TEXTO
BÍBLICO BÁSICO
Romanos
12.1-3
1 - Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
2 - E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
3 - Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.
1 - Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
2 - E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
3 - Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.
TEXTO
ÁUREO
Portanto,
quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a
glória de Deus. 1 Co 10.31
ORIENTAÇÕES
PEDAGÓGICAS
Prezado
professor,
A indústria cultural tem se mostrado bastante contrária ao evangelho em
quase todas as suas produções. Na verdade, isto é uma forma sutil de trazer
oposição aos valores bíblicos, espalhando a sua mensagem anticristã.
Nesta aula, você deve aproveitar para revelar os processos realizados pela indústria da cultura; mostrar quais os desafios que existem e como o cristão deve posicionar-se para vencê-los.
Não deixe de ver com os seus alunos as questões relacionadas com as mídias sociais, compartilhando com eles como devem lidar responsavelmente com essas mídias, tendo sabedoria e discernimento em usá-las, com posturas cuidadosas de um servo de Deus.
Tenha uma ótima aula!
Nesta aula, você deve aproveitar para revelar os processos realizados pela indústria da cultura; mostrar quais os desafios que existem e como o cristão deve posicionar-se para vencê-los.
Não deixe de ver com os seus alunos as questões relacionadas com as mídias sociais, compartilhando com eles como devem lidar responsavelmente com essas mídias, tendo sabedoria e discernimento em usá-las, com posturas cuidadosas de um servo de Deus.
Tenha uma ótima aula!
Palavra
introdutória
Após a
Segunda Guerra Mundial, o mundo entrou em uma nova fase, com a expansão nos
âmbitos social, político, econômico, cultural e religioso. A partir de 1950, o
mundo sofreu diversas mudanças; a globalização surgiu integrando os povos em
todo o planeta, criando o que o filósofo canadense Herbert McLuhan chamou de
aldeia global.
O comércio, unido ao progresso tecnológico, atingiu o maior grau da história. O ambiente onde isso ocorreu foi o das mídias eletrônicas e sociais — o jornal; o rádio, especialmente; a televisão;
e, mais tarde, a internet —, que geraram uma ampla estrutura lobal de compra e venda de conhecimentos, dados, normatização de modelos culturais, coisificação de pessoas e extinção dos obstáculos étnicos e geográficos em prol de um comércio organizado e voraz.
As mídias eletrônicas e sociais têm causado grande impacto no mundo. Nesta lição, será visto como a indústria cultural tem trabalhado por meio das mídias sociais; o quanto têm sido influentes na sociedade atual; e como o cristão deve lidar com isso.
O comércio, unido ao progresso tecnológico, atingiu o maior grau da história. O ambiente onde isso ocorreu foi o das mídias eletrônicas e sociais — o jornal; o rádio, especialmente; a televisão;
e, mais tarde, a internet —, que geraram uma ampla estrutura lobal de compra e venda de conhecimentos, dados, normatização de modelos culturais, coisificação de pessoas e extinção dos obstáculos étnicos e geográficos em prol de um comércio organizado e voraz.
As mídias eletrônicas e sociais têm causado grande impacto no mundo. Nesta lição, será visto como a indústria cultural tem trabalhado por meio das mídias sociais; o quanto têm sido influentes na sociedade atual; e como o cristão deve lidar com isso.
1. O QUE
É INDÚSTRIA CULTURAL
1.1.
Significado e origem
A
expressão indústria cultural foi criada pelos filósofos alemães, Max Horkheimer
e Theodor Adorno, intelectuais da Escola de Frankfurt, na Alemanha. O termo
surgiu na década de 40, com o livro “Dialética do esclarecimento: fragmentos
filosóficos”.
O consumidor não é soberano, como a indústria cultural quer fazer crer, não é o seu sujeito, mas o seu objeto (Theodor Adorno).
O consumidor não é soberano, como a indústria cultural quer fazer crer, não é o seu sujeito, mas o seu objeto (Theodor Adorno).
1.2. Bens
culturais iguais a bens de consumo
Os dois
pensadores descobriram que várias empresas, querendo ampliar os seus negócios e
rendimentos, desejavam transformar em produtos não apenas os bens de consumo —
carro, telefone, televisão, casas, móveis etc. —, mas igualmente os bens
culturais — música, dança, poesia, pintura, escultura, teatro, cinema etc. O
propósito maior era o consumo em massa, e, logicamente, o lucro expressivo.
Para tanto, eles entenderam que devia ser criado um universo fascinante, onde aqueles com mais posses, e os de poucos recursos, pudessem ter acesso às atividades culturais.
Para tanto, eles entenderam que devia ser criado um universo fascinante, onde aqueles com mais posses, e os de poucos recursos, pudessem ter acesso às atividades culturais.
1.3. A
indústria cultural e a cultura de massa
Um
aspecto muito utilizado na indústria cultural foi o que os meios de comunicação
fizeram, como instrumentos de propaganda. Eles foram os motivadores da fé na
liberdade individual, onde houve o estímulo pela satisfação do consumo.
Assim, não é o indivíduo que faz a opção do que quer ler, ouvir, assistir e ver, mas, sim, a indústria cultural, que age por ele, teleguiando-o. Isto é feito por meio das mídias sociais e daqueles que fazem a propaganda.
Assim, para uma peça de vestuário ser vendida e usada, encontra-se um lindo e prestigiado artista para mostrar aquela roupa.
O simples consumo de uma marca não trará a beleza, o sucesso e a juventude, prometidas pela propaganda ao consumir certo produto. Portanto, provoca-se a ilusão no consumidor, mantendo-o em um círculo vicioso de acomodação e de expectativas que não se concretizarão.
Todavia, nem tudo é negativo na indústria cultural. Para Walter Benjamin, filósofo judeu alemão, na primeira metade do século 20, o consumo exagerado dos artigos culturais se transformava em um caminho de popularização da arte, porque ele poderia levar cultura para muitas pessoas.
A expressão indústria cultural foi concebida para indicar a forma de elaborar e divulgar a cultura no período capitalista
industrial, relacionado a uma experiência de controle
ideológico generalizado, caracterizado por formas de
produção que desejavam, principalmente, o lucro de
grupos empresariais.
Assim, não é o indivíduo que faz a opção do que quer ler, ouvir, assistir e ver, mas, sim, a indústria cultural, que age por ele, teleguiando-o. Isto é feito por meio das mídias sociais e daqueles que fazem a propaganda.
Assim, para uma peça de vestuário ser vendida e usada, encontra-se um lindo e prestigiado artista para mostrar aquela roupa.
O simples consumo de uma marca não trará a beleza, o sucesso e a juventude, prometidas pela propaganda ao consumir certo produto. Portanto, provoca-se a ilusão no consumidor, mantendo-o em um círculo vicioso de acomodação e de expectativas que não se concretizarão.
Todavia, nem tudo é negativo na indústria cultural. Para Walter Benjamin, filósofo judeu alemão, na primeira metade do século 20, o consumo exagerado dos artigos culturais se transformava em um caminho de popularização da arte, porque ele poderia levar cultura para muitas pessoas.
A expressão indústria cultural foi concebida para indicar a forma de elaborar e divulgar a cultura no período capitalista
industrial, relacionado a uma experiência de controle
ideológico generalizado, caracterizado por formas de
produção que desejavam, principalmente, o lucro de
grupos empresariais.
1.4.
Felicidade humana é igual à compra de certos produtos?
Neste
círculo vicioso, o ser humano acaba psicologicamente persuadido pela multidão
e, assim, faz coisas só porque outras pessoas fazem e gosta de coisas só porque
outras pessoas gostam.
Todavia, essa ideia de que todos fazem e todos gostam é falsa, pois é gerenciada pela indústria cultural.
Desse modo, Horkheimer e Adorno entenderam a chance de equiparar grupos e classes sociais, fazendo com que pessoas de todos os lugares, origens e idades padronizassem as suas preferências em música, arte, vestuário etc. Dessa forma, agregaram a felicidade à aquisição dos artigos de certas marcas que eram vendidas. Este é um aspecto que pode ser visto em peças publicitárias da televisão, onde são oferecidos produtos para sentir-se bem, feliz ou amado.
A finalidade mais perversa da indústria cultural é transformar o ser humano em produto — paralisado e alienado. A indústria cultural quer remover o espírito crítico da pessoa, para ela comprar mais e com mais facilidade. A indústria não leva o indivíduo a avaliar a propaganda, nem a questionar se o produto é necessário, se é bom, como ele foi feito e se o preço é compatível com a sua realidade. A indústria cultural quer somente que a pessoa consuma e seja feliz com isso.
Todavia, essa ideia de que todos fazem e todos gostam é falsa, pois é gerenciada pela indústria cultural.
Desse modo, Horkheimer e Adorno entenderam a chance de equiparar grupos e classes sociais, fazendo com que pessoas de todos os lugares, origens e idades padronizassem as suas preferências em música, arte, vestuário etc. Dessa forma, agregaram a felicidade à aquisição dos artigos de certas marcas que eram vendidas. Este é um aspecto que pode ser visto em peças publicitárias da televisão, onde são oferecidos produtos para sentir-se bem, feliz ou amado.
A finalidade mais perversa da indústria cultural é transformar o ser humano em produto — paralisado e alienado. A indústria cultural quer remover o espírito crítico da pessoa, para ela comprar mais e com mais facilidade. A indústria não leva o indivíduo a avaliar a propaganda, nem a questionar se o produto é necessário, se é bom, como ele foi feito e se o preço é compatível com a sua realidade. A indústria cultural quer somente que a pessoa consuma e seja feliz com isso.
2. O
CRISTÃO E AS MÍDIAS SOCIAIS
Considerando
que, atualmente, o ambiente social tem vivido novos relacionamentos, com a
utilização das mídias sociais, o cristão não pode ficar apático a essa
realidade, sob pena de ficar alienado. Por isso, é preciso entender como usar
essas mídias para a glória de Deus.
2.1.
Mídias sociais e culturais e o perigo para a família cristã
A
internet é, hoje, um universo amplo; é impossível medir a magnitude de seu
alcance. Porém, há nela uma imensa quantidade de produções culturais que
agridem a moral e a família.
De repente, o adulto é capaz de evitar um produto específico;
entretanto, o maior perigo ocorre com as crianças expostas ao apelo visual e sonoro, aos personagens e às mensagens que estão embutidas. Por exemplo: se as crianças forem expostas à televisão ou à internet, sem ter a supervisão de um adulto responsável, existe a possibilidade de perdê-las para os padrões satânicos do mundo que, como diz 1 João 5.19, jaz no maligno (ARA).
De repente, o adulto é capaz de evitar um produto específico;
entretanto, o maior perigo ocorre com as crianças expostas ao apelo visual e sonoro, aos personagens e às mensagens que estão embutidas. Por exemplo: se as crianças forem expostas à televisão ou à internet, sem ter a supervisão de um adulto responsável, existe a possibilidade de perdê-las para os padrões satânicos do mundo que, como diz 1 João 5.19, jaz no maligno (ARA).
2.2. O
vício nas mídias sociais
O vício
em mídias sociais é atualmente uma realidade. Um dos estudos sobre o vício foi
feito pela universidade de Chicago, que viu a rotina de 205 pessoas em redes
sociais por sete dias. Os investigadores concluíram que enfrentar as tentações
do Facebook e Twitter é mais complicado do que evitar o álcool e o cigarro.
Esse vício é forte e resistente como o da dependência química.
Como um viciado em drogas, que com o passar do tempo vai necessitar de doses cada vez mais fortes de uma mesma substância para conseguir alcançar o mesmo efeito tóxico do início, o viciado em Facebook, por exemplo, igualmente, precisa se expor e consultar o que os amigos escreveram, cada vez mais frequentemente, para saciar a sua curiosidade e orgulho.
Esse vício é forte e resistente como o da dependência química.
Como um viciado em drogas, que com o passar do tempo vai necessitar de doses cada vez mais fortes de uma mesma substância para conseguir alcançar o mesmo efeito tóxico do início, o viciado em Facebook, por exemplo, igualmente, precisa se expor e consultar o que os amigos escreveram, cada vez mais frequentemente, para saciar a sua curiosidade e orgulho.
2.3. As
consequências do vício em mídias sociais
A dependência
em redes sociais tem consequências difíceis de serem ignoradas. O dependente
das redes sociais pode apresentar vários tipos de disfunções psicológicas, como
mostra o resultado de diversas pesquisas. O vício, entre outras coisas, pode
ocasionar estresse, insônia, dificuldades de atenção e aprendizagem.
Assim como outros vícios, pode haver crise de abstinência, com sintomas de ansiedade, acessos de raiva, suores e até mesmo depressão, quando existe afastamento das redes sociais. O viciado em mídias sociais pode ter palpitações só em pensar na possibilidade de ficar sem acesso à internet, ou sem computador ou celular.
A questão do vício em redes sociais e suas consequências já se tornou tão séria, que existem programas de dependência de internet na área de psiquiatria e psicologia, inclusive no Brasil, com profissionais se especializando para trabalhar nesse campo.
Assim como outros vícios, pode haver crise de abstinência, com sintomas de ansiedade, acessos de raiva, suores e até mesmo depressão, quando existe afastamento das redes sociais. O viciado em mídias sociais pode ter palpitações só em pensar na possibilidade de ficar sem acesso à internet, ou sem computador ou celular.
A questão do vício em redes sociais e suas consequências já se tornou tão séria, que existem programas de dependência de internet na área de psiquiatria e psicologia, inclusive no Brasil, com profissionais se especializando para trabalhar nesse campo.
3.
PÓS-MODERNIDADE, INDÚSTRIA CULTURAL E O CRISTÃO
A
sociedade mundial vive a época da pós-modernidade. Esse é um período que se
identifica pela dissolução de conteúdos morais e éticos. O que se crê, ou o que
se aprendeu com os antepassados, não é mais tão importante. O que conta agora
em um conteúdo é se ele agrada a maioria; se vende; e se produz lucros.
3.1. O
significado de pós-modernidade
A
pós-modernidade é um conceito que retrata o sistema sociocultural predominante,
a partir do fim dos anos 1980, marcado pela falência da antiga União Soviética,
pela queda do Muro de Berlim (1989) e pelo conflito das ideologias na sociedade
ocidental.
A pós-modernidade representa o ambiente em que o sistema pós-moderno está estabelecido, representado pela globalização e pelo controle da sociedade capitalista.
A pós-modernidade é, sobretudo, uma reprovação da modernidade e de suas concepções. Como proposição alternativa, aponta novas propostas — a multiplicidade, a subjetividade e o multiculturalismo.
A pós-modernidade representa o ambiente em que o sistema pós-moderno está estabelecido, representado pela globalização e pelo controle da sociedade capitalista.
A pós-modernidade é, sobretudo, uma reprovação da modernidade e de suas concepções. Como proposição alternativa, aponta novas propostas — a multiplicidade, a subjetividade e o multiculturalismo.
3.2. O
pensamento da pós-modernidade
Alguém
que muito lidou com a questão da pós-modernidade foi o sociólogo polonês
Zygmunt Bauman. Ele denominou o tempo atual de modernidade líquida, onde coisa
alguma existe para ser durável. Os gostos, a estética, os artigos que são
adquiridos; enfim, tudo tem prazo de validade — e, geralmente, é curto. Aquilo
que no ano passado era belo, hoje está ultrapassado e tem que ser trocado. Isso
igualmente acontece nos relacionamentos interpessoais, religiosos e de
trabalho. Segundo Bauman, os relacionamentos sociais na pós-modernidade são
breves: assim como são rapidamente construídos, também são desfeitos com
facilidade. As relações cultivadas por mídias sociais na internet são uma boa
amostra do princípio da fluência dos relacionamentos atuais.
3.3. A
postura do cristão em relação à indústria cultural
Diante da
realidade da indústria cultural, o cristão precisa ter posturas pautadas na
Bíblia. Ele deve ser cauteloso com as informações que chegam — e isso implica
não aceitar o que é apresentado sem uma visão crítica, sem questionar a
validade e os propósitos das informações e ofertas, pois, mesmo que não pareça,
são artigos de consumo. Ele deve lembrar-se do que Paulo disse e colocar suas
instruções em prática: Examinai tudo. Retende o bem (1 Ts 5.21).
O cristão precisa ter em mente que a Bíblia é a sua regra de fé e prática. Ela deve ser o seu padrão em julgar o que é bom ou mau. Além disso, o servo de Deus tem o Espírito Santo para orientá-lo nesses aspectos, bem como uma mente transformada (1 Co 2.16). O cristão vive na contramão do mundo; ele não deve ajustar-se ao que o mundo quer impor; ele não deve desejar o manjar do rei (Dn 1.1-8), mas buscar e pensar nas coisas que são do alto (Cl 3.1-3).
Com relação à indústria cultural, o cristão deve orientar sua família e selecionar conteúdos que a edifiquem espiritual, intelectual, cultural e psicologicamente. A advertência de Paulo precisa ser praticada o tempo todo: tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama... nisso pensai (Fp 4.8).
O cristão precisa ter em mente que a Bíblia é a sua regra de fé e prática. Ela deve ser o seu padrão em julgar o que é bom ou mau. Além disso, o servo de Deus tem o Espírito Santo para orientá-lo nesses aspectos, bem como uma mente transformada (1 Co 2.16). O cristão vive na contramão do mundo; ele não deve ajustar-se ao que o mundo quer impor; ele não deve desejar o manjar do rei (Dn 1.1-8), mas buscar e pensar nas coisas que são do alto (Cl 3.1-3).
Com relação à indústria cultural, o cristão deve orientar sua família e selecionar conteúdos que a edifiquem espiritual, intelectual, cultural e psicologicamente. A advertência de Paulo precisa ser praticada o tempo todo: tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama... nisso pensai (Fp 4.8).
CONCLUSÃO
O cristão
deve seguir o conselho bíblico de Paulo, em Romanos 12.2, e não aceitar o mundo
e seus valores, com as ações e influências do pós-modernismo, representados
pela indústria cultural em suas múltiplas manifestações. Além disso, deve
utilizar com sabedoria e testemunho as mídias sociais, transformando-se e
renovando-se com o entendimento e a ação do Evangelho.
ATIVIDADE
PARA FIXAÇÃO
1. Que
atitude o cristão deve tomar para não aceitar os valores do mundo?
CONCLUSÃO
O teísmo
cristão é a única cosmovisão ou filosofia verdadeira.
Qualquer outra não passa de tradição de homens, conforme disse Paulo (Gl 1.8,9). Jesus também deixou claro que só Ele é o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14.6). Nesse sentido, o verdadeiro cristianismo é excludente, porque não há neutralidade, não há qualquer alternativa. Como ensinado no livro de Gênesis, capítulo 3, todas as falsas filosofias e heresias são resultantes da queda do homem no jardim do Éden. Devido a esse tremendo acontecimento, o homem ficou alienado do Deus das Escrituras, passando a ser o responsável pela construção das inúmeras falsas concepções que têm surgido no transcurso da história da humanidade.
Toda pessoa realmente convertida ao Senhor Jesus, pelo sangue da Nova Aliança, tem a responsabilidade de ser um defensor da verdade do teísmo cristão contra todas as cosmovisões e filosofias do engano (1 Pe 3.15).
Qualquer outra não passa de tradição de homens, conforme disse Paulo (Gl 1.8,9). Jesus também deixou claro que só Ele é o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14.6). Nesse sentido, o verdadeiro cristianismo é excludente, porque não há neutralidade, não há qualquer alternativa. Como ensinado no livro de Gênesis, capítulo 3, todas as falsas filosofias e heresias são resultantes da queda do homem no jardim do Éden. Devido a esse tremendo acontecimento, o homem ficou alienado do Deus das Escrituras, passando a ser o responsável pela construção das inúmeras falsas concepções que têm surgido no transcurso da história da humanidade.
Toda pessoa realmente convertida ao Senhor Jesus, pelo sangue da Nova Aliança, tem a responsabilidade de ser um defensor da verdade do teísmo cristão contra todas as cosmovisões e filosofias do engano (1 Pe 3.15).
Que o
Espírito Eterno, em sua incomensurável sabedoria, faça uso desta lição como um
auxílio a nós nesta urgentíssima tarefa.
Lições da Palavra de Deus nº 56 - 4º Trimestre de 2018 -
Tema: Questões da atualidade - Instruções para a igreja em tempos de crise - Editora: Central Gospel
Conceito de Indústria Cultural em Adorno e Horkheimer
A indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, possui
padrões que se repetem com a intenção de formar uma estética ou percepção comum
voltada ao consumismo.
Apesar de a Indústria Cultural ser um fator primordial na
formação de consciência coletiva nas sociedades massificadas, nem de longe seus
produtos são artísticos. Isso porque esses produtos não mais representam um
tipo de classe (superior ou inferior, dominantes e dominados), mas são
exclusivamente dependentes do mercado.
Essa visão permite compreender de que forma age a Indústria
Cultural. Oferecendo produtos que promovem uma satisfação compensatória e
efêmera, que agrada aos indivíduos, ela impõe-se sobre estes, submetendo-os a
seu monopólio e tornando-os acríticos (já que seus produtos são adquiridos
consensualmente).
Camuflando as forças de classes, a Indústria Cultural
apresenta-se como único poder de dominação e difusão de uma cultura de
subserviência. Ela torna-se o guia que orienta os indivíduos em um mundo
caótico e que por isso desativa, desarticula, qualquer revolta contra seu
sistema. Isso quer dizer que a pseudo felicidade ou satisfação promovida pela
Indústria Cultural acaba por desmobilizar ou impedir qualquer mobilização
crítica que, de alguma forma, fora o papel principal da arte (como no
Renascimento, por exemplo). Ela transforma os indivíduos em seu objeto e não
permite a formação de uma autonomia consciente.
Englobando a sociedade como um todo, com um pequeno número
de evasão, é quase impossível romper com tal sistema produtivo. Aqueles que se
submetem a esse modelo de indústria nada mais fazem que falar de modo diferente
a mesma coisa. Porém, uma certa crítica ainda pode ser vista naqueles que
fomentam um tipo de arte que produz efeitos estéticos fora da padronização
oferecida pela indústria. Mesmo assim, é uma tentativa que fica à margem do
sistema porque não agrada àquelas consciências acostumadas com um modelo
estandardizado.
O próprio Adorno, como um dos integrantes da Escola de
Frankfurt, onde foi desenvolvida a Teoria Crítica, construiu um tipo de música
calculada nos moldes das músicas clássicas e eruditas, mas com uma melodia
aparentemente horripilante aos ouvidos acostumados aos acordes da música
clássica tradicional (leia-se burguesa). Sua pretensão é justamente
desacostumar a percepção daquela noção tradicional de ordem e harmonia (já que
sua música só parece desarmônica, mas na verdade é totalmente ordenada e
arranjada – dodecafônica) prevalecente na cultura burguesa vigente à época.
Para Adorno e Horkheimer, Indústria Cultural distingue-se de
cultura de massa. Esta é oriunda do povo, das suas regionalizações, costumes e
sem a pretensão de ser comercializada, enquanto que aquela possui padrões que
sempre se repetem com a finalidade de formar uma estética ou percepção comum
voltada ao consumismo. E embora a arte clássica, erudita, também pudesse ser
distinta da popular e da comercial, sua origem não tem uma primeira intenção de
ser comercializada e nem surge espontaneamente, mas é trabalhada tecnicamente e
possui uma originalidade incomum – depois pode ser estandardizada, reproduzida
e comercializada segundo os interesses da Indústria Cultural.
Assim, segundo a visão desses autores, é praticamente
impossível fugir desse modelo, mas deveríamos buscar fontes alternativas de
arte e de produção cultural, que, ainda que sejam utilizadas pela indústria,
promovessem o mínimo de conscientização possível.
Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola

A indústria cultural evangélica
*EDUARDO GUILHERME DE MOURA PAEGLE
Resumo: O presente
artigo tem o objetivo de discutir de que forma ocorreu a formação da indústria
cultural evangélica, bem como as suas características que são consideradas as
mais significativas. Para a referida análise utiliza-se a pesquisa de campo que
realizou em São Paulo, na Expocristã, uma feira de produtos e serviços
evangélicos.
Palavras-chaves: Indústria cultural , bens simbólicos e
evangélicos.
Introdução
O crescimento
numérico e a visibilidade alcançada pelos evangélicos brasileiros,
principalmente nas duas últimas décadas, tem atraído a atenção tanto dos
estudiosos da religião quanto do mercado religioso, ávido pela demanda que esse
expressivo segmento tem proporcionado. Como resultado desse fenômeno religioso
facilmente observável, chamamos a atenção pelas formas pelos quais esse
processo ocorreu e como uma demanda religiosa propiciou a formação de uma
expressiva demanda dos evangélicos para adquirir bens e serviços ligados a sua
religiosidade. Assim, a formação de uma indústria cultural evangélica no Brasil
é um dos fenômenos mais evidentes desse processo, conforme trabalhamos neste
artigo.
A formação de uma indústria cultural evangélica brasileira
Para o início deste
artigo, cabe-nos compreender as características essenciais que compõe uma
indústria cultural. Pierre Bourdieu listou três características que considerou
fundamental para a constituição de uma indústria cultural, que são, a saber:
1) A constituição de
bens simbólicos com fluxos cada vez mais intensos;
2) A formação de um
corpo burocrático com a especialização do trabalho proporcionado pelos *
Doutorando no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências
Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsista da Capes. produtores e empresários
simbólicos;
3) A existência de inúmeros atores que competem entre si na
busca pela legitimidade cultural, num modelo concorrencial (BOURDIEU,
2005:99-181). Analisemos inicialmente as características apontadas por Pierre
Bourdieu referentes à Indústria cultural, considerando os evangélicos
brasileiros como elementos da pesquisa. A primeira característica aponta
justamente para intensificação do consumo, sejam de bens e/ou de produtos que
são adquiridos e assimilados. A sociedade capitalista colocou a cultura do
consumo como o seu pilar básico, aonde a aquisição de bens e serviços deve
originar uma vasta acumulação de capitais, de forma mais rápida possível (FEATHERSTONE,
1995:31). Considerando que as mercadorias criam vínculos e sinais de
pertencimento, claro que os evangélicos também buscam consumir bens simbólicos
que exemplificam a sua pertença à comunidade de fé que congregam (FEATHERSTONE,
1995:31). O fato dos evangélicos consumirem cada vez mais bens simbólicos
reflete também o seu crescimento numérico tanto percentual como em números
absolutos, já que no Brasil, os evangélicos passaram de 4.833.106 (5,2%) em 1970 para 26.452.174 (15,6%) em 2000 (CUNHA, 2007:50). Ou seja, em apenas
três décadas, os evangélicos brasileiros triplicaram percentualmente e quase
multiplicaram por seis em números absolutos o seu crescimento. Isso significa
dizer que neste intervalo de tempo, criou-se um expressivo contingente
populacional que representou em grande medida uma primeira geração de
evangélicos que convertidos a um novo segmento religioso que tendem a romper os
antigos laços religiosos e buscam a constituição de um novo pertencimento
evangélico, que passa também pelo consumo de bens simbólicos identificados com
essa expressão religiosa. Na medida em que os evangélicos cresceram, eles
também foram cada vez mais segmentados. Gedeon Alencar lembra-nos de citar os
Atletas de Cristo para os esportistas evangélicos; a Adhonep, para os
empresários; os Peões de Cristo, para os boiadeiros; os Médicos de Cristo; a
Associação de militares evangélicos e a Associação de Funcionários Públicos
evangélicos (ALENCAR, 2005:130). Poderíamos citar inúmeros outros. O importante
foi que de fato, o crescimento e a segmentação, permitiu a constituição
dos novos nichos do mercado gospel
brasileiro. Magali Cunha lembra-nos que para os evangélicos “o mercado,
portanto, funciona como pano de fundo para algo que é considerado maior: o
cultivo da fé.” (CUNHA, 2007:140). Neste sentido, as empresas que trabalham com
um público evangélico precisam adotar estratégias que asseguram a reprodução
dos capitais para os clientes evangélicos. Para se ter uma idéia da dimensão
deste mercado, a indústria e os serviços para o público cristão movimentam mais
de R$ 1 bilhão por ano no Brasil. Fizemos uma pesquisa numa feira evangélica
chamada “Expocristã”, que ocorre anualmente. No ano de 2010, a “Expocristã”
aconteceu entre os dias 07-12 de setembro, na Expo Center Norte, na cidade de
São Paulo, sendo que nos três primeiros dias, o evento foi exclusivo para
líderes e lojistas e os outros três, foram abertos para o público. Ao se referir
ao evento, à pesquisadora Magali Cunha afirmara que:
Visitar a Expocristã é respirar cultura gospel.Stands com
uma variedade de oferta de produtos (livros, revistas, outros impressos, CDs,
vídeos, CD-ROM, roupas e objetos de uso pessoal, cosméticos, objetos rituais,
produtos alimentícios, brinquedos, material escolar e de papelaria,
instrumentos musicais, equipamentos eletrônicos) e serviços
(seguradoras,bancos, cartões de crédito,gráficas, empresas de turismo, buffets
para festa e outros), tudo leva a marca “gospel”,”cristão”,”evangélico”,”Jesus”
ou alguma outra expressão religiosa no hebraico ou grego. Eventos paralelos
tais como cultos, palestras sobre temas relacionados a marketing pessoal e
institucional, espetáculos musicais também acontecem. (CUNHA, 2007:140).
A referida feira, sem dúvida, tronou-se um importante
atrativo e elemento estratégico para alavancar e intensificar os fluxos
comerciais, tendo como público-alvo, os evangélicos. Nas palavras de Eduardo
Berzin, organizador da feira, “a EXPOCRISTÃ é a celebração da fé. Ela une
pastores, distribuidores, lojistas e público final num único espaço. Promove
ferramentas para pastores e líderes.Treina,aprimora e movimenta todo um
segmento.” (BERZIN, 2010:4). A própria
organização do Guia oficial da Expocristã estava segmentados em vários itens,
incluindo as áreas de serviço (utilidade pública do evento que incluíam
guarda-volumes, seção de achados e perdidos,informações de transporte para
chegar ao evento, identificação de crianças
e atendimento médico no evento), teologia (livros da área),Bíblias,
devocionais, biografias, tecnologia(serviços como por exemplo, de
informatização da igreja na Internet), arte e cultura (escolas de artes e
produtoras de filmes), turismo (locais de acampamentos e excursões), música e
sonorização (gravadoras),agenda e pocket show e a lista dos expositores. Nessa
altura, já deve estar claro que a intensificação dos fluxos comerciais, no caso
analisado dos evangélicos, se relaciona com a formação dos produtores de bens
simbólicos. O capital religioso opera
entre a demanda religiosa (os interesses dos leigos) e a oferta (BOURDIEU,
2005:57). O fato dos evangélicos
brasileiros terem crescido e se segmentado exigem uma oferta que supra essas
necessidades. No sentido econômico, os diferentes produtos ofertados, na
Expocristã, por exemplo, visam atender a demanda religiosa existente. Neste sentido, os produtores simbólicos não
seriam “apenas” os pastores, os bispos e as lideranças hierarquicamente
constituídas, mas podem ser também um autor de um livro, o lojista, o dono de
uma gravadora e/ou editora, mesmo um cantor (a) gospel. Existe toda uma
especialização de trabalho para atender uma demanda específica. O
fiel/consumidor pode fechar um pacote turístico para a Terra Santa com um
agente de turismo, pode comprar um Cd do seu cantor preferido, assistir a um
DVD do testemunho de um pregador ou mesmo consumir um boné que contenha
versículos bíblicos, atingindo diferentes demanda criadas pelos consumidores e
pela segmentação destes. O consumo a um produto e/ou serviço específico pode
ser visto como sinal de pertencimento e de identificação com uma determinada
fé. Ocorre também uma disputa comercial entre diferentes empresas nos diversos
setores para atender essa demanda. Na Expocristã, percebemos a existências de
stands com gravadoras que não eram necessariamente evangélicas, como a Sony e a
Som Livre, ao lado de gravadoras evangélicas, como a Patmos Music, Novo Tempo,
Mk Publicitá, Graça Music e Comunhão Music, entre outras, dentro de um mercado
concorrencial, caracterizando a terceira característica apontado por Pierre
Bourdieu, no início do artigo. Isso aponta para algumas tendências. A concepção
de que para grandes gravadoras não ligadas aos evangélicos, como a Sony e a Som
Livre, que existe um grande mercado evangélico a ser explorado e que vale à
pena, investir, adaptar e pesquisar esse mercado para atender uma demanda com
perfil evangélico, além de indicar uma tendência da busca dos cantores gospel
de maior vendagem para fazer parte do
seu casting, fechando contratos milionários com cantores(as) e bandas gospel e
retirando das grandes gravadoras evangélicas os seus principais carros-chefes.
Robson de Paula, num artigo aonde analisa as trajetórias de cantores gospel, em
relação à distribuição dos CDs, distingue de um lado, as produções
independentes/ pequenas gravadoras da produção das grandes gravadoras. As
produções independentes e pequenas gravadoras apresentam como características
principais: a distribuição dos CDs em redes informais; a participação do cantor
em pequenas festividades; alcance a um público restrito e o uso da igreja para divulgação dos álbuns.
Por sua vez, as grandes gravadoras possuem uma
distribuição sistemática dos álbuns; o uso contínuo da mídia; a
participação freqüente nos grandes shows e o uso da igreja para a divulgação
dos álbuns (PAULA, 2007:77). A existência somente nas últimas décadas de
grandes gravadoras evangélicas e agora mais recentemente, a cooptação dos
cantores de maior vendagem para gravadoras não-evangélicas, mas que enxergam
nos cantores gospel, a possibilidade de maiores lucros são exemplos claro
dentro da indústria fonográfica da formação de uma indústria cultural
evangélica, que inclusive, transborda o campo religioso, como a inserção da
Sony e da Som Livre neste mercado de bens simbólicos evangélicos deixa claro.
Renato Ortiz ao se referir a Escola de Frankfurt (Adorno e Horkheimer)
compreende que a indústria cultural apresentou quatro características básicas,
que são:
1) a transformação do produto cultural em mercadoria;
2) a estandardização da mercadoria a ser consumida;
3) relaciona a distribuição e a reprodução mecânica do
produto e
4) carrega uma
ideologia de conformismo da ordem do status quo (ORTIZ, 1980:54). Em relação à
primeira característica citada por Renato Ortiz, a mercantilização do sagrado,
com a transformação de CDs, DVDs, roupas e livros sob o rótulo gospel é uma
clara alusão de que um produto cultural que atende a um demanda especificamente
religiosa, como no caso, dos evangélico possui uma cultura que pode ser
facilmente comercializada. No segundo ponto, os padrões e os gostos tendem a
serem padronizados fazendo com que, por exemplo, cantores de maior vendagem no
setor gospel, sejam vistos “canais” ou
porta-vozes entre Deus e o público (PAULA, 2007:62). O terceiro aspecto citado
por Renato Ortiz permite-nos relacionar que um maior público consumidor, uma
maior profissionalização dos cantores gospel, incluindo os de maiores vendas,
contam consigo com uma grande estrutura de distribuição dos CDs, DVDs e dos
shows, através das estratégias de marketing e publicidade, fazendo à ponte
entre o produtor de um bem simbólico até chegar ao consumidor final. O último
ponto, leva-nos a pensar que o próprio ato de consumir dentro da sociedade
neoliberal que presenciamos está marcada por uma acomodação inclusive dos
elementos religiosos na sociedade de consumo contemporânea, embora sem dúvida,
também existam resistências no campo religioso. Enxerga-se a sacralização do
consumo dentro da cultura gospel, que mantém a essência, mas muda a aparência,
sendo, na expressão bíblica, “o vinho novo em odres velhos.” (CUNHA,
2007:204-206). A própria história religiosa do Brasil marcado com início do
período republicano da dissociação do Estado com o catolicismo enquanto
religião oficial no caminho para a laicidade propiciou um caminho que, diga-se
de passagem, está cada vez mais marcado pela concorrências das agências
religiosas. No dizer do sociólogo Peter Berger, isso representa: A
característica-chave de todas as situações pluralistas, quaisquer que sejam os
detalhes de seu pano de fundo histórico, é que os ex-monopólios religiosos não
podem mais contar com a submissão das populações. A submissão é voluntária e,
assim, por definição, não é segura. Resulta daí que a tradição religiosa, que
antigamente podia ser imposta pela autoridade, agora tem que ser colocada no
mercado. Ela tem que ser “vendida” para uma clientela que não está mais
obrigada “a comprar”. A situação pluralista é, acima de tudo, uma situação de
mercado. Nela, as instituições religiosas tornam-se agências de mercado e as
tradições religiosas tornam-se comodidades de consumo. E, de qualquer forma,
grande parte da atividade religiosa nessa lógica vem a ser dominada pela lógica
da economia de mercado (BERGER, 1985:149).
Na realidade não existe “apenas” uma concorrência entre as
diversas organizações religiosas, mas também de outros produtos e serviços,
considerados de cunho religioso que são oferecidos. Por exemplo, durante a
Expocristã, recebemos um cartão de uma empresa que oferecia consultoria para as
igrejas, oferecendo serviços na área da Internet para que as igrejas possuíssem
um site e que ele fosse constantemente atualizado, mediante a um pagamento. A
referida empresa concorria com outras empresas do setor, mas adentravam o
mercado religioso com os serviços prestados, no caso, assessoria para a
Internet, que poderia ser uma ferramenta útil para dar visibilidade à igreja,
atrair mais fiéis com a divulgação das programações semanais, do endereço e
daquilo que crêem. Através dos dados coletados, percebemos que os stands na
Expocristã buscavam divulgar o seu produto ou serviço variavam entre clínicas
de recuperação, agências missionárias, editoras, divulgação de cantor (a) /
banda, organizadores de eventos gospel, sites da internet, constituindo uma
multiplicidade e uma gigantesca concorrência entre diferentes ramos do universo
e dos interesses do público evangélico. Entre o público os objetivos da
referida feira era múltiplos desde encontrar amigos, evangelização, objetivos
financeiros, compreensão do mundo evangélico, entretenimento, consumir produtos
gospel e assistir os shows dos cantores e bandas gospel. Neste sentido, a
“Expocristã” estava organizada para ser um ponto de encontro entre as tribos
evangélicas, um local que buscava agradar diferentes nichos de mercado dentro
de uma cultura gospel. Neste sentido, parece-nos que a intensificação da
mercantilização dos bens simbólicos religiosos tem atuado com apoio da mídia e
do marketing para alcançar cada vez mais consumidores ávidos em consumir
produtos e serviços que respondam as demandas da sua fé. Nas palavras de Karla
Regina:
O pluralismo religioso e a variedade de concorrentes no
mercado criaram um ambiente propício, e ao mesmo tempo, necessário para o
aparecimento das técnicas de marketing, visando conquistar e manter os fiéis,
ampliando a diversificação de produtos e serviços religiosos com o firme
propósito de atender a demanda do mercado religioso (PATRIOTA, 2007:94). Na análise da referida autora, a mídia
constrói discursos, sobrepondo e moldando valores que se apresentam descartáveis,
alterando as noções do indivíduo em relação às identidades de classe, gênero,
sexualidade, raça, etnia e nacionalidade, fragmentando as identidades do
sujeito num mundo pós-moderno, caracterizado pelo individualismo narcisista,
consumismo materialista e bem-estar. Assim, mesmo a mídia religiosa consegue
uma metamorfose para se adaptar e articular-se ás novas exigências
mercadológicas num cenário pós-moderno (PATRIOTA, 2007:95-96). O desencaixe
identitário do individuo ocorre e precisa ser respondido, sendo que essa
resposta passa pelo aspecto religioso. George Barna, presidente do grupo Barna
de pesquisa, que estuda tendências das igrejas e presta serviços de consultoria
na área de marketing nos Estados Unidos, entende que cabe as próprias igrejas
terem um plano de marketing com estratégias bem definidas. Para o pesquisador
estadunidense a igreja também é um negócio, só que diferente das empresas
não-religiosas, o seu negócio é o ministério que envolve conversões e
crescimento espiritual dos fiéis. Para ele, a estagnação das igrejas evangélicas
estadunidenses desde a década de 1980 decorre de que 90% delas não adotaram um
marketing eficaz (BARNA, 1994:26-27). Um marketing eficaz deveria contar na
visão deste estudioso com sete passos, que são:
1) Designar um líder ou membro da igreja como o seu
coordenador ou gerente de marketing;
2) Fazer com que a liderança da igreja “assuma” o plano; 3)
Identificar as condições necessárias para a execução do plano; 4) Identificar
os recursos específicos a serem empregados na execução; 5) Treinar líderes em
princípios básicos de marketing, para aproveitar o máximo sua contribuição e
talento; 6) Levar as pessoas a assumirem o compromisso de cumprir as tarefas
que lhe forem designadas; 7) Executar todo o plano (BARNA, 1994:114-115).
Conseguimos exemplificar assim que as igrejas enquanto
organizações religiosas podem desenvolver elementos da moderna burocracia
capitalista e mercadológica para maximizar o seu sucesso e minimizar os
prejuízos, ainda que não necessariamente seja o lucro como nos empreendimentos
não-religiosos. Pode-se criar também uma burocracia aos moldes weberianos para
responder as demandas religiosas criadas. Faltou dizer que grande parte do
marketing e da inserção na mídia religiosa é oriunda no Brasil, do capital
político proporcionado pelo chamado “voto evangélico”, dentro da lógica “que
irmão vota em irmão” e que como os canais de TV e rádio são concessões
públicas, o capital político pode se transformar em capital eclesiástico seja
para aumentar e dar publicidade para um cantor gospel, divulgar a localização
de uma igreja, promover livros de uma editora ou autor evangélico, divulgar um
espetáculo religioso ou uma campanha de fé. Desenvolvemos até aqui elementos
que propiciam a valorização da mídia e do marketing, enquanto elementos
estruturantes de uma dita indústria cultural evangélica. Contudo, existem vozes
de resistência dentro do campo evangélico a esse modelo. Ricardo Gondim, pastor
da Assembléia de Deus do bairro do Bom Retiro, na capital paulista, criticava a
escravização mercadológica do Evangelho, pois para ele:
Esse modelo induz as pessoas a adorarem a Deus por aquilo
que Ele dá e não por quem Ele é. Não se anunciam o senhorio de Cristo, apenas os
benefícios da fé. Os crentes acabam tratando a Bíblia como um amuleto e,
supersticiosos, continuam presos ao medo. Vive um religião de consumo (GONDIM,
2006:48).
Outra citação afirmara que:
Vários autores de diversos campos do saber têm proposto o
tema de reencantamento como um ponto importante na superação do atual modelo de
civilização e da sociedade nos quais vivemos. (...) Em outras palavras,
encontrar valores nas coisas, nas atividades e nas pessoas que transcendem o
valor econômico e revelam um sentido de vida que seja muito mais humano e
profundo que simplesmente acumular riquezas e ostentar bens de consumo
(TRANSFERRETI et al, 2007:47).
Existe uma resistência a mercantilização dos bens
religiosos, na medida, que esses pensamentos refletem a busca de uma
transcendência por ela mesma, sem um significado econômico por trás disso. Um
teólogo critica a teologia da prosperidade por compreender o sucesso financeiro
ligado a presença de Deus, dividindo ricos e excluídos dessa concepção, criando
um mundo de vencedores que desfrutam das benesses da riqueza e um mundo de
perdedores, que são os excluídos socialmente (ROSSI, 2008:15-16). Outro teólogo
coloca o nome do sugestivo livro “Cristãos ricos em tempos de fome” (SIDER,
1984). Existe inclusive um movimento de
blogueiros evangélicos que tem participado da Marcha para Jesus e criticado o
seu aspecto mercadológico, com o slogan “Voltemos ao evangelho puro e simples. O
show tem que parar” (ALEXANDRE, 2010:92).
Considerações finais
Buscamos traçar as considerações finais, apontando os
principais pontos deste breve artigo, que são:
1) Entendemos a constituição de uma indústria cultural
evangélica brasileira, bastante perceptível nas últimas décadas, que foram
motivadas pelo crescimento numérico dos evangélicos no país, pelas estruturas
midiáticas e de marketing, que desenvolvem estratégias cada vez mais
profissionais para mercantilização dos bens simbólicos religiosos;
2) A formação dos conglomerados empresarias, notadamente nas
indústrias fonográficas e editoriais, e nos serviços, que buscam atender
diferentes nichos de mercado dos evangélicos, gerando uma concorrência no
mercado religioso, além da própria concorrência entre as diferentes
denominações eclesiásticas para obterem mais fiéis com uma maior eficácia
simbólica. Alguns dos conglomerados empresariais (como, a empresas fonográficas
da Sony e Som Livre presentes na Expocristã) não são religiosas, mas enxergam
no filão gospel, uma ótima possibilidade de lucros;
3) A formação de identidades religiosas formadas a partir
dos hábitos de consumo que identificam sinais de pertencimento religioso à
determinada denominação e/ou estilo de vida;
4) A diversificação de produtos e serviços religiosos para
todos os grupos evangélicos sejam contemplados, considerando que a ampliação
numérica gera também uma maior segmentação e gostos musicais, teológicos,
estéticos que precisam serem supridos pelas demandas religiosas;
5) Conformismo à sociedade de consumo por grande parte dos
evangélicos brasileiros;
6) Resistências de setores à mercantilização dos bens
religiosos através das críticas a teologia da prosperidade e busca do
significado da transcendência por ela mesmo, sem passar pelos sentidos
econômicos;
7) Uso do capital político evangélico para ampliar o capital
eclesiástico, como através das estruturas montadas por alguns grupos
evangélicos para eleições de representantes políticos para conseguir concessões
de rádios e TVs com objetivo de criarem impérios midiáticos.
A igreja na roda viva da indústria cultural
De benéfico veículo de humanização à tirano da informação, a
Indústria Cultural revela sua real estratégia para igreja brasileira no século
XXI: a total dominação. Se para Kant a razão se manifestava em dados imediatos
de forma secreta, hoje ela dobra-se aos esquematismos de uma produção em massa
que aliena e irracionaliza.
Quando o cinema e o rádio perderam a noção de serem
empacotados como arte e se auto definiram como indústria, o prenúncio do porvir
estava dado. Hoje tudo, ou quase tudo, antes de ser o que era, é de fato,
naturalmente, um produto no sentido mais capitalista possível. Sendo assim,
nessa nova dinâmica, um belo quadro, por exemplo, não tem o significado
artístico de outrora em seus requisitos técnicos, específicos, de cosmovisão,
de linguagem expressiva, etc., basta-lhe torná-lo uma simples mercadoria e
então copiá-lo em série e vendê-lo popularmente como um utensílio qualquer.
Vivemos agora numa era onde a técnica adquire poder sobre a
sociedade, e a sua racionalidade tecnológica representa a racionalidade da
dominação que reprime o poder de escolha e autonomia do indivíduo. O bombardeio
vem de todos os lados: num comercial de TV, num jingle de rádio, num outdoor da
cidade, nas roupas, nas revistas, na internet, e nas pessoas já adequadas ao
sistema. Roda Vida (canção de Chico Buarque) há décadas atrás já sintetizava a
sensação que experimento atualmente ante a violenta ação da Indústria Cultural.
Mas o que realmente me inquieta ao falar desse assunto é perceber que a grande
maioria dos cristãos brasileiros, grande parte da igreja institucional,
artistas, pastores, a muito estão sendo sugados pelas engrenagens dessa voraz
dinâmica mercadológica; e o pior, o evangelho passou a ser campo de práticas e
joguetes dessa indústria. Seu ofício maior é domesticar o cristão como um consumidor
cultural da contemporaneidade.
Templos repletos de adoradores que nos seus cotidianos,
fisgados pelos manjares popularizados, correm atrás do novo modelo de carro
mais desejado, da nova TV de 2 cm de espessura, do mais novo celular com
tecnologia de luxo, do modelo de roupa usada na novela do sucesso, enfim, de
tudo que representar o prazer de status e de atualização do mundo. Desta forma
a tal indústria apoiada na técnica faz uso da tecnologia para legitimar seus
produtos culturais. Portanto o que mais interessa não é o conteúdo e sua
relevância, mas sua sofisticação de entretenimento. Ou seja, a técnica
sobrepuja o conjunto da obra. E não é isso que mais vemos hoje em pregações
Técnicas, efeitos, domínio de público, construções de discursos à base de
macetes de neurolinguística. Muita sofisticação, pouco
conteúdo. A racionalidade técnica é a própria racionalidade da dominação.
(Theodor Adorno)
Os esquemas são as fórmulas de garantia da boa aceitação do
produto. Portanto o que surge no mercado com cara de novidade, perpassa por um
processo de maquiagem que torna o supérfluo atraente, porém sem que muitos
notem que é uma ideia e produto refugo. O cinema, as novelas (praxe dos crentes
modernos, após a Bíblia e os cultos) são bons exemplos dos esquematismos.
Neste, prova-se então o quanto é raro o personagem vilão de um filme não ser
aniquilado no final da história, já o protagonista, mesmo suportando a inúmeras
investidas e agonizando suas forças, quase que nunca promove um final triste.
Assim também ocorre em novelas. Mudamse nomes, personagens, cenários, épocas,
mas as cronologias de fatos sucedem a própria prévia do telespectador de um
final feliz. São artes que vestem diversão, passatempo e falsa importância para
a vida comum.
Na música comercial, cujo gospel atual se encaixa
perfeitamente, os esquemas também são bem vindos. É uma ferramenta que gira em
torno do próprio eixo. Nada se cria, como bem disse João Alexandre, o novo
reaparece em meras repetições. Como músico, compartilho a minha simples visão
ante a massificação de canções que vestem as ideias da indústria cultural
atual:
Melodias óbvias e nada improváveis. Nota-se que a fórmula é
a mesma para tantas canções (faça o teste, por exemplo, com canções do Diante
do Trono: melodias de cor melancólica, com progressões de acordes invertidos,
super-uso de terças e finais de frase com SUS, ou seja, suspenso). Se a canção
for lenta, precisa te impelir ao emotivo, se for rápida precisa te impulsionar
a tirar o pé do chão.
Refrão fácil de pegar. Aquele que vai de Sol, Ré, Mi menor e
Dó, isto é, o velho esquema que funciona o que não deixa de ser um padrão
legal, mas tudo de mais é muito né? Assim o ouvinte vai ouvir e consumir um
novo que não tem nada de novidade, muito pelo contrário, é apenas mais uma estandardização
do familiar no inconsciente da massa.
Letra recheada de conceitos e noções soltas, vagando no ar,
mas não problematizada, além de quase sempre trazer poesias demasiadas pobres.
Se enche os espaços de verdades, rima paixão com coração, louvor com amor, diz
que Deus é tudo, fala sobre sonhos, promessas, milagres, e pronto, o esquema tá
novamente reproduzido e com certeza fará sucesso. Isto, claro, se deveu a
domesticação do público por parte da
indústria, que por sinal, não vê com bons olhos suscitar
dúvidas, imaginação ou questionamentos. Nada pode ameaçar a prosperidade da
fórmula e por em cheque a garantia do ciclo do $uce$$o.
Cara de popular com intenções nada democráticas. Nessa
lógica, o público é ensinado a consumir sobre o referimento do que é popular e
não do que é desejado. Aí notamos a vedação do poder escolha que ocorre seja na
violência simbólica ou na segmentação do espaço como demarcação de grupo
através dos meios de comunicação daí alguém pode pensar aonde ouvir outra
música cristã além das tocadas no rádio? Existe outra para que eu possa
escolher? Comumente, é natural domesticar os ouvintes a receberem novas canções
sem esforço algum, do que induzilos à busca (é o mercado do óbvio). Ou seja, a
indústria mina, demarca e com suas fórmulas e esquemas ataca sem dar trégua.
Pois bem gente, aonde chegamos? Marketing eclesiásticos,
consumismo desenfreado, venda de indulgências modernas, práticas domesticadas
pela indústria da cultura, resignificação de novos grupos e cantore(a)s que giram
num mesmo ciclo de pseudonovidades, gosto pelo popular e não pelo fundamental.
Muita superficialidade e pouca essencialidade. Muita diversão, muita distração.
É isso que ela quer pra nós.
Portanto, bom é reconceituar que a Indústria Cultural
torna-se de fato a Indústria da Diversão, e nesta não se pretende pensar, senão
esquecer a dor, mesmo onde quer que ela se mostre pra que assim, na base do
divertimento instala-se a impotência, a legitimação, o uso e o abuso.
Efetivamente, a libertação prometida pelo entretenimento é a do próprio
pensamento como negação. E nós como Igreja, será que estamos atuando nossa
faculdade de autonomia de pensamento? (Reflitamos) Almejo a que igreja
brasileira se liberte das garras da manipulação. Almejo que as formas de culto,
as nossas canções, nossos hobbys, nossas práticas estejam além do que a
indústria da cultura “ gospel” nos oferece. Almejo que cantemos novas canções,
que sejamos livres, criativos, pensantes, e de vida plena e dominada apenas
pela graça e sabedoria vindas de Deus.
Por Antognoni Misael



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