domingo, 23 de setembro de 2018

LIÇÃO 14 - ENTRE A PÁSCOA E O PENTECOSTES





INTRODUÇÃO
N
este último capítulo, trataremos de um assunto bastante caro a nós, pentecostais. Refiro-me ao avivamento espiritual que, em nossa história, sempre teve início com um retorno incondicional à Bíblia Sagrada, à oração e a uma vida de santidade e pureza. A volta ao Calvário e ao Cenáculo resulta, invariavelmente, em batismos com o Espírito Santo, manifestação de dons espirituais, curas divinas, sinais e maravilhas. Não nos esqueçamos da operação do Espírito no interior de cada um que professa o nome de Cristo: convicção de pecado, arrependimento, volta ao primeiro amor e voluntariedade no serviço cristão.
       Se almejamos, de fato, um poderoso reavivamento, seremos constrangidos a trilhar um caminho que, tendo início na Páscoa, vai até ao Pentecostes. Antes, porém, teremos de definir o avivamento de acordo com a ótica pentecostal. Logo após, alinharemos os fatores imprescindíveis para um reavivamento duradouro e bíblico. Que Deus nos ajude a viver a plenitude de seu Espírito; menos que isto é inaceitável.
I.                    PRINCÍPIOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO
       Se você me perguntar qual o maior avivamento da história da Igreja Cristã, responder-lhe-ei que é o pentecostal. Não quero, com a minha resposta, desmerecer a reforma de Lutero, na Alemanha, ou a iniciativa de John Wesley, na Inglaterra.
      Todavia, quando comparo ambos os movimentos ao pentecostal, vejo-me obrigado a reconhecer que este é maior e mais abrangente do que aqueles. Mas reconheço, igualmente, que sem o labor de Lutero e Wesley, nossos paisfundadores, Daniel Berg e Gunnar Vingren, nada poderiam ter feito. No Reino de Deus, há uma santa e desejável interdependência. Todos dependemos de todos. Em meio a essas considerações, procuremos uma definição de avivamento.

1.       O que é o avivamento. Quando nos propomos a definir o avivamento de acordo com a história e a tradição da Igreja Cristã, deparamo-nos, logo de início, com um incômodo problema de nomenclatura e semântica. Afinal, a palavra certa é “avivamento” ou “reavivamento”? Costumamos usá-las invariavelmente; temo-las por sinônimos. Todavia, há uma diferença substancial entre ambas.
      Avivamento diz respeito a um organismo que, embora não esteja morto, ainda precisa experimentar a vida em sua plenitude. Foi o caso dos discípulos de Cristo. Antes do Pentecostes, não estavam mortos; tinham já o Espírito Santo a dirigir-lhes, inclusive, a escolha do sucessor de Judas Iscariotes. O próprio Jesus já havia assoprado, neles, a promessa do Consolador: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22).
       Conquanto já vivessem eles como apóstolos e discípulos de Jesus, não haviam sido avivados, pelo Espírito Santo, como Igreja de Cristo. Isso só haveria de acontecer no Dia de Pentecostes, em Jerusalém, conforme o relato de Lucas, no capítulo dois de Atos.
       O reavivamento, por seu turno, concerne à igreja que, em consequência de seus pecados e iniquidades, morreu organicamente e, agora, já começa a falecer como organização. Haja vista o ocorrido com a congregação de Sardes, a qual o Senhor Jesus endereça uma carta sobrecarregada de urgências: “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus” (Ap 3.1,2, ARA).
      Essa igreja, sim, necessitava urgentemente de um reavivamento espiritual, porque sobrevivia apenas no âmbito material. O que a tornava visível era a sua burocracia, membresia e clero.
      Na morte de uma igreja, desaparece o ministério e surge o clero; os membros do corpo de Cristo fazem-se logo membresia e clientela; o que era obrigação espiritual desponta, agora, como burocracia pesada e custosa; o que era esperança cristã transforma-se numa mera agenda social e política. Uma igreja, nessas condições, precisa, sim, de um urgente reavivamento.
       Portanto, o avivamento coube à Igreja Cristã que, no dia de Pentecostes, passou a viver na força e no poder do Espírito Santo. Ela foi avivada e não reavivada, pois não estava morta; apenas não havia nascido. Quanto ao reavivamento, cabe a igrejas e congregações como a de Sardes que, apesar de já terem experimentado a vida em Cristo, deixaram-se morrer espiritual e ministerialmente. Tais rebanhos carecem de um reavivamento poderoso, para que voltem à vida. Caso contrário, morrerão; logo estarão a cheirar mal.
      Embora haja diferenças entre os termos “avivamento” e “reavivamento” podemos, teologicamente, usar um pelo outro, a fim de descrever o movimento do Espírito Santo numa igreja local, objetivando levá-la a experimentar novamente a vida que somente Jesus Cristo pode nos dar.
       Portanto, o avivamento ou reavivamento, é a operação sobrenatural do Espírito Santo, na Igreja de Cristo, cujo principal objetivo é reconduzi-la à sua condição primordial de corpo espiritual do Filho de Deus. Essa ação do Espírito Santo só é possível por intermédio destes fatores: retorno à Palavra de Deus, à oração, à santidade, à comunhão e ao serviço cristão.

2.       O retorno à Palavra de Deus. Certa tarde, quando me encontrava internado num hospital do Rio de Janeiro, recebi a visita de um enfermeiro que, fugindo à rotina, me narrou suas dificuldades num seminário já bem tradicional e histórico. Em sua primeira aula, disse-me ele, foi seriamente advertido por um professor: “Aqui, neste seminário, não perderemos tempo com a leitura da Bíblia nem com oração; aqui só há lugar para uma coisa: o estudo da teologia”. Até agora não entendi como é possível estudar teologia evangélica sem as Sagradas Escrituras.
       De um seminário como esse, não se deve esperar avivamento nem reavivamento. Infelizmente, o que antes era casa de profeta, agora é albergue de hereges, ativistas sociais e seguidores de Balaão. Aproveitando o ensejo, recomendo aos pastores que mantenham seus institutos bíblicos e faculdades teológicas sob a tutela do santo ministério. Isso porque, a teologia, para ser boa e inútil, tem de ser produzida no âmbito da Igreja Cristã, conforme lemos nos primeiros versículos de Atos capítulo 13. Se assim agirmos, o avivamento não será apenas desejável, como também possível e contínuo.
        Se não voltarmos urgentemente à Palavra de Deus não haverá qualquer esperança para o Movimento Pentecostal no Brasil. Sem o percebermos, fomos substituindo a pregação e o ensino da Palavra de Deus por extravagâncias: coreografia, teatro, cinema, shows, misticismos e outras tralhas e modismos. Enquanto isso, aos sermões, às doutrinas, aos estudos bíblicos e às abençoadas escolas de obreiros reservamos um tempo sem tempo; os cantinhos das agendas.
       É ora de alguém, como Hilquias, aparecer em nossos arraiais com esta notícia: “Achei o Livro da Lei na Casa do SENHOR” (2 Cr 34.15). O que me espanta, nessa história, é o fato de a Palavra do Senhor ter-se perdido justamente na Casa do Senhor. Se no palácio real, seria compreensível; os documentos eram muitos. E se na intendência, seria não somente compreensível, mas também desculpável; a burocracia faz perder qualquer coisa. Mas, na Casa do Senhor, onde a Palavra do Senhor deve ocupar sempre o primeiro lugar, não podemos nem compreender nem desculpar. Que a Bíblia Sagrada esteja sempre em primeiro lugar tanto no templo como no santuário de nossos corações. Nela, o avivamento é possível.

3.       O retorno à oração. Não posso esquecer-me dos abençoados cultos de oração na Assembleia de Deus em São Bernardo do Campo, SP. Ali, todas às quartas-feiras, reuníamo-nos a buscar ao Senhor. Das 19h30 às 21 horas, permanecíamos ajoelhados a clamar pelos mais difíceis e complicados motivos; a resposta era certa. O interessante é que, passados mais de 40 anos, aquela querida igreja continua avivada; não perdeu a flama do Cenáculo; sua identidade pentecostal acha-se inalterada.
         Nada substitui a oração.
        Hoje, porém, buscamos substituí-la por fórmulas mágicas e alienígenas. Supomos que o nosso déficit de oração pode ter como sucedâneo uma palestra motivacional, uma seção de psicanálise, uma semana no spa, uma mês na Europa ou uma vida toda a justificar nossos fracassos e quedas espirituais.
       O que dizer daqueles que substituíram o Espírito Santo por um guru ou por uma pitonisa?
        Busquemos ao Senhor enquanto é tempo. Se não voltarmos à oração e ao jejum não sobreviveremos aos dias ruins, trabalhosos e sobrecarregados que se escondem nas agendas e calendários eclesiásticos. Voltemo-nos sem tardança à resposta do Senhor a Salomão na inauguração do Santo Templo:

Se eu cerrar os céus de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. (2 Cr 7.13, 14, ARA)

        Que os céus, sob muitas igrejas, já foram cerrados, não há dúvida; ei-las secas e estéreis. Que os gafanhotos já consomem vinhas e oliveiras, dantes tão produtivas, ninguém pode esconder; é algo visível e de partir o coração. E que a peste do pecado e da iniquidade espalha-se entre os santos é um fato mais que testemunhal; nunca se viu tanto joio em meio ao trigo.
       Se a situação é tão calamitosa, o que fazer? A resposta vem do próprio Senhor: humilhação, oração e conversão. É urgente buscar a face de Deus.

4.       O retorno à santidade. Às vezes, orgulhamo-nos de ser a maior igreja evangélica da América Latina. De acordo com alguns censos, já superamos a casa dos 10 milhões de membros. E, de conformidade com outros, temos em torno de vinte milhões de fiéis do Amapá ao Rio Grande do Sul. Uma nação dentro da nação. Uma cifra que supera a demografia de muitos países do mundo. Mas, aqui, não devo discutir números ou censos; isso não seria nada sensato. O que busco discutir, nessas linhas que me restam, é a qualidade de toda essa quantidade.
       Será que temos sido realmente santos como requer a Palavra de Deus? O Deus da Palavra ainda está a exigir de cada um de seus filhos: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo.” (Lv 19.22). Perante essa reivindicação divina, não nos resta alternativa a não ser buscar a santidade e viver em santificação diante de Deus e dos homens. Sejamos santos na Igreja de Cristo e no mundo que tem por príncipe ao Diabo; no lar, entre o cônjuge e os filhos, e nas ruas e logradouros entre desconhecidos que anseiam por conhecer o Evangelho.
       Querido pastor, não permita que seus jovens precipitem-se no inferno. Doutrine-os, na Palavra de Deus, a fugir da prostituição. Deixe-lhes bem claro que o sexo, antes e fora do casamento, é pecado. Quanto a você, dê-lhes um exemplo de gravidade e pureza; fuja aos encontros equívocos com outras mulheres. Ensine às esposas e aos maridos a beleza da fidelidade; desestimule separações e divórcios. Realce o valor do culto doméstico e da Escola Dominical.
       Exorte o rebanho a vestir-se com decência, recato e ordem. Por que roupas sensuais? Por que vestes que espelham a ideologia de gênero? Que os homens vistam-se como homens, e que as mulheres trajem-se como mulheres. Por que tatuagens e marcas a desmerecer o nosso corpo? Somos o templo do Espírito Santo?
       Devido a demandas financeiras, alguns pastores e dirigentes de congregações se quer ousam exortar um dizimista adúltero ou uma ofertante corrupta. Já imaginou apresentar o próximo relatório sem o dízimo daquele homem e sem a oferta desta mulher? Sob essa pressão, alguns aceitam até oferendas de sodomitas e meretrizes.
       Querido obreiro, não se enverede por esse caminho. Quem nos faz prosperar é o Senhor; fujamos aos produtos de roubos e furtos. Nada de dinheiro lavado na casa do tesouro; perante Deus estará sempre sujo. Antes, recolha com amor e carinho a contribuição da viúva pobre. Se você agir dessa forma, tanto ela quanto você serão abençoados.
        Na luta pela santidade, ressoa-nos a exortação do autor da Epístola aos Hebreus: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

5.       O valor da comunhão cristã. Ao encerrar a segunda carta aos irmãos de Corinto, uma igreja que tinha sérias dificuldades quanto à comunhão cristã, o apóstolo deixa-lhes esta doce e maravilhosa bênção: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Co 13.13, ARA).
       A comunhão que, na Terra, nos mantém unidos ao Céu, é mantida pelo Espírito Santo. Horizontalmente, faz com que todos os santos sintam-se e comportem-se como irmãos; verticalmente, leva todos os santos, agora irmãos amados, a regozijarem-se e a conduzirem-se como filhos do Pai Celeste.
        Se às ovelhas é recomendado viver a comunhão cristã em sua plenitude, o que esperar dos pastores? Deveríamos nós, obreiros de Cristo, ser modelares quanto à paz, à concórdia e à cooperação; menos do que isso é inaceitável.
Mas, às vezes, comportamo-nos como os pastores de Abraão e de Ló. Enquanto as ovelhas compartilhavam os pastos que já não tinham, os pastores não conseguiam enxergar a amplidão que os espreitava quer à direita, quer à esquerda. Por que brigar por um posto no ministério? Se é Jesus Cristo quem dá obreiros à Igreja, tenhamos paciência; no momento certo, seremos dados pelo Sumo Pastor ao rebanho certo. Por que altercar-se pela presidência de um ministério ou de uma convenção? Comporte-se como homem de Deus. O primeiro lugar nem sempre é conveniente. Às vezes, é a ruína de nossa alma. Portanto, não se agaste. Se entregue à Obra de Deus, mas não deixe de prostrar-se ao Deus da obra. Lembremo-nos de que seguir a paz com todos é um dos requisitos para se entrar no Céu. Eu quero ver o Senhor.

6.       O serviço cristão. O verdadeiro avivamento espiritual implica também na retomada do serviço cristão. Assim se deu com os pais-fundadores do Movimento Pentecostal. Tão logo foram batizados no Espírito Santo saíram a evangelizar e a fazer missões. Aliás, não há como desassociar o pentecostalismo da obra missionária; acham-se intimamente unidos.
       Portanto, nós, que já passamos pelo Calvário, não deixemos de entrar no Cenáculo. Avivando-nos, o Senhor quer levar-nos aos confins da Terra. Confiemos no seu querer. Sim, Jesus, que rogou ao Pai que nos enviasse o Consolador, é a nossa Páscoa.
 II. PENTECOSTES, A FESTA DAS PRIMÍCIAS
Se o Senhor Jesus Cristo não tivesse sido imolado como o nosso Cordeiro Pascal, aquele dia de Pentecostes, em Jerusalém, não teria qualquer sentido. Todavia, a Páscoa de Cristo tornou real o Pentecostes do Espírito.

1.       Cristo, o Cordeiro Pascal. O Senhor Jesus foi crucificado durante a Páscoa (Mt 26.2). Mas, ao terceiro dia, eis que Ele ressurgiu de entre os mortos, recebendo toda a autoridade nos céus e na terra (Mt 28.1-8). Jesus foi feito as primícias dos que dormem, por ser Ele mesmo a ressurreição e a vida (Jo 11.25; 1 Co 15.20-23). Em seguida, fez menção da grande colheita que haveria por intermédio da descida do Espírito Santo (Jo 1.8). Que os discípulos, pois, esperassem a chegada do Consolador (Lc 24.4).
       O batismo com o Espírito Santo é o requisito inicial e básico para a consagração de um obreiro ao ministério da Palavra. Por que fazer atalhos para que este ou aquele seja guindado ao ofício sagrado? Vejamos se os candidatos foram ou não chamados por Deus. Foram agraciados com algum dom ministerial? O princípio de Atos 13 ainda continua a vigorar. Apenas Jesus Cristo, o Sumo Pastor, pode dar os homens certos à Igreja. Quanto a nós, sigamos os preceitos de Efésios 4.11-14. Não imponhamos as mãos precipitadamente sobre quem quer que seja, a fim de não separarmos um diabo que, mais adiante, nos destruirá o reganho do Senhor. A responsabilidade será nossa. Prove cada um de seus candidatos antes de sua aprovação final.

2. O Pentecostes do Espírito Santo. Passados cinquenta dias, desde a morte de Cristo, ocorrida na Páscoa, eis que os discípulos recebem o Consolador em pleno dia de Pentecostes (At 2.1-4). Cheios do Espírito Santo, falaram noutras línguas, enunciando, aos peregrinos que visitavam Jerusalém, as grandezas de Deus (At 2.7-11).

3. As primícias da Igreja Cristã. Nesse momento, levanta-se Pedro com os demais apóstolos, e proclama o Evangelho de Cristo. E, como resultado de sua mensagem, quase três mil pessoas converteram-se (At 2.41). As primícias da Igreja Primitiva são apresentadas a Deus Pai.

CONCLUSÃO
Afirmou o evangelista norte-americano Stanley Jones (1884-1973): “A vida do cristão começa no Calvário, mas o trabalho eficiente no Pentecostes”.
       Sem a Páscoa não pode haver Pentecostes. O que isso significa? Duas são as experiências indispensáveis ao discípulo de Jesus. Além da salvação, o batismo com o Espírito Santo. Então, revestidos de poder, apresentaremos ao Senhor as primícias de nosso amor e serviços: preciosas almas.
       Por intermédio do Evangelho Completo, podemos reviver a experiência da Igreja Primitiva, que apregoava ousada e livremente que Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura as enfermidades, opera sinais e maravilhas e, em breve, virá buscar-nos. Aviva, Senhor a tua obra.
 Irmãos, orai por mim.


                               Cinquenta Dias Depois da Páscoa


Como o Antigo Testamento nos fornece muitas sombras das verdades reveladas no Novo Testamento, podemos enriquecer nosso entendimento das grandes obras de Deus por meio do estudo das Escrituras dadas aos judeus antes da vinda de Jesus. Uma comparação entre o livro de Êxodo (do Antigo Testamento) e o livro de Atos (do Novo Testamento) aumenta nosso apreço pela obra reveladora do Senhor.

O Dia conhecido no Novo Testamento como Pentecostes foi um dia especial no calendário judaico. A palavra Pentecostes se refere ao intervalo de 50 dias entre a Páscoa e a festa que os judeus chamavam de Shavuot ou a Festa das Semanas (Levítico 23:15-21 explica a contagem de dias e a maneira de celebrar essa festa). Foi um dia de comemorar a sega de trigo (Êxodo 34:22). Os judeus atribuíram um outro sentido ao dia que nos leva a refletir mais sobre o significado dessa sombra do trabalho realizado pelo Senhor no Novo Testamento. Para compreender esse segundo significado, precisamos observar alguns detalhes da história da infância da nação de Israel.

Deus mandou fazer o sacrifício do cordeiro da Páscoa na noite do dia 14 do primeiro mês do novo calendário dos hebreus (Êxodo 12:1-14). O sangue do cordeiro posto acima e aos lados das portas foi o meio que Deus mandou distinguir entre seu povo que desejava a salvação e os egípcios que seriam punidos. Na mesma noite, Deus trouxe sobre o Egito a décima praga e libertou os israelitas. Essa data marcou a salvação de Israel por meio do sangue do cordeiro.

O evento paralelo, embora muito mais importante, no Novo Testamento, foi a morte de Jesus na cruz. Além da coincidência proposital da data, Cristo é descrito como Cordeiro (Apocalipse 5:6). João Batista identificou Jesus como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Paulo disse que “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1 Coríntios 5:7). O sacrifício do cordeiro no Egito prefigurou a morte de Jesus na cruz para cancelar nossos pecados.

Pentecostes veio 50 dias depois.

Voltemos à contagem de dias no livro de Êxodo. Onde estavam os israelitas e o que estava acontecendo 50 dias depois da Páscoa? Começamos a contar os dias com a Páscoa, no dia 14 do primeiro mês. O resto daquele mês daria mais 16 dias, e o mês seguinte (o segundo no calendário) acrescentaria mais 30 dias, para um total de 46. No dia seguinte, o primeiro dia do terceiro mês, o povo de Israel chegou ao monte Sinai (Êxodo 19:1). Moisés subiu para receber orientações de Deus. Ele mandou que o povo se purificasse, pois no terceiro dia ele desceria sobre o monte Sinai para falar com o povo (19:10-11). Com essa conta, podemos concluir que Deus encontrou os israelitas no monte Sinai sete semanas (49 ou 50 dias) depois da primeira Páscoa. Por esse motivo, os judeus chegaram a atribuir à Festa de Pentecostes o significado da revelação da lei de Deus ao seu povo.

Deus desceu sobre o monte com trovões, relâmpagos, som de trombeta, uma espessa nuvem, fogo, fumaça e terremoto! A voz do Senhor soava como um trovão quando falou para o povo. Foi uma ocasião marcante e extremamente importante. Deus comunicou a sua palavra para separar uma nação santa. Ele revelou os termos da comunhão entre a congregação de Israel e seu Deus. Encontramos o relato em Êxodo 19 e 20.

E o que aconteceu no dia de Pentecostes depois do sacrifício do nosso Cordeiro pascal, Jesus Cristo? Com o som de um forte vento, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos em Jerusalém. As palavras que ele revelou por meio daqueles homens escolhidos mostraram para os ouvintes as condições da comunhão com Deus. Por meio do evangelho pregado naquele dia, Deus separou uma nação santa, a igreja do Senhor Jesus. As pessoas que se arrependeram e receberam o batismo para a remissão dos pecados foram salvas e entraram em comunhão com Deus (leia o registro desse dia importante em Atos 2). A mensagem que o Senhor revelou no monte Sinai definiu a igreja do Antigo Testamento, o povo de Israel. A mensagem revelada em Jerusalém no dia de Pentecostes definiu a igreja do Novo Testamento.

Pentecostes foi uma data marcante, tanto no Antigo como no Novo Testamento
                                                                                       -por Dennis Allan

                                       Resultado de imagem para pentecostes na bíblia
                                                

                                    1. Definição.


PÁSCOA (Dicionário Teológico)
- [Do hb. pesah, passagem] Festa com que os israelitas comemoram a saída do Egito, e a passagem à liberdade e à comunhão plena com DEUS (Êx 12.1-18). E o acontecimento mais importante do Antigo Testamento. Foi a partir daí que a história da salvação começou a ser esboçada com cores mais fortes.

Mês Abibe  - Strong Português - Mês Abibe  אביב ’abiyb
1) fresco, espigas novas de cevada, cevada
2) mês da formação da espiga, época da colheita Abibe, mês do êxodo e da páscoa (março ou abril)

PÁSCOA - Strong Português -  פסח pecach - grego ðáó÷á
1) páscoa
1a) sacrifício da páscoa
1b) vítima animal da páscoa
1c) festa da páscoa

PÁSCOA (Dicionario Davis)
Festa da primavera originalmente consagrada à Eastra ou Ostra, divindade teutônica, deusa da luz e da primavera. Este vocábulo veio a designar a festa cristã da ressurreição, desde o século oitavo por via dos anglo-saxônios. Encontra-se uma vez em Atos, 12: 4, porém a tradução não é correta. A palavra original é Paschoa, vocábulo grego que significa Páscoa.


Cordeiro (Dicionario Vine Antigo e Novo Testamento)
כבש kebes
 כבשה kibsah כבשׁה or kabsah

CORDEIRO
kebes (כבש); “cordeiro, cabrito”. O cognato acadiano deste substantivo significa “cordeiro”, ao passo que o cognato árabe significa “carneiro novo”. A palavra aparece 107 vezes no Antigo Testamento hebraico, e especialmente no Pentateuco.
O kebes é um “cordeiro” que quase sempre é usado para propósitos sacrificiais. O primeiro uso em Êxodo pertence à Páscoa: “O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras” (Êx 12.5). A palavra gedi, “cabrito”, é sinônimo de kebes: “E morará 0 lobo com o cordeiro [kebes], e o leopardo com o cabrito [gedí] se deitará, e o bezerro, e o filho de leão, e a nédia ovelha viverão juntos, e um menino pequeno os guiará” (Is 11.6). No hebraico, a palavra kebes é masculina, ao passo que kibsah, “cordeira”, é feminina: “Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho” (Gn 21.28).
A Septuaginta dá as seguintes traduções: amnos (“cordeiro”); probaton (“ovelha”); e amos (“cordeiro”).

PÁSCOA -  Dicionário Biblia Almeida - Festa em que os israelitas comemoram a libertação dos seus antepassados da escravidão no Egito (Êx 12.1-20; Mc 14.12). Cai no dia 14 de NISÃ (mais ou menos 1 de abril). Em hebraico o nome dessa festa é Pessach. A FESTA DOS PÃES ASMOS era um prolongamento da Páscoa (Dt 16.1-8).

PÁSCOA - Dicionário Strong Português
πασχα pascha - de origem aramaica,
1) sacrifício pascal (que era comum ser oferecido por causa da libertação do povo do Egito)
2) cordeiro pascal, i.e., o cordeiro que os israelitas tinham o costume de matar e comer no décimo quarto dia do mês de Nisã (o primeiro mês do ano para eles) em memória do dia no qual seus pais, preparando-se para sair do Egito, foram ordenados por DEUS a matar e comer um cordeiro, e aspergir as ombreiras de suas portas com o seu sangue, para que o anjo destruidor, vendo o sangue, passasse por sobre as suas moradas; CRISTO crucificado é comparado ao cordeiro pascal imolado
3) ceia pascal
4) festa pascal, festa da Páscoa, que se estende do décimo quarto ao vigésimo dia do mês Nisã

PÁSCOA
Mas, a eles, os fez sair com prata e ouro, e entre as suas tribos não houve um só enfermo. Salmos 105:37
Libertação - Da Escravidão e União com DEUS
Subsistência Material - Saúde Financeira
Cura de Doenças e Enfermidades -Saúde Física

ABIBE (Wycliffe) - Mês Março/Abril
1. Espigas novas de cevada (do hebraico, Ex 9.31; Lv 2.14) maduras, mas ainda macias, comidas raladas ou assadas (KB).
2. Esse nome cananita foi dado ao mês (mar- ço-abril) em que a cevada amadurecia. Também era chamado de “princípio dos meses* (Êx 12.2) e “mês primeiro” (Lv 23.5) da vida nacional de Israel. Ano após ano, Abibe simbolizava a presença do Senhor nos eventos do Êxodo lembrados com os rituais da Festa dos Pães Asmos (Êx 13.4; 23.25; 34.18) e da Páscoa (Dt 16.1) e que ocorriam durante esse mês. Abibe equivale ao Nisan babilônico, nome pelo qual o mês era chamado depois do Cativeiro (Ne 2.1; Et 3.7). Nâo está claro se a distinção feita por Josefo entre os anos rituais e civis, começando respectivamente na primavera (Nisan) e outono (Tisri), têm uma origem anterior ou posterior (Jos. Ant. i.3.3).


2. Cerimônia pascoal.


3. Simbologia.


II – O PENTECOSTES, A FESTA DAS PRIMÍCIAS
PENTECOSTES - Veja http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-espiritosanto-odiadepentecostes.htm e http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao3-ada-1tr11-oderrammentodoesnopentecostes.htm
E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. Lucas 24:49
Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o ESPIRITO SANTO, não muito depois destes dias. Atos dos Apóstolos 1:5
E todos foram cheios do ESPIRITO SANTO e começaram a falar em outras línguas, conforme o ESPIRITO SANTO lhes concedia que falassem. Atos dos Apóstolos 2:4
 1 Cumprindo-se ao dia de Pentecostes, bestavam todos reunidos no mesmo lugar;2 e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, ce encheu toda a casa em que estavam assentados.3 E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.4 E todos foram dcheios do ESPIRITO SANTO ee começaram a falar em outras línguas, conforme o ESPIRITO SANTO lhes concedia que falassem. Atos 1:1-4.

2.1 PENTECOSTE. Pentecoste era a segunda grande festa sagrada do ano judaico. A primeira grande festa era a Páscoa. Cinqüenta dias após esta, vinha a festa de Pentecoste, nome este derivado do gr. penteekostos (=qüinquagésimo). Era também chamada Festas das Colheitas, porque nela as primícias da sega de grãos eram oferecidas a DEUS (cf. Lv 23.17). Da mesma forma, o dia de Pentecoste simboliza, para a igreja, o início da colheita de almas para DEUS neste mundo.

2.2,3 UM VENTO... IMPETUOSO, E... LÍNGUAS REPARTIDAS, COMO QUE DE FOGO. As manifestações externas de um som como de um vento poderoso e das línguas de fogo (vv. 2,3) demonstram que DEUS estava ali presente e ativo, de modo poderoso (cf. Êx 3.1-6; 1 Rs 18.38,39). O fogo talvez simbolize a consagração e a separação dos crentes para DEUS, visando a obra de glorificar a CRISTO (Jo 16.13,14) e de testemunhar dEle (1.8). Estas duas manifestações antecederam o batismo no ESPIRITO SANTO, e não foram repetidas noutros relatos similares do livro de Atos.

2.4 CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO. Qual é o significado da plenitude do ESPIRITO SANTO recebida no dia de Pentecoste? (1) Significou o início do cumprimento da promessa de DEUS em Jl 2.28,29, de derramar seu ESPIRITO sobre todo o seu povo nos tempos do fim (cf. 1.4,5; Mt 3.11; Lc 24.49; Jo 1.33; ver Jl 2.28,29 nota). (2) Posto que os últimos dias desta era já começaram (v. 17; cf. Hb 1.2; 1 Pe 1.20), todos agora se vêem ante a decisão de se arrependerem e de crerem em CRISTO (3.19; Mt 3.2; Lc 13.3; ver At 2.17 notas). (3) Os discípulos foram do alto... revestidos de poder (Lc 24.49; cf. At 1.8), que os capacitou a testemunhar de CRISTO, a produzir nos perdidos grande convicção no tocante ao pecado, à justiça, e ao julgamento divino, e a desviá-los do pecado para a salvação em CRISTO (cf. 1.8; 4.13,33; 6.8; Rm 15.19; ver Jo 16.8 nota). (4) O ESPIRITO SANTO já revelou sua natureza como aquele que anseia e pugna pela salvação de pessoas de todas as nações e aqueles que receberam o batismo no ESPIRITO SANTO ficaram cheios do mesmo anseio pela salvação da raça humana (vv. 38-40; 4.12,33; Rm 9.1-3; 10.1). O Pentecoste é o início das missões mundiais (1.8; 2.6-11,39). (5) Os discípulos se tornaram ministros do ESPIRITO. Não somente pregavam JESUS crucificado e ressuscitado, levando outras pessoas ao arrependimento e à fé em CRISTO, como também influenciavam essas pessoas a receber o dom do ESPIRITO SANTO (vv. 38,39) que eles mesmos tinham recebido no Pentecoste (v. 4). Levar outros ao batismo no ESPIRITO SANTO é a chave da obra apostólica no NT (ver 8.17; 9.17,18; 10.44-46; 19.6). (6) Mediante este batismo no ESPIRITO, os seguidores de CRISTO tornaram-se continuadores do seu ministério terreno. Continuaram a fazer e a ensinar, no poder do ESPIRITO SANTO, as mesmas coisas que JESUS começou, não só a fazer, mas a ensinar (1.1; Jo 14.12)
2.4 COMEÇARAM A FALAR EM OUTRAS LÍNGUAS. Essas línguas são espirituais, vindas de DEUS. São línguas sobrenaturais. Não é uma língua de alguma nação. O falar noutras línguas, ou a glossolália (gr. glossais lalo), era entre os crentes do NT, um sinal da parte de DEUS para evidenciar o batismo no ESPÍRITO SANTO (ver 2.4; 10.45-47; 19.6). Esse padrão bíblico para o viver na plenitude do ESPÍRITO continua o mesmo para os dias de hoje.

SEMANAS = SHAVUOT  (Pentecostes)

Em Levítico 23:16 encontramos a expressão hebraica hamishshïm yom (LXX=pentêkonta hêmeras) que significa cinqüenta dias. Era comemorada cinqüenta dias depois da festa das primícias quando era ofertado o primeiro molho de trigo da colheita (Lv.23:11,12,15,16; Dt.16:9), aos 6 do mês de Sivan, que corresponde ao mês de junho em nosso calendário. Comemorada após cinqüenta dias ou sete semanas, recebeu também o nome de festa das semanas=hagh shabhu'ôth (Ex.34:22; Dt.16:10), ou dia das primícias = yôm habbikkürïm (Ex.23:16; Nm.28:26). Comemorava a entrega da lei que foi dada no monte Sinai durante este período (Compare Ex.19:1,11 com Ex.12:6,12). Enquanto os pães asmos eram sem fermento, os pães desta oferta continham fermento (Lv.23:16-18), e deveriam ser movidos com os pães das primícias perante o Senhor (Lv.23:20).
Evento Correspondente no Novo Testamento: Pentecostes
(At.2:1; At.20:16; I Co.16:8)

Assim como os pães das primícias eram movidos (Lv.23:9-14), também os pães levedados deveriam ser movidos juntamente com eles (Lv.23:20; Rm.6:5). O Pentecoste tipifica a descida do ESPÍRITO SANTO para formar a Igreja. Por causa disto está presente o fermento porque o mal está presente na Igreja (Mt.13:33; At.5:1-10; 15:1). Assim como CRISTO foi removido da sepultura; os cristãos também foram simbolicamente movidos (At.4:31). Nas primícias eram oferecidos molhos de hastes separadas frouxamente reunidas, mas no Pentecoste há uma verdadeira união de partes formando uma única massa. A descida do ESPÍRITO SANTO uniu os discípulos, antes separados, em um só corpo (I Co.10:16,17; I Co.12:12,13,20).

Pentecoste comemora então a vinda do ESPÍRITO SANTO, que foi dado cinqüenta dias após a ressurreição de CRISTO. Assim como a lei foi dada nesse período, no tempo do Antigo Testamento, para o povo de Israel, o ESPÍRITO SANTO foi dado, também nesse período, para a Igreja (IICo.3:3-11). Os 120 discípulos (At.1:15) reunidos no dia de Pentecoste, sobre os quais caiu o ESPÍRITO SANTO, representavam a colheita dos primeiros frutos (Rm.8:23; Tg.1:18; Ap.14:4; Mt.13:30; 21:34). A Igreja tem a Primícia do ESPÍRITO.
No AT as línguas separaram os povos, no NT as línguas os une.

1. Definição.


2. O cerimonial.


3. A simbologia.

III – O DIA DE PENTECOSTES

1. CRISTO, o Cordeiro Pascal.


2. O Pentecostes do ESPIRITO SANTO.


3. As primícias da Igreja Cristã.


CONCLUSÃO



                                 COMENTÁRIOS DIVERSOS


PÁSCOA 1 - Dicionário - Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD

Esta palavra aparece várias vezes na Bíblia Sagrada. Porém na versão KJV em inglês ela aparece apenas uma vez (Act 12.4). É usada como tradução do termo grego pascha, que é corretamente traduzido como “páscoa" nas passagens onde consta no Novo Testamento. A palavra “Páscoa" em inglês (“Easter”) é derivada do nome de uma deusa teutônica da primavera, “Eastre", e foi adaptada pelos cristãos ao uso atual aprox, no século VIII d.C.
Festa instituída por DEUS para Israel, na época do Êxodo, para celebrar a noite em que o Senhor Jeová poupou todos os recém nascidos primogênitos dos israelitas e matou todos os primogênitos dos egípcios (Ex 12.1-30,43-49).

A palavra hebraicapesah (do gregopascha) tem uma origem incerta. G. E. Mendenhall a relaciona 
com a palavra acadiana pashu, que consta na carta Amarna 74.37 para descrever a paz ou a segurança que resulta do estabelecimento de uma aliança (BASOR, #133 [1954], p. 29). B. Couroyer sugere que este termo é uma transliteração de duas palavras egípcias p3 sh, “le eoup” (o gelpe, a pancada), e que ele refere-se ao golpe infligido pelo Senhor à terra do Egito na décima praga. Ele acredita que a expressão egípcia foi colocada ao lado de uma raiz hebraica composta pelas mesmas consoantes, pasah, que significa saltar ou passar (por cima) como em 1 Reis 18.26. Devido à sua conexão com a isenção dos primogênitos de Israel, pesah veio a ter o sentido da misericordiosa intenção de Jeová ao passar por cima das casas que foram marcadas com sangue (“L’origine égyptienne du mot ‘Pâque’”, Revue Biblique, LXII [1955], 481-496).

O verbo pasah ocorre em Êxodo 12.13,23,27, onde obviamente significa que o Senhor pulou ou saltou por cima e, desse modo, poupou as casas israelitas quando feriu os egípcios (Outro verbo com os mesmos radicais significa mancar ou ser manco; 2 Samuel 4.4.) A outra única ocorrência, no sentido de poupar ou proteger, está em Isaías 31.5, onde pasah está em um paralelo com outros três verbos que sigpíficam *proteger”, "libertar” e *salvar”. E possível que em Isaías o significado possa ter sido estabelecido pelo uso em Êxodo 12 e não por refletir o significado original da raiz. Portanto, não se pode afirmar que o substantivo pesah deriva ou não do verbo pasah, que originalmente significava passar por cima.

Quanto à observação cerimonial da festa da Páscoa no AT. Veja Festividades; Sacrifícios; Adoração.
No AT, é feita uma referência à celebração da primeira Páscoa por Moisés, com a aspersão de sangue para que os primogênitos israelitas não fossem tocados (Hb 11.28). Existem muitas outras referências a festas da Páscoa durante a vida do Senhor JESUS. Ainda criança, todos os anos Ele era levado por seus pais a Jerusalém para a Festa da Páscoa (Lc 2.41). No quarto evangelho, três Páscoas são definitivamente mencionadas durante o ministério do Senhor JESUS (Jo 2.13,23; 6.4; 11.55; 12.1; 18;1; 18.28,39; 19.14) e acredita-se que a festa mencionada em João 5.1 seria a quarta Páscoa.
Na época de CRISTO, o cordeiro pascal (geralmente um cordeiro ou cabrito de um ano, mas veja Êxodo 12.5) era ritualmente sacrificado na área do Templo. Essa refeição, no entanto, podia ser comida em qualquer casa da cidade. Um grupo comunitário, como o de JESUS e seus discípulos, podia celebrar a Páscoa em conjunto, com se formasse uma unidade familiar. Cerca de 120.000 a 180.000 judeus compareciam a Jerusalém para essa e outras festas anuais, sendo que a grande maioria deles era formada por peregrinos vindos de países da Diáspora (J. Jeremias, Jerusalém in the Time of JESUS, Filadélfia. Fortress, 1969, pp. 58-84). Depois da destruição do Templo no ano 70 d.C., as provisões para o sacrifício de um animal, sob a forma de um ritual, cessaram totalmente e a Páscoa dos judeus passou a ser uma simples cerimônia familiar, uma refeição sem derramamento de sangue. 

Atualmente, apenas os samaritanos (q.v.), em sua cerimônia anual da Páscoa no monte Gerizim, sacrificam cordeiros ou cabritos visando cumprir a ordem deÊxodo 12.
Uma última passagem do NT desenvolve claramente o significado tipológico da Páscoa e da Festa dos Pães Asmos para o cristão. Paulo conclama os Coríntios a eliminar o fermento da malícia e da iniqüidade, e observar diariamente a festa “porque CRISTO, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7). Dessa forma, Paulo declara diretamente que CRISTO é o “nosso Cordeiro pascal”, conforme o pronunciamento de João Batista de que JESUS é “o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Devido a estas passagens, e a ensinos semelhantes, a Igreja primitiva veio a entender que a Ceia do Senhor (q.v.) substitui completamente a celebração da Páscoa.J.R.

FONTE : APAZDOSENHOR.ORG




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