em Atos 2.17, vemos que todos os membros da família estão incluídos na prom essa pentecostal: “vossos filhos e vossas filhas, vossos jovens e vossos velhos”.
2) Antes de julgar o mundo com um dilúvio, Deus proveu salvação para Noé e toda a sua família (Gn 6.18). 3) Em Exodo 12.3,4, vemos que o Senhor instruiu cada família a tomar um cordeiro para si. Na noite em que Ele julgou os egípcios, os israelitas foram milagrosamente salvos pelo sangue do cordeiro.
 4) N a expressão “serás salvo tu e tua casa” (At 16.31) vemos a promessa de Deus para os chefes de família.

 Línguas como que de fogo. O texto de Atos 2.3 mostra que línguas como que de fogo foram repartidas. O verdadeiro Pentecostes tem algo para se ouvir do céu ( “veio do céu um som”); para se ver do céu (“foram vistas por eles línguas”); e para repartir, também vindo do céu (“línguas repartidas”).

Línguas estranhas seguem-se ao derramamento do Espírito; não o precede — “Foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas” (At 2.4). Línguas, no derramamento pentecostal, indicam o evangelho falado, pregado, cantado, comunicado. Porém, são línguas “como que de fogo”, e não língua de flores.

Vários dons do Espírito Santo são exercidos através da língua, da fala. Deus usou as línguas estranhas como sinal externo do batismo com o Espírito Santo, para demonstrar sua inteira posse e controle da nossa língua, ao batizar-nos (Tg 3.8). Mediante a comparação dos textos de Atos 2.4, 10.44-46 e I I. 15, vemos, pela lei da primeira referência, que as línguas estranhas são a evidência física inicial do batismo com o Espírito Santo.

As línguas estranhas são apresentadas, também, como um dos dons do Espírito Santo (I Co 12.10,30). Quando comparamos as passagens de Atos 2.17 e 19.6, vemos que os dons espirituais podem ser concedidos por Deus no momento do batismo com o Espírito. Como foi o seu batismo? Como você foi ensinado sobre essas coisas da Bíblia?

Essas línguas são “como que de fogo”, isto é, fogo sobrenatural, celestial, e não fogo estranho. Vejamos a aplicação espiritual desse ״fogo do céu”:

1) O fogo alastra-se, comunica-se.
2) O fogo purifica. Contra a impureza espiritual, a principal força é o Espírito Santo.
3) O fogo ilumina. E o saber; o conhecimento das coisas de Deus.
4) O fogo aquece. A igreja é o corpo de Cristo. Todo corpo vivo é quente.
5) O fogo, para queimar bem, depende muito da madeira; se é boa ou ruim.
6) O fogo tanto estira o ferro duro, como a roupa macia.
 7) Foi o fogo do céu que fez do Templo de Salomão a Casa de Deus (2 Cr 7.1; I Co 3.16).

 “Quem nasce sob o fogo não esmorece sob o sol”.

Cheios do Espirito Santo. A caixa dágua, quanto mais cheia e mais alta, mas pressão e peso tem! Observe que, no dia de Pentecostes, não somente os crentes foram cheios, mas também o ambiente: a casa (At 2.2). Os símbolos e figuras manifestos ali falam de poder, como fogo e vento. Cheios do Espírito, usufruímos o poder, a energia e a força, mesmo não sabendo definir plenamente essas gloriosas manifestações do Espírito (cf. Jo 3.8).

As nações. No dia de Pentecostes, vemos que as nações estavam presentes (At 2.5). Jesus já havia feito a declaração sobre isso, em Atos 1.8. E aqui devemos refletir sobre evangelização e missões (Mc 16.15), obras que devemos fazer impulsionados pelo poder do Espírito Santo. Não há como negar aqui a realidade de que o verdadeiro movimento pentecostal terá de ser um movimento missionário, nacional e mundial!

 O verdadeiro movimento pentecostal, missionário, ora pelas missões; contribui para as missões; promove as missões! E um movimento que vai ao campo missionário. A igreja que não evangeliza, muito breve deixará de ser evangélica. Por isso, devemos encarar com amor e responsabilidade, sob a orientação do Espírito, a obra da evangelização à nossa volta, levando sempre em conta o fenômeno da transculturação relacionado com Missões.

A pregação da Palavra de Deus. Diante da manifestação do Espírito de Deus no dia de Pentecostes, muitos zombaram, dizendo: “Estão cheios de mosto” (At 2.13). Esses zombadores não eram pessoas ímpias, e sim religiosas.

 Hoje não acontece a mesma coisa? H á muitos zombadores e críticos religiosos. A Palavra de Deus afirma que, no último tempo haveria escarnecedores (Jd v. 18). E, quando não aparece um Judas Iscariotes do lado de dentro da igreja, surge um Pilatos do lado de fora, ainda se defendendo (M t 27.24). Não obstante, devemos continuar a fazer, como Jesus, a obra que Deus nos confiou, pois sempre haverá críticos e zombadores.

Pedro, então, cheio do Espírito Santo, pôs-se em pé e, além de dar uma resposta aos zombeteiros, pregou a Palavra de Deus (At 2.14,15). Reflitamos sobre este homem de Deus. Quem era Pedro antes do Pentecostes? Depois daquele dia em que o poder do Espírito desceu sobre ele, nunca mais foi o mesmo! Daí para a frente ele jamais mudou (I Pe I.I-5 ; 2,4).

A teologia modernista, liberalista e especulativa está permeando o mundo. Que, à semelhança de Pedro, coloquemo-nos em pé e, pelo poder do Espírito, respondamos às suas críticas infundadas, pregando o evangelho. Qual foi, então, a resposta de Pedro? Ele disse: “isto é o que foi dito pelo profeta Joel”. Observemos que a primeira pregação da igreja foi pura exposição da Palavra de Deus (At 2.16-36).

Nossos ministério e congregação experimentam um abundante e poderoso ministério da Palavra? E a pregação e o ensino pentecostal devem ter “endereço” certo: o coração do ouvinte — “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração” (At 2.37).

Há atualmente um esvaziamento da Palavra de Deus no púlpito de inúmeras igrejas. O tempo que deveria ser da Palavra do Senhor é ocupado por música e canto profissionais — não o genuíno louvor — e atividades sociais, restando alguns minutos para a pregação da Palavra de Deus. Daí o elevado número de “retardados espirituais” nessas igrejas. Como está a sua igreja, em particular?

E preciso vigilância com os chamados hinos especiais duplos e triplos de cantores, conjuntos e corais. Vemos, em Exodo 30.34-38 e 2 Crônicas 29.27, como são necessários equilíbrio e dosagem na adoração a Deus. Considere, aqui, o texto de I Coríntios 14.40 à luz da expressão “porão em ordem”, relacionada com o holocausto ao Senhor (Lv 1.7,8,12)

Como manter 0 poder do Espirito. Há algumas coisas que ocorreram no primeiro Pentecostes que trazem à tona as condições da nossa parte para usufruirmos o verdadeiro poder pentecostal em nossos dias:

1) Obediência à vontade do Senhor (Lc 24.49; At 1.12-14). A desobediência é um entrave à operação divina em nossa vida (At 5.32).
2) União e unidade entre os crentes (At L I 4; 2.1; E f 4.3). Imaginemos João, Pedro, Tomé e outros, em conjunto com as mulheres, com as suas diferenças, todos reunidos...
3) Oração perseverante e unânime (At I.I4 ).

Mas, além de valorizarmos tais condições, que possibilitam o usufruto do poder do Espírito, não podemos ignorar a importância de o conservarmos. N a Lei havia apagador de fogo (Ex 25.38), mas na Graça, não (M t 12.20; I Ts 5.19)! Nesta última referência, a mensagem para nós é clara: “Não apagueis o Espírito” (ARA), como temos enfatizado ao longo desta obra.

A conservação do poder do Espírito Santo vem pela constante renovação espiritual do crente. Em Tito 3.5 está escrito que a regeneração é seguida da renovação (cf. At 4.8,31; 6.5; 7.55; 11.24; 13.9,52; Rm 12.2; 2 Co 4.16; E f 4.23; 5.18; Cl 3.10). A vida espiritual renovada também recebe destaque no livro de Salmos (92.10; 103.5; 104.30; 1 19.25,37,40,50,88,93,97,154,156,159). Se não atentarmos para a necessidade da contínua renovação espiritual, corremos o risco de “terminar na carne” (G1 3.3).

                                        Pneumatologia — a Doutrina do Espírito Santo


                                                          

A Bíblia Sagrada foi integralmente redigida sob a inspiração do Espírito Santo. Em ambos os Testamentos, Sua presença é efetiva e real, mas, no Novo Testamento, ela é apresentada com maior clareza.

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