
Capítulo
3
A
Natureza do Ser Humano
Q
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uando ainda jovem, li uma obra sobre o corpo
humano, que me deixou assustado. O seu autor, citando alguns dados científicos,
armou que nós começamos a morrer, não na terceira ou na quarta faixa etária,
mas aos 25 anos de idade. Nessa época, eu tinha 18 ou 19 anos. Então, de acordo
com aquele livro, faltavam seis ou sete anos, para eu iniciar a curva
descendente de minha vida, e ir ao encontro da morte. Mais tarde, vim a ouvir
de um velho e sábio obreiro de Cristo, que todos nós, ao nascer, já trazemos,
nalgum lugar de nosso organismo, uma bomba genética. Esta, não importando
nossos cuidados e zelos, acabará por explodir, empurrando-nos à terminalidade.
No
entanto, a certeza da morte jamais destruirá a beleza e a complexidade de nosso
corpo. Nalgumas passagens bíblicas, somos vistos como pó e cinza, porquanto Deus
nos criou do pó da Terra. Noutras, ressurgimos, já salvos e redimidos, como o
templo do Espírito Santo. O salmista arma que, inexplicável e assombrosamente,
Deus entreteceu-nos os ossos, as carnes, os nervos e os tecidos mais sensíveis
no ventre de nossas mães.
Contudo,
como veremos, mais adiante, o ser humano não é apenas corpo. Além da parte
física, dois outros elementos imateriais nos compõem — a alma e o espírito —,
ambos intangíveis e indivisíveis. Mas, antes de considerarmos a constituição do
homem, veremos o que a Bíblia ensina concernente ao ser de Deus e ao dos anjos.
Que o Espírito Santo nos conduza nesse maravilhoso e imprescindível estudo da
Bíblia Sagrada.
I.
A Incompreensível Simplicidade do
Ser Divino
Adolescente curioso e ledor, estava eu num
culto fervorosamente pentecostal, quando o pastor fez uma pausa e, gravemente,
perguntou à congregação: “Quem é Deus?”. Como ninguém se atravesse a uma
resposta, arrisquei-me: “Deus é o Ser Supremo por excelência”. Não me lembro se
o bondoso homem ficou satisfeito com a minha intervenção. A oportuna e claríssima
definição, confesso desde já, não era minha; achei-a, porém, mui adequada naquele
momento. Desde então, 50 anos já são passados. E se você, querido leitor,
zer-me a mesma pergunta, hoje, terei de dar-lhe a mesma resposta de ontem com
um leve, mas precioso adendo: “Deus é o Ser Supremo e Perfeito por excelência”.
1.
A
definição de Deus. Já ouvi dizer que é impossível definir
Deus. Nessa proposição, contudo, já temos uma definição pertinente do Ser
Supremo: Deus é indefinível. Abandonemos, por enquanto, os caprichos da lógica
e busquemos uma definição bíblica, e essencial do Todo Poderoso.
Jesus, sendo Ele mesmo inexplicável, assim definiu
o Pai: “Deus é Espírito” (Jo 4.24). Relendo os escritos de João, veremos que o
teólogo das afeições cristãs define o Pai Celeste de uma forma a transcender a
poesia. Ele simplesmente escreve: “Deus é amor” (1 Jo 4.8). Se é possível
encontrar uma definição de Deus, como explicar-lhe a natureza? Querido leitor,
nem anjos, nem homens podem explicar a natureza do ser Divino; acha-se essa
além de nossos conhecimentos mais avançados. No Salmo 139, o autor sagrado
maravilha-se ante a onisciência e a onipresença divinas. As grandezas e
bondades do Senhor, todavia, vão além desses atributos naturais; são infindáveis.
Quando estivermos na Jerusalém Celeste,
constataremos que os predicados divinos são, além de infinitos, inexplicáveis.
Por esse motivo, limitemo-nos a trabalhar com as revelações que o Eterno nos
deixou de si mesmo na Bíblia Sagrada. Anal, somente Deus é capaz de explicar a
si próprio. Perante o ser Divino, restrinjo-me a confessar dogmaticamente:
A única coisa que sei de Deus é: Ele é
maravilhoso (Jz 13.8). Conforme as palavras do Senhor Jesus, somente a
Divindade é capaz de explicar a Divindade: “Tudo me foi entregue por meu Pai.
Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho e
aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27, ARA).
2.
A simplicidade do Ser Divino.
Ao contrário do homem, Deus é um ser
maravilhosamente simples; possui uma única natureza. Por essa razão, Ele foi
definido, pelo próprio Filho, como sendo espírito (Jo 4.24). Isso sígnifica que,
para existir, o Senhor não necessita, como nós, de uma natureza composta de
corpo, alma e espírito. O Todo-Poderoso define a si mesmo como aquEle que
simplesmente é: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14). Ele existe por si mesmo (Jo
5.26). A sua asseidade é algo que não pode ser explicado: somente a Santíssima
Trindade tem vida em si mesma; nossa vida provém de Deus e, por Ele, é mantida.
A simplicidade de Deus, em termos bíblicos e
teológicos, não pode ser vista como deficiência ou falta, mas como perfeição e
completude. Somente o homem requer uma constituição interligada e complexa para
existir. Se o nosso ser não fosse composto de corpo, alma e espírito, não
teríamos condições de existir nem neste mundo, nem no vindouro, pois quando do
arrebatamento da Igreja, todo o nosso ser há de ser transformado e glorificado;
nenhuma parte de nossa constituição cará para trás (1 Co 15.50-58). Doutra
forma, jamais viríamos a ser como Ele é (1 Jo 3.2).
Volto a enfatizar que Deus é um ser
perfeitamente simples. Sendo espírito puro, não necessita Ele de complexidade alguma
para existir. Deus é o que é — o Eterno Eu Sou. Mas não devemos imaginá-lo como
um ser disforme, abstrato e aberrativo; Ele é perfeitíssimo e belo (Sl 27.4).
Nenhuma imagem, ícone ou escultura é capaz de retratá-lo. Em seu Unigênito,
contudo, podemos contemplar-lhe o ser, conforme escreve o autor da Epístola aos
Hebreus: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser,
sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a
purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb
1.3, ARA).
II.
Os Anjos, Superiores ao Ser Humano, mas Limitados
Conquanto gloriosos, os anjos não são deuses;
são conservos nossos e súditos do Reino de Deus. Neste capítulo, estudaremos a
natureza dos anjos e o seu lugar na hierarquia da criação divina. Ao
compará-los a nós, teremos mais condições de entender a nossa própria
constituição.
1.
O que são os anjos.
Criados por Deus, os anjos são os servos mais
diretos de que dispõe o Todo-Poderoso, na administração das coisas celestes e
terrenas (Sl 103.20; Ap 5.11). Na era da Nova Aliança, foram eles designados a
trabalhar em favor daqueles que hão de herdar a vida eterna (Hb 1.14).
Os anjos são um exemplo de serviço e presteza
ao Senhor, segundo podemos depreender desta cláusula da Oração Dominical:
“Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt
6.10, ARA). Alguém declarou, certa vez, que os anjos, apesar de seu poder e
grandeza, são humildes e prestativos. Para eles, tanto faz governar uma cidade
como varrê-la; o seu prazer está em servir ao Senhor.
2. A natureza dos anjos.
Segundo revela o autor sagrado, os anjos foram
criados pelo sopro divino: “Os céus por sua palavra se zeram, e, pelo sopro de
sua boca, o exército deles” (Sl 33.6, ARA). À semelhança dos seres angélicos,
nós também só viemos a existir, quando Deus, no sexto dia, assoprou nas narinas
de Adão (Gn 2.7). Mas, diferentemente de nós, os anjos não foram tomados a
partir de alguma matéria pré-existente. Sendo eles espíritos, do espírito
divino foram chamados a existir.
Após concluir os Céus, o Senhor assopra e,
amorosamente, cria os seus exércitos. Cada anjo sai do íntimo do ser divino;
gerados pelo Pai Celeste. Eles também são lhos de Deus (Jó 1.6; 38.7).
Apesar de o Senhor os ter formado de uma única
vez, dispensou a cada um deles um tratamento personalizado; não os criou em
séries, nem os fez robóticos ou cibernéticos. O saber de um anjo é proverbial
(2 Sm 14.20). E, apesar de apenas Miguel e Gabriel serem apresentados por seus
nomes, na Bíblia Sagrada, os demais anjos não foram condenados ao anonimato;
todos eles são ministros de Deus; cada um tem um nome e uma função (Sl
103.20,21).
Não obstante a sua finitude, os anjos são
dotados também de uma única natureza. Eles são espíritos (Hb 1.14). Por isso,
não se reproduzem sexualmente. Desde que foram criados, o seu contingente
permanece inalterado (Lc 20.34-36). Todavia, não são incorpóreos, pois o corpo
angélico é espiritual, conforme explica muito bem o apóstolo Paulo: “Se há
corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Co 15.44, ARA).
3.
Seu lugar na hierarquia divina.
Na hierarquia da criação divina, os anjos são
apresentados como superiores aos homens (Sl 8.5). Mas, no que tange à salvação
usufruímos de favores e graças, para os quais eles anelam perscrutar (1 Pe
1.12). Apesar de sua óbvia superioridade em relação a nós, seres humanos,
apresentam-se eles como nossos conservos (Ap 19.10).
Neste ponto, cabe uma pergunta: Por que os
anjos são superiores a nós? Entre outras coisas, em virtude de sua natureza,
que, por hora, é bem mais elevada do que a nossa. A partir do arrebatamento, a
natureza dos redimidos será igual à angélica.
III. A Maravilhosa Complexidade do Ser Humano
Os seres humanos possuem uma natureza complexa
e duplamente composta: uma física (o corpo) e outra espiritual (a alma e o
espírito). Leia atentamente, mais uma vez, 1 Tessalonicenses 5.23. Para
vivermos neste mundo, necessitamos da plenitude de nossa constituição. Se uma
apartar-se da outra, morremos (1 Rs 17.21,22). Neste tópico, deter-nos-emos em
nossa maravilhosa complexidade.
1 . O homem é um ser complexo.
Nos tópicos já estudados, mostramos que Deus é
um ser perfeitamente simples; não necessita de qualquer composição para
existir. Deus é espírito; nada o prende nem o limita. Observamos, ainda, que os
anjos, embora possuam uma única natureza — a espiritual — dependem de Deus para
subsistir. Logo a asseidade, a virtude de existir por si próprio, é um atributo
exclusivo divino.
Já a natureza humana, devido à sua composição,
é diferente da divina e da angélica. Tal diferença, porém, não as torna
antagônicas. Na verdade, elas são interativas e harmônicas. A História Sagrada
mostra que podemos interagir tanto com Deus quanto com os anjos. Os contatos
com os seres angélicos, todavia, nos são facultados apenas em ocasiões especiais;
não precisam ser rotineiros. Se viermos a invocá-los ou a adorá-los, cairemos
numa perigosa idolatria (Cl 2.18).
Nossa complexa natureza, apesar de limitada,
faculta-nos o acesso tanto ao mundo físico quanto ao espiritual. Por meio dos
órgãos sensoriais do corpo, nossa alma (e com ela, o espírito) interage com o
universo material. E, por intermédio dos sentidos do espírito, entramos nos
domínios divinos. Portanto, o corpo, a alma e o espírito são imprescindíveis à
nossa permanência neste mundo.
2.
O homem é um ser duplamente composto.
A tricotomia humana é, como já vimos
observando, duplamente composta. Possuímos um elemento material — o corpo
físico — e dois elementos imateriais — a alma e o espírito. Acham-se esses três
componentes de tal forma entretecidos em nosso ser, que não sabemos onde começa
um e termina o outro. Só vamos perceber a separação entre a substância física e
as imateriais, quando a alma, juntamente com o espírito, deixar-nos o corpo.
Quando isso ocorre, dá-se o m temporário de nossa constituição material, que só
voltará à vida na ressurreição dos mortos.
Se a
união entre as partes material e imateriais é perfeita, o que diremos da junção
entre a alma e o espírito? Acham-se esses tão unidos e apegados um ao outro,
que, conforme podemos sentir em nós mesmos, são absolutamente inseparáveis. Não
há fronteiras nem limites entre ambos; são mais do que siameses. Somente a
Palavra de Deus, com a sua singular agudeza, pode vir a separá-los (Hb 4.12).
Nessa operação, a espada do Espírito Santo, bigume e penetrante, é infalível e
cirúrgica.
3.
A transitoriedade da complexidade humana.
A
tricotomia humana não é permanente; é temporária adequada apenas à nossa
existência terrena. Após a ressurreição, teremos um novo corpo — indestrutível
e espiritual; não mais a tricotomia, mas a simplicidade. Enfim, seremos iguais
aos anjos (Lc 20.34-36).
Quando isso acontecer, corpo, alma e espírito
fundir-se-ão numa única composição. E, nessa realidade, os justos passarão a
desfrutar das bem aventuranças eternas ao lado do Pai Celeste. Os injustos e
maus serão lançados no Lago de Fogo, onde já estarão a Besta, o Falso Profeta,
o Diabo e os seus anjos; o tormento será eterno.
IV.
O Corpo Humano, Material e Transitório
Neste tópico, estudaremos as seguintes características
do corpo humano: materialidade, visibilidade e mortalidade. Antes, porém,
busquemos uma definição de corpo.
1.
Definição de corpo.
Corpo é a estrutura física de um organismo,
capaz de sustentar-lhe a vida e possibilitar-lhe a interação com o ambiente que
o cerca. Essa definição pode ser aplicada tanto ao corpo dos animais como ao
nosso.
O corpo humano, biblicamente considerado,
transcende os limites fisiológicos e clínicos, pois a sua função não termina
com a morte física. Na ressurreição, retornará à vida, já numa outra composição
— espiritual e indestrutível —, a m de receber as recompensas eternas.
Nas
Escrituras Sagradas, o nosso corpo é descrito como o templo do Espírito Santo
(Sl 51.11;1 Co 6.19). Conclui-se, pois, que o corpo humano não é
irremediavelmente mau. Em Jesus Cristo, pode ser salvo, redimido, santificado e
glorificado. Quando nos santificamos, Deus é glorificado em nossa carne (Jó
19.26). Quando aceitamos Jesus, opera Ele em nosso ser uma redenção completa:
salva-nos o espírito, a alma e o corpo, pois esse é o templo de seu Espírito.
2.
Materialidade. Ao contrário dos anjos — seres
espirituais —, criados de uma só vez pela palavra divina (Sl 33.6), o homem —
ser material e físico — veio à vida a partir de uma matéria já existente: a
terra. Deus, pois, formou Adão, o primeiro genitor da humanidade, do pó de nosso
planeta (Gn 2.7). O mesmo pode-se dizer de Eva, que, provinda do homem, possui
a mesma substância desse (Gn 2.21,22). Desde a sua criação, o ser humano vem
reproduzindo-se e enchendo a Terra por meio da união matrimonial (Gn 1.28; At
17.26).
3.
Visibilidade e tangibilidade. Envolto num
corpo material, o ser humano pode ser visto e tocado. Aliás, a visibilidade e a
tangibilidade foram as provas que o Senhor Jesus apresentou a Tomé como
evidências de sua ressurreição física (Jo 20.27). O apóstolo incrédulo só veio
a convencer-se da verdade depois de ter visto e tocado as feridas do Cordeiro
de Deus (Jo 20.29).
4.
Mortalidade. Apesar de material, o corpo
humano foi criado com a possibilidade de manter-se vivo para sempre. Se não
fosse o pecado, Adão e Eva estariam, hoje, entre nós (Gn 2.16,17). Mas, por
causa de sua desobediência, morreram; o salário do pecado é a morte (Gn 5.5; Rm
6.23). Aança o apóstolo, porém, que, quando do arrebatamento da Igreja, o que é
mortal revestir-se-á da imortalidade (1 Co 15.53,54).
O homem,
portanto, foi criado imortalizável: com a possibilidade de viver para sempre.
Logo, se Adão e Eva não houvessem pecado, em breve, apagariam as seis ou sete
mil velinhas de seu imenso bolo de aniversário. Mas, por causa de sua
transgressão, experimentaram dupla morte: a espiritual e a física. Mas, ao
recebermos a Jesus, como nosso Salvador, passamos a desfrutar, imediatamente,
da vida eterna (Jo 3.15). Amigo, creia que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Este
é o momento. Aceite-o, agora mesmo.
V.
A Alma Humana, a Janela para o Mundo Físico
Só viremos a entender claramente a nossa
natureza espiritual, se aceitarmos, desde já, esta proposição: espírito e alma
são inseparáveis. A partir daí, veremos a alma em sua real função: a janela,
através da qual acessamos o mundo exterior. Mas, o que é exatamente a alma?
1. Denição de alma.
De acordo com a doutrina bíblica, a alma é a substância imaterial do homem.
Dotada de vida própria, mas em perfeita junção com o corpo, é capaz de
sobreviver à nossa morte física.
Na conhecida
história do rico e Lázaro, narrada por nosso Senhor, a alma do justo foi
recolhida à morada divina, ao passo que a do injusto e mau foi aprisionada no
Inferno (Lc 16.19-30). Na Bíblia, a palavra “alma” é apresentada, às vezes,
como sinônimo de vida, pessoa e sangue (Jó 27.8; Êx 12.4; Lv 17.11, 13,14).
Noutras ocasiões, é vista como a sede de nossas afeições e sentimentos (Gn
34.8). O termo hebraico nephesh carrega todas essas acepções.
No grego do Novo
Testamento, a palavra “alma” é mais específica do que a sua congênere hebraica.
Mesmo assim, a palavra psychē comporta várias significações.
Aparece como a parte imaterial do homem, a vida natural do corpo, a sede da
personalidade e de nossa vontade (Mt 2.20; 10.28; Lc 9.24; At 4.32).
2 . O estudo da alma.
O estudo da alma avulta-se, à primeira vista, como algo impossível, visto
tratar-se do exame de uma substância imaterial; algo que não pode ser observado
ou tocado. Mas, quando lemos a Bíblia observamos que os autores sagrados tinham
por hábito examinar o próprio interior
No Salmo 19, Davi roga o auxílio divino, a m de
escrutinar as imperfeições de sua alma: “Quem há que possa discernir as
próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas” (Sl 19.12, ARA). Noutro
cântico, revela o salmista como investiga o seu íntimo, tendo como modelo o
Deus de Israel (Sl 63.5,6).
Nas Escrituras do Novo Testamento, o apóstolo
Paulo, ao ensinar os irmãos de Corinto, que nós, os salvos, temos a mente de
Cristo, exorta-os a examinarem a si mesmos: “Porque, se nos julgássemos a nós
mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31, ARA). Quando nos julgamos, à luz da
Palavra de Deus, não temos de buscar socorros terrenos que, a bem da verdade,
nem socorros são.
Os gregos também se davam à investigação do
próprio ser. Sócrates instigava seus alunos com um desao perturbador:
“Conhece-te a ti mesmo”. Mas, como investigar a si próprio? Foi naqueles idos
distantes, entre o V e IV séculos, que os helenos passaram a estudar
sistematicamente a própria alma. E, assim, nascia o que hoje conhecemos como
psicologia. Etimologicamente, esse termo significa “o estudo da alma”.
No princípio, a psicologia tinha como alvo o
estudo da alma humana — a sede de nossas interioridades, afeições e
sentimentos. Mas, com o decorrer dos séculos, passou a interessar-se, também,
pelos mistérios e operações da mente. E, por último, veio a concentrar-se no
comportamento humano. Mas, seja qual for o seu foco, jamais poderemos ignorar a
alma que nos veio de Deus, pois é justamente nela, que reside o nosso
verdadeiro eu.
3.
Alma e espírito são inseparáveis. Conforme já
dissemos, a alma e o espírito acham-se tão unidos, em nosso ser, que somente a
Palavra de Deus pode alcançar-lhes a junção (Hb 4.12). Ambos têm de ser vistos
juntos; inseparáveis. Conforme veremos, a alma e o espírito formam a nossa
substância imaterial; cada um deles tem uma função específica em nosso ser.
4. A alma é a janela para o mundo exterior.
Através da alma, o ser humano se expressa e tem acesso ao mundo que o cerca.
Para que isso seja possível, a alma serve-se dos órgãos sensitivos (Lc 11.34).
E, por intermédio desses, o homem carnal deixa-se atrair pelas concupiscências
da carne e dos olhos (Tg 1.13,14). Por isso, o Senhor decreta: “A alma que
pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). O pecado começa na alma e contamina o espírito
e o corpo. Por isso, o apóstolo recomenda a completa santificação de nosso ser
(1 Ts 5.23).
5.
A separação da alma e do corpo gera a morte. A morte
ocorre quando a alma separa-se do corpo. É o que nos mostra a narrativa da
morte de Raquel, a esposa amada de Jacó (Gn 35.18). Quando isso ocorre, a alma
dos justos é recolhida ao lugar de descanso, ao passo que a dos ímpios é
aprisionada no Inferno (Lc 16.20-31). Observe, pois, que a alma (juntamente com
o espírito) permanece consciente até a ressurreição do corpo. Enfatizamos que a
alma e o espírito são inseparáveis; são um único elemento de nossa
imaterialidade.
6. A santificação da alma. Se
atentarmos às recomendações bíblicas, concluiremos que a nossa alma requer santificação
prioritária. Servindo-se ela de nossos órgãos sensoriais põe-nos em contato com
o mundo exterior. E, assim, passamos a conhecer o que é “bom” e, se não
tivermos cuidado, começamos a experimentar e a amar o que o mundo nos oferece.
Essa verdade é expressa em 1 João 2.15,16.
Santifiquemos nossa alma por meio da leitura da
Bíblia Sagrada, da oração e da vigilância. Caso contrário, acumularemos no
espírito, por intermédio da alma, toda sorte de iniquidades e pecados, conforme
adverte o Senhor Jesus: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que
procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios”
(Mc 7.21, ARA). E o espírito, já contaminado, não terá forças para frear as
concupiscências e os instintos carnais.
A mecânica do pecado foi admiravelmente
descrita por Tiago. Se bem atentarmos às palavras do autor sagrado,
constataremos que a iniquidade tem origem na alma e, partir daí, mancha o
espírito e o corpo (Tg 1.13- 15).
VI.
O Espírito Humano, a Janela para o Mundo Espiritual
O espírito humano, por ser o elo entre o corpo
e Deus, é a sede de nossa comunhão com o Pai Celeste. Na Bíblia, espírito e
alma são tomados, às vezes, como sinônimos. De início, vejamos como podemos
denir o espírito humano.
1. O que é o espírito.
Em termos simples, o espírito compõe, juntamente com a alma, a parte imaterial
do ser humano. Embora distintos um do outro, não podem separar-se; somente a
Palavra de Deus, como já enfatizamos, é capaz de alcançar a divisão entre ambos
(Hb 4.12). Em virtude de suas faculdades, o espírito humano atua como a sede de
nossas afeições espirituais (Sl 77.3,6).
O termo hebraico ruwach aparece traduzido, nas
versões clássicas da Bíblia, como a palavra “espírito”. Este vocábulo, quando
bem interpretado, denota a sede de nossos sentimentos espirituais (Jó 6.4).
Nosso espírito, devido à sua proximidade com Deus, é a primeira substância de
nossa composição que redemos ao Pai Celeste na hora terminal (Sl 31.5). Assim
agiu Estêvão e o próprio Cristo (Mt 27.50; At 7.59).
O termo grego pneuma é bem similar ao hebraico
ruwach. Nas Escrituras do Novo Testamento, porém, o espírito humano é tratado
com mais profundidade. Revela-nos Paulo que, em espírito, podemos orar com
intimidade e sem impedimentos; nele, oramos bem (1 Co 14.13-16). O apóstolo
ainda diz que o espírito é dotado de entendimento e sabedoria (Cl 1.9). Se
formos mais adiante, veremos que o nosso espírito conhece-nos em profundidade
(1 Co 2.11).
2.
O elo entre o nosso corpo e Deus. É por meio de
nosso espírito que nos comunicamos com Deus (Ap 1.10). Foi no espírito que o
evangelista recebeu a mensagem do Apocalipse. Paulo sempre esteve, em espírito,
em perfeita comunhão com Deus e com os irmãos (1 Co 5.4).
3. A
sede de nossa comunhão com Deus. No âmbito do espírito, temos experiências
e encontros com Deus (Sl 143.4,7). Eis a experiência do profeta (Is 26.9).
Portanto, a verdadeira alegria divina manifesta-se, em primeiro lugar, em nosso
espírito, pois é, neste, que todo o nosso ser consagra-se ao serviço divino (Sl
51.12; Rm 1.9). Nosso espírito fala e ora em mistérios (1 Co 14.2,14,16). O
espírito também pode abrigar o orgulho e a soberba (Pv 16.18). Por isso, quando
o ímpio falece, o seu espírito (e também a alma, porquanto ambos são
inseparáveis) é aprisionado até o julgamento nal (1 Pe 3.19).
3 . A santificação do espírito
humano. Em sua epístola aos gálatas, Paulo mostra que
o nosso espírito anseia pelas coisas de Deus. Já a nossa carne, por ser carne,
almeja as coisas do mundo. Por essa razão, há, entre ambos, uma guerra acirrada
(Gl 5.17). Mas, quando alimentamos o espírito vencemos as obras da carne e
começamos a abundar no fruto do Espírito Santo (Gl 5.22-24). A partir de então,
entramos na dimensão do homem espiritual (1 Co 2.15).
Vivamos, pois, na verdadeira dimensão
espiritual. Santifiquemo-nos. Apeguemo-nos à Palavra de Deus e ao Deus da
Palavra. Ore. Jejue. Se você ainda não é batizado no Espírito Santo, busque-o
em oração e lágrimas. Esteja sempre alerta para o arrebatamento da Igreja.
Maranata, ora vem, Senhor Jesus.
Conclusão
O homem é um ser tanto físico quanto
espiritual. Por essa razão, Deus requer nossa completa e uniforme santificação
(1 Ts 5.23). Temos de ser santos no corpo, na alma e no espírito.Jesus morreu e
ressuscitou, a m de que sejamos santos em todo o nosso ser. E, quando do
arrebatamento da Igreja, apesar de nossas limitações, o Senhor nos revestirá da
imortalidade e da incorruptibilidade.
Busquemos
a santificação. Todo o nosso ser pertence a Deus. Somos o templo do Espírito
Santo. Aleluia!
A Raça Humana - Origem, Queda e Redenção - Pr Elienai Cabral

6.4 Funções respectivas do Corpo, Alma e Espírito
É através do corpo físico que o homem entra em
contato com o mundo material. Portanto, podemos classificar o corpo como aquela
parte que nos dá consciência do mundo. A alma inclui o intelecto, que nos ajuda
no presente estado de existência e as emoções, que procedem dos sentidos. Visto
que a alma pertence ao próprio ego do homem e revela sua personalidade, ela é
denominada a parte de autoconsciência. O espírito é aquela parte pela qual nós
temos comunhão com Deus e somente pela qual podemos compreendê-Lo e adorá-Lo.
Por indicar nosso relacionamento com Deus, o espírito é denominado o elemento
da consciência de Deus. Deus habita no espírito, o eu habita na alma, enquanto
que os sentidos habitam no corpo.
Conforme já mencionamos, a alma é o ponto de
encontro do espírito e corpo, porque lá eles são unidos. Por meio do seu
espírito, o homem mantém comunicação com o mundo espiritual e com o Espírito de
Deus, ambos recebendo e expressando o poder e vida da esfera espiritual.
Através do seu corpo o homem está em contato com o mundo exterior e sensual,
afetando-o e sendo afetado por ele. A alma permanece entre esses dois mundos e
ainda pertence a ambos. Ela está ligada ao mundo espiritual, através do
espírito, e ao mundo material, através do corpo. Ela possui também, o poder do
livre arbítrio, sendo, por isso, capaz de escolher dentro do seu meio ambiente.
O espírito não pode atuar diretamente sobre o corpo. Ele precisa de um
intermediário, e este intermediário é a alma, produzida pelo contato do
espírito com o corpo. Portanto, a alma fica entre o espírito e o corpo,
unindo-os. O espírito pode subjugar o corpo, através da mediação da alma, para
que ele obedeça a Deus; da mesma forma o corpo, através da alma, pode atrair o
espírito para amar o mundo.
Destes três elementos, o espírito é o mais
nobre porque ele se une com Deus. O corpo é mais inferior porque tem contato
com a matéria. A alma estando entre eles, os une e recebe o caráter deles como
sendo dela própria. A alma torna possível a comunicação e cooperação entre o
espírito e o corpo. O trabalho da alma é manter esses dois em seu funcionamento
próprio, a fim de que não percam seu relacionamento correto - a saber, que o
mais inferior, o corpo, possa ser subordinado ao espírito, e que o mais
elevado, o espírito, possa governar o corpo através da alma. O elemento
principal do homem é, definitivamente, a alma. Ela assiste ao espírito para
dar-lhe o que ele recebeu do Espírito Santo, a fim de que a alma, após ter sido
aperfeiçoada, possa transmitir ao corpo aquilo que recebeu; então o próprio
corpo pode também, participar da perfeição do Espírito Santo, tornando-se,
assim, um corpo espiritual.
O espírito é a parte mais nobre do homem e
ocupa a região mais interior do seu ser. O corpo é a mais inferior e recebe o
lugar mais exterior. Entre estes dois habita a alma, servindo como
intermediária. O corpo é o abrigo externo da alma, enquanto que a alma é o
revestimento exterior do espírito. O espírito transmite seu pensamento à alma e
a alma exercita o corpo a obedecer à ordem do espírito. Este é o significado da alma como intermediária. Antes da queda do
homem, o espírito controlava todo o ser por meio da alma.
O poder da alma é muito grande, visto que o
espírito e o corpo, unidos lá, fazem dela o centro da personalidade e
influência do homem. Antes do homem cometer pecado, o poder da alma estava
completamente sob o domínio do espírito. Sua força era portanto, a força do
espírito. O espírito mesmo não pode atuar sobre o corpo; somente por meio da
mediação da alma. Isso podemos ver em Lucas 1.46,47: “A minha alma engrandece
ao Senhor e o meu espírito exultou-se em Deus, meu Salvador” (Darby). “Aqui a
mudança nos tempos verbais mostra que primeiro o espírito concebeu a alegria em
Deus, e, depois, comunicando com a alma, levou-a a dar expressão ao sentimento
por meio do órgão humano” (Pember's Earth's Earliest Ages).
Repetindo, a alma é o lugar da personalidade. À
vontade, o intelecto e as emoções do homem estão lá. Como o espírito é usado
para comunicar com o mundo espiritual e o corpo com o mundo natural, assim a
alma fica no meio e exercita seu poder para discernir e decidir se deve reinar
o mundo espiritual ou o natural. Algumas vezes também, a alma mesma exerce
controle sobre o homem, através do seu intelecto, criando assim um mundo
ideativo que reina. A fim do espírito governar, a alma precisa dar seu
consentimento; senão o espírito fica sem recursos para regular a alma e o
corpo. Mas esta decisão depende da alma, porque nela reside a personalidade do
homem.
Na verdade a alma é o eixo de todo o ser,
porque a vontade do homem pertence a ela. Só quando a alma se dispõe a assumir
uma posição humilde é que o espírito pode dirigir todo o homem. Se a alma se
rebela contra tal tomada de posição, o espírito ficará sem poder para governar.
Isso explica o significado do livre arbítrio do homem. O homem não é um autômato
que se move conforme a vontade de Deus. Pelo contrário, o homem tem pleno e
soberano poder de decidir por si mesmo. Ele possui o órgão da sua própria
vontade e pode escolher seguir a vontade de Deus, ou resistir e seguir a
Satanás. Deus deseja que o espírito, sendo a parte mais nobre do homem,
controle todo o seu ser. Todavia, a vontade - a parte decisiva da
individualidade - pertence à alma. É a alma que determina se o espírito, o
corpo, ou ela mesma deve governar. Devido ao fato da alma possuir tal poder e
por ser o órgão da individualidade do homem, a Bíblia chama o homem de “uma
alma vivente”.
6.4.1 O Espírito do Homem
É Imperativo que um crente saiba que tem um
espírito e que toda comunicação de Deus com o homem ocorre ali. Se o crente não
discerne seu próprio espírito, ele, invariavelmente, desconhece como comungar
com Deus no espírito. Substitui, facilmente, os pensamentos ou emoções da alma
pelas obras do espírito. Dessa forma, ele confina a si mesmo à esfera exterior,
sempre incapaz de alcançar a esfera espiritual. Os versos a seguir das
Escrituras são suficientes para provar que nós, seres humanos, possuímos um espírito
humano. Este espírito não é sinônimo da nossa alma, nem é o mesmo que o Espírito Santo. Nós
adoramos a Deus neste espírito: 1 Coríntios 2.11 fala do “espírito do homem que
nele está”; 1 Coríntios 5.4 menciona “meu espírito”. Romanos 8.16 diz “nosso
espírito”; 1 Coríntios 14.14 usa “meu espírito”; 1 Coríntios 14.32 fala dos
“espíritos dos profetas”; Provérbios 25.28 faz alusão ao “seu próprio
espírito”; Hebreus 12.23 registra “os espíritos dos justos aperfeiçoados”;
Zacarias 12.1 declara que “o Senhor... formou o espírito do homem dentro
dele”.
Segundo o ensino da Bíblia e a experiência dos
crentes, pode-se dizer que o espírito humano inclui três partes, ou em outras
palavras, pode-se dizer que ele tem três funções principais: consciência,
intuição e comunhão.
A consciência é o órgão de discernimento, que
distingue o certo e o errado, mas não por meio da influência do conhecimento
acumulado na mente, senão por um julgamento espontâneo e direto. Freqüentemente
o raciocínio justifica coisas que nossa consciência julga. O trabalho da
consciência é independente e direto; não se curva às opiniões exteriores. Se o
homem agir errado, ela levanta sua voz de acusação.
A Intuição é o órgão sensitivo do espírito
humano. É tão diametralmente diferente do sentido físico e da alma, que é
chamado intuição. Ela envolve um sentimento direto e independente de qualquer
influência exterior. Aquele conhecimento que chega a nós, sem qualquer ajuda da
mente, emoção ou vontade, chega intuitivamente. Nós realmente “conhecemos”
através da nossa intuição; nossa mente simplesmente nos ajuda a “entender”. As
revelações de Deus e todos os movimentos do Espírito Santo tornam-se conhecidos
do crente por meio da sua intuição. O crente deve, portanto, estar atento a
estes dois elementos: a voz da consciência e o ensino da intuição.
Comunhão é adorar a Deus. Os órgãos da alma são
incompetentes para adorar a Deus. Deus não é percebido pelos nossos
pensamentos, sentimentos ou intenções, pois Ele só pode ser conhecido
diretamente em nosso espírito. Nossa adoração a Deus e as comunicações de Deus
conosco são diretamente no espírito. Elas acontecem no “homem interior” e não
na alma ou no homem exterior.
Podemos concluir então que estes três elementos
da consciência, intuição e comunhão estão profundamente correlacionados e
funcionam coordenadamente. O relacionamento entre a consciência e a intuição é
que a consciência julga segundo a intuição; ela condena toda conduta que não segue
as direções dadas pela intuição. A intuição está relacionada com a comunhão ou
adoração, visto que Deus é conhecido pelo homem intuitivamente e revela Sua
vontade ao homem na intuição. Medida alguma de expectativa ou dedução nos
concede o conhecimento de Deus.
Pode-se observar imediatamente, dos seguintes
três grupos de versos bíblicos, que nosso espírito possui a função da
consciência (não dizemos que o espírito é a consciência), a função da intuição (ou sentido
espiritual), e a função da comunhão (ou adoração).
A Função da Consciência no Espírito do Homem:
“O Senhor teu Deus lhe endurecerá o espírito” (Dt 2.30); “Salva os contritos de
espírito” (Sl 34.18); “Põe um espírito novo e reto dentro de mim” (Sl 51.10);
“Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito” (Jo 13.21); “Revoltava-se nele o
seu espírito, vendo a cidade cheia de ídolos” (At 17.16); “O mesmo Espírito
testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16); “Presente
no espírito, já julguei, como se estivesse presente” (1Co 5.3); “Não tive
descanso no meu espírito” (2Co 2.13); “Porque Deus não nos deu o espírito de
covardia” (2Tm 1.7).
A Função da Intuição no Espírito do Homem: “O
espírito na verdade está pronto” (Mt 26.41); “Mas Jesus logo percebeu em seu
espírito” (Mc 2.8). “Ele, suspirando profundamente em seu espírito” (Mc 8.12);
“Comoveu-se (Jesus) em espírito” (Jo 11.33); “Paulo foi pressionado no
espírito” (At 18.5). “Sendo fervoroso de espírito” (At 18.25); “Eu, constrangido
no meu espírito, vou a Jerusalém” (At 20.22). “Pois, qual dos homens entende as
coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está” (1Co 2.11). “Porque
recrearam o meu espírito assim como o vosso” (1Co 16.18). “O seu espírito tem
sido recreado por vós todos” (2Co 7.13).
A Função da Comunhão no Espírito do Homem: “Meu
espírito exulta em Deus meu Salvador” (Lc 1.47). “Os verdadeiros adoradores
adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4.23). “Deus, a quem sirvo em meu
espírito” (Rm 1.9). “Para servirmos em novidade de espírito” (Rm 7.6).
“Recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15). “O
Espírito mesmo testifica com o nosso espírito” (Rm 8.16). “O que se une ao
Senhor é um espírito com ele” (1Co 6.17). “Cantarei com o espírito” (1Co
14.15). “Se bendisseres com o espírito” (1Co 14.16). “E levou-me em espírito”
(Ap 21.10).
Por estas Escrituras podemos saber que nosso
espírito possui, pelo menos, estas três funções. Embora os não regenerados
ainda não possuam vida, eles, todavia, possuem estas funções (mas o culto deles
é de espíritos maus). Algumas pessoas manifestam mais destas funções enquanto
que outras menos. Entretanto, isto não implica que não estejam mortos em
delitos e pecados. O Novo Testamento não considera os que têm uma consciência
sensitiva, intuição aguda ou tendência e interesse espiritual, como sendo
indivíduos salvos. Tais pessoas apenas nos provam que, à parte da mente, da
emoção e da vontade da nossa alma, também temos um espírito. Antes da
regeneração, o espírito está separado da vida de Deus; só depois dela é que a
vida de Deus e do Espírito Santo habita em nosso espírito. Eles foram, então,
vivificados para serem instrumentos do Espírito Santo.
Nosso alvo, ao estudar a importância do
espírito, visa capacitar-nos a entender que nós, como seres humanos, possuímos
um espírito independente. O espírito não é a mente, nem a vontade, nem a emoção
do homem; pelo contrário, ele inclui as funções da consciência, da intuição e
da comunhão. É aqui no espírito que Deus nos regenera, nos ensina e nos conduz ao Seu descanso. Mas,
lamentavelmente, devido aos longos anos de cativeiro à alma, muitos cristãos
conhecem muito pouco do seu espírito. Devemos estremecer diante de Deus e pedir
a Ele que nos ensine através da experiência, o que é espiritual e o que é da
alma.
Antes do crente nascer de novo, seu espírito
torna-se tão submerso e cercado por sua alma, que é impossível para ele
distinguir se algo emana da alma ou do espírito. As funções do último
misturam-se com as da anterior. Além disso, o espírito perdeu sua função
primária - para com Deus; pois está morto para Deus. Assim parecia que ele se
tornou um acessório da alma. E quando a mente, emoção e vontade se fortalecem,
as funções do espírito tornam-se tão eclipsadas a ponto de fazê-las quase
desconhecidas. É por isso que deve haver a obra de separação entre a alma e o
espírito depois que o crente é regenerado.
Examinando as Escrituras, parece que um
espírito não regenerado funciona do mesmo modo que a alma. Os seguintes versos
ilustram isto: “Seu espírito estava perturbado” (Gn 41.8). “Então o espírito
deles se abrandou para com ele” (Jz 8.3). “O que é de espírito precipitado
exalta a tolice” (Pv 14.29). “O espírito abatido seca os ossos” (Pv 17.22). “Os
errados de espírito” (Is 29.24). “Uivareis pela angústia de espírito” (Is
65.14). “Seu espírito se endureceu” (Dn 5.20).
Estas passagens mostram-nos as obras do
espírito não regenerado e indicam como são semelhantes às da alma. A razão
porque o espírito, e não a alma, é mencionado, visa revelar o que aconteceu nas
profundezas do homem. Isto mostra como o espírito do homem veio a ser
controlado e influenciado completamente por sua alma, com o resultado de que
ele manifesta as obras da alma. O espírito, entretanto, ainda existe porque
estas obras procedem do espírito. Embora governado pela alma, o espírito não
deixa de ser um órgão.
6.4.2 A Alma do Homem
Além de ter um espírito que o capacita a ter
comunhão com Deus, o homem também possui uma alma, sua consciência própria. Ele
torna-se consciente da sua existência pela obra da alma. Ela é a sede da sua
personalidade. Os elementos que nos fazem seres humanos pertencem à
alma.Intelecto, pensamento, ideais, amor, emoção, discernimento, escolha,
decisão etc., são apenas as várias experiências da alma.
Já foi explicado que o espírito e o corpo estão
fundidos na alma, a qual, por sua vez, forma o órgão da nossa personalidade. É
por isso que, às vezes, a Bíblia chama o homem de “alma”, como se o homem
tivesse apenas esse elemento. Por exemplo: Gênesis 12.5 refere-se às pessoas
como “almas”. Quando Jacó trouxe sua família inteira para o Egito, novamente é
registrado que “todas as almas da casa de Jacó, que vieram para o Egito eram
setenta” (Gn 46.27). Inúmeros exemplos ocorrem na linguagem original da Bíblia,
onde “alma” é usado em lugar de “homem”. Porque a sede e essência da
personalidade é a alma. Compreender a personalidade do homem é compreender sua pessoa. A existência,
características e vida do homem estão todas na alma. A Bíblia, por conseguinte,
chama o homem de “uma alma”.
O que constitui a personalidade do homem são as
três principais faculdades: vontade, mente e emoção. Vontade é o instrumento
para nossas decisões e revela nosso poder de escolha. Ela manifesta nossa
disposição ou indisposição: “queremos” ou “não queremos”. Sem ela o homem é
reduzido a um autômato. A mente, o instrumento para nossos pensamentos,
manifesta nosso poder intelectual. Dela surge a sabedoria, o conhecimento e o
raciocínio. A falta dela faz o homem tolo e embotado. O instrumento para os
nossos gostos e antipatias é a faculdade da emoção. Por meio dela somos capazes
de expressar amor ou ódio e sentir alegria, ira, tristeza ou felicidade.
Qualquer falta dela tornará o homem tão insensível como pau ou pedra. Um estudo
cuidadoso da Bíblia fornecerá a conclusão de que essas três faculdades
principais da personalidade pertencem à alma.
6.4.2.1 A Vida da Alma
Alguns eruditos da Bíblia indicam-nos que
existem três palavras diferentes empregadas no grego para designar “vida”: (1)
bios, (2) psiqué, (3) zoe. Todas elas descrevem a vida, mas exprimem
significados bem diferentes. Bios refere-se aos meios de vida ou subsistência.
Nosso Senhor Jesus usou esta palavra quando elogiou a mulher que havia lançado
no tesouro do templo toda a sua subsistência. Zoe é a vida mais elevada, a vida
do espírito. Sempre que a Bíblia fala de vida eterna ela usa esta palavra.
Psiqué refere-se à vida animada do homem, sua vida natural ou a vida da alma. A
Bíblia emprega este termo, quando descreve a vida humana.
Aqui devemos observar que as palavras “alma” e
“vida da alma”, na Bíblia, são uma só e a mesma palavra no original. No Antigo
Testamento a palavra hebraica para “alma” - nefesh - é usada igualmente para
“vida da alma”. O Novo Testamento conseqüentemente emprega a palavra grega
psiqué tanto para “alma” como para “vida da alma”. Por isso sabemos que a
“alma” não é apenas um dos três elementos do homem, mas também a vida do homem,
sua vida natural. Em muitos lugares na Bíblia “alma” é traduzida como “vida”. Exemplo:
A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue (Gn 9.4,5); os que
buscavam a vida do menino estão mortos (Mt 2.20); é lícito no sábado... salvar
a vida ou tirá-la? (Lc 6.9); têm exposto as suas vidas pelo nome de nosso
Senhor Jesus Cristo (At 15.26); em nada tenho a minha vida como preciosa (At
20.24); para dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28); o bom pastor dá a
sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11, 15, 17). A palavra “vida” nestes versos é
“alma” no original. Foi traduzida assim porque seria mais difícil de entender
de outra forma. A alma é realmente a própria vida do homem.
Conforme já mencionamos, a “alma” é um dos três
elementos do homem. A “vida da alma” é a vida natural do homem, aquilo que o
faz existir e que o estimula. É a vida pela qual o homem vive hoje; é o poder
pelo qual o homem vem a ser o que ele é. Visto que a Bíblia aplica os termos
nefesh e psiqué tanto para a alma como para a vida do homem, é evidente para
nós que estes dois, embora distinguíveis, não são separáveis. São distinguíveis porque em certos
lugares psiqué (por exemplo) deve ser traduzido ou como “alma” ou como “vida”.
As traduções não podem ser intercambiadas. Por exemplo: “alma” e “vida” em
Lucas 12.19-23 e Marcos 3.4 são na verdade a mesma palavra nooriginal,
entretanto, traduzi-las com a mesma palavra em português ficaria sem sentido.
São inseparáveis, no entanto, porque estas duas estão completamente unidas no
homem. Um homem sem alma, não vive. A Bíblia nunca nos diz que o homem natural
possui outra vida além da alma. A vida do homem é apenas a alma permeando o
corpo. Quando a alma é unida ao corpo, ela torna-se a vida do homem. Vida é o
fenômeno da alma. A Bíblia considera o atual corpo do homem como um “corpo da
alma” (1Co 15.44, original), pois a vida do nosso corpo atual é a da alma. A
vida do homem é, portanto, simplesmente uma expressão de um composto das suas
energias mentais, emocionais e volitivas. A “personalidade”, na esfera natural,
engloba estas diferentes partes da alma, mas apenas isto. A vida da alma é a
vida natural do homem. Reconhecer que a alma é a vida do homem, é um fato muito
importante, pois relaciona-se grandemente com a espécie de cristão que nos
tornamos, se espirituais ou da alma.
6.4.2.2 A Alma e o Ego do Homem
Vimos como a alma é a sede da nossa
personalidade, o órgão da vontade e da vida natural e, por isso, podemos
facilmente concluir que esta alma é também o “verdadeiro Eu” - Eu mesmo. Nosso
ego é a alma. Isto pode ser demonstrado também pela Bíblia. Em Números 30, a
frase “ligar a si mesmo” ocorre dez vezes. No original é “ligar sua alma”.
Disso somos levados a entender que a alma é o nosso próprio eu. Em muitas
outras passagens da Bíblia nós vemos que a palavra “alma” é substituída por
pronomes. Por exemplo: nem neles vos contaminareis (Lv 11.43); não vos
contaminareis (Lv 11.44); por si e pela sua descendência (Et 9.31); oh tu, que
te despedaças na tua ira (Jó 18.4); este se justificava a si mesmo (Jó 32.2);
eles mesmos vão para o cativeiro (Is 46.2); ao que cada um (original, “cada
alma”) houver de comer; somente isso poderá ser feito por vós (Êx 12.16); o
homicida que tiver matado alguém (original, “alguma alma”) involuntariamente
(Nm 35.11,15); que eu (original, “minha alma”) morra a morte dos justos (Nm
23.10); quando alguém (original, “alguma alma”) trouxer uma oferta de cereais
(Lv 2.1); tenho feito acalmar e sossegar a minha alma (SI 131.2); não imagines
que, por estares no palácio do rei (tu) (original, “alma”) escaparás (Et 4.13);
Jurou o Senhor Deus por si mesmo (original, “jurou por sua alma”) (Am 6.8).
Estas Escrituras do Antigo Testamento nos informam de várias maneiras como a
alma é o ego do homem.
O Novo Testamento transmite a mesma impressão.
A tradução “oito pessoas” em 1Pe 3.20 no original é “almas” e também em Atos
27.37 “duzentos e setenta e seis pessoas”. A frase em Rm 2.9 traduzia como
“todo ser humano que pratica o mal” no original é “toda a alma de todo o homem
que pratica o mal”. Daí, advertir a alma de um homem que pratica o mal é
advertir o homem mal. Em Tiago 5.20 o salvar uma alma é considerado como salvar
um pecador. Lucas 12.19 mostra o homem tolo dizendo palavras de conforto à sua
alma, como falando a si mesmo. Está claro, portanto, que a Bíblia, no todo, considera a
alma do homem ou a vida da alma como o próprio homem.
Podemos encontrar uma confirmação disso nas
palavras do Senhor Jesus, dadas em dois Evangelhos diferentes. Assim lemos em
Mateus 16.26: Pois que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder
a sua vida (psiqué)? Ou que dará o homem em troca da sua vida (psiqué)? Ao
passo que Lucas 9.25 assim o traduz: Pois, que aproveita ao homem ganhar o
mundo inteiro e perder-se ou prejudicar-se a si mesmo (eautou)? Os dois
evangelistas registram a mesma coisa, todavia, um usa “vida” (ou “alma”)
enquanto que o outro usa “si mesmo”. Isto quer dizer que o Espírito Santo está
usando Mateus para explicar o sentido de “si mesmo” em Lucas e Lucas para
explicar o sentido de “vida” em Mateus. A alma ou vida do homem é o próprio
homem, e vice-versa. Tal estudo nos capacita a concluir que, para ser um homem,
devemos participar daquilo que está incluído na alma do homem. Todo homem
natural possui este elemento e qualquer coisa que ele inclua, pois a alma é a
vida comum partilhada por todos os homens naturais. Antes da regeneração, tudo
o que estiver incluído na vida - seja o ego, vida, força, poder, escolha,
pensamento, opinião, amor, sentimento - pertence à alma. Em outras palavras, a
vida da alma é a vida que o homem herda no nascimento. Tudo o que esta vida
possui e tudo o que ela possa vir a ser está na esfera da alma. Se,
distintamente, nós reconhecermos o que é da alma, então mais tarde será mais
fácil reconhecermos o que é espiritual. Será possível separar o espiritual do
que é da alma.

A CONSTITUIÇÃO DO SER
HUMANO
Como vimos, o homem é diferente dos animais,
pois, enquanto estes têm instinto e agem segundo essa condição, o homem tem
autoconsciên- cia e autodeterminação, por ter pessoalidade; e, como tal, possui
o que o irracional não tem: intelecto, vontade e emoções. Quanto aos animais,
DEUS disse: “produza a terra alma vivente”; quanto ao homem, DEUS disse:
“Façamos o homem”.
O método usado por DEUS para criar o homem foi
especial. Diz a Bíblia: “E formou o Senhor DEUS o homem do pó da terra e soprou
em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7).
No texto acima, vemos dois aspectos:
A formação da parte física do homem. A parte
física do homem veio “do pó da terra”. Não com o barro, em estado bruto, ou um
boneco de barro. Mas, com os elementos químicos que se encontram no barro, ou
na argila, DEUS, de modo sobrenatural, formou cada parte do corpo humano,
combinando-as de maneira jamais compreendida pela mente humana.
Hoje, a embriologia e o estudo da genética têm
informações sobre a formação do ser humano no ventre da mãe, a partir da união
dos gametas masculino e feminino. Mas jamais alcançou a formação do primeiro
ser humano, que não foi gerado, e sim criado por DEUS. Como DEUS combinou os
aminoácidos, as proteínas, os sais minerais e demais substâncias para compor o
corpo humano é algo que transcende a qualquer especulação científica.
A formação da parte interior do ser humano.
Isto é, a alma e o espírito. Diz a Palavra de DEUS: “e soprou em seus narizes o
fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. Como foi esse processo? Que
fôlego foi esse? De que ele se constituiu, em sua plenitude? Dali surgiu a alma
somente? Ou a alma e o espírito? São a mesma coisa, ou entes distintos? Como a
alma se propaga?
Não é difícil entender como o corpo humano é
gerado no ventre da mãe, sobretudo hoje, com os recursos da ultra-sonografia
moderna. Mas, como a alma é gerada? Como ela se multiplica? E o espírito,
difere da alma, ou é sinônimo dela? Como a alma entra no embrião?
Neste tópico, apenas desejamos refletir sobre
essas questões, em submissão ao que está revelado nas Escrituras. E vamos
meditar sobre a constituição do homem, segundo algumas concepções e à luz da
Palavra de DEUS. Há diversas correntes de pensamento quanto à constituição do
homem. Algumas são indicadas a seguir.
Unitarianísmo. Também chamado de monismo. E uma
corrente doutrinária que ensina que o homem é um só todo, uma só parte, não
havendo qualquer divisão em sua constituição; ou seja, não existe alma ou
qualquer parte do ser humano que sobreviva à morte. Para os unitaristas ou
monistas, o ser humano se constitui de uma unidade indivisível.
Eles não acreditam na existência da alma e do
espírito, admitindo que essas expressões referem-se apenas a uma unidade
psicofísica do ser humano. As palavras “carne” nos Antigo (hb. hasar) e Novo
Testamentos (gr. sarx), bem como “corpo” (gr. soma), referem-se ao “ser humano
por inteiro, porque, nos tempos bíblicos, ele era considerado unificado”.26
Dicotomísmo. Essa doutrina ensina que só há
dois elementos, ou partes constitutivas, do homem: a parte material e a
imaterial. Baseiam-se no fato de os termos “alma” e “espírito”, às vezes, na
Bíblia, serem sinônimos, ou intercambiáveis entre si. E sustenta sua opinião
partindo de textos que lhes parecem indicar esse entendimento (cf. Jó 27.3).
Trícotomismo. Os chamados tricotomistas
entendem que o homem é formado de três partes distintas: corpo, alma e
espírito. Seu ensino honra as Escrituras e se harmoniza com elas, pois, de
acordo com a Bíblia, o homem tem uma constituição tríplice, sendo formado de
espírito, alma e corpo (I Ts 5.23). Reflitamos sobre cada uma dessas partes.
O
ESPÍRITO DO HOMEM
Ao soprar no homem o “fôlego de vida”, DEUS o
fez “alma vivente”, ou um ser que tem vida. Nesse sopro, o Criador infundiu, no
interior do homem, sua parte espiritual. Por esse fôlego, ele adquiriu o
princípio vital, que o anima.
O espírito é a parte imaterial do homem, que,
juntamente com a alma, forma “o homem interior”. Disse Paulo: “Porque, segundo
o homem interior, tenho prazer na lei de DEUS” (Rm 7.22). O apóstolo ensinava
sobre a luta entre a carne, ou a natureza carnal do homem, e o espírito, que
provém de DEUS, e acentuava que o “homem interior” tinha prazer na lei de DEUS.
Em outro versículo, lemos: “Por isso, não
desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior,
contudo, se renova de dia em dia” (2 Co 4.16); neste texto, vemos o “homem
exterior”, o corpo, e “o interior”, a parte imaterial do homem. Podemos dizer
que esse “homem interior” é o conjunto espiritual, formado pela alma e pelo
espírito (I Ts 5.23).
A
ALMA DO HOMEM
A palavra “alma”, no Antigo Testamento, é
nepesh. No Novo Testamento é psique, que tem o sentido de “alma” e de “vida”;
está ligada ao termo psíquicos, que tem o sentido de “pertencente a esta
vida”. E a base das experiências conscientes. A alma pode ter três áreas de
significados: “(a) psycbe, no sentido da base impessoal da vida, a própria
vida; (b) a parte interior do homem; (c) uma alma independente em contraste com
o corpo”.2-
No sentido impessoal, a alma eqüivale à própria
vida. No sentido de ser “parte interior do homem”, refere-se à sua
personalidade, ou à pessoa (cf. 2 Co 1.23). O texto de Levítico 17.10-15 dá uma
diversidade de sentidos à palavra “alma”:
“contra aquela alma que comer sangue eu porei a
minha face e a extirparei do seu povo” (v. 10); aqui, “alma” significa a
própria pessoa.
“Porque a alma da carne está no sangue...”
(v.II); neste sentido, “alma” significa a vida do corpo, dos tecidos, que são
alimentados pelo sangue.
“Nenhuma alma dentre vós comerá sangue...” (v.
12); novamente, refere- se à pessoa.
“a alma de toda a carne; o seu sangue é pela
sua alma”; aí vemos referência à vida de toda a carne, e que o sangue seria
derramado pela vida do transgressor.
Tanto nepesh (hb.) como psyche (gr.) indicam o
princípio vital da vida humana, física ou animal. Quando DEUS disse que o homem
fora feito “alma vivente” e, em relação aos animais, que a terra produzisse
“alma vivente”, usou a mesma expressão — hb. nepesh hayya. No entanto, como
vimos em item anterior, o homem é distinto do animal, por várias razões: autoconhecimento
e autodeterminação, por exemplo. Assim, a alma do homem é profundamente
diferente da alma do animal.
No Novo Testamento, vemos várias referências
sobre o significado de alma. JESUS disse: “Quem quiser salvar a sua vida
[psycbe], perdê-la-á...” (Mac 8.35; cf. Mac 10.45; Mt 20.28). “Não estejais
ansiosos quanto à vossa vida...” (Mt 6.25). Nesse sentido, “alma” se refere à
vida.
Em sentido teológico, a alma é a sede das
emoções e dos sentimentos. JESUS disse: “A minha alma está profundamente triste
até a morte” (Mc 14.34). A alma se entristece. “E a parte sensível da vida do
ego, a sede das emoções — do amor (Ct 1.7), do anseio (SI 36.62) e da alegria
(SI 86.4)”.28
O texto que melhor distingue alma de espírito é
I Tessalonicenses 5.23: “e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam
plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS
CRISTO”. Aqui temos a palavra “alma” significando a parte interior do ser,
distinta do espírito, porém, intrinsecamente a ele ligada, formando o “homem
interior” (Rm 7.22). Ver também Hebreus 4.12; Lc 1.46,47.
Horton assevera:
A alma sobrevive à morte porque é energizada
pelo espirito, mas alma e espírito são inseparáveis porque o espírito está
entretecído na própria textura da alma. São fundidos e caldeados numa só
substância.29
Como vimos, a alma faz parte do “homem
interior” do ser, unida ao espírito. Intrigantes questões têm sido formuladas
sobre a origem da alma. A alma é introduzida no corpo; Ela é formada durante a
concepção? A alma é preexistente? Há, basicamente, três teorias acerca da
origem da alma, todas elas evocando fundamento bíblico.
Teoria da preexistência. E um dos fundamentos
da doutrina espírita. Segundo essa idéia, as almas existem, em esferas diversas
do mundo espiritual, e entram no corpo gerado, no processo chamado reencamação.
Para os defensores dessa doutrina, a alma peca, na vida presente, e, para se
redimir, precisa purificar-se, voltando a se integrar num outro corpo humano,
sucessivamente, durante inumeráveis existências.
Antes mesmo de ser uma doutrina, codificada por
Alan Kardec, principal expoente do espiritismo, a teoria da preexistência da
alma teve o apoio de filósofos, como Platão e Filo, e de teólogos cristãos,
como Orígenes de Alexandria (185 a 254).
Essa teoria tem origem no maniqueísmo, doutrina
pela qual se ensinava que o espírito era puro, ao lado da alma, que já
preexistia. Quanto ao corpo, seria intrinsecamente mau, bem como a matéria à
sua volta. Tal teoria não tem qualquer fundamento bíblico, pelas seguintes
razões:
O homem foi feito alma vivente somente após o
sopro de DEUS, no momento inicial da criação do primeiro ser humano, na face da
Terra; antes de Adão, não há qualquer indicação, nas Escrituras, da existência
de almas, guardadas numa espécie de “celeiro de almas”, num lugar, nos
planetas, como entendem os espíritas.
Os maus atos e a depravação do homem são
decorrem de uma causa primária: o pecado de Adão, que passou a todos os homens
(Rm 5.12). A conseqüência, pois, é pessoal, individual e responsável; é de
cada pessoa que peca, em sua existência atual, e não de pretensas existências
anteriores ao seu nascimento;
DEUS fez o homem, incluindo sua parte imaterial
(espírito+alma) “e viu DEUS que tudo que tinha feito era muito bom” (Gn 1,31).
Teoria criacionista.30 Trata-se de uma teoria
segundo a qual DEUS “faz as almas diariamente”, conforme ensinava Aristóteles.
Polano dizia que “DEUS sopra a alma nos meninos quarenta dias após a concepção,
e nas meninas oitenta” (sic); Jerômmo e Pelágio também acatavam esse
entendimento, bem como a Igreja Católica Romana e os teólogos reformados, a exemplo
de Calvino. Segundo Strong, Lutero se inclinava para o traducionismo.
Para Strong, os criacionistas se baseiam nos
seguintes textos bíblicos: “e o espírito volte a DEUS, que o deu” (Ec 12.7);
“palavra do Senhor... e que forma o espírito do homem dentro dele” (Zc 12.1);
“... e as almas que eu fiz” (Is 57.16). Mas a Bíblia não dá respaldo a essa
teoria.
Teoria
participativa.
Leite
Filho afirmou:
Quando se afirma que a alma é criadat é
necessário fazer algumas distinções: a criação é uma produção do nada; a alma é
produzida na matéria e não da matéria; a produção da alma necessita de uma
realidade criada já existente; a ação divina não tem como objetivo uma alma
separada e sim o homem completo.
De fato, o homem, desde a fecundação, não é “um
aglomerado de células”, como dizem os cientistas ateus e materialistas. È um
ser completo, composto de espírito, alma e corpo.
Toda nova pessoa humana é fruto da ação
imediata de DEUS e da dos pais: DEUS e os pais produzem o sujeito mteiro, mas
os pais podem produzi-lo somente enquanto é um ser material vivo, isto é , tem
um corpo, e DEUS o produz imediatamente enquanto é um ser pessoa, isto é, tem
uma alma.32
Mver Pearlman, explicando a origem das almas,
após a criação do homem, corrobora com esse entendimento:
A origem da alma pode explicar-se pela
cooperação Do CriaDor com os pais.
No princípio de uma nova vida, a divina criação
e o uso criativo de meios agem em cooperação. O homem gera o homem em
cooperação com “O Pai dos espíritos”. O poder de DEUS domina e penetra o mundo
(At l 7.28; Hh 1.3) de maneira que todas as criaturas venham a ter existência
segundo as leis que Ele ordenou. Portanto, os processos normais da reprodução
humana põem em execução as leis de vida, fazendo com que a alma nasça no mundo.
”
Assim, podemos concluir que a alma humana se
forma, segundo as leis da procriação, deixadas por DEUS, numa cooperação entre
os pais biológicos, e “o pai dos espíritos”(Hb 12.9). Cada vez que um gameta
masculino funde-se com um feminino, no casamento, ou fora dele, pela lei do
Criador, forma-se um conjunto espírito+alma dentro do homem. Diz a Bíblia:
“Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o
espírito do homem dentro dele” (Zc 12.1). O modo como DEUS atua na formação da
alma é um mistério ao qual devemos nos curvar, em nosso conhecimento limitado.
O
CORPO HUMANO
Na visão tncotômica do ser humano, o corpo tem
papel importantíssimo. È através dele que a alma se comunica com o mundo
exterior. È no rosto que aparecem as expressões de alegria, tristeza, ira,
sono, calma, entusiasmo, rancor, mágoa e tantos outros sentimentos próprios da
natureza humana. Diz a Bíblia: “o rosto corresponde ao rosto, assim o coração
do homem ao homem” (Pv 27.19).
Graças à ciência, hoje podemos conhecer o corpo
humano melhor do que qualquer pessoa do passado, inclusive as que tenham vivido
no tempo em que a Bíblia foi escrita. Nos dias atuais, podemos conhecer melhor
a grandeza, a perfeição (relativa) e o maravilhoso funcionamento do corpo
humano, como obra- prima das mãos de DEUS, o Criador maravilhoso e absoluto de
todas as coisas.
A dimensão material do corpo. Em Salmos
139.13-16, Davi exclamou, diante da formação e do desenvolvimento do corpo
desde o ventre:
Eu te louvarei, porque de um modo terrível e
tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas ohras, e a minha alma o
sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui
formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu
corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais
iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia.
Que maravilhosa declaração e quão diferente da
teoria da evolução, que assevera: As origens da vida, do corpo, do homem e da
inteligência ocorreram pelo “acaso” cego e sem propósito algum. Apresentaremos
a seguir algumas informações sobre o corpo humano, a fim de que sintamos melhor
a grandeza da obra criadora de DEUS, ao fazer o homem das substâncias que há no
pó da terra e lhe dar a vida, tornando-o sua imagem e semelhança.
Organização do corpo humano. O esqueleto humano
constitui o arcabouço que sustenta os músculos, “protege os órgãos internos e
permite uma grande variedade de movimentos”.34 E formado por 206 ossos e
corresponde a 1/5 do peso total. Há 216 tecidos no corpo humano.
O cérebro humano “corresponde a 2% do peso de
um adulto médio, mas é responsável por 20% do consumo de oxigênio desse
indivíduo... o cérebro tem um trilhão de células nervosas” e seus “sinais
trafegam ao longo dos nervos até um máximo de 360 km/h: uma mensagem enviada da
cabeça para o pé chega em I/50 de segundo... o cérebro de um homem pesa 1,4 kg;
o cérebro de uma mulher pesa 1,25 kg”.33
Há no corpo humano glândulas, grupos de células
que produzem hormônios ou substâncias que regulam o funcionamento do corpo. O
ser humano produz duzentos hormônios diferentes. O seu sistema imunológico é
tão especial, que um só linfócito produz um milhão de anticorpos por hora.
De acordo com a Enciclopédia Seleções, “uma
pessoa tem 2,5 milhões de glândulas sudoríparas; (...) o nariz humano tem 50
milhões de células receptoras, o que permite identificar os odores variados”.
Esses são apenas alguns aspectos da formação e estrutura do corpo humano.
Somente uma criação especial, por um Ser supremo e inteligente, poderia
conceber, estruturar e dar vida a um sistema tão especial quanto o corpo
humano. Mais uma vez temos a expressão de Davi: “Eu te louvarei, porque de um
modo terrível e tão maravilhoso fui formado” (SI 139.14a).
Maravilha da procriação. Cada mês, num dos
ovários da mulher, um óvulo se desenvolve e cresce. Com um milésimo de
milímetro de diâmetro, é lançado numa das trompas de falópio; daí, o óvulo
caminha em direção ao útero. Encontrando-se com um espermatozóide, que o penetre,
será fecundado. Numa relação sexual, o órgão masculino lança cerca de duzentos
a trezentos milhões de espermatozóides.
Um só penetra no óvulo!
O seu núcleo se funde como núcleo do óvulo,
cada um com 23 cromossomos, formando o ovo ou zigoto, que passa a ter 46
cromossomos. Naquele momento, já estão devidamente programadas, pela molécula
do DNA (ácido desoxirribo- nucléico), todas as características genéticas
individuais do novo ser humano.
Dentro de poucas horas, o zigoto começa a se
dividir em duas, quatro, oito, dezesseis, 32, 64 células, e assim por diante.
Essa divisão celular começa a ocorrer, ainda, na trompa, mesmo antes de chegar
ao útero. Chegando ao útero, o embrião, na forma de blastocisto se implanta no
útero. Começa a gravidez.
E a formação de um novo ser humano, e não
apenas de “um amontoado de células”, como entendem os cientistas materialistas.
Nos seus primeiros dias, as células que formam o embrião chamam-se
células-tronco embrionárias. Conforme registra Lima’6, elas se formam, após a
fusão dos gametas masculino e feminino (espermatozóide e óvulo), quando surge
um aglomerado de células.
Após quatro dias, esse grupo de células começa
a formar uma estrutura esférica, chamada blástula, apresentando duas partes,
uma interna e outra externa. A parte externa formará a placenta, e a interna, o
embrião. È na parte interna que estão as células capazes de gerar todas as
células do organismo de um indivíduo.3' Dentro de cinco dias, o embrião forma a
blástula ou blastocisto, com aproximadamente cem células. As células internas
do blastócito são as que ensejam maior interesse dos pesquisadores, por poderem
transforma-se em todos os tecidos do corpo humano, por serem ainda
indiferenciadas.
Os cientistas materialistas já fazem uso das
células-tronco embrionárias na pesquisa, visando a obter a cura de doenças
degenerativas, como mal de Alzheimer, mal de Parkinson, diabetes, câncer e
outros. No entanto, com base na Palavra de DEUS, entendemos que isso afronta a
sacralidade da vida, pois o embrião é um novo ser humano, programado pela leis
da biologia, para se desenvolver com sua individualidade. (Leia o nosso livro
Células-tronco, uma Visão Etica e Cristã, editado pela CPAD). Destruir embriões
ou praticar o aborto é um crime gravíssimo, que deveria ser considerado
hediondo.38
Prosseguindo com a viagem do embrião, vemos
que, com quatro semanas, o coração começa a bater, com apenas cinco milímetros
de comprimento; com seis semanas, o embrião obtém toda a sua nutrição e
oxigênio da placenta e do cordão umbilical; com oito semanas, agora denominado
feto, mede 2,5 centímetros, e seus membros são identificáveis. Começa a se
mexer, mas a mãe não sente.
Com doze semanas, os principais órgãos internos
aparecem... com 22 semanas, todos os sistemas do corpo já estão estabelecidos.
Se nascer prematuramente, o bebê pode sobreviver com auxílio médico; com 38
semanas, o bebê já está completamente formado, com sua cabeça encaixada
(posicionada para baixo com a face voltada para a pélvis), pronto para
nascer.39
Diante disso, só a Bíblia pode expressar a
grandeza da criação do homem:
Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me
no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão
maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe
muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado
e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo
ainda informe... (Sl 139.13-16).
Desenvolvimento e morte do corpo. Todo ser
vivo, incluindo o homem, nasce, cresce, desenvolve-se e morre. Essa é uma lei
que só admite exceção para aqueles que, na segunda vinda de JESUS, estiverem
vivos, no momento do arrebatamento da Igreja. Afora essa exceção, “aos homens
está ordenado morrerem uma vez” (Hb 10.27).
Em seu desenvolvimento, o homem passa pela
infância, adolescência, juventude e idade adulta. Em cada uma dessas fases,
seu desenvolvimento fisico depende de alimentação, repouso, movimento,
relacionamento humano e espiritual. A velhice é a fase do declínio das energias
físicas e mentais. Depois, vem a morte.
Para os que têm a salvação em CRISTO JESUS, a
velhice é uma fase de gratidão e esperança quanto ao porvir. Para os que não
têm a certeza da vida eterna, a velhice é vista como o fim da vida, sem
qualquer esperança de uma vida melhor.
A morte — que pode ser física ou espiritual — é
um fato que assusta a maioria das pessoas. Talvez porque o homem não foi
programado, originalmente, para morrer. Ela entrou no mundo como conseqüência
do pecado, do rompimento com DEUS. Só a salvação em CRISTO pode reverter a
inclinação para a morte espiritual, que é a separação eterna de DEUS.
Já existem pessoas que esperam reverter a
realidade da morte física através da ciência. Em países ricos, como os Estados
Unidos, algumas pessoas já contrataram os serviços de empresas que se propõem
a preservar o corpo, congelando-o a 196 graus negativos, a fim de que, um dia,
se a ciência descobrir uma solução para o envelhecimento, e para a morte, seus
donos possam ser reanimados. E a chamada cnobiologia — biologia do congelamento
da vida.
A técnica utilizada chama-se hibernação. Nesse
processo, o sangue do morto é retirado, substituído por um líquido
anticongelante e colocado num cilindro de aço, num estado de suspensão
criônica. Espera-se que, alguns séculos mais tarde, a ciência descubra como
fazer a “ressurreição tecnológica”.40 Ê o homem mortal desejando a vida eterna
por meios errados. Mas há cientistas sérios que afirmam ser perda de dinheiro
congelar pessoas.
De fato, a lei da morte é inexorável. È
conseqüência do pecado. DEUS disse, no Eden, ao primeiro casal: “E ordenou o
Senhor DEUS ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas
da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que
dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17).
A
DIMENSÃO ESPIRITUAL DO CORPO
Corpo do pecado (Rm 6.6). Nesta passagem, Paulo
afirmou que uma vez que somos novas criaturas, devemos saber “que o nosso velho
homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim
de que não sirvamos mais ao pecado”. A expressão: “corpo do pecado” refere-se
ao “velho homem”, que, antes de ser transformado por DEUS, pela aceitação de
CRISTO como Salvador, vivia usando o corpo como instrumento para o pecado.
Também disse o apóstolo Paulo, em Romanos
6.12-14:
Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo
mortal, para lhe ohedecerdes em suas concupiscêncías; nem tampouco apresenteis
os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a
DEUS, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a DEUS, como instrumentos
de justiça.
Porque o pecado não terá domínio sobre vós,
pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.
Homem exterior (2 Co 4.16). Disse Paulo: “Por
isso, não desfalecemos; mas, amda que o nosso homem exterior se corrompa, o
interior, contudo, se renova de dia em dia”. Aqui, o apóstolo, ensinando sobre
a ressurreição (2 Co 4.14), acrescenta que não devemos desfalecer diante das
lutas que passamos nesta vida, pois, mesmo que o “homem exterior” — o corpo —
se corrompa, envelheça e venha até a morrer, contudo o “homem interior”
(espírito+alma), renova-se continuamente.
Casa terrestre (2 Co 5.1). Certamente, o
apóstolo Paulo se referiu à temporalidade do corpo, em sua constituição física,
como invólucro do espírito. De acordo com a Palavra de DEUS, o destino do salvo
é habitar nos céus, com JESUS, num corpo transformado, semelhante ao seu,
quando ressuscitado (cf. Fp 3.21). O corpo celestial que nos será dado por DEUS
será a “nossa habitação, que é do céu” (2 Co 5.2). No entanto, enquanto
estivermos aqui, não poderemos ter essa condição.
O “homem interior” não pode apresentar-se
diante dos olhos humanos. Assim, precisa dessa “casa terrestre”, que é o corpo
humano, com seus órgãos, tecidos e seus sentidos físicos. E casa temporária,
morada passageira, visto que somos, na Terra, “peregrinos e forasteiros” (2 Pe
2.11).
Corpo desta morte (Rm 7.24). Ensinando sobre a
luta entre a carne (natureza pecaminosa) e o espírito, o apóstolo Paulo, de
forma eloqüente, disse:
Porque, segundo o homem interior; tenho prazer
na lei de DEUS. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do
meu entendimento e me prende debaixo
da lei do pecado que está nos meus membros.
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Paulo se referia ao fato de o pecado
utilizar-se dos membros do corpo para praticar a iniqüidade e a desobediência
contra DEUS, o que eqüivale a experimentar a morte espiritual (Ef 2.1).
Corpo abatido (Fp 3.21). Numa visão
escatológica, Paulo estimula os filipenses a viver a fé com perseverança e
alerta-os contra os “inimigos da cruz de CRISTO” (v. 10). E, numa palavra de
conforto e esperança, lhes assegura:
Mas a nossa cidade está nos céus, donde também
esperamos o Salvador; o Senhor JESUS CRISTO, que transformará o nosso corpo
abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu efcaz poder de
sujeitar também a si todas as coisas.
O corpo abatido é o corpo em sua condição
humana, sujeito às doenças, à fraqueza, ao envelhecimento e à morte. Mas a
promessa para os salvos é a de que, se permanecermos fiéis, um dia DEUS nos
ressuscitará, num corpo glorioso, semelhante ao de JESUS — Ele, ao ressuscitar,
foi capaz de atravessar as paredes e vencer todas as forças da natureza. Assim
será o corpo do salvo após a ressurreição ou o Arrebatamento da Igreja (I Co
15.42,43).
Templo do ESPÍRITO SANTO (I Co 6.19,20). Mais
uma vez, mostrando aos crentes que JESUS ressuscitou e nos ressuscitará, o
apóstolo Paulo alerta os cristãos para não darem lugar ao pecado, visto que os
nossos membros, do corpo físico, são, na verdade, “membros de CRISTO”; e
indaga, de modo incisivo:
Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do
ESPÍRITO SANTO, que habita em vós, proveniente de DEUS, e que não sois de vós
mesmos? Porquefostes comprados por bom preço; glorifcai, pois, a DEUS no vosso
corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a DEUS. (I Co 6.19,20)
Essa é uma exortação de alto significado
espiritual, pois demonstra que o corpo físico tem elevado valor espiritual para
DEUS. Não é, como alguns pensam, que DEUS só se interessa pelo espírito e pela
alma (homem interior). Na realidade, DEUS quer, pela salvação, alcançar o
homem em sua tríplice constituição: espírito, alma e corpo. E isso é
corroborado, como vimos, em I Tessalonicenses 5.23. Esta passagem não deixa
dúvidas quanto ao valor espiritual do homem, incluindo o seu corpo, que também
deve ser conservado irrepreensível para a segunda vinda.
A
VERDADEIRA CIÊNCIA
Não há espaço, neste capítulo, para nos
estendermos muito sobre as falácias do evolucionismo. No entanto, entendemos
ser muito útil apresentar aos estudantes de teologia, professores de Escolas
Dominicais, nas igrejas, ou mesmo ao leitor alguns argumentos verdadeiramente
científicos que refutem a diabólica teoria darwimsta.
A verdadeira ciência, desprovida de
preconceito, soberba e academidsmo, não comprova a — apenas — teoria da
evolução.31 Cientistas modernos a têm rechaçado.
Um novo livro, Evolutionary Theoiy, organizado
pelo ictiologista Donn Rosen, do Museu Americano de História Natural, acusa o
naturalista inglês de ter sido leviano ao colocar de pé sua teoria da evolução.
Rosen diz que Darwin — o primeiro a afirmar categoricamente que os organismos
vivos partilham ancestrais comuns e se modificam ao longos dos tempos, formando
novas espécies — errou ao não prever que novos tipos de seres vivos a evolução
irá criar daqui para frente.
O ictiologista, estudioso dos peixes, chega a
comparar o pensamento de Darwin ao dos criacionistas —grupo de religiosos que
acreditam terem sido as plantas e os animais criados por DEUS há milhares de
anos, exatamente como se apresentam agora. Como ele não diz como a evolução
opera, suas mutações nem se rfere a seus resultados futuros, é impossível
tentar provar que a teoria está incorreta, lamenta Rosen.52
Não há o que lamentar. Darwm errou mesmo ao
levantar uma teoria com base em observações jamais comprovadas empiricamente.
Em outras palavras, a teoria da evolução é fundada em hipóteses, portanto no
acaso e não na ciência dos fatos comprovados. Os defensores da evolução, alguns
sequer defendem o criacionismo ou crêem em DEUS.
Matemática desmente evoluciomsmo. Carl Sagan,
famoso astrônomo, conhecido no mundo inteiro, calculou que a possibilidade de o
homem ter evoluído é de aproximadamente um em IO; ou seja, um número com dois
bilhões de zeros à direita, que poderia ser escrito em cerca de vinte mil
livros! Segundo a Lei de Borel, isso indica não haver probabilidade alguma.33
Ainda que a probabilidade fosse apenas de um em
IO1 000, a probabilidade de o homem ter evoluído ao acaso contraria a Lei de
Borel, que define a probabilidade máxima de um evento ocorre em um em IO50.
Assim, a evolução ao acaso jamais poderia realizar-se conforme os dados
científicos citados acima. Não se trata de ensino religioso, fundamentado na
subjetividade da fé.
Os dados estatísticos — que são ciência, e não
artigo de fé — demonstram que a possibilidade de a vida orgânica ter surgido
de matéria inanimada, e evoluído, é tão improvável, que chega a ser denominada
impossibilidade absoluta. Mas é sobre tal improbabilidade que se assenta a
premissa da teoria da evolução.
Por conseguinte, o relato bíblico para a origem
da vida tem um inabalável fundamento, pois inicia afirmando que, “No
princípio”, nos dias da criação, DEUS fez surgir as plantas, os animais e criou
o homem a partir das substâncias da argila e deu vida ao novo ser criado (Gn
1.1-31; 2.1-4).
Eísica desmente teoria da evolução. A primeira
lei da termodinâmica desmente o evoluciomsmo, segundo o qual, as coisas
estariam evoluindo, e novas espécies, sendo criadas, ao longo do tempo.
Morris33 declarou:
O princípio básico da ciência física é o da
conservação e deterioração da energia. A lei da conservação da energia afrma
que; em qualquer transformação de energia, em um sistema fechado qualquer; o
total da quantidade de energia permanece inalterado. Lei semelhante é a lei da
conservação da massa, a qual estabelece que embora a matéria se altere quanto à
forma, tamanho, estado, etc., a massa toda não pode ser alterada. Em outras
palavras, essas leis ensinam que nenhuma criatura ou destruição da matéria ou
energia está sendo atualmente realizada em qualquer parte do universo
físico.'1'
Nada está evoluindo biologicamente. Nenhuma
matéria nova está sendo criada.
A segunda lei da termodinâmica também contraria
a teoria da evolução. E a chamada lei da deterioração da energia. Conforme essa
lei, “embora a quantidade total de energia permaneça inalterada, a quantidade de
utilidade e disponibilidade, possuída pela energia, vai diminuindo sempre”.5'
Essa lei também é chamada de lei da entropia.
Assim, ao contrário do darwinismo, que diz que os sistemas mais simples
evoluíram e evoluem para sistemas mais complexos e aperfeiçoados, a lei da
entropia afirma que os sistemas organizados tendem a se deteriorar, e não a
evoluir.
Sem que haja uma força externa, jamais algo
organizado evoluirá, ou mesmo poderá permanecer em seu estado original. Uma
máquina, por mais perfeita que seja, se colocada em movimento, envelhecerá; sem
uso, também sofrerá alterações negativas. O tempo, que é tão invocado pelos
evolucionistas como fator essencial à evolução, é, na verdade, destrutivo, e
não construtivo!
Assim, jamais a matéria inanimada poderia
produzir um ser vivo. Só admitindo a existência de um Projetista Inteligente e
Criador, que é DEUS, pode-se entender a origem de todas as coisas, animadas e
inanimadas, principalmente, da vida, do homem e da inteligência. Ele, sim, fez
todas as coisas do nada, e, no caso do ser humano, tomando a matéria inanimada,
“do pó da terra”, ou das substâncias químicas existentes na argila, pelo seu
poder fez o homem, com a sua extraordinária complexidade espiritual, mental,
moral e biológica. E o fez composto de espírito, alma e corpo (I Ts 5.23).
Confirmando que a lei da entropia honra o que
diz a Palavra de DEUS, em Salmos 102.25-27 lemos:
Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus
são obra das tuas mãos. Eles perecerão, emas tu permanecerás; todos eles, como
uma veste, envelhecerão; como roupa os mudarás, eficarão mudados. Mas tu és o
mesmo, e os teus anos nunca terão fim.
As leis da termodinâmica confirmam a Bíblia,
mostrando que mesmo os sistemas criados por DEUS envelheceram. Somente pelo
poder soberano do Todo-Poderoso é que, um dia, o Universo, que envelhece, será
substituído por um novo Céu e uma nova Terra: “E vi um novo céu e uma nova
terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não
existe” (Ap 21.1).
Biologia molecular e genética desmentem teoria
da evolução. Morris38 declarou:
... a moderna biologia molecular, com sua
percepção penetrante acerca do notável código genético implantado no sistema do
DNA, confirmou ulteriormente que as variações normais se operam apenas dentro
do âmbito especificado pelo DNA para determinado tipo de organismo, deforma que
nenhuma característica verdadeiramente nova pode aparecer, produzindo graus
mais elevados de ordem
ou complexidade. A variação ê horizontal, e não
vertical! Infelizmente, são variações normais desta sorte que comumente são
apresentadas como evidências de evolução atual.
O exemplo clássico das mariposas da Inglaterra
que “evoluíram” de um a coloração leve dominante para uma coloração escura
dominante, enquanto os troncos das árvores ficavam mais escuros devido a
poluentes, durante o avanço da revolução industrial é o melhor exemplo
apresentado. Isso não foi evolução no verdadeiro sentido da palavra, de forma
alguma, mas apenas variação. A seleção natural é uma força conservadora,
operando para impedir que determinadas espécies se extingam, quando o ambiente
se modifica... do começo ao fim, as mariposas continuam sendo “Biston
betularia”.59
Paleontologia desmente evolucionismo. Como
sabemos, a paleontologia é a ciência que estuda os fósseis dos animais e
vegetais. Um fóssil é um “Vestígio ou resto petrificado ou endurecido de seres
vivos que habitaram a Terra antes do holoceno e que se conservaram em depósitos
sedimentares da crosta terrestre sem perder as características essenciais”.60
A existência dos fósseis é usada pelos
seguidores de Darwin como prova eloqüente da evolução. Segundo essa crença, as
diversas camadas de estratos das rochas petrificadas foram se acumulando ao
longo de milhões e milhões de anos, de tal forma que se formou a chamada coluna
geológica, uma espécie de índice geocronológico. E, através desse índice,
poder-se-ia medir a idade das rochas e, consequentemente, dos fósseis
encontrados nas diversas camadas uniformemente sedimentadas.
“A única escala cronométrica aplicável à
história geológica para a classificação estratificada das rochas, e para datar
eventos geológicos, é fornecida pelos fósseis” essa é uma afirmação considerada
científica em apoio aos evolucionistas.61
Eles procuram, em vão, os espécimes intermediários
entre as formas de vida mais simples e as mais complexas. Buscam
desesperadamente encontrar o “elo perdido”.
Felipe Saint afirmou:
Há muitos casos de animais e de insetos no
registro fóssil que; a despeito da estimativa dos evolucionistas, de milhões de
anos, são idênticos à mesma forma que encontramos hoje.
De acordo com Saint, pernilongos que ficaram
presos numa pedra de âmbar — formada de resina solidificada de uma árvore e
submetida à pressão e ao calor — fossilizaram-se. Lá estão, perfeitamente
preservados, com todas as características dos pernilongos atuais, da mesma
espécie. E após milhões e milhões de anos, na suposição dos evolucionistas.
Há o caso de um peixe, chamado celacantino, da
família dos celacantídeos, que foi encontrado como fóssil, de maneira completa,
incrustado numa rocha. Os evolucionistas comemoraram a descoberta como se fosse
“prova” da teoria da evolução, visto que as suas nadadeiras estavam ligadas a
um prolongamento semelhante a um braço. Seria isso o elo perdido que comprovaria
a evolução entre os peixes e os répteis; os “prolongamentos” seriam a prova da
transição entre os peixes; teriam eles evoluído, com variações que tinham
“pernas” para poderem se mover, rastejando para fora da água.
Os evolucionistas festejavam a descoberta do
peixe considerado extinto durante muitos anos... No entanto, para decepção dos
discípulos de Darwin, um pescador também veio a apanhar, numa rede, uma espécie
de celacantino.
... nas costas da Africa, cm 1938, o primeiro
espécime vivo que alguém já tinha visto. Era exatamente semelhante à impressão
fóssil à qual os cientistas haviam atribuído um milhão de anos! Em 1952, foi
apanhado outro espécime vivo. Assim, em vez de ser uma importante prova de
mudança evolutiva, esse peixe é uma prova admirável da declaração bíblica de
que cada tipo de criatura é segundo a sua espécie6’
De acordo com a Bíblia, houve uma grande
catástrofe, provocada por um grande dilúvio, de âmbito universal (Gn 6—7), que
inundou todo o planeta, destruindo a maioria dos seres vivos, das plantas e das
substâncias existentes na Terra. È mais lógica a explicação dos criacionistas
de que os fósseis reforçam a teoria do catastrofismo.
O catastrofismo ensina que, com o dilúvio, os
seres vivos foram apanhados de surpresa pelos eventos provocados pela inundação
universal. Prova disso são os peixes e outros animais fossilizados; eles foram
petrificados inteiros, intactos. Alguns, até, com alimento não digerido em seu
estômago. Isso desmente a teoria da evolução, que advoga o processo do
uniformitarismo, segundo o qual as eras geológicas, registradas nas camadas de
rochas, indicam uma evolução ao longo de milhões e milhões de anos.
Ora, como um peixe poderia esperar milhões de
anos para se fossilizar? Sabemos que um peixe, se não for preservado em alguma
substância conservadora, apodrecerá em questão de horas. Para ser mantido
intacto, no estado fóssil, precisa ser alcançado por um processo rápido e
instantâneo. Assim, os fósseis desmentem o evolucionismo.
“O elo perdido não existe”, afirmou o famoso
paleontólogo Stephen Jay Gould, da Universidade de Harvard. “A evolução se
processa aos saltos (suj. Uma espécie passa milhares ou milhões de anos
imutável, e subitamente adquire uma característica nova”.64 Aqui vemos
claramente a divergência entre o evoluciomsmo moderno, de Stephen Jay Gould, e
o velho e carcomido darwinismo.
Darwin defendeu, em sua decantada teoria, que a
evolução ocorre lenta e gradualmente, ao longo de milhões e milhões de anos.
Gould afirma que a evolução se processa aos saltos. Agora, perguntamos:
“Pode-se crer numa teoria desse tipo?”
Evolucionismo
“teísta”
Existe uma falaciosa teoria que tenta amenizar
a distância entre a teoria da evolução e a idéia da existência do DEUS
Onipotente, Criador do Universo. E a teoria da evolução “teísta” ou
pseudoteísta. Segundo suas explicações, pode ter havido a evolução gradual da
vida e dos seres vivos, mas sob a supervisão do Criador. Com base nessa
explicação, de igual modo contrária aos pressupostos bíblicos, DEUS teria
criado a primeira célula ou o primeiro organismo unicelular.
Segundo os que admitem essa idéia, o primeiro
organismo se desenvolveu, evoluiu e chegou a um ser semelhante ao macaco, o
qual foi chamado de Adão. Naturalmente, essa explicação foge totalmente ao que
a Bíblia nos ensina acerca da criação do homem.
Em Gênesis 1.27,28, está escrito:
E disse DEUS; Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves
dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move
sobre a terra. E criou DEUS o homem à sua imagem; à imagem de DEUS o criou;
macho e fêmea os criou.
O abismo entre a explicação bíblica para a
criação e a teoria da evolução é tão grande que não existe conciliação entre as
idéias esposadas por elas. O jesuíta francês Teillard de Chardin procurou
harmonizar a falsa evolução das espécies com a Bíblia. Ele tem grande
credibilidade entre os católicos e explica que DEUS criou todas as coisas, mas
através do processo da evolução. Afirma que o relato bíblico não passa de uma
lenda, ou de uma fábula ou alegoria.
Tal teoria é “remendo de pano novo em veste
velha” (Mt 9.16). Jamais dará certo, pois “semelhante remendo rompe a veste, e
faz-se maior a rotura” (M6 9.16b). Na verdade, de acordo com a Bíblia, não está
havendo evolução nenhuma. Pelo contrário, o ser humano está mvolumdo
espiritual, moral e fisicamente. Se há evolução darwinista em andamento, porque
a cliente, dos cemitérios aumenta cada dia?
Os dias da criação seriam eras geológicas ?
Dentro ou ao lado dessa teoria evolucionista pseudoteísta surgiu a explicação
para os dias da criação, como sendo dias-eras, segundo a qual os tais dias não
teriam sido normais, e sim eras geológicas de milhões de anos.
Com essa assertiva, seria possível acomodar as
explicações científicas ao Gênesis, ou este às explicações científicas para o
período de formação da Terra. No entanto, quando lemos o livro de Gênesis e
outros textos bíblicos, somos forçados a concluir que, de fato, os dias da
criação foram dias normais, e não era de milhões e milhões de anos.
A base para a falácia em apreço tem sido 2
Pedro 3.8: “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia”. Mas
este texto tanto pode ser entendido como milhões de anos, como apenas poucos dias,
se consideramos mil anos como um dia. Trata-se apenas de uma referência ao fato
de DEUS não estar restrito ao tempo, como a humanidade está. Afinal, Ele é de
eternidade a eternidade.
Se fosse cada dia uma era geológica de
quinhentos mil anos, como se harmonizaria tal idéia com o DEUS Onipotente?
Iria Ele esperar milhões de anos para criar o primeiro ser humano na Terra? Tal
interpretação tem a finalidade apenas de tentar conciliar a teoria da evolução
com a Bíblia. Como já vimos, é um “remendo de pano novo em vestido velho”.
A Bíblia diz que DEUS fez tudo em seis dias:
“Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há,
e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado e o
santificou” (Ex 20.11). Vemos claramente que foram dias literais, e não
dias-eras. Que DEUS nos abençoe, a fim de que, com humildade, aceitemos a
explicação bíblica para a origem e desenvolvimento do mundo e do homem na face
da Terra.
Conclusão
O estudo da Antropologia Bíblica é de grande
valor para os que desejam conhecer as verdades emanadas da Palavra de DEUS,
como regra de fé e de prática, e como
o Livro que apresenta as únicas explicações
coerentes para a criação do universo, da vida, dos seres vivos, incluindo o
homem, a inteligência e todas as coisas.
Como vimos, a teoria da evolução não passa de
um arranjo teórico para explicar “cientificamente” a origem do homem e de todas
as coisas, visando desacreditar a DEUS e afastar o homem do seu Criador. No
entanto, a Palavra de
DEUS é “lâmpada” e “luz” para nos mostrar os
cammhos pelos quais podemos encontrar DEUS e seu relacionamento com a Criação.
Nela vemos, além disso, o DEUS verdadeiro, que ama o ser humano, a ponto de
propiciar-lhe a restauração espiritual através da salvação em CRISTO JESUS,
nosso Senhor.
Notas bibliográficas
O Homem perante a Naturezz. Blaise Pascal,
http://www.consciencia.org/mo- derna/pascaltextol.shtml; acesso em 24 de
janeiro de 2006.
II.
DISTINÇÃO ENTRE ALMA E ESPÍRITO
1. A composição tríplice do homem. “O mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo vosso espírito e alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do nosso Senhor JESUS CRISTO” (1 Ts 5.23).
1. A composição tríplice do homem. “O mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo vosso espírito e alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do nosso Senhor JESUS CRISTO” (1 Ts 5.23).
São parte
imaterial, ou seja, invisível aos olhos humanos, moram dentro do corpo, o corpo
nós vemos, a alma e o espírito só DEUS pode ver (Mt 23.27 Ai de vós, escribas e
fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que
por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de
toda imundícia).
1Co 4.1 Que os
homens nos considerem, pois, como ministros de CRISTO, e despenseiros
dos mistérios de DEUS.. Nesta passagem vemos que existem muitos mistérios
insondáveis na palavra de DEUS que ainda não foram revelados ao homem, mas que pouco
a pouco vão sendo desvendados pelo ESPÍRITO SANTO que nos transmite esses
conhecimentos sobrenaturalmente. Um desses mistérios é exatamente o que
estudamos nesta lição, o espírito humano, muitas vêzes confundido com a alma,
mas diferente dela como vemos em passagens como 1Ts 5.23 e Hb 4.12.
AS
FUNÇÕES DO ESPÍRITO
O espírito dentro do corpo humano é
a relação do homem com a vida espiritual, entendendo que o homem não é apenas
corpo, matéria, mas também possui relação com o mundo espiritual.
Quando DEUS criou o homem ele o fez
do pó da terra, e soprou sobre o corpo de barro, e este sopro produziu alma
vivente, assim entendemos que a junção do corpo mais espírito ( sopro de DEUS )
produziu a alma vivente, assim o homem possui uma triunidade, Corpo, alma e
ESPÍRITO. Isaías 57:16.
O corpo humano como já escrevemos,
foi feito por DEUS do pó da terra, porém o ESPÍRITO, não foi feito, mas DEUS
deu de si ao homem, o sopro de DEUS no homem, foi como um verdadeiro presente,
DEUS permitiu ao homem Ter em si parte do criador, tanto é que quando o corpo
morre, este sopro de vida, o espírito volta ao criador Eclesiastes 12:7, pois
ao contrario do corpo e da alma, o espírito não se desfaz, e nem esta sujeito a
julgamento, ou condenação espiritual mas conhecido como inferno, devido o
ESPÍRITO ser totalmente divino, ele não foi criado de DEUS, ele é parte de
DEUS, e por isso na morte do corpo, o espírito volta ao criador que o deu, ou
seja enquanto vive o corpo, parte de DEUS vive com ele.
Sendo o ESPÍRITO a relação
espiritual dentro do corpo humano, as funções do espírito dentro do homem é dar
a ele a direção de DEUS para a vida do homem, é o espírito que mostra a vontade
de DEUS na vida humana, na verdade o ESPÍRITO busca orientar a alma para
que tome decisões dentro da vontade de DEUS, um exemplo disso vemos em Salmos
43:5, onde o Salmista mostra o ESPÍRITO repreendendo a alma, e dando conselhos
a mesma para permanecer fiel a DEUS , neste caso não podemos falar que é o
corpo que fala a alma, pois o corpo é apenas lugar de morada da alma, mas sim o
espírito.
O Evangelho de JESUS CRISTO tem
dois mandamentos que em si resumem toda a lei dada a Moisés, isto porque toda a
Lei foi feita buscando trazer ao homem o conhecimento de seus deveres
emocionais perante o seu próximo, são estes os mandamentos de Nosso Salvador
JESUS CRISTO descritos em São Mateus 22:37-39
- Amarás
o Senhor Teu DEUS de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento
- Amarás
o teu próximo como a ti mesmo.
Porque JESUS deu um mandamento de
amor ? o amor como muitos pensam não é um sentimento que entra em nossos
corações ? porventura o homem pode Ter controle sobre seus sentimentos ? se o
homem não pode controlar os sentimentos então este mandamento nunca poderá ser
cumprido, mas se homem pode controlar, então ele pode escolher a pessoa para
expressar seus sentimentos, inclusive a DEUS.
Observando este ponto de vista
iremos ver alguns temas que cuidam dos sentimento do homem, tais como:
A
mente humana, O Coração, A consciência, O Livre Arbítrio
***As Teorias da
Origem do ESPÍRITO
Muitos Antropólogos
bíblicos tem debatido sobre a origem do ESPÍRITO e a alma dentro do homem,
sabe-se que em Adão DEUS soprou sobre suas narinas, mas a partir de Adão como
tem acontecido para que o ESPÍRITO e a alma pudessem estar nele, se a alma é a
personalidade do homem, como ela nasce dentro do corpo humano, o corpo sim é
gerado através de uma relação sexual, mas e a parte espiritual do homem, e sua
alma, como acontece sua aparição dentro do corpo humano, e o caso de Eva, o
corpo foi feito de uma costela de Adão, mas e a alma, e o espírito, DEUS não
soprou em suas narinas também; A resposta para tais perguntas tem surgido
muitos debates, e há muitos pensamentos sobre o assunto, mas buscando dar um
maior entendimento sobre o assunto, daremos vários pensamentos sobre a origem
da alma e espírito dentro do homem.
Emanacionismo
Ensina que o ESPÍRITO vem ao homem
no ato da fecundação, enviados por DEUS, ou seja, a alma e o ESPÍRITO do homem
já existem no céu, e a medida que nasce uma criança, DEUS escolhe um deles e os
envia até o corpo da criança no útero da mãe.
Transmigracionismo
(Espiritismo?)
Ensina que o espírito nasce com o
ser vivo em escalas zoológicas inferiores e vai reencarnando em espécies
superiores, passando pelo homem até atingir um grau de perfeíção moral.
***Criacionismo
(A mais aceita no meio evangélico)
Aqueles que crêem no Criacionismo
defendem a tese de que a alma e espírito é produto da criação de DEUS, ou seja
para cada criança que nasce DEUS cria um espírito e uma alma para a mesma, é
como se DEUS soprasse sobre cada criança a nascer, criando a sua alma e
espírito , isto baseado em Hebreus 12:9, Isaías 57:16 Eclesiastes 12:7, e se
DEUS é o pai dos espíritos, somente ele pode criar uma nova alma.
Traducionismo
(Evolucionismo?)
Esta linha de pensamentos ensina
que o homem transmite aos filhos não só os traços de aparência física, como a
cor da pele, tipo sangüíneo, altura, cor dos olhos, cabelo, etc... Mas também o
homem pode gerar a alma e espírito dentro do corpo humano, entendendo que
primeiro DEUS criou o homem a sua imagem e semelhança, e ao soprar sobre o
homem o espírito de vida, lhe deu capacidade para se multiplicar, tanto no
corpo, como no espírito.
III.
FACULDADES DO ESPÍRITO HUMANO
FÉ E CONSCIÊNCIA:
FÉ E CONSCIÊNCIA:
Invisíveis, mas escenciais ao
relacionamento com DEUS. São indispensáveis àqueles que desejam um dia morar
com DEUS.
1-
FÉ:
Hb 11.1 Ora, a fé é o firme
fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.
Hb 11.6 Ora, sem fé é
impossível agradar a DEUS; porque é necessário que aquele que se aproxima
de DEUS creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.
O
QUE SIGNIFICA FÉ?
Podemos "ver" a fé em
três níveis:
a) Fé intelectual: é a
edificação da fé sobre informações recebidas conforme Rm 10.17: "Logo a fé
é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de CRISTO."
b) Fé emocional: Na parábola
do bom semeador (Mt 13.20-221), a semente que caiu nos lugares rochosos
correspondem aos que parecem arrependidos, mas não se acham alicerçados na fé
ocorre que "mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e
sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se
escandaliza"
c) Fé Volitiva: É a fé
determinada pela vontade, é a que atinge o âmago da personalidade, a sede da
vontade. Vai além da religiosidade, é a fé pela fé, envolvendo fidelidade,
obediência e crer.
Podemos
confiar plenamente em DEUS tendo a fé genuína como base, ou seja tendo a fé em
DEUS. Ter fé em DEUS é uma ordem do Senhor JESUS CRISTO: "Respondeu-lhes
JESUS: Tende fé em DEUS" (Mc 11.22).
Resumidamente
podemos definir que fé é a certeza das coisas esperadas (Hb 11.1). É a
convicção das coisas não vistas (Hb 11.1), sendo uma exigência de DEUS (Mc 11.22;
I Jo 3.230).
A
PRÁTICA DA FÉ
A fé
é um dom de DEUS (Rm 12.3; Ef 2.8; 6.23; Fp 1.29), exclui a vanglória
pessoal (Rm 3.27) e a sua operação é pelo amor (Gl 5.6; I Tm 1.5; Fl 5).
Na
prática da vida como proteção a fé é compara a um escudo: "tomando,
sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos
inflamados do Maligno" (Ef 6.16). Ou a uma couraça: "mas nós, porque
somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo
por capacete a esperança da salvação; (I Ts 5.8).
A fé
produz: salvação (Mc 16.16; At 16.31; Rm 1.17); esperança (Rm 5.2); alegria (At
16.34; I Pe 1.8); paz (Rm 15.3); confiança (Is 28.16 com I Pe 2.6); ousadia na
pregação (Sl 116.10 com II Co 4.13).
2-
CONSCIÊNCIA:
É o tribunal interno de cada
pessoa, no crente ela é viva e reage a cada erro, provocando o desejo de
arrependimento e conversão a DEUS ( 1Jo 1.9).
No ser humano em geral, ou seja, no
homem natural é a acusação interna que causa o remorso como o de Judas ao trair
JESUS, ou como o desespero do drogado ou do alcóolatra ao se dar por si. É o
policial da alma humana.

“Em
Berço de Barro”
Que
é o homem? De onde ele veio? Para onde vai?
Segundo Platão, o homem é:
Um bípede sem pernas.
Um quadrúpede sem penas.
Um quadrúpede sem pernas.
Um bípede sem penas
Um bípede com penas.
Um quadrúpede com pernas.
Segundo Platão, o homem é:
Um bípede sem pernas.
Um quadrúpede sem penas.
Um quadrúpede sem pernas.
Um bípede sem penas
Um bípede com penas.
Um quadrúpede com pernas.
Revista
Veja, 10 de abril de 1985, p.7I,72.
FONTE : http://www.apazdosenhor.org.br/
Lição 3 - A Natureza do Ser Humano, apresentado pelo Comentarista das Revistas Lições Bíblicas de Adultos da CPAD, pastor Claudionor de Andrade.
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